Teoria Crítica e Direito
(Aula 2)
Mariana Pimentel
marianafisch@gmail.com
Escola Judicial – TRT/PB
Método do Positivismo Jurídico
• Método positivista de análise do direito X direito
positivo
• Método positivista refuta a tese da conexão
entre Direito e Moral:
- O estudo científico do direito, para que seja
objetivo, tem de estar separado de valorações
morais;
- O Problema da legitimidade (justiça) deve ser
discutido, mas não pelo cientista do direito
Positivismo Jurídico
• Estudo científico do direito (identificação do
direito)
a característica fundamental da ciência
consiste na sua avaloratividade, isto é, na
distinção entre juízos de fato e juízos de valor
e na rigorosa exclusão destes últimos do
campo científico: a ciência consiste somente
em juízos de fato (Bobbio)
• Objeto: norma jurídica posta pelo Estado
Kant e Kelsen
MORAL DIREITO
AUTONOMIA HETERONOMIA
JUIZOS CATEGÓRICOS JUIZOS HIPOTÉTICOS
DEVER PELO DEVER
Ex: Deves ajudar os desafortunados
Se HIPÓTESE, deve ser SANÇÃO
Ex: se matar, deve ser 6 a 20 anos
de reclusão
Teoria Pura do Direito (Kelsen)
• Formalismo - se “H”, deve ser “S” (qualquer
conteúdo é possível)
• Fundamento de validade de uma Norma
Jurídica (NJ) é única e exclusivamente outra
NJ.
Teoria crítica X positivismo jurídico
• Teoria Crítica: Como conectar direito e moral?
Como evitar que Auschwitz aconteça
novamente?
X
• Positivismo jurídico: como identificar e
descrever o direito?
O “beco sem saída” de Adorno
• Aporias de adorno: a crítica à razão corrói os
próprios alicerces (racionais)
• Habermas: é preciso pensar em um novo
conceito de razão para sustentar o potencial
emancipatório das ciências e do direito
Escola de Frankfurt: segunda
geração (Habermas)
Jürgen Habermas
• Crítica imanente: há um potencial
emancipatório na modernidade?
• Solidariedade pós-tradicional
• Razão monológica (sujeito-objeto) X razão
comunicativa (sujeito-sujeito)
Habermas e a modernização
• Modernização e aumento de complexidade
(Sistemas X mundo da vida)
• Reconstrução de pressupostos da
comunicação cotidiana que permitem o
entendimento
• Consenso fático X consenso racional
Ação Comunicativa X Ação Estratégica
Planos de ação são orientados por interações
comunicativas.
• Ação comunicativa – entendimento
• Ação estratégica – sucesso (exercer influência
sobre o interlocutor)
Situação discursiva ideal
Racionalidade se manifesta nas condições para o
acordo.
• Orientação para o entendimento (agir
comunicativo)
• Simetria entre os participantes
• Acesso universal (potencial)
• Sinceridade
Moral Procedimental
• O consenso que se alcança através do
PROCEDIMENTO (situação discursiva ideal) é
RACIONAL
• Deve-se universalizar as condições que
permitam a comunicação e a participação
Estado Democrático de Direito
• Direito: força e legitimidade
• Pressuposto (Kant): os destinatários das
normas devem ser também os seus autores
Soberania popular e direitos humanos
• Relação de oposição:
- Soberania popular (vale o que dispõe o direito
positivo de cada Estado) X Direitos humanos
(universais)
X
• Relação de complementariedade (Habermas):
- Só há soberania popular se houver participação de
todos em procedimentos de tomada de decisão
- DHs institucionalizam as condições comunicativas
para a formação de uma vontade política racional
Direitos Humanos
• MAS... DHs servem para encobrir
desigualdades e exclusões?
• Traço detetivesco dos DHs: DHs pretendem
garantir espaço a todas as vozes e, por isso,
são capazes de detectar exclusões realizadas
em seu nome
Discursos do ocidente X Discursos
asiáticos
• Caso da China: deve-se restringir direitos
humanos para garantir o desenvolvimento da
nação?
• Argumentos instrumentais X normativos (ser
humano jamais pode ser tratado como
instrumento)
Marcelo Neves X Habermas
Pontos centrais do debate :
- Consenso X dissenso
- Força simbólica de normas constitucionais e
dos DHs
CF/88
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e
rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente
unificado, capaz de atender a suas necessidades
vitais básicas e às de sua família com moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para
qualquer fim
Marcelo Neves
• Norma programática? Eficácia limitada?
X
• Neves:
- Desconstitucionalização fática,
constitucionalização simbólica
- Norma-álibi (para a inação do Estado):
superexploração do direito pela política
Força simbólica dos DHs
• Ambivalência: ineficácia X construção de
direitos
• Direitos humanos modernos (definição):
expectativa normativas de inclusão jurídica de
toda e qualquer ser humano na sociedade
mundial
• DHs existem para garantir o dissenso
estrutural
Crítica ao modelo habermasiano
• Intervenção humanitária realizadas
unilateralmente por grandes potências
• A proposta de Habermas acaba por legitimar
uma política externa do ocidente de vigilância
dos direitos humanos
Escola da Frankfurt: terceira geração
(Axel Honneth)
Déficits da teoria habermasiana
• Separação: sistemas X mundo da vida
• Falta de ênfase nos conflitos sociais
• Falta de ênfase nas experiências (formadoras)
dos sujeitos
Honneth: luta por reconhecimento
• Potencial emancipatório na modernidade?
• O outro da justiça: experiências de
desrespeito
• Sofrimento social pode ser mobilizador de
lutas por reconhecimento
Kant X Hegel
• Moralidade kantiana:
- “Age como se a máxima de tua ação devesse
tornar-se uma lei universal“
- Razão X paixões
X
• Eticidade hegeliana:
- Sofrimento
- Desejo de reconhecimento
Formas de
reconhe-
cimento
Relações
primárias
(amor)
Relações
jurídicas
(direito)
Comunidade
de valores
(solidariedade)
Auto-relação
prática
Autoconfiança Auto-respeito Auto-estima
Formas de
desrespeito
Maus-tratos e
violação (corpo)
Privação de
direitos e
exclusão
Honra e
Dignidade
Experiências de desrespeito: corpo
Essa experiência de desrespeito não varia
simplesmente com o tempo histórico ou com o
quadro cultural de referencias: o sofrimento da
tortura ou da violação será sempre acompanhado,
por mais distintos que possam ser os sistemas de
legitimação que procuram justificá-las socialmente,
de um colapso dramático da confiança na
fidedignidade do mundo social e, com isso, na
própria auto-segurança
(Honneth, Luta por Reconhecimento)
Paradoxos do capitalismo
• Estado de Bem-Estar na Europa (1960):
- Liberdade biográfica
- Inclusão jurídica
• Novo capitalismo “eticizado”
- Princípios normativos permanecem, seus
efeitos, contudo, são opostos àqueles
intencionados
Liberdade individual
- Liberdade biográfica?
X
- Individualismo: desconexão com o todo social
(indivíduo é completamente responsável por
seus sucessos e fracassos)
Crítica ao liberalismo
• Pressuposto de que a subjetividade existe
como unidade pronta acabada
• Problema da liberdade é deslocado para fora
do processo de integração social
Liberdade social
• A liberdade pode ser alcançada apenas por
meio de experiências intersubjetivas
• Apostar na democracia é crer na experiência
e em seu potencial educativo, isto é, em seu
potencial de ampliação da autonomia
Movimentos sociais: o exemplo do
feminismo
• Primeira onda feminista (início dos século XX):
igualdade de direitos (as mulheres, até então,
eram proibidas de votar)
• Segunda onda feminista (1960-1980):
igualdade econômica, social e política
• Terceira onda feminista (após 1980): direito à
diferença (entre mulheres, entre gêneros)
Lutas sociais: o exemplo do
feminismo
• Posicionamento do acadêmico: crítica à
identidade
X
• Posicionamento do militante: demandas
identitárias
• Acadêmicos e militantes?
Feminismo e gênero
• Em que termos desejamos ser reconhecidos?
• Direitos das mulheres em países islâmicos?
• Diferença entre os gêneros: e os
transgêneros?

Teoria Crítica (ppt_2).pptx

  • 1.
    Teoria Crítica eDireito (Aula 2) Mariana Pimentel marianafisch@gmail.com Escola Judicial – TRT/PB
  • 2.
    Método do PositivismoJurídico • Método positivista de análise do direito X direito positivo • Método positivista refuta a tese da conexão entre Direito e Moral: - O estudo científico do direito, para que seja objetivo, tem de estar separado de valorações morais; - O Problema da legitimidade (justiça) deve ser discutido, mas não pelo cientista do direito
  • 3.
    Positivismo Jurídico • Estudocientífico do direito (identificação do direito) a característica fundamental da ciência consiste na sua avaloratividade, isto é, na distinção entre juízos de fato e juízos de valor e na rigorosa exclusão destes últimos do campo científico: a ciência consiste somente em juízos de fato (Bobbio) • Objeto: norma jurídica posta pelo Estado
  • 4.
    Kant e Kelsen MORALDIREITO AUTONOMIA HETERONOMIA JUIZOS CATEGÓRICOS JUIZOS HIPOTÉTICOS DEVER PELO DEVER Ex: Deves ajudar os desafortunados Se HIPÓTESE, deve ser SANÇÃO Ex: se matar, deve ser 6 a 20 anos de reclusão
  • 5.
    Teoria Pura doDireito (Kelsen) • Formalismo - se “H”, deve ser “S” (qualquer conteúdo é possível) • Fundamento de validade de uma Norma Jurídica (NJ) é única e exclusivamente outra NJ.
  • 6.
    Teoria crítica Xpositivismo jurídico • Teoria Crítica: Como conectar direito e moral? Como evitar que Auschwitz aconteça novamente? X • Positivismo jurídico: como identificar e descrever o direito?
  • 7.
    O “beco semsaída” de Adorno • Aporias de adorno: a crítica à razão corrói os próprios alicerces (racionais) • Habermas: é preciso pensar em um novo conceito de razão para sustentar o potencial emancipatório das ciências e do direito
  • 8.
    Escola de Frankfurt:segunda geração (Habermas)
  • 9.
    Jürgen Habermas • Críticaimanente: há um potencial emancipatório na modernidade? • Solidariedade pós-tradicional • Razão monológica (sujeito-objeto) X razão comunicativa (sujeito-sujeito)
  • 10.
    Habermas e amodernização • Modernização e aumento de complexidade (Sistemas X mundo da vida) • Reconstrução de pressupostos da comunicação cotidiana que permitem o entendimento • Consenso fático X consenso racional
  • 11.
    Ação Comunicativa XAção Estratégica Planos de ação são orientados por interações comunicativas. • Ação comunicativa – entendimento • Ação estratégica – sucesso (exercer influência sobre o interlocutor)
  • 12.
    Situação discursiva ideal Racionalidadese manifesta nas condições para o acordo. • Orientação para o entendimento (agir comunicativo) • Simetria entre os participantes • Acesso universal (potencial) • Sinceridade
  • 13.
    Moral Procedimental • Oconsenso que se alcança através do PROCEDIMENTO (situação discursiva ideal) é RACIONAL • Deve-se universalizar as condições que permitam a comunicação e a participação
  • 14.
    Estado Democrático deDireito • Direito: força e legitimidade • Pressuposto (Kant): os destinatários das normas devem ser também os seus autores
  • 15.
    Soberania popular edireitos humanos • Relação de oposição: - Soberania popular (vale o que dispõe o direito positivo de cada Estado) X Direitos humanos (universais) X • Relação de complementariedade (Habermas): - Só há soberania popular se houver participação de todos em procedimentos de tomada de decisão - DHs institucionalizam as condições comunicativas para a formação de uma vontade política racional
  • 16.
    Direitos Humanos • MAS...DHs servem para encobrir desigualdades e exclusões? • Traço detetivesco dos DHs: DHs pretendem garantir espaço a todas as vozes e, por isso, são capazes de detectar exclusões realizadas em seu nome
  • 17.
    Discursos do ocidenteX Discursos asiáticos • Caso da China: deve-se restringir direitos humanos para garantir o desenvolvimento da nação? • Argumentos instrumentais X normativos (ser humano jamais pode ser tratado como instrumento)
  • 18.
    Marcelo Neves XHabermas Pontos centrais do debate : - Consenso X dissenso - Força simbólica de normas constitucionais e dos DHs
  • 19.
    CF/88 Art. 7º Sãodireitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim
  • 20.
    Marcelo Neves • Normaprogramática? Eficácia limitada? X • Neves: - Desconstitucionalização fática, constitucionalização simbólica - Norma-álibi (para a inação do Estado): superexploração do direito pela política
  • 21.
    Força simbólica dosDHs • Ambivalência: ineficácia X construção de direitos • Direitos humanos modernos (definição): expectativa normativas de inclusão jurídica de toda e qualquer ser humano na sociedade mundial • DHs existem para garantir o dissenso estrutural
  • 22.
    Crítica ao modelohabermasiano • Intervenção humanitária realizadas unilateralmente por grandes potências • A proposta de Habermas acaba por legitimar uma política externa do ocidente de vigilância dos direitos humanos
  • 23.
    Escola da Frankfurt:terceira geração (Axel Honneth)
  • 24.
    Déficits da teoriahabermasiana • Separação: sistemas X mundo da vida • Falta de ênfase nos conflitos sociais • Falta de ênfase nas experiências (formadoras) dos sujeitos
  • 25.
    Honneth: luta porreconhecimento • Potencial emancipatório na modernidade? • O outro da justiça: experiências de desrespeito • Sofrimento social pode ser mobilizador de lutas por reconhecimento
  • 26.
    Kant X Hegel •Moralidade kantiana: - “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se uma lei universal“ - Razão X paixões X • Eticidade hegeliana: - Sofrimento - Desejo de reconhecimento
  • 27.
    Formas de reconhe- cimento Relações primárias (amor) Relações jurídicas (direito) Comunidade de valores (solidariedade) Auto-relação prática AutoconfiançaAuto-respeito Auto-estima Formas de desrespeito Maus-tratos e violação (corpo) Privação de direitos e exclusão Honra e Dignidade
  • 28.
    Experiências de desrespeito:corpo Essa experiência de desrespeito não varia simplesmente com o tempo histórico ou com o quadro cultural de referencias: o sofrimento da tortura ou da violação será sempre acompanhado, por mais distintos que possam ser os sistemas de legitimação que procuram justificá-las socialmente, de um colapso dramático da confiança na fidedignidade do mundo social e, com isso, na própria auto-segurança (Honneth, Luta por Reconhecimento)
  • 29.
    Paradoxos do capitalismo •Estado de Bem-Estar na Europa (1960): - Liberdade biográfica - Inclusão jurídica • Novo capitalismo “eticizado” - Princípios normativos permanecem, seus efeitos, contudo, são opostos àqueles intencionados
  • 30.
    Liberdade individual - Liberdadebiográfica? X - Individualismo: desconexão com o todo social (indivíduo é completamente responsável por seus sucessos e fracassos)
  • 31.
    Crítica ao liberalismo •Pressuposto de que a subjetividade existe como unidade pronta acabada • Problema da liberdade é deslocado para fora do processo de integração social
  • 32.
    Liberdade social • Aliberdade pode ser alcançada apenas por meio de experiências intersubjetivas • Apostar na democracia é crer na experiência e em seu potencial educativo, isto é, em seu potencial de ampliação da autonomia
  • 33.
    Movimentos sociais: oexemplo do feminismo • Primeira onda feminista (início dos século XX): igualdade de direitos (as mulheres, até então, eram proibidas de votar) • Segunda onda feminista (1960-1980): igualdade econômica, social e política • Terceira onda feminista (após 1980): direito à diferença (entre mulheres, entre gêneros)
  • 34.
    Lutas sociais: oexemplo do feminismo • Posicionamento do acadêmico: crítica à identidade X • Posicionamento do militante: demandas identitárias • Acadêmicos e militantes?
  • 35.
    Feminismo e gênero •Em que termos desejamos ser reconhecidos? • Direitos das mulheres em países islâmicos? • Diferença entre os gêneros: e os transgêneros?