17304569 educacao-fisica-adaptada

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17304569 educacao-fisica-adaptada

  1. 1. Ministério da Educação Secretaria de Educação EspecialISSN - 1677-8073 Ano 14 - Edição Especial/2002
  2. 2. Edição Especial Educação Física AdaptadaComitê Editorial: Marilene Ribeiro dos Santos Ivana de Siqueira Luzimar Camões Peixoto Marlene de Oliveira Gotti Maria Cristina Dümpel de Oliveira Maria de Fátima Cardoso Telles Samira JorgeCoordenação Editorial: Maria Cristina Dümpel de OliveiraEdição de Texto: Maria de Fátima Cardoso TellesRevisão: Maria de Fátima Cardoso Telles Maria Cristina Dümpel de Oliveira Marlene de Oliveira GottiEquipe de Apoio: Eduardo Edmundo Souto Irene Aparecida Braga Lúcia Maria Gonçalves Sampaio Silenir de Lima Aguiar Equipe Técnica da SEESPColaboradores Especiais: Fotos: Júlio César Paes de Oliveira Wanderley Pessoa Fotos cedidas pela Escola Parque Vivencial do Paranoá / Brasília/ D.F./ GDF/Secretaria de Educação.Revista INTEGRAÇÃO é uma publicação trimestral da Secretaria de EducaçãoEspecial do Ministério da Educação.Esplanada dos Ministérios, Bloco "L", 6° Andar, Sala 600.CEP:70047-901 - Brasília/DF.Fones: (61) 410-8651/8642; 410-9115/9116.E-mail: publicacao@mec.gov.brTiragem desta edição: 35 mil exemplares.As matérias publicadas pela revista Integração podem ser reproduzidas,desde que citada a fonte. Quando assinadas, indicar o autor. Artigosassinados expressam as opiniões de seus respectivos autores e, nãonecessariamente, as da SEESP, que os edita por julgar que eles contêmelementos de reflexão e debate.
  3. 3. Editorial Esta edição especial da Integração tem como temaa Educação Física voltada para os alunos comnecessidades educacionais especiais, no âmbito de suainclusão nas classes comuns do sistema regular deensino. Nossa intenção é sinalizarmos para a necessidadede, em consonância com as palavras do professorApolônio do Carmo, “situar, discutir e analisar, noquadro social e educacional brasileiro, os desafios queos profissionais da Educação Física estão tendo, emface da inclusão”. Ao definirmos esta temática, entendemos queestaremos contribuindo para que os Programas deEducação Física das Secretarias Estaduais e Municipaisde Educação incluam em suas propostas o atendimentoao aluno com necessidades especiais, “construindo umprojeto pedagógico que respeite as diferençasindividuais e considere a diversidade de idéias,sentimentos e ações”, conforme citado no artigo daprofessora Verena Pedrinelli. Marilene Ribeiro dos Santos
  4. 4. SUMÁRIO04 Entrevista Marilene Ribeiro dos Santos06 Inclusão e Educação Física Inclusão escolar e Educação Física: que movimentos são estes? Apolônio Abadio do Carmo14 O princípio da inclusão: um elemento da metodologia das aulas de Educação Física. Elizabeth Ferretti Lemos23 Inclusão e Assistência Social A inclusão e a lei orgânica da Assistência Social. Edison Duarte e Tereza P. Santos26 Educação Física e Prática Pedagógica Educação Física e inclusão: considerações sobre a prática pedagógica na escola. Ruth Eugênia Cidade e Patrícia Silvestre Freitas31 Educação Física e Diversidade Possibilidades na diferença: o processo de inclusão de todos nós. Verena J. Pedrinelli35 Educação Física: Novos Caminhos Educação Física inclusiva: um grande desafio para o século XXI. Sônia Bertoni Sousa39 Formação Docente e Educação Física A formação profissional do professor de Educação Física diante das necessidades educativas especiais de pessoas com paralisia cerebral. Gilmar de Carvalho Cruz, Écliton Pimentel e Luciano Basso42 Informe Especial Teleconferência sobre o Programa de Educação Física Adaptada.43 Depoimentos • Bianor Domingues • Amado de Paula da Silva
  5. 5. ENTREVISTA MARILENE RIBEIRO DOS SANTOS * “ TEMOS DE ASSEGURAR QUE, NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS, CUJO PRINCIPAL VEÍCULO É A UNIVERSIDADE, AS QUESTÕES RELACIONADAS À DEFICIÊNCIA E À INCLUSÃO SOCIAL E EDUCACIONAL DA PESSOA COM NECESSIDADES ESPECIAIS SEJAM ” CADA VEZ MAIS ABORDADAS E APRIMORADAS NO CURRÍCULO.Professora Marilene, o que levou a Secretaria de cacionais especiais não é um fato novo, nemEducação Especial do Ministério da Educação a tampouco desconhecido dos profissionais da áreacriar o Programa de Educação Física Adaptada? de Educação Física. Entretanto, em que pesem os relevantes trabalhos existentes e conhecidos a res- O envolvimento da Secretaria de Educação Espe- peito da Educação Física e dos esportes dirigidos acial (SEESP) com as pessoas com necessidades edu- essas pessoas, as ações educacionais, historicamen-* Secretária de Educação Especial do Ministério da Educação.4
  6. 6. te, têm-se dado de forma segregada. Isso ocorre, expressar e de mostrar seu potencial, muitas vezesprincipalmente, pelo fato de alunos com necessida- tolhido.des especiais receberem, da parte de professorespouco preparados, dispensa das aulas de EducaçãoFísica. Essa falta de preparo dos professores tem de- Existe algum Programa de financiamento voltadocorrido, em função de até pouco tempo, da para a área da Educação Física Adaptada?inexistência, em sua formação, dos conteúdos oudisciplinas destinados a prepará-los para atuar com Neste ano de 2002, a SEESP/MEC disponibilizou umaesses alunos, e também de uma falta maior de infor- linha de financiamento especial para a realização dosmações sobre a questão. Por todas essas razões a cursos de multiplicadores nos Estados. Estes nos envia-SEESP/MEC criou o Programa de Educação Física ram seus projetos, os quais foram analisados e encami-Adaptada. nhados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com vistas a sua aprovação. Para o próximo ano, as Secretarias Estaduais eQual o objetivo do Programa? Municipais de Educação, por meio de seus órgãos da Educação Física e da Educação Especial, deverão O objetivo geral do Programa é o atendimento à prever em seus Planos de Trabalho Anual (PTA), açõescriança, garantindo seu acesso e sua permanência que contemplem cursos de capacitação em Educa-na escola regular, contemplando sua participação efe- ção Física Adaptada.tiva nas aulas de Educação Física. Para tanto, faz-senecessária a capacitação dos professores de Educa-ção Física do sistema regular de ensino, em uma vi- Existe alguma ação da Secretaria de Educação Es-são inclusivista, isto é, de inclusão do aluno com ne- pecial/SEESP em parceria com as Universidades,cessidades especiais nas escolas do ensino regular. no que se refere aos cursos de Licenciatura, para O Programa foi dividido em duas etapas, sendo a formação de competências para atuar com osque a primeira foi realizada no mês de novembro e a alunos com necessidades especiais, no âmbito dasegunda no mês de dezembro de 2001, ambas em Educação Física?Brasília, totalizando 189 (cento e oitenta e nove) pro-fessores treinados. Esses professores, em seguida, No ano de 1994, foi expedida, pelo Ministério daatuarão, em uma terceira etapa, como Educação, para todo o sistema de ensino superior, amultiplicadores em seus Estados, com o apoio da Portaria número 1.793/94, contendo sugestões paraSecretaria de Educação Especial (SEESP/MEC), das a inclusão de conteúdos e disciplinas sobre Educa-Secretarias Estaduais de Educação, bem como dos ção Especial nos cursos de graduação e licenciaturaórgãos locais de educação especial. Assim, será pos- das instituições de ensino superior (IES).sibilitado a todos os professores o acesso à Após um levantamento feito junto às IES, especi-capacitação e às informações necessárias e adequa- ficamente, junto àquelas que mantém cursos de li-das para que os alunos com necessidades educacio- cenciatura em Educação Física, foi constatado que,nais especiais sejam cada vez mais beneficiados, e em sua maioria, elas oferecem, em suas gradesnão excluídos. curriculares, disciplinas sobre Educação Especial. Essa é uma boa notícia, pois temos de assegurar que, no processo de formação de recursos humanos, cujoComo a senhora vê a questão da inclusão de cri- principal veículo é a universidade, as questões relaci-anças com necessidades educacionais especiais onadas à deficiência e à inclusão social e educacio-nas aulas de Educação Física do sistema regular nal da pessoa com necessidades especiais sejam cadade ensino? vez mais abordadas e aprimoradas no currículo. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacionalde Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP/MEC, Quais as perspectivas da SEESP para o futuro do2001), existem 384 (trezentos e oitenta e quatro) Programa?mil crianças com algum tipo de deficiência matricu-ladas nas escolas públicas. Hoje, apenas uma peque- Ao final do ano de 2002, estaremos fazendo umna parte dessas crianças tem a chance de praticar balanço dos cursos de multiplicadores, realizados nosatividades físicas, oferecidas nas aulas de Educação Estados, para que possamos expandir ações que ve-Física das escolas regulares. Isso precisa mudar, pois nham beneficiar os professores de Educação Físicao exercício físico é uma das atividades que mais be- do sistema regular de ensino, bem como os alunosnefícios pode trazer aos alunos com necessidades com necessidades especiais incluídos nas classes co-especiais, por possibilitar-lhes a oportunidade de se muns das escolas regulares. 5
  7. 7. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSÃO ESCOLAR E A EDUCAÇÃO FÍSICA: QUE MOVIMENTOS SÃO ESTES? Apolônio Abadio do Carmo * O objetivo deste texto é situar, discutir e analisar ensino e a pesquisa voltados para as pessoas comno quadro social e educacional brasileiro os desafios deficiência.que os profissionais da Educação Física estão tendo, Afirmamos isto porque, ainda, são poucos os pro-em face da política de inclusão1, aqui entendida como fessores de Educação Física que não têm dúvidas emnecessária tanto para o aluno com deficiência, quanto relação às possibilidades dessas pessoas praticarem al-para o considerado normal. gum tipo de atividade esportiva, recreativa ou de lazer. A história percorrida pela Educação Física ao lon- Felizmente os ideários perversos da aptidão físi-go das últimas duas décadas, no Brasil, em que pese ca, e da máxima mens sana in corpore sano2 , com-seu intenso envolvimento com as mais diversas for- batidos longamente por diferentes autores brasilei-mas de esportes adaptados desde os anos setenta, ros,3 há algum tempo cederam lugar para uma ou-apresenta, ainda, problemas das mais diferentes or- tra concepção de homem, corpo e movimento.dens e formas, como qualquer outra área do conhe- Estamos falando da diversidade humana, das dife-cimento, sobretudo no tocante ao atendimento ao renças, das desigualdades.1 O termo inclusão é recente e teve sua origem na palavra inglesa “full inclusion”. Segundo STAINBACK e STAINBACK (1992) trata-se de umnovo paradigma que os autores definem da seguinte maneira: a noção de “full inclusion” prescreve a educação de todos os alunos nasclasses e escolas de bairro....reflete mais clara e precisamente o que é adequado: todas as crianças devem ser incluídas na vida social eeducacional da escola e classe de seu bairro, e não somente colocada no curso geral “mainstream” da escola e da vida comunitária, depoisde já ter sido excluída. In: MANTOAN, M. T. A integração da pessoa com deficiência. p. 176.* Professor da Universidade Federal de Uberlândia/MG.6
  8. 8. Com isso, o trabalho que a área da Educação Fí- diretrizes emanadas do Encontro Mundial de Educa-sica vem desenvolvendo com as pessoas com defici- ção para Todos, realizado em 1990 na Tailândia e daência, nas duas últimas décadas, possibilitou a aber- Declaração de Salamanca de 19945 .tura de novos campos de trabalho e pesquisas. A Essa nova tendência inclusivista no cenário políti-fundação da Sociedade Brasileira de Atividade Motora co educacional brasileiro tem deixado os dirigentesAdaptada, a criação de um Grupo de Trabalho nos educacionais confusos diante da obrigação de terCongressos do CBCE, a inclusão de várias linhas de que trabalhar no mesmo espaço e tempo, com cri-pesquisas nos Programas de Mestrado e Doutorado anças que apresentam as mais diferentes formas deno Brasil, tanto em Educação quanto em Educação habilidades, capacidades, comportamentos e histó-Física, o fortalecimento do Comitê Paraolímpico Bra- rias de vida. O velho e desgastado ideário da igual-sileiro e as grandes conquistas dos atletas nas últi- dade universal entre os homens começa a dar sinaismas Paraolimpíadas, em Atlanta nos Estados Unidos de exaustão e um novo discurso começa a se tornare em Sidney na Austrália, exemplificam e corrobo- hegemônico. Estamos falando das diferenças con-ram com nossas afirmações. cretas existentes entre os homens, que sempre exis- Acreditamos que tudo isso seja fruto de uma lon- tiram, porém foram negadas ou desconsideradas pelaga luta social envolvendo diferentes segmentos de e grande maioria dos educadores .para deficientes4 , brasileiros e de outras nações. Atualmente, diante da tendência inclusivista a es- Por essas razões, atualmente as pessoas com de- cola está “nua” e não tem como camuflar suas limi-ficiência que tiveram acesso aos esportes atingiram tações e lacunas. O impacto da inclusão escolar éum razoável estágio em termos de acesso, participa- tão forte que existe até quem diga, como forma deção e desenvolvimento físico desportivo. Basta olhar apelo ao absurdo ou tentativa de relativizar o pro-a quantidade de atletas existentes, o número de dis- blema, que “todos somos deficientes e diferentes”.ciplinas voltadas para este fim nos cursos de gradu- Os defensores desse ideário, mecanicamente,ação em Educação Física e o contingente de profes- acreditam que, por sermos todos limitados em algu-sores atuando na área, que teremos as mais claras ma coisa, logicamente, por esta razão, somos, to-respostas. dos deficientes. Entretanto, em que pese todas essas realizações, Com isso, tentam de forma simplista reduzir osmuito ainda necessita ser feito, principalmente na problemas decorrentes da violência simbólica6 , à ve-tentativa de minimizar setores resistentes que conti- lha máxima, “quem não tiver uma limitação que atirenuam, na maioria dos Estados brasileiros, desenvol- a primeira pedra”. Esquecem de todas as implicaçõesvendo ações no interior das escolas visando que os estigmas e a violência simbólica possuem, prin-prioritariamente às crianças consideradas “normais” cipalmente enquanto elementos distintivos de clas-ou aptas para a prática das atividades físicas con- se, raça, crença e valores sociais.vencionais. Contra essas idéias afirmamos que todos somos Esta situação, entretanto, tende a sofrer profun- diferentes e desiguais7 e não deficientes. Primeiro por-das modificações em face da política de inclusão es- que somos sujeitos concretos; segundo porque so-colar desencadeada pelo governo federal, fruto das mos de natureza biológica diferentes e socialmente2 Esta máxima valoriza e confirma a idéia de superioridade do espírito sobre o corpo. “... significa que a Educação Física rigorosa põe ocorpo na posse de saúde perfeita, permitindo que a alma se desprenda do mundo do corpo e dos sentidos para melhor se concentrar nacontemplação das idéias. Caso contrário a fraqueza física torna-se empecilho maior à vida superior do espírito. MARTINS & ARANHA.Filosofando, 1996. p. 311.3 Ver a respeito em CASTELLANI FILHO, L. Educação Física no Brasil. A história que não se conta. Campinas: Papirus, 1998. COLETIVO DEAUTORES: Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. SOARES, Carmem L. Educação Física: raízes européiase Brasil. São Paulo: Cortez, 1994.4 Instituições de deficientes são aquelas fundadas e dirigidas somente por pessoas com deficiência, enquanto que instituições paradeficientes são aquelas fundadas e dirigidas por pessoas não-deficientes.5 Em março de 1990, realizou-se em Jomtien, na Tailândia, a Conferência Mundial de Educação Para Todos, convocada pela Organizaçãodas Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa dasNações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Banco Mundial, com o propósito de gerar um compromisso mundial de buscar umasolução conjunta dos países para a crise na área educacional..6 Violência Simbólica segundo BORDIEU & PASSERON (1975) “... é todo o poder que chega a impor significações e a impô-las comolegítimas, dissimulando as relações de força que estão na base de sua força, acrescentando sua própria força, isto é, propriamentesimbólica, a essas relações de força...”p.19.7 Entendemos como sendo diferença a natureza biológica do indivíduo e, desigualdade a natureza social. Entretanto, dialeticamenteessas duas naturezas se interpenetram e não são excludentes, pelo contrário são complementares, podendo, portanto existir desigualdadena diferença e diferença na diferença. 7
  9. 9. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICAdesiguais; terceiro porque os atributos excepcional, dentre outras – têm conseguido ao longo dos últi-pessoa com deficiência, pessoa com necessidades mos trinta anos, com pequenos arranjoseducacionais especiais, homossexual, prostituta, ne- metodológicos, trabalhar no mesmo espaço e tem-gro, índio, menor infrator, dentre outros, têm que po alguns casos isolados envolvendo a diversidadeexistir para que os não-portadores de deficiência, humana.não-homossexuais, não-prostitutas, os não–negros No caso específico da Educação Física apesar des-e não infratores também, possam existir. Além disso, sa área já estar trabalhando há vários anos com pes-todos nós conhecemos por quem, a quem se apli- soas com deficiência, na grande maioria dos cursoscam e a quem não se aplicam estes atributos. de graduação, nas escolas e nos clubes, as diferen- No nosso modo de entender, em face das publi- tes atividades realizadas têm sido desenvolvidas emcações, pesquisas e conhecimentos acumulados na espaços e tempos diferentes.área, utilizar discursos de que todos somos deficien- Acreditamos que isto esteja ocorrendo porque otes na tentativa de relativizar os estigmas e precon- conhecimento veiculado por essa área, historicamen-ceitos, é, no mínimo, uma posição ingênua, insen- te, foi edificado visando atender concepções unassata e que precisa ser superada pelos educadores. de saúde, de homem e corpo, deixando de levar em Retomando a discussão acerca dos impactos da conta que a realidade em que vivemos é diversa einclusão podemos afirmar que as tão sonhadas tur- formada concretamente por homens diferentes emmas ou classes “homogêneas”, nas quais todas as raça, cor, sexo, habilidades, capacidades, limites ecrianças deveriam ser “iguais” em idade, peso, altu- possibilidades.ra, e habilidades, estão prestes a se transformarem Esta visão a-histórica, simplista e parcial da reali-em classes da diversidade humana, onde todas são dade, utilizada pelos professores de Educação Física,diferentes e desiguais. E nos perguntamos: será que tem tido reflexos diretos no trabalho que vem sendoos professores de Educação Física que tanto sucesso desenvolvido com as pessoas com deficiência.têm conseguido com os atletas portadores de defici- Esses profissionais têm preferido muito mais fa-ência, no campo segregado e diferenciado dos jo- zer arranjos, adaptações e improvisações nos conhe-gos e competições, terão condições de desenvolver cimentos existentes, do que gerar novos conhecimen-suas atividades escolares em grupos envolvendo de- tos e atividades motoras adequadas e dirigidas aosficientes e não-deficientes? Os conhecimentos que alunos com deficiência.os professores de Educação Física dominam possibi- Os técnicos e os professores fazem as adapta-litam-lhes, pedagógica, metodológica e tecnicamen- ções quando transferem, como se fosse a única pos-te, trabalhar a diversidade humana no mesmo espa- sibilidade, os conhecimentos das diferentes modali-ço e tempo da Escola Regular? As atividades motoras dades esportivas conhecidas e universalmente disse-e os esportes para os alunos com deficiência têm minadas ( basquete, futebol, voleibol, natação, tênis “ ...o conhecimento veiculado pela Educação Física, historicamente, foi ” edificado visando atender concepções unas de saúde, de homem e corpo, deixando de levar em conta que a realidade em que vivemos é diversa...que ser necessariamente adaptados e ministrados se- dentre outras) para a prática junto aos alunos queparadamente das demais crianças? apresentam deficiências. Adaptam os fundamentos Diante de todos estes questionamentos o profes- às regras e à medida que os problemas vão surgindosor de Educação Física deve estar se perguntando: o no interior das práticas, novas mudanças vão sendoque fazer para conciliar a política de inclusão com o realizadas na tentativa de adequar o inadequado.trabalho em uma classe de quarenta alunos “consi- Essa forma de pensar possui grande similitudederados normais” juntamente com alunos que apre- com o famoso ideário da equalização social presen-sentam uma deficiência física, mental, visual ou au- te na escola nova, que acreditava poder corrigir aditiva, diferentes e desiguais? marginalidade fruto das desigualdades sociais, pe- Temos consciência da complexidade desta respos- las vias do ajustamento e da adaptação dos indiví-ta, por isso, esperamos até o final deste texto apon- duos à sociedade, incutindo-lhes o sentimento detarmos algumas pistas para auxiliar os professores a aceitação passiva e alienada.encontrarem saídas para essa questão. Tal concepção tem profundas implicações Especificando um pouco mais nossas análises va- sociopolíticas e econômicas, principalmente quan-mos perceber que no cotidiano de uma escola regu- do a adaptação é situada como sinônimo delar brasileira as várias áreas do conhecimento – Edu- equalização, ou como forma de concretizar a eqüi-cação Física, Matemática, Física, Ciências, História dade de oportunidades.8
  10. 10. Uma das implicações diz respeito aos mecanis- a inclusão escolar, vista em outra perspectiva, venhamos utilizados pela sociedade, por meio das escolas, a ser o móvel que vai possibilitar profundas modifi-partidos políticos, igrejas e outras instituições sociais, cações nesse sentido.que busca, a todo custo, a hegemonia de valores, leis, Afirmamos isto porque, com o advento da inclu-crenças e conhecimentos. Para que isso ocorra, ou- são, mesmo no plano do discurso, o princípio explí-tros valores, leis e conhecimentos necessitam ser su- cito e defendido é o da diferença, da desigualdade.focados. Desse modo, a relação entre o ideário dominante No caso específico da Educação Física, para que (todos somos iguais) e o ideário emergente (todosos conhecimentos produzidos e disseminados nos somos diferentes) se torna mutuamente excludente,esportes possam prevalecer é necessário que a adap- pois concretamente fica difícil conciliar uma concep-tação tenha que ocorrer. Portanto, advogar a adap- ção abstrata com uma concepção concreta de ho-tação significa, em última análise, defender a mem.hegemonia de um corpo de conhecimento sobre E é justamente aí que reside o grande desafio paraoutro, mesmo que este outro ainda nem tenha es- a comunidade científica da área, isto é, conciliar osboçado nascer. princípios da Educação Física adaptada com os prin- Muitos profissionais da Educação Física acredi- cípios da inclusão escolar, que em tese são contradi-tam que ao adaptarem os conhecimentos existentes tórios.aos portadores de deficiência estão realizando um O mais interessante de tudo é que tanto os prin-grande feito, ou sendo extremamente criativos. No cípios da primeira linha de pensamento quanto osnosso modo de entender, todo esse sucesso e da segunda, em última análise, defendem os mes-criatividade, existe, porém, está servindo muito mais mos valores, porém às avessas. À guisa depara manter o princípio da igualdade universal entre exemplificação poderíamos dizer que os defensoresos homens e as mazelas daí decorrentes, do que para da Educação Física adaptada, ao mesmo tempo queexplicitar o princípio da diferença e da desigualda- realizam práticas segregadoras, defendem e apóiamde, na tentativa de superação deste quadro social. as políticas inclusivistas. É muito interessante como esta questão contra- Com isto, as políticas segregadoras e inclusivistas,ditória se apresenta na realidade objetiva em que vi- mesmo sendo contraditórias, se identificam, fazen-vemos. Senão vejamos: os professores que trabalham do com que os princípios inclusivistas da Educaçãocom alunos portadores de deficiência, em sua gran- Física adaptada tornem-se princípios segregadores.de maioria, se apresentam contra a discriminação, o Isso tem ocorrido porque a grande maioria dospreconceito e a segregação social. Entretanto, o cor- profissionais da área não tem tido a preocupação,po de conhecimentos que utilizam, na prática, na nem percebe que a concepção de homem presentetentativa de vencer esses comportamentos indesejá- em seus discursos e práticas é contraditória.veis os conduz diretamente à manutenção desses Falam e lutam por um homem e uma sociedademesmos comportamentos. Em outras palavras os onde todos sejam iguais, tenham as mesmas condi-professores precisam, no discurso, ser o que não são, ções, os mesmos direitos e deveres. Porém, traba-para, na prática, conseguirem ser o que realmente lham com um homem concreto, diferente, discrimi-são. nado, desigual, e utilizam como instrumental os co- E nos perguntamos: será que esses profissionais nhecimentos gerados historicamente para atendernão percebem os componentes de poder e interesse as características e valores deste primeiro tipo depresentes em todos os conhecimentos, e que são homem.justamente esses interesses e poderes que determi- Diante desta contradição, os profissionais, aonam o que tem e o que não tem valor social ? invés de enfrentá-la na busca de sua superação, Vale aqui relembrar Habermas (1982) quando optam por práticas e discursos adaptativos,afirma a esse respeito que “....o saber não pode, en- reorganizadores, maquiadores do real, dandoquanto tal, ser isolado de suas conseqüências. Não é uma “nova“ feição, uma “nova” aparência a estapela contemplação de algo, na suposta apropriação realidade.conceitual daquilo que as coisas são num determina- Acontece, porém que a questão principal, homemdo instante, que os homens aprendem, mas pela concreto, desigual e diferente tratado como homemtransformação desta coisa, pelas conseqüências que abstrato e igual, continua presente e sem solução.seu saber opera no real...” A persistir esta ação, não temos dúvidas de que, Nesta linha de raciocínio, esperamos ter deixado por mais que tentem, pela via da adaptação pura eclaro o quanto os profissionais envolvidos com a simples, solucionar este problema, a história, por estarEducação Física adaptada necessitam produzir co- em movimento e ser condicionada, conduzirá o pro-nhecimentos que tragam conseqüências e contribu- cesso sempre para o eixo central do pensamentoam para modificar o atual contexto social em que dominante e hegemônico que é o da pseudo-igual-vivem as pessoas com deficiência. Acreditamos que dade universal entre os homens. 9
  11. 11. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICA Esta tendência fará com que todas as ações políti- Com isto, os conhecimentos vão sendo transmi-cas centradas nas adaptações conduzam os parâmetros tidos, os alunos com deficiência vão tendo acesso àsavaliativos dos resultados esperados para bem próxi- atividades esportivas e as pesquisas sendo desenvol-mo dos valores preconizados pela base igualitária. vidas muito mais com a preocupação em adaptar do A busca incondicional de resultados e medalhas, que em criar atividades compatíveis com as condi-fraudes e manipulações nas classificações funcionais, ções e habilidades dessas pessoas.atletas que apresentam cada vez menos comprome- A continuar essa tendência, podemos afirmar que,timento físico, mental e ou sensorial, e muitas ou- brevemente, cada vez menos pessoas estarão sendotras peculiaridades que cercam o mundo da Educa- envolvidas nas atividades físicas, isto é, restarão ape-ção Física Adaptada e dos Esportes Paraolímpicos, nas os mais aptos, os melhores, os mais próximossão exemplos do que estamos falando. do mundo dos iguais. Nesta linha de pensamento percebemos ainda que Temos claro que o conhecimento se dá no tempoo direcionamento das pesquisas nessa área têm bus- e não está preso ao tempo. Sua dinamicidade lhecado aproximar ao máximo os resultados dos atletas impõe movimento, criação e não apenas repetiçãocom deficiência com os resultados dos atletas nor- ou adaptações. Se os que fazem adaptações asmais. Alguém poderia questionar sobre o que há de constróem na tentativa de demonstrar as capacida-errado nisso. Por que as pessoas com deficiência não des e habilidades dos considerados deficientes empodem realizar ou praticar os mesmos esportes que comparação com os normais, visando assegurar-lhesas demais pessoas praticam, ou atingirem seus limi- reconhecimento social, estão redondamente equivo-tes máximos de rendimento esportivo? cados com este caminho. Pode parecer, para muitos, que não existe nada de Pois se assim fosse, nossos atletas com deficiên-errado em pesquisar nesta direção, ou que as pessoas cia que receberam medalhas de ouro paraolímpicascom deficiência pratiquem os esportes universalmen- seriam ídolos nacionais ou garotos-propaganda dete disseminados e consigam resultados tão surpreen- inúmeras empresas. Não me recordo de ter visto, aodentes quanto os dos atletas não-deficientes. longo dos últimos trinta anos, algum medalhista com Acontece, porém, que esta questão não é tão sim- deficiência fazendo propaganda de tênis, camisetaples assim, pois tanto a escolha do que pesquisar, ou bebidas energéticas, como ocorre com os atletascomo a do que ensinar é uma decisão política normais.alicerçada em uma concepção de homem, mundo e Não estamos defendendo a segregação de co-sociedade. nhecimentos a essas pessoas, ou que não devam Todas as vezes que escolhemos o que ensinar, praticar os esportes adaptados que aí estão. Peloescolhemos, também o que deve ser ignorado. O contrário, temos clareza que essa é uma fase impor-mesmo princípio se aplica à pesquisa, porque acre- tante e transitória do percurso histórico que estamosditamos que poucos são os pesquisadores que ain- vivendo. Não podemos é permanecer presos nesteda defendem a neutralidade científica. tempo e com esses conhecimentos. Portanto, o problema que estamos vivenciando, Como afirmamos anteriormente, o conhecimen-atualmente, na relação inclusão versus atividade físi- to se dá no tempo e não está preso ao tempo, e, porca adaptada reside precisamente na indefinição do ser produto da humanidade não deve ser proprieda-marco referencial norteador da relação. de nem de classe nem de segmentos sociais isola- Esta indefinição por mais paradoxal que possa dos. Por isso, deve ser socializado ao máximo à to-parecer está presente também nos textos que preco- dos os indivíduos, até mesmo para que percebamnizam a própria proposta inclusiva.8 Em que pese o seus limites e contradições.fato de o texto não se referir diretamente à igualda- Nossa preocupação fundamental neste texto éde universal entre os homens, o faz mesmo assim, fazer com que os profissionais envolvidos com a áreade forma indireta, quando defende a promoção da reflitam sobre o descaso que tem sido dado às pes-eqüidade do acesso à educação sem levar em consi- quisas visando novos conhecimentos (jogos, brinca-deração as finalidades da escola, os conhecimentos deiras, atividades físicas) compatíveis com as possi-veiculados, as avaliações realizadas, enfim, sua bilidades e realidades das diferentes formas com queorganicidade. se apresenta a diversidade humana.8 Os países participantes do Encontro Mundial de Educação Para Todos assinaram uma declaração Mundial em que se comprometeram alutar pela universalização do acesso à educação e promover sua eqüidade, a ampliar os meios e a abrangência da ação educativa,fortalecer as alianças em todos os níveis e setores e fortalecer a solidariedade internacional. (grifo nosso). Em relação à EducaçãoEspecial, diz o texto da Declaração: “As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiência requerem atençãoespecial. É preciso tomar as medidas que garantam a igualdade de acesso à educação aos portadores de todo e qualquer tipo dedeficiência, como parte integrante do sistema educativo”. (grifo nosso).In: Revista Integração, ano5, nº 14, 1994, p.01.10
  12. 12. Apesar de termos afirmado no início deste texto 3 sob o ponto de vista individual e imediato; eque a Educação Física conseguiu superar a visão par- 3 sob o ponto de vista coletivo e mediato.cial e limitada de corpo, temos clareza que ela ainda No plano coletivo, precisamos levar em conside-não está preparada para tratar o uno e o diverso ração que tanto o sucesso quanto a discriminaçãosimultaneamente, conforme sugere a política da in- são construções mediatas, históricas e objetivadas, eclusão. Seus conteúdos estão parados no tempo, o os mesmos mecanismos sociais que edificam um ído-que lhe obriga a recorrer às adaptações. lo, também, o destroem. À guisa de exemplificação destacamos o golball e No plano individual, a prática desportiva é tãoo futebol de salão com bola de guizo, duas formas importante para as pessoas com deficiência quantoque os profissionais e os “deficientes” conseguiram, para quaisquer outras pessoas. As pesquisas desen-com a melhor das intenções, adaptar para permitir volvidas em nossos cursos de Pós-Graduação têmaos cegos condições de participação em jogos cole- demonstrado isso há vários anos.tivos. Acontece, entretanto, que tanto um quanto o Entretanto, atribuir aos esportes adaptados a ca-outro exigem dos participantes e assistentes com- pacidade de minimizar as discriminações e preconcei-portamentos completamente incompatíveis com a tos, mostrando ao mundo que os portadores de defi- “ ” ...a prática desportiva é tão importante para as pessoas com deficiência quanto para quaisquer outras pessoas.natureza dos jogos de quadra. Ambos exigem silên- ciência são capazes, é, no nosso modo de entender,cio da torcida. Vejam bem, silêncio da torcida! uma pretensão ingênua e a-histórica, pois essas ma- Ora, deveriam, então proibir a torcida de assistir, zelas sociais não são frutos da ignorância humana,pois torcer silenciosamente é tarefa muito mais ade- nem do desconhecimento das capacidades das pes-quada para quem está aguardando a saída de um soas com deficiência. Pelo contrário, a sociedade emdoente na porta da UTI de um hospital do que para suas mais distintas épocas sempre negou a essas pes-quem está numa quadra assistindo uma partida de soas o direito de cidadania. Em alguns países e emfutebol, handebol ou basquete. alguma época lhes foi negado até o direito à vida.9 E nos perguntamos: será que a partir da inteli- Dito isto, esperamos que os professores de Edu-gência cinestésica, da capacidade de orientação es- cação Física, em face da proposta de inclusão esco-pacial, percepção e discriminação tátil e auditiva não lar, tomem partido nessa luta social, não se distanci-poderíamos pesquisar e desenvolver jogos e compe- ando da realidade, nem se deixando petrificar pelastições entre os cegos, bem como entre eles e as pes- adaptações motivadas por sentimentos passionais esoas que não possuem essas limitações sensoriais? pieguistas tão comuns entre as pessoas que traba- Seguramente, poderíamos. Porém, existem meca- lham com alunos que apresentam necessidades edu-nismos, já referidos anteriormente, gerados pela pró- cacionais especiais.pria sociedade, que têm nos impedido de fazê- lo. Por isso, a proposta da inclusão, enquanto tese Dentre eles, destacaríamos a crença tanto dos atle- que pretende possibilitar, indistintamente, acesso etas com deficiência como de seus treinadores de que permanência de todos na escola, é altamente louvá-o sucesso nos esportes minimiza o processo histórico vel e oportuna, porém enquanto prática real e possí-de discriminação e leva ao reconhecimento social. vel é totalmente frágil e até enganosa pelas razões já No nosso entendimento, pensam assim apenas os discutidas anteriormente.que não conseguem perceber que a grande maioria Não podemos nos esquecer que acima das ques-das pessoas com deficiência não pratica esporte por- tões superficiais que têm orientado o debate taisque as relações sociais usurparam destas pessoas es- como, se devemos ou não incluir todos na escola, seses direitos, e não porque elas são incapazes. Que elas a escola precisa primeiro preparar os professores ousão capazes não temos nenhuma dúvida, até porque adaptar-se arquitetonicamente, está a necessidadese não fossem, não estariam, há vários anos pratican- urgente de garantirmos o acesso e a permanênciado atividades esportivas. Por essas razões, esta ques- de todos os brasileiros aos diferentes níveis detão precisa ser analisada sob dois aspectos: escolarização, bem como o domínio do conhecimen-9 A obra de SILVA, Otto, M. A Epopéia Ignorada, trata com muita propriedade acerca da história dos deficientes nas diferentes épocas dahistória. 11
  13. 13. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICAto gerado historicamente por toda a humanidade. Quanto à Educação Física acreditamos que seus Para que isso ocorra não podemos ignorar o lo- pesquisadores precisam avançar no sentido de darcal e o tipo de conhecimento que estamos reivindi- respostas à nova relação social que deve sercando, pois o tipo de conhecimento e local onde é estabelecida a partir da inclusão escolar.transmitido, nesta sociedade hodierna, faz muita Temos consciência de que conhecimentos acercadiferença na vida do indivíduo. de atividades físicas segregadas existem demais, po- Uma coisa é estudar e ser egresso de uma escola rém, pesquisas que apontem soluções para as ques-pública ou particular. Outra é estudar em uma esco- tões aqui levantadas, existem poucas.la especial, cuja carga estigmatizante é altamente Finalmente, como o leitor pode perceber, escre-excludente nas relações sociais vigentes. vemos este texto com o objetivo muito mais de Sem nenhuma pretensão de comparar os fatos, conclamar os pesquisadores da área para solucionarmas apenas utilizando o recurso da exemplificação, o desafio da inclusão, do que para apresentar algodiríamos que o mesmo ocorre com os ex-presidiári- propositivo. Temos atualmente mais dúvidas do queos. Eles, pelo fato de terem o estigma de ex-detentos, respostas. Porém, temos feito dessas dúvidas o mo-mesmo depois de terem cumprido toda pena imposta tor de nossas reflexões e a busca de alternativaspela justiça, dificilmente têm acesso ao trabalho e superadoras.ao convívio social pleno. As relações sociais estabelecidas lhes impuseramuma pena que mesmo depois de cumprida, conti- BIBLIOGRAFIAnua presente em suas vidas. É o que Goffman (1982)denominou de estigma moral. No caso específico dos BOURDIEU & PASSERON . A reprodução: elementosalunos com deficiência, eles carregam o que este para uma teoria do sistema de ensino. Rio deautor denominou de estigma físico. Janeiro: Francisco Alves, 1975. Neste sentido, o entendimento das questões afe-tas aos estigmas exige que tenhamos clareza de que, BRASIL. Ministério da Educação. Plano Decenal deindependente do indivíduo ser paraplégico, Educação para Todos. Brasília: 2000.hemiplégico, deficiente mental ou visual, não pode-mos negar-lhe a possibilidade de ter acesso ao conhe- _______ .Ministério da Educação, SEESP. Políticacimento e às riquezas da humanidade que ele, de al- Nacional de Educação Especial. Brasília, 1994.guma forma, também, ajudou a produzir, e que por _______.MEC,SEF,SEESP. Parâmetros Curricularesquestões de poder e dominação não tem tido acesso. Nacionais : Adaptações Curriculares. Brasília:Entretanto, não precisamos, para conseguir isto, ne- 1999.gar seu estado de diferença, de desigualdade, porque _______.MEC,SEF,SEESP. Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Especial. Brasília: 2000.“ ...os pesquisadores CARMO, Apolônio Abadio. Deficiência física: a socie- precisam avançar no dade cria, recupera e discrimina. 2ª ed. Brasília: sentido de dar respostas Escopo, 1991. à nova relação social que deve ser estabelecida CARVALHO, Rosita Edler. O papel da UNESCO e do MEC frente a integração. Educação Especial: ” a partir da política Perspectiva e reflexões. In: Seminário Nacional de inclusão escolar. de Integração da Pessoa Portadora de Defici- ência no Contexto Educacional. Florianópolis: 1994. Anais, p 20.é na diferença e na desigualdade que devem repousar ___________. A Nova LDB e a Educação Especial. Rioas bases de nossas ações, e, seguramente, a primeira de Janeiro: WVA, 1997. 2ª Ed.delas é não querer igualar o desigual. Precisamos levar em conta que existem diferen- ___________. Integração, inclusão e modalidade dates tipos de conhecimentos e distintas capacidades Educação Especial: mitos e fatos. Brasília:para apreendê-los. Reiteramos que a decisão do que Revista Integração.n.7, p: 19-25, 1997.ensinar e a quem ensinar é política e exige de quema toma, sensatez e compromisso para com esta de- CASTELLANI FILHO, L. Educação física no Brasil: acisão, pois todas as vezes que selecionamos conhe- história que não se conta. Campinas: Papirus,cimento selecionamos, também, ignorância. 1998.12
  14. 14. COLETIVO DE AUTORES: Metodologia do ensino de MADER, G. Integração da pessoa portadora de defi- Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. ciência: a vivência de um novo paradigma. In: MANTOAN. M. T. A integração de pessoas comD’ANTINO, Maria Eloísa. A questão da integração deficiência: contribuições para uma reflexão do aluno com deficiência mental na escola re- sobre o tema. São Paulo: Memnon/ Senac, gular. In: MANTOAN, Maria Tereza E. A 1997. integração de pessoas com deficiência: con- tribuições para uma reflexão sobre o tema. São MARTINS & ARANHA. Filosofando: introdução à Fi- Paulo: Memnom, 1997, p 97-103. losofia. 2ª Ed. São Paulo: Ed. Moderna, 1996.DECLARAÇÃO Mundial Sobre Educação Para Todos: MAZZOTTA, Marcos J. S. Educação Especial no Bra- Satisfação das necessidades básicas de apren- sil: história e políticas públicas. 2ª ed. São Paulo dizagem, In: Conferência Mundial Sobre Edu- : Cortez, 1999. cação Para Todos. Jomtien. Tailândia, 1990. ____________.Trabalho docente e formação de pro-DORÉ, ROBERT et al. A integração escolar: Os princi- fessores de Educação Especial. São Paulo: EPU, pais conceitos, os desafios e os fatores de su- 1993. cesso no secundário. In: MANTOAN, Maria Tereza E. A Integração de Pessoas com Defici- MANTOAN, M. T. A integração de pessoas com ência: Contribuições para uma reflexão sobre deficiência: contribuições para uma reflexão o tema. São Paulo : Senac, 1997. sobre o tema. São Paulo: Memnon/Senac, 1997.FALVEY, Mary A. et al. Inclusive and heterogeneous schooling: assessment, curriculum and PONCE, Aníbal. Educação e luta de classe. 7a ed. São instruction. Baltimore: Paul Bookes Publishing, Paulo: Cortez,1986. 1998. RONCIN, C. ; VAYER, P. Integração da criança defici- ente na classe comum. São Paulo: Manole,FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. 6ª ed. São 1989. Paulo: Moraes, 1986. SANTOS, E.F.R.R. Atendimento às famílias de defici-FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo : entes: uma análise das propostas institucionais Cortez, 1987. a partir dos relatos de profissionais que atu- am na área. Dissertação (Mestrado em Edu-FOUCAULT, M. Poder corpo. In: Microfísica do po- cação Especial) – Universidade Federal de São der. 5a ed. Rio de Janeiro: Graal.1985. Carlos : São Carlos, 1993.FROMM, E. Conceito marxista de homem. Rio de SASSAKI, Romeu K. Inclusão: construindo uma so- Janeiro: Zahar, 1983. ciedade para todos. 3ª ed. Rio de Janeiro: WVA, 1997.GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. São Paulo: Zahar, 1982. SARUP, M. Marxismo e educação. Rio de Janeiro: Guanabara,1986.HABERMAS, J. Conhecimento e interesse. Rio de Ja- neiro: Zahar,1982. SKLIAR, Carlos. Educação e exclusão: abordagens socioantropológicas em Educação Especial. 2ªJANNUZZI. Gilberta. A luta pela educação do defici- ed. Porto Alegre: Mediação, 1997. ente mental no Brasil. São Paulo: Cortez, 1985. SILVA, O. M. A epopéia ignorada. São Paulo: Cedas, 1896. 470 p.KOPNIN, V. A dialética como lógica e teoria do co- nhecimento. Rio de Janeiro : Civilização Brasi- SOARES, Carmem L. Educação Física: raízes euro- leira, 1978. péias e Brasil. São Paulo: Cortez, 1994.LIBÂNIO,J.C. Democratização da escola pública: a STAINBACK, Susan; STAINBACK ,William. Inclusão: pedagogia crítico-social dos conteúdos. 2a.ed. um guia para educadores. Porto Alegre: São Paulo: Loyola,1985. Artmed, 1999. (Trad. Magda França Lopes.) 13
  15. 15. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICA O PRINCÍPIO DA INCLUSÃO: UM ELEMENTO DA METODOLOGIA DAS AULAS DE “ Os aros olímpicos, ao envolverem os portadores de necessidades EDUCAÇÃO FÍSICA especiais, representam elos pela inclusão, por direito, entre o compromisso socioeducacional e o bem-estar dos povos de todas as Nações. ” A autora. Elisabeth Ferretti Lemos * INTRODUÇÃO A Educação Física referendada, em dezembro de l997, nos Parâmetros Curriculares Nacionais / MEC, como disciplinacurricular na grade de ensino das escolas regulares, vem resgatar a proposta da Educação para Todos, principalmente, no quese refere aos alunos que apresentam necessidades especiais, permanentes ou não. Seguindo uma tendência mundial, um dos verdadeiros objetivos da Educação Física, como ciência, manifesta-se pelo tratohumano. No âmbito escolar, apresenta-se, também, como vetor interdisciplinar, permitindo direcionar sua projeção, desde aescolha do foco de estudo, até o ponto de convergência das demais disciplinas a serem vivificadas pelo ser humano. Estratificando o contexto ótico decorrido da aplicação deste Projeto Pedagógico de Ensino: O Princípio da Inclusão..., foipossível revelar os resultados do processo metodológico aplicado, contribuindo para o significativo reconhecimento dapluralidade atitudinal, da diversidade de conteúdos e, até mesmo, se preciso for, do programa individualizado de ensino paraos alunos com necessidades educacionais especiais. Todas as atividades programadas para a mesma aula podem gerar novas oportunidades de sucesso, não só na EducaçãoFísica, como também, nas demais disciplinas que congraçam o direito de todos à educação. Respeitados os diferentes modos de aprender, sobressaiu-se, de forma natural, a solidariedade entre todos os alunos, soba primazia do diálogo e da convivência, propiciando o êxito, sempre que possível, dos alunos com necessidades especiais. O domínio e aplicabilidade do conceito de Inclusão, proposto por Mosston, (1986)1 , sob o enfoque da dinâmica operacionale organizacional, permitiu à autora identificar a questão que norteou a concretização da pesquisa: Como promover a inclusãode todos os alunos nas aulas práticas de Educação Física?* Professora Licenciada em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG.Auxiliar de Fisioterapia/FUNED-ESMIG.Pós-Graduada em Processo Ensino-Aprendizagem: Uma Fundamentação Filosófico-Antropológica e Técnico-Pedagógica. F. C./São Paulo.Pós- Graduada em Teoria e Prática Pedagógica no Ensino Técnico – CEFET/ MG.Mestre em Educação pela Universidade São Marcos/S. P. - UNI - B.H. – Centro Universitário de Belo Horizonte/M.G.E-Mail: ferrettilemos @ hotmail.com1 Mosston, Muska (1986) – Pesquisador que, com a ajuda do governo americano, criou uma Escola Pública Modelo, no estado de NovaJersey, onde vem desenvolvendo estudos sobre as metodologias de ensino, não só da Educação Física, mas de todas as disciplinas escolares.14
  16. 16. OBJETIVO GERAL: postas, ao observar a preferência pelo Voleibol, o seu desempenho e efeito ilustrativo, dentro da reali-Verificar os efeitos da ampliação do tempo real, de dade desses educandos.uma para duas aulas consecutivas, de Educação Físi- A formação de turmas para as aulas de Educaçãoca, no processo de inclusão de todos os alunos, res- Física se fez por duas turmas mistas que foram divi-peitando-se as diferenças individuais, especialmente didas por sexo na praça de esportes, sendo as tur-daqueles com menor performance psicomotora. mas femininas o alvo de abrangência deste projeto. Escolhemos seis turmas do ensino médio e três tur- mas do ensino fundamental, no turno da manhã. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Ao considerar a evolução histórica da Educação Física, observa–se, atualmente, no âmbito escolar, uma 3 Dar oportunidade ao aluno de conhecer suas tendência a desconsiderar as diferenças individuais de possibilidades e vencer seus limites, por meio cada aluno durante as aulas práticas, sem atividades da ação docente, durante as aulas práticas; físicas não-desportivas, o que faz com que os alunos 3 facilitar ao aluno com necessidades especiais busquem melhorar sua performance psicomotora em sua presença à praça de esportes, observadas academias, clínicas estéticas de musculação e suas limitações, permitindo-lhe a participação, escolinhas de esportes do sistema particular. sempre que possível, nas aulas de Educação A Educação Física envolve momentos de Física; e descontração, desinibição, aproximações da convi- 3 promover a confraternização desportiva entre vência humana, um comportamento sui generis que os alunos da escola regular, abrangendo, in- entende-se concebível inserir nessas reflexões a ci- clusive, os alunos com necessidades educacio- tação do Prof. Dr. Moura (1995)2 textualizada em nais especiais. “O impulso lúdico na educação” ao destacar Schiller. Este autor admite identificar a expressão impulso As referidas propostas de estudo estiveram em lúdico com o termo jogo, como se faz na lingua-contínuas análises, desde 1980, quando houve a in- gem corrente, porém imprimindo-lhe uma amplia-tenção de descrevê-las, incorporando-as à disciplina ção.Metodologia de Elaboração de Projetos em Educa- Schiller entende o impulso lúdico como jogo en-ção, a partir de julho de 1995, início do VI PCDET/ tre as capacidades racionais e sensíveis do homem eCEFET/MG. a ausência de regras ou conceitos como a “liberdade Em março do ano passado, converteu–se em con- humana”. Para ele, “de todos os estados do homemteúdo capitular da dissertação de Mestrado em Edu- é o jogo e somente ele que o torna completo(...) (...)ocação, aprovada pela Universidade de São Marcos/SP. homem joga somente quando é homem no pleno O campo de ação das propostas aqui descritas sentido da palavra, e somente é homem pleno quan-foi desenvolvido, e implantado após sua conclusão, do joga.”em uma das escolas públicas da rede estadual, em A postura didática do professor de Educação Fí-Belo Horizonte/MG. Visou-se um projeto pedagógi- sica, em sala de aula - entendida como espaço emco, para área de habilitação, a ser aplicado em sala que esta aula é ministrada, seja pátio, quadra, pisci-de aula, durante um bimestre letivo, apresentando na ou sala convencional – deverá ser a de buscarsoluções práticas a problemas educacionais específi- enriquecer seu trabalho, por meio de seu currículocos. Imediatamente, as pesquisas literárias funda- oculto (Giroux 1986)3 , servindo-se de seu ethos po-mentaram as metas de atuação sob o título: “Princí- sitivo, (Mortimore, Peter, in: Entrevista, 1995)4 , aopio da inclusão – um elemento da metodologia das acompanhar seus alunos durante as tarefas práticasaulas de Educação Física.” propostas. Muitas vezes, sem que o professor perce- Para se pensar nos problemas pedagógicos da ba, as atividades de sua performance didático – pe-Educação Física, foi de primordial importância co- dagógica, ficam retidas na memória de seus alunos,nhecer as condições reais dessa escola. para o resto da vida. Houve anuência da direção escolar e adesão da Segundo Gadotti, (1993), um dos grandes desa-maioria dos alunos ao integrarem-se às metas pro- fios dos educadores brasileiros, nos dias atuais, é a2 Moura, Dácio Guimarães de. – Prof. Doutor em Educação, Professor de Metodologia de Elaboração de Projetos em Educação do VI PCDET- CEFET/MG – Impulso Lúdico, 1996, p 4.3 Giroux 1986,“Currículo oculto” é uma outra faceta do currículo escolar, que, na grande maioria das vezes, fica relegada a um segundoplano. É o currículo implícito no cotidiano das relações sociais da sala de aula, da escola e da sociedade. Apresenta-se no trato com adivergência de posicionamentos, nas diferenças de enfoques, na pluralidade, no encontro com o inusitado e nas possibilidades de umdevir*. Dalben, Angela I. L.,1992, p.31-33.4 Mortimore, Peter - Diretor do Institute of Education, professor da Universidade de Londres. 15
  17. 17. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICAbusca de uma educação para todos que respeite a dores, está no reduzido tempo de aula disponíveldiversidade, as minorias, os direitos humanos, elimi- para que todos os alunos exercitem as atividadesnando estereótipos e substituindo o conceito de propostas.igualdade das pessoas pelo de eqüidade, ou seja, Bento, J. O. (1987), mostra em seus estudos quepelo exercício da igualdade de direitos e o respeito “numa aula de cinqüenta minutos o tempo disponí-às diferenças. vel para cada aluno se movimentar é extremamente Neste sentido, a autora deste projeto prossegue escasso, não só pelo tempo em si, como também,a breve investigação sinóptica sobre a aprendizagem, pela limitação da participação efetiva das turmas deexpõe a necessidade de sedimentá-la por variáveis elevado número de alunos para uma quadra de es-angulares, considerando o nexo da questão do apren- portes que, na escola, comporta, no máximo,diz frente ao inusitado da representação do apren- quatorze jogadores em ação desportiva.”dido e conclui enfatizando que, a princípio, para al- Desde 1979, o pronunciamento do Conselho Es-guns o conhecimento vem de fora para dentro e para tadual de Educação6 , esclarece o seguinte:outros vem de dentro para fora. “Todavia dependendo da condução das ativida- A Educação Física, como disciplina curricular, de- des de Educação Física pelo professor e de sua capa-verá ter como princípio norteador aceitar as diferen- cidade de diversificação das mesmas, as aulasças na aprendizagem e abandonar as idéias de geminadas deixarão de ser problema para a escolahomogeneidade e de exclusão dos menos aptos. que disso necessitar valer-se.” Ao voltar para o aluno o reflexo da luz emitida Entretanto, a publicação número 256/79/CEE, dopelo movimento do seu self, procura-se a interação mesmo decreto, estabelece, como padrão de refe-de sua aspiração com sua realidade ao descobrir, pela rência, um total de três sessões semanais para o en-ação, o que “ele próprio é capaz de fazer.” sino fundamental e médio, (item I, art. 5º). Tendo em vista os grandes problemas que coman- dam a cultura e a civilização, focaliza-se, neste pro- JUSTIFICATIVA jeto, uma trajetória metodológica que se identifica com o “estilo de inclusão” , criado por Mosston, Com freqüência, observa-se que a Educação Físi- (1986) cujo termo “estilo de ensino” ele conceituaca costuma considerar as preferências da maioria das como “múltiplos níveis de performance na mesmapessoas familiarizadas com as habilidades esporti- tarefa”.vas, ao selecionar os melhores atletas representan- Consideramos oportuno ilustrar o conceito de in-tes do “esporte na escola”, em vez de tentar defen- clusão, apresentado por Mosston, (1986), p.32,der o “esporte da escola”. (Bracht,1992 )5 Reforça- quando, por meio do salto em altura, enfatiza que:se, assim, a apatia e o desânimo dos menos expres-sivos, sempre discriminados e, muitas vezes, levadosa ceder seu lugar na quadra, pela falta de domíniodas habilidades vivenciais desportivas. Este quadro gera desafios a serem solucionados.O projeto em estudo propõe-se a acrescentar suges-tões para amenizá-los, com o objetivo de contribuir Figura 01 Figura 02para o avanço qualitativo do ensino, fornecendo sub-sídios para uma reflexão entre os professores de Edu-cação Física escolar, uma vez que, na literatura dis- a figura 1, demonstra claramente que à medidaponível, são poucos os estudos voltados à solução que se eleva o sarrafo, ou corda, aumentando-se ade problemas tais como: altura, afastamos dessa atividade o aluno que apre- 3 falta de motivação (problema pessoal); senta maior dificuldade, desestimulando-o de inves- 3 exclusão (problema social); tir em novas tentativas, fazendo com que ele sinta- 3 má utilização do tempo útil (problema didáti- se excluído; co - pedagógico). a figura 2, demonstra que se o sarrafo, ou corda, for inclinado à altura de 0,80 cm de um lado e 0,20 Uma das causas mais freqüentes da exclusão nas cm do outro, irá possibilitar que todos os alunos se-aulas de Educação Física, apontadas pelos pesquisa- jam incluídos, isto é, que todos participem da ativi-5 Citado por Marques, Jonh Harley Madureira - Trabalho e Educação: a Lógica da Educação Física no ensino profissionalizante - CursoMestrado CEFET - PCDET, Projeto coletivo publicado na Revista Projetos e Trabalhos Práticos no Processo de Educação em Ciência e Tecnologia,1995:26.6 Informativo MAI de ensino - set/out - nº 202, Dec. nº 69.450/71, item I, art. 5º - 1992:29-30.16
  18. 18. dade proposta. Os alunos decidirão a que altura Ao sintetizarmos os estudos de Mosston, (1986),poderão ultrapassar com sucesso e sentir-se-ão esti- aplicáveis ao que ora se propõe, observamos que ummulados a tentar o próximo nível. dos problemas da Educação Física é a aprendizagem Este estilo identifica a importância de gerar op- eficiente, a qual depende de uma proporção ade-ções puramente positivas nos pontos de entrada, onde quada entre a quantidade de uma atividade e a uni-todos terão um resultado feliz. O exemplo do arranjo dade de tempo.da corda inclinada consuma o objetivo explícito de Segundo este autor, “para aprender qualquer ta-começar a criar condições para a inclusão. refa física e atingir um nível razoável de performance, “ O papel do estudante é selecionar o nível apro- o aluno precisa repetir a tarefa. Executá-la aindapriado para ele sem a preocupação de agradar ao mais... O único estilo que permite atingir esta meta éprofessor. ” Assim, o aluno faz a opção de onde o estilo da “ inclusão de todos”. Este estilo propõe ainteragir com a tarefa. participação de todos os alunos da escola nas com- O bom êxito da primeira tentativa, certamente, petições esportivas.”impulsionará o aluno a: A aplicação dos exercícios desportivos, sob o in- 3 tomar uma decisão futura de acordo com sua centivo da “ludicidade”, mostra que a competição é capacidade (a marca acima ou abaixo); desejável à medida que os competidores encaram 3 experimentar novas tentativas numa amplitu- seus opositores como companheiros de jogo.” de de possibilidades; e (Bracht, V. 1988:38). 3 requerer uma área reservada, ou horário ex- Em termos de cultura corporal, torna-se óbvio que tra, para treinamento da tarefa, quando em a Educação Física precisa conhecer e considerar as disputa interclasse ou lazer, o que demonstra múltiplas diferenças entre as pessoas: variação de exercitar o aspecto lúdico da vivência altura, habilidades, atributos físicos, níveis de ener- desportiva entre colegas. gia, enfim, possibilidades e limites entre as necessi- dades físicas especiais. A questão é organizar os alu- De acordo com Mosston (1986), essa proposta nos, os equipamentos, o espaço e o tempo num re-permite que “o aluno tenha a oportunidade de apren- lacionamento distinto capaz de criar diversas condi-der e aceitar a distância entre aspiração e realidade, ções à aprendizagem eficaz.como também, de reduzir o espaço entre ambos.” As opções de organização, citadas por Mosston, O olhar docente “... verificará o papel desempe- (1986), referentes ao estilo inclusão, são interaçõesnhado pelo aprendiz frente à sua atuação e não de entre tarefas e estações ( lugares, locais ) da seguin-acordo com sua performance...” Desta forma, o pro- te forma:fessor poderá indicar ao aluno o fator que determina Figura 3) ÚNICA ESTAÇÃO -o grau de dificuldade da tarefa executada. (idem,ib.) ÚNICA TAREFA O Programa de Atendimento Individual, adotado Figura 4) ÚNICA ESTAÇÃO -por Kirk (1904) & Gallagher (1987:203) e segundo MÚLTIPLAS TAREFASRafaele Tortora (1995), afirma que o professor, ao Figura 5) MÚLTIPLAS ESTAÇÕES -apresentar o conteúdo, pode entender que “...alguns TAREFA ÚNICAalunos, de uma mesma sala, precisam da elaboração Figura 6) MÚLTIPLAS ESTAÇÕES -de um programa individualizado de ensino para ni- MÚLTIPLAS TAREFASvelarem suas habilidades. Este programa permitirá queo professor promova o desenvolvimento do potencial Os quatro arranjos de organização, conformedesses alunos, enfatizando na descrição da tarefa a explicitado acima, conciliam cada aprendiz com osua ação positiva, ao selecionar as atividades que o tempo, os equipamentos e o espaço para praticar oaluno consegue fazer ... ”. exercício. Enquanto os alunos estão envolvidos com Para esses autores, é necessário que uma ampla a tarefa, o professor tem o tempo necessário paravariedade de atividades (alternativas) sejam ofereci- mover-se de estação a estação e oferecer o incentivodas aos alunos para que se efetive a inclusão, no verbal apropriado a cada um.que se refere à Educação Física escolar. Se conside-rarmos que esta é uma das propostas deste projeto,acreditamos que será possível promovermos a inclu-são de todos os alunos, a partir da criaçãodiversificada de conteúdos e atividades. O professor deverá estar atento às mudanças, ouadaptações, que deverão ser feitas, para atender aosalunos que apresentam necessidades especiais, evi-tando, assim, que eles permaneçam isolados de seus Figura 03colegas e das atividades escolares. 17
  19. 19. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICA séries do ensino Fundamental, também do turno da manhã. Observado o paradigma da inclusão, de acordo com Mosston, (1986), qual seja o da “inclusão de todos”, cada série será dividida em equipes, forma- das pelas próprias alunas - “considerando-se o nível de performance de cada equipe” (Mosston,1986) e, Figura 04 todas participarão entre si durante as aulas conse- cutivas do segundo bimestre, na modalidade Volei- bol, de dezoito aulas. Destas, 8 (oito) aulas serão para coletivos a classificarem uma vencedora. É sem- pre lembrado aos alunos que a presença à chamada da aula se efetiva, fazendo-se mister praticá-la. A seguir, apresentamos sugestões de como operacionalizar as aulas: A) - DIVISÃO DA TURMA POR EQUIPES: a título Figura 05 de exemplo cita-se uma turma com 36 (trinta e seis) alunas que é composta pela união de duas séries (SÉRIE “X” e SÉRIE “Y”). Cada série será dividida em grupos de 6 (seis) para o 2° bimestre - voleibol, con- forme quadro abaixo. SÉRIE “X” SÉRIE “Y” EQUIPE 1 EQUIPE 1 EQUIPE 2 EQUIPE 2 Figura 06 EQUIPE 3 EQUIPE 3 18 alunos 18 alunos TOTAL: 36 alunos Esses quadros ilustram uma organização deno-minada de pluralidade de atividades inclusivas,favorecidas pela diversidade de conteúdos, conheci- Observações:da por alguns docentes e que podem ser aplicadas, a) Caso haja maior número de alunas serãocom sucesso, às demais disciplinas curriculares. convocadas como suplentes das três equipes de sua Mosston, (1986), aponta a organização da aula série ou formarão a equipe quatro.em múltiplas estações como uma das estratégias de b) Caso haja menor número de alunas, poder-se-ensino que permite a inclusão de todos. As múltiplas á completá-la repetindo a participação de algumaestações podem ser organizadas com tarefa única aluna já inserida.ou com múltiplas tarefas. Entretanto, a metodologia c) As próprias alunas formarão as equipes, e, ema ser aplicada neste projeto estabelecerá a identifi- rodízio treinarão durante 10 (dez) aulas do bimestre.cação da atitude organizacional em “Múltiplas esta- A décima aula será escolhida como o dia da inscri-ções e Múltiplas tarefas (Fig. 06). ção oficial de todos os times da sala. Portanto, este trabalho fundamentar-se-á nametodologia da trajetória de atuação a seguir, con- A partir da décima-primeira à décima-oitava aulasiderando a questão: serão realizados os jogos inter-equipes das duas tur- - Como promover a inclusão de todos os alunos mas, durante sua aula consecutiva, quando será clas-em uma aula de Educação Física ? sificada uma equipe que participará da “Semana de Ouro”. Nesses dias, as equipes que aguardam sua vez, con- METODOLOGIA tinuam praticando os exercícios desportivos nas áre- as livres da praça de esportes. As ações propostas neste projeto têm o objetivo B) - DIVISÃO DAS ATIVIDADES - ADEQUAÇÃO DOde minimizar as diferenças individuais, o tempo de TEMPO (100 min) PROGRAMA INDIVIDUAL DE ENSI-aula, a falta de motivação dos alunos e a exclusão. NO (PIE – específico). Para este estudo, selecionamos cento e cinco alu- Tomando-se como referência uma turma de 36nas do ensino fundamental e médio, sendo seis tur- (trinta e seis) alunas, teremos:mas do turno da manhã e três de sétima e oitava 1° - Traslado ao local, troca de roupa; (10 min.)18
  20. 20. 2° - Chamada e explanação dos objetivos do dia; ma. Os alunos deverão ser rigorosamente seleciona-(10 min.) dos quanto ao domínio pessoal da bola e mobilida- 3° - Tarefas individuais e em conjunto: alonga- de do corpo, devido ao jogo paralelo, durante asmentos, flexionamentos e jogos recreativos; (10 min.) aulas consecutivas. 4°- Expressão esportiva (voleibol); toque de bola Os grupos formados pelas seis integrantes tro-por cima, passe (levantamento), manchete, saque, cam de estação a um intervalo de tempo (quinze mi-cortada, bloqueio, defesa, recuperação de bola jun- nutos), aumentando-se a participação por aluna.to à rede; (10 min.) Reiteramos que a organização das aulas em Múlti- 5° - Prática esportiva para as duas equipes; (15 plas Estações e Múltiplas Tarefas, citado por Mosston,min.) 1( *) (1986), conforme foi executada neste projeto, con- 6° - Prática esportiva para as duas equipes; (15 cilia cada uma das alunas com o tempo, os equipa-min.) 2( *) mentos e o espaço para praticarem as atividades. 7° - (Prática esportiva para as duas equipes; 15 Destaca-se, no entanto, ainda de acordo com o refe-min.) 3 ( *) rido autor, que “o papel do professor é estar sempre 8º - Breve avaliação geral, incentivo verbal e volta pronto a converter-se em criador, planejador, obser-à calma; (5 min.), e vador e conselheiro que, de maneira franca, estimula 9º - Banho, troca de roupa e retorno à sala. (10 min.) o aluno a avançar e a tentar superar-se a si mesmo.” Assim, durante as aulas, o professor terá tempo dis- Durante as aulas, propõe-se a seguinte organiza- ponível para percorrer as estações e oferecer aos alu-ção: nos o estímulo necessário. Paralelamente à operacionalização dos trêstempos de 15 min.(*) , os quatro espaços li-vres da quadra serão ocupados pelas quatroequipes restantes. (“Múltiplas Estações”) (·). Para as quatro estações será organizadoum programa de adequação pessoal dos fun-damentos básicos do esporte/ voleibol. (“Múl-tiplas Tarefas”) (·) A título de exemplo: 1- Postura pessoal no toque de bola e de-sempenho; 2- Controle de bola, alternando-se man-chete, toque por cima e deslocar-se para trás; 3- Passe, levantamento e deslocar-se late-ralmente; 4- Manchete, afundo e amortecer a bolano ataque em defesa. O conteúdo proposto para essas tarefas éflexível. Neste estudo, as variáveis resultaramdo atendimento dado às classes, que apre-sentaram alunos com necessidades educacio-nais especiais, respeitadas as habilidades, oslimites e as competências de cada aluno. Na figura 07, mostramos como as plurali-dades atitudinais e a diversidade de conteúdospodem ser aplicáveis à esta proposta. Observação: Esse programa educativo das quatro esta-ções deverá atender às necessidades da tur- Figura 07(*) - Durante os quinze minutos de prática esportiva para doze alunas das equipes 1,2, e 3 de cada turma, haverá rodízio durante as aulase treinamento em campo das táticas de conjunto a saber: os sistemas de ataque e de defesa, as trocas de posição, regras de jogo earbitragem, apontar súmulas, placar e juiz de linha. Expressão esportiva, na diversidade de conteúdos, esses espaços permitem, também, autilização de jogos recreativos adaptados para atenderem a uma abordagem especial, se necessária. 19
  21. 21. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICA RESULTADOSESCOLA ESTADUALTURMA FEMININA - MANHà –PROJETO: O PRINCÍPIO DA INCLUSÃO TOTAL DE ALUNAS POR TURMA 111 17 112 15 113 21 211 18 212 19 311 15 TOTAL 105 Questonário das alunas Conclusão Resultado Análise Percentual Nome da aluna: Série:1. No início das aulas de Educação Física você participou de ginástica para todos, no sentido de SIM % NÃO % aliviar as tensões da sala de aula? sim não 81 192. No aquecimento esportivo você executou os fundamentos do esporte, coletivamente? sim não 78 223. Você participou dos treinos coletivos durante as aulas de Educação Física? sim não 78 224. Enquanto duas equipes treinavam, você esperava sua vez exercitando os fundamentos do espor- te, nos espaços livres da quadra? sim não 83 175. Você descobriu que pode participar de um jogo coletivo através das aulas de Educação Física? sim não 88 126. No início do torneio coletivo, você participou de alguma equipe de sua sala? sim não 76 247. Ao participar de uma equipe, você sentiu a importância da responsabilidade coletiva, isto é, ser integrante e estar presente ao compromisso assumido? não sim 86 148. Despertou em você a aspiração de sua equipe ser a melhor? sim não 63 379 Como você avalia a sua participação ao longo da execução do “Projeto da Inclusão” em Educação Física? Ótimo 28 Ótimo Bom Regular Bom 45 Regular 2720
  22. 22. 6. Você considera que, por meio da participação das PRINCÍPIO DA INCLUSÃO UM ELEMENTO alunas no Projeto “Princípio da Inclusão” em Educa- DA METODOLOGIA DAS AULAS DE ção Física, houve contribuição para aumentar-lhes a EDUCAÇÃO FÍSICA QUESTIONÁRIO auto-estima na comunidade escolar? DE AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES1. Na sua opinião, através do Projeto “Princípio daInclusão” foi possível verificar se a operação das ati-vidades físicas e esportivas envolveu as múltiplas di-ferenças individuais dos alunos, especialmente osde menor performance psicomotora? 7. Através das aulas geminadas de Educação Física, pela adequação da metodologia do processo ensi- no-aprendizagem é possível promover no aluno mais participação durante maior tempo efetivo, resultan- do-lhe melhor desempenho escolar?2. Você observou se os alunos deixaram transparecersatisfação, estímulo e que sentiram –se valorizadospela presença dos professores durante a realizaçãodos jogos coletivos do Projeto na “Semana de Ouro”? 8. Pela repercussão alcançada em nosso segmento escolar, por meio da realização do projeto “Princípio da Inclusão...” qual a avaliação conclusiva que você faria das atividades?3. Você acredita que, pelo fato do corpo discenteestar incluído na ação pedagógica da Educação Físi-ca, esta possa ter contribuído para evitar a evasãoescolar? ÓTIMO 80 % REGULAR 00 % BOM 20 % INEXPRESSIVO 00 % CONCLUSÃO Os resultados demonstraram que a grande maioria4. Você concorda que, através da repetição de exer- dos envolvidos revelaram satisfação e conscien-cícios positivos, as alunas poderão conhecer suas tização ao participarem dos momentos de ginásticapossibilidades, vencer seus limites e descobrir a co- coletiva, no sentido de aliviarem as tensões da salaordenação de movimentos necessários para condu- de aula.zirem-se a um maior número de acertos na As alunas declararam que o aquecimento espor-prática esportiva? tivo geral fez nascer-lhes mais disposição para exe- cutarem os fundamentos do esporte nos espaços li- vres da quadra, reforçando-os na prática, não só en- quanto duas equipes treinavam, mas também, du- rante as aulas nos dias dos jogos oficiais. Motivadas, demonstraram, também, alto grau de responsabili- dade coletiva por sentirem-se incluídas, valorizadas5. Foi possível observar nas alunas alguma manifes- e compromissadas com a proposta deste trabalho.tação de entusiasmo fortalecida pela interação Pela repercussão alcançada no segmento escolar,participativa nos torneios coletivos? com a realização do projeto “Princípio da Inclusão”, a diretoria e os professores da escola se manifestaram por uma avaliação altamente positiva, conforme a aná- lise percentual do questionário e depoimentos, ane- xos. Foi exposto que devido as aulas consecutivas e a concentração de todos os alunos no local da Educação 21
  23. 23. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO FÍSICAFísica, o trânsito pelas dependências da casa foi reduzi- curso à prática. Belo Horizonte: Dissertação dedo. Com isto, as outras disciplinas curriculares foram mestrado da FAE/UFMG, Dez. 1993, p.88.contempladas com a maior absorção e assimilação dosconteúdos pelos alunos. Ficou demonstrado que, para DALBEN, Angela I. L.. Currículo escolar. Belo Hori-se atender a turmas com mais de quatorze alunos, fre- zonte: Educação em Revista, nº 15, pp. 30-qüentes na prática dos esportes escolares, foi preciso 33. Jun, 1992.ampliar o tempo real da aula para que a metodologiaaplicada pudesse ser satisfatória aos participantes. DREW, Valter F. Como motivar os alunos de hoje. São Pela análise final dos questionários obtidos, veri- Paulo: Saraiva, 1977.ficou-se que o projeto alcançou as metas desejadaspela pesquisadora. FARIA, Eliene Lopes. O esporte na aula de educação Deduz-se que o efeito da ampliação do tempo física: um fator de inclusão ou exclusão? Beloreal e a organização do espaço, de acordo com a Horizonte: EEF-UFMG, pesquisa de graduação,metodologia de ensino adotada, possibilitaram a 1996, p 8, 01-22.inclusão de todos os alunos da escola regular, emconsonância com os dispositivos legais. GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. É utópico pretendermos que uma aula, com trinta São Paulo: Ática Editora, 1993.- quarenta minutos de tempo real em Educação Físicaescolar, reverta em significat ivos benefícios físicos para GIROUX, Henry. Teoria crítica e resistência em edu-o exercício do número de alunos de menor cação. Petrópolis: Vozes, 1986.performance, uma vez que as diferenças individuaisdemandam atenção, espaço e maior tempo efetivo. KIRK, Samuel A. & GALLAGHER, James J.. Educação Acreditamos que a Educação Física escolar, além da criança excepcional. São Paulo: Martinsde despertar sua prática para toda a vida, deve apre- Fontes, 1987:203.sentar-se no ensino fundamental e médio por exce-lência, também, como disciplina pedagógica MORTIMORE, Peter. Democracia e eficácia no ensi-direcionada à condição física e à cultura do corpo. no, Entrevista publicada na Revista Presença Almejando a ampliação de ofertas no mercado Pedagógica, Belo Horizonte: set/out - 1995.de trabalho, é preciso reverter muita atenção à cria-ção de mais Universidades de Educação Física, no MOSSTON, Muska & Ashworth, Sara. Teachingestado de Minas Gerais, atualmente em número de physical education, Merril Publishing Company,quatorze, em busca da conscientização profissional thirdy edition, Columbus, Ohio, 1986. Tradu-e formação especializada em questões biopsicofÀ

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