Paiva Netto alerta para a ”Covardia contra crianças“ e afirma:
“Fechar os olhos para a violência contra as crianças e seus cruéis desdobramentos é uma
barbaridade ainda muito presente no mundo” (leia na íntegra na p. 8)
encarte especial
BOA VONTADE reúne especialistas para
analisar a nova realidade do Terceiro Setor
LBV compartilha
expressivos resultados
das Pedagogias do Afeto
e do Cidadão Ecumênico
em conferência nas
Nações Unidas
ANO 58 • No
237• R$ 7,90
64anos
Cardoso
Laura
Amor à vida,
humildade e alegria:
marcas que mantêm
a jovialidade desta
dama do teatro
e da televisão,
aos 87 anos
App gratuito
da revista
BOA VONTADE
educação em debate
templo da boa vontade
Comemorações históricas de Fé, Emoção
e Paz no dia 8/11/2014, em Brasília/DF
DIA8denovembrode2014
PaivaNettocelebra
comopovoemBrasília/DF:
Alziro Zarur e
Paiva Netto:
amizade firmada
em Jesus, o Cristo
Ecumênico, o
Divino Estadista.
• Alziro Zarur (1914-1979)
Centenário de nascimento
do saudoso Proclamador
da Religião do Amor Universal
Duas décadas do Fórum Irrestrito
e Ecumênico (1994-2014)
• ParlaMundi da LBV
• Proclamação da Religião
de Deus, do Cristo
e do Espírito Santo
41 anos de Fraternidade Real
(1973-2014)
TBV: SGAS 915, Lotes 75 e 76, Brasília/DF.
Tel.: (61) 3114-1070 • www.tbv.com.br
25anos
TemplodaBoaVontade
JubileudePrata
Inscreva-se já nas Caravanas da Boa Vontade!
Informações nas Igrejas Ecumênicas da Religião Divina
0300 10 07 940 — www.tbv.com.br/25anos
(1989-2014)
34 Ruth de Souza: Referência, simpatia e pioneirismo.
Na foto, com o saudoso Grande Otelo.
15
Domingos Meirelles
Eleito novo
presidente da ABI
13
cacá diegues
Trajetória na vida
e no cinema
13
Lucinha Araújo
Os parabéns por
mais um aniversário
16
ronnie von
é tema de
biografia
14
Nathalia Timberg
60 anos de carreira
em obra literária
14
mauricio de sousa
Poesia
de cordel
12
LAURENTINO GOMES
Edição revista e
ampliada de 1808
18
celso antunes
escreve
Sala de aula e
futebol
17
Mary del priore
História do
sobrenatural e do
espiritismo
Sumário
8	 covardia contra crianças
Paiva Netto
12		 Cartas, e-mails, livros e registros
	21	 Opinião — Esporte por José Carlos Araújo
Racismo nunca mais!
22		 Arte e Cultura
Laura Cardoso — exemplo de talento e trabalho
29		 Opinião — Educação por Arnaldo Niskier
A história do vocabulário
30		 Samba & história por Hilton Abi-Rihan
Sururu na Roda — Deu samba!
34		 Abrindo o coração
Ruth de Souza — Referência e pioneirismo
38		Internacional — Empoderamento das mulheres
Atuação da LBV para igualdade de gêneros
44 	LBV na ONU
• Educação e sustentabilidade (p. 44)
• Desafios do futuro (p. 50)
56		 comportamento
Quando a ansiedade compromete o seu bem-estar
64		 Ação jovem LBV
Globalização do Amor Fraterno de Jesus
72		 empreendedorismo
Conexão Empresarial
8 Paiva Netto escreve:
Covardia contra crianças
4 BOA VONTADE
73 No encarte especial, os drs. Airton Grazzioli,
José Eduardo Sabo Paes e Marcelo Henrique
dos Santos escrevem sobre a nova realidade do
Terceiro Setor (páginas de 73 a 87)
18
beto junqueyra
Visita
à LBV
116
Mal de Alzheimer:
O que fazer para
prevenir a doença
que pode triplicar em
números de casos
até 2050
21
José Carlos araújo
Racismo
nunca mais!
29
Arnaldo Niskier
A história
do vocabulário
72
márcio utsch
Palestra no Conexão
Empresarial
72
Paulo Cesar de
oliveira
Promove evento
em BH
88
nelson leite
Abradee premia as
melhores do setor
energético
73 	 terceiro setor — encarte especial
• A nova realidade do Terceiro Setor (p. 74)
• Articulação social (p. 84)
• Capacitação e menos burocracia (p. 87)
88 	responsabilidade social
Abradee premia as melhores
92		Educação em Debate
Mobilização como estratégia de aprendizagem
103	 inclusão produtiva
LBV capacita jovens e adultos para o mercado de trabalho
106	Literatura
23a
Bienal Internacional do Livro de São Paulo
112	 .opinião — mídia Alternativa por Carlos Arthur Pitombeira
Na agenda dos próximos quatro anos
116	 saúde
Será Alzheimer?
122	 melhor idade
• O mundo cada vez mais grisalho (p. 122)
• Crise, Aquífero e a urgente atitude (p. 126) por Walter Periotto
128	 soldadinhos de deus
130	 Aprendendo português por Adriane Schirmer
Onde estão os meus óculos?
Canais da LBV na internet
www.lbv.org.br
Facebook: LBV Brasil
Twitter: @LBVBrasil
Youtube: LBV Videos
Orkut: LBV
Flickr: flickr.com/lbvbrasil
44 LBV coordena painel temático na sede da
Organização das Nações Unidas
BOA VONTADE 5
Ao leitor
Sempre em foco na Legião da Boa Vontade, o
compromisso com a qualidade na educação firma-
da na Espiritualidade Ecumênica é pauta de duas
importantes reportagens desta edição, além de
ser destaque na entrevista com a consagrada atriz
Laura Cardoso, capa deste número e um exemplo
de talento e trabalho. A primeira aborda a partici-
pação da LBV na 65a
Conferência Anual de ONGs
do Departamento de Informação Pública (DPI, na
sigla em inglês) das Nações Unidas, em Nova York,
nos Estados Unidos, em agosto. Na oportunidade,
a Instituição colaborou para a elaboração de uma
“Agenda de Ação” que mobilize as negociações das
metas de desenvolvimento pós-2015, conhecidas
como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS). A LBV realçou a necessidade de se pro-
mover educação para impulsionar o exercício da
cidadania plena, preparando as futuras gerações
para ser protagonistas de uma sociedade solidária
e sustentável.
No outro texto, discorre-se sobre o 13o
Congres-
so Internacional de Educação da LBV, realizado
na capital paulista, de 30 de julho a 1o
de agosto.
Por meio de palestras e oficinas pedagógicas, o
tema do encontro, “Mobilização como estratégia
de aprendizagem: uma visão além do intelecto”,
foi debatido com o público presente sob diversos
aspectos, dando-se resposta a problemas antigos
na área, entre os quais o analfabetismo funcional
e a falta de interesse dos alunos pelos conteúdos
transmitidos.
Também em prol da infância e da juventude,
o diretor-presidente da LBV, jornalista, escritor e
radialista José de Paiva Netto, faz esta contundente
advertência ao comentar o relatório “Ocultos à ple-
na luz”, do Fundo das Nações Unidas para a Infân-
cia (Unicef), divulgado em 4 de setembro: “Fechar
os olhos para a violência contra as crianças e seus
cruéis desdobramentos é uma barbaridade ainda
muito presente no mundo”. Para ele, sem o res-
peito aos direitos fundamentais das crianças e dos
jovens não haverá futuro para as nações. “E não se
cresce, material e espiritualmente saudável, sem
afeto, sem Amor Fraterno”, completa.
Na seção “Comportamento”, importante alerta:
vivemos atualmente em uma sociedade urgente,
rápida e ansiosa. Por isso, a matéria mostra o que
fazer para não deixar a ansiedade prejudicar a vida
diária da pessoa.
Boa leitura!
Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica
BOA VONTADE é uma publicação da LBV, editada pela Editora Elevação. Registrada sob o no
18166 no livro “B” do 9o
Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo.
Diretor e Editor-responsável: Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP
chefe de redação: Rodrigo de Oliveira — MTE/DRTE/SP 42.853 JP
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Arthur Pitombeira, Daniel Borges Nava, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e Paulo Kramer.
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Marco, Leilla Tonin, Mariane de Oliveira Luz, Mário Augusto Brandão, Neuza Alves, Paulo
Azor, Silvia Fernanda Bovino, Valéria Nagy, Vivian R. Ferreira, Walter Periotto, Wanderly Albieri
Baptista e William Luz.
Projeto Gráfico e capa: Helen Winkler
Diagramação: Diego Ciusz, Felipe Tonin e Helen Winkler
Impressão: Mundial Gráfica
Crédito da foto de capa: Vivian R. Ferreira
Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 • Bom Retiro • CEP 01134-050
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A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus
artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de estimular o debate
dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento
contemporâneo.
A N O 5 8 • N o
2 3 7 • M A I / J U N / J U L / A G O 2 0 1 4
Tiragem: 50 mil exemplares
Edição fechada em 27/9/2014
Reflexão de BOA VONTADE
Para que nosso planeta sobreviva aos efeitos de
tanta ganância pelos séculos, verdade seja dita, temos
visto notáveis esforços de pesquisadores e de cidadãos
engajados na melhora da qualidade de vida por todo o
globo. Aliados às iniciativas que buscam a alimentação
saudável, por intermédio da agricultura orgânica, meios
de transporte alternativos e a proteção do meio ambiente,
pela reciclagem e pelo tratamento racional do lixo e apro-
veitamento das águas da chuva, excelentes trabalhos de
cientistas e outros estudiosos prometem bons resultados
no curto e no longo prazo. Por exemplo, é intensa a pes-
quisa na área energética, sobretudo em relação a fontes
renováveis e limpas: biocombustível, biomassa, energia
azul, energia geotérmica, energia hidráulica, hidreletri-
cidade, energia solar, energia maremotriz, energia das
ondas e energia eólica, além de outros objetos de estudo
pouco conhecidos e aqueles que nem mesmo sabemos
ainda que serão descobertos. A Fé é o combustível das
Boas Obras.
Paiva Netto
6 BOA VONTADE
Covardia contra crianças
Covardia
contra
crianças
8 BOA VONTADE
RaquelBertolin
José de Paiva Netto,
jornalista, radialista e escritor.
É diretor-presidente da LBV.
F
echar os olhos para a violência contra as
crianças e seus cruéis desdobramentos é uma
barbaridade ainda muito presente no mundo.
É o que nos mostra o relatório do Fundo das Na-
ções Unidas para a Infância (o Unicef) “Ocultos
à plena luz”, divulgado no dia 4 de setembro
deste ano. 
Segundo esse órgão internacional: “É a maior
compilação de dados jamais realizada sobre
violência contra a criança”. O trabalho, com
núme­ros coletados em 190 países, detalha as
terríveis e duráveis consequências de agressões
sofridas na fase infantojuvenil. As vítimas, pos-
teriormente, se tornam adultos mais propensos a
ficar sem emprego, a viver na pobreza e a manifes-
tar comportamento agressivo. E aqui um ponto que
deve ser levado em alta consideração. Os pesqui-
sadores observam que o estudo diz respeito apenas
aos indivíduos que puderam e quiseram responder
aos questionamentos. Ou seja, as estimativas le-
vantadas refletem pequena parte
do problema. 
Isso ocorre, porque as comu-
nidades, as escolas, os lares não
cumprem devidamente suas obri-
gações com os pequeninos. O
dr. Anthony Lake, diretor-exe- Anthony Lake
Divulgação
BOA VONTADE 9
Covardia contra crianças
cutivo do Unicef, é contundente:
“São situações desconfortáveis
— nenhum governo ou pai ou mãe
quer vê-las”. No entanto, como
ele mesmo enfatiza, devemos en-
carar os fatos se quisermos mudar
a mentalidade que acha normal e
permissível essa violência diária,
em todos os lugares. E completa:
“Embora a maior prejudicada
seja a criança, também dilacera
o tecido da sociedade, minando a
estabilidade e o progresso. Mas
essa violência não é inevitável.
Pode ser prevenida — desde que
nos recusemos a deixar que ela
permaneça nas sombras”.
Alguns dos índices apontados
pela pesquisa, em contextos mun-
diais, nos dizem que crianças e
Ilustração:WilliamLuz–SoldadinhosdeDeus,daLBV.
Jesus, no Evangelho, segundo Mateus, 19:14, apresentou-se como Segurança
Divina para as crianças: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os impeçais, porque
deles é o Reino dos Céus”.
adolescentes com menos de 20
anos representam um quinto das
vítimas de homicídio, o que re-
sulta em perto de 95 mil mortes
em 2012; cerca de 120 milhões de
meninas com menos de 20 anos
(aproximadamente uma em cada
dez) foram forçadas a ter relações
sexuais ou a praticar outros atos
sexuais; e pouco mais de um em
cada três estudantes entre 13 e
15 anos são vítimas frequentes
de bullying na escola.
Que providências tomar
O Unicef indicou estratégias
para que toda a sociedade, desde
as famílias aos governos, possa
trabalhar para reduzir tamanha tra-
gédia. Elas incluem “prestar apoio
aos pais e desenvolver na criança
habilidades de vida; mudar atitu-
des; fortalecer sistemas e serviços
judiciais, criminais e sociais; e
gerar evidências e conscientização
sobre violência e seus custos hu-
manos e socioeconômicos, visando
à mudança de atitudes e normas”.
Dentre as numerosas frentes
de trabalho da Legião da Boa
Vontade, cuidar bem das crianças
é uma de suas mais relevantes e
reconhecidas ações. Tenho gran-
de esperança na semeadura que
fazemos há mais de 64 anos nos
corações humanos e espirituais.
A Pedagogia do Afeto e a Peda-
gogia do Cidadão Ecumênico,
que desenvolvemos na rede de
ensino da LBV, com o apoio do
povo, possuem elevados propó-
sitos de salvaguardar a infância
e a juventude em risco social. A
evasão escolar nas unidades da
LBV tem índice zero, informa a
diretora do Conjunto Educacional
Boa Vontade, em São Paulo/SP, a
doutoranda em Educação Suelí
Periotto.
Não se tem qualquer garantia
de futuro melhor para as nações
sem respeito aos direitos funda-
mentais das crianças e dos jovens.
E não se cresce, material e espi-
ritualmente saudável, sem afeto,
sem Amor Fraterno. 
Cumprir com acerto as res-
ponsabilidades que nos cabem é
atender ao alertamento de Jesus,
o Cristo Ecumênico, portanto,
universal. No Seu Evangelho,
segundo Mateus, 19:14, Ele diz:
“Deixai vir a mim os pequeninos,
não os impeçais, porque deles é o
Reino dos Céus”.
10 BOA VONTADE
Antônio Ermírio de Moraes (1928-2014)
Um ser humano bom
paivanetto@lbv.org.br
www.paivanetto.com
A
ntônio Ermírio de Moraes
(1928-2014), empresário, pre-
sidente de honra do GrupoVo-
torantim e engenheiro metalúrgico,
formado pela Colorado School of
Mines. Mas, acima de tudo, foi um
ser humano de nobres ideais, que
promoveu iniciativas em prol das
comunidades menos favorecidas.
Ele voltou à Pátria Espiritual no dia
24 de agosto (domingo), em São
Paulo/SP, deixando-nos louváveis
exemplos.
Em 1996, por seu empenho às
causas humanitárias, recebeu do
ParlaMundidaLBV,emBrasília/DF,
a Comenda da Ordem do Mérito
da Fraternidade Ecumênica, na
categoriaIndústriaeComércio.Sua
proximidade com o pensamento
altruísta ficou bem evidente em
entrevista que concedeu, certa
vez, à Super Rede Boa Vontade de
Comunicação (Rádio, TV, internet
e publicações): “Todo homem
responsável desta nação tem de
deixar de ser egoísta. Ele tem
de se preocupar com uma coisa
chamada Humanidade. Tem de
se preocupar com seus vizinhos,
com as suas aflições, com seus
problemas, procurar dar-lhes a
mão, ajudá-los com esse espírito
comunitário que estamos lançando
no Brasil. Sempre que puder,
teremos imenso prazer em ajudar
a LBV”.
Incentivador da cultura, es-
creveu e produziu peças teatrais,
destacando os desafios brasileiros.
Nessa mesma linha, em 2006,
lançou o livro Acorda, Brasil!.
Com satisfação, guardo exemplar
autografado pelo ilustre autor: “A
José de Paiva Netto, com apreço
do Antônio Ermírio de Moraes”.
Fernando Pessoa (1888-1935),
notável vate português, com ilumi-
nada inspiração retratou: “A morte
é a curva da estrada. Morrer é só
não ser visto”. Portanto, conscien-
tes dessa verdade, desejamos ao
Espírito Eterno Antônio Ermírio
de Moraes votos de muita Paz onde
estiver, no Mundo Espiritual.
Aos seus familiares e amigos,
particularmente à sua esposa, dona
Maria Regina Costa de Moraes,
e aos nove filhos do casal a solida-
riedade dos Legionários da LBV.
ClaytonFerreira
BOA VONTADE 11
Cartas, e-mails, livros e registros
O trabalho realizado pelo
jornalista Paiva Netto é muito
louvável, razão por que nós, pela
segunda vez consecutiva, reco-
nhecemos os esforços dele como
profissional da Comunicação. A
LBV tem uma ação excelente em
todo o Brasil e em outros países de
suma importância, principalmente
para as pessoas menos favoreci-
das e para os que buscam uma
palavra de conforto espiritual. Os
artigos de Paiva Netto trazem Paz,
Amor, Fraternidade. Curvelo é
brindada com a participação dele
na condição de colunista. Ele tem
engrandecido o nosso trabalho e
sido elogiado por parte da popu-
lação da cidade e região. (Geraldo
Magela, jornalista e radialista,
ao comentar homenagem feita ao
dirigente da LBV com a entrega
do prêmio 7o
Mérito Radiofônico
João Guimarães Rosa, do jor-
nal E Agora?, de Curvelo/MG,
periódico do qual é diretor.)
Meus agradecimentos
pela revista [BOA VON-
TADE 236], cujas re-
portagens enriquecem
meus sentimentos.
(...) Sobre [o arti-
go “Deus, Brasil e
globalização*”], como
sempre, Paiva Netto, muito inspi-
rado pela Espiritualidade Superior,
nos traz essa excelente mensagem
como um refrigério para o nosso
espírito. Abraços fraternais. (João
BaptistadoValle,membrodoCon-
selho Deliberativo da Federação
Espírita do Estado de São Paulo.)
No dia 31 de agosto, o historiador e escritor Laurentino Gomes
relançou, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, seu
best-seller 1808 (Globo Livros), em edição revista e ampliada. Nele,
traz um capítulo inédito, com informações até hoje pouco conhecidas
sobre a criação do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves, em
dezembro de 1815.
Na ocasião, ainda foi apresentada a versão em e-book do título,
pela primeira vez acessível ao público brasileiro. Cabe destacar que,
em 2008, a obra recebeu o Prêmio ABL de Ensaio, Crítica e História
Literária, da Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Jabuti de
Literatura nas categorias “Reportagem” e “Livro do Ano Não Ficção”.
Laurentino, que escreveu igualmente 1822 e 1889, dedicou um
exemplar da recente edição de 1808 ao dirigente da LBV, no qual
registrou: “Para Paiva Netto, com um afetuoso abraço e gratidão
do autor”.
1808, de Laurentino
Gomes, ganha edição
revista e ampliada
VivianR.Ferreira
Laurentino Gomes em sessão de autógrafos da nova edição da obra literária
1808.
Fico satisfeita em saber que a
LBV instrui a nova geração sobre
a importância da preservação desse
elemento tão precioso: a água. Para-
béns! (Leni Cedro, Cabo Frio/RJ.)
Émaravilhososaberqueaqueles
que representam o futuro estão sen-
do preparados e conscientizados
desde pequeninos. Parabéns às
crianças lindas e inteligentes da
*O artigo “Deus, Brasil e globalização” pode ser encontrado na internet (no site www.paivanetto.com).
12 BOA VONTADE
Com 74 anos de idade e 52 de carreira, Cacá Die-
gues, um dos fundadores do Cinema Novo — movimento
que deu início a uma nova maneira de filmar e pensar o
Brasil, com foco na realidade nacional e uma linguagem
adequada à situação social do período —, apresentou
ao público, em 12 de agosto, a autobiografia Vida de
cinema — Antes, durante e depois do Cinema Novo
(Editora Objetiva). O ato ocorreu na capital fluminense e
reuniu personalidades, leitores e amigos do autor.
Na obra, ele conta sua trajetória de sucesso no ci-
nema, passando pela infância em Alagoas até o triunfo
no Festival de Cannes. O livro é um relato das últimas
cinco décadas do Brasil pela voz de Diegues, que traça
o panorama de uma época marcada pela modernização
do país na década de 1950, pela efervescência cultural
dos anos 1960 e pelo processo de redemocratização.
No evento de lançamento do título, o autor encami-
nhou um exemplar deste ao dirigente da LBV, no qual
escreveu a seguinte dedicatória: “Para Paiva Netto,
com o meu abraço”.
Cacá Diegues e a
trajetória na vida e
no cinema
Em livro autobiográfico, Cacá Diegues também expõe
memórias sobre o cinema brasileiro.
LBV e à Instituição pelo grande
trabalho humanitário. (Jandira
Maria Pereira, São Paulo/SP.)
PriscillaAntunes
É com muito orgulho que
agradeço pelo livro Jesus, o
Profeta Divino, cuja leitura do
virtuoso ensinamento me enri-
quece profundamente. Sinto-
-me esclarecido e confortado.
Estudantes do Centro Educacional da Legião
da Boa Vontade, situado em Del Castilho, Rio de
Janeiro/RJ, visitaram, em 7 de agosto, a Sociedade
Viva Cazuza, no bairro Laranjeiras, zona sul da capi-
tal fluminense. Na oportunidade, parabenizaram a
fundadora da organização e amiga de Boa Vontade,
Lucinha Araújo, pelo aniversário dela.
Durante o encontro, a garotada percorreu as
dependências da entidade, que ampara crianças e
adolescentes portadores do vírus da aids, bem como
teve contato com o acervo do cantor e compositor
Cazuza (1958-1990), filho de Lucinha. Ela, por
sinal, ao receber um buquê de flores das alunas
atendidas pela Instituição, disse: “Conheço o traba-
lho da LBV. Sei que também é um trabalho lindo”.
Alunos atendidos
pela LBV
parabenizam
Lucinha Araújo
Crianças atendidas pela LBV são recebidas pela
presidente da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo.
Ao fim da visita, a anfitriã foi homenageada pela
passagem de seu aniversário.
PriscillaAntunes
BOA VONTADE 13
Para marcar seus 85 anos de vida — 60 deles
dedicados à carreira artística —, Nathalia Timberg
lançou, em 23 de setembro, sua biografia, escrita
pelo jornalista Cacau Hygino. A noite de autógrafos
do livro Nathalia Timberg — Momentos (Editora
M.Books) ocorreu no bairro de Copacabana, na zona
sul da capital fluminense, reunindo personalidades,
artistas consagrados, amigos da artista e leitores. 
A obra narra fatos marcantes na vida da atriz, entre
os quais o início no teatro, nos anos 1930, quando
ainda era menina, e os inúmeros papéis na televisão. 
Os autores dedicaram um exemplar da obra ao
diretor-presidente da LBV, com as seguintes mensa-
gens: “Para Paiva Netto, um grande abraço. Nathalia 
Timberg” e “Querido Paiva Netto, com carinho.
Cacau”.
Que tal passear pela história de nosso
país de maneira bem divertida? Essa é a
proposta do livro O Brasil no papel em poe­
sia de cordel (Editora Melhoramentos), de
Mauricio de Sousa e Fábio Sombra, lançado
no dia 23 de agosto, em São Paulo/SP. Nele,
os famosos personagens da Turma da Mônica
viajam pelo território nacional para conhecer
os costumes e as tradições de vários Estados,
retratando as belezas e a diversidade cultural
brasileiras por intermédio da literatura de
cordel.
Por ocasião do lançamento, Mauricio de
Sousa concedeu entrevista à Super Rede Boa
Vontade de Comunicação (TV, rádio, internet
e publicações) e dedicou um exemplar da
obra às meninas e aos meninos atendidos
pela Legião da Boa Vontade, no qual regis-
trou a seguinte mensagem: “Às lindas crian-
ças da LBV, com todo o carinho. Mauricio”.
60 anos de carreira
da atriz
Nathalia Timberg
Mauricio de Sousa
e Fábio Sombra:
poesia
de cordel
Escrito pelo jornalista Cacau Hygino, o livro narra
importantes momentos da vida de Nathalia Timberg.
O cartunista Mauricio de Sousa exibe exemplar de livro
produzido de parceria com o escritor Fábio Sombra.
PriscillaAntunes
VivianR.Ferreira
Cartas, e-mails, livros e registros
Que o Grande Arquiteto do Universo
mantenha Paiva Netto fazendo transbor-
dar tamanha sabedoria, dádiva que muito
enobrece o ser humano. (Elias Corrêa de
Menezes, Santa Luzia/MG.)
14 BOA VONTADE
O reality show American Chopper, transmitido
pelo canal de TV Discovery Channel, transformou
a Orange County Choppers em uma das mais
famosas fabricantes de motos customizadas do
mundo. Em 24 de agosto, na oficina e set de
gravação dos episódios do programa, na cidade
de Newburgh, Estado de Nova York, EUA, o
fundador da marca, Paul Teutul Senior, teve a
oportunidade de conhecer um pouco do trabalho
da Legião da Boa Vontade.
Na referida data, o empresário recebeu a visi-
ta de representantes da LBV dos Estados Unidos,
que lhe entregaram lembranças confeccionadas
por alunos do Conjunto Educacional Boa Von-
tade, localizado na capital paulista. Feliz com a
singela homenagem, ele agradeceu e afirmou:
“Vou expô-las na parede de meu escritório”.
Fundador da Orange County Choppers
recebe homenagem da LBV
AdrianaRocha
O jornalista Domingos
Meirelles foi eleito presidente
da Associação Brasileira de
Imprensa (ABI) pela Chapa
Vladimir Herzog. Pela primeira
vez na história da entidade, um
repórter assume a Presidência
da Casa dos Jornalistas.
Duas chapas concorreram
à eleição. A Chapa Vladimir
Herzog teve 218 votos e a
Chapa Prudente de Morais,
neto 147, sendo apurados
dois votos nulos. O pleito foi
realizado em seis capitais — Rio, São Paulo, Belo
Horizonte, Maceió, Brasília e São Luís.
No maior colégio eleitoral da entidade, no Rio de
Janeiro, com 303 eleitores, a Chapa Vladimir Her-
zog conquistou 167 votos e a
Prudente de Morais, neto, 134.
Após a apuração dos votos, o
presidente da Mesa Diretora,
Marcus Miranda, proclamou
a vitória da Chapa Vladimir
Herzog.
Este foi o pleito com a maior
participação de associados da
história da entidade.
O novo presidente da ABI
é também escritor com várias
obras publicadas, entre elas As
Noite das Grandes Fogueiras
— Uma História da Coluna Prestes (Prêmio Jabuti
de Reportagem de 1996), e 1930 — Os Órfãos da
Revolução, vencedor do Jabuti de 2006, na categoria
“Ciências Humanas”.
Domingos Meirelles
é o novo presidente da ABI Fonte: site da ABI
AntonioChahestian/Record
BOA VONTADE 15
Divulgação
Em Ronnie Von: o príncipe que podia ser rei
(Planeta do Brasil), escrito pelos jornalistas Antonio
Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel, o leitor conhecerá
a trajetória profissional do cantor e apresentador do
programa Todo Seu, transmitido pela TV Gazeta.
Lançado em 1o
de agosto, o livro está repleto de
fotos de diversas fases da carreira de Ronnie Von,
entre estas a da Jovem Guarda — movimento do
qual foi um dos ícones —, além de publicar sua
discografia completa. Para a elaboração da obra,
Guerreiro e Pimentel gravaram mais de cem horas
de entrevistas com o artista e ouviram mais de
cinquenta pessoas que conviveram ou convivem
com ele.
Em noite de autógrafos, na capital bandeirante,
o biografado e os autores receberam diversas perso-
nalidades, amigos e admiradores. Eles dedicaram
um exemplar do título ao diretor-presidente da LBV,
no qual registraram as seguintes palavras: “Paiva
O professor e escritor português José Pacheco,
com a colaboração do professor Samuel Lago, lan-
çou, em 22 de agosto, na capital paulista, o livro
Crônicas Educação 2: denunciar e anunciar (Editora
Ronnie Von é tema de biografia
Professor José Pacheco reúne
experiências educacionais em livro
Ronnie Von é ladeado pelos jornalistas Antonio Guerreiro
(D) e Luiz Cesar Pimentel.
Os professores Samuel Lago (E) e José Pacheco
autografam exemplares de sua recente obra literária.
Netto, uma honra que nos leia. Obrigado, Luiz”;
“Paiva Netto, um abraço. Guerreiro”; e “Ao Paiva
Netto, meu abraço, meu carinho! Parabéns pela
obra! Ronnie Von”.
Nossa Cultura). A sessão de autógrafos foi bastante
concorrida e reuniu personalidades, educadores e
amigos dos autores. Antes dela, o público participou
de um bate-papo sobre a abordagem educacional que
a obra oferece.
Em crônicas, a publicação contribui para a
quebra de paradigmas relacionados aos assuntos
atuais que são tratados na área educacional, além
de expor as experiências técnico-pedagógicas viven-
ciadas pelo professor Pacheco na Escola da Ponte,
em Portugal. Cabe ressaltar que essa Instituição,
idealizada pelo próprio educador, se notabilizou pelo
inovador projeto educativo, firmado na autonomia
dos estudantes.
Por ocasião do lançamento, os autores dedicaram
um exemplar do novo título ao diretor-presidente da
LBV. “Para o Paiva Netto, grato. José Pacheco” e
“Paiva: reflita, desfrute! Abração do prof. Samuel
Lago”, escreveram.
Cartas, e-mails, livros e registrosLuizBarcelos
16 BOA VONTADE
O jornalista e empresário da área de comuni-
cação Ricardo Viveiros lançou, em 12 de agosto,
o título A vila que descobriu o Brasil — A incrível
história de Santana de Parnaíba (Geração Edito-
rial), em livraria da capital paulista. O concorrido
evento reuniu personalidades, além de amigos e
familiares do autor.
Os mais de quatro séculos desse município, que
se orgulha de ser um dos berços mais importantes
da brasilidade, são contados nessa obra, com apuro
e leveza. Cruzando os episódios na Colônia com
os acontecimentos do período na Europa, Viveiros
constrói uma narrativa que mostra como a história do
pequeno povoado, depois elevado a vila e hoje uma
cidade com mais de cem mil habitantes, influenciou
e foi impactada pelos momentos vividos no Brasil e
na Península Ibérica.
Em um exemplar do livro, o escritor anotou esta
dedicatória ao dirigente da LBV: “Ao grande brasileiro
Paiva Netto, homem de Boa Vontade, ofereço esta
história da história do Brasil. Um abraço do Ricardo
Viveiros”.
A renomada historiadora Mary del Priore
lançou, em 25 de agosto, na capital paulista, a
obra literária Do outro lado — A história do so-
brenatural e do espiritismo (Planeta do Brasil).
A publicação é uma narrativa instigante sobre
um assunto que chama a atenção de todos que
desejam conhecer cada vez mais a presença da
espiritualidade na história do Brasil. 
Além de tratar do desenvolvimento do espiri-
tismo, criado por Allan Kardec e assimilado por
muitos intelectuais brasileiros no século 19, ela
descreve fenômenos populares nesse período,
como o sonambulismo, o magnetismo, a atividade
de cartomantes e curandeiros.
No evento de lançamento do título, a escri-
tora autografou um exemplar deste ao diretor-
-presidente da LBV, grafando esta dedicatória:
“Ao caríssimo dr. Paiva Netto, com a admiração
e o abraço de Mary”.
A história do Brasil
na ótica de
Ricardo Viveiros
Historiadora
Mary del Priore
apresenta história
do sobrenatural e
do espiritismo
O jornalista Ricardo Viveiros apresenta a história de Santana
de Parnaíba.
Historiadora Mary del Priore lança livro sobre “a
história do sobrenatural e do espiritismo no Brasil”.
LuizBarcelos
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 17
A 23ª Bienal Internacio-
nal do Livro de São Paulo foi
palco do lançamento da nova
obra do educador Celso Antu-
nes, intitulada Sala de aula e
futebol (Editora Vozes). Nela,
o professor, que é fascinado
por esse esporte, procura
mostrar ao leitor a estreita
relação entre o jogo e a aula
e entre a rotina na escola e a
emoção no campo, fazendo
com que cada leitor seja um
protagonista capaz de pensar
identidades e de transferir
experiências.
O autor dedicou um exem-
plar da publicação ao dirigen-
te da Legião da Boa Vontade,
com a seguinte mensagem:
“Ao amigo Paiva Netto, por
sua obra, que nos engrande-
ce, e pela condição em ser
brasileiro”.
Educador
Celso Antunes
escreve Sala
de aula e
futebol
VivianR.Ferreira
VivianR.Ferreira
Educador Celso Antunes Lançamento de Beto Junqueyra na Biblioteca Bruno Simões de Paiva
Escritor renomado e amigo de longa data da Legião da Boa Vontade,
Beto Junqueyra esteve no Instituto de Educação José de Paiva Netto, na
capital paulista, para lançar A grande descoberta de Gulliver (Editora
IBEP), adaptação de As viagens de Gulliver, obra-prima do escritor irlan-
dês Jonathan Swift (1667-1745). Em seu mais recente título, Junqueyra
busca fazer a garotada colocar-se no lugar do personagem principal,
ora gigante, ora pequenino em comparação aos povos encontrados nas
viagens dele, e, com isso, levá-la a vivenciar as duas facetas do bullying,
a fim de incentivá-la a lidar com as diferenças com respeito ao próximo.
Antes da sessão de autógrafos, num descontraído bate-papo com os
estudantes do 3º ano do ensino fundamental da escola, o autor falou
um pouco de sua trajetória e da importância do hábito de ler. “Foi um
privilégio lançar o livro aqui e sentir a qualidade das perguntas dos
alunos, sabendo que eles leem livros, num país em que há tanta ca-
rência de leitura. Ganhei o dia”, declarou na ocasião, em entrevista à
BOA VONTADE.
LBV é reconhecida por seu trabalho diferenciado
A Legião da Boa Vontade sempre trabalhou por uma educação de qua-
lidade para seus atendidos. Entre as iniciativas para alcançar essa meta
está a realização anual do Congresso Internacional de
Educação da Instituição (leia mais sobre o assunto na
p. 92). Em reconhecimento a esse trabalho, a Câmara
Municipal de São Paulo encaminhou “Voto de Júbilo e
Congratulações” à LBV pela 13a
edição do congresso,
ocorrido entre 30 de julho e 1o
de agosto, na capital
paulista.
O requerimento partiu da vereadora Edir Sales e foi deferido pelo
presidente da Câmara, José Américo.
Beto Junqueyra lança livro
em biblioteca escolar
Cartas, e-mails, livros e registros
Edir Sales
Divulgação
18 BOA VONTADE
A
Agência Nacional de Ener-
gia Elétrica (Aneel) reali-
zou, em 27 de agosto, em
sua sede em Brasília/DF, a ceri-
mônia de recepção dos diretores
Romeu Donizete Rufino, André
Pepitone da Nóbrega e Tiago
de Barros Correia, empossados
no Ministério de Minas e Energia
(MME), no dia 14 do mesmo mês.
Fica completo, assim, o quadro
da diretoria da autarquia, do
qual já fazem parte os diretores
José Jurhosa Junior e Reive
Barros dos Santos. O evento foi
prestigiado por inúmeras perso-
Aneel recepciona seus diretores
nalidades e empresários do setor
elétrico.
Reconduzidos, respectivamente,
aos cargos de diretor-geral e diretor,
Rufino e Pepitone destacaram, em
seus discursos na ocasião, a impor-
tância de a agência contar com ser-
vidores qualificados e valorizados.
Sobre uma atuação mais eficiente
ante o atual cenário, Rufino afirmou
que “o planejamento estratégico e
a autonomia decisória que a Aneel
possui também são fatores relevan-
tes para enfrentar os desafios de
promover a regulação e o desenvol-
vimento do setor elétrico”.
Cidadão brasileiro natural de
Moçambique, Tiago Correia, mestre
em Planejamento de Sistemas Ener-
géticos, é o único novo membro da
diretoriadaentidade.Emseupronun-
ciamentonacerimônia,eleenfocoua
importânciadaautonomiadaagência
e da comunicação com os diversos
envolvidos no setor elétrico. “Acre-
dito que teremos períodos intensos,
com grandes desafios e oportunida-
des,nosquais,commuitahumildade
para o diálogo, prestarei as minhas
contribuições”, disse, referindo-se à
sua expectativa de muito trabalho e
aprendizado na autarquia.
Romeu Donizete Rufino André Pepitone Tiago de Barros Correia José Jurhosa Junior Reive Barros dos Santos
Fotos:DivulgaçãoAneel
BOA VONTADE 19
Cartas, e-mails, livros e registros
Em sessão de autógrafos na capital paulista, em
28 de agosto, o educador e terapeuta financeiro
Reinaldo Domingos, o escritor José Santos e a
ilustradora Luyse Costa lançaram o livro O Menino
do Dinheiro em cordel (Editora DSOP). O título
integra a coleção O Menino do Dinheiro (que inclui
os volumes: Sonhos de Família, Vai à Escola e Ação
Entre Amigos), na qual um garoto sai pelo mundo
ensinando às crianças um jeito todo dele de realizar
sonhos, que inclui poupar dinheiro.
No novo trabalho literário, o personagem central
vai ao Nordeste e descobre o universo do cordel,
presenciando um desafio e tanto entre dois repen-
tistas sabidos e cheios de palavras. Representantes
da LBV estiveram no evento de lançamento da
publicação, que teve um dos exemplares dedicado
pelos autores ao dirigente da Instituição, com as
seguintes mensagens: “Ao amigo e grande mestre
Paiva Netto, que Deus continue lhe usando como
instrumento da Paz. Abração do amigo Reinaldo
Domingos”; “Ao prezado Paiva Netto, com o ca-
rinho do José Santos”; e “Paiva, espero que se
divirta! Luyse”.
Menino do Dinheiro
aventura-se pela
literatura de cordel
Ao centro, o educador e terapeuta financeiro Reinaldo
Domingos ladeado pelo escritor José Santos (E) e pela
ilustradora Luyse Costa (D).
LuizBarcelos
Escrito por Elias Awad, o livro Oscar
Schmidt — 14 motivos para viver, vencer
e ser feliz (Novo Século) foi lançado recen-
temente em concorrida sessão de autógrafos
na capital paulista. O evento reuniu perso-
nalidades, esportistas, amigos e familiares
do autor e do biografado.
A obra conta a história do ex-jogador de
basquete, um dos ídolos do esporte bra-
sileiro, abordando de forma transparente
a motivação para as vitórias nas quadras,
na carreira de palestrante e na luta contra
o câncer.  
Representantes da LBV prestigiaram o
lançamento e receberam de Awad e Schmidt
um exemplar da obra para o dirigente da
Instituição, com as seguintes dedicatórias:
“Caro Paiva Netto, luz divina e sucesso
sempre! Abraço especial. Elias Awad” e
“Valeu, Paiva! Oscar”.
Livro conta
fatos da carreira
e vida de
Oscar Schmidt
Elias Awad (E) e o ex-atleta Oscar Schmidt
LuizBarcellos
20 BOA VONTADE
Racismo
nunca
mais!
Racismo
nunca
mais!
José Carlos
Araújo é
locutor
esportivo
na Rádio
Transamérica
FM do Rio de
Janeiro/RJ e
apresentador
do programa
SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio.
Arquivopessoal
Opinião — Esporte
José Carlos Araújo
O
futebol evolui a passos lar-
gos fora de campo. Maior
organização, conforto, re-
ceitas milionárias, ações em bolsas,
transações vultosas, profissionalis-
mo em todos os setores, desde as
categorias de base. Infelizmente, é
lamentável constatar que o racismo
aflora também em todos os cantos
do planeta. Seria um reflexo da
sociedade, do novo público-alvo?
Enquanto isso, as medidas para
combater esse ato repugnante são
apenas paliativas.
O nosso país sempre se or-
gulhou de sua mistura de raças,
da convivência harmoniosa, sem
preconceitos. E, pasmem!, não bas-
tando fugir das nossas origens, da
nossa escola de futebol, copiando
o antigo (e feio) modelo europeu,
agora temos atitudes racistas ou,
como preferem os juristas, de
injúria qualificada. Atitudes des-
prezíveis. Sem a união de raças,
não teríamos o drible, a alegria, o
improviso, a disciplina tática, que
compõem o genuíno futebol-arte.
Tampouco a festa criativa das ar-
quibancadas. Herdamos dos negros
o drible, a criatividade; dos índios,
o espírito de luta; dos brancos, a
disciplina tática. A mistura disso
tudo é o Brasil, pentacampeão
mundial.
Nos primórdios do nosso fute­
bol, nos anos 1920, apenas as elites
o praticavam. O Clube de Regatas
Vasco da Gama, do Rio de Janei-
ro/RJ, pioneiro na luta contra o
preconceito, foi desafiado por dar
oportunidade a negros e operários.
Entre render-se às elites ou lutar
pela inserção social, optou pelo
caminho mais digno, sendo esta a
sua maior glória.
Da verdadeira união Brasil-Por-
tugal nasceu o autêntico futebol
brasileiro, possibilitando que sur-
gissem craques como Leônidas da
Silva, o “Diamante Negro”; Pelé,
o “Atleta do Século”; Garrincha,
a “alegria do povo”; Romário;
Robinho; Ronaldinho Gaúcho,
Neymar; entre tantos outros.
Atualmente, indo de encontro
ao nosso DNA misturado, copia-
mos a insossa fórmula europeia de
torneio, paramos no tempo em ter-
mos de administração, profissiona-
lismo e estrutura. Lamentavelmen-
te, tivemos um retrocesso tático e
assistimos a um campeonato com
escassez de craques.
É preciso valorizar o que te-
mos de bom: a criatividade e a
arte. O futebol deve voltar a ser a
alegria do povo, demonstrada na
arquibancada entre todas as raças,
classes sociais, bem como dentro
do campo, nas comemorações dos
gols, nas dancinhas irreverentes,
nos dribles imprevisíveis, no
respeito entre companheiros de
profissão.
BOA VONTADE 21
Arte e Cultura
Amor à vida, alegria e jovialidade
Laura
Cardoso
Exemplo de
talento e trabalho
A artista encara os desafios
profissionais sem demonstrar
cansaço e fascinada pela vida.
Rodrigo de Oliveira e Leila Marco
Fotos: Vivian R. Ferreira
22 BOA VONTADE
BOA VONTADE 23
A
os 87 anos de idade, a atriz
Laura Cardoso não se cansa
de interpretar novos papéis e de
se encantar com a vida, para ela “um
presente de Deus”. Em mais de 70
anosdecarreira,ela,quejáparticipou
de 74 telenovelas, 29 longas-metra-
gensedezenasdepeçasdeteatro,está
sempre disposta a enfrentar desafios
e a dar o melhor de si.
No dia 18 de setembro, a artista
foi surpreendida com uma homena-
gem pela passagem de seu aniver-
sário (celebrado em 13 de setem-
bro) no Conjunto Educacional Boa
Vontade, formado pela Supercre-
che Jesus e pelo Instituto de Edu-
cação José de Paiva Netto, em São
Paulo/SP. Laura foi carinhosamen-
te recepcionada na sala de música
da escola, na qual o Coral Ecumê-
nico e o Grupo de Instrumentistas
Infantojuvenis Boa Vontade a
aguardavam para apresentar al-
gumas canções. Foi um momento
especial para essa grande dama do
teatro e da televisão brasileiros,
que, emocionada, disse às meninas
e aos meninos que se encontravam
no local: “Vocês representam o fu-
turo, o que de melhor a gente espe-
ra do mundo. Eu amo as crianças.
Eu estou muito feliz de estar aqui,
contente. Um beijo no coração
para cada um de vocês. Eu não
mereço tanto. As crianças são a
coisa melhor que Deus coloca na
Terra. Elas têm que ser respeita-
das, acarinhadas, bem tratadas...
Criança é o que há de melhor no
mundo. Que pena que a gente
cresce! Obrigada, de coração!”.
Depois do singelo tributo, a
consagrada atriz concedeu entre-
vista à Super Rede Boa Vontade de
Comunicação (rádio, TV, internet e
publicações), em que falou da bem-
-sucedida carreira, da família e da
importância de serem incentivadas
a educação e a arte nos meios de
comunicação.
BOA VONTADE — Logo que a
senhora chegou ao Conjunto
Educacional Boa Vontade, foi
recebida pelas crianças. Esse
contato trouxe lembranças de
sua infância?
Laura Cardoso — Tenho boas
recordações dessa época, da esco-
la... Eu sou uma pessoa que ama a
escola, o estudo.Acho que o ser hu-
mano devia estudar a vida inteira.A
escola é um ambiente maravilhoso;
é onde você começa a se formar, a
ter suas ideias, seus desejos, preo-
cupações; enfim, é uma das coisas
mais importantes da vida. E desta
escola aqui eu tive uma impressão
maravilhosa. Parabéns ao Paiva
Netto! Parabéns! É um trabalho
grandioso, maravilhoso, que ele faz
há tantos anos. Eu acompanho há
muitos anos a LBV, o trabalho do
Alziro [Zarur] — que já foi [para
a Pátria Espiritual] — e do Paiva
Netto. Então, parabéns! Ele vai
ganhar o Céu.
BV — Em várias entrevistas, a
senhoradestacaquedeclamava
textos desde pequena, que lia
bastante...
Laura Cardoso — Eu gosto
Arte e Cultura
Eu trabalho faz uns
70 anos e ainda
estou aprendendo.
Porque a vida é
assim mesmo,
você não para de
aprender.
24 BOA VONTADE
muito de ler. Fui educada num co-
légio de freira, no qual entrei com
6 anos. Fiquei algum tempo no Ins-
tituto João e Raphaela Passalacqua,
na Bela Vista, e eu — não sei por
que — era sempre escolhida para
contar uma história lendo um livro.
Aquilo me fascinava. Acho que o
gosto pela leitura, pela represen-
tação, pelo teatro, pelo circo, pelo
cinema, pela televisão começou aí,
bem menina, bem criança. Eu tenho
um prazer enorme na leitura e tive
um pai que era autodidata, que me
incentivava a ler.
BV—Esseéumdosingredientes
para formar uma atriz talento-
sa?
Laura Cardoso — Acho que
é muita bondade sua. Eu sou real-
mente uma profissional séria. Levo
o meu trabalho bastante a sério. Eu
não brinco em serviço. Por exem-
plo, para fazer um personagem,
levo muito tempo. Não sou uma
atriz que pega um papel, um perso-
nagem e diz: “Ah, daqui a quinze
dias está pronto”. Não. Levo mais
tempo. Eu realmente me dedico a
fazer um trabalho que me satis-
faça e que satisfaça o público. A
gente leva a vida inteira a estudar,
a querer fazer uma representação
maravilhosa, a querer mostrar o
que sabe sobre a arte de represen-
tar. Eu trabalho faz uns 70 anos e
ainda estou aprendendo. Porque
a vida é assim mesmo, você não
Além de uma canção de boas-vindas, o Coral Ecumênico Infantojuvenil Boa Vontade interpretou uma música na Língua
Brasileira de Sinais (Libras) em homenagem à atriz Laura Cardoso.
BOA VONTADE 25
para de aprender. Nós aprendemos
com o companheiro de profissão,
em casa, vendo televisão, cinema,
teatro, circo... Tudo é uma escola.
Hoje, tive aula de como as crianças
se dedicam ao canto. Os meninos e
as meninas que fazem música, que
tocam; o maestro ali ensinando...
[Tudo isso] é muito bom, bonito,
gratificante.
BV — Cinema, teatro ou televi-
são? O que mais a atrai?
LauraCardoso—Principalmen-
te o teatro. Ele é sagrado. Você fica
mais inteiro. O cinema e a televisão
parecemumpoucomaisregidospelo
comercial.Élógicoquesefazarteem
televisão. Eu amo a televisão. Faço
TV desde que ela chegou ao Brasil,
mas luto para que ela siga aquele
caminho do início, de transmitir
educação, cultura, representação, o
textobom,otextoquenãosejavazio,
bobo. (...)Arte [de todas as formas] é
uma coisa muito séria, seja a música,
o canto, a dança, a representação, a
pintura... É uma coisa sagrada.
BV — Como é a agenda da se-
nhora?
(1) A atriz Laura Cardoso foi carinhosamente recepcionada na sala de música do Conjunto Educacional Boa Vontade, na
capital paulista, na qual o Coral Ecumênico e o Grupo de Instrumentistas Infantojuvenis Boa Vontade a aguardavam para
apresentar algumas canções. (2 e 3) Alunos, representando todas as crianças que frequentam o estabelecimento de ensino,
presenteiam a consagrada artista com um porta-retratos e um cartão confeccionado por estudantes, pela passagem do
aniversário da atriz, em 13 de setembro.
1
2 3
Arte e Cultura
26 BOA VONTADE
Laura Cardoso — Eu sempre
tenho muitos convites para fazer
teatro, cinema e agora estou com
uma participação pequena numa
novela das seis horas. Sou abençoa­
da por Deus, porque não me faltam
convites, trabalhos...
BV — Por que essa sede de tra-
balhar? Qual o segredo para se
manter tão ativa?
Laura Cardoso — Acho que
vem da vontade de viver, do agrade-
cimento a Deus por tudo que [Ele]
dá, pelas oportunidades, enfim. A
vida é maravilhosa, é um presente
de Deus. Você tem que usar esse
presente da melhor forma possível
e agradecer sempre.
BV—Asenhoradestacabastan-
teovalordafamília.Comoéesse
convívio?
Laura Cardoso — Eu amo
a minha família. Teve gente nela
que me ajudou muito; foi a minha
mãe. Minha família tem isso de
estar sempre junta, de se gostar,
de se respeitar. Briga-se como em
toda família, discute-se tudo, mas
o fundo é o amor, é o respeito, é a
dedicação, é o obrigado pela vida
das pessoas. Eu sempre digo que eu
amei muito, graças a Deus. E meu
último amor é o Fernando, meu
bisneto. Sou abençoada por Deus.
Fui esposa, mãe, avó e bisavó. Não
posso querer mais.
BV—Paraospaisquenosacom-
panhamnestaentrevista,qualo
recado que deixaria?
Laura Cardoso — Cuidado,
muito cuidado com as suas crian-
ças. Muita proteção, atenção com
elas em todos os sentidos. A crian-
ça também tem que ter um limite
para tudo, mas acho que é a prote-
ção do pai e da mãe e a atenção em
todos os sentidos — fisicamente,
moralmente, espiritualmente —
que fazem a diferença. Vale a pena
você prestar atenção no seu filho,
no seu neto.
BV — Como analisa a nova safra
de artistas que vêm despontan-
do no mercado?
LauraCardoso—Eunãogosto
de falar um nome, mas tem gente
melhor do que eu, muita gente boa.
Há também muitos que não deve-
riam estar aí, porque todo mundo
quer ser ator, sem pensar que é uma
carreira feita de renúncia, sacrifício,
muito estudo, dedicação; enfim, de
bastante trabalho. A pessoa precisa
nascer — eu sempre digo isso —
com essa vontade, essa chama de
fazer arte, seja ela qual for. Há quem
tenha uma ilusão sobre a profissão,
sobre a televisão... Por exemplo,
acha que todo mundo ganha rios
de dinheiro, mora num palacete. O
ator trabalha muito, seja no cinema,
no teatro, na televisão, no circo, no
rádio. E é um serviço sério. Se não
fica dois, três anos na carreira e pas-
Sempre simpática,
Laura Cardoso recebe o
carinho dos alunos do
Conjunto Educacional
Boa Vontade.
BOA VONTADE 27
sa, ninguém sabe mais quem você é,
oquefez,deondeveio...Existehoje
aquela ilusão, porque é bonitinho,
loirinho, tem o olho azul... Não!
Atornãoprecisanemsergordo,nem
magro,feio,bonito,novo...Eleéum
ser maravilhoso, que se transforma.
BV—NavisitaaoConjuntoEdu-
cacional Boa Vontade, na hora
em que as crianças a homena-
gearamcomoParabénsavocê,a
senhoradesejoupazparatodos.
É disso que o mundo precisa?
Laura Cardoso — De paz, de
amor, de compreensão, de justiça...
É disso que o ser humano precisa.
(...) Eu procuro ter paz com a mi-
Em 2006, Laura Cardoso recebeu
a Ordem do Mérito Cultural, em
Brasília/DF. A láurea é concedida a
personalidades e instituições que
se destacam pela contribuição à
cultura brasileira.
Depois do tradicional Parabéns a você, a atriz Laura Cardoso recebeu os cumprimentos de alunos do Conjunto Educacional
Boa Vontade por seu aniversário. “É muito emocionante ser homenageada por vocês, crianças, aqui na LBV, que eu admiro,
respeito e conheço há muito tempo. Sei da Boa Vontade que [vocês da LBV] têm em fazer este trabalho todo com crianças, com
mulheres, com homens, com todo mundo, enfim. É gratificante estar aqui. Foi um presente maravilhoso que recebi de vocês: a
presença, o bolo... Estou muito contente. Obrigada, de coração!”, declarou.
nha família, com a minha casa...
Procuro dar exemplo de paz, de
amor, de compreensão, mas quem
sou eu? Posso até influenciar algu-
mas pessoas, mas isso tem que vir
na gente. Nós somos todos iguais.
Nós nascemos e morremos iguais.
Então, igualdade, gente!
BV — Obrigado pela visita e vo-
tos dos maiores sucessos nesta
trajetória brilhante.
Laura Cardoso — Um beijo no
coração de todos vocês [da LBV]
por este trabalho maravilhoso. Ao
Paiva Netto, que ele tenha mais
100 anos de vida, de saúde para
continuar este trabalho.
FabioPozzebom/ABr
Arte e Cultura
28 BOA VONTADE
Ahistóriadovocabulário
Arnaldo
Niskier,
doutor em
Educação,
formado em
Matemática
e Pedagogia,
é membro
da Academia
Brasileira de
Letras e vice-presidente do Centro
de Integração Empresa-Escola (CIEE
Nacional).
Arnaldo Niskier | Especial para a BOA VONTADE
Opinião — Educação
Arnaldo Niskier
Divulgação
D
esde a gestão de Macha-
do de Assis (1896-1908),
começou-se a insistir, pela
palavra do próprio patrono daAca-
demia Brasileira de Letras (ABL),
na criação do “dicionário etimo-
lógico”, a ser futuramente produ-
zido pela Academia. O assunto
Vocabulário Ortográfico da Língua
Portuguesa (VOLP) sempre esteve
presente nas discussões da ABL,
dada a sua relevância.
No Natal de 1977, o então pre­
sidente Austregésilo de Athayde
fez a apresentação da primeira
versão completa do VOLP, em ori-
ginaiscuidadosamentecoordenados
por Antônio Houaiss. Ele foi o
relator da ComissãoAcadêmica que
cuidou da matéria: Pedro Calmon,
Barbosa Lima Sobrinho e Abgar
Renault, além do próprio Houaiss.
O relatório foi subscrito no dia 20
de dezembro daquele ano.
Na ocasião, referindo-se à Lei no
5.765, de 18 de dezembro de 1971,
assinada pelo então presidente da
República Emílio Garrastazu Mé-
dici e pelo seu ministro da Educa-
ção, Jarbas Passarinho, Athayde
afirmou que assim se oferecia à
lexicologia e à lexicografia da lín-
gua portuguesa “uma recolha tão
exaustiva quanto possível do léxico
da língua na sua feição escrita ou
documentada em letra de forma”.
Na década de 1970, houve um
encontro casual em Teresópolis/RJ
entre mim, o médico Noel Nutels,
meu amigo, e Antônio Houaiss.
Nutels, com o seu jeito expansivo,
reclamou que nenhuma editora
havia manifestado interesse pelo
“trabalho patriótico” de Houaiss,
que, na época, já havia registrado
350 mil verbetes. Diretor que era da
Bloch Editores, levei o assunto ao
conhecimento de Adolpho Bloch
(fundadordogrupo),quelogotopou
a empreitada e nos designou para as
providências cabíveis.
Deve-se afirmar que o verda-
deiro ponto de partida do VOLP
foi uma proposta do professor
Celso Cunha ao acadêmico Josué
Montello, na ocasião presidente
do Conselho Federal de Cultura
(CFC), em que esteve no período
de 1967 a 1989. Montello designou
o escritor Guimarães Rosa para
relator da matéria, que, aprovada
no CFC, foi levada à aprovação do
Conselho Federal de Educação. Lá,
tendo como relator Celso Cunha,
mereceu igual aprovação. Daí o
assunto veio à ABL, que encami-
nhou as conclusões à presidência
da República e desta, ao Congresso
Nacional, para aprovação final.
A Comissão Acadêmica do
VOLP foi designada no início
de 1972. A primeira coleta ficou
aos cuidados de um grupo de
estudantes de Letras da Pontifícia
Universidade Católica (PUC),
dirigido pelo professor Evanildo
Bechara e secretariado pelo
professor Marcos Margulies, já
então representante da Empresa
Bloch (eu dava cobertura dentro da
empresa). Numa segunda fase, que
se estendeu pelos anos de 1974 e
1975, o relator agregou à coleta sua
recolha pessoal, com a colaboração
dofilólogoMaurodeSallesVillar.
Aterceira fase coube a um grupo de
trabalho integrado pelo etimólogo
Antônio Geraldo da Cunha e
os professores Diva de Oliveira
Salles, Bruno Palma, Ronaldo
Menegaz e Júlio César Castañon
Guimarães, todos sob a direção
do relator (Antônio Houaiss).
Este último grupo trabalhou na
antiga sede da TV Manchete (4o
andar). A Comissão Acadêmica
do VOLP, em 20 de dezembro de
1977, agradeceu formalmente aos
funcionários da Bloch Editores,
“do seu chefe aos mais modestos
auxiliares”. Eu era o chefe.
Devemos um registro especial
ao acadêmico Evanildo Bechara,
indiscutivelmente, um dos maiores
nomes brasileiros como filólogo e
gramático, autor de obras funda-
mentais na matéria.
BOA VONTADE 29
ClaytonFerreira
Hilton
Abi-Rihan,
radialista,
jornalista e
apresentador
do programa
Samba &
História.*
* Programa Samba & História — É transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV e o canal 989 da Oi TV), aos domin-
gos, às 14 e às 20 horas. O telespectador pode vê-las pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY, canal 212 da Oi TV e canal 45.1 da TV
digital aberta em São Paulo e região metropolitana), aos domingos, às 14 horas, às segundas-feiras, às 19 horas, e às quintas-feiras e aos
sábados, às 22 horas.
sentaram em vários programas de
televisão, como na extinta TV-Rio
e no Fantástico, da Rede Globo.
Com o passar do tempo, puderam
mostrar suas aptidões musicais
em dezenas de lugares no Brasil
e no exterior. Individualmente, já
levaram seu samba característico
até o outro lado do mundo, como
o Japão e a China.
O outro componente, Fabiano,
filho de músicos, foi professor de
percussão e musicalização, além
de ter feito a direção musical de
diversos espetáculos, entre eles
Deusamba!Raízes brasileiras inspiram grupo Sururu na Roda e
levam-no à conquista de um dos mais destacados
prêmios do gênero no país.
Hilton Abi-Rihan | Especial para a BOA VONTADE
composto de culturas distintas e,
mesmo assim, harmoniosas —
surgiu. Assim nasceu, em 2000,
o Sururu na Roda, formado por
Nilze Carvalho (voz, cavaquinho
e bandolim), Sílvio Carvalho
(voz, percussão e cavaquinho) e
Fabiano Salek (voz e per­cussão).
“Temos timbres diferentes, for-
mação musical diferente. É isso
que dá esse sururu”, explica a
integrante.
Sílvio e Nilze são irmãos e
sempre tiveram talento para a
música. Quando crianças, se apre-
F
oi nos jardins da Universidade
Federal do Estado do Rio de
Janeiro (Unirio) que a ideia de
criar um grupo de samba que trans-
mitisse a essência do Brasil —
Samba & História
Sururu na Roda
30 BOA VONTADE
De Getúlio a Getúlio — A história
de um mito, cujo texto foi escrito
por Sérgio Britto (1923-2011),
de parceria com Clovis Levi.
Também participou como músico
em apresentações no Brasil e na
Europa.
Em um descontraído bate-papo
no programa Samba & História,
da Boa Vontade TV, o conjunto fa-
lou um pouco sobre sua carreira e
seus trabalhos. “Esse CD [Se você
me ouvisse — 100 anos de Nelson
Cavaquinho] proporcionou uma
felicidade muito grande, porque a
gente foi indicado ao [23o
] Prêmio
da Música Brasileira na categoria
‘Melhor Grupo de Samba’. (...) É
um trabalho todo em homenagem
a Nelson Cavaquinho”, contou
Nilze. “A gente colocou todos
os clássicos do Nelson e também
quis acrescentar aquelas músi-
cas que eram menos tocadas”,
complementou ela. Lançado em
2011, o disco celebra o centenário
do sambista e compositor Nelson
Cavaquinho (falecido em 1986)
e leva o nome de uma de suas
canções menos conhecidas, mas
inclui faixas famosas, entre elas
Folhas secas e Rugas. Todo o
álbum foi produzido pelo grupo
e teve a colaboração de outros
musicistas.
O Sururu na Roda já esteve
nos Estados Unidos da Améri-
ca, exibindo-se e ministrando
workshops sobre a vivência no
mundo do samba na Universi-
dade Estadual de Michigan, no
estado homônimo, e na Uni-
versidade de Notre Dame, no
estado de Indiana. Também fez
uma pequena excursão pela
América Latina, na qual visitou
a Costa Rica e a Guatemala.
Apresentou-se com diversos
artistas célebres, entre os quais
Elza Soares e Sandra de Sá, e
da nova geração do samba, entre
eles Roberta Sá e Ana Costa.
(Leia trajetória desta cantora na
revista BOAVONTADE no
235.)
O trio mantém, há mais de
dez anos, um espetáculo fixo em
uma casa de shows localizada na
Divulgação/Jonnes
BOA VONTADE 31
capital fluminense. “O Centro
Cultural Carioca antigamente
foi o Dancing Eldorado. Era
frequentado por Pixinguinha e
Elizeth Cardoso. Então é um
reduto muito tradicional da mú-
sica desde sempre, e nos honra
muito esse privilégio de ter uma
residência num lugar que foi tão
importante para a cultura musical
da cidade do Rio de Janeiro”,
declarou Fabiano.
Para comemorar os 13 anos de
estrada, o grupo lançou, em 2013,
o CD/DVD Sururu na Roda ao
vivo, gravado no Espaço Tom Jo-
bim, que se situa no bairro Jardim
Botânico, no Rio de Janeiro/RJ.
O trabalho traz clássicos do sam-
ba, a exemplo da canção O Qui-
tandeiro, de Monarco e Paulo
da Portela, e Pimenta no vatapá,
de João Nogueira e Cláudio
Jorge; além de composições pró-
prias, entre elas Sururu formado
e Ainda posso ser feliz. Também
conta com a participação especial
dos sambistas Diogo Nogueira,
Péricles, Dona Ivone Lara e
Monarco.
Aliás, a presença de nomes tão
ilustres da música brasileira na
gravação do referido disco mui-
to emocionou os integrantes do
conjunto, sobretudo quando estes
entoaram trechos de canções de
uma das grandes damas do samba.
“Mais uma felicidade nossa, mais
um privilégio de cantar as músi-
cas de Dona Ivone. Na verdade, o
pot-pourri abre com uma música
que não é dela, com uma música
do Nei Lopes e do Cláudio Jorge,
que foi feita em homenagem a ela.
E ela estava ali com a gente!”,
disse Nilze.
Foi com esse mesmo CD/DVD
que o Sururu na Roda conquistou
o título de “Melhor Grupo”, na
categoria “Samba”, na 25ª edição
do Prêmio da Música Brasileira,
realizada em maio deste ano.
Nela, o homenageado foi o samba,
ritmo que faz bater mais forte o
coração de praticamente todos os
brasileiros.
Samba & História
“Temos timbres
diferentes, formação
musical diferente.
É isso que dá esse
sururu.”
Divulgação
32 BOA VONTADE
Referência,
pioneirismo
simpatia e
Ruth de Souza, um exemplo para
as novas gerações de atores
Abrindo o coração
Ruth de Souza
NatháliaValério
Simone Barreto e Leila Marco
34 BOA VONTADE
N
ascida em 12 de maio de
1921, no Rio de Janei­-
ro/RJ, época em que eram
mais acentuadas as desigualdades
sociais e raciais na sociedade
brasileira, Ruth de Souza, ainda
criança, provou o amargo pre-
conceito. Quando falava de sua
vontade de ser atriz, muita gente
que a ouvia não lhe dava crédito,
afirmando: “Imagina, ela quer ser
artista? Não tem artista negro!”,
relembra. Apesar de sentir o peso
daquelas palavras, Ruth não viu
ali o impossível, apenas acreditou
no seu sonho e, por isso, se tornou
pioneira em diversos momentos
da carreira que abraçou, abrindo
caminhos para novas gerações de
artistas.
Sua estreia nas artes cênicas
ocorreu em 8 de maio de 1945,
quando foi a primeira atriz ne-
gra a subir ao palco do Theatro
Municipal do Rio de Janeiro,
com a peça O imperador Jones,
de Eugene O’Neill, numa mon-
tagem do Teatro Experimental
do Negro (TEN), grupo funda-
do por Abdias Nascimento e
Aguinaldo Camargo. Em 1954,
foi indicada ao prêmio de melhor
atriz coadjuvante no Festival de
Cinema de Veneza, na Itália, por
sua participação no filme Sinhá
Moça, o que lhe deu projeção
internacional, concorrendo com
as atrizes Katherine Hepburn,
Michèle Morgan e Lilli Palmer,
perdendo apenas por dois pontos
para Lilli.
Na televisão brasileira não foi
diferente. Integrou o elenco de
programas de variedades e musicais
no início das transmissões da Tupi,
onde fez, com Haroldo Costa, a
adaptação da peça O Filho Pródigo.
Em 1965, participou de sua pri-
meira novela, A Deusa Vencida, de
Ivani Ribeiro, na extinta Excelsior.
Três anos depois, era contratada
pela Rede Globo, na qual está há
mais de quatro décadas e deu vida a
diversos personagens de destaque.
Ao longo da carreira, são mais
de 30 filmes e 14 peças de teatro;
na televisão, teve participação em
seriados, minisséries e dezenas de
novelas. Nesta entrevista, Ruth
de Souza fala sobre a profissão e
a magia que é para ela a arte de
representar.
BOAVONTADE—Asenhorateve
a infância marcada entre os
Estados do Rio de Janeiro e de
Minas Gerais...
Ruth de Souza — Nasci no
Engenho de Dentro [no Rio de
Janeiro/RJ]. Eu fui bebê para o
interior de Minas, meu pai tinha
um pequeno sítio; nós fomos para
lá e voltei quando ele faleceu, eu
tinha 9 anos. Minha mãe vendeu o
sítio, porque ela não sabia cuidar
bem de roça, viemos morar na Rua
Quatro de Setembro, que hoje é a
Pompeu Loureiro, numa vila que
tinha muitas lavadeiras e jardinei-
ros que cuidavam dos casarios de
Copacabana.
BV — Como se deu seu encontro
com as artes?
Ruth de Souza — Minha mãe
gostava muito de cinema. Todas as
quintas-feiras íamos na sessão das
moças, no Cine Copacabana. Eu
me apaixonei pelo cinema. Então,
eu inventei que queria ser artista.
Naquela época, diziam: “Imagina,
ela quer ser artista. Não tem artis-
ta negro!”. Não tinha mesmo. Só
Grande Otelo, muito depois é que
(1) Ruth de Souza em Sinhá Moça (2) Com Regina Duarte, em A Deusa Vencida.
(3) Com Abdias Nascimento, em O Filho Pródigo.
1 2 3
Fotos:Divulgação
BOA VONTADE 35
Lá fora estava um carnaval, e
nós, fazendo teatro dentro do
Municipal.
BV — Quanto tempo par-
ticipou do Teatro Experi-
mental do Negro?
Ruth de Souza — Durante
cinco anos trabalhei no Teatro Ex-
perimental do Negro (TEN), depois
me tornei profissional. Lá, ganhei
uma bolsa de estudos da Fundação
Rockefeller,queoPaschoalCarlos
Magno me levou em São Paulo. O
Pascoalfoiumpaiparamim.Fiquei
um ano nos Estados Unidos. Foi
maravilhoso, valeu muito.
BV — Após essa passagem pelo
TEN, o que aconteceu?
Ruth de Souza — Eu tenho
sorte, porque fiz uma carreira reta,
não tive altos e baixos, comecei
trabalhando, não parei nunca. Eu
adoro trabalhar, é uma terapia. (...)
Fiz muitas peças, não me lembro
quantas, muito cinema também.
Depois, apareceu a televisão; fui
uma das primeiras a fazer tea-
tro na TV, com Haroldo Costa.
Sempre inventava coisas e saíam
certo. Eu fiz muitas peças boas,
a Oração para uma Negra foi a
que mais marcou, um ano, com
sucesso constante. Ali, trabalhei
com Sérgio Cardoso, com Nydia
Licia, e, mais tarde, fizemos a peça
aqui no Rio.
BV — Por quais mãos chegou
ao cinema?
Ruth de Souza — JorgeAma-
do foi meu padrinho de cinema,
porque, quando montaram, no Tea­
tro Ginástico, Terras do Sem Fim,
fiz a peça baseada no livro dele.
Quando ele vendeu os direitos para
o filme, eu fiz também. Ele era
muito brincalhão. Acompanhava
nossas peças no teatro, porque
começou. Acho que sou pioneira
nisso, porque no cinema, no teatro,
naquele tempo, não havia televisão
ainda, o negro não participava,
não me lembro de ter algum negro
antes de Otelo.
BV — Como foi a estreia nos
palcos com o grupo de Teatro
Experimental do Negro?
Ruth de Souza — No Theatro
Municipal do Rio de Janeiro, o
negronementrava.Então,consegui-
mos uma licença do prefeito para a
nossapeça.MontamosOImperador
Jones e ali começamos. Foi em 8
de maio de 1945, dia em que ter-
minou a Segunda Guerra Mundial.
6
4
5
(4) Em Memorial de Maria Moura, em 1994. (5) Com Grande Otelo, em Sinhá
Moça, em 1986. (6) Cabana do Pai Tomás.
Abrindo o coraçãoFotos:Divulgação
36 BOA VONTADE
morava aqui no Rio. Ele era muito
divertido, muito bacana, uma pes-
soa incrível.
BV—Esuaestreianatelevisão?
Ruth de Souza — Comecei na
TV Tupi fazendo uns programas
com o Haroldo Costa; inventamos
de montar uma peça que tínhamos
encenado com oTeatro Experimen-
tal do Negro. Foi O Filho Pródigo,
de Lúcio Cardoso. E nós fizemos
cenário, câmera, tudo de improviso,
tudo como principiantes. Depois,
fui contratada pela Record, no
tempo dos antigos diretores. Ali,
trabalhei com Manoel Carlos, com
Maysa Matarazzo.
BV — Foram muitas as dificul-
dades como atriz?
Ruth de Souza — Olha, eu
fui muito atrevida! Diziam que
não havia atriz negra. E nunca
me preo­cupei muito por ser ne-
gra; não tinha complexo, graças
a Deus. Então, eu falava: Eu
quero isso assim. Se não me der,
paciência, mas eu arrisco. (...) É
uma profissão cheia de altos e
baixos; nem todo dia tem sucesso,
nem todo dia tem oportunidade;
depende também muito de sorte,
pegar bons papéis.
BV — No cinema, qual persona-
gem a consagrou?
Ruth de Souza — Foi o papel
em Sinhá Moça. Esse filme foi
para o Festival de Veneza, que na
época era tão importante quanto o
Oscar hoje. Então, quando concor-
ri com grandes atrizes, fiquei em
segundo lugar.
BV — Que mensagem gostaria
dedeixarparaquemestácome-
çando na carreira de ator?
Ruth de Souza — Para quem
quer ser ator, tem que gostar muito
da profissão, sabendo que não vai
ser fácil, é difícil para todo mun-
do, bonito, feio, negro, branco,
todo mundo. Comigo foi até mais
difícil, porque nem sempre tive
oportunidade de ter um bom papel,
mas, graças a Deus, encontrei au-
tores maravilhosos, como Janete
Clair, grande saudade, e Benedito
Ruy Barbosa. Sou uma pessoa
de sorte. Deus foi muito generoso
comigo.
7 8
(7) Prêmio Saci por Sinhá Moça, no Theatro Municipal de São Paulo. (8) Ruth de Souza com Jorge Amado.
Para quem quer
ser ator, tem que
gostar muito da
profissão, sabendo
que não vai ser
fácil.
Fotos:Arquivopessoal
BOA VONTADE 37
Internacional – Empoderamento das mulheres
Manaus/AM
Mulheres
das mudanças
àfrente
se pode melhorar a qualidade de
vida desse público.
Produção sustentável
Santa Cruz de La Sierra, cidade
localizada no planalto do leste
boliviano, atualmente vive a pior
taxa de desemprego daquele país:
44,8%, de acordo com o Centro de
Estudos para o Desenvolvimento
Trabalhista e Agrário (Cedla – si-
gla em espanhol). Sabedora dessa
difícil realidade, a Instituição
iniciou na cidade, por meio do
programa Capacitação e Inclusão
Produtiva, atividades que têm
como meta levar o empreendedo-
rismo sustentável para a comuni-
dade do bairro Plan 3000, um dos
mais pobres da região.
No primeiro momento, a ini-
ciativa estimulou a criação (em ju-
nho de 2013) de uma cooperativa
para a capacitação de mulheres na
Ações da LBV promovem a autonomia
delas e desperta a consciência ecológica
D
ois terços dos adultos
analfabetos no mundo
são mulheres, e as jovens
mais pobres dos países em desen-
volvimento podem não alcançar a
alfabetização universal até 2072.
Os dados são do 11o
Relatório de
Monitoramento Global de Educa-
ção para Todos, divulgado pela
Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco), no início deste
ano.
Em sintonia com esse desafio,
no ano de 2013, mais de 70%
dos atendimentos e benefícios
da Legião da Boa Vontade fo-
ram direcionados para mulheres
em situação de vulnerabilidade
social. Dentro dessa gama de
serviços, a reportagem da revis-
ta traz a experiência da LBV da
Bolívia, um bom exemplo de que
com ações simples e inovadoras
LeillaTonin
Leila Marco
BOA VONTADE 39
produção de vassouras ecológicas.
Agora, a LBV trabalha para sensi-
bilizar empresários e comunidade
para colaborar com a captação da
matéria-base da pequena fábrica
e na venda do produto: “Depois
da conclusão da etapa de treina-
mento para produzir as vassouras,
Cada vassoura ecológica
produzida tira do meio
ambiente oito garrafas PET,
que levam entre 100 e 400
anos para se decompor.
Vassouras ecológicas: saída viável para todos!
Cadeia de
produção completa
Coleta das garrafas para comercialização de
vassouras; diminuição do volume de resíduos em
aterros. Lembrando que plásticos e seus derivados
não podem ser utilizados como adubo, porque não
existe na Natureza uma bactéria capaz de decompô-
-los rapidamente.
Preços
reduzidos
para o produto
que tem como
base materiais
reciclados.
Geração de
empregos e recursos
Evita anos de
contaminação
AndreaVarela
Internacional – Empoderamento das mulheres
estamos incentivando as senhoras
a comercializá-las a particula-
res, em centros de abastecimen-
tos, mercados e supermercados,
pessoalmente e com o apoio da
LBV”, afirma o coordenador do
programa, Robert Alejandro
Pari Flores. 
A ideia é movimentar a econo-
mia do bairro, dando nova fonte
de renda às famílias e, ao mesmo
tempo, reduzir a poluição vinda
do descarte incorreto do plástico.
As integrantes da cooperativa,
além de aprenderem uma nova
profissão, já se concientizaram
da importância de seu trabalho.
Ximena Laura Viracocha, de
33 anos, está desempregada e tem
dois filhos; ela é uma das dezenas
de mulheres que tiveram a oportu-
nidade de fazer o curso. “Fabricar
vassouras ecológicas apoia duas
causas: colabora para o meio am-
biente, já que trabalhamos com a
reciclagem de garrafas plásticas,
não as jogando no lixo; e ajuda
financeiramente as mulheres de
baixa renda, que, na maioria das
vezes, possuem vários filhos. Es-
pero que esse projeto siga adiante,
e muito obrigada à LBV”, ressalta.
Bolívia
40 BOA VONTADE
“Sou mãe e pai para os meus
dois filhos, José Manuel, de 4
anos, e Marco David, de 3 anos.
Eles são a minha razão de viver.
Antes de conhecer a LBV, eu
morava em um terreno baldio à
margem de um rio. Minha casa era
de papelão e nylon; não tínhamos
água ou eletricidade.
“Para alimentar meus meninos,
trabalhava carregando o mais novo
no colo e o mais velho ia andando,
percorrendo longas distâncias,
batendo de porta em porta para
LBV muda a vida de crianças e mãe
*Marcelina Luis — Empregada doméstica, mãe de duas crianças matriculadas no Jardim Infantil Jesus, da LBV da Bolívia.
conseguir um serviço. Capinava
calçadas e me pagavam alguma
coisa. Às vezes passavam-se dias
sem que conseguisse arrumar
algum trabalho. Os meus filhos
sofreram muito, e eu não conse-
guia um emprego estável, porque
ninguém me recebia com eles.
“Um dia, o mais novo estava
enfermo, gastei tudo o que tinha;
estava desesperada. Uma senhora
me falou sobre o Jardim Infantil
da LBV. Vim com os dois e pedi
que me ajudassem pelo menos
por três dias para poder trabalhar.
Desde essa data, a minha vida
e a dos meninos mudou. Agora
tenho um emprego seguro. A
família com quem trabalho deu
um quarto onde eu moro com os
garotos, e eles podem dormir sem
passar frio.
“Agradeço à LBV por me ajudar
com os meninos. Eles estão bem,
recebem alimentação, educação,
e o mais importante é que posso
trabalhar tranquila, porque sei
que estão em um lugar seguro.”
Na LBV da Bolívia, Marcelina recebeu o apoio de que
necessitava para criar seus dois filhos, José Manuel e
Marco David.
Marcelina Luis*, 33 anos.
RoseliGarcia
Arquivo BV
Bolívia
BOA VONTADE 41
“O grupo faz a
gente ter fé,
acreditar que
não há obstáculo
que não possa ser
superado quando
se quer. Além disso, tenho filhos
que também são amparados pela
Instituição. Esse apoio foi e é muito
importante para mim. Graças
à LBV, minha filha está segura,
aprende bons valores. Eu posso
trabalhar sem pressão, tranquila,
porque minha filha tem educação e
o que comer. Ela recebe o melhor.”
Ruth Melinda Olmedo
Aos 33 anos, é mãe de cinco filhos e tira seu sustento
do artesanato. Uma das mulheres que frequentam
o grupo Fortalecendo Vidas, da LBV do Paraguai, há
quase dois anos.
Ao lado das mães e das
novas gerações
O quê? Programa Fortalecendo Vidas.
Onde? LBV do Paraguai.
Quando começou? 2011.
Objetivo? Promover a autonomia e o resgate da
autoestima de mulheres, melhorando sua capa-
cidade de conviver com os desafios da vida.
Público-alvo? Usuárias dos programas e mães
que têm seus filhos matriculados no Jardim
Infantil e Pré-Escolar da LBV do Paraguai.
Como ocorre? Depois de uma visita domiciliar, a
assistente social as convida para participar das
oficinas de artesanato e palestras educativas. A
ação é realizada em parceria com a Secretaria
Nacional de Crianças e Adolescentes, o Ministé-
rio de Assuntos da Mulher, o Instituto Superior
de Educação Dr. Raúl Peña (ISE) e a Oxfam
Internacional.
Fotos: Raquel Diaz
Paraguai
Internacional – Empoderamento das mulheres
42 BOA VONTADE
de
mil220220mil+de
+de
77
11de atendimentos e benefícios
a famílias e pessoas em
situação de vulnerabilidade
ou risco social.
Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e lares para idosos, a LBV utiliza uma rede de
comunicação social própria (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania.
77
LBV BRASIL
A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o
de janeiro de 1950 (Dia da Confraternização Uni-
versal), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979),
sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto.
milhões
unidades socioeducacionais
em todo o Brasil.
É a quantidade de pessoas impactadas pelo trabalho da LBV em seus
programas socioeducacionais nas escolas, Centros Comunitários de As-
sistência Social, lares para idosos, e por suas campanhas institucionais.
Número de
atendimentos
e benefícios
prestados pela
Legião da
Boa Vontade
de 2009 a 2013*
* Há mais de duas décadas,
a Legião da Boa Vontade tem
seu balanço geral analisado
por auditores externos
independentes, uma iniciativa
de José de Paiva Netto,
diretor-presidente da LBV,
muito antes de a legislação
que exige essa medida entrar
em vigor.
2009 2010 2011 2012
8.016.758
8.508.482
9.434.943
10.255.833
11.053.113
2013
11++de
EducaçãoeSustentabilidade
LBV compartilha expressivos
resultados das Pedagogias do Afeto e
do Cidadão Ecumênico em conferência
nas Nações Unidas.
O
Departamento de Informação
Pública (DPI, na sigla em
inglês) da Organização das
Nações Unidas (ONU) realizou,
entre 27 e 29 de agosto, a 65ª
Conferência Anual de ONGs. So-
ciedade civil, redes internacionais
e ativistas sociais reuniram-se na
sede da ONU em Nova York, nos
Estados Unidos, para a elaboração
de uma “Agenda de Ação” que
mobilize as negociações das me-
tas de desenvolvimento pós-2015.
Na ocasião, foram discutidos os
Objetivos de Desenvolvimen-
to Sustentável (ODS), os quais
entrarão no lugar dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio
(ODM) — cujo prazo final é no
próximo ano —, bem como um
novo acordo climático para subs-
tituir o Protocolo de Kyoto.
Associada ao DPI desde 1994,
a Legião da Boa Vontade oferece
sempre sua contribuição para o
debate dos temas relacionados ao
progresso mundial propostos pelo
organismo internacional e pelos
países-membros dele, comparti-
lhando sua experiência da edu-
cação e da assistência social. Por
isso, foi convidada a coordenar,
no último dia do evento, o painel
temático “Educando cidadãos sus-
tentáveis — Melhores práticas do
Brasil da Rio+20”. A doutoranda
LBV na ONU
65a
Conferência Anual de ONGs
Da Redação
44 BOA VONTADE
em Educação Suelí Periotto, su-
pervisora da linha pedagógica da
LBV e diretora do Conjunto Edu-
cacional Boa Vontade, localizado
na capital paulista, destacou, na
oportunidade, o fato de essa linha,
criada pelo educador Paiva Netto,
promover a educação integral do
ser humano ao aliar ao ensino for-
mal de excelência a transmissão e
a vivência de valores espirituais,
ecumênicos e éticos.
(1) Jeffery Huffines (D), presidente da 65ª Conferência Anual de ONGs do
Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, recebe de Danilo
Parmegiani, da LBV, a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2014 em
inglês.
(2) O representante da Legião da Boa Vontade nas Nações Unidas confraterniza
com o psicólogo e psicanalista Joseph DeMeyer (D), copresidente do Comitê de
ONGs sobre Educação e representante da Sociedade de Estudos Psicológicos para
Assuntos Sociais, ambos integrantes do Sistema ONU.
Também participaram do gru-
po de discussão o diplomata Vi-
cente Amaral Bezerra,
que representou a Missão
Permanente do Brasil nas
Nações Unidas; o psicó-
logo e psicanalista Joseph
DeMeyer, copresidente
do Comitê de ONGs sobre
Educação e representante da Socie-
dade de Estudos Psicológicos para
Assuntos Sociais (SPSSI, na sigla
em inglês), ambos integrantes do
Sistema ONU; Sâmara Malaman,
mestre em Educação Especial pela
Kean University, situada em New
Jersey, nos EUA; e Danilo Par-
megiani, representante da LBV
nas Nações Unidas. Moderador do
painel, ele fez questão de salien-
tar: “Uma maneira de acelerar o
progresso sustentável é o empode-
ramento, a capacitação de cada in-
divíduo do planeta para agir como
agente na formação de sociedades
sustentáveis e solidárias. É por
isso que, como defende o
diretor-presidente da LBV,
José de Paiva Netto, é
preciso dar maior foco ao
papeldaeducaçãocomEs-
piritualidade Ecumênica
como solução transversal
e essencial para o cumprimento de
toda a agenda de desenvolvimento
global da ONU”.
Preparando os cidadãos
para as mudanças
climáticas
DeMeyer discorreu, no referido
painel sobre o tema “Educação e
desenvolvimento sustentável pós-
2015 e além: desafios para 2050”.
Posteriormente, ao ser entrevistado
pela Super Rede Boa Vontade de
Comunicação (rádio,TVe internet)
no escritório da LBV em Nova
1 2
Fotos:ElianaGonçalves
shutterstock.com
Vicente Bezerra
BOA VONTADE 45
LBV na ONU
A Rádio ONU em língua portuguesa convidou a Legião da Boa Vontade a falar sobre sua linha pedagógica, aplicada nas
unidades socioeducacionais da Instituição. Em entrevista conduzida pelo repórter Eleutério Guevane (E), a supervisora dessa
linha, Suelí Periotto, ressaltou a preocupação da LBV em promover ensino de qualidade aliado à transmissão de bons valores
e a ações que possibilitem às pessoas e famílias atendidas pela Instituição melhorar a qualidade de vida delas. Ao lado da
educadora, o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani.
Baixe o leitor
QR Code em seu
smartphone ou
tablet, fotografe
o código e ouça a
entrevista da LBV
concedida à Rádio
ONU em língua
portuguesa.
A embaixadora dos Estados Unidos junto às Nações
Unidas, Samantha Power (E), conversa com
Mariana Tamasan, da LBV.
Os representantes da LBV na conferência Nicholas Beck de Paiva
(E) e Mariana Tamasan conversam com o escritor Kurt Johnson,
cofundador da organização Diálogo Interespiritual em Ação.
Bircan Ünver (E), fundadora e presidente da ONG
The Light Millennium, recebe a publicação especial
da LBV para o evento do DPI.
Theresa Cheong, diretora da School of Allied Health, da Parkway
College, confraterniza com Sâmara Malaman, da LBV.
NicholasdePaivaAlzirodePaiva
StepanhieSabeerinNatalyPeres
NatalyPeres
46 BOA VONTADE
York, ressaltou pontos da palestra
que proferira. “Vou falar quais
serão as projeções para 2050 em
termos de crescimento populacio-
nal. Até lá, haverá dez bilhões de
pessoas no mundo. Sete em cada
dez habitantes do planeta estarão
vivendo em megacidades,comoRio
de Janeiro e São Paulo. A questão
é oferecer uma educação adequa-
da para preparar os cidadãos do
mundo para 2050”, disse. Ele com-
pletou: “Os cidadãos do mundo em
2050 terão que lidar com grandes
mudanças provocadas pelas alte-
rações climáticas. (...) Precisamos
educar as crianças de hoje para
serem indivíduos muito habilido-
sos e capazes de enfrentar esses
desafios. Não apenas expertise
em assuntos técnicos, mas
pessoas que precisarão
saber sobre os direitos
humanos,bemcomosobre
valores, o que significa ser
bons cidadãos e como se
relacionar uns com os outros”.
Pode-se perceber, pelos trechos
destacados de alguns dos discursos
feitos no painel, a ênfase destes na
necessidade de a educação ser prio-
rizada, visto que esta é ferramenta
imprescindível para transformar a
consciência e a conduta dos seres
humanos. Em consonância com
essa crença, o copresidente do
Comitê de ONGs sobre Educação,
ao se referir à proposta pedagógica
da LBV, assim se expressou: “A
qualidadedosprofessoresvai
ser muito importante. Eles
também terão que promo-
verorespeitopelosdireitos
humanos, o respeito pelo
próximo, o respeito pelos
O painel temático coordenado pela Legião da Boa Vontade atraiu a
atenção de profissionais da área educacional de diversos países, que fize-
ram questão de enaltecer o trabalho realizado pela Instituição há mais de
seis décadas. A seguir, alguns desses depoimentos.
“Fiquei realmente muito feliz em ver tanto carinho em um sis-
tema escolar que não trata apenas de abastecer o cérebro das
crianças, mas de realmente educá-las a como viver a vida, como
construir uma comunidade, como ser consciente para com o
meio ambiente (...). Soube que vocês [da LBV] também têm
um programa que inclui as mães. (...) É cientificamente com-
provado: a Educação realmente começa antes do nascimento.
Então, por que não incluir as mães? Alguém disse [durante o painel]
‘incluir os pais’, e estou totalmente de acordo” (Julie Gerland, francesa,
doutora em Medicinas Holísticas e chefe-representante da Organização
Mundial das Associações para Educação Pré-Natal — Omaep — junto
às Nações Unidas).
“O que a LBV está fazendo por meio da educação ofere-
cida às crianças, [ensinando] esses tipos de valores [éticos,
ecumê­nicos e espirituais], é muito importante. Estou
bastante feliz por ter participado deste painel. Parabéns
por organizá-lo. Usarei o vídeo [mostrado durante o painel]
com meus alunos, para os quais dou palestras sobre as
Nações Unidas e boas práticas” (Celine Paramunda, indiana,
representante da Medical Mission Sisters nas Nações Unidas).
“As informações que obtive neste painel foram sustentáveis,
porque formar um aluno para que entenda seu meio ambiente e
seu compromisso cívico e participe de sua comunidade é muito
relevante. (...) Gostaria de levar esse programa [educacional da
LBV] para meu país” (Daniel Méndez, dominicano, mestrando
em Educação).
Educando cérebro e coração
A mesa do painel temático foi formada, da esquerda para a direita, pela intérprete
Mariana Tamasan; pela supervisora da linha pedagógica da LBV, Suelí Periotto;
pelo diplomata Vicente Amaral Bezerra, representante da Missão Permanente
do Brasil nas Nações Unidas; pelo moderador do painel, Danilo Parmegiani,
representante da LBV na ONU; por Sâmara Malaman, mestre em Educação Especial
pela Kean University; e pelo psicólogo e psicanalista Joseph DeMeyer.
NatalyPeres
ArquivoBV
ArquivoBV
Arquivopessoal
BOA VONTADE 47
Mariana Tamasan, da LBV, entrega à
presidente do Comitê Executivo de ONGs
Associadas ao DPI/ONU, Anne-
-Marie Carlson (E), publicação especial
da Instituição para o evento.
Edward A. Lin, conselheiro da
Dharma Drum Mountain Buddhist
Association, recebe a revista da LBV
para a conferência em inglês.
Casey Gerald, diretor-executivo da MBA’s Across America,
recebe do jovem Nicholas Beck de Paiva a publicação
especial da LBV para a conferência do DPI.
Andrea Carmen, diretora-executiva do Conselho
Internacional de Tratados Indígenas (IITC, na sigla em inglês),
e o representante da LBV Alziro de Paiva, com a revista da
Instituição para o evento.
Representante da LBV apresenta as recomendações da
Instituição para a conferência a Grove Harris, da ONG The
Temple of Understanding (O Templo do Entendimento, na
tradução para o português).
Kleber Marins de Paulo, presidente da Enactus Brasil,
confraterniza com Suelí Periotto, supervisora da linha
pedagógica da LBV e diretora do Conjunto Educacional
Boa Vontade.
Simpático, o rabino Roger Ross,
diretor-executivo do Seminário Rabínico
Internacional, com a revista
BOA VONTADE Desenvolvimento
Sustentável 2014 em inglês. Ao lado,
Adriana Rocha, da LBV.
LBV na ONUStephanieSabeerinElianaGonçalvesElianaGonçalves
NatalyPeres
MarianaTamasan
ElianaGonçalvesNicholasdePaiva
48 BOA VONTADE
O representante da Associação Universal de Esperanto (UEA) na ONU, Neil
Blonstein (segundo, a partir da esquerda), confraterniza com a comitiva da
Legião da Boa Vontade presente à conferência.
Eliana Gonçalves (de costas), integrante da equipe da LBV no encontro do DPI,
conversa com o presidente da Conferência das ONGs com Relações Consultivas
para as Nações Unidas (Congo), Cyril Ritchie.
Clint Carney, secretário da Family Justice Center Alliance, e a representante da
LBV Mariana Tamasan.
valoreshumanosepelocomponente
espiritual da vida”.
Linha pedagógica
da LBV ganha relevo
na ONU
Durante o painel temático, o
público teve a oportunidade de
conhecer algumas histórias de
sucesso que a LBV reuniu no
âmbito educacional, resultantes
das inovadoras Pedagogia do
Afeto (dirigida a crianças de
até os 10 anos de idade) e Pe-
dagogia do Cidadão Ecumênico
(que abrange a educação de in-
divíduos a partir dos 11 anos),
aplicadas em todas as unidades
socioeducacionais da Institui-
ção. Entre os materiais apre-
sentados, um vídeo com alunos
do Conjunto Educacional Boa
Vontade chamou a atenção dos
presentes. Nele, crianças falam
da importância do uso racional
da água, consciência trabalhada
com os estudantes dos estabe-
lecimentos de ensino da LBV
desde a mais tenra idade.
Os bons resultados do pro-
grama educacional Estudantes
de Boa Vontade pela Paz (Good
Will Students for Peace, em
inglês), desenvolvido em esco-
las públicas norte-americanas,
também foi compartilhado com
todos os que estavam no local.
Em recente edição do programa,
a LBV aplicou sua linha pedagó-
gica na escola Lincoln Avenue,
em Nova Jersey, ocasião em que
abordou o tema “Minha casa é o
planeta Terra — O nosso papel
como cidadãos ambientalmente
conscientes”.
ArquivoBVNicholasdePaivaElianaGonçalves
BOA VONTADE 49
do futuro
Desafios
LBV na ONU
Reunião de Alto Nível do Ecosoc
Da Redação
50 BOA VONTADE
T
odos os anos, o Conselho
Econômico e Social (Ecosoc),
um dos órgãos principais da
Organização das Nações Unidas
(ONU), congrega representantes de
países-membrosdesseimportanteor-
ganismointernacionaledeentidades
da sociedade civil a fim de abordar
assuntos de grande relevância e in-
teresse para a Humanidade. Por isso,
dos dias 7 a 11 de julho de 2014, em
Nova York, EUA, o Ecosoc realizou
sua Reunião de Alto Nível, que de-
bateuotema“Discutindoosdesafios
emcursoeosemergentesparaatingir
os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio (ODM) em 2015 e para
sustentar os ganhos de desenvolvi-
mento no futuro”. Participaram do
eventomaisde500representantesde
governo e da sociedade civil.
Umadasinstituiçõesquecompa-
receram à conferência, a Legião da
Boa Vontade, da mesma forma que
fez em edições anteriores do encon-
tro, apresentou suas recomendações
e boas práticas socioeducacionais
Evento anual da ONU
reúne representantes
de dezenas de países
para discutir a
agenda pós-2015.
referentes ao tópico em pauta.
Ainda esteve no Fórum Político de
Alto Nível sobre Desenvolvimento
Sustentável (High-Level Political
Forum,eminglês),queocorreuentre
30 de junho e 9 de julho. Na mesma
ocasião, outros dois eventos ocor-
reram: a Revisão Ministerial Anual
e o Fórum de Cooperação para o
Desenvolvimento, nos quais a LBV
também marcou presença.
Por meio de várias pesquisas
interativas — entre as quais a My
World* —, bem como dos fóruns e
das assembleias que antecederam à
Reunião de Alto Nível, a ONU jun-
tou informações necessárias para a
elaboraçãodocronogramapós-2015
edosObjetivosdeDesenvolvimento
Sustentável (ODS). Nesses encon-
trosforamdiscutidosdiversostemas
para ajudar a construir a agenda de
desenvolvimento sustentável, entre
os quais o consumo e a produção
sustentáveis, o papel da ciência e da
política e as tendências que afetarão
as novas gerações. “Combater a
* My World — Meu Mundo, em português, é a enquete global das Nações Unidas para a
construção de um planeta melhor. Os cidadãos podem votar nas seis questões de desenvol-
vimento que têm maior impacto na vida deles.
NicholasdePaiva
Em 7 de julho, a LBV foi convidada a se pronunciar na plenária da ONU
diante das autoridades internacionais. Na foto, o representante da
Instituição nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, fala sobre o traba-
lho da LBV em intervenção transmitida pela Rádio e TV ONU, em tempo
real, para todo o mundo.
BOA VONTADE 51
tênciasocial,obtidaaolongodemais
de seis décadas de atuação, e de en-
contros que ela promoveu em 2013
comváriossetoresdasociedade,em
quatro países da América Latina.
As informações contidas nesse
material foram igualmente disponi-
bilizadasàsdelegaçõesparticipantes
da Reunião de Alto Nível na edição
2014 da revista BOA VONTADE
Desenvolvimento Sustentável, lan-
Rita Schwarzelühr-Sutter, secretária
de Estado Parlamentar para o
Ministério Federal do Meio Ambiente,
Proteção da Natureza, Construção
e Segurança Nuclear da Alemanha
confraterniza com o representante
da LBV nas Nações Unidas, Danilo
Parmegiani.
O diretor-geral da Organização
Europeia para a Pesquisa Nuclear
(Cern, na sigla em francês), professor
Rolf-Dieter Heuer, recebe do
jovem Nicholas Beck de Paiva (D),
da LBV, a revista BOA VONTADE
Desenvolvimento Sustentável 2014.
O ex-primeiro-ministro da Coreia
do Sul, Han Seung-soo, designado
pelo secretário-geral da ONU para
Redução de Riscos de Desastres e
Recursos Hídricos, confraterniza com
a representante da LBV Conceição
de Albuquerque, que lhe entrega a
publicação especial da Instituição.
Os Legionários Mariana e Alex Tamasan apresentam
a mensagem da Instituição ao ministro de Finanças da
Guiana, Ashni Singh (C).
Revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável
disponível nos idiomas inglês, espanhol, francês e
português.
desigualdade crescente, em países
ricos e pobres, se tornou um desafio
definitivonanossaépoca”,declarou
Ban Ki-moon, secretário-geral das
Nações Unidas. Ele completou:
“Nossos objetivos pós-2015 devem
ser para não deixar ninguém para
trás”.
Contribuições da LBV
ALegiãodaBoaVontadepossui,
desde 1999, status consultivo geral
no Conselho Econômico e Social
(Ecosoc),aoqualexpõe,emrelatório
anual, suas recomendações e boas
práticas socioeducacionais, tradu-
zidas para os seis idiomas oficiais
das Nações Unidas: árabe, chinês,
espanhol, francês, inglês e russo. O
documento apresentado pela LBV
este ano é fruto de sua experiência
nos campos da educação e da assis-
LBV na ONU
AdrianaRocha
MarianaTamasan
NicholasdePaiva
VerônicaAnta
NatalyPeres
52 BOA VONTADE
e Nicholas Beck de Paiva, de 23
e 20 anos, respectivamente, e o
representante da Instituição nas
Nações Unidas, Danilo Parmegiani,
falaram do papel das novas gerações
na construção de um futuro melhor
para todos e de como a Entidade
incentiva essa participação. “Quan-
do a ONU abre espaço para que o
jovem tenha a sua voz, é muito bom;
afinal, nós temos a nossa opinião e
também queremos expressar o que
vivemos, as experiências que temos,
para contribuir para este evento tão
importante, que discute o futuro do
nosso planeta”, afirmou Felipe.
De acordo com Nicholas, a
juventude tem força para ajudar
a promover transformações de al-
cance global. “A experiência que o
jovem passa traz um valor na mu-
dança do mundo, na construção de
um mundo melhor”, ele salientou.
No dia 9 de julho, a Rádio ONU em língua portuguesa fez uma matéria sobre a
participação da Legião Boa Vontade na Reunião de Alto Nível do Ecosoc. Entre
os entrevistados estavam os jovens brasileiros Nicholas Beck de Paiva e Felipe
Duarte, que comentaram sobre o protagonismo juvenil incentivado na LBV
desde a infância, e defenderam a importância da Educação na preparação das
novas gerações.
O economista norte-americano
Jeffrey D. Sachs (D), diretor do
Earth Institute, da Universidade de
Columbia, recebe a publicação especial
da LBV das mãos do Jovem Legionário
Felipe Duarte.
Nana Oye Lithur (D), ministra de
Gênero, Crianças e Proteção Social da
República do Gana, conversa com a
jovem Amanda Vieira, da LBV, que
apresenta a mensagem da Instituição
especialmente encaminhada ao
evento.
Viviana Caro Hinojosa (D), ministra
do Planejamento de Desenvolvimento
da Bolívia, com a publicação especial
da LBV (em espanhol) durante o
evento do Ecosoc. Ao lado, Adriana
Rocha, da Instituição.
Comitiva jovem da LBV chama
atenção da Rádio ONU
O grande número de jovens na
comitiva da Legião da Boa Vontade
na Reunião de Alto Nível do Ecosoc
também mereceu realce durante
o evento. Dos 13 integrantes do
grupo, dez tinham menos de 28
anos de idade e eram originários de
seis países.
Em entrevista à Rádio ONU em
português, dois jovens brasileiros
que faziam parte da equipe enviada
pela LBV ao encontro, Felipe Duarte
MarianaTamasan
SâmaraMalaman
DaniloParmegiani
AdrianaRocha
BOA VONTADE 53
Embaixador Martin Sajdik (D),
presidente do Conselho Econômico e
Social das Nações Unidas (Ecosoc) e
representante da Missão Permanente
da Áustria na ONU, recebe mensagem
da LBV.
A publicação especial da LBV é
entregue à Shahira Wahbi, chefe da
Divisão de Cooperação Internacional e
Desenvolvimento Sustentável da Liga
dos Estados Árabes, pelo representante
da Instituição Nicholas Beck de Paiva.
Martin Chungong, secretário-
-geral da União Interparlamentar
(UIP), recebe a mensagem da LBV de
Eliana Gonçalves, representante da
Instituição no evento.
Lígia Figueiredo, do Ministério de
Assuntos Exteriores de Portugal,
recebe a mensagem da LBV das
mãos do jovem Felipe Duarte, da
Instituição.
William Colglazier, conselheiro para
Assuntos de Ciência e Tecnologia do
Departamento de Estado dos Estados
Unidos, com a representante da LBV
no evento, Sâmara Malaman.
çada na ocasião (nas versões em
português, inglês, francês e espa-
nhol). O destaque da publicação é a
mensagem“Solidariedadeedireitos
humanos no mundo”, do diretor-
-presidente da Instituição, José de
Paiva Netto, na qual ele evidencia a
importância não só da solidariedade
para a construção de um mundo
melhor, mas também do papel da
mulher na defesa dos direitos e de-
veres do ser humano.
Convidada a fazer um pronun-
ciamento na plenária da ONU no
primeiro dia de debates, a LBV le-
vou ao evento iniciativas de sucesso
da sociedade civil, em especial os
bons resultados alcançados com a
aplicação de sua proposta pedagó-
gica. O discurso foi proferido por
Danilo Parmegiani, representante
da Instituição nas Nações Unidas,
às autoridades internacionais pre-
sentes e transmitido pelos meios de
comunicação da ONU em tempo
real para todo o mundo. “(...) Uma
coesaeimpactantelinhadeação,que
promoveaEducaçãocomEspiritua-
lidade Ecumênica como a chave do
desenvolvimentodacidadaniaplena,
preparando novas gerações para
uma sociedade mais solidária e sus-
tentável. (...) Nosso foco é promover
um modelo de educação que seja ca-
paz de formar líderes solidários, por
meio do empoderamento de cérebro
ecoração,conformedefineodiretor-
-presidentedaLBV,oeducadorPaiva
Netto”, declarou ele.
Danilo ainda ressaltou que, neste
momentoemqueasnaçõesestabele-
cemprioridadescomunsparaareso-
luçãodeproblemasmundiais,aLBV
defendeaeducaçãocomoaprincipal
ferramenta no cumprimento dos
objetivos pós-2015, sendo a mais
eficiente na formação de cidadãos
solidários e fraternos.
LBV na ONUNatalyPeres
SâmaraMalaman
NatalyPeres
MarianaTamasan
NatalyPeres
54 BOA VONTADE
Super rede boa vontade de rádio
Um conteúdo que faz
bem para sua família!
Brasil
AM 940 kHz - Rio de Janeiro/RJ
AM 1.230 kHz - São Paulo/SP
AM 1.300 kHz - Esteio, região de Porto Alegre/RS
OC 25 m - 11.895 kHz - Porto Alegre/RS
OC 31 m - 9.550 kHz - Porto Alegre/RS
OC 49 m - 6.610 kHz - Porto Alegre/RS
AM 1.210 kHz - Brasília/DF
FM 88,9 MHz - Santo Antônio do Descoberto/GO
AM 1.350 kHz - Salvador/BA
AM 610 kHz - Manaus/AM
AM 550 kHz - Montes Claros/MG
AM 550 kHz - Sertãozinho, região de Ribeirão Preto/SP
AM 1.210 kHz - Uberlândia/MG
AM 1.310 kHz - Maringá/PR (de 2a
a 6a
, das 16 às 19h)
AM 1.270 kHz - Curitiba/PR (das 16 às 19h)
AM 1.210 kHz -Araçatuba/SP (de 2a
a sábado,das 16 às 19h)
AM 820 kHz - Goiânia/GO (das 22 às 6h)
FM 95,1 MHz - Recife/PE (de 2a
a 6a
, das 21 às 22h)
Oi TV - canal 989
Web: www.boavontade.com/tv
SKY – Canal 20
Oi TV – Canal 212
NET
No Estado de São Paulo: Itapetininga (canal 66);
Sertãozinho (canal 98);Americana,Araras, Hortolândia,
Limeira, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Nova Odessa, Rio Claro,
Santa Bárbara D’Oeste e Sumaré (canal 192).
OUTRAS TVS POR ASSINATURA
CANAL 24 — Telec NE: São Luís/MA; CANAL 33 — Cabo
Serviços de Telecomunicações: Natal/RN e Mossoró/RN;
CANAL 29 — TV Costa do Sol: Cabo Frio/RJ; CANAL 26 —
TVC Assis: Assis/SP; CANAL 29 — TVC Ourinhos: Ourinhos/SP;
CANAL 26 — Pontal Cabo: Penápolis/SP; CANAL 39 — TVCA
Tietê: Tietê/SP; CANAL 45 — TV Conector: Jaú/SP e Dois
Córregos/SP; CANAL 34 — RCA: Curitiba/PR e Paranavaí/PR.
TV ABERTA
CANAL 45.1 digital: São Paulo/SP; CANAIS 11E/40D:
São José dos Campos/SP; CANAIS 9 e 32: Arceburgo/MG;
CANAL 31: Brodowski/SP; CANAL 23: Glorinha/RS; CANAL
51: Luz/MG; CANAL 58: Poços de Caldas/MG; CANAL 21:
Mococa/SP, Santa Rosa do Viterbo/SP e Cássia dos Coqueiros/SP;
CANAL 69: Tapiratiba/SP e Guaranésia/MG.
ANTENA PARABÓLICA — CANAL TERRA VIVA
Programa O Poder da Fé Realizante
De 2a
a 6a
, das 7h às 7h30.
Frequência em banda C: 3.790 MHz • Frequência em banda L: 1.360 MHz
• Polarização descida: horizontal • Satélite: Brasilsat C-2 analógico.
Buenos Aires, Argentina: FM Dakota 104.7 (de 2a
a 6a
,
das 5 às 6h e das 10 às 11h;sábado e domingo,das 7 às 8h
e das 18 às 19h) eAM 1.590 (de 2a
a 6a
, da 0 à 1h e das 18
às 19h) • La Paz, Bolívia: FM 100.5 (de 2a
a 6a
, das 8 às
9h e das 22 às 23h) • Assunção, Paraguai: FM 90.7 (de
2a
a 6a
, das 8 às 9h) • Montevidéu, Uruguai: AM 1.370
(de 2a
a 6a
, das 23 à 0h) • Portugal — Porto: FM 88.1
(diariamente,das23à0h)—Lisboa:FM92.8(diariamente,
das 23 à 0h) — Coimbra: FM 96.2 (diariamente, das 7 às
8h) e FM 92.6 (diariamente, das 15 às 16h).
Comunicação 100% Jesus
0300 10 07 940 • www.boavontade.com • facebook.com/boavontade
Comportamento
Leila Marco
Ponto de equilíbrio
Fora do controle
Compromete o seu
Quando a
bem-estarbem- estar
ansiedadeansiedade
Quando a
56 BOA VONTADE
A
quanto anda a sua saúde emocional e
mental? Você já parou para fazer essa
perguntaasimesmo?Umsinaldealerta
tem sido dado por trabalhos e estudos nacio-
nais e internacionais: vivemos atualmente
em uma sociedade urgente, rápida e ansiosa.
Dados divulgados pela Pesquisa Mundial
sobreSaúdeMental(eminglês,WorldHealth
Mental Survey), uma iniciativa da Organi-
zação Mundial da Saúde (OMS), que reuniu
dados epidemiológicos de 24 países, mostra
que cerca de 20% dos habitantes da Região
Metropolitana de São Paulo*¹ apresentaram
algum transtorno de ansiedade.
A psicóloga Sâmia Aguiar Brandão
Simurro, vice-presiden-
te da Associação Bra-
sileira de Qualidade de
Vida (ABQV), explica
que, na medida certa,
a ansiedade não é uma
patologia, ela passa a
ser prejudicial quando está excessiva e
compromete a vida diária da pessoa. “A
Organização Mundial da Saúde define o
‘transtorno de ansiedade’como um estado
elevado de ansiedade no qual a pessoa ex-
perimentasintomasfísicosepsíquicoscomo
palpitações, suor, tensão e pensamentos
negativos diante de perigos que existem em
nossos pensamentos e simulam uma situa-
çãodeameaça.Quandoessessintomasnão
conseguemsercontroladosouminimizados,
ou começam a prejudicar a nossa saúde,
está na hora de buscar um especialista”.
De acordo com a psicóloga, “às vezes a
gente não percebe quando chega esse ‘de-
Dra.SâmiaSimurro
VivianR.Ferreira
*¹ Os dados do relatório internacional restringiram-se
à Grande São Paulo e foram gerados por meio da pes-
quisa São Paulo Megacity Mental Health Survey. Em
âmbito global, o estudo foi coordenado por Ronald
Kessler, da Universidade Harvard (Estados Unidos).
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 57
Comportamento
são aconselhadas, em geral, sessões
deterapiacognitivo-comportamental
(TCC), método que procura modifi-
car padrões de pensamentos e com-
portamentos associados. Em pacien-
tes mais graves, há uma combinação
de remédios e TCC.
Esseprocessodereflexãopodeser
um grande aliado para novos apren-
dizados e passa pela interveniência
darazão.“Noprocessoterapêuticoé
assim,temdeficarnohoje,umacoisa
decadavez.Vocêprecisalerojornal
interno, saber o seu ponto de equilí-
brio, se conhecer bastante, saber os
seus limites. Em geral, quando se
está ansioso, a pessoa fica pensando
que alguma catástrofe iminente vai
acontecer; e ter consciência de que
95% das coisas que temos medo não
ocorrem, então, a gente sofre, em
geral, desnecessariamente”, diz.
Omedoqueparalisa
Um temor inexplicável do futu-
ro, dependendo do grau, prejudica
o sono do indivíduo, deixa-o mais
predispostoasofrerdeenfermidades
cardiovasculareseoimpededefazer
coisascomunsàmaioriadaspessoas.
Fobias de diferentes ordens podem
instalar-se, como, por exemplo, a
síndrome do pânico, muito comum
nos dias de hoje. Clara dos San-
tos*²,54anos,sabebemoqueéisso.
Osprimeirossintomascomeçarama
aparecer ainda na infância. Ela co-
menta que já era um pouco agitada,
ansiosa, preocupada com as coisas.
“Lembro-me de uma vez que minha
irmãfezumvestidoparamim,euera
menina,epediuqueexperimentasse.
Vesti e ele ficou muito apertado, não
conseguiatirá-lo,aminhairmãteve
O psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury afirma que uma das
formas de proteger a emoção dos pequeninos e filtrar os estímulos
estressantes é “desenvolver o prazer por meio de atividades lúdicas,
participar de processos criativos que envolvam melhor elaboração, como
esporte, música, pintura e relacionamento com a Natureza”.
Para ele, é fundamental não superproteger os filhos. E faz uma série
de apontamentos em seu trabalho: “É fundamental que os pais não
deem presentes e roupas em excesso aos filhos nem os coloquem em
múltiplas atividades. É igualmente fundamental que conquistem o
território da emoção deles e saibam transferir o capital de suas expe-
riências (...). Não devem deixá-los o dia inteiro conectados em redes
sociais e usando smartphones. A utilização ansiosa desses aparelhos
pode causar dependência psicológica como algumas drogas”.
Outro conselho do psiquiatra, esse para crianças e adultos, é evitar
tais aparelhos à noite ou mesmo dormir próximo deles, porque a tela
produz um comprimento de onda azul que dificulta a liberação, no me-
tabolismo cerebral, de substâncias que induzem ao sono.
Filhos mais criativos
e menos ansiosos
mais’; alguém precisadarumtoque
para que se possa entender isso”.
Os sintomas das crises de ansie-
dade trazem muito sofrimento ao
paciente. “Se não houver nenhuma
patologia física, o melhor especia-
lista para se procurar é o psicólogo,
ou, eventualmente, dependendo da
intensidade, um psiquiatra, para
aprender a lidar com suas dificul-
dades diárias”, ressalta a dra. Sâmia
Simurro. Nos casos mais simples,
*² Nome fictício, para preservar a identidade do paciente.
shutterstock.com
58 BOA VONTADE
de rasgar o vestido, porque fiquei
muito nervosa, parecia que a roupa
ia me sufocar”.
Com o tempo e uma sucessão de
acontecimentos, como a perda dos
pais (bem próximo um do outro) e a
ameaça de desemprego, os sintomas
foram ampliados. “Você acha que
não tem luz no fim do túnel, acumula
tudo, não se abre, não conversa com
ninguémeficaguardandoparavocê,
e é como uma panela de pressão:
chega uma hora que explode”.
Depois desses episódios, os
sinais ficaram mais evidentes, e,
graças ao apoio de familiares e
amigos, Clara percebeu que pre-
cisava de ajuda especializada. Ela
havia desenvolvido a síndrome do
pânico. “Tinha medo em ambientes
fechados, em elevador, em avião,
em meio à multidão. Sentia um
grande desconforto, um aperto no
peito, falta de ar. Tinha a sensação
de que ia morrer”, conta.
Atualmente, ela convive melhor
com esses sentimentos. Fez três anos
de terapia, tomou medicamentos,
aprendeu a controlar a respiração
com exercícios de ioga e adotou
pensamentos mais positivos. “Já
consigo andar de elevador, viajei de
avião.Quandoestounesseslugarese
vemessasensaçãodemedo,procuro
respirarfundo,ficartranquila,calma
e pensar que não vou ficar ali presa,
que há saída dali. A Espiritualidade,
conhecer o meu eu interior e, acima
de tudo, o amparo de Deus foram
também muito importantes para
mim. Li bons livros, a exemplo de
ReflexõesdaAlma,doescritorPaiva
Netto,quemedeuumconfortomuito
grande,umbem-estar,umasensação
desaúde,decuramesmo”,completa.
Omaldoséculo
O alerta vem do psiquiatra
e psicoterapeuta Augusto Cury,
autor da obra Ansiedade — Como
vencer o mal do século. No tra-
balho, ele apresenta a Síndrome
do Pensamento Acelerado (SPA),
segundo ele, um dos problemas
mais comuns da atualidade, que
atinge, em níveis diferentes, mais
de 80% dos indivíduos em todas as
idades. “Sem perceber, a sociedade
moderna — consumista, rápida
e estressante — alterou algo que
deveria ser inviolável, o ritmo de
construção de pensamentos, ge-
rando consequências seriíssimas
para a saúde emocional,
o prazer de viver, o de-
senvolvimento da inteli-
gência, a criatividade e a
sustentabilidade das rela-
ções sociais. Adoe­cemos
coletivamente”, explica o
escritor.
O autor argumenta que no pas-
sado o número de informações
dobrava a cada dois ou três séculos;
hoje, isso ocorre a cada ano. Para
ele, “(...) mesmo se o conteúdo for
positivo, culto, interessante, o ace-
leramento do pensamento por si só
gera um desgaste cerebral intenso,
produzindo a mais importante an-
siedade dos tempos modernos, com
a mais rica sintomatologia”.
Cury expõe que mesmo crianças
e adolescentes já sentem os efeitos
dessa síndrome, conforme pôde
perceber em suas palestras em
escolas, onde os alunos, ao serem
indagadossobreossintomasdaSPA,
afirmavam, em sua maioria, sentir
dores de cabeça e musculares. “Foi
surpreendente.Quasetodostambém
acenaram positivamente quando
perguntei se acordavam cansados,
se se sentiam irritadiços e intole-
rantes a contrariedades, se sofriam
porantecipação,setinhamdéficitde
concentração e de memória.”
A fim de fugir de uma das
características mais marcantes
da síndrome, a angústia por fatos
e circunstâncias que ainda não
aconteceram, o livro dispõe-se a
ensinar a pensar com consciência, a
gerenciar seus pensamentos, a pen-
sar antes de reagir, a ser resiliente.
“O maior inimigo não está fora,
mas dentro de você”, diz o autor.
De acordo com Augusto Cury,
a SPA tem levado ao para-
doxo de termos, apesar de
atualmente uma vida mais
longa biologicamente, a
impressão de que o tempo
passa mais rápido. São
tantas atividades mentais
e profissionais que não
há espaço para desfrutar, digerir e
assimilar experiên­cias existenciais.
“Estamos na era do fast-food emo-
cional; engolimos nosso nutriente.
Não sabemos amar, dialogar, ouvir,
sonhar, interiorizar, jogar conversa
fora”, afirma, na obra, o escritor.
Augusto Cury
Divulgação
“Sem perceber, a
sociedade moderna
(...) alterou algo que
deveria ser inviolável, o
ritmo de construção de
pensamentos.”
Augusto Cury
Psiquiatra e psicoterapeuta
BOA VONTADE 59
Especialistas já listaram pelo menos dez tipos de problemas ligados à ansiedade. Todos
esses transtornos e fobias prejudicam a qualidade de vida das pessoas e as impedem,
muitas vezes, de exercer atividades corriqueiras. A seguir, alguns deles.
tipos
detranstornos
deansiedade
2 3Fobia social
caracteriza-se pelo
medo excessivo
de humilhação ou
embaraço em vários
contextos sociais,
entre os quais falar
em público, comer em
restaurantes e usar
toalete público.
Fobias específicas
são medos irracionais que
geram reação desproporcional
a algo, como a fobia de
aranhas, tempestades, sangue
ou lugares pequenos.
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
consiste em pensamentos, ideias ou imagens
que invadem a consciência insistentemente,
sem que a pessoa queira. A única forma de
livrar-se deles por algum tempo é realizar um
ritual, como, por exemplo, verificar se trancou
a porta ou se apagou a luz.
11
Comportamento
60 BOA VONTADE
Transtorno de estresse
pós-traumático (TEPT)
é o estado em que
o paciente deve ter
passado por um evento
grave, com grande
estresse emocional.
Esse tipo de trauma
inclui experiências de
combate, de catástrofes
naturais, de agressão
física, de estupro, de
acidentes graves etc.,
e leva a pessoa a ter
medo de situações que,
de alguma maneira,
se assemelham ao
momento traumático.
Fonte: site Psiquiatria Geral (www.psiquiatriageral.com.br) e Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Norte-Americana
de Psiquiatria (DSM-IV).
44
5
Transtorno de ansiedade
induzido por substâncias
consiste no distúrbio
causado por uso de
drogas e álcool. Várias
dessas substâncias são
capazes de produzir
ansiedade.
6
7
Transtorno ou
síndrome do pânico
caracteriza-se por
intensa ansiedade e
medo, acompanhados
de sintomas físicos
(taquicardia, dispneia,
sudorese e palpitações),
com duração breve.
88
Transtorno
de ansiedade
generalizada
é um estado
de ansiedade
e preocupação
abrangente,
acompanhado
por sintomas
somáticos,
entre os quais
irritabilidade,
dificuldade de
concentração,
fadiga e
depressão.
Agorafobia
é o estado em que se evidenciam
comportamentos de esquiva,
que aparecem quando a pessoa
se encontra em situações ou
locais dos quais seria difícil ou
embaraçoso escapar ou mesmo
receber socorro se algo de errado
acontecesse.
BOA VONTADE 61
espiritualidade
e força interior
ajudam a vencer a ansiedade
Vivian R. Ferreira
Comportamento
62 BOA VONTADE
U
m dos mais conceituados
hospitais da capital paulista,
o Albert Einstein, tem in-
vestido em diversas ações a fim
de oferecer serviços centrados
no paciente, em ambientes sau-
dáveis e propícios para a cura.
Entre algumas das medidas estão
a eliminação do horário de visita
na UTI, o apoio religioso e a
possibilidade de que pacientes
recebam a visita de animais
de estimação. Para isso,
foi desenvolvida uma
política de seguran-
ça. Dentre outras
coisas, é preciso
ter autorização do
médico responsável
pelo paciente e o ve-
terinário deve fazer um
laudo atestando as boas
condições de saúde do animal.
Um dos responsáveis por essa
mentalidade no hospital
é o cirurgião Paulo de
Tarso Lima, que coor-
dena o Serviço de Me-
dicina Integrativa, uma
prática médica nascida
na década de 1970, que
objetiva favorecer a recuperação
dos pacientes em todos os níveis:
físico, mental, emocional, social
e espiritual. “A ideia é mostrar
que a pessoa é a detentora da
capacidade de cura da própria
doença”, destaca. Ele também
explica que o trabalho do hospi-
tal é muito focado na gestão do
estresse, que está intimamente
associado à piora ou à má função
dos processos biológicos. “A
literatura médica sustenta isso.
Há pesquisas mostrando que a
relação com animais
leva, por exemplo, a
diminuir a ansiedade”.
Quem já se beneficiou com esse
serviço sabe o bem que
ele traz. A dra. Cristiane
Isabela deAlmeida expe-
rimentou, como paciente,
essa situação. Em 2011,
a complicação em uma
cirurgia a fez ficar 35 dias
internada. A experiência de estar
“do outro lado” levou-a a entrar
em contato com “a fragilidade,
a dependência e a incerteza que
o paciente sente e de que muitas
vezes não nos damos conta”, relata
a médica.
Ela percebeu que o processo de
recuperação é bem mais amplo do
que parece ser. “O próprio hospi-
tal torna-se um ambiente de cura,
onde a construção se une aos
medicamentos, aos procedimentos
e, especialmente, às pessoas. As-
A dra. Cristiane com seu cão Twister. No destaque, a cadela
Clara recebe o abraço afetuoso de seu dono, Ennio Araújo.
Ambos receberam a visita de seus animais de estimação
enquanto estavam internados.
pectos relacionados à espiritua­
lidade, ao toque, ao bem-estar e
à alegria interior assumem uma
importância vital”, ressalta.
A oportunidade de receber o
seu cachorrinho no hospital foi
muito importante. Cristiane lem-
bra que ele era o único que não
“sabia” o que tinha acontecido.
Ela simplesmente havia sumido
da vida dele. “Para a visita do
Twister, todos se uniram: enfer-
magem, segurança, comissão de
infecção hospitalar... E ele veio!
Com toda a doçura que os ani-
mais sabem ter nesses momentos,
entrou como um principezinho
pela porta principal do hospital,
abanou o rabo com aquela ale-
gria de quem não guarda mágoas
da separação e pulou, pedindo
colo, carinho e um tempo só
com ele. Aquela visita preencheu
minha alma! O amor sem pala-
vras...”, conclui.
Dr.PaulodeTarsoLima
NiltonFukuda
Fotos:Arquivopessoal
BOA VONTADE 63
Globalização do
de jesus
AmorFraterno
O 39o
Fórum Internacional do Jovem Ecumênico Militante
da Boa Vontade de Deus compartilha ideias e atitudes para a
construção de um mundo melhor.
Da Redação
Ação Jovem LBV
VivianR.FerreiraEduardoSiqueira
PriscillaAntunesDouglasGuttemberg
São Paulo/SP
Americana/SP Uberlândia/MG
Rio de Janeiro/RJ
JoãoPeriotto
Vivian R. Ferreira
GRANDE REPERCUSSÃO Palestra do diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, é
transmitida, via satélite, por rádio, televisão e internet para o Brasil e exterior.
BOA VONTADE 65
M
ais de 7 bilhões de pessoas
habitam o planeta, cada uma
com a própria percepção de
mundo, e o que se vê atualmente
é a escolha de culturas e pontos
de vista para servir de padrão. Tal
preferência, consequentemente,
direciona todas as outras formas de
expressão, consideradas muitas ve-
zescomomarginaisoudeimportân-
cia secundária. Desse modo, ainda
um número reduzido de indivíduos
beneficia-se do progresso social,
por exemplo, enquanto a maioria
sofre com os prejuízos da miséria
globalizada.
ParaJosédePaivaNetto,diretor-
-presidente da Legião da Boa Von-
tade, jornalista, radialista e escritor,
Jesus,oCristoEcumênico,portanto,
universal, o Divino Estadista, apre-
sentou, com Sua existência terrena,
há mais de dois mil anos, valores
que conduzem a uma globalização
semseres prejudicados, por meio de
SeuNovoMandamento:“Amai-vos
como Eu vos amei. Somente assim
podereis ser reconhecidos como
meusdiscípulos,setiverdesomesmo
Amorunspelosoutros”(Evangelho,
segundo João, 13:34 e 35). É nessa
base deixada pelo Administrador
Celeste que o dirigente da LBV se
inspira, traduzindo-a em frentes de
ação por um mundo melhor. Há dé-
cadas, ele tem defendido veemente-
mente, em seus escritos e discursos,
a tese da Globalização do Amor
Fraterno de Jesus. O próprio Paiva
Netto uma vez disse, em entrevista,
ao jornalista italiano radicado no
Brasil Paulo Parisi Rappocio em
10 de outubro de 1981: “(...) À glo-
balizaçãodamisériacontrapomosa
globalização da Fraternidade, que
espiritualizaeenobreceaEconomia
e solidariamente a disciplina, como
forteinstrumentodereaçãoaopseu-
dofatalismo da pobreza”.
O assunto foi escolhido pela
Juventude Ecumênica Militante da
Boa Vontade de Deus para ser abor-
dado em um ano intenso de estudos
e atividades, realizados em dezenas
de cidades do Brasil e no exterior.A
conclusão desses trabalhos ocorreu
no dia 21 de junho de 2014, com
o 39o
Fórum Internacional do Jo-
vem Ecumênico Militante da Boa
Ação Jovem LBV
Fotos:VivianR.Ferreira
Maringá/PR
66 BOA VONTADE
Vontade de Deus, que congregou
pessoas de todas as idades para
refletir sobre o tema “Globalização
do Amor Fraterno –– A construção
de um mundo melhor”. O ponto
alto do encontro, que teve lugar nas
unidadessocioeducacionaisdaLBV
(escolas e Centros Comunitários de
Assistência Social) e nos espaços
culturais e ecumênicos da Religião
de Deus, do Cristo e do Espírito
Santo, foi o discurso, de improviso,
de Paiva Netto, transmitido ao vivo,
via satélite, pela Super Rede Boa
VontadedeComunicação(rádio,TV
einternet).Amensagemtevegrande
audiência e repercussão em muitas
partes do globo, sendo acompanha-
da, em tempo real, por internautas
da Bolívia, dos Estados Unidos, da
Argentina,doParaguai,doUruguai,
de Portugal e de outros países, além
de ter sido alvo de numerosas mani-
festações de apreço e gratidão.
O dirigente abriu sua prédica
falando da mídia diferenciada da
LBV: a Comunicação 100% Jesus.
“Ora, a meta, pelos milênios, é glo-
balizar. Mas o quê? Costumo dizer
que a reforma do social, portanto
do humano, vem pelo espírito. Esse
é o diferencial que apresentamos
à Humanidade”, fez questão de
ressaltar.
Fraternidade no alto
sentido
Paiva Netto também salientou a
importância de o Supremo Criador
não ser reduzido à noção do deus
antropomórfico, feito à imagem e
semelhança dos homens, conforme
destacava o saudoso fundador da
LegiãodaBoaVontade,AlziroZarur
(1914-1979).Paraodiretor-presiden-
te da Instituição, esse conhecimento
éimprescindívelparaquenãosecrie
a impressão perigosa de um deus
pessoal, um deus com todos os erros
e pecados dos seres humanos.
Ainda de acordo com esse en-
tendimento, explicou que é preciso
buscarpromovera“globalizaçãodo
que Jesus, o Celeste Estadista, quer
que seja globalizado: o pensamento
de Deus, que é Amor (Primeira
Epístola de João, 4:8); logo, é fra-
ternidadenomaisaltosentido.Mui-
ta gente ainda pensa que ela seja
apenas entre o seu grupo, entre a
sua tribo. E aí as nações se dividem,
os seres humanos se matam, nem as
crianças se salvam (...)”.
A fim de continuar sua reflexão,
elepediuquefosseexibidagravação
histórica, na voz de Alziro Zarur,
em que este interpreta a página
Deus, de Eurípedes Barsanulfo*,
na qual o autor escreve sobre a
abrangência da Presença Divina
(reproduzida a seguir).
Deus
“O Universo é obra inteligen-
tíssima; obra que transcende a
mais genial inteligência humana;
e, como todo efeito inteligente tem
Ecumenismo sem fronteiras
O dirigente da Legião da Boa Vontade ainda ressaltou a presença da
Instituição em importante seminário da ONU, ocorrido em junho, sob o
seguinte título: “O Trabalho Espiritual das Nações Unidas: avançando
em direção a uma transformação planetária de consciência”. Nesse
evento, o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani,
fez um pronunciamento, no qual destacou trecho do subtítulo “Ver além
do intelecto”, constante do livro É Urgente Reeducar!, do escritor Paiva
Netto. A obra é uma das bases da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia
do Cidadão Ecumênico, as quais compõem a linha educacional da LBV.
Também mereceu relevo especial no seminário a revista Globaliza-
ção do Amor Fraterno. A publicação, que ajudou a orientar os estudos
e as discussões acerca do tema do 39o
Fórum Internacional do Jovem
Ecumênico Militante da Boa Vontade de Deus, já foi traduzida para
vários idiomas (alemão, espanhol, esperanto, francês, inglês e portu-
guês) e recebeu o endosso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
YreneSantana
BOA VONTADE 67
Ação Jovem LBV
uma causa inteligente, é forçoso
inferir que a do Universo é superior
a toda inteligência; é a inteligência
das inteligências; a causa das cau-
sas; a lei das leis; o princípio dos
princípios; a razão das razões; a
consciência das consciências; é
Deus! Deus! Nome mil vezes santo,
que Newton jamais pronunciava
sem descobrir a cabeça!
“Ó Deus que vos revelais pela
natureza, vossa filha e nossa mãe,
reconheço-vos eu, Senhor, na poe-
sia da criação; na criancinha que
sorri; no ancião que tropeça; no
mendigo que implora; na mão que
assiste; na mãe querida que vela;
Campinas/SPNiterói/RJ
Brasília/DF
Rio de Janeiro/RJ
Poços de Caldas/MG
São José dos Campos/SP
São Paulo/SP Pedro Periotto
AlcidéiaMendes
WaldomiroManoelWaldomiroManoelJoãoMiguel
MarianaTrevisanoJosyeHellen
*Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) —
Nasceu no dia 1o
de maio de 1880, em
Sacramento, Estado de Minas Gerais, e fa-
leceu na mesma cidade, aos 38 anos, em
1o
de novembro de 1918. Em 1902, parti-
cipou ativamente da fundação do Liceu Sa-
cramentano, onde passou a lecionar. Tam-
bém atuou na criação do jornal semanal
Gazeta de Sacramento, no qual publicava
artigos sobre economia, literatura e filoso-
fia, estreando, assim, como jornalista. Em
31 de janeiro de 1907, fundou o Colégio
Allan Kardec. Atendeu indistintamente os
mais pobres e os necessitados que o pro-
curavam em busca de ajuda. Foi dedicado
servidor do Cristo até o último instante de
sua vida terrena, por ocasião da gripe espa-
nhola, pandemia que assolou o mundo de
1918 a 1919.
no pai extremoso que instrui; no
apóstolo abnegado que evangeliza
as multidões.
“Ó Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, no amor do esposo; no
afeto do filho; na estima da irmã;
na justiça do justo; na misericór-
dia do indulgente; na fé do homem
piedoso; na esperança dos povos;
na caridade dos bons; na inteireza
dos íntegros.
“Ó Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor! no estro do vate; na elo-
quência do orador; na inspiração
do artista; na santidade do mestre;
na sabedoria do filósofo e nos fogos
eternos do gênio!
“Ó Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor! na flor dos vergéis, na relva
dos vales; no matiz dos campos; na
brisa dos prados; no perfume das
campinas; no murmúrio das fontes;
norumorejodasfranças;namúsica
dos bosques; na placidez dos lagos;
na altivez dos montes; na amplidão
dos oceanos e na majestade do
firmamento!
“Ó Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, nos lindos antélios, no íris
multicor; nas auroras polares; no
argênteo da Lua; no brilho do Sol;
São Paulo/SP
Goiânia/GO
Salvador/BA
Americana/SP
Porto Alegre/RS
IzabelaLobiancoTatianeOliveira
LilianeCardoso
RogérioPaiva
Pedro Periotto
BOA VONTADE 69
Ação Jovem LBV
na fulgência das estrelas; no fulgor
das constelações!
“ÓDeus!Reconheço-voseu,Se-
nhor! na formação das nebulosas;
na origem dos mundos; na gênese
dos sóis; no berço das humanida-
des; na maravilha, no esplendor e
no sublime do Infinito!
“Ó Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, com Jesus, quando ora:
‘Pai Nosso, que estais nos Céus...’
ou com os Anjos quando cantam:
‘Glória a Deus nas Alturas, Paz na
Terra aos Homens [e Mulheres] da
Boa Vontade de Deus’”.
EcompletouodirigentedaLBV:
“Eis aí esta magistral página do
velho Eurípedes. Assim fica mais
fácil entendermos o Amor verda-
deiramente solidário que urge seja
universalizado: o que alimenta,
que educa, que dá segurança, que
proporciona saúde, e que, acima de
tudo, espiritualiza os povos em sua
totalidade”.
Jesus renasce nos corações
de Boa Vontade
Nasequência,odiretor-presidente
da LBV preparou o ambiente para a
Oração Ecumênica do Pai-Nosso e
enfatizou,maisumavez,aimportân-
cia do legado do Cristo Ecumênico
para os povos, citando o seguinte
trecho de seu livro Jesus, a Dor e
a origem de Sua Autoridade, a ser
lançadoembreve:“Jesusnasceere-
nasce todos os dias nos corações de
BoaVontade.Eigualmentevolta,por
antecipação,nasaçõesdascriaturas
que cultivam o seu ideal no Bem”.
Após a prece, para encerrar
sua preleção, desejou que todos
recebessem as bênçãos do Cristo
de Deus.
Nos meses que antecederam
a realização do 39o
Fórum Inter-
nacional do Jovem Ecumênico
Militante da Boa Vontade de
Deus, os integrantes da Juventude
Ecumê­nica participaram de diver-
sos debates, nos quais analisaram
aspectos ambientais, sociais,
culturais e espirituais relativos
ao assunto do referido evento. A
partir dessas discussões surgiu a
música-tema do encontro, A força
da Fraternidade.
Em uma das ações que inte-
gram o fórum, jovens apresenta-
ram as próprias composições no
Festival Internacional de Música
da LBV, por meio das quais se
expressaram e promoveram re-
flexões acerca do tópico em foco.
Além disso, fundamentados no
lema “Compartilhe, comunique,
vivencie”, eles se serviram da
tecnologia em favor da propagação
do ideal da Legião da Boa Vontade
ao utilizar a hashtag #Geração-
Jesus nas mídias sociais. Com o
ato, estas foram tomadas pelos
registros de pessoas de todas as
idades que lutam por um mundo
justo e fraterno.
Cabe mencionar que o fórum
reuniu milhares de participantes
não só no Brasil, mas também em
Nova Jersey, em New Hampshire,
na Flórida, na Carolina do Norte,
em Massachusetts e em Washing-
ton D.C., nos Estados Unidos;
em Montevidéu, no Uruguai; em
Assunção, no Paraguai; em Buenos
Aires, na Argentina; em Coimbra,
em Lisboa e no Porto, em Portugal;
e em Santa Cruz de la Sierra, na
Bolívia.
Debateseatividadesculturais
Nova York (EUA)
Assunção (Paraguai)
Assunção (Paraguai)
Montevidéu (Uruguai)
La Paz (Bolívia)
Fotos:ArquivoBV
70 BOA VONTADE
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ConexãoEmpresarialEvento facilita troca de experiências e geração de negócios
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(2) O diretor-geral da VB Comunicação, jornalista Paulo Cesar de
Oliveira (D), ao lado do representante da LBV, Ronei Ribeiro.
(3) Márcio Utsch (E), diretor-presidente da Alpargatas, com o
representante da LBV e (1) palestrando durante o evento.
as principais lideranças de Minas
Gerais e do país, brindou os pre-
sentes com palestra do diretor-
-presidente daAlpargatas, Márcio
Utsch, acerca do tema “A evolu-
ção da marca Havaianas”. Ele fa-
lou sobre a trajetória da entidade,
as conquistas e os novos desafios
dela, além de apresentar estraté-
gias para o sucesso da empresa:
“Você não pode batalhar todas
as batalhas. A primeira forma de
ganhar é escolher de quais você
deve participar. Há as perdidas...
Você vai entrar na bola dividida
pra quebrar o pé. Olhe no seu
painel de controle: ‘Eu tenho aqui
dez batalhas e posso vencer nestas
sete’. Batalhe nas sete”.
Utsch também afirmou que a
prioridade hoje da Alpargatas é tra-
balhar “nos embates de crescimento
de marca; de rentabilidade; de pere-
nização; de valor de marca; de uma
cultura empresarial que preconiza a
simplicidade, a rapidez; de uma cul-
tura muito próxima e quente com os
clientes,consumidores,fornecedores,
queprivilegiamuitoabrasilidade”.E
concluiu: “Foram essas as batalhas
que a gente escolheu, e, nessas, a
gente venceu”.
1
2 3
Empreendedorismo
72 BOA VONTADE
TERCEIRO
SETORE N C A R T E E S P E C I A L
A nova realidade
do Terceiro Setor........... 74
Articulação social.......... 84
Capacitação e menos
burocracia.................... 87
A nova realidade
do Terceiro Setor
Estudo da Lei no
12.868/13
T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o
por Airton Grazzioli, José Eduardo Sabo Paes e Marcelo Henrique dos Santos
shutterstock.com
74 BOA VONTADE
O
processo de gestão no Terceiro Setor — vale
dizer, dos recursos humanos nele encontrados
— apresenta várias peculiaridades, passando
pelo tipo de serviço prestado, pela coexistência de
diferentes atividades e pela complexidade dos desafios
inerentes à sociedade civil, na medida em que é direito
dela protagonizar com eficiência as tratativas que lhe
dizem respeito, no âmbito social. Mas, sem qualquer
dúvida, o fator mais importante nesse contexto é o ho-
mem, agente fundamental nos processos sociais e, ao
mesmo tempo, objeto de todas as ações de tal natureza.
É fato incontroverso que o Primeiro e Segundo
Setores experimentam sensível retração e até mesmo
certa crítica quanto às motivações de suas ações e
grande discussão sobre seus modelos, especialmente
por causa do adensamento populacional urbano e
da escassez de recursos naturais, que têm produzido
crescente exclusão social. Nessa conjuntura, o Ter-
ceiro Setor tem-se apresentado como uma força viva
José Eduardo Sabo Paes, bacharel
em Direito pela Faculdade de Direito
da Universidade de Brasília (UnB)
e doutor em Direito Constitucional
pela Universidad Complutense de
Madrid. É procurador de Justiça
do Ministério Público do Distrito
Federal e Territórios; membro do
Ministério Público; coordenador
do Núcleo de Estudo e Pesquisa
Avançada no Terceiro Setor (Nepats)
da Universidade Católica de Brasília;
e vice-presidente da Associação
Nacional dos Procuradores e
Promotores de Justiça de Fundações e
Entidades de Interesse Social (Profis).
Marcelo Henrique dos Santos,
bacharel em Direito, especialista em
Processo Civil e Processo Penal pela
Universidade Federal de Goiás (UFG),
especialista em Direito Sanitário
pela Universidade de Brasília (UnB)
e mestre em Ciências Ambientais
pelo Centro Universitário de Anápolis
(UniEvangélica). É membro do
Ministério Público de Goiás, titular
da Promotoria de Fundações e
Entidades de Fins Sociais em Anápolis
e de Defesa da Saúde, além de ser
coordenador do curso de Direito na
UniEvangélica.
apta a concorrer para a mitigação do largo fosso de
miserabilidade que assola nosso país de forma real,
e promove o recrudescimento da insegurança e dos
alarmantes e terríveis aspectos da violência, vistos
não apenas em nossas metrópoles, mas até nas mais
interioranas cidades.
É importante salientar que, sob o enfoque da
segurança na qualidade de política pública, não se
pode descartar a enorme relevância das entidades do
Terceiro Setor, cujas inúmeras interfaces dialogam,
de maneira significativa, com a cidadania inclusiva,
nas áreas e demandas sociais de inegável influência e,
por via indireta, no próprio cenário da criminalidade
e da violência.
Mais incontestável ainda é o fato de ser a adequada
administração dos recursos humanos o fator essencial
para estabelecer estratégias que aproveitem o máximo
de qualificação daqueles que deslocam o amor de seu
coração para o preenchimento das lacunas sociais.
VivianR.Ferreira
JoséGonçalo
Divulgação
Airton Grazzioli, bacharel em
Direito pela Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo (USP) e
especialista em Direitos Difusos e
Coletivos pela Escola Superior do
Ministério Público do Estado de São
Paulo (ESMP-SP). É mestre em Direito
Civil pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP),
membro do Ministério Público do
Estado de São Paulo, promotor de
Justiça, e curador de fundações
de São Paulo e vice-presidente da
Associação Nacional dos Procuradores e
Promotores de Justiça de Fundações e
Entidades de Interesse Social (Profis).
BOA VONTADE 75
Assim, no presente trabalho, pretendemos traçar os
principais pontos referentes à remuneração de dirigen-
tes estatutários e não estatutários das organizações do
Terceiro Setor de assistência social, tema que recebeu
permissão expressa do legislador pátrio e concorre
para suprir lacuna indesejável e tormentosa para os
que atuam nesse setor. Trataremos também de tópicos
relacionados a tal inovação legislativa, entre os quais
a imunidade tributária na percepção constitucional.
Da construção de uma sociedade
mais participativa
O Brasil anda a passos largos, no afã de construir
uma sociedade moderna e efetivamente preocupada
com suas demandas sociais. No entanto, apesar da
ocorrência de um considerável avanço nessa área nas
últimas décadas, a verdade é que o povo brasileiro
ainda convive com muitos problemas, que o afetam
diretamente. O Terceiro Setor, nesse nível, tem sido
importante para a mutação desse panorama, pois a so-
ciedade civil organizada tem fomentado a consciência
crítica de um pensamento uniforme de responsabili-
dade social — mesmo porque não há dúvida de que o
exercício pleno da cidadania é uma forma de melhoria
da qualidade de vida das pessoas e da comunidade
vista de maneira difusa.
Registre-se que, apesar de a democracia estar pre-
sente na maioria das anteriores concepções de Estado,
o cenário atual passa por uma nova roupagem, com a
participaçãopopularnãosomentenoprocessopolítico,
mas também nas decisões do governo e na execução
de políticas públicas, especialmente na área social.
Nessa linha, o Grupo de Trabalho do Marco Regula-
tório do Terceiro Setor, liderado pela Secretaria-Geral
da Presidência da República, iniciou suas atividades
no fim de 2011, com o intuito de implantar uma nova
realidade nas parcerias entre o Poder Público e as
organizações da sociedade civil (OSCs). Objetiva-se,
comoMarcoRegulatório,aconstruçãodeumarelação
entre as OSCs e o Estado que valorize efetivamente
a importância das organizações como parceiras deste
na edificação de uma sociedade justa.
Várias são as frentes que estão sendo trabalhadas
pelo Marco Regulatório, merecendo destaque a que
pretende a edição de novas regras para o repasse de
recursospúblicos,paraasustentabilidadeeparabuscar
novos instrumentos de parceria que verdadeiramente
atendam ao interesse público*1
; e a que trata do “Sim-
ples Social”, da problemática da sustentabilidade das
entidades, do fomento à cultura de doação, dos incen-
tivos fiscais e dos fundos patrimoniais*2
.
Da possibilidade
de remuneração de
dirigentes
Aspectos históricos e normativos
A possibilidade ou não de as instituições sem fins
lucrativos remunerarem seus dirigentes é, sem dúvida
alguma, um dos assuntos de maior interesse e que
geram incertezas nas pessoas que, de alguma forma,
se encontram ligadas às entidades do Terceiro Setor,
seja na condição de dirigentes, seja na condição de
integrantes de algum órgão da pessoa jurídica, seja na
condição de agentes fiscalizadores. De fato, a matéria
não é de fácil compreensão, uma vez que seu completo
entendimento exige análise das legislações tributária
e previdenciária aplicáveis ao contexto e dos títulos e
certificados concedidos pelo Poder Público, além de
outras exigências advindas do próprio ordenamento
jurídico.
Certamente, em seu nascedouro — e, particular-
mente no Brasil, até duas décadas atrás, essa questão
T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o
*1
O Projeto de Lei nº 7.168, de 2014, originado do Projeto de Lei do Senado nº 649/2011 e apensado ao Projeto de Lei nº 3.877/2004,
estabelece o regime jurídico das parcerias voluntárias, envolvendo ou não transferências de recursos financeiros, entre a Administração
Pública e as organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público;
define diretrizes para a política de fomento e de colaboração com organizações da sociedade civil; institui o termo de colaboração e o termo
de fomento; e altera as Leis nº 8.429, de 2 de junho de 1992, e nº 9.790, de 23 de março de 1999. É considerado o marco regulatório
para convênios com entidades sem fins lucrativos. Foi aprovado no Congresso Nacional recentemente e encontra-se em fase de sanção
presidencial. Caso sancionado, tornar-se-á lei.
*2
De acordo com o Projeto de Lei nº 4.663/2012, de autoria da deputada federal Bruna Furlan.
76 BOA VONTADE
não despertava maiores questionamentos, em razão
da pouca dimensão ocupada pelo Terceiro Setor, fato
este que lhe impunha algumas características bastante
singulares,entre elasapreponderânciadovoluntariado
edoespíritoaltruístico,osquaistinham—eaindahoje
têm — grande repercussão na forma de administração
das organizações*3
.
Porém, à medida que o novo modelo de Estado
e a própria sociedade civil organizada imprimiram
maior participação dessas organizações na prestação
de serviços de interesse da comunidade, verificou-se,
de pronto, a necessidade de dar perfil mais profissional
às entidades integrantes doTerceiro Setor, surgindo daí
a questão inerente ao assunto tratado: a imprescindibi-
lidade de que as pessoas jurídicas sem fins lucrativos
remunerem seus administradores.
De fato, quase que como um senso comum, liga-se
a remuneração à ideia de que as pessoas jurídicas sem
fins lucrativos, por terem essa natureza, não podem
ter em seus quadros contratados para geri-las e/ou
administrá-las mediante remuneração. Isso, contudo,
é um grande equívoco, tendo em vista que no direito
brasileiro não há — e nunca houve — dispositivo
legal de vedação do pagamento de remuneração aos
administradores dessas entidades, desde que obser-
vados determinados requisitos e, principalmente, a
possibilidade de pôr em prática essa medida.
A primeira questão que deve ser observada é a de
que a decisão de remunerar ou não os dirigentes deve
estar expressa no respectivo estatuto, ou seja, este
documento deve conter artigo específico prevendo a
possibilidade de remuneração ou, em caso contrário,
vedando-a. Essa exigência é obrigatória em razão do
que se afirmou quanto à inexistência de dispositivo
legal sobre a matéria; portanto, a norma estatutária é
o referencial a ser observado. É fundamental ressaltar
que a omissão de dispositivo portador de norma dessa
natureza não permite qualquer pagamento a título de
remuneração. Porém, antes mesmo dessa previsão
estatutária, devem os dirigentes analisar o custo-
*3
É interessante, para a compreensão do tema, a leitura do capítulo XII, p. 508-511, da obra de José Eduardo Sabo Paes Fundações,
Associações e Entidades de Interesse Social (Rio de Janeiro: Forense, 8ª edição, 2013).
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BOA VONTADE 77
-benefício de adotar tal medida, uma vez que ela tem
repercussão direta nos benefícios fiscais e nos títulos
de que é portadora a pessoa jurídica.
De modo geral, a legislação tributária, sobretudo
a federal, não permite que as entidades remunerem
seus dirigentes e sejam beneficiárias de impostos e
contribuições.
Contornos da jovem Lei nº 12.868
Contornos legais foram implantados com a Lei
nº 12.868, de 15 de outubro de 2013. Essa legislação
modifica o artigo 29 da Lei nº 12.101, de 27 de no-
vembro de 2009, com o propósito de permitir, sem
perda de eventuais benefícios fiscais, a remuneração
dos dirigentes estatutários e dos não estatutários das
organizações do Terceiro Setor de assistência social,
assim definidas as reconhecidas e certificadas como
entidades beneficentes nessa área.
Éimportanteaveriguarespecialmenteseainovação
legislativa, por ter sido introduzida no mundo jurídico
mediante lei ordinária, não conflita com norma cons-
titucional ou com outras normas que lhe sejam supe-
riores. Para tanto, será necessário trazer à discussão
alguns conceitos jurídicos, notadamente os referentes
à imunidade tributária.
Nocontextodaabordagem,saliente-sequesomente
serão consideradas como organizações da sociedade
civil e integrantes do Terceiro Setor as fundações
privadas e as associações de interesse social, a saber:
as entidades cujas ações são de interesse da sociedade
civil, vista de forma difusa, nas áreas educacional,
assistencial, de saúde, cultural etc.
Serãoconsideradoscomodirigentes,igualmente,as
pessoas participantes da alta administração das OSCs.
Estão nesse contexto os responsáveis pela gestão.
Com efeito, a estrutura de poder usual das associações
é composta de uma Assembleia Geral integrada por
todos os associados, de um Conselho Administrativo
e de um Conselho Fiscal (muito embora não obriga-
tórios pela legislação, absolutamente recomendados
pelas melhores regras de governança corporativa) e de
uma Diretoria Executiva, esta incumbida de executar a
gestão.Aestrutura de poder das fundações privadas é
similar, com a coexistência de um Conselho Curador,
de um Conselho Fiscal e de uma Diretoria.
Deve-se considerar, do mesmo modo, porque é
importante para a compreensão do tema, a existência
de duas modalidades de dirigentes: estatutários e não
estatutários.
Dirigentes estatutários e não
estatutários
O dirigente estatutário é aquele cujas atribuições
são definidas no estatuto social e faz parte do centro
de poder principal da OSCs. Sua autonomia de fazer
ou deixar de fazer em nome da organização é defini-
da no estatuto social, evidentemente subordinada à
observância do ordenamento jurídico. Em regra, ele
não tem vínculo empregatício com a OSC e recebe,
como contraprestação aos serviços prestados, uma
T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o
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78 BOA VONTADE
espécie de pró-labore, definido pelo próprio estatuto
ou em deliberação daAssembleia Geral ou do Conse-
lho Administrativo, tratando-se de associação, ou do
Conselho Curador ou de órgão similar, tratando-se de
fundação privada.
O dirigente não estatutário é aquele responsável
pela gestão, cujas atribuições não são necessariamen-
te definidas no estatuto social. Geralmente, ele não
faz parte do centro de poder principal da OSC e tem
vínculo empregatício com esta, em regime celetista.
Como tal, deve manter contrato de emprego com a
organização, atendendo aos requisitos do referido
acordo, quais sejam: a pessoalidade, a subordinação,
a onerosidade e a habitualidade. Nessa condição, deve
ser subordinado a um dos órgãos da estrutura de poder
da OSC e prestar os serviços pessoalmente (não por
meio de pessoa jurídica) e com habitualidade, ou seja,
com jornada regular de trabalho.
Éimperioso considerar, também,apossibilidadedo
exercício de atividade profissional do dirigente, para
execução de tarefas que não se confundem com suas
atribuições enquanto dirigente. É o exercício da ativi-
dade da profissão daquele que ocupa o cargo de gestor.
Esclareça-se, ab initio desde o início, que a pos-
sibilidade de remuneração por tais serviços nunca
enfrentou problemas com a legislação nem mesmo
com os agentes de fiscalização das OSCs, entre os
quais o Ministério Público, o INSS, a Receita Federal
e os Tribunais de Contas.
Para exemplificar o exercício da atividade pro-
fissional dos dirigentes, pode-se citar o caso de uma
OSC com atuação na área de saúde cujo dirigente seja
médicoe,nessacondição,presteserviçosparaaentida-
de. Ou, ainda, o caso de uma OSC cuja atividade seja
educacional e cujo dirigente acumule as funções de
diretor ou de professor na respectiva unidade escolar.A
remuneração por tais atividades, no entanto, não pode
ser destoante do quanto praticado pela organização
para os demais profissionais da mesma categoria.
A possibilidade jurídica da remuneração de diri-
gente não é uma novidade na ordem legal, na medida
em que existe essa possibilidade desde 1999, com a
edição da Lei nº 9.790 para a OSC qualificada como
organização da sociedade civil de interesse público
(Oscip).
O artigo 4º, incisoVI, da lei apontada prevê a possi-
bilidade de instituir remuneração para os dirigentes da
entidade que atuem efetivamente na gestão executiva
e para aqueles que a ela prestem serviços específicos,
respeitados, em ambos os casos, os valores praticados
pelo mercado na região correspondente a sua área de
atuação.
ALei nº 12.868/2013, regulamentada pelo Decreto
nº 8.242/2014, por sua vez, trouxe a possibilidade
da remuneração para os dirigentes das entidades
beneficentes de assistência social que também atuem
efetivamente na gestão executiva, explicitando que a
opção não importará em prejuízo à entidade para fins
tributários. Ainda, como inovação legislativa, ela não
definiu umparâmetro de valor máximo pararemunerar
um diretor não estatutário, mas prescreveu patamar
salarial máximo para o dirigente estatutário.
Porém, muito embora a lei não tenha definido o
valor máximo para remuneração do diretor não es-
tatutário, parece óbvio que a OSC deve respeitar o
padrão salarial praticado pelo mercado em sua área de
atuação e um valor compatível com a política salarial
da própria organização. Em outras palavras, a entidade
não pode remunerar seu diretor não estatutário com
valor superior ao praticado na região para atividades
similares nem com valor excessivamente superior ao
maior salário dos empregados da própria OSC, sob
pena de caracterizar a distribuição de seu patrimônio
de forma disfarçada.
Em relação ao diretor estatutário, por outro lado, a
Lei nº 12.868/2013 foi expressa em estabelecer parâ-
metroslegaisclaroseobjetivos.Comefeito,estabelece
ela que, para preservar o status tributário da entidade,
os “dirigentes estatutários” só devem receber remune-
ração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por
cento) do limite estabelecido para a remuneração dos
servidores do Poder Executivo Federal. Atualmente,
a maior remuneração praticada para os servidores pú-
blicos federais é de R$ 28.059,29.Aremuneração dos
dirigentes, portanto, deve ser inferior a R$ 20.623,57.
Ademais, as mesmas recomendações apresentadas
para o diretor não estatutário valem para o estatutário,
na medida em que, muito embora respeitados os requi-
sitos fixados claramente pela lei, se devem observar
o padrão salarial praticado pelo mercado na área de
BOA VONTADE 79
atuação e um valor compatível com a política salarial
da própria entidade.
O dirigente também, para ser beneficiado com a
possibilidade de remuneração, sem implicações tribu-
tárias para a OSC, não pode ser cônjuge parente até
terceiro grau (sanguíneo ou por afinidade) dos institui-
dores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes. Nesse
rol são incluídos pais, avós, bisavós, filhos, netos,
bisnetos, tios, sobrinhos, sogro, cunhado, enteado etc.
Trata-se de salutar regra, que desestimula o nepotismo
no Terceiro Setor.
A OSC também não pode pagar, a título de remu-
neração de dirigentes (estatutários e não estatutários)
valor igualousuperioracincovezesolimiteindividual
para a remuneração de seus outros empregados.
Anova lei foi clara ao dispor que a remuneração do
dirigente estatutário ou não estatutário não impede o
exercício de atividade profissional cumulativa, salvo
se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho.
O texto legal é importante, pois confere segurança
jurídica para as entidades.
Situação da remuneração no âmbito
da imunidade tributária
Interessante indagar, na sequência, em primeiro
lugar, se a inovação legislativa traz segurança jurídica
para as OSCs de assistência social, especialmente para
remunerar seus dirigentes sem riscos para a imunidade
tributária, e, em segundo lugar, se as novas regras são
constitucionais ou não.
Vejamos, primeiramente, a questão da imunidade
tributária.AConstituição Federal, nesta matéria, pos-
sui a natureza analítica, na medida em que demarca
T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o
competências legislativas. O artigo 195, parágrafo 7º,
dispõe: “São isentas de contribuição para a seguri-
dade social as entidades beneficentes de assistência
social que atendam às exigências estabelecidas em
lei”.
Aimunidade tributária, nesse sentido, é uma garan-
tia constitucional dirigida diretamente ao legislador,
definindo a proibição de exercício da competência
tributária no âmbito do direito material permitido pela
própria Constituição Federal. Em outras palavras, é
uma garantia, com verdadeiro status de direito funda-
mental, declarando a impossibilidade de o legislador
tributar determinado fato.
É questão pacífica na doutrina e na jurisprudên-
cia que, ao utilizar o termo “isenção” no artigo 195
da Constituição, o legislador constituinte quis dizer
“imunidade”. Houve emprego inadequado do termo,
posto que não se questiona tratar-se de imunidade de
contribuições para a seguridade social por parte das
entidades beneficentes de assistência social, atendidos
os requisitos estabelecidos em lei. A imunidade em
questão é vinculante, pois alcança todas as contri-
buições para o custeio da seguridade social, devidas
pelas entidades de assistência social que atendam
aos requisitos estabelecidos em lei. É chamada de
imunidade específica (na medida em que limitada a
um único tributo), objetiva (visto que beneficia as
entidades de assistência social) e condicionada (aos
requisitos definidos em lei).
A Constituição Federal é clara ao dispor que a
garantia constitucional depende do atendimento de
requisitos estabelecidos em lei. A esse propósito, é
imperioso concluir que o artigo 146, inciso II, do
Texto Constitucional prescreve que, para a regulação
da limitação ao poder de tributar imunidade, esta deve
ser feita mediante lei complementar, para disciplinar a
respeito de seu conteúdo. Nesses termos,
“Cabe à lei complementar:
(...)
II — regular as limitações constitucionais ao poder
de tributar”.
Alei complementar, por sua vez, ao regular a imu-
nidade tributária, não tem liberdade plena para tanto.
A regulação não poderá inviabilizar a desoneração
prevista na Constituição. Ela deve tratar de aspectos
A inovação legislativa traz
segurança jurídica para as
OSC(s) de assistência social,
especialmente para remunerar seus
dirigentes sem riscos.
80 BOA VONTADE
Com efeito, tanto para a OSC certificada como
Oscip quanto para a certificada como de “assistência
social”, com dispositivos legais expressos autorizando
a remuneração dos dirigentes, garantiu-se maior segu-
rança jurídica para os administradores.
A clareza do novo texto legislativo também tem
importância singular, pois desmoraliza a tese —
equivocada, conforme anotado — de que a remu-
neração dos dirigentes das organizações sem fins
lucrativos importa em distribuição do patrimônio
ou das rendas. Independentemente de a OSC ser
certificada ou não, quer seja como de utilidade
pública (federal, municipal ou estadual), quer seja
como organização social (OS), quer seja como or-
ganização da sociedade civil de interesse público
(Oscip), quer seja como de assistência social, é
legítima (não só sob a ótica da moral, mas também
da lei) a remuneração do dirigente que efetivamente
preste serviços para a entidade, pois a contrapres-
tação pelo trabalho realizado é valor protegido, até
mesmo constitucionalmente.
No contexto desse exercício de reflexão jurídica,
cabe avançar no debate sobre o segundo aspecto já
antecipado há pouco, ou seja, se as novas regras são
constitucionais ou não. Poder-se-ia indagar se a remu-
neração do dirigente estatutário e não estatutário pode
ser interpretada como distribuição do patrimônio, na
forma prevista no artigo 14, inciso I, do CTN, ou se,
tendo em vista que a Constituição exige lei comple-
mentar para regulamentar a imunidade, pelo fato de
ser lei ordinária, a Lei nº 12.868/2013 teria poder para
tratar da matéria. Por ser lei ordinária, ela garantiria
segurança jurídica para as OSCs aplicarem-na sem
formais, ou seja, elencar medidas capazes de assegurar
a eficácia da imunidade constitucional.
A propósito, a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de
1966 (CódigoTributário Nacional — CTN), foi recep-
cionada pela Constituição Federal de 1988 com status
de lei complementar, uma vez que estabelece normas
gerais em matéria tributária e regulamentar à limitação
constitucional ao poder de tributar. Nesse sentido, é
unânime o entendimento doutrinário e jurisprudencial.
Atualmente, a imunidade tributária garantida no
artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, é
regulamentada pelos artigos 9º e 14 do Código Tribu-
tário Nacional, da seguinte forma:
“Art. 9º — É vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
IV — cobrar imposto sobre:
(...)
c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos
políticos, inclusive suas fundações, das entidades sin-
dicais dos trabalhadores, das instituições de educação
e de assistência social, sem fins lucrativos, observados
os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo.”; e
“Art. 14 — O disposto na alínea c do inciso IV do
artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes
requisitos pelas entidades nele referidas:
I — não distribuírem qualquer parcela de seu pa-
trimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
II — aplicarem integralmente, no País, os seus
recursos na manutenção dos seus objetivos institu-
cionais;
III — manterem escrituração de suas receitas e
despesas em livros revestidos de formalidades capazes
de assegurar sua exatidão”.
As novas regras jurídicas são de relevância superla-
tiva, pois conferem maior segurança para as OSCs de
assistênciasocial(assimentendidasaquelascertificadas
e tituladas como entidades beneficentes de assistência
social), as quais, até pouco tempo, conviviam com en-
tendimentos,muitoemboraequivocados,dealgunsdos
próprios órgãos de fiscalização do Estado, postulando
que a remuneração podia significar distribuição de par-
celadopatrimôniooudasrendas,poisanormaserefere
“a qualquer título”, podendo, em tese, subentender a
contraprestação por atividade de diretor estatutário.
Trata-se de importante passo
na senda positiva para que
as OSCs e seus dirigentes
comecem a ser mais
valorizados.
BOA VONTADE 81
risco de ter a imunidade questionada, especialmente
pelos órgãos de fiscalização?
A esse respeito, para o dirigente no exercício de
sua profissão, o entendimento é uniforme, e não há
divergências, nem mesmo perante os órgãos de fisca-
lização, quanto à possibilidade de remuneração, sem
qualquer implicação para a imunidade ou a isenção
tributárias. Recomenda-se, no entanto, que o estatuto
seja claro a esse respeito, estabelecendo, até mesmo,
o órgão responsável pela fixação da contraprestação
pecuniária pelo trabalho profissional.
Para o dirigente não estatutário, é importante ob-
servar, ainda, que ele deve ter vínculo empregatício
sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT). Muito embora não tenham sido fixados parâ-
metros pela Lei nº 12.868/2013, é de rigor também
atentar para quanto foi recomendado anteriormente.
Para o dirigente estatutário, imperioso é o cumpri-
mento do padrão remuneratório da região e da própria
OSC, além daqueles regramentos definidos pela Lei
nº 12.868/2013.
Ainda no âmbito do debate sobre a constitucio-
nalidade da lei em foco, é muito importante destacar
que, até recentemente, vigoravam termos da Lei nº
12.101/2009, que, em seu artigo 29, inciso I, expressa-
mentevedavaaremuneraçãodosdirigentes.Tratava-se
de uma norma de conteúdo negativo.
Cabe ressaltar também que a inovação legislativa
trazida pela Lei nº 12.868/2013, de forma diametral-
mente oposta, autoriza, de modo expresso, a remune-
raçãomediantenormadeconteúdopositivo.Emoutras
palavras: enquanto antes se proibia a remuneração,
hoje se a permite de maneira explícita. Mais: enquanto
antesaopçãodolegisladoreraporumanormanegativa
(proibitiva), hoje a escolha é por uma norma positiva
(com conteúdo de permissão).
Em tal contexto, muito embora o SupremoTribunal
Federal ainda não se tenha pronunciado definitivamen-
te*4
, por causa da composição integral de seus minis-
tros, sobre a possibilidade ou não de a lei ordinária
regular imunidade tributária, o Texto Constitucional
é claro nesse sentido, e é certo que já há posiciona-
mento parcial da Suprema Corte que permite concluir
a respeito da constitucionalidade da lei em comento.
Aessepropósito,oSTFpronunciou-senestesentido:
— os requisitos para constituição e funcionamento
das entidades imunes podem ser regulados por lei
ordinária; e
— os limites e requisitos da imunidade devem ser
regulados por lei complementar*5
.
T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o
*4
Ressalte-se que, em 4 de junho de 2014, foi iniciado o julgamento de um conjunto de processos em que são questionadas as regras
sobre a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social. Começaram a ser julgados, com quatro votos proferidos em
favor dos contribuintes, o Recurso Extraordinário (RE) nº 566.622, com repercussão geral reconhecida, e as Ações Diretas de Inconstitu-
cionalidade (ADIs) nos
2.028, 2.036, 2.228 e 2.621. As ações, movidas por hospitais e entidades de classe das áreas de ensino e saúde,
questionam modificações introduzidas no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, trazendo novas exigências para a concessão da imunidade. O
ministro Marco Aurélio, relator do RE 566.622, votou no sentido de dar provimento ao recurso interposto por um hospital de Parobé/RS e
foi acompanhado pelos ministros Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso, havendo, em seguida, pedido de vista do mi-
nistro Teori Zavascki. O relator das ADIs, ministro Joaquim Barbosa, julgou parcialmente procedente as ações, reconhecendo a inconstitu-
cionalidade da quase totalidade dos dispositivos impugnados, e foi acompanhado por Cármen Lúcia e Roberto Barroso. Houve o pedido de
vista do ministro Teori Zavascki também nas ADIs. Segundo o entendimento adotado pelos ministros que já se manifestaram, as restrições
inseridas na legislação relativa à imunidade para entidades beneficentes e de assistência social não poderiam ter sido introduzidas por lei
ordinária, mas por lei complementar. De acordo com o artigo 146, inciso II, da Constituição Federal, cabe à lei complementar regular as
limitações constitucionais ao poder de tributar.
*5
RE no
93.770/RJ, relatado pelo ministro Soarez Munhoz, julgado em 17 de março de 1981 e publicado no DJ de 3 de abril de 1981,
p. 02.857.
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82 BOA VONTADE
Na mesma linha é a orientação firme da doutrina*6
.
Portanto, pode-se concluir que, enquanto a proi-
bição de remunerar os dirigentes das OSCs seja um
requisito para usufruir da imunidade tributária e,
por isso, deve vir ao mundo jurídico por meio de lei
complementar, a permissão para o pagamento é mero
requisito de funcionamento de entidade imune e, como
tal, pode ser tratada em lei ordinária.
Há, pois, segurança jurídica, atualmente, para a
remuneração dos dirigentes das OSCs tituladas como
Oscips,porforçadasdisposiçõesdaLeinº9.790/1999,
assim também para as OSCs tituladas como “entidades
de assistência social”, ante a autorização expressa
contida na Lei nº 12.868/2013.
Trata-se, pois, de importante e salutar norma
jurídica, que veio à realidade por meio do Marco
Regulatório do Terceiro Setor, na qualidade de ins-
trumento de conformação das OSCs como parceiras
imprescindíveis do Poder Público na execução de
políticas sociais.
Permite-se verificar, nesse contexto, que há se-
gurança jurídica para a remuneração dos dirigentes,
estatutários e não estatutários, das OSCs certificadas
como de assistência social, sem que a iniciativa possa
ensejar prejuízos à imunidade ou à isenção tributárias.
Conclusões
O Terceiro Setor vivencia no Brasil uma fase de
grande e significativo crescimento, assumindo papel
de relevo na construção de uma sociedade mais parti-
cipativa. Essa mutação, em verdade, vem ocorrendo
especialmente nos últimos trinta anos, de forma mais
acentuada nesta década.
Esseprocessodemudança,porsuavez,temexigido
dasOSCsumnovoperfildegestãoe,consequentemen-
te, a possibilidade de angariar gestores profissionais,
que necessitam do pertinente pagamento.
No contexto da elaboração de um Marco Regula-
tório do Terceiro Setor e entre inúmeras outras ini-
ciativas em discussão e construção, a possibilidade
de remuneração dos dirigentes, estatutários e não
estatutários, das OSCs certificadas como entidades
de assistência social, sem prejuízo à imunidade e
à isenção tributárias, é instrumento que veio em
boa hora. Ademais, trata-se de importante passo na
senda positiva para que as OSCs e seus dirigentes
comecem a ser mais valorizados e identificados
como vetores relevantes da desobstrução dos en-
traves que as têm posto em situação de insegurança
jurídica e social.
Tal situação é absolutamente equivocada e ina-
propriada, notadamente quando se pensa na extrema
necessidade de fortalecer vínculos para a edificação de
uma sociedade, de fato, menos injusta e mais solidária,
não apenas como retórica vã, mas como anseio sincero
e impostergável.
Referências bibliográficas
PL no
7.168, de 2014, originado do PLS nº 649/2011
e apensado ao PL nº 3.877/2004.
PL no
4.663/2012, de autoria da deputada Bruna
Furlan.
PAES, José Eduardo Paes Sabo. Fundações, Asso-
ciações e Entidades de Interesse Social. Rio de
Janeiro: Forense, 8ª edição, 2013.
Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013.
Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009.
Decreto nº 8.242/2014.
BOTTALLO, Eduardo. Imunidade de instituições de
educação e de assistência social e lei ordinária: um
intrincadoconfronto.In:ROCHA,ValdirdeOliveira
(coord.).Impostoderenda:alteraçõesfundamentais.
V. 2. São Paulo: Dialética, 1998, p. 58.
*6
BOTTALLO, Eduardo. Imunidade de instituições de educação e de assistência social e lei ordinária: um intrincado confronto. In: ROCHA,
Valdir de Oliveira (coord.). Imposto de renda: alterações fundamentais. V. 2. São Paulo: Dialética, 1998, p. 58.
A clareza do texto legislativo
desmoraliza a tese de que a
remuneração dos dirigentes das
organizações sem fins lucrativos
importa em distribuição do
patrimônio ou das rendas.
BOA VONTADE 83
Da esquerda para a direita: Marcelo Henrique dos Santos, presidente da PROFIS; Sueli Maria Baliza Dias, secretária
municipal de Educação de Belo Horizonte; Valma Leite da Cunha, presidente da CAO-TS; Carlos André Mariani
Bitencourtt, procurador geral de Justiça do Estado de Minas Gerais; Renata Vilhena, secretária de Estado de Planejamento
e Gestão; Tomáz de Aquino Resende, presidente do Conselho Consultivo CeMAIS; Luiz Antônio Sasdelli Prudente,
corregedor geral do Ministério Público de Minas Gerais; Marisa Seoane Rio Resende, presidente do CeMAIS; Leonardo
Leopoldo Costa Coelho, presidente da FUNDAMIG; Dora Silva, presidente da CEBRAF — Confederação Brasileira de
Fundações; e Paulo Stumpf, diretor da Escola Superior Dom Helder Câmara.
O
Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais
(CeMAIS), de parceria com a Federação
Mineira de Fundações eAssociações de Di-
reito Privado (Fundamig) e aliado ao Centro deApoio
Operacional às Alianças Intersetoriais do Ministério
Público de Minas Gerais (CAO-TS), realizou em 2
e 3 de junho de 2014, no auditório da Escola Supe-
rior Dom Helder Câmara, o 10º Encontro Nacional
do Terceiro Setor. Representantes de organizações
Articulação
social
E S P E C I A L T E R C E I R O S E T O R — E n c o n t r o N a c i o n a l d o Te r c e i r o S e t o r
Em sua décima edição, Encontro Nacional do Terceiro Setor
comemora uma década de fomento ao setor e consolida-se como
importante ferramenta para a expansão da intersetorialidade.
Elvira Trindade
sociais e das áreas empresarial, jurídica e governa-
mental participaram do evento, que incluiu em sua
programação debates acerca do tema “Agenda de
Cooperação Intersetorial”.
Na oportunidade, a Associação Nacional dos
Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações
e Entidades de Interesse Social (Profis) reuniu pro-
fissionais do Ministério Público de diversos Estados
a fim de traçar estratégias que contribuam para uma
GlênioCampregher
84 BOA VONTADE
atuação segura e transparente do Terceiro Setor.
“É imprescindível que haja um marco legal que
disponha com clareza a respeito da autonomia das
entidades, da transparência na utilização de recursos
públicos. E mais: que as entidades tenham liberdade
para melhor fazer uso desses recursos, liberdade
com responsabilidade. Os membros do Ministério
Público entendem também que a sustentabilidade
é imprescindível. É preciso aprimorar as parcerias
com o Estado (o Primeiro Setor) e
com o mercado (o Segundo Setor)”,
declarou o procurador de Justiça do
Ministério Público do Distrito Fe-
deral, dr. José Eduardo Sabo Paes.
O promotor de Justiça de Funda-
ções do Ministério Público de São
Paulo, dr. Airton Grazzioli, ressaltou a importância
do desenvolvimento de práticas que impulsionem a
articulação social entre as empresas privadas, o Poder
Público e a sociedade civil organizada. “Há uma
`conspiração mineira` em favor do
Bem, tentando pautar uma política
de alianças intersetoriais, para que
se construa um ambiente social, em
termos de gestão, e um ambiente
jurídico com segurança, para que
as entidades possam bem cumprir
as suas finalidades”, acrescentou.
Para a diretora-presidente do CeMAIS, Marisa
Seoane, uma das organizadoras do 10o
Encontro Na-
cional do Terceiro Setor, “o evento foi todo pensado
para proporcionar aos três setores [empresarial,
social e governamental] esse espa-
ço de diálogo, para que as ações
sejam feitas cada vez mais em
conjunto”. Ela concluiu: “Todos
precisam reunir recursos, compe-
tências, conhecimentos, para que
a sociedade avance”.
“A gente vê a grande necessidade
que existe no Terceiro Setor de
qualificação, profissionalização.
Profissionalizar é uma palavra de
ordem.”
Sueli Baliza
Secretária de Educação de Belo Horizonte/MG
Dr.JoséEduardoSaboPaes
Dr. Airton Grazzioli
Marisa Seoane
Márcia Cristina Alves, Comitê Local de Proteção à Criança em Grandes Eventos/Conselho Municipal dos Direitos da Criança
e do Adolescente; Ilveu Cosme Dias, Centro de Promoção e Assistência Social Ana Bernardina — Cepas; Fábio Cezar Aidar
Beneduce, Instituto Tecnológico e Vocacional Avançado — ITEVA; Coordenação da mesa: Leila Ferreira, jornalista; Marisa
Seoane Rio Resende, Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais — CeMAIS; e Sueli Baliza, Secretária Municipal de Educação.
Fotos:MônicaMendes
BOA VONTADE 85
temente ao assunto. “A gente vive
de transparência, de credibilidade.
Não teríamos 200 mil voluntários
no Brasil se o pessoal não acre-
ditasse que estamos aplicando o
recurso de uma maneira honesta,
transparente e com resultados.
(...) A prestação de contas da Pastoral, há mais de
20 anos, é sempre igual, a mais rígida possível”,
afirmou.
Presente também ao acontecimento, a secretária
estadual de Planejamento e Gestão de Minas Gerais,
RenataVilhena, salientou: “Desde
2003, temos uma legislação que
nos permite fazer parcerias com o
Terceiro Setor. (...) Este encontro já
se tornou um local onde experiên-
cias são trocadas. Há um intercâm-
bio muito grande de informações,
de novidades, de dificuldades que foram superadas.
Isso é importante para que nós possamos avançar”.
Os palestrantes ainda destacaram a necessidade de
as organizações investirem em transparência, gestão
profissional e sustentabilidade para o fortalecimento
do próprio setor. Sobre a questão, comentou a dra.
Valma Leite da Cunha, promotora
de Justiça de Fundações da capital
mineira: “Que as entidades criem
suas próprias receitas e tenham a
preocupação com a gestão profis-
sional, a qualificação, a ética e a
transparência”. Valma da Cunha
Renata Vilhena
“O Terceiro Setor é essa força
pujante, geradora de emprego e
renda, de atendimento de demandas
vocacionais, assistenciais (...). Ele é
o grande mobilizador, é o que tem
a força e a capilaridade de fazer
as coisas mudarem no núcleo dos
bairros, das vilas, das cidades. (...) A
Legião da Boa Vontade dá o exemplo
de que basta a gente se unir e se
esforçar para mudar a realidade.”
Dr. Tomáz de Aquino Resende
Advogado e ex-procurador de Justiça
Nelson Neumann
Otávio Martins Maia, Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão de Minas Gerais — SEPLAG; Coordenação da mesa: Luiz
Fernando Rocha, jornalista; Luiz Guilherme Gomes, Fiat Chrysler América Latina; Thiago Alvim, Nexo Investimento
Social; Luzia Fernandes Fortes, Obras Sociais da Pampulha; e Janice Salomão de Andrade, Conviver Saber Social.
Com vasta experiência em gestão profissional
e transparência institucional, o coordenador nacio-
nal adjunto da Pastoral da Criança, Nelson Arns
Neumann, compartilhou o êxito da entidade referen-
Fotos:MônicaMendes
E S P E C I A L T E R C E I R O S E T O R — E n c o n t r o N a c i o n a l d o Te r c e i r o S e t o r
86 BOA VONTADE
shutterstock.com
O
Ministério Público do Distrito Federal e Ter-
ritórios (MPDFT) e o Conselho Regional de
Contabilidade do Distrito Federal (CRC-DF)
promoveram, em 24 de junho, o seminário Terceiro
Setor: Participação Social e Transparência. O
evento reuniu mais de 130 pessoas entre procurado-
res e promotores de Justiça, profissionais contábeis
e representantes de organizações sem fins lucrativos
da região, para debater como as entidades podem
apresentar as contas do trabalho realizado à socieda-
de e de que forma o Ministério Público e os órgãos
fiscalizatórios podem colaborar para que a prestação
de contas seja simplificada.
Para o dr. José Eduardo Sabo Paes, procurador
de Justiça do MPDFT, o dever do Ministério Público
não é só fiscalizar, “mas acompanhar e amparar
essas entidades, entender o que estão fazendo, com-
plementando e até suplementando atividades estatais
nas áreas da saúde, da educação e da assistência”.
O procurador destacou também a presença das Insti-
tuições da Boa Vontade nesses debates: “Esse evento
está sendo apoiado pela LBV e pela Fundação José
de Paiva Netto, que são integrantes desse grande
escopo social, sem o qual a reconstrução do Terceiro
Setor não existiria”.
Realizado na sede do MP, o seminário contou
com quatro painéis temáticos por meio dos quais
representantes dos setores envolvidos e entidades
sociais expuseram as principais normas e demandas
atuais da área. O representante da procuradoria geral
do MPDFT, dr. Gladaniel Palmeira de Carvalho,
observou que tanto “o Ministério Público como o
Estado têm a preocupação de fomentar as boas ações,
Capacitação
e menos burocraciaSeminário debate prestação de contas mais eficiente e simplificada
de fazer com que a sociedade perceba o quanto o
Terceiro Setor é importante”.
Para a promotora de Justiça de Fundações do
MPDFT, dra. Rosana Viegas e Carvalho, “uma das
fragilidades das entidades é com relação à prestação
de contas. Muitas vezes, elas ficam com problemas
contábeis por desconhecimento. Daí o Ministério
Público, de parceria com o Conselho Regional de
Contabilidade, ter firmado um termo de cooperação
para ajudar na capacitação contábil das entidades”.
Nesse sentido, a presidente do Conselho Regional
de Contabilidade do Distrito Federal, Sandra Maria
Batista, ressaltou: “Vejo que a maior dificuldade dos
contabilistas não é a parte técnica, mas compreender
melhor os gestores da entidade, que têm uma lingua-
gem e uma forma próprias de agir. Hoje a prestação
de contas é uma exigência não só dos órgãos fisca-
lizatórios, mas da sociedade e dos doadores — ela
está associada até à sobrevivência da entidade”.
Da mesma forma, os palestrantes Vilson Ma-
galhães, analista de Contabilidade e perito, e o
dr. Thiago Pierobom, coordenador do Núcleo de
Direitos Humanos, ambos expositores do MPDFT,
falaram das recentes atualizações nas regras rela-
tivas às prestações de contas. “As Portarias 303 e
304 representam as alterações das Portarias 445 e
448 (...). O principal foco delas é a simplificação da
documentação exigida para a prestação de contas”,
explicou Vilson. Segundo Thiago, isso fará com “que
as entidades recebam todas as informações em um
único momento [para] que possam, adequadamente,
se preparar para cumprir toda a atividade de pres-
tação de contas sem burocracia”.
BOA VONTADE 87
Abradeepremia as melhores
16a
edição do Prêmio Abradee destaca eficiência
das distribuidoras de energia elétrica no país
Texto e fotos: José Gonçalo
A partir da esquerda, compuseram a mesa da entrega do prêmio: Francisco Anuatti, coordenador de Projetos da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Luiz Barata, presidente do Conselho de Administração e superintendente da
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico
(ONS); José Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Márcio Zimmermann,
secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME); Nelson Fonseca, presidente da Associação Brasileira de
Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee); Romeu Rufino, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
Jairo Martins, superintendente-geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ); Mauricio Tolmasquim, presidente da
Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Ludimila Calijorne, diretora de Pesquisas de Mercado do Instituto Innovare.
Responsabilidade social
16o
Prêmio Abradee
A
Associação Brasileira de
Distribuidores de Ener-
gia Elétrica (Abradee)
realizou, em 17 de julho, a 16a
edição do Prêmio Abradee. O
mais respeitado reconhecimento
do setor elétrico brasileiro, uma
forma de estimular a cooperação
e a melhoria da gestão das dis-
tribuidoras associadas (estatais e
privadas), que, em conjunto, são
responsáveis pelo atendimento de
aproximadamente 98% dos consu-
midores. A cerimônia de entrega
dos troféus ocorreu no auditório
88 BOA VONTADE
Empresas com até 500 mil consumidores
•	Responsabilidade Social: Companhia Nacional de Energia Elétrica;
•	Avaliação pelo Cliente: Companhia Nacional de Energia Elétrica;
•	Gestão Operacional: CPFL Leste;
•	Abradee Nacional: Companhia Nacional de Energia Elétrica.
Empresas com mais de 500 mil consumidores
•	Abradee Nacional: Elektro;
•	Região Sul: RGE;
•	Regiões Norte/Centro-Oeste: Enersul;
•	Região Nordeste: Energisa Paraíba;
•	Responsabilidade Social: Elektro e Coelce;
•	Qualidade da Gestão: Elektro;
•	Avaliação pelo Cliente: Copel;
•	Gestão Operacional: CPFL Paulista, CPFL Piratininga e Elektro;
•	Gestão Econômico-Financeira: Cosern e CPFL Paulista;
•	Evolução de Desempenho: Energisa Paraíba.
da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), em Brasília/DF.
Este ano, a Fundação Nacional
da Qualidade (FNQ), o Instituto
Innovare de Pesquisa Opinião e
Mercado, a Fundação Instituto de
Pesquisa Econômicas (Fipe) e o
Instituto Ethos foram responsáveis
por avaliar a prestação de serviço
das 46 distribuidoras de energia
elétrica associadas.
Entre as empresas com mais de
500 mil consumidores de distri-
buição, a premiação máxima ficou
com a Elektro, de São Paulo, com
destaque nas categorias “Respon-
sabilidade Social”, “Qualidade da
Gestão” e “Gestão Operacional”.
Já as com até 500 mil unidades
consumidorasespalhadaspeloBrasil,
agrandevencedorafoiaCompanhia
Nacional de Energia Elétrica de São
Paulo, que recebeu a premiação em
trêscategorias:“AbradeeNacional”,
“ResponsabilidadeSocial”e“Avalia-
ção pelo Cliente”.
No grupo das distribuidoras de
menor porte, o Prêmio Abradee de
Gestão Operacional ficou com a
CPFL Leste, do interior paulista.
Com o prêmio Abradee Região
Norte/Centro-Oeste, a Enersul foi
escolhida, representando o estado
sul-mato-grossense.
Entre as perso-
nalidades que par-
ticiparam da ceri-
mônia, marcaram
presença Romeu
Rufino, diretor-
-geral da Agência
Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) e o secretário-executivo
do Ministério de Minas e Ener-
gia, e Márcio Zimmermann,
Vencedoras em cada categoria
que ressaltou: “O Prêmio
Abradee é um dos eventos
mais importantes do setor
elétrico. (...) Esta é uma
disputa saudável, que só
traz melhorias”.
Na oportunidade, o pre-
sidentedaAbradee,NelsonFonseca
Leite, parabenizou no seu discurso
as distribuidoras pelo melhor re-
sultado desde 1999 na Pesquisa de
Satisfação do Cliente Re-
sidencial. “Mesmo com as
adversidades vividas pelas
distribuidoras em 2013 e
2014, principalmente com
a situação conjuntural do
cenário hidrológico que
elevousubstancialmenteasdespesas
com a compra de energia, os inves-
timentos na melhoria da qualidade
foram mantidos”, disse.
Márcio Zimmermann
Romeu Rufino
O presidente
da Abradee,
Nelson
Fonseca Leite
(C), ladeado
por Sidemar
de Almeida
(E) e Paulo
Medeiros,
representantes
da LBV que
prestigiaram o
evento.
BOA VONTADE 89
Educação em Debate
como estratégia de
aprendizagem
Mobilização
Educadores do Brasil e de diversos países marcam
presença em congresso de educação da LBV.
Mariane de Oliveira Luz | Fotos: Vivian R. Ferreira
13o
Congresso Internacional de Educação da LBV
BOA VONTADE 93
O
correu, entre 30 de julho e 1º
de agosto, o 13º Congresso
Internacional de Educação da
LBV, que tem o objetivo de con-
tribuir para a formação continuada
de docentes, discentes, pesquisa-
dores e profissionais da educação
e de áreas afins, bem como para
o impulsionamento de um ensino
que alie à qualidade pedagógica a
Espiritualidade Ecumênica, cujos
valores ajudam na construção da
Cultura de Paz. No decorrer de três
dias, os congressistas, originários
de diversas cidades brasileiras e do
exterior, participaram, no Espaço
Cultural e Ecumênico da Religião
de Deus, do Cristo e do Espírito
Santo e no Conjunto Educacional
Boa Vontade — ambos localizados
em São Paulo/SP —, de palestras e
oficinaspedagógicasacercadotema
“Mobilização como estratégia de
aprendizagem: uma visão além do
intelecto”.
Durante a cerimônia de abertura
Educação em Debate
“Vou contar um pouco da minha história de vida, comum à
maioria dos professores. (...) Comecei a ser professora muito jovem,
praticamente criança, ajudando algumas pessoas da redondeza
da minha rua que tinham alguma dificuldade. Minha casa
vivia cheia de crianças que queriam saber alguma coisa
a mais do que a escola dizia. Era pelo teatro que eu
me comunicava com elas.
“Odiei a escola. Comecei a gostar um pouco quan-
do fiz o ensino médio, porque tive uma professora de
Psicologia que falava sobre assuntos que me interes-
savam e que não havia aprendido na escola. Ela falava
de sonhos, da importância deles. Dizia: ‘Conte alguns
dos seus sonhos para a classe’. E, naquele compartilhar
de sonhos, ela ganhou a turma. Fiquei extremamente im-
pressionada com aquilo.
“Quando me tornei professora de pré-escola, desenvolvi essa
mesma técnica com os meus alunos e ia anotando os sonhos deles.
Depois de um tempo, percebi que tinha um material fantástico, que
eram os sonhos daquelas crianças, que poderiam se transformar em
ensinamentos, a serem divulgados para os pais. Muito mais tarde,
decidi colocar esse trabalho no papel. Foi aí que nasceu o livro Tá
pronto seu lobo: didática prática na pré-escola.
“Essa professora me marcou para o resto da vida. Nunca imaginei
que aquilo que ela fazia pudesse ser teoria, e da melhor qualidade.
(...) Continuei contando sonhos e fazendo com que os meus alunos
contem sonhos. (...)”
Ivani Catarina Arantes Fazenda
Professora doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP),
mestre em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC-SP) e livre-docente em Didática pela Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e pesquisadora da Unesco.
Dividindo sonhos
“Estar aqui [na LBV] é a realização de um sonho
maior, vir a um lugar que eu admiro. Estou
felicíssima. (...) Quando venho à LBV, vejo que
é possível [trabalhar com os bons valores]. (...)
Espero que vocês continuem divulgando o Bem e
criando ilhas de Paz neste mundo tão conturbado,
em que a Paz é rara. Aqui ela existe.”
doevento,AlziroPaolottidePaiva,
representando o educador José de
Paiva Netto, diretor-presidente da
Legião da Boa Vontade e criador
da Pedagogia do Afeto (dirigida a
crianças de até os 10 anos de
idade) e da Pedagogia
do Cidadão Ecumê-
nico (que abrange
a educação de in-
divíduos a partir
dos11anos),cum-
primentou os pre-
sentes. “Minhas
cordiais saudações
a vocês, que transfor-
mam vidas diariamente.
Muito nos honra poder contar
com a participação dos senhores
e das senhoras, que comparecem
para dar um brilho todo especial
à nossa abertura, cuja finalidade
é compartilhar experiências peda-
gógicas de sucesso, que julgamos
de fundamental importância nos
tempos de grandes transformações
pelas quais passa a Humanidade”,
salientou.
Na sequência, a diretora do
Conjunto Educacional BoaVontade
e supervisora da linha pedagógica
da LBV, Suelí Periotto, destacou:
“Na pedagogia da LBV, temos
Jesus como referência de educador.
Conforme apregoa o criador dessa
pedagogia,oCristoénossoexemplo
de educador, falava aos desiguais;
por meio de parábolas, se comuni-
cava com ʻalunosʼ tão diferentes,
letrados ou não”. Ela completou:
“Quando a gente mobiliza e con-
quista a atenção do educando, a
aprendizagem de qualquer saber se
torna significativa. Por isso, vamos
trazer nesses dias de congresso di-
BOA VONTADE 95
Educação em Debate
versificadas sugestões de como
mobilizar a sala de aula”.
O público acom-
panhou também a
palestra da profes-
sora Ivani Cata-
rina Arantes Fa-
zenda, doutora em
Antropologia pela
Universidade de São
Paulo(USP),mestreem
Filosofia da Educação pela
PontifíciaUniversidadeCatólica
de São Paulo (PUC-SP) e livre-do-
centeemDidáticapelaUniversidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho (Unesp). Ela, que é pesqui-
sadora da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a
CiênciaeaCultura(Unes-
co),desde1986,abriuo
ciclo de palestras da
13ª edição do con-
gresso (leia trechos
no boxe). Logo nas
palavras iniciais, a
educadora fez ques-
tãodecumprimentaro
dirigente da Instituição,
propositor desse espaço de
reflexão.“Odesejomaiormeuéo
abraço compartilhado com o Paiva
Netto, um queridíssimo amigo com
quemtenhodialogado,muitasvezes
ànoite,naleituradeseustextos.(...)
Não teríamos jamais este auditório
lotado se não houvesse o sonho
dele. Contudo, entre o sonho e a
realidade, há o esforço, o processo
científico, não de uma ciência só do
intelecto, mas a que permite o sen-
timento, como vemos na Pedagogia
da LBV”, declarou.
Aindanodiscurso,compartilhou
com todos a vasta experiência na
“Se você me pergunta ‘O que posso fazer para ajudar
o meu aluno a viver melhor?’, já fico feliz, porque a sua
preocupação não pode ser só com os conteúdos. A escola
tem de fazer com que o estudante viva melhor. Mas
como? Começa com o seu olhar humano.
“Para ter esse olhar, você pode manter quatro
‘as’ na sua vida. O primeiro, vou tirar desta frase do
Paiva Netto: ‘Façamos tudo com Amor e Verdade, e o
trabalho ficará para todo o sempre’. Falou em Amor, já
deu certo. (...)
“O segundo ‘a’ é Alegria. Quando a gente se sente alegre,
o corpo libera substâncias que são positivas. Por que a escola tem
de ser chata? Por que o professor tem de ser sério, não fazer brincadeiras?
Ele pode e deve. (...)
“Autoestima é outro ‘a’ importante. Melhore a autoestima do seu aluno.
(...) Paulo Freire falava das ‘escolas gaiolas’ e das ‘escolas asas’. Você
prende o aluno no seu raciocínio ou o deixa voar e criar coisas? Pense nisso!
“E tem o ‘a’ de atenção. Todos nós queremos atenção. (...) Se pararem
para analisar, todo mundo é carente hoje em dia. O aluno é a mesma coisa.
“Não se esqueçam destes quatro ‘as’: Amor, alegria, autoestima e
atenção. Se você se preocupa com a formação do homem, uma citação
do poeta Carlos Drummond de Andrade: ‘(...) Se é triste ver meninos sem
escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados, em salas sem ar,
com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem’. Até porque
a educação tem de ser uma ajuda para a vida. Quem disse isso foi Maria
Montessori.”
Valéria Bussola Martins
Professora doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
Educação para uma
vida melhor
“É de grande importância para o Brasil que
uma entidade como a LBV, que tem largo
campo de ação em todo o nosso país,
possa trazer grandes especialistas
de todo o Brasil e de fora para se
debruçar sobre aquilo que é patrimônio
de toda a Humanidade: Cultura e Paz.”
Dr. Nelson Calandra
Desembargador
96 BOA VONTADE
áreadaeducação,mostrandoovalor
de mobilizar e de levar o estudante
a gostar do conteúdo ensinado.
“Quando você acredita em alguém
e oferece a ele a oportunidade, con-
segue mover multidões. (...) Então,
esteBrasiltemjeito,porqueaspes-
soas vibram e, por isso, criam
e inovam. Foi isso que eu vi
em cada cômodo da LBV,
em cada sala que visitei,
em cada criança acolhida,
emcadarefeiçãoqueeuvi”,
comentou.
Presente ao encontro, o
diretor da Editora Cortez, José
XavierCortez, ressaltou a atuação
da Legião da Boa Vontade na área
educacional. “Sabemos que educa-
ção é a base de tudo. Quero para-
benizar a LBV por este evento in-
ternacional. (...) Tenho a felicidade
de poder beber das discussões que
estão sendo feitas neste evento. Não
tenho dúvidas: ensinar às crianças
desde cedo a Cultura de Paz tem
uma importância grande para o
desenvolvimento do ser humano. O
que vimos aqui cria em nós uma ex-
pectativa muito boa de que, como a
professora Ivani falou, o Brasil tem
jeito. Fico agradecido a vocês por
maisesteevento,quefazcom
que o nosso país cresça e
se conscientize.”
O desembargador
Nelson Calandra
esteveigualmenteno
congresso, represen-
tandoopresidentedo
Tribunal de Justiça de
São Paulo, o desembar-
gadorJoséRenatoNalini.
Calandraafirmouqueoensino,
“nassuasmaisdiversasvertentes,é
“A educação com Espiritualidade Ecumênica
busca o que há dentro do Espírito Eterno de
cada indivíduo, uma bagagem que ele já pos-
sui e que agrega ao conhecimento que os
educadores mediam. Alguém pode conside-
rar que pessoas espiritualizadas devam ser
passivas, sem criticidade e que aceitam tudo
o que ouvem. Pelo contrário. Hoje, o que a
gente não quer são alunos passivos. Para isso,
a Espiritualidade Ecumênica é determinante,
porque, quando o coração de uma criança e de um
jovem é enriquecido com valores éticos, ecumênicos
e espirituais, maior facilidade eles têm de lidar com os desafios,
para dizer ‘não’ à droga, à marginalidade, a tantas coisas a que,
infelizmente, está sujeita. Educar com Espiritualidade Ecumênica é
enriquecer o interior do educando, levando-o a um saber solidário.
O educador Paiva Netto diz que ‘Espiritualidade Ecumênica depre-
ende ética no seu mais exalçado sentido e correspondente ação’.”
Suelí Periotto
Supervisora da linha pedagógica da LBV e diretora do Conjunto
Educacional Boa Vontade (formado pela Supercreche Jesus e pelo
Instituto de Educação José de Paiva Netto), localizado na capital
paulista, e doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP)
“Vocês já devem ter ouvido falar da ‘geração nem-nem’,
que corresponde a um percentual de jovens no Brasil
que nem estuda, nem trabalha. São pessoas que não
se sentem atraídas pela escola e que, por causa da
baixa qualificação, são impedidas de ocupar vagas
no mercado de trabalho. Como é que a gente faz
para despertar o interesse desses jovens para que
não se sintam afastados pela escola? (...) É preciso
fazer com que o educando coloque a ‘mão na mas-
sa’, que se veja como protagonista do aprendizado.
Trabalhar com histórias, teatro, vídeos é outra prática
bem-sucedida que contribui para a mobilização.”
Daniel Guimarães
Professor e cientista social
Uma visão além
do intelecto
BOA VONTADE 97
Educação em Debate
“A LBV faz parte da minha vida. Entrei muito novo, com 2 anos, na Escola de Educação
Infantil Alziro Zarur. Naquela época, jamais passou pela minha cabeça que eu retornaria
como professor. Lembro-me que todos os professores nos recebiam com um sorriso
no rosto, e eu tinha prazer em ir para a LBV. Hoje em dia, quando dou aula, vejo-me
naquelas crianças. Um dia, se Deus quiser, quero encontrar-me com um aluno e
[ouvir] ele dizer: ‘Você foi meu professor lá na LBV. Fez parte da minha vida, me
ensinou valores. Hoje eu sou um advogado, por exemplo, e lembro que você me en-
sinou o respeito, o trabalho em equipe...’. Esse vai ser meu maior reconhecimento.”
Douglas Pereira Dias, 28 anos, professor de Educação Física da Escola de Educação
Infantil Alziro Zarur, em Taguatinga/DF.
“A LBV contribuiu na minha vida despertando em mim a preocupação social com o mun-
do. Recordo-me de aprender sobre valores solidários, éticos e espirituais num ambiente
de muito respeito, fraternidade e ecumenismo. Esse tipo de reflexão nos leva a uma
visão crítica e proativa sobre o mundo em que vivemos e até sobre as nossas atitu-
des. (...) Foram experiências que influenciaram as minhas escolhas acadêmicas e
profissionais. Cursei Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, universidade
pública e gratuita com o vestibular mais concorrido do país. Hoje, atuo na área de
comunicação da LBV e como educador no Conjunto Educacional Boa Vontade, onde
tive a felicidade de estudar.”
Daniel Guimarães, 28 anos, professor e apresentador do programa Sociedade
Solidária, da Boa Vontade TV*².
“A LBV preocupa-se com o nosso futuro. A gente aprende que o meio ambiente é im-
portante, que a Natureza interfere [na nossa vida]. Então, vai plantar árvores, participa
de eventos... A maioria das escolas faz você só assistir às aulas. Pude ver isso pelos
meus colegas de faculdade. Esse diferencial da LBV foi muito importante. Participei
de atividade sobre a Feira de Inovações*¹ na escola, e cada turma do ensino médio
teve de trabalhar com um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Nesse
ano, surgiu a discussão sobre o aquecimento global. Aí, eu me interessei pela questão
e decidi cursar Ciências Biológicas.”
Daiana Evaristo de Oliveira, 24 anos, bióloga, ex-aluna do Conjunto Educacional
Boa Vontade, na capital paulista.
*¹ Trata-se do 4º Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária — 1ª Feira de Inovações em suporte à Revisão Ministerial Anual do
Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc/ONU), ocorridos em 2007.
*² A emissora pode ser sintonizada pelo canal 20 da SKY, pelo canal 212 da Oi TV ou pelo canal 45.1 da TV digital aberta em São
Paulo/SP e na região metropolitana da capital paulista.
A formação diferenciada oferecida pela Legião da Boa Vontade, graças à aplicação das Pedagogias do
Afeto e do Cidadão Ecumênico, tem melhorado a vida dos milhares de atendidos. Inúmeras são as his-
tórias de sucesso, as quais orgulham todo educador que sonha e trabalha por um Brasil justo e fraterno,
em que qualquer pessoa tenha acesso à educação de qualidade.
De alunos a educadores
LBV transforma vidas
98 BOA VONTADE
“(...) A leitura é um estímulo incrível para a criança,
mas só é significativa se for um ato de carinho,
de amor. E quem melhor do que a família para
transmitir esse primeiro aprendizado? Se à família
cabe a responsabilidade de alavancar esse gosto,
à escola compete trabalhar competências especí-
ficas de leitura. (...)
“Hoje, infelizmente, temos muita gente que se
diz alfabetizada, mas lê uma coisa e não compreen­
de o que lê. (...) O desafio da escola é proporcionar
aos alunos o domínio da língua culta por meio de textos
inteligentes, que deem margem a discussões, que causem
curiosidade... Para torná-lo um leitor competente, tenho que trazer
textos reais, que acrescentem à vivência dele.
“Às vezes, a gente tem aquela preocupação de despejar conteúdo
e não cobra a participação da criança, do ser que vai construir o
próprio conhecimento. O conteúdo não precisa nem deve chegar só
pelo professor. Isto a escola precisa fazer: ensinar as técnicas de
como ler. A família desperta, a gente ensina.
“Tenho que trazer [para a sala de aula] diferentes tipos de gênero
e ensinar como é ler cada um. (...) Trabalhar competência leitora
nas diversas áreas de conhecimento é pegar o gênero textual que
mais aparece na sua disciplina e ler com o aluno, destacar, chamar
a atenção dele para o vocabulário... É essencial ensinar os alunos
a fazer a leitura crítica. Para que atinjam esse nível, é preciso
ensiná-los a ler.”
Eloisa Bombonatti Gianini
Jornalista, psicopedagoga e licenciada em Letras, mestre em Metodologia
do Ensino de Língua Portuguesa e especializada em alunos com problemas
de aprendizagem e em gestão escolar.
Leitura, curiosidade
e aprendizado
“Educação é carinho, e mobilização é abrir um
espaço na sua vida para o outro. Esta proposta
da LBV é fantástica, porque a formação integral,
a mobilização de toda a sociedade, não só
a escolar, realmente vai além do intelecto,
formando um ser cada vez mais humano.”
a única ferramenta capaz de resga-
tar tantos brasileiros excluídos (...).
ALBVestánocaminhocerto.Vamos
edificartemplosparaosaber,paraa
pazeparaareconciliaçãodetodoo
nosso povo. (...) A LBV tem sido,
através de seu presidente,
Paiva Netto, esse luzeiro
para o Brasil em ma-
téria de educação, de
cultura, de paz e de
entendimento”.
Estudantes de
Boa Vontade pela
Paz
O representante da
LBV dos Estados Unidos,
Danilo Parmegiani, compartilhou
com os participantes do 13º Con-
gresso Internacional de Educação
importantes resultados que a linha
pedagógica da Instituição tem pro-
duzido em escolas americanas por
meio do programa Estudantes de
Boa Vontade pela Paz. Leia trechos
da palavra dele.
“Há mais ou menos dois anos,
participando do 13o
Congresso
Internacional de Educação da
LBV, pensávamos em como levar a
Pedagogia do Afeto e a Pedagogia
do Cidadão Ecumênico a escolas
públicas norte-americanas, que
são muito bem estruturadas fisica-
mente, mas que precisam avançar
no desenvolvimento dos valores
espirituais e humanos dos alunos.
“Quero contar uma história que
muito nos emocionou. Toda sexta-
-feiraànoite,noCentroComunitário
da LBV em New Jersey, a gente leva
alimentos a abrigos, por meio da
Ronda da Caridade. Em dezembro,
estávamos realizando esse trabalho,
BOA VONTADE 99
Educação em Debate
oficinas
Pedagógicas
Oficina: “O Jogo no educar: mobilizando para o processo de
ensino e aprendizagem”. Oficineiros: Glaucia Camargo Elias e
Ricardo Santiago, graduados em Educação Física.
Oficina: “A arte de despertar para aprender: vencendo
dificuldades das necessidades educacionais especiais”.
Oficineiras: Karen Ribeiro e Leilany da Rocha, pedagogas.
Oficina: “Brincar como estratégia para subsidiar a
mobilização dos conteúdos pedagógicos”. Oficineiras:
Cintia dos Santos, pedagoga, e Francielly Cristina do
Nascimento, especialista em Recreação e Brincadeiras.
Oficina: “Dramatização: estratégia lúdica, mobilizadora
e facilitadora de uma aprendizagem significativa”.
Oficineiras: Andréia Luana Martins e Patrícia Simões,
graduandas em Pedagogia.
Oficina: “Mobilizando o raciocínio para brincar
com a lógica”. Oficineiras: Silvana Burato e
Tatiane Ventura, pedagogas.
Oficina: “Fantoche: da construção à animação —
Arte sem idade”. Oficineiros: Aline Dantas
e Marcelo Rafael, pedagogos.
Oficina: “O despertar dos sentidos por
meio da Arte”. Oficineira: Catarina
Rosália Nery, pedagoga.
100 BOA VONTADE
“É muito importante saber, exata e profundamente, o que signifi-
ca mobilização. Será que, se mobilizo, motivo? Vou tentar mostrar a
diferença entre os dois: mobilizar significa levar alguém ou um
grupo à ação com profunda força interior; e motivar é dar
um motivo para a ação. Então, apenas motivar, isto é, dar
um motivo, é muito frágil [se comparado] a mobilizar.
Muitas vezes, nós, professores, apenas motivamos. (...)
“O que diferencia o elemento mobilizador de um
elemento apenas motivador? O modelo de aprendiza-
gem, o de ensino e o de avaliação da aprendizagem.
No modelo de aprendizagem tradicional, o estudante
aprende à medida que recebe e guarda as informações
que o professor lhe passa e devolve na hora da prova.
No modelo atual, o aluno aprende à medida que recebe
informações, delas se apropria — e não apenas acumula —,
dando-lhes significados e construindo o próprio conhecimento (...).
“Ensinar dentro dessa nova visão é oportunizar a construção do
conhecimento. (...) Os nossos alunos não se motivam e, às vezes, não
se mobilizam porque não entendem o que estão aprendendo. E quem
não entende o que está fazendo não se mobiliza para aprender. Vai
achar tudo chato. Então, mobilizar o aluno para a aprendizagem é
ajudá-lo a apropriar-se de conhecimentos socialmente construídos,
tornando-os seus, incorporando na sua vida individual e na social.
“E qual o último passo? O modelo de avaliar. O novo modelo de
prova que queremos é para mobilizar o aluno, e não deixá-lo aterrori-
zado. Passe uma prova inteligente. A avaliação é um obstáculo quando
é um momento de acerto de contas, e não um momento privilegiado
de aprendizagem.”
Vasco Pedro Moretto
Licenciado em Física pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em
Avaliação Institucional pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e mestre
em Didática das Ciências pela Universidade Laval, em Quebec, no Canadá.
Muitomaisquemotivar
“Encontramos o que viemos buscar: mo-
tivação para trabalhar com os nossos
alunos, de maneira que ampliemos o
conhecimento deles, que demos espaço
para que cresçam não somente na parte
acadêmica, mas como pessoas.”
Silvana Brasileiro
Pedagoga e diretora da Escola Ideal de Educação Infantil
e Ensino Fundamental, de Telêmaco Borba/PR.
“Estou participando pela primeira vez do
congresso e amando. Está sendo de uma
validade enorme. Tem bastante material
positivo para levar para a minha escola.
Superou as minhas expectativas em todos
os pontos. O trabalho da LBV é excelente
em tudo.”
Maria das Graças
Educadora de Mauá/SP
e um menininho, que residia no
abrigo, puxou o nosso avental, com
o coração da LBV, e falou: ‘Sou um
estudante de Boa Vontade pela Paz.
Tenho o distintivo! Vou lá no meu
quarto buscar’. Quando ele
voltou, afirmou: ‘Estou
pronto para ajudar. O
que é que eu posso
fazer?’. Coloca-
mo-lo para servir
chocolatequente,e
ele, com 7 anos de
idade,foientregan-
do todo orgulhoso,
com a maior respon-
sabilidade e seriedade, o
chocolate para os coleguinhas
residentesnaqueleabrigo.Aquilofoi
a grande recompensa do trabalho.
Percebemos que a criança, quando
se sente empoderada, percebe o
potencial maravilhoso que tem. Sai
da condição de assistido e busca o
poder que tem de não só ela própria
vencer, mas também de ajudar os
outros a vencer. Esse elemento é
marcante na proposta da LBV, que
transformaosindivíduos,fazendo-os
líderes solidários numa sociedade
que precisa urgentemente mudar o
seu comportamento coletivo para
vencer em comunidade e vencer em
paz.”
BOA VONTADE 101
Educação em Debate
Oficina: “Mobilizar: a Arte de enxergar o mundo da
linguagem”. Oficineiras: Daniela Fávaro e Tatiana
Chamma, pedagogas.
Oficina: “Mobilização: criando, SucaTOCANDO e
enCANTANDO, como estratégias interdisciplinares de
motivação e construção do conhecimento”. Oficineiras:
Claudiane Mendes e Tatiane do Rosário, pedagogas.
Oficina: “O ato de sensibilizar para criar e transformar”.
Oficineiros: Iara dos Santos, pedagoga, e Roberto
Davi Marcinari, graduado em Ciências Biológicas.
Oficina: “A arte da criação por meio da expressão: criando
cartões artesanais”. Oficineiras: Agnes dos Santos,
graduanda em Música, e Amanda Perucci, pedagoga.
Oficina: “O que há de Arte aqui?”. Oficineiras:
Larissa Brugnolo, licenciada em Artes Visuais,
e Mayla Ferreira, graduada em Artes Plásticas.
Oficina: “Mobilizar valores para formar talentos”.
Oficineiras: Ana Carla Peres, com MBA em
Gestão Escolar, e Renata Brasílio, pedagoga.
oficinas
Pedagógicas Oficina: “Parceria família–escola: mobilização de
pais para aprendizagens artesanais”. Oficineira:
Elizabeth de Mac Lean, licenciada em Música.
102 BOA VONTADE
Programa da LBV oferece capacitação profissional
a jovens e adultos de baixa renda
Inclusãonomercadodetrabalho
Fotos:PriscillaAntunes
São Gonçalo/RJ
Mariane de Oliveira Luz
Inclusão produtiva
Transformando a realidade das famílias
BOA VONTADE 103
Inclusão produtiva
C
onseguir uma boa oportuni-
dade no mercado de trabalho
é preocupação constante en-
tre os jovens. No relatório Tendên-
cias Mundiais do Emprego Juvenil
2013 — uma geração em perigo,
a Organização Internacional do
Trabalho (OIT) constatou que,
em 2013, mais de 73 milhões de
jovens entre 15 e 24 anos estavam
desempregados, 3,5 milhões a mais
que em 2007. A previsão é que a
taxa de desemprego juvenil chegue
a 12,9% em 2019.
Dentre os motivos que cola-
boram para esses altos índices, a
falta de capacitação e experiência
profissional das novas gerações são
destaque, principalmente nos países
emergentes e em desenvolvimento.
Por isso, a Legião da Boa Vontade
criou o programa Capacitação e
Inclusão Produtiva, por meio do
qualsãooferecidospalestras,cursos
gratuitos, atendimento social e en-
caminhamentos aos que vivem em
situaçãodevulnerabilidadesocial.A
iniciativa tem por objetivo preparar
jovens e adultos para a entrada ou
reinserção no mercado de trabalho,
de modo a potencializar os talentos
por meio da educação.
A ação tem produzido excelen-
tes resultados, a exemplo do que
ocorre no Centro Comunitário de
Assistência Social da LBV em São
Gonçalo/RJ. No município, mais de
4.400 jovens de baixa renda foram
beneficiados por esse programa,
desenvolvido no local desde 2007.
Ao todo, são mais de 14 cursos
profissionalizantes, entre os quais
se destacam os de Turismo e Ho-
telaria, Eletricista, Cerimonial e
Informática.
“Enfatizamos sempre para os
alunos que o mercado de trabalho
é competitivo e que, por isso, é
necessário ter uma boa formação
escolar e a certificação de cursos
profissionalizantes. (...) Ficamos
muito felizes quando nossos es-
tudantes retornam dizendo que o
curso na LBV foi o diferencial na
conquista da tão sonhada vaga de
emprego”, conta Magda Passos,
responsável pelo Centro Comuni-
tário na cidade.
Um desses casos é o da jovem
Thamires Nascimento Veiga, 21
anos, que precisava incrementar a
renda na residência. “Minha fa-
mília é de origem humilde e o que
minha mãe ganhava, infelizmente,
não supria as nossas necessidades.
Após terminar o ensino médio,
quis trabalhar para contribuir
para a renda familiar, mas não
possuía a qualificação exigida pelo
mercado”, relembra. Assim que
soube do programa da Instituição,
inscreveu-se na turma de Recursos
Humanos.
A tão sonhada oportunidade,
então, não tardou a aparecer.
“Logo que concluí os cursos,
acabei fazendo também os de As-
sistente Administrativo, Logística,
Administração de Medicamentos,
Recepção Hospitalar, Recepção
Comercial, Secretariado Executi­
vo e Administrativo. Consegui
uma vaga efetiva na área de Lo-
gística do setor de Farmácia da
Secretaria Municipal de Saúde.
Mas só consegui o trabalho por
causa dos cursos, que contribuí-
ram para a minha contratação”,
afirma Thamires.
O programa da LBV igual-
“Faço faculdade
de Administração,
área que escolhi
para exercer por
causa do curso da
LBV (...) A Legião
da Boa Vontade
foi um grande
divisor de águas
para mim. Acredito
que o excelente
atendimento prestado
será um diferencial na
vida de tantas outras
pessoas.”
Thamires Nascimento
Veiga
21 anos, beneficiada com o
programa Capacitação e Inclusão
Produtiva, em São Gonçalo/RJ.
mente influenciou a escolha da
carreira. “Hoje, faço faculdade
de Administração, na Universi-
dade Federal Fluminense (UFF),
área que escolhi para exercer por
causa do curso da LBV, que me
deu uma orientação profissional.
A Legião da Boa Vontade foi um
grande divisor de águas para
mim. Acredito que se continuar
com o excelente atendimento
prestado, será um diferencial na
vida de tantas outras pessoas”,
ressalta.
104 BOA VONTADE
profissional. “Há algum tempo, fi-
quei sabendo que ia funcionar uma
escola de cabeleireiro na LBV e já
estou cursando o meu último ano.
Fiz há 12 meses um estágio em um
salão e o proprietário gostou do meu
desempenho e me convidou para
trabalhar com ele. Com empenho
Graças ao curso de cabeleireiro, oferecido gratuitamente à comunidade,
Mahaira já está empregada. A iniciativa faz parte do programa de Capacitação
Profissional, fruto da parceria entre a LBV do Uruguai e a Intercoiffure —
Associação Internacional de Mestres Cabeleireiros.
e responsabilidade, podemos che-
gar aonde sonhamos. Estou muito
feliz”, comentou.
Agradecida por tudo o que tem
conquistado, a jovem deixa uma
mensagem aos colaboradores da
Obra: “O trabalho que a LBV do
Uruguai realiza é muito grande,
ajuda muitas famílias que não têm
recursos e que, graças à Institui-
ção, conseguem seguir adiante.
Eu e meus irmãos somos pessoas
de bem, em decorrência dos valo-
res aprendidos na Legião da Boa
Vontade. Apostem, conheçam os
programas que a LBV promove,
visitem as instalações do Instituto
e verão os rostos felizes das crian-
ças... Saibam que estão ajudando
a transformar o mundo de muitas
pessoas”, atestou.
Dedicada, a jovem Mahaira durante o curso de cabeleireiro, desenvolvido em
espaço especialmente preparado para a realização da atividade.
O desafio no Uruguai
Em Montevidéu, Mahaira
Rodríguez, de 21 anos, é uma das
centenas de jovens que procuram
apoio na Legião da Boa Vontade
do Uruguai. De família simples
e sendo a filha mais velha, ainda
menina precisou ajudar a mãe,
que provia o sustento da família
sozinha, a cuidar dos cinco irmãos.
Na LBV, a jovem encontrou um
caminho para crescer. “Vivíamos
em um assentamento onde a si-
tuação era muito difícil. Quando
minha mãe matriculou três dos
meus irmãos no Jardim Infantil
Jesus, nossa família começou a
seguir em frente. Íamos para a es-
cola e minha mãe podia trabalhar
com a certeza de que seus filhos
estavam em boas mãos. Foi uma
grande ajuda que recebemos da
LBV”, recordou a jovem.
Hoje, casada e mãe da pequena
Maiara Ayleen, de 4 anos, só tem
a agradecer as oportunidades que
ela e sua família continuam a ter
na Instituição, tanto na educação
de sua filha, aluna do Instituto
Educativo José de Paiva Netto,
quanto na própria capacitação
Fotos:MacielFerreira
BOA VONTADE 105
Literatura
106 BOA VONTADE
Um público das mais diver-
sas idades foi transpor-
tado para o mundo das
palavras entre os dias 22 e 31 de
agosto, período em que ocorreu a
23ª Bienal Internacional do Livro
de São Paulo, o maior aconteci-
mento do mercado editorial da
América Latina. Nos dez dias da
feira, 720 mil visitantes, originá-
rios de várias partes do Brasil e do
exterior, ocuparam os corredores
do Pavilhão de Exposições do
Anhembi, localizado na zona norte
da capital paulista.
Neste ano, o objetivo do evento
foi ir além da obra literária. Por isso,
Bienal Internacional do Livro de São
Paulo encerra 23a
edição com público
de 720 mil pessoas.
Giovanna Pinheiro | Fotos: Vivian R. Ferreira
os organizadores — a Câmara Bra-
sileira do Livro (CBL) e a empresa
Reed ExhibitionsAlcantara Macha-
do — firmaram parceria com o Ser-
viço Social do Comércio do Estado
de São Paulo (Sesc-SP), que ficou
responsável pela curadoria da pro-
gramação cultural da feira. O tema
“Diversão, cultura e interatividade.
Tudo junto e misturado” foi traba-
lhado em apresentações de música,
teatro, dança e circo; em sessões de
cinema; em quadrinhos; bem como
em debates com grandes nomes do
campo literário e personalidades de
outras áreas, ações essas que ocor-
reram em um total de oito espaços
Pavilhão
palavrasdas
BOA VONTADE 107
culturais. “Nesta edição, o Sesc São
Paulo consolidou sua parceria com
a CBL ao assumir o compromisso
derealizarumaprogramaçãocultu-
ral com a proposta de acolhimento
e oferta de atividades que ampliam
a experiência do visitante, e, para
isso, tomamos o livro como ponto
de partida e suporte para diversas
linguagens artísticas”, explicou
Danilo Santos de Miranda, diretor
regional do Sesc-SP.
A presença juvenil foi signi-
ficante: cerca de 120 mil alunos,
de duas mil escolas diferentes,
estiveram no local. “Foi um mo-
mento de orgulho, para todos,
trazer jovens, fazer com que to-
dos tenham esse convívio com os
livros”, ressaltou Karine Pansa,
presidente da CBL. Juan Pablo
de Vera, presidente da Reed
Exhibitions Alcantara Machado,
reforçou a importância de apro-
ximar a juventude da literatura e
discordou da afirmação de que os
jovens estão distantes da cultura.
“Todos nós vimos esta semana que
isso não é verdade”, disse.
Não foram apenas os jovens
que percorreram os corredores do
Pavilhão de Exposições.Avós, pais
e crianças foram ver as novidades
do mercado editorial.Além da pro-
gramação, o que atraiu os visitantes
à feira foi o preço dos livros. A es-
tudante EsterSilva, que estava pela
primeira vez no evento, comentou:
“É muito mais barato [adquirir
títulos literários na Bienal] e com-
pensa. Há obras de R$ 2, R$ 10”.
Mesma opinião manifestou o con-
sultor Antonio Carlos Gonçalves,
de 45 anos, do Rio Grande do Sul.
“Comprar o livro na Bienal é mais
A coleção infantil ecumênica “Os milagres de Jesus”, do Selo Sol-
dadinhos de Deus, da LBV, foi destaque na edição de 24 de agosto do
Jornal Nova Era, veiculado pela Rádio Boa Nova (da Fundação Espírita
André Luiz) e transmitido para emissoras na Grande São Paulo e no
interior paulista, além de para a internet. Apresentado por Guiomar
Sant’anna (C) e Vanessa Cavalcanti, o programa entrevistou ao vivo
William Luz, autor dos títulos infantis que integram a referida coleção.
Na oportunidade, o escritor relatou que, desde que foi lançado no
mercado editorial, o Selo Soldadinhos de Deus, da LBV tem como ob-
jetivo transmitir a todas as crianças — independentemente de crenças
e filosofias — os ensinamentos e valores do Evangelho-Apocalipse de
Jesus e oferecer, de maneira didática e lúdica, orientações sobre como
as pessoas podem ser solidárias e conscientes dos próprios deveres
e direitos, vivendo em um mundo em constante transformação. Ele
ainda revelou que as histórias impressas, ricamente ilustradas, logo
conquistaram o lar de milhares de famílias.
Cabe mencionar que entre os oito itens que fazem parte do conjunto
estão cinco livros (A pesca milagrosa, A cura do filho de um oficial,
Jesus caminha sobre as águas, O samaritano agradecido e No tanque
de Betesda), os quais contêm lições sagradas do Educador Celeste e
são acompanhados por caderno de atividades. Compõem ainda o kit
um DVD com desenhos animados musicais sobre essas conhecidas
passagens bíblicas, legendados e em versão karaoke, e com extras
(dois desenhos e quatro videoclipes); um CD com a trilha sonora; e
um divertido jogo de tabuleiro, que convida o leitor, toda a família e
os amigos a ir ao encontro de Jesus.
Selo Soldadinhos de Deus,
da LBV, é destaque
na Rádio Boa Nova
Literatura
108 BOA VONTADE
baratodoquenaloja,poispodemos
negociá-lo”, declarou na ocasião.
Leitura para o equilíbrio
do corpo e da Alma
Cada vez mais constante tem
sido a procura das pessoas por obras
que proporcionem, além de leitura
agradável, o fortalecimento do eu
interior, bem como o equilíbrio do
corpoedaAlma.Osmilharesdelei-
tores que foram ao estande daWRC
Livros em busca de lançamentos
na área puderam adquirir títulos no
gênero Espiritualidade Ecumênica,
publicadospelaEditoraElevaçãoou
pelo Selo Soldadinhos de Deus, da
LBV. Um deles, o best-seller Jesus,
o Profeta Divino, do escritor Paiva
Netto, foi sucesso de vendas nesta
Bienal, repetindo o bom desem-
penho alcançado em importantes
encontros literários do Brasil, entre
os quais a 15ª Bienal Internacional
Bienalemnúmeros
720
visitantes
mil horas
1.500
de programação
+ de
400atrações
selos
nacionais
internacionais
186
22
autores
autores
expositores
300
750
70países
presentes
BOA VONTADE 109
do Livro do Rio de Janeiro e a 57ª
Feira do Livro de Porto Alegre.
Na publicação — o quarto volume
da série “O Apocalipse de Jesus
para os Simples de Coração” —,
o autor registra o conteúdo de suas
pesquisas e palestras sobre temas
bíblicos, fruto de quase sessenta
anos de estudos e reflexões. É um
livro que esclarece, conforta e
apresenta aos leitores, com base em
exame aprofundado doApocalipse,
ensinamentos que ajudam a enten-
der as transformações em curso no
planeta. Paiva Netto, que já
vendeu mais de 5,4 mi-
lhões de exemplares
de suas obras, apon-
ta o conhecimento
da vida espiritual
como elemento
capaz de alterar
o comportamento
antiético que arrasta
o ser humano para a
autodestruição.
Livros para todas as
idades
Dois outros produtos também
foram muito bem recebidos pelo
público da feira: a coleção infantil
ecumênica “Os milagres de Jesus”,
do Selo Soldadinhos de Deus, da
LBV, e o kit Como vencer o so-
frimento, composto da obra que
dá nome ao conjunto — título do
escritor Paiva Netto — e da radio-
novela Memórias de um suicida*,
adaptação do livro homônimo,
psicografado pela médium Yvonne
do Amaral Pereira.
O policial civil Romes Zauli, de
54 anos, foi um dos que adquiriram
o kit. “Tenho uma amiga que está
Uma mensagem de Paz Leitora fotografa QR Code no estande da WRC Livros,
expositora de títulos da Editora Elevação e do Selo Soldadinhos de Deus, da LBV,
para baixar, gratuitamente, a versão digital do livro Ao Coração de Deus, do escritor
Paiva Netto. Promoção realizada durante a Bienal permitiu que as pessoas que
passassem pelo local compartilhassem com familiares e amigos a obra, que contém
50 orações das mais diversas tradições religiosas. A proposta era a de estimular um
número crescente de indivíduos a adquirir o hábito da leitura diária de preces, o
qual constitui uma maneira valiosa de buscar inspiração para vencer os desafios
do cotidiano. Vale registrar que a edição impressa do título já vendeu mais de 200
mil exemplares.
Literatura
110 BOA VONTADE
No dia 25 de agosto, cerca de 150 alunos, de seis séries
diferentes, do Conjunto Educacional Boa Vontade visitaram
a 23a
Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Eles
percorreram os corredores do Pavilhão de Exposições do
Anhembi, ansiosos pelos últimos lançamentos literários, e
conheceram o estande da WRC Livros, que estava expondo
títulos da Editora Elevação e do Selo Soldadinhos de Deus,
da LBV. No local, tiveram a oportunidade de levar para
casa as obras infantis desse selo, as quais, em linguagem
própria para a faixa etária deles, transmitem bons valores
e mensagens ecumênicas positivas, a fim de promover a
convivência harmoniosa dos seres humanos na própria
família e na sociedade. Convém ainda citar que a LBV
incentiva o hábito da leitura em todas as idades, por meio de
seus programas socioeducacionais.
O best-seller Jesus,
o Profeta Divino, do
escritor Paiva Netto,
registra o conteúdo de
pesquisas e palestras
sobre temas bíblicos,
fruto de quase
sessenta anos de
estudos e reflexões do
autor. É um livro que
esclarece e conforta.
passando por um momento difícil,
pois perdeu uma filha. Na hora que
eu vi o título, pensei nela”, afirmou,
explicando o motivo da compra.
Ele completou: “Acredito que vai
ajudá-la,emuito.Estoulevandodois
[kits], um para ela e um para mim”.
A professora Izaurina Maria
Leite fez a aquisição de alguns
exemplares da coleção “Os mi-
lagres de Jesus” para enviá-los a
uma amiga de Uberlândia/MG, que
já havia comprado os livros, mas
precisava de mais. À Super Rede
Boa Vontade de Comunicação
(rádio, TV e internet), ressaltou a
importância das lições constantes
nas obras dessa série. “Jesus dei-
xou os ensinamentos, e nós temos
que segui-los. O caminho para
a evolução começa na criança”,
destacou.
* A radionovela Memórias de um suicida, adaptação do livro homônimo, psicografado pela
médium Yvonne do Amaral Pereira, foi radiofonizada pela Fundação José de Paiva Netto,
que recebeu gentilmente a autorização para sua radiofonização da Federação Espírita Bra-
sileira (FEB), à qual pertencem os direitos autorais da obra literária.
BOA VONTADE 111
D
urante campanha à presidência
da República, os candidatos
viajaram por todo o país e
defenderam teses que variaram da
economia à educação, da saúde
à habitação, estendendo-se pelos
programas sociais. Com relação à
grande mídia, sobre a qual havia
campanha antiga defendendo o seu
controle, nenhum deles assumiu
o compromisso de arquivar essa
questão. Outro ponto que precisa
entrar na agenda presidenciável no
próximo mandato é o cuidado com
as mídias do interior.
Uma oportunidade poderia ter
sido aproveitada para isso, quan-
FelipeFreitas
Carlos Arthur
Pitombeira,
jornalista.
Carlos Arthur Pitombeira | Especial para a BOA VONTADE
Na agenda
dos próximos
quatro anos
Opinião — Mídia Alternativa
As expectativas de apoio à mídia comunitária
para seguir na tarefa de zelar pela cidadania
do foi mencionada por um dos
candidatos a necessidade de pros-
seguir o incentivo aos pequenos
trabalhadores para que deixem sua
condição marginal. Houve outra
proposta, inclusive, comprometi-
da em ampliar esse aporte. Essas
circunstâncias se concretizam a
partir de duas possibilidades: a do
enquadramento na categoria de
Microempreendedor (aquele que
só paga o imposto fixo mensal de
R$ 41,20) ou na do Supersimples
(com alíquota inicial de 16,93%
por mês).
No entanto, ao não menciona-
rem os milhares de donos de jor-
112 BOA VONTADE
nais do interior (atividade que vai
exigir estudo à parte, considerando
a modalidade do serviço que pres-
tam e da receita variável com que
operam), perderam a oportunidade
de reafirmar esse importante apoio
à categoria. Justamente porque
reconhecemos que o imposto fixo
de R$ 41,20 (importante a traba-
lhadores com faturamento mensal
de até R$ 5.000,00 por mês e R$
60.000,00 anual) não se aplica
à mídia comunitária do interior.
Tampouco é possível fortalecer
esses veículos, convivendo com
o compromisso de pagar uma alí-
quota de 16,93%, que começa a ser
aplicada a partir da receita mensal
de R$ 15.000,00 ou R$ 180.000,00
por ano, e que cresce à medida que
o faturamento aumenta.
Embora haja a proposta de não
interferência na mídia, permane-
ce a expectativa de significativa
parcela dos cidadãos quanto ao
resgate da firme atuação da mídia
comunitária impressa, dos jornais
do interior que, desde 1808, pres-
tam relevantes serviços à cidadania
e à liberdade de imprensa e de
comunicação. E isso passa por
analisar como dar sobrevida a estes
valiosos meios.
Sem qualquer tipo de financia-
mento oficial (não confundir com
publicidade do governo) e ainda,
em muitos casos, perseguidos nos
municípios por juízes de primeira
instância que se colocam a servi-
O jornalismo,
para ter
credibilidade,
precisa ser livre
em todos os
sentidos.
BOA VONTADE 113
ço dos poderosos do lugar, esses
pequenos jornais, caminho natural
para a tão sonhada democratização
da comunicação e expressão, estão
dividindo espaço agora com outros
canais poderosos: os portais de
internet e os blogs.
Para ter meios de prosseguir sua
firme atuação, a mídia alternativa
impressa precisa de apoio. Uma
possibilidade é que o governo abra
para esses veículos linhas oficiais
de crédito pela Caixa Econômica,
Banco do Brasil ou BNDES. Basta
que se estabeleça, por exemplo, que
osempréstimos(comcarênciamíni-
ma de cinco anos e auditados a cada
seis meses, para que sua finalidade
não seja desvirtuada) sejam conce-
didos apenas aos pequenos jornais
que comprovem mais de dez anos
de circulação. Será com a garantia
dessesempréstimosqueessesveícu-
los do interior poderão melhorar seu
conteúdoesuaapresentaçãográfica,
concorrendo entre si, deixando a
regulação por conta do mercado.
Isso certamente facilitará para
que se legalize e, assim, se tenha
uma ideia do que ela representa em
quantidade e força de informação
em todas as partes do país.
Preparação dos
profissionais
Quem está à frente desses mi-
lhares de jornaizinhos quer, tam-
bém, promover cursos técnicos a
partir do ensino profissionalizante,
e formar novas equipes cada vez
mais bem preparadas para o tra-
balho. Seus dirigentes sabem que
somente aprimorando sua mão de
obra é que poderão oferecer um
produto melhor.
E é dessa forma que vai ganhar
quem mais se empenhar, até mes-
mo na disputa das publicidades
oficiais junto às agências de pro-
paganda. Essa pequena mídia, para
ter credibilidade, precisa ser livre
em todos os sentidos.
O Supremo Tribunal Federal
(STF), que acabou com a exigên-
Opinião — Mídia Alternativa
114 BOA VONTADE
cia do diploma de jornalista para
o exercício da profissão, viu-se,
de repente, confrontado pelo Con-
gresso Nacional. E os reflexos
desse confronto refletem na mídia
do interior, que fica perdida, deses-
timulada. Recuados, os pequenos
jornais e revistas veem avançarem
os portais da internet e os blogs,
além dos comerciais em cinemas,
carros de som, barcos e outdoors.
Parece haver um movimento
contra essa mídia presente no
Brasil desde o século 19, e cabe a
cada um de nós lutar pelo resgate
da sua dignidade.
Talvez diante desse novo con-
fronto de quem é contra e a favor
do diploma de jornalista, tenha
chegado a hora de se criar uma
nova categoria de trabalhadores
dentro da área de Comunicação
Social, garantindo-se às pessoas
envolvidas com a mídia comuni-
tária impressa e eletrônica (rádio
e televisão) do interior um registro
próprio.Assim, a questão do diplo-
ma de nível superior não seria mais
um “fantasma” para ninguém. O
seu sentido seria o de qualificar o
profissional.
O reconhecimento da carreira
de Técnico em Comunicação
Comunitária contemplaria todos
aqueles envolvidos com essa mo-
dalidade do jornalismo. Isso ajuda-
ria muito no resgate dessa mídia.
Um curso de caráter profissio-
nalizante para formação desse novo
profissional garantiria ao aluno
outro registro. E diploma também.
O Ministério do Trabalho cuidaria
da criação da carreira; ao Ministério
da Educação caberia apresentar a
grade de matérias para um curso
dessa natureza que, com duração
mínima de 18 meses, não estaria
muito distante dessa aqui: Língua
Portuguesa (redação e estilo); Geo-
grafia política e econômica; produ-
ção gráfica; fotografia; História do
Brasil contemporâneo; realidade re-
gional e cultural do país; introdução
àSociologiaeàFilosofia;noçõesde
Publicidade e Marketing; e capítulo
Vda Constituição Federal, que trata
da Comunicação Social. As aulas,
retratandoarealidadesocialdopaís,
seriam ministradas por jornalistas
aposentados pagos com verba do
Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT).
Estaria, assim, dado o primeiro
passo para o resgate da dignidade
Quem está à frente
desses milhares de
jornaizinhos quer,
também, promover
cursos técnicos a
partir do ensino
profissionalizante,
e formar novas
equipes cada
vez mais bem
preparadas para o
trabalho.
da mídia comunitária impressa no
que diz respeito ao conteúdo e à
apresentação gráfica. O segundo
passo ficaria por conta de quem
viesse a assumir a presidência da
República, enviando ao Congresso
Nacional o projeto de lei que cria-
ria, além da categoria profissional
de Técnico em Comunicação Co-
munitária, um tipo de imposto para
essa mídia dentro da realidade por
ela vivida nas diferentes regiões
do Brasil.
Saúde
Na luta contra o mal de Alzheimer
116 BOA VONTADE
Será
Alzheimer?
uem nunca, por um momento que seja, se esqueceu
do dia da semana, do nome de um conhecido ou de
algo que iria realizar em um determinado momento?
Pois é, situações como essas são mais comuns do
que se imagina, mas é preciso atenção: quando esse tipo de
ocorrência, aparentemente inofensiva, deixa de ser esporá-
dica e tira a autonomia do indivíduo de realizar atividades
habituais, é a hora de procurar ajuda médica, pois pode ser
indício de um problema sério que, a cada dia, afeta mais pes-
soasnomundotodo:oAlzheimer,doençaneurodegenerativa
que provoca a perda de funções cognitivas, como a memória
de fatos recentes e antigos, dificuldades na linguagem e
desorientação espaço-temporal.
Quanto
mais rápido
for feito o
diagnóstico e
o tratamento
da doença,
melhores serão
os resultados.
Mariane de Oliveira Luz
BOA VONTADE 117
em Rio das Ostras, no Rio de Ja-
neiro, e o meu pai, que sempre foi
uma pessoa ativa, acabou ficando
perdido quando dava uma volta
pela cidade. Lembro que, na épo-
ca, achamos estranho, mas tanto
nós quanto o médico que o acom-
panhava acabamos atribuindo o
fato à idade dele”, contou a filha.
Segundo ela, a falta de conhe-
cimento sobre o mal dificultou
associar os sintomas apresentados
pelo pai ao Alzheimer. “Ele fazia
tudo sozinho, mas, aos poucos, re-
alizar pequenas tarefas foi fican-
do difícil, porque foi esquecendo
as coisas, palavras, os hábitos
de higiene... Começamos a nos
preocupar e procuramos ajuda
médica. Ele até chegou a ser diag-
nosticado com o mal de Parkin-
son, por causa dos tremores nas
mãos. Nesse tempo, o Alzheimer
não era tão conhecido como
agora”, disse.
O resultado efetivo
só veio à tona após lon-
ga investigação clínica.
A partir de então, além do
tratamento médico, que ajudou
a retardar o avanço da doença, a
família teve que se adaptar à nova
realidade: “Contratamos uma
pessoa para ajudar minha mãe a
cuidar do meu pai. Também nos
revezávamos. Era muito triste
vê-lo daquele jeito. Víamos que
ele também sofria com a sensa-
ção de que estava perdido. Ele
dizia: ‘Eu não estou entendendo
nada’”.
Márcia relata que a evolução
do quadro deixou a família um
pouco desorientada, com uma
sensação de impotência ao ver
“Em qualquer idade, você pode
ter lapsos de memória, até quando
criança, mas o que se vê em pessoas
que estão começando a desenvol-
ver a doença é que eles são mais
frequentes e começam a
interferir no dia a dia de-
las”, alerta o neurologista
Paulo H. F. Bertolucci,
chefe do setor de Neurolo-
gia do Comportamento da
Escola Paulista de Medici-
na (Unifesp).
A Organização Mundial da
Saúde (OMS) estima que existam
no mundo aproximadamente 36
milhões de pessoas que sofrem
de demências, a maioria ligada
ao mal de Alzheimer, podendo
chegar a 115 milhões até 2050.
No Brasil, calcula-se que haja
1,2 milhão de casos, a maior
parte deles ainda sem diagnós-
tico, isso porque os sintomas da
doença tendem a ser confundidos
com o processo de en-
velhecimento natural do
indivíduo e outras enfer-
midades, dificultando o
reconhecimento precoce
da patologia.
Márcia Maria Corrêa
dos Santos, do Rio de Janeiro/RJ,
sabe bem o que é isso: em 2002,
seu pai, Jorge Eugênio dos San-
tos (1925-2012), na época com 76
anos, dava os primeiros sinais da
doença, que só veio a ser identifi-
cada pela família anos mais tarde.
“Estávamos numa casa de praia
Saúde
Efeitos do Alzheimer no cérebro
Além das mudanças comportamentais, sabe-se que o cérebro
do indivíduo diagnosticado com Alzheimer diminui drasticamente
de tamanho de acordo com a progressão da doença. O encolhi-
mento do córtex cerebral afeta quase todas as suas funções e é
especialmente grave na zona do hipocampo, área importante na
formação de novas memórias.
Normal Alzheimer
Fonte: www.cuidamos.com
Dr. Paulo Bertolucci
Arquivopessoal
118 BOA VONTADE
Estímulo mental
Manter a mente ativa é uma excelente forma de combater o Alzheimer e a
senilidade precoce. A dica é aprender todo dia algo novo. Ler diariamente, es-
tudar, conhecer outras culturas e brincar com jogos que desafiem sua mente.
Sudoku, palavras cruzadas etc. são algumas das inúmeras atividades que
cumprem esse propósito. Estudo realizado pela faculdade de medicina da
Universidade de São Paulo (USP) concluiu que pessoas com maior grau
de escolaridade correm menos riscos de desenvolver sintomas resultantes
de lesões cerebrais, a exemplo da perda de memória.
Alimentação saudável
Ingerir doses diárias recomendadas de minerais e vitaminas reduzem
em 55% as chances de desenvolver o mal de Alzheimer. Os micro-
nutrientes mais indicados para a manutenção de uma alimen-
tação saudável e equilibrada são as vitaminas: E, encontrada
em óleos vegetais, cereais integrais e nozes; C, presente em
frutas como a laranja e a acerola; B6 e B12, encontradas nas
carnes, na soja e no amendoim, e demais produtos de origem
animal, incluindo os laticínios. Verduras, fígado e peixes, como o salmão, rico em
Ômega-3, também devem ser consumidos.
Atividade física
Praticar exercícios físicos reduz em 50% o risco de desenvolver o mal de Alzheimer,
concluiu pesquisa da Universidade de Rush, de Chicago, EUA, incluindo nessa es-
tatística o público que realiza atividades comuns como subir escadas, caminhar e
varrer. De acordo com os pesquisadores, exercitar-se faz bem para o corpo e a mente.
Cientistas da Universidade da Califórnia, também nos EUA, afirmam que a atividade
física pode manter saudáveis pequenos vasos sanguíneos cerebrais e diminuir a
concentração da proteína amiloide, que se acumula no cérebro de pessoas com a
doença, além de proteger contra a pressão alta e o diabetes. Mesmo aqueles que
possuem tendência genética podem reduzir em 60% os riscos.
Socialização
Manter uma vida social ativa melhora as habilidades cognitivas do ser humano.
O simples gesto de conhecer pessoas novas, fazer novos amigos, contribui para
uma vida saudável.
Bom para o corpo e a mente
Adotar hábitos saudáveis é imprescindível para quem deseja minimizar os riscos
de desenvolver o mal de Alzheimer, doença silenciosa, que tem início vários anos
antes de o paciente apresentar os primeiros sintomas. Veja, a seguir, práticas que
não só ajudam a preveni-lo, como também proporcionam melhor qualidade de vida.
BOA VONTADE 119
a perda da autonomia dele, sem
saber se tinham feito o melhor.
Para ela, a resposta a esses ques-
tionamentos veio muito forte na
última semana de vida do pai: “Na
grandeza da Providência Divina,
pude ficar com ele no último dia
antes da internação, que culmi-
nou com sua morte. E ele, em um
momento de lucidez, no leito do
hospital (antes de entrar para
o CTI), segurou minhas mãos e
disse: ‘Me desculpa, tá?’. Essa
mensagem soou como um agra-
decimento, lavando minha alma.
Agradeço a Deus por isso”.
De acordo com a especialista
em gerontologia social Vera
Pedrosa Caovilla, membro-fun-
dadora da ABRAz — Associação
Brasileira de Alzheimer, traba-
lhar em parceria é o segredo para
lidar com a situação. “É muito
comum ter a figura do ‘familiar-
-cuidador’, aquela pessoa que
fica mais tempo com o parente
com Alzheimer, mas ela não pode
ser a única responsável durante
as 24 horas do dia. É preciso ter
todos os envolvidos cuidando
Mitos sobre o Mal de Alzheimer
Os idosos são as únicas vítimas
É verdade que o Alzheimer atinge mais essa população, porém
não existe estudo científico que confirme que esta é uma doença
própria da velhice, até porque existem registros de jovens diagnos-
ticados com esse mal.
Tem cura
Ainda não foi descoberta a sua cura. O que existe são tratamen-
tos que retardam o progresso da doença, melhorando a qualidade
de vida do paciente.
É hereditária
Embora não seja considerada hereditária, a herança genética é
considerada um fator importante, principalmente quando atinge
pessoas com menos de 65 anos. Essas ocorrências correspondem
a 10% dos pacientes com a patologia.
Esclerose e Alzheimer são nomes diferentes
para a mesma doença
Erroneamente conhecida como esclerose e caduquice — talvez
por se manifestar mais entre indivíduos da Terceira Idade —, a
doença de Alzheimer, na verdade, é um tipo de demência, enfermi-
dade mental que consiste no prejuízo cognitivo do ser humano. Além
dela, existem outros tipos de demência, entre os quais a vascular e
a com corpos de Lewi.
desse paciente, todos cuidando
de todos”.
Fatores de risco
Desde a descrição da doença,
feita em 1906 pelo psiquiatra e
neuropatologista AloisAlzheimer
(1864-1915) — daí a origem do
nome —, diversos estudos foram
realizados com o objetivo de en-
contrar as suas verdadeiras causas
e como detectá-la ainda em estágio
inicial. Recentemente, passo im-
portante foi dado nessa direção:
um grupo de cientistas britânicos
identificou dez proteínas no sangue
que podem sinalizar a presença
da enfermidade no organismo
humano, avanço que futuramente
permitirá a sua identificação por
exame de sangue simples.
Outros estudos apontam a exis-
tência de fatores de risco para o
surgimento da patologia. O princi-
pal deles, de acordo com aABRAz,
é a idade. Para se ter ideia, a partir
dos 65 anos, as possibilidades de
ter esse mal dobra a cada cinco
anos. Além disso, pessoas com
histórico familiar têm mais chan-
ces de desenvolvê-la no futuro,
se comparadas com aqueles sem
antecedentes.
Hipertensão, diabetes, obesi-
dade, tabagismo e sedentarismo
são outros fatores que podem
contribuir para que a enfermida-
de se manifeste precocemente.
“Se você corrige isso, pode fazer
com que a doença aconteça mais
tarde. É possível também que a
pessoa viva sem ela e morra por
outra razão, sem ter passado pelo
Alzheimer”, afirma o neurologista
Paulo Bertolucci.
Saúde
Fonte: www.abraz.org.br
120 BOA VONTADE
Receber a notícia de que um ente querido tem o
mal de Alzheimer não é fácil; afinal, são muitos os
desafios e as mudanças pelos quais a família pas-
sará ao longo do avanço da doença. Encará-la com
bom humor e leveza foi a estratégia utilizada pelo
jovem Fernando Aguzzoli, de 22 anos, que resolveu
trancar a faculdade de Filosofia e o projeto de abrir
sua própria empresa para se dedicar exclusivamente
à avó (falecida em dezembro de 2013), ou vovó
Nilva, como carinhosamente ele a chamava. “[No
início,] achava que era algo semelhante à amnésia,
esquecimentos. Fui à busca de conteúdo e descobri
que seria muito pior. Foi de fato assustador, mas ela
continuava sendo minha avó, a mesma de sempre”,
contou à BOA VONTADE.
O motivo para lidar com a enfermidade positiva-
mente, ele mesmo explica: “Eu ia enlouquecer se
levasse a doença a sério, porque é muito ruim e
pesada. Optando por um olhar em que a leveza e o
bom humor tomassem conta, tudo seria possível —
eu e meus pais não iríamos enlouquecer e minha
avó iria gargalhar muito no tempo que nos restava
na jornada”.
De neto a pai
Com leveza e bom humor, jovem gaúcho deixa emprego,
carreira e estudos para cuidar de sua avó com Alzheimer.
Foram seis anos convivendo com a vovó Nilva e
o Alzheimer. Durante esse período, a relação entre
neto e avó estreitou-se ainda mais: “O Alzheimer,
em muitas famílias, vem para uni-las. Minha avó e
eu sempre fomos próximos e também muito amigos,
mas, depois da doença, passamos a melhores amigos
e, mais tarde, construímos uma relação semelhante
à de pai e filha”, disse Aguzzoli, que, recentemente,
lançou a obra Quem, eu? Uma avó. Um neto. Muitas
lições de vida!, por meio da qual compartilha inúme-
ras histórias que viveu ao lado dela nesse período.
Feliz por ter tido a oportunidade de cuidar de
quem cuidou dele, Fernando deixa uma mensagem
a todos os que passam por situação semelhante à
sua: “Às vezes, pode parecer que, nos afastando,
tudo será diferente e não sofreremos, mas uma
consciência limpa não tem preço nem retorno
(...). Levem a vida de uma forma mais alegre,
alto-astral. Se não compartilharmos sorrisos com
quem amamos, toda dificuldade que encontrarmos
será intransponível. Paciência é necessária, muita
paciência, mas, tendo Boa Vontade e amando a
pessoa que cuidamos, tudo é possível!”.
Fotos:Arquivopessoal
BOA VONTADE 121
Melhor Idade
VivianR.Ferreira
Lar da LBV em
Volta Redonda/RJ
122 BOA VONTADE
LBV propicia qualidade de vida e
valoriza a experiência dos idosos
o mundo
grisalho
cada
vez
mais
Giovanna Pinheiro
BOA VONTADE 123
N
os últimos anos, o número
de idosos no mundo tem
crescido gradativamente.
Vários foram os fatores que deram
oportunidade a essa mudança,
dentre eles, os avanços da Ciên­
cia, a melhora do acesso à água
tratada e ao esgoto, o aumento
do consumo, entre outros. Dados
do relatório “Envelhecimento da
População Mundial: 1950-2050”,
produzido em 2009 pela Divisão
de População do Departamento
das Nações Unidas para Assuntos
Econômicos e Sociais (DESA),
mostram que o processo de enve-
lhecimento aumentará mais rápido
que qualquer outro segmento da
população global até 2050.
Em outro documento, sobre a
Situação da População Mundial
2011, elaborado pela Divisão de
Informações e Relações Externas
do Fundo de População das Na-
ções Unidas (UNFPA), o desafio
é reconhecidamente grande nos
países em que a longevidade é
alta, embora também seja senti-
do em lugares de renda média e
baixa, com “percentuais popu-
lacionais nas faixas de 60 anos
ou mais, 70 ou mais, e, mesmo
em alguns casos, de 80 ou mais,
estão em constante ascensão”.
Diante dessa perspectiva,
tornou-se imprescindível investir
na qualidade de vida da Tercei-
ra Idade (ou jovens da Melhor
Idade). Por isso, a Legião da
Boa Vontade, há décadas, propor-
ciona apoio aos vovôs e às vovós
em situação de vulnerabilidade
A Legião da Boa Vontade de
Portugal desenvolve seu trabalho
socioeducacional há 25 anos. As
pessoas com mais de 60 anos já
são cerca de 20% da população
e, em 2050, esse percentual deve
chegar a 38%, ou seja, quase
quatro milhões de idosos. Com o
programa Viva Mais!, a LBV de
Portugal proporciona à Terceira
Idade atividades como ginástica
e artesanato, sessões de beleza,
passeios e palestras, e voluntaria-
do, sendo que nesta última eles
ajudam na preparação e distribui-
ção de alimentos e confeccionam
roupas para os atendidos do
programa Cidadão-Bebé.
Maria Isabel Garcia,
60 anos, participa
há quatro anos
desse programa,
na cidade do
Porto, e viu sua
vida transforma-
da: “Estava com
depressão, então,
pedi ajuda aqui e me
convidaram para o Viva Mais!.
Entrei e estou contente; gosto da
companhia e de estar apoiando
os outros”.
A voluntária Maria se divide
nas várias atividades oferecidas
pela Instituição, o que deu a ela
outra perspectiva para o dia a dia:
“Faço ginástica, [aprendo] música,
(...) preparo sopa para a Ronda da
Caridade e gosto muito de lidar
com as crianças na entrega do
enxoval dos bebés. Sinto-me feliz
na Legião da Boa Vontade”.
Do outro lado
do Atlântico
Melhor Idade
social, por meio de programas
que trabalham as capacidades
cognitivas e físicas, e o diálogo,
visando melhorar a autoestima e
o bem-estar desses cidadãos, para
um envelhecimento ativo e sau-
dável. As atividades têm função
proativa e preventiva, com o ob-
jetivo de reintegrar esses idosos,
a fim de que possam enfrentar as
dificuldades próprias da idade,
mantendo em boa forma o corpo
e o Espírito.
Nos Centros Comunitários de
Assistência Social, presentes em
vários Estados brasileiros, a ação
se dá por meio do programa Vida
Plena. A LBV também possui La-
res para Idosos em Teófilo Otoni
(que completa 51 anos este ano)
e Uberlândia no Estado de Minas
Gerais, e em Volta Redonda, no
Rio de Janeiro. Nos lares, os
abrigados recebem atendimento
e atenção 24 horas por dia, sendo
que em Volta Redonda, além do
regime de longa permanência,
existe a modalidade Centro-Dia,
no qual os vovôs e vovós ficam
no lar pela manhã e pela tarde, de
segunda a sexta-feira, e, depois,
voltam para suas casas para passar
a noite e o fim de semana com seus
familiares.
As atividades nos lares e
Centros Comunitários incluem
ginástica, artesanato, dança e
passeios, além de palestras, todas
acompanhadas por profissionais
da Instituição, com o objetivo de
fortalecer a cidadania e garantir
os direitos da Melhor Idade.
ArquivoBV
124 BOA VONTADE
Lar Alziro Zarur, em Teófilo Otoni/MG — em mais de
meio século de atuação, notabilizou-se pela dedicação ao
amparo à Terceira Idade, propriamente ao idoso afastado
do convívio familiar e/ou em situação de vulnerabilidade.
O residente Joaquim Lacerda, 84 anos, se afeiçoou ao
lugar e às pessoas: “Eu moro aqui há mais de 20 anos. Este
é meu lar e todos aqui são minha família. É um lugar muito
bom, todos nos tratam com muito carinho”.
Lar Alziro Zarur, em Uberlândia/MG — inaugurado
em 1961, também possui o regime de longa
permanência. Lá, os jovens da Melhor Idade recebem
o cuidado e o suporte necessários para que tenham
uma vida saudável e participativa. Para isso, contam
com alimentação balanceada, assistência médica
e atendimento social, além de participarem de
atividades recreativas e físicas regulares, de acordo
com a necessidade do atendido.
Lar Vovó Ássima e Vovô Elias Zarur,
em Volta Redonda/RJ — é o mais
antigo, fundado em 1957, e implantou
a modalidade Centro-Dia. Além do
ambiente acolhedor, destaca-se pela
qualidade do serviço e acessibilidade.
As salas de serviço social e de terapia
ocupacional possuem revestimento,
piso antiderrapante e portas largas para
facilitar o acesso de cadeirantes.
Unidades
de abrigagem
da LBV
Fotos: Vivian R. Ferreira
PatríciaOliveira
BOA VONTADE 125
DanielTrevisan
Walter
Periotto é
jornalista. Foi
representante
da LBV dos
Estados
Unidos da
América, na
década de
1980.
Walter Periotto | Especial para a BOA VONTADE
Melhor idade
A
crise hídrica na Grande São
Pauloeemmunicípiosdointe-
rior paulista serve de exemplo
para outras cidades brasileiras, assi-
nalando que o cuidado com as reser-
vasnaturaisnãoémaisumaescolha,
esimalgodesumarelevânciaparaa
sobrevivênciadecadacidadão.Aose
observaresseepisódio,algunsaspec-
tosficamevidentes,merecendoséria
reflexão de todos nós. O primeiro
é o de que os seis reservatórios do
Sistema Cantareira, que abastecem
essas regiões, não conseguem mais
acompanhar o crescimento do con-
sumo. Além disso, pesam nessa
balança a degradação sofrida pelos
rios da maior capital do país, a per-
da ainda grande de água na rede de
distribuição desse líquido precioso
e um desperdício inconcebível dele
por parte da população.
Crise,
aquífero e a urgente atitude
126 BOA VONTADE
Se pensarmos no futuro, perce-
beremos que as coisas tendem a ser
piores, caso nada seja feito agora,
pois a demanda por recurso só deve
aumentar. É necessário investir ur-
gentemente em sistemas de recicla-
gem e de reúso de água, bem como
procurar novas fontes de abasteci-
mento. Nesse particular, uma das
mais promissoras — claro, se for
utilizada com inteligência e bus-
cando-se métodos sustentáveis —
é o Aquífero Guarani, enorme
lençol subterrâneo de água locali-
zado entre o Brasil, a Argentina, o
Uruguai e o Paraguai, que abrange
cerca de 1,2 milhão de quilômetros
quadrados.
Emboraestudorecentedogeólo-
go José Luiz Flores Machado, do
ServiçoGeológicodoBrasil,mostre
que esse aquífero tem capacidade
menor do que se supunha — em
1996, o geólogo uruguaio Danilo
Anton chegou a considerar que ele
seriacapazdeabastecerapopulação
brasileiradurante2.500anos—,isso
não invalida o importante papel das
águas subterrâneas na minimiza-
ção dos problemas do cenário de
escassez de chuvas que vivemos
atualmente. Na pesquisa, José Luiz
afirma que não existem ainda traba-
lhos detalhados sobre toda a área de
ocorrência do aquífero e que “teria
sido melhor denominá-lo ‘Sistema
Aquífero Guarani’, já que se trata
de um conjunto heterogêneo de
‘unidades hidroestratigráficas’ que
podem conter muita, pouca ou ne-
nhuma água”.
Uma boa notícia para os pau-
listas é a de que “São Paulo está
entre os Estados mais privilegia-
dos, pois é onde a potencialidade
do Aquífero Guarani mais se
aproxima da noção divulgada
pela imprensa”, declara. No en-
tanto, a utilização desse grande
reservatório exige que sejamos
racionais e fraternos, para que o
Brasil se beneficie dele, progrida
e, ao mesmo tempo, preserve tão
magnífico patrimônio ambiental
para as novas gerações.
Localização do Aquífero Guarani
BOA VONTADE 127
A Esperança não morre nunca
Paiva Netto
A Esperança
não morre nunca!
Nunca!
Não morre, não!
Pois, como a vida,
que é eterna,
mãe tão fraterna,
pode morrer?!
Não, não morre
nunca!
Não morre, não,
a Esperança no coração!
S
ou um Soldadinho de Deus
alegre, porque aprendo que
Deus e Jesus trazem Paz e
Amor para todos nós.
É com Jesus que aprendo a
amar. O Amor é Paz para nós. Eu
Daniel Muniz Pacheco, 7 anos
Campos Altos/MG
Sou um Soldadinho de Deus
também aprendi que quando estou
com Jesus nada de mau acontece.
O Irmão Paiva nos fala que
“Jesus é o Grande Amigo que
não abandona amigo no meio do
caminho”.
Arquivopessoal
Copyright © desenho: William Luz
Soldadinhos de Deus
Desenho constante do
livro Jesus e os doutores
da lei, da coleção “Os
Milagres de Jesus”.
(1) Victoria Franchi, 3 anos, com a mamãe, Angelina Gaona. Buenos Aires, Argentina; (2) Wemerson de Aquino Ramos, 9 anos.
Del Castilho, Rio de Janeiro/RJ; (3) Pedro de Freitas Alves, 1 ano, com a mamãe, Cristina Freitas. Curitiba/PR; (4) Letícia Capi-
che Campos, 4 anos. Vila Velha/ES; (5) Davi Hiroshi Freire Tengan, 7 anos. Brasília/DF; (6) Maria Clara de Jesus Mota da Cruz,
com 1 mês. Pais: Jaqueline de Jesus e Alex Mota da Cruz. Rio de Janeiro/RJ; (7) Tamara Gallo Leopoldino, aos 3 meses. Pais:
Sílvia e Paulo Leopoldino.Vista Alegre do Alto/SP; (8) Elisa Gabrielle Amiranda, 10 anos. Atibaia/SP; (9) Sophia Helena Mauro
Alves, 7 anos. São Paulo/SP; (10) os irmãos Matheus Vinícius, 12 anos, e Pedro Gabriel de Matos Andrade, 1 ano. Salvador/BA;
(11) Henrique Gomes Mendes, aos 9 meses. Pais: Gisele Aparecida e José Franklin Mendes. São Paulo/SP.
11
7
321
108 9
4 5 6
Galeria de fotos
1 2
3
4
Ajude as formigas a encontrar suas colegas de trabalho.
Ajudeasformigasaencontrar
suascolegasdetrabalho.
Resposta:2.
Resposta
Fotos:Arquivopessoal
BOA VONTADE 129
DanielTrevisan
Adriane
Schirmer,
professora.
Adriane Schirmer | Especial para a BOA VONTADE
A
o notar que eles não estão
ao seu alcance, o que você
deve perguntar: “Onde está
omeuóculosouOndeestãoosmeus
óculos?”.Acertou quem escolheu a
segunda opção. E a explicação é
simples: o substantivo óculos só
apresenta a forma plural. Então,
o correto é uns óculos, assim como
um par de óculos, meus óculos. 
O mesmo vale para núpcias,
pêsames, cumprimentos, para-
béns, entre outras. Observe o exem-
plo extraído do artigo “Sejamos
Aprendendo Português
Onde estão meus óculos?
sempre como namorados”, no qual
o jornalista Paiva Netto nos ensi-
na: “O Amor provém da Alma. Do
contrário, pode morrer na noite
de núpcias...  Mas, se tiver como
alicerce o Espírito e o coração de
ambos os amantes, aí a lua de mel
se repetirá por toda a vida, apesar
das rusgas que sempre ponteiam a
convivência de um casal”.
Também ficam no plural as pa-
lavras que concordam com esses
termos (pronomes, artigos, adjeti-
vos), como nas frases:
“HojeéaniversáriodeNina.Logo
pela manhã, dei os parabéns a ela”; 
“Meus cumprimentos pela
conquista”;
“Meus sentimentos pelo la-
mentável ocorrido”;
“Aos seus estimados familia-
res, as nossas condolências”.
Para finalizar, transcrevo a nota
“Utilidade Pública”, extraída do
artigo “Santiago Andrade” (feve-
reiro de 2014), na qual Paiva Netto
alerta:“Overãoesteanoeafaltade
chuva em vários Estados reforçam
a necessidade de economizarmos
água, energia elétrica, enfim, não
sermos perdulários. E, com as altas
temperaturas, cuidados básicos
para preservar a saúde não podem
ser ignorados.Além de manter uma
alimentaçãosaudávelehidratar-se,
é preciso atenção com o sol, princi-
palmente ao ar livre, na praia, na
piscina. O dr. Adilson Costa, chefe
de serviço de dermatologia da PUC
deCampinas/SP,recomendou:‘Pri-
meiro: evitar exposição solar entre
10 e 16 horas. Segundo: aplicar fo-
toprotetores na pele de forma muito
exagerada a cada duas horas. Nós
orientamos um fotoprotetor com
FPS de no mínimo 30. E de pre-
ferência que a pessoa use óculos
escuros, chapéus de abas largas,
aquelas roupas que tenham fatores
de proteção solar nas suas formas
(...)’”.
Bom estudo e até a próxima!
130 BOA VONTADE
SUSTENTABILIDADE.
Este é um dos nossos valores.
A Celpe, empresa do Grupo Neoenergia, trabalha
para fornecer energia elétrica com qualidade e
confiabilidade. É por isso que a concessionária
investe cada vez mais em tecnologias inovadoras
e sustentáveis.
A construção de usinas solares, em São Lourenço
da Mata e na Ilha de Fernando de Noronha,
o desenvolvimento do Projeto de Redes Elétricas
Inteligentes e dos programas Vale Luz, Nova
Geladeira e Energia Verde são apenas alguns
exemplos de uma gestão orientada para a
sustentabilidade em todos os seus processos.
Iniciativas como essas contribuem para o
crescimento econômico do Estado, gerando
desenvolvimento com qualidade de vida
e preservação do meio ambiente para as
futuras gerações.
Revista Boa Vontade, edição 237

Revista Boa Vontade, edição 237

  • 1.
    Paiva Netto alertapara a ”Covardia contra crianças“ e afirma: “Fechar os olhos para a violência contra as crianças e seus cruéis desdobramentos é uma barbaridade ainda muito presente no mundo” (leia na íntegra na p. 8) encarte especial BOA VONTADE reúne especialistas para analisar a nova realidade do Terceiro Setor LBV compartilha expressivos resultados das Pedagogias do Afeto e do Cidadão Ecumênico em conferência nas Nações Unidas ANO 58 • No 237• R$ 7,90 64anos Cardoso Laura Amor à vida, humildade e alegria: marcas que mantêm a jovialidade desta dama do teatro e da televisão, aos 87 anos App gratuito da revista BOA VONTADE educação em debate templo da boa vontade Comemorações históricas de Fé, Emoção e Paz no dia 8/11/2014, em Brasília/DF
  • 2.
    DIA8denovembrode2014 PaivaNettocelebra comopovoemBrasília/DF: Alziro Zarur e PaivaNetto: amizade firmada em Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. • Alziro Zarur (1914-1979) Centenário de nascimento do saudoso Proclamador da Religião do Amor Universal Duas décadas do Fórum Irrestrito e Ecumênico (1994-2014) • ParlaMundi da LBV • Proclamação da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo 41 anos de Fraternidade Real (1973-2014) TBV: SGAS 915, Lotes 75 e 76, Brasília/DF. Tel.: (61) 3114-1070 • www.tbv.com.br
  • 3.
    25anos TemplodaBoaVontade JubileudePrata Inscreva-se já nasCaravanas da Boa Vontade! Informações nas Igrejas Ecumênicas da Religião Divina 0300 10 07 940 — www.tbv.com.br/25anos (1989-2014)
  • 4.
    34 Ruth deSouza: Referência, simpatia e pioneirismo. Na foto, com o saudoso Grande Otelo. 15 Domingos Meirelles Eleito novo presidente da ABI 13 cacá diegues Trajetória na vida e no cinema 13 Lucinha Araújo Os parabéns por mais um aniversário 16 ronnie von é tema de biografia 14 Nathalia Timberg 60 anos de carreira em obra literária 14 mauricio de sousa Poesia de cordel 12 LAURENTINO GOMES Edição revista e ampliada de 1808 18 celso antunes escreve Sala de aula e futebol 17 Mary del priore História do sobrenatural e do espiritismo Sumário 8 covardia contra crianças Paiva Netto 12 Cartas, e-mails, livros e registros 21 Opinião — Esporte por José Carlos Araújo Racismo nunca mais! 22 Arte e Cultura Laura Cardoso — exemplo de talento e trabalho 29 Opinião — Educação por Arnaldo Niskier A história do vocabulário 30 Samba & história por Hilton Abi-Rihan Sururu na Roda — Deu samba! 34 Abrindo o coração Ruth de Souza — Referência e pioneirismo 38 Internacional — Empoderamento das mulheres Atuação da LBV para igualdade de gêneros 44 LBV na ONU • Educação e sustentabilidade (p. 44) • Desafios do futuro (p. 50) 56 comportamento Quando a ansiedade compromete o seu bem-estar 64 Ação jovem LBV Globalização do Amor Fraterno de Jesus 72 empreendedorismo Conexão Empresarial 8 Paiva Netto escreve: Covardia contra crianças 4 BOA VONTADE
  • 5.
    73 No encarteespecial, os drs. Airton Grazzioli, José Eduardo Sabo Paes e Marcelo Henrique dos Santos escrevem sobre a nova realidade do Terceiro Setor (páginas de 73 a 87) 18 beto junqueyra Visita à LBV 116 Mal de Alzheimer: O que fazer para prevenir a doença que pode triplicar em números de casos até 2050 21 José Carlos araújo Racismo nunca mais! 29 Arnaldo Niskier A história do vocabulário 72 márcio utsch Palestra no Conexão Empresarial 72 Paulo Cesar de oliveira Promove evento em BH 88 nelson leite Abradee premia as melhores do setor energético 73 terceiro setor — encarte especial • A nova realidade do Terceiro Setor (p. 74) • Articulação social (p. 84) • Capacitação e menos burocracia (p. 87) 88 responsabilidade social Abradee premia as melhores 92 Educação em Debate Mobilização como estratégia de aprendizagem 103 inclusão produtiva LBV capacita jovens e adultos para o mercado de trabalho 106 Literatura 23a Bienal Internacional do Livro de São Paulo 112 .opinião — mídia Alternativa por Carlos Arthur Pitombeira Na agenda dos próximos quatro anos 116 saúde Será Alzheimer? 122 melhor idade • O mundo cada vez mais grisalho (p. 122) • Crise, Aquífero e a urgente atitude (p. 126) por Walter Periotto 128 soldadinhos de deus 130 Aprendendo português por Adriane Schirmer Onde estão os meus óculos? Canais da LBV na internet www.lbv.org.br Facebook: LBV Brasil Twitter: @LBVBrasil Youtube: LBV Videos Orkut: LBV Flickr: flickr.com/lbvbrasil 44 LBV coordena painel temático na sede da Organização das Nações Unidas BOA VONTADE 5
  • 6.
    Ao leitor Sempre emfoco na Legião da Boa Vontade, o compromisso com a qualidade na educação firma- da na Espiritualidade Ecumênica é pauta de duas importantes reportagens desta edição, além de ser destaque na entrevista com a consagrada atriz Laura Cardoso, capa deste número e um exemplo de talento e trabalho. A primeira aborda a partici- pação da LBV na 65a Conferência Anual de ONGs do Departamento de Informação Pública (DPI, na sigla em inglês) das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos, em agosto. Na oportunidade, a Instituição colaborou para a elaboração de uma “Agenda de Ação” que mobilize as negociações das metas de desenvolvimento pós-2015, conhecidas como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A LBV realçou a necessidade de se pro- mover educação para impulsionar o exercício da cidadania plena, preparando as futuras gerações para ser protagonistas de uma sociedade solidária e sustentável. No outro texto, discorre-se sobre o 13o Congres- so Internacional de Educação da LBV, realizado na capital paulista, de 30 de julho a 1o de agosto. Por meio de palestras e oficinas pedagógicas, o tema do encontro, “Mobilização como estratégia de aprendizagem: uma visão além do intelecto”, foi debatido com o público presente sob diversos aspectos, dando-se resposta a problemas antigos na área, entre os quais o analfabetismo funcional e a falta de interesse dos alunos pelos conteúdos transmitidos. Também em prol da infância e da juventude, o diretor-presidente da LBV, jornalista, escritor e radialista José de Paiva Netto, faz esta contundente advertência ao comentar o relatório “Ocultos à ple- na luz”, do Fundo das Nações Unidas para a Infân- cia (Unicef), divulgado em 4 de setembro: “Fechar os olhos para a violência contra as crianças e seus cruéis desdobramentos é uma barbaridade ainda muito presente no mundo”. Para ele, sem o res- peito aos direitos fundamentais das crianças e dos jovens não haverá futuro para as nações. “E não se cresce, material e espiritualmente saudável, sem afeto, sem Amor Fraterno”, completa. Na seção “Comportamento”, importante alerta: vivemos atualmente em uma sociedade urgente, rápida e ansiosa. Por isso, a matéria mostra o que fazer para não deixar a ansiedade prejudicar a vida diária da pessoa. Boa leitura! Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica BOA VONTADE é uma publicação da LBV, editada pela Editora Elevação. Registrada sob o no 18166 no livro “B” do 9o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo. Diretor e Editor-responsável: Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP chefe de redação: Rodrigo de Oliveira — MTE/DRTE/SP 42.853 JP Coordenação geral de Pauta: Gerdeilson Botelho Superintendência de marketing e comunicação: Gizelle Tonin de Almeida Jornalistas Colaboradores Especiais: Airton Grazzioli, Arnaldo Niskier, Carlos Arthur Pitombeira, Daniel Borges Nava, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e Paulo Kramer. Equipe Elevação: Adriane Schirmer, Cida Linares, Diego Ciusz, Giovanna Pinheiro, Leila Marco, Leilla Tonin, Mariane de Oliveira Luz, Mário Augusto Brandão, Neuza Alves, Paulo Azor, Silvia Fernanda Bovino, Valéria Nagy, Vivian R. Ferreira, Walter Periotto, Wanderly Albieri Baptista e William Luz. Projeto Gráfico e capa: Helen Winkler Diagramação: Diego Ciusz, Felipe Tonin e Helen Winkler Impressão: Mundial Gráfica Crédito da foto de capa: Vivian R. Ferreira Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 • Bom Retiro • CEP 01134-050 • São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225-4971 • Caixa Postal 13.833-9 • CEP 01216-970 • Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de estimular o debate dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento contemporâneo. A N O 5 8 • N o 2 3 7 • M A I / J U N / J U L / A G O 2 0 1 4 Tiragem: 50 mil exemplares Edição fechada em 27/9/2014 Reflexão de BOA VONTADE Para que nosso planeta sobreviva aos efeitos de tanta ganância pelos séculos, verdade seja dita, temos visto notáveis esforços de pesquisadores e de cidadãos engajados na melhora da qualidade de vida por todo o globo. Aliados às iniciativas que buscam a alimentação saudável, por intermédio da agricultura orgânica, meios de transporte alternativos e a proteção do meio ambiente, pela reciclagem e pelo tratamento racional do lixo e apro- veitamento das águas da chuva, excelentes trabalhos de cientistas e outros estudiosos prometem bons resultados no curto e no longo prazo. Por exemplo, é intensa a pes- quisa na área energética, sobretudo em relação a fontes renováveis e limpas: biocombustível, biomassa, energia azul, energia geotérmica, energia hidráulica, hidreletri- cidade, energia solar, energia maremotriz, energia das ondas e energia eólica, além de outros objetos de estudo pouco conhecidos e aqueles que nem mesmo sabemos ainda que serão descobertos. A Fé é o combustível das Boas Obras. Paiva Netto 6 BOA VONTADE
  • 8.
  • 9.
    RaquelBertolin José de PaivaNetto, jornalista, radialista e escritor. É diretor-presidente da LBV. F echar os olhos para a violência contra as crianças e seus cruéis desdobramentos é uma barbaridade ainda muito presente no mundo. É o que nos mostra o relatório do Fundo das Na- ções Unidas para a Infância (o Unicef) “Ocultos à plena luz”, divulgado no dia 4 de setembro deste ano.  Segundo esse órgão internacional: “É a maior compilação de dados jamais realizada sobre violência contra a criança”. O trabalho, com núme­ros coletados em 190 países, detalha as terríveis e duráveis consequências de agressões sofridas na fase infantojuvenil. As vítimas, pos- teriormente, se tornam adultos mais propensos a ficar sem emprego, a viver na pobreza e a manifes- tar comportamento agressivo. E aqui um ponto que deve ser levado em alta consideração. Os pesqui- sadores observam que o estudo diz respeito apenas aos indivíduos que puderam e quiseram responder aos questionamentos. Ou seja, as estimativas le- vantadas refletem pequena parte do problema.  Isso ocorre, porque as comu- nidades, as escolas, os lares não cumprem devidamente suas obri- gações com os pequeninos. O dr. Anthony Lake, diretor-exe- Anthony Lake Divulgação BOA VONTADE 9
  • 10.
    Covardia contra crianças cutivodo Unicef, é contundente: “São situações desconfortáveis — nenhum governo ou pai ou mãe quer vê-las”. No entanto, como ele mesmo enfatiza, devemos en- carar os fatos se quisermos mudar a mentalidade que acha normal e permissível essa violência diária, em todos os lugares. E completa: “Embora a maior prejudicada seja a criança, também dilacera o tecido da sociedade, minando a estabilidade e o progresso. Mas essa violência não é inevitável. Pode ser prevenida — desde que nos recusemos a deixar que ela permaneça nas sombras”. Alguns dos índices apontados pela pesquisa, em contextos mun- diais, nos dizem que crianças e Ilustração:WilliamLuz–SoldadinhosdeDeus,daLBV. Jesus, no Evangelho, segundo Mateus, 19:14, apresentou-se como Segurança Divina para as crianças: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os impeçais, porque deles é o Reino dos Céus”. adolescentes com menos de 20 anos representam um quinto das vítimas de homicídio, o que re- sulta em perto de 95 mil mortes em 2012; cerca de 120 milhões de meninas com menos de 20 anos (aproximadamente uma em cada dez) foram forçadas a ter relações sexuais ou a praticar outros atos sexuais; e pouco mais de um em cada três estudantes entre 13 e 15 anos são vítimas frequentes de bullying na escola. Que providências tomar O Unicef indicou estratégias para que toda a sociedade, desde as famílias aos governos, possa trabalhar para reduzir tamanha tra- gédia. Elas incluem “prestar apoio aos pais e desenvolver na criança habilidades de vida; mudar atitu- des; fortalecer sistemas e serviços judiciais, criminais e sociais; e gerar evidências e conscientização sobre violência e seus custos hu- manos e socioeconômicos, visando à mudança de atitudes e normas”. Dentre as numerosas frentes de trabalho da Legião da Boa Vontade, cuidar bem das crianças é uma de suas mais relevantes e reconhecidas ações. Tenho gran- de esperança na semeadura que fazemos há mais de 64 anos nos corações humanos e espirituais. A Pedagogia do Afeto e a Peda- gogia do Cidadão Ecumênico, que desenvolvemos na rede de ensino da LBV, com o apoio do povo, possuem elevados propó- sitos de salvaguardar a infância e a juventude em risco social. A evasão escolar nas unidades da LBV tem índice zero, informa a diretora do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, a doutoranda em Educação Suelí Periotto. Não se tem qualquer garantia de futuro melhor para as nações sem respeito aos direitos funda- mentais das crianças e dos jovens. E não se cresce, material e espi- ritualmente saudável, sem afeto, sem Amor Fraterno.  Cumprir com acerto as res- ponsabilidades que nos cabem é atender ao alertamento de Jesus, o Cristo Ecumênico, portanto, universal. No Seu Evangelho, segundo Mateus, 19:14, Ele diz: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os impeçais, porque deles é o Reino dos Céus”. 10 BOA VONTADE
  • 11.
    Antônio Ermírio deMoraes (1928-2014) Um ser humano bom paivanetto@lbv.org.br www.paivanetto.com A ntônio Ermírio de Moraes (1928-2014), empresário, pre- sidente de honra do GrupoVo- torantim e engenheiro metalúrgico, formado pela Colorado School of Mines. Mas, acima de tudo, foi um ser humano de nobres ideais, que promoveu iniciativas em prol das comunidades menos favorecidas. Ele voltou à Pátria Espiritual no dia 24 de agosto (domingo), em São Paulo/SP, deixando-nos louváveis exemplos. Em 1996, por seu empenho às causas humanitárias, recebeu do ParlaMundidaLBV,emBrasília/DF, a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, na categoriaIndústriaeComércio.Sua proximidade com o pensamento altruísta ficou bem evidente em entrevista que concedeu, certa vez, à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (Rádio, TV, internet e publicações): “Todo homem responsável desta nação tem de deixar de ser egoísta. Ele tem de se preocupar com uma coisa chamada Humanidade. Tem de se preocupar com seus vizinhos, com as suas aflições, com seus problemas, procurar dar-lhes a mão, ajudá-los com esse espírito comunitário que estamos lançando no Brasil. Sempre que puder, teremos imenso prazer em ajudar a LBV”. Incentivador da cultura, es- creveu e produziu peças teatrais, destacando os desafios brasileiros. Nessa mesma linha, em 2006, lançou o livro Acorda, Brasil!. Com satisfação, guardo exemplar autografado pelo ilustre autor: “A José de Paiva Netto, com apreço do Antônio Ermírio de Moraes”. Fernando Pessoa (1888-1935), notável vate português, com ilumi- nada inspiração retratou: “A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto”. Portanto, conscien- tes dessa verdade, desejamos ao Espírito Eterno Antônio Ermírio de Moraes votos de muita Paz onde estiver, no Mundo Espiritual. Aos seus familiares e amigos, particularmente à sua esposa, dona Maria Regina Costa de Moraes, e aos nove filhos do casal a solida- riedade dos Legionários da LBV. ClaytonFerreira BOA VONTADE 11
  • 12.
    Cartas, e-mails, livrose registros O trabalho realizado pelo jornalista Paiva Netto é muito louvável, razão por que nós, pela segunda vez consecutiva, reco- nhecemos os esforços dele como profissional da Comunicação. A LBV tem uma ação excelente em todo o Brasil e em outros países de suma importância, principalmente para as pessoas menos favoreci- das e para os que buscam uma palavra de conforto espiritual. Os artigos de Paiva Netto trazem Paz, Amor, Fraternidade. Curvelo é brindada com a participação dele na condição de colunista. Ele tem engrandecido o nosso trabalho e sido elogiado por parte da popu- lação da cidade e região. (Geraldo Magela, jornalista e radialista, ao comentar homenagem feita ao dirigente da LBV com a entrega do prêmio 7o Mérito Radiofônico João Guimarães Rosa, do jor- nal E Agora?, de Curvelo/MG, periódico do qual é diretor.) Meus agradecimentos pela revista [BOA VON- TADE 236], cujas re- portagens enriquecem meus sentimentos. (...) Sobre [o arti- go “Deus, Brasil e globalização*”], como sempre, Paiva Netto, muito inspi- rado pela Espiritualidade Superior, nos traz essa excelente mensagem como um refrigério para o nosso espírito. Abraços fraternais. (João BaptistadoValle,membrodoCon- selho Deliberativo da Federação Espírita do Estado de São Paulo.) No dia 31 de agosto, o historiador e escritor Laurentino Gomes relançou, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, seu best-seller 1808 (Globo Livros), em edição revista e ampliada. Nele, traz um capítulo inédito, com informações até hoje pouco conhecidas sobre a criação do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves, em dezembro de 1815. Na ocasião, ainda foi apresentada a versão em e-book do título, pela primeira vez acessível ao público brasileiro. Cabe destacar que, em 2008, a obra recebeu o Prêmio ABL de Ensaio, Crítica e História Literária, da Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Jabuti de Literatura nas categorias “Reportagem” e “Livro do Ano Não Ficção”. Laurentino, que escreveu igualmente 1822 e 1889, dedicou um exemplar da recente edição de 1808 ao dirigente da LBV, no qual registrou: “Para Paiva Netto, com um afetuoso abraço e gratidão do autor”. 1808, de Laurentino Gomes, ganha edição revista e ampliada VivianR.Ferreira Laurentino Gomes em sessão de autógrafos da nova edição da obra literária 1808. Fico satisfeita em saber que a LBV instrui a nova geração sobre a importância da preservação desse elemento tão precioso: a água. Para- béns! (Leni Cedro, Cabo Frio/RJ.) Émaravilhososaberqueaqueles que representam o futuro estão sen- do preparados e conscientizados desde pequeninos. Parabéns às crianças lindas e inteligentes da *O artigo “Deus, Brasil e globalização” pode ser encontrado na internet (no site www.paivanetto.com). 12 BOA VONTADE
  • 13.
    Com 74 anosde idade e 52 de carreira, Cacá Die- gues, um dos fundadores do Cinema Novo — movimento que deu início a uma nova maneira de filmar e pensar o Brasil, com foco na realidade nacional e uma linguagem adequada à situação social do período —, apresentou ao público, em 12 de agosto, a autobiografia Vida de cinema — Antes, durante e depois do Cinema Novo (Editora Objetiva). O ato ocorreu na capital fluminense e reuniu personalidades, leitores e amigos do autor. Na obra, ele conta sua trajetória de sucesso no ci- nema, passando pela infância em Alagoas até o triunfo no Festival de Cannes. O livro é um relato das últimas cinco décadas do Brasil pela voz de Diegues, que traça o panorama de uma época marcada pela modernização do país na década de 1950, pela efervescência cultural dos anos 1960 e pelo processo de redemocratização. No evento de lançamento do título, o autor encami- nhou um exemplar deste ao dirigente da LBV, no qual escreveu a seguinte dedicatória: “Para Paiva Netto, com o meu abraço”. Cacá Diegues e a trajetória na vida e no cinema Em livro autobiográfico, Cacá Diegues também expõe memórias sobre o cinema brasileiro. LBV e à Instituição pelo grande trabalho humanitário. (Jandira Maria Pereira, São Paulo/SP.) PriscillaAntunes É com muito orgulho que agradeço pelo livro Jesus, o Profeta Divino, cuja leitura do virtuoso ensinamento me enri- quece profundamente. Sinto- -me esclarecido e confortado. Estudantes do Centro Educacional da Legião da Boa Vontade, situado em Del Castilho, Rio de Janeiro/RJ, visitaram, em 7 de agosto, a Sociedade Viva Cazuza, no bairro Laranjeiras, zona sul da capi- tal fluminense. Na oportunidade, parabenizaram a fundadora da organização e amiga de Boa Vontade, Lucinha Araújo, pelo aniversário dela. Durante o encontro, a garotada percorreu as dependências da entidade, que ampara crianças e adolescentes portadores do vírus da aids, bem como teve contato com o acervo do cantor e compositor Cazuza (1958-1990), filho de Lucinha. Ela, por sinal, ao receber um buquê de flores das alunas atendidas pela Instituição, disse: “Conheço o traba- lho da LBV. Sei que também é um trabalho lindo”. Alunos atendidos pela LBV parabenizam Lucinha Araújo Crianças atendidas pela LBV são recebidas pela presidente da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo. Ao fim da visita, a anfitriã foi homenageada pela passagem de seu aniversário. PriscillaAntunes BOA VONTADE 13
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    Para marcar seus85 anos de vida — 60 deles dedicados à carreira artística —, Nathalia Timberg lançou, em 23 de setembro, sua biografia, escrita pelo jornalista Cacau Hygino. A noite de autógrafos do livro Nathalia Timberg — Momentos (Editora M.Books) ocorreu no bairro de Copacabana, na zona sul da capital fluminense, reunindo personalidades, artistas consagrados, amigos da artista e leitores.  A obra narra fatos marcantes na vida da atriz, entre os quais o início no teatro, nos anos 1930, quando ainda era menina, e os inúmeros papéis na televisão.  Os autores dedicaram um exemplar da obra ao diretor-presidente da LBV, com as seguintes mensa- gens: “Para Paiva Netto, um grande abraço. Nathalia  Timberg” e “Querido Paiva Netto, com carinho. Cacau”. Que tal passear pela história de nosso país de maneira bem divertida? Essa é a proposta do livro O Brasil no papel em poe­ sia de cordel (Editora Melhoramentos), de Mauricio de Sousa e Fábio Sombra, lançado no dia 23 de agosto, em São Paulo/SP. Nele, os famosos personagens da Turma da Mônica viajam pelo território nacional para conhecer os costumes e as tradições de vários Estados, retratando as belezas e a diversidade cultural brasileiras por intermédio da literatura de cordel. Por ocasião do lançamento, Mauricio de Sousa concedeu entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (TV, rádio, internet e publicações) e dedicou um exemplar da obra às meninas e aos meninos atendidos pela Legião da Boa Vontade, no qual regis- trou a seguinte mensagem: “Às lindas crian- ças da LBV, com todo o carinho. Mauricio”. 60 anos de carreira da atriz Nathalia Timberg Mauricio de Sousa e Fábio Sombra: poesia de cordel Escrito pelo jornalista Cacau Hygino, o livro narra importantes momentos da vida de Nathalia Timberg. O cartunista Mauricio de Sousa exibe exemplar de livro produzido de parceria com o escritor Fábio Sombra. PriscillaAntunes VivianR.Ferreira Cartas, e-mails, livros e registros Que o Grande Arquiteto do Universo mantenha Paiva Netto fazendo transbor- dar tamanha sabedoria, dádiva que muito enobrece o ser humano. (Elias Corrêa de Menezes, Santa Luzia/MG.) 14 BOA VONTADE
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    O reality showAmerican Chopper, transmitido pelo canal de TV Discovery Channel, transformou a Orange County Choppers em uma das mais famosas fabricantes de motos customizadas do mundo. Em 24 de agosto, na oficina e set de gravação dos episódios do programa, na cidade de Newburgh, Estado de Nova York, EUA, o fundador da marca, Paul Teutul Senior, teve a oportunidade de conhecer um pouco do trabalho da Legião da Boa Vontade. Na referida data, o empresário recebeu a visi- ta de representantes da LBV dos Estados Unidos, que lhe entregaram lembranças confeccionadas por alunos do Conjunto Educacional Boa Von- tade, localizado na capital paulista. Feliz com a singela homenagem, ele agradeceu e afirmou: “Vou expô-las na parede de meu escritório”. Fundador da Orange County Choppers recebe homenagem da LBV AdrianaRocha O jornalista Domingos Meirelles foi eleito presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pela Chapa Vladimir Herzog. Pela primeira vez na história da entidade, um repórter assume a Presidência da Casa dos Jornalistas. Duas chapas concorreram à eleição. A Chapa Vladimir Herzog teve 218 votos e a Chapa Prudente de Morais, neto 147, sendo apurados dois votos nulos. O pleito foi realizado em seis capitais — Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Maceió, Brasília e São Luís. No maior colégio eleitoral da entidade, no Rio de Janeiro, com 303 eleitores, a Chapa Vladimir Her- zog conquistou 167 votos e a Prudente de Morais, neto, 134. Após a apuração dos votos, o presidente da Mesa Diretora, Marcus Miranda, proclamou a vitória da Chapa Vladimir Herzog. Este foi o pleito com a maior participação de associados da história da entidade. O novo presidente da ABI é também escritor com várias obras publicadas, entre elas As Noite das Grandes Fogueiras — Uma História da Coluna Prestes (Prêmio Jabuti de Reportagem de 1996), e 1930 — Os Órfãos da Revolução, vencedor do Jabuti de 2006, na categoria “Ciências Humanas”. Domingos Meirelles é o novo presidente da ABI Fonte: site da ABI AntonioChahestian/Record BOA VONTADE 15
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    Divulgação Em Ronnie Von:o príncipe que podia ser rei (Planeta do Brasil), escrito pelos jornalistas Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel, o leitor conhecerá a trajetória profissional do cantor e apresentador do programa Todo Seu, transmitido pela TV Gazeta. Lançado em 1o de agosto, o livro está repleto de fotos de diversas fases da carreira de Ronnie Von, entre estas a da Jovem Guarda — movimento do qual foi um dos ícones —, além de publicar sua discografia completa. Para a elaboração da obra, Guerreiro e Pimentel gravaram mais de cem horas de entrevistas com o artista e ouviram mais de cinquenta pessoas que conviveram ou convivem com ele. Em noite de autógrafos, na capital bandeirante, o biografado e os autores receberam diversas perso- nalidades, amigos e admiradores. Eles dedicaram um exemplar do título ao diretor-presidente da LBV, no qual registraram as seguintes palavras: “Paiva O professor e escritor português José Pacheco, com a colaboração do professor Samuel Lago, lan- çou, em 22 de agosto, na capital paulista, o livro Crônicas Educação 2: denunciar e anunciar (Editora Ronnie Von é tema de biografia Professor José Pacheco reúne experiências educacionais em livro Ronnie Von é ladeado pelos jornalistas Antonio Guerreiro (D) e Luiz Cesar Pimentel. Os professores Samuel Lago (E) e José Pacheco autografam exemplares de sua recente obra literária. Netto, uma honra que nos leia. Obrigado, Luiz”; “Paiva Netto, um abraço. Guerreiro”; e “Ao Paiva Netto, meu abraço, meu carinho! Parabéns pela obra! Ronnie Von”. Nossa Cultura). A sessão de autógrafos foi bastante concorrida e reuniu personalidades, educadores e amigos dos autores. Antes dela, o público participou de um bate-papo sobre a abordagem educacional que a obra oferece. Em crônicas, a publicação contribui para a quebra de paradigmas relacionados aos assuntos atuais que são tratados na área educacional, além de expor as experiências técnico-pedagógicas viven- ciadas pelo professor Pacheco na Escola da Ponte, em Portugal. Cabe ressaltar que essa Instituição, idealizada pelo próprio educador, se notabilizou pelo inovador projeto educativo, firmado na autonomia dos estudantes. Por ocasião do lançamento, os autores dedicaram um exemplar do novo título ao diretor-presidente da LBV. “Para o Paiva Netto, grato. José Pacheco” e “Paiva: reflita, desfrute! Abração do prof. Samuel Lago”, escreveram. Cartas, e-mails, livros e registrosLuizBarcelos 16 BOA VONTADE
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    O jornalista eempresário da área de comuni- cação Ricardo Viveiros lançou, em 12 de agosto, o título A vila que descobriu o Brasil — A incrível história de Santana de Parnaíba (Geração Edito- rial), em livraria da capital paulista. O concorrido evento reuniu personalidades, além de amigos e familiares do autor. Os mais de quatro séculos desse município, que se orgulha de ser um dos berços mais importantes da brasilidade, são contados nessa obra, com apuro e leveza. Cruzando os episódios na Colônia com os acontecimentos do período na Europa, Viveiros constrói uma narrativa que mostra como a história do pequeno povoado, depois elevado a vila e hoje uma cidade com mais de cem mil habitantes, influenciou e foi impactada pelos momentos vividos no Brasil e na Península Ibérica. Em um exemplar do livro, o escritor anotou esta dedicatória ao dirigente da LBV: “Ao grande brasileiro Paiva Netto, homem de Boa Vontade, ofereço esta história da história do Brasil. Um abraço do Ricardo Viveiros”. A renomada historiadora Mary del Priore lançou, em 25 de agosto, na capital paulista, a obra literária Do outro lado — A história do so- brenatural e do espiritismo (Planeta do Brasil). A publicação é uma narrativa instigante sobre um assunto que chama a atenção de todos que desejam conhecer cada vez mais a presença da espiritualidade na história do Brasil.  Além de tratar do desenvolvimento do espiri- tismo, criado por Allan Kardec e assimilado por muitos intelectuais brasileiros no século 19, ela descreve fenômenos populares nesse período, como o sonambulismo, o magnetismo, a atividade de cartomantes e curandeiros. No evento de lançamento do título, a escri- tora autografou um exemplar deste ao diretor- -presidente da LBV, grafando esta dedicatória: “Ao caríssimo dr. Paiva Netto, com a admiração e o abraço de Mary”. A história do Brasil na ótica de Ricardo Viveiros Historiadora Mary del Priore apresenta história do sobrenatural e do espiritismo O jornalista Ricardo Viveiros apresenta a história de Santana de Parnaíba. Historiadora Mary del Priore lança livro sobre “a história do sobrenatural e do espiritismo no Brasil”. LuizBarcelos VivianR.Ferreira BOA VONTADE 17
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    A 23ª BienalInternacio- nal do Livro de São Paulo foi palco do lançamento da nova obra do educador Celso Antu- nes, intitulada Sala de aula e futebol (Editora Vozes). Nela, o professor, que é fascinado por esse esporte, procura mostrar ao leitor a estreita relação entre o jogo e a aula e entre a rotina na escola e a emoção no campo, fazendo com que cada leitor seja um protagonista capaz de pensar identidades e de transferir experiências. O autor dedicou um exem- plar da publicação ao dirigen- te da Legião da Boa Vontade, com a seguinte mensagem: “Ao amigo Paiva Netto, por sua obra, que nos engrande- ce, e pela condição em ser brasileiro”. Educador Celso Antunes escreve Sala de aula e futebol VivianR.Ferreira VivianR.Ferreira Educador Celso Antunes Lançamento de Beto Junqueyra na Biblioteca Bruno Simões de Paiva Escritor renomado e amigo de longa data da Legião da Boa Vontade, Beto Junqueyra esteve no Instituto de Educação José de Paiva Netto, na capital paulista, para lançar A grande descoberta de Gulliver (Editora IBEP), adaptação de As viagens de Gulliver, obra-prima do escritor irlan- dês Jonathan Swift (1667-1745). Em seu mais recente título, Junqueyra busca fazer a garotada colocar-se no lugar do personagem principal, ora gigante, ora pequenino em comparação aos povos encontrados nas viagens dele, e, com isso, levá-la a vivenciar as duas facetas do bullying, a fim de incentivá-la a lidar com as diferenças com respeito ao próximo. Antes da sessão de autógrafos, num descontraído bate-papo com os estudantes do 3º ano do ensino fundamental da escola, o autor falou um pouco de sua trajetória e da importância do hábito de ler. “Foi um privilégio lançar o livro aqui e sentir a qualidade das perguntas dos alunos, sabendo que eles leem livros, num país em que há tanta ca- rência de leitura. Ganhei o dia”, declarou na ocasião, em entrevista à BOA VONTADE. LBV é reconhecida por seu trabalho diferenciado A Legião da Boa Vontade sempre trabalhou por uma educação de qua- lidade para seus atendidos. Entre as iniciativas para alcançar essa meta está a realização anual do Congresso Internacional de Educação da Instituição (leia mais sobre o assunto na p. 92). Em reconhecimento a esse trabalho, a Câmara Municipal de São Paulo encaminhou “Voto de Júbilo e Congratulações” à LBV pela 13a edição do congresso, ocorrido entre 30 de julho e 1o de agosto, na capital paulista. O requerimento partiu da vereadora Edir Sales e foi deferido pelo presidente da Câmara, José Américo. Beto Junqueyra lança livro em biblioteca escolar Cartas, e-mails, livros e registros Edir Sales Divulgação 18 BOA VONTADE
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    A Agência Nacional deEner- gia Elétrica (Aneel) reali- zou, em 27 de agosto, em sua sede em Brasília/DF, a ceri- mônia de recepção dos diretores Romeu Donizete Rufino, André Pepitone da Nóbrega e Tiago de Barros Correia, empossados no Ministério de Minas e Energia (MME), no dia 14 do mesmo mês. Fica completo, assim, o quadro da diretoria da autarquia, do qual já fazem parte os diretores José Jurhosa Junior e Reive Barros dos Santos. O evento foi prestigiado por inúmeras perso- Aneel recepciona seus diretores nalidades e empresários do setor elétrico. Reconduzidos, respectivamente, aos cargos de diretor-geral e diretor, Rufino e Pepitone destacaram, em seus discursos na ocasião, a impor- tância de a agência contar com ser- vidores qualificados e valorizados. Sobre uma atuação mais eficiente ante o atual cenário, Rufino afirmou que “o planejamento estratégico e a autonomia decisória que a Aneel possui também são fatores relevan- tes para enfrentar os desafios de promover a regulação e o desenvol- vimento do setor elétrico”. Cidadão brasileiro natural de Moçambique, Tiago Correia, mestre em Planejamento de Sistemas Ener- géticos, é o único novo membro da diretoriadaentidade.Emseupronun- ciamentonacerimônia,eleenfocoua importânciadaautonomiadaagência e da comunicação com os diversos envolvidos no setor elétrico. “Acre- dito que teremos períodos intensos, com grandes desafios e oportunida- des,nosquais,commuitahumildade para o diálogo, prestarei as minhas contribuições”, disse, referindo-se à sua expectativa de muito trabalho e aprendizado na autarquia. Romeu Donizete Rufino André Pepitone Tiago de Barros Correia José Jurhosa Junior Reive Barros dos Santos Fotos:DivulgaçãoAneel BOA VONTADE 19
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    Cartas, e-mails, livrose registros Em sessão de autógrafos na capital paulista, em 28 de agosto, o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, o escritor José Santos e a ilustradora Luyse Costa lançaram o livro O Menino do Dinheiro em cordel (Editora DSOP). O título integra a coleção O Menino do Dinheiro (que inclui os volumes: Sonhos de Família, Vai à Escola e Ação Entre Amigos), na qual um garoto sai pelo mundo ensinando às crianças um jeito todo dele de realizar sonhos, que inclui poupar dinheiro. No novo trabalho literário, o personagem central vai ao Nordeste e descobre o universo do cordel, presenciando um desafio e tanto entre dois repen- tistas sabidos e cheios de palavras. Representantes da LBV estiveram no evento de lançamento da publicação, que teve um dos exemplares dedicado pelos autores ao dirigente da Instituição, com as seguintes mensagens: “Ao amigo e grande mestre Paiva Netto, que Deus continue lhe usando como instrumento da Paz. Abração do amigo Reinaldo Domingos”; “Ao prezado Paiva Netto, com o ca- rinho do José Santos”; e “Paiva, espero que se divirta! Luyse”. Menino do Dinheiro aventura-se pela literatura de cordel Ao centro, o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos ladeado pelo escritor José Santos (E) e pela ilustradora Luyse Costa (D). LuizBarcelos Escrito por Elias Awad, o livro Oscar Schmidt — 14 motivos para viver, vencer e ser feliz (Novo Século) foi lançado recen- temente em concorrida sessão de autógrafos na capital paulista. O evento reuniu perso- nalidades, esportistas, amigos e familiares do autor e do biografado. A obra conta a história do ex-jogador de basquete, um dos ídolos do esporte bra- sileiro, abordando de forma transparente a motivação para as vitórias nas quadras, na carreira de palestrante e na luta contra o câncer.   Representantes da LBV prestigiaram o lançamento e receberam de Awad e Schmidt um exemplar da obra para o dirigente da Instituição, com as seguintes dedicatórias: “Caro Paiva Netto, luz divina e sucesso sempre! Abraço especial. Elias Awad” e “Valeu, Paiva! Oscar”. Livro conta fatos da carreira e vida de Oscar Schmidt Elias Awad (E) e o ex-atleta Oscar Schmidt LuizBarcellos 20 BOA VONTADE
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    Racismo nunca mais! Racismo nunca mais! José Carlos Araújo é locutor esportivo naRádio Transamérica FM do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do programa SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio. Arquivopessoal Opinião — Esporte José Carlos Araújo O futebol evolui a passos lar- gos fora de campo. Maior organização, conforto, re- ceitas milionárias, ações em bolsas, transações vultosas, profissionalis- mo em todos os setores, desde as categorias de base. Infelizmente, é lamentável constatar que o racismo aflora também em todos os cantos do planeta. Seria um reflexo da sociedade, do novo público-alvo? Enquanto isso, as medidas para combater esse ato repugnante são apenas paliativas. O nosso país sempre se or- gulhou de sua mistura de raças, da convivência harmoniosa, sem preconceitos. E, pasmem!, não bas- tando fugir das nossas origens, da nossa escola de futebol, copiando o antigo (e feio) modelo europeu, agora temos atitudes racistas ou, como preferem os juristas, de injúria qualificada. Atitudes des- prezíveis. Sem a união de raças, não teríamos o drible, a alegria, o improviso, a disciplina tática, que compõem o genuíno futebol-arte. Tampouco a festa criativa das ar- quibancadas. Herdamos dos negros o drible, a criatividade; dos índios, o espírito de luta; dos brancos, a disciplina tática. A mistura disso tudo é o Brasil, pentacampeão mundial. Nos primórdios do nosso fute­ bol, nos anos 1920, apenas as elites o praticavam. O Clube de Regatas Vasco da Gama, do Rio de Janei- ro/RJ, pioneiro na luta contra o preconceito, foi desafiado por dar oportunidade a negros e operários. Entre render-se às elites ou lutar pela inserção social, optou pelo caminho mais digno, sendo esta a sua maior glória. Da verdadeira união Brasil-Por- tugal nasceu o autêntico futebol brasileiro, possibilitando que sur- gissem craques como Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”; Pelé, o “Atleta do Século”; Garrincha, a “alegria do povo”; Romário; Robinho; Ronaldinho Gaúcho, Neymar; entre tantos outros. Atualmente, indo de encontro ao nosso DNA misturado, copia- mos a insossa fórmula europeia de torneio, paramos no tempo em ter- mos de administração, profissiona- lismo e estrutura. Lamentavelmen- te, tivemos um retrocesso tático e assistimos a um campeonato com escassez de craques. É preciso valorizar o que te- mos de bom: a criatividade e a arte. O futebol deve voltar a ser a alegria do povo, demonstrada na arquibancada entre todas as raças, classes sociais, bem como dentro do campo, nas comemorações dos gols, nas dancinhas irreverentes, nos dribles imprevisíveis, no respeito entre companheiros de profissão. BOA VONTADE 21
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    Arte e Cultura Amorà vida, alegria e jovialidade Laura Cardoso Exemplo de talento e trabalho A artista encara os desafios profissionais sem demonstrar cansaço e fascinada pela vida. Rodrigo de Oliveira e Leila Marco Fotos: Vivian R. Ferreira 22 BOA VONTADE
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    A os 87 anosde idade, a atriz Laura Cardoso não se cansa de interpretar novos papéis e de se encantar com a vida, para ela “um presente de Deus”. Em mais de 70 anosdecarreira,ela,quejáparticipou de 74 telenovelas, 29 longas-metra- gensedezenasdepeçasdeteatro,está sempre disposta a enfrentar desafios e a dar o melhor de si. No dia 18 de setembro, a artista foi surpreendida com uma homena- gem pela passagem de seu aniver- sário (celebrado em 13 de setem- bro) no Conjunto Educacional Boa Vontade, formado pela Supercre- che Jesus e pelo Instituto de Edu- cação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP. Laura foi carinhosamen- te recepcionada na sala de música da escola, na qual o Coral Ecumê- nico e o Grupo de Instrumentistas Infantojuvenis Boa Vontade a aguardavam para apresentar al- gumas canções. Foi um momento especial para essa grande dama do teatro e da televisão brasileiros, que, emocionada, disse às meninas e aos meninos que se encontravam no local: “Vocês representam o fu- turo, o que de melhor a gente espe- ra do mundo. Eu amo as crianças. Eu estou muito feliz de estar aqui, contente. Um beijo no coração para cada um de vocês. Eu não mereço tanto. As crianças são a coisa melhor que Deus coloca na Terra. Elas têm que ser respeita- das, acarinhadas, bem tratadas... Criança é o que há de melhor no mundo. Que pena que a gente cresce! Obrigada, de coração!”. Depois do singelo tributo, a consagrada atriz concedeu entre- vista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV, internet e publicações), em que falou da bem- -sucedida carreira, da família e da importância de serem incentivadas a educação e a arte nos meios de comunicação. BOA VONTADE — Logo que a senhora chegou ao Conjunto Educacional Boa Vontade, foi recebida pelas crianças. Esse contato trouxe lembranças de sua infância? Laura Cardoso — Tenho boas recordações dessa época, da esco- la... Eu sou uma pessoa que ama a escola, o estudo.Acho que o ser hu- mano devia estudar a vida inteira.A escola é um ambiente maravilhoso; é onde você começa a se formar, a ter suas ideias, seus desejos, preo- cupações; enfim, é uma das coisas mais importantes da vida. E desta escola aqui eu tive uma impressão maravilhosa. Parabéns ao Paiva Netto! Parabéns! É um trabalho grandioso, maravilhoso, que ele faz há tantos anos. Eu acompanho há muitos anos a LBV, o trabalho do Alziro [Zarur] — que já foi [para a Pátria Espiritual] — e do Paiva Netto. Então, parabéns! Ele vai ganhar o Céu. BV — Em várias entrevistas, a senhoradestacaquedeclamava textos desde pequena, que lia bastante... Laura Cardoso — Eu gosto Arte e Cultura Eu trabalho faz uns 70 anos e ainda estou aprendendo. Porque a vida é assim mesmo, você não para de aprender. 24 BOA VONTADE
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    muito de ler.Fui educada num co- légio de freira, no qual entrei com 6 anos. Fiquei algum tempo no Ins- tituto João e Raphaela Passalacqua, na Bela Vista, e eu — não sei por que — era sempre escolhida para contar uma história lendo um livro. Aquilo me fascinava. Acho que o gosto pela leitura, pela represen- tação, pelo teatro, pelo circo, pelo cinema, pela televisão começou aí, bem menina, bem criança. Eu tenho um prazer enorme na leitura e tive um pai que era autodidata, que me incentivava a ler. BV—Esseéumdosingredientes para formar uma atriz talento- sa? Laura Cardoso — Acho que é muita bondade sua. Eu sou real- mente uma profissional séria. Levo o meu trabalho bastante a sério. Eu não brinco em serviço. Por exem- plo, para fazer um personagem, levo muito tempo. Não sou uma atriz que pega um papel, um perso- nagem e diz: “Ah, daqui a quinze dias está pronto”. Não. Levo mais tempo. Eu realmente me dedico a fazer um trabalho que me satis- faça e que satisfaça o público. A gente leva a vida inteira a estudar, a querer fazer uma representação maravilhosa, a querer mostrar o que sabe sobre a arte de represen- tar. Eu trabalho faz uns 70 anos e ainda estou aprendendo. Porque a vida é assim mesmo, você não Além de uma canção de boas-vindas, o Coral Ecumênico Infantojuvenil Boa Vontade interpretou uma música na Língua Brasileira de Sinais (Libras) em homenagem à atriz Laura Cardoso. BOA VONTADE 25
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    para de aprender.Nós aprendemos com o companheiro de profissão, em casa, vendo televisão, cinema, teatro, circo... Tudo é uma escola. Hoje, tive aula de como as crianças se dedicam ao canto. Os meninos e as meninas que fazem música, que tocam; o maestro ali ensinando... [Tudo isso] é muito bom, bonito, gratificante. BV — Cinema, teatro ou televi- são? O que mais a atrai? LauraCardoso—Principalmen- te o teatro. Ele é sagrado. Você fica mais inteiro. O cinema e a televisão parecemumpoucomaisregidospelo comercial.Élógicoquesefazarteem televisão. Eu amo a televisão. Faço TV desde que ela chegou ao Brasil, mas luto para que ela siga aquele caminho do início, de transmitir educação, cultura, representação, o textobom,otextoquenãosejavazio, bobo. (...)Arte [de todas as formas] é uma coisa muito séria, seja a música, o canto, a dança, a representação, a pintura... É uma coisa sagrada. BV — Como é a agenda da se- nhora? (1) A atriz Laura Cardoso foi carinhosamente recepcionada na sala de música do Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, na qual o Coral Ecumênico e o Grupo de Instrumentistas Infantojuvenis Boa Vontade a aguardavam para apresentar algumas canções. (2 e 3) Alunos, representando todas as crianças que frequentam o estabelecimento de ensino, presenteiam a consagrada artista com um porta-retratos e um cartão confeccionado por estudantes, pela passagem do aniversário da atriz, em 13 de setembro. 1 2 3 Arte e Cultura 26 BOA VONTADE
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    Laura Cardoso —Eu sempre tenho muitos convites para fazer teatro, cinema e agora estou com uma participação pequena numa novela das seis horas. Sou abençoa­ da por Deus, porque não me faltam convites, trabalhos... BV — Por que essa sede de tra- balhar? Qual o segredo para se manter tão ativa? Laura Cardoso — Acho que vem da vontade de viver, do agrade- cimento a Deus por tudo que [Ele] dá, pelas oportunidades, enfim. A vida é maravilhosa, é um presente de Deus. Você tem que usar esse presente da melhor forma possível e agradecer sempre. BV—Asenhoradestacabastan- teovalordafamília.Comoéesse convívio? Laura Cardoso — Eu amo a minha família. Teve gente nela que me ajudou muito; foi a minha mãe. Minha família tem isso de estar sempre junta, de se gostar, de se respeitar. Briga-se como em toda família, discute-se tudo, mas o fundo é o amor, é o respeito, é a dedicação, é o obrigado pela vida das pessoas. Eu sempre digo que eu amei muito, graças a Deus. E meu último amor é o Fernando, meu bisneto. Sou abençoada por Deus. Fui esposa, mãe, avó e bisavó. Não posso querer mais. BV—Paraospaisquenosacom- panhamnestaentrevista,qualo recado que deixaria? Laura Cardoso — Cuidado, muito cuidado com as suas crian- ças. Muita proteção, atenção com elas em todos os sentidos. A crian- ça também tem que ter um limite para tudo, mas acho que é a prote- ção do pai e da mãe e a atenção em todos os sentidos — fisicamente, moralmente, espiritualmente — que fazem a diferença. Vale a pena você prestar atenção no seu filho, no seu neto. BV — Como analisa a nova safra de artistas que vêm despontan- do no mercado? LauraCardoso—Eunãogosto de falar um nome, mas tem gente melhor do que eu, muita gente boa. Há também muitos que não deve- riam estar aí, porque todo mundo quer ser ator, sem pensar que é uma carreira feita de renúncia, sacrifício, muito estudo, dedicação; enfim, de bastante trabalho. A pessoa precisa nascer — eu sempre digo isso — com essa vontade, essa chama de fazer arte, seja ela qual for. Há quem tenha uma ilusão sobre a profissão, sobre a televisão... Por exemplo, acha que todo mundo ganha rios de dinheiro, mora num palacete. O ator trabalha muito, seja no cinema, no teatro, na televisão, no circo, no rádio. E é um serviço sério. Se não fica dois, três anos na carreira e pas- Sempre simpática, Laura Cardoso recebe o carinho dos alunos do Conjunto Educacional Boa Vontade. BOA VONTADE 27
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    sa, ninguém sabemais quem você é, oquefez,deondeveio...Existehoje aquela ilusão, porque é bonitinho, loirinho, tem o olho azul... Não! Atornãoprecisanemsergordo,nem magro,feio,bonito,novo...Eleéum ser maravilhoso, que se transforma. BV—NavisitaaoConjuntoEdu- cacional Boa Vontade, na hora em que as crianças a homena- gearamcomoParabénsavocê,a senhoradesejoupazparatodos. É disso que o mundo precisa? Laura Cardoso — De paz, de amor, de compreensão, de justiça... É disso que o ser humano precisa. (...) Eu procuro ter paz com a mi- Em 2006, Laura Cardoso recebeu a Ordem do Mérito Cultural, em Brasília/DF. A láurea é concedida a personalidades e instituições que se destacam pela contribuição à cultura brasileira. Depois do tradicional Parabéns a você, a atriz Laura Cardoso recebeu os cumprimentos de alunos do Conjunto Educacional Boa Vontade por seu aniversário. “É muito emocionante ser homenageada por vocês, crianças, aqui na LBV, que eu admiro, respeito e conheço há muito tempo. Sei da Boa Vontade que [vocês da LBV] têm em fazer este trabalho todo com crianças, com mulheres, com homens, com todo mundo, enfim. É gratificante estar aqui. Foi um presente maravilhoso que recebi de vocês: a presença, o bolo... Estou muito contente. Obrigada, de coração!”, declarou. nha família, com a minha casa... Procuro dar exemplo de paz, de amor, de compreensão, mas quem sou eu? Posso até influenciar algu- mas pessoas, mas isso tem que vir na gente. Nós somos todos iguais. Nós nascemos e morremos iguais. Então, igualdade, gente! BV — Obrigado pela visita e vo- tos dos maiores sucessos nesta trajetória brilhante. Laura Cardoso — Um beijo no coração de todos vocês [da LBV] por este trabalho maravilhoso. Ao Paiva Netto, que ele tenha mais 100 anos de vida, de saúde para continuar este trabalho. FabioPozzebom/ABr Arte e Cultura 28 BOA VONTADE
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    Ahistóriadovocabulário Arnaldo Niskier, doutor em Educação, formado em Matemática ePedagogia, é membro da Academia Brasileira de Letras e vice-presidente do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE Nacional). Arnaldo Niskier | Especial para a BOA VONTADE Opinião — Educação Arnaldo Niskier Divulgação D esde a gestão de Macha- do de Assis (1896-1908), começou-se a insistir, pela palavra do próprio patrono daAca- demia Brasileira de Letras (ABL), na criação do “dicionário etimo- lógico”, a ser futuramente produ- zido pela Academia. O assunto Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) sempre esteve presente nas discussões da ABL, dada a sua relevância. No Natal de 1977, o então pre­ sidente Austregésilo de Athayde fez a apresentação da primeira versão completa do VOLP, em ori- ginaiscuidadosamentecoordenados por Antônio Houaiss. Ele foi o relator da ComissãoAcadêmica que cuidou da matéria: Pedro Calmon, Barbosa Lima Sobrinho e Abgar Renault, além do próprio Houaiss. O relatório foi subscrito no dia 20 de dezembro daquele ano. Na ocasião, referindo-se à Lei no 5.765, de 18 de dezembro de 1971, assinada pelo então presidente da República Emílio Garrastazu Mé- dici e pelo seu ministro da Educa- ção, Jarbas Passarinho, Athayde afirmou que assim se oferecia à lexicologia e à lexicografia da lín- gua portuguesa “uma recolha tão exaustiva quanto possível do léxico da língua na sua feição escrita ou documentada em letra de forma”. Na década de 1970, houve um encontro casual em Teresópolis/RJ entre mim, o médico Noel Nutels, meu amigo, e Antônio Houaiss. Nutels, com o seu jeito expansivo, reclamou que nenhuma editora havia manifestado interesse pelo “trabalho patriótico” de Houaiss, que, na época, já havia registrado 350 mil verbetes. Diretor que era da Bloch Editores, levei o assunto ao conhecimento de Adolpho Bloch (fundadordogrupo),quelogotopou a empreitada e nos designou para as providências cabíveis. Deve-se afirmar que o verda- deiro ponto de partida do VOLP foi uma proposta do professor Celso Cunha ao acadêmico Josué Montello, na ocasião presidente do Conselho Federal de Cultura (CFC), em que esteve no período de 1967 a 1989. Montello designou o escritor Guimarães Rosa para relator da matéria, que, aprovada no CFC, foi levada à aprovação do Conselho Federal de Educação. Lá, tendo como relator Celso Cunha, mereceu igual aprovação. Daí o assunto veio à ABL, que encami- nhou as conclusões à presidência da República e desta, ao Congresso Nacional, para aprovação final. A Comissão Acadêmica do VOLP foi designada no início de 1972. A primeira coleta ficou aos cuidados de um grupo de estudantes de Letras da Pontifícia Universidade Católica (PUC), dirigido pelo professor Evanildo Bechara e secretariado pelo professor Marcos Margulies, já então representante da Empresa Bloch (eu dava cobertura dentro da empresa). Numa segunda fase, que se estendeu pelos anos de 1974 e 1975, o relator agregou à coleta sua recolha pessoal, com a colaboração dofilólogoMaurodeSallesVillar. Aterceira fase coube a um grupo de trabalho integrado pelo etimólogo Antônio Geraldo da Cunha e os professores Diva de Oliveira Salles, Bruno Palma, Ronaldo Menegaz e Júlio César Castañon Guimarães, todos sob a direção do relator (Antônio Houaiss). Este último grupo trabalhou na antiga sede da TV Manchete (4o andar). A Comissão Acadêmica do VOLP, em 20 de dezembro de 1977, agradeceu formalmente aos funcionários da Bloch Editores, “do seu chefe aos mais modestos auxiliares”. Eu era o chefe. Devemos um registro especial ao acadêmico Evanildo Bechara, indiscutivelmente, um dos maiores nomes brasileiros como filólogo e gramático, autor de obras funda- mentais na matéria. BOA VONTADE 29
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    ClaytonFerreira Hilton Abi-Rihan, radialista, jornalista e apresentador do programa Samba& História.* * Programa Samba & História — É transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV e o canal 989 da Oi TV), aos domin- gos, às 14 e às 20 horas. O telespectador pode vê-las pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY, canal 212 da Oi TV e canal 45.1 da TV digital aberta em São Paulo e região metropolitana), aos domingos, às 14 horas, às segundas-feiras, às 19 horas, e às quintas-feiras e aos sábados, às 22 horas. sentaram em vários programas de televisão, como na extinta TV-Rio e no Fantástico, da Rede Globo. Com o passar do tempo, puderam mostrar suas aptidões musicais em dezenas de lugares no Brasil e no exterior. Individualmente, já levaram seu samba característico até o outro lado do mundo, como o Japão e a China. O outro componente, Fabiano, filho de músicos, foi professor de percussão e musicalização, além de ter feito a direção musical de diversos espetáculos, entre eles Deusamba!Raízes brasileiras inspiram grupo Sururu na Roda e levam-no à conquista de um dos mais destacados prêmios do gênero no país. Hilton Abi-Rihan | Especial para a BOA VONTADE composto de culturas distintas e, mesmo assim, harmoniosas — surgiu. Assim nasceu, em 2000, o Sururu na Roda, formado por Nilze Carvalho (voz, cavaquinho e bandolim), Sílvio Carvalho (voz, percussão e cavaquinho) e Fabiano Salek (voz e per­cussão). “Temos timbres diferentes, for- mação musical diferente. É isso que dá esse sururu”, explica a integrante. Sílvio e Nilze são irmãos e sempre tiveram talento para a música. Quando crianças, se apre- F oi nos jardins da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) que a ideia de criar um grupo de samba que trans- mitisse a essência do Brasil — Samba & História Sururu na Roda 30 BOA VONTADE
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    De Getúlio aGetúlio — A história de um mito, cujo texto foi escrito por Sérgio Britto (1923-2011), de parceria com Clovis Levi. Também participou como músico em apresentações no Brasil e na Europa. Em um descontraído bate-papo no programa Samba & História, da Boa Vontade TV, o conjunto fa- lou um pouco sobre sua carreira e seus trabalhos. “Esse CD [Se você me ouvisse — 100 anos de Nelson Cavaquinho] proporcionou uma felicidade muito grande, porque a gente foi indicado ao [23o ] Prêmio da Música Brasileira na categoria ‘Melhor Grupo de Samba’. (...) É um trabalho todo em homenagem a Nelson Cavaquinho”, contou Nilze. “A gente colocou todos os clássicos do Nelson e também quis acrescentar aquelas músi- cas que eram menos tocadas”, complementou ela. Lançado em 2011, o disco celebra o centenário do sambista e compositor Nelson Cavaquinho (falecido em 1986) e leva o nome de uma de suas canções menos conhecidas, mas inclui faixas famosas, entre elas Folhas secas e Rugas. Todo o álbum foi produzido pelo grupo e teve a colaboração de outros musicistas. O Sururu na Roda já esteve nos Estados Unidos da Améri- ca, exibindo-se e ministrando workshops sobre a vivência no mundo do samba na Universi- dade Estadual de Michigan, no estado homônimo, e na Uni- versidade de Notre Dame, no estado de Indiana. Também fez uma pequena excursão pela América Latina, na qual visitou a Costa Rica e a Guatemala. Apresentou-se com diversos artistas célebres, entre os quais Elza Soares e Sandra de Sá, e da nova geração do samba, entre eles Roberta Sá e Ana Costa. (Leia trajetória desta cantora na revista BOAVONTADE no 235.) O trio mantém, há mais de dez anos, um espetáculo fixo em uma casa de shows localizada na Divulgação/Jonnes BOA VONTADE 31
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    capital fluminense. “OCentro Cultural Carioca antigamente foi o Dancing Eldorado. Era frequentado por Pixinguinha e Elizeth Cardoso. Então é um reduto muito tradicional da mú- sica desde sempre, e nos honra muito esse privilégio de ter uma residência num lugar que foi tão importante para a cultura musical da cidade do Rio de Janeiro”, declarou Fabiano. Para comemorar os 13 anos de estrada, o grupo lançou, em 2013, o CD/DVD Sururu na Roda ao vivo, gravado no Espaço Tom Jo- bim, que se situa no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro/RJ. O trabalho traz clássicos do sam- ba, a exemplo da canção O Qui- tandeiro, de Monarco e Paulo da Portela, e Pimenta no vatapá, de João Nogueira e Cláudio Jorge; além de composições pró- prias, entre elas Sururu formado e Ainda posso ser feliz. Também conta com a participação especial dos sambistas Diogo Nogueira, Péricles, Dona Ivone Lara e Monarco. Aliás, a presença de nomes tão ilustres da música brasileira na gravação do referido disco mui- to emocionou os integrantes do conjunto, sobretudo quando estes entoaram trechos de canções de uma das grandes damas do samba. “Mais uma felicidade nossa, mais um privilégio de cantar as músi- cas de Dona Ivone. Na verdade, o pot-pourri abre com uma música que não é dela, com uma música do Nei Lopes e do Cláudio Jorge, que foi feita em homenagem a ela. E ela estava ali com a gente!”, disse Nilze. Foi com esse mesmo CD/DVD que o Sururu na Roda conquistou o título de “Melhor Grupo”, na categoria “Samba”, na 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira, realizada em maio deste ano. Nela, o homenageado foi o samba, ritmo que faz bater mais forte o coração de praticamente todos os brasileiros. Samba & História “Temos timbres diferentes, formação musical diferente. É isso que dá esse sururu.” Divulgação 32 BOA VONTADE
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    Referência, pioneirismo simpatia e Ruth deSouza, um exemplo para as novas gerações de atores Abrindo o coração Ruth de Souza NatháliaValério Simone Barreto e Leila Marco 34 BOA VONTADE
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    N ascida em 12de maio de 1921, no Rio de Janei­- ro/RJ, época em que eram mais acentuadas as desigualdades sociais e raciais na sociedade brasileira, Ruth de Souza, ainda criança, provou o amargo pre- conceito. Quando falava de sua vontade de ser atriz, muita gente que a ouvia não lhe dava crédito, afirmando: “Imagina, ela quer ser artista? Não tem artista negro!”, relembra. Apesar de sentir o peso daquelas palavras, Ruth não viu ali o impossível, apenas acreditou no seu sonho e, por isso, se tornou pioneira em diversos momentos da carreira que abraçou, abrindo caminhos para novas gerações de artistas. Sua estreia nas artes cênicas ocorreu em 8 de maio de 1945, quando foi a primeira atriz ne- gra a subir ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a peça O imperador Jones, de Eugene O’Neill, numa mon- tagem do Teatro Experimental do Negro (TEN), grupo funda- do por Abdias Nascimento e Aguinaldo Camargo. Em 1954, foi indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante no Festival de Cinema de Veneza, na Itália, por sua participação no filme Sinhá Moça, o que lhe deu projeção internacional, concorrendo com as atrizes Katherine Hepburn, Michèle Morgan e Lilli Palmer, perdendo apenas por dois pontos para Lilli. Na televisão brasileira não foi diferente. Integrou o elenco de programas de variedades e musicais no início das transmissões da Tupi, onde fez, com Haroldo Costa, a adaptação da peça O Filho Pródigo. Em 1965, participou de sua pri- meira novela, A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, na extinta Excelsior. Três anos depois, era contratada pela Rede Globo, na qual está há mais de quatro décadas e deu vida a diversos personagens de destaque. Ao longo da carreira, são mais de 30 filmes e 14 peças de teatro; na televisão, teve participação em seriados, minisséries e dezenas de novelas. Nesta entrevista, Ruth de Souza fala sobre a profissão e a magia que é para ela a arte de representar. BOAVONTADE—Asenhorateve a infância marcada entre os Estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais... Ruth de Souza — Nasci no Engenho de Dentro [no Rio de Janeiro/RJ]. Eu fui bebê para o interior de Minas, meu pai tinha um pequeno sítio; nós fomos para lá e voltei quando ele faleceu, eu tinha 9 anos. Minha mãe vendeu o sítio, porque ela não sabia cuidar bem de roça, viemos morar na Rua Quatro de Setembro, que hoje é a Pompeu Loureiro, numa vila que tinha muitas lavadeiras e jardinei- ros que cuidavam dos casarios de Copacabana. BV — Como se deu seu encontro com as artes? Ruth de Souza — Minha mãe gostava muito de cinema. Todas as quintas-feiras íamos na sessão das moças, no Cine Copacabana. Eu me apaixonei pelo cinema. Então, eu inventei que queria ser artista. Naquela época, diziam: “Imagina, ela quer ser artista. Não tem artis- ta negro!”. Não tinha mesmo. Só Grande Otelo, muito depois é que (1) Ruth de Souza em Sinhá Moça (2) Com Regina Duarte, em A Deusa Vencida. (3) Com Abdias Nascimento, em O Filho Pródigo. 1 2 3 Fotos:Divulgação BOA VONTADE 35
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    Lá fora estavaum carnaval, e nós, fazendo teatro dentro do Municipal. BV — Quanto tempo par- ticipou do Teatro Experi- mental do Negro? Ruth de Souza — Durante cinco anos trabalhei no Teatro Ex- perimental do Negro (TEN), depois me tornei profissional. Lá, ganhei uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller,queoPaschoalCarlos Magno me levou em São Paulo. O Pascoalfoiumpaiparamim.Fiquei um ano nos Estados Unidos. Foi maravilhoso, valeu muito. BV — Após essa passagem pelo TEN, o que aconteceu? Ruth de Souza — Eu tenho sorte, porque fiz uma carreira reta, não tive altos e baixos, comecei trabalhando, não parei nunca. Eu adoro trabalhar, é uma terapia. (...) Fiz muitas peças, não me lembro quantas, muito cinema também. Depois, apareceu a televisão; fui uma das primeiras a fazer tea- tro na TV, com Haroldo Costa. Sempre inventava coisas e saíam certo. Eu fiz muitas peças boas, a Oração para uma Negra foi a que mais marcou, um ano, com sucesso constante. Ali, trabalhei com Sérgio Cardoso, com Nydia Licia, e, mais tarde, fizemos a peça aqui no Rio. BV — Por quais mãos chegou ao cinema? Ruth de Souza — JorgeAma- do foi meu padrinho de cinema, porque, quando montaram, no Tea­ tro Ginástico, Terras do Sem Fim, fiz a peça baseada no livro dele. Quando ele vendeu os direitos para o filme, eu fiz também. Ele era muito brincalhão. Acompanhava nossas peças no teatro, porque começou. Acho que sou pioneira nisso, porque no cinema, no teatro, naquele tempo, não havia televisão ainda, o negro não participava, não me lembro de ter algum negro antes de Otelo. BV — Como foi a estreia nos palcos com o grupo de Teatro Experimental do Negro? Ruth de Souza — No Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o negronementrava.Então,consegui- mos uma licença do prefeito para a nossapeça.MontamosOImperador Jones e ali começamos. Foi em 8 de maio de 1945, dia em que ter- minou a Segunda Guerra Mundial. 6 4 5 (4) Em Memorial de Maria Moura, em 1994. (5) Com Grande Otelo, em Sinhá Moça, em 1986. (6) Cabana do Pai Tomás. Abrindo o coraçãoFotos:Divulgação 36 BOA VONTADE
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    morava aqui noRio. Ele era muito divertido, muito bacana, uma pes- soa incrível. BV—Esuaestreianatelevisão? Ruth de Souza — Comecei na TV Tupi fazendo uns programas com o Haroldo Costa; inventamos de montar uma peça que tínhamos encenado com oTeatro Experimen- tal do Negro. Foi O Filho Pródigo, de Lúcio Cardoso. E nós fizemos cenário, câmera, tudo de improviso, tudo como principiantes. Depois, fui contratada pela Record, no tempo dos antigos diretores. Ali, trabalhei com Manoel Carlos, com Maysa Matarazzo. BV — Foram muitas as dificul- dades como atriz? Ruth de Souza — Olha, eu fui muito atrevida! Diziam que não havia atriz negra. E nunca me preo­cupei muito por ser ne- gra; não tinha complexo, graças a Deus. Então, eu falava: Eu quero isso assim. Se não me der, paciência, mas eu arrisco. (...) É uma profissão cheia de altos e baixos; nem todo dia tem sucesso, nem todo dia tem oportunidade; depende também muito de sorte, pegar bons papéis. BV — No cinema, qual persona- gem a consagrou? Ruth de Souza — Foi o papel em Sinhá Moça. Esse filme foi para o Festival de Veneza, que na época era tão importante quanto o Oscar hoje. Então, quando concor- ri com grandes atrizes, fiquei em segundo lugar. BV — Que mensagem gostaria dedeixarparaquemestácome- çando na carreira de ator? Ruth de Souza — Para quem quer ser ator, tem que gostar muito da profissão, sabendo que não vai ser fácil, é difícil para todo mun- do, bonito, feio, negro, branco, todo mundo. Comigo foi até mais difícil, porque nem sempre tive oportunidade de ter um bom papel, mas, graças a Deus, encontrei au- tores maravilhosos, como Janete Clair, grande saudade, e Benedito Ruy Barbosa. Sou uma pessoa de sorte. Deus foi muito generoso comigo. 7 8 (7) Prêmio Saci por Sinhá Moça, no Theatro Municipal de São Paulo. (8) Ruth de Souza com Jorge Amado. Para quem quer ser ator, tem que gostar muito da profissão, sabendo que não vai ser fácil. Fotos:Arquivopessoal BOA VONTADE 37
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    Internacional – Empoderamentodas mulheres Manaus/AM
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    Mulheres das mudanças àfrente se podemelhorar a qualidade de vida desse público. Produção sustentável Santa Cruz de La Sierra, cidade localizada no planalto do leste boliviano, atualmente vive a pior taxa de desemprego daquele país: 44,8%, de acordo com o Centro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário (Cedla – si- gla em espanhol). Sabedora dessa difícil realidade, a Instituição iniciou na cidade, por meio do programa Capacitação e Inclusão Produtiva, atividades que têm como meta levar o empreendedo- rismo sustentável para a comuni- dade do bairro Plan 3000, um dos mais pobres da região. No primeiro momento, a ini- ciativa estimulou a criação (em ju- nho de 2013) de uma cooperativa para a capacitação de mulheres na Ações da LBV promovem a autonomia delas e desperta a consciência ecológica D ois terços dos adultos analfabetos no mundo são mulheres, e as jovens mais pobres dos países em desen- volvimento podem não alcançar a alfabetização universal até 2072. Os dados são do 11o Relatório de Monitoramento Global de Educa- ção para Todos, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), no início deste ano. Em sintonia com esse desafio, no ano de 2013, mais de 70% dos atendimentos e benefícios da Legião da Boa Vontade fo- ram direcionados para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Dentro dessa gama de serviços, a reportagem da revis- ta traz a experiência da LBV da Bolívia, um bom exemplo de que com ações simples e inovadoras LeillaTonin Leila Marco BOA VONTADE 39
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    produção de vassourasecológicas. Agora, a LBV trabalha para sensi- bilizar empresários e comunidade para colaborar com a captação da matéria-base da pequena fábrica e na venda do produto: “Depois da conclusão da etapa de treina- mento para produzir as vassouras, Cada vassoura ecológica produzida tira do meio ambiente oito garrafas PET, que levam entre 100 e 400 anos para se decompor. Vassouras ecológicas: saída viável para todos! Cadeia de produção completa Coleta das garrafas para comercialização de vassouras; diminuição do volume de resíduos em aterros. Lembrando que plásticos e seus derivados não podem ser utilizados como adubo, porque não existe na Natureza uma bactéria capaz de decompô- -los rapidamente. Preços reduzidos para o produto que tem como base materiais reciclados. Geração de empregos e recursos Evita anos de contaminação AndreaVarela Internacional – Empoderamento das mulheres estamos incentivando as senhoras a comercializá-las a particula- res, em centros de abastecimen- tos, mercados e supermercados, pessoalmente e com o apoio da LBV”, afirma o coordenador do programa, Robert Alejandro Pari Flores.  A ideia é movimentar a econo- mia do bairro, dando nova fonte de renda às famílias e, ao mesmo tempo, reduzir a poluição vinda do descarte incorreto do plástico. As integrantes da cooperativa, além de aprenderem uma nova profissão, já se concientizaram da importância de seu trabalho. Ximena Laura Viracocha, de 33 anos, está desempregada e tem dois filhos; ela é uma das dezenas de mulheres que tiveram a oportu- nidade de fazer o curso. “Fabricar vassouras ecológicas apoia duas causas: colabora para o meio am- biente, já que trabalhamos com a reciclagem de garrafas plásticas, não as jogando no lixo; e ajuda financeiramente as mulheres de baixa renda, que, na maioria das vezes, possuem vários filhos. Es- pero que esse projeto siga adiante, e muito obrigada à LBV”, ressalta. Bolívia 40 BOA VONTADE
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    “Sou mãe epai para os meus dois filhos, José Manuel, de 4 anos, e Marco David, de 3 anos. Eles são a minha razão de viver. Antes de conhecer a LBV, eu morava em um terreno baldio à margem de um rio. Minha casa era de papelão e nylon; não tínhamos água ou eletricidade. “Para alimentar meus meninos, trabalhava carregando o mais novo no colo e o mais velho ia andando, percorrendo longas distâncias, batendo de porta em porta para LBV muda a vida de crianças e mãe *Marcelina Luis — Empregada doméstica, mãe de duas crianças matriculadas no Jardim Infantil Jesus, da LBV da Bolívia. conseguir um serviço. Capinava calçadas e me pagavam alguma coisa. Às vezes passavam-se dias sem que conseguisse arrumar algum trabalho. Os meus filhos sofreram muito, e eu não conse- guia um emprego estável, porque ninguém me recebia com eles. “Um dia, o mais novo estava enfermo, gastei tudo o que tinha; estava desesperada. Uma senhora me falou sobre o Jardim Infantil da LBV. Vim com os dois e pedi que me ajudassem pelo menos por três dias para poder trabalhar. Desde essa data, a minha vida e a dos meninos mudou. Agora tenho um emprego seguro. A família com quem trabalho deu um quarto onde eu moro com os garotos, e eles podem dormir sem passar frio. “Agradeço à LBV por me ajudar com os meninos. Eles estão bem, recebem alimentação, educação, e o mais importante é que posso trabalhar tranquila, porque sei que estão em um lugar seguro.” Na LBV da Bolívia, Marcelina recebeu o apoio de que necessitava para criar seus dois filhos, José Manuel e Marco David. Marcelina Luis*, 33 anos. RoseliGarcia Arquivo BV Bolívia BOA VONTADE 41
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    “O grupo faza gente ter fé, acreditar que não há obstáculo que não possa ser superado quando se quer. Além disso, tenho filhos que também são amparados pela Instituição. Esse apoio foi e é muito importante para mim. Graças à LBV, minha filha está segura, aprende bons valores. Eu posso trabalhar sem pressão, tranquila, porque minha filha tem educação e o que comer. Ela recebe o melhor.” Ruth Melinda Olmedo Aos 33 anos, é mãe de cinco filhos e tira seu sustento do artesanato. Uma das mulheres que frequentam o grupo Fortalecendo Vidas, da LBV do Paraguai, há quase dois anos. Ao lado das mães e das novas gerações O quê? Programa Fortalecendo Vidas. Onde? LBV do Paraguai. Quando começou? 2011. Objetivo? Promover a autonomia e o resgate da autoestima de mulheres, melhorando sua capa- cidade de conviver com os desafios da vida. Público-alvo? Usuárias dos programas e mães que têm seus filhos matriculados no Jardim Infantil e Pré-Escolar da LBV do Paraguai. Como ocorre? Depois de uma visita domiciliar, a assistente social as convida para participar das oficinas de artesanato e palestras educativas. A ação é realizada em parceria com a Secretaria Nacional de Crianças e Adolescentes, o Ministé- rio de Assuntos da Mulher, o Instituto Superior de Educação Dr. Raúl Peña (ISE) e a Oxfam Internacional. Fotos: Raquel Diaz Paraguai Internacional – Empoderamento das mulheres 42 BOA VONTADE
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    de mil220220mil+de +de 77 11de atendimentos ebenefícios a famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade ou risco social. Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e lares para idosos, a LBV utiliza uma rede de comunicação social própria (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania. 77 LBV BRASIL A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o de janeiro de 1950 (Dia da Confraternização Uni- versal), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto. milhões unidades socioeducacionais em todo o Brasil. É a quantidade de pessoas impactadas pelo trabalho da LBV em seus programas socioeducacionais nas escolas, Centros Comunitários de As- sistência Social, lares para idosos, e por suas campanhas institucionais. Número de atendimentos e benefícios prestados pela Legião da Boa Vontade de 2009 a 2013* * Há mais de duas décadas, a Legião da Boa Vontade tem seu balanço geral analisado por auditores externos independentes, uma iniciativa de José de Paiva Netto, diretor-presidente da LBV, muito antes de a legislação que exige essa medida entrar em vigor. 2009 2010 2011 2012 8.016.758 8.508.482 9.434.943 10.255.833 11.053.113 2013 11++de
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    EducaçãoeSustentabilidade LBV compartilha expressivos resultadosdas Pedagogias do Afeto e do Cidadão Ecumênico em conferência nas Nações Unidas. O Departamento de Informação Pública (DPI, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, entre 27 e 29 de agosto, a 65ª Conferência Anual de ONGs. So- ciedade civil, redes internacionais e ativistas sociais reuniram-se na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos, para a elaboração de uma “Agenda de Ação” que mobilize as negociações das me- tas de desenvolvimento pós-2015. Na ocasião, foram discutidos os Objetivos de Desenvolvimen- to Sustentável (ODS), os quais entrarão no lugar dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) — cujo prazo final é no próximo ano —, bem como um novo acordo climático para subs- tituir o Protocolo de Kyoto. Associada ao DPI desde 1994, a Legião da Boa Vontade oferece sempre sua contribuição para o debate dos temas relacionados ao progresso mundial propostos pelo organismo internacional e pelos países-membros dele, comparti- lhando sua experiência da edu- cação e da assistência social. Por isso, foi convidada a coordenar, no último dia do evento, o painel temático “Educando cidadãos sus- tentáveis — Melhores práticas do Brasil da Rio+20”. A doutoranda LBV na ONU 65a Conferência Anual de ONGs Da Redação 44 BOA VONTADE
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    em Educação SuelíPeriotto, su- pervisora da linha pedagógica da LBV e diretora do Conjunto Edu- cacional Boa Vontade, localizado na capital paulista, destacou, na oportunidade, o fato de essa linha, criada pelo educador Paiva Netto, promover a educação integral do ser humano ao aliar ao ensino for- mal de excelência a transmissão e a vivência de valores espirituais, ecumênicos e éticos. (1) Jeffery Huffines (D), presidente da 65ª Conferência Anual de ONGs do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, recebe de Danilo Parmegiani, da LBV, a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2014 em inglês. (2) O representante da Legião da Boa Vontade nas Nações Unidas confraterniza com o psicólogo e psicanalista Joseph DeMeyer (D), copresidente do Comitê de ONGs sobre Educação e representante da Sociedade de Estudos Psicológicos para Assuntos Sociais, ambos integrantes do Sistema ONU. Também participaram do gru- po de discussão o diplomata Vi- cente Amaral Bezerra, que representou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas; o psicó- logo e psicanalista Joseph DeMeyer, copresidente do Comitê de ONGs sobre Educação e representante da Socie- dade de Estudos Psicológicos para Assuntos Sociais (SPSSI, na sigla em inglês), ambos integrantes do Sistema ONU; Sâmara Malaman, mestre em Educação Especial pela Kean University, situada em New Jersey, nos EUA; e Danilo Par- megiani, representante da LBV nas Nações Unidas. Moderador do painel, ele fez questão de salien- tar: “Uma maneira de acelerar o progresso sustentável é o empode- ramento, a capacitação de cada in- divíduo do planeta para agir como agente na formação de sociedades sustentáveis e solidárias. É por isso que, como defende o diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, é preciso dar maior foco ao papeldaeducaçãocomEs- piritualidade Ecumênica como solução transversal e essencial para o cumprimento de toda a agenda de desenvolvimento global da ONU”. Preparando os cidadãos para as mudanças climáticas DeMeyer discorreu, no referido painel sobre o tema “Educação e desenvolvimento sustentável pós- 2015 e além: desafios para 2050”. Posteriormente, ao ser entrevistado pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio,TVe internet) no escritório da LBV em Nova 1 2 Fotos:ElianaGonçalves shutterstock.com Vicente Bezerra BOA VONTADE 45
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    LBV na ONU ARádio ONU em língua portuguesa convidou a Legião da Boa Vontade a falar sobre sua linha pedagógica, aplicada nas unidades socioeducacionais da Instituição. Em entrevista conduzida pelo repórter Eleutério Guevane (E), a supervisora dessa linha, Suelí Periotto, ressaltou a preocupação da LBV em promover ensino de qualidade aliado à transmissão de bons valores e a ações que possibilitem às pessoas e famílias atendidas pela Instituição melhorar a qualidade de vida delas. Ao lado da educadora, o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani. Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e ouça a entrevista da LBV concedida à Rádio ONU em língua portuguesa. A embaixadora dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, Samantha Power (E), conversa com Mariana Tamasan, da LBV. Os representantes da LBV na conferência Nicholas Beck de Paiva (E) e Mariana Tamasan conversam com o escritor Kurt Johnson, cofundador da organização Diálogo Interespiritual em Ação. Bircan Ünver (E), fundadora e presidente da ONG The Light Millennium, recebe a publicação especial da LBV para o evento do DPI. Theresa Cheong, diretora da School of Allied Health, da Parkway College, confraterniza com Sâmara Malaman, da LBV. NicholasdePaivaAlzirodePaiva StepanhieSabeerinNatalyPeres NatalyPeres 46 BOA VONTADE
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    York, ressaltou pontosda palestra que proferira. “Vou falar quais serão as projeções para 2050 em termos de crescimento populacio- nal. Até lá, haverá dez bilhões de pessoas no mundo. Sete em cada dez habitantes do planeta estarão vivendo em megacidades,comoRio de Janeiro e São Paulo. A questão é oferecer uma educação adequa- da para preparar os cidadãos do mundo para 2050”, disse. Ele com- pletou: “Os cidadãos do mundo em 2050 terão que lidar com grandes mudanças provocadas pelas alte- rações climáticas. (...) Precisamos educar as crianças de hoje para serem indivíduos muito habilido- sos e capazes de enfrentar esses desafios. Não apenas expertise em assuntos técnicos, mas pessoas que precisarão saber sobre os direitos humanos,bemcomosobre valores, o que significa ser bons cidadãos e como se relacionar uns com os outros”. Pode-se perceber, pelos trechos destacados de alguns dos discursos feitos no painel, a ênfase destes na necessidade de a educação ser prio- rizada, visto que esta é ferramenta imprescindível para transformar a consciência e a conduta dos seres humanos. Em consonância com essa crença, o copresidente do Comitê de ONGs sobre Educação, ao se referir à proposta pedagógica da LBV, assim se expressou: “A qualidadedosprofessoresvai ser muito importante. Eles também terão que promo- verorespeitopelosdireitos humanos, o respeito pelo próximo, o respeito pelos O painel temático coordenado pela Legião da Boa Vontade atraiu a atenção de profissionais da área educacional de diversos países, que fize- ram questão de enaltecer o trabalho realizado pela Instituição há mais de seis décadas. A seguir, alguns desses depoimentos. “Fiquei realmente muito feliz em ver tanto carinho em um sis- tema escolar que não trata apenas de abastecer o cérebro das crianças, mas de realmente educá-las a como viver a vida, como construir uma comunidade, como ser consciente para com o meio ambiente (...). Soube que vocês [da LBV] também têm um programa que inclui as mães. (...) É cientificamente com- provado: a Educação realmente começa antes do nascimento. Então, por que não incluir as mães? Alguém disse [durante o painel] ‘incluir os pais’, e estou totalmente de acordo” (Julie Gerland, francesa, doutora em Medicinas Holísticas e chefe-representante da Organização Mundial das Associações para Educação Pré-Natal — Omaep — junto às Nações Unidas). “O que a LBV está fazendo por meio da educação ofere- cida às crianças, [ensinando] esses tipos de valores [éticos, ecumê­nicos e espirituais], é muito importante. Estou bastante feliz por ter participado deste painel. Parabéns por organizá-lo. Usarei o vídeo [mostrado durante o painel] com meus alunos, para os quais dou palestras sobre as Nações Unidas e boas práticas” (Celine Paramunda, indiana, representante da Medical Mission Sisters nas Nações Unidas). “As informações que obtive neste painel foram sustentáveis, porque formar um aluno para que entenda seu meio ambiente e seu compromisso cívico e participe de sua comunidade é muito relevante. (...) Gostaria de levar esse programa [educacional da LBV] para meu país” (Daniel Méndez, dominicano, mestrando em Educação). Educando cérebro e coração A mesa do painel temático foi formada, da esquerda para a direita, pela intérprete Mariana Tamasan; pela supervisora da linha pedagógica da LBV, Suelí Periotto; pelo diplomata Vicente Amaral Bezerra, representante da Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas; pelo moderador do painel, Danilo Parmegiani, representante da LBV na ONU; por Sâmara Malaman, mestre em Educação Especial pela Kean University; e pelo psicólogo e psicanalista Joseph DeMeyer. NatalyPeres ArquivoBV ArquivoBV Arquivopessoal BOA VONTADE 47
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    Mariana Tamasan, daLBV, entrega à presidente do Comitê Executivo de ONGs Associadas ao DPI/ONU, Anne- -Marie Carlson (E), publicação especial da Instituição para o evento. Edward A. Lin, conselheiro da Dharma Drum Mountain Buddhist Association, recebe a revista da LBV para a conferência em inglês. Casey Gerald, diretor-executivo da MBA’s Across America, recebe do jovem Nicholas Beck de Paiva a publicação especial da LBV para a conferência do DPI. Andrea Carmen, diretora-executiva do Conselho Internacional de Tratados Indígenas (IITC, na sigla em inglês), e o representante da LBV Alziro de Paiva, com a revista da Instituição para o evento. Representante da LBV apresenta as recomendações da Instituição para a conferência a Grove Harris, da ONG The Temple of Understanding (O Templo do Entendimento, na tradução para o português). Kleber Marins de Paulo, presidente da Enactus Brasil, confraterniza com Suelí Periotto, supervisora da linha pedagógica da LBV e diretora do Conjunto Educacional Boa Vontade. Simpático, o rabino Roger Ross, diretor-executivo do Seminário Rabínico Internacional, com a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2014 em inglês. Ao lado, Adriana Rocha, da LBV. LBV na ONUStephanieSabeerinElianaGonçalvesElianaGonçalves NatalyPeres MarianaTamasan ElianaGonçalvesNicholasdePaiva 48 BOA VONTADE
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    O representante daAssociação Universal de Esperanto (UEA) na ONU, Neil Blonstein (segundo, a partir da esquerda), confraterniza com a comitiva da Legião da Boa Vontade presente à conferência. Eliana Gonçalves (de costas), integrante da equipe da LBV no encontro do DPI, conversa com o presidente da Conferência das ONGs com Relações Consultivas para as Nações Unidas (Congo), Cyril Ritchie. Clint Carney, secretário da Family Justice Center Alliance, e a representante da LBV Mariana Tamasan. valoreshumanosepelocomponente espiritual da vida”. Linha pedagógica da LBV ganha relevo na ONU Durante o painel temático, o público teve a oportunidade de conhecer algumas histórias de sucesso que a LBV reuniu no âmbito educacional, resultantes das inovadoras Pedagogia do Afeto (dirigida a crianças de até os 10 anos de idade) e Pe- dagogia do Cidadão Ecumênico (que abrange a educação de in- divíduos a partir dos 11 anos), aplicadas em todas as unidades socioeducacionais da Institui- ção. Entre os materiais apre- sentados, um vídeo com alunos do Conjunto Educacional Boa Vontade chamou a atenção dos presentes. Nele, crianças falam da importância do uso racional da água, consciência trabalhada com os estudantes dos estabe- lecimentos de ensino da LBV desde a mais tenra idade. Os bons resultados do pro- grama educacional Estudantes de Boa Vontade pela Paz (Good Will Students for Peace, em inglês), desenvolvido em esco- las públicas norte-americanas, também foi compartilhado com todos os que estavam no local. Em recente edição do programa, a LBV aplicou sua linha pedagó- gica na escola Lincoln Avenue, em Nova Jersey, ocasião em que abordou o tema “Minha casa é o planeta Terra — O nosso papel como cidadãos ambientalmente conscientes”. ArquivoBVNicholasdePaivaElianaGonçalves BOA VONTADE 49
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    do futuro Desafios LBV naONU Reunião de Alto Nível do Ecosoc Da Redação 50 BOA VONTADE
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    T odos os anos,o Conselho Econômico e Social (Ecosoc), um dos órgãos principais da Organização das Nações Unidas (ONU), congrega representantes de países-membrosdesseimportanteor- ganismointernacionaledeentidades da sociedade civil a fim de abordar assuntos de grande relevância e in- teresse para a Humanidade. Por isso, dos dias 7 a 11 de julho de 2014, em Nova York, EUA, o Ecosoc realizou sua Reunião de Alto Nível, que de- bateuotema“Discutindoosdesafios emcursoeosemergentesparaatingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) em 2015 e para sustentar os ganhos de desenvolvi- mento no futuro”. Participaram do eventomaisde500representantesde governo e da sociedade civil. Umadasinstituiçõesquecompa- receram à conferência, a Legião da Boa Vontade, da mesma forma que fez em edições anteriores do encon- tro, apresentou suas recomendações e boas práticas socioeducacionais Evento anual da ONU reúne representantes de dezenas de países para discutir a agenda pós-2015. referentes ao tópico em pauta. Ainda esteve no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (High-Level Political Forum,eminglês),queocorreuentre 30 de junho e 9 de julho. Na mesma ocasião, outros dois eventos ocor- reram: a Revisão Ministerial Anual e o Fórum de Cooperação para o Desenvolvimento, nos quais a LBV também marcou presença. Por meio de várias pesquisas interativas — entre as quais a My World* —, bem como dos fóruns e das assembleias que antecederam à Reunião de Alto Nível, a ONU jun- tou informações necessárias para a elaboraçãodocronogramapós-2015 edosObjetivosdeDesenvolvimento Sustentável (ODS). Nesses encon- trosforamdiscutidosdiversostemas para ajudar a construir a agenda de desenvolvimento sustentável, entre os quais o consumo e a produção sustentáveis, o papel da ciência e da política e as tendências que afetarão as novas gerações. “Combater a * My World — Meu Mundo, em português, é a enquete global das Nações Unidas para a construção de um planeta melhor. Os cidadãos podem votar nas seis questões de desenvol- vimento que têm maior impacto na vida deles. NicholasdePaiva Em 7 de julho, a LBV foi convidada a se pronunciar na plenária da ONU diante das autoridades internacionais. Na foto, o representante da Instituição nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, fala sobre o traba- lho da LBV em intervenção transmitida pela Rádio e TV ONU, em tempo real, para todo o mundo. BOA VONTADE 51
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    tênciasocial,obtidaaolongodemais de seis décadasde atuação, e de en- contros que ela promoveu em 2013 comváriossetoresdasociedade,em quatro países da América Latina. As informações contidas nesse material foram igualmente disponi- bilizadasàsdelegaçõesparticipantes da Reunião de Alto Nível na edição 2014 da revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável, lan- Rita Schwarzelühr-Sutter, secretária de Estado Parlamentar para o Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza, Construção e Segurança Nuclear da Alemanha confraterniza com o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani. O diretor-geral da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), professor Rolf-Dieter Heuer, recebe do jovem Nicholas Beck de Paiva (D), da LBV, a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2014. O ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul, Han Seung-soo, designado pelo secretário-geral da ONU para Redução de Riscos de Desastres e Recursos Hídricos, confraterniza com a representante da LBV Conceição de Albuquerque, que lhe entrega a publicação especial da Instituição. Os Legionários Mariana e Alex Tamasan apresentam a mensagem da Instituição ao ministro de Finanças da Guiana, Ashni Singh (C). Revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável disponível nos idiomas inglês, espanhol, francês e português. desigualdade crescente, em países ricos e pobres, se tornou um desafio definitivonanossaépoca”,declarou Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas. Ele completou: “Nossos objetivos pós-2015 devem ser para não deixar ninguém para trás”. Contribuições da LBV ALegiãodaBoaVontadepossui, desde 1999, status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc),aoqualexpõe,emrelatório anual, suas recomendações e boas práticas socioeducacionais, tradu- zidas para os seis idiomas oficiais das Nações Unidas: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo. O documento apresentado pela LBV este ano é fruto de sua experiência nos campos da educação e da assis- LBV na ONU AdrianaRocha MarianaTamasan NicholasdePaiva VerônicaAnta NatalyPeres 52 BOA VONTADE
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    e Nicholas Beckde Paiva, de 23 e 20 anos, respectivamente, e o representante da Instituição nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, falaram do papel das novas gerações na construção de um futuro melhor para todos e de como a Entidade incentiva essa participação. “Quan- do a ONU abre espaço para que o jovem tenha a sua voz, é muito bom; afinal, nós temos a nossa opinião e também queremos expressar o que vivemos, as experiências que temos, para contribuir para este evento tão importante, que discute o futuro do nosso planeta”, afirmou Felipe. De acordo com Nicholas, a juventude tem força para ajudar a promover transformações de al- cance global. “A experiência que o jovem passa traz um valor na mu- dança do mundo, na construção de um mundo melhor”, ele salientou. No dia 9 de julho, a Rádio ONU em língua portuguesa fez uma matéria sobre a participação da Legião Boa Vontade na Reunião de Alto Nível do Ecosoc. Entre os entrevistados estavam os jovens brasileiros Nicholas Beck de Paiva e Felipe Duarte, que comentaram sobre o protagonismo juvenil incentivado na LBV desde a infância, e defenderam a importância da Educação na preparação das novas gerações. O economista norte-americano Jeffrey D. Sachs (D), diretor do Earth Institute, da Universidade de Columbia, recebe a publicação especial da LBV das mãos do Jovem Legionário Felipe Duarte. Nana Oye Lithur (D), ministra de Gênero, Crianças e Proteção Social da República do Gana, conversa com a jovem Amanda Vieira, da LBV, que apresenta a mensagem da Instituição especialmente encaminhada ao evento. Viviana Caro Hinojosa (D), ministra do Planejamento de Desenvolvimento da Bolívia, com a publicação especial da LBV (em espanhol) durante o evento do Ecosoc. Ao lado, Adriana Rocha, da Instituição. Comitiva jovem da LBV chama atenção da Rádio ONU O grande número de jovens na comitiva da Legião da Boa Vontade na Reunião de Alto Nível do Ecosoc também mereceu realce durante o evento. Dos 13 integrantes do grupo, dez tinham menos de 28 anos de idade e eram originários de seis países. Em entrevista à Rádio ONU em português, dois jovens brasileiros que faziam parte da equipe enviada pela LBV ao encontro, Felipe Duarte MarianaTamasan SâmaraMalaman DaniloParmegiani AdrianaRocha BOA VONTADE 53
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    Embaixador Martin Sajdik(D), presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc) e representante da Missão Permanente da Áustria na ONU, recebe mensagem da LBV. A publicação especial da LBV é entregue à Shahira Wahbi, chefe da Divisão de Cooperação Internacional e Desenvolvimento Sustentável da Liga dos Estados Árabes, pelo representante da Instituição Nicholas Beck de Paiva. Martin Chungong, secretário- -geral da União Interparlamentar (UIP), recebe a mensagem da LBV de Eliana Gonçalves, representante da Instituição no evento. Lígia Figueiredo, do Ministério de Assuntos Exteriores de Portugal, recebe a mensagem da LBV das mãos do jovem Felipe Duarte, da Instituição. William Colglazier, conselheiro para Assuntos de Ciência e Tecnologia do Departamento de Estado dos Estados Unidos, com a representante da LBV no evento, Sâmara Malaman. çada na ocasião (nas versões em português, inglês, francês e espa- nhol). O destaque da publicação é a mensagem“Solidariedadeedireitos humanos no mundo”, do diretor- -presidente da Instituição, José de Paiva Netto, na qual ele evidencia a importância não só da solidariedade para a construção de um mundo melhor, mas também do papel da mulher na defesa dos direitos e de- veres do ser humano. Convidada a fazer um pronun- ciamento na plenária da ONU no primeiro dia de debates, a LBV le- vou ao evento iniciativas de sucesso da sociedade civil, em especial os bons resultados alcançados com a aplicação de sua proposta pedagó- gica. O discurso foi proferido por Danilo Parmegiani, representante da Instituição nas Nações Unidas, às autoridades internacionais pre- sentes e transmitido pelos meios de comunicação da ONU em tempo real para todo o mundo. “(...) Uma coesaeimpactantelinhadeação,que promoveaEducaçãocomEspiritua- lidade Ecumênica como a chave do desenvolvimentodacidadaniaplena, preparando novas gerações para uma sociedade mais solidária e sus- tentável. (...) Nosso foco é promover um modelo de educação que seja ca- paz de formar líderes solidários, por meio do empoderamento de cérebro ecoração,conformedefineodiretor- -presidentedaLBV,oeducadorPaiva Netto”, declarou ele. Danilo ainda ressaltou que, neste momentoemqueasnaçõesestabele- cemprioridadescomunsparaareso- luçãodeproblemasmundiais,aLBV defendeaeducaçãocomoaprincipal ferramenta no cumprimento dos objetivos pós-2015, sendo a mais eficiente na formação de cidadãos solidários e fraternos. LBV na ONUNatalyPeres SâmaraMalaman NatalyPeres MarianaTamasan NatalyPeres 54 BOA VONTADE
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    Super rede boavontade de rádio Um conteúdo que faz bem para sua família! Brasil AM 940 kHz - Rio de Janeiro/RJ AM 1.230 kHz - São Paulo/SP AM 1.300 kHz - Esteio, região de Porto Alegre/RS OC 25 m - 11.895 kHz - Porto Alegre/RS OC 31 m - 9.550 kHz - Porto Alegre/RS OC 49 m - 6.610 kHz - Porto Alegre/RS AM 1.210 kHz - Brasília/DF FM 88,9 MHz - Santo Antônio do Descoberto/GO AM 1.350 kHz - Salvador/BA AM 610 kHz - Manaus/AM AM 550 kHz - Montes Claros/MG AM 550 kHz - Sertãozinho, região de Ribeirão Preto/SP AM 1.210 kHz - Uberlândia/MG AM 1.310 kHz - Maringá/PR (de 2a a 6a , das 16 às 19h) AM 1.270 kHz - Curitiba/PR (das 16 às 19h) AM 1.210 kHz -Araçatuba/SP (de 2a a sábado,das 16 às 19h) AM 820 kHz - Goiânia/GO (das 22 às 6h) FM 95,1 MHz - Recife/PE (de 2a a 6a , das 21 às 22h) Oi TV - canal 989 Web: www.boavontade.com/tv SKY – Canal 20 Oi TV – Canal 212 NET No Estado de São Paulo: Itapetininga (canal 66); Sertãozinho (canal 98);Americana,Araras, Hortolândia, Limeira, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Nova Odessa, Rio Claro, Santa Bárbara D’Oeste e Sumaré (canal 192). OUTRAS TVS POR ASSINATURA CANAL 24 — Telec NE: São Luís/MA; CANAL 33 — Cabo Serviços de Telecomunicações: Natal/RN e Mossoró/RN; CANAL 29 — TV Costa do Sol: Cabo Frio/RJ; CANAL 26 — TVC Assis: Assis/SP; CANAL 29 — TVC Ourinhos: Ourinhos/SP; CANAL 26 — Pontal Cabo: Penápolis/SP; CANAL 39 — TVCA Tietê: Tietê/SP; CANAL 45 — TV Conector: Jaú/SP e Dois Córregos/SP; CANAL 34 — RCA: Curitiba/PR e Paranavaí/PR. TV ABERTA CANAL 45.1 digital: São Paulo/SP; CANAIS 11E/40D: São José dos Campos/SP; CANAIS 9 e 32: Arceburgo/MG; CANAL 31: Brodowski/SP; CANAL 23: Glorinha/RS; CANAL 51: Luz/MG; CANAL 58: Poços de Caldas/MG; CANAL 21: Mococa/SP, Santa Rosa do Viterbo/SP e Cássia dos Coqueiros/SP; CANAL 69: Tapiratiba/SP e Guaranésia/MG. ANTENA PARABÓLICA — CANAL TERRA VIVA Programa O Poder da Fé Realizante De 2a a 6a , das 7h às 7h30. Frequência em banda C: 3.790 MHz • Frequência em banda L: 1.360 MHz • Polarização descida: horizontal • Satélite: Brasilsat C-2 analógico. Buenos Aires, Argentina: FM Dakota 104.7 (de 2a a 6a , das 5 às 6h e das 10 às 11h;sábado e domingo,das 7 às 8h e das 18 às 19h) eAM 1.590 (de 2a a 6a , da 0 à 1h e das 18 às 19h) • La Paz, Bolívia: FM 100.5 (de 2a a 6a , das 8 às 9h e das 22 às 23h) • Assunção, Paraguai: FM 90.7 (de 2a a 6a , das 8 às 9h) • Montevidéu, Uruguai: AM 1.370 (de 2a a 6a , das 23 à 0h) • Portugal — Porto: FM 88.1 (diariamente,das23à0h)—Lisboa:FM92.8(diariamente, das 23 à 0h) — Coimbra: FM 96.2 (diariamente, das 7 às 8h) e FM 92.6 (diariamente, das 15 às 16h). Comunicação 100% Jesus 0300 10 07 940 • www.boavontade.com • facebook.com/boavontade
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    Comportamento Leila Marco Ponto deequilíbrio Fora do controle Compromete o seu Quando a bem-estarbem- estar ansiedadeansiedade Quando a 56 BOA VONTADE
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    A quanto anda asua saúde emocional e mental? Você já parou para fazer essa perguntaasimesmo?Umsinaldealerta tem sido dado por trabalhos e estudos nacio- nais e internacionais: vivemos atualmente em uma sociedade urgente, rápida e ansiosa. Dados divulgados pela Pesquisa Mundial sobreSaúdeMental(eminglês,WorldHealth Mental Survey), uma iniciativa da Organi- zação Mundial da Saúde (OMS), que reuniu dados epidemiológicos de 24 países, mostra que cerca de 20% dos habitantes da Região Metropolitana de São Paulo*¹ apresentaram algum transtorno de ansiedade. A psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro, vice-presiden- te da Associação Bra- sileira de Qualidade de Vida (ABQV), explica que, na medida certa, a ansiedade não é uma patologia, ela passa a ser prejudicial quando está excessiva e compromete a vida diária da pessoa. “A Organização Mundial da Saúde define o ‘transtorno de ansiedade’como um estado elevado de ansiedade no qual a pessoa ex- perimentasintomasfísicosepsíquicoscomo palpitações, suor, tensão e pensamentos negativos diante de perigos que existem em nossos pensamentos e simulam uma situa- çãodeameaça.Quandoessessintomasnão conseguemsercontroladosouminimizados, ou começam a prejudicar a nossa saúde, está na hora de buscar um especialista”. De acordo com a psicóloga, “às vezes a gente não percebe quando chega esse ‘de- Dra.SâmiaSimurro VivianR.Ferreira *¹ Os dados do relatório internacional restringiram-se à Grande São Paulo e foram gerados por meio da pes- quisa São Paulo Megacity Mental Health Survey. Em âmbito global, o estudo foi coordenado por Ronald Kessler, da Universidade Harvard (Estados Unidos). VivianR.Ferreira BOA VONTADE 57
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    Comportamento são aconselhadas, emgeral, sessões deterapiacognitivo-comportamental (TCC), método que procura modifi- car padrões de pensamentos e com- portamentos associados. Em pacien- tes mais graves, há uma combinação de remédios e TCC. Esseprocessodereflexãopodeser um grande aliado para novos apren- dizados e passa pela interveniência darazão.“Noprocessoterapêuticoé assim,temdeficarnohoje,umacoisa decadavez.Vocêprecisalerojornal interno, saber o seu ponto de equilí- brio, se conhecer bastante, saber os seus limites. Em geral, quando se está ansioso, a pessoa fica pensando que alguma catástrofe iminente vai acontecer; e ter consciência de que 95% das coisas que temos medo não ocorrem, então, a gente sofre, em geral, desnecessariamente”, diz. Omedoqueparalisa Um temor inexplicável do futu- ro, dependendo do grau, prejudica o sono do indivíduo, deixa-o mais predispostoasofrerdeenfermidades cardiovasculareseoimpededefazer coisascomunsàmaioriadaspessoas. Fobias de diferentes ordens podem instalar-se, como, por exemplo, a síndrome do pânico, muito comum nos dias de hoje. Clara dos San- tos*²,54anos,sabebemoqueéisso. Osprimeirossintomascomeçarama aparecer ainda na infância. Ela co- menta que já era um pouco agitada, ansiosa, preocupada com as coisas. “Lembro-me de uma vez que minha irmãfezumvestidoparamim,euera menina,epediuqueexperimentasse. Vesti e ele ficou muito apertado, não conseguiatirá-lo,aminhairmãteve O psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury afirma que uma das formas de proteger a emoção dos pequeninos e filtrar os estímulos estressantes é “desenvolver o prazer por meio de atividades lúdicas, participar de processos criativos que envolvam melhor elaboração, como esporte, música, pintura e relacionamento com a Natureza”. Para ele, é fundamental não superproteger os filhos. E faz uma série de apontamentos em seu trabalho: “É fundamental que os pais não deem presentes e roupas em excesso aos filhos nem os coloquem em múltiplas atividades. É igualmente fundamental que conquistem o território da emoção deles e saibam transferir o capital de suas expe- riências (...). Não devem deixá-los o dia inteiro conectados em redes sociais e usando smartphones. A utilização ansiosa desses aparelhos pode causar dependência psicológica como algumas drogas”. Outro conselho do psiquiatra, esse para crianças e adultos, é evitar tais aparelhos à noite ou mesmo dormir próximo deles, porque a tela produz um comprimento de onda azul que dificulta a liberação, no me- tabolismo cerebral, de substâncias que induzem ao sono. Filhos mais criativos e menos ansiosos mais’; alguém precisadarumtoque para que se possa entender isso”. Os sintomas das crises de ansie- dade trazem muito sofrimento ao paciente. “Se não houver nenhuma patologia física, o melhor especia- lista para se procurar é o psicólogo, ou, eventualmente, dependendo da intensidade, um psiquiatra, para aprender a lidar com suas dificul- dades diárias”, ressalta a dra. Sâmia Simurro. Nos casos mais simples, *² Nome fictício, para preservar a identidade do paciente. shutterstock.com 58 BOA VONTADE
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    de rasgar ovestido, porque fiquei muito nervosa, parecia que a roupa ia me sufocar”. Com o tempo e uma sucessão de acontecimentos, como a perda dos pais (bem próximo um do outro) e a ameaça de desemprego, os sintomas foram ampliados. “Você acha que não tem luz no fim do túnel, acumula tudo, não se abre, não conversa com ninguémeficaguardandoparavocê, e é como uma panela de pressão: chega uma hora que explode”. Depois desses episódios, os sinais ficaram mais evidentes, e, graças ao apoio de familiares e amigos, Clara percebeu que pre- cisava de ajuda especializada. Ela havia desenvolvido a síndrome do pânico. “Tinha medo em ambientes fechados, em elevador, em avião, em meio à multidão. Sentia um grande desconforto, um aperto no peito, falta de ar. Tinha a sensação de que ia morrer”, conta. Atualmente, ela convive melhor com esses sentimentos. Fez três anos de terapia, tomou medicamentos, aprendeu a controlar a respiração com exercícios de ioga e adotou pensamentos mais positivos. “Já consigo andar de elevador, viajei de avião.Quandoestounesseslugarese vemessasensaçãodemedo,procuro respirarfundo,ficartranquila,calma e pensar que não vou ficar ali presa, que há saída dali. A Espiritualidade, conhecer o meu eu interior e, acima de tudo, o amparo de Deus foram também muito importantes para mim. Li bons livros, a exemplo de ReflexõesdaAlma,doescritorPaiva Netto,quemedeuumconfortomuito grande,umbem-estar,umasensação desaúde,decuramesmo”,completa. Omaldoséculo O alerta vem do psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury, autor da obra Ansiedade — Como vencer o mal do século. No tra- balho, ele apresenta a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), segundo ele, um dos problemas mais comuns da atualidade, que atinge, em níveis diferentes, mais de 80% dos indivíduos em todas as idades. “Sem perceber, a sociedade moderna — consumista, rápida e estressante — alterou algo que deveria ser inviolável, o ritmo de construção de pensamentos, ge- rando consequências seriíssimas para a saúde emocional, o prazer de viver, o de- senvolvimento da inteli- gência, a criatividade e a sustentabilidade das rela- ções sociais. Adoe­cemos coletivamente”, explica o escritor. O autor argumenta que no pas- sado o número de informações dobrava a cada dois ou três séculos; hoje, isso ocorre a cada ano. Para ele, “(...) mesmo se o conteúdo for positivo, culto, interessante, o ace- leramento do pensamento por si só gera um desgaste cerebral intenso, produzindo a mais importante an- siedade dos tempos modernos, com a mais rica sintomatologia”. Cury expõe que mesmo crianças e adolescentes já sentem os efeitos dessa síndrome, conforme pôde perceber em suas palestras em escolas, onde os alunos, ao serem indagadossobreossintomasdaSPA, afirmavam, em sua maioria, sentir dores de cabeça e musculares. “Foi surpreendente.Quasetodostambém acenaram positivamente quando perguntei se acordavam cansados, se se sentiam irritadiços e intole- rantes a contrariedades, se sofriam porantecipação,setinhamdéficitde concentração e de memória.” A fim de fugir de uma das características mais marcantes da síndrome, a angústia por fatos e circunstâncias que ainda não aconteceram, o livro dispõe-se a ensinar a pensar com consciência, a gerenciar seus pensamentos, a pen- sar antes de reagir, a ser resiliente. “O maior inimigo não está fora, mas dentro de você”, diz o autor. De acordo com Augusto Cury, a SPA tem levado ao para- doxo de termos, apesar de atualmente uma vida mais longa biologicamente, a impressão de que o tempo passa mais rápido. São tantas atividades mentais e profissionais que não há espaço para desfrutar, digerir e assimilar experiên­cias existenciais. “Estamos na era do fast-food emo- cional; engolimos nosso nutriente. Não sabemos amar, dialogar, ouvir, sonhar, interiorizar, jogar conversa fora”, afirma, na obra, o escritor. Augusto Cury Divulgação “Sem perceber, a sociedade moderna (...) alterou algo que deveria ser inviolável, o ritmo de construção de pensamentos.” Augusto Cury Psiquiatra e psicoterapeuta BOA VONTADE 59
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    Especialistas já listarampelo menos dez tipos de problemas ligados à ansiedade. Todos esses transtornos e fobias prejudicam a qualidade de vida das pessoas e as impedem, muitas vezes, de exercer atividades corriqueiras. A seguir, alguns deles. tipos detranstornos deansiedade 2 3Fobia social caracteriza-se pelo medo excessivo de humilhação ou embaraço em vários contextos sociais, entre os quais falar em público, comer em restaurantes e usar toalete público. Fobias específicas são medos irracionais que geram reação desproporcional a algo, como a fobia de aranhas, tempestades, sangue ou lugares pequenos. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) consiste em pensamentos, ideias ou imagens que invadem a consciência insistentemente, sem que a pessoa queira. A única forma de livrar-se deles por algum tempo é realizar um ritual, como, por exemplo, verificar se trancou a porta ou se apagou a luz. 11 Comportamento 60 BOA VONTADE
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    Transtorno de estresse pós-traumático(TEPT) é o estado em que o paciente deve ter passado por um evento grave, com grande estresse emocional. Esse tipo de trauma inclui experiências de combate, de catástrofes naturais, de agressão física, de estupro, de acidentes graves etc., e leva a pessoa a ter medo de situações que, de alguma maneira, se assemelham ao momento traumático. Fonte: site Psiquiatria Geral (www.psiquiatriageral.com.br) e Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (DSM-IV). 44 5 Transtorno de ansiedade induzido por substâncias consiste no distúrbio causado por uso de drogas e álcool. Várias dessas substâncias são capazes de produzir ansiedade. 6 7 Transtorno ou síndrome do pânico caracteriza-se por intensa ansiedade e medo, acompanhados de sintomas físicos (taquicardia, dispneia, sudorese e palpitações), com duração breve. 88 Transtorno de ansiedade generalizada é um estado de ansiedade e preocupação abrangente, acompanhado por sintomas somáticos, entre os quais irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga e depressão. Agorafobia é o estado em que se evidenciam comportamentos de esquiva, que aparecem quando a pessoa se encontra em situações ou locais dos quais seria difícil ou embaraçoso escapar ou mesmo receber socorro se algo de errado acontecesse. BOA VONTADE 61
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    espiritualidade e força interior ajudama vencer a ansiedade Vivian R. Ferreira Comportamento 62 BOA VONTADE
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    U m dos maisconceituados hospitais da capital paulista, o Albert Einstein, tem in- vestido em diversas ações a fim de oferecer serviços centrados no paciente, em ambientes sau- dáveis e propícios para a cura. Entre algumas das medidas estão a eliminação do horário de visita na UTI, o apoio religioso e a possibilidade de que pacientes recebam a visita de animais de estimação. Para isso, foi desenvolvida uma política de seguran- ça. Dentre outras coisas, é preciso ter autorização do médico responsável pelo paciente e o ve- terinário deve fazer um laudo atestando as boas condições de saúde do animal. Um dos responsáveis por essa mentalidade no hospital é o cirurgião Paulo de Tarso Lima, que coor- dena o Serviço de Me- dicina Integrativa, uma prática médica nascida na década de 1970, que objetiva favorecer a recuperação dos pacientes em todos os níveis: físico, mental, emocional, social e espiritual. “A ideia é mostrar que a pessoa é a detentora da capacidade de cura da própria doença”, destaca. Ele também explica que o trabalho do hospi- tal é muito focado na gestão do estresse, que está intimamente associado à piora ou à má função dos processos biológicos. “A literatura médica sustenta isso. Há pesquisas mostrando que a relação com animais leva, por exemplo, a diminuir a ansiedade”. Quem já se beneficiou com esse serviço sabe o bem que ele traz. A dra. Cristiane Isabela deAlmeida expe- rimentou, como paciente, essa situação. Em 2011, a complicação em uma cirurgia a fez ficar 35 dias internada. A experiência de estar “do outro lado” levou-a a entrar em contato com “a fragilidade, a dependência e a incerteza que o paciente sente e de que muitas vezes não nos damos conta”, relata a médica. Ela percebeu que o processo de recuperação é bem mais amplo do que parece ser. “O próprio hospi- tal torna-se um ambiente de cura, onde a construção se une aos medicamentos, aos procedimentos e, especialmente, às pessoas. As- A dra. Cristiane com seu cão Twister. No destaque, a cadela Clara recebe o abraço afetuoso de seu dono, Ennio Araújo. Ambos receberam a visita de seus animais de estimação enquanto estavam internados. pectos relacionados à espiritua­ lidade, ao toque, ao bem-estar e à alegria interior assumem uma importância vital”, ressalta. A oportunidade de receber o seu cachorrinho no hospital foi muito importante. Cristiane lem- bra que ele era o único que não “sabia” o que tinha acontecido. Ela simplesmente havia sumido da vida dele. “Para a visita do Twister, todos se uniram: enfer- magem, segurança, comissão de infecção hospitalar... E ele veio! Com toda a doçura que os ani- mais sabem ter nesses momentos, entrou como um principezinho pela porta principal do hospital, abanou o rabo com aquela ale- gria de quem não guarda mágoas da separação e pulou, pedindo colo, carinho e um tempo só com ele. Aquela visita preencheu minha alma! O amor sem pala- vras...”, conclui. Dr.PaulodeTarsoLima NiltonFukuda Fotos:Arquivopessoal BOA VONTADE 63
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    Globalização do de jesus AmorFraterno O39o Fórum Internacional do Jovem Ecumênico Militante da Boa Vontade de Deus compartilha ideias e atitudes para a construção de um mundo melhor. Da Redação Ação Jovem LBV VivianR.FerreiraEduardoSiqueira PriscillaAntunesDouglasGuttemberg São Paulo/SP Americana/SP Uberlândia/MG Rio de Janeiro/RJ
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    JoãoPeriotto Vivian R. Ferreira GRANDEREPERCUSSÃO Palestra do diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, é transmitida, via satélite, por rádio, televisão e internet para o Brasil e exterior. BOA VONTADE 65
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    M ais de 7bilhões de pessoas habitam o planeta, cada uma com a própria percepção de mundo, e o que se vê atualmente é a escolha de culturas e pontos de vista para servir de padrão. Tal preferência, consequentemente, direciona todas as outras formas de expressão, consideradas muitas ve- zescomomarginaisoudeimportân- cia secundária. Desse modo, ainda um número reduzido de indivíduos beneficia-se do progresso social, por exemplo, enquanto a maioria sofre com os prejuízos da miséria globalizada. ParaJosédePaivaNetto,diretor- -presidente da Legião da Boa Von- tade, jornalista, radialista e escritor, Jesus,oCristoEcumênico,portanto, universal, o Divino Estadista, apre- sentou, com Sua existência terrena, há mais de dois mil anos, valores que conduzem a uma globalização semseres prejudicados, por meio de SeuNovoMandamento:“Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meusdiscípulos,setiverdesomesmo Amorunspelosoutros”(Evangelho, segundo João, 13:34 e 35). É nessa base deixada pelo Administrador Celeste que o dirigente da LBV se inspira, traduzindo-a em frentes de ação por um mundo melhor. Há dé- cadas, ele tem defendido veemente- mente, em seus escritos e discursos, a tese da Globalização do Amor Fraterno de Jesus. O próprio Paiva Netto uma vez disse, em entrevista, ao jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Parisi Rappocio em 10 de outubro de 1981: “(...) À glo- balizaçãodamisériacontrapomosa globalização da Fraternidade, que espiritualizaeenobreceaEconomia e solidariamente a disciplina, como forteinstrumentodereaçãoaopseu- dofatalismo da pobreza”. O assunto foi escolhido pela Juventude Ecumênica Militante da Boa Vontade de Deus para ser abor- dado em um ano intenso de estudos e atividades, realizados em dezenas de cidades do Brasil e no exterior.A conclusão desses trabalhos ocorreu no dia 21 de junho de 2014, com o 39o Fórum Internacional do Jo- vem Ecumênico Militante da Boa Ação Jovem LBV Fotos:VivianR.Ferreira Maringá/PR 66 BOA VONTADE
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    Vontade de Deus,que congregou pessoas de todas as idades para refletir sobre o tema “Globalização do Amor Fraterno –– A construção de um mundo melhor”. O ponto alto do encontro, que teve lugar nas unidadessocioeducacionaisdaLBV (escolas e Centros Comunitários de Assistência Social) e nos espaços culturais e ecumênicos da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, foi o discurso, de improviso, de Paiva Netto, transmitido ao vivo, via satélite, pela Super Rede Boa VontadedeComunicação(rádio,TV einternet).Amensagemtevegrande audiência e repercussão em muitas partes do globo, sendo acompanha- da, em tempo real, por internautas da Bolívia, dos Estados Unidos, da Argentina,doParaguai,doUruguai, de Portugal e de outros países, além de ter sido alvo de numerosas mani- festações de apreço e gratidão. O dirigente abriu sua prédica falando da mídia diferenciada da LBV: a Comunicação 100% Jesus. “Ora, a meta, pelos milênios, é glo- balizar. Mas o quê? Costumo dizer que a reforma do social, portanto do humano, vem pelo espírito. Esse é o diferencial que apresentamos à Humanidade”, fez questão de ressaltar. Fraternidade no alto sentido Paiva Netto também salientou a importância de o Supremo Criador não ser reduzido à noção do deus antropomórfico, feito à imagem e semelhança dos homens, conforme destacava o saudoso fundador da LegiãodaBoaVontade,AlziroZarur (1914-1979).Paraodiretor-presiden- te da Instituição, esse conhecimento éimprescindívelparaquenãosecrie a impressão perigosa de um deus pessoal, um deus com todos os erros e pecados dos seres humanos. Ainda de acordo com esse en- tendimento, explicou que é preciso buscarpromovera“globalizaçãodo que Jesus, o Celeste Estadista, quer que seja globalizado: o pensamento de Deus, que é Amor (Primeira Epístola de João, 4:8); logo, é fra- ternidadenomaisaltosentido.Mui- ta gente ainda pensa que ela seja apenas entre o seu grupo, entre a sua tribo. E aí as nações se dividem, os seres humanos se matam, nem as crianças se salvam (...)”. A fim de continuar sua reflexão, elepediuquefosseexibidagravação histórica, na voz de Alziro Zarur, em que este interpreta a página Deus, de Eurípedes Barsanulfo*, na qual o autor escreve sobre a abrangência da Presença Divina (reproduzida a seguir). Deus “O Universo é obra inteligen- tíssima; obra que transcende a mais genial inteligência humana; e, como todo efeito inteligente tem Ecumenismo sem fronteiras O dirigente da Legião da Boa Vontade ainda ressaltou a presença da Instituição em importante seminário da ONU, ocorrido em junho, sob o seguinte título: “O Trabalho Espiritual das Nações Unidas: avançando em direção a uma transformação planetária de consciência”. Nesse evento, o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, fez um pronunciamento, no qual destacou trecho do subtítulo “Ver além do intelecto”, constante do livro É Urgente Reeducar!, do escritor Paiva Netto. A obra é uma das bases da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, as quais compõem a linha educacional da LBV. Também mereceu relevo especial no seminário a revista Globaliza- ção do Amor Fraterno. A publicação, que ajudou a orientar os estudos e as discussões acerca do tema do 39o Fórum Internacional do Jovem Ecumênico Militante da Boa Vontade de Deus, já foi traduzida para vários idiomas (alemão, espanhol, esperanto, francês, inglês e portu- guês) e recebeu o endosso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. YreneSantana BOA VONTADE 67
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    Ação Jovem LBV umacausa inteligente, é forçoso inferir que a do Universo é superior a toda inteligência; é a inteligência das inteligências; a causa das cau- sas; a lei das leis; o princípio dos princípios; a razão das razões; a consciência das consciências; é Deus! Deus! Nome mil vezes santo, que Newton jamais pronunciava sem descobrir a cabeça! “Ó Deus que vos revelais pela natureza, vossa filha e nossa mãe, reconheço-vos eu, Senhor, na poe- sia da criação; na criancinha que sorri; no ancião que tropeça; no mendigo que implora; na mão que assiste; na mãe querida que vela; Campinas/SPNiterói/RJ Brasília/DF Rio de Janeiro/RJ Poços de Caldas/MG São José dos Campos/SP São Paulo/SP Pedro Periotto AlcidéiaMendes WaldomiroManoelWaldomiroManoelJoãoMiguel MarianaTrevisanoJosyeHellen *Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) — Nasceu no dia 1o de maio de 1880, em Sacramento, Estado de Minas Gerais, e fa- leceu na mesma cidade, aos 38 anos, em 1o de novembro de 1918. Em 1902, parti- cipou ativamente da fundação do Liceu Sa- cramentano, onde passou a lecionar. Tam- bém atuou na criação do jornal semanal Gazeta de Sacramento, no qual publicava artigos sobre economia, literatura e filoso- fia, estreando, assim, como jornalista. Em 31 de janeiro de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec. Atendeu indistintamente os mais pobres e os necessitados que o pro- curavam em busca de ajuda. Foi dedicado servidor do Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da gripe espa- nhola, pandemia que assolou o mundo de 1918 a 1919.
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    no pai extremosoque instrui; no apóstolo abnegado que evangeliza as multidões. “Ó Deus! Reconheço-vos eu, Senhor, no amor do esposo; no afeto do filho; na estima da irmã; na justiça do justo; na misericór- dia do indulgente; na fé do homem piedoso; na esperança dos povos; na caridade dos bons; na inteireza dos íntegros. “Ó Deus! Reconheço-vos eu, Senhor! no estro do vate; na elo- quência do orador; na inspiração do artista; na santidade do mestre; na sabedoria do filósofo e nos fogos eternos do gênio! “Ó Deus! Reconheço-vos eu, Senhor! na flor dos vergéis, na relva dos vales; no matiz dos campos; na brisa dos prados; no perfume das campinas; no murmúrio das fontes; norumorejodasfranças;namúsica dos bosques; na placidez dos lagos; na altivez dos montes; na amplidão dos oceanos e na majestade do firmamento! “Ó Deus! Reconheço-vos eu, Senhor, nos lindos antélios, no íris multicor; nas auroras polares; no argênteo da Lua; no brilho do Sol; São Paulo/SP Goiânia/GO Salvador/BA Americana/SP Porto Alegre/RS IzabelaLobiancoTatianeOliveira LilianeCardoso RogérioPaiva Pedro Periotto BOA VONTADE 69
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    Ação Jovem LBV nafulgência das estrelas; no fulgor das constelações! “ÓDeus!Reconheço-voseu,Se- nhor! na formação das nebulosas; na origem dos mundos; na gênese dos sóis; no berço das humanida- des; na maravilha, no esplendor e no sublime do Infinito! “Ó Deus! Reconheço-vos eu, Senhor, com Jesus, quando ora: ‘Pai Nosso, que estais nos Céus...’ ou com os Anjos quando cantam: ‘Glória a Deus nas Alturas, Paz na Terra aos Homens [e Mulheres] da Boa Vontade de Deus’”. EcompletouodirigentedaLBV: “Eis aí esta magistral página do velho Eurípedes. Assim fica mais fácil entendermos o Amor verda- deiramente solidário que urge seja universalizado: o que alimenta, que educa, que dá segurança, que proporciona saúde, e que, acima de tudo, espiritualiza os povos em sua totalidade”. Jesus renasce nos corações de Boa Vontade Nasequência,odiretor-presidente da LBV preparou o ambiente para a Oração Ecumênica do Pai-Nosso e enfatizou,maisumavez,aimportân- cia do legado do Cristo Ecumênico para os povos, citando o seguinte trecho de seu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade, a ser lançadoembreve:“Jesusnasceere- nasce todos os dias nos corações de BoaVontade.Eigualmentevolta,por antecipação,nasaçõesdascriaturas que cultivam o seu ideal no Bem”. Após a prece, para encerrar sua preleção, desejou que todos recebessem as bênçãos do Cristo de Deus. Nos meses que antecederam a realização do 39o Fórum Inter- nacional do Jovem Ecumênico Militante da Boa Vontade de Deus, os integrantes da Juventude Ecumê­nica participaram de diver- sos debates, nos quais analisaram aspectos ambientais, sociais, culturais e espirituais relativos ao assunto do referido evento. A partir dessas discussões surgiu a música-tema do encontro, A força da Fraternidade. Em uma das ações que inte- gram o fórum, jovens apresenta- ram as próprias composições no Festival Internacional de Música da LBV, por meio das quais se expressaram e promoveram re- flexões acerca do tópico em foco. Além disso, fundamentados no lema “Compartilhe, comunique, vivencie”, eles se serviram da tecnologia em favor da propagação do ideal da Legião da Boa Vontade ao utilizar a hashtag #Geração- Jesus nas mídias sociais. Com o ato, estas foram tomadas pelos registros de pessoas de todas as idades que lutam por um mundo justo e fraterno. Cabe mencionar que o fórum reuniu milhares de participantes não só no Brasil, mas também em Nova Jersey, em New Hampshire, na Flórida, na Carolina do Norte, em Massachusetts e em Washing- ton D.C., nos Estados Unidos; em Montevidéu, no Uruguai; em Assunção, no Paraguai; em Buenos Aires, na Argentina; em Coimbra, em Lisboa e no Porto, em Portugal; e em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Debateseatividadesculturais Nova York (EUA) Assunção (Paraguai) Assunção (Paraguai) Montevidéu (Uruguai) La Paz (Bolívia) Fotos:ArquivoBV 70 BOA VONTADE
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    Atendemos a pequenas,médias e grandes tiragens: Livros | Revistas | Folhetos | Flyers | Folders Catálogos | Agendas | Calendários | Cartazes 30 anos no mercado somando qualidade, bom atendimento e satisfação de clientes e fornecedores. Esta revista foi impressa aqui! Que tal dar essa mesma qualidade aos seus produtos? Rua Visconde de Taunay, 651, Bom Retiro, São Paulo/SP I Tel.: (11) 3359-7575 | atendimento@mundialgrafica.com.br Aspecto do moderno e novo parque gráfico, localizado na região central de São Paulo/SP.
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    A empresa VB Comunicação, comseis anos de existência, mantém no mercado produ- tos que conquistaram credibilidade e se tornaram referência nos campos da informação, do entretenimento e da prestação de serviços. Um dos grandes sucessos do grupo é o evento Conexão Empresarial, que tem o objetivo de propiciar o compartilhamento de experiências, a criação de negócios e as parcerias entreexecutivosdasmaisimportantes organizações do Brasil. No dia 22 de agosto, em Nova Lima/MG, o encontro, que reúne ConexãoEmpresarialEvento facilita troca de experiências e geração de negócios Elvira Trindade | Fotos: Tião Mourão (2) O diretor-geral da VB Comunicação, jornalista Paulo Cesar de Oliveira (D), ao lado do representante da LBV, Ronei Ribeiro. (3) Márcio Utsch (E), diretor-presidente da Alpargatas, com o representante da LBV e (1) palestrando durante o evento. as principais lideranças de Minas Gerais e do país, brindou os pre- sentes com palestra do diretor- -presidente daAlpargatas, Márcio Utsch, acerca do tema “A evolu- ção da marca Havaianas”. Ele fa- lou sobre a trajetória da entidade, as conquistas e os novos desafios dela, além de apresentar estraté- gias para o sucesso da empresa: “Você não pode batalhar todas as batalhas. A primeira forma de ganhar é escolher de quais você deve participar. Há as perdidas... Você vai entrar na bola dividida pra quebrar o pé. Olhe no seu painel de controle: ‘Eu tenho aqui dez batalhas e posso vencer nestas sete’. Batalhe nas sete”. Utsch também afirmou que a prioridade hoje da Alpargatas é tra- balhar “nos embates de crescimento de marca; de rentabilidade; de pere- nização; de valor de marca; de uma cultura empresarial que preconiza a simplicidade, a rapidez; de uma cul- tura muito próxima e quente com os clientes,consumidores,fornecedores, queprivilegiamuitoabrasilidade”.E concluiu: “Foram essas as batalhas que a gente escolheu, e, nessas, a gente venceu”. 1 2 3 Empreendedorismo 72 BOA VONTADE
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    TERCEIRO SETORE N CA R T E E S P E C I A L A nova realidade do Terceiro Setor........... 74 Articulação social.......... 84 Capacitação e menos burocracia.................... 87
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    A nova realidade doTerceiro Setor Estudo da Lei no 12.868/13 T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o por Airton Grazzioli, José Eduardo Sabo Paes e Marcelo Henrique dos Santos shutterstock.com 74 BOA VONTADE
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    O processo de gestãono Terceiro Setor — vale dizer, dos recursos humanos nele encontrados — apresenta várias peculiaridades, passando pelo tipo de serviço prestado, pela coexistência de diferentes atividades e pela complexidade dos desafios inerentes à sociedade civil, na medida em que é direito dela protagonizar com eficiência as tratativas que lhe dizem respeito, no âmbito social. Mas, sem qualquer dúvida, o fator mais importante nesse contexto é o ho- mem, agente fundamental nos processos sociais e, ao mesmo tempo, objeto de todas as ações de tal natureza. É fato incontroverso que o Primeiro e Segundo Setores experimentam sensível retração e até mesmo certa crítica quanto às motivações de suas ações e grande discussão sobre seus modelos, especialmente por causa do adensamento populacional urbano e da escassez de recursos naturais, que têm produzido crescente exclusão social. Nessa conjuntura, o Ter- ceiro Setor tem-se apresentado como uma força viva José Eduardo Sabo Paes, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Direito Constitucional pela Universidad Complutense de Madrid. É procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; membro do Ministério Público; coordenador do Núcleo de Estudo e Pesquisa Avançada no Terceiro Setor (Nepats) da Universidade Católica de Brasília; e vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social (Profis). Marcelo Henrique dos Santos, bacharel em Direito, especialista em Processo Civil e Processo Penal pela Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em Direito Sanitário pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciências Ambientais pelo Centro Universitário de Anápolis (UniEvangélica). É membro do Ministério Público de Goiás, titular da Promotoria de Fundações e Entidades de Fins Sociais em Anápolis e de Defesa da Saúde, além de ser coordenador do curso de Direito na UniEvangélica. apta a concorrer para a mitigação do largo fosso de miserabilidade que assola nosso país de forma real, e promove o recrudescimento da insegurança e dos alarmantes e terríveis aspectos da violência, vistos não apenas em nossas metrópoles, mas até nas mais interioranas cidades. É importante salientar que, sob o enfoque da segurança na qualidade de política pública, não se pode descartar a enorme relevância das entidades do Terceiro Setor, cujas inúmeras interfaces dialogam, de maneira significativa, com a cidadania inclusiva, nas áreas e demandas sociais de inegável influência e, por via indireta, no próprio cenário da criminalidade e da violência. Mais incontestável ainda é o fato de ser a adequada administração dos recursos humanos o fator essencial para estabelecer estratégias que aproveitem o máximo de qualificação daqueles que deslocam o amor de seu coração para o preenchimento das lacunas sociais. VivianR.Ferreira JoséGonçalo Divulgação Airton Grazzioli, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Direitos Difusos e Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo (ESMP-SP). É mestre em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), membro do Ministério Público do Estado de São Paulo, promotor de Justiça, e curador de fundações de São Paulo e vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social (Profis). BOA VONTADE 75
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    Assim, no presentetrabalho, pretendemos traçar os principais pontos referentes à remuneração de dirigen- tes estatutários e não estatutários das organizações do Terceiro Setor de assistência social, tema que recebeu permissão expressa do legislador pátrio e concorre para suprir lacuna indesejável e tormentosa para os que atuam nesse setor. Trataremos também de tópicos relacionados a tal inovação legislativa, entre os quais a imunidade tributária na percepção constitucional. Da construção de uma sociedade mais participativa O Brasil anda a passos largos, no afã de construir uma sociedade moderna e efetivamente preocupada com suas demandas sociais. No entanto, apesar da ocorrência de um considerável avanço nessa área nas últimas décadas, a verdade é que o povo brasileiro ainda convive com muitos problemas, que o afetam diretamente. O Terceiro Setor, nesse nível, tem sido importante para a mutação desse panorama, pois a so- ciedade civil organizada tem fomentado a consciência crítica de um pensamento uniforme de responsabili- dade social — mesmo porque não há dúvida de que o exercício pleno da cidadania é uma forma de melhoria da qualidade de vida das pessoas e da comunidade vista de maneira difusa. Registre-se que, apesar de a democracia estar pre- sente na maioria das anteriores concepções de Estado, o cenário atual passa por uma nova roupagem, com a participaçãopopularnãosomentenoprocessopolítico, mas também nas decisões do governo e na execução de políticas públicas, especialmente na área social. Nessa linha, o Grupo de Trabalho do Marco Regula- tório do Terceiro Setor, liderado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, iniciou suas atividades no fim de 2011, com o intuito de implantar uma nova realidade nas parcerias entre o Poder Público e as organizações da sociedade civil (OSCs). Objetiva-se, comoMarcoRegulatório,aconstruçãodeumarelação entre as OSCs e o Estado que valorize efetivamente a importância das organizações como parceiras deste na edificação de uma sociedade justa. Várias são as frentes que estão sendo trabalhadas pelo Marco Regulatório, merecendo destaque a que pretende a edição de novas regras para o repasse de recursospúblicos,paraasustentabilidadeeparabuscar novos instrumentos de parceria que verdadeiramente atendam ao interesse público*1 ; e a que trata do “Sim- ples Social”, da problemática da sustentabilidade das entidades, do fomento à cultura de doação, dos incen- tivos fiscais e dos fundos patrimoniais*2 . Da possibilidade de remuneração de dirigentes Aspectos históricos e normativos A possibilidade ou não de as instituições sem fins lucrativos remunerarem seus dirigentes é, sem dúvida alguma, um dos assuntos de maior interesse e que geram incertezas nas pessoas que, de alguma forma, se encontram ligadas às entidades do Terceiro Setor, seja na condição de dirigentes, seja na condição de integrantes de algum órgão da pessoa jurídica, seja na condição de agentes fiscalizadores. De fato, a matéria não é de fácil compreensão, uma vez que seu completo entendimento exige análise das legislações tributária e previdenciária aplicáveis ao contexto e dos títulos e certificados concedidos pelo Poder Público, além de outras exigências advindas do próprio ordenamento jurídico. Certamente, em seu nascedouro — e, particular- mente no Brasil, até duas décadas atrás, essa questão T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o *1 O Projeto de Lei nº 7.168, de 2014, originado do Projeto de Lei do Senado nº 649/2011 e apensado ao Projeto de Lei nº 3.877/2004, estabelece o regime jurídico das parcerias voluntárias, envolvendo ou não transferências de recursos financeiros, entre a Administração Pública e as organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público; define diretrizes para a política de fomento e de colaboração com organizações da sociedade civil; institui o termo de colaboração e o termo de fomento; e altera as Leis nº 8.429, de 2 de junho de 1992, e nº 9.790, de 23 de março de 1999. É considerado o marco regulatório para convênios com entidades sem fins lucrativos. Foi aprovado no Congresso Nacional recentemente e encontra-se em fase de sanção presidencial. Caso sancionado, tornar-se-á lei. *2 De acordo com o Projeto de Lei nº 4.663/2012, de autoria da deputada federal Bruna Furlan. 76 BOA VONTADE
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    não despertava maioresquestionamentos, em razão da pouca dimensão ocupada pelo Terceiro Setor, fato este que lhe impunha algumas características bastante singulares,entre elasapreponderânciadovoluntariado edoespíritoaltruístico,osquaistinham—eaindahoje têm — grande repercussão na forma de administração das organizações*3 . Porém, à medida que o novo modelo de Estado e a própria sociedade civil organizada imprimiram maior participação dessas organizações na prestação de serviços de interesse da comunidade, verificou-se, de pronto, a necessidade de dar perfil mais profissional às entidades integrantes doTerceiro Setor, surgindo daí a questão inerente ao assunto tratado: a imprescindibi- lidade de que as pessoas jurídicas sem fins lucrativos remunerem seus administradores. De fato, quase que como um senso comum, liga-se a remuneração à ideia de que as pessoas jurídicas sem fins lucrativos, por terem essa natureza, não podem ter em seus quadros contratados para geri-las e/ou administrá-las mediante remuneração. Isso, contudo, é um grande equívoco, tendo em vista que no direito brasileiro não há — e nunca houve — dispositivo legal de vedação do pagamento de remuneração aos administradores dessas entidades, desde que obser- vados determinados requisitos e, principalmente, a possibilidade de pôr em prática essa medida. A primeira questão que deve ser observada é a de que a decisão de remunerar ou não os dirigentes deve estar expressa no respectivo estatuto, ou seja, este documento deve conter artigo específico prevendo a possibilidade de remuneração ou, em caso contrário, vedando-a. Essa exigência é obrigatória em razão do que se afirmou quanto à inexistência de dispositivo legal sobre a matéria; portanto, a norma estatutária é o referencial a ser observado. É fundamental ressaltar que a omissão de dispositivo portador de norma dessa natureza não permite qualquer pagamento a título de remuneração. Porém, antes mesmo dessa previsão estatutária, devem os dirigentes analisar o custo- *3 É interessante, para a compreensão do tema, a leitura do capítulo XII, p. 508-511, da obra de José Eduardo Sabo Paes Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social (Rio de Janeiro: Forense, 8ª edição, 2013). shutterstock.com BOA VONTADE 77
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    -benefício de adotartal medida, uma vez que ela tem repercussão direta nos benefícios fiscais e nos títulos de que é portadora a pessoa jurídica. De modo geral, a legislação tributária, sobretudo a federal, não permite que as entidades remunerem seus dirigentes e sejam beneficiárias de impostos e contribuições. Contornos da jovem Lei nº 12.868 Contornos legais foram implantados com a Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013. Essa legislação modifica o artigo 29 da Lei nº 12.101, de 27 de no- vembro de 2009, com o propósito de permitir, sem perda de eventuais benefícios fiscais, a remuneração dos dirigentes estatutários e dos não estatutários das organizações do Terceiro Setor de assistência social, assim definidas as reconhecidas e certificadas como entidades beneficentes nessa área. Éimportanteaveriguarespecialmenteseainovação legislativa, por ter sido introduzida no mundo jurídico mediante lei ordinária, não conflita com norma cons- titucional ou com outras normas que lhe sejam supe- riores. Para tanto, será necessário trazer à discussão alguns conceitos jurídicos, notadamente os referentes à imunidade tributária. Nocontextodaabordagem,saliente-sequesomente serão consideradas como organizações da sociedade civil e integrantes do Terceiro Setor as fundações privadas e as associações de interesse social, a saber: as entidades cujas ações são de interesse da sociedade civil, vista de forma difusa, nas áreas educacional, assistencial, de saúde, cultural etc. Serãoconsideradoscomodirigentes,igualmente,as pessoas participantes da alta administração das OSCs. Estão nesse contexto os responsáveis pela gestão. Com efeito, a estrutura de poder usual das associações é composta de uma Assembleia Geral integrada por todos os associados, de um Conselho Administrativo e de um Conselho Fiscal (muito embora não obriga- tórios pela legislação, absolutamente recomendados pelas melhores regras de governança corporativa) e de uma Diretoria Executiva, esta incumbida de executar a gestão.Aestrutura de poder das fundações privadas é similar, com a coexistência de um Conselho Curador, de um Conselho Fiscal e de uma Diretoria. Deve-se considerar, do mesmo modo, porque é importante para a compreensão do tema, a existência de duas modalidades de dirigentes: estatutários e não estatutários. Dirigentes estatutários e não estatutários O dirigente estatutário é aquele cujas atribuições são definidas no estatuto social e faz parte do centro de poder principal da OSCs. Sua autonomia de fazer ou deixar de fazer em nome da organização é defini- da no estatuto social, evidentemente subordinada à observância do ordenamento jurídico. Em regra, ele não tem vínculo empregatício com a OSC e recebe, como contraprestação aos serviços prestados, uma T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o shutterstock.com 78 BOA VONTADE
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    espécie de pró-labore,definido pelo próprio estatuto ou em deliberação daAssembleia Geral ou do Conse- lho Administrativo, tratando-se de associação, ou do Conselho Curador ou de órgão similar, tratando-se de fundação privada. O dirigente não estatutário é aquele responsável pela gestão, cujas atribuições não são necessariamen- te definidas no estatuto social. Geralmente, ele não faz parte do centro de poder principal da OSC e tem vínculo empregatício com esta, em regime celetista. Como tal, deve manter contrato de emprego com a organização, atendendo aos requisitos do referido acordo, quais sejam: a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade e a habitualidade. Nessa condição, deve ser subordinado a um dos órgãos da estrutura de poder da OSC e prestar os serviços pessoalmente (não por meio de pessoa jurídica) e com habitualidade, ou seja, com jornada regular de trabalho. Éimperioso considerar, também,apossibilidadedo exercício de atividade profissional do dirigente, para execução de tarefas que não se confundem com suas atribuições enquanto dirigente. É o exercício da ativi- dade da profissão daquele que ocupa o cargo de gestor. Esclareça-se, ab initio desde o início, que a pos- sibilidade de remuneração por tais serviços nunca enfrentou problemas com a legislação nem mesmo com os agentes de fiscalização das OSCs, entre os quais o Ministério Público, o INSS, a Receita Federal e os Tribunais de Contas. Para exemplificar o exercício da atividade pro- fissional dos dirigentes, pode-se citar o caso de uma OSC com atuação na área de saúde cujo dirigente seja médicoe,nessacondição,presteserviçosparaaentida- de. Ou, ainda, o caso de uma OSC cuja atividade seja educacional e cujo dirigente acumule as funções de diretor ou de professor na respectiva unidade escolar.A remuneração por tais atividades, no entanto, não pode ser destoante do quanto praticado pela organização para os demais profissionais da mesma categoria. A possibilidade jurídica da remuneração de diri- gente não é uma novidade na ordem legal, na medida em que existe essa possibilidade desde 1999, com a edição da Lei nº 9.790 para a OSC qualificada como organização da sociedade civil de interesse público (Oscip). O artigo 4º, incisoVI, da lei apontada prevê a possi- bilidade de instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestem serviços específicos, respeitados, em ambos os casos, os valores praticados pelo mercado na região correspondente a sua área de atuação. ALei nº 12.868/2013, regulamentada pelo Decreto nº 8.242/2014, por sua vez, trouxe a possibilidade da remuneração para os dirigentes das entidades beneficentes de assistência social que também atuem efetivamente na gestão executiva, explicitando que a opção não importará em prejuízo à entidade para fins tributários. Ainda, como inovação legislativa, ela não definiu umparâmetro de valor máximo pararemunerar um diretor não estatutário, mas prescreveu patamar salarial máximo para o dirigente estatutário. Porém, muito embora a lei não tenha definido o valor máximo para remuneração do diretor não es- tatutário, parece óbvio que a OSC deve respeitar o padrão salarial praticado pelo mercado em sua área de atuação e um valor compatível com a política salarial da própria organização. Em outras palavras, a entidade não pode remunerar seu diretor não estatutário com valor superior ao praticado na região para atividades similares nem com valor excessivamente superior ao maior salário dos empregados da própria OSC, sob pena de caracterizar a distribuição de seu patrimônio de forma disfarçada. Em relação ao diretor estatutário, por outro lado, a Lei nº 12.868/2013 foi expressa em estabelecer parâ- metroslegaisclaroseobjetivos.Comefeito,estabelece ela que, para preservar o status tributário da entidade, os “dirigentes estatutários” só devem receber remune- ração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração dos servidores do Poder Executivo Federal. Atualmente, a maior remuneração praticada para os servidores pú- blicos federais é de R$ 28.059,29.Aremuneração dos dirigentes, portanto, deve ser inferior a R$ 20.623,57. Ademais, as mesmas recomendações apresentadas para o diretor não estatutário valem para o estatutário, na medida em que, muito embora respeitados os requi- sitos fixados claramente pela lei, se devem observar o padrão salarial praticado pelo mercado na área de BOA VONTADE 79
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    atuação e umvalor compatível com a política salarial da própria entidade. O dirigente também, para ser beneficiado com a possibilidade de remuneração, sem implicações tribu- tárias para a OSC, não pode ser cônjuge parente até terceiro grau (sanguíneo ou por afinidade) dos institui- dores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes. Nesse rol são incluídos pais, avós, bisavós, filhos, netos, bisnetos, tios, sobrinhos, sogro, cunhado, enteado etc. Trata-se de salutar regra, que desestimula o nepotismo no Terceiro Setor. A OSC também não pode pagar, a título de remu- neração de dirigentes (estatutários e não estatutários) valor igualousuperioracincovezesolimiteindividual para a remuneração de seus outros empregados. Anova lei foi clara ao dispor que a remuneração do dirigente estatutário ou não estatutário não impede o exercício de atividade profissional cumulativa, salvo se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. O texto legal é importante, pois confere segurança jurídica para as entidades. Situação da remuneração no âmbito da imunidade tributária Interessante indagar, na sequência, em primeiro lugar, se a inovação legislativa traz segurança jurídica para as OSCs de assistência social, especialmente para remunerar seus dirigentes sem riscos para a imunidade tributária, e, em segundo lugar, se as novas regras são constitucionais ou não. Vejamos, primeiramente, a questão da imunidade tributária.AConstituição Federal, nesta matéria, pos- sui a natureza analítica, na medida em que demarca T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o competências legislativas. O artigo 195, parágrafo 7º, dispõe: “São isentas de contribuição para a seguri- dade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Aimunidade tributária, nesse sentido, é uma garan- tia constitucional dirigida diretamente ao legislador, definindo a proibição de exercício da competência tributária no âmbito do direito material permitido pela própria Constituição Federal. Em outras palavras, é uma garantia, com verdadeiro status de direito funda- mental, declarando a impossibilidade de o legislador tributar determinado fato. É questão pacífica na doutrina e na jurisprudên- cia que, ao utilizar o termo “isenção” no artigo 195 da Constituição, o legislador constituinte quis dizer “imunidade”. Houve emprego inadequado do termo, posto que não se questiona tratar-se de imunidade de contribuições para a seguridade social por parte das entidades beneficentes de assistência social, atendidos os requisitos estabelecidos em lei. A imunidade em questão é vinculante, pois alcança todas as contri- buições para o custeio da seguridade social, devidas pelas entidades de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. É chamada de imunidade específica (na medida em que limitada a um único tributo), objetiva (visto que beneficia as entidades de assistência social) e condicionada (aos requisitos definidos em lei). A Constituição Federal é clara ao dispor que a garantia constitucional depende do atendimento de requisitos estabelecidos em lei. A esse propósito, é imperioso concluir que o artigo 146, inciso II, do Texto Constitucional prescreve que, para a regulação da limitação ao poder de tributar imunidade, esta deve ser feita mediante lei complementar, para disciplinar a respeito de seu conteúdo. Nesses termos, “Cabe à lei complementar: (...) II — regular as limitações constitucionais ao poder de tributar”. Alei complementar, por sua vez, ao regular a imu- nidade tributária, não tem liberdade plena para tanto. A regulação não poderá inviabilizar a desoneração prevista na Constituição. Ela deve tratar de aspectos A inovação legislativa traz segurança jurídica para as OSC(s) de assistência social, especialmente para remunerar seus dirigentes sem riscos. 80 BOA VONTADE
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    Com efeito, tantopara a OSC certificada como Oscip quanto para a certificada como de “assistência social”, com dispositivos legais expressos autorizando a remuneração dos dirigentes, garantiu-se maior segu- rança jurídica para os administradores. A clareza do novo texto legislativo também tem importância singular, pois desmoraliza a tese — equivocada, conforme anotado — de que a remu- neração dos dirigentes das organizações sem fins lucrativos importa em distribuição do patrimônio ou das rendas. Independentemente de a OSC ser certificada ou não, quer seja como de utilidade pública (federal, municipal ou estadual), quer seja como organização social (OS), quer seja como or- ganização da sociedade civil de interesse público (Oscip), quer seja como de assistência social, é legítima (não só sob a ótica da moral, mas também da lei) a remuneração do dirigente que efetivamente preste serviços para a entidade, pois a contrapres- tação pelo trabalho realizado é valor protegido, até mesmo constitucionalmente. No contexto desse exercício de reflexão jurídica, cabe avançar no debate sobre o segundo aspecto já antecipado há pouco, ou seja, se as novas regras são constitucionais ou não. Poder-se-ia indagar se a remu- neração do dirigente estatutário e não estatutário pode ser interpretada como distribuição do patrimônio, na forma prevista no artigo 14, inciso I, do CTN, ou se, tendo em vista que a Constituição exige lei comple- mentar para regulamentar a imunidade, pelo fato de ser lei ordinária, a Lei nº 12.868/2013 teria poder para tratar da matéria. Por ser lei ordinária, ela garantiria segurança jurídica para as OSCs aplicarem-na sem formais, ou seja, elencar medidas capazes de assegurar a eficácia da imunidade constitucional. A propósito, a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CódigoTributário Nacional — CTN), foi recep- cionada pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar, uma vez que estabelece normas gerais em matéria tributária e regulamentar à limitação constitucional ao poder de tributar. Nesse sentido, é unânime o entendimento doutrinário e jurisprudencial. Atualmente, a imunidade tributária garantida no artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, é regulamentada pelos artigos 9º e 14 do Código Tribu- tário Nacional, da seguinte forma: “Art. 9º — É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV — cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sin- dicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo.”; e “Art. 14 — O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu pa- trimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II — aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institu- cionais; III — manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. As novas regras jurídicas são de relevância superla- tiva, pois conferem maior segurança para as OSCs de assistênciasocial(assimentendidasaquelascertificadas e tituladas como entidades beneficentes de assistência social), as quais, até pouco tempo, conviviam com en- tendimentos,muitoemboraequivocados,dealgunsdos próprios órgãos de fiscalização do Estado, postulando que a remuneração podia significar distribuição de par- celadopatrimôniooudasrendas,poisanormaserefere “a qualquer título”, podendo, em tese, subentender a contraprestação por atividade de diretor estatutário. Trata-se de importante passo na senda positiva para que as OSCs e seus dirigentes comecem a ser mais valorizados. BOA VONTADE 81
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    risco de tera imunidade questionada, especialmente pelos órgãos de fiscalização? A esse respeito, para o dirigente no exercício de sua profissão, o entendimento é uniforme, e não há divergências, nem mesmo perante os órgãos de fisca- lização, quanto à possibilidade de remuneração, sem qualquer implicação para a imunidade ou a isenção tributárias. Recomenda-se, no entanto, que o estatuto seja claro a esse respeito, estabelecendo, até mesmo, o órgão responsável pela fixação da contraprestação pecuniária pelo trabalho profissional. Para o dirigente não estatutário, é importante ob- servar, ainda, que ele deve ter vínculo empregatício sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Muito embora não tenham sido fixados parâ- metros pela Lei nº 12.868/2013, é de rigor também atentar para quanto foi recomendado anteriormente. Para o dirigente estatutário, imperioso é o cumpri- mento do padrão remuneratório da região e da própria OSC, além daqueles regramentos definidos pela Lei nº 12.868/2013. Ainda no âmbito do debate sobre a constitucio- nalidade da lei em foco, é muito importante destacar que, até recentemente, vigoravam termos da Lei nº 12.101/2009, que, em seu artigo 29, inciso I, expressa- mentevedavaaremuneraçãodosdirigentes.Tratava-se de uma norma de conteúdo negativo. Cabe ressaltar também que a inovação legislativa trazida pela Lei nº 12.868/2013, de forma diametral- mente oposta, autoriza, de modo expresso, a remune- raçãomediantenormadeconteúdopositivo.Emoutras palavras: enquanto antes se proibia a remuneração, hoje se a permite de maneira explícita. Mais: enquanto antesaopçãodolegisladoreraporumanormanegativa (proibitiva), hoje a escolha é por uma norma positiva (com conteúdo de permissão). Em tal contexto, muito embora o SupremoTribunal Federal ainda não se tenha pronunciado definitivamen- te*4 , por causa da composição integral de seus minis- tros, sobre a possibilidade ou não de a lei ordinária regular imunidade tributária, o Texto Constitucional é claro nesse sentido, e é certo que já há posiciona- mento parcial da Suprema Corte que permite concluir a respeito da constitucionalidade da lei em comento. Aessepropósito,oSTFpronunciou-senestesentido: — os requisitos para constituição e funcionamento das entidades imunes podem ser regulados por lei ordinária; e — os limites e requisitos da imunidade devem ser regulados por lei complementar*5 . T E R C E I R O S E T O R E M F O C O — O p i n i ã o *4 Ressalte-se que, em 4 de junho de 2014, foi iniciado o julgamento de um conjunto de processos em que são questionadas as regras sobre a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social. Começaram a ser julgados, com quatro votos proferidos em favor dos contribuintes, o Recurso Extraordinário (RE) nº 566.622, com repercussão geral reconhecida, e as Ações Diretas de Inconstitu- cionalidade (ADIs) nos 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621. As ações, movidas por hospitais e entidades de classe das áreas de ensino e saúde, questionam modificações introduzidas no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, trazendo novas exigências para a concessão da imunidade. O ministro Marco Aurélio, relator do RE 566.622, votou no sentido de dar provimento ao recurso interposto por um hospital de Parobé/RS e foi acompanhado pelos ministros Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso, havendo, em seguida, pedido de vista do mi- nistro Teori Zavascki. O relator das ADIs, ministro Joaquim Barbosa, julgou parcialmente procedente as ações, reconhecendo a inconstitu- cionalidade da quase totalidade dos dispositivos impugnados, e foi acompanhado por Cármen Lúcia e Roberto Barroso. Houve o pedido de vista do ministro Teori Zavascki também nas ADIs. Segundo o entendimento adotado pelos ministros que já se manifestaram, as restrições inseridas na legislação relativa à imunidade para entidades beneficentes e de assistência social não poderiam ter sido introduzidas por lei ordinária, mas por lei complementar. De acordo com o artigo 146, inciso II, da Constituição Federal, cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. *5 RE no 93.770/RJ, relatado pelo ministro Soarez Munhoz, julgado em 17 de março de 1981 e publicado no DJ de 3 de abril de 1981, p. 02.857. shutterstock.com 82 BOA VONTADE
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    Na mesma linhaé a orientação firme da doutrina*6 . Portanto, pode-se concluir que, enquanto a proi- bição de remunerar os dirigentes das OSCs seja um requisito para usufruir da imunidade tributária e, por isso, deve vir ao mundo jurídico por meio de lei complementar, a permissão para o pagamento é mero requisito de funcionamento de entidade imune e, como tal, pode ser tratada em lei ordinária. Há, pois, segurança jurídica, atualmente, para a remuneração dos dirigentes das OSCs tituladas como Oscips,porforçadasdisposiçõesdaLeinº9.790/1999, assim também para as OSCs tituladas como “entidades de assistência social”, ante a autorização expressa contida na Lei nº 12.868/2013. Trata-se, pois, de importante e salutar norma jurídica, que veio à realidade por meio do Marco Regulatório do Terceiro Setor, na qualidade de ins- trumento de conformação das OSCs como parceiras imprescindíveis do Poder Público na execução de políticas sociais. Permite-se verificar, nesse contexto, que há se- gurança jurídica para a remuneração dos dirigentes, estatutários e não estatutários, das OSCs certificadas como de assistência social, sem que a iniciativa possa ensejar prejuízos à imunidade ou à isenção tributárias. Conclusões O Terceiro Setor vivencia no Brasil uma fase de grande e significativo crescimento, assumindo papel de relevo na construção de uma sociedade mais parti- cipativa. Essa mutação, em verdade, vem ocorrendo especialmente nos últimos trinta anos, de forma mais acentuada nesta década. Esseprocessodemudança,porsuavez,temexigido dasOSCsumnovoperfildegestãoe,consequentemen- te, a possibilidade de angariar gestores profissionais, que necessitam do pertinente pagamento. No contexto da elaboração de um Marco Regula- tório do Terceiro Setor e entre inúmeras outras ini- ciativas em discussão e construção, a possibilidade de remuneração dos dirigentes, estatutários e não estatutários, das OSCs certificadas como entidades de assistência social, sem prejuízo à imunidade e à isenção tributárias, é instrumento que veio em boa hora. Ademais, trata-se de importante passo na senda positiva para que as OSCs e seus dirigentes comecem a ser mais valorizados e identificados como vetores relevantes da desobstrução dos en- traves que as têm posto em situação de insegurança jurídica e social. Tal situação é absolutamente equivocada e ina- propriada, notadamente quando se pensa na extrema necessidade de fortalecer vínculos para a edificação de uma sociedade, de fato, menos injusta e mais solidária, não apenas como retórica vã, mas como anseio sincero e impostergável. Referências bibliográficas PL no 7.168, de 2014, originado do PLS nº 649/2011 e apensado ao PL nº 3.877/2004. PL no 4.663/2012, de autoria da deputada Bruna Furlan. PAES, José Eduardo Paes Sabo. Fundações, Asso- ciações e Entidades de Interesse Social. Rio de Janeiro: Forense, 8ª edição, 2013. Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Decreto nº 8.242/2014. BOTTALLO, Eduardo. Imunidade de instituições de educação e de assistência social e lei ordinária: um intrincadoconfronto.In:ROCHA,ValdirdeOliveira (coord.).Impostoderenda:alteraçõesfundamentais. V. 2. São Paulo: Dialética, 1998, p. 58. *6 BOTTALLO, Eduardo. Imunidade de instituições de educação e de assistência social e lei ordinária: um intrincado confronto. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (coord.). Imposto de renda: alterações fundamentais. V. 2. São Paulo: Dialética, 1998, p. 58. A clareza do texto legislativo desmoraliza a tese de que a remuneração dos dirigentes das organizações sem fins lucrativos importa em distribuição do patrimônio ou das rendas. BOA VONTADE 83
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    Da esquerda paraa direita: Marcelo Henrique dos Santos, presidente da PROFIS; Sueli Maria Baliza Dias, secretária municipal de Educação de Belo Horizonte; Valma Leite da Cunha, presidente da CAO-TS; Carlos André Mariani Bitencourtt, procurador geral de Justiça do Estado de Minas Gerais; Renata Vilhena, secretária de Estado de Planejamento e Gestão; Tomáz de Aquino Resende, presidente do Conselho Consultivo CeMAIS; Luiz Antônio Sasdelli Prudente, corregedor geral do Ministério Público de Minas Gerais; Marisa Seoane Rio Resende, presidente do CeMAIS; Leonardo Leopoldo Costa Coelho, presidente da FUNDAMIG; Dora Silva, presidente da CEBRAF — Confederação Brasileira de Fundações; e Paulo Stumpf, diretor da Escola Superior Dom Helder Câmara. O Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS), de parceria com a Federação Mineira de Fundações eAssociações de Di- reito Privado (Fundamig) e aliado ao Centro deApoio Operacional às Alianças Intersetoriais do Ministério Público de Minas Gerais (CAO-TS), realizou em 2 e 3 de junho de 2014, no auditório da Escola Supe- rior Dom Helder Câmara, o 10º Encontro Nacional do Terceiro Setor. Representantes de organizações Articulação social E S P E C I A L T E R C E I R O S E T O R — E n c o n t r o N a c i o n a l d o Te r c e i r o S e t o r Em sua décima edição, Encontro Nacional do Terceiro Setor comemora uma década de fomento ao setor e consolida-se como importante ferramenta para a expansão da intersetorialidade. Elvira Trindade sociais e das áreas empresarial, jurídica e governa- mental participaram do evento, que incluiu em sua programação debates acerca do tema “Agenda de Cooperação Intersetorial”. Na oportunidade, a Associação Nacional dos Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social (Profis) reuniu pro- fissionais do Ministério Público de diversos Estados a fim de traçar estratégias que contribuam para uma GlênioCampregher 84 BOA VONTADE
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    atuação segura etransparente do Terceiro Setor. “É imprescindível que haja um marco legal que disponha com clareza a respeito da autonomia das entidades, da transparência na utilização de recursos públicos. E mais: que as entidades tenham liberdade para melhor fazer uso desses recursos, liberdade com responsabilidade. Os membros do Ministério Público entendem também que a sustentabilidade é imprescindível. É preciso aprimorar as parcerias com o Estado (o Primeiro Setor) e com o mercado (o Segundo Setor)”, declarou o procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Fe- deral, dr. José Eduardo Sabo Paes. O promotor de Justiça de Funda- ções do Ministério Público de São Paulo, dr. Airton Grazzioli, ressaltou a importância do desenvolvimento de práticas que impulsionem a articulação social entre as empresas privadas, o Poder Público e a sociedade civil organizada. “Há uma `conspiração mineira` em favor do Bem, tentando pautar uma política de alianças intersetoriais, para que se construa um ambiente social, em termos de gestão, e um ambiente jurídico com segurança, para que as entidades possam bem cumprir as suas finalidades”, acrescentou. Para a diretora-presidente do CeMAIS, Marisa Seoane, uma das organizadoras do 10o Encontro Na- cional do Terceiro Setor, “o evento foi todo pensado para proporcionar aos três setores [empresarial, social e governamental] esse espa- ço de diálogo, para que as ações sejam feitas cada vez mais em conjunto”. Ela concluiu: “Todos precisam reunir recursos, compe- tências, conhecimentos, para que a sociedade avance”. “A gente vê a grande necessidade que existe no Terceiro Setor de qualificação, profissionalização. Profissionalizar é uma palavra de ordem.” Sueli Baliza Secretária de Educação de Belo Horizonte/MG Dr.JoséEduardoSaboPaes Dr. Airton Grazzioli Marisa Seoane Márcia Cristina Alves, Comitê Local de Proteção à Criança em Grandes Eventos/Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Ilveu Cosme Dias, Centro de Promoção e Assistência Social Ana Bernardina — Cepas; Fábio Cezar Aidar Beneduce, Instituto Tecnológico e Vocacional Avançado — ITEVA; Coordenação da mesa: Leila Ferreira, jornalista; Marisa Seoane Rio Resende, Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais — CeMAIS; e Sueli Baliza, Secretária Municipal de Educação. Fotos:MônicaMendes BOA VONTADE 85
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    temente ao assunto.“A gente vive de transparência, de credibilidade. Não teríamos 200 mil voluntários no Brasil se o pessoal não acre- ditasse que estamos aplicando o recurso de uma maneira honesta, transparente e com resultados. (...) A prestação de contas da Pastoral, há mais de 20 anos, é sempre igual, a mais rígida possível”, afirmou. Presente também ao acontecimento, a secretária estadual de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, RenataVilhena, salientou: “Desde 2003, temos uma legislação que nos permite fazer parcerias com o Terceiro Setor. (...) Este encontro já se tornou um local onde experiên- cias são trocadas. Há um intercâm- bio muito grande de informações, de novidades, de dificuldades que foram superadas. Isso é importante para que nós possamos avançar”. Os palestrantes ainda destacaram a necessidade de as organizações investirem em transparência, gestão profissional e sustentabilidade para o fortalecimento do próprio setor. Sobre a questão, comentou a dra. Valma Leite da Cunha, promotora de Justiça de Fundações da capital mineira: “Que as entidades criem suas próprias receitas e tenham a preocupação com a gestão profis- sional, a qualificação, a ética e a transparência”. Valma da Cunha Renata Vilhena “O Terceiro Setor é essa força pujante, geradora de emprego e renda, de atendimento de demandas vocacionais, assistenciais (...). Ele é o grande mobilizador, é o que tem a força e a capilaridade de fazer as coisas mudarem no núcleo dos bairros, das vilas, das cidades. (...) A Legião da Boa Vontade dá o exemplo de que basta a gente se unir e se esforçar para mudar a realidade.” Dr. Tomáz de Aquino Resende Advogado e ex-procurador de Justiça Nelson Neumann Otávio Martins Maia, Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão de Minas Gerais — SEPLAG; Coordenação da mesa: Luiz Fernando Rocha, jornalista; Luiz Guilherme Gomes, Fiat Chrysler América Latina; Thiago Alvim, Nexo Investimento Social; Luzia Fernandes Fortes, Obras Sociais da Pampulha; e Janice Salomão de Andrade, Conviver Saber Social. Com vasta experiência em gestão profissional e transparência institucional, o coordenador nacio- nal adjunto da Pastoral da Criança, Nelson Arns Neumann, compartilhou o êxito da entidade referen- Fotos:MônicaMendes E S P E C I A L T E R C E I R O S E T O R — E n c o n t r o N a c i o n a l d o Te r c e i r o S e t o r 86 BOA VONTADE
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    shutterstock.com O Ministério Público doDistrito Federal e Ter- ritórios (MPDFT) e o Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal (CRC-DF) promoveram, em 24 de junho, o seminário Terceiro Setor: Participação Social e Transparência. O evento reuniu mais de 130 pessoas entre procurado- res e promotores de Justiça, profissionais contábeis e representantes de organizações sem fins lucrativos da região, para debater como as entidades podem apresentar as contas do trabalho realizado à socieda- de e de que forma o Ministério Público e os órgãos fiscalizatórios podem colaborar para que a prestação de contas seja simplificada. Para o dr. José Eduardo Sabo Paes, procurador de Justiça do MPDFT, o dever do Ministério Público não é só fiscalizar, “mas acompanhar e amparar essas entidades, entender o que estão fazendo, com- plementando e até suplementando atividades estatais nas áreas da saúde, da educação e da assistência”. O procurador destacou também a presença das Insti- tuições da Boa Vontade nesses debates: “Esse evento está sendo apoiado pela LBV e pela Fundação José de Paiva Netto, que são integrantes desse grande escopo social, sem o qual a reconstrução do Terceiro Setor não existiria”. Realizado na sede do MP, o seminário contou com quatro painéis temáticos por meio dos quais representantes dos setores envolvidos e entidades sociais expuseram as principais normas e demandas atuais da área. O representante da procuradoria geral do MPDFT, dr. Gladaniel Palmeira de Carvalho, observou que tanto “o Ministério Público como o Estado têm a preocupação de fomentar as boas ações, Capacitação e menos burocraciaSeminário debate prestação de contas mais eficiente e simplificada de fazer com que a sociedade perceba o quanto o Terceiro Setor é importante”. Para a promotora de Justiça de Fundações do MPDFT, dra. Rosana Viegas e Carvalho, “uma das fragilidades das entidades é com relação à prestação de contas. Muitas vezes, elas ficam com problemas contábeis por desconhecimento. Daí o Ministério Público, de parceria com o Conselho Regional de Contabilidade, ter firmado um termo de cooperação para ajudar na capacitação contábil das entidades”. Nesse sentido, a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal, Sandra Maria Batista, ressaltou: “Vejo que a maior dificuldade dos contabilistas não é a parte técnica, mas compreender melhor os gestores da entidade, que têm uma lingua- gem e uma forma próprias de agir. Hoje a prestação de contas é uma exigência não só dos órgãos fisca- lizatórios, mas da sociedade e dos doadores — ela está associada até à sobrevivência da entidade”. Da mesma forma, os palestrantes Vilson Ma- galhães, analista de Contabilidade e perito, e o dr. Thiago Pierobom, coordenador do Núcleo de Direitos Humanos, ambos expositores do MPDFT, falaram das recentes atualizações nas regras rela- tivas às prestações de contas. “As Portarias 303 e 304 representam as alterações das Portarias 445 e 448 (...). O principal foco delas é a simplificação da documentação exigida para a prestação de contas”, explicou Vilson. Segundo Thiago, isso fará com “que as entidades recebam todas as informações em um único momento [para] que possam, adequadamente, se preparar para cumprir toda a atividade de pres- tação de contas sem burocracia”. BOA VONTADE 87
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    Abradeepremia as melhores 16a ediçãodo Prêmio Abradee destaca eficiência das distribuidoras de energia elétrica no país Texto e fotos: José Gonçalo A partir da esquerda, compuseram a mesa da entrega do prêmio: Francisco Anuatti, coordenador de Projetos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Luiz Barata, presidente do Conselho de Administração e superintendente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); José Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Márcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME); Nelson Fonseca, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee); Romeu Rufino, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); Jairo Martins, superintendente-geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ); Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Ludimila Calijorne, diretora de Pesquisas de Mercado do Instituto Innovare. Responsabilidade social 16o Prêmio Abradee A Associação Brasileira de Distribuidores de Ener- gia Elétrica (Abradee) realizou, em 17 de julho, a 16a edição do Prêmio Abradee. O mais respeitado reconhecimento do setor elétrico brasileiro, uma forma de estimular a cooperação e a melhoria da gestão das dis- tribuidoras associadas (estatais e privadas), que, em conjunto, são responsáveis pelo atendimento de aproximadamente 98% dos consu- midores. A cerimônia de entrega dos troféus ocorreu no auditório 88 BOA VONTADE
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    Empresas com até500 mil consumidores • Responsabilidade Social: Companhia Nacional de Energia Elétrica; • Avaliação pelo Cliente: Companhia Nacional de Energia Elétrica; • Gestão Operacional: CPFL Leste; • Abradee Nacional: Companhia Nacional de Energia Elétrica. Empresas com mais de 500 mil consumidores • Abradee Nacional: Elektro; • Região Sul: RGE; • Regiões Norte/Centro-Oeste: Enersul; • Região Nordeste: Energisa Paraíba; • Responsabilidade Social: Elektro e Coelce; • Qualidade da Gestão: Elektro; • Avaliação pelo Cliente: Copel; • Gestão Operacional: CPFL Paulista, CPFL Piratininga e Elektro; • Gestão Econômico-Financeira: Cosern e CPFL Paulista; • Evolução de Desempenho: Energisa Paraíba. da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília/DF. Este ano, a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), o Instituto Innovare de Pesquisa Opinião e Mercado, a Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe) e o Instituto Ethos foram responsáveis por avaliar a prestação de serviço das 46 distribuidoras de energia elétrica associadas. Entre as empresas com mais de 500 mil consumidores de distri- buição, a premiação máxima ficou com a Elektro, de São Paulo, com destaque nas categorias “Respon- sabilidade Social”, “Qualidade da Gestão” e “Gestão Operacional”. Já as com até 500 mil unidades consumidorasespalhadaspeloBrasil, agrandevencedorafoiaCompanhia Nacional de Energia Elétrica de São Paulo, que recebeu a premiação em trêscategorias:“AbradeeNacional”, “ResponsabilidadeSocial”e“Avalia- ção pelo Cliente”. No grupo das distribuidoras de menor porte, o Prêmio Abradee de Gestão Operacional ficou com a CPFL Leste, do interior paulista. Com o prêmio Abradee Região Norte/Centro-Oeste, a Enersul foi escolhida, representando o estado sul-mato-grossense. Entre as perso- nalidades que par- ticiparam da ceri- mônia, marcaram presença Romeu Rufino, diretor- -geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o secretário-executivo do Ministério de Minas e Ener- gia, e Márcio Zimmermann, Vencedoras em cada categoria que ressaltou: “O Prêmio Abradee é um dos eventos mais importantes do setor elétrico. (...) Esta é uma disputa saudável, que só traz melhorias”. Na oportunidade, o pre- sidentedaAbradee,NelsonFonseca Leite, parabenizou no seu discurso as distribuidoras pelo melhor re- sultado desde 1999 na Pesquisa de Satisfação do Cliente Re- sidencial. “Mesmo com as adversidades vividas pelas distribuidoras em 2013 e 2014, principalmente com a situação conjuntural do cenário hidrológico que elevousubstancialmenteasdespesas com a compra de energia, os inves- timentos na melhoria da qualidade foram mantidos”, disse. Márcio Zimmermann Romeu Rufino O presidente da Abradee, Nelson Fonseca Leite (C), ladeado por Sidemar de Almeida (E) e Paulo Medeiros, representantes da LBV que prestigiaram o evento. BOA VONTADE 89
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    Educação em Debate comoestratégia de aprendizagem Mobilização Educadores do Brasil e de diversos países marcam presença em congresso de educação da LBV. Mariane de Oliveira Luz | Fotos: Vivian R. Ferreira 13o Congresso Internacional de Educação da LBV
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    O correu, entre 30de julho e 1º de agosto, o 13º Congresso Internacional de Educação da LBV, que tem o objetivo de con- tribuir para a formação continuada de docentes, discentes, pesquisa- dores e profissionais da educação e de áreas afins, bem como para o impulsionamento de um ensino que alie à qualidade pedagógica a Espiritualidade Ecumênica, cujos valores ajudam na construção da Cultura de Paz. No decorrer de três dias, os congressistas, originários de diversas cidades brasileiras e do exterior, participaram, no Espaço Cultural e Ecumênico da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo e no Conjunto Educacional Boa Vontade — ambos localizados em São Paulo/SP —, de palestras e oficinaspedagógicasacercadotema “Mobilização como estratégia de aprendizagem: uma visão além do intelecto”. Durante a cerimônia de abertura Educação em Debate
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    “Vou contar umpouco da minha história de vida, comum à maioria dos professores. (...) Comecei a ser professora muito jovem, praticamente criança, ajudando algumas pessoas da redondeza da minha rua que tinham alguma dificuldade. Minha casa vivia cheia de crianças que queriam saber alguma coisa a mais do que a escola dizia. Era pelo teatro que eu me comunicava com elas. “Odiei a escola. Comecei a gostar um pouco quan- do fiz o ensino médio, porque tive uma professora de Psicologia que falava sobre assuntos que me interes- savam e que não havia aprendido na escola. Ela falava de sonhos, da importância deles. Dizia: ‘Conte alguns dos seus sonhos para a classe’. E, naquele compartilhar de sonhos, ela ganhou a turma. Fiquei extremamente im- pressionada com aquilo. “Quando me tornei professora de pré-escola, desenvolvi essa mesma técnica com os meus alunos e ia anotando os sonhos deles. Depois de um tempo, percebi que tinha um material fantástico, que eram os sonhos daquelas crianças, que poderiam se transformar em ensinamentos, a serem divulgados para os pais. Muito mais tarde, decidi colocar esse trabalho no papel. Foi aí que nasceu o livro Tá pronto seu lobo: didática prática na pré-escola. “Essa professora me marcou para o resto da vida. Nunca imaginei que aquilo que ela fazia pudesse ser teoria, e da melhor qualidade. (...) Continuei contando sonhos e fazendo com que os meus alunos contem sonhos. (...)” Ivani Catarina Arantes Fazenda Professora doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e livre-docente em Didática pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e pesquisadora da Unesco. Dividindo sonhos “Estar aqui [na LBV] é a realização de um sonho maior, vir a um lugar que eu admiro. Estou felicíssima. (...) Quando venho à LBV, vejo que é possível [trabalhar com os bons valores]. (...) Espero que vocês continuem divulgando o Bem e criando ilhas de Paz neste mundo tão conturbado, em que a Paz é rara. Aqui ela existe.” doevento,AlziroPaolottidePaiva, representando o educador José de Paiva Netto, diretor-presidente da Legião da Boa Vontade e criador da Pedagogia do Afeto (dirigida a crianças de até os 10 anos de idade) e da Pedagogia do Cidadão Ecumê- nico (que abrange a educação de in- divíduos a partir dos11anos),cum- primentou os pre- sentes. “Minhas cordiais saudações a vocês, que transfor- mam vidas diariamente. Muito nos honra poder contar com a participação dos senhores e das senhoras, que comparecem para dar um brilho todo especial à nossa abertura, cuja finalidade é compartilhar experiências peda- gógicas de sucesso, que julgamos de fundamental importância nos tempos de grandes transformações pelas quais passa a Humanidade”, salientou. Na sequência, a diretora do Conjunto Educacional BoaVontade e supervisora da linha pedagógica da LBV, Suelí Periotto, destacou: “Na pedagogia da LBV, temos Jesus como referência de educador. Conforme apregoa o criador dessa pedagogia,oCristoénossoexemplo de educador, falava aos desiguais; por meio de parábolas, se comuni- cava com ʻalunosʼ tão diferentes, letrados ou não”. Ela completou: “Quando a gente mobiliza e con- quista a atenção do educando, a aprendizagem de qualquer saber se torna significativa. Por isso, vamos trazer nesses dias de congresso di- BOA VONTADE 95
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    Educação em Debate versificadassugestões de como mobilizar a sala de aula”. O público acom- panhou também a palestra da profes- sora Ivani Cata- rina Arantes Fa- zenda, doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo(USP),mestreem Filosofia da Educação pela PontifíciaUniversidadeCatólica de São Paulo (PUC-SP) e livre-do- centeemDidáticapelaUniversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Ela, que é pesqui- sadora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a CiênciaeaCultura(Unes- co),desde1986,abriuo ciclo de palestras da 13ª edição do con- gresso (leia trechos no boxe). Logo nas palavras iniciais, a educadora fez ques- tãodecumprimentaro dirigente da Instituição, propositor desse espaço de reflexão.“Odesejomaiormeuéo abraço compartilhado com o Paiva Netto, um queridíssimo amigo com quemtenhodialogado,muitasvezes ànoite,naleituradeseustextos.(...) Não teríamos jamais este auditório lotado se não houvesse o sonho dele. Contudo, entre o sonho e a realidade, há o esforço, o processo científico, não de uma ciência só do intelecto, mas a que permite o sen- timento, como vemos na Pedagogia da LBV”, declarou. Aindanodiscurso,compartilhou com todos a vasta experiência na “Se você me pergunta ‘O que posso fazer para ajudar o meu aluno a viver melhor?’, já fico feliz, porque a sua preocupação não pode ser só com os conteúdos. A escola tem de fazer com que o estudante viva melhor. Mas como? Começa com o seu olhar humano. “Para ter esse olhar, você pode manter quatro ‘as’ na sua vida. O primeiro, vou tirar desta frase do Paiva Netto: ‘Façamos tudo com Amor e Verdade, e o trabalho ficará para todo o sempre’. Falou em Amor, já deu certo. (...) “O segundo ‘a’ é Alegria. Quando a gente se sente alegre, o corpo libera substâncias que são positivas. Por que a escola tem de ser chata? Por que o professor tem de ser sério, não fazer brincadeiras? Ele pode e deve. (...) “Autoestima é outro ‘a’ importante. Melhore a autoestima do seu aluno. (...) Paulo Freire falava das ‘escolas gaiolas’ e das ‘escolas asas’. Você prende o aluno no seu raciocínio ou o deixa voar e criar coisas? Pense nisso! “E tem o ‘a’ de atenção. Todos nós queremos atenção. (...) Se pararem para analisar, todo mundo é carente hoje em dia. O aluno é a mesma coisa. “Não se esqueçam destes quatro ‘as’: Amor, alegria, autoestima e atenção. Se você se preocupa com a formação do homem, uma citação do poeta Carlos Drummond de Andrade: ‘(...) Se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados, em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem’. Até porque a educação tem de ser uma ajuda para a vida. Quem disse isso foi Maria Montessori.” Valéria Bussola Martins Professora doutora em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Educação para uma vida melhor “É de grande importância para o Brasil que uma entidade como a LBV, que tem largo campo de ação em todo o nosso país, possa trazer grandes especialistas de todo o Brasil e de fora para se debruçar sobre aquilo que é patrimônio de toda a Humanidade: Cultura e Paz.” Dr. Nelson Calandra Desembargador 96 BOA VONTADE
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    áreadaeducação,mostrandoovalor de mobilizar ede levar o estudante a gostar do conteúdo ensinado. “Quando você acredita em alguém e oferece a ele a oportunidade, con- segue mover multidões. (...) Então, esteBrasiltemjeito,porqueaspes- soas vibram e, por isso, criam e inovam. Foi isso que eu vi em cada cômodo da LBV, em cada sala que visitei, em cada criança acolhida, emcadarefeiçãoqueeuvi”, comentou. Presente ao encontro, o diretor da Editora Cortez, José XavierCortez, ressaltou a atuação da Legião da Boa Vontade na área educacional. “Sabemos que educa- ção é a base de tudo. Quero para- benizar a LBV por este evento in- ternacional. (...) Tenho a felicidade de poder beber das discussões que estão sendo feitas neste evento. Não tenho dúvidas: ensinar às crianças desde cedo a Cultura de Paz tem uma importância grande para o desenvolvimento do ser humano. O que vimos aqui cria em nós uma ex- pectativa muito boa de que, como a professora Ivani falou, o Brasil tem jeito. Fico agradecido a vocês por maisesteevento,quefazcom que o nosso país cresça e se conscientize.” O desembargador Nelson Calandra esteveigualmenteno congresso, represen- tandoopresidentedo Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembar- gadorJoséRenatoNalini. Calandraafirmouqueoensino, “nassuasmaisdiversasvertentes,é “A educação com Espiritualidade Ecumênica busca o que há dentro do Espírito Eterno de cada indivíduo, uma bagagem que ele já pos- sui e que agrega ao conhecimento que os educadores mediam. Alguém pode conside- rar que pessoas espiritualizadas devam ser passivas, sem criticidade e que aceitam tudo o que ouvem. Pelo contrário. Hoje, o que a gente não quer são alunos passivos. Para isso, a Espiritualidade Ecumênica é determinante, porque, quando o coração de uma criança e de um jovem é enriquecido com valores éticos, ecumênicos e espirituais, maior facilidade eles têm de lidar com os desafios, para dizer ‘não’ à droga, à marginalidade, a tantas coisas a que, infelizmente, está sujeita. Educar com Espiritualidade Ecumênica é enriquecer o interior do educando, levando-o a um saber solidário. O educador Paiva Netto diz que ‘Espiritualidade Ecumênica depre- ende ética no seu mais exalçado sentido e correspondente ação’.” Suelí Periotto Supervisora da linha pedagógica da LBV e diretora do Conjunto Educacional Boa Vontade (formado pela Supercreche Jesus e pelo Instituto de Educação José de Paiva Netto), localizado na capital paulista, e doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) “Vocês já devem ter ouvido falar da ‘geração nem-nem’, que corresponde a um percentual de jovens no Brasil que nem estuda, nem trabalha. São pessoas que não se sentem atraídas pela escola e que, por causa da baixa qualificação, são impedidas de ocupar vagas no mercado de trabalho. Como é que a gente faz para despertar o interesse desses jovens para que não se sintam afastados pela escola? (...) É preciso fazer com que o educando coloque a ‘mão na mas- sa’, que se veja como protagonista do aprendizado. Trabalhar com histórias, teatro, vídeos é outra prática bem-sucedida que contribui para a mobilização.” Daniel Guimarães Professor e cientista social Uma visão além do intelecto BOA VONTADE 97
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    Educação em Debate “ALBV faz parte da minha vida. Entrei muito novo, com 2 anos, na Escola de Educação Infantil Alziro Zarur. Naquela época, jamais passou pela minha cabeça que eu retornaria como professor. Lembro-me que todos os professores nos recebiam com um sorriso no rosto, e eu tinha prazer em ir para a LBV. Hoje em dia, quando dou aula, vejo-me naquelas crianças. Um dia, se Deus quiser, quero encontrar-me com um aluno e [ouvir] ele dizer: ‘Você foi meu professor lá na LBV. Fez parte da minha vida, me ensinou valores. Hoje eu sou um advogado, por exemplo, e lembro que você me en- sinou o respeito, o trabalho em equipe...’. Esse vai ser meu maior reconhecimento.” Douglas Pereira Dias, 28 anos, professor de Educação Física da Escola de Educação Infantil Alziro Zarur, em Taguatinga/DF. “A LBV contribuiu na minha vida despertando em mim a preocupação social com o mun- do. Recordo-me de aprender sobre valores solidários, éticos e espirituais num ambiente de muito respeito, fraternidade e ecumenismo. Esse tipo de reflexão nos leva a uma visão crítica e proativa sobre o mundo em que vivemos e até sobre as nossas atitu- des. (...) Foram experiências que influenciaram as minhas escolhas acadêmicas e profissionais. Cursei Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, universidade pública e gratuita com o vestibular mais concorrido do país. Hoje, atuo na área de comunicação da LBV e como educador no Conjunto Educacional Boa Vontade, onde tive a felicidade de estudar.” Daniel Guimarães, 28 anos, professor e apresentador do programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV*². “A LBV preocupa-se com o nosso futuro. A gente aprende que o meio ambiente é im- portante, que a Natureza interfere [na nossa vida]. Então, vai plantar árvores, participa de eventos... A maioria das escolas faz você só assistir às aulas. Pude ver isso pelos meus colegas de faculdade. Esse diferencial da LBV foi muito importante. Participei de atividade sobre a Feira de Inovações*¹ na escola, e cada turma do ensino médio teve de trabalhar com um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Nesse ano, surgiu a discussão sobre o aquecimento global. Aí, eu me interessei pela questão e decidi cursar Ciências Biológicas.” Daiana Evaristo de Oliveira, 24 anos, bióloga, ex-aluna do Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista. *¹ Trata-se do 4º Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária — 1ª Feira de Inovações em suporte à Revisão Ministerial Anual do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc/ONU), ocorridos em 2007. *² A emissora pode ser sintonizada pelo canal 20 da SKY, pelo canal 212 da Oi TV ou pelo canal 45.1 da TV digital aberta em São Paulo/SP e na região metropolitana da capital paulista. A formação diferenciada oferecida pela Legião da Boa Vontade, graças à aplicação das Pedagogias do Afeto e do Cidadão Ecumênico, tem melhorado a vida dos milhares de atendidos. Inúmeras são as his- tórias de sucesso, as quais orgulham todo educador que sonha e trabalha por um Brasil justo e fraterno, em que qualquer pessoa tenha acesso à educação de qualidade. De alunos a educadores LBV transforma vidas 98 BOA VONTADE
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    “(...) A leituraé um estímulo incrível para a criança, mas só é significativa se for um ato de carinho, de amor. E quem melhor do que a família para transmitir esse primeiro aprendizado? Se à família cabe a responsabilidade de alavancar esse gosto, à escola compete trabalhar competências especí- ficas de leitura. (...) “Hoje, infelizmente, temos muita gente que se diz alfabetizada, mas lê uma coisa e não compreen­ de o que lê. (...) O desafio da escola é proporcionar aos alunos o domínio da língua culta por meio de textos inteligentes, que deem margem a discussões, que causem curiosidade... Para torná-lo um leitor competente, tenho que trazer textos reais, que acrescentem à vivência dele. “Às vezes, a gente tem aquela preocupação de despejar conteúdo e não cobra a participação da criança, do ser que vai construir o próprio conhecimento. O conteúdo não precisa nem deve chegar só pelo professor. Isto a escola precisa fazer: ensinar as técnicas de como ler. A família desperta, a gente ensina. “Tenho que trazer [para a sala de aula] diferentes tipos de gênero e ensinar como é ler cada um. (...) Trabalhar competência leitora nas diversas áreas de conhecimento é pegar o gênero textual que mais aparece na sua disciplina e ler com o aluno, destacar, chamar a atenção dele para o vocabulário... É essencial ensinar os alunos a fazer a leitura crítica. Para que atinjam esse nível, é preciso ensiná-los a ler.” Eloisa Bombonatti Gianini Jornalista, psicopedagoga e licenciada em Letras, mestre em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e especializada em alunos com problemas de aprendizagem e em gestão escolar. Leitura, curiosidade e aprendizado “Educação é carinho, e mobilização é abrir um espaço na sua vida para o outro. Esta proposta da LBV é fantástica, porque a formação integral, a mobilização de toda a sociedade, não só a escolar, realmente vai além do intelecto, formando um ser cada vez mais humano.” a única ferramenta capaz de resga- tar tantos brasileiros excluídos (...). ALBVestánocaminhocerto.Vamos edificartemplosparaosaber,paraa pazeparaareconciliaçãodetodoo nosso povo. (...) A LBV tem sido, através de seu presidente, Paiva Netto, esse luzeiro para o Brasil em ma- téria de educação, de cultura, de paz e de entendimento”. Estudantes de Boa Vontade pela Paz O representante da LBV dos Estados Unidos, Danilo Parmegiani, compartilhou com os participantes do 13º Con- gresso Internacional de Educação importantes resultados que a linha pedagógica da Instituição tem pro- duzido em escolas americanas por meio do programa Estudantes de Boa Vontade pela Paz. Leia trechos da palavra dele. “Há mais ou menos dois anos, participando do 13o Congresso Internacional de Educação da LBV, pensávamos em como levar a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico a escolas públicas norte-americanas, que são muito bem estruturadas fisica- mente, mas que precisam avançar no desenvolvimento dos valores espirituais e humanos dos alunos. “Quero contar uma história que muito nos emocionou. Toda sexta- -feiraànoite,noCentroComunitário da LBV em New Jersey, a gente leva alimentos a abrigos, por meio da Ronda da Caridade. Em dezembro, estávamos realizando esse trabalho, BOA VONTADE 99
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    Educação em Debate oficinas Pedagógicas Oficina:“O Jogo no educar: mobilizando para o processo de ensino e aprendizagem”. Oficineiros: Glaucia Camargo Elias e Ricardo Santiago, graduados em Educação Física. Oficina: “A arte de despertar para aprender: vencendo dificuldades das necessidades educacionais especiais”. Oficineiras: Karen Ribeiro e Leilany da Rocha, pedagogas. Oficina: “Brincar como estratégia para subsidiar a mobilização dos conteúdos pedagógicos”. Oficineiras: Cintia dos Santos, pedagoga, e Francielly Cristina do Nascimento, especialista em Recreação e Brincadeiras. Oficina: “Dramatização: estratégia lúdica, mobilizadora e facilitadora de uma aprendizagem significativa”. Oficineiras: Andréia Luana Martins e Patrícia Simões, graduandas em Pedagogia. Oficina: “Mobilizando o raciocínio para brincar com a lógica”. Oficineiras: Silvana Burato e Tatiane Ventura, pedagogas. Oficina: “Fantoche: da construção à animação — Arte sem idade”. Oficineiros: Aline Dantas e Marcelo Rafael, pedagogos. Oficina: “O despertar dos sentidos por meio da Arte”. Oficineira: Catarina Rosália Nery, pedagoga. 100 BOA VONTADE
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    “É muito importantesaber, exata e profundamente, o que signifi- ca mobilização. Será que, se mobilizo, motivo? Vou tentar mostrar a diferença entre os dois: mobilizar significa levar alguém ou um grupo à ação com profunda força interior; e motivar é dar um motivo para a ação. Então, apenas motivar, isto é, dar um motivo, é muito frágil [se comparado] a mobilizar. Muitas vezes, nós, professores, apenas motivamos. (...) “O que diferencia o elemento mobilizador de um elemento apenas motivador? O modelo de aprendiza- gem, o de ensino e o de avaliação da aprendizagem. No modelo de aprendizagem tradicional, o estudante aprende à medida que recebe e guarda as informações que o professor lhe passa e devolve na hora da prova. No modelo atual, o aluno aprende à medida que recebe informações, delas se apropria — e não apenas acumula —, dando-lhes significados e construindo o próprio conhecimento (...). “Ensinar dentro dessa nova visão é oportunizar a construção do conhecimento. (...) Os nossos alunos não se motivam e, às vezes, não se mobilizam porque não entendem o que estão aprendendo. E quem não entende o que está fazendo não se mobiliza para aprender. Vai achar tudo chato. Então, mobilizar o aluno para a aprendizagem é ajudá-lo a apropriar-se de conhecimentos socialmente construídos, tornando-os seus, incorporando na sua vida individual e na social. “E qual o último passo? O modelo de avaliar. O novo modelo de prova que queremos é para mobilizar o aluno, e não deixá-lo aterrori- zado. Passe uma prova inteligente. A avaliação é um obstáculo quando é um momento de acerto de contas, e não um momento privilegiado de aprendizagem.” Vasco Pedro Moretto Licenciado em Física pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Avaliação Institucional pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e mestre em Didática das Ciências pela Universidade Laval, em Quebec, no Canadá. Muitomaisquemotivar “Encontramos o que viemos buscar: mo- tivação para trabalhar com os nossos alunos, de maneira que ampliemos o conhecimento deles, que demos espaço para que cresçam não somente na parte acadêmica, mas como pessoas.” Silvana Brasileiro Pedagoga e diretora da Escola Ideal de Educação Infantil e Ensino Fundamental, de Telêmaco Borba/PR. “Estou participando pela primeira vez do congresso e amando. Está sendo de uma validade enorme. Tem bastante material positivo para levar para a minha escola. Superou as minhas expectativas em todos os pontos. O trabalho da LBV é excelente em tudo.” Maria das Graças Educadora de Mauá/SP e um menininho, que residia no abrigo, puxou o nosso avental, com o coração da LBV, e falou: ‘Sou um estudante de Boa Vontade pela Paz. Tenho o distintivo! Vou lá no meu quarto buscar’. Quando ele voltou, afirmou: ‘Estou pronto para ajudar. O que é que eu posso fazer?’. Coloca- mo-lo para servir chocolatequente,e ele, com 7 anos de idade,foientregan- do todo orgulhoso, com a maior respon- sabilidade e seriedade, o chocolate para os coleguinhas residentesnaqueleabrigo.Aquilofoi a grande recompensa do trabalho. Percebemos que a criança, quando se sente empoderada, percebe o potencial maravilhoso que tem. Sai da condição de assistido e busca o poder que tem de não só ela própria vencer, mas também de ajudar os outros a vencer. Esse elemento é marcante na proposta da LBV, que transformaosindivíduos,fazendo-os líderes solidários numa sociedade que precisa urgentemente mudar o seu comportamento coletivo para vencer em comunidade e vencer em paz.” BOA VONTADE 101
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    Educação em Debate Oficina:“Mobilizar: a Arte de enxergar o mundo da linguagem”. Oficineiras: Daniela Fávaro e Tatiana Chamma, pedagogas. Oficina: “Mobilização: criando, SucaTOCANDO e enCANTANDO, como estratégias interdisciplinares de motivação e construção do conhecimento”. Oficineiras: Claudiane Mendes e Tatiane do Rosário, pedagogas. Oficina: “O ato de sensibilizar para criar e transformar”. Oficineiros: Iara dos Santos, pedagoga, e Roberto Davi Marcinari, graduado em Ciências Biológicas. Oficina: “A arte da criação por meio da expressão: criando cartões artesanais”. Oficineiras: Agnes dos Santos, graduanda em Música, e Amanda Perucci, pedagoga. Oficina: “O que há de Arte aqui?”. Oficineiras: Larissa Brugnolo, licenciada em Artes Visuais, e Mayla Ferreira, graduada em Artes Plásticas. Oficina: “Mobilizar valores para formar talentos”. Oficineiras: Ana Carla Peres, com MBA em Gestão Escolar, e Renata Brasílio, pedagoga. oficinas Pedagógicas Oficina: “Parceria família–escola: mobilização de pais para aprendizagens artesanais”. Oficineira: Elizabeth de Mac Lean, licenciada em Música. 102 BOA VONTADE
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    Programa da LBVoferece capacitação profissional a jovens e adultos de baixa renda Inclusãonomercadodetrabalho Fotos:PriscillaAntunes São Gonçalo/RJ Mariane de Oliveira Luz Inclusão produtiva Transformando a realidade das famílias BOA VONTADE 103
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    Inclusão produtiva C onseguir umaboa oportuni- dade no mercado de trabalho é preocupação constante en- tre os jovens. No relatório Tendên- cias Mundiais do Emprego Juvenil 2013 — uma geração em perigo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) constatou que, em 2013, mais de 73 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estavam desempregados, 3,5 milhões a mais que em 2007. A previsão é que a taxa de desemprego juvenil chegue a 12,9% em 2019. Dentre os motivos que cola- boram para esses altos índices, a falta de capacitação e experiência profissional das novas gerações são destaque, principalmente nos países emergentes e em desenvolvimento. Por isso, a Legião da Boa Vontade criou o programa Capacitação e Inclusão Produtiva, por meio do qualsãooferecidospalestras,cursos gratuitos, atendimento social e en- caminhamentos aos que vivem em situaçãodevulnerabilidadesocial.A iniciativa tem por objetivo preparar jovens e adultos para a entrada ou reinserção no mercado de trabalho, de modo a potencializar os talentos por meio da educação. A ação tem produzido excelen- tes resultados, a exemplo do que ocorre no Centro Comunitário de Assistência Social da LBV em São Gonçalo/RJ. No município, mais de 4.400 jovens de baixa renda foram beneficiados por esse programa, desenvolvido no local desde 2007. Ao todo, são mais de 14 cursos profissionalizantes, entre os quais se destacam os de Turismo e Ho- telaria, Eletricista, Cerimonial e Informática. “Enfatizamos sempre para os alunos que o mercado de trabalho é competitivo e que, por isso, é necessário ter uma boa formação escolar e a certificação de cursos profissionalizantes. (...) Ficamos muito felizes quando nossos es- tudantes retornam dizendo que o curso na LBV foi o diferencial na conquista da tão sonhada vaga de emprego”, conta Magda Passos, responsável pelo Centro Comuni- tário na cidade. Um desses casos é o da jovem Thamires Nascimento Veiga, 21 anos, que precisava incrementar a renda na residência. “Minha fa- mília é de origem humilde e o que minha mãe ganhava, infelizmente, não supria as nossas necessidades. Após terminar o ensino médio, quis trabalhar para contribuir para a renda familiar, mas não possuía a qualificação exigida pelo mercado”, relembra. Assim que soube do programa da Instituição, inscreveu-se na turma de Recursos Humanos. A tão sonhada oportunidade, então, não tardou a aparecer. “Logo que concluí os cursos, acabei fazendo também os de As- sistente Administrativo, Logística, Administração de Medicamentos, Recepção Hospitalar, Recepção Comercial, Secretariado Executi­ vo e Administrativo. Consegui uma vaga efetiva na área de Lo- gística do setor de Farmácia da Secretaria Municipal de Saúde. Mas só consegui o trabalho por causa dos cursos, que contribuí- ram para a minha contratação”, afirma Thamires. O programa da LBV igual- “Faço faculdade de Administração, área que escolhi para exercer por causa do curso da LBV (...) A Legião da Boa Vontade foi um grande divisor de águas para mim. Acredito que o excelente atendimento prestado será um diferencial na vida de tantas outras pessoas.” Thamires Nascimento Veiga 21 anos, beneficiada com o programa Capacitação e Inclusão Produtiva, em São Gonçalo/RJ. mente influenciou a escolha da carreira. “Hoje, faço faculdade de Administração, na Universi- dade Federal Fluminense (UFF), área que escolhi para exercer por causa do curso da LBV, que me deu uma orientação profissional. A Legião da Boa Vontade foi um grande divisor de águas para mim. Acredito que se continuar com o excelente atendimento prestado, será um diferencial na vida de tantas outras pessoas”, ressalta. 104 BOA VONTADE
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    profissional. “Há algumtempo, fi- quei sabendo que ia funcionar uma escola de cabeleireiro na LBV e já estou cursando o meu último ano. Fiz há 12 meses um estágio em um salão e o proprietário gostou do meu desempenho e me convidou para trabalhar com ele. Com empenho Graças ao curso de cabeleireiro, oferecido gratuitamente à comunidade, Mahaira já está empregada. A iniciativa faz parte do programa de Capacitação Profissional, fruto da parceria entre a LBV do Uruguai e a Intercoiffure — Associação Internacional de Mestres Cabeleireiros. e responsabilidade, podemos che- gar aonde sonhamos. Estou muito feliz”, comentou. Agradecida por tudo o que tem conquistado, a jovem deixa uma mensagem aos colaboradores da Obra: “O trabalho que a LBV do Uruguai realiza é muito grande, ajuda muitas famílias que não têm recursos e que, graças à Institui- ção, conseguem seguir adiante. Eu e meus irmãos somos pessoas de bem, em decorrência dos valo- res aprendidos na Legião da Boa Vontade. Apostem, conheçam os programas que a LBV promove, visitem as instalações do Instituto e verão os rostos felizes das crian- ças... Saibam que estão ajudando a transformar o mundo de muitas pessoas”, atestou. Dedicada, a jovem Mahaira durante o curso de cabeleireiro, desenvolvido em espaço especialmente preparado para a realização da atividade. O desafio no Uruguai Em Montevidéu, Mahaira Rodríguez, de 21 anos, é uma das centenas de jovens que procuram apoio na Legião da Boa Vontade do Uruguai. De família simples e sendo a filha mais velha, ainda menina precisou ajudar a mãe, que provia o sustento da família sozinha, a cuidar dos cinco irmãos. Na LBV, a jovem encontrou um caminho para crescer. “Vivíamos em um assentamento onde a si- tuação era muito difícil. Quando minha mãe matriculou três dos meus irmãos no Jardim Infantil Jesus, nossa família começou a seguir em frente. Íamos para a es- cola e minha mãe podia trabalhar com a certeza de que seus filhos estavam em boas mãos. Foi uma grande ajuda que recebemos da LBV”, recordou a jovem. Hoje, casada e mãe da pequena Maiara Ayleen, de 4 anos, só tem a agradecer as oportunidades que ela e sua família continuam a ter na Instituição, tanto na educação de sua filha, aluna do Instituto Educativo José de Paiva Netto, quanto na própria capacitação Fotos:MacielFerreira BOA VONTADE 105
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    Um público dasmais diver- sas idades foi transpor- tado para o mundo das palavras entre os dias 22 e 31 de agosto, período em que ocorreu a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o maior aconteci- mento do mercado editorial da América Latina. Nos dez dias da feira, 720 mil visitantes, originá- rios de várias partes do Brasil e do exterior, ocuparam os corredores do Pavilhão de Exposições do Anhembi, localizado na zona norte da capital paulista. Neste ano, o objetivo do evento foi ir além da obra literária. Por isso, Bienal Internacional do Livro de São Paulo encerra 23a edição com público de 720 mil pessoas. Giovanna Pinheiro | Fotos: Vivian R. Ferreira os organizadores — a Câmara Bra- sileira do Livro (CBL) e a empresa Reed ExhibitionsAlcantara Macha- do — firmaram parceria com o Ser- viço Social do Comércio do Estado de São Paulo (Sesc-SP), que ficou responsável pela curadoria da pro- gramação cultural da feira. O tema “Diversão, cultura e interatividade. Tudo junto e misturado” foi traba- lhado em apresentações de música, teatro, dança e circo; em sessões de cinema; em quadrinhos; bem como em debates com grandes nomes do campo literário e personalidades de outras áreas, ações essas que ocor- reram em um total de oito espaços Pavilhão palavrasdas BOA VONTADE 107
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    culturais. “Nesta edição,o Sesc São Paulo consolidou sua parceria com a CBL ao assumir o compromisso derealizarumaprogramaçãocultu- ral com a proposta de acolhimento e oferta de atividades que ampliam a experiência do visitante, e, para isso, tomamos o livro como ponto de partida e suporte para diversas linguagens artísticas”, explicou Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc-SP. A presença juvenil foi signi- ficante: cerca de 120 mil alunos, de duas mil escolas diferentes, estiveram no local. “Foi um mo- mento de orgulho, para todos, trazer jovens, fazer com que to- dos tenham esse convívio com os livros”, ressaltou Karine Pansa, presidente da CBL. Juan Pablo de Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, reforçou a importância de apro- ximar a juventude da literatura e discordou da afirmação de que os jovens estão distantes da cultura. “Todos nós vimos esta semana que isso não é verdade”, disse. Não foram apenas os jovens que percorreram os corredores do Pavilhão de Exposições.Avós, pais e crianças foram ver as novidades do mercado editorial.Além da pro- gramação, o que atraiu os visitantes à feira foi o preço dos livros. A es- tudante EsterSilva, que estava pela primeira vez no evento, comentou: “É muito mais barato [adquirir títulos literários na Bienal] e com- pensa. Há obras de R$ 2, R$ 10”. Mesma opinião manifestou o con- sultor Antonio Carlos Gonçalves, de 45 anos, do Rio Grande do Sul. “Comprar o livro na Bienal é mais A coleção infantil ecumênica “Os milagres de Jesus”, do Selo Sol- dadinhos de Deus, da LBV, foi destaque na edição de 24 de agosto do Jornal Nova Era, veiculado pela Rádio Boa Nova (da Fundação Espírita André Luiz) e transmitido para emissoras na Grande São Paulo e no interior paulista, além de para a internet. Apresentado por Guiomar Sant’anna (C) e Vanessa Cavalcanti, o programa entrevistou ao vivo William Luz, autor dos títulos infantis que integram a referida coleção. Na oportunidade, o escritor relatou que, desde que foi lançado no mercado editorial, o Selo Soldadinhos de Deus, da LBV tem como ob- jetivo transmitir a todas as crianças — independentemente de crenças e filosofias — os ensinamentos e valores do Evangelho-Apocalipse de Jesus e oferecer, de maneira didática e lúdica, orientações sobre como as pessoas podem ser solidárias e conscientes dos próprios deveres e direitos, vivendo em um mundo em constante transformação. Ele ainda revelou que as histórias impressas, ricamente ilustradas, logo conquistaram o lar de milhares de famílias. Cabe mencionar que entre os oito itens que fazem parte do conjunto estão cinco livros (A pesca milagrosa, A cura do filho de um oficial, Jesus caminha sobre as águas, O samaritano agradecido e No tanque de Betesda), os quais contêm lições sagradas do Educador Celeste e são acompanhados por caderno de atividades. Compõem ainda o kit um DVD com desenhos animados musicais sobre essas conhecidas passagens bíblicas, legendados e em versão karaoke, e com extras (dois desenhos e quatro videoclipes); um CD com a trilha sonora; e um divertido jogo de tabuleiro, que convida o leitor, toda a família e os amigos a ir ao encontro de Jesus. Selo Soldadinhos de Deus, da LBV, é destaque na Rádio Boa Nova Literatura 108 BOA VONTADE
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    baratodoquenaloja,poispodemos negociá-lo”, declarou naocasião. Leitura para o equilíbrio do corpo e da Alma Cada vez mais constante tem sido a procura das pessoas por obras que proporcionem, além de leitura agradável, o fortalecimento do eu interior, bem como o equilíbrio do corpoedaAlma.Osmilharesdelei- tores que foram ao estande daWRC Livros em busca de lançamentos na área puderam adquirir títulos no gênero Espiritualidade Ecumênica, publicadospelaEditoraElevaçãoou pelo Selo Soldadinhos de Deus, da LBV. Um deles, o best-seller Jesus, o Profeta Divino, do escritor Paiva Netto, foi sucesso de vendas nesta Bienal, repetindo o bom desem- penho alcançado em importantes encontros literários do Brasil, entre os quais a 15ª Bienal Internacional Bienalemnúmeros 720 visitantes mil horas 1.500 de programação + de 400atrações selos nacionais internacionais 186 22 autores autores expositores 300 750 70países presentes BOA VONTADE 109
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    do Livro doRio de Janeiro e a 57ª Feira do Livro de Porto Alegre. Na publicação — o quarto volume da série “O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração” —, o autor registra o conteúdo de suas pesquisas e palestras sobre temas bíblicos, fruto de quase sessenta anos de estudos e reflexões. É um livro que esclarece, conforta e apresenta aos leitores, com base em exame aprofundado doApocalipse, ensinamentos que ajudam a enten- der as transformações em curso no planeta. Paiva Netto, que já vendeu mais de 5,4 mi- lhões de exemplares de suas obras, apon- ta o conhecimento da vida espiritual como elemento capaz de alterar o comportamento antiético que arrasta o ser humano para a autodestruição. Livros para todas as idades Dois outros produtos também foram muito bem recebidos pelo público da feira: a coleção infantil ecumênica “Os milagres de Jesus”, do Selo Soldadinhos de Deus, da LBV, e o kit Como vencer o so- frimento, composto da obra que dá nome ao conjunto — título do escritor Paiva Netto — e da radio- novela Memórias de um suicida*, adaptação do livro homônimo, psicografado pela médium Yvonne do Amaral Pereira. O policial civil Romes Zauli, de 54 anos, foi um dos que adquiriram o kit. “Tenho uma amiga que está Uma mensagem de Paz Leitora fotografa QR Code no estande da WRC Livros, expositora de títulos da Editora Elevação e do Selo Soldadinhos de Deus, da LBV, para baixar, gratuitamente, a versão digital do livro Ao Coração de Deus, do escritor Paiva Netto. Promoção realizada durante a Bienal permitiu que as pessoas que passassem pelo local compartilhassem com familiares e amigos a obra, que contém 50 orações das mais diversas tradições religiosas. A proposta era a de estimular um número crescente de indivíduos a adquirir o hábito da leitura diária de preces, o qual constitui uma maneira valiosa de buscar inspiração para vencer os desafios do cotidiano. Vale registrar que a edição impressa do título já vendeu mais de 200 mil exemplares. Literatura 110 BOA VONTADE
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    No dia 25de agosto, cerca de 150 alunos, de seis séries diferentes, do Conjunto Educacional Boa Vontade visitaram a 23a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Eles percorreram os corredores do Pavilhão de Exposições do Anhembi, ansiosos pelos últimos lançamentos literários, e conheceram o estande da WRC Livros, que estava expondo títulos da Editora Elevação e do Selo Soldadinhos de Deus, da LBV. No local, tiveram a oportunidade de levar para casa as obras infantis desse selo, as quais, em linguagem própria para a faixa etária deles, transmitem bons valores e mensagens ecumênicas positivas, a fim de promover a convivência harmoniosa dos seres humanos na própria família e na sociedade. Convém ainda citar que a LBV incentiva o hábito da leitura em todas as idades, por meio de seus programas socioeducacionais. O best-seller Jesus, o Profeta Divino, do escritor Paiva Netto, registra o conteúdo de pesquisas e palestras sobre temas bíblicos, fruto de quase sessenta anos de estudos e reflexões do autor. É um livro que esclarece e conforta. passando por um momento difícil, pois perdeu uma filha. Na hora que eu vi o título, pensei nela”, afirmou, explicando o motivo da compra. Ele completou: “Acredito que vai ajudá-la,emuito.Estoulevandodois [kits], um para ela e um para mim”. A professora Izaurina Maria Leite fez a aquisição de alguns exemplares da coleção “Os mi- lagres de Jesus” para enviá-los a uma amiga de Uberlândia/MG, que já havia comprado os livros, mas precisava de mais. À Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet), ressaltou a importância das lições constantes nas obras dessa série. “Jesus dei- xou os ensinamentos, e nós temos que segui-los. O caminho para a evolução começa na criança”, destacou. * A radionovela Memórias de um suicida, adaptação do livro homônimo, psicografado pela médium Yvonne do Amaral Pereira, foi radiofonizada pela Fundação José de Paiva Netto, que recebeu gentilmente a autorização para sua radiofonização da Federação Espírita Bra- sileira (FEB), à qual pertencem os direitos autorais da obra literária. BOA VONTADE 111
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    D urante campanha àpresidência da República, os candidatos viajaram por todo o país e defenderam teses que variaram da economia à educação, da saúde à habitação, estendendo-se pelos programas sociais. Com relação à grande mídia, sobre a qual havia campanha antiga defendendo o seu controle, nenhum deles assumiu o compromisso de arquivar essa questão. Outro ponto que precisa entrar na agenda presidenciável no próximo mandato é o cuidado com as mídias do interior. Uma oportunidade poderia ter sido aproveitada para isso, quan- FelipeFreitas Carlos Arthur Pitombeira, jornalista. Carlos Arthur Pitombeira | Especial para a BOA VONTADE Na agenda dos próximos quatro anos Opinião — Mídia Alternativa As expectativas de apoio à mídia comunitária para seguir na tarefa de zelar pela cidadania do foi mencionada por um dos candidatos a necessidade de pros- seguir o incentivo aos pequenos trabalhadores para que deixem sua condição marginal. Houve outra proposta, inclusive, comprometi- da em ampliar esse aporte. Essas circunstâncias se concretizam a partir de duas possibilidades: a do enquadramento na categoria de Microempreendedor (aquele que só paga o imposto fixo mensal de R$ 41,20) ou na do Supersimples (com alíquota inicial de 16,93% por mês). No entanto, ao não menciona- rem os milhares de donos de jor- 112 BOA VONTADE
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    nais do interior(atividade que vai exigir estudo à parte, considerando a modalidade do serviço que pres- tam e da receita variável com que operam), perderam a oportunidade de reafirmar esse importante apoio à categoria. Justamente porque reconhecemos que o imposto fixo de R$ 41,20 (importante a traba- lhadores com faturamento mensal de até R$ 5.000,00 por mês e R$ 60.000,00 anual) não se aplica à mídia comunitária do interior. Tampouco é possível fortalecer esses veículos, convivendo com o compromisso de pagar uma alí- quota de 16,93%, que começa a ser aplicada a partir da receita mensal de R$ 15.000,00 ou R$ 180.000,00 por ano, e que cresce à medida que o faturamento aumenta. Embora haja a proposta de não interferência na mídia, permane- ce a expectativa de significativa parcela dos cidadãos quanto ao resgate da firme atuação da mídia comunitária impressa, dos jornais do interior que, desde 1808, pres- tam relevantes serviços à cidadania e à liberdade de imprensa e de comunicação. E isso passa por analisar como dar sobrevida a estes valiosos meios. Sem qualquer tipo de financia- mento oficial (não confundir com publicidade do governo) e ainda, em muitos casos, perseguidos nos municípios por juízes de primeira instância que se colocam a servi- O jornalismo, para ter credibilidade, precisa ser livre em todos os sentidos. BOA VONTADE 113
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    ço dos poderososdo lugar, esses pequenos jornais, caminho natural para a tão sonhada democratização da comunicação e expressão, estão dividindo espaço agora com outros canais poderosos: os portais de internet e os blogs. Para ter meios de prosseguir sua firme atuação, a mídia alternativa impressa precisa de apoio. Uma possibilidade é que o governo abra para esses veículos linhas oficiais de crédito pela Caixa Econômica, Banco do Brasil ou BNDES. Basta que se estabeleça, por exemplo, que osempréstimos(comcarênciamíni- ma de cinco anos e auditados a cada seis meses, para que sua finalidade não seja desvirtuada) sejam conce- didos apenas aos pequenos jornais que comprovem mais de dez anos de circulação. Será com a garantia dessesempréstimosqueessesveícu- los do interior poderão melhorar seu conteúdoesuaapresentaçãográfica, concorrendo entre si, deixando a regulação por conta do mercado. Isso certamente facilitará para que se legalize e, assim, se tenha uma ideia do que ela representa em quantidade e força de informação em todas as partes do país. Preparação dos profissionais Quem está à frente desses mi- lhares de jornaizinhos quer, tam- bém, promover cursos técnicos a partir do ensino profissionalizante, e formar novas equipes cada vez mais bem preparadas para o tra- balho. Seus dirigentes sabem que somente aprimorando sua mão de obra é que poderão oferecer um produto melhor. E é dessa forma que vai ganhar quem mais se empenhar, até mes- mo na disputa das publicidades oficiais junto às agências de pro- paganda. Essa pequena mídia, para ter credibilidade, precisa ser livre em todos os sentidos. O Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou com a exigên- Opinião — Mídia Alternativa 114 BOA VONTADE
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    cia do diplomade jornalista para o exercício da profissão, viu-se, de repente, confrontado pelo Con- gresso Nacional. E os reflexos desse confronto refletem na mídia do interior, que fica perdida, deses- timulada. Recuados, os pequenos jornais e revistas veem avançarem os portais da internet e os blogs, além dos comerciais em cinemas, carros de som, barcos e outdoors. Parece haver um movimento contra essa mídia presente no Brasil desde o século 19, e cabe a cada um de nós lutar pelo resgate da sua dignidade. Talvez diante desse novo con- fronto de quem é contra e a favor do diploma de jornalista, tenha chegado a hora de se criar uma nova categoria de trabalhadores dentro da área de Comunicação Social, garantindo-se às pessoas envolvidas com a mídia comuni- tária impressa e eletrônica (rádio e televisão) do interior um registro próprio.Assim, a questão do diplo- ma de nível superior não seria mais um “fantasma” para ninguém. O seu sentido seria o de qualificar o profissional. O reconhecimento da carreira de Técnico em Comunicação Comunitária contemplaria todos aqueles envolvidos com essa mo- dalidade do jornalismo. Isso ajuda- ria muito no resgate dessa mídia. Um curso de caráter profissio- nalizante para formação desse novo profissional garantiria ao aluno outro registro. E diploma também. O Ministério do Trabalho cuidaria da criação da carreira; ao Ministério da Educação caberia apresentar a grade de matérias para um curso dessa natureza que, com duração mínima de 18 meses, não estaria muito distante dessa aqui: Língua Portuguesa (redação e estilo); Geo- grafia política e econômica; produ- ção gráfica; fotografia; História do Brasil contemporâneo; realidade re- gional e cultural do país; introdução àSociologiaeàFilosofia;noçõesde Publicidade e Marketing; e capítulo Vda Constituição Federal, que trata da Comunicação Social. As aulas, retratandoarealidadesocialdopaís, seriam ministradas por jornalistas aposentados pagos com verba do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Estaria, assim, dado o primeiro passo para o resgate da dignidade Quem está à frente desses milhares de jornaizinhos quer, também, promover cursos técnicos a partir do ensino profissionalizante, e formar novas equipes cada vez mais bem preparadas para o trabalho. da mídia comunitária impressa no que diz respeito ao conteúdo e à apresentação gráfica. O segundo passo ficaria por conta de quem viesse a assumir a presidência da República, enviando ao Congresso Nacional o projeto de lei que cria- ria, além da categoria profissional de Técnico em Comunicação Co- munitária, um tipo de imposto para essa mídia dentro da realidade por ela vivida nas diferentes regiões do Brasil.
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    Saúde Na luta contrao mal de Alzheimer 116 BOA VONTADE
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    Será Alzheimer? uem nunca, porum momento que seja, se esqueceu do dia da semana, do nome de um conhecido ou de algo que iria realizar em um determinado momento? Pois é, situações como essas são mais comuns do que se imagina, mas é preciso atenção: quando esse tipo de ocorrência, aparentemente inofensiva, deixa de ser esporá- dica e tira a autonomia do indivíduo de realizar atividades habituais, é a hora de procurar ajuda médica, pois pode ser indício de um problema sério que, a cada dia, afeta mais pes- soasnomundotodo:oAlzheimer,doençaneurodegenerativa que provoca a perda de funções cognitivas, como a memória de fatos recentes e antigos, dificuldades na linguagem e desorientação espaço-temporal. Quanto mais rápido for feito o diagnóstico e o tratamento da doença, melhores serão os resultados. Mariane de Oliveira Luz BOA VONTADE 117
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    em Rio dasOstras, no Rio de Ja- neiro, e o meu pai, que sempre foi uma pessoa ativa, acabou ficando perdido quando dava uma volta pela cidade. Lembro que, na épo- ca, achamos estranho, mas tanto nós quanto o médico que o acom- panhava acabamos atribuindo o fato à idade dele”, contou a filha. Segundo ela, a falta de conhe- cimento sobre o mal dificultou associar os sintomas apresentados pelo pai ao Alzheimer. “Ele fazia tudo sozinho, mas, aos poucos, re- alizar pequenas tarefas foi fican- do difícil, porque foi esquecendo as coisas, palavras, os hábitos de higiene... Começamos a nos preocupar e procuramos ajuda médica. Ele até chegou a ser diag- nosticado com o mal de Parkin- son, por causa dos tremores nas mãos. Nesse tempo, o Alzheimer não era tão conhecido como agora”, disse. O resultado efetivo só veio à tona após lon- ga investigação clínica. A partir de então, além do tratamento médico, que ajudou a retardar o avanço da doença, a família teve que se adaptar à nova realidade: “Contratamos uma pessoa para ajudar minha mãe a cuidar do meu pai. Também nos revezávamos. Era muito triste vê-lo daquele jeito. Víamos que ele também sofria com a sensa- ção de que estava perdido. Ele dizia: ‘Eu não estou entendendo nada’”. Márcia relata que a evolução do quadro deixou a família um pouco desorientada, com uma sensação de impotência ao ver “Em qualquer idade, você pode ter lapsos de memória, até quando criança, mas o que se vê em pessoas que estão começando a desenvol- ver a doença é que eles são mais frequentes e começam a interferir no dia a dia de- las”, alerta o neurologista Paulo H. F. Bertolucci, chefe do setor de Neurolo- gia do Comportamento da Escola Paulista de Medici- na (Unifesp). A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam no mundo aproximadamente 36 milhões de pessoas que sofrem de demências, a maioria ligada ao mal de Alzheimer, podendo chegar a 115 milhões até 2050. No Brasil, calcula-se que haja 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnós- tico, isso porque os sintomas da doença tendem a ser confundidos com o processo de en- velhecimento natural do indivíduo e outras enfer- midades, dificultando o reconhecimento precoce da patologia. Márcia Maria Corrêa dos Santos, do Rio de Janeiro/RJ, sabe bem o que é isso: em 2002, seu pai, Jorge Eugênio dos San- tos (1925-2012), na época com 76 anos, dava os primeiros sinais da doença, que só veio a ser identifi- cada pela família anos mais tarde. “Estávamos numa casa de praia Saúde Efeitos do Alzheimer no cérebro Além das mudanças comportamentais, sabe-se que o cérebro do indivíduo diagnosticado com Alzheimer diminui drasticamente de tamanho de acordo com a progressão da doença. O encolhi- mento do córtex cerebral afeta quase todas as suas funções e é especialmente grave na zona do hipocampo, área importante na formação de novas memórias. Normal Alzheimer Fonte: www.cuidamos.com Dr. Paulo Bertolucci Arquivopessoal 118 BOA VONTADE
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    Estímulo mental Manter amente ativa é uma excelente forma de combater o Alzheimer e a senilidade precoce. A dica é aprender todo dia algo novo. Ler diariamente, es- tudar, conhecer outras culturas e brincar com jogos que desafiem sua mente. Sudoku, palavras cruzadas etc. são algumas das inúmeras atividades que cumprem esse propósito. Estudo realizado pela faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que pessoas com maior grau de escolaridade correm menos riscos de desenvolver sintomas resultantes de lesões cerebrais, a exemplo da perda de memória. Alimentação saudável Ingerir doses diárias recomendadas de minerais e vitaminas reduzem em 55% as chances de desenvolver o mal de Alzheimer. Os micro- nutrientes mais indicados para a manutenção de uma alimen- tação saudável e equilibrada são as vitaminas: E, encontrada em óleos vegetais, cereais integrais e nozes; C, presente em frutas como a laranja e a acerola; B6 e B12, encontradas nas carnes, na soja e no amendoim, e demais produtos de origem animal, incluindo os laticínios. Verduras, fígado e peixes, como o salmão, rico em Ômega-3, também devem ser consumidos. Atividade física Praticar exercícios físicos reduz em 50% o risco de desenvolver o mal de Alzheimer, concluiu pesquisa da Universidade de Rush, de Chicago, EUA, incluindo nessa es- tatística o público que realiza atividades comuns como subir escadas, caminhar e varrer. De acordo com os pesquisadores, exercitar-se faz bem para o corpo e a mente. Cientistas da Universidade da Califórnia, também nos EUA, afirmam que a atividade física pode manter saudáveis pequenos vasos sanguíneos cerebrais e diminuir a concentração da proteína amiloide, que se acumula no cérebro de pessoas com a doença, além de proteger contra a pressão alta e o diabetes. Mesmo aqueles que possuem tendência genética podem reduzir em 60% os riscos. Socialização Manter uma vida social ativa melhora as habilidades cognitivas do ser humano. O simples gesto de conhecer pessoas novas, fazer novos amigos, contribui para uma vida saudável. Bom para o corpo e a mente Adotar hábitos saudáveis é imprescindível para quem deseja minimizar os riscos de desenvolver o mal de Alzheimer, doença silenciosa, que tem início vários anos antes de o paciente apresentar os primeiros sintomas. Veja, a seguir, práticas que não só ajudam a preveni-lo, como também proporcionam melhor qualidade de vida. BOA VONTADE 119
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    a perda daautonomia dele, sem saber se tinham feito o melhor. Para ela, a resposta a esses ques- tionamentos veio muito forte na última semana de vida do pai: “Na grandeza da Providência Divina, pude ficar com ele no último dia antes da internação, que culmi- nou com sua morte. E ele, em um momento de lucidez, no leito do hospital (antes de entrar para o CTI), segurou minhas mãos e disse: ‘Me desculpa, tá?’. Essa mensagem soou como um agra- decimento, lavando minha alma. Agradeço a Deus por isso”. De acordo com a especialista em gerontologia social Vera Pedrosa Caovilla, membro-fun- dadora da ABRAz — Associação Brasileira de Alzheimer, traba- lhar em parceria é o segredo para lidar com a situação. “É muito comum ter a figura do ‘familiar- -cuidador’, aquela pessoa que fica mais tempo com o parente com Alzheimer, mas ela não pode ser a única responsável durante as 24 horas do dia. É preciso ter todos os envolvidos cuidando Mitos sobre o Mal de Alzheimer Os idosos são as únicas vítimas É verdade que o Alzheimer atinge mais essa população, porém não existe estudo científico que confirme que esta é uma doença própria da velhice, até porque existem registros de jovens diagnos- ticados com esse mal. Tem cura Ainda não foi descoberta a sua cura. O que existe são tratamen- tos que retardam o progresso da doença, melhorando a qualidade de vida do paciente. É hereditária Embora não seja considerada hereditária, a herança genética é considerada um fator importante, principalmente quando atinge pessoas com menos de 65 anos. Essas ocorrências correspondem a 10% dos pacientes com a patologia. Esclerose e Alzheimer são nomes diferentes para a mesma doença Erroneamente conhecida como esclerose e caduquice — talvez por se manifestar mais entre indivíduos da Terceira Idade —, a doença de Alzheimer, na verdade, é um tipo de demência, enfermi- dade mental que consiste no prejuízo cognitivo do ser humano. Além dela, existem outros tipos de demência, entre os quais a vascular e a com corpos de Lewi. desse paciente, todos cuidando de todos”. Fatores de risco Desde a descrição da doença, feita em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista AloisAlzheimer (1864-1915) — daí a origem do nome —, diversos estudos foram realizados com o objetivo de en- contrar as suas verdadeiras causas e como detectá-la ainda em estágio inicial. Recentemente, passo im- portante foi dado nessa direção: um grupo de cientistas britânicos identificou dez proteínas no sangue que podem sinalizar a presença da enfermidade no organismo humano, avanço que futuramente permitirá a sua identificação por exame de sangue simples. Outros estudos apontam a exis- tência de fatores de risco para o surgimento da patologia. O princi- pal deles, de acordo com aABRAz, é a idade. Para se ter ideia, a partir dos 65 anos, as possibilidades de ter esse mal dobra a cada cinco anos. Além disso, pessoas com histórico familiar têm mais chan- ces de desenvolvê-la no futuro, se comparadas com aqueles sem antecedentes. Hipertensão, diabetes, obesi- dade, tabagismo e sedentarismo são outros fatores que podem contribuir para que a enfermida- de se manifeste precocemente. “Se você corrige isso, pode fazer com que a doença aconteça mais tarde. É possível também que a pessoa viva sem ela e morra por outra razão, sem ter passado pelo Alzheimer”, afirma o neurologista Paulo Bertolucci. Saúde Fonte: www.abraz.org.br 120 BOA VONTADE
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    Receber a notíciade que um ente querido tem o mal de Alzheimer não é fácil; afinal, são muitos os desafios e as mudanças pelos quais a família pas- sará ao longo do avanço da doença. Encará-la com bom humor e leveza foi a estratégia utilizada pelo jovem Fernando Aguzzoli, de 22 anos, que resolveu trancar a faculdade de Filosofia e o projeto de abrir sua própria empresa para se dedicar exclusivamente à avó (falecida em dezembro de 2013), ou vovó Nilva, como carinhosamente ele a chamava. “[No início,] achava que era algo semelhante à amnésia, esquecimentos. Fui à busca de conteúdo e descobri que seria muito pior. Foi de fato assustador, mas ela continuava sendo minha avó, a mesma de sempre”, contou à BOA VONTADE. O motivo para lidar com a enfermidade positiva- mente, ele mesmo explica: “Eu ia enlouquecer se levasse a doença a sério, porque é muito ruim e pesada. Optando por um olhar em que a leveza e o bom humor tomassem conta, tudo seria possível — eu e meus pais não iríamos enlouquecer e minha avó iria gargalhar muito no tempo que nos restava na jornada”. De neto a pai Com leveza e bom humor, jovem gaúcho deixa emprego, carreira e estudos para cuidar de sua avó com Alzheimer. Foram seis anos convivendo com a vovó Nilva e o Alzheimer. Durante esse período, a relação entre neto e avó estreitou-se ainda mais: “O Alzheimer, em muitas famílias, vem para uni-las. Minha avó e eu sempre fomos próximos e também muito amigos, mas, depois da doença, passamos a melhores amigos e, mais tarde, construímos uma relação semelhante à de pai e filha”, disse Aguzzoli, que, recentemente, lançou a obra Quem, eu? Uma avó. Um neto. Muitas lições de vida!, por meio da qual compartilha inúme- ras histórias que viveu ao lado dela nesse período. Feliz por ter tido a oportunidade de cuidar de quem cuidou dele, Fernando deixa uma mensagem a todos os que passam por situação semelhante à sua: “Às vezes, pode parecer que, nos afastando, tudo será diferente e não sofreremos, mas uma consciência limpa não tem preço nem retorno (...). Levem a vida de uma forma mais alegre, alto-astral. Se não compartilharmos sorrisos com quem amamos, toda dificuldade que encontrarmos será intransponível. Paciência é necessária, muita paciência, mas, tendo Boa Vontade e amando a pessoa que cuidamos, tudo é possível!”. Fotos:Arquivopessoal BOA VONTADE 121
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    Melhor Idade VivianR.Ferreira Lar daLBV em Volta Redonda/RJ 122 BOA VONTADE
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    LBV propicia qualidadede vida e valoriza a experiência dos idosos o mundo grisalho cada vez mais Giovanna Pinheiro BOA VONTADE 123
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    N os últimos anos,o número de idosos no mundo tem crescido gradativamente. Vários foram os fatores que deram oportunidade a essa mudança, dentre eles, os avanços da Ciên­ cia, a melhora do acesso à água tratada e ao esgoto, o aumento do consumo, entre outros. Dados do relatório “Envelhecimento da População Mundial: 1950-2050”, produzido em 2009 pela Divisão de População do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), mostram que o processo de enve- lhecimento aumentará mais rápido que qualquer outro segmento da população global até 2050. Em outro documento, sobre a Situação da População Mundial 2011, elaborado pela Divisão de Informações e Relações Externas do Fundo de População das Na- ções Unidas (UNFPA), o desafio é reconhecidamente grande nos países em que a longevidade é alta, embora também seja senti- do em lugares de renda média e baixa, com “percentuais popu- lacionais nas faixas de 60 anos ou mais, 70 ou mais, e, mesmo em alguns casos, de 80 ou mais, estão em constante ascensão”. Diante dessa perspectiva, tornou-se imprescindível investir na qualidade de vida da Tercei- ra Idade (ou jovens da Melhor Idade). Por isso, a Legião da Boa Vontade, há décadas, propor- ciona apoio aos vovôs e às vovós em situação de vulnerabilidade A Legião da Boa Vontade de Portugal desenvolve seu trabalho socioeducacional há 25 anos. As pessoas com mais de 60 anos já são cerca de 20% da população e, em 2050, esse percentual deve chegar a 38%, ou seja, quase quatro milhões de idosos. Com o programa Viva Mais!, a LBV de Portugal proporciona à Terceira Idade atividades como ginástica e artesanato, sessões de beleza, passeios e palestras, e voluntaria- do, sendo que nesta última eles ajudam na preparação e distribui- ção de alimentos e confeccionam roupas para os atendidos do programa Cidadão-Bebé. Maria Isabel Garcia, 60 anos, participa há quatro anos desse programa, na cidade do Porto, e viu sua vida transforma- da: “Estava com depressão, então, pedi ajuda aqui e me convidaram para o Viva Mais!. Entrei e estou contente; gosto da companhia e de estar apoiando os outros”. A voluntária Maria se divide nas várias atividades oferecidas pela Instituição, o que deu a ela outra perspectiva para o dia a dia: “Faço ginástica, [aprendo] música, (...) preparo sopa para a Ronda da Caridade e gosto muito de lidar com as crianças na entrega do enxoval dos bebés. Sinto-me feliz na Legião da Boa Vontade”. Do outro lado do Atlântico Melhor Idade social, por meio de programas que trabalham as capacidades cognitivas e físicas, e o diálogo, visando melhorar a autoestima e o bem-estar desses cidadãos, para um envelhecimento ativo e sau- dável. As atividades têm função proativa e preventiva, com o ob- jetivo de reintegrar esses idosos, a fim de que possam enfrentar as dificuldades próprias da idade, mantendo em boa forma o corpo e o Espírito. Nos Centros Comunitários de Assistência Social, presentes em vários Estados brasileiros, a ação se dá por meio do programa Vida Plena. A LBV também possui La- res para Idosos em Teófilo Otoni (que completa 51 anos este ano) e Uberlândia no Estado de Minas Gerais, e em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Nos lares, os abrigados recebem atendimento e atenção 24 horas por dia, sendo que em Volta Redonda, além do regime de longa permanência, existe a modalidade Centro-Dia, no qual os vovôs e vovós ficam no lar pela manhã e pela tarde, de segunda a sexta-feira, e, depois, voltam para suas casas para passar a noite e o fim de semana com seus familiares. As atividades nos lares e Centros Comunitários incluem ginástica, artesanato, dança e passeios, além de palestras, todas acompanhadas por profissionais da Instituição, com o objetivo de fortalecer a cidadania e garantir os direitos da Melhor Idade. ArquivoBV 124 BOA VONTADE
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    Lar Alziro Zarur,em Teófilo Otoni/MG — em mais de meio século de atuação, notabilizou-se pela dedicação ao amparo à Terceira Idade, propriamente ao idoso afastado do convívio familiar e/ou em situação de vulnerabilidade. O residente Joaquim Lacerda, 84 anos, se afeiçoou ao lugar e às pessoas: “Eu moro aqui há mais de 20 anos. Este é meu lar e todos aqui são minha família. É um lugar muito bom, todos nos tratam com muito carinho”. Lar Alziro Zarur, em Uberlândia/MG — inaugurado em 1961, também possui o regime de longa permanência. Lá, os jovens da Melhor Idade recebem o cuidado e o suporte necessários para que tenham uma vida saudável e participativa. Para isso, contam com alimentação balanceada, assistência médica e atendimento social, além de participarem de atividades recreativas e físicas regulares, de acordo com a necessidade do atendido. Lar Vovó Ássima e Vovô Elias Zarur, em Volta Redonda/RJ — é o mais antigo, fundado em 1957, e implantou a modalidade Centro-Dia. Além do ambiente acolhedor, destaca-se pela qualidade do serviço e acessibilidade. As salas de serviço social e de terapia ocupacional possuem revestimento, piso antiderrapante e portas largas para facilitar o acesso de cadeirantes. Unidades de abrigagem da LBV Fotos: Vivian R. Ferreira PatríciaOliveira BOA VONTADE 125
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    DanielTrevisan Walter Periotto é jornalista. Foi representante daLBV dos Estados Unidos da América, na década de 1980. Walter Periotto | Especial para a BOA VONTADE Melhor idade A crise hídrica na Grande São Pauloeemmunicípiosdointe- rior paulista serve de exemplo para outras cidades brasileiras, assi- nalando que o cuidado com as reser- vasnaturaisnãoémaisumaescolha, esimalgodesumarelevânciaparaa sobrevivênciadecadacidadão.Aose observaresseepisódio,algunsaspec- tosficamevidentes,merecendoséria reflexão de todos nós. O primeiro é o de que os seis reservatórios do Sistema Cantareira, que abastecem essas regiões, não conseguem mais acompanhar o crescimento do con- sumo. Além disso, pesam nessa balança a degradação sofrida pelos rios da maior capital do país, a per- da ainda grande de água na rede de distribuição desse líquido precioso e um desperdício inconcebível dele por parte da população. Crise, aquífero e a urgente atitude 126 BOA VONTADE
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    Se pensarmos nofuturo, perce- beremos que as coisas tendem a ser piores, caso nada seja feito agora, pois a demanda por recurso só deve aumentar. É necessário investir ur- gentemente em sistemas de recicla- gem e de reúso de água, bem como procurar novas fontes de abasteci- mento. Nesse particular, uma das mais promissoras — claro, se for utilizada com inteligência e bus- cando-se métodos sustentáveis — é o Aquífero Guarani, enorme lençol subterrâneo de água locali- zado entre o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, que abrange cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Emboraestudorecentedogeólo- go José Luiz Flores Machado, do ServiçoGeológicodoBrasil,mostre que esse aquífero tem capacidade menor do que se supunha — em 1996, o geólogo uruguaio Danilo Anton chegou a considerar que ele seriacapazdeabastecerapopulação brasileiradurante2.500anos—,isso não invalida o importante papel das águas subterrâneas na minimiza- ção dos problemas do cenário de escassez de chuvas que vivemos atualmente. Na pesquisa, José Luiz afirma que não existem ainda traba- lhos detalhados sobre toda a área de ocorrência do aquífero e que “teria sido melhor denominá-lo ‘Sistema Aquífero Guarani’, já que se trata de um conjunto heterogêneo de ‘unidades hidroestratigráficas’ que podem conter muita, pouca ou ne- nhuma água”. Uma boa notícia para os pau- listas é a de que “São Paulo está entre os Estados mais privilegia- dos, pois é onde a potencialidade do Aquífero Guarani mais se aproxima da noção divulgada pela imprensa”, declara. No en- tanto, a utilização desse grande reservatório exige que sejamos racionais e fraternos, para que o Brasil se beneficie dele, progrida e, ao mesmo tempo, preserve tão magnífico patrimônio ambiental para as novas gerações. Localização do Aquífero Guarani BOA VONTADE 127
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    A Esperança nãomorre nunca Paiva Netto A Esperança não morre nunca! Nunca! Não morre, não! Pois, como a vida, que é eterna, mãe tão fraterna, pode morrer?! Não, não morre nunca! Não morre, não, a Esperança no coração! S ou um Soldadinho de Deus alegre, porque aprendo que Deus e Jesus trazem Paz e Amor para todos nós. É com Jesus que aprendo a amar. O Amor é Paz para nós. Eu Daniel Muniz Pacheco, 7 anos Campos Altos/MG Sou um Soldadinho de Deus também aprendi que quando estou com Jesus nada de mau acontece. O Irmão Paiva nos fala que “Jesus é o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho”. Arquivopessoal Copyright © desenho: William Luz Soldadinhos de Deus Desenho constante do livro Jesus e os doutores da lei, da coleção “Os Milagres de Jesus”.
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    (1) Victoria Franchi,3 anos, com a mamãe, Angelina Gaona. Buenos Aires, Argentina; (2) Wemerson de Aquino Ramos, 9 anos. Del Castilho, Rio de Janeiro/RJ; (3) Pedro de Freitas Alves, 1 ano, com a mamãe, Cristina Freitas. Curitiba/PR; (4) Letícia Capi- che Campos, 4 anos. Vila Velha/ES; (5) Davi Hiroshi Freire Tengan, 7 anos. Brasília/DF; (6) Maria Clara de Jesus Mota da Cruz, com 1 mês. Pais: Jaqueline de Jesus e Alex Mota da Cruz. Rio de Janeiro/RJ; (7) Tamara Gallo Leopoldino, aos 3 meses. Pais: Sílvia e Paulo Leopoldino.Vista Alegre do Alto/SP; (8) Elisa Gabrielle Amiranda, 10 anos. Atibaia/SP; (9) Sophia Helena Mauro Alves, 7 anos. São Paulo/SP; (10) os irmãos Matheus Vinícius, 12 anos, e Pedro Gabriel de Matos Andrade, 1 ano. Salvador/BA; (11) Henrique Gomes Mendes, aos 9 meses. Pais: Gisele Aparecida e José Franklin Mendes. São Paulo/SP. 11 7 321 108 9 4 5 6 Galeria de fotos 1 2 3 4 Ajude as formigas a encontrar suas colegas de trabalho. Ajudeasformigasaencontrar suascolegasdetrabalho. Resposta:2. Resposta Fotos:Arquivopessoal BOA VONTADE 129
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    DanielTrevisan Adriane Schirmer, professora. Adriane Schirmer |Especial para a BOA VONTADE A o notar que eles não estão ao seu alcance, o que você deve perguntar: “Onde está omeuóculosouOndeestãoosmeus óculos?”.Acertou quem escolheu a segunda opção. E a explicação é simples: o substantivo óculos só apresenta a forma plural. Então, o correto é uns óculos, assim como um par de óculos, meus óculos.  O mesmo vale para núpcias, pêsames, cumprimentos, para- béns, entre outras. Observe o exem- plo extraído do artigo “Sejamos Aprendendo Português Onde estão meus óculos? sempre como namorados”, no qual o jornalista Paiva Netto nos ensi- na: “O Amor provém da Alma. Do contrário, pode morrer na noite de núpcias...  Mas, se tiver como alicerce o Espírito e o coração de ambos os amantes, aí a lua de mel se repetirá por toda a vida, apesar das rusgas que sempre ponteiam a convivência de um casal”. Também ficam no plural as pa- lavras que concordam com esses termos (pronomes, artigos, adjeti- vos), como nas frases: “HojeéaniversáriodeNina.Logo pela manhã, dei os parabéns a ela”;  “Meus cumprimentos pela conquista”; “Meus sentimentos pelo la- mentável ocorrido”; “Aos seus estimados familia- res, as nossas condolências”. Para finalizar, transcrevo a nota “Utilidade Pública”, extraída do artigo “Santiago Andrade” (feve- reiro de 2014), na qual Paiva Netto alerta:“Overãoesteanoeafaltade chuva em vários Estados reforçam a necessidade de economizarmos água, energia elétrica, enfim, não sermos perdulários. E, com as altas temperaturas, cuidados básicos para preservar a saúde não podem ser ignorados.Além de manter uma alimentaçãosaudávelehidratar-se, é preciso atenção com o sol, princi- palmente ao ar livre, na praia, na piscina. O dr. Adilson Costa, chefe de serviço de dermatologia da PUC deCampinas/SP,recomendou:‘Pri- meiro: evitar exposição solar entre 10 e 16 horas. Segundo: aplicar fo- toprotetores na pele de forma muito exagerada a cada duas horas. Nós orientamos um fotoprotetor com FPS de no mínimo 30. E de pre- ferência que a pessoa use óculos escuros, chapéus de abas largas, aquelas roupas que tenham fatores de proteção solar nas suas formas (...)’”. Bom estudo e até a próxima! 130 BOA VONTADE
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    SUSTENTABILIDADE. Este é umdos nossos valores. A Celpe, empresa do Grupo Neoenergia, trabalha para fornecer energia elétrica com qualidade e confiabilidade. É por isso que a concessionária investe cada vez mais em tecnologias inovadoras e sustentáveis. A construção de usinas solares, em São Lourenço da Mata e na Ilha de Fernando de Noronha, o desenvolvimento do Projeto de Redes Elétricas Inteligentes e dos programas Vale Luz, Nova Geladeira e Energia Verde são apenas alguns exemplos de uma gestão orientada para a sustentabilidade em todos os seus processos. Iniciativas como essas contribuem para o crescimento econômico do Estado, gerando desenvolvimento com qualidade de vida e preservação do meio ambiente para as futuras gerações.