Universidade Estadual do Maranhão
Pós Graduação de Engenharia de Segurança do Trabalho
Disciplina: Planificação de Emergência e Atendimento de
Catástrofes
Profª . Fernando Fernandes
Barragem de Mariana
Equipe: Álvaro Jr., Artenisia Pinheiro, Everlin Nino, Hugo
Rubim, Marcia Delane, Marcos Levi e Nayara Ferreira
Bento Rodrigues é um subdistrito de Santa Rita
Durão, no município mineiro de Mariana. O
subdistrito encontra-se a 35 km do centro de
Mariana e a 124 km de distância da capital
do Estado, Belo Horizonte.
Distrito de Bento Rodrigues antes da
tragédia
Antes e Depois
Vida em Bento Rodrigues
http://glo.bo/1WUIMP6
https://www.youtube.com/watch?v=lrf7m7fY_u
M
O lugarejo, que pertence a Mariana, região
Central de Minas, possuía aproximadamente
200 casas, que abrigavam 600 pessoas. Agora,
da cidade só restou sedimento terrosos e a torre
da igreja, que ficou visível.
Bento Rodrigues, provavelmente, não vai mais
existir. Com aproximadamente 600 habitantes, o
povoado foi engolido pela lama das barragens
rompidas da mineradora Samarco. O distrito de
Mariana, que nasceu pela atividade mineradora,
também vai acabar por causa dela.
No século 18, a extração de minérios era uma das
principais atividades econômicas do Brasil: só nesse esse
período, Portugal recebeu cerca de 800 toneladas de
ouro do país. Foi durante essa época que surgiram as
estradas reais, usadas para desbravar o interior brasileiro,
conectando as regiões mineradoras com o litoral carioca.
E com as estradas nasceram cidades, entre elas Mariana e
Ouro Preto, e os pequenos distritos, como Bento
Rodrigues. A Igrejinha de São Bento, que nasceu junto
com o município há quase três séculos e é um dos mais
importantes bens culturais da região, foi completamente
soterrada.
A arquitetura colonial e as cachoeiras faziam da pequena
cidade um ponto turístico pouco explorado, como diz
Adriane Melo, professora de Geografia da escola Bento
Rodrigues: “O lugar tinha potencial turístico, porém, não
havia muita vontade política, pois até os dias atuais a
estrada não havia sido pavimentada”. Segundo ela, as
atividades econômicas eram baseadas na agricultura
familiar e de subsistência. Mas o que gerava emprego
mesmo era a Samarco: “A empresa tem uma
representatividade econômica muito grande em toda a
região, empregando pessoas direta e indiretamente”.
Arquitetura colonial de Bento
Rodrigues
Sobre a empresa
A Samarco Mineração S.A. é uma mineradora
brasileira fundada em 1977 e atualmente controlada
através de uma joint-venture entre a Vale S.A. e a
anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50%
das ações da empresa.
Empreendimento conjunto
ou empresa conjunta
Sobre a empresa
Seu principal produto são as pelotas de
minério de ferro comercializadas para a indústria
siderúrgica de países das Américas, do Oriente
Médio, da Ásia e Europa.
Sobre a empresa
Em 2015, ano em que a Samarco paralisou
suas operações, foram produzidas 24,9 milhões de
toneladas, sendo 97% em pelotas e 3% em finos de
minério de ferro. Naquele ano, a companhia foi a 12ª
maior exportadora do Brasil, faturou R$ 6,5 bilhões e
gerou cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos.
Barragem de Fundão
A Samarco mantinha, até 5 de novembro de
2015, duas barragens para estocagem dos rejeitos
resultantes do processo de extração e
beneficiamento do minério de ferro em sua unidade
de Germano (MG).
Causas do Desastre
• Ministério Público de Minas Gerais diz que a empresa não tomou as medidas
necessárias para conter o acúmulo excessivo de água.
• Em agosto de 2014, uma equipe de inspeção da Samarco verificou o
surgimento de trincas no alto de um dos paredões da barragem, o que poderia
indicar o início de um movimento de todo o maciço.
• A reação da Samarco foi providenciar um aterro na base do paredão, o que fez
com que sua equipe de engenheiros concluísse que a barragem estava estável.
Mas o engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila, que projetou a barragem em
2007 e depois foi contratado pela Samarco como consultor, advertiu que a
análise de estabilidade não estava considerando uma outra hipótese para as
trincas: a de estar ocorrendo o que os especialistas chamam de liquefação
estática, que é quando um material sólido passa a se comportar como um
fluido.
• A liquefação, de acordo com o Ministério Público, poderia ter sido causada
pelas sucessivas elevações da altura da barragem, feitas pela Samarco em
função do crescente aumento da produção de pelotas de minério de ferro
naquela unidade.
Causas do Desastre
• Pimenta de Ávila recomendou a instalação de uma série de equipamentos que
medem a pressão do solo, chamados piezômetros, para verificar se havia
algum movimento.
• Ele pediu nova análise de estabilidade, assim como a correção do eixo da
barragem.
• Naquele ponto, o eixo havia sido recuado para evitar uma pilha de rochas sem
minério de ferro da Vale do Rio Doce, uma espécie de sobra sem valor da
mineração.
• O recuo não estava previsto no projeto original nem no Manual de Operações
da barragem, que estava desatualizado. E, pior: a altura da parede havia sido
elevada em 25 metros nos doze meses anteriores.
• Documentos obtidos pelo Ministério Público indicam que a Samarco sabia do
problema e que havia até uma estimativa de que seriam necessários 2 milhões
de metros cúbicos de material, e um ano de serviço, para corrigir o eixo da
barragem.
Causas do Desastre
• Em depoimento à polícia, Pimenta de Ávila disse que as
informações indicavam claramente que a barragem apresentava
graves sinais de pré-ruptura.
• Ele recomendou reforço nas paredes e a volta do eixo da barragem
ao projeto original. Nada disso foi feito e a Samarco se limitou a
monitorar o solo e a fazer drenos para evitar o acúmulo de água na
barragem.
• Um ano antes do alerta feito por Pimenta de Ávila, um relatório
assinado por cinco engenheiros contratados pela Samarco já
apontava que a barragem apresentava claros sinais de que a
drenagem interna já se mostrava insuficiente.
• Segundo o Ministério Público, em vez de resolver o problema,
diante das evidências de risco, a empresa se limitou a adotar
paliativos e nem as obras de drenagem estavam concluídas quando
a barragem se rompeu.
Causas do Desastre
• Os indícios de que havia riscos foram apontados em relatórios internos da
Samarco, discutidos nas reuniões do Conselho de Administração da empresa e
apreendidos durante as investigações.
• Já para os órgãos externos, encarregados da fiscalização, não havia por que se
preocupar. Um destes órgãos é o Departamento Nacional de Produção
Mineral, o DNPM. Logo depois da tragédia, o então diretor José Carlos Sales
Campos disse, em depoimento a uma comissão externa da Câmara, que a
barragem era considerada segura. Ele admitiu falha na fiscalização.
• Um ano antes da tragédia, o consultor Joaquim Pimenta de Ávila já tinha
alertado que a barragem poderia estar sofrendo um processo de
liquefação, por excesso de água, o que poderia comprometer sua
estrutura. Mesmo assim, quatro meses antes do rompimento, em julho de
2015, uma empresa de engenharia contratada pela Samarco, a VogBR,
emitiu um laudo que atestava a estabilidade da estrutura.
Causas do Desastre
• Em 2011, quatro anos antes dos primeiros indícios de instabilidade e cinco
antes da tragédia, o ITRB (Comitê Interno formado por empregados da
empresa e especialistas externos) recomendou que a Samarco analisasse
os custos de remoção da população que vivia abaixo da barragem e
estudasse outras formas de armazenar os rejeitos, que não fosse o
aumento da altura de Fundão.
• Segundo a denúncia do Ministério Público, nada disso foi feito. Não só os
moradores de Bento Rodrigues continuaram a viver no mesmo lugar, seis
quilômetros abaixo da barragem, como não havia sequer um plano de
emergência para o caso de rompimento da estrutura.
• Os sobreviventes apontaram que os moradores não foram avisados do
desastre e nunca tinham feito um treinamento sobre o que fazer numa
emergência.
• A primeira simulação de um desastre, com o uso de sirenes e treinamento da
população, só foi feito em junho de 2016, seis meses depois do rompimento
da barragem.
Ações Emergenciais
Com o apoio da BHP e da Vale, a Samarco se mobilizou,
desde o rompimento da barragem de Fundão:
 para prestar assistência às comunidades impactadas;
 para reinstalar a população desabrigada;
 apoiar a busca por desaparecidos;
 prestar esclarecimentos às autoridades e ao poder
público.
 realocação daqueles que perderam seus lares;
 distribuição de água potável e mineral;
 resgate de animais;
 atendimento psicossocial; e
restabelecimento de acessos danificados, entre outros,
foram as frentes de trabalho da ação emergencial.
A Samarco reconhece sua obrigação legal e
moral de mitigar, compensar e remediar os
impactos gerados à população mineira e à
capixaba.
As ações emergenciais foram realizadas até a
data em que a Fundação Renova assumiu a
gestão dos programas de reparação, em agosto
de 2016.
novembro/15
• 05 - Rompimento da barragem de fundão, com 32,6 milhões de metros cúbicos de rejeitos
• 05 – Início da ações emergenciais
• 08 – Rejeito chega a Governador Valadares
• 10 – Empregados iniciam licença remunerada
• 10 – Interrupção do Abastecimento de água em Governador Valadares – MG
• 11 – Intervenção nas estruturas da barragem
• 12 – Início da distribuição de água para as comunidades impactadas
• 14 – Início das acomodações das pessoas desabrigadas em casas alugadas pela Samarco, até
então estava abrigadas em pousadas
• 16 – Abastecimento de água em Governador Valadares (MG) começa a se normalizar
• 16 – Retorno às aulas de mais de 600 alunos
• 16 – Samarco e Ministério Público assinam um Termo Compromisso Socioambiental (TSCA)
preliminar
• 17 – Paralisação do abastecimento de água em Colatina (ES)
• 22 – Pluma de turbidez chega ao mar, depois de percorrer 650 km
• 24 – Abastecimento de água em Colatina (ES) começa a ser restabelecer gradativamente
• 29 – Fim de licença remunerada dos empregados
• 30 – Início do período de férias coletivas dos empregados
dezembro/15
• 01 – Famílias começam a ser acomodadas em moradias
temporárias
• 04 – Assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta com
o Ministério do Trabalho do Espirito Santos e Minas Gerais
• 10 – Início de entrega de cartões de auxílio financeiros aos
pescadores e ribeirinhos
• 10 – Início da revegetação das margens dos rios Gualaxo e
Doce
• 22 – Mobilização da dragagem do reservatório da
hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga)
• 25 – 99,7 % das famílias em moradias temporárias
• 29 – Término do período de férias coletivas dos
empregados
janeiro/16
• 04 – Início do segundo período de licença
remunerada dos empregados da Samarco
• 10 – Fim do segundo período de licença
remunerada dos empregados da Samarco
• 22 – 255 vagas de trabalho nas ações de
recuperação são preenchidas por moradores de
Mariana e região
• 25 – Início do layoff dos empregados da samarco
• 27 – Relatório confirma que pluma não chegou a
Abrolhos (BA)
fevereiro/16
• 15 – Entrega da sétima ponte de acesso às
comunidades
• 17 – Finalização da Barreira S1A na área
remanescentes das barragens
• 18 – Finalização da Barreira S2A na área
remanescentes das barragens
março/16
• 02 – Assinatura do Termo de Transição e de
Ajustamento de Conduta (TTAC) entre
Samarco, Vale, BHP Billiton, governo federal,
Minas Gerais e Espírito Santo
• 11 – 1327 moradores de Mariana (MG) e
Barra Longa (MG) participam de simulados de
emergência
• 11 – Abertura da fábrica de geleia de pimenta
biquinho
abril/16
• 05 – Entrega do Dique S3 na área
remanescentes das barragens
• 09 – Evento de adoção de animais
• 25 – Fim do primeiro período layoff e início do
segundo
maio/16
• 07 – 233 famílias de Bento Rodrigues
escolhem terreno para reconstrução da
comunidade
• 17 – 800 hectares revegetados ao longo dos
rios Doce, Carmo e Gualaxo
junho/16
• 09 – Polícia Federal conclui inquérito sobre
acidente e indicia oito pessoas
• 23 – Início do período de adesão ao PDV
• 25 – Fim do layoff
• 25 – Famílias de Gesteira escolhem o terreno
Fazenda Gesteira como local para abrigar as
casas e equipamentos públicos impactados
julho/16
• 04 – Intensificada a dragagem da Usina
Hidrelétrica Risoleta Neves em Candonga (ES)
• 18 – Mais de 7 mil cartões de auxílio
financeiro às comunidades e ribeirinhos
• 18 – 86 casas e 27 estabelecimentos
comerciais reformados em Barra Longa (MG)
agosto/16
• 02 - Início das atividades da Fundação Renova
• 02 – Samarco inicia o repasse da gestão dos
41 programas
setembro/16
• 03 – Famílias de Paracatu de Baixo escolhem o
terreno Lucila como novo local para
reconstrução da comunidade impactada
• 22 – Decreto do Governo Estadual viabiliza
obras do Dique S4
outubro/16
• 30 – Entrega da Praça Manoel Lino Mol na
Avenida Beira Rio, em Barra Longa
maio /2018
• E após estes 30 meses, o processo criminal da
morte de 19 mortos e o processo ambiental que
avalia os danos pouco andaram.
• Até hoje, ainda não estão fechados os números
de vítimas diretas e indiretas da tragédia. O
rompimento afetou a economia da região.
• A Samarco, dona da barragem, e suas
controladoras, Vale e BHP Billiton, sempre se
disseram inocentes e dizem que o rompimento é
um acidente.
• Processo criminal
• Processos por danos ambientais
• Ação civil pública
• Qualidade da água
• Processos civis : Ações indenizatórias
• Números de atendimento e indenizações a atingidos
• 303 imóveis alugados
• 341 cartões de auxílio financeiro a famílias, em
Mariana; 9.314, no total
• 41 famílias com indenização de R$ 10 mil por moradia
não-habitual
• 288 famílias com indenização de R$ 20 mil por moradia
habitual
• 2 escolas construídas
• 1 posto de saúde construído
• 1 comissão de atingidos instituída
• 1 horta comunitária construída
• 1 centro comunitário construído
• Ressarcimento a professores
• Construção de dique e acesso a distrito
• Carros debaixo da lama
• Animais
• Pescadores indenizados
• Saneamento
• Acordos trabalhistas
• Volta das atividades da Samarco
A CATÁSTROFE e seus
IMPACTOS
A CATÁSTROFE
• Rompimento da Barragem do Fundão -
Samarco
• 05 de novembro de 2015 – 16:20h
• Bento Rodrigues – Mariana – Minas Gerais
• 55 milhões de metros cúbicos – rejeitos de
minério – óxido de ferro e manganês +
água + lama
A CATÁSTROFE
IMPACTOS
• Destruição completa
da cidade
• 207 das 251
edificações (82%)
foram soterradas
• 680 km de corpos
hídricos da bacia
hidrográfica
• 1.469 hectares de
terra
IMPACTOS
• 19 pessoas
• 11 Toneladas de
animais marinhos
mortos
• Centenas de aves
mortas por falta de
alimentos
• Mais de 600 pessoas
desabrigadas e
desalojadas
IMPACTOS
• Alteração da fauna e da flora
• Mudança na cadeia alimentar
• Ameaçou a extinção de algumas espécies, impactou
fauna, flora, prejuízos ao patrimônio, às atividades
pesqueira, agropecuária, turismo e lazer na região.
IMPACTOS
• Atingiram os Rios
Gualaxo do Norte, do
Carmo, o Rio Doce e o
litoral do Espírito
Santo.
• Alteração da
composição química da
água (ferro e manganês
– (consumo prolongado
– sistema nervoso).
IMPACTOS
• O maior desastre ambiental do Brasil e o
maior do mundo envolvendo barragens de
rejeito
• Afetou 35 cidades de Minas Gerais e três do
Espírito Santo
• Ibama e governos de MG e ES aplicaram 68
multas = 552 milhões de reais
Reconstrução do Novo povoado de Bento Rodrigues
Participação dos moradores na escolha do local da cidade
Criação da empresa Renova da Samarco que criará projetos urbanísticos para os
vilarejos de Gesteira em Barra Longa, Paracatu de Baixo e Bento Rodrigues.
Os moradores também escolherão o modelo de casas que serão feitas nos
municípios citados
O MP exigiu da empresa Renova o reassentamento de todos os moradores até
março de 2019, cujo atraso será calculada em 20 milhões por dia
Controle e monitoramento de poeira devido a movimentação de equipamentos
pesados com uso de borrifadores de água.
Hoje 90% das obras de reconstrução e reparação estão concluídas
Iluminação publica com luminárias de LED, construção de novas redes de
drenagem pluvial e academias ao ar livre
Atualidades pós tragédia de Mariana
Obrigado!!!!

TRABALHO DE PLANIFICAÇÃO.pptx

  • 1.
    Universidade Estadual doMaranhão Pós Graduação de Engenharia de Segurança do Trabalho Disciplina: Planificação de Emergência e Atendimento de Catástrofes Profª . Fernando Fernandes Barragem de Mariana Equipe: Álvaro Jr., Artenisia Pinheiro, Everlin Nino, Hugo Rubim, Marcia Delane, Marcos Levi e Nayara Ferreira
  • 2.
    Bento Rodrigues éum subdistrito de Santa Rita Durão, no município mineiro de Mariana. O subdistrito encontra-se a 35 km do centro de Mariana e a 124 km de distância da capital do Estado, Belo Horizonte.
  • 3.
    Distrito de BentoRodrigues antes da tragédia
  • 4.
  • 5.
    Vida em BentoRodrigues http://glo.bo/1WUIMP6 https://www.youtube.com/watch?v=lrf7m7fY_u M
  • 6.
    O lugarejo, quepertence a Mariana, região Central de Minas, possuía aproximadamente 200 casas, que abrigavam 600 pessoas. Agora, da cidade só restou sedimento terrosos e a torre da igreja, que ficou visível.
  • 7.
    Bento Rodrigues, provavelmente,não vai mais existir. Com aproximadamente 600 habitantes, o povoado foi engolido pela lama das barragens rompidas da mineradora Samarco. O distrito de Mariana, que nasceu pela atividade mineradora, também vai acabar por causa dela.
  • 8.
    No século 18,a extração de minérios era uma das principais atividades econômicas do Brasil: só nesse esse período, Portugal recebeu cerca de 800 toneladas de ouro do país. Foi durante essa época que surgiram as estradas reais, usadas para desbravar o interior brasileiro, conectando as regiões mineradoras com o litoral carioca. E com as estradas nasceram cidades, entre elas Mariana e Ouro Preto, e os pequenos distritos, como Bento Rodrigues. A Igrejinha de São Bento, que nasceu junto com o município há quase três séculos e é um dos mais importantes bens culturais da região, foi completamente soterrada.
  • 9.
    A arquitetura coloniale as cachoeiras faziam da pequena cidade um ponto turístico pouco explorado, como diz Adriane Melo, professora de Geografia da escola Bento Rodrigues: “O lugar tinha potencial turístico, porém, não havia muita vontade política, pois até os dias atuais a estrada não havia sido pavimentada”. Segundo ela, as atividades econômicas eram baseadas na agricultura familiar e de subsistência. Mas o que gerava emprego mesmo era a Samarco: “A empresa tem uma representatividade econômica muito grande em toda a região, empregando pessoas direta e indiretamente”.
  • 10.
    Arquitetura colonial deBento Rodrigues
  • 11.
    Sobre a empresa ASamarco Mineração S.A. é uma mineradora brasileira fundada em 1977 e atualmente controlada através de uma joint-venture entre a Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações da empresa. Empreendimento conjunto ou empresa conjunta
  • 12.
    Sobre a empresa Seuprincipal produto são as pelotas de minério de ferro comercializadas para a indústria siderúrgica de países das Américas, do Oriente Médio, da Ásia e Europa.
  • 13.
    Sobre a empresa Em2015, ano em que a Samarco paralisou suas operações, foram produzidas 24,9 milhões de toneladas, sendo 97% em pelotas e 3% em finos de minério de ferro. Naquele ano, a companhia foi a 12ª maior exportadora do Brasil, faturou R$ 6,5 bilhões e gerou cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos.
  • 14.
    Barragem de Fundão ASamarco mantinha, até 5 de novembro de 2015, duas barragens para estocagem dos rejeitos resultantes do processo de extração e beneficiamento do minério de ferro em sua unidade de Germano (MG).
  • 16.
    Causas do Desastre •Ministério Público de Minas Gerais diz que a empresa não tomou as medidas necessárias para conter o acúmulo excessivo de água. • Em agosto de 2014, uma equipe de inspeção da Samarco verificou o surgimento de trincas no alto de um dos paredões da barragem, o que poderia indicar o início de um movimento de todo o maciço. • A reação da Samarco foi providenciar um aterro na base do paredão, o que fez com que sua equipe de engenheiros concluísse que a barragem estava estável. Mas o engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila, que projetou a barragem em 2007 e depois foi contratado pela Samarco como consultor, advertiu que a análise de estabilidade não estava considerando uma outra hipótese para as trincas: a de estar ocorrendo o que os especialistas chamam de liquefação estática, que é quando um material sólido passa a se comportar como um fluido. • A liquefação, de acordo com o Ministério Público, poderia ter sido causada pelas sucessivas elevações da altura da barragem, feitas pela Samarco em função do crescente aumento da produção de pelotas de minério de ferro naquela unidade.
  • 17.
    Causas do Desastre •Pimenta de Ávila recomendou a instalação de uma série de equipamentos que medem a pressão do solo, chamados piezômetros, para verificar se havia algum movimento. • Ele pediu nova análise de estabilidade, assim como a correção do eixo da barragem. • Naquele ponto, o eixo havia sido recuado para evitar uma pilha de rochas sem minério de ferro da Vale do Rio Doce, uma espécie de sobra sem valor da mineração. • O recuo não estava previsto no projeto original nem no Manual de Operações da barragem, que estava desatualizado. E, pior: a altura da parede havia sido elevada em 25 metros nos doze meses anteriores. • Documentos obtidos pelo Ministério Público indicam que a Samarco sabia do problema e que havia até uma estimativa de que seriam necessários 2 milhões de metros cúbicos de material, e um ano de serviço, para corrigir o eixo da barragem.
  • 18.
    Causas do Desastre •Em depoimento à polícia, Pimenta de Ávila disse que as informações indicavam claramente que a barragem apresentava graves sinais de pré-ruptura. • Ele recomendou reforço nas paredes e a volta do eixo da barragem ao projeto original. Nada disso foi feito e a Samarco se limitou a monitorar o solo e a fazer drenos para evitar o acúmulo de água na barragem. • Um ano antes do alerta feito por Pimenta de Ávila, um relatório assinado por cinco engenheiros contratados pela Samarco já apontava que a barragem apresentava claros sinais de que a drenagem interna já se mostrava insuficiente. • Segundo o Ministério Público, em vez de resolver o problema, diante das evidências de risco, a empresa se limitou a adotar paliativos e nem as obras de drenagem estavam concluídas quando a barragem se rompeu.
  • 19.
    Causas do Desastre •Os indícios de que havia riscos foram apontados em relatórios internos da Samarco, discutidos nas reuniões do Conselho de Administração da empresa e apreendidos durante as investigações. • Já para os órgãos externos, encarregados da fiscalização, não havia por que se preocupar. Um destes órgãos é o Departamento Nacional de Produção Mineral, o DNPM. Logo depois da tragédia, o então diretor José Carlos Sales Campos disse, em depoimento a uma comissão externa da Câmara, que a barragem era considerada segura. Ele admitiu falha na fiscalização. • Um ano antes da tragédia, o consultor Joaquim Pimenta de Ávila já tinha alertado que a barragem poderia estar sofrendo um processo de liquefação, por excesso de água, o que poderia comprometer sua estrutura. Mesmo assim, quatro meses antes do rompimento, em julho de 2015, uma empresa de engenharia contratada pela Samarco, a VogBR, emitiu um laudo que atestava a estabilidade da estrutura.
  • 20.
    Causas do Desastre •Em 2011, quatro anos antes dos primeiros indícios de instabilidade e cinco antes da tragédia, o ITRB (Comitê Interno formado por empregados da empresa e especialistas externos) recomendou que a Samarco analisasse os custos de remoção da população que vivia abaixo da barragem e estudasse outras formas de armazenar os rejeitos, que não fosse o aumento da altura de Fundão. • Segundo a denúncia do Ministério Público, nada disso foi feito. Não só os moradores de Bento Rodrigues continuaram a viver no mesmo lugar, seis quilômetros abaixo da barragem, como não havia sequer um plano de emergência para o caso de rompimento da estrutura. • Os sobreviventes apontaram que os moradores não foram avisados do desastre e nunca tinham feito um treinamento sobre o que fazer numa emergência. • A primeira simulação de um desastre, com o uso de sirenes e treinamento da população, só foi feito em junho de 2016, seis meses depois do rompimento da barragem.
  • 21.
    Ações Emergenciais Com oapoio da BHP e da Vale, a Samarco se mobilizou, desde o rompimento da barragem de Fundão:  para prestar assistência às comunidades impactadas;  para reinstalar a população desabrigada;  apoiar a busca por desaparecidos;  prestar esclarecimentos às autoridades e ao poder público.  realocação daqueles que perderam seus lares;  distribuição de água potável e mineral;  resgate de animais;  atendimento psicossocial; e restabelecimento de acessos danificados, entre outros, foram as frentes de trabalho da ação emergencial.
  • 22.
    A Samarco reconhecesua obrigação legal e moral de mitigar, compensar e remediar os impactos gerados à população mineira e à capixaba. As ações emergenciais foram realizadas até a data em que a Fundação Renova assumiu a gestão dos programas de reparação, em agosto de 2016.
  • 23.
    novembro/15 • 05 -Rompimento da barragem de fundão, com 32,6 milhões de metros cúbicos de rejeitos • 05 – Início da ações emergenciais • 08 – Rejeito chega a Governador Valadares • 10 – Empregados iniciam licença remunerada • 10 – Interrupção do Abastecimento de água em Governador Valadares – MG • 11 – Intervenção nas estruturas da barragem • 12 – Início da distribuição de água para as comunidades impactadas • 14 – Início das acomodações das pessoas desabrigadas em casas alugadas pela Samarco, até então estava abrigadas em pousadas • 16 – Abastecimento de água em Governador Valadares (MG) começa a se normalizar • 16 – Retorno às aulas de mais de 600 alunos • 16 – Samarco e Ministério Público assinam um Termo Compromisso Socioambiental (TSCA) preliminar • 17 – Paralisação do abastecimento de água em Colatina (ES) • 22 – Pluma de turbidez chega ao mar, depois de percorrer 650 km • 24 – Abastecimento de água em Colatina (ES) começa a ser restabelecer gradativamente • 29 – Fim de licença remunerada dos empregados • 30 – Início do período de férias coletivas dos empregados
  • 24.
    dezembro/15 • 01 –Famílias começam a ser acomodadas em moradias temporárias • 04 – Assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério do Trabalho do Espirito Santos e Minas Gerais • 10 – Início de entrega de cartões de auxílio financeiros aos pescadores e ribeirinhos • 10 – Início da revegetação das margens dos rios Gualaxo e Doce • 22 – Mobilização da dragagem do reservatório da hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga) • 25 – 99,7 % das famílias em moradias temporárias • 29 – Término do período de férias coletivas dos empregados
  • 25.
    janeiro/16 • 04 –Início do segundo período de licença remunerada dos empregados da Samarco • 10 – Fim do segundo período de licença remunerada dos empregados da Samarco • 22 – 255 vagas de trabalho nas ações de recuperação são preenchidas por moradores de Mariana e região • 25 – Início do layoff dos empregados da samarco • 27 – Relatório confirma que pluma não chegou a Abrolhos (BA)
  • 26.
    fevereiro/16 • 15 –Entrega da sétima ponte de acesso às comunidades • 17 – Finalização da Barreira S1A na área remanescentes das barragens • 18 – Finalização da Barreira S2A na área remanescentes das barragens
  • 27.
    março/16 • 02 –Assinatura do Termo de Transição e de Ajustamento de Conduta (TTAC) entre Samarco, Vale, BHP Billiton, governo federal, Minas Gerais e Espírito Santo • 11 – 1327 moradores de Mariana (MG) e Barra Longa (MG) participam de simulados de emergência • 11 – Abertura da fábrica de geleia de pimenta biquinho
  • 28.
    abril/16 • 05 –Entrega do Dique S3 na área remanescentes das barragens • 09 – Evento de adoção de animais • 25 – Fim do primeiro período layoff e início do segundo
  • 29.
    maio/16 • 07 –233 famílias de Bento Rodrigues escolhem terreno para reconstrução da comunidade • 17 – 800 hectares revegetados ao longo dos rios Doce, Carmo e Gualaxo
  • 30.
    junho/16 • 09 –Polícia Federal conclui inquérito sobre acidente e indicia oito pessoas • 23 – Início do período de adesão ao PDV • 25 – Fim do layoff • 25 – Famílias de Gesteira escolhem o terreno Fazenda Gesteira como local para abrigar as casas e equipamentos públicos impactados
  • 31.
    julho/16 • 04 –Intensificada a dragagem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves em Candonga (ES) • 18 – Mais de 7 mil cartões de auxílio financeiro às comunidades e ribeirinhos • 18 – 86 casas e 27 estabelecimentos comerciais reformados em Barra Longa (MG)
  • 32.
    agosto/16 • 02 -Início das atividades da Fundação Renova • 02 – Samarco inicia o repasse da gestão dos 41 programas
  • 33.
    setembro/16 • 03 –Famílias de Paracatu de Baixo escolhem o terreno Lucila como novo local para reconstrução da comunidade impactada • 22 – Decreto do Governo Estadual viabiliza obras do Dique S4
  • 34.
    outubro/16 • 30 –Entrega da Praça Manoel Lino Mol na Avenida Beira Rio, em Barra Longa
  • 35.
    maio /2018 • Eapós estes 30 meses, o processo criminal da morte de 19 mortos e o processo ambiental que avalia os danos pouco andaram. • Até hoje, ainda não estão fechados os números de vítimas diretas e indiretas da tragédia. O rompimento afetou a economia da região. • A Samarco, dona da barragem, e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, sempre se disseram inocentes e dizem que o rompimento é um acidente.
  • 36.
    • Processo criminal •Processos por danos ambientais • Ação civil pública • Qualidade da água • Processos civis : Ações indenizatórias
  • 38.
    • Números deatendimento e indenizações a atingidos • 303 imóveis alugados • 341 cartões de auxílio financeiro a famílias, em Mariana; 9.314, no total • 41 famílias com indenização de R$ 10 mil por moradia não-habitual • 288 famílias com indenização de R$ 20 mil por moradia habitual • 2 escolas construídas • 1 posto de saúde construído • 1 comissão de atingidos instituída • 1 horta comunitária construída • 1 centro comunitário construído
  • 39.
    • Ressarcimento aprofessores • Construção de dique e acesso a distrito • Carros debaixo da lama • Animais • Pescadores indenizados • Saneamento • Acordos trabalhistas • Volta das atividades da Samarco
  • 40.
    A CATÁSTROFE eseus IMPACTOS
  • 42.
    A CATÁSTROFE • Rompimentoda Barragem do Fundão - Samarco • 05 de novembro de 2015 – 16:20h • Bento Rodrigues – Mariana – Minas Gerais • 55 milhões de metros cúbicos – rejeitos de minério – óxido de ferro e manganês + água + lama
  • 43.
  • 45.
    IMPACTOS • Destruição completa dacidade • 207 das 251 edificações (82%) foram soterradas • 680 km de corpos hídricos da bacia hidrográfica • 1.469 hectares de terra
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    IMPACTOS • 19 pessoas •11 Toneladas de animais marinhos mortos • Centenas de aves mortas por falta de alimentos • Mais de 600 pessoas desabrigadas e desalojadas
  • 47.
    IMPACTOS • Alteração dafauna e da flora • Mudança na cadeia alimentar • Ameaçou a extinção de algumas espécies, impactou fauna, flora, prejuízos ao patrimônio, às atividades pesqueira, agropecuária, turismo e lazer na região.
  • 48.
    IMPACTOS • Atingiram osRios Gualaxo do Norte, do Carmo, o Rio Doce e o litoral do Espírito Santo. • Alteração da composição química da água (ferro e manganês – (consumo prolongado – sistema nervoso).
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    IMPACTOS • O maiordesastre ambiental do Brasil e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeito • Afetou 35 cidades de Minas Gerais e três do Espírito Santo • Ibama e governos de MG e ES aplicaram 68 multas = 552 milhões de reais
  • 51.
    Reconstrução do Novopovoado de Bento Rodrigues Participação dos moradores na escolha do local da cidade Criação da empresa Renova da Samarco que criará projetos urbanísticos para os vilarejos de Gesteira em Barra Longa, Paracatu de Baixo e Bento Rodrigues. Os moradores também escolherão o modelo de casas que serão feitas nos municípios citados O MP exigiu da empresa Renova o reassentamento de todos os moradores até março de 2019, cujo atraso será calculada em 20 milhões por dia Controle e monitoramento de poeira devido a movimentação de equipamentos pesados com uso de borrifadores de água. Hoje 90% das obras de reconstrução e reparação estão concluídas Iluminação publica com luminárias de LED, construção de novas redes de drenagem pluvial e academias ao ar livre
  • 53.
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Notas do Editor

  • #13 Com 40 anos de história no setor mineral brasileiro, a empresa possui duas unidades operacionais: Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), onde era realizada a extração e o beneficiamento de minério de ferro em três concentradores Ubu, em Anchieta (ES), onde estão quatro usinas de pelotização. As unidades são interligadas por três minerodutos de 400 quilômetros de extensão, que atravessam 25 municípios dos dois estados.
  • #14 Trata-se de uma empresa que lucrou R$ 13,3 bilhões entre 2010 e 2014, sendo o lucro isolado do ano de 2014 de R$ 2,8 bilhões
  • #15 A mais nova delas era a de Fundão, inaugurada em 2008, com estocagem de 55 milhões de metros cúbicos. A última inspeção antes do rompimento foi realizada em julho de 2015. Em setembro do mesmo ano, laudos foram entregues para os órgãos competentes, indicando condição operacional segura para as barragens.
  • #16 Dique principal ou barramento: estrutura construída por taludes com a função de conter rejeitos. Crista: local onde se inicia a disposição do rejeito arenoso e ponto mais alto da barragem. Reservatório de rejeito arenoso: local onde ocorre a disposição de rejeito arenoso gerado no processo de beneficiamento. Reservatório de rejeito fino (lama): local onde ocorre a disposição de rejeito fino gerado no processo de beneficiamento. Diques auxiliares: estruturas que servem para delimitar as áreas de disposição de rejeito e permitir um manejo adequado. Ombreira: terreno natural onde a barragem se encaixa. Vertedouro: estrutura que permite a saída de água do reservatório.* Drenagem interna: estrutura que permite que a água seja drenada pelo sistema de drenos internos.*
  • #37 Processo criminal - Em 18 de novembro de 2016, a Samarco, suas controladoras Vale e BHP Billiton e a Vale, além de 22 pessoas, se tornaram rés em um processo criminal que investiga as 19 mortes como homicídio. Processos por danos ambientais - A Justiça Federal prorrogou para o dia 25 de junho de 2018 o prazo para que as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton, junto com o Ministério Público Federal (MPF), entreguem um acordo com as ações de reparação de danos socioeconômicos após o desastre. O processo ambiental, que tem valor de R$ 155 bilhões, está suspenso na justiça à espera da conclusão deste diagnóstico de danos. Esta foi a quarta vez que a entrega do acordo foi prorrogada. Ação civil pública - Uma ação civil pública, movida pela União, pelos governos de Minas Gerais e do Espirito Santo e por órgãos ambientais federais e estaduais, determinou um depósito de R$ 1,2 bilhão para recuperar os danos causados. Este valor é a primeira parcela de um total de R$ 20 bilhões. Ação civil pública - A Samarco, a Vale e a BHP Billinton disseram por nota que solicitaram a prorrogação do prazo por causa da complexidade do tema, pedido que teve a concordância do Ministério Público Federal. Qualidade da água - Em março de 2017, a pedido da Samarco, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu processos contra a mineradora motivados por causa da qualidade da água do Rio Doce. São cerca de 50 mil ações individuais. A decisão vale até que seja julgado no tribunal um Incidente de Resolução de Demanda Repetitiva (IRDR), que vai definir uma tese jurídica para orientar todos os processos. Este IRDR ainda não tem data para ser julgado. Processos civis - Ações indenizatórias - Em agosto de 2016, a Justiça Federal decidiu que a ação civil pública que bloqueou R$ 300 milhões da mineradora Samarco para reparação de danos a atingidos pelo rompimento da barragem iria ficar a cargo da Comarca de Mariana. O objetivo da ação é assegurar recursos para indenizações e reconstrução das comunidades destruídas, isto é, o reassentamento de Bento Rodrigues e Paracatu.
  • #40 Ressarcimento a professores - Um acordo entre o Ministério Público e a Samarco colocou fim a uma ação civil pública para ressarcir professores e servidores da Escola Municipal de Bento Rodrigues, distrito de Mariana. De acordo com a promotoria, 20 pessoas tiveram que ser transferidas para outras unidades escolares após o desastre e, com isso, passaram a arcar com os custos de transporte para o trabalho. A Samarco cumpriu o compromisso de fornecer o transporte ou vale-transporte. Construção de dique e acesso a distrito - O Ministério Público Estadual ajuizou ação civil pública em setembro de 2016, questionando a construção do dique S4 pela mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, e pedindo a avaliação de alternativas que não afetem o direito de acesso ao distrito pelos atingidos. Outra ação civil pública foi movida para assegurar o acesso dos atingidos ao local onde moravam e para cobrar medidas de segurança que evitem saques. A 2ª Promotoria de Justiça de Mariana disse que o acesso a Bento Rodrigues ainda é provisório e que ex-moradores denunciaram roubo de telhas e outros itens que restaram após o desastre. Carros debaixo da lama - Sessenta e três veículos foram soterrados ou destruídos no rompimento da barragem de Fundão. De acordo com o promotor, um acordo em julho de 2017 determinou que o governo de Minas Gerais dê baixa nos veículos e cancele a cobrança de impostos. Por este acordo, os donos dos veículos têm que preencher uma declaração sobre o desaparecimento dos mesmos. Eles têm até julho de 2018 para fazer esta declaração. Animais - Uma ação civil pública questiona os valores propostos pela Samarco para a compra de animais de ex-moradores de áreas atingidas. Após o desastre, cerca de 300 animais, sobretudo gado e cavalos, foram levados para um terreno da mineradora, segundo a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mariana. O processo segue em tramitação, aguardando marcação de audiência. De acordo com a Fundação Renova, 276 animais estão sob a tutela da entidade, sendo 205 de grande porte. Uma equipe com veterinários e tratadores cuida dos animais que estão em duas fazendas todos os dias. Pescadores indenizados - No dia 26 de julho de 2017, um acordo assinado pela Fundação Renova e pela Samarco previu o pagamento de auxílio financeiro emergencial a 28 pescadores de Governador Valadares, no Leste de Minas. O acordo, firmado com intermediação do Ministério Público por meio do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Direitos Humanos, prevê compensação financeira aso pescadores em razão do rompimento da barragem de Mariana, em 2015. O valor a ser recebido por cada pescador não foi informado. Saneamento – De acordo com a Fundação Renova, 39 das cidades atingidas estão aptas a receber, através de uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) para obras de saneamento. O valor liberado para os municípios soma R$ 500 milhões. O repasse é uma medida compensatória para revitalização do Rio Doce que a Fundação Renova adotou após o desastre. Serão beneficiados os municípios de Mariana, Governador Valadares, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado, Sem-Peixe, Rio Casca, São Pedro dos Ferros, São Domingos do Prata, São José do Goiabal, Raul Soares, Dionísio, Córrego Novo, Pingo d'Água, Marliéria, Bom Jesus do Galho, Timóteo, Caratinga, Ipatinga, Santana do Paraíso, Ipaba, Belo Oriente, Bugre, lapu, Naque, Periquito, Sobrália, Fernandes Tourinho, Alpercata, Tumiritinga, Galileia, Conselheiro Pena, Resplendor, Itueta e Aimorés; além dos capixabas Baixo Guandu, Colatina, Marilândia e Linhares. Acordos trabalhistas Sem demissão coletiva - Um acordo firmado entre representantes da Samarco e dos trabalhadores da mineradora, assinado em 18 de novembro de 2016, definiu que não haveria demissão coletiva até 31 de março de 2017. Até a data, a empresa se comprometeu a manter os postos de trabalho de 1,8 mil empregados que não aderiram a programas de demissão voluntária em Minas Gerais e no Espírito Santo. À época, a Samarco disse que "entende-se por dispensa coletiva as reduções superiores a 1% do quadro efetivo por mês". Também foi definido que, antes de efetuar novos desligamentos previstos no prazo acima, haverá reunião com as entidades sindicais para dialogar sobre possíveis soluções para a preservação dos empregos em 2017. Em abril deste ano, a Samarco disse que, desde que foram paralisadas as atividades da mineradora, a empresa recorreu a diversos instrumentos para evitar demissões. A Samarco também informou que já contou com mais de 6 mil empregados diretos e indiretos e que, atualmente, mantém cerca de 1.130 empregados diretos. Programa de Demissão Voluntária – O programa, que visou atender a funcionários que gostariam de deixar a empresa voluntariamente, já alcançou 1.670 empregados em Minas Gerais e no Espírito Santo. Layoffs – Desde o desastre, a Samarco adotou vários mecanismos trabalhistas legais como licenças remuneradas, férias coletivas e layoffs. Mecanismos legais adotados pela empresa desde novembro de 2015: Licença remunerada (10/11/2015 a 29/11/15) Férias coletivas (30/11/15 a 29/12/15) 2º período de licença remunerada (4/1/16 a 10/1/16) Layoff (25/1/16 a 25/6/16) Layoff (1/6/17 a 31/10/17) Layoff (1º de novembro de 2017 a 31 de março de 2018) Layoff (1º de abril de 2018 até 31 de agosto de 2018) Volta das atividades da Samarco - A volta das atividades da Samarco em Mariana está dependendo de um processo na Justiça. Em junho de 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu uma decisão judicial que obrigava o município de Santa Bárbara (MG) a se posicionar sobre a atuação da mineradora Samarco na região. Para reiniciar a produção, interrompida desde o desastre de Mariana, a Samarco precisa voltar a captar água no município. negativo aos interesses da coletividade, apenas permite que o órgão competente (Secretaria de Estado de Meio Ambiente - Semad-MG) inicie sua análise, avaliando os impactos ambientais, pelo que não há o risco de lesão à ordem e economias públicas alegado pelo município, que justificasse a liminar proferida pelo STF". Uma semana após a suspensão, a mineradora entrou com um recurso no Supremo para que o caso seja analisado por um colegiado de ministros. Segundo o STF, não há data prevista para julgamento do recurso.