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da revista
BOA VONTADE
www.boavontade.com
BOA VONTADEDESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
A Legião da Boa Vontade apresenta recomendações de boas práticas sociais às delegações presentes
na Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), das Nações Unidas, na sede da
ONU em Nova York, EUA. A LBV é uma organização da sociedade civil brasileira com status consultivo
geral no Ecosoc desde 1999.66anos
Em seu artigo “Agenda Global Solidária”, PAIVA NETTO destaca:
“A Educação, a sustentabilidade e a Cidadania Planetária como alavancas
do desenvolvimento social sustentável”. (Leia a íntegra na p. 4.)
Educação no centro
da transformação
planetária
Conheça ações da LBV que fazem
estudantes de comunidades vulneráveis
atingirem alto desempenho acadêmico
e mobilidade social
SUMÁRIO
BOA VONTADE
Revista apolítica e apartidária
da Espiritualidade Ecumênica
BOA VONTADE
Desenvolvimento Sustentável
é uma publicação da LBV,
lançada pela Editora Elevação.
Registrada sob o no
18166
no livro “B” do 9o
Cartório
de Registro de Títulos e
Documentos de São Paulo.
DIRETOR E
EDITOR-RESPONSÁVEL
Francisco de Assis Periotto —
MTE/DRTE/RJ 19.916 JP
CHEFE DE REDAÇÃO
Rodrigo de Oliveira — MTE/
DRTE/SP 42.853 JP
COORDENAÇÃO GERAL
DE PAUTA
Gerdeilson Botelho
SUPERINTENDÊNCIA DE
MARKETING E COMUNICAÇÃO
Gizelle Tonin de Almeida
EQUIPE ELEVAÇÃO
Adriane Schirmer, Allison Bello,
Ana Paula de Oliveira, Andrea
Leone, Angélica Periotto, Bettina
Lopez, Camilla Custódio, Cida
Linares, Daniel Guimarães,
Eduarda Pereira, Felipe Duarte,
Gabriela Marinho, Gelson dos
Santos, Giovanna Pinheiro,
Jéssica Botelho, Josué Bertolin,
Laura Leone, Leila Marco, Letícia
Rio, Lísia Peres, Luci Teixeira,
Marcos Antonio Franchi, Mariane
de Oliveira Luz, Matheus
Teixeira, Natália Lombardi,
Neuza Alves, Raquel Bertolin,
Rosana Bertolin, Roseli Garcia,
Silvia Fernanda Bovino, Walter
Periotto e Wanderly Albieri
Baptista.
PROJETO GRÁFICO E CAPA
Helen Winkler
DIAGRAMAÇÃO
Diego Ciusz e Helen Winkler
IMPRESSÃO
Mundial Gráfica
FOTO DE CAPA
Vivian R. Ferreira
ENDEREÇO PARA
CORRESPONDÊNCIA
Rua Doraci, 90 • CEP 01134-050
• Bom Retiro •
São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225-
4971 • Caixa Postal 13.833-9 •
CEP 01216-970 • Internet: www.
boavontade.com / E-mail: info@
boavontade.com
A revista BOA VONTADE
Desenvolvimento Sustentável
não se responsabiliza por
conceitos e opiniões em seus
artigos assinados. A publicação
obedece ao elevado propósito
de estimular o debate dos temas
relevantes brasileiros e mundiais
e de refletir as tendências do
pensamento contemporâneo.
EDIÇÃO COMEMORATIVA
DE 5/7/2016, NOS IDIOMAS
ESPANHOL, FRANCÊS,
INGLÊS E PORTUGUÊS.
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 3
	 4	 Mensagem de Paiva Netto
Agenda Global Solidária
	12	 Recomendações da LBV
Educação de qualidade contra as diferenças
socioambientais
	26	 Opinião — Educação por Suelí Periotto
Aprendendo juntos
	 32	 Prática educacional
Vencendo desigualdades
	 44	Esporte
Esporte e cidadania
	 50	 Fórum Internacional dos Soldadinhos
de Deus, da LBV
Celeiro de ideias
	 56	 Ação Jovem LBV por Leilany Rocha
Despertando habilidades
4
4432
50
agenda Global
solidária
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
M
inha saudação aos chefes de Estado, às delegações e a todos os
participantes da Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico
e Social (Ecosoc) da Organização das Nações Unidas (ONU) em
2016, que trata do importante tema “Implementar a agenda de desen-
volvimento pós-2015: transicionando compromissos a resultados”. A
partir desse enfoque pragmático, nossa contribuição aos debates só
poderia ser quanto ao indispensável papel da Educação na conquista
das arrojadas metas voltadas para o avanço e o bem-estar dos povos,
pois, conforme tenho reiterado há algumas décadas, sem Educação e
Instrução não existe progresso.
A Educação, a sustentabilidade e a Cidadania Planetária
como alavancas do desenvolvimento social sustentável
JOSÉ DE PAIVA NETTO é escritor, jornalista,
radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente
da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo
da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da
Associação Brasileira de Imprensa Internacional
(ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj), à International Federation
of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao
Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao
Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União
Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a
Academia de Letras do Brasil Central.
JoãoPreda
VivianR.Ferreira
INCENTIVO À LEITURA
A educadora Maria Dora
dos Santos com alguns
dos alunos do Conjunto
Educacional Boa Vontade,
na capital paulista, Brasil.
4 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 5
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
Alziro Zarur
ArquivoBV
Teócrito
ReproduçãoBV
Curitiba/PR Ipatinga/MG
Martin Luther King Jr.
ReproduçãoBV
LeillaTonin
TatianeOliveira
Considerando as resoluções da 66a
Confe-
rência do Departamento de Informação Públi-
ca (DPI, na sigla em inglês) das Nações Uni-
das, que ocorreu de 30 de maio a 10
de junho
de 2016, em Gyeongju, na Coreia do Sul, com
eixo no tópico “Educação para a Cidadania
Global: Alcançar os Objetivos de Desenvolvi-
mento Sustentável Juntos”, recorro a alguns
improvisos meus a respeito de princípios da
Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cida-
dão Ecumênico (boxe na p. 7). Ambas com-
põem a linha educacional que aplicamos, com
sucesso, na rede de ensino da Legião da Boa
Vontade (LBV) do Brasil e do exterior e nos
programas socioeducacionais que ela realiza.
Por meio dessa proposta pedagógica, à qual
se alia um atendimento de excelência, propor-
cionamos benefícios concretos a milhões de
pessoas e famílias em situação de vulnerabili-
dade social assistidas pela Instituição. A LBV
acumulou vasta experiência no campo socio-
educacional no decurso de 66 anos de luta
“por um Brasil melhor e por uma Humani-
dade mais feliz”, como bradava seu fundador,
o jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur
(1914-1979).
EDUCAÇÃO COM ESPIRITUALIDADE
ECUMÊNICA
No Manifesto da Boa Vontade (1991),
escrevi que, intuitivamente, com sabedoria,
assevera o próprio povo, seguido por emi-
nentes pensadores, entre os quais o filósofo
grego Teócrito (320-250 a.C.):
— Enquanto há vida, há esperança.
O roteiro mais acertado permanece na
área da Educação com Espiritualidade Ecu-
mênica, um passo à frente no terceiro milê-
nio. Contudo, a insensibilidade de muitos foi
a motivação deste expressivo repto do notá-
vel Martin Luther King Jr. (1929-1968):
— Ao longo do caminho da História, uma
das maiores tragédias do homem tem sido
6 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Assunção, Paraguai
AllisonBello
o seu limitado interesse pelo próximo, seja
este tribo, raça, classe ou nação.
Por isso, há que se orientarem os esforços
mundiais, empregando-os na tarefa de resga-
te da grande parcela desfavorecida do planeta;
colocando, assim, os valores da sociedade na
devida ordem; e fazendo a marcha do desen-
volvimento econômico dirigir-se em prol da
criatura humana, porquanto o ser vivente é a
geratriz do progresso, a despeito da tecnologia.
Do contrário, os governos poderão desviar-se
de seu propósito de governar para seus povos.
O velho Gandhi (1869-1948) concluiu
que
— uma civilização é julgada pelo trata-
mento que dispensa às minorias.
E aí, na indiferença de muitos para com
os demais, reside a sua fraqueza, se nada fi-
zerem para mudar o rumo dos fatos, para o
que é necessário igualmente que parem de
Em sua obra É Urgente Reeducar! (2010), Paiva Netto
expõe sua vanguardeira proposta pedagógica, que apre-
senta um modelo novo de aprendizado, tendo por base
a Espiritualidade Ecumênica, aliando Coração e Intelecto.
Tal linha educacional possui fundamentalmente dois seg-
mentos: a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão
Ecumênico. É aplicada com sucesso na rede de ensino e
nos programas socioeducacionais desenvolvidos pela Le-
gião da Boa Vontade (LBV). “Fundamenta-se nos valores
oriundos do Amor Fraterno, trazido à Terra por diversos
luminares, destacadamente Jesus, o Cristo Ecumênico, o
Divino Estadista”, como ressalta o criador da proposta, o
educador Paiva Netto. Na Pedagogia do Afeto, o enfoque
é sobre as crianças de até os 10 anos de idade, unindo
sentimento ao desenvolvimento cognitivo delas, para que
carinho e afeto façam parte de todo o conhecimento e dos
ambientes de sua vida, inclusive o escolar. O diretor-presi-
dente da LBV costuma afirmar: “A estabilidade do mundo
começa no coração da criança”. Na continuidade do pro-
cesso de aprendizagem, a Pedagogia do Cidadão Ecumê-
nico é direcionada à educação de adolescentes e adultos,
dispondo o indivíduo a viver a Cidadania Ecumênica, firma-
da no exercício pleno da Solidariedade Planetária.
Os Editores
Pedagogia do Afeto e
Pedagogia do Cidadão
Ecumênico
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 7
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
mordial iluminar os corações, passando-lhes
o significado da Fraternidade, da Caridade,
da Generosidade, da Honestidade, do Amor,
da Justiça, da Verdade, e assim por diante.
Zarur alertava que não basta
— formar um bom médico, um bom ad-
vogado, um bom engenheiro, porque é ne-
cessário preparar-se um médico bom, um
advogado bom, um engenheiro bom (...).
Com isso, pode-se notar que, em diversos
lugares onde a economia se tornou mais for-
te, após certo tempo, por ausência de maior
investimento nos princípios espirituais e
éticos, a violência, que diminuíra, ressurge,
advinda tantas vezes da indiferença aos que
têm menos em suas fronteiras ou fora delas.
Disso decorrem muitos conflitos internacio-
nais. Por quê? Porque faltou não somente o
ensino, todavia muito mais: a Reeducação,
que é somar aos conteúdos formais a sabedo-
ria universal da Alma.
culpar a Deus e os Seus preceitos pelos tro-
peços que dão. Atualíssimo, portanto, este
aforismo do escritor latino Publilius Syrus
(85-43 a.C.):
—Toloéaquelequeafundaseusnaviosduas
vezes e continua acusando o mar de culpado.
SUSTENTABILIDADE FIRMADA NA
FRATERNIDADE ECUMÊNICA E NA
REEDUCAÇÃO
Quanto à gestão dos recursos de que dispo-
mos, o mundo inteiro fala em sustentabilida-
de. No entanto, essa condição está firmada em
quê? Em geral, num pensamento econômico
que sobrevive pela avidez. E vai liquidando
os seres humanos não apenas por força do
desemprego, da fome — em várias regiões de
nosso orbe —, mas também pela carência de
instrução. E esta, muitas vezes, nega melhor
perspectiva à juventude e até a indivíduos na
idade adulta. Não obstante, existe, por todo
lado, o empenho de pessoas decididas a cor-
rigir tal situação, que impede o crescimento
sustentável de inúmeros países. E não basta
instruir e educar. Faz-se imprescindí-
vel reeducar e ecumenicamente espi-
ritualizar as nações, fazendo com que
vejam além do intelecto.
A professora, jornalista, poetisa e filan-
tropa brasileira Anália Franco (1853-
1919), que fundou setenta escolas, asilos
para crianças órfãs, além de importante ins-
tituição de auxílio a mulheres, defendeu, em
sua heroica trajetória, a necessidade pre-
mente de valer-se da educação como ferra-
menta sustentável de progresso e empode-
ramento das gentes:
— A verdadeira caridade não é acolher
o desprotegido, mas promover-lhe a capaci-
dade de se libertar.
Reitero que essa liberdade não virá ape-
nas por intermédio do fomento do estudo
técnico, pois não é suficientemente capaz de
extirpar atos de barbárie, que continuam em
escalada vertiginosa no mundo. Daí ser pri-
Anália Franco
Divulgação
Campo Grande/MS
Gandhi
ReproduçãoBV
Publilius Syrus
ReproduçãoBV
8 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Em entrevista que concedi, em 10 de ou-
tubro de 1981, ao saudoso jornalista italia-
no radicado no Brasil Paulo Rappoccio
Parisi (1921-2016), manifestei-me sobre a basi-
lar necessidade de unir ao raciocínio intelectual
a sabedoria que se origina nos corações. Sim,
porque também existe a inteligência do senti-
mento*1
, da emoção e, sobretudo, a espiritual.
PREPARAÇÃO EFICAZ E CIDADANIA
PLANETÁRIA
Já que mencionei aqui a necessidade im-
periosa de capacitar o coração e a mente*2
das novas gerações para o enfrentamento
de uma realidade repleta de desafios, achei
oportuno trazer-lhes este destaque de minha
obra É Urgente Reeducar! (Editora Eleva-
ção, 2010):
O Espírito tem lugar preponderante na
nossa lide. Entretanto, na preparação de
jovens e adultos para a subsistência neste
mundo material de tecnologia jamais vista
— e, paradoxalmente nos dias de hoje, tão
instável para os que labutam pelo futuro pró-
prio —, devemos levar na mais alta conside-
ração que os educandos têm de ser com efi-
ciência qualificados para a exigente demanda
do acirrado mercado atual de trabalho. E
mais: de tal maneira que não persigam
um caminho em que a profissão para
a qual se aprontaram não mais exista
ao fim do curso. É essencial, pois, recebe-
rem formação eficaz para que sejam arroja-
dos, empreendedores, de modo que possam
suplantar os acontecimentos supervenientes
que, a qualquer instante, desafiam a socieda-
de, assustando multidões.
Paulo Rappoccio Parisi
VivianR.Ferreira
Disse Jesus: “Novo Mandamento vos dou:
Amai-vos como Eu vos amei. (...) Não há
maior Amor do que doar a própria Vida
pelos seus amigos.”
(Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 15:13).
GenivaldoMarquiza
*1
Inteligência do sentimento — Em matéria datada de 6 de março de 1997, depois de visitar o Centro Comunitário de
Assistência Social Alziro Zarur, conhecido também como Templo da Criança e da Natureza, na cidade de Glorinha, Rio
Grande do Sul, Léo Gerchmann, jornalista da Folha de S.Paulo, declarou: “Antes de a inteligência emocional tornar-se
uma tendência pedagógica mundial, a LBV já tinha este parâmetro na Educação. Inteligência emocional é a poten-
cialidade das pessoas para lidar com as suas emoções, diferentemente do QI (Quociente de Inteligência). ‘Nosso
lema é educar, priorizar a Cultura, a Espiritualidade, a inteligência do cérebro e a do coração’, definiu o administrador
do Lar, Humberto Cassuriaga. Em salas de aula para reforço escolar, as crianças recebem um complemento às aulas
regulares delas, de acordo com suas deficiências”.
*2
Mente e Coração — Ao referir-se a esses termos, o autor explicou, em outras oportunidades, o uso que faz deles:
“Falar em mente e coração dá-se pela necessidade de evidenciarmos um simbolismo essencial à clareza do que
lhes apresento, de modo que estejam nitidamente expressas duas das condições mais importantes da Alma: pensar
e sentir, ou, na ordem moral mais perfeita, sentir e pensar. Eu poderia expor que, sendo a mente o contato principal
do Espírito com o corpo, nela estaria o centro do pensar e do sentir (amar)”.
Uma palavra de Paz
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 9
De nada adiantarão, portanto — digamos
para argumentar —, planejamentos audacio-
sos se não houver quem tenha sido devida-
mente instruído para desenvolvê-los.
Por essa razão, urge ensinar a todos o sig-
nificado da Cidadania do Espírito, sem o que
conviver em sociedade será capenga. E isso
só será corrigível com a promoção de uma
consciência mais elevada, educando os po-
vos integralmente, a partir dos princípios do
Amor, da Cooperação, do Entendimento, da
Verdade e da Justiça.
Acerca do relevante papel concernente
aos atores políticos e sociais, bem como aos
que acreditam nos nobres ideais inerentes à
democracia, o pensador político e historia-
dor francês Alexis de Tocqueville (1805-
1859), em sua obra A Democracia na Améri-
ca, fez a seguinte ponderação:
— É necessário que todos aqueles que se
interessam pelo futuro das sociedades de-
mocráticas se unam e que todos, de comum
acordo, façam contínuos esforços para pro-
pagar no seio das sociedades o gosto pelo
infinito, o sentimento do grandioso e o amor
aos prazeres imateriais.
A defesa pioneira da LBV por uma Cida-
dania Planetária visa ao desenvolvimento do
potencial pleno das criaturas em todas as suas
dimensões, ou seja, espírito-biopsicossocial.
Logo, juntar cidadania política com a Cida-
dania do Espírito é propiciar o surgimento da
Cidadania Planetária, Global, cujo alicerce é a
Generosidade, a Solidariedade, tendo os valo-
res espirituais como sustentáculo.
NOVOS TEMPOS SOLIDÁRIOS
GLOBAIS
Nessa época, esperada por tantos mis-
sionários e ativistas valorosos, a Humani-
dade terá entendido que de nada adiantará
ilustrar a mente se o coração for esquecido e
que é delírio completo desejar o progresso da
sociedade se os princípios da confiança e do
respeito forem avis rara nas relações inter-
pessoais. É necessário também engajar, com
o Bem Universal, os corações.
Disse Jesus:
Alexis de Tocqueville
ReproduçãoBV
LeillaTonin
LeillaTonin
Aracaju/SEMaceió/AL
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
10 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
paivanetto@lbv.org.br | www.paivanetto.com
JeanCarlos
“A estabilidade do mundo
começa no coração da criança.
Protegê-la é acreditar no futuro.”
— De que vale ao homem conquistar o
mundo inteiro e perder a própria Alma?
(Evangelho do Cristo, consoante Marcos,
8:36).
Fundamental e sábia reflexão do Rabi
da Galileia, uma vez que não almejamos
percorrer caminhos equivocados, que ine-
vitavelmente resultarão em retrocesso, pois
teremos, uma vez mais, menosprezado o co-
nhecimento do Espírito — que não está jun-
gido à religião ou à irreligião de quem quer
que seja. Daí ser o lema da LBV, há tanto pro-
clamado, promover Desenvolvimento Social
e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Es-
porte, com Espiritualidade Ecumênica,
para que haja Consciência Socioambiental,
Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho
para todos, no despertar do Cidadão Plane-
tário.
E aqui reforço a expressão Espiritualida-
de Ecumênica, porquanto esta é o berço dos
mais generosos valores que nascem da Alma,
a morada das emoções e do raciocínio ilumi-
nado pela intuição, a ambiência que abrange
tudo o que transcende ao campo comum da
matéria e provém da sensibilidade humana
sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça,
da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da
Generosidade, do Amor Fraterno.
Ora, que as mais elevadas aspirações,
que carregamos em nosso íntimo esclare-
cido, possam expandir os horizontes do
pensamento e consigam com espírito de
iniciativa e com criatividade enfrentar os
graves desafios mundiais de nosso tempo,
traduzindo-se em resultados efetivos que
beneficiem toda a Humanidade, que, uni-
da, insiste em sobreviver às mais borrasco-
sas situações.
Marcos
ReproduçãoBV
LeillaTonin
Salvador/BA Campina Grande/PB
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 11
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Declaração apresentada pela LBV e traduzida pela ONU para
os seis idiomas oficiais desta (árabe, chinês, espanhol, francês,
inglês e russo) sob o símbolo E/2016/NGO/45. Baixe o leitor
QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e
leia o documento na versão em inglês.
12 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Rio de Janeiro/RJ
contra as diferenças
socioambientais
EDUCAÇÃO
DE QUALIDADE
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 13
A revista BOA VONTADE publica, nesta edição espe-
cial, relatório da Legião da Boa Vontade, no qual a Insti-
tuição apresenta suas proposições relativas ao tema da
Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social
(Ecosoc) da Organização das Nações Unidas em 2016 —
“Implementar a agenda de desenvolvimento pós-2015:
transicionando compromissos a resultados” —, realiza-
da de 18 a 22 de julho, na sede da ONU em Nova York,
nos Estados Unidos. No documento, a LBV defende a
Educação de qualidade como fator determinante para
que o trabalho das Nações Unidas e dos países que com-
põem a entidade ajude a promover efetivamente o tão
almejado e necessário desenvolvimento sustentável.
C
omo implementar a nova agenda global de desen-
volvimento sustentável, transformando os compro-
missos assumidos por todos os países em resulta-
dos concretos? Nós, da Legião da Boa Vontade (LBV),
respondemos a essa pergunta, que norteia a Reunião
de Alto Nível do Conselho Econômico e Social das Na-
ções Unidas em 2016, a partir das propostas levantadas
no 12o
Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária,
que realizamos em São Paulo/SP, no Brasil, e de nossa
própria experiência. Somos uma organização com 66
anos de história e integramos uma rede com 93 uni-
dades de educação e assistência social, em sete países
(Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai,
Portugal e Uruguai). Em 2015, prestamos mais de 12,5
milhões de atendimentos e benefícios a populações em
situação de pobreza.
Transmitido em cadeia nacional de rádio e TV, o fó-
rum teve o apoio da Seção de ONGs do Departamento
de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN/Desa) e
reu­niu relevantes entidades brasileiras que assessoram o
poder público, redes de organizações da sociedade civil,
além de representantes do setor empresarial e da área
acadêmica. As recomendações resultantes desse encon-
tro estão articuladas em três eixos, detalhados ao longo
deste documento: 1o
) fortalecer os atores locais; 2o
) fo-
mentar o engajamento da sociedade civil; e, sobretudo,
3o
) fortalecer a educação para a Cidadania Planetária.
Nossa ênfase no terceiro eixo deve-se ao fato de
a educação, quando afastada dos valores dessa nova
agenda, correr o risco de colaborar para perpetuar
iniquidades socioambientais. Segundo o educador
brasileiro José de Paiva Netto, em escritos publica-
dos desde a década de 1960, a Caridade/Solidarieda-
de, valor essencial a padrões de vida sustentáveis, é
RECOMENDAÇÕES DA LBV
1
São Paulo/SP
Fotos:ArquivoBVLeillaToninVivianR.Ferreira
14 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
A missão da LBV
Promover Desenvolvimento Social e Sustentável,
Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade
Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental,
Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos,
no despertar do Cidadão Planetário.
Fotos:ArquivoBV
(1) Durante a Reunião de Alto
Nível do Ecosoc em 2013, em
Genebra, na Suíça, o secretário-
-geral das Nações Unidas, Ban
Ki-moon, é saudado por Adriana
Rocha, da LBV, enquanto recebe a
edição especial da BOA VONTADE
em inglês. Atencioso, folheou a
publicação e reafirmou seu apreço
pelo trabalho da Instituição. (2)
A administradora do Programa
de Desenvolvimento das Nações
Unidas (PNUD), Helen Clark (D),
recebe as recomendações da LBV.
(3) Da mesma forma, é entregue à
diretora-geral da Organização das
Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura (Unesco),
sra. Irina Bokova (E), a revista
BOA VONTADE Mulher em inglês.
(4) Também tomam conhecimento
da mensagem da LBV o sr.
Mukhisa Kituyi, secretário-geral
da Conferência das Nações
Unidas sobre Comércio e
Desenvolvimento (UNCTAD,
sigla em inglês), e (5) o diretor
do Secretariado do Fórum das
Nações Unidas sobre Florestas,
Manoel Sobral Filho (E).
2 3 4 5
Campo Grande/MS
Montevidéu, Uruguai
Ananindeua/PA
AmandaVieira
SâmaraCaruso
SâmaraCaruso
GenivaldoMarquiza
LeillaToninLeillaTonin
YreneSantana
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 15
“(...) ferramenta imprescindível, em minha opi-
nião, para ajustar os mecanismos de uma sociedade,
ainda hoje regida pelo individualismo, seja no âmbito
particular ou coletivo. Aliás, esse individualismo tem
contribuído para levar muita gente à indiferença, à
secura de alma, isto é, à ausência da Solidariedade, da
Fraternidade, da Generosidade nos relacionamentos
humanos e sociais. (...) A Caridade, aliada à Justiça,
é o combustível das transformações profundas. Sua
ação é sutil, mas eficaz”.
FORTALECER OS ATORES LOCAIS
Ao se analisarem os indicadores de um país, as médias
nacionais podem mascarar grandes desigualdades inter-
nas. Assim, é preciso que eles sejam monitorados também
de forma desagregada. Essa medida deve vir acompanha-
da de mecanismos que descentralizem a implementação
de políticas públicas, prevendo maior participação das co-
munidades envolvidas nesse processo. Este requer, ainda,
aprimorar diretrizes e procedimentos de trabalho e capa-
citar gestores públicos e de organizações comunitárias a
fim de assegurar uma melhor governança.
Experiência promissora tem sido a formação de re-
des da sociedade civil comprometidas com programas
de desenvolvimento sustentável na esfera das cidades.
Essas redes estimulam autoridades locais a se com-
prometer com um conjunto de metas, o que possibilita
maior qualificação do debate público.
FOMENTAR O ENGAJAMENTO DA SOCIEDADE
CIVIL
Ainda que os governos tenham papel crucial no cum-
primento da nova agenda, a iniciativa privada e a socie-
dade civil organizada são determinantes para que isso
ocorra. Por isso, é preciso fomentar a mobilização social
em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS), a exemplo das ações bem-sucedidas no alcance
dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A
formação de redes ou plataformas dedicadas ao tema, a
realização de campanhas publicitárias para simplificar e
disseminar os ODS, a criação de observatórios dos indi-
cadores locais, o uso intensivo das tecnologias da comu-
nicação e das mídias sociais, o estímulo ao voluntariado
e à constituição em parcerias alinhadas à Agenda 2030,
são algumas das boas práticas que podem ser renovadas.
No que se refere a grupos historicamente marginali-
zados, é importante adotar instrumentos que permitam
aferir os efeitos do racismo e de outras formas de
ESCOLAS
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Buenos Aires, Argentina
Curitiba/PR
Montevidéu, Uruguai
LeillaToninCarlosCésarSilvaLeillaTonin
16 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
O Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, Brasil, demonstra que Educação de qualidade,
Solidariedade e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores
refletem a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizadas por Paiva Netto e
aplicadas, com sucesso, na rede de ensino e nos programas socioeducativos da Instituição. Em um grande
totem, ao lado do frontispício, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de Aristóteles (384-322 a.C.),
grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por
se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.
São Paulo/SP
Rio de Janeiro/RJTaguatinga/DFLa Paz, Bolívia
Belém/PA
LeillaTonin
LeillaToninJoséGonçalo
ArquivoBVVivianR.Ferreira
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 17
discriminação sobre o cumprimento das novas metas,
propondo medidas para reverter essa desigualdade.
Uma maior articulação entre a Agenda 2030 e a De-
claração e o Programa de Ação de Durban, na África
do Sul, pode colaborar para o alcance desse objetivo.
A Declaração e o Programa de Ação de Durban, firma-
dos em 2001, durante a Conferência Mundial contra o
Racismo, preveem diversas estratégias de ação, entre
as quais a denominada Década Internacional dos Afro-
descendentes, iniciada em 2015.
FORTALECER A EDUCAÇÃO PARA A
PROMOÇÃO DA CIDADANIA PLANETÁRIA
Apesar de o acesso ao ensino ter aumentado nas úl-
timas décadas, é necessário elevar a qualidade da edu-
cação oferecida, conforme prevê o quarto ODS. Isso
exige não somente o fortalecimento das instituições,
redes e comunidades educativas, mas também uma
reflexão acerca dos próprios conteúdos priorizados na
construção dos currículos escolares.
A 66a
Conferência de Organizações Não Governa-
mentais do Departamento de Informação Pública da
ONU, realizada em Gyeongju, na Coreia do Sul, deu
importante contribuição para o cumprimento dessa
finalidade ao discutir o tema “Education for Global
Citizenship: Achieving the Sustainable Development
Goals Together” (Educação para a Cidadania Global:
Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentá-
vel conjuntamente, em tradução livre). De acordo com
a Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco), “cidadãos globais são
indivíduos que pensam e agem para um mundo mais
justo, pacífico e sustentável”.
Nós, da Legião da Boa Vontade, atuamos diretamen-
te na promoção da Cidadania Global, seja no âmbito da
educação formal, por meio de nossa rede de educação
básica, seja no da educação informal, por intermédio
de nossos Centros Comunitários de Assistência Social
e Lares para a Terceira Idade. No campo da defesa de
direitos e da informação pública, produzimos conteú-
dos multimídia sobre cidadania (veiculados em rádio,
TV, sites e publicações) e campanhas de marketing em
favor de causas sociais, realizamos congressos acerca
de temas sociais e participamos de eventos do gênero,
capacitamos e assessoramos organizações da sociedade
civil que agem em prol da população, entre outras ações.
Abrangemos, assim, todas as faixas etárias e di-
versas regiões geográficas, etnias, grupos religiosos,
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Volta Redonda/RJ
Teófilo Otoni/MG
Volta Redonda/RJ
ABRIGOS PARA IDOSOS
LeillaTonin
PatriciaOliveiraLeillaTonin
18 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o
de janeiro de 1950 (Dia
Mundial da Confraternização Universal e da Paz), no Rio de Janeiro/RJ, Brasil,
pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência
da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto.
Os dados abaixo correspondem ao trabalho da LBV de sete países: Argentina,
Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai.
NÚMEROS DE 2011 a 2015
BOA VONTADE NO MUNDO
Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e Lares para Idosos, a LBV
utiliza meios de comunicação social (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar
educação, cultura e valores de cidadania. Mais de 12 mil especialistas de todo o Brasil
participaram, em 2015, da programação da Super Rede Boa Vontade
de Comunicação.
93unidades
socioeducacionais
em sete países
60
+
MILHÕES
de
de atendimentos
e benefícios a
pessoas e famílias
em situação de
vulnerabilidade social
* Há mais de duas décadas, a Legião
da Boa Vontade tem seu balanço
geral analisado e aprovado pela
Walter Heuer, auditores externos
independentes, em uma iniciativa de
José de Paiva Netto, diretor-presidente
da LBV, muito antes de a legislação
que exige essa medida entrar em vigor.
Número de atendimentos e benefícios prestados pela
Legião da Boa Vontade do Brasil de 2011 a 2015*
20152011 2012 2013 2014
12.509.267
10.255.833
11.053.113
11.881.419
9.434.943
1,7+de
MILHÃOde pessoas impactadas
pelas ações da LBV
Uberlândia/MG
Uberlândia/MG
VivianR.FerreiraTatianeOliveiraLedilaineSantana
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 19
pessoas com e sem deficiência e outros aspectos que re-
presentam a pluralidade das populações-alvo. A partir
de nossa experiência, formulamos as seguintes propos-
tas, em contribuição ao debate sobre educação para a
Cidadania Global:
PROGRAMAS TEMÁTICOS
INTERDISCIPLINARES
Acreditamos que a educação não se dá de manei-
ra fragmentada. Compreendemos que os saberes tra-
balhados com os estudantes não devem contemplar
apenas a reprodução dos conteúdos pedagógicos his-
toricamente acumulados e organizados nos currículos.
Assim, reconhecemos a importância de ensinar o lega-
do das gerações anteriores (nas ciências, nas artes, nas
línguas etc.); contudo, também entendemos que é pre-
ciso criar condições para que os alunos reflitam sobre o
legado que a geração deles deixará.
Dessa forma, consideramos que apreender os cál-
culos, as teorias, os movimentos culturais, os idiomas
e os ecossistemas é importante, mas não é a única fina-
lidade do processo ensino–aprendizagem. Nas entreli-
nhas de cada conteúdo estão os usos políticos e sociais
dele. Para compreender esses usos, faz-se necessário
restabelecer as pontes entre os saberes, ou seja, não
basta estudar o átomo; é preciso entender a revolução
científica causada pelos avanços desse conhecimento,
bem como observar o uso deste para fins militares e de
geração de energia e as implicações sociais e ambien-
tais que persistem, até hoje, nos povos impactados por
esses avanços. Biologia, Física, História, Sociologia e
Artes não são universos particulares, isolados uns dos
outros, mas, sim, diferentes perspectivas de investiga-
ção, análise, aprofundamento e compreensão do mes-
mo mundo, da mesma Humanidade.
Por isso, em nossas escolas, que aplicam a Pedago-
gia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico — as
quais compõem a inovadora linha pedagógica criada
pelo educador Paiva Netto —, não se considera apenas
determinada aula ou um momento específico para tra-
balhar e/ou debater valores, entre estes a solidarieda-
de, a justiça, o respeito e a sustentabilidade. Todas as
disciplinas compartilham a responsabilidade de per-
mear os conteúdos ensinados com esses valores.
Os programas temáticos que desenvolvemos são
organizados por faixa etária e por seriação acadêmica,
respeitando-se as necessidades, os interesses e a rea-
lidade das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos
RECOMENDAÇÕES DA LBV
João Pessoa/PB
Manaus/AM
Porto Alegre/RS
LeillaToninJeanCarlosArquivoBV
20 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Montevidéu, Uruguai
Teresina/PIMaringá/PR
Natal/RN São Paulo/SP
CENTROS COMUNITÁRIOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
JeanCarlos
VivianR.FerreiraLeillaToninLeillaTonin
LeillaTonin
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 21
RECOMENDAÇÕES DA LBV
adultos e dos idosos. Em cada uma das disciplinas mi-
nistradas em nossa rede de ensino, os eixos temáticos
de Espiritualidade Ecumênica são aplicados de manei-
ra que dialogam com os conteúdos do currículo regular
e com as demais disciplinas. Assim, contribuem para
a ressignificação e a ampliação dos conteúdos intelec-
tuais.
ESPIRITUALIDADE ECUMÊNICA — “UMA VISÃO
ALÉM DO INTELECTO”
A Espiritualidade Ecumênica embasa nosso trabalho
socioeducacional. Empregamos o termo “ecumênico” no
sentido etimológico da palavra, que significa “de esco-
po ou aplicabilidade mundial, universal”, ou seja, não
restrito ao aspecto inter-religioso, que é de fundamental
importância. Portanto, aplicar aos conteúdos curricula-
res “uma visão além do intelecto”, como afirma o edu-
cador Paiva Netto, não é ensinar os alunos por meio de
cartilha doutrinária nem impor uma ideia sobre Deus.
Trata-se de respeitar e valorizar os saberes espirituais
e os conhecimentos milenares de nossos antepassados,
que acompanham as diversas culturas e comunidades.
A importância do saber espiritual está no fomento à
conscientização de que as consequências das ações hu-
manas não são apenas imediatas. Refletir sobre o que
construímos no presente e sobre os desdobramentos dis-
so para o futuro — mesmo que após nossa morte — con-
tribui para o aumento da responsabilidade de cada um
de nós para com as novas gerações. O sentido de eterni-
dade pode ajudar-nos a enxergar mais longe ao provocar
reflexões do tipo “O que minhas atitudes na comunida-
de na qual estou inserido estão eternizando em mim?” e
“Que marcas e/ou que legado estou deixando no mundo
ou, conforme ensinam as diversas tradições religiosas e
espirituais, posso estar carregando comigo?”.
Em nossa compreensão, considerar a eternidade da
vida em outras dimensões ou mesmo o efeito contínuo
de nossas ações sobre a realidade material (no impacto
ambiental que geramos ou nos bons frutos que lega-
mos à nossa comunidade) traz contribuições efetivas
para a adoção de uma postura sustentável, necessária
ao exercício da Cidadania Planetária. A Espiritualidade
Ecumênica, na definição do criador da Pedagogia do
Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, em seu
livro É Urgente Reeducar!, é
“(...) o berço dos mais generosos valores que nas-
cem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio
iluminado pela intuição, a ambiência que abrange
Aracaju/SE
Assunção, Paraguai
Buenos Aires, Argentina
ArquivoBVArquivoBVVivianR.Ferreira
22 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Glorinha/RS
Porto, Portugal
La Paz, Bolívia
Belo Horizonte/MG
CENTROS COMUNITÁRIOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
PriscillaAntunes
TelmaCardileiDerliFrancisco
ArquivoBVLeillaTonin
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 23
tudo o que transcende ao campo comum da matéria e
provém da sensibilidade humana sublimada, a exem-
plo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética,
da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno.
Em suma, a constante matemática que harmoniza a
equação da existência humana, mental, moral e espi-
ritual. (...) Ora, sem esse saber de que existimos em
dois planos, portanto não unicamente no físico, fica
difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária,
porque continuaremos a ignorar que o conhecimento
da Espiritualidade Superior eleva o caráter das cria-
turas e consequentemente o direciona à construção da
Cidadania Planetária”.
CONCLUSÃO
Educar com Espiritualidade Ecumênica para a Ci-
dadania Planetária é enriquecer a educação por meio
da reflexão sobre a morte, o sentido da vida, a caridade,
o autoconhecimento e outros valores universais, a par-
tir de uma perspectiva interdisciplinar, em que as ciên-
cias humanas, biológicas e exatas se somam ao saber
do estudante, da família dele e da comunidade em que
estes vivem. Consiste em, ainda, aplicar aos conteúdos
do currículo regular, o diálogo sobre as implicações so-
ciais, éticas, políticas e filosóficas.
Queremos compartilhar nossa linha pedagógica e a
metodologia de aplicação desta com todos os que acre-
ditam na educação como caminho para a Cidadania
Global, a qual chamamos também de Cidadania Plane-
tária, conforme escreveu Paiva Netto em recente men-
sagem às delegações internacionais presentes a um dos
diversos debates da ONU:
“Passos importantes foram empreendidos e con-
quistados; porém, resta muito a fazer para que pos-
samos vivenciar a cidadania concedida a nós pela
vida em comunidade, comunidade solidária global,
à qual costumo dar o nome de Cidadania Ecumênica.
(...) E a nossa ferramenta para erigir o Cidadão Ecu-
mênico é algo de que não podemos abrir mão: o es-
pírito universalista, cujo instrumental é a Solidarie-
dade, iluminando mentes e sentimentos. O Cidadão
Ecumênico é aquele que não perde tempo conflitan-
do intolerantemente com os demais — porque estes
não têm o mesmo pensamento social, político, reli-
gioso ou não pertencem à mesma cultura ou etnia —,
mas que junta forças para diminuir a avassaladora
carência que afeta comunidades, multidões ou uma
única pessoa”.
João Pessoa/PB
Maricá/RJ
FelipeDuarteJeanCarlosPriscillaAntunes
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Nova Jersey, EUA
24 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Irauçuba/CEBuíque/PE
São Paulo/SPArcoverde/PE Uauá/BA
Belo Horizonte/MGPetrópolis/RJ
CAMPANHAS DE SOCORROS ÀS POPULAÇÕES
VivianedeOlivieira
NatháliaValério
VivianR.FerreiraLeillaTonin
BrunaGonçalves
BrunaGonçalves
TatianeOliveira
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 25
OPINIÃO – EDUCAÇÃO
Aprendendo
juntos
Evento internacional da LBV reúne especialistas para
debater como o ensino de qualidade, com Espiritualidade
Ecumênica, pode transformar o ser humano
Suelí Periotto
I
nstituído pelo diretor-presidente da Legião
da Boa Vontade, José de Paiva Netto, desde
1994, o Congresso Internacional de Educação
da LBV é um evento anual, no Brasil, e bienal,
em Portugal. Um de seus objetivos principais é
o de contribuir para a formação continuada de
profissionais da educação e, consequentemen-
te, para a aplicação de uma prática pedagógica
de excelência, aliada ao diferencial da Espiri-
tualidade Ecumênica. Esta é definida pelo di-
rigente da Instituição como “o berço dos mais
generosos valores que nascem da Alma, a mo-
rada das emoções e do raciocínio iluminado
pela intuição, a ambiência que abrange tudo o
que transcende ao campo comum da matéria e
provém da sensibilidade humana sublimada,
a exemplo da Verdade, da Justiça, da Miseri-
córdia, da Ética, da Honestidade, da Genero-
sidade, do Amor Fraterno. (...)”.
Com essa visão, Paiva Netto criou uma van-
guardeira linha educacional, formada pela Pe-
dagogia do Afeto e pela Pedagogia do Cidadão
SUELÍ PERIOTTO
é supervisora da
Pedagogia do Afeto
e da Pedagogia do
Cidadão Ecumênico
e diretora do Instituto
de Educação José
de Paiva Netto,
em São Paulo/SP.
É doutoranda e
mestre em Educação
pela PUC-SP,
conferencista e
apresentadora do
programa Educação
em Debate, da Super
Rede Boa Vontade
de Rádio (www.
boavontade.com).
LeillaTonin
VivianR.Ferreira
26 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Ecumênico (veja quadro abaixo),
que, por entender o aluno como um
indivíduo integral, isto é, conside-
rado em seus aspectos espiritual,
físico, psíquico e social, o incenti-
va à vivência de valores espirituais,
éticos e ecumênicos e à não adoção
de quaisquer comportamentos ou
atitudes preconceituosas. Isso aju-
da a despertar o educando para o
respeito às diferenças, fator essen-
cial para a construção da Cultura de
Paz. Ou seja, além de proporcionar
o necessário estímulo ao pensar e
ao desenvolvimento cognitivo, a
referida proposta pedagógica, que
norteia as atividades da rede de en-
sino, dos programas socioeducacio-
nais e do congresso de educação da
LBV, leva em conta o cuidado em
direcionar os estudantes à prática
de ações solidárias que consolidem
o exercício do Amor Fraterno.
As temáticas abordadas nas edi-
ções do congresso internacional
que ocorreram em terras brasilei-
ras, mais especificamente em São
Paulo/SP, atenderam a sugestões de
congressistas sobre questões atuais
vividas em sala de aula. Da mesma
forma, deu-se no auditório da Fun-
dação Manuel Antônio da Mota, na
Quem: Dra. Ivani Fazenda, professora
titular da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP).
Quando palestrou: No 13o
Congresso
Internacional de Educação da LBV,
em 2014.
“O desejo maior meu é o
abraço compartilhado com o
Paiva Netto, um queridíssimo
amigo com quem tenho
dialogado, muitas vezes à
noite, na leitura de seus textos.
(...) Não teríamos jamais este
auditório [do congresso] lotado
se não houvesse o sonho
dele. Contudo, entre o sonho
e a realidade, há o esforço, o
processo científico, não de uma
ciência só do intelecto, mas
a que permite o sentimento,
como vemos na Pedagogia da
LBV.”
A Pedagogia do Afeto (destinada a crianças de até os 10
anos de idade) e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico
(a partir dos 11 anos) compõem a linha educacional da
Legião da Boa Vontade, criada pelo educador Paiva Netto,
consoante a proposta da Instituição de oferecer Educação
com Espiritualidade Ecumênica. Aplicadas com sucesso na
rede de ensino e nos programas socioeducacionais da LBV
tanto do Brasil quanto do exterior, têm nessa proposição a
base e o diferencial das ações da Entidade. Ambiente livre
de violência e índice zero de evasão escolar estão entre os
resultados dessa inovadora linha pedagógica.
OPINIÃO – EDUCAÇÃO
Fotos:VivianR.Ferreira
28 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Metodologia própria da LBV
A LBV possui uma metodologia própria
para a rede de ensino e seus programas
socioeducacionais: o MAPREI (Método de
Aprendizagem por Pesquisa Racional, Emo-
cional e Intuitiva). Este se apresenta como
ferramenta facilitadora da aplicabilidade da
proposta pedagógica, que evidencia a Es-
piritualidade Ecumênica na prática. Assim,
o MAPREI é utilizado no planejamento das
atividades da matriz curricular das escolas
da Instituição, bem como nas ações lúdicas
e esportivas em outras unidades de atendi-
mento, em conformidade com as diferentes
faixas etárias amparadas nesses locais. O
objetivo do MAPREI é desenvolver no alu-
no habilidades investigativas, racionais e
intuitivas por meio do incentivo à pesquisa
e do aprofundamento de temas, recursos
esses primordiais para a construção do co-
nhecimento. O aluno é visto como protago-
nista do processo de aprendizagem, sob a
ação mediadora dos educadores.
Fotos:VivianR.Ferreira
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 29
Estímulo cognitivo individualizado
Durante as edições do Congresso Internacional de Educação da
LBV, têm sido apresentados relatórios da coleta de dados de institui-
ções educacionais que encaminharam seus graduandos às escolas
da Legião da Boa Vontade, dados esses que possibilitam uma men-
suração mais detalhada do avanço alcançado pelos alunos orienta-
dos de acordo com a linha educacional da Entidade. Nesses estudos
acadêmicos, foram verificadas situações de progresso de estudantes
na superação de defasagem pedagógica e em casos de distúrbio de
aprendizagem. A conclusão desses trabalhos afirma que esses bons
resultados estão ligados a estratégias de estímulo cognitivo individua­
lizadas (mediante o diagnóstico recebido de profissionais que acom-
panham os discentes), as quais têm como foco a contínua apreensão
dos conteúdos e o diferencial de que estes são permeados pelos
conceitos fraternos e solidários, que fundamentam a proposta peda-
gógica da LBV (leia mais sobre o assunto na p. 32).
Quem: Professora Emília
Cipriano, secretária-adjunta
de Educação de São Paulo/SP.
Quando palestrou: No 14o
Congresso Internacional de
Educação da LBV, em 2015.
“É a construção de uma
rede humana a serviço da
vida, da transformação de
uma realidade que não
é esta — do consumo,
da visão superficial —,
mas é aquela que dá
sentido para a existência.
Encontros dessa natureza
nos fortalecem.”
de problemas mundiais, entre eles
a exclusão social, os vários tipos de
conflito, o abandono, a solidão, a
fome e a degradação do ecossistema
em todo o orbe.
“CÉREBRO E CORAÇÃO”
Na Legião da Boa Vontade, pro-
curamos sempre derrubar a ideia
preconcebida de que há a impos-
sibilidade de expansão acadêmica
dos que vêm de famílias com pou-
cos recursos socioeconômicos. Por
isso, trabalhamos o aluno utilizan-
do a perspectiva proposta pelo di-
retor-presidente da LBV de “aliar
Cérebro e Coração”, pois, conforme
ele destaca em seu livro É Urgente
Reeducar!, “(...) é essencial enxer-
gar além do intelecto. A mente sem
o sentimento é forma castradora
de pensar”.
Tendo isso em conta, é impor-
tante mencionar que as oficinas
pedagógicas do congresso de edu-
cação da LBV abrem espaço para
dis­cussões sobre práticas que pos-
cidade do Porto, em Portugal, em
novembro de 2015, o 15o
Congresso
Internacional de Educação da LBV,
que reuniu acadêmicos e profissio-
nais de áreas afins ao ensino. Na
ocasião, houve o compartilhar de
experiências e a realização de ati-
vidades de fomento da consciência
socioambiental, promovidas estas
pela Instituição com o propósito de
fazer os participantes refletir acerca
OPINIÃO – EDUCAÇÃO
PedroRioMarcoSemblano
Porto, Portugal
30 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
sibilitem mudanças para melhor
no seio das famílias. Graças a essas
ações, os estudantes têm conseguido
ultrapassar os limites, aparen-
temente intransponíveis, esta-
belecidos muitas vezes pela socie-
dade aos que vivem em situação de
vulnerabilidade social, estereótipo
esse que a Instituição busca ajudar
a desconstruir.
O encontro também contribui
para maior comprometimento de
professores, gestores escolares,
assistentes sociais, psicólogos e
outros profissionais da educação
e de áreas afins com a quebra de
barreiras sociais, econômicas e in-
telectuais. Sob os preceitos da Edu-
cação com Espiritualidade Ecumê-
nica — bandeira que propõe unir
aos conteúdos cognitivos os valores
espirituais, éticos e ecumênicos —,
sugere-se a execução na sala de aula
de ações que promovam a conscien-
tização sobre a imprescindibilidade
dos cuidados ambientais, entre es-
tas as de economia de água e de pre-
servação da Natureza. Iniciativas
como essas colaboram para inspirar
aos educandos, desde a mais tenra
idade, a tomada de decisões a favor
do planeta, sem atitudes egoísticas
de desgaste ou de extinção dos bens
naturais de nosso orbe.
Realizada de 29 de junho a 1o
de
julho deste ano, na capital paulis-
ta, a 16a
edição do Congresso In-
ternacional de Educação da LBV
enfocou o tema “Socialização do
saber na aprendizagem coletiva:
uma visão além do intelecto”. O
evento reforçou a importância do
incentivo às trocas de conhecimen-
to, a partir da educação infantil,
na vivência de valores solidários,
que devem permear os hábitos e
os conteúdos pedagógicos, enri-
quecendo, assim, o estudo coletivo
dos alunos, os quais necessitam ser
provocados à discussão de assun-
tos que abranjam desde questões
individuais a temáticas globais.
Em tempos nos quais a sustenta-
bilidade e outros tópicos precisam
ser continuamente debatidos, por
meio das mais diversas aborda-
gens, o estímulo às práticas que
despertem os educandos para o
exercício da Cidadania Planetária
torna-se indispensável a fim de
que haja a formação de crianças,
adolescentes e jovens efetivamente
comprometidos com a solução das
questões socioambientais.
Quem: Celso Antunes, educador e
psicopedagogo.
Quando palestrou: No 7o
Congresso
Internacional de Educação da LBV,
em 2009.
“Quando o pedido é da LBV,
dou prioridade incontestável,
porque jamais deixarei de
aceitar um convite dela, não
apenas pela amizade que a
LBV me desperta, mas também
pela grandeza da obra de
Paiva Netto, pelo significado
que esse trabalho representa
e pelo projeto que a Instituição
desenvolve. Na verdade,
não estava assumindo um
compromisso, mas cumprindo
uma obrigação. Muito
obrigado! Foi uma honra, uma
felicidade estar com vocês.”
ArquivoBVVivianR.Ferreira
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 31
PRÁTICA EDUCACIONAL
32 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
O
trabalho acadêmico de Karen Reis Ribeiro, ex-estudante do
Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, reper-
cutiu de forma muito positiva não só entre educadores, mas
também entre integrantes da equipe desta revista. Os debates e as
reflexões ocasionados pelo estudo geraram a seguinte pergunta, à
qual esta reportagem tenta responder: “A escola pode neutralizar
a interferência socioambiental e promover um melhor aprendizado
dos alunos?”.
Os bons resultados alcançados por meio da ação da LBV na área
educacional — trabalho esse que tem como base a Pedagogia do Afeto
e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico (leia mais sobre o tema na p.
26), criadas pelo diretor-presidente da Entidade, o jornalista, radia-
lista, escritor e educador José de Paiva Netto — sinalizam que sim.
Eles são ainda mais expressivos se for considerado o público: pessoas
e famílias em situação de vulnerabilidade social. Ao publicar esta ma-
téria, a revista pretende dividir a experiência e as boas práticas da
Instituição e inspirar outros atores sociais para que o ideal fraterno de
incluir socialmente crianças, adolescentes, jovens e adultos que não
acompanham a educação formal se transforme em realidade.
desigualdades
Ação da LBV faz com que escola tenha índices de
países desenvolvidos e vira objeto de estudo em
congresso na Europa
Leila Marco
Vencendo
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 33
educação de qualidade
Como a LBV atua para melhorar o desenvolvimento social e emocional da criança
PRÁTICA EDUCACIONAL
doensinofundamental,surpreendeu
os examinadores do trabalho, pois a
unidade educacional apresen-
tou índices de distúrbios de
comunicação semelhantes aos
encontrados na população de
países ricos e desenvolvidos,
o que mostra “quanto uma boa es-
cola faz diferença na vida dos alu-
nos”. Ela credita a melhoria de tais
níveis à linha pedagógica da Legião
da Boa Vontade, proposta essa que
fundamenta o ensino em valores es-
pirituais, éticos e ecumênicos e tem
como objetivo promover a formação
integral do ser humano, consideran-
do, ao mesmo tempo, os potenciais
intelectual, emocional e psicológico
deste.
Para a dra. Noemi Takiuchi,
professora adjunta do curso de Fo-
noaudiologia da Faculdade de Ciên­
cias Médicas da Santa Casa de São
Paulo e orientadora do TCC de
Karen, a pesquisa tem um caráter
inédito. “Ao fazermos a revisão da li-
teratura [acadêmica sobre o tema],
vimos que, quando a criança vem
de um ambiente social menos favo-
recido, isso tem um impacto enorme
no desenvolvimento da linguagem e
da leitura. Foi o oposto do que acha-
mos na LBV. Encontramos crianças
com baixos recursos, mas bons de-
sempenhos. (...) Foi importante ver
quanto uma escola consegue rea-
lizar um trabalho diferenciado, de
alta qualidade, e com crianças que
vêm de ambientes nem sempre tão
favoráveis. Esse ineditismo do re-
sultado chamou muito a atenção da
banca, dos professores que partici-
param da apresentação”, revela.
Segundo a Associação America-
na para Fala, Linguagem e Audição
(ASHA, na sigla em inglês), distúr-
bio de comunicação é a dificuldade
de receber, expressar, processar e
compreender conceitos, seja na for-
ma verbal, seja na não verbal, seja
na escrita. Os indivíduos podem
demonstrar um único distúrbio ou
uma combinação deles.
Apesar de serem poucos os estu-
dos na área no Brasil, especialistas
são categóricos em afirmar que existe
um quadro de alta prevalência des-
sas disfunções na primeira infância
e que, na ausência do suporte neces-
sário, estas podem ocasionar proble-
K
aren frequentou o Conjunto
Educacional Boa Vontade do
berçário ao ensino médio. O
carinho, o respeito e a troca de co-
nhecimentos e vivências entre edu-
cadores e educandos que ela teve
no local levaram-na a cursar Peda-
gogia, sua primeira graduação, e, no
fim de 2015, terminou a faculdade
de Fonoaudiologia. Foi o Trabalho
de Conclusão de Curso (TCC) des-
sa segunda graduação, intitulado
“Identificação de distúrbios da co-
municação em estudantes do ensino
fundamental”, alvo de especial aná-
lise da equipe da BOA VONTADE.
A jovem conta que o resultado da
pesquisa realizada no referido colé-
gio, com discentes do segundo ano
“Verificamos vários
aspectos contemplados
na proposta pedagógica
da LBV que atuam como
fatores protetivos. Então,
algumas crianças que
poderiam vir a desenvolver
algum tipo de dificuldade
[têm a possibilidade de não
desenvolvê-lo], pelo fato de
estar expostas ao método
de ensino e de leitura
diferenciado da Instituição.”
DRA. NOEMI TAKIUCHI
Professora adjunta do curso de
Fonoaudiologia da Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de
São Paulo
VivianR.Ferreira
34 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
mas no futuro. “Uma criança com
distúrbios da comunicação pode
ficar mais retraída ou, às vezes, ter
até um quadro depressivo, porque
é inteligente, percebe o impacto que
a fala dela provoca nos outros. Ela
frequentemente é vítima de bullying;
então, é vitimizada pelas dificulda-
des de comunicação, e, a longo pra-
zo, isso pode acarretar menos opor-
tunidades acadêmicas e no mercado
de trabalho”, ressalta a dra. Noemi.
FATORES PROTETIVOS
Empolgada com o retorno posi-
tivo da pesquisa empreendida por
Karen, a professora destaca a im-
portância de fazer uma análise mais
abrangente na escola da Legião da
Boa Vontade. “As crianças en-
tram bebês e permanecem até
o fim do ensino médio. Isso é
muito raro. É raro a gente ter
Diferencial das escolas da LBV
Além de terem uma sólida infraestrutura, as unidades educacio-
nais da Legião da Boa Vontade aplicam uma metodologia diferen-
ciada (firmada nos valores da Espiritualidade Ecumênica), que inclui
diversas atividades extracurriculares com o intuito de promover o
desenvolvimento de habilidades cognitivas* e de comunicação.
* Habilidades cognitivas — São um conjunto de habilidades aprendidas em diferentes
graus, conforme um indivíduo cresce e se desenvolve mentalmente. Ao contrário de habili-
dades que são baseadas em conhecimento acadêmico, as habilidades cognitivas são habili-
dades usadas para aprender, compreender e integrar as informações de forma significativa.
Informação aprendida cognitivamente é entendida e assimilada, não apenas memorizada
(Fonte: site da Universidade Estácio de Sá).
Biblioteca,
sala de
leitura
Laboratório
de
informática
Artes
marciais
Xadrez MúsicaDança Esportes em
equipe
Vivian R. Ferreira
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 35
essa continuidade, essa esta-
bilidade, e estudos longitudi-
nais são muito difíceis de ser
feitos, por conta da mobilida-
de das crianças. (...) Na Insti-
tuição, temos o cenário ideal
para estudar tanto os fatores
de risco como os protetivos.
Verificamos vários aspectos con-
templados na proposta pedagógi-
ca da LBV que atuam como fatores
protetivos. Então, algumas crian-
ças que poderiam vir a desenvol-
ver algum tipo de dificuldade [têm
a possibilidade de não desenvol-
vê-lo], pelo fato de estar expostas
ao método de ensino e de leitura
PRÁTICA EDUCACIONAL
Pesquisa sobre escola
da LBV estará em
congresso na Irlanda
A pesquisa de Karen Reis
Ribeiro, realizada no Conjunto
Educacional Boa Vontade, para
o TCC do curso de Fonoaudio-
logia da Faculdade de Ciências
Médicas da Santa Casa de São
Paulo, intitulado “Identificação
de distúrbios da comunicação
em estudantes do ensino fun-
damental”, é um dos trabalhos
que representarão o Brasil no
30o
Congresso Mundial da As-
sociação Internacional de Lo-
gopedia e Fonoaudiologia (IALP,
na sigla em inglês), que ocorrerá
de 21 a 25 de agosto de 2016,
em Dublin, na Irlanda. O traba-
lho acadêmico passou por uma
seleção rigorosa, concorrendo
com pesquisas de vários países,
antes de ser escolhido para esta
edição do evento.
diferenciado da Instituição, além
de [contar com] a família traba-
lhando com as crianças, de parti-
cipar muito das atividades, de ter
até acesso a atividades diferencia-
das, como, por exemplo, música,
informática, educação física, boa
alimentação, [porque] tudo isso
funciona como fator protetivo.”
ESTUDANTES DE ALTO
DESEMPENHO
A orientadora ainda destaca que
é muito interessante ver também os
efeitos da Pedagogia do Afeto e da
Pedagogia do Cidadão Ecumênico na
universidade. “A Santa Casa está re-
cebendo ex-alunos da LBV nos cur-
sos de Fonoaudiologia, Enferma-
gem e Medicina. Eles têm um perfil
diferenciado; são estudantes de alto
desempenho. Nessa parceria com a
Santa Casa, há a possibilidade de
formar líderes, não só profissionais,
mas profissionais que vão lutar
pelas questões importantes — no
nosso caso, em relação à fonoau-
diologia, à saúde da comunicação
humana.”
VivianR.Ferreira
Karen Reis Ribeiro durante atividade
com alunos no PAR Boa Vontade. Leia
mais sobre este programa na p. 56.
“A gente está recebendo
ex-alunos da LBV nos
cursos de Fonoaudiologia,
Enfermagem e Medicina.
Eles têm um perfil
diferenciado; são estudantes
de alto desempenho.”
DRA. NOEMI TAKIUCHI
36 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
foco na família
Ela também já escreve o próprio
nome”, conta.
“Agora, estou tranquila, saben-
do que minha filha está bem cuida-
da e alimentada. Com esse auxílio,
melhoramos nossa vida. Tenho
uma geladeira em casa, um grande
passo e muito necessário para o lar,
mas antes não tinha dinheiro para
isso. Trabalhando sozinha, concen-
tro-me mais, e a renda cresceu. Na
LBV, tudo é gratuito, e, com esse
apoio, vou comprando coisas para
minha família. Agradeço à Institui-
ção pela ajuda”, conclui.
A
história de Teresa Franco,
mãe de Rosa Isabel, de 4 anos,
atendida no Jardim Infantil e
Pré-Escolar José de Paiva Netto,
estabelecimento de ensino da Le-
gião da Boa Vontade em Assunção,
no Paraguai, é uma das inúmeras
narrativas que, além de comove-
rem, mostram o valor de cuidar do
núcleo familiar para a melhora da
qualidade de vida e do desenvol-
vimento pedagógico do aluno. Há
muito tempo, essa mulher, de 45
anos, enfrenta grandes desafios para
sobreviver. Sem emprego fixo, per-
corre os bairros da capital paraguaia
vendendo produtos. A situação ficou
pior quando engravidou e, princi-
palmente, após o nascimento de
sua filha. Só e não tendo com quem
deixar a criança, precisou levá-la
consigo para a atividade na rua logo
nos primeiros dias de existência da
menina. “Isso me preocupava bas-
tante, porque ela era tão pequena
e não tinha horário para comer; fi-
cava sob o sol forte, sem água... Foi
muito difícil”, relembra.
Essa árdua rotina, que durou
mais de dois anos, foi interrompida
quando Teresa conseguiu vaga para
Rosa Isabel, em período integral, na
escola da Entidade. Segundo a mãe,
o ingresso no local abriu novos hori-
zontes à criança. “Minha filha apren-
deu muitos valores na LBV; está
mais comunicativa e independente.
Alunos do Jardim Infantil e Pré-Escolar José de Paiva Netto participam de atividade
lúdica com duas genitoras. No destaque, a aluna Rosa Isabel e sua mãe, Teresa Franco.
Paraguai
LeillaTonin
RaquelDíaz
“Minha filha aprendeu
muitos valores na LBV;
está mais comunicativa e
independente. Ela também
já escreve o próprio nome.”
TERESA FRANCO
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 37
E
sta matéria começa com um fato
curioso: o entrevistado e eu cho-
ramos durante o relato da his-
tória de vida dele e de sua família.
Não foram lágrimas amargas, e sim
de bom orgulho, ao conversarmos
sobre a trajetória de alguém que,
aparentemente, tinha motivos para
devolver à sociedade a violência que
recebera na infância, mas que, em
vez disso, deu a volta por cima e se
tornou, mais do que bom professor,
uma pessoa que tem por nortes da
existência o Amor ao próximo e o
Bem.
Esse personagem é William
Souza Lobo, de 33 anos, graduado
em Educação Física, com extensão
universitária em treinamento es-
pecífico e funcional, que atua como
instrutor de caratê no Conjunto
Educacional Boa Vontade, em São
Paulo/SP. No emocionante bate-
-papo, ele se referiu, com profundo
amor, à profissão, a seus alunos e à
vivência familiar.
“Eu era morador de rua. Uma
De morador de rua
a professorA trajetória vitoriosa de quem encontrou na escola da LBV uma segunda família
PRÁTICA EDUCACIONAL
Brasil
Vivian R. Ferreira
Leila Marco
38 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
vez, passei em frente à LBV e fa-
lei à minha mãe: ‘Nossa, que lu-
gar grande! Como seria bom fi-
car aqui!’.” Foi assim que William
iniciou sua narrativa, provocando
o olhar surpreso da equipe desta
revista. Na sequência, vieram no-
vas revelações não menos tocantes,
por meio das quais contou de que
modo ele, a mãe, dona Noe­mia
Souza Lobo, e os três irmãos mais
jovens sobrepujaram as dificuldades
das ruas e se tornaram cidadãos ple-
nos e profissionais bem-sucedidos,
com formação universitária. “Todos
nós fomos acolhidos pela LBV. Eu
tive tudo na escola, desde o banho,
a alimentação, a roupa... A Legião
da Boa Vontade foi mãe, segunda
mãe, pai, tio; foi tudo! Até o fato de
ser professor hoje foi por conta da
Instituição. É incrível! Deu [tudo]
certo!”, rememorou.
Nessa transição, a família passou
dois anos morando debaixo do Via-
duto do Chá, na capital paulista, e,
depois, mais alguns anos residindo
de favor em casas de amigos e de pa-
rentes antes de conseguir o próprio
lar. “[Esse período] foi complicado,
muito difícil. Apanhávamos todo
dia na rua, de meninos maiores e
de homens adultos. Quando tinha 9
anos, tomei um tapa no rosto por-
que peguei uma bolacha em uma
doceria. Apanhamos eu e meu ir-
mão para me defender”, lamentou.
AMOR E PACIÊNCIA
Como os integrantes dessa famí-
lia conseguiram vencer tantos obs-
táculos foi pergunta parcialmente
respondida. Para William, o êxito
de sua caminhada está no processo
pedagógico da LBV. “É muito gran-
de o empenho dos educadores, e
estuda-se bastante. A criança que
vem de outra escola para cá sente
a diferença na forma de trabalhar
cada passo. A maneira de tratar o
estudante é mais abrangente, [pois]
abraça a criança e sua família”, res-
saltou. Para exemplificar, aludiu ao
próprio caso. “Como vivia na rua,
houve época em que eu não tinha
roupa. A que usava na sexta-feira
era a mesma do sábado e do domin-
go. Eu só me trocava aqui na LBV
na segunda-feira. (...) Ao chegar à
AndréFernandes
CidaLinares
“Todos nós fomos acolhidos
pela LBV. Eu tive tudo na
escola, desde o banho, a
alimentação, a roupa... A
Legião da Boa Vontade foi
mãe, segunda mãe, pai, tio;
foi tudo! Até o fato de ser
professor hoje foi por conta
da Instituição. É incrível! Deu
[tudo] certo!”
WILLIAM SOUZA LOBO
Vista parcial do Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, escola que
William Lobo frequentou durante a educação básica. Na foto abaixo, ele aparece ao
fundo durante apresentação em feira cultural.
escola, levavam-me até o banhei-
ro para tomar banho. Eu colocava
o uniforme, tomava café e ia estu-
dar.”
Ele também destacou a pa-
ciência dos educadores em ou-
vir o aluno para descobrir as di-
ficuldades deste e ajudá-lo. “Eu
nunca vou me esquecer dos pro-
fessores, em especial da Adria-
na, do Marcelo e da Sandra.
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 39
O professor Marcelo colocava-me
nas primeiras cadeiras da sala e
dizia: ‘Qualquer dúvida [que você
tiver,] é só olhar para mim’, por-
que eu não conseguia ter um bom
rendimento. Quando não entendia
algo, já olhava, e ele falava: ‘Você
quer pegar essa parte de novo?’. Aí,
sentava comigo e explicava tudo
novamente.”
Outro aspecto que diferencia o en-
sino nas unidades da LBV, segundo
o instrutor de caratê, é o conceito de
educação integral. “Esse sistema leva
o estudante a evoluir o tempo todo.
Eu tinha dificuldades, mas o que não
conseguia fazer, entender de manhã,
completava à tarde, a ponto de estu-
dar e compreender [os conteúdos], de
ficar mais fácil. Na verdade, se parar
para pensar, não estava mais tran-
quilo; eu é que consegui melhorar pe-
dagogicamente”, comentou.
Ao se escutar William falar, per-
cebe-se que tudo o que recebeu da es-
cola o fortaleceu e fez dele uma pes-
soa mais solidária. “Às vezes, estou
em casa e penso neles [os alunos].
Eu tenho minha filha, mas eles es-
tão em meu pensamento; são como
meus filhos. (...) Na LBV, a criança
está segura e protegida de violên-
cias, do frio e da fome. Para mim,
essa proteção, esse acolhimento, em
resumo, isso tudo é Amor. Proteger
a criança é fundamental, e a Insti-
tuição faz muito isso. Eu acredito
que fui protegido pela escola, cui-
dado e amparado”, declarou.
O educador finalizou o testemu-
nho agradecendo ao diretor-pre­
sidente da Entidade. “Deus e Paiva
Netto nos ampararam. Nunca es-
tamos sozinhos; temos Deus, a
força reinante do Universo. Acre-
dito que o Criador foi manifesta-
do nele. (...) Tem gente que ouve
Deus neste mundo, e eu acho que o
Paiva Netto ouve Deus. A LBV é fru-
to disso”, concluiu.
Quem: William Souza Lobo
Idade: 33 anos
De onde: São Paulo/SP
O que faz: Trabalha há doze anos
como instrutor de caratê.
Para ele: Não basta ir bem no
esporte. É preciso ter boas notas
também.
Orgulho: Seus alunos nunca
tiveram uma aula igual à outra.
Sonho: Ver caratecas ensinados
por ele conquistar a faixa preta.
“Na LBV, a criança está
segura e protegida de
violências, do frio e da fome.
Para mim, essa proteção, esse
acolhimento, em resumo,
isso tudo é Amor. Proteger
a criança é fundamental, e a
Instituição faz muito isso.”
PRÁTICA EDUCACIONAL
VivianR.Ferreira
Confira detalhes
da entrevista na
reportagem da
Boa Vontade TV
40 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
P
or meio do programa Estudan-
tes de Boa Vontade pela Paz
(em inglês, Good Will Students
for Peace), a LBV dos Estados Uni-
dos oferece a escolas públicas nor-
te-americanas importante apoio
na redução de comportamentos de
risco. Com a iniciativa, a Entidade
visa, além de fomentar o desempe-
nho acadêmico das crianças e dos
adolescentes participantes, ajudar a
consolidar de maneira positiva o ca-
ráter deles, contribuindo, dessa for-
ma, para que sejam pessoas de Bem
e para que colaborem na edificação
de um mundo melhor e na promo-
ção da Cultura de Paz.
Assim, em consonância com a
linha educacional da Legião da Boa
Vontade — composta da Pedagogia
do Afeto e da Pedagogia do Cidadão
Educar para a PazPedagogia da LBV ajuda a reduzir comportamentos de risco em escolas norte-americanas
Ecumênico — e com as diretrizes
do programa, educadores da Ins-
tituição atuam em parceria com os
professores dos colégios associados
a ela, realizando atividades solidá-
rias criativas dentro e fora da sala
de aula, as quais são integradas ao
currículo escolar. O objetivo destas
é sempre impulsionar o desenvolvi-
mento integral dos alunos, isso por-
que a LBV leva em conta não ape-
nas a parte cognitiva, mas também
as dimensões além do intelecto do
indivíduo, isto é, a espiritual, a fí-
sica, a psíquica e a social, conforme
defende o educador Paiva Netto,
criador da proposta pedagógica
da Entidade. Para que esse intuito
seja alcançado, busca-se estimu-
lar o protagonismo dos educandos
em ações diversas tanto na escola
quanto na comunidade, entre as
quais as de preservação do meio
ambiente e de combate à fome e
ao bullying. Mais de dois mil estu-
dantes do Estado de Nova Jersey já
participaram do referido programa,
que tem duração de três meses em
cada uma das respectivas edições.
APRENDIZADO PARA A VIDA
O sucesso da aplicação da pro-
posta educacional da Legião da Boa
Vontade pode ser comprovado ob-
servando-se casos reais de trans-
formação pessoal, entre estes o de
Mohammed, de 9 anos, que inte-
grou a citada iniciativa da LBV em
2014. O episódio narrado a seguir
mostra o que a educação de qualida-
de e voltada para os bons valores é
capaz de fazer pelo ser humano.
Sâmara Caruso e Danilo Parmegiani
Estados Unidos
ElianaGonçalves
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 41
Recentemente, voluntários da
Instituição que empreendiam o pro-
grama Ronda da Caridade*, em um
dos abrigos temporários para famí-
lias em situação de extrema vulne-
rabilidade social em Newark, Nova
Jersey, foram surpreendidos e im-
pactados por um acontecimento in-
comum. Da fila dos que esperavam
para receber a nutritiva refeição le-
vada pela LBV e passar por exames
de saúde saiu Mohammed. O meni-
no, que estava vivendo com a mãe e
o irmão naquele local e aguardava,
junto dos demais, o atendimento, se
aproximou da equipe da Entidade e
disse: “Olá! Eu sou um Estudante
de Boa Vontade pela Paz e também
quero ajudar. Vou ao meu quar-
to buscar o meu bóton”. Ele, en-
tão, subiu entusiasmado as escadas
para pegar o distintivo da LBV (um
coração azul), que todos os alunos
ganham ao concluir a participação
no programa. Quando retornou, os-
tentava no peito o emblema e, com
um doce sorriso, anunciou: “Agora
estou pronto! Em que posso colabo-
rar?”. Logo, assumiu um posto na
distribuição do chocolate quente.
Terminou o dia feliz por ter contri-
buído para beneficiar aqueles que
se encontravam em condição social
semelhante à dele e à de sua família.
Essa história constitui podero-
sa lição a todos nós, ainda mais se
considerarmos que o exemplo foi
dado por uma criança, que, por ter
o coração e o Espírito providos de
valores elevados, reconheceu a im-
portância do próprio papel de li-
derança solidária, que igualmente
possuímos e devemos exercer para
a construção de um orbe melhor,
justo e fraterno.
* Ronda da Caridade — Trata-se de um tra-
balho emergencial de amparo a pessoas em
situação de rua e de abrigos. O serviço itine-
rante leva refeição, apoio social e conforto es-
piritual. A ação procura também conscientizar
o cidadão de seu próprio potencial e habilida-
des, para que possa desenvolvê-los e, assim,
assegurar o sustento pessoal.
Programa é avaliado em pesquisa
A LBV dos Estados Unidos realizou pesquisa a fim de aferir os resul-
tados do programa Estudantes de Boa Vontade pela Paz nas escolas
parceiras. A percepção dos educandos sobre a iniciativa é a seguinte:
94,6%
56%
97% 95,2%disseram que gostaram
de incorporar os bons
valores às aulas e que
houve melhora do
comportamento coletivo
afirmaram que tiveram aumento médio das habilidades e das
atitudes positivas, incluídas nestas a superação de conflitos, a
colaboração em grupo, o progresso no desempenho acadêmico
e o respeito às diferenças
relataram que o
programa ajudou
na compreensão
dos conteúdos
acadêmicos
responderam que a
iniciativa tornou as
aulas mais animadas
e interessantes
PRÁTICA EDUCACIONAL
LIDERANÇA SOLIDÁRIA Depois de exibir com orgulho o bóton com o distintivo da LBV, recebido após sua participação no
programa Estudantes de Boa Vontade pela Paz, o menino Mohammed, ladeado pela equipe de voluntários da Instituição, distribui
chocolate quente em abrigo para famílias em situação de vulnerabilidade social em Newark, Nova Jersey, EUA.
Fotos:AdrianaParmegiani
42 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
LeillaTonin
O
site Intercolegial publicou, em
21 de maio de 2016, a história de
superação do aluno de inclusão
do Centro Educacional José de Paiva
Netto, durante o 34o
Intercolegial,
uma competição estudantil espor-
tiva promovida pelo jornal O Globo
e pela Abadai Produções. A seguir,
na íntegra, a reportagem intitulada
“Xadrez dá show de integração com
participação de Gabriel Santana”:
“Engana-se quem pensa que
ter a mobilidade reduzida é motivo
para não participar do Intercole-
gial. O Xadrez desta 34a
edição da
maior competição entre colégios do
país deu mais um show de integra-
ção com a participação de Gabriel
Santana. O aluno do 9o
ano do Cen-
tro Educacional José de Paiva Netto,
de Del Castilho, Zona Norte do Rio
Aluno da LBV com hidrocefalia mielomeningocele é
destaque em campeonato Intercolegial
Xadrez e superação
[de Janeiro/RJ], nasceu com hidro-
cefalia mielomeningocele e precisa
de uma cadeira de rodas para se
locomover, mas não é nada que o
impeça de ser um dos grandes des-
taques do esporte em sua escola.
“Ao nascer, o jovem foi desenga-
nado pelos médicos, mas, felizmen-
te, eles estavam errados, e Gabriel,
hoje, comemora a interação com os
colegas.
“‘É um sentimento de alegria. Há
um esporte que eu posso participar
e interagir juntamente com os meus
colegas e com a escola, que me
recebeu de braços abertos, sempre
me integrando junto com todo
mundo e nenhuma diferença. Isso
é muito gratificante pra mim’, afir-
mou.
“A paixão pelo Xadrez começou
por acaso, na escola. Gabriel nunca
havia jogado, mas aceitou o convite
de um professor e, agora, não quer
saber de outra coisa.
“‘O Bruno, que é meu profes-
sor de Matemática e Xadrez, me
chamou para jogar. Eu não conhe-
cia antes, mas me interessei. Como
você pode ver, gostei muito e estou
aqui até os dias de hoje’, comentou.
“Apesar do bom início de com-
petição, Gabriel acabou sendo eli-
minado na sexta e última fase da
categoria Sub-18 não federada
masculina. O resultado, no entanto,
pouco importa para quem já nasceu
vencendo”.
Na Cidade Maravilhosa, a Legião
da Boa Vontade desenvolve o seu
trabalho em duas frentes de ação: o
Centro Educacional da Instituição e
o Centro Comunitário de Assistên-
cia Social. A escola é composta de
22 salas de aula, berçário, solário,
ambulatório médico, quadra polies-
portiva e auditórios. Em seu Centro
Comunitário de Assistência Social,
a LBV atende centenas de famílias.
As ações ocorrem por meio dos pro-
gramas  Jovem: Futuro no Presen-
te!,  Cidadão-Bebê,  Capacitação e
Inclusão Produtiva,  Vivência Soli-
dária e Vida Plena.
Gabriel Santana, de 14 anos,
atua como goleiro na equipe
de futsal da escola da LBV, no
Rio de Janeiro/RJ.
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 43
ESPORTE
e cidadaniaMariane de Oliveira Luz
Esporte
Com a prática
esportiva, a
LBV promove
inclusão social
de crianças
e jovens em
comunidades
vulneráveis.
DanielTrevisan
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 45
A
cada quatro anos, povos de diferentes culturas, línguas e
etnias congregam-se em virtude dos dois maiores eventos es-
portivos do planeta: os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos,
que, em 2016, ocorrerão no Rio de Janeiro/RJ, no Brasil, respecti-
vamente, de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro, reunindo mais
de 206 nações e cerca de 10.500 atletas profissionais. A proximidade
desses acontecimentos traz à reflexão a importância da atividade fí-
sica e faz perceber a soma de benefícios que a prática esportiva pode
proporcionar às pessoas, se feita de modo regular e com o devido
acompanhamento profissional.
Em recente pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saú-
de (OMS), detectou-se a necessidade de olhar o assunto com maior
atenção. De acordo com o estudo, 5,3 milhões de indivíduos em todo
o mundo morrem por ano de doenças associadas à inatividade física.
No Brasil, o número chega a 300 mil óbitos no mesmo período. O pro-
blema é sério e merece o empenho dos órgãos públicos competentes
e da sociedade.
ALIADO DA APRENDIZAGEM
Que o esporte ajuda a manter o bem-estar e a autoestima do pra-
ticante e contribui para uma vida saudável já se sabe. Agora, o que
ele também pode fazer quando bem utilizado no contexto escolar e
comunitário? Educadores de Esporte concordam que a prática des-
portiva pode potencializar o aprendizado de crianças e adolescen-
tes. Isso porque, além de trabalhar o corpo e melhorar a disciplina,
a concentração, a agilidade e a coordenação motora deles, os inspira
a vivenciar a consideração pelos semelhantes, a solidariedade e a ati-
vidade em equipe, imprescindíveis para a promoção da Cultura de
Paz. “Aprender [um esporte] implica planejar, experimentar, deci-
dir, relacionar-se com as outras pessoas (...). Ao interagirmos com
elas por meio de um jogo simples, aprendemos diversos valores que
levamos para nossa vida, entre eles o respeito às regras e ao próxi-
mo, um dos mais exigidos no meio esportivo em geral”, afirma o edu-
cador físico do Centro Comunitário de Assistência Social da Legião da
Boa Vontade em Santos/SP, no Brasil, João Fragoso.
Na LBV, o desporto é um grande aliado no processo de ensino–
aprendizagem. Para que se tenha noção da abrangência do que ela
empreende na área da atividade física, cabe destacar que boa parte
das 42 modalidades que serão disputadas nesta edição das Olim-
píadas é praticada pelos atendidos da Instituição. Essa iniciativa é
pautada pela campanha pioneira da Entidade Esporte é Vida, não
violência!.
Em consonância com esse lema, a associação do esporte aos
conteú­dos aplicados em salas de aula e de atividades — ambos com o
diferencial da Espiritualidade Ecumênica — tem produzido resulta-
dos cada vez melhores dentro e fora das quadras, dos campos e dos
ginásios, como traremos nesta reportagem.
Formando campeões
O badminton é ainda pouco conhecido no Brasil se
comparado a outras modalidades esportivas, mas em
duas unidades da LBV é o queridinho da garotada. Para
muitos, pode parecer um simples jogo de raquete com
peteca, semelhante ao tênis, mas, além de divertir, ajuda
a desenvolver a concentração e a coordenação motora
de quem o pratica. Os atendidos nos Centros Comunitá-
rios de Assistência Social da Instituição em Aracaju/SE e
no Rio de Janeiro/RJ que o digam!
Na capital sergipana, a dedicação das crianças a
esse esporte nas oficinas de atividades esportivas ge-
rou resultados impressionantes ao longo de um ano e
cinco meses que a modalidade vem sendo praticada no
local. A participação da delegação da Entidade no Cam-
peonato Norte e Nordeste de Badminton é um exem-
plo, isso porque as atletas mirins Maria Eduarda, de 11
anos, e Taislaine Rodrigues Lima, de 14 anos, integram
a Seleção Sergipana e chegaram aos lugares mais altos
do pódio, conquistando medalhas de ouro e de prata,
respectivamente.
ESPORTE
VâniaBandeira
Quem: Taislaine Rodrigues Lima
Idade: 14 anos
De onde: Aracaju/SE
Programa da LBV de que participa:
Jovem: Futuro no Presente!
Esporte: Badminton
Curiosidade: Faz parte da Seleção Sergipana de
Badminton e já conquistou duas medalhas de ouro, uma
de prata e três de bronze.
“O badminton modificou minha vida e é muito
importante para mim. Eu me sinto alegre quando
estou jogando. Antes, eu sofria bullying; as
pessoas me chamavam de gorda por causa do
meu perfil mais forte, mas, depois que comecei a
praticar o badminton, começaram a me ver como
uma campeã. (...) Meu comportamento em casa e
na escola mudou também, porque, no badminton,
aprendemos a ter educação, a respeitar os pais,
a ser quietos na escola, pois há o momento de
brincar e de aprender.”
Brasil
LeillaTonin
46 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
ARNOLD SCHWARZENEGGER APOIA AÇÃO DA LBV
O ator Arnold Schwarzenegger esteve no Rio de Janeiro/RJ, em abril
deste ano, para participar da quarta edição do evento Arnold Classic
Brasil. Na oportunidade, o astro de Hollywood e ex-governador do Esta-
do da Califórnia, nos Estados Unidos, demonstrou simpatia pelo projeto
Geração UPP, por meio do qual são atendidos cerca de nove mil crian-
ças e adolescentes de comunidades onde atuam as Unidades de
Polícia Pacificadora (UPPs) e que conta com o apoio da Legião
da Boa Vontade. Ele interagiu com os jovens atletas durante
a celebração da vitória do bicampeão de caratê Jhonatan de
Sousa Jobim, de 15 anos, cuja família é atendida pela LBV,
mediante o trabalho socioeducacional que a Instituição realiza.
INCENTIVO AO ESPORTE
Estudo realizado em 2015, pelo Ministério do Esporte do Brasil,
estima que apenas 55% da população faz atividades físicas e/ou es-
portivas. Como a LBV se preocupa com a saúde e o bem-estar do ser
humano, os Jogos Internos da Instituição são uma das muitas inicia-
tivas da Entidade com o propósito de incentivar os atendidos por ela
à prática de esportes. Em Belém/PA, o evento ocorreu recentemente
na Escola de Educação Infantil Jesus e seguiu todo o protocolo de
uma competição esportiva oficial. Em São Paulo/SP, o acontecimen-
to deu-se no início do ano letivo de 2016, no Conjunto Educacional
Boa Vontade, com direito até à reprodução de uma tocha olímpica,
carregada por diversos estudantes e entregue a João Lemos, de 15
anos, aluno de inclusão, que, sob os aplausos da garotada, acendeu
a chama simbólica dos Jogos no estabelecimento de ensino.
Os cinco mais populares na LBV
A seguir, as modalidades esportivas mais praticadas nas unidades socioeducacionais da Legião da Boa Vontade.
Outras modalidades
praticadas na LBV:
MariseCovelo
RenatadePaiva
Hapkido
Jiu-jítsu
Judô
Caratê
Kung fu
Muay thai
Atletismo
Tênis de mesa
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 47
ESPORTE
Conhecimento compartilhado
Concentração, estratégia e raciocínio lógico são habili-
dades importantes para o exercício de quase todos os es-
portes, mas, no caso do xadrez, são pré-requisitos a fim de
que se alcance o êxito nessa modalidade. Embora ainda
não integre o rol dos desportos olímpicos — mesmo que
este seja o desejo de milhares de pessoas que o praticam
em todo o mundo —, o xadrez é também bastante utilizado
nos ambientes escolares como recurso para ajudar a esti-
mular uma série de competências nos educandos e tornar
a assimilação dos conteúdos mais natural e prazerosa.
Na LBV do Uruguai, a modalidade é uma ferramenta de
grande relevância no processo de aprendizagem, sendo
ensinada às meninas e aos meninos com idade a partir dos
5 anos que frequentam o Jardim Infantil Jesus, situado em
Montevidéu. Os instrutores desses estudantes são os alu-
nos mais velhos atendidos pela Instituição por meio do pro-
grama Criança: Futuro no Presente!, que repassam àqueles
todo o conhecimento obtido sobre o esporte.
Quem: Martín Coitiño
Idade: 10 anos
De onde: Montevidéu, Uruguai
Programa da LBV de que participa:
Criança: Futuro no Presente!
Esporte: Xadrez
“Eu gosto muito de vir à LBV. Aqui estudamos,
cantamos, jogamos, fazemos teatro e
aprendemos valores. (...) É bom aprender
xadrez aqui e ensinar às crianças de 5 anos.
Elas gostam de jogar e se concentram bem
durante as partidas, que nos ajudam a pensar
e a ser mais inteligentes. O xadrez nos une
como parceiros, porque cria uma competição
saudável entre nós e partilha um momento de
concentração.”
Fotos:LetíciaTeixeira
Uruguai
48 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
Aprendizado para a vida
Reconhecida desde o século 20 como esporte, a capoeira já
conquistou o interesse de mais de oito milhões de pessoas e é
praticada em mais de 160 países. Ciente do valor dela no futuro
das novas gerações, a LBV da Argentina empreende, há mais
de dez anos, em parceria com a Associação Argentina de Capo-
eira, um projeto que possibilita às crianças e aos adolescentes
atendidos por ela aprender essa modalidade. Durante as duas
horas em que esta é realizada, aos sábados, a garotada conhe-
ce, além das técnicas desse esporte, os valores indispensáveis
para o bom viver em sociedade.
Em 2015, o projeto teve um momento especial: 14 meninas e
meninos atendidos pela Entidade foram batizados na capoeira,
arte marcial de ataque e defesa de origem 100% brasileira. O
coordenador do Espaço Educativo Calle Colores, da LBV na-
quele país, José Pardo, explica que a modalidade não somente
trabalha todo o corpo e gera bastante energia, como também
ajuda a promover a troca de valores e desenvolve a disciplina
nos praticantes. Segundo o representante da Instituição, o exer-
cício desse esporte ainda auxilia as crianças que participam do
programa, que estão em situação de vulnerabilidade social, a
superar diversas limitações e desafios. “Elas têm melhorado
o comportamento e estão mais estimuladas na escola, o que
reflete na autoestima delas. Além disso, têm melhorado a ca-
pacidade de expressão e demonstrado alta capacidade de re-
solver seus conflitos”, ressalta.
Conheça a história da
ex-aluna da LBV no Rio de
Janeiro/RJ, que levará a
tocha da edição 2016 dos
Jogos Olímpicos durante
o revezamento no trajeto
desta na capital fluminense.
Quem: Meninas e meninos atendidos
pela LBV
Idade: De 6 a 13 anos
De onde: Buenos Aires, Argentina
Esporte: Capoeira
“Vi algumas crianças fazendo capoeira e
me animei. Gosto dos movimentos. Fiquei
emocionado praticando capoeira e passei
a me sentir melhor desde então.”
ADRIANO VERA DÍAZ
7 anos
Fotos:CarlosCésardaSilva
Argentina
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 49
VivianR.Ferreira
FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV
Há treze anos, a LBV promove pioneiro
fórum internacional com foco no
protagonismo infantil pela Paz
de ideias
Celeiro
Giovanna Pinheiro
50 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
H
á como promover a participação real das crian-
ças na sociedade? Para o diretor-presidente da
Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto,
isso é possível, sim. Ele afirma que se devem dar
oportunidades para que as novas gerações expres-
sem ideias, aprendam a se defender de tudo o que
lhes faz mal e desenvolvam o protagonismo. Com
esse objetivo, o dirigente da Entidade instituiu, em
2003, o Fórum Internacional dos Soldadinhos de
Deus, da LBV, um pioneiro encontro que fomenta
o diálogo e a reflexão a fim de que a garotada pense
e sugira ações para construir um Brasil melhor e
uma Humanidade mais feliz.
O tema da 14a
edição do Fórum das Famílias,
conforme Paiva Netto costuma também chamar o
evento, foi escolhido, por votação, pelas próprias
meninas e meninos: “As crianças e a construção da
Paz, pelo fim da violência!”. Este está sendo tra-
balhado desde março deste ano e continuará a ser
debatido até o mesmo mês de 2017, nas escolas e
nos Centros Comunitários de Assistência Social da
Instituição do Brasil e dos seis países em que ela
está presente (Argentina, Bolívia, Estados Unidos,
Paraguai, Portugal e Uruguai).
INCENTIVO AO PROTAGONISMO
Segundo as coordenadoras pedagógicas
Cata­rina Nery e Dayane Novaes, de São Pau-
lo/SP, em cada uma dessas unidades socioeduca-
cionais da LBV, os instrutores apresentam o tópi-
co às crianças mediante estratégias diferenciadas,
para públicos de faixas etárias e realidades distin-
tas. “As atividades são desenvolvidas por meio de
oficinas, que são planejadas pelos educadores de
acordo com o perfil do grupo. (...) Os orientadores
têm a preocupação em proporcionar formas para
que a criança entenda que o fórum é um espaço
para que ela possa expor suas ideias, opiniões,
dúvidas, sugestões e quais recomendações fariam
aos adultos sobre o assunto discutido”, explicou
Catarina.
Da mesma forma, Dayane complementou: “O
objetivo é que as crianças compreendam, a partir
do que aprenderam com as discussões, reflexões e
estudo acerca do tema central do 14o
Fórum, que a
Paz é importante para que vivamos em segurança
e que devemos ser promotores dela no presente e
no futuro”.
São Paulo/SP
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 51
FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV
JulianaMoura
JosianeCristinaKoening
ArquivoBV
VaniaBandeira
Quem: Renata Ferreira
(ao lado do irmão, Daniel Castelo,
de 6 anos)
Idade: 10 anos
De onde: Porto, Portugal
“Desde os 5 anos, minha participação
no fórum tem me trazido uma felicidade
inexplicável. A harmonia que se sente é
indescritível. Comecei a ser mais paciente
na escola e a respeitar as diferenças. Penso
que isso me faz uma cidadã melhor. Espero
levar esses ensinamentos de Paz para
outras crianças.”
BRADO DE PAZ
Em Aracaju/SE, crianças e adolescentes
amparados pela Legião da Boa Vontade re-
centemente deram uma clara demonstração
dos elevados valores, entre os quais o respeito
e a união, nascidos da convivência fraterna. O
fato ocorreu quando eles, em conjunto com
atendidos em outras unidades da LBV, par-
ticiparam da gravação do videoclipe da mú-
sica-tema desta edição do fórum, intitulada
Brado de Paz.
Entusiasmada com a participação nas
ações da LBV e com tudo que aprendeu com
Portugal
Joinville/SC Santos/SP
Aracaju/SE
Assista ao videoclipe com a música Brado de Paz, gravado
por crianças e adolescentes amparados pela Legião da
Boa Vontade em Aracaju/SE. Baixe o leitor QR Code em
seu smartphone ou tablet, fotografe o código e veja.
FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV
JulianaMoura
JosianeCristinaKoening
Portugal
Joinville/SC
Porto, Portugal
Aracaju/SE
Assista ao videoclipe com a música Brado de Paz, gravado
por crianças e adolescentes amparados pela Legião da
Boa Vontade em Aracaju/SE. Baixe o leitor QR Code em
seu smartphone ou tablet, fotografe o código e veja.
52 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
GenivaldoMarquiza
Em 19 de março de 2016, o diretor-presidente da Legião
da Vontade, o jornalista, radialista e educador José de Paiva
Netto, conduziu a sessão solene de abertura da 14ª edição
do Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV,
transmitida ao vivo para o Brasil e o mundo pela Super Rede
Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet). Na oca-
sião, o criador do evento enalteceu a escolha do tema pe-
las meninas e meninos e discorreu sobre a necessidade de
combater a violência e de haver ações eficazes para minimi-
zar o impacto das mudanças climáticas no planeta.
Durante o discurso, ele também destacou trecho do
artigo “Covardia contra crianças”, de autoria dele, no qual
assevera: “Não há(conf.: “haverá”, cfe. correlação correta
com “houver”) qualquer garantia de futuro melhor para as
nações se não houver o respeito aos direitos fundamentais
das crianças e dos jovens. E não se cresce, material e espiri-
tualmente(espiritual e materialmente(,)) saudável,(cortar, cfe.
sentido correto) sem afeto, sem Amor, (conf.: “sem”) Amor
Fraterno”.
O dirigente falou ainda da importância de os indivíduos,
desde a mais tenra idade, serem bem preparados e desper-
tados para a reflexão e a conscientização sobre as questões
que desafiam a sociedade mundial, de modo que possam
contribuir para a efetiva transformação desta para melhor.
Como tudo isso está em consonância com a proposta da
LBV, a garotada tem a oportunidade de participar, ao longo
da realização do fórum, de rodas de conversa, debates e vá-
rios momentos culturais.
Direitos
das crianças
elas, a garotada nota as diferenças no pró-
prio comportamento. “Estou me sentindo
bastante feliz, e foi uma grande honra gra-
var esse vídeo. Quando eu era menor, era
danada, não obedecia aos meus familiares.
Na LBV, ensinaram-me o verdadeiro sen-
timento de Amor, a ter compaixão... E isso
é [muito bom]”, ressaltou Suelen Nayara,
de 13 anos.
Edgar Azevedo, de 14 anos, outro benefi-
ciado pelo trabalho da LBV na capital sergipa-
na, entendeu bem a mensagem do encontro.
“A Paz é algo necessário, que as pessoas de-
Quem: Sthefani Cristina Pilatte
Idade: 13 anos
De onde: Campo
Grande/MS
“Eu gostaria que, daqui a
cinco anos, o mundo fosse
muito diferente do de
hoje. Que não existissem
drogas, guerras,
corrupção, ódio, injustiça
e todas as coisas que
impedem o ser humano de
evoluir no Amor.”
Brasil
Alexandre Rueda
Em 19 de março de 2016, o diretor-presidente da Le-
gião da Vontade, o jornalista, radialista e educador José
de Paiva Netto, conduziu a sessão solene de abertura
da 14ª edição do Fórum Internacional dos Soldadinhos
de Deus, da LBV, transmitida ao vivo para o Brasil e o
mundo pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação
(rádio, TV e internet). Na ocasião, o criador do evento
enalteceu a escolha do tema pelas meninas e meninos e
discorreu sobre a necessidade de combater a violência
e de haver ações eficazes para minimizar o impacto das
mudanças climáticas no planeta.
Durante o discurso, ele também destacou trecho do
artigo “Covardia contra crianças”, de autoria dele, no
qual assevera: “Não haverá qualquer garantia de futuro
melhor para as nações se não houver o respeito aos di-
reitos fundamentais das crianças e dos jovens. E não se
cresce, espiritual e materialmente saudável, sem afeto,
sem Amor Fraterno”.
O dirigente falou ainda da importância de os
indivíduos, desde a mais tenra idade, serem bem pre-
parados e despertados para a reflexão e a conscienti-
zação sobre as questões que desafiam a sociedade
mundial, de modo que possam contribuir para a efetiva
transformação desta para melhor. Como tudo isso está
em consonância com a proposta da LBV, a garotada tem
a oportunidade de participar, ao longo da realização do
fórum, de rodas de conversa, debates e vários momen-
tos culturais.
Direitos
das crianças
Alexandre Rueda
BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 53
FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV
ArquivoBV
ArquivoBVArquivoBVRaquelDiaz
vem conquistar. E a música [tema
do fórum] é extremamente conta-
giante. Ao cantá-la, ficamos numa
alegria tão grande que não conse-
guimos brigar; só há Paz”, decla-
rou.
BOM IMPACTO NAS FAMÍLIAS
Em Ciudad del Este, no Paraguai,
a 14a
edição do evento contou com
inúmeras atividades. Julian Bello,
de 10 anos, relata a experiência de
participardofórum:“Amúsica-tema
[do fórum] ensina-nos muitas coi-
sas com a letra, e este ano a canção
fala sobre desarmar os corações,
para que sejamos bons amigos. (...)
Eu gostei da música, porque fala de
fazer o Bem — e isso é muito bom —,
ajudar, ter amigos, escutar os de-
mais e amparar os animais, as pes-
soas que não têm o que comer ou o
que vestir...”, fez questão de salien-
tar.
Em La Paz, na Bolívia, a influên­
cia do fórum estendeu-se aos fa-
miliares das meninas e meninos
atendidos, como revelou a assisten-
te social da LBV da cidade, Jenny
Mancilla. “No Jardim Infantil
Jesus, o projeto Bom Trato funcio-
na com o objetivo de promover a
boa relação das crianças na escola
e em casa, entre todos os membros
da família, para uma convivência
pacífica, harmoniosa e que permi-
ta a participação ativa de todos.
(...) Uma das primeiras ações [em-
preendidas por meio dessa iniciati-
va] foi a realização de uma reunião
com os pais para eles se socializa-
rem e para apresentá-los ao pro-
jeto. Mães e pais são parte funda-
mental no processo de criação de
seus filhos; [por isso,] devem pro-
mover e praticar boa convivência,
boa comunicação e boas relações
humanas”, concluiu.
Uruguai
Quem: José Luís
Garcia
Idade: 11 anos
De onde:
Montevidéu, Uruguai
“Devemos fazer
nossa parte:
começar em
casa, na escola
e ajudar nossa
família, amigos,
conhecidos e
vizinhos. Com Boa
Vontade e Amor,
podemos colaborar
para que o mundo
esteja em paz.”
New York, EUA
Assunção, Paraguai
La Paz, Bolívia
54 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
AÇÃO JOVEM LBV
O melhor conteúdo de
paz e elevação onde
você estiver
Preces Ecumênicas
Música Legionária
Boa Vontade TV
Super Rede Boa Vontade
de Rádio
Baixe gratuitamente em sua loja de aplicativos:
Agora é só dar
PLAY
AÇÃO JOVEM LBV
LEILANY ROCHA,
ex-aluna do
Conjunto
Educacional
Boa Vontade,
é graduada
em Pedagogia,
pós-graduada em
Psicopedagogia
e faz mestrado
em Distúrbios do
Desenvolvimento.
Despertando
habilidades
D
esde pequena, aprendi que é possível mudar o mundo com atitudes de Boa
Vontade. Aos 8 anos, eu tinha muita dificuldade em assimilar matemática,
mas o destino pôs em meu caminho uma pessoa que me inspirou a esco-
lher a carreira docente. A professora Graça não media esforços para me auxiliar
a vencer essa questão. Usava estratégias diferenciadas, incentivava-me a trocar
ideias com colegas que tinham maior facilidade na disciplina, era criativa e bem-
-disposta, além de verificar se eu havia entendido os conteúdos. Era assim comigo
e com todos os outros alunos. Ela percebeu em mim qualidades que nem eu sabia
56 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
VivianR.Ferreira
Revista Boa Vontade Desenvolvimento Sustentável, edição 2016
Revista Boa Vontade Desenvolvimento Sustentável, edição 2016
Revista Boa Vontade Desenvolvimento Sustentável, edição 2016
Revista Boa Vontade Desenvolvimento Sustentável, edição 2016

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  • 1. App gratuito da revista BOA VONTADE www.boavontade.com BOA VONTADEDESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A Legião da Boa Vontade apresenta recomendações de boas práticas sociais às delegações presentes na Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), das Nações Unidas, na sede da ONU em Nova York, EUA. A LBV é uma organização da sociedade civil brasileira com status consultivo geral no Ecosoc desde 1999.66anos Em seu artigo “Agenda Global Solidária”, PAIVA NETTO destaca: “A Educação, a sustentabilidade e a Cidadania Planetária como alavancas do desenvolvimento social sustentável”. (Leia a íntegra na p. 4.) Educação no centro da transformação planetária Conheça ações da LBV que fazem estudantes de comunidades vulneráveis atingirem alto desempenho acadêmico e mobilidade social
  • 2.
  • 3. SUMÁRIO BOA VONTADE Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável é uma publicação da LBV, lançada pela Editora Elevação. Registrada sob o no 18166 no livro “B” do 9o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo. DIRETOR E EDITOR-RESPONSÁVEL Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP CHEFE DE REDAÇÃO Rodrigo de Oliveira — MTE/ DRTE/SP 42.853 JP COORDENAÇÃO GERAL DE PAUTA Gerdeilson Botelho SUPERINTENDÊNCIA DE MARKETING E COMUNICAÇÃO Gizelle Tonin de Almeida EQUIPE ELEVAÇÃO Adriane Schirmer, Allison Bello, Ana Paula de Oliveira, Andrea Leone, Angélica Periotto, Bettina Lopez, Camilla Custódio, Cida Linares, Daniel Guimarães, Eduarda Pereira, Felipe Duarte, Gabriela Marinho, Gelson dos Santos, Giovanna Pinheiro, Jéssica Botelho, Josué Bertolin, Laura Leone, Leila Marco, Letícia Rio, Lísia Peres, Luci Teixeira, Marcos Antonio Franchi, Mariane de Oliveira Luz, Matheus Teixeira, Natália Lombardi, Neuza Alves, Raquel Bertolin, Rosana Bertolin, Roseli Garcia, Silvia Fernanda Bovino, Walter Periotto e Wanderly Albieri Baptista. PROJETO GRÁFICO E CAPA Helen Winkler DIAGRAMAÇÃO Diego Ciusz e Helen Winkler IMPRESSÃO Mundial Gráfica FOTO DE CAPA Vivian R. Ferreira ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA Rua Doraci, 90 • CEP 01134-050 • Bom Retiro • São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225- 4971 • Caixa Postal 13.833-9 • CEP 01216-970 • Internet: www. boavontade.com / E-mail: info@ boavontade.com A revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de estimular o debate dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento contemporâneo. EDIÇÃO COMEMORATIVA DE 5/7/2016, NOS IDIOMAS ESPANHOL, FRANCÊS, INGLÊS E PORTUGUÊS. BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 3 4 Mensagem de Paiva Netto Agenda Global Solidária 12 Recomendações da LBV Educação de qualidade contra as diferenças socioambientais 26 Opinião — Educação por Suelí Periotto Aprendendo juntos 32 Prática educacional Vencendo desigualdades 44 Esporte Esporte e cidadania 50 Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV Celeiro de ideias 56 Ação Jovem LBV por Leilany Rocha Despertando habilidades 4 4432 50
  • 4. agenda Global solidária MENSAGEM DE PAIVA NETTO M inha saudação aos chefes de Estado, às delegações e a todos os participantes da Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016, que trata do importante tema “Implementar a agenda de desen- volvimento pós-2015: transicionando compromissos a resultados”. A partir desse enfoque pragmático, nossa contribuição aos debates só poderia ser quanto ao indispensável papel da Educação na conquista das arrojadas metas voltadas para o avanço e o bem-estar dos povos, pois, conforme tenho reiterado há algumas décadas, sem Educação e Instrução não existe progresso. A Educação, a sustentabilidade e a Cidadania Planetária como alavancas do desenvolvimento social sustentável JOSÉ DE PAIVA NETTO é escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. JoãoPreda VivianR.Ferreira INCENTIVO À LEITURA A educadora Maria Dora dos Santos com alguns dos alunos do Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, Brasil. 4 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 5. BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 5
  • 6. MENSAGEM DE PAIVA NETTO Alziro Zarur ArquivoBV Teócrito ReproduçãoBV Curitiba/PR Ipatinga/MG Martin Luther King Jr. ReproduçãoBV LeillaTonin TatianeOliveira Considerando as resoluções da 66a Confe- rência do Departamento de Informação Públi- ca (DPI, na sigla em inglês) das Nações Uni- das, que ocorreu de 30 de maio a 10 de junho de 2016, em Gyeongju, na Coreia do Sul, com eixo no tópico “Educação para a Cidadania Global: Alcançar os Objetivos de Desenvolvi- mento Sustentável Juntos”, recorro a alguns improvisos meus a respeito de princípios da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cida- dão Ecumênico (boxe na p. 7). Ambas com- põem a linha educacional que aplicamos, com sucesso, na rede de ensino da Legião da Boa Vontade (LBV) do Brasil e do exterior e nos programas socioeducacionais que ela realiza. Por meio dessa proposta pedagógica, à qual se alia um atendimento de excelência, propor- cionamos benefícios concretos a milhões de pessoas e famílias em situação de vulnerabili- dade social assistidas pela Instituição. A LBV acumulou vasta experiência no campo socio- educacional no decurso de 66 anos de luta “por um Brasil melhor e por uma Humani- dade mais feliz”, como bradava seu fundador, o jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979). EDUCAÇÃO COM ESPIRITUALIDADE ECUMÊNICA No Manifesto da Boa Vontade (1991), escrevi que, intuitivamente, com sabedoria, assevera o próprio povo, seguido por emi- nentes pensadores, entre os quais o filósofo grego Teócrito (320-250 a.C.): — Enquanto há vida, há esperança. O roteiro mais acertado permanece na área da Educação com Espiritualidade Ecu- mênica, um passo à frente no terceiro milê- nio. Contudo, a insensibilidade de muitos foi a motivação deste expressivo repto do notá- vel Martin Luther King Jr. (1929-1968): — Ao longo do caminho da História, uma das maiores tragédias do homem tem sido 6 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 7. Assunção, Paraguai AllisonBello o seu limitado interesse pelo próximo, seja este tribo, raça, classe ou nação. Por isso, há que se orientarem os esforços mundiais, empregando-os na tarefa de resga- te da grande parcela desfavorecida do planeta; colocando, assim, os valores da sociedade na devida ordem; e fazendo a marcha do desen- volvimento econômico dirigir-se em prol da criatura humana, porquanto o ser vivente é a geratriz do progresso, a despeito da tecnologia. Do contrário, os governos poderão desviar-se de seu propósito de governar para seus povos. O velho Gandhi (1869-1948) concluiu que — uma civilização é julgada pelo trata- mento que dispensa às minorias. E aí, na indiferença de muitos para com os demais, reside a sua fraqueza, se nada fi- zerem para mudar o rumo dos fatos, para o que é necessário igualmente que parem de Em sua obra É Urgente Reeducar! (2010), Paiva Netto expõe sua vanguardeira proposta pedagógica, que apre- senta um modelo novo de aprendizado, tendo por base a Espiritualidade Ecumênica, aliando Coração e Intelecto. Tal linha educacional possui fundamentalmente dois seg- mentos: a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico. É aplicada com sucesso na rede de ensino e nos programas socioeducacionais desenvolvidos pela Le- gião da Boa Vontade (LBV). “Fundamenta-se nos valores oriundos do Amor Fraterno, trazido à Terra por diversos luminares, destacadamente Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista”, como ressalta o criador da proposta, o educador Paiva Netto. Na Pedagogia do Afeto, o enfoque é sobre as crianças de até os 10 anos de idade, unindo sentimento ao desenvolvimento cognitivo delas, para que carinho e afeto façam parte de todo o conhecimento e dos ambientes de sua vida, inclusive o escolar. O diretor-presi- dente da LBV costuma afirmar: “A estabilidade do mundo começa no coração da criança”. Na continuidade do pro- cesso de aprendizagem, a Pedagogia do Cidadão Ecumê- nico é direcionada à educação de adolescentes e adultos, dispondo o indivíduo a viver a Cidadania Ecumênica, firma- da no exercício pleno da Solidariedade Planetária. Os Editores Pedagogia do Afeto e Pedagogia do Cidadão Ecumênico BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 7
  • 8. MENSAGEM DE PAIVA NETTO mordial iluminar os corações, passando-lhes o significado da Fraternidade, da Caridade, da Generosidade, da Honestidade, do Amor, da Justiça, da Verdade, e assim por diante. Zarur alertava que não basta — formar um bom médico, um bom ad- vogado, um bom engenheiro, porque é ne- cessário preparar-se um médico bom, um advogado bom, um engenheiro bom (...). Com isso, pode-se notar que, em diversos lugares onde a economia se tornou mais for- te, após certo tempo, por ausência de maior investimento nos princípios espirituais e éticos, a violência, que diminuíra, ressurge, advinda tantas vezes da indiferença aos que têm menos em suas fronteiras ou fora delas. Disso decorrem muitos conflitos internacio- nais. Por quê? Porque faltou não somente o ensino, todavia muito mais: a Reeducação, que é somar aos conteúdos formais a sabedo- ria universal da Alma. culpar a Deus e os Seus preceitos pelos tro- peços que dão. Atualíssimo, portanto, este aforismo do escritor latino Publilius Syrus (85-43 a.C.): —Toloéaquelequeafundaseusnaviosduas vezes e continua acusando o mar de culpado. SUSTENTABILIDADE FIRMADA NA FRATERNIDADE ECUMÊNICA E NA REEDUCAÇÃO Quanto à gestão dos recursos de que dispo- mos, o mundo inteiro fala em sustentabilida- de. No entanto, essa condição está firmada em quê? Em geral, num pensamento econômico que sobrevive pela avidez. E vai liquidando os seres humanos não apenas por força do desemprego, da fome — em várias regiões de nosso orbe —, mas também pela carência de instrução. E esta, muitas vezes, nega melhor perspectiva à juventude e até a indivíduos na idade adulta. Não obstante, existe, por todo lado, o empenho de pessoas decididas a cor- rigir tal situação, que impede o crescimento sustentável de inúmeros países. E não basta instruir e educar. Faz-se imprescindí- vel reeducar e ecumenicamente espi- ritualizar as nações, fazendo com que vejam além do intelecto. A professora, jornalista, poetisa e filan- tropa brasileira Anália Franco (1853- 1919), que fundou setenta escolas, asilos para crianças órfãs, além de importante ins- tituição de auxílio a mulheres, defendeu, em sua heroica trajetória, a necessidade pre- mente de valer-se da educação como ferra- menta sustentável de progresso e empode- ramento das gentes: — A verdadeira caridade não é acolher o desprotegido, mas promover-lhe a capaci- dade de se libertar. Reitero que essa liberdade não virá ape- nas por intermédio do fomento do estudo técnico, pois não é suficientemente capaz de extirpar atos de barbárie, que continuam em escalada vertiginosa no mundo. Daí ser pri- Anália Franco Divulgação Campo Grande/MS Gandhi ReproduçãoBV Publilius Syrus ReproduçãoBV 8 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 9. Em entrevista que concedi, em 10 de ou- tubro de 1981, ao saudoso jornalista italia- no radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016), manifestei-me sobre a basi- lar necessidade de unir ao raciocínio intelectual a sabedoria que se origina nos corações. Sim, porque também existe a inteligência do senti- mento*1 , da emoção e, sobretudo, a espiritual. PREPARAÇÃO EFICAZ E CIDADANIA PLANETÁRIA Já que mencionei aqui a necessidade im- periosa de capacitar o coração e a mente*2 das novas gerações para o enfrentamento de uma realidade repleta de desafios, achei oportuno trazer-lhes este destaque de minha obra É Urgente Reeducar! (Editora Eleva- ção, 2010): O Espírito tem lugar preponderante na nossa lide. Entretanto, na preparação de jovens e adultos para a subsistência neste mundo material de tecnologia jamais vista — e, paradoxalmente nos dias de hoje, tão instável para os que labutam pelo futuro pró- prio —, devemos levar na mais alta conside- ração que os educandos têm de ser com efi- ciência qualificados para a exigente demanda do acirrado mercado atual de trabalho. E mais: de tal maneira que não persigam um caminho em que a profissão para a qual se aprontaram não mais exista ao fim do curso. É essencial, pois, recebe- rem formação eficaz para que sejam arroja- dos, empreendedores, de modo que possam suplantar os acontecimentos supervenientes que, a qualquer instante, desafiam a socieda- de, assustando multidões. Paulo Rappoccio Parisi VivianR.Ferreira Disse Jesus: “Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. (...) Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos.” (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 15:13). GenivaldoMarquiza *1 Inteligência do sentimento — Em matéria datada de 6 de março de 1997, depois de visitar o Centro Comunitário de Assistência Social Alziro Zarur, conhecido também como Templo da Criança e da Natureza, na cidade de Glorinha, Rio Grande do Sul, Léo Gerchmann, jornalista da Folha de S.Paulo, declarou: “Antes de a inteligência emocional tornar-se uma tendência pedagógica mundial, a LBV já tinha este parâmetro na Educação. Inteligência emocional é a poten- cialidade das pessoas para lidar com as suas emoções, diferentemente do QI (Quociente de Inteligência). ‘Nosso lema é educar, priorizar a Cultura, a Espiritualidade, a inteligência do cérebro e a do coração’, definiu o administrador do Lar, Humberto Cassuriaga. Em salas de aula para reforço escolar, as crianças recebem um complemento às aulas regulares delas, de acordo com suas deficiências”. *2 Mente e Coração — Ao referir-se a esses termos, o autor explicou, em outras oportunidades, o uso que faz deles: “Falar em mente e coração dá-se pela necessidade de evidenciarmos um simbolismo essencial à clareza do que lhes apresento, de modo que estejam nitidamente expressas duas das condições mais importantes da Alma: pensar e sentir, ou, na ordem moral mais perfeita, sentir e pensar. Eu poderia expor que, sendo a mente o contato principal do Espírito com o corpo, nela estaria o centro do pensar e do sentir (amar)”. Uma palavra de Paz BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 9
  • 10. De nada adiantarão, portanto — digamos para argumentar —, planejamentos audacio- sos se não houver quem tenha sido devida- mente instruído para desenvolvê-los. Por essa razão, urge ensinar a todos o sig- nificado da Cidadania do Espírito, sem o que conviver em sociedade será capenga. E isso só será corrigível com a promoção de uma consciência mais elevada, educando os po- vos integralmente, a partir dos princípios do Amor, da Cooperação, do Entendimento, da Verdade e da Justiça. Acerca do relevante papel concernente aos atores políticos e sociais, bem como aos que acreditam nos nobres ideais inerentes à democracia, o pensador político e historia- dor francês Alexis de Tocqueville (1805- 1859), em sua obra A Democracia na Améri- ca, fez a seguinte ponderação: — É necessário que todos aqueles que se interessam pelo futuro das sociedades de- mocráticas se unam e que todos, de comum acordo, façam contínuos esforços para pro- pagar no seio das sociedades o gosto pelo infinito, o sentimento do grandioso e o amor aos prazeres imateriais. A defesa pioneira da LBV por uma Cida- dania Planetária visa ao desenvolvimento do potencial pleno das criaturas em todas as suas dimensões, ou seja, espírito-biopsicossocial. Logo, juntar cidadania política com a Cida- dania do Espírito é propiciar o surgimento da Cidadania Planetária, Global, cujo alicerce é a Generosidade, a Solidariedade, tendo os valo- res espirituais como sustentáculo. NOVOS TEMPOS SOLIDÁRIOS GLOBAIS Nessa época, esperada por tantos mis- sionários e ativistas valorosos, a Humani- dade terá entendido que de nada adiantará ilustrar a mente se o coração for esquecido e que é delírio completo desejar o progresso da sociedade se os princípios da confiança e do respeito forem avis rara nas relações inter- pessoais. É necessário também engajar, com o Bem Universal, os corações. Disse Jesus: Alexis de Tocqueville ReproduçãoBV LeillaTonin LeillaTonin Aracaju/SEMaceió/AL MENSAGEM DE PAIVA NETTO 10 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 11. paivanetto@lbv.org.br | www.paivanetto.com JeanCarlos “A estabilidade do mundo começa no coração da criança. Protegê-la é acreditar no futuro.” — De que vale ao homem conquistar o mundo inteiro e perder a própria Alma? (Evangelho do Cristo, consoante Marcos, 8:36). Fundamental e sábia reflexão do Rabi da Galileia, uma vez que não almejamos percorrer caminhos equivocados, que ine- vitavelmente resultarão em retrocesso, pois teremos, uma vez mais, menosprezado o co- nhecimento do Espírito — que não está jun- gido à religião ou à irreligião de quem quer que seja. Daí ser o lema da LBV, há tanto pro- clamado, promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Es- porte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, no despertar do Cidadão Plane- tário. E aqui reforço a expressão Espiritualida- de Ecumênica, porquanto esta é o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio ilumi- nado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Ora, que as mais elevadas aspirações, que carregamos em nosso íntimo esclare- cido, possam expandir os horizontes do pensamento e consigam com espírito de iniciativa e com criatividade enfrentar os graves desafios mundiais de nosso tempo, traduzindo-se em resultados efetivos que beneficiem toda a Humanidade, que, uni- da, insiste em sobreviver às mais borrasco- sas situações. Marcos ReproduçãoBV LeillaTonin Salvador/BA Campina Grande/PB BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 11
  • 12. RECOMENDAÇÕES DA LBV Declaração apresentada pela LBV e traduzida pela ONU para os seis idiomas oficiais desta (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo) sob o símbolo E/2016/NGO/45. Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e leia o documento na versão em inglês. 12 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 13. Rio de Janeiro/RJ contra as diferenças socioambientais EDUCAÇÃO DE QUALIDADE BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 13
  • 14. A revista BOA VONTADE publica, nesta edição espe- cial, relatório da Legião da Boa Vontade, no qual a Insti- tuição apresenta suas proposições relativas ao tema da Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da Organização das Nações Unidas em 2016 — “Implementar a agenda de desenvolvimento pós-2015: transicionando compromissos a resultados” —, realiza- da de 18 a 22 de julho, na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos. No documento, a LBV defende a Educação de qualidade como fator determinante para que o trabalho das Nações Unidas e dos países que com- põem a entidade ajude a promover efetivamente o tão almejado e necessário desenvolvimento sustentável. C omo implementar a nova agenda global de desen- volvimento sustentável, transformando os compro- missos assumidos por todos os países em resulta- dos concretos? Nós, da Legião da Boa Vontade (LBV), respondemos a essa pergunta, que norteia a Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social das Na- ções Unidas em 2016, a partir das propostas levantadas no 12o Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária, que realizamos em São Paulo/SP, no Brasil, e de nossa própria experiência. Somos uma organização com 66 anos de história e integramos uma rede com 93 uni- dades de educação e assistência social, em sete países (Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai). Em 2015, prestamos mais de 12,5 milhões de atendimentos e benefícios a populações em situação de pobreza. Transmitido em cadeia nacional de rádio e TV, o fó- rum teve o apoio da Seção de ONGs do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN/Desa) e reu­niu relevantes entidades brasileiras que assessoram o poder público, redes de organizações da sociedade civil, além de representantes do setor empresarial e da área acadêmica. As recomendações resultantes desse encon- tro estão articuladas em três eixos, detalhados ao longo deste documento: 1o ) fortalecer os atores locais; 2o ) fo- mentar o engajamento da sociedade civil; e, sobretudo, 3o ) fortalecer a educação para a Cidadania Planetária. Nossa ênfase no terceiro eixo deve-se ao fato de a educação, quando afastada dos valores dessa nova agenda, correr o risco de colaborar para perpetuar iniquidades socioambientais. Segundo o educador brasileiro José de Paiva Netto, em escritos publica- dos desde a década de 1960, a Caridade/Solidarieda- de, valor essencial a padrões de vida sustentáveis, é RECOMENDAÇÕES DA LBV 1 São Paulo/SP Fotos:ArquivoBVLeillaToninVivianR.Ferreira 14 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 15. A missão da LBV Promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, no despertar do Cidadão Planetário. Fotos:ArquivoBV (1) Durante a Reunião de Alto Nível do Ecosoc em 2013, em Genebra, na Suíça, o secretário- -geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, é saudado por Adriana Rocha, da LBV, enquanto recebe a edição especial da BOA VONTADE em inglês. Atencioso, folheou a publicação e reafirmou seu apreço pelo trabalho da Instituição. (2) A administradora do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), Helen Clark (D), recebe as recomendações da LBV. (3) Da mesma forma, é entregue à diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), sra. Irina Bokova (E), a revista BOA VONTADE Mulher em inglês. (4) Também tomam conhecimento da mensagem da LBV o sr. Mukhisa Kituyi, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês), e (5) o diretor do Secretariado do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, Manoel Sobral Filho (E). 2 3 4 5 Campo Grande/MS Montevidéu, Uruguai Ananindeua/PA AmandaVieira SâmaraCaruso SâmaraCaruso GenivaldoMarquiza LeillaToninLeillaTonin YreneSantana BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 15
  • 16. “(...) ferramenta imprescindível, em minha opi- nião, para ajustar os mecanismos de uma sociedade, ainda hoje regida pelo individualismo, seja no âmbito particular ou coletivo. Aliás, esse individualismo tem contribuído para levar muita gente à indiferença, à secura de alma, isto é, à ausência da Solidariedade, da Fraternidade, da Generosidade nos relacionamentos humanos e sociais. (...) A Caridade, aliada à Justiça, é o combustível das transformações profundas. Sua ação é sutil, mas eficaz”. FORTALECER OS ATORES LOCAIS Ao se analisarem os indicadores de um país, as médias nacionais podem mascarar grandes desigualdades inter- nas. Assim, é preciso que eles sejam monitorados também de forma desagregada. Essa medida deve vir acompanha- da de mecanismos que descentralizem a implementação de políticas públicas, prevendo maior participação das co- munidades envolvidas nesse processo. Este requer, ainda, aprimorar diretrizes e procedimentos de trabalho e capa- citar gestores públicos e de organizações comunitárias a fim de assegurar uma melhor governança. Experiência promissora tem sido a formação de re- des da sociedade civil comprometidas com programas de desenvolvimento sustentável na esfera das cidades. Essas redes estimulam autoridades locais a se com- prometer com um conjunto de metas, o que possibilita maior qualificação do debate público. FOMENTAR O ENGAJAMENTO DA SOCIEDADE CIVIL Ainda que os governos tenham papel crucial no cum- primento da nova agenda, a iniciativa privada e a socie- dade civil organizada são determinantes para que isso ocorra. Por isso, é preciso fomentar a mobilização social em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a exemplo das ações bem-sucedidas no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A formação de redes ou plataformas dedicadas ao tema, a realização de campanhas publicitárias para simplificar e disseminar os ODS, a criação de observatórios dos indi- cadores locais, o uso intensivo das tecnologias da comu- nicação e das mídias sociais, o estímulo ao voluntariado e à constituição em parcerias alinhadas à Agenda 2030, são algumas das boas práticas que podem ser renovadas. No que se refere a grupos historicamente marginali- zados, é importante adotar instrumentos que permitam aferir os efeitos do racismo e de outras formas de ESCOLAS RECOMENDAÇÕES DA LBV Buenos Aires, Argentina Curitiba/PR Montevidéu, Uruguai LeillaToninCarlosCésarSilvaLeillaTonin 16 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 17. O Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, Brasil, demonstra que Educação de qualidade, Solidariedade e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores refletem a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizadas por Paiva Netto e aplicadas, com sucesso, na rede de ensino e nos programas socioeducativos da Instituição. Em um grande totem, ao lado do frontispício, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”. São Paulo/SP Rio de Janeiro/RJTaguatinga/DFLa Paz, Bolívia Belém/PA LeillaTonin LeillaToninJoséGonçalo ArquivoBVVivianR.Ferreira BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 17
  • 18. discriminação sobre o cumprimento das novas metas, propondo medidas para reverter essa desigualdade. Uma maior articulação entre a Agenda 2030 e a De- claração e o Programa de Ação de Durban, na África do Sul, pode colaborar para o alcance desse objetivo. A Declaração e o Programa de Ação de Durban, firma- dos em 2001, durante a Conferência Mundial contra o Racismo, preveem diversas estratégias de ação, entre as quais a denominada Década Internacional dos Afro- descendentes, iniciada em 2015. FORTALECER A EDUCAÇÃO PARA A PROMOÇÃO DA CIDADANIA PLANETÁRIA Apesar de o acesso ao ensino ter aumentado nas úl- timas décadas, é necessário elevar a qualidade da edu- cação oferecida, conforme prevê o quarto ODS. Isso exige não somente o fortalecimento das instituições, redes e comunidades educativas, mas também uma reflexão acerca dos próprios conteúdos priorizados na construção dos currículos escolares. A 66a Conferência de Organizações Não Governa- mentais do Departamento de Informação Pública da ONU, realizada em Gyeongju, na Coreia do Sul, deu importante contribuição para o cumprimento dessa finalidade ao discutir o tema “Education for Global Citizenship: Achieving the Sustainable Development Goals Together” (Educação para a Cidadania Global: Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentá- vel conjuntamente, em tradução livre). De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), “cidadãos globais são indivíduos que pensam e agem para um mundo mais justo, pacífico e sustentável”. Nós, da Legião da Boa Vontade, atuamos diretamen- te na promoção da Cidadania Global, seja no âmbito da educação formal, por meio de nossa rede de educação básica, seja no da educação informal, por intermédio de nossos Centros Comunitários de Assistência Social e Lares para a Terceira Idade. No campo da defesa de direitos e da informação pública, produzimos conteú- dos multimídia sobre cidadania (veiculados em rádio, TV, sites e publicações) e campanhas de marketing em favor de causas sociais, realizamos congressos acerca de temas sociais e participamos de eventos do gênero, capacitamos e assessoramos organizações da sociedade civil que agem em prol da população, entre outras ações. Abrangemos, assim, todas as faixas etárias e di- versas regiões geográficas, etnias, grupos religiosos, RECOMENDAÇÕES DA LBV Volta Redonda/RJ Teófilo Otoni/MG Volta Redonda/RJ ABRIGOS PARA IDOSOS LeillaTonin PatriciaOliveiraLeillaTonin 18 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 19. A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o de janeiro de 1950 (Dia Mundial da Confraternização Universal e da Paz), no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto. Os dados abaixo correspondem ao trabalho da LBV de sete países: Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai. NÚMEROS DE 2011 a 2015 BOA VONTADE NO MUNDO Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e Lares para Idosos, a LBV utiliza meios de comunicação social (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania. Mais de 12 mil especialistas de todo o Brasil participaram, em 2015, da programação da Super Rede Boa Vontade de Comunicação. 93unidades socioeducacionais em sete países 60 + MILHÕES de de atendimentos e benefícios a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social * Há mais de duas décadas, a Legião da Boa Vontade tem seu balanço geral analisado e aprovado pela Walter Heuer, auditores externos independentes, em uma iniciativa de José de Paiva Netto, diretor-presidente da LBV, muito antes de a legislação que exige essa medida entrar em vigor. Número de atendimentos e benefícios prestados pela Legião da Boa Vontade do Brasil de 2011 a 2015* 20152011 2012 2013 2014 12.509.267 10.255.833 11.053.113 11.881.419 9.434.943 1,7+de MILHÃOde pessoas impactadas pelas ações da LBV Uberlândia/MG Uberlândia/MG VivianR.FerreiraTatianeOliveiraLedilaineSantana BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 19
  • 20. pessoas com e sem deficiência e outros aspectos que re- presentam a pluralidade das populações-alvo. A partir de nossa experiência, formulamos as seguintes propos- tas, em contribuição ao debate sobre educação para a Cidadania Global: PROGRAMAS TEMÁTICOS INTERDISCIPLINARES Acreditamos que a educação não se dá de manei- ra fragmentada. Compreendemos que os saberes tra- balhados com os estudantes não devem contemplar apenas a reprodução dos conteúdos pedagógicos his- toricamente acumulados e organizados nos currículos. Assim, reconhecemos a importância de ensinar o lega- do das gerações anteriores (nas ciências, nas artes, nas línguas etc.); contudo, também entendemos que é pre- ciso criar condições para que os alunos reflitam sobre o legado que a geração deles deixará. Dessa forma, consideramos que apreender os cál- culos, as teorias, os movimentos culturais, os idiomas e os ecossistemas é importante, mas não é a única fina- lidade do processo ensino–aprendizagem. Nas entreli- nhas de cada conteúdo estão os usos políticos e sociais dele. Para compreender esses usos, faz-se necessário restabelecer as pontes entre os saberes, ou seja, não basta estudar o átomo; é preciso entender a revolução científica causada pelos avanços desse conhecimento, bem como observar o uso deste para fins militares e de geração de energia e as implicações sociais e ambien- tais que persistem, até hoje, nos povos impactados por esses avanços. Biologia, Física, História, Sociologia e Artes não são universos particulares, isolados uns dos outros, mas, sim, diferentes perspectivas de investiga- ção, análise, aprofundamento e compreensão do mes- mo mundo, da mesma Humanidade. Por isso, em nossas escolas, que aplicam a Pedago- gia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico — as quais compõem a inovadora linha pedagógica criada pelo educador Paiva Netto —, não se considera apenas determinada aula ou um momento específico para tra- balhar e/ou debater valores, entre estes a solidarieda- de, a justiça, o respeito e a sustentabilidade. Todas as disciplinas compartilham a responsabilidade de per- mear os conteúdos ensinados com esses valores. Os programas temáticos que desenvolvemos são organizados por faixa etária e por seriação acadêmica, respeitando-se as necessidades, os interesses e a rea- lidade das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos RECOMENDAÇÕES DA LBV João Pessoa/PB Manaus/AM Porto Alegre/RS LeillaToninJeanCarlosArquivoBV 20 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 21. Montevidéu, Uruguai Teresina/PIMaringá/PR Natal/RN São Paulo/SP CENTROS COMUNITÁRIOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL JeanCarlos VivianR.FerreiraLeillaToninLeillaTonin LeillaTonin BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 21
  • 22. RECOMENDAÇÕES DA LBV adultos e dos idosos. Em cada uma das disciplinas mi- nistradas em nossa rede de ensino, os eixos temáticos de Espiritualidade Ecumênica são aplicados de manei- ra que dialogam com os conteúdos do currículo regular e com as demais disciplinas. Assim, contribuem para a ressignificação e a ampliação dos conteúdos intelec- tuais. ESPIRITUALIDADE ECUMÊNICA — “UMA VISÃO ALÉM DO INTELECTO” A Espiritualidade Ecumênica embasa nosso trabalho socioeducacional. Empregamos o termo “ecumênico” no sentido etimológico da palavra, que significa “de esco- po ou aplicabilidade mundial, universal”, ou seja, não restrito ao aspecto inter-religioso, que é de fundamental importância. Portanto, aplicar aos conteúdos curricula- res “uma visão além do intelecto”, como afirma o edu- cador Paiva Netto, não é ensinar os alunos por meio de cartilha doutrinária nem impor uma ideia sobre Deus. Trata-se de respeitar e valorizar os saberes espirituais e os conhecimentos milenares de nossos antepassados, que acompanham as diversas culturas e comunidades. A importância do saber espiritual está no fomento à conscientização de que as consequências das ações hu- manas não são apenas imediatas. Refletir sobre o que construímos no presente e sobre os desdobramentos dis- so para o futuro — mesmo que após nossa morte — con- tribui para o aumento da responsabilidade de cada um de nós para com as novas gerações. O sentido de eterni- dade pode ajudar-nos a enxergar mais longe ao provocar reflexões do tipo “O que minhas atitudes na comunida- de na qual estou inserido estão eternizando em mim?” e “Que marcas e/ou que legado estou deixando no mundo ou, conforme ensinam as diversas tradições religiosas e espirituais, posso estar carregando comigo?”. Em nossa compreensão, considerar a eternidade da vida em outras dimensões ou mesmo o efeito contínuo de nossas ações sobre a realidade material (no impacto ambiental que geramos ou nos bons frutos que lega- mos à nossa comunidade) traz contribuições efetivas para a adoção de uma postura sustentável, necessária ao exercício da Cidadania Planetária. A Espiritualidade Ecumênica, na definição do criador da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, em seu livro É Urgente Reeducar!, é “(...) o berço dos mais generosos valores que nas- cem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange Aracaju/SE Assunção, Paraguai Buenos Aires, Argentina ArquivoBVArquivoBVVivianR.Ferreira 22 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 23. Glorinha/RS Porto, Portugal La Paz, Bolívia Belo Horizonte/MG CENTROS COMUNITÁRIOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PriscillaAntunes TelmaCardileiDerliFrancisco ArquivoBVLeillaTonin BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 23
  • 24. tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exem- plo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência humana, mental, moral e espi- ritual. (...) Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das cria- turas e consequentemente o direciona à construção da Cidadania Planetária”. CONCLUSÃO Educar com Espiritualidade Ecumênica para a Ci- dadania Planetária é enriquecer a educação por meio da reflexão sobre a morte, o sentido da vida, a caridade, o autoconhecimento e outros valores universais, a par- tir de uma perspectiva interdisciplinar, em que as ciên- cias humanas, biológicas e exatas se somam ao saber do estudante, da família dele e da comunidade em que estes vivem. Consiste em, ainda, aplicar aos conteúdos do currículo regular, o diálogo sobre as implicações so- ciais, éticas, políticas e filosóficas. Queremos compartilhar nossa linha pedagógica e a metodologia de aplicação desta com todos os que acre- ditam na educação como caminho para a Cidadania Global, a qual chamamos também de Cidadania Plane- tária, conforme escreveu Paiva Netto em recente men- sagem às delegações internacionais presentes a um dos diversos debates da ONU: “Passos importantes foram empreendidos e con- quistados; porém, resta muito a fazer para que pos- samos vivenciar a cidadania concedida a nós pela vida em comunidade, comunidade solidária global, à qual costumo dar o nome de Cidadania Ecumênica. (...) E a nossa ferramenta para erigir o Cidadão Ecu- mênico é algo de que não podemos abrir mão: o es- pírito universalista, cujo instrumental é a Solidarie- dade, iluminando mentes e sentimentos. O Cidadão Ecumênico é aquele que não perde tempo conflitan- do intolerantemente com os demais — porque estes não têm o mesmo pensamento social, político, reli- gioso ou não pertencem à mesma cultura ou etnia —, mas que junta forças para diminuir a avassaladora carência que afeta comunidades, multidões ou uma única pessoa”. João Pessoa/PB Maricá/RJ FelipeDuarteJeanCarlosPriscillaAntunes RECOMENDAÇÕES DA LBV Nova Jersey, EUA 24 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 25. Irauçuba/CEBuíque/PE São Paulo/SPArcoverde/PE Uauá/BA Belo Horizonte/MGPetrópolis/RJ CAMPANHAS DE SOCORROS ÀS POPULAÇÕES VivianedeOlivieira NatháliaValério VivianR.FerreiraLeillaTonin BrunaGonçalves BrunaGonçalves TatianeOliveira BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 25
  • 26. OPINIÃO – EDUCAÇÃO Aprendendo juntos Evento internacional da LBV reúne especialistas para debater como o ensino de qualidade, com Espiritualidade Ecumênica, pode transformar o ser humano Suelí Periotto I nstituído pelo diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto, desde 1994, o Congresso Internacional de Educação da LBV é um evento anual, no Brasil, e bienal, em Portugal. Um de seus objetivos principais é o de contribuir para a formação continuada de profissionais da educação e, consequentemen- te, para a aplicação de uma prática pedagógica de excelência, aliada ao diferencial da Espiri- tualidade Ecumênica. Esta é definida pelo di- rigente da Instituição como “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a mo- rada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Miseri- córdia, da Ética, da Honestidade, da Genero- sidade, do Amor Fraterno. (...)”. Com essa visão, Paiva Netto criou uma van- guardeira linha educacional, formada pela Pe- dagogia do Afeto e pela Pedagogia do Cidadão SUELÍ PERIOTTO é supervisora da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico e diretora do Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP. É doutoranda e mestre em Educação pela PUC-SP, conferencista e apresentadora do programa Educação em Debate, da Super Rede Boa Vontade de Rádio (www. boavontade.com). LeillaTonin VivianR.Ferreira 26 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 27.
  • 28. Ecumênico (veja quadro abaixo), que, por entender o aluno como um indivíduo integral, isto é, conside- rado em seus aspectos espiritual, físico, psíquico e social, o incenti- va à vivência de valores espirituais, éticos e ecumênicos e à não adoção de quaisquer comportamentos ou atitudes preconceituosas. Isso aju- da a despertar o educando para o respeito às diferenças, fator essen- cial para a construção da Cultura de Paz. Ou seja, além de proporcionar o necessário estímulo ao pensar e ao desenvolvimento cognitivo, a referida proposta pedagógica, que norteia as atividades da rede de en- sino, dos programas socioeducacio- nais e do congresso de educação da LBV, leva em conta o cuidado em direcionar os estudantes à prática de ações solidárias que consolidem o exercício do Amor Fraterno. As temáticas abordadas nas edi- ções do congresso internacional que ocorreram em terras brasilei- ras, mais especificamente em São Paulo/SP, atenderam a sugestões de congressistas sobre questões atuais vividas em sala de aula. Da mesma forma, deu-se no auditório da Fun- dação Manuel Antônio da Mota, na Quem: Dra. Ivani Fazenda, professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Quando palestrou: No 13o Congresso Internacional de Educação da LBV, em 2014. “O desejo maior meu é o abraço compartilhado com o Paiva Netto, um queridíssimo amigo com quem tenho dialogado, muitas vezes à noite, na leitura de seus textos. (...) Não teríamos jamais este auditório [do congresso] lotado se não houvesse o sonho dele. Contudo, entre o sonho e a realidade, há o esforço, o processo científico, não de uma ciência só do intelecto, mas a que permite o sentimento, como vemos na Pedagogia da LBV.” A Pedagogia do Afeto (destinada a crianças de até os 10 anos de idade) e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico (a partir dos 11 anos) compõem a linha educacional da Legião da Boa Vontade, criada pelo educador Paiva Netto, consoante a proposta da Instituição de oferecer Educação com Espiritualidade Ecumênica. Aplicadas com sucesso na rede de ensino e nos programas socioeducacionais da LBV tanto do Brasil quanto do exterior, têm nessa proposição a base e o diferencial das ações da Entidade. Ambiente livre de violência e índice zero de evasão escolar estão entre os resultados dessa inovadora linha pedagógica. OPINIÃO – EDUCAÇÃO Fotos:VivianR.Ferreira 28 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 29. Metodologia própria da LBV A LBV possui uma metodologia própria para a rede de ensino e seus programas socioeducacionais: o MAPREI (Método de Aprendizagem por Pesquisa Racional, Emo- cional e Intuitiva). Este se apresenta como ferramenta facilitadora da aplicabilidade da proposta pedagógica, que evidencia a Es- piritualidade Ecumênica na prática. Assim, o MAPREI é utilizado no planejamento das atividades da matriz curricular das escolas da Instituição, bem como nas ações lúdicas e esportivas em outras unidades de atendi- mento, em conformidade com as diferentes faixas etárias amparadas nesses locais. O objetivo do MAPREI é desenvolver no alu- no habilidades investigativas, racionais e intuitivas por meio do incentivo à pesquisa e do aprofundamento de temas, recursos esses primordiais para a construção do co- nhecimento. O aluno é visto como protago- nista do processo de aprendizagem, sob a ação mediadora dos educadores. Fotos:VivianR.Ferreira BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 29
  • 30. Estímulo cognitivo individualizado Durante as edições do Congresso Internacional de Educação da LBV, têm sido apresentados relatórios da coleta de dados de institui- ções educacionais que encaminharam seus graduandos às escolas da Legião da Boa Vontade, dados esses que possibilitam uma men- suração mais detalhada do avanço alcançado pelos alunos orienta- dos de acordo com a linha educacional da Entidade. Nesses estudos acadêmicos, foram verificadas situações de progresso de estudantes na superação de defasagem pedagógica e em casos de distúrbio de aprendizagem. A conclusão desses trabalhos afirma que esses bons resultados estão ligados a estratégias de estímulo cognitivo individua­ lizadas (mediante o diagnóstico recebido de profissionais que acom- panham os discentes), as quais têm como foco a contínua apreensão dos conteúdos e o diferencial de que estes são permeados pelos conceitos fraternos e solidários, que fundamentam a proposta peda- gógica da LBV (leia mais sobre o assunto na p. 32). Quem: Professora Emília Cipriano, secretária-adjunta de Educação de São Paulo/SP. Quando palestrou: No 14o Congresso Internacional de Educação da LBV, em 2015. “É a construção de uma rede humana a serviço da vida, da transformação de uma realidade que não é esta — do consumo, da visão superficial —, mas é aquela que dá sentido para a existência. Encontros dessa natureza nos fortalecem.” de problemas mundiais, entre eles a exclusão social, os vários tipos de conflito, o abandono, a solidão, a fome e a degradação do ecossistema em todo o orbe. “CÉREBRO E CORAÇÃO” Na Legião da Boa Vontade, pro- curamos sempre derrubar a ideia preconcebida de que há a impos- sibilidade de expansão acadêmica dos que vêm de famílias com pou- cos recursos socioeconômicos. Por isso, trabalhamos o aluno utilizan- do a perspectiva proposta pelo di- retor-presidente da LBV de “aliar Cérebro e Coração”, pois, conforme ele destaca em seu livro É Urgente Reeducar!, “(...) é essencial enxer- gar além do intelecto. A mente sem o sentimento é forma castradora de pensar”. Tendo isso em conta, é impor- tante mencionar que as oficinas pedagógicas do congresso de edu- cação da LBV abrem espaço para dis­cussões sobre práticas que pos- cidade do Porto, em Portugal, em novembro de 2015, o 15o Congresso Internacional de Educação da LBV, que reuniu acadêmicos e profissio- nais de áreas afins ao ensino. Na ocasião, houve o compartilhar de experiências e a realização de ati- vidades de fomento da consciência socioambiental, promovidas estas pela Instituição com o propósito de fazer os participantes refletir acerca OPINIÃO – EDUCAÇÃO PedroRioMarcoSemblano Porto, Portugal 30 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 31. sibilitem mudanças para melhor no seio das famílias. Graças a essas ações, os estudantes têm conseguido ultrapassar os limites, aparen- temente intransponíveis, esta- belecidos muitas vezes pela socie- dade aos que vivem em situação de vulnerabilidade social, estereótipo esse que a Instituição busca ajudar a desconstruir. O encontro também contribui para maior comprometimento de professores, gestores escolares, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais da educação e de áreas afins com a quebra de barreiras sociais, econômicas e in- telectuais. Sob os preceitos da Edu- cação com Espiritualidade Ecumê- nica — bandeira que propõe unir aos conteúdos cognitivos os valores espirituais, éticos e ecumênicos —, sugere-se a execução na sala de aula de ações que promovam a conscien- tização sobre a imprescindibilidade dos cuidados ambientais, entre es- tas as de economia de água e de pre- servação da Natureza. Iniciativas como essas colaboram para inspirar aos educandos, desde a mais tenra idade, a tomada de decisões a favor do planeta, sem atitudes egoísticas de desgaste ou de extinção dos bens naturais de nosso orbe. Realizada de 29 de junho a 1o de julho deste ano, na capital paulis- ta, a 16a edição do Congresso In- ternacional de Educação da LBV enfocou o tema “Socialização do saber na aprendizagem coletiva: uma visão além do intelecto”. O evento reforçou a importância do incentivo às trocas de conhecimen- to, a partir da educação infantil, na vivência de valores solidários, que devem permear os hábitos e os conteúdos pedagógicos, enri- quecendo, assim, o estudo coletivo dos alunos, os quais necessitam ser provocados à discussão de assun- tos que abranjam desde questões individuais a temáticas globais. Em tempos nos quais a sustenta- bilidade e outros tópicos precisam ser continuamente debatidos, por meio das mais diversas aborda- gens, o estímulo às práticas que despertem os educandos para o exercício da Cidadania Planetária torna-se indispensável a fim de que haja a formação de crianças, adolescentes e jovens efetivamente comprometidos com a solução das questões socioambientais. Quem: Celso Antunes, educador e psicopedagogo. Quando palestrou: No 7o Congresso Internacional de Educação da LBV, em 2009. “Quando o pedido é da LBV, dou prioridade incontestável, porque jamais deixarei de aceitar um convite dela, não apenas pela amizade que a LBV me desperta, mas também pela grandeza da obra de Paiva Netto, pelo significado que esse trabalho representa e pelo projeto que a Instituição desenvolve. Na verdade, não estava assumindo um compromisso, mas cumprindo uma obrigação. Muito obrigado! Foi uma honra, uma felicidade estar com vocês.” ArquivoBVVivianR.Ferreira BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 31
  • 32. PRÁTICA EDUCACIONAL 32 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 33. O trabalho acadêmico de Karen Reis Ribeiro, ex-estudante do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, reper- cutiu de forma muito positiva não só entre educadores, mas também entre integrantes da equipe desta revista. Os debates e as reflexões ocasionados pelo estudo geraram a seguinte pergunta, à qual esta reportagem tenta responder: “A escola pode neutralizar a interferência socioambiental e promover um melhor aprendizado dos alunos?”. Os bons resultados alcançados por meio da ação da LBV na área educacional — trabalho esse que tem como base a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico (leia mais sobre o tema na p. 26), criadas pelo diretor-presidente da Entidade, o jornalista, radia- lista, escritor e educador José de Paiva Netto — sinalizam que sim. Eles são ainda mais expressivos se for considerado o público: pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social. Ao publicar esta ma- téria, a revista pretende dividir a experiência e as boas práticas da Instituição e inspirar outros atores sociais para que o ideal fraterno de incluir socialmente crianças, adolescentes, jovens e adultos que não acompanham a educação formal se transforme em realidade. desigualdades Ação da LBV faz com que escola tenha índices de países desenvolvidos e vira objeto de estudo em congresso na Europa Leila Marco Vencendo VivianR.Ferreira BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 33
  • 34. educação de qualidade Como a LBV atua para melhorar o desenvolvimento social e emocional da criança PRÁTICA EDUCACIONAL doensinofundamental,surpreendeu os examinadores do trabalho, pois a unidade educacional apresen- tou índices de distúrbios de comunicação semelhantes aos encontrados na população de países ricos e desenvolvidos, o que mostra “quanto uma boa es- cola faz diferença na vida dos alu- nos”. Ela credita a melhoria de tais níveis à linha pedagógica da Legião da Boa Vontade, proposta essa que fundamenta o ensino em valores es- pirituais, éticos e ecumênicos e tem como objetivo promover a formação integral do ser humano, consideran- do, ao mesmo tempo, os potenciais intelectual, emocional e psicológico deste. Para a dra. Noemi Takiuchi, professora adjunta do curso de Fo- noaudiologia da Faculdade de Ciên­ cias Médicas da Santa Casa de São Paulo e orientadora do TCC de Karen, a pesquisa tem um caráter inédito. “Ao fazermos a revisão da li- teratura [acadêmica sobre o tema], vimos que, quando a criança vem de um ambiente social menos favo- recido, isso tem um impacto enorme no desenvolvimento da linguagem e da leitura. Foi o oposto do que acha- mos na LBV. Encontramos crianças com baixos recursos, mas bons de- sempenhos. (...) Foi importante ver quanto uma escola consegue rea- lizar um trabalho diferenciado, de alta qualidade, e com crianças que vêm de ambientes nem sempre tão favoráveis. Esse ineditismo do re- sultado chamou muito a atenção da banca, dos professores que partici- param da apresentação”, revela. Segundo a Associação America- na para Fala, Linguagem e Audição (ASHA, na sigla em inglês), distúr- bio de comunicação é a dificuldade de receber, expressar, processar e compreender conceitos, seja na for- ma verbal, seja na não verbal, seja na escrita. Os indivíduos podem demonstrar um único distúrbio ou uma combinação deles. Apesar de serem poucos os estu- dos na área no Brasil, especialistas são categóricos em afirmar que existe um quadro de alta prevalência des- sas disfunções na primeira infância e que, na ausência do suporte neces- sário, estas podem ocasionar proble- K aren frequentou o Conjunto Educacional Boa Vontade do berçário ao ensino médio. O carinho, o respeito e a troca de co- nhecimentos e vivências entre edu- cadores e educandos que ela teve no local levaram-na a cursar Peda- gogia, sua primeira graduação, e, no fim de 2015, terminou a faculdade de Fonoaudiologia. Foi o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) des- sa segunda graduação, intitulado “Identificação de distúrbios da co- municação em estudantes do ensino fundamental”, alvo de especial aná- lise da equipe da BOA VONTADE. A jovem conta que o resultado da pesquisa realizada no referido colé- gio, com discentes do segundo ano “Verificamos vários aspectos contemplados na proposta pedagógica da LBV que atuam como fatores protetivos. Então, algumas crianças que poderiam vir a desenvolver algum tipo de dificuldade [têm a possibilidade de não desenvolvê-lo], pelo fato de estar expostas ao método de ensino e de leitura diferenciado da Instituição.” DRA. NOEMI TAKIUCHI Professora adjunta do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo VivianR.Ferreira 34 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 35. mas no futuro. “Uma criança com distúrbios da comunicação pode ficar mais retraída ou, às vezes, ter até um quadro depressivo, porque é inteligente, percebe o impacto que a fala dela provoca nos outros. Ela frequentemente é vítima de bullying; então, é vitimizada pelas dificulda- des de comunicação, e, a longo pra- zo, isso pode acarretar menos opor- tunidades acadêmicas e no mercado de trabalho”, ressalta a dra. Noemi. FATORES PROTETIVOS Empolgada com o retorno posi- tivo da pesquisa empreendida por Karen, a professora destaca a im- portância de fazer uma análise mais abrangente na escola da Legião da Boa Vontade. “As crianças en- tram bebês e permanecem até o fim do ensino médio. Isso é muito raro. É raro a gente ter Diferencial das escolas da LBV Além de terem uma sólida infraestrutura, as unidades educacio- nais da Legião da Boa Vontade aplicam uma metodologia diferen- ciada (firmada nos valores da Espiritualidade Ecumênica), que inclui diversas atividades extracurriculares com o intuito de promover o desenvolvimento de habilidades cognitivas* e de comunicação. * Habilidades cognitivas — São um conjunto de habilidades aprendidas em diferentes graus, conforme um indivíduo cresce e se desenvolve mentalmente. Ao contrário de habili- dades que são baseadas em conhecimento acadêmico, as habilidades cognitivas são habili- dades usadas para aprender, compreender e integrar as informações de forma significativa. Informação aprendida cognitivamente é entendida e assimilada, não apenas memorizada (Fonte: site da Universidade Estácio de Sá). Biblioteca, sala de leitura Laboratório de informática Artes marciais Xadrez MúsicaDança Esportes em equipe Vivian R. Ferreira BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 35
  • 36. essa continuidade, essa esta- bilidade, e estudos longitudi- nais são muito difíceis de ser feitos, por conta da mobilida- de das crianças. (...) Na Insti- tuição, temos o cenário ideal para estudar tanto os fatores de risco como os protetivos. Verificamos vários aspectos con- templados na proposta pedagógi- ca da LBV que atuam como fatores protetivos. Então, algumas crian- ças que poderiam vir a desenvol- ver algum tipo de dificuldade [têm a possibilidade de não desenvol- vê-lo], pelo fato de estar expostas ao método de ensino e de leitura PRÁTICA EDUCACIONAL Pesquisa sobre escola da LBV estará em congresso na Irlanda A pesquisa de Karen Reis Ribeiro, realizada no Conjunto Educacional Boa Vontade, para o TCC do curso de Fonoaudio- logia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, intitulado “Identificação de distúrbios da comunicação em estudantes do ensino fun- damental”, é um dos trabalhos que representarão o Brasil no 30o Congresso Mundial da As- sociação Internacional de Lo- gopedia e Fonoaudiologia (IALP, na sigla em inglês), que ocorrerá de 21 a 25 de agosto de 2016, em Dublin, na Irlanda. O traba- lho acadêmico passou por uma seleção rigorosa, concorrendo com pesquisas de vários países, antes de ser escolhido para esta edição do evento. diferenciado da Instituição, além de [contar com] a família traba- lhando com as crianças, de parti- cipar muito das atividades, de ter até acesso a atividades diferencia- das, como, por exemplo, música, informática, educação física, boa alimentação, [porque] tudo isso funciona como fator protetivo.” ESTUDANTES DE ALTO DESEMPENHO A orientadora ainda destaca que é muito interessante ver também os efeitos da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico na universidade. “A Santa Casa está re- cebendo ex-alunos da LBV nos cur- sos de Fonoaudiologia, Enferma- gem e Medicina. Eles têm um perfil diferenciado; são estudantes de alto desempenho. Nessa parceria com a Santa Casa, há a possibilidade de formar líderes, não só profissionais, mas profissionais que vão lutar pelas questões importantes — no nosso caso, em relação à fonoau- diologia, à saúde da comunicação humana.” VivianR.Ferreira Karen Reis Ribeiro durante atividade com alunos no PAR Boa Vontade. Leia mais sobre este programa na p. 56. “A gente está recebendo ex-alunos da LBV nos cursos de Fonoaudiologia, Enfermagem e Medicina. Eles têm um perfil diferenciado; são estudantes de alto desempenho.” DRA. NOEMI TAKIUCHI 36 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 37. foco na família Ela também já escreve o próprio nome”, conta. “Agora, estou tranquila, saben- do que minha filha está bem cuida- da e alimentada. Com esse auxílio, melhoramos nossa vida. Tenho uma geladeira em casa, um grande passo e muito necessário para o lar, mas antes não tinha dinheiro para isso. Trabalhando sozinha, concen- tro-me mais, e a renda cresceu. Na LBV, tudo é gratuito, e, com esse apoio, vou comprando coisas para minha família. Agradeço à Institui- ção pela ajuda”, conclui. A história de Teresa Franco, mãe de Rosa Isabel, de 4 anos, atendida no Jardim Infantil e Pré-Escolar José de Paiva Netto, estabelecimento de ensino da Le- gião da Boa Vontade em Assunção, no Paraguai, é uma das inúmeras narrativas que, além de comove- rem, mostram o valor de cuidar do núcleo familiar para a melhora da qualidade de vida e do desenvol- vimento pedagógico do aluno. Há muito tempo, essa mulher, de 45 anos, enfrenta grandes desafios para sobreviver. Sem emprego fixo, per- corre os bairros da capital paraguaia vendendo produtos. A situação ficou pior quando engravidou e, princi- palmente, após o nascimento de sua filha. Só e não tendo com quem deixar a criança, precisou levá-la consigo para a atividade na rua logo nos primeiros dias de existência da menina. “Isso me preocupava bas- tante, porque ela era tão pequena e não tinha horário para comer; fi- cava sob o sol forte, sem água... Foi muito difícil”, relembra. Essa árdua rotina, que durou mais de dois anos, foi interrompida quando Teresa conseguiu vaga para Rosa Isabel, em período integral, na escola da Entidade. Segundo a mãe, o ingresso no local abriu novos hori- zontes à criança. “Minha filha apren- deu muitos valores na LBV; está mais comunicativa e independente. Alunos do Jardim Infantil e Pré-Escolar José de Paiva Netto participam de atividade lúdica com duas genitoras. No destaque, a aluna Rosa Isabel e sua mãe, Teresa Franco. Paraguai LeillaTonin RaquelDíaz “Minha filha aprendeu muitos valores na LBV; está mais comunicativa e independente. Ela também já escreve o próprio nome.” TERESA FRANCO BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 37
  • 38. E sta matéria começa com um fato curioso: o entrevistado e eu cho- ramos durante o relato da his- tória de vida dele e de sua família. Não foram lágrimas amargas, e sim de bom orgulho, ao conversarmos sobre a trajetória de alguém que, aparentemente, tinha motivos para devolver à sociedade a violência que recebera na infância, mas que, em vez disso, deu a volta por cima e se tornou, mais do que bom professor, uma pessoa que tem por nortes da existência o Amor ao próximo e o Bem. Esse personagem é William Souza Lobo, de 33 anos, graduado em Educação Física, com extensão universitária em treinamento es- pecífico e funcional, que atua como instrutor de caratê no Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP. No emocionante bate- -papo, ele se referiu, com profundo amor, à profissão, a seus alunos e à vivência familiar. “Eu era morador de rua. Uma De morador de rua a professorA trajetória vitoriosa de quem encontrou na escola da LBV uma segunda família PRÁTICA EDUCACIONAL Brasil Vivian R. Ferreira Leila Marco 38 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 39. vez, passei em frente à LBV e fa- lei à minha mãe: ‘Nossa, que lu- gar grande! Como seria bom fi- car aqui!’.” Foi assim que William iniciou sua narrativa, provocando o olhar surpreso da equipe desta revista. Na sequência, vieram no- vas revelações não menos tocantes, por meio das quais contou de que modo ele, a mãe, dona Noe­mia Souza Lobo, e os três irmãos mais jovens sobrepujaram as dificuldades das ruas e se tornaram cidadãos ple- nos e profissionais bem-sucedidos, com formação universitária. “Todos nós fomos acolhidos pela LBV. Eu tive tudo na escola, desde o banho, a alimentação, a roupa... A Legião da Boa Vontade foi mãe, segunda mãe, pai, tio; foi tudo! Até o fato de ser professor hoje foi por conta da Instituição. É incrível! Deu [tudo] certo!”, rememorou. Nessa transição, a família passou dois anos morando debaixo do Via- duto do Chá, na capital paulista, e, depois, mais alguns anos residindo de favor em casas de amigos e de pa- rentes antes de conseguir o próprio lar. “[Esse período] foi complicado, muito difícil. Apanhávamos todo dia na rua, de meninos maiores e de homens adultos. Quando tinha 9 anos, tomei um tapa no rosto por- que peguei uma bolacha em uma doceria. Apanhamos eu e meu ir- mão para me defender”, lamentou. AMOR E PACIÊNCIA Como os integrantes dessa famí- lia conseguiram vencer tantos obs- táculos foi pergunta parcialmente respondida. Para William, o êxito de sua caminhada está no processo pedagógico da LBV. “É muito gran- de o empenho dos educadores, e estuda-se bastante. A criança que vem de outra escola para cá sente a diferença na forma de trabalhar cada passo. A maneira de tratar o estudante é mais abrangente, [pois] abraça a criança e sua família”, res- saltou. Para exemplificar, aludiu ao próprio caso. “Como vivia na rua, houve época em que eu não tinha roupa. A que usava na sexta-feira era a mesma do sábado e do domin- go. Eu só me trocava aqui na LBV na segunda-feira. (...) Ao chegar à AndréFernandes CidaLinares “Todos nós fomos acolhidos pela LBV. Eu tive tudo na escola, desde o banho, a alimentação, a roupa... A Legião da Boa Vontade foi mãe, segunda mãe, pai, tio; foi tudo! Até o fato de ser professor hoje foi por conta da Instituição. É incrível! Deu [tudo] certo!” WILLIAM SOUZA LOBO Vista parcial do Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, escola que William Lobo frequentou durante a educação básica. Na foto abaixo, ele aparece ao fundo durante apresentação em feira cultural. escola, levavam-me até o banhei- ro para tomar banho. Eu colocava o uniforme, tomava café e ia estu- dar.” Ele também destacou a pa- ciência dos educadores em ou- vir o aluno para descobrir as di- ficuldades deste e ajudá-lo. “Eu nunca vou me esquecer dos pro- fessores, em especial da Adria- na, do Marcelo e da Sandra. BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 39
  • 40. O professor Marcelo colocava-me nas primeiras cadeiras da sala e dizia: ‘Qualquer dúvida [que você tiver,] é só olhar para mim’, por- que eu não conseguia ter um bom rendimento. Quando não entendia algo, já olhava, e ele falava: ‘Você quer pegar essa parte de novo?’. Aí, sentava comigo e explicava tudo novamente.” Outro aspecto que diferencia o en- sino nas unidades da LBV, segundo o instrutor de caratê, é o conceito de educação integral. “Esse sistema leva o estudante a evoluir o tempo todo. Eu tinha dificuldades, mas o que não conseguia fazer, entender de manhã, completava à tarde, a ponto de estu- dar e compreender [os conteúdos], de ficar mais fácil. Na verdade, se parar para pensar, não estava mais tran- quilo; eu é que consegui melhorar pe- dagogicamente”, comentou. Ao se escutar William falar, per- cebe-se que tudo o que recebeu da es- cola o fortaleceu e fez dele uma pes- soa mais solidária. “Às vezes, estou em casa e penso neles [os alunos]. Eu tenho minha filha, mas eles es- tão em meu pensamento; são como meus filhos. (...) Na LBV, a criança está segura e protegida de violên- cias, do frio e da fome. Para mim, essa proteção, esse acolhimento, em resumo, isso tudo é Amor. Proteger a criança é fundamental, e a Insti- tuição faz muito isso. Eu acredito que fui protegido pela escola, cui- dado e amparado”, declarou. O educador finalizou o testemu- nho agradecendo ao diretor-pre­ sidente da Entidade. “Deus e Paiva Netto nos ampararam. Nunca es- tamos sozinhos; temos Deus, a força reinante do Universo. Acre- dito que o Criador foi manifesta- do nele. (...) Tem gente que ouve Deus neste mundo, e eu acho que o Paiva Netto ouve Deus. A LBV é fru- to disso”, concluiu. Quem: William Souza Lobo Idade: 33 anos De onde: São Paulo/SP O que faz: Trabalha há doze anos como instrutor de caratê. Para ele: Não basta ir bem no esporte. É preciso ter boas notas também. Orgulho: Seus alunos nunca tiveram uma aula igual à outra. Sonho: Ver caratecas ensinados por ele conquistar a faixa preta. “Na LBV, a criança está segura e protegida de violências, do frio e da fome. Para mim, essa proteção, esse acolhimento, em resumo, isso tudo é Amor. Proteger a criança é fundamental, e a Instituição faz muito isso.” PRÁTICA EDUCACIONAL VivianR.Ferreira Confira detalhes da entrevista na reportagem da Boa Vontade TV 40 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 41. P or meio do programa Estudan- tes de Boa Vontade pela Paz (em inglês, Good Will Students for Peace), a LBV dos Estados Uni- dos oferece a escolas públicas nor- te-americanas importante apoio na redução de comportamentos de risco. Com a iniciativa, a Entidade visa, além de fomentar o desempe- nho acadêmico das crianças e dos adolescentes participantes, ajudar a consolidar de maneira positiva o ca- ráter deles, contribuindo, dessa for- ma, para que sejam pessoas de Bem e para que colaborem na edificação de um mundo melhor e na promo- ção da Cultura de Paz. Assim, em consonância com a linha educacional da Legião da Boa Vontade — composta da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Educar para a PazPedagogia da LBV ajuda a reduzir comportamentos de risco em escolas norte-americanas Ecumênico — e com as diretrizes do programa, educadores da Ins- tituição atuam em parceria com os professores dos colégios associados a ela, realizando atividades solidá- rias criativas dentro e fora da sala de aula, as quais são integradas ao currículo escolar. O objetivo destas é sempre impulsionar o desenvolvi- mento integral dos alunos, isso por- que a LBV leva em conta não ape- nas a parte cognitiva, mas também as dimensões além do intelecto do indivíduo, isto é, a espiritual, a fí- sica, a psíquica e a social, conforme defende o educador Paiva Netto, criador da proposta pedagógica da Entidade. Para que esse intuito seja alcançado, busca-se estimu- lar o protagonismo dos educandos em ações diversas tanto na escola quanto na comunidade, entre as quais as de preservação do meio ambiente e de combate à fome e ao bullying. Mais de dois mil estu- dantes do Estado de Nova Jersey já participaram do referido programa, que tem duração de três meses em cada uma das respectivas edições. APRENDIZADO PARA A VIDA O sucesso da aplicação da pro- posta educacional da Legião da Boa Vontade pode ser comprovado ob- servando-se casos reais de trans- formação pessoal, entre estes o de Mohammed, de 9 anos, que inte- grou a citada iniciativa da LBV em 2014. O episódio narrado a seguir mostra o que a educação de qualida- de e voltada para os bons valores é capaz de fazer pelo ser humano. Sâmara Caruso e Danilo Parmegiani Estados Unidos ElianaGonçalves BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 41
  • 42. Recentemente, voluntários da Instituição que empreendiam o pro- grama Ronda da Caridade*, em um dos abrigos temporários para famí- lias em situação de extrema vulne- rabilidade social em Newark, Nova Jersey, foram surpreendidos e im- pactados por um acontecimento in- comum. Da fila dos que esperavam para receber a nutritiva refeição le- vada pela LBV e passar por exames de saúde saiu Mohammed. O meni- no, que estava vivendo com a mãe e o irmão naquele local e aguardava, junto dos demais, o atendimento, se aproximou da equipe da Entidade e disse: “Olá! Eu sou um Estudante de Boa Vontade pela Paz e também quero ajudar. Vou ao meu quar- to buscar o meu bóton”. Ele, en- tão, subiu entusiasmado as escadas para pegar o distintivo da LBV (um coração azul), que todos os alunos ganham ao concluir a participação no programa. Quando retornou, os- tentava no peito o emblema e, com um doce sorriso, anunciou: “Agora estou pronto! Em que posso colabo- rar?”. Logo, assumiu um posto na distribuição do chocolate quente. Terminou o dia feliz por ter contri- buído para beneficiar aqueles que se encontravam em condição social semelhante à dele e à de sua família. Essa história constitui podero- sa lição a todos nós, ainda mais se considerarmos que o exemplo foi dado por uma criança, que, por ter o coração e o Espírito providos de valores elevados, reconheceu a im- portância do próprio papel de li- derança solidária, que igualmente possuímos e devemos exercer para a construção de um orbe melhor, justo e fraterno. * Ronda da Caridade — Trata-se de um tra- balho emergencial de amparo a pessoas em situação de rua e de abrigos. O serviço itine- rante leva refeição, apoio social e conforto es- piritual. A ação procura também conscientizar o cidadão de seu próprio potencial e habilida- des, para que possa desenvolvê-los e, assim, assegurar o sustento pessoal. Programa é avaliado em pesquisa A LBV dos Estados Unidos realizou pesquisa a fim de aferir os resul- tados do programa Estudantes de Boa Vontade pela Paz nas escolas parceiras. A percepção dos educandos sobre a iniciativa é a seguinte: 94,6% 56% 97% 95,2%disseram que gostaram de incorporar os bons valores às aulas e que houve melhora do comportamento coletivo afirmaram que tiveram aumento médio das habilidades e das atitudes positivas, incluídas nestas a superação de conflitos, a colaboração em grupo, o progresso no desempenho acadêmico e o respeito às diferenças relataram que o programa ajudou na compreensão dos conteúdos acadêmicos responderam que a iniciativa tornou as aulas mais animadas e interessantes PRÁTICA EDUCACIONAL LIDERANÇA SOLIDÁRIA Depois de exibir com orgulho o bóton com o distintivo da LBV, recebido após sua participação no programa Estudantes de Boa Vontade pela Paz, o menino Mohammed, ladeado pela equipe de voluntários da Instituição, distribui chocolate quente em abrigo para famílias em situação de vulnerabilidade social em Newark, Nova Jersey, EUA. Fotos:AdrianaParmegiani 42 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 43. LeillaTonin O site Intercolegial publicou, em 21 de maio de 2016, a história de superação do aluno de inclusão do Centro Educacional José de Paiva Netto, durante o 34o Intercolegial, uma competição estudantil espor- tiva promovida pelo jornal O Globo e pela Abadai Produções. A seguir, na íntegra, a reportagem intitulada “Xadrez dá show de integração com participação de Gabriel Santana”: “Engana-se quem pensa que ter a mobilidade reduzida é motivo para não participar do Intercole- gial. O Xadrez desta 34a edição da maior competição entre colégios do país deu mais um show de integra- ção com a participação de Gabriel Santana. O aluno do 9o ano do Cen- tro Educacional José de Paiva Netto, de Del Castilho, Zona Norte do Rio Aluno da LBV com hidrocefalia mielomeningocele é destaque em campeonato Intercolegial Xadrez e superação [de Janeiro/RJ], nasceu com hidro- cefalia mielomeningocele e precisa de uma cadeira de rodas para se locomover, mas não é nada que o impeça de ser um dos grandes des- taques do esporte em sua escola. “Ao nascer, o jovem foi desenga- nado pelos médicos, mas, felizmen- te, eles estavam errados, e Gabriel, hoje, comemora a interação com os colegas. “‘É um sentimento de alegria. Há um esporte que eu posso participar e interagir juntamente com os meus colegas e com a escola, que me recebeu de braços abertos, sempre me integrando junto com todo mundo e nenhuma diferença. Isso é muito gratificante pra mim’, afir- mou. “A paixão pelo Xadrez começou por acaso, na escola. Gabriel nunca havia jogado, mas aceitou o convite de um professor e, agora, não quer saber de outra coisa. “‘O Bruno, que é meu profes- sor de Matemática e Xadrez, me chamou para jogar. Eu não conhe- cia antes, mas me interessei. Como você pode ver, gostei muito e estou aqui até os dias de hoje’, comentou. “Apesar do bom início de com- petição, Gabriel acabou sendo eli- minado na sexta e última fase da categoria Sub-18 não federada masculina. O resultado, no entanto, pouco importa para quem já nasceu vencendo”. Na Cidade Maravilhosa, a Legião da Boa Vontade desenvolve o seu trabalho em duas frentes de ação: o Centro Educacional da Instituição e o Centro Comunitário de Assistên- cia Social. A escola é composta de 22 salas de aula, berçário, solário, ambulatório médico, quadra polies- portiva e auditórios. Em seu Centro Comunitário de Assistência Social, a LBV atende centenas de famílias. As ações ocorrem por meio dos pro- gramas  Jovem: Futuro no Presen- te!,  Cidadão-Bebê,  Capacitação e Inclusão Produtiva,  Vivência Soli- dária e Vida Plena. Gabriel Santana, de 14 anos, atua como goleiro na equipe de futsal da escola da LBV, no Rio de Janeiro/RJ. BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 43
  • 44. ESPORTE e cidadaniaMariane de Oliveira Luz Esporte
  • 45. Com a prática esportiva, a LBV promove inclusão social de crianças e jovens em comunidades vulneráveis. DanielTrevisan BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 45 A cada quatro anos, povos de diferentes culturas, línguas e etnias congregam-se em virtude dos dois maiores eventos es- portivos do planeta: os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos, que, em 2016, ocorrerão no Rio de Janeiro/RJ, no Brasil, respecti- vamente, de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro, reunindo mais de 206 nações e cerca de 10.500 atletas profissionais. A proximidade desses acontecimentos traz à reflexão a importância da atividade fí- sica e faz perceber a soma de benefícios que a prática esportiva pode proporcionar às pessoas, se feita de modo regular e com o devido acompanhamento profissional. Em recente pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saú- de (OMS), detectou-se a necessidade de olhar o assunto com maior atenção. De acordo com o estudo, 5,3 milhões de indivíduos em todo o mundo morrem por ano de doenças associadas à inatividade física. No Brasil, o número chega a 300 mil óbitos no mesmo período. O pro- blema é sério e merece o empenho dos órgãos públicos competentes e da sociedade. ALIADO DA APRENDIZAGEM Que o esporte ajuda a manter o bem-estar e a autoestima do pra- ticante e contribui para uma vida saudável já se sabe. Agora, o que ele também pode fazer quando bem utilizado no contexto escolar e comunitário? Educadores de Esporte concordam que a prática des- portiva pode potencializar o aprendizado de crianças e adolescen- tes. Isso porque, além de trabalhar o corpo e melhorar a disciplina, a concentração, a agilidade e a coordenação motora deles, os inspira a vivenciar a consideração pelos semelhantes, a solidariedade e a ati- vidade em equipe, imprescindíveis para a promoção da Cultura de Paz. “Aprender [um esporte] implica planejar, experimentar, deci- dir, relacionar-se com as outras pessoas (...). Ao interagirmos com elas por meio de um jogo simples, aprendemos diversos valores que levamos para nossa vida, entre eles o respeito às regras e ao próxi- mo, um dos mais exigidos no meio esportivo em geral”, afirma o edu- cador físico do Centro Comunitário de Assistência Social da Legião da Boa Vontade em Santos/SP, no Brasil, João Fragoso. Na LBV, o desporto é um grande aliado no processo de ensino– aprendizagem. Para que se tenha noção da abrangência do que ela empreende na área da atividade física, cabe destacar que boa parte das 42 modalidades que serão disputadas nesta edição das Olim- píadas é praticada pelos atendidos da Instituição. Essa iniciativa é pautada pela campanha pioneira da Entidade Esporte é Vida, não violência!. Em consonância com esse lema, a associação do esporte aos conteú­dos aplicados em salas de aula e de atividades — ambos com o diferencial da Espiritualidade Ecumênica — tem produzido resulta- dos cada vez melhores dentro e fora das quadras, dos campos e dos ginásios, como traremos nesta reportagem.
  • 46. Formando campeões O badminton é ainda pouco conhecido no Brasil se comparado a outras modalidades esportivas, mas em duas unidades da LBV é o queridinho da garotada. Para muitos, pode parecer um simples jogo de raquete com peteca, semelhante ao tênis, mas, além de divertir, ajuda a desenvolver a concentração e a coordenação motora de quem o pratica. Os atendidos nos Centros Comunitá- rios de Assistência Social da Instituição em Aracaju/SE e no Rio de Janeiro/RJ que o digam! Na capital sergipana, a dedicação das crianças a esse esporte nas oficinas de atividades esportivas ge- rou resultados impressionantes ao longo de um ano e cinco meses que a modalidade vem sendo praticada no local. A participação da delegação da Entidade no Cam- peonato Norte e Nordeste de Badminton é um exem- plo, isso porque as atletas mirins Maria Eduarda, de 11 anos, e Taislaine Rodrigues Lima, de 14 anos, integram a Seleção Sergipana e chegaram aos lugares mais altos do pódio, conquistando medalhas de ouro e de prata, respectivamente. ESPORTE VâniaBandeira Quem: Taislaine Rodrigues Lima Idade: 14 anos De onde: Aracaju/SE Programa da LBV de que participa: Jovem: Futuro no Presente! Esporte: Badminton Curiosidade: Faz parte da Seleção Sergipana de Badminton e já conquistou duas medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze. “O badminton modificou minha vida e é muito importante para mim. Eu me sinto alegre quando estou jogando. Antes, eu sofria bullying; as pessoas me chamavam de gorda por causa do meu perfil mais forte, mas, depois que comecei a praticar o badminton, começaram a me ver como uma campeã. (...) Meu comportamento em casa e na escola mudou também, porque, no badminton, aprendemos a ter educação, a respeitar os pais, a ser quietos na escola, pois há o momento de brincar e de aprender.” Brasil LeillaTonin 46 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 47. ARNOLD SCHWARZENEGGER APOIA AÇÃO DA LBV O ator Arnold Schwarzenegger esteve no Rio de Janeiro/RJ, em abril deste ano, para participar da quarta edição do evento Arnold Classic Brasil. Na oportunidade, o astro de Hollywood e ex-governador do Esta- do da Califórnia, nos Estados Unidos, demonstrou simpatia pelo projeto Geração UPP, por meio do qual são atendidos cerca de nove mil crian- ças e adolescentes de comunidades onde atuam as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e que conta com o apoio da Legião da Boa Vontade. Ele interagiu com os jovens atletas durante a celebração da vitória do bicampeão de caratê Jhonatan de Sousa Jobim, de 15 anos, cuja família é atendida pela LBV, mediante o trabalho socioeducacional que a Instituição realiza. INCENTIVO AO ESPORTE Estudo realizado em 2015, pelo Ministério do Esporte do Brasil, estima que apenas 55% da população faz atividades físicas e/ou es- portivas. Como a LBV se preocupa com a saúde e o bem-estar do ser humano, os Jogos Internos da Instituição são uma das muitas inicia- tivas da Entidade com o propósito de incentivar os atendidos por ela à prática de esportes. Em Belém/PA, o evento ocorreu recentemente na Escola de Educação Infantil Jesus e seguiu todo o protocolo de uma competição esportiva oficial. Em São Paulo/SP, o acontecimen- to deu-se no início do ano letivo de 2016, no Conjunto Educacional Boa Vontade, com direito até à reprodução de uma tocha olímpica, carregada por diversos estudantes e entregue a João Lemos, de 15 anos, aluno de inclusão, que, sob os aplausos da garotada, acendeu a chama simbólica dos Jogos no estabelecimento de ensino. Os cinco mais populares na LBV A seguir, as modalidades esportivas mais praticadas nas unidades socioeducacionais da Legião da Boa Vontade. Outras modalidades praticadas na LBV: MariseCovelo RenatadePaiva Hapkido Jiu-jítsu Judô Caratê Kung fu Muay thai Atletismo Tênis de mesa BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 47
  • 48. ESPORTE Conhecimento compartilhado Concentração, estratégia e raciocínio lógico são habili- dades importantes para o exercício de quase todos os es- portes, mas, no caso do xadrez, são pré-requisitos a fim de que se alcance o êxito nessa modalidade. Embora ainda não integre o rol dos desportos olímpicos — mesmo que este seja o desejo de milhares de pessoas que o praticam em todo o mundo —, o xadrez é também bastante utilizado nos ambientes escolares como recurso para ajudar a esti- mular uma série de competências nos educandos e tornar a assimilação dos conteúdos mais natural e prazerosa. Na LBV do Uruguai, a modalidade é uma ferramenta de grande relevância no processo de aprendizagem, sendo ensinada às meninas e aos meninos com idade a partir dos 5 anos que frequentam o Jardim Infantil Jesus, situado em Montevidéu. Os instrutores desses estudantes são os alu- nos mais velhos atendidos pela Instituição por meio do pro- grama Criança: Futuro no Presente!, que repassam àqueles todo o conhecimento obtido sobre o esporte. Quem: Martín Coitiño Idade: 10 anos De onde: Montevidéu, Uruguai Programa da LBV de que participa: Criança: Futuro no Presente! Esporte: Xadrez “Eu gosto muito de vir à LBV. Aqui estudamos, cantamos, jogamos, fazemos teatro e aprendemos valores. (...) É bom aprender xadrez aqui e ensinar às crianças de 5 anos. Elas gostam de jogar e se concentram bem durante as partidas, que nos ajudam a pensar e a ser mais inteligentes. O xadrez nos une como parceiros, porque cria uma competição saudável entre nós e partilha um momento de concentração.” Fotos:LetíciaTeixeira Uruguai 48 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 49. Aprendizado para a vida Reconhecida desde o século 20 como esporte, a capoeira já conquistou o interesse de mais de oito milhões de pessoas e é praticada em mais de 160 países. Ciente do valor dela no futuro das novas gerações, a LBV da Argentina empreende, há mais de dez anos, em parceria com a Associação Argentina de Capo- eira, um projeto que possibilita às crianças e aos adolescentes atendidos por ela aprender essa modalidade. Durante as duas horas em que esta é realizada, aos sábados, a garotada conhe- ce, além das técnicas desse esporte, os valores indispensáveis para o bom viver em sociedade. Em 2015, o projeto teve um momento especial: 14 meninas e meninos atendidos pela Entidade foram batizados na capoeira, arte marcial de ataque e defesa de origem 100% brasileira. O coordenador do Espaço Educativo Calle Colores, da LBV na- quele país, José Pardo, explica que a modalidade não somente trabalha todo o corpo e gera bastante energia, como também ajuda a promover a troca de valores e desenvolve a disciplina nos praticantes. Segundo o representante da Instituição, o exer- cício desse esporte ainda auxilia as crianças que participam do programa, que estão em situação de vulnerabilidade social, a superar diversas limitações e desafios. “Elas têm melhorado o comportamento e estão mais estimuladas na escola, o que reflete na autoestima delas. Além disso, têm melhorado a ca- pacidade de expressão e demonstrado alta capacidade de re- solver seus conflitos”, ressalta. Conheça a história da ex-aluna da LBV no Rio de Janeiro/RJ, que levará a tocha da edição 2016 dos Jogos Olímpicos durante o revezamento no trajeto desta na capital fluminense. Quem: Meninas e meninos atendidos pela LBV Idade: De 6 a 13 anos De onde: Buenos Aires, Argentina Esporte: Capoeira “Vi algumas crianças fazendo capoeira e me animei. Gosto dos movimentos. Fiquei emocionado praticando capoeira e passei a me sentir melhor desde então.” ADRIANO VERA DÍAZ 7 anos Fotos:CarlosCésardaSilva Argentina BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 49
  • 50. VivianR.Ferreira FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV Há treze anos, a LBV promove pioneiro fórum internacional com foco no protagonismo infantil pela Paz de ideias Celeiro Giovanna Pinheiro 50 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 51. H á como promover a participação real das crian- ças na sociedade? Para o diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto, isso é possível, sim. Ele afirma que se devem dar oportunidades para que as novas gerações expres- sem ideias, aprendam a se defender de tudo o que lhes faz mal e desenvolvam o protagonismo. Com esse objetivo, o dirigente da Entidade instituiu, em 2003, o Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV, um pioneiro encontro que fomenta o diálogo e a reflexão a fim de que a garotada pense e sugira ações para construir um Brasil melhor e uma Humanidade mais feliz. O tema da 14a edição do Fórum das Famílias, conforme Paiva Netto costuma também chamar o evento, foi escolhido, por votação, pelas próprias meninas e meninos: “As crianças e a construção da Paz, pelo fim da violência!”. Este está sendo tra- balhado desde março deste ano e continuará a ser debatido até o mesmo mês de 2017, nas escolas e nos Centros Comunitários de Assistência Social da Instituição do Brasil e dos seis países em que ela está presente (Argentina, Bolívia, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai). INCENTIVO AO PROTAGONISMO Segundo as coordenadoras pedagógicas Cata­rina Nery e Dayane Novaes, de São Pau- lo/SP, em cada uma dessas unidades socioeduca- cionais da LBV, os instrutores apresentam o tópi- co às crianças mediante estratégias diferenciadas, para públicos de faixas etárias e realidades distin- tas. “As atividades são desenvolvidas por meio de oficinas, que são planejadas pelos educadores de acordo com o perfil do grupo. (...) Os orientadores têm a preocupação em proporcionar formas para que a criança entenda que o fórum é um espaço para que ela possa expor suas ideias, opiniões, dúvidas, sugestões e quais recomendações fariam aos adultos sobre o assunto discutido”, explicou Catarina. Da mesma forma, Dayane complementou: “O objetivo é que as crianças compreendam, a partir do que aprenderam com as discussões, reflexões e estudo acerca do tema central do 14o Fórum, que a Paz é importante para que vivamos em segurança e que devemos ser promotores dela no presente e no futuro”. São Paulo/SP BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 51
  • 52. FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV JulianaMoura JosianeCristinaKoening ArquivoBV VaniaBandeira Quem: Renata Ferreira (ao lado do irmão, Daniel Castelo, de 6 anos) Idade: 10 anos De onde: Porto, Portugal “Desde os 5 anos, minha participação no fórum tem me trazido uma felicidade inexplicável. A harmonia que se sente é indescritível. Comecei a ser mais paciente na escola e a respeitar as diferenças. Penso que isso me faz uma cidadã melhor. Espero levar esses ensinamentos de Paz para outras crianças.” BRADO DE PAZ Em Aracaju/SE, crianças e adolescentes amparados pela Legião da Boa Vontade re- centemente deram uma clara demonstração dos elevados valores, entre os quais o respeito e a união, nascidos da convivência fraterna. O fato ocorreu quando eles, em conjunto com atendidos em outras unidades da LBV, par- ticiparam da gravação do videoclipe da mú- sica-tema desta edição do fórum, intitulada Brado de Paz. Entusiasmada com a participação nas ações da LBV e com tudo que aprendeu com Portugal Joinville/SC Santos/SP Aracaju/SE Assista ao videoclipe com a música Brado de Paz, gravado por crianças e adolescentes amparados pela Legião da Boa Vontade em Aracaju/SE. Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e veja. FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV JulianaMoura JosianeCristinaKoening Portugal Joinville/SC Porto, Portugal Aracaju/SE Assista ao videoclipe com a música Brado de Paz, gravado por crianças e adolescentes amparados pela Legião da Boa Vontade em Aracaju/SE. Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e veja. 52 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 53. GenivaldoMarquiza Em 19 de março de 2016, o diretor-presidente da Legião da Vontade, o jornalista, radialista e educador José de Paiva Netto, conduziu a sessão solene de abertura da 14ª edição do Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV, transmitida ao vivo para o Brasil e o mundo pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet). Na oca- sião, o criador do evento enalteceu a escolha do tema pe- las meninas e meninos e discorreu sobre a necessidade de combater a violência e de haver ações eficazes para minimi- zar o impacto das mudanças climáticas no planeta. Durante o discurso, ele também destacou trecho do artigo “Covardia contra crianças”, de autoria dele, no qual assevera: “Não há(conf.: “haverá”, cfe. correlação correta com “houver”) qualquer garantia de futuro melhor para as nações se não houver o respeito aos direitos fundamentais das crianças e dos jovens. E não se cresce, material e espiri- tualmente(espiritual e materialmente(,)) saudável,(cortar, cfe. sentido correto) sem afeto, sem Amor, (conf.: “sem”) Amor Fraterno”. O dirigente falou ainda da importância de os indivíduos, desde a mais tenra idade, serem bem preparados e desper- tados para a reflexão e a conscientização sobre as questões que desafiam a sociedade mundial, de modo que possam contribuir para a efetiva transformação desta para melhor. Como tudo isso está em consonância com a proposta da LBV, a garotada tem a oportunidade de participar, ao longo da realização do fórum, de rodas de conversa, debates e vá- rios momentos culturais. Direitos das crianças elas, a garotada nota as diferenças no pró- prio comportamento. “Estou me sentindo bastante feliz, e foi uma grande honra gra- var esse vídeo. Quando eu era menor, era danada, não obedecia aos meus familiares. Na LBV, ensinaram-me o verdadeiro sen- timento de Amor, a ter compaixão... E isso é [muito bom]”, ressaltou Suelen Nayara, de 13 anos. Edgar Azevedo, de 14 anos, outro benefi- ciado pelo trabalho da LBV na capital sergipa- na, entendeu bem a mensagem do encontro. “A Paz é algo necessário, que as pessoas de- Quem: Sthefani Cristina Pilatte Idade: 13 anos De onde: Campo Grande/MS “Eu gostaria que, daqui a cinco anos, o mundo fosse muito diferente do de hoje. Que não existissem drogas, guerras, corrupção, ódio, injustiça e todas as coisas que impedem o ser humano de evoluir no Amor.” Brasil Alexandre Rueda Em 19 de março de 2016, o diretor-presidente da Le- gião da Vontade, o jornalista, radialista e educador José de Paiva Netto, conduziu a sessão solene de abertura da 14ª edição do Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV, transmitida ao vivo para o Brasil e o mundo pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet). Na ocasião, o criador do evento enalteceu a escolha do tema pelas meninas e meninos e discorreu sobre a necessidade de combater a violência e de haver ações eficazes para minimizar o impacto das mudanças climáticas no planeta. Durante o discurso, ele também destacou trecho do artigo “Covardia contra crianças”, de autoria dele, no qual assevera: “Não haverá qualquer garantia de futuro melhor para as nações se não houver o respeito aos di- reitos fundamentais das crianças e dos jovens. E não se cresce, espiritual e materialmente saudável, sem afeto, sem Amor Fraterno”. O dirigente falou ainda da importância de os indivíduos, desde a mais tenra idade, serem bem pre- parados e despertados para a reflexão e a conscienti- zação sobre as questões que desafiam a sociedade mundial, de modo que possam contribuir para a efetiva transformação desta para melhor. Como tudo isso está em consonância com a proposta da LBV, a garotada tem a oportunidade de participar, ao longo da realização do fórum, de rodas de conversa, debates e vários momen- tos culturais. Direitos das crianças Alexandre Rueda BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável | 53
  • 54. FÓRUM INTERNACIONAL DOS SOLDADINHOS DE DEUS, DA LBV ArquivoBV ArquivoBVArquivoBVRaquelDiaz vem conquistar. E a música [tema do fórum] é extremamente conta- giante. Ao cantá-la, ficamos numa alegria tão grande que não conse- guimos brigar; só há Paz”, decla- rou. BOM IMPACTO NAS FAMÍLIAS Em Ciudad del Este, no Paraguai, a 14a edição do evento contou com inúmeras atividades. Julian Bello, de 10 anos, relata a experiência de participardofórum:“Amúsica-tema [do fórum] ensina-nos muitas coi- sas com a letra, e este ano a canção fala sobre desarmar os corações, para que sejamos bons amigos. (...) Eu gostei da música, porque fala de fazer o Bem — e isso é muito bom —, ajudar, ter amigos, escutar os de- mais e amparar os animais, as pes- soas que não têm o que comer ou o que vestir...”, fez questão de salien- tar. Em La Paz, na Bolívia, a influên­ cia do fórum estendeu-se aos fa- miliares das meninas e meninos atendidos, como revelou a assisten- te social da LBV da cidade, Jenny Mancilla. “No Jardim Infantil Jesus, o projeto Bom Trato funcio- na com o objetivo de promover a boa relação das crianças na escola e em casa, entre todos os membros da família, para uma convivência pacífica, harmoniosa e que permi- ta a participação ativa de todos. (...) Uma das primeiras ações [em- preendidas por meio dessa iniciati- va] foi a realização de uma reunião com os pais para eles se socializa- rem e para apresentá-los ao pro- jeto. Mães e pais são parte funda- mental no processo de criação de seus filhos; [por isso,] devem pro- mover e praticar boa convivência, boa comunicação e boas relações humanas”, concluiu. Uruguai Quem: José Luís Garcia Idade: 11 anos De onde: Montevidéu, Uruguai “Devemos fazer nossa parte: começar em casa, na escola e ajudar nossa família, amigos, conhecidos e vizinhos. Com Boa Vontade e Amor, podemos colaborar para que o mundo esteja em paz.” New York, EUA Assunção, Paraguai La Paz, Bolívia 54 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
  • 55. AÇÃO JOVEM LBV O melhor conteúdo de paz e elevação onde você estiver Preces Ecumênicas Música Legionária Boa Vontade TV Super Rede Boa Vontade de Rádio Baixe gratuitamente em sua loja de aplicativos: Agora é só dar PLAY
  • 56. AÇÃO JOVEM LBV LEILANY ROCHA, ex-aluna do Conjunto Educacional Boa Vontade, é graduada em Pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia e faz mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento. Despertando habilidades D esde pequena, aprendi que é possível mudar o mundo com atitudes de Boa Vontade. Aos 8 anos, eu tinha muita dificuldade em assimilar matemática, mas o destino pôs em meu caminho uma pessoa que me inspirou a esco- lher a carreira docente. A professora Graça não media esforços para me auxiliar a vencer essa questão. Usava estratégias diferenciadas, incentivava-me a trocar ideias com colegas que tinham maior facilidade na disciplina, era criativa e bem- -disposta, além de verificar se eu havia entendido os conteúdos. Era assim comigo e com todos os outros alunos. Ela percebeu em mim qualidades que nem eu sabia 56 | BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável VivianR.Ferreira