PIAGET, VYGOTSKY e WALLON
PROF. GILSON OLIVEIRA
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
PIAGET, VYGOTSKY e WALLON
01 02 03
JEAN PIAGET
1896 -1980
LEV VYGOSTKY
1896-1934
HENRI WALLON
1879-1962
São o tripé das teorias que ajudam professores e pesquisadores a
compreender a inteligência, o aprendizado e o desenvolvimento.
PRINCIPAIS CONCEITOS
WALLON
Introdução à obra de Wallon
Estudioso que se dedicou ao ENTENDIMENTO DO PSIQUISMO HUMANO, seus
mecanismos e relações mútuas, a partir de uma perspectiva genética.
Manteve INTERLOCUÇÃO com as teorias de PIAGET e FREUD
Wallon dedicou seus estudos a gênese da pessoa e Piaget a gênese da
inteligência.
Foi um dos pioneiros a relacionar a hierarquização do sistema nervoso central com
a questão da inteligência
Introdução à obra de Wallon
A atividade da criança começa por ser elementar e é essencialmente caracterizada
por um conjunto de gestos com significados filogenéticos de sobrevivência..
Entre o indivíduo e o meio há uma unidade indivisível
Antes da aquisição da linguagem, a motricidade, é pois, a característica existencial
e essencial da criança
A sociedade é para o homem uma “necessidade orgânica” que determina o seu
desenvolvimento e por tanto a sua inteligência.
A função da motricidade
A motricidade ocupa lugar especial na teoria de Wallon.
É a resposta preferencial e prioritária às suas necessidades básicas e aos seus
estados e básicos e aos seus estados emocionais e relacionais
A motricidade é simultaneamente e sequencialmente, a primeira estrutura de
relação e correlação com o meio, com os outros prioritariamente, e com os objetos
posteriormente.
A motricidade na criança é, por isso, já nesta fase tão precoce, a expressão do seu
psiquismo prospectivo.
A função da motricidade
É a primeira forma de expressão emocional do comportamento
Pela motricidade, a criança exprime as suas necessidades neurovegetativas de
bem estar ou mal estar, que contem em si uma dimensão afetiva e interativa que se
traduz em uma comunicação somática não-verbal.
A motricidade contem uma dimensão psíquica, e é um deslocamento no espaço de
uma totalidade motora, afetiva e cognitiva.
A abordagem de Henri Wallon
A gênese da inteligência para Wallon é genética e organicamente social , nesse
sentido, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese
da pessoa completa.
Henri Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimento
humano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança.
Para Wallon a passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente,
por ampliação, mas por reformulação, instalando-se no momento da passagem
de uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.
A abordagem de Henri Wallon
O ponto central da sua teoria é a PSICOGÊNESE.
O papel do outro na construção do conhecimento é indiscutível.
O movimento e a brincadeira são imprescindíveis para o desenvolvimento da
criança.
A emoção ocupa um lugar privilegiado no desenvolvimento do sujeito, em
especial da criança.
A abordagem de Henri Wallon
O desenvolvimento cognitivo e afetivo se dá em estágios de maneira
descontínua.
Todos os âmbitos educativos devem integrar as dimensões:cognitiva, afetiva
e motora.
Para Wallon o eixo principal do processo de desenvolvimento é uma
integração em dois sentidos, integração organismo-meio e integração
cognitiva-afetiva-motora.
Integração organismo-meio
Para Wallon, o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do
potencial genético, típico da espécie, e uma grande variedade de fatores
ambientais. O foco de sua teoria é a interação da criança com o meio, uma
relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais
A realização do potencial herdado geneticamente por um indivíduo vai depender
das condições do meio, que podem modificar as manifestações das determinações
genotípicas
Integração organismo-meio
“A constituição biológica da criança, ao nascer, não será a
única lei de seu destino posterior. Seus efeitos podem ser
amplamente transformados pelas circunstâncias de sua
existência, da qual não se exclui sua possibilidade de
escolha pessoal (...). Os meios em que vive a criança e
aqueles com que ela sonha constituem a “forma” que
amolda sua pessoa. Não se trata de uma marca aceita
passivamente”.
(Wallon, 1975)
Integração afetiva-cognitiva-motora
“Os domínios funcionais entre os quais
se dividirão o estudo das etapas que a
criança percorre serão (...) os da
AFETIVIDADE, do ATO
MOTOR, do
CONHECIMENTO e da
PESSOA”.
(Wallon, 1995, p. 135)
Integração afetiva-cognitiva-motora
“Os domínios funcionais entre os quais se
dividirão o estudo das etapas que a criança
percorre serão (...) os da afetividade, do
ato motor, do conhecimento e da
pessoa”.
(Wallon, 1995, p. 135)
Domínios Funcionais
O conjunto AFETIVO oferece as funções responsáveis pelas emoções, pelos
sentimentos e pela paixão
O conjunto ATO MOTOR oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no
tempo e no espaço, as reações posturais que garantem o equilíbrio corporal, bem
como o apoio tônico para as emoções e os sentimentos se expressarem
O conjunto COGNITIVO oferece funções que permitem a aquisição e a
manutenção do conhecimento por meio de imagens, noções, ideias e
representações. É ele que permite registrar, fixar e analisar o presente e projetar
futuros possível e imagináveis
Domínios Funcionais
O conjunto AFETIVO oferece as funções responsáveis pelas emoções, pelos
sentimentos e pela paixão
O conjunto ATO MOTOR oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no
tempo e no espaço, as reações posturais que garantem o equilíbrio corporal, bem
como o apoio tônico para as emoções e os sentimentos se expressarem
O conjunto COGNITIVO oferece funções que permitem a aquisição e a
manutenção do conhecimento por meio de imagens, noções, ideias e
representações. É ele que permite registrar, fixar e analisar o presente e projetar
futuros possível e imagináveis
Conjunto funcional que
expressa a integração em todas
as suas inúmeras
possibilidades
PESSOA
do desenvolvimento
ESTÁGIOS
HUMANO
Estágios do Desenvolvimento
Humano
Impulsivo-emocional - Que ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade
orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais intermediam sua relação com o
mundo físico
Sensório-motor e projetivo - Vai até os três anos. A aquisição da marcha e da prensão, dão
à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dos espaços. Também,
nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem.
O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos
gestos para se exteriorizar. O ato mental "projeta-se" em atos motores.
Como diz Dantas (1992), para Wallon, o ato mental se desenvolve a partir
do ato motor;
Estágios do Desenvolvimento
Humano
Personalismo - Ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a construção da
consciência de si mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas
pessoas;
Categorial - Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o
conhecimento e conquista do mundo exterior;
Predominância funcional - Ocorre nova definição dos contornos da personalidade,
desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões
pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.
ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO
Wallon admite, a existência de três leis que regulam o processo de
desenvolvimento da criança em direção ao adulto:
A lei da alternância funcional,
A lei da preponderância funcional
E a lei da integração funcional
ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO
Wallon propõe uma série de estágios do desenvolvimento cognitivo. Porém ele não acredita
que os estágios de desenvolvimento formem uma sequência linear e fixa, ou que um estágio
suprima o outro. Para Wallon, o estágio posterior amplia e reforma os anteriores.
O desenvolvimento não seria, um fenômeno suave e contínuo; pelo contrário, o
desenvolvimento seria permeado de conflitos internos e externos. É natural que, no
desenvolvimento, ocorram rupturas, retrocessos e reviravoltas. Os conflitos, mesmo os que
resultem em retorno a estágios anteriores, são fenômenos geradores de evolução.
A mudança de cada estágio se caracteriza um tipo diferenciado de comportamento, uma
atividade predominante que será substituída no estágio seguinte, além de conferir ao ser
humano novas formas de pensamento, de interação social e de emoções que irão direcionar-
se, ora para a construção do próprio sujeito, ora para a construção da realidade exterior
Estágio impulsivo-emocional
(Recém nascido)
É um estágio predominantemente
afetivo, onde as emoções são o
principal instrumento de interação com
o meio. A relação com o ambiente
desenvolve, na criança, sentimentos
intraceptivos e fatores afetivos.
Estágio tônico-emocional
(6 meses aos 12 meses)
O movimento, como campo funcional,
ainda não está desenvolvido, a criança
não possui perícia motora. Os
movimentos infantis são um tanto quanto
desorientados, mas a contínua resposta
do ambiente ao movimento infantil
permite que a criança passe da desordem
gestual às emoções diferenciadas.
Estágio impulsivo-emocional
(nascimento até o primeiro ano de vida)
Predominantemente motora e voltada ao meio: os atos da criança têm o objetivo
de chamar a atenção do adulto por meio de gestos, gritos e expressões, para
que ele satisfaça as suas necessidades e garanta assim a sua sobrevivência.
Nesse estágio a criança não possui coordenação motora muito bem
desenvolvida, os movimentos são bem desorientados. Entretanto, logo o
ambiente facilita para que a mesma desenvolva suas habilidades funcionais,
passando da desordem gestual às emoções diferenciadas.
Estágio sensório-motor
(12 meses aos 24 meses)
Dos três meses de idade até aproximadamente o terceiro ano de vida. É uma fase onde a
inteligência predomina e o mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos
A inteligência, nesse período, é tradicionalmente particionada entre inteligência prática, obtida
pela interação de objetos com o próprio corpo, e inteligência discursiva, adquirida pela imitação
e apropriação da linguagem.
Estágio sensório-motor e projetivo
(um ano até aproximadamente três anos)
É uma fase onde a inteligência e o mundo externo prevalecem nos fenômenos cognitivos. A
inteligência, nesse período, é tradicionalmente dividida entre inteligência prática, obtida pela
interação de objetos com o próprio corpo, e inteligência discursiva, adquirida pela imitação e
apropriação da linguagem. Os pensamentos, nesse estágio, muito comumente se projetam em
atos motores.
A criança aprende a conhecer os outros como pessoas em oposição à sua própria existência. .
Estágio projetivo
(2 aos 3 anos)
Os pensamentos, muito comumente se projetam em atos motores.
A partir deste estágio a criança é capaz de dar significado ao símbolo e ao signo.
Surge quando o movimento deixa de se relacionar exclusivamente com a percepção e
manipulação de objetos. A expressão gestual e oral é caracterizada pelo pensamento como
representação das imagens mentais por meio de ações, cedendo lugar à representação, que
independe do movimento. A atividade projetiva produz representação e se opõe a ela,
permitindo que a criança avance em relação ao pensamento presente e imediato
Wallon dá grande importância ao simulacro e á imitação que considera imprescindíveis para
novas aprendizagens
Estágio do Personalismo
(três aos seis anos de idade, aproximadamente)
Predominância do conjunto afetivo
Nessa idade, a criança costuma ingressar na escola maternal, inserindo-se numa
comunidade de crianças semelhantes a ela, onde as relações serão diferentes
das relações familiares.
O estágio do personalismo é marcado pela formação dos aspectos pessoais da
criança, ou seja, da sua personalidade e da autoconsciência. A criança tende a
apresentar a “crise negativista”: a criança acaba por se opor sistematicamente ao
adulto
Estágio do personalismo (3 aos 4 anos)
Ao estágio sensório-motor e projetivo sucede um
momento com predominância afetiva sobre o indivíduo: o
estágio do personalismo. Este estágio, que se
estende aproximadamente dos três aos seis anos de
idade, é um período crucial para a formação
da personalidade do indivíduo e da autoconsciência.
Uma consequência do caráter auto afirmativo deste
estágio é a crise negativista: a criança opõe-se
sistematicamente ao adulto. Por outro lado, também se
verifica uma fase de imitação motora e social.
Estágio Categorial (seis aos doze anos)
Há exaltação da inteligência sobre as emoções. Segundo Wallon, a criança
desenvolve suas capacidades de memória e atenção voluntária e "seletiva“. A
criança começa a abstrair conceitos concretos e começa o processo de
categorização mental onde a criança tem um salto em seu desenvolvimento
humano.
Vivenciar a necessidade de se perceber como indivíduo, e, ao mesmo tempo, de
medir sua força em relação ao grupo social a que pertence, faz desta fase um
período crítico do processo de socialização.
Estágio Categorial (seis aos doze anos)
O estágio do personalismo é sucedido por um período de acentuada
predominância da inteligência sobre as emoções. Neste estágio, a criança
começa a desenvolver as capacidades de memória e atenção voluntárias. Este
estágio geralmente manifesta-se entre os seis e os onze anos de idade.
Se formam as categorias mentais: conceitos abstratos que abarcam
vários conceitos concretos sem se prender a nenhum deles.
No estágio categorial, o poder de abstração da criança é consideravelmente
amplificado. Provavelmente por isto mesmo, é nesse estágio que o raciocínio
simbólico se consolida como ferramenta cognitiva.
Estágio da adolescência - (a partir dos 11 anos)
A criança começa a passar pelas transformações físicas e psicológicas
da adolescência. É um estágio caracterizadamente afetivo, onde passa por uma
série de conflitos internos e externos. Os grandes marcos desse estágio são a
busca de autoafirmação e o desenvolvimento da sexualidade.
Os estágios de desenvolvimento não se encerram com a adolescência, o
processo de aprendizagem sempre implica na passagem por um novo estágio
Estágio da adolescência - (a partir dos 11 anos)
A criança passa por transformações físicas e psicológicas por conta da
superexcitarão de seu sistema endócrino - que agora passa por uma nova fase.
Se no Estágio Impulsivo-Emocional a criança era regida por emoções
desorientadas, aqui o adolescente passa a desenvolver sua afetividade de
forma mais ampla da qual a busca da autoafirmação e desenvolvimento sexual
marcam esse estágio.
Na adolescência torna-se bastante visível a forma como o meio social condiciona
a existência da pessoa, configurando-se a personalidade de maneiras diversas.
E o adulto?
Nessa fase, a pessoa se reconhece como um ser único: eu sei quem eu sou
Com maior clareza de si, o adulto está livre e com mais energia para voltar-se ao outro,
para fora de si
Ou seja, conhece suas potencialidades, limitações, pontos fortes, motivações, valores e
sentimentos, o que cria a possibilidade de escolhas mais adequadas nas diferentes
situações da vida
Ser adulto significa desenvolver consciência moral: reconhecer a assumir seus valores
e agir de acordo com eles;
Indicativo de maturidade: equilíbrio entre “estar centrado em si” e “estar centrado no
outro”
IMPORTÂNCIA DA TEORIA DE WALLON PARA A
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
A compreensão dos estágios oferece elementos para tornar o processo educativo mais
produtivo, propiciando ao/à professor/a pontos de referência para orientar atividades
adequadas em sala de aula e contribuindo para um desenvolvimento humano mais
integral.
A teoria de desenvolvimento de Henri Wallon é um instrumento que pode ampliar a
compreensão docente sobre as possibilidades do/a estudante no processo ensino-
aprendizagem e fornecer elementos para uma reflexão de como o ensino pode criar
intencionalmente condições para favorecer esse processo, proporcionando a
aprendizagem de novos valores, novos comportamentos e novas ideias.
Aplicando Wallon na Escola
O professor é valorizado também do ponto de vista do conteúdo. Não se deve colocar
como exclusivo detentor do saber e único responsável pela sua transmissão, mas
tampouco abdicar deste papel, submetendo-se indiscriminadamente à espontaneidade
infantil.
Esta concepção valoriza o papel do professor. Como elemento diferenciado, é o
responsável pela unidade do grupo, podendo receber as manifestações das crises
infantis com o distanciamento necessário para não as comprimir nem se submeter a
elas. (...)
Bibliografia
O professor é
Esta concepção

Teoria da Psicogênese da Pessoa Completa.

  • 1.
    PIAGET, VYGOTSKY eWALLON PROF. GILSON OLIVEIRA PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
  • 2.
    PIAGET, VYGOTSKY eWALLON 01 02 03 JEAN PIAGET 1896 -1980 LEV VYGOSTKY 1896-1934 HENRI WALLON 1879-1962 São o tripé das teorias que ajudam professores e pesquisadores a compreender a inteligência, o aprendizado e o desenvolvimento.
  • 3.
  • 4.
    Introdução à obrade Wallon Estudioso que se dedicou ao ENTENDIMENTO DO PSIQUISMO HUMANO, seus mecanismos e relações mútuas, a partir de uma perspectiva genética. Manteve INTERLOCUÇÃO com as teorias de PIAGET e FREUD Wallon dedicou seus estudos a gênese da pessoa e Piaget a gênese da inteligência. Foi um dos pioneiros a relacionar a hierarquização do sistema nervoso central com a questão da inteligência
  • 5.
    Introdução à obrade Wallon A atividade da criança começa por ser elementar e é essencialmente caracterizada por um conjunto de gestos com significados filogenéticos de sobrevivência.. Entre o indivíduo e o meio há uma unidade indivisível Antes da aquisição da linguagem, a motricidade, é pois, a característica existencial e essencial da criança A sociedade é para o homem uma “necessidade orgânica” que determina o seu desenvolvimento e por tanto a sua inteligência.
  • 6.
    A função damotricidade A motricidade ocupa lugar especial na teoria de Wallon. É a resposta preferencial e prioritária às suas necessidades básicas e aos seus estados e básicos e aos seus estados emocionais e relacionais A motricidade é simultaneamente e sequencialmente, a primeira estrutura de relação e correlação com o meio, com os outros prioritariamente, e com os objetos posteriormente. A motricidade na criança é, por isso, já nesta fase tão precoce, a expressão do seu psiquismo prospectivo.
  • 7.
    A função damotricidade É a primeira forma de expressão emocional do comportamento Pela motricidade, a criança exprime as suas necessidades neurovegetativas de bem estar ou mal estar, que contem em si uma dimensão afetiva e interativa que se traduz em uma comunicação somática não-verbal. A motricidade contem uma dimensão psíquica, e é um deslocamento no espaço de uma totalidade motora, afetiva e cognitiva.
  • 8.
    A abordagem deHenri Wallon A gênese da inteligência para Wallon é genética e organicamente social , nesse sentido, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese da pessoa completa. Henri Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimento humano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança. Para Wallon a passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente, por ampliação, mas por reformulação, instalando-se no momento da passagem de uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.
  • 9.
    A abordagem deHenri Wallon O ponto central da sua teoria é a PSICOGÊNESE. O papel do outro na construção do conhecimento é indiscutível. O movimento e a brincadeira são imprescindíveis para o desenvolvimento da criança. A emoção ocupa um lugar privilegiado no desenvolvimento do sujeito, em especial da criança.
  • 10.
    A abordagem deHenri Wallon O desenvolvimento cognitivo e afetivo se dá em estágios de maneira descontínua. Todos os âmbitos educativos devem integrar as dimensões:cognitiva, afetiva e motora. Para Wallon o eixo principal do processo de desenvolvimento é uma integração em dois sentidos, integração organismo-meio e integração cognitiva-afetiva-motora.
  • 11.
    Integração organismo-meio Para Wallon,o desenvolvimento da pessoa se faz a partir da interação do potencial genético, típico da espécie, e uma grande variedade de fatores ambientais. O foco de sua teoria é a interação da criança com o meio, uma relação complementar entre os fatores orgânicos e socioculturais A realização do potencial herdado geneticamente por um indivíduo vai depender das condições do meio, que podem modificar as manifestações das determinações genotípicas
  • 12.
    Integração organismo-meio “A constituiçãobiológica da criança, ao nascer, não será a única lei de seu destino posterior. Seus efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias de sua existência, da qual não se exclui sua possibilidade de escolha pessoal (...). Os meios em que vive a criança e aqueles com que ela sonha constituem a “forma” que amolda sua pessoa. Não se trata de uma marca aceita passivamente”. (Wallon, 1975)
  • 13.
    Integração afetiva-cognitiva-motora “Os domíniosfuncionais entre os quais se dividirão o estudo das etapas que a criança percorre serão (...) os da AFETIVIDADE, do ATO MOTOR, do CONHECIMENTO e da PESSOA”. (Wallon, 1995, p. 135)
  • 14.
    Integração afetiva-cognitiva-motora “Os domíniosfuncionais entre os quais se dividirão o estudo das etapas que a criança percorre serão (...) os da afetividade, do ato motor, do conhecimento e da pessoa”. (Wallon, 1995, p. 135)
  • 15.
    Domínios Funcionais O conjuntoAFETIVO oferece as funções responsáveis pelas emoções, pelos sentimentos e pela paixão O conjunto ATO MOTOR oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no tempo e no espaço, as reações posturais que garantem o equilíbrio corporal, bem como o apoio tônico para as emoções e os sentimentos se expressarem O conjunto COGNITIVO oferece funções que permitem a aquisição e a manutenção do conhecimento por meio de imagens, noções, ideias e representações. É ele que permite registrar, fixar e analisar o presente e projetar futuros possível e imagináveis
  • 16.
    Domínios Funcionais O conjuntoAFETIVO oferece as funções responsáveis pelas emoções, pelos sentimentos e pela paixão O conjunto ATO MOTOR oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no tempo e no espaço, as reações posturais que garantem o equilíbrio corporal, bem como o apoio tônico para as emoções e os sentimentos se expressarem O conjunto COGNITIVO oferece funções que permitem a aquisição e a manutenção do conhecimento por meio de imagens, noções, ideias e representações. É ele que permite registrar, fixar e analisar o presente e projetar futuros possível e imagináveis
  • 17.
    Conjunto funcional que expressaa integração em todas as suas inúmeras possibilidades PESSOA
  • 18.
  • 19.
    Estágios do Desenvolvimento Humano Impulsivo-emocional- Que ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico Sensório-motor e projetivo - Vai até os três anos. A aquisição da marcha e da prensão, dão à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dos espaços. Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O ato mental "projeta-se" em atos motores. Como diz Dantas (1992), para Wallon, o ato mental se desenvolve a partir do ato motor;
  • 20.
    Estágios do Desenvolvimento Humano Personalismo- Ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas; Categorial - Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior; Predominância funcional - Ocorre nova definição dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.
  • 21.
    ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO Wallonadmite, a existência de três leis que regulam o processo de desenvolvimento da criança em direção ao adulto: A lei da alternância funcional, A lei da preponderância funcional E a lei da integração funcional
  • 22.
    ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO Wallonpropõe uma série de estágios do desenvolvimento cognitivo. Porém ele não acredita que os estágios de desenvolvimento formem uma sequência linear e fixa, ou que um estágio suprima o outro. Para Wallon, o estágio posterior amplia e reforma os anteriores. O desenvolvimento não seria, um fenômeno suave e contínuo; pelo contrário, o desenvolvimento seria permeado de conflitos internos e externos. É natural que, no desenvolvimento, ocorram rupturas, retrocessos e reviravoltas. Os conflitos, mesmo os que resultem em retorno a estágios anteriores, são fenômenos geradores de evolução. A mudança de cada estágio se caracteriza um tipo diferenciado de comportamento, uma atividade predominante que será substituída no estágio seguinte, além de conferir ao ser humano novas formas de pensamento, de interação social e de emoções que irão direcionar- se, ora para a construção do próprio sujeito, ora para a construção da realidade exterior
  • 23.
    Estágio impulsivo-emocional (Recém nascido) Éum estágio predominantemente afetivo, onde as emoções são o principal instrumento de interação com o meio. A relação com o ambiente desenvolve, na criança, sentimentos intraceptivos e fatores afetivos.
  • 24.
    Estágio tônico-emocional (6 mesesaos 12 meses) O movimento, como campo funcional, ainda não está desenvolvido, a criança não possui perícia motora. Os movimentos infantis são um tanto quanto desorientados, mas a contínua resposta do ambiente ao movimento infantil permite que a criança passe da desordem gestual às emoções diferenciadas.
  • 25.
    Estágio impulsivo-emocional (nascimento atéo primeiro ano de vida) Predominantemente motora e voltada ao meio: os atos da criança têm o objetivo de chamar a atenção do adulto por meio de gestos, gritos e expressões, para que ele satisfaça as suas necessidades e garanta assim a sua sobrevivência. Nesse estágio a criança não possui coordenação motora muito bem desenvolvida, os movimentos são bem desorientados. Entretanto, logo o ambiente facilita para que a mesma desenvolva suas habilidades funcionais, passando da desordem gestual às emoções diferenciadas.
  • 26.
    Estágio sensório-motor (12 mesesaos 24 meses) Dos três meses de idade até aproximadamente o terceiro ano de vida. É uma fase onde a inteligência predomina e o mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos A inteligência, nesse período, é tradicionalmente particionada entre inteligência prática, obtida pela interação de objetos com o próprio corpo, e inteligência discursiva, adquirida pela imitação e apropriação da linguagem.
  • 27.
    Estágio sensório-motor eprojetivo (um ano até aproximadamente três anos) É uma fase onde a inteligência e o mundo externo prevalecem nos fenômenos cognitivos. A inteligência, nesse período, é tradicionalmente dividida entre inteligência prática, obtida pela interação de objetos com o próprio corpo, e inteligência discursiva, adquirida pela imitação e apropriação da linguagem. Os pensamentos, nesse estágio, muito comumente se projetam em atos motores. A criança aprende a conhecer os outros como pessoas em oposição à sua própria existência. .
  • 28.
    Estágio projetivo (2 aos3 anos) Os pensamentos, muito comumente se projetam em atos motores. A partir deste estágio a criança é capaz de dar significado ao símbolo e ao signo. Surge quando o movimento deixa de se relacionar exclusivamente com a percepção e manipulação de objetos. A expressão gestual e oral é caracterizada pelo pensamento como representação das imagens mentais por meio de ações, cedendo lugar à representação, que independe do movimento. A atividade projetiva produz representação e se opõe a ela, permitindo que a criança avance em relação ao pensamento presente e imediato Wallon dá grande importância ao simulacro e á imitação que considera imprescindíveis para novas aprendizagens
  • 29.
    Estágio do Personalismo (trêsaos seis anos de idade, aproximadamente) Predominância do conjunto afetivo Nessa idade, a criança costuma ingressar na escola maternal, inserindo-se numa comunidade de crianças semelhantes a ela, onde as relações serão diferentes das relações familiares. O estágio do personalismo é marcado pela formação dos aspectos pessoais da criança, ou seja, da sua personalidade e da autoconsciência. A criança tende a apresentar a “crise negativista”: a criança acaba por se opor sistematicamente ao adulto
  • 30.
    Estágio do personalismo(3 aos 4 anos) Ao estágio sensório-motor e projetivo sucede um momento com predominância afetiva sobre o indivíduo: o estágio do personalismo. Este estágio, que se estende aproximadamente dos três aos seis anos de idade, é um período crucial para a formação da personalidade do indivíduo e da autoconsciência. Uma consequência do caráter auto afirmativo deste estágio é a crise negativista: a criança opõe-se sistematicamente ao adulto. Por outro lado, também se verifica uma fase de imitação motora e social.
  • 31.
    Estágio Categorial (seisaos doze anos) Há exaltação da inteligência sobre as emoções. Segundo Wallon, a criança desenvolve suas capacidades de memória e atenção voluntária e "seletiva“. A criança começa a abstrair conceitos concretos e começa o processo de categorização mental onde a criança tem um salto em seu desenvolvimento humano. Vivenciar a necessidade de se perceber como indivíduo, e, ao mesmo tempo, de medir sua força em relação ao grupo social a que pertence, faz desta fase um período crítico do processo de socialização.
  • 32.
    Estágio Categorial (seisaos doze anos) O estágio do personalismo é sucedido por um período de acentuada predominância da inteligência sobre as emoções. Neste estágio, a criança começa a desenvolver as capacidades de memória e atenção voluntárias. Este estágio geralmente manifesta-se entre os seis e os onze anos de idade. Se formam as categorias mentais: conceitos abstratos que abarcam vários conceitos concretos sem se prender a nenhum deles. No estágio categorial, o poder de abstração da criança é consideravelmente amplificado. Provavelmente por isto mesmo, é nesse estágio que o raciocínio simbólico se consolida como ferramenta cognitiva.
  • 33.
    Estágio da adolescência- (a partir dos 11 anos) A criança começa a passar pelas transformações físicas e psicológicas da adolescência. É um estágio caracterizadamente afetivo, onde passa por uma série de conflitos internos e externos. Os grandes marcos desse estágio são a busca de autoafirmação e o desenvolvimento da sexualidade. Os estágios de desenvolvimento não se encerram com a adolescência, o processo de aprendizagem sempre implica na passagem por um novo estágio
  • 34.
    Estágio da adolescência- (a partir dos 11 anos) A criança passa por transformações físicas e psicológicas por conta da superexcitarão de seu sistema endócrino - que agora passa por uma nova fase. Se no Estágio Impulsivo-Emocional a criança era regida por emoções desorientadas, aqui o adolescente passa a desenvolver sua afetividade de forma mais ampla da qual a busca da autoafirmação e desenvolvimento sexual marcam esse estágio. Na adolescência torna-se bastante visível a forma como o meio social condiciona a existência da pessoa, configurando-se a personalidade de maneiras diversas.
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    E o adulto? Nessafase, a pessoa se reconhece como um ser único: eu sei quem eu sou Com maior clareza de si, o adulto está livre e com mais energia para voltar-se ao outro, para fora de si Ou seja, conhece suas potencialidades, limitações, pontos fortes, motivações, valores e sentimentos, o que cria a possibilidade de escolhas mais adequadas nas diferentes situações da vida Ser adulto significa desenvolver consciência moral: reconhecer a assumir seus valores e agir de acordo com eles; Indicativo de maturidade: equilíbrio entre “estar centrado em si” e “estar centrado no outro”
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    IMPORTÂNCIA DA TEORIADE WALLON PARA A PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO A compreensão dos estágios oferece elementos para tornar o processo educativo mais produtivo, propiciando ao/à professor/a pontos de referência para orientar atividades adequadas em sala de aula e contribuindo para um desenvolvimento humano mais integral. A teoria de desenvolvimento de Henri Wallon é um instrumento que pode ampliar a compreensão docente sobre as possibilidades do/a estudante no processo ensino- aprendizagem e fornecer elementos para uma reflexão de como o ensino pode criar intencionalmente condições para favorecer esse processo, proporcionando a aprendizagem de novos valores, novos comportamentos e novas ideias.
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    Aplicando Wallon naEscola O professor é valorizado também do ponto de vista do conteúdo. Não se deve colocar como exclusivo detentor do saber e único responsável pela sua transmissão, mas tampouco abdicar deste papel, submetendo-se indiscriminadamente à espontaneidade infantil. Esta concepção valoriza o papel do professor. Como elemento diferenciado, é o responsável pela unidade do grupo, podendo receber as manifestações das crises infantis com o distanciamento necessário para não as comprimir nem se submeter a elas. (...)
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