Jornal A Família Católica, 7 edição. dezembro 2013

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Jornal A Família Católica, 7 edição. dezembro 2013

  1. 1. Necessidade da fé para con- templar com fruto o mistério da Encarnação Invenietis infantem pannis involu- tum, et positum in praesepio- “Achareis um menino envolto em panos, e posto em uma manjedou- ra” (Lc. 2, 12) I– Quando a Igreja contempla o mistério prodigioso de um Deus nascido numa gruta, exclama cheia de pasmo: O Magnum mysterium! O admirabile sacra- mentum! - Ó grande mistério! Ó sacramento admirável! Os ani- mais veem o seu Senhor nasci- do e posto numa manjedoura! - Para contemplar com amor e ternura o nascimento de Jesus Cristo, devemos pedir ao Se- nhor o dom de uma fé viva. Se entramos sem fé na Gruta de Belém, teremos apenas senti- mentos de piedade, ao vermos um menino reduzido a tal extre- ma pobreza, que, nascendo no rigor do inverno, seja posto nu- ma manjedoura de animais, sem fogo numa gruta fria. Mas, se entramos com fé e consideramos os excessos de bondade e amor da parte de um Deus que quis aparecer entre os homens como menino pe- quenino, envolto em panos, posto sobre a palha, chorando e tremendo de frio, incapaz de se mover, necessitado de um pou- co de leite para viver, como será possível que alguém não se sinta atraído e docemente cons- trangido a dar todo o seu amor ao Deus-Menino, que se reduziu a tal extremo para se fazer amar? Diz São Lucas que os pasto- res, depois de terem visitado Jesus Cristo na gruta, voltaram glorificados e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto: reversi sunt glorificantes Meditações Sto. Afonso Maria de Ligório SANTOS E FESTAS DO MÊS: 03– São Francisco Xavier 04– São Pedro Crisólogo Santa Bárbara 06– São Nicolau 07– Santo Ambrósio 08– Festa da Imaculada Conceição 12– Nossa Senhora de Guadalupe 13– Santa Luzia 17– São Lázaro 21– São Tomé, Apóstolo 25– Nascimento de Nosso Senhor Jesus cristo, Natal 26– Santo Estevão, Proto- mártir 27– São João, Apóstolo 28– Festa dos Santos Ino- centes N E S T A E D I Ç Ã O : Meditações 1 Meditações 2 Exemplos de vários esta- dos 3 Imaculada Conceição 4 Dezembro/ 2013Edição 7 A Família Católica C A P E L A N O S S A S E N H O R A D A S A L E G R I A S et laudantes Deum. E todavia que é que eles tinham visto? Nada, senão um criancinha po- bre, tiritando de frio, sobre um pouco de palha. Mas, porque eram iluminados pela luz da fé, reconheceram naquele Menino o excesso do amor divino, e abra- sados neste amor, louvavam e glorificavam a Deus por terem tido a sorte ditosa de ver um Deus aniquilado (semetipsum exinanivit) e humilhado por amor dos homens. Terno e amável Menino, embo- ra eu Vos veja tão pobre nesta palha, reconheço-Vos e adoro- Vos como meu Senhor e meu Criador. Compreendo o que Vos reduziu a tão miserável estado: o vosso amor para comigo. Ó meu Jesus, quando, após isto, penso no modo pelo qual Vos tratei no passado, nas injúrias que Vos fiz, espanto-me de que tenhais podido suportar-me. Ah! Malditos pecados, que tendes feito? En- chestes de amargura o Coração tão amante do meu Senhor. Por piedade, caro Salvador meu, pelos padecimentos que sofrestes e pelas lágrimas que derramastes na gruta de Belém, dai-me lágrimas, dai-me uma grande dor, que me faça chorar toda a minha vida os desgostos que Vos causei. Abrasai-me de amor para convosco; mas, de amor tal que compense todos os crimes contra Vós. Amo-Vos, meu pequenino Salvador, amo-Vos, ó Deus feito menino, amo-Vos, meu amor, minha vida, meu tu- do. Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas, e prometo -Vos não amar d’ora em diante senão a Vós. Ajudai-me com a vossa graça, sem a qual nada posso.— Óh Maria, mi- nha esperança, alcan- çais de vosso divino Filho o que quereis: rogai-lhe que me conce- da o seu santo amor. Minha Mãe, atendei-me. Jesus nasce Menino I– Considera que o primeiro sinal que o Anjo deu aos pastores para reconheceram o Messi- as nascido foi este: que o haviam de achar como menino: invenietis infan- tem - ’achareis um me- nino’. A pequenez das crianças é um forte atra- tivo do amor; mas atrati- vo muito mais forte deve ser para nós a pequenez de Jesus Menino, que, sendo Deus imenso, se fez pequeno para atrair com mais violência os nossos corações. Sic nasci voluit, qui voluit amari. Jesus não veio ao mundo para ser temido, mas para ser amado, e por isso quis mostrar-se na sua primeira vinda como menino tenro e pobre.
  2. 2. A F a m í l i a C a t ó l i c aE d i ç ã o 7 Pelo amor, pois, de Jesus Cristo, perdo- ai-me todas as ofensas que Vos fiz e das quais me arrependo de todo o coração, por Vos ter desagradado a Vós, bondade infinita. Pelo amor de Jesus Cristo Vos peço a santa perseverança. Ah! Deus meu, se Vos ofendesse ainda depois de me haverdes esperado com tanta paciência, esclarecido com tantas luzes e perdoado com tanto amor, não mereceria um inferno feito de propósito só para mim? Ah, meu Pai, não me aban- doneis. Tremo ao pensar nas minhas traições Quantas vezes tenho prometido amar-Vos, e cada vez Vos virei as costas! Ah! Meu Creador, não permitais que tenha de chorar a desgraça de me ver novamente privado da vossa amizade: Ne permittas me separari a te — “Não permitais me aparte mais de Vós!” Repi- to-o e quero repeti-lo até o meu último suspiro, e peço-Vos a graça de repeti-lo sempre: Não permitais me aparte mais de Vós! Meu Jesus, ó doce Menino, pren- dei-me a Vós pelos laços do amor. Amo- Vos e quero sempre amar-Vos. Não per- mitais me separe mais do vosso amor.— Amo-Vos também, ó minha Mãe Maria; dignai-vos igualmente amar-me. Se me amais, eis aí a graça que me deveis al- cançar: a de nunca deixar de amar a meu Deus. Magnus Dominus et laudabilis nimis, dizia São Bernardo — O meu Senhor é grande e por isso digno de todo o lou- vor, pela sua majestade divina. Mas, contemplando-o depois o Santo, feito pequenino na gruta de Belém, acres- centou com ternura: Parvulus Dominus et amabilis valde— O meu grande e supremo Deus se fez pequenino por meu amor, e por isso é extremamente amável.—Oh! Quem poderá contemplar com fé um Deus feito menino, choran- do e gemendo numa gruta, sobre um pouco de palha, e não o amar, e não convidar todos a seu amor, como os convidava São Francisco de Assis, di- zendo: Amemus puerum de Bethlehem — ”Amemos o menino de Belém”! Ele é pequenino, não fala, apenas geme: mas, ó Deus, aqueles vagidos são ou- tras tantas vozes pelas quais nos convi- da a seu amor e nos pede nossos cora- ções. Considera que as crianças atraem o afeto pela sua inocência. Todas as cri- anças, porém, nascem manchadas pelo pecado. Jesus nasce pequenino, mas nasce santo: sanctus, innocens, im- pollutus —”santo, inocente, impoluto”. “O meu amado, assim dizia a Esposa dos Cânticos, “ é todo rubicundo pelo amor, e toda cândido pela sua inocên- cia, sem mancha de qualquer culpa”— Dilectus meus candidus et rubicundus, electus ex millibus. Consolemo-nos, nós pobres pecadores, porque este divino Menino veio do céu para nos comunicar pela sua Paixão a sua inocência. Os seus méritos, contanto que os aproveite- mos, podem mudar-nos de pecadores em santos; ponhamos, pois, neles toda a nossa confiança; peçamos por eles todas as graças ao Eterno Pai, e tudo alcançaremos. II- Ó Pai Eterno, miserável pecador como sou e digno do inferno, nada te- nho para Vos oferecer em expiação dos meus pecados. Ofereço-Vos as lágrimas, as penas, o sangue, a morte deste Meni- no, que é Vosso Filho, e Vos peço miseri- córdia por seus merecimentos. Se não tivesse este divino Menino para Vos oferecer, perdido estaria, não haveria mais esperança para mim. Mas Vós me haveis dado, afim de que, oferecendo- Vos seus merecimentos, possa esperara minha salvação. Senhor, tem sido mui grande minha ingratidão; maior é, po- rém, a vossa misericórdia. E que maior misericórdia podia esperar de Vós do que me dardes vosso próprio Filho para redentor e vítima de expiação por meus pecados? "Vinde juntar-vos aos pastores Vinde com eles a Belém Vinde correndo pressurosos, o Salvador que enfim nos vem"
  3. 3. Exemplo 6 — Exemplo de uma se- nhora que por muitos anos calou na confissão um pecado desonesto. Refere Santo Afonso e mais parti- cularmente o Padre Antônio Caroc- cio, que passaram pelo país em que vivia esta senhora dois religiosos, e ela, que sempre esperava confessor forasteiro, rogou a um deles que a ouvisse em confissão, e confessou- se. Logo que partiram os padres, o companheiro disse ao confessor ter visto que, enquanto a senhora se confessava, saiam de sua boca mui- tas cobras e uma serpente enorme deixava ver fora sua cabeça, mas voltava de novo para dentro, e após ela todas as que antes saíram. Sus- peitando o confessor o que aquilo poderia significar, voltou a cidade e a casa daquela senhora, onde lhe disseram que ela, no momento de entrar na sala, morrera repentina- mente. Por três dias seguidos jejuaram e oraram por ela, suplicando ao Se- nhor que lhes manifestasse aquele caso. Ao terceiro dia apareceu-lhes a infeliz senhora condenada e mon- tada sobre um demônio, em figura de um dragão horrível com duas serpentes enroscadas ao pescoço, que a afogavam e lhe comiam os peitos; uma víbora na cabeça, dois sapos nos olhos, setas ardentes nas orelhas, chamas de fogo na boca e dois cães danados que lhe mordiam e lhe comiam as mãos; e dando um triste e espantoso gemido, disse: Eu sou a desventurada senhora que vossa Vª. Rvma. confessou há 3 dias; conforme eu ia confessando, meus pecados saíam de minha bo- ca, e aquela serpente enorme, que o companheiro viu sair de minha cabe- ça e voltou depois para dentro, era figura dum pecado desonesto que calei sempre por vergonha; quis confessá-lo com Vª. Rvma., mas também não me atrevi; por isso, voltou a entrar dentro, e com ele P á g i n a 3 A F a m í l i a C a t ó l i c a todos os mais que haviam saído. Can- sado já Deus de tanto esperar-me, tirou-me repentinamente a vida e me precipitou no inferno, onde sou ator- mentada pelos demônios em figura de horrendos animais. A víbora me ator- menta a cabeça pela minha soberba e excessivo cuidado em pentear os cabe- los; os sapos cegam-me os olhos, por meus olhares lascivos; as flechas ace- sas me atormentam os ouvidos, por- que escutei murmurações, palavras e cantigas obscenas; o fogo abrasa-me a boca pelas murmurações e beijos tor- pes; tenho as serpentes enroscadas no pescoço e me comem os peitos, por- que os levei dum modo provocativo, pelo decote de meus vestidos e pelos abraços desonestos; os cães me co- mem as mãos, pelas más obras e tatos impuros, mas o que mais me atormen- ta é o horroroso dragão em que vou montada, e que me abraça as entra- nhas em castigos de meus pecados impuros. Ai! Que não há remédios para mim, senão tormentos e pena eterna! Ai das mulheres! acrescentou; porque muitas delas se condenam por quatro gêneros de pecados: por pecado de impureza, pelas galas e enfeites, por feitiçaria e por calar pecados nas confissões. Os homens se condenam por toda a classe de pecados, mas as mulheres principalmente por estes quatro pecados. Dito isto, abriu-se a terra e por ela en- trou esta infeliz mulher, até o mais profundo do inferno, onde padece e padecerá por toda a eternidade!" Reflete cristão, e entende que Deus nosso Senhor mandou sair esta infeliz senhora do inferno, e que passasse pela vergonha, para que todos os ho- mens soubessem a sorte que os espe- ra, se, pecando, não se confessarem bem. Oxalá que tu tirasses da leitura deste exemplo horroroso, o fruto que tiraram outros, fazendo uma boa con- fissão e emendando—te de tudo. Um autor diz que este exemplo converteu mais gente do que duzentas quares- mas. (...) Não há crime com que Deus mais se ofenda como é com a comunhão sacrí- lega. Os santos Padres no-lo pintam com palavras e exemplos assombro- sos. Quem comunga em pecado mor- tal, diz Santo Agostinho, comete maior crime que Herodes: mais horrendo do que o pecado de Judas, acrescenta São João Crisóstomo; e outros santos dizem que é maior ainda que os pe- cados que fizeram os judeus crucifi- cando o Salvador; e por todos, diz São Paulo, que será réu do corpo e do sangue do Senhor; isto é, diz a Glosa, será castigado como se com suas mãos tivesse crucificado o Filho de Deus. É a comunhão sacrílega um delito tão grande, que Deus não es- pera castiga-lo no inferno, senão que começa já neste mundo com doen- ças e mortes; de modo que já no tempo dos Apóstolos, como conta São Paulo, muitos pelas comunhões sacrílegas, padeciam gravíssimos males corporais, e outros morriam. São Cipriano refere d’alguns de seu tempo, que logo que recebiam indig- namente a sagrada comunhão, eram acometidos de intoleráveis dores nas entranhas, até morrerem rebentados. São João Crisóstomo conheceu al- guns possessos do demônio por este delito; e São Gregório Papa assegura que em Roma fez grande estrago a peste, que sobreveio, por ter-se conti- nuado naquela cidade as diversões, banquetes, espetáculos e impurezas depois da comunhão pascal; e o mesmo conta de seu tempo Santo Anselmo, por ter-se cumprido mal este preceito. Lê-se na vida de São Bernardo, que um monge ousou co- mungar em pecado mortal; mas coi- sa horrível! Apenas lhe deu o Santo a Sagrada Hóstia rebentou como Ju- das, e com ele condenou-se eterna- mente. (...) Grande número de casos desta natureza poderia referir-te, não só antigos, senão modernos (...). Por isso, caríssimo irmão em Jesus Cristo, pelo muito que te quero, supli- co-te e recomendo, que não chegues nunca a receber Nosso Senhor em pecado mortal; mas não te assustes se te achares em tão triste estado; confessa-te bem antes, e arrependi- do de coração, excita-te a muitos e fervorosos atos de humildade, confi- ança e amor e, comungando com esta disposição, ficarás cheio dos grande e celestes frutos que produz a Sagrada Eucaristia em quem digna- mente a recebe. (...) EXEMPLOS DE VÁRIOS ESTADOS O caminho reto—Sto. Antônio Maria Claret
  4. 4. 8 DE DEZEMBRO Posição e privilégios de Maria nos desíg- nios de Deus 1. Deus inefável, “cuja conduta toda é bondade e fidelidade”, cuja vontade é onipotente, e cuja sabedoria “se estende com poder de um extremo ao outro (do mundo), e tudo governa com bondade”, tendo previsto desde toda a eternidade a triste ruína de todo o gênero humano que derivaria do pecado de Adão, com desíg- nio oculto aos séculos, decretou realizar a obra primitiva da sua bondade com um mistério ainda mais profundo, mediante a Encarnação do Verbo. Porque, induzido ao pecado — contra o propósito da divina misericórdia — pela astúcia e pela malícia do demônio, o homem não devia mais perecer; antes, a queda da natureza do primeiro Adão devia ser reparada com melhor fortuna no segundo. 2. Assim Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê- la alvo de tanto amor, a ponto de se com- prazer nela com singularíssima benevo- lência. Por isto cumulou-a admiravelmen- te, mais do que todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade. Assim, sempre absolutamente livre de toda mancha de pecado, toda bela e perfeita, ela possui uma tal pleni- tude de inocência e de santidade, que, depois da de Deus, não se pode conce- ber outra maior, e cuja profundeza, afora de Deus, nenhuma mente pode chegar a compreender. Paralelo com Eva 28. Por consequência, para demonstrar a inocência e a justiça original da Mãe de Deus, eles não somente a compararam muitíssimas vezes a Eva ainda virgem, ainda inocente, ainda incorrupta e ainda não enganada pelas mortais insídias da serpente mentirosa, como também a antepuseram a ela com uma maravilho- sa variedade de palavras e de expres- sões. De fato, Eva escutou infelizmente a serpente, e decaiu da inocência origi- nal, e tornou-se escrava da serpente; ao contrário, a beatíssima Virgem aumen- tou continuamente o dom tido na sua origem, e, bem longe de prestar ouvido à serpente, com o divino auxílio quebrou -lhe completamente a violência e o po- der. Imaculada 30. A estas, depois, eles juntaram ou- tras nobilíssimas expressões. Falando da Conceição da Virgem, atestaram que a natureza cedeu ante a graça: parou trêmula, e não ousou avança. A Virgem Mãe de Deus não devia ser concebida por Ana antes que a graça afirmasse o seu poder: porquanto devia ser concebi- da aquela primogênita da qual seria depois concebido o primogênito de toda criatura. Professaram que a carne da Virgem, se bem derivada de Adão, não lhe contraiu as manchas; que, por isto, a beatíssima Virgem foi aquele tabernácu- lo construído por Deus, formado pelo Espírito Santo, e verdadeiramente de púrpura, o qual aquele novo Beseleel teceu de ouro e com variedade de bor- dados; que ela foi de fato e justamente celebrada, por ser a obra-prima de Deus, por haver escapado aos dardos inflamados do maligno, e porque, bela por natureza, e absolutamente imune de toda mácula, na sua Conceição Imacula- da ela apareceu no mundo como uma aurora de perfeito esplendor. Com efei- to, não era conveniente que aquele vaso de eleição fosse ofuscado pelo defeito que ofusca os outros, porque ele foi diferentíssimo dos outros, e, se com eles teve de comum a natureza, não Edição: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória, ES http:/www.nossasenhoradasalegrias.com.br Entre em contato conosco pelo e-mail: jornalafamiliacatolica@gmail.com Dogma da Imaculada Conceição (Papa Pio IX) teve de comum a culpa; antes, convinha que o Unigênito, assim como teve nos céus um Pai exaltado pelos Serafins como três vezes santo, assim também tivesse na terra uma Mãe à qual nunca faltasse o esplendor da santidade. 31. E esta doutrina estava tão arraigada na mente e alma dos antigos, que, fa- lando da Mãe de Deus, eles costuma- vam usar termos verdadeiramente extra- ordinários e singulares. Chamavam-lhe frequentissimamente: Imaculada, em tudo e por tudo Imaculada; inocente, antes espelho de inocência; ilibada, e ilibada em todos os sentidos; santa e longíssima de toda mancha de pecado; toda pura e toda intacta, antes o exem- plar da pureza e da inocência; mais bela do que a beleza, mais graciosa do que a graça, mais santa do que a santidade; a única santa, a puríssima de alma e de corpo, que ultrapassou toda integridade e toda virgindade; a única que se tornou sede de todas as graças do Espírito Santo; tão alta que, inferior só a Deus, foi superior a todos; por natureza, mais bela, mais graciosa e mais santa que os próprios Querubins e Serafins e do que todas as falanges dos Anjos; superior a todos os louvores do céu e da terra. E ninguém ignora que esta linguagem foi como que espontaneamente introduzida também nas páginas da santa Liturgia e dos ofícios eclesiásticos, nos quais volta muitíssimas vezes com tom quase domi- nante. Nessas páginas, de feito, a Mãe de Deus é invocada e exaltada como única pomba de incorruptível beleza, e como a rosa sempre fresca. É invocada e louvada como puríssima, sempre ima- culada e sempre bem-aventurada; an- tes, como a própria inocência que nunca foi lesada, e como a segunda Eva, que deu à luz o Emanuel. Fonte: spessantotomas.blogspot.com.br

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