Jornal A Família Católica, 14 edição, julho 2014

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Jornal A Família Católica, 14 edição, julho 2014

  1. 1. POR QUE ASSISTIR A SANTA MISSA AOS DOMINGOS? ARSENIUS SANTOS E FESTAS DO MÊS: 01– Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor; 02– Visitação de Nossa Se- nhora; 08– Santa Isabel, Rainha; 14– São Boaventura; 16– Nossa Senhora do Carmo; 18– São Camilo de Lellis; 19– São Vicente de Paulo; 22– Santa Maria Madalena; 25– São Tiago Maior, apósto- lo; 26– Santa Ana; 31– Santo Inácio de Loyola. N E S T A E D I Ç Ã O : Doutrina 1, 2 Tesouro de exemplos 2 Liberalismo 3, 4 Avisos 4 Julho/ 2014Edição 14 A Família CatólicaC A P E L A N O S S A S E N H O R A D A S A L E G R I A S Por que essa obrigação? Para isso é neces- sário conhecermos o que é a Santa Missa. E para conhecermos o que é a Santa Missa, de- vemos saber o significado do mistério da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. E para conhecer o mistério da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos conhecer o mistério da bonda- de de Deus e da maldade do homem. Deus, desde toda a eternidade, existe e não tem necessidade de nenhuma criatura. Mas Deus criou, e criaturas passaram a existir. E entre essas criaturas há uma ordem: há criatu- ras inanimadas, há criaturas que têm vida ape- nas vegetativa, há criaturas que têm vida sensi- tiva e há criaturas corporais que têm uma vida espiritual, intelectual, e há, ainda, outras criaturas que são puros espíritos, que também são intelectuais. Toda a criação tem como objetivo dar glória ao Cria- dor. E as criaturas que não têm inteligência necessaria- mente dão glória ao Criador, mas as criaturas inteligen- tes são livres e elas devem dar glória ao Criador segun- do o modo como é a sua natureza, portanto, livre- mente. E Deus ao criar as criaturas inteligentes, que são os homens e os anjos, Ele quis dar a essas criatu- ras uma felicidade que está acima das exigências natu- rais dessas mesmas criatu- ras. Essa felicidade consiste em participar da própria felicidade do Criador, da própria felicidade que Deus tem em Si mesmo: participar da própria vida de Deus. No entanto, para essa participação, essas criaturas inteli- gentes e, portanto, livres, teriam que merecer esse prêmio, e teriam que merecê-lo perante uma submissão voluntária ao plano de Deus, às ordens de Deus, à vontade de Deus. Entre os anjos houve uma parte que se submeteu a Deus, e outra parte que se revoltou contra Deus. Como os anjos são seres muito perfeitos, quando eles querem algo, eles não voltam atrás. Portanto, a separação de Deus daqueles anjos que rejeitaram o plano de Deus, essa re- jeição é eterna: eles se separaram eternamen- te de Deus. Quanto ao homem, as duas criatu- ras humanas que Deus criou diretamente, ambas rejeitaram o plano de Deus. No entanto, o homem, como é menos perfeito que o anjo, ele tem a possibilidade de se arrepender do erro que faz, tem possibilidade de voltar atrás, de mudar uma resolução em outra resolução. E, diante dessa fraqueza, Deus se compadeceu do homem e resolveu dar-lhe uma outra opor- tunidade. No entanto, o pecado é uma ofensa a Deus e Deus é infinito. Portanto, o pecado, sob um certo aspecto, é de um grau infinito e o homem não tinha nada de infinito para poder saldar a dívida que ele contraiu com o seu pecado. E, então, Deus, que queria dar uma ou- tra oportunidade ao homem, resolveu este problema, insolúvel para o homem, insolúvel... Necessariamente, se dependesse do homem, Adão e Eva e todos os seus descendentes esta- riam irremediavelmente condenados ao inferno, por causa do pecado de Adão; todos herdariam o seu pecado e as conse- qüências do seu pecado, assim como todos her- dariam o Céu se Adão fosse fiel, se Adão se submetesse ao plano divino. Ele não se sub- meteu, resultado: todos os seus descendentes teriam as conseqüências da sua não submissão. No entanto, como dis- se, Deus quis remediar esse problema, e o modo como Ele remediou foi o mais perfeito possível, porque para pagar a dívida do homem era um homem que teria que fazê-lo, e para pagar essa dívida, esse pagamento teria que ser de um valor eterno. Deus resolveu o proble- ma fazendo com que existisse um Homem que pudesse dar uma satisfação de valor eterno, e, para isso, esse Homem precisaria ser, além de homem (verdadeiro homem), teria que ser também verdadeiro Deus, porque só Deus é eterno, só Deus, estando unido a um homem,
  2. 2. este homem poderia dar uma satisfação de valor eterno. E essa satisfação, desde o princípio, desde Abel e Caim, vemos que era feita através de um rito chamado sacrifício. Esses ritos antes tinham o seu valor em relação à sua união com o sacri- fício que iria, no futuro, ser oferecido pelo Homem-Deus. Em que consiste o sacrifício? Consiste no oferecimento e na imolação de uma vítima. Oferecimento feito a Deus de uma vítima; portanto, oferecida a Deus. Imola- ção que consiste na destruição da vítima, na morte da vítima. Se é um ser vivo, a morte; se é um ser inanimado, de um certo modo, uma destruição da coisa: para representar o total domínio que Deus tem sobre todos os seres e a total submissão que a criatura deve ao seu Criador. Esse é o significado do sacrifício. E a vítima deve estar em lugar daquele que faz o sacrifício. A vítima é como que um representante daquele que imola. A vítima como que está no lugar daquele que imola. Porque, na verdade, quem deve se oferecer a Deus é o sacrificador, e a vítima deve estar em seu lugar. Então, esse Homem-Deus, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, encarnou-Se, nasceu de Nossa Senhora, Maria Santíssima, a qual foi preservada dessa herança de Adão e Eva. Sim, ela não herdou o pecado original de nossos primeiros pais, porque Ela foi escolhida para ser Mãe do Reden- tor, que é o Homem-Deus Nosso Senhor Jesus Cristo. É a exceção: fora de Nossa Senhora, todos nós, puros homens, her- P á g i n a 2 A F a m í l i a C a t ó l i c a damos o pecado de Adão e Eva e as conseqüências desse pecado, que, entre outras coisas, se encontra a condenação eterna, mas também todos os males desta vida: todos os males desta vida, para o homem, são uma conseqüência do pecado original, que nós herdamos por via de geração natural. E Nosso Se- nhor veio remediar isso, com o Seu sa- crifício, ou seja, com a Sua morte, a qual se realizou, como sabemos, na cruz. Nosso Senhor Jesus Cristo morrendo na cruz ofereceu a Deus um sacrifício de valor infinito capaz de salvar todos os homens. Capaz de salvar: não salvou realmente todos os homens. Porque nem todos os homens se salvam: só aqueles aos quais se aplicam os frutos, os méritos da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa aplicação se faz pelos Sacramentos instituídos por Nosso Se- nhor Jesus Cristo e pela Santa Missa. A Santa Missa é o mesmo sacrifício que Nosso Senhor Jesus Cristo ofereceu na cruz, porque é a mesma Vítima, é o mes- mo Sacrificador, só que o oferecimento é feito de um modo diferente, mas Nos- so Senhor na Missa Se oferece plena- mente e de um modo tão agradável ao Pai quanto quando Ele Se ofereceu quando morreu na cruz. A diferença está em que Nosso Senhor na cruz morreu fisicamente e na Missa Ele morre misti- camente; na cruz Ele derramou Seu Sangue e na Missa Ele não derrama o Seu Sangue. Mas, diante do Pai, de Deus, é tão agradável a Missa quanto foi TESOURO DE EXEMPLOS Pe. Francisco alves a morte na cruz. E é o mesmo sacrifício, como disse, porque a Vítima é a mesma e o Sacrificador também é o mesmo, que é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem ao mesmo tempo. Sendo a semana, esse grupo de sete dias, uma figura da vida do homem sobre a terra, e sendo o domingo, no Novo Tes- tamento, o dia especialmente consagrado a Deus, todo homem, neste dia, deve unir- se a Nosso Senhor, que Se imola sobre o altar, fazendo-se uma mesma vítima junto com Ele, e assim se oferecer a Deus. É o dever do homem, como criatura e como pecador. “Adeamus cum fidúcia ad thro- num gratiae, ut misericordiam consequa- mur, et gratiam inveniamus in auxilio op- portuno” (Vamos com confiança ao trono da graça para conseguirmos a misericór- dia e [assim] encontremos a graça, para sermos auxiliados em tempo oportuno). Hebr. 4, 16. (Nota da edição: Vale esclarecer que o preceito é cumprido pela assistência à Santa Missa de sempre rezada por um sacerdote fiel ao pensa- mento da Igreja de sempre, que não coloque em risco no menor ponto a ortodoxia dos fiéis. O preceito é para honrar a Deus, portanto, a assistência ao Novus Ordo (A missa nova), além de não cumpri-lo, ultraja o domingo oferecendo a Deus uma cerimônia que claramente não está feita para sua glória. O Novus Ordo é uma confissão equívoca e protestante.) ELE ERA DESCENDENTE DE MACACO A senhora Brossard, anciã rica e piedo- sa, tinha só um parente, o senhor Aumai- tre, grande propagandista do darwinismo. Ao morrer aquela senhora, o senhor darwi- nista não faltou aos funerais da parenta rica, cuja fortuna esperava. No dia seguinte apresentou-se em casa do tabelião, que leu para ele o testamento da defunta, redigido da seguinte forma: “Deixo tudo ao Hospital. Cria ter um paren- te, Luis Aumaitre, a quem deixar minha fortuna. Ele me fez saber que descende do macaco; ora eu sei que nem meus pais, nem meus avós, nenhum outro membro de minha família descendem de macacos; portanto, não podemos ser parentes.” CASTIGUE-ME Chegou a uma vila uma professora que não cria em Deus. E querendo corromper as alunas, disse-lhes: - Vamos ao ditado; escrevei! E ditou-lhes despudoradamente: - Não existe Deus; os que crêem nele são uns bobos, aos quais deveriam pôr ore- lhas de burro. Ao recolher e corrigir os ditados viu que uma menina escrevera: Eu creio que existe Deus. - Por que escreveste isto, senhorita? Olha que te castigarei. - Minha mãe, disse a menina, ensinou- me que existe Deus, e acrescentou que é preferível deixar-se matar a ofender a Deus, nosso criador. Se a senhora quiser castigar-me, castigue-me; Deus e minha mãe estarão contentes comigo. Comoveu-se a professora diante da- quelas palavras pronunciadas por sua alunazinha, e mais tarde converteu-se. MÃES BOAS, FILHOS SANTOS Vão aqui alguns exemplos mais co- nhecidos. S. Agostinho, filho de S. Môni- ca; S. João Crisóstomo, filho de S. Antu- sa; S. Gregório Magno, filho de S. Silvia; S. Basílio, S. Gregório Nisseno, S. Pedro de Sebaste e S. Macrina, filhos de S. Emélia; S. Bento, filho de S. Nona; S. Bernardo, filho de S. Aletha, S. Domin- gos de Gusmão, filho de S. Joana de Aza; S. Catarina de Suécia, filha de S. Brígida, etc. AMABILIDADES ENTRE ESPOSOS Ao falecer uma rainha da Espanha, dizia o rei: “Com sua morte causou-me o primeiro desgosto após vinte e dois anos de casados”. Oxalá se pudesse dizer o mesmo de todas as esposas...e de todos os maridos!
  3. 3. O mês próximo, a quatro de agosto, marca o centenário da eleição ao papado do Cardeal Giuseppe Sarto, isto é, S. Pio X, patrono de nossa Fraternidade Sacer- dotal. Desenterrando para um companhei- ro uma antiga correspondência de Semi- nário acerca da verdadeira caridade de Pio X, vejo que em agosto de 1996, embo- ra eu tenha contado de maneira breve o episódio de seu cotejo com o Cardeal Ferrari de Milão, não contei todo o seu encadeamento. O problema é medular para nossos tempos. Em honra a S. Pio X, permitam-me contar-lhes o acontecido novamente, e ainda mais abreviado, tra- çando um paralelo secular a partir dos Estados Unidos no pós-guerra. Em 1910, passados três anos do apare- cimento da egrégia carta encíclica anti- modernista Pascendi de São Pio X, dois leais monsenhores italianos, os irmãos Scotton1, publicaram em seu jornal anti- modernista um artigo proclamando – não sem razão – o Seminário da Arquidiocese do Cardeal Ferrari, em Milão, como “um canteiro de modernismo”, isto é, da estir- pe daquela mãe de todas as heresias, que preserva o catolicismo por aparências enquanto o esvazia na substância, sob o pretexto e finalidade de adaptar a Igreja Católica ao mundo moderno. O Cardeal estava irado. Como se atrevia um suposto jornal católico minar a honra, a integridade dos Mestres que lecionavam no Seminário e seus superiores, incluso ele mesmo? Quando Pio X replicou atra- vés de seu nomeado Cardeal, Gaetano De Lai, entre outras coisas, afirmando que não havia o menor indício de modernismo na arquidiocese de Milão, os liberais tira- ram proveito da controvérsia em vista de criar uma balbúrdia generalizada na im- prensa. No início de março, ambos os lados apelaram a Roma, e Cardeal Ferrari defendeu a publicação liberal de Milão, L’Unità, porque intuiu que ela estaria para ser colocada em contestação. Ao final do mesmo mês, Pio X escreveu ele mesmo ao Cardeal, alegando que o modernismo que provocou essa reação de repulsa dos irmãos Scotton na arquidioce- se de Milão se calhar talvez possa não ser de ordem doutrinal, mas prática. Ou seja, doutrina sã estaria sendo pregada, ape- nas não aplicada, uma vez que vários clérigos de Milão estavam apoiando o jornal L’Unità, jornal este que deixava muito a desejar de um ponto de vista ca- tólico. Todavia, menos de três semanas após recebido a carta, o Cardeal fervoro- samente tomou as dores do L’Unità pe- rante seus seminaristas de Milão, e afir- mou que sua defesa estava conforme a vontade do Papa! Quando Pio X soube da ação do Cardeal, ficou escandalizado e profundamente desolado: eis que havia um Cardeal enganando seus futuros padres a respeito do parecer do Papa, de modo que estes muito em breve estariam dissemi- nando idéias liberais ao longo de toda Ar- quidiocese em nome do Papa! Quando por sua vez o Cardeal soube da reação do Pa- pa, ele respondeu se derramando em lágri- mas, e cá citarei na íntegra a carta de 1996: “Ele estava de coração partido por ter ofendido o Papa. Estava arrasado. Estava tão inconsolável até a morte. Implorou perdão; nunca quis ter machucado o Papa. Nunca lhe referiu nenhuma palavra indeco- rosa, etc., etc... e quanto ao que ele disse aos seminaristas, nunca desejou que tal fosse registrado e publicado. Tudo que quis fazer foi encorajar um aperfeiçoamento do L’Unità. Não houve em verdade nenhum escândalo na Arquidiocese. Ele estava pronto para retificar qualquer coisa que tivesse dito, e viria a Roma se necessário. Quando Pio X leu sua carta, rebateu que em verdade houve, sim, grande escândalo na Arquidiocese de Milão pois a defesa do L’Unità por parte do Cardeal foi claríssima, e perfeitamente entendida. Portanto, dei- xem o Cardeal corrigir o escândalo, trazen- do à luz a opinião verdadeira do Santo Padre a todos os interessados, apenas não o permitam vir a Roma. Esta última instrução visava apaziguar a agitação porquanto a controvérsia silencio- samente se dissolveria, mas os liberais a interpretaram como uma recusa do Papa em ouvir seus cardeais! Desta forma, quan- do da ocasião da morte de Pio X o Cardeal Ferrari pisou em Roma para o conclave que elegeria o sucessor do Papa e, em resposta às observações de um senador italiano acerca da gigante veneração e dos senti- mentos estampados na face das pessoas em honra ao agora falecido Papa, replicou rigidamente: ‘Sim, mas ele haverá de pres- tar contas a Deus pelo modo com o qual ele abandonava seus bispos em face de acusações feitas contra eles’! Em verdade, como Mons. Begnini comentou, Cardeal Ferrari não compreendeu nada.” Neste momento, quais são as conse- qüências que não mencionei em 1996? Entre Pio X e Cardeal Ferrari temos um embate entre dois mundos: o primeiro da realidade católica, do servente piedoso de Deus; o outro do devaneio liberal, do Deus que serve ao homem. Pio X preocupa-se com as questões, o Cardeal com nada mais que suas inclinações pessoais. Pio X preo- cupa-se com a correta instrução doutrinária que pode não estar havendo em Milão; que o Cardeal deve consertar o escândalo do conflito de pronunciamentos. Ao contrário, o Cardeal assume o ataque dos Scotton como uma questão pessoal que minasse seus subordinados e os colocassem em dissensão contra ele; quando o Papa fica estarrecido com sua defesa do L’Unità, fica ele permeado de sentimen- tos pessoais desvairados (“coração partido”, “humilhado”, “arrasado”), exibindo sua bravata de boas inten- ções: quando o Papa não quer vê-lo, sente-se pessoalmente traído (“abandonado”) por seu Superior. Há uma famosa citação do arqui- romântico poeta inglês, John Keats (1795-1821): - “Não estou seguro de nada senão da santidade dos afetos do coração e da verdade da imagina- ção” (correspondência a Benjamin Bai- ley). No momento em que um jovem poeta de uma época revolucionária permite seus sentimentos e imaginação domar-lhe inteiramente, isto é, de certo modo, sua prerrogativa. Porém, quando um eminente Príncipe da Igreja Católica concede que questões concernentes à doutrina sejam preteridas em sua men- te pela convicção da santidade das inclinações de seu próprio coração, temos um problema! A Revolução está dominando a Igreja, e a Fé católica sendo enxotada dela. De fato, a disputa Pio X-Cardeal Ferrari foi finalmente levada a cabo em 2001 quando João Paulo II beatificou o mesmo cardeal! Com efeito, estava ele declarando que as afeições pessoais do Cardeal eram abençoadas! Um santo católico? Um santo só no mundo de Keats! O paralelo secular dos Estados Uni- dos do pós-guerra reside na contenda que tomou lugar em Washington D.C., no final da década de 40, entre Whitta- ker Chambers e Alger Hiss. O livro de Chambers, Wittness2, é um clássico da história, cultura e literatura norte- americana, que deveria ser estudada em toda e cada escola dos EUA, entre- tanto por se opor ao devaneio moderno, está escorrendo em direção ao ralo do esquecimento. Chambers não era cató- lico, mas possuía real e profunda noção das entranhas da alma do homem mo- derno. Nascido na Filadélfia (PA) em 1901, criado em um mais ou menos desafor- tunado lar médio-classista de Long Island (NY), Chambers detinha uma inquieta e inquisitiva mente que lhe rendeu, na condição de estudante uni- versitário, um tour pelos principais cen- tros de cultura da Europa em busca da resposta ao que ele pensava ser uma aterradora crise da civilização ociden- tal. Porém, a Europa pós-Segunda Guer- ra Mundial também não tinha a respos- ta, razão pela qual ele, nos anos 30, a exemplo de tantos outros desesperados O liberalismo é um assassino Mons. Williamson
  4. 4. A F a m í l i a C a t ó l i c aE d i ç ã o 1 4 jovens, ingressou nas fileiras do Partido Comunista. Dentro do núcleo ao qual ele serviu irrestritamente por vários anos, conheceu e fez amizade com um igualmente brilhante e promissor buro- crata de Washington, cujo nome era Alger Hiss. Ambos trabalharam juntos até que o grande Expurgo de Stalin em 1937 e 1938 abrisse os olhos de Chambers e o fizesse abandonar o Partido e toda a ideologia comunista. Permaneceu em total obscuridade até que os comunistas não mais se arris- cassem a matá-lo, e por conseguinte ressurgiu à “superfície” timidamente, no final dos anos de 1940, como jorna- lista no Time de Nova York. Enquanto isso, Alger Hiss prosseguiu na ambição de trilhar uma prodigiosa carreira no pós-querra em Washington, chegando a participar, por exemplo, nos altos escalões da delegação americana da Conferência de Yalta e na constituição da ONU. Chambers e Hiss se encontraram de novo em agosto de 1948, na ocasião em que Chambers saiu de seu anoni- mato rumo à cintilante publicidade em Washington a fim de dar testemunho de que Hiss, estando no Departamento de Estado Americano, teve papel ímpar na transmissão de dados confidenciais do governo aos russos. Hiss negou até mesmo que tenha visto Chambers algu- ma vez na vida! Mas ele foi, enfim, sentenciado por crime de perjúria em Janeiro de 1950 a cinco anos de cárce- re privado. Ele morreu há apenas al- guns anos atrás, ainda a declarar sua inocência, não restando dúvidas a ele da santidade das afeições de seu cora- ção! Chambers morreu em estado de- plorável em 1961, crente que sua causa estava fadada ao perecimento. O cotejo entre Chambers e Hiss foi novamente um cotejo entre dois mun- dos, entre dois EUA. Assim como Pio X representou a boa e velha Igreja de sem- pre enquanto Cardeal Ferrari a iminente Igreja do Vaticano II, assim o pequeno e entroncado Chambers representou toda a pequena população decente dos Esta- dos Unidos enquanto Hiss, querido do establishment de Washington e Nova York, a marcha liberal-comunista rumo à Nova Ordem Mundial. Quando Chambers desertou do comunismo, sem a Fé católi- ca, ele claramente percebe que estava em direção ao lado derrotado. Sua deci- são agonizante em testificar contra Hiss foi um nobre, todavia desesperado gesto feito na esperança de obter à civilização não mais que um pequeno prolongamen- to. Nisto, Chambers logrou êxito se pen- sarmos no anti-comunismo norte- americano dos anos 50, no entanto, obviamente, anti-comunismo sem Fé católica não usufrui de muito tempo de vida, então a marcha liberal-comunista da década de 60 em direção ao Admirá- vel Novo Mundo3 estava mais irreversível que nunca. Abundam visões internas no “Witness” de Chambers, mas aqui estão duas que poderiam surgir diretamente das encícli- cas papais pré-Vaticano II: Comunismo é um problema religioso, e todos os libe- rais são comunistas virtuais. Esta é a razão pela qual, independente da verda- de ou fatos deste caso, o liberal esta- blishment Washington-Nova York apela- ram para um homem à sombra de Hiss, porque eles sabiam que, caso ele fosse condenado, também eles mesmos o se- riam e assim pois sua religião substituta do liberalismo. Eis o porquê de, até os dias atuais, persistirão em reafirmar a inocência de Hiss justamente como João Paulo II inocentou Cardeal Ferrari. Caros leitores, o mundo inteiro pode agir como Alger Hiss, e praticamente todos os clérigos podem seguir a linha do Cardeal Ferrari, mas Deus permanece sendo Deus, e Ele não é nem enganado e nem feito de bobo. Podemos aparentar estarmos soter- rados debaixo da avalanche quimérica de Alger Hiss e do Vaticano II, não obstante, isto conhecerá um fim, enquanto que Deus NÃO terá um fim. Paciência. Oração. A Tra- dição está novamente causando furor em muitos seios católicos. Oremos para que o precioso Sangue de Jesus desça em Julho como um lavabo de regeneração sobre mais e mais almas. Atenciosamente, em Cristo, Richard Williamson 3 de Julho de 2003 1- Os Scotton eram um grupo de três irmãos padres da diocese de Vicenza que faziam parte do movimento político e, até certo ponto, laical, cunhado de ultra- integralismo, o qual intransigentemente se opunha ao movimento modernista intra e extra eclesiástico, não se furtando a delatar clérigos e leigos de determinada influência político-social minimamente suspeitos de tomar parte da heresia modernista. Para tanto, possuí- am o aval do próprio Papa Pio X, além de publicações como a La Riscossa (de posse dos Scotton) e L’Unità Cattolica, jornal florentino, serem abertamente incenti- vadas pelo Sumo Pontífice. Com o falecimento deste e conseqüente subida ao papado pelo então Cardeal Della Chiesa, as infusões anti-modernistas dos ultra- integralistas foram suprimidas e dissolvidas completa- mente. (N. do T.) 2- “Testemunha”, não publicada no Brasil (N. do T.) 3- Alusão à homônima distopia de Aldous Huxley de 1931, Brave New World, profética projeção do futuro sombrio da humanidade liberal, materialista, niilista, laica e anti-Deus. Fonte: williamsonletters.blogspot.com.br Edição: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória, ES. http:/www.nossasenhoradasalegrias.com.br Entre em contato conosco pelo e-mail: jornalafamiliacatolica@gmail.com Agradecemos a todos os participantes do sorteio de livros que lançamos na última edição da “Família Católica” e informamos que os ganhadores foram o Sr. Marcos Salomão de Paiva Dutra e a Sra. Patrícia Medeiros Coelho, ambos da Missão Cristo Rei, em Ipatinga. Parabéns aos ganhadores! “Ler é alimentar-se. Quem lê livros imorais assimila os pensamentos do autor e estraga, sem perceber, o entendimento, a imaginação, o coração, a vontade, a vida toda. (...) Um bom livro converte e leva ao cume da santidade a um Agostinho de Tagaste, a um Inácio de Loyola.” Sê pura, L. Bianchini

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