A Legião da Boa Vontade apresenta recomendações de boas práticas aos participantes da 60a
sessão da
Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos, de 14 a
24 de março de 2016. A LBV é uma organização da sociedade civil brasileira com status consultivo geral no
Conselho Econômico e Social (Ecosoc) das Nações Unidas, desde 1999. 66anos
www.boavontade.com PAIVA NETTO escreve “Caridade e estratégia” e destaca:
“A Caridade, aliada à Justiça, é o combustível das transformações profundas.
Sua ação é sutil, mas eficaz”. (Leia a íntegra na p. 4.)
Appgratuito
darevista
BOAVONTADE
Presidente da 60a
sessão da
Comissão sobre a Situação da
Mulher da ONU,o embaixador
Antonio Patriota fala sobre
a importância feminina na
implementação da Agenda
2030.
O trabalho da Legião da Boa Vontade
para a formação de meninas e
mulheres de todas as idades para
se tornarem protagonistas nas
comunidades onde vivem
ENTREVISTA EXCLUSIVA
AGENTES DA
TRANSFORMAÇÃO
EDIÇÃO COMEMORATIVA DE 24/2/2016, NOS
IDIOMAS ESPANHOL, FRANCÊS, INGLÊS E
PORTUGUÊS.
Revista apolítica
e apartidária de
Espiritualidade Ecumênica
BOA VONTADE Mulher é uma publicação da LBV,
lançada pela Editora Elevação. Registrada sob o no
18.166 no livro “B” do 9o
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e Documentos de São Paulo.
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Camilla Custódio, Cida Linares, Daniel Guimarães, Eduarda Pereira, Felipe Duarte, Gabriela Marinho, Giovanna Pinheiro,
Jéssica Botelho, Josué Bertolin, Laura Leone, Leila Marco, Letícia Rio, Lísia Peres, Luci Teixeira, Marcos Antonio Franchi,
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Moreno, Silvia Fernanda Bovino, Valéria Nagy, Walter Periotto e Wanderly Albieri Baptista.
CAPA: Helen Winkler / FOTO DE CAPA: Leilla Tonin
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IMPRESSÃO: Mundial Gráfica
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A revista BOA VONTADE Mulher não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação
obedece ao elevado propósito de fomentar o debate dos assuntos de interesse global e de fazer refletir sobre as tendências
do pensamento contemporâneo.
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Declaração da LBV para a 60a
sessão da
Comissão sobre a Situação da Mulher
70 ANOS DAS NAÇÕES UNIDAS
História de lutas e conquistas
ENTREVISTA
Embaixador Antonio Patriota, presidente da
60a
sessão da Comissão sobre a Situação da
Mulher da ONU.
MENSAGEM
DE PAIVA
NETTO
Caridade e
estratégia
16 3810
4
SUMÁRIO
42	 OPINIÃO – EDUCAÇÃO
por Suelí Periotto
Empoderamento da mulher mãe
46	 PROTAGONISMO SOCIAL
Reescrevendo o destino
52	 REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA
Liderança comunitária feminina	
56	 NOVAS OPORTUNIDADES
Adaptação e acolhimento
60	 VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Hora de recomeçar
64	 AÇÃO JOVEM LBV
por Regina do Nascimento Silva
Escola da minha vida
BOA VONTADE Mulher 3
CanindéSoares
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
JoãoPreda
Caridade
e estratégia
sos e enfermos, e do trabalho e da renda delas
dependem a educação, a saúde e o bem-estar
dos familiares.
Empoderar, pois, essa natural ativista dos direitos
humanos é tarefa urgente para o advento de uma
Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, que exige
o espírito de real Caridade, assunto sobre o qual me
debruçarei neste artigo, com base na experiência de
décadas de trabalho na Legião da Boa Vontade (LBV).
O
destino de ser mulher e a dimensão
universal do Amor Fraterno são temas
que convergem e devem ser lembrados
nesta 60a
sessão da Comissão das Nações Uni-
das sobre a Situação da Mulher (CSW, na sigla
em inglês), realizada de 14 a 24 março, em
Nova York/Estados Unidos. Afinal, na maioria
das vezes, está nas mãos do sexo feminino a
responsabilidade de cuidar de crianças, ido-
José de Paiva Netto é escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião
da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação
Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à
International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio
de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro
e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central.
É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da
Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos
valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a
ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade
humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da
Generosidade, do Amor Fraterno”.
JoãoPreda
BOA VONTADE Mulher 5
Acerca do propósito desse dia, o
secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,
declarou:
— A caridade desempenha um papel
importante no apoio aos valores e no
trabalho das Nações Unidas. Doações
de tempo ou de dinheiro; envolvimento
voluntário numa das suas próprias comu-
nidades ou no outro lado do mundo; atos
de caridade e bondade sem esperar uma
recompensa; estas e outras expressões de
solidariedade global nos ajudam na nossa
procura partilhada de viver em harmonia
e de construir um futuro pacífico para
todos. Saúdo esta primeira celebração do
Dia Internacional da Caridade.
Em português, Caridade rima com ami-
zade. E não apenas pela fonética. Sua ação
está intrinsecamente ligada ao gesto cordial
de esclarecer e amparar os menos instruídos.
Na nova edição de Cidadania do Es-
pírito, destino um capítulo ao significado
do termo Caridade, a partir de conceitos
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
Vivian R. FerreiraSão Paulo/SP
Antes, quero abrir parênteses para
saudar o embaixador Antonio Patriota,
representante permanente do Brasil junto
às Nações Unidas, presidente da histórica
60a
edição da CSW e antigo defensor da
igualdade de gênero. Ao conceder entrevis-
ta exclusiva à revista BOA VONTADE, nos
deu a honra de trazer relevantes conside-
rações sobre o encontro, que enriquecem
esta publicação (veja p. 10).
FERRAMENTA IMPRESCINDÍVEL
Em 5 de setembro de 2013, a Organiza-
ção das Nações Unidas lançou a comemora-
ção anual do Dia Internacional da Caridade.
A LBV foi convidada a participar e discursou
sobre a força da Caridade Completa para o
cumprimento da agenda internacional de
desenvolvimento sustentável, durante ceri-
mônia, que teve lugar na sede da ONU em
Nova York. Cinco de setembro faz referência
à data de falecimento de uma mulher ícone
no amparo aos mais pobres e vulneráveis:
Madre Teresa de Calcutá (1910-1997),
Prêmio Nobel da Paz em 1979.
Ban Ki-moon
ReproduçãoBV
Antonio Patriota
ElianaGonçalves
6 BOA VONTADE Mulher
que tenho desenvolvido desde a década
de 1960, convidando o(a) leitor(a) a
refletir sobre essa ferramenta imprescin-
dível, em minha opinião, para ajustar os
mecanismos de uma sociedade, ainda
hoje regida pelo individualismo, seja no
âmbito particular ou coletivo. Aliás, esse
individualismo tem contribuído para levar
muita gente à indiferença, à secura de
alma, isto é, à ausência da Solidarieda-
de, da Fraternidade, da Generosidade
nos relacionamentos humanos e sociais.
Aqui, alguns trechos do tema. Espero que
apreciem: 
A Caridade não é um sentimento de
tolos. É uma estratégia de Deus, que
estabelece nos corações a condição ideal
para que se trabalhe, governe, empresa-
rie, administre, pregue, exerça a Ciência,
elabore a Filosofia e se viva, com espírito
de Generosidade, a Religião.
Quando há Amor Fraterno, incontrastá-
vel empenho e consagrada competência,
que se desenvolve com labor e zelo —
A Caridade não é um sentimento de
tolos. É uma estratégia de Deus, que
estabelece nos corações a condição
ideal para que se trabalhe, governe,
empresarie, administre, pregue, exerça
a Ciência, elabore a Filosofia e se
viva, com espírito de Generosidade, a
Religião.
Jean CarlosCampina Grande/PB
desde a fixação de um simples prego na
madeira (creia no seu valor próprio!) —,
não existem limites para o alicerce de um
mundo melhor.
Realizar o Bem voluntariamente é uma
das mais belas páginas de Amor que o ser
humano pode escrever. (...) A Caridade,
aliada à Justiça, é o combustível das trans-
formações profundas. Sua ação é sutil,
mas eficaz. A Caridade é Deus, quando
inequivocamente entendido como Amor,
e não como vingança.
BOA VONTADE Mulher 7
Paulo Rappoccio Parisi
VivianR.Ferreira
REFORMA EFETIVA
Desumanidade resulta em desumani-
dade. Aí está, em resumo, a explicação
do estado atual do planeta. Porém, com a
riqueza de nosso Espírito, podemos edificar
um amanhã mais apreciável. Entretanto,
nenhuma reforma será duradoura se não
houver o sentido de Caridade atuando na
Alma.
A Caridade é o centro gravitacional
da consciência política, social, filosófica,
científica, religiosa, de modo que — se
o ser humano não tiver compreensão
dela — deve esforçar-se para entendê-la,
a fim de que venha a subsistir em sua
própria intimidade pessoal. Não há céu
mais auspicioso do que o coração, quando
iluminado pelas forças do Bem. Ela é o
divino sentimento que nos mantém vivos.
Por toda a existência, mormente na hora
da dor, ao invés de lamentações, não nos
esqueçamos dela e a pratiquemos com
devoção. Trata-se de um grande medica-
mento para a Alma.
A Caridade é a prova do poder do
Espírito de construir promissoras épocas
para os cidadãos de todo o planeta. Não
há maior inspiração para a boa política do
que ela. Absurdo?! O tempo mostrará que
não. Aliás, já está mostrando.
CARIDADE: POLÍTICA
EXCELENTE
Conforme afirmei, em 1981, ao saudoso
jornalista italiano radicado no Brasil Paulo
Rappoccio Parisi (1921-2016): Tornou-se
inadiável iluminar o Capitalismo com o lu-
zeiro do espírito moral, ético da Caridade, o
qual provém de Deus — que significa Amor e
Justiça, dentro da Verdade e da Misericórdia
— para que a ânsia desenfreada pelo capi-
tal, ou seja, a ganância e a corrupção, não
fragilize, de tempos em tempos, a Demo-
cracia, com os resultados que conhecemos
MENSAGEM DE PAIVA NETTO
TatianeOliveira
LeillaTonin
Antônio Martins/RN Salvador/BA
8 BOA VONTADE Mulher
paivanetto@lbv.org.br
www.paivanetto.com
CARIDADE COMPLETA
Há mais de seis décadas, a Legião da Boa Vontade defende sua van-
guardeira tese da Caridade Completa. A prática desse conceito, criado
pelo fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), e desenvolvido por
Paiva Netto, significa ir além do amparo material, visto que valoriza
o indivíduo como um todo, oferecendo-lhe o apoio necessário para
reerguer-se e mudar sua própria realidade.
Por acreditar que nenhuma nação progrida se a população estiver
desamparada, a LBV fundamenta todas as suas atividades, programas
e projetos sociais e educacionais no princípio da Caridade Completa.
Esse trabalho, reconhecido internacionalmente, foi, aliás, lembrado por
Madre Teresa de Calcutá. A saudosa missionária, à época da inaugura­
ção do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (ParlaMundi
da LBV), na capital federal brasileira, em 1994, felicitou o dirigente da
LBV pela iniciativa:
“Prezado sr. José de Paiva Netto, confio-lhe minhas preces por todos.
Que as bênçãos de Deus estejam com vocês da Legião da Boa Vontade,
e que muitas pessoas conheçam o Amor de Jesus por intermédio do
Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica da LBV e mantenham
viva a Boa Nova de Seu Amor no mundo, amando uns aos outros como
Ele nos amou. Que Deus os abençoe”.
ReproduçãoBV
muito bem. Do contrário, continuaremos a
assistir, horrorizados, à negação do direito
à liberdade, à vida, à saúde, ao estudo, ao
emprego e à felicidade de multidões que
cometeram a ousadia de nascer.
Trata-se de Política excelente. A provi-
dência de educar, reeducar, instruir, espiri-
tualizar no caminho da Paz, resultante da
confraternidade das numerosas culturas
que compõem a civilização que, em si
mesma, é una, planetária. (E não esque-
çamos jamais que a nossa existência não
é unicamente física, porquanto começa
no Alto, antes de sermos carne.) Um dia,
se juntarão àqueles que, com coragem,
desenvolverão esse tema, pois precisamos
aprender as Leis que governam, do Mundo
Espiritual, a nossa trajetória terrena. Alziro
Zarur falou-nos da Política de Deus sem
ódios e intolerâncias. Ei-la aí. O tempo,
pelo Mestre Amor ou pela Mestra Dor,
comprovará isso. Muito temos de apren-
der uns com os outros, seres humanos
e nações, em vez de nos trucidar. Uma
política, portanto, de convergência para a
Fraternidade nas relações internacionais,
em que, por exemplo, o esporte e o cui-
dado com o meio ambiente tenham ainda
maior participação efetiva na vida, no
desenvolvimento sustentável dos povos e
dos países. Somos seres complementares.
Um dia, essa realidade deverá ser mais bem
compreendida, assim como eficaz e solida-
riamente vivenciada. Senão, o que poderá
vir a suceder com a Humanidade será o
reinado do ódio, o extermínio consciente e
inconsequente praticado por todo o planeta,
salvo raras exceções, que se devem dar, pois
sempre existe solução quando há Boa Von-
tade e consequentemente o Ecumenismo da
Paz nos corações.
(Os editores)
BOA VONTADE Mulher 9
ENTREVISTA
10 BOA VONTADE Mulher
D
esde a criação da Comissão sobre a Situação
da Mulher (CSW, na sigla em inglês), em 1946,
esta é a primeira vez que um representante per-
manente do Brasil junto às Nações Unidas assume a sua
coordenação. Eleito para a presidência da 60a
sessão
da CSW, o embaixador Antonio de Aguiar Patriota sabe
que comanda uma das mais importantes edições dessa
conferência. Afinal, esta comissão carrega a expectativa
de fomentar esforços a fim de que a igualdade de gênero
seja inserida em todos os debates e ações globais da
Agenda de Desenvolvimento Sustentável Pós-2015,
chamada também de Agenda 2030.
A poucos dias da referida sessão, que ocorrerá
de 14 a 24 de março, em Nova York, nos Estados
em pauta
Direitos
Presidente da 60a
sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da
ONU, o embaixador Antonio Patriota destaca a importância feminina na
implementação da Agenda 2030.
DA REDAÇÃO
Unidos, o diplomata falou, em entrevista exclusiva à
revista BOA VONTADE Mulher, da criação de um seg-
mento ministerial na CSW que, para ele, “permitirá
aumentar a visibilidade e reforçar o compromisso
político dos países, em alto nível, com a igualdade
de gênero”. Ainda de acordo com o representante
brasileiro, esse comprometimento contribuirá para
o empoderamento feminino e, consequentemente,
para a promoção da Paz e a melhora da qualidade
de vida de toda a população planetária.
BOA VONTADE Mulher — Embaixador, o que sig-
nifica para a Missão do Brasil na ONU a escolha
de seu nome para presidir essa histórica sessão
BOA VONTADE Mulher 11
RickBajornas/UNPhoto
da CSW? Que influência o país pode
levar para esse encontro?
Antonio Patriota — É uma honra
exercer a presidência da CSW. Tenho
certeza de que minha eleição foi resultado
do perfil elevado que o Brasil tem assumido
na defesa dos direitos das mulheres nos
planos internacional e nacional. O Brasil
levará para a CSW a sua experiência na
promoção dos direitos femininos e o firme
compromisso com a igualdade de gênero,
com o empoderamento da mulher e com
a implementação da Plataforma de Ação
de Pequim.
BV — Como é presidir a CSW no mo-
mento em que as Nações Unidas se
organizam em torno dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS),
que são um desdobramento da Con-
ferência Rio+20, cuja coordenação
também esteve a seu cargo?
Patriota — A CSW-60 terá o papel-
-chave em acompanhar e monitorar os
compromissos assumidos na Agenda 2030
para o desenvolvimento sustentável no to-
cante ao Objetivo 5 (“Alcançar a igualdade
de gênero e empoderar todas as mulheres
e meninas”) e aos outros objetivos. Essa
agenda é muito cara ao Brasil, tendo em
conta o papel da Conferência Rio+20,
que estabeleceu um mapa do caminho
para a adoção dela. A Agenda 2030
constitui a base sobre a qual governos,
sociedade civil, setor privado e o Sistema
ONU orientarão suas políticas e ações em
favor do desenvolvimento sustentável pelos
próximos quinze anos.
BV — Em 2016, será também a pri-
meira vez que essa sessão da ONU
terá um segmento ministerial. O que
muda com essa nova estrutura?
GiulianoGomes/Seed
No Brasil, as mulheres escolarizam-se mais do
que os homens e têm menor atraso escolar em
relação ao sexo masculino.
Patriota — Os primeiros três dias da
próxima sessão da CSW serão dedicados
ao segmento ministerial. Isso permitirá
aumentar a visibilidade e reforçar o com-
promisso político dos países, em alto nível,
com a igualdade de gênero. Como parte do
segmento ministerial, haverá um exercício
de revisão das conclusões acordadas na
57a
sessão, [realizada] em 2013, sobre a
eliminação e prevenção de todas as formas
de violência contra mulheres e meninas.
Os Estados-membros da ONU poderão
fazer apresentações acerca dos principais
progressos obtidos no combate à violência
de gênero e intercambiar lições aprendidas
e outras boas práticas.
BV — Os ODS relacionam-se com a
busca pela pluralidade, seja esta de
gênero, seja esta de acesso. O empo-
deramento feminino ganha maior força
nessa nova agenda mundial?
Patriota — Certamente. A Agenda
2030 fundamenta-se no entendimento
de que não será possível alcançar o de-
senvolvimento sustentável se metade da
Humanidade não puder usufruir de seus
direitos humanos em toda a plenitude. A
Antonio Patriota,
embaixador do Brasil e
presidente da 60a
sessão
da Comissão sobre a
Situação da Mulher da
ONU.
ENTREVISTA
12 BOA VONTADE Mulher
realização da igualdade de gênero e o em-
poderamento das mulheres são contribui-
ções essenciais para o progresso de todos
os objetivos da Agenda, nos três pilares
dela: econômico, social e ambiental. A
igualdade de gênero beneficia a sociedade
como um todo e deve ser promovida em
âmbito global.
BV — Nos últimos anos, quais foram
os mais expressivos progressos para
que isso ocorra?
Unidade móvel do
programa Mulher,
Viver sem Violência. O
veículo consiste em um
ônibus adaptado para a
realização do atendimento
emergencial e preventivo
voltado para o público
feminino vítima de
violência e conta com
equipe multidisciplinar
treinada para a escuta das
denúncias.
Patriota — No Brasil, houve avanços
expressivos em matéria de legislação, de
políticas de gênero e de ações voltadas
para promover o direito das mulheres. A
Lei do Feminicídio transformou em crime
hediondo e inafiançável o assassinato de
mulheres por motivação de gênero. Elas
também passaram a ser as protagonistas
nas políticas de inclusão social e se torna-
ram as principais receptoras das políticas
de renda. Outro dado relevante é o de que,
atualmente, as brasileiras se escolarizam
mais do que os homens e avançam no
mercado de trabalho. Em nenhum país do
mundo, contudo, foi alcançada a igualdade
de gênero. O desafio que encontramos é o
da plena realização da paridade de gênero
e do empoderamento da mulher até 2030,
como determinado pelo quinto Objetivo de
Desenvolvimento Sustentável.
BV — Além das leis implementadas
no Brasil sobre a questão da mulher,
em especial a Lei Maria da Penha,
a implementação de novas políticas
públicas é um caminho visto pelo
país para a promoção da igualdade
de gênero?
Patriota — A transversalidade da pers-
pectiva de gênero nas políticas públicas é
crucial para que se alcance a igualdade
de gênero não só no Brasil, mas também
em todo o mundo. Um bom exemplo é o
“A Agenda 2030 fundamenta-se no entendimento de que não será possível
alcançar o desenvolvimento sustentável se metade da Humanidade não
puder usufruir de seus direitos humanos em toda a plenitude. A realização
da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são contribuições
essenciais para o progresso de todos os objetivos da Agenda, nos três pilares
dela: econômico, social e ambiental.”
CésarOgata/Secom
BOA VONTADE Mulher 13
programa Mulher, Viver sem Violência
[coordenado pela Secretaria de Políticas
para as Mulheres, da Presidência da Re-
pública], que visa à implementação, de
fato, da Lei Maria da Penha. As unidades
da Casa da Mulher Brasileira integram
esse programa e oferecem serviços de
atendimento às mulheres em situação de
violência. Com abordagem multidimensio-
nal, as casas prestam serviço de orientação
para o trabalho e a renda, incentivo ao em-
preendedorismo, qualificação profissional
e inserção no mercado. Outro exemplo de
política voltada para a igualdade de gênero
foi a promulgação da Proposta de Emen-
da à Constituição (PEC) das Domésticas,
que promoveu a inclusão definitiva dessa
categoria no sistema de proteção social,
beneficiando diretamente mais de seis
milhões de brasileiras.
BV — Como o senhor vê a participação
masculina na campanha #ElesPorElas,
da ONU Mulheres?
Patriota — A participação dos homens
na luta pela igualdade de gênero é abso-
lutamente fundamental, pois a sociedade
como um todo deve estar mobilizada para
acabar com a desigualdade e a discrimina-
ção nesse âmbito. É preciso conscientizar
os homens das desigualdades e injustiças
que afetam as mulheres. A presidente
Dilma Rousseff apoia a campanha, que
busca trazer os homens para o centro
do debate sobre a igualdade de gênero.
Aproveito para convidar todos os leitores a
se associar a essa campanha. Todos os co-
laboradores do sexo masculino da Missão
do Brasil junto à ONU já se associaram,
pelo site www.heforshe.org.
Divulgação
IGUALDADE DE GÊNERO
Os homens diplomatas da
Missão do Brasil junto às
Nações Unidas apoiam
a causa pela igualdade
de gênero e aderiram à
campanha #ElesPorElas,
da ONU Mulheres.
Segundo o embaixador
Antonio de Aguiar Patriota
(no centro, sentado),
“os conceitos normativos
de masculinidade e
feminilidade reforçam
relações de poder
verticais e desiguais”.
O diplomata considera
“revolucionário
engajar homens e
meninos na discussão
sobre a superação da
desigualdade de gênero”.
“A participação dos homens na luta pela
igualdade de gênero é absolutamente
fundamental, pois a sociedade como um todo
deve estar mobilizada para acabar com a
desigualdade e a discriminação nesse âmbito.”
Maria da Penha
Divulgação
ENTREVISTA
14 BOA VONTADE Mulher
BV — Os ODS devem mexer com o
debate e a distribuição de recursos.
Eles podem ser um forte agente de
cooperação econômica nos próximos
anos?
Patriota — A expectativa é a de que os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,
por seu caráter universal, ou seja, pelo fato
de estes se aplicarem a países desenvol-
vidos e em desenvolvimento, galvanizem
a cooperação internacional. A CSW-60
tratará justamente da necessidade de
ampliar os investimentos em igualdade
de gênero, incluindo a mobilização de
recursos domésticos e priorizando ações
voltadas para o empoderamento da mu-
lher e para o aumento da ajuda oficial ao
desenvolvimento.
BV — Em sua gestão à frente da Co-
missão de Consolidação da Paz, da
ONU, o senhor defendeu, em nome do
Brasil, a igualdade de gênero. O em-
poderamento feminino é fundamental
para a Paz?
Patriota — Sim. Há diversos estudos
e estatísticas oficiais que ilustram o efeito
transformador do empoderamento da
mulher no progresso social, no crescimento
econômico e no desenvolvimento em cená-
rios pós-conflito. A Comissão de Consolida-
ção da Paz concentra a atenção em países
com instituições e economias frágeis, entre
os quais Libéria, Guiné-Bissau e Burundi.
Pude comprovar, pessoalmente, em Guiné-
-Bissau como as mulheres representam
um segmento pacificador da população,
pelo fato de focar suas aspirações na
construção de sociedades justas e com
nível de vida mais elevado para as gera-
ções futuras.
“Pude comprovar, pessoalmente, em
Guiné-Bissau como as mulheres representam
um segmento pacificador da população, pelo
fato de focar suas aspirações na construção
de sociedades justas e com nível de vida mais
elevado para as gerações futuras.”
Em reconhecimento
ao grande potencial
para a democracia
e para a Paz
que as mulheres
representam, três
destaques femininos
foram laureados
com o Prêmio Nobel
da Paz de 2011. A
partir da esquerda,
a ativista iemenita
Tawakkul Karman,
a militante liberiana
Leymah Gbowee
e a presidente
da Libéria, Ellen
Johnson Sirleaf.
HarryHad
BOA VONTADE Mulher 15
Aguardando anúncio
VivianR.Ferreira
Declaração apresentada pela LBV e traduzida pela ONU para os seis
idiomas oficiais desta (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e
russo) sob o símbolo E/CN.6/2016/NGO/126. Baixe o leitor QR Code
em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e leia o documento
na versão em inglês.
RECOMENDAÇÕES DA LBV
VivianR.Ferreira
16 BOA VONTADE Mulher
São Paulo/SP
60a
sessão da Comissão sobre a
situação da
Mulher
Declaração da LBV para a
RECOMENDAÇÕES DA LBV
18 BOA VONTADE Mulher
Este relatório apresenta à Comissão
das Nações Unidas sobre a Situação da
Mulher (CSW) recomendações e boas
práticas da Legião da Boa Vontade (LBV),
organização da sociedade civil com status
consultivo geral no Conselho Econômico
e Social da ONU (Ecosoc), desde 1999.
P
reparar mulheres que lideram
organizações comunitárias é uma
das mais estratégicas políticas de
promoção do desenvolvimento sustentá-
vel das comunidades, em particular nas
regiões de maior vulnerabilidade social.
É o que nós temos comprovado em mais
de 150 cidades em sete países, no amplo
trabalho realizado pela Legião da Boa
Vontade da Argentina, da Bolívia, do
Brasil, dos Estados Unidos, do Paraguai,
de Portugal e do Uruguai.
Nos últimos cinco anos, oferecemos
mais de 60 milhões de atendimentos
e benefícios a populações em situação
de pobreza. A educação e a reeduca-
ção — estruturadas a partir de valores
espirituais, éticos e ecumênicos — são
nossos eixos de transformação social. As
comunidades acompanhadas, de forma
geral, têm escassez de empregos e inci-
pientes serviços públicos, principalmente
nas áreas de saneamento, de educação e
de saúde. Nesses locais são registrados
altos níveis de violência e de empregos
informais.
A missão da LBV
Promover Desenvolvimento Social e
Sustentável, Educação e Cultura, Arte e
Esporte, com Espiritualidade Ecumênica,
para que haja Consciência Socioambiental,
Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho
para todos, no despertar do Cidadão
Planetário.
Grande parte das famílias é monopa-
rental, chefiada por mulheres que têm
de se desdobrar para garantir o sustento
da casa e para cuidar dos filhos. Com
pouca escolaridade e baixos salários,
elas perdem horas deslocando-se até
o trabalho diariamente, enquanto suas
crianças permanecem longos períodos
sem os cuidados nem a supervisão de
adultos. No Brasil, as famílias atendidas
pela LBV sofrem, em ambiente exterior,
também com o preconceito e o racismo,
já que são em sua maioria negras, em um
país ainda marcado pela triste herança de
mais de três séculos de escravidão.
Todas essas dificuldades se sobrepõem
e se acentuam em momentos de crise
econômica, aumentando o número de
pes­soas que, destituídas de um sentido
para a própria vida, abandonam o lar
para viver nas ruas, se viciam em álcool
e em outras drogas, se tornam vítimas da
depressão e de outras enfermidades psí-
quicas e/ou físicas. Acerca desses desa-
fios, nosso diretor-presidente, o jornalista,
radialista e escritor José de Paiva Netto —
que, há seis décadas, defende os direitos
humanos e pauta o tema na mídia brasi-
leira com preleções de grande repercus-
são, entre estas os artigos “Apartheid lá e
Apartheids cá” e “Raízes e memórias” —,
declarou:
“Uma das razões básicas da existên-
cia da Legião da Boa Vontade é o seu zelo
com o educar, o instruir e o espiritualizar,
mostrando que a vida não termina no
túmulo, uma destinação deveras triste.
Um país cujo povo não é educado é fraco.
E um país fraco é facilmente dominado.
Quanto mais ignorante o povo, maior
o cativeiro para ele. Como argumentei
tantas vezes, a princesa Isabel assinou
a polêmica Lei Áurea, contudo o espíri-
to de senzala ainda prejudica a nossa
gente, fazendo-a, por exemplo, refém
da violência, que campeia, ela sim, livre
por qualquer parte. Temos de crescer na
instrução, na educação e na espirituali-
BOA VONTADE Mulher 19
(1) Durante a Reunião de Alto Nível do Ecosoc em 2013, em Genebra, na
Suíça, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, é saudado por
Adriana Rocha, da LBV, enquanto recebe a edição especial da BOA VONTADE
em inglês. Atencioso, folheou a publicação e reafirmou seu apreço pelo trabalho
da Instituição. (2) A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova (E), recebeu, durante a
58a
sessão da Comissão Sobre a Situação da Mulher (CSW, na sigla em inglês),
ocorrida em 2014, a revista BOA VONTADE Mulher também das mãos de
Adriana Rocha.
Fotos:ArquivoBVFotos:SâmaraMalaman
1
2
dade. Valorizar-nos significa manter, no
cume, a autoestima popular”.
Aliás, contrapor a elevada autoestima
popular ao “espírito de senzala” é um
dos cernes da agenda social hoje. Nem
tudo são espinhos nas favelas e nas co-
munidades “excluídas”. O protagonismo
social e as relações de solidariedade e de
pertencimento existentes, estas incremen-
tadas pelas novidades tecnológicas, têm
consolidado identidades e novas formas
de organização popular e de vocalizar as
demandas por maior cidadania. Soma-
-se a isso a descoberta, pelos agentes
econômicos, de inovadoras maneiras de
impulsionar o gigantesco potencial latente
nessas regiões.
PROGRAMA REDE SOCIEDADE
SOLIDÁRIA, DA LEGIÃO DA
BOA VONTADE
Promover o progresso de comunidades
vulneráveis exige, além das macroestra-
tégias citadas anteriormente, medidas
eficazes a curto e médio prazos, a exem-
plo das previstas no pioneiro programa
Rede Sociedade Solidária, da LBV. Ele
consiste, principalmente, em identificar e
assessorar, nas áreas técnica e adminis-
trativa, lideranças comunitárias e organi-
zações sociais das regiões metropolitanas
em que estão situa­das nossas unidades
socioeducacionais.
Nossos profissionais prestam orienta-
ção sobre as políticas de desenvolvimento
social do país, capacitando os gestores a
mobilizar recursos públicos e privados em
prol das próprias comunidades. Sessenta
e seis por cento dos presidentes das enti-
dades participantes são mulheres. O per-
centual sobe a 71% quando se considera
todo o universo de assessorados. Acesso
à moradia, à educação de qualidade, bem
como a garantia de proteção social e de
um meio ambiente sadio são as principais
reivindicações desses movimentos.
Dentre os resultados alcançados pelo
programa até agora destacam-se:
• fortalecimento e qualificação das enti-
dades para o planejamento organizacio-
nal, para a captação de recursos, bem
como para a gestão, o monitoramento,
a avaliação, a oferta e a execução de
serviços sociais;
• ampliação do conhecimento do grande
público sobre políticas públicas;
RECOMENDAÇÕES DA LBV
CarlosCesarSilva
20 BOA VONTADE Mulher
São Paulo/SP
Buenos Aires, Argentina
escolas
O Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, Brasil, demonstra que Educação de qualidade, Solidariedade
e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores refletem a Pedagogia do Afeto e a
Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizadas por Paiva Netto e aplicadas, com sucesso, na rede de ensino e nos programas
socioeducativos da Instituição. Em um grande totem, ao lado do frontispício, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de
Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano
acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.
• acesso a conteúdos, recursos e me-
todologias relacionados ao aumento da
participação social e ao fortalecimento
do protagonismo na reivindicação dos
direitos de cidadania;
• identificação de potencialidades locais,
bem como mobilização e organização de
grupos de lideranças, por meio da articula­
ção destes com as políticas públicas.
O fortalecimento das comunidades não
substitui eventuais políticas afirmativas
que visem aumentar a participação das
mulheres em processos de tomada de de-
Vivian R. Ferreira
BOA VONTADE Mulher 21
20152011 2012 2013 2014
12.509.267
9.434.943
10.255.833
11.053.113
11.881.419
A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o
de janeiro de
1950 (Dia Mundial da Confraternização Universal e da Paz), no
Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur
(1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também
jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto. Os dados abaixo
correspondem ao trabalho da LBV de sete países: Argentina, Bolívia,
Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai.
LBV NO MUNDO
NÚMEROS DE 2011 a 2015
Além de escolas, Centros Comunitários
de Assistência Social e lares para
idosos, a LBV utiliza meios de
comunicação social (rádio, TV, internet
e publicações) para fomentar educação,
cultura e valores de cidadania. Mais
de 12 mil especialistas de todo o
Brasil participaram, em 2015, da
programação da Super Rede
Boa Vontade de Comunicação.
* Há mais de duas décadas,
a Legião da Boa Vontade tem
seu balanço geral analisado
e aprovado pela Walter
Heuer, auditores externos
independentes, em uma iniciativa
de José de Paiva Netto, diretor-
-presidente da LBV, muito antes
de a legislação que exige essa
medida entrar em vigor.
Número de atendimentos e benefícios prestados pela
Legião da Boa Vontade do Brasil de 2011 a 2015*
1,7+de
MILHÃO
de pessoas impactadas
pelas ações da LBV
91UNIDADES
SOCIOEDUCACIONAIS
EM SETE PAÍSES
60+
MILHÕES
de
de atendimentos
e benefícios a
pessoas e famílias
em situação de
vulnerabilidade
social
Montevidéu, Uruguai
Taguatinga/DF
LeillaToninArquivoBV
Arquivo BV
RECOMENDAÇÕES DA LBV
22 BOA VONTADE Mulher
cisão política, sobretudo, pode colaborar
para a realização de tais políticas, na medi-
da em que empodera lideranças ‘orgânicas’
dessas comunidades. Porém, permanecem
sendo esforços paralelos, como podemos
concluir a partir de pesquisa realizada
pela dra. Teresa Sacchet, pesquisadora
da Universidade de São Paulo, no Brasil,
e professora visitante da Universidade da
Califórnia em Berkeley, nos Estados Uni-
dos, cujo resultado foi publicado no artigo
da referida autora “Capital social, gênero
e representação política no Brasil” (2009):
“(...) as mulheres tendem a investir
seus recursos de forma mais coletiva: nos
gastos com a família (educação, saúde e
bem-estar dos seus membros) ao invés
de consigo próprias. Programas oficiais
de governos e agências multilaterais de
desenvolvimento têm na mulher a sua
principal beneficiária e parceira na im-
escolas
Rio de Janeiro/RJ
Curitiba/PR
Assunção, ParaguaiLa Paz, Bolívia
Belém/PA
ViníciusRamão
LeillaTonin
RaquelDías
Leilla Tonin
BOA VONTADE Mulher 23
Teófilo Otoni/MG Patrícia Oliveira
Abrigos para idosos
VivianR.FerreiraVivianR.Ferreira
Uberlândia/MG
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Volta Redonda/RJ
24 BOA VONTADE Mulher
plementação de projetos sociais. Sem
desconsiderar a importância estratégica
dessas iniciativas para as próprias mulhe-
res, inclusive para seu empoderamento
econômico, é necessário que se questione
o que está implícito em tal discurso e
prática (...). Por isso, faz-se necessária
também a implementação de medidas
efetivas para incluí-las nos processos de
tomada de decisão onde os projetos so-
ciais são idealizados e articulados”.
Para conscientização dos moradores
das comunidades acompanhadas sobre
esses desafios, nós permeamos com tais
debates as ações de nosso programa de
assessoramento, a saber:
• formação de gestores e técnicos de en-
tidades, bem como de lideranças comuni-
tárias e de organizações que representam
a população atendida;
• orientação personalizada a esses atores;
• promoção de encontros locais e regio-
nais sistemáticos entre os participantes
da rede formada;
• produção de conteúdos multimídia que
socializem pesquisas à sociedade e aos
Centros comunitários de assistência social
Porto Alegre/RSLiliane Cardoso
Teresina/PI
Fortaleza/CE
VivianR.FerreiraVivianR.Ferreira
VivianR.Ferreira
Inhumas/GO
Cidade Dutra, São Paulo/SP
IzabelaMendes
BOA VONTADE Mulher 25
RECOMENDAÇÕES DA LBVRECOMENDAÇÕES DA LBV
Centros comunitários de assistÊNCIA SOCIAL
São José/SC
MônicaMendesVivianR.Ferreira
LeillaTonin
Belo Horizonte/MG
Belo Horizonte/MG
Vivian R. Ferreira
26 BOA VONTADE Mulher
operadores de políticas públicas;
• instrumentalização das entidades com
sistema de banco de dados para o registro
de usuários, de atendimentos e de benefí-
cios, qualificando a atuação delas perante
a população (próxima fase);
• realização de seminários sobre políticas
públicas.
O debate sobre as realidades vivencia-
das pelos moradores das comunidades
contempladas pelo programa Rede Socie-
dade Solidária, por si só, é muito impor-
tante, visto que muitas das disparidades
São Paulo/SP
Porto, Portugal
Arquivo BV
LeillaTonin
Buenos Aires, Argentina
CarlosCesardaSilva
BOA VONTADE Mulher 27
sociais existentes no Brasil são considera-
das “naturais” pela população, pois estão
enraizadas nas práticas sociais e culturais
vigentes. No entanto, nós percebemos
também a necessidade de construir nar-
rativas alternativas. Daí adotarmos com
urgência um modelo inovador de processo
ensino-aprendizagem, que tem por base
valores comuns a diferentes culturas,
entre os quais o Amor, o respeito e a
Boa Vontade. Essa nova proposta edu-
cacional abrange fundamentalmente
dois segmentos: a Pedagogia do Afeto
La Paz, Bolívia
Ciudad del Este, Paraguai
ArquivoBV
28 BOA VONTADE Mulher
e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico,
aplicadas com sucesso em nossa rede de
ensino e nos programas socioeducacionais
que desenvolvemos.
Na Pedagogia do Afeto, o enfoque é
sobre crianças de até os 10 anos de idade,
unindo-se sentimento ao desenvolvimento
cognitivo destas, de modo que o carinho e
o afeto façam parte de todo o conhecimen-
to e dos ambientes da vida delas, inclusive
o escolar. Na continuidade do processo de
ensino-aprendizagem, aplica-se a Pedago-
gia do Cidadão Ecumênico, direcionada à
educação de adolescentes, jovens, adultos
e idosos, dispondo o indivíduo para viver a
Cidadania Ecumênica, firmada no exercício
pleno da Solidariedade Planetária.
Temos compartilhado com institui-
ções educacionais públicas e privadas a
metodologia e os promissores resultados
dessa linha educacional, entre os quais
ambientes livres de evasão escolar e de
Centros comunitários de assistÊNCIA SOCIAL
MônicaMendes
Ray MinaBuenos Aires, Argentina
Porto, Portugal
LeillaTonin
RECOMENDAÇÕES DA LBV
BOA VONTADE Mulher 29
Leilla ToninMaceió/AL
Assunção, Paraguai Fortaleza/CE
Nova Jersey, EUA
MaríaMendes
ArquivoBVLeillaTonin
30 BOA VONTADE Mulher
agressividade entre os estudantes. Por
isso, colocamo-nos à disposição das orga-
nizações e dos governos que desejam co-
nhecer melhor essa proposta pedagógica e
os programas socioeducionais que aplica-
mos. Eles visam fomentar uma nova men-
talidade, que enseje inovadores modelos
culturais e de comportamento, tal como
destacado, em 1981, pelo criador dessa
vanguardeira proposta, o educador Paiva
Netto, em entrevista ao jornalista italiano
radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi,
e reafirmado em mensagem à Cúpula das
Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
Sustentável 2015, realizada de 25 a 27
de setembro, na sede da ONU em Nova
York, nos Estados Unidos:
“A Solidariedade se expandiu do lu-
minoso campo da ética e se apresenta
como uma estratégia, de modo que o ser
humano possa alcançar e garantir a sua
própria sobrevivência. À globalização
da miséria contrapomos a globalização
da Fraternidade, que espiritualiza e
enobrece a Economia e solidariamente
Santa Quitéria/CE
Nova Jersey, EUA
União da Vitória/PR
Leilla ToninArquivoBVVivianR.Ferreira
Campanhas de socorro às populações
RECOMENDAÇÕES DA LBV
BOA VONTADE Mulher 31
Biguaçu/SC
Xerém, Duque de Caxias/RJ Juazeiro/BA
Periquito/MGUauá/BA
Brasília/DF
Martins/RN
Buíque/PE
Porto Alegre/RS
São Paulo/SP
GustavoHenriqueLima
LilianeCardoso
TatianeOliveira
RubensMachado
BrunaGonçalves
TatianeOliveira
NatháliaValério
JeanCarlos
GabrielEstevão
FabíolaBigas
32 BOA VONTADE Mulher
a disciplina, como forte instrumento de
reação ao pseudofatalismo da pobreza”; e
“Por isso, é fundamental convergir
todas as ferramentas disponíveis para a
Solidariedade Ecumênica e compartilhá-
-las, para que se promova, com maior
rapidez, a transição para o pleno desen-
volvimento sustentável. Integrados esses
instrumentos que visam ao bem comum,
pelo autêntico sentido de Amor Fraterno e
de Justiça, que nos distinguem dos ani-
mais ferozes, poderemos fazer cessar os
horrores que ainda persistem no mundo.
Além de superar todas as mazelas sociais
— dure o tempo que durar a luta —,
é nosso dever construir, unidos, um
modelo novo de desenvolvimento que
efetivamente preserve a vida neste orbe.
“A Legião da Boa Vontade, fundada há
quase 66 anos por Alziro Zarur (1914-
1979), batalha diuturnamente contra a
fome e as desigualdades sociais e em prol
da sustentabilidade e da educação com
Espiritualidade Ecumênica, jamais se es-
Ipatinga/MG
São Paulo/SP
Nova Jersey, EUA Aracaju/SE
Vivian R. Ferreira
PriscillaAntunes
VivianR.Ferreira
FelipeDuarte
VâniaBandeira
Campanhas de socorro às populações
RECOMENDAÇÕES DA LBV
Leilla Tonin
BOA VONTADE Mulher 33
Ananindeua/PABelo Horizonte/MG
Goiânia/GONatal/RN
Taguatinga/DFJosé Gonçalo
JeanCarlos
EgezielCarlosLeillaTonin
RafaelMendes
34 BOA VONTADE Mulher
Curitiba/PR
Juazeiro/BA La Paz, Bolívia
AndreaVarelaViníciusRamão
TatianeOliveira
quecendo de empreender hercúleo com-
bate à pior das carências, que atravanca,
de maneira direta, o êxito de qualquer
tentativa de transformação benéfica na
Terra: a falta de Solidariedade, de Frater-
nidade, de Misericórdia, de Generosidade,
de Altruísmo, de Justiça; por conseguinte,
a aridez do Espírito, do coração. Por essa
razão, é mais que atual relembrar a mile-
nar regra ensinada pelo filósofo, ativista
religioso e social Jesus, quando proferiu
esta Palavra de Paz: ‘Amai-vos uns aos
outros como Eu vos amei. (...) Não há
maior Amor do que doar a sua própria Vida
pelos seus amigos’ (Evangelho, segundo
João, 13:34 e 15:13)”.
Nesta histórica sessão da Comissão
sobre a Situação da Mulher, que alcança a
significativa marca de 60 edições, aplaudi-
mos todas as mulheres e todos os homens
que fizeram, fazem e farão parte dessa
longa trajetória de lutas e conquistas,
ratificando nosso solidário compromisso
com a erradicação de todas as formas de
desigualdade no planeta.
Rafael MendesVale do Jequitinhonha/MG
RECOMENDAÇÕES DA LBV
BOA VONTADE Mulher 35
Vilma Araújo Jean CarlosMaringá/PR
Porto Velho/RO Buíque/PE
Campina Grande/PB
São Luís/MA
PauloAraújo
VâniaBesse
Paulo Araújo
38 BOA VONTADE Mulher
70 ANOS DAS NAÇÕES UNIDAS
shutterstock.com
BOA VONTADE Mulher 39
A
60a
sessão da Comissão sobre a Situação
da Mulher, de 14 a 24 de março deste
ano, faz um amplo debate sobre o tema
“O empoderamento das mulheres e a ligação
deste com o desenvolvimento sustentável”. Além
disso, o encontro é uma oportunidade histórica
para a Organização das Nações Unidas e seus
Estados-membros de fazer um balanço do muito
que foi realizado pela entidade ao longo dessas
sete décadas e dos novos rumos que se preten-
de dar a ela nos próximos anos. Tal reflexão,
propiciada pelo 70o
aniversário de existência da
ONU em 2015 — cuja fundação oficial ocorreu
em 24 de outubro de 1945 —, prossegue em
2016, ano de implementação dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS), que cons-
tituem a nova agenda mundial. Nessas metas
está imbuída a reafirmação de ideais universais,
entre estes a dignidade e a valorização do ser
humano e a igualdade de direitos e deveres entre
mulheres e homens. Sem a concretização desses
ideais não haverá economias prósperas nem a
possibilidade de viver em uma sociedade justa,
equitativa e feliz.
LBV saúda ONU pelos 70 anos e participa da 60a
sessão
da Comissão sobre a Situação da Mulher
JANINE MARTINS
e conquistas
História de lutas
A Legião da Boa Vontade — que, em 1994, se
associou ao Departamento de Informação Pública
(DPI) das Nações Unidas e, em 1999, conquistou
o status consultivo geral no Conselho Econômico
e Social (Ecosoc) desse organismo — não poderia
deixar de saudar a ONU por ocasião tão expressiva.
Cabe destacar que, todos os anos, a LBV leva à enti-
UNPhoto/EskinderBebebe
40 BOA VONTADE Mulher
dade recomendações dela e de organizações
do Terceiro Setor de boas práticas para a
implementação de políticas públicas e de
ações humanitárias internacionais, além
de utilizar sua capilaridade nos sete países
onde está presente (Argentina, Bolívia,
Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal
e Uruguai) com o intuito de fazer chegar
à sociedade civil discussões e resoluções
protagonizadas por chefes de Estado. O
trabalho da LBV é o de dar a populações
em situação de vulnerabilidade social in-
formações e oportunidades a fim de que
elas busquem o cumprimento dos próprios
“Quero aproveitar esta ocasião
para agradecer sempre o
esforço e a constância do
engajamento da Legião da
Boa Vontade para com os
Objetivos de Desenvolvimento
e a justiça econômica e social,
que a ONU, em defesa dos
direitos humanos, leva adiante.
São parcerias assim de que
nós precisamos em cada país.”
GIANCARLO SUMMA
Diretor do Centro de Informação das
Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)
VivianR.Ferreira
Durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável
2015, na sede da entidade em Nova York, nos EUA, o presidente do Quênia,
Uhuru Kenyatta (1), e a presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović (2),
recebem a revista da Legião da Boa Vontade para o evento. A publicação
especial da Instituição é entregue também ao primeiro-ministro de São Vicente
e Granadinas, Ralph Gonsalves (3), e ao primeiro-ministro da Eslovênia, Miro
Cerar (4), pelo representante da LBV Danilo Parmegiani.
21
70 ANOS DAS NAÇÕES UNIDAS
direitos e consigam viver de forma digna. A
Instituição colabora, assim, para o alcance
dos objetivos da ONU.
Em entrevista à BOA VONTADE,
Giancarlo Summa, diretor do Centro de
Informação das Nações Unidas para o Brasil
(UNIC Rio), falou da importância da par-
ceria entre os vários segmentos sociais. “É
uma campanha global que a ONU faz, en-
gajando atores dos governos federal e local.
(...) é fundamental o apoio da sociedade
civil, das organizações não governamentais
que são, por exemplo, como a Legião da
Boa Vontade, associadas ao DPI, ao Ecosoc
43
ArquivoBVDaniloParmegiani
DaniloParmegianiArquivoBV
BOA VONTADE Mulher 41
Mais de 350 lugares
em 85 países foram
iluminados na cor azul
para saudar as Nações
Unidas pelos 70 anos,
completados em 24 de
outubro de 2015. No
Brasil, Rio de Janeiro/RJ,
São Paulo/SP, Salvador/
BA, Brasília/DF e outras
cidades participaram
do ato. Nas fotos, o
Templo da Boa Vontade,
no Distrito Federal, e
o Centro Educacional
da LBV, na capital
fluminense, aderiram à
homenagem.
Paulo Medeiros, administrador do Templo da Boa Vontade; Alziro Paolotti de
Paiva, representando o fundador do monumento, José de Paiva Netto; sr. Alan
Bojanic, representante da FAO no Brasil; Marta Jabuonski, curadora da Galeria de
Arte do TBV; e algumas crianças atendidas pela LBV na capital federal.
e a organismos da ONU, mas também [a
colaboração] dos meios de comunicação,
para transmitir o que a gente faz.”
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL SEGUNDO O
OLHAR INFANTOJUVENIL
Como forma de homenagear a ONU pelo
70o
aniversário, a Legião da Boa Von­tade,
pensando nas gerações futuras, convidou
também meninas e meninos entre 6 e 17
anos que participam de seus programas
socioeducacionais em dezenas de cidades
brasileiras a refletir, por meio da arte, sobre
os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sus-
tentável (ODS), os quais foram adotados
pelas Nações Unidas em setembro de 2015
e devem ser alcançados por todos os países
até 2030.
O resultado da iniciativa da Insti-
tuição pôde ser visto nos mais de cem
trabalhos artísticos que fizeram parte da
exposição “Todos de mãos dadas com a
Paz — Homenagem da LBV aos 70 anos
da ONU”, ocorrida de 21 a 28 de outubro
de 2015, na Galeria de Arte do Templo da
Boa Vontade (TBV), em Brasília/DF, Brasil.
As pinturas traduzem a visão dessas crian-
ças e adolescentes acerca do desafio de
realizar o desenvolvimento sustentável.
Para a confecção das obras, além de
ser empregado acrílico sobre tela, foram
utilizadas diversas técnicas mistas, com
colagens e a aplicação de grãos, linhas,
folhas, areia, lã, corrente, botões, miçan-
gas etc.
A criatividade dos jovens artistas cha-
mou a atenção de Alan Bojanic, represen-
tante da Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura (FAO) no
Brasil, que prestigiou a abertura da mostra.
“Fico muito contente de ver a identificação
dessas crianças com a nova agenda global,
uma agenda que é para unir a Humani-
dade e comprometer todos nós com esse
grande objetivo da erradicação da pobreza,
da fome e das doenças, [bem como o] de
ter um mundo melhor, de Paz”, ressaltou
naquela data.
VivianR.Ferreira
ArquivoBV
PriscillaAntunes
42 BOA VONTADE Mulher
OPINIÃO — EDUCAÇÃO
GustavoHenriqueLima
Rodenilde Pereira e a filha Hacsa Melissa, de 5 anos, aluna da Escola de Educação Infantil Alziro Zarur, da LBV, em
Taguatinga/DF, uma das beneficiadas pela Campanha Criança Nota 10 — sem Educação não há Futuro!. Todos os anos, a
iniciativa da Instituição distribui, nas cinco regiões do Brasil, milhares de kits escolares, contribuindo, assim, para a melhora
da autoestima e do desempenho do educando.
BOA VONTADE Mulher 43
Aplicação da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico,
que compõem a linha educacional da LBV, contribui
para fomentar esse importante processo.
Suelí Periotto é
supervisora da
Pedagogia do Afeto e da
Pedagogia do Cidadão
Ecumênico e diretora do
Instituto de Educação
José de Paiva Netto,
em São Paulo/SP. É
doutoranda e mestre
em Educação pela
PUC-SP, conferencista
e apresentadora do
programa Educação
em Debate, da Super
Rede Boa Vontade de
Rádio (acesse: www.
boavontade.com).
VivianR.Ferreira
EMPODERAMENTO DA
MULHER MÃE
SUELÍ PERIOTTO
N
a rede de escolas de ensino regu-
lar da Legião da Boa Vontade e
em seus Centros Comunitários de
Assistência Social (que atendem crianças
e jovens no período inverso ao escolar),
pais ou responsáveis são convidados para
participar de uma parceria que fortaleça
os esforços da comunidade socioeduca-
cional em que as meninas e os meninos
estão inseridos. Afinal, como define o
diretor-presidente da LBV, o educador Paiva
Netto, “A escola é imprescindível, mas
não substitui o lar. O Estado e a sociedade
têm de, unidos, gerir soluções para que as
famílias criem e eduquem dignamente os
seus filhos”. Essa integração contínua é im-
pulsionada em encontros coletivos ou indivi-
dualizados, os quais visam ao envolvimento
e ao respaldo de cada núcleo familiar nas
atividades propostas aos educandos pela
Instituição, conforme orientam a Pedagogia
do Afeto (destinada a crianças de até os 10
anos de idade) e a Pedagogia do Cidadão
Ecumênico (a indivíduos a partir dos 11
anos), que compõem a linha educacional
preconizada pelo dirigente da LBV.
Os profissionais da Legião da Boa Von­­
tade também utilizam nas reuniões com
as famílias o MAPREI (Método de Apren-
dizagem por Pesquisa Racional, Emocional
e Intuitiva), criado pelos próprios educado-
res da Instituição para a inovadora linha
pedagógica da LBV. Essa proposta tem
como fundamento a Educação com Espi-
ritualidade Ecumênica, que é o diferencial
da Entidade.
Dessa forma, os pais ou responsáveis
têm a oportunidade de vivenciar a me-
todologia aplicada nas ações lúdicas e
pedagógicas realizadas com os estudantes.
Cabe destacar que nesses encontros a
presença de mulheres é predominante, o
que faz deles ocasiões valiosas de incen-
tivo ao empoderamento feminino, pois
fortalecem nelas o potencial de provedoras
dos recursos financeiros do lar, bem como
o de agentes responsáveis pelo encami-
nhamento acadêmico das meninas e dos
meninos. Os eventos ainda demonstram o
alto grau de envolvimento dessas mulheres
nas tarefas de casa das crianças e dos
jovens as quais requerem o auxílio delas
para pesquisa/coleta de dados, ativida-
des essas direcionadas pelos educadores
das escolas da Instituição ou solicitadas
em atividades aplicadas nos programas
socioeducativos da LBV, que objetivam o
desenvolvimento cognitivo e emocional dos
que deles integram.
Prática constante desses eventos é o
44 BOA VONTADE Mulher
OPINIÃO — EDUCAÇÃO
Oficina temática para pais e responsáveis “Disciplina e limites:
uma visão além do intelecto”
PROPOSTA PEDAGÓGICA DA LBV:
A ESPIRITUALIDADE ECUMÊNICA NA PRÁTICA
1
ETAPA IDENTIFICAÇÃO DO CONTEÚDO
Palavra-chave: mobilização
Uso de recurso audiovisual para mostrar cenas e situações de indisciplina,
corroborando os pontos apontados como desafiadores pelas famílias.
3
ETAPA SOCIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Palavras e expressões-chave: mediação e aprofundamento do tema
Os profissionais da Instituição que conduzem a oficina fazem a mediação,
deixando as famílias à vontade para compartilhar o que está dando certo e o que
tem fugido do controle delas.
2
ETAPA BUSCA INDIVIDUAL DO CONHECIMENTO
Palavras-chave: intuição e pesquisa
Para pesquisa, é lançada a questão: “Como você trabalha regras e limites
com seus filhos?”. A proposta feita às famílias é a de que pensem nas
estratégias que costumam dar certo. Além disso, sugere-se a elas realizar uma
autoavaliação, em que cada uma identifique as formas de lidar com os filhos
que não têm trazido resultados positivos.
4
ETAPA CONCLUSÃO
Palavra-chave: produção
Os pais ou responsáveis são incentivados a
escrever, na roupa dos bonecos de EVA que lhes
são entregues, a melhor qualidade das crianças
e dos jovens e o maior problema de disciplina
que enfrentam com eles. Na sequência, o mediador
recolhe os bonecos e distribui-os aleatoriamente,
chamando-os de “filhos secretos”. As famílias “trocadas” têm de
trabalhar na produção de um material que apresente sugestões de
maneiras de resolver as questões ali apontadas.
RicardoRibeiro
BOA VONTADE Mulher 45
debate de temáticas sugeridas pelos pais
e responsáveis, extraídas de situações de
desa­fio do cotidiano deles. Para exempli-
ficar a boa experiência da utilização do
MAPREI também nessas ações, registra-
mos aqui a oficina realizada sob o tema
“Disciplina e limites: uma visão além
do intelecto”, que propiciou à Escola de
Educação Infantil Alziro Zarur, da LBV,
em Taguatinga/DF, um resultado bastante
positivo. Nessa oficina, foi aplicado um
planejamento do MAPREI, elaborado pela
equipe multidisciplinar da referida unidade
escolar (veja o quadro ao lado).
CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DA
LBV, EM PORTUGAL
Vale destacar que o planejamento
aqui citado foi apresentado em ofici-
na do 15o
Congresso Internacional de
Educação da LBV, que ocorreu em 24
e 25 de novembro de 2015, na cidade
do Porto, em Portugal. Os participantes
simularam a realização da oficina, como
se eles estivessem aplicando-a para as
famílias dos grupos ou instituições às
quais pertencem. A atividade levou-os
a refletir sobre o necessário preparo
das famílias para o enfrentamento de
problemáticas atuais.
A Legião da Boa Vontade considera
que tem sido de extrema valia essa par-
ceria com as famílias. Por isso, estimula
continua­mente o envolvimento dos pais
ou responsáveis em atividades que am-
pliem vínculos afetivos com as crianças
e os jovens, a fim de que estes se sintam
mais bem acolhidos e incentivados. O
objetivo dos encontros que a LBV pro-
move com esses pais ou responsáveis é
o de que cada núcleo familiar se sinta
suficientemente preparado para enfrentar
e superar dificuldades, fortalecendo e
potencializando sua capacidade de iden-
tificar, preventivamente, os perigos que
ameaçam a integridade física, emocional
e/ou psicológica das crianças e dos jovens
que o compõem.
5
ETAPA APRESENTAÇÃO DE
RESULTADOS
Expressão-chave: integração
escola–família–comunidade
O mediador organiza o material
resultante da busca de soluções
dos problemas expostos pelas famílias
sobre os “filhos secretos”, disponibilizando-o
para apreciação, sob o nome de “Não há manuais
para cuidar dos filhos, mas temos sugestões”. Nele
são incluídas propostas de atividades lúdicas que
podem ser praticadas dentro do lar que fortaleçam
os vínculos de seus componentes.
6
ETAPA CONCLUSÃO INDIVIDUAL
Palavras e expressão-chave:
internalização e retorno ao
indivíduo
Para fechar o encontro, promove-
-se uma discussão com as famílias
acerca do tema em foco, gerando
conclusões pessoais sobre as possíveis
mudanças das crianças e dos jovens quando os pais
ou responsáveis por eles se sentem empoderados
e aptos não só a perceber as situações de riscos
que rodeiam a vida deles, mas também a agir com
conhecimento e firmeza para a prevenção ou o
combate dessas situações, conforme propõem as
cinco etapas anteriores, cujas ações são pautadas
pelos valores da Espiritualidade Ecumênica.
JoséGonçalo
46 BOA VONTADE Mulher
PROTAGONISMO SOCIAL
CanindéSoares
Natal/RN
BOA VONTADE Mulher 47
Reescrevendo
o destino
A
revista BOA VONTADE dedica essas páginas
para apresentar outras histórias de mulheres que
vivenciaram situações de risco social, de adver-
sidades e de desafios. Mas que, apesar de tudo isso,
deram a volta por cima, assumiram seu protagonismo
social e se tornaram personagens importantes na área
em que atuam. Em comum a todas elas, o desejo de
concretizar sonhos, a determinação e o apoio que re-
ceberam da Legião da Boa Vontade, fato determinante
para que pudessem manifestar o próprio potencial.
Vindas das camadas mais pobres e sofridas da so-
ciedade, essas mulheres melhoraram não apenas sua
vida, mas também a de sua família e a da comunidade
em que residem.
VOLTA POR CIMA DE QUEM PASSOU FOME
A narrativa de Oderlânia Leite Galdino, de 37
anos, retrata a de inúmeras outras mulheres do
Nordeste brasileiro e exemplifica bem a importân-
cia de despertar a potencialidade feminina. Nem a
experiência da fome e as angústias provocadas pela
miséria mais profunda apagaram do coração dela a
esperança de dias melhores. “Nasci em meio a um
cenário de beleza incomparável; foi no alto da Serra
de Martins, no Rio Grande do Norte. Recordo-me
Mulheres encontram na LBV um caminho para o
empoderamento feminino
LEILA MARCO
do desejo, quando criança, de alçar altos e belos
voos, tão altos, bem mais altos do que a serra onde
eu morava, que me fizessem esquecer e superar as
dificuldades que eu passava”, relata.
Em 1985, quando tinha apenas 7 anos de idade,
o pai faleceu. A mãe teve de se desdobrar e realizar
diversas atividades a fim de obter o sustento da família.
“Eu a vi trabalhar por duas pessoas para alimentar oito
filhos”, rememora. Apesar do esforço materno, essa
fase foi muito difícil, conforme ela conta: “Doía-me
profundamente quando em casa não tínhamos o que
comer. Eu bebia água ou comia farinha de mandioca
para tentar matar a fome e conseguir dormir. Eu e meus
irmãos chegamos a pedir esmolas de casa em casa
para sobreviver. Recordo-me sempre do sabor daquele
primeiro iogurte que tomei após ter encontrado no
lixo; foi perfeito. O lixão era, para mim, um ponto de
apoio, onde buscava o alimento para manter-me de
pé junto com minha família”.
Aos 16 anos, já na capital potiguar, novas perspec-
tivas surgiram para sua vida. Meses depois, começou
a ser voluntária na Legião da Boa Vontade. “Minha
história com a LBV é de transformação. A Instituição
entrou na minha vida como uma luz, onde eu não
imaginava que existia claridade. Identifiquei-me com
D O S D R A M ÁT I C O S M O M E N TO S N O L I X Ã O A G E S TO R A D O S E R V I Ç O S O C I A L
48 BOA VONTADE Mulher
até que foi convidada para ser gestora do
Centro Comunitário de Assistência Social
da LBV. “Nesse dia, fiquei surpresa e ao
mesmo tempo feliz. Aceitei e estou, até
os dias atuais, buscando desenvolver um
excelente trabalho, para, assim, contribuir
na construção de um mundo melhor e no
empoderamento de cada um dos atendi-
dos pela Instituição. Hoje, sou formada
em Serviço Social e pós-graduada em
Sustentabilidade e Elaboração de Pro-
jetos Sociais. (...) Sinto-me realizada e
vencedora, graças à LBV e ao seu diretor-
-presidente, José de Paiva Netto, que é
um ser humano iluminado e abençoado
por Deus”, afirmou.
esta Casa desde o primeiro momento em
que entrei nela”, revela.
A paixão “pelo cuidado, pelo capricho,
pela atenção que a LBV tem com todos
os atendidos” modificou-a de maneira
profunda, a ponto de aquela jovem extre-
mamente tímida, que não gostava de falar
com ninguém, ir sendo deixada de lado.
“Meus medos pareciam ser maiores do
que eu. Porém, aos poucos, fui ganhando
desenvoltura na missão que Deus havia
preparado para mim”, ressalta.
Em 1996, surgiu a oportunidade de
trabalhar como contratada na unidade de
atendimento da Instituição. Sempre muito
dedicada, desempenhou diversas funções,
“Minha história com a LBV é de transformação.
A Instituição entrou na minha vida como
uma luz, onde eu não imaginava que existia
claridade. Ela foi e é um divisor de águas em
minha vida para a superação das dificuldades
que passei.”
ODERLÂNIA LEITE GALDINO
Depois de uma infância difícil marcada pela fome, venceu na vida,
tornou-se voluntária da LBV e, atualmente, é gestora do Centro
Comunitário de Assistência Social da Instituição em Natal/RN.
PROTAGONISMO SOCIAL
(1) Em ação promovida
na comunidade de
Pissarreira, em
Taipu/RN, a LBV
entregou roupas às
famílias em situação de
vulnerabilidade social.
(2) Durante a entrega
de cestas da LBV, em
Taipu/RN.
JeanCarlos
Fotos:ArivaldoOliveira
Brasil
1 2
BOA VONTADE Mulher 49
A
portuguesa Maria Adelaide Silva
Pinto, de 54 anos, há alguns anos,
enfrentou graves problemas de
saúde que mudaram drasticamente sua
vida. Com uma atividade profissional muito
ativa na área contábil, teve de se afastar
do emprego após sofrer dois acidentes
vasculares cerebrais (AVCs) e vivenciar
forte depressão, ficando dependente dos
cuidados da mãe, idosa, por certo período
de tempo.
A primeira porta abriu-se para Maria
Adelaide no início de 2014, quando ela
buscou, com o apoio de um vizinho, aten-
“Eu agradeço
muito a Deus pela
oportunidade de ser
voluntária, porque
é uma forma de me
sentir útil.”
MARIA ADELAIDE SILVA
PINTO
Voluntária
Voluntariado traz
paixão pela vida
Certório Baptista
EduardaPereira
Portugal
Porto, Portugal
50 BOA VONTADE Mulher
dimento na unidade da LBV de Portugal, na
cidade do Porto. Segundo relata, era difícil
falar da necessidade pela qual passava;
tinha vergonha de pedir ajuda.
Com a boa recepção que obteve da
Entidade, deixou de ser atormentada por
esses temores e um vínculo de carinho e
compreensão logo se formou entre essa
lusitana e a Instituição. Participante do
programa Um Passo em Frente, começou
a receber mensalmente uma cesta de ali-
mentos para seu sustento e o de sua mãe,
bem como a assistir às palestras oferecidas
por meio do programa.
Maria Adelaide ainda conta que, na
Legião da Boa Vontade, encontrou não só o
amparo social, mas um espaço privilegiado
para refletir sobre postura e comportamen-
to diante do próximo. “Eu agradeço muito a
Deus pela oportunidade de ser voluntária,
porque é uma forma de me sentir útil.
Quando vejo outras pessoas que também
estão passando por situações idênticas à
minha, quero transmitir minha experiên-
cia”, salienta. Foi dessa maneira que ela
“Ao descobrir o voluntariado na
LBV, pude trabalhar em prol do
bem e da justiça humanitária, o
que me dá muito orgulho.”
ANA SOFIA SEQUEIRA
Voluntária da LBV dos EUA
EUA
Long Branch, EUA
Hazlet, EUA
Fotos:ArquivoBV
BOA VONTADE Mulher 51
venceu a depressão e outros problemas
de saúde. “Eu não tenho muita coisa,
mas sou a pessoa mais feliz do mundo.
Tenho o que mais quero na vida, que é a
paz interior.”
NOVA YORK, EUA
Esse sentimento também é comparti-
lhado pela secretária-executiva Ana Sofia
Sequeira, de 37 anos. Portuguesa de
ascendência angolana, mora nos Estados
Unidos há 22 anos e tornou-se uma pessoa
mais feliz depois de conhecer a Legião da
Boa Vontade dos EUA. Ela presta auxílio
a gestantes em risco social e colabora
para que crianças pobres sejam incluídas
socialmente. “Ao descobrir o voluntariado
na LBV, pude trabalhar em prol do bem
e da justiça humanitária, o que me dá
muito orgulho. É inevitável não ser tocada
pela reação dos atendidos, quando nossa
ação tem algum tipo de impacto direto e
imediato na vida deles”, destaca e com-
plementa: “Com certeza, hoje sou uma
vencedora!”.
L A M B A R É , PA R A G U A I
Tecnologia e aumento
da renda familiar
Foi participando de ações da Legião da Boa Vontade do
Paraguai que María Luisa Russo, de 35 anos, realizou um sonho
de muitas mães: trabalhar em casa. Ela ficava preocupada com
a saúde da filha de 6 anos, que era obrigada a acompanhá-la
pelas ruas de Assunção, capital desse país, na busca de material
reciclável, de cuja venda obtinha parte do sustento da família.
“Se fizesse frio ou chovesse, da mesma forma tínhamos de ir,
e minha menina vivia doente por isso”, conta.
Essa realidade mudou quando a LBV levou o programa Boa
Vontade em Ação ao assentamento de Villa Angélica (leia outras
informações na p. 54), onde María Luisa reside, localizado em
Lambaré, região metropolitana da capital paraguaia. Graças à
iniciativa, ela pôde frequentar cursos gratuitos de diferentes téc-
nicas artesanais e, como participante de programas da Entidade,
também foi convidada para integrar o grupo Fortalecendo Vidas.
Desde então, sua vida e a de seus três filhos melhorou
consideravelmente. No grupo, ela aprendeu a ter autonomia
e elevou a autoestima. A participação nele ainda fez com que
vislumbrasse a possibilidade de usar as redes sociais para ven-
der os produtos que aprendeu a confeccionar com profissionais
voluntários da Instituição. Atualmente, chega a ganhar cinco
vezes mais do que recebia com a antiga atividade. “Hoje, eu
ganho meu dinheiro em casa e tenho mais tempo para estar
com meus filhos. Agradeço por todo o ensinamento que a LBV
nos dá e pela cesta de alimentos oferecida. É uma bênção
para nós”, diz.
Lambaré, Paraguai
Paraguai
ArquivoBV
Fotos:RaquelDiaz
52 BOA VONTADE Mulher
REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA
O
que fazer quando a comunidade sofre
com uma precária infraestrutura e
com a ausência de serviços básicos,
entre os quais água encanada, saneamento
e energia elétrica? Diante de situações como
essas, muitas mulheres possuem dentro de
si um fator indispensável: a determinação
de ir atrás de soluções para os problemas
da localidade onde estão inseridas.
São pessoas que, por meio da atuação
individual ou em associações, se esforçam
para alcançar o bem-estar de sua família e
de quem vive ao seu redor. De acordo com
Marcos Kisil, consultor estratégico e funda-
dor do Instituto para o Desenvolvimento do
Investimento Social (Idis), essa procura pela
garantia dos direitos da coletividade aumenta
desde a década de 1980. “Com o retorno da
democracia [no Brasil], houve o crescimento
das organizações comunitárias focadas em
problemas ou questões de interesse públi-
co, prestadoras de serviços, ou na busca
[do cumprimento] dos direitos humanos,
presentes em nossa Constituição”, explicou.
Em sintonia com essa realidade e com
o 17o
Objetivo de Desenvolvimento Susten-
tável — “Fortalecer os meios de implemen-
tação e revitalizar a parceria global para o
desenvolvimento sustentável” —, a Legião
da Boa Vontade tem apoiado organizações
do Terceiro Setor para melhorar a qualidade
de vida de pessoas e famílias residentes em
bairros ou assentamentos em situação de
risco social. Esse atendimento ocorre por
LBV apoia mulheres a assumirem papel de protagonistas
nos locais onde vivem
JANINE MARTINS
Liderança
comunitária
feminina
AT I T U D E T R A N S F O R M A D O R A
BOA VONTADE Mulher 53
Tia Lourdes no bairro Jardim Princesa, onde
atua com a comunidade, por meio da Associação
Creche Imaculado Coração de Maria.
meio do programa Rede Sociedade Soli-
dária, da LBV, que prioriza a atuação para
o empoderamento feminino.
A TRAJETÓRIA DA TIA LOURDES
Imagine a seguinte cena: alguém passa
em frente a um barraco e ouve o choro de
uma criança. Ao se aproximar, percebe que
um menino de 5 anos deixado em casa so-
zinho enquanto os pais tentavam conseguir
o sustento do lar se havia queimado ao
esquentar a própria comida. Quem viven-
ciou essa situação foi a alagoana Maria
de Lourdes dos Santos Silva, atualmente
com 62 anos. O triste fato fez com que ela
resolvesse agir para que acontecimentos
desse tipo não ocorressem mais, e a to-
mada de atitude impulsionou-a a se tornar
referência de liderança no Jardim Princesa,
bairro onde mora, localizado na Zona Norte
de São Paulo/SP.
Comovida com o caso do garoto, tia
Lourdes — apelido carinhoso que recebeu
— ofereceu-se para fornecer comida a ele,
a fim de que não se queimasse mais. Outros
pais que passavam por situação semelhante
logo pediram para deixar os filhos na casa
dela. Seu lar acabou se transformando
em uma creche, a primeira mantida pela
Associação Creche Imaculado Coração de
Maria, a qual ela fundou para acolher essas
crianças.
Nessa ação, Maria de Lourdes mudou a
vida de muita gente. Roselita Vitor da Silva
é uma dessas pessoas. Também vinda da
região Nordeste, mais especificamente do
Estado do Ceará, chegou à capital paulis-
ta recém-casada e buscou a ajuda de tia
Lourdes. Criou seu único filho na creche
e, hoje, auxilia outras mães por meio do
trabalho na entidade.
Atualmente, Roselita é quem participa
dos encontros promovidos pela Legião da
Boa Vontade por intermédio do programa
Rede Sociedade Solidária. “Recebemos
esse suporte da LBV, além de cursos para
qualificar, montar, dirigir uma associa-
ção... Isso é fantástico!”, declarou.
VivianR.Ferreira
Brasil
54 BOA VONTADE Mulher
LAMBARÉ, PARAGUAI:
“COM A LBV, EU APRENDI A
VENCER COMO MULHER”.
No assentamento Villa Angélica, situa-
do na cidade de Lambaré, no Paraguai,
quem precisa de amparo procura Elsa
Raquel Morel Callante e a LBV. Há seis
anos, a líder comunitária conseguiu di-
versas benfeitorias para o local, entre as
quais energia elétrica, água encanada e
pavimentação em uma das ruas.
Mãe de dez filhos, Elsa perdeu um deles
no nascimento e outro aos 4 anos, atingido
por uma bala perdida. Apesar dos afazeres
domésticos, ela alterna o cuidado com a
prole com o trabalho de reciclagem, por
meio do qual ajuda o marido no sustento
da casa, e com a busca de soluções dos
problemas da localidade em que reside.
Há quatro anos, a LBV começou a
fazer parte da vida de Elsa e da comuni-
dade dela, que conta com sua liderança.
“A partir desse período, conquistamos
bastante coisa; amadurecemos como pes-
soas, como mulheres; melhoramos nossa
autoestima; aprendemos a nos relacionar
melhor com os nossos vizinhos, com as
“Como entidade social, às vezes recuamos
um pouco, porque nos sentimos muito sós.
É muito bom recebermos esse apoio da
LBV, esse braço amigo, aconchegante, que
entende nossa língua.”
ROSELITA VITOR DA SILVA (D)
Ela auxilia a tia Lourdes na gestão das creches
da Associação na Zona Norte da capital paulista.
FOCO NA MULHER
Rede Sociedade Solidária, da LBV
O QUE É Ação de assessoramento a associações e
instituições do Terceiro Setor. Com essa iniciativa,
a Legião da Boa Vontade colabora de forma
intersetorial para que associações e entidades
parceiras dela consigam trabalhar mais e melhor
pelas comunidades em que estão inseridas.
COMO Profissionais da LBV prestam
orientação a gestores sociais sobre políticas de
desenvolvimento social e os capacitam a empregar
recursos públicos e/ou privados em prol das
próprias comunidades.
PRIORIDADE
Do público-alvo assistido pelas
entidades assessoradas por esse
programa são compostos de mulheres.
%
Do total de entidades cadastradas
estão sob liderança feminina.
66
71
%
VivianR.Ferreira
REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA
Brasil
BOA VONTADE Mulher 55
mulheres; temos muitos benefícios com
a LBV, não só as mulheres, mas também
as crianças”, salientou. Formado por
cerca de 140 famílias, as quais têm, no
total, mais de 300 meninas e meninos, o
assentamento recebe todo mês cestas de
alimentos da LBV. Além disso, a Instituição
realiza constantemente no local programas
e campanhas socioeducacionais de preven-
ção e promoção da saúde.
Recentemente, Elsa concluiu o curso
de secretariado e ainda aumentou a ren-
“A LBV ENSINA VOCÊ A PESCAR.”
“Para manter este trabalho na comunidade, quem nos ajuda é a
LBV. Se não fosse ela, eu não estaria aqui hoje. A LBV ensina você
a pescar. Paiva Netto é, para nós, um pai, que nos tem ajudado,
e as associações devem agradecer muito a ele por esse suporte.
Quantas vezes entrei aqui pensando: ‘Como eu vou conseguir?’,
e a reunião do programa Rede Sociedade Solidária me ajudou a
buscar a solução. Se não fosse a Instituição, eu não conseguiria
tantas doações como consigo, além de a própria LBV dar doações
para a gente. Então, só tenho a agradecer.”
MARIA DA GLÓRIA JULIÃO
Presidente da Associação Leão de Judá,
situada no bairro Vila Sílvia, na Zona Leste da capital paulista.
Divulgação
No assentamento
Villa Angélica,
na cidade de
Lambaré, no
Paraguai, (1) Elsa
Raquel discursa
em atividade do
programa e (2)
ladeada pelos
filhos em sua
casa.
da familiar por meio da venda de itens
confeccionados com as técnicas de arte-
sanato que aprendeu no grupo intitulado
Fortalecendo Vidas, da LBV. A iniciativa
da Instituição tem beneficiado não só ela,
como também outras mães da comunida-
de. “Graças a tudo o que aprendemos no
grupo, fomos crescendo. Alguns dos pro-
dutos que produzimos, nós já vendemos,
e [isso] nos dá uma renda. Trabalhamos
em casa e podemos cuidar dos nossos
filhos”, contou.
Fotos:RaquelDiaz
Paraguai
1 2
CarlosCésarSilva
S
egundo pesquisa da Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe (Cepal) —
uma das cinco comissões regionais da Orga-
nização das Nações Unidas (ONU) —, divulgada em
2014, cerca de 28,5 milhões de latino-americanos
e caribenhos vivem fora do país de origem. Ainda
de acordo com o relatório, nesse grupo cresceu a
presença feminina. Outros estudos mostram que,
a partir da década de 1980, houve significativa
mudança no perfil da migração, isso porque não
apenas mulheres casadas passaram a deslocar-se,
com sua família, de uma região para outra, mas
também mulheres solteiras e jovens começaram a
sair do local de nascimento em busca de melhores
condições de vida e de trabalho.
Nesse contexto, muitas dessas mulheres acabam
por assumir o papel de provedoras do lar, a fim de
vencer uma situação socioeconômica difícil. Para aju-
dar essas trabalhadoras no processo de acolhimento
Adaptação e
acolhimentoMulheres enfrentam as diferenças de uma nova
cultura com a ajuda da LBV
NOVAS OPORTUNIDADES
e propiciar a elas oportunidades na nova sociedade
em que estão inseridas, a Legião da Boa Vontade
oferece apoio de diferentes maneiras. Conheça a
história de duas mulheres que mudaram de país e,
nesse novo contexto, encontraram a LBV para vencer
seus desafios.
APOIO AOS QUE MIGRAM
Em 2005, aos 15 anos, Soledad Encinas saiu
de La Paz, na Bolívia, para rever a mãe, que vivia
havia oito anos em Buenos Aires, na Argentina.
Apesar de esses dois países terem o espanhol como
idioma oficial, a adaptação à nova pátria foi difícil
para ela. “Eu não estava confortável, não me sentia
bem, porque as pessoas eram diferentes. A comida,
a cultura, tudo [era] diferente”, revelou.
Poucos anos depois, Soledad constituiu famí-
lia, e somaram-se às dificuldades culturais
as da maternidade. Mãe
JANINE MARTINS
“Desde que cheguei [neste país], nunca havia feito
um amigo e, na LBV, eu me senti bem, unida [aos
demais]. (...) [O atendimento prestado pela Escola
Infantil Jesus] é bom, porque não é apenas para as
crianças, mas para toda a família.”
SOLEDAD ENCINAS
Argentina
Fotos:CarlosCésarSilva
BOA VONTADE Mulher 57
A boliviana Soledad Encinas, de 25 anos, com os filhos Agustín (E),
Maximiliano e Valentina, atendidos pela Escola Infantil Jesus, em Buenos
Aires, na Argentina.
Escola da LBV em Buenos Aires, na Argentina.
Argentina
58 BOA VONTADE Mulher
Educação em Ação, fez com que passasse
a encarar a própria existência de um jeito
mais positivo. “Desde o ano passado,
tenho outro semblante, porque, antes,
eu tinha um olhar cabisbaixo e, agora,
olho para o futuro”, disse.
Sobre o atendimento que recebe
da Escola Infantil Jesus, ela destacou:
“É bom, porque não é apenas para as
crianças, mas para toda a família. É um
alívio saber que seus filhos estão em
boas mãos”.
DE ALUNA A PROFESSORA
Filha de um alfaiate e de uma costu-
reira e a mais velha de quatro irmãos,
Melvi Janete Callizaya Conde nasceu em
La Paz, na Bolívia. Em abril de 1998, a
família — à época constituída por Melvi,
sua irmã e seus pais — desembarcou no
Brasil e fixou residência em São Paulo/SP.
Alfabetizada em sua terra natal, Melvi
mudou-se com 7 anos para o país, onde
os outros dois irmãos nasceram.
A menina estudou breve período
em alguns colégios na capital paulista
e ingressou, pouco tempo depois, no
Conjunto Educacional Boa Vontade, cujo
lema é “Aqui se estuda. Formam-se Cé-
rebro e Coração” e onde são aplicadas
NOVAS OPORTUNIDADES
de cinco crianças e com sérios problemas
financeiros, viu sua trajetória tomar rumo
melhor ao achar na Escola Infantil Jesus,
mantida pela LBV da Argentina, o amparo
de que necessitava.
A insegurança de deixar os filhos com
alguém que não fosse da família para
trabalhar fora passou quando a menina
mais velha foi matriculada naquele esta-
belecimento educacional. Além de propor-
cionar ensino de qualidade, a Instituição
tornou-se seu porto seguro nos dias mais
críticos. “Às vezes, [eu] não tinha comida,
e a LBV me ajudava”, afirmou.
Mais tranquila, começou a participar
de programas sociais da Entidade, nos
quais conseguiu o respeito e o carinho
que tanto desejava. “Reunimo-nos com
outras mães, contamos nossos casos e
como nos sentimos naquele momento.
Foi assim que me senti confortável pela
primeira vez. Desde que cheguei [neste
país], nunca havia feito um amigo e,
na LBV, eu me senti bem, unida [aos
demais]”, relatou.
Aos 25 anos, Soledad experimenta a
possibilidade de crescimento profissional.
O fato de ter concluído recentemente o
curso de Atendimento ao Cliente, ofe-
recido pela LBV por meio do programa
Fotos:ArquivoBV
LBV CONTRIBUI PARA
DEBATE NA ONU SOBRE
CRISE MIGRATÓRIA
A Legião da Boa Vontade
organizou, de parceria
com o Comitê de ONGs
sobre Educação, o painel
“Educação para a inclusão
sustentável de populações
deslocadas”, realizado
em 11 de fevereiro.
O evento integrou a
programação oficial da
54a
sessão da Comissão
das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Social.
(1) O representante da
LBV na ONU, Danilo
Parmegiani, apresentou
trecho do livro É Urgente
Reeducar!, do escritor
Paiva Netto.
(2) O psicólogo e
psicanalista Joseph
DeMeyer, copresidente
do Comitê de ONGs sobre
Educação e representante
da Sociedade de Estudos
Psicológicos para Assuntos
Sociais (SPSSI), discursou
no painel. A reportagem
completa sobre o assunto
está em http://goo.gl/
f0C54N.
1 2
BOA VONTADE Mulher 59
a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia
do Cidadão Ecumênico (mais sobre o
assunto na p. 42), que compõem a
pioneira linha educacional criada pelo
dirigente da Legião da Boa Vontade,
o educador Paiva Netto. “Em outras
escolas nas quais estudei antes de vir
para a LBV, eu sentia a diferença por
ser estrangeira; na Instituição, não. Tive
melhor acolhimento”, ressaltou.
Um dos fundamentos da proposta pe-
dagógica da LBV é trabalhar a individua­
lidade do estudante, o que foi fundamen-
tal para a jovem, que cursou os ensinos
fundamental e médio no referido estabe-
lecimento. “Os professores que eu tive
fizeram a diferença, porque percebiam
nossa dificuldade; então, tinham maior
paciência”, mencionou. Ela também viu
nos antigos educadores inspiração para
seguir a carreira escolhida. Formada em
Matemática e iniciando graduação em Le-
tras, com habilitação em Espanhol, já le-
ciona e nota como a formação que teve na
educação básica se reflete positivamente
hoje em seu trabalho. “Dá para fazer a
diferença, e a gente percebe o resultado
nos alunos, [se] você está sendo querida
ou não, se suas aulas estão funcionando
ou não”, comentou.
“Os professores, funcionários, alunos, enfim,
toda a escola da LBV tem um carinho grande
conosco. Esse mesmo amor, eu acabo
reproduzindo no meu ofício e com meus
irmãos. Isso faz uma grande diferença.”
MELVI CONDE
Ex-aluna do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP,
é professora e faz parte da primeira geração de universitários de
sua família, que migrou da Bolívia para o Brasil. Já cursando a
segunda graduação, sonha em lecionar no ensino superior. Dois de
seus três irmãos ainda estudam na referida escola da LBV.
A escolha de investir em uma profissão
na área da educação não foi bem aceita
pela família de Melvi no início, mas,
atual­mente, os pais orgulham-se da opção
dela. “Quando meu pai falou ‘Minha filha
é professora’, eu me senti totalmente
realizada, além do reconhecimento dos
alunos”, confessou.
Estudiosa, Melvi, aos 24 anos, planeja
voos mais altos. “Meu sonho é lecionar
no ensino superior”, contou.
Vivian R. Ferreira
Brasil
60 BOA VONTADE Mulher
VIOLÊNCIA DE GÊNERO
A
cabar com a violência de gênero é um dos gran-
des desafios da agenda global para os próximos
anos. Em 2013, estudo divulgado pela Orga-
nização Mundial da Saúde (OMS) revelou que 35%
das mulheres irão sofrer, pelo menos uma vez na vida,
atos de violência cometidos por parceiros, familiares,
conhecidos ou estranhos. 
Por isso, a Legião da Boa Vontade trabalha para
combater essa prática condenável e para fortalecer a
proteção das mulheres, além de promover iniciativas
de conscientização e mobilização social em torno do
tema. Quando profissionais da LBV se defrontam com
atendidas que sofreram algum tipo de agressão, por
meio da equipe multidisciplinar da Instituição, oferecem
assistência psicológica ou encaminham as vítimas para
delegacias especializadas, caso seja necessário.
VENCENDO A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Morar na rua é a realidade de muitas pessoas,
incluindo a de várias mulheres. Foi o que vivenciou
Guadalupe, mãe de Luiz, de 5 anos — nomes fictícios
para preservar a identidade deles —, que vivem em
Programas da LBV ajudam a fortalecer a proteção das mulheres
RECOMEÇAR
HORA DE
Montevidéu, no Uruguai. Ela conheceu o marido em
2006 e, após três anos, eles se casaram. Com o nasci-
mento do filho, teve de largar o emprego para cuidar do
bebê e da casa. Foi nesse momento que começaram as
agressões; primeiro psicológicas, com uma indiferença
por parte do esposo para com Luiz.
Posteriormente, com o envolvimento do companheiro
com drogas, a situação foi agravada, e Guadalupe teve
sua integridade física ameaçada: “Ele me forçou a ter
relações sexuais e, depois, atingiu minha cabeça com
um objeto pesado. (...) Além disso, tornou minha casa
um local para mulheres, drogas e álcool”.
Para evitar tanto constrangimento e dor, a mãe fugiu
da própria residência com o filho e, em decorrência das
inúmeras dificuldades financeiras, acabou morando por
quatro meses nas ruas com seu menino. Batalhadora,
conseguiu uma oportunidade de emprego e conheceu a
mão amiga da LBV do Uruguai, que deu oportunidade
para o garoto estudar no Instituto Educativo e Cultural
José de Paiva Netto. Dessa forma, poderia trabalhar
tranquila para conseguir o sustento do lar.
Guadalupe hoje é outra pessoa. Ela afirma que read-
GIOVANNA PINHEIRO
BOA VONTADE Mulher 61
shutterstock.com
62 BOA VONTADE Mulher
*Dados do relatório de 2013 “Estimativas mundiais e regionais da violência
contra mulheres: prevalência e efeitos na saúde da violência doméstica e se-
xual”.
NÚMEROS DA VIOLÊNCIA
DE GÊNERO
Estudo realizado pela OMS*, de parceria com a London
School of Hygiene & Tropical Medicine e o South African Medical
Research Council, analisou a prevalência de violência física e
sexual cometida por parceiros íntimos e parceiros não íntimos
(familiares, amigos, conhecidos e estranhos) contra mulheres
e os efeitos dessas ocorrências na saúde delas. Entre outros
dados, o trabalho revelou que:
Cerca de 35% de todas as mulheres do mundo vão sofrer
violência doméstica ou fora do ambiente familiar, em algum
momento da vida.
35%
A agressão praticada pelo
companheiro é o tipo mais
comum de violência contra
as mulheres: 30% desse
grupo em todo o planeta.
30%
42%
Das mulheres que
sofreram violência
física e/ou sexual de
seus parceiros, 42%
apresentaram algum tipo
de comprometimento,
seja de ossos partidos,
seja de complicações na
gravidez, até perturbações
mentais. 
quiriu a esperança em dias melhores. “Agora,
meu filho e eu estamos felizes, temos uma
nova vida, eu estou muito bem em meu
trabalho — sou militar —, e meu filho é
muito bem tratado na escola da LBV. Estou
muito contente em vê-lo tão feliz e porque o
nosso passado é apenas isso: um passado”.
EXCLUSÃO E DESIGUALDADE DE
GÊNERO
Apesar de os índices de analfabetismo
na Bolívia terem diminuído, o problema
ainda tem o “rosto da mulher”. Três em
cada 100 pessoas são analfabetas naquele
país e, dessas, duas são mulheres. Isso
se deve muito aos fenômenos da exclu-
são e da desigualdade de gênero. Amalia
Apaza, de 30 anos, mãe de dois filhos,
é uma delas. Nascida na comunidade de
Humanata, na província de Camacho, em
uma família numerosa, ela conta que os
pais achavam que estudar era “um direito
só dos homens”. Para eles, explica Amalia,
“as mulheres só deveriam aprender os
trabalhos de casa”.
“Agora, meu filho e eu
estamos felizes, temos
uma nova vida, eu estou
muito bem em meu
trabalho — sou militar —,
e meu filho é muito bem
tratado na escola da LBV.
Estou muito contente em
vê-lo tão feliz e porque o
nosso passado é apenas
isso: um passado.”
GUADALUPE
VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Uruguai
BOA VONTADE Mulher 63
Aos 16 anos, mudou-se para La Paz,
capital boliviana, e se viu subordinada em
ambientes sociais cada vez mais competi-
tivos. “Nos primeiros trabalhos que conse-
gui como ajudante de cozinha, sofri maus-
-tratos por parte de meus empregadores,
em razão da minha falta de experiência
e, sobretudo, porque era muito tímida por
não saber ler e escrever”, relembra.
As humilhações continuaram mesmo
depois de casada. “O meu esposo dizia
que eu não servia para nada, que não
ajudava com os gastos da casa, que só
sabia pedir dinheiro”, diz.
O ciclo trágico de violência psicológica
foi interrompido em 2014, quando Ama-
lia, morando no assentamento de Buena
Vista, na cidade de El Alto (a cerca de dez
quilômetros da capital do país), descobriu
que um grupo de jovens e mulheres adultas
participavam, nas dependências do centro
social da localidade, de cursos de alfabeti-
zação e de capacitação técnica promovidos
pela Legião da Boa Vontade, para qualificar
a mão de obra feminina e gerar renda.
“Pouco a pouco aprendi diferentes
pontos [de tricô e crochê] e a fazer en-
xovais para bebês. Um dia, uma senhora
viu meu trabalho e me disse que, se
quisesse, poderia levar os meus produtos
para a loja dela para colocá-los à venda.
A partir dessa data, vendo bem os meus
trabalhos, sempre tenho mais encomen-
das”, ressalta.
A autonomia que conquistou também
mudou o cenário no lar: “O meu parceiro
não me humilha mais. Além de eu agora
contribuir financeiramente em casa,
aprendi a me valorizar como mulher, mãe,
e me esforço para que meus filhos não
sofram o que eu sofri. Agradeço à LBV por
nos dar cursos gratuitos, por essa opor-
tunidade de aprender e, assim, melhorar
a nossa vida”.
Amalia Apaza Tengo (primeira à esquerda)
recebe o diploma do curso de capacitação
técnica da LBV.
ArquivoBV
Bolívia
DEZ ANOS DE AVANÇOS
Batizada como Lei Maria da Penha, em homenagem à
farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, a
Lei no
11.340 completa, em 2016, dez anos de vigência no
combate e prevenção à violência de gênero no Brasil. No dia
19 de fevereiro, crianças atendidas pela LBV, em Fortaleza/CE,
parabenizaram a inspiradora da nova legislação pela significativa
data. “[Estou] feliz, porque eu sei que vocês estão trabalhan-
do na questão da violência contra a mulher, da divulgação
dessa lei na infância. A maneira como a gente é educado,
como aprende as coisas boas, a gente tende a reproduzir. E
a LBV trabalha neste sentido; eu me sinto honrada de ter a
minha causa incluída nesta ação de vocês. Eu sou muito grata
ao Paiva Netto pelo trabalho que tem desenvolvido junto às
crianças na questão da educação, da cidadania. Gostaria de
agradecer a ele a divulgação e o compromisso que tem em
relação à implementação da Lei Maria da Penha”, ressaltou a
ativista brasileira.
LeandroNunes
64 BOA VONTADE Mulher
da minha vida
ESCOLA
Como estudar na LBV alavancou minhas potencialidades
para lutar pelo protagonismo feminino
REGINA DO NASCIMENTO SILVA
AÇÃO JOVEM LBV
VivianR.Ferreira
M
ulher, jovem, mineira. Para uns, parda. Para mim,
negra. Filha de pais que passaram a infância na
roçaenãoterminaramoensinofundamental,mas
possuem diploma em honra e em valores espirituais, éticos
e ecumênicos. Hoje, ao rememorar minha trajetória, vejo
como foi importante ter estudado no Conjunto Educacional
Boa Vontade, em São Paulo/SP. O que aprendi nesse
estabelecimento de ensino alavancou meu crescimento
espiritual, humano e profissional.
Na escola, éramos sempre incentivados a olhar para
os problemas sociais ao nosso redor — alguns deles pre-
sentes no nosso lar — de maneira crítica, mas também
sensível, o que despertou em nós a vontade de construir
um mundo melhor. Em uma das ações realizadas no
ensino médio, visitamos a comunidade Lidiane, no
bairro do Limão, na capital paulista. Lá, participamos,
com o apoio de profissionais e voluntários da Legião da
Boa Vontade, de atividades recreativas com crianças e
BOA VONTADE Mulher 65
Regina do Nascimento
Silva, 29 anos, ex-aluna
do Conjunto Educacional
Boa Vontade, graduada
em Pedagogia
pela Universidade
Presbiteriana Mackenzie
e pós-graduada em
Linguagem das Artes
pelo Centro Universitário
Maria Antonia, da
Universidade de São
Paulo (USP).
VivianR.Ferreira
adolescentes do local, enquanto as mães e
outros familiares deles eram atendidos por
meio de programas sociais da Instituição.
Essa experiência não serviu apenas
para nos acordar para a dura realidade,
fazendo-nos perceber o sofrimento e as
mazelas da vida, mas também nos possibi-
litou enxergar as potencialidades daquelas
pessoas e aprender que há luzes humanas
espalhadas em todas as classes sociais.
Somos todos iguais. Somente as oportuni-
dades que nos são dadas nos diferenciam.
Os conteúdos extracurriculares ofere-
cidos pela LBV ampliam a criticidade e
o senso de humanidade dos estudantes,
indo muito além dos tópicos trabalhados
geralmente em um sistema apostilado
caro. Eles integram um projeto pedagógico
consistente, que sabe exatamente o que
precisa ser apresentado ao indivíduo para
fazê-lo chegar ao resultado que se espera
dele como ser humano.
No entanto, infelizmente, não são todas
as pessoas que entendem a educação des-
se modo. É comum pensar que a formação
ética das crianças e dos adolescentes deve
ficar a cargo exclusivamente de seus pais
ou responsáveis. Na verdade, toda a so-
ciedade educa, porque nenhum indivíduo
vive enclausurado no espaço puramente
educativo familiar. Todo ser humano, por
estar inserido no mundo, acaba por inte-
ragir com a diferença.
Sabendo disso, posso afirmar, segura-
mente, que toda a equipe de profissionais
e educadores da Legião da Boa Vontade,
engajada na aplicação da Pedagogia do
Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumêni-
co* contribuiu para fazer de mim a pessoa
que sou hoje, levando-me a entender que
sou um ser em constante formação. Essa
educação me deu coragem para enfrentar
meus problemas e desafios da existência,
bem como o conhecimento necessário para
que me saísse bem em diferentes provas
de minha vida, entre estas aquela que
me conduziu ao ensino superior. Formei-
-me em Pedagogia em uma universidade
conceituada, com bolsa de estudo integral,
excelente histórico acadêmico, iniciação
científica concluída e publicação do pri-
meiro artigo.
Outra porta, além da educação, me foi
aberta pela LBV: a do mundo do trabalho.
* Pedagogia do Afeto e
Pedagogia do Cidadão
Ecumênico — Compõem
a linha educacional criada
pelo dirigente da LBV, o
educador Paiva Netto, e
aplicada com sucesso nas
unidades de atendimento
da Instituição. (Veja mais
sobre o assunto na p. 42)
ClaytonFerreira
66 BOA VONTADE Mulher
se destaca por se sensibilizar com a falta
de recursos nos seus bairros e por mobili-
zar pessoas diversas do poder público, do
setor privado e da própria comunidade em
busca de melhoria da qualidade de vida
da população. Na maioria das vezes, essa
gente é composta de mulheres que têm
histórias lindas de lutas e de dificuldades
desde a juventude, mas que, com garra,
superaram o sofrimento ao fazer cessar
a dor do outro. É o trabalho para o qual
eu nasci com certeza, pois, além de todo
o preparo técnico que busquei e adquiri,
me identifico muito com essa atividade e
com cada uma das mulheres participantes
desse programa.
Desejo que toda a Humanidade saiba
cuidar das crianças e dos adolescentes e
construir efetivamente o conhecimento so-
lidário, que é a soma do potencial cognitivo
com valores espirituais, éticos e ecumêni-
cos. Como postula a linha pedagógica da
LBV, somos seres integrais, isto é, somos
“Cérebro e Coração”, no dizer do educador
Paiva Netto.
Com alegria, faço parte do imenso grupo
que realiza diariamente a proposta socio-
educacional dessa Instituição, que é um
dos maiores movimentos humanitários do
planeta.
Primeiro trabalhei como monitora, de-
senvolvendo atividades lúdicas, artísticas,
culturais e de raciocínio lógico, por meio do
ensino do xadrez, jogo de tabuleiro. Tempos
depois, tendo vivido incríveis experiências
e aprendizados com a infância e a juventu-
de atendidas pela Entidade, tive condições
de assumir o cargo de supervisora peda-
gógica do trabalho de outros educadores
que lidam com o público de programas
sociais. Nesse período, aprofundei-me no
exercício das ações de assistência social e
alcancei, então, as condições necessárias
para atuar com lideranças comunitárias
por intermédio do programa da LBV de
assessoramento e de defesa e garantia
de direitos: o Rede Sociedade Solidária.
Com essa iniciativa, a Instituição empodera
— principalmente ao oferecer acesso ao
conhecimento — gente muito simples que
VivianR.Ferreira
AÇÃO JOVEM LBV
BOA VONTADE Mulher 67
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Boa Vontade Mulher, edição 2016

  • 1.
    A Legião daBoa Vontade apresenta recomendações de boas práticas aos participantes da 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos, de 14 a 24 de março de 2016. A LBV é uma organização da sociedade civil brasileira com status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc) das Nações Unidas, desde 1999. 66anos www.boavontade.com PAIVA NETTO escreve “Caridade e estratégia” e destaca: “A Caridade, aliada à Justiça, é o combustível das transformações profundas. Sua ação é sutil, mas eficaz”. (Leia a íntegra na p. 4.) Appgratuito darevista BOAVONTADE Presidente da 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU,o embaixador Antonio Patriota fala sobre a importância feminina na implementação da Agenda 2030. O trabalho da Legião da Boa Vontade para a formação de meninas e mulheres de todas as idades para se tornarem protagonistas nas comunidades onde vivem ENTREVISTA EXCLUSIVA AGENTES DA TRANSFORMAÇÃO
  • 3.
    EDIÇÃO COMEMORATIVA DE24/2/2016, NOS IDIOMAS ESPANHOL, FRANCÊS, INGLÊS E PORTUGUÊS. Revista apolítica e apartidária de Espiritualidade Ecumênica BOA VONTADE Mulher é uma publicação da LBV, lançada pela Editora Elevação. Registrada sob o no 18.166 no livro “B” do 9o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo. DIRETOR E EDITOR RESPONSÁVEL: Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP CHEFE DE REDAÇÃO: Rodrigo de Oliveira — MTE/DRTE/SP 42.853 JP COORDENAÇÃO GERAL DE PAUTA: Gerdeilson Botelho SUPERINTENDÊNCIA DE MARKETING E COMUNICAÇÃO: Gizelle de Almeida EQUIPE ELEVAÇÃO: Adriane Schirmer, Allison Bello, Ana Paula de Oliveira, Andrea Leone, Angélica Periotto, Bettina Lopez, Camilla Custódio, Cida Linares, Daniel Guimarães, Eduarda Pereira, Felipe Duarte, Gabriela Marinho, Giovanna Pinheiro, Jéssica Botelho, Josué Bertolin, Laura Leone, Leila Marco, Letícia Rio, Lísia Peres, Luci Teixeira, Marcos Antonio Franchi, Mariane de Oliveira Luz, Natália Lombardi, Neuza Alves, Raquel Bertolin, Rosana Bertolin, Roseli Garcia, Sarah Jimena Moreno, Silvia Fernanda Bovino, Valéria Nagy, Walter Periotto e Wanderly Albieri Baptista. CAPA: Helen Winkler / FOTO DE CAPA: Leilla Tonin PROJETO GRÁFICO: Helen Winkler / DIAGRAMAÇÃO: Diego Ciusz e Helen Winkler IMPRESSÃO: Mundial Gráfica ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA: Rua Doraci, 90 • CEP 01134-050 • Bom Retiro • São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225-4971 • Caixa Postal 13.833-9 • CEP 01216-970 • Internet: www.boavontade.com / E-mail: revista@boavontade.com A revista BOA VONTADE Mulher não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de fomentar o debate dos assuntos de interesse global e de fazer refletir sobre as tendências do pensamento contemporâneo. RECOMENDAÇÕES DA LBV Declaração da LBV para a 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher 70 ANOS DAS NAÇÕES UNIDAS História de lutas e conquistas ENTREVISTA Embaixador Antonio Patriota, presidente da 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU. MENSAGEM DE PAIVA NETTO Caridade e estratégia 16 3810 4 SUMÁRIO 42 OPINIÃO – EDUCAÇÃO por Suelí Periotto Empoderamento da mulher mãe 46 PROTAGONISMO SOCIAL Reescrevendo o destino 52 REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA Liderança comunitária feminina 56 NOVAS OPORTUNIDADES Adaptação e acolhimento 60 VIOLÊNCIA DE GÊNERO Hora de recomeçar 64 AÇÃO JOVEM LBV por Regina do Nascimento Silva Escola da minha vida BOA VONTADE Mulher 3
  • 4.
  • 5.
    JoãoPreda Caridade e estratégia sos eenfermos, e do trabalho e da renda delas dependem a educação, a saúde e o bem-estar dos familiares. Empoderar, pois, essa natural ativista dos direitos humanos é tarefa urgente para o advento de uma Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, que exige o espírito de real Caridade, assunto sobre o qual me debruçarei neste artigo, com base na experiência de décadas de trabalho na Legião da Boa Vontade (LBV). O destino de ser mulher e a dimensão universal do Amor Fraterno são temas que convergem e devem ser lembrados nesta 60a sessão da Comissão das Nações Uni- das sobre a Situação da Mulher (CSW, na sigla em inglês), realizada de 14 a 24 março, em Nova York/Estados Unidos. Afinal, na maioria das vezes, está nas mãos do sexo feminino a responsabilidade de cuidar de crianças, ido- José de Paiva Netto é escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno”. JoãoPreda BOA VONTADE Mulher 5
  • 6.
    Acerca do propósitodesse dia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou: — A caridade desempenha um papel importante no apoio aos valores e no trabalho das Nações Unidas. Doações de tempo ou de dinheiro; envolvimento voluntário numa das suas próprias comu- nidades ou no outro lado do mundo; atos de caridade e bondade sem esperar uma recompensa; estas e outras expressões de solidariedade global nos ajudam na nossa procura partilhada de viver em harmonia e de construir um futuro pacífico para todos. Saúdo esta primeira celebração do Dia Internacional da Caridade. Em português, Caridade rima com ami- zade. E não apenas pela fonética. Sua ação está intrinsecamente ligada ao gesto cordial de esclarecer e amparar os menos instruídos. Na nova edição de Cidadania do Es- pírito, destino um capítulo ao significado do termo Caridade, a partir de conceitos MENSAGEM DE PAIVA NETTO Vivian R. FerreiraSão Paulo/SP Antes, quero abrir parênteses para saudar o embaixador Antonio Patriota, representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, presidente da histórica 60a edição da CSW e antigo defensor da igualdade de gênero. Ao conceder entrevis- ta exclusiva à revista BOA VONTADE, nos deu a honra de trazer relevantes conside- rações sobre o encontro, que enriquecem esta publicação (veja p. 10). FERRAMENTA IMPRESCINDÍVEL Em 5 de setembro de 2013, a Organiza- ção das Nações Unidas lançou a comemora- ção anual do Dia Internacional da Caridade. A LBV foi convidada a participar e discursou sobre a força da Caridade Completa para o cumprimento da agenda internacional de desenvolvimento sustentável, durante ceri- mônia, que teve lugar na sede da ONU em Nova York. Cinco de setembro faz referência à data de falecimento de uma mulher ícone no amparo aos mais pobres e vulneráveis: Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), Prêmio Nobel da Paz em 1979. Ban Ki-moon ReproduçãoBV Antonio Patriota ElianaGonçalves 6 BOA VONTADE Mulher
  • 7.
    que tenho desenvolvidodesde a década de 1960, convidando o(a) leitor(a) a refletir sobre essa ferramenta imprescin- dível, em minha opinião, para ajustar os mecanismos de uma sociedade, ainda hoje regida pelo individualismo, seja no âmbito particular ou coletivo. Aliás, esse individualismo tem contribuído para levar muita gente à indiferença, à secura de alma, isto é, à ausência da Solidarieda- de, da Fraternidade, da Generosidade nos relacionamentos humanos e sociais. Aqui, alguns trechos do tema. Espero que apreciem:  A Caridade não é um sentimento de tolos. É uma estratégia de Deus, que estabelece nos corações a condição ideal para que se trabalhe, governe, empresa- rie, administre, pregue, exerça a Ciência, elabore a Filosofia e se viva, com espírito de Generosidade, a Religião. Quando há Amor Fraterno, incontrastá- vel empenho e consagrada competência, que se desenvolve com labor e zelo — A Caridade não é um sentimento de tolos. É uma estratégia de Deus, que estabelece nos corações a condição ideal para que se trabalhe, governe, empresarie, administre, pregue, exerça a Ciência, elabore a Filosofia e se viva, com espírito de Generosidade, a Religião. Jean CarlosCampina Grande/PB desde a fixação de um simples prego na madeira (creia no seu valor próprio!) —, não existem limites para o alicerce de um mundo melhor. Realizar o Bem voluntariamente é uma das mais belas páginas de Amor que o ser humano pode escrever. (...) A Caridade, aliada à Justiça, é o combustível das trans- formações profundas. Sua ação é sutil, mas eficaz. A Caridade é Deus, quando inequivocamente entendido como Amor, e não como vingança. BOA VONTADE Mulher 7
  • 8.
    Paulo Rappoccio Parisi VivianR.Ferreira REFORMAEFETIVA Desumanidade resulta em desumani- dade. Aí está, em resumo, a explicação do estado atual do planeta. Porém, com a riqueza de nosso Espírito, podemos edificar um amanhã mais apreciável. Entretanto, nenhuma reforma será duradoura se não houver o sentido de Caridade atuando na Alma. A Caridade é o centro gravitacional da consciência política, social, filosófica, científica, religiosa, de modo que — se o ser humano não tiver compreensão dela — deve esforçar-se para entendê-la, a fim de que venha a subsistir em sua própria intimidade pessoal. Não há céu mais auspicioso do que o coração, quando iluminado pelas forças do Bem. Ela é o divino sentimento que nos mantém vivos. Por toda a existência, mormente na hora da dor, ao invés de lamentações, não nos esqueçamos dela e a pratiquemos com devoção. Trata-se de um grande medica- mento para a Alma. A Caridade é a prova do poder do Espírito de construir promissoras épocas para os cidadãos de todo o planeta. Não há maior inspiração para a boa política do que ela. Absurdo?! O tempo mostrará que não. Aliás, já está mostrando. CARIDADE: POLÍTICA EXCELENTE Conforme afirmei, em 1981, ao saudoso jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016): Tornou-se inadiável iluminar o Capitalismo com o lu- zeiro do espírito moral, ético da Caridade, o qual provém de Deus — que significa Amor e Justiça, dentro da Verdade e da Misericórdia — para que a ânsia desenfreada pelo capi- tal, ou seja, a ganância e a corrupção, não fragilize, de tempos em tempos, a Demo- cracia, com os resultados que conhecemos MENSAGEM DE PAIVA NETTO TatianeOliveira LeillaTonin Antônio Martins/RN Salvador/BA 8 BOA VONTADE Mulher
  • 9.
    paivanetto@lbv.org.br www.paivanetto.com CARIDADE COMPLETA Há maisde seis décadas, a Legião da Boa Vontade defende sua van- guardeira tese da Caridade Completa. A prática desse conceito, criado pelo fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), e desenvolvido por Paiva Netto, significa ir além do amparo material, visto que valoriza o indivíduo como um todo, oferecendo-lhe o apoio necessário para reerguer-se e mudar sua própria realidade. Por acreditar que nenhuma nação progrida se a população estiver desamparada, a LBV fundamenta todas as suas atividades, programas e projetos sociais e educacionais no princípio da Caridade Completa. Esse trabalho, reconhecido internacionalmente, foi, aliás, lembrado por Madre Teresa de Calcutá. A saudosa missionária, à época da inaugura­ ção do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (ParlaMundi da LBV), na capital federal brasileira, em 1994, felicitou o dirigente da LBV pela iniciativa: “Prezado sr. José de Paiva Netto, confio-lhe minhas preces por todos. Que as bênçãos de Deus estejam com vocês da Legião da Boa Vontade, e que muitas pessoas conheçam o Amor de Jesus por intermédio do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica da LBV e mantenham viva a Boa Nova de Seu Amor no mundo, amando uns aos outros como Ele nos amou. Que Deus os abençoe”. ReproduçãoBV muito bem. Do contrário, continuaremos a assistir, horrorizados, à negação do direito à liberdade, à vida, à saúde, ao estudo, ao emprego e à felicidade de multidões que cometeram a ousadia de nascer. Trata-se de Política excelente. A provi- dência de educar, reeducar, instruir, espiri- tualizar no caminho da Paz, resultante da confraternidade das numerosas culturas que compõem a civilização que, em si mesma, é una, planetária. (E não esque- çamos jamais que a nossa existência não é unicamente física, porquanto começa no Alto, antes de sermos carne.) Um dia, se juntarão àqueles que, com coragem, desenvolverão esse tema, pois precisamos aprender as Leis que governam, do Mundo Espiritual, a nossa trajetória terrena. Alziro Zarur falou-nos da Política de Deus sem ódios e intolerâncias. Ei-la aí. O tempo, pelo Mestre Amor ou pela Mestra Dor, comprovará isso. Muito temos de apren- der uns com os outros, seres humanos e nações, em vez de nos trucidar. Uma política, portanto, de convergência para a Fraternidade nas relações internacionais, em que, por exemplo, o esporte e o cui- dado com o meio ambiente tenham ainda maior participação efetiva na vida, no desenvolvimento sustentável dos povos e dos países. Somos seres complementares. Um dia, essa realidade deverá ser mais bem compreendida, assim como eficaz e solida- riamente vivenciada. Senão, o que poderá vir a suceder com a Humanidade será o reinado do ódio, o extermínio consciente e inconsequente praticado por todo o planeta, salvo raras exceções, que se devem dar, pois sempre existe solução quando há Boa Von- tade e consequentemente o Ecumenismo da Paz nos corações. (Os editores) BOA VONTADE Mulher 9
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    ENTREVISTA 10 BOA VONTADEMulher D esde a criação da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW, na sigla em inglês), em 1946, esta é a primeira vez que um representante per- manente do Brasil junto às Nações Unidas assume a sua coordenação. Eleito para a presidência da 60a sessão da CSW, o embaixador Antonio de Aguiar Patriota sabe que comanda uma das mais importantes edições dessa conferência. Afinal, esta comissão carrega a expectativa de fomentar esforços a fim de que a igualdade de gênero seja inserida em todos os debates e ações globais da Agenda de Desenvolvimento Sustentável Pós-2015, chamada também de Agenda 2030. A poucos dias da referida sessão, que ocorrerá de 14 a 24 de março, em Nova York, nos Estados em pauta Direitos Presidente da 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU, o embaixador Antonio Patriota destaca a importância feminina na implementação da Agenda 2030. DA REDAÇÃO Unidos, o diplomata falou, em entrevista exclusiva à revista BOA VONTADE Mulher, da criação de um seg- mento ministerial na CSW que, para ele, “permitirá aumentar a visibilidade e reforçar o compromisso político dos países, em alto nível, com a igualdade de gênero”. Ainda de acordo com o representante brasileiro, esse comprometimento contribuirá para o empoderamento feminino e, consequentemente, para a promoção da Paz e a melhora da qualidade de vida de toda a população planetária. BOA VONTADE Mulher — Embaixador, o que sig- nifica para a Missão do Brasil na ONU a escolha de seu nome para presidir essa histórica sessão
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    BOA VONTADE Mulher11 RickBajornas/UNPhoto da CSW? Que influência o país pode levar para esse encontro? Antonio Patriota — É uma honra exercer a presidência da CSW. Tenho certeza de que minha eleição foi resultado do perfil elevado que o Brasil tem assumido na defesa dos direitos das mulheres nos planos internacional e nacional. O Brasil levará para a CSW a sua experiência na promoção dos direitos femininos e o firme compromisso com a igualdade de gênero, com o empoderamento da mulher e com a implementação da Plataforma de Ação de Pequim. BV — Como é presidir a CSW no mo- mento em que as Nações Unidas se organizam em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são um desdobramento da Con- ferência Rio+20, cuja coordenação também esteve a seu cargo? Patriota — A CSW-60 terá o papel- -chave em acompanhar e monitorar os compromissos assumidos na Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável no to- cante ao Objetivo 5 (“Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”) e aos outros objetivos. Essa agenda é muito cara ao Brasil, tendo em conta o papel da Conferência Rio+20, que estabeleceu um mapa do caminho para a adoção dela. A Agenda 2030 constitui a base sobre a qual governos, sociedade civil, setor privado e o Sistema ONU orientarão suas políticas e ações em favor do desenvolvimento sustentável pelos próximos quinze anos. BV — Em 2016, será também a pri- meira vez que essa sessão da ONU terá um segmento ministerial. O que muda com essa nova estrutura? GiulianoGomes/Seed No Brasil, as mulheres escolarizam-se mais do que os homens e têm menor atraso escolar em relação ao sexo masculino. Patriota — Os primeiros três dias da próxima sessão da CSW serão dedicados ao segmento ministerial. Isso permitirá aumentar a visibilidade e reforçar o com- promisso político dos países, em alto nível, com a igualdade de gênero. Como parte do segmento ministerial, haverá um exercício de revisão das conclusões acordadas na 57a sessão, [realizada] em 2013, sobre a eliminação e prevenção de todas as formas de violência contra mulheres e meninas. Os Estados-membros da ONU poderão fazer apresentações acerca dos principais progressos obtidos no combate à violência de gênero e intercambiar lições aprendidas e outras boas práticas. BV — Os ODS relacionam-se com a busca pela pluralidade, seja esta de gênero, seja esta de acesso. O empo- deramento feminino ganha maior força nessa nova agenda mundial? Patriota — Certamente. A Agenda 2030 fundamenta-se no entendimento de que não será possível alcançar o de- senvolvimento sustentável se metade da Humanidade não puder usufruir de seus direitos humanos em toda a plenitude. A Antonio Patriota, embaixador do Brasil e presidente da 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU.
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    ENTREVISTA 12 BOA VONTADEMulher realização da igualdade de gênero e o em- poderamento das mulheres são contribui- ções essenciais para o progresso de todos os objetivos da Agenda, nos três pilares dela: econômico, social e ambiental. A igualdade de gênero beneficia a sociedade como um todo e deve ser promovida em âmbito global. BV — Nos últimos anos, quais foram os mais expressivos progressos para que isso ocorra? Unidade móvel do programa Mulher, Viver sem Violência. O veículo consiste em um ônibus adaptado para a realização do atendimento emergencial e preventivo voltado para o público feminino vítima de violência e conta com equipe multidisciplinar treinada para a escuta das denúncias. Patriota — No Brasil, houve avanços expressivos em matéria de legislação, de políticas de gênero e de ações voltadas para promover o direito das mulheres. A Lei do Feminicídio transformou em crime hediondo e inafiançável o assassinato de mulheres por motivação de gênero. Elas também passaram a ser as protagonistas nas políticas de inclusão social e se torna- ram as principais receptoras das políticas de renda. Outro dado relevante é o de que, atualmente, as brasileiras se escolarizam mais do que os homens e avançam no mercado de trabalho. Em nenhum país do mundo, contudo, foi alcançada a igualdade de gênero. O desafio que encontramos é o da plena realização da paridade de gênero e do empoderamento da mulher até 2030, como determinado pelo quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. BV — Além das leis implementadas no Brasil sobre a questão da mulher, em especial a Lei Maria da Penha, a implementação de novas políticas públicas é um caminho visto pelo país para a promoção da igualdade de gênero? Patriota — A transversalidade da pers- pectiva de gênero nas políticas públicas é crucial para que se alcance a igualdade de gênero não só no Brasil, mas também em todo o mundo. Um bom exemplo é o “A Agenda 2030 fundamenta-se no entendimento de que não será possível alcançar o desenvolvimento sustentável se metade da Humanidade não puder usufruir de seus direitos humanos em toda a plenitude. A realização da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são contribuições essenciais para o progresso de todos os objetivos da Agenda, nos três pilares dela: econômico, social e ambiental.” CésarOgata/Secom
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    BOA VONTADE Mulher13 programa Mulher, Viver sem Violência [coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da Re- pública], que visa à implementação, de fato, da Lei Maria da Penha. As unidades da Casa da Mulher Brasileira integram esse programa e oferecem serviços de atendimento às mulheres em situação de violência. Com abordagem multidimensio- nal, as casas prestam serviço de orientação para o trabalho e a renda, incentivo ao em- preendedorismo, qualificação profissional e inserção no mercado. Outro exemplo de política voltada para a igualdade de gênero foi a promulgação da Proposta de Emen- da à Constituição (PEC) das Domésticas, que promoveu a inclusão definitiva dessa categoria no sistema de proteção social, beneficiando diretamente mais de seis milhões de brasileiras. BV — Como o senhor vê a participação masculina na campanha #ElesPorElas, da ONU Mulheres? Patriota — A participação dos homens na luta pela igualdade de gênero é abso- lutamente fundamental, pois a sociedade como um todo deve estar mobilizada para acabar com a desigualdade e a discrimina- ção nesse âmbito. É preciso conscientizar os homens das desigualdades e injustiças que afetam as mulheres. A presidente Dilma Rousseff apoia a campanha, que busca trazer os homens para o centro do debate sobre a igualdade de gênero. Aproveito para convidar todos os leitores a se associar a essa campanha. Todos os co- laboradores do sexo masculino da Missão do Brasil junto à ONU já se associaram, pelo site www.heforshe.org. Divulgação IGUALDADE DE GÊNERO Os homens diplomatas da Missão do Brasil junto às Nações Unidas apoiam a causa pela igualdade de gênero e aderiram à campanha #ElesPorElas, da ONU Mulheres. Segundo o embaixador Antonio de Aguiar Patriota (no centro, sentado), “os conceitos normativos de masculinidade e feminilidade reforçam relações de poder verticais e desiguais”. O diplomata considera “revolucionário engajar homens e meninos na discussão sobre a superação da desigualdade de gênero”. “A participação dos homens na luta pela igualdade de gênero é absolutamente fundamental, pois a sociedade como um todo deve estar mobilizada para acabar com a desigualdade e a discriminação nesse âmbito.” Maria da Penha Divulgação
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    ENTREVISTA 14 BOA VONTADEMulher BV — Os ODS devem mexer com o debate e a distribuição de recursos. Eles podem ser um forte agente de cooperação econômica nos próximos anos? Patriota — A expectativa é a de que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por seu caráter universal, ou seja, pelo fato de estes se aplicarem a países desenvol- vidos e em desenvolvimento, galvanizem a cooperação internacional. A CSW-60 tratará justamente da necessidade de ampliar os investimentos em igualdade de gênero, incluindo a mobilização de recursos domésticos e priorizando ações voltadas para o empoderamento da mu- lher e para o aumento da ajuda oficial ao desenvolvimento. BV — Em sua gestão à frente da Co- missão de Consolidação da Paz, da ONU, o senhor defendeu, em nome do Brasil, a igualdade de gênero. O em- poderamento feminino é fundamental para a Paz? Patriota — Sim. Há diversos estudos e estatísticas oficiais que ilustram o efeito transformador do empoderamento da mulher no progresso social, no crescimento econômico e no desenvolvimento em cená- rios pós-conflito. A Comissão de Consolida- ção da Paz concentra a atenção em países com instituições e economias frágeis, entre os quais Libéria, Guiné-Bissau e Burundi. Pude comprovar, pessoalmente, em Guiné- -Bissau como as mulheres representam um segmento pacificador da população, pelo fato de focar suas aspirações na construção de sociedades justas e com nível de vida mais elevado para as gera- ções futuras. “Pude comprovar, pessoalmente, em Guiné-Bissau como as mulheres representam um segmento pacificador da população, pelo fato de focar suas aspirações na construção de sociedades justas e com nível de vida mais elevado para as gerações futuras.” Em reconhecimento ao grande potencial para a democracia e para a Paz que as mulheres representam, três destaques femininos foram laureados com o Prêmio Nobel da Paz de 2011. A partir da esquerda, a ativista iemenita Tawakkul Karman, a militante liberiana Leymah Gbowee e a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf. HarryHad
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    BOA VONTADE Mulher15 Aguardando anúncio VivianR.Ferreira
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    Declaração apresentada pelaLBV e traduzida pela ONU para os seis idiomas oficiais desta (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo) sob o símbolo E/CN.6/2016/NGO/126. Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e leia o documento na versão em inglês. RECOMENDAÇÕES DA LBV VivianR.Ferreira 16 BOA VONTADE Mulher São Paulo/SP
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    60a sessão da Comissãosobre a situação da Mulher Declaração da LBV para a
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    RECOMENDAÇÕES DA LBV 18BOA VONTADE Mulher Este relatório apresenta à Comissão das Nações Unidas sobre a Situação da Mulher (CSW) recomendações e boas práticas da Legião da Boa Vontade (LBV), organização da sociedade civil com status consultivo geral no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc), desde 1999. P reparar mulheres que lideram organizações comunitárias é uma das mais estratégicas políticas de promoção do desenvolvimento sustentá- vel das comunidades, em particular nas regiões de maior vulnerabilidade social. É o que nós temos comprovado em mais de 150 cidades em sete países, no amplo trabalho realizado pela Legião da Boa Vontade da Argentina, da Bolívia, do Brasil, dos Estados Unidos, do Paraguai, de Portugal e do Uruguai. Nos últimos cinco anos, oferecemos mais de 60 milhões de atendimentos e benefícios a populações em situação de pobreza. A educação e a reeduca- ção — estruturadas a partir de valores espirituais, éticos e ecumênicos — são nossos eixos de transformação social. As comunidades acompanhadas, de forma geral, têm escassez de empregos e inci- pientes serviços públicos, principalmente nas áreas de saneamento, de educação e de saúde. Nesses locais são registrados altos níveis de violência e de empregos informais. A missão da LBV Promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, no despertar do Cidadão Planetário. Grande parte das famílias é monopa- rental, chefiada por mulheres que têm de se desdobrar para garantir o sustento da casa e para cuidar dos filhos. Com pouca escolaridade e baixos salários, elas perdem horas deslocando-se até o trabalho diariamente, enquanto suas crianças permanecem longos períodos sem os cuidados nem a supervisão de adultos. No Brasil, as famílias atendidas pela LBV sofrem, em ambiente exterior, também com o preconceito e o racismo, já que são em sua maioria negras, em um país ainda marcado pela triste herança de mais de três séculos de escravidão. Todas essas dificuldades se sobrepõem e se acentuam em momentos de crise econômica, aumentando o número de pes­soas que, destituídas de um sentido para a própria vida, abandonam o lar para viver nas ruas, se viciam em álcool e em outras drogas, se tornam vítimas da depressão e de outras enfermidades psí- quicas e/ou físicas. Acerca desses desa- fios, nosso diretor-presidente, o jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto — que, há seis décadas, defende os direitos humanos e pauta o tema na mídia brasi- leira com preleções de grande repercus- são, entre estas os artigos “Apartheid lá e Apartheids cá” e “Raízes e memórias” —, declarou: “Uma das razões básicas da existên- cia da Legião da Boa Vontade é o seu zelo com o educar, o instruir e o espiritualizar, mostrando que a vida não termina no túmulo, uma destinação deveras triste. Um país cujo povo não é educado é fraco. E um país fraco é facilmente dominado. Quanto mais ignorante o povo, maior o cativeiro para ele. Como argumentei tantas vezes, a princesa Isabel assinou a polêmica Lei Áurea, contudo o espíri- to de senzala ainda prejudica a nossa gente, fazendo-a, por exemplo, refém da violência, que campeia, ela sim, livre por qualquer parte. Temos de crescer na instrução, na educação e na espirituali-
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    BOA VONTADE Mulher19 (1) Durante a Reunião de Alto Nível do Ecosoc em 2013, em Genebra, na Suíça, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, é saudado por Adriana Rocha, da LBV, enquanto recebe a edição especial da BOA VONTADE em inglês. Atencioso, folheou a publicação e reafirmou seu apreço pelo trabalho da Instituição. (2) A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova (E), recebeu, durante a 58a sessão da Comissão Sobre a Situação da Mulher (CSW, na sigla em inglês), ocorrida em 2014, a revista BOA VONTADE Mulher também das mãos de Adriana Rocha. Fotos:ArquivoBVFotos:SâmaraMalaman 1 2 dade. Valorizar-nos significa manter, no cume, a autoestima popular”. Aliás, contrapor a elevada autoestima popular ao “espírito de senzala” é um dos cernes da agenda social hoje. Nem tudo são espinhos nas favelas e nas co- munidades “excluídas”. O protagonismo social e as relações de solidariedade e de pertencimento existentes, estas incremen- tadas pelas novidades tecnológicas, têm consolidado identidades e novas formas de organização popular e de vocalizar as demandas por maior cidadania. Soma- -se a isso a descoberta, pelos agentes econômicos, de inovadoras maneiras de impulsionar o gigantesco potencial latente nessas regiões. PROGRAMA REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA, DA LEGIÃO DA BOA VONTADE Promover o progresso de comunidades vulneráveis exige, além das macroestra- tégias citadas anteriormente, medidas eficazes a curto e médio prazos, a exem- plo das previstas no pioneiro programa Rede Sociedade Solidária, da LBV. Ele consiste, principalmente, em identificar e assessorar, nas áreas técnica e adminis- trativa, lideranças comunitárias e organi- zações sociais das regiões metropolitanas em que estão situa­das nossas unidades socioeducacionais. Nossos profissionais prestam orienta- ção sobre as políticas de desenvolvimento social do país, capacitando os gestores a mobilizar recursos públicos e privados em prol das próprias comunidades. Sessenta e seis por cento dos presidentes das enti- dades participantes são mulheres. O per- centual sobe a 71% quando se considera todo o universo de assessorados. Acesso à moradia, à educação de qualidade, bem como a garantia de proteção social e de um meio ambiente sadio são as principais reivindicações desses movimentos. Dentre os resultados alcançados pelo programa até agora destacam-se: • fortalecimento e qualificação das enti- dades para o planejamento organizacio- nal, para a captação de recursos, bem como para a gestão, o monitoramento, a avaliação, a oferta e a execução de serviços sociais; • ampliação do conhecimento do grande público sobre políticas públicas;
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    RECOMENDAÇÕES DA LBV CarlosCesarSilva 20BOA VONTADE Mulher São Paulo/SP Buenos Aires, Argentina escolas O Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP, Brasil, demonstra que Educação de qualidade, Solidariedade e Espiritualidade Ecumênica são indispensáveis à formação do cidadão pleno. Tais valores refletem a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizadas por Paiva Netto e aplicadas, com sucesso, na rede de ensino e nos programas socioeducativos da Instituição. Em um grande totem, ao lado do frontispício, o dirigente da LBV fez colocar esta máxima de Aristóteles (384-322 a.C.), grafada em letras douradas: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”. • acesso a conteúdos, recursos e me- todologias relacionados ao aumento da participação social e ao fortalecimento do protagonismo na reivindicação dos direitos de cidadania; • identificação de potencialidades locais, bem como mobilização e organização de grupos de lideranças, por meio da articula­ ção destes com as políticas públicas. O fortalecimento das comunidades não substitui eventuais políticas afirmativas que visem aumentar a participação das mulheres em processos de tomada de de- Vivian R. Ferreira
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    BOA VONTADE Mulher21 20152011 2012 2013 2014 12.509.267 9.434.943 10.255.833 11.053.113 11.881.419 A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o de janeiro de 1950 (Dia Mundial da Confraternização Universal e da Paz), no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto. Os dados abaixo correspondem ao trabalho da LBV de sete países: Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai. LBV NO MUNDO NÚMEROS DE 2011 a 2015 Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e lares para idosos, a LBV utiliza meios de comunicação social (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania. Mais de 12 mil especialistas de todo o Brasil participaram, em 2015, da programação da Super Rede Boa Vontade de Comunicação. * Há mais de duas décadas, a Legião da Boa Vontade tem seu balanço geral analisado e aprovado pela Walter Heuer, auditores externos independentes, em uma iniciativa de José de Paiva Netto, diretor- -presidente da LBV, muito antes de a legislação que exige essa medida entrar em vigor. Número de atendimentos e benefícios prestados pela Legião da Boa Vontade do Brasil de 2011 a 2015* 1,7+de MILHÃO de pessoas impactadas pelas ações da LBV 91UNIDADES SOCIOEDUCACIONAIS EM SETE PAÍSES 60+ MILHÕES de de atendimentos e benefícios a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social
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    Montevidéu, Uruguai Taguatinga/DF LeillaToninArquivoBV Arquivo BV RECOMENDAÇÕESDA LBV 22 BOA VONTADE Mulher cisão política, sobretudo, pode colaborar para a realização de tais políticas, na medi- da em que empodera lideranças ‘orgânicas’ dessas comunidades. Porém, permanecem sendo esforços paralelos, como podemos concluir a partir de pesquisa realizada pela dra. Teresa Sacchet, pesquisadora da Universidade de São Paulo, no Brasil, e professora visitante da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Uni- dos, cujo resultado foi publicado no artigo da referida autora “Capital social, gênero e representação política no Brasil” (2009): “(...) as mulheres tendem a investir seus recursos de forma mais coletiva: nos gastos com a família (educação, saúde e bem-estar dos seus membros) ao invés de consigo próprias. Programas oficiais de governos e agências multilaterais de desenvolvimento têm na mulher a sua principal beneficiária e parceira na im- escolas Rio de Janeiro/RJ
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    Curitiba/PR Assunção, ParaguaiLa Paz,Bolívia Belém/PA ViníciusRamão LeillaTonin RaquelDías Leilla Tonin BOA VONTADE Mulher 23
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    Teófilo Otoni/MG PatríciaOliveira Abrigos para idosos VivianR.FerreiraVivianR.Ferreira Uberlândia/MG RECOMENDAÇÕES DA LBV Volta Redonda/RJ 24 BOA VONTADE Mulher plementação de projetos sociais. Sem desconsiderar a importância estratégica dessas iniciativas para as próprias mulhe- res, inclusive para seu empoderamento econômico, é necessário que se questione o que está implícito em tal discurso e prática (...). Por isso, faz-se necessária também a implementação de medidas efetivas para incluí-las nos processos de tomada de decisão onde os projetos so- ciais são idealizados e articulados”. Para conscientização dos moradores das comunidades acompanhadas sobre esses desafios, nós permeamos com tais debates as ações de nosso programa de assessoramento, a saber: • formação de gestores e técnicos de en- tidades, bem como de lideranças comuni- tárias e de organizações que representam a população atendida; • orientação personalizada a esses atores; • promoção de encontros locais e regio- nais sistemáticos entre os participantes da rede formada; • produção de conteúdos multimídia que socializem pesquisas à sociedade e aos
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    Centros comunitários deassistência social Porto Alegre/RSLiliane Cardoso Teresina/PI Fortaleza/CE VivianR.FerreiraVivianR.Ferreira VivianR.Ferreira Inhumas/GO Cidade Dutra, São Paulo/SP IzabelaMendes BOA VONTADE Mulher 25
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    RECOMENDAÇÕES DA LBVRECOMENDAÇÕESDA LBV Centros comunitários de assistÊNCIA SOCIAL São José/SC MônicaMendesVivianR.Ferreira LeillaTonin Belo Horizonte/MG Belo Horizonte/MG Vivian R. Ferreira 26 BOA VONTADE Mulher operadores de políticas públicas; • instrumentalização das entidades com sistema de banco de dados para o registro de usuários, de atendimentos e de benefí- cios, qualificando a atuação delas perante a população (próxima fase); • realização de seminários sobre políticas públicas. O debate sobre as realidades vivencia- das pelos moradores das comunidades contempladas pelo programa Rede Socie- dade Solidária, por si só, é muito impor- tante, visto que muitas das disparidades São Paulo/SP
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    Porto, Portugal Arquivo BV LeillaTonin BuenosAires, Argentina CarlosCesardaSilva BOA VONTADE Mulher 27 sociais existentes no Brasil são considera- das “naturais” pela população, pois estão enraizadas nas práticas sociais e culturais vigentes. No entanto, nós percebemos também a necessidade de construir nar- rativas alternativas. Daí adotarmos com urgência um modelo inovador de processo ensino-aprendizagem, que tem por base valores comuns a diferentes culturas, entre os quais o Amor, o respeito e a Boa Vontade. Essa nova proposta edu- cacional abrange fundamentalmente dois segmentos: a Pedagogia do Afeto La Paz, Bolívia Ciudad del Este, Paraguai ArquivoBV
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    28 BOA VONTADEMulher e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, aplicadas com sucesso em nossa rede de ensino e nos programas socioeducacionais que desenvolvemos. Na Pedagogia do Afeto, o enfoque é sobre crianças de até os 10 anos de idade, unindo-se sentimento ao desenvolvimento cognitivo destas, de modo que o carinho e o afeto façam parte de todo o conhecimen- to e dos ambientes da vida delas, inclusive o escolar. Na continuidade do processo de ensino-aprendizagem, aplica-se a Pedago- gia do Cidadão Ecumênico, direcionada à educação de adolescentes, jovens, adultos e idosos, dispondo o indivíduo para viver a Cidadania Ecumênica, firmada no exercício pleno da Solidariedade Planetária. Temos compartilhado com institui- ções educacionais públicas e privadas a metodologia e os promissores resultados dessa linha educacional, entre os quais ambientes livres de evasão escolar e de Centros comunitários de assistÊNCIA SOCIAL MônicaMendes Ray MinaBuenos Aires, Argentina Porto, Portugal LeillaTonin RECOMENDAÇÕES DA LBV
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    BOA VONTADE Mulher29 Leilla ToninMaceió/AL Assunção, Paraguai Fortaleza/CE Nova Jersey, EUA MaríaMendes ArquivoBVLeillaTonin
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    30 BOA VONTADEMulher agressividade entre os estudantes. Por isso, colocamo-nos à disposição das orga- nizações e dos governos que desejam co- nhecer melhor essa proposta pedagógica e os programas socioeducionais que aplica- mos. Eles visam fomentar uma nova men- talidade, que enseje inovadores modelos culturais e de comportamento, tal como destacado, em 1981, pelo criador dessa vanguardeira proposta, o educador Paiva Netto, em entrevista ao jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi, e reafirmado em mensagem à Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015, realizada de 25 a 27 de setembro, na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos: “A Solidariedade se expandiu do lu- minoso campo da ética e se apresenta como uma estratégia, de modo que o ser humano possa alcançar e garantir a sua própria sobrevivência. À globalização da miséria contrapomos a globalização da Fraternidade, que espiritualiza e enobrece a Economia e solidariamente Santa Quitéria/CE Nova Jersey, EUA União da Vitória/PR Leilla ToninArquivoBVVivianR.Ferreira Campanhas de socorro às populações RECOMENDAÇÕES DA LBV
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    BOA VONTADE Mulher31 Biguaçu/SC Xerém, Duque de Caxias/RJ Juazeiro/BA Periquito/MGUauá/BA Brasília/DF Martins/RN Buíque/PE Porto Alegre/RS São Paulo/SP GustavoHenriqueLima LilianeCardoso TatianeOliveira RubensMachado BrunaGonçalves TatianeOliveira NatháliaValério JeanCarlos GabrielEstevão FabíolaBigas
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    32 BOA VONTADEMulher a disciplina, como forte instrumento de reação ao pseudofatalismo da pobreza”; e “Por isso, é fundamental convergir todas as ferramentas disponíveis para a Solidariedade Ecumênica e compartilhá- -las, para que se promova, com maior rapidez, a transição para o pleno desen- volvimento sustentável. Integrados esses instrumentos que visam ao bem comum, pelo autêntico sentido de Amor Fraterno e de Justiça, que nos distinguem dos ani- mais ferozes, poderemos fazer cessar os horrores que ainda persistem no mundo. Além de superar todas as mazelas sociais — dure o tempo que durar a luta —, é nosso dever construir, unidos, um modelo novo de desenvolvimento que efetivamente preserve a vida neste orbe. “A Legião da Boa Vontade, fundada há quase 66 anos por Alziro Zarur (1914- 1979), batalha diuturnamente contra a fome e as desigualdades sociais e em prol da sustentabilidade e da educação com Espiritualidade Ecumênica, jamais se es- Ipatinga/MG São Paulo/SP Nova Jersey, EUA Aracaju/SE Vivian R. Ferreira PriscillaAntunes VivianR.Ferreira FelipeDuarte VâniaBandeira Campanhas de socorro às populações RECOMENDAÇÕES DA LBV Leilla Tonin
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    BOA VONTADE Mulher33 Ananindeua/PABelo Horizonte/MG Goiânia/GONatal/RN Taguatinga/DFJosé Gonçalo JeanCarlos EgezielCarlosLeillaTonin RafaelMendes
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    34 BOA VONTADEMulher Curitiba/PR Juazeiro/BA La Paz, Bolívia AndreaVarelaViníciusRamão TatianeOliveira quecendo de empreender hercúleo com- bate à pior das carências, que atravanca, de maneira direta, o êxito de qualquer tentativa de transformação benéfica na Terra: a falta de Solidariedade, de Frater- nidade, de Misericórdia, de Generosidade, de Altruísmo, de Justiça; por conseguinte, a aridez do Espírito, do coração. Por essa razão, é mais que atual relembrar a mile- nar regra ensinada pelo filósofo, ativista religioso e social Jesus, quando proferiu esta Palavra de Paz: ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. (...) Não há maior Amor do que doar a sua própria Vida pelos seus amigos’ (Evangelho, segundo João, 13:34 e 15:13)”. Nesta histórica sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, que alcança a significativa marca de 60 edições, aplaudi- mos todas as mulheres e todos os homens que fizeram, fazem e farão parte dessa longa trajetória de lutas e conquistas, ratificando nosso solidário compromisso com a erradicação de todas as formas de desigualdade no planeta. Rafael MendesVale do Jequitinhonha/MG RECOMENDAÇÕES DA LBV
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    BOA VONTADE Mulher35 Vilma Araújo Jean CarlosMaringá/PR Porto Velho/RO Buíque/PE Campina Grande/PB São Luís/MA PauloAraújo VâniaBesse Paulo Araújo
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    38 BOA VONTADEMulher 70 ANOS DAS NAÇÕES UNIDAS shutterstock.com
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    BOA VONTADE Mulher39 A 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, de 14 a 24 de março deste ano, faz um amplo debate sobre o tema “O empoderamento das mulheres e a ligação deste com o desenvolvimento sustentável”. Além disso, o encontro é uma oportunidade histórica para a Organização das Nações Unidas e seus Estados-membros de fazer um balanço do muito que foi realizado pela entidade ao longo dessas sete décadas e dos novos rumos que se preten- de dar a ela nos próximos anos. Tal reflexão, propiciada pelo 70o aniversário de existência da ONU em 2015 — cuja fundação oficial ocorreu em 24 de outubro de 1945 —, prossegue em 2016, ano de implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que cons- tituem a nova agenda mundial. Nessas metas está imbuída a reafirmação de ideais universais, entre estes a dignidade e a valorização do ser humano e a igualdade de direitos e deveres entre mulheres e homens. Sem a concretização desses ideais não haverá economias prósperas nem a possibilidade de viver em uma sociedade justa, equitativa e feliz. LBV saúda ONU pelos 70 anos e participa da 60a sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher JANINE MARTINS e conquistas História de lutas A Legião da Boa Vontade — que, em 1994, se associou ao Departamento de Informação Pública (DPI) das Nações Unidas e, em 1999, conquistou o status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc) desse organismo — não poderia deixar de saudar a ONU por ocasião tão expressiva. Cabe destacar que, todos os anos, a LBV leva à enti- UNPhoto/EskinderBebebe
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    40 BOA VONTADEMulher dade recomendações dela e de organizações do Terceiro Setor de boas práticas para a implementação de políticas públicas e de ações humanitárias internacionais, além de utilizar sua capilaridade nos sete países onde está presente (Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai) com o intuito de fazer chegar à sociedade civil discussões e resoluções protagonizadas por chefes de Estado. O trabalho da LBV é o de dar a populações em situação de vulnerabilidade social in- formações e oportunidades a fim de que elas busquem o cumprimento dos próprios “Quero aproveitar esta ocasião para agradecer sempre o esforço e a constância do engajamento da Legião da Boa Vontade para com os Objetivos de Desenvolvimento e a justiça econômica e social, que a ONU, em defesa dos direitos humanos, leva adiante. São parcerias assim de que nós precisamos em cada país.” GIANCARLO SUMMA Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) VivianR.Ferreira Durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015, na sede da entidade em Nova York, nos EUA, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta (1), e a presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović (2), recebem a revista da Legião da Boa Vontade para o evento. A publicação especial da Instituição é entregue também ao primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves (3), e ao primeiro-ministro da Eslovênia, Miro Cerar (4), pelo representante da LBV Danilo Parmegiani. 21 70 ANOS DAS NAÇÕES UNIDAS direitos e consigam viver de forma digna. A Instituição colabora, assim, para o alcance dos objetivos da ONU. Em entrevista à BOA VONTADE, Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), falou da importância da par- ceria entre os vários segmentos sociais. “É uma campanha global que a ONU faz, en- gajando atores dos governos federal e local. (...) é fundamental o apoio da sociedade civil, das organizações não governamentais que são, por exemplo, como a Legião da Boa Vontade, associadas ao DPI, ao Ecosoc 43 ArquivoBVDaniloParmegiani DaniloParmegianiArquivoBV
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    BOA VONTADE Mulher41 Mais de 350 lugares em 85 países foram iluminados na cor azul para saudar as Nações Unidas pelos 70 anos, completados em 24 de outubro de 2015. No Brasil, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP, Salvador/ BA, Brasília/DF e outras cidades participaram do ato. Nas fotos, o Templo da Boa Vontade, no Distrito Federal, e o Centro Educacional da LBV, na capital fluminense, aderiram à homenagem. Paulo Medeiros, administrador do Templo da Boa Vontade; Alziro Paolotti de Paiva, representando o fundador do monumento, José de Paiva Netto; sr. Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil; Marta Jabuonski, curadora da Galeria de Arte do TBV; e algumas crianças atendidas pela LBV na capital federal. e a organismos da ONU, mas também [a colaboração] dos meios de comunicação, para transmitir o que a gente faz.” DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL SEGUNDO O OLHAR INFANTOJUVENIL Como forma de homenagear a ONU pelo 70o aniversário, a Legião da Boa Von­tade, pensando nas gerações futuras, convidou também meninas e meninos entre 6 e 17 anos que participam de seus programas socioeducacionais em dezenas de cidades brasileiras a refletir, por meio da arte, sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sus- tentável (ODS), os quais foram adotados pelas Nações Unidas em setembro de 2015 e devem ser alcançados por todos os países até 2030. O resultado da iniciativa da Insti- tuição pôde ser visto nos mais de cem trabalhos artísticos que fizeram parte da exposição “Todos de mãos dadas com a Paz — Homenagem da LBV aos 70 anos da ONU”, ocorrida de 21 a 28 de outubro de 2015, na Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília/DF, Brasil. As pinturas traduzem a visão dessas crian- ças e adolescentes acerca do desafio de realizar o desenvolvimento sustentável. Para a confecção das obras, além de ser empregado acrílico sobre tela, foram utilizadas diversas técnicas mistas, com colagens e a aplicação de grãos, linhas, folhas, areia, lã, corrente, botões, miçan- gas etc. A criatividade dos jovens artistas cha- mou a atenção de Alan Bojanic, represen- tante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, que prestigiou a abertura da mostra. “Fico muito contente de ver a identificação dessas crianças com a nova agenda global, uma agenda que é para unir a Humani- dade e comprometer todos nós com esse grande objetivo da erradicação da pobreza, da fome e das doenças, [bem como o] de ter um mundo melhor, de Paz”, ressaltou naquela data. VivianR.Ferreira ArquivoBV PriscillaAntunes
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    42 BOA VONTADEMulher OPINIÃO — EDUCAÇÃO GustavoHenriqueLima Rodenilde Pereira e a filha Hacsa Melissa, de 5 anos, aluna da Escola de Educação Infantil Alziro Zarur, da LBV, em Taguatinga/DF, uma das beneficiadas pela Campanha Criança Nota 10 — sem Educação não há Futuro!. Todos os anos, a iniciativa da Instituição distribui, nas cinco regiões do Brasil, milhares de kits escolares, contribuindo, assim, para a melhora da autoestima e do desempenho do educando.
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    BOA VONTADE Mulher43 Aplicação da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, que compõem a linha educacional da LBV, contribui para fomentar esse importante processo. Suelí Periotto é supervisora da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico e diretora do Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP. É doutoranda e mestre em Educação pela PUC-SP, conferencista e apresentadora do programa Educação em Debate, da Super Rede Boa Vontade de Rádio (acesse: www. boavontade.com). VivianR.Ferreira EMPODERAMENTO DA MULHER MÃE SUELÍ PERIOTTO N a rede de escolas de ensino regu- lar da Legião da Boa Vontade e em seus Centros Comunitários de Assistência Social (que atendem crianças e jovens no período inverso ao escolar), pais ou responsáveis são convidados para participar de uma parceria que fortaleça os esforços da comunidade socioeduca- cional em que as meninas e os meninos estão inseridos. Afinal, como define o diretor-presidente da LBV, o educador Paiva Netto, “A escola é imprescindível, mas não substitui o lar. O Estado e a sociedade têm de, unidos, gerir soluções para que as famílias criem e eduquem dignamente os seus filhos”. Essa integração contínua é im- pulsionada em encontros coletivos ou indivi- dualizados, os quais visam ao envolvimento e ao respaldo de cada núcleo familiar nas atividades propostas aos educandos pela Instituição, conforme orientam a Pedagogia do Afeto (destinada a crianças de até os 10 anos de idade) e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico (a indivíduos a partir dos 11 anos), que compõem a linha educacional preconizada pelo dirigente da LBV. Os profissionais da Legião da Boa Von­­ tade também utilizam nas reuniões com as famílias o MAPREI (Método de Apren- dizagem por Pesquisa Racional, Emocional e Intuitiva), criado pelos próprios educado- res da Instituição para a inovadora linha pedagógica da LBV. Essa proposta tem como fundamento a Educação com Espi- ritualidade Ecumênica, que é o diferencial da Entidade. Dessa forma, os pais ou responsáveis têm a oportunidade de vivenciar a me- todologia aplicada nas ações lúdicas e pedagógicas realizadas com os estudantes. Cabe destacar que nesses encontros a presença de mulheres é predominante, o que faz deles ocasiões valiosas de incen- tivo ao empoderamento feminino, pois fortalecem nelas o potencial de provedoras dos recursos financeiros do lar, bem como o de agentes responsáveis pelo encami- nhamento acadêmico das meninas e dos meninos. Os eventos ainda demonstram o alto grau de envolvimento dessas mulheres nas tarefas de casa das crianças e dos jovens as quais requerem o auxílio delas para pesquisa/coleta de dados, ativida- des essas direcionadas pelos educadores das escolas da Instituição ou solicitadas em atividades aplicadas nos programas socioeducativos da LBV, que objetivam o desenvolvimento cognitivo e emocional dos que deles integram. Prática constante desses eventos é o
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    44 BOA VONTADEMulher OPINIÃO — EDUCAÇÃO Oficina temática para pais e responsáveis “Disciplina e limites: uma visão além do intelecto” PROPOSTA PEDAGÓGICA DA LBV: A ESPIRITUALIDADE ECUMÊNICA NA PRÁTICA 1 ETAPA IDENTIFICAÇÃO DO CONTEÚDO Palavra-chave: mobilização Uso de recurso audiovisual para mostrar cenas e situações de indisciplina, corroborando os pontos apontados como desafiadores pelas famílias. 3 ETAPA SOCIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Palavras e expressões-chave: mediação e aprofundamento do tema Os profissionais da Instituição que conduzem a oficina fazem a mediação, deixando as famílias à vontade para compartilhar o que está dando certo e o que tem fugido do controle delas. 2 ETAPA BUSCA INDIVIDUAL DO CONHECIMENTO Palavras-chave: intuição e pesquisa Para pesquisa, é lançada a questão: “Como você trabalha regras e limites com seus filhos?”. A proposta feita às famílias é a de que pensem nas estratégias que costumam dar certo. Além disso, sugere-se a elas realizar uma autoavaliação, em que cada uma identifique as formas de lidar com os filhos que não têm trazido resultados positivos. 4 ETAPA CONCLUSÃO Palavra-chave: produção Os pais ou responsáveis são incentivados a escrever, na roupa dos bonecos de EVA que lhes são entregues, a melhor qualidade das crianças e dos jovens e o maior problema de disciplina que enfrentam com eles. Na sequência, o mediador recolhe os bonecos e distribui-os aleatoriamente, chamando-os de “filhos secretos”. As famílias “trocadas” têm de trabalhar na produção de um material que apresente sugestões de maneiras de resolver as questões ali apontadas. RicardoRibeiro
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    BOA VONTADE Mulher45 debate de temáticas sugeridas pelos pais e responsáveis, extraídas de situações de desa­fio do cotidiano deles. Para exempli- ficar a boa experiência da utilização do MAPREI também nessas ações, registra- mos aqui a oficina realizada sob o tema “Disciplina e limites: uma visão além do intelecto”, que propiciou à Escola de Educação Infantil Alziro Zarur, da LBV, em Taguatinga/DF, um resultado bastante positivo. Nessa oficina, foi aplicado um planejamento do MAPREI, elaborado pela equipe multidisciplinar da referida unidade escolar (veja o quadro ao lado). CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DA LBV, EM PORTUGAL Vale destacar que o planejamento aqui citado foi apresentado em ofici- na do 15o Congresso Internacional de Educação da LBV, que ocorreu em 24 e 25 de novembro de 2015, na cidade do Porto, em Portugal. Os participantes simularam a realização da oficina, como se eles estivessem aplicando-a para as famílias dos grupos ou instituições às quais pertencem. A atividade levou-os a refletir sobre o necessário preparo das famílias para o enfrentamento de problemáticas atuais. A Legião da Boa Vontade considera que tem sido de extrema valia essa par- ceria com as famílias. Por isso, estimula continua­mente o envolvimento dos pais ou responsáveis em atividades que am- pliem vínculos afetivos com as crianças e os jovens, a fim de que estes se sintam mais bem acolhidos e incentivados. O objetivo dos encontros que a LBV pro- move com esses pais ou responsáveis é o de que cada núcleo familiar se sinta suficientemente preparado para enfrentar e superar dificuldades, fortalecendo e potencializando sua capacidade de iden- tificar, preventivamente, os perigos que ameaçam a integridade física, emocional e/ou psicológica das crianças e dos jovens que o compõem. 5 ETAPA APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS Expressão-chave: integração escola–família–comunidade O mediador organiza o material resultante da busca de soluções dos problemas expostos pelas famílias sobre os “filhos secretos”, disponibilizando-o para apreciação, sob o nome de “Não há manuais para cuidar dos filhos, mas temos sugestões”. Nele são incluídas propostas de atividades lúdicas que podem ser praticadas dentro do lar que fortaleçam os vínculos de seus componentes. 6 ETAPA CONCLUSÃO INDIVIDUAL Palavras e expressão-chave: internalização e retorno ao indivíduo Para fechar o encontro, promove- -se uma discussão com as famílias acerca do tema em foco, gerando conclusões pessoais sobre as possíveis mudanças das crianças e dos jovens quando os pais ou responsáveis por eles se sentem empoderados e aptos não só a perceber as situações de riscos que rodeiam a vida deles, mas também a agir com conhecimento e firmeza para a prevenção ou o combate dessas situações, conforme propõem as cinco etapas anteriores, cujas ações são pautadas pelos valores da Espiritualidade Ecumênica. JoséGonçalo
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    46 BOA VONTADEMulher PROTAGONISMO SOCIAL CanindéSoares Natal/RN
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    BOA VONTADE Mulher47 Reescrevendo o destino A revista BOA VONTADE dedica essas páginas para apresentar outras histórias de mulheres que vivenciaram situações de risco social, de adver- sidades e de desafios. Mas que, apesar de tudo isso, deram a volta por cima, assumiram seu protagonismo social e se tornaram personagens importantes na área em que atuam. Em comum a todas elas, o desejo de concretizar sonhos, a determinação e o apoio que re- ceberam da Legião da Boa Vontade, fato determinante para que pudessem manifestar o próprio potencial. Vindas das camadas mais pobres e sofridas da so- ciedade, essas mulheres melhoraram não apenas sua vida, mas também a de sua família e a da comunidade em que residem. VOLTA POR CIMA DE QUEM PASSOU FOME A narrativa de Oderlânia Leite Galdino, de 37 anos, retrata a de inúmeras outras mulheres do Nordeste brasileiro e exemplifica bem a importân- cia de despertar a potencialidade feminina. Nem a experiência da fome e as angústias provocadas pela miséria mais profunda apagaram do coração dela a esperança de dias melhores. “Nasci em meio a um cenário de beleza incomparável; foi no alto da Serra de Martins, no Rio Grande do Norte. Recordo-me Mulheres encontram na LBV um caminho para o empoderamento feminino LEILA MARCO do desejo, quando criança, de alçar altos e belos voos, tão altos, bem mais altos do que a serra onde eu morava, que me fizessem esquecer e superar as dificuldades que eu passava”, relata. Em 1985, quando tinha apenas 7 anos de idade, o pai faleceu. A mãe teve de se desdobrar e realizar diversas atividades a fim de obter o sustento da família. “Eu a vi trabalhar por duas pessoas para alimentar oito filhos”, rememora. Apesar do esforço materno, essa fase foi muito difícil, conforme ela conta: “Doía-me profundamente quando em casa não tínhamos o que comer. Eu bebia água ou comia farinha de mandioca para tentar matar a fome e conseguir dormir. Eu e meus irmãos chegamos a pedir esmolas de casa em casa para sobreviver. Recordo-me sempre do sabor daquele primeiro iogurte que tomei após ter encontrado no lixo; foi perfeito. O lixão era, para mim, um ponto de apoio, onde buscava o alimento para manter-me de pé junto com minha família”. Aos 16 anos, já na capital potiguar, novas perspec- tivas surgiram para sua vida. Meses depois, começou a ser voluntária na Legião da Boa Vontade. “Minha história com a LBV é de transformação. A Instituição entrou na minha vida como uma luz, onde eu não imaginava que existia claridade. Identifiquei-me com D O S D R A M ÁT I C O S M O M E N TO S N O L I X Ã O A G E S TO R A D O S E R V I Ç O S O C I A L
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    48 BOA VONTADEMulher até que foi convidada para ser gestora do Centro Comunitário de Assistência Social da LBV. “Nesse dia, fiquei surpresa e ao mesmo tempo feliz. Aceitei e estou, até os dias atuais, buscando desenvolver um excelente trabalho, para, assim, contribuir na construção de um mundo melhor e no empoderamento de cada um dos atendi- dos pela Instituição. Hoje, sou formada em Serviço Social e pós-graduada em Sustentabilidade e Elaboração de Pro- jetos Sociais. (...) Sinto-me realizada e vencedora, graças à LBV e ao seu diretor- -presidente, José de Paiva Netto, que é um ser humano iluminado e abençoado por Deus”, afirmou. esta Casa desde o primeiro momento em que entrei nela”, revela. A paixão “pelo cuidado, pelo capricho, pela atenção que a LBV tem com todos os atendidos” modificou-a de maneira profunda, a ponto de aquela jovem extre- mamente tímida, que não gostava de falar com ninguém, ir sendo deixada de lado. “Meus medos pareciam ser maiores do que eu. Porém, aos poucos, fui ganhando desenvoltura na missão que Deus havia preparado para mim”, ressalta. Em 1996, surgiu a oportunidade de trabalhar como contratada na unidade de atendimento da Instituição. Sempre muito dedicada, desempenhou diversas funções, “Minha história com a LBV é de transformação. A Instituição entrou na minha vida como uma luz, onde eu não imaginava que existia claridade. Ela foi e é um divisor de águas em minha vida para a superação das dificuldades que passei.” ODERLÂNIA LEITE GALDINO Depois de uma infância difícil marcada pela fome, venceu na vida, tornou-se voluntária da LBV e, atualmente, é gestora do Centro Comunitário de Assistência Social da Instituição em Natal/RN. PROTAGONISMO SOCIAL (1) Em ação promovida na comunidade de Pissarreira, em Taipu/RN, a LBV entregou roupas às famílias em situação de vulnerabilidade social. (2) Durante a entrega de cestas da LBV, em Taipu/RN. JeanCarlos Fotos:ArivaldoOliveira Brasil 1 2
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    BOA VONTADE Mulher49 A portuguesa Maria Adelaide Silva Pinto, de 54 anos, há alguns anos, enfrentou graves problemas de saúde que mudaram drasticamente sua vida. Com uma atividade profissional muito ativa na área contábil, teve de se afastar do emprego após sofrer dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e vivenciar forte depressão, ficando dependente dos cuidados da mãe, idosa, por certo período de tempo. A primeira porta abriu-se para Maria Adelaide no início de 2014, quando ela buscou, com o apoio de um vizinho, aten- “Eu agradeço muito a Deus pela oportunidade de ser voluntária, porque é uma forma de me sentir útil.” MARIA ADELAIDE SILVA PINTO Voluntária Voluntariado traz paixão pela vida Certório Baptista EduardaPereira Portugal Porto, Portugal
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    50 BOA VONTADEMulher dimento na unidade da LBV de Portugal, na cidade do Porto. Segundo relata, era difícil falar da necessidade pela qual passava; tinha vergonha de pedir ajuda. Com a boa recepção que obteve da Entidade, deixou de ser atormentada por esses temores e um vínculo de carinho e compreensão logo se formou entre essa lusitana e a Instituição. Participante do programa Um Passo em Frente, começou a receber mensalmente uma cesta de ali- mentos para seu sustento e o de sua mãe, bem como a assistir às palestras oferecidas por meio do programa. Maria Adelaide ainda conta que, na Legião da Boa Vontade, encontrou não só o amparo social, mas um espaço privilegiado para refletir sobre postura e comportamen- to diante do próximo. “Eu agradeço muito a Deus pela oportunidade de ser voluntária, porque é uma forma de me sentir útil. Quando vejo outras pessoas que também estão passando por situações idênticas à minha, quero transmitir minha experiên- cia”, salienta. Foi dessa maneira que ela “Ao descobrir o voluntariado na LBV, pude trabalhar em prol do bem e da justiça humanitária, o que me dá muito orgulho.” ANA SOFIA SEQUEIRA Voluntária da LBV dos EUA EUA Long Branch, EUA Hazlet, EUA Fotos:ArquivoBV
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    BOA VONTADE Mulher51 venceu a depressão e outros problemas de saúde. “Eu não tenho muita coisa, mas sou a pessoa mais feliz do mundo. Tenho o que mais quero na vida, que é a paz interior.” NOVA YORK, EUA Esse sentimento também é comparti- lhado pela secretária-executiva Ana Sofia Sequeira, de 37 anos. Portuguesa de ascendência angolana, mora nos Estados Unidos há 22 anos e tornou-se uma pessoa mais feliz depois de conhecer a Legião da Boa Vontade dos EUA. Ela presta auxílio a gestantes em risco social e colabora para que crianças pobres sejam incluídas socialmente. “Ao descobrir o voluntariado na LBV, pude trabalhar em prol do bem e da justiça humanitária, o que me dá muito orgulho. É inevitável não ser tocada pela reação dos atendidos, quando nossa ação tem algum tipo de impacto direto e imediato na vida deles”, destaca e com- plementa: “Com certeza, hoje sou uma vencedora!”. L A M B A R É , PA R A G U A I Tecnologia e aumento da renda familiar Foi participando de ações da Legião da Boa Vontade do Paraguai que María Luisa Russo, de 35 anos, realizou um sonho de muitas mães: trabalhar em casa. Ela ficava preocupada com a saúde da filha de 6 anos, que era obrigada a acompanhá-la pelas ruas de Assunção, capital desse país, na busca de material reciclável, de cuja venda obtinha parte do sustento da família. “Se fizesse frio ou chovesse, da mesma forma tínhamos de ir, e minha menina vivia doente por isso”, conta. Essa realidade mudou quando a LBV levou o programa Boa Vontade em Ação ao assentamento de Villa Angélica (leia outras informações na p. 54), onde María Luisa reside, localizado em Lambaré, região metropolitana da capital paraguaia. Graças à iniciativa, ela pôde frequentar cursos gratuitos de diferentes téc- nicas artesanais e, como participante de programas da Entidade, também foi convidada para integrar o grupo Fortalecendo Vidas. Desde então, sua vida e a de seus três filhos melhorou consideravelmente. No grupo, ela aprendeu a ter autonomia e elevou a autoestima. A participação nele ainda fez com que vislumbrasse a possibilidade de usar as redes sociais para ven- der os produtos que aprendeu a confeccionar com profissionais voluntários da Instituição. Atualmente, chega a ganhar cinco vezes mais do que recebia com a antiga atividade. “Hoje, eu ganho meu dinheiro em casa e tenho mais tempo para estar com meus filhos. Agradeço por todo o ensinamento que a LBV nos dá e pela cesta de alimentos oferecida. É uma bênção para nós”, diz. Lambaré, Paraguai Paraguai ArquivoBV Fotos:RaquelDiaz
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    52 BOA VONTADEMulher REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA O que fazer quando a comunidade sofre com uma precária infraestrutura e com a ausência de serviços básicos, entre os quais água encanada, saneamento e energia elétrica? Diante de situações como essas, muitas mulheres possuem dentro de si um fator indispensável: a determinação de ir atrás de soluções para os problemas da localidade onde estão inseridas. São pessoas que, por meio da atuação individual ou em associações, se esforçam para alcançar o bem-estar de sua família e de quem vive ao seu redor. De acordo com Marcos Kisil, consultor estratégico e funda- dor do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), essa procura pela garantia dos direitos da coletividade aumenta desde a década de 1980. “Com o retorno da democracia [no Brasil], houve o crescimento das organizações comunitárias focadas em problemas ou questões de interesse públi- co, prestadoras de serviços, ou na busca [do cumprimento] dos direitos humanos, presentes em nossa Constituição”, explicou. Em sintonia com essa realidade e com o 17o Objetivo de Desenvolvimento Susten- tável — “Fortalecer os meios de implemen- tação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável” —, a Legião da Boa Vontade tem apoiado organizações do Terceiro Setor para melhorar a qualidade de vida de pessoas e famílias residentes em bairros ou assentamentos em situação de risco social. Esse atendimento ocorre por LBV apoia mulheres a assumirem papel de protagonistas nos locais onde vivem JANINE MARTINS Liderança comunitária feminina AT I T U D E T R A N S F O R M A D O R A
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    BOA VONTADE Mulher53 Tia Lourdes no bairro Jardim Princesa, onde atua com a comunidade, por meio da Associação Creche Imaculado Coração de Maria. meio do programa Rede Sociedade Soli- dária, da LBV, que prioriza a atuação para o empoderamento feminino. A TRAJETÓRIA DA TIA LOURDES Imagine a seguinte cena: alguém passa em frente a um barraco e ouve o choro de uma criança. Ao se aproximar, percebe que um menino de 5 anos deixado em casa so- zinho enquanto os pais tentavam conseguir o sustento do lar se havia queimado ao esquentar a própria comida. Quem viven- ciou essa situação foi a alagoana Maria de Lourdes dos Santos Silva, atualmente com 62 anos. O triste fato fez com que ela resolvesse agir para que acontecimentos desse tipo não ocorressem mais, e a to- mada de atitude impulsionou-a a se tornar referência de liderança no Jardim Princesa, bairro onde mora, localizado na Zona Norte de São Paulo/SP. Comovida com o caso do garoto, tia Lourdes — apelido carinhoso que recebeu — ofereceu-se para fornecer comida a ele, a fim de que não se queimasse mais. Outros pais que passavam por situação semelhante logo pediram para deixar os filhos na casa dela. Seu lar acabou se transformando em uma creche, a primeira mantida pela Associação Creche Imaculado Coração de Maria, a qual ela fundou para acolher essas crianças. Nessa ação, Maria de Lourdes mudou a vida de muita gente. Roselita Vitor da Silva é uma dessas pessoas. Também vinda da região Nordeste, mais especificamente do Estado do Ceará, chegou à capital paulis- ta recém-casada e buscou a ajuda de tia Lourdes. Criou seu único filho na creche e, hoje, auxilia outras mães por meio do trabalho na entidade. Atualmente, Roselita é quem participa dos encontros promovidos pela Legião da Boa Vontade por intermédio do programa Rede Sociedade Solidária. “Recebemos esse suporte da LBV, além de cursos para qualificar, montar, dirigir uma associa- ção... Isso é fantástico!”, declarou. VivianR.Ferreira Brasil
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    54 BOA VONTADEMulher LAMBARÉ, PARAGUAI: “COM A LBV, EU APRENDI A VENCER COMO MULHER”. No assentamento Villa Angélica, situa- do na cidade de Lambaré, no Paraguai, quem precisa de amparo procura Elsa Raquel Morel Callante e a LBV. Há seis anos, a líder comunitária conseguiu di- versas benfeitorias para o local, entre as quais energia elétrica, água encanada e pavimentação em uma das ruas. Mãe de dez filhos, Elsa perdeu um deles no nascimento e outro aos 4 anos, atingido por uma bala perdida. Apesar dos afazeres domésticos, ela alterna o cuidado com a prole com o trabalho de reciclagem, por meio do qual ajuda o marido no sustento da casa, e com a busca de soluções dos problemas da localidade em que reside. Há quatro anos, a LBV começou a fazer parte da vida de Elsa e da comuni- dade dela, que conta com sua liderança. “A partir desse período, conquistamos bastante coisa; amadurecemos como pes- soas, como mulheres; melhoramos nossa autoestima; aprendemos a nos relacionar melhor com os nossos vizinhos, com as “Como entidade social, às vezes recuamos um pouco, porque nos sentimos muito sós. É muito bom recebermos esse apoio da LBV, esse braço amigo, aconchegante, que entende nossa língua.” ROSELITA VITOR DA SILVA (D) Ela auxilia a tia Lourdes na gestão das creches da Associação na Zona Norte da capital paulista. FOCO NA MULHER Rede Sociedade Solidária, da LBV O QUE É Ação de assessoramento a associações e instituições do Terceiro Setor. Com essa iniciativa, a Legião da Boa Vontade colabora de forma intersetorial para que associações e entidades parceiras dela consigam trabalhar mais e melhor pelas comunidades em que estão inseridas. COMO Profissionais da LBV prestam orientação a gestores sociais sobre políticas de desenvolvimento social e os capacitam a empregar recursos públicos e/ou privados em prol das próprias comunidades. PRIORIDADE Do público-alvo assistido pelas entidades assessoradas por esse programa são compostos de mulheres. % Do total de entidades cadastradas estão sob liderança feminina. 66 71 % VivianR.Ferreira REDE SOCIEDADE SOLIDÁRIA Brasil
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    BOA VONTADE Mulher55 mulheres; temos muitos benefícios com a LBV, não só as mulheres, mas também as crianças”, salientou. Formado por cerca de 140 famílias, as quais têm, no total, mais de 300 meninas e meninos, o assentamento recebe todo mês cestas de alimentos da LBV. Além disso, a Instituição realiza constantemente no local programas e campanhas socioeducacionais de preven- ção e promoção da saúde. Recentemente, Elsa concluiu o curso de secretariado e ainda aumentou a ren- “A LBV ENSINA VOCÊ A PESCAR.” “Para manter este trabalho na comunidade, quem nos ajuda é a LBV. Se não fosse ela, eu não estaria aqui hoje. A LBV ensina você a pescar. Paiva Netto é, para nós, um pai, que nos tem ajudado, e as associações devem agradecer muito a ele por esse suporte. Quantas vezes entrei aqui pensando: ‘Como eu vou conseguir?’, e a reunião do programa Rede Sociedade Solidária me ajudou a buscar a solução. Se não fosse a Instituição, eu não conseguiria tantas doações como consigo, além de a própria LBV dar doações para a gente. Então, só tenho a agradecer.” MARIA DA GLÓRIA JULIÃO Presidente da Associação Leão de Judá, situada no bairro Vila Sílvia, na Zona Leste da capital paulista. Divulgação No assentamento Villa Angélica, na cidade de Lambaré, no Paraguai, (1) Elsa Raquel discursa em atividade do programa e (2) ladeada pelos filhos em sua casa. da familiar por meio da venda de itens confeccionados com as técnicas de arte- sanato que aprendeu no grupo intitulado Fortalecendo Vidas, da LBV. A iniciativa da Instituição tem beneficiado não só ela, como também outras mães da comunida- de. “Graças a tudo o que aprendemos no grupo, fomos crescendo. Alguns dos pro- dutos que produzimos, nós já vendemos, e [isso] nos dá uma renda. Trabalhamos em casa e podemos cuidar dos nossos filhos”, contou. Fotos:RaquelDiaz Paraguai 1 2
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    CarlosCésarSilva S egundo pesquisa daComissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) — uma das cinco comissões regionais da Orga- nização das Nações Unidas (ONU) —, divulgada em 2014, cerca de 28,5 milhões de latino-americanos e caribenhos vivem fora do país de origem. Ainda de acordo com o relatório, nesse grupo cresceu a presença feminina. Outros estudos mostram que, a partir da década de 1980, houve significativa mudança no perfil da migração, isso porque não apenas mulheres casadas passaram a deslocar-se, com sua família, de uma região para outra, mas também mulheres solteiras e jovens começaram a sair do local de nascimento em busca de melhores condições de vida e de trabalho. Nesse contexto, muitas dessas mulheres acabam por assumir o papel de provedoras do lar, a fim de vencer uma situação socioeconômica difícil. Para aju- dar essas trabalhadoras no processo de acolhimento Adaptação e acolhimentoMulheres enfrentam as diferenças de uma nova cultura com a ajuda da LBV NOVAS OPORTUNIDADES e propiciar a elas oportunidades na nova sociedade em que estão inseridas, a Legião da Boa Vontade oferece apoio de diferentes maneiras. Conheça a história de duas mulheres que mudaram de país e, nesse novo contexto, encontraram a LBV para vencer seus desafios. APOIO AOS QUE MIGRAM Em 2005, aos 15 anos, Soledad Encinas saiu de La Paz, na Bolívia, para rever a mãe, que vivia havia oito anos em Buenos Aires, na Argentina. Apesar de esses dois países terem o espanhol como idioma oficial, a adaptação à nova pátria foi difícil para ela. “Eu não estava confortável, não me sentia bem, porque as pessoas eram diferentes. A comida, a cultura, tudo [era] diferente”, revelou. Poucos anos depois, Soledad constituiu famí- lia, e somaram-se às dificuldades culturais as da maternidade. Mãe JANINE MARTINS “Desde que cheguei [neste país], nunca havia feito um amigo e, na LBV, eu me senti bem, unida [aos demais]. (...) [O atendimento prestado pela Escola Infantil Jesus] é bom, porque não é apenas para as crianças, mas para toda a família.” SOLEDAD ENCINAS Argentina
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    Fotos:CarlosCésarSilva BOA VONTADE Mulher57 A boliviana Soledad Encinas, de 25 anos, com os filhos Agustín (E), Maximiliano e Valentina, atendidos pela Escola Infantil Jesus, em Buenos Aires, na Argentina. Escola da LBV em Buenos Aires, na Argentina. Argentina
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    58 BOA VONTADEMulher Educação em Ação, fez com que passasse a encarar a própria existência de um jeito mais positivo. “Desde o ano passado, tenho outro semblante, porque, antes, eu tinha um olhar cabisbaixo e, agora, olho para o futuro”, disse. Sobre o atendimento que recebe da Escola Infantil Jesus, ela destacou: “É bom, porque não é apenas para as crianças, mas para toda a família. É um alívio saber que seus filhos estão em boas mãos”. DE ALUNA A PROFESSORA Filha de um alfaiate e de uma costu- reira e a mais velha de quatro irmãos, Melvi Janete Callizaya Conde nasceu em La Paz, na Bolívia. Em abril de 1998, a família — à época constituída por Melvi, sua irmã e seus pais — desembarcou no Brasil e fixou residência em São Paulo/SP. Alfabetizada em sua terra natal, Melvi mudou-se com 7 anos para o país, onde os outros dois irmãos nasceram. A menina estudou breve período em alguns colégios na capital paulista e ingressou, pouco tempo depois, no Conjunto Educacional Boa Vontade, cujo lema é “Aqui se estuda. Formam-se Cé- rebro e Coração” e onde são aplicadas NOVAS OPORTUNIDADES de cinco crianças e com sérios problemas financeiros, viu sua trajetória tomar rumo melhor ao achar na Escola Infantil Jesus, mantida pela LBV da Argentina, o amparo de que necessitava. A insegurança de deixar os filhos com alguém que não fosse da família para trabalhar fora passou quando a menina mais velha foi matriculada naquele esta- belecimento educacional. Além de propor- cionar ensino de qualidade, a Instituição tornou-se seu porto seguro nos dias mais críticos. “Às vezes, [eu] não tinha comida, e a LBV me ajudava”, afirmou. Mais tranquila, começou a participar de programas sociais da Entidade, nos quais conseguiu o respeito e o carinho que tanto desejava. “Reunimo-nos com outras mães, contamos nossos casos e como nos sentimos naquele momento. Foi assim que me senti confortável pela primeira vez. Desde que cheguei [neste país], nunca havia feito um amigo e, na LBV, eu me senti bem, unida [aos demais]”, relatou. Aos 25 anos, Soledad experimenta a possibilidade de crescimento profissional. O fato de ter concluído recentemente o curso de Atendimento ao Cliente, ofe- recido pela LBV por meio do programa Fotos:ArquivoBV LBV CONTRIBUI PARA DEBATE NA ONU SOBRE CRISE MIGRATÓRIA A Legião da Boa Vontade organizou, de parceria com o Comitê de ONGs sobre Educação, o painel “Educação para a inclusão sustentável de populações deslocadas”, realizado em 11 de fevereiro. O evento integrou a programação oficial da 54a sessão da Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. (1) O representante da LBV na ONU, Danilo Parmegiani, apresentou trecho do livro É Urgente Reeducar!, do escritor Paiva Netto. (2) O psicólogo e psicanalista Joseph DeMeyer, copresidente do Comitê de ONGs sobre Educação e representante da Sociedade de Estudos Psicológicos para Assuntos Sociais (SPSSI), discursou no painel. A reportagem completa sobre o assunto está em http://goo.gl/ f0C54N. 1 2
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    BOA VONTADE Mulher59 a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico (mais sobre o assunto na p. 42), que compõem a pioneira linha educacional criada pelo dirigente da Legião da Boa Vontade, o educador Paiva Netto. “Em outras escolas nas quais estudei antes de vir para a LBV, eu sentia a diferença por ser estrangeira; na Instituição, não. Tive melhor acolhimento”, ressaltou. Um dos fundamentos da proposta pe- dagógica da LBV é trabalhar a individua­ lidade do estudante, o que foi fundamen- tal para a jovem, que cursou os ensinos fundamental e médio no referido estabe- lecimento. “Os professores que eu tive fizeram a diferença, porque percebiam nossa dificuldade; então, tinham maior paciência”, mencionou. Ela também viu nos antigos educadores inspiração para seguir a carreira escolhida. Formada em Matemática e iniciando graduação em Le- tras, com habilitação em Espanhol, já le- ciona e nota como a formação que teve na educação básica se reflete positivamente hoje em seu trabalho. “Dá para fazer a diferença, e a gente percebe o resultado nos alunos, [se] você está sendo querida ou não, se suas aulas estão funcionando ou não”, comentou. “Os professores, funcionários, alunos, enfim, toda a escola da LBV tem um carinho grande conosco. Esse mesmo amor, eu acabo reproduzindo no meu ofício e com meus irmãos. Isso faz uma grande diferença.” MELVI CONDE Ex-aluna do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, é professora e faz parte da primeira geração de universitários de sua família, que migrou da Bolívia para o Brasil. Já cursando a segunda graduação, sonha em lecionar no ensino superior. Dois de seus três irmãos ainda estudam na referida escola da LBV. A escolha de investir em uma profissão na área da educação não foi bem aceita pela família de Melvi no início, mas, atual­mente, os pais orgulham-se da opção dela. “Quando meu pai falou ‘Minha filha é professora’, eu me senti totalmente realizada, além do reconhecimento dos alunos”, confessou. Estudiosa, Melvi, aos 24 anos, planeja voos mais altos. “Meu sonho é lecionar no ensino superior”, contou. Vivian R. Ferreira Brasil
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    60 BOA VONTADEMulher VIOLÊNCIA DE GÊNERO A cabar com a violência de gênero é um dos gran- des desafios da agenda global para os próximos anos. Em 2013, estudo divulgado pela Orga- nização Mundial da Saúde (OMS) revelou que 35% das mulheres irão sofrer, pelo menos uma vez na vida, atos de violência cometidos por parceiros, familiares, conhecidos ou estranhos.  Por isso, a Legião da Boa Vontade trabalha para combater essa prática condenável e para fortalecer a proteção das mulheres, além de promover iniciativas de conscientização e mobilização social em torno do tema. Quando profissionais da LBV se defrontam com atendidas que sofreram algum tipo de agressão, por meio da equipe multidisciplinar da Instituição, oferecem assistência psicológica ou encaminham as vítimas para delegacias especializadas, caso seja necessário. VENCENDO A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Morar na rua é a realidade de muitas pessoas, incluindo a de várias mulheres. Foi o que vivenciou Guadalupe, mãe de Luiz, de 5 anos — nomes fictícios para preservar a identidade deles —, que vivem em Programas da LBV ajudam a fortalecer a proteção das mulheres RECOMEÇAR HORA DE Montevidéu, no Uruguai. Ela conheceu o marido em 2006 e, após três anos, eles se casaram. Com o nasci- mento do filho, teve de largar o emprego para cuidar do bebê e da casa. Foi nesse momento que começaram as agressões; primeiro psicológicas, com uma indiferença por parte do esposo para com Luiz. Posteriormente, com o envolvimento do companheiro com drogas, a situação foi agravada, e Guadalupe teve sua integridade física ameaçada: “Ele me forçou a ter relações sexuais e, depois, atingiu minha cabeça com um objeto pesado. (...) Além disso, tornou minha casa um local para mulheres, drogas e álcool”. Para evitar tanto constrangimento e dor, a mãe fugiu da própria residência com o filho e, em decorrência das inúmeras dificuldades financeiras, acabou morando por quatro meses nas ruas com seu menino. Batalhadora, conseguiu uma oportunidade de emprego e conheceu a mão amiga da LBV do Uruguai, que deu oportunidade para o garoto estudar no Instituto Educativo e Cultural José de Paiva Netto. Dessa forma, poderia trabalhar tranquila para conseguir o sustento do lar. Guadalupe hoje é outra pessoa. Ela afirma que read- GIOVANNA PINHEIRO
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    BOA VONTADE Mulher61 shutterstock.com
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    62 BOA VONTADEMulher *Dados do relatório de 2013 “Estimativas mundiais e regionais da violência contra mulheres: prevalência e efeitos na saúde da violência doméstica e se- xual”. NÚMEROS DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO Estudo realizado pela OMS*, de parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine e o South African Medical Research Council, analisou a prevalência de violência física e sexual cometida por parceiros íntimos e parceiros não íntimos (familiares, amigos, conhecidos e estranhos) contra mulheres e os efeitos dessas ocorrências na saúde delas. Entre outros dados, o trabalho revelou que: Cerca de 35% de todas as mulheres do mundo vão sofrer violência doméstica ou fora do ambiente familiar, em algum momento da vida. 35% A agressão praticada pelo companheiro é o tipo mais comum de violência contra as mulheres: 30% desse grupo em todo o planeta. 30% 42% Das mulheres que sofreram violência física e/ou sexual de seus parceiros, 42% apresentaram algum tipo de comprometimento, seja de ossos partidos, seja de complicações na gravidez, até perturbações mentais.  quiriu a esperança em dias melhores. “Agora, meu filho e eu estamos felizes, temos uma nova vida, eu estou muito bem em meu trabalho — sou militar —, e meu filho é muito bem tratado na escola da LBV. Estou muito contente em vê-lo tão feliz e porque o nosso passado é apenas isso: um passado”. EXCLUSÃO E DESIGUALDADE DE GÊNERO Apesar de os índices de analfabetismo na Bolívia terem diminuído, o problema ainda tem o “rosto da mulher”. Três em cada 100 pessoas são analfabetas naquele país e, dessas, duas são mulheres. Isso se deve muito aos fenômenos da exclu- são e da desigualdade de gênero. Amalia Apaza, de 30 anos, mãe de dois filhos, é uma delas. Nascida na comunidade de Humanata, na província de Camacho, em uma família numerosa, ela conta que os pais achavam que estudar era “um direito só dos homens”. Para eles, explica Amalia, “as mulheres só deveriam aprender os trabalhos de casa”. “Agora, meu filho e eu estamos felizes, temos uma nova vida, eu estou muito bem em meu trabalho — sou militar —, e meu filho é muito bem tratado na escola da LBV. Estou muito contente em vê-lo tão feliz e porque o nosso passado é apenas isso: um passado.” GUADALUPE VIOLÊNCIA DE GÊNERO Uruguai
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    BOA VONTADE Mulher63 Aos 16 anos, mudou-se para La Paz, capital boliviana, e se viu subordinada em ambientes sociais cada vez mais competi- tivos. “Nos primeiros trabalhos que conse- gui como ajudante de cozinha, sofri maus- -tratos por parte de meus empregadores, em razão da minha falta de experiência e, sobretudo, porque era muito tímida por não saber ler e escrever”, relembra. As humilhações continuaram mesmo depois de casada. “O meu esposo dizia que eu não servia para nada, que não ajudava com os gastos da casa, que só sabia pedir dinheiro”, diz. O ciclo trágico de violência psicológica foi interrompido em 2014, quando Ama- lia, morando no assentamento de Buena Vista, na cidade de El Alto (a cerca de dez quilômetros da capital do país), descobriu que um grupo de jovens e mulheres adultas participavam, nas dependências do centro social da localidade, de cursos de alfabeti- zação e de capacitação técnica promovidos pela Legião da Boa Vontade, para qualificar a mão de obra feminina e gerar renda. “Pouco a pouco aprendi diferentes pontos [de tricô e crochê] e a fazer en- xovais para bebês. Um dia, uma senhora viu meu trabalho e me disse que, se quisesse, poderia levar os meus produtos para a loja dela para colocá-los à venda. A partir dessa data, vendo bem os meus trabalhos, sempre tenho mais encomen- das”, ressalta. A autonomia que conquistou também mudou o cenário no lar: “O meu parceiro não me humilha mais. Além de eu agora contribuir financeiramente em casa, aprendi a me valorizar como mulher, mãe, e me esforço para que meus filhos não sofram o que eu sofri. Agradeço à LBV por nos dar cursos gratuitos, por essa opor- tunidade de aprender e, assim, melhorar a nossa vida”. Amalia Apaza Tengo (primeira à esquerda) recebe o diploma do curso de capacitação técnica da LBV. ArquivoBV Bolívia DEZ ANOS DE AVANÇOS Batizada como Lei Maria da Penha, em homenagem à farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, a Lei no 11.340 completa, em 2016, dez anos de vigência no combate e prevenção à violência de gênero no Brasil. No dia 19 de fevereiro, crianças atendidas pela LBV, em Fortaleza/CE, parabenizaram a inspiradora da nova legislação pela significativa data. “[Estou] feliz, porque eu sei que vocês estão trabalhan- do na questão da violência contra a mulher, da divulgação dessa lei na infância. A maneira como a gente é educado, como aprende as coisas boas, a gente tende a reproduzir. E a LBV trabalha neste sentido; eu me sinto honrada de ter a minha causa incluída nesta ação de vocês. Eu sou muito grata ao Paiva Netto pelo trabalho que tem desenvolvido junto às crianças na questão da educação, da cidadania. Gostaria de agradecer a ele a divulgação e o compromisso que tem em relação à implementação da Lei Maria da Penha”, ressaltou a ativista brasileira. LeandroNunes
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    64 BOA VONTADEMulher da minha vida ESCOLA Como estudar na LBV alavancou minhas potencialidades para lutar pelo protagonismo feminino REGINA DO NASCIMENTO SILVA AÇÃO JOVEM LBV VivianR.Ferreira M ulher, jovem, mineira. Para uns, parda. Para mim, negra. Filha de pais que passaram a infância na roçaenãoterminaramoensinofundamental,mas possuem diploma em honra e em valores espirituais, éticos e ecumênicos. Hoje, ao rememorar minha trajetória, vejo como foi importante ter estudado no Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP. O que aprendi nesse estabelecimento de ensino alavancou meu crescimento espiritual, humano e profissional. Na escola, éramos sempre incentivados a olhar para os problemas sociais ao nosso redor — alguns deles pre- sentes no nosso lar — de maneira crítica, mas também sensível, o que despertou em nós a vontade de construir um mundo melhor. Em uma das ações realizadas no ensino médio, visitamos a comunidade Lidiane, no bairro do Limão, na capital paulista. Lá, participamos, com o apoio de profissionais e voluntários da Legião da Boa Vontade, de atividades recreativas com crianças e
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    BOA VONTADE Mulher65 Regina do Nascimento Silva, 29 anos, ex-aluna do Conjunto Educacional Boa Vontade, graduada em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Linguagem das Artes pelo Centro Universitário Maria Antonia, da Universidade de São Paulo (USP). VivianR.Ferreira adolescentes do local, enquanto as mães e outros familiares deles eram atendidos por meio de programas sociais da Instituição. Essa experiência não serviu apenas para nos acordar para a dura realidade, fazendo-nos perceber o sofrimento e as mazelas da vida, mas também nos possibi- litou enxergar as potencialidades daquelas pessoas e aprender que há luzes humanas espalhadas em todas as classes sociais. Somos todos iguais. Somente as oportuni- dades que nos são dadas nos diferenciam. Os conteúdos extracurriculares ofere- cidos pela LBV ampliam a criticidade e o senso de humanidade dos estudantes, indo muito além dos tópicos trabalhados geralmente em um sistema apostilado caro. Eles integram um projeto pedagógico consistente, que sabe exatamente o que precisa ser apresentado ao indivíduo para fazê-lo chegar ao resultado que se espera dele como ser humano. No entanto, infelizmente, não são todas as pessoas que entendem a educação des- se modo. É comum pensar que a formação ética das crianças e dos adolescentes deve ficar a cargo exclusivamente de seus pais ou responsáveis. Na verdade, toda a so- ciedade educa, porque nenhum indivíduo vive enclausurado no espaço puramente educativo familiar. Todo ser humano, por estar inserido no mundo, acaba por inte- ragir com a diferença. Sabendo disso, posso afirmar, segura- mente, que toda a equipe de profissionais e educadores da Legião da Boa Vontade, engajada na aplicação da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumêni- co* contribuiu para fazer de mim a pessoa que sou hoje, levando-me a entender que sou um ser em constante formação. Essa educação me deu coragem para enfrentar meus problemas e desafios da existência, bem como o conhecimento necessário para que me saísse bem em diferentes provas de minha vida, entre estas aquela que me conduziu ao ensino superior. Formei- -me em Pedagogia em uma universidade conceituada, com bolsa de estudo integral, excelente histórico acadêmico, iniciação científica concluída e publicação do pri- meiro artigo. Outra porta, além da educação, me foi aberta pela LBV: a do mundo do trabalho. * Pedagogia do Afeto e Pedagogia do Cidadão Ecumênico — Compõem a linha educacional criada pelo dirigente da LBV, o educador Paiva Netto, e aplicada com sucesso nas unidades de atendimento da Instituição. (Veja mais sobre o assunto na p. 42) ClaytonFerreira
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    66 BOA VONTADEMulher se destaca por se sensibilizar com a falta de recursos nos seus bairros e por mobili- zar pessoas diversas do poder público, do setor privado e da própria comunidade em busca de melhoria da qualidade de vida da população. Na maioria das vezes, essa gente é composta de mulheres que têm histórias lindas de lutas e de dificuldades desde a juventude, mas que, com garra, superaram o sofrimento ao fazer cessar a dor do outro. É o trabalho para o qual eu nasci com certeza, pois, além de todo o preparo técnico que busquei e adquiri, me identifico muito com essa atividade e com cada uma das mulheres participantes desse programa. Desejo que toda a Humanidade saiba cuidar das crianças e dos adolescentes e construir efetivamente o conhecimento so- lidário, que é a soma do potencial cognitivo com valores espirituais, éticos e ecumêni- cos. Como postula a linha pedagógica da LBV, somos seres integrais, isto é, somos “Cérebro e Coração”, no dizer do educador Paiva Netto. Com alegria, faço parte do imenso grupo que realiza diariamente a proposta socio- educacional dessa Instituição, que é um dos maiores movimentos humanitários do planeta. Primeiro trabalhei como monitora, de- senvolvendo atividades lúdicas, artísticas, culturais e de raciocínio lógico, por meio do ensino do xadrez, jogo de tabuleiro. Tempos depois, tendo vivido incríveis experiências e aprendizados com a infância e a juventu- de atendidas pela Entidade, tive condições de assumir o cargo de supervisora peda- gógica do trabalho de outros educadores que lidam com o público de programas sociais. Nesse período, aprofundei-me no exercício das ações de assistência social e alcancei, então, as condições necessárias para atuar com lideranças comunitárias por intermédio do programa da LBV de assessoramento e de defesa e garantia de direitos: o Rede Sociedade Solidária. Com essa iniciativa, a Instituição empodera — principalmente ao oferecer acesso ao conhecimento — gente muito simples que VivianR.Ferreira AÇÃO JOVEM LBV
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    BOA VONTADE Mulher67 O melhor conteúdo de paz e elevação onde você estiver Preces Ecumênicas Música Legionária Boa Vontade TV Super Rede Boa Vontade de Rádio Baixe gratuitamente em sua loja de aplicativos: Agora é só dar PLAY
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