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darevista
BOAVONTADE
Esperança
que vem
de Paris
conferência do clima 2015
O olhar do mundo
volta-se para a COP 21,
que ocorrerá na França
com a expectativa de
firmar um novo protocolo
entre as nações para
evitar a elevação de 2
graus na temperatura
média do planeta até o
fim do século
LBV É AÇÃO! Mobilização da Legião da Boa Vontade atende milhares de
famílias atingidas pelo frio intenso no Centro-Sul e pela seca no Nordeste
Cidadania sustentável O jornalista e escritor André Trigueiro e o
engajamento em compartilhar uma nova ética civilizatória
Paiva Netto escreve “Conscientização hoje...” e destaca: “Nosso brado
é este: Educar. Preservar. Sobreviver. Humanamente também somos
Natureza”. (Íntegra na p. 8.)
O compromisso com o planeta
a partir de nossas atitudes
MEIO AMBIENTE E PROFECIAS
EXCLUSIVO
Cientista russa e Ph.D.
em Geografia Médica,
Natalia Shakhova e o
alerta que vem do Ártico
Análises e PROPOSTAS
De Educação a Ciência e
Tecnologia, alternativas para
um mundo melhor
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Apoiando as comunidades, realizando projetos sociais, garantindo o desenvolvimento
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Obrigado a todos os cearenses. Um povo que não abre mão da qualidade.
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8	 evangelho de jesus e meio ambiente por Paiva Netto
Conscientização hoje...
	 12		Cartas, e-mails, livros e registros
	19	Opinião — Esporte por José Carlos Araújo
Campeonato termina antes do fim
	 20		Samba & história por Hilton Abi-Rihan
Xande de Pilares — Talento e perseverança
	 23		Opinião — Educação por Arnaldo Niskier
Edupark,uma grande inovação
	 24	LBV é ação
	 30	Opinião — Terceiro setor por dr. Airton Grazzioli
Eficiência e inovação
	32	Comunicação
		 André Trigueiro — A grave crise ambiental	
	37 	caderno especial — conferência mundial
		 sobre o clima
• O que substituirá o protocolo de Kyoto? (p. 37)
• Entrevista exclusiva com Natalia Shakhova — Ameaça
que vem do Ártico (p. 40)
• José Goldemberg — O Brasil e a importância da energia
eficiente e limpa (p. 46)
• Paulo Saldiva — Saúde, poluição e economia (p. 47)
• Suelí Periotto — Cidadania solidária e ecumênica (p. 48)
• Bel Pesce — Protagonismo socioambiental (p. 49)
• José Antonio Marengo — Extremos climáticos e
crise hídrica (p. 50)
• Bárbara Rubim — A importância de investir em
fontes renováveis (p. 51)
• Ações da LBV para preservar o planeta (p. 52)
• Consciência sustentável e espiritual por Nathália Helena
Azevedo Pereira (p. 60)
		 • Sustentabilidade planetária e profecias por Daniel
		 Borges Nava (p. 62)	
	65	Internacional
Medalhistas no Pan de Toronto recebem homenagem da LBV
sumário
Reflexão de Boa Vontade
“(...) Conforme respondi ao jornalista italiano
radicado no Brasil Paulo Parisi Rappoccio, em en-
trevista que lhe concedi, a 18 de outubro de 1981,
a Solidariedade se expandiu do luminoso campo da
ética e se apresenta como estratégia, de modo que o
ser humano possa alcançar e garantir a sua própria
sobrevivência. À globalização da miséria contrapomos
a globalização da Fraternidade, que espiritualiza e
enobrece a Economia e solidariamente a disciplina,
como forte instrumento de reação ao pseudofatalismo
da pobreza. Por isso, é fundamental convergir todas
as ferramentas disponíveis para a Solidariedade
Ecumênica e compartilhá-las, para que se promova,
com maior rapidez, a transição para o pleno desenvol-
vimento sustentável. Integrados esses instrumentos
que visam ao bem comum, pelo autêntico sentido de
Amor Fraterno e de Justiça, que nos distinguem dos
animais ferozes, poderemos fazer cessar os horrores
que ainda persistem no mundo. Além de superar
todas as mazelas sociais — dure o tempo que durar
a luta —, é nosso dever construir, unidos, um modelo
novo de desenvolvimento que efetivamente preserve
a vida neste orbe (...).”
Trecho da mensagem de Paiva Netto encaminhada aos
participantes da histórica Cúpula das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável 2015, realizada de 25 a 27 de
setembro, em Nova York, EUA. A íntegra do documento
encontra-se no blog Paiva Netto (www.paivanetto.com).
84 Educação em debate
Conhecimento ou informação? Congresso
Internacional de Educação da LBV discute o papel
da pesquisa na aprendizagem significativa.
8 evangelho de jesus
e meio ambiente
Paiva Netto escreve:
“Conscientização hoje...”.
4 BOA VONTADE
20
Xande
de Pilares
19
José Carlos
Araújo
25
Mílton
Jung
74
Dr. Alberto
Padova
112
Dr. Eduardo
Tosta
	66	LBV na ONU
• Os desafios do planeta pós-2015 (p. 66)
• LBV é convidada para cúpula histórica
da ONU (p. 72)
	74	ONU na LBV
Cidadania além-fronteiras
	 78	Ação jovem lbv
Atitude e convicção no Bem
	 84	Educação em debate
Conhecimento ou informação? Congresso Internacional
de Educação da LBV discute o papel da pesquisa na
aprendizagem significativa
	92	 Campanhas emergenciais da LBV
Presente onde o povo precisa! O amparo da Legião da
Boa Vontade chega a milhares de famílias castigadas
pela estiagem e pelo inverno rigoroso
	106	 saúde Bucal
		 Sorriso em dia	
	108	 fórum mundial espírito e ciência, da lbv
Espiritualidade + Ciência + Saúde — fórmula do bem
viver
	112	Espiritualidade e saúde por Eduardo Tosta
O poder curativo do Amor
	118	 templo da boa vontade
	120	 Opinião — Congresso em pauta por Paulo Kramer
		 O dilema previdenciário brasileiro	
124	 opinião — mídia Alternativa
		por Carlos Arthur Pitombeira
Novos caminhos e desafios da mídia
	126	 melhor idade por Walter Periotto
Quedas na terceira idade
	128	 soldadinhos de deus, da lbv
130	Aprendendo português por Adriane Schirmer
Atenção ao emprego de palavras parecidas
51
Bárbara
Rubim
40
Natalia
Shakhova
32
André
Trigueiro
49
Bel
Pesce
46
José
Goldemberg
50
José Antonio
Marengo
47
Paulo
Saldiva
62
Daniel Borges
Nava
32 A GRAVE CRISE AMBIENTAL E CADERNO ESPECIAL
conferência mundial sobre o clima
COP 21 traz esperança de novo acordo global para
diminuir a emissão de gases de efeito estufa
108 fórum mundial espírito e
ciência, da LBV
Espiritualidade + Ciência + Saúde —
fórmula do bem viver
18
Laurentino
Gomes
30
Dr. Airton
Grazzioli
106
Dr. José Peixoto
Ferrão Jr.
ParlaMundi da LBV no DF
BOA VONTADE 5
pode acelerar, de maneira dramá-
tica, o aquecimento global.
Aqui no Brasil, outros relevantes
pontos foram trazidos por interlo-
cutores da temática socioambien-
tal, como Bárbara Rubim, coorde-
nadora da campanha de Clima e
Energia do Greenpeace Brasil; Bel
Pesce, empreendedora e fundadora
da escola FazINOVA; José Goldem-
berg, físico e presidente da Fapesp;
José Marengo, meteorologista e
chefe da Divisão de Pesquisas do
Cemaden; Paulo Saldiva, patolo-
gista e coordenador do Laboratório
de Poluição Atmosférica da USP; e
Suelí Periotto, supervisora da linha
pedagógica da LBV.
Ainda sobre o meio ambiente e
as consequências das desastrosas
ações humanas nele, a revista traz
o artigo “Conscientização hoje…”,
do diretor-presidente da Legião da
Boa Vontade, o jornalista, radialis-
ta e escritor José de Paiva Netto,
em que ele enfatiza: “Pode ser
chocante, mas os filhos da atual
geração e, posteriormente, seus
Revista apolítica e apartidária
da Espiritualidade Ecumênica
BOA VONTADE é uma publicação da LBV, lançada pela Editora Elevação. Registrada sob o no
18166 no livro “B” do 9o
Cartório de Registro de Títulos e
Documentos de São Paulo.
Diretor e Editor-responsável: Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP
chefe de redação: Rodrigo de Oliveira — MTE/DRTE/SP 42.853 JP • Coordenação geral de Pauta: Gerdeilson Botelho
Superintendência de marketing e comunicação: Gizelle Tonin de Almeida
Jornalistas e Colaboradores Especiais: Dr. Airton Grazzioli, Arnaldo Niskier, Carlos Arthur Pitombeira, Daniel Borges Nava, Hilton Abi-Rihan,
José Carlos Araújo e Paulo Kramer.
Equipe Elevação: Adriane Schirmer, Cida Linares, Giovanna Pinheiro, Leila Marco, Leilla Tonin, Mariane de Oliveira Luz, Mário Augusto Brandão, Neuza
Alves, Silvia Fernanda Bovino, Valéria Nagy, Vivian R. Ferreira, Walter Periotto, Wanderly Albieri Baptista e William Luz.
Projeto Gráfico e capa: Helen Winkler • Diagramação: Diego Ciusz e Helen Winkler
Impressão: Mundial Gráfica • Crédito da foto de capa: André Trigueiro: Odevan Santiago; Imagem da capa: shutterstock.com; e Natalia
Shakhova: Arquivo pessoal
Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 • CEP 01134-050 • Bom Retiro • São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225-4971 • Caixa Postal 13.833-9 •
CEP 01216-970 • Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com
A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de
estimular o debate dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento contemporâneo.Tiragem: 50 mil exemplares
Edição fechada em
8/10/2015
ANO 59 • No
240
JUN/JUL/AGO/SET/2015
Canais da LBV
na internet:
www.lbv.org.br Facebook: LBV Brasil Twitter: @LBVBrasil Youtube: LBV Videos
netos pedem socorro aos que hoje
gastam, de maneira condenável, o
que o planeta lhes oferece”. Além
dessa inspiradora mensagem, há
a entrevista do também jornalista
André Trigueiro, ocasião em que o
repórter da TV Globo conta como
se interessou pela ecologia e de
que forma isso transformou sua
vida e carreira.
O leitor igualmente poderá sa-
ber como foi a mobilização da LBV
em prol do socorro emergencial de
populações em situação de risco
social castigadas por dois fenô-
menos climáticos que impactaram
nosso país: de um lado, as baixas
temperaturas e as fortes chuvas
que atingiram localidades no Sul;
e, de outro, a seca nas regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Por fim, merece realce nesta
edição o bate-papo com o can-
tor Xande de Pilares, na seção
“Samba & História”, no qual falou
sobre os desafios que enfrentou até
alcançar o sucesso profissional.
Boa leitura!
P
or que a 21a
Conferência das
Partes (COP 21), que ocorre-
rá em dezembro, em Paris,
na França, interessaria a você? De
que modo os temas a serem dis-
cutidos nesse encontro influenciam
seu dia a dia? Em busca de respos-
tas a esses e a outros importantes
questionamentos, as quais tornam
expressões como efeito estufa e uso
de energias renováveis aconteci-
mentos mais próximos de nossa
realidade, a revista BOA VONTADE
ouviu especialistas de várias áreas
da sociedade para compor o espe-
cial “Conferência Mundial sobre o
Clima”.
Primeiramente, destaque para
os sérios alertas feitos pela cien-
tista russa Natalia Shakhova,
doutora em Ciências em Geologia
Marinha e Ph.D. em Geografia
Médica. Em entrevista exclusiva
à publicação, ela comentou que
análises realizadas no solo oceâ-
nico da Plataforma Ártica Leste-
-Siberiana revelam crescentes
emissões de metano, fato que
O desafio da sustentabilidade
ao leitor
6 BOA VONTADE
Evangelho de Jesus e meio ambiente
... Antes que seja
tarde para os
inquilinos da Terra.
Conscientização
hoje...
8 BOA VONTADE
JoãoPreda
José de Paiva Netto,
jornalista, radialista e escritor.
É diretor-presidente da LBV.
Q
uando nos aproximamos da 21a
Conferência das Partes (COP 21),
que terá vez em Paris, França, de 30
de novembro a 11 de dezembro de 2015,
apresento neste editorial contributo mo-
desto aos debates que a agenda do clima
urgentemente reclama.
Há décadas, venho insistindo que a
destruição da Natureza é a extinção da raça
humana. Fica evidente que essa não é uma
simples frase de efeito para chamar a aten-
ção desta Humanidade, sempre apressada,
muitas vezes rumo ao próprio extermínio.
Em geral, as criaturas se movem como se
não houvesse amanhã. Desse modo, deixam
de avaliar o resultado futuro de seus atos no
presente. É preo­cupante, porque, quando
os efeitos devastadores da má semeadura
chegam, o quadro pode ser irreversível ou
acompanhado de imensos prejuízos.
Sustentabilidade é palavra da moda.
Contudo, agimos em consonância com seu
significado? Os problemas relacionados aos
recursos naturais aumentam a cada dia. Ve-
jam a diminuição dos reservatórios de água
em diversas cidades brasileiras! 
Vez por outra, vêm à tona estudos de-
monstrando que qualquer ação desenfreada
contra o meio ambiente traz algum tipo de
desequilíbrio local ou à distância. Mesmo
assim, as árvores continuam sendo “estorvo”
ou objeto de ganância sem fim na Amazônia,
na Mata Atlântica ou em qualquer lugar. Até
quando?
shutterstock.com
BOA VONTADE 9
Evangelho de Jesus e meio ambiente
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Atitudes decididas de
preservação
Na década de 1980, pesquisa-
dores já alertavam para o risco de a
capital bandeirante vivenciar clima
semelhante ao do Nordeste do Brasil.
Com seguidas massas de ar seco
sobre a região, falta de chuva recor-
rente, poluição sem controle, sua
famosa marca de “terra da garoa”
vai ficando no passado. Ainda que o
comportamento climático também
seja cíclico, tal fato não sugere que
devamos baixar a guarda.
A esperança é que o povo — e
isso em todo o orbe, desde as pes-
soas mais simples às que dirigem as
nações — tome atitudes decididas
de preservação de nossa espécie. Se
as coisas persistirem como andam,
lá na frente poderemos ler anúncios
assim: “Restam poucos exemplares
humanos em tal localidade. A região,
antes repleta de vida, tornou-se
hostil, sendo totalmente prejudicada
pela aridez e pela falta de visão de
seus moradores”. Pode ser chocante,
mas os filhos da atual geração e,
posteriormente, seus netos pedem
socorro aos que hoje gastam, de
maneira condenável, o que o planeta
lhes oferece.
Hawking: colonizar o
espaço para sobreviver
O conceituado astrofísico inglês
Stephen Hawking chegou mesmo
às raias de afirmar ao site Big Think
que “nossa única chance
de sobrevivência em longo
prazo não é permanecer
na Terra, mas se espalhar
pelo espaço”. E prossegue:
“Eu vejo um grande perigo
para a raça humana. Houve
vezes, no passado, em que
a sobrevivência [do ser humano] foi
incerta. (...) Nossa população e o uso
de recursos finitos do planeta Terra
estão crescendo exponencialmente,
assim como nossa capa-
cidade técnica de mu-
dar o ambiente para o
bem e para o mal”, disse
Hawking. Vejam que
não se trata de nenhum
alarmista.
É de se destacar
também que muita gen-
te idealista e pragmática
— a exemplo do próprio professor
lucasiano emérito da Universidade
de Cambridge — vem dando voz
ativa à fauna e à flora que
nos cercam.
Entretanto, é preciso
que essa consciência se
multiplique por toda parte,
começando pelas crianças,
em casa e nas escolas.
Aplacar as tempestades
Confiantes, rogamos a Deus que
aplaque as intempéries meteoro-
lógicas que levam, todos os anos,
sofrimento a multidões no
mundo. E sejamos cida-
dãos conscientes de que,
se merecedores, Jesus, o
Cristo Ecumênico, o Divino
Estadista, em pessoa no-
vamente, fará os prodígios
relatados no Evangelho,
segundo  Lucas, 8:24,
quando o Celeste Timonei-
ro acalma uma tempestade.
O Mestre dos Milênios virá e re-
preenderá o vento e a fúria da água,
hoje simbolizada igualmente pela
escassez dela própria. Usufruir de
bonança na atualidade depende do
convívio harmônico com a Natureza.
E finalizo este editorial com
trechos da mensagem “LBV, Rio-
92 e os desafios da Rio+20”, que
humildemente enderecei aos chefes
de Estado do mundo inteiro e a suas
comitivas, além de aos represen-
Jesus
ReproduçãoBV
Stephen Hawking
10 BOA VONTADE
veitamento das águas da chuva,
excelentes trabalhos de cientistas
e outros estudiosos prometem bons
resultados no curto e no longo prazo.
Por exemplo, é intensa a pesquisa
na área energética, sobretudo em
relação a fontes renováveis e limpas:
biocombustível, biomassa, energia
azul, energia geotérmica, energia
hidráulica, hidreletricidade, energia
solar, energia maremotriz, energia
das ondas e energia eólica, além
de outros objetos de estudo pouco
conhecidos e aqueles que nem
mesmo sabemos ainda que serão
descobertos. A Fé é o combustível
das Boas Obras.
“Não jogam a toalha”
Destaco, por devido, o esforço
militante, pela causa do meio am-
biente, de entidades governamentais
e do Terceiro Setor, sérias e ativas,
no Brasil e no mundo; de multidões
de idealistas que “não jogam a toa-
lha” e continuam na linha de frente
pelejando por um planeta realmente
melhor.
Nosso brado é este: Educar. Pre-
servar. Sobreviver. Humanamente
também somos Natureza.
tantes da sociedade civil, presentes
à Conferência das Nações Unidas
sobre Desenvolvimento Sustentá-
vel (CNUDS), a Rio+20, realizada
entre os dias 13 e 22 de junho de
2012, na capital fluminense. Espe-
cialmente para o evento, remetemos
a revista especial Boa Vontade
Meio Ambiente nos idiomas por-
tuguês, inglês, espanhol e francês.
Gente que luta
Para que nosso planeta sobreviva
aos efeitos de tanta ganância pelos
séculos, verdade seja dita, temos
visto notáveis esforços de pesqui-
sadores e de cidadãos engajados na
melhora da qualidade de vida por
todo o globo. Aliados às iniciativas
que buscam a alimentação sau­
dável, por intermédio da agricultura
or­gânica, meios de transporte
alternativos e a proteção do meio
ambiente, pela reciclagem e pelo
tratamento racional do lixo e apro­
“(...) os filhos da
atual geração e,
posteriormente,
seus netos pedem
socorro aos que hoje
gastam, de maneira
condenável, o que o
planeta lhes oferece.”
paivanetto@lbv.org.br
www.paivanetto.com
É hora de agir!
Todos os anos, milhares de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica e de outras áreas
verdes no mundo são desmatados indiscriminadamente, situação que contribui para a
instabilidade do clima em todo o orbe e para o desequilíbrio do ecossistema.
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BOA VONTADE 11
Cartas, e-mails, livros e registros
PUBLICAÇÃO
DIVERSIFICADA
Recebi a revista BOA VONTA-
DE [no
238, com a chamada
de capa] “65 anos de Fraterni-
dade Ecumênica por um Brasil
melhor e por uma
Humanidade mais
feliz”, de 2015, e
dela tudo se apro-
veita para o desen-
volvimento moral,
espiritual, físico e
intelectual de todas as pessoas, in-
distintamente. A publicação é mui-
to bonita, rica e diversificada em
seu conteúdo, quer pela relevância
de seus articulistas, quer pelos tra-
balhos altruísticos, beneméritos,
pedagógicos e literários em nosso
favor, além de ser articulada e
ensinar a língua de Camões. Não
me surpreenderam os meritórios
prêmios internacionais concedidos
à LBV (...), identificada com e
em Cristo Jesus. (Marco Antonio
Azkoul, escritor, mestre e doutor
em Direito Constitucional, de São
Paulo/SP.)
ECUMENISMO MOTIVA
VISITA À LBV
Agradecemos a simpatia da
equipe da Legião da Boa Von-
tade no acolhimento ao nosso
grupo do 8o
ano de catequese,
da Paróquia de São Julião de Ca-
lendário. [O nosso] muito obrigado
pela vossa alegria, entusiasmo
contagiante e disponibilidade para
nos receber na vossa casa. Que
Deus vos dê tudo de que precisais
para prosseguir com a ajuda que
prestais a todos os que recorrem
à Instituição. (Maria Goreti Sá e
Eugénia Faria, catequistas, de
* Leia mais artigos sobre o assunto em http://www.paivanetto.com/pt/ecumenismo
Vila Nova de Famalicão, Portugal,
após visita à LBV daquele país,
com um grupo de 11 jovens, para
conhecerem de perto o Ecume-
nismo Irrestrito* praticado pela
Entidade.)
Em junho, a socióloga e educadora Maria Alice Setubal, co-
nhecida como Neca Setubal, reuniu, em uma livraria da capital
paulista, amigos, autoridades e empresários para o lançamento
de Educação e sustentabilidade: princípios e valores para a for-
mação de educadores (Editora Peirópolis). O livro traz conceitos
debatidos e conectados com práticas que revelam que os valores
e princípios da sustentabilidade devem ser incluídos na formação
de professores e educadores. Na opinião da autora, temas como
a diversidade cultural e a equidade social são pontos que têm de
estar presentes no currículo escolar para que se criem cidadãos
conscientes de seu papel na sociedade. “É isto que a gente quer:
que os alunos sejam formados para poder participar desta so-
ciedade em que vivemos hoje e da que eles participarão daqui
a dez anos”, destacou.
No evento, Neca ainda escreveu, em um dos exemplares da
obra, estas palavras ao dirigente da LBV: “Caro José de Paiva
Netto, com a educação poderemos construir um país mais justo
e melhor. Abraços”.
Educação e
sustentabilidade,
por Neca Setubal
RobertaAssis
Portugal
12 BOA VONTADE
Crescimento humano
Agradeço a gentileza e atenção
e apresento cumprimentos à
equipe responsável pela publi-
cação da revista BOA VONTADE,
enquanto prevaleço-me da oportu-
nidade para, também, externar os
meus votos de louvor pelo trabalho
realizado pela LBV e divulgado em
parte pela revista, sempre buscan-
A jornalista Míriam Leitão lançou, em agosto, na
capital federal, o livro História do futuro: o horizonte
do Brasil no século XXI (Editora Intrínseca), resultado
de extenso trabalho de reportagem, que incluiu quatro
anos de pesquisas, análises, viagens e entrevistas com
especialistas em assuntos de interesse da sociedade.
Na publicação, ela indica tendências que não podem
ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia,
educação, economia, política, saúde e tecnologia. “O
convite que faço aos leitores é o de seguir comigo a linha
— nada linear — do tempo que nos trouxe do passado ao
presente e nos levará ao futuro. Não por predestinação,
mas por escolha”, ressalta em trecho da obra.
Representantes da Legião da Boa Vontade estiveram
no evento de lançamento e cumprimentaram a autora.
Na ocasião, ela registrou a seguinte dedicatória em um
exemplar do título: “Para o presidente da LBV, José de
Paiva Netto. Um abraço da Míriam Leitão”.
O escritor e cartunista Ziraldo lançou, em
13 de setembro, durante a 17a
Bienal Inter-
nacional do Livro do Rio de Janeiro, Nino,
o menino de Saturno. Na obra literária, ele
narra as aventuras de um garoto que adora
deslizar pelo espaço com sua prancha de surfe.
Quando, sem qualquer explicação, os anéis de
Saturno amanhecem sem cor, o personagem
parte em busca de uma solução para esse
mistério. Com ilustrações do próprio Ziraldo, o
trabalho apresenta aos leitores mirins a riqueza
da criação de grandes pintores, entre estes
Matisse, Picasso e Miró.
Representantes da LBV estiveram na tarde
de autógrafos e cumprimentaram o autor, que
encaminhou aos atendidos pela Instituição um
exemplar do título autografado, com a seguinte
dedicatória: “Viva as crianças da LBV! Ziraldo”.
Míriam Leitão
convida leitores a
olhar para o futuro
Ziraldo apresenta
Nino, o menino
de Saturno
GustavoHenriqueLima
PriscillaAntunes
do a valorização e o crescimento
do ser humano em sua essência.
(Wanderley Ávila, conselheiro do
Tribunal de Contas do Estado de
Minas Gerais.)
BOA VONTADE 13
Cartas, e-mails, livros e registros
Educador Paulo Nathanael
é homenageado em livro
te, ele é reitor da Universidade Corporativa Sciesp
(UNISciesp), ex-presidente da Academia Paulista de
Educação (APE) e presidente emérito do Centro de
Integração Empresa-Escola (Ciee).
Em um gesto muito gentil, o educador encaminhou
ao diretor-presidente da LBV um livro (lançado em
maio de 2014), acompanhado de cartão, no qual
registrou a seguinte mensagem: “Caro Paiva Netto,
continuo antenado nessa bem-aventurada obra da
Legião, quer através da revista BOA VONTADE, que
regularmente recebo e leio, quer por amigos que
colaboram regularmente com os projetos — notada-
mente educativos —, que fazem de vocês uma força
viva na construção do País. Parabéns, como sempre,
e, junto com os cumprimentos, este exemplar de
Relógio do Tempo, uma biografia escrita, para meu
orgulho, pela historiadora Yvonne Capuano. Abraços”.
Na primeira página da publicação, o biografado
inscreveu esta dedicatória: “Ao Paiva, meu confra-
de nesta árdua tarefa de servir o Brasil através da
educação de suas crianças. Com as homenagens
do Paulo Nathanael. 2015”.
Relógio do tempo — Perfil biográfico do educador
Paulo Nathanael Pereira de Souza (Miró Editorial) é o
título mais recente da historiadora Yvonne Capuano,
que também é médica e mestre em Educação, Admi-
nistração e Comunicação. Na obra, a autora debruça-
-se sobre a vida de um dos principais pensadores da
educação brasileira, o dr. Paulo Nathanael Pereira de
Souza, que ocupou a presidência do Conselho Federal
de Educação, além de ter sido curador da Fundação
Padre Anchieta e de outras instituições. Atualmen-
LuizBarcelos
RenataTabachdePaiva
No dia 24 de setembro, o jornalista Ricardo Viveiros lançou, em
São Paulo/SP, seu oitavo livro biográfico, Uma Vida pelo Seguro: A
trajetória de Hélio Opípari (Editora Azulsol). Nele, o escritor discorre
sobre o filho de imigrantes italianos que começou a atuar na área
de seguros aos 16 anos e hoje é um profissional cujo nome ecoa
no mercado de seguros como arauto da confiabilidade. A obra, que
aborda o período de 1929 até os dias atuais, enfoca importantes
momentos da história política e econômica do Brasil, além de reunir
fotos de arquivo da família Opípari.
Por ocasião do lançamento, biografado e autor receberam os
cumprimentos de representantes da Legião da Boa Vontade e, com
muita simpatia, dedicaram exemplar do título ao diretor-presidente
da LBV. Opípari escreveu: “Ao grande amigo Paiva Netto, com nossa
admiração”. Viveiros, por sua vez, registrou: “Ao meu amigo Paiva
Netto, com um fraterno abraço, esta vida bem vivida”.
Biografia de Hélio Opípari
é lançada na capital paulista
Hélio Opípari (E) e o jornalista Ricardo Viveiros,
autor do livro biográfico Uma Vida pelo Seguro: A
trajetória de Hélio Opípari.
14 BOA VONTADE
Cacá Diegues
e a
autobiografia
Carlos Chagas
relembra história
nacional
ArquivoBV
GustavoHenriqueLima
Em junho, o cineasta alagoano Carlos Die-
gues, mais conhecido como Cacá Diegues, esteve
em Fortaleza/CE para a sessão de autógrafos de
Vida de cinema: antes, durante e depois do Ci-
nema Novo (Editora Objetiva), sua mais recente
obra literária. Autobiografia cheia de bom humor,
o título conta façanhas do autor desde menino
e provoca risos ao descrever o dia em que ele
ensaiou fazer uma fotonovela baseada na peça
Romeu e Julieta com seus irmãos e a empregada.
Essa veia artística logo ficou evidente e revelou
o notável talento do premiado diretor de cinema,
haja vista os filmes Chuvas de verão (1977) e
Bye bye Brasil (1979), dois dos maiores suces-
sos dele.
Por ocasião do evento na capital cearense, o
escritor recebeu um exemplar da edição no
238
da revista BOA VONTADE e autografou seu livro
para o diretor-presidente da LBV, no qual fez
constar: “Para Paiva Netto, com o abraço do
Cacá Diegues”.
O jornalista Carlos Chagas, que
também é comentarista da rede de
televisão paranaense CNT e professor
emérito da Faculdade de Comunicação
da Universidade de Brasília (UnB), lan-
çou em agosto, na capital federal, sua
mais recente obra literária, intitulada
A ditadura militar e a longa noite dos
generais: 1970-1985 (Editora Record).
Com a publicação, que se soma ao título
A ditadura militar e os golpes dentro
do golpe: 1964-1969 (Editora Record,
2014), Chagas encerra o impecável tra-
balho sobre o governo militar no Brasil
— o qual resume “a história contada por
jornais e jornalistas”.
Durante o evento de lançamento,
o autor dedicou um exemplar do livro
ao diretor-presidente da LBV, em que
escreveu: “Ao caro amigo e mestre José
de Paiva Netto, com as homenagens do
Carlos Chagas”.
Com a revista BOA VONTADE no
238 em mãos, Cacá Diegues
confraterniza com Leandro Ribeiro Nunes, da LBV, que segura
o novo livro do cineasta.
BOA VONTADE 15
Cartas, e-mails, livros e registros
Fotos:JoãoNery
Ranking divulgado em 31 de agosto pelo
site MelhorEscola.Net (www.melhorescola.
net) aponta o Instituto de Educação José
de Paiva Netto (que, ao lado da Supercre-
che Jesus, forma o Conjunto Educacional
Boa Vontade) em 1o
lugar entre 97 escolas
particulares de São Paulo/SP. A avaliação,
feita por pais, alunos, ex-alunos e professores,
leva em conta a motivação dos estudantes, a
estrutura física do estabelecimento de ensino,
a participação da comunidade, o desenvol-
vimento socioemocional dos educandos e a
preparação deles para o vestibular.
De acordo com os criadores do site —
que, em pouco mais de dois anos de exis-
tência, já foi visitado por mais de um milhão
de pessoas —, a página foi idealizada para
ajudar os pais a escolher os melhores colé-
gios para os filhos.
Cabe destacar que, na edição de 2014 do
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a
escola atingiu 624,43 pontos, quase 30% a
mais do que a média nacional, de 486,20
pontos, conforme divulgou, à época, o Insti-
tuto Nacional de Estudos e Pesquisas Edu-
cacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza
a prova.
1o
lugar no ranking do MelhorEscola.Net
AtalisonAlves
Sábado Literário na
educação infantil
O incentivo à leitura na primeira infância é uma
das práticas bem-sucedidas nas escolas da Legião
da Boa Vontade. Em São Paulo/SP, por exemplo, na
Supercreche Jesus, a relação dos pequeninos com a
leitura começa já no berçário, com o uso de livrinhos
de plástico, que deixam o banho mais divertido.
Somam-se a isso diversas iniciativas, entre elas o
“Sábado Literário”. Ocorrida em agosto,
a atividade contou também com a
participação dos familiares dos
educandos. Na ocasião, os professores
fomentaram espaços para contação
de histórias, além de realizar
apresentações teatrais e muitas
brincadeiras.
16 BOA VONTADE
Em setembro, o Centro de Comunicação e Letras da
Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo/SP,
organizou o 10o
Encontro de Comunicação e Letras.
Uma das ações realizadas foi o 5o
Fórum de Pesquisa,
que ocorreu entre os dias 17 e 18 daquele mês e teve
como objetivo estimular a pesquisa acadêmica. Nele,
diversos alunos puderam mostrar seus trabalhos e res-
ponder às perguntas sobre os tópicos expostos por eles.
A graduanda em Letras Sarah Jimena Moreno de
Paula, de 21 anos, falou acerca dos bons resultados al-
cançados pelos estudantes do Conjunto Educacional Boa
Vontade, localizado na capital paulista, o qual aplica a
Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico
criadas pelo educador Paiva Netto.
Entusiasmada com a acolhida de sua apresentação
Encontro Fraterno
O cardeal Dom Odilo Scherer,
arcebispo metropolitano de São Pau-
lo, prestigiou a participação do Coral
Ecumênico e do Grupo de Instrumen-
tistas Infantojuvenil Boa Vontade, em
29 de setembro, na capital paulista,
na abertura artística do encontro Lau-
dato si’ — Um chamado à Ecologia
Integral, que discutiu o compromisso
com o meio ambiente e a luta contra
a pobreza na perspectiva do papa
Francisco. O evento ocorreu no TUCA,
Proposta educacional da LBV é destaque em evento universitário
pelo público presente, Sarah escreveu ao dirigente da LBV
pararelataraexperiência. “(...)Pudeperceberobrilhonos
olhos dos professores que mediavam a mesa temática da
qualparticipei,assimcomonosdosalunos,meuscolegas
de curso, que acompanharam e demonstraram grande
interesse quanto ao assunto que apresentei. Mesmo com
outros temas em discussão, o foco da atenção de todos
foi notoriamente o trabalho da LBV. Todos me dirigiram
perguntas, pois queriam saber mais e mais sobre a Pe-
dagogia da Legião da Boa Vontade e a sua extraordinária
metodologiaprópria(MAPREI).Assim,tiveaoportunidade
de discorrer amplamente sobre a proposta da LBV de
formar ‘Cérebro e Coração’, intelecto e sentimento, des-
tacandoaEspiritualidadeEcumênicacomoeixonorteador
das ações educacionais da Entidade”, declarou.
Fotos:VivianR.Ferreira
Teatro da Pontifícia Universidade Ca-
tólica de São Paulo (PUC-SP), e, na
ocasião, as crianças entoaram nesse
recinto e em áreas de convivência
do campus, canções que exaltam a
Natureza e a vida, sendo aplaudidas
por universitários e educadores. O
convite para essa apresentação partiu
do Núcleo de Estudos do Futuro (NEF)
e do Grupo de Estudos e Pesquisa em
Interdisciplinaridade (GEPI), dessa
universidade.
BOA VONTADE 17
Cartas, e-mails, livros e registros
Laurentino Gomes:
“Sou mais um Legionário!”
Lançamento Laurentino Gomes apresentou, em 5 de setembro, na Bienal Internacional
do Livro do Rio de Janeiro, a obra O Caminho do Peregrino – seguindo os passos de
Jesus na Terra (Globo Livros). O título surgiu de uma longa e profunda busca de natureza
espiritual, que teve entre seus momentos marcantes uma viagem que o autor realizou a
Israel. Ele encaminhou um exemplar da obra ao dirigente da LBV, com estas palavras:
“Para o amigo Paiva Netto, com um grande abraço, a admiração e a gratidão do autor”.
F
oi dessa maneira que o re-
nomado escritor, jornalista e
historiador Laurentino Gomes
descreveu o sentimento que viveu
ao conhecer o Conjunto Educacional
Boa Vontade, na capital paulista,
em 7 de agosto. Para ele, “visitar
essa unidade é recuperar energias
e conseguir um ânimo novo para
viver”.
Autor da trilogia de suces-
so  1808,  1822 e 1889 (Editora
Globo), o escritor emocionou-se ao
ser homenageado pelo Coral Ecumê­
nico e Grupo de Instrumentistas
Infantojuvenis Boa Vontade. Em
entrevista à BOA VONTADE,  afir-
mou: “Percebo que a LBV tem um
VivianR.Ferreira
Assista à entrevista
de Laurentino Gomes
na Boa Vontade TV
trabalho muito grande de fazer
essa formação alicerçada em va-
lores sólidos de raiz ecumênica. E
é tudo o que nós precisamos: uma
sociedade que cultive valores que
nos possam levar a outro patamar
de cidadania, de honestidade, de
ética, de respeito pelo outro. Sem-
pre fui muito acolhido na Legião da
Boa Vontade e é com gratidão que
venho aqui hoje. Muito obrigado!”.
Na oportunidade, o autor
doou seis livros de sua autoria à Bi-
blioteca Bruno Simões de Paiva, que
conta com mais de 20 mil volumes,
adquiridos pelo  Programa Perma-
nente de Incentivo à Leitura. “É um
trabalho extremamente relevante,
um trabalho de inclusão social, de
educação, de acolhimento. E estou
encantado de ver como isso tudo se
alia à leitura”, afirmou ele.
Em sua página no Facebook, Lau-
rentino destacou a visita feita à LBV:
“Com estudantes do coral da Legião
da Boa Vontade (LBV), unidade
Bom Retiro, em São Paulo, que
ontem me receberam para uma
homenagem ao Dia do Escritor,
comemorado em 25 de julho.
Obrigado pela acolhida. Fiquei
profundamente tocado pela beleza
desse projeto, que apoia crianças e
adolescentes de famílias carentes
da região. A partir de agora, sou
mais um Legionário!”.
18 BOA VONTADE
F
alta pouco para o fim do Cam-
peonato Brasileiro, e, ainda
que o futebol seja dinâmico,
podemos dizer que o Corinthians é
o virtual campeão de 2015. Apesar
das constantes reclamações sobre
favorecimento da arbitragem, foi
o time que apresentou o melhor
futebol ao longo da competição,
sempre seguido pelo vice-líder
Atlético Mineiro. Linhas compactas,
velocidade, eficiência, como manda
o figurino das grandes equipes mun-
diais, pautaram a sua campanha.
A luta pelas outras duas vagas na
Copa Libertadores da América está
acirrada. O Grêmio está quase ga-
rantido, e na briga pela última vaga
estão Palmeiras, Santos, São Paulo,
Flamengo e Internacional. É difícil
arriscar um prognóstico, tamanho
o equilíbrio e a instável gangorra no
campeonato.
No chamado Z-4, surpreende a
reação tardia do Vasco, que precisa
de um milagre para se salvar. Mas,
com determinação, vem reagindo e
conta com o peso da camisa para
se livrar, no que, aliás, não está
sozinho. Brigam igualmente pela
salvação Joinville, Chapecoense,
Coritiba, Avaí e Goiás. Essa parte
da tabela promete emoção.
Não podemos esquecer-nos da
boa campanha do Botafogo na série
B. Está prestes a obter o acesso à eli-
te com folga. Também já discutimos
a questão, mas não custa relembrar
que as famosas marcas, os clubes
de massa, de tradição, têm que estar
na série A. Em nenhum outro país
há tantos times tradicionais. Um
percentual de 20% dos participantes
com risco de rebaixamento absurdo,
um índice altíssimo!
Tínhamos o modelo perfeito
para clubes, patrocinadores e tor-
cedores; porém, decidimos imitar
os europeus na fórmula de compe-
tição, com pontos corridos e, por
consequência, muitas definições
com rodadas de antecedência. Re-
sultado: um torneio chato. Mais uma
observação sobre a mania de imitar
o que vem de fora: hoje, o Velho
Continente experimenta a antiga
escola brasileira, e nós copiamos o
jogo duro, bruto, repleto de volantes
deles. Uma inversão total de valores.
Cabe destacar ainda a fase das eli-
minatórias para a Copa do Mundo de
2018, que já começaram. E o técnico
Dunga, mais uma vez, surpreende na
convocação, ao chamar o veterano
atacante Ricardo Oliveira, do Santos,
atual artilheiro do Brasileirão. Futebol
é momento, e, na ausência de revela-
ções para a posição, é justa a escolha.
Temos que mostrar o que temos de
melhor na atualidade.
José Carlos Araújo é locutor
esportivo na Super Rádio Tupi do
Rio de Janeiro/RJ e apresentador
do programa SBT Esporte Rio, da
TV SBT-Rio.
Arquivopessoal
por José Carlos Araújo | Especial para a boa vontade
Opinião — esporte
Campeonato
termina
antes do fim
BOA VONTADE 19
Alexandre Silva de Assis, deu um
passo adiante em sua trajetória
profissional, lançando-se, no ano
passado, em carreira solo com o
lançamento do disco Perseverança,
título de um dos sambas, no qual
belos versos relatam não só as lutas,
como também as vitórias conquista-
das ao longo da sua jornada. “Essa
música tem tudo a ver com a minha
vida, porque, quando eu desci o
morro [para correr atrás do meu
sonho], a minha família achava que
não ia dar certo, porque, em uma
família de músicos como a minha,
a maioria não conseguiu oportuni-
dade, até porque uns desistiram,
outros não acreditaram... Mas botei
Hilton Abi-Rihan | Especial para a boa vontade
na cabeça que eu ia ter que enfren-
tar tempestade, sol, qualquer coisa,
mas alguma coisa iria acontecer”,
contou o artista durante entrevista
ao programa Samba & História, da
Boa Vontade TV.
Para alcançar o sucesso, trabalho
nunca foi problema para o artista.
Entre as muitas atividades que
exerceu antes de se consolidar no
cenário musical brasileiro, chegou
a limpar o Maracanã, tradicional
estádio de futebol na capital flu-
minense, e o Theatro Municipal do
Rio de Janeiro. Por sinal, retornou
a este último em 2014 para a gra-
vação do CD e do DVD 25o
Prêmio
da Música Brasileira: Homenagem
* Programa Samba & História — É transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV) e pelo canal 989 da Oi TV, aos do-
mingos, às 14 e às 20 horas; pela Rede Educação e Futuro de Televisão, às sextas-feiras e aos sábados, às 22 horas; e pela Boa Vontade
TV (canal 20 da SKY, canal 212 da Oi TV e canal 45.1 da TV digital aberta em São Paulo/SP e na região metropolitana), aos domingos,
às 14 horas; às segundas-feiras, às 19 horas; e às quintas-feiras e aos sábados, às 22 horas.
Os desafios da vida que impulsionaram Xande de Pilares a se tornar
um dos sambistas mais queridos da Música Popular Brasileira
Talento e
V
inte anos depois de ter iniciado
a bem-sucedida carreira no
Grupo Revelação, o cantor,
compositor e músico Xande de
Pilares, cujo nome de batismo é
perseverança
Hilton Abi-Rihan, radialista, jornalista
e apresentador do programa Samba &
História*, da Boa Vontade TV e da Super
Rede Boa Vontade de Rádio.
ClaytonFerreira
Samba & História
20 BOA VONTADE
ao Samba. Na ocasião, dividiu o
palco com importantes nomes da
Música Popular Brasileira (MPB),
entre eles Péricles, Arlindo Cruz,
Beth Carvalho e Dudu Nobre.
Como compositor, Xande de
Pilares igualmente tem colhido
bons frutos. Os sambas-enredos de
2014 e 2015 do Grêmio Recrea-
tivo Escola de Samba Acadêmicos
do Salgueiro, dos quais é coautor,
conseguiram pontuação máxima,
contribuindo para que a agremiação
obtivesse a segunda colocação no
carnaval carioca nesses dois anos.
“Eu tive a oportunidade de ganhar
um primeiro samba-enredo, e foi
o momento mais emocionante da
minha vida. A escola fez um des-
file espetacular, não levou o título,
mas, graças ao samba-enredo de
2014, parceria minha com Dudu
Botelho, Miudinho, Betinho de
Pilares, Rodrigo Raposo e Jassa,
conseguimos devolver para a es-
cola o Estandarte de Ouro — que
não ganhava desde 1978 — e
recebemos o Prêmio Tamborim
de Ouro e o Troféu Gato de
Prata. Graças a Deus, os dois
sambas supergabaritados, e
o Salgueiro com duas histó-
rias bonitas, e eu sou um dos
autores. De certa forma, o
sonho que tenho de entrar para
a história da minha escola está
começando por aí”, relatou.
Além do samba, o seu outro
grande amor é a família. “A minha
mãe é tudo para mim, a minha
crioula preferida. Quando a gente
se reúne, fica lembrando das
coisas que antigamente fazia
chorar, e a gente ri de tudo o que
passou.” Entre esses momentos
difíceis está a chuva que der-
rubou barracos onde morou,
nos morros da Chacrinha e
Divulgação
Xande
de Pilares
“Venha para a LBV!
colabore! Vale a pena.”
O cantor e compositor Xande de Pilares visitou, em julho, o Centro
Educacional José de Paiva Netto, da Legião da Boa Vontade, localizado
na zona norte da capital fluminense. Na oportunidade, ele percorreu os
diversos ambientes do estabelecimento de ensino e pôde ver o trabalho
que é desenvolvido na escola, que atende as comunidades do entorno.
O artista foi recepcionado pelo Coral Ecumênico Infantil Boa Vontade,
formado por alunos da unidade educacional. Enquanto a garotada entoa­
va músicas que propagam a Paz e a valorização da Vida, ele registrava
o momento por meio de fotos e vídeo. “Foi emocionante! Fiquei ali,
segurando para não chorar, porque me lembrei de quando era criança
e cantava e não sabia se ia conseguir gravar um disco. Você faz uma
viagem no tempo. Este coral tem um diferencial, tanto que me emo-
cionou”, destacou.
De acordo com o cantor, a semana começou muito bem. “A minha
segunda-feira foi gratificante, porque eu vim conhecer de perto o
trabalho que a LBV realiza pelas nossas crianças.”
Emocionado, Xande aproveitou o ensejo para convidar o público a
vivenciar os mesmos sentimentos experimentados por ele na visita à
escola da Instituição. “Quem ainda não veio à LBV, venha! Você vai
saber por que eu estou desta maneira. Quero deixar meu agradeci-
mento a todos os que trabalham na Legião da Boa Vontade, levando
solidariedade a quem precisa.” À classe artística, deixou o seguinte
recado especial: “Você jogador, ator, cantor, venha para a LBV! Cola-
bore! Vale a pena”.
do Andaraí. “Mas nunca abaixa-
mos a cabeça. Ninguém passou
fome; todo mundo estudou, sabe
cozinhar, lavar... (...) Tudo o que
aconteceu na minha vida é coisa de
Deus. [Por isso,] Ele tem que estar
presente na maioria das minhas
canções, porque, acima Dele, não
tem nada.”
Sobre a sua história com a Le-
gião da Boa Vontade, Xande decla-
rou: “Eu cresci ouvindo estes
nomes: LBV, José de Paiva
Netto, que é o pre­sidente.
Comecei a compor com o
Gilson Bernini ali atrás da
[escola da] LBV, em Del
Castilho, que eu vi ser cons-
truída. A gente já foi muito lá
buscar leite para as crianças,
para o meu irmão mais novo, o
meu primo Carlos Alberto... É bom
estar aqui hoje dentro de uma Ins-
tituição que você cresceu vendo os
exemplos, que são seguidos [por
outros], porque a LBV influenciou
muita gente que hoje faz caridade,
que tem trabalho social. A LBV é
uma das grandes pioneiras. Então,
meus parabéns!”.
Xande de Pilares é recepcionado pelo Coral Ecumênico
Infantil Boa Vontade no Centro Educacional José de
Paiva Netto, da LBV, localizado na capital fluminense.
Após a visita à escola, o cantor postou em sua conta no
Facebook o vídeo que gravou na ocasião.
Samba & História
Fotos:PriscillaAntunes
- Curiosidade -
Além de lançar o primei-
ro disco em carreira solo, em
2014, Xande de Pilares fez sua
estreia como ator no filme Made
in China, dirigido por Estevão
Ciavatta. No longa-metragem, o
artista interpretou o personagem
Carlos Eduardo, par romântico
da personagem protagoniza-
da pela apresentadora e atriz 
Regina Casé, com quem também
trabalha no programa dominical
Esquenta!, da TV Globo.
22 BOA VONTADE
N
o momento em que se discute
no Brasil o aperfeiçoamento
dos currículos da educação
básica, chega ao país uma ferra-
menta de primeira ordem. Trata-se
do projeto Edupark, criado no Estado
de Israel, pela Life Changing Expe-
riences, para ajudar nos cuidados
com a nossa Terra e a nossa gente.
Destinado aos níveis Fundamental II
e Médio do ensino, recebeu desde
logo o apoio indispensável da Secre-
taria Municipal de Educação do Rio
de Janeiro e da Fundação Cesgranrio.
Essas entidades, especialmente o
professor Carlos Alberto Serpa de
Oliveira, compreenderam o alcance
da programação revolucionária do
projeto para o enriquecimento dos
conhecimentos dos jovens em maté-
rias determinadas, como inicialmen-
te as que enfocam o meio ambiente
(Planeta Casa) e a prevenção ao uso
de drogas (Dependentes da Vida).
Filmes, produzidos com grande
esmero, serão apresentados em 3D,
com óculos especiais emprestados
aos alunos, e equipamentos moder-
níssimos de interatividade. Assim,
haverá uma avaliação automática
dos resultados do seu uso.
Fez-se uma cuidadosa adaptação
à nossa realidade, de tal modo que o
aproveitamento das preciosas lições
será total. No caso do consumo de
drogas, aborda-se o emprego do
crack, cuja presença no nosso am-
biente escolar é motivo de permanen-
te preocupação. Ao se tratar em outro
filme (com 1h30 de duração) das
questões ligadas ao meio ambiente,
já foi possível referir-se à encíclica
Laudato Si’ (Louvado sejas), há pou-
co lançada, com muita propriedade,
pelo papa Francisco.
A programação será desenvolvida
em espaços adequados, de preferên-
cia em escolas públicas, para facilitar
a troca de ideias entre alunos e pro-
fessores. Segundo os organizadores,
pertencentes ao Instituto Antares,
prevê-se uma série de apresentações
sucessivas para 150 alunos de cada
vez, até chegar, no fim da primeira
fase, ao total de 32 mil jovens devi-
damente capacitados.
O projeto Edupark é uma expe-
riência educacional completa, que
se utiliza de tecnologias avançadas
e de uma plataforma multissensorial,
misturando entretenimento e educa-
ção. Com projeção em 3D de filmes
belíssimos, serão apresentados, ao
longo da série, temas como geologia
(pré-sal), animais, corpo humano,
arte, história, arquitetura, ecologia
e educação cívica. Cada assunto
abordado terá indispensável acom-
panhamento de material de apoio
impresso, de tal modo que se facilite
a tarefa dos professores.
As experiências não se encerram
nelas mesmas. O material de apoio foi
todo concebido em formato criativo e
dinâmico, com informações adicio-
nais sobre as experiências temáticas.
Isso tudo tem o propósito de promover
uma útil reflexão crítica, valorizando a
formação dos estudantes fluminenses.
Os filmes são todos narrados em por-
tuguês. Já estão sendo apresentados,
com muito sucesso, em Israel, nos
Estados Unidos e no México (onde
o Ministério da Educação apoiou
plenamente a adoção do projeto). É
uma inovação que fará muito sucesso
também aqui.
Opinião — Educação
Arnaldo Niskier, doutor em Educação,
formado em Matemática e em Pedagogia, é
membro da Academia Brasileira de Letras
(ABL), presidente do Centro de Integração
Empresa-Escola do Rio de Janeiro
(CIEE/RJ) e professor emérito da
Universidade Cândido Mendes (Ucam).
Divulgação
Arnaldo niskier | Especial para a boa vontade
Edupark,
uma grande inovação
BOA VONTADE 23
+
1,6
91
milhão
57+
milhões
de
de
de atendimentos
e benefícios
a pessoas e
famílias em
situação de
vulnerabilidade
social
unidades socioeducacionais
em sete países
de pessoas impactadas
pelas ações da LBV
A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o
de janeiro de 1950 (Dia Mundial da
Confraternização Universal e da Paz), no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta
Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista
e escritor José de Paiva Netto. Os dados abaixo correspondem ao trabalho da LBV de sete países:
Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai.
Além de escolas, Centros
Comunitários de Assistência Social
e lares para idosos, a LBV utiliza
meios de comunicação social
(rádio, TV, internet e publicações)
para fomentar educação, cultura
e valores de cidadania. Mais de
17 mil especialistas de todo o
Brasil participaram, em 2014, da
programação da Super Rede
Boa Vontade de Comunicação.
Número de atendimentos e
benefícios prestados pela
Legião da Boa Vontade do
Brasil de 2010 a 2014*
* Há mais de duas décadas, a Legião da
Boa Vontade tem seu balanço geral analisado
e aprovado pela Walter Heuer, auditores
externos independentes, em uma iniciativa
de José de Paiva Netto, diretor-presidente da
LBV, muito antes de a legislação que exige
essa medida entrar em vigor.
2010 2011 2012 2013 2014
8.508.482
9.434.943
10.255.833
11.053.113
11.881.419
NÚMEROS DE 2010 a 2014
LBV no mundo
LBV é Ação!
24 BOA VONTADE
momento que eu cheguei. Essa é a
sensação que tive durante toda a
visita, desde o passo inicial que dei
aqui dentro. A gente percebe isso
não só no olhar dos pequenos, mas
também dos voluntários, profissio-
nais que desenvolvem este trabalho
e que fazem [parte] dessa missão.
É tocante. Eu certamente voltarei,
porque o trabalho que realizam con-
tagia a Alma e é difícil se distanciar
depois”, declarou Jung.
Em entrevista à BOA VONTADE,
Jung também falou do relevante
papel da comunicação. Para ele, “se
usada com correção, pode transfor-
mar [para melhor] as pessoas e a
sociedade”. Ele confidenciou que o
Mílton Jung homenageado na LBV
amor à profissão e tudo de bom que
ela pode oferecer, herdou da figura
paterna, do consagrado radialista
gaúcho Milton Ferretti Jung: “Apesar
de eu ser um jornalista capacitado
para os mais diferentes veículos de
comunicação e, no decorrer de trinta
anos de carreira, ter trabalhado em
jornal, televisão, internet, revista, a
minha vida está muito mais identi-
ficada com rádio, até porque está
no meu DNA. Eu nasci no rádio,
meu pai é um radialista, e o rádio
contaminou-me logo no início da
carreira; identifico-me muito com
esse veículo pela maneira como a
gente consegue chegar até as pes-
soas, mobilizá-las”.
São Paulo/SP
O jornalista Mílton Jung, apresen-
tador da Rádio CBN, visitou, no dia 2
de setembro, o Conjunto Educacional
Boa Vontade, na capital paulista.
Esse gaúcho de nascimento, radica-
do em São Paulo/SP desde 1991, foi
recebido pelo grupo de coralistas e
instrumentistas formado por alunos
da escola, que o surpreenderam com
uma homenagem pelo Dia do Rádio,
celebrado no dia 25 daquele mês.
“A primeira sensação que eu
tive foi de emoção e foi transmitida
pelo olhar das crianças que me re-
ceberam aqui. E, se há um meio de
comunicação que melhor leve uma
mensagem é a alma das crianças, e
elas fizeram isso comigo no primeiro
Fotos:VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 25
LBV é Ação!
Do encontro de Rian de
Almeida, de 9 anos, com Olindo
José de Menezes, de 71 anos,
resultaram risos e a memória de
um dia inesquecível.
Teatro e
cuidados
com
a saúde
bucal
A equipe do Sesc recebe
o carinho dos atendidos
pela LBV e as lembranças
confeccionadas por
eles próprios durante
Oficina de Arte e Cultura.
Maceió/AL
Salvador/BA
Tatiane Oliveira
VerônicaAlexandre
26 BOA VONTADE
Encontro entre
gerações
Meninas e meninos que participam do
programa Criança: Futuro no Presente!, da Le-
gião da Boa Vontade, na capital baiana visitaram,
em 17 de julho, o Lar Maria Luiza, organização
que abriga e cuida de idosos. “O momento mais
emocionante para mim foi quando eu toquei
violão com o moço (foto). Demos muitas risadas.
Foi bem legal!”, contou Rian de Almeida, de 9
anos, ao interagir com o senhor Olindo José de
Menezes, um dos atendidos na Casa.
A alegria e a emoção tomaram conta dos
vovôs e das vovós ao ouvirem as crianças
entoar músicas do repertório legionário, que
ressaltam o respeito e valorizam a vida. No
intervalo da apresentação, elas, em um gesto
de carinho, entregaram flores e lembranças à
plateia. Entusiasmada com a surpresa, Valdelice
Magalhães, de 94 anos, fez questão de agradecer
a visita. “Estou muito alegre e satisfeita. Elas
cantaram para mim, me abraçaram. Estou me
sentindo uma pessoa única”, disse.
Com o apoio do Serviço Social do Comércio
(Sesc), a LBV ofereceu em julho, na capital
alagoana, palestra educativa sobre saúde
bucal. As orientações foram transmitidas por
dentistas do Sesc em forma de teatro com
fantoches.
Os pequeninos aprenderam, por exemplo,
a maneira correta de escovar os dentes e a im-
portância de usar o fio dental. Na sequência,
os profissionais aplicaram flúor nos dentes das
crianças e entregaram a elas kits de higiene
bucal, com escova, creme e fio dental.
Um dos voluntários na iniciativa, o dentis-
ta Rodolfo Almeida afirmou: “Já conhecia a
ação da LBV. É um projeto excepcional e de
inclusão ímpar”. Fazendo coro com o colega,
a educadora de Saúde Bucal do Sesc Daniela
dos Santos complementou: “Lindo o trabalho!
A LBV está de parabéns!”.
“A cidade recebe hoje um presente que vai marcar
nossas memórias e a vida de todas estas pessoas.
(...) Quantas vidas são salvas pela LBV por este Brasil
afora! Aqui tem a Alma, o coração, o sentimento da
presença de Deus a cada momento.”
Márcio Búrigo
Prefeito de Criciúma, durante a cerimônia de
inauguração, na qual compareceram outras autoridades
locais, colaboradores, voluntários, atendidos e a
comunidade em geral.
A Legião da Boa Vontade
inaugurou, em 19 de agosto, as
novas instalações de seu Centro
Comunitário de Assistência
Social em Criciúma/SC. O
prédio, localizado em um espaço
de mais de 5.000 m² e cedido a
título de comodato pela prefeitura da
cidade, foi amplamente remodelado a
fim de aumentar o atendimento às famílias
que vivem em situação de vulnerabilidade social.
Novas Instalações
Criciúma/SC
LucianePereiraFelipeMoreno
Liliane Cardoso
BOA VONTADE 27
LBV é Ação!
Visite, apaixone-se e ajude a LBV!
Compromisso com o meio ambiente
Cuidar de nosso planeta e buscar soluções
para o desenvolvimento sustentável parecem
tarefas destinadas às novas gerações, mas, na
Legião da Boa Vontade, o incentivo à contribuição
para o progresso de nossa morada global ocorre
em todas as idades. Por isso, os idosos atendidos
por meio do programa Vida Plena, da LBV, em
Manaus/AM, visitaram o Parque Municipal do
Mindu, em 10 de julho.
O passeio proporcionou aos idosos uma rotina
diferente, longe da correria da capital amazonen-
se e em um ambiente ao ar livre. Além de ser um
bom exercício para o corpo, a atividade ofereceu
a eles o contato com a bela paisagem.
Para Jaqueline Medeiros, assistente social da
LBV na cidade, a iniciativa é muito importante
para o progresso do grupo. “Fortalece a cidada-
nia, desenvolve potencialidades intelectuais dos
idosos e oportuniza novas formas de convívio
social pela sustentabilidade”, destacou.
Manaus/AM
Car dápio de
qual idade
Cardápio de
qualidade
Glorinha/RS
PauloAraújo
Telma Carilei
28 BOA VONTADE
Inclusão e
Cultura de Paz
Maringá/PR
Acesse: www.lbv.org.br/conheca
O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV
em Glorinha/RS desenvolveu uma oficina lúdica
para as crianças atendidas com o objetivo de fazer
o plantio de uma horta e incentivá-las ao hábito
da alimentação saudável. A atividade iniciou-se
na sala de aula, com as educadoras sociais da
Instituição organizando uma roda de debates. Nela,
foram discutidas a importância de um cardápio
balanceado e da conscientização das meninas e dos
meninos sobre o desperdício. No segundo momento,
eles, pondo as mãos na massa, aprenderam
a plantar mudas de alface, couve, cebolinha
verde e salsa. Desde então, têm acompanhado o
crescimento das verduras e fazem questão de colhê-
-las, com a supervisão das orientadoras, para que
estejam no cardápio oferecido pela Entidade.
Com o cultivo da horta, muitos modificaram seus
hábitos alimentares e levaram essa ideia a seus pais
e familiares. “Vejo que as verduras fazem bem para
a saúde. Aqui na LBV, a gente cultiva vários tipos
delas. Eu gosto muito”, declarou Natália, de 9 anos.
Idosos realizam
mostra
cultural
Uma viagem ao passado
para recordar bons momentos
da vida, refletir sobre eles e
trocar experiências. Esse foi o
objetivo da 1a
Mostra Cultural, promovida
pela Legião da Boa Vontade na capital pernambucana,
entre 28 de julho e 3 de agosto, da qual participaram
idosos atendidos por meio do programa Vida Plena.
O evento teve apresentações de dança e exposição
de trabalhos manuais confeccionados com material
reciclável pelos próprios idosos.
Edith Severina, de 74 anos, uma das participantes,
aprovou a realização do projeto. “Relembrei coisas que
pareciam distantes, mas que são tão boas, como o dia
de meu casamento, os presentes que ganhei... Trouxe
até uma chaleira que guardo com carinho dessa data tão
especial.” Finalizando, ela destacou: “A LBV é só alegria
em minha vida; tem sido muito boa para mim. Aqui
tenho amigos e participo de diversas atividades, como o
coral e o grupo de dança”.
O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV
em Maringá/PR realizou, no mês de junho, oficina lúdica
especial com uma série de atividades esportivas inclusivas.
A ação buscou mostrar a meninas e meninos as dificuldades
enfrentadas por aqueles que têm algum tipo de deficiência
física ou mobilidade reduzida, ressaltando o papel dos
demais cidadãos na inclusão social dessas pessoas.
As dinâmicas foram elaboradas para estimular os cinco
sentidos (audição, tato, visão, olfato e paladar). Na impos-
sibilidade de utilizar um deles, a garotada buscava, com o
apoio dos amigos, outras formas de interação. “Podemos
aprender muito com uma criança que tem alguma defi-
ciência ou mobilidade reduzida. Podemos brincar e sorrir
juntas”, disse Luana Luiza, de 11 anos.
A atividade propiciou também a valorização das ati-
vidades em grupo. “Com os olhos vendados, fiz várias
tarefas com o auxílio de um colega e pude sentir como
é importante o outro na nossa vida”, destacou Laodicéia
Vitória, de 13 anos.
Recife/PE
BrunaGonçalves
VilmaAraújo
BOA VONTADE 29
Dr. Airton Grazzioli, bacharel em Direito
pela Faculdade de Direito da Universidade
de São Paulo (USP) e especialista em
Direitos Difusos e Coletivos pela Escola
Superior do Ministério Público do Estado de
São Paulo (ESMP-SP), é mestre em Direito
Civil pela Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP), membro do
Ministério Público do Estado de São Paulo,
promotor de Justiça, curador de fundações
de São Paulo, além de vice-presidente da
Associação Nacional dos Procuradores
e Promotores de Justiça de Fundações e
Entidades de Interesse Social (Profis).
VivianR.Ferreira
por airton grazzioli | Especial para a boa vontade
e inovação
Palavras de ordem no novo cenário brasileiro
Eficiência
F
alar do Terceiro Setor implica
trazer à tona uma estrutura
bastante complexa de orga-
nizações da sociedade civil, sem
fins lucrativos, as quais orientam
suas ações para o desenvolvimen-
to de práticas cuja finalidade é a
de contribuir para o progresso e
a melhoria da qualidade de vida
daqueles que se encontram em
situação de vulnerabilidade social
ou para o debate de pautas que
interessem à sociedade, vista esta
de maneira ampla.
No Brasil, esse setor foi cons-
truído, em um primeiro momento,
tendo por base um modelo absolu-
tamente privado. Basta lembrar das
Santas Casas, dos abrigos de órfãos
e desamparados, além de outras
instituições desse gênero, que,
vindas à nossa realidade há muitas
décadas, prestavam serviços aos
necessitados em cenário bem mais
restrito que o atual.
A partir dos anos 90 do século
passado, no entanto, iniciou-se
um processo de transformação
bastante radical. O Terceiro Setor
aproximou-se do Estado, ou melhor,
o Estado veio para perto dele. Essa
aproximação, facilitada pela edição
de novas leis reguladoras da área
de atuação, entre as quais as das
organizações da sociedade civil de
interesse público (Oscips) e as das
organizações sociais (OSs), permi-
tiu que a sociedade civil melhor se
Opinião — terceiro setor
shutterstock.com
30 BOA VONTADE
Tribunais de Contas e o Ministério
Público.
Nos dias atuais, em que os di-
versos setores da sociedade sofrem
sensível retração e há a expectativa
de que essa realidade não tenha
melhora pelo menos nos próximos
dois ou três anos, é preocupante
a situação do Terceiro Setor, que
enfrenta e continuará enfrentando,
além da escassez de recursos, o
aumento progressivo da exclusão
social.
O Poder Público já vivia dificul-
dade de organização da partilha
do orçamento em suas várias
frentes de atuação. Essa árdua
tarefa se tornou, sobremaneira,
mais complicada em 2014 e tende
a se agravar nos próximos anos.
organizasse, passando a ter parti-
cipação política e social mais ativa.
Assim, agem, em regra, atualmente
as organizações na educação, na
saúde, na assistência social, na
cultura, na defesa e na conservação
do patrimônio histórico e artístico,
na segurança alimentar e nutricio-
nal, na defesa e na preservação do
meio ambiente, na promoção do
desenvolvimento sustentável, na
pesquisa científica e tecnológica,
na promoção da ética e da cidada-
nia, na defesa da democracia e dos
direitos humanos, bem como em
outras esferas de atividade.
Com efeito, o modelo construído
a partir dos anos 1990 fez surgir
um conjunto de estruturas, insti-
tuições e relações que podemos
chamar de híbridas, pois, ao mes-
mo tempo em que se utilizam de
concepções privadas, têm práticas
públicas. Esse modelo também
possibilitou a transferência de re-
cursos do Estado para as Oscips e
as OSs. Isso é o que denominamos
de financiamento público no Tercei-
ro Setor. Devem-se considerar, além
desse investimento, o das empresas
e o dos particulares.
Escassez de recursos
É verdade, porém, que a maio-
ria dessas entidades não recebe
recursos públicos para o exercício
de suas práticas sociais, mas não
se pode desconsiderar que, ainda
que o número de organizações be-
neficiadas com verbas públicas não
seja grande, o volume de recursos
repassados a elas é efetivamente
significativo. Por essa razão, a
transferência desses valores para o
Terceiro Setor é objeto de atenção
permanente do governo e, especial-
mente, dos órgãos de fiscalização,
entre eles as Controladorias, os
Consequentemente, o repasse de
recursos públicos para as orga-
nizações do Terceiro Setor tende,
neste momento, a agravar, como
é natural e esperado, o corte de
repasse para as ações sociais por
parte dos empresários, que focam
sua preocupação prioritária na ati-
vidade econômica.
Em relação às doações de pes-
soas físicas para as entidades, não
se espera cenário melhor. Com a
expectativa do aumento do desem-
prego, não é de se aguardar o cres-
cimento do volume de contribuições
de particulares. Pelo contrário. Este
deverá diminuir.
Nesse quadro não desejado, ou
seja, em momentos de crise, ad-
quire maior relevância a otimização
dos recursos materiais, humanos
e, principalmente, financeiros das
organizações da sociedade civil.
A tônica atual para o Terceiro
Setor, pois, é dar importância su-
perlativa aos processos inovadores
de gestão, passando pelo absoluto
profissionalismo nas ações e na
questão atinente à transparência.
Necessário se faz realizar mais (em
termos sociais) com os mesmos
ou menos recursos. É preciso, por-
tanto, inovação. As entidades que
estão preparadas para esta nova
conjuntura certamente terão uma
viagem melhor neste mar revolto,
motivado pela crise de recursos
trazida à tona. Aquelas que aden-
traram o século 21 com um modelo
de gestão do passado possivelmen-
te terão de tratar, na agenda delas,
da retração das próprias atividades
sociais, ou, até mesmo, do encerra-
mento destas. Infelizmente, quem
sofrerá com isso será a parcela da
sociedade que mais necessita das
ações sociais: aquela em situação
de vulnerabilidade social.
A tônica atual para
o Terceiro Setor é
dar importância
superlativa aos
processos inovadores
de gestão, passando
pelo absoluto
profissionalismo
nas ações e na
questão atinente
à transparência.
Necessário se faz
realizar mais (em
termos sociais) com
os mesmos ou menos
recursos.
BOA VONTADE 31
A
iminente crise ambiental
que ameaça o mundo deve
alterar drasticamente nossa
forma de pensar, agir e fazer planos
para o futuro. Principalmente nas
últimas décadas, o ser humano
desmatou florestas, pescou sem
medidas, poluiu o ar e a água,
extraiu tudo o que podia da casa
Terra, com pouquíssima ou nenhu-
ma preocupação com a continui-
dade e a conservação dos recursos
naturais.
Muita gente, no entanto, tem
buscado o equilíbrio perdido, afir-
mando que é preciso deixar de lado
o individualismo, ser mais solidário
e abraçar causas em benefício
desta morada global. Entre os que
seguem à frente nessa luta está
o escritor, jornalista e palestrante
André Trigueiro, que trabalha,
como ele mesmo afirma no slogan
de seu blog, Mundo Sustentável
crise ambiental
A grave
Para o jornalista e escritor André Trigueiro, o cenário hostil criado
pelo aquecimento global exigirá nova ética civilizatória.
CBN, costuma viajar pelo Brasil e
pelo exterior em busca de pautas
socioambientais. A seguir, os prin-
cipais trechos dessa conversa.
BOA VONTADE — Seu nome
está muito associado à questão
da sustentabilidade. O jornalis-
mo levou-o para esse caminho?
André Trigueiro — Com toda a
franqueza, foi uma adesão pessoal,
espiritual. Na verdade, se eu não
fosse jornalista (...), certamente
estaria convergindo na direção de
um protocolo de atividades asso-
ciadas ao senso de urgência que o
planeta requer de nós (...), estaria
motivado a construir pontes entre
a atividade profissional e esse
engajamento com uma nova ética
civilizatória que permitisse a espe-
rança, a chance de a Humanidade
viver num planeta sem escassez do
que a nós é essencial: água boa de
(www.mundosustentavel.com.br),
“abrindo espaço na mídia para um
planeta em transformação”. Ele
recebeu a equipe da Super Rede
Boa Vontade de Comunicação (rá-
dio, TV, portal e publicações) nas
dependências da Pontifícia Univer-
sidade Católica do Rio de Janeiro
(PUC-RJ), na qual é professor e
criador do curso de Jornalismo Am-
biental, para falar dos desafios do
momento atual e das expectativas
em relação à 21a
Conferência das
Partes (COP 21), que se realizará
em dezembro, na capital francesa.
Na esclarecedora entrevista,
Trigueiro deu informações valiosas
acerca desses e de outros tópicos
relevantes, fazendo-o com conhe-
cimento de causa, pois, na quali-
dade de editor-chefe do programa
Cidades e Soluções — transmitido
pela GloboNews —, repórter da
TV Globo e comentarista da Rádio
Comunicação
Rodrigo de Oliveira
32 BOA VONTADE
beber, terra fértil e ar respirável.
Esse risco [de escassez] não é
exagero. Não é sensacionalismo
ou alarmismo. Infelizmente, o atual
modelo de desenvolvimento ainda
significa risco para nossa espécie.
(...) Qualquer pessoa que esteja
viva e minimamente informada
sobre o que está acontecendo de-
veria perceber que não há tempo
a perder. (...) Eu, sinceramente,
me tornei uma pessoa melhor com
esse viés ambientalista, apesar de
muitas imperfeições e problemas,
porque ele me fez ser mais solidá-
rio e mais preocupado em realizar,
no dia a dia, pequenos gestos que
interferem na qualidade de vida da
comunidade.
BV — Para chegar a esta sala
no quarto andar, você utilizou
as escadas. Isso reflete essas
pequeninas ações?
Trigueiro — Isso faz parte.
Eu diria [que estas] são exer-
cícios espirituais. Enquanto
estivermos por aqui, preci-
samos deixar um legado, e
o legado não necessaria-
mente precisa ser o que é
visível, o que alguém está
percebendo; é o que você
na sua intimidade realiza.
Isso expressa uma verdade,
uma convicção que [você]
construiu. É assim que a
gente se remodela e se educa
para um mundo diferente. Esse
“Não existe neutralidade
no Universo. Para você
fazer o Bem, tem de sair
da zona de conforto e
prontificar-se a realizar.
Para fazer o mal,
por vezes basta a
omissão.”
OdervanSantiago
BOA VONTADE 33
que ela é a primeira que admite as
propostas voluntárias dos países.
Nós teremos a condição de verificar
qual é a disposição de cada nação
em fazer a sua parte para que o
planeta não adentre a segunda
metade do século 21 com o cenário
extremamente hostil, causado pela
elevação da temperatura acima de
2 graus. Segundo ponto importan-
te: foi emblemática a maneira como
a China e os Estados Unidos, que
juntos respondem por metade das
emissões de gases [de efeito] estu-
fa, antes da conferência de Paris já
disseram o que pretendem fazer —
o que é bastante interessante, [pois
ambos estão] gerando pressão
sobre outros países. Terceiro: acho
que, a partir [desse evento] de
Paris, aceleraremos o processo na
direção de uma economia de bai-
xo carbono. Significa dizer que se
abre caminho, por exemplo, para a
Organização Mundial do Comércio
não mais tolerar que um produto
que venha de um país que não
tem nenhum rigor na redução das
emissões de gases [de efeito] estufa
seja vendido mais barato porque o
país não está investindo nada para
substituir carvão, petróleo e gás.
Você criará um ambiente onde os
produtos que tenham a pegada de
carbono muito elevada não pos-
sam mais ser competitivos por ser
ineficientes. Também espero que
a COP de Paris tenha a coragem
que a Rio+20 não teve de eliminar
subsídio para combustível fóssil.
Nós temos entre 800 bilhões e 1
trilhão de dólares gastos por ano
em subsídio para um setor que já
é lucrativo. (...) Não quero viver
no mundo que estabelece subsídio
para os piores inimigos do efeito
estufa. Minha avó dizia algo sábio:
“Você não faz omelete sem quebrar
“Espero que a COP de Paris tenha a coragem
que a Rio+20 não teve de eliminar subsídio para
combustível fóssil. (...) Não quero viver no mundo
que estabelece subsídio para os piores inimigos
do efeito estufa.”
sucessivas existências — somos,
os espíritas, reencarnacionistas —,
vamos avançando por todos os
reinos da Natureza. Mas, veja, eu
não faço proselitismo. [A crença na
reencarnação] é assunto individual.
Cada um tem o direito de crer ou não
crer. Agora, o que faz a diferença,
do ponto de vista espiritual, é o que
você pratica. É bem possível que no
céu dos espíritas, dos católicos, dos
budistas e dos islâmicos haja muita
gente numa condição privilegiada
que não acreditava em nada na
Terra, mas fazia toda a diferença em
favor do seu semelhante, do planeta
e de si mesmo.
BV — Falando nesse esforço
global, o que o mundo espera
da Conferência do Clima 2015?
Trigueiro — Primeiro, a singu-
laridade dessa conferência é [a de]
Comunicação
mundo melhor e mais justo começa
por nós.
BV — Logo no início de nossa
conversa, você falou sobre o
fator espiritual. Como ele o
ajudou nesse caminho?
Trigueiro — Quando se fala de
meio ambiente, se está falando
de uma totalidade integrada e de
um universo sistêmico, de todas
as partes que se interconectam,
interagem e são interdependen-
tes. Essa é a visão que a Ciência
moderna tem. Essa é uma visão
espiritual, quer dizer, em certa me-
dida, quando discorremos sobre a
totalidade integrada, essa poderia
ser uma definição de Deus. Eu sou
espírita, e na leitura das obras bá-
sicas de Allan Kardec vemos, por
exemplo, essa visão da totalidade
integrada, em que todos nós, por
PriscillaAntunes
O jornalista André Trigueiro (D), repórter da TV Globo, e Rodrigo de Oliveira, da revista
BOA VONTADE.
34 BOA VONTADE
os ovos”. A melhor negociação é
aquela [de] que ninguém sai to-
talmente satisfeito. Desculpe-me
quem não se tocou de que o terceiro
milênio nos traz um cenário cada
vez mais hostil e difícil, porque não
estamos, desde já, encarando os
problemas como deveríamos. Este
é um mundo que está demandando
maior protagonismo, voluntarismo,
altruísmo... Nós precisamos fazer a
nossa parte.
BV — Em recente reportagem,
você destacou que no setor da
energia eólica não há crise. Ela
já responde por 5% de toda
a energia consumida no país.
Em 2020, deverão ser impres-
sionantes 10,5%. Quais são
as perspectivas das energias
renováveis no nosso país?
Trigueiro — A utilização de
energia eólica é um case de suces-
so internacional. Há cinco anos,
ninguém imaginaria ser possível
[isso]. O Brasil, de fato, surpreendeu
o mundo e os próprios brasileiros.
Eu fiquei muito entusiasmado ao
entrevistar o diretor-geral do ONS
(Operador Nacional do Sistema
“Quando se fala de meio ambiente, se está
falando de uma totalidade integrada e de um
universo sistêmico, de todas as partes que se
interconectam, interagem e são interdependentes.
Essa é a visão que a Ciência moderna tem. Essa é
uma visão espiritual, quer dizer, em certa medida,
quando discorremos sobre a totalidade integrada,
essa poderia ser uma definição de Deus.”
Elétrico), Hermes Chipp, que disse:
“Eu mudei de ideia em relação à
eólica. Assustava-me a presença
de uma fonte instável, porque nem
toda hora venta”. Hoje, ele acredita
que, nos próximos anos, haverá um
desempenho ainda mais impressio-
nante. Somos testemunhas de um
período histórico, e o Brasil parte,
de forma assertiva, na direção de
outras fontes de energia, que são
abundantes no nosso território. Os
ventos do Nordeste são os melhores
do mundo. Quem está investindo
em parque eólico nessa região
está impressionado com o que eles
chamam de fator de capacidade. A
média mundial é de 30%, ou seja,
30% desse fator estão gerando
Divulgação
energia do jeito que se espera. Os
outros 70%, não. No Nordeste, em
12 de agosto de 2015, o fator de
capacidade dos parques eólicos da
região foi de inacreditáveis 80%! E
a [energia] solar vai na mesma di-
reção. Eu estive, [no] ano passado,
na China e, em 2013, na Alemanha
e nos Estados Unidos e vi a energia
solar bombar. O curioso é que o
melhor lugar da Alemanha para
instalar um parque eólico equivale
ao pior lugar do Brasil. É incrível o
nosso potencial!
BV — Qual é a responsabilidade
de cada cidadão para com as
metas mundiais?
Trigueiro — Consumir de forma
BOA VONTADE 35
Pela vida
Em pleno Setembro Amarelo — movimento mundial destinado a
promover a conscientização da sociedade para o problema do suicídio
e suas consequências —, a Super Rede Boa Vontade de Comunicação
também conversou com o jornalista André Trigueiro sobre o tema.
Ele é autor, entre outras obras literárias, de Viver é a melhor opção,
lançado recentemente.
Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais
de 800 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano, uma média
de um caso a cada 40 segundos. No território nacional, a questão
também é bastante séria. “Quando a gente calcula ou compara
os números absolutos, o Brasil já é o oitavo país do mundo em
ocorrência de suicídios”, destacou André. Ele ainda comparou a
iniciativa de realização da campanha internacional ao gesto da atriz
Cássia Kiss de, há vinte e sete anos, ter aparecido na TV com os
seios à mostra, ensinando as mulheres a fazer o autoexame deles
para prevenir o câncer de mama. “Os moralistas e os puritanos
ficaram escandalizados, achando que aquilo era pornografia. No
entanto, profissionais da área da saúde pública fizeram a conta e
viram a avalanche de gente que passou a procurar posto de saúde
e a se livrar de uma doença que mata muitas mulheres no Brasil.
Isso só foi possível porque se falou com clareza e objetividade do
problema.” Da mesma forma ocorre com o suicídio, que, ainda de
acordo com a OMS, em 90% dos casos pode ser prevenido, por estar
associado a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis,
sobretudo a depressão. Para o jornalista, uma das melhores manei-
ras de fazer isso “é abrir espaço na mídia para falar do assunto,
como está sendo feito aqui”. “Não parece, mas este ato banal de
conversar sobre prevenção do suicídio inexiste na maioria absoluta
dos veículos de comunicação, porque se fechou um lacre. Esse é
um tabu”, lamentou.
Segundo Trigueiro, diante de fatores que indiquem risco, entre os
quais um estado de tristeza que se prolonga, prostração ou desâni-
mo, é preciso estar atento para prestar apoio
solidário. Por isso, elogiou a atuação do Cen-
tro de Valorização da Vida (CVV), para o qual
doou os direitos autorais do referido livro. “Ela
foi a primeira organização civil a lançar, em
1962, um trabalho voluntário, sem vincula-
ção político-religiosa, de ajuda emocional e
prevenção do suicídio. Já são mais de 800
mil ligações feitas para o CVV. O trabalho
deles é fenomenal, porque acolhe aqueles
que não estão conseguindo na sociedade
desabafar, conversar sobre os problemas.”
consciente. O consumismo agrava
o efeito estufa, porque todos os
produtos ou serviços, para serem
ofertados a nós, demandaram
emissões de gases [de efeito]
estufa. Se eu consumo com mo-
deração, estou desacelerando essa
emissão de CO2
. Usar energia de
forma moderada. O brasileiro já o
está fazendo por conta das tarifas
caríssimas de energia elétrica, mas
é importante introjetar isso na roti-
na sempre. Privilegiar o transporte
público ao máximo ou a bicicleta,
quando houver segurança, ou ir
a pé a deslocamentos razoáveis,
que faz bem à saúde. Precisa-
mos valorizar as áreas verdes na
cidade, [pois] cada vegetal que
cresce retira ou sequestra o CO2
da atmosfera, e reduzir o consu-
mo de água. Nós somos filhos de
Deus existindo na Terra. Esta casa
não nos pertence; somos inquili-
nos. E, pela lei do inquilinato, eu
tenho que devolver o imóvel, no
mínimo, em perfeitas condições,
como o encontrei. (...) Não existe
neutralidade no Universo. Para
você fazer o Bem, tem de sair da
zona de conforto e prontificar-se
a realizar. Para fazer o mal, por
vezes basta a omissão. A gente
precisa disponibilizar-se para [a]
mudança, e isso requer atitude,
engajamento. Não tenha medo de
se comprometer com uma causa,
porque isso empresta sabor à vida.
Ao término da entrevista, André
Trigueiro retribuiu a saudação do
diretor-presidente da LBV, o jorna-
lista Paiva Netto, com a mensagem:
“Obrigado! Mande um abraço para
ele. Estamos juntos. (...) Façamos
a nossa parte por um mundo
melhor e mais justo, um planeta
sustentável”.
Comunicação
36 BOA VONTADE
O que substituirá
o Protocolo
de Kyoto?
COP 21 em Paris traz esperança de novo acordo global
para diminuir a emissão de gases de efeito estufa
Colaboraram: Jully Anne, Renata Tabach de Paiva, Ricardo Chagas e Roberta Assis
Caderno especial — conferência mundial sobre o clima
P
ara falar das expectativas que
envolvem a 21a
Conferência
das Partes (COP 21)*, que
se realizará em dezembro de 2015,
em Paris, na França, a revista BOA
VONTADE entrevistou especialistas
de vários segmentos da sociedade
* 21a
Conferência das Partes (COP 21) — É o órgão supremo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC,
na sigla em inglês), elaborada durante a Conferência de Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92,
na capital fluminense. Nesse encontro, os países signatários da convenção, que entrou em vigor em 29 de maio de 1994, comprometeram-
-se a criar uma estratégia global “para proteger o sistema climático para gerações presentes e futuras”, tendo como meta principal es-
tabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que impeça transformações drásticas do clima no planeta.
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
sobre os mais destacados temas do
encontro e as graves consequências
das transformações climáticas no dia
a dia das pessoas em todo o mundo,
facilmente percebidas em razão da
maior ocorrência de fenômenos na-
turais extremos, entre estes cheias e
O que você
encontra neste
caderno especial
Exclusivo
Natalia
shakhova
Ameaça que vem
do Ártico
José Goldemberg
ciência e Tecnologia
O Brasil e a importância da
energia eficiente e limpa
Suelí periotto
Educação e Espiritualidade
Cidadania solidária e
ecumênica
Bel pesce
Inovação e Negócios
Sociais
Protagonismo socioambiental
paulo saldiva
Políticas públicas e
sustentáveis
Saúde, poluição e economia
40
46 48
4947
Divulgação
Plenário da COP 3, reunião que
aprovou o Protocolo de Kyoto, no
Japão, em dezembro de 1997.
secas, e de enfermidades favorecidas
por essas transformações.
O principal objetivo da confe-
rência é aprovar o novo documen­to
— que começará a vigorar em 2020
— em substituição ao Protocolo de
Kyoto, o qual, criado em 1997, obri-
Especialistas convidados
38 BOA VONTADE
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A importância de investir
em fontes renováveis
50 52
60
62
51
O governo brasileiro anunciou que suas metas de redução de
gases de efeito estufa são de 37% até 2025 e de 43% até 2030,
tendo como base os cálculos de 2005. De acordo com especialistas,
a proposta do Brasil tem a capacidade de influenciar positivamente
os debates na 21a
Conferência das Partes.
Vale destacar que, na proposição, há o comprometimento de,
entre outras ações, zerar o desmatamento ilegal até 2020, restaurar
12 milhões de hectares de florestas devastadas, recuperar 15 mi-
lhões de hectares de pastagens degradadas e integrar 5 milhões de
hectares de lavoura-pecuária-florestas. Além disso, o país assumiu
o compromisso de aumentar a utilização de energias renováveis no
total da matriz energética de 28% para 45%.
Metas brasileiras
para a COP 21
ga países industrializados a reduzir
as emissões de CO2
com os mesmos
índices de emissões de 1990. Na
oportunidade, serão analisadas
as Contribuições Nacionalmente
Determinadas Pretendidas (INDCs,
na sigla em inglês), metas de cada
governo para promover economia de
baixo carbono. Espera-se que a soma
das INDCs de todos os países gere
o corte nas emissões dos gases de
efeito estufa necessário para limitar
o aquecimento da temperatura global
em 2 graus até o fim deste século.
Entre as proposições dos países,
está a questão da transparência no
cumprimento das ações de redução
das referidas emissões, bem como
uma atenção maior à agenda de
adaptações, além de iniciativas
direcionadas às populações mais
pobres, que devem ganhar força na
COP 21. Diante das preocupantes
alterações climáticas em curso, o
acordo que se quer ver assinado
na capital francesa precisa ser
ambicioso no que se refere ao es-
tabelecimento de objetivos globais
e oferecer respostas concretas à
sociedade mundial acerca das prá-
ticas que têm de ser realizadas para
que se promova o desenvolvimento
sustentável, ou seja, aquele que alie
o combate à pobreza e a inclusão
social ao cuidado com os recursos
naturais do planeta.
shutterstock.com
A meta é reduzir os gases de efeito estufa para 37% até 2025 e 43% até 2030
BOA VONTADE 39
que vem do ártico
e n t r e v i s t a e x c l u s i v a
Ameaça
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
40 BOA VONTADE
Arquivopessoal
Pesquisadora
russa adverte que
emissões de metano
podem acelerar, de
forma dramática, o
aquecimento global.
LEILA MARCO E ROSANA BERTOLIN
Q
uestões muito sérias têm
sido levantadas pela cientis-
ta russa Natalia Shakhova,
que, ao lado do compatriota Igor
Semiletov, lidera um grupo de
pesquisadores internacionais preo-
cupados com a crescente liberação
de metano (CH4
) no solo oceânico
da Plataforma Ártica Leste-Siberiana
(East Siberian Arctic Shelf — Esas),
situada na costa norte do leste
da Rússia. As observações deles
mostram que, em alguns pontos, a
concentração do gás é até milhares
de vezes maior do que a esperada.
Segundo os estudiosos, no verão,
quando o mar descongela, o CH4
pode ser visto borbulhando na su-
perfície das águas em estruturas de
escoamento contínuas, impressio-
nantes e poderosas, de mais de mil
metros de diâmetro.
Em agosto, Shakhova, que é
professora pesquisadora da Uni-
versidade Politécnica de Tomsk, na
Sibéria, Rússia, e da Universidade
do Alasca Fairbanks, no Alasca, Es-
tados Unidos, além de membro da
Academia Russa de Ciências, abriu
espaço em sua apertada agenda
para falar sobre o tema em entre-
vista exclusiva à BOA VONTADE.
Na ocasião, a doutora em Ciências
em Geologia Marinha e Ph.D. em
Geografia Médica explicou que o
fenômeno acima referido, mapeado
por ela e seus colegas desde 2003
em uma das mais remotas e isola-
das áreas do mundo, é resultado do
progressivo degelo do permafrost
(solo encontrado na região do Ártico,
constituído por terra, gelo e rochas,
permanentemente congelado),
debaixo do qual os pesquisadores
estimam poder existir de milhões
a bilhões de toneladas de metano,
um dos gases de efeito estufa cuja
capacidade de reter calor é vinte
vezes maior que a do dióxido de
carbono (CO2
), também conhecido
como gás carbônico.
Ao comentar os impactos da
descoberta de seu grupo, Shakhova
aproveitou a oportunidade para
expor um fato extremamente preo-
cupante: “(...) as fontes de metano
no Ártico nunca foram incluídas
no orçamento global de metano,
tampouco foram consideradas nos
modelos climáticos globais, que
visam prever os cenários climáticos
futuros para o planeta”. Em outras
palavras, a liberação do CH4
que há
naquela vasta região pode fazer com
que o aquecimento global se agrave
cada vez mais e de maneira rápida.
Apreensiva pela possibilidade
de concretização desse quadro
Natalia Shakhova é professora
pesquisadora da Universidade Politécnica
de Tomsk, na Sibéria, Rússia, e da
Universidade do Alasca Fairbanks, no
Alasca, Estados Unidos, além de membro
da Academia Russa de Ciências.
Divulgação
BOA VONTADE 41
Área de estudo: Conforme as explicações da dra. Natalia, a Plataforma Ártica
Leste-Siberiana (East Siberian Arctic Shelf — Esas) inclui três mares árticos
russos: o de Laptev, o Leste-Siberiano e o de Chukchi, que abrangem uma área
total de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. No círculo marcado em
terra, o porto de Tiksi, onde se iniciam a maioria das expedições marítimas e
todas as campanhas de perfuração.
Com o derretimento do permafrost (solo encontrado na região, constituído
por terra, gelo e rochas e, em tese, permanentemente congelado),
imensas quantidades de metano e dióxido de carbono estão sendo
liberadas na atmosfera, aumentando drasticamente o efeito estufa.
Degelo excessivo do Ártico assusta
Metano chegando à
atmosfera
Água (de -0,5o
C a
-1,8º C)
Permafrost (de -0,5o
C a 17o
C)
perfurado em consequência
da alta temperatura em
ambos os lados
Reservas de metano
Litosfera com manta
quente
Fonte: NSF
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
Nos mares, o metano borbulha.
42 BOA VONTADE
sombrio, a pesquisadora ainda
destacou: “Nem eu nem ninguém
de nossa equipe científica já
esteve no Brasil, mas sabemos
que o povo brasileiro estima os
valores familiares. Esperamos que
essa qualidade se espalhe pelo
mundo para que todas as pessoas
que vivem no planeta comecem a
cuidar umas das outras e da Mãe
Natureza da mesma forma que
se preocupariam com os próprios
familiares. Isso tornaria nosso orbe
um lugar muito mais seguro e feliz
para viver”.
BOA VONTADE — Sua equipe
trouxe significativos alertas à
comunidade científica mundial
sobre os perigos da iminente
desestabilização do permafrost
ártico. Como tem sido a rotina
de pesquisa de vocês nesse
local?
Shakhova — A Plataforma Ártica
Leste-Siberiana, onde trabalhamos,
é a maior plataforma continental do
mundo (com 2 milhões de quilôme-
tros quadrados), sendo uma vasta
área de pesquisas. Quando come-
çamos os estudos, nada se sabia
sobre as emissões de metano. (...)
Era como procurar uma agulha num
palheiro. Tivemos a sorte de encon-
trar algumas zonas ativas em 2003
e acreditamos que devia haver ou-
tras mais. Desde então, realizamos
expedições marítimas todos os anos.
Em 2011, começamos a perfurar o
permafrost, que existe abaixo do lei-
to marinho. Instalamos nossa sonda
de perfuração no gelo fixo, extraímos
núcleos de sedimentos e pesquisa-
mos o estado atual do permafrost
submarino, importante fator de
controle das emissões de metano na
Esas. (...) Nosso trabalho científico
no mar inclui testes e pesquisas 24
Expedição realizada no cabo Buor-
Khaya, no mar de Laptev, localizado
na costa norte do leste da Rússia,
para perfuração e estudo do
permafrost no inverno.
Pesquisa
em campo
De julho a setembro
de 2014, mais de 80
cientistas de várias partes
do mundo, a bordo
do quebra-gelo Oden,
participaram de expedição
de pesquisa na Esas.
Helicóptero utilizado no
levantamento aéreo
Imagem do processo
de perfuração
Acampamento no local, com duas casas móveis (laboratório
e alojamento), quadriciclo e trenó de provisões.
Quebra-gelo Oden
Fotos:Arquivopessoal
BOA VONTADE 43
gelo (as chamadas polínias) estão
aumentando, e o período de racha-
dura do gelo está começando mais
cedo. Houve um ano no qual nossa
expedição foi quase arrastada por
um fluxo de água formado pelo gelo
derretido — bem antes do que o
previsto —, oriundo do rio Lena.
BV — O que pode representar
o degelo do permafrost ártico?
Shakhova — Ele é feito de solo
congelado em áreas terrestres e
de sedimentos congelados abaixo
do leito marinho. Na Esas, o per-
mafrost formou-se nas eras frias,
como o período Pleistoceno, entre
2,6 milhões e 11,7 mil anos atrás.
A última era glacial acabou com o
fim do Pleistoceno, dando início
ao atual período, mais quente: o
Holoceno. As geleiras acumula-
vam grande quantidade de água
no estado sólido, e, portanto, os
níveis do mar eram mais baixos no
Pleistoceno do que são hoje em até
100 metros. Boa parte da Esas fica,
atualmente, a menos de 50 metros
de profundidade, de forma que seu
raso leito marinho já foi exposto a
temperaturas do ar muito baixas. Os
sedimentos da Esas congelaram-se
a poucas centenas de metros de
profundidade e tornaram-se per-
mafrost, o qual armazena enorme
quantidade de carbono orgânico.
Se os sedimentos que contêm
esse material derreterem, imensas
quantidades de metano e dióxido
de carbono serão produzidas e
liberadas na atmosfera, aumentan-
do drasticamente o efeito estufa,
que já está causando mudanças
climáticas globais. A intensa libe-
ração de gás metano proveniente
de depósitos desestabilizados no
leito marinho teria consequências
imprevisíveis em nosso sistema
climático. Tais efeitos permanecem
incertos, porque as fontes de meta-
no no Ártico nunca foram incluídas
no orçamento global de metano,
tampouco foram consideradas nos
modelos climáticos globais, que
visam prever os cenários climáticos
futuros para a Terra. O objetivo de
nossas pesquisas é preencher essa
lacuna do conhecimento, tornar o
futuro mais previsível e, em última
instância, ajudar nosso planeta e
horas por dia. Não dormimos muito
durante as expedições.
BV — Quais são os principais
desafios encontrados quando
estão em campo?
Shakhova — Além das dificuldades
logísticas, o Ártico é um ambiente
inóspito, e trabalhar nele é sempre
um desafio, especialmente nos
dias atuais, porque a região se
está aquecendo a um ritmo duas
vezes mais rápido do que o restante
do mundo. Toda a criosfera está
afetada: o gelo marinho, as gelei-
ras e o permafrost. Tempestades
acontecem com maior frequência
do que antes, as ondas são mais
altas, e existe a possibilidade de
encontrar as chamadas ondas as-
sassinas ou gigantes, de até 100
pés de altura [aproximadamente
30 metros]. Uma onda desse tipo
poderia afundar nossa embarcação
em questão de minutos ou até me-
nos. (...) A realização de expedições
no inverno está se tornando ainda
mais difícil, porque o gelo marinho
está diminuindo de espessura, as
áreas de águas abertas no meio do
“A intensa
liberação de
gás metano
proveniente
de depósitos
desestabilizados
no leito
marinho teria
consequências
imprevisíveis em
nosso sistema
climático.”
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
44 BOA VONTADE
todos os organismos que nele exis-
tem, incluindo nós, seres humanos,
a sobreviver.
BV — É possível prever as
consequências das emissões de
metano para o planeta?
Shakhova — O Ártico dispõe de
grandes quantidades de metano,
como um gás pré-formado, e de
carbono orgânico, que pode servir de
um substrato para a metanogênese
(formação de metano) quando o
permafrost derreter. Felizmente, o
permafrost de áreas terrestres, que
constitui a maior parte desse solo
no mundo, permanece largamente
estável. Já o permafrost submarino
está passando por mudanças drás-
ticas em seu sistema térmico, por
causa do aquecimento da água do
mar e de outros fatores. Lembrem-
-se de que, na Esas, o permafrost
foi formado durante uma era glacial
em que o atual leito marinho da pla-
taforma não estava debaixo d’água,
e sim exposto a temperaturas [do
ar] congelantes. Quando as geleiras
começaram a derreter e a Esas se
encheu de água, os sedimentos
congelados foram cobertos de água
bem mais quente do que o ar, e,
inevitavelmente, a temperatura no
local começou a subir até o ponto
de degelo. Esse fato é muito per-
turbador.
BV — O que pode ocorrer com
o degelo do permafrost subma-
rino?
Shakhova — Ele vedou depósitos
de metano que estavam no fundo
do mar há milhares de anos, tem-
po em que o metano continuou a
se acumular nesses lugares. (...)
Se esse material for liberado su-
bitamente e em grande número,
o aumento repentino dos níveis
de metano na atmosfera poderá
causar consequências imprevisíveis
no clima do planeta. Infelizmente,
nosso conhecimento atual ainda é
limitado, e uma especulação maior
a esse respeito seria irresponsável.
(...) Precisamos dar seguimento a
nossas pesquisas até que possamos
determinar mecanismos para evitar
esse cenário. Enquanto isso, tudo
que puder ser feito para diminuir
nossas emissões de gases de efeito
estufa será um passo na direção
certa.
BV — Qual é a expectativa
quanto à 21ª Conferência sobre
o Clima, a ser promovida pela
ONU, em Paris?
Shakhova — Tento permanecer oti-
mista quando se fala de cooperação
internacional acerca de questões de
mudanças climáticas. Também sei
que quaisquer decisões tomadas
e declarações anunciadas devem
ser construtivas e viáveis. Para
isso, responsáveis por decisões e
políticas públicas devem receber in-
formações imparciais e abrangentes
a respeito dos processos e gatilhos
efetivos que levam o sistema cli-
“Temo que exista um problema com as instituições
mais influentes — por exemplo, o Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas —
que há alguns anos aparentavam ser mais
progressivas e visionárias, mas, agora, tornaram-
-se mais inertes, conservadoras e obstrutivas
quando se trata de aceitar novo conhecimento
e incorporá-lo a seus domínios. Isso pode ser
percebido de forma clara especialmente quando
se refere à região ártica. Se isso não mudar, todos
nós pagaremos um preço muito alto.”
mático para fora da normalidade.
Temo que exista um problema com
as instituições mais influentes —
por exemplo, o Painel Intergoverna-
mental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC, na sigla em inglês) ­— que
há alguns anos aparentavam ser
mais progressivas e visionárias,
mas, agora, tornaram-se mais
inertes, conservadoras e obstrutivas
quando se trata de aceitar novo
conhecimento e incorporá-lo a seus
domínios. Isso pode ser percebido
de forma clara especialmente quan-
do se refere à região ártica. Se isso
não mudar, todos nós pagaremos
um preço muito alto.
BV — Qual é o maior legado que
quer deixar com suas pesquisas?
Shakhova — O que um cientista
pode deixar para a Humanidade é
um novo conhecimento que ajudará
as pessoas a manter o planeta vivo
e saudável. Fazemos o trabalho no
Ártico russo, com o clima severo
deste, às vezes colocando nos-
sa vida em risco, pelo futuro de
nossos filhos e para que todos os
indivíduos do planeta possam ter
vida normal.
BOA VONTADE 45
BOA VONTADE — Como as mudanças climáticas podem afetar
a geração de energia em nosso país?
Goldemberg — O aumento da temperatura da Terra está criando mais
instabilidades nos fatores que determinam o clima, o que faz com que
haja precipitações anormais em certos lugares, por isso tem havido en-
chentes extraordinárias, sem precedentes na China e em alguns países
da Europa Oriental, e em outros lugares são secas extraordinárias, como
a que estamos atravessando aqui no Brasil. (...) Havendo menos chuva,
os reservatórios não conseguem ser preenchidos e algumas dessas usinas
hidrelétricas param de funcionar. Esse é o caso do Estado de São Paulo, a
Usina de Porto Primavera praticamente deixou de produzir energia elétrica
e vários outros reservatórios na Região Sudeste estão nessa situação. Cerca
de 25% da energia elétrica que é usada hoje no Brasil não provêm mais
de hidroelétricas, mas de usinas que queimam derivados de petróleo.
BV — Quais setores do Brasil precisam repensar suas estratégias?
Goldemberg — O principal é o da geração de energia, o das hidrelétricas,
[para] evitar que elas sejam substituídas por usinas que queimam com-
bustíveis fósseis. O outro é o do transporte. Cerca de 40% das emissões
brasileiras vêm dele. Precisamos introduzir padrões de emissão, pois os
veículos brasileiros emitem mais do que os usados no exterior. No caso
da indústria, é necessário adotar medidas para modernizá-la, produzir
mais utilizando menor energia, além de estimular o uso de energias
renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa.
BV — A COP 21 abre espaço para os países repensarem suas
economias de forma sustentável?
Goldemberg — Certamente que sim. É claro que, para os países ricos,
é fácil falar isso, porque eles usam energias em quantidades imensas, e
economizar um pouco não fará grande diferença. Mas há exemplos como
o da China, que está crescendo 7% ao ano e percebeu que o progresso à
base do uso do carvão e do petróleo cria problemas de poluição. As des-
pesas com saúde crescem extraordinariamente lá por causa desse modelo
de desenvolvimento. Por isso, a China está se voltando para a energia
renovável. No passado, o Brasil mostrou isso com o desenvolvimento de
usinas hidrelétricas. Éramos exemplo para o mundo, com mais de 80%
de nossa matriz energética limpa e renovável. Perdemos esse papel por
causa das perdas elétricas e da seca. Temos que recuperá-lo.
José goldemberg
O QUE FAZ: Doutor em Ciências
Físicas, professor e presidente da
Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (Fapesp).
CIência e tecnologia
“(...) o progresso
à base do uso do
carvão e do petróleo
cria problemas de
poluição. As despesas
com saúde crescem
extraordinariamente
(...) por causa
desse modelo de
desenvolvimento. Por
isso, a China está
se voltando para a
energia renovável.”
o Brasil e a importância da
energia eficiente e limpa
VivianR.Ferreira
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
46 BOA VONTADE
Políticas públicas sustentáveis
BOA VONTADE — A poluição é igual em todos os centros ur-
banos?
Dr. Paulo Saldiva — Não. Isso muda de cidade para cidade, e, para
variar, nos países mais pobres há maior poluição. (...) Uma termoelé-
trica velha, a carvão, não morre. O que ocorre é que ela é desmontada
e levada para países com menor poder aquisitivo, ou seja, existe de-
fasagem tecnológica. Esse tipo de estratégia se vê muito também no
próprio Brasil, quando você pega um ônibus da cidade de São Paulo
que, depois de dez anos, não pode mais rodar na frota cativa e o vende
a outros municípios. Isso mostra que, quanto menores a consciência
ambiental e o nível de organização da sociedade, [mais] acabamos
aceitando coisas baseadas somente na equação dos negócios.
BV — Como fugir dessa visão imediatista? Há iniciativas bem-
-sucedidas que levam em conta a consciência ecológica?
Dr. Saldiva — Exemplo clássico é o do prefeito de Dublin, capital da Irlan-
da, um dos países que mais produzem carvão no mundo. Ele substituiu o
carvão [que é mais poluente] por gás na cidade para o aquecimento das
casas. Foi a maior chiadeira, mas, para cada libra investida na mudança
da matriz energética, ele ganhou, no ano seguinte, oito libras em saúde.
Em que investimento de negócio, de qualquer área, você investe um e
ganha oito em um ano? O cobenefício de saúde deveria nortear a política
de mudanças climáticas, e isso não vai ser discutido na COP 21. O Brasil
já tentou por duas edições da COP, mas sempre foi voto minoritário. (...)
E não há argumento moral, ético ou humanitário que justifique a perda
de milhões de vidas em nome de qualquer negócio.
BV — Quais são as doenças causadas pela poluição?
Dr. Saldiva — Tudo o que é provocado pelo fumo e que está na emba-
lagem do maço de cigarro também é [causado] pela poluição: câncer de
pulmão e de bexiga, infarto do miocárdio, agravamento de problemas
respiratórios crônicos, rinites, sinusites, baixo peso ao nascer e prema-
turidade. (...) Nós fumamos em São Paulo/SP de quatro a cinco cigarros
por dia. Eu não queria fumar isso... A autoridade ambiental não tem
força [para combater o problema]; ela perde para o setor econômico.
O desafio é fazer políticas públicas integradas e sustentáveis e colocar
como objetivo principal a qualidade da saúde humana. Enquanto cada
um pensar dentro da sua caixa, não funcionará.
PAULO SALDIVA
O QUE FAZ: É patologista, professor
universitário e coordenador do
Laboratório de Poluição Atmosférica
da Universidade de São Paulo
(USP).
“O cobenefício
de saúde deveria
nortear a política de
mudanças climáticas,
e isso não vai ser
discutido na COP
21. (...) E não há
argumento moral,
ético ou humanitário
que justifique a perda
de milhões de vidas
em nome de qualquer
negócio.”
Saúde, poluição
e economia
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 47
BOA VONTADE — De que maneira as escolas da LBV despertam o
interesse de crianças e jovens em adotar uma postura sustentável?
Suelí Periotto — Desde cedo, incentivamos os alunos, por meio da Peda-
gogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico (saiba mais sobre
essa proposta educacional na p. 84), idealizadas por Paiva Netto, a ter uma
postura de criticidade, de modo que tudo que aprenderem e em que se en-
volvam não seja benéfico somente para si, mas também para a sociedade. Se
construirmos essa criticidade e mentalidade de proteção ao planeta — que
se dá também nas relações com o próximo, em como nos posicionamos na
vida daqueles que nos rodeiam —, formaremos cidadãos ambientalistas,
independentemente da área em que atuarão, que se preocupam com suas
ações para que elas não afetem de maneira negativa nosso orbe.
BV — O mercado de trabalho tem passado a valorizar os bens
intangíveis, os do intelecto, os da criatividade... Como a Pedagogia
da LBV prepara os educandos para essa realidade?
Suelí Periotto — Tornar o educando partícipe de discussões é um de
nossos focos, porque, se ele souber discutir, saberá também sugerir e
respeitar. Essa interação favorece o desenvolvimento dos valores. Se
há perspectiva de um coração bem formado, além da intelectualidade
reforçada, temos mais possibilidades de a sustentabilidade do planeta
ocorrer naturalmente, não por imposição ou por medo, mas pelo desejo
sincero dos indivíduos de fazer realmente sua parte. Ao formar-se cérebro
e coração, ou seja, raciocínio e sentimento, como apregoa o educador
Paiva Netto, haverá inteligência para novas criações e sensibilidade para
que se pense em soluções transformadoras e inovadoras.
BV — A escola também precisa incluir o diferente e lidar com ele.
Suelí Periotto — O trabalho educacional da LBV preconiza a Cidadania
Ecumênica e Planetária. Temos em nossas unidades situações de alunos
vindos de outros países da América Latina, de religiões diversas, com
deficiências físicas, e, ali, todo o trabalho é realizado para o bem-estar
desses estudantes, não só por meio da estrutura do ambiente, como
também da motivação para que eles exponham o que pensam. Esse
convívio é muito salutar, porque, ao se olhar para o outro, não se en-
xergam apenas aspectos físicos ou deficiências, mas aquilo que ele tem
de melhor, e isso favorece o relacionamento escolar e ajuda a promover
uma mudança: a transformação da sociedade.
Suelí Periotto
O QUE FAZ: Supervisora da
Pedagogia do Afeto e da Pedagogia
do Cidadão Ecumênico. É doutoranda
e mestre em Educação pela PUC-SP,
conferencista e apresentadora do
programa Educação em Debate, da
Super Rede Boa Vontade de Rádio.
Educação e sustentabilidade
“Se há perspectiva de um
coração bem formado,
além da intelectualidade
reforçada, temos
mais possibilidades
de a sustentabilidade
do planeta ocorrer
naturalmente, não por
imposição ou por medo,
mas pelo desejo sincero
dos indivíduos de fazer
realmente sua parte.”
Cidadania Solidária
e ecumênica
VivianR.Ferreira
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
48 BOA VONTADE
BOA VONTADE — Qual é a proposta da FazINOVA?
Bel Pesce — Ela é uma escola bem diferente. A gente ajuda pessoas de
todas as idades a realizar todos os tipos de sonho. Há diversos cursos
que mostram ferramentas e conteúdos que podem auxiliar a transfor-
mar ideias em projetos de verdade, com liderança, autoconhecimento,
produtividade, negociação, visão, iniciativa e criatividade.
BV — O que é necessário para iniciar um projeto?
Bel Pesce — É essencial ter perseverança, porque as coisas não dão
certo de primeira. É sempre mais complicado do que se imagina. Precisa
ter determinação. Qualquer pessoa que quer ser protagonista da sua
própria vida tem de ser resiliente, porque são muitos passos e tropeços.
BV — Como o empreendedorismo pode colaborar no desafio
global de progredir com sustentabilidade?
Bel Pesce — O empreendedor, para mim, é alguém que olha para o
mundo, encontra necessidades reais e cria produtos ou serviços que
as atendam. Sustentabilidade é uma necessidade real; portanto, para
quem está procurando oportunidade, algo [com] que possa trabalhar,
que realmente vai tocar vidas, pode ser um pilar importante e gerar
diversas ideias de um empreendimento que agregue o que se precisa
no mundo. (...) Grande parte dos desafios de sustentabilidade tem a ver
com o uso inadequado de recursos, e isso é possível mudar. Trata-se de
um assunto que mexe com conscientização, exemplos e novas soluções.
BV — Que novas práticas implantadas pelas empresas têm
contribuído para uma relação mais equilibrada entre o ser hu-
mano e a Natureza?
Bel Pesce — Eu tenho visto embaixadores de sustentabilidade dentro
das empresas. E quando falo em sustentabilidade, é geral, não só [re-
lativamente à] Natureza; são todos os recursos, até mesmo o uso do
tempo do funcionário. Estive em uma conferência (...), e lá havia um
desses embaixadores, que afirmou que esse “não é mais um diferencial.
Os clientes querem ver isso”. São práticas que a gente está criando,
desde conseguir que produtos que não estão 100% perfeitos possam
ser doados até, realmente, uma interação maior com a Natureza de
não desperdiçar recursos. É preciso ser uma empresa sustentável em
todos os níveis.
Bel Pesce
O que faz: Empreendedora e
fundadora da FazINOVA, escola de
empreendedorismo e habilidades.
INOVAÇÃO E NEGÓCIOS SOCIAIS
“Qualquer pessoa
que quer ser
protagonista
da sua própria
vida tem de
ser resiliente,
porque são
muitos passos e
tropeços.”
Protagonismo
socioambiental
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 49
BOA VONTADE — As mudanças climáticas serão um dos gran-
des temas da COP 21. Como a população as percebe?
José Marengo — Estamos no inverno, mas, nos últimos meses, há recor-
des de temperatura alta. Segundo a Nasa [agência espacial americana],
a primeira metade de 2015 foi a mais quente dos últimos cinquenta
anos. É perceptível que os invernos estão mais quentes, e estamos nos
adaptando sem perceber. (...) Precisamos trabalhar para que o aque-
cimento global não ultrapasse os 2 graus, para que os impactos sejam
os menores possíveis: o degelo das calotas polares, que pode elevar o
nível do mar e afetar as áreas costeiras; o impacto na biodiversidade na
Amazônia, no cerrado e nos campos; as doenças tropicais, que podem
ser mais frequentes; a energia [elétrica], que deve ficar mais cara... A
principal causa [desse aquecimento] é o aumento na concentração de
gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono.
BV — Qual é o papel da Amazônia na crise hídrica?
José Marengo — Temos notas, não pesquisas científicas, de que o des-
matamento da Amazônia é a causa da seca no Sudeste, mas isso não é
100%. Seria um indicador de mudança climática se [essa seca] acontecesse
todos os verões durante trinta, quarenta anos. A chuva na região da seca
(São Paulo e Serra da Cantareira) vem de várias fontes: da Amazônia, das
brisas do Oceano Atlântico e das frentes frias. Durante dezembro de 2013
e o verão de 2014, formou-se uma bolha de ar quente sobre toda essa
região. Foi como uma parede, um bloqueio. As frentes frias não consegui-
ram penetrar [essa barreira] e foram para o Sul. O mesmo ocorreu com as
brisas. A umidade que vinha da Amazônia também não chegou ao Sudeste.
BV — A crise hídrica do Sudeste continuará nos próximos anos?
José Marengo — É difícil fazer uma previsão, porque, normalmente, o
Inmet [Instituto Nacional de Meteorologia], com o Cemaden, realiza a
previsão sazonal do clima, [analisa] como ele será em três meses. As
chuvas nessa região devem começar em outubro. Se isso não ocorrer,
teremos uma extensão da seca. A situação pode piorar muito. Estamos
esperando a primeira frente fria que consiga decretar o início da estação
chuvosa. É cedo para dizer se a seca continuará ou acabará, mas, ainda
assim, para encher o [sistema] Cantareira, precisaria de muita chuva,
100% acima do normal. Para recuperá-lo, mesmo que chova normal-
mente, levará, pelo menos, uns cinco anos.
JOSÉ ANTONIO MARENGO
O que faz: Climatologista,
meteorologista e chefe da Divisão
de Pesquisas do Centro Nacional
de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais (Cemaden),
vinculado à Secretaria de Políticas
e Programas de Pesquisas e
Desenvolvimento (Seped), do
Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI).
CLIMATOLOGIA
“Segundo a Nasa,
a primeira metade
de 2015 foi a mais
quente dos últimos
cinquenta anos. É
perceptível que os
invernos estão mais
quentes, e estamos
nos adaptando sem
perceber.”
Extremos climáticos e
crise hídrica
VivianR.Ferreira
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
50 BOA VONTADE
BOA VONTADE — O setor energético aumenta as emissões de
gás carbônico na atmosfera?
Bárbara Rubim — É, hoje, o segundo maior emissor de gases de efeito
estufa no Brasil. Só fica atrás do uso do solo — responsável por boa
parte do desmatamento —, mas já existem estudos que mostram que,
nos próximos trinta anos, ele será o maior emissor que teremos. Portan-
to, o setor energético possui papel relevante nas mudanças climáticas.
BV — Quais são as energias renováveis mais viáveis para o
nosso país?
Bárbara Rubim — Tirando-se as hidrelétricas, que são renováveis,
mas não sustentáveis, por todas as consequências que elas ge-
ram — por exemplo, nas comunidades indígenas e ribeirinhas da
Amazônia —, há outras fontes renováveis, como a energia eólica,
a solar e a da biomassa, e o Brasil é riquíssimo em todas elas. Nos
últimos quatro anos, temos visto o crescimento da energia eólica
na nossa matriz energética, mas a energia solar, que é uma fonte
abundante no país — ninguém duvida de que ele é um “país tropi-
cal, abençoado [por Deus e bonito] por natureza” — e que poderia
estar gerando eletricidade na casa de todos os brasileiros, segue
esquecida e ignorada (...). O Greenpeace trabalha com a meta de
100% de energia renovável na nossa matriz energética até 2050.
Isso é possível tecnicamente. O exemplo da Alemanha é marcante,
porque o melhor lugar naquele país para a utilização da energia
solar é 20% pior do que o pior lugar no Brasil. Mesmo assim, eles
têm dez milhões de alemães sendo beneficiados por essa fonte de
energia, enquanto o Brasil acabou de bater o recorde de 700 siste-
mas instalados — uma diferença grande.
BV — Qual é o principal papel da sociedade civil neste momento?
Bárbara Rubim — O principal papel da sociedade brasileira é, de fato,
o de acompanhar as negociações que estão acontecendo no mundo,
os comunicados do Ministério das Relações Exteriores — que cuidou
da elaboração da nossa INDC [Intended Nationally Defined Contribu-
tion, na sigla em inglês, ou Contribuição Nacionalmente Determinada
Pretendida] —; e o de pressionar o governo [para que seja cumprida].
Não podemos mais acreditar que não temos poder de mudança, porque
temos, sim.
Bárbara Rubim
O que faz: Coordenadora da
campanha de Clima e Energia do
Greenpeace Brasil.
sociedade civil
“(...) a energia solar,
que é uma fonte
abundante no país
(...) e que poderia
estar gerando
eletricidade na
casa de todos os
brasileiros, segue
esquecida e
ignorada (...).”
A importância de investir
em fontes renováveis
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 51
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
Alguns dos alunos do Maternal 2,
da Supercreche Jesus, percorrem
as alamedas do bosque do Conjunto
Educacional Boa Vontade, na capital
paulista, e aprendem a reconhecer os
diferentes tipos de flores e frutos.
LBV
e meio
ambiente
Leila Marco
A
Legião da Boa Vontade faz parte do grupo de orga-
nizações que, desde a década de 1960, percebia
o risco iminente de graves crises ambientais e
sociais por causa da conduta, muitas vezes, egoísta do
ser humano, na ânsia de enriquecer a qualquer preço.
A fim de ajudar na mudança dessa mentalidade, a LBV,
desde os seus primórdios, trabalha pela edificação da
Sociedade Solidária Altruística Ecumênica*, uma fórmu-
la concebida para rever o paradigma atual de produção e
consumo que já esgota os recursos naturais. A Instituição
aposta sempre na transformação operada pelo Amor,
pela Fraternidade Real, como fonte de entendimento
e alavanca para políticas públicas de desenvolvimento
sustentável e de inclusão social. “Numa sociedade cons-
tantemente ameaçada pela destruição, convém lembrar
que, a cada dia, pela queda das barreiras de espaço
e tempo, os seres da Terra devem compenetrar-se de
que formam a imensa família chamada Humanidade”,
afirma o diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto.
A seguir, conheça algumas das principais ações da Obra
nesse caminho de conscientização.
* Sociedade Solidária Altruística Ecumênica — Conceito defendido
por Paiva Netto há décadas, reiterado durante o 1o
Congresso Interna­
cional dos Irmãos Operários de Deus (ocorrido em 1o
de maio de
1983, no Botafogo Futebol e Regatas, na cidade do Rio de Janeiro/RJ)
e publicado em diversos órgãos de imprensa do Brasil e do exterior.
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 53
Campanha da LBV
ganha prêmio
mundial
Neste histórico, o leitor conhecerá um
pouco da participação da LBV em importantes
encontros no Brasil e exterior e suas ações em
favor do meio ambiente e do ser humano. Por
exemplo, durante a Conferência de Cúpula das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desen-
volvimento, a Rio-92, na capital fluminense,
quando a Instituição lançou a Campanha
Gente também é bicho. Preserve a criança
brasileira. A resposta da sociedade foi ime-
diata. Com o apoio da mídia e a adesão de
quase uma centena de artistas, a empreitada
alcançou expressivo êxito. Seu objetivo prin-
cipal foi despertar as pessoas para a urgente
necessidade de investir no futuro do expoente
maior da Natureza: a criança. Dela se espera
a construção de um mundo melhor, a partir da
Educação para a Paz e de uma mentalidade
que privilegie a preservação ambiental.
A campanha, desenvolvida pela agência
DPZ, ganhou os prêmios Leão de Ouro, no
Festival de Publicidade de Cannes, França, e
Galo de Ouro, no Festival de Gramado, ambos
em 1993.
Também há mais de duas décadas, pionei-
ramente, a Instituição alertou para o fato de
que o debate da questão ambiental teria de
incluir os pilares econômico e social, pois é im-
praticável discutir sustentabilidade e cuidado
com o meio ambiente sem
considerar a imediata provi-
dência de tirar da extrema
pobreza tantas populações
espalhadas pela Terra.
Na Rio+20, a LBV
apresentou um painel
temático que contou com
a colaboração de vá-
rios palestrantes e teve
grande re­percus­são no
evento.
LBV na ONU
Para desenvolver programas e projetos de inclusão so-
cial e de desenvolvimento sustentável, a LBV estabelece
parceria com agentes dos principais setores da sociedade
(poder público, empresas com responsabilidade socioam-
biental, organismos internacionais, escolas, associações
comunitárias e outras organizações do Terceiro Setor). Em
comum, os participantes desse tipo de iniciativa têm espí-
rito de cooperação e compromisso de solidariedade, pelo
bem-estar do próximo.
A Legião da Boa Vontade associou-se ao Departamento
de Informação Pública da ONU (DPI), órgão das Nações
Unidas, a partir de 1994. Em 1999, foi a primeira organi-
zação brasileira a obter status consultivo geral no Conselho
Econômico e Social da ONU (Ecosoc), em votação unânime
em comitê formado por 28 países-membros. Essa condição
concedeu à LBV o direito de participar e contribuir em todos
os temas de interesse do organismo em Nova York (EUA), em
Genebra (Suíça) e em Viena (Áustria). Com sua experiência
de mais de seis décadas em diversas áreas da sociedade e
com capilaridade internacional, a LBV tem fraternalmente
advogado as recomendações na implementação de políticas
públicas internacionais. No ano seguinte, passou a integrar
a Conferência das ONGs com Relações Consultivas para as
Nações Unidas (Congo), com sede em Viena.
Rede Sociedade
Solidária
A LBV ainda colabora com os oito Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODMs) e já prossegue
apoiando a nova agenda de desenvolvimento pós-
-2015: os Objetivos de Desenvolvimento Sus-
tentável (ODS), a partir da articulação de várias
ações sociais, promovendo encontros e oficinas
temáticas, com a disseminação de informações
em cidades da América Latina e da Europa. Desse
conjunto de atividades surgiu a Rede Sociedade
Solidária, movimento que tem cooperado, em nível
regional, para uma atuação intersetorial de grande
amplitude em prol do desenvolvimento sustentável
e integrado.
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
54 BOA VONTADE
PedroPeriotto
AdalgizaPeriottoNoysRocha
LBV : L’Organisation brésilienne ayant un statut consultatif général à l’ECOSOC,
des Nations Unies, présente des recommandations pour les autorités participantes
au Débat de haut niveau du Conseil économique et social de l’ONU, au Palais des
Nations, à Genève, Suisse, du 4 au 7 juillet 2011.
PAIVA NETTO écrit « La machine humaine et l’huile du sentiment »
Éducation
LBV
61 ans
Une proposition innovatrice de la Légion de la Bonne
Volonté (LBV) : L’éducation formelle et informelle et
l’éradication de la misère pour le développement des nations
Culture de Paix : Les valeurs de la Spiritualité Œcuménique
dans la formation de citoyens solidaires
Des histoires exemplaires de succès : Lesrésultatsatteints
parlaLBVdansdescommunautésdebasrevenusetdesécolesdu
Brésiletdedifférentspays
SOCIÉTÉS DURABLES
Rééduquer
la planète
pour transformer
Recomendações
da LBV
Nos diversos eventos internacionais da ONU,
a Instituição tem contribuído com importantes
documen­tos e publicações, editados em vários idio-
mas e entregues a chefes de Estado, conselheiros
ministeriais e representantes da sociedade civil. Desse
material, vale destacar as revistas Sociedade Solidá-
ria, Paz para o Milênio, Globalização do Amor Fraterno, BOA
VONTADE Mulher, BOA VONTADE Educação e BOA VONTADE
Desenvolvimento Sustentável 2015. Esta última — encami-
nhada para a Reunião Anual de Alto Nível do Conselho Econô-
mico e Social da ONU, realizada em julho, em Nova York, nos
Estados Unidos — foi recebida com muito entusiasmo pelas
autoridades (Saiba mais sobre o encontro na p. 66).
Em Genebra, autoridades presentes à reunião
do High-Level Segment 2011 receberam dos
representantes da LBV a publicação especial da
Instituição para o evento: a BOA VONTADE Educação.
Entre elas (1) o secretário-geral das Nações Unidas,
Ban Ki-moon; (2) Nikhil Seth (E), diretor do
Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da
ONU, e Asha-Rose Migiro, vice-secretária-geral das
Nações Unidas; e (3) Irina Bokova (D), diretora-geral
da Unesco, que conversa com Angélica Periotto,
da LBV, sobre a inovadora proposta pedagógica da
Legião da Boa Vontade.
1 2
3
BOA VONTADE 55
Mobilizações Solidárias
Por iniciativa de Paiva Netto, as décadas de 1980 e
1990 assistiram a uma série de mobilizações e atos pú-
blicos pela conscientização da necessidade de preservar
o meio ambiente. De norte a sul do país, Legionários da
Boa Vontade de diferentes gerações saíram em passeatas,
levando à sociedade as bandeiras da Campanha A destrui-
ção da Natureza é a extinção da raça humana, a qual a
LBV mantém viva até os dias atuais.
ArquivoBV
ArquivoBV
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
56 BOA VONTADE
Biodiversidade e
inclusão social
Desde 1960, o Centro Comunitário de
Assistência Social Alziro Zarur, da Legião da
Boa Vontade, em Glorinha/RS, é uma das
unidades-modelo da Instituição. Construído em
uma imensa área, o conjunto socioeducacional
tem ao mesmo tempo forte vocação solidária
e ecológica. Ao longo de décadas, Paiva Netto
ampliou substancialmente e modernizou o local,
tornando-o referência no trabalho de inserção
social associado à educação ambiental, em que as
pessoas aprendem a se relacionar de forma mais
construtiva e harmônica com a Natureza. Cerca
de 60% da propriedade compõe-se de mata nativa
e de espécies procedentes de reflorestamentos.
No espaço reservado ao trabalho solidário do
Centro Comunitário, destaque para os progra-
mas Criança: Futuro no Presente! (que atende
meninos e meninas de 6 a 12 anos) e Espaço
de Convivência (para adolescentes de 12 a 17
anos). Por meio dessa ação socioeducativa, cen-
tenas de crianças e jovens têm a oportunidade
de frequentar oficinas culturais (música, artes
etc.), com aproveitamento de recursos da Natu-
reza e materiais recicláveis; realizam atividades
lúdicas e têm lições de Cultura Ecumênica e de
agricultura orgânica (horta, pomar e lavouras).
Cidades
Mais
Verdes
Para harmonizar Natureza e concreto, o dirigente da
LBV preocupa-se em criar nas unidades socioeducacionais
da Instituição (escolas, centros comunitários de assistência
social e lares para idosos) espaços para horta e jardim,
adequadamente servidos de ventilação, luz e beleza. A
iniciativa desperta em alunos e atendidos o cuidado com
o meio ambiente.
JoãoPreda
TatianeOliveira
VivianR.Ferreira
VivianR.Ferreira
BOA VONTADE 57
Protagonismo
Infantil
Exercitar a cidadania plane-
tária desde os primeiros anos da
infância. É assim que a Legião da
Boa Vontade trabalha com as crian-
ças. Em 2008, durante o 5o
Fórum
Internacional dos Soldadinhos de
Deus, da LBV, em cidades do Brasil
e de outros países da América do
Sul, dos Estados Unidos e de Portu-
gal, essa turma pôde dar sugestões
e debater o tema “Minha casa é o
planeta Terra”. O objetivo principal
da iniciativa foi conscientizar as no-
vas gerações da urgência em cuidar
do meio ambiente.
Tecnologias Sociais
A busca de equilíbrio entre proteção ambiental e progresso socioeconômico norteia as atividades da
Legião da Boa Vontade há décadas e foi o enfoque principal dos trabalhos do 5o
Fórum Intersetorial Rede
Sociedade Solidária — 2a
Feira de Inovações, entre 4 e 19 de março de 2008, em cidades do Brasil e
na Argentina. Promovida pela LBV, a série de encontros gerou troca de experiências e divulgação de boas
práticas. O resultado forneceu subsídios ao relatório que a Obra elaborou e apresentou com recomen-
dações durante a Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc),
de 30 de junho a 3 de julho daquele ano, na sede da ONU em Nova York (EUA). Na oportunidade, a
Instituição levou à ONU boas práticas de mais de 1.600 organizações da América Latina.
A iniciativa teve o suporte do Departamento de Assuntos
Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas
(UN/Desa), além do apoio e da chancela do Centro de In-
formação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio). A série
de eventos tratou de novas tecnologias sociais para temas
como conservação e manejo florestal, desenvolvimento
sustentável e mudanças climáticas, recursos hídricos, saúde
e meio ambiente, educação ambiental e resíduos sólidos.
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
ViníciusRamãoArquivoBV
ArquivoBV
JoãoPreda
58 BOA VONTADE
atuação Juvenil
Desde sua fundação (1950), a LBV tem no jovem um agente da Paz
e da transformação socioambiental. Dentre as iniciativas nesse sentido,
destaca-se o fórum permanente de debates e ações em que são con-
templados assuntos relacionados ao progresso do ser humano e de seu
Espírito Eterno. De junho de 2007 a junho de 2008, em uma série de
encontros, a juventude discutiu em profundidade o tema “Amar a Terra
é proteger o futuro!”. Levada pela mocidade da Instituição aos mais
variados segmentos das sociedades brasileira e mundial, a questão teve
seu ponto alto em 28 de junho de 2008, com a realização do 33o
Fórum
Internacional do Jovem Ecumênico da Boa Vontade de Deus.
Na ocasião, foram debatidos os caminhos para alcançar, de forma
prática, o desenvolvimento sustentável. Para isso, conduziram a discussão
com base em quatro teses do diretor-presidente da LBV: “A destruição da
Natureza é a extinção da raça humana; Progresso sem destruição; Economia
da Solidariedade Espiritual e Humana; e Globalização do Amor Fraterno”.
Mídia da Boa Vontade pela
sustentabilidade do corpo e do Espírito
Transmitir uma mensagem de Paz e Fraternidade, fundamentada nos valores universais exemplificados por
Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, é compromisso da Legião da Boa Vontade desde seus primór-
dios (fim da década de 1940). Para expandir esse e outros nobres ideais, o diretor-presidente da LBV, José
de Paiva Netto, criou a Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio,
TV, portal e publicações). Em sintonia com esse propósito, a mídia da
Boa Vontade produz conteúdo que prioriza a conscientização do ser humano
em relação ao semelhante e ao meio em que vive, para que, com a efetiva
mudança de atitudes, se promovam a Cultura de Paz e o desenvolvimento
sustentável. Por acreditar que uma comunicação de qualidade contribui
para a construção de um mundo melhor, incentiva sua audiência a adotar
hábitos saudáveis e ecologicamente responsáveis. Entre as atrações está o
programa Biosfera, transmitido pela Boa Vontade TV e apresentado pela
repórter Jully Anne (foto), que, com mais de 18 horas mensais na grade
de programação da emissora, se caracteriza por dar visibilidade a ações
de preservação socioambiental.
ArquivoBV
PauloAlbino
BeatrizChristinaArquivoBV
ArquivoBV
BOA VONTADE 59
por Nathália Helena Azevedo Pereira | Especial para a boa vontade
Como o aprendizado na LBV me instigou a ampliar
a visão sobre o cuidado com o planeta
O
termo “sustentabilidade” tem feito
parte, há algum tempo, de nosso
vocabulário diário com certa fre-
quência e transpassa diversas áreas do
conhecimento, entre as quais a Adminis-
tração, a Educação e a Cultura. Mas qual
é sua abrangência? Para ciências como a
Ecologia e a Economia, a palavra ainda
carrega uma noção imprecisa e obscura.
Por esse motivo, nos últimos anos, ela
vem sendo investigada minuciosamente
quanto à validade de seus argumentos
científicos a fim de se obter uma definição
que permita direcionar ações concretas
nos campos político, ambiental e social.
No contexto das divergências pragmá-
ticas sobre suas limitações há questiona-
mentos importantes, sobretudo no que
diz respeito à dinâmica ambiental, que
merecem ser levados em conta: “Até que
ponto o ambiente pode ser sustentável?”,
“De que forma articular escalas espaciais
e temporais para ampliar a compreen-
são?”, “Com relação a seus indicadores,
como medir a sustentabilidade?”. Mesmo
com tantas dúvidas, existe uma convicção
coletiva de que esse é um dos ideais mais
generosos surgidos no panorama político
e econômico mundial no século passado.
Aprofundando esse olhar, é válido re-
fletir sobre a definição mais difundida da
expressão “sustentabilidade ambiental”,
ou seja, o anseio de suprir as neces-
sidades do presente sem interferir nas
gerações futuras. Desse modo, abrimos
espaço para indagar quais são essas
necessidades. Como estas foram esta-
belecidas e por quê? Seriam realmente
essenciais para nossa permanência plena
como espécie neste planeta? A facilidade
com que o termo “necessidade” pode ser
articulado para favorecer posicionamen-
tos políticos lança luz sobre os desafios
que acompanham a busca pela compa-
tibilização de metas econômicas, sociais
e ambientais.
Parte da dificuldade de conciliar essas
metas nasce da ganância e do egoísmo de
CONSCIência
sustentável
e espiritual
Nathália Helena Azevedo
Pereira, de 27 anos, é
bióloga pela Universidade
Federal de São Paulo
(Unifesp) e mestranda em
Ecologia pela Universidade
de São Paulo (USP).
Possui publicações nas
áreas de Ensino de
Ciências e Ecologia e
atuou em diversos projetos
de divulgação científica.
Ex-aluna do Conjunto
Educacional Boa Vontade,
em São Paulo/SP, ministra,
como voluntária, aulas na
modalidade Educação de
Jovens e Adultos (EJA),
nesse estabelecimento de
ensino, desde 2009.
Arquivopessoal
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
60 BOA VONTADE
nossa espécie. Para ser aplicada em sua
amplitude, conciliando o ambientalmente
suportável e o socialmente necessário, a
sustentabilidade ambiental precisa estar
firmada no princípio ético da solidariedade
entre as gerações. Essa é a chave de sua
efetivação. O diretor-presidente da Legião
da Boa Vontade, o educador José de Paiva
Netto, enuncia que “a solidariedade é um
caminho para a Paz entre aqueles que
tudo têm e os que necessitam de auxí-
lio”. De acordo com esse entendimento, o
equilíbrio que buscamos não virá apenas
daquele entre a espécie humana e o meio
ambiente, mas também daquele entre
todos nós, indivíduos da mesma espécie.
Como podemos falar sobre sustentabilida-
de e desvinculá-la do que está no coração
do ser humano? Não podemos, pois “a
guerra, antes de explodir no mundo, cres-
ce no interior das criaturas”, conforme diz
o dirigente da LBV.
Abordar a questão da sustentabi­lidade
à luz da Espiritualidade Ecumênica é fun-
damental, porque esse conceito carrega
valores inerentes à solidariedade e à Paz.
Há outro elo entre estes dois: o fato de
sermos Espírito Eterno. Quanto a isso, o
escritor Paiva Netto destaca: “O ser hu-
mano, antes de ser corpo físico, é Espírito
Eterno. Sem esse conhecimento, todo
intelecto se resume à escola primária da
existência”. Ao considerarmos tal afirma-
tiva, sabemos que habitamos esta Casa,
que chamamos de Terra, em existências
distintas, usufruindo, portanto, das con-
dições e dos recursos dela em diferentes
épocas. Temos, por isso, o compromisso
moral e o espiritual de honrar todas as
formas de vida e os seus recursos vitais.
Passei os primeiros catorze anos de
minha vida como aluna do Instituto de
Educação José de Paiva Netto, durante
os quais fui despertada para os ideais do
Amor Fraterno e da Paz. Foi nos espaços
verdes do Conjunto Educacional Boa
Vontade e em excursões a parques e a
museus, organizadas por meus dedicados
professores, que pude identificar minha
afinidade com a Biologia. Ao longo dessa
etapa de minha formação, recebi não
apenas o cuidado com a instrução for-
mal, mas, principalmente, o estímulo à
vivência de valores pautados pelo Ecume­
nismo, entre os quais o respeito e a to-
lerância, que me motivam diariamente a
adotar uma vida inspirada nos princípios
da Fraternidade.
Com satisfação, tenho tido a oportu-
nidade de atuar na referida escola, desde
2009, como professora voluntária na
modalidade Educação de Jovens e Adul-
tos (EJA), numa tentativa de retribuir um
pouco do muito que aprendi nesse espaço
de Paz. Busco trabalhar o conhecimento
científico com meus alunos sem esquecer
as implicações espirituais desse saber.
A sustentabilidade é um conceito revo-
lucionário; entretanto, segundo ensina o
dirigente da LBV, “Revolução verdadeira
é aquela que ergue o Espírito do ser
humano”.
1
2
(1) Voluntariamente,
Nathália dedica-se ao
ensino de Biologia na
modalidade Educação de
Jovens e Adultos (EJA).
(2) Alunos da LBV
durante passeio ecológico
ao Pico do Jaraguá, em
São Paulo/SP.
VivianR.Ferreira
CidaLinares
BOA VONTADE 61
O
Apocalipse, último Livro das Escri-
turas Sagradas, por meio de suas
profecias, suscita em nós a visão
permanente de um mundo renovado —
que devemos sempre buscar construir —,
conforme revela no versículo primeiro de
seu capítulo 21: “Vi novo céu e nova terra,
porque o primeiro céu e a primeira terra
passaram, e o mar já não existe”.
Vivemos em uma casa planetária
enferma, com indícios de fragilidade do
modelo e dos blocos econômicos vigentes,
com intolerância cultural e religiosa e com
graves desigualdades sociais, evidenciadas
estas pelos fluxos migratórios de milhares
de seres humanos em regiões do Medi-
terrâneo, da África, da Ásia e do Caribe;
pela ocorrência de novas endemias; e pelo
ressurgimento de doenças tidas como
erradicadas.
Em um universo dinâmico, como o nos-
so, as dificuldades impostas pelas mudan-
ças climáticas são agravadas por atitudes
humanas de desrespeito à conservação
da Natureza*¹, entre elas a exploração
predatória dos recursos naturais; o uso de
processos produtivos contribuintes para
o aquecimento global; o assoreamento, a
Daniel Borges Nava
é geólogo, mestre em
Ciências Ambientais
e Sustentabilidade da
Amazônia, analista
ambiental do Instituto
de Proteção Ambiental
do Amazonas (Ipaam) e
professor da Faculdade La
Salle Manaus.
Arquivopessoal
poluição e a contaminação dos mananciais
hídricos; e os desmatamentos ilegais. Pa-
rece que ainda não nos apercebemos dos
sinais dos Sete Flagelos*², anunciados no
Livro das Profecias.
É tempo, pois, de reagir, mobilizar,
discutir, empreender e inovar o conceito
de sustentabilidade e o desejo de vivên-
cia dela. A propósito, cito a revista BOA
VONTADE especial para a Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, a Rio+20, realizada de 13 a
22 de junho de 2012. Na publicação da
LBV, pode-se ler a seguinte mensagem*³
do diretor-presidente da Instituição, o jor-
nalista, radialista e escritor José de Paiva
Netto: “Preconizamos a harmonia de todos
para o bem de todos, enquanto há tempo,
pois compartilhamos uma única morada,
a Terra, e os abusos de seus habitantes
vêm exigindo providência imperativa: ou
integra ou desintegra (...), razão por que
devemos trabalhar estrategicamente em
parcerias que promovam prosperidade
efetiva para as massas populares”.
Vem ao encontro desse pensamento
a encíclica do papa Francisco sobre o
meio ambiente, que foi publicada em 18
por Daniel borges Nava | Especial para a boa vontade
sustentabilidade
planetária
e profecias
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
62 BOA VONTADE
*¹ O conceito de conservação implica o uso sustentável dos recursos da Natureza.
*² Como exemplos: o Segundo e o Terceiro Flagelos sinalizam a poluição dos oceanos e dos rios; e o Quarto Flagelo indica o aquecimento
global.
*³ Extraído da revista Globalização do Amor Fraterno, p. 30, publicação dirigida aos participantes da Reunião de Alto Segmento (High-
-Level Segment 2007) do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), órgão das Nações Unidas, no qual a LBV possui status consultivo geral.
*4
Fonte: www.pnud.org.br.
de junho deste ano e na qual ele fala da
responsabilidade de todos na proteção
planetária e da necessidade urgente de
uma mudança radical no comportamento
da Humanidade, reforça o caráter explícito
e grave das fragilidades ambiental, social
e econômica, que nos afetam como socie-
dade, consequência de nossas escolhas
descompromissadas com a vida em uma
morada comum e da ausência de cuidado
para com essa habitação coletiva.
Depois de passadas mais de duas déca-
das de negociações desde a Rio-92, a falta
de resultados positivos das ações empreen-
didas e de comprometimento de parte dos
países-membros da Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) — em
especial de alguns países desenvolvidos,
entre eles os Estados Unidos, que nem
sequer ratificaram o principal acordo global
da convenção, o Protocolo de Kyoto, de
1997 — tornou nula a proposta de enga-
jamento mundial na luta pelo alcance das
metas de enfrentamento das mudanças
climáticas a partir da redução das taxas de
emissão de gases de efeito estufa.
Se os resultados das ações humanas
têm agravado os impactos das mudanças
climáticas no orbe terrestre, o conhecimen-
to e a tecnologia compartilhados mundial-
mente podem e devem constituir-se em um
grande movimento de extensão planetária
de solidariedade, que, espera-se, seja
empreendido a partir da assinatura, na
21a
Conferência das Partes (COP 21), do
novo Acordo ou Protocolo Global, e esteja
disposto a consolidar a importante Agenda
21, representada pelos Objetivos de De-
senvolvimento Sustentável, em discussão
na Organização das Nações Unidas*4
.
É preciso reconhecer a atuação do Brasil
na aplicação de sua Política Nacional de
Mudanças Climáticas, bem como seu empe-
O conhecimento
e a tecnologia
compartilhados
mundialmente
podem e devem
constituir-se
em um grande
movimento
de extensão
planetária de
solidariedade.
shutterstock.com
BOA VONTADE 63
nho para atingir as metas nacionais
voluntárias de redução das emissões
de gases de efeito estufa na ordem
de 36% a 38%, tendo a diminuição
do desmatamento, em especial nas
áreas amazônicas, contribuição im-
portante para esse resultado*5
.
As discussões surgidas na COP
21 não podem estar dissociadas
também do debate sobre as ne-
cessidades das populações de
seguranças hídrica, alimentar e de
energia; sobre o combate contínuo
das diversas formas de pobreza, das
desigualdades, da corrupção e dos
atos discriminatórios raciais e de gê-
nero a partir do acesso à justiça para
todos e da construção de instituições
eficazes, responsáveis e inclusivas
em todos os níveis; e sobre a busca
do crescimento econômico apoiado
em padrões de produção e de con-
sumo sustentáveis.
O fortalecimento dos mecanis-
mos de revitalização da parceria
global para o desenvolvimento
sustentável passa ainda pelo reco-
nhecimento da Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima como principal fórum inter-
nacional e intergovernamental para
o estabelecimento das respostas de
combate às mudanças climáticas e
aos impactos delas, que proporcio-
narão, em última análise, maior re-
siliência (capacidade de adaptação
e de enfrentamento) à Humanidade.
“Todo dia é dia de renovar nosso
destino.” Que essas palavras de
Paiva Netto inspirem o sentimento
e o desejo mais nobres àqueles
que se preparam para participar da
COP 21, que se realizará entre 30
de novembro e 11 de dezembro de
2015, em Paris, na França.
*5
Entre 2006 e 2013 foi verificada uma redução de desmatamento de 8,7 milhões de hectares, correspondente a 4,2 bilhões de toneladas
de gás carbônico (CO2
) que deixaram de ser emitidas para a atmosfera. O cálculo de correlação foi estabelecido a partir dos parâmetros
do Decreto Federal no
7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), disposta na Lei Federal no
12.187/2009. Fonte: Carta de Cuiabá, documento construído durante o X Fórum dos Governadores dos Estados da Amazônia Legal, rea-
lizado em Cuiabá/MT, em 29 de maio de 2015.
ANÚNCIO DOMÍCIO MÓVEIS
c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
Medalhistas no Pan de Toronto
recebem homenagem da LBV
garotada que lá estava entregou car-
tões confeccionados pelos próprios
meninos e meninas a cada um dos
medalhistas.
O nadador Thiago Pereira, atleta
brasileiro mais premiado na história
dos Pan-Americanos, com 23 me-
dalhas no total, agradeceu a home-
nagem. “Esse carinho das crianças
é o que nos move. Eu sempre digo:
medalhas, recordes, essas coisas
sempre vêm e passam, mas esse
carinho é o que fica. Estou bastante
feliz. O que eu puder fazer mais
ainda para motivar essa criançada
a um dia, quem sabe, representar
o nosso país, a buscar esse sonho,
farei”, acrescentou.
Medalhista de bronze no reve-
zamento 4 x 100 metros livre, a
nadadora Daiane Becker contou aos
atendidos como iniciou sua carrei-
ra esportiva e incentivou-os a não
desistir de alcançar o que desejam.
“Foi muito legal o presente que as
crianças deram para a gente. Fiquei
feliz mesmo! É bom saber que a
gente inspira pessoas e que pode
mostrar que sonhos são realizáveis.
Muito obrigada!”, declarou.
C
rianças e adolescentes par-
ticipantes do programa so-
cioeducacional Criança: Fu-
turo no Presente!, da Legião da
Boa Von­tade, em Belo Horizonte/MG,
homenagearam os atletas do Minas
Tênis Clube  que obtiveram resul-
tados expressivos nos Jogos Pan-
-Americanos de 2015, realizados
em Toronto, no Canadá. No encer-
ramento da coletiva de imprensa
deles, em 24 de agosto, um dos
atendidos leu, em nome dos de-
mais, mensagem de congratulação
aos esportistas, e, na sequência, a
No fim da coletiva de imprensa, os medalhistas receberam homenagens
entregues por algumas das crianças atendidas pela LBV. No destaque, o
nadador Thiago Pereira.
Fotos:MônicaMendes
Internacional
BOA VONTADE 65
Os desafios do
planeta pós-2015LBV leva suas recomendações a líderes mundiais
em encontro anual nas Nações Unidas
JÉSSICA BOTELHO
LBV na ONU
66 BOA VONTADE
D
esde seu estabelecimento, em
setembro de 2000, os Obje-
tivos de Desenvolvimento do
Milênio (ODM) têm contribuído, em
nível global, para salvar a vida de
milhões de pessoas e melhorar as
condições em que elas se encontram.
Isso pode ser constatado no relatório
2015 das Metas do Milênio, cujos
dados e análises foram apresentados
pelo secretário-geral da Organização
das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-
-moon, na Reunião Anual de Alto
Nível do Conselho Econômico e
Social (Ecosoc) da entidade, que se
realizou entre os dias 6 e 10 de julho,
em Nova York, nos Estados Unidos.
Essas informações comprovam que,
com intervenções específicas, estra-
tégias sólidas, recursos adequados
e suporte político, mesmo os países
mais pobres podem conquistar pro-
gressos realmente significativos.
Os ODM foram instituídos pela
ONU, com o apoio de 191 nações,
para se combaterem, de maneira
abrangente, a extrema pobreza e
outros males sociais. Com a aproxi-
mação do término do prazo para o
cumprimento deles — o que ocorrerá
no fim deste ano —, o organismo
internacional vem atuando em con-
junto com governos, a sociedade civil
e outros parceiros. O intuito é apro-
veitar o impulso gerado pelos ODM e
prosseguir o trabalho empreendendo
uma agenda de desenvolvimento
pós-2015 ambiciosa, que receberá
o nome de Objetivos de Desenvolvi-
mento Sustentável (ODS).
Entre as dezessete novas metas
a serem alcançadas há uma especí-
fica em apoio à igualdade de gênero
e ao empoderamento de todas as
mulheres e meninas. Esse tema ga-
nha ainda mais destaque diante dos
desafios globais: 35% das mulheres
já sofreram algum tipo de violência
física ou sexual, segundo dados
da Organização Mundial da Saúde
(OMS).
“(...) Estou confiante de que
somos capazes de cumprir
nossa responsabilidade
partilhada para eliminar a
pobreza, criar um mundo
melhor e não deixar ninguém
para trás.”
Ban Ki-moon
Secretário-geral da ONU
A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, é cumprimentada pela equipe da LBV
na Reunião de Alto Nível do Ecosoc e recebe a revista BOA VONTADE Desenvolvimento
Sustentável 2015 em inglês.
AdrianaRocha
AdrianaRocha
UNPhoto/RickBajornase
UNPhoto/EskinderBebebe
BOA VONTADE 67
O presidente do Zimbábue e da União Africana
(UA), Robert Mugabe (E), confraterniza com
Danilo Parmegiani, da LBV, que lhe entrega a
publicação especial da Entidade.
A ministra da Promoção da Mulher e
de Gênero de Burkina Faso, Bibiane
Ouedraogo-Boni (D), com a publicação da
Legião da Boa Vontade em francês. Ao lado,
Adriana Rocha, da LBV.
A equipe da Legião da Boa Vontade dos Estados Unidos, formada também por jovens
universitários de diversas etnias, no novo escritório da Instituição no país.
A vice-primeira-ministra do Quirguistão,
Damira Niyazalieva (E), recebe
da jovem Amanda Vieira a revista da
LBV.
O secretário-geral da Conferência
das Nações Unidas sobre Comércio e
Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla
em inglês), Mukhisa Kituyi, recebe a
publicação da LBV.
A mensagem da LBV na conferência também
é entregue à correspondente e âncora da
BBC em Nova York, Laura Trevelyan (C).
À esquerda, as jovens Amanda Vieira e
Catherine Murray (da Irlanda) da Instituição.
A ministra de Assuntos Sociais de
Barém, Faeqa Bent Saeed Essaleh,
com a BOA VONTADE Desenvolvimento
Sustentável 2015, em inglês.
Em discurso transmitido, por
videoconferência, na abertura da
reunião, Ban Ki-moon deu o tom da
preocupação da ONU, diante desses
novos objetivos: “Não podemos per-
mitir que os avanços conquistados
com tanto esforço sejam revertidos”.
Presente ao evento, o embaixador
sul-coreano Oh Joon, vice-presidente
do Ecosoc, chamou a atenção de to-
dos para a mudança de consciência
se desejar atingir as novas metas
LBV na ONU
AdrianaRocha
AdrianaRocha
AdrianaRocha
AmandaVieira
DaniloParmegianiFelipeDuarte
FelipeDuarte
68 BOA VONTADE
A ministra de Silvicultura, Pesca
e Desenvolvimento Sustentável de
Belize, Lisel Alamilla, tem em mãos as
recomendações da LBV.
A diretora de Assuntos Multilaterais do
Ministério das Relações Exteriores de
Angola, Margarida Izata (C), com os jovens
Sâmara Caruso e Felipe Duarte, da LBV.
A ex-primeira-ministra da
Austrália, Julia Gillard, conversa
com o representante da LBV e
destaca ter conhecido o trabalho
da Instituição durante a Rio+20.
O ministro de Desenvolvimento Humano
e Inclusão Social da Costa Rica, Carlos
Alvarado Quesada (E), informa-se sobre o
trabalho da LBV por meio da publicação
especial da Instituição para a conferência.
A ministra de Ação Social e Solidariedade Nacional
de Burkina Faso, Nicole Angéline Zan-Yelemou (C),
e o ministro da Juventude, da Formação Profissional
e do Emprego desse país, Salifou Dembélé (D),
recebem a revista da LBV.
para os próximos quinze anos. “Se
quisermos dar o toque final e im-
plementar uma agenda universal,
transformadora e centrada nos in-
divíduos, precisamos mudar nossas
mentalidades. (...) Uma agenda in-
tegrada exigirá uma visão integrada,
particularmente no nível conceitual
de elaboração de políticas. (...) Es-
tamos na iminência de elaborar um
feito excepcional. Vamos fazê-lo de
forma correta”.
Na plenária da ONU, o
representante da LBV nas
Nações Unidas, Danilo
Parmegiani, fala do
trabalho da Instituição, em
pronunciamento transmitido,
em tempo real, pelas Rádio e
TV ONU para todo o mundo.
Veja o pronunciamento na
íntegra
http://goo.gl/q6AnwE.
AdrianaRocha
NelsonJarrín
FelipeDuarte
AdrianaRocha
AmandaVieira
ReproduçãoBV
“Foi muito bom saber
que a LBV está disposta
e determinada a
partilhar as ideias que
tem com o mundo. (...)
As pessoas de todo o
mundo são iguais. O que
elas precisam é de união
e determinação para
cumprir seus objetivos.”
Margarida Izata
Diretora de Assuntos Multilaterais
do Ministério de Relações
Exteriores de Angola
BOA VONTADE 69
a concluir as tarefas inacabadas; e
a responder aos novos desafios”, diz
trecho do documento.
O papel da sociedade
civil
Para o cumprimento desses obje-
tivos, o Conselho Econômico e Social
da ONU conta com o apoio efetivo
de organizações não governamentais
(ONGs). Com a experiência do traba-
lho diário, essas entidades reúnem
boas práticas e as compartilham,
visando à efetivação das metas
propostas. Entre elas está a Legião
da Boa Vontade, que, por possuir
status consultivo geral no Ecosoc
desde 1999, participa anualmente
da Reunião de Alto Nível do referido
conselho. Nesses eventos, apresenta
as contribuições, que são fruto de
seus 65 anos de atuação.
Além de tomar parte ativamente
na série de encontros que compõem
esse importante evento, a LBV foi
convidada, neste ano, a se pronunciar
na plenária da ONU para as auto-
ridades presentes. Em 9 de julho,
o representante da Instituição nas
Nações Unidas, Danilo Parmegiani,
falou do trabalho que ela desenvolve,
tendo sido o discurso transmitido, em
tempo real, pelas Rádio e TV ONU
para todo o mundo. Danilo ainda
ressaltou a força da sociedade civil
e o papel da educação como prin-
cipal ferramenta para o alcance dos
objetivos pós-2015, educação essa
que deve ser mais eficiente e forma-
dora de cidadãos plenos e solidários.
Aproveitando a ocasião, convidou
os participantes a ler a revista BOA
VONTADE Desenvolvimento Susten-
tável 2015 (disponível em português,
espanhol, inglês e francês), preparada
especialmente para a ocasião (veja
informações sobre como baixar a
publicação nessa página).
O diretor da Unidade de Coordenação
Interministerial da Secretaria de
Coordenação-Geral do Governo da República
de Honduras, Olvin Aníbal Villalobos
Velásquez, conversa com Eliana Gonçalves,
da LBV.
Os representantes da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas recebem a
revista da Legião da Boa Vontade. A partir da esquerda, Anna Carolina Spinardi; Nelson
Jarrín, da LBV; Vicente de Azevedo; Danilo Parmegiani, da Instituição; e Vicente
Bezerra.
A diretora de Organizações
Internacionais do Ministério das
Relações Exteriores e de Cooperação
Internacional da República Democrática
do Congo, Pascaline Gerengbo Yakivu
(E), confraterniza com Conceição
Albuquerque, da LBV.
LBV na ONU
AdrianaRochaAmandaVieira
FelipeDuarte
Em declaração ministerial, o
conselho firmou o compromisso de
fixar um novo conjunto de metas
de sustentabilidade que sejam
inclusivas. “Nós, ministros, nos
comprometemos a estabelecer
uma agenda de desenvolvimento
pós-2015 forte, universal, ambi-
ciosa, abrangente e direcionada à
população, que será elaborada a
partir das bases estabelecidas e da
experiência adquirida pelos Objeti-
vos de Desenvolvimento do Milênio;
Baixe o app gratuito da
revista BOA VONTADE
Desenvolvimento
Sustentável 2015
Espanhol Francês
Português
Inglês
70 BOA VONTADE
Super rede boa vontade
de rádio
Um conteúdo que faz
bem para sua família!
Brasil
AM 940 kHz - Rio de Janeiro/RJ
AM 1.230 kHz - São Paulo/SP
AM 1.300 kHz - Porto Alegre/RS
OC 25 m - 11.895 kHz - Porto Alegre/RS
OC 31 m - 9.550 kHz - Porto Alegre/RS
OC 49 m - 6.160 kHz - Porto Alegre/RS
AM 1.210 kHz - Brasília/DF
FM 88,9 MHz - Santo Antônio do Descoberto/GO
AM 1.350 kHz - Salvador/BA
AM 610 kHz - Manaus/AM
AM 550 kHz - Montes Claros/MG
AM 550 kHz - Sertãozinho, região de Ribeirão Preto/SP
AM 1.210 kHz - Uberlândia/MG
AM 1.310 kHz - Maringá/PR (de 2a
a 6a
, das 16 às 19h)
AM 1.270 kHz - Curitiba/PR (das 16 às 19h)
AM 1.210 kHz - Araçatuba/SP (de 2a
a sábado, das 16
às 19h)
AM 820 kHz - Goiânia/GO (das 22 às 6h)
FM 95,1 MHz - Recife/PE (de 2a
a 6a
, das 21 às 22h)
Oi TV - canal 989
Web: www.boavontade.com/tv
SKY – Canal 20
Oi TV – Canal 212
kit sat boa vontade
Frequência: 3.649.00 MHz • Symbol Rate 3002
• Polarização descida: horizontal • Satélite: Star One C3.
ANTENA PARABÓLICA — CANAL TERRA VIVA
Programa O Poder da Fé Realizante • De 2a
a 6a
, das 7h às 7h30.
Frequência: 1.360 MHz • Polarização descida: horizontal • Satélite: C2
NET
No Estado de São Paulo: Sertãozinho (canal 9),Americana,Araras, Hortolândia,
Limeira, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Rio Claro, Santa Bárbara D’Oeste, Sumaré
(canal 192) e São José dos Campos (canal 15).
OUTRAS TVS POR ASSINATURA
CANAL 24 — Telec NE: São Luís/MA; CANAL 33 — Cabo Serviços de
Telecomunicações: Natal/RN e Mossoró/RN; CANAL 29 — TV Costa do Sol: Cabo
Frio/RJ; CANAL 26 — TVC Assis: Assis/SP; CANAL 29 — TVC Ourinhos: Ourinhos/
SP; CANAL 26 — Pontal Cabo: Penápolis/SP;
CANAL 39 — TVCA Tietê: Tietê/SP; CANAL 45 — TV Conectcor: Jaú/SP e Dois
Córregos/SP; CANAL 34 — RCA: Curitiba/PR e Paranavaí/PR;
CANAL 23 — TV a Cabo São Bento: São Bento do Sul/SC;
Canal 36 — Sarandi TV a Cabo: Sarandi/PR; Canal 48 — TVN
Telecomunicações Nordeste: São Luís/MA.
TV ABERTA
CANAL 45.1 digital: São Paulo/SP; CANAIS 11 e 11.1 digital: São José dos
Campos/SP; CANAL 9:Águas Formosas/MG; CANAL 53:Apucarana/PR;
CANAIS 9 e 32:Arceburgo/MG; CANAL 31: Brodowski/SP; CANAL 58: Campos do
Jordão/SP; CANAL 40: Cruzeiro e Monteiro Lobato/SP; CANAL 23: Glorinha/RS;
CANAL 7: Guaratinguetá/SP; CANAL 28: Londrina e Umuarama/PR; CANAL 51:
Luz/MG; CANAL 35: Pindamonhangaba/SP; CANAL 58: Poços de Caldas/MG;
CANAL 21: Mococa, Santa Rosa doViterbo e Cássia dos Coqueiros/SP; CANAL 69:
Tapiratiba/SP e Guaranésia/MG; CANAL 29: Marechal Cândido Rondon/PR; CANAL
26: Guarapuava/PR; CANAL 41: Campo Mourão/PR.
Buenos Aires,Argentina: FM 104.7 (de 2a
a 6a
,das 5
às 6h e das 10 às 11h; sábado e domingo, das 7 às 8h)
e AM 1.590 (de 2a
a 6a
, da 0 à 1h e das 18 às 19h) • La
Paz, Bolívia: AM 860 (de 2a
a 6a
, das 7 às 8h e das 13
às 14h) • Assunção, Paraguai: FM 90.7 (de 2a
a 6a
,
das 8 às 9h) • Portugal — Porto: FM 88.1 (das 23
à 0h) — Lisboa: FM 92.8 (das 23 à 0h) — Coimbra:
FM 96.2 (das 7 às 8h) — Pampilhosa: FM 92.6 (das
15 às 16h).
Comunicação 100% Jesus
0300 10 07 940 • www.boavontade.com • facebook.com/boavontade
D
e 25 a 27 de setembro, a Or-
ganização das Nações Unidas
(ONU) realizou uma de suas
mais importantes reuniões: a Cúpula
das Nações Unidas sobre o Desen-
volvimento Sustentável 2015. Logo
no início do evento, ocorrido na sede
da entidade em Nova York, nos Esta-
dos Unidos, as novas metas globais
foram acordadas, por unanimidade,
pelos 193 Estados-membros que a
integram.
Entre milhares de organizações
da sociedade civil de todo o mundo,
a Legião da Boa Vontade foi uma
das convidadas a participar da cúpu­
la, em virtude do reconhecimento
internacional conquistado pelo seu
relevante trabalho na área socio­
educacional e por importantes contri-
buições nos processos preparatórios
para a formulação do documento
“Transformando Nosso Mundo: A
Agenda 2030 para o Desenvolvi-
mento Sustentável”. No primeiro dia
do encontro, a Instituição marcou
presença no painel temático sobre
combate à pobreza, um dos seis que
compuseram a programação oficial
do evento. Esse importante debate,
para o qual colaboraram organiza-
ções de 50 países — uma delas
a LBV, representando o Brasil —,
também teve a participação de
grandes autoridades no assunto,
entre estas o empresário e filantropo
norte-americano Bill Gates.
Participantes da Cúpula
das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável
2015 têm contato com a
publicação da Legião da Boa
Vontade, editada em espanhol,
francês, inglês e português.
LBV é convidada para cúpula
histórica das Nações Unidas
DA REDAÇÃO
LBV na ONU
72 BOA VONTADE
O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, exibe
a revista BOA VONTADE Desenvolvimento
Sustentável 2015 em inglês, que recebeu no
evento da ONU.
A revista da Legião da Boa Vontade é entregue
ao primeiro-ministro da Eslovênia, Miro Cerar
(D), pelo representante da Instituição Danilo
Parmegiani.
A ministra brasileira do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Tereza Campello,
com a revista da Legião da Boa Vontade.
A publicação especial da LBV também
chegou às mãos da presidente da Croácia,
Kolinda Grabar-Kitarović, durante a
Cúpula das Nações Unidas.
O primeiro-ministro de São Vicente
e Granadinas, Ralph Gonsalves (E),
recebe a publicação da LBV.
O representante da LBV entrega a
Vladimir Cuk (D), ator norte-americano e
empreendedor da internet, a BOA VONTADE
Desenvolvimento Sustentável 2015.
DaniloParmegianiFotos:ArquivoBV
DaniloParmegiani
Mensagem do
dirigente da LBV
aos participantes
da Cúpula das
Nações Unidas
sobre o Desenvolvimento
Sustentável 2015
Baixe o leitor QR Code em seu
smartphone ou tablet, fotografe o
código e leia o texto.
Ainda na ocasião, a LBV apre-
sentou a chefes de Estado, a repre-
sentantes de governo e a notórias
personalidades mensagem de seu
diretor-presidente, José de Paiva
Netto, intitulada “Altruísmo — uma
revolução” e publicada na revis-
ta BOA VONTADE Desenvolvimento
Sustentável 2015. No texto, ele
ressalta: “Quando mais o ameaça a
violência, o desenvolvimento de um
povo não pode prescindir do espírito
filantrópico, portanto, humanitário,
aliado ao de íntegra justiça e com-
petente gestão”.
É oportuno mencionar que, de
acordo com as Nações Unidas, a
referida agenda servirá como pla-
taforma de ação da comunidade
internacional para promover o fim
da pobreza extrema, reduzir as desi-
gualdades e as injustiças e combater
as mudanças climáticas globais e os
impactos destas. A proposta contém
os 17 Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) e 169 metas cor-
respondentes.
A Instituição foi a
única organização da
sociedade civil brasileira
participante do painel de
combate à pobreza
BOA VONTADE 73
LBV na ONU
Chefe de Seção de ONGs da ONU visita unidades da LBV
e destaca papel da Obra na educação de crianças e jovens
em risco social
Cidadania
além-fronteiras
DA REDAÇÃO
ONU na LBV
74 BOA VONTADE
E
m visita oficial ao Brasil no fim de julho, o
dr. Alberto Padova, chefe da Seção de ONGs
do Departamento de Assuntos Econômicos e
Sociais das Nações Unidas (UN/Desa), do Conselho
Econômico e Social da ONU (Ecosoc), esteve no Rio
de Janeiro/RJ e em São Paulo/SP. Na ocasião, ele
conheceu o trabalho realizado pela Legião da Boa
Vontade nessas cidades, bem como participou da
cerimônia de abertura do 14o
Congresso Internacio-
nal de Educação da LBV (leia sobre o assunto na p.
84) e da gravação de edição especial do programa
Sociedade Solidária, veiculado pela Boa Vontade TV
e pela Super Rede Boa Vontade de Rádio. Neste, o
representante da ONU discorreu sobre o combate aos
efeitos socioeconômicos decorrentes das mudanças
climáticas e sobre a implantação das metas da agen-
da global pós-2015: os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS).
- B i o g r a f i a -
Italiano radicado nos Estados Unidos, o dr.
Alberto Padova lidera esforços para promover a
participação da sociedade civil nas atividades
das Nações Unidas. Tem cerca de trinta anos
de experiência profissional, havendo iniciado
a carreira no setor privado como analista e,
depois, trabalhado como repórter de finanças
internacionais em Milão, na  Itália. Atua, há
mais de duas décadas, na ONU, no cargo de
economista, com enfoque em assuntos rela-
cionados ao sul da África, à América Latina,
ao financiamento para o desenvolvimento, aos
Objetivos do Milênio, à agenda de desenvolvi-
mento pós-2015, entre outros.
1 3
2
(1 e 2) O dr. Alberto Padova (centro) e os representantes da LBV posam com o Coral
Ecumênico Infantojuvenil e o Grupo Infantojuvenil de Instrumentistas do Conjunto
Educacional Boa Vontade. Na foto ao lado, Padova assiste à performance dos alunos, que
também foi feita Libras (Língua Brasileira de Sinais). (3) O representante da ONU também
visitou o Centro Comunitário de Assistência Social em Vila Isabel, no Rio de Janeiro/RJ.
VivianR.Ferreira
PriscillaAntunesVivianR.Ferreira
BOA VONTADE 75
Ênfase no ensino de
qualidade
Em 29 de julho, o dr. Alberto
Padova seguiu para a capital paulis­
ta e foi ao Conjunto Educacional
Boa Vontade. Depois de percorrer os
ambientes do estabelecimento, ele
ressaltou mais uma vez a qualidade
do atendimento prestado pela Obra.
“O trabalho que conheci no Rio de
Janeiro é relevante, pois os esforços
para proporcionar a assistência es-
sencial em termos de educação e de
saúde se estabelecem exatamente
no centro de regiões mais carentes.
(...) A escola e as instalações em
São Paulo falam por si, não só pelas
várias aulas e pela infraestrutura,
mas também pelo fato de que muitos
LBV organiza encontro
na OAB-SP
(1) O presidente da seção São Paulo
da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB-SP), dr. Marcos da Costa (E),
e o dr. Alberto Padova.
(2) À esquerda, a presidente da
Comissão de Direito do Terceiro Setor
da OAB-SP, dra. Lúcia Bludeni, que
também participou do encontro,
junto a representantes da LBV.
Uma visão além do
intelecto
Nos dias 27 e 28 de julho, du-
rante visita ao Centro Educacional e
ao Centro Comunitário de Assistência
Social da LBV, ambos localizados em
Del Castilho, na capital fluminense,
o dr. Padova obteve informações a
respeito da inovadora linha educa-
cional criada pelo diretor-presidente
da Instituição, o jornalista, radialista
e educador José de Paiva Netto.
Em entrevista à BOA VONTADE,
o chefe da Seção de ONGs da ONU
destacou os bons resultados alcan-
çados pela linha pedagógica da LBV
(formada pela Pedagogia do Afeto e
pela Pedagogia do Cidadão Ecumê-
nico). “Estou muito feliz de poder
Na foto, a partir da esquerda: o representante da Abong, Sérgio Andrade; o
coordenador executivo do programa Cidades Sustentáveis, dr. Maurício Broinizi; a
diretora-executiva do Instituto GPA, Dary Bacellar; o mediador, Daniel Guimarães, da
LBV; o representante das Nações Unidas dr. Alberto Padova; o representante da LBV
nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani; o reitor da Universidade Zumbi de Palmares,
dr. José Vicente; e o secretário-executivo do Movimento Nós Podemos, Rodrigo Loures.
presenciar o trabalho maravilhoso que
a Legião da Boa Vontade realiza, de
ver que o que vocês fazem não se re-
sume em oferecer apenas a formação
acadêmica básica às crianças, mas
também uma proposta holística, que
inclui o bem-estar delas, começando
pelos recém-nascidos e envolvendo
toda a família. Essa é uma receita
poderosa e muito bem-sucedida, pelo
que pude notar. Esse diferencial, que
vejo sendo promovido aqui, vai além
do intelecto acadêmico; é muito mais
amplo, porque desenvolve o indivíduo
de forma plena, tornando-o um agen-
te para o bem-estar da comunidade, e
está focado em importantes valores,
que são a base de uma sociedade
saudável e produtiva”, disse.
21
ValterJúniorFelipeTonin
OAB/SP
Assista à edição especial
do programa Sociedade
Solidária, dividido em
quatro partes, transmitido
pela Boa Vontade TV.
ONU na LBV
76 BOA VONTADE
O dr. Alberto Padova (D) e o jornalista Eliseu Caetano recebem homenagem dos
alunos de judô do Centro Educacional da LBV, na cidade do Rio de Janeiro.
Jornalista da TV Globo internacional
afirma: “O diferencial da LBV é o de
transformar o pouco em muito e fazer
a felicidade de tanta gente”.
O jornalista Eliseu Caetano, da TV Globo Internacional, acompanhou
a visita do dr. Alberto Padova às unidades de atendimento da Legião
da Boa Vontade e declarou na ocasião: “Eu nunca tinha vindo aqui
na LBV em Del Castilho e acredito que tenha sido uma excelente
oportunidade de estar um pouco mais perto de tantas pessoas que
trabalham diariamente para fazer a vida de outras pessoas melhor. A
estrutura deste local é incrível. Estou impressionado! (...) Eu já tinha
passado aqui [pela rua] algumas vezes — sou do Rio, apesar de morar
fora do país — e não imaginava que [o local] fosse tão grande e que
tantas pessoas fossem atendidas diariamente”. Completando, deixou
o seguinte recado aos cidadãos brasileiros: “Eu realmente acredito nas
palavras de Paiva Netto sobre a importância de todo mundo fazer a
sua parte, e não só ajudar financeiramente, pois aqui tem um monte
de gente que doa tempo, esperança, expectativa, felicidade, alegria...
Então, venham! Ajudem! Façam parte disto”.
Ele expôs suas considerações sobre a atuação da LBV dos Estados Uni-
dos, que, há mais de vinte anos, auxilia famílias de baixa renda e age em
causas humanitárias no território norte-americano. “Vocês [da sociedade]
não têm noção de como é bonito o trabalho da LBV dos Estados Unidos.
Sempre que eu tenho tempo, participo da doação de sopa, de material
escolar, de material de berçário... O que mais me impressiona — e deve
impressionar vocês também — é o fato de que, quando a pessoa recebe
[a doação], ela olha e fala: ‘Que alívio! Eu não tinha condição de comprar
esta fralda, e a LBV me deu a fralda’. Isso, para muitos, não é nada,
mas, para outros, é muita coisa. O diferencial da LBV é o de transformar
o pouco em muito e fazer a felicidade de tanta gente.”
dos alunos que se formaram aqui
encontraram um trabalho formal,
não só na própria Instituição, mas
também na área urbana.”
O chefe da Seção de ONGs da
ONU ainda comentou o aguardado
acordo entre as nações integrantes da
entidade no qual serão definidos os
ODS. “Eu acredito que a nova agenda
se está concentrando não somente
no que foi incluído nos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio em
termos de educação, como atingir
plenamente a educação básica para
todos. (...) Temos visto em muitos
países que, embora possa haver
escolarização básica completa, as
crianças não estão sendo necessaria-
mente preparadas para o futuro no
mercado de trabalho. Somente com
maiores esforços pela qualidade da
educação, podemos garantir que elas
sejam os trabalhadores de amanhã
e que não acabem desempregadas
e voltem a viver em situação de po-
breza”, concluiu.
PriscillaAntunes
“A escola e as
instalações em São
Paulo falam por si, não
só pelas várias aulas e
pela infraestrutura, mas
também pelo fato de
que muitos dos alunos
que se formaram
aqui encontraram um
trabalho formal, não só
na própria Instituição,
mas também na área
urbana.”
alberto Padova
Chefe de Seção de
ONGs da ONU
BOA VONTADE 77
Ação Jovem LBV
São Paulo/SP Vivian R. Ferreira
no Bem
Atitude e convicção
Salvador/Ba Ribeirão Preto/SP
MarianeLebron
NizeteSouza
Jovens protagonizam
estudos e ações
solidárias durante
fórum internacional
da LBV
P
essoas de todas as idades —
com destaque para as das
novas gerações — do Brasil,
da Argentina, da Bolívia, do Para-
guai, do Uruguai, de Portugal e dos
Estados Unidos participaram, ao
longo de um ano, de diversas ações
e encontros fraternos com foco no
estudo dos conceitos solidários eMariane de Oliveira Luz
ecumênicos constantes do livro
Jesus, a Dor e a origem de Sua
Autoridade — O Poder do Cristo
em nós, quinta obra da coleção “O
Apocalipse de Jesus para os Simples
de Coração”, de autoria do escritor
José de Paiva Netto. Tais atividades
fizeram parte da programação do
40o
Fórum Internacional do Jovem
VivianR.FerreiraAlexandreRueda
Campo Grande, Rio de Janeiro/RJBelo Horizonte/MG
MônicaMendes
São Paulo/sp
AndressaFerreira
GRANDE
REPERCUSSÃO
Palestra do
diretor-presidente
da LBV, José de
Paiva Netto, é
transmitida, via
satélite, por rádio,
televisão e internet
para o Brasil e o
exterior.
BOA VONTADE 79
Lançamentos
Curitiba/PR
ViníciusRamão
Ação Jovem LBV
Ecumênico da Boa Vontade de
Deus, cuja conclusão ocorreu em 27
de junho e teve como tema central
o título estudado.
A mensagem de Paz do dirigente
da Instituição coroou o evento. Em
sessão solene, transmitida, ao vivo,
pela Super Rede Boa Vontade de
Comunicação (rádio, TV e internet)
para todo o planeta, Paiva Netto
convidou os que acompanhavam
suas palavras a um diálogo sobre
assuntos celestes. Depois de agrade-
cer as homenagens a ele destinadas
pelos 59 anos de trabalho na Seara
da Boa Vontade (completados em
29 de junho), destacou a emoção de
ver tantos Soldadinhos de Deus —
como carinhosamente são chama-
das as crianças na LBV —, atentos
às elevadas lições de Jesus, o Cristo
Ecumênico, o Divino Estadista.
Discorrendo acerca do impor-
tante papel da Fraternidade no
combate à violência que campeia
pelo mundo, recorreu à leitura
da passagem “O Sexto Flagelo”*,
16:12 a 16, constante do último
livro da Bíblia Sagrada, o Apocalipse
de Jesus, e comentou-a: “Temos de
estar muito atentos a isso. O Irmão
Alziro Zarur, fundador desta Casa,
asseverava que ‘nenhum Legionário
da Boa Vontade será apanhado de
surpresa’; contudo, se for mesmo
Legionário da Boa Vontade de
Deus, Cristão do Novo Manda-
mento de Jesus, não os distraídos.
Estes serão sempre apanhados de
surpresa, infelizmente. Falo assim
para que ninguém fique na dúvida.
Estes assuntos são muito sérios. E
os alertamentos, igualmente, pre-
cisam ser fortes, eloquentes, quer
dizer, que entrem pelos ouvidos das
pessoas e se instalem nas mentes
eloquentemente”.
Nessa linha de raciocínio, pros-
Montevidéu, uruguai
ArquivoBV
Revista BOA VONTADE
Desenvolvimento
Sustentável 2015
(espanhol, francês, inglês
e português)
122a
edição da revista Jesus
Está Chegando!, em português
4a
edição da revista ¡Jesús Está
llegando!, em espanhol
CD especial que traz a fraterna
e empolgante pregação de Paiva
Netto intitulada “Jesus aplaca a
tempestade”.
Clube Cultura de Paz: 0300 10 07 940
www.clubeculturadepaz.com.br
ADQUIRA
FabíolaBigas
Campo Grande/Ms
Florianópolis/SC
GenivaldoMaquiza
“Por que se falha tanto neste mundo? Porque
está faltando esse sentido da Fraternidade
Divina. Então, as pessoas não sabem aonde
chegar. E vão pela brutalidade se não acreditam
no entendimento. Se não alcançarmos a
Fraternidade, o outro lado é o que está se vendo
por aí na Humanidade: uma grosseria, uma
estupidez até não poder mais.”
Paiva Netto
* Nos capítulos de 27 a 30 do livro Jesus, a
Dor e a origem de Sua Autoridade — O Poder
do Cristo em nós, intitulados “O amplo sig-
nificado do Sexto Flagelo”, o escritor Paiva
Netto faz análise profunda dessa passagem
do Apocalipse. Adquira seu exemplar —
Clube Cultura de Paz: 0300 10 07 940.
seguiu: “Vivemos um fim de ciclo e
o início de outro maravilhoso. Muita
gente fica atenta às advertências
do Apocalipse, mas distraída das
maravilhas que ele anuncia. (...) Eu
já disse muitas vezes: o Apocalipse
não é para apavorar ninguém. Tal
qual um amigo, ele nos adverte:
‘Olhe, prepare-se!’ (...) Se Vocês
fizerem isso, vão sobreviver a este
mundo que, renovado, viverá sob
os auspícios do Novo Mandamento
de Jesus — ‘Amai-vos como Eu vos
amei. Somente assim podereis ser
reconhecidos como meus discípulos’
(Evangelho, segundo João, 13:34
e 35) —, que ditará as ordens.
Mas, para que isso aconteça, as
coisas não serão fáceis. Os sinais
deixados por Jesus estão aí, como
podemos ler em Seu Sermão Profé-
tico (Grande Tribulação), ou Sermão
do Fim do Mundo, constantes do
Evangelho, segundo Mateus, 24:29
a 31; Marcos, 13:24 a 27; e Lucas,
21:25 a 27”.
Em seguida, chamou a atenção
dos presentes para a necessidade
de se divulgarem, por todos os
meios possíveis, os ensinamentos
do Cristo, firmados em Seu Novo
Mandamento. Para tanto, enfatizou
o potencial da internet como valo-
rosa ferramenta capaz de levar a
todas as criaturas esses sublimes
preceitos, despertando nos seres
humanos a devoção aos assuntos
sagrados. “O Novo Mandamento
de Jesus é a importância suprema
que a inteligência humana pode
alcançar. É o toque divino em todos
os setores da vida humana. Por que
Recife/PE
VâniaBesse
Uberlândia/MG
LedilaineSantana
campinas/SP
JoãoMiguel
JOVENS da
LBV EM AÇÃO
Baixe o leitor QR Code
em seu smartphone
ou tablet, fotografe o
código e veja as fotos
da edição 2015 das
Rodas Espirituais e
Culturais e do Festival
Internacional de
Música da LBV, em
todo o Brasil.
se falha tanto neste mundo? Porque
está faltando esse sentido da Fra-
ternidade Divina. Então, as pessoas
não sabem aonde chegar. E vão pela
brutalidade se não acreditam no
entendimento. Se não alcançarmos
a Fraternidade, o outro lado é o que
está se vendo por aí na Humanida-
de: uma grosseria, uma estupidez
até não poder mais”, afirmou.
E concluiu: “Nós somos o con-
trário disso, não porque sejamos
melhores, não! É porque nos foi
dada essa luz. Portanto, não pode-
mos pegá-la e escondê-la, quando
Jesus manda colocar na parte
mais alta da sala. Disse o Cristo:
‘Vós sois a luz do mundo. Não se
pode esconder a cidade edificada
sobre um monte; nem se acende
uma candeia para colocá-la debai-
xo do alqueire, mas no velador, e
alumia a todos que se encontram
na casa. Assim brilhe também a
vossa luz diante dos homens, para
que vejam as vossas boas obras e
glorifiquem a vosso Pai que está
nos céus’ (Evangelho de Jesus,
segundo Mateus, 5:14 a 16). É
isso! Peguemos a Bandeira do
Novo Mandamento do Sábio dos
Milênios e a levemos ao mundo”.
Preparando o ambiente para a
prece de encerramento do fórum,
Paiva Netto compartilhou com
todos mensagem do Espírito dr.
Bezerra de Menezes, datada de 20
de junho de 2015, na qual o nobre
Irmão destaca a passagem “Jesus
anda sobre o mar” (Evangelho,
segundo Mateus, 14:22 a 33).
Após a vibrante leitura do conteú-
do, convidou os que o ouviam a
entoar, com fervor e juntamente
com ele, a oração do Pai-Nosso,
deixada pelo Divino Mestre a toda
a Humanidade.
Buenos Aires, Argentina
Vitória/ES
ArquivoBVAlessandraAmaral
GOIÂNIA/GO
Porto Alegre/RS americana/sp Niterói/rj
EgezielCarlos
TelmaCarilei
MarianaTrevisano
IzabelaLobianco
Ao concluir o 40o
Fórum Internacional do Jovem
Ecumênico da Boa Vontade de Deus, o diretor-
-presidente da LBV deu início à 41a
edição do
encontro, lançando o tema que dará base às
discussões até junho de 2016: “O Espiritualmente
Revolucionário Novo Mandamento de Jesus —
A estrutura de um mundo novo”.
Ação Jovem LBV
82 BOA VONTADE
A realização do 40o
Fórum
Internacional do Jovem Ecumênico
da Boa Vontade de Deus foi o
momento propício para a celebração
de outra relevante conquista para
as Instituições da Boa Vontade: a
inauguração das novas instalações
da LBV dos Estados Unidos. Situado
na Rua 45 (entre a 5a
e a 6a
Aveni-
das), em Nova York, o local funciona
como escritório de representação da
Obra junto às Nações Unidas em
Manhattan e abriga atividades edu-
cacionais, humanitárias e culturais
em um dos maiores centros urbanos
do planeta.
Em visita à unidade, a sra. Sharon
Hamilton-Getz, presidente emérita
seis países. Ela ainda encaminhou
a seguinte mensagem ao diretor-
-presidente da Instituição: “Eu quero
felicitar o senhor, Irmão Paiva Netto,
por esta celebração maravilhosa de
inauguração das novas instalações
da LBV em Nova York. Estou muito
feliz, porque esta é uma forma de
cooperação para trazer a plenitude
do Espírito Santo e de Deus para o
mundo. Muito obrigada!”.
A sra. Alessandra Esporin, fun-
cionária da Missão do Brasil na
ONU, também fez questão de
registrar seu agradecimento. “Obri-
gada pelo carinho e por fazerem
a diferença! Que Deus continue
iluminando a todos vocês!”
do Comitê de Espiritualidade, Va-
lores e Interesses Globais na ONU,
enalteceu o trabalho realizado pela
Instituição. “Este espaço da Legião
da Boa Vontade é um enorme abraço
em Nova York, por causa do amor,
da alegria e da plenitude de espí-
rito que a LBV traz ao mundo. (...)
A impressão que eu tenho é que
o Sol está brilhando aqui na LBV.
(...) Todas as fotos transmitem um
grande impacto e uma mensagem
muito profunda. De onde vem tudo
isso? De Deus!”, disse, referindo-se a
uma galeria de imagens com as prin-
cipais ações sociais e educacionais
que a Entidade desenvolve em ter-
ritório norte-americano e em outros
Novas Instalações da LBV dos EUA
“Este espaço da Legião da Boa
Vontade é um enorme abraço em
Nova York, por causa do amor, da
alegria e da plenitude de espírito
que a LBV traz ao mundo. (...) A
impressão que eu tenho é que o
Sol está brilhando aqui na LBV.”
SHARON HAMILTON-GETZ
Presidente emérita do Comitê de Espiritualidade,
Valores e Interesses Globais na ONU
Fotos:ArquivoBV
MilsonCarneiro
1
2 3 4
(1) Jovens dos Estados Unidos acompanham as palavras do dirigente da LBV pela internet. (2) Ambiente das novas instalações
da LBV dos EUA, em Nova York. (3) A sra. Alessandra Esporin (E), funcionária da Missão do Brasil na ONU, ao lado de Danilo
Parmegiani e Adriana Rocha, da LBV. (4) A sra. Sharon Hamilton-Getz durante visita à unidade da Instituição.
Nova YORK, EUA
BOA VONTADE 83
Educação em Debate
84 BOA VONTADE
Congresso Internacional de Educação da LBV discute
o papel da pesquisa na aprendizagem significativa
GIOVANNA PINHEIRO e WELLINGTON CARVALHO DE SOUZA | Fotos: VIVIAN R. FERREIRA
ou informação?
Conhecimento
BOA VONTADE 85
Educação em debate
O
fim de julho foi bastante agi-
tado para muitos educadores
na capital paulista, mesmo
sendo esse um mês de férias esco-
lares. Isso porque o Conjunto Edu-
cacional Boa Vontade e o Espaço
Cultural e Ecumênico da Religião
de Deus, do Cristo e do Espírito
Santo em São Paulo/SP sediaram
o 14o
Congresso Internacional de
Educação da LBV, entre os dias 29
e 31. Anualmente, o evento reúne
docentes, pesquisadores, estudan-
tes, profissionais de áreas ligadas
à Educação e demais interessados,
com o intuito de colaborar para a
formação continuada deles e de
promover um ensino que alie à
qualidade pedagógica a Espirituali-
dade Ecumênica, para a construção
da Cultura de Paz, como propõe,
com pioneirismo, a Legião da
Boa Vontade. Este ano, os parti-
cipantes do congresso — vindos
de vários Estados brasileiros, além
do Uruguai, da Bolívia, do Para-
guai, da Argentina e dos Estados
Unidos — dialogaram sobre o
tema “Pesquisa — Caminho para
a aprendizagem significativa: uma
visão além do intelecto”.
O primeiro dia de atividades re-
servou ao público uma apresentação
especial do Coral Ecumênico e do
Grupo de Instrumentistas Infantoju-
venil Boa Vontade. Interpretando o
Hino Nacional, eles abriram os tra-
balhos do congresso e, em seguida,
brindaram a plateia com a canção
Em tons de Paz, que teve tradução
simultânea para a Língua Brasileira
de Sinais (Libras). Esta, aliás, tam-
bém foi utilizada nos discursos que
se seguiram.
Alziro Paolotti de Paiva, repre-
sentando o diretor-presidente da
Entidade, José de Paiva Netto,
deu as boas-vindas a todos os
presentes e afirmou: “(...) O obje-
tivo da LBV é que as instituições
escolares possam atingir, juntas, a
educação de excelência que tanto
vislumbramos”.
A solenidade de abertura foi
prestigiada por convidados e autori-
dades brasileiras e do exterior, entre
as quais o dr. Alberto Padova, chefe
da Seção de ONGs do Departamento
Alziro de PaivaDr. Alberto Padova
86 BOA VONTADE
* Pedagogia do Afeto e Pedagogia do Cida-
dão Ecumênico — Educar com Espirituali-
dade Ecumênica é o diferencial da proposta
pedagógica criada por Paiva Netto, que se
compõe da Pedagogia do Afeto (destinada
a crianças de até os 10 anos de idade) e da
Pedagogia do Cidadão Ecumênico (a indiví-
duos a partir dos 11 anos). Nela, o cuida-
do com a formação integral do ser humano
une, conforme afirma o dirigente da LBV,
“Cérebro e Coração”, ou seja, raciocínio e
sentimento.
Oficinas pedagógicas
Tema: “Semeando
valores na arte de
educar”. Oficineiras:
Evaneida de Souza
Ferreira, pedagoga;
e Christiane
Aparecida Baptista
Miotto, professora
de Artes.
Tema: “Desenvolvendo
o raciocínio e a
orientação espacial
por meio de jogos”.
Oficineiros: Paulo
César Baroni e Ricardo
dos Santos Santiago,
professores de
Educação Física.
Tema: “Pesquisa:
caminho estratégico
para o raciocínio lógico”.
Oficineiras: Márcia
Guimarães e Santos,
pedagoga; e Carolina
Gato dos Santos,
graduanda em Pedagogia
e em Matemática.
Tema: “A arte de ler
e contar histórias”.
Oficineiras: Marilaine
Caroline de Campos
e Weslainy Fernanda
de Campos Rodrigues,
graduandas em
Pedagogia.
Tema: “Criando e
recriando — Reutilizando
e decorando com CDs
e DVDs”. Oficineiras:
Débora Miranda
Nascimento, pedagoga;
e Greyce Aparecida
Silva, graduanda em
Pedagogia.
de Assuntos Econômicos e Sociais
das Nações Unidas (UN/Desa), que
integra o Conselho Econômico e
Social (Ecosoc) da ONU. Em visita
oficial ao país, o italiano, radicado
nos Estados Unidos, fez questão
de saudar os participantes em portu-
guês. “Uma boa educação é o pas-
saporte para um futuro melhor. Por
isso, o futuro do Brasil está em suas
mãos. A estratégia educacional que
alia qualidade acadêmica, forma-
ção para o trabalho e consciência
de proteção do meio ambiente em
que todos vivemos, que são pontos
centrais do trabalho da LBV, forma
uma receita poderosa para o bem-
-estar das futuras gerações e do
nosso planeta”, ressaltou.
Supervisora da Pedagogia do
Afeto e da Pedagogia do Cidadão
Ecumênico* e doutoranda em Edu-
cação, Suelí Periotto, depois de
também saudar o público, destacou
que a parte emocional do aluno é
tão importante quanto a racional e
que as duas precisam ser levadas
em conta conjuntamente para que
o educando consiga alcançar os re-
sultados que almeja. “O objetivo da
linha pedagógica da LBV é desen-
volver as habilidades investigativas
do estudante, desde a mais tenra
idade, valorizando o pré-conheci-
mento de cada indivíduo, conside-
rando suas bagagens cultural e es-
piritual e o contexto social no qual
está inserido, preparando-o com a
BOA VONTADE 87
Também falou da importância de se
unirem as várias áreas do pensa-
mento científico, base da interdis-
ciplinaridade, para se encontrarem
meios que permitam ao educando
não só receber o conhecimento, mas
também interagir com este, de modo
que tal conhecimento se concretize.
“Professor é um artesão. Ele preci-
sa ir ‘costurando’. Não é possível
pesquisar sem fazer costuras entre
autores, entre diferentes visões de
mundo”, apontou. O diálogo, a inclu-
são, a participação, a democracia e o
respeito às diferenças motivados pelo
docente são fatores imprescindíveis
para a efetividade das pesquisas, na
opinião da conferencista.
Emília Cipriano ainda salientou,
em entrevista à BOA VONTADE,
a importância do congresso. “É a
construção de uma rede humana a
serviço da vida, da transformação de
uma realidade que não é esta — do
consumo, da visão superficial —,
mas é aquela que dá sentido para a
existência. Encontros desta natureza
nos fortalecem.”
Entendimento para o
aprendizado
No segundo dia do evento, o
pedagogo Júlio Furtado, doutor em
Ciências da Educação e diplomado
em Psicopedagogia, expôs o tema
“O desafio de promover a aprendiza-
gem significativa em sala de aula”.
Ele declarou que o ato de ensinar so-
mente será efetivo com a mudança
do modelo passivo de transmissão
de conhecimento, o famoso “ouvir
e decorar”. “A aprendizagem, para
ser significativa, tem que fazer com
que o aluno construa um signifi-
cado, não um sentido. (...) Só há
ensino quando há aprendizagem.
Por isso, o papel do professor não
é ensinar, é fazer aprender.”
excelência intelectual que possi-
bilite seu acesso às universidades
mais concorridas e motivando-o
sempre a buscar a realização dos
seus sonhos”, completou.
Transmitindo
conhecimento
Para dar início ao ciclo de pales-
tras programadas, que ocorreram
nos três dias do evento, foi convi-
dada a professora Emília Cipriano,
secretária-adjunta de Educação da
cidade de São Paulo. Doutora em
Educação e mestre em Psicologia da
Educação pela Pontifícia Universida-
de Católica de São Paulo (PUC-SP),
ela afirmou que existe um movimento
bastante forte na área educacional
que tem valorizado a percepção de
que informação não é conhecimento.
Júlio FurtadoEmília Cipriano Virginia Gudiño
Educação em debate
A jornalista Mônica
Bergamo divulgou em sua
coluna na Folha de S.Paulo
de 29 de julho a realização
do 14o
Congresso
Internacional de Educação
da LBV, na capital paulista.
88 BOA VONTADE
De acordo com ele, para criar
esse novo paradigma dialogal, o
professor precisa ter em mente três
aspectos, que são: “Ajudar a cons-
truir sentido; apresentar novo con-
teúdo e construir o conhecimento
junto do aluno; e verificar se houve
aprendizagem”.
Igualmente convidada para
palestrar no congresso, Virginia
Gudiño, neuropsicoeducadora,
neuropsicocapacitadora e copes-
quisadora da Universidade Yeshiva,
em Nova York, nos Estados Unidos,
dissertou sobre o tópico “A contri-
buição do neurocapital humano no
processo do aprendizado”. Ela expli-
cou como o educador pode utilizar o
conhecimento acerca do cérebro a
fim de tornar o ato de ensinar uma
experiência positiva. Ainda enfatizou
que, para que isso ocorra, é neces-
sário compreender os dois tipos de
aprendizado: o emocional e o cog-
nitivo. O primeiro efetiva-se pela rá-
pida assimilação do conteúdo e pela
fácil memorização. No segundo, no
entanto, a aquisição do conteúdo é
mais difícil, e o esquecimento das
informações é frequente.
A especialista fez questão de
destacar que é importante entender
certas etapas da construção do
conhecimento para garantir que o
educar seja satisfatório e proveito-
so. Uma delas é a dos três filtros
cerebrais. “O professor, com a in-
formação de como atravessar esses
filtros, terá ferramentas para trazer
à prática docente, cotidianamente,
o que queira transmitir, com maior
possibilidade de [esse conteúdo] se
alojar no córtex cerebral.” Ela disse
que, para ultrapassar o primeiro
filtro, o pedagogo precisa capturar a
atenção do aluno; no segundo, é ne-
cessário manter o interesse dele no
assunto; e, no terceiro, o educador
Oficinas pedagógicas
Tema: “Teatrando — O
desenvolvimento da
expressão por meio do
teatro improvisado”.
Oficineiras: Elisabete
dos Santos Vasconcelos,
graduanda em Letras; e
Talita Calusni da Silva,
psicóloga.
Tema: “Pesquisar e
brincar: um caminho
para a aprendizagem
significativa”.
Oficineiros: Eduardo
Luckmann e Ruana
Costa Silveira,
educadores.
Tema: “Identificar o meio
ambiente e transformá-lo,
brincando com
experimentos”. Oficineiras:
Diana Fernando Uribe,
psicóloga; Mariela Álvarez,
professora; e Yanina
Paludi Diaz, licenciada em
Psicomotricidade.
Tema: “Brincar: uma
proposta inovadora
e facilitadora da
aprendizagem”.
Oficineiras: Maria
Dora dos Santos
e Maísa Santana,
pedagogas.
Tema: “Ler para
estudar e ler para
escrever”. Oficineiras:
Claudiane Maria
de Freitas Mendes,
pedagoga; e Danielle
Tonin de Almeida
Bosso, graduada em
Letras.
BOA VONTADE 89
Capacitação para
professores
Quem desejar receber a capacitação na Pedagogia do
Afeto e na Pedagogia do Cidadão Ecumênico no Brasil e no
exterior pode fazê-lo acompanhando entrevistas e análises
sobre a linha educacional da LBV no programa Educação
em Debate, transmitido pela Super Rede Boa Vontade de
Rádio (Super RBV), às segundas-feiras (às 2 horas e às 13
horas) e aos sábados (às 12 horas); e pela Boa Vontade TV
(canal 20 da SKY e canal 212 da OiTV), às segundas-feiras
(às 20 horas), às quintas-feiras (às 2 horas e às 20 horas),
às sextas-feiras (às 15h30), aos sábados (às 4h30 e às
11h30) e aos domingos (às 2 horas e às 21 horas).
Outras informações sobre o assunto podem ser obtidas
pelo tel. (11) 3225-4590 ou no site www.iejpn.com.br.
Trabalho em conjunto
O terceiro dia do congres-
so teve a palestra do professor
Marcos Méier. Graduado em Mate-
mática e em Psicologia e especialista
em Educação Matemática, ele aler-
tou sobre a crescente passividade dos
alunos em sala de aula e sobre como
isso prejudica os estudos.
De acordo com o educador, as
crianças de hoje estão acostumadas
a obter tudo instantaneamente, e tal
fato se estende até a adolescência.
O tempo excessivo que passam em
frente a dispositivos eletrônicos é
nocivo ao desenvolvimento de per-
cepções sensoriais, da criatividade,
da curiosidade e de outras faculdades
inatas ao ser humano, cujo impulso é
essencial nessa fase da vida.
O palestrante ainda afirmou que
é fundamental saber estimular o
lado criativo do educando e que
a interdisciplinaridade tem papel
importantíssimo no aprendizado,
porque leva o indivíduo a interligar
conteúdos de disciplinas diferentes,
o que o conduz a melhor fixação do
conhecimento.
Metodologia da LBV:
destaque para a
pesquisa
A série de palestras ainda
ocorreu com a participação das
pedagogas Suelí Periotto, dou-
“Estar ao lado de pessoas que buscam ‘uma
visão além do intelecto’ é uma experiência única,
contagiante e maravilhosa. Até então, eu, estudante
de Relações Públicas, iria apenas concluir a
graduação, mas, depois de participar deste congresso,
pretendo um dia lecionar, seja como professora em
minha área, seja, de forma voluntária, em algum
trabalho social da LBV.”
Nadiele Bortolin
Graduanda em Relações Públicas — Porto Alegre/RS
terá de consolidar o conhecimento
no cérebro do estudante de uma
maneira que este se lembre de tal
conhecimento mais tarde.
Virginia encerrou a palestra apre-
sentando aos participantes a pirâmi-
de do aprendizado. O objetivo desse
gesto foi mostrar como diferentes
abordagens educativas interferem
na aquisição de conhecimento do
educando.
Suelí Periotto
Aline Trevisan e Gisela Portilho
Educação em debate
Marcos Méier
90 BOA VONTADE
toranda em Educação; Gisela
Portilho, pós-graduada em Adminis-
tração Escolar e em Psicopedagogia;
e Aline Trevisan, pós-graduada em
Metodologia das Ciências Exatas.
Abordando a pesquisa como prá-
tica da Pedagogia do Afeto e da
Pedagogia do Cidadão Ecumênico,
que compõem a linha educacional
criada pelo educador Paiva Netto,
elas explicaram à plateia de que
forma o ato de pesquisar está in-
cluído no Método de Aprendizagem
por Pesquisa Racional, Emocional e
Intuitiva (MAPREI), que objetiva o
desenvolvimento integral do educan-
do, visto este como sujeito ativo e
construtor do conhecimento. Nesse
processo, são considerados a capa-
cidade subjetiva, o interior — em
que habitam respostas a diversos
questionamentos — e novas pers-
pectivas do indivíduo. “A pesquisa é
uma ferramenta constante de busca
de informações a fim de que crian-
ças e jovens se acostumem à verifi-
cação dos diferentes saberes inte-
lectuais, sempre ecumenicamente
conciliados. Ela reforça a percepção
da realidade e a consciência de que
o saber e a informação fazem parte
de um amplo universo social. Essa
investigação deixará o aluno apto a
ser crítico e a questionar”, ressaltou
Suelí Periotto.
Segundo Aline Trevisan, toda a
bagagem adquirida pelo estudante
ao longo dos anos por meio da
pesquisa, hábito esse que pode
ser incentivado desde a mais tenra
idade de qualquer pessoa, resultará
em grandes ganhos para o edu-
cando quando este, por exemplo,
sair da escola em busca de uma
colocação no mercado de trabalho.
“Ele terá proatividade e êxito na
resolução dos desafios”, salientou
a professora.
Oficinas pedagógicas
Tema: “Estilos de
aprendizagem: visual,
auditivo e sinestésico”.
Oficineiras: Andressa
Silva dos Santos e
Raquel Oliveira Costa
Soares, pedagogas.
Tema: “Pesquisa sonora —
Do conhecimento à
criação”. Oficineiros:
Eduardo da Rosa Estácio,
graduado em Composição
e Regência e licenciado
em Música; e Nídia Elisa
Pereira, licenciada em
Música.
Tema: “Sustentabilidade —
A mudança está dentro
de cada um”. Oficineiras:
Daiana Evaristo de Oliveira
e Marcia Lourdes Cardoso,
biólogas.
Tema: “Busca
individual? Pesquisa?
O que fazer? Conheça
estratégias que vão
além do intelecto”.
Oficineiras: Patricia
Giordano Calicchio
da Silva e Debora
Stelzer, pedagogas.
Em É Urgente Reeducar!, Paiva Netto apresenta, com
praticidade e clareza, sua experiência de quase seis décadas
em aplicar os valores da Espiritualidade Ecumênica na
Educação.
Clube Cultura de Paz (0300 10 07 940
e www.clubeculturadepaz.com.br).
ADQUIRA
BOA VONTADE 91
Campanhas emergenciais da LBV
Pedra/PE
BrunaGonçalves
92 BOA VONTADE
E
m julho e agosto deste ano, a Legião da Boa Vontade mobilizou o povo
brasileiro para o socorro emergencial de populações em risco social cas-
tigadas por dois eventos climáticos: de um lado, as baixas temperaturas
e as fortes chuvas que atingiram localidades no Sul; e, de outro, a seca nas
regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
Nas próximas páginas, apresentamos cenas emocionantes e o relato de
voluntários que viajaram milhares de quilômetros Brasil adentro para fazer a
ajuda do povo brasileiro chegar às mãos de quem mais precisa.
O amparo da Legião da Boa Vontade chega
a milhares de famílias castigadas pela
estiagem e pelo inverno rigoroso
onde o povo
precisa!
Presente
Da Redação
BOA VONTADE 93
Vencendo a fome
“Saímos de São Luís/MA em 22 de julho,
por volta das 14 horas, com destino a Belágua,
localizada no mesmo Estado e a 280 quilô-
metros da capital maranhense. Apesar de ser
um município relativamente próximo de nossa
origem, a viagem teve quase o dobro do tempo
que estimamos, por causa das condições da
estrada e de outros imprevistos no caminho.
“Já era noite quando chegamos à cidade.
Não perdemos tempo e logo organizamos as
500 cestas de alimentos que seriam entregues
às famílias da região. Muitas delas sobrevivem
com menos de R$ 140 por mês.
“Na manhã seguinte, o Centro Social de
Belágua, onde ocorreu a ação, ficou lotado.
Cidadãos que vivem na zona rural percorreram
vários quilômetros e enfrentaram estradas de
areia até chegar à unidade de atendimento,
tudo isso para garantir alimento à mesa. O
Centro de Referência de Assistência Social e a
Secretaria de Assistência Social do município
apoiaram a iniciativa.
“Na sequência, fomos à região central do
Estado, em Marajá do Sena (a 400 quilômetros
da capital). É a segunda cidade mais pobre do
Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geo-
grafia e Estatística (IBGE). Percebemos que,
para as famílias das duas localidades, mais
pesado que carregar os alimentos da cesta
entregue é o peso da preocupação de não ter
o que comer em casa.
“Finalizamos a entrega das cestas transmi-
tindo a todos os presentes uma mensagem de
esperança e agradecendo, por meio de uma
oração, essa oportunidade de agir no Bem. Ao
longo de toda essa ação, vimos aquilo pelo que
passam os moradores dessas regiões diaria-
mente. Encontramos um povo esforçado, bata-
lhador e, acima de
tudo, acolhedor.”
Paulo Araújo
(na foto, de
camisa verde)
São Luís/MA
Arcoverde/PE
Juazeiro/BA Buíque/PE
Uauá/BA
Campanhas emergenciais da LBV
BrunaGonçalves
BrunaGonçalves
TatianeOliveiraTatianeOliveira
SérgioBortolim
BENEFÍCIO
Distribuição de 6 mil cestas de alimentos
LOCALIDADES
Maranhão: Marajá do Sena e Belágua.
Paraíba: Sumé, São José dos Cordeiros, Ouro Velho,
Amparo e Zabelê.
Rio Grande do Norte: Espírito Santo, Baía Formosa,
Taipu, Martins e Antônio Martins.
Ceará: Irauçuba, Itapipoca, Santa Quitéria e Canindé.
Pernambuco: Pedra, Alagoinha, Buíque, Venturosa e
Arcoverde.
Bahia: Juazeiro, Sento Sé, Sobradinho, Uauá e
Curaçá.
DESAFIOS DESTA REGIÃO
Dos seis Estados nordestinos contemplados com as
doações da LBV, três — Bahia, Paraíba e Maranhão —
estão entre os dez mais pobres do Brasil, tendo este
último o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) brasileiro, segundo dados do Censo 2010.
Região
Nordeste
“Esta ação é muito boa,
importante, essencial para a
população de Belágua. Se eu
já ajudava com gosto, agora
vou ajudar muito mais. (...)
Eu saio daqui feliz por ser um
colaborador da LBV.”
Raimundo Chagas
Colaborador e voluntário da
Instituição em Belágua/MA
Marajá do Sena/MA
Belágua/MA
Fotos:LeillaTonin
BOA VONTADE 95
sorrisos de gratidÃO
Campanhas emergenciais da LBV
Arquivopessoal
Antônio Martins/RN
Martins/RN
Espírito Santo/RNSão José dos Cordeiros/PB
Sumé/PBFotos:JeanCarlos
“Desde que soube do objetivo da Caravana da
Boa Vontade, achei o máximo. Além das centenas
de famílias que a LBV atende, diariamente, em
João Pessoa e em Campina Grande, na Paraíba, a
iniciativa seria levada também ao interior do Estado,
em uma época tão sofrida, como é a da estiagem.
“Viajar mais de dois mil quilômetros da capital até
a região onde ficam as cidades beneficiadas foi o de
menos. A expectativa de registrar e compartilhar a
alegria das famílias superou o cansaço do percurso.
Foram oito dias seguindo na caravana pela Paraíba
e pelo Rio Grande do Norte. Trinta mil quilos de ali-
mentos foram entregues a duas mil famílias de dez
municípios. Centenas de sorrisos sinceros foram da-
dos como forma de agradecimento. Era nos momentos
de oração, ao iniciarmos a entrega das cestas, que
ficava ainda mais visível a gratidão dos atendidos.
“A falta de vento logo evidenciou o clima quente
e seco da região. A temperatura elevada não desa-
nimou quem estava trabalhando. A corrente de so-
lidariedade formada por policiais, bombeiros e nós,
voluntários, em todas as cidades em que estivemos
mostrava a vontade de mudar aquela cruel realidade.
“Gosto de tirar fotografias. Por isso, a cada opor-
tunidade, pedia para registrar a alegria das pessoas
amparadas em receber o apoio da LBV. Era bonito ver
que, com os alimentos nos braços, faziam questão
de demonstrar a felicidade que sentiam, fosse por
meio de um sinal de positivo com as mãos, fosse
com um sorriso generoso, sem, muitas vezes, se
importar com a falta de dentes na boca.
“Não há palavras que consigam descrever tanta
emoção vivida por mim durante aqueles dias. O
carinho e a satisfação demonstrados a todo instan-
te pelo povo sertanejo, com sua recepção sempre
calorosa, nos motivam ainda mais a realizar ações
em benefício da população brasileira.”
Jean Carlos
da Silva
(na foto, à
esquerda, em
primeiro plano)
João Pessoa/PB
Ouro Velho/PB Baía Formosa/RN Taipu/RN
Taipu/RN
Sumé/PB
Zabelê/PB Fotos:JeanCarlos
Região
Nordeste
BOA VONTADE 97
Campanhas emergenciais da LBV
Região
Nordeste
A Legião da Boa Vontade, de parceria com a Casa da Caridade, levou a mil famílias do sertão do Ceará cestas de alimentos não
perecíveis, roupas e produtos de higiene pessoal. A ajuda foi transportada com o apoio de 60 voluntários, que seguiram da capital
cearense para as cidades de Santa Quitéria, Itapipoca, Irauçuba e Canindé, em um comboio de 23 carros particulares e um
caminhão. Antes de cada entrega, a equipe e os milhares de pessoas que seriam beneficiados pela ação uniam-se para fazer a
Prece Ecumênica do Pai-Nosso, formando, assim, uma corrente em prol dos que têm sofrido por causa da forte estiagem naquelas
e em outras localidades do país.
Canindé/CE
Curaçá/BA Sobradinho/BA
Itapipoca/CE
Irauçuba/CESanta Quitéria/CE
TatianeOliveira
TatianeOliveira
LeillaToninPauloMurilo
LeillaToninLeillaTonin
98 BOA VONTADE
BENEFÍCIO
Distribuição de 1.500 cestas de alimentos
LOCALIDADES
Minas Gerais: Almenara, Bandeira, Jenipapo de
Minas, Jordânia, Lufa (distrito de Novo Cruzeiro),
Palmópolis e Rubim.
DESAFIOS DESTA REGIÃO
O Vale do Jequitinhonha é uma das regiões mais
pobres do país. Entre os municípios atendidos pela
campanha da LBV está a cidade de Novo Cruzeiro,
que ocupa a 28ª pior colocação no Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) no
ranking das 853 cidades do Estado de Minas Gerais,
de acordo com dados do Censo 2010.
Região
Sudeste
vale de esperança
“Depois de ver a realidade de muitas
famílias que vivem no Vale do Jequitinhonha
(nordeste do Estado de Minas Gerais), percebi,
com maior clareza, quanto o alimento é fun-
damental para pessoas que não têm em casa
nem um pouco de arroz ou feijão para comer.
“Percorremos 721 quilômetros da capital
mineira até Almenara/MG, um dos municípios
mais carentes da região e, por isso mesmo,
escolhido para receber as cestas. Chegamos à
cidade às vésperas do evento, em 15 de julho,
e logo fomos preparar o ginásio onde se daria
a entrega de alimentos.
“Na data tão especial, o local estava lotado.
Havia centenas de famílias, muitas crianças e
idosos. Outra cena que não sai da minha cabe-
ça é a das mães com seus filhos no colo, agra-
decidas e com os olhos marejados de lágrimas
por causa da cesta que estavam recebendo.
Pensava: ‘E se essa fosse a minha situação?’.
Eu me colocava no lugar delas e imaginava
como seria não ter o que dar de comer a um
filho. Ali, muitas mamães, infelizmente, vivem
essa triste realidade.
“O Vale do Jequitinhonha é conhecido como
o Vale da Miséria, mas, nesse lugar, aprendi
e vi que é o Vale da Esperança, onde há in-
divíduos que vivem com tão pouco ou quase
nada, mas com brilho no olhar e a crença de
um amanhã melhor.
“Terminado o evento, retornamos a Belo
Horizonte. Fisicamente, estávamos cansados;
porém, no coração, tínhamos a certeza do
dever cumprido e o sentimento de que, de
alguma forma, contribuímos para minimizar
o sofrimento de cada um que ali estava. O
Amor ao próximo que aprendemos diariamente
na LBV, mais uma vez, foi demonstrado na
prática.”
Carla Mônica Mendes
Belo Horizonte/MG
RafaelMendes
Arquivopessoal
Vale do Jequitinhonha/MG
BOA VONTADE 99
Corações aquecidos em aldeia indígena
“No dia 30 de junho, às 10 horas, che-
guei com a equipe da Legião da Boa Von-
tade à aldeia indígena Bororó, no município
de Dourados/MS (a 220 quilômetros da
capital do Estado, Campo Grande). Ali re-
sidem as etnias Guarani-Kaiowá, a Guarani
Ñandeva e a Terena. Nesta região, o inverno
sempre chega rigoroso, com a sensação tér-
mica negativa e com temperaturas mínimas
na casa dos 3 graus. Por isso, fomos levar
cobertores a essas famílias.
“Logo começamos os preparativos no
Centro de Referência de Assistência Social
(CRAS) Indígena. A coragem daquelas
pessoas, que vinham de longe, seja de
bicicleta, de carroça, a pé — algumas
percorreram até 10 quilômetros para estar
presentes no local —, era mais uma moti-
vação, não só para mim, mas para todos
os que ali trabalhavam. Mesmo com tanto
frio e chuva, nosso coração estava aquecido
com o Amor Fraterno e foi recompensado
pelo sorriso delas.
“Muitas mães atendidas relataram as
dificuldades que passam durante o inver-
no. Uma delas é Marli Fernandes, que
tem cinco filhos e mora há vinte anos na
comunidade. Conversamos com ela, que
se mostrou bastante agradecida pela ajuda
que a LBV levou àquela localidade, pois,
quando era criança, passava por diversas
dificuldades, principalmente na estação
mais fria.
“Foi muito emocionante colaborar para
essa campanha da Instituição. Sem dúvida
alguma, tudo o que meus olhos presencia-
ram pode ser resumido em uma palavra:
gratidão.”
Genivaldo Oliveira
Marquiza
Campo Grande/MS
Dourados/MS
Aparecida de Goiânia/GO Trindade/GO
Dourados/MS
Campanhas emergenciais da LBV
LeillaToninEgezielCarlos
EgezielCarlos
LeillaTonin
Arquivopessoal
“A gente precisa muito de cobertores,
principalmente agora, nesta época de frio.
Eu vivo doente e recebo auxílio somente
para os remédios. Então, este cobertor
está vindo numa boa hora, porque estou
precisando muito. Fico feliz mesmo.
Parabéns por este trabalho!”
Maria Vaz da Silva
Brasília/DF
100 BOA VONTADE
BENEFÍCIOS
Distribuição de 1.500 cobertores e mil cestas de
alimentos
LOCALIDADES
Distrito Federal: Brasília.
Mato Grosso do Sul: Dourados.
Goiás: Aparecida de Goiânia e Trindade.
desafios desta regiÃO
No atendimento da LBV a esta região, foram
entregues cobertores nas cidades mais frias, com
temperaturas mínimas em torno de 13 graus,
e 15 toneladas de alimentos não perecíveis em
comunidades em situação de risco social.
Região
Centro-
-Oeste
“Nós já sofremos muito no
frio, e é um orgulho receber
estes cobertores para nossos
filhos. Eles dormem juntos
para se aquecer. É uma
dificuldade tremenda, mas creio
que, depois desta doação, tudo isso vai
mudar em casa.”
Marli Fernandes
Dourados/MS
Brasília/DF
Aparecida de Goiânia/GO
Brasília/DF
Leilla Tonin
GustavoHenriqueLimaEgezielCarlos
GustavoHenriqueLima
BOA VONTADE 101
Solidariedade vence inverno rigoroso
“O dia 16 de julho foi de muita alegria
para mim. Logo pela manhã, antes de aden-
trarmos o ginásio de esportes do Jardim
Zanelato, em São José/SC, no qual cobertores
seriam entregues a centenas de famílias, de-
parei com várias pessoas, que aguardavam o
início do evento, enquanto, dentro do recinto,
os voluntários da LBV davam os retoques
finais para o começo das atividades.
“Santa Catarina é um dos Estados em
que o inverno é mais rigoroso no Brasil. No
dia da entrega, a temperatura na cidade
oscilava entre 13 e 14 graus. Com a chuva
fina naquela manhã, a sensação térmica era
inferior a 10 graus. Apesar do frio, as muitas
palavras de agradecimento daqueles que
tinham ido receber o atendimento da LBV
aqueciam nosso coração.
“Logo após a entrega, nossa caravana
partiu para Biguaçu/SC, a segunda localida-
de que receberia os cobertores. No trajeto,
dentro do veículo em que viajávamos, os
comentários dos voluntários eram os mais
animadores. Chegamos ao local da entrega
por volta das 12h30, e o evento começaria
às 14 horas. Para nossa surpresa, quase uma
centena de pessoas já esperavam por nossa
presença. Lembro de ver uma jovem que
ajudava, também voluntariamente, na distri-
buição dos cobertores. Ela usava um avental
com o coração azul da Legião da Boa Vontade
e se emocionava às lágrimas por presenciar
o resultado da iniciativa solidária da LBV.
“O meu muito obrigado à Instituição por
me dar a oportunidade de estar ao lado de
indivíduos que tanto precisam de auxílio
material e espiritual. Também agradeço a
tantos colaboradores, cidadãos anônimos,
que destinam parte de seus recursos para ver
este Brasil melhor e mais
solidário.”
Derli Francisco
Florianópolis/SC
Campanhas emergenciais da LBV
Arquivopessoal
Fotos:FabíolaBigas
ViníciusRamão
Ponta Grossa/PRSão José/SC
São José/SC
Biguaçu/SC
102 BOA VONTADE
BENEFÍCIO
Distribuição de 5 mil cobertores
LOCALIDADES
Paraná: Curitiba e Ponta Grossa.
Rio Grande do Sul: Porto Alegre.
Santa Catarina: São José e Biguaçu.
Desafios desta região
Nas cidades atendidas pela LBV, as temperaturas
mínimas neste inverno variaram entre 9 e 15 graus.
Região
Sul
“Agradeço, de coração, esta
parceria importante para
nosso município. Eu conheço
a LBV desde jovem; assistia
pela TV às palavras do Paiva
Netto. Uma Entidade com
tantos anos de fundação e de trabalhos
realizados e que continua fazendo um
serviço sério, honesto e dedicado merece
todo o nosso respeito.”
Ramon Wollinger
Prefeito de Biguaçu/SC
Leilla Tonin
ViníciusRamão
ViníciusRamãoFabíolaBigas
DerliFrancisco
São José/SCBiguaçu/SC
Curitiba/PRPonta Grossa/PR
BOA VONTADE 103
CARIDADE COMPLETA*
“Essa campanha da Legião da Boa Vontade foi de grande valor
para as famílias socorridas do Rio Grande do Sul, por causa do frio
intenso, típico da região Sul do Brasil na época do inverno, e das
recentes fortes chuvas. Elas se emocionaram ao receber a ajuda
da Entidade. Várias mães, inclusive, beijaram os cobertores doa-
dos, certas de que seus filhos ficariam bem aquecidos com eles.
“As doações, não só de cobertores, mas também de alimentos,
foram entregues, nos dias 15 e 16 de julho, nas comunidades
pobres da capital gaúcha alagadas pelos temporais, entre elas a
Ilha do Pavão e a Ilha Grande dos Marinheiros. Enquanto fazía-
mos esse trabalho voluntário, diversas pessoas nos levaram até
as residências para nos mostrar as necessidades que passavam e
de que forma o apoio que estavam recebendo era tão importante
para elas. Em muitos desses lares, vimos cômodos cheios de
água e de animais, como ratos, cobras e sapos. Era uma situação
muito difícil. O pior é que, como os moradores dessas ilhas vivem
à margem do rio Guaíba, quando há elevação das águas, as casas
deles são as primeiras a ser atingidas.
“Conforme costuma ocorrer em momentos de calamidade,
inúmeras famílias não sabiam o que fazer. Uma senhora que
perdeu todos os bens materiais nessa enchente, desesperada,
chegou a falar até em cometer suicídio, pois não aguentava mais
tanto sofrimento. Lembro que ficamos bastante comovidos com a
situação dela e, imediatamente, transmitimos palavras de espe-
rança e de ânimo àquela mulher para que não desistisse da vida,
esse bem precioso dado por Deus a todos nós. Fizemos a prece do
Pai-Nosso e conversamos com ela a respeito do que aprendemos
na LBV sobre os valores fundamentais de nossa existência. Para
nossa felicidade, ela ficou mais calma e entendeu que, se faltasse
a seus filhos, eles padeceriam ainda mais.
“Para mim, é sempre uma honra participar das ações da Insti-
tuição. O apoio ofertado pela Legião da Boa Vontade, com a valiosa
colaboração do povo, àqueles indivíduos significou dias melhores,
menor sofrimento e um pouco de conforto e paz em seus lares.”
Alex Dias
Porto Alegre/RS
LilianeCardoso Campanhas emergenciais da LBV
* Caridade Completa — Trata-se de um conceito van-
guardeiro da Legião da Boa Vontade. Esclarece que tão
importante quanto ofertar o alimento a quem tem fome,
saciando, assim, as necessidades do corpo, é o trabalho
que visa ao fortalecimento do interior, da Alma da criatu-
ra, a partir dos valores espirituais, éticos e ecumênicos,
de modo que, ante os embates da existência, ela consiga
suplantar a Dor. O escritor Paiva Netto (www.paivanetto.
com), em seu artigo “Equação Divina”, discorre sobre o
assunto.
LucianFagundesLilianeCardoso
104 BOA VONTADE
“Este inverno
será mais
quente com
os cobertores
doados pela
LBV. Estou muito
contente. Obrigada! A
todos da LBV, que Deus e
Nosso Senhor Jesus deem
sempre muita saúde!”
Dorotília Ribeiro Pereira
Porto Alegre/RS
Comunidades de Porto Alegre/RS alagadas pelos temporais, entre elas a Ilha do Pavão e a Ilha Grande dos Marinheiros.
NadieleBortolin
LilianeCardoso
NadieleBortolin
LilianeCardoso
AlexDias
LucianFagundes
LucianFagundes
Região
Sul
BOA VONTADE 105
Saúde bucal
A
o pensarmos em medicina,
logo temos uma ideia mí-
nima de qual especialista
cuida de cada caso. Mas, com
relação à odontologia, a maioria
das pessoas não sabe diferenciar
as especialidades ou não conhece
grande parte destas. Para abordar
o assunto e cuidados com a saúde
bucal, a Super Rede Boa Vontade
de Comunicação (rádio, TV, portal
e publicações) entrevistou o odon-
tólogo José Peixoto Ferrão Júnior,
professor adjunto e responsável
pela disciplina de Periodontia da
Faculdade de Odontologia da
Fundação Universidade Federal de
Mato Grosso do Sul (UFMS), em
Campo Grande.
Na oportunidade, o dr.  Ferrão
Sorriso
ressaltou que a odontologia é um
campo muito amplo e que, com o
avanço da Ciência, foi necessário
dividi-lo em ramos específicos, que
lidam com cada questão de forma
separada, não deixando de levar em
conta o tratamento global. “Hoje,
nós temos várias áreas, como a
odontopediatria, que trata só de
criança; a endodontia, que faz
tratamento de canal; a periodontia,
que cuida da gengiva, das estru-
turas e do suporte do dente, de
prótese, de implante, de cirurgia
buco-maxilo-facial, entre outras.”
A seguir, os principais trechos
desse esclarecedor bate-papo.
BOA VONTADE — O que é tra-
tado com a periodontia?
Dr. José Peixoto Ferrão Júnior —
Hoje, quando se fala de tratamento
de periodontia, temos de imaginar
que existe uma amplitude muito
maior do que simplesmente tra-
tar a gengiva. A gente trabalha
também com o que suporta e
mantém o dente na boca, que é
o osso, o cemento* e o ligamen-
to. Atualmente, as enfermidades
mais comuns são as inflamações
da gengiva. Nós as chamamos de
gengivite e periodontite, que são
causadas por placa bacteriana,
por biofilme dental. (...) Todos nós
temos milhões de bactérias soltas
na boca. Essas bactérias aderem
à superfície do dente e começam
a produzir uma toxina, um veneno,
que vai levando essa gengiva a ter
Da Redação
Periodontia e os principais cuidados com os processos inflamatórios bucais
em dia
* Cemento — Tecido fino e rico em cálcio que recobre a raiz dos dentes e assegura a coesão destes com o maxilar. (Fonte: Dicionário
eletrônico Houaiss da língua portuguesa.)
106 BOA VONTADE
uma reação inflamatória inicial.
Nesse caso, quando acomete só a
gengiva, nós a chamamos de gen-
givite. Se não há um tratamento
para isso, essa doença sofre uma
progressão e pode chegar ao osso
e destruí-lo progressivamente,
até que você acaba perdendo o
dente. [Aqui,] nós vamos falar
de prevenção, porque, a partir do
momento que se instala a inflama-
ção, temos de tratá-la de maneira
rápida, porque muitas vezes ela é
silenciosa. Sinais simples, como
um sangramento de gengiva ao
escovar os dentes, ao passar um
fio, muitas vezes achamos que é
normal. Na verdade, a gengiva não
pode sangrar nunca.
BV — Como a gengivite deve
ser tratada?
Dr. Ferrão Jr. — A maneira
mais correta de tratar é procurar
o periodontista, ir ao dentista ao
primeiro sinal, porque existem
alguns tipos de tratamento que
temos que individualizar. (...) Mas
deixo [registrado], desde já, que a
principal forma de tratar a gengivi-
te, além do tratamento periodontal
profissional, é o cuidado doméstico
muito grande no controle da placa
Lícia Curvello, da Boa Vontade TV, e o odontólogo dr. José Peixoto Ferrão Júnior,
professor adjunto e responsável pela disciplina de Periodontia da Faculdade de
Odontologia da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em
Campo Grande.
bacteriana, com o fio e a escova
dentais. Isso é fundamental.
BV — Quais são os riscos do
descuido da saúde bucal?
Dr. Ferrão Jr. — Quando temos
uma inflamação na gengiva, esta-
mos com uma doença periodontal
(...). Eu sempre uso uma explicação
muito simples: o sangue que passa
na gengiva é o mesmo que passa
no dedão do pé. Por que cuidar de
“Todos nós temos milhões de bactérias soltas na
boca. Essas bactérias aderem à superfície do dente
e começam a produzir uma toxina, um veneno,
que vai levando essa gengiva a ter uma reação
inflamatória inicial. (...) Se não há um tratamento
para isso, essa doença sofre uma progressão e pode
chegar ao osso e destruí-lo progressivamente, até
que você acaba perdendo o dente.”
Prof. dr. josé peixoto ferrão júnior
Odontólogo
Assista à entrevista
com o dr. José Peixoto
Ferrão Júnior na
Boa Vontade TV.
PriscillaAntunes
uma infecção em outros órgãos do
corpo e não fazer isso com uma
infecção bacteriana na boca? Bac-
térias caem na corrente sanguínea
durante todo o dia, várias vezes.
Dependendo da minha condição
física específica, essa bactéria pode
resolver, por algum motivo, parar no
coração, numa válvula, desenvol-
vendo uma endocardite bacteriana,
e levar o paciente a óbito. Eu posso
[também] desenvolver uma pneu-
monia por aspiração (...). Temos
de cuidar da doença periodontal
como [quem tem o seguinte pensa-
mento:] “Eu vou perder os dentes
porque estou com um problema de
saúde, que preciso tratar”. A boca
está dentro do corpo, faz parte de
um contexto geral.
BOA VONTADE 107
Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV
fórmula do bem viver
CiênciaEspiritualidade
tualidade e Saúde (Nupes), abriu o
ciclo de palestras discorrendo sobre
o tópico “Espiritualidade e saúde —
Quanto mais conhecemos, mais
precisamos conhecer”. “Gostaria
de agradecer pela oportunidade de
estar aqui, de poder conversar com
vocês a respeito destes temas, que
são tão importantes para a nossa
vida e para o mundo, de forma geral;
ao jornalista José de Paiva Netto,
diretor-presidente da LBV; e a toda
a equipe organizadora deste evento.
(...) O meu coração está aquecido
pelo sentimento de fraternidade que
encontrei nesta casa”, ressaltou na
apresentação.
do Fórum Mundial Espírito e Ciência
(FMEC), da LBV. Na ocasião, cinco
prestigiados nomes das áreas cientí-
fica e religiosa compartilharam com o
público presente experiências e rele-
vantes estudos, realizados em todo o
planeta, que confirmam a importância
da Espiritualidade para a manutenção
do bem-estar pleno do indivíduo, para
a superação de enfermidades ou para
que se aprenda a conviver com elas.
Um dos especialistas convida-
dos para o encontro, o dr. André
Stroppa,  psiquiatra, professor da
Universidade Federal de Juiz de
Fora (UFJF), mestre e doutorando
do Núcleo de Pesquisa em Espiri-
N
os últimos anos, vários cien-
tistas e pesquisadores têm
se debruçado sobre o tema
Ciência e Fé a fim de compreender
como a Espiritualidade e a crença em
uma Força Superior podem contribuir
na saúde. Foi com esse objetivo
que uma multidão, entre médicos,
cientistas, pesquisadores, religiosos,
acadêmicos e outros interessados
no assunto, se reuniu, em 12 de
agosto, superlotando os auditórios no
Parlamento Mundial da Fraternidade
Ecumênica, o ParlaMundi da Legião
da Boa Vontade, e participaram do
painel temático “Ciência, Saúde e
Espiritualidade”, uma das atividades
108 BOA VONTADE
Ação pioneira de Paiva Netto, há
décadas, o Fórum Mundial Espírito
e Ciência, da LBV, promove painel
temático em Brasília/DF.
tiva das tradições afrodescendentes”
— enalteceu a iniciativa da Legião da
Boa Vontade de promover o fórum.
“Quero trazer, em nome do Ilê Axé
Oyá Bagan, os agradecimentos ao
nosso José de Paiva Netto por este
espaço para trazermos este assunto.
É um tema que a nossa população
está precisando ouvir, entender e
abraçar. Quero agradecer também
à LBV o acolhimento que tive neste
espaço. Surpreendi-me muito.”
De ateu a religioso
As contribuições que as tradições
orientais podem oferecer para a medi-
cinaocidentalforamotemadapalestra
do monge Shôjo Sato, intitulada “Saú-
de e Espiritualidade na perspectiva
budista”. Ao iniciar seu discurso, o
coordenador do Templo Budista Terra
PuradeBrasíliarecordou-sedahistória
que tem com o Templo da Boa Vonta-
de. “Queria agradecer, antes de mais
nada, ao jornalista Paiva Netto. Certa-
mente, esta frase é dele: ‘Fórum Mun-
dial Espírito e Ciência — Ciência e Fé
na Trilha do Equilíbrio’. (...) Minha
ligação é antiga [com o TBV], porque,
antes de me tornar monge [em 1998]
— talvez a responsabilidade seja da
LBV —, eu vinha muito ao Templo
da Boa Vontade. Ficava andan­do na
espiral e chegava embaixo do cristal
Diálogo essencial
Dando continuidade à série de
debates, mãe Adna Santos de Araújo
— presidente do centro de umbanda
Ilê Axé Oyá Bagan; coordenadora, no
Distrito Federal, da Rede de Saúde
Afrodescendente (Renafro) e chefe
de divisão de Proteção do Patrimônio
Afro-Brasileiro, da Fundação Cultural
Palmares — explicou como o saber
das tradições religiosas africanas
pode auxiliar no tratamento de pa-
cientes com problemas de saúde.
À Super Rede Boa Vontade de Co-
municação (rádio, TV, internet e pu-
blicações), ela — que falou acerca de
“Saúde e Espiritualidade na perspec-
Saúde
JoséGonçaloAndréFernandes
GustavoHenriqueLima
1 3
2
O Plenário José
de Paiva Netto (1
e 2) e o Auditório
Austregésilo
de Athayde (3)
alcançaram
sua capacidade
máxima.
BOA VONTADE 109
se combater a postura intoleran-
te, compartilhando memória que
conserva desde a Segunda Guerra
Mundial, quando foi hostilizado por
crianças com quem tinha conví-
vio pelo fato de pertencer a família de
ascendência japonesa. Nesse tocan-
te, mencionou o artigo “Hiroshima”,
do dirigente da LBV, publicado em
centenas de jornais, revistas e sites,
no Brasil e no exterior. “Paiva Netto
recentemente escreveu sobre isso,
sobre Hiroshima e [alertou contra] a
ignorância humana.”
Estudos divulgados em
primeira mão
Também presente ao evento, o
dr. Julio Peres, psicólogo e doutor
em Neurociências e Comporta-
mento pela Universidade de São
Paulo (USP), apresentou estudo
inédito de neuroimagem (conhecida
como tomografia por emissão de
pósitrons) de pintores mediúnicos,
realizado pela Universidade Aachen,
na Alemanha. Ele, que dissertou
sobre “Espiritualidade, religiosidade
e psicoterapia”, ainda declarou:
“A LBV está de parabéns por esse
pioneirismo fundamental. Que esse
diálogo seja cada vez mais aberto e
transparente entre esses domínios,
que ficaram por bastante tempo
isolados e de maneira equivocada,
porque a Ciência conversa, sim,
com a Espiritualidade, e vice-versa.
O entendimento mais claro desse
diálogo saudável entre Ciência e
Espiritualidade favorece as melho-
res abordagens psicoterapêuticas
destinadas às pessoas que trazem
sofrimentos também de ordem es-
piritual. (...) Portanto, esta é uma
iniciativa muito, muito importante.
Que seja seguido este belo exemplo
da LBV por mais pessoas”.
Ao discorrer sobre o tópico  “O
poder curativo do amor — Evidências
científicas” (leia artigo assinado pelo
pesquisador na p. 112), o dr. Carlos
Tosta, imunologista e professor emé-
rito da Faculdade de Medicina da
Diversos veículos da imprensa destacaram a realização do FMEC, entre eles o Correio
Braziliense; o Jornal de Brasília, na coluna do jornalista Gilberto Amaral; o Jornal da
Comunidade; e o Coletivo. Ao lado, imagem da matéria, de página inteira, da jornalista
Paloma Oliveto publicada no caderno “Ciência” do Correio Braziliense.
Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV
para receber a luz que passa por ele.
Isso contribuiu muito para me levar
para a Espiritualidade. Na época, eu
era ateu”, afirmou.
O monge Sato também relembrou
o período em que chegou à capital
federal. “Vim trabalhar em Brasília
em 1986. (...) Certamente, busquei
esse equilíbrio sem saber que ele
é tão importante na LBV. Por isso,
não vou agradecer só à equipe da
LBV, mas à pessoa do jornalista
Paiva Netto, que construiu e mantém
o ParlaMundi e consolida a Paz no
mundo realizando seminários como
este. Quero agradecer, de coração,
por estar aqui presente”, disse.
Ainda durante sua fala, chamou
a atenção para a importância de
Os palestrantes cumprimentam o público e agradecem a receptividade no evento. Ao
centro (de terno), o mediador do painel, Josué Bertolin, da LBV.
AndréFernandes
Universidade de Brasília (UnB), que
encerrou o painel temático do fórum,
mostrou a qualidade extraordinária
que o Amor carrega em si para gerar
o bem-estar das pessoas e de quem
está ao redor delas. Expôs também,
em primeira mão, a Teoria das Redes
Metenergéticas, na qual tem traba-
lhado há alguns anos. “Metenergia
vem do grego meta, que é além de
energia. [Ou seja,] transcende as
energias físicas”, destacou.
O médico igualmente enalteceu
não apenas a ação vanguardeira
da Legião da Boa Vontade de unir
o conhecimento científico ao saber
religioso, como o trabalho socioedu-
cacional que a Instituição desenvolve,
de forma ininterrupta, há sessenta
e cinco anos. “Manifesto minha
gratidão à LBV, pois está engajada
nessa obra tão nobre de reduzir as
disparidades sociais neste país desde
a década de 1940 e de promover,
com muita ousadia e coragem, fóruns
como este. (...) A iniciativa da LBV —
que, lamentavelmente, ainda é
rara no nosso país — é fantástica,
altamente elogiável. Se a LBV não
tivesse nada além disso para ter
orgulho, isso só seria suficiente.”
Completando, ele salientou: “Mas a
LBV é muito mais. Quanto mais eu
conheço esta obra social, educativa,
essa vontade de colocar na educação
o componente espiritual, [mais] acho
essencial. É fantástico também o fato
de a LBV estar promovendo nestes
debates a inter-relação entre Ciência
e Espiritualidade. Não há nenhum
obstáculo ou separação entre uma
coisa e outra. O que faço em meu
trabalho é Ciência da Espiritualidade.
Ciência e Espiritualidade, para mim,
são uma coisa só”.
Objetivos do fórum
Criado em 2000, pelo diretor-
-presidente da LBV, José de Paiva
Netto, o Fórum Mundial Espírito e
Ciência (FMEC) proporciona o en-
contro harmônico entre os diversos
setores sociais para a discussão de
temas de grande relevância para o
progresso da Humanidade. Além do
debate teórico, o FMEC pretende
estimular a implementação de suas
propostas no campo pragmático das
realizações da sociedade civil.
Em suas duas primeiras sessões
plenárias — respectivamente, em
2000 e em 2004 — houve a par-
ticipação de renomados cientistas,
pesquisadores, filósofos e religiosos
do Brasil e do exterior para, em
conjunto com a sociedade, realizar
intercâmbio entre o conhecimento
científico e as tradições religiosas
lá representadas.
Na edição de 2004, a palestran-
te norte-americana Diane Williams,
então presidente do Comitê de
ONGs sobre Espiritualidade, Valo-
res e Interesses Globais, do qual a
Legião da Boa Vontade é cofunda-
dora, afirmou ter ficado impressio-
nada com o resultado dos debates
ali desenvolvidos. Em virtude desse
sucesso, a LBV foi convidada a li-
derar um subcomitê para que esse
diálogo e atividades afins igualmen-
te tivessem fórum na sede da ONU
em Nova York, nos Estados Unidos.
Atualmente, a Instituição brasi-
leira participa do corpo executivo
do Comitê de ONGs sobre Espi-
ritualidade, Valores e Interesses
Globais.
Para saber a respeito da cobertura completa do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, basta
acessar o site www.forumespiritoeciencia.org.
Avançada missão do ParlaMundi da LBV
No lançamento da Pedra Fundamental do ParlaMun-
di da LBV, em 21/10/91, Paiva Netto anunciou assim
a notável proposta desse fórum, idealizado e fundado
por ele, à zero hora do Natal de Jesus de 1994, em
Brasília/DF, na presença de mais de cem mil pessoas:
“O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumê-
nica manterá suas portas abertas a todos os seres de
Boa Vontade. Ele propõe a conciliação universal de todo o conhecimento
espiritual e humano, numa poderosa força a serviço dos povos.
“Cizânia, radicalismos, hostilidades de todos os matizes devem per-
manecer afastados dos debates e das proposições religiosas, filosóficas,
políticas, científicas, econômicas, artísticas, esportivas e o que mais o
seja, pois o ser humano nasce na Terra para viver em sociedade, Socie-
dade Solidária Altruística Ecumênica.
“A proposição do ParlaMundi da LBV visa também conciliar o co-
nhecimento vigente no mundo físico com o saber infinitamente amplo,
situado na dimensão do Espírito Eterno; unir o ser humano às civilizações
que existem no Mundo Espiritual, ainda invisível aos nossos pobres e
restritíssimos cinco sentidos materiais”.
Paiva Netto
JoãoPreda
BOA VONTADE 111
Espiritualidade e Saúde
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112 BOA VONTADE
U
m estudo sobre a influência
das emoções no organismo
humano.
Eduardo Tosta
do amor
curativo
O poder
– Evidências científicas –
O que é o amor?
Não há quem não tenha expe-
rimentado o amor. Entretanto, se
tentarmos defini-lo, todos teremos
dificuldade. Três categorias de pes-
soa, por sua sensibilidade, são mais
propensas a entender o que é o
amor: os místicos, os filósofos e os
poetas. Patañjali, místico indiano
criador de importante sistema de
ioga, que viveu em torno de 400
a.C., ensinou-nos que “o amor
é uma forma de conhecimento.
Conhecemos, realmente, uma
coisa ou pessoa tornando-nos um
com ela através do amor. Assim,
o amor tem uma sabedoria que a
mente não alcança, e através dele
nos unificamos com o que está
além de nossos limites pessoais,
o que é um imenso passo na di-
reção da liberdade”. Por sua vez,
Platão, um dos maiores filósofos
ocidentais, que viveu na Grécia
aproximadamente entre 428 e 348
a.C., considerava o amor como a
disposição para elevar-se em busca
do que é eterno, perfeito e imutável,
ou seja, do que liga o humano ao
divino. Se Patañjali acreditou ser o
amor aquilo que une as pessoas,
Platão complementou essa defini-
ção afirmando que ele é o caminho
da união do humano com o divino.
Para um poeta, o amor é transcen-
der de si e ver-se no outro; é en-
contrar o divino em nós e no outro
e, ao deparar com Deus, alcançar a
libertação. A primazia do amor faz
parte dos ensinamentos de todos os
grandes mestres e profetas e forma
a base da maioria das religiões.
Eduardo Tosta é graduado em Medicina
pela Universidade do Estado do Rio
de Janeiro e tem especialização em
Alergia e Imunologia Clínica pela mesma
universidade, mestrado em Medicina
Tropical pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro e doutorado e pós-doutorado em
Imunologia pela Universidade de Londres.
É pesquisador e professor emérito da
Faculdade de Medicina da Universidade de
Brasília.
JoséGonçalo
BOA VONTADE 113
Qual é a natureza do
amor?
Podemos considerar que ele
constitui a própria essência da Alma
humana, mantendo a vida, de nós
emanando e transformando existên-
cias. Por isso, tem características
que o assemelham à metenergia.
Entende-se por metenergia aquilo
que vai além de todas as energias
ou forças físicas conhecidas, entre
as quais as eletromagnéticas, a
gravitacional e as associadas aos
átomos. Isso porque o amor: (1)
não é limitado ao espaço, atuando
instantaneamente, alcançando a
pessoa-alvo onde quer que ela esteja
e agindo tanto no mundo físico como
no espiritual; (2) não é limitado ao
tempo, pois atua no presente e no
passado (no futuro?), é eterno e
transcende existências; (3) não é
bloqueável pela matéria, como o
são todas as energias eletromag-
néticas (eletricidade, magnetismo,
som, luz, radioatividade etc.); (4)
é inesgotável, pois, quanto mais se
doa, mais se tem; e (5) é sujeito
à intencionalidade, já que preces
intercessoras e tratamentos a dis-
tância, práticas essas de doação
de amor, serão tanto mais eficazes
quanto maior for a disposição com-
passiva, ou seja, a intenção das
pessoas que os realizam de ajudar
o próximo.
As preces intercessoras e os
tratamentos a distância são os
melhores modelos para entender a
natureza do amor, e a esse respeito
existe grande quantidade de pes-
quisas científicas. Está comprovado
que tais práticas podem atuar a
distâncias intercontinentais e agir
tanto no presente como retroagir
ao passado, atingindo a pessoa-alvo
onde quer que ela esteja. Sua eficá-
cia depende do grau de compaixão
de quem as realiza.
Quais são as
propriedades do amor?
Comportando-se como metener-
gia, esse sentimento tem estranhas
propriedades, que o distinguem de
todas as energias conhecidas: (1) o
amor é contagiante, pois podemos
mudar as pessoas e, consequente-
Quais são as categorias
do amor?
De acordo com seu alvo, o amor
pode ser categorizado como amor
vital (à vida), filial (dos filhos aos
pais), grupal (ao grupo), social
(às relações sociais), fraterno (aos
irmãos e amigos), romântico (ao
companheiro), materno/paterno
(dos pais aos filhos), altruístico (ao
próximo), incondicional (também ao
próximo, só que sem precondições)
e transcendental (a Deus). Os alvos
e, consequentemente, as categorias
do amor sucedem-se ou tornam-se
mais fortes de acordo com as diver-
sas fases da existência, do recém-
-nascido ao idoso. As motivações e
consequências das várias categorias
do amor são diferentes. Enquanto
o romântico redunda em prazer,
completude e companheirismo, o
materno é instintivo e provoca a
autoperpetuação e a preservação
da espécie. O incondicional, a mais
sublime emanação de nossa Alma,
não tem qualquer motivação além
do desejo de doá-lo a quem dele
precisa.
“Podemos
considerar que o
amor constitui a
própria essência
da Alma humana,
mantendo a vida,
de nós emanando
e transformando
existências.”
Espiritualidade e Saúde
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114 BOA VONTADE
mente, o mundo, contagiando-os com
ele; (2) obtém-se amor doando-o,
o que é o grande paradoxo dele, pois,
quanto mais se o dá, mais se o tem;
(3) o amor destrói as barreiras que
nos separam de nós, porque constitui
nossa própria essência, condição
essa que nos permite considerar que
se impregnar dele é o mesmo que
se espiritualizar, se autoconhecer,
encontrar nossa essência ou alcançar
a transcendência; (4) o amor destrói
as barreiras que nos separam do
outro, entre as quais o preconceito, a
arrogância, o egoísmo, a desconfian-
ça, o ciúme e a animosidade, porque
é ele que nos liga ao outro. Assim,
amar os outros como a si mesmo é
o mesmo que alterizar, colocar-se
no lugar do outro e procurar sentir
o que este sente e aceitá-lo, ainda
que não entendamos suas razões ou
discordemos de suas opiniões; (5) o
amor destrói as barreiras que nos
separam de Deus, a fonte de toda a
amorosidade e sua expressão maior
e mais sublime; e (6) o amor gera
saúde, porque é a mais poderosa
das forças reequilibradoras, e saúde
é equilíbrio.
Qual é a relação
entre o amor e a
espiritualidade?
Como o amor constitui a própria
essência da Alma humana, pode-
mos considerar a Espiritualidade
como sinônimo de amorosidade.
Nossa saúde espiritual será tan-
to maior quanto maior for nossa
capacidade de expressar amor.
Reconhece-se que a saúde espiritual
nutre e influencia a física, a psíquica
e a interpessoal.
Como o amor pode
gerar saúde e curar
doenças?
Inicialmente, convém lembrar
que ele é: (1) o mais universal de
todos os medicamentos, porque é a
própria natureza da Alma humana;
(2) o mais global, porque pode estar
presente em todos os sistemas de
saúde; (3) o mais antigo, porque
sempre existiu; (4) o mais holístico,
porque atua em todas as dimensões
do ser — física, psíquica, interpes-
soal e espiritual; (5) o mais seguro,
porque nunca prejudica e é isento de
efeitos colaterais; (6) o mais efetivo,
porque sempre funciona; (7) o mais
barato, porque é dado e recebido a
custo zero; (8) o mais poderoso, por-
que pode ser usado para manter a
saúde e tratar qualquer doença; (9)
o mais democrático, porque todos
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BOA VONTADE 115
Quais são as vantagens
de ser um profissional
de saúde amoroso?
A amorosidade do profissional
de saúde não só beneficia sua pró-
pria pessoa, mas também aumenta
seu poder de cura. O profissional
de saúde compassivo é aquele que
considera seu paciente como a razão
de ser de sua vida profissional, e não
como um estorvo ou um mal neces-
sário; atua centrado no paciente, e
não em sua doença; sabe acolher
seu paciente; sabe “tocar a Alma” do
paciente com palavras e atitudes; é
atencioso, sensível, sincero, honesto
e humilde; explica para o paciente,
com clareza, a razão dos padecimen-
tos dele; não é prepotente; compar-
tilha suas decisões com o paciente;
e, muito importante, jamais destrói
a esperança do doente. Assim, o
profissional de saúde compassivo
estabelece, de imediato, uma relação
afetiva com seu paciente, a qual
torna sua atividade profissional mais
prazerosa e eficaz, reduz o sofrimento
e a ansiedade do paciente e evita o
excesso de medicamentos e exames.
Todos ganham com isso.
O paradoxo de uma
Humanidade cada
vez mais sadia e mais
doente
Existem indicadores inquestioná-
veis de que a Humanidade está cada
vez mais sadia: a expectativa de
vida aumentou de 37 para 73 anos
no último século; houve redução
significativa da mortalidade infantil,
da desnutrição e das doenças infec-
ciosas; e aumento geral dos índices
da saúde e da qualidade de vida das
pessoas. Devemos esses avanços ao
maior acesso da população à vaci-
nação, aos alimentos e à água pura;
à melhora do saneamento básico;
à maior ênfase na prevenção das
doenças; ao estímulo à adoção de
estilos de vida saudáveis; à melhoria
dos métodos de diagnóstico e dos
tratamentos; à conscientização do
custo social das doenças; e à ten-
dência ao retorno da visão integral
do ser humano. Por outro lado, a
ansiedade e a depressão atingem
níveis epidêmicos; ocorre aumento
significativo das patologias asso-
ciadas à ansiedade, entre as quais
a hipertensão arterial, as corona-
riopatias, o diabetes, a obesidade,
a osteoporose e as alergias, e dos
níveis de colesterol, dos distúrbios
de atenção e dos distúrbios sexuais;
o individualismo, a competitivida-
de e o consumismo prevalecem
na sociedade; eleva-se o grau de
desconfiança, de preconceito e
de hostilidade entre as pessoas; a
frequência de crimes sexuais e de
violência de toda espécie, inclusive
a causada por intolerância religio-
sa, amplia-se assustadoramente; e
cresce o consumo de drogas, lícitas
e ilícitas, enquanto o número de
suicídios ultrapassa a taxa de um
milhão por ano, ou 2.740 por dia,
na população mundial.
podem doar e receber; (10) o mais
simples dos medicamentos, porque
não exige registros nem patentes
para ser utilizado.
A Ciência reconhece que as
emoções antiamorosas, entre as
quais o ódio, o remorso, a mágoa,
o ressentimento, o desprezo, o
desgosto, a vergonha, o ciúme, a
revolta, a agressividade, o pessimis-
mo, a desconfiança e a vingança,
são altamente desestabilizadoras,
podendo comprometer o sistema
imunoneuroendócrino e causar
desequilíbrio psíquico e orgânico e,
consequentemente, sendo capazes
de induzir ou agravar doenças. Por
sua vez, emoções amorosas, como a
compaixão, a afetuosidade, a cordia-
lidade, a generosidade, a felicidade,
a paciência, a tolerância, o perdão,
a conciliação, a aceitação, a con-
fiança, o otimismo e a ternura, são
estabilizadoras do sistema imuno-
neuroendócrino, causando equilíbrio
psíquico e físico e, em consequência,
concorrendo para a manutenção da
saúde e a cura de doenças. O amor
é capaz de gerar saúde e cura porque
transmuta as emoções antiamorosas
em amorosas.
O amor, comprovadamente, atua
sobre nosso organismo, modifican-
do a produção de hormônios e de
neuropeptídios do sistema nervoso
e causando redução da ansiedade
e da depressão, aumento da imuni-
dade e da sensação de bem-estar,
diminuição da pressão arterial,
melhora da memória e redução
da neurodegeneração associada a
quadros demenciais. Além disso,
ele facilita a formação de vínculos
pessoais; aumenta o senso de co-
nectividade, de humor positivo e de
autoestima; estimula a adoção de
hábitos saudáveis de vida; e reduz
o risco de mortalidade.
Espiritualidade e Saúde
“(...) emoções
amorosas (...) são
estabilizadoras do sistema
imunoneuroendócrino,
causando equilíbrio
psíquico e físico e,
em consequência,
concorrendo para a
manutenção da saúde e a
cura de doenças.”
116 BOA VONTADE
A que atribuir essa terrível situa-
ção por que passa a Humanidade?
Podemos considerar que a principal
razão desses males é o fato de
vivermos dominados pelos quatro
vazios: o vazio de valores (“O que
são honra e dignidade?”), o vazio
ideológico (“Em que acreditar?”), o
vazio existencial (“Qual é o sentido
da vida?”) e o vazio espiritual (“Quem
sou eu?”). Este último é especial-
mente deletério, porque alimenta os
demais vazios. Ele se manifesta pelas
falsas identidades que adotamos em
nossa existência: “Sou meu corpo”,
“Sou minhas sensações e meu pra-
zer”, “Sou minha posição social”,
“Sou minhas posses”, “Sou minha
fama”, “Sou meu poder”, “Sou mi-
nha família”, “Sou minha rede de
amizades”, “Sou minhas roupas e
adereços”, “Sou meu sofrimento”,
“Sou minhas virtudes” etc. As con-
sequências de adotarmos falsas iden-
tidades são várias: o vazio espiritual,
o vazio existencial, o egocentrismo,
o materialismo, o consumismo, a
frustração, o medo, a ansiedade, a
angústia, a infelicidade, as doenças,
entre outras.
A mensagem
Todas as grandes tradições re-
ligiosas nos ensinam que somos
algo que transcende ao corpo físico.
O cientista, filósofo e sacerdote
francês Pierre Teilhard de Chardin
(1881-1955) foi muito feliz quando
afirmou: “Não somos seres humanos
tendo uma experiência espiritual,
mas seres espirituais tendo uma
experiência humana”. Ao longo da
existência, temos frequentes vislum-
bres de nossa natureza espiritual: a
sensação de que existe algo maior e
mais profundo; a convicção de que
somos mais do que julgamos ser; o
sentimento de que a vida assim não
faz sentido; a emoção ante o belo, o
bom, o justo e a criação; o sentimen-
to de nostalgia, associado a algo que
não conseguimos definir, expressão
da saudade de quem somos, mas
que deixamos perder; a inclinação
natural do ser humano para a prática
do Bem; e as consequentes “dores
da Alma” quando essa prática não
ocorre. O grande escritor, pintor e
poeta libanês Khalil Gibran (1883-
1931) descreveu, magistralmente,
em sua obra-prima O Profeta, ins-
pirada em Jesus, a razão de ser de
nossa existência: “(...) E eu vos digo
que a vida é realmente escuridão,
exceto quando há um impulso. E
todo impulso é cego, exceto quando
há saber. E todo saber é vão, exceto
quando há trabalho. E todo trabalho
é vazio, exceto quando há amor.
E o que é trabalhar com amor? É
pôr em todas as coisas um sopro
de vossa Alma”. Que aproveitemos
nossa passagem pelo mundo para
distribuir sopros de nossa Alma em
forma de amor!
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BOA VONTADE 117
Templo da boa vontade
“Fiquei muito bem impressionado [com o TBV]. Aqui é um
lugar de paz, de encontro, de fraternidade, de compartilhar as
experiências espirituais.(...) Precisamos de mais lugares como
este no mundo inteiro. É especial, com muita Espiritualidade e
boas energias, sem dúvida! (...) A energia do Cristal [Sagrado]
é o que mais caracteriza este lugar, é a concentração suprema
da energia. É um lugar onde você pode encontrar a ligação, este
elo com a Espiritualidade. (...) É uma grande vantagem para os
moradores de Brasília ter um local com essas características, tão
especial para meditar, para ver pessoas de distintas religiões,
sem as restrições que normalmente temos.”
Dr. ALAN BOJANIC
Engenheiro agrônomo, o representante da
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura (FAO) no Brasil conheceu em julho de 2015 o
Templo da Boa Vontade.
VISITE! SGAS 915 • Brasília/DF
Brasil • Tel.: (61) 3114-1070
www.tbv.com.br/conheca
Eduardo Izaias
Dr. Alan Bojanic (D) recebe
de Paulo Medeiros, da LBV,
a edição 239 da revista
BOA VONTADE.
Fotos:JoséGonçalo
Especial para meditar
Recanto de Paz
que fortalece
a Alma
Eleito em votação popular, realizada em junho de 2008, uma das Sete
Maravilhas de Brasília/DF, Brasil, o Templo da Boa Vontade (TBV), símbolo
maior do Ecumenismo Divino, completa neste mês mais um aniversário,
reafirmando o ideal de trazer ao mundo uma mensagem de Paz e União
entre todos os povos, etnias e tradições religiosas. Paiva Netto idealizou e
fundou o TBV, inaugurando-o a 21 de outubro de 1989, data que regis-
trava dez anos da volta à Pátria Espiritual do fundador da Legião da Boa
Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), como forma de homenageá-lo, pois foi
ele que, pela primeira vez, sonhou com um templo totalmente ecumênico.
O TBV é o monumento mais visitado da capital brasileira, segundo dados
oficiais da Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF),
tendo recebido mais de 26 milhões de pessoas, entre peregrinos e turistas,
desde sua inauguração. Ao lado do Parlamento Mundial da Fraternidade
Ecumênica (ParlaMundi) e de sua sede administrativa, a Pirâmide da LBV
integra o Conjunto Ecumênico da Instituição.
TBV
26 anos
118 BOA VONTADE
O Templo do Ecumenismo
Divino, monumento mais
visitado da capital federal, foi
destaque na página oficial
do Ministério do Turismo
no Instagram. Na rede social,
o órgão recomenda a visita
ao TBV. “O Templo da Boa
Vontade, em Brasília (DF), é
um espaço de espiritualidade
e reflexão muito apreciado
pelos turistas que visitam a
capital. Visite e volte recarregado de energias positivas!.”
|| Leia mais em http://goo.gl/pFnU0q
Casa de
reconhecimento
pessoal
“[Visitar o Templo da Boa
Vontade] foi uma experiência
maravilhosa. Esta casa é alta-
mente espiritualizada, e a gente
encontra muito [respeito] aqui de
acordo com aquilo em que acre-
dita, com o que sente. É um
lugar para a gente se encontrar.
Estou me sentindo muito bem.
Uma paz muito grande. (...) Um
lugar desses é bom para abrir a
mente das pessoas para que elas
entendam que tudo é uma coisa
só, que estamos todos ligados. O
Criador disso tudo está acima de
todas as religiões, de tudo isso
aí que existe; está muito acima.
A beleza maior [do TBV] está
na energia, no sentimento que a
gente encontra aqui.”
NETINHO
Depois de receber indicações de
amigos, o cantor baiano visitou
pela primeira vez o monumento,
em julho de 2015.
Fotos:JoséGonçalo
O Templo da Boa Vontade (TBV)
recebeu, em 15 de agosto, do em-
baixador do Escritório Econômico e
Cultural de Taipei (cidade situada
ao norte de Taiwan, República
da China) no Brasil, Isaac Tsai,
um quadro da artista taiwanesa
Shen Lee. A obra ficará exposta
na Galeria de Congratulações do
monumento, a fim de que todos
os que o visitarem possam admirá-la.
Segundo o diplomata, “este é o
primeiro presente de Taiwan a um
país sul-americano”. Ele também
explicou por que o TBV foi escolhi-
do para a homenagem. “Com esta imagem de
Jesus, desejo demonstrar que tanto brasileiros quanto
taiwaneses têm o mesmo espírito bondoso e caridoso. Que
esta obra de arte fique disponível aos olhos do público no
Brasil, em Brasília, para que todos saibam da estima de
Taiwan pela LBV.”
Completando, fez questão de destacar: “Taiwan, assim
como o Brasil, é um país com pluralismo religioso, e as
pessoas têm toda a liberdade religiosa, sendo iguais, in-
dependentemente de suas filosofias ou religiões. É com
grande prazer e honra que ofereço este singelo quadro,
feito de madeira nobre, para adornar este templo da Legião
da Boa Vontade (LBV), em Brasília”.
Embaixada de Taiwan
presenteia o TBVTaiwan
BOA VONTADE 119
Paulo Kramer, professor doutor, cientista
político e assessor parlamentar.
Arquivopessoal
Opinião — Congresso em pauta
e cinco pontos, se mulher, observado
o tempo mínimo de contribuição de
trinta anos”. Agora, se não houver
veto da presidente à data estipulada
pelo Senado, o cálculo será alterado
progressivamente a partir de 2019,
com as somas de idade e tempo de
contribuição sendo majoradas em
um ponto a cada dois anos. Assim, o
segurado que requerer aposentadoria
em 2019 precisará ter mais um ano
de contribuição ou idade para chegar
à pontuação que dá direito ao benefí-
cio de valor integral (86 pontos para
mulheres; 96 para homens); 87/97
em 2021; 88/98 em 2023; 89/99
em 2025; e 90/100 de 2027 em
diante.
A esta altura, vale recordar a ori-
gem do fator previdenciário, e, para
tanto, louvo-me do ótimo estudo dos
consultores legislativos do Senado
Federal Fernando B. Meneguin
e Pedro Fernando Nery, “Fator
Previdenciário ou Fórmula 85/95?
A Construção de uma Alternativa”.
do ajuste fiscal projetado pelo mi-
nistro da Fazenda, Joaquim Levy),
haviam aprovado, como alternativa
ao fator, para mulheres seguradas
do INSS cuja soma de idade com
tempo de contribuição à Previdên-
cia Social perfaz 85 anos/pontos;
e, para os homens, 95.
Em 7 de outubro, o plenário do
Senado fez mudanças à medida
enviada pelo Executivo, adotando
o escalonamento a partir de 2019.
Com o objetivo expresso de
“preservar a sustentabilidade da
Previdência”, o texto da MP diz: “o
segurado que preencher o requisito
para aposentadoria por tempo de
contribuição poderá optar pela não
incidência do fator previdenciário,
no cálculo de sua aposentadoria,
quando o total resultante da soma
de sua idade e de seu tempo de con-
tribuição [...], na data de requeri-
mento da aposentadoria for: igual ou
superior a noventa e cinco pontos, se
homem; e igual ou superior a oitenta
PAULO KRAMER | Especial para a boa vontade
O DILEMA
PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO
C
ontra o pano de fundo de
uma dupla crise (econômica
e política) ainda sem des-
fecho previsível, a presidente da
República Dilma Rousseff lançou
um ramo de oliveira ao Congresso
Nacional, editando a Medida Pro-
visória no
676/2015, ao mesmo
tempo em que vetou a flexibilização
do fator previdenciário. O novo
texto tornava progressiva, já em
2017, a “fórmula 85/95”, que os
parlamentares, ao modificarem a
MP no
664/2014 (um dos pilares
120 BOA VONTADE
O fator foi introduzido na cha-
mada primeira reforma da Previ-
dência, no segundo mandato do
ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, pela Lei no
9.876/1999,
como índice a ser multiplicado à
média dos salários de contribuição,
para dar direito ao salário-benefício
da aposentadoria. Trata-se de uma
fórmula complexa em que entram
variáveis como tempo de contribui-
ção, idade, expectativa de sobrevida
à época da aposentadoria para
ambos os sexos (esta calculada e
periodicamente recalculada pelo
IBGE). A finalidade do fator, claro,
é estimular o segurado a que adie a
decisão de se aposentar: benefício
menor se ele (ou ela) se aposenta
mais jovem e maior se deixa para
fazê-lo mais velho(a), independen-
temente de já ter cumprido o tempo
mínimo de contribuição (homens:
35 anos; mulheres: 30).
Como lembram Meneguin e
Nery, a fórmula 85/95 já havia sido
debatida anteriormente, durante
a segunda reforma da Previdência
(primeiro mandato do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva), resul-
tando nas Emendas Constitucionais
nos
41/2003 e 47/2005, aplicada
como “regra de transição” para o
funcionalismo público. E o texto
alterado da MP 664/2014, aprova-
do pelo Legislativo e rejeitado pelo
Executivo, “se assemelha ao subs-
titutivo da Câmara dos Deputados
ao Projeto de Lei no
3.299/2008,
do senador Paulo Paim”.
Que diferença isso
faz para quem vai se
aposentar?
Pelo fator previdenciário, uma
mulher com 55 anos de idade e 30
de contribuição se aposentaria com
70% do salário de contribuição; e
um homem com 60 anos de idade
e 35 de contribuição, com 85%.
Já pela fórmula 85/95, a mesma
mulher e o mesmo homem se apo-
sentariam com 100% do salário de
contribuição. Sob a regra atual, a
mulher, para ter direito a 100%,
“No Brasil, os
demógrafos advertem
sobre o iminente
fechamento (2030) da
janela de oportunidade
consistente na
presente situação,
quando é maior o
número de pessoas
em idade de trabalhar
do que o de crianças e
adolescentes, de
um lado, e o de
idosos, do outro.”
RobervaldoRocha/CMM
BOA VONTADE 121
Opinião — Congresso em pauta
“Considerando
o rápido
amadurecimento
da pirâmide etária
brasileira, o país
corre grave risco de
envelhecer antes
de ficar rico. Um
alerta para todos
nós, governantes e
governados.”
teria que se aposentar mais tarde
(aos 61 anos, com 36 de contri-
buição); e o homem, aos 63 e 38,
respectivamente.
De acordo com o Instituto Bra-
sileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a mulher brasileira com
55 anos de idade tem, hoje, uma
expectativa de sobrevida de mais
28 anos, um pouco menor apenas
que o tempo de contribuição (30
anos), na hipótese de adoção da
fórmula 85/95. Na mesma hipó-
tese, a aposentadoria com valor
integral do salário de contribuição
(100%) corresponde a mais que o
triplo da alíquota de contribuição
(31%, na soma dos recolhimentos
da empregada e do patrão), o que
se reflete no desequilíbrio (déficit)
das contas da Previdência. Um
desequilíbrio que o fator previden-
ciário atenua, mas não elimina. No
entendimento dos experts, para
atingir o equilíbrio dessas contas
(ou chegar mais perto disso) seria
preciso estabelecer uma idade mí-
nima, relativamente elevada, para
a aposentadoria, algo que nem o
Executivo nem o Legislativo fizeram
até hoje.
Apenas para ilustrar com um
exemplo bem atual, em 2010,
pressionada pelos efeitos da grande
recessão global de dois anos antes,
a Grécia fixara esse mínimo, para
homens, em 65 anos. Agora, em
meio ao dramático agravamento da
crise de sua dívida (172% do PIB
em dezembro de 2014), o governo
do premiê Alexis Tsipras, fortemen-
te pressionado pela chamada troika
(Banco Central Europeu (BCE),
Comissão Europeia e Fundo Mo-
netário Internacional) – e também
pela Alemanha da chanceler Angela
Merkel, maior potência econômica
da eurozona –, aumentou essa
idade mínima para 67 anos, entre
outras medidas de reestruturação
das finanças públicas.
O déficit previdenciário grego
corresponde a 18% do PIB; o bra-
sileiro já bate em 10%.
Voltando ao Brasil, os demó-
grafos advertem sobre o iminente
fechamento (2030) da janela de
oportunidade consistente na presente
situação, quando é maior o número
de pessoas em idade de trabalhar
do que o de crianças e adolescentes,
de um lado, e o de idosos, do outro.
É evidente que esse “bônus demo-
gráfico” só poderia ser plenamente
aproveitado se o nosso país efetuasse
suficientes investimentos bem dire-
cionados para a qualificação profis-
sional da população trabalhadora; a
inovação tecnológica baseada em
sólidas parcerias entre universidades
e empresas; e a modernização acele-
rada da infraestrutura de transportes,
logística e comunicações, providên-
cias indispensáveis para catapultar
o Brasil do seu atual patamar de
renda média para o nível de renda
das nações desenvolvidas – tudo
com vistas ao incremento geral da
produtividade, sem o qual aumentos
nominais de salário (e também do
valor das aposentadorias e pensões)
servem apenas para atiçar o fogo
inflacionário.
Considerando o rápido amadu-
recimento da pirâmide etária bra-
sileira, o país corre grave risco de
envelhecer antes de ficar rico. Um
alerta para todos nós, governantes
e governados.
MarcelloCasalJr./ABr
122 BOA VONTADE
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Opinião — Mídia Alternativa
O
vídeo de um policial branco
flagrado agredindo uma
adolescente negra de 14
anos em McKinney, cidade do Texas,
nos Estados Unidos, teve ampla
repercussão nas redes sociais e, em
seguida, em jornais e emissoras de
rádio e televisão norte-americanos
e de outros países. Nas imagens,
gravadas por um cidadão comum, o
por Carlos Arthur Pitombeira | Especial para a boa vontade
Carlos Arthur Pitombeira,
jornalista.
FelipeFreitas
agente da polícia aparece empurran-
do a menina ao chão, puxando seus
cabelos e, ainda, apontando a arma
contra outros jovens negros, que
criticavam sua truculência. Além
de provocar a punição do policial
e acender polêmicas em torno do
racismo, o vídeo reabre um debate
importante: como o jornalismo parti-
cipativo pode atuar como um aliado
dos grandes veículos de comunica-
ção, incentivando a participação
popular na produção de conteúdos?
O flagrante no Texas foi conside-
rado excelente trabalho por garantir
o poder às comunidades e se trans-
formar em algo de fácil abordagem e
relevante para a maioria das pessoas
nesta fase, em que a tecnologia vai
mudando a atividade das empresas
de comunicação; em que jornalismo
de gabinete vai cedendo lugar à
notícia local; em que os internautas
com perfis no Twitter e Facebook e
os que mantêm blogs se vão aos
poucos conscientizando de que a
internet, embora seja um território
livre, precisa ser usada com respon-
sabilidade. Essa, com certeza, é a
maior dificuldade encontrada pela
grande mídia para poder prestar
serviço à comunidade, aprimoran-
do os detalhes da informação que
melhoram o conteúdo.
As redações têm, sim, como ser-
vir de laboratório de jornalismo par-
ticipativo e do microjornalismo, que,
mais que uma questão geográfica,
fala dos interesses de cada indivíduo,
quer percorrendo determinada rede,
quer percorrendo a mídia social, le-
vando sempre em conta a credibilida-
de de quem conta a história. Antes,
porém, precisamos que as redações
ajudem a desmascarar a desinforma-
ção, tirando de circulação um bom
Novos caminhos
e desafios da mídia
shutterstock.com
124 BOA VONTADE
número de “jornalistas” de internet,
uns com e outros sem registro pro-
fissional, publicando matérias sem
apuração e ainda injuriando pessoas.
Algumas dessas intervenções ainda
destacam fotos montadas e boatos
como informação séria.
Democratização e
jornalismo
É preciso ainda treinar leitores
e vizinhos para serem participantes
ativos e testemunhas oculares; tra-
balhar para que eles, nos locais de
ocorrência, ajudem as redações a
tirar dúvidas das informações para
uma reportagem, levando em conta a
ética jornalística da qual deverão es-
tar cientes; e preparar as escolas de
comunicação para que tenham maior
acesso prático a treinamentos para
esse novo modelo que se quer alcan-
çar de um jornalismo participativo e
de um microjornalismo, ambos com
transparência e responsabilidade,
contribuindo, em sua totalidade, para
ajudar os indivíduos a compreender
qual a melhor forma de criar e com-
partilhar dados confiáveis.
Esse é o gigantesco desafio
para ajustar os caminhos da co-
municação nestes novos tempos de
sobrecarga de informação, quando
muitas coisas que vemos, ouvimos
ou lemos são equivocadas, deso-
nestas ou mesmo perigosas. Agora
não é mais o cidadão-repórter que
procura o jornal para publicar seu
relato, mas, sim, o jornalista que
mergulha nas mídias sociais em
busca de algo relevante para trans-
formar em notícia com conteúdo.
O caminho, ao que nos parece,
é dar o primeiro passo: conter a
desinformação on-line, com jornais,
emissoras de rádio e televisão pro-
curando o engajamento direto nas
comunidades e trazendo-as para o
processo de obtenção e veiculação da
informação e tornando-as conscien-
tes de sua força para mostrar valores.
Nesse processo, ainda é necessário
instruir os moradores em como é
feita uma reportagem por meio da
produção de conteúdos responsáveis.
Outro ponto que merece reflexão
é o seguinte: diante de tanto assunto
oferecido pelas redes de “confiança”
e amigos, o noticiário convencional
é relevante para quem?
O jornalismo participativo e o
microjornalismo, corrigidas as dis-
torções presentes hoje no uso da
internet, podem ser um forte aliado
nas regiões metropolitanas, desper-
tando os sentimentos mais primários
de cidadania. Eles formam outro
segmento para a democratização da
mídia no país.
Fotos:shutterstock.com
BOA VONTADE 125
na terceira idade
Quedas
— um problema de saúde pública —
por Walter Periotto | Especial para a boa vontade
shuttterstock.com
Melhor idade
A
Organização Mundial da
Saúde (OMS) estima que,
em 2050, a população com
mais de 60 anos de idade chegará a
2 bilhões* em todo o mundo e que,
em 2020, a quantidade de idosos
ultrapassará, pela primeira vez na
História, a de crianças com menos
de 5 anos. Essas previsões têm esti-
mulado os debates sobre o aumento
da longevidade, especialmente
quanto à melhora da qualidade de
vida e à solução das questões en-
frentadas pelas pessoas da terceira
idade em todos os âmbitos sociais.
Nesse contexto, o problema
das quedas, muito comuns nessa
faixa etária, tem recebido atenção
especial. Médicos argumentam que
um tombo com fratura pode ser
o disparador de complicações no
organismo do paciente, que podem
levá-lo a óbito.
De acordo com
o diretor do Insti-
tuto Nacional de
Traumatologia e
Ortopedia (Into),
dr. João Antonio
Matheus Guimarães, “o que acon-
tece com o paciente idoso é que,
às vezes, ele sofre uma queda da
própria altura, queda essa que,
num paciente mais jovem, pode não
Walter Periotto é jornalista. Foi
representante da LBV dos Estados Unidos
da América na década de 1980.
DanielTrevisan
Para evitar que acidentes com quedas aconteçam, especia-
listas recomendam ao idoso exercícios físicos que aumentem
a força muscular e trabalhem o equilíbrio dele, feitos sem-
pre com prescrição médica e o devido acompanhamento
profissional. Destaco, a seguir, algumas medidas que
podem dificultar a ocorrência de quedas.
• Prefira tapetes emborrachados e que não escorre-
guem, inclusive nos banheiros.
• Deixe espaço livre para caminhar.
• Tenha cuidado especial com os tropeços em animais domés-
ticos.
• Peça ajuda para retirar do caminho fios ou extensões elétricas
e objetos espalhados no chão.
• Procure sentar em sofás e cadeiras altos e firmes e em pol-
tronas com braço.
• Evite escadas sem corrimão ou com degraus estreitos.
• Utilize fitas antiderrapantes nos degraus para não escorregar.
• Instale barras de segurança nos banheiros.
• Preste bastante atenção quando estiver andando em lugares
que não conhece ou mal iluminados.
• Atravesse a rua somente na faixa de pedestres e fique atento
ao semáforo.
• Tenha cuidado também com o piso das calçadas.
Todo cuidado é pouco
trazer consequências mais graves,
mas, num idoso, principalmente se
for um idoso que tenha osteoporose,
pode terminar numa fratura que
acabe necessitando de cirurgia”.
A dra. Monica Perracini, fisiote-
rapeuta e professora da Universida-
de da Cidade de São Paulo
(Unicid), destaca que o
perigo maior ocorre justa-
mente nos casos em que se
tenha de fazer intervenção
cirúrgica. “As complica-
ções no pós-operatório
no idoso é que podem ser mais
deletérias para a saúde dele do que
propriamente a queda e a fratura.
Ele pode ter outras complicações
que venham a causar até a morte,
em razão da queda.”
Segundo o Ministério da Saúde,
pelo menos uma vez por ano cerca
de 30% dos indivíduos com mais de
65 anos sofrem alguma fra-
tura ao cair, estatística que
cresce no cenário global,
em que de 30% a 60% da
população idosa cai anual-
mente. Dessas quedas, de
40% a 60% levam a algum
tipo de lesão, conforme divulgou a
OMS. Precisamos ficar atentos!
Fonte: Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.
Dr. João Antonio Guimarães
Dra. Monica Perracini
Divulgação
Divulgação
* Em novembro de 2014, o número de idosos no mundo todo era de 841 milhões.
BOA VONTADE 127
Soldadinhos de Deus, da LBV
Arquivopessoal
Copyright©SoldadinhosdeDeus
Guilherme de Oliveira Barral, 9 anos.
Salvador/BA
Quando a gente segue os ensinamen-
tos de Jesus — de Amor, de Respeito,
de Paz —, a gente fica com a luz muito
grande e pode iluminar todo mundo.
Para a nossa luz brilhar, temos que
obedecer ao pai e à mãe da gente e res-
peitar todas as pessoas do mundo, não
praticar violência em lugar nenhum, não
praticar bullying, porque é uma coisa
muito feia. Tudo de bom que a gente tem
deve brilhar. Devemos ser educados, para
que as pessoas vejam e respeitem a gente.
(...)
Quanto mais a gente faz o Bem, maior
Bem a gente recebe e maior a nossa luz
vai ficar e vai iluminar todo mundo!
Ensinou o Divino Mestre ao povo:
“Vocês são a luz do mundo! Não se pode esconder uma
cidade construída sobre um monte; nem se acende uma vela
para colocá-la debaixo de um móvel; porém, em um lugar alto,
de modo que sua claridade ilumine a todos os que estão na casa.
“Assim, brilhe também a luz interior de cada um de vocês
diante dos homens, para que eles vejam as Boas Obras que
vocês fazem e glorifiquem o Pai que está nos Céus”.
Os discípulos, a luz do mundo
(Adaptação do Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 5:14 a 16.)
Comentário do Soldadinho de Deus
128 BOA VONTADE
(1) Yara Cruzeiro dos Santos, 10 anos. Uberlândia/MG; (2) Luiz Gustavo Camargo de Matos, 10 anos. Ventania/PR; (3) Stefany
Arceno, 6 anos. Biguaçu/SC; (4) Maria Luiza Brugnolo Corrêa, 1 ano. Pais: Silvana e Marco Antonio Corrêa. São Paulo/SP; (5)
Helton Leandro Barroco Júnior, 9 anos. Arapongas/PR; (6) Tarcylla Vitória da Silva Oliveira, na foto com 3 meses. Pais: Kelly
da Silva Meireles e Tiago de Oliveira. Moreno/PE; (7) Antony Marcos Santos de Menezes, 11 anos. Recife/PE; (8) Tarsila Alves
Viana, 6 anos, em momento de prece. Brasília/DF; (9) Os irmãos Lívia, 10 anos, e Felipe de Souza Mendes, 2. Salinas/MG; (10)
Larissa Figueiredo Marques, 9 anos. São João da Boa Vista/SP; (11) Bruno Daniel de Freitas Paresqui, 6 meses. Pais: Maria
das Graças Freitas Paresqui e Alan Lincoln Barbosa do Amaral Paresqui. Rio de Janeiro/RJ; e (12) Mariah Letícia Dutra, 1 ano.
Pais: Crislayne Karyne e André Santos. Campo Grande, Rio de Janeiro/RJ.
321
9 10 11 12
4
86 7
Fotos:Arquivospessoais
5
BOA VONTADE 129
Q
uem nunca ouviu alguém dizer
“O carro deu perca total” ou
“Isso é uma perca de tem-
po”? O uso de perca em construções
como essas não é correto, devendo
ser aplicado no lugar desse termo
o vocábulo perda. O engano ocorre
porque ambas as palavras são pa-
rônimas, isto é, aquelas com grafia
e pronúncia semelhantes. Então,
quando se devem empregar uma e
outra? Vejamos.
As duas palavras são relacionadas
ao verbo perder. Perda é substantivo
feminino e significa fato de deixar de
possuir ou de ter algo, sendo tam-
bém sinônimo de extravio, sumiço,
privação, dano total ou parcial e fim.
Exemplos:
“Precisamos chegar à cidade mais
próxima sem perda de tempo”; e
“A perda da disciplina é uma falta
grave”.
Perca é a forma conjugada do
verbo perder na primeira e na terceira
pessoa do singular do presente do
Adriane Schirmer, professora.
DanielTrevisan
subjuntivo ou na terceira pessoa do
singular do imperativo (tanto afirma-
tivo quanto negativo). Exemplos:
“Deus, não permita que eu perca
a esperança”;
“Não quero que ele perca o sorriso
nos lábios!”;
“Perca peso de forma saudável”;
“Perca o medo de dirigir”;
“Menino, não perca a hora!”; e
“Ninguém vive perdido por toda a
Eternidade. É do interesse do Criador
que nenhuma de Suas criaturas se
perca. E Ele a todos criou” (Paiva
Netto, no artigo “‘Ide e pregai’. A
missão é nossa!”, parte 2).
Uma dupla de verbos que pode
igualmente causar confusão é absol-
ver e absorver. Absolver quer dizer
inocentar, perdoar, remir. Exemplo:
“Os jurados absolveram o réu”.
Deriva de absolver o substantivo
feminino absolvição, que é a decisão
judicial a qual reconhece improce-
dente uma acusação contra alguém
ou o perdão de faltas e erros.
Absorver é o mesmo que embe-
ber, aspirar, sorver, ingerir. Exemplos:
“Um pano absorverá toda aquela
água”; e
“Os viajantes foram obrigados a
absorver a poeira do caminho”.
O verbo absorver ainda pode
ser empregado no sentido de “as-
similar”, conforme escreveu Paiva
Netto neste trecho de seu artigo
“O Milênio das Mulheres”: “Cada
vez que suplantarmos arrogância e
preconceito, existirá sempre o que
absorver de justo e bom de todos
os componentes desta ampla ‘Arca
de Noé’, que é o mundo globalizado
de hoje”.
Bom estudo e até a próxima!
Sugestões de temas e dúvidas são
bem-vindas. Se você as tiver, encami-
nhe-as para a Redação desta revista.
(Veja o endereço na página 6)
Adriane Schirmer | Especial para a boa vontade
Aprendendo Português
Atenção ao emprego
de palavras parecidas
William Luz/Renato Moura
130 BOA VONTADE
Revista Boa Vontade - Edição 240
Revista Boa Vontade - Edição 240

Revista Boa Vontade - Edição 240

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    Appgratuito darevista BOAVONTADE Esperança que vem de Paris conferênciado clima 2015 O olhar do mundo volta-se para a COP 21, que ocorrerá na França com a expectativa de firmar um novo protocolo entre as nações para evitar a elevação de 2 graus na temperatura média do planeta até o fim do século LBV É AÇÃO! Mobilização da Legião da Boa Vontade atende milhares de famílias atingidas pelo frio intenso no Centro-Sul e pela seca no Nordeste Cidadania sustentável O jornalista e escritor André Trigueiro e o engajamento em compartilhar uma nova ética civilizatória Paiva Netto escreve “Conscientização hoje...” e destaca: “Nosso brado é este: Educar. Preservar. Sobreviver. Humanamente também somos Natureza”. (Íntegra na p. 8.) O compromisso com o planeta a partir de nossas atitudes MEIO AMBIENTE E PROFECIAS EXCLUSIVO Cientista russa e Ph.D. em Geografia Médica, Natalia Shakhova e o alerta que vem do Ártico Análises e PROPOSTAS De Educação a Ciência e Tecnologia, alternativas para um mundo melhor
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    MAIS DO QUEUM TROFÉU, UMA CONQUISTA. MAIS DO QUE UM AGRADECIMENTO, UM MOTIVODEORGULHOPARATODOSOSCEARENSES. A Coelce está presente nos 184 municípios do Ceará todos os dias. Apoiando as comunidades, realizando projetos sociais, garantindo o desenvolvimento e levando qualidade de vida aos lugares mais distantes. Para isso, conhece de perto cada um de seus clientes. E a cada cumprimento, acena de volta. Obrigado a todos os cearenses. Um povo que não abre mão da qualidade. COELCE. A MELHOR DISTRIBUIDORA DE ENERGIA DO BRASIL PELA QUINTA VEZ.
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    8 evangelho dejesus e meio ambiente por Paiva Netto Conscientização hoje... 12 Cartas, e-mails, livros e registros 19 Opinião — Esporte por José Carlos Araújo Campeonato termina antes do fim 20 Samba & história por Hilton Abi-Rihan Xande de Pilares — Talento e perseverança 23 Opinião — Educação por Arnaldo Niskier Edupark,uma grande inovação 24 LBV é ação 30 Opinião — Terceiro setor por dr. Airton Grazzioli Eficiência e inovação 32 Comunicação André Trigueiro — A grave crise ambiental 37 caderno especial — conferência mundial sobre o clima • O que substituirá o protocolo de Kyoto? (p. 37) • Entrevista exclusiva com Natalia Shakhova — Ameaça que vem do Ártico (p. 40) • José Goldemberg — O Brasil e a importância da energia eficiente e limpa (p. 46) • Paulo Saldiva — Saúde, poluição e economia (p. 47) • Suelí Periotto — Cidadania solidária e ecumênica (p. 48) • Bel Pesce — Protagonismo socioambiental (p. 49) • José Antonio Marengo — Extremos climáticos e crise hídrica (p. 50) • Bárbara Rubim — A importância de investir em fontes renováveis (p. 51) • Ações da LBV para preservar o planeta (p. 52) • Consciência sustentável e espiritual por Nathália Helena Azevedo Pereira (p. 60) • Sustentabilidade planetária e profecias por Daniel Borges Nava (p. 62) 65 Internacional Medalhistas no Pan de Toronto recebem homenagem da LBV sumário Reflexão de Boa Vontade “(...) Conforme respondi ao jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Parisi Rappoccio, em en- trevista que lhe concedi, a 18 de outubro de 1981, a Solidariedade se expandiu do luminoso campo da ética e se apresenta como estratégia, de modo que o ser humano possa alcançar e garantir a sua própria sobrevivência. À globalização da miséria contrapomos a globalização da Fraternidade, que espiritualiza e enobrece a Economia e solidariamente a disciplina, como forte instrumento de reação ao pseudofatalismo da pobreza. Por isso, é fundamental convergir todas as ferramentas disponíveis para a Solidariedade Ecumênica e compartilhá-las, para que se promova, com maior rapidez, a transição para o pleno desenvol- vimento sustentável. Integrados esses instrumentos que visam ao bem comum, pelo autêntico sentido de Amor Fraterno e de Justiça, que nos distinguem dos animais ferozes, poderemos fazer cessar os horrores que ainda persistem no mundo. Além de superar todas as mazelas sociais — dure o tempo que durar a luta —, é nosso dever construir, unidos, um modelo novo de desenvolvimento que efetivamente preserve a vida neste orbe (...).” Trecho da mensagem de Paiva Netto encaminhada aos participantes da histórica Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015, realizada de 25 a 27 de setembro, em Nova York, EUA. A íntegra do documento encontra-se no blog Paiva Netto (www.paivanetto.com). 84 Educação em debate Conhecimento ou informação? Congresso Internacional de Educação da LBV discute o papel da pesquisa na aprendizagem significativa. 8 evangelho de jesus e meio ambiente Paiva Netto escreve: “Conscientização hoje...”. 4 BOA VONTADE
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    20 Xande de Pilares 19 José Carlos Araújo 25 Mílton Jung 74 Dr.Alberto Padova 112 Dr. Eduardo Tosta 66 LBV na ONU • Os desafios do planeta pós-2015 (p. 66) • LBV é convidada para cúpula histórica da ONU (p. 72) 74 ONU na LBV Cidadania além-fronteiras 78 Ação jovem lbv Atitude e convicção no Bem 84 Educação em debate Conhecimento ou informação? Congresso Internacional de Educação da LBV discute o papel da pesquisa na aprendizagem significativa 92 Campanhas emergenciais da LBV Presente onde o povo precisa! O amparo da Legião da Boa Vontade chega a milhares de famílias castigadas pela estiagem e pelo inverno rigoroso 106 saúde Bucal Sorriso em dia 108 fórum mundial espírito e ciência, da lbv Espiritualidade + Ciência + Saúde — fórmula do bem viver 112 Espiritualidade e saúde por Eduardo Tosta O poder curativo do Amor 118 templo da boa vontade 120 Opinião — Congresso em pauta por Paulo Kramer O dilema previdenciário brasileiro 124 opinião — mídia Alternativa por Carlos Arthur Pitombeira Novos caminhos e desafios da mídia 126 melhor idade por Walter Periotto Quedas na terceira idade 128 soldadinhos de deus, da lbv 130 Aprendendo português por Adriane Schirmer Atenção ao emprego de palavras parecidas 51 Bárbara Rubim 40 Natalia Shakhova 32 André Trigueiro 49 Bel Pesce 46 José Goldemberg 50 José Antonio Marengo 47 Paulo Saldiva 62 Daniel Borges Nava 32 A GRAVE CRISE AMBIENTAL E CADERNO ESPECIAL conferência mundial sobre o clima COP 21 traz esperança de novo acordo global para diminuir a emissão de gases de efeito estufa 108 fórum mundial espírito e ciência, da LBV Espiritualidade + Ciência + Saúde — fórmula do bem viver 18 Laurentino Gomes 30 Dr. Airton Grazzioli 106 Dr. José Peixoto Ferrão Jr. ParlaMundi da LBV no DF BOA VONTADE 5
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    pode acelerar, demaneira dramá- tica, o aquecimento global. Aqui no Brasil, outros relevantes pontos foram trazidos por interlo- cutores da temática socioambien- tal, como Bárbara Rubim, coorde- nadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil; Bel Pesce, empreendedora e fundadora da escola FazINOVA; José Goldem- berg, físico e presidente da Fapesp; José Marengo, meteorologista e chefe da Divisão de Pesquisas do Cemaden; Paulo Saldiva, patolo- gista e coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP; e Suelí Periotto, supervisora da linha pedagógica da LBV. Ainda sobre o meio ambiente e as consequências das desastrosas ações humanas nele, a revista traz o artigo “Conscientização hoje…”, do diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, o jornalista, radialis- ta e escritor José de Paiva Netto, em que ele enfatiza: “Pode ser chocante, mas os filhos da atual geração e, posteriormente, seus Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica BOA VONTADE é uma publicação da LBV, lançada pela Editora Elevação. Registrada sob o no 18166 no livro “B” do 9o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo. Diretor e Editor-responsável: Francisco de Assis Periotto — MTE/DRTE/RJ 19.916 JP chefe de redação: Rodrigo de Oliveira — MTE/DRTE/SP 42.853 JP • Coordenação geral de Pauta: Gerdeilson Botelho Superintendência de marketing e comunicação: Gizelle Tonin de Almeida Jornalistas e Colaboradores Especiais: Dr. Airton Grazzioli, Arnaldo Niskier, Carlos Arthur Pitombeira, Daniel Borges Nava, Hilton Abi-Rihan, José Carlos Araújo e Paulo Kramer. Equipe Elevação: Adriane Schirmer, Cida Linares, Giovanna Pinheiro, Leila Marco, Leilla Tonin, Mariane de Oliveira Luz, Mário Augusto Brandão, Neuza Alves, Silvia Fernanda Bovino, Valéria Nagy, Vivian R. Ferreira, Walter Periotto, Wanderly Albieri Baptista e William Luz. Projeto Gráfico e capa: Helen Winkler • Diagramação: Diego Ciusz e Helen Winkler Impressão: Mundial Gráfica • Crédito da foto de capa: André Trigueiro: Odevan Santiago; Imagem da capa: shutterstock.com; e Natalia Shakhova: Arquivo pessoal Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 • CEP 01134-050 • Bom Retiro • São Paulo/SP • Tel.: (11) 3225-4971 • Caixa Postal 13.833-9 • CEP 01216-970 • Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus artigos assinados. A publicação obedece ao elevado propósito de estimular o debate dos temas relevantes brasileiros e mundiais e de refletir as tendências do pensamento contemporâneo.Tiragem: 50 mil exemplares Edição fechada em 8/10/2015 ANO 59 • No 240 JUN/JUL/AGO/SET/2015 Canais da LBV na internet: www.lbv.org.br Facebook: LBV Brasil Twitter: @LBVBrasil Youtube: LBV Videos netos pedem socorro aos que hoje gastam, de maneira condenável, o que o planeta lhes oferece”. Além dessa inspiradora mensagem, há a entrevista do também jornalista André Trigueiro, ocasião em que o repórter da TV Globo conta como se interessou pela ecologia e de que forma isso transformou sua vida e carreira. O leitor igualmente poderá sa- ber como foi a mobilização da LBV em prol do socorro emergencial de populações em situação de risco social castigadas por dois fenô- menos climáticos que impactaram nosso país: de um lado, as baixas temperaturas e as fortes chuvas que atingiram localidades no Sul; e, de outro, a seca nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por fim, merece realce nesta edição o bate-papo com o can- tor Xande de Pilares, na seção “Samba & História”, no qual falou sobre os desafios que enfrentou até alcançar o sucesso profissional. Boa leitura! P or que a 21a Conferência das Partes (COP 21), que ocorre- rá em dezembro, em Paris, na França, interessaria a você? De que modo os temas a serem dis- cutidos nesse encontro influenciam seu dia a dia? Em busca de respos- tas a esses e a outros importantes questionamentos, as quais tornam expressões como efeito estufa e uso de energias renováveis aconteci- mentos mais próximos de nossa realidade, a revista BOA VONTADE ouviu especialistas de várias áreas da sociedade para compor o espe- cial “Conferência Mundial sobre o Clima”. Primeiramente, destaque para os sérios alertas feitos pela cien- tista russa Natalia Shakhova, doutora em Ciências em Geologia Marinha e Ph.D. em Geografia Médica. Em entrevista exclusiva à publicação, ela comentou que análises realizadas no solo oceâ- nico da Plataforma Ártica Leste- -Siberiana revelam crescentes emissões de metano, fato que O desafio da sustentabilidade ao leitor 6 BOA VONTADE
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    Evangelho de Jesuse meio ambiente ... Antes que seja tarde para os inquilinos da Terra. Conscientização hoje... 8 BOA VONTADE
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    JoãoPreda José de PaivaNetto, jornalista, radialista e escritor. É diretor-presidente da LBV. Q uando nos aproximamos da 21a Conferência das Partes (COP 21), que terá vez em Paris, França, de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, apresento neste editorial contributo mo- desto aos debates que a agenda do clima urgentemente reclama. Há décadas, venho insistindo que a destruição da Natureza é a extinção da raça humana. Fica evidente que essa não é uma simples frase de efeito para chamar a aten- ção desta Humanidade, sempre apressada, muitas vezes rumo ao próprio extermínio. Em geral, as criaturas se movem como se não houvesse amanhã. Desse modo, deixam de avaliar o resultado futuro de seus atos no presente. É preo­cupante, porque, quando os efeitos devastadores da má semeadura chegam, o quadro pode ser irreversível ou acompanhado de imensos prejuízos. Sustentabilidade é palavra da moda. Contudo, agimos em consonância com seu significado? Os problemas relacionados aos recursos naturais aumentam a cada dia. Ve- jam a diminuição dos reservatórios de água em diversas cidades brasileiras!  Vez por outra, vêm à tona estudos de- monstrando que qualquer ação desenfreada contra o meio ambiente traz algum tipo de desequilíbrio local ou à distância. Mesmo assim, as árvores continuam sendo “estorvo” ou objeto de ganância sem fim na Amazônia, na Mata Atlântica ou em qualquer lugar. Até quando? shutterstock.com BOA VONTADE 9
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    Evangelho de Jesuse meio ambiente shutterstock.com Atitudes decididas de preservação Na década de 1980, pesquisa- dores já alertavam para o risco de a capital bandeirante vivenciar clima semelhante ao do Nordeste do Brasil. Com seguidas massas de ar seco sobre a região, falta de chuva recor- rente, poluição sem controle, sua famosa marca de “terra da garoa” vai ficando no passado. Ainda que o comportamento climático também seja cíclico, tal fato não sugere que devamos baixar a guarda. A esperança é que o povo — e isso em todo o orbe, desde as pes- soas mais simples às que dirigem as nações — tome atitudes decididas de preservação de nossa espécie. Se as coisas persistirem como andam, lá na frente poderemos ler anúncios assim: “Restam poucos exemplares humanos em tal localidade. A região, antes repleta de vida, tornou-se hostil, sendo totalmente prejudicada pela aridez e pela falta de visão de seus moradores”. Pode ser chocante, mas os filhos da atual geração e, posteriormente, seus netos pedem socorro aos que hoje gastam, de maneira condenável, o que o planeta lhes oferece. Hawking: colonizar o espaço para sobreviver O conceituado astrofísico inglês Stephen Hawking chegou mesmo às raias de afirmar ao site Big Think que “nossa única chance de sobrevivência em longo prazo não é permanecer na Terra, mas se espalhar pelo espaço”. E prossegue: “Eu vejo um grande perigo para a raça humana. Houve vezes, no passado, em que a sobrevivência [do ser humano] foi incerta. (...) Nossa população e o uso de recursos finitos do planeta Terra estão crescendo exponencialmente, assim como nossa capa- cidade técnica de mu- dar o ambiente para o bem e para o mal”, disse Hawking. Vejam que não se trata de nenhum alarmista. É de se destacar também que muita gen- te idealista e pragmática — a exemplo do próprio professor lucasiano emérito da Universidade de Cambridge — vem dando voz ativa à fauna e à flora que nos cercam. Entretanto, é preciso que essa consciência se multiplique por toda parte, começando pelas crianças, em casa e nas escolas. Aplacar as tempestades Confiantes, rogamos a Deus que aplaque as intempéries meteoro- lógicas que levam, todos os anos, sofrimento a multidões no mundo. E sejamos cida- dãos conscientes de que, se merecedores, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, em pessoa no- vamente, fará os prodígios relatados no Evangelho, segundo  Lucas, 8:24, quando o Celeste Timonei- ro acalma uma tempestade. O Mestre dos Milênios virá e re- preenderá o vento e a fúria da água, hoje simbolizada igualmente pela escassez dela própria. Usufruir de bonança na atualidade depende do convívio harmônico com a Natureza. E finalizo este editorial com trechos da mensagem “LBV, Rio- 92 e os desafios da Rio+20”, que humildemente enderecei aos chefes de Estado do mundo inteiro e a suas comitivas, além de aos represen- Jesus ReproduçãoBV Stephen Hawking 10 BOA VONTADE
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    veitamento das águasda chuva, excelentes trabalhos de cientistas e outros estudiosos prometem bons resultados no curto e no longo prazo. Por exemplo, é intensa a pesquisa na área energética, sobretudo em relação a fontes renováveis e limpas: biocombustível, biomassa, energia azul, energia geotérmica, energia hidráulica, hidreletricidade, energia solar, energia maremotriz, energia das ondas e energia eólica, além de outros objetos de estudo pouco conhecidos e aqueles que nem mesmo sabemos ainda que serão descobertos. A Fé é o combustível das Boas Obras. “Não jogam a toalha” Destaco, por devido, o esforço militante, pela causa do meio am- biente, de entidades governamentais e do Terceiro Setor, sérias e ativas, no Brasil e no mundo; de multidões de idealistas que “não jogam a toa- lha” e continuam na linha de frente pelejando por um planeta realmente melhor. Nosso brado é este: Educar. Pre- servar. Sobreviver. Humanamente também somos Natureza. tantes da sociedade civil, presentes à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentá- vel (CNUDS), a Rio+20, realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012, na capital fluminense. Espe- cialmente para o evento, remetemos a revista especial Boa Vontade Meio Ambiente nos idiomas por- tuguês, inglês, espanhol e francês. Gente que luta Para que nosso planeta sobreviva aos efeitos de tanta ganância pelos séculos, verdade seja dita, temos visto notáveis esforços de pesqui- sadores e de cidadãos engajados na melhora da qualidade de vida por todo o globo. Aliados às iniciativas que buscam a alimentação sau­ dável, por intermédio da agricultura or­gânica, meios de transporte alternativos e a proteção do meio ambiente, pela reciclagem e pelo tratamento racional do lixo e apro­ “(...) os filhos da atual geração e, posteriormente, seus netos pedem socorro aos que hoje gastam, de maneira condenável, o que o planeta lhes oferece.” paivanetto@lbv.org.br www.paivanetto.com É hora de agir! Todos os anos, milhares de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica e de outras áreas verdes no mundo são desmatados indiscriminadamente, situação que contribui para a instabilidade do clima em todo o orbe e para o desequilíbrio do ecossistema. shutterstock.com BOA VONTADE 11
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    Cartas, e-mails, livrose registros PUBLICAÇÃO DIVERSIFICADA Recebi a revista BOA VONTA- DE [no 238, com a chamada de capa] “65 anos de Fraterni- dade Ecumênica por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz”, de 2015, e dela tudo se apro- veita para o desen- volvimento moral, espiritual, físico e intelectual de todas as pessoas, in- distintamente. A publicação é mui- to bonita, rica e diversificada em seu conteúdo, quer pela relevância de seus articulistas, quer pelos tra- balhos altruísticos, beneméritos, pedagógicos e literários em nosso favor, além de ser articulada e ensinar a língua de Camões. Não me surpreenderam os meritórios prêmios internacionais concedidos à LBV (...), identificada com e em Cristo Jesus. (Marco Antonio Azkoul, escritor, mestre e doutor em Direito Constitucional, de São Paulo/SP.) ECUMENISMO MOTIVA VISITA À LBV Agradecemos a simpatia da equipe da Legião da Boa Von- tade no acolhimento ao nosso grupo do 8o ano de catequese, da Paróquia de São Julião de Ca- lendário. [O nosso] muito obrigado pela vossa alegria, entusiasmo contagiante e disponibilidade para nos receber na vossa casa. Que Deus vos dê tudo de que precisais para prosseguir com a ajuda que prestais a todos os que recorrem à Instituição. (Maria Goreti Sá e Eugénia Faria, catequistas, de * Leia mais artigos sobre o assunto em http://www.paivanetto.com/pt/ecumenismo Vila Nova de Famalicão, Portugal, após visita à LBV daquele país, com um grupo de 11 jovens, para conhecerem de perto o Ecume- nismo Irrestrito* praticado pela Entidade.) Em junho, a socióloga e educadora Maria Alice Setubal, co- nhecida como Neca Setubal, reuniu, em uma livraria da capital paulista, amigos, autoridades e empresários para o lançamento de Educação e sustentabilidade: princípios e valores para a for- mação de educadores (Editora Peirópolis). O livro traz conceitos debatidos e conectados com práticas que revelam que os valores e princípios da sustentabilidade devem ser incluídos na formação de professores e educadores. Na opinião da autora, temas como a diversidade cultural e a equidade social são pontos que têm de estar presentes no currículo escolar para que se criem cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. “É isto que a gente quer: que os alunos sejam formados para poder participar desta so- ciedade em que vivemos hoje e da que eles participarão daqui a dez anos”, destacou. No evento, Neca ainda escreveu, em um dos exemplares da obra, estas palavras ao dirigente da LBV: “Caro José de Paiva Netto, com a educação poderemos construir um país mais justo e melhor. Abraços”. Educação e sustentabilidade, por Neca Setubal RobertaAssis Portugal 12 BOA VONTADE
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    Crescimento humano Agradeço agentileza e atenção e apresento cumprimentos à equipe responsável pela publi- cação da revista BOA VONTADE, enquanto prevaleço-me da oportu- nidade para, também, externar os meus votos de louvor pelo trabalho realizado pela LBV e divulgado em parte pela revista, sempre buscan- A jornalista Míriam Leitão lançou, em agosto, na capital federal, o livro História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI (Editora Intrínseca), resultado de extenso trabalho de reportagem, que incluiu quatro anos de pesquisas, análises, viagens e entrevistas com especialistas em assuntos de interesse da sociedade. Na publicação, ela indica tendências que não podem ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde e tecnologia. “O convite que faço aos leitores é o de seguir comigo a linha — nada linear — do tempo que nos trouxe do passado ao presente e nos levará ao futuro. Não por predestinação, mas por escolha”, ressalta em trecho da obra. Representantes da Legião da Boa Vontade estiveram no evento de lançamento e cumprimentaram a autora. Na ocasião, ela registrou a seguinte dedicatória em um exemplar do título: “Para o presidente da LBV, José de Paiva Netto. Um abraço da Míriam Leitão”. O escritor e cartunista Ziraldo lançou, em 13 de setembro, durante a 17a Bienal Inter- nacional do Livro do Rio de Janeiro, Nino, o menino de Saturno. Na obra literária, ele narra as aventuras de um garoto que adora deslizar pelo espaço com sua prancha de surfe. Quando, sem qualquer explicação, os anéis de Saturno amanhecem sem cor, o personagem parte em busca de uma solução para esse mistério. Com ilustrações do próprio Ziraldo, o trabalho apresenta aos leitores mirins a riqueza da criação de grandes pintores, entre estes Matisse, Picasso e Miró. Representantes da LBV estiveram na tarde de autógrafos e cumprimentaram o autor, que encaminhou aos atendidos pela Instituição um exemplar do título autografado, com a seguinte dedicatória: “Viva as crianças da LBV! Ziraldo”. Míriam Leitão convida leitores a olhar para o futuro Ziraldo apresenta Nino, o menino de Saturno GustavoHenriqueLima PriscillaAntunes do a valorização e o crescimento do ser humano em sua essência. (Wanderley Ávila, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.) BOA VONTADE 13
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    Cartas, e-mails, livrose registros Educador Paulo Nathanael é homenageado em livro te, ele é reitor da Universidade Corporativa Sciesp (UNISciesp), ex-presidente da Academia Paulista de Educação (APE) e presidente emérito do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee). Em um gesto muito gentil, o educador encaminhou ao diretor-presidente da LBV um livro (lançado em maio de 2014), acompanhado de cartão, no qual registrou a seguinte mensagem: “Caro Paiva Netto, continuo antenado nessa bem-aventurada obra da Legião, quer através da revista BOA VONTADE, que regularmente recebo e leio, quer por amigos que colaboram regularmente com os projetos — notada- mente educativos —, que fazem de vocês uma força viva na construção do País. Parabéns, como sempre, e, junto com os cumprimentos, este exemplar de Relógio do Tempo, uma biografia escrita, para meu orgulho, pela historiadora Yvonne Capuano. Abraços”. Na primeira página da publicação, o biografado inscreveu esta dedicatória: “Ao Paiva, meu confra- de nesta árdua tarefa de servir o Brasil através da educação de suas crianças. Com as homenagens do Paulo Nathanael. 2015”. Relógio do tempo — Perfil biográfico do educador Paulo Nathanael Pereira de Souza (Miró Editorial) é o título mais recente da historiadora Yvonne Capuano, que também é médica e mestre em Educação, Admi- nistração e Comunicação. Na obra, a autora debruça- -se sobre a vida de um dos principais pensadores da educação brasileira, o dr. Paulo Nathanael Pereira de Souza, que ocupou a presidência do Conselho Federal de Educação, além de ter sido curador da Fundação Padre Anchieta e de outras instituições. Atualmen- LuizBarcelos RenataTabachdePaiva No dia 24 de setembro, o jornalista Ricardo Viveiros lançou, em São Paulo/SP, seu oitavo livro biográfico, Uma Vida pelo Seguro: A trajetória de Hélio Opípari (Editora Azulsol). Nele, o escritor discorre sobre o filho de imigrantes italianos que começou a atuar na área de seguros aos 16 anos e hoje é um profissional cujo nome ecoa no mercado de seguros como arauto da confiabilidade. A obra, que aborda o período de 1929 até os dias atuais, enfoca importantes momentos da história política e econômica do Brasil, além de reunir fotos de arquivo da família Opípari. Por ocasião do lançamento, biografado e autor receberam os cumprimentos de representantes da Legião da Boa Vontade e, com muita simpatia, dedicaram exemplar do título ao diretor-presidente da LBV. Opípari escreveu: “Ao grande amigo Paiva Netto, com nossa admiração”. Viveiros, por sua vez, registrou: “Ao meu amigo Paiva Netto, com um fraterno abraço, esta vida bem vivida”. Biografia de Hélio Opípari é lançada na capital paulista Hélio Opípari (E) e o jornalista Ricardo Viveiros, autor do livro biográfico Uma Vida pelo Seguro: A trajetória de Hélio Opípari. 14 BOA VONTADE
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    Cacá Diegues e a autobiografia CarlosChagas relembra história nacional ArquivoBV GustavoHenriqueLima Em junho, o cineasta alagoano Carlos Die- gues, mais conhecido como Cacá Diegues, esteve em Fortaleza/CE para a sessão de autógrafos de Vida de cinema: antes, durante e depois do Ci- nema Novo (Editora Objetiva), sua mais recente obra literária. Autobiografia cheia de bom humor, o título conta façanhas do autor desde menino e provoca risos ao descrever o dia em que ele ensaiou fazer uma fotonovela baseada na peça Romeu e Julieta com seus irmãos e a empregada. Essa veia artística logo ficou evidente e revelou o notável talento do premiado diretor de cinema, haja vista os filmes Chuvas de verão (1977) e Bye bye Brasil (1979), dois dos maiores suces- sos dele. Por ocasião do evento na capital cearense, o escritor recebeu um exemplar da edição no 238 da revista BOA VONTADE e autografou seu livro para o diretor-presidente da LBV, no qual fez constar: “Para Paiva Netto, com o abraço do Cacá Diegues”. O jornalista Carlos Chagas, que também é comentarista da rede de televisão paranaense CNT e professor emérito da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), lan- çou em agosto, na capital federal, sua mais recente obra literária, intitulada A ditadura militar e a longa noite dos generais: 1970-1985 (Editora Record). Com a publicação, que se soma ao título A ditadura militar e os golpes dentro do golpe: 1964-1969 (Editora Record, 2014), Chagas encerra o impecável tra- balho sobre o governo militar no Brasil — o qual resume “a história contada por jornais e jornalistas”. Durante o evento de lançamento, o autor dedicou um exemplar do livro ao diretor-presidente da LBV, em que escreveu: “Ao caro amigo e mestre José de Paiva Netto, com as homenagens do Carlos Chagas”. Com a revista BOA VONTADE no 238 em mãos, Cacá Diegues confraterniza com Leandro Ribeiro Nunes, da LBV, que segura o novo livro do cineasta. BOA VONTADE 15
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    Cartas, e-mails, livrose registros Fotos:JoãoNery Ranking divulgado em 31 de agosto pelo site MelhorEscola.Net (www.melhorescola. net) aponta o Instituto de Educação José de Paiva Netto (que, ao lado da Supercre- che Jesus, forma o Conjunto Educacional Boa Vontade) em 1o lugar entre 97 escolas particulares de São Paulo/SP. A avaliação, feita por pais, alunos, ex-alunos e professores, leva em conta a motivação dos estudantes, a estrutura física do estabelecimento de ensino, a participação da comunidade, o desenvol- vimento socioemocional dos educandos e a preparação deles para o vestibular. De acordo com os criadores do site — que, em pouco mais de dois anos de exis- tência, já foi visitado por mais de um milhão de pessoas —, a página foi idealizada para ajudar os pais a escolher os melhores colé- gios para os filhos. Cabe destacar que, na edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a escola atingiu 624,43 pontos, quase 30% a mais do que a média nacional, de 486,20 pontos, conforme divulgou, à época, o Insti- tuto Nacional de Estudos e Pesquisas Edu- cacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza a prova. 1o lugar no ranking do MelhorEscola.Net AtalisonAlves Sábado Literário na educação infantil O incentivo à leitura na primeira infância é uma das práticas bem-sucedidas nas escolas da Legião da Boa Vontade. Em São Paulo/SP, por exemplo, na Supercreche Jesus, a relação dos pequeninos com a leitura começa já no berçário, com o uso de livrinhos de plástico, que deixam o banho mais divertido. Somam-se a isso diversas iniciativas, entre elas o “Sábado Literário”. Ocorrida em agosto, a atividade contou também com a participação dos familiares dos educandos. Na ocasião, os professores fomentaram espaços para contação de histórias, além de realizar apresentações teatrais e muitas brincadeiras. 16 BOA VONTADE
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    Em setembro, oCentro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo/SP, organizou o 10o Encontro de Comunicação e Letras. Uma das ações realizadas foi o 5o Fórum de Pesquisa, que ocorreu entre os dias 17 e 18 daquele mês e teve como objetivo estimular a pesquisa acadêmica. Nele, diversos alunos puderam mostrar seus trabalhos e res- ponder às perguntas sobre os tópicos expostos por eles. A graduanda em Letras Sarah Jimena Moreno de Paula, de 21 anos, falou acerca dos bons resultados al- cançados pelos estudantes do Conjunto Educacional Boa Vontade, localizado na capital paulista, o qual aplica a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico criadas pelo educador Paiva Netto. Entusiasmada com a acolhida de sua apresentação Encontro Fraterno O cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Pau- lo, prestigiou a participação do Coral Ecumênico e do Grupo de Instrumen- tistas Infantojuvenil Boa Vontade, em 29 de setembro, na capital paulista, na abertura artística do encontro Lau- dato si’ — Um chamado à Ecologia Integral, que discutiu o compromisso com o meio ambiente e a luta contra a pobreza na perspectiva do papa Francisco. O evento ocorreu no TUCA, Proposta educacional da LBV é destaque em evento universitário pelo público presente, Sarah escreveu ao dirigente da LBV pararelataraexperiência. “(...)Pudeperceberobrilhonos olhos dos professores que mediavam a mesa temática da qualparticipei,assimcomonosdosalunos,meuscolegas de curso, que acompanharam e demonstraram grande interesse quanto ao assunto que apresentei. Mesmo com outros temas em discussão, o foco da atenção de todos foi notoriamente o trabalho da LBV. Todos me dirigiram perguntas, pois queriam saber mais e mais sobre a Pe- dagogia da Legião da Boa Vontade e a sua extraordinária metodologiaprópria(MAPREI).Assim,tiveaoportunidade de discorrer amplamente sobre a proposta da LBV de formar ‘Cérebro e Coração’, intelecto e sentimento, des- tacandoaEspiritualidadeEcumênicacomoeixonorteador das ações educacionais da Entidade”, declarou. Fotos:VivianR.Ferreira Teatro da Pontifícia Universidade Ca- tólica de São Paulo (PUC-SP), e, na ocasião, as crianças entoaram nesse recinto e em áreas de convivência do campus, canções que exaltam a Natureza e a vida, sendo aplaudidas por universitários e educadores. O convite para essa apresentação partiu do Núcleo de Estudos do Futuro (NEF) e do Grupo de Estudos e Pesquisa em Interdisciplinaridade (GEPI), dessa universidade. BOA VONTADE 17
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    Cartas, e-mails, livrose registros Laurentino Gomes: “Sou mais um Legionário!” Lançamento Laurentino Gomes apresentou, em 5 de setembro, na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, a obra O Caminho do Peregrino – seguindo os passos de Jesus na Terra (Globo Livros). O título surgiu de uma longa e profunda busca de natureza espiritual, que teve entre seus momentos marcantes uma viagem que o autor realizou a Israel. Ele encaminhou um exemplar da obra ao dirigente da LBV, com estas palavras: “Para o amigo Paiva Netto, com um grande abraço, a admiração e a gratidão do autor”. F oi dessa maneira que o re- nomado escritor, jornalista e historiador Laurentino Gomes descreveu o sentimento que viveu ao conhecer o Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, em 7 de agosto. Para ele, “visitar essa unidade é recuperar energias e conseguir um ânimo novo para viver”. Autor da trilogia de suces- so  1808,  1822 e 1889 (Editora Globo), o escritor emocionou-se ao ser homenageado pelo Coral Ecumê­ nico e Grupo de Instrumentistas Infantojuvenis Boa Vontade. Em entrevista à BOA VONTADE,  afir- mou: “Percebo que a LBV tem um VivianR.Ferreira Assista à entrevista de Laurentino Gomes na Boa Vontade TV trabalho muito grande de fazer essa formação alicerçada em va- lores sólidos de raiz ecumênica. E é tudo o que nós precisamos: uma sociedade que cultive valores que nos possam levar a outro patamar de cidadania, de honestidade, de ética, de respeito pelo outro. Sem- pre fui muito acolhido na Legião da Boa Vontade e é com gratidão que venho aqui hoje. Muito obrigado!”. Na oportunidade, o autor doou seis livros de sua autoria à Bi- blioteca Bruno Simões de Paiva, que conta com mais de 20 mil volumes, adquiridos pelo  Programa Perma- nente de Incentivo à Leitura. “É um trabalho extremamente relevante, um trabalho de inclusão social, de educação, de acolhimento. E estou encantado de ver como isso tudo se alia à leitura”, afirmou ele. Em sua página no Facebook, Lau- rentino destacou a visita feita à LBV: “Com estudantes do coral da Legião da Boa Vontade (LBV), unidade Bom Retiro, em São Paulo, que ontem me receberam para uma homenagem ao Dia do Escritor, comemorado em 25 de julho. Obrigado pela acolhida. Fiquei profundamente tocado pela beleza desse projeto, que apoia crianças e adolescentes de famílias carentes da região. A partir de agora, sou mais um Legionário!”. 18 BOA VONTADE
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    F alta pouco parao fim do Cam- peonato Brasileiro, e, ainda que o futebol seja dinâmico, podemos dizer que o Corinthians é o virtual campeão de 2015. Apesar das constantes reclamações sobre favorecimento da arbitragem, foi o time que apresentou o melhor futebol ao longo da competição, sempre seguido pelo vice-líder Atlético Mineiro. Linhas compactas, velocidade, eficiência, como manda o figurino das grandes equipes mun- diais, pautaram a sua campanha. A luta pelas outras duas vagas na Copa Libertadores da América está acirrada. O Grêmio está quase ga- rantido, e na briga pela última vaga estão Palmeiras, Santos, São Paulo, Flamengo e Internacional. É difícil arriscar um prognóstico, tamanho o equilíbrio e a instável gangorra no campeonato. No chamado Z-4, surpreende a reação tardia do Vasco, que precisa de um milagre para se salvar. Mas, com determinação, vem reagindo e conta com o peso da camisa para se livrar, no que, aliás, não está sozinho. Brigam igualmente pela salvação Joinville, Chapecoense, Coritiba, Avaí e Goiás. Essa parte da tabela promete emoção. Não podemos esquecer-nos da boa campanha do Botafogo na série B. Está prestes a obter o acesso à eli- te com folga. Também já discutimos a questão, mas não custa relembrar que as famosas marcas, os clubes de massa, de tradição, têm que estar na série A. Em nenhum outro país há tantos times tradicionais. Um percentual de 20% dos participantes com risco de rebaixamento absurdo, um índice altíssimo! Tínhamos o modelo perfeito para clubes, patrocinadores e tor- cedores; porém, decidimos imitar os europeus na fórmula de compe- tição, com pontos corridos e, por consequência, muitas definições com rodadas de antecedência. Re- sultado: um torneio chato. Mais uma observação sobre a mania de imitar o que vem de fora: hoje, o Velho Continente experimenta a antiga escola brasileira, e nós copiamos o jogo duro, bruto, repleto de volantes deles. Uma inversão total de valores. Cabe destacar ainda a fase das eli- minatórias para a Copa do Mundo de 2018, que já começaram. E o técnico Dunga, mais uma vez, surpreende na convocação, ao chamar o veterano atacante Ricardo Oliveira, do Santos, atual artilheiro do Brasileirão. Futebol é momento, e, na ausência de revela- ções para a posição, é justa a escolha. Temos que mostrar o que temos de melhor na atualidade. José Carlos Araújo é locutor esportivo na Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do programa SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio. Arquivopessoal por José Carlos Araújo | Especial para a boa vontade Opinião — esporte Campeonato termina antes do fim BOA VONTADE 19
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    Alexandre Silva deAssis, deu um passo adiante em sua trajetória profissional, lançando-se, no ano passado, em carreira solo com o lançamento do disco Perseverança, título de um dos sambas, no qual belos versos relatam não só as lutas, como também as vitórias conquista- das ao longo da sua jornada. “Essa música tem tudo a ver com a minha vida, porque, quando eu desci o morro [para correr atrás do meu sonho], a minha família achava que não ia dar certo, porque, em uma família de músicos como a minha, a maioria não conseguiu oportuni- dade, até porque uns desistiram, outros não acreditaram... Mas botei Hilton Abi-Rihan | Especial para a boa vontade na cabeça que eu ia ter que enfren- tar tempestade, sol, qualquer coisa, mas alguma coisa iria acontecer”, contou o artista durante entrevista ao programa Samba & História, da Boa Vontade TV. Para alcançar o sucesso, trabalho nunca foi problema para o artista. Entre as muitas atividades que exerceu antes de se consolidar no cenário musical brasileiro, chegou a limpar o Maracanã, tradicional estádio de futebol na capital flu- minense, e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Por sinal, retornou a este último em 2014 para a gra- vação do CD e do DVD 25o Prêmio da Música Brasileira: Homenagem * Programa Samba & História — É transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV) e pelo canal 989 da Oi TV, aos do- mingos, às 14 e às 20 horas; pela Rede Educação e Futuro de Televisão, às sextas-feiras e aos sábados, às 22 horas; e pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY, canal 212 da Oi TV e canal 45.1 da TV digital aberta em São Paulo/SP e na região metropolitana), aos domingos, às 14 horas; às segundas-feiras, às 19 horas; e às quintas-feiras e aos sábados, às 22 horas. Os desafios da vida que impulsionaram Xande de Pilares a se tornar um dos sambistas mais queridos da Música Popular Brasileira Talento e V inte anos depois de ter iniciado a bem-sucedida carreira no Grupo Revelação, o cantor, compositor e músico Xande de Pilares, cujo nome de batismo é perseverança Hilton Abi-Rihan, radialista, jornalista e apresentador do programa Samba & História*, da Boa Vontade TV e da Super Rede Boa Vontade de Rádio. ClaytonFerreira Samba & História 20 BOA VONTADE
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    ao Samba. Naocasião, dividiu o palco com importantes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), entre eles Péricles, Arlindo Cruz, Beth Carvalho e Dudu Nobre. Como compositor, Xande de Pilares igualmente tem colhido bons frutos. Os sambas-enredos de 2014 e 2015 do Grêmio Recrea- tivo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, dos quais é coautor, conseguiram pontuação máxima, contribuindo para que a agremiação obtivesse a segunda colocação no carnaval carioca nesses dois anos. “Eu tive a oportunidade de ganhar um primeiro samba-enredo, e foi o momento mais emocionante da minha vida. A escola fez um des- file espetacular, não levou o título, mas, graças ao samba-enredo de 2014, parceria minha com Dudu Botelho, Miudinho, Betinho de Pilares, Rodrigo Raposo e Jassa, conseguimos devolver para a es- cola o Estandarte de Ouro — que não ganhava desde 1978 — e recebemos o Prêmio Tamborim de Ouro e o Troféu Gato de Prata. Graças a Deus, os dois sambas supergabaritados, e o Salgueiro com duas histó- rias bonitas, e eu sou um dos autores. De certa forma, o sonho que tenho de entrar para a história da minha escola está começando por aí”, relatou. Além do samba, o seu outro grande amor é a família. “A minha mãe é tudo para mim, a minha crioula preferida. Quando a gente se reúne, fica lembrando das coisas que antigamente fazia chorar, e a gente ri de tudo o que passou.” Entre esses momentos difíceis está a chuva que der- rubou barracos onde morou, nos morros da Chacrinha e Divulgação Xande de Pilares
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    “Venha para aLBV! colabore! Vale a pena.” O cantor e compositor Xande de Pilares visitou, em julho, o Centro Educacional José de Paiva Netto, da Legião da Boa Vontade, localizado na zona norte da capital fluminense. Na oportunidade, ele percorreu os diversos ambientes do estabelecimento de ensino e pôde ver o trabalho que é desenvolvido na escola, que atende as comunidades do entorno. O artista foi recepcionado pelo Coral Ecumênico Infantil Boa Vontade, formado por alunos da unidade educacional. Enquanto a garotada entoa­ va músicas que propagam a Paz e a valorização da Vida, ele registrava o momento por meio de fotos e vídeo. “Foi emocionante! Fiquei ali, segurando para não chorar, porque me lembrei de quando era criança e cantava e não sabia se ia conseguir gravar um disco. Você faz uma viagem no tempo. Este coral tem um diferencial, tanto que me emo- cionou”, destacou. De acordo com o cantor, a semana começou muito bem. “A minha segunda-feira foi gratificante, porque eu vim conhecer de perto o trabalho que a LBV realiza pelas nossas crianças.” Emocionado, Xande aproveitou o ensejo para convidar o público a vivenciar os mesmos sentimentos experimentados por ele na visita à escola da Instituição. “Quem ainda não veio à LBV, venha! Você vai saber por que eu estou desta maneira. Quero deixar meu agradeci- mento a todos os que trabalham na Legião da Boa Vontade, levando solidariedade a quem precisa.” À classe artística, deixou o seguinte recado especial: “Você jogador, ator, cantor, venha para a LBV! Cola- bore! Vale a pena”. do Andaraí. “Mas nunca abaixa- mos a cabeça. Ninguém passou fome; todo mundo estudou, sabe cozinhar, lavar... (...) Tudo o que aconteceu na minha vida é coisa de Deus. [Por isso,] Ele tem que estar presente na maioria das minhas canções, porque, acima Dele, não tem nada.” Sobre a sua história com a Le- gião da Boa Vontade, Xande decla- rou: “Eu cresci ouvindo estes nomes: LBV, José de Paiva Netto, que é o pre­sidente. Comecei a compor com o Gilson Bernini ali atrás da [escola da] LBV, em Del Castilho, que eu vi ser cons- truída. A gente já foi muito lá buscar leite para as crianças, para o meu irmão mais novo, o meu primo Carlos Alberto... É bom estar aqui hoje dentro de uma Ins- tituição que você cresceu vendo os exemplos, que são seguidos [por outros], porque a LBV influenciou muita gente que hoje faz caridade, que tem trabalho social. A LBV é uma das grandes pioneiras. Então, meus parabéns!”. Xande de Pilares é recepcionado pelo Coral Ecumênico Infantil Boa Vontade no Centro Educacional José de Paiva Netto, da LBV, localizado na capital fluminense. Após a visita à escola, o cantor postou em sua conta no Facebook o vídeo que gravou na ocasião. Samba & História Fotos:PriscillaAntunes - Curiosidade - Além de lançar o primei- ro disco em carreira solo, em 2014, Xande de Pilares fez sua estreia como ator no filme Made in China, dirigido por Estevão Ciavatta. No longa-metragem, o artista interpretou o personagem Carlos Eduardo, par romântico da personagem protagoniza- da pela apresentadora e atriz  Regina Casé, com quem também trabalha no programa dominical Esquenta!, da TV Globo. 22 BOA VONTADE
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    N o momento emque se discute no Brasil o aperfeiçoamento dos currículos da educação básica, chega ao país uma ferra- menta de primeira ordem. Trata-se do projeto Edupark, criado no Estado de Israel, pela Life Changing Expe- riences, para ajudar nos cuidados com a nossa Terra e a nossa gente. Destinado aos níveis Fundamental II e Médio do ensino, recebeu desde logo o apoio indispensável da Secre- taria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e da Fundação Cesgranrio. Essas entidades, especialmente o professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, compreenderam o alcance da programação revolucionária do projeto para o enriquecimento dos conhecimentos dos jovens em maté- rias determinadas, como inicialmen- te as que enfocam o meio ambiente (Planeta Casa) e a prevenção ao uso de drogas (Dependentes da Vida). Filmes, produzidos com grande esmero, serão apresentados em 3D, com óculos especiais emprestados aos alunos, e equipamentos moder- níssimos de interatividade. Assim, haverá uma avaliação automática dos resultados do seu uso. Fez-se uma cuidadosa adaptação à nossa realidade, de tal modo que o aproveitamento das preciosas lições será total. No caso do consumo de drogas, aborda-se o emprego do crack, cuja presença no nosso am- biente escolar é motivo de permanen- te preocupação. Ao se tratar em outro filme (com 1h30 de duração) das questões ligadas ao meio ambiente, já foi possível referir-se à encíclica Laudato Si’ (Louvado sejas), há pou- co lançada, com muita propriedade, pelo papa Francisco. A programação será desenvolvida em espaços adequados, de preferên- cia em escolas públicas, para facilitar a troca de ideias entre alunos e pro- fessores. Segundo os organizadores, pertencentes ao Instituto Antares, prevê-se uma série de apresentações sucessivas para 150 alunos de cada vez, até chegar, no fim da primeira fase, ao total de 32 mil jovens devi- damente capacitados. O projeto Edupark é uma expe- riência educacional completa, que se utiliza de tecnologias avançadas e de uma plataforma multissensorial, misturando entretenimento e educa- ção. Com projeção em 3D de filmes belíssimos, serão apresentados, ao longo da série, temas como geologia (pré-sal), animais, corpo humano, arte, história, arquitetura, ecologia e educação cívica. Cada assunto abordado terá indispensável acom- panhamento de material de apoio impresso, de tal modo que se facilite a tarefa dos professores. As experiências não se encerram nelas mesmas. O material de apoio foi todo concebido em formato criativo e dinâmico, com informações adicio- nais sobre as experiências temáticas. Isso tudo tem o propósito de promover uma útil reflexão crítica, valorizando a formação dos estudantes fluminenses. Os filmes são todos narrados em por- tuguês. Já estão sendo apresentados, com muito sucesso, em Israel, nos Estados Unidos e no México (onde o Ministério da Educação apoiou plenamente a adoção do projeto). É uma inovação que fará muito sucesso também aqui. Opinião — Educação Arnaldo Niskier, doutor em Educação, formado em Matemática e em Pedagogia, é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), presidente do Centro de Integração Empresa-Escola do Rio de Janeiro (CIEE/RJ) e professor emérito da Universidade Cândido Mendes (Ucam). Divulgação Arnaldo niskier | Especial para a boa vontade Edupark, uma grande inovação BOA VONTADE 23
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    + 1,6 91 milhão 57+ milhões de de de atendimentos e benefícios apessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social unidades socioeducacionais em sete países de pessoas impactadas pelas ações da LBV A Legião da Boa Vontade foi criada oficialmente em 1o de janeiro de 1950 (Dia Mundial da Confraternização Universal e da Paz), no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, pelo jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), sucedido na presidência da Instituição pelo também jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto. Os dados abaixo correspondem ao trabalho da LBV de sete países: Argentina, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai. Além de escolas, Centros Comunitários de Assistência Social e lares para idosos, a LBV utiliza meios de comunicação social (rádio, TV, internet e publicações) para fomentar educação, cultura e valores de cidadania. Mais de 17 mil especialistas de todo o Brasil participaram, em 2014, da programação da Super Rede Boa Vontade de Comunicação. Número de atendimentos e benefícios prestados pela Legião da Boa Vontade do Brasil de 2010 a 2014* * Há mais de duas décadas, a Legião da Boa Vontade tem seu balanço geral analisado e aprovado pela Walter Heuer, auditores externos independentes, em uma iniciativa de José de Paiva Netto, diretor-presidente da LBV, muito antes de a legislação que exige essa medida entrar em vigor. 2010 2011 2012 2013 2014 8.508.482 9.434.943 10.255.833 11.053.113 11.881.419 NÚMEROS DE 2010 a 2014 LBV no mundo LBV é Ação! 24 BOA VONTADE
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    momento que eucheguei. Essa é a sensação que tive durante toda a visita, desde o passo inicial que dei aqui dentro. A gente percebe isso não só no olhar dos pequenos, mas também dos voluntários, profissio- nais que desenvolvem este trabalho e que fazem [parte] dessa missão. É tocante. Eu certamente voltarei, porque o trabalho que realizam con- tagia a Alma e é difícil se distanciar depois”, declarou Jung. Em entrevista à BOA VONTADE, Jung também falou do relevante papel da comunicação. Para ele, “se usada com correção, pode transfor- mar [para melhor] as pessoas e a sociedade”. Ele confidenciou que o Mílton Jung homenageado na LBV amor à profissão e tudo de bom que ela pode oferecer, herdou da figura paterna, do consagrado radialista gaúcho Milton Ferretti Jung: “Apesar de eu ser um jornalista capacitado para os mais diferentes veículos de comunicação e, no decorrer de trinta anos de carreira, ter trabalhado em jornal, televisão, internet, revista, a minha vida está muito mais identi- ficada com rádio, até porque está no meu DNA. Eu nasci no rádio, meu pai é um radialista, e o rádio contaminou-me logo no início da carreira; identifico-me muito com esse veículo pela maneira como a gente consegue chegar até as pes- soas, mobilizá-las”. São Paulo/SP O jornalista Mílton Jung, apresen- tador da Rádio CBN, visitou, no dia 2 de setembro, o Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista. Esse gaúcho de nascimento, radica- do em São Paulo/SP desde 1991, foi recebido pelo grupo de coralistas e instrumentistas formado por alunos da escola, que o surpreenderam com uma homenagem pelo Dia do Rádio, celebrado no dia 25 daquele mês. “A primeira sensação que eu tive foi de emoção e foi transmitida pelo olhar das crianças que me re- ceberam aqui. E, se há um meio de comunicação que melhor leve uma mensagem é a alma das crianças, e elas fizeram isso comigo no primeiro Fotos:VivianR.Ferreira BOA VONTADE 25
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    LBV é Ação! Doencontro de Rian de Almeida, de 9 anos, com Olindo José de Menezes, de 71 anos, resultaram risos e a memória de um dia inesquecível. Teatro e cuidados com a saúde bucal A equipe do Sesc recebe o carinho dos atendidos pela LBV e as lembranças confeccionadas por eles próprios durante Oficina de Arte e Cultura. Maceió/AL Salvador/BA Tatiane Oliveira VerônicaAlexandre 26 BOA VONTADE
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    Encontro entre gerações Meninas emeninos que participam do programa Criança: Futuro no Presente!, da Le- gião da Boa Vontade, na capital baiana visitaram, em 17 de julho, o Lar Maria Luiza, organização que abriga e cuida de idosos. “O momento mais emocionante para mim foi quando eu toquei violão com o moço (foto). Demos muitas risadas. Foi bem legal!”, contou Rian de Almeida, de 9 anos, ao interagir com o senhor Olindo José de Menezes, um dos atendidos na Casa. A alegria e a emoção tomaram conta dos vovôs e das vovós ao ouvirem as crianças entoar músicas do repertório legionário, que ressaltam o respeito e valorizam a vida. No intervalo da apresentação, elas, em um gesto de carinho, entregaram flores e lembranças à plateia. Entusiasmada com a surpresa, Valdelice Magalhães, de 94 anos, fez questão de agradecer a visita. “Estou muito alegre e satisfeita. Elas cantaram para mim, me abraçaram. Estou me sentindo uma pessoa única”, disse. Com o apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc), a LBV ofereceu em julho, na capital alagoana, palestra educativa sobre saúde bucal. As orientações foram transmitidas por dentistas do Sesc em forma de teatro com fantoches. Os pequeninos aprenderam, por exemplo, a maneira correta de escovar os dentes e a im- portância de usar o fio dental. Na sequência, os profissionais aplicaram flúor nos dentes das crianças e entregaram a elas kits de higiene bucal, com escova, creme e fio dental. Um dos voluntários na iniciativa, o dentis- ta Rodolfo Almeida afirmou: “Já conhecia a ação da LBV. É um projeto excepcional e de inclusão ímpar”. Fazendo coro com o colega, a educadora de Saúde Bucal do Sesc Daniela dos Santos complementou: “Lindo o trabalho! A LBV está de parabéns!”. “A cidade recebe hoje um presente que vai marcar nossas memórias e a vida de todas estas pessoas. (...) Quantas vidas são salvas pela LBV por este Brasil afora! Aqui tem a Alma, o coração, o sentimento da presença de Deus a cada momento.” Márcio Búrigo Prefeito de Criciúma, durante a cerimônia de inauguração, na qual compareceram outras autoridades locais, colaboradores, voluntários, atendidos e a comunidade em geral. A Legião da Boa Vontade inaugurou, em 19 de agosto, as novas instalações de seu Centro Comunitário de Assistência Social em Criciúma/SC. O prédio, localizado em um espaço de mais de 5.000 m² e cedido a título de comodato pela prefeitura da cidade, foi amplamente remodelado a fim de aumentar o atendimento às famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social. Novas Instalações Criciúma/SC LucianePereiraFelipeMoreno Liliane Cardoso BOA VONTADE 27
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    LBV é Ação! Visite,apaixone-se e ajude a LBV! Compromisso com o meio ambiente Cuidar de nosso planeta e buscar soluções para o desenvolvimento sustentável parecem tarefas destinadas às novas gerações, mas, na Legião da Boa Vontade, o incentivo à contribuição para o progresso de nossa morada global ocorre em todas as idades. Por isso, os idosos atendidos por meio do programa Vida Plena, da LBV, em Manaus/AM, visitaram o Parque Municipal do Mindu, em 10 de julho. O passeio proporcionou aos idosos uma rotina diferente, longe da correria da capital amazonen- se e em um ambiente ao ar livre. Além de ser um bom exercício para o corpo, a atividade ofereceu a eles o contato com a bela paisagem. Para Jaqueline Medeiros, assistente social da LBV na cidade, a iniciativa é muito importante para o progresso do grupo. “Fortalece a cidada- nia, desenvolve potencialidades intelectuais dos idosos e oportuniza novas formas de convívio social pela sustentabilidade”, destacou. Manaus/AM Car dápio de qual idade Cardápio de qualidade Glorinha/RS PauloAraújo Telma Carilei 28 BOA VONTADE
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    Inclusão e Cultura dePaz Maringá/PR Acesse: www.lbv.org.br/conheca O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV em Glorinha/RS desenvolveu uma oficina lúdica para as crianças atendidas com o objetivo de fazer o plantio de uma horta e incentivá-las ao hábito da alimentação saudável. A atividade iniciou-se na sala de aula, com as educadoras sociais da Instituição organizando uma roda de debates. Nela, foram discutidas a importância de um cardápio balanceado e da conscientização das meninas e dos meninos sobre o desperdício. No segundo momento, eles, pondo as mãos na massa, aprenderam a plantar mudas de alface, couve, cebolinha verde e salsa. Desde então, têm acompanhado o crescimento das verduras e fazem questão de colhê- -las, com a supervisão das orientadoras, para que estejam no cardápio oferecido pela Entidade. Com o cultivo da horta, muitos modificaram seus hábitos alimentares e levaram essa ideia a seus pais e familiares. “Vejo que as verduras fazem bem para a saúde. Aqui na LBV, a gente cultiva vários tipos delas. Eu gosto muito”, declarou Natália, de 9 anos. Idosos realizam mostra cultural Uma viagem ao passado para recordar bons momentos da vida, refletir sobre eles e trocar experiências. Esse foi o objetivo da 1a Mostra Cultural, promovida pela Legião da Boa Vontade na capital pernambucana, entre 28 de julho e 3 de agosto, da qual participaram idosos atendidos por meio do programa Vida Plena. O evento teve apresentações de dança e exposição de trabalhos manuais confeccionados com material reciclável pelos próprios idosos. Edith Severina, de 74 anos, uma das participantes, aprovou a realização do projeto. “Relembrei coisas que pareciam distantes, mas que são tão boas, como o dia de meu casamento, os presentes que ganhei... Trouxe até uma chaleira que guardo com carinho dessa data tão especial.” Finalizando, ela destacou: “A LBV é só alegria em minha vida; tem sido muito boa para mim. Aqui tenho amigos e participo de diversas atividades, como o coral e o grupo de dança”. O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV em Maringá/PR realizou, no mês de junho, oficina lúdica especial com uma série de atividades esportivas inclusivas. A ação buscou mostrar a meninas e meninos as dificuldades enfrentadas por aqueles que têm algum tipo de deficiência física ou mobilidade reduzida, ressaltando o papel dos demais cidadãos na inclusão social dessas pessoas. As dinâmicas foram elaboradas para estimular os cinco sentidos (audição, tato, visão, olfato e paladar). Na impos- sibilidade de utilizar um deles, a garotada buscava, com o apoio dos amigos, outras formas de interação. “Podemos aprender muito com uma criança que tem alguma defi- ciência ou mobilidade reduzida. Podemos brincar e sorrir juntas”, disse Luana Luiza, de 11 anos. A atividade propiciou também a valorização das ati- vidades em grupo. “Com os olhos vendados, fiz várias tarefas com o auxílio de um colega e pude sentir como é importante o outro na nossa vida”, destacou Laodicéia Vitória, de 13 anos. Recife/PE BrunaGonçalves VilmaAraújo BOA VONTADE 29
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    Dr. Airton Grazzioli,bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Direitos Difusos e Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo (ESMP-SP), é mestre em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), membro do Ministério Público do Estado de São Paulo, promotor de Justiça, curador de fundações de São Paulo, além de vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social (Profis). VivianR.Ferreira por airton grazzioli | Especial para a boa vontade e inovação Palavras de ordem no novo cenário brasileiro Eficiência F alar do Terceiro Setor implica trazer à tona uma estrutura bastante complexa de orga- nizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, as quais orientam suas ações para o desenvolvimen- to de práticas cuja finalidade é a de contribuir para o progresso e a melhoria da qualidade de vida daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social ou para o debate de pautas que interessem à sociedade, vista esta de maneira ampla. No Brasil, esse setor foi cons- truído, em um primeiro momento, tendo por base um modelo absolu- tamente privado. Basta lembrar das Santas Casas, dos abrigos de órfãos e desamparados, além de outras instituições desse gênero, que, vindas à nossa realidade há muitas décadas, prestavam serviços aos necessitados em cenário bem mais restrito que o atual. A partir dos anos 90 do século passado, no entanto, iniciou-se um processo de transformação bastante radical. O Terceiro Setor aproximou-se do Estado, ou melhor, o Estado veio para perto dele. Essa aproximação, facilitada pela edição de novas leis reguladoras da área de atuação, entre as quais as das organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips) e as das organizações sociais (OSs), permi- tiu que a sociedade civil melhor se Opinião — terceiro setor shutterstock.com 30 BOA VONTADE
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    Tribunais de Contase o Ministério Público. Nos dias atuais, em que os di- versos setores da sociedade sofrem sensível retração e há a expectativa de que essa realidade não tenha melhora pelo menos nos próximos dois ou três anos, é preocupante a situação do Terceiro Setor, que enfrenta e continuará enfrentando, além da escassez de recursos, o aumento progressivo da exclusão social. O Poder Público já vivia dificul- dade de organização da partilha do orçamento em suas várias frentes de atuação. Essa árdua tarefa se tornou, sobremaneira, mais complicada em 2014 e tende a se agravar nos próximos anos. organizasse, passando a ter parti- cipação política e social mais ativa. Assim, agem, em regra, atualmente as organizações na educação, na saúde, na assistência social, na cultura, na defesa e na conservação do patrimônio histórico e artístico, na segurança alimentar e nutricio- nal, na defesa e na preservação do meio ambiente, na promoção do desenvolvimento sustentável, na pesquisa científica e tecnológica, na promoção da ética e da cidada- nia, na defesa da democracia e dos direitos humanos, bem como em outras esferas de atividade. Com efeito, o modelo construído a partir dos anos 1990 fez surgir um conjunto de estruturas, insti- tuições e relações que podemos chamar de híbridas, pois, ao mes- mo tempo em que se utilizam de concepções privadas, têm práticas públicas. Esse modelo também possibilitou a transferência de re- cursos do Estado para as Oscips e as OSs. Isso é o que denominamos de financiamento público no Tercei- ro Setor. Devem-se considerar, além desse investimento, o das empresas e o dos particulares. Escassez de recursos É verdade, porém, que a maio- ria dessas entidades não recebe recursos públicos para o exercício de suas práticas sociais, mas não se pode desconsiderar que, ainda que o número de organizações be- neficiadas com verbas públicas não seja grande, o volume de recursos repassados a elas é efetivamente significativo. Por essa razão, a transferência desses valores para o Terceiro Setor é objeto de atenção permanente do governo e, especial- mente, dos órgãos de fiscalização, entre eles as Controladorias, os Consequentemente, o repasse de recursos públicos para as orga- nizações do Terceiro Setor tende, neste momento, a agravar, como é natural e esperado, o corte de repasse para as ações sociais por parte dos empresários, que focam sua preocupação prioritária na ati- vidade econômica. Em relação às doações de pes- soas físicas para as entidades, não se espera cenário melhor. Com a expectativa do aumento do desem- prego, não é de se aguardar o cres- cimento do volume de contribuições de particulares. Pelo contrário. Este deverá diminuir. Nesse quadro não desejado, ou seja, em momentos de crise, ad- quire maior relevância a otimização dos recursos materiais, humanos e, principalmente, financeiros das organizações da sociedade civil. A tônica atual para o Terceiro Setor, pois, é dar importância su- perlativa aos processos inovadores de gestão, passando pelo absoluto profissionalismo nas ações e na questão atinente à transparência. Necessário se faz realizar mais (em termos sociais) com os mesmos ou menos recursos. É preciso, por- tanto, inovação. As entidades que estão preparadas para esta nova conjuntura certamente terão uma viagem melhor neste mar revolto, motivado pela crise de recursos trazida à tona. Aquelas que aden- traram o século 21 com um modelo de gestão do passado possivelmen- te terão de tratar, na agenda delas, da retração das próprias atividades sociais, ou, até mesmo, do encerra- mento destas. Infelizmente, quem sofrerá com isso será a parcela da sociedade que mais necessita das ações sociais: aquela em situação de vulnerabilidade social. A tônica atual para o Terceiro Setor é dar importância superlativa aos processos inovadores de gestão, passando pelo absoluto profissionalismo nas ações e na questão atinente à transparência. Necessário se faz realizar mais (em termos sociais) com os mesmos ou menos recursos. BOA VONTADE 31
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    A iminente crise ambiental queameaça o mundo deve alterar drasticamente nossa forma de pensar, agir e fazer planos para o futuro. Principalmente nas últimas décadas, o ser humano desmatou florestas, pescou sem medidas, poluiu o ar e a água, extraiu tudo o que podia da casa Terra, com pouquíssima ou nenhu- ma preocupação com a continui- dade e a conservação dos recursos naturais. Muita gente, no entanto, tem buscado o equilíbrio perdido, afir- mando que é preciso deixar de lado o individualismo, ser mais solidário e abraçar causas em benefício desta morada global. Entre os que seguem à frente nessa luta está o escritor, jornalista e palestrante André Trigueiro, que trabalha, como ele mesmo afirma no slogan de seu blog, Mundo Sustentável crise ambiental A grave Para o jornalista e escritor André Trigueiro, o cenário hostil criado pelo aquecimento global exigirá nova ética civilizatória. CBN, costuma viajar pelo Brasil e pelo exterior em busca de pautas socioambientais. A seguir, os prin- cipais trechos dessa conversa. BOA VONTADE — Seu nome está muito associado à questão da sustentabilidade. O jornalis- mo levou-o para esse caminho? André Trigueiro — Com toda a franqueza, foi uma adesão pessoal, espiritual. Na verdade, se eu não fosse jornalista (...), certamente estaria convergindo na direção de um protocolo de atividades asso- ciadas ao senso de urgência que o planeta requer de nós (...), estaria motivado a construir pontes entre a atividade profissional e esse engajamento com uma nova ética civilizatória que permitisse a espe- rança, a chance de a Humanidade viver num planeta sem escassez do que a nós é essencial: água boa de (www.mundosustentavel.com.br), “abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação”. Ele recebeu a equipe da Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rá- dio, TV, portal e publicações) nas dependências da Pontifícia Univer- sidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), na qual é professor e criador do curso de Jornalismo Am- biental, para falar dos desafios do momento atual e das expectativas em relação à 21a Conferência das Partes (COP 21), que se realizará em dezembro, na capital francesa. Na esclarecedora entrevista, Trigueiro deu informações valiosas acerca desses e de outros tópicos relevantes, fazendo-o com conhe- cimento de causa, pois, na quali- dade de editor-chefe do programa Cidades e Soluções — transmitido pela GloboNews —, repórter da TV Globo e comentarista da Rádio Comunicação Rodrigo de Oliveira 32 BOA VONTADE
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    beber, terra fértile ar respirável. Esse risco [de escassez] não é exagero. Não é sensacionalismo ou alarmismo. Infelizmente, o atual modelo de desenvolvimento ainda significa risco para nossa espécie. (...) Qualquer pessoa que esteja viva e minimamente informada sobre o que está acontecendo de- veria perceber que não há tempo a perder. (...) Eu, sinceramente, me tornei uma pessoa melhor com esse viés ambientalista, apesar de muitas imperfeições e problemas, porque ele me fez ser mais solidá- rio e mais preocupado em realizar, no dia a dia, pequenos gestos que interferem na qualidade de vida da comunidade. BV — Para chegar a esta sala no quarto andar, você utilizou as escadas. Isso reflete essas pequeninas ações? Trigueiro — Isso faz parte. Eu diria [que estas] são exer- cícios espirituais. Enquanto estivermos por aqui, preci- samos deixar um legado, e o legado não necessaria- mente precisa ser o que é visível, o que alguém está percebendo; é o que você na sua intimidade realiza. Isso expressa uma verdade, uma convicção que [você] construiu. É assim que a gente se remodela e se educa para um mundo diferente. Esse “Não existe neutralidade no Universo. Para você fazer o Bem, tem de sair da zona de conforto e prontificar-se a realizar. Para fazer o mal, por vezes basta a omissão.” OdervanSantiago BOA VONTADE 33
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    que ela éa primeira que admite as propostas voluntárias dos países. Nós teremos a condição de verificar qual é a disposição de cada nação em fazer a sua parte para que o planeta não adentre a segunda metade do século 21 com o cenário extremamente hostil, causado pela elevação da temperatura acima de 2 graus. Segundo ponto importan- te: foi emblemática a maneira como a China e os Estados Unidos, que juntos respondem por metade das emissões de gases [de efeito] estu- fa, antes da conferência de Paris já disseram o que pretendem fazer — o que é bastante interessante, [pois ambos estão] gerando pressão sobre outros países. Terceiro: acho que, a partir [desse evento] de Paris, aceleraremos o processo na direção de uma economia de bai- xo carbono. Significa dizer que se abre caminho, por exemplo, para a Organização Mundial do Comércio não mais tolerar que um produto que venha de um país que não tem nenhum rigor na redução das emissões de gases [de efeito] estufa seja vendido mais barato porque o país não está investindo nada para substituir carvão, petróleo e gás. Você criará um ambiente onde os produtos que tenham a pegada de carbono muito elevada não pos- sam mais ser competitivos por ser ineficientes. Também espero que a COP de Paris tenha a coragem que a Rio+20 não teve de eliminar subsídio para combustível fóssil. Nós temos entre 800 bilhões e 1 trilhão de dólares gastos por ano em subsídio para um setor que já é lucrativo. (...) Não quero viver no mundo que estabelece subsídio para os piores inimigos do efeito estufa. Minha avó dizia algo sábio: “Você não faz omelete sem quebrar “Espero que a COP de Paris tenha a coragem que a Rio+20 não teve de eliminar subsídio para combustível fóssil. (...) Não quero viver no mundo que estabelece subsídio para os piores inimigos do efeito estufa.” sucessivas existências — somos, os espíritas, reencarnacionistas —, vamos avançando por todos os reinos da Natureza. Mas, veja, eu não faço proselitismo. [A crença na reencarnação] é assunto individual. Cada um tem o direito de crer ou não crer. Agora, o que faz a diferença, do ponto de vista espiritual, é o que você pratica. É bem possível que no céu dos espíritas, dos católicos, dos budistas e dos islâmicos haja muita gente numa condição privilegiada que não acreditava em nada na Terra, mas fazia toda a diferença em favor do seu semelhante, do planeta e de si mesmo. BV — Falando nesse esforço global, o que o mundo espera da Conferência do Clima 2015? Trigueiro — Primeiro, a singu- laridade dessa conferência é [a de] Comunicação mundo melhor e mais justo começa por nós. BV — Logo no início de nossa conversa, você falou sobre o fator espiritual. Como ele o ajudou nesse caminho? Trigueiro — Quando se fala de meio ambiente, se está falando de uma totalidade integrada e de um universo sistêmico, de todas as partes que se interconectam, interagem e são interdependen- tes. Essa é a visão que a Ciência moderna tem. Essa é uma visão espiritual, quer dizer, em certa me- dida, quando discorremos sobre a totalidade integrada, essa poderia ser uma definição de Deus. Eu sou espírita, e na leitura das obras bá- sicas de Allan Kardec vemos, por exemplo, essa visão da totalidade integrada, em que todos nós, por PriscillaAntunes O jornalista André Trigueiro (D), repórter da TV Globo, e Rodrigo de Oliveira, da revista BOA VONTADE. 34 BOA VONTADE
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    os ovos”. Amelhor negociação é aquela [de] que ninguém sai to- talmente satisfeito. Desculpe-me quem não se tocou de que o terceiro milênio nos traz um cenário cada vez mais hostil e difícil, porque não estamos, desde já, encarando os problemas como deveríamos. Este é um mundo que está demandando maior protagonismo, voluntarismo, altruísmo... Nós precisamos fazer a nossa parte. BV — Em recente reportagem, você destacou que no setor da energia eólica não há crise. Ela já responde por 5% de toda a energia consumida no país. Em 2020, deverão ser impres- sionantes 10,5%. Quais são as perspectivas das energias renováveis no nosso país? Trigueiro — A utilização de energia eólica é um case de suces- so internacional. Há cinco anos, ninguém imaginaria ser possível [isso]. O Brasil, de fato, surpreendeu o mundo e os próprios brasileiros. Eu fiquei muito entusiasmado ao entrevistar o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema “Quando se fala de meio ambiente, se está falando de uma totalidade integrada e de um universo sistêmico, de todas as partes que se interconectam, interagem e são interdependentes. Essa é a visão que a Ciência moderna tem. Essa é uma visão espiritual, quer dizer, em certa medida, quando discorremos sobre a totalidade integrada, essa poderia ser uma definição de Deus.” Elétrico), Hermes Chipp, que disse: “Eu mudei de ideia em relação à eólica. Assustava-me a presença de uma fonte instável, porque nem toda hora venta”. Hoje, ele acredita que, nos próximos anos, haverá um desempenho ainda mais impressio- nante. Somos testemunhas de um período histórico, e o Brasil parte, de forma assertiva, na direção de outras fontes de energia, que são abundantes no nosso território. Os ventos do Nordeste são os melhores do mundo. Quem está investindo em parque eólico nessa região está impressionado com o que eles chamam de fator de capacidade. A média mundial é de 30%, ou seja, 30% desse fator estão gerando Divulgação energia do jeito que se espera. Os outros 70%, não. No Nordeste, em 12 de agosto de 2015, o fator de capacidade dos parques eólicos da região foi de inacreditáveis 80%! E a [energia] solar vai na mesma di- reção. Eu estive, [no] ano passado, na China e, em 2013, na Alemanha e nos Estados Unidos e vi a energia solar bombar. O curioso é que o melhor lugar da Alemanha para instalar um parque eólico equivale ao pior lugar do Brasil. É incrível o nosso potencial! BV — Qual é a responsabilidade de cada cidadão para com as metas mundiais? Trigueiro — Consumir de forma BOA VONTADE 35
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    Pela vida Em plenoSetembro Amarelo — movimento mundial destinado a promover a conscientização da sociedade para o problema do suicídio e suas consequências —, a Super Rede Boa Vontade de Comunicação também conversou com o jornalista André Trigueiro sobre o tema. Ele é autor, entre outras obras literárias, de Viver é a melhor opção, lançado recentemente. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano, uma média de um caso a cada 40 segundos. No território nacional, a questão também é bastante séria. “Quando a gente calcula ou compara os números absolutos, o Brasil já é o oitavo país do mundo em ocorrência de suicídios”, destacou André. Ele ainda comparou a iniciativa de realização da campanha internacional ao gesto da atriz Cássia Kiss de, há vinte e sete anos, ter aparecido na TV com os seios à mostra, ensinando as mulheres a fazer o autoexame deles para prevenir o câncer de mama. “Os moralistas e os puritanos ficaram escandalizados, achando que aquilo era pornografia. No entanto, profissionais da área da saúde pública fizeram a conta e viram a avalanche de gente que passou a procurar posto de saúde e a se livrar de uma doença que mata muitas mulheres no Brasil. Isso só foi possível porque se falou com clareza e objetividade do problema.” Da mesma forma ocorre com o suicídio, que, ainda de acordo com a OMS, em 90% dos casos pode ser prevenido, por estar associado a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, sobretudo a depressão. Para o jornalista, uma das melhores manei- ras de fazer isso “é abrir espaço na mídia para falar do assunto, como está sendo feito aqui”. “Não parece, mas este ato banal de conversar sobre prevenção do suicídio inexiste na maioria absoluta dos veículos de comunicação, porque se fechou um lacre. Esse é um tabu”, lamentou. Segundo Trigueiro, diante de fatores que indiquem risco, entre os quais um estado de tristeza que se prolonga, prostração ou desâni- mo, é preciso estar atento para prestar apoio solidário. Por isso, elogiou a atuação do Cen- tro de Valorização da Vida (CVV), para o qual doou os direitos autorais do referido livro. “Ela foi a primeira organização civil a lançar, em 1962, um trabalho voluntário, sem vincula- ção político-religiosa, de ajuda emocional e prevenção do suicídio. Já são mais de 800 mil ligações feitas para o CVV. O trabalho deles é fenomenal, porque acolhe aqueles que não estão conseguindo na sociedade desabafar, conversar sobre os problemas.” consciente. O consumismo agrava o efeito estufa, porque todos os produtos ou serviços, para serem ofertados a nós, demandaram emissões de gases [de efeito] estufa. Se eu consumo com mo- deração, estou desacelerando essa emissão de CO2 . Usar energia de forma moderada. O brasileiro já o está fazendo por conta das tarifas caríssimas de energia elétrica, mas é importante introjetar isso na roti- na sempre. Privilegiar o transporte público ao máximo ou a bicicleta, quando houver segurança, ou ir a pé a deslocamentos razoáveis, que faz bem à saúde. Precisa- mos valorizar as áreas verdes na cidade, [pois] cada vegetal que cresce retira ou sequestra o CO2 da atmosfera, e reduzir o consu- mo de água. Nós somos filhos de Deus existindo na Terra. Esta casa não nos pertence; somos inquili- nos. E, pela lei do inquilinato, eu tenho que devolver o imóvel, no mínimo, em perfeitas condições, como o encontrei. (...) Não existe neutralidade no Universo. Para você fazer o Bem, tem de sair da zona de conforto e prontificar-se a realizar. Para fazer o mal, por vezes basta a omissão. A gente precisa disponibilizar-se para [a] mudança, e isso requer atitude, engajamento. Não tenha medo de se comprometer com uma causa, porque isso empresta sabor à vida. Ao término da entrevista, André Trigueiro retribuiu a saudação do diretor-presidente da LBV, o jorna- lista Paiva Netto, com a mensagem: “Obrigado! Mande um abraço para ele. Estamos juntos. (...) Façamos a nossa parte por um mundo melhor e mais justo, um planeta sustentável”. Comunicação 36 BOA VONTADE
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    O que substituirá oProtocolo de Kyoto? COP 21 em Paris traz esperança de novo acordo global para diminuir a emissão de gases de efeito estufa Colaboraram: Jully Anne, Renata Tabach de Paiva, Ricardo Chagas e Roberta Assis Caderno especial — conferência mundial sobre o clima
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    P ara falar dasexpectativas que envolvem a 21a Conferência das Partes (COP 21)*, que se realizará em dezembro de 2015, em Paris, na França, a revista BOA VONTADE entrevistou especialistas de vários segmentos da sociedade * 21a Conferência das Partes (COP 21) — É o órgão supremo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), elaborada durante a Conferência de Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, na capital fluminense. Nesse encontro, os países signatários da convenção, que entrou em vigor em 29 de maio de 1994, comprometeram- -se a criar uma estratégia global “para proteger o sistema climático para gerações presentes e futuras”, tendo como meta principal es- tabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que impeça transformações drásticas do clima no planeta. c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a sobre os mais destacados temas do encontro e as graves consequências das transformações climáticas no dia a dia das pessoas em todo o mundo, facilmente percebidas em razão da maior ocorrência de fenômenos na- turais extremos, entre estes cheias e O que você encontra neste caderno especial Exclusivo Natalia shakhova Ameaça que vem do Ártico José Goldemberg ciência e Tecnologia O Brasil e a importância da energia eficiente e limpa Suelí periotto Educação e Espiritualidade Cidadania solidária e ecumênica Bel pesce Inovação e Negócios Sociais Protagonismo socioambiental paulo saldiva Políticas públicas e sustentáveis Saúde, poluição e economia 40 46 48 4947 Divulgação Plenário da COP 3, reunião que aprovou o Protocolo de Kyoto, no Japão, em dezembro de 1997. secas, e de enfermidades favorecidas por essas transformações. O principal objetivo da confe- rência é aprovar o novo documen­to — que começará a vigorar em 2020 — em substituição ao Protocolo de Kyoto, o qual, criado em 1997, obri- Especialistas convidados 38 BOA VONTADE
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    Leia também José Marengo Climatologia Extremosclimáticos e crise hídrica boas práticas Ações da LBV para preservar o planeta consciência sustentável e Espiritual por Nathália Pereira Sustentabilidade Planetária e Profecias por Daniel Borges Nava Bárbara rubim Sociedade Civil A importância de investir em fontes renováveis 50 52 60 62 51 O governo brasileiro anunciou que suas metas de redução de gases de efeito estufa são de 37% até 2025 e de 43% até 2030, tendo como base os cálculos de 2005. De acordo com especialistas, a proposta do Brasil tem a capacidade de influenciar positivamente os debates na 21a Conferência das Partes. Vale destacar que, na proposição, há o comprometimento de, entre outras ações, zerar o desmatamento ilegal até 2020, restaurar 12 milhões de hectares de florestas devastadas, recuperar 15 mi- lhões de hectares de pastagens degradadas e integrar 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-florestas. Além disso, o país assumiu o compromisso de aumentar a utilização de energias renováveis no total da matriz energética de 28% para 45%. Metas brasileiras para a COP 21 ga países industrializados a reduzir as emissões de CO2 com os mesmos índices de emissões de 1990. Na oportunidade, serão analisadas as Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas (INDCs, na sigla em inglês), metas de cada governo para promover economia de baixo carbono. Espera-se que a soma das INDCs de todos os países gere o corte nas emissões dos gases de efeito estufa necessário para limitar o aquecimento da temperatura global em 2 graus até o fim deste século. Entre as proposições dos países, está a questão da transparência no cumprimento das ações de redução das referidas emissões, bem como uma atenção maior à agenda de adaptações, além de iniciativas direcionadas às populações mais pobres, que devem ganhar força na COP 21. Diante das preocupantes alterações climáticas em curso, o acordo que se quer ver assinado na capital francesa precisa ser ambicioso no que se refere ao es- tabelecimento de objetivos globais e oferecer respostas concretas à sociedade mundial acerca das prá- ticas que têm de ser realizadas para que se promova o desenvolvimento sustentável, ou seja, aquele que alie o combate à pobreza e a inclusão social ao cuidado com os recursos naturais do planeta. shutterstock.com A meta é reduzir os gases de efeito estufa para 37% até 2025 e 43% até 2030 BOA VONTADE 39
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    que vem doártico e n t r e v i s t a e x c l u s i v a Ameaça c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 40 BOA VONTADE
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    Arquivopessoal Pesquisadora russa adverte que emissõesde metano podem acelerar, de forma dramática, o aquecimento global. LEILA MARCO E ROSANA BERTOLIN Q uestões muito sérias têm sido levantadas pela cientis- ta russa Natalia Shakhova, que, ao lado do compatriota Igor Semiletov, lidera um grupo de pesquisadores internacionais preo- cupados com a crescente liberação de metano (CH4 ) no solo oceânico da Plataforma Ártica Leste-Siberiana (East Siberian Arctic Shelf — Esas), situada na costa norte do leste da Rússia. As observações deles mostram que, em alguns pontos, a concentração do gás é até milhares de vezes maior do que a esperada. Segundo os estudiosos, no verão, quando o mar descongela, o CH4 pode ser visto borbulhando na su- perfície das águas em estruturas de escoamento contínuas, impressio- nantes e poderosas, de mais de mil metros de diâmetro. Em agosto, Shakhova, que é professora pesquisadora da Uni- versidade Politécnica de Tomsk, na Sibéria, Rússia, e da Universidade do Alasca Fairbanks, no Alasca, Es- tados Unidos, além de membro da Academia Russa de Ciências, abriu espaço em sua apertada agenda para falar sobre o tema em entre- vista exclusiva à BOA VONTADE. Na ocasião, a doutora em Ciências em Geologia Marinha e Ph.D. em Geografia Médica explicou que o fenômeno acima referido, mapeado por ela e seus colegas desde 2003 em uma das mais remotas e isola- das áreas do mundo, é resultado do progressivo degelo do permafrost (solo encontrado na região do Ártico, constituído por terra, gelo e rochas, permanentemente congelado), debaixo do qual os pesquisadores estimam poder existir de milhões a bilhões de toneladas de metano, um dos gases de efeito estufa cuja capacidade de reter calor é vinte vezes maior que a do dióxido de carbono (CO2 ), também conhecido como gás carbônico. Ao comentar os impactos da descoberta de seu grupo, Shakhova aproveitou a oportunidade para expor um fato extremamente preo- cupante: “(...) as fontes de metano no Ártico nunca foram incluídas no orçamento global de metano, tampouco foram consideradas nos modelos climáticos globais, que visam prever os cenários climáticos futuros para o planeta”. Em outras palavras, a liberação do CH4 que há naquela vasta região pode fazer com que o aquecimento global se agrave cada vez mais e de maneira rápida. Apreensiva pela possibilidade de concretização desse quadro Natalia Shakhova é professora pesquisadora da Universidade Politécnica de Tomsk, na Sibéria, Rússia, e da Universidade do Alasca Fairbanks, no Alasca, Estados Unidos, além de membro da Academia Russa de Ciências. Divulgação BOA VONTADE 41
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    Área de estudo:Conforme as explicações da dra. Natalia, a Plataforma Ártica Leste-Siberiana (East Siberian Arctic Shelf — Esas) inclui três mares árticos russos: o de Laptev, o Leste-Siberiano e o de Chukchi, que abrangem uma área total de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. No círculo marcado em terra, o porto de Tiksi, onde se iniciam a maioria das expedições marítimas e todas as campanhas de perfuração. Com o derretimento do permafrost (solo encontrado na região, constituído por terra, gelo e rochas e, em tese, permanentemente congelado), imensas quantidades de metano e dióxido de carbono estão sendo liberadas na atmosfera, aumentando drasticamente o efeito estufa. Degelo excessivo do Ártico assusta Metano chegando à atmosfera Água (de -0,5o C a -1,8º C) Permafrost (de -0,5o C a 17o C) perfurado em consequência da alta temperatura em ambos os lados Reservas de metano Litosfera com manta quente Fonte: NSF c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a Nos mares, o metano borbulha. 42 BOA VONTADE
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    sombrio, a pesquisadoraainda destacou: “Nem eu nem ninguém de nossa equipe científica já esteve no Brasil, mas sabemos que o povo brasileiro estima os valores familiares. Esperamos que essa qualidade se espalhe pelo mundo para que todas as pessoas que vivem no planeta comecem a cuidar umas das outras e da Mãe Natureza da mesma forma que se preocupariam com os próprios familiares. Isso tornaria nosso orbe um lugar muito mais seguro e feliz para viver”. BOA VONTADE — Sua equipe trouxe significativos alertas à comunidade científica mundial sobre os perigos da iminente desestabilização do permafrost ártico. Como tem sido a rotina de pesquisa de vocês nesse local? Shakhova — A Plataforma Ártica Leste-Siberiana, onde trabalhamos, é a maior plataforma continental do mundo (com 2 milhões de quilôme- tros quadrados), sendo uma vasta área de pesquisas. Quando come- çamos os estudos, nada se sabia sobre as emissões de metano. (...) Era como procurar uma agulha num palheiro. Tivemos a sorte de encon- trar algumas zonas ativas em 2003 e acreditamos que devia haver ou- tras mais. Desde então, realizamos expedições marítimas todos os anos. Em 2011, começamos a perfurar o permafrost, que existe abaixo do lei- to marinho. Instalamos nossa sonda de perfuração no gelo fixo, extraímos núcleos de sedimentos e pesquisa- mos o estado atual do permafrost submarino, importante fator de controle das emissões de metano na Esas. (...) Nosso trabalho científico no mar inclui testes e pesquisas 24 Expedição realizada no cabo Buor- Khaya, no mar de Laptev, localizado na costa norte do leste da Rússia, para perfuração e estudo do permafrost no inverno. Pesquisa em campo De julho a setembro de 2014, mais de 80 cientistas de várias partes do mundo, a bordo do quebra-gelo Oden, participaram de expedição de pesquisa na Esas. Helicóptero utilizado no levantamento aéreo Imagem do processo de perfuração Acampamento no local, com duas casas móveis (laboratório e alojamento), quadriciclo e trenó de provisões. Quebra-gelo Oden Fotos:Arquivopessoal BOA VONTADE 43
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    gelo (as chamadaspolínias) estão aumentando, e o período de racha- dura do gelo está começando mais cedo. Houve um ano no qual nossa expedição foi quase arrastada por um fluxo de água formado pelo gelo derretido — bem antes do que o previsto —, oriundo do rio Lena. BV — O que pode representar o degelo do permafrost ártico? Shakhova — Ele é feito de solo congelado em áreas terrestres e de sedimentos congelados abaixo do leito marinho. Na Esas, o per- mafrost formou-se nas eras frias, como o período Pleistoceno, entre 2,6 milhões e 11,7 mil anos atrás. A última era glacial acabou com o fim do Pleistoceno, dando início ao atual período, mais quente: o Holoceno. As geleiras acumula- vam grande quantidade de água no estado sólido, e, portanto, os níveis do mar eram mais baixos no Pleistoceno do que são hoje em até 100 metros. Boa parte da Esas fica, atualmente, a menos de 50 metros de profundidade, de forma que seu raso leito marinho já foi exposto a temperaturas do ar muito baixas. Os sedimentos da Esas congelaram-se a poucas centenas de metros de profundidade e tornaram-se per- mafrost, o qual armazena enorme quantidade de carbono orgânico. Se os sedimentos que contêm esse material derreterem, imensas quantidades de metano e dióxido de carbono serão produzidas e liberadas na atmosfera, aumentan- do drasticamente o efeito estufa, que já está causando mudanças climáticas globais. A intensa libe- ração de gás metano proveniente de depósitos desestabilizados no leito marinho teria consequências imprevisíveis em nosso sistema climático. Tais efeitos permanecem incertos, porque as fontes de meta- no no Ártico nunca foram incluídas no orçamento global de metano, tampouco foram consideradas nos modelos climáticos globais, que visam prever os cenários climáticos futuros para a Terra. O objetivo de nossas pesquisas é preencher essa lacuna do conhecimento, tornar o futuro mais previsível e, em última instância, ajudar nosso planeta e horas por dia. Não dormimos muito durante as expedições. BV — Quais são os principais desafios encontrados quando estão em campo? Shakhova — Além das dificuldades logísticas, o Ártico é um ambiente inóspito, e trabalhar nele é sempre um desafio, especialmente nos dias atuais, porque a região se está aquecendo a um ritmo duas vezes mais rápido do que o restante do mundo. Toda a criosfera está afetada: o gelo marinho, as gelei- ras e o permafrost. Tempestades acontecem com maior frequência do que antes, as ondas são mais altas, e existe a possibilidade de encontrar as chamadas ondas as- sassinas ou gigantes, de até 100 pés de altura [aproximadamente 30 metros]. Uma onda desse tipo poderia afundar nossa embarcação em questão de minutos ou até me- nos. (...) A realização de expedições no inverno está se tornando ainda mais difícil, porque o gelo marinho está diminuindo de espessura, as áreas de águas abertas no meio do “A intensa liberação de gás metano proveniente de depósitos desestabilizados no leito marinho teria consequências imprevisíveis em nosso sistema climático.” c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 44 BOA VONTADE
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    todos os organismosque nele exis- tem, incluindo nós, seres humanos, a sobreviver. BV — É possível prever as consequências das emissões de metano para o planeta? Shakhova — O Ártico dispõe de grandes quantidades de metano, como um gás pré-formado, e de carbono orgânico, que pode servir de um substrato para a metanogênese (formação de metano) quando o permafrost derreter. Felizmente, o permafrost de áreas terrestres, que constitui a maior parte desse solo no mundo, permanece largamente estável. Já o permafrost submarino está passando por mudanças drás- ticas em seu sistema térmico, por causa do aquecimento da água do mar e de outros fatores. Lembrem- -se de que, na Esas, o permafrost foi formado durante uma era glacial em que o atual leito marinho da pla- taforma não estava debaixo d’água, e sim exposto a temperaturas [do ar] congelantes. Quando as geleiras começaram a derreter e a Esas se encheu de água, os sedimentos congelados foram cobertos de água bem mais quente do que o ar, e, inevitavelmente, a temperatura no local começou a subir até o ponto de degelo. Esse fato é muito per- turbador. BV — O que pode ocorrer com o degelo do permafrost subma- rino? Shakhova — Ele vedou depósitos de metano que estavam no fundo do mar há milhares de anos, tem- po em que o metano continuou a se acumular nesses lugares. (...) Se esse material for liberado su- bitamente e em grande número, o aumento repentino dos níveis de metano na atmosfera poderá causar consequências imprevisíveis no clima do planeta. Infelizmente, nosso conhecimento atual ainda é limitado, e uma especulação maior a esse respeito seria irresponsável. (...) Precisamos dar seguimento a nossas pesquisas até que possamos determinar mecanismos para evitar esse cenário. Enquanto isso, tudo que puder ser feito para diminuir nossas emissões de gases de efeito estufa será um passo na direção certa. BV — Qual é a expectativa quanto à 21ª Conferência sobre o Clima, a ser promovida pela ONU, em Paris? Shakhova — Tento permanecer oti- mista quando se fala de cooperação internacional acerca de questões de mudanças climáticas. Também sei que quaisquer decisões tomadas e declarações anunciadas devem ser construtivas e viáveis. Para isso, responsáveis por decisões e políticas públicas devem receber in- formações imparciais e abrangentes a respeito dos processos e gatilhos efetivos que levam o sistema cli- “Temo que exista um problema com as instituições mais influentes — por exemplo, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas — que há alguns anos aparentavam ser mais progressivas e visionárias, mas, agora, tornaram- -se mais inertes, conservadoras e obstrutivas quando se trata de aceitar novo conhecimento e incorporá-lo a seus domínios. Isso pode ser percebido de forma clara especialmente quando se refere à região ártica. Se isso não mudar, todos nós pagaremos um preço muito alto.” mático para fora da normalidade. Temo que exista um problema com as instituições mais influentes — por exemplo, o Painel Intergoverna- mental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) ­— que há alguns anos aparentavam ser mais progressivas e visionárias, mas, agora, tornaram-se mais inertes, conservadoras e obstrutivas quando se trata de aceitar novo conhecimento e incorporá-lo a seus domínios. Isso pode ser percebido de forma clara especialmente quan- do se refere à região ártica. Se isso não mudar, todos nós pagaremos um preço muito alto. BV — Qual é o maior legado que quer deixar com suas pesquisas? Shakhova — O que um cientista pode deixar para a Humanidade é um novo conhecimento que ajudará as pessoas a manter o planeta vivo e saudável. Fazemos o trabalho no Ártico russo, com o clima severo deste, às vezes colocando nos- sa vida em risco, pelo futuro de nossos filhos e para que todos os indivíduos do planeta possam ter vida normal. BOA VONTADE 45
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    BOA VONTADE —Como as mudanças climáticas podem afetar a geração de energia em nosso país? Goldemberg — O aumento da temperatura da Terra está criando mais instabilidades nos fatores que determinam o clima, o que faz com que haja precipitações anormais em certos lugares, por isso tem havido en- chentes extraordinárias, sem precedentes na China e em alguns países da Europa Oriental, e em outros lugares são secas extraordinárias, como a que estamos atravessando aqui no Brasil. (...) Havendo menos chuva, os reservatórios não conseguem ser preenchidos e algumas dessas usinas hidrelétricas param de funcionar. Esse é o caso do Estado de São Paulo, a Usina de Porto Primavera praticamente deixou de produzir energia elétrica e vários outros reservatórios na Região Sudeste estão nessa situação. Cerca de 25% da energia elétrica que é usada hoje no Brasil não provêm mais de hidroelétricas, mas de usinas que queimam derivados de petróleo. BV — Quais setores do Brasil precisam repensar suas estratégias? Goldemberg — O principal é o da geração de energia, o das hidrelétricas, [para] evitar que elas sejam substituídas por usinas que queimam com- bustíveis fósseis. O outro é o do transporte. Cerca de 40% das emissões brasileiras vêm dele. Precisamos introduzir padrões de emissão, pois os veículos brasileiros emitem mais do que os usados no exterior. No caso da indústria, é necessário adotar medidas para modernizá-la, produzir mais utilizando menor energia, além de estimular o uso de energias renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa. BV — A COP 21 abre espaço para os países repensarem suas economias de forma sustentável? Goldemberg — Certamente que sim. É claro que, para os países ricos, é fácil falar isso, porque eles usam energias em quantidades imensas, e economizar um pouco não fará grande diferença. Mas há exemplos como o da China, que está crescendo 7% ao ano e percebeu que o progresso à base do uso do carvão e do petróleo cria problemas de poluição. As des- pesas com saúde crescem extraordinariamente lá por causa desse modelo de desenvolvimento. Por isso, a China está se voltando para a energia renovável. No passado, o Brasil mostrou isso com o desenvolvimento de usinas hidrelétricas. Éramos exemplo para o mundo, com mais de 80% de nossa matriz energética limpa e renovável. Perdemos esse papel por causa das perdas elétricas e da seca. Temos que recuperá-lo. José goldemberg O QUE FAZ: Doutor em Ciências Físicas, professor e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). CIência e tecnologia “(...) o progresso à base do uso do carvão e do petróleo cria problemas de poluição. As despesas com saúde crescem extraordinariamente (...) por causa desse modelo de desenvolvimento. Por isso, a China está se voltando para a energia renovável.” o Brasil e a importância da energia eficiente e limpa VivianR.Ferreira c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 46 BOA VONTADE
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    Políticas públicas sustentáveis BOAVONTADE — A poluição é igual em todos os centros ur- banos? Dr. Paulo Saldiva — Não. Isso muda de cidade para cidade, e, para variar, nos países mais pobres há maior poluição. (...) Uma termoelé- trica velha, a carvão, não morre. O que ocorre é que ela é desmontada e levada para países com menor poder aquisitivo, ou seja, existe de- fasagem tecnológica. Esse tipo de estratégia se vê muito também no próprio Brasil, quando você pega um ônibus da cidade de São Paulo que, depois de dez anos, não pode mais rodar na frota cativa e o vende a outros municípios. Isso mostra que, quanto menores a consciência ambiental e o nível de organização da sociedade, [mais] acabamos aceitando coisas baseadas somente na equação dos negócios. BV — Como fugir dessa visão imediatista? Há iniciativas bem- -sucedidas que levam em conta a consciência ecológica? Dr. Saldiva — Exemplo clássico é o do prefeito de Dublin, capital da Irlan- da, um dos países que mais produzem carvão no mundo. Ele substituiu o carvão [que é mais poluente] por gás na cidade para o aquecimento das casas. Foi a maior chiadeira, mas, para cada libra investida na mudança da matriz energética, ele ganhou, no ano seguinte, oito libras em saúde. Em que investimento de negócio, de qualquer área, você investe um e ganha oito em um ano? O cobenefício de saúde deveria nortear a política de mudanças climáticas, e isso não vai ser discutido na COP 21. O Brasil já tentou por duas edições da COP, mas sempre foi voto minoritário. (...) E não há argumento moral, ético ou humanitário que justifique a perda de milhões de vidas em nome de qualquer negócio. BV — Quais são as doenças causadas pela poluição? Dr. Saldiva — Tudo o que é provocado pelo fumo e que está na emba- lagem do maço de cigarro também é [causado] pela poluição: câncer de pulmão e de bexiga, infarto do miocárdio, agravamento de problemas respiratórios crônicos, rinites, sinusites, baixo peso ao nascer e prema- turidade. (...) Nós fumamos em São Paulo/SP de quatro a cinco cigarros por dia. Eu não queria fumar isso... A autoridade ambiental não tem força [para combater o problema]; ela perde para o setor econômico. O desafio é fazer políticas públicas integradas e sustentáveis e colocar como objetivo principal a qualidade da saúde humana. Enquanto cada um pensar dentro da sua caixa, não funcionará. PAULO SALDIVA O QUE FAZ: É patologista, professor universitário e coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP). “O cobenefício de saúde deveria nortear a política de mudanças climáticas, e isso não vai ser discutido na COP 21. (...) E não há argumento moral, ético ou humanitário que justifique a perda de milhões de vidas em nome de qualquer negócio.” Saúde, poluição e economia VivianR.Ferreira BOA VONTADE 47
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    BOA VONTADE —De que maneira as escolas da LBV despertam o interesse de crianças e jovens em adotar uma postura sustentável? Suelí Periotto — Desde cedo, incentivamos os alunos, por meio da Peda- gogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico (saiba mais sobre essa proposta educacional na p. 84), idealizadas por Paiva Netto, a ter uma postura de criticidade, de modo que tudo que aprenderem e em que se en- volvam não seja benéfico somente para si, mas também para a sociedade. Se construirmos essa criticidade e mentalidade de proteção ao planeta — que se dá também nas relações com o próximo, em como nos posicionamos na vida daqueles que nos rodeiam —, formaremos cidadãos ambientalistas, independentemente da área em que atuarão, que se preocupam com suas ações para que elas não afetem de maneira negativa nosso orbe. BV — O mercado de trabalho tem passado a valorizar os bens intangíveis, os do intelecto, os da criatividade... Como a Pedagogia da LBV prepara os educandos para essa realidade? Suelí Periotto — Tornar o educando partícipe de discussões é um de nossos focos, porque, se ele souber discutir, saberá também sugerir e respeitar. Essa interação favorece o desenvolvimento dos valores. Se há perspectiva de um coração bem formado, além da intelectualidade reforçada, temos mais possibilidades de a sustentabilidade do planeta ocorrer naturalmente, não por imposição ou por medo, mas pelo desejo sincero dos indivíduos de fazer realmente sua parte. Ao formar-se cérebro e coração, ou seja, raciocínio e sentimento, como apregoa o educador Paiva Netto, haverá inteligência para novas criações e sensibilidade para que se pense em soluções transformadoras e inovadoras. BV — A escola também precisa incluir o diferente e lidar com ele. Suelí Periotto — O trabalho educacional da LBV preconiza a Cidadania Ecumênica e Planetária. Temos em nossas unidades situações de alunos vindos de outros países da América Latina, de religiões diversas, com deficiências físicas, e, ali, todo o trabalho é realizado para o bem-estar desses estudantes, não só por meio da estrutura do ambiente, como também da motivação para que eles exponham o que pensam. Esse convívio é muito salutar, porque, ao se olhar para o outro, não se en- xergam apenas aspectos físicos ou deficiências, mas aquilo que ele tem de melhor, e isso favorece o relacionamento escolar e ajuda a promover uma mudança: a transformação da sociedade. Suelí Periotto O QUE FAZ: Supervisora da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico. É doutoranda e mestre em Educação pela PUC-SP, conferencista e apresentadora do programa Educação em Debate, da Super Rede Boa Vontade de Rádio. Educação e sustentabilidade “Se há perspectiva de um coração bem formado, além da intelectualidade reforçada, temos mais possibilidades de a sustentabilidade do planeta ocorrer naturalmente, não por imposição ou por medo, mas pelo desejo sincero dos indivíduos de fazer realmente sua parte.” Cidadania Solidária e ecumênica VivianR.Ferreira c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 48 BOA VONTADE
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    BOA VONTADE —Qual é a proposta da FazINOVA? Bel Pesce — Ela é uma escola bem diferente. A gente ajuda pessoas de todas as idades a realizar todos os tipos de sonho. Há diversos cursos que mostram ferramentas e conteúdos que podem auxiliar a transfor- mar ideias em projetos de verdade, com liderança, autoconhecimento, produtividade, negociação, visão, iniciativa e criatividade. BV — O que é necessário para iniciar um projeto? Bel Pesce — É essencial ter perseverança, porque as coisas não dão certo de primeira. É sempre mais complicado do que se imagina. Precisa ter determinação. Qualquer pessoa que quer ser protagonista da sua própria vida tem de ser resiliente, porque são muitos passos e tropeços. BV — Como o empreendedorismo pode colaborar no desafio global de progredir com sustentabilidade? Bel Pesce — O empreendedor, para mim, é alguém que olha para o mundo, encontra necessidades reais e cria produtos ou serviços que as atendam. Sustentabilidade é uma necessidade real; portanto, para quem está procurando oportunidade, algo [com] que possa trabalhar, que realmente vai tocar vidas, pode ser um pilar importante e gerar diversas ideias de um empreendimento que agregue o que se precisa no mundo. (...) Grande parte dos desafios de sustentabilidade tem a ver com o uso inadequado de recursos, e isso é possível mudar. Trata-se de um assunto que mexe com conscientização, exemplos e novas soluções. BV — Que novas práticas implantadas pelas empresas têm contribuído para uma relação mais equilibrada entre o ser hu- mano e a Natureza? Bel Pesce — Eu tenho visto embaixadores de sustentabilidade dentro das empresas. E quando falo em sustentabilidade, é geral, não só [re- lativamente à] Natureza; são todos os recursos, até mesmo o uso do tempo do funcionário. Estive em uma conferência (...), e lá havia um desses embaixadores, que afirmou que esse “não é mais um diferencial. Os clientes querem ver isso”. São práticas que a gente está criando, desde conseguir que produtos que não estão 100% perfeitos possam ser doados até, realmente, uma interação maior com a Natureza de não desperdiçar recursos. É preciso ser uma empresa sustentável em todos os níveis. Bel Pesce O que faz: Empreendedora e fundadora da FazINOVA, escola de empreendedorismo e habilidades. INOVAÇÃO E NEGÓCIOS SOCIAIS “Qualquer pessoa que quer ser protagonista da sua própria vida tem de ser resiliente, porque são muitos passos e tropeços.” Protagonismo socioambiental VivianR.Ferreira BOA VONTADE 49
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    BOA VONTADE —As mudanças climáticas serão um dos gran- des temas da COP 21. Como a população as percebe? José Marengo — Estamos no inverno, mas, nos últimos meses, há recor- des de temperatura alta. Segundo a Nasa [agência espacial americana], a primeira metade de 2015 foi a mais quente dos últimos cinquenta anos. É perceptível que os invernos estão mais quentes, e estamos nos adaptando sem perceber. (...) Precisamos trabalhar para que o aque- cimento global não ultrapasse os 2 graus, para que os impactos sejam os menores possíveis: o degelo das calotas polares, que pode elevar o nível do mar e afetar as áreas costeiras; o impacto na biodiversidade na Amazônia, no cerrado e nos campos; as doenças tropicais, que podem ser mais frequentes; a energia [elétrica], que deve ficar mais cara... A principal causa [desse aquecimento] é o aumento na concentração de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono. BV — Qual é o papel da Amazônia na crise hídrica? José Marengo — Temos notas, não pesquisas científicas, de que o des- matamento da Amazônia é a causa da seca no Sudeste, mas isso não é 100%. Seria um indicador de mudança climática se [essa seca] acontecesse todos os verões durante trinta, quarenta anos. A chuva na região da seca (São Paulo e Serra da Cantareira) vem de várias fontes: da Amazônia, das brisas do Oceano Atlântico e das frentes frias. Durante dezembro de 2013 e o verão de 2014, formou-se uma bolha de ar quente sobre toda essa região. Foi como uma parede, um bloqueio. As frentes frias não consegui- ram penetrar [essa barreira] e foram para o Sul. O mesmo ocorreu com as brisas. A umidade que vinha da Amazônia também não chegou ao Sudeste. BV — A crise hídrica do Sudeste continuará nos próximos anos? José Marengo — É difícil fazer uma previsão, porque, normalmente, o Inmet [Instituto Nacional de Meteorologia], com o Cemaden, realiza a previsão sazonal do clima, [analisa] como ele será em três meses. As chuvas nessa região devem começar em outubro. Se isso não ocorrer, teremos uma extensão da seca. A situação pode piorar muito. Estamos esperando a primeira frente fria que consiga decretar o início da estação chuvosa. É cedo para dizer se a seca continuará ou acabará, mas, ainda assim, para encher o [sistema] Cantareira, precisaria de muita chuva, 100% acima do normal. Para recuperá-lo, mesmo que chova normal- mente, levará, pelo menos, uns cinco anos. JOSÉ ANTONIO MARENGO O que faz: Climatologista, meteorologista e chefe da Divisão de Pesquisas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado à Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisas e Desenvolvimento (Seped), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). CLIMATOLOGIA “Segundo a Nasa, a primeira metade de 2015 foi a mais quente dos últimos cinquenta anos. É perceptível que os invernos estão mais quentes, e estamos nos adaptando sem perceber.” Extremos climáticos e crise hídrica VivianR.Ferreira c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 50 BOA VONTADE
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    BOA VONTADE —O setor energético aumenta as emissões de gás carbônico na atmosfera? Bárbara Rubim — É, hoje, o segundo maior emissor de gases de efeito estufa no Brasil. Só fica atrás do uso do solo — responsável por boa parte do desmatamento —, mas já existem estudos que mostram que, nos próximos trinta anos, ele será o maior emissor que teremos. Portan- to, o setor energético possui papel relevante nas mudanças climáticas. BV — Quais são as energias renováveis mais viáveis para o nosso país? Bárbara Rubim — Tirando-se as hidrelétricas, que são renováveis, mas não sustentáveis, por todas as consequências que elas ge- ram — por exemplo, nas comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia —, há outras fontes renováveis, como a energia eólica, a solar e a da biomassa, e o Brasil é riquíssimo em todas elas. Nos últimos quatro anos, temos visto o crescimento da energia eólica na nossa matriz energética, mas a energia solar, que é uma fonte abundante no país — ninguém duvida de que ele é um “país tropi- cal, abençoado [por Deus e bonito] por natureza” — e que poderia estar gerando eletricidade na casa de todos os brasileiros, segue esquecida e ignorada (...). O Greenpeace trabalha com a meta de 100% de energia renovável na nossa matriz energética até 2050. Isso é possível tecnicamente. O exemplo da Alemanha é marcante, porque o melhor lugar naquele país para a utilização da energia solar é 20% pior do que o pior lugar no Brasil. Mesmo assim, eles têm dez milhões de alemães sendo beneficiados por essa fonte de energia, enquanto o Brasil acabou de bater o recorde de 700 siste- mas instalados — uma diferença grande. BV — Qual é o principal papel da sociedade civil neste momento? Bárbara Rubim — O principal papel da sociedade brasileira é, de fato, o de acompanhar as negociações que estão acontecendo no mundo, os comunicados do Ministério das Relações Exteriores — que cuidou da elaboração da nossa INDC [Intended Nationally Defined Contribu- tion, na sigla em inglês, ou Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida] —; e o de pressionar o governo [para que seja cumprida]. Não podemos mais acreditar que não temos poder de mudança, porque temos, sim. Bárbara Rubim O que faz: Coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. sociedade civil “(...) a energia solar, que é uma fonte abundante no país (...) e que poderia estar gerando eletricidade na casa de todos os brasileiros, segue esquecida e ignorada (...).” A importância de investir em fontes renováveis VivianR.Ferreira BOA VONTADE 51
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    c o nf e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a Alguns dos alunos do Maternal 2, da Supercreche Jesus, percorrem as alamedas do bosque do Conjunto Educacional Boa Vontade, na capital paulista, e aprendem a reconhecer os diferentes tipos de flores e frutos.
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    LBV e meio ambiente Leila Marco A Legiãoda Boa Vontade faz parte do grupo de orga- nizações que, desde a década de 1960, percebia o risco iminente de graves crises ambientais e sociais por causa da conduta, muitas vezes, egoísta do ser humano, na ânsia de enriquecer a qualquer preço. A fim de ajudar na mudança dessa mentalidade, a LBV, desde os seus primórdios, trabalha pela edificação da Sociedade Solidária Altruística Ecumênica*, uma fórmu- la concebida para rever o paradigma atual de produção e consumo que já esgota os recursos naturais. A Instituição aposta sempre na transformação operada pelo Amor, pela Fraternidade Real, como fonte de entendimento e alavanca para políticas públicas de desenvolvimento sustentável e de inclusão social. “Numa sociedade cons- tantemente ameaçada pela destruição, convém lembrar que, a cada dia, pela queda das barreiras de espaço e tempo, os seres da Terra devem compenetrar-se de que formam a imensa família chamada Humanidade”, afirma o diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto. A seguir, conheça algumas das principais ações da Obra nesse caminho de conscientização. * Sociedade Solidária Altruística Ecumênica — Conceito defendido por Paiva Netto há décadas, reiterado durante o 1o Congresso Interna­ cional dos Irmãos Operários de Deus (ocorrido em 1o de maio de 1983, no Botafogo Futebol e Regatas, na cidade do Rio de Janeiro/RJ) e publicado em diversos órgãos de imprensa do Brasil e do exterior. VivianR.Ferreira BOA VONTADE 53
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    Campanha da LBV ganhaprêmio mundial Neste histórico, o leitor conhecerá um pouco da participação da LBV em importantes encontros no Brasil e exterior e suas ações em favor do meio ambiente e do ser humano. Por exemplo, durante a Conferência de Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desen- volvimento, a Rio-92, na capital fluminense, quando a Instituição lançou a Campanha Gente também é bicho. Preserve a criança brasileira. A resposta da sociedade foi ime- diata. Com o apoio da mídia e a adesão de quase uma centena de artistas, a empreitada alcançou expressivo êxito. Seu objetivo prin- cipal foi despertar as pessoas para a urgente necessidade de investir no futuro do expoente maior da Natureza: a criança. Dela se espera a construção de um mundo melhor, a partir da Educação para a Paz e de uma mentalidade que privilegie a preservação ambiental. A campanha, desenvolvida pela agência DPZ, ganhou os prêmios Leão de Ouro, no Festival de Publicidade de Cannes, França, e Galo de Ouro, no Festival de Gramado, ambos em 1993. Também há mais de duas décadas, pionei- ramente, a Instituição alertou para o fato de que o debate da questão ambiental teria de incluir os pilares econômico e social, pois é im- praticável discutir sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente sem considerar a imediata provi- dência de tirar da extrema pobreza tantas populações espalhadas pela Terra. Na Rio+20, a LBV apresentou um painel temático que contou com a colaboração de vá- rios palestrantes e teve grande re­percus­são no evento. LBV na ONU Para desenvolver programas e projetos de inclusão so- cial e de desenvolvimento sustentável, a LBV estabelece parceria com agentes dos principais setores da sociedade (poder público, empresas com responsabilidade socioam- biental, organismos internacionais, escolas, associações comunitárias e outras organizações do Terceiro Setor). Em comum, os participantes desse tipo de iniciativa têm espí- rito de cooperação e compromisso de solidariedade, pelo bem-estar do próximo. A Legião da Boa Vontade associou-se ao Departamento de Informação Pública da ONU (DPI), órgão das Nações Unidas, a partir de 1994. Em 1999, foi a primeira organi- zação brasileira a obter status consultivo geral no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc), em votação unânime em comitê formado por 28 países-membros. Essa condição concedeu à LBV o direito de participar e contribuir em todos os temas de interesse do organismo em Nova York (EUA), em Genebra (Suíça) e em Viena (Áustria). Com sua experiência de mais de seis décadas em diversas áreas da sociedade e com capilaridade internacional, a LBV tem fraternalmente advogado as recomendações na implementação de políticas públicas internacionais. No ano seguinte, passou a integrar a Conferência das ONGs com Relações Consultivas para as Nações Unidas (Congo), com sede em Viena. Rede Sociedade Solidária A LBV ainda colabora com os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) e já prossegue apoiando a nova agenda de desenvolvimento pós- -2015: os Objetivos de Desenvolvimento Sus- tentável (ODS), a partir da articulação de várias ações sociais, promovendo encontros e oficinas temáticas, com a disseminação de informações em cidades da América Latina e da Europa. Desse conjunto de atividades surgiu a Rede Sociedade Solidária, movimento que tem cooperado, em nível regional, para uma atuação intersetorial de grande amplitude em prol do desenvolvimento sustentável e integrado. c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 54 BOA VONTADE
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    PedroPeriotto AdalgizaPeriottoNoysRocha LBV : L’Organisationbrésilienne ayant un statut consultatif général à l’ECOSOC, des Nations Unies, présente des recommandations pour les autorités participantes au Débat de haut niveau du Conseil économique et social de l’ONU, au Palais des Nations, à Genève, Suisse, du 4 au 7 juillet 2011. PAIVA NETTO écrit « La machine humaine et l’huile du sentiment » Éducation LBV 61 ans Une proposition innovatrice de la Légion de la Bonne Volonté (LBV) : L’éducation formelle et informelle et l’éradication de la misère pour le développement des nations Culture de Paix : Les valeurs de la Spiritualité Œcuménique dans la formation de citoyens solidaires Des histoires exemplaires de succès : Lesrésultatsatteints parlaLBVdansdescommunautésdebasrevenusetdesécolesdu Brésiletdedifférentspays SOCIÉTÉS DURABLES Rééduquer la planète pour transformer Recomendações da LBV Nos diversos eventos internacionais da ONU, a Instituição tem contribuído com importantes documen­tos e publicações, editados em vários idio- mas e entregues a chefes de Estado, conselheiros ministeriais e representantes da sociedade civil. Desse material, vale destacar as revistas Sociedade Solidá- ria, Paz para o Milênio, Globalização do Amor Fraterno, BOA VONTADE Mulher, BOA VONTADE Educação e BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015. Esta última — encami- nhada para a Reunião Anual de Alto Nível do Conselho Econô- mico e Social da ONU, realizada em julho, em Nova York, nos Estados Unidos — foi recebida com muito entusiasmo pelas autoridades (Saiba mais sobre o encontro na p. 66). Em Genebra, autoridades presentes à reunião do High-Level Segment 2011 receberam dos representantes da LBV a publicação especial da Instituição para o evento: a BOA VONTADE Educação. Entre elas (1) o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon; (2) Nikhil Seth (E), diretor do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, e Asha-Rose Migiro, vice-secretária-geral das Nações Unidas; e (3) Irina Bokova (D), diretora-geral da Unesco, que conversa com Angélica Periotto, da LBV, sobre a inovadora proposta pedagógica da Legião da Boa Vontade. 1 2 3 BOA VONTADE 55
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    Mobilizações Solidárias Por iniciativade Paiva Netto, as décadas de 1980 e 1990 assistiram a uma série de mobilizações e atos pú- blicos pela conscientização da necessidade de preservar o meio ambiente. De norte a sul do país, Legionários da Boa Vontade de diferentes gerações saíram em passeatas, levando à sociedade as bandeiras da Campanha A destrui- ção da Natureza é a extinção da raça humana, a qual a LBV mantém viva até os dias atuais. ArquivoBV ArquivoBV c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 56 BOA VONTADE
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    Biodiversidade e inclusão social Desde1960, o Centro Comunitário de Assistência Social Alziro Zarur, da Legião da Boa Vontade, em Glorinha/RS, é uma das unidades-modelo da Instituição. Construído em uma imensa área, o conjunto socioeducacional tem ao mesmo tempo forte vocação solidária e ecológica. Ao longo de décadas, Paiva Netto ampliou substancialmente e modernizou o local, tornando-o referência no trabalho de inserção social associado à educação ambiental, em que as pessoas aprendem a se relacionar de forma mais construtiva e harmônica com a Natureza. Cerca de 60% da propriedade compõe-se de mata nativa e de espécies procedentes de reflorestamentos. No espaço reservado ao trabalho solidário do Centro Comunitário, destaque para os progra- mas Criança: Futuro no Presente! (que atende meninos e meninas de 6 a 12 anos) e Espaço de Convivência (para adolescentes de 12 a 17 anos). Por meio dessa ação socioeducativa, cen- tenas de crianças e jovens têm a oportunidade de frequentar oficinas culturais (música, artes etc.), com aproveitamento de recursos da Natu- reza e materiais recicláveis; realizam atividades lúdicas e têm lições de Cultura Ecumênica e de agricultura orgânica (horta, pomar e lavouras). Cidades Mais Verdes Para harmonizar Natureza e concreto, o dirigente da LBV preocupa-se em criar nas unidades socioeducacionais da Instituição (escolas, centros comunitários de assistência social e lares para idosos) espaços para horta e jardim, adequadamente servidos de ventilação, luz e beleza. A iniciativa desperta em alunos e atendidos o cuidado com o meio ambiente. JoãoPreda TatianeOliveira VivianR.Ferreira VivianR.Ferreira BOA VONTADE 57
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    Protagonismo Infantil Exercitar a cidadaniaplane- tária desde os primeiros anos da infância. É assim que a Legião da Boa Vontade trabalha com as crian- ças. Em 2008, durante o 5o Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV, em cidades do Brasil e de outros países da América do Sul, dos Estados Unidos e de Portu- gal, essa turma pôde dar sugestões e debater o tema “Minha casa é o planeta Terra”. O objetivo principal da iniciativa foi conscientizar as no- vas gerações da urgência em cuidar do meio ambiente. Tecnologias Sociais A busca de equilíbrio entre proteção ambiental e progresso socioeconômico norteia as atividades da Legião da Boa Vontade há décadas e foi o enfoque principal dos trabalhos do 5o Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária — 2a Feira de Inovações, entre 4 e 19 de março de 2008, em cidades do Brasil e na Argentina. Promovida pela LBV, a série de encontros gerou troca de experiências e divulgação de boas práticas. O resultado forneceu subsídios ao relatório que a Obra elaborou e apresentou com recomen- dações durante a Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc), de 30 de junho a 3 de julho daquele ano, na sede da ONU em Nova York (EUA). Na oportunidade, a Instituição levou à ONU boas práticas de mais de 1.600 organizações da América Latina. A iniciativa teve o suporte do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (UN/Desa), além do apoio e da chancela do Centro de In- formação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio). A série de eventos tratou de novas tecnologias sociais para temas como conservação e manejo florestal, desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, recursos hídricos, saúde e meio ambiente, educação ambiental e resíduos sólidos. c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a ViníciusRamãoArquivoBV ArquivoBV JoãoPreda 58 BOA VONTADE
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    atuação Juvenil Desde suafundação (1950), a LBV tem no jovem um agente da Paz e da transformação socioambiental. Dentre as iniciativas nesse sentido, destaca-se o fórum permanente de debates e ações em que são con- templados assuntos relacionados ao progresso do ser humano e de seu Espírito Eterno. De junho de 2007 a junho de 2008, em uma série de encontros, a juventude discutiu em profundidade o tema “Amar a Terra é proteger o futuro!”. Levada pela mocidade da Instituição aos mais variados segmentos das sociedades brasileira e mundial, a questão teve seu ponto alto em 28 de junho de 2008, com a realização do 33o Fórum Internacional do Jovem Ecumênico da Boa Vontade de Deus. Na ocasião, foram debatidos os caminhos para alcançar, de forma prática, o desenvolvimento sustentável. Para isso, conduziram a discussão com base em quatro teses do diretor-presidente da LBV: “A destruição da Natureza é a extinção da raça humana; Progresso sem destruição; Economia da Solidariedade Espiritual e Humana; e Globalização do Amor Fraterno”. Mídia da Boa Vontade pela sustentabilidade do corpo e do Espírito Transmitir uma mensagem de Paz e Fraternidade, fundamentada nos valores universais exemplificados por Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, é compromisso da Legião da Boa Vontade desde seus primór- dios (fim da década de 1940). Para expandir esse e outros nobres ideais, o diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, criou a Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV, portal e publicações). Em sintonia com esse propósito, a mídia da Boa Vontade produz conteúdo que prioriza a conscientização do ser humano em relação ao semelhante e ao meio em que vive, para que, com a efetiva mudança de atitudes, se promovam a Cultura de Paz e o desenvolvimento sustentável. Por acreditar que uma comunicação de qualidade contribui para a construção de um mundo melhor, incentiva sua audiência a adotar hábitos saudáveis e ecologicamente responsáveis. Entre as atrações está o programa Biosfera, transmitido pela Boa Vontade TV e apresentado pela repórter Jully Anne (foto), que, com mais de 18 horas mensais na grade de programação da emissora, se caracteriza por dar visibilidade a ações de preservação socioambiental. ArquivoBV PauloAlbino BeatrizChristinaArquivoBV ArquivoBV BOA VONTADE 59
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    por Nathália HelenaAzevedo Pereira | Especial para a boa vontade Como o aprendizado na LBV me instigou a ampliar a visão sobre o cuidado com o planeta O termo “sustentabilidade” tem feito parte, há algum tempo, de nosso vocabulário diário com certa fre- quência e transpassa diversas áreas do conhecimento, entre as quais a Adminis- tração, a Educação e a Cultura. Mas qual é sua abrangência? Para ciências como a Ecologia e a Economia, a palavra ainda carrega uma noção imprecisa e obscura. Por esse motivo, nos últimos anos, ela vem sendo investigada minuciosamente quanto à validade de seus argumentos científicos a fim de se obter uma definição que permita direcionar ações concretas nos campos político, ambiental e social. No contexto das divergências pragmá- ticas sobre suas limitações há questiona- mentos importantes, sobretudo no que diz respeito à dinâmica ambiental, que merecem ser levados em conta: “Até que ponto o ambiente pode ser sustentável?”, “De que forma articular escalas espaciais e temporais para ampliar a compreen- são?”, “Com relação a seus indicadores, como medir a sustentabilidade?”. Mesmo com tantas dúvidas, existe uma convicção coletiva de que esse é um dos ideais mais generosos surgidos no panorama político e econômico mundial no século passado. Aprofundando esse olhar, é válido re- fletir sobre a definição mais difundida da expressão “sustentabilidade ambiental”, ou seja, o anseio de suprir as neces- sidades do presente sem interferir nas gerações futuras. Desse modo, abrimos espaço para indagar quais são essas necessidades. Como estas foram esta- belecidas e por quê? Seriam realmente essenciais para nossa permanência plena como espécie neste planeta? A facilidade com que o termo “necessidade” pode ser articulado para favorecer posicionamen- tos políticos lança luz sobre os desafios que acompanham a busca pela compa- tibilização de metas econômicas, sociais e ambientais. Parte da dificuldade de conciliar essas metas nasce da ganância e do egoísmo de CONSCIência sustentável e espiritual Nathália Helena Azevedo Pereira, de 27 anos, é bióloga pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e mestranda em Ecologia pela Universidade de São Paulo (USP). Possui publicações nas áreas de Ensino de Ciências e Ecologia e atuou em diversos projetos de divulgação científica. Ex-aluna do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, ministra, como voluntária, aulas na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), nesse estabelecimento de ensino, desde 2009. Arquivopessoal c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 60 BOA VONTADE
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    nossa espécie. Paraser aplicada em sua amplitude, conciliando o ambientalmente suportável e o socialmente necessário, a sustentabilidade ambiental precisa estar firmada no princípio ético da solidariedade entre as gerações. Essa é a chave de sua efetivação. O diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, o educador José de Paiva Netto, enuncia que “a solidariedade é um caminho para a Paz entre aqueles que tudo têm e os que necessitam de auxí- lio”. De acordo com esse entendimento, o equilíbrio que buscamos não virá apenas daquele entre a espécie humana e o meio ambiente, mas também daquele entre todos nós, indivíduos da mesma espécie. Como podemos falar sobre sustentabilida- de e desvinculá-la do que está no coração do ser humano? Não podemos, pois “a guerra, antes de explodir no mundo, cres- ce no interior das criaturas”, conforme diz o dirigente da LBV. Abordar a questão da sustentabi­lidade à luz da Espiritualidade Ecumênica é fun- damental, porque esse conceito carrega valores inerentes à solidariedade e à Paz. Há outro elo entre estes dois: o fato de sermos Espírito Eterno. Quanto a isso, o escritor Paiva Netto destaca: “O ser hu- mano, antes de ser corpo físico, é Espírito Eterno. Sem esse conhecimento, todo intelecto se resume à escola primária da existência”. Ao considerarmos tal afirma- tiva, sabemos que habitamos esta Casa, que chamamos de Terra, em existências distintas, usufruindo, portanto, das con- dições e dos recursos dela em diferentes épocas. Temos, por isso, o compromisso moral e o espiritual de honrar todas as formas de vida e os seus recursos vitais. Passei os primeiros catorze anos de minha vida como aluna do Instituto de Educação José de Paiva Netto, durante os quais fui despertada para os ideais do Amor Fraterno e da Paz. Foi nos espaços verdes do Conjunto Educacional Boa Vontade e em excursões a parques e a museus, organizadas por meus dedicados professores, que pude identificar minha afinidade com a Biologia. Ao longo dessa etapa de minha formação, recebi não apenas o cuidado com a instrução for- mal, mas, principalmente, o estímulo à vivência de valores pautados pelo Ecume­ nismo, entre os quais o respeito e a to- lerância, que me motivam diariamente a adotar uma vida inspirada nos princípios da Fraternidade. Com satisfação, tenho tido a oportu- nidade de atuar na referida escola, desde 2009, como professora voluntária na modalidade Educação de Jovens e Adul- tos (EJA), numa tentativa de retribuir um pouco do muito que aprendi nesse espaço de Paz. Busco trabalhar o conhecimento científico com meus alunos sem esquecer as implicações espirituais desse saber. A sustentabilidade é um conceito revo- lucionário; entretanto, segundo ensina o dirigente da LBV, “Revolução verdadeira é aquela que ergue o Espírito do ser humano”. 1 2 (1) Voluntariamente, Nathália dedica-se ao ensino de Biologia na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). (2) Alunos da LBV durante passeio ecológico ao Pico do Jaraguá, em São Paulo/SP. VivianR.Ferreira CidaLinares BOA VONTADE 61
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    O Apocalipse, último Livrodas Escri- turas Sagradas, por meio de suas profecias, suscita em nós a visão permanente de um mundo renovado — que devemos sempre buscar construir —, conforme revela no versículo primeiro de seu capítulo 21: “Vi novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”. Vivemos em uma casa planetária enferma, com indícios de fragilidade do modelo e dos blocos econômicos vigentes, com intolerância cultural e religiosa e com graves desigualdades sociais, evidenciadas estas pelos fluxos migratórios de milhares de seres humanos em regiões do Medi- terrâneo, da África, da Ásia e do Caribe; pela ocorrência de novas endemias; e pelo ressurgimento de doenças tidas como erradicadas. Em um universo dinâmico, como o nos- so, as dificuldades impostas pelas mudan- ças climáticas são agravadas por atitudes humanas de desrespeito à conservação da Natureza*¹, entre elas a exploração predatória dos recursos naturais; o uso de processos produtivos contribuintes para o aquecimento global; o assoreamento, a Daniel Borges Nava é geólogo, mestre em Ciências Ambientais e Sustentabilidade da Amazônia, analista ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e professor da Faculdade La Salle Manaus. Arquivopessoal poluição e a contaminação dos mananciais hídricos; e os desmatamentos ilegais. Pa- rece que ainda não nos apercebemos dos sinais dos Sete Flagelos*², anunciados no Livro das Profecias. É tempo, pois, de reagir, mobilizar, discutir, empreender e inovar o conceito de sustentabilidade e o desejo de vivên- cia dela. A propósito, cito a revista BOA VONTADE especial para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada de 13 a 22 de junho de 2012. Na publicação da LBV, pode-se ler a seguinte mensagem*³ do diretor-presidente da Instituição, o jor- nalista, radialista e escritor José de Paiva Netto: “Preconizamos a harmonia de todos para o bem de todos, enquanto há tempo, pois compartilhamos uma única morada, a Terra, e os abusos de seus habitantes vêm exigindo providência imperativa: ou integra ou desintegra (...), razão por que devemos trabalhar estrategicamente em parcerias que promovam prosperidade efetiva para as massas populares”. Vem ao encontro desse pensamento a encíclica do papa Francisco sobre o meio ambiente, que foi publicada em 18 por Daniel borges Nava | Especial para a boa vontade sustentabilidade planetária e profecias c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a 62 BOA VONTADE
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    *¹ O conceitode conservação implica o uso sustentável dos recursos da Natureza. *² Como exemplos: o Segundo e o Terceiro Flagelos sinalizam a poluição dos oceanos e dos rios; e o Quarto Flagelo indica o aquecimento global. *³ Extraído da revista Globalização do Amor Fraterno, p. 30, publicação dirigida aos participantes da Reunião de Alto Segmento (High- -Level Segment 2007) do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), órgão das Nações Unidas, no qual a LBV possui status consultivo geral. *4 Fonte: www.pnud.org.br. de junho deste ano e na qual ele fala da responsabilidade de todos na proteção planetária e da necessidade urgente de uma mudança radical no comportamento da Humanidade, reforça o caráter explícito e grave das fragilidades ambiental, social e econômica, que nos afetam como socie- dade, consequência de nossas escolhas descompromissadas com a vida em uma morada comum e da ausência de cuidado para com essa habitação coletiva. Depois de passadas mais de duas déca- das de negociações desde a Rio-92, a falta de resultados positivos das ações empreen- didas e de comprometimento de parte dos países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) — em especial de alguns países desenvolvidos, entre eles os Estados Unidos, que nem sequer ratificaram o principal acordo global da convenção, o Protocolo de Kyoto, de 1997 — tornou nula a proposta de enga- jamento mundial na luta pelo alcance das metas de enfrentamento das mudanças climáticas a partir da redução das taxas de emissão de gases de efeito estufa. Se os resultados das ações humanas têm agravado os impactos das mudanças climáticas no orbe terrestre, o conhecimen- to e a tecnologia compartilhados mundial- mente podem e devem constituir-se em um grande movimento de extensão planetária de solidariedade, que, espera-se, seja empreendido a partir da assinatura, na 21a Conferência das Partes (COP 21), do novo Acordo ou Protocolo Global, e esteja disposto a consolidar a importante Agenda 21, representada pelos Objetivos de De- senvolvimento Sustentável, em discussão na Organização das Nações Unidas*4 . É preciso reconhecer a atuação do Brasil na aplicação de sua Política Nacional de Mudanças Climáticas, bem como seu empe- O conhecimento e a tecnologia compartilhados mundialmente podem e devem constituir-se em um grande movimento de extensão planetária de solidariedade. shutterstock.com BOA VONTADE 63
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    nho para atingiras metas nacionais voluntárias de redução das emissões de gases de efeito estufa na ordem de 36% a 38%, tendo a diminuição do desmatamento, em especial nas áreas amazônicas, contribuição im- portante para esse resultado*5 . As discussões surgidas na COP 21 não podem estar dissociadas também do debate sobre as ne- cessidades das populações de seguranças hídrica, alimentar e de energia; sobre o combate contínuo das diversas formas de pobreza, das desigualdades, da corrupção e dos atos discriminatórios raciais e de gê- nero a partir do acesso à justiça para todos e da construção de instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis; e sobre a busca do crescimento econômico apoiado em padrões de produção e de con- sumo sustentáveis. O fortalecimento dos mecanis- mos de revitalização da parceria global para o desenvolvimento sustentável passa ainda pelo reco- nhecimento da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima como principal fórum inter- nacional e intergovernamental para o estabelecimento das respostas de combate às mudanças climáticas e aos impactos delas, que proporcio- narão, em última análise, maior re- siliência (capacidade de adaptação e de enfrentamento) à Humanidade. “Todo dia é dia de renovar nosso destino.” Que essas palavras de Paiva Netto inspirem o sentimento e o desejo mais nobres àqueles que se preparam para participar da COP 21, que se realizará entre 30 de novembro e 11 de dezembro de 2015, em Paris, na França. *5 Entre 2006 e 2013 foi verificada uma redução de desmatamento de 8,7 milhões de hectares, correspondente a 4,2 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2 ) que deixaram de ser emitidas para a atmosfera. O cálculo de correlação foi estabelecido a partir dos parâmetros do Decreto Federal no 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), disposta na Lei Federal no 12.187/2009. Fonte: Carta de Cuiabá, documento construído durante o X Fórum dos Governadores dos Estados da Amazônia Legal, rea- lizado em Cuiabá/MT, em 29 de maio de 2015. ANÚNCIO DOMÍCIO MÓVEIS c o n f e r ê n c i a m u n d i a l s o b r e o c l i m a
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    Medalhistas no Pande Toronto recebem homenagem da LBV garotada que lá estava entregou car- tões confeccionados pelos próprios meninos e meninas a cada um dos medalhistas. O nadador Thiago Pereira, atleta brasileiro mais premiado na história dos Pan-Americanos, com 23 me- dalhas no total, agradeceu a home- nagem. “Esse carinho das crianças é o que nos move. Eu sempre digo: medalhas, recordes, essas coisas sempre vêm e passam, mas esse carinho é o que fica. Estou bastante feliz. O que eu puder fazer mais ainda para motivar essa criançada a um dia, quem sabe, representar o nosso país, a buscar esse sonho, farei”, acrescentou. Medalhista de bronze no reve- zamento 4 x 100 metros livre, a nadadora Daiane Becker contou aos atendidos como iniciou sua carrei- ra esportiva e incentivou-os a não desistir de alcançar o que desejam. “Foi muito legal o presente que as crianças deram para a gente. Fiquei feliz mesmo! É bom saber que a gente inspira pessoas e que pode mostrar que sonhos são realizáveis. Muito obrigada!”, declarou. C rianças e adolescentes par- ticipantes do programa so- cioeducacional Criança: Fu- turo no Presente!, da Legião da Boa Von­tade, em Belo Horizonte/MG, homenagearam os atletas do Minas Tênis Clube  que obtiveram resul- tados expressivos nos Jogos Pan- -Americanos de 2015, realizados em Toronto, no Canadá. No encer- ramento da coletiva de imprensa deles, em 24 de agosto, um dos atendidos leu, em nome dos de- mais, mensagem de congratulação aos esportistas, e, na sequência, a No fim da coletiva de imprensa, os medalhistas receberam homenagens entregues por algumas das crianças atendidas pela LBV. No destaque, o nadador Thiago Pereira. Fotos:MônicaMendes Internacional BOA VONTADE 65
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    Os desafios do planetapós-2015LBV leva suas recomendações a líderes mundiais em encontro anual nas Nações Unidas JÉSSICA BOTELHO LBV na ONU 66 BOA VONTADE
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    D esde seu estabelecimento,em setembro de 2000, os Obje- tivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) têm contribuído, em nível global, para salvar a vida de milhões de pessoas e melhorar as condições em que elas se encontram. Isso pode ser constatado no relatório 2015 das Metas do Milênio, cujos dados e análises foram apresentados pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki- -moon, na Reunião Anual de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da entidade, que se realizou entre os dias 6 e 10 de julho, em Nova York, nos Estados Unidos. Essas informações comprovam que, com intervenções específicas, estra- tégias sólidas, recursos adequados e suporte político, mesmo os países mais pobres podem conquistar pro- gressos realmente significativos. Os ODM foram instituídos pela ONU, com o apoio de 191 nações, para se combaterem, de maneira abrangente, a extrema pobreza e outros males sociais. Com a aproxi- mação do término do prazo para o cumprimento deles — o que ocorrerá no fim deste ano —, o organismo internacional vem atuando em con- junto com governos, a sociedade civil e outros parceiros. O intuito é apro- veitar o impulso gerado pelos ODM e prosseguir o trabalho empreendendo uma agenda de desenvolvimento pós-2015 ambiciosa, que receberá o nome de Objetivos de Desenvolvi- mento Sustentável (ODS). Entre as dezessete novas metas a serem alcançadas há uma especí- fica em apoio à igualdade de gênero e ao empoderamento de todas as mulheres e meninas. Esse tema ga- nha ainda mais destaque diante dos desafios globais: 35% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). “(...) Estou confiante de que somos capazes de cumprir nossa responsabilidade partilhada para eliminar a pobreza, criar um mundo melhor e não deixar ninguém para trás.” Ban Ki-moon Secretário-geral da ONU A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, é cumprimentada pela equipe da LBV na Reunião de Alto Nível do Ecosoc e recebe a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015 em inglês. AdrianaRocha AdrianaRocha UNPhoto/RickBajornase UNPhoto/EskinderBebebe BOA VONTADE 67
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    O presidente doZimbábue e da União Africana (UA), Robert Mugabe (E), confraterniza com Danilo Parmegiani, da LBV, que lhe entrega a publicação especial da Entidade. A ministra da Promoção da Mulher e de Gênero de Burkina Faso, Bibiane Ouedraogo-Boni (D), com a publicação da Legião da Boa Vontade em francês. Ao lado, Adriana Rocha, da LBV. A equipe da Legião da Boa Vontade dos Estados Unidos, formada também por jovens universitários de diversas etnias, no novo escritório da Instituição no país. A vice-primeira-ministra do Quirguistão, Damira Niyazalieva (E), recebe da jovem Amanda Vieira a revista da LBV. O secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês), Mukhisa Kituyi, recebe a publicação da LBV. A mensagem da LBV na conferência também é entregue à correspondente e âncora da BBC em Nova York, Laura Trevelyan (C). À esquerda, as jovens Amanda Vieira e Catherine Murray (da Irlanda) da Instituição. A ministra de Assuntos Sociais de Barém, Faeqa Bent Saeed Essaleh, com a BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015, em inglês. Em discurso transmitido, por videoconferência, na abertura da reunião, Ban Ki-moon deu o tom da preocupação da ONU, diante desses novos objetivos: “Não podemos per- mitir que os avanços conquistados com tanto esforço sejam revertidos”. Presente ao evento, o embaixador sul-coreano Oh Joon, vice-presidente do Ecosoc, chamou a atenção de to- dos para a mudança de consciência se desejar atingir as novas metas LBV na ONU AdrianaRocha AdrianaRocha AdrianaRocha AmandaVieira DaniloParmegianiFelipeDuarte FelipeDuarte 68 BOA VONTADE
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    A ministra deSilvicultura, Pesca e Desenvolvimento Sustentável de Belize, Lisel Alamilla, tem em mãos as recomendações da LBV. A diretora de Assuntos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores de Angola, Margarida Izata (C), com os jovens Sâmara Caruso e Felipe Duarte, da LBV. A ex-primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, conversa com o representante da LBV e destaca ter conhecido o trabalho da Instituição durante a Rio+20. O ministro de Desenvolvimento Humano e Inclusão Social da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada (E), informa-se sobre o trabalho da LBV por meio da publicação especial da Instituição para a conferência. A ministra de Ação Social e Solidariedade Nacional de Burkina Faso, Nicole Angéline Zan-Yelemou (C), e o ministro da Juventude, da Formação Profissional e do Emprego desse país, Salifou Dembélé (D), recebem a revista da LBV. para os próximos quinze anos. “Se quisermos dar o toque final e im- plementar uma agenda universal, transformadora e centrada nos in- divíduos, precisamos mudar nossas mentalidades. (...) Uma agenda in- tegrada exigirá uma visão integrada, particularmente no nível conceitual de elaboração de políticas. (...) Es- tamos na iminência de elaborar um feito excepcional. Vamos fazê-lo de forma correta”. Na plenária da ONU, o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, fala do trabalho da Instituição, em pronunciamento transmitido, em tempo real, pelas Rádio e TV ONU para todo o mundo. Veja o pronunciamento na íntegra http://goo.gl/q6AnwE. AdrianaRocha NelsonJarrín FelipeDuarte AdrianaRocha AmandaVieira ReproduçãoBV “Foi muito bom saber que a LBV está disposta e determinada a partilhar as ideias que tem com o mundo. (...) As pessoas de todo o mundo são iguais. O que elas precisam é de união e determinação para cumprir seus objetivos.” Margarida Izata Diretora de Assuntos Multilaterais do Ministério de Relações Exteriores de Angola BOA VONTADE 69
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    a concluir astarefas inacabadas; e a responder aos novos desafios”, diz trecho do documento. O papel da sociedade civil Para o cumprimento desses obje- tivos, o Conselho Econômico e Social da ONU conta com o apoio efetivo de organizações não governamentais (ONGs). Com a experiência do traba- lho diário, essas entidades reúnem boas práticas e as compartilham, visando à efetivação das metas propostas. Entre elas está a Legião da Boa Vontade, que, por possuir status consultivo geral no Ecosoc desde 1999, participa anualmente da Reunião de Alto Nível do referido conselho. Nesses eventos, apresenta as contribuições, que são fruto de seus 65 anos de atuação. Além de tomar parte ativamente na série de encontros que compõem esse importante evento, a LBV foi convidada, neste ano, a se pronunciar na plenária da ONU para as auto- ridades presentes. Em 9 de julho, o representante da Instituição nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani, falou do trabalho que ela desenvolve, tendo sido o discurso transmitido, em tempo real, pelas Rádio e TV ONU para todo o mundo. Danilo ainda ressaltou a força da sociedade civil e o papel da educação como prin- cipal ferramenta para o alcance dos objetivos pós-2015, educação essa que deve ser mais eficiente e forma- dora de cidadãos plenos e solidários. Aproveitando a ocasião, convidou os participantes a ler a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Susten- tável 2015 (disponível em português, espanhol, inglês e francês), preparada especialmente para a ocasião (veja informações sobre como baixar a publicação nessa página). O diretor da Unidade de Coordenação Interministerial da Secretaria de Coordenação-Geral do Governo da República de Honduras, Olvin Aníbal Villalobos Velásquez, conversa com Eliana Gonçalves, da LBV. Os representantes da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas recebem a revista da Legião da Boa Vontade. A partir da esquerda, Anna Carolina Spinardi; Nelson Jarrín, da LBV; Vicente de Azevedo; Danilo Parmegiani, da Instituição; e Vicente Bezerra. A diretora de Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores e de Cooperação Internacional da República Democrática do Congo, Pascaline Gerengbo Yakivu (E), confraterniza com Conceição Albuquerque, da LBV. LBV na ONU AdrianaRochaAmandaVieira FelipeDuarte Em declaração ministerial, o conselho firmou o compromisso de fixar um novo conjunto de metas de sustentabilidade que sejam inclusivas. “Nós, ministros, nos comprometemos a estabelecer uma agenda de desenvolvimento pós-2015 forte, universal, ambi- ciosa, abrangente e direcionada à população, que será elaborada a partir das bases estabelecidas e da experiência adquirida pelos Objeti- vos de Desenvolvimento do Milênio; Baixe o app gratuito da revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015 Espanhol Francês Português Inglês 70 BOA VONTADE
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    Super rede boavontade de rádio Um conteúdo que faz bem para sua família! Brasil AM 940 kHz - Rio de Janeiro/RJ AM 1.230 kHz - São Paulo/SP AM 1.300 kHz - Porto Alegre/RS OC 25 m - 11.895 kHz - Porto Alegre/RS OC 31 m - 9.550 kHz - Porto Alegre/RS OC 49 m - 6.160 kHz - Porto Alegre/RS AM 1.210 kHz - Brasília/DF FM 88,9 MHz - Santo Antônio do Descoberto/GO AM 1.350 kHz - Salvador/BA AM 610 kHz - Manaus/AM AM 550 kHz - Montes Claros/MG AM 550 kHz - Sertãozinho, região de Ribeirão Preto/SP AM 1.210 kHz - Uberlândia/MG AM 1.310 kHz - Maringá/PR (de 2a a 6a , das 16 às 19h) AM 1.270 kHz - Curitiba/PR (das 16 às 19h) AM 1.210 kHz - Araçatuba/SP (de 2a a sábado, das 16 às 19h) AM 820 kHz - Goiânia/GO (das 22 às 6h) FM 95,1 MHz - Recife/PE (de 2a a 6a , das 21 às 22h) Oi TV - canal 989 Web: www.boavontade.com/tv SKY – Canal 20 Oi TV – Canal 212 kit sat boa vontade Frequência: 3.649.00 MHz • Symbol Rate 3002 • Polarização descida: horizontal • Satélite: Star One C3. ANTENA PARABÓLICA — CANAL TERRA VIVA Programa O Poder da Fé Realizante • De 2a a 6a , das 7h às 7h30. Frequência: 1.360 MHz • Polarização descida: horizontal • Satélite: C2 NET No Estado de São Paulo: Sertãozinho (canal 9),Americana,Araras, Hortolândia, Limeira, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Rio Claro, Santa Bárbara D’Oeste, Sumaré (canal 192) e São José dos Campos (canal 15). OUTRAS TVS POR ASSINATURA CANAL 24 — Telec NE: São Luís/MA; CANAL 33 — Cabo Serviços de Telecomunicações: Natal/RN e Mossoró/RN; CANAL 29 — TV Costa do Sol: Cabo Frio/RJ; CANAL 26 — TVC Assis: Assis/SP; CANAL 29 — TVC Ourinhos: Ourinhos/ SP; CANAL 26 — Pontal Cabo: Penápolis/SP; CANAL 39 — TVCA Tietê: Tietê/SP; CANAL 45 — TV Conectcor: Jaú/SP e Dois Córregos/SP; CANAL 34 — RCA: Curitiba/PR e Paranavaí/PR; CANAL 23 — TV a Cabo São Bento: São Bento do Sul/SC; Canal 36 — Sarandi TV a Cabo: Sarandi/PR; Canal 48 — TVN Telecomunicações Nordeste: São Luís/MA. TV ABERTA CANAL 45.1 digital: São Paulo/SP; CANAIS 11 e 11.1 digital: São José dos Campos/SP; CANAL 9:Águas Formosas/MG; CANAL 53:Apucarana/PR; CANAIS 9 e 32:Arceburgo/MG; CANAL 31: Brodowski/SP; CANAL 58: Campos do Jordão/SP; CANAL 40: Cruzeiro e Monteiro Lobato/SP; CANAL 23: Glorinha/RS; CANAL 7: Guaratinguetá/SP; CANAL 28: Londrina e Umuarama/PR; CANAL 51: Luz/MG; CANAL 35: Pindamonhangaba/SP; CANAL 58: Poços de Caldas/MG; CANAL 21: Mococa, Santa Rosa doViterbo e Cássia dos Coqueiros/SP; CANAL 69: Tapiratiba/SP e Guaranésia/MG; CANAL 29: Marechal Cândido Rondon/PR; CANAL 26: Guarapuava/PR; CANAL 41: Campo Mourão/PR. Buenos Aires,Argentina: FM 104.7 (de 2a a 6a ,das 5 às 6h e das 10 às 11h; sábado e domingo, das 7 às 8h) e AM 1.590 (de 2a a 6a , da 0 à 1h e das 18 às 19h) • La Paz, Bolívia: AM 860 (de 2a a 6a , das 7 às 8h e das 13 às 14h) • Assunção, Paraguai: FM 90.7 (de 2a a 6a , das 8 às 9h) • Portugal — Porto: FM 88.1 (das 23 à 0h) — Lisboa: FM 92.8 (das 23 à 0h) — Coimbra: FM 96.2 (das 7 às 8h) — Pampilhosa: FM 92.6 (das 15 às 16h). Comunicação 100% Jesus 0300 10 07 940 • www.boavontade.com • facebook.com/boavontade
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    D e 25 a27 de setembro, a Or- ganização das Nações Unidas (ONU) realizou uma de suas mais importantes reuniões: a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desen- volvimento Sustentável 2015. Logo no início do evento, ocorrido na sede da entidade em Nova York, nos Esta- dos Unidos, as novas metas globais foram acordadas, por unanimidade, pelos 193 Estados-membros que a integram. Entre milhares de organizações da sociedade civil de todo o mundo, a Legião da Boa Vontade foi uma das convidadas a participar da cúpu­ la, em virtude do reconhecimento internacional conquistado pelo seu relevante trabalho na área socio­ educacional e por importantes contri- buições nos processos preparatórios para a formulação do documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvi- mento Sustentável”. No primeiro dia do encontro, a Instituição marcou presença no painel temático sobre combate à pobreza, um dos seis que compuseram a programação oficial do evento. Esse importante debate, para o qual colaboraram organiza- ções de 50 países — uma delas a LBV, representando o Brasil —, também teve a participação de grandes autoridades no assunto, entre estas o empresário e filantropo norte-americano Bill Gates. Participantes da Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015 têm contato com a publicação da Legião da Boa Vontade, editada em espanhol, francês, inglês e português. LBV é convidada para cúpula histórica das Nações Unidas DA REDAÇÃO LBV na ONU 72 BOA VONTADE
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    O presidente doQuênia, Uhuru Kenyatta, exibe a revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015 em inglês, que recebeu no evento da ONU. A revista da Legião da Boa Vontade é entregue ao primeiro-ministro da Eslovênia, Miro Cerar (D), pelo representante da Instituição Danilo Parmegiani. A ministra brasileira do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, com a revista da Legião da Boa Vontade. A publicação especial da LBV também chegou às mãos da presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović, durante a Cúpula das Nações Unidas. O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves (E), recebe a publicação da LBV. O representante da LBV entrega a Vladimir Cuk (D), ator norte-americano e empreendedor da internet, a BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015. DaniloParmegianiFotos:ArquivoBV DaniloParmegiani Mensagem do dirigente da LBV aos participantes da Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015 Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e leia o texto. Ainda na ocasião, a LBV apre- sentou a chefes de Estado, a repre- sentantes de governo e a notórias personalidades mensagem de seu diretor-presidente, José de Paiva Netto, intitulada “Altruísmo — uma revolução” e publicada na revis- ta BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015. No texto, ele ressalta: “Quando mais o ameaça a violência, o desenvolvimento de um povo não pode prescindir do espírito filantrópico, portanto, humanitário, aliado ao de íntegra justiça e com- petente gestão”. É oportuno mencionar que, de acordo com as Nações Unidas, a referida agenda servirá como pla- taforma de ação da comunidade internacional para promover o fim da pobreza extrema, reduzir as desi- gualdades e as injustiças e combater as mudanças climáticas globais e os impactos destas. A proposta contém os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas cor- respondentes. A Instituição foi a única organização da sociedade civil brasileira participante do painel de combate à pobreza BOA VONTADE 73
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    LBV na ONU Chefede Seção de ONGs da ONU visita unidades da LBV e destaca papel da Obra na educação de crianças e jovens em risco social Cidadania além-fronteiras DA REDAÇÃO ONU na LBV 74 BOA VONTADE
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    E m visita oficialao Brasil no fim de julho, o dr. Alberto Padova, chefe da Seção de ONGs do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN/Desa), do Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc), esteve no Rio de Janeiro/RJ e em São Paulo/SP. Na ocasião, ele conheceu o trabalho realizado pela Legião da Boa Vontade nessas cidades, bem como participou da cerimônia de abertura do 14o Congresso Internacio- nal de Educação da LBV (leia sobre o assunto na p. 84) e da gravação de edição especial do programa Sociedade Solidária, veiculado pela Boa Vontade TV e pela Super Rede Boa Vontade de Rádio. Neste, o representante da ONU discorreu sobre o combate aos efeitos socioeconômicos decorrentes das mudanças climáticas e sobre a implantação das metas da agen- da global pós-2015: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). - B i o g r a f i a - Italiano radicado nos Estados Unidos, o dr. Alberto Padova lidera esforços para promover a participação da sociedade civil nas atividades das Nações Unidas. Tem cerca de trinta anos de experiência profissional, havendo iniciado a carreira no setor privado como analista e, depois, trabalhado como repórter de finanças internacionais em Milão, na  Itália. Atua, há mais de duas décadas, na ONU, no cargo de economista, com enfoque em assuntos rela- cionados ao sul da África, à América Latina, ao financiamento para o desenvolvimento, aos Objetivos do Milênio, à agenda de desenvolvi- mento pós-2015, entre outros. 1 3 2 (1 e 2) O dr. Alberto Padova (centro) e os representantes da LBV posam com o Coral Ecumênico Infantojuvenil e o Grupo Infantojuvenil de Instrumentistas do Conjunto Educacional Boa Vontade. Na foto ao lado, Padova assiste à performance dos alunos, que também foi feita Libras (Língua Brasileira de Sinais). (3) O representante da ONU também visitou o Centro Comunitário de Assistência Social em Vila Isabel, no Rio de Janeiro/RJ. VivianR.Ferreira PriscillaAntunesVivianR.Ferreira BOA VONTADE 75
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    Ênfase no ensinode qualidade Em 29 de julho, o dr. Alberto Padova seguiu para a capital paulis­ ta e foi ao Conjunto Educacional Boa Vontade. Depois de percorrer os ambientes do estabelecimento, ele ressaltou mais uma vez a qualidade do atendimento prestado pela Obra. “O trabalho que conheci no Rio de Janeiro é relevante, pois os esforços para proporcionar a assistência es- sencial em termos de educação e de saúde se estabelecem exatamente no centro de regiões mais carentes. (...) A escola e as instalações em São Paulo falam por si, não só pelas várias aulas e pela infraestrutura, mas também pelo fato de que muitos LBV organiza encontro na OAB-SP (1) O presidente da seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), dr. Marcos da Costa (E), e o dr. Alberto Padova. (2) À esquerda, a presidente da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB-SP, dra. Lúcia Bludeni, que também participou do encontro, junto a representantes da LBV. Uma visão além do intelecto Nos dias 27 e 28 de julho, du- rante visita ao Centro Educacional e ao Centro Comunitário de Assistência Social da LBV, ambos localizados em Del Castilho, na capital fluminense, o dr. Padova obteve informações a respeito da inovadora linha educa- cional criada pelo diretor-presidente da Instituição, o jornalista, radialista e educador José de Paiva Netto. Em entrevista à BOA VONTADE, o chefe da Seção de ONGs da ONU destacou os bons resultados alcan- çados pela linha pedagógica da LBV (formada pela Pedagogia do Afeto e pela Pedagogia do Cidadão Ecumê- nico). “Estou muito feliz de poder Na foto, a partir da esquerda: o representante da Abong, Sérgio Andrade; o coordenador executivo do programa Cidades Sustentáveis, dr. Maurício Broinizi; a diretora-executiva do Instituto GPA, Dary Bacellar; o mediador, Daniel Guimarães, da LBV; o representante das Nações Unidas dr. Alberto Padova; o representante da LBV nas Nações Unidas, Danilo Parmegiani; o reitor da Universidade Zumbi de Palmares, dr. José Vicente; e o secretário-executivo do Movimento Nós Podemos, Rodrigo Loures. presenciar o trabalho maravilhoso que a Legião da Boa Vontade realiza, de ver que o que vocês fazem não se re- sume em oferecer apenas a formação acadêmica básica às crianças, mas também uma proposta holística, que inclui o bem-estar delas, começando pelos recém-nascidos e envolvendo toda a família. Essa é uma receita poderosa e muito bem-sucedida, pelo que pude notar. Esse diferencial, que vejo sendo promovido aqui, vai além do intelecto acadêmico; é muito mais amplo, porque desenvolve o indivíduo de forma plena, tornando-o um agen- te para o bem-estar da comunidade, e está focado em importantes valores, que são a base de uma sociedade saudável e produtiva”, disse. 21 ValterJúniorFelipeTonin OAB/SP Assista à edição especial do programa Sociedade Solidária, dividido em quatro partes, transmitido pela Boa Vontade TV. ONU na LBV 76 BOA VONTADE
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    O dr. AlbertoPadova (D) e o jornalista Eliseu Caetano recebem homenagem dos alunos de judô do Centro Educacional da LBV, na cidade do Rio de Janeiro. Jornalista da TV Globo internacional afirma: “O diferencial da LBV é o de transformar o pouco em muito e fazer a felicidade de tanta gente”. O jornalista Eliseu Caetano, da TV Globo Internacional, acompanhou a visita do dr. Alberto Padova às unidades de atendimento da Legião da Boa Vontade e declarou na ocasião: “Eu nunca tinha vindo aqui na LBV em Del Castilho e acredito que tenha sido uma excelente oportunidade de estar um pouco mais perto de tantas pessoas que trabalham diariamente para fazer a vida de outras pessoas melhor. A estrutura deste local é incrível. Estou impressionado! (...) Eu já tinha passado aqui [pela rua] algumas vezes — sou do Rio, apesar de morar fora do país — e não imaginava que [o local] fosse tão grande e que tantas pessoas fossem atendidas diariamente”. Completando, deixou o seguinte recado aos cidadãos brasileiros: “Eu realmente acredito nas palavras de Paiva Netto sobre a importância de todo mundo fazer a sua parte, e não só ajudar financeiramente, pois aqui tem um monte de gente que doa tempo, esperança, expectativa, felicidade, alegria... Então, venham! Ajudem! Façam parte disto”. Ele expôs suas considerações sobre a atuação da LBV dos Estados Uni- dos, que, há mais de vinte anos, auxilia famílias de baixa renda e age em causas humanitárias no território norte-americano. “Vocês [da sociedade] não têm noção de como é bonito o trabalho da LBV dos Estados Unidos. Sempre que eu tenho tempo, participo da doação de sopa, de material escolar, de material de berçário... O que mais me impressiona — e deve impressionar vocês também — é o fato de que, quando a pessoa recebe [a doação], ela olha e fala: ‘Que alívio! Eu não tinha condição de comprar esta fralda, e a LBV me deu a fralda’. Isso, para muitos, não é nada, mas, para outros, é muita coisa. O diferencial da LBV é o de transformar o pouco em muito e fazer a felicidade de tanta gente.” dos alunos que se formaram aqui encontraram um trabalho formal, não só na própria Instituição, mas também na área urbana.” O chefe da Seção de ONGs da ONU ainda comentou o aguardado acordo entre as nações integrantes da entidade no qual serão definidos os ODS. “Eu acredito que a nova agenda se está concentrando não somente no que foi incluído nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em termos de educação, como atingir plenamente a educação básica para todos. (...) Temos visto em muitos países que, embora possa haver escolarização básica completa, as crianças não estão sendo necessaria- mente preparadas para o futuro no mercado de trabalho. Somente com maiores esforços pela qualidade da educação, podemos garantir que elas sejam os trabalhadores de amanhã e que não acabem desempregadas e voltem a viver em situação de po- breza”, concluiu. PriscillaAntunes “A escola e as instalações em São Paulo falam por si, não só pelas várias aulas e pela infraestrutura, mas também pelo fato de que muitos dos alunos que se formaram aqui encontraram um trabalho formal, não só na própria Instituição, mas também na área urbana.” alberto Padova Chefe de Seção de ONGs da ONU BOA VONTADE 77
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    Ação Jovem LBV SãoPaulo/SP Vivian R. Ferreira no Bem Atitude e convicção Salvador/Ba Ribeirão Preto/SP MarianeLebron NizeteSouza
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    Jovens protagonizam estudos eações solidárias durante fórum internacional da LBV P essoas de todas as idades — com destaque para as das novas gerações — do Brasil, da Argentina, da Bolívia, do Para- guai, do Uruguai, de Portugal e dos Estados Unidos participaram, ao longo de um ano, de diversas ações e encontros fraternos com foco no estudo dos conceitos solidários eMariane de Oliveira Luz ecumênicos constantes do livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade — O Poder do Cristo em nós, quinta obra da coleção “O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração”, de autoria do escritor José de Paiva Netto. Tais atividades fizeram parte da programação do 40o Fórum Internacional do Jovem VivianR.FerreiraAlexandreRueda Campo Grande, Rio de Janeiro/RJBelo Horizonte/MG MônicaMendes São Paulo/sp AndressaFerreira GRANDE REPERCUSSÃO Palestra do diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, é transmitida, via satélite, por rádio, televisão e internet para o Brasil e o exterior. BOA VONTADE 79
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    Lançamentos Curitiba/PR ViníciusRamão Ação Jovem LBV Ecumênicoda Boa Vontade de Deus, cuja conclusão ocorreu em 27 de junho e teve como tema central o título estudado. A mensagem de Paz do dirigente da Instituição coroou o evento. Em sessão solene, transmitida, ao vivo, pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet) para todo o planeta, Paiva Netto convidou os que acompanhavam suas palavras a um diálogo sobre assuntos celestes. Depois de agrade- cer as homenagens a ele destinadas pelos 59 anos de trabalho na Seara da Boa Vontade (completados em 29 de junho), destacou a emoção de ver tantos Soldadinhos de Deus — como carinhosamente são chama- das as crianças na LBV —, atentos às elevadas lições de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Discorrendo acerca do impor- tante papel da Fraternidade no combate à violência que campeia pelo mundo, recorreu à leitura da passagem “O Sexto Flagelo”*, 16:12 a 16, constante do último livro da Bíblia Sagrada, o Apocalipse de Jesus, e comentou-a: “Temos de estar muito atentos a isso. O Irmão Alziro Zarur, fundador desta Casa, asseverava que ‘nenhum Legionário da Boa Vontade será apanhado de surpresa’; contudo, se for mesmo Legionário da Boa Vontade de Deus, Cristão do Novo Manda- mento de Jesus, não os distraídos. Estes serão sempre apanhados de surpresa, infelizmente. Falo assim para que ninguém fique na dúvida. Estes assuntos são muito sérios. E os alertamentos, igualmente, pre- cisam ser fortes, eloquentes, quer dizer, que entrem pelos ouvidos das pessoas e se instalem nas mentes eloquentemente”. Nessa linha de raciocínio, pros- Montevidéu, uruguai ArquivoBV Revista BOA VONTADE Desenvolvimento Sustentável 2015 (espanhol, francês, inglês e português) 122a edição da revista Jesus Está Chegando!, em português 4a edição da revista ¡Jesús Está llegando!, em espanhol CD especial que traz a fraterna e empolgante pregação de Paiva Netto intitulada “Jesus aplaca a tempestade”. Clube Cultura de Paz: 0300 10 07 940 www.clubeculturadepaz.com.br ADQUIRA
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    FabíolaBigas Campo Grande/Ms Florianópolis/SC GenivaldoMaquiza “Por quese falha tanto neste mundo? Porque está faltando esse sentido da Fraternidade Divina. Então, as pessoas não sabem aonde chegar. E vão pela brutalidade se não acreditam no entendimento. Se não alcançarmos a Fraternidade, o outro lado é o que está se vendo por aí na Humanidade: uma grosseria, uma estupidez até não poder mais.” Paiva Netto * Nos capítulos de 27 a 30 do livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade — O Poder do Cristo em nós, intitulados “O amplo sig- nificado do Sexto Flagelo”, o escritor Paiva Netto faz análise profunda dessa passagem do Apocalipse. Adquira seu exemplar — Clube Cultura de Paz: 0300 10 07 940. seguiu: “Vivemos um fim de ciclo e o início de outro maravilhoso. Muita gente fica atenta às advertências do Apocalipse, mas distraída das maravilhas que ele anuncia. (...) Eu já disse muitas vezes: o Apocalipse não é para apavorar ninguém. Tal qual um amigo, ele nos adverte: ‘Olhe, prepare-se!’ (...) Se Vocês fizerem isso, vão sobreviver a este mundo que, renovado, viverá sob os auspícios do Novo Mandamento de Jesus — ‘Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos’ (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35) —, que ditará as ordens. Mas, para que isso aconteça, as coisas não serão fáceis. Os sinais deixados por Jesus estão aí, como podemos ler em Seu Sermão Profé- tico (Grande Tribulação), ou Sermão do Fim do Mundo, constantes do Evangelho, segundo Mateus, 24:29 a 31; Marcos, 13:24 a 27; e Lucas, 21:25 a 27”. Em seguida, chamou a atenção dos presentes para a necessidade de se divulgarem, por todos os meios possíveis, os ensinamentos do Cristo, firmados em Seu Novo Mandamento. Para tanto, enfatizou o potencial da internet como valo- rosa ferramenta capaz de levar a todas as criaturas esses sublimes preceitos, despertando nos seres humanos a devoção aos assuntos sagrados. “O Novo Mandamento de Jesus é a importância suprema que a inteligência humana pode alcançar. É o toque divino em todos os setores da vida humana. Por que Recife/PE VâniaBesse Uberlândia/MG LedilaineSantana campinas/SP JoãoMiguel
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    JOVENS da LBV EMAÇÃO Baixe o leitor QR Code em seu smartphone ou tablet, fotografe o código e veja as fotos da edição 2015 das Rodas Espirituais e Culturais e do Festival Internacional de Música da LBV, em todo o Brasil. se falha tanto neste mundo? Porque está faltando esse sentido da Fra- ternidade Divina. Então, as pessoas não sabem aonde chegar. E vão pela brutalidade se não acreditam no entendimento. Se não alcançarmos a Fraternidade, o outro lado é o que está se vendo por aí na Humanida- de: uma grosseria, uma estupidez até não poder mais”, afirmou. E concluiu: “Nós somos o con- trário disso, não porque sejamos melhores, não! É porque nos foi dada essa luz. Portanto, não pode- mos pegá-la e escondê-la, quando Jesus manda colocar na parte mais alta da sala. Disse o Cristo: ‘Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debai- xo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus’ (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 5:14 a 16). É isso! Peguemos a Bandeira do Novo Mandamento do Sábio dos Milênios e a levemos ao mundo”. Preparando o ambiente para a prece de encerramento do fórum, Paiva Netto compartilhou com todos mensagem do Espírito dr. Bezerra de Menezes, datada de 20 de junho de 2015, na qual o nobre Irmão destaca a passagem “Jesus anda sobre o mar” (Evangelho, segundo Mateus, 14:22 a 33). Após a vibrante leitura do conteú- do, convidou os que o ouviam a entoar, com fervor e juntamente com ele, a oração do Pai-Nosso, deixada pelo Divino Mestre a toda a Humanidade. Buenos Aires, Argentina Vitória/ES ArquivoBVAlessandraAmaral GOIÂNIA/GO Porto Alegre/RS americana/sp Niterói/rj EgezielCarlos TelmaCarilei MarianaTrevisano IzabelaLobianco Ao concluir o 40o Fórum Internacional do Jovem Ecumênico da Boa Vontade de Deus, o diretor- -presidente da LBV deu início à 41a edição do encontro, lançando o tema que dará base às discussões até junho de 2016: “O Espiritualmente Revolucionário Novo Mandamento de Jesus — A estrutura de um mundo novo”. Ação Jovem LBV 82 BOA VONTADE
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    A realização do40o Fórum Internacional do Jovem Ecumênico da Boa Vontade de Deus foi o momento propício para a celebração de outra relevante conquista para as Instituições da Boa Vontade: a inauguração das novas instalações da LBV dos Estados Unidos. Situado na Rua 45 (entre a 5a e a 6a Aveni- das), em Nova York, o local funciona como escritório de representação da Obra junto às Nações Unidas em Manhattan e abriga atividades edu- cacionais, humanitárias e culturais em um dos maiores centros urbanos do planeta. Em visita à unidade, a sra. Sharon Hamilton-Getz, presidente emérita seis países. Ela ainda encaminhou a seguinte mensagem ao diretor- -presidente da Instituição: “Eu quero felicitar o senhor, Irmão Paiva Netto, por esta celebração maravilhosa de inauguração das novas instalações da LBV em Nova York. Estou muito feliz, porque esta é uma forma de cooperação para trazer a plenitude do Espírito Santo e de Deus para o mundo. Muito obrigada!”. A sra. Alessandra Esporin, fun- cionária da Missão do Brasil na ONU, também fez questão de registrar seu agradecimento. “Obri- gada pelo carinho e por fazerem a diferença! Que Deus continue iluminando a todos vocês!” do Comitê de Espiritualidade, Va- lores e Interesses Globais na ONU, enalteceu o trabalho realizado pela Instituição. “Este espaço da Legião da Boa Vontade é um enorme abraço em Nova York, por causa do amor, da alegria e da plenitude de espí- rito que a LBV traz ao mundo. (...) A impressão que eu tenho é que o Sol está brilhando aqui na LBV. (...) Todas as fotos transmitem um grande impacto e uma mensagem muito profunda. De onde vem tudo isso? De Deus!”, disse, referindo-se a uma galeria de imagens com as prin- cipais ações sociais e educacionais que a Entidade desenvolve em ter- ritório norte-americano e em outros Novas Instalações da LBV dos EUA “Este espaço da Legião da Boa Vontade é um enorme abraço em Nova York, por causa do amor, da alegria e da plenitude de espírito que a LBV traz ao mundo. (...) A impressão que eu tenho é que o Sol está brilhando aqui na LBV.” SHARON HAMILTON-GETZ Presidente emérita do Comitê de Espiritualidade, Valores e Interesses Globais na ONU Fotos:ArquivoBV MilsonCarneiro 1 2 3 4 (1) Jovens dos Estados Unidos acompanham as palavras do dirigente da LBV pela internet. (2) Ambiente das novas instalações da LBV dos EUA, em Nova York. (3) A sra. Alessandra Esporin (E), funcionária da Missão do Brasil na ONU, ao lado de Danilo Parmegiani e Adriana Rocha, da LBV. (4) A sra. Sharon Hamilton-Getz durante visita à unidade da Instituição. Nova YORK, EUA BOA VONTADE 83
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    Congresso Internacional deEducação da LBV discute o papel da pesquisa na aprendizagem significativa GIOVANNA PINHEIRO e WELLINGTON CARVALHO DE SOUZA | Fotos: VIVIAN R. FERREIRA ou informação? Conhecimento BOA VONTADE 85
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    Educação em debate O fimde julho foi bastante agi- tado para muitos educadores na capital paulista, mesmo sendo esse um mês de férias esco- lares. Isso porque o Conjunto Edu- cacional Boa Vontade e o Espaço Cultural e Ecumênico da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo em São Paulo/SP sediaram o 14o Congresso Internacional de Educação da LBV, entre os dias 29 e 31. Anualmente, o evento reúne docentes, pesquisadores, estudan- tes, profissionais de áreas ligadas à Educação e demais interessados, com o intuito de colaborar para a formação continuada deles e de promover um ensino que alie à qualidade pedagógica a Espirituali- dade Ecumênica, para a construção da Cultura de Paz, como propõe, com pioneirismo, a Legião da Boa Vontade. Este ano, os parti- cipantes do congresso — vindos de vários Estados brasileiros, além do Uruguai, da Bolívia, do Para- guai, da Argentina e dos Estados Unidos — dialogaram sobre o tema “Pesquisa — Caminho para a aprendizagem significativa: uma visão além do intelecto”. O primeiro dia de atividades re- servou ao público uma apresentação especial do Coral Ecumênico e do Grupo de Instrumentistas Infantoju- venil Boa Vontade. Interpretando o Hino Nacional, eles abriram os tra- balhos do congresso e, em seguida, brindaram a plateia com a canção Em tons de Paz, que teve tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esta, aliás, tam- bém foi utilizada nos discursos que se seguiram. Alziro Paolotti de Paiva, repre- sentando o diretor-presidente da Entidade, José de Paiva Netto, deu as boas-vindas a todos os presentes e afirmou: “(...) O obje- tivo da LBV é que as instituições escolares possam atingir, juntas, a educação de excelência que tanto vislumbramos”. A solenidade de abertura foi prestigiada por convidados e autori- dades brasileiras e do exterior, entre as quais o dr. Alberto Padova, chefe da Seção de ONGs do Departamento Alziro de PaivaDr. Alberto Padova 86 BOA VONTADE
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    * Pedagogia doAfeto e Pedagogia do Cida- dão Ecumênico — Educar com Espirituali- dade Ecumênica é o diferencial da proposta pedagógica criada por Paiva Netto, que se compõe da Pedagogia do Afeto (destinada a crianças de até os 10 anos de idade) e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico (a indiví- duos a partir dos 11 anos). Nela, o cuida- do com a formação integral do ser humano une, conforme afirma o dirigente da LBV, “Cérebro e Coração”, ou seja, raciocínio e sentimento. Oficinas pedagógicas Tema: “Semeando valores na arte de educar”. Oficineiras: Evaneida de Souza Ferreira, pedagoga; e Christiane Aparecida Baptista Miotto, professora de Artes. Tema: “Desenvolvendo o raciocínio e a orientação espacial por meio de jogos”. Oficineiros: Paulo César Baroni e Ricardo dos Santos Santiago, professores de Educação Física. Tema: “Pesquisa: caminho estratégico para o raciocínio lógico”. Oficineiras: Márcia Guimarães e Santos, pedagoga; e Carolina Gato dos Santos, graduanda em Pedagogia e em Matemática. Tema: “A arte de ler e contar histórias”. Oficineiras: Marilaine Caroline de Campos e Weslainy Fernanda de Campos Rodrigues, graduandas em Pedagogia. Tema: “Criando e recriando — Reutilizando e decorando com CDs e DVDs”. Oficineiras: Débora Miranda Nascimento, pedagoga; e Greyce Aparecida Silva, graduanda em Pedagogia. de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN/Desa), que integra o Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU. Em visita oficial ao país, o italiano, radicado nos Estados Unidos, fez questão de saudar os participantes em portu- guês. “Uma boa educação é o pas- saporte para um futuro melhor. Por isso, o futuro do Brasil está em suas mãos. A estratégia educacional que alia qualidade acadêmica, forma- ção para o trabalho e consciência de proteção do meio ambiente em que todos vivemos, que são pontos centrais do trabalho da LBV, forma uma receita poderosa para o bem- -estar das futuras gerações e do nosso planeta”, ressaltou. Supervisora da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico* e doutoranda em Edu- cação, Suelí Periotto, depois de também saudar o público, destacou que a parte emocional do aluno é tão importante quanto a racional e que as duas precisam ser levadas em conta conjuntamente para que o educando consiga alcançar os re- sultados que almeja. “O objetivo da linha pedagógica da LBV é desen- volver as habilidades investigativas do estudante, desde a mais tenra idade, valorizando o pré-conheci- mento de cada indivíduo, conside- rando suas bagagens cultural e es- piritual e o contexto social no qual está inserido, preparando-o com a BOA VONTADE 87
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    Também falou da importânciade se unirem as várias áreas do pensa- mento científico, base da interdis- ciplinaridade, para se encontrarem meios que permitam ao educando não só receber o conhecimento, mas também interagir com este, de modo que tal conhecimento se concretize. “Professor é um artesão. Ele preci- sa ir ‘costurando’. Não é possível pesquisar sem fazer costuras entre autores, entre diferentes visões de mundo”, apontou. O diálogo, a inclu- são, a participação, a democracia e o respeito às diferenças motivados pelo docente são fatores imprescindíveis para a efetividade das pesquisas, na opinião da conferencista. Emília Cipriano ainda salientou, em entrevista à BOA VONTADE, a importância do congresso. “É a construção de uma rede humana a serviço da vida, da transformação de uma realidade que não é esta — do consumo, da visão superficial —, mas é aquela que dá sentido para a existência. Encontros desta natureza nos fortalecem.” Entendimento para o aprendizado No segundo dia do evento, o pedagogo Júlio Furtado, doutor em Ciências da Educação e diplomado em Psicopedagogia, expôs o tema “O desafio de promover a aprendiza- gem significativa em sala de aula”. Ele declarou que o ato de ensinar so- mente será efetivo com a mudança do modelo passivo de transmissão de conhecimento, o famoso “ouvir e decorar”. “A aprendizagem, para ser significativa, tem que fazer com que o aluno construa um signifi- cado, não um sentido. (...) Só há ensino quando há aprendizagem. Por isso, o papel do professor não é ensinar, é fazer aprender.” excelência intelectual que possi- bilite seu acesso às universidades mais concorridas e motivando-o sempre a buscar a realização dos seus sonhos”, completou. Transmitindo conhecimento Para dar início ao ciclo de pales- tras programadas, que ocorreram nos três dias do evento, foi convi- dada a professora Emília Cipriano, secretária-adjunta de Educação da cidade de São Paulo. Doutora em Educação e mestre em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universida- de Católica de São Paulo (PUC-SP), ela afirmou que existe um movimento bastante forte na área educacional que tem valorizado a percepção de que informação não é conhecimento. Júlio FurtadoEmília Cipriano Virginia Gudiño Educação em debate A jornalista Mônica Bergamo divulgou em sua coluna na Folha de S.Paulo de 29 de julho a realização do 14o Congresso Internacional de Educação da LBV, na capital paulista. 88 BOA VONTADE
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    De acordo comele, para criar esse novo paradigma dialogal, o professor precisa ter em mente três aspectos, que são: “Ajudar a cons- truir sentido; apresentar novo con- teúdo e construir o conhecimento junto do aluno; e verificar se houve aprendizagem”. Igualmente convidada para palestrar no congresso, Virginia Gudiño, neuropsicoeducadora, neuropsicocapacitadora e copes- quisadora da Universidade Yeshiva, em Nova York, nos Estados Unidos, dissertou sobre o tópico “A contri- buição do neurocapital humano no processo do aprendizado”. Ela expli- cou como o educador pode utilizar o conhecimento acerca do cérebro a fim de tornar o ato de ensinar uma experiência positiva. Ainda enfatizou que, para que isso ocorra, é neces- sário compreender os dois tipos de aprendizado: o emocional e o cog- nitivo. O primeiro efetiva-se pela rá- pida assimilação do conteúdo e pela fácil memorização. No segundo, no entanto, a aquisição do conteúdo é mais difícil, e o esquecimento das informações é frequente. A especialista fez questão de destacar que é importante entender certas etapas da construção do conhecimento para garantir que o educar seja satisfatório e proveito- so. Uma delas é a dos três filtros cerebrais. “O professor, com a in- formação de como atravessar esses filtros, terá ferramentas para trazer à prática docente, cotidianamente, o que queira transmitir, com maior possibilidade de [esse conteúdo] se alojar no córtex cerebral.” Ela disse que, para ultrapassar o primeiro filtro, o pedagogo precisa capturar a atenção do aluno; no segundo, é ne- cessário manter o interesse dele no assunto; e, no terceiro, o educador Oficinas pedagógicas Tema: “Teatrando — O desenvolvimento da expressão por meio do teatro improvisado”. Oficineiras: Elisabete dos Santos Vasconcelos, graduanda em Letras; e Talita Calusni da Silva, psicóloga. Tema: “Pesquisar e brincar: um caminho para a aprendizagem significativa”. Oficineiros: Eduardo Luckmann e Ruana Costa Silveira, educadores. Tema: “Identificar o meio ambiente e transformá-lo, brincando com experimentos”. Oficineiras: Diana Fernando Uribe, psicóloga; Mariela Álvarez, professora; e Yanina Paludi Diaz, licenciada em Psicomotricidade. Tema: “Brincar: uma proposta inovadora e facilitadora da aprendizagem”. Oficineiras: Maria Dora dos Santos e Maísa Santana, pedagogas. Tema: “Ler para estudar e ler para escrever”. Oficineiras: Claudiane Maria de Freitas Mendes, pedagoga; e Danielle Tonin de Almeida Bosso, graduada em Letras. BOA VONTADE 89
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    Capacitação para professores Quem desejarreceber a capacitação na Pedagogia do Afeto e na Pedagogia do Cidadão Ecumênico no Brasil e no exterior pode fazê-lo acompanhando entrevistas e análises sobre a linha educacional da LBV no programa Educação em Debate, transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV), às segundas-feiras (às 2 horas e às 13 horas) e aos sábados (às 12 horas); e pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY e canal 212 da OiTV), às segundas-feiras (às 20 horas), às quintas-feiras (às 2 horas e às 20 horas), às sextas-feiras (às 15h30), aos sábados (às 4h30 e às 11h30) e aos domingos (às 2 horas e às 21 horas). Outras informações sobre o assunto podem ser obtidas pelo tel. (11) 3225-4590 ou no site www.iejpn.com.br. Trabalho em conjunto O terceiro dia do congres- so teve a palestra do professor Marcos Méier. Graduado em Mate- mática e em Psicologia e especialista em Educação Matemática, ele aler- tou sobre a crescente passividade dos alunos em sala de aula e sobre como isso prejudica os estudos. De acordo com o educador, as crianças de hoje estão acostumadas a obter tudo instantaneamente, e tal fato se estende até a adolescência. O tempo excessivo que passam em frente a dispositivos eletrônicos é nocivo ao desenvolvimento de per- cepções sensoriais, da criatividade, da curiosidade e de outras faculdades inatas ao ser humano, cujo impulso é essencial nessa fase da vida. O palestrante ainda afirmou que é fundamental saber estimular o lado criativo do educando e que a interdisciplinaridade tem papel importantíssimo no aprendizado, porque leva o indivíduo a interligar conteúdos de disciplinas diferentes, o que o conduz a melhor fixação do conhecimento. Metodologia da LBV: destaque para a pesquisa A série de palestras ainda ocorreu com a participação das pedagogas Suelí Periotto, dou- “Estar ao lado de pessoas que buscam ‘uma visão além do intelecto’ é uma experiência única, contagiante e maravilhosa. Até então, eu, estudante de Relações Públicas, iria apenas concluir a graduação, mas, depois de participar deste congresso, pretendo um dia lecionar, seja como professora em minha área, seja, de forma voluntária, em algum trabalho social da LBV.” Nadiele Bortolin Graduanda em Relações Públicas — Porto Alegre/RS terá de consolidar o conhecimento no cérebro do estudante de uma maneira que este se lembre de tal conhecimento mais tarde. Virginia encerrou a palestra apre- sentando aos participantes a pirâmi- de do aprendizado. O objetivo desse gesto foi mostrar como diferentes abordagens educativas interferem na aquisição de conhecimento do educando. Suelí Periotto Aline Trevisan e Gisela Portilho Educação em debate Marcos Méier 90 BOA VONTADE
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    toranda em Educação;Gisela Portilho, pós-graduada em Adminis- tração Escolar e em Psicopedagogia; e Aline Trevisan, pós-graduada em Metodologia das Ciências Exatas. Abordando a pesquisa como prá- tica da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, que compõem a linha educacional criada pelo educador Paiva Netto, elas explicaram à plateia de que forma o ato de pesquisar está in- cluído no Método de Aprendizagem por Pesquisa Racional, Emocional e Intuitiva (MAPREI), que objetiva o desenvolvimento integral do educan- do, visto este como sujeito ativo e construtor do conhecimento. Nesse processo, são considerados a capa- cidade subjetiva, o interior — em que habitam respostas a diversos questionamentos — e novas pers- pectivas do indivíduo. “A pesquisa é uma ferramenta constante de busca de informações a fim de que crian- ças e jovens se acostumem à verifi- cação dos diferentes saberes inte- lectuais, sempre ecumenicamente conciliados. Ela reforça a percepção da realidade e a consciência de que o saber e a informação fazem parte de um amplo universo social. Essa investigação deixará o aluno apto a ser crítico e a questionar”, ressaltou Suelí Periotto. Segundo Aline Trevisan, toda a bagagem adquirida pelo estudante ao longo dos anos por meio da pesquisa, hábito esse que pode ser incentivado desde a mais tenra idade de qualquer pessoa, resultará em grandes ganhos para o edu- cando quando este, por exemplo, sair da escola em busca de uma colocação no mercado de trabalho. “Ele terá proatividade e êxito na resolução dos desafios”, salientou a professora. Oficinas pedagógicas Tema: “Estilos de aprendizagem: visual, auditivo e sinestésico”. Oficineiras: Andressa Silva dos Santos e Raquel Oliveira Costa Soares, pedagogas. Tema: “Pesquisa sonora — Do conhecimento à criação”. Oficineiros: Eduardo da Rosa Estácio, graduado em Composição e Regência e licenciado em Música; e Nídia Elisa Pereira, licenciada em Música. Tema: “Sustentabilidade — A mudança está dentro de cada um”. Oficineiras: Daiana Evaristo de Oliveira e Marcia Lourdes Cardoso, biólogas. Tema: “Busca individual? Pesquisa? O que fazer? Conheça estratégias que vão além do intelecto”. Oficineiras: Patricia Giordano Calicchio da Silva e Debora Stelzer, pedagogas. Em É Urgente Reeducar!, Paiva Netto apresenta, com praticidade e clareza, sua experiência de quase seis décadas em aplicar os valores da Espiritualidade Ecumênica na Educação. Clube Cultura de Paz (0300 10 07 940 e www.clubeculturadepaz.com.br). ADQUIRA BOA VONTADE 91
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    Campanhas emergenciais daLBV Pedra/PE BrunaGonçalves 92 BOA VONTADE
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    E m julho eagosto deste ano, a Legião da Boa Vontade mobilizou o povo brasileiro para o socorro emergencial de populações em risco social cas- tigadas por dois eventos climáticos: de um lado, as baixas temperaturas e as fortes chuvas que atingiram localidades no Sul; e, de outro, a seca nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Nas próximas páginas, apresentamos cenas emocionantes e o relato de voluntários que viajaram milhares de quilômetros Brasil adentro para fazer a ajuda do povo brasileiro chegar às mãos de quem mais precisa. O amparo da Legião da Boa Vontade chega a milhares de famílias castigadas pela estiagem e pelo inverno rigoroso onde o povo precisa! Presente Da Redação BOA VONTADE 93
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    Vencendo a fome “Saímosde São Luís/MA em 22 de julho, por volta das 14 horas, com destino a Belágua, localizada no mesmo Estado e a 280 quilô- metros da capital maranhense. Apesar de ser um município relativamente próximo de nossa origem, a viagem teve quase o dobro do tempo que estimamos, por causa das condições da estrada e de outros imprevistos no caminho. “Já era noite quando chegamos à cidade. Não perdemos tempo e logo organizamos as 500 cestas de alimentos que seriam entregues às famílias da região. Muitas delas sobrevivem com menos de R$ 140 por mês. “Na manhã seguinte, o Centro Social de Belágua, onde ocorreu a ação, ficou lotado. Cidadãos que vivem na zona rural percorreram vários quilômetros e enfrentaram estradas de areia até chegar à unidade de atendimento, tudo isso para garantir alimento à mesa. O Centro de Referência de Assistência Social e a Secretaria de Assistência Social do município apoiaram a iniciativa. “Na sequência, fomos à região central do Estado, em Marajá do Sena (a 400 quilômetros da capital). É a segunda cidade mais pobre do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística (IBGE). Percebemos que, para as famílias das duas localidades, mais pesado que carregar os alimentos da cesta entregue é o peso da preocupação de não ter o que comer em casa. “Finalizamos a entrega das cestas transmi- tindo a todos os presentes uma mensagem de esperança e agradecendo, por meio de uma oração, essa oportunidade de agir no Bem. Ao longo de toda essa ação, vimos aquilo pelo que passam os moradores dessas regiões diaria- mente. Encontramos um povo esforçado, bata- lhador e, acima de tudo, acolhedor.” Paulo Araújo (na foto, de camisa verde) São Luís/MA Arcoverde/PE Juazeiro/BA Buíque/PE Uauá/BA Campanhas emergenciais da LBV BrunaGonçalves BrunaGonçalves TatianeOliveiraTatianeOliveira SérgioBortolim
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    BENEFÍCIO Distribuição de 6mil cestas de alimentos LOCALIDADES Maranhão: Marajá do Sena e Belágua. Paraíba: Sumé, São José dos Cordeiros, Ouro Velho, Amparo e Zabelê. Rio Grande do Norte: Espírito Santo, Baía Formosa, Taipu, Martins e Antônio Martins. Ceará: Irauçuba, Itapipoca, Santa Quitéria e Canindé. Pernambuco: Pedra, Alagoinha, Buíque, Venturosa e Arcoverde. Bahia: Juazeiro, Sento Sé, Sobradinho, Uauá e Curaçá. DESAFIOS DESTA REGIÃO Dos seis Estados nordestinos contemplados com as doações da LBV, três — Bahia, Paraíba e Maranhão — estão entre os dez mais pobres do Brasil, tendo este último o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro, segundo dados do Censo 2010. Região Nordeste “Esta ação é muito boa, importante, essencial para a população de Belágua. Se eu já ajudava com gosto, agora vou ajudar muito mais. (...) Eu saio daqui feliz por ser um colaborador da LBV.” Raimundo Chagas Colaborador e voluntário da Instituição em Belágua/MA Marajá do Sena/MA Belágua/MA Fotos:LeillaTonin BOA VONTADE 95
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    sorrisos de gratidÃO Campanhasemergenciais da LBV Arquivopessoal Antônio Martins/RN Martins/RN Espírito Santo/RNSão José dos Cordeiros/PB Sumé/PBFotos:JeanCarlos “Desde que soube do objetivo da Caravana da Boa Vontade, achei o máximo. Além das centenas de famílias que a LBV atende, diariamente, em João Pessoa e em Campina Grande, na Paraíba, a iniciativa seria levada também ao interior do Estado, em uma época tão sofrida, como é a da estiagem. “Viajar mais de dois mil quilômetros da capital até a região onde ficam as cidades beneficiadas foi o de menos. A expectativa de registrar e compartilhar a alegria das famílias superou o cansaço do percurso. Foram oito dias seguindo na caravana pela Paraíba e pelo Rio Grande do Norte. Trinta mil quilos de ali- mentos foram entregues a duas mil famílias de dez municípios. Centenas de sorrisos sinceros foram da- dos como forma de agradecimento. Era nos momentos de oração, ao iniciarmos a entrega das cestas, que ficava ainda mais visível a gratidão dos atendidos. “A falta de vento logo evidenciou o clima quente e seco da região. A temperatura elevada não desa- nimou quem estava trabalhando. A corrente de so- lidariedade formada por policiais, bombeiros e nós, voluntários, em todas as cidades em que estivemos mostrava a vontade de mudar aquela cruel realidade. “Gosto de tirar fotografias. Por isso, a cada opor- tunidade, pedia para registrar a alegria das pessoas amparadas em receber o apoio da LBV. Era bonito ver que, com os alimentos nos braços, faziam questão de demonstrar a felicidade que sentiam, fosse por meio de um sinal de positivo com as mãos, fosse com um sorriso generoso, sem, muitas vezes, se importar com a falta de dentes na boca. “Não há palavras que consigam descrever tanta emoção vivida por mim durante aqueles dias. O carinho e a satisfação demonstrados a todo instan- te pelo povo sertanejo, com sua recepção sempre calorosa, nos motivam ainda mais a realizar ações em benefício da população brasileira.” Jean Carlos da Silva (na foto, à esquerda, em primeiro plano) João Pessoa/PB
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    Ouro Velho/PB BaíaFormosa/RN Taipu/RN Taipu/RN Sumé/PB Zabelê/PB Fotos:JeanCarlos Região Nordeste BOA VONTADE 97
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    Campanhas emergenciais daLBV Região Nordeste A Legião da Boa Vontade, de parceria com a Casa da Caridade, levou a mil famílias do sertão do Ceará cestas de alimentos não perecíveis, roupas e produtos de higiene pessoal. A ajuda foi transportada com o apoio de 60 voluntários, que seguiram da capital cearense para as cidades de Santa Quitéria, Itapipoca, Irauçuba e Canindé, em um comboio de 23 carros particulares e um caminhão. Antes de cada entrega, a equipe e os milhares de pessoas que seriam beneficiados pela ação uniam-se para fazer a Prece Ecumênica do Pai-Nosso, formando, assim, uma corrente em prol dos que têm sofrido por causa da forte estiagem naquelas e em outras localidades do país. Canindé/CE Curaçá/BA Sobradinho/BA Itapipoca/CE Irauçuba/CESanta Quitéria/CE TatianeOliveira TatianeOliveira LeillaToninPauloMurilo LeillaToninLeillaTonin 98 BOA VONTADE
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    BENEFÍCIO Distribuição de 1.500cestas de alimentos LOCALIDADES Minas Gerais: Almenara, Bandeira, Jenipapo de Minas, Jordânia, Lufa (distrito de Novo Cruzeiro), Palmópolis e Rubim. DESAFIOS DESTA REGIÃO O Vale do Jequitinhonha é uma das regiões mais pobres do país. Entre os municípios atendidos pela campanha da LBV está a cidade de Novo Cruzeiro, que ocupa a 28ª pior colocação no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) no ranking das 853 cidades do Estado de Minas Gerais, de acordo com dados do Censo 2010. Região Sudeste vale de esperança “Depois de ver a realidade de muitas famílias que vivem no Vale do Jequitinhonha (nordeste do Estado de Minas Gerais), percebi, com maior clareza, quanto o alimento é fun- damental para pessoas que não têm em casa nem um pouco de arroz ou feijão para comer. “Percorremos 721 quilômetros da capital mineira até Almenara/MG, um dos municípios mais carentes da região e, por isso mesmo, escolhido para receber as cestas. Chegamos à cidade às vésperas do evento, em 15 de julho, e logo fomos preparar o ginásio onde se daria a entrega de alimentos. “Na data tão especial, o local estava lotado. Havia centenas de famílias, muitas crianças e idosos. Outra cena que não sai da minha cabe- ça é a das mães com seus filhos no colo, agra- decidas e com os olhos marejados de lágrimas por causa da cesta que estavam recebendo. Pensava: ‘E se essa fosse a minha situação?’. Eu me colocava no lugar delas e imaginava como seria não ter o que dar de comer a um filho. Ali, muitas mamães, infelizmente, vivem essa triste realidade. “O Vale do Jequitinhonha é conhecido como o Vale da Miséria, mas, nesse lugar, aprendi e vi que é o Vale da Esperança, onde há in- divíduos que vivem com tão pouco ou quase nada, mas com brilho no olhar e a crença de um amanhã melhor. “Terminado o evento, retornamos a Belo Horizonte. Fisicamente, estávamos cansados; porém, no coração, tínhamos a certeza do dever cumprido e o sentimento de que, de alguma forma, contribuímos para minimizar o sofrimento de cada um que ali estava. O Amor ao próximo que aprendemos diariamente na LBV, mais uma vez, foi demonstrado na prática.” Carla Mônica Mendes Belo Horizonte/MG RafaelMendes Arquivopessoal Vale do Jequitinhonha/MG BOA VONTADE 99
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    Corações aquecidos emaldeia indígena “No dia 30 de junho, às 10 horas, che- guei com a equipe da Legião da Boa Von- tade à aldeia indígena Bororó, no município de Dourados/MS (a 220 quilômetros da capital do Estado, Campo Grande). Ali re- sidem as etnias Guarani-Kaiowá, a Guarani Ñandeva e a Terena. Nesta região, o inverno sempre chega rigoroso, com a sensação tér- mica negativa e com temperaturas mínimas na casa dos 3 graus. Por isso, fomos levar cobertores a essas famílias. “Logo começamos os preparativos no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Indígena. A coragem daquelas pessoas, que vinham de longe, seja de bicicleta, de carroça, a pé — algumas percorreram até 10 quilômetros para estar presentes no local —, era mais uma moti- vação, não só para mim, mas para todos os que ali trabalhavam. Mesmo com tanto frio e chuva, nosso coração estava aquecido com o Amor Fraterno e foi recompensado pelo sorriso delas. “Muitas mães atendidas relataram as dificuldades que passam durante o inver- no. Uma delas é Marli Fernandes, que tem cinco filhos e mora há vinte anos na comunidade. Conversamos com ela, que se mostrou bastante agradecida pela ajuda que a LBV levou àquela localidade, pois, quando era criança, passava por diversas dificuldades, principalmente na estação mais fria. “Foi muito emocionante colaborar para essa campanha da Instituição. Sem dúvida alguma, tudo o que meus olhos presencia- ram pode ser resumido em uma palavra: gratidão.” Genivaldo Oliveira Marquiza Campo Grande/MS Dourados/MS Aparecida de Goiânia/GO Trindade/GO Dourados/MS Campanhas emergenciais da LBV LeillaToninEgezielCarlos EgezielCarlos LeillaTonin Arquivopessoal “A gente precisa muito de cobertores, principalmente agora, nesta época de frio. Eu vivo doente e recebo auxílio somente para os remédios. Então, este cobertor está vindo numa boa hora, porque estou precisando muito. Fico feliz mesmo. Parabéns por este trabalho!” Maria Vaz da Silva Brasília/DF 100 BOA VONTADE
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    BENEFÍCIOS Distribuição de 1.500cobertores e mil cestas de alimentos LOCALIDADES Distrito Federal: Brasília. Mato Grosso do Sul: Dourados. Goiás: Aparecida de Goiânia e Trindade. desafios desta regiÃO No atendimento da LBV a esta região, foram entregues cobertores nas cidades mais frias, com temperaturas mínimas em torno de 13 graus, e 15 toneladas de alimentos não perecíveis em comunidades em situação de risco social. Região Centro- -Oeste “Nós já sofremos muito no frio, e é um orgulho receber estes cobertores para nossos filhos. Eles dormem juntos para se aquecer. É uma dificuldade tremenda, mas creio que, depois desta doação, tudo isso vai mudar em casa.” Marli Fernandes Dourados/MS Brasília/DF Aparecida de Goiânia/GO Brasília/DF Leilla Tonin GustavoHenriqueLimaEgezielCarlos GustavoHenriqueLima BOA VONTADE 101
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    Solidariedade vence invernorigoroso “O dia 16 de julho foi de muita alegria para mim. Logo pela manhã, antes de aden- trarmos o ginásio de esportes do Jardim Zanelato, em São José/SC, no qual cobertores seriam entregues a centenas de famílias, de- parei com várias pessoas, que aguardavam o início do evento, enquanto, dentro do recinto, os voluntários da LBV davam os retoques finais para o começo das atividades. “Santa Catarina é um dos Estados em que o inverno é mais rigoroso no Brasil. No dia da entrega, a temperatura na cidade oscilava entre 13 e 14 graus. Com a chuva fina naquela manhã, a sensação térmica era inferior a 10 graus. Apesar do frio, as muitas palavras de agradecimento daqueles que tinham ido receber o atendimento da LBV aqueciam nosso coração. “Logo após a entrega, nossa caravana partiu para Biguaçu/SC, a segunda localida- de que receberia os cobertores. No trajeto, dentro do veículo em que viajávamos, os comentários dos voluntários eram os mais animadores. Chegamos ao local da entrega por volta das 12h30, e o evento começaria às 14 horas. Para nossa surpresa, quase uma centena de pessoas já esperavam por nossa presença. Lembro de ver uma jovem que ajudava, também voluntariamente, na distri- buição dos cobertores. Ela usava um avental com o coração azul da Legião da Boa Vontade e se emocionava às lágrimas por presenciar o resultado da iniciativa solidária da LBV. “O meu muito obrigado à Instituição por me dar a oportunidade de estar ao lado de indivíduos que tanto precisam de auxílio material e espiritual. Também agradeço a tantos colaboradores, cidadãos anônimos, que destinam parte de seus recursos para ver este Brasil melhor e mais solidário.” Derli Francisco Florianópolis/SC Campanhas emergenciais da LBV Arquivopessoal Fotos:FabíolaBigas ViníciusRamão Ponta Grossa/PRSão José/SC São José/SC Biguaçu/SC 102 BOA VONTADE
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    BENEFÍCIO Distribuição de 5mil cobertores LOCALIDADES Paraná: Curitiba e Ponta Grossa. Rio Grande do Sul: Porto Alegre. Santa Catarina: São José e Biguaçu. Desafios desta região Nas cidades atendidas pela LBV, as temperaturas mínimas neste inverno variaram entre 9 e 15 graus. Região Sul “Agradeço, de coração, esta parceria importante para nosso município. Eu conheço a LBV desde jovem; assistia pela TV às palavras do Paiva Netto. Uma Entidade com tantos anos de fundação e de trabalhos realizados e que continua fazendo um serviço sério, honesto e dedicado merece todo o nosso respeito.” Ramon Wollinger Prefeito de Biguaçu/SC Leilla Tonin ViníciusRamão ViníciusRamãoFabíolaBigas DerliFrancisco São José/SCBiguaçu/SC Curitiba/PRPonta Grossa/PR BOA VONTADE 103
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    CARIDADE COMPLETA* “Essa campanhada Legião da Boa Vontade foi de grande valor para as famílias socorridas do Rio Grande do Sul, por causa do frio intenso, típico da região Sul do Brasil na época do inverno, e das recentes fortes chuvas. Elas se emocionaram ao receber a ajuda da Entidade. Várias mães, inclusive, beijaram os cobertores doa- dos, certas de que seus filhos ficariam bem aquecidos com eles. “As doações, não só de cobertores, mas também de alimentos, foram entregues, nos dias 15 e 16 de julho, nas comunidades pobres da capital gaúcha alagadas pelos temporais, entre elas a Ilha do Pavão e a Ilha Grande dos Marinheiros. Enquanto fazía- mos esse trabalho voluntário, diversas pessoas nos levaram até as residências para nos mostrar as necessidades que passavam e de que forma o apoio que estavam recebendo era tão importante para elas. Em muitos desses lares, vimos cômodos cheios de água e de animais, como ratos, cobras e sapos. Era uma situação muito difícil. O pior é que, como os moradores dessas ilhas vivem à margem do rio Guaíba, quando há elevação das águas, as casas deles são as primeiras a ser atingidas. “Conforme costuma ocorrer em momentos de calamidade, inúmeras famílias não sabiam o que fazer. Uma senhora que perdeu todos os bens materiais nessa enchente, desesperada, chegou a falar até em cometer suicídio, pois não aguentava mais tanto sofrimento. Lembro que ficamos bastante comovidos com a situação dela e, imediatamente, transmitimos palavras de espe- rança e de ânimo àquela mulher para que não desistisse da vida, esse bem precioso dado por Deus a todos nós. Fizemos a prece do Pai-Nosso e conversamos com ela a respeito do que aprendemos na LBV sobre os valores fundamentais de nossa existência. Para nossa felicidade, ela ficou mais calma e entendeu que, se faltasse a seus filhos, eles padeceriam ainda mais. “Para mim, é sempre uma honra participar das ações da Insti- tuição. O apoio ofertado pela Legião da Boa Vontade, com a valiosa colaboração do povo, àqueles indivíduos significou dias melhores, menor sofrimento e um pouco de conforto e paz em seus lares.” Alex Dias Porto Alegre/RS LilianeCardoso Campanhas emergenciais da LBV * Caridade Completa — Trata-se de um conceito van- guardeiro da Legião da Boa Vontade. Esclarece que tão importante quanto ofertar o alimento a quem tem fome, saciando, assim, as necessidades do corpo, é o trabalho que visa ao fortalecimento do interior, da Alma da criatu- ra, a partir dos valores espirituais, éticos e ecumênicos, de modo que, ante os embates da existência, ela consiga suplantar a Dor. O escritor Paiva Netto (www.paivanetto. com), em seu artigo “Equação Divina”, discorre sobre o assunto. LucianFagundesLilianeCardoso 104 BOA VONTADE
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    “Este inverno será mais quentecom os cobertores doados pela LBV. Estou muito contente. Obrigada! A todos da LBV, que Deus e Nosso Senhor Jesus deem sempre muita saúde!” Dorotília Ribeiro Pereira Porto Alegre/RS Comunidades de Porto Alegre/RS alagadas pelos temporais, entre elas a Ilha do Pavão e a Ilha Grande dos Marinheiros. NadieleBortolin LilianeCardoso NadieleBortolin LilianeCardoso AlexDias LucianFagundes LucianFagundes Região Sul BOA VONTADE 105
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    Saúde bucal A o pensarmosem medicina, logo temos uma ideia mí- nima de qual especialista cuida de cada caso. Mas, com relação à odontologia, a maioria das pessoas não sabe diferenciar as especialidades ou não conhece grande parte destas. Para abordar o assunto e cuidados com a saúde bucal, a Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV, portal e publicações) entrevistou o odon- tólogo José Peixoto Ferrão Júnior, professor adjunto e responsável pela disciplina de Periodontia da Faculdade de Odontologia da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande. Na oportunidade, o dr.  Ferrão Sorriso ressaltou que a odontologia é um campo muito amplo e que, com o avanço da Ciência, foi necessário dividi-lo em ramos específicos, que lidam com cada questão de forma separada, não deixando de levar em conta o tratamento global. “Hoje, nós temos várias áreas, como a odontopediatria, que trata só de criança; a endodontia, que faz tratamento de canal; a periodontia, que cuida da gengiva, das estru- turas e do suporte do dente, de prótese, de implante, de cirurgia buco-maxilo-facial, entre outras.” A seguir, os principais trechos desse esclarecedor bate-papo. BOA VONTADE — O que é tra- tado com a periodontia? Dr. José Peixoto Ferrão Júnior — Hoje, quando se fala de tratamento de periodontia, temos de imaginar que existe uma amplitude muito maior do que simplesmente tra- tar a gengiva. A gente trabalha também com o que suporta e mantém o dente na boca, que é o osso, o cemento* e o ligamen- to. Atualmente, as enfermidades mais comuns são as inflamações da gengiva. Nós as chamamos de gengivite e periodontite, que são causadas por placa bacteriana, por biofilme dental. (...) Todos nós temos milhões de bactérias soltas na boca. Essas bactérias aderem à superfície do dente e começam a produzir uma toxina, um veneno, que vai levando essa gengiva a ter Da Redação Periodontia e os principais cuidados com os processos inflamatórios bucais em dia * Cemento — Tecido fino e rico em cálcio que recobre a raiz dos dentes e assegura a coesão destes com o maxilar. (Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa.) 106 BOA VONTADE
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    uma reação inflamatóriainicial. Nesse caso, quando acomete só a gengiva, nós a chamamos de gen- givite. Se não há um tratamento para isso, essa doença sofre uma progressão e pode chegar ao osso e destruí-lo progressivamente, até que você acaba perdendo o dente. [Aqui,] nós vamos falar de prevenção, porque, a partir do momento que se instala a inflama- ção, temos de tratá-la de maneira rápida, porque muitas vezes ela é silenciosa. Sinais simples, como um sangramento de gengiva ao escovar os dentes, ao passar um fio, muitas vezes achamos que é normal. Na verdade, a gengiva não pode sangrar nunca. BV — Como a gengivite deve ser tratada? Dr. Ferrão Jr. — A maneira mais correta de tratar é procurar o periodontista, ir ao dentista ao primeiro sinal, porque existem alguns tipos de tratamento que temos que individualizar. (...) Mas deixo [registrado], desde já, que a principal forma de tratar a gengivi- te, além do tratamento periodontal profissional, é o cuidado doméstico muito grande no controle da placa Lícia Curvello, da Boa Vontade TV, e o odontólogo dr. José Peixoto Ferrão Júnior, professor adjunto e responsável pela disciplina de Periodontia da Faculdade de Odontologia da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande. bacteriana, com o fio e a escova dentais. Isso é fundamental. BV — Quais são os riscos do descuido da saúde bucal? Dr. Ferrão Jr. — Quando temos uma inflamação na gengiva, esta- mos com uma doença periodontal (...). Eu sempre uso uma explicação muito simples: o sangue que passa na gengiva é o mesmo que passa no dedão do pé. Por que cuidar de “Todos nós temos milhões de bactérias soltas na boca. Essas bactérias aderem à superfície do dente e começam a produzir uma toxina, um veneno, que vai levando essa gengiva a ter uma reação inflamatória inicial. (...) Se não há um tratamento para isso, essa doença sofre uma progressão e pode chegar ao osso e destruí-lo progressivamente, até que você acaba perdendo o dente.” Prof. dr. josé peixoto ferrão júnior Odontólogo Assista à entrevista com o dr. José Peixoto Ferrão Júnior na Boa Vontade TV. PriscillaAntunes uma infecção em outros órgãos do corpo e não fazer isso com uma infecção bacteriana na boca? Bac- térias caem na corrente sanguínea durante todo o dia, várias vezes. Dependendo da minha condição física específica, essa bactéria pode resolver, por algum motivo, parar no coração, numa válvula, desenvol- vendo uma endocardite bacteriana, e levar o paciente a óbito. Eu posso [também] desenvolver uma pneu- monia por aspiração (...). Temos de cuidar da doença periodontal como [quem tem o seguinte pensa- mento:] “Eu vou perder os dentes porque estou com um problema de saúde, que preciso tratar”. A boca está dentro do corpo, faz parte de um contexto geral. BOA VONTADE 107
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    Fórum Mundial Espíritoe Ciência, da LBV fórmula do bem viver CiênciaEspiritualidade tualidade e Saúde (Nupes), abriu o ciclo de palestras discorrendo sobre o tópico “Espiritualidade e saúde — Quanto mais conhecemos, mais precisamos conhecer”. “Gostaria de agradecer pela oportunidade de estar aqui, de poder conversar com vocês a respeito destes temas, que são tão importantes para a nossa vida e para o mundo, de forma geral; ao jornalista José de Paiva Netto, diretor-presidente da LBV; e a toda a equipe organizadora deste evento. (...) O meu coração está aquecido pelo sentimento de fraternidade que encontrei nesta casa”, ressaltou na apresentação. do Fórum Mundial Espírito e Ciência (FMEC), da LBV. Na ocasião, cinco prestigiados nomes das áreas cientí- fica e religiosa compartilharam com o público presente experiências e rele- vantes estudos, realizados em todo o planeta, que confirmam a importância da Espiritualidade para a manutenção do bem-estar pleno do indivíduo, para a superação de enfermidades ou para que se aprenda a conviver com elas. Um dos especialistas convida- dos para o encontro, o dr. André Stroppa,  psiquiatra, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), mestre e doutorando do Núcleo de Pesquisa em Espiri- N os últimos anos, vários cien- tistas e pesquisadores têm se debruçado sobre o tema Ciência e Fé a fim de compreender como a Espiritualidade e a crença em uma Força Superior podem contribuir na saúde. Foi com esse objetivo que uma multidão, entre médicos, cientistas, pesquisadores, religiosos, acadêmicos e outros interessados no assunto, se reuniu, em 12 de agosto, superlotando os auditórios no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, e participaram do painel temático “Ciência, Saúde e Espiritualidade”, uma das atividades 108 BOA VONTADE
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    Ação pioneira dePaiva Netto, há décadas, o Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, promove painel temático em Brasília/DF. tiva das tradições afrodescendentes” — enalteceu a iniciativa da Legião da Boa Vontade de promover o fórum. “Quero trazer, em nome do Ilê Axé Oyá Bagan, os agradecimentos ao nosso José de Paiva Netto por este espaço para trazermos este assunto. É um tema que a nossa população está precisando ouvir, entender e abraçar. Quero agradecer também à LBV o acolhimento que tive neste espaço. Surpreendi-me muito.” De ateu a religioso As contribuições que as tradições orientais podem oferecer para a medi- cinaocidentalforamotemadapalestra do monge Shôjo Sato, intitulada “Saú- de e Espiritualidade na perspectiva budista”. Ao iniciar seu discurso, o coordenador do Templo Budista Terra PuradeBrasíliarecordou-sedahistória que tem com o Templo da Boa Vonta- de. “Queria agradecer, antes de mais nada, ao jornalista Paiva Netto. Certa- mente, esta frase é dele: ‘Fórum Mun- dial Espírito e Ciência — Ciência e Fé na Trilha do Equilíbrio’. (...) Minha ligação é antiga [com o TBV], porque, antes de me tornar monge [em 1998] — talvez a responsabilidade seja da LBV —, eu vinha muito ao Templo da Boa Vontade. Ficava andan­do na espiral e chegava embaixo do cristal Diálogo essencial Dando continuidade à série de debates, mãe Adna Santos de Araújo — presidente do centro de umbanda Ilê Axé Oyá Bagan; coordenadora, no Distrito Federal, da Rede de Saúde Afrodescendente (Renafro) e chefe de divisão de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro, da Fundação Cultural Palmares — explicou como o saber das tradições religiosas africanas pode auxiliar no tratamento de pa- cientes com problemas de saúde. À Super Rede Boa Vontade de Co- municação (rádio, TV, internet e pu- blicações), ela — que falou acerca de “Saúde e Espiritualidade na perspec- Saúde JoséGonçaloAndréFernandes GustavoHenriqueLima 1 3 2 O Plenário José de Paiva Netto (1 e 2) e o Auditório Austregésilo de Athayde (3) alcançaram sua capacidade máxima. BOA VONTADE 109
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    se combater apostura intoleran- te, compartilhando memória que conserva desde a Segunda Guerra Mundial, quando foi hostilizado por crianças com quem tinha conví- vio pelo fato de pertencer a família de ascendência japonesa. Nesse tocan- te, mencionou o artigo “Hiroshima”, do dirigente da LBV, publicado em centenas de jornais, revistas e sites, no Brasil e no exterior. “Paiva Netto recentemente escreveu sobre isso, sobre Hiroshima e [alertou contra] a ignorância humana.” Estudos divulgados em primeira mão Também presente ao evento, o dr. Julio Peres, psicólogo e doutor em Neurociências e Comporta- mento pela Universidade de São Paulo (USP), apresentou estudo inédito de neuroimagem (conhecida como tomografia por emissão de pósitrons) de pintores mediúnicos, realizado pela Universidade Aachen, na Alemanha. Ele, que dissertou sobre “Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia”, ainda declarou: “A LBV está de parabéns por esse pioneirismo fundamental. Que esse diálogo seja cada vez mais aberto e transparente entre esses domínios, que ficaram por bastante tempo isolados e de maneira equivocada, porque a Ciência conversa, sim, com a Espiritualidade, e vice-versa. O entendimento mais claro desse diálogo saudável entre Ciência e Espiritualidade favorece as melho- res abordagens psicoterapêuticas destinadas às pessoas que trazem sofrimentos também de ordem es- piritual. (...) Portanto, esta é uma iniciativa muito, muito importante. Que seja seguido este belo exemplo da LBV por mais pessoas”. Ao discorrer sobre o tópico  “O poder curativo do amor — Evidências científicas” (leia artigo assinado pelo pesquisador na p. 112), o dr. Carlos Tosta, imunologista e professor emé- rito da Faculdade de Medicina da Diversos veículos da imprensa destacaram a realização do FMEC, entre eles o Correio Braziliense; o Jornal de Brasília, na coluna do jornalista Gilberto Amaral; o Jornal da Comunidade; e o Coletivo. Ao lado, imagem da matéria, de página inteira, da jornalista Paloma Oliveto publicada no caderno “Ciência” do Correio Braziliense. Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV para receber a luz que passa por ele. Isso contribuiu muito para me levar para a Espiritualidade. Na época, eu era ateu”, afirmou. O monge Sato também relembrou o período em que chegou à capital federal. “Vim trabalhar em Brasília em 1986. (...) Certamente, busquei esse equilíbrio sem saber que ele é tão importante na LBV. Por isso, não vou agradecer só à equipe da LBV, mas à pessoa do jornalista Paiva Netto, que construiu e mantém o ParlaMundi e consolida a Paz no mundo realizando seminários como este. Quero agradecer, de coração, por estar aqui presente”, disse. Ainda durante sua fala, chamou a atenção para a importância de Os palestrantes cumprimentam o público e agradecem a receptividade no evento. Ao centro (de terno), o mediador do painel, Josué Bertolin, da LBV. AndréFernandes
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    Universidade de Brasília(UnB), que encerrou o painel temático do fórum, mostrou a qualidade extraordinária que o Amor carrega em si para gerar o bem-estar das pessoas e de quem está ao redor delas. Expôs também, em primeira mão, a Teoria das Redes Metenergéticas, na qual tem traba- lhado há alguns anos. “Metenergia vem do grego meta, que é além de energia. [Ou seja,] transcende as energias físicas”, destacou. O médico igualmente enalteceu não apenas a ação vanguardeira da Legião da Boa Vontade de unir o conhecimento científico ao saber religioso, como o trabalho socioedu- cacional que a Instituição desenvolve, de forma ininterrupta, há sessenta e cinco anos. “Manifesto minha gratidão à LBV, pois está engajada nessa obra tão nobre de reduzir as disparidades sociais neste país desde a década de 1940 e de promover, com muita ousadia e coragem, fóruns como este. (...) A iniciativa da LBV — que, lamentavelmente, ainda é rara no nosso país — é fantástica, altamente elogiável. Se a LBV não tivesse nada além disso para ter orgulho, isso só seria suficiente.” Completando, ele salientou: “Mas a LBV é muito mais. Quanto mais eu conheço esta obra social, educativa, essa vontade de colocar na educação o componente espiritual, [mais] acho essencial. É fantástico também o fato de a LBV estar promovendo nestes debates a inter-relação entre Ciência e Espiritualidade. Não há nenhum obstáculo ou separação entre uma coisa e outra. O que faço em meu trabalho é Ciência da Espiritualidade. Ciência e Espiritualidade, para mim, são uma coisa só”. Objetivos do fórum Criado em 2000, pelo diretor- -presidente da LBV, José de Paiva Netto, o Fórum Mundial Espírito e Ciência (FMEC) proporciona o en- contro harmônico entre os diversos setores sociais para a discussão de temas de grande relevância para o progresso da Humanidade. Além do debate teórico, o FMEC pretende estimular a implementação de suas propostas no campo pragmático das realizações da sociedade civil. Em suas duas primeiras sessões plenárias — respectivamente, em 2000 e em 2004 — houve a par- ticipação de renomados cientistas, pesquisadores, filósofos e religiosos do Brasil e do exterior para, em conjunto com a sociedade, realizar intercâmbio entre o conhecimento científico e as tradições religiosas lá representadas. Na edição de 2004, a palestran- te norte-americana Diane Williams, então presidente do Comitê de ONGs sobre Espiritualidade, Valo- res e Interesses Globais, do qual a Legião da Boa Vontade é cofunda- dora, afirmou ter ficado impressio- nada com o resultado dos debates ali desenvolvidos. Em virtude desse sucesso, a LBV foi convidada a li- derar um subcomitê para que esse diálogo e atividades afins igualmen- te tivessem fórum na sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos. Atualmente, a Instituição brasi- leira participa do corpo executivo do Comitê de ONGs sobre Espi- ritualidade, Valores e Interesses Globais. Para saber a respeito da cobertura completa do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, basta acessar o site www.forumespiritoeciencia.org. Avançada missão do ParlaMundi da LBV No lançamento da Pedra Fundamental do ParlaMun- di da LBV, em 21/10/91, Paiva Netto anunciou assim a notável proposta desse fórum, idealizado e fundado por ele, à zero hora do Natal de Jesus de 1994, em Brasília/DF, na presença de mais de cem mil pessoas: “O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumê- nica manterá suas portas abertas a todos os seres de Boa Vontade. Ele propõe a conciliação universal de todo o conhecimento espiritual e humano, numa poderosa força a serviço dos povos. “Cizânia, radicalismos, hostilidades de todos os matizes devem per- manecer afastados dos debates e das proposições religiosas, filosóficas, políticas, científicas, econômicas, artísticas, esportivas e o que mais o seja, pois o ser humano nasce na Terra para viver em sociedade, Socie- dade Solidária Altruística Ecumênica. “A proposição do ParlaMundi da LBV visa também conciliar o co- nhecimento vigente no mundo físico com o saber infinitamente amplo, situado na dimensão do Espírito Eterno; unir o ser humano às civilizações que existem no Mundo Espiritual, ainda invisível aos nossos pobres e restritíssimos cinco sentidos materiais”. Paiva Netto JoãoPreda BOA VONTADE 111
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    U m estudo sobrea influência das emoções no organismo humano. Eduardo Tosta do amor curativo O poder – Evidências científicas – O que é o amor? Não há quem não tenha expe- rimentado o amor. Entretanto, se tentarmos defini-lo, todos teremos dificuldade. Três categorias de pes- soa, por sua sensibilidade, são mais propensas a entender o que é o amor: os místicos, os filósofos e os poetas. Patañjali, místico indiano criador de importante sistema de ioga, que viveu em torno de 400 a.C., ensinou-nos que “o amor é uma forma de conhecimento. Conhecemos, realmente, uma coisa ou pessoa tornando-nos um com ela através do amor. Assim, o amor tem uma sabedoria que a mente não alcança, e através dele nos unificamos com o que está além de nossos limites pessoais, o que é um imenso passo na di- reção da liberdade”. Por sua vez, Platão, um dos maiores filósofos ocidentais, que viveu na Grécia aproximadamente entre 428 e 348 a.C., considerava o amor como a disposição para elevar-se em busca do que é eterno, perfeito e imutável, ou seja, do que liga o humano ao divino. Se Patañjali acreditou ser o amor aquilo que une as pessoas, Platão complementou essa defini- ção afirmando que ele é o caminho da união do humano com o divino. Para um poeta, o amor é transcen- der de si e ver-se no outro; é en- contrar o divino em nós e no outro e, ao deparar com Deus, alcançar a libertação. A primazia do amor faz parte dos ensinamentos de todos os grandes mestres e profetas e forma a base da maioria das religiões. Eduardo Tosta é graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e tem especialização em Alergia e Imunologia Clínica pela mesma universidade, mestrado em Medicina Tropical pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado e pós-doutorado em Imunologia pela Universidade de Londres. É pesquisador e professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília. JoséGonçalo BOA VONTADE 113
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    Qual é anatureza do amor? Podemos considerar que ele constitui a própria essência da Alma humana, mantendo a vida, de nós emanando e transformando existên- cias. Por isso, tem características que o assemelham à metenergia. Entende-se por metenergia aquilo que vai além de todas as energias ou forças físicas conhecidas, entre as quais as eletromagnéticas, a gravitacional e as associadas aos átomos. Isso porque o amor: (1) não é limitado ao espaço, atuando instantaneamente, alcançando a pessoa-alvo onde quer que ela esteja e agindo tanto no mundo físico como no espiritual; (2) não é limitado ao tempo, pois atua no presente e no passado (no futuro?), é eterno e transcende existências; (3) não é bloqueável pela matéria, como o são todas as energias eletromag- néticas (eletricidade, magnetismo, som, luz, radioatividade etc.); (4) é inesgotável, pois, quanto mais se doa, mais se tem; e (5) é sujeito à intencionalidade, já que preces intercessoras e tratamentos a dis- tância, práticas essas de doação de amor, serão tanto mais eficazes quanto maior for a disposição com- passiva, ou seja, a intenção das pessoas que os realizam de ajudar o próximo. As preces intercessoras e os tratamentos a distância são os melhores modelos para entender a natureza do amor, e a esse respeito existe grande quantidade de pes- quisas científicas. Está comprovado que tais práticas podem atuar a distâncias intercontinentais e agir tanto no presente como retroagir ao passado, atingindo a pessoa-alvo onde quer que ela esteja. Sua eficá- cia depende do grau de compaixão de quem as realiza. Quais são as propriedades do amor? Comportando-se como metener- gia, esse sentimento tem estranhas propriedades, que o distinguem de todas as energias conhecidas: (1) o amor é contagiante, pois podemos mudar as pessoas e, consequente- Quais são as categorias do amor? De acordo com seu alvo, o amor pode ser categorizado como amor vital (à vida), filial (dos filhos aos pais), grupal (ao grupo), social (às relações sociais), fraterno (aos irmãos e amigos), romântico (ao companheiro), materno/paterno (dos pais aos filhos), altruístico (ao próximo), incondicional (também ao próximo, só que sem precondições) e transcendental (a Deus). Os alvos e, consequentemente, as categorias do amor sucedem-se ou tornam-se mais fortes de acordo com as diver- sas fases da existência, do recém- -nascido ao idoso. As motivações e consequências das várias categorias do amor são diferentes. Enquanto o romântico redunda em prazer, completude e companheirismo, o materno é instintivo e provoca a autoperpetuação e a preservação da espécie. O incondicional, a mais sublime emanação de nossa Alma, não tem qualquer motivação além do desejo de doá-lo a quem dele precisa. “Podemos considerar que o amor constitui a própria essência da Alma humana, mantendo a vida, de nós emanando e transformando existências.” Espiritualidade e Saúde shutterstock.com 114 BOA VONTADE
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    mente, o mundo,contagiando-os com ele; (2) obtém-se amor doando-o, o que é o grande paradoxo dele, pois, quanto mais se o dá, mais se o tem; (3) o amor destrói as barreiras que nos separam de nós, porque constitui nossa própria essência, condição essa que nos permite considerar que se impregnar dele é o mesmo que se espiritualizar, se autoconhecer, encontrar nossa essência ou alcançar a transcendência; (4) o amor destrói as barreiras que nos separam do outro, entre as quais o preconceito, a arrogância, o egoísmo, a desconfian- ça, o ciúme e a animosidade, porque é ele que nos liga ao outro. Assim, amar os outros como a si mesmo é o mesmo que alterizar, colocar-se no lugar do outro e procurar sentir o que este sente e aceitá-lo, ainda que não entendamos suas razões ou discordemos de suas opiniões; (5) o amor destrói as barreiras que nos separam de Deus, a fonte de toda a amorosidade e sua expressão maior e mais sublime; e (6) o amor gera saúde, porque é a mais poderosa das forças reequilibradoras, e saúde é equilíbrio. Qual é a relação entre o amor e a espiritualidade? Como o amor constitui a própria essência da Alma humana, pode- mos considerar a Espiritualidade como sinônimo de amorosidade. Nossa saúde espiritual será tan- to maior quanto maior for nossa capacidade de expressar amor. Reconhece-se que a saúde espiritual nutre e influencia a física, a psíquica e a interpessoal. Como o amor pode gerar saúde e curar doenças? Inicialmente, convém lembrar que ele é: (1) o mais universal de todos os medicamentos, porque é a própria natureza da Alma humana; (2) o mais global, porque pode estar presente em todos os sistemas de saúde; (3) o mais antigo, porque sempre existiu; (4) o mais holístico, porque atua em todas as dimensões do ser — física, psíquica, interpes- soal e espiritual; (5) o mais seguro, porque nunca prejudica e é isento de efeitos colaterais; (6) o mais efetivo, porque sempre funciona; (7) o mais barato, porque é dado e recebido a custo zero; (8) o mais poderoso, por- que pode ser usado para manter a saúde e tratar qualquer doença; (9) o mais democrático, porque todos shutterstock.com BOA VONTADE 115
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    Quais são asvantagens de ser um profissional de saúde amoroso? A amorosidade do profissional de saúde não só beneficia sua pró- pria pessoa, mas também aumenta seu poder de cura. O profissional de saúde compassivo é aquele que considera seu paciente como a razão de ser de sua vida profissional, e não como um estorvo ou um mal neces- sário; atua centrado no paciente, e não em sua doença; sabe acolher seu paciente; sabe “tocar a Alma” do paciente com palavras e atitudes; é atencioso, sensível, sincero, honesto e humilde; explica para o paciente, com clareza, a razão dos padecimen- tos dele; não é prepotente; compar- tilha suas decisões com o paciente; e, muito importante, jamais destrói a esperança do doente. Assim, o profissional de saúde compassivo estabelece, de imediato, uma relação afetiva com seu paciente, a qual torna sua atividade profissional mais prazerosa e eficaz, reduz o sofrimento e a ansiedade do paciente e evita o excesso de medicamentos e exames. Todos ganham com isso. O paradoxo de uma Humanidade cada vez mais sadia e mais doente Existem indicadores inquestioná- veis de que a Humanidade está cada vez mais sadia: a expectativa de vida aumentou de 37 para 73 anos no último século; houve redução significativa da mortalidade infantil, da desnutrição e das doenças infec- ciosas; e aumento geral dos índices da saúde e da qualidade de vida das pessoas. Devemos esses avanços ao maior acesso da população à vaci- nação, aos alimentos e à água pura; à melhora do saneamento básico; à maior ênfase na prevenção das doenças; ao estímulo à adoção de estilos de vida saudáveis; à melhoria dos métodos de diagnóstico e dos tratamentos; à conscientização do custo social das doenças; e à ten- dência ao retorno da visão integral do ser humano. Por outro lado, a ansiedade e a depressão atingem níveis epidêmicos; ocorre aumento significativo das patologias asso- ciadas à ansiedade, entre as quais a hipertensão arterial, as corona- riopatias, o diabetes, a obesidade, a osteoporose e as alergias, e dos níveis de colesterol, dos distúrbios de atenção e dos distúrbios sexuais; o individualismo, a competitivida- de e o consumismo prevalecem na sociedade; eleva-se o grau de desconfiança, de preconceito e de hostilidade entre as pessoas; a frequência de crimes sexuais e de violência de toda espécie, inclusive a causada por intolerância religio- sa, amplia-se assustadoramente; e cresce o consumo de drogas, lícitas e ilícitas, enquanto o número de suicídios ultrapassa a taxa de um milhão por ano, ou 2.740 por dia, na população mundial. podem doar e receber; (10) o mais simples dos medicamentos, porque não exige registros nem patentes para ser utilizado. A Ciência reconhece que as emoções antiamorosas, entre as quais o ódio, o remorso, a mágoa, o ressentimento, o desprezo, o desgosto, a vergonha, o ciúme, a revolta, a agressividade, o pessimis- mo, a desconfiança e a vingança, são altamente desestabilizadoras, podendo comprometer o sistema imunoneuroendócrino e causar desequilíbrio psíquico e orgânico e, consequentemente, sendo capazes de induzir ou agravar doenças. Por sua vez, emoções amorosas, como a compaixão, a afetuosidade, a cordia- lidade, a generosidade, a felicidade, a paciência, a tolerância, o perdão, a conciliação, a aceitação, a con- fiança, o otimismo e a ternura, são estabilizadoras do sistema imuno- neuroendócrino, causando equilíbrio psíquico e físico e, em consequência, concorrendo para a manutenção da saúde e a cura de doenças. O amor é capaz de gerar saúde e cura porque transmuta as emoções antiamorosas em amorosas. O amor, comprovadamente, atua sobre nosso organismo, modifican- do a produção de hormônios e de neuropeptídios do sistema nervoso e causando redução da ansiedade e da depressão, aumento da imuni- dade e da sensação de bem-estar, diminuição da pressão arterial, melhora da memória e redução da neurodegeneração associada a quadros demenciais. Além disso, ele facilita a formação de vínculos pessoais; aumenta o senso de co- nectividade, de humor positivo e de autoestima; estimula a adoção de hábitos saudáveis de vida; e reduz o risco de mortalidade. Espiritualidade e Saúde “(...) emoções amorosas (...) são estabilizadoras do sistema imunoneuroendócrino, causando equilíbrio psíquico e físico e, em consequência, concorrendo para a manutenção da saúde e a cura de doenças.” 116 BOA VONTADE
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    A que atribuiressa terrível situa- ção por que passa a Humanidade? Podemos considerar que a principal razão desses males é o fato de vivermos dominados pelos quatro vazios: o vazio de valores (“O que são honra e dignidade?”), o vazio ideológico (“Em que acreditar?”), o vazio existencial (“Qual é o sentido da vida?”) e o vazio espiritual (“Quem sou eu?”). Este último é especial- mente deletério, porque alimenta os demais vazios. Ele se manifesta pelas falsas identidades que adotamos em nossa existência: “Sou meu corpo”, “Sou minhas sensações e meu pra- zer”, “Sou minha posição social”, “Sou minhas posses”, “Sou minha fama”, “Sou meu poder”, “Sou mi- nha família”, “Sou minha rede de amizades”, “Sou minhas roupas e adereços”, “Sou meu sofrimento”, “Sou minhas virtudes” etc. As con- sequências de adotarmos falsas iden- tidades são várias: o vazio espiritual, o vazio existencial, o egocentrismo, o materialismo, o consumismo, a frustração, o medo, a ansiedade, a angústia, a infelicidade, as doenças, entre outras. A mensagem Todas as grandes tradições re- ligiosas nos ensinam que somos algo que transcende ao corpo físico. O cientista, filósofo e sacerdote francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) foi muito feliz quando afirmou: “Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual, mas seres espirituais tendo uma experiência humana”. Ao longo da existência, temos frequentes vislum- bres de nossa natureza espiritual: a sensação de que existe algo maior e mais profundo; a convicção de que somos mais do que julgamos ser; o sentimento de que a vida assim não faz sentido; a emoção ante o belo, o bom, o justo e a criação; o sentimen- to de nostalgia, associado a algo que não conseguimos definir, expressão da saudade de quem somos, mas que deixamos perder; a inclinação natural do ser humano para a prática do Bem; e as consequentes “dores da Alma” quando essa prática não ocorre. O grande escritor, pintor e poeta libanês Khalil Gibran (1883- 1931) descreveu, magistralmente, em sua obra-prima O Profeta, ins- pirada em Jesus, a razão de ser de nossa existência: “(...) E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso. E todo impulso é cego, exceto quando há saber. E todo saber é vão, exceto quando há trabalho. E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor. E o que é trabalhar com amor? É pôr em todas as coisas um sopro de vossa Alma”. Que aproveitemos nossa passagem pelo mundo para distribuir sopros de nossa Alma em forma de amor! shutterstock.com BOA VONTADE 117
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    Templo da boavontade “Fiquei muito bem impressionado [com o TBV]. Aqui é um lugar de paz, de encontro, de fraternidade, de compartilhar as experiências espirituais.(...) Precisamos de mais lugares como este no mundo inteiro. É especial, com muita Espiritualidade e boas energias, sem dúvida! (...) A energia do Cristal [Sagrado] é o que mais caracteriza este lugar, é a concentração suprema da energia. É um lugar onde você pode encontrar a ligação, este elo com a Espiritualidade. (...) É uma grande vantagem para os moradores de Brasília ter um local com essas características, tão especial para meditar, para ver pessoas de distintas religiões, sem as restrições que normalmente temos.” Dr. ALAN BOJANIC Engenheiro agrônomo, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil conheceu em julho de 2015 o Templo da Boa Vontade. VISITE! SGAS 915 • Brasília/DF Brasil • Tel.: (61) 3114-1070 www.tbv.com.br/conheca Eduardo Izaias Dr. Alan Bojanic (D) recebe de Paulo Medeiros, da LBV, a edição 239 da revista BOA VONTADE. Fotos:JoséGonçalo Especial para meditar Recanto de Paz que fortalece a Alma Eleito em votação popular, realizada em junho de 2008, uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF, Brasil, o Templo da Boa Vontade (TBV), símbolo maior do Ecumenismo Divino, completa neste mês mais um aniversário, reafirmando o ideal de trazer ao mundo uma mensagem de Paz e União entre todos os povos, etnias e tradições religiosas. Paiva Netto idealizou e fundou o TBV, inaugurando-o a 21 de outubro de 1989, data que regis- trava dez anos da volta à Pátria Espiritual do fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), como forma de homenageá-lo, pois foi ele que, pela primeira vez, sonhou com um templo totalmente ecumênico. O TBV é o monumento mais visitado da capital brasileira, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), tendo recebido mais de 26 milhões de pessoas, entre peregrinos e turistas, desde sua inauguração. Ao lado do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (ParlaMundi) e de sua sede administrativa, a Pirâmide da LBV integra o Conjunto Ecumênico da Instituição. TBV 26 anos 118 BOA VONTADE
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    O Templo doEcumenismo Divino, monumento mais visitado da capital federal, foi destaque na página oficial do Ministério do Turismo no Instagram. Na rede social, o órgão recomenda a visita ao TBV. “O Templo da Boa Vontade, em Brasília (DF), é um espaço de espiritualidade e reflexão muito apreciado pelos turistas que visitam a capital. Visite e volte recarregado de energias positivas!.” || Leia mais em http://goo.gl/pFnU0q Casa de reconhecimento pessoal “[Visitar o Templo da Boa Vontade] foi uma experiência maravilhosa. Esta casa é alta- mente espiritualizada, e a gente encontra muito [respeito] aqui de acordo com aquilo em que acre- dita, com o que sente. É um lugar para a gente se encontrar. Estou me sentindo muito bem. Uma paz muito grande. (...) Um lugar desses é bom para abrir a mente das pessoas para que elas entendam que tudo é uma coisa só, que estamos todos ligados. O Criador disso tudo está acima de todas as religiões, de tudo isso aí que existe; está muito acima. A beleza maior [do TBV] está na energia, no sentimento que a gente encontra aqui.” NETINHO Depois de receber indicações de amigos, o cantor baiano visitou pela primeira vez o monumento, em julho de 2015. Fotos:JoséGonçalo O Templo da Boa Vontade (TBV) recebeu, em 15 de agosto, do em- baixador do Escritório Econômico e Cultural de Taipei (cidade situada ao norte de Taiwan, República da China) no Brasil, Isaac Tsai, um quadro da artista taiwanesa Shen Lee. A obra ficará exposta na Galeria de Congratulações do monumento, a fim de que todos os que o visitarem possam admirá-la. Segundo o diplomata, “este é o primeiro presente de Taiwan a um país sul-americano”. Ele também explicou por que o TBV foi escolhi- do para a homenagem. “Com esta imagem de Jesus, desejo demonstrar que tanto brasileiros quanto taiwaneses têm o mesmo espírito bondoso e caridoso. Que esta obra de arte fique disponível aos olhos do público no Brasil, em Brasília, para que todos saibam da estima de Taiwan pela LBV.” Completando, fez questão de destacar: “Taiwan, assim como o Brasil, é um país com pluralismo religioso, e as pessoas têm toda a liberdade religiosa, sendo iguais, in- dependentemente de suas filosofias ou religiões. É com grande prazer e honra que ofereço este singelo quadro, feito de madeira nobre, para adornar este templo da Legião da Boa Vontade (LBV), em Brasília”. Embaixada de Taiwan presenteia o TBVTaiwan BOA VONTADE 119
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    Paulo Kramer, professordoutor, cientista político e assessor parlamentar. Arquivopessoal Opinião — Congresso em pauta e cinco pontos, se mulher, observado o tempo mínimo de contribuição de trinta anos”. Agora, se não houver veto da presidente à data estipulada pelo Senado, o cálculo será alterado progressivamente a partir de 2019, com as somas de idade e tempo de contribuição sendo majoradas em um ponto a cada dois anos. Assim, o segurado que requerer aposentadoria em 2019 precisará ter mais um ano de contribuição ou idade para chegar à pontuação que dá direito ao benefí- cio de valor integral (86 pontos para mulheres; 96 para homens); 87/97 em 2021; 88/98 em 2023; 89/99 em 2025; e 90/100 de 2027 em diante. A esta altura, vale recordar a ori- gem do fator previdenciário, e, para tanto, louvo-me do ótimo estudo dos consultores legislativos do Senado Federal Fernando B. Meneguin e Pedro Fernando Nery, “Fator Previdenciário ou Fórmula 85/95? A Construção de uma Alternativa”. do ajuste fiscal projetado pelo mi- nistro da Fazenda, Joaquim Levy), haviam aprovado, como alternativa ao fator, para mulheres seguradas do INSS cuja soma de idade com tempo de contribuição à Previdên- cia Social perfaz 85 anos/pontos; e, para os homens, 95. Em 7 de outubro, o plenário do Senado fez mudanças à medida enviada pelo Executivo, adotando o escalonamento a partir de 2019. Com o objetivo expresso de “preservar a sustentabilidade da Previdência”, o texto da MP diz: “o segurado que preencher o requisito para aposentadoria por tempo de contribuição poderá optar pela não incidência do fator previdenciário, no cálculo de sua aposentadoria, quando o total resultante da soma de sua idade e de seu tempo de con- tribuição [...], na data de requeri- mento da aposentadoria for: igual ou superior a noventa e cinco pontos, se homem; e igual ou superior a oitenta PAULO KRAMER | Especial para a boa vontade O DILEMA PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO C ontra o pano de fundo de uma dupla crise (econômica e política) ainda sem des- fecho previsível, a presidente da República Dilma Rousseff lançou um ramo de oliveira ao Congresso Nacional, editando a Medida Pro- visória no 676/2015, ao mesmo tempo em que vetou a flexibilização do fator previdenciário. O novo texto tornava progressiva, já em 2017, a “fórmula 85/95”, que os parlamentares, ao modificarem a MP no 664/2014 (um dos pilares 120 BOA VONTADE
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    O fator foiintroduzido na cha- mada primeira reforma da Previ- dência, no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pela Lei no 9.876/1999, como índice a ser multiplicado à média dos salários de contribuição, para dar direito ao salário-benefício da aposentadoria. Trata-se de uma fórmula complexa em que entram variáveis como tempo de contribui- ção, idade, expectativa de sobrevida à época da aposentadoria para ambos os sexos (esta calculada e periodicamente recalculada pelo IBGE). A finalidade do fator, claro, é estimular o segurado a que adie a decisão de se aposentar: benefício menor se ele (ou ela) se aposenta mais jovem e maior se deixa para fazê-lo mais velho(a), independen- temente de já ter cumprido o tempo mínimo de contribuição (homens: 35 anos; mulheres: 30). Como lembram Meneguin e Nery, a fórmula 85/95 já havia sido debatida anteriormente, durante a segunda reforma da Previdência (primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), resul- tando nas Emendas Constitucionais nos 41/2003 e 47/2005, aplicada como “regra de transição” para o funcionalismo público. E o texto alterado da MP 664/2014, aprova- do pelo Legislativo e rejeitado pelo Executivo, “se assemelha ao subs- titutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei no 3.299/2008, do senador Paulo Paim”. Que diferença isso faz para quem vai se aposentar? Pelo fator previdenciário, uma mulher com 55 anos de idade e 30 de contribuição se aposentaria com 70% do salário de contribuição; e um homem com 60 anos de idade e 35 de contribuição, com 85%. Já pela fórmula 85/95, a mesma mulher e o mesmo homem se apo- sentariam com 100% do salário de contribuição. Sob a regra atual, a mulher, para ter direito a 100%, “No Brasil, os demógrafos advertem sobre o iminente fechamento (2030) da janela de oportunidade consistente na presente situação, quando é maior o número de pessoas em idade de trabalhar do que o de crianças e adolescentes, de um lado, e o de idosos, do outro.” RobervaldoRocha/CMM BOA VONTADE 121
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    Opinião — Congressoem pauta “Considerando o rápido amadurecimento da pirâmide etária brasileira, o país corre grave risco de envelhecer antes de ficar rico. Um alerta para todos nós, governantes e governados.” teria que se aposentar mais tarde (aos 61 anos, com 36 de contri- buição); e o homem, aos 63 e 38, respectivamente. De acordo com o Instituto Bra- sileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a mulher brasileira com 55 anos de idade tem, hoje, uma expectativa de sobrevida de mais 28 anos, um pouco menor apenas que o tempo de contribuição (30 anos), na hipótese de adoção da fórmula 85/95. Na mesma hipó- tese, a aposentadoria com valor integral do salário de contribuição (100%) corresponde a mais que o triplo da alíquota de contribuição (31%, na soma dos recolhimentos da empregada e do patrão), o que se reflete no desequilíbrio (déficit) das contas da Previdência. Um desequilíbrio que o fator previden- ciário atenua, mas não elimina. No entendimento dos experts, para atingir o equilíbrio dessas contas (ou chegar mais perto disso) seria preciso estabelecer uma idade mí- nima, relativamente elevada, para a aposentadoria, algo que nem o Executivo nem o Legislativo fizeram até hoje. Apenas para ilustrar com um exemplo bem atual, em 2010, pressionada pelos efeitos da grande recessão global de dois anos antes, a Grécia fixara esse mínimo, para homens, em 65 anos. Agora, em meio ao dramático agravamento da crise de sua dívida (172% do PIB em dezembro de 2014), o governo do premiê Alexis Tsipras, fortemen- te pressionado pela chamada troika (Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e Fundo Mo- netário Internacional) – e também pela Alemanha da chanceler Angela Merkel, maior potência econômica da eurozona –, aumentou essa idade mínima para 67 anos, entre outras medidas de reestruturação das finanças públicas. O déficit previdenciário grego corresponde a 18% do PIB; o bra- sileiro já bate em 10%. Voltando ao Brasil, os demó- grafos advertem sobre o iminente fechamento (2030) da janela de oportunidade consistente na presente situação, quando é maior o número de pessoas em idade de trabalhar do que o de crianças e adolescentes, de um lado, e o de idosos, do outro. É evidente que esse “bônus demo- gráfico” só poderia ser plenamente aproveitado se o nosso país efetuasse suficientes investimentos bem dire- cionados para a qualificação profis- sional da população trabalhadora; a inovação tecnológica baseada em sólidas parcerias entre universidades e empresas; e a modernização acele- rada da infraestrutura de transportes, logística e comunicações, providên- cias indispensáveis para catapultar o Brasil do seu atual patamar de renda média para o nível de renda das nações desenvolvidas – tudo com vistas ao incremento geral da produtividade, sem o qual aumentos nominais de salário (e também do valor das aposentadorias e pensões) servem apenas para atiçar o fogo inflacionário. Considerando o rápido amadu- recimento da pirâmide etária bra- sileira, o país corre grave risco de envelhecer antes de ficar rico. Um alerta para todos nós, governantes e governados. MarcelloCasalJr./ABr 122 BOA VONTADE
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    Atendemos a pequenas,médias e grandes tiragens: Livros | Revistas | Folhetos | Flyers | Folders Catálogos | Agendas | Calendários | Cartazes 30 anos no mercado somando qualidade, bom atendimento e satisfação de clientes e fornecedores. Esta revista foi impressa aqui! Que tal dar essa mesma qualidade aos seus produtos? Rua Visconde de Taunay, 651, Bom Retiro, São Paulo/SP I Tel.: (11) 3359-7575 | atendimento@mundialgrafica.com.br Aspecto do moderno e novo parque gráfico, localizado na região central de São Paulo/SP.
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    Opinião — MídiaAlternativa O vídeo de um policial branco flagrado agredindo uma adolescente negra de 14 anos em McKinney, cidade do Texas, nos Estados Unidos, teve ampla repercussão nas redes sociais e, em seguida, em jornais e emissoras de rádio e televisão norte-americanos e de outros países. Nas imagens, gravadas por um cidadão comum, o por Carlos Arthur Pitombeira | Especial para a boa vontade Carlos Arthur Pitombeira, jornalista. FelipeFreitas agente da polícia aparece empurran- do a menina ao chão, puxando seus cabelos e, ainda, apontando a arma contra outros jovens negros, que criticavam sua truculência. Além de provocar a punição do policial e acender polêmicas em torno do racismo, o vídeo reabre um debate importante: como o jornalismo parti- cipativo pode atuar como um aliado dos grandes veículos de comunica- ção, incentivando a participação popular na produção de conteúdos? O flagrante no Texas foi conside- rado excelente trabalho por garantir o poder às comunidades e se trans- formar em algo de fácil abordagem e relevante para a maioria das pessoas nesta fase, em que a tecnologia vai mudando a atividade das empresas de comunicação; em que jornalismo de gabinete vai cedendo lugar à notícia local; em que os internautas com perfis no Twitter e Facebook e os que mantêm blogs se vão aos poucos conscientizando de que a internet, embora seja um território livre, precisa ser usada com respon- sabilidade. Essa, com certeza, é a maior dificuldade encontrada pela grande mídia para poder prestar serviço à comunidade, aprimoran- do os detalhes da informação que melhoram o conteúdo. As redações têm, sim, como ser- vir de laboratório de jornalismo par- ticipativo e do microjornalismo, que, mais que uma questão geográfica, fala dos interesses de cada indivíduo, quer percorrendo determinada rede, quer percorrendo a mídia social, le- vando sempre em conta a credibilida- de de quem conta a história. Antes, porém, precisamos que as redações ajudem a desmascarar a desinforma- ção, tirando de circulação um bom Novos caminhos e desafios da mídia shutterstock.com 124 BOA VONTADE
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    número de “jornalistas”de internet, uns com e outros sem registro pro- fissional, publicando matérias sem apuração e ainda injuriando pessoas. Algumas dessas intervenções ainda destacam fotos montadas e boatos como informação séria. Democratização e jornalismo É preciso ainda treinar leitores e vizinhos para serem participantes ativos e testemunhas oculares; tra- balhar para que eles, nos locais de ocorrência, ajudem as redações a tirar dúvidas das informações para uma reportagem, levando em conta a ética jornalística da qual deverão es- tar cientes; e preparar as escolas de comunicação para que tenham maior acesso prático a treinamentos para esse novo modelo que se quer alcan- çar de um jornalismo participativo e de um microjornalismo, ambos com transparência e responsabilidade, contribuindo, em sua totalidade, para ajudar os indivíduos a compreender qual a melhor forma de criar e com- partilhar dados confiáveis. Esse é o gigantesco desafio para ajustar os caminhos da co- municação nestes novos tempos de sobrecarga de informação, quando muitas coisas que vemos, ouvimos ou lemos são equivocadas, deso- nestas ou mesmo perigosas. Agora não é mais o cidadão-repórter que procura o jornal para publicar seu relato, mas, sim, o jornalista que mergulha nas mídias sociais em busca de algo relevante para trans- formar em notícia com conteúdo. O caminho, ao que nos parece, é dar o primeiro passo: conter a desinformação on-line, com jornais, emissoras de rádio e televisão pro- curando o engajamento direto nas comunidades e trazendo-as para o processo de obtenção e veiculação da informação e tornando-as conscien- tes de sua força para mostrar valores. Nesse processo, ainda é necessário instruir os moradores em como é feita uma reportagem por meio da produção de conteúdos responsáveis. Outro ponto que merece reflexão é o seguinte: diante de tanto assunto oferecido pelas redes de “confiança” e amigos, o noticiário convencional é relevante para quem? O jornalismo participativo e o microjornalismo, corrigidas as dis- torções presentes hoje no uso da internet, podem ser um forte aliado nas regiões metropolitanas, desper- tando os sentimentos mais primários de cidadania. Eles formam outro segmento para a democratização da mídia no país. Fotos:shutterstock.com BOA VONTADE 125
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    na terceira idade Quedas —um problema de saúde pública — por Walter Periotto | Especial para a boa vontade shuttterstock.com Melhor idade
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    A Organização Mundial da Saúde(OMS) estima que, em 2050, a população com mais de 60 anos de idade chegará a 2 bilhões* em todo o mundo e que, em 2020, a quantidade de idosos ultrapassará, pela primeira vez na História, a de crianças com menos de 5 anos. Essas previsões têm esti- mulado os debates sobre o aumento da longevidade, especialmente quanto à melhora da qualidade de vida e à solução das questões en- frentadas pelas pessoas da terceira idade em todos os âmbitos sociais. Nesse contexto, o problema das quedas, muito comuns nessa faixa etária, tem recebido atenção especial. Médicos argumentam que um tombo com fratura pode ser o disparador de complicações no organismo do paciente, que podem levá-lo a óbito. De acordo com o diretor do Insti- tuto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), dr. João Antonio Matheus Guimarães, “o que acon- tece com o paciente idoso é que, às vezes, ele sofre uma queda da própria altura, queda essa que, num paciente mais jovem, pode não Walter Periotto é jornalista. Foi representante da LBV dos Estados Unidos da América na década de 1980. DanielTrevisan Para evitar que acidentes com quedas aconteçam, especia- listas recomendam ao idoso exercícios físicos que aumentem a força muscular e trabalhem o equilíbrio dele, feitos sem- pre com prescrição médica e o devido acompanhamento profissional. Destaco, a seguir, algumas medidas que podem dificultar a ocorrência de quedas. • Prefira tapetes emborrachados e que não escorre- guem, inclusive nos banheiros. • Deixe espaço livre para caminhar. • Tenha cuidado especial com os tropeços em animais domés- ticos. • Peça ajuda para retirar do caminho fios ou extensões elétricas e objetos espalhados no chão. • Procure sentar em sofás e cadeiras altos e firmes e em pol- tronas com braço. • Evite escadas sem corrimão ou com degraus estreitos. • Utilize fitas antiderrapantes nos degraus para não escorregar. • Instale barras de segurança nos banheiros. • Preste bastante atenção quando estiver andando em lugares que não conhece ou mal iluminados. • Atravesse a rua somente na faixa de pedestres e fique atento ao semáforo. • Tenha cuidado também com o piso das calçadas. Todo cuidado é pouco trazer consequências mais graves, mas, num idoso, principalmente se for um idoso que tenha osteoporose, pode terminar numa fratura que acabe necessitando de cirurgia”. A dra. Monica Perracini, fisiote- rapeuta e professora da Universida- de da Cidade de São Paulo (Unicid), destaca que o perigo maior ocorre justa- mente nos casos em que se tenha de fazer intervenção cirúrgica. “As complica- ções no pós-operatório no idoso é que podem ser mais deletérias para a saúde dele do que propriamente a queda e a fratura. Ele pode ter outras complicações que venham a causar até a morte, em razão da queda.” Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos uma vez por ano cerca de 30% dos indivíduos com mais de 65 anos sofrem alguma fra- tura ao cair, estatística que cresce no cenário global, em que de 30% a 60% da população idosa cai anual- mente. Dessas quedas, de 40% a 60% levam a algum tipo de lesão, conforme divulgou a OMS. Precisamos ficar atentos! Fonte: Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia. Dr. João Antonio Guimarães Dra. Monica Perracini Divulgação Divulgação * Em novembro de 2014, o número de idosos no mundo todo era de 841 milhões. BOA VONTADE 127
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    Soldadinhos de Deus,da LBV Arquivopessoal Copyright©SoldadinhosdeDeus Guilherme de Oliveira Barral, 9 anos. Salvador/BA Quando a gente segue os ensinamen- tos de Jesus — de Amor, de Respeito, de Paz —, a gente fica com a luz muito grande e pode iluminar todo mundo. Para a nossa luz brilhar, temos que obedecer ao pai e à mãe da gente e res- peitar todas as pessoas do mundo, não praticar violência em lugar nenhum, não praticar bullying, porque é uma coisa muito feia. Tudo de bom que a gente tem deve brilhar. Devemos ser educados, para que as pessoas vejam e respeitem a gente. (...) Quanto mais a gente faz o Bem, maior Bem a gente recebe e maior a nossa luz vai ficar e vai iluminar todo mundo! Ensinou o Divino Mestre ao povo: “Vocês são a luz do mundo! Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte; nem se acende uma vela para colocá-la debaixo de um móvel; porém, em um lugar alto, de modo que sua claridade ilumine a todos os que estão na casa. “Assim, brilhe também a luz interior de cada um de vocês diante dos homens, para que eles vejam as Boas Obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai que está nos Céus”. Os discípulos, a luz do mundo (Adaptação do Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 5:14 a 16.) Comentário do Soldadinho de Deus 128 BOA VONTADE
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    (1) Yara Cruzeirodos Santos, 10 anos. Uberlândia/MG; (2) Luiz Gustavo Camargo de Matos, 10 anos. Ventania/PR; (3) Stefany Arceno, 6 anos. Biguaçu/SC; (4) Maria Luiza Brugnolo Corrêa, 1 ano. Pais: Silvana e Marco Antonio Corrêa. São Paulo/SP; (5) Helton Leandro Barroco Júnior, 9 anos. Arapongas/PR; (6) Tarcylla Vitória da Silva Oliveira, na foto com 3 meses. Pais: Kelly da Silva Meireles e Tiago de Oliveira. Moreno/PE; (7) Antony Marcos Santos de Menezes, 11 anos. Recife/PE; (8) Tarsila Alves Viana, 6 anos, em momento de prece. Brasília/DF; (9) Os irmãos Lívia, 10 anos, e Felipe de Souza Mendes, 2. Salinas/MG; (10) Larissa Figueiredo Marques, 9 anos. São João da Boa Vista/SP; (11) Bruno Daniel de Freitas Paresqui, 6 meses. Pais: Maria das Graças Freitas Paresqui e Alan Lincoln Barbosa do Amaral Paresqui. Rio de Janeiro/RJ; e (12) Mariah Letícia Dutra, 1 ano. Pais: Crislayne Karyne e André Santos. Campo Grande, Rio de Janeiro/RJ. 321 9 10 11 12 4 86 7 Fotos:Arquivospessoais 5 BOA VONTADE 129
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    Q uem nunca ouviualguém dizer “O carro deu perca total” ou “Isso é uma perca de tem- po”? O uso de perca em construções como essas não é correto, devendo ser aplicado no lugar desse termo o vocábulo perda. O engano ocorre porque ambas as palavras são pa- rônimas, isto é, aquelas com grafia e pronúncia semelhantes. Então, quando se devem empregar uma e outra? Vejamos. As duas palavras são relacionadas ao verbo perder. Perda é substantivo feminino e significa fato de deixar de possuir ou de ter algo, sendo tam- bém sinônimo de extravio, sumiço, privação, dano total ou parcial e fim. Exemplos: “Precisamos chegar à cidade mais próxima sem perda de tempo”; e “A perda da disciplina é uma falta grave”. Perca é a forma conjugada do verbo perder na primeira e na terceira pessoa do singular do presente do Adriane Schirmer, professora. DanielTrevisan subjuntivo ou na terceira pessoa do singular do imperativo (tanto afirma- tivo quanto negativo). Exemplos: “Deus, não permita que eu perca a esperança”; “Não quero que ele perca o sorriso nos lábios!”; “Perca peso de forma saudável”; “Perca o medo de dirigir”; “Menino, não perca a hora!”; e “Ninguém vive perdido por toda a Eternidade. É do interesse do Criador que nenhuma de Suas criaturas se perca. E Ele a todos criou” (Paiva Netto, no artigo “‘Ide e pregai’. A missão é nossa!”, parte 2). Uma dupla de verbos que pode igualmente causar confusão é absol- ver e absorver. Absolver quer dizer inocentar, perdoar, remir. Exemplo: “Os jurados absolveram o réu”. Deriva de absolver o substantivo feminino absolvição, que é a decisão judicial a qual reconhece improce- dente uma acusação contra alguém ou o perdão de faltas e erros. Absorver é o mesmo que embe- ber, aspirar, sorver, ingerir. Exemplos: “Um pano absorverá toda aquela água”; e “Os viajantes foram obrigados a absorver a poeira do caminho”. O verbo absorver ainda pode ser empregado no sentido de “as- similar”, conforme escreveu Paiva Netto neste trecho de seu artigo “O Milênio das Mulheres”: “Cada vez que suplantarmos arrogância e preconceito, existirá sempre o que absorver de justo e bom de todos os componentes desta ampla ‘Arca de Noé’, que é o mundo globalizado de hoje”. Bom estudo e até a próxima! Sugestões de temas e dúvidas são bem-vindas. Se você as tiver, encami- nhe-as para a Redação desta revista. (Veja o endereço na página 6) Adriane Schirmer | Especial para a boa vontade Aprendendo Português Atenção ao emprego de palavras parecidas William Luz/Renato Moura 130 BOA VONTADE