O mito do amorMarinaldo L BatistaSeria possível amar alguém sem nunca ter-lhe visto?Se sim, encontrarem-se sem necessidade...
PrólogoSou como chamam por aqui um “biscateiro”. Não é nenhumaprofissão nobre, diz-se de quem vive à toa, fazendo um bicoa...
com meus botões: “ No mínimo serviria como exercício parano futuro quem sabe uma obra maior.”.Meses e meses tentava montar...
Marinês sentada, sobre uma grossa almofada paraaumentar seu tamanho. Desde os dez anos passou a usarsandálias altas, pois ...
“Encontra-se no escritório uma garota de três anos mais oumenos com vestido branco de bolinha que encarecidamentepede a pr...
Agora estava em fogo, quase brasa. Voltou à cena. Aproximoudevagar. A mulher desaparecera. Não! Agora via melhor.“Chupa o ...
- Os meus, querido! Os meus!Agora imagine vocês a cena. Todos lá embaixo pararam decomprar estupefato. Riam sem parar.Os v...
nessa hora dava vontade de esconder-se como fazem osavestruzes, quando assustados. Era assim que se sentia.Não por acaso u...
dos fantasmas e monstros, muitas vezes encolhido no fundoda rede.Era Coelho pra cá, Coelho pra lá e o apelido pegou. E ape...
Marinês tinha uma vida sedentária. Sentada o dia inteiro emfrente às câmeras, e a noite não saia do computador. Por issosu...
ligou o computador. Com muita dificuldade conseguiracomprá-lo nas casas Bahia. Dividiu em 24 vezes no crediário.Entrou na ...
Eros entra na sala...Eros fala para todos: Boa noite.ludymylla fala para ++RODRIGO++: ata Erosfala para todos: Oi! Quem Qu...
Eros reservadamente fala para Carinhosa: Vamos sair destasala. Passa-me teu MSN que entro em contato.Trocam MSN.Eros sai d...
Eros resistia e, ante sua insistência, advertiu-a para a almainvejosa das mulheres.Induzida pelas irmãs, invejosas não res...
-Porque não seguimos esse mito tão lindo. O que é aaparência? O mais importante não é a alma?-Exatamente. É no que mais ac...
surpreendeu com alguém, pequeno, raquítica até, com umavoz de tenor? Ou ao contrário uma pessoa forte, vigorosa comvoz de ...
Medo de se mostrarem como eram? O amor seria mais fortedo que as aparências? Por segundos cogitaram olharem-se.“Não, não q...
Só sei que para eles o orgasmo foi múltiplo, amplo e multicor.                             6Houve muito outros encontros. ...
Sabia que não podia quebrar o trato. Mas a curiosidademata. Só quando ela gritou por socorro eu me expliquei.Queria só ver...
-O que deseja? Ele me falou olhando nos meus olhos. -Nãopude deixar de rir.-O que?Ela gargalhando. -Ele era fanho, ela dis...
-Siga aquele táxi, por favor. Passavam os postes, as luzesbrilhavam intensamente. Via sua amada, os cabelos longosvoando a...
empurrou a porta no ímpeto louco, sacou uma arma edisparou dois tiros.Iam em direção ao jovem rapaz, mas ela a “traidora” ...
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Seria possível amar alguém sem nunca ter-lhe visto? Se sim, encontrarem-se sem necessidades de ver-se? E manter esse romance aceso com todos os outros sentidos excluindo a visão? Sem as aparências? O amor dito espiritual resistirá às intempéries do tempo? Esquecer o físico, as carnes e partir para um amor maior que não fosse necessário a beleza (no sentido da palavra)e buscarmos o amor como fazem os cegos, pelos outros sentidos que não sejam os olhos? Onde ficaria a curiosidade humana?

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O mito do amor

  1. 1. O mito do amorMarinaldo L BatistaSeria possível amar alguém sem nunca ter-lhe visto?Se sim, encontrarem-se sem necessidades de ver-se? Emanter esse romance aceso com todos os outrossentidos excluindo a visão? Sem as aparências? Oamor dito espiritual resistirá às intempéries do tempo?Esquecer o físico, as carnes e partir para um amormaior que não fosse necessário a beleza (no sentidoda palavra)e buscarmos o amor como fazem os cegos,pelos outros sentidos que não sejam os olhos? Ondeficaria a curiosidade humana? marinaldo l batista 26/01/2011
  2. 2. PrólogoSou como chamam por aqui um “biscateiro”. Não é nenhumaprofissão nobre, diz-se de quem vive à toa, fazendo um bicoali outro acolá, levando a vida sem grandes sonhos.Sei soldar, pintar paredes, assentar piso, porta, dizem até quesirvo para assustar casa velha.Não sou feio, sou até simpático, é o que disseram e quandocriança em mim fizeram “bilu bilu”, talvez por isso tenhagrande pudor das partes íntimas. Tive algumas namoradas,algumas que se apaixonaram, outras que me iludiram, e fuivivendo assim jogado de léu em léu como pluma ao vento.Fiz curso de tudo que é tipo. Tipo corte e costura, corte decabelo, desenho e pintura todos pelo correio, agora falo - meuverdadeiro sonho mesmo era ser artista.Quando lia uma história em quadrinhos diziam, ficavagaratujando algum desenho ou encarnava os personagens esaía pelas vielas em busca de aventura que acabavamgeralmente com alguns hematomas pelo corpo. “O que essemenino procura?” Dizia minha mãe.E foi assim, desde o início de minha vida num quartoqualquer, num lugarejo remoto, numa noite melancólica océu nenhuma estrela, dissera minha mãe, jogado como célulafria num útero profundo. Não conheci meu pai. Ou quase.Hoje sou técnico em eletrônica e manutenção em computadorformado num curso a distância. Foi nesses consertos queencontrei uma história. Estavam em dois discos rígidosimperfeitos que um homem trouxera para concertá-los.E como sempre sonhara em ser um escritor vi nesse materialuma chance sem precedentes, pois a história parecia seroriginal, e aproveitando a oficina literária que fizera, pensei
  3. 3. com meus botões: “ No mínimo serviria como exercício parano futuro quem sabe uma obra maior.”.Meses e meses tentava montar a história. Primeiro pensei emmontar tudo na forma de novelas dos séculos XVII e XVIII dosquais sou fã incondicional. Como é difícil montar umahistória com verossimilhança. Suei as “bicas” como dizem poraqui. Logo pensei em contá-la como fazia nossas antigasamas, ao fechar da cortina dos olhos no sono pueril, nosacalentando com sua voz suave e morna. Depois a coisa foi embolando e saiu assim meio parecidocom textos de blogs tão na moda recentemente.Senti como montasse um velho computador. A arquiteturaestava pronta, usei uma carcaça que já fora muito útil nopassado, e era só escolher as peças e encaixá-las, colocando-as uma a uma no lugar mais pertinente, para no fim ageringonça ligar o leitor.Uma cena ali, um diálogo acolá, um perfil, umas reflexões. Osnomes são fictícios. Chega de preâmbulos. Vamos à história. Primeiro capítuloNum grande magazine, olhos acostumados espreitavam ascâmeras. Era Marinês, puxando para cima do nariz os seusóculos de grau. Via quase tudo com os olhos de cão deguarda. Desconfiava de tudo e de todos vigiando os “amigosdo alheio”. Era seu trabalho. Vigiar a tudo e todos evitandoassim os roubos que assombrava.Consideraram as mulheres mais observadoras e perspicazesentão Contrataram várias meninas. Estava ela ali única eexclusivamente para observar os outros nas compras equalquer movimento suspeito avisar ao segurança para tomaras devidas providencias.
  4. 4. Marinês sentada, sobre uma grossa almofada paraaumentar seu tamanho. Desde os dez anos passou a usarsandálias altas, pois detestava sua altura. Não passava deum metro e meio.Lembrava-se dos tempos de escola onde apelidada de pintorade rodapé, pouca sombra e outras do mesmo gênero. Muitavez saíra “na mão” com meninas, como dizia “jamais levoudesaforo para casa”.Seu ponto de observação era toda ala sul, e oestacionamento.Colocou os óculos, pois além de míope era estrábica. Era umacabine com um grande monitor, dividido em imagensmenores, oito ao todo onde se via quatro corredores e partedo estacionamento, que passavam crianças e adultos fazendocompra. Na parede da frente um quadro que olhava quandoestava aturdida ou angustiada. “Traz-me saudades”, dizia.Era um bosque com árvores frondosas, o chão coberto porgramas de variadas cores devido ao impacto da luz. Nasombra, verde escuro, na luz, verde claro. Era manhã. Via-sepela brisa fria. No primeiro plano uma mulher tricotava nacalma do lar. Tinha os cabelos presos em um coque, masviam-se lhes que eram escuros. Debruçada em seu colo umacriança de olhos claros uma menina lânguida com olharsonhador, sentindo-se protegida pelo olhar cândido da mãe.Ao fundo uma mesinha de madeira, sobre ela floresvermelhas. Um sonho.Volta à realidade. O local estava abarrotado, era feriado eparecia que o mundo viera às compras. Com um toquepoderia dar zoom às imagens como fazem os diretores decinema ou afastá-las para ter uma vista aérea.O microfone ficava ligado no sistema de som, e qualquerproblema era só apertar o botão vermelho e numa voz derodoviária dar o aviso: “Automóvel marca tal, placa MLB1442,favor retirá-lo, pois se encontra em lugar proibido” ou
  5. 5. “Encontra-se no escritório uma garota de três anos mais oumenos com vestido branco de bolinha que encarecidamentepede a presença dos pais. Obrigada.”Após o aviso, colocava uma música cuja melodia dava aosclientes um anseio estranho, de gastar mais.Súbito um movimento suspeito no estacionamento. Ela Verum casal num carro branco, chegar. Não descem. Dar umclose na câmera. O homem é bonito, usa óculos escuros. Amulher um vestidinho de linho. Beijam-se. Mais um casal ascompras.Olha no outro monitor. Ver no corredor um homem quepegara algo na vitrine.Avisa pelo rádio: - Indivíduo de camisa azul no quartocorredor. Rápido. Pegou algo. Claro que tenho certeza!Suspeito vai sair na porta lateral.Volta para o outro casal. A mulher faz um movimentosuspeito. Põe a mão sobre a braguilha do homem. “Ah! Umdaqueles casais! Que bom, por isso gosto do meu trabalho.”Dar close. Ele investe nos seios. Tira um que salta do vestidoe suga com força. Depois se beijam demorado.- Um homem de azul? Grita pelo fone o segurança. -Sim!Colocou algo dentro da cueca.Ela pensa no carro e imagina o homem com o pênis duro nomeio das pernas. A sombra das árvores cobre o vidro eatrapalha um pouco a visão. Regula a câmera. Procura outroângulo. A mulher sorrir e parece olhar para os lados como seprocurasse algo. “Não me ver aqui sua cretina, eu sim, tenho-os em minhas mãos.” Sente algo como um calor subir entreas pernas, o mesmo calor quando no ônibus encostaram-senela. Naquele dia não conseguira se desvencilhar. Chegara àcasa toda molhada.
  6. 6. Agora estava em fogo, quase brasa. Voltou à cena. Aproximoudevagar. A mulher desaparecera. Não! Agora via melhor.“Chupa o sorvete do bonitão, piranha”. Na outra tela osegurança aproximava-se da sua cabine. “Diabo, como essespestes se perdem!” Com o dedo fecha a imagem tirando-lhe aluz. Abre a porta.-Mais uma, para você. Ela pega o microfone e avisa:-Atenção, atenção! Encontra-se na cabine quatro, umacriança, a Célia, uma linda menina de olhos azuis. Favor ospais pegá-la. Não se preocupem, estar bem, somente umpouco aflita. Obrigada. Em dois minutos um casal sobe em pânico em busca dapequena. Tudo como manda a regra, com documentoscertificam-se serem os pais verdadeiros, agradecem e saem.Imediatamente Marinês move a tecla e ilumina a tela. Amulher já levantara o vestido até a cintura e cavalgavadocemente o homem, ora lento ora mais rápido.-Ai que delícia! Gritou. Fora ouvida por todos no sistema desom.No início os clientes até não prestaram muito atenção.Pensavam ser mais uma propaganda de biscoitos.O homem levantou o vestido e apertava as nádegas. Batia.-Ai gostoso!Agora todos riram com a frase. Os caixas olhavam para oslados, para cima, sem entenderem nada.Agora no carro cavalgavam ligeiro.-Bota pra quebrar vagabundo! E via o carro todo se balançarna luxúria.O homem apertava os seios por baixo do tecido fino.Gritou ainda:
  7. 7. - Os meus, querido! Os meus!Agora imagine vocês a cena. Todos lá embaixo pararam decomprar estupefato. Riam sem parar.Os velhos entre dentes, os jovens urravam, e uma freirapersignava-se.O escândalo não foi maior porque o segurança notou o queacontecia, correu escada acima seguida por um rol de gente.Quando chegaram viram esse quadro: Marinês apalpava-se edava tapa em sua própria bunda e gemia.De um pulo o segurança desligou o microfone e a câmera.Marinês vendo todo aquele povo olhando-a espantadosdesejou que o mundo acabasse ali, ou que um buraco seabrisse a seus pés e a engolisse. Pegou suas coisas, jogoudentro da bolsa e fugiu. 2Subiu a escadaria do prédio de três andares no subúrbiocorrendo como fazia todos os dias, dizia que era parafortalecer as pernas e o coração. Ouviu os mesmos sons detodos os dias: as crianças chorarem, os sons das TVs, umgalo cantar, barulho de panelas e quase se chocou com ovizinho da frente, que corria para chegar a tempo para oalmoço.Era Erosnaldo mais conhecido por “Eros”. Não achoutrabalho melhor para seu jeito. Trabalhava num call Center,órgãos criados nas grandes empresas no intuito exclusivo deludibriar os clientes.Era conhecido no meio com o codinome de “voz de ouro”, poistinha a voz quase semelhante ao Cid Moreira. Seu maiordesejo era não aparecer, andava nas ruas se desviando dasaglomerações, era tão tímido que qualquer coisa o corava e
  8. 8. nessa hora dava vontade de esconder-se como fazem osavestruzes, quando assustados. Era assim que se sentia.Não por acaso uma mulher, sempre ligava as seis em pontotodos os dias nesses cinco anos que trabalhava, pura eexclusivamente para ouvir sua voz. Nunca teve namoradaséria, sempre coisas passageiras como mesmo falava: “Umrolo”.Um dia, um dos colegas lhe pregara uma peça. As seis emponto, todos já sabiam, ao toque do telefone, o tal colegaaumentou os alto-falantes, e escutaram esse esdrúxulodiálogo.Nesse dia o telefone tocou alto. Com a voz poderosa eleatendeu:-Boa noite, em que posso servi-la? Idêntico a locutor de rádio.-Uma voz débil respondeu: “Sou eu amor. Fala novamenteboa noite só para mim. Para seu pequenino amor.E a cada frase era uma gargalhada contida a muito custo nosbiombos vizinhos.Sem desconfiar de nada ele, repetia:“Bo-a Noi-te! Em que posso servi-la?” Idêntico ao Cid Moreira,quando falava “Mister M, o mágico dos mágicos.”.-Em tudo amor. Quero te pegar no colo, te dar mil beijosdepois ouvir essa voz maravilhosa murmurar: “Meu Amor”.Repete vai.-Não brinque comigo. Se os outros ouvirem vão pegar no meupé e sou capaz de morrer.Era querido por todos. Há muito viera do interior, e logonotaram a tamanha timidez. Quando sorria prendia os lábiosnos dentes e alguém de má fé o apelidara de “coelho”. Sempresó, na solidão do caminho, aprendera a se safar dos medos,
  9. 9. dos fantasmas e monstros, muitas vezes encolhido no fundoda rede.Era Coelho pra cá, Coelho pra lá e o apelido pegou. E apelidoé igual catinga de bunda, pode-se lavar o dia inteiro, mas ocheiro esse não sai. E ele aceitou o apelido contrariado comovai aceitando tudo na vida. O salário baixo a solidão e vivecomo ele mesmo fala: “Só ele e Deus”.O ambiente estava silencioso, somente no salão ouvia a vozno alto falante, e todos em surdina ouviam a mulher sedeclarar.Ela pedia ainda.-Fala meu nome mais uma vez, vai. E ele: - Se alguém meouvir eu me mato. E será sua culpa. Fazia silencio. Impostavaa voz e dizia lento, com gosto: - Meu amor. E nesse momentotodos caíam na gargalhada.-Mais uma vez vai meu pitititinho! Falava ela e pela vozparecia fazer biquinho.E ele repetiu: “Meu amor, minha flor!” Foi quando ouviu um reboliço atrás de si. Voltou-se e viutoda repartição em alvoroço e os olhos pareciam estrelas quechoravam, mas de riso. Um colega fazia biquinho nos lábio erepetia gargalhando: - Pi-ti-ti-tinho! E fazia uma mímicafeminina.Ele ficou pálido, começou tremer, queria falar a voz não saia,foi ficando vermelho, a respiração ofegava, a tez foi perdendoa cor, as mãos tremeram-lhe e a voz, a grande voz ficoumuda, tirou os fones, levantou-se e saiu. No outro dia pediu aconta e desapareceu. 3
  10. 10. Marinês tinha uma vida sedentária. Sentada o dia inteiro emfrente às câmeras, e a noite não saia do computador. Por issosubia sempre correndo as escadas, isto lhe deixava um poucoaliviada. Sonhava encontrar alguém que pudesse contar seusanseios e sonhos. Mas sabia que a realidade era dura e atéaqui tinha sido cruel com ela. Era como se diz, ausente debeleza. Aquela beleza de carnes e de músculos dasacademias.Aqui pergunto? O que é o feio? Para mim feio é morrer defome, roubar, mentir. Além do que como os ditos populares:para cada pé torto existe um sapato velho ou não existempessoas feias e sim pessoas sem imaginação.Quando passou pelo corredor escuro ouviu os sons de todosos dias, sons de televisão e choro de crianças. Tirou a calçachutando-a num canto e de tênis e calcinha jogou-se sobre acama.Que vergonha sentiu todo aquele povo olhando-a comoestivesse fazendo algo muito feio e horroroso, verdade que foise perguntava agora mais calma, como pode esquecer omicrofone ligado? Enfiou a mão na calcinha e sentiu-aúmida. Entrou no banheiro e ficou embaixo do chuveirosentindo as gotas quentes escorrer na pele, ensaboando-selongamente e chorando.Lembrou-se de tempos felizes, quando morava num pequenosítio, os pais lavradores plantavam para sobrevivência. Teveque sair para conseguir algo na vida como fazia todos dalitrabalhava em casas de família, em subempregos e às vezesaté se prostituíam. Quando achou esse trabalho deu graças aDeus. Morava só.Sabia do olhar do patrão para ela, ou de alguns colegas detrabalho, mas nunca lhes dera bola. Sabia o que elesqueriam, ou melhor, o que todos os homens queriam.Enxugou-se tomou um copo de leite gelado alguns biscoitos e
  11. 11. ligou o computador. Com muita dificuldade conseguiracomprá-lo nas casas Bahia. Dividiu em 24 vezes no crediário.Entrou na mesma sala de bate papo com o mesmo apelido desempre. Era uma mulher carinhosa podia até não parecer,mas se queimava por dentro. Olhava na tela brilhante ocursor piscar e a barra de rolagem subir. Colocou umamúsica suave e ficou vendo as estrelas pela janela enquantoum cachorro latia sem parar e uma criança começaranovamente a chorar.Iniciou o diálogo: Carinhosa entra na sala... Lobo mal fala para Carinhosa: oi amor“Esse é um cretino, pensou”.Carinhosa fala para lobo mal: oi CORAÇÃO.romântico fala para bia: tcs de onde lobo mal fala para Carinhosa: quantos anos? Carinhosa fala para lobo mal: Chuta... dezza fala para Ksado 34a SP Z/L: oi lobo mal fala para Carinhosa: 14 aninhos?“Talvez um pedófilo, o filho da puta.”gatinhp cam fala para Carinhosa: Se mostre para mim!“Outro cretino e imbecil, fala pelos cotovelos.”Carinhosa fala para gatinhp cam: Não tenho.gatinhp cam fala para Carinhosa: Como estais vestida? lobo mal fala para Carinhosa: vc tem avó? Carinhosa fala para lobo mal: Tenho sim por quê?lobo mal fala para Carinhosa: quero devorar-te! Comer-tetodinha...“Outro safado. No mínimo casado com cinco filhos o puto.”
  12. 12. Eros entra na sala...Eros fala para todos: Boa noite.ludymylla fala para ++RODRIGO++: ata Erosfala para todos: Oi! Quem Quer companhia para comerpipoca sentindo nos pés descalços a areia do mar?“Ai! É esse. Um poeta.”Carinhosa fala para Sedutor: Ah! Aceito e com queijo.Eros fala para Carinhosa: Tira as sandálias então.Sorri docemente. Pensou “Eu sem sandálias sou uma anã.”perseguidos 27 sai da sala... RAUL--ABC-SP sai da sala... lobo mal fala para Carinhosa: vc não responde?Carinhosa fala para lobo mal: Morri para vc... JP DELICIA fala para Aninh@: oi tudo bom vc tc de ondecowboy fala para Carinhosa: Deixa eu te domar minhapotranca.“Um machão... Não me interessa.”Carinhosa fala para cowboy: procure uma égua... Gostoso cam entra na sala... gata do mar fala para Carinhosa: Curte mulher?Carinhosa fala para gata do mar: Só minha mãe... amizade para valer fala para VIVI: estas a fim de umanova amizadeGato Z/S MSN fala para Carinhosa: Faz carinho em mim... chayane]] fala para marcelo 22 cam: oiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Polaco entra na sala... Ránie sai da sala...LINDO SP sai da sala... gata do mar fala para bello-sp: vc ta online? VIVI fala para gatinho sp: SIM
  13. 13. Eros reservadamente fala para Carinhosa: Vamos sair destasala. Passa-me teu MSN que entro em contato.Trocam MSN.Eros sai da sala...Carinhosa sai da sala... Com certeza os deuses da mitologia, foram criadosdas imaginações loucas e pueris dos sonhos humanos e ossemideuses cópias fiéis de todas as aspirações dos mesmossentimentos. Mania de grandeza, ambição, amor e ódio.Tudo isso me fez exclamar um dia achando-me inspirado:“Oh! Deus, porque nos criastes tão dependentes! Não bastasó o livre arbítrio! Depois mais resignado: “A vida é assimmesmo, no final a morte.”E assim nossos personagens se conheceram. 4Outro dia no MSN:Marinês fala:-Pesquisando no Wikipédia, seu nome descobri uma históriamuito interessante sobre.Eros fala: O que minha princesa?-Que Eros, é o Deus do amor e se casou com Psiquê, umabela mortal, com a condição de que ela nunca pudesse ver oseu rosto.Afrodite mãe de Eros enciumada com a beleza estonteante dePsiquê pede ao filho que lance suas setas para ela apaixonar-se por um monstro. Mas a seta atingiu-o. E ele ficouperdidamente apaixonado por ela. Assim se casaram e viviamfelizes num grande castelo. As irmãs queriam visitá-la e
  14. 14. Eros resistia e, ante sua insistência, advertiu-a para a almainvejosa das mulheres.Induzida pelas irmãs, invejosas não resistiu. Disseram terouvido falar que ela havia se casado com uma monstruosaserpente que a estava alimentando para depois devorá-la,então lhe sugeriram que, à noite, quando este adormecesse,tomasse de uma lâmpada e uma faca: com uma iluminaria oseu rosto; com a outra, se fosse mesmo um monstro, omataria.-E o que aconteceu minha flor?-Encantada com tamanha beleza, deixou cair sobre ele umagota de cera acordando-o. Percebendo que fora traído, Erosenlouquece, e foge, gritando repetidamente:-O amor não sobrevive sem confiança!Depois para conseguir a confiança novamente teve que fazervários trabalhos quase impossíveis que ela fez e Eros aperdoou. Não é lindo meu bem?-Muito.-Você percebeu as coincidências?-Quais meu bem? “Eu não sou nenhum deus grego”.-Parece com nossa história. E Psiquê não rima com Marinês?Pois então. Há dois anos nos conhecemos sei todos os seusgostos, mas ainda não nos vimos. Não é chegada a horaafinal?-Sim. Só queria uma promessa sua. Não uma promessa, umajura.-Pode falar amor. “Se ele soubesse que fiz cada coisa bisonha,como por exemplo: apostar comigo mesmo, que atravessariaa rua em 5 segundos se não perderia uma perna ou no meiode um sonho saber que aquilo não era real, que era só umsonho”.
  15. 15. -Porque não seguimos esse mito tão lindo. O que é aaparência? O mais importante não é a alma?-Exatamente. É no que mais acredito.-Então, façamos essa jura nós dois. Topas?-Tanto topo que a partir de hoje não pergunto como tu és,não quero saber nada do teu físico.-Farei o mesmo. O que penso de ti vem da alma, do coração eassim nosso amor será eterno pelo simples fato: A alma éeterna.-Beijos, beijos e beijos amor. Oh! Como sou feliz!-Te amo. 5O amor é sublime, mas o sexo tem pressa. Exige tocar,cheirar, ouvir, ver e sentir.Depois dessas juras, três meses depois marcaram umencontro num motel de uma pequena cidade. Simples maisconfortável. Ela chegaria e depois de instalada, e vendadaligaria para ele indicando o endereço. Respeitando o trato,não poderiam ver-se.Dois anos haviam se passado e cada um sabia do outro osgostos, até as futilidades: Marinês gostava de dormir no ladoesquerdo da cama, ler romances e broa de fubá.Erosnaldo gostava do flamengo, ler poesia e pão doce.Mas pouco ou nada sabiam como eram fisicamente. Ela deleconhecia a voz. E por esse detalhe procurava desenhar-lhe oresto. Mas como esse detalhe é enganoso. Quem nunca se
  16. 16. surpreendeu com alguém, pequeno, raquítica até, com umavoz de tenor? Ou ao contrário uma pessoa forte, vigorosa comvoz de sopranos? Pairava sempre a incerteza.São essas coisas que existem na natureza inexplicáveis outalvez explícitas demais. Os defeitos são divididos. A perfeiçãonão é desse mundo.Ela tinha dele a seguinte ficha que passaram pelo MSN:Louro, alto mais ou menos um metro e oitenta, dentes hígidose brancos, sereno e sólido, arguto e inteligente.Já ele tinha dela o seguinte perfil:Morena, cabelos longos, pernas torneadas, olhos deressaca(nunca entendi esse olhar), mãos longas e finas unhasarredondadas. Um olhar original. Dela ele conhecia a mão.“Todos correm em busca da felicidade, adquirindo coisasmateriais, mas acredito profundamente que esta não secompra é coisa do espírito.” Pensava ela.No quarto vendados estavam agora, como cegos. Os outrossentidos aguçados. Sentiram-se num mundo estranho e aomesmo tempo excitante, um mundo sem luz, onde podiaagora ouvir o leve revoar dos cabelos, uma gota de chuvaexplodir numa folha, os silvos vastos dos pássaros e ainda notoque sentir os poros, a malha fina da pele.Ela sentiu adentrar todo o perfume, o cheiro de bicho no cio,a respiração ofegar, as mãos tocarem, a voz, e como fazem oscegos foram se aproximando. A mão fria suspeitou-o maisbaixo, os cabelos dela são curtos, a voz é romântica, o toquemacio, o repicar do coração.Abraçaram-se, apalparam-se, sentiram os lábios num beijomeigo e violento. Depois ela empurrou-o, o que ele vai pensarde mim, se entregar no primeiro encontro, depois elenovamente, não fuja todos os meus sentidos tão amplos, sema luz dos olhos, a imaginação é mais colorida.
  17. 17. Medo de se mostrarem como eram? O amor seria mais fortedo que as aparências? Por segundos cogitaram olharem-se.“Não, não quero saber, pensaram juntos. Construí para mimum príncipe e esse príncipe é você, que tenho agora e sinto operfume, teu cheiro que é bom, o calor dos teus lábios, tuaforça comprimindo minhas coxas, teu sabor, tua voz, tuapele quente e macia, um rosto só meu, um nariz, um cabeloum corpo. O que importa, é o que criei de ti e você criou demim, e nesses corpos os quais, jamais iremos ver, sopramosnossas almas, apaixonadas até a eternidade, livre dasaparências e de todos os preconceitos que ela traz. Assim soufeliz e assim seremos para sempre.”Foram se despindo, ela o vestido, ajudou-o com o um levemovimento dos quadris. Ao mesmo tempo em que ela tiravadele o cinto, e ouviu o tilintar da fivela no chão, o roçar desuas pernas, os segredos entre pelos.Era como assistir um teatro de olhos fechados. Era o mundodos sons, dos cheiros e do tato. Para a platéia o cenário seriacomo uma tela escura e os personagens invisíveis, nãoobstante muita emoção seguida dos outros sentidos, pelecheiro, gemidos e excitação. Os cegos não vêm às coisasconcretas, abrem-se outras janelas mais amplas: daimaginação e dos sonhos.Agora imagineis vós, toda a cena. Beijos, peles, coxas,músculos, membros, movimentos...Todos nós buscamos imagens que ficaram guardadas emalgum canto de nossas mentes. Imagens criadas ou vistas pornós em algum momento de nossas vidas. Aproveitem. Nãovou descrevê-las. Deixo para vossas imaginações. Não medecepcionem. Só uma pergunta me fica se me permitem fazeragora: Como serão as imagens dos cegos se eles não possuemnenhum parâmetro. Seriam brancas como uma folha ouescura como a noite?
  18. 18. Só sei que para eles o orgasmo foi múltiplo, amplo e multicor. 6Houve muito outros encontros. Nenhum deixou a desejar.Mas como tudo na vida há um “quê” para atrapalhar. Comoaquele poeta que tinha uma pedra no caminho. Para eles apedra era a curiosidade, essa serpente venenosa que arma obote lentamente.Foi quando numa noite de amor naquela hora que se acendeum cigarro para os fumantes ou caem-se em devaneios mil, ereflexões tomam nossos pensamentos, ele contou rindo:- Você não vai acreditar, mas acho que estou ficando louco.-O que? Conta.-Você jura que não vai me censurar? Que não vai ri de mim?-Claro que não amor, conta. E ele continuou:-Um dia no metrô senti teu perfume. Juro! Naquele momentofechei os olhos para ter certeza. Idêntico. Olhei e via a minhafrente um senhor levando uma sacola. Do outro lado umsujeito ouvindo música. Os bancos todos ocupados. Lá nafrente uma mulher, segurando uma bolsinha e as mãos,luvas. Fazia frio. Levantei-me e aproximei. Era como tivessecom você, o mesmo perfume que sinto agora. Uma belamulher. Postei-me atrás. Ela me olhou assustada e desceu naprimeira parada. Desci também. Segui-a por mais ou menosdois quilômetros. O mesmo timbre de voz. Não ria, mascheguei a gritar teu nome. Pensei: “Qualquer um se ouvisse onome gritado, em algum lugar, puro reflexo, olharia paratrás.” Somente depois lembrei que não usávamos osverdadeiros e aí o susto teve efeito oposto. Ela entrou numarua gritando, atemorizada. Eu atrás, que criancice a minha.
  19. 19. Sabia que não podia quebrar o trato. Mas a curiosidademata. Só quando ela gritou por socorro eu me expliquei.Queria só ver as mãos. Ela caiu na gargalhada e me perdooupelo susto. Fí-la tirar as luvas. Não eram as mesmas.-Mas como teve certeza que não era eu, só pelas mãos?-Não podia ser. Fechei os olhos, e assim pude ouvir asbatidas do coração. Não era o seu, tive certeza. Depoisagradeci, pois assim teria quebrado o juramento.Ele levantou-se tateando e sentou-se perto dela.-Você me perdoa? Juro que nunca mais faço isso.Ela beijou-o nas mãos e falou:- Comigo aconteceu diferente.-Também?-Sim! Escuta amor. Um belo dia entrou no mercado umhomem. Parecido com o perfil que tenho de você. Louro, alto,mais ou menos um metro e setenta não tão alto como vocême falou, o perfume, pelo amor de Deus era idêntico. Senti-me bem perto de ti. Segui-o pelas câmeras. Observei o andar,o jeito como mexia as mãos, tudo enfim achava que era você.Não tinha dúvida. Meu coração começou a palpitar. Fechei osolhos curiosos. O mesmo cheiro. Fiquei olhando estupefata.Quando foi pagar, fiz questão de olhar o nome no cartão decrédito. Lembrei o mesmo que você. Usamos apelidos. Vi oendereço, e não me questione, mas segui-o até o endereço.Vi-o entrar numa casa simples, uma mulher o esperava edois filhos pequenos. Morri de ciúme, juro. Perguntei coisapara ele na loja e me respondeu por sinais, pois fazia muitobarulho. Você não acredita. Bati na porta e ele me atendeu.Ela sorriu displicente.-O que aconteceu? Inquiriu ele.
  20. 20. -O que deseja? Ele me falou olhando nos meus olhos. -Nãopude deixar de rir.-O que?Ela gargalhando. -Ele era fanho, ela disse quase engasgando.E riram ambos até caírem no chão, abraçados. Depois fez-sesilêncio.Ela saiu tateando pela sala e chegou ao banheiro. Voltousem a venda. Aproximou-se dele.-Me de sua mão, falou. Colocou sobre os seus olhos. Eleassustou-se.-Você esta sem a venda? E chorando? O que isso significa?Ela falou emocionada:- Para que jamais aconteça novamente, arranquei meusolhos. Toma-os. E ele sentiu duas esferas gelatinosas em suamão. Agora estou completamente cega.-Oh! Minha querida que loucura. E agora como fica?-Você esqueceu que temos o Braile. Encontraremos-nossempre aqui. Depois se abraçaram longamente. “Queloucura!”. Ele pensava. “Ela me ama verdadeiramente”.-Não pedirei nada para você. Só não cairei novamente nacuriosidade. Amo você como imagino e ponto. 7 Longos anos se passaram. Estavam no mesmo motel amesma hora de sempre. Viu quando ela partiu e tomou umasúbita resolução.
  21. 21. -Siga aquele táxi, por favor. Passavam os postes, as luzesbrilhavam intensamente. Via sua amada, os cabelos longosvoando ao vento. No pensamento dela imagens de um sonhodistante, quando jovem num pequeno povoado. Ali à vidacorria lento, sob a luz prateada da lua, lugar comum dequalquer novela dos grandes mestres, usei-a agora, pois estamesma brilha idêntica àquela, e no intuito exclusivo, devalorizar este singelo conto, naquela noite morna do sertão.Naquele povoado havia uma única rua que descia íngremeladeada por casinhas coloridas, uma de cada cor, e no finalabria-se numa praça dessas do interior, onde moçoilas erapazes circulavam á noitinha em sonhos e divagações. Nospasseios os mais velhos dormiam esquecidos, emespreguiçadeiras. Foi ali que fora ferida de morte por umjovem. “Você não chega aos pés de quem imaginei”. Essafrase muitos anos ecoou em sua mente. Jurara para simesmo que só apaixonaria por alguém que não desse tantaimportância as aparências.Agora se sentia feliz. Enfim encontrara sua alma gêmea.Desceu do táxi e esticou a vara que passara a usar depois decega. Tateou o meio fio e subiu as escadas do prédio.Erosnaldo ficou estupefato. Esses anos todos morando nomesmo prédio. Por isso as lembranças de seus sons eram osmesmos. Jamais desconfiou disso. Viu-a entrar noapartamento em frente ao seu. “Então era ela, a garota deóculos, que subia todos os dias correndo, e dizia um oisumido, timidamente.” Teve vontade de empurrar aquelaporta e dizer que ela era linda que a amava de qualquer jeito.Olhou pelo olho mágico e o que viu atordoou-o.Marinês acariciava o rosto de um jovem e afagava-o como aum amante. Ficou tonto como se fora acertado com algo nanuca, a boca ficou seca, o mundo rodou em sua volta e numgemido falou, “miserável, todos esses anos me traindo”, e
  22. 22. empurrou a porta no ímpeto louco, sacou uma arma edisparou dois tiros.Iam em direção ao jovem rapaz, mas ela a “traidora” se jogaraa frente num ímpeto louco. Dois acertaram no coração e elacaíra sem um gemido. Quanto ao jovem, soube depois que eraseu filho.Marinês não aguentou a curiosidade. Teve um filho emsegredo e como uma escultora, dava forma a sua arte, queainda não conhecia, mas que todas as manhãs desvendavamum pequeno detalhe e que e em sua mente uma face erafinalmente desenhada. E sabia que no fim, descobriria orosto do seu verdadeiro amor. Por isso todos os dias,acariciava o filho, imaginando Eros e sua verdadeira face.Depois dessa historia é que compreendi porque ninguémmais procurou os discos rígidos. A mulher jazia nocemitério. O homem no manicômio. O filho, este vive vagandopor aí, sofrendo as amarguras de uma vida, que não pedira.O que queria ser mesmo era um artista, mas por enquanto... Fim Para falar com o autor: marinaldo5.0@hotmail.com

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