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FUNDAMENTOS DA HEGEMONIA DOS EUA A PARTIR DA DÉCADA DE 80 DO
SÉCULO XX
Os Estados Unidos da América (EUA) são, desde há várias décadas, a maior potência
económica a nível mundial. Para chegarem a esta posição, souberam tirar partido não
só do seu extenso território e vasta mão-de-obra, como também das políticas que
implementaram. Entre elas contam-se a leve carga fiscal das empresas, a facilidade
de deslocalização das fábricas e despedimento dos trabalhadores, os poucos
encargos com a segurança social. Como resultado, proliferaram não só as grandes
multinacionais, como também as pequenas empresas, fontes de emprego para
milhares de trabalhadores.
Embora os EUA sejam os maiores exportadores mundiais de serviços – seguros,
cinema, música – a verdade é que nem a agricultura, nem a produção industrial foram
postas de lado. Ambos os sectores foram adaptados às exigências dos novos tempos:
a agricultura servia de base a um sem número de outras actividades, desde a
produção de sementes à de embalagens; a indústria soube apostar nas novas
tecnologias e na produção aeroespacial, por exemplo. Assim, a igual importância dada
pelos EUA aos três sectores de actividade, permitiu-lhes garantir uma “prosperidade
sem rival”(doc. A), quer pela qualidade dos seus produtos, quer pela inexistência de
outra potência, desde o colapso da URSS, que lhes fizesse concorrência. Não há,
portanto, “uma divisão clara entre o que é estrangeiro e o que é nacional”, uma vez
que tanto os EUA investem no estrageiro, como são receptores de investimentos
vindos de todo o Mundo.
Para além de ser uma potência económica, os EUA são, também, uma potência
político-militar. Estes “polícias do mundo”, possuidores de um enorme poderio militar,
devido à aposta do próprio Estado na tecnologia de ponta, sentem-se na obrigação de
“continuar a dirigir este mundo que tanto ajudámos a construir”. Para o fazer, recorrem
a “uma diplomacia pacífica, sempre que for possível” – as sanções económicas em
caso de violação dos direitos humanos são apenas um exemplo – ou ao “uso da força,
quando for necessário”. A Guerra do Golfo foi um exemplo do uso desta força,
praticamente indestrutível.
Por todos os factores acima enunciados, ao nível económico, político e militar, não é
difícil explicar a hegemonia americana.
DESAFIOS ACTUAIS À CONSTRUÇÃO DE UMA EUROPA UNIDA
Desde a sua formação que a União Europeia (UE) não foi uma organização que
obtivesse o completo apoio de todos os países europeus. Augusto Santos Silva diz-
nos que o ideal e o caminho a seguir deve ser uma união política, ou seja, “uma
federação de Estados (…) que conservam parcelas decisivas da soberania, mas
abdicam de outras”. É precisamente esta necessidade de “sacrificar” certos poderes
que é posta em causa por países como a Inglaterra, a Dinamarca ou a Suécia pois ao
aderirem à moeda única (o euro) estariam a abdicar de um símbolo maior de
soberania e identidade nacional.
Se, por um lado, é necessário criar “uma entidade comum” que gira a política
europeia, por outro lado, é necessário ter em conta as diferenças culturais, políticas e
económicas entre os diferentes Estados-membros desta união.
Como possível solução para o empasse vivido actualmente está a redacção de uma
Constituição, “a integração da Carta dos Direitos Fundamentais, a dupla cidadania, o
reforço dos poderes parlamentares, a criação de figuras como o Ministro Europeu dos
Negócios Estrangeiros…”. Todas estas medidas têm por objectivo a criação de uma
Europa unida, com políticas comuns nas áreas da agricultura, política externa, defesa,
economia…
No entanto, é o receio da perda de soberania e consequentemente, de poder
económico a nível mundial que se apresenta como “o” desafio a ultrapassar por alguns
países.
RAZÕES DO CRESCIMENTO ANUAL DOS QUATRO “TIGRES” DA ÁSIA
Inspirando-se no “milagre japonês”, os quatro “Tigres” asiáticos – Coreia do Sul,
Taiwan, Hong Kong e Singapura – foram os protagonistas da segunda fase de
desenvolvimento económico da região Ásia-Pacífico.
Embora, tal como o Japão, carecessem de recursos mineiros e energéticos, de terra
arável, de capitais e eram, além disso, superpopulosos, os “Tigres” conseguiram
ultrapassar estas dificuldades devido a importantes factores: o Governo adoptou
políticas proteccionistas, investiu fortemente num ensino exigente; a mão-de-obra
abundante, disciplinada, não-reivindicativa torna-a barata, o que atrai investidores;
com o capital assim arrecadado, desenvolveram-se outros sectores, como o
automóvel, da construção naval e a aposta nas indústrias de produção tecnológica
permite aos “Tigres” estarem na linha da frente das exportações.
Desta forma, é sem surpresa que estes quatro países conseguem prosperar, através
das exportações para o mercado ocidental.
O crescimento anual de 8.3%, entre 1982-1992, é explicado pela vontade destes
países de se desenvolverem e pela conquista que conseguiram fazer para fora do
continente asiático. Este crescimento exponencial, apesar de diminuir para os 5.2% na
década seguinte, justifica a importância crescente que os “Tigres” têm vindo a ganhar
na economia mundial.

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  • 1. FUNDAMENTOS DA HEGEMONIA DOS EUA A PARTIR DA DÉCADA DE 80 DO SÉCULO XX Os Estados Unidos da América (EUA) são, desde há várias décadas, a maior potência económica a nível mundial. Para chegarem a esta posição, souberam tirar partido não só do seu extenso território e vasta mão-de-obra, como também das políticas que implementaram. Entre elas contam-se a leve carga fiscal das empresas, a facilidade de deslocalização das fábricas e despedimento dos trabalhadores, os poucos encargos com a segurança social. Como resultado, proliferaram não só as grandes multinacionais, como também as pequenas empresas, fontes de emprego para milhares de trabalhadores. Embora os EUA sejam os maiores exportadores mundiais de serviços – seguros, cinema, música – a verdade é que nem a agricultura, nem a produção industrial foram postas de lado. Ambos os sectores foram adaptados às exigências dos novos tempos: a agricultura servia de base a um sem número de outras actividades, desde a produção de sementes à de embalagens; a indústria soube apostar nas novas tecnologias e na produção aeroespacial, por exemplo. Assim, a igual importância dada pelos EUA aos três sectores de actividade, permitiu-lhes garantir uma “prosperidade sem rival”(doc. A), quer pela qualidade dos seus produtos, quer pela inexistência de outra potência, desde o colapso da URSS, que lhes fizesse concorrência. Não há, portanto, “uma divisão clara entre o que é estrangeiro e o que é nacional”, uma vez que tanto os EUA investem no estrageiro, como são receptores de investimentos vindos de todo o Mundo. Para além de ser uma potência económica, os EUA são, também, uma potência político-militar. Estes “polícias do mundo”, possuidores de um enorme poderio militar, devido à aposta do próprio Estado na tecnologia de ponta, sentem-se na obrigação de “continuar a dirigir este mundo que tanto ajudámos a construir”. Para o fazer, recorrem a “uma diplomacia pacífica, sempre que for possível” – as sanções económicas em caso de violação dos direitos humanos são apenas um exemplo – ou ao “uso da força, quando for necessário”. A Guerra do Golfo foi um exemplo do uso desta força, praticamente indestrutível. Por todos os factores acima enunciados, ao nível económico, político e militar, não é difícil explicar a hegemonia americana.
  • 2. DESAFIOS ACTUAIS À CONSTRUÇÃO DE UMA EUROPA UNIDA Desde a sua formação que a União Europeia (UE) não foi uma organização que obtivesse o completo apoio de todos os países europeus. Augusto Santos Silva diz- nos que o ideal e o caminho a seguir deve ser uma união política, ou seja, “uma federação de Estados (…) que conservam parcelas decisivas da soberania, mas abdicam de outras”. É precisamente esta necessidade de “sacrificar” certos poderes que é posta em causa por países como a Inglaterra, a Dinamarca ou a Suécia pois ao aderirem à moeda única (o euro) estariam a abdicar de um símbolo maior de soberania e identidade nacional. Se, por um lado, é necessário criar “uma entidade comum” que gira a política europeia, por outro lado, é necessário ter em conta as diferenças culturais, políticas e económicas entre os diferentes Estados-membros desta união. Como possível solução para o empasse vivido actualmente está a redacção de uma Constituição, “a integração da Carta dos Direitos Fundamentais, a dupla cidadania, o reforço dos poderes parlamentares, a criação de figuras como o Ministro Europeu dos Negócios Estrangeiros…”. Todas estas medidas têm por objectivo a criação de uma Europa unida, com políticas comuns nas áreas da agricultura, política externa, defesa, economia… No entanto, é o receio da perda de soberania e consequentemente, de poder económico a nível mundial que se apresenta como “o” desafio a ultrapassar por alguns países.
  • 3. RAZÕES DO CRESCIMENTO ANUAL DOS QUATRO “TIGRES” DA ÁSIA Inspirando-se no “milagre japonês”, os quatro “Tigres” asiáticos – Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura – foram os protagonistas da segunda fase de desenvolvimento económico da região Ásia-Pacífico. Embora, tal como o Japão, carecessem de recursos mineiros e energéticos, de terra arável, de capitais e eram, além disso, superpopulosos, os “Tigres” conseguiram ultrapassar estas dificuldades devido a importantes factores: o Governo adoptou políticas proteccionistas, investiu fortemente num ensino exigente; a mão-de-obra abundante, disciplinada, não-reivindicativa torna-a barata, o que atrai investidores; com o capital assim arrecadado, desenvolveram-se outros sectores, como o automóvel, da construção naval e a aposta nas indústrias de produção tecnológica permite aos “Tigres” estarem na linha da frente das exportações. Desta forma, é sem surpresa que estes quatro países conseguem prosperar, através das exportações para o mercado ocidental. O crescimento anual de 8.3%, entre 1982-1992, é explicado pela vontade destes países de se desenvolverem e pela conquista que conseguiram fazer para fora do continente asiático. Este crescimento exponencial, apesar de diminuir para os 5.2% na década seguinte, justifica a importância crescente que os “Tigres” têm vindo a ganhar na economia mundial.