Conceito de texto e
discurso
FLC 0285 Teorias do texto – Enunciação, discurso e
Etimologia dos termos (CUNHA, A.G.
Dicionário etimológico da língua portuguesa.
4. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2010.
discur-sar, -ivo –o  DISCORRER
discorrer vb. ‘percorrer, atravessar’ ‘tratar, expor,
analisar’ 1572. Do lat. Disccurrere, de currere //
discursar XVI // discursivo 1813// discurso XVI. Do lat.
Discursos –us, de discursum, supino de discurrere.
Texto sm. ‘as próprias palavras de um autor, livro ou
escrito’/ XIV texto XIV / Do lat. Textum –i
‘entrelaçamento, tecido’ ‘contextura (duma obra)’
Contexto sm. ‘conjunto, todo, reunião’ ‘encadeamento
das ideias dum discurso’ 1813. Do fr. Contexte, deriv. do
lat. Contextus – us // contextura XVIII. Do fr. Contexture.
Texto e discurso em
diferentes teorias
• Linguística Textual
• Teoria bakhtiniana
Linguística Textual - LT
• Texto e discurso são sinônimos
• O conceito de texto é seu objeto de estudo
• A LT opera com uma metodologia de investigação
científica que privilegia as relações cotextuais de
composição das sequências linguísticas dotadas
de unidade semântica
Conceito de texto sofre significativas alterações na
história da disciplina (KOCH, I.G.V. Introdução à
linguística textual. São Paulo: Martins Fontes,
2006[2004].
• segunda metade da década de 1960 e a primeira
da década de 1970 –uma unidade linguística
superior à sentença formada por “uma
sucessão de unidades lingüísticas constituída
mediante uma concatenação pronominal
ininterrupta.”(Koch, 2006, p. 4), ora como uma
sequência coerente de enunciados
• segunda metade dos anos 1970 - virada
pragmática - unidade básica de comunicação
ou interação humana, compreendendo o
contexto enquanto situação comunicativa.
Virada cognitivista
- década de 1980, a compreensão de que as ações
em geral acompanham-se de processos de ordem
cognitiva motivou uma nova concepção de texto
como “resultado de processos mentais” (Koch,
2006, p. 21), isto é, o texto é resultado da
ativação pelos parceiros da comunicação de
saberes acumulados na memória (linguístico,
enciclopédico, cognitivos, sociointeracional etc.)
quanto aos diversos tipos de atividades da vida
social.
-
Perspectiva sociocognitivo-
interacionista
• perspectiva sociocognitiva-interacionista -
integração da virada pragmática com a
perspectiva cognitivista - o texto é o próprio
lugar da interação e os interlocutores, sujeitos
ativos que – dialogicamente – nele se
constroem e por ele são construídos.
Exemplo de análise
Conselho Superior
Novo presidente vê mudanças em curso dentro da
Fundação
Entre algumas convicções com que assumiu, no dia 15 de
agosto passado, a presidência do Conselho Superior da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo-
FAPESP, o professor Francisco Romeu Landi, 62 anos,
experiente engenheiro, pesquisador e administrador na área de
Ciência e Tecnologia, identifica pelo menos duas como
inabaláveis: a primeira, é que está à frente de uma instituição
reconhecida internacionalmente como uma das melhores
agências de financiamento à pesquisa do mundo; a segunda, é
que o Conselho Superior da Fundação vem atravessando um
processo significativo de modernização em suas idéias e
atitudes. (Notícias Fapesp, n. 2, set. 1995, p. 1)
Análise de Discurso
francesa
• Duas concepções de sujeito:
1) Pechêux postula uma teoria não-subjetivista da
subjetividade, uma vez que o indivíduo é
interpelado em sujeito de seu discurso por sua
identificação à formação discursiva que o
domina.
2) Charaudeau, por sua vez, opera com um
conceito de sujeito que ao mesmo tempo é
coagido pelo contrato de comunicação e se
individualiza por meio de estratégias.
Três momentos dos
processos de produção do
discurso:
1) Sua constituição, a partir da memória do dizer,
fazendo intervir o contexto histórico-ideológico mais
amplo;
2) Sua formulação, em condições de produção e
circunstâncias de enunciação específicas e
3) Sua circulação que se dá em certa conjuntura e
segundo certa condições. (ORLANDI, 2008, p. 9)
Discurso
O discurso é da ordem da constituição, como
dimensão vertical em que o interdiscurso ou a
memória discursiva determina o intradiscurso. O
discurso é “efeito de sentidos entre locutores” (2008,
p. 63) que se realiza na inscrição da língua na
história, regida pelo mecanismo ideológico de
filiação a redes de memória. Segundo Orlandi, o
“discurso é um processo contínuo que não se
esgota em uma situação particular. Outras coisas
foram ditas antes e outras serão ditas depois.”
(2008, p. 14).
Texto
O texto é da ordem da formulação em sua
materialidade como historicidade significante e
significada, é a manifestação concreta do discurso e
parte de um processo pelo qual se tem acesso
indireto à discursividade. O texto é o lugar onde
aflora a discursividade, lugar de tensão entre o
mesmo e o diferente, ou seja, de variação do/no
dizer.
Sujeito/autor
• O discurso tem sujeito, isto é, as diferentes posições
resultantes da inscrição dos sujeitos em diferentes
regiões de sentido (formações discursivas). Para
Orlandi (2008), a forma-sujeito (posição na relação) da
contemporaneidade é compelida à responsabilidade e
liberdade que são tomados como efeitos de nossa
estrutura jurídica de sujeitos com direitos e deveres.
• O texto tem autor que “se representa em sua origem,
com sua unidade, lhe propiciando coerência, não-
contradição, conferindo-lhe progressão e finalidade”.
(ORLANDI, 2008, p. 112). Esse trabalho do sujeito é,
para a AD, uma relação imaginária com o sentido
chamada função-autor.
Divulgação científica
(Orlandi)
• a divulgação científica: discurso de textualização jornalística
do discurso científico em um jogo complexo de
interpretação.
• O discurso da divulgação científica parte de um texto que é
da ordem do discurso científico e, pela textualização
jornalística, organiza os sentidos de modo a manter um
efeito-ciência. Nesse processo, cria-se o efeito de
“exterioridade” da ciência que será vista como afetando
coisas a saber no cotidiano da vida social.
• O jornalista científico ocupa uma posição-sujeito
específica da transferência pelo qual algo que significava
de um modo, desliza para produzir efeitos de sentidos
diferentes.
Ciência Hoje 1982
Certamente, houve um
crescimento industrial muito rápido
em Cubatão. Entretanto, durante a
fase principal de implantação de
suas indústrias – realizada em
apenas duas décadas – não houve
qualquer previsão dos impactos
sociais relacionados direta ou
indiretamente com a
industrialização. Partiu-se,
aparentemente, do velho
pressuposto de que onde haja
mercado de trabalho industrial, em
países subdesenvolvidos, para lá
se deslocam apreciáveis parcelas
de populações carentes à procura
de empregos. Mais uma vez,
cuidou-se da viabilidade técnica e
econômica das empresas de um
modo frio, calculista e incompleto,
nada se fazendo para receber e
alojar o operariado industrial. (Aziz
Ab’Saber, CH, n. 1, 1982, p. 20)
Textualização
• Textualização - material semiótico híbrido:
fotografia, tipografia e linguagem verbal
• Textualização jornalística – fotografia
• Efeito de exterioridade da ciência “Cubatão: o que
dizem os cientistas”
• Função-autor: divulgador e
Discurso
• Formação ideológica político-econômica –
processo de industrialização do Brasil nos anos
1960-1970
• 2 FD em conflito:
1) FD capitalista em países subdesenvolvidos -
responsável pela situação (foto, enunciado do
cientista)
2) FD contestadora do modelo econômico – defesa
dos oprimidos – Ciência/SBPC
Teoria bakhtiniana
• “O problema do texto na lingüística, na filologia e
em outras ciências humanas” (Estética da criação
verbal, 2003[1959-1961])
• Texto: objeto primeiro de todas as ciências
humanas, diferenciando-as das ciências naturais
• Texto: “conjunto coerente de signos, a ciência
das artes (a musicologia, a teoria e a história das
artes plásticas” opera com textos (obras de arte)”
(BAKHTIN, 2003[1959-61], p.305)
• Objeto das ciências humanas: o homem inserido na
sociedade, cujas ações físicas só podem ser
interpretadas em sua expressão semiótica ou em
signos
• O texto tem autor: “Encontramos autor (percebemos,
compreendemos, sentimos, temos a sensação dele)
em qualquer obra de arte. Por exemplo, em uma obra
de pintura sempre sentimos o seu autor (o pintor),
contudo nunca o vemos da maneira como vemos as
imagens por ele representadas” (BAKHTIN, 2003
[1959-61], p. 314)
Texto = enunciado
- inclusão “na comunicação discursiva de dado
campo” (idem, p. 309), onde entra em relações
dialógicas com outros textos
- “o enunciado é um todo individual singular e
historicamente único” (idem, p. 334)
- natureza extralinguística, os elementos linguísticos
são um meio para realização do enunciado.
Metalinguística:
relações dialógicas
• “As relações dialógicas entre os enunciados, que
atravessam por dentro também enunciados isolados,
pertencem à metalinguística.” (idem, p. 320)
• as relações dialógicas (concordância, polêmica,
contradição, discussão etc.) são de natureza
semântica
• ocorrem entre enunciados integrais
• são sustentadas por sujeitos-autores dos enunciados
• a compreensão do enunciado envolve responsividade
e, consequentemente, juízo de valor (verdadeiro,
falso, belo, justo etc.).
Texto: objeto da
linguística
• A linguística opera com texto mas não com obra
(...) as relações puramente linguísticas (isto é,
objeto da lingüística) são relações do signo com o
signo e com o signos no âmbito do sistema da
língua ou do texto (isto é, as relações sistêmicas
ou lineares entre os signos).”(idem, p. 330).
• A linguística conhece apenas o sistema da língua
e o texto. (2003[1970-71], p. 382)
“Gabriela, cravo e canela”
(Jorge Amado, 1958)
• O pássaro se batia contra as grades, há quanto dias estaria
preso? Muitos não eram com certeza, não dera tempo de
acostumar-se. Quem se acostuma com viver preso? Gostava
dos bichos, tomava-lhes amizade. Gatos, cachorros, mesmo
galinhas. Tivera um papagaio na roça, sabia falar. Morrera de
fome, antes do tio. Passarinhos preso em gaiola não quisera
jamais. Dava-lhe pena. Só não dissera pra não ofender seu
Nacib. Pensara lhe dar um presente, companhia pra casa,
sofrê cantador. Canto tão triste, seu Nacib tão triste! Não
queria ofendê-lo, tomaria cuidado. Não queria magoá-lo, diria
que o pássaro tinha fugido.
• Foi pro quintal, abriu a gaiola em frente à goiabeira. O gato
dormia. Voou o sofrê, num galho pousou, para ela cantou. Que
trinado mais claro e mais alegre! Gabriela sorriu. O gato
acordou. (Jorge Amado. Gabriela, cravo e canela. p. 227)
Período composto por
subordinação sem conjunção
Muitos não eram com certeza, não dera tempo de acostumar-
se.
Muitos não eram com certeza, pois não dera tempo de
acostumar-se.
Passarinhos preso em gaiola não quisera jamais. Dava-lhe
pena
Passarinhos preso em gaiola não quisera jamais, porque dava-
lhe pena.
Não queria ofendê-lo, tomaria cuidado. Não queria magoá-lo,
diria que o pássaro tinha fugido.
Como não queria ofendê-lo, tomaria cuidado. Porque não
queria magoá-lo, diria que o pássaro tinha fugido.
Referências
AMADO, J. Gabriela, cravo e canela. São Paulo: Companhia das
Letra, 2008[1958].
BAKHTIN, M.M. O problema do conteúdo, do material e da forma na
criação literária. In: ______. Questões de literatura e estética. Trad. A.
F. Bernadini et al. 3. Ed. São Paulo: UNESP, 1993[1924]. p. 13-70.
BAKHTIN, M.M. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem.
Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da
linguagem. Tra.d M. Lahud e Y.F. Vieira. São Paulo: Hucitec, 1992
[1929].
BAKHTIN, B.B. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal.
Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003[1953-54]. p. 261-
306.
BAKHTIN, B.B. O problema do texto na linguística, na filologia e em
outras ciências humanas. Uma experiência de análise filosófica. In:
Estética da criação verbal. Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins
Fontes, 2003[1959-61]. p. 307-336.
BAKHTIN, B.B. Apontamentos 1970-1971. In: Estética da criação
verbal. Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 367-392.
BAKHTIN, M.M. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. P.
Bezerra. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010[1963].
BOTCHARÓV, S. G.; GOGOMÍCHVILI, L. C. (Org.). M. M. Bakhtin:
Sobránie sotchiniénii t.5 Trabalhos do início dos anos 1940 até 1960.
Moscou: Russkie Slovari, 1997. 731 p.
BRAIT, B. Perspectiva dialógica. In: BRAIT, B.; SOUZA-E-SILVA,
C.Texto ou discurso? São Paulo: Contexto, 2012. p. 9-30.
CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. Dictionnaire d’analyse du
discours. Paris: Seuil, 2002.
CUNHA, A.G. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio
de Janeiro: Lexicon, 2010.
FLOCH, J.-M. Identités visuelles. Paris: PUF,
1995.
HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo:
Companhia das Letras, 2000.
HJELMSLEV, L. Prolégomenes à une théorie du
langage. Trad. U. Canger. Paris: Minuit, 1966.
ORLANDI, E. Discurso fundador. Campinas:
Pontes, 1988.
______. Discurso e texto. Formulação e circulação
dos sentidos. 3. ed. Campinas: Pontes, 2008.
SPITZER, L. Études de style. Trad. E. Kaufholz, A.
Coulon, M. Foucault. Paris: Gallimard, 1999.

Texto-discurso.ppt

  • 1.
    Conceito de textoe discurso FLC 0285 Teorias do texto – Enunciação, discurso e
  • 2.
    Etimologia dos termos(CUNHA, A.G. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2010. discur-sar, -ivo –o  DISCORRER discorrer vb. ‘percorrer, atravessar’ ‘tratar, expor, analisar’ 1572. Do lat. Disccurrere, de currere // discursar XVI // discursivo 1813// discurso XVI. Do lat. Discursos –us, de discursum, supino de discurrere. Texto sm. ‘as próprias palavras de um autor, livro ou escrito’/ XIV texto XIV / Do lat. Textum –i ‘entrelaçamento, tecido’ ‘contextura (duma obra)’ Contexto sm. ‘conjunto, todo, reunião’ ‘encadeamento das ideias dum discurso’ 1813. Do fr. Contexte, deriv. do lat. Contextus – us // contextura XVIII. Do fr. Contexture.
  • 3.
    Texto e discursoem diferentes teorias • Linguística Textual • Teoria bakhtiniana
  • 4.
    Linguística Textual -LT • Texto e discurso são sinônimos • O conceito de texto é seu objeto de estudo • A LT opera com uma metodologia de investigação científica que privilegia as relações cotextuais de composição das sequências linguísticas dotadas de unidade semântica
  • 5.
    Conceito de textosofre significativas alterações na história da disciplina (KOCH, I.G.V. Introdução à linguística textual. São Paulo: Martins Fontes, 2006[2004]. • segunda metade da década de 1960 e a primeira da década de 1970 –uma unidade linguística superior à sentença formada por “uma sucessão de unidades lingüísticas constituída mediante uma concatenação pronominal ininterrupta.”(Koch, 2006, p. 4), ora como uma sequência coerente de enunciados • segunda metade dos anos 1970 - virada pragmática - unidade básica de comunicação ou interação humana, compreendendo o contexto enquanto situação comunicativa.
  • 6.
    Virada cognitivista - décadade 1980, a compreensão de que as ações em geral acompanham-se de processos de ordem cognitiva motivou uma nova concepção de texto como “resultado de processos mentais” (Koch, 2006, p. 21), isto é, o texto é resultado da ativação pelos parceiros da comunicação de saberes acumulados na memória (linguístico, enciclopédico, cognitivos, sociointeracional etc.) quanto aos diversos tipos de atividades da vida social. -
  • 7.
    Perspectiva sociocognitivo- interacionista • perspectivasociocognitiva-interacionista - integração da virada pragmática com a perspectiva cognitivista - o texto é o próprio lugar da interação e os interlocutores, sujeitos ativos que – dialogicamente – nele se constroem e por ele são construídos.
  • 8.
    Exemplo de análise ConselhoSuperior Novo presidente vê mudanças em curso dentro da Fundação Entre algumas convicções com que assumiu, no dia 15 de agosto passado, a presidência do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo- FAPESP, o professor Francisco Romeu Landi, 62 anos, experiente engenheiro, pesquisador e administrador na área de Ciência e Tecnologia, identifica pelo menos duas como inabaláveis: a primeira, é que está à frente de uma instituição reconhecida internacionalmente como uma das melhores agências de financiamento à pesquisa do mundo; a segunda, é que o Conselho Superior da Fundação vem atravessando um processo significativo de modernização em suas idéias e atitudes. (Notícias Fapesp, n. 2, set. 1995, p. 1)
  • 9.
    Análise de Discurso francesa •Duas concepções de sujeito: 1) Pechêux postula uma teoria não-subjetivista da subjetividade, uma vez que o indivíduo é interpelado em sujeito de seu discurso por sua identificação à formação discursiva que o domina. 2) Charaudeau, por sua vez, opera com um conceito de sujeito que ao mesmo tempo é coagido pelo contrato de comunicação e se individualiza por meio de estratégias.
  • 10.
    Três momentos dos processosde produção do discurso: 1) Sua constituição, a partir da memória do dizer, fazendo intervir o contexto histórico-ideológico mais amplo; 2) Sua formulação, em condições de produção e circunstâncias de enunciação específicas e 3) Sua circulação que se dá em certa conjuntura e segundo certa condições. (ORLANDI, 2008, p. 9)
  • 11.
    Discurso O discurso éda ordem da constituição, como dimensão vertical em que o interdiscurso ou a memória discursiva determina o intradiscurso. O discurso é “efeito de sentidos entre locutores” (2008, p. 63) que se realiza na inscrição da língua na história, regida pelo mecanismo ideológico de filiação a redes de memória. Segundo Orlandi, o “discurso é um processo contínuo que não se esgota em uma situação particular. Outras coisas foram ditas antes e outras serão ditas depois.” (2008, p. 14).
  • 12.
    Texto O texto éda ordem da formulação em sua materialidade como historicidade significante e significada, é a manifestação concreta do discurso e parte de um processo pelo qual se tem acesso indireto à discursividade. O texto é o lugar onde aflora a discursividade, lugar de tensão entre o mesmo e o diferente, ou seja, de variação do/no dizer.
  • 13.
    Sujeito/autor • O discursotem sujeito, isto é, as diferentes posições resultantes da inscrição dos sujeitos em diferentes regiões de sentido (formações discursivas). Para Orlandi (2008), a forma-sujeito (posição na relação) da contemporaneidade é compelida à responsabilidade e liberdade que são tomados como efeitos de nossa estrutura jurídica de sujeitos com direitos e deveres. • O texto tem autor que “se representa em sua origem, com sua unidade, lhe propiciando coerência, não- contradição, conferindo-lhe progressão e finalidade”. (ORLANDI, 2008, p. 112). Esse trabalho do sujeito é, para a AD, uma relação imaginária com o sentido chamada função-autor.
  • 14.
    Divulgação científica (Orlandi) • adivulgação científica: discurso de textualização jornalística do discurso científico em um jogo complexo de interpretação. • O discurso da divulgação científica parte de um texto que é da ordem do discurso científico e, pela textualização jornalística, organiza os sentidos de modo a manter um efeito-ciência. Nesse processo, cria-se o efeito de “exterioridade” da ciência que será vista como afetando coisas a saber no cotidiano da vida social. • O jornalista científico ocupa uma posição-sujeito específica da transferência pelo qual algo que significava de um modo, desliza para produzir efeitos de sentidos diferentes.
  • 15.
    Ciência Hoje 1982 Certamente,houve um crescimento industrial muito rápido em Cubatão. Entretanto, durante a fase principal de implantação de suas indústrias – realizada em apenas duas décadas – não houve qualquer previsão dos impactos sociais relacionados direta ou indiretamente com a industrialização. Partiu-se, aparentemente, do velho pressuposto de que onde haja mercado de trabalho industrial, em países subdesenvolvidos, para lá se deslocam apreciáveis parcelas de populações carentes à procura de empregos. Mais uma vez, cuidou-se da viabilidade técnica e econômica das empresas de um modo frio, calculista e incompleto, nada se fazendo para receber e alojar o operariado industrial. (Aziz Ab’Saber, CH, n. 1, 1982, p. 20)
  • 16.
    Textualização • Textualização -material semiótico híbrido: fotografia, tipografia e linguagem verbal • Textualização jornalística – fotografia • Efeito de exterioridade da ciência “Cubatão: o que dizem os cientistas” • Função-autor: divulgador e
  • 17.
    Discurso • Formação ideológicapolítico-econômica – processo de industrialização do Brasil nos anos 1960-1970 • 2 FD em conflito: 1) FD capitalista em países subdesenvolvidos - responsável pela situação (foto, enunciado do cientista) 2) FD contestadora do modelo econômico – defesa dos oprimidos – Ciência/SBPC
  • 18.
    Teoria bakhtiniana • “Oproblema do texto na lingüística, na filologia e em outras ciências humanas” (Estética da criação verbal, 2003[1959-1961]) • Texto: objeto primeiro de todas as ciências humanas, diferenciando-as das ciências naturais • Texto: “conjunto coerente de signos, a ciência das artes (a musicologia, a teoria e a história das artes plásticas” opera com textos (obras de arte)” (BAKHTIN, 2003[1959-61], p.305)
  • 19.
    • Objeto dasciências humanas: o homem inserido na sociedade, cujas ações físicas só podem ser interpretadas em sua expressão semiótica ou em signos • O texto tem autor: “Encontramos autor (percebemos, compreendemos, sentimos, temos a sensação dele) em qualquer obra de arte. Por exemplo, em uma obra de pintura sempre sentimos o seu autor (o pintor), contudo nunca o vemos da maneira como vemos as imagens por ele representadas” (BAKHTIN, 2003 [1959-61], p. 314)
  • 20.
    Texto = enunciado -inclusão “na comunicação discursiva de dado campo” (idem, p. 309), onde entra em relações dialógicas com outros textos - “o enunciado é um todo individual singular e historicamente único” (idem, p. 334) - natureza extralinguística, os elementos linguísticos são um meio para realização do enunciado.
  • 21.
    Metalinguística: relações dialógicas • “Asrelações dialógicas entre os enunciados, que atravessam por dentro também enunciados isolados, pertencem à metalinguística.” (idem, p. 320) • as relações dialógicas (concordância, polêmica, contradição, discussão etc.) são de natureza semântica • ocorrem entre enunciados integrais • são sustentadas por sujeitos-autores dos enunciados • a compreensão do enunciado envolve responsividade e, consequentemente, juízo de valor (verdadeiro, falso, belo, justo etc.).
  • 22.
    Texto: objeto da linguística •A linguística opera com texto mas não com obra (...) as relações puramente linguísticas (isto é, objeto da lingüística) são relações do signo com o signo e com o signos no âmbito do sistema da língua ou do texto (isto é, as relações sistêmicas ou lineares entre os signos).”(idem, p. 330). • A linguística conhece apenas o sistema da língua e o texto. (2003[1970-71], p. 382)
  • 23.
    “Gabriela, cravo ecanela” (Jorge Amado, 1958) • O pássaro se batia contra as grades, há quanto dias estaria preso? Muitos não eram com certeza, não dera tempo de acostumar-se. Quem se acostuma com viver preso? Gostava dos bichos, tomava-lhes amizade. Gatos, cachorros, mesmo galinhas. Tivera um papagaio na roça, sabia falar. Morrera de fome, antes do tio. Passarinhos preso em gaiola não quisera jamais. Dava-lhe pena. Só não dissera pra não ofender seu Nacib. Pensara lhe dar um presente, companhia pra casa, sofrê cantador. Canto tão triste, seu Nacib tão triste! Não queria ofendê-lo, tomaria cuidado. Não queria magoá-lo, diria que o pássaro tinha fugido. • Foi pro quintal, abriu a gaiola em frente à goiabeira. O gato dormia. Voou o sofrê, num galho pousou, para ela cantou. Que trinado mais claro e mais alegre! Gabriela sorriu. O gato acordou. (Jorge Amado. Gabriela, cravo e canela. p. 227)
  • 24.
    Período composto por subordinaçãosem conjunção Muitos não eram com certeza, não dera tempo de acostumar- se. Muitos não eram com certeza, pois não dera tempo de acostumar-se. Passarinhos preso em gaiola não quisera jamais. Dava-lhe pena Passarinhos preso em gaiola não quisera jamais, porque dava- lhe pena. Não queria ofendê-lo, tomaria cuidado. Não queria magoá-lo, diria que o pássaro tinha fugido. Como não queria ofendê-lo, tomaria cuidado. Porque não queria magoá-lo, diria que o pássaro tinha fugido.
  • 25.
    Referências AMADO, J. Gabriela,cravo e canela. São Paulo: Companhia das Letra, 2008[1958]. BAKHTIN, M.M. O problema do conteúdo, do material e da forma na criação literária. In: ______. Questões de literatura e estética. Trad. A. F. Bernadini et al. 3. Ed. São Paulo: UNESP, 1993[1924]. p. 13-70. BAKHTIN, M.M. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tra.d M. Lahud e Y.F. Vieira. São Paulo: Hucitec, 1992 [1929]. BAKHTIN, B.B. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003[1953-54]. p. 261- 306. BAKHTIN, B.B. O problema do texto na linguística, na filologia e em outras ciências humanas. Uma experiência de análise filosófica. In: Estética da criação verbal. Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003[1959-61]. p. 307-336.
  • 26.
    BAKHTIN, B.B. Apontamentos1970-1971. In: Estética da criação verbal. Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 367-392. BAKHTIN, M.M. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. P. Bezerra. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010[1963]. BOTCHARÓV, S. G.; GOGOMÍCHVILI, L. C. (Org.). M. M. Bakhtin: Sobránie sotchiniénii t.5 Trabalhos do início dos anos 1940 até 1960. Moscou: Russkie Slovari, 1997. 731 p. BRAIT, B. Perspectiva dialógica. In: BRAIT, B.; SOUZA-E-SILVA, C.Texto ou discurso? São Paulo: Contexto, 2012. p. 9-30. CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. Dictionnaire d’analyse du discours. Paris: Seuil, 2002. CUNHA, A.G. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2010.
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