CADERNO DE SÁBADO
ANNETTE HAUSCHILD / DIVULGAÇÃO / CP
O senhor defende como escri-
tor e intelectual um mundo de
diversidade e tolerância. O
momento atual pode ser visto
como de retrocesso em rela-
ção a esse ideal?
Um pouco de duas coisas. Es-
tá retrocedendo, mas também
está evoluindo. A maioria das
pessoas considera a diversidade
como algo bom. Sem diversidade
a vida seria muito enfadonha.
Mas houve momentos na histó-
ria em que grupos usavam esse
tipo de questão para explorar
outros. Havia uma ideia de que
eliminar a diversidade equivale-
ria a suprimir as diferenças de
classe, as diferenças sociais.
Mas essa ideia é falsa. Quem
pensava assim não entendia que
as diferenças culturais costu-
mam melhorar a produtividade
e o entendimento entre as pes-
soas. Estamos, porém, retroce-
dendo em termos de tolerância.
É o que se vê, por exemplo, com
o islamismo radical.
O mundo ocidental tem
como aceitar essa ideia
de pluralidade?
Nas minhas experiências no
Brasil, em Cuba e na Colômbia,
encontrei pessoas que se identifi-
cam com essa cultura pluralista.
Há quem retorne à África para se
reconectar com esses valores. O
sincretismo mostra que se a pes-
soa está com a mentalidade aber-
ta essa convivência é natural.
O senhor disse que tem a im-
pressão de que parte dos
brasileiros tem essa ligação
com a África e que outra par-
te a ignora. É isso mesmo?
A nossa cultura carrega em si
a concepção da diversidade. En-
tendemos e aceitamos que exis-
tam outras visões de mundo, que
não são excludentes. Na África, o
islamismo e o cristianismo entra-
ram, mas não se foi tentar resga-
tar os que se converteram. Nossa
postura é de convivência e de
aceitação das diferenças. Há até
quem sem converta por loucura.
O senhor tem apontado o
Boko Haram como a grande
ameaça na Nigéria. Como foi
possível que um grupo extre-
mista islâmico se encravasse
numa cultura de tolerância?
O fato é que entre os converti-
dos ao islamismo radical que
mais levam ao pé da letra o que
defendem, muito poucos são de
origem iorubá. Conheço um líder
iorubá, membro do governo, radi-
calizado que não deixa a esposa
receber em casa ninguém que
não seja convertido ao islamis-
mo. Tem um membro do gover-
no que usa luvas para não tocar
com as mãos nuas em nenhuma
mulher nas suas ações oficiais.
Mas esses são exemplos raros.
Escritor político, o senhor es-
teve preso, critica ditadores
e não poupa o autoritarismo.
A queda de Robert Mugabe
será a libertação do Zimbá-
bue ou apenas mais um capí-
tulo numa longa novela de
ditaduras?
Em todas as sociedades exis-
tem homens que acreditam ter
encontrado o segredo da vida e
da morte. O mesmo vale para o
poder. Existem homens que acre-
ditam saber como nunca mais
perder o poder. Mugabe, no come-
ço, lutou de maneira libertária
para livrar seu país da opressão
colonialista. Com o passar do
tempo, no entanto, alienou-se e
passou a praticamente se identifi-
car com as forças coloniais expul-
sas. Para nossa cultura, porém,
não existe poder eterno. A hora
de Mugabe teria de chegar. Muga-
be não é o fim nem foi o começo
de coisa alguma. Ele é apenas
mais um capítulo nessa marcha
rumo à libertação, uma das últi-
mas figuras a ainda a acreditar
na perenidade do seu poder.
A saída desse tipo de ho-
mem muda um país ou é só
mais uma ilusão?
Há algum avanço, pois essa
saga de Mugabe foi instrutiva
no sentido de que a oposição fi-
cou mais madura. Os generais
estão tirando-o do poder lenta-
mente de modo a evitar uma
ruptura traumática.
Durante um tempo o senhor
dizia fazer teatro de guerri-
lha. Hoje, consagrado pelo
Nobel, ainda faz uma espé-
cie de arte de resistência?
Se eu continuasse a fazer
sempre o mesmo teatro, sofreria
uma espécie de atrofia mental.
O meu teatro também precisa
de diversidade. A minha última
peça é meio uma farsa que trata
do fato de que muitas pessoas
se recusam agora a falar a lín-
gua iorubá com o sotaque certo.
Falar sem esse ritmo, de uma
língua tonal, é perder metade da
sua força. Como é difícil ficar li-
vre de um hábito, contudo, ago-
ra me dou conta de que dentro
dessa minha peça tem algumas
críticas a governantes.
O senhor disse que não con-
segue entender os escritores
que levantam de manhã e já
começam a produzir. É mui-
to difícil escrever?
Não sou um escritor metódi-
co. Gosto de ter bastante tempo
para trabalhar. Posso virar ma-
drugadas. Às vezes, dou uma pa-
rada, tomo um expresso e, quan-
do me falta inspiração, saio pa-
ra dar uma caminhada. Quando
a inspiração vai embora, é preci-
so fazer outra coisa, ouvir músi-
ca, andar, espairecer. É dessa
maneira que trabalho.
Há sempre um grande inte-
resse pela ‘‘cozinha’’ dos es-
critores. Hemingway dizia
trabalhar 12 horas por dia
para obter um parágrafo. O
senhor consegue produzir
grandes fragmentos de texto
num único dia de trabalho?
O meu processo é muito pare-
cido com o de um escultor.
Quando um escultor começa nor-
malmente ele tem uma ideia de
onde quer chegar, mas ao tirar
pedaços da pedra vê que sua
ideia inicial pode ser redirecio-
nada para outro lugar. Hoje,
com o computador, é uma pena
não termos mais provas físicas
desse trabalho de transforma-
ção, desse suor, ver todas as pá-
ginas que foram arrancadas e
rasgadas, tudo que foi riscado.
Eu me sinto assim.
O escritor francês Michel
Houellebecq diz que quando
está possuído por uma ideia
precisa escrever para se li-
vrar dela. Acontece com o se-
nhor?
Quando sou possuído por uma
ideia tenho pena das pessoas à
minha volta. Nesses momentos,
tudo que não seja escrever, co-
mo dar aula ou receber pessoas,
vira inimigo. Quando vejo uma
modelo rindo numa propaganda
como essas de creme dental,
com aquele sorriso falso, sei que
é exatamente assim que fico
quando estou possuído por uma
ideia que precisa sair.
A literatura tem futuro
num tempo em que, segun-
do uma pesquisa, duas pes-
soas em cada três veem
Netflix até mesmo quando
estão na rua?
Será difícil matar a literatura
não só pelo poder da palavra es-
crita, mas por causa do livro co-
mo objeto. Nem sei o que é Ne-
tflix. Prefiro ver filmes no cine-
ma. Tento ver no avião, mas aca-
bo dormindo. Trabalho nos
aviões e talvez durma rapida-
mente por já estar esgotado.
Por que o teatro lhe pareceu
a forma de expressão mais
conveniente?
Nasci num meio muito teatral,
com muito teatro de rua e mui-
tas mascaradas, que são espetá-
culos metade sagrados metade
profanos. Cheguei a escrever
contos. Na verdade, sou atraído
por muitos meios de expressão.
Eu me sinto um arquiteto fracas-
sado, um músico fracassado...
Uma frase sua diz que ‘‘o ho-
mem morre em todos os que
se calam’’. Calar não é em
certas circunstâncias a única
forma de sobreviver?
Nessas circunstâncias é uma
estratégia pessoal e cabe a cada
um perceber quando é o momen-
to de esperar um pouco, inclusi-
ve de aconselhar os outros a es-
perar. Outra situação que exige
o silêncio é quando a gente fala,
fala e vê a sociedade fazendo
exatamente o contrário do que
lhe é dito. É insuportável ficar
ouvindo a própria voz cair no va-
zio. Outro momento para calar é
quando surge uma nova geração
para assumir certas causas. Dá
vontade de deitar a cadeira e pe-
gar uma taça de vinho.
Um escritor num país africa-
no ou no Brasil, lugares de
muita desigualdade, tem a
obrigação de falar, de denun-
ciar, de se engajar?
Não. Eu não vejo qualquer pro-
blema em literaturas escapistas
como a ficção científica, que são
produtos da imaginação, pois
elas, às vezes, apontam outros mo-
dos de vida não diretamente políti-
cos. O engajamento obrigatório po-
de resultar em pura propaganda.
Ano passado, estive em Mo-
çambique. É lindo e chocante-
mente pobre como muitas
partes do Brasil. O senhor
consegue imaginar num tem-
po razoável uma África de-
mocrática, desenvolvida e
igualitária?
Sim. Estamos a caminho dis-
so, mas muito lentamente. Eu
me sinto incomodado quanto es-
tou ao volante do meu carro e
vejo crianças mexendo no lixo
em busca de comida. Machuca a
alma e deixa até o que comemos
com gosto ruim. A África, po-
rém, não precisa inventar a ro-
da. Coisas já mudaram.
O Brasil é o décimo país
mais desigual do mundo. A
África do Sul é o primeiro. A
desigualdade tornou-se o
principal ponto em comum
entre Brasil e África?
Visitei favelas brasileiras. É
uma pobreza muito similar à
que temos na África. Lembro
dos protestos na época da Copa
do Mundo para que o evento
não acontecesse por causa des-
sa desigualdade. Apesar disso,
não é necessário esperar que to-
dos sejam iguais para que al-
guns progressos ocorram. Não
devemos sobretudo ficar espe-
rando assistencialismo externo.
ENTREVISTA - WOLE SOYINKA
‘Será difícil matar
a literatura’
NascidonaNigéria,primeiroafricanoganhadordoNobeldaLiteratura,em
1986,WoleSoyinkaestevenoRSaconvitedaBienaldoMercosul,parafalar
na63ªFeiradoLivrodePortoAlegre.NestaentrevistaparaoCSeletratade
tolerância,diversidade,artedeguerrilhaedosmétodosqueusaparaescre-
verassuasobras.(JuremirMachadodaSilva)
Wole Soyinka
participou da 63ª
Feira do Livro da
Capital no
domingo passado
em palestra no
Theatro São Pedro
2 | SÁBADO,25 de novembro de 2017 CORREIO DO POVO

Wole soyinka

  • 1.
    CADERNO DE SÁBADO ANNETTEHAUSCHILD / DIVULGAÇÃO / CP O senhor defende como escri- tor e intelectual um mundo de diversidade e tolerância. O momento atual pode ser visto como de retrocesso em rela- ção a esse ideal? Um pouco de duas coisas. Es- tá retrocedendo, mas também está evoluindo. A maioria das pessoas considera a diversidade como algo bom. Sem diversidade a vida seria muito enfadonha. Mas houve momentos na histó- ria em que grupos usavam esse tipo de questão para explorar outros. Havia uma ideia de que eliminar a diversidade equivale- ria a suprimir as diferenças de classe, as diferenças sociais. Mas essa ideia é falsa. Quem pensava assim não entendia que as diferenças culturais costu- mam melhorar a produtividade e o entendimento entre as pes- soas. Estamos, porém, retroce- dendo em termos de tolerância. É o que se vê, por exemplo, com o islamismo radical. O mundo ocidental tem como aceitar essa ideia de pluralidade? Nas minhas experiências no Brasil, em Cuba e na Colômbia, encontrei pessoas que se identifi- cam com essa cultura pluralista. Há quem retorne à África para se reconectar com esses valores. O sincretismo mostra que se a pes- soa está com a mentalidade aber- ta essa convivência é natural. O senhor disse que tem a im- pressão de que parte dos brasileiros tem essa ligação com a África e que outra par- te a ignora. É isso mesmo? A nossa cultura carrega em si a concepção da diversidade. En- tendemos e aceitamos que exis- tam outras visões de mundo, que não são excludentes. Na África, o islamismo e o cristianismo entra- ram, mas não se foi tentar resga- tar os que se converteram. Nossa postura é de convivência e de aceitação das diferenças. Há até quem sem converta por loucura. O senhor tem apontado o Boko Haram como a grande ameaça na Nigéria. Como foi possível que um grupo extre- mista islâmico se encravasse numa cultura de tolerância? O fato é que entre os converti- dos ao islamismo radical que mais levam ao pé da letra o que defendem, muito poucos são de origem iorubá. Conheço um líder iorubá, membro do governo, radi- calizado que não deixa a esposa receber em casa ninguém que não seja convertido ao islamis- mo. Tem um membro do gover- no que usa luvas para não tocar com as mãos nuas em nenhuma mulher nas suas ações oficiais. Mas esses são exemplos raros. Escritor político, o senhor es- teve preso, critica ditadores e não poupa o autoritarismo. A queda de Robert Mugabe será a libertação do Zimbá- bue ou apenas mais um capí- tulo numa longa novela de ditaduras? Em todas as sociedades exis- tem homens que acreditam ter encontrado o segredo da vida e da morte. O mesmo vale para o poder. Existem homens que acre- ditam saber como nunca mais perder o poder. Mugabe, no come- ço, lutou de maneira libertária para livrar seu país da opressão colonialista. Com o passar do tempo, no entanto, alienou-se e passou a praticamente se identifi- car com as forças coloniais expul- sas. Para nossa cultura, porém, não existe poder eterno. A hora de Mugabe teria de chegar. Muga- be não é o fim nem foi o começo de coisa alguma. Ele é apenas mais um capítulo nessa marcha rumo à libertação, uma das últi- mas figuras a ainda a acreditar na perenidade do seu poder. A saída desse tipo de ho- mem muda um país ou é só mais uma ilusão? Há algum avanço, pois essa saga de Mugabe foi instrutiva no sentido de que a oposição fi- cou mais madura. Os generais estão tirando-o do poder lenta- mente de modo a evitar uma ruptura traumática. Durante um tempo o senhor dizia fazer teatro de guerri- lha. Hoje, consagrado pelo Nobel, ainda faz uma espé- cie de arte de resistência? Se eu continuasse a fazer sempre o mesmo teatro, sofreria uma espécie de atrofia mental. O meu teatro também precisa de diversidade. A minha última peça é meio uma farsa que trata do fato de que muitas pessoas se recusam agora a falar a lín- gua iorubá com o sotaque certo. Falar sem esse ritmo, de uma língua tonal, é perder metade da sua força. Como é difícil ficar li- vre de um hábito, contudo, ago- ra me dou conta de que dentro dessa minha peça tem algumas críticas a governantes. O senhor disse que não con- segue entender os escritores que levantam de manhã e já começam a produzir. É mui- to difícil escrever? Não sou um escritor metódi- co. Gosto de ter bastante tempo para trabalhar. Posso virar ma- drugadas. Às vezes, dou uma pa- rada, tomo um expresso e, quan- do me falta inspiração, saio pa- ra dar uma caminhada. Quando a inspiração vai embora, é preci- so fazer outra coisa, ouvir músi- ca, andar, espairecer. É dessa maneira que trabalho. Há sempre um grande inte- resse pela ‘‘cozinha’’ dos es- critores. Hemingway dizia trabalhar 12 horas por dia para obter um parágrafo. O senhor consegue produzir grandes fragmentos de texto num único dia de trabalho? O meu processo é muito pare- cido com o de um escultor. Quando um escultor começa nor- malmente ele tem uma ideia de onde quer chegar, mas ao tirar pedaços da pedra vê que sua ideia inicial pode ser redirecio- nada para outro lugar. Hoje, com o computador, é uma pena não termos mais provas físicas desse trabalho de transforma- ção, desse suor, ver todas as pá- ginas que foram arrancadas e rasgadas, tudo que foi riscado. Eu me sinto assim. O escritor francês Michel Houellebecq diz que quando está possuído por uma ideia precisa escrever para se li- vrar dela. Acontece com o se- nhor? Quando sou possuído por uma ideia tenho pena das pessoas à minha volta. Nesses momentos, tudo que não seja escrever, co- mo dar aula ou receber pessoas, vira inimigo. Quando vejo uma modelo rindo numa propaganda como essas de creme dental, com aquele sorriso falso, sei que é exatamente assim que fico quando estou possuído por uma ideia que precisa sair. A literatura tem futuro num tempo em que, segun- do uma pesquisa, duas pes- soas em cada três veem Netflix até mesmo quando estão na rua? Será difícil matar a literatura não só pelo poder da palavra es- crita, mas por causa do livro co- mo objeto. Nem sei o que é Ne- tflix. Prefiro ver filmes no cine- ma. Tento ver no avião, mas aca- bo dormindo. Trabalho nos aviões e talvez durma rapida- mente por já estar esgotado. Por que o teatro lhe pareceu a forma de expressão mais conveniente? Nasci num meio muito teatral, com muito teatro de rua e mui- tas mascaradas, que são espetá- culos metade sagrados metade profanos. Cheguei a escrever contos. Na verdade, sou atraído por muitos meios de expressão. Eu me sinto um arquiteto fracas- sado, um músico fracassado... Uma frase sua diz que ‘‘o ho- mem morre em todos os que se calam’’. Calar não é em certas circunstâncias a única forma de sobreviver? Nessas circunstâncias é uma estratégia pessoal e cabe a cada um perceber quando é o momen- to de esperar um pouco, inclusi- ve de aconselhar os outros a es- perar. Outra situação que exige o silêncio é quando a gente fala, fala e vê a sociedade fazendo exatamente o contrário do que lhe é dito. É insuportável ficar ouvindo a própria voz cair no va- zio. Outro momento para calar é quando surge uma nova geração para assumir certas causas. Dá vontade de deitar a cadeira e pe- gar uma taça de vinho. Um escritor num país africa- no ou no Brasil, lugares de muita desigualdade, tem a obrigação de falar, de denun- ciar, de se engajar? Não. Eu não vejo qualquer pro- blema em literaturas escapistas como a ficção científica, que são produtos da imaginação, pois elas, às vezes, apontam outros mo- dos de vida não diretamente políti- cos. O engajamento obrigatório po- de resultar em pura propaganda. Ano passado, estive em Mo- çambique. É lindo e chocante- mente pobre como muitas partes do Brasil. O senhor consegue imaginar num tem- po razoável uma África de- mocrática, desenvolvida e igualitária? Sim. Estamos a caminho dis- so, mas muito lentamente. Eu me sinto incomodado quanto es- tou ao volante do meu carro e vejo crianças mexendo no lixo em busca de comida. Machuca a alma e deixa até o que comemos com gosto ruim. A África, po- rém, não precisa inventar a ro- da. Coisas já mudaram. O Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. A África do Sul é o primeiro. A desigualdade tornou-se o principal ponto em comum entre Brasil e África? Visitei favelas brasileiras. É uma pobreza muito similar à que temos na África. Lembro dos protestos na época da Copa do Mundo para que o evento não acontecesse por causa des- sa desigualdade. Apesar disso, não é necessário esperar que to- dos sejam iguais para que al- guns progressos ocorram. Não devemos sobretudo ficar espe- rando assistencialismo externo. ENTREVISTA - WOLE SOYINKA ‘Será difícil matar a literatura’ NascidonaNigéria,primeiroafricanoganhadordoNobeldaLiteratura,em 1986,WoleSoyinkaestevenoRSaconvitedaBienaldoMercosul,parafalar na63ªFeiradoLivrodePortoAlegre.NestaentrevistaparaoCSeletratade tolerância,diversidade,artedeguerrilhaedosmétodosqueusaparaescre- verassuasobras.(JuremirMachadodaSilva) Wole Soyinka participou da 63ª Feira do Livro da Capital no domingo passado em palestra no Theatro São Pedro 2 | SÁBADO,25 de novembro de 2017 CORREIO DO POVO