Paiva Netto escreve ”solidariedade e direitos humanos no mundo“.
ONU Mulheres Vice-diretora-executiva, sra. Lakshmi Puri, destaca avanços e
desafios para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. 	
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Meio ambiente A escassez de
água ameaça os cidadãos. Você
pode ajudar a reverter isso
BrasilvencedorPersonalidades, voluntários e colaboradores unem forças à Legião da Boa Vontade para vencer
os desafios sociais do país e garantir um futuro melhor com Cidadania Plena. Só em 2013, foram mais
de 11 milhões de atendimentos e benefícios em amparo à população de baixa renda. Confira!
ANO 58 • No
236• R$ 7,90
EducaçãoeSolidariedadeporum
64anos
Carlos Alberto Parreira, coordenador técnico da atual Seleção e treinador canarinho na conquista do Tetra. Jogadores:
Alexandre Pato, Altair, André Santos, Arouca, Cafu, Cássio, Chicão, Cicinho, Daniel Alves, Dante, David Luiz, Dedé, Denílson,
Dida, Dunga, Emerson Sheik, Éverton Ribeiro, Fabrício, Felipe, Fernando Prass, Fred, Gil, Gilberto Silva, Henrique, Hulk,
Jadson, Jair Marinho, Jô, Juan, Juninho, Juninho Pernambucano, Luís Fabiano, Leandro Damião, Léo Gago, Léo Moura,
Lucas Piazón, Marcos, Marcos Aurélio, Marcos Rocha, Neto, Neymar, Osvaldo, Paulo Henrique Ganso, Pelé, Pepe, Réver,
Ricardo Goulart, Roberto Carlos, Robinho, Rodrigo Caio, Rogério Ceni, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Victor,
Walter, Wellington, Wesley, Zico e Zito.
Astros do futebol, de todas as gerações, integram a seleção DE
campeões da solidariedade e assinaM a camisa exclusiva da LBV:
52 Água — A degradação deste recurso natural pode
levar o ser humano a enfrentar um cenário de
escassez nunca antes vivenciado.
17
Carlos Chagas
Relatos marcantes
de nossa história
15
Márcia peltier
Suas experiências
pelo mundo
15
Ana Paula Padrão
O amor chegou tarde
em minha vida
17
Alexandre
Caldini Neto
A morte na visão do
Espiritismo
16
Zico
Vida
e carreira
16
Audálio Dantas
homenageia o
Rei do Baião
14
Luis Erlanger
lança Antes que eu
morra
23
Sebastião Nery
Ninguém me contou,
eu vi: de Getúlio a
Dilma
18
Bento Viana
Imagens de Brasília
vista do alto
Sumário
8	 Solidariedade e direitos humanos no mundo
Paiva Netto
14		 Cartas, e-mails, livros e registros
26 	 Opinião — Terceiro Setor em foco por Airton Grazzioli
Negócios sociais
29 	 Voluntariado
Dra. Lúcia Maria Bludeni
32		 Abrindo o coração
Meio século no ar
	37	 Opinião — Esporte por José Carlos Araújo
Seleção sem contestação
38 	Samba & história por Hilton Abi-Rihan
Jair Rodrigues (1939-2014)
42		 in memoriam
Saudades, Myltainho!
44		Empreendedorismo social
Contra a pobreza
51		 Opinião — Educação por Arnaldo Niskier
“Coroas” modernos, jovens inquietos
52		 Meio ambiente
Água, o líquido precioso.
60 	 OPinião — Meio Ambiente por Daniel Borges Nava
Educação e Espiritualidade: dimensões da sustentabilidade
64		Saúde e qualidade de vida
Metas e compromissos com as novas gerações
70		Entrevista — Nações unidas
Empoderamento feminino é meta global
74		LBV na ONU
Agenda de desenvolvimento pós-2015
8 Paiva Netto escreve:
Solidariedade e direitos
humanos no mundo
4 BOA VONTADE
74 LBV na ONU — Evento das Nações Unidas
reforça a necessidade de a igualdade de gênero
figurar no próximo conjunto de metas globais.
32
José Carlos Araújo
comemora o
Jubileu de Ouro
120
Carlos Arthur
Pitombeira
Esporte e cidadania
26
Airton Grazzioli
Negócios
sociais
116
Paulo Kramer
Políticas
Públicas
29
dra. Lúcia Maria
bludeni
Cultura de voluntariado
51
Arnaldo Niskier
“Coroas” modernos,
jovens inquietos
140
Walter periotto
Vida
Plena
38
Jair Rodrigues
Homenagem
104 Balanço Social — Ação da LBV supera a marca
de 11 milhões de atendimentos e benefícios ao
povo de baixa renda
60
DanielBorgesNava
Dimensões da
sustentabilidade
82 	Direitos Humanos
• Respeito e integridade da mulher
85		 Acontece no DF
86		Soldadinhos de Deus, da LBV
Futebol da Caridade
94		 Educação e cidania plena
Mulheres e meninas pela Cultura de Paz
100	 Campanha Criança Nota 10!
Entrega de kits pedagógicos
104 	Balanço Social
Trabalho e fé no ser humano
116	 Opinião — Congresso em pauta por Paulo Kramer
A Câmara e o social
119	 Consumo consciente
Tecnologia reduz consumo de energia elétrica
120	 .opinião — mídia Alternativa por Carlos Arthur Pitombeira
Esporte e cidadania
122	 Natal permanente da LBV
Triunfo do Amor e da Boa Vontade
140	 Melhor Idade por Walter Periotto
Vida Plena
142	 Ação Jovem LBV por Patricia Maria Nonnemacher
Unidos pelo mesmo ideal
146	 Aprendendo português por Adriane Schirmer
Acento diferencial
Canais da LBV na internet
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Youtube: LBV Videos
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BOA VONTADE 5
Ao leitor
Esta edição da BOA VONTADE põe em foco a
força do trabalho e da solidariedade ao divulgar a
expressiva marca de 11.053.113 atendimentos
e benefícios oferecidos a comunidades de baixa
renda pela Legião da Boa Vontade em 2013. A
reportagem com o balanço social da Instituição
nesse período é destaque da capa da revista e
exprime a própria razão de existir da LBV: ampa-
rar o ser humano e o Espírito Eterno dele e fazer
despertar o Cidadão Planetário que há em cada
indivíduo. Celebrando sempre a vida, a Entidade
está presente nos momentos de necessidade
e/ou de dor de milhares de pessoas e famílias em
situação vulnerável com o socorro material e sua
mensagem de Paz, de Amor, de Fraternidade e
de Fé Realizante.
A temática social e humanitária, que pauta
toda a atuação da LBV, consta ainda do artigo
“Solidariedade e direitos humanos no mundo”,
do diretor-presidente da Instituição, o jornalista,
escritor e radialista José de Paiva Netto. Nele, o
autor explica por que jamais devemos esmorecer
na luta pela promoção da dignidade humana e
pela erradicação das desigualdades sociais e de
gênero no mundo.
A seção “Meio Ambiente” traz também texto
de grande interesse e relevância, pelo conteúdo
atualíssimo: a matéria “Água, o líquido precioso”,
na qual se vê como a falta de cuidados e o uso
descontrolado desse recurso natural podem levar
a Humanidade a enfrentar um cenário de escassez
de tão vital substância nunca antes vivenciado.
Igualmente, merecem relevo especial duas
entrevistas exclusivas e descontraídas à BOA
VONTADE. Em uma delas, o locutor José Carlos
Araújo fala sobre os 50 anos de carreira e os
novos desafios que tem buscado. A outra consta
da seção “Samba & História”, que faz uma ho-
menagem ao saudoso cantor e compositor Jair
Rodrigues (1939-2014). Neste último bate-papo
com a Super Rede Boa Vontade de Comunicação,
ele destacou passagens da própria biografia e
comentou o amor pela música. Ao Espírito Eterno
do querido Jair, as melhores vibrações de Paz e
de carinho da Legião da Boa Vontade e de seu
dirigente, extensivas à família e aos amigos.
Boa leitura!
Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica
BOA VONTADE é uma publicação da LBV, editada pela Editora Elevação. Registrada sob o no
18166 no livro “B” do 9o
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Jornalistas Colaboradores Especiais: Airton Grazzioli, Arnaldo Niskier, Carlos Ar-
thur Pitombeira, Daniel Borges Nava, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e Paulo Kramer.
Equipe Elevação: Adriane Schirmer, Cida Linares, Diego Ciusz, Giovanna Pinheiro, Leila
Marco, Leilla Tonin, Mariane de Oliveira Luz, Mário Augusto Brandão, Neuza Alves, Paulo Azor,
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Projeto Gráfico: Helen Winkler
Capa e Diagramação: Felipe Tonin e Helen Winkler
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A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus
artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de estimular o debate
dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento
contemporâneo.
A N O 5 8 • N o
2 3 6 • j an / f e v / m a r / a b r 2 0 1 4
Tiragem: 50 mil exemplares
Edição fechada em 19/5/2014
Reflexão de BOA VONTADE
“O Espírito tem lugar preponderante na nossa lide.
Entretanto, na preparação de jovens e adultos para a
subsistência neste mundo material de tecnologia jamais
vista — e paradoxalmente nos dias de hoje, tão instável
para os que labutam pelo futuro próprio —, devemos le-
var na mais alta consideração que os educandos têm de
ser com eficiência qualificados para a exigente demanda
do acirrado mercado de trabalho. E mais: de tal maneira
que não persigam um caminho em que a profissão para
a qual se prepararam não mais exista ao fim do curso. É
essencial, pois, receberem formação eficaz para que sejam
arrojados, empreendedores, de modo que possam suplantar
os acontecimentos supervenientes que, a qualquer instan-
te, desafiam a sociedade, assustando multidões. (...) De
nada adiantarão, portanto — digamos para argumentar —,
planejamentos audaciosos se não houver quem tenha sido
devidamente preparado para desenvolvê-los.”
Discurso de Paiva Netto ao corpo docente do Instituto de Educação da
LBV, em São Paulo/SP, em 1999, e que foi publicado nas revistas, enca-
minhadas às Nações Unidas, Sociedade Solidária (disponível em alemão,
espanhol, esperanto, francês, inglês e português) e Globalização do Amor
Fraterno (inicialmente editada em esperanto, francês, inglês e português).
6 BOA VONTADE
Solidariedade e direitos humanos no mundo
UNPhoto/KayMuldoon
8 BOA VONTADE
JoãoPreda
José de Paiva Netto,
jornalista, radialista e escritor.
É diretor-presidente da LBV.
que estamos vivendo? De sentimen-
tos sublimados no espírito da paz,
da concórdia, da solidariedade, da
caridade,dodiálogo,dafraternidade
dinâmica, que resolve os problemas
sociais, sem gerar consequências
piores.
Congratulamo-nos com as vitó-
rias alcançadas por meio das metas
globais de desenvolvimento propos-
tas pela ONU, em 2000. Sabemos,
porém, que há muito ainda a fazer
pelo próximo. Daí a importância
do presente tema da pauta de dis-
cussão dos Estados membros, das
delegações internacionais, das au-
toridades e dos demais participantes
nestaconferência,reunidosemNova
York, EUA: “Desafios e conquistas
na implementação dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio para
mulheres e meninas”.
Trata-se de oportuno momento
para avaliar os acertos e empenhar-
-se ainda mais nas melhorias que
devem ocorrer, visando a soluções,
por exemplo, nos campos da edu-
cação e da saúde e no combate à
pobreza e à violência, entre as quais
a hedionda exploração sexual de
mulheres, jovens e meninas. Jamais
podemos esmorecer no que se re-
fere à luta pela causa da dignidade
humana e pela erradicação das
desigualdades sociais e de gênero
no mundo.
É inadmissível que no planeta,
segundo estimativa da Organização
Mundial da Saúde (OMS), uma a
cada três mulheres sofra algum tipo
de violência (física ou sexual), tendo
comoautorounãoopróprioparceiro.
Éfundamentalqueigualmentese
avance no fim da diferença de salá-
rios entre os gêneros, no acesso mais
equânime a posições gerenciais no
mercadodetrabalhoenadivisãodos
afazeres domésticos entre homens e
mulheres. Enfim, trata-se sempre de
garantir os princípios de cidadania e
os direitos humanos.
Liberdade, deveres e
direitos
A propósito, apresento minha
cooperação expressa em modestas
palestras, publicadas, entre outros,
em Reflexões e Pensamentos —
Dialética da Boa Vontade (1987) e
no Manifesto da Boa Vontade (21 de
outubro de 1991):
Acreditarquepossahaverdireitos
semdeveresélevaraomaiorprejuízo
a causa da liberdade. Importante é
esclarecer que, quando aponto os
deveres do cidadão acima dos seus
próprios direitos, em hipótese algu-
ma defendo uma visão distorcida do
trabalho, em que a escravidão é uma
de suas facetas mais abomináveis.
Por isso, queremos que todos
os seres humanos sejam realmen-
Solidariedade
e direitos humanos
no mundo
A
Organização das Nações
Unidas (ONU) promove
anualmente a sessão da Co-
missão sobre a Situação da Mulher.
Com grande honra, a Legião da
BoaVontade(LBV)temprestigiado,
comsuacontribuição,háváriosanos,
esse notável encontro internacional.
Amulhertemsidoosustentáculo
verdadeiro de todas as nações, quan-
do integrada em Deus ou nos ideais
mais nobres a que um ser humano
possa aspirar: a Bondade Suprema,
o Amor Fraterno, a Justiça Supina,
a Fraternidade Real — mesmo não
professando uma tradição religiosa.
Nadamaissensívelqueocoraçãodas
mulheres espiritualmente esclareci-
das. E do que mais precisa o mundo,
mormenteemépocasdifíceis,comoa
BOA VONTADE 9
A escritora, filó-
sofa e feminista fran-
c e s a S i m o n e d e
Beauvoir (1908-1986)
belamente expressou-se
sobre a importância da
solidariedadeededicação
ao próximo ao dizer:
— A vida conserva seu valor
enquanto atribuímos um valor à
vida dos outros, por meio do amor,
da amizade, da indignação, da com-
paixão.
As virtudes reais, de
fato, serão aquelas consti-
tuídas pela própria criatura
na ocupa­ção honesta dos
seus dias, na administra-
ção dos seus bens e no
respeito pelo que é alheio,
na bela e instigante aventura da
vida. Uma nação que se faça de
te iguais em direitos e
oportunidades, e cujos
méritos sociais, intelec-
tuais, culturais e religio-
sos, por mais louvados
e reconhecidos, não se
percam dos direitos dos
demais cidadãos. Por-
quanto, liberdade sem
responsabilidade e fraternidade
é condenação ao caos.
Trabalhamos, pois, por uma
sociedade em que o Criador e Suas
Leis de Amor e Justiça inspirem
zelo à liberdade individual. É o
que nos suscita o Natal
Permanente de Jesus, a
mensagem universalista do
Libertador Divino,Aquele
que, pelo Seu sacrifício, se
doou pela Humanidade.
Tudo isso para garantir
segurança política, social e jurídica,
sob a Sua visão divina (...).
A Cúpula do Milênio das Nações Unidas, o maior encontro de líderes mundiais da História, reuniu 149 chefes de Estado
e de governo e altos funcionários de mais de 40 países, em 2000. Na imagem, o então secretário-geral da ONU, Kofi
Annan, está na primeira fila à frente (o 11o
a partir da esquerda).
SimonedeBeauvoir
ReproduçãoBV
Jesus
ReproduçãoBV
Que todos os
seres humanos
sejam realmente
iguais em direitos
e oportunidades,
e cujos méritos
sociais, intelectuais,
culturais e religiosos,
por mais louvados
e reconhecidos,
não se percam dos
direitos dos demais
cidadãos. Porquanto,
liberdade sem
responsabilidade
e fraternidade é
condenação ao
caos.
UNPhoto
Solidariedade e direitos humanos no mundo
10 BOA VONTADE
tais elementos será sempre forte e
inviolável.
A almejada liberdade
Ao longo das eras, o
estudo do Direito foi sendo
aperfeiçoado, a fim de dar
garantias cada vez mais só-
lidas à sociedade. O século
20, por exemplo, nos legou
um imenso aprendizado por
meiodesucessivasconquis-
tas civis diante das maiores dificul-
dades enfrentadas pelas populações.
Em face de inúmeros episódios
registrados pelos tempos, podemos
concluir que o ser humano necessita
do pão da liberdade. Contudo, não
haverá verdadeira liberdade se esta
não for iluminada pelo sentimento
fraternoesolidário.Orestantecorreo
risco do caos, e a História está repleta
de exemplos para comprovar essa
realidade.
Rendamos, portanto, homena-
gens a tantos ativistas que, ao longo
da História, almejaram liberdade e
condições dignas de vida, em espe-
cial as mulheres batalhadoras. Elas,
diariamente, empenham a própria
existêncianoamparoaosseusfilhos,
sejam eles biológicos, adotivos ou,
como costumo dizer, filhos que se
traduzememgrandesrealizaçõesem
benefício da Humanidade. Todas as
mulheres são mães.
Uma dessas brilhantes mulheres
foi a médica pediatra, sanitarista
brasileira e fundadora da Pastoral
da Criança, dra. Zilda Arns (1934-
2010), que disse:
—Otrabalhosocialpre-
cisademobilizaçãodasfor-
ças.Cadaumcolaboracom
aquilo que sabe fazer ou
comoquetemparaoferecer.
Deste modo, fortalece-se o
tecido que sustenta a ação,
e cada um sente que é uma célula de
transformação do país.
“Rascunho de Genebra”
Outra batalhadora foi Eleanor
Roosevelt (1884-1962), viúva do
presidentenorte-americanoFranklin
Delano Roosevelt (1882-1945). Ela
comandou, desde janeiro de 1947, a
Comissão de Direitos Humanos das
Nações Unidas, até a adoção dos 30
artigosnaquelememoráveldezembro
de 1948. Considerada a força motriz
do projeto, dona Eleanor liderou um
grupo com 18 integrantes de hete-
rogênea formação cultural, política
e religiosa, elaborando o que ficou
conhecidocomo“Ras­cunhodeGene-
bra”,emsetembrode1948,apresenta-
doesubmetidoàaprovaçãodosmais
de 50 países membros.
É com muito orgulho
querecordoaparticipa-
ção do ilustre jornalista
brasileiro, meu dileto
amigo, Austregésilo
de Athayde (1898-
1993), um dos mais destacados
colaboradores desse extraordinário
trabalho. Ele também ocupou a pre-
sidência da Academia Brasileira de
Letras (ABL), durante 34 anos, e do
ConselhodeHonraparaaConstrução
doParlamentoMundialdaFraternida-
deEcumênica,oParlaMundidaLBV,
em Brasília/DF, Brasil.
É de Eleanor Roosevelt esta
reflexão:
Eleanor Roosevelt liderou ativistas
dos direitos civis e políticos do mundo
inteiro. Juntos, puderam transformar
o sonho de uma declaração universal
em realidade. Na foto de 1949, a ex-
-primeira-dama dos EUA mostra pôster
em inglês. Ela foi fotografada também
com as versões em espanhol e francês.
Zilda Arns
ToraMartens
UNPhoto
AustregésilodeAthayde
ArquivoBV
BOA VONTADE 11
Gandhi
ReproduçãoBV
Rosa Parks
Divulgação
AngélicaPeriotto
— A liberdade faz uma
exigênciaenormeacadaser
humano. Com a liberdade
vem a responsabilidade.
Para a pessoa que está
relutante em crescer, para a
pessoa que não quer carre-
gar o seu próprio fardo, esta é uma
perspectivaassustadora.(Odestaque
é nosso.)
Grande Família
Humanidade
Almejo que, ainda neste século
21, consigamos consolidar esses
nobres ideais e expandi-los aos
povos da Terra, para que sejam
plenamente vivenciados. E jamais
repetir os séculos anteriores naquilo
em que fracassaram.
Bem a propósito esta
consideração do Mahatma
Gandhi (1869-1948):
— Se quisermos pro-
gredir, não devemos repetir
a história, mas fazer uma
história nova.
Na 58a
edição deste eminente
evento,cujocentrodasproposiçõesé
amulher—comquemaprendemosa
cuidardooutrocomacuradoesmero
esacrifício—,oqueambicionamos
nós senão pedir à Humanidade
mais humanidade para com ela
mesma? Desejamos ver raiar o dia
em que, afinal, nos reconheçamos
como irmãos, componentes de uma
única família, convivendo pacifi-
camente nesta morada
global. Era o que so-
nhavaacostureiraRosa
Parks (1913-2005), ati-
vista dos direitos civis
dos afro-americanos.
Essa destemida mulher,
certa vez, declarou:
— Eu acredito que estamos aqui,
no planeta Terra, para viver, crescer
e fazer o que nós podemos para
que este seja um mundo melhor e
para que todas as pessoas tenham
liberdade.
Costumo afirmar que a humil-
dade é, acima de tudo, corajosa. E
Rosa Parks tornou-se um ícone na
luta pela igualdade racial e pelo fim
do preconceito nos Estados Unidos.
Seugestoaparentementepequeno—
quando,em1o
dedezembrode1955,
serecusouacederlugaraumhomem
branco em um ônibus da cidade de
Montgomery,Alabama—significou
quebrar algemas da tirania do racis-
mo. Àquela época, mesmo havendo
divisão entre assentos para brancos
e negros, estes eram obrigados a se
levantar para os brancos, caso todos
os lugares do veículo estivessem
preenchidos.
Exemploscomoessesóreforçam
o que há décadas repito: valorizar
a mulher é dignificar o homem. E
vice-versa.
Que Deus abençoe este porten-
toso encontro e que as mulheres
alcancem o seu merecido espaço na
sociedade, pois tudo o que de bem
elas apoiam se torna vitória!
Cumprimentamos a excelentíssima senhora Michelle Bachelet pela eleição à presi-
dência do Chile. No registro acima, a ex-diretora-executiva da ONU Mulheres rece-
be a saudação da Legião da Boa Vontade, por intermédio da representante da LBV
Rosana Bertolin. Renovamos à chefe de Estado as nossas felicitações pelo trabalho
cumprido à frente desta entidade das Nações Unidas que tem a missão de promover
a igualdade de gênero e a participação plena da mulher nos assuntos globais. Com
seu empenho, ajudou a estabelecer novas medidas de proteção a mulheres e meni-
nas contra a violência, bem como avanços na saúde e no empoderamento feminino.
paivanetto@lbv.org.br
www.paivanetto.com
Solidariedade e direitos humanos no mundo
12 BOA VONTADE
r$
,90
/mês cada29
4G
Cartas, e-mails, livros e registros
BOA VONTADE Mulher,
reportagenssignificativas.
Muito boa! A revista [BOA
VONTADE Mulher] traz repor-
tagens significativas, educativas,
profundas, que nos ajudam a refletir
e compreen­der melhor o nosso pa-
pel nesse fortalecimento, no resgate
da cidadania, no crescimento da
sociedade civil. (Dra. Valma Leite
da Cunha, promoto-
ra de Justiça e coor-
denadora do Centro
de Apoio Operacional
ao Terceiro Setor, do
Ministério Público de
Minas Gerais.)
Vida além da vida
ABOAVONTADE é carregada
de informação e exemplos que rea-
firmam os direitos para o exercício
da cidadania plena. Inspirada nos
valores cristãos, edifica e educa a
cada página. Esteticamente bonita,
oferece-nos um show de ima-
gens e bom gosto, mas, acima de
tudo, exalta que a vida
continua além da vida.
Assim, está imersa de
esperança! Parabéns,
jornalista Paiva Netto e
equipe! (Dr. Alexandre
Rivero, professor, psi-
cólogo e diretor do Consultório
de Psicologia e Ressignificação
Humana, de São Paulo/SP .)
Editorial preciso e tocante
Mais uma vez, surpreendo-me
comaBOAVONTADE.Asurpresa,
sempre positiva, dá-se na escolha
dos temas, como o escolhido agora:
mulher. A figura feminina tem sido
o esteio da família e o caminho que
Com uma carreira de 40 anos no meio televisivo, o jornalista Luis
Erlanger, diretor de análise e controle de qualidade da programação
da TV Globo, lançou em 1o
de abril, no Rio de Janeiro/RJ, seu primeiro
romance, intitulado Antes que eu morra.
Escrita a partir de anotações aleatórias reunidas desde 2009 e com
tom humorístico, a obra é uma mescla de ficção e realidade, por meio
da qual o autor promove reflexões sobre questões humanas de forma
extremamente impactante. O personagem principal narra as próprias
aventuras ao psicanalista, responsável por ouvi-las e publicá-las em um
livro com as transcrições das consultas.
Em concorrida noite de autógrafos, o jornalista recebeu familiares,
amigos e personalidades. Também dedicou um exemplar da obra ao
diretor-presidente da LBV, com a seguinte mensagem: “Caro Paiva Netto,
espero que goste desta aventura de um estreante. Abraço”.
JornalistaLuis Erlanger
lançaseuprimeiroromance
PriscillaAntunes
Jornalista Luis Erlanger na noite de autógrafos de seu livro Antes que eu morra.
vejo para o incentivo à educação, às
boasmaneiras,àhonestida-
de,aovalordotrabalho.Por
meio delas, podemos con-
seguirmuito,especialmente
naquelas famílias despro-
vidas de bens materiais, e,
mais uma vez, o editorial
do dirigente da LBV, Paiva Netto,
é preciso e tocante, chama
a atenção e ressalta esses
valores. Receber a revista
é uma honra e um grande
prazer, pois sempre apren-
demos o valor da solida-
riedade e da liberdade com
Dr.AlexandreRivero
Dra. Valma Leite
MônicaMendes
Dr.JairdeCarvalhoeCastro
NatháliaValério
Divulgação
14 BOA VONTADE
No livro Todas as coisas visíveis e invisíveis, a jornalista
e escritora Marcia Peltier conta suas intensas experiências
pelo mundo, transformadas ao longo dos anos em profun-
das reflexões. Lançada em abril na capital fluminense, a
obra apresenta o relato íntimo de uma mulher sempre em
busca da melhor versão de si. Trata da dor da perda; dos
sentimentos de quem é mãe, filha e esposa; dos insights
espirituais; da morte; da fé; da própria identidade; e da
singela alegria de existir.
Representantes da LBV prestigiaram o lançamento,
ocasião em que a autora encaminhou exemplar ao dirigente
da Instituição, com a seguinte mensagem: “Para José de
Paiva Netto, um grande abraço!”.
A mulher no mercado de trabalho, principalmente
aquela que ingressou nele na década de 1980, está
no centro da produção literária da jornalista e em-
presária Ana Paula Padrão. No livro O amor chegou
tarde em minha vida, a autora, com mais de 27 anos
de carreira e dezenas de prêmios conquistados, re-
vela que por trás da jornalista bem-sucedida há uma
mulher profundamente humana, que amadureceu
lidando com inseguranças, dores e desejos.
Durante o lançamento do título em São Paulo/SP,
em abril, ela saudou o diretor-presidente da Legião
da Boa Vontade: “Meu querido Paiva Netto, forte
abraço”.
MarciaPeltierreúne
suasexperiênciaspelo
mundo
AnaPaulaPadrãoea
relaçãodamulherna
sociedade
A jornalista, escritora e apresentadora Marcia Peltier já mediou
debates presidenciais, fez coberturas dos Jogos Olímpicos de
Atlanta e Sidney e da Copa do Mundo de Futebol de 1998.
Com mais de 27 anos de carreira, a jornalista foi âncora
de importantes telejornais do país, na TV Globo, no SBT
e na Rede Record.
João Baptista do Valle
responsabilidade como motivação
de melhoras educacionais e sociais
e o valor da mulher no mercado de
trabalho. (Dr. Jair de Carvalho e
Castro, chefe do serviço de otorri-
nolaringologiada2a
Enfermariada
Santa Casa da Misericórdia do Rio
de Janeiro/RJ.)
Meus sinceros agradecimentos
[à LBV] pela revista BOA
VONTADE. Tenho pro-
fundo apreço pela LBV
e por suas realizações no
amparo às crianças caren-
tes. O mundo seria muito
melhor se os exemplos da
LBV fossem seguidos pela grande
maioria das organizações
governamen­tais. Que
Jesus os abençoe! (João
BaptistadoValle,membro
do Conselho Deliberativo
da Federação Espírita do
Estado de São Paulo.)
PriscillaAntunes
LuizBarcelos
RosevaltedosSantos
BOA VONTADE 15
Os100anosdo
ReidoBaião,por
AudálioDantase
TiagoSantana
Simplesmente Zico
chegaàslivrarias
A cidade de Exu, localizada no interior
pernambucano, na qual Luiz Gonzaga (1912-
1989) nasceu, foi o ponto de partida para sua
carreira artística e para a nova obra literária
do jornalista Audálio Dantas: Céu de Luiz,
lançada em concorrida sessão de autógrafos,
em 29 de abril, no Teatro do Sesc-Pompeia,
na capital paulista. O livro, que tem ilustrações
do fotógrafo Tiago Santana, retrata o univer-
so do Rei do Baião a partir de raízes criadas
com localidades de Pernambuco e do Cariri
cearense, que são uma das regiões mais re-
presentativas da cultura popular do Nordeste.
Representantes da Legião da Boa Vontade
prestigiaram o evento. Na oportunidade, os
autores dedicaram um exemplar do título ao
diretor-presidente da Instituição, com as se-
guintes dedicatórias: “Para Paiva Netto, amigo
e mestre, abraços e o Céu de Luiz também!
Audálio Dantas” e “Para Paiva Netto, toda luz
do Luiz! Um grande abraço. Tiago Santana”.
A jornalista Priscila Ulbrich apresenta, em Sim-
plesmente Zico, de que forma o garoto Arthur Antunes
Coimbra se transformou em um dos maiores jogadores
de todos os tempos e no maior ídolo da história do Clube
de Regatas Flamengo. O ex-atleta recebeu, em março,
personalidades, amigos e leitores em uma livraria, na
zona oeste da capital fluminense, para concorrida sessão
de autógrafos.
Por meio de depoimentos de colegas, entre os quais
Adílio, Júnior e Roberto Dinamite; de técnicos, entre
eles Joel Santana e Valdir Espinosa; e até de fãs, o
leitor conhecerá a carreira e a vida do jogador e os
bastidores que contribuíram para a formação dele. A
obra é uma homenagem do blog Donas da Bola, grupo
formado por mulheres que entendem, informam, opinam
e debatem sobre diversos esportes e que tem Zico como
padrinho da iniciativa.
Representantes da Legião da Boa Vontade prestigia-
ram o lançamento do livro. Na oportunidade, o ex-atleta
e o Donas da Bola encaminharam um exemplar da obra
ao diretor-presidente da Instituição, com as seguin-
tes dedicatórias: “Ao Paiva Netto, com todo carinho.
Zico”, “Para Paiva Netto, um beijo. Rê Graciano”, “Para
Paiva Netto, com carinho. Priscila” e “Para Paiva Netto,
um beijo, Jussara”.
Zico é ladeado, da esquerda para a direita, por Renata Graciano,
Priscila Ulbrich e Jussara Ajax.
O fotógrafo Tiago Santana (E) e o jornalista e
escritor Audálio Dantas lançam o livro Céu de Luiz.
LuizBarcelos
NatháliaValério
Cartas, e-mails, livros e registros
16 BOA VONTADE
CarlosChagas
eepisódios
marcantesde
nossahistória
Em sessão de autógrafos na capital
federal, em 26 de fevereiro, o renomado
jornalista e comentarista político Carlos
Chagas lançou o livro A ditadura militar
e os golpes dentro do golpe: 1964-1969.
Nele, o autor une as próprias memórias e
relatos registrados em jornais da época para
abordar, por uma nova perspectiva, esse
período da história brasileira.
Com 490 páginas, o título poderá
ganhar continuação, num volume que co-
brirá os anos de 1970 a 1985. Chagas foi
secretário de imprensa da Presidência da
República durante o governo Costa e Silva
e viveu alguns episódios marcantes, e que
estão retratados na obra. 
No lançamento, o escritor retribuiu os
cumprimentos do dirigente da Instituição
com a seguinte dedicatória em um exemplar
do livro: “Para o caro chefe José de Paiva
Netto, com a admiração de Carlos Chagas”.
Presidentedojornal
ValorEconômico
escreveAmortena
visãodoEspiritismo
O presidente do jornal Valor Econômico, Alexandre
Caldini Neto, além de ser um dos mais destacados
executivos da área de negócios e tecnologia, é um
estudioso da doutrina espírita. Em entrevista, no dia
2 de abril, ao programa Vida Plena, da Boa Vontade
TV, o jornalista conversou sobre o seu livro A morte
na visão do Espiritismo. Segundo a obra, o assunto
não é lúgubre e deve ser encarado de forma leve e
natural. Morrer, assim como nascer, é apenas uma
etapa da vida.
O trabalho literário coloca o tema em discussão,
com o objetivo de contribuir para um aprendizado
que ajudará não apenas a lidar melhor com a partida
de quem amamos, mas também com nossa própria
morte, quando esta (novamente) chegar.
O autor encaminhou um exemplar do livro auto-
grafado ao diretor-presidente da Legião da Boa Von­
tade, com a seguinte dedicatória: “Caro Paiva Netto,
com carinho, gratidão e meus parabéns pelo belo
trabalho. Tomara que a leitura seja agradável e útil.
Um bom abraço. Caldini”.
O jornalista Alexandre Caldini Neto (D), presidente do jornal Valor
Econômico, e Daniel Guimarães, apresentador da Boa Vontade TV.
O jornalista e conselheiro da Ordem do Mérito da
Fraternidade Ecumênica do ParlaMundi da LBV.
VivianR.Ferreira
JoséGonçalo
BOA VONTADE 17
Cartas, e-mails, livros e registros
Ao lado da representante da LBV no lançamento de seu
livro, Bárbara Brito, o fotógrafo Bento Viana destaca a
página da publicação com a imagem do Templo da Paz.
Os autores Beto Junqueyra e Aparecida Liberato recebem
os cumprimentos de Adalgiza Periotto (E) e Isabel Paes
(D), da LBV, que também levaram a eles o abraço fraterno
do dirigente da Instituição, José de Paiva Netto.
BentoVianalança
obracomimagens
aéreasdeBrasília
Numerologiae
sucessoprofissional
Depois de mais de cem horas de voo de
helicóptero e aproximadamente 30 mil cli-
ques, o fotógrafo Bento Viana publicou 200
dessas imagens no livro Do Céu, Brasília,
lançado em 16 de abril, na capital brasileira.
O evento teve a presença de profissionais do
ramo, amigos e familiares do autor. 
A obra, organizada como um plano de
voo, inclui fotos aéreas de diversas regiões
e pontos turísticos da cidade, entre os quais
a Zona Central, a Asa Sul, o Lago Norte, a
Praça Portugal e o Templo da Boa Vontade
— o monumento mais visitado da capital fe-
deral, segundo dados oficiais da Secretaria de
Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur-
-DF). O retrato do TBV também integrou,
no ano passado, uma exposição de Bento
Viana na sede do Banco do Brasil em Nova
York, nos Estados Unidos.
Ao dirigente da LBV, o fotógrafo autografou
um exemplar de seu livro: “Para o admirável
Paiva Netto, com carinho. Bento”. O autor
ainda escreveu: “Espero que goste da foto da
sua linda obra que enfeita Brasília”.
Estudos mostram que por intermédio das
letras se pode analisar a personalidade de uma
pessoa ou até mesmo de uma marca. É possível,
ainda, visualizar as energias que abrem as portas
para uma trajetória bem-sucedida. O assunto é a
pauta principal do título Você & Cia., de Apare-
cida Liberato e Beto Junqueyra, lançado em 19
de fevereiro, na capital paulista.
“Este livro mostra a importância da marca
pessoal de empresários, executivos. Nele, ensi-
namos, por meio de exemplos, como atrair maior
energia, seja para o executivo, seja para a área
pessoal. O nome traz força”, ressaltou Beto.
Em entrevista à BOA VONTADE, a numeróloga
declarou: “Tenho um apreço enorme pela LBV,
pelo Irmão Paiva Netto e por todos vocês, que
sempre me acolheram desde o primeiro livro que
lancei. Só tenho a agradecer muito a presença
de vocês. Um beijo a todos”.
Ainda na oportunidade, os autores dedicaram
um exemplar da obra ao dirigente da Instituição,
com as seguintes mensagens: “Querido Irmão
Paiva, meu carinho e admiração. Aparecida
Liberato” e “Irmão Paiva, é sempre uma grande
alegria ter a companhia e a energia de vocês.
Abraço, Beto”.
JoséGonçalo
LuizBarcelos
18 BOA VONTADE
Fotos:LedilaineSantana
Um grupo de crianças e adolescentes atendidos pela Legião da
Boa Vontade, por meio dos programas socioeducacionais da Instituição, em
Uberlândia/MG, tiveram uma aula especial sobre o Código de Proteção e
Defesa do Consumidor com o superintendente do Procon na cidade, Frank
Resende. O encontro ocorreu em 12 de março, no Centro Comunitário de
Assistência Social da LBV, e, logo depois da aula, a garotada seguiu para
um supermercado a fim de pôr em prática o conhecimento adquirido.
Com papel e caneta nas mãos, o grupo passou pelas gôndolas anotando
a data de validade dos produtos, a condição dos alimentos, o preço das mer-
cadorias, entre outros tópicos de interesse dos clientes. “Foram muito boas a
palestra e a atividade no supermercado. Na LBV, eu aprendo sobre respeito
ao próximo, ajudo minha família e melhorei na escola”, disse João Vitor
Alves, de 13 anos, participante do programa Criança: Futuro no Presente!.
Mariozan Luiz, gerente do supermercado, elogiou o programa da Ins-
tituição: “Parabenizo a LBV por esse trabalho bom e importante, tirando
as crianças da rua. Se todos colaborarem um pouco, o futuro delas será
bem melhor”.
A ação faz parte da atividade de educação financeira desenvolvida pela
LBV de parceria com o projeto Procon Educador. A iniciativa foi destaque na
mídia local, sendo divulgada pela TV Paranaíba (afiliada da Rede Record) e no
site da prefeitura de Uberlândia. Ao término da visita, a garotada homenageou
Frank Resende. “Estou muito feliz com a parceria com a LBV. É um prazer
trabalhar com vocês. Faço questão de apoiar os projetos da Legião da Boa
Vontade, porque sei da importância
desta instituição”, disse ele.
Depois da palestra sobre o Código de
Proteção e Defesa do Consumidor,
crianças e adolescentes atendidos
pela LBV puseram em prática o que
aprenderam, fiscalizando a aplicação
da lei em um supermercado.
Fiscais por um dia
A TV Paranaíba (afiliada da Rede Record) registra aula prática, de crianças
atendidas pela LBV, realizada de parceria com o Procon, em um supermercado.
O psiquiatra e educador Içami
Tiba lançou, em 11 de abril, na
capital paulista, a obra Educação
Familiar — Presente e Futuro. A
sessão de autógrafos foi bastante
concorrida e reuniu personali-
dades, educadores e amigos do
autor.
O livro aborda aspectos dos
mais simples aos mais contro-
versos da árdua, porém gratifi-
cante, tarefa de educar. Ainda
discorre sobre a necessidade
de uma educação sustentável,
abrangendo os valores, pilares
e objetivos desta e avaliando si-
tuações comuns e presentes em
todos os núcleos familiares.
Durante o lançamento da
obra, o qual também teve a pre-
sença de representantes da LBV,
o educador autografou assim um
exemplar do título ao diretor-
-presidente da Instituição: “Ao
mestre Paiva Netto, com todo
carinho e gratidão, o abraço do
seu seguidor. Tiba”.
IçamiTiba
defende
educação
familiar
LuizBarcelos
BOA VONTADE 19
S ã o p a u l o / S P
Escola aliada da
Cultura de Paz
Diretor-presidente da Cortez Editora e equipe de professores da PUC
visitam Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista.
Cartas, e-mails, livros e registros
Visitantes e algumas das crianças do Conjunto Educacional Boa Vontade. Ao fundo e à esquerda, observa-se esta máxima de
Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano
acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”. Essa reflexão foi orientada pelo
dirigente da LBV a ser grafada neste grande totem, ao lado do frontispício, em destaque na unidade.
20 BOA VONTADE
Visite, apaixone-se
e ajude a LBV!
OConjuntoEducacionalBoaVontade estálocalizadonaAvenidaRudge,630/700
—BomRetiro,emSãoPaulo/SP.Paraoutrasinformações,ligue:(11)3225-4500.
O
diretor-presidente da Cortez
EditoraeLivraria,JoséXavier
Cortez, e a dra. Ivani Fazen-
da, professora titular da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), conheceram, no dia 8 de
maio, o Conjunto Educacional Boa
Vontade, que abrange a Supercreche
JesuseoInstitutodeEducaçãoJoséde
Paiva Netto. Eles foram acompanha-
dos pela escritora Silmara Casadei
e pela ilustradora Lisie De Lucca
— mestres em Educação e autoras
da obra infantil Como um rio — O
percurso do menino Cortez —, e por
integrantes do Grupo de Estudos e
Pesquisa em Interdisciplinaridade
(Gepi), criado pela dra. Ivani.
A equipe foi recepcionada pelo
Grupo de Instrumentistas
InfantojuvenilBoaVontade
epeloCoralEcumênicoIn-
fantojuvenil Boa Vontade,
formados por alunos do
estabelecimento de ensino.
Além de uma canção de
boas-vindas, as crianças entoaram
uma música na Língua Brasileira
de Sinais (Libras), resultado do
que aprenderam nas aulas dessa
linguagem.
Após a apresentação, conhe-
ceram as novas instalações da
Biblioteca Bruno Simões de Paiva.
No local, Cortez e as professoras
SilmaraeLisieministrarampalestra
para alunos do 5o
ano do ensino fun-
damental. No bate-papo, eles conta-
ram sobre o processo de criação do
referido livro que traz a história do
dirigente da editora.
“Para mim, foi um
momento especial. Fiquei
surpreendido [com o tra-
balho]. Com escolas como
esta, é possível ter um Bra-
sil melhor. Hoje tive uma
oportunidade rara, pois
este ambiente é muito educativo”,
destacou Cortez.
Durante a visita, o grupo tam-
bém tomou contato com a prática
da proposta pedagógica da LBV
(formada pela Pedagogia do Afe-
to e pela Pedagogia do Cidadão
Ecumênico — leia mais na p. 94),
criada pelo educador Paiva Netto
e aplicada nas escolas e Centros
Comunitários deAssistência Social
da Instituição. Nela, a preocupação
com a formação integral do ser
humano (Espírito-biopsicossocial)
une “Cérebro e Coração”, ou seja,
sentimento e raciocínio, visando a
uma aprendizagem significativa,
que convida o educando a tornar-
-se partícipe da construção de uma
Cultura de Paz.
“Fuivisitandocadasaladeaula
e senti-me gratificada
por ter tido esta manhã
fantástica. Este espaço
é como se fosse uma
cidadedaBoaVontade,
situadaemumailhade
Paz, em que a raciona-
lidadeestámisturadacomoafeto”,
afirmou a dra. Ivani.
Sobre a linha pedagógica da Le-
giãodaBoaVontade,Lisiedestacou:
“A educação estética é aquela que
nos mobiliza em todos os âmbitos
humanos, e este Conjunto Educa-
cional cumpre esse objetivo, porque
há essa preocupação de mobilizar
os alunos emocional, racional e
espiritualmente”. Vale mencionar
que a professora participou, no
ano passado, do 12o
Congresso
Internacional de Educação da LBV,
no qual palestrou sobre o tema “A
experiência estética como caminho
para a semeadura do entusiasmo
pelo conhecimento”.
Entusiasmada com o trabalho
oferecido às crianças e aos jovens
atendidos na unidade de ensino,
a educadora Silmara disse: “Foi
uma manhã de muitas emoções.
Nós sentimos um ambiente muito
aquecido,favorávelàamorosidade,
que é algo tão necessário para o
desenvolvimento do ser humano”,
completou.
“Para mim foi um
momento especial. Fiquei
surpreendido [com o
trabalho]. Com escolas
como esta, é possível ter
um Brasil melhor. Hoje
tive uma oportunidade
rara, pois este ambiente
é muito educativo.”
José Xavier Cortez
Diretor-presidente da Cortez Editora
e Livraria
José Xavier Cortez
Dra. Ivani Fazenda
LuizBarcelos
Divulgação
BOA VONTADE 21
Cartas, e-mails, livros e registros
A
maior autoridade no Brasil
quando o assunto é interdis-
ciplinaridade escolar, a pro-
fessoradra.IvaniCatarinaArantes
Fazendaconvidoumestres,doutores
e educandos para participar do livro
Interdisciplinaridade: pensar, pes-
quisar e intervir. O título aprofunda
e amplia a obra organizada por ela
e publicada em 2001 pela Cortez
Editora intitulada Dicionário em
construção: interdisciplinaridade.
O conteúdo está em forma de súmu-
las, as quais podem ser consultadas
de maneira individualizada. Elas
representam a reflexão, a pesquisa
e a intervenção desenvolvidas sobre
interdisciplinaridade pelos 36 pes-
quisadores,orientandoseintegrantes
do Grupo de Estudos e Pesquisas
em Interdisciplinaridade (Gepi), da
Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP). Destinado ao
público das mais variadas áreas do
conhecimento, o livro é um convite
ao aprofundamento em questões
tratadas por estudiosos de diversas
vertentesquebuscamestratégiaspara
a realização de diferentes desafios.
Conhecedora da proposta educa-
cional criada pelo diretor-presidente
da Legião da Boa Vontade, José
Educação com Espiritualidade
integra livro sobre
interdisciplinaridade
de Paiva Netto, a qual promove
um ensino comprometido com a
formação integral do ser humano,
a dra. Ivani convidou a supervisora
da linha pedagógica* da Instituição
e diretora do Conjunto Educacional
Boa Vontade, localizado na capital
paulista, a doutoranda em Educação
MariaSuelíPeriotto,paraparticipar
dacomposiçãodolivro,abordando o
tema “Espiritualidade”.
Na manhã de 13 de março, a
dra. Ivani e a coordenadora técnica
Herminia Prado Godoy reuniram-
-se com alguns dos colaboradores
da obra para o lançamento desta
em São Paulo/SP. Na ocasião, de-
dicaram um exemplar do título ao
diretor-presidente da LBV, com as
seguintes mensagens: “Ao grande
amigo Paiva Netto, reconhecimento
e gratidão. Ivani” e “Ao sr. Paiva,
com carinho e gratidão pelo apoio
ao nosso trabalho. Herminia”.
* É composta da Pedagogia do Afeto (dirigida a crianças de até os 10 anos de idade) e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico (que abrange
a educação dos indivíduos a partir dos 11 anos). Aplicado nas escolas e nos programas socioeducativos da Legião da Boa Vontade, tanto
no Brasil quanto no exterior, esse modelo de ensino, que alia “Cérebro e Coração”, segundo afirma o próprio dirigente da LBV, se funda-
menta “nos valores oriundos do Amor Fraterno, trazido à Terra por diversos luminares, destacadamente Jesus, o Cristo Ecumênico, o
Divino Estadista”.
Sentadas, a dra. Ivani Catarina Arantes Fazenda (D) e a coordenadora técnica
Herminia Prado Godoy, são ladeadas por Isabel Paes (E), representante da LBV, e
Maria Suelí Periotto, diretora do Conjunto Educacional Boa Vontade.
LuizBarcelos
22 BOA VONTADE
NatháliaValério
O
consagrado jornalista baiano
SebastiãoNery,umdosmais
respeitados da atualidade,
lançou, em 19 de maio, o título Nin-
guém me contou, eu vi — de Getúlio
aDilma(GeraçãoEditorial)suamais
nova obra literária. Durante a con-
corrida noite de autógrafos, na zona
sul da capital fluminense, o autor
recebeuleitores,familiareseamigos.
Olivro,queenglobaseisdécadas
dehistória,formaumarquivodebio-
grafias de grandes nomes da política
brasileira, desde Getúlio Vargas
até a presidenta Dilma Rousseff. O
autor reúne na obra seus melhores
textos, revelações e reminiscências,
que ajudam a entender o Brasil dos
últimos 60 anos.
Sebastião Nery dedica o título
literário especialmente a três pes-
soas: seu amigo Cláudio Leal, que
o incentivou; sua esposa, Beatriz
Rabello; e ao diretor-presidente da
Legião da Boa Vontade, José de
PaivaNetto,queatua,deacordocom
oautor,“hámeioséculoespalhando
o bem desde a nossa saudosa Rádio
Mundial*”, escreveu, referindo-se
aos mais de 58 anos de trabalho do
dirigente na LBV.
AmigodelongadatadaInstituição
e de seu diretor-presidente, o cronista
reforçou esses antigos laços de ami-
zade que os une. À Super Rede Boa
Vontade de Comunicação (rádio,TV,
internet e publicações), relembrou da
Veterano jornalista Sebastião Nery conta
a história do Brasil nos últimos 60 anos
* Rádio Mundial — Emissora da Boa Vontade liderada pelo saudoso jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur, entre 1956 e 1966. Sob
o comando de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor, foi criada a Super Rede Boa Vontade de Comunicação, composta por dezenas
de Emissoras da Boa Vontade: rádio e TV; além de diversas publicações e de portais na internet, em vários idiomas, para comunicar a
mensagem ecumênica do Amor Fraterno ao coração da audiência.
épocaemqueteveoprimeirocontato
com a LBV: “Alguém me disse para
ir à Rádio Mundial e conversar com
Alziro Zarur. Eu fui e ele me recebeu
muito gentilmente. Lá, eu conheci o
Paiva Netto, que era um jovem (mais
jovem do que eu), e que trabalhava
[na Legião da Boa Vontade], lá na
RádioMundial.Trabalhamosjuntos!
Eutenhoumalembrançadegratidão,
pois quando você arranja um empre-
go e encontra pessoas que tratam de
você, que esquecem que você saiu da
cadeia, mas que recebem como se
você fosse um cidadão (o que eu era,
um jornalista que fora perseguido).
Aí eu conheci o Paiva Netto, cujo
trabalho sempre admirei”.
O escritor recordou-se também
da época em que atuou como adido
culturaldoBrasilemParis,nadécada
de 1990. Neste período, conheceu a
ação socioeducacional desenvolvida
pela Entidade. “A LBV, na ocasião,
eraaúnicainstituiçãobrasileiraque
fazia parte do Conselho de Direitos
Humanos da ONU [Conselho Eco-
nômico e Social das Nações Unidas
— Ecosoc]. Eu via o prestígio e o
respeito dela. É respeitadíssima!
Ninguém me contou, eu vi. Eu esta-
va lá porque era o meu trabalho”,
comentou. Desde então, a Legião
da Boa Vontade continua atuante no
Ecosoc, nas Nações Unidas (ONU).
Na sequência, concluiu: “Paiva
Netto é muito interessante e simpá-
tico falando sobre os livros. É, na
verdade, um homem que representa
o Brasil. Quando ele chega com a
LBV, ele representa o país”.
O jornalista autografou ainda um
exemplar da obra, com a seguinte
mensagem: “Mestre Paiva Netto,
que honra lhe mandar este livro que
também é seu”.
BOA VONTADE 23
A
Legião da Boa Vontade
marcou presença no lan-
çamento em Minas Gerais
da campanha internacional Ponto
Final na Violência contra Mulhe-
res e Meninas, realizado em 28 de
março, no auditório da Associação
Mineira do Ministério Público, na
capital do Estado. Promovida nessa
unidadedaFederaçãopeloConselho
EstadualdaMulher(CEM),órgãoda
Secretaria de Estado do Trabalho e
DesenvolvimentoSocial(Sedese),e
Evento reúne autoridades para discutir violência contra o gênero feminino
coordenada pela Rede Nacional Fe-
ministadeSaúde,DireitosSexuaise
Direitos Reprodutivos, com o apoio
da Rede de Homens pela Equidade
de Gênero (RHEG) e da ONG Co-
letivo Feminino Plural, a iniciativa
—quetambémocorrenaBolívia,na
Guatemala, no Haiti e em países da
ÁsiaedaÁfricaeteveinícionoBra-
sil em 2010 e busca não só ampliar
a discussão sobre o assunto, mas
também criar condições para que o
debate chegue a todas as mulheres,
demodoqueajudeaconscientizá-las
egerepossibilidadesdeintervenção.
No encontro em Belo Horizonte,
os participantes receberam a revista
BOA VONTADE Mulher, que
apresenta, em quatro idiomas (es-
panhol, francês, inglês e português),
as contribuições da LBV para a pro-
moção da igualdade de gêneros. Por
reconhecer a extrema importância
das mulheres no pleno desenvolvi-
mento das respectivas famílias e na
construção de uma sociedade justa e
Pelosdireitos
da mulher
MônicaMendes
Cartas, e-mails, livros e registros
24 BOA VONTADE
sença, pelo apoio e espero que se
integrem nesta campanha para que
façamos a diferença”.
Quem também esteve no lan-
çamento foi a conselheira tutelar
Maria da Piedade, que disse co-
nhecer as ações da LBV há algum
tempo. “Vocês fazem um trabalho
muito bonito. É interessante que
todas as mulheres possam receber
[a revista]. Elas precisam saber dos
seus direitos”, completou.
Para Jeanete Mazzieiro, secre-
tária-executiva do Fórum
de Mulheres do Mercosul
no Brasil, foi bom reen-
contrar representantes da
LBV após a apresenta-
ção da BOA VONTADE
Mulher na 58a
sessão
da Comissão sobre a Situação da
Mulher, realizada de 10 a 21 de
março, na sede da Organização
das Nações Unidas em NovaYork,
EUA. “Fiquei feliz ao chegar aqui
e ver a revista, porque eu estive na
ONU, na Comissão do Itamaraty,
representando o Conselho Nacio-
solidária, a Instituição oferece a elas
programas socioeducacionais que
as capacitam a fim de que possam
incrementar a renda familiar, bem
como fomentam o aprendizado, a
troca de experiências e a melhoria
daautoestima.Alémdisso,incentiva
a participação efetiva das atendidas
na sociedade com vistas à garantia
dos direitos e dos deveres delas e à
superação da pobreza, da fome, do
isolamento, da violência doméstica
e de outros desafios.
Sobre a presença da
LBV no evento e a pu-
blicação especial, Neu-
sa Cardoso de Melo,
presidente do Conse-
lho Estadual da Mulher
(CEM), declarou: “É
muito bem-vinda a Legião da Boa
Vontade. Espero que possamos
criarcondiçõesparaqueaviolência
tenha um fim. A revista é muito
boa, bem editada, com conteúdo
excelente. É muito importante que
vocês [da Instituição] participem
deste processo. Obrigada pela pre-
A presidenta Dilma Rousseff deu posse, em 1o
de abril, à nova ministra
da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli
Salvatti. Realizada no Palácio do Planalto, em Brasília/DF, a cerimônia
teve a presença de ministros, autoridades, deputados, embaixadores,
jornalistas e representantes de outros setores da sociedade.
Representantes da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo e
da Legião da Boa Vontade participaram da solenidade de transmissão de
cargo ministerial. Na ocasião, a ministra Ideli recebeu folheto com o artigo
“Religião não rima com intolerância”, do dirigente da LBV, a BOA VONTADE
Mulher e o documento “Direitos Humanos: a união de todos pela Paz”, com
as contribuições da Religião Divina sobre o tema.
MinistraIdeliSalvattina
SecretariadeDireitosHumanos
NeusaCardosodeMelo Jeanete Mazzieiro
Fotos:MônicaMendes
JoséGonçalo
nal dos Direitos da Mulher, e lá
recebi a publicação, que estava
sendo lançada. O caminho é este:
unir as forças, caminhar para que
a gente consiga acabar com essa
violência sem tamanho”, afirmou.
A professora Ileana Nico-
li França, da Escola Professor
CaetanoAzeredo, levou estudantes
do 9º ano do ensino fundamental
para que acompanhassem o debate.
“Estes alunos vão multiplicar as
informações recebidas aqui para
os demais alunos da esco-
la”, salientou.
Cabe mencionar que
a Legião da Boa Vontade
mantém na capital mineira
um Centro Comunitário de
Assistência Social, onde
são empreendidas diversas ativi-
dades em prol do gênero femini-
no. Outras informações sobre o
trabalho desenvolvido na unidade
— situada na Avenida Cristiano
Machado, 10.765, Planalto —
podem ser obtidas pelo tel. (31)
3490-8101 ou no site www.lbv.org.
BOA VONTADE 25
Opinião — Terceiro Setor em foco
Lucro social
Negócios
Airton Grazzioli
“Setor Dois e Meio”, a face renovada do capitalismo.
sociais
N
o ano de 1976, de uma ini-
ciativa do professor de eco-
nomia Muhammad Yunus,
da Universidade de Chittagong,
Bangladesh,surgiuumaexperiência
inovadora a partir do empréstimo de
27 dólares para 42 mulheres da al-
deia de Jobra, a fim de permitir-lhes
adquirir matéria-prima para confec-
çãodeartesanatoetambémlivrar-se
deempréstimosobtidoscomagiotas
locais, para quem o grupo de mu-
lheres pagava com a entrega de sua
produção,numamargemmínimade
lucro,emregimedetrabalhoanálogo
à escravidão.
Para surpresa do professor, to-
das as beneficiárias do empréstimo
quitaram as parcelas pontualmen-
te, o que lhe deu a ideia de que o
processo poderia ser multiplicado
indefinidamente. E de fato isso
ocorreu, pois em 1983 surgiu o pro-
jeto social denominado “grameen
Divulgação
26 BOA VONTADE
VivianR.Ferreira
AirtonGrazzioli
ébacharelem
Direitopela
Faculdade
deDireitoda
Universidade
deSão
Paulo(USP).
Especialistaem
DireitosDifusos
eColetivospela
EscolaSuperiordoMinistérioPúblico
doEstadodeSãoPaulo(ESMP-SP).É
mestreemDireitoCivilpelaPontifícia
UniversidadeCatólicadeSãoPaulo(PUC-
SP).AlémdesermembrodoMinistério
PúblicodoEstadodeSãoPaulo,promotor
deJustiçaecuradordeFundaçõesdeSão
Paulo,vice-
-presidentedaAssociaçãoNacionaldos
ProcuradoresePromotoresdeJustiça
deFundaçõeseEntidadesdeInteresse
Social(Profis).
credit”,quedeuorigemaoGrameen
Bank, conhecido mundialmente por
Banco Rural. A empreitada tirou
da pobreza milhares de famílias e
rendeu a Yunus o Prêmio Nobel da
Paz, em 2006.
Atualmente, 90% das ações
desse banco pertencem às popula-
ções rurais pobres que ele atende, e
10%, ao governo. Conta com 2.564
agênciasemBangladesh,eométodo
Grameen é aplicado em 58 países,
incluindo Estados Unidos, Canadá,
França, Holanda e Noruega. Até
2011,ainstituiçãohaviaemprestado
oequivalenteamaisde11,35bilhões
de dólares a mais de 8,5 milhões
de mutuários, sendo 96% deles
mulheres. A taxa de inadimplência
é inacreditável, algo em torno de
apenas 1,15%, o que implica dizer
que o banco recebe quase 100% dos
empréstimos concedidos.
Trata-se do caso de sucesso
de uma organização pioneira do
Segundo Setor que, estimulada
pelo lucro responsável e pelas
maravilhas do mundo financeiro,
leva oportunidades a quem destas
necessita e se faz merecedor delas.
Percebe-se, assim, que a instituição
financeira é especial, pois tem por
objetivo aliviar a pobreza com um
inovador modelo bancário de mi-
crocrédito.
A inovação também se deu por
demonstrar que uma empresa não
precisa ter como fim exclusivo o lu-
cro. Ela pode ser, ao mesmo tempo,
socialmente responsável e voltada
para o Terceiro Setor como modelo
de negócio, na medida em que seu
objetivo pode ser o atendimento a
um especial interesse social.
Hoje, o Grameen Bank é festeja-
do como uma pioneira iniciativa do
“SetorDoiseMeio”,aoelaborarum
novo conceito de lucro e dos ganhos
de mais-valia. Nesse contexto, há os
quecreemseronegóciosocialaface
renovada do capitalismo — este, de
tempos em tempos, absorvido por
crises, necessita mesmo de reno-
vação, de novas expansões e novas
faces.
Gestão social
O “Setor Dois e Meio” exige um
modelo especial e eficiente de ges-
tão de empresas (que pertencem ao
Segundo Setor) para gerar impacto
social(finalidadedoTerceiroSetor),
criando um modelo inovador, deno-
minado de “empresa social”.
Há muitos exemplos de empre-
sas sociais, cujos gestores buscam,
por maneiras sustentáveis e inova-
doras de desenvolvimento econô-
mico e social, unir o melhor dos
dois mundos. Procuram conciliar
a eficiência das empresas com a
finalidade social das organizações
do Terceiro Setor, dando margem a
um modelo novo — de empresário
social e de negócio social.
O professor Muhammad Yunus ouve alguns dos mutuários-proprietários em um
encontro local.
Divulgação/GrameenFoundation
BOA VONTADE 27
Esse tipo de atividade exige que
produtos e serviços produtivos e
lucrativosestejamalinhadoscomob-
jetivos sociais. Em outras palavras,
que estejam focalizados na geração
de impacto social positivo. O lucro
não é esquecido, mas alinhado ao
impactosocial,ouseja,quantomaior
o impacto social gerado, maior o
retorno econômico. É uma maneira
singular de colocar o ambiente dos
negócios atrelado à obtenção de
benefícios sociais.
NosEstadosUnidosenaEuropa,
o negócio social está mais avança-
do que no Brasil, cujas iniciativas
ainda são recentes. Lá, já existem,
inclusive, canais de investimento
na área, tais como fundos de venture
philanthropy e de venture capital
(financiamento externo aplicado a
programas sociais de organizações
e empresas), que empregam recur-
sos com perspectivas de retorno
econômico vinculado ao social,
ambos mensuráveis. O perfil dos
investidores, por sua vez, é o mais
diverso, pois varia de filantropos a
investidores altamente interessados
em retorno financeiro.
Nos países onde os negócios so-
ciaisestãoemestágiomaisavançado,
não passou despercebido ao governo
que estruturas públicas de apoio go-
vernamental são essenciais para ala-
vancarasiniciativasnessaseara,tanto
com políticas públicas quanto com
instrumentos legais de regulação es-
pecial.Iniciativasnessalinhatendem
aatrairempreendedores,investidores
sociaisefundosdeinvestimento,para
aplicação dos respectivos capitais na
crença do potencial de geração de
impacto e retorno que os negócios
sociais possuem.
O mercado de baixa renda, por
seu turno, é o terreno mais propício
para os negócios sociais, com um
espírito diferenciado do tradicional
capitalismo.Nosnegóciossociaisse
entendequeasuarazãoégeraraces-
sos, criar oportunidades inovadoras
para enfrentamento de problemas
da sociedade e, assim, conduzir a
própria transformação social.
Os negócios sociais não são a
negação dos negócios tradicionais.
Eles se apoiam justamente na lógica
da competitividade e da eficiência
dos negócios tradicionais para so-
lução dos problemas sociais. Mas
é imprescindível que eles sejam
autossustentáveis,obtendosuarenda
apartirdacomercializaçãodeprodu-
toseserviços.Édolucrodonegócio
quesepodeaferirasuaeficáciaeseu
potencial de ganhar escala. Quanto
maior o lucro, maior o potencial de
investimentoemexpansão,emaber-
tura de novas frentes e unidades, de
alcance de novos clientes, ou seja,
maior será o seu impacto social.
A deliberação dos sócios sobre
distribuir ou não os lucros é livre e
discricionária. Um negócio social
pode ou não distribuir seus resul-
tados, conforme o interesse dos
investidores na operação em retirar
ounãoolucroparausufrutopróprio.
O lucro, por sua vez, não é con-
siderado algo ruim, na visão dos
negóciossociais.Issoporque,quanto
maior for o lucro obtido, maior será
a transformação social gerada. Em
outras palavras, o negócio social
permiteacirculaçãoderiquezaentre
osdoismundos(SegundoeTerceiro
Setores):abreemovimentaomerca-
do, mediante a expansão do capital;
e beneficia as comunidades e planos
coletivos com riqueza social.
Nesse contexto, não se pode
esquecer de que os negócios sociais
são uma alternativa viável para em-
preendedores interessados em atuar
no mercado e, ao mesmo tempo,
contribuir, com o próprio modelo de
negócio, para a construção de uma
sociedade mais justa.
Indiana recebe, feliz, o empréstimo do Grameen Bank.
Divulgação/GrameenFoundation
Opinião — Terceiro Setor em foco
28 BOA VONTADE
Voluntariado
S
e for considerado o número
absoluto de sua população,
o Brasil* está entre as dez
nações do planeta com mais vo-
luntários (cerca de 34 milhões),
segundo o levantamento “World
Especialista diz que o Brasil vem se firmando na questão
e destaca a atuação jovem no setor
Culturadevoluntariado
Giving Index  2013 — Uma vi-
são global das tendências de
doação”. Apesar disso, o mesmo
estudo encomendado pela orga-
nização britânica Charities Aid
Foundation (CAF) ao instituto
de pesquisa Gallup World Pool
e realizado com 155 mil pessoas
em 135 países, revela que nossa
pátria está apenas na 91a
posição
no ranking dos povos mais gene-
rosos. De acordo com o trabalho,
* O Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, com mais de 190 milhões de habitantes, de acordo com dados do Censo 2010, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dra. Lúcia Maria Bludeni
Mariane de Oliveira Luz | Fotos: Vivian R. Ferreira
BOA VONTADE 29
vem ter para evitar problemas
futuros?
Dra. Lúcia — A primeira
condição para que um voluntário
busque prestar um serviço — por-
que, na verdade, é um serviço que
ele está prestando, mas de forma
gratuita, voluntária — é frequentar
a organização. Ele precisa gostar
da causa, identificar-se com as
ações que a Entidade desenvolve e
também observar a seriedade com
que agem todos os dirigentes dela.
Quando a Organização está estru-
turada, ela costuma implementar
programas de voluntariado. A en-
tidade que tem uma ou várias áreas
que podem absorver aquele serviço
voluntário, normalmente, fará uma
entrevista, uma triagem; vai pro­
curar saber o que o voluntário gosta
de fazer. O voluntário é uma pes-
soa que está com disposição, com
Amor; que quer dedicar-se, doar
o que tem de melhor, contribuir e
fazer a diferença.
BV — É importante assegurar-
-se da seriedade da organiza-
ção?
Dra. Lúcia — A questão da
segurança é para os dois lados.
O voluntário precisa saber para
quem ele vai doar o precioso
tempo dele. Em contrapartida,
a Organização deve ter cautela.
O voluntário precisa assinar um
termo de adesão, porque a Enti-
dade pode estar deparando-se, de
repente, com uma pessoa que não
está interessada em ajudar, mas
em promover, eventualmente,
uma ação trabalhista, dizendo
que tinha vínculo com a organi-
zação. O termo de adesão deixa
claro que é um voluntário, não um
empregado; é uma garantia for-
mal, tanto para a Entidade como
para o voluntário.
BV — Quais os limites para que
o voluntário atue numa orga-
nização sem que seja gerado
vínculo empregatício?
Dra. Lúcia — O direito do tra-
balho busca o contrato-realidade.
O que é isso? Eu sou empregador
e vou utilizar-me da energia e
da força de trabalho de meu em-
pregado. Em contrapartida, vou
remunerá-lo, conduzir a energia
e a força de trabalho dele, porque
ele tem pessoalidade, não eventu-
alidade. O voluntário, dependendo
da estrutura da Organização,
também tem horário e dias certos
para trabalhar; muitas vezes usa
uniforme, mas não tem remune-
ração. Não existe a condição de
onerosidade; ninguém está pagan-
do por aquela energia e força de
serviço. Ele está doando; não tem
a contrapartida financeira, embora
siga um programa.
BV — Não há grande diferença
entre o trabalho remunerado
e o voluntariado, a não ser, é
claro, o volume de exigências?
Dra. Lúcia — É diferente,
porque no trabalho normal você
tem metas a cumprir; existem
exigências claras. Agora, como
hoje tudo se profissionaliza, até
o voluntário está se profissiona-
lizando, diante de tantos requisi-
tos, para que ele funcione legal,
porque também não adianta você
ter um voluntário que chega lá e
não vai contribuir.
divulgado em 3 de dezembro do
ano passado, pelo Instituto para o
Desenvolvimento do Investimen-
to Social (Idis), lideram a referida
lista, em ordem decrescente, os
Estados Unidos da América, o
Canadá, o Myanmar, a Nova Ze-
lândia e a Irlanda.
Para mostrar a importância do
voluntariado e incentivar o exer-
cício dele, a BOA VONTADE
conversou com a dra. Lúcia Maria
Bludeni, presidente da Comissão
de Direito do Terceiro Setor da
Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB-SP). Na ocasião, ela falou
sobre os trâmites que cidadãos e
organizações, entre estas hospitais,
escolas, institutos, associações e
fundações, precisam seguir para
contar com o trabalho voluntário
e para que a relação entre eles se
dê conforme a legalidade. A se-
guir, os trechos mais marcantes da
entrevista.
BOA VONTADE — Quais as
principais precauções que
voluntário e organização de-
O voluntário é uma
pessoa que está
com disposição,
com Amor; que quer
dedicar-se, doar o
que tem de melhor,
contribuir e fazer a
diferença.
Voluntariado
30 BOA VONTADE
BV — Quando um adolescente,
incentivado pela família, dese-
ja ser voluntário, o que precisa
ser feito?
Dra. Lúcia — Só o termo de
adesão é suficiente. Você lembrou
muito bem: ser voluntário, ser so-
lidário é uma questão de cultura. O
Brasil está desenvolvendo a passos
largos essa cultura do voluntariado.
(...)Acho que existe uma consciên-
cia bastante clara, e o jovem, o ado-
lescente deve ser voluntário. O que
é ser um escoteiro, por exemplo? É
aprender a ser um voluntário, entre
outras coisas.
BV — Contadores e advogados
com responsabilidades na ges-
tão das instituições podem ser
voluntários?
Dra. Lúcia — Podem. Na OAB
de São Paulo, temos a chamada
Resolução Pro Bono, que diz que
o advogado ou a sociedade de ad-
vogados pode prestar serviços para
organizações sem fins lucrativos
que não tenham condições de pagar
honorários para o profissional ou
para a sociedade de advogados.
A grande questão é a seguinte: o
advogado presta serviço para a
Entidade, não para os beneficiários
da Entidade, porque ONG não
é uma sociedade de advogados.
Há uma legislação específica que
regulamenta a atividade profissio-
nal. É regulada pela lei federal que
institui o Estatuto da Ordem dos
Advogados do Brasil.
BV — Gostaria de deixar um
recado final?
Dra.Lúcia—Nãoédehojeque
acompanho as atividades da Legião
Ser voluntário,
ser solidário é
uma questão de
cultura. O Brasil
está desenvolvendo
a passos largos
essa cultura do
voluntariado.
da Boa Vontade. A gente tem uma
relação bastante próxima com a
Organização. Gostaria de agrade-
cer pelo convite para a entrevista.
Quero deixar registrado o seguinte:
o Terceiro Setor é um segmento
que vive com muitas doações e
também com voluntários, mas que
se profissionaliza muito, emprega
muitas pessoas, se descortina como
mercadodetrabalhoparaaspessoas
e, por vezes, recebe o fomento do
próprio Estado. Costumo dizer que
ter direito a direitos fundamentais,
à cidadania exige investimento
em pessoas e voluntários, finan-
ciamento... A gente não pode ficar
cultuando a pobreza; a gente tem
que cultuar direitos, deveres e obri-
gações para que as coisas possam
dar certo.
BOA VONTADE 31
F
amoso por seus bordões, ditos tanto durante as
partidas esportivas que narra quanto nos progra-
mas diários que apresenta, entre os quais “Se o
jogotánatevê,agenteseligaemvocê!”e“Seja
paciente na estrada, para não ser paciente no
hospital!”,ojornalistaeradialistaJoséCarlosAraújo,
ou simplesmente Garotinho, designação pela qual
também é conhecido, tem uma das vozes mais desta-
cadas e respeitadas do rádio brasileiro. Esse locutor
carioca completou, em 1º de abril deste ano, 50 anos
de carreira (42 deles na Rádio Globo) e, no dia 7 de
maio, 74 anos de idade. Momentos marcantes não
Abrindo o coração
Jubileu de Ouro
meio
Locutor José Carlos Araújo festeja
data histórica com novos desafios
século
~ ~
PriscillaAntunes
Mariane de Oliveira Luz
32 BOA VONTADE
BOA VONTADE 33
faltam em sua biografia, e boa parte
deles é contada no livro Paixão pelo
rádio — Do milésimo de Pelé ao
milésimodeRomário,atrajetóriade
José Carlos Araújo, o eterno Garo-
tinho, do jornalista Rodrigo Taves.
Ao longo das cinco décadas de
vida profissional, acompanhou dez
Copas do Mundo bem como trans-
mitiumaisdetrêsmiljogosenarrou,
pelo menos, mais de seis mil gols.
A Copa do Mundo do Brasil será a
décima primeira que cobrirá.
À celebração desse jubileu
somam-se novos desafios para o
Garotinho, que, desde fevereiro
deste ano, comanda o futebol na
Rádio Transamérica FM do Rio
de Janeiro/RJ. “Não sou um cara
acomodado. (...) Quando fui para
a Rádio Nacional, em 1977, tive
que montar minha empresa, e, de lá
para cá, tudo o que eu crio registro.
Com isso, a gente tem condição de
criar, buscar novos rumos... Por
exemplo, na Transamérica, eu for-
Abrindo o coração
taleci o futebol com DJ. Graças a
Deus, em tão pouco tempo, já estou
tendo repercussão, principalmente
no mercado publicitário”, contou à
BOAVONTADE.
Na entrevista a seguir, o leitor
conhecerá outros detalhes da vida
desse importante radialista e apre-
sentador de TV, declarado torcedor
do Fluminense, que desde criança
dava sinais de seu talento para a
narração esportiva.
BOAVONTADE—Vocêestudouno
tradicional Colégio Pedro II.
Garotinho — Como o Paiva
Netto, também sou aluno eminente
do Pedro II. Depois, fiz Geografia
na Universidade Estadual do Rio
de Janeiro (Uerj), porque era um
curso que me permitia continuar
trabalhando e ganhando meu salá-
rio. Minha mãe me preparou para
fazer Medicina, meu pai queria
que eu fosse diplomata, mas aca-
bei sendo professor de Geografia.
Cheguei a trabalhar em dois, três
empregos, dando aula e tal, para
garantir o sustento meu e de minha
família. Com 15 anos, eu já tinha
carteira assinada.
BV — Existia também a paixão
pela Geografia?
Garotinho — Português e
Geografia eram as matérias de que
eu mais gostava. Em Matemática,
Química e Física, eu não era bom.
Fui aluno do Aurélio Buarque de
Holanda durante seis anos, dos
sete que fiquei no Pedro II. É um
orgulho e um privilégio ter sido
aluno dele, que tanto brigava com
a garotada do Pedro II para não
cometer erros de português.
Em 2 de março de 1996, durante a cerimônia de inauguração do Centro Educacional
da LBV, no Rio de Janeiro/RJ, Paiva Netto cumprimenta o radialista José Carlos
Araújo; à direita, o ilustre acadêmico da ABL Murilo Melo Filho. No destaque, o
saudoso dr. João Saad, fundador do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
ArquivoBVPriscillaAntunes
José Carlos
Araújo
recebe
homenagem
das crianças
da LBV.
34 BOA VONTADE
BV—Comosurgiuointeressepela
narraçãodejogosdefutebol?
Garotinho — Desde criança eu
queria ser locutor esportivo. Meu
primeiro presente de Natal foi um
time de botão, que escolhi pelas
cores que achei mais bonitas. Eram
as cores do Fluminense, e acabei
virandotricoloremumafamíliatoda
de botafoguenses.Aí, eu colocava a
tabela com Fluminense e Madureira
ejogavasozinho,narrando,àsvezes,
altas horas da noite e perturbando o
sono de meu pai e de minha mãe. Eu
tinha também uma radiovitrola, que
meupaicomprouàprestação.Ficava
na sala e tinha duas faixas de onda
curta. Eu gostava de pegar a onda
curtaparaouvir[asrádiosda]Argen-
tina, do Uruguai e, de repente, pegar
algum campeonato sul-americano
de juvenis. Eu ouvia o jogo todo e
escreviademadrugadaumacrônica,
que deixava para meu pai ler.
BV — Atualmente, você escreve
crônicaesportiva,faznarraçãoe
trabalhacompublicidade.Como
concilia essas atividades?
Garotinho—Écomplicado,mas
procuro racionalizar. Por exemplo,
hoje, só escrevo uma vez por mês
colunaparaarevistaBOAVONTA-
DE; no Metro Jornal, uma vez por
semana. Não estou com programa
de rádio diário como eu tinha até
dezembro de 2013, na BandNews,
porqueprecisavaacordarmuitocedo
e, às vezes, ia dormir às duas horas
da manhã, por conta das transmis-
sões dos jogos. Eu levantava às seis,
seis e quinze e sentia o dia inteiro
cansaço, não pela idade; era mesmo
pela falta de sono. É preciso dormir,
inclusive, para conservar a voz.
BV—OqueolevouasairdaRádio
Globo?
Garotinho — Trabalhei na
Rádio Globo por quarenta e dois
anos. Tudo o que conquistei pro-
fissional e financeiramente devo
ao Sistema Globo de Rádio, pelos
anos que eu dediquei. Comecei
como radioescuta e plantonista,
cheguei a ser contato de publicida-
de e fui diretor durante dezesseis
anos. Mas eu queria um novo de-
safio, que era abrir espaço, reno-
var valores. (...) Para mim, o rádio
ainda é o veículo mais importante.
Ele permite criar mais, dar espaço
para os jovens, e esse era meu
sonho. Consegui [realizá-lo] em
parte. Fui para a Transamérica,
em fevereiro, com esse desafio,
tanto que levei comigo três jovens
estagiários que eu tinha formado
na Rádio Bradesco.
BV—Vocêfalacomnaturalidade
com o público jovem.
Garotinho — Talvez seja a
convivência durante muito tempo
com eles. Dei aula durante catorze
anos no ensino médio e, ainda hoje,
dou palestras em universidades.
Quando eu estava na Rádio Globo,
fazia o programa Globo Esportivo
uma vez por mês nas universidades.
Era o projeto A Globo nas universi-
dades. Pretendo, na Transamérica,
O jovem José Carlos Araújo (em destaque) com colegas de classe, em missa de
formatura do tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro/RJ, em dezembro de
1958.
Para mim, o rádio ainda é o veículo
mais importante. Ele permite criar
mais, dar espaço para os jovens, e
esse era meu sonho.
Arquivopessoal
BOA VONTADE 35
voltar com esse projeto, porque o
estudante de Jornalismo não tem
oportunidade de vercomosefazum
programa de rádio ao vivo.
BV — De onde veio a ideia de o
ouvinte participar ao vivo da
transmissão?
Garotinho — A interativida-
de está crescendo no mercado.
O ouvinte quer participar. Você
pode dizer, por exemplo, “José
da Silva Santos, do Méier, está
achando que o Flamengo joga
mal. O que você acha, Gerson?”.
Você deu oportunidade, e o ou-
vinte sentiu-se honrado. Acho
também válido o ouvinte parti-
cipar pelo telefone. (...) Eu sinto
necessidade de ele expor sua opi-
nião, de sentir-se valorizado. E a
opinião emitida por um provoca
uma reação contrária ou igual em
outros. Isso cria polêmica, que
alimenta a transmissão.
BV — Como surgiu a marca “Ga-
rotinho”?
Garotinho — Eu tinha o hábito
de chamar todo mundo, se eu não
soubesse o nome, de garotinho. “Ô
garotinho, vem cá! Empresta isso
aqui!” Aí, durante a Copa da Ale-
manha, em 1974, o [repórter] Deni
Menezes começou a chamar-me
assim, e eu passei a ser rotulado
de Garotinho. Até que alguém me
alertou, e eu registrei [a denomina-
ção] no INPI, em 1981.
Boa Vontade — É uma honra
recebê-lo para esta entrevista.
Garotinho — Obrigado! Te-
nho uma relação muito íntima
com a LBV, de muitos anos com
o Paiva Netto, meu grande amigo.
Conheço bem a obra desenvolvida
pela Legião da Boa Vontade. Tive
a oportunidade de frequentar, por
exemplo, a Supercreche Jesus, de
Del Castilho [escola infantil que
está inserida no Centro Educacio-
nal José de Paiva Netto*, no Rio de
Janeiro/RJ], e a de São Paulo/SP.
Tenho acompanhado e visto o
reconhecimento de toda a classe
artística e jornalística ao trabalho
desenvolvido ao longo de tantos
anos. Obrigado ao Paiva Netto e a
todos os que prestigiam essa pro-
gramação da Boa Vontade TV du-
rante o dia inteiro e a oportunidade
de eu poder trocar figurinha com
vocês! (...) Em 1996 — lembro
até hoje —, participei da inaugu-
ração da Supercreche Jesus lá em
Del Castilho com o ator Milton
Gonçalves. Minha mãe morreu no
dia 28 de fevereiro [daquele ano].
Eu estava ainda traumatizado, mas
tinha assumido o compromisso.
Obrigado a vocês pelo carinho!
Obrigado mesmo!
Na TV Bandeirantes, no Rio de Janeiro/RJ, José Carlos Araújo apresenta há sete
anos o programa Os Donos da Bola.
* O Centro Educacional José de Paiva Netto foi inaugurado em 2 de março de 1996, data escolhida por voluntários e
colaboradores da Legião da Boa Vontade em homenagem ao idealizador e construtor do projeto, diretor-presidente da
Instituição, e educador José de Paiva Netto, por ser o aniversário dele.
Abrindo o coraçãoFotos:PriscillaAntunes
36 BOA VONTADE
José Carlos
Araújo é
locutor
esportivo
na Rádio
Transamérica
FM do Rio de
Janeiro/RJ e
apresentador,
há sete anos,
do programa Os Donos da Bola na TV
Band Rio.
Arquivopessoal
Opinião — Esporte
José Carlos Araújo
Seleçãosemcontestação
E
stamosàsvésperasdoinícioda
CopadoMundo.Parasurpresa
da maioria do povo brasileiro,
não há polêmica a respeito da con-
vocação da equipe que disputará o
torneio. Nunca a vida de um técnico
da Amarelinha foi tão fácil. O time-
-base é conhecido de cor e salteado,
além de não ser objeto de questiona-
mentos. Será por falta de talentos?
Fred é o camisa 9 incontestável,
em um país que deixou Romário
de fora da Copa de 2002 e teve
Bebeto, Careca, Ronaldo Fenô-
meno,Adriano,MullereRonaldi-
nho Gaúcho brigando por posições
na seleção. Hoje, somos conhecidos
pela qualidade de nossos volantes
e zagueiros: David Luiz, Thia-
go Silva, Luiz Gustavo, Dante,
Ramires, Hernanes, entre outros.
José Carlos Araújo | Especial para a BOA VONTADE
Há algo de errado na essência do
futebol pentacampeão do mundo.
Quanto à organização do Mun-
dial, muitas promessas e exigên-
cias da Federação Internacional de
Futebol Associado (Fifa) ficaram
pelo caminho. Mobilidade urbana,
aeroportos funcionais e — pasmem!
— as chamadas arenas sucumbiram
ao vexaminoso jeitinho brasileiro.
Fora isso, o sistema de sorteio para a
aquisição de ingressos, aliado ao alto
preço deles — distante da realidade
econômica do país —, está impedin-
do essa maioria de ver nos estádios
as partidas da Copa, a qual tem sido
financiada em muitos pontos com o
dinheiro de nossos impostos.
O aumento de casos de racismo
tantonofutebolmundialquanto,para
nosso espanto, no brasileiro também
merece repúdio e medidas drásticas
de punição, como a acertadamente
tomada pela National Basketball
Association (NBA), liga de basquete
norte-americana, que baniu o presi-
dente de um time por atos racistas
repugnantes, além de aplicar a ele
uma multa milionária e ameaçar a
equipe de exclusão da liga.
Quem teve muita presença de
espírito foi o jogador Daniel Alves,
do Barcelona. Ao ser insultado com
o arremesso de uma banana, pegou a
fruta, comeu-a e continuou a jogar.
Grande resposta ao indivíduo que a
atirou ao campo. O ato lamentável
desse torcedor desencadeou uma
campanhamundialcontraoracismo:
#somostodosmacacos.
Seriabomqueosresponsáveispor
nossofutebollançassemacampanha
#nãosomosmacacosdeimitação.
Isso porque temos nosso estilo de
jogar bola e não podemos abrir mão
dele. Somos conhecidos por jogar
bonito, e não por chutões, carrinhos
e chuveirinhos.
Sempre critiquei os altos preços
cobrados nas novas arenas, os quais
afastam o real torcedor de sua pai-
xão. Por isso, vale a pena elogiar a
atitudedadiretoriadoFluminensede
disponibilizar ingressos com valores
acessíveis ao torcedor comum, o que
temcontribuídoparaencherasarqui-
bancadasnaspartidasdisputadaspela
agremiação.
Finalizo desejando que esta Copa
sejadestaquepelobomfutebol,pelos
jogos emocionantes e pela união de
todas as etnias que compõem nossa
nação, e não pelo jeitinho brasileiro,
pelaleidavantagememtudooupela
confirmação da infeliz crença de que
ganhar “roubado é mais gostoso”.
shutterstock.com
BOA VONTADE 37
Aespontaneidade e a energia
de Jair Rodrigues (1939-
2014) contagiavam todos
osquecruzavamseucaminho.Ainda
menino,essepaulistanodeIgarapava,
de origem simples, sonhava em ser
jogador de futebol, destino que sua
“velhamãe”,donaConceição,como
carinhosamenteeleachamava,sabia
serbemoutro.Com umacarreiramu-
sical de dar inveja — foram 50 anos
naestrada—,JairRodriguesfoidono
deinúmerossucessoseparceriasque
marcaram história.
Em entrevista à Super Rede
BoaVontadedeComunicação(rádio,
TV, internet e publicações), uma das
últimas concedidas pelo cantor, antes
de seu falecimento, em 8 de maio,
aos 75 anos, ele falou de sua visita ao
JairRodriguesEm uma de suas últimas entrevistas, esbanjando bom humor, o
artista falou sobre sua trajetória e do amor pela música.
Samba & História
Homenagem (in memoriam)
ClaytonFerreira
Hilton
Abi-Rihan,
radialista,
jornalista e
apresentador
do programa
Samba &
História.*1
Conjunto Educacional Boa Vontade,
formado pela Supercreche Jesus e
pelo Instituto de Educação José de
Paiva Netto, na capital paulista. Na
oportunidade,ocantorfoirecepciona-
do pelo Grupo de Instrumentistas In-
fantojuvenilBoaVontadeepeloCoral
EcumênicoInfantojuvenilBoaVonta-
de,compostosdealunosdaescola.No
EspaçoCulturalIdalinaCecíliade
Paiva,assistiuaumaapresentação
decriançasejovensqueparticipam
das aulas de música.Ao término, pa-
rabenizouosestudantespelotalentoe
improvisouumaanimadacanção.“Vi
o coral assim que cheguei, cantando
bonito, e os meninos, cada um com
seu instrumento, levando a música
com respeito, seriedade. Agradeço a
Deus por tudo isso e peço ao povão
*¹ Programa Samba & História — É transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV), aos domingos, às 14 e às 20 horas;
pela Rede Educação e Futuro de Televisão, aos sábados e às sextas-feiras, às 22 horas; e pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY), aos
sábados, às 22 horas, aos domingos, às 14 horas, e às quartas-feiras, às 21 horas.
Hilton Abi-Rihan | Especial para a BOA VONTADE
38 BOA VONTADE
IkeLevy
BOA VONTADE 39
que venha ver, ajudar, colaborar. As
pessoas não vão perder nada com
isso. Estou gostando de tudo o que
estou vendo, desse tratamento [dado
às crianças], desde os garotinhos até
os mais velhos. A cada hora, a cada
minuto que passa, minha felicidade
aumenta”, disse.
Esbanjando bom humor durante
obate-papo,elecomentoupassagens
importantes de sua trajetória profis-
sional e em família. Ainda deixou
a seguinte mensagem ao diretor-
-presidente da LBV: “Paiva Netto,
estou sempre o vendo e fico embas-
bacado o ouvindo falar tão bonito,
fazendosuasorações.Parabéns!Que
Deus o ilumine sempre! Você já é um
iluminado, mas que Deus o continue
iluminando”.
Aseguir,osprincipaistrechosdes-
sa alegre entrevista. Que esse Irmão,
recebadaLegiãodaBoaVontadeede
seu dirigente as melhores vibrações
de Paz eAmor, extensivas à sua que-
rida família e amigos, em especial, à
esposa,Clodine,eaosfilhos,também
cantores e músicos Luciana Mello e
JairOliveira.Queestapáginaregis-
tre o carinho a ele com a lembrança
de seus feitos!
BOA VONTADE — Foi sua mãe
quem o apresentou ao universo
musical?
Jair Rodrigues — Foi minha
velhamãe.Quandoeutinha7,8anos,
elamelevouparaveramissanaIgre-
jadeNovaEuropa,noEstadodeSão
Paulo. Nova Europa fica ali perto de
Araraquara, São Carlos. Quando eu
adentrei com minha mãe na igreja,
senti uma coisa extraordinária. Olhei
para trás e vi um coral cantando os
hinos. Eu ficava olhando, e minha
Samba & História
(1) O cantor e compositor
Jair Rodrigues é
homenageado pelo Grupo
de Instrumentistas
Infantojuvenil
Boa Vontade e pelo
Coral Ecumênico
Infantojuvenil
Boa Vontade.
(2) Sempre simpático,
conversa com diversos
alunos que frequentam
o pátio do Conjunto
Educacional Boa
Vontade.
(3) Jair Rodrigues é
entrevistado por Leilla
Tonin, da Boa Vontade TV.
Fotos:VivianR.Ferreira
1
2
3
40 BOA VONTADE
mãe falava: “Ei! Presta atenção na
missa, diacho!”. Mas eu prestava
maior atenção lá no coral. Até que,
um dia, ela me colocou para fazer
parte dele. Foi assim que comecei a
ter aquela interação, a conhecer os
hinos, as músicas...
BV — Quando começou a encarar
amúsicacomoprofissão?
JairRodrigues — Eu morei em
Nova Europa dos 6 aos 14 anos.Aí
nos mudamos para São Carlos, uma
cidade maior. Certo dia, fui levar
minha irmã para cantar na Rádio
São Carlos, mas, quando cheguei
lá, descobri que, na verdade, ela
tinha se inscrito para cantar num
programa de calouros. Minha irmã
tinha um vozeirão, mas não obede-
ciamuitoaoritmo;aíelanãopassou
no teste. Estava tentando ajudá-la,
e, de repente, o maestro falou: “Já
que sua irmã não passou, você não
quer fazer um teste?”. Cantei um
samba e passei. (...) Depois, veio o
Tiro de Guerra [órgão do Exército
brasileiro encarregado de formar
reservistas], em 1943. Todas as
vezes que cantavam o Hino Nacio-
nal, eles me chamavam para cantar
junto. Até que um dos amigos do
Tiro de Guerra falou: “Jair, tem
um restaurante lá no centro de São
Carlos que tem música ao vivo, e
estãoprecisandodeumcantor.Você
não quer fazer um teste?”. Quando
cheguei ao restaurante, estava uma
barulheira danada. Aí eu comecei
a cantar. De repente, aquela con-
versação começou a diminuir, e as
pessoas passaram a prestar atenção.
Quando acabei de cantar, foram
aplausos e tudo. Com isso, assinei
meuprimeirocontratoepegueimeu
segundo faz-me rir*². Foi aí que me
profissionalizei.Acho que era 1957.
BV — Disparada é um de seus
grandessucessos.
Jair Rodrigues — Quando
me deram para defender a música
Disparada, do Geraldo Vandré e
do Theo de Barros, eu já tinha um
samba chamado Canção para Ma-
ria, do Paulinho daViola e do José
Carlos Capinam. (...) Cada artista
tinha que apresentar uma música
só, mas como o Geraldo Vandré,
que iria apresentá-la, não podia ir à
apresentação, mandaram procurar
um intérprete. O Hilton Acioli me
mostravaamúsicae,derepente,mi-
nhamãe—eunãoaesqueço,porque
elafoi99,9%responsávelporminha
carreira — saiu da cozinha e ficou
olhando. Quando o Hilton terminou
de cantar, ela falou: “Nossa, meu
filho! Que música bonita! Se você
a defender, vai ganhar”. O Hilton
Acioliseempolgou,eeu,maisainda.
BV—Suamãeacertou.
Jair Rodrigues — No fim do
festival, Canção para Maria ficou
em terceiro lugar. Eu já estava
indo embora quando a produção
me chamou e falou: “Olha, você
classificou também Disparada”.
Quando foram ver os votos, os
jurados haviam dado vitória para A
Banda, mas o público tinha dado vi-
tória para Disparada. Eles entraram
num acordo, e deu empate. Quando
anunciaram a vitória, chamaram
minha mãe. Ela subiu no palco e
até deu entrevista.
BV—Antesdeseprofissionalizar
como cantor, trabalhou em outra
área?
Jair Rodrigues — (...) Minha
mãe sempre falava para a gen-
te: “Meus filhos, vocês precisam
aprender um ofício, porque vamos
supor que, um dia, vocês vão traba-
lhar na cidade grande”. Então, ela
mecolocouparaaprenderaprofissão
dealfaiate;meuirmãoademecânico;
e minha irmã, que era ainda muito
pequenina, ficava em casa, ajudando
minha mãe. Nas horas vagas, eu
também era engraxate, servente de
pedreiro e ajudante no cinema.
BV—Suasmúsicastêmmelodias
marcantes e letras que contam
histórias da vida real. Essa é sua
fórmulaparaosucesso?
Jair Rodrigues — Os cantores
e músicos de minha geração, como
Roberto Carlos, Erasmo Carlos,
Wanderléa, Silvio Brito, Jorge
Ben Jor, enfim, cada artista tinha
seu sucesso com músicas da melhor
qualidade. Hoje, eu fico vendo esta
nova geração, e a maioria das can-
ções é de primeiríssima qualidade,
mas, infelizmente, as letras deixam
muito a desejar.
*² Faz-me rir — Gíria brasileira que possui mais de um significado, entre os quais sinônimo de dinheiro, salário e uma expressão de ironia
contra afirmações absurdas.
Minha mãe — eu não
a esqueço, porque ela
foi 99,9% responsável
por minha carreira.
BOA VONTADE 41
In memoriam
Saudades,
Myltainho!Jornalismo brasileiro despede-se de um
de seus ilustres representantes
Izilda França
Da Redação
42 BOA VONTADE
V
oltou à Pátria Espiritual, no
dia 9 de maio, em Florianó-
polis/SC,ojornalistaMylton
Severiano da Silva, aos 73 anos.
MaisconhecidocomoMyltainho,ele
nasceu em Marília, cidade do interior
do Estado de São Paulo, em 10 de
setembro de 1940. Sua vocação para
comunicareraperceptíveldesdemui-
tocedo.Aos9anosdeidade,publicou
nojornalTerraLivreoprimeirotexto,
noqualabordavaascondiçõesemque
vivia um casal de camponeses na Fa-
zendaBonfim.Aos12anos,escreveu
umpoemasobreoDiadasMãespara
o Correio de Marília.
Aomudar-separaacapitalpaulis­
ta, buscando melhores condições
de vida, ingressou na faculdade de
DireitoecomeçouatrabalharnaFo-
lha de S.Paulo. Na década de 1960,
deixou o curso e passou a dedicar-se
exclusivamente à área da comunica-
ção.Integrouaequipederedaçãodos
principais jornais e revistas do país,
entre os quais O Estado de S. Paulo,
JornaldaTarde,QuatroRodas,Rea­
lidade e Caros Amigos.
Myltainho era amigo de longa
data da Legião da Boa Vontade e do
diretor-presidentedaInstituição,José
de Paiva Netto, também jornalista,
radialista e escritor. Em 2000, ele en-
trevistouodirigentedaLBVevisitou
oCentroEducacionalqueaEntidade
mantém em Del Castilho, no Rio de
Janeiro/RJ. O bate-papo foi destaque
da edição no
17 da revista Jornal dos
Jornais,emagostodaqueleano,com
esta chamada de capa: “Paiva Netto,
Presidente da LBV, o maior comuni-
cador do Brasil”.
A publicação, na época uma
das mais importantes ligadas ao
jornalismo e à publicidade no país,
apresentou ampla matéria (com
15 páginas), de autoria de Myltai-
nho, sobre o dirigente da Legião da
Boa Vontade. Para tanto, ele passou
horas com o entrevistado e conhe-
ceu de perto um pouco da atuação
socioedu­cacional da LBV.Aocasião
foitãomarcanteparaojornalista,que
este chegou a declarar o seguinte à
revista BOA VONTADE, em 2007:
“NessaentrevistacomoPaivaNetto,
fui,maisumavez,umrepórterbissex-
to,poisnãoeraaminhapraia,maso
que eu senti naquele dia na LBV foi
muitaemoção.Criançameemociona
muito, e eu vi aquelas crianças se
alimentando e sendo bem-tratadas.
Aquilomeembargouavozemalguns
momentos.Foiumadasentrevistasde
campo que fiz que mais me emocio-
naram, sem dúvida. Não teve outro
O jornalista Myltainho (E) visita, acompanhado do diretor-presidente da Legião da
Boa Vontade e seu colega de profissão (C), o Centro Educacional José de Paiva Netto,
da LBV — localizado em Del Castilho, no Rio de Janeiro/RJ —, em 2000. O jornalista
Luiz Carlos Lourenço presenciou o festivo encontro. Na ocasião, conversaram com as
crianças. Ao recordar-se, em 2007, carinhosamente do fato, Myltainho enviou esta
fraterna mensagem ao dirigente da Instituição: “Um grande abraço ao Paiva Netto e a
todos os colaboradores da LBV. Eu os trago no coração”.
trabalhoquemeemocionassetanto”.
Ainda comentou: “Pelo que vi na
LBVlá no Rio de Janeiro, já me dá a
consciência do trabalho bonito que
Paiva Netto e todos os seus colabo-
radoresfazem.Sópossoesperarmais
emaisdessecoraçãoimensodaLBV.
Esperoquesemprecontinueassim.As
crianças precisam”.
A Legião da Boa Vontade e o
diretor-presidente da Instituição en-
viam as melhores vibrações de Paz
e de carinho ao Espírito Eterno de
Myltainho,extensivasaosfamiliares,
amigos e admiradores do saudoso
jornalista.
IvanSouza
Fac-símile da edição de agosto de 2000 da
revista Jornal dos Jornais, uma das publicações
mais importantes voltadas ao jornalismo e
à publicidade. Na capa, o diretor-presidente
da LBV, que concedeu entrevista ao saudoso
jornalista Myltainho.
BOA VONTADE 43
equalidadedevida
LBV ajuda mulheres a incrementar a renda,
conquistando autonomia financeira.
Leilla Tonin
Leila Marco
Empreendedorismo social
Solidariedade
Assunção, Paraguai
Contra a pobreza
A
meta acordada para a elimi-
nação da fome e da miséria
(ODM 1) foi alcançada
cinco anos antes do prazo estabe-
lecido, conforme atesta o Relatório
dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio 2013, lançado pelo
secretário-geral das Nações Uni-
das, Ban Ki-moon, em 1o
de julho.
Embora venha caindo o número
de pessoas que vivem com menos
de 1,25 dólar por dia no planeta,
muitos países ainda apresentam
parcela expressiva da população
em tal condição. No Paraguai,
por exemplo, 32,4% dos quase 7
milhões de habitantes vivem na
pobreza. Além disso, 1,16 milhão
de paraguaios encontram-se em
extrema pobreza, ou seja, 18%
da população, de acordo com a
Pesquisa de Lares 2011 do Depar-
tamento de Estatísticas, Pesquisas
e Censos (DGEEC). Essas pessoas
encontram dificuldades para contar
com serviços essenciais de saúde,
educação, saneamento básico e
moradia.
Para ajudar a reduzir esses ín-
dices, a Legião da Boa Vontade do
Paraguai atua há 29 anos. Por meio
de programas socioeducativos, a
LBV assiste diariamente pessoas
em situação de risco social em
sua unidade de atendimento na
capital, Assunção, e em diversas
regiões onde vivem famílias de
baixa renda. No Jardim Infantil e
Pré-escolar José de Paiva Netto, é
oferecida educação integral para
crianças de 2 a 6 anos.
Essas ações têm transformado
para melhor a realidade de muitos
paraguaios. Na ColôniaThompson,
umassentamentosituadoemYpané,
a história de Cynthia Fernández,
de23anosdeidade,mãedeEdison,
de 3 anos, ilustra bem a importância
do apoio da Instituição.
Mãe e filho moram em uma pe-
quena casa de madeira, levantada
por elacombastanteesforço. “Tudo
é muito difícil quando você está só,
mas eu vou tratar de superar muita
coisa pelo meu filho”, afirmou. Foi
por indicação da amiga Noêmia
“A LBV é
que me
salva sempre.
Deixo meu menino
lá estudando e, assim,
posso ir tranquila
trabalhar para pagar as
contas.”
Cynthia Fernández
23 anos de idade, mãe de Edison,
de 3 anos. Atendidos pela LBV do
Paraguai.
Ban Ki-moon, secretário-geral das
Nações Unidas.
UNPhoto/Jean-MarcFerré
LeillaTonin
LeillaTonin
que Cynthia conheceu a Legião da
Boa Vontade que, em 2014, come-
mora 30 anos no Paraguai.
Para a mãe e o filho, o mo-
mento era de grande desafio. O
menino tem a doença celíaca, que
se manifesta pela intolerância ao
glúten, uma substância
encontrada no trigo,
Paraguai
BOA VONTADE 45
no Paraguai
da população
na pobreza
vivem em
extrema pobreza
32,4% 18%
Pobreza
Fonte: Departamento de Estatísticas, Pesquisas e
Censos (DGEEC), do Paraguai.
Divulgação
Divulgação
UNPhoto
na aveia, na cevada e no centeio. Se
não descoberto logo, o problema
pode afetar o intestino delgado,
causando prejuízos na absorção de
nutrientes, vitaminas, sais minerais
e água.
Com a ajuda dos profissionais
da Instituição, a doença foi diag-
nosticada, e o quadro de desnutri-
ção do menino Edison, superado.
“No ano passado, a LBV me aju-
dou muito com todos os remédios
do meu filho, porque custam caro
e eu não tinha dinheiro. Quem me
estendeu a mão foi a LBV”, disse
Cynthia, agradecida.
A cada manhã, a jovem mãe
anda cerca de três quilômetros
até o ponto de ônibus para levar
o pequeno Edison até a escola da
Instituição, onde ele passa o dia.
Há quase um ano matriculado no
Jardim Infantil e Pré-escolar da
Legião da Boa Vontade, ele é um
garoto saudável. Até ganhou cinco
quilos e passou a conviver melhor
com todos à sua volta. “Edison
aprendeu muito e mudou bastante.
Lembroqueele,quandochegavaao
portão da antiga creche, começava
a chorar... Na LBV não é assim; às
vezes se esquece até de se despedir
de mim”, completou, sorrindo.
Empreendedorismo social
46 BOA VONTADE
Superandoosefeitosda
criseeconômica
Atenta aos desafios do bloco europeu, a LBV de Portugal
intensifica ações de apoio a famílias em risco social
A
situação de muitos países
desenvolvidos e/ou com
economia consolidada, a
exemplo dos que integram a zona
do euro, é de recuperação, depois
de um período mais crítico da crise
financeira. A economia portuguesa
é uma das que mais sofreram tais
efeitos na Europa.Areceita de aus-
teridadefiscalcomcortesprofundos
no orçamento prevê um 2014 igual-
mente difícil.
Em Portugal, a reforma na se-
guridade social estabeleceu, por
exemplo, prazos e condições mais
rígidas para vigência e concessão
de benefícios como seguro-desem-
prego e auxílio a pessoas que vivem
abaixo da linha de pobreza. Os
efeitos das medidas econômicas na
sociedade afetam a vida de famílias
inteiras, muitas delas conduzidas
por mulheres.
Atenta a essas questões, a Le-
gião da BoaVontade de Portugal in-
tensificouasaçõesdoprograma Um
passo em frente, que apoia famílias
em situação de vulnerabilidade so-
cial.Comisso,aInstituiçãotrabalha
em várias frentes a fim de garantir
Divulgação
direitos do cidadão, evitar situações
de fome e de carências primárias e
promover a reinserção social.
As equipes de profissionais e
colaboradoresdasunidadesdaLBV
em Lisboa, Coimbra e Porto ob-
servaram o aumento do número de
pedidos de atendimento. No Centro
SocialdoPorto,porexemplo,éfeita
uma avaliação preliminar de cada
família que solicita ajuda. (Veja o
quadro “Quem procura ajuda na
LBV de Portugal?” na p. 50.) Em
seguida,ogrupoéencaminhadoaos
diversos serviços oferecidos pela
BOA VONTADE 47
• De acordo com relatório
do Unicef Portugal dirigido
à ONU, com o apoio de
organizações da sociedade
civil do país, pelo menos 500
mil crianças e jovens perderam
o direito ao abono de família
entre 2009 e 2012.
• O estudo também
mostrou que o risco de
pobreza entre crianças se
agravou no período — 28,6%
em 2011 —, indicando
tendência de aumento desse
número até os dias atuais.
Atuação em rede
A ação conjunta da LBV de Portugal reúne mais
de 100 Entidades oficiais e/ou particulares.
shutterstock.com
RepresentantesdaLBVemreuniãodaGalpEnergia(Apoio—UnidadeMóvel)
ArquivoBV
Pobreza na infância
LBVou por organizações parceiras.
A ação conjunta reúne mais de 100
Entidades oficiais e particulares.
Além da entrega mensal de
alimentos a quem procura a Insti-
tuição, os profissionais voluntários
promovem regularmente oficinas e
palestras a respeito de saúde e higie-
ne, nutrição e gestão do orçamento
familiar.Recentemente,avoluntária
Katrina Halahan, da Faculdade de
Ciências e Nutrição da Universida-
dedoPorto,estevenoCentroSocial
da LBV para falar sobre educação
alimentar.
Na ocasião, a especialista ex-
plicou: “Quando as famílias têm
menos possibilidades econômicas,
pensam que uma alimentação sau-
dável é uma alimentação cara. Isso
não é de todo verdade”. De acordo
com Katrina, depois de repassadas
Empreendedorismo social
48 BOA VONTADE
Programa Um passo em frente
Desenvolvido na cidade do Porto, em Lisboa e em Coimbra,
o programa Um passo em frente, da LBV de Portugal, distribui
anualmente mais de 200 toneladas de gêneros alimentícios, em
forma de cestas e refeições. Milhares de famílias são beneficiadas
com as ações, ou seja, aproximadamente 13.500 pessoas. Além do
trabalho socioassistencial, que inclui, ainda, a entrega de produtos
de higiene, calçados, roupas e brinquedos, a iniciativa oferece
orientação sobre saúde e orçamento familiar, entre outros temas.
Lisboa, Portugal
Braga, Portugal
Coimbra, Portugal
Porto, Portugal Porto, Portugal
MarcoSemblanoArquivoBV
MariaJoséPereiraRicardoRibeiro
RicardoRibeiro
as orientações, a melhoria é notada
rapidamente. “As famílias conse-
guem notar diferenças, em longo
prazo, nos custos que têm com a
alimentação. É de enorme impor-
tância esse tipo de formação e de
educação alimentar.”
Como parte de suas ativida-
des socioeducativas, a Instituição
promoveu, no segundo semestre
de 2013, palestra com a psicóloga
Joana Vieira. A iniciativa foi feita
em parceria com o Banco Montepio
e a Associação Nacional de Jovens
para a Acção Familiar (ANJAF).
“Abordamos a questão do endivi-
damento, os créditos fáceis que as
pessoas fizeram ao longo dos anos
e hoje são situações complicadas
de gerir. O consumismo é um tema
que também gostam de debater”,
comentou a orientadora.
BOA VONTADE 49
Reflexo da crise
“Estamos todos
desempregados. Somos
quatro adultos e três
crianças. Estou com o
rendimento mínimo de
inserção social, mas não
dá para as despesas. Se
não fossem as ajudas de
fora, como a da Legião
da Boa Vontade (...), não
teríamos o que comer.”
Inocência Manuela Oliveira
Gonçalves
senhora, de 50 anos, que acolheu a
nora e o neto em sua casa.
Quem procura ajuda na LBV
de Portugal?
A partir de pesquisa feita com atendidos em uma das unidades da
LBV da Europa, foi possível traçar um quadro de como a crise econô-
mica vem afetando a vida de muitos portugueses. Eis alguns dados:
• 89% dos que procuram ajuda dependem de diferentes fontes
de subsistência, além do apoio da comunidade e de instituições da
sociedade civil;
• Apenas 11% dos que vão ao local são remunerados. Dessas
famílias, 30% tiveram a condição de vida agravada pelos gastos que
passaram a recair sobre um dos progenitores;
• Constatou-se relação entre a falta de recursos e o aparecimento
de problemas de saúde (depressão, hipertensão arterial, diabetes tipo
2 e outras doenças degenerativas);
• Verificou-se que a situação potencializa o uso e a dependência
de substâncias psicoativas como o álcool e outras drogas.
Divulgação
Em um cenário econômico de
altas taxas de desemprego, a casa
paterna tornou-se uma alternativa
imediata. A aposentada Aurora de
Jesus, de 78 anos, atendida pelo
programa Um passo em frente,
conhece bem essa situação. Ela re-
cebia do filho, solteiro, de 46 anos,
a ajuda necessária para o sustento.
Mas hoje ele está desempregado.
“Agora, vivo só com o pouco
que tenho para mim e para ele”,
desabafou a idosa, que tem gastos
com medicamentos, por conta do
diabetes e de uma arritmia cardíaca.
Por isso, o apoio da LBV tem sido
fundamental para a subsistência de
ambos. “Que o Senhor Deus ajude
esta Instituição, ao senhor Paiva
Netto! Eu gosto muito de ir à LBV”,
agradeceu dona Aurora.
Empreendedorismo social
LBV de Portugal é destaque na mídia do país
O Jornal de Notícias, o maior em circulação do norte português, publicou,
em 27 de abril, reportagem de duas páginas sobre o trabalho realizado em
favor de boa parte da população daquele país que vive à sombra de uma
forte crise financeira. O JN deu especial destaque para a ação da Legião da
Boa Vontade, com o programa Ronda da Caridade.
50 BOA VONTADE
C
om o aumento da expectativa
de vida do povo brasileiro,
que hoje chega aos 74 anos,
é natural que o fosso intergeracional
se alargue. Os interesses também se
modificam, e de forma rápida, graças
àsinovaçõescientíficasetecnológicas
do nosso tempo. Por isso, o que em-
polgaosjovensnãoénecessariamente
o que encanta os mais velhos.
Vivemostodotipodepreconceito:
de cor, status social, sexo, religião
e até um discreto deboche contra os
baixinhos.Agora,parecequesearma
nohorizonteumaanimosidadecontra
os mais velhos, que costumamos
chamar carinhosamente de “coroas”.
Isso se revela exatamente onde o
mundo demonstra enormes avanços
científico-tecnológicos, no campo da
tecnologia da informação (TI), nos
países desenvolvidos.
Fomos surpreendidos com a in-
“Coroas”modernos,
jovensinquietos
Arnaldo
Niskier, doutor
em Educação,
é membro
da Academia
Brasileira de
Letras, vice-
-presidente do
CIEE Nacional
(Centro de
Integração Empresa–Escola) e ex-
integrante do Conselho Nacional de
Educação.
Arnaldo Niskier | Especial para a BOA VONTADE
Opinião — Educação
Arnaldo Niskier
Divulgação
formação de que jovens de 13 a 17
anos mostram os primeiros sinais
de cansaço em relação ao uso do
Facebook, notável criação de Mark
Zuckerberg, hoje com mais de 1,2
bilhão de usuários ativos mensais.
A explicação é muito simples: “Os
coroasestãodominandoatecnologia.
Se eles querem, devemos sair para
outra”.
É claro que já existe alternativa.
Trata-se do Snapchat, utilizado para
o envio de vídeos e imagens em ge-
ral que desaparecem segundos após
ser vistos. Na verdade, os jovens são
atraídos por um grande número de
aplicativos, como o WhatsApp, o
Instagram (em grande progresso), o
Vine (mensagens de seis segundos,
comprado pelo Twitter), o Ask.fm
(perguntas e respostas) e o Tumblr,
umsistemadeblogparaenviartextos,
imagens e vídeos que podem ser re-
publicadosporoutrosusuários.Como
sevê,avariedadeéinestancável,para
a fértil e lucrativa criatividade dos
grandescientistas.Énatural,pois,que
os aplicativos sejam substituídos por
outros mais modernos — e com isso
agarotadasediverte,ampliandoouso
das maquininhas.
Osidosossãomaisconservadores.
Gostam de fazer as refeições familia-
res sem o emprego concomitante dos
incríveistabletsecelulares.Osjovens,
mesmocontrariandoaorientaçãodos
pais, dividem suas atenções durante
almoço e jantar, apertando as teclas
entreumagarfadaeoutra.Asbroncas
sãocomuns,poisofenômenoalteraa
rotina da família. Os diálogos, que já
andavam escassos, agora com essas
novidades se tornam quase nulos.
O tema chegou às escolas. Em
muitas delas, a direção proíbe o uso
dos celulares em sala de aula, a fim
de não desviar a atenção das expli-
cações dadas (e insubstituíveis) pelo
professor. Os conhecimentos que
podem ser hauridos do Google, por
exemplo,paraenriqueceroconteúdo
das aulas, devem ser colhidos em
casa, nas horas destinadas aos es-
tudos. Escolas famosas como a de
Harvard passam deveres que podem
demandar consultas na web. Mas,
emsala,osmestresutilizamotempo
nasexplicaçõesconcernentes.Assim
se cria harmonia na relação ensi-­
no/apren­dizagem.Asaulaslinearese
sequenciais ganham contornos mais
modernos e proveitosos.
Voltando ao Facebook, um indis-
cutível sucesso, inclusive de fatura-
mento com os pródigos anúncios,
nãohá que se estranhar que os jovens
comecem a se cansar do seu uso in-
discriminado, buscando alternativas.
Essa inquietação é própria da idade,
ecertamenteociclodevidadasredes
sociais tem limitações. É natural que
se busquem inovações.
BOA VONTADE 51
A degradação deste recurso
natural pode levar o ser humano a
enfrentar um cenário de escassez
nunca antes vivenciado.
Meio ambiente
Leila Marco
52 BOA VONTADE
BOA VONTADE 53
A
quantidade de água no mun-
do épraticamenteinvariável
a centenas de milhões de
anos. A grande questão é a sua
distribuição e qualidade. Quando
se fala em escassez desse líquido
tão precioso, na verdade, faz-se
imprescindível pensar a forma de
gerenciamento da água. O cresci-
mentodemográficonoplaneta,prin-
cipalmente no século 20 (veja qua-
dro ao lado), gerou em proporções
gigantescasoaumentodoconsumo,
de desperdício e da poluição das
águassuperficiaisesubterrâneaspor
esgotos e resíduos tóxicos oriundos
da indústria e agricultura.
Nosúltimos50anos,airregulari-
dade na distribuição e a degradação
daáguaatingiramníveismuitopreo­
cupantes. Grandes centros urbanos
já enfrentam conflitos e disputas
pelo uso da água em algumas partes
do globo terrestre. Não precisamos
nem ir tão longe, basta acompanhar
a mais recente disputa envolvendo
o Estado de São Paulo e do Rio
de Janeiro sobre a viabilidade da
transposição de água da Bacia do
Rio Paraíba do Sul para o Sistema
Cantareira. O projeto do governo
paulista, que prevê bombear água
em períodos de seca, já provocou
acaloradas discussões em razão de
queautoridadesfluminensesficaram
temerosas de que esta iniciativa
resulte no comprometimento do
abastecimento no seu Estado. Pre-
visto apenas para o fim de 2015,
o projeto está sendo debatido pela
Agência Nacional de Águas (ANA)
e a Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel), responsáveis pelas
operações no Rio Paraíba do Sul, e
promete ainda muitos rounds.
Uma população que
não para de crescer
O número de pessoas na Terra vem crescendo a passos largos
nos últimos dois mil anos. Desde o início da Era Cristã, a
população mundial cresceu mais de 40 vezes.
150 milhões
1 bilhão
1,6 bilhão
6,1 bilhão
7 bilhões
9 bilhões (estimativa)
Ano
1*
1804
1900
2011
2000
2050
Primeiro bilhão de habitantes
As 5 maiores cidades do mundo
Século 20, o grande salto
Formigueiros humanos
1. Xangai (China)
2. Mumbai (Índia)
3. Karachi (Paquistão)
4. Nova Delhi (Índia)
5. Istambul (Turquia)
13.831.900
13.830.884
12.565.901
12.991.000
12.517.664
*Ano 1 da Era Cristã
Meio ambiente
54 BOA VONTADE
Recursos disponíveis
podem entrar em colapso
De acordo com as Nações Uni-
das, atualmente a população mun-
dial é de 7 bilhões, sendo que 768
milhões de pessoas já não têm aces-
so a água potável e a maior parte de-
las vive nas grandes cidades. Nesse
passo, em 2050 a demanda por esse
recurso deve postular um aumento
de44%sobreovolumedoconteúdo
das reservas atualmente existentes.
Essas informações, divulgadas
pela Conferência da ONU-Água
(um mecanismo interagencial para
coordenar as ações do Sistema da
Organização das Nações Unidas),
realizada em janeiro deste ano em
Zaragoza, Espanha, demonstram o
graudasdificuldadesaseremenfren-
tadas. Segundo especialistas da Or-
ganização, “a demanda por energia
pode experimentar um aumento de
50% até o mesmo ano. Isso por que
a necessidade de água para gerar
Para evitar o desabastecimento na Grande São Paulo, no dia 15 de maio, a Sabesp começou a captar o volume morto do
Sistema Cantareira. Com isso, passou a contar com 18,5 pontos percentuais dessa reserva, além dos 8,2% já existentes no
reservatório. Assim, a capacidade total foi para 26,7%.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO
Indústria
22%
Agricultura
70%
Consumo de água
Doméstico
8%
energia primária está crescendo de
acordocomocrescimentoeconômi-
co, as mudanças demográficas e as
mudanças de estilos de vida”.
Para o hidrogeólogo Paulo
LopesVarella Neto, diretor de ges-
tão da Agência Nacional de Águas,
isso se explica pelo crescimento
populacional que levará a Terra
a hospedar em torno de 9 bilhões
de habitantes em 2050 e o fato de
que, apesar de possuir 70% de sua
superfície coberta de água, apenas
2,5% desse total são de água doce,
e, somente 1% desse líquido está
disponível em rios, lagos e no sub-
terrâneo ao nosso alcance.
Ele destaca a importância de um
Divulgação
BOA VONTADE 55
Meio ambiente
Promoção da vida
O Templo da Boa Vontade (TBV), a Pirâmide das Almas Benditas e
dos Espíritos Luminosos, desde a sua fundação, em 21 de outubro de
1989, sempre celebrou o respeito à água. A Fonte Sagrada do monu-
mento é um lugar muito prestigiado por causa desse líquido precioso. A
água percorre diversos filtros, atravessa a Nave do TBV, passando sob
o Cristal Sagrado, até jorrar na fonte. No local, o fundador do TBV, José
de Paiva Netto, fez fixar a seguinte mensagem: “Água é Vida,
sem ela torna-se impossível qualquer tipo de existência.
Poluí-la é crime de lesa-humanidade”.
Sendo um frequentador do Templo da Paz, o diretor
de gestão da Agência Nacional de Águas, Paulo Lopes
Varella Neto, fez questão de registrar em sua entre-
vista: “O conjunto dele é muito agradável, acolhedor.
Vou lá muitas vezes, faço a espiral, escuto um pouco
das músicas elevadas e aprecio os ambientes. Sou espí-
rita e imagino que todos temos o direito e a oportunidade de praticar
outras crenças. Acredito mesmo é na Espiritualidade Maior. O que vale
mesmo é o Amor pelas criaturas”.
perdasnosaneamentoaltíssimas,que
podem superar a 50%. Os próprios
sistemas têm de ser melhorados. Se
perde muita água na irrigação, ela
usa cerca de 70% de água”, diz.
Reduzir essas perdas já signifi-
caria um grande avanço. Só em São
Paulo, em 2012, quase um trilhão
de litros de água foram desperdi-
çados na rede de distribuição do
Estado, segundo informações da
AgênciaReguladoradeSaneamento
e Energia do Estado de São Paulo
(Arsesp), que fiscaliza o trabalho da
Companhia de Saneamento Básico
do Estado de São Paulo (Sabesp). O
volume,perdidocomfalhastécnicas
e desvios ilegais, representa 32,1%
de todo o abastecimento. Em 2013,
a perda foi de 31,2%, mas os dados
do volume não foram divulgados.
Apesar de alto, o índice fica abaixo
da média nacional de 38,8%. Dois
Estados da Região Norte e um da
Região Nordeste amargam os pio-
res resultados do país: o Amapá,
com 73,3% (em 2011), oAcre, com
64,7% e Pernambuco, com 65,7%.
Além das questões técnicas, o
hidrogeólogo chama também a aten-
ção para o papel de cada cidadão: “É
preciso economizar água, dentro dos
padrões aceitáveis. O esforço que
a ANA faz, assim como o governo e
os comitês de bacias [hidrográficas]
tem como ‘motor’ a posição indivi-
dual de cada um de nós. Somos os
maiores gestores de água do planeta.
Se cada um tomar consciência disso,
tudopodemudar.Devemospassarde
observadores para atores nesse pro-
cesso. E é na forma como colocamos
olixo,comotomamosbanho,lavamos
ocarro,eassimpordiante,quepode-
remos realmente contribuir”.
gerenciamento correto dos recursos
hídricos de forma a garantir o seu
uso múltiplo: “Água e natureza,
água nos rios, água segurando as
florestas, os ecossistemas, por um
lado, e promotora de desenvolvi-
mento. Temos que garantir água
para abastecimento humano, para
a produção de alimentos, para a
geração de energia, para a nave-
gação, e assim por diante. Esse é
o grande desafio que nós temos na
mão”.
Evitar o desperdício: um
dever de gestores e da
população.
OdiretordegestãodaANArefor-
çaanecessidadedemudarospadrões
de consumo com urgência. “Nossas
ações já estão afetando hoje. Temos
problemasmuitosériosacontecendo;
AndréFernandes
Divulgação
56 BOA VONTADE
É aproximadamente o volume total de água na Terra
desse valor (cerca de 35 milhões de km³) é de água doce
desses 35 milhões km³, estão em calotas polares e geleiras
encontradas no Ártico, na Antártica e em topos de montanhas.
1,4 bilhão de km³
2,5%
em torno de 70%
Consumo em alguns países:
Salgada Doce
VOLUME DE
ÁGUA NO
MUNDO
97,5% 2,5%
Possui o Brasil de
todas as reservas de
água doce do mundo.
da água superficial do país
está na Região Amazônica;
enquanto o Sudeste, com
a maior concentração
populacional do Brasil,
conta apenas com 6% do
nosso potencial hídrico.
12%
78%
Projeções das Nações
Unidas, para 2025:
1,8 bilhão de pessoas
terão carência
absoluta de água.
Estados Unidos
300 litros/dia
por pessoa
Europa
200 litros/dia
por pessoa
Brasil
150 litros/dia
por pessoa
África Subsaariana
10 a 20 litros/dia
por pessoa
Fonte: Instituto Carbono Brasil e site das Nações Unidas.
BOA VONTADE 57
Apesar de o Brasil possuir 12%
do total de água doce do mundo, o
país já mostra sinais de carência, em
virtudedadistânciaentremananciais
e centros consumidores.
OdoutorBeneditoBraga,presi-
dentedoConselhoMundialda Água
(WWC, na sigla em inglês), respon-
sável pela organização do Fórum
Mundial da Água*, explica que
“existem áreas onde se tem abun-
Distância entre mananciais e centros consumidores é o grande desafio
dância de água, mas pouca gente
demandando esse líquido”, a exem-
plo daAmazônia, com 78% da água
superficial brasileira e uma das mais
baixas densidades demográficas do
país. Enquanto isso, na região do
Semiárido (que possui rios pobres
e temporários) vivem 22 milhões
de pessoas, e de acordo com o Mi-
nistério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome (MDS), é “a
região semiárida mais populosa do
mundo”.OSudeste,porsuavez,com
a maior concentração populacional
do Brasil, conta apenas com 6% do
nosso potencial hídrico: “Então, a
questão da disponibilidade da água
tem que ser vista do ponto de vista
regional”, reforça Benedito.
OpresidentedaWWClembraque
é preciso ainda se pensar no aspecto
dosaneamento,porqueeleestáligado
Riqueza relativa
Tomar banhos
rápidos e
fechar a
torneira na
hora de se
ensaboar;
Molhar a escova e
manter a torneira
fechada durante a
escovação dos dentes. O
mesmo vale para
fazer a barba;
Usar a
vassoura
para limpar
a calçada;
Lavar o carro
com balde
e não com
mangueira;
Ajude a
economizar
Ao lado, algumas dicas
da Sabesp para evitar o
desperdício de água:
Meio ambiente
*O Fórum Mundial da Água é realizado a cada três anos com o objetivo principal de inserir a temática dos recursos hídricos com destaque
na agenda global. Participam dele diferentes públicos: organizações internacionais, políticos, representantes da sociedade civil, cientistas,
usuários de água e profissionais do setor de recursos hídricos.
Shutterstock.com
58 BOA VONTADE
diretamenteàquestãodesaúde.“Após
a sua utilização, a água tem que ser
tratada para ser devolvida ao meio
natural.Então,nãoésóumaquestão
de acesso à água potável, mas tam-
bém de saneamento básico”.
Água de rios brasileiros
tem baixa qualidade
A poluição já compromete tam-
bém os recursos hídricos de várias
regiões brasileiras. Estudo divulgado
pelaorganizaçãoSOSMataAtlântica,
em 19 de março deste ano, constatou
que parte da nossa água já perdeu
a característica de recurso natural
renovável, em razão da urbanização,
industrialização e produção agrícola.
Olevantamentomediuaqualidadeda
água em 96 rios, córregos e lagos de
seteEstadosdoSuledoSudeste.Nas
amostras, verificou-se que 40% dos
cursosd’águaestãoruinsoupéssimos.
Malu Ribeiro, coordenadora da
RededasÁguasdaSOSMataAtlân-
tica,dizementrevistadivulgadapelo
site da organização, que apenas 11%
dos rios e mananciais apresentaram
boa qualidade. “A maioria dos pon-
tos estavam em unidades de conser-
vação, como parques ou reservas,
ou em locais em que a mata ciliar
foi recuperada. Em 6 pontos moni-
torados, nos Córregos São José e
daConcórdiaenoRioIngazinho,na
Falta de água potável, saneamento e
condições de higiene matam uma
criança a cada 15 segundos.
No Relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos,
publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),
em 2013, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU)
informa que a cada 15 segundos uma criança morre de doenças
relacionadas à falta de água potável, saneamento e condições de
higiene no mundo. De acordo ainda com o documento, todos os
anos, 3,5 milhões de pessoas morrem no planeta por problemas
relacionados ao fornecimento inadequado da água, à falta de
saneamento e à ausência de políticas de higiene.
Bacia do Rio Piraí (SP), notamos na
prática a importância de recuperar
a floresta — após um reflorestamen-
to a qualidade da água passou de
regular a boa. Isso comprova que
para garantir água em qualidade
e quantidade é preciso recompor
matasciliaresemanterasflorestas.”
Aresponsávelpeloestudoalertou
que o pior desempenho fica em pon-
tos próximos a grandes adensamen-
tos urbanos, e isso fica evidente “em
recortequereúneas34coletasfeitas
pela equipe da SOS Mata Atlântica
nas 32 Subprefeituras da cidade de
São Paulo”.
Ao lavar a louça, retirar
primeiro os restos de alimentos
e só depois abrir a torneira
para molhá-los. Ensaboar tudo
o que precisa ser lavado e,
então, enxaguar;
Acumular
roupas para
lavar na
máquina de
uma só vez;
E tomar cuidado com vazamentos. Avisar sempre à Sabesp
sobre ocorrências dessa natureza. A empresa também
oferece um curso gratuito que ensina práticas simples para
identificar possíveis problemas em instalações hidráulicas.
(Mais informações no site www.sabesp.com.br).
Shutterstock.com
BOA VONTADE 59
ClaytonFerreira
DanielBorges
Navaégeólogo
emestre
emCiências
Ambientaise
Sustentabilidade
naAmazônia,
pela
Universidade
Federaldo
Amazonas
(Ufam).ÉprofessordadisciplinaÉtica
daFaculdadeLaSalleManaus,secretário
deEstadodeMineração,Geodiversidade
eRecursosHídricosdoAmazonase
voluntárionasatividadesdaLegiãoda
BoaVontade.
Daniel Borges Nava | Especial para a BOA VONTADE
eEspiritualidade:
Educação
dimensõesdasustentabilidade
Opinião — Meio Ambiente
*¹ BENCHIMOL, Samuel. Zênite ecológico e Nadir econômico-social — Análises e pro-
postas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, 2a
edição, Manaus: Editora Valer,
2010, p. 7.
L
embrei-me neste ano de 2014
do meu primeiro artigo na
BOA VONTADE. Citei na-
quele texto Samuel Benchimol
(1923-2002) e sua tese sobre
desenvolvimento sustentável na
Amazônia, cuja abordagem an-
corava três dimensões: a social, a
econômica e a ecológica*¹.
Recentemente tive acesso por
intermédiodoprofessordoutorando
Sérgio Gonçalves, da Universida-
de Federal do Amazonas (Ufam),
a um artigo sobre o mesmo tema,
publicado em 2012 na revista
Estudos Avançados, da USP, pelo
professor doutor Elimar Pinheiro
do Nascimento, da Universidade
de Brasília (UnB). O eminente
professor e sociólogo, que compõe
também a equipe dos cursos de
Mestrado e Doutorado do Centro
shutterstock.com
60 BOA VONTADE
EvangelistoFerreira
ArquivoBV
de Ciências doAmbiente da Ufam,
neste material, defende a inclusão
de duas outras dimensões à susten-
tabilidade: a política e a cultural*².
Proponho em minha tese de
doutorado, ainda inédita, mas
que a partir deste artigo submeto
à apreciação da Academia Jesus,
o Cristo Ecumênico, o Divino
Estadista*³ (importante fórum de
ideias e estudos em torno da Es-
piritualidade Superior e do legado
do Sublime Pedagogo), fundada
em 2007 por José de Paiva Netto,
diretor-presidente da Legião da
Boa Vontade, a inclusão de duas
novas dimensões ao conceito de
sustentabilidade: a educacional e
a espiritualidade.
Desde 1989, com a inaugura-
ção do Templo da Boa Vontade
(TBV), em Brasília/DF, tenho
acompanhado atentamente a tese
defendida pelo dirigente da LBV
sobre Espiritualidade e/ou Cida-
dania do Espírito. A exemplo do
lema apresentado por ele no livro
Ao Coração de Deus — Coletâ-
nea Ecumênica de
Orações (1991), no
qual afirma: “Cuida
do Espírito, reforma
o ser humano. E tudo
se transformará”. Ou
o que escreveu em É
Urgente Reeducar!
(2010), no subtítulo
“Inteligência Espi-
ritual”, ao defender,
em entrevista conce-
dida em 1981, a ne-
cessidade de unir ao
raciocínio intelec-
tual a sabedoria que se origina no
coração da criatura humana. O en-
trevistado propunha pela primeira
vez a existência da inteligência do
sentimento, da emoção e, mais que
isso, “a Inteligência Espiri­tual*4
,
provinda do Mundo ainda invisível
aos nossos olhos materiais, por
questões de frequência”. Ainda
em É Urgente Reeducar! o autor
conclui: “Ninguém morre. Con-
tinuamos vivos pela Eternidade”.
Nestes últimos 25 anos, houve
um forte apelo pela Sustentabili-
dade da Família Humanidade. O
Brasil e a África do Sul têm e ti-
veram papéis preponderantes nesta
história. A Conferência de Cúpula
das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, a
Rio-92, incluiu definitivamente o
debate sobre sustentabilidade no
cenário mundial.
Ainda na Rio-92, a Legião da
Boa Vontade demonstrou o seu ca-
rinho aos mais carentes e lançou a
*2
NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Tra-
jetória da sustentabilidade: do ambiental
ao social, do social ao econômico. Estudos
Avançados (USP Impresso). Vol. 26, pp.
51-64, 2012.
*3
Academia Jesus, o Cristo Ecumênico, o
Divino Estadista — É composta pelo Ins-
tituto de Estudo, Pesquisa e Vivência do
Novo Mandamento de Jesus e pelo Instituto
de Estudo e Pesquisa da Ciência da Alma.
*4
O grifo é meu.
Participaram da Rio-92 representantes
de 180 países e várias associações
da sociedade civil, entre as quais
a Legião da Boa Vontade. O espaço
destinado à LBV no Fórum Global
atraiu a atenção do público e ficou
conhecido como o “Estande do Cristo”,
justamente pela ênfase que a Obra dá
à mensagem fraterna e ecumênica de
Jesus, por acreditar que valores como
Solidariedade, Respeito e Amor são
preponderantes para consolidar um
mundo melhor.
BOA VONTADE 61
da água doce do planeta, e cerca
de 70% deste manancial está na
bacia Amazônica, onde vivem
mais de cerca de 38 milhões de
pessoas, considerando o território
Pan-Amazônico (engloba as oito
regiões amazônicas nacionais)*5
.
Recordo sobre este tema, o
artigo do jornalista Paiva Netto
com o título “Água e escassez”,
publicado em 5 de abril de 2011
no Jornal de Brasília, no qual o
autor destaca: “Além dos investi-
mentos governamentais, é preciso
que haja, por parte dos povos,
uma conscientização maior sobre
o uso dos recursos hídricos. Água
é Vida, sem ela torna-se impossível
qualquer tipo de existência. Poluí-
-la é crime de lesa-humanidade.
Em Somos todos Profetas (1999),
comentei que, com negligên-
cia, continuamos profanando-a,
como se quiséssemos decretar,
nós mesmos, a nossa morte cole-
tiva. Que acabará sobrevindo? O
precioso líquido em forma potável
transformar-se-á, por sua rareza
causada pela insanidade humana,
em mais um grave fator de guerra.
Impeçamos que esse drama atinja
o mundo todo. Administrar é real-
mente chegar antes”.
Em 17 de junho de 2012,
durante a minha participação
como secretário de Estado de
Mineração, Geodiversidade e
Recursos Hídricos do Governo
do Amazonas no painel temático
“Cooperação Construtiva” — co-
ordenado pela LBV com o apoio
do Centro de Informação das Na-
ções Unidas para o Brasil (UNIC
Rio) e o suporte do Departamento
deAssuntos Econômicos e Sociais
iniciado no Brasil. Com o exem-
plo silencioso e sem violência de
Nelson Mandela (1918-2013)
aprendemos a vencer preconceitos
e a quebrar paradigmas econômi-
cos, sociais, ambientais, culturais
e políticos.
Hoje, temos negros e mulheres
governando nações importantes
o que demonstra que o legado de
Mandela, grande líder político da
sustentabilidade, certamente nos
induziu aos primeiros passos da
nossa caminhada enquanto nova
sociedade no século 21.
Aos poucos estamos vencendo
nossos egos e paixões pelo poder,
pela beleza/estética, pela inteli-
gência, pela riqueza, valorizando
o sentimento de amor ao próximo.
Sendo mais sustentáveis, busca-
mos uma nova Ciência, talvez a
ética ou uma nova filosofia de vida,
ou quem sabe a Neurociência ou a
Física Quântica ou a Cosmologia.
Contudo, certamente uma Ciência
mais solidária, altruística, ilumi-
nada pelo Amor, poderá tratar de
um planeta e de uma sociedade
doentes.
Recursos hídricos, um dos
desafios do século 21.
Entre os grandes desafios do
nosso tempo está a adoção do
planejamento e do manejo inte-
grado dos recursos hídricos, pela
progressiva escassez da água em
nível mundial. De acordo com
a Agência Nacional de Águas
(ANA), a vazão média anual dos
rios em território brasileiro é de
cerca de 180 mil metros cúbicos
por segundo (m³/s); o que corres-
ponde a aproximadamente 12%
Campanha Gente também é bicho.
Preserve a criança brasileira. Seu
slogan defendia fraternalmente a
inclusão de um tema importan-
tíssimo na análise da questão do
meio ambiente: a criança. Afinal
de contas, cuidar do ser humano
de forma completa é ponto es-
sencial para um desenvolvimento
sustentável. Considero-me um
desses pequeninos preservados
pelo trabalho das Instituições da
Boa Von­tade. Tenho 46 anos e re-
cebi por toda a minha vida a forma-
ção educacional da Pedagogia do
Afeto (direcionada às crianças de
até 10 anos de idade) e da Pedago-
gia do Cidadão Ecumênico (a partir
dos 11 anos), proposta inovadora
criada pelo educador Paiva Netto,
desenvolvida nas escolas, nos Cen-
tros Comunitários de Assistência
Social e nos lares para idosos da
LBV no Brasil e no mundo.
Em 2002, a Conferência
Rio+10, em Joanesburgo, África
do Sul, consolidou o trabalho
Opinião — Meio Ambiente
62 BOA VONTADE
da Organização das Nações Unidas
(UN/Desa) — tive a oportunidade
de contribuir para a discussão
dos assuntos propostos na Confe-
rência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a
Rio+20. Na ocasião, apresenta-
mos uma série de recomendações
sobre recursos hídricos para a
redução da pobreza e a promoção
do desenvolvimento sustentável.
Por meio de um discurso cien-
tífico responsável, reforcei as
consequências das mudanças cli-
máticas. Citando artigos como o
do professor doutor Luiz Carlos
Baldicero Molion, pesquisador da
Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), sobre a necessidade dos
gestores públicos prepararem-se
para o enfrentamento de eventos
críticos mais intensos (grandes
cheias, grandes vazantes, calores
e frios extremos — efeitos das
mudanças climáticas vivenciados
dentro de um tempo geológico de
resfriamento global).
Por sinal, com este propósito
a parceria entre o Governo do
Amazonas e aAgência Nacional de
Águas fez nascer em 2013 o Centro
de Monitoramento Hidrológico do
Amazonas (Cemoham). A missão
do novo órgão é fornecer em tempo
real as informações necessárias à
Defesa Civil do Estado e dos muni-
cípios, de forma a antecipar ações
preventivas aos eventos críticos,
a exemplo da cheia histórica de
2012, ocorrida no sistema dos rios
Solimões, Amazonas e Negro.
Voltando à Rio+20, convoquei
os participantes do painel ao en-
frentamento da Terceira Guerra
Mundial silenciosa: o saneamento,
ou a falta dele, que tem levado a
dizimação de populações inteiras,
destituídas da cidadania das águas.
Bebês, crianças, morrendo antes de
alcançarem os seus primeiros anos
de vida. E eles são nossos filhos e
filhas.Alziro Zarur (1914-1979) já
alertava no seu Poema do Grande
Milênio: “Os filhos são filhos de to-
das as mães, e as mães são as mães
de todos os filhos”. Pensamento
emblemático que Paiva Netto fez
questão de pôr em destaque na
fachada da Supercreche Jesus, no
Conjunto Educacional Boa Vonta-
de, em São Paulo/SP.
É a partir desta cidadania es-
piritual planetária que podemos
construir e/ou reconstruir, con-
forme o brado da LBV: “Por um
Brasil melhor e por uma Humani-
dade mais feliz!”. Feliz porque se
sentirá responsável por seu futuro
comum, por uma Família Huma-
nidade a que todos pertencemos,
no qual sustentabilidade rima com
solidariedade.
Ao enfrentamento desse conflito
silencioso, propus no evento das
Nações Unidas que buscassem for-
talecerosacordosdaOrganizaçãodo
Tratado de Cooperação Amazônica
(OTCA),poisnestetemaágua,aso-
luçãopassapelospaísesqueformam
aPan-Amazôniaequedetémemseu
patrimônio a responsabilidade de
gestãodomaisimportantemanancial
de água doce do planeta. E são solu-
ções factíveis: criação de conselhos
gestores, de centros tecnológicos,
de comitês de bacias e de fundos
internacionais de conservação dos
recursos hídricos, além da promo-
ção de licenciamentos ambientais
responsáveis,daproduçãodepeixes
emescalaedocompartilhamentode
experiências exitosas.
*5
A região Pan-Amazônia envolve os países
que têm a floresta amazônica: Brasil, Co-
lômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia,
as Guianas e o Suriname.
Divulgação
BOA VONTADE 63
comasnovasgerações
compromissos
Metase
Mariane de Oliveira Luz
Saúde e qualidade de vida
64 BOA VONTADE
A
menos de um ano do prazo
final para o cumprimento
dos oito Objetivos de De-
senvolvimento do Milênio (ODM),
houve muitos avanços no combate
à extrema pobreza e a outras ma-
zelas sociais. Segundo o Relatório
de Progresso 2013 sobre o Com-
promisso com a Sobrevivência
Infantil: Uma Promessa Renovada,
o Brasil superou em 11 pontos per-
centuais a meta estabelecida pela
Organização das Nações Unidas
(ONU) que previa redução em 66%
da mortalidade na infância. (Veja,
a seguir, o quadro “Brasil supera
expectativas”.)
Nesse sentido, o trabalho socio-
educacional realizado pela Legião
da Boa Vontade em favor das famí-
lias em situação de vulnerabilidade
social colabora para o alcance
dessas metas nas cinco regiões
do país, conforme o leitor poderá
conferir em alguns exemplos desta
reportagem.
Presente onde o povo mais
precisa, a LBV chega a locais com
grandes demandas sociais, como
na comunidade na qual residem
Priscila da Silva, 23 anos, e seus
três filhos. O assentamento Monte
Celeste, situado no bairro Planalto,
região metropolitana de Natal/RN,
sofre com a falta de infraestrutura
e serviços básicos. Os cuidados
com a higiene e a saúde ficam
comprometidos, pois as condições
de vida dos moradores do local são
precárias por conta da ausência
de água encanada, saneamento e
energia elétrica.
Ao chegar ao assentamento, a
equipe da LBV encontrou morado-
res sem incentivo para transformar
Programa
da LBV no
assentamento
Monte Celeste,
em Natal/RN,
ajuda a reduzir
a mortalidade
infantil e
materna.
LeillaTonin
a vida deles para melhor. “Vimos
que todas as famílias estavam
numa situação de vulnerabilidade,
sem serviços básicos de saúde, em-
prego e moradia. As casas eram de
papelão, sem estrutura adequada
até para a realização do nosso
atendimento. Hoje, porém, com o
trabalho da LBV, observamos que
várias mudanças aconteceram”,
relatou a responsável da LBV em
Natal, Oderlania Leite Galdino.
Noiníciodasatividadesemfavor
da população local, constatou-se
que a comunidade inteira estava
infestada pelo bicho-de-pé (inseto
responsável por causar uma doença
infecciosadapele),semmencionara
ocorrênciadepatologiasgeralmente
associadas a condições sanitárias
inadequadas, como a verminose.
Com a ajuda de parceiros e da popu-
lação local foi construída uma base
de atendimento para os moradores.
Assim, ao lado de programas
e campanhas socioeducativas de
prevenção e promoção da saúde,
a LBV levou às famílias de Monte
Celeste valores da Cidadania So-
lidária. Uma das iniciativas bem
acolhidas pela comunidade é o pro-
grama Cidadão-Bebê, destinado a
gestantes e mães com filho de até
3 anos de idade e norteado pelos
conceitos da Pedagogia do Afeto
(leia mais sobre a linha pedagógica
da LBV na p. 94). Graças a essa
ação, Priscila e muitas outras mu-
lheres atendidas passaram a rece-
ber apoio social e orientação sobre
os cuidados necessários para uma
gestação saudável e os primeiros
anos de vida da criança.
Além da entrega de um enxoval
para o bebê e outro para a mãe, as
BOA VONTADE 65
Diversos parceiros se juntaram
à Instituição, ajudando a inten-
sificar o apoio às famílias. Por
exemplo, a partir da parceria com
a Cooperativa de Enfermagem do
Rio Grande do Norte (Coopern),
o assentamento Monte Celes­te e
outras comunidades atendidas pela
LBV na capital potiguar passam a
ser beneficiadas sistematicamente
com atividades de orientação e
educação em saúde, o que reforça
as ações socioeducativas já desen-
volvidas nesses locais. “Vínhamos
procurando uma instituição onde
pudéssemos desempenhar ações
de abrangência social na área da
saúde. Felizmente, encontramos
a LBV, uma instituição séria. (...)
Pelo que tenho visto, a LBV tam-
bém tem investido em organização
e educação”, afirmou o presidente
da Coopern, Marcelo Bessa, à re-
vista Foco, em novembro de 2013.
Debates que educam
Na Legião da Boa Vontade,
o atendimento socioeducacional
privilegia a orientação sobre saúde
e higiene, a educação e a cultura.
Todos os dias, milhares de crianças
e jovens em situação de vulnerabi-
lidade social têm acesso a conteúdo
de qualidade e realizam pesquisas
e debates fraternos acerca de temas
da atualidade, como preconceito,
doenças sexualmente transmissí-
veis e malefícios do consumo de
álcool e de outras drogas.
Esses e outros importantes as-
suntos são amplamente discutidos
nas aulas da disciplina Convivên-
cia, presente na grade curricular
das escolas da Instituição desde
1999. A iniciativa de introduzir a
O Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevi-
vência Infantil: Uma Promessa Renovada, iniciativa global para impe-
dir que crianças morram em decorrência de causas evitáveis, mostra
que o Brasil fez bem a lição e superou em 11 pontos percentuais a
meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas que previa
uma redução em 66% da mortalidade na infância. Veja, a seguir,
dados do Unicef:
Brasil supera expectativas
Número de mortes de crianças com menos de 5 anos
(por mil nascidos vivos)
Entre 1990 e 2012, graças a combinação de várias estratégias, houve
uma queda de 77% da taxa de mortalidade de menores de 5 anos.
1990
10 30 6014 62
2012
atendidas contam com palestras
educativas que enfatizam o forta-
lecimento dos vínculos afetivos e
familiares. “Sinto-me muito feliz
e quero continuar frequentando
o programa. Aqui, aprendi muita
coisa. Mesmo já tendo dois filhos,
não sabia onde encontrar as vita-
minas certas que poderiam ajudar
na minha terceira gestação. Na
LBV aprendi a importância do
Amor e a acreditar em um mundo
melhor para mim e minha famí-
lia!”, declarou Priscila, confiante.
Saúde e qualidade de vida
66 BOA VONTADE
nova matéria escolar foi do diretor-
-presidente da LBV, José de Paiva
Netto, preocupado com o com-
portamento de risco da juventude.
À época, frisou a relevância de
tais assuntos serem tratados pelo
prisma da Espiritua­lidade Ecumê­
nica, portanto, em consonância
com valores éticos, ecumênicos e
espirituais.
De acordo com Debora Stelzer,
coor­denadora do ensino fundamen-
tal no Conjunto Educacional Boa
Vontade, na capital paulista, a dis-
ciplina Convivência é um espaço
de reflexão em que o aluno passa
a compreender melhor cada tema
e diferentes pontos de vista. “Ele
aprende a prevenir problemas, a
dizer não às drogas, ao álcool.
Diversas vezes, alunos até com
problemas alimentares acabaram
expondo-os e, assim, conseguimos
ajudá-los a resolver a situação”,
disse.
Famílias uruguaias
recebem atendimento
médico gratuito na LBV
Desde 2007, a Legião da Boa Vontade do
Uruguai mantém no Instituto de Educação da
LBV, em Montevidéu, um consultório médico para
atendimento de famílias de baixa renda. A iniciativa
é fruto de parceira da Instituição com o Ministério
da Saúde do país. No local, são feitas, em média,
20 consultas e exames gratuitos por dia, nas áreas
de pediatria, psicologia e ginecologia. A atendida
Jacqueline Arias (na foto, à direita), 38 anos, e seus
três filhos utilizam os serviços de saúde do consultó-
rio desde que conheceram a Obra. “Aprecio muito o
trabalho da LBV. Esse atendimento ajuda todas as
pessoas que vivem aqui, um bairro que realmente
precisa dessa atenção”, disse Jacqueline.
MacielFerreira
saúde bucal na bolívia A Legião da Boa Vontade da Bolívia mantém
na capital, La Paz, e em Santa Cruz de La Sierra importantes atividades
socioassistenciais. Entre elas, o programa Dentes limpos, crianças sadias, um
exemplo de como as tecnologias sociais cumprem papel fundamental em regiões
carentes de infraestrutura e afastadas de grandes centros urbanos. Em 2013,
foram beneficiadas sete unidades educacionais de Collana Tolar, zona rural, a
68 quilômetros da capital boliviana. Por meio dessa iniciativa foram realizadas
oficinas de saúde bucal, com informação sobre técnicas de escovação. A entrega
de kits de material de higiene pessoal complementou a ação. O trabalho foi
desenvolvido em parceria com professores e alunos das universidades Franz
Tamayo e de El Alto.
MelinaValencia
BOA VONTADE 67
A educadora ressalta que os
próprios educandos, muitas vezes,
escolhem os temas para análise em
sala de aula. “Certa vez, os alunos
do6o
ano pediramquefossemtraba-
lhados temas ligados aos cuidados
com o corpo, tais como higiene,
prevenção de doenças, alimenta-
ção... Lembro que chamamos uma
pediatra,eascriançasaproveitaram
para tirar dúvidas. Foi muito inte-
ressante.Emoutraocasião,aturma
do 9o
ano teve a curiosidade de sa-
ber o que é a doença de Alzheimer
e como preveni-la.”
A ex-aluna da LBV Priscila
Mendes, 17 anos, conta que apren-
deumuitocomadisciplina:“As au-
las de Convivência são um espaço
para reflexão sobre as nossas atitu-
deseformaçãodeumfuturomelhor
para nós e para as novas gerações.
Os jovens poderiam evitar trilhar
caminhos errados se tivessem um
espaço como esse, de alerta e de
conversa sem preconceitos”.
ALBV entende que investir em
informação representa importante
instrumento de avanço social e de
combate ao preconceito. Por isso,
há décadas, a Instituição promove
palestras educativas em suas es-
colas, Centros Comunitários de
Assistência Social e, por meio
de parcerias, em outras unida-
desdeensino.Alémdisso,divul-
ga na programação da Super Rede
Boa Vontade de Comunicação
(rádio, TV, internet e publicações)
campanhas de valorização da vida
e contra qualquer forma de precon-
ceito, dentre as quais Aids — O
vírus do preconceito agride mais
que a doença e Não use drogas.
Viver é Melhor!.
Combate ao câncer nos EUA A LBV dos Estados Unidos promove, em
parceria com a Rutgers New Jersey Medical School, o programa Prevenção do
Câncer (em inglês, Save Program). Por meio dessa ação, mulheres com 40 anos de
idade ou mais fazem consultas médicas e exames de prevenção da doença, como
a mamografia e o teste de Papanicolau. Elas também acompanham palestras
educativas no centro comunitário da Instituição no país. É utilizada ainda uma
unidade móvel para a realização dos exames.
atendimento odontológico em portugal
A Legião da Boa Vontade realiza palestras educativas
sobre os cuidados e a correta higiene bucal em suas unidades
socioeducacionais, beneficiando especialmente estudantes de 5 a 17 anos.
Desde 2001, a LBV de Portugal promove essa ação. Por meio do programa
Sorriso Feliz, os agentes comunitários da Instituição visitam escolas,
associações, jardins de infância e outros locais na cidade do Porto, em
Lisboa e em Coimbra para oferecer atendimento odontológico e atividades
socioeducativas e de orientação na área da saúde bucal. Para isso, a Obra
conta no país com mais de 200 colaboradores e três unidades móveis de saúde
oral.
Fotos:ArquivoBV
Saúde e qualidade de vida
68 BOA VONTADE
Saúde de mulheres
pelo mundo
A Organização das Nações Unidas, com o lançamento do
Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
2013, apresenta um panorama mundial dos avanços
e desafios para o alcance dos ODM até 2015. Veja, a
seguir, números atualizados sobre a saúde de meninas e
mulheres em importantes regiões do mundo.
América Latina
e Caribe
A região cumpriu,
quatro anos
antes do prazo, a
meta de reduzir
em dois terços
a mortalidade
infantil.
Brasil e Peru
obtiveram
os melhores
resultados na
diminuição desse
índice.
África subsaariana
É a região mais afetada pela
epidemia de aids: estima-se
que 1 em cada 20 adultos
esteja infectado pelo vírus,
o que representa a maioria
do total de pessoas vivendo
com o HIV em todo o
mundo (69%).
Apenas 28% das
mulheres jovens têm
um conhecimento mais
apurado do que seja
aids. A maioria das novas
infecções é transmitida
pelo sexo.
Sul e leste da Ásia
Entre 1990 e 2010, o número de
mortes maternas por ano diminuiu
de 543 mil para 287 mil em todo
o mundo, uma redução de 47%*.
No sul e no leste do continente
asiático, houve redução de cerca de
dois terços nesse índice.
Mulheres que dão à luz em áreas
rurais continuam em desvantagem
no que se refere à assistência
médica recebida. No campo, 53%
dos partos realizados recebem
atendimento especializado,
enquanto nas zonas urbanas esse
índice atinge 84%.
Cáucaso e Ásia
Central
Apesar dos
significativos
avanços no
combate ao
HIV/aids, a
incidência do
vírus HIV nessas
regiões mais do
que duplicou desde
2001.
Somente em 2011,
estima-se que 27
mil pessoas foram
infectadas.
* Fonte: Relatório Tendências sobre a mortalidade materna: 1990 a 2010 (ONU).
BOA VONTADE 69
Empoderamentofeminino
é meta global
Vice-diretora-executiva da ONU Mulheres
destaca avanços e desafios para alcançar
a igualdade de gênero e a autonomia
econômica feminina
Divulgação
Entrevista — Nações Unidas
Lakshmi Puri
70 BOA VONTADE
A
vice-diretora-executiva da
ONU Mulheres e responsá-
vel pela gestão do Gabinete
de Suporte Intergovernamental e
Parcerias Estratégicas das Nações
Unidas,sra.LakshmiPuri,acredita
em uma conscientização cada vez
maior acerca da situação da mulher
nomundoe,sobretudo,dosdesafios
que precisam ser superados.
Depois de quase três décadas
de importantes serviços prestados
à diplomacia indiana, ela passou a
integrar a Organização das Nações
Unidas em 2002. Juntou-se à equi-
pe da ONU Mulheres em março
de 2011, logo após a criação dessa
que é a principal instituição global
dedicada a fomentar a igualdade
de gênero e o empoderamento
feminino, tendo, inclusive, de-
sempenhado papel relevante no
desenvolvimento institucional e
na consolidação da entidade. O
trabalho lhe propiciou viajar por
várias partes do planeta e, assim,
conhecer de perto a difícil reali­
dade de milhões de mulheres.
Às vésperas da realização da
58a
sessão da Comissão das Nações
Unidas sobre a Situação da Mu-
lher (CSW), de 10 a 21 de março,
em Nova York, Estados Unidos, a
BOAVONTADEMulherconversou
com a sra. Lakshmi Puri a respeito
doencontroedasperspectivassobre
o novo conjunto de metas globais
pós-2015:osObjetivosdeDesenvol-
vimento Sustentável (ODS).
BOA VONTADE Mulher — “Desa-
fioseconquistasnaimplementa-
ção dos Objetivos de Desenvolvi-
mentodoMilênioparamulheres
e meninas” é o tema da sessão
“A nossa nova diretora-executiva tem ressaltado
o papel transformador da educação em todas as
áreas prioritárias, inclusive no fim da violência
contra as mulheres. (...) Além disso, a educação
tem um papel de destaque no contexto do
planejamento e do orçamento suscetíveis ao
gênero feminino.”
deste ano da CSW. Que balanço
a senhora faz desse momento?
Lakshmi Puri — Está havendo
um rápido balanço sobre os Objeti-
vosdeDesenvolvimentodoMilênio
(ODM) e no que eles deixaram a de-
sejar no que diz respeito a mulheres
e meninas. Quais são os desafios,
lacunaseoportunidadesquesurgem
dessa experiência e desse registro?
Aomesmotempo,háumaoportuni-
Acompanhada do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a diretora-
-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, por ocasião da posse
dela no cargo, em agosto de 2013.
EvanSchneider/UNPhotos
dade única de associar essa análise a
dois outros processos históricos em
andamento. Um deles é a estrutura
de desenvolvimento pós-2015, na
qual metas de desenvolvimento
sustentável foram concebidas e, de
certaforma,lançadasnaconferência
Rio+20, ocorrida em 2012 no Rio
de Janeiro, e que serão negociadas
pelosgovernos.Essaestruturajáestá
sendo tratada no grupo de trabalho
BOA VONTADE 71
AlzirodePaiva
Publicação especial da LBV é entregue à vice-diretora-executiva da ONU
Mulheres, Lakshmi Puri (E), pela Legionária da Boa Vontade Adriana Rocha.
aberto. Teremos vinte anos de de-
bates sobre as plataformas de ações
em favor das mulheres. Também
sabemos que a 4a
Conferência Mun-
dialsobreasMulheres,realizadaem
Pequim(China),em1995,completa
seu 20o
aniversário no ano que vem.
Essa comemoração e uma análise
[do fato] constituem outro processo
histórico. Portanto, está ocorrendo
uma conjunção, uma confluência de
três processos históricos.
BV — As mulheres ainda repre-
mente dois de 130 países atingiram
esse objetivo em todos os níveis do
ensino, e as meninas ainda são mais
propensas a estar fora da escola
do que os meninos. Além disso,
elas predominam em trabalhos in-
formais e temporários, e persiste
a disparidade entre os gêneros no
emprego,comumadiferençade24,8
pontos percentuais entre homens e
mulheres na relação entre emprego
e população. Há também a taxa de
mortalidade materna, que se refere
ao ODM 5. Ela diminuiu 47% nas
duas últimas décadas, mas todos os
dias quase 800 mulheres morrem
durante a gravidez ou no parto,
apesar de existirem os meios para
salvá-las.Quantoàpolítica,émedia-
na a participação das mulheres nos
parlamentos, aspecto abordado no
ODM3,objetivoespecificamentere-
lacionado à promoção da igualdade
de gênero e da autonomia feminina.
Pelo ritmo observado nos últimos
quinze anos, por exemplo, levará 40
anosparaquesejaatingidaaparidade
de gênero entre os parlamentares.
BV—Emquemedidaasquestões
deigualdadedegênero,empode-
ramentoedireitosdasmulheres
devem influenciar os ODS?
Lakshmi Puri — No processo
daqui em diante e na definição de
uma nova estrutura de desenvolvi-
mento de 2015 a 2030, precisamos
assegurar avanços em um objetivo
específico de igualdade de gênero e
empoderamento feminino. Nós, da
ONU Mulheres, estamos propondo
esse objetivo para os Estados mem-
bros. Estamos buscando a liderança
doBrasilemasseguraresseobjetivo
específico de transformação, com
“Reconhecemos que a ênfase da LBV
na educação é uma estratégia-chave de
prevenção, fundamental para gerar mudança
de mentalidade, para transformar a cultura
do machismo, da desigualdade. Por isso, nós
aplaudimos vocês por escolherem esse tema
como estratégia.”
sentam a maioria das pessoas
pobres no mundo?
LakshmiPuri—Nospaísesem
desenvolvimento, 70% dos pobres
são mulheres, particularmente entre
os extremamente pobres. Houve
diminuição da situação de pobreza,
mas a feminização da pobreza per-
manece e se acentua. A matrícula
no ensino primário nas regiões em
desenvolvimento atingiu 90% em
2011, e a prioridade de gênero nessa
fase do ensino em âmbito mundial
foi quase alcançada. Contudo, so-
Entrevista — Nações Unidas
72 BOA VONTADE
A sra. Lakshmi Puri (E), ao lado da atriz e embaixadora da boa vontade da ONU
Nicole Kidman.
três metas amplas. A primeira delas
abrange a segurança, a integridade
físicaepessoaleadignidadedasmu-
lheres, meta esta sintetizada no fim
da violência de gênero. A segunda
contempla a autonomia econômica
e social, em termos de acesso a
recursosprodutivos,emprego,capa-
citação e desenvolvimento de habi-
lidades, gestão de recursos naturais
e serviços essenciais. (...) A terceira
meta está relacionada à participação
e liderança no lar, no setor privado e
em instituições públicas, não só no
âmbito do parlamento.
BV — Como a senhora vê a atua-
çãodeorganizaçõesdasociedade
civil na ONU, a exemplo da LBV,
que utiliza a educação como es-
tratégiaparaprevençãoecomba-
te a toda forma de desigualdade
e de violência de gênero?
Lakshmi Puri — Nós valo­
rizamos muito a parceria com a
sociedade civil. Pode-se dizer que
não existiríamos se a força vibrante
das organizações femininas e da
sociedadecivilnãoestivesseportrás
denossacriação.Eumaorganização
da sociedade civil como a Legião da
Boa Vontade — que dedica grande
parte de suas ações sociais e educa-
cionais a ajudar mulheres e crianças
e tem a educação como estratégia
principal para prevenir e combater
toda forma de desigualdade ou
violência de gênero — é algo que
realmente ressoa em nós e na nossa
missão. Vocês fazem avançar uma
parte importante da nossa missão
onde quer que atuem.Acabar com a
violência contra as mulheres é uma
área realmente prioritária para a
ONUMulheres.(...)Reconhecemos
que a ênfase da LBV na educação é
uma estratégia-chave de prevenção,
fundamental para gerar mudança
de mentalidade, para transformar a
culturadomachismo,dadesigualda-
de. Por isso, nós aplaudimos vocês
por escolherem esse tema como
estratégia.
BV — Essa é também uma preo­
cupação na agenda da ONU Mu-
lheres?
Lakshmi Puri — A nossa nova
diretora-executiva tem ressaltado o
papeltransformadordaeducaçãoem
todas as áreas prioritárias, inclusive
nofimdaviolênciacontraasmulhe-
res. Para a autonomia econômica, é
A LBV apoia a campanha da ONU para identificar as prioridades da
população na construção dos ODS. Participe!
UNWomen
necessária a educação; para partici-
paçãoeliderançapolítica,novamen-
te está a educação; para capacitar as
mulheres para atuar em situações
de conflito e pós-conflito, é funda-
mental a educação. Além disso, a
educação tem um papel de destaque
no contexto do planejamento e do
orçamento suscetíveis ao gênero
feminino.Trabalharcomasociedade
civil é uma estratégia essencial para
a ONU Mulheres. É grande nossa
expectativa em trabalhar com vocês
noâmbitodacampanhaPequim+20,
queteráentreseuspontosprincipais,
certamente, a educação e o tema
do empoderamento da mulher e da
Humanidade.
BOA VONTADE 73
LBV na ONU
Shutterstock.com
74 BOA VONTADE
Agenda de
desenvolvimento
pós-2015
I
mpulsionar o empoderamento feminino é uma
das principais metas da ONU Mulheres, entidade
das Nações Unidas com o intuito de propor solu-
ções para os problemas da desigualdade de gênero.
Anualmente, o órgão realiza reuniões de grande
relevância as quais visam avaliar progressos, identi-
ficar desafios, estabelecer metas e formular políticas
para a promoção do fortalecimento de uma cultura
igualitária para homens e mulheres.
Em março deste ano ocorreu a 58ª sessão da
Comissão sobre a Situação da Mulher (em inglês,
CSW), que congregou milhares de representantes
da sociedade civil internacional e de delegações
dos países membros da ONU na sede desse orga-
Evento da ONU reforça a
necessidade de a igualdade de
gênero figurar no próximo conjunto
de metas globais.
Reprodução das capas da
revista BOA VONTADE Mulher,
editada nos idiomas espanhol,
francês, inglês e português, que
foi entregue aos participantes
da 58a
sessão da Comissão sobre
a Situação da Mulher.
BOA VONTADE 75
nismo internacional em Nova
York, EUA, para o debate do
tema “Desafios e conquistas na
implementação dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milê-
nio para mulheres e meninas”.
Logo na cerimônia de abertura,
a subsecretária-geral das Nações
Unidas e diretora-executiva
da ONU Mulheres, Phumzile
Mlambo-Ngcuka, fez questão
de destacar: “Precisamos, o
quanto antes, dar importantes
saltos, não passos pequenos,
para alcançar a igualdade entre
mulheres e homens. Necessita-
mos de medidas ousadas”. Ela
também afirmou que “a solução
para os desafios mais urgentes
do mundo — como eliminar a
pobreza, reduzir a desigualdade,
trazer a paz sustentável e com-
O Departamento de Informação Pública das Nações Unidas
(DPI) está divulgando na página oficial que mantém no Facebook
a revista BOA VONTADE Mulher. No local, o órgão disponibiliza
para leitura os links das quatro versões da publicação e destaca
assim o conteúdo dela: “Além de uma declaração por escrito,
compartilhando as boas práticas educacionais da organização,
em prol das mulheres da América Latina, a revista apresenta
uma entrevista exclusiva com a vice-diretora-executiva da ONU
Mulheres, a sra. Lakshmi Puri, bem como um artigo do escritor
e presidente da LBV, Paiva Netto, intitulado ‘Solidariedade e
direitos humanos’”.
LBV na ONU
QR CODE
Para ler a edição 2014 da revista BOA VONTADE
Mulher em seu celular, smartphone ou tablet, baixe
no aparelho o aplicativo QR Code e fotografe o código
ao lado.
Lakshmi Puri (E), vice-diretora-executiva
da ONU Mulheres, com a representante da
LBV no evento, Adriana Rocha. Ela fez
questão de agradecer a oportunidade de falar
à BOA VONTADE Mulher sobre a elaboração
da agenda de desenvolvimento pós-2015,
a qual deve levar em consideração a meta
para se conquistar a igualdade de gênero e o
empoderamento feminino.
Osecretário-geraldasNaçõesUnidas,BanKi-moon(E),discursanaaberturada
58a
sessãodaComissãosobreaSituaçãodaMulher.Aoladodeleestãooembaixador
Libran N. Cabactulan (C), presidente da CSW e representante permanente da
República das Filipinas junto à ONU, e Tegegnework Gettu, subsecretário-geral
doDepartamentoparaAssembleia-GeraleGestãodeConferências(DGACM).Cabe
mencionar que Ban Ki-moon ainda foi cumprimentado pelos representantes da
LBVeagradeceu-lhes,atencioso,orecebimentodarevistaBOAVONTADEMulher,
que contribuiu para o debate do tema do evento.
ONU divulga publicação especial da LBV
YreneSantana
UNPhotos/PauloFilgueiras
76 BOA VONTADE
bater as alterações climáticas
— só pode ser alcançada com a
participação plena e equitativa
das mulheres”.
Durante o evento, buscou-se
examinar a situação feminina
mundial ao serem abordados a
igualdade de gênero na educa-
A publicação especial da Legião da Boa Vontade é entregue à
subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora-executiva
da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka (E), pela
representante da LBV Adriana Rocha.
Helen Clark (D), administradora do Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), toma
conhecimento das recomendações da LBV acerca do
tópico da conferência.
Mariana Malaman, da LBV, confraterniza com integrantes do Exército brasileiro,
o general de divisão Edson Leal Pujol (D) e o comandante militar José Luiz
Jaborandy Júnior, à frente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no
Haiti (Minustah).
ção, no mercado de trabalho e
nos parlamentos; os direitos da
mulher quanto à saúde e aos di-
reitos sexuais e reprodutivos; o
acesso à tecnologia; e outros tó-
picos. As discussões colaboraram
ainda para que fossem definidos
itens da agenda de desenvolvi-
mento pós-2015 que assegurem
o empoderamento da mulher e a
igualdade de gênero como prio-
ridades globais.
Exemplo da LBV
Uma das instituições partici-
pantes da assembleia, a Legião
O embaixador Antonio Patriota,
representante permanente do Brasil
nas Nações Unidas, com a publicação
especial da LBV em português.
GabrielaMarinho
GabrielaMarinhoYreneSantana
SâmaraMalaman
BOA VONTADE 77
Irina Bokova (E), diretora-geral da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), recebe a
publicação da LBV.
Susan Hopgood (E), presidente da Education
International, uma das maiores federações de sindicatos
de professores do mundo, ao lado da representante da
Legião da Boa Vontade no encontro Sâmara Malaman.
A princesa Mary da Dinamarca (E), do Grupo de Trabalho de
Alto Nível da Conferência Internacional sobre População e
Desenvolvimento (CIPD), toma conhecimento do trabalho da LBV.
Rane Johnson-Stempson (E), diretora principal de
Pesquisa de Educação e Comunicação Científica da
Microsoft Research, recebe de Yrene Santana, da LBV, a
publicação especial da Entidade.
LBV na ONU
Liz Ford (E), subeditora do jornal
britânico The Guardian, toma
conhecimento das recomendações
da Instituição, por intermédio da
representante da LBV Veronica Anta.
A embaixadora Alya Ahmed Saif
Al-Thani (E), da Missão Permanente
do Qatar na ONU, com a BOA VONTADE
Mulher em inglês. Ao lado dela, a
representante da LBV Eliana Gonçalves.
Patricia Cortéz (D), da Missão
Permanente do Peru nas Nações
Unidas, e a representante da Legião
da Boa Vontade Gabriela Marinho.
SâmaraMalaman
SâmaraMalaman
SâmaraMalaman
GabrielaMarinho
AdrianaRocha
GabrielaMarinho
ElianaGonçalves
78 BOA VONTADE
da Boa Vontade — que se faz
presente em encontros organi-
zados pela ONU com esse foco
desde 1995, quando da realiza-
ção da 4ª Conferência Mundial
sobre as Mulheres, em Pequim,
China — mais uma vez apresen-
tou às autoridades e delegações
internacionais sua contribuição
para o fomento da educação e da
reeducação, as quais considera
estratégias de maior eficácia na
luta contra a violência de gêne-
ro. Na ocasião, lançou a revista
BOA VONTADE Mulher (em
português, inglês, francês e es-
panhol), por intermédio da qual
oferece, com base em seu traba-
lho solidário, recomendações de
boas práticas sociais referentes
a quatro assuntos extremamente
relevantes: educação, combate à
pobreza, saúde e segurança.
Em entrevista exclusiva à pu-
blicação, a vice-diretora-executi-
va da ONU Mulheres, Lakshmi
Puri, discorreu sobre os desafios
Danilo Parmegiani, representante da Legião da Boa Vontade
na ONU, conversa com Rabiha Diab, ministra para os Assuntos
da Mulher da Palestina (C), e a embaixadora Somaia Barghouti,
conselheira sênior e observadora permanente da Missão da
Palestina para a ONU.
Cristina Carrión, ministra da Missão Permanente do
Uruguai nas Nações Unidas, e a representante da LBV,
Conceição de Albuquerque, que lhe apresenta as
recomendações da Instituição.
Sandra Fernandez (E), da LBV, e
Najat Vallaud-Belkacem (D), ministra
de Direitos da Mulher, da Cidade, da
Juventude e dos Esportes da França.
Danilo Parmegiani entrega a revista BOA
VONTADE Mulher em francês à senadora
Aisha Alhassan, do governo da Nigéria.
Yrene Santana (E), da LBV, e Agnes Leina (C) e Grace Mbugua, integrantes da
delegação do Quênia.
SâmaraMalaman
GabrielaMarinho
GabrielaMarinhoElianaGonçalves
ElianaGonçalves
BOA VONTADE 79
a serem superados para que se al-
cance a igualdade de gênero, bem
como acerca da importância de o
trabalho da Legião da Boa Vonta-
de ser direcionado para a forma-
ção das novas gerações. “Reco-
nhecemos que a ênfase da LBV na
educação é uma estratégia-chave
de prevenção, fundamental para
gerar mudança de mentalidade,
para transformar a cultura do
machismo, da desigualdade.
Por isso, nós aplaudimos vocês
Baixe o leitor QR Code em seu celular, smartphone ou
tablet, fotografe o código ao lado e ouça, na íntegra,
entrevista que o representante da LBV nas Nações Unidas,
Danilo Parmegiani, concedeu à Rádio ONU Português.
Na ocasião, ele falou das boas práticas socioeducacionais
da Instituição para o desenvolvimento, a melhoria de
vida e o bem-estar de famílias e mulheres em situação de
vulnerabilidade social.
A edição 2014 da publicação especial da LBV é
entregue a Lourdes Bandeira (E), secretária-
-executiva da Secretaria de Políticas para
as Mulheres da Presidência da República.
Simpática, ela afirmou que conhece o trabalho
da Instituição e reconheceu os esforços da Obra
em contribuir para o debate do tema de tão
importante evento da ONU. Ao lado, Conceição
Albuquerque,daLBV.
LBV na ONU
Palestrantes da 58a
sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher tomam
conhecimento do trabalho da LBV em favor do empoderamento feminino por
meio da publicação especial da Instituição. A partir da direita, Bayarsaikhan
Enkhchimeg, secretária de Estado do Ministério do Desenvolvimento e
Proteção Social da Mongólia; Urmas Paet, ministro das Relações Exteriores
da Estônia; e Eva-Maria Liimets, diretora da Divisão das Organizações
Internacionais do Departamento Político do Ministério das Relações
Exteriores da Estônia.
Gabriela Marinho, da LBV, apresenta as
recomendações da Instituição à embai-
xadora Duduzile Moerane-Khoza (E),
diretora-executiva dos Programas Es-
peciais e de Gênero do Departamento de
Relações Internacionais e Cooperação
da República da África do Sul, e a Thoko
Mpumlwana (C), vice-presidente da Co-
missão para a Igualdade de Gênero.
GabrielaMarinho
YreneSantanaElianaGonçalves
80 BOA VONTADE
por escolherem esse tema como
estratégia”, ressaltou.
Amplamente difundida na
conferência e muito bem rece-
bida pelos participantes desta,
a visão social e humanitária da
LBV sobre a matéria é exposta
em toda a revista, que abre com
Claudia García (D), vice-ministra de Igualdade e Não Discri-
minação do Ministério da Mulher do Paraguai, recebe a publi-
cação especial da LBV da representante da Instituição.
Eliana Gonçalves confraterniza com Julia Duncan-Cassell (D),
ministra de Gênero e Desenvolvimento da Libéria, e entrega-lhe
a BOA VONTADE Mulher em inglês.
A embaixadora Sofia Borges (D), da Missão Permanente
do Timor-Leste nas Nações Unidas, toma conhecimento da
atuação da LBV em favor da igualdade de gênero por meio
da revista BOA VONTADE Mulher.
Representante da LBV, entrega a BOA VONTADE Mulher a Gloria
Bonder, diretora da Área de Gênero, Sociedade e Políticas
da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso
Argentina) e coordenadora da Cátedra Regional Unesco
Mulher, Ciência e Tecnologia na América Latina.
o artigo “Solidariedade e direitos
humanos”, fraterna mensagem do
diretor-presidente da Instituição,
jornalista, escritor e radialista
José de Paiva Netto. No texto, o
autor expressa um desejo: “(...)
que todos os seres humanos se-
jam realmente iguais em direitos
e oportunidades, e cujos méritos
sociais, intelectuais, culturais
e religiosos, por mais louvados
e reconhecidos, não se percam
dos direitos dos demais cida-
dãos. Porquanto, liberdade sem
responsabilidade e fraternidade
é condenação ao caos”.
GabrielaMarinho
SandraFernandezGabrielaMarinho
GabrielaMarinho
BOA VONTADE 81
Respeito Garantia de
igualdade de
gênero e fim da
violência contra
a mulher ainda
desafiam a
agenda global
e integridade
damulher
Divulgação
Mariane de Oliveira Luz
Direitos Humanos
Pelo fim da violência
82 BOA VONTADE
A
Declaração sobre a Elimi-
nação da Violência contra
as Mulheres, proclamada
pelaAssembleia-Geral das Nações
Unidas, em 20 de dezembro de
1993, foi o primeiro documento
internacional de direitos humanos
focado na violência de gênero, com
destaque para aspectos fundamen-
tais de liberdade. O manifesto se
une a muitos estudos e relatórios
publicados em diversos países que
mostram estatísticas alarmantes
desse tipo de violência, ainda tão
presente no mundo.
De acordo com a ONU, o
problema afeta uma parcela sig-
nificativa da população feminina,
independentemente de país, etnia,
classe social ou grau de instrução.
A América Latina é apontada
como uma das regiões com maior
incidência desse crime. Dados de
relatório divulgado pela Comissão
Econômica para aAmérica Latina
e o Caribe (Cepal) informam que
45% das mulheres dizem já ter so-
frido ameaças do próprio parceiro,
namorado ou marido. A Bolívia
apresenta um dos piores índices:
52% das mulheres já teriam ex-
perimentado alguma forma de
agressão sexual ou física cometida
pelo companheiro. Em seguida,
aparecem a Colômbia (39%), o
Peru (39%) e o Equador (31%).
(Fonte: Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento.)
Cultura de submissão
O acesso precário à informa-
ção e a ausência de ações efetivas
em favor do empoderamento fe-
minino estão entre os fatores que
ajudam a perpetuar essa prática
violenta no mundo. A presidente
da Fundação para o Desenvol-
vimento de uma Convivência
Pacífica na América Latina e no
Caribe (Fundeconp), Vanessa
Castedo, licenciada em Relações
Internacionais com menção a re-
soluções de conflitos, observou:
“Historicamente, o papel da
mulher na Bolívia está embasado
numa cultura patriarcal, na qual
ela é excluída e vitimada perante
o homem por ser considerada o
sexo frágil. Isso a coloca em uma
situação crítica”.
Por tudo isso, a Legião da
Boa Vontade da Bolívia promove
no país ações de valorização da
mulher, o que tem contribuído para
combater o descaso e a impunidade
(veja o quadro “Lei mais rígida”,
p. 84).
Além das informações oficiais,
pesquisa feita com as famílias
das crianças atendidas no Jardim
Infantil Jesus, da LBV, em La
Paz, identificou as dificuldades
“Quando um dos meus filhos tinha 4 anos e outro estava
prestes a completar 2, quase sofreram queimaduras. Tive de
deixá-los sozinhos e eles estavam com fome, puseram uma
chaleira no fogão e, por um acidente, a casa pegou fogo. Meus
filhos tiveram de apagar o fogo, e isso me assustou. Agora
posso trabalhar tranquila. (...) Sou muito grata à LBV. Todos
os dias peço a Deus que sempre os abençoe, que continuem
trabalhando pelas pessoas que precisam. Estou muito feliz.”
Mariana Laura Sullcani
34 anos, auxiliar de limpeza e mãe de quatro filhos; três deles contaram com o atendimento
do Jardim Infantil Jesus, da LBV, na capital boliviana.
AndreaVarela
Estima-se que 70%
das mulheres já
sofreram algum
tipo de violência,
seja física, sexual,
psicológica ou
econômica.
Fonte: Organização das Nações
Unidas.
BOA VONTADE 83
cológico. Todas devem aprender a
se valorizar.”
Conscientizar-se desde
cedo
Na Bolívia, meninas e meninos
emidadeescolartambémrecebemo
incentivo da Legião da BoaVontade
paradaremcontinuidadeaosestudos
por meio da Campanha Educação
em Ação.Ainiciativa compõe-se de
três etapas e beneficia crianças de
comunidades onde vivem famílias
em situação de vulnerabilidade so-
cial e são altos os índices de evasão
escolar e repetência.
A jovem Noemí Sandra, aten-
dida pela campanha em área rural
próxima de La Paz, sonha em um
dia ser advogada, graças ao apoio
da LBV. “Educação é a liberdade.
As crianças aprendem coisas boas
na escola. A mochila, o caderno, a
caneta, o compasso, tudo é muito
lindo; são motivações para a gente
ser algo na vida, para ajudar nosso
povo a seguir adiante”, disse.
Estefanía Condori
que a população feminina en-
frenta para se inserir no mercado
de trabalho, a começar pela falta
de instrução (ensino elementar)
ou de conhecimento técnico-
-profissional da maioria dessas
mulheres. Por isso, a Instituição
atua principalmente em duas fren-
tes: recebe as crianças em sua es-
cola em período integral, para que
as mães possam trabalhar; e, desde
1999, desenvolve os programas
Centro de Capacitação Técnica
e Centro de Alfabetização. Neles,
são oferecidos às atendidas cursos
profissionalizantes e as primeiras
letras.
Com esse apoio, a vida delas se
transforma. Qualificação profissio-
nal e autoestima renovada, então,
resultam em melhores condições
sociais e econômicas para a famí-
lia. É o caso de Estefanía Celia
Condori, de 37 anos, ope-
radora de telemarketing,
mãe de Johana Abigail
Veles Condori, de 3 anos.
Ela relembra a satisfação
de ver a filha atendida pela
Obra. “Quando cheguei à
LBV, estava em uma situação muito
difícil. Na verdade, não me casei,
mas decidi ter minha filha e criá-
-la sozinha, desde que perdemos o
AndreaVarela
contato com o pai dela. Naquele
momento, a LBV abriu as portas
para mim, me deu a mão, conse-
lhos; ajudou-me muito nas neces-
sidades de minha filha, não me
deixou sozinha. Agradeço
a Deus por terem aceitado
a Johana no Jardim Infan-
til Jesus.”
O apoio socioeducacio-
nal que encontrou na LBV,
segundo ela, fez com que
adquirisse outra mentalidade a fim
de não mais aceitar qualquer tipo
de constrangimento. “Não sofri
abuso físico, mas sofri abuso psi-
Lei mais rígida
O governo boliviano promulgou, em março do ano passado, a
Lei Integral para Garantir às Mulheres uma Vida Livre de Violência.
Nos casos de assassinato por motivo de ódio ou desprezo, por
exemplo, a nova legislação prevê pena de até 30 anos de prisão,
sem direito a perdão. Além da punição rigorosa ao feminicídio, a
lei determina às escolas a aplicação de políticas preventivas e de
formação em favor da igualdade de gênero.
Segundo dados
do Centro de
Informação e
Desenvolvimento
da Mulher (Cidem,
Bolívia), entre
2007 e 2011,
foram registradas
247.369 denúncias
contra a violência
de gênero. Nesse
período, apenas
51 casos tiveram
desfecho com
sentença para o
agressor.
Direitos Humanos
shutterstock.com
84 BOA VONTADE
Acontece no DF
O
Centro Comunitário de As-
sistência Social, da Legião
da Boa Vontade, recebeu,
no dia 9 de maio, em Brasília/DF,
a visita do tenente-coronel-aviador
Mauro Rogério, da Força Aérea
Brasileira (FAB). Na oportunidade,
ele conheceu as dependências e o
trabalhosocioeducacionalrealizado
pela Instituição na capital federal.
Ao visitar as salas de atividade
do programa Criança: Futuro no
Presente!, Mauro Rogério conver-
sou com meninas e meninos que
participam da iniciativa, incenti-
Visite, apaixone-se
e ajude a LBV!
Em Brasília/DF, o Centro Comunitário de Assistência Social da LBV está
localizado no SGAS 915, Lote 74 (ao lado do Templo da Boa Vontade).
Para outras informações, ligue: (61) 3410-6000.
B r a s í l i a / D F
Tenente-coronel da Aeronáutica
destaca trabalho da LBV:
"É diferenciado!"
vando-os a nunca desistirem de
seus sonhos. “Percebi disciplina,
ordem e respeito quando cheguei
aqui. Todas as crianças, sem ex-
ceção, veem no professor uma au-
toridade. Esses valores que a LBV
tem passado estão se perdendo por
aí. É um ambiente diferenciado e
existe um trabalho muito nobre
sendo feito aqui”, disse.
Na LBV, os pequeninos parti-
cipam de atividades que contem-
plam oficinas lúdicas, recreativas,
esportivas e culturais que ajudam
a fortalecer a convivência fa-
miliar e comunitária, visando à
garantia de direitos sociais. To-
das as ações são permeadas pela
Pedagogia do Afeto, que integra,
ao lado da Pedagogia do Cidadão
Ecumênico, a inovadora linha
educacional criada pelo educador
Paiva Netto. Essa proposta se
fundamenta na formação integral
do ser humano, porque o vê nas
suas dimensões física, psicoló-
gica, social e espiritual, o que é
indispensável para a construção
de uma sociedade verdadeira-
mente solidária.
O tenente-coronel da Aeronáutica conversou com as crianças e destacou a importância de nunca desistirem de seus sonhos.
Fotos:GustavoHenriqueLima
Da Redação
BOA VONTADE 85
Gols por um mundo melhor
Soldadinhos de Deus
Protagonismo infantil
Da Redação
86 BOA VONTADE
F
oi dado, no dia 21 de março
deste ano, o pontapé inicial
do 12º Fórum Internacional
dos Soldadinhos de Deus, da LBV.
A partir do tema “Futebol da Cari-
dade—Fazendogolsparamelhorar
o mundo”, escolhido pelas próprias
crianças atendidas pela Legião da
BoaVontade,umasériedeatividades
está sendo organizada ao longo de
2014. O assunto, mais do que nunca
em pauta — por causa da realização
da Copa do Mundo no Brasil —,
ganhou abordagens especiais no
encontro, que ocorreu nas escolas
e nos Centros Comunitários de As-
sistência Social da Instituição e nas
Igrejas Ecumênicas da Religião de
Deus, do Cristo e do Espírito Santo.
De acordo com o diretor-presi-
dente da LBV e criador do evento,
o educador José de Paiva Netto, o
fórum é uma iniciativa da Institui-
“Para o Amor vencer os maus
sentimentos de 10 x 0, é preciso
cultivar o respeito, a amizade, ajudar ao
próximo, fazer oração e ter sempre bons
pensamentos. Assim, o Amor será sempre
campeão, e as pessoas, mais felizes!”
Allana Maria da Silva, 10 anos.
Araxá/MG.
ção com o objetivo de promover o
protagonismo infantil, ao dar a essa
gente pequena um amplo espaço
para expor ideias e aprender a se
defender do mal, da violência. Por
isso, uma variada programação, es-
pecialmenteelaboradaparaoevento,
foioferecidanaqueladataàgarotada,
que pôde expressar sua opinião por
meio de ações artísticas, culturais
e esportivas, mostrando que tem
muito com o que contribuir para um
GRANDE REPERCUSSÃO Palestra do diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, é transmitida,
via satélite, por rádio, televisão e internet para o Brasil e exterior.
BOA VONTADE 87
mundo melhor. As crianças partici-
paramderodasdeconversa,debates,
dinâmicas, jogos, dramatizações,
coreografias, oficinas de pintura e
desenho, apresentações musicais,
contação de histórias, confecção de
brinquedoscomsucataeoutrostipos
de material reaproveitável, painéis
temáticos e mostras culturais.
Cabe destacar que as atividades
promovidas em todas as edições do
fórum incentivam o debate de as-
suntos atuais importantes referentes
à sociedade e que se procura incluir
semprenessaspráticasavivênciade
valores éticos, ecumênicos e espiri-
tuais. Isso está em consonância com
o que afirmou, à época da criação
do fórum, em 2003, o dirigente da
LBV: “Convidaremos psicólogos,
educadores, profissionais compro-
missados com a educação e que
têm algo a acrescentar ao desen-
volvimento saudável das crianças.
O pensamento delas é uma reflexão
que nos dá perspectiva de um mun-
do melhor. (...) Vocês [crianças]
possuem força diante de Deus. Vão
Soldadinhos de Deus
Manaus/AM
Goiânia/GO
Petrópolis/RJ
Campo Grande/MS
MariadoSocorroLeãoEgezielCarlos
LeonardoTomaz
GenivaldoMarquiza
88 BOA VONTADE
ter a oportunidade de manifestar-se
(...), porque precisam aprender a se
defender (com Amor e inteligência,
alicerçados na Espiritualidade
Ecumê­nica)”.
Sessão solene
A abertura desta edição do Fó-
rum Internacional dos Soldadinhos
de Deus, da LBV, foi marcada por
váriosacontecimentos.Umdelesfoi
atransmissãodemensagemfraterna
dodirigentedaInstituição,dedicada
por ele a todos os que o acompanha-
vam pela Super Rede Boa Vontade
deComunicação(rádio,TV,internet
e publicações), que propagou em
tempo real as palavras dele.
O Dia Internacional de Luta pela
Eliminação da Discriminação Ra-
cial, comemorado naquela mesma
ocasião, foi lembrado pelo dirigente
da LBV. Ele leu trechos do artigo
“Racismo — cancro social”, de
autoriadele,noqualfazimportantes
apontamentos acerca do assunto.
“Em 20 de março, no hemisfério
sul, onde o Brasil está localizado,
Recife/PE Uruguai
Paraguai
BrunoGonçalves
BettinaLopezGracielaRaquel
É um conceito criado pelo saudoso fundador da Legião
da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), ainda na
década de 1950, conforme registra a BOA VONTADE
no
15, p. 4 (set./1957). Em alusão ao esporte das quatro
linhas, ele afirmava que cada doação feita à LBV era
um gol em favor do povo brasileiro. A iniciativa, além de
homenagear os colaboradores da Instituição, empolgava
outras pessoas com bons exemplos, dando corpo à Cam-
panha da Boa Vontade por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais
feliz. Em suas mensagens radiofônicas, Zarur costumava dizer: “Futebol da
Caridade, o Futebol que Salva Vidas e Almas para Deus. Neste futebol,
todos são campeões, todos saem ganhando: os que recebem e os que dão,
mas, principalmente, os que dão, porque dando é que recebemos. Coisa
mais bem-aventurada é dar do que receber”.
Alziro Zarur
Futebol da Caridade
BOA VONTADE 89
tem início o outono. A estação lem-
bra os tempos de maturidade, espí-
rito do qual devemos nos revestir
para lidar com os desafios diários.
Um deles, sem dúvida uma tarefa
para todos os brasileiros, sejam
brancos, negros ou mestiços, é o
combate ao racismo em todas as
suas torpezas”, afirma no texto. E
continua: “Não é de hoje que levan-
to minha voz contra esse cancro da
sociedade, inclusive porque, como
a maioria dos brasileiros, tenho
sangue negro. Desde a década de
1980, a imprensa do Brasil e do
exterior vem publicando vários de
meus artigos, em que exalto o valor
da raça negra, a exemplo de ‘Apar-
theid lá e Apartheids cá’, ‘Racismo
é obscenidade’, ‘A miscigenação
do mundo é inevitável’,e tantos
outros”.
Namensagem,PaivaNettoainda
recorda que a data, “instituída pela
“Todos nós fazemos parte de um
mesmo time. Por isso, devemos fazer
os gols da Paz, da Solidariedade, do
Amor e da união. Com esses gols, todos
seremos vencedores e construiremos
um mundo bem melhor.”
Iago Michael dos Reis Silva, 9 anos.
Araxá/MG.
Soldadinhos de Deus
São Paulo/SP
Duque de Caxias/RJ
PedroPeriottoRaphaelManoel
90 BOA VONTADE
ONU em 1969, homenageia os 69
sul-africanosassassinadosem1960,
duranteumconfrontocomapolícia.
Eles protestavam contra a ‘Lei do
passe’, que impedia o direito de ir
e vir da população negra. ‘Mas-
sacre de Sharpeville’, assim ficou
conhecido esse lamentável episódio
em Joanesburgo, na África do Sul,
que colocou mais uma mancha de
sangue na história da Huma-
nidade”.
Em seguida, res-
salta o papel da Edu-
cação para o surgi-
mento de uma so-
ciedade mais justa e
fraterna. “Enquanto
houver uma criatura
cruelmen­te discrimina-
da, o currí­culo humano
estará maculado. Perseveremos,
pois, no trabalho de congraçar,
pelo Ecume­nismo dos Corações,
as etnias existentes no mundo.”
E conclui: “Daí primarmos por
levar educação de qualidade às
crianças e aos jovens das escolas
da LBV e de seus programas socio-
educativos.Alimentados de valores
espirituais, humanos, éticos e de
cidadania, eles serão os multipli-
cadores de práticas construtoras
da Paz e do progresso sustentável
para as comunidades do planeta”.
Incentivo à leitura
Durante o fórum também ocor-
reu a inauguração das novas insta-
lações da Biblioteca Bruno Simões
de Paiva (com um acervo aberto de
25 mil títulos), que funcionava em
outro recinto do próprio Conjunto
Educacional Boa Vontade, localiza-
do na capital paulista. Várias foram
Crianças norte-americanas
ganham novo espaço
Em Newark, Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, a abertura
do 12o
Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV foi marcada
também pela entrega de um novo espaço para as atividades das Living
on Values and Ecumenical Spirituality (LOVES) — em português, Aulas
de Moral Ecumênica (AMEs).
No local são oferecidas atividades que incentivam as crianças a ser
solidárias, e a agir com Amor e Caridade, valores ensinados por Jesus, o
Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Para os pais, a iniciativa ajuda a fazer
de seus filhos bons cidadãos. “É muito interessante e foi uma forma feliz
de colocar as crianças em contato com Jesus. Minha filha gostou muito
dessa primeira experiência, e penso que agora não vai querer deixar de
vir mais”, salientou Paula Oliveira, portuguesa radicada naquele país.
Nova Jersey/EUA
Fotos:GabrielaMarinho
BOA VONTADE 91
Soldadinhos de Deus
1 2
3
(1) Alunos do Conjunto Educacional
da Boa Vontade, localizado na
capital paulista, descerraram a fita
de inauguração da Biblioteca Bruno
Simões de Paiva. Ao centro, a neta do
dirigente da Instituição Laís de Paiva
Tonin. (2) A Jovem Legionária Letícia
de Paiva Tonin discursou durante a
inauguração. Na oportunidade, ela
destacou o incentivo à leitura que
foi passado de geração para
geração. (3) Um quadro de
Bruno Simões de Paiva (1911-
2000) ficará em exposição na
biblioteca. Na foto, Iraci de Paiva
Tonin conduz a solenidade.
Fotos:VivianR.FerreiraCopyright/SoldadinhosdeDeus
92 BOA VONTADE
Assista ao clipe da
música-tema do 12o
Fórum Internacional dos
Soldadinhos de Deus, da
LBV: Todo o planeta é
campeão! Baixe o leitor QR
Code em seu smartphone
ou tablet, fotografe o
código e veja.
asmudançasimplantadasnoespaço,
possibilitando à escola oferecer um
ambiente maior e mais agradável
para a leitura e a pesquisa, com
modernas mesas, cadeiras e com-
putadores, além de janelas amplas,
que permitem maior luminosidade
natural.
O estímulo à leitura é uma das
preocupações do educador Paiva
Netto, que sempre foi motivado
a essa prática por seu pai, Bruno
SimõesdePaiva(1911-2000).Daía
merecidahomenagem.Nacerimônia
de inauguração do espaço, a douto-
randa em Educação, supervisora da
linha educacional da LBVe diretora
da escola, Maria Suelí Periotto,
declarou: “Gostaria de parabeni-
zar o nosso querido Irmão Paiva,
porque, é claro, esta biblioteca não
está começando a funcionar agora.
Nesses 26 anos de Conjunto Edu-
cacional Boa Vontade, nós sempre
tivemosesseincentivodapartedele,
cada vez em ambientes maiores e
melhores”.
Na ocasião, representando o di-
rigente da LBV, a jovem Letícia de
Paiva Tonin agradeceu a todos os
que contribuíram para a concretiza-
ção do projeto.
Portugal
Portugal
Argentina
ArquivoBVArquivoBV
AndréFranchi
Nova Jersey/EUA
GabrielaMarinho
BOA VONTADE 93
Cultura
dePaz
Mulheresemeninaspela
Espírito crítico e sentimento
em favor do desenvolvimento sustentável
O
processo de amadureci-
mento propiciado pela
Educação pode ser o dis-
parador do engajamento e da pos-
tura positiva tão necessários para
as mudanças urgentes no planeta.
A reciclagem de resíduos ilustra
bem essa premissa. É um exemplo
de prática que pode partir de uma
residência e daí empolgar os vizi-
nhos, as famílias de outra rua, de
todo o bairro. Nesse ritmo, algum
tempo depois, o hábito será uma
realidade em grandes áreas da ci-
dade, demonstrando dessa forma a
Suelí Periotto
JoãoPeriotto
força de micro ou macromudanças
comportamentais.
É bem verdade que atitudes
assim são resultado de uma
motivação interior, pela vontade
do ser humano de fazer a diferença
na sociedade, pelo desejo de
cooperar, mesmo nas mais simples
atividades.
Cérebro e Coração
Para isso, a proposta educa-
cional da Legião da Boa Vontade
valoriza a conscientização, o es-
tabelecer de uma visão crítica, e
Educação e Cidadania Plena
Metodologia inovadora
94 BOA VONTADE
Educação e Cidadania Plena
entusiasmo permanente, e jamais
presos a discursos estéreis ou a
condutas enfurecidas e/ou marca-
das por violência.
Educar com Espiritualidade
Ecumênica é o diferencial proposto
pela linha pedagógica criada pelo
diretor-presidente da LBV, José de
Paiva Netto, que é composta pela
Pedagogia do Afeto (direcionada
às crianças de até 10 anos) e pela
Pedagogia do Cidadão Ecumê­
nico (a partir dos 11 anos de ida-
de). Nela, a preocupação com a
formação integral do ser humano
(Espírito-biopsicossocial – veja
quadro na p. 97) une “Cérebro e
Coração”, ou seja, sentimento e
raciocínio, visando a uma aprendi-
zagem significativa, que convida o
educando a tornar-se partícipe da
construção de uma Cultura de Paz.
“Educação,temasempreempauta.
Urge ser difundido e encarado, por
todos nós, como a trilha segura
que encurta a distância social en-
tre as classes. É também eficiente
antídoto contra a violência, a
criminalidade, as doenças e tudo
o mais que anula o crescimento
salutar de um povo”, recomenda
o dirigente da Instituição.
Atualmente, essa inovadora li-
nha educacional beneficia milhares
de crianças, jovens, adultos e ido-
sos atendidos em escolas formais
e em programas socioeducacionais
e socioassistenciais da LBV em
quase 80 cidades brasileiras e em
bases autônomas da Obra em seis
países:Argentina, Bolívia, Estados
Unidos, Paraguai, Portugal e Uru-
guai. Essas pessoas são motivadas
a assumir uma postura de maior
envolvimento na discussão e reso-
lução de problemas que atingem a
comunidade onde vivem. Ao esti-
mular a criticidade do indivíduo,
FelipeTonin
VivianR.Ferreira
Suelí Periotto
é supervisora
da Pedagogia
do Afeto e da
Pedagogia
do Cidadão
Ecumênico
e diretora
do Instituto
de Educação
José de Paiva
Netto, em São Paulo/SP. É doutoranda
e mestre em Educação pela PUC-SP,
conferencista e apresentadora do
programa Educação em Debate, da Super
Rede Boa Vontade de Rádio (acesse
www.boavontade.com).
incentiva os atores sociais a exer-
cer o poder de transformação, para
o enfrentamento de gravíssimos
problemas sociais que corroem a
esperança humana de um mundo
melhor. Para nós, da LBV, a toma-
da de atitudes requer agentes com
coração esclarecido e munidos de
Balões, flores e crianças A Supercreche Jesus, inaugurada há 28 anos, no aniversário da cidade de São Paulo (25 de
janeiro), é considerada um presente de Paiva Netto à metrópole que a abriga. Para celebrar a data, alunos do Pré II e das turmas
de 1o
ano do ensino fundamental ocuparam os espaços entre a pracinha e as alamedas da escola com muitos balões e sorrisos.
96 BOA VONTADE
“Espírito”
A Pedagogia do Afeto e
a Pedagogia do Cidadão
Ecumênico valorizam
o que se encontra no
interior, os aspectos do
subjetivo que trazem o
registro de experiências
anteriores; afinal, o
educando não é uma tábula
rasa*. Também estimula
os sentimentos e reforça
valores como Solidariedade
Ecumênica, Amizade e
Companheirismo, utilizados
de maneira empática.
“Psico”
As questões emocionais
são observadas pela equipe
multidisciplinar das unidades da
LBV, em especial por psicólogas.
Quando necessário, o educando
é amparado nos aspectos de
fragilidade decorrentes de situações
desagregadoras, comuns ao
ambiente de vulnerabilidade social
a que muitas famílias estão sujeitas.
A dificuldade de aprendizagem e os
distúrbios e comportamentos que
demandem o auxílio da profissional
da área psicológica, a exemplo de
casos de agressividade, isolamento e
apatia, são observados com atenção.
“Bio” (biológico)
Compreende os cuidados médicos, odontológicos e nutricionais.
A saúde física é pensada de forma preventiva, inclusive, levando
orientação e informações às famílias, por meio de palestras,
folhetos variados e programas de saúde que as beneficiem. O
bem-estar do corpo é condição essencial para o bom andamento
do processo educativo.
“Social”
Na LBV, enfatiza-se a prática de um trabalho conjunto
da escola com a família. É fundamental a participação
organizada dos pais na vida escolar do filho. Quando a
escola conhece a realidade socioeconômica da família,
torna-se possível contribuir para o fortalecimento dos
vínculos afetivos. A família precisa de acolhimento,
incentivo e orientação, a fim de que busque a
superação de dificuldades, identifique e fortaleça as
suas habilidades. Pelo exercício dos valores iluminados
pela Espiritualidade Ecumênica, promove-se a Cultura
de Paz nas escolas da LBV, onde, aliás, o índice de
evasão é zero.
OqueéserEspírito-biopsicossocial?
Nas unidades socioeducacionais da LBV, o aluno é considerado um ser Espírito-biopsicossocial, pois ele já
traz consigo o registro de experiências que contribuirão para o aprendizado.
Fotos:VivianR.Ferreira
Desenvolvimento integral
* Tábula rasa — No empirismo (escola do pensamento filosófico que
defende como origem única do conhecimento a experiência, aquilo que
se capta do mundo externo), o termo tábula rasa é o estado que carac-
teriza a mente vazia, anterior a qualquer conhecimento obtido por meio
dos sentidos.
BOA VONTADE 97
res e demais profissionais durante
as atividades da educação formal e
daquelas com abordagem lúdico-
-pedagógica. Por exemplo, desde a
primeira infância, incentivam-se a
vivência e a construção de gestos
ligados à proteção do meio am-
biente; à defesa pessoal (alertando
crianças e jovens sobre o perigo
das drogas); a uma reflexão e busca
de caminhos alternativos ao sen-
timento egoísta que tão somente
produz um progresso desumano.
Pela via da educação é possí-
vel construir uma Cultura de Paz,
com ações (sistematizadas ou não)
que sejam significativas para a
juventude. Educar a gente nova
com valores éticos, ecumênicos
e espirituais, vale reiterar, é o que
fundamenta a proposta pedagógica
criada pelo educador Paiva Netto.
Para ele, aliás, o fato de abastecer
o coração dos pequeninos com a
“Educação, tema sempre
em pauta. Urge ser
difundido e encarado,
por todos nós, como a
trilha segura que encurta
a distância social entre
as classes. É também
eficiente antídoto contra a
violência, a criminalidade,
as doenças e tudo o mais
que anula o crescimento
salutar de um povo.”
Paiva Netto
propicia-lhe espaços de reflexão
acerca de seu papel, inclusive, no
cumprimento dos oito Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio
(ODM).
Tal entendimento vem com o
despertar da consciência de que
somos parte de um mundo que
carece de intervenção pessoal
de seus moradores, responsáveis
indivi­dual e coletivamente por esta
casa planetária. Daí a necessidade
de um direcionamento de esforços
para uma sustentabilidade integral.
Por isso, os que passam pelas es-
colas e pelos programas da LBV
sentem-se motivados a participar
de ações em favor da preservação
ambiental e da valorização daVida.
Metodologia própria
Há mais de seis décadas, a
Legião da Boa Vontade tem traba-
lhado para oferecer uma educação
LeillaTonin
La Paz, Bolívia
de qualidade, em ambiente escolar
livre de violência. Em toda ativi-
dade da LBV, meninas e mulheres
recebem o apoio necessário, e
em total condição de igualdade
com meninos e homens, para
desenvolver a própria autonomia
socioeconômica, alcançar a inclu-
são e ter voz ativa na sociedade,
com comprometimento em ações
sustentáveis.
Pesquisas, debates, aprofun-
damento nas questões que afetam
o entorno dos lares, propostas de
medidas proativas e simulação de
ações comunitárias fazem parte
das estratégias utilizadas pela me-
todologia própria da Instituição, o
MAPREI (Método de Aprendiza-
gem por Pesquisa Racional, Emo-
cional e Intuitiva). Os alunos das
escolas e os participantes dos di-
versos programas da LBV contam
com a mediação atenta de educado-
Educação e Cidadania Plena
98 BOA VONTADE
Buenos Aires, Argentina
Cascavel/PRRiodeJaneiro/RJ
LeillaTonin
NatháliaValérioArquivoBV
ideia de cultivar bons sentimentos
terá naturalmente uma consequên-
cia: eles devolverão à sociedade,
quando jovens e depois como adul-
tos, o mesmo que lhes foi dado.
A Pedagogia do Afeto e a Pe-
dagogia do Cidadão Ecumênico
inspiram-se no exemplo de vida
e nos ensinos do Educador Ce-
leste — Jesus. Em Sua passagem
visível pela Terra, deixou-nos
uma importante mensagem de
Amor Fraterno, destacadamente
no Evangelho segundo João, capí-
tulo 13, versículos 34 e 35: “Novo
Mandamento vos dou: Amai-vos
como Eu vos amei. Somente assim
podereis ser reconhecidos como
meus discípulos, se tiverdes o
mesmo Amor uns pelos outros”.
Em cumprimento a essa ordem su-
prema, a LBV defende a bandeira
da Solidariedade, da Fraternidade
e da Paz, opondo-se desse modo
ao sentimento egoístico que tem
levado a Humanidade a guerras,
fome e doenças.
Aeducação, então, deve investir
na formação do intelecto sem es-
quecer que todos nós somos seres
de Alma e mente, que necessitam
de conforto espiritual — isto é,
nas palavras do dirigente da LBV,
é preciso ter “uma visão além do
intelecto”. Meninas e mulheres,
meninos e homens, tenho certeza,
sempre agradecerão toda proposta
educacional que os respeite e con-
sidere o potencial de cada um a fim
de contribuir para ações positivas
que, somadas fraternalmente, farão
diferença no contexto do próximo
conjunto de metas globais: os
Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS).
BOA VONTADE 99
infancia
futuro!
Protegera
éacreditarno
Iniciativa da LBV beneficia
milhares de alunos
em todo o Brasil
Campanha Criança Nota 10!
Entrega de kits pedagógicos
LeillaTonin
100 BOA VONTADE
C
adernos, estojo, lápis, canetas,
apontador, borrachas, esses e
outros materiais compõem o
kit pedagógico da tradicional Cam-
panha da Legião da Boa Vontade
Criança Nota 10, que tem o tema
Proteger a infância é acreditar
no futuro!. A iniciativa ocorreu no
início do ano letivo e beneficiou em
todoopaísestudantesdefamíliasde
baixarendaatendidosnarededeen-
sino da Instituição e os participantes
dos programas LBV — Criança:
Futuro no Presente! e  Jovem: Fu-
turo no Presente!, desenvolvidos
nos seus Centros Comunitários de
Assistência Social. Em São Paulo/
SP, receberam também o material
escolar os alunos da modalidade de
ensino EJA (Educação de Jovens e
Adultos), do Instituto de Educação
José de Paiva Netto.
Para NajaraAnastácia, mãe de
três alunos do Instituto de Educação
na capital paulista, o kit “é muito
bom! [As ações da LBV] ajudam
muito as crianças e a gente dentro
de casa, porque no período em que
eles estudam, pode-se trabalhar,
não tem que ficar se preocupando
com a questão de horário. Eles es-
tão bem mais calmos do que antes.
Muito obrigada por tudo!”.
Somente em 2014, foram 14
mil kits pedagógicos entregues à
garotada, que serve de motivação
para elas prosseguirem com os
estudos e é um importante apoio
aos pais que não têm recursos
para adquiri-los. “Desde cedo, as
crianças recebem toda a instru-
mentalização necessária para um
bom rendimento escolar. Há uma
preocupação muito grande da LBV
para que elas tenham, com toda a
“Na LBV, a
gente sabe
que nossos filhos vão
ser crianças nota 10!”
Ariana Nunes Siqueira
Joinville/SC
Presidente Prudente/SP
Teresina/PI
Fortaleza/CE
ThiagoFerreiraLeillaToninLeillaTonin
BOA VONTADE 101
dignidade, o seu material; para
que desenvolvam toda a sua poten-
cialidade”, destacou a supervisora
da linha educacional da Legião da
BoaVontade,MariaSuelíPeriotto,
doutoranda em Educação pela
PUC-SP.
Nas unidades socioeducacio-
nais da LBV, o ensino é permeado
pelos valores da Espiritualidade
Ecumênica, sobre os quais estão
firmadas a Pedagogia do Afeto
(para crianças de até 10 anos) e
a Pedagogia do Cidadão Ecumê-
nico (a partir dos 11 anos). O
objetivo dessa proposta, criada
pelo educador Paiva Netto, é
formar cidadãos que tenham
não somente a capacidade
intelectual desenvolvida, mas
também ajam em consonância
com os valores éticos, morais e
espirituais.
A palavra de Leonaldo
José da Silva, pai da pequena Tai-
ná, de Recife/PE, traduz bem o que
representa a ajuda da Instituição
durante todo o ano e esse reforço
especial. “ALBVnos acolheu e deu
oportunidade para minha filha ter
educação. O kit pedagógico é uma
contribuição inesquecível, porque
não tenho recursos para comprar,
Baixe o leitor QR Code em seu celular
e/ou smartphone, fotografe o código
e assista ao vídeo da Campanha
Criança Nota 10 — Proteger a infância
é acreditar no Futuro!.
“Eu não
acredito que ganhei
tudo isso, lápis de cor,
borracha, os cadernos são
lindos. Muito obrigada!”
Milena dos Santos
Anápolis/GO
Campanha Criança Nota 10!
Anápolis/GO
Ipatinga/MG
Piracicaba/SP
Ananindeua/PA
JoãoPredaÁlidaSantosManoelAfonsoFilhoKássiaBernarde
102 BOA VONTADE
A Campanha Criança Nota 10 — Proteger a infância é acreditar no futuro! chegou também em Itaoca/SP,
no interior paulista. Foram entregues 180 kits pedagógicos completos a alunos da rede municipal de en-
sino e 532 mochilas a estudantes da rede estadual. Em janeiro, a cidade foi atingida por fortes chuvas,
deixando diversos pontos do município inundados. Imediatamente após a tragédia, a LBV angariou doa-
ções, entregando-as, alguns dias depois, às vítimas da inundação. Além do material escolar, a Instituição
encaminhou ao local caminhão com 5,5 toneladas de alimentos não perecíveis, que incluíam, entre outros
itens, óleo, arroz, feijão, e água potável.
LBV:presenteondeopovoprecisa
chega num momento em que mais
precisamos, sou muito grato.A LBV
está de parabéns pelo seu trabalho,
que faz a diferença em nossas vidas.
Graças a Deus a minha filha não
estánaruaaprendendocoisaserra-
das, está na LBV tendo educação”,
declarou.
Ser Criança
Nota 10 é...
“Estudar, tirar boas notas,
prestar atenção nas aulas,
respeitar os professores,
diretores, coordenadores e ser
uma criança feliz!”
Letícia Goes
15 anos, São Paulo/SP.
São Paulo/SP
Itabuna/BA
Itaoca/SP Itaoca/SP
VivianR.FerreiraTatianeOliveira
Fotos:VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 103
VivianR.Ferreira
VivianR.Ferreira
VivianR.Ferreira
NicoleAngel
VivianR.Ferreira
64 anos
Balanço Social
Trabalho
humano
e fé no ser
Ação da LBV supera a marca de 11 milhões
de atendimentos e benefícios
104 BOA VONTADE
VivianR.Ferreira
São Paulo/SP
A
Legião da Boa Vontade al-
cançou a expressiva marca de
11.053.113 atendimentos e
benefícios oferecidos à população
de baixa renda em todo o Brasil em
2013. O número representa um cres-
cimento de quase 8% em relação a
2012 — nesse período, a Instituição
contabilizou 10.255.833 atendimen-
tos e benefícios.
A informação consta do balanço
social da LBV, que é analisado há
mais de duas décadas por auditores
externos independentes, por inicia-
tiva de seu diretor-presidente, José
de Paiva Netto, muito antes de a
legislação que exige essa medida
entrar em vigor.
Em ano de Copa do Mundo
noBrasil,oanúnciodaLBVéum
verdadeirogoldeplacaemfavor
do povo brasileiro. O trabalho
da Instituição nesse período
impactou diretamente mais
de 220 mil pessoas com ações
educativasedeassistênciasocial.
Aliás,umacaracterísticamarcanteda
Obra desde o seu surgimento oficial
no país, a 1º de janeiro de 1950 (dia
da Confraternização Universal): uma
InstituiçãoqueeducacomEspirituali-
dadeEcumênica.São64anosatuando
em uma das frentes mais importantes
para a paz do planeta, sempre pro-
curando entender o indivíduo como
um ser integral, rejeitando o modelo
pedagógicoquesupervalorizaarazão
em detrimento do conteúdo sócio,
afetivo e intuitivo.
APedagogiadoAfeto(direciona-
daàscriançasdeaté10anosdeidade)
eaPedagogiadoCidadãoEcumênico
(quecontemplaaaprendizagempara
a faixa etária a partir dos 11 anos),
criadas pelo diretor-presidente da
LBVvemhádécadasinspirandoedu-
cadoresacontribuirparaquecrianças,
jovens e suas famílias se tornem
cidadãos mais fraternos, formando
“Cérebro e Coração”.
Esse pioneiro trabalho está pre-
sente em dezenas de cidades do país
transformando para melhor a vida
de muitos brasileiros. A seguir, um
resumo das principais áreas de atua­
ção da LBV.
Florianópolis/SC
São Paulo/SP
FabíolaBigas
VivianR.Ferreira
Balanço Social
106 BOA VONTADE
77
11de atendimentos e benefícios
a famílias e pessoas em
situação de vulnerabilidade
ou risco social.
Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e lares para idosos, a LBV utiliza uma rede de
comunicação social própria (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania.
77
LBV BRASIL
A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o
de janeiro de 1950 (Dia da Confraternização Uni-
versal), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979),
sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto.
milhões
unidades socioeducacionais
em todo o Brasil.
É a quantidade de pessoas impactadas pelo trabalho da LBV em seus
programas socioeducacionais nas escolas, Centros Comunitários de As-
sistência Social, lares para idosos, e por suas campanhas institucionais.
Número de
atendimentos
e benefícios
prestados pela
Legião da
Boa Vontade
de 2009 a 2013*
* Há mais de duas décadas,
a Legião da Boa Vontade tem
seu balanço geral analisado
por auditores externos
independentes, uma iniciativa
de José de Paiva Netto,
diretor-presidente da LBV,
muito antes de a legislação
que exige essa medida entrar
em vigor.
2009 2010 2011 2012
8.016.758
8.508.482
9.434.943
10.255.833
11.053.113
2013
11220mil220mil++dede
++dede
BOA VONTADE 107
ESCOLAS
As unidades de ensino
da LBV promovem o
desenvolvimento do intelecto
e do sentimento, com
efetividade e competência. As
atividades abrangem todas
as etapas do ensino básico,
assim como a Educação de
Jovens e Adultos (EJA). Belém/PA
ArquivoBV
São Paulo/SP
O Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, Brasil, demonstra que Educação de qualidade, Solidariedade
e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores refletem a Pedagogia do Afeto e a
Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizadas por Paiva Netto e aplicadas com sucesso na rede de ensino e nos programas
socioeducativos da Instituição. Em um grande totem, ao lado do frontispício, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de
Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano
acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.
Balanço Social
108 BOA VONTADE
Rio de Janeiro/RJ Nathália Valério
Taguatinga/DF
JoséGonçalo
Curitiba/PR
ViníciusRamão
BOA VONTADE 109
MônicaMendes
LeillaTonin
LedilaineSantanaLeillaTonin
Teófilo Otoni/MG Teófilo Otoni/MG
Uberlândia/MG
ABRIGOS
PARA
IDOSOS
São três as unidades da
LBV que acolhem idosos
sem referências e/ou afas-
tados do núcleo familiar.
O conjunto de ações
inclui acompanhamento
nutricional, assistência
médica e de enfermagem
e terapia ocupacional.
Volta Redonda/RJ
Balanço Social
Nestas unidades socioassistenciais, o atendimento a pessoas e
famílias em situação de risco social e/ou pessoal contribui para o
fortalecimento da Cidadania Solidária. Nesse espaço, os atendidos
desenvolvem suas capacidades, talentos e valores, por meio de
atividades socioeducativas e de fortalecimento de vínculos familiares
e comunitários, além de oficinas de Capacitação e Inclusão Produti-
va. Dessa forma, eleva-se a autoestima dessas pessoas, que assim
podem melhor exercer seus direitos e deveres, tornando-se, inclusive,
agentes do desenvolvimento sustentável. O trabalho da LBV, que
inclui programas e campanhas de mobilização social e de conscien-
tização, visa à valorização da Vida, com foco na criança e na família.
A seguir, algumas dessas ações.
CENTROS COMUNITÁRIOS
DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Teresina/PI
Mogi das Cruzes/SP
Maringá/PR
PauloAraújoVivianR.Ferreira
Arquivo BV
BOA VONTADE 111
Cuiabá/MT
ArquivoBV
Salvador/BA
Criança: Futuro no Presente!
Jovem: futuro no presente!
Participam dos programas meninas e meninos
de 6 a 18 anos de idade, atendidos nas
unidades socioassistenciais da Instituição.
A iniciativa contribui para o protagonismo
infantojuvenil, por considerar a história de
vida e as características individuais de cada
criança e adolescente. Assim, são promovidas
atividades que ajudam a despertar
competências e habilidades, além de
incentivar a vivência de valores de cidadania,
a Cultura de Paz e a união da família.
Manaus/AM
Uberlândia/MG
TatianeOliveira
Vivian R. Ferreira
VivianR.Ferreira
Balanço Social
112 BOA VONTADE
Vivência solidária
e vida plena
Contribuem para a inserção
sociocultural e o fortalecimento
da cidadania de jovens, adultos
e idosos. Proporciona ambiente
que propicia a construção
de vínculos interpessoais,
intergeracionais e familiares, por
meio de atividades em grupo,
prática esportiva, atividades
culturais etc.
Rio de Janeiro/RJ
Florianópolis/SC
Cascavel/PR
São Gonçalo/RJ
Manaus/AM
NatháliaValério
FabíolaBigas
LeillaToninNatháliaValério
VivianR.Ferreira
Baixe o leitor QR Code em seu celular
e/ou smartphone, fotografe o código e
conheça histórias de vidas que foram
transformadas com o apoio da Legião
da Boa Vontade. Elas representam os
milhares de atendidos pela Instituição
em todo o país.
BOA VONTADE 113
Cidadão-Bebê
Com o objetivo de melhorar a
qualidade de vida da criança
e da mãe, este programa
da LBV atende gestantes e
mulheres com filho de até 3
anos de idade. Orientação
sobre o processo gestacional
e a saúde do bebê, além
do acompanhamento social
das famílias, faz parte das
atividades. A ação visa
também ao desenvolvimento
e equilíbrio das relações
familiares.
Capacitação e
Inclusão Produtiva
Prepara jovens e adultos para
o mercado de trabalho, por
intermédio de cursos voltados
para o desenvolvimento de
competências e habilidades
técnicas e pessoais.
Liliane Cardoso
PriscilaPetrecaArquivoBV
Porto Alegre/RS
Poços de Caldas/MG
Cachoeiro do Itapemirim/ES
São Gonçalo/RJ
NatháliaValério
Balanço Social
114 BOA VONTADE
CAMPANHAS
SOS Calamidades
Realizada em parceria com a Defesa Civil
e outros órgãos do poder público, além da
iniciativa privada, a campanha conta com
o apoio de voluntários. Empreende ações
emergenciais no atendimento a pessoas e/
ou comunidades atingidas por calamidades.
Entrega itens de primeira necessidade
(alimentos de pronto consumo, água potável,
roupas, calçados etc.), material de higiene
pessoal e de limpeza e colchonetes.
Criança Nota 10 — Proteger a infância é
acreditar no futuro! (veja na p. 100)
Natal Permanente da LBV — Jesus, o Pão
Nosso de cada dia! (veja na p. 122)
Xerém, Duque de Caxias/RJ
Xerém, Duque de Caxias/RJ
Itaoca/SP
Itaoca/SP
NatháliaValérioFelipeTonin
FelipeTonin
Nathália Valério
BOA VONTADE 115
Opinião — Congresso em pauta
Políticas públicas
ACâmara
osocial
e
O papel de uma das principais comissões
permanentes da Câmara dos Deputados
em 2013-2014
Paulo Kramer | Especial para a BOA VONTADE
116 BOA VONTADE
Paulo Kramer,
cientista
político,
professor
universitário
e assessor
parlamentar.
Arquivopessoal
E
xplicar aos leitores a estru-
tura, o funcionamento e os
bastidores do Congresso Na-
cional e o impacto prático de suas
decisões — e indecisões — no dia
a dia de todos os brasileiros é um
dos compromissos desta coluna.
Hoje se poderá conhecer o papel
de uma das principais comissões
permanentes da Câmara dos De-
putados: a Comissão de Seguri-
dade Social e Família (CSSF). A
exemplo do que ocorre em outras
comissões, muitos projetos de lei
que ali tramitam são apreciados
conclusivamente, isto é, podem
ser aprovados apenas no âmbito
da CSSF, dispensando votação no
plenário da Casa.
Cumpre aos deputados federais
que integram a CSSF, em propor-
ções que refletem o tamanho de
cada bancada ou bloco partidário
da Casa, debater e deliberar sobre
proposições legislativas e fiscali-
zar as ações do Poder Executivo
nas três grandes áreas compreen-
didas pelo artigo 194 da Cons-
tituição Federal de 1988 (saúde,
previdência e assistência social),
bem como em assuntos relativos à
família brasileira. Por isso, muitos
dos integrantes dessa comissão
são médicos, profissionais de ou-
tras esferas da saúde, assistentes
sociais e representantes de gru-
pos religiosos e de movimentos
comunitários. De acordo com o
Regimento Interno da Câmara
(artigo 32, inciso XVII), essas
competências constitucionais se
traduzem em um amplo “man-
dato”, cabendo à CSSF tratar de
importantes temas relacionados a
tais áreas.
Nas comissões permanentes
da Câmara, o mandato dos presi-
dentes, indicados pelos partidos
políticos também com base no
número de cadeiras ocupadas na
Casa, tem um ano de duração,
enquanto, no Senado Federal,
esse mandato é de dois anos.
Em 2013, sob a presidência do
deputado Florisvaldo Fier, mais
conhecido como Dr. Rosinha, a
CSSF promoveu várias audiências
públicas e deliberou sobre diver-
sas proposições, umas e outras
voltadas para o desenvolvimento
de políticas públicas sociais.Aqui
estão destaques de algumas dessas
audiências acerca das supracitadas
áreas.
Assistência social
A comissão aprovou, por una-
nimidade, o substitutivo (texto que
emenda uma proposta na totalidade
desta) do relator, Dr. Rosinha, ao
Projeto de Lei (PL) no
3.256, de
2012. A proposta dá prioridade a
mulheres em situação de violência
doméstica e familiar afastadas do
domicílio, para preservação da
integridade física e psicológica
delas, no recebimento de benefício
eventual, o qual tem o objetivo de
facilitar a reinserção segura e pro-
dutiva dessas vítimas na comunida-
de. O projeto original é de autoria
do senador Humberto Costa, e
o substitutivo deixa a critério dos
Conselhos Municipais de Assis-
tência Social a duração do prazo
para a concessão desse benefício.
O PLnº 3.256 encontra-se agora na
Comissão de Finanças eTributação
(CFT), aguardando parecer de seu
relator, o deputado João Dado.
Não se deve esquecer que
a atual situação da violência
contra a mulher é seriíssima em
nosso país, haja vista que uma é
assassinada a cada hora e meia.
Divulgação
BOA VONTADE 117
cia pública destinada a debater
a simplificação do processo de
adoção. Segundo uma das pales-
trantes convidadas para o evento,
Bárbara Toledo, representante
da Associação Nacional dos Gru-
pos de Apoio à Adoção (Angaad),
existem hoje três cadastros pa-
ralelos de adoção: o nacional, o
estadual e o local. Apesar disso,
mais de 45 mil crianças esperam
ser adotadas, muitas das quais
enfrentando um grave obstáculo:
o preconceito. O cadastro nacio-
nal lista até o presente momento
5.439 crianças aptas à adoção e
29.887 pessoas que querem ado-
tar. Infelizmente, grande parte
desse número recusa maiores de
5 anos de idade ou adolescentes.
A lei atual não esclarece o que
deve ser feito, necessitando ur-
gentemente de aperfeiçoamento.
Quanto à audiência, cabe re-
gistrar que os participantes dela
concluíram os trabalhos propondo
a implantação de um cadastro
único de adoção e sugerindo
maior rapidez na apreciação dos
projetos de lei que tramitam na
Câmara sobre esse assunto.
Previdência
Aqui, há dois destaques. O
primeiro refere-se ao fato de
que a CSSF aprovou o PL nº
7.201/2010, de vários autores,
que obriga a Previdência Social a
oferecer reabilitação profissional
aos aposentados por invalidez
considerados aptos a voltar a
trabalhar. O texto estabelece que,
durante a reabilitação, o segurado
terá garantido o benefício por
incapacidade até ser considerado
habilitado para desempenho de
nova atividade e que, caso não
seja recuperável, será reencami-
nhado para a aposentadoria por
invalidez. A matéria encontra-se
na Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania (CCJC)
e aguarda parecer do relator,
deputado Alessandro Molon.
O segundo destaque é o de que
a comissão promoveu audiência
pública para esclarecer detalhes
sobre a Rede de Cuidados à Pes-
soa com Deficiência, em processo
de implantação no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS).
Saúde
Tradicionalmente, é o setor em
que se concentra o maior número
de proposições apreciadas pela
CSSF. Os debates e audiências
que a comissão promove nesta
área também costumam levantar
polêmicas e, dessa forma, conse-
guem capturar maior atenção dos
meios de comunicação e maior
envolvimento da opinião pública.
Um bom exemplo são as audiên-
cias públicas que examinaram os
prós e os contras da contratação
de médicos estrangeiros para
trabalhar em regiões distantes e
nas periferias urbanas mais ca-
rentes. Tais debates, sem dúvida,
contribuíram para a intensificação
dos ânimos nos climas político e
social, ânimos esses que influen-
ciaram as manifestações popula-
res ocorridas a partir de junho do
ano passado em todo o país. Estas,
por sua vez, fizeram com que se
desembocasse na Medida Provi-
sória nº 621/2013, a qual instituiu
o programa Mais Médicos.
Pesquisa do Instituto de Pesqui-
sa Econômica Aplicada (Ipea)
sobre o tema “Violência contra a
mulher: feminicídios no Brasil”
registrou 16,9 mil assassinatos
entre 2009 e 2011. O que é pior:
os crimes foram geralmente co-
metidos por maridos, namorados
ou ex-parceiros.
Ainda nesta área, cabe assi-
nalar a participação da CSSF, ao
lado das Comissões de Finanças
e Tributação; de Fiscalização Fi-
nanceira e Controle; de Educação;
e de Trabalho, deAdministração e
Serviço Público, na realização de
audiência pública sobre o proces-
so de certificação das entidades
beneficentes de assistência social,
requisito indispensável a fim de
que a instituição (pessoa jurídica
de direito privado sem fins lu-
crativos) possa obter isenção de
contribuições para a seguridade
social e tenha reconhecida sua
finalidade de prestação de servi-
ços nos campos da assistência,
educação e/ou saúde.
Família
Vale a pena ressaltar a audiên­
Quem estiver interessado em mais
dados e informações sobre a ação
da CSSF no ano passado poderá
consultar o relatório completo de
atividades da comissão.
Opinião — Congresso em pauta
118 BOA VONTADE
Consumo consciente
O
Programa de Eficiência Ener-
gética daAgência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) e das
Centrais Elétricas de Santa Catarina
S.A. (Celesc) fez entre março e abril
asubstituiçãodechuveiroselâmpadas
convencionaisporequipamentosmais
eficientesnosmunicípiosdePapandu-
va,Itaiópolis,Mafra,Canoinhas,Três
Barras, Monte Castelo, Irineópolis,
Major Vieira e Porto União, no norte
do Estado catarinense. Desde então,
a medida tem beneficiado aproxima-
damente 13 mil consumidores que
contam com tarifa social na região.
Aconcessionária investiu R$ 2,5 mi-
lhões nessas melhorias e estima uma
economia média de 2.400 megawatt-
-hora (MWh) ao ano.
Asalteraçõesfazempartedemais
umaetapadoprojetoEnergiadoBem
— o qual está na terceira edição —,
integrante do Programa de Eficiência
Energética da Celesc (PEE Aneel/
Celesc).Em2014,agrandeinovação
foi a troca dos chuveiros elétricos
antigos, que têm potência média de
5.400watts,porchuveiroscom3.800
watts acrescidos com a tecnologia de
re­cuperação de calor.
Oprincípiodefuncionamentodes-
sa técnica inovadora é o reaproveita-
mentotérmico.Nessesistema,ocalor
éreaproveitadoquandodocontatoin-
diretoentreaáguadobanho(quente)e
aáguadacaixa(fria),contatoesseque
ocorre por meio de um equipamento
chamado trocador de calor. Este faz
Tecnologiareduzconsumo
deenergiaelétrica
com que o líquido da caixa chegue
pré-aquecido ao chuveiro. Com isso,
o aparelho precisa de menor potência
para aquecer a água, gerando-se, as-
sim, economia de energia.
Além da instalação do trocador
decalor,oprojetoincluiuasubstitui-
ção de lâmpadas incandescentes por
fluorescentes compactas e a realiza-
ção de palestras educativas sobre o
uso correto, consciente e seguro da
energia elétrica nas comunidades
abrangidas pela iniciativa. A troca
dosequipamentosdeaquecimentoe
deiluminaçãodeverepresentarredu-
ção de 30% na potência da moradia.
Caso a família adote outras medidas
para o consumo consciente, a dimi-
nuição no valor da conta de energia
elétrica pode ser de 30 a 50%.
Desde que foi implementado, o
projeto já beneficiou 43 municípios
do Estado de Santa Catarina e o
município de Rio Negro, no Paraná.
A estimativa é a de que, no período
de um ano, o consumo diminua em
até 50%, ocasionando redução de
7.700 MWh, suficientes para abas-
tecer uma cidade do tamanho de
São Miguel do Oeste — com 39 mil
unidades consumidoras residenciais
— durante um mês. A diminuição
esperada da demanda é de, aproxi-
madamente, 3,7 MW.
Da Redação
Como
funciona
o trocador
de calor
1. A água proveniente da
caixa d’água é desvia-
da, passando por uma
serpentina de alumínio,
acoplada ao chão.
2. A água que cai do chu-
veiro aquece a que circula
na serpentina.
3. Com isso, há reaproveitamento do calor, pois o líquido pré-aquecido
retorna ao chuveiro.
4. Esse pré-aquecimento faz com que o chuveiro precise de menor
potência para aquecer a água, gerando-se, assim, economia de energia.
CELESC
BOA VONTADE 119
FelipeFreitas
Carlos Arthur
Pitombeira,
jornalista.
Carlos Arthur Pitombeira | Especial para a BOA VONTADE
Esporte
Os desafios da imprensa para esta nossa Copa do Mundo
e cidadania
Opinião — Mídia Alternativa
Mobilidade e cultura
Divulgação
F
altando menos de 30 dias
para o início da Copa do
Mundo no Brasil, os jor-
nalistas esportivos estariam se
preparando para se movimentar
nas 12 cidades-sede, estudando a
cultura, a economia e as condições
de mobilidade de cada uma delas?
Sim, porque a cobertura desta
Copa para a mídia brasileira será
um grande desafio. Paralelamente
à pauta esportiva de cada dia, sur-
girão outras, que exigirão atenção
dos repórteres, entre as quais a das
obras em andamento nos locais
onde estão os novos estádios de fu-
tebol. É o legado que ficará para a
população após a Copa do Mundo:
mobilidade urbana; ligação entre
aeroportos, portos, zona hoteleira e
terminais rodoviários; e segurança,
abrangendo tanto forças públicas
quanto privadas, com ganhos de
cidadania que prometem irradiar
a curto prazo pelo resto do país.
Todos esses compromissos fo-
ram assumidos lá atrás com a Fede-
ração Internacional de FutebolAs-
sociado (Fifa) para que o Brasil pu-
desse sediar esta Copa do Mundo, e
ninguém melhor para documen­tar
a situação dessas obras do que
as equipes de reportagem que
estarão viajando pelas 12 capitais
(Belo Horizonte/MG, Cuiabá/MT,
Curitiba/PR, Fortaleza/CE, Bra-
sília/DF, Manaus/AM, Natal/RN,
Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio
de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São
Paulo/SP). Essas equipes serão
vítimas ou beneficiadas, vivendo
a mesma situação de milhares de
turistas nacionais e estrangeiros e
de seus colegas de outros países.
A mídia brasileira precisa ter
consciência de que a cobertura
120 BOA VONTADE
1
2
(1) O BRT de Curitiba, o primeiro, inaugurado em 1974, hoje conta com 81
quilômetros de extensão. (2) O BRT Transoeste (no Rio de Janeiro), entregue ao
público em 2012, possui linhas expressas e semiexpressas.
PedroRibasJoseniltonCalvantedaCruz
desta Copa contemplando outras
pautas que não a esportiva será
um grande desafio. Por isso, não
há mais tempo a perder! É preciso
preparar o pessoal do esporte para
cobrir, simultaneamente, a pauta
de cidade, porque esta Copa do
Mundo será também a Copa da
cidadania. Sair-se-á melhor quem
for mais criativo.
Em um evento internacional e
apaixonante como esse, em que
tudo ocorre em velocidade muito
grande — as condições de aeropor-
tos, portos, terminais rodoviários
e zona hoteleira —, tudo tem que
estar funcionando bem. Senão,
terá de ser denunciado. Serão os
repórteres esportivos que estarão
vivendo isso na pele.
Para os jornais nacionais, esta
Copa do Mundo, repito, não ficará
restrita a uma simples cobertura
esportiva. Irá muito além. Ela será
também uma Copa cidadã.
No que diz respeito à mobilida-
de, o sistema de trânsito rápido de
ônibus (BRT, do inglês Bus Rapid
Transit) e o Veículo Leve sobre
Trilhos (VLT) têm se mostrado, em
quase todas as cidades, os modelos
preferidos de transporte coletivo
em ônibus. Belo Horizonte quer
a construção de quatro BRTs;
Brasília e Cuiabá, dois; Curitiba,
três; Fortaleza e Manaus, um BRT
cada uma.
No Rio de Janeiro, o BRTTran-
soeste, ligando a Barra da Tijuca a
Santa Cruz e Campo Grande, vem
correspondendo plenamente com
ônibus biarticulados confortáveis
e reduzindo pela metade o tempo
de viagem para quem mora em
uma ponta do sistema e trabalha
na outra. Esse modelo de sistema
é caracterizado por vias segrega-
das para ônibus com embarques
pré-pagos em estações fechadas.
O corredor por onde ele circula
consiste em faixas de rolamento
preferenciais para ônibus. Ao
mesmo tempo que mais carros se
vão somando à frota, o número de
automóveis nas ruas vai sendo re-
duzido e vão diminuindo os pontos
de engarrafamento.
As obras do BRT Transcarioca
(da Barra da Tijuca até a Ilha do
Governador), outro compromisso
do governo com a Fifa, estão tão
adiantadas que poderão ser inau-
guradas em maio próximo, com
a presença da presidenta Dilma
Rousseff. Ele mexerá com a
vida de mais de 400 mil pessoas
diariamente. Isso porque o sis-
tema seguirá pelo Campinho até
ganhar outros bairros, entre eles
Madureira, Vaz Lobo, Vicente de
Carvalho, Vila da Penha, Penha,
Olaria e Ramos. A Transolímpi-
ca é outro BRT com obras em
andamento para ligar a Barra da
Tijuca a Deodoro. O BRT faz
parte do projeto da prefeitura do
Rio, que quer integrá-lo a outros
três, às linhas de trem e de metrô
e ao VLT.
BOA VONTADE 121
Triunfo
edaBoaVontade
doAmor
Natal Permanente da LBV
Mobilização solidária da LBV atende
mais de 50 mil famílias em situação de
vulnerabilidade social
Wellington Carvalho de Souza
122 BOA VONTADE
JeanCarlos
BOA VONTADE 123
A
tradicional Campanha
Natal Permanente da LBV
— Jesus, o Pão Nosso de
cada dia! encerrou com sucesso
um ano de trabalho solidário in-
tenso. A iniciativa ajudou a pro-
piciar um Natal sem fome e feliz
a mais de 50 mil famílias brasi-
leiras atendidas ao longo de 2013
pela Legião da Boa Vontade, por
meio dos programas socioedu-
cativos dela, e por organizações
parceiras da Instituição. Graças à
ajuda do povo, a LBV arrecadou
e entregou mais de 900 toneladas
de alimentos não perecíveis a
pessoas de comunidades em si-
tuação de vulnerabilidade social.
O resultado de toda essa mobi-
lização fraterna pode ser medido
pelo nível de satisfação e de ale-
gria sentidas pelos beneficiados.
“O Natal será bem melhor para
mim com esta cesta de alimentos,
pois tenho a certeza de que ama-
nhã terei um alimento em minha
mesa”, ressaltou Juliana Reis,
de Salvador/BA.
A confiança nos serviços pres-
Boa Vista/RR
São Paulo/SP
Guarulhos/SP
Natal Permanente da LBVVivianR.FerreiraVivianR.FerreiraGabrielLucas
124 BOA VONTADE
São Paulo/SP — A partir da esquerda, os atores mirins da novela Chiquititas:
Gabriel Santana, Lívia Inhudes, Giovanna Grigio, Raissa Chaddad e Filipe
Cavalcante na entrega das cestas de alimentos a famílias atendidas pela
Legião da Boa Vontade.
Sorocaba/SP — Luiz Fernando
Alves, presidente da Comissão
Permanente da Fundação Rotária –
Rotary Club de Sorocaba Art Nossa,
participa da entrega das cestas de
alimentos da Legião da Boa Vontade
no interior paulista. 
São Paulo/SP — A modelo Babi
Rossi participa da ação solidária da
LBV.
São Paulo/SP — A partir da esquerda, os empresários Renato
Marcelino e Sérgio Barbosa, da Tramppio Confecções; e o
também empresário Cláudio Torck, da VMX 360 Tecnologia,
parceiros da Campanha Natal Permanente da LBV, prestigiam a
entrega de cestas de alimentos a famílias da capital paulista.
Santos/SP — Maristela Bechara, assessora
técnica do Fundo Social de Solidariedade
de Santos, participa da entrega de cestas de
alimentos representando a presidente do fundo
Maria Ignez Pereira Barbosa. Ao seu lado, o
radialista Jaime Cordeiro.
Americana/SP
— Reginaldo
Tempesta,
representante
da Escola
Abadá
Capoeira,
voluntário na
ação da LBV.
FelipeToninFelipeTonin
FelipeToninJulianaMouraSérgioSerrano
IzabelaLobianco
BOA VONTADE 125
tados pela Legião da Boa Vontade
e o reconhecimento da excelência
deles são comumente manifes-
tados por pessoas de todas as
regiões brasileiras. Exemplo dis-
so foi dado por Adriano Ávilla
Pereira, que tem dois filhos par-
ticipantes do programa da LBV
Criança: Futuro no Presente! em
Florianópolis/SC. Ele agradeceu
a ajuda especial — representada
pela entrega dos alimentos — e
comentou: “Aqui é como se fosse
a segunda casa de meus filhos. Eu
sei que posso trabalhar tranqui-
lo, pois aqui lhes são transmiti-
dos ensinamentos e valores bons.
Esse trabalho forma uma nova
geração, que vai transformar o
mundo para melhor. A cesta é só
um complemento da ação maravi-
lhosa que a LBV faz durante todo
o ano. Nunca vi isso em nenhum
outro lugar”.
Esse mesmo sentimento é com-
partilhado por Francisca Pinto
de Oliveira, atendida no Centro
Comunitário de Assistência So-
cial da Legião da Boa Vontade
Natal Permanente da LBV
Campinas/SP
Poços de Caldas/MG
Nova Friburgo/RJ
São José do Rio Preto/SP
Niterói/RJ
Sorocaba/SP São Sebastião do Paraíso/MG
Belford Roxo/RJ
São José dos Campos/SP
EduardoSiqueiraPriscillaPetreca
NatháliaValérioJoãoMiguel
AnaPaulaRabello
PriscillaAntunesSérgioSerrano
GiovaniCarvalhoSouza
MariaLuzia
126 BOA VONTADE
Campinas/SP
— O radialista
Billy Rovaron,
diretor artístico
da Rádio Nova
Sertaneja FM (de
Jaguariúna),
prestigiou a
entrega das
cestas de
alimentos da LBV.
Campinas/SP —
Silnéia Oliveira,
Diretora da ITV
Mídia Digital,
prestigia a
cerimônia da
Campanha Natal
Permanente da
LBV.
Bauru/SP — Cristina Ramos
(E), diretora do Jornal Zona Leste
News, participa da entrega das
cestas de alimentos arrecadados
pela campanha da LBV.
Presidente Prudente/SP — A
senhora Prudentina recebe das mãos
do empresário Guilherme Florez e
da psicóloga da Instituição Nancy
Ribeiro cesta de alimentos da LBV.
Sorocaba/SP — Cidinha Ataíde, assessora
técnica da Secretaria de Desenvolvimento
Social, durante a entrega das cestas de
alimentos da LBV.
Bauru/SP —
Lisandra
Gastaldo Lopes,
coordenadora
do programa
Mesa Brasil Sesc,
entrega cesta
de alimentos da
LBV à atendida
Nilza Pereira.
Franca/SP — “Parabéns
a todos pelo belíssimo
trabalho. Eu adoro
a LBV e o convite
para participar dessa
importante solenidade
foi um grande presente
para mim”, destaca
Ricardo Felício, locutor
da Rádio Vida Nova FM.
Maringá/PR
CésarFariaThiagoFerreira
CésarFaria
CésarFaria
MoisésAlbertoMoisésAlberto
LuizAntônioTardivo
PauloAraújo
BOA VONTADE 127
em Teresina/PI. Para ela, a Ins-
tituição cuida das famílias, pois
não só sacia a fome, mas também
investe na educação das crianças
e, consequentemente, no futuro
do Brasil. “A LBV colabora
na educação do meu filho. Ele
aprendeu muita coisa aqui. Ele
gosta de participar das ativida-
des, do futebol, do coral (...) Esta
cesta é muito importante, mas o
alimento sem educação não leva
a gente para a frente. E a LBV
dá educação, apoio, carinho...
A LBV é importante para todas
as mães (...). Aqui é a minha
casa”, frisou. Foi acompanhada
nesse ponto de vista por sua con-
terrânea Mara Célia Siqueira
Peruci, que destacou o socorro
proporcionado pela campanha.
“Esta cesta foi uma bênção.
Quem diria que ganharíamos
um presente desses? A LBV está
ajudando muita gente. Que ela
continue a fazer isso por muitos
anos!”, afirmou.
Na capital paranaense, o au-
xílio igualmente chegou em boa
Belo Horizonte/MG — Elizabete
de Fátima da Silva Torres (de
blusa vermelha), representante dos
Supermercados BH, entrega cesta
de alimentos a uma das famílias
atendidas pela Entidade. Ao seu
lado, Ronei Ribeiro, da LBV.
Belo Horizonte/MG — Claudilene
Bering Bastos, coordenadora do
Mesa Brasil Sesc Minas Gerais, e
Ronei Ribeiro, da LBV, entregam
cesta de alimentos para atendida
pela Legião da Boa Vontade.
Natal Permanente da LBV
Cachoeiro de Itapemirim/ES Ipatinga/MG
EdisonGeraldo
EdisonGeraldo
Belo Horizonte/MG
ÉdisonGeraldoMarcianiNeves
ÁlidaSantos
128 BOA VONTADE
João
Pessoa/PB—
Oatore
humorista
MárcioTadeu
participada
entregade
cestasàsfamílias
atendidaspela
LBVnacidade.
Salvador/BA — A Campanha do Natal Permanente contou com o
apoio do representante da Coelba, Júlio Salazar. Ele também foi
homenageado por meninos e meninas atendidos pela Instituição.
Aracaju/SE — A TV Sergipe (afiliada da Rede Globo) fez a cobertura
da solenidade de entrega das cestas e da inauguração da quadra
poliesportiva da LBV na capital sergipana.
João Pessoa/PB
Caruaru/PE
Salvador/BA
JeanCarlos
TatianeOliveiraTatianeOliveiraJeanCarlos
TatianeOliveiraVâniaBesse
BOA VONTADE 129
Natal Permanente da LBV
hora, tendo sido um verdadeiro
alento para Nercinda. “Eu não
tinha nada na minha casa. Achei
que ia passar um Natal sem ter o
que comer e, graças à LBV, terei
um fim de ano melhor”, revelou,
emocionada.
A iniciativa solidária encheu
de esperança em dias melhores
o coração dos atendidos. “Como
é bom ver que ainda há pessoas
que se dispõem a realizar ações
em benefício dos que realmente
precisam! A LBV está de para-
béns”, disse Mariana Siqueira,
de Ribeirão Preto/SP.
Já na capital sergipana, as fa-
mílias, além de receberem cestas
de alimentos, participaram da
inauguração da quadra polies-
portiva do Centro Comunitário
de Assistência Social da LBV na
cidade. A abertura do espaço con-
cluiu a etapa final de construção
das novas instalações dessa uni-
dade de atendimento — inaugu-
rada no início de 2013, no Bairro
Industrial — e foi destaque em
veículos da mídia brasileira, en-
tre os quais o Portal G1 e o site
Infonet. A TV Sergipe (afiliada
da Rede Globo) e o Jornal da Ci-
dade também cobriram o evento.
Na ocasião, João Batista
Santos, pai de cinco crianças
atendidas pela Legião da Boa
Vontade, salientou a importân-
cia do trabalho que a Instituição
empreende durante todo o ano.
“É surpreendente como os filhos
estão mais calmos e educados.
Agora, posso procurar empre-
go, pois meus meninos ficam na
LBV, aprendendo arte, música e
outras atividades que contribuem
Brasília/DF
Inhumas/GO
Cabo Frio/RJ
Goiânia/GO
Natal/RN
Montes Claros/MG
Itabuna/BA
JoséGonçaloEgezielCarlosNatháliaValério
RafaelMendesJeanCarlosTatianeOliveira
LeillaTonin
130 BOA VONTADE
Belém/PA — A assistente social Sinara
Sichanon, do Centro de Referência de
Assistência Social (Cras), à direita, prestigia
a entrega das cestas. Ao seu lado, uma das
atendidas pela Campanha e Ilton Ferreira
Martins, da LBV.
Recife/PE — Feliz por ajudar
na entrega das cestas de
alimentos, Jaciara Arruda,
vice-presidente do Conselho
Municipal de Assistência Social
(CMAS) do Recife, destaca:
“Nesta cesta, além do alimento
material, as famílias levam
o alimento espiritual que é o
mais importante. A LBV está
de parabéns por assegurar
ao longo do ano os Direitos
Humanos de seus assistidos”.
Recife/PE — Thelmo Santiago, vocalista do
Grupo Sem Razão, participa da entrega de
cestas. “Estou muito feliz em estar com a LBV,
desejo muita Paz e sucesso e que venham mais
64 anos de trabalho. Parabéns, LBV.”
Teresina/PI
Manaus/AM Maria do Socorro Leão
BrunaGonçalvesAnaPaulaFrancinete
BrunaGonçalves
GilFarias
BOA VONTADE 131
para uma vida melhor. Receber
esta cesta é muito importante,
principalmente quando nossa
situação financeira está lá em-
baixo. E, de repente, chega uma
ceia para compartilharmos com
nossa família. Agradeço a todos
os que colaboram para a LBV”,
declarou.
Cabe mencionar que o projeto
da quadra tem por objetivo aten-
der à necessidade de se oferecer
um local apropriado para a práti-
ca esportiva, visto que faz parte
da estratégia da LBV utilizar
o esporte como ferramenta de
educação e de inclusão social ao
trabalhar com a garotada impor-
tantes valores para a convivência
em sociedade, entre os quais o
espírito fraterno, o companhei-
rismo, o respeito, a disciplina e
a responsabilidade.
Além da quadra propriamente
dita, o recinto dispõe de arqui-
bancada para 200 pessoas e co-
bertura, o que possibilitará o uso
dela mesmo em dias de sol forte
ou de chuva. Ali, as meninas e
“Esta cesta veio em
boa hora, pois estou
desempregada e conto
com a LBV para reerguer
minha vida. A Legião da
Boa Vontade está sempre
disposta a ajudar
a quem precisa.”
Marcele Helena de Souza
Atendida pela LBV no Rio de Janeiro/RJ
Natal Permanente da LBV
Ananindeua/PA
Rio de Janeiro/RJ Recife/PE
Vale do Jequitinhonha/MG
LilianeCardosoLilianeCardoso
LilianeCardoso
StellaSouza
132 BOA VONTADE
Dourados/MS — Aniceto Velasques,
líder indígena e representante da
Aldeia Bororó, participa da entrega
das cestas de alimentos.
Campo Grande/MS — O jornalista Thobias Bambil (C) prestigia a iniciativa
solidária da LBV com duas amigas (D). “A LBV é uma das Instituições mais
respeitadas aqui em Mato Grosso do Sul”, destaca o jornalista.
Campo
Grande/MS — A
jornalista Cristina
Gomes, do site
A Tribuna News,
durante a entrega
de cestas de
alimentos a famílias
campo-grandenses.
A seu lado,
Joílson Nogueira
(E) e Genivaldo
Marquiza, ambos
da LBV.
Campo Grande/MS — Com bebê
pequeno, atendida pela LBV recebe a
cesta de alimentos das mãos da dupla
sertaneja Alex e Yvan, voluntários na
mobilização solidária da Instituição.
São Luís/MAAnápolis/GO
AnaliceBarceláGenivaldoMarquizaJoãoPreda
KássiaBernardeAnaliceBarcelá
AnaliceBarcelá
BOA VONTADE 133
os meninos atendidos pela LBV
poderão praticar futsal, vôlei,
basquete e handebol e realizar
atividades de lazer.
Voluntariado e expansão
da fraternidade
A participação de diversos
amigos, voluntários e parceiros
da Instituição fez a diferença em
mais esta edição da campanha.
Em prol do sucesso da iniciati-
va, muitas pessoas dedicaram
tempo e empenho para ajudar na
entrega dos alimentos, entre elas
Guilherme Estefani Pereira,
de Mogi das Cruzes/SP. “Ano
passado estive pela primeira vez
neste ambiente lindo. A partir
daí, apaixonei-me pela LBV. Hoje
estou aqui novamente”, contou.
No Rio de Janeiro/RJ, o em-
Natal Permanente da LBV
Porto Alegre/RS
Curitiba/PR Glorinha/RS
Passo Fundo/RS São José/SC
Paranaíba/MS
LilianeCardoso
PabloLima
ViníciusRamãoLilianeCardoso
FabíolaBigasTelmaCarilei
134 BOA VONTADE
Porto Alegre/RS — Wisconsin Wilton
Soares Martins, gerente administrativo da
empresa Locall de Cinema e Televisão e sua
esposa, Abegair dos Santos, prestigiam
a Campanha Natal Permanente da LBV —
Jesus, o Pão Nosso de cada dia!
PortoAlegre/RS—GlautoMelo,
superintendentedaConabnoRioGrande
doSul,participadaentregadascestasde
alimentosafamíliasdePortoAlegre.
Florianópolis/SC — O superintendente
regional da Companhia Nacional de
Abastecimento (CONAB), Sione Lauro de
Souza (E), representando a companhia,
uma das parceiras da LBV nesta campanha,
prestigia a entrega de cestas de alimentos.
“A LBV tem ações concretas, basta ver o
sorriso destas pessoas. Que vocês continuem
com essa trajetória de coerência e de firmeza
em busca dos objetivos que se propõem”,
disse.
Criciúma/SC — A equipe do programa
Litoral Sul Notícias, da TV Litoral Sul de
Criciúma (Net), conferiu a alegria das
famílias atendidas pela LBV durante a
entrega das cestas de alimentos.
Londrina/PR —
Diversos parceiros e
amigos de Boa Vontade
participaram da ação
solidária da LBV, a
exemplo da sra. Mildred
dos Santos Galvão
Bueno, presidente
da Associação
Beneficente Galvão
Bueno e do Programa
do Voluntariado
Paranaense (Provopar).
Criciúma/SC
Joinville/SC
LilianeCardosoFabíolaBigas
LilianeCardoso
LucasMorello
JulianaBortolinFabíolaBigasDerliFrancisco
São Paulo/SP
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 135
presário Paulo Munhoz, depois
de testemunhar o contentamento
de quem recebia o apoio da Le-
gião da Boa Vontade, afirmou:
“Eu fico muito feliz por partici-
par deste momento. É uma satis-
fação ver um trabalho de tanta
grandiosidade. A LBV tem uma
energia muito boa”.
Quem também esteve pre-
sente ao evento na capital flu-
minense foi o major Ivan Blaz,
comandante da 1a
Companhia
Independente de Polícia Militar
(1ª CIPM), que enfatizou a rele-
vância da campanha para a valo-
rização da vida dos beneficiados
e comentou o laço colaborativo
entre as duas organizações: “A
LBV traz o alimento não só para
o corpo, mas também para o
Natal Permanente da LBV
Campina Grande/PB
Petrópolis/RJ
Araguari/MG
Belém/PA
Araraquara/SP Americana/SP
Campo Grande/MS Franca/SP
Patos de Minas/MG
JeanCarlosNatháliaValérioLedilaineSantanaAnaPaulaFrancinete
AnaliceBarceláVanessaFazolin
SimôniaMendes
IzabelaLobiancoLuizAntônioTardivo
136 BOA VONTADE
Espírito desta população, e isso
é muito importante. Não tem
como a gente ficar de fora. Há
muito tempo a Polícia Militar
tem essa parceria com a LBV, e
isso é fantástico para nós, muito
gratificante.”
Para a presidente da Associa-
ção Beneficente Galvão Bueno
e do Programa do Voluntariado
Paranaense (Provopar), Mildred
dos Santos Galvão Bueno, é
evidente o poder da Solidarieda-
de. Durante a entrega das cestas
em Londrina/PR, a amiga de
Boa Vontade e mãe do apresen-
tador e comentarista esportivo
Galvão Bueno recordou-se do
primeiro contato que teve com
a Instituição. “Conheço a LBV
desde o princípio. Há 64 anos*,
“Esta cesta significa,
além do alimento na
mesa, a Esperança,
a Paz e o Amor. A
Legião da
Boa Vontade olha
realmente para o ser
humano. Só tenho a
agradecer por este
presente.”
Maria Gorete Nunes
dos Santos
Atendida pela Instituição em
Criciúma/SC.
Araxá/MG
Vitória/ES Uberaba/MG Araraquara/SP
Juiz de Fora/MG
Porto Velho/RO
Bauru/SP
VivianeSouzaFlammarionCampos
MoisésAlberto
EduardoSiqueira
SueliCorsini
AndréRodrigues
SilvanoMarques
BOA VONTADE 137
foi exatamente quando começou.
Eu trabalhava na Rádio Tupi, e
o [Alziro] Zarur era locutor.”
Ela ainda aproveitou a ocasião
para parabenizar a Legião da
Boa Vontade pelo crescimento ao
longo dessas mais de seis décadas
de existência. “É um trabalho
que eu admiro muitíssimo. (...)
Meu Deus do Céu, olha onde eu
estou, o que estou vendo! Isso é
maravilhoso! (...) Quantos anos
passados! E eu presenciei o
início disso, a alegria do Zarur,
a felicidade dele. Tudo isso eu
acompanhei e agora vejo que é
um sucesso. Realmente, foi uma
realização maravilhosa. Estou
encantada!”, declarou. Em suas
palavras finais, deixou a seguinte
mensagem fraterna ao diretor-
-presidente da LBV, José de Paiva
Netto: “Parabéns, felicidades e
continue com o sucesso grande
da LBV! Que Deus o abençoe
agora e sempre!”.
“Eu não tinha nada
na minha casa. Achei
que ia passar um Natal
sem ter o que comer e,
graças à LBV, terei um
fim de ano melhor.”
Nercinda
Atendida pela LBV em Curitiba/PR
* A Legião da Boa Vontade foi criada ofi-
cialmente em 1o
de janeiro de 1950 (Dia
da Confraternização Universal), no Rio de
Janeiro/RJ, pelo jornalista, radialista e poe-
ta Alziro Zarur (1914-1979).
Natal Permanente da LBV
Florianópolis/SC
Santos/SP Presidente Prudente/SP
Dourados/MS Uberlândia/MG
Piracicaba/SP
LucasMorelloJulianaMoura
ThiagoFerreira
GenivaldoMarquiza
LedilaineSantana
ManoelAfonso
138 BOA VONTADE
PORTUGAL
Em dezembro de 2013, a Legião da Boa Vontade de
Portugal beneficiou, de norte a sul desse país irmão,
mais de mil famílias em estado de risco social por meio da
campanha Natal da LBV — Solidariedade sem Fronteiras.
A iniciativa, que envolveu indivíduos, empresas e
voluntários da Instituição, teve início em Coimbra e seguiu
para as cidades de Braga, Porto e Lisboa. Igualmente, é
importante destacar a generosa doação da 56a
edição do
Natal dos Hospitais, uma tradição da TV portuguesa RTP1,
entregue unidade de atendimento da LBV no Porto. A ação
é resultado de uma parceria da emissora de televisão com o
Diário de Notícias e com as empresas LIDL e Philips.
PARAGUAI
A LBV do Paraguai arrecadou 8 mil quilos de alimentos não
perecíveis, entregues a 500 famílias atendidas durante
o ano de 2013 pelos programas socioeducacionais da
Instituição. Os beneficiados pela Campanha do Natal
Permanente participaram também de palestras educativas,
pois ao lado do amparo material, há também a preocupação
de ensinar o cidadão a desenvolver o próprio potencial
e habilidades, a fim de que possa assegurar o sustento
pessoal.
BOLÍVIA
Em dezembro de 2013, a Campanha Natal Solidário
— Jesus, o Pão Nosso de Cada Dia, da LBV da Bolívia,
entregou 330 cestas de alimentos para famílias de
baixa renda das cidades de El Alto e Santa Cruz de La
Sierra.
MarcoSemblano
AndreaVarelaAndreaVarela
ArquivoBV
BOA VONTADE 139
DanielTrevisan
Walter
Periotto é
jornalista. Foi
representante
da LBV dos
Estados
Unidos da
América, na
década de
1980.
população idosa em diversos de
seus Centros Comunitários de
Assistência Social, localizados
em dezenas de cidades do país
(veja os endereços no site www.
lbv.org). Em especial, gostaria de
falar do trabalho desenvolvido por
meio do programa Vida Plena, pelo
fato de este restabelecer e fortale-
cer vín­culos sociais tão preciosos
nesta fase de nossa existência. A
iniciativa é destinada a indivíduos
com mais de 60 anos e reúne pro-
fissionais voluntários de diferentes
Programa socioassistencial da LBV fortalece vínculos afetivos na família
áreas, que, mediante palestras,
cursos e oficinas, orientam os
participantes a buscar o envelhe-
cimento ativo e saudável. Além
disso, a Instituição realiza ações
culturais e de lazer que colaboram
para o exercício da cidadania e
para maior inserção comunitária
dos atendidos.
Iara Pereira, assistente social
da LBV em São Paulo/SP, explica
assim a atuação da Obra em prol da
Melhor Idade: “Nós transmitimos
aos idosos a importância de eles se
Vida Plena
Walter Periotto | Especial para a BOA VONTADE
A
Legião da Boa Vontade
promove há várias déca-
das, de maneira ininter-
rupta, atividades gratuitas para a
MônicaMendes
Melhor Idade
Belo Horizonte/MG
140 BOA VONTADE
manterem ativos e de terem amigos,
sejaaqui,sejaemoutrosgruposque
possam frequentar. A vida de um
idoso dentro de casa fica muito li-
mitada. Ele não se movimenta, não
interage com ninguém e fatalmente
vai adoecer, física e/ou emocional-
mente”. Para a profissional, fazer
parte do grupo ajuda-os a ser mais
independentes, por aproximá-los
de outras pessoas da mesma faixa
etária. “Éinteressanteovínculoque
formam. Isso faz com que amizades
sejam criadas e experiências sejam
trocadas. O grupo é muito rico; ele
se alimenta dessa troca”, ressalta.
Como todas as atividades do
programa são planejadas a fim de
que cada participante supere os
próprios desafios e dificuldades, o
resultado dessas práticas tem sido
bastante positivo. Por intermédio
delas, a LBVvem conseguindo res-
gatar aquilo que muitos costumam
julgar perdido: a felicidade por
poder aproveitar esse importante
perío­do da vida com saúde e dis-
posição. Prova disso é Rosângela
da Conceição, que encontrou no
Centro Comunitário deAssistência
Social da Instituição em Belo Ho-
rizonte/MG o apoio de que necessi-
tava. Ela destaca: “Cada abraço e
cada bom-dia ao abrirem o portão
para mim foram uma bênção de
Deus. (...) Tenho comentado por
onde passo que aqui é uma bênção,
umapaz nomeucoração,umatran-
quilidade muito grande”.
Ela é acompanhada nessa sensa-
8h45 Abertura Solene
DR. MARCOS BIASIOLI
Primeiro Painel - A Contabilidade Social
e a Auditoria do Terceiro Setor
9h00 Contabilidade Social
MARCELO GONÇALVES
9h30 Auditoria do Terceiro Setor
DEMETRIO COKINOS
Segundo Painel - A Prestação de Contas
do Terceiro Setor aos Órgãos Públicos
10h00Sistema de Escrituração Digital
das Obrigações Fiscais, Previden-
ciárias e Trabalhistas (eSocial) – A
nova plataforma do SPED – tam-
bém aplicável ao Terceiro Setor
DANIEL BELMIRO FONTES
10h30 Coffee-break
11h00eSocial – Governança e Com-
plaince
ABDIAS MELO
Terceiro Painel - Direito do Terceiro Setor
11h30 As Relações do Ministério Público com
as Organizações do Terceiro Setor e as
Peculiaridades das Prestações de Contas
AIRTON GRAZZIOLI
12h00 Debates do Primeiro, Segundo e Tercei-
ro (parte) Painéis – com os palestrantes
presentes na mesa diretora
Coordenador da Mesa:
EDENO TEODORO TOSTES
12h30Intervalo para Almoço
13h30CEBAS da Assistência Social
ALESSANDRA LOPES GADIOLI
Direito do Terceiro Setor
14h00CEBAS da SAÚDE
CLEUSA RODRIGUES DA SILVEIRA BERNARDO
14h30CEBAS da EDUCAÇÃO
ENEIDA CARDOSO DE BRITTO CORRÊA
15h00Temas Polêmicos da Assistência So-
cial
MARCOS BIASIOLI
15h30 Debates dos assuntos tratados no 3º
Painel (tarde), com os palestrantes dis-
poníveis e presentes na mesa diretora.
Coordenador da Mesa:
MARCOS BIASIOLI
16h00Coffee-break
Quarto Painel
Mobilização de Recursos em prol do Terceiro
Setor
16h30Doações sociais de pessoas de alto
poder aquisitivo
MARCOS FLÁVIO CORRÊA AZZI
17h00Tecnologia Social para Impacto de
Larga Escala e Criação de Valor
Compartilhado - Case “Coletivo
Coca-Cola”
DANIELA REDONDO
17h30Gestão de Recursos no Mercado
Capitais como fonte de sustentabili-
dade do Terceiro Setor
EDIGIMAR ANTONIO MAXIMILIANO JUNIOR
18h00– Debates do Terceiro (parte) e Quarto
Painéis – com os palestrantes
presentes na mesa diretora
MODERADORA: SILVIA MARIA LOUZÃ NACCACHE
18h30Encerramento pelo Coordenador
Geral
Congresso
Brasileiro
do 3o
Setor
CongressoCongresso
do 3do 3
Realização:
Inscreva-se Já www.economica.com.brInscreva-se Já www.economica.com.br
MDS
MS
Direito | Auditoria | Contabilidade | CaptaçãodeRecursos 23 de maio de 2014 | Hotel Tivoli Mofarrej | Alameda Santos, 1.437 • São Paulo|SP • Brasil
Realização ApoiadoresPatrocínio Expositores
economica.com.br
ção por Luci deAraújo, também da
capital mineira. “Na LBV, sentimo-
-nos em casa, esquecemos os pro-
blemas; eles ficam menores. Antes,
eu ficava só deitada, com depressão.
Aí,passeiafrequentar[aunidadeda
Instituição] e gostei muito. Hoje, eu
me sinto feliz, sou uma pessoa mais
tranquila. Nos dias de vir para cá,
fico muito satisfeita, porque sei que
vouterumdiamaravilhoso”,declara.
Por isso, não fique aí parado(a)!
Movimente-se! Procure sempre
oportunidades de estar bem e em
paz consigo mesmo(a), com os de-
mais e até com o Universo! Isso faz
toda a diferença. Consoante afirma
odiretor-presidentedaLBV,Joséde
Paiva Netto: “Jovem é aquele que
não perdeu o ideal no Bem”.
pelomesmoideal
Unidos
Movimento jovem ecumênico da LBV
na luta pela igualdade de gênero
Patricia Maria Nonnemacher
Vivian R. Ferreira
Ação Jovem LBV
142 BOA VONTADE
A
inda bem jovem, tomei
conhecimento de um pensa-
mento do diretor-presidente
da Legião da Boa Vontade, José de
Paiva Netto, constante de artigo
publicado em centenas de jornais,
revistas e sites, do Brasil e no ex-
terior.Assim escreveu o jornalista:
“(...) O papel da mulher é tão
importante, que, mesmo com todas
as obstruções da cultura machista,
nenhuma organização que queira
sobreviver — seja ela religiosa,
política, filosófica, científica, em-
presarial ou familiar — pode abrir
mão de seu apoio. Ora, a mulher,
bafejada pelo Sopro Divino, é a
Alma de tudo, é a Alma da Huma-
nidade, é a boa raiz, a base das
civilizações. Ai de nós, os homens,
se não fossem as mulheres escla-
recidas, inspiradas, iluminadas!”.
Essa mensagem faz parte do artigo
“A Mulher no ConSerto das Na-
ções”, levado à ONU, em diversos
idiomas, em 2005.
Pensei bastante sobre o sig-
nificado dessas palavras e seu
alcance... Outra questão também
bateu bem forte e me deixou
intrigada: por que o dirigente da
LBV ainda precisava dizer aquilo,
se estávamos em uma sociedade
livre e as mulheres já possuíam
seus direitos assegurados por lei?
Foi então que comecei a analisar o
que estava à minha volta. Percebi
que, de fato, as diferenças no trato
com a mulher e a desvalorização
feminina no corpo social e familiar
eram grandes e, o pior, em muitos
casos permaneciam veladas. Um
detalhe importante: não poderia
dizer que a maioria das pessoas que
assim agiam o fazia racionalmente,
todavia, de forma automática, ape-
nas reproduziam o modelo de uma
cultura sexista.
Reeducando
Diante disso tudo, eu me per-
guntava como alcançaríamos uma
mudança realmente efetiva. Hoje,
vemos a formulação de novas leis,
tratados, e a disposição de órgãos
públicos e privados empenhados
em garantir direitos às mulheres,
no caminho da igualdade de gêne-
ro. Então, por que com todas essas
iniciativas as transformações são
lentas? Em tese, todos não querem
o melhor?
Para responder a tais questões,
precisamos lembrar que falamos
de costumes, de herança cultural.
Cada indivíduo recebe esse legado
e aprende o que é “certo e errado”.
Quando criança, é ensinada a ela
a maneira apropriada de pensar e
agir, inicialmente, dentro do grupo
social que a acolhe e com o qual
interage desde o nascimento, a
família. Assim, multiplicam-se as
condutas que caracterizam a desi-
gualdade de gênero, pelo menos
até que haja conscientização do
problema e, consequentemente,
mudanças de atitude. O que é ab-
PriscillaAntunes
Patricia Maria
Nonnemacher
é graduanda
em Ciências
Sociais e
integrante da
Juventude
Ecumênica
Militante da
Boa Vontade,
no Rio de
Janeiro/RJ.
surdo para a maioria das famílias,
isoladas ou não, pode perpetuar-
-se por muitos anos em alguns
lares. A exemplo de uma criança
que sofre maus-tratos e abuso por
parte do pai ou padrasto e o fato é
“negligenciado” pela mãe, receosa
do desdobramento da situação ao
denunciar o agressor. Esse e outros
casos similares põem em risco me-
ninas e meninos, indefesos mate-
rial, psicológica e espiritualmente,
e os deixam à mercê do autor da
violência. Pesquisa realizada pelo
Núcleo de Estudos da Violência
(NEV), da Universidade de São
Paulo (USP), em 2010, mostrou
que pessoas que sofrem agressão
na infância tendem a adotar com-
portamento violento para solucio-
nar conflitos na fase adulta.
Além do que deve ser feito no
campo legal e/ou ético, é preciso
que haja a reeducação geral do ser
humano, conforme defende Paiva
Netto em seu livro É Urgente
Reeducar!: “No ensino reside a
grande meta a ser atingida, já!
E vamos mais longe: ‘Somente a
Reeducação, até mesmo dos edu-
Acredito muito na união
de esforços em prol de
uma sociedade capaz
de verdadeiramente
garantir direitos
iguais para todos,
sem preconceitos ou
sexismo.
BOA VONTADE 143
cipar da Juventude Ecumênica
Militante da Boa Vontade, um
movimento inovador nascido
na LBV, que nos incentiva a ser
protagonistas de nosso tempo.
Ou seja, aprendemos a ocupar
um espaço no meio social em que
vivemos, cientes de que podemos
influenciar na melhoria dele, sem-
pre tendo em mente os ensinos
universais de Jesus, o Cristo
Ecumênico, o Divino Estadista,
que disse: “Novo Mandamento
vos dou: Amai-vos como Eu vos
amei. (...) Não há maior Amor do
que doar a própria Vida pelos seus
amigos” (Evangelho de Jesus, se-
gundo João, 13:34 e 15:13).
Entre as muitas ações desen-
volvidas pelos Jovens Legio-
nários, destaco duas que têm
ajudado no cumprimento dos oito
Objetivos de Desenvolvimento
Ação Jovem LBV
violência. No Brasil, tal processo
vem ocorrendo com o aumento de
denúncias por parte das mulheres
que, de forma corajosa, fazem
valer seus direitos, amparadas
pela Lei Maria da Penha. Na LBV,
aprendemos que uma sociedade
melhor, mais justa e feliz se cons-
trói com a participação de todos,
no zelo pelo bem-estar coletivo,
no apoio a vítimas de agressão
etc. Enfim, é fundamental auxiliar
fraternalmente os que estão fragi-
lizados espiritual, psicológica ou
materialmente.
Há 27 anos...
Acredito muito na união de
esforços em prol de uma socie-
dade capaz de verdadeiramente
garantir direitos iguais para todos,
sem preconceitos ou sexismo.
Tenho a oportunidade de parti-
cadores’, como preconizava Alziro
Zarur (1914-1979), pode garantir-
-nos tempos de prosperidade e
harmonia. É urgente reeducar-se
para poder reeducar”.
Na mesma obra, continua o
escritor, no subtítulo “Miséria
não é o destino do ser humano”:
“(...) O que a LBV propõe é um
extenso programa de Reeduca-
ção. E é o que vimos realizando
dentro de nossas possibilidades,
procurando despertar o interesse
de tantos idea­listas, que, como
nós, não acreditam na fatalidade
de destinos permanentemente
condenados à desgraça, por ques-
tões sociais, políticas, religiosas,
étnicas... Além disso, nada se cons-
trói firmado em recalques”. (...)
E essa transformação fortalece
as vítimas e pode levá-las a se
livrar, sem culpa, do ambiente de
Salvador/BA Jovens de Boa Vontade realizam passeata em favor da preservação do meio ambiente.
TatianeOliveira
144 BOA VONTADE
do Milênio (ODM). Primeiro,
o trabalho de conscientização
pelo fim do preconceito contra
os portadores do vírus HIV/aids,
inclusive, com mobilização inter-
nacional no Dia Mundial de Luta
contra a Aids (1o
de dezembro).
Nessa data, nossas atividades têm
como referência a mensagem da
LBV “Aids — O vírus do precon-
ceito agride mais que a doença”.
Segundo, a realização de uma
série de atividades em defesa da
preservação do meio ambiente,
incluindo-se debates, palestras
e passeatas. Aliás, a busca de
equilíbrio entre proteção ambien-
tal e progresso socioeconômico
motivou também a mocidade da
LBV a dedicar o 33o
Fórum Inter-
nacional do Jovem Militante da
Boa Vontade ao tema, por meio
de ações socioeducativas em todo
o Brasil e no exterior, sob o brado
permanente: “Educar. Preservar.
Sobreviver. Humanamente tam-
bém somos Natureza”.
Por tudo isso, considero rele-
vante para o nosso planeta disse-
minar exemplos de voluntariado,
como se faz na Legião da Boa
Von­tade. É uma maneira de em-
polgar milhões de jovens pelo
mundo, transformando essa gente
nova, naturalmente idealista, em
importante instrumento de promo-
ção do próximo conjunto de metas
globais: os Objetivos de Desenvol-
vimento Sustentável (ODS).
Por fim, vale aqui citar a palavra
do dirigente da LBV, proferida há
27 anos, acerca do valor de aban-
donarmos, em definitivo, as barrei-
ras sexistas, que ainda prejudicam
a evolução da Humanidade:
Peça da campanha da LBV, que repercutiu na internet em sete idiomas, com o
pensamentodePaivaNetto:“Aids— Ovírusdopreconceitoagridemaisqueadoença”.
“Pelo nosso prisma, a mulher
tem direito a ser Presidente da
República, condutora de religiões,
capitã de indústria, de aviões e
navios transatlânticos; tem direito
de ser médica, engenheira, profes-
sora... No trabalho, há um justo
conceito de valor entre homens
e mulheres: o da competência.
Então, os sexos nisto estarão har-
monizados. Que brilhe o homem,
que brilhe a mulher, conforme a
competência de cada um. Isto não
quer dizer que homens e mulheres
são totalmente iguais. Aí está pelo
menos, de início, a anatomia para
desmentir. O que quero dizer é
que não se devem sustentar an-
tigas barreiras e levantar novas,
firmadas em tabus, preconceitos e
interesses espúrios para impedir
maior influência da Mulher sobre
o destino do mundo. Homem e
mulher dependem um do outro.
Completam-se”. (Trecho extraído
do livro Reflexões e Pensamentos
— Dialética da Boa Von­tade, pu-
blicado em 1987.)
BOA VONTADE 145
DanielTrevisan
Adriane
Schirmer,
professora.
Adriane Schirmer | Especial para a BOA VONTADE
C
om o novo Acordo Ortográ-
fico, a maioria dos acentos
diferenciais foi abolida, mas
permanecem em casos como estes:
Pôr e por
Pôr é verbo e por é preposição.
Exemplo:Voupôrocadernonamesa
feita por você.
Pôde e pode
Pôde é a forma do passado do
verbo “poder” no pretérito perfeito
do indicativo, na terceira pessoa do
singular. Pode é a forma do presente
do indicativo, também na terceira
pessoa do singular.
Vamos aos exemplos:
“Ontem, ela não pôde atender à
solicitação, mas hoje ela pode”.
“A famosa poetisa goiana Cora
Coralina (1889-1985), doceira de
Aprendendo Português
profissão,sórecebeuensinoprimário
e publicou seu primeiro livro aos 75
anos. Trouxe à luz quatro filhos e
pôde belamente salientar: ‘Tens o
dom divino de ser mãe. Em ti está
presente a Humanidade’” (Paiva
Netto, em Jesus, o Profeta Divino).
Nãousamosmaisoacentoagudo
ou circunflexo para diferenciar pala-
vras como pára (verbo “parar”) de
para(preposição);pêlo(substantivo)
depelo(combinaçãodepermaislo).
É facultativo o uso do acento
circunflexo no substantivo fôrma/
forma (caso de dupla grafia) para
diferenciá-lo da palavra forma. Em
alguns casos, o uso do acento deixa
afrasemaisclara,comonesteexem-
plo: “A forma de preparo desse
pudim pede fôrma especial”.
Ainda sobre a reforma ortográ-
fica vigente, vale lembrar que o
antigo acento de “eu apoio” (que
hoje se escreve sem acento) não
era um acento diferencial, mas há
quemimaginequesim,queoacento
em apóio servia para distinguir o
verbo do substantivo. Esse acento
deixou de ser usado como todos os
ditongos abertos éi e ói das palavras
paroxítonas, independentemente de
haver homônimo. Então, reforçan-
do: tanto a forma verbal (apoio)
como o substantivo (apoio), que
é sinônimo de auxílio, amparo,
ajuda, não têm acento.
Enfim, o acento diferencial é
imprescindível em certas palavras,
pois evita ambiguidades.
Sugestões e temas a serem abor-
dados e dúvidas são bem-vindas. Se
você as tiver, encaminhe-as para a
Redação desta revista (veja o ende-
reço na p. 6.)
Bom estudo e até a próxima!
Acento diferencial
pára (O tempo não pára.) para (O tempo não para.)
Como era Como ficou
pólo (TBV — pólo mundial de
Solidariedade Ecumênica.)
polo (TBV – polo mundial de
Solidariedade Ecumênica.)
pêlo (O pêlo daquele cachorro é
sedoso.)
pelo (O pelo daquele cachorro é
sedoso.)
pêra (Coma uma pêra.) pera (Coma uma pera.)
146 BOA VONTADE
SUSTENTABILIDADE.
Este é um dos nossos valores.
A Celpe, empresa do Grupo Neoenergia, trabalha
para fornecer energia elétrica com qualidade e
confiabilidade. É por isso que a concessionária
investe cada vez mais em tecnologias inovadoras
e sustentáveis.
A construção de usinas solares, em São Lourenço
da Mata e na Ilha de Fernando de Noronha,
o desenvolvimento do Projeto de Redes Elétricas
Inteligentes e dos programas Vale Luz, Nova
Geladeira e Energia Verde são apenas alguns
exemplos de uma gestão orientada para a
sustentabilidade em todos os seus processos.
Iniciativas como essas contribuem para o
crescimento econômico do Estado, gerando
desenvolvimento com qualidade de vida
e preservação do meio ambiente para as
futuras gerações.
Revista Boa Vontade, edição 236

Revista Boa Vontade, edição 236

  • 1.
    Paiva Netto escreve”solidariedade e direitos humanos no mundo“. ONU Mulheres Vice-diretora-executiva, sra. Lakshmi Puri, destaca avanços e desafios para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. REVISTA DIGITAL Baixe o app gratuito da BOA VONTADE para iOS e Android Meio ambiente A escassez de água ameaça os cidadãos. Você pode ajudar a reverter isso BrasilvencedorPersonalidades, voluntários e colaboradores unem forças à Legião da Boa Vontade para vencer os desafios sociais do país e garantir um futuro melhor com Cidadania Plena. Só em 2013, foram mais de 11 milhões de atendimentos e benefícios em amparo à população de baixa renda. Confira! ANO 58 • No 236• R$ 7,90 EducaçãoeSolidariedadeporum 64anos
  • 3.
    Carlos Alberto Parreira,coordenador técnico da atual Seleção e treinador canarinho na conquista do Tetra. Jogadores: Alexandre Pato, Altair, André Santos, Arouca, Cafu, Cássio, Chicão, Cicinho, Daniel Alves, Dante, David Luiz, Dedé, Denílson, Dida, Dunga, Emerson Sheik, Éverton Ribeiro, Fabrício, Felipe, Fernando Prass, Fred, Gil, Gilberto Silva, Henrique, Hulk, Jadson, Jair Marinho, Jô, Juan, Juninho, Juninho Pernambucano, Luís Fabiano, Leandro Damião, Léo Gago, Léo Moura, Lucas Piazón, Marcos, Marcos Aurélio, Marcos Rocha, Neto, Neymar, Osvaldo, Paulo Henrique Ganso, Pelé, Pepe, Réver, Ricardo Goulart, Roberto Carlos, Robinho, Rodrigo Caio, Rogério Ceni, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Victor, Walter, Wellington, Wesley, Zico e Zito. Astros do futebol, de todas as gerações, integram a seleção DE campeões da solidariedade e assinaM a camisa exclusiva da LBV:
  • 4.
    52 Água —A degradação deste recurso natural pode levar o ser humano a enfrentar um cenário de escassez nunca antes vivenciado. 17 Carlos Chagas Relatos marcantes de nossa história 15 Márcia peltier Suas experiências pelo mundo 15 Ana Paula Padrão O amor chegou tarde em minha vida 17 Alexandre Caldini Neto A morte na visão do Espiritismo 16 Zico Vida e carreira 16 Audálio Dantas homenageia o Rei do Baião 14 Luis Erlanger lança Antes que eu morra 23 Sebastião Nery Ninguém me contou, eu vi: de Getúlio a Dilma 18 Bento Viana Imagens de Brasília vista do alto Sumário 8 Solidariedade e direitos humanos no mundo Paiva Netto 14 Cartas, e-mails, livros e registros 26 Opinião — Terceiro Setor em foco por Airton Grazzioli Negócios sociais 29 Voluntariado Dra. Lúcia Maria Bludeni 32 Abrindo o coração Meio século no ar 37 Opinião — Esporte por José Carlos Araújo Seleção sem contestação 38 Samba & história por Hilton Abi-Rihan Jair Rodrigues (1939-2014) 42 in memoriam Saudades, Myltainho! 44 Empreendedorismo social Contra a pobreza 51 Opinião — Educação por Arnaldo Niskier “Coroas” modernos, jovens inquietos 52 Meio ambiente Água, o líquido precioso. 60 OPinião — Meio Ambiente por Daniel Borges Nava Educação e Espiritualidade: dimensões da sustentabilidade 64 Saúde e qualidade de vida Metas e compromissos com as novas gerações 70 Entrevista — Nações unidas Empoderamento feminino é meta global 74 LBV na ONU Agenda de desenvolvimento pós-2015 8 Paiva Netto escreve: Solidariedade e direitos humanos no mundo 4 BOA VONTADE
  • 5.
    74 LBV naONU — Evento das Nações Unidas reforça a necessidade de a igualdade de gênero figurar no próximo conjunto de metas globais. 32 José Carlos Araújo comemora o Jubileu de Ouro 120 Carlos Arthur Pitombeira Esporte e cidadania 26 Airton Grazzioli Negócios sociais 116 Paulo Kramer Políticas Públicas 29 dra. Lúcia Maria bludeni Cultura de voluntariado 51 Arnaldo Niskier “Coroas” modernos, jovens inquietos 140 Walter periotto Vida Plena 38 Jair Rodrigues Homenagem 104 Balanço Social — Ação da LBV supera a marca de 11 milhões de atendimentos e benefícios ao povo de baixa renda 60 DanielBorgesNava Dimensões da sustentabilidade 82 Direitos Humanos • Respeito e integridade da mulher 85 Acontece no DF 86 Soldadinhos de Deus, da LBV Futebol da Caridade 94 Educação e cidania plena Mulheres e meninas pela Cultura de Paz 100 Campanha Criança Nota 10! Entrega de kits pedagógicos 104 Balanço Social Trabalho e fé no ser humano 116 Opinião — Congresso em pauta por Paulo Kramer A Câmara e o social 119 Consumo consciente Tecnologia reduz consumo de energia elétrica 120 .opinião — mídia Alternativa por Carlos Arthur Pitombeira Esporte e cidadania 122 Natal permanente da LBV Triunfo do Amor e da Boa Vontade 140 Melhor Idade por Walter Periotto Vida Plena 142 Ação Jovem LBV por Patricia Maria Nonnemacher Unidos pelo mesmo ideal 146 Aprendendo português por Adriane Schirmer Acento diferencial Canais da LBV na internet www.lbv.org.br Facebook: LBV Brasil Twitter: @LBVBrasil Youtube: LBV Videos Orkut: LBV Flickr: flickr.com/lbvbrasil BOA VONTADE 5
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    Ao leitor Esta ediçãoda BOA VONTADE põe em foco a força do trabalho e da solidariedade ao divulgar a expressiva marca de 11.053.113 atendimentos e benefícios oferecidos a comunidades de baixa renda pela Legião da Boa Vontade em 2013. A reportagem com o balanço social da Instituição nesse período é destaque da capa da revista e exprime a própria razão de existir da LBV: ampa- rar o ser humano e o Espírito Eterno dele e fazer despertar o Cidadão Planetário que há em cada indivíduo. Celebrando sempre a vida, a Entidade está presente nos momentos de necessidade e/ou de dor de milhares de pessoas e famílias em situação vulnerável com o socorro material e sua mensagem de Paz, de Amor, de Fraternidade e de Fé Realizante. A temática social e humanitária, que pauta toda a atuação da LBV, consta ainda do artigo “Solidariedade e direitos humanos no mundo”, do diretor-presidente da Instituição, o jornalista, escritor e radialista José de Paiva Netto. Nele, o autor explica por que jamais devemos esmorecer na luta pela promoção da dignidade humana e pela erradicação das desigualdades sociais e de gênero no mundo. A seção “Meio Ambiente” traz também texto de grande interesse e relevância, pelo conteúdo atualíssimo: a matéria “Água, o líquido precioso”, na qual se vê como a falta de cuidados e o uso descontrolado desse recurso natural podem levar a Humanidade a enfrentar um cenário de escassez de tão vital substância nunca antes vivenciado. Igualmente, merecem relevo especial duas entrevistas exclusivas e descontraídas à BOA VONTADE. Em uma delas, o locutor José Carlos Araújo fala sobre os 50 anos de carreira e os novos desafios que tem buscado. A outra consta da seção “Samba & História”, que faz uma ho- menagem ao saudoso cantor e compositor Jair Rodrigues (1939-2014). Neste último bate-papo com a Super Rede Boa Vontade de Comunicação, ele destacou passagens da própria biografia e comentou o amor pela música. Ao Espírito Eterno do querido Jair, as melhores vibrações de Paz e de carinho da Legião da Boa Vontade e de seu dirigente, extensivas à família e aos amigos. Boa leitura! Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica BOA VONTADE é uma publicação da LBV, editada pela Editora Elevação. Registrada sob o no 18166 no livro “B” do 9o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo. Diretor e Editor-responsável: Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP chefe de redação: Rodrigo de Oliveira — MTE/DRTE/SP 42.853 JP Coordenação geral de Pauta: Gerdeilson Botelho Superintendência de marketing e comunicação: Gizelle Tonin de Almeida Jornalistas Colaboradores Especiais: Airton Grazzioli, Arnaldo Niskier, Carlos Ar- thur Pitombeira, Daniel Borges Nava, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e Paulo Kramer. Equipe Elevação: Adriane Schirmer, Cida Linares, Diego Ciusz, Giovanna Pinheiro, Leila Marco, Leilla Tonin, Mariane de Oliveira Luz, Mário Augusto Brandão, Neuza Alves, Paulo Azor, SilviaFernandaBovino,VivianR.Ferreira,WalterPeriotto,WanderlyAlbieriBaptistaeWilliamLuz. Projeto Gráfico: Helen Winkler Capa e Diagramação: Felipe Tonin e Helen Winkler Impressão: Mundial Gráfica Crédito da foto de capa: Arquivo BV Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 • Bom Retiro • CEP 01134-050 • São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225-4971 • Caixa Postal 13.833-9 • CEP 01216-970 • Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de estimular o debate dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento contemporâneo. A N O 5 8 • N o 2 3 6 • j an / f e v / m a r / a b r 2 0 1 4 Tiragem: 50 mil exemplares Edição fechada em 19/5/2014 Reflexão de BOA VONTADE “O Espírito tem lugar preponderante na nossa lide. Entretanto, na preparação de jovens e adultos para a subsistência neste mundo material de tecnologia jamais vista — e paradoxalmente nos dias de hoje, tão instável para os que labutam pelo futuro próprio —, devemos le- var na mais alta consideração que os educandos têm de ser com eficiência qualificados para a exigente demanda do acirrado mercado de trabalho. E mais: de tal maneira que não persigam um caminho em que a profissão para a qual se prepararam não mais exista ao fim do curso. É essencial, pois, receberem formação eficaz para que sejam arrojados, empreendedores, de modo que possam suplantar os acontecimentos supervenientes que, a qualquer instan- te, desafiam a sociedade, assustando multidões. (...) De nada adiantarão, portanto — digamos para argumentar —, planejamentos audaciosos se não houver quem tenha sido devidamente preparado para desenvolvê-los.” Discurso de Paiva Netto ao corpo docente do Instituto de Educação da LBV, em São Paulo/SP, em 1999, e que foi publicado nas revistas, enca- minhadas às Nações Unidas, Sociedade Solidária (disponível em alemão, espanhol, esperanto, francês, inglês e português) e Globalização do Amor Fraterno (inicialmente editada em esperanto, francês, inglês e português). 6 BOA VONTADE
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    Solidariedade e direitoshumanos no mundo UNPhoto/KayMuldoon 8 BOA VONTADE
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    JoãoPreda José de PaivaNetto, jornalista, radialista e escritor. É diretor-presidente da LBV. que estamos vivendo? De sentimen- tos sublimados no espírito da paz, da concórdia, da solidariedade, da caridade,dodiálogo,dafraternidade dinâmica, que resolve os problemas sociais, sem gerar consequências piores. Congratulamo-nos com as vitó- rias alcançadas por meio das metas globais de desenvolvimento propos- tas pela ONU, em 2000. Sabemos, porém, que há muito ainda a fazer pelo próximo. Daí a importância do presente tema da pauta de dis- cussão dos Estados membros, das delegações internacionais, das au- toridades e dos demais participantes nestaconferência,reunidosemNova York, EUA: “Desafios e conquistas na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para mulheres e meninas”. Trata-se de oportuno momento para avaliar os acertos e empenhar- -se ainda mais nas melhorias que devem ocorrer, visando a soluções, por exemplo, nos campos da edu- cação e da saúde e no combate à pobreza e à violência, entre as quais a hedionda exploração sexual de mulheres, jovens e meninas. Jamais podemos esmorecer no que se re- fere à luta pela causa da dignidade humana e pela erradicação das desigualdades sociais e de gênero no mundo. É inadmissível que no planeta, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada três mulheres sofra algum tipo de violência (física ou sexual), tendo comoautorounãoopróprioparceiro. Éfundamentalqueigualmentese avance no fim da diferença de salá- rios entre os gêneros, no acesso mais equânime a posições gerenciais no mercadodetrabalhoenadivisãodos afazeres domésticos entre homens e mulheres. Enfim, trata-se sempre de garantir os princípios de cidadania e os direitos humanos. Liberdade, deveres e direitos A propósito, apresento minha cooperação expressa em modestas palestras, publicadas, entre outros, em Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987) e no Manifesto da Boa Vontade (21 de outubro de 1991): Acreditarquepossahaverdireitos semdeveresélevaraomaiorprejuízo a causa da liberdade. Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres do cidadão acima dos seus próprios direitos, em hipótese algu- ma defendo uma visão distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas facetas mais abomináveis. Por isso, queremos que todos os seres humanos sejam realmen- Solidariedade e direitos humanos no mundo A Organização das Nações Unidas (ONU) promove anualmente a sessão da Co- missão sobre a Situação da Mulher. Com grande honra, a Legião da BoaVontade(LBV)temprestigiado, comsuacontribuição,háváriosanos, esse notável encontro internacional. Amulhertemsidoosustentáculo verdadeiro de todas as nações, quan- do integrada em Deus ou nos ideais mais nobres a que um ser humano possa aspirar: a Bondade Suprema, o Amor Fraterno, a Justiça Supina, a Fraternidade Real — mesmo não professando uma tradição religiosa. Nadamaissensívelqueocoraçãodas mulheres espiritualmente esclareci- das. E do que mais precisa o mundo, mormenteemépocasdifíceis,comoa BOA VONTADE 9
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    A escritora, filó- sofae feminista fran- c e s a S i m o n e d e Beauvoir (1908-1986) belamente expressou-se sobre a importância da solidariedadeededicação ao próximo ao dizer: — A vida conserva seu valor enquanto atribuímos um valor à vida dos outros, por meio do amor, da amizade, da indignação, da com- paixão. As virtudes reais, de fato, serão aquelas consti- tuídas pela própria criatura na ocupa­ção honesta dos seus dias, na administra- ção dos seus bens e no respeito pelo que é alheio, na bela e instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de te iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelec- tuais, culturais e religio- sos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos dos demais cidadãos. Por- quanto, liberdade sem responsabilidade e fraternidade é condenação ao caos. Trabalhamos, pois, por uma sociedade em que o Criador e Suas Leis de Amor e Justiça inspirem zelo à liberdade individual. É o que nos suscita o Natal Permanente de Jesus, a mensagem universalista do Libertador Divino,Aquele que, pelo Seu sacrifício, se doou pela Humanidade. Tudo isso para garantir segurança política, social e jurídica, sob a Sua visão divina (...). A Cúpula do Milênio das Nações Unidas, o maior encontro de líderes mundiais da História, reuniu 149 chefes de Estado e de governo e altos funcionários de mais de 40 países, em 2000. Na imagem, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, está na primeira fila à frente (o 11o a partir da esquerda). SimonedeBeauvoir ReproduçãoBV Jesus ReproduçãoBV Que todos os seres humanos sejam realmente iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos dos demais cidadãos. Porquanto, liberdade sem responsabilidade e fraternidade é condenação ao caos. UNPhoto Solidariedade e direitos humanos no mundo 10 BOA VONTADE
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    tais elementos serásempre forte e inviolável. A almejada liberdade Ao longo das eras, o estudo do Direito foi sendo aperfeiçoado, a fim de dar garantias cada vez mais só- lidas à sociedade. O século 20, por exemplo, nos legou um imenso aprendizado por meiodesucessivasconquis- tas civis diante das maiores dificul- dades enfrentadas pelas populações. Em face de inúmeros episódios registrados pelos tempos, podemos concluir que o ser humano necessita do pão da liberdade. Contudo, não haverá verdadeira liberdade se esta não for iluminada pelo sentimento fraternoesolidário.Orestantecorreo risco do caos, e a História está repleta de exemplos para comprovar essa realidade. Rendamos, portanto, homena- gens a tantos ativistas que, ao longo da História, almejaram liberdade e condições dignas de vida, em espe- cial as mulheres batalhadoras. Elas, diariamente, empenham a própria existêncianoamparoaosseusfilhos, sejam eles biológicos, adotivos ou, como costumo dizer, filhos que se traduzememgrandesrealizaçõesem benefício da Humanidade. Todas as mulheres são mães. Uma dessas brilhantes mulheres foi a médica pediatra, sanitarista brasileira e fundadora da Pastoral da Criança, dra. Zilda Arns (1934- 2010), que disse: —Otrabalhosocialpre- cisademobilizaçãodasfor- ças.Cadaumcolaboracom aquilo que sabe fazer ou comoquetemparaoferecer. Deste modo, fortalece-se o tecido que sustenta a ação, e cada um sente que é uma célula de transformação do país. “Rascunho de Genebra” Outra batalhadora foi Eleanor Roosevelt (1884-1962), viúva do presidentenorte-americanoFranklin Delano Roosevelt (1882-1945). Ela comandou, desde janeiro de 1947, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, até a adoção dos 30 artigosnaquelememoráveldezembro de 1948. Considerada a força motriz do projeto, dona Eleanor liderou um grupo com 18 integrantes de hete- rogênea formação cultural, política e religiosa, elaborando o que ficou conhecidocomo“Ras­cunhodeGene- bra”,emsetembrode1948,apresenta- doesubmetidoàaprovaçãodosmais de 50 países membros. É com muito orgulho querecordoaparticipa- ção do ilustre jornalista brasileiro, meu dileto amigo, Austregésilo de Athayde (1898- 1993), um dos mais destacados colaboradores desse extraordinário trabalho. Ele também ocupou a pre- sidência da Academia Brasileira de Letras (ABL), durante 34 anos, e do ConselhodeHonraparaaConstrução doParlamentoMundialdaFraternida- deEcumênica,oParlaMundidaLBV, em Brasília/DF, Brasil. É de Eleanor Roosevelt esta reflexão: Eleanor Roosevelt liderou ativistas dos direitos civis e políticos do mundo inteiro. Juntos, puderam transformar o sonho de uma declaração universal em realidade. Na foto de 1949, a ex- -primeira-dama dos EUA mostra pôster em inglês. Ela foi fotografada também com as versões em espanhol e francês. Zilda Arns ToraMartens UNPhoto AustregésilodeAthayde ArquivoBV BOA VONTADE 11
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    Gandhi ReproduçãoBV Rosa Parks Divulgação AngélicaPeriotto — Aliberdade faz uma exigênciaenormeacadaser humano. Com a liberdade vem a responsabilidade. Para a pessoa que está relutante em crescer, para a pessoa que não quer carre- gar o seu próprio fardo, esta é uma perspectivaassustadora.(Odestaque é nosso.) Grande Família Humanidade Almejo que, ainda neste século 21, consigamos consolidar esses nobres ideais e expandi-los aos povos da Terra, para que sejam plenamente vivenciados. E jamais repetir os séculos anteriores naquilo em que fracassaram. Bem a propósito esta consideração do Mahatma Gandhi (1869-1948): — Se quisermos pro- gredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova. Na 58a edição deste eminente evento,cujocentrodasproposiçõesé amulher—comquemaprendemosa cuidardooutrocomacuradoesmero esacrifício—,oqueambicionamos nós senão pedir à Humanidade mais humanidade para com ela mesma? Desejamos ver raiar o dia em que, afinal, nos reconheçamos como irmãos, componentes de uma única família, convivendo pacifi- camente nesta morada global. Era o que so- nhavaacostureiraRosa Parks (1913-2005), ati- vista dos direitos civis dos afro-americanos. Essa destemida mulher, certa vez, declarou: — Eu acredito que estamos aqui, no planeta Terra, para viver, crescer e fazer o que nós podemos para que este seja um mundo melhor e para que todas as pessoas tenham liberdade. Costumo afirmar que a humil- dade é, acima de tudo, corajosa. E Rosa Parks tornou-se um ícone na luta pela igualdade racial e pelo fim do preconceito nos Estados Unidos. Seugestoaparentementepequeno— quando,em1o dedezembrode1955, serecusouacederlugaraumhomem branco em um ônibus da cidade de Montgomery,Alabama—significou quebrar algemas da tirania do racis- mo. Àquela época, mesmo havendo divisão entre assentos para brancos e negros, estes eram obrigados a se levantar para os brancos, caso todos os lugares do veículo estivessem preenchidos. Exemploscomoessesóreforçam o que há décadas repito: valorizar a mulher é dignificar o homem. E vice-versa. Que Deus abençoe este porten- toso encontro e que as mulheres alcancem o seu merecido espaço na sociedade, pois tudo o que de bem elas apoiam se torna vitória! Cumprimentamos a excelentíssima senhora Michelle Bachelet pela eleição à presi- dência do Chile. No registro acima, a ex-diretora-executiva da ONU Mulheres rece- be a saudação da Legião da Boa Vontade, por intermédio da representante da LBV Rosana Bertolin. Renovamos à chefe de Estado as nossas felicitações pelo trabalho cumprido à frente desta entidade das Nações Unidas que tem a missão de promover a igualdade de gênero e a participação plena da mulher nos assuntos globais. Com seu empenho, ajudou a estabelecer novas medidas de proteção a mulheres e meni- nas contra a violência, bem como avanços na saúde e no empoderamento feminino. paivanetto@lbv.org.br www.paivanetto.com Solidariedade e direitos humanos no mundo 12 BOA VONTADE
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    Cartas, e-mails, livrose registros BOA VONTADE Mulher, reportagenssignificativas. Muito boa! A revista [BOA VONTADE Mulher] traz repor- tagens significativas, educativas, profundas, que nos ajudam a refletir e compreen­der melhor o nosso pa- pel nesse fortalecimento, no resgate da cidadania, no crescimento da sociedade civil. (Dra. Valma Leite da Cunha, promoto- ra de Justiça e coor- denadora do Centro de Apoio Operacional ao Terceiro Setor, do Ministério Público de Minas Gerais.) Vida além da vida ABOAVONTADE é carregada de informação e exemplos que rea- firmam os direitos para o exercício da cidadania plena. Inspirada nos valores cristãos, edifica e educa a cada página. Esteticamente bonita, oferece-nos um show de ima- gens e bom gosto, mas, acima de tudo, exalta que a vida continua além da vida. Assim, está imersa de esperança! Parabéns, jornalista Paiva Netto e equipe! (Dr. Alexandre Rivero, professor, psi- cólogo e diretor do Consultório de Psicologia e Ressignificação Humana, de São Paulo/SP .) Editorial preciso e tocante Mais uma vez, surpreendo-me comaBOAVONTADE.Asurpresa, sempre positiva, dá-se na escolha dos temas, como o escolhido agora: mulher. A figura feminina tem sido o esteio da família e o caminho que Com uma carreira de 40 anos no meio televisivo, o jornalista Luis Erlanger, diretor de análise e controle de qualidade da programação da TV Globo, lançou em 1o de abril, no Rio de Janeiro/RJ, seu primeiro romance, intitulado Antes que eu morra. Escrita a partir de anotações aleatórias reunidas desde 2009 e com tom humorístico, a obra é uma mescla de ficção e realidade, por meio da qual o autor promove reflexões sobre questões humanas de forma extremamente impactante. O personagem principal narra as próprias aventuras ao psicanalista, responsável por ouvi-las e publicá-las em um livro com as transcrições das consultas. Em concorrida noite de autógrafos, o jornalista recebeu familiares, amigos e personalidades. Também dedicou um exemplar da obra ao diretor-presidente da LBV, com a seguinte mensagem: “Caro Paiva Netto, espero que goste desta aventura de um estreante. Abraço”. JornalistaLuis Erlanger lançaseuprimeiroromance PriscillaAntunes Jornalista Luis Erlanger na noite de autógrafos de seu livro Antes que eu morra. vejo para o incentivo à educação, às boasmaneiras,àhonestida- de,aovalordotrabalho.Por meio delas, podemos con- seguirmuito,especialmente naquelas famílias despro- vidas de bens materiais, e, mais uma vez, o editorial do dirigente da LBV, Paiva Netto, é preciso e tocante, chama a atenção e ressalta esses valores. Receber a revista é uma honra e um grande prazer, pois sempre apren- demos o valor da solida- riedade e da liberdade com Dr.AlexandreRivero Dra. Valma Leite MônicaMendes Dr.JairdeCarvalhoeCastro NatháliaValério Divulgação 14 BOA VONTADE
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    No livro Todasas coisas visíveis e invisíveis, a jornalista e escritora Marcia Peltier conta suas intensas experiências pelo mundo, transformadas ao longo dos anos em profun- das reflexões. Lançada em abril na capital fluminense, a obra apresenta o relato íntimo de uma mulher sempre em busca da melhor versão de si. Trata da dor da perda; dos sentimentos de quem é mãe, filha e esposa; dos insights espirituais; da morte; da fé; da própria identidade; e da singela alegria de existir. Representantes da LBV prestigiaram o lançamento, ocasião em que a autora encaminhou exemplar ao dirigente da Instituição, com a seguinte mensagem: “Para José de Paiva Netto, um grande abraço!”. A mulher no mercado de trabalho, principalmente aquela que ingressou nele na década de 1980, está no centro da produção literária da jornalista e em- presária Ana Paula Padrão. No livro O amor chegou tarde em minha vida, a autora, com mais de 27 anos de carreira e dezenas de prêmios conquistados, re- vela que por trás da jornalista bem-sucedida há uma mulher profundamente humana, que amadureceu lidando com inseguranças, dores e desejos. Durante o lançamento do título em São Paulo/SP, em abril, ela saudou o diretor-presidente da Legião da Boa Vontade: “Meu querido Paiva Netto, forte abraço”. MarciaPeltierreúne suasexperiênciaspelo mundo AnaPaulaPadrãoea relaçãodamulherna sociedade A jornalista, escritora e apresentadora Marcia Peltier já mediou debates presidenciais, fez coberturas dos Jogos Olímpicos de Atlanta e Sidney e da Copa do Mundo de Futebol de 1998. Com mais de 27 anos de carreira, a jornalista foi âncora de importantes telejornais do país, na TV Globo, no SBT e na Rede Record. João Baptista do Valle responsabilidade como motivação de melhoras educacionais e sociais e o valor da mulher no mercado de trabalho. (Dr. Jair de Carvalho e Castro, chefe do serviço de otorri- nolaringologiada2a Enfermariada Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro/RJ.) Meus sinceros agradecimentos [à LBV] pela revista BOA VONTADE. Tenho pro- fundo apreço pela LBV e por suas realizações no amparo às crianças caren- tes. O mundo seria muito melhor se os exemplos da LBV fossem seguidos pela grande maioria das organizações governamen­tais. Que Jesus os abençoe! (João BaptistadoValle,membro do Conselho Deliberativo da Federação Espírita do Estado de São Paulo.) PriscillaAntunes LuizBarcelos RosevaltedosSantos BOA VONTADE 15
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    Os100anosdo ReidoBaião,por AudálioDantase TiagoSantana Simplesmente Zico chegaàslivrarias A cidadede Exu, localizada no interior pernambucano, na qual Luiz Gonzaga (1912- 1989) nasceu, foi o ponto de partida para sua carreira artística e para a nova obra literária do jornalista Audálio Dantas: Céu de Luiz, lançada em concorrida sessão de autógrafos, em 29 de abril, no Teatro do Sesc-Pompeia, na capital paulista. O livro, que tem ilustrações do fotógrafo Tiago Santana, retrata o univer- so do Rei do Baião a partir de raízes criadas com localidades de Pernambuco e do Cariri cearense, que são uma das regiões mais re- presentativas da cultura popular do Nordeste. Representantes da Legião da Boa Vontade prestigiaram o evento. Na oportunidade, os autores dedicaram um exemplar do título ao diretor-presidente da Instituição, com as se- guintes dedicatórias: “Para Paiva Netto, amigo e mestre, abraços e o Céu de Luiz também! Audálio Dantas” e “Para Paiva Netto, toda luz do Luiz! Um grande abraço. Tiago Santana”. A jornalista Priscila Ulbrich apresenta, em Sim- plesmente Zico, de que forma o garoto Arthur Antunes Coimbra se transformou em um dos maiores jogadores de todos os tempos e no maior ídolo da história do Clube de Regatas Flamengo. O ex-atleta recebeu, em março, personalidades, amigos e leitores em uma livraria, na zona oeste da capital fluminense, para concorrida sessão de autógrafos. Por meio de depoimentos de colegas, entre os quais Adílio, Júnior e Roberto Dinamite; de técnicos, entre eles Joel Santana e Valdir Espinosa; e até de fãs, o leitor conhecerá a carreira e a vida do jogador e os bastidores que contribuíram para a formação dele. A obra é uma homenagem do blog Donas da Bola, grupo formado por mulheres que entendem, informam, opinam e debatem sobre diversos esportes e que tem Zico como padrinho da iniciativa. Representantes da Legião da Boa Vontade prestigia- ram o lançamento do livro. Na oportunidade, o ex-atleta e o Donas da Bola encaminharam um exemplar da obra ao diretor-presidente da Instituição, com as seguin- tes dedicatórias: “Ao Paiva Netto, com todo carinho. Zico”, “Para Paiva Netto, um beijo. Rê Graciano”, “Para Paiva Netto, com carinho. Priscila” e “Para Paiva Netto, um beijo, Jussara”. Zico é ladeado, da esquerda para a direita, por Renata Graciano, Priscila Ulbrich e Jussara Ajax. O fotógrafo Tiago Santana (E) e o jornalista e escritor Audálio Dantas lançam o livro Céu de Luiz. LuizBarcelos NatháliaValério Cartas, e-mails, livros e registros 16 BOA VONTADE
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    CarlosChagas eepisódios marcantesde nossahistória Em sessão deautógrafos na capital federal, em 26 de fevereiro, o renomado jornalista e comentarista político Carlos Chagas lançou o livro A ditadura militar e os golpes dentro do golpe: 1964-1969. Nele, o autor une as próprias memórias e relatos registrados em jornais da época para abordar, por uma nova perspectiva, esse período da história brasileira. Com 490 páginas, o título poderá ganhar continuação, num volume que co- brirá os anos de 1970 a 1985. Chagas foi secretário de imprensa da Presidência da República durante o governo Costa e Silva e viveu alguns episódios marcantes, e que estão retratados na obra.  No lançamento, o escritor retribuiu os cumprimentos do dirigente da Instituição com a seguinte dedicatória em um exemplar do livro: “Para o caro chefe José de Paiva Netto, com a admiração de Carlos Chagas”. Presidentedojornal ValorEconômico escreveAmortena visãodoEspiritismo O presidente do jornal Valor Econômico, Alexandre Caldini Neto, além de ser um dos mais destacados executivos da área de negócios e tecnologia, é um estudioso da doutrina espírita. Em entrevista, no dia 2 de abril, ao programa Vida Plena, da Boa Vontade TV, o jornalista conversou sobre o seu livro A morte na visão do Espiritismo. Segundo a obra, o assunto não é lúgubre e deve ser encarado de forma leve e natural. Morrer, assim como nascer, é apenas uma etapa da vida. O trabalho literário coloca o tema em discussão, com o objetivo de contribuir para um aprendizado que ajudará não apenas a lidar melhor com a partida de quem amamos, mas também com nossa própria morte, quando esta (novamente) chegar. O autor encaminhou um exemplar do livro auto- grafado ao diretor-presidente da Legião da Boa Von­ tade, com a seguinte dedicatória: “Caro Paiva Netto, com carinho, gratidão e meus parabéns pelo belo trabalho. Tomara que a leitura seja agradável e útil. Um bom abraço. Caldini”. O jornalista Alexandre Caldini Neto (D), presidente do jornal Valor Econômico, e Daniel Guimarães, apresentador da Boa Vontade TV. O jornalista e conselheiro da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica do ParlaMundi da LBV. VivianR.Ferreira JoséGonçalo BOA VONTADE 17
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    Cartas, e-mails, livrose registros Ao lado da representante da LBV no lançamento de seu livro, Bárbara Brito, o fotógrafo Bento Viana destaca a página da publicação com a imagem do Templo da Paz. Os autores Beto Junqueyra e Aparecida Liberato recebem os cumprimentos de Adalgiza Periotto (E) e Isabel Paes (D), da LBV, que também levaram a eles o abraço fraterno do dirigente da Instituição, José de Paiva Netto. BentoVianalança obracomimagens aéreasdeBrasília Numerologiae sucessoprofissional Depois de mais de cem horas de voo de helicóptero e aproximadamente 30 mil cli- ques, o fotógrafo Bento Viana publicou 200 dessas imagens no livro Do Céu, Brasília, lançado em 16 de abril, na capital brasileira. O evento teve a presença de profissionais do ramo, amigos e familiares do autor.  A obra, organizada como um plano de voo, inclui fotos aéreas de diversas regiões e pontos turísticos da cidade, entre os quais a Zona Central, a Asa Sul, o Lago Norte, a Praça Portugal e o Templo da Boa Vontade — o monumento mais visitado da capital fe- deral, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur- -DF). O retrato do TBV também integrou, no ano passado, uma exposição de Bento Viana na sede do Banco do Brasil em Nova York, nos Estados Unidos. Ao dirigente da LBV, o fotógrafo autografou um exemplar de seu livro: “Para o admirável Paiva Netto, com carinho. Bento”. O autor ainda escreveu: “Espero que goste da foto da sua linda obra que enfeita Brasília”. Estudos mostram que por intermédio das letras se pode analisar a personalidade de uma pessoa ou até mesmo de uma marca. É possível, ainda, visualizar as energias que abrem as portas para uma trajetória bem-sucedida. O assunto é a pauta principal do título Você & Cia., de Apare- cida Liberato e Beto Junqueyra, lançado em 19 de fevereiro, na capital paulista. “Este livro mostra a importância da marca pessoal de empresários, executivos. Nele, ensi- namos, por meio de exemplos, como atrair maior energia, seja para o executivo, seja para a área pessoal. O nome traz força”, ressaltou Beto. Em entrevista à BOA VONTADE, a numeróloga declarou: “Tenho um apreço enorme pela LBV, pelo Irmão Paiva Netto e por todos vocês, que sempre me acolheram desde o primeiro livro que lancei. Só tenho a agradecer muito a presença de vocês. Um beijo a todos”. Ainda na oportunidade, os autores dedicaram um exemplar da obra ao dirigente da Instituição, com as seguintes mensagens: “Querido Irmão Paiva, meu carinho e admiração. Aparecida Liberato” e “Irmão Paiva, é sempre uma grande alegria ter a companhia e a energia de vocês. Abraço, Beto”. JoséGonçalo LuizBarcelos 18 BOA VONTADE
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    Fotos:LedilaineSantana Um grupo decrianças e adolescentes atendidos pela Legião da Boa Vontade, por meio dos programas socioeducacionais da Instituição, em Uberlândia/MG, tiveram uma aula especial sobre o Código de Proteção e Defesa do Consumidor com o superintendente do Procon na cidade, Frank Resende. O encontro ocorreu em 12 de março, no Centro Comunitário de Assistência Social da LBV, e, logo depois da aula, a garotada seguiu para um supermercado a fim de pôr em prática o conhecimento adquirido. Com papel e caneta nas mãos, o grupo passou pelas gôndolas anotando a data de validade dos produtos, a condição dos alimentos, o preço das mer- cadorias, entre outros tópicos de interesse dos clientes. “Foram muito boas a palestra e a atividade no supermercado. Na LBV, eu aprendo sobre respeito ao próximo, ajudo minha família e melhorei na escola”, disse João Vitor Alves, de 13 anos, participante do programa Criança: Futuro no Presente!. Mariozan Luiz, gerente do supermercado, elogiou o programa da Ins- tituição: “Parabenizo a LBV por esse trabalho bom e importante, tirando as crianças da rua. Se todos colaborarem um pouco, o futuro delas será bem melhor”. A ação faz parte da atividade de educação financeira desenvolvida pela LBV de parceria com o projeto Procon Educador. A iniciativa foi destaque na mídia local, sendo divulgada pela TV Paranaíba (afiliada da Rede Record) e no site da prefeitura de Uberlândia. Ao término da visita, a garotada homenageou Frank Resende. “Estou muito feliz com a parceria com a LBV. É um prazer trabalhar com vocês. Faço questão de apoiar os projetos da Legião da Boa Vontade, porque sei da importância desta instituição”, disse ele. Depois da palestra sobre o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, crianças e adolescentes atendidos pela LBV puseram em prática o que aprenderam, fiscalizando a aplicação da lei em um supermercado. Fiscais por um dia A TV Paranaíba (afiliada da Rede Record) registra aula prática, de crianças atendidas pela LBV, realizada de parceria com o Procon, em um supermercado. O psiquiatra e educador Içami Tiba lançou, em 11 de abril, na capital paulista, a obra Educação Familiar — Presente e Futuro. A sessão de autógrafos foi bastante concorrida e reuniu personali- dades, educadores e amigos do autor. O livro aborda aspectos dos mais simples aos mais contro- versos da árdua, porém gratifi- cante, tarefa de educar. Ainda discorre sobre a necessidade de uma educação sustentável, abrangendo os valores, pilares e objetivos desta e avaliando si- tuações comuns e presentes em todos os núcleos familiares. Durante o lançamento da obra, o qual também teve a pre- sença de representantes da LBV, o educador autografou assim um exemplar do título ao diretor- -presidente da Instituição: “Ao mestre Paiva Netto, com todo carinho e gratidão, o abraço do seu seguidor. Tiba”. IçamiTiba defende educação familiar LuizBarcelos BOA VONTADE 19
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    S ã op a u l o / S P Escola aliada da Cultura de Paz Diretor-presidente da Cortez Editora e equipe de professores da PUC visitam Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista. Cartas, e-mails, livros e registros Visitantes e algumas das crianças do Conjunto Educacional Boa Vontade. Ao fundo e à esquerda, observa-se esta máxima de Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”. Essa reflexão foi orientada pelo dirigente da LBV a ser grafada neste grande totem, ao lado do frontispício, em destaque na unidade. 20 BOA VONTADE
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    Visite, apaixone-se e ajudea LBV! OConjuntoEducacionalBoaVontade estálocalizadonaAvenidaRudge,630/700 —BomRetiro,emSãoPaulo/SP.Paraoutrasinformações,ligue:(11)3225-4500. O diretor-presidente da Cortez EditoraeLivraria,JoséXavier Cortez, e a dra. Ivani Fazen- da, professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), conheceram, no dia 8 de maio, o Conjunto Educacional Boa Vontade, que abrange a Supercreche JesuseoInstitutodeEducaçãoJoséde Paiva Netto. Eles foram acompanha- dos pela escritora Silmara Casadei e pela ilustradora Lisie De Lucca — mestres em Educação e autoras da obra infantil Como um rio — O percurso do menino Cortez —, e por integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa em Interdisciplinaridade (Gepi), criado pela dra. Ivani. A equipe foi recepcionada pelo Grupo de Instrumentistas InfantojuvenilBoaVontade epeloCoralEcumênicoIn- fantojuvenil Boa Vontade, formados por alunos do estabelecimento de ensino. Além de uma canção de boas-vindas, as crianças entoaram uma música na Língua Brasileira de Sinais (Libras), resultado do que aprenderam nas aulas dessa linguagem. Após a apresentação, conhe- ceram as novas instalações da Biblioteca Bruno Simões de Paiva. No local, Cortez e as professoras SilmaraeLisieministrarampalestra para alunos do 5o ano do ensino fun- damental. No bate-papo, eles conta- ram sobre o processo de criação do referido livro que traz a história do dirigente da editora. “Para mim, foi um momento especial. Fiquei surpreendido [com o tra- balho]. Com escolas como esta, é possível ter um Bra- sil melhor. Hoje tive uma oportunidade rara, pois este ambiente é muito educativo”, destacou Cortez. Durante a visita, o grupo tam- bém tomou contato com a prática da proposta pedagógica da LBV (formada pela Pedagogia do Afe- to e pela Pedagogia do Cidadão Ecumênico — leia mais na p. 94), criada pelo educador Paiva Netto e aplicada nas escolas e Centros Comunitários deAssistência Social da Instituição. Nela, a preocupação com a formação integral do ser humano (Espírito-biopsicossocial) une “Cérebro e Coração”, ou seja, sentimento e raciocínio, visando a uma aprendizagem significativa, que convida o educando a tornar- -se partícipe da construção de uma Cultura de Paz. “Fuivisitandocadasaladeaula e senti-me gratificada por ter tido esta manhã fantástica. Este espaço é como se fosse uma cidadedaBoaVontade, situadaemumailhade Paz, em que a raciona- lidadeestámisturadacomoafeto”, afirmou a dra. Ivani. Sobre a linha pedagógica da Le- giãodaBoaVontade,Lisiedestacou: “A educação estética é aquela que nos mobiliza em todos os âmbitos humanos, e este Conjunto Educa- cional cumpre esse objetivo, porque há essa preocupação de mobilizar os alunos emocional, racional e espiritualmente”. Vale mencionar que a professora participou, no ano passado, do 12o Congresso Internacional de Educação da LBV, no qual palestrou sobre o tema “A experiência estética como caminho para a semeadura do entusiasmo pelo conhecimento”. Entusiasmada com o trabalho oferecido às crianças e aos jovens atendidos na unidade de ensino, a educadora Silmara disse: “Foi uma manhã de muitas emoções. Nós sentimos um ambiente muito aquecido,favorávelàamorosidade, que é algo tão necessário para o desenvolvimento do ser humano”, completou. “Para mim foi um momento especial. Fiquei surpreendido [com o trabalho]. Com escolas como esta, é possível ter um Brasil melhor. Hoje tive uma oportunidade rara, pois este ambiente é muito educativo.” José Xavier Cortez Diretor-presidente da Cortez Editora e Livraria José Xavier Cortez Dra. Ivani Fazenda LuizBarcelos Divulgação BOA VONTADE 21
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    Cartas, e-mails, livrose registros A maior autoridade no Brasil quando o assunto é interdis- ciplinaridade escolar, a pro- fessoradra.IvaniCatarinaArantes Fazendaconvidoumestres,doutores e educandos para participar do livro Interdisciplinaridade: pensar, pes- quisar e intervir. O título aprofunda e amplia a obra organizada por ela e publicada em 2001 pela Cortez Editora intitulada Dicionário em construção: interdisciplinaridade. O conteúdo está em forma de súmu- las, as quais podem ser consultadas de maneira individualizada. Elas representam a reflexão, a pesquisa e a intervenção desenvolvidas sobre interdisciplinaridade pelos 36 pes- quisadores,orientandoseintegrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade (Gepi), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Destinado ao público das mais variadas áreas do conhecimento, o livro é um convite ao aprofundamento em questões tratadas por estudiosos de diversas vertentesquebuscamestratégiaspara a realização de diferentes desafios. Conhecedora da proposta educa- cional criada pelo diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, José Educação com Espiritualidade integra livro sobre interdisciplinaridade de Paiva Netto, a qual promove um ensino comprometido com a formação integral do ser humano, a dra. Ivani convidou a supervisora da linha pedagógica* da Instituição e diretora do Conjunto Educacional Boa Vontade, localizado na capital paulista, a doutoranda em Educação MariaSuelíPeriotto,paraparticipar dacomposiçãodolivro,abordando o tema “Espiritualidade”. Na manhã de 13 de março, a dra. Ivani e a coordenadora técnica Herminia Prado Godoy reuniram- -se com alguns dos colaboradores da obra para o lançamento desta em São Paulo/SP. Na ocasião, de- dicaram um exemplar do título ao diretor-presidente da LBV, com as seguintes mensagens: “Ao grande amigo Paiva Netto, reconhecimento e gratidão. Ivani” e “Ao sr. Paiva, com carinho e gratidão pelo apoio ao nosso trabalho. Herminia”. * É composta da Pedagogia do Afeto (dirigida a crianças de até os 10 anos de idade) e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico (que abrange a educação dos indivíduos a partir dos 11 anos). Aplicado nas escolas e nos programas socioeducativos da Legião da Boa Vontade, tanto no Brasil quanto no exterior, esse modelo de ensino, que alia “Cérebro e Coração”, segundo afirma o próprio dirigente da LBV, se funda- menta “nos valores oriundos do Amor Fraterno, trazido à Terra por diversos luminares, destacadamente Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista”. Sentadas, a dra. Ivani Catarina Arantes Fazenda (D) e a coordenadora técnica Herminia Prado Godoy, são ladeadas por Isabel Paes (E), representante da LBV, e Maria Suelí Periotto, diretora do Conjunto Educacional Boa Vontade. LuizBarcelos 22 BOA VONTADE
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    NatháliaValério O consagrado jornalista baiano SebastiãoNery,umdosmais respeitadosda atualidade, lançou, em 19 de maio, o título Nin- guém me contou, eu vi — de Getúlio aDilma(GeraçãoEditorial)suamais nova obra literária. Durante a con- corrida noite de autógrafos, na zona sul da capital fluminense, o autor recebeuleitores,familiareseamigos. Olivro,queenglobaseisdécadas dehistória,formaumarquivodebio- grafias de grandes nomes da política brasileira, desde Getúlio Vargas até a presidenta Dilma Rousseff. O autor reúne na obra seus melhores textos, revelações e reminiscências, que ajudam a entender o Brasil dos últimos 60 anos. Sebastião Nery dedica o título literário especialmente a três pes- soas: seu amigo Cláudio Leal, que o incentivou; sua esposa, Beatriz Rabello; e ao diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, José de PaivaNetto,queatua,deacordocom oautor,“hámeioséculoespalhando o bem desde a nossa saudosa Rádio Mundial*”, escreveu, referindo-se aos mais de 58 anos de trabalho do dirigente na LBV. AmigodelongadatadaInstituição e de seu diretor-presidente, o cronista reforçou esses antigos laços de ami- zade que os une. À Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio,TV, internet e publicações), relembrou da Veterano jornalista Sebastião Nery conta a história do Brasil nos últimos 60 anos * Rádio Mundial — Emissora da Boa Vontade liderada pelo saudoso jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur, entre 1956 e 1966. Sob o comando de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor, foi criada a Super Rede Boa Vontade de Comunicação, composta por dezenas de Emissoras da Boa Vontade: rádio e TV; além de diversas publicações e de portais na internet, em vários idiomas, para comunicar a mensagem ecumênica do Amor Fraterno ao coração da audiência. épocaemqueteveoprimeirocontato com a LBV: “Alguém me disse para ir à Rádio Mundial e conversar com Alziro Zarur. Eu fui e ele me recebeu muito gentilmente. Lá, eu conheci o Paiva Netto, que era um jovem (mais jovem do que eu), e que trabalhava [na Legião da Boa Vontade], lá na RádioMundial.Trabalhamosjuntos! Eutenhoumalembrançadegratidão, pois quando você arranja um empre- go e encontra pessoas que tratam de você, que esquecem que você saiu da cadeia, mas que recebem como se você fosse um cidadão (o que eu era, um jornalista que fora perseguido). Aí eu conheci o Paiva Netto, cujo trabalho sempre admirei”. O escritor recordou-se também da época em que atuou como adido culturaldoBrasilemParis,nadécada de 1990. Neste período, conheceu a ação socioeducacional desenvolvida pela Entidade. “A LBV, na ocasião, eraaúnicainstituiçãobrasileiraque fazia parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU [Conselho Eco- nômico e Social das Nações Unidas — Ecosoc]. Eu via o prestígio e o respeito dela. É respeitadíssima! Ninguém me contou, eu vi. Eu esta- va lá porque era o meu trabalho”, comentou. Desde então, a Legião da Boa Vontade continua atuante no Ecosoc, nas Nações Unidas (ONU). Na sequência, concluiu: “Paiva Netto é muito interessante e simpá- tico falando sobre os livros. É, na verdade, um homem que representa o Brasil. Quando ele chega com a LBV, ele representa o país”. O jornalista autografou ainda um exemplar da obra, com a seguinte mensagem: “Mestre Paiva Netto, que honra lhe mandar este livro que também é seu”. BOA VONTADE 23
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    A Legião da BoaVontade marcou presença no lan- çamento em Minas Gerais da campanha internacional Ponto Final na Violência contra Mulhe- res e Meninas, realizado em 28 de março, no auditório da Associação Mineira do Ministério Público, na capital do Estado. Promovida nessa unidadedaFederaçãopeloConselho EstadualdaMulher(CEM),órgãoda Secretaria de Estado do Trabalho e DesenvolvimentoSocial(Sedese),e Evento reúne autoridades para discutir violência contra o gênero feminino coordenada pela Rede Nacional Fe- ministadeSaúde,DireitosSexuaise Direitos Reprodutivos, com o apoio da Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG) e da ONG Co- letivo Feminino Plural, a iniciativa —quetambémocorrenaBolívia,na Guatemala, no Haiti e em países da ÁsiaedaÁfricaeteveinícionoBra- sil em 2010 e busca não só ampliar a discussão sobre o assunto, mas também criar condições para que o debate chegue a todas as mulheres, demodoqueajudeaconscientizá-las egerepossibilidadesdeintervenção. No encontro em Belo Horizonte, os participantes receberam a revista BOA VONTADE Mulher, que apresenta, em quatro idiomas (es- panhol, francês, inglês e português), as contribuições da LBV para a pro- moção da igualdade de gêneros. Por reconhecer a extrema importância das mulheres no pleno desenvolvi- mento das respectivas famílias e na construção de uma sociedade justa e Pelosdireitos da mulher MônicaMendes Cartas, e-mails, livros e registros 24 BOA VONTADE
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    sença, pelo apoioe espero que se integrem nesta campanha para que façamos a diferença”. Quem também esteve no lan- çamento foi a conselheira tutelar Maria da Piedade, que disse co- nhecer as ações da LBV há algum tempo. “Vocês fazem um trabalho muito bonito. É interessante que todas as mulheres possam receber [a revista]. Elas precisam saber dos seus direitos”, completou. Para Jeanete Mazzieiro, secre- tária-executiva do Fórum de Mulheres do Mercosul no Brasil, foi bom reen- contrar representantes da LBV após a apresenta- ção da BOA VONTADE Mulher na 58a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada de 10 a 21 de março, na sede da Organização das Nações Unidas em NovaYork, EUA. “Fiquei feliz ao chegar aqui e ver a revista, porque eu estive na ONU, na Comissão do Itamaraty, representando o Conselho Nacio- solidária, a Instituição oferece a elas programas socioeducacionais que as capacitam a fim de que possam incrementar a renda familiar, bem como fomentam o aprendizado, a troca de experiências e a melhoria daautoestima.Alémdisso,incentiva a participação efetiva das atendidas na sociedade com vistas à garantia dos direitos e dos deveres delas e à superação da pobreza, da fome, do isolamento, da violência doméstica e de outros desafios. Sobre a presença da LBV no evento e a pu- blicação especial, Neu- sa Cardoso de Melo, presidente do Conse- lho Estadual da Mulher (CEM), declarou: “É muito bem-vinda a Legião da Boa Vontade. Espero que possamos criarcondiçõesparaqueaviolência tenha um fim. A revista é muito boa, bem editada, com conteúdo excelente. É muito importante que vocês [da Instituição] participem deste processo. Obrigada pela pre- A presidenta Dilma Rousseff deu posse, em 1o de abril, à nova ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti. Realizada no Palácio do Planalto, em Brasília/DF, a cerimônia teve a presença de ministros, autoridades, deputados, embaixadores, jornalistas e representantes de outros setores da sociedade. Representantes da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo e da Legião da Boa Vontade participaram da solenidade de transmissão de cargo ministerial. Na ocasião, a ministra Ideli recebeu folheto com o artigo “Religião não rima com intolerância”, do dirigente da LBV, a BOA VONTADE Mulher e o documento “Direitos Humanos: a união de todos pela Paz”, com as contribuições da Religião Divina sobre o tema. MinistraIdeliSalvattina SecretariadeDireitosHumanos NeusaCardosodeMelo Jeanete Mazzieiro Fotos:MônicaMendes JoséGonçalo nal dos Direitos da Mulher, e lá recebi a publicação, que estava sendo lançada. O caminho é este: unir as forças, caminhar para que a gente consiga acabar com essa violência sem tamanho”, afirmou. A professora Ileana Nico- li França, da Escola Professor CaetanoAzeredo, levou estudantes do 9º ano do ensino fundamental para que acompanhassem o debate. “Estes alunos vão multiplicar as informações recebidas aqui para os demais alunos da esco- la”, salientou. Cabe mencionar que a Legião da Boa Vontade mantém na capital mineira um Centro Comunitário de Assistência Social, onde são empreendidas diversas ativi- dades em prol do gênero femini- no. Outras informações sobre o trabalho desenvolvido na unidade — situada na Avenida Cristiano Machado, 10.765, Planalto — podem ser obtidas pelo tel. (31) 3490-8101 ou no site www.lbv.org. BOA VONTADE 25
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    Opinião — TerceiroSetor em foco Lucro social Negócios Airton Grazzioli “Setor Dois e Meio”, a face renovada do capitalismo. sociais N o ano de 1976, de uma ini- ciativa do professor de eco- nomia Muhammad Yunus, da Universidade de Chittagong, Bangladesh,surgiuumaexperiência inovadora a partir do empréstimo de 27 dólares para 42 mulheres da al- deia de Jobra, a fim de permitir-lhes adquirir matéria-prima para confec- çãodeartesanatoetambémlivrar-se deempréstimosobtidoscomagiotas locais, para quem o grupo de mu- lheres pagava com a entrega de sua produção,numamargemmínimade lucro,emregimedetrabalhoanálogo à escravidão. Para surpresa do professor, to- das as beneficiárias do empréstimo quitaram as parcelas pontualmen- te, o que lhe deu a ideia de que o processo poderia ser multiplicado indefinidamente. E de fato isso ocorreu, pois em 1983 surgiu o pro- jeto social denominado “grameen Divulgação 26 BOA VONTADE
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    VivianR.Ferreira AirtonGrazzioli ébacharelem Direitopela Faculdade deDireitoda Universidade deSão Paulo(USP). Especialistaem DireitosDifusos eColetivospela EscolaSuperiordoMinistérioPúblico doEstadodeSãoPaulo(ESMP-SP).É mestreemDireitoCivilpelaPontifícia UniversidadeCatólicadeSãoPaulo(PUC- SP).AlémdesermembrodoMinistério PúblicodoEstadodeSãoPaulo,promotor deJustiçaecuradordeFundaçõesdeSão Paulo,vice- -presidentedaAssociaçãoNacionaldos ProcuradoresePromotoresdeJustiça deFundaçõeseEntidadesdeInteresse Social(Profis). credit”,quedeuorigemaoGrameen Bank, conhecido mundialmentepor Banco Rural. A empreitada tirou da pobreza milhares de famílias e rendeu a Yunus o Prêmio Nobel da Paz, em 2006. Atualmente, 90% das ações desse banco pertencem às popula- ções rurais pobres que ele atende, e 10%, ao governo. Conta com 2.564 agênciasemBangladesh,eométodo Grameen é aplicado em 58 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, França, Holanda e Noruega. Até 2011,ainstituiçãohaviaemprestado oequivalenteamaisde11,35bilhões de dólares a mais de 8,5 milhões de mutuários, sendo 96% deles mulheres. A taxa de inadimplência é inacreditável, algo em torno de apenas 1,15%, o que implica dizer que o banco recebe quase 100% dos empréstimos concedidos. Trata-se do caso de sucesso de uma organização pioneira do Segundo Setor que, estimulada pelo lucro responsável e pelas maravilhas do mundo financeiro, leva oportunidades a quem destas necessita e se faz merecedor delas. Percebe-se, assim, que a instituição financeira é especial, pois tem por objetivo aliviar a pobreza com um inovador modelo bancário de mi- crocrédito. A inovação também se deu por demonstrar que uma empresa não precisa ter como fim exclusivo o lu- cro. Ela pode ser, ao mesmo tempo, socialmente responsável e voltada para o Terceiro Setor como modelo de negócio, na medida em que seu objetivo pode ser o atendimento a um especial interesse social. Hoje, o Grameen Bank é festeja- do como uma pioneira iniciativa do “SetorDoiseMeio”,aoelaborarum novo conceito de lucro e dos ganhos de mais-valia. Nesse contexto, há os quecreemseronegóciosocialaface renovada do capitalismo — este, de tempos em tempos, absorvido por crises, necessita mesmo de reno- vação, de novas expansões e novas faces. Gestão social O “Setor Dois e Meio” exige um modelo especial e eficiente de ges- tão de empresas (que pertencem ao Segundo Setor) para gerar impacto social(finalidadedoTerceiroSetor), criando um modelo inovador, deno- minado de “empresa social”. Há muitos exemplos de empre- sas sociais, cujos gestores buscam, por maneiras sustentáveis e inova- doras de desenvolvimento econô- mico e social, unir o melhor dos dois mundos. Procuram conciliar a eficiência das empresas com a finalidade social das organizações do Terceiro Setor, dando margem a um modelo novo — de empresário social e de negócio social. O professor Muhammad Yunus ouve alguns dos mutuários-proprietários em um encontro local. Divulgação/GrameenFoundation BOA VONTADE 27
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    Esse tipo deatividade exige que produtos e serviços produtivos e lucrativosestejamalinhadoscomob- jetivos sociais. Em outras palavras, que estejam focalizados na geração de impacto social positivo. O lucro não é esquecido, mas alinhado ao impactosocial,ouseja,quantomaior o impacto social gerado, maior o retorno econômico. É uma maneira singular de colocar o ambiente dos negócios atrelado à obtenção de benefícios sociais. NosEstadosUnidosenaEuropa, o negócio social está mais avança- do que no Brasil, cujas iniciativas ainda são recentes. Lá, já existem, inclusive, canais de investimento na área, tais como fundos de venture philanthropy e de venture capital (financiamento externo aplicado a programas sociais de organizações e empresas), que empregam recur- sos com perspectivas de retorno econômico vinculado ao social, ambos mensuráveis. O perfil dos investidores, por sua vez, é o mais diverso, pois varia de filantropos a investidores altamente interessados em retorno financeiro. Nos países onde os negócios so- ciaisestãoemestágiomaisavançado, não passou despercebido ao governo que estruturas públicas de apoio go- vernamental são essenciais para ala- vancarasiniciativasnessaseara,tanto com políticas públicas quanto com instrumentos legais de regulação es- pecial.Iniciativasnessalinhatendem aatrairempreendedores,investidores sociaisefundosdeinvestimento,para aplicação dos respectivos capitais na crença do potencial de geração de impacto e retorno que os negócios sociais possuem. O mercado de baixa renda, por seu turno, é o terreno mais propício para os negócios sociais, com um espírito diferenciado do tradicional capitalismo.Nosnegóciossociaisse entendequeasuarazãoégeraraces- sos, criar oportunidades inovadoras para enfrentamento de problemas da sociedade e, assim, conduzir a própria transformação social. Os negócios sociais não são a negação dos negócios tradicionais. Eles se apoiam justamente na lógica da competitividade e da eficiência dos negócios tradicionais para so- lução dos problemas sociais. Mas é imprescindível que eles sejam autossustentáveis,obtendosuarenda apartirdacomercializaçãodeprodu- toseserviços.Édolucrodonegócio quesepodeaferirasuaeficáciaeseu potencial de ganhar escala. Quanto maior o lucro, maior o potencial de investimentoemexpansão,emaber- tura de novas frentes e unidades, de alcance de novos clientes, ou seja, maior será o seu impacto social. A deliberação dos sócios sobre distribuir ou não os lucros é livre e discricionária. Um negócio social pode ou não distribuir seus resul- tados, conforme o interesse dos investidores na operação em retirar ounãoolucroparausufrutopróprio. O lucro, por sua vez, não é con- siderado algo ruim, na visão dos negóciossociais.Issoporque,quanto maior for o lucro obtido, maior será a transformação social gerada. Em outras palavras, o negócio social permiteacirculaçãoderiquezaentre osdoismundos(SegundoeTerceiro Setores):abreemovimentaomerca- do, mediante a expansão do capital; e beneficia as comunidades e planos coletivos com riqueza social. Nesse contexto, não se pode esquecer de que os negócios sociais são uma alternativa viável para em- preendedores interessados em atuar no mercado e, ao mesmo tempo, contribuir, com o próprio modelo de negócio, para a construção de uma sociedade mais justa. Indiana recebe, feliz, o empréstimo do Grameen Bank. Divulgação/GrameenFoundation Opinião — Terceiro Setor em foco 28 BOA VONTADE
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    Voluntariado S e for consideradoo número absoluto de sua população, o Brasil* está entre as dez nações do planeta com mais vo- luntários (cerca de 34 milhões), segundo o levantamento “World Especialista diz que o Brasil vem se firmando na questão e destaca a atuação jovem no setor Culturadevoluntariado Giving Index  2013 — Uma vi- são global das tendências de doação”. Apesar disso, o mesmo estudo encomendado pela orga- nização britânica Charities Aid Foundation (CAF) ao instituto de pesquisa Gallup World Pool e realizado com 155 mil pessoas em 135 países, revela que nossa pátria está apenas na 91a posição no ranking dos povos mais gene- rosos. De acordo com o trabalho, * O Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, com mais de 190 milhões de habitantes, de acordo com dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dra. Lúcia Maria Bludeni Mariane de Oliveira Luz | Fotos: Vivian R. Ferreira BOA VONTADE 29
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    vem ter paraevitar problemas futuros? Dra. Lúcia — A primeira condição para que um voluntário busque prestar um serviço — por- que, na verdade, é um serviço que ele está prestando, mas de forma gratuita, voluntária — é frequentar a organização. Ele precisa gostar da causa, identificar-se com as ações que a Entidade desenvolve e também observar a seriedade com que agem todos os dirigentes dela. Quando a Organização está estru- turada, ela costuma implementar programas de voluntariado. A en- tidade que tem uma ou várias áreas que podem absorver aquele serviço voluntário, normalmente, fará uma entrevista, uma triagem; vai pro­ curar saber o que o voluntário gosta de fazer. O voluntário é uma pes- soa que está com disposição, com Amor; que quer dedicar-se, doar o que tem de melhor, contribuir e fazer a diferença. BV — É importante assegurar- -se da seriedade da organiza- ção? Dra. Lúcia — A questão da segurança é para os dois lados. O voluntário precisa saber para quem ele vai doar o precioso tempo dele. Em contrapartida, a Organização deve ter cautela. O voluntário precisa assinar um termo de adesão, porque a Enti- dade pode estar deparando-se, de repente, com uma pessoa que não está interessada em ajudar, mas em promover, eventualmente, uma ação trabalhista, dizendo que tinha vínculo com a organi- zação. O termo de adesão deixa claro que é um voluntário, não um empregado; é uma garantia for- mal, tanto para a Entidade como para o voluntário. BV — Quais os limites para que o voluntário atue numa orga- nização sem que seja gerado vínculo empregatício? Dra. Lúcia — O direito do tra- balho busca o contrato-realidade. O que é isso? Eu sou empregador e vou utilizar-me da energia e da força de trabalho de meu em- pregado. Em contrapartida, vou remunerá-lo, conduzir a energia e a força de trabalho dele, porque ele tem pessoalidade, não eventu- alidade. O voluntário, dependendo da estrutura da Organização, também tem horário e dias certos para trabalhar; muitas vezes usa uniforme, mas não tem remune- ração. Não existe a condição de onerosidade; ninguém está pagan- do por aquela energia e força de serviço. Ele está doando; não tem a contrapartida financeira, embora siga um programa. BV — Não há grande diferença entre o trabalho remunerado e o voluntariado, a não ser, é claro, o volume de exigências? Dra. Lúcia — É diferente, porque no trabalho normal você tem metas a cumprir; existem exigências claras. Agora, como hoje tudo se profissionaliza, até o voluntário está se profissiona- lizando, diante de tantos requisi- tos, para que ele funcione legal, porque também não adianta você ter um voluntário que chega lá e não vai contribuir. divulgado em 3 de dezembro do ano passado, pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimen- to Social (Idis), lideram a referida lista, em ordem decrescente, os Estados Unidos da América, o Canadá, o Myanmar, a Nova Ze- lândia e a Irlanda. Para mostrar a importância do voluntariado e incentivar o exer- cício dele, a BOA VONTADE conversou com a dra. Lúcia Maria Bludeni, presidente da Comissão de Direito do Terceiro Setor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). Na ocasião, ela falou sobre os trâmites que cidadãos e organizações, entre estas hospitais, escolas, institutos, associações e fundações, precisam seguir para contar com o trabalho voluntário e para que a relação entre eles se dê conforme a legalidade. A se- guir, os trechos mais marcantes da entrevista. BOA VONTADE — Quais as principais precauções que voluntário e organização de- O voluntário é uma pessoa que está com disposição, com Amor; que quer dedicar-se, doar o que tem de melhor, contribuir e fazer a diferença. Voluntariado 30 BOA VONTADE
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    BV — Quandoum adolescente, incentivado pela família, dese- ja ser voluntário, o que precisa ser feito? Dra. Lúcia — Só o termo de adesão é suficiente. Você lembrou muito bem: ser voluntário, ser so- lidário é uma questão de cultura. O Brasil está desenvolvendo a passos largos essa cultura do voluntariado. (...)Acho que existe uma consciên- cia bastante clara, e o jovem, o ado- lescente deve ser voluntário. O que é ser um escoteiro, por exemplo? É aprender a ser um voluntário, entre outras coisas. BV — Contadores e advogados com responsabilidades na ges- tão das instituições podem ser voluntários? Dra. Lúcia — Podem. Na OAB de São Paulo, temos a chamada Resolução Pro Bono, que diz que o advogado ou a sociedade de ad- vogados pode prestar serviços para organizações sem fins lucrativos que não tenham condições de pagar honorários para o profissional ou para a sociedade de advogados. A grande questão é a seguinte: o advogado presta serviço para a Entidade, não para os beneficiários da Entidade, porque ONG não é uma sociedade de advogados. Há uma legislação específica que regulamenta a atividade profissio- nal. É regulada pela lei federal que institui o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. BV — Gostaria de deixar um recado final? Dra.Lúcia—Nãoédehojeque acompanho as atividades da Legião Ser voluntário, ser solidário é uma questão de cultura. O Brasil está desenvolvendo a passos largos essa cultura do voluntariado. da Boa Vontade. A gente tem uma relação bastante próxima com a Organização. Gostaria de agrade- cer pelo convite para a entrevista. Quero deixar registrado o seguinte: o Terceiro Setor é um segmento que vive com muitas doações e também com voluntários, mas que se profissionaliza muito, emprega muitas pessoas, se descortina como mercadodetrabalhoparaaspessoas e, por vezes, recebe o fomento do próprio Estado. Costumo dizer que ter direito a direitos fundamentais, à cidadania exige investimento em pessoas e voluntários, finan- ciamento... A gente não pode ficar cultuando a pobreza; a gente tem que cultuar direitos, deveres e obri- gações para que as coisas possam dar certo. BOA VONTADE 31
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    F amoso por seusbordões, ditos tanto durante as partidas esportivas que narra quanto nos progra- mas diários que apresenta, entre os quais “Se o jogotánatevê,agenteseligaemvocê!”e“Seja paciente na estrada, para não ser paciente no hospital!”,ojornalistaeradialistaJoséCarlosAraújo, ou simplesmente Garotinho, designação pela qual também é conhecido, tem uma das vozes mais desta- cadas e respeitadas do rádio brasileiro. Esse locutor carioca completou, em 1º de abril deste ano, 50 anos de carreira (42 deles na Rádio Globo) e, no dia 7 de maio, 74 anos de idade. Momentos marcantes não Abrindo o coração Jubileu de Ouro meio Locutor José Carlos Araújo festeja data histórica com novos desafios século ~ ~ PriscillaAntunes Mariane de Oliveira Luz 32 BOA VONTADE
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    faltam em suabiografia, e boa parte deles é contada no livro Paixão pelo rádio — Do milésimo de Pelé ao milésimodeRomário,atrajetóriade José Carlos Araújo, o eterno Garo- tinho, do jornalista Rodrigo Taves. Ao longo das cinco décadas de vida profissional, acompanhou dez Copas do Mundo bem como trans- mitiumaisdetrêsmiljogosenarrou, pelo menos, mais de seis mil gols. A Copa do Mundo do Brasil será a décima primeira que cobrirá. À celebração desse jubileu somam-se novos desafios para o Garotinho, que, desde fevereiro deste ano, comanda o futebol na Rádio Transamérica FM do Rio de Janeiro/RJ. “Não sou um cara acomodado. (...) Quando fui para a Rádio Nacional, em 1977, tive que montar minha empresa, e, de lá para cá, tudo o que eu crio registro. Com isso, a gente tem condição de criar, buscar novos rumos... Por exemplo, na Transamérica, eu for- Abrindo o coração taleci o futebol com DJ. Graças a Deus, em tão pouco tempo, já estou tendo repercussão, principalmente no mercado publicitário”, contou à BOAVONTADE. Na entrevista a seguir, o leitor conhecerá outros detalhes da vida desse importante radialista e apre- sentador de TV, declarado torcedor do Fluminense, que desde criança dava sinais de seu talento para a narração esportiva. BOAVONTADE—Vocêestudouno tradicional Colégio Pedro II. Garotinho — Como o Paiva Netto, também sou aluno eminente do Pedro II. Depois, fiz Geografia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), porque era um curso que me permitia continuar trabalhando e ganhando meu salá- rio. Minha mãe me preparou para fazer Medicina, meu pai queria que eu fosse diplomata, mas aca- bei sendo professor de Geografia. Cheguei a trabalhar em dois, três empregos, dando aula e tal, para garantir o sustento meu e de minha família. Com 15 anos, eu já tinha carteira assinada. BV — Existia também a paixão pela Geografia? Garotinho — Português e Geografia eram as matérias de que eu mais gostava. Em Matemática, Química e Física, eu não era bom. Fui aluno do Aurélio Buarque de Holanda durante seis anos, dos sete que fiquei no Pedro II. É um orgulho e um privilégio ter sido aluno dele, que tanto brigava com a garotada do Pedro II para não cometer erros de português. Em 2 de março de 1996, durante a cerimônia de inauguração do Centro Educacional da LBV, no Rio de Janeiro/RJ, Paiva Netto cumprimenta o radialista José Carlos Araújo; à direita, o ilustre acadêmico da ABL Murilo Melo Filho. No destaque, o saudoso dr. João Saad, fundador do Grupo Bandeirantes de Comunicação. ArquivoBVPriscillaAntunes José Carlos Araújo recebe homenagem das crianças da LBV. 34 BOA VONTADE
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    BV—Comosurgiuointeressepela narraçãodejogosdefutebol? Garotinho — Desdecriança eu queria ser locutor esportivo. Meu primeiro presente de Natal foi um time de botão, que escolhi pelas cores que achei mais bonitas. Eram as cores do Fluminense, e acabei virandotricoloremumafamíliatoda de botafoguenses.Aí, eu colocava a tabela com Fluminense e Madureira ejogavasozinho,narrando,àsvezes, altas horas da noite e perturbando o sono de meu pai e de minha mãe. Eu tinha também uma radiovitrola, que meupaicomprouàprestação.Ficava na sala e tinha duas faixas de onda curta. Eu gostava de pegar a onda curtaparaouvir[asrádiosda]Argen- tina, do Uruguai e, de repente, pegar algum campeonato sul-americano de juvenis. Eu ouvia o jogo todo e escreviademadrugadaumacrônica, que deixava para meu pai ler. BV — Atualmente, você escreve crônicaesportiva,faznarraçãoe trabalhacompublicidade.Como concilia essas atividades? Garotinho—Écomplicado,mas procuro racionalizar. Por exemplo, hoje, só escrevo uma vez por mês colunaparaarevistaBOAVONTA- DE; no Metro Jornal, uma vez por semana. Não estou com programa de rádio diário como eu tinha até dezembro de 2013, na BandNews, porqueprecisavaacordarmuitocedo e, às vezes, ia dormir às duas horas da manhã, por conta das transmis- sões dos jogos. Eu levantava às seis, seis e quinze e sentia o dia inteiro cansaço, não pela idade; era mesmo pela falta de sono. É preciso dormir, inclusive, para conservar a voz. BV—OqueolevouasairdaRádio Globo? Garotinho — Trabalhei na Rádio Globo por quarenta e dois anos. Tudo o que conquistei pro- fissional e financeiramente devo ao Sistema Globo de Rádio, pelos anos que eu dediquei. Comecei como radioescuta e plantonista, cheguei a ser contato de publicida- de e fui diretor durante dezesseis anos. Mas eu queria um novo de- safio, que era abrir espaço, reno- var valores. (...) Para mim, o rádio ainda é o veículo mais importante. Ele permite criar mais, dar espaço para os jovens, e esse era meu sonho. Consegui [realizá-lo] em parte. Fui para a Transamérica, em fevereiro, com esse desafio, tanto que levei comigo três jovens estagiários que eu tinha formado na Rádio Bradesco. BV—Vocêfalacomnaturalidade com o público jovem. Garotinho — Talvez seja a convivência durante muito tempo com eles. Dei aula durante catorze anos no ensino médio e, ainda hoje, dou palestras em universidades. Quando eu estava na Rádio Globo, fazia o programa Globo Esportivo uma vez por mês nas universidades. Era o projeto A Globo nas universi- dades. Pretendo, na Transamérica, O jovem José Carlos Araújo (em destaque) com colegas de classe, em missa de formatura do tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro/RJ, em dezembro de 1958. Para mim, o rádio ainda é o veículo mais importante. Ele permite criar mais, dar espaço para os jovens, e esse era meu sonho. Arquivopessoal BOA VONTADE 35
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    voltar com esseprojeto, porque o estudante de Jornalismo não tem oportunidade de vercomosefazum programa de rádio ao vivo. BV — De onde veio a ideia de o ouvinte participar ao vivo da transmissão? Garotinho — A interativida- de está crescendo no mercado. O ouvinte quer participar. Você pode dizer, por exemplo, “José da Silva Santos, do Méier, está achando que o Flamengo joga mal. O que você acha, Gerson?”. Você deu oportunidade, e o ou- vinte sentiu-se honrado. Acho também válido o ouvinte parti- cipar pelo telefone. (...) Eu sinto necessidade de ele expor sua opi- nião, de sentir-se valorizado. E a opinião emitida por um provoca uma reação contrária ou igual em outros. Isso cria polêmica, que alimenta a transmissão. BV — Como surgiu a marca “Ga- rotinho”? Garotinho — Eu tinha o hábito de chamar todo mundo, se eu não soubesse o nome, de garotinho. “Ô garotinho, vem cá! Empresta isso aqui!” Aí, durante a Copa da Ale- manha, em 1974, o [repórter] Deni Menezes começou a chamar-me assim, e eu passei a ser rotulado de Garotinho. Até que alguém me alertou, e eu registrei [a denomina- ção] no INPI, em 1981. Boa Vontade — É uma honra recebê-lo para esta entrevista. Garotinho — Obrigado! Te- nho uma relação muito íntima com a LBV, de muitos anos com o Paiva Netto, meu grande amigo. Conheço bem a obra desenvolvida pela Legião da Boa Vontade. Tive a oportunidade de frequentar, por exemplo, a Supercreche Jesus, de Del Castilho [escola infantil que está inserida no Centro Educacio- nal José de Paiva Netto*, no Rio de Janeiro/RJ], e a de São Paulo/SP. Tenho acompanhado e visto o reconhecimento de toda a classe artística e jornalística ao trabalho desenvolvido ao longo de tantos anos. Obrigado ao Paiva Netto e a todos os que prestigiam essa pro- gramação da Boa Vontade TV du- rante o dia inteiro e a oportunidade de eu poder trocar figurinha com vocês! (...) Em 1996 — lembro até hoje —, participei da inaugu- ração da Supercreche Jesus lá em Del Castilho com o ator Milton Gonçalves. Minha mãe morreu no dia 28 de fevereiro [daquele ano]. Eu estava ainda traumatizado, mas tinha assumido o compromisso. Obrigado a vocês pelo carinho! Obrigado mesmo! Na TV Bandeirantes, no Rio de Janeiro/RJ, José Carlos Araújo apresenta há sete anos o programa Os Donos da Bola. * O Centro Educacional José de Paiva Netto foi inaugurado em 2 de março de 1996, data escolhida por voluntários e colaboradores da Legião da Boa Vontade em homenagem ao idealizador e construtor do projeto, diretor-presidente da Instituição, e educador José de Paiva Netto, por ser o aniversário dele. Abrindo o coraçãoFotos:PriscillaAntunes 36 BOA VONTADE
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    José Carlos Araújo é locutor esportivo naRádio Transamérica FM do Rio de Janeiro/RJ e apresentador, há sete anos, do programa Os Donos da Bola na TV Band Rio. Arquivopessoal Opinião — Esporte José Carlos Araújo Seleçãosemcontestação E stamosàsvésperasdoinícioda CopadoMundo.Parasurpresa da maioria do povo brasileiro, não há polêmica a respeito da con- vocação da equipe que disputará o torneio. Nunca a vida de um técnico da Amarelinha foi tão fácil. O time- -base é conhecido de cor e salteado, além de não ser objeto de questiona- mentos. Será por falta de talentos? Fred é o camisa 9 incontestável, em um país que deixou Romário de fora da Copa de 2002 e teve Bebeto, Careca, Ronaldo Fenô- meno,Adriano,MullereRonaldi- nho Gaúcho brigando por posições na seleção. Hoje, somos conhecidos pela qualidade de nossos volantes e zagueiros: David Luiz, Thia- go Silva, Luiz Gustavo, Dante, Ramires, Hernanes, entre outros. José Carlos Araújo | Especial para a BOA VONTADE Há algo de errado na essência do futebol pentacampeão do mundo. Quanto à organização do Mun- dial, muitas promessas e exigên- cias da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) ficaram pelo caminho. Mobilidade urbana, aeroportos funcionais e — pasmem! — as chamadas arenas sucumbiram ao vexaminoso jeitinho brasileiro. Fora isso, o sistema de sorteio para a aquisição de ingressos, aliado ao alto preço deles — distante da realidade econômica do país —, está impedin- do essa maioria de ver nos estádios as partidas da Copa, a qual tem sido financiada em muitos pontos com o dinheiro de nossos impostos. O aumento de casos de racismo tantonofutebolmundialquanto,para nosso espanto, no brasileiro também merece repúdio e medidas drásticas de punição, como a acertadamente tomada pela National Basketball Association (NBA), liga de basquete norte-americana, que baniu o presi- dente de um time por atos racistas repugnantes, além de aplicar a ele uma multa milionária e ameaçar a equipe de exclusão da liga. Quem teve muita presença de espírito foi o jogador Daniel Alves, do Barcelona. Ao ser insultado com o arremesso de uma banana, pegou a fruta, comeu-a e continuou a jogar. Grande resposta ao indivíduo que a atirou ao campo. O ato lamentável desse torcedor desencadeou uma campanhamundialcontraoracismo: #somostodosmacacos. Seriabomqueosresponsáveispor nossofutebollançassemacampanha #nãosomosmacacosdeimitação. Isso porque temos nosso estilo de jogar bola e não podemos abrir mão dele. Somos conhecidos por jogar bonito, e não por chutões, carrinhos e chuveirinhos. Sempre critiquei os altos preços cobrados nas novas arenas, os quais afastam o real torcedor de sua pai- xão. Por isso, vale a pena elogiar a atitudedadiretoriadoFluminensede disponibilizar ingressos com valores acessíveis ao torcedor comum, o que temcontribuídoparaencherasarqui- bancadasnaspartidasdisputadaspela agremiação. Finalizo desejando que esta Copa sejadestaquepelobomfutebol,pelos jogos emocionantes e pela união de todas as etnias que compõem nossa nação, e não pelo jeitinho brasileiro, pelaleidavantagememtudooupela confirmação da infeliz crença de que ganhar “roubado é mais gostoso”. shutterstock.com BOA VONTADE 37
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    Aespontaneidade e aenergia de Jair Rodrigues (1939- 2014) contagiavam todos osquecruzavamseucaminho.Ainda menino,essepaulistanodeIgarapava, de origem simples, sonhava em ser jogador de futebol, destino que sua “velhamãe”,donaConceição,como carinhosamenteeleachamava,sabia serbemoutro.Com umacarreiramu- sical de dar inveja — foram 50 anos naestrada—,JairRodriguesfoidono deinúmerossucessoseparceriasque marcaram história. Em entrevista à Super Rede BoaVontadedeComunicação(rádio, TV, internet e publicações), uma das últimas concedidas pelo cantor, antes de seu falecimento, em 8 de maio, aos 75 anos, ele falou de sua visita ao JairRodriguesEm uma de suas últimas entrevistas, esbanjando bom humor, o artista falou sobre sua trajetória e do amor pela música. Samba & História Homenagem (in memoriam) ClaytonFerreira Hilton Abi-Rihan, radialista, jornalista e apresentador do programa Samba & História.*1 Conjunto Educacional Boa Vontade, formado pela Supercreche Jesus e pelo Instituto de Educação José de Paiva Netto, na capital paulista. Na oportunidade,ocantorfoirecepciona- do pelo Grupo de Instrumentistas In- fantojuvenilBoaVontadeepeloCoral EcumênicoInfantojuvenilBoaVonta- de,compostosdealunosdaescola.No EspaçoCulturalIdalinaCecíliade Paiva,assistiuaumaapresentação decriançasejovensqueparticipam das aulas de música.Ao término, pa- rabenizouosestudantespelotalentoe improvisouumaanimadacanção.“Vi o coral assim que cheguei, cantando bonito, e os meninos, cada um com seu instrumento, levando a música com respeito, seriedade. Agradeço a Deus por tudo isso e peço ao povão *¹ Programa Samba & História — É transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV), aos domingos, às 14 e às 20 horas; pela Rede Educação e Futuro de Televisão, aos sábados e às sextas-feiras, às 22 horas; e pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY), aos sábados, às 22 horas, aos domingos, às 14 horas, e às quartas-feiras, às 21 horas. Hilton Abi-Rihan | Especial para a BOA VONTADE 38 BOA VONTADE
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    que venha ver,ajudar, colaborar. As pessoas não vão perder nada com isso. Estou gostando de tudo o que estou vendo, desse tratamento [dado às crianças], desde os garotinhos até os mais velhos. A cada hora, a cada minuto que passa, minha felicidade aumenta”, disse. Esbanjando bom humor durante obate-papo,elecomentoupassagens importantes de sua trajetória profis- sional e em família. Ainda deixou a seguinte mensagem ao diretor- -presidente da LBV: “Paiva Netto, estou sempre o vendo e fico embas- bacado o ouvindo falar tão bonito, fazendosuasorações.Parabéns!Que Deus o ilumine sempre! Você já é um iluminado, mas que Deus o continue iluminando”. Aseguir,osprincipaistrechosdes- sa alegre entrevista. Que esse Irmão, recebadaLegiãodaBoaVontadeede seu dirigente as melhores vibrações de Paz eAmor, extensivas à sua que- rida família e amigos, em especial, à esposa,Clodine,eaosfilhos,também cantores e músicos Luciana Mello e JairOliveira.Queestapáginaregis- tre o carinho a ele com a lembrança de seus feitos! BOA VONTADE — Foi sua mãe quem o apresentou ao universo musical? Jair Rodrigues — Foi minha velhamãe.Quandoeutinha7,8anos, elamelevouparaveramissanaIgre- jadeNovaEuropa,noEstadodeSão Paulo. Nova Europa fica ali perto de Araraquara, São Carlos. Quando eu adentrei com minha mãe na igreja, senti uma coisa extraordinária. Olhei para trás e vi um coral cantando os hinos. Eu ficava olhando, e minha Samba & História (1) O cantor e compositor Jair Rodrigues é homenageado pelo Grupo de Instrumentistas Infantojuvenil Boa Vontade e pelo Coral Ecumênico Infantojuvenil Boa Vontade. (2) Sempre simpático, conversa com diversos alunos que frequentam o pátio do Conjunto Educacional Boa Vontade. (3) Jair Rodrigues é entrevistado por Leilla Tonin, da Boa Vontade TV. Fotos:VivianR.Ferreira 1 2 3 40 BOA VONTADE
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    mãe falava: “Ei!Presta atenção na missa, diacho!”. Mas eu prestava maior atenção lá no coral. Até que, um dia, ela me colocou para fazer parte dele. Foi assim que comecei a ter aquela interação, a conhecer os hinos, as músicas... BV — Quando começou a encarar amúsicacomoprofissão? JairRodrigues — Eu morei em Nova Europa dos 6 aos 14 anos.Aí nos mudamos para São Carlos, uma cidade maior. Certo dia, fui levar minha irmã para cantar na Rádio São Carlos, mas, quando cheguei lá, descobri que, na verdade, ela tinha se inscrito para cantar num programa de calouros. Minha irmã tinha um vozeirão, mas não obede- ciamuitoaoritmo;aíelanãopassou no teste. Estava tentando ajudá-la, e, de repente, o maestro falou: “Já que sua irmã não passou, você não quer fazer um teste?”. Cantei um samba e passei. (...) Depois, veio o Tiro de Guerra [órgão do Exército brasileiro encarregado de formar reservistas], em 1943. Todas as vezes que cantavam o Hino Nacio- nal, eles me chamavam para cantar junto. Até que um dos amigos do Tiro de Guerra falou: “Jair, tem um restaurante lá no centro de São Carlos que tem música ao vivo, e estãoprecisandodeumcantor.Você não quer fazer um teste?”. Quando cheguei ao restaurante, estava uma barulheira danada. Aí eu comecei a cantar. De repente, aquela con- versação começou a diminuir, e as pessoas passaram a prestar atenção. Quando acabei de cantar, foram aplausos e tudo. Com isso, assinei meuprimeirocontratoepegueimeu segundo faz-me rir*². Foi aí que me profissionalizei.Acho que era 1957. BV — Disparada é um de seus grandessucessos. Jair Rodrigues — Quando me deram para defender a música Disparada, do Geraldo Vandré e do Theo de Barros, eu já tinha um samba chamado Canção para Ma- ria, do Paulinho daViola e do José Carlos Capinam. (...) Cada artista tinha que apresentar uma música só, mas como o Geraldo Vandré, que iria apresentá-la, não podia ir à apresentação, mandaram procurar um intérprete. O Hilton Acioli me mostravaamúsicae,derepente,mi- nhamãe—eunãoaesqueço,porque elafoi99,9%responsávelporminha carreira — saiu da cozinha e ficou olhando. Quando o Hilton terminou de cantar, ela falou: “Nossa, meu filho! Que música bonita! Se você a defender, vai ganhar”. O Hilton Acioliseempolgou,eeu,maisainda. BV—Suamãeacertou. Jair Rodrigues — No fim do festival, Canção para Maria ficou em terceiro lugar. Eu já estava indo embora quando a produção me chamou e falou: “Olha, você classificou também Disparada”. Quando foram ver os votos, os jurados haviam dado vitória para A Banda, mas o público tinha dado vi- tória para Disparada. Eles entraram num acordo, e deu empate. Quando anunciaram a vitória, chamaram minha mãe. Ela subiu no palco e até deu entrevista. BV—Antesdeseprofissionalizar como cantor, trabalhou em outra área? Jair Rodrigues — (...) Minha mãe sempre falava para a gen- te: “Meus filhos, vocês precisam aprender um ofício, porque vamos supor que, um dia, vocês vão traba- lhar na cidade grande”. Então, ela mecolocouparaaprenderaprofissão dealfaiate;meuirmãoademecânico; e minha irmã, que era ainda muito pequenina, ficava em casa, ajudando minha mãe. Nas horas vagas, eu também era engraxate, servente de pedreiro e ajudante no cinema. BV—Suasmúsicastêmmelodias marcantes e letras que contam histórias da vida real. Essa é sua fórmulaparaosucesso? Jair Rodrigues — Os cantores e músicos de minha geração, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Silvio Brito, Jorge Ben Jor, enfim, cada artista tinha seu sucesso com músicas da melhor qualidade. Hoje, eu fico vendo esta nova geração, e a maioria das can- ções é de primeiríssima qualidade, mas, infelizmente, as letras deixam muito a desejar. *² Faz-me rir — Gíria brasileira que possui mais de um significado, entre os quais sinônimo de dinheiro, salário e uma expressão de ironia contra afirmações absurdas. Minha mãe — eu não a esqueço, porque ela foi 99,9% responsável por minha carreira. BOA VONTADE 41
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    In memoriam Saudades, Myltainho!Jornalismo brasileirodespede-se de um de seus ilustres representantes Izilda França Da Redação 42 BOA VONTADE
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    V oltou à PátriaEspiritual, no dia 9 de maio, em Florianó- polis/SC,ojornalistaMylton Severiano da Silva, aos 73 anos. MaisconhecidocomoMyltainho,ele nasceu em Marília, cidade do interior do Estado de São Paulo, em 10 de setembro de 1940. Sua vocação para comunicareraperceptíveldesdemui- tocedo.Aos9anosdeidade,publicou nojornalTerraLivreoprimeirotexto, noqualabordavaascondiçõesemque vivia um casal de camponeses na Fa- zendaBonfim.Aos12anos,escreveu umpoemasobreoDiadasMãespara o Correio de Marília. Aomudar-separaacapitalpaulis­ ta, buscando melhores condições de vida, ingressou na faculdade de DireitoecomeçouatrabalharnaFo- lha de S.Paulo. Na década de 1960, deixou o curso e passou a dedicar-se exclusivamente à área da comunica- ção.Integrouaequipederedaçãodos principais jornais e revistas do país, entre os quais O Estado de S. Paulo, JornaldaTarde,QuatroRodas,Rea­ lidade e Caros Amigos. Myltainho era amigo de longa data da Legião da Boa Vontade e do diretor-presidentedaInstituição,José de Paiva Netto, também jornalista, radialista e escritor. Em 2000, ele en- trevistouodirigentedaLBVevisitou oCentroEducacionalqueaEntidade mantém em Del Castilho, no Rio de Janeiro/RJ. O bate-papo foi destaque da edição no 17 da revista Jornal dos Jornais,emagostodaqueleano,com esta chamada de capa: “Paiva Netto, Presidente da LBV, o maior comuni- cador do Brasil”. A publicação, na época uma das mais importantes ligadas ao jornalismo e à publicidade no país, apresentou ampla matéria (com 15 páginas), de autoria de Myltai- nho, sobre o dirigente da Legião da Boa Vontade. Para tanto, ele passou horas com o entrevistado e conhe- ceu de perto um pouco da atuação socioedu­cacional da LBV.Aocasião foitãomarcanteparaojornalista,que este chegou a declarar o seguinte à revista BOA VONTADE, em 2007: “NessaentrevistacomoPaivaNetto, fui,maisumavez,umrepórterbissex- to,poisnãoeraaminhapraia,maso que eu senti naquele dia na LBV foi muitaemoção.Criançameemociona muito, e eu vi aquelas crianças se alimentando e sendo bem-tratadas. Aquilomeembargouavozemalguns momentos.Foiumadasentrevistasde campo que fiz que mais me emocio- naram, sem dúvida. Não teve outro O jornalista Myltainho (E) visita, acompanhado do diretor-presidente da Legião da Boa Vontade e seu colega de profissão (C), o Centro Educacional José de Paiva Netto, da LBV — localizado em Del Castilho, no Rio de Janeiro/RJ —, em 2000. O jornalista Luiz Carlos Lourenço presenciou o festivo encontro. Na ocasião, conversaram com as crianças. Ao recordar-se, em 2007, carinhosamente do fato, Myltainho enviou esta fraterna mensagem ao dirigente da Instituição: “Um grande abraço ao Paiva Netto e a todos os colaboradores da LBV. Eu os trago no coração”. trabalhoquemeemocionassetanto”. Ainda comentou: “Pelo que vi na LBVlá no Rio de Janeiro, já me dá a consciência do trabalho bonito que Paiva Netto e todos os seus colabo- radoresfazem.Sópossoesperarmais emaisdessecoraçãoimensodaLBV. Esperoquesemprecontinueassim.As crianças precisam”. A Legião da Boa Vontade e o diretor-presidente da Instituição en- viam as melhores vibrações de Paz e de carinho ao Espírito Eterno de Myltainho,extensivasaosfamiliares, amigos e admiradores do saudoso jornalista. IvanSouza Fac-símile da edição de agosto de 2000 da revista Jornal dos Jornais, uma das publicações mais importantes voltadas ao jornalismo e à publicidade. Na capa, o diretor-presidente da LBV, que concedeu entrevista ao saudoso jornalista Myltainho. BOA VONTADE 43
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    equalidadedevida LBV ajuda mulheresa incrementar a renda, conquistando autonomia financeira. Leilla Tonin Leila Marco Empreendedorismo social Solidariedade Assunção, Paraguai Contra a pobreza
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    A meta acordada paraa elimi- nação da fome e da miséria (ODM 1) foi alcançada cinco anos antes do prazo estabe- lecido, conforme atesta o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013, lançado pelo secretário-geral das Nações Uni- das, Ban Ki-moon, em 1o de julho. Embora venha caindo o número de pessoas que vivem com menos de 1,25 dólar por dia no planeta, muitos países ainda apresentam parcela expressiva da população em tal condição. No Paraguai, por exemplo, 32,4% dos quase 7 milhões de habitantes vivem na pobreza. Além disso, 1,16 milhão de paraguaios encontram-se em extrema pobreza, ou seja, 18% da população, de acordo com a Pesquisa de Lares 2011 do Depar- tamento de Estatísticas, Pesquisas e Censos (DGEEC). Essas pessoas encontram dificuldades para contar com serviços essenciais de saúde, educação, saneamento básico e moradia. Para ajudar a reduzir esses ín- dices, a Legião da Boa Vontade do Paraguai atua há 29 anos. Por meio de programas socioeducativos, a LBV assiste diariamente pessoas em situação de risco social em sua unidade de atendimento na capital, Assunção, e em diversas regiões onde vivem famílias de baixa renda. No Jardim Infantil e Pré-escolar José de Paiva Netto, é oferecida educação integral para crianças de 2 a 6 anos. Essas ações têm transformado para melhor a realidade de muitos paraguaios. Na ColôniaThompson, umassentamentosituadoemYpané, a história de Cynthia Fernández, de23anosdeidade,mãedeEdison, de 3 anos, ilustra bem a importância do apoio da Instituição. Mãe e filho moram em uma pe- quena casa de madeira, levantada por elacombastanteesforço. “Tudo é muito difícil quando você está só, mas eu vou tratar de superar muita coisa pelo meu filho”, afirmou. Foi por indicação da amiga Noêmia “A LBV é que me salva sempre. Deixo meu menino lá estudando e, assim, posso ir tranquila trabalhar para pagar as contas.” Cynthia Fernández 23 anos de idade, mãe de Edison, de 3 anos. Atendidos pela LBV do Paraguai. Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas. UNPhoto/Jean-MarcFerré LeillaTonin LeillaTonin que Cynthia conheceu a Legião da Boa Vontade que, em 2014, come- mora 30 anos no Paraguai. Para a mãe e o filho, o mo- mento era de grande desafio. O menino tem a doença celíaca, que se manifesta pela intolerância ao glúten, uma substância encontrada no trigo, Paraguai BOA VONTADE 45
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    no Paraguai da população napobreza vivem em extrema pobreza 32,4% 18% Pobreza Fonte: Departamento de Estatísticas, Pesquisas e Censos (DGEEC), do Paraguai. Divulgação Divulgação UNPhoto na aveia, na cevada e no centeio. Se não descoberto logo, o problema pode afetar o intestino delgado, causando prejuízos na absorção de nutrientes, vitaminas, sais minerais e água. Com a ajuda dos profissionais da Instituição, a doença foi diag- nosticada, e o quadro de desnutri- ção do menino Edison, superado. “No ano passado, a LBV me aju- dou muito com todos os remédios do meu filho, porque custam caro e eu não tinha dinheiro. Quem me estendeu a mão foi a LBV”, disse Cynthia, agradecida. A cada manhã, a jovem mãe anda cerca de três quilômetros até o ponto de ônibus para levar o pequeno Edison até a escola da Instituição, onde ele passa o dia. Há quase um ano matriculado no Jardim Infantil e Pré-escolar da Legião da Boa Vontade, ele é um garoto saudável. Até ganhou cinco quilos e passou a conviver melhor com todos à sua volta. “Edison aprendeu muito e mudou bastante. Lembroqueele,quandochegavaao portão da antiga creche, começava a chorar... Na LBV não é assim; às vezes se esquece até de se despedir de mim”, completou, sorrindo. Empreendedorismo social 46 BOA VONTADE
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    Superandoosefeitosda criseeconômica Atenta aos desafiosdo bloco europeu, a LBV de Portugal intensifica ações de apoio a famílias em risco social A situação de muitos países desenvolvidos e/ou com economia consolidada, a exemplo dos que integram a zona do euro, é de recuperação, depois de um período mais crítico da crise financeira. A economia portuguesa é uma das que mais sofreram tais efeitos na Europa.Areceita de aus- teridadefiscalcomcortesprofundos no orçamento prevê um 2014 igual- mente difícil. Em Portugal, a reforma na se- guridade social estabeleceu, por exemplo, prazos e condições mais rígidas para vigência e concessão de benefícios como seguro-desem- prego e auxílio a pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Os efeitos das medidas econômicas na sociedade afetam a vida de famílias inteiras, muitas delas conduzidas por mulheres. Atenta a essas questões, a Le- gião da BoaVontade de Portugal in- tensificouasaçõesdoprograma Um passo em frente, que apoia famílias em situação de vulnerabilidade so- cial.Comisso,aInstituiçãotrabalha em várias frentes a fim de garantir Divulgação direitos do cidadão, evitar situações de fome e de carências primárias e promover a reinserção social. As equipes de profissionais e colaboradoresdasunidadesdaLBV em Lisboa, Coimbra e Porto ob- servaram o aumento do número de pedidos de atendimento. No Centro SocialdoPorto,porexemplo,éfeita uma avaliação preliminar de cada família que solicita ajuda. (Veja o quadro “Quem procura ajuda na LBV de Portugal?” na p. 50.) Em seguida,ogrupoéencaminhadoaos diversos serviços oferecidos pela BOA VONTADE 47
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    • De acordocom relatório do Unicef Portugal dirigido à ONU, com o apoio de organizações da sociedade civil do país, pelo menos 500 mil crianças e jovens perderam o direito ao abono de família entre 2009 e 2012. • O estudo também mostrou que o risco de pobreza entre crianças se agravou no período — 28,6% em 2011 —, indicando tendência de aumento desse número até os dias atuais. Atuação em rede A ação conjunta da LBV de Portugal reúne mais de 100 Entidades oficiais e/ou particulares. shutterstock.com RepresentantesdaLBVemreuniãodaGalpEnergia(Apoio—UnidadeMóvel) ArquivoBV Pobreza na infância LBVou por organizações parceiras. A ação conjunta reúne mais de 100 Entidades oficiais e particulares. Além da entrega mensal de alimentos a quem procura a Insti- tuição, os profissionais voluntários promovem regularmente oficinas e palestras a respeito de saúde e higie- ne, nutrição e gestão do orçamento familiar.Recentemente,avoluntária Katrina Halahan, da Faculdade de Ciências e Nutrição da Universida- dedoPorto,estevenoCentroSocial da LBV para falar sobre educação alimentar. Na ocasião, a especialista ex- plicou: “Quando as famílias têm menos possibilidades econômicas, pensam que uma alimentação sau- dável é uma alimentação cara. Isso não é de todo verdade”. De acordo com Katrina, depois de repassadas Empreendedorismo social 48 BOA VONTADE
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    Programa Um passoem frente Desenvolvido na cidade do Porto, em Lisboa e em Coimbra, o programa Um passo em frente, da LBV de Portugal, distribui anualmente mais de 200 toneladas de gêneros alimentícios, em forma de cestas e refeições. Milhares de famílias são beneficiadas com as ações, ou seja, aproximadamente 13.500 pessoas. Além do trabalho socioassistencial, que inclui, ainda, a entrega de produtos de higiene, calçados, roupas e brinquedos, a iniciativa oferece orientação sobre saúde e orçamento familiar, entre outros temas. Lisboa, Portugal Braga, Portugal Coimbra, Portugal Porto, Portugal Porto, Portugal MarcoSemblanoArquivoBV MariaJoséPereiraRicardoRibeiro RicardoRibeiro as orientações, a melhoria é notada rapidamente. “As famílias conse- guem notar diferenças, em longo prazo, nos custos que têm com a alimentação. É de enorme impor- tância esse tipo de formação e de educação alimentar.” Como parte de suas ativida- des socioeducativas, a Instituição promoveu, no segundo semestre de 2013, palestra com a psicóloga Joana Vieira. A iniciativa foi feita em parceria com o Banco Montepio e a Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar (ANJAF). “Abordamos a questão do endivi- damento, os créditos fáceis que as pessoas fizeram ao longo dos anos e hoje são situações complicadas de gerir. O consumismo é um tema que também gostam de debater”, comentou a orientadora. BOA VONTADE 49
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    Reflexo da crise “Estamostodos desempregados. Somos quatro adultos e três crianças. Estou com o rendimento mínimo de inserção social, mas não dá para as despesas. Se não fossem as ajudas de fora, como a da Legião da Boa Vontade (...), não teríamos o que comer.” Inocência Manuela Oliveira Gonçalves senhora, de 50 anos, que acolheu a nora e o neto em sua casa. Quem procura ajuda na LBV de Portugal? A partir de pesquisa feita com atendidos em uma das unidades da LBV da Europa, foi possível traçar um quadro de como a crise econô- mica vem afetando a vida de muitos portugueses. Eis alguns dados: • 89% dos que procuram ajuda dependem de diferentes fontes de subsistência, além do apoio da comunidade e de instituições da sociedade civil; • Apenas 11% dos que vão ao local são remunerados. Dessas famílias, 30% tiveram a condição de vida agravada pelos gastos que passaram a recair sobre um dos progenitores; • Constatou-se relação entre a falta de recursos e o aparecimento de problemas de saúde (depressão, hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e outras doenças degenerativas); • Verificou-se que a situação potencializa o uso e a dependência de substâncias psicoativas como o álcool e outras drogas. Divulgação Em um cenário econômico de altas taxas de desemprego, a casa paterna tornou-se uma alternativa imediata. A aposentada Aurora de Jesus, de 78 anos, atendida pelo programa Um passo em frente, conhece bem essa situação. Ela re- cebia do filho, solteiro, de 46 anos, a ajuda necessária para o sustento. Mas hoje ele está desempregado. “Agora, vivo só com o pouco que tenho para mim e para ele”, desabafou a idosa, que tem gastos com medicamentos, por conta do diabetes e de uma arritmia cardíaca. Por isso, o apoio da LBV tem sido fundamental para a subsistência de ambos. “Que o Senhor Deus ajude esta Instituição, ao senhor Paiva Netto! Eu gosto muito de ir à LBV”, agradeceu dona Aurora. Empreendedorismo social LBV de Portugal é destaque na mídia do país O Jornal de Notícias, o maior em circulação do norte português, publicou, em 27 de abril, reportagem de duas páginas sobre o trabalho realizado em favor de boa parte da população daquele país que vive à sombra de uma forte crise financeira. O JN deu especial destaque para a ação da Legião da Boa Vontade, com o programa Ronda da Caridade. 50 BOA VONTADE
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    C om o aumentoda expectativa de vida do povo brasileiro, que hoje chega aos 74 anos, é natural que o fosso intergeracional se alargue. Os interesses também se modificam, e de forma rápida, graças àsinovaçõescientíficasetecnológicas do nosso tempo. Por isso, o que em- polgaosjovensnãoénecessariamente o que encanta os mais velhos. Vivemostodotipodepreconceito: de cor, status social, sexo, religião e até um discreto deboche contra os baixinhos.Agora,parecequesearma nohorizonteumaanimosidadecontra os mais velhos, que costumamos chamar carinhosamente de “coroas”. Isso se revela exatamente onde o mundo demonstra enormes avanços científico-tecnológicos, no campo da tecnologia da informação (TI), nos países desenvolvidos. Fomos surpreendidos com a in- “Coroas”modernos, jovensinquietos Arnaldo Niskier, doutor em Educação, é membro da Academia Brasileira de Letras, vice- -presidente do CIEE Nacional (Centro de Integração Empresa–Escola) e ex- integrante do Conselho Nacional de Educação. Arnaldo Niskier | Especial para a BOA VONTADE Opinião — Educação Arnaldo Niskier Divulgação formação de que jovens de 13 a 17 anos mostram os primeiros sinais de cansaço em relação ao uso do Facebook, notável criação de Mark Zuckerberg, hoje com mais de 1,2 bilhão de usuários ativos mensais. A explicação é muito simples: “Os coroasestãodominandoatecnologia. Se eles querem, devemos sair para outra”. É claro que já existe alternativa. Trata-se do Snapchat, utilizado para o envio de vídeos e imagens em ge- ral que desaparecem segundos após ser vistos. Na verdade, os jovens são atraídos por um grande número de aplicativos, como o WhatsApp, o Instagram (em grande progresso), o Vine (mensagens de seis segundos, comprado pelo Twitter), o Ask.fm (perguntas e respostas) e o Tumblr, umsistemadeblogparaenviartextos, imagens e vídeos que podem ser re- publicadosporoutrosusuários.Como sevê,avariedadeéinestancável,para a fértil e lucrativa criatividade dos grandescientistas.Énatural,pois,que os aplicativos sejam substituídos por outros mais modernos — e com isso agarotadasediverte,ampliandoouso das maquininhas. Osidosossãomaisconservadores. Gostam de fazer as refeições familia- res sem o emprego concomitante dos incríveistabletsecelulares.Osjovens, mesmocontrariandoaorientaçãodos pais, dividem suas atenções durante almoço e jantar, apertando as teclas entreumagarfadaeoutra.Asbroncas sãocomuns,poisofenômenoalteraa rotina da família. Os diálogos, que já andavam escassos, agora com essas novidades se tornam quase nulos. O tema chegou às escolas. Em muitas delas, a direção proíbe o uso dos celulares em sala de aula, a fim de não desviar a atenção das expli- cações dadas (e insubstituíveis) pelo professor. Os conhecimentos que podem ser hauridos do Google, por exemplo,paraenriqueceroconteúdo das aulas, devem ser colhidos em casa, nas horas destinadas aos es- tudos. Escolas famosas como a de Harvard passam deveres que podem demandar consultas na web. Mas, emsala,osmestresutilizamotempo nasexplicaçõesconcernentes.Assim se cria harmonia na relação ensi-­ no/apren­dizagem.Asaulaslinearese sequenciais ganham contornos mais modernos e proveitosos. Voltando ao Facebook, um indis- cutível sucesso, inclusive de fatura- mento com os pródigos anúncios, nãohá que se estranhar que os jovens comecem a se cansar do seu uso in- discriminado, buscando alternativas. Essa inquietação é própria da idade, ecertamenteociclodevidadasredes sociais tem limitações. É natural que se busquem inovações. BOA VONTADE 51
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    A degradação desterecurso natural pode levar o ser humano a enfrentar um cenário de escassez nunca antes vivenciado. Meio ambiente Leila Marco 52 BOA VONTADE
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    A quantidade de águano mun- do épraticamenteinvariável a centenas de milhões de anos. A grande questão é a sua distribuição e qualidade. Quando se fala em escassez desse líquido tão precioso, na verdade, faz-se imprescindível pensar a forma de gerenciamento da água. O cresci- mentodemográficonoplaneta,prin- cipalmente no século 20 (veja qua- dro ao lado), gerou em proporções gigantescasoaumentodoconsumo, de desperdício e da poluição das águassuperficiaisesubterrâneaspor esgotos e resíduos tóxicos oriundos da indústria e agricultura. Nosúltimos50anos,airregulari- dade na distribuição e a degradação daáguaatingiramníveismuitopreo­ cupantes. Grandes centros urbanos já enfrentam conflitos e disputas pelo uso da água em algumas partes do globo terrestre. Não precisamos nem ir tão longe, basta acompanhar a mais recente disputa envolvendo o Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro sobre a viabilidade da transposição de água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. O projeto do governo paulista, que prevê bombear água em períodos de seca, já provocou acaloradas discussões em razão de queautoridadesfluminensesficaram temerosas de que esta iniciativa resulte no comprometimento do abastecimento no seu Estado. Pre- visto apenas para o fim de 2015, o projeto está sendo debatido pela Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsáveis pelas operações no Rio Paraíba do Sul, e promete ainda muitos rounds. Uma população que não para de crescer O número de pessoas na Terra vem crescendo a passos largos nos últimos dois mil anos. Desde o início da Era Cristã, a população mundial cresceu mais de 40 vezes. 150 milhões 1 bilhão 1,6 bilhão 6,1 bilhão 7 bilhões 9 bilhões (estimativa) Ano 1* 1804 1900 2011 2000 2050 Primeiro bilhão de habitantes As 5 maiores cidades do mundo Século 20, o grande salto Formigueiros humanos 1. Xangai (China) 2. Mumbai (Índia) 3. Karachi (Paquistão) 4. Nova Delhi (Índia) 5. Istambul (Turquia) 13.831.900 13.830.884 12.565.901 12.991.000 12.517.664 *Ano 1 da Era Cristã Meio ambiente 54 BOA VONTADE
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    Recursos disponíveis podem entrarem colapso De acordo com as Nações Uni- das, atualmente a população mun- dial é de 7 bilhões, sendo que 768 milhões de pessoas já não têm aces- so a água potável e a maior parte de- las vive nas grandes cidades. Nesse passo, em 2050 a demanda por esse recurso deve postular um aumento de44%sobreovolumedoconteúdo das reservas atualmente existentes. Essas informações, divulgadas pela Conferência da ONU-Água (um mecanismo interagencial para coordenar as ações do Sistema da Organização das Nações Unidas), realizada em janeiro deste ano em Zaragoza, Espanha, demonstram o graudasdificuldadesaseremenfren- tadas. Segundo especialistas da Or- ganização, “a demanda por energia pode experimentar um aumento de 50% até o mesmo ano. Isso por que a necessidade de água para gerar Para evitar o desabastecimento na Grande São Paulo, no dia 15 de maio, a Sabesp começou a captar o volume morto do Sistema Cantareira. Com isso, passou a contar com 18,5 pontos percentuais dessa reserva, além dos 8,2% já existentes no reservatório. Assim, a capacidade total foi para 26,7%. Fonte: Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO Indústria 22% Agricultura 70% Consumo de água Doméstico 8% energia primária está crescendo de acordocomocrescimentoeconômi- co, as mudanças demográficas e as mudanças de estilos de vida”. Para o hidrogeólogo Paulo LopesVarella Neto, diretor de ges- tão da Agência Nacional de Águas, isso se explica pelo crescimento populacional que levará a Terra a hospedar em torno de 9 bilhões de habitantes em 2050 e o fato de que, apesar de possuir 70% de sua superfície coberta de água, apenas 2,5% desse total são de água doce, e, somente 1% desse líquido está disponível em rios, lagos e no sub- terrâneo ao nosso alcance. Ele destaca a importância de um Divulgação BOA VONTADE 55
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    Meio ambiente Promoção davida O Templo da Boa Vontade (TBV), a Pirâmide das Almas Benditas e dos Espíritos Luminosos, desde a sua fundação, em 21 de outubro de 1989, sempre celebrou o respeito à água. A Fonte Sagrada do monu- mento é um lugar muito prestigiado por causa desse líquido precioso. A água percorre diversos filtros, atravessa a Nave do TBV, passando sob o Cristal Sagrado, até jorrar na fonte. No local, o fundador do TBV, José de Paiva Netto, fez fixar a seguinte mensagem: “Água é Vida, sem ela torna-se impossível qualquer tipo de existência. Poluí-la é crime de lesa-humanidade”. Sendo um frequentador do Templo da Paz, o diretor de gestão da Agência Nacional de Águas, Paulo Lopes Varella Neto, fez questão de registrar em sua entre- vista: “O conjunto dele é muito agradável, acolhedor. Vou lá muitas vezes, faço a espiral, escuto um pouco das músicas elevadas e aprecio os ambientes. Sou espí- rita e imagino que todos temos o direito e a oportunidade de praticar outras crenças. Acredito mesmo é na Espiritualidade Maior. O que vale mesmo é o Amor pelas criaturas”. perdasnosaneamentoaltíssimas,que podem superar a 50%. Os próprios sistemas têm de ser melhorados. Se perde muita água na irrigação, ela usa cerca de 70% de água”, diz. Reduzir essas perdas já signifi- caria um grande avanço. Só em São Paulo, em 2012, quase um trilhão de litros de água foram desperdi- çados na rede de distribuição do Estado, segundo informações da AgênciaReguladoradeSaneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), que fiscaliza o trabalho da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O volume,perdidocomfalhastécnicas e desvios ilegais, representa 32,1% de todo o abastecimento. Em 2013, a perda foi de 31,2%, mas os dados do volume não foram divulgados. Apesar de alto, o índice fica abaixo da média nacional de 38,8%. Dois Estados da Região Norte e um da Região Nordeste amargam os pio- res resultados do país: o Amapá, com 73,3% (em 2011), oAcre, com 64,7% e Pernambuco, com 65,7%. Além das questões técnicas, o hidrogeólogo chama também a aten- ção para o papel de cada cidadão: “É preciso economizar água, dentro dos padrões aceitáveis. O esforço que a ANA faz, assim como o governo e os comitês de bacias [hidrográficas] tem como ‘motor’ a posição indivi- dual de cada um de nós. Somos os maiores gestores de água do planeta. Se cada um tomar consciência disso, tudopodemudar.Devemospassarde observadores para atores nesse pro- cesso. E é na forma como colocamos olixo,comotomamosbanho,lavamos ocarro,eassimpordiante,quepode- remos realmente contribuir”. gerenciamento correto dos recursos hídricos de forma a garantir o seu uso múltiplo: “Água e natureza, água nos rios, água segurando as florestas, os ecossistemas, por um lado, e promotora de desenvolvi- mento. Temos que garantir água para abastecimento humano, para a produção de alimentos, para a geração de energia, para a nave- gação, e assim por diante. Esse é o grande desafio que nós temos na mão”. Evitar o desperdício: um dever de gestores e da população. OdiretordegestãodaANArefor- çaanecessidadedemudarospadrões de consumo com urgência. “Nossas ações já estão afetando hoje. Temos problemasmuitosériosacontecendo; AndréFernandes Divulgação 56 BOA VONTADE
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    É aproximadamente ovolume total de água na Terra desse valor (cerca de 35 milhões de km³) é de água doce desses 35 milhões km³, estão em calotas polares e geleiras encontradas no Ártico, na Antártica e em topos de montanhas. 1,4 bilhão de km³ 2,5% em torno de 70% Consumo em alguns países: Salgada Doce VOLUME DE ÁGUA NO MUNDO 97,5% 2,5% Possui o Brasil de todas as reservas de água doce do mundo. da água superficial do país está na Região Amazônica; enquanto o Sudeste, com a maior concentração populacional do Brasil, conta apenas com 6% do nosso potencial hídrico. 12% 78% Projeções das Nações Unidas, para 2025: 1,8 bilhão de pessoas terão carência absoluta de água. Estados Unidos 300 litros/dia por pessoa Europa 200 litros/dia por pessoa Brasil 150 litros/dia por pessoa África Subsaariana 10 a 20 litros/dia por pessoa Fonte: Instituto Carbono Brasil e site das Nações Unidas. BOA VONTADE 57
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    Apesar de oBrasil possuir 12% do total de água doce do mundo, o país já mostra sinais de carência, em virtudedadistânciaentremananciais e centros consumidores. OdoutorBeneditoBraga,presi- dentedoConselhoMundialda Água (WWC, na sigla em inglês), respon- sável pela organização do Fórum Mundial da Água*, explica que “existem áreas onde se tem abun- Distância entre mananciais e centros consumidores é o grande desafio dância de água, mas pouca gente demandando esse líquido”, a exem- plo daAmazônia, com 78% da água superficial brasileira e uma das mais baixas densidades demográficas do país. Enquanto isso, na região do Semiárido (que possui rios pobres e temporários) vivem 22 milhões de pessoas, e de acordo com o Mi- nistério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), é “a região semiárida mais populosa do mundo”.OSudeste,porsuavez,com a maior concentração populacional do Brasil, conta apenas com 6% do nosso potencial hídrico: “Então, a questão da disponibilidade da água tem que ser vista do ponto de vista regional”, reforça Benedito. OpresidentedaWWClembraque é preciso ainda se pensar no aspecto dosaneamento,porqueeleestáligado Riqueza relativa Tomar banhos rápidos e fechar a torneira na hora de se ensaboar; Molhar a escova e manter a torneira fechada durante a escovação dos dentes. O mesmo vale para fazer a barba; Usar a vassoura para limpar a calçada; Lavar o carro com balde e não com mangueira; Ajude a economizar Ao lado, algumas dicas da Sabesp para evitar o desperdício de água: Meio ambiente *O Fórum Mundial da Água é realizado a cada três anos com o objetivo principal de inserir a temática dos recursos hídricos com destaque na agenda global. Participam dele diferentes públicos: organizações internacionais, políticos, representantes da sociedade civil, cientistas, usuários de água e profissionais do setor de recursos hídricos. Shutterstock.com 58 BOA VONTADE
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    diretamenteàquestãodesaúde.“Após a sua utilização,a água tem que ser tratada para ser devolvida ao meio natural.Então,nãoésóumaquestão de acesso à água potável, mas tam- bém de saneamento básico”. Água de rios brasileiros tem baixa qualidade A poluição já compromete tam- bém os recursos hídricos de várias regiões brasileiras. Estudo divulgado pelaorganizaçãoSOSMataAtlântica, em 19 de março deste ano, constatou que parte da nossa água já perdeu a característica de recurso natural renovável, em razão da urbanização, industrialização e produção agrícola. Olevantamentomediuaqualidadeda água em 96 rios, córregos e lagos de seteEstadosdoSuledoSudeste.Nas amostras, verificou-se que 40% dos cursosd’águaestãoruinsoupéssimos. Malu Ribeiro, coordenadora da RededasÁguasdaSOSMataAtlân- tica,dizementrevistadivulgadapelo site da organização, que apenas 11% dos rios e mananciais apresentaram boa qualidade. “A maioria dos pon- tos estavam em unidades de conser- vação, como parques ou reservas, ou em locais em que a mata ciliar foi recuperada. Em 6 pontos moni- torados, nos Córregos São José e daConcórdiaenoRioIngazinho,na Falta de água potável, saneamento e condições de higiene matam uma criança a cada 15 segundos. No Relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 2013, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) informa que a cada 15 segundos uma criança morre de doenças relacionadas à falta de água potável, saneamento e condições de higiene no mundo. De acordo ainda com o documento, todos os anos, 3,5 milhões de pessoas morrem no planeta por problemas relacionados ao fornecimento inadequado da água, à falta de saneamento e à ausência de políticas de higiene. Bacia do Rio Piraí (SP), notamos na prática a importância de recuperar a floresta — após um reflorestamen- to a qualidade da água passou de regular a boa. Isso comprova que para garantir água em qualidade e quantidade é preciso recompor matasciliaresemanterasflorestas.” Aresponsávelpeloestudoalertou que o pior desempenho fica em pon- tos próximos a grandes adensamen- tos urbanos, e isso fica evidente “em recortequereúneas34coletasfeitas pela equipe da SOS Mata Atlântica nas 32 Subprefeituras da cidade de São Paulo”. Ao lavar a louça, retirar primeiro os restos de alimentos e só depois abrir a torneira para molhá-los. Ensaboar tudo o que precisa ser lavado e, então, enxaguar; Acumular roupas para lavar na máquina de uma só vez; E tomar cuidado com vazamentos. Avisar sempre à Sabesp sobre ocorrências dessa natureza. A empresa também oferece um curso gratuito que ensina práticas simples para identificar possíveis problemas em instalações hidráulicas. (Mais informações no site www.sabesp.com.br). Shutterstock.com BOA VONTADE 59
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    ClaytonFerreira DanielBorges Navaégeólogo emestre emCiências Ambientaise Sustentabilidade naAmazônia, pela Universidade Federaldo Amazonas (Ufam).ÉprofessordadisciplinaÉtica daFaculdadeLaSalleManaus,secretário deEstadodeMineração,Geodiversidade eRecursosHídricosdoAmazonase voluntárionasatividadesdaLegiãoda BoaVontade. Daniel Borges Nava| Especial para a BOA VONTADE eEspiritualidade: Educação dimensõesdasustentabilidade Opinião — Meio Ambiente *¹ BENCHIMOL, Samuel. Zênite ecológico e Nadir econômico-social — Análises e pro- postas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, 2a edição, Manaus: Editora Valer, 2010, p. 7. L embrei-me neste ano de 2014 do meu primeiro artigo na BOA VONTADE. Citei na- quele texto Samuel Benchimol (1923-2002) e sua tese sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia, cuja abordagem an- corava três dimensões: a social, a econômica e a ecológica*¹. Recentemente tive acesso por intermédiodoprofessordoutorando Sérgio Gonçalves, da Universida- de Federal do Amazonas (Ufam), a um artigo sobre o mesmo tema, publicado em 2012 na revista Estudos Avançados, da USP, pelo professor doutor Elimar Pinheiro do Nascimento, da Universidade de Brasília (UnB). O eminente professor e sociólogo, que compõe também a equipe dos cursos de Mestrado e Doutorado do Centro shutterstock.com 60 BOA VONTADE
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    EvangelistoFerreira ArquivoBV de Ciências doAmbienteda Ufam, neste material, defende a inclusão de duas outras dimensões à susten- tabilidade: a política e a cultural*². Proponho em minha tese de doutorado, ainda inédita, mas que a partir deste artigo submeto à apreciação da Academia Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista*³ (importante fórum de ideias e estudos em torno da Es- piritualidade Superior e do legado do Sublime Pedagogo), fundada em 2007 por José de Paiva Netto, diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, a inclusão de duas novas dimensões ao conceito de sustentabilidade: a educacional e a espiritualidade. Desde 1989, com a inaugura- ção do Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília/DF, tenho acompanhado atentamente a tese defendida pelo dirigente da LBV sobre Espiritualidade e/ou Cida- dania do Espírito. A exemplo do lema apresentado por ele no livro Ao Coração de Deus — Coletâ- nea Ecumênica de Orações (1991), no qual afirma: “Cuida do Espírito, reforma o ser humano. E tudo se transformará”. Ou o que escreveu em É Urgente Reeducar! (2010), no subtítulo “Inteligência Espi- ritual”, ao defender, em entrevista conce- dida em 1981, a ne- cessidade de unir ao raciocínio intelec- tual a sabedoria que se origina no coração da criatura humana. O en- trevistado propunha pela primeira vez a existência da inteligência do sentimento, da emoção e, mais que isso, “a Inteligência Espiri­tual*4 , provinda do Mundo ainda invisível aos nossos olhos materiais, por questões de frequência”. Ainda em É Urgente Reeducar! o autor conclui: “Ninguém morre. Con- tinuamos vivos pela Eternidade”. Nestes últimos 25 anos, houve um forte apelo pela Sustentabili- dade da Família Humanidade. O Brasil e a África do Sul têm e ti- veram papéis preponderantes nesta história. A Conferência de Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, incluiu definitivamente o debate sobre sustentabilidade no cenário mundial. Ainda na Rio-92, a Legião da Boa Vontade demonstrou o seu ca- rinho aos mais carentes e lançou a *2 NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Tra- jetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos Avançados (USP Impresso). Vol. 26, pp. 51-64, 2012. *3 Academia Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista — É composta pelo Ins- tituto de Estudo, Pesquisa e Vivência do Novo Mandamento de Jesus e pelo Instituto de Estudo e Pesquisa da Ciência da Alma. *4 O grifo é meu. Participaram da Rio-92 representantes de 180 países e várias associações da sociedade civil, entre as quais a Legião da Boa Vontade. O espaço destinado à LBV no Fórum Global atraiu a atenção do público e ficou conhecido como o “Estande do Cristo”, justamente pela ênfase que a Obra dá à mensagem fraterna e ecumênica de Jesus, por acreditar que valores como Solidariedade, Respeito e Amor são preponderantes para consolidar um mundo melhor. BOA VONTADE 61
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    da água docedo planeta, e cerca de 70% deste manancial está na bacia Amazônica, onde vivem mais de cerca de 38 milhões de pessoas, considerando o território Pan-Amazônico (engloba as oito regiões amazônicas nacionais)*5 . Recordo sobre este tema, o artigo do jornalista Paiva Netto com o título “Água e escassez”, publicado em 5 de abril de 2011 no Jornal de Brasília, no qual o autor destaca: “Além dos investi- mentos governamentais, é preciso que haja, por parte dos povos, uma conscientização maior sobre o uso dos recursos hídricos. Água é Vida, sem ela torna-se impossível qualquer tipo de existência. Poluí- -la é crime de lesa-humanidade. Em Somos todos Profetas (1999), comentei que, com negligên- cia, continuamos profanando-a, como se quiséssemos decretar, nós mesmos, a nossa morte cole- tiva. Que acabará sobrevindo? O precioso líquido em forma potável transformar-se-á, por sua rareza causada pela insanidade humana, em mais um grave fator de guerra. Impeçamos que esse drama atinja o mundo todo. Administrar é real- mente chegar antes”. Em 17 de junho de 2012, durante a minha participação como secretário de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Governo do Amazonas no painel temático “Cooperação Construtiva” — co- ordenado pela LBV com o apoio do Centro de Informação das Na- ções Unidas para o Brasil (UNIC Rio) e o suporte do Departamento deAssuntos Econômicos e Sociais iniciado no Brasil. Com o exem- plo silencioso e sem violência de Nelson Mandela (1918-2013) aprendemos a vencer preconceitos e a quebrar paradigmas econômi- cos, sociais, ambientais, culturais e políticos. Hoje, temos negros e mulheres governando nações importantes o que demonstra que o legado de Mandela, grande líder político da sustentabilidade, certamente nos induziu aos primeiros passos da nossa caminhada enquanto nova sociedade no século 21. Aos poucos estamos vencendo nossos egos e paixões pelo poder, pela beleza/estética, pela inteli- gência, pela riqueza, valorizando o sentimento de amor ao próximo. Sendo mais sustentáveis, busca- mos uma nova Ciência, talvez a ética ou uma nova filosofia de vida, ou quem sabe a Neurociência ou a Física Quântica ou a Cosmologia. Contudo, certamente uma Ciência mais solidária, altruística, ilumi- nada pelo Amor, poderá tratar de um planeta e de uma sociedade doentes. Recursos hídricos, um dos desafios do século 21. Entre os grandes desafios do nosso tempo está a adoção do planejamento e do manejo inte- grado dos recursos hídricos, pela progressiva escassez da água em nível mundial. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), a vazão média anual dos rios em território brasileiro é de cerca de 180 mil metros cúbicos por segundo (m³/s); o que corres- ponde a aproximadamente 12% Campanha Gente também é bicho. Preserve a criança brasileira. Seu slogan defendia fraternalmente a inclusão de um tema importan- tíssimo na análise da questão do meio ambiente: a criança. Afinal de contas, cuidar do ser humano de forma completa é ponto es- sencial para um desenvolvimento sustentável. Considero-me um desses pequeninos preservados pelo trabalho das Instituições da Boa Von­tade. Tenho 46 anos e re- cebi por toda a minha vida a forma- ção educacional da Pedagogia do Afeto (direcionada às crianças de até 10 anos de idade) e da Pedago- gia do Cidadão Ecumênico (a partir dos 11 anos), proposta inovadora criada pelo educador Paiva Netto, desenvolvida nas escolas, nos Cen- tros Comunitários de Assistência Social e nos lares para idosos da LBV no Brasil e no mundo. Em 2002, a Conferência Rio+10, em Joanesburgo, África do Sul, consolidou o trabalho Opinião — Meio Ambiente 62 BOA VONTADE
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    da Organização dasNações Unidas (UN/Desa) — tive a oportunidade de contribuir para a discussão dos assuntos propostos na Confe- rência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Na ocasião, apresenta- mos uma série de recomendações sobre recursos hídricos para a redução da pobreza e a promoção do desenvolvimento sustentável. Por meio de um discurso cien- tífico responsável, reforcei as consequências das mudanças cli- máticas. Citando artigos como o do professor doutor Luiz Carlos Baldicero Molion, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sobre a necessidade dos gestores públicos prepararem-se para o enfrentamento de eventos críticos mais intensos (grandes cheias, grandes vazantes, calores e frios extremos — efeitos das mudanças climáticas vivenciados dentro de um tempo geológico de resfriamento global). Por sinal, com este propósito a parceria entre o Governo do Amazonas e aAgência Nacional de Águas fez nascer em 2013 o Centro de Monitoramento Hidrológico do Amazonas (Cemoham). A missão do novo órgão é fornecer em tempo real as informações necessárias à Defesa Civil do Estado e dos muni- cípios, de forma a antecipar ações preventivas aos eventos críticos, a exemplo da cheia histórica de 2012, ocorrida no sistema dos rios Solimões, Amazonas e Negro. Voltando à Rio+20, convoquei os participantes do painel ao en- frentamento da Terceira Guerra Mundial silenciosa: o saneamento, ou a falta dele, que tem levado a dizimação de populações inteiras, destituídas da cidadania das águas. Bebês, crianças, morrendo antes de alcançarem os seus primeiros anos de vida. E eles são nossos filhos e filhas.Alziro Zarur (1914-1979) já alertava no seu Poema do Grande Milênio: “Os filhos são filhos de to- das as mães, e as mães são as mães de todos os filhos”. Pensamento emblemático que Paiva Netto fez questão de pôr em destaque na fachada da Supercreche Jesus, no Conjunto Educacional Boa Vonta- de, em São Paulo/SP. É a partir desta cidadania es- piritual planetária que podemos construir e/ou reconstruir, con- forme o brado da LBV: “Por um Brasil melhor e por uma Humani- dade mais feliz!”. Feliz porque se sentirá responsável por seu futuro comum, por uma Família Huma- nidade a que todos pertencemos, no qual sustentabilidade rima com solidariedade. Ao enfrentamento desse conflito silencioso, propus no evento das Nações Unidas que buscassem for- talecerosacordosdaOrganizaçãodo Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA),poisnestetemaágua,aso- luçãopassapelospaísesqueformam aPan-Amazôniaequedetémemseu patrimônio a responsabilidade de gestãodomaisimportantemanancial de água doce do planeta. E são solu- ções factíveis: criação de conselhos gestores, de centros tecnológicos, de comitês de bacias e de fundos internacionais de conservação dos recursos hídricos, além da promo- ção de licenciamentos ambientais responsáveis,daproduçãodepeixes emescalaedocompartilhamentode experiências exitosas. *5 A região Pan-Amazônia envolve os países que têm a floresta amazônica: Brasil, Co- lômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname. Divulgação BOA VONTADE 63
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    comasnovasgerações compromissos Metase Mariane de OliveiraLuz Saúde e qualidade de vida 64 BOA VONTADE
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    A menos de umano do prazo final para o cumprimento dos oito Objetivos de De- senvolvimento do Milênio (ODM), houve muitos avanços no combate à extrema pobreza e a outras ma- zelas sociais. Segundo o Relatório de Progresso 2013 sobre o Com- promisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada, o Brasil superou em 11 pontos per- centuais a meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) que previa redução em 66% da mortalidade na infância. (Veja, a seguir, o quadro “Brasil supera expectativas”.) Nesse sentido, o trabalho socio- educacional realizado pela Legião da Boa Vontade em favor das famí- lias em situação de vulnerabilidade social colabora para o alcance dessas metas nas cinco regiões do país, conforme o leitor poderá conferir em alguns exemplos desta reportagem. Presente onde o povo mais precisa, a LBV chega a locais com grandes demandas sociais, como na comunidade na qual residem Priscila da Silva, 23 anos, e seus três filhos. O assentamento Monte Celeste, situado no bairro Planalto, região metropolitana de Natal/RN, sofre com a falta de infraestrutura e serviços básicos. Os cuidados com a higiene e a saúde ficam comprometidos, pois as condições de vida dos moradores do local são precárias por conta da ausência de água encanada, saneamento e energia elétrica. Ao chegar ao assentamento, a equipe da LBV encontrou morado- res sem incentivo para transformar Programa da LBV no assentamento Monte Celeste, em Natal/RN, ajuda a reduzir a mortalidade infantil e materna. LeillaTonin a vida deles para melhor. “Vimos que todas as famílias estavam numa situação de vulnerabilidade, sem serviços básicos de saúde, em- prego e moradia. As casas eram de papelão, sem estrutura adequada até para a realização do nosso atendimento. Hoje, porém, com o trabalho da LBV, observamos que várias mudanças aconteceram”, relatou a responsável da LBV em Natal, Oderlania Leite Galdino. Noiníciodasatividadesemfavor da população local, constatou-se que a comunidade inteira estava infestada pelo bicho-de-pé (inseto responsável por causar uma doença infecciosadapele),semmencionara ocorrênciadepatologiasgeralmente associadas a condições sanitárias inadequadas, como a verminose. Com a ajuda de parceiros e da popu- lação local foi construída uma base de atendimento para os moradores. Assim, ao lado de programas e campanhas socioeducativas de prevenção e promoção da saúde, a LBV levou às famílias de Monte Celeste valores da Cidadania So- lidária. Uma das iniciativas bem acolhidas pela comunidade é o pro- grama Cidadão-Bebê, destinado a gestantes e mães com filho de até 3 anos de idade e norteado pelos conceitos da Pedagogia do Afeto (leia mais sobre a linha pedagógica da LBV na p. 94). Graças a essa ação, Priscila e muitas outras mu- lheres atendidas passaram a rece- ber apoio social e orientação sobre os cuidados necessários para uma gestação saudável e os primeiros anos de vida da criança. Além da entrega de um enxoval para o bebê e outro para a mãe, as BOA VONTADE 65
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    Diversos parceiros sejuntaram à Instituição, ajudando a inten- sificar o apoio às famílias. Por exemplo, a partir da parceria com a Cooperativa de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Coopern), o assentamento Monte Celes­te e outras comunidades atendidas pela LBV na capital potiguar passam a ser beneficiadas sistematicamente com atividades de orientação e educação em saúde, o que reforça as ações socioeducativas já desen- volvidas nesses locais. “Vínhamos procurando uma instituição onde pudéssemos desempenhar ações de abrangência social na área da saúde. Felizmente, encontramos a LBV, uma instituição séria. (...) Pelo que tenho visto, a LBV tam- bém tem investido em organização e educação”, afirmou o presidente da Coopern, Marcelo Bessa, à re- vista Foco, em novembro de 2013. Debates que educam Na Legião da Boa Vontade, o atendimento socioeducacional privilegia a orientação sobre saúde e higiene, a educação e a cultura. Todos os dias, milhares de crianças e jovens em situação de vulnerabi- lidade social têm acesso a conteúdo de qualidade e realizam pesquisas e debates fraternos acerca de temas da atualidade, como preconceito, doenças sexualmente transmissí- veis e malefícios do consumo de álcool e de outras drogas. Esses e outros importantes as- suntos são amplamente discutidos nas aulas da disciplina Convivên- cia, presente na grade curricular das escolas da Instituição desde 1999. A iniciativa de introduzir a O Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevi- vência Infantil: Uma Promessa Renovada, iniciativa global para impe- dir que crianças morram em decorrência de causas evitáveis, mostra que o Brasil fez bem a lição e superou em 11 pontos percentuais a meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas que previa uma redução em 66% da mortalidade na infância. Veja, a seguir, dados do Unicef: Brasil supera expectativas Número de mortes de crianças com menos de 5 anos (por mil nascidos vivos) Entre 1990 e 2012, graças a combinação de várias estratégias, houve uma queda de 77% da taxa de mortalidade de menores de 5 anos. 1990 10 30 6014 62 2012 atendidas contam com palestras educativas que enfatizam o forta- lecimento dos vínculos afetivos e familiares. “Sinto-me muito feliz e quero continuar frequentando o programa. Aqui, aprendi muita coisa. Mesmo já tendo dois filhos, não sabia onde encontrar as vita- minas certas que poderiam ajudar na minha terceira gestação. Na LBV aprendi a importância do Amor e a acreditar em um mundo melhor para mim e minha famí- lia!”, declarou Priscila, confiante. Saúde e qualidade de vida 66 BOA VONTADE
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    nova matéria escolarfoi do diretor- -presidente da LBV, José de Paiva Netto, preocupado com o com- portamento de risco da juventude. À época, frisou a relevância de tais assuntos serem tratados pelo prisma da Espiritua­lidade Ecumê­ nica, portanto, em consonância com valores éticos, ecumênicos e espirituais. De acordo com Debora Stelzer, coor­denadora do ensino fundamen- tal no Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, a dis- ciplina Convivência é um espaço de reflexão em que o aluno passa a compreender melhor cada tema e diferentes pontos de vista. “Ele aprende a prevenir problemas, a dizer não às drogas, ao álcool. Diversas vezes, alunos até com problemas alimentares acabaram expondo-os e, assim, conseguimos ajudá-los a resolver a situação”, disse. Famílias uruguaias recebem atendimento médico gratuito na LBV Desde 2007, a Legião da Boa Vontade do Uruguai mantém no Instituto de Educação da LBV, em Montevidéu, um consultório médico para atendimento de famílias de baixa renda. A iniciativa é fruto de parceira da Instituição com o Ministério da Saúde do país. No local, são feitas, em média, 20 consultas e exames gratuitos por dia, nas áreas de pediatria, psicologia e ginecologia. A atendida Jacqueline Arias (na foto, à direita), 38 anos, e seus três filhos utilizam os serviços de saúde do consultó- rio desde que conheceram a Obra. “Aprecio muito o trabalho da LBV. Esse atendimento ajuda todas as pessoas que vivem aqui, um bairro que realmente precisa dessa atenção”, disse Jacqueline. MacielFerreira saúde bucal na bolívia A Legião da Boa Vontade da Bolívia mantém na capital, La Paz, e em Santa Cruz de La Sierra importantes atividades socioassistenciais. Entre elas, o programa Dentes limpos, crianças sadias, um exemplo de como as tecnologias sociais cumprem papel fundamental em regiões carentes de infraestrutura e afastadas de grandes centros urbanos. Em 2013, foram beneficiadas sete unidades educacionais de Collana Tolar, zona rural, a 68 quilômetros da capital boliviana. Por meio dessa iniciativa foram realizadas oficinas de saúde bucal, com informação sobre técnicas de escovação. A entrega de kits de material de higiene pessoal complementou a ação. O trabalho foi desenvolvido em parceria com professores e alunos das universidades Franz Tamayo e de El Alto. MelinaValencia BOA VONTADE 67
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    A educadora ressaltaque os próprios educandos, muitas vezes, escolhem os temas para análise em sala de aula. “Certa vez, os alunos do6o ano pediramquefossemtraba- lhados temas ligados aos cuidados com o corpo, tais como higiene, prevenção de doenças, alimenta- ção... Lembro que chamamos uma pediatra,eascriançasaproveitaram para tirar dúvidas. Foi muito inte- ressante.Emoutraocasião,aturma do 9o ano teve a curiosidade de sa- ber o que é a doença de Alzheimer e como preveni-la.” A ex-aluna da LBV Priscila Mendes, 17 anos, conta que apren- deumuitocomadisciplina:“As au- las de Convivência são um espaço para reflexão sobre as nossas atitu- deseformaçãodeumfuturomelhor para nós e para as novas gerações. Os jovens poderiam evitar trilhar caminhos errados se tivessem um espaço como esse, de alerta e de conversa sem preconceitos”. ALBV entende que investir em informação representa importante instrumento de avanço social e de combate ao preconceito. Por isso, há décadas, a Instituição promove palestras educativas em suas es- colas, Centros Comunitários de Assistência Social e, por meio de parcerias, em outras unida- desdeensino.Alémdisso,divul- ga na programação da Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV, internet e publicações) campanhas de valorização da vida e contra qualquer forma de precon- ceito, dentre as quais Aids — O vírus do preconceito agride mais que a doença e Não use drogas. Viver é Melhor!. Combate ao câncer nos EUA A LBV dos Estados Unidos promove, em parceria com a Rutgers New Jersey Medical School, o programa Prevenção do Câncer (em inglês, Save Program). Por meio dessa ação, mulheres com 40 anos de idade ou mais fazem consultas médicas e exames de prevenção da doença, como a mamografia e o teste de Papanicolau. Elas também acompanham palestras educativas no centro comunitário da Instituição no país. É utilizada ainda uma unidade móvel para a realização dos exames. atendimento odontológico em portugal A Legião da Boa Vontade realiza palestras educativas sobre os cuidados e a correta higiene bucal em suas unidades socioeducacionais, beneficiando especialmente estudantes de 5 a 17 anos. Desde 2001, a LBV de Portugal promove essa ação. Por meio do programa Sorriso Feliz, os agentes comunitários da Instituição visitam escolas, associações, jardins de infância e outros locais na cidade do Porto, em Lisboa e em Coimbra para oferecer atendimento odontológico e atividades socioeducativas e de orientação na área da saúde bucal. Para isso, a Obra conta no país com mais de 200 colaboradores e três unidades móveis de saúde oral. Fotos:ArquivoBV Saúde e qualidade de vida 68 BOA VONTADE
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    Saúde de mulheres pelomundo A Organização das Nações Unidas, com o lançamento do Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013, apresenta um panorama mundial dos avanços e desafios para o alcance dos ODM até 2015. Veja, a seguir, números atualizados sobre a saúde de meninas e mulheres em importantes regiões do mundo. América Latina e Caribe A região cumpriu, quatro anos antes do prazo, a meta de reduzir em dois terços a mortalidade infantil. Brasil e Peru obtiveram os melhores resultados na diminuição desse índice. África subsaariana É a região mais afetada pela epidemia de aids: estima-se que 1 em cada 20 adultos esteja infectado pelo vírus, o que representa a maioria do total de pessoas vivendo com o HIV em todo o mundo (69%). Apenas 28% das mulheres jovens têm um conhecimento mais apurado do que seja aids. A maioria das novas infecções é transmitida pelo sexo. Sul e leste da Ásia Entre 1990 e 2010, o número de mortes maternas por ano diminuiu de 543 mil para 287 mil em todo o mundo, uma redução de 47%*. No sul e no leste do continente asiático, houve redução de cerca de dois terços nesse índice. Mulheres que dão à luz em áreas rurais continuam em desvantagem no que se refere à assistência médica recebida. No campo, 53% dos partos realizados recebem atendimento especializado, enquanto nas zonas urbanas esse índice atinge 84%. Cáucaso e Ásia Central Apesar dos significativos avanços no combate ao HIV/aids, a incidência do vírus HIV nessas regiões mais do que duplicou desde 2001. Somente em 2011, estima-se que 27 mil pessoas foram infectadas. * Fonte: Relatório Tendências sobre a mortalidade materna: 1990 a 2010 (ONU). BOA VONTADE 69
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    Empoderamentofeminino é meta global Vice-diretora-executivada ONU Mulheres destaca avanços e desafios para alcançar a igualdade de gênero e a autonomia econômica feminina Divulgação Entrevista — Nações Unidas Lakshmi Puri 70 BOA VONTADE
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    A vice-diretora-executiva da ONU Mulherese responsá- vel pela gestão do Gabinete de Suporte Intergovernamental e Parcerias Estratégicas das Nações Unidas,sra.LakshmiPuri,acredita em uma conscientização cada vez maior acerca da situação da mulher nomundoe,sobretudo,dosdesafios que precisam ser superados. Depois de quase três décadas de importantes serviços prestados à diplomacia indiana, ela passou a integrar a Organização das Nações Unidas em 2002. Juntou-se à equi- pe da ONU Mulheres em março de 2011, logo após a criação dessa que é a principal instituição global dedicada a fomentar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino, tendo, inclusive, de- sempenhado papel relevante no desenvolvimento institucional e na consolidação da entidade. O trabalho lhe propiciou viajar por várias partes do planeta e, assim, conhecer de perto a difícil reali­ dade de milhões de mulheres. Às vésperas da realização da 58a sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação da Mu- lher (CSW), de 10 a 21 de março, em Nova York, Estados Unidos, a BOAVONTADEMulherconversou com a sra. Lakshmi Puri a respeito doencontroedasperspectivassobre o novo conjunto de metas globais pós-2015:osObjetivosdeDesenvol- vimento Sustentável (ODS). BOA VONTADE Mulher — “Desa- fioseconquistasnaimplementa- ção dos Objetivos de Desenvolvi- mentodoMilênioparamulheres e meninas” é o tema da sessão “A nossa nova diretora-executiva tem ressaltado o papel transformador da educação em todas as áreas prioritárias, inclusive no fim da violência contra as mulheres. (...) Além disso, a educação tem um papel de destaque no contexto do planejamento e do orçamento suscetíveis ao gênero feminino.” deste ano da CSW. Que balanço a senhora faz desse momento? Lakshmi Puri — Está havendo um rápido balanço sobre os Objeti- vosdeDesenvolvimentodoMilênio (ODM) e no que eles deixaram a de- sejar no que diz respeito a mulheres e meninas. Quais são os desafios, lacunaseoportunidadesquesurgem dessa experiência e desse registro? Aomesmotempo,háumaoportuni- Acompanhada do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a diretora- -executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, por ocasião da posse dela no cargo, em agosto de 2013. EvanSchneider/UNPhotos dade única de associar essa análise a dois outros processos históricos em andamento. Um deles é a estrutura de desenvolvimento pós-2015, na qual metas de desenvolvimento sustentável foram concebidas e, de certaforma,lançadasnaconferência Rio+20, ocorrida em 2012 no Rio de Janeiro, e que serão negociadas pelosgovernos.Essaestruturajáestá sendo tratada no grupo de trabalho BOA VONTADE 71
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    AlzirodePaiva Publicação especial daLBV é entregue à vice-diretora-executiva da ONU Mulheres, Lakshmi Puri (E), pela Legionária da Boa Vontade Adriana Rocha. aberto. Teremos vinte anos de de- bates sobre as plataformas de ações em favor das mulheres. Também sabemos que a 4a Conferência Mun- dialsobreasMulheres,realizadaem Pequim(China),em1995,completa seu 20o aniversário no ano que vem. Essa comemoração e uma análise [do fato] constituem outro processo histórico. Portanto, está ocorrendo uma conjunção, uma confluência de três processos históricos. BV — As mulheres ainda repre- mente dois de 130 países atingiram esse objetivo em todos os níveis do ensino, e as meninas ainda são mais propensas a estar fora da escola do que os meninos. Além disso, elas predominam em trabalhos in- formais e temporários, e persiste a disparidade entre os gêneros no emprego,comumadiferençade24,8 pontos percentuais entre homens e mulheres na relação entre emprego e população. Há também a taxa de mortalidade materna, que se refere ao ODM 5. Ela diminuiu 47% nas duas últimas décadas, mas todos os dias quase 800 mulheres morrem durante a gravidez ou no parto, apesar de existirem os meios para salvá-las.Quantoàpolítica,émedia- na a participação das mulheres nos parlamentos, aspecto abordado no ODM3,objetivoespecificamentere- lacionado à promoção da igualdade de gênero e da autonomia feminina. Pelo ritmo observado nos últimos quinze anos, por exemplo, levará 40 anosparaquesejaatingidaaparidade de gênero entre os parlamentares. BV—Emquemedidaasquestões deigualdadedegênero,empode- ramentoedireitosdasmulheres devem influenciar os ODS? Lakshmi Puri — No processo daqui em diante e na definição de uma nova estrutura de desenvolvi- mento de 2015 a 2030, precisamos assegurar avanços em um objetivo específico de igualdade de gênero e empoderamento feminino. Nós, da ONU Mulheres, estamos propondo esse objetivo para os Estados mem- bros. Estamos buscando a liderança doBrasilemasseguraresseobjetivo específico de transformação, com “Reconhecemos que a ênfase da LBV na educação é uma estratégia-chave de prevenção, fundamental para gerar mudança de mentalidade, para transformar a cultura do machismo, da desigualdade. Por isso, nós aplaudimos vocês por escolherem esse tema como estratégia.” sentam a maioria das pessoas pobres no mundo? LakshmiPuri—Nospaísesem desenvolvimento, 70% dos pobres são mulheres, particularmente entre os extremamente pobres. Houve diminuição da situação de pobreza, mas a feminização da pobreza per- manece e se acentua. A matrícula no ensino primário nas regiões em desenvolvimento atingiu 90% em 2011, e a prioridade de gênero nessa fase do ensino em âmbito mundial foi quase alcançada. Contudo, so- Entrevista — Nações Unidas 72 BOA VONTADE
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    A sra. LakshmiPuri (E), ao lado da atriz e embaixadora da boa vontade da ONU Nicole Kidman. três metas amplas. A primeira delas abrange a segurança, a integridade físicaepessoaleadignidadedasmu- lheres, meta esta sintetizada no fim da violência de gênero. A segunda contempla a autonomia econômica e social, em termos de acesso a recursosprodutivos,emprego,capa- citação e desenvolvimento de habi- lidades, gestão de recursos naturais e serviços essenciais. (...) A terceira meta está relacionada à participação e liderança no lar, no setor privado e em instituições públicas, não só no âmbito do parlamento. BV — Como a senhora vê a atua- çãodeorganizaçõesdasociedade civil na ONU, a exemplo da LBV, que utiliza a educação como es- tratégiaparaprevençãoecomba- te a toda forma de desigualdade e de violência de gênero? Lakshmi Puri — Nós valo­ rizamos muito a parceria com a sociedade civil. Pode-se dizer que não existiríamos se a força vibrante das organizações femininas e da sociedadecivilnãoestivesseportrás denossacriação.Eumaorganização da sociedade civil como a Legião da Boa Vontade — que dedica grande parte de suas ações sociais e educa- cionais a ajudar mulheres e crianças e tem a educação como estratégia principal para prevenir e combater toda forma de desigualdade ou violência de gênero — é algo que realmente ressoa em nós e na nossa missão. Vocês fazem avançar uma parte importante da nossa missão onde quer que atuem.Acabar com a violência contra as mulheres é uma área realmente prioritária para a ONUMulheres.(...)Reconhecemos que a ênfase da LBV na educação é uma estratégia-chave de prevenção, fundamental para gerar mudança de mentalidade, para transformar a culturadomachismo,dadesigualda- de. Por isso, nós aplaudimos vocês por escolherem esse tema como estratégia. BV — Essa é também uma preo­ cupação na agenda da ONU Mu- lheres? Lakshmi Puri — A nossa nova diretora-executiva tem ressaltado o papeltransformadordaeducaçãoem todas as áreas prioritárias, inclusive nofimdaviolênciacontraasmulhe- res. Para a autonomia econômica, é A LBV apoia a campanha da ONU para identificar as prioridades da população na construção dos ODS. Participe! UNWomen necessária a educação; para partici- paçãoeliderançapolítica,novamen- te está a educação; para capacitar as mulheres para atuar em situações de conflito e pós-conflito, é funda- mental a educação. Além disso, a educação tem um papel de destaque no contexto do planejamento e do orçamento suscetíveis ao gênero feminino.Trabalharcomasociedade civil é uma estratégia essencial para a ONU Mulheres. É grande nossa expectativa em trabalhar com vocês noâmbitodacampanhaPequim+20, queteráentreseuspontosprincipais, certamente, a educação e o tema do empoderamento da mulher e da Humanidade. BOA VONTADE 73
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    Agenda de desenvolvimento pós-2015 I mpulsionar oempoderamento feminino é uma das principais metas da ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas com o intuito de propor solu- ções para os problemas da desigualdade de gênero. Anualmente, o órgão realiza reuniões de grande relevância as quais visam avaliar progressos, identi- ficar desafios, estabelecer metas e formular políticas para a promoção do fortalecimento de uma cultura igualitária para homens e mulheres. Em março deste ano ocorreu a 58ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (em inglês, CSW), que congregou milhares de representantes da sociedade civil internacional e de delegações dos países membros da ONU na sede desse orga- Evento da ONU reforça a necessidade de a igualdade de gênero figurar no próximo conjunto de metas globais. Reprodução das capas da revista BOA VONTADE Mulher, editada nos idiomas espanhol, francês, inglês e português, que foi entregue aos participantes da 58a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher. BOA VONTADE 75
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    nismo internacional emNova York, EUA, para o debate do tema “Desafios e conquistas na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milê- nio para mulheres e meninas”. Logo na cerimônia de abertura, a subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, fez questão de destacar: “Precisamos, o quanto antes, dar importantes saltos, não passos pequenos, para alcançar a igualdade entre mulheres e homens. Necessita- mos de medidas ousadas”. Ela também afirmou que “a solução para os desafios mais urgentes do mundo — como eliminar a pobreza, reduzir a desigualdade, trazer a paz sustentável e com- O Departamento de Informação Pública das Nações Unidas (DPI) está divulgando na página oficial que mantém no Facebook a revista BOA VONTADE Mulher. No local, o órgão disponibiliza para leitura os links das quatro versões da publicação e destaca assim o conteúdo dela: “Além de uma declaração por escrito, compartilhando as boas práticas educacionais da organização, em prol das mulheres da América Latina, a revista apresenta uma entrevista exclusiva com a vice-diretora-executiva da ONU Mulheres, a sra. Lakshmi Puri, bem como um artigo do escritor e presidente da LBV, Paiva Netto, intitulado ‘Solidariedade e direitos humanos’”. LBV na ONU QR CODE Para ler a edição 2014 da revista BOA VONTADE Mulher em seu celular, smartphone ou tablet, baixe no aparelho o aplicativo QR Code e fotografe o código ao lado. Lakshmi Puri (E), vice-diretora-executiva da ONU Mulheres, com a representante da LBV no evento, Adriana Rocha. Ela fez questão de agradecer a oportunidade de falar à BOA VONTADE Mulher sobre a elaboração da agenda de desenvolvimento pós-2015, a qual deve levar em consideração a meta para se conquistar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Osecretário-geraldasNaçõesUnidas,BanKi-moon(E),discursanaaberturada 58a sessãodaComissãosobreaSituaçãodaMulher.Aoladodeleestãooembaixador Libran N. Cabactulan (C), presidente da CSW e representante permanente da República das Filipinas junto à ONU, e Tegegnework Gettu, subsecretário-geral doDepartamentoparaAssembleia-GeraleGestãodeConferências(DGACM).Cabe mencionar que Ban Ki-moon ainda foi cumprimentado pelos representantes da LBVeagradeceu-lhes,atencioso,orecebimentodarevistaBOAVONTADEMulher, que contribuiu para o debate do tema do evento. ONU divulga publicação especial da LBV YreneSantana UNPhotos/PauloFilgueiras 76 BOA VONTADE
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    bater as alteraçõesclimáticas — só pode ser alcançada com a participação plena e equitativa das mulheres”. Durante o evento, buscou-se examinar a situação feminina mundial ao serem abordados a igualdade de gênero na educa- A publicação especial da Legião da Boa Vontade é entregue à subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka (E), pela representante da LBV Adriana Rocha. Helen Clark (D), administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), toma conhecimento das recomendações da LBV acerca do tópico da conferência. Mariana Malaman, da LBV, confraterniza com integrantes do Exército brasileiro, o general de divisão Edson Leal Pujol (D) e o comandante militar José Luiz Jaborandy Júnior, à frente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). ção, no mercado de trabalho e nos parlamentos; os direitos da mulher quanto à saúde e aos di- reitos sexuais e reprodutivos; o acesso à tecnologia; e outros tó- picos. As discussões colaboraram ainda para que fossem definidos itens da agenda de desenvolvi- mento pós-2015 que assegurem o empoderamento da mulher e a igualdade de gênero como prio- ridades globais. Exemplo da LBV Uma das instituições partici- pantes da assembleia, a Legião O embaixador Antonio Patriota, representante permanente do Brasil nas Nações Unidas, com a publicação especial da LBV em português. GabrielaMarinho GabrielaMarinhoYreneSantana SâmaraMalaman BOA VONTADE 77
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    Irina Bokova (E),diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), recebe a publicação da LBV. Susan Hopgood (E), presidente da Education International, uma das maiores federações de sindicatos de professores do mundo, ao lado da representante da Legião da Boa Vontade no encontro Sâmara Malaman. A princesa Mary da Dinamarca (E), do Grupo de Trabalho de Alto Nível da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), toma conhecimento do trabalho da LBV. Rane Johnson-Stempson (E), diretora principal de Pesquisa de Educação e Comunicação Científica da Microsoft Research, recebe de Yrene Santana, da LBV, a publicação especial da Entidade. LBV na ONU Liz Ford (E), subeditora do jornal britânico The Guardian, toma conhecimento das recomendações da Instituição, por intermédio da representante da LBV Veronica Anta. A embaixadora Alya Ahmed Saif Al-Thani (E), da Missão Permanente do Qatar na ONU, com a BOA VONTADE Mulher em inglês. Ao lado dela, a representante da LBV Eliana Gonçalves. Patricia Cortéz (D), da Missão Permanente do Peru nas Nações Unidas, e a representante da Legião da Boa Vontade Gabriela Marinho. SâmaraMalaman SâmaraMalaman SâmaraMalaman GabrielaMarinho AdrianaRocha GabrielaMarinho ElianaGonçalves 78 BOA VONTADE
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    da Boa Vontade— que se faz presente em encontros organi- zados pela ONU com esse foco desde 1995, quando da realiza- ção da 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres, em Pequim, China — mais uma vez apresen- tou às autoridades e delegações internacionais sua contribuição para o fomento da educação e da reeducação, as quais considera estratégias de maior eficácia na luta contra a violência de gêne- ro. Na ocasião, lançou a revista BOA VONTADE Mulher (em português, inglês, francês e es- panhol), por intermédio da qual oferece, com base em seu traba- lho solidário, recomendações de boas práticas sociais referentes a quatro assuntos extremamente relevantes: educação, combate à pobreza, saúde e segurança. Em entrevista exclusiva à pu- blicação, a vice-diretora-executi- va da ONU Mulheres, Lakshmi Puri, discorreu sobre os desafios Danilo Parmegiani, representante da Legião da Boa Vontade na ONU, conversa com Rabiha Diab, ministra para os Assuntos da Mulher da Palestina (C), e a embaixadora Somaia Barghouti, conselheira sênior e observadora permanente da Missão da Palestina para a ONU. Cristina Carrión, ministra da Missão Permanente do Uruguai nas Nações Unidas, e a representante da LBV, Conceição de Albuquerque, que lhe apresenta as recomendações da Instituição. Sandra Fernandez (E), da LBV, e Najat Vallaud-Belkacem (D), ministra de Direitos da Mulher, da Cidade, da Juventude e dos Esportes da França. Danilo Parmegiani entrega a revista BOA VONTADE Mulher em francês à senadora Aisha Alhassan, do governo da Nigéria. Yrene Santana (E), da LBV, e Agnes Leina (C) e Grace Mbugua, integrantes da delegação do Quênia. SâmaraMalaman GabrielaMarinho GabrielaMarinhoElianaGonçalves ElianaGonçalves BOA VONTADE 79
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    a serem superadospara que se al- cance a igualdade de gênero, bem como acerca da importância de o trabalho da Legião da Boa Vonta- de ser direcionado para a forma- ção das novas gerações. “Reco- nhecemos que a ênfase da LBV na educação é uma estratégia-chave de prevenção, fundamental para gerar mudança de mentalidade, para transformar a cultura do machismo, da desigualdade. Por isso, nós aplaudimos vocês Baixe o leitor QR Code em seu celular, smartphone ou tablet, fotografe o código ao lado e ouça, na íntegra, entrevista que o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, concedeu à Rádio ONU Português. Na ocasião, ele falou das boas práticas socioeducacionais da Instituição para o desenvolvimento, a melhoria de vida e o bem-estar de famílias e mulheres em situação de vulnerabilidade social. A edição 2014 da publicação especial da LBV é entregue a Lourdes Bandeira (E), secretária- -executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Simpática, ela afirmou que conhece o trabalho da Instituição e reconheceu os esforços da Obra em contribuir para o debate do tema de tão importante evento da ONU. Ao lado, Conceição Albuquerque,daLBV. LBV na ONU Palestrantes da 58a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher tomam conhecimento do trabalho da LBV em favor do empoderamento feminino por meio da publicação especial da Instituição. A partir da direita, Bayarsaikhan Enkhchimeg, secretária de Estado do Ministério do Desenvolvimento e Proteção Social da Mongólia; Urmas Paet, ministro das Relações Exteriores da Estônia; e Eva-Maria Liimets, diretora da Divisão das Organizações Internacionais do Departamento Político do Ministério das Relações Exteriores da Estônia. Gabriela Marinho, da LBV, apresenta as recomendações da Instituição à embai- xadora Duduzile Moerane-Khoza (E), diretora-executiva dos Programas Es- peciais e de Gênero do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação da República da África do Sul, e a Thoko Mpumlwana (C), vice-presidente da Co- missão para a Igualdade de Gênero. GabrielaMarinho YreneSantanaElianaGonçalves 80 BOA VONTADE
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    por escolherem essetema como estratégia”, ressaltou. Amplamente difundida na conferência e muito bem rece- bida pelos participantes desta, a visão social e humanitária da LBV sobre a matéria é exposta em toda a revista, que abre com Claudia García (D), vice-ministra de Igualdade e Não Discri- minação do Ministério da Mulher do Paraguai, recebe a publi- cação especial da LBV da representante da Instituição. Eliana Gonçalves confraterniza com Julia Duncan-Cassell (D), ministra de Gênero e Desenvolvimento da Libéria, e entrega-lhe a BOA VONTADE Mulher em inglês. A embaixadora Sofia Borges (D), da Missão Permanente do Timor-Leste nas Nações Unidas, toma conhecimento da atuação da LBV em favor da igualdade de gênero por meio da revista BOA VONTADE Mulher. Representante da LBV, entrega a BOA VONTADE Mulher a Gloria Bonder, diretora da Área de Gênero, Sociedade e Políticas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Argentina) e coordenadora da Cátedra Regional Unesco Mulher, Ciência e Tecnologia na América Latina. o artigo “Solidariedade e direitos humanos”, fraterna mensagem do diretor-presidente da Instituição, jornalista, escritor e radialista José de Paiva Netto. No texto, o autor expressa um desejo: “(...) que todos os seres humanos se- jam realmente iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos dos demais cida- dãos. Porquanto, liberdade sem responsabilidade e fraternidade é condenação ao caos”. GabrielaMarinho SandraFernandezGabrielaMarinho GabrielaMarinho BOA VONTADE 81
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    Respeito Garantia de igualdadede gênero e fim da violência contra a mulher ainda desafiam a agenda global e integridade damulher Divulgação Mariane de Oliveira Luz Direitos Humanos Pelo fim da violência 82 BOA VONTADE
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    A Declaração sobre aElimi- nação da Violência contra as Mulheres, proclamada pelaAssembleia-Geral das Nações Unidas, em 20 de dezembro de 1993, foi o primeiro documento internacional de direitos humanos focado na violência de gênero, com destaque para aspectos fundamen- tais de liberdade. O manifesto se une a muitos estudos e relatórios publicados em diversos países que mostram estatísticas alarmantes desse tipo de violência, ainda tão presente no mundo. De acordo com a ONU, o problema afeta uma parcela sig- nificativa da população feminina, independentemente de país, etnia, classe social ou grau de instrução. A América Latina é apontada como uma das regiões com maior incidência desse crime. Dados de relatório divulgado pela Comissão Econômica para aAmérica Latina e o Caribe (Cepal) informam que 45% das mulheres dizem já ter so- frido ameaças do próprio parceiro, namorado ou marido. A Bolívia apresenta um dos piores índices: 52% das mulheres já teriam ex- perimentado alguma forma de agressão sexual ou física cometida pelo companheiro. Em seguida, aparecem a Colômbia (39%), o Peru (39%) e o Equador (31%). (Fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.) Cultura de submissão O acesso precário à informa- ção e a ausência de ações efetivas em favor do empoderamento fe- minino estão entre os fatores que ajudam a perpetuar essa prática violenta no mundo. A presidente da Fundação para o Desenvol- vimento de uma Convivência Pacífica na América Latina e no Caribe (Fundeconp), Vanessa Castedo, licenciada em Relações Internacionais com menção a re- soluções de conflitos, observou: “Historicamente, o papel da mulher na Bolívia está embasado numa cultura patriarcal, na qual ela é excluída e vitimada perante o homem por ser considerada o sexo frágil. Isso a coloca em uma situação crítica”. Por tudo isso, a Legião da Boa Vontade da Bolívia promove no país ações de valorização da mulher, o que tem contribuído para combater o descaso e a impunidade (veja o quadro “Lei mais rígida”, p. 84). Além das informações oficiais, pesquisa feita com as famílias das crianças atendidas no Jardim Infantil Jesus, da LBV, em La Paz, identificou as dificuldades “Quando um dos meus filhos tinha 4 anos e outro estava prestes a completar 2, quase sofreram queimaduras. Tive de deixá-los sozinhos e eles estavam com fome, puseram uma chaleira no fogão e, por um acidente, a casa pegou fogo. Meus filhos tiveram de apagar o fogo, e isso me assustou. Agora posso trabalhar tranquila. (...) Sou muito grata à LBV. Todos os dias peço a Deus que sempre os abençoe, que continuem trabalhando pelas pessoas que precisam. Estou muito feliz.” Mariana Laura Sullcani 34 anos, auxiliar de limpeza e mãe de quatro filhos; três deles contaram com o atendimento do Jardim Infantil Jesus, da LBV, na capital boliviana. AndreaVarela Estima-se que 70% das mulheres já sofreram algum tipo de violência, seja física, sexual, psicológica ou econômica. Fonte: Organização das Nações Unidas. BOA VONTADE 83
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    cológico. Todas devemaprender a se valorizar.” Conscientizar-se desde cedo Na Bolívia, meninas e meninos emidadeescolartambémrecebemo incentivo da Legião da BoaVontade paradaremcontinuidadeaosestudos por meio da Campanha Educação em Ação.Ainiciativa compõe-se de três etapas e beneficia crianças de comunidades onde vivem famílias em situação de vulnerabilidade so- cial e são altos os índices de evasão escolar e repetência. A jovem Noemí Sandra, aten- dida pela campanha em área rural próxima de La Paz, sonha em um dia ser advogada, graças ao apoio da LBV. “Educação é a liberdade. As crianças aprendem coisas boas na escola. A mochila, o caderno, a caneta, o compasso, tudo é muito lindo; são motivações para a gente ser algo na vida, para ajudar nosso povo a seguir adiante”, disse. Estefanía Condori que a população feminina en- frenta para se inserir no mercado de trabalho, a começar pela falta de instrução (ensino elementar) ou de conhecimento técnico- -profissional da maioria dessas mulheres. Por isso, a Instituição atua principalmente em duas fren- tes: recebe as crianças em sua es- cola em período integral, para que as mães possam trabalhar; e, desde 1999, desenvolve os programas Centro de Capacitação Técnica e Centro de Alfabetização. Neles, são oferecidos às atendidas cursos profissionalizantes e as primeiras letras. Com esse apoio, a vida delas se transforma. Qualificação profissio- nal e autoestima renovada, então, resultam em melhores condições sociais e econômicas para a famí- lia. É o caso de Estefanía Celia Condori, de 37 anos, ope- radora de telemarketing, mãe de Johana Abigail Veles Condori, de 3 anos. Ela relembra a satisfação de ver a filha atendida pela Obra. “Quando cheguei à LBV, estava em uma situação muito difícil. Na verdade, não me casei, mas decidi ter minha filha e criá- -la sozinha, desde que perdemos o AndreaVarela contato com o pai dela. Naquele momento, a LBV abriu as portas para mim, me deu a mão, conse- lhos; ajudou-me muito nas neces- sidades de minha filha, não me deixou sozinha. Agradeço a Deus por terem aceitado a Johana no Jardim Infan- til Jesus.” O apoio socioeducacio- nal que encontrou na LBV, segundo ela, fez com que adquirisse outra mentalidade a fim de não mais aceitar qualquer tipo de constrangimento. “Não sofri abuso físico, mas sofri abuso psi- Lei mais rígida O governo boliviano promulgou, em março do ano passado, a Lei Integral para Garantir às Mulheres uma Vida Livre de Violência. Nos casos de assassinato por motivo de ódio ou desprezo, por exemplo, a nova legislação prevê pena de até 30 anos de prisão, sem direito a perdão. Além da punição rigorosa ao feminicídio, a lei determina às escolas a aplicação de políticas preventivas e de formação em favor da igualdade de gênero. Segundo dados do Centro de Informação e Desenvolvimento da Mulher (Cidem, Bolívia), entre 2007 e 2011, foram registradas 247.369 denúncias contra a violência de gênero. Nesse período, apenas 51 casos tiveram desfecho com sentença para o agressor. Direitos Humanos shutterstock.com 84 BOA VONTADE
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    Acontece no DF O CentroComunitário de As- sistência Social, da Legião da Boa Vontade, recebeu, no dia 9 de maio, em Brasília/DF, a visita do tenente-coronel-aviador Mauro Rogério, da Força Aérea Brasileira (FAB). Na oportunidade, ele conheceu as dependências e o trabalhosocioeducacionalrealizado pela Instituição na capital federal. Ao visitar as salas de atividade do programa Criança: Futuro no Presente!, Mauro Rogério conver- sou com meninas e meninos que participam da iniciativa, incenti- Visite, apaixone-se e ajude a LBV! Em Brasília/DF, o Centro Comunitário de Assistência Social da LBV está localizado no SGAS 915, Lote 74 (ao lado do Templo da Boa Vontade). Para outras informações, ligue: (61) 3410-6000. B r a s í l i a / D F Tenente-coronel da Aeronáutica destaca trabalho da LBV: "É diferenciado!" vando-os a nunca desistirem de seus sonhos. “Percebi disciplina, ordem e respeito quando cheguei aqui. Todas as crianças, sem ex- ceção, veem no professor uma au- toridade. Esses valores que a LBV tem passado estão se perdendo por aí. É um ambiente diferenciado e existe um trabalho muito nobre sendo feito aqui”, disse. Na LBV, os pequeninos parti- cipam de atividades que contem- plam oficinas lúdicas, recreativas, esportivas e culturais que ajudam a fortalecer a convivência fa- miliar e comunitária, visando à garantia de direitos sociais. To- das as ações são permeadas pela Pedagogia do Afeto, que integra, ao lado da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, a inovadora linha educacional criada pelo educador Paiva Netto. Essa proposta se fundamenta na formação integral do ser humano, porque o vê nas suas dimensões física, psicoló- gica, social e espiritual, o que é indispensável para a construção de uma sociedade verdadeira- mente solidária. O tenente-coronel da Aeronáutica conversou com as crianças e destacou a importância de nunca desistirem de seus sonhos. Fotos:GustavoHenriqueLima Da Redação BOA VONTADE 85
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    Gols por ummundo melhor Soldadinhos de Deus Protagonismo infantil Da Redação 86 BOA VONTADE
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    F oi dado, nodia 21 de março deste ano, o pontapé inicial do 12º Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV. A partir do tema “Futebol da Cari- dade—Fazendogolsparamelhorar o mundo”, escolhido pelas próprias crianças atendidas pela Legião da BoaVontade,umasériedeatividades está sendo organizada ao longo de 2014. O assunto, mais do que nunca em pauta — por causa da realização da Copa do Mundo no Brasil —, ganhou abordagens especiais no encontro, que ocorreu nas escolas e nos Centros Comunitários de As- sistência Social da Instituição e nas Igrejas Ecumênicas da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo. De acordo com o diretor-presi- dente da LBV e criador do evento, o educador José de Paiva Netto, o fórum é uma iniciativa da Institui- “Para o Amor vencer os maus sentimentos de 10 x 0, é preciso cultivar o respeito, a amizade, ajudar ao próximo, fazer oração e ter sempre bons pensamentos. Assim, o Amor será sempre campeão, e as pessoas, mais felizes!” Allana Maria da Silva, 10 anos. Araxá/MG. ção com o objetivo de promover o protagonismo infantil, ao dar a essa gente pequena um amplo espaço para expor ideias e aprender a se defender do mal, da violência. Por isso, uma variada programação, es- pecialmenteelaboradaparaoevento, foioferecidanaqueladataàgarotada, que pôde expressar sua opinião por meio de ações artísticas, culturais e esportivas, mostrando que tem muito com o que contribuir para um GRANDE REPERCUSSÃO Palestra do diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, é transmitida, via satélite, por rádio, televisão e internet para o Brasil e exterior. BOA VONTADE 87
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    mundo melhor. Ascrianças partici- paramderodasdeconversa,debates, dinâmicas, jogos, dramatizações, coreografias, oficinas de pintura e desenho, apresentações musicais, contação de histórias, confecção de brinquedoscomsucataeoutrostipos de material reaproveitável, painéis temáticos e mostras culturais. Cabe destacar que as atividades promovidas em todas as edições do fórum incentivam o debate de as- suntos atuais importantes referentes à sociedade e que se procura incluir semprenessaspráticasavivênciade valores éticos, ecumênicos e espiri- tuais. Isso está em consonância com o que afirmou, à época da criação do fórum, em 2003, o dirigente da LBV: “Convidaremos psicólogos, educadores, profissionais compro- missados com a educação e que têm algo a acrescentar ao desen- volvimento saudável das crianças. O pensamento delas é uma reflexão que nos dá perspectiva de um mun- do melhor. (...) Vocês [crianças] possuem força diante de Deus. Vão Soldadinhos de Deus Manaus/AM Goiânia/GO Petrópolis/RJ Campo Grande/MS MariadoSocorroLeãoEgezielCarlos LeonardoTomaz GenivaldoMarquiza 88 BOA VONTADE
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    ter a oportunidadede manifestar-se (...), porque precisam aprender a se defender (com Amor e inteligência, alicerçados na Espiritualidade Ecumê­nica)”. Sessão solene A abertura desta edição do Fó- rum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV, foi marcada por váriosacontecimentos.Umdelesfoi atransmissãodemensagemfraterna dodirigentedaInstituição,dedicada por ele a todos os que o acompanha- vam pela Super Rede Boa Vontade deComunicação(rádio,TV,internet e publicações), que propagou em tempo real as palavras dele. O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Ra- cial, comemorado naquela mesma ocasião, foi lembrado pelo dirigente da LBV. Ele leu trechos do artigo “Racismo — cancro social”, de autoriadele,noqualfazimportantes apontamentos acerca do assunto. “Em 20 de março, no hemisfério sul, onde o Brasil está localizado, Recife/PE Uruguai Paraguai BrunoGonçalves BettinaLopezGracielaRaquel É um conceito criado pelo saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), ainda na década de 1950, conforme registra a BOA VONTADE no 15, p. 4 (set./1957). Em alusão ao esporte das quatro linhas, ele afirmava que cada doação feita à LBV era um gol em favor do povo brasileiro. A iniciativa, além de homenagear os colaboradores da Instituição, empolgava outras pessoas com bons exemplos, dando corpo à Cam- panha da Boa Vontade por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz. Em suas mensagens radiofônicas, Zarur costumava dizer: “Futebol da Caridade, o Futebol que Salva Vidas e Almas para Deus. Neste futebol, todos são campeões, todos saem ganhando: os que recebem e os que dão, mas, principalmente, os que dão, porque dando é que recebemos. Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber”. Alziro Zarur Futebol da Caridade BOA VONTADE 89
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    tem início ooutono. A estação lem- bra os tempos de maturidade, espí- rito do qual devemos nos revestir para lidar com os desafios diários. Um deles, sem dúvida uma tarefa para todos os brasileiros, sejam brancos, negros ou mestiços, é o combate ao racismo em todas as suas torpezas”, afirma no texto. E continua: “Não é de hoje que levan- to minha voz contra esse cancro da sociedade, inclusive porque, como a maioria dos brasileiros, tenho sangue negro. Desde a década de 1980, a imprensa do Brasil e do exterior vem publicando vários de meus artigos, em que exalto o valor da raça negra, a exemplo de ‘Apar- theid lá e Apartheids cá’, ‘Racismo é obscenidade’, ‘A miscigenação do mundo é inevitável’,e tantos outros”. Namensagem,PaivaNettoainda recorda que a data, “instituída pela “Todos nós fazemos parte de um mesmo time. Por isso, devemos fazer os gols da Paz, da Solidariedade, do Amor e da união. Com esses gols, todos seremos vencedores e construiremos um mundo bem melhor.” Iago Michael dos Reis Silva, 9 anos. Araxá/MG. Soldadinhos de Deus São Paulo/SP Duque de Caxias/RJ PedroPeriottoRaphaelManoel 90 BOA VONTADE
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    ONU em 1969,homenageia os 69 sul-africanosassassinadosem1960, duranteumconfrontocomapolícia. Eles protestavam contra a ‘Lei do passe’, que impedia o direito de ir e vir da população negra. ‘Mas- sacre de Sharpeville’, assim ficou conhecido esse lamentável episódio em Joanesburgo, na África do Sul, que colocou mais uma mancha de sangue na história da Huma- nidade”. Em seguida, res- salta o papel da Edu- cação para o surgi- mento de uma so- ciedade mais justa e fraterna. “Enquanto houver uma criatura cruelmen­te discrimina- da, o currí­culo humano estará maculado. Perseveremos, pois, no trabalho de congraçar, pelo Ecume­nismo dos Corações, as etnias existentes no mundo.” E conclui: “Daí primarmos por levar educação de qualidade às crianças e aos jovens das escolas da LBV e de seus programas socio- educativos.Alimentados de valores espirituais, humanos, éticos e de cidadania, eles serão os multipli- cadores de práticas construtoras da Paz e do progresso sustentável para as comunidades do planeta”. Incentivo à leitura Durante o fórum também ocor- reu a inauguração das novas insta- lações da Biblioteca Bruno Simões de Paiva (com um acervo aberto de 25 mil títulos), que funcionava em outro recinto do próprio Conjunto Educacional Boa Vontade, localiza- do na capital paulista. Várias foram Crianças norte-americanas ganham novo espaço Em Newark, Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, a abertura do 12o Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV foi marcada também pela entrega de um novo espaço para as atividades das Living on Values and Ecumenical Spirituality (LOVES) — em português, Aulas de Moral Ecumênica (AMEs). No local são oferecidas atividades que incentivam as crianças a ser solidárias, e a agir com Amor e Caridade, valores ensinados por Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Para os pais, a iniciativa ajuda a fazer de seus filhos bons cidadãos. “É muito interessante e foi uma forma feliz de colocar as crianças em contato com Jesus. Minha filha gostou muito dessa primeira experiência, e penso que agora não vai querer deixar de vir mais”, salientou Paula Oliveira, portuguesa radicada naquele país. Nova Jersey/EUA Fotos:GabrielaMarinho BOA VONTADE 91
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    Soldadinhos de Deus 12 3 (1) Alunos do Conjunto Educacional da Boa Vontade, localizado na capital paulista, descerraram a fita de inauguração da Biblioteca Bruno Simões de Paiva. Ao centro, a neta do dirigente da Instituição Laís de Paiva Tonin. (2) A Jovem Legionária Letícia de Paiva Tonin discursou durante a inauguração. Na oportunidade, ela destacou o incentivo à leitura que foi passado de geração para geração. (3) Um quadro de Bruno Simões de Paiva (1911- 2000) ficará em exposição na biblioteca. Na foto, Iraci de Paiva Tonin conduz a solenidade. Fotos:VivianR.FerreiraCopyright/SoldadinhosdeDeus 92 BOA VONTADE
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    Assista ao clipeda música-tema do 12o Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV: Todo o planeta é campeão! Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e veja. asmudançasimplantadasnoespaço, possibilitando à escola oferecer um ambiente maior e mais agradável para a leitura e a pesquisa, com modernas mesas, cadeiras e com- putadores, além de janelas amplas, que permitem maior luminosidade natural. O estímulo à leitura é uma das preocupações do educador Paiva Netto, que sempre foi motivado a essa prática por seu pai, Bruno SimõesdePaiva(1911-2000).Daía merecidahomenagem.Nacerimônia de inauguração do espaço, a douto- randa em Educação, supervisora da linha educacional da LBVe diretora da escola, Maria Suelí Periotto, declarou: “Gostaria de parabeni- zar o nosso querido Irmão Paiva, porque, é claro, esta biblioteca não está começando a funcionar agora. Nesses 26 anos de Conjunto Edu- cacional Boa Vontade, nós sempre tivemosesseincentivodapartedele, cada vez em ambientes maiores e melhores”. Na ocasião, representando o di- rigente da LBV, a jovem Letícia de Paiva Tonin agradeceu a todos os que contribuíram para a concretiza- ção do projeto. Portugal Portugal Argentina ArquivoBVArquivoBV AndréFranchi Nova Jersey/EUA GabrielaMarinho BOA VONTADE 93
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    Cultura dePaz Mulheresemeninaspela Espírito crítico esentimento em favor do desenvolvimento sustentável O processo de amadureci- mento propiciado pela Educação pode ser o dis- parador do engajamento e da pos- tura positiva tão necessários para as mudanças urgentes no planeta. A reciclagem de resíduos ilustra bem essa premissa. É um exemplo de prática que pode partir de uma residência e daí empolgar os vizi- nhos, as famílias de outra rua, de todo o bairro. Nesse ritmo, algum tempo depois, o hábito será uma realidade em grandes áreas da ci- dade, demonstrando dessa forma a Suelí Periotto JoãoPeriotto força de micro ou macromudanças comportamentais. É bem verdade que atitudes assim são resultado de uma motivação interior, pela vontade do ser humano de fazer a diferença na sociedade, pelo desejo de cooperar, mesmo nas mais simples atividades. Cérebro e Coração Para isso, a proposta educa- cional da Legião da Boa Vontade valoriza a conscientização, o es- tabelecer de uma visão crítica, e Educação e Cidadania Plena Metodologia inovadora 94 BOA VONTADE
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    Educação e CidadaniaPlena entusiasmo permanente, e jamais presos a discursos estéreis ou a condutas enfurecidas e/ou marca- das por violência. Educar com Espiritualidade Ecumênica é o diferencial proposto pela linha pedagógica criada pelo diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, que é composta pela Pedagogia do Afeto (direcionada às crianças de até 10 anos) e pela Pedagogia do Cidadão Ecumê­ nico (a partir dos 11 anos de ida- de). Nela, a preocupação com a formação integral do ser humano (Espírito-biopsicossocial – veja quadro na p. 97) une “Cérebro e Coração”, ou seja, sentimento e raciocínio, visando a uma aprendi- zagem significativa, que convida o educando a tornar-se partícipe da construção de uma Cultura de Paz. “Educação,temasempreempauta. Urge ser difundido e encarado, por todos nós, como a trilha segura que encurta a distância social en- tre as classes. É também eficiente antídoto contra a violência, a criminalidade, as doenças e tudo o mais que anula o crescimento salutar de um povo”, recomenda o dirigente da Instituição. Atualmente, essa inovadora li- nha educacional beneficia milhares de crianças, jovens, adultos e ido- sos atendidos em escolas formais e em programas socioeducacionais e socioassistenciais da LBV em quase 80 cidades brasileiras e em bases autônomas da Obra em seis países:Argentina, Bolívia, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uru- guai. Essas pessoas são motivadas a assumir uma postura de maior envolvimento na discussão e reso- lução de problemas que atingem a comunidade onde vivem. Ao esti- mular a criticidade do indivíduo, FelipeTonin VivianR.Ferreira Suelí Periotto é supervisora da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico e diretora do Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP. É doutoranda e mestre em Educação pela PUC-SP, conferencista e apresentadora do programa Educação em Debate, da Super Rede Boa Vontade de Rádio (acesse www.boavontade.com). incentiva os atores sociais a exer- cer o poder de transformação, para o enfrentamento de gravíssimos problemas sociais que corroem a esperança humana de um mundo melhor. Para nós, da LBV, a toma- da de atitudes requer agentes com coração esclarecido e munidos de Balões, flores e crianças A Supercreche Jesus, inaugurada há 28 anos, no aniversário da cidade de São Paulo (25 de janeiro), é considerada um presente de Paiva Netto à metrópole que a abriga. Para celebrar a data, alunos do Pré II e das turmas de 1o ano do ensino fundamental ocuparam os espaços entre a pracinha e as alamedas da escola com muitos balões e sorrisos. 96 BOA VONTADE
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    “Espírito” A Pedagogia doAfeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico valorizam o que se encontra no interior, os aspectos do subjetivo que trazem o registro de experiências anteriores; afinal, o educando não é uma tábula rasa*. Também estimula os sentimentos e reforça valores como Solidariedade Ecumênica, Amizade e Companheirismo, utilizados de maneira empática. “Psico” As questões emocionais são observadas pela equipe multidisciplinar das unidades da LBV, em especial por psicólogas. Quando necessário, o educando é amparado nos aspectos de fragilidade decorrentes de situações desagregadoras, comuns ao ambiente de vulnerabilidade social a que muitas famílias estão sujeitas. A dificuldade de aprendizagem e os distúrbios e comportamentos que demandem o auxílio da profissional da área psicológica, a exemplo de casos de agressividade, isolamento e apatia, são observados com atenção. “Bio” (biológico) Compreende os cuidados médicos, odontológicos e nutricionais. A saúde física é pensada de forma preventiva, inclusive, levando orientação e informações às famílias, por meio de palestras, folhetos variados e programas de saúde que as beneficiem. O bem-estar do corpo é condição essencial para o bom andamento do processo educativo. “Social” Na LBV, enfatiza-se a prática de um trabalho conjunto da escola com a família. É fundamental a participação organizada dos pais na vida escolar do filho. Quando a escola conhece a realidade socioeconômica da família, torna-se possível contribuir para o fortalecimento dos vínculos afetivos. A família precisa de acolhimento, incentivo e orientação, a fim de que busque a superação de dificuldades, identifique e fortaleça as suas habilidades. Pelo exercício dos valores iluminados pela Espiritualidade Ecumênica, promove-se a Cultura de Paz nas escolas da LBV, onde, aliás, o índice de evasão é zero. OqueéserEspírito-biopsicossocial? Nas unidades socioeducacionais da LBV, o aluno é considerado um ser Espírito-biopsicossocial, pois ele já traz consigo o registro de experiências que contribuirão para o aprendizado. Fotos:VivianR.Ferreira Desenvolvimento integral * Tábula rasa — No empirismo (escola do pensamento filosófico que defende como origem única do conhecimento a experiência, aquilo que se capta do mundo externo), o termo tábula rasa é o estado que carac- teriza a mente vazia, anterior a qualquer conhecimento obtido por meio dos sentidos. BOA VONTADE 97
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    res e demaisprofissionais durante as atividades da educação formal e daquelas com abordagem lúdico- -pedagógica. Por exemplo, desde a primeira infância, incentivam-se a vivência e a construção de gestos ligados à proteção do meio am- biente; à defesa pessoal (alertando crianças e jovens sobre o perigo das drogas); a uma reflexão e busca de caminhos alternativos ao sen- timento egoísta que tão somente produz um progresso desumano. Pela via da educação é possí- vel construir uma Cultura de Paz, com ações (sistematizadas ou não) que sejam significativas para a juventude. Educar a gente nova com valores éticos, ecumênicos e espirituais, vale reiterar, é o que fundamenta a proposta pedagógica criada pelo educador Paiva Netto. Para ele, aliás, o fato de abastecer o coração dos pequeninos com a “Educação, tema sempre em pauta. Urge ser difundido e encarado, por todos nós, como a trilha segura que encurta a distância social entre as classes. É também eficiente antídoto contra a violência, a criminalidade, as doenças e tudo o mais que anula o crescimento salutar de um povo.” Paiva Netto propicia-lhe espaços de reflexão acerca de seu papel, inclusive, no cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Tal entendimento vem com o despertar da consciência de que somos parte de um mundo que carece de intervenção pessoal de seus moradores, responsáveis indivi­dual e coletivamente por esta casa planetária. Daí a necessidade de um direcionamento de esforços para uma sustentabilidade integral. Por isso, os que passam pelas es- colas e pelos programas da LBV sentem-se motivados a participar de ações em favor da preservação ambiental e da valorização daVida. Metodologia própria Há mais de seis décadas, a Legião da Boa Vontade tem traba- lhado para oferecer uma educação LeillaTonin La Paz, Bolívia de qualidade, em ambiente escolar livre de violência. Em toda ativi- dade da LBV, meninas e mulheres recebem o apoio necessário, e em total condição de igualdade com meninos e homens, para desenvolver a própria autonomia socioeconômica, alcançar a inclu- são e ter voz ativa na sociedade, com comprometimento em ações sustentáveis. Pesquisas, debates, aprofun- damento nas questões que afetam o entorno dos lares, propostas de medidas proativas e simulação de ações comunitárias fazem parte das estratégias utilizadas pela me- todologia própria da Instituição, o MAPREI (Método de Aprendiza- gem por Pesquisa Racional, Emo- cional e Intuitiva). Os alunos das escolas e os participantes dos di- versos programas da LBV contam com a mediação atenta de educado- Educação e Cidadania Plena 98 BOA VONTADE
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    Buenos Aires, Argentina Cascavel/PRRiodeJaneiro/RJ LeillaTonin NatháliaValérioArquivoBV ideiade cultivar bons sentimentos terá naturalmente uma consequên- cia: eles devolverão à sociedade, quando jovens e depois como adul- tos, o mesmo que lhes foi dado. A Pedagogia do Afeto e a Pe- dagogia do Cidadão Ecumênico inspiram-se no exemplo de vida e nos ensinos do Educador Ce- leste — Jesus. Em Sua passagem visível pela Terra, deixou-nos uma importante mensagem de Amor Fraterno, destacadamente no Evangelho segundo João, capí- tulo 13, versículos 34 e 35: “Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros”. Em cumprimento a essa ordem su- prema, a LBV defende a bandeira da Solidariedade, da Fraternidade e da Paz, opondo-se desse modo ao sentimento egoístico que tem levado a Humanidade a guerras, fome e doenças. Aeducação, então, deve investir na formação do intelecto sem es- quecer que todos nós somos seres de Alma e mente, que necessitam de conforto espiritual — isto é, nas palavras do dirigente da LBV, é preciso ter “uma visão além do intelecto”. Meninas e mulheres, meninos e homens, tenho certeza, sempre agradecerão toda proposta educacional que os respeite e con- sidere o potencial de cada um a fim de contribuir para ações positivas que, somadas fraternalmente, farão diferença no contexto do próximo conjunto de metas globais: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). BOA VONTADE 99
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    infancia futuro! Protegera éacreditarno Iniciativa da LBVbeneficia milhares de alunos em todo o Brasil Campanha Criança Nota 10! Entrega de kits pedagógicos LeillaTonin 100 BOA VONTADE
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    C adernos, estojo, lápis,canetas, apontador, borrachas, esses e outros materiais compõem o kit pedagógico da tradicional Cam- panha da Legião da Boa Vontade Criança Nota 10, que tem o tema Proteger a infância é acreditar no futuro!. A iniciativa ocorreu no início do ano letivo e beneficiou em todoopaísestudantesdefamíliasde baixarendaatendidosnarededeen- sino da Instituição e os participantes dos programas LBV — Criança: Futuro no Presente! e  Jovem: Fu- turo no Presente!, desenvolvidos nos seus Centros Comunitários de Assistência Social. Em São Paulo/ SP, receberam também o material escolar os alunos da modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos), do Instituto de Educação José de Paiva Netto. Para NajaraAnastácia, mãe de três alunos do Instituto de Educação na capital paulista, o kit “é muito bom! [As ações da LBV] ajudam muito as crianças e a gente dentro de casa, porque no período em que eles estudam, pode-se trabalhar, não tem que ficar se preocupando com a questão de horário. Eles es- tão bem mais calmos do que antes. Muito obrigada por tudo!”. Somente em 2014, foram 14 mil kits pedagógicos entregues à garotada, que serve de motivação para elas prosseguirem com os estudos e é um importante apoio aos pais que não têm recursos para adquiri-los. “Desde cedo, as crianças recebem toda a instru- mentalização necessária para um bom rendimento escolar. Há uma preocupação muito grande da LBV para que elas tenham, com toda a “Na LBV, a gente sabe que nossos filhos vão ser crianças nota 10!” Ariana Nunes Siqueira Joinville/SC Presidente Prudente/SP Teresina/PI Fortaleza/CE ThiagoFerreiraLeillaToninLeillaTonin BOA VONTADE 101
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    dignidade, o seumaterial; para que desenvolvam toda a sua poten- cialidade”, destacou a supervisora da linha educacional da Legião da BoaVontade,MariaSuelíPeriotto, doutoranda em Educação pela PUC-SP. Nas unidades socioeducacio- nais da LBV, o ensino é permeado pelos valores da Espiritualidade Ecumênica, sobre os quais estão firmadas a Pedagogia do Afeto (para crianças de até 10 anos) e a Pedagogia do Cidadão Ecumê- nico (a partir dos 11 anos). O objetivo dessa proposta, criada pelo educador Paiva Netto, é formar cidadãos que tenham não somente a capacidade intelectual desenvolvida, mas também ajam em consonância com os valores éticos, morais e espirituais. A palavra de Leonaldo José da Silva, pai da pequena Tai- ná, de Recife/PE, traduz bem o que representa a ajuda da Instituição durante todo o ano e esse reforço especial. “ALBVnos acolheu e deu oportunidade para minha filha ter educação. O kit pedagógico é uma contribuição inesquecível, porque não tenho recursos para comprar, Baixe o leitor QR Code em seu celular e/ou smartphone, fotografe o código e assista ao vídeo da Campanha Criança Nota 10 — Proteger a infância é acreditar no Futuro!. “Eu não acredito que ganhei tudo isso, lápis de cor, borracha, os cadernos são lindos. Muito obrigada!” Milena dos Santos Anápolis/GO Campanha Criança Nota 10! Anápolis/GO Ipatinga/MG Piracicaba/SP Ananindeua/PA JoãoPredaÁlidaSantosManoelAfonsoFilhoKássiaBernarde 102 BOA VONTADE
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    A Campanha CriançaNota 10 — Proteger a infância é acreditar no futuro! chegou também em Itaoca/SP, no interior paulista. Foram entregues 180 kits pedagógicos completos a alunos da rede municipal de en- sino e 532 mochilas a estudantes da rede estadual. Em janeiro, a cidade foi atingida por fortes chuvas, deixando diversos pontos do município inundados. Imediatamente após a tragédia, a LBV angariou doa- ções, entregando-as, alguns dias depois, às vítimas da inundação. Além do material escolar, a Instituição encaminhou ao local caminhão com 5,5 toneladas de alimentos não perecíveis, que incluíam, entre outros itens, óleo, arroz, feijão, e água potável. LBV:presenteondeopovoprecisa chega num momento em que mais precisamos, sou muito grato.A LBV está de parabéns pelo seu trabalho, que faz a diferença em nossas vidas. Graças a Deus a minha filha não estánaruaaprendendocoisaserra- das, está na LBV tendo educação”, declarou. Ser Criança Nota 10 é... “Estudar, tirar boas notas, prestar atenção nas aulas, respeitar os professores, diretores, coordenadores e ser uma criança feliz!” Letícia Goes 15 anos, São Paulo/SP. São Paulo/SP Itabuna/BA Itaoca/SP Itaoca/SP VivianR.FerreiraTatianeOliveira Fotos:VivianR.Ferreira BOA VONTADE 103
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    VivianR.Ferreira VivianR.Ferreira VivianR.Ferreira NicoleAngel VivianR.Ferreira 64 anos Balanço Social Trabalho humano efé no ser Ação da LBV supera a marca de 11 milhões de atendimentos e benefícios 104 BOA VONTADE
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    A Legião da BoaVontade al- cançou a expressiva marca de 11.053.113 atendimentos e benefícios oferecidos à população de baixa renda em todo o Brasil em 2013. O número representa um cres- cimento de quase 8% em relação a 2012 — nesse período, a Instituição contabilizou 10.255.833 atendimen- tos e benefícios. A informação consta do balanço social da LBV, que é analisado há mais de duas décadas por auditores externos independentes, por inicia- tiva de seu diretor-presidente, José de Paiva Netto, muito antes de a legislação que exige essa medida entrar em vigor. Em ano de Copa do Mundo noBrasil,oanúnciodaLBVéum verdadeirogoldeplacaemfavor do povo brasileiro. O trabalho da Instituição nesse período impactou diretamente mais de 220 mil pessoas com ações educativasedeassistênciasocial. Aliás,umacaracterísticamarcanteda Obra desde o seu surgimento oficial no país, a 1º de janeiro de 1950 (dia da Confraternização Universal): uma InstituiçãoqueeducacomEspirituali- dadeEcumênica.São64anosatuando em uma das frentes mais importantes para a paz do planeta, sempre pro- curando entender o indivíduo como um ser integral, rejeitando o modelo pedagógicoquesupervalorizaarazão em detrimento do conteúdo sócio, afetivo e intuitivo. APedagogiadoAfeto(direciona- daàscriançasdeaté10anosdeidade) eaPedagogiadoCidadãoEcumênico (quecontemplaaaprendizagempara a faixa etária a partir dos 11 anos), criadas pelo diretor-presidente da LBVvemhádécadasinspirandoedu- cadoresacontribuirparaquecrianças, jovens e suas famílias se tornem cidadãos mais fraternos, formando “Cérebro e Coração”. Esse pioneiro trabalho está pre- sente em dezenas de cidades do país transformando para melhor a vida de muitos brasileiros. A seguir, um resumo das principais áreas de atua­ ção da LBV. Florianópolis/SC São Paulo/SP FabíolaBigas VivianR.Ferreira Balanço Social 106 BOA VONTADE
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    77 11de atendimentos ebenefícios a famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade ou risco social. Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e lares para idosos, a LBV utiliza uma rede de comunicação social própria (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania. 77 LBV BRASIL A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o de janeiro de 1950 (Dia da Confraternização Uni- versal), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto. milhões unidades socioeducacionais em todo o Brasil. É a quantidade de pessoas impactadas pelo trabalho da LBV em seus programas socioeducacionais nas escolas, Centros Comunitários de As- sistência Social, lares para idosos, e por suas campanhas institucionais. Número de atendimentos e benefícios prestados pela Legião da Boa Vontade de 2009 a 2013* * Há mais de duas décadas, a Legião da Boa Vontade tem seu balanço geral analisado por auditores externos independentes, uma iniciativa de José de Paiva Netto, diretor-presidente da LBV, muito antes de a legislação que exige essa medida entrar em vigor. 2009 2010 2011 2012 8.016.758 8.508.482 9.434.943 10.255.833 11.053.113 2013 11220mil220mil++dede ++dede BOA VONTADE 107
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    ESCOLAS As unidades deensino da LBV promovem o desenvolvimento do intelecto e do sentimento, com efetividade e competência. As atividades abrangem todas as etapas do ensino básico, assim como a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Belém/PA ArquivoBV São Paulo/SP O Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, Brasil, demonstra que Educação de qualidade, Solidariedade e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores refletem a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizadas por Paiva Netto e aplicadas com sucesso na rede de ensino e nos programas socioeducativos da Instituição. Em um grande totem, ao lado do frontispício, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”. Balanço Social 108 BOA VONTADE
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    Rio de Janeiro/RJNathália Valério Taguatinga/DF JoséGonçalo Curitiba/PR ViníciusRamão BOA VONTADE 109
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    MônicaMendes LeillaTonin LedilaineSantanaLeillaTonin Teófilo Otoni/MG TeófiloOtoni/MG Uberlândia/MG ABRIGOS PARA IDOSOS São três as unidades da LBV que acolhem idosos sem referências e/ou afas- tados do núcleo familiar. O conjunto de ações inclui acompanhamento nutricional, assistência médica e de enfermagem e terapia ocupacional. Volta Redonda/RJ Balanço Social
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    Nestas unidades socioassistenciais,o atendimento a pessoas e famílias em situação de risco social e/ou pessoal contribui para o fortalecimento da Cidadania Solidária. Nesse espaço, os atendidos desenvolvem suas capacidades, talentos e valores, por meio de atividades socioeducativas e de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, além de oficinas de Capacitação e Inclusão Produti- va. Dessa forma, eleva-se a autoestima dessas pessoas, que assim podem melhor exercer seus direitos e deveres, tornando-se, inclusive, agentes do desenvolvimento sustentável. O trabalho da LBV, que inclui programas e campanhas de mobilização social e de conscien- tização, visa à valorização da Vida, com foco na criança e na família. A seguir, algumas dessas ações. CENTROS COMUNITÁRIOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Teresina/PI Mogi das Cruzes/SP Maringá/PR PauloAraújoVivianR.Ferreira Arquivo BV BOA VONTADE 111
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    Cuiabá/MT ArquivoBV Salvador/BA Criança: Futuro noPresente! Jovem: futuro no presente! Participam dos programas meninas e meninos de 6 a 18 anos de idade, atendidos nas unidades socioassistenciais da Instituição. A iniciativa contribui para o protagonismo infantojuvenil, por considerar a história de vida e as características individuais de cada criança e adolescente. Assim, são promovidas atividades que ajudam a despertar competências e habilidades, além de incentivar a vivência de valores de cidadania, a Cultura de Paz e a união da família. Manaus/AM Uberlândia/MG TatianeOliveira Vivian R. Ferreira VivianR.Ferreira Balanço Social 112 BOA VONTADE
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    Vivência solidária e vidaplena Contribuem para a inserção sociocultural e o fortalecimento da cidadania de jovens, adultos e idosos. Proporciona ambiente que propicia a construção de vínculos interpessoais, intergeracionais e familiares, por meio de atividades em grupo, prática esportiva, atividades culturais etc. Rio de Janeiro/RJ Florianópolis/SC Cascavel/PR São Gonçalo/RJ Manaus/AM NatháliaValério FabíolaBigas LeillaToninNatháliaValério VivianR.Ferreira Baixe o leitor QR Code em seu celular e/ou smartphone, fotografe o código e conheça histórias de vidas que foram transformadas com o apoio da Legião da Boa Vontade. Elas representam os milhares de atendidos pela Instituição em todo o país. BOA VONTADE 113
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    Cidadão-Bebê Com o objetivode melhorar a qualidade de vida da criança e da mãe, este programa da LBV atende gestantes e mulheres com filho de até 3 anos de idade. Orientação sobre o processo gestacional e a saúde do bebê, além do acompanhamento social das famílias, faz parte das atividades. A ação visa também ao desenvolvimento e equilíbrio das relações familiares. Capacitação e Inclusão Produtiva Prepara jovens e adultos para o mercado de trabalho, por intermédio de cursos voltados para o desenvolvimento de competências e habilidades técnicas e pessoais. Liliane Cardoso PriscilaPetrecaArquivoBV Porto Alegre/RS Poços de Caldas/MG Cachoeiro do Itapemirim/ES São Gonçalo/RJ NatháliaValério Balanço Social 114 BOA VONTADE
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    CAMPANHAS SOS Calamidades Realizada emparceria com a Defesa Civil e outros órgãos do poder público, além da iniciativa privada, a campanha conta com o apoio de voluntários. Empreende ações emergenciais no atendimento a pessoas e/ ou comunidades atingidas por calamidades. Entrega itens de primeira necessidade (alimentos de pronto consumo, água potável, roupas, calçados etc.), material de higiene pessoal e de limpeza e colchonetes. Criança Nota 10 — Proteger a infância é acreditar no futuro! (veja na p. 100) Natal Permanente da LBV — Jesus, o Pão Nosso de cada dia! (veja na p. 122) Xerém, Duque de Caxias/RJ Xerém, Duque de Caxias/RJ Itaoca/SP Itaoca/SP NatháliaValérioFelipeTonin FelipeTonin Nathália Valério BOA VONTADE 115
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    Opinião — Congressoem pauta Políticas públicas ACâmara osocial e O papel de uma das principais comissões permanentes da Câmara dos Deputados em 2013-2014 Paulo Kramer | Especial para a BOA VONTADE 116 BOA VONTADE
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    Paulo Kramer, cientista político, professor universitário e assessor parlamentar. Arquivopessoal E xplicaraos leitores a estru- tura, o funcionamento e os bastidores do Congresso Na- cional e o impacto prático de suas decisões — e indecisões — no dia a dia de todos os brasileiros é um dos compromissos desta coluna. Hoje se poderá conhecer o papel de uma das principais comissões permanentes da Câmara dos De- putados: a Comissão de Seguri- dade Social e Família (CSSF). A exemplo do que ocorre em outras comissões, muitos projetos de lei que ali tramitam são apreciados conclusivamente, isto é, podem ser aprovados apenas no âmbito da CSSF, dispensando votação no plenário da Casa. Cumpre aos deputados federais que integram a CSSF, em propor- ções que refletem o tamanho de cada bancada ou bloco partidário da Casa, debater e deliberar sobre proposições legislativas e fiscali- zar as ações do Poder Executivo nas três grandes áreas compreen- didas pelo artigo 194 da Cons- tituição Federal de 1988 (saúde, previdência e assistência social), bem como em assuntos relativos à família brasileira. Por isso, muitos dos integrantes dessa comissão são médicos, profissionais de ou- tras esferas da saúde, assistentes sociais e representantes de gru- pos religiosos e de movimentos comunitários. De acordo com o Regimento Interno da Câmara (artigo 32, inciso XVII), essas competências constitucionais se traduzem em um amplo “man- dato”, cabendo à CSSF tratar de importantes temas relacionados a tais áreas. Nas comissões permanentes da Câmara, o mandato dos presi- dentes, indicados pelos partidos políticos também com base no número de cadeiras ocupadas na Casa, tem um ano de duração, enquanto, no Senado Federal, esse mandato é de dois anos. Em 2013, sob a presidência do deputado Florisvaldo Fier, mais conhecido como Dr. Rosinha, a CSSF promoveu várias audiências públicas e deliberou sobre diver- sas proposições, umas e outras voltadas para o desenvolvimento de políticas públicas sociais.Aqui estão destaques de algumas dessas audiências acerca das supracitadas áreas. Assistência social A comissão aprovou, por una- nimidade, o substitutivo (texto que emenda uma proposta na totalidade desta) do relator, Dr. Rosinha, ao Projeto de Lei (PL) no 3.256, de 2012. A proposta dá prioridade a mulheres em situação de violência doméstica e familiar afastadas do domicílio, para preservação da integridade física e psicológica delas, no recebimento de benefício eventual, o qual tem o objetivo de facilitar a reinserção segura e pro- dutiva dessas vítimas na comunida- de. O projeto original é de autoria do senador Humberto Costa, e o substitutivo deixa a critério dos Conselhos Municipais de Assis- tência Social a duração do prazo para a concessão desse benefício. O PLnº 3.256 encontra-se agora na Comissão de Finanças eTributação (CFT), aguardando parecer de seu relator, o deputado João Dado. Não se deve esquecer que a atual situação da violência contra a mulher é seriíssima em nosso país, haja vista que uma é assassinada a cada hora e meia. Divulgação BOA VONTADE 117
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    cia pública destinadaa debater a simplificação do processo de adoção. Segundo uma das pales- trantes convidadas para o evento, Bárbara Toledo, representante da Associação Nacional dos Gru- pos de Apoio à Adoção (Angaad), existem hoje três cadastros pa- ralelos de adoção: o nacional, o estadual e o local. Apesar disso, mais de 45 mil crianças esperam ser adotadas, muitas das quais enfrentando um grave obstáculo: o preconceito. O cadastro nacio- nal lista até o presente momento 5.439 crianças aptas à adoção e 29.887 pessoas que querem ado- tar. Infelizmente, grande parte desse número recusa maiores de 5 anos de idade ou adolescentes. A lei atual não esclarece o que deve ser feito, necessitando ur- gentemente de aperfeiçoamento. Quanto à audiência, cabe re- gistrar que os participantes dela concluíram os trabalhos propondo a implantação de um cadastro único de adoção e sugerindo maior rapidez na apreciação dos projetos de lei que tramitam na Câmara sobre esse assunto. Previdência Aqui, há dois destaques. O primeiro refere-se ao fato de que a CSSF aprovou o PL nº 7.201/2010, de vários autores, que obriga a Previdência Social a oferecer reabilitação profissional aos aposentados por invalidez considerados aptos a voltar a trabalhar. O texto estabelece que, durante a reabilitação, o segurado terá garantido o benefício por incapacidade até ser considerado habilitado para desempenho de nova atividade e que, caso não seja recuperável, será reencami- nhado para a aposentadoria por invalidez. A matéria encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e aguarda parecer do relator, deputado Alessandro Molon. O segundo destaque é o de que a comissão promoveu audiência pública para esclarecer detalhes sobre a Rede de Cuidados à Pes- soa com Deficiência, em processo de implantação no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Saúde Tradicionalmente, é o setor em que se concentra o maior número de proposições apreciadas pela CSSF. Os debates e audiências que a comissão promove nesta área também costumam levantar polêmicas e, dessa forma, conse- guem capturar maior atenção dos meios de comunicação e maior envolvimento da opinião pública. Um bom exemplo são as audiên- cias públicas que examinaram os prós e os contras da contratação de médicos estrangeiros para trabalhar em regiões distantes e nas periferias urbanas mais ca- rentes. Tais debates, sem dúvida, contribuíram para a intensificação dos ânimos nos climas político e social, ânimos esses que influen- ciaram as manifestações popula- res ocorridas a partir de junho do ano passado em todo o país. Estas, por sua vez, fizeram com que se desembocasse na Medida Provi- sória nº 621/2013, a qual instituiu o programa Mais Médicos. Pesquisa do Instituto de Pesqui- sa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o tema “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil” registrou 16,9 mil assassinatos entre 2009 e 2011. O que é pior: os crimes foram geralmente co- metidos por maridos, namorados ou ex-parceiros. Ainda nesta área, cabe assi- nalar a participação da CSSF, ao lado das Comissões de Finanças e Tributação; de Fiscalização Fi- nanceira e Controle; de Educação; e de Trabalho, deAdministração e Serviço Público, na realização de audiência pública sobre o proces- so de certificação das entidades beneficentes de assistência social, requisito indispensável a fim de que a instituição (pessoa jurídica de direito privado sem fins lu- crativos) possa obter isenção de contribuições para a seguridade social e tenha reconhecida sua finalidade de prestação de servi- ços nos campos da assistência, educação e/ou saúde. Família Vale a pena ressaltar a audiên­ Quem estiver interessado em mais dados e informações sobre a ação da CSSF no ano passado poderá consultar o relatório completo de atividades da comissão. Opinião — Congresso em pauta 118 BOA VONTADE
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    Consumo consciente O Programa deEficiência Ener- gética daAgência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e das Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. (Celesc) fez entre março e abril asubstituiçãodechuveiroselâmpadas convencionaisporequipamentosmais eficientesnosmunicípiosdePapandu- va,Itaiópolis,Mafra,Canoinhas,Três Barras, Monte Castelo, Irineópolis, Major Vieira e Porto União, no norte do Estado catarinense. Desde então, a medida tem beneficiado aproxima- damente 13 mil consumidores que contam com tarifa social na região. Aconcessionária investiu R$ 2,5 mi- lhões nessas melhorias e estima uma economia média de 2.400 megawatt- -hora (MWh) ao ano. Asalteraçõesfazempartedemais umaetapadoprojetoEnergiadoBem — o qual está na terceira edição —, integrante do Programa de Eficiência Energética da Celesc (PEE Aneel/ Celesc).Em2014,agrandeinovação foi a troca dos chuveiros elétricos antigos, que têm potência média de 5.400watts,porchuveiroscom3.800 watts acrescidos com a tecnologia de re­cuperação de calor. Oprincípiodefuncionamentodes- sa técnica inovadora é o reaproveita- mentotérmico.Nessesistema,ocalor éreaproveitadoquandodocontatoin- diretoentreaáguadobanho(quente)e aáguadacaixa(fria),contatoesseque ocorre por meio de um equipamento chamado trocador de calor. Este faz Tecnologiareduzconsumo deenergiaelétrica com que o líquido da caixa chegue pré-aquecido ao chuveiro. Com isso, o aparelho precisa de menor potência para aquecer a água, gerando-se, as- sim, economia de energia. Além da instalação do trocador decalor,oprojetoincluiuasubstitui- ção de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas e a realiza- ção de palestras educativas sobre o uso correto, consciente e seguro da energia elétrica nas comunidades abrangidas pela iniciativa. A troca dosequipamentosdeaquecimentoe deiluminaçãodeverepresentarredu- ção de 30% na potência da moradia. Caso a família adote outras medidas para o consumo consciente, a dimi- nuição no valor da conta de energia elétrica pode ser de 30 a 50%. Desde que foi implementado, o projeto já beneficiou 43 municípios do Estado de Santa Catarina e o município de Rio Negro, no Paraná. A estimativa é a de que, no período de um ano, o consumo diminua em até 50%, ocasionando redução de 7.700 MWh, suficientes para abas- tecer uma cidade do tamanho de São Miguel do Oeste — com 39 mil unidades consumidoras residenciais — durante um mês. A diminuição esperada da demanda é de, aproxi- madamente, 3,7 MW. Da Redação Como funciona o trocador de calor 1. A água proveniente da caixa d’água é desvia- da, passando por uma serpentina de alumínio, acoplada ao chão. 2. A água que cai do chu- veiro aquece a que circula na serpentina. 3. Com isso, há reaproveitamento do calor, pois o líquido pré-aquecido retorna ao chuveiro. 4. Esse pré-aquecimento faz com que o chuveiro precise de menor potência para aquecer a água, gerando-se, assim, economia de energia. CELESC BOA VONTADE 119
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    FelipeFreitas Carlos Arthur Pitombeira, jornalista. Carlos ArthurPitombeira | Especial para a BOA VONTADE Esporte Os desafios da imprensa para esta nossa Copa do Mundo e cidadania Opinião — Mídia Alternativa Mobilidade e cultura Divulgação F altando menos de 30 dias para o início da Copa do Mundo no Brasil, os jor- nalistas esportivos estariam se preparando para se movimentar nas 12 cidades-sede, estudando a cultura, a economia e as condições de mobilidade de cada uma delas? Sim, porque a cobertura desta Copa para a mídia brasileira será um grande desafio. Paralelamente à pauta esportiva de cada dia, sur- girão outras, que exigirão atenção dos repórteres, entre as quais a das obras em andamento nos locais onde estão os novos estádios de fu- tebol. É o legado que ficará para a população após a Copa do Mundo: mobilidade urbana; ligação entre aeroportos, portos, zona hoteleira e terminais rodoviários; e segurança, abrangendo tanto forças públicas quanto privadas, com ganhos de cidadania que prometem irradiar a curto prazo pelo resto do país. Todos esses compromissos fo- ram assumidos lá atrás com a Fede- ração Internacional de FutebolAs- sociado (Fifa) para que o Brasil pu- desse sediar esta Copa do Mundo, e ninguém melhor para documen­tar a situação dessas obras do que as equipes de reportagem que estarão viajando pelas 12 capitais (Belo Horizonte/MG, Cuiabá/MT, Curitiba/PR, Fortaleza/CE, Bra- sília/DF, Manaus/AM, Natal/RN, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São Paulo/SP). Essas equipes serão vítimas ou beneficiadas, vivendo a mesma situação de milhares de turistas nacionais e estrangeiros e de seus colegas de outros países. A mídia brasileira precisa ter consciência de que a cobertura 120 BOA VONTADE
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    1 2 (1) O BRTde Curitiba, o primeiro, inaugurado em 1974, hoje conta com 81 quilômetros de extensão. (2) O BRT Transoeste (no Rio de Janeiro), entregue ao público em 2012, possui linhas expressas e semiexpressas. PedroRibasJoseniltonCalvantedaCruz desta Copa contemplando outras pautas que não a esportiva será um grande desafio. Por isso, não há mais tempo a perder! É preciso preparar o pessoal do esporte para cobrir, simultaneamente, a pauta de cidade, porque esta Copa do Mundo será também a Copa da cidadania. Sair-se-á melhor quem for mais criativo. Em um evento internacional e apaixonante como esse, em que tudo ocorre em velocidade muito grande — as condições de aeropor- tos, portos, terminais rodoviários e zona hoteleira —, tudo tem que estar funcionando bem. Senão, terá de ser denunciado. Serão os repórteres esportivos que estarão vivendo isso na pele. Para os jornais nacionais, esta Copa do Mundo, repito, não ficará restrita a uma simples cobertura esportiva. Irá muito além. Ela será também uma Copa cidadã. No que diz respeito à mobilida- de, o sistema de trânsito rápido de ônibus (BRT, do inglês Bus Rapid Transit) e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) têm se mostrado, em quase todas as cidades, os modelos preferidos de transporte coletivo em ônibus. Belo Horizonte quer a construção de quatro BRTs; Brasília e Cuiabá, dois; Curitiba, três; Fortaleza e Manaus, um BRT cada uma. No Rio de Janeiro, o BRTTran- soeste, ligando a Barra da Tijuca a Santa Cruz e Campo Grande, vem correspondendo plenamente com ônibus biarticulados confortáveis e reduzindo pela metade o tempo de viagem para quem mora em uma ponta do sistema e trabalha na outra. Esse modelo de sistema é caracterizado por vias segrega- das para ônibus com embarques pré-pagos em estações fechadas. O corredor por onde ele circula consiste em faixas de rolamento preferenciais para ônibus. Ao mesmo tempo que mais carros se vão somando à frota, o número de automóveis nas ruas vai sendo re- duzido e vão diminuindo os pontos de engarrafamento. As obras do BRT Transcarioca (da Barra da Tijuca até a Ilha do Governador), outro compromisso do governo com a Fifa, estão tão adiantadas que poderão ser inau- guradas em maio próximo, com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Ele mexerá com a vida de mais de 400 mil pessoas diariamente. Isso porque o sis- tema seguirá pelo Campinho até ganhar outros bairros, entre eles Madureira, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Penha, Olaria e Ramos. A Transolímpi- ca é outro BRT com obras em andamento para ligar a Barra da Tijuca a Deodoro. O BRT faz parte do projeto da prefeitura do Rio, que quer integrá-lo a outros três, às linhas de trem e de metrô e ao VLT. BOA VONTADE 121
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    Triunfo edaBoaVontade doAmor Natal Permanente daLBV Mobilização solidária da LBV atende mais de 50 mil famílias em situação de vulnerabilidade social Wellington Carvalho de Souza 122 BOA VONTADE
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    A tradicional Campanha Natal Permanenteda LBV — Jesus, o Pão Nosso de cada dia! encerrou com sucesso um ano de trabalho solidário in- tenso. A iniciativa ajudou a pro- piciar um Natal sem fome e feliz a mais de 50 mil famílias brasi- leiras atendidas ao longo de 2013 pela Legião da Boa Vontade, por meio dos programas socioedu- cativos dela, e por organizações parceiras da Instituição. Graças à ajuda do povo, a LBV arrecadou e entregou mais de 900 toneladas de alimentos não perecíveis a pessoas de comunidades em si- tuação de vulnerabilidade social. O resultado de toda essa mobi- lização fraterna pode ser medido pelo nível de satisfação e de ale- gria sentidas pelos beneficiados. “O Natal será bem melhor para mim com esta cesta de alimentos, pois tenho a certeza de que ama- nhã terei um alimento em minha mesa”, ressaltou Juliana Reis, de Salvador/BA. A confiança nos serviços pres- Boa Vista/RR São Paulo/SP Guarulhos/SP Natal Permanente da LBVVivianR.FerreiraVivianR.FerreiraGabrielLucas 124 BOA VONTADE
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    São Paulo/SP —A partir da esquerda, os atores mirins da novela Chiquititas: Gabriel Santana, Lívia Inhudes, Giovanna Grigio, Raissa Chaddad e Filipe Cavalcante na entrega das cestas de alimentos a famílias atendidas pela Legião da Boa Vontade. Sorocaba/SP — Luiz Fernando Alves, presidente da Comissão Permanente da Fundação Rotária – Rotary Club de Sorocaba Art Nossa, participa da entrega das cestas de alimentos da Legião da Boa Vontade no interior paulista.  São Paulo/SP — A modelo Babi Rossi participa da ação solidária da LBV. São Paulo/SP — A partir da esquerda, os empresários Renato Marcelino e Sérgio Barbosa, da Tramppio Confecções; e o também empresário Cláudio Torck, da VMX 360 Tecnologia, parceiros da Campanha Natal Permanente da LBV, prestigiam a entrega de cestas de alimentos a famílias da capital paulista. Santos/SP — Maristela Bechara, assessora técnica do Fundo Social de Solidariedade de Santos, participa da entrega de cestas de alimentos representando a presidente do fundo Maria Ignez Pereira Barbosa. Ao seu lado, o radialista Jaime Cordeiro. Americana/SP — Reginaldo Tempesta, representante da Escola Abadá Capoeira, voluntário na ação da LBV. FelipeToninFelipeTonin FelipeToninJulianaMouraSérgioSerrano IzabelaLobianco BOA VONTADE 125
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    tados pela Legiãoda Boa Vontade e o reconhecimento da excelência deles são comumente manifes- tados por pessoas de todas as regiões brasileiras. Exemplo dis- so foi dado por Adriano Ávilla Pereira, que tem dois filhos par- ticipantes do programa da LBV Criança: Futuro no Presente! em Florianópolis/SC. Ele agradeceu a ajuda especial — representada pela entrega dos alimentos — e comentou: “Aqui é como se fosse a segunda casa de meus filhos. Eu sei que posso trabalhar tranqui- lo, pois aqui lhes são transmiti- dos ensinamentos e valores bons. Esse trabalho forma uma nova geração, que vai transformar o mundo para melhor. A cesta é só um complemento da ação maravi- lhosa que a LBV faz durante todo o ano. Nunca vi isso em nenhum outro lugar”. Esse mesmo sentimento é com- partilhado por Francisca Pinto de Oliveira, atendida no Centro Comunitário de Assistência So- cial da Legião da Boa Vontade Natal Permanente da LBV Campinas/SP Poços de Caldas/MG Nova Friburgo/RJ São José do Rio Preto/SP Niterói/RJ Sorocaba/SP São Sebastião do Paraíso/MG Belford Roxo/RJ São José dos Campos/SP EduardoSiqueiraPriscillaPetreca NatháliaValérioJoãoMiguel AnaPaulaRabello PriscillaAntunesSérgioSerrano GiovaniCarvalhoSouza MariaLuzia 126 BOA VONTADE
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    Campinas/SP — O radialista BillyRovaron, diretor artístico da Rádio Nova Sertaneja FM (de Jaguariúna), prestigiou a entrega das cestas de alimentos da LBV. Campinas/SP — Silnéia Oliveira, Diretora da ITV Mídia Digital, prestigia a cerimônia da Campanha Natal Permanente da LBV. Bauru/SP — Cristina Ramos (E), diretora do Jornal Zona Leste News, participa da entrega das cestas de alimentos arrecadados pela campanha da LBV. Presidente Prudente/SP — A senhora Prudentina recebe das mãos do empresário Guilherme Florez e da psicóloga da Instituição Nancy Ribeiro cesta de alimentos da LBV. Sorocaba/SP — Cidinha Ataíde, assessora técnica da Secretaria de Desenvolvimento Social, durante a entrega das cestas de alimentos da LBV. Bauru/SP — Lisandra Gastaldo Lopes, coordenadora do programa Mesa Brasil Sesc, entrega cesta de alimentos da LBV à atendida Nilza Pereira. Franca/SP — “Parabéns a todos pelo belíssimo trabalho. Eu adoro a LBV e o convite para participar dessa importante solenidade foi um grande presente para mim”, destaca Ricardo Felício, locutor da Rádio Vida Nova FM. Maringá/PR CésarFariaThiagoFerreira CésarFaria CésarFaria MoisésAlbertoMoisésAlberto LuizAntônioTardivo PauloAraújo BOA VONTADE 127
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    em Teresina/PI. Paraela, a Ins- tituição cuida das famílias, pois não só sacia a fome, mas também investe na educação das crianças e, consequentemente, no futuro do Brasil. “A LBV colabora na educação do meu filho. Ele aprendeu muita coisa aqui. Ele gosta de participar das ativida- des, do futebol, do coral (...) Esta cesta é muito importante, mas o alimento sem educação não leva a gente para a frente. E a LBV dá educação, apoio, carinho... A LBV é importante para todas as mães (...). Aqui é a minha casa”, frisou. Foi acompanhada nesse ponto de vista por sua con- terrânea Mara Célia Siqueira Peruci, que destacou o socorro proporcionado pela campanha. “Esta cesta foi uma bênção. Quem diria que ganharíamos um presente desses? A LBV está ajudando muita gente. Que ela continue a fazer isso por muitos anos!”, afirmou. Na capital paranaense, o au- xílio igualmente chegou em boa Belo Horizonte/MG — Elizabete de Fátima da Silva Torres (de blusa vermelha), representante dos Supermercados BH, entrega cesta de alimentos a uma das famílias atendidas pela Entidade. Ao seu lado, Ronei Ribeiro, da LBV. Belo Horizonte/MG — Claudilene Bering Bastos, coordenadora do Mesa Brasil Sesc Minas Gerais, e Ronei Ribeiro, da LBV, entregam cesta de alimentos para atendida pela Legião da Boa Vontade. Natal Permanente da LBV Cachoeiro de Itapemirim/ES Ipatinga/MG EdisonGeraldo EdisonGeraldo Belo Horizonte/MG ÉdisonGeraldoMarcianiNeves ÁlidaSantos 128 BOA VONTADE
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    João Pessoa/PB— Oatore humorista MárcioTadeu participada entregade cestasàsfamílias atendidaspela LBVnacidade. Salvador/BA — ACampanha do Natal Permanente contou com o apoio do representante da Coelba, Júlio Salazar. Ele também foi homenageado por meninos e meninas atendidos pela Instituição. Aracaju/SE — A TV Sergipe (afiliada da Rede Globo) fez a cobertura da solenidade de entrega das cestas e da inauguração da quadra poliesportiva da LBV na capital sergipana. João Pessoa/PB Caruaru/PE Salvador/BA JeanCarlos TatianeOliveiraTatianeOliveiraJeanCarlos TatianeOliveiraVâniaBesse BOA VONTADE 129
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    Natal Permanente daLBV hora, tendo sido um verdadeiro alento para Nercinda. “Eu não tinha nada na minha casa. Achei que ia passar um Natal sem ter o que comer e, graças à LBV, terei um fim de ano melhor”, revelou, emocionada. A iniciativa solidária encheu de esperança em dias melhores o coração dos atendidos. “Como é bom ver que ainda há pessoas que se dispõem a realizar ações em benefício dos que realmente precisam! A LBV está de para- béns”, disse Mariana Siqueira, de Ribeirão Preto/SP. Já na capital sergipana, as fa- mílias, além de receberem cestas de alimentos, participaram da inauguração da quadra polies- portiva do Centro Comunitário de Assistência Social da LBV na cidade. A abertura do espaço con- cluiu a etapa final de construção das novas instalações dessa uni- dade de atendimento — inaugu- rada no início de 2013, no Bairro Industrial — e foi destaque em veículos da mídia brasileira, en- tre os quais o Portal G1 e o site Infonet. A TV Sergipe (afiliada da Rede Globo) e o Jornal da Ci- dade também cobriram o evento. Na ocasião, João Batista Santos, pai de cinco crianças atendidas pela Legião da Boa Vontade, salientou a importân- cia do trabalho que a Instituição empreende durante todo o ano. “É surpreendente como os filhos estão mais calmos e educados. Agora, posso procurar empre- go, pois meus meninos ficam na LBV, aprendendo arte, música e outras atividades que contribuem Brasília/DF Inhumas/GO Cabo Frio/RJ Goiânia/GO Natal/RN Montes Claros/MG Itabuna/BA JoséGonçaloEgezielCarlosNatháliaValério RafaelMendesJeanCarlosTatianeOliveira LeillaTonin 130 BOA VONTADE
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    Belém/PA — Aassistente social Sinara Sichanon, do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), à direita, prestigia a entrega das cestas. Ao seu lado, uma das atendidas pela Campanha e Ilton Ferreira Martins, da LBV. Recife/PE — Feliz por ajudar na entrega das cestas de alimentos, Jaciara Arruda, vice-presidente do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) do Recife, destaca: “Nesta cesta, além do alimento material, as famílias levam o alimento espiritual que é o mais importante. A LBV está de parabéns por assegurar ao longo do ano os Direitos Humanos de seus assistidos”. Recife/PE — Thelmo Santiago, vocalista do Grupo Sem Razão, participa da entrega de cestas. “Estou muito feliz em estar com a LBV, desejo muita Paz e sucesso e que venham mais 64 anos de trabalho. Parabéns, LBV.” Teresina/PI Manaus/AM Maria do Socorro Leão BrunaGonçalvesAnaPaulaFrancinete BrunaGonçalves GilFarias BOA VONTADE 131
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    para uma vidamelhor. Receber esta cesta é muito importante, principalmente quando nossa situação financeira está lá em- baixo. E, de repente, chega uma ceia para compartilharmos com nossa família. Agradeço a todos os que colaboram para a LBV”, declarou. Cabe mencionar que o projeto da quadra tem por objetivo aten- der à necessidade de se oferecer um local apropriado para a práti- ca esportiva, visto que faz parte da estratégia da LBV utilizar o esporte como ferramenta de educação e de inclusão social ao trabalhar com a garotada impor- tantes valores para a convivência em sociedade, entre os quais o espírito fraterno, o companhei- rismo, o respeito, a disciplina e a responsabilidade. Além da quadra propriamente dita, o recinto dispõe de arqui- bancada para 200 pessoas e co- bertura, o que possibilitará o uso dela mesmo em dias de sol forte ou de chuva. Ali, as meninas e “Esta cesta veio em boa hora, pois estou desempregada e conto com a LBV para reerguer minha vida. A Legião da Boa Vontade está sempre disposta a ajudar a quem precisa.” Marcele Helena de Souza Atendida pela LBV no Rio de Janeiro/RJ Natal Permanente da LBV Ananindeua/PA Rio de Janeiro/RJ Recife/PE Vale do Jequitinhonha/MG LilianeCardosoLilianeCardoso LilianeCardoso StellaSouza 132 BOA VONTADE
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    Dourados/MS — AnicetoVelasques, líder indígena e representante da Aldeia Bororó, participa da entrega das cestas de alimentos. Campo Grande/MS — O jornalista Thobias Bambil (C) prestigia a iniciativa solidária da LBV com duas amigas (D). “A LBV é uma das Instituições mais respeitadas aqui em Mato Grosso do Sul”, destaca o jornalista. Campo Grande/MS — A jornalista Cristina Gomes, do site A Tribuna News, durante a entrega de cestas de alimentos a famílias campo-grandenses. A seu lado, Joílson Nogueira (E) e Genivaldo Marquiza, ambos da LBV. Campo Grande/MS — Com bebê pequeno, atendida pela LBV recebe a cesta de alimentos das mãos da dupla sertaneja Alex e Yvan, voluntários na mobilização solidária da Instituição. São Luís/MAAnápolis/GO AnaliceBarceláGenivaldoMarquizaJoãoPreda KássiaBernardeAnaliceBarcelá AnaliceBarcelá BOA VONTADE 133
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    os meninos atendidospela LBV poderão praticar futsal, vôlei, basquete e handebol e realizar atividades de lazer. Voluntariado e expansão da fraternidade A participação de diversos amigos, voluntários e parceiros da Instituição fez a diferença em mais esta edição da campanha. Em prol do sucesso da iniciati- va, muitas pessoas dedicaram tempo e empenho para ajudar na entrega dos alimentos, entre elas Guilherme Estefani Pereira, de Mogi das Cruzes/SP. “Ano passado estive pela primeira vez neste ambiente lindo. A partir daí, apaixonei-me pela LBV. Hoje estou aqui novamente”, contou. No Rio de Janeiro/RJ, o em- Natal Permanente da LBV Porto Alegre/RS Curitiba/PR Glorinha/RS Passo Fundo/RS São José/SC Paranaíba/MS LilianeCardoso PabloLima ViníciusRamãoLilianeCardoso FabíolaBigasTelmaCarilei 134 BOA VONTADE
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    Porto Alegre/RS —Wisconsin Wilton Soares Martins, gerente administrativo da empresa Locall de Cinema e Televisão e sua esposa, Abegair dos Santos, prestigiam a Campanha Natal Permanente da LBV — Jesus, o Pão Nosso de cada dia! PortoAlegre/RS—GlautoMelo, superintendentedaConabnoRioGrande doSul,participadaentregadascestasde alimentosafamíliasdePortoAlegre. Florianópolis/SC — O superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Sione Lauro de Souza (E), representando a companhia, uma das parceiras da LBV nesta campanha, prestigia a entrega de cestas de alimentos. “A LBV tem ações concretas, basta ver o sorriso destas pessoas. Que vocês continuem com essa trajetória de coerência e de firmeza em busca dos objetivos que se propõem”, disse. Criciúma/SC — A equipe do programa Litoral Sul Notícias, da TV Litoral Sul de Criciúma (Net), conferiu a alegria das famílias atendidas pela LBV durante a entrega das cestas de alimentos. Londrina/PR — Diversos parceiros e amigos de Boa Vontade participaram da ação solidária da LBV, a exemplo da sra. Mildred dos Santos Galvão Bueno, presidente da Associação Beneficente Galvão Bueno e do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Criciúma/SC Joinville/SC LilianeCardosoFabíolaBigas LilianeCardoso LucasMorello JulianaBortolinFabíolaBigasDerliFrancisco São Paulo/SP VivianR.Ferreira BOA VONTADE 135
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    presário Paulo Munhoz,depois de testemunhar o contentamento de quem recebia o apoio da Le- gião da Boa Vontade, afirmou: “Eu fico muito feliz por partici- par deste momento. É uma satis- fação ver um trabalho de tanta grandiosidade. A LBV tem uma energia muito boa”. Quem também esteve pre- sente ao evento na capital flu- minense foi o major Ivan Blaz, comandante da 1a Companhia Independente de Polícia Militar (1ª CIPM), que enfatizou a rele- vância da campanha para a valo- rização da vida dos beneficiados e comentou o laço colaborativo entre as duas organizações: “A LBV traz o alimento não só para o corpo, mas também para o Natal Permanente da LBV Campina Grande/PB Petrópolis/RJ Araguari/MG Belém/PA Araraquara/SP Americana/SP Campo Grande/MS Franca/SP Patos de Minas/MG JeanCarlosNatháliaValérioLedilaineSantanaAnaPaulaFrancinete AnaliceBarceláVanessaFazolin SimôniaMendes IzabelaLobiancoLuizAntônioTardivo 136 BOA VONTADE
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    Espírito desta população,e isso é muito importante. Não tem como a gente ficar de fora. Há muito tempo a Polícia Militar tem essa parceria com a LBV, e isso é fantástico para nós, muito gratificante.” Para a presidente da Associa- ção Beneficente Galvão Bueno e do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), Mildred dos Santos Galvão Bueno, é evidente o poder da Solidarieda- de. Durante a entrega das cestas em Londrina/PR, a amiga de Boa Vontade e mãe do apresen- tador e comentarista esportivo Galvão Bueno recordou-se do primeiro contato que teve com a Instituição. “Conheço a LBV desde o princípio. Há 64 anos*, “Esta cesta significa, além do alimento na mesa, a Esperança, a Paz e o Amor. A Legião da Boa Vontade olha realmente para o ser humano. Só tenho a agradecer por este presente.” Maria Gorete Nunes dos Santos Atendida pela Instituição em Criciúma/SC. Araxá/MG Vitória/ES Uberaba/MG Araraquara/SP Juiz de Fora/MG Porto Velho/RO Bauru/SP VivianeSouzaFlammarionCampos MoisésAlberto EduardoSiqueira SueliCorsini AndréRodrigues SilvanoMarques BOA VONTADE 137
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    foi exatamente quandocomeçou. Eu trabalhava na Rádio Tupi, e o [Alziro] Zarur era locutor.” Ela ainda aproveitou a ocasião para parabenizar a Legião da Boa Vontade pelo crescimento ao longo dessas mais de seis décadas de existência. “É um trabalho que eu admiro muitíssimo. (...) Meu Deus do Céu, olha onde eu estou, o que estou vendo! Isso é maravilhoso! (...) Quantos anos passados! E eu presenciei o início disso, a alegria do Zarur, a felicidade dele. Tudo isso eu acompanhei e agora vejo que é um sucesso. Realmente, foi uma realização maravilhosa. Estou encantada!”, declarou. Em suas palavras finais, deixou a seguinte mensagem fraterna ao diretor- -presidente da LBV, José de Paiva Netto: “Parabéns, felicidades e continue com o sucesso grande da LBV! Que Deus o abençoe agora e sempre!”. “Eu não tinha nada na minha casa. Achei que ia passar um Natal sem ter o que comer e, graças à LBV, terei um fim de ano melhor.” Nercinda Atendida pela LBV em Curitiba/PR * A Legião da Boa Vontade foi criada ofi- cialmente em 1o de janeiro de 1950 (Dia da Confraternização Universal), no Rio de Janeiro/RJ, pelo jornalista, radialista e poe- ta Alziro Zarur (1914-1979). Natal Permanente da LBV Florianópolis/SC Santos/SP Presidente Prudente/SP Dourados/MS Uberlândia/MG Piracicaba/SP LucasMorelloJulianaMoura ThiagoFerreira GenivaldoMarquiza LedilaineSantana ManoelAfonso 138 BOA VONTADE
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    PORTUGAL Em dezembro de2013, a Legião da Boa Vontade de Portugal beneficiou, de norte a sul desse país irmão, mais de mil famílias em estado de risco social por meio da campanha Natal da LBV — Solidariedade sem Fronteiras. A iniciativa, que envolveu indivíduos, empresas e voluntários da Instituição, teve início em Coimbra e seguiu para as cidades de Braga, Porto e Lisboa. Igualmente, é importante destacar a generosa doação da 56a edição do Natal dos Hospitais, uma tradição da TV portuguesa RTP1, entregue unidade de atendimento da LBV no Porto. A ação é resultado de uma parceria da emissora de televisão com o Diário de Notícias e com as empresas LIDL e Philips. PARAGUAI A LBV do Paraguai arrecadou 8 mil quilos de alimentos não perecíveis, entregues a 500 famílias atendidas durante o ano de 2013 pelos programas socioeducacionais da Instituição. Os beneficiados pela Campanha do Natal Permanente participaram também de palestras educativas, pois ao lado do amparo material, há também a preocupação de ensinar o cidadão a desenvolver o próprio potencial e habilidades, a fim de que possa assegurar o sustento pessoal. BOLÍVIA Em dezembro de 2013, a Campanha Natal Solidário — Jesus, o Pão Nosso de Cada Dia, da LBV da Bolívia, entregou 330 cestas de alimentos para famílias de baixa renda das cidades de El Alto e Santa Cruz de La Sierra. MarcoSemblano AndreaVarelaAndreaVarela ArquivoBV BOA VONTADE 139
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    DanielTrevisan Walter Periotto é jornalista. Foi representante daLBV dos Estados Unidos da América, na década de 1980. população idosa em diversos de seus Centros Comunitários de Assistência Social, localizados em dezenas de cidades do país (veja os endereços no site www. lbv.org). Em especial, gostaria de falar do trabalho desenvolvido por meio do programa Vida Plena, pelo fato de este restabelecer e fortale- cer vín­culos sociais tão preciosos nesta fase de nossa existência. A iniciativa é destinada a indivíduos com mais de 60 anos e reúne pro- fissionais voluntários de diferentes Programa socioassistencial da LBV fortalece vínculos afetivos na família áreas, que, mediante palestras, cursos e oficinas, orientam os participantes a buscar o envelhe- cimento ativo e saudável. Além disso, a Instituição realiza ações culturais e de lazer que colaboram para o exercício da cidadania e para maior inserção comunitária dos atendidos. Iara Pereira, assistente social da LBV em São Paulo/SP, explica assim a atuação da Obra em prol da Melhor Idade: “Nós transmitimos aos idosos a importância de eles se Vida Plena Walter Periotto | Especial para a BOA VONTADE A Legião da Boa Vontade promove há várias déca- das, de maneira ininter- rupta, atividades gratuitas para a MônicaMendes Melhor Idade Belo Horizonte/MG 140 BOA VONTADE
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    manterem ativos ede terem amigos, sejaaqui,sejaemoutrosgruposque possam frequentar. A vida de um idoso dentro de casa fica muito li- mitada. Ele não se movimenta, não interage com ninguém e fatalmente vai adoecer, física e/ou emocional- mente”. Para a profissional, fazer parte do grupo ajuda-os a ser mais independentes, por aproximá-los de outras pessoas da mesma faixa etária. “Éinteressanteovínculoque formam. Isso faz com que amizades sejam criadas e experiências sejam trocadas. O grupo é muito rico; ele se alimenta dessa troca”, ressalta. Como todas as atividades do programa são planejadas a fim de que cada participante supere os próprios desafios e dificuldades, o resultado dessas práticas tem sido bastante positivo. Por intermédio delas, a LBVvem conseguindo res- gatar aquilo que muitos costumam julgar perdido: a felicidade por poder aproveitar esse importante perío­do da vida com saúde e dis- posição. Prova disso é Rosângela da Conceição, que encontrou no Centro Comunitário deAssistência Social da Instituição em Belo Ho- rizonte/MG o apoio de que necessi- tava. Ela destaca: “Cada abraço e cada bom-dia ao abrirem o portão para mim foram uma bênção de Deus. (...) Tenho comentado por onde passo que aqui é uma bênção, umapaz nomeucoração,umatran- quilidade muito grande”. Ela é acompanhada nessa sensa- 8h45 Abertura Solene DR. MARCOS BIASIOLI Primeiro Painel - A Contabilidade Social e a Auditoria do Terceiro Setor 9h00 Contabilidade Social MARCELO GONÇALVES 9h30 Auditoria do Terceiro Setor DEMETRIO COKINOS Segundo Painel - A Prestação de Contas do Terceiro Setor aos Órgãos Públicos 10h00Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previden- ciárias e Trabalhistas (eSocial) – A nova plataforma do SPED – tam- bém aplicável ao Terceiro Setor DANIEL BELMIRO FONTES 10h30 Coffee-break 11h00eSocial – Governança e Com- plaince ABDIAS MELO Terceiro Painel - Direito do Terceiro Setor 11h30 As Relações do Ministério Público com as Organizações do Terceiro Setor e as Peculiaridades das Prestações de Contas AIRTON GRAZZIOLI 12h00 Debates do Primeiro, Segundo e Tercei- ro (parte) Painéis – com os palestrantes presentes na mesa diretora Coordenador da Mesa: EDENO TEODORO TOSTES 12h30Intervalo para Almoço 13h30CEBAS da Assistência Social ALESSANDRA LOPES GADIOLI Direito do Terceiro Setor 14h00CEBAS da SAÚDE CLEUSA RODRIGUES DA SILVEIRA BERNARDO 14h30CEBAS da EDUCAÇÃO ENEIDA CARDOSO DE BRITTO CORRÊA 15h00Temas Polêmicos da Assistência So- cial MARCOS BIASIOLI 15h30 Debates dos assuntos tratados no 3º Painel (tarde), com os palestrantes dis- poníveis e presentes na mesa diretora. Coordenador da Mesa: MARCOS BIASIOLI 16h00Coffee-break Quarto Painel Mobilização de Recursos em prol do Terceiro Setor 16h30Doações sociais de pessoas de alto poder aquisitivo MARCOS FLÁVIO CORRÊA AZZI 17h00Tecnologia Social para Impacto de Larga Escala e Criação de Valor Compartilhado - Case “Coletivo Coca-Cola” DANIELA REDONDO 17h30Gestão de Recursos no Mercado Capitais como fonte de sustentabili- dade do Terceiro Setor EDIGIMAR ANTONIO MAXIMILIANO JUNIOR 18h00– Debates do Terceiro (parte) e Quarto Painéis – com os palestrantes presentes na mesa diretora MODERADORA: SILVIA MARIA LOUZÃ NACCACHE 18h30Encerramento pelo Coordenador Geral Congresso Brasileiro do 3o Setor CongressoCongresso do 3do 3 Realização: Inscreva-se Já www.economica.com.brInscreva-se Já www.economica.com.br MDS MS Direito | Auditoria | Contabilidade | CaptaçãodeRecursos 23 de maio de 2014 | Hotel Tivoli Mofarrej | Alameda Santos, 1.437 • São Paulo|SP • Brasil Realização ApoiadoresPatrocínio Expositores economica.com.br ção por Luci deAraújo, também da capital mineira. “Na LBV, sentimo- -nos em casa, esquecemos os pro- blemas; eles ficam menores. Antes, eu ficava só deitada, com depressão. Aí,passeiafrequentar[aunidadeda Instituição] e gostei muito. Hoje, eu me sinto feliz, sou uma pessoa mais tranquila. Nos dias de vir para cá, fico muito satisfeita, porque sei que vouterumdiamaravilhoso”,declara. Por isso, não fique aí parado(a)! Movimente-se! Procure sempre oportunidades de estar bem e em paz consigo mesmo(a), com os de- mais e até com o Universo! Isso faz toda a diferença. Consoante afirma odiretor-presidentedaLBV,Joséde Paiva Netto: “Jovem é aquele que não perdeu o ideal no Bem”.
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    pelomesmoideal Unidos Movimento jovem ecumênicoda LBV na luta pela igualdade de gênero Patricia Maria Nonnemacher Vivian R. Ferreira Ação Jovem LBV 142 BOA VONTADE
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    A inda bem jovem,tomei conhecimento de um pensa- mento do diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto, constante de artigo publicado em centenas de jornais, revistas e sites, do Brasil e no ex- terior.Assim escreveu o jornalista: “(...) O papel da mulher é tão importante, que, mesmo com todas as obstruções da cultura machista, nenhuma organização que queira sobreviver — seja ela religiosa, política, filosófica, científica, em- presarial ou familiar — pode abrir mão de seu apoio. Ora, a mulher, bafejada pelo Sopro Divino, é a Alma de tudo, é a Alma da Huma- nidade, é a boa raiz, a base das civilizações. Ai de nós, os homens, se não fossem as mulheres escla- recidas, inspiradas, iluminadas!”. Essa mensagem faz parte do artigo “A Mulher no ConSerto das Na- ções”, levado à ONU, em diversos idiomas, em 2005. Pensei bastante sobre o sig- nificado dessas palavras e seu alcance... Outra questão também bateu bem forte e me deixou intrigada: por que o dirigente da LBV ainda precisava dizer aquilo, se estávamos em uma sociedade livre e as mulheres já possuíam seus direitos assegurados por lei? Foi então que comecei a analisar o que estava à minha volta. Percebi que, de fato, as diferenças no trato com a mulher e a desvalorização feminina no corpo social e familiar eram grandes e, o pior, em muitos casos permaneciam veladas. Um detalhe importante: não poderia dizer que a maioria das pessoas que assim agiam o fazia racionalmente, todavia, de forma automática, ape- nas reproduziam o modelo de uma cultura sexista. Reeducando Diante disso tudo, eu me per- guntava como alcançaríamos uma mudança realmente efetiva. Hoje, vemos a formulação de novas leis, tratados, e a disposição de órgãos públicos e privados empenhados em garantir direitos às mulheres, no caminho da igualdade de gêne- ro. Então, por que com todas essas iniciativas as transformações são lentas? Em tese, todos não querem o melhor? Para responder a tais questões, precisamos lembrar que falamos de costumes, de herança cultural. Cada indivíduo recebe esse legado e aprende o que é “certo e errado”. Quando criança, é ensinada a ela a maneira apropriada de pensar e agir, inicialmente, dentro do grupo social que a acolhe e com o qual interage desde o nascimento, a família. Assim, multiplicam-se as condutas que caracterizam a desi- gualdade de gênero, pelo menos até que haja conscientização do problema e, consequentemente, mudanças de atitude. O que é ab- PriscillaAntunes Patricia Maria Nonnemacher é graduanda em Ciências Sociais e integrante da Juventude Ecumênica Militante da Boa Vontade, no Rio de Janeiro/RJ. surdo para a maioria das famílias, isoladas ou não, pode perpetuar- -se por muitos anos em alguns lares. A exemplo de uma criança que sofre maus-tratos e abuso por parte do pai ou padrasto e o fato é “negligenciado” pela mãe, receosa do desdobramento da situação ao denunciar o agressor. Esse e outros casos similares põem em risco me- ninas e meninos, indefesos mate- rial, psicológica e espiritualmente, e os deixam à mercê do autor da violência. Pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo (USP), em 2010, mostrou que pessoas que sofrem agressão na infância tendem a adotar com- portamento violento para solucio- nar conflitos na fase adulta. Além do que deve ser feito no campo legal e/ou ético, é preciso que haja a reeducação geral do ser humano, conforme defende Paiva Netto em seu livro É Urgente Reeducar!: “No ensino reside a grande meta a ser atingida, já! E vamos mais longe: ‘Somente a Reeducação, até mesmo dos edu- Acredito muito na união de esforços em prol de uma sociedade capaz de verdadeiramente garantir direitos iguais para todos, sem preconceitos ou sexismo. BOA VONTADE 143
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    cipar da JuventudeEcumênica Militante da Boa Vontade, um movimento inovador nascido na LBV, que nos incentiva a ser protagonistas de nosso tempo. Ou seja, aprendemos a ocupar um espaço no meio social em que vivemos, cientes de que podemos influenciar na melhoria dele, sem- pre tendo em mente os ensinos universais de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, que disse: “Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. (...) Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos” (Evangelho de Jesus, se- gundo João, 13:34 e 15:13). Entre as muitas ações desen- volvidas pelos Jovens Legio- nários, destaco duas que têm ajudado no cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento Ação Jovem LBV violência. No Brasil, tal processo vem ocorrendo com o aumento de denúncias por parte das mulheres que, de forma corajosa, fazem valer seus direitos, amparadas pela Lei Maria da Penha. Na LBV, aprendemos que uma sociedade melhor, mais justa e feliz se cons- trói com a participação de todos, no zelo pelo bem-estar coletivo, no apoio a vítimas de agressão etc. Enfim, é fundamental auxiliar fraternalmente os que estão fragi- lizados espiritual, psicológica ou materialmente. Há 27 anos... Acredito muito na união de esforços em prol de uma socie- dade capaz de verdadeiramente garantir direitos iguais para todos, sem preconceitos ou sexismo. Tenho a oportunidade de parti- cadores’, como preconizava Alziro Zarur (1914-1979), pode garantir- -nos tempos de prosperidade e harmonia. É urgente reeducar-se para poder reeducar”. Na mesma obra, continua o escritor, no subtítulo “Miséria não é o destino do ser humano”: “(...) O que a LBV propõe é um extenso programa de Reeduca- ção. E é o que vimos realizando dentro de nossas possibilidades, procurando despertar o interesse de tantos idea­listas, que, como nós, não acreditam na fatalidade de destinos permanentemente condenados à desgraça, por ques- tões sociais, políticas, religiosas, étnicas... Além disso, nada se cons- trói firmado em recalques”. (...) E essa transformação fortalece as vítimas e pode levá-las a se livrar, sem culpa, do ambiente de Salvador/BA Jovens de Boa Vontade realizam passeata em favor da preservação do meio ambiente. TatianeOliveira 144 BOA VONTADE
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    do Milênio (ODM).Primeiro, o trabalho de conscientização pelo fim do preconceito contra os portadores do vírus HIV/aids, inclusive, com mobilização inter- nacional no Dia Mundial de Luta contra a Aids (1o de dezembro). Nessa data, nossas atividades têm como referência a mensagem da LBV “Aids — O vírus do precon- ceito agride mais que a doença”. Segundo, a realização de uma série de atividades em defesa da preservação do meio ambiente, incluindo-se debates, palestras e passeatas. Aliás, a busca de equilíbrio entre proteção ambien- tal e progresso socioeconômico motivou também a mocidade da LBV a dedicar o 33o Fórum Inter- nacional do Jovem Militante da Boa Vontade ao tema, por meio de ações socioeducativas em todo o Brasil e no exterior, sob o brado permanente: “Educar. Preservar. Sobreviver. Humanamente tam- bém somos Natureza”. Por tudo isso, considero rele- vante para o nosso planeta disse- minar exemplos de voluntariado, como se faz na Legião da Boa Von­tade. É uma maneira de em- polgar milhões de jovens pelo mundo, transformando essa gente nova, naturalmente idealista, em importante instrumento de promo- ção do próximo conjunto de metas globais: os Objetivos de Desenvol- vimento Sustentável (ODS). Por fim, vale aqui citar a palavra do dirigente da LBV, proferida há 27 anos, acerca do valor de aban- donarmos, em definitivo, as barrei- ras sexistas, que ainda prejudicam a evolução da Humanidade: Peça da campanha da LBV, que repercutiu na internet em sete idiomas, com o pensamentodePaivaNetto:“Aids— Ovírusdopreconceitoagridemaisqueadoença”. “Pelo nosso prisma, a mulher tem direito a ser Presidente da República, condutora de religiões, capitã de indústria, de aviões e navios transatlânticos; tem direito de ser médica, engenheira, profes- sora... No trabalho, há um justo conceito de valor entre homens e mulheres: o da competência. Então, os sexos nisto estarão har- monizados. Que brilhe o homem, que brilhe a mulher, conforme a competência de cada um. Isto não quer dizer que homens e mulheres são totalmente iguais. Aí está pelo menos, de início, a anatomia para desmentir. O que quero dizer é que não se devem sustentar an- tigas barreiras e levantar novas, firmadas em tabus, preconceitos e interesses espúrios para impedir maior influência da Mulher sobre o destino do mundo. Homem e mulher dependem um do outro. Completam-se”. (Trecho extraído do livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Von­tade, pu- blicado em 1987.) BOA VONTADE 145
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    DanielTrevisan Adriane Schirmer, professora. Adriane Schirmer |Especial para a BOA VONTADE C om o novo Acordo Ortográ- fico, a maioria dos acentos diferenciais foi abolida, mas permanecem em casos como estes: Pôr e por Pôr é verbo e por é preposição. Exemplo:Voupôrocadernonamesa feita por você. Pôde e pode Pôde é a forma do passado do verbo “poder” no pretérito perfeito do indicativo, na terceira pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, também na terceira pessoa do singular. Vamos aos exemplos: “Ontem, ela não pôde atender à solicitação, mas hoje ela pode”. “A famosa poetisa goiana Cora Coralina (1889-1985), doceira de Aprendendo Português profissão,sórecebeuensinoprimário e publicou seu primeiro livro aos 75 anos. Trouxe à luz quatro filhos e pôde belamente salientar: ‘Tens o dom divino de ser mãe. Em ti está presente a Humanidade’” (Paiva Netto, em Jesus, o Profeta Divino). Nãousamosmaisoacentoagudo ou circunflexo para diferenciar pala- vras como pára (verbo “parar”) de para(preposição);pêlo(substantivo) depelo(combinaçãodepermaislo). É facultativo o uso do acento circunflexo no substantivo fôrma/ forma (caso de dupla grafia) para diferenciá-lo da palavra forma. Em alguns casos, o uso do acento deixa afrasemaisclara,comonesteexem- plo: “A forma de preparo desse pudim pede fôrma especial”. Ainda sobre a reforma ortográ- fica vigente, vale lembrar que o antigo acento de “eu apoio” (que hoje se escreve sem acento) não era um acento diferencial, mas há quemimaginequesim,queoacento em apóio servia para distinguir o verbo do substantivo. Esse acento deixou de ser usado como todos os ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas, independentemente de haver homônimo. Então, reforçan- do: tanto a forma verbal (apoio) como o substantivo (apoio), que é sinônimo de auxílio, amparo, ajuda, não têm acento. Enfim, o acento diferencial é imprescindível em certas palavras, pois evita ambiguidades. Sugestões e temas a serem abor- dados e dúvidas são bem-vindas. Se você as tiver, encaminhe-as para a Redação desta revista (veja o ende- reço na p. 6.) Bom estudo e até a próxima! Acento diferencial pára (O tempo não pára.) para (O tempo não para.) Como era Como ficou pólo (TBV — pólo mundial de Solidariedade Ecumênica.) polo (TBV – polo mundial de Solidariedade Ecumênica.) pêlo (O pêlo daquele cachorro é sedoso.) pelo (O pelo daquele cachorro é sedoso.) pêra (Coma uma pêra.) pera (Coma uma pera.) 146 BOA VONTADE
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    SUSTENTABILIDADE. Este é umdos nossos valores. A Celpe, empresa do Grupo Neoenergia, trabalha para fornecer energia elétrica com qualidade e confiabilidade. É por isso que a concessionária investe cada vez mais em tecnologias inovadoras e sustentáveis. A construção de usinas solares, em São Lourenço da Mata e na Ilha de Fernando de Noronha, o desenvolvimento do Projeto de Redes Elétricas Inteligentes e dos programas Vale Luz, Nova Geladeira e Energia Verde são apenas alguns exemplos de uma gestão orientada para a sustentabilidade em todos os seus processos. Iniciativas como essas contribuem para o crescimento econômico do Estado, gerando desenvolvimento com qualidade de vida e preservação do meio ambiente para as futuras gerações.