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Introdução à bíblia: texto pastoral

  1. 1. Uma introdução à Bíblia www.rascunhus.com A caminhada do povo de Deus Conversando sobre a Bíblia por Altamir Andrade Para começar Às vezes é bom perguntar sobre quais livros mais lemos na Bíblia. As respostas oscilam entre os Evangelhos e os Salmos. Isso demonstra uma visão parcial, tanto do Primeiro quanto do Segundo Testamento. Nossa cultura ainda não é a da leitura mais atenta de outros livros. Não cabe aqui fazer um juízo do que seja esta prática, se positiva ou negativa. É apenas uma constatação. Cada vez mais os cursos bíblicos se multiplicam e isso, sim, é muito positivo. O que ora escrevemos pretende, apenas, indicar alguns caminhos mais centrais. São linhas mais esquemáticas que portadoras de respostas. Sendo assim, o que buscamos é, na medida do possível, um contato com a Bíblia que seja mais próximo de seus textos, idéias e mensagem. Bom trabalho! 1. Bíblia: Primeiro Testamento O que pensamos quando falamos em Bíblia? O que esse nome significa? Na verdade é algo muito mais complexo do que se imagina a uma primeira visada. Falar de Bíblia é falar de textos, diversos textos, diferentes textos. Quantas bíblias temos? Este é outro problema que muitas vezes é desconhecido por quem aborda o texto superficialmente. Para falar um pouco da história do texto é preciso mencionar, pelo menos, três línguas. Depois veremos que uma quarta e uma quinta se farão necessárias. Para o Primeiro Testamento, o Hebraico é a grande base dos textos. Tem-se fragmentos em Aramaico no livro de Daniel (único livro bíblico escrito em 3 línguas: hebraico, aramaico e grego), Jeremias, e outros tantos. Esta parte da Bíblia também tem textos em grego e até livros inteiros 1. Na base do Primeiro Testamento, como mencionado, está o hebraico. Por volta do 2o século aC., em razão de o hebraico não ser mais tão conhecido por boa parte dos judeus da diáspora (dispersão no Egito), foi traduzido para o Grego. Esta Bíblia se chamou Setenta ou Septuaginta (LXX) 2. O Segundo Testamento cita o Primeiro cerca de 350 vezes. Em pelo menos 300 delas, é a partir deste texto grego da LXX. Professor de Teologia Bíblica no Instituto Teológico Arquidiocesano Santo Antônio - CES/JF. 1 Por uma questão de espaço, não nos é possível tratar, aqui, dos livros chamados dêutero-canônicos (segundo cânon). Noutras palavras, são aqueles que as Bíblias protestantes não trazem: Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Baruc. Também partes de Daniel e Ester. Nas introduções das Bíblias, o leitor poderá ter uma notícia sobre estes aspectos e outros mais. 2 A tradição conta que 70 anciãos traduziram o texto do AT em lugares diferentes e de modo idêntico. É mais uma lenda, não existem bases sólidas para se entender tal evento. 1
  2. 2. Uma introdução à Bíblia www.rascunhus.com Primeiro Testamento É bom ligar pessoas a acontecimentos: Abraão– promessa (sua história começa em Gn 11,27); Moisés – Êxodo/libertação; Profetas - lembrança e aviso. Os salmos são a expressão popular da Bíblia, canto do povo, canto de festas, de romarias, de liturgias. Individuais e coletivos. No que se refere a uma visão de conjunto, podemos vislumbrar as seguintes etapas do povo na Bíblia: a) histórias das origens (Gn 1-11) b) patriarcas (Gn 12-50) c) caminho para o Egito por causa da fome (Gn 37-50) d) libertação do Egito (Ex – Lv - Nm) e) lei: (Dt) f) conquista da terra (Js) g) reis e profetas (Reis – Crônicas – Is – Jr – Ez e os 12 profetas menores) h) exílio e reorganização (Jr - Ez – Is- Esdras – Neemias) Alguns temas, aos quais chamamos tradições, ganham força na primeira parte da Bíblia: CRIAÇÃO/ HUMANIDADE PATRIARCAS ÊXODO DESERTO SINAI - ALIANÇA TOMADA DA TERRA De todos eles, um dos mais lembrados é, exatamente, o tema do êxodo. Este, com tudo o que ele implica: deserto, fome, sede, reclamações, sofrimentos, presença de Deus, carinho, proteção do Senhor 3. EM CASA Para entender melhor o que foi dito até aqui sugiro algumas leituras: Ex 3,7-8; Dt 8,1-20; Os 11,1-4; Is 5; Am 8,4-13; . Sl 79, 80 e 137. 3 Alguns excelentes livros introdutórios para o estudo da Bíblia são: J. LUIS SICRE. Introdução ao Antigo Testamento. Petrópolis: Vozes, 1999; CHARPENTIER, E. Para uma Primeira Leitura da Bíblia. São Paulo: Paulinas, 1980; GRADL, F.– STENDEBACH, F.J. Israel e seu Deus – Guia de Leitura para o Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2001; GNILKA J. Jesus de Nazaré. Petrópolis: Vozes, 2000; GASS. I. B. Uma introdução à Bíblia. São Leopoldo: CEBI - São Paulo: Paulus, 2002 (parece que já são cinco livros nesta coleção). 2
  3. 3. Uma introdução à Bíblia www.rascunhus.com 2. Bíblia: Segundo Testamento Foi todo escrito em grego. Sua composição deve ter sido completada em fins do 1 o século dC. Parece que o escrito mais antigo é a 1a carta de Paulo aos Tessalonicenses (49-50?). Os evangelhos são mais posteriores. Parece que o mais antigo é o de Marcos, antes do ano 70 dC; depois Mateus e Lucas, por volta dos anos 80 dC. Por fim, João, na última metade dos anos 90 dC. A quarta língua a que fizemos menção é o Latim. A Vulgata (de vulgar, língua comum) foi a tradução que são Jerônimo fez, da Bíblia, no século 4o dC. 2.1. Alguns traços da Palestina contemporânea a Jesus4 Situação geográfica5: o país de Canaã limita-se a oeste com o Mediterrâneo e a Leste com o Jordão. Este, na altura do lago de Hulé, está a 68m acima do nível do mar. Mais abaixo, perto de Tiberíades, 212m sob o mar caindo, no Mar Morto, a 392m abaixo do nível. Entre o Mediterrâneo e o Jordão, nota-se uma cadeia montanhosa, uma espinha dorsal. De relevo acidentado, este país varia muito na recepção das chuvas: são abundantes sobre a Galiléia (+- 1200m alt.) e também na planície de Saron (aos pés do Carmelo). As montanhas no centro e a Transjordânia são bem regadas. Já na depressão do Jordão, quase não chove e ele tem grande área desértica. O período das chuvas situa-se entre novembro e março. Deste modo, árvores de folhas persistentes resistem ao inverno e plantas que secam no verão, são produtos naturais do país. Economia6: basicamente agrícola. Profissões manuais e comércio na Judéia e predomínio da agricultura na Galiléia. Marcada, também, pela pesca junto ao lago. Assim como havia pastos na Judéia, agricultura e horticultura, havia na Galiléia trabalhos manuais e o comércio. A profissão de José é indicada, em Mt 13,55. Havia tecelões, também, em Jerusalém. A base alimentícia era o trigo7. Este era produzido em muitos lugares (Mt 13,24ss). A Galiléia produz mais do que consome, armazenando e se precavendo contra a fome (Lc 12,13-21). Ela abastece Jerusalém e a Judéia. A cevada vem em segundo lugar, se assemelhando ao trigo no cultivo (Mt 12,1). Habitualmente parece ser a farinha dos pobres (cf.Jo 6,9) servindo de ração para o gado e aves. Além destes alimentos, há a figueira e a oliveira. Esta última é encontrada em todo o país. Assim, nota-se a exportação de óleo para Egito e Síria. Não é um excelente óleo, à exceção do de Técua (Lc 16,1-8). O lucro das exportações beneficiava os grandes proprietários (Mt 13,12). Já a vinha, aparece largamente na Judéia. O vinho é a bebida costumeira e é distribuído gratuitamente aos que não podem comprar por ocasião da páscoa. Além de tudo isso, produz-se: lentilhas, ervilhas, alface, chicória, agrião e muitas outras verduras e frutas. A Palestina do 1o s. é bem rica no setor agrícola. Contorna suas necessidades embora possua uma população de 600000 habitantes para 20000 Km 2. A pecuária: é bem deficitária. Existe pouca forragem. Nos rebanhos, o interesse recai sobre as ovelhas – Lc 15,4 - (reprodução) e cordeiros (culto). Para a alimentação, importam-se carneiros de Moab. Com relação aos bovinos (criados na planície de Saron) a história se repete: se não precisasse atravessar a Samaria, a Galiléia poderia fornecê-los para o Templo. Parece que o Templo é o principal consumidor de carne, seguido das classes abastadas. O povo pobre e miúdo só come carne na páscoa ou por ocasião dos sacrifícios de comunhão (Lv 3). No que se refere à indústria, aparece, em primeiro lugar, a pesca, sobretudo em Tiberíades (Mc 1,16-20). Depois, a construção. Aí tem destaque a ampliação do Templo (20 a.C.-64 d.C) desempregando 18000 funcionários no seu término. Parece que eles foram usados no calçamento das ruas de Jerusalém 4 O presente texto segue, SAUNIER. C. – ROLLAND. B. A Palestina no Tempo de Jesus. São Paulo: Paulinas, 1983. 5 É bom ter um mapa diante dos olhos para acompanhar este texto. 6 SAUNIER. C. – ROLLAND. B. A Palestina, p. 30. 7 GNILKA J. Jesus de Nazaré, p. 63. 3
  4. 4. Uma introdução à Bíblia www.rascunhus.com para não morrerem de fome. No trabalho do Templo tinha: britadores, carpinteiros, artífices, etc8. Em 20 d.C., Antipas constrói Tiberíades e fortifica Séforis e Júlias. Em 41 d.C. um muro de 3500m de comp. por 5,25 de espessura protege Jerusalém a norte, construído por Agripa. Também a tecelagem ocupava mão de obra, sobretudo, feminina (Jo19,23-24). Muita coisa é produzida e exportada para Roma. O couro é industrializado tendo, como origem, as vítimas do Templo: cerca de 18000 cordeiros só para a Páscoa além de outros sacrifícios (centenas por dia). A cerâmica também fazia parte da indústria (Lc 22,10; Jo 4,28). As casas9: na aldeia, eram de uma sala onde se alojava a família inteira tendo uma luz sobre um candelabro (Mt 5,15; Lc 11, 5-7; 5,8). Se tivesse alguma cabeça de gado, também ficava dentro de casa à noite. O telhado era de junco e podia ser removido (Mc 2,4). Talvez a parede fosse de barro e gravetos (Mt 24,43). Já a casa da cidade era diferente podendo ter amplo aposento no andar superior (At 1,13; Mc 14,14) inclusive possuindo pátio (Mc 14,68). O aspecto social: no alto, os latifundiários que tinham casa em Jerusalém. Embaixo, os agricultores e diaristas. Estes não encontravam trabalho e ficavam à espera (Mt 20,1-16). Podiam ser contratados também para a pesca (Mc 1,20). A diária era de 1 denário10 (Cf. Jo 6,7). A camada média era de artesãos, comerciantes e sacerdotes. Estes últimos, cerca de 7000, não eram escalados regularmente dado ao grande número não podendo viver unicamente do templo, mas tendo que lançar mão de outro tipo de trabalho (veja Lc 1,8-9). Nem podiam se dar ao luxo de residir na capital. Jericó era considerada a cidade dos sacerdotes (Lc 10,30-32). Havia, também, os escravos. Nas casas judias sua condição é menos dura que nas gregas ou romanas. No país inteiro não devem ser em grande número. O escravo judeu tinha proteção da lei, chegando a possuir propriedades modestas ( Dt 15). Bem outra era a sorte dos pagãos e, por isso, procuravam ser aceitos nas sinagogas como prosélitos. Os pequenos agricultores: possuíam um pouquinho de terra. as irregularidades os atingiam primeiro (Mt 13,12). Não tinham dias felizes a não ser nas festas religiosas, nos longos dias de casamentos (Jo 2,1ss) e na hospitalidade mútua. O direito hereditário era dado ao filho mais velho e os outros deveriam se contentar. Conclusão É importante estar sempre em contato com alguma bibliografia específica sobre os temas estudados. Este esboço não é o bastante, não dispensa a leitura do próprio texto bíblico. Esta, sim, é uma leitura fundamental. Cada vez que tomamos o texto ele se abre de novo para nós. É mistério que se revela e se esconde, novamente. A constante multiplicação de estudos bíblicos é ferramenta interessante para uma aproximação séria, compromissada, de fé e de atenção ao texto bíblico. Com isso evitamos os fundamentalismos tão em moda e as interpretações que levam mais coisas para o texto do que deixam brotar de suas linhas. Nossa contribuição é modesta. É simples e pequena. Para melhor estudar o texto bíblico é preciso orá-lo, lê-lo e estar sempre em contato com ele. Assim, cada vez mais poderá ser dada uma palavra interessante, mesmo que pequena, sobre esta Grande Palavra de Deus. Amém. 8 GNILKA J. Jesus de Nazaré, p. 67; SAUNIER. C. – ROLLAND. B. A palestina, p.33. 9 GNILKA J. Jesus de Nazaré, p. 63. 10 Moeda romana que aparece em 269 aC. 4

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