TEORIAS DE ENFERMAGEM
Prof. Enf. Vivianne Lima
O que é uma teoria de enfermagem?
Uma teoria de enfermagem é um conjunto de ideias, conceitos e definições formulados
para explicar fenômenos relacionados ao cuidado e à prática profissional. Ela
permite compreender situações, prever resultados e orientar ações com base em
fundamentos científicos.
No contexto da enfermagem, as teorias buscam explicar aspectos do cuidar em suas
diferentes dimensões — físicas, emocionais, sociais e espirituais — oferecendo
perspectivas sobre o paciente, o ambiente, a saúde e o papel do enfermeiro.
A aplicação das teorias na prática fortalece o conhecimento científico da profissão,
estimula o pensamento crítico e reflexivo, e contribui para uma assistência mais
organizada, eficaz e humanizada. Assim, a teoria não apenas complementa as
habilidades práticas, mas qualifica e valoriza o cuidado, promovendo melhorias
contínuas na formação e na atuação dos profissionais de enfermagem.
Teorias de enfermagem e metaparadigmas:
conexões para o cuidado integral
Os metaparadigmas representam os conceitos centrais que estruturam o pensamento e as
teorias da enfermagem. Eles fornecem a base para o desenvolvimento do conhecimento, da
prática e da pesquisa na área. São quatro os principais metaparadigmas da enfermagem:
1. Pessoa
Refere-se ao indivíduo que recebe o cuidado de enfermagem. Este conceito engloba não apenas o
ser humano individual, mas também sua família, comunidade e coletividade. A pessoa deve ser
compreendida em sua totalidade, considerando os aspectos físicos, emocionais, sociais, espirituais e
culturais — não apenas a doença ou condição que apresenta.
2. Saúde
Saúde é entendida como a capacidade do indivíduo de funcionar de forma independente,
adaptando-se de maneira satisfatória aos desafios da vida. Vai além da ausência de doença,
incorporando o bem-estar físico, mental e social. Alguns teóricos sugerem que a terminologia mais
adequada seria “qualidade de vida”, por considerar a saúde em um sentido mais amplo e
humanizado.
3. Ambiente
Inclui todos os fatores internos e externos que influenciam a pessoa.
O ambiente externo refere-se ao contexto físico, social e cultural onde o indivíduo vive (como a
casa, a comunidade, o clima, etc.).
O ambiente interno diz respeito aos aspectos fisiológicos, psicológicos e espirituais da própria
pessoa.
Esses elementos têm impacto direto na saúde e no cuidado de enfermagem.
4. Enfermagem
É a ciência e a arte de cuidar do ser humano em todas as fases da vida e em diferentes estados de
saúde. A enfermagem utiliza saberes científicos, técnicos e humanos para promover, manter e recuperar
a saúde, com o objetivo de reintegrar a pessoa ao seu ambiente de forma saudável e funcional. Esse
metaparadigma integra os demais, pois coloca em prática o cuidado centrado na pessoa, com atenção
à sua saúde e ao seu ambiente.
Teoria ambientalista - Florence
Nightingale - 1859
Conceito: A teoria de Florence Nightingale destaca as condições e interferências do ambiente que
impactam a vida e o funcionamento do organismo. Essas condições podem favorecer a recuperação da
saúde ou, ao contrário, contribuir para o adoecimento e até a morte.
Segundo Macedo (2008), Florence identificou, em suas anotações, diversos elementos ambientais que
devem ser ajustados e controlados para promover a cura, como: ar puro, luz natural, limpeza,
aquecimento adequado, silêncio, intervenções no tempo certo e alimentação equilibrada.
Na atualidade, os princípios da teoria ainda se aplicam. A enfermagem deve garantir um ambiente
arejado, livre de ruídos, com água potável, esgotamento sanitário eficiente e boa oferta nutricional —
aspectos fundamentais para o bem-estar físico, psíquico e sociocultural dos pacientes.
Exemplo: Pacientes com COVID-19 e síndrome respiratória aguda grave internados em UTIs enfrentam
estressores ambientais constantes, como ruídos de monitores, excesso de luz, procedimentos invasivos
frequentes (cateteres, punções, coletas), dor contínua e desconforto. A teoria de Florence orienta a
criação de ambientes terapêuticos, minimizando esses fatores e contribuindo para a recuperação.
Inclusive, influenciou mudanças na estrutura e organização hospitalar em sua época — legado que
permanece relevante até hoje.
Teoria do relacionamento interpessoal -
Hildegard Peplau - 1952
Conceito: A teoria de Hildegard Peplau, baseada no modelo psicodinâmico, enfatiza a
importância da relação enfermeiro-paciente como um processo terapêutico e
interpessoal. Ela propôs que cada interação terapêutica contribui tanto para o
desenvolvimento profissional do enfermeiro quanto para o crescimento pessoal do
paciente.
A teoria envolve quatro estágios: orientação, identificação, exploração e resolução,
que ajudam o paciente a identificar suas dificuldades, explorar soluções e alcançar a
resolução de seus problemas. A saúde é vista como um equilíbrio entre as demandas
fisiológicas e as interações psicossociais.
Exemplo: Em um paciente com transtorno de ansiedade, o enfermeiro inicia o processo
terapêutico ouvindo e criando confiança (orientação), ajuda o paciente a identificar os
gatilhos da ansiedade (identificação), oferece estratégias para lidar com ela
(exploração) e, por fim, auxilia o paciente a aplicar essas estratégias e alcançar o
controle sobre os sintomas (resolução).
Teoria das 14 necessidades básicas -
Virginia Henderson - 1955
Conceito: A teoria das necessidades fundamentais de Virginia Henderson foca no
cuidado integral do indivíduo, considerando as necessidades humanas básicas para a
manutenção da saúde, recuperação de ferimentos ou uma morte pacífica. Henderson
enfatiza o papel do enfermeiro em ajudar o paciente a alcançar a independência,
destacando a importância do cuidado individualizado.
A teoria é baseada em quatro categorias de necessidades: psicológicas, fisiológicas,
sociais e espirituais, sendo responsabilidade do enfermeiro apoiar o paciente em todas
essas áreas, promovendo seu bem-estar e autonomia.
Exemplo: No cuidado de um paciente em pós-operatório, o enfermeiro se concentra em
atender às suas necessidades fisiológicas, como alimentação e higiene, além de apoiar
sua recuperação emocional, garantindo que o paciente se sinta confortável e informado,
promovendo sua independência e qualidade de vida.
Respirar normalmente
1.
Comer e beber adequadamente
2.
Eliminar resíduos orgânicos
3.
Movimentar-se e manter posturas desejáveis
4.
Dormir e descansar
5.
Selecionar roupas adequadas – vestir-se e despir-se
6.
Manter a temperatura corporal dentro da variação normal, adaptando a roupa e
modificando o ambiente
7.
Manter o corpo limpo e bem arrumado, proteger a pele
8.
Evitar os perigos ambientais e evitar ferir os outros
9.
Comunicar-se com os outros, expressando emoções, necessidades, medos ou opiniões
10.
Adorar de acordo com a própria fé
11.
Trabalhar de forma a ter uma sensação de realização
12.
Participar de variadas formas de recreação
13.
Aprender, descobrir e satisfazer a curiosidade que leva ao desenvolvimento e à saúde,
usando os serviços de saúde disponíveis.
14.
A teoria das necessidades fundamentais de Virginia Henderson identifica 14 necessidades humanas essenciais
para a manutenção da saúde e bem-estar do paciente. O enfermeiro deve apoiar o paciente na satisfação dessas
necessidades para que ele consiga viver de forma independente. As 14 necessidades são:
Conceito: Essa teoria vê o ser humano como um sistema adaptativo que responde a
estímulos internos e externos. A função da enfermagem, segundo Roy, é promover a
adaptação positiva do indivíduo às mudanças do ambiente.
Callista Roy organizou sua teoria em quatro modos de adaptação: fisiológico,
autoconceito, função do papel e interdependência. A pessoa está constantemente
tentando se adaptar ao ambiente para manter sua integridade e saúde.
A enfermagem deve avaliar os estímulos recebidos pelo paciente e ajudar a desenvolver
respostas adaptativas eficazes. O enfermeiro atua promovendo equilíbrio físico e
emocional, buscando compreender como o paciente lida com as adversidades,
oferecendo apoio individualizado.
Exemplo: Em pacientes submetidos a cirurgias de grande porte, o enfermeiro atua para
ajudar na adaptação física (dor, mobilidade), emocional (ansiedade, medo), no papel
social (mudanças na rotina, trabalho) e nas relações (apoio da família), favorecendo a
recuperação integral do paciente.
Teoria da Adaptação – Callista Roy – 1970
Conceito: Martha Rogers apresenta o ser humano como um todo indivisível, com campos
de energia em constante interação com o ambiente. A enfermagem deve promover a
harmonia desses campos energéticos, valorizando o ser humano de forma integral.
Sua teoria baseia-se em princípios como: a unidade do ser humano, padrões únicos,
abertura ao ambiente, e a pandimensionalidade (dimensões além do tempo e espaço
convencionais).
Rogers propõe que a saúde não é ausência de doença, mas um processo contínuo de
bem-estar. O enfermeiro age para facilitar esse processo, usando intervenções não
invasivas, presença terapêutica e comunicação intuitiva, promovendo equilíbrio e bem-
estar.
Exemplo: Em cuidados paliativos, o enfermeiro pode utilizar aromaterapia, música,
toque terapêutico e escuta ativa para favorecer o conforto e a harmonia do paciente
com o ambiente e consigo mesmo, mesmo diante da progressão da doença.
Teoria da Ciência dos Seres Humanos
Unitários – Martha Rogers – 1970
Teoria do autocuidado - Dorothea orem - 1971
Conceito: A teoria do autocuidado de Dorothea Orem se baseia em três aspectos principais: (1)
autocuidado, que é a capacidade do indivíduo de realizar atividades necessárias para a
manutenção de sua vida, saúde e bem-estar; (2) atividade de autocuidado, que reflete a
habilidade do paciente em aplicar o autocuidado em sua vida diária; e (3) exigência terapêutica
de autocuidado, que abrange a totalidade das ações de autocuidado que são necessárias, mas
não realizadas devido a limitações do paciente. Quando ocorre um déficit de autocuidado, a
atuação do enfermeiro se torna fundamental.
A teoria também é estruturada em três sistemas, sendo o compensatório o mais relevante, onde o
enfermeiro precisa atuar para suprir esse déficit e garantir que o paciente mantenha ou recupere
sua autonomia. A enfermagem no modelo de Orem busca promover a saúde do paciente,
apoiando-o na realização das atividades necessárias para seu bem-estar, conforme as
necessidades de autocuidado.
Exemplo: No caso de pacientes com COVID-19, o déficit de autocuidado pode ser total ou parcial,
especialmente em pacientes entubados. O enfermeiro atua de forma integral, realizando cuidados
como higienização, mudança de decúbito, administração de alimentação e medicamentos, além
de proporcionar suporte psicológico e educacional durante a reabilitação. Esse apoio contínuo
reflete a importância do autocuidado, que consiste em atividades realizadas pelo indivíduo para
manter sua saúde e bem-estar, sendo muitas vezes auxiliadas pelo enfermeiro.
Teoria do alcance de metas - Imogene M. King - 1971
Conceito: A teoria do alcance de metas de Imogene King tem como foco principal a prevenção de
doenças e o cuidado centrado na interação entre enfermeiro e paciente. O ser humano é visto
como formado por três sistemas interativos: pessoal, interpessoal e social, e o cuidado de
enfermagem deve ocorrer nesses níveis, indo além do atendimento individual.
A teoria destaca que o cuidar envolve comunicação, estabelecimento de metas e tomada de
decisões compartilhadas, sendo essencial que o enfermeiro compreenda como o paciente se
percebe física e emocionalmente para que juntos estabeleçam metas intencionais e alcançáveis. A
interação é baseada em percepções, julgamentos e ações entre enfermeiro e paciente,
promovendo um cuidado planejado, com foco na recuperação e na promoção da saúde,
considerando o ser humano em sua totalidade.
Exemplo: Em pacientes internados em unidades de terapia intensiva com quadros graves, o
enfermeiro estabelece, junto ao paciente e à família, metas terapêuticas claras. Utilizando
diferentes formas de comunicação, como conversas presenciais, celulares ou tablets, o profissional
identifica as queixas, medos e limitações do paciente. A partir dessa transação comunicativa,
organiza o cuidado de forma personalizada, respeitando o tempo, espaço e realidade de cada
indivíduo. Assim, o processo de enfermagem se torna mais eficaz, pois está fundamentado na
escuta, na negociação e na construção conjunta de objetivos de cuidado, promovendo um
atendimento mais humano e integral.
Conceito: Jean Watson propõe que a essência da enfermagem está no cuidado humano.
Sua teoria é centrada na relação enfermeiro-paciente como um encontro profundo e
significativo, onde há troca emocional, espiritual e energética.
Watson descreve 10 fatores de cuidado que guiam a prática do enfermeiro, como: formação
de um sistema de valores humanísticos, promoção da fé e da esperança, desenvolvimento de
sensibilidade para consigo e para com os outros, relação de ajuda e confiança, promoção
da expressão emocional, entre outros.
A teoria valoriza o cuidado além do físico, buscando atingir as dimensões emocional,
espiritual e existencial do paciente. O enfermeiro deve estar presente de forma autêntica,
com empatia e escuta ativa, estabelecendo uma relação transpessoal, ou seja, que
transcende o corpo e alcança a essência do ser.
Exemplo: Em pacientes em tratamento oncológico, o enfermeiro atua acolhendo os medos e
angústias, sendo um suporte emocional contínuo. A escuta, o toque terapêutico, as palavras
de incentivo e o respeito à espiritualidade do paciente fazem parte do cuidado que
promove bem-estar e dignidade, mesmo em situações de dor ou finitude.
Teoria do Cuidado Transpessoal – Jean
Watson – 1979
Teoria das necessidades humanas básicas -
Wanda Horta - 1979
Conceito: A teoria de Wanda Horta foi um marco para a enfermagem brasileira, sendo responsável pelo
desenvolvimento da primeira geração do Processo de Enfermagem (PE) no país. Baseada na Teoria das
Necessidades Humanas Básicas (NHB), inspirada na hierarquia de Maslow, a proposta de Wanda reforça um
cuidado amplo, humanizado e sistematizado, posicionando a enfermagem como ciência, arte e profissão.
Ela fundamenta sua teoria em leis gerais como a do equilíbrio, da adaptação e do holismo, e apresenta os
conceitos centrais de ser humano, saúde/doença, ambiente, necessidades humanas básicas, assistir e cuidar em
enfermagem. Wanda classifica essas necessidades em três dimensões:
Psicobiológica (fome, sono, oxigenação, higiene)
Psicossocial (afetividade, comunicação, segurança)
Psicoespiritual (valores, crenças, sentido da vida)
A relação entre enfermagem, ser humano e meio ambiente é central em sua proposta. A
enfermagem, para Wanda, deve atuar de forma científica, integrada à equipe de saúde,
utilizando o Processo de Enfermagem como método para prestar assistência eficaz,
individualizada e centrada na totalidade do ser humano.
Exemplo: Em um paciente internado com múltiplas comorbidades, o enfermeiro utiliza o PE
para identificar suas necessidades psicobiológicas (como dor e nutrição), psicossociais
(ansiedade, isolamento) e psicoespirituais (fé e propósito). Com base nessa avaliação, elabora
um plano de cuidado que respeita a singularidade do paciente, promovendo um atendimento
integral, conforme proposto por Wanda Horta.
Teoria das necessidades humanas básicas -
Wanda Horta - 1979
HORA DE...

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  • 1.
    TEORIAS DE ENFERMAGEM Prof.Enf. Vivianne Lima
  • 2.
    O que éuma teoria de enfermagem? Uma teoria de enfermagem é um conjunto de ideias, conceitos e definições formulados para explicar fenômenos relacionados ao cuidado e à prática profissional. Ela permite compreender situações, prever resultados e orientar ações com base em fundamentos científicos. No contexto da enfermagem, as teorias buscam explicar aspectos do cuidar em suas diferentes dimensões — físicas, emocionais, sociais e espirituais — oferecendo perspectivas sobre o paciente, o ambiente, a saúde e o papel do enfermeiro. A aplicação das teorias na prática fortalece o conhecimento científico da profissão, estimula o pensamento crítico e reflexivo, e contribui para uma assistência mais organizada, eficaz e humanizada. Assim, a teoria não apenas complementa as habilidades práticas, mas qualifica e valoriza o cuidado, promovendo melhorias contínuas na formação e na atuação dos profissionais de enfermagem.
  • 3.
    Teorias de enfermageme metaparadigmas: conexões para o cuidado integral Os metaparadigmas representam os conceitos centrais que estruturam o pensamento e as teorias da enfermagem. Eles fornecem a base para o desenvolvimento do conhecimento, da prática e da pesquisa na área. São quatro os principais metaparadigmas da enfermagem: 1. Pessoa Refere-se ao indivíduo que recebe o cuidado de enfermagem. Este conceito engloba não apenas o ser humano individual, mas também sua família, comunidade e coletividade. A pessoa deve ser compreendida em sua totalidade, considerando os aspectos físicos, emocionais, sociais, espirituais e culturais — não apenas a doença ou condição que apresenta. 2. Saúde Saúde é entendida como a capacidade do indivíduo de funcionar de forma independente, adaptando-se de maneira satisfatória aos desafios da vida. Vai além da ausência de doença, incorporando o bem-estar físico, mental e social. Alguns teóricos sugerem que a terminologia mais adequada seria “qualidade de vida”, por considerar a saúde em um sentido mais amplo e humanizado.
  • 4.
    3. Ambiente Inclui todosos fatores internos e externos que influenciam a pessoa. O ambiente externo refere-se ao contexto físico, social e cultural onde o indivíduo vive (como a casa, a comunidade, o clima, etc.). O ambiente interno diz respeito aos aspectos fisiológicos, psicológicos e espirituais da própria pessoa. Esses elementos têm impacto direto na saúde e no cuidado de enfermagem. 4. Enfermagem É a ciência e a arte de cuidar do ser humano em todas as fases da vida e em diferentes estados de saúde. A enfermagem utiliza saberes científicos, técnicos e humanos para promover, manter e recuperar a saúde, com o objetivo de reintegrar a pessoa ao seu ambiente de forma saudável e funcional. Esse metaparadigma integra os demais, pois coloca em prática o cuidado centrado na pessoa, com atenção à sua saúde e ao seu ambiente.
  • 5.
    Teoria ambientalista -Florence Nightingale - 1859 Conceito: A teoria de Florence Nightingale destaca as condições e interferências do ambiente que impactam a vida e o funcionamento do organismo. Essas condições podem favorecer a recuperação da saúde ou, ao contrário, contribuir para o adoecimento e até a morte. Segundo Macedo (2008), Florence identificou, em suas anotações, diversos elementos ambientais que devem ser ajustados e controlados para promover a cura, como: ar puro, luz natural, limpeza, aquecimento adequado, silêncio, intervenções no tempo certo e alimentação equilibrada. Na atualidade, os princípios da teoria ainda se aplicam. A enfermagem deve garantir um ambiente arejado, livre de ruídos, com água potável, esgotamento sanitário eficiente e boa oferta nutricional — aspectos fundamentais para o bem-estar físico, psíquico e sociocultural dos pacientes. Exemplo: Pacientes com COVID-19 e síndrome respiratória aguda grave internados em UTIs enfrentam estressores ambientais constantes, como ruídos de monitores, excesso de luz, procedimentos invasivos frequentes (cateteres, punções, coletas), dor contínua e desconforto. A teoria de Florence orienta a criação de ambientes terapêuticos, minimizando esses fatores e contribuindo para a recuperação. Inclusive, influenciou mudanças na estrutura e organização hospitalar em sua época — legado que permanece relevante até hoje.
  • 6.
    Teoria do relacionamentointerpessoal - Hildegard Peplau - 1952 Conceito: A teoria de Hildegard Peplau, baseada no modelo psicodinâmico, enfatiza a importância da relação enfermeiro-paciente como um processo terapêutico e interpessoal. Ela propôs que cada interação terapêutica contribui tanto para o desenvolvimento profissional do enfermeiro quanto para o crescimento pessoal do paciente. A teoria envolve quatro estágios: orientação, identificação, exploração e resolução, que ajudam o paciente a identificar suas dificuldades, explorar soluções e alcançar a resolução de seus problemas. A saúde é vista como um equilíbrio entre as demandas fisiológicas e as interações psicossociais. Exemplo: Em um paciente com transtorno de ansiedade, o enfermeiro inicia o processo terapêutico ouvindo e criando confiança (orientação), ajuda o paciente a identificar os gatilhos da ansiedade (identificação), oferece estratégias para lidar com ela (exploração) e, por fim, auxilia o paciente a aplicar essas estratégias e alcançar o controle sobre os sintomas (resolução).
  • 7.
    Teoria das 14necessidades básicas - Virginia Henderson - 1955 Conceito: A teoria das necessidades fundamentais de Virginia Henderson foca no cuidado integral do indivíduo, considerando as necessidades humanas básicas para a manutenção da saúde, recuperação de ferimentos ou uma morte pacífica. Henderson enfatiza o papel do enfermeiro em ajudar o paciente a alcançar a independência, destacando a importância do cuidado individualizado. A teoria é baseada em quatro categorias de necessidades: psicológicas, fisiológicas, sociais e espirituais, sendo responsabilidade do enfermeiro apoiar o paciente em todas essas áreas, promovendo seu bem-estar e autonomia. Exemplo: No cuidado de um paciente em pós-operatório, o enfermeiro se concentra em atender às suas necessidades fisiológicas, como alimentação e higiene, além de apoiar sua recuperação emocional, garantindo que o paciente se sinta confortável e informado, promovendo sua independência e qualidade de vida.
  • 8.
    Respirar normalmente 1. Comer ebeber adequadamente 2. Eliminar resíduos orgânicos 3. Movimentar-se e manter posturas desejáveis 4. Dormir e descansar 5. Selecionar roupas adequadas – vestir-se e despir-se 6. Manter a temperatura corporal dentro da variação normal, adaptando a roupa e modificando o ambiente 7. Manter o corpo limpo e bem arrumado, proteger a pele 8. Evitar os perigos ambientais e evitar ferir os outros 9. Comunicar-se com os outros, expressando emoções, necessidades, medos ou opiniões 10. Adorar de acordo com a própria fé 11. Trabalhar de forma a ter uma sensação de realização 12. Participar de variadas formas de recreação 13. Aprender, descobrir e satisfazer a curiosidade que leva ao desenvolvimento e à saúde, usando os serviços de saúde disponíveis. 14. A teoria das necessidades fundamentais de Virginia Henderson identifica 14 necessidades humanas essenciais para a manutenção da saúde e bem-estar do paciente. O enfermeiro deve apoiar o paciente na satisfação dessas necessidades para que ele consiga viver de forma independente. As 14 necessidades são:
  • 9.
    Conceito: Essa teoriavê o ser humano como um sistema adaptativo que responde a estímulos internos e externos. A função da enfermagem, segundo Roy, é promover a adaptação positiva do indivíduo às mudanças do ambiente. Callista Roy organizou sua teoria em quatro modos de adaptação: fisiológico, autoconceito, função do papel e interdependência. A pessoa está constantemente tentando se adaptar ao ambiente para manter sua integridade e saúde. A enfermagem deve avaliar os estímulos recebidos pelo paciente e ajudar a desenvolver respostas adaptativas eficazes. O enfermeiro atua promovendo equilíbrio físico e emocional, buscando compreender como o paciente lida com as adversidades, oferecendo apoio individualizado. Exemplo: Em pacientes submetidos a cirurgias de grande porte, o enfermeiro atua para ajudar na adaptação física (dor, mobilidade), emocional (ansiedade, medo), no papel social (mudanças na rotina, trabalho) e nas relações (apoio da família), favorecendo a recuperação integral do paciente. Teoria da Adaptação – Callista Roy – 1970
  • 10.
    Conceito: Martha Rogersapresenta o ser humano como um todo indivisível, com campos de energia em constante interação com o ambiente. A enfermagem deve promover a harmonia desses campos energéticos, valorizando o ser humano de forma integral. Sua teoria baseia-se em princípios como: a unidade do ser humano, padrões únicos, abertura ao ambiente, e a pandimensionalidade (dimensões além do tempo e espaço convencionais). Rogers propõe que a saúde não é ausência de doença, mas um processo contínuo de bem-estar. O enfermeiro age para facilitar esse processo, usando intervenções não invasivas, presença terapêutica e comunicação intuitiva, promovendo equilíbrio e bem- estar. Exemplo: Em cuidados paliativos, o enfermeiro pode utilizar aromaterapia, música, toque terapêutico e escuta ativa para favorecer o conforto e a harmonia do paciente com o ambiente e consigo mesmo, mesmo diante da progressão da doença. Teoria da Ciência dos Seres Humanos Unitários – Martha Rogers – 1970
  • 11.
    Teoria do autocuidado- Dorothea orem - 1971 Conceito: A teoria do autocuidado de Dorothea Orem se baseia em três aspectos principais: (1) autocuidado, que é a capacidade do indivíduo de realizar atividades necessárias para a manutenção de sua vida, saúde e bem-estar; (2) atividade de autocuidado, que reflete a habilidade do paciente em aplicar o autocuidado em sua vida diária; e (3) exigência terapêutica de autocuidado, que abrange a totalidade das ações de autocuidado que são necessárias, mas não realizadas devido a limitações do paciente. Quando ocorre um déficit de autocuidado, a atuação do enfermeiro se torna fundamental. A teoria também é estruturada em três sistemas, sendo o compensatório o mais relevante, onde o enfermeiro precisa atuar para suprir esse déficit e garantir que o paciente mantenha ou recupere sua autonomia. A enfermagem no modelo de Orem busca promover a saúde do paciente, apoiando-o na realização das atividades necessárias para seu bem-estar, conforme as necessidades de autocuidado. Exemplo: No caso de pacientes com COVID-19, o déficit de autocuidado pode ser total ou parcial, especialmente em pacientes entubados. O enfermeiro atua de forma integral, realizando cuidados como higienização, mudança de decúbito, administração de alimentação e medicamentos, além de proporcionar suporte psicológico e educacional durante a reabilitação. Esse apoio contínuo reflete a importância do autocuidado, que consiste em atividades realizadas pelo indivíduo para manter sua saúde e bem-estar, sendo muitas vezes auxiliadas pelo enfermeiro.
  • 12.
    Teoria do alcancede metas - Imogene M. King - 1971 Conceito: A teoria do alcance de metas de Imogene King tem como foco principal a prevenção de doenças e o cuidado centrado na interação entre enfermeiro e paciente. O ser humano é visto como formado por três sistemas interativos: pessoal, interpessoal e social, e o cuidado de enfermagem deve ocorrer nesses níveis, indo além do atendimento individual. A teoria destaca que o cuidar envolve comunicação, estabelecimento de metas e tomada de decisões compartilhadas, sendo essencial que o enfermeiro compreenda como o paciente se percebe física e emocionalmente para que juntos estabeleçam metas intencionais e alcançáveis. A interação é baseada em percepções, julgamentos e ações entre enfermeiro e paciente, promovendo um cuidado planejado, com foco na recuperação e na promoção da saúde, considerando o ser humano em sua totalidade. Exemplo: Em pacientes internados em unidades de terapia intensiva com quadros graves, o enfermeiro estabelece, junto ao paciente e à família, metas terapêuticas claras. Utilizando diferentes formas de comunicação, como conversas presenciais, celulares ou tablets, o profissional identifica as queixas, medos e limitações do paciente. A partir dessa transação comunicativa, organiza o cuidado de forma personalizada, respeitando o tempo, espaço e realidade de cada indivíduo. Assim, o processo de enfermagem se torna mais eficaz, pois está fundamentado na escuta, na negociação e na construção conjunta de objetivos de cuidado, promovendo um atendimento mais humano e integral.
  • 13.
    Conceito: Jean Watsonpropõe que a essência da enfermagem está no cuidado humano. Sua teoria é centrada na relação enfermeiro-paciente como um encontro profundo e significativo, onde há troca emocional, espiritual e energética. Watson descreve 10 fatores de cuidado que guiam a prática do enfermeiro, como: formação de um sistema de valores humanísticos, promoção da fé e da esperança, desenvolvimento de sensibilidade para consigo e para com os outros, relação de ajuda e confiança, promoção da expressão emocional, entre outros. A teoria valoriza o cuidado além do físico, buscando atingir as dimensões emocional, espiritual e existencial do paciente. O enfermeiro deve estar presente de forma autêntica, com empatia e escuta ativa, estabelecendo uma relação transpessoal, ou seja, que transcende o corpo e alcança a essência do ser. Exemplo: Em pacientes em tratamento oncológico, o enfermeiro atua acolhendo os medos e angústias, sendo um suporte emocional contínuo. A escuta, o toque terapêutico, as palavras de incentivo e o respeito à espiritualidade do paciente fazem parte do cuidado que promove bem-estar e dignidade, mesmo em situações de dor ou finitude. Teoria do Cuidado Transpessoal – Jean Watson – 1979
  • 14.
    Teoria das necessidadeshumanas básicas - Wanda Horta - 1979 Conceito: A teoria de Wanda Horta foi um marco para a enfermagem brasileira, sendo responsável pelo desenvolvimento da primeira geração do Processo de Enfermagem (PE) no país. Baseada na Teoria das Necessidades Humanas Básicas (NHB), inspirada na hierarquia de Maslow, a proposta de Wanda reforça um cuidado amplo, humanizado e sistematizado, posicionando a enfermagem como ciência, arte e profissão. Ela fundamenta sua teoria em leis gerais como a do equilíbrio, da adaptação e do holismo, e apresenta os conceitos centrais de ser humano, saúde/doença, ambiente, necessidades humanas básicas, assistir e cuidar em enfermagem. Wanda classifica essas necessidades em três dimensões: Psicobiológica (fome, sono, oxigenação, higiene) Psicossocial (afetividade, comunicação, segurança) Psicoespiritual (valores, crenças, sentido da vida)
  • 15.
    A relação entreenfermagem, ser humano e meio ambiente é central em sua proposta. A enfermagem, para Wanda, deve atuar de forma científica, integrada à equipe de saúde, utilizando o Processo de Enfermagem como método para prestar assistência eficaz, individualizada e centrada na totalidade do ser humano. Exemplo: Em um paciente internado com múltiplas comorbidades, o enfermeiro utiliza o PE para identificar suas necessidades psicobiológicas (como dor e nutrição), psicossociais (ansiedade, isolamento) e psicoespirituais (fé e propósito). Com base nessa avaliação, elabora um plano de cuidado que respeita a singularidade do paciente, promovendo um atendimento integral, conforme proposto por Wanda Horta. Teoria das necessidades humanas básicas - Wanda Horta - 1979
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