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AGENDAMINASGERAIS2017
produzir
VARGINHA•PASSOS•POÇOSDECALDAS•POUSOALEGRE•ITAJUBÁ
2 AGENDAMINASGERAIS2017
AGENDAMINASGERAIS2017 3
EDITORIAL
Uma agenda criativa
para Minas Gerais
Pela primeira vez, os mineiros receberam uma edição do Agenda Minas. O
grupo de seminários que se propõe a discutir não apenas os problemas de uma
determinada localidade, como, também as eventuais soluções, teve início há
quatro anos no Estado de São Paulo e tem sido marcado pela excelência dos
convidados e pela participação permanente da plateia.
Este ano, na estreia do Agenda Minas, propusemos discutir o tema “Cidades
Criativas”. O assunto é especialmente importante, porque representa uma
alternativa real para que comunidades e regiões possam encontrar novas formas
de desenvolvimento. Nas próximas páginas, damos exemplos práticos de diversas
cidades e regiões, brasileiras ou não, que conseguiram, por meio da ecobonia
criativa, criar caminhos que resultaram em um forte incremento das suas
economias.
Para falar sobre cidades criativas, convidamos a maior especialista brasileira
sobre o assunto, a economista, urbanista e consultora das Nações Unidas, Ana
Carla Fonseca. Ao longo das edições de Varginha, Poços de Caldas, Passos,
Pouso Alegre e Itajubá, ela apresentou o tema, mostrou exemplos e sobretudo,
fomentou discussões que reuniram representantes do poder público e sociedade.
E foi desses debates que surgiu o espírito dos Agenda: ideias. Ideias concretas
e que possam ser usadas para mudar uma comunidade.
O Agenda Minas é uma realização da OA
Eventos, uma empresa do Grupo EPTV.
Conta ainda com a participação da Diretoria de
Relações Institucionais do grupo na organização
e parceria da Diretoria de Jornais e Mídias
Digitais, quem atua no Interior do Estado de São
Paulo com o jornal A Cidade (Ribeirão Preto) e
os sites ACidade ON (Ribeirão, Araraquara, São
Carlos e Campinas). O evento conta ainda com o
apoio institucional da EPTV.
EXPEDIENTE ORGANIZADORES
Antonio Carlos Coutinho Nogueira
José Bonifácio Coutinho Nogueira Filho
André Coutinho Nogueira
José Bonifácio Coutinho Nogueira Neto
Paulo Brasileiro
Josué Suzuki
Rafael Gomes
Pedro AurélioVaroni de Carvalho
Vitória Jordão
Fernanda Freitas
Fernanda Caribé
José Manuel Lourenço
Edição: José Manuel Lourenço
Textos: Magson Gomes
Edição de fotos: Mariana Martins
Tratamento de imagens: Mariana Martins
Editor de arte: DanielTorrieri
GRUPO EPTV
PRODUÇÃO
REVISTA
AGENDA
2017
4 AGENDAMINASGERAIS2017
informações:
(31) 3207-8888 • (31) 98411-8635
AGENDAMINASGERAIS2017 5
Conforto e rapidez para você.
Interligação aérea para Minas Gerais.
Desenvolvimento econômico para todos.
Com o Voe minas Gerais, VoCê tem aCesso a Voos de ida e Volta
entre Belo Horizonte e 15 Cidades mineiras. Confira os desContos
e Condições espeCiais:
• Na compra de ida e volta, desconto fixo de r$ 100,00 no bilhete de retorno,
independentemente do trecho escolhido.
• desconto de 10% nas compras feitas com, pelo menos, 30 dias de
antecedência.
• desconto de 20% nas compras a partir de cinco passagens no mesmo voo.
seja a turismo ou a neGóCios, Viaje na melHor CompanHia:
a CompanHia dos mineiros.
adquira sua passagem pelo site www.voeminasgerais.com.br
ALMENARA | ARAÇUAÍ | ARAXÁ | BELO HORIZONTE | CARATINgA | DIAMANTINA | MANHUAÇU | PARACATU
PASSOS | PATOS DE MINAS | POÇOS DE CALDAS | POUSO ALEgRE | TEÓFILO OTONI | UBÁ | VARgINHA | VIÇOSA
6 AGENDAMINASGERAIS2017
FOTOSGIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
AGENDAMINASGERAIS2017 7
O PROBLEMA
CIDADES
EM BUSCA DE
SOLUÇÕES
Entre agosto e dezembro deste ano, cinco cidades receberam a
1ª Edição do Agenda Minas. O objetivo do conjunto de seminários
foi discutir novas formas de pensar soluções para problemas que,
tradicionalmente, afetam os municípios.Todos os debates foram conduzidos
pela urbanista, economista e consultora das Nações Unidas, Ana Carla
Fonseca, com a palestra“Cidades Criativas, Cidadania Ativa”. E, ao final das
apresentações, ficou claro que, em um mundo em que as formas tradicionais
de trabalho estão sendo repensadas com uma velocidade cada vez maior,
a criatividade é um bem precioso para que cidades e regiões
possam encontrar novas formas de fortalecer as suas economias.
É o que vamos discutir nas próximas páginas.
8 AGENDAMINASGERAIS2017
CRIATIVA
Os cinco seminários do Agenda Minas
tiveram como tema“Cidades Criativas,
Cidadania Ativa”, com apresentações
da economista, urbanista e consultora
da ONU, Ana Carla Fonseca
OndeO Agenda Minas foi
realizado entre agosto e
dezembro deste ano em
Varginha, Poços de Caldas,
Passos, Pouso Alegre e
Itajubá
Agenda 2017 reuniu pensadores
de cinco cidades do sul de Minas
Qual é a receita para que uma cidade se torne criativa e fortemente
marcada pela inovação? Os caminhos são variados, mas dois ingredientes
sempre se destacam: investimentos permanentes em cultura e inovação.
Essa foi uma das conclusões que surgiram durante o Agenda Minas
2017, um conjunto de seminários que discutiu os problemas e buscou
apontar soluções para o desenvolvimento das cidades.
Realizados entre agosto e dezembro deste ano, o evento teve
como palestrante a economista e urbanista Ana Carla Fonseca, uma
das referências nacionais em cidades criativas. Ao lado dela, diversos
profissionais de instituições de ensino e de negócios do sul de Minas,
mostraram que a criatividade pode ser uma ferramenta importante para
criar novas formas de desenvolvimento local.
Em todos os debates, uma das conclusões a que chegaram os
palestrantes convidados teve a ver com a importância da cultura. “A
nossa história reflete uma ideia de desenvolvimento com forte viés
econômico, que desconsiderou a cultura. Na nossa história, cultura
sempre foi vista como perfumaria, como algo secundário. E não é”, disse
Ana Carla.
AGENDAMINASGERAIS2017 9
Primeiro passo deve ser a busca
pela alma de uma cidade ou região
A cultura foi destacada pelos participantes do Agenda Minas como
um dos principais elementos para que uma cidade se transforme em
criativa. E, um dos primeiros passos para que isso ocorra, segundo
Ana Carla Fonseca, deve ser descobrir quais são as singularidades
locais, aquelas características que definem um determinado lugar,
de forma inequívoca, na mente de quem ali mora e de quem o visita.
“Essa busca pela alma do lugar, aquilo que lhe é singular, é o que
vai indicar qual a direção que pretende tomar rumo a uma cidade
criativa”, disse.
A cultura é essencial, também, para que um local se torne
interessante para atrair a matéria-prima de uma cidade criativa, que
são os talentos criativos. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos,
há três anos mostrou que um dos pontos que os talentos criativos
mais buscam em uma cidade, ao lado de uma infra-estutura que lhes
permita obter bons salários, é a diversidade cultural.
Assim, longe de ser perfumaria, qualquer projeto de
desenvolvimento para o século 21 passa pela capacidade das
comunidades e dos seus gestores de investirem em cultura.
Na nossa
história,
cultura
sempre foi
vista como
perfumaria,
algo
secundário, e
não é.
ANA CARLA FONSECA
CONSULTORA DAS NAÇÕES UNIDAS
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
10 AGENDAMINASGERAIS2017
ESSÊNCIA
Um dos grandes desafios
de qualquer localidade
no século 21 será
descobrir a sua essência,
a sua especificidade, para
transformá-la em uma
marca. Uma das maiores
cidades do mundo fez isso
I NYQuer ver um exemplo legal de
uma marca identificando uma
cidade? O slogan“I Love Nova
York”, com o coraçãozinho no
lugar da palavra ‘Love’.
DIVULGAÇÃO
A importância da marca para se
agregar valor a uma comunidade
Dentre os vários pontos abordados por Ana Carla Fonseca nas suas
diversas apresentações, um deles chamou a atenção: a necessidade de se criar
uma marca. “Fiquei surpresa com o manancial de informações que já estão
sendo discutidos aqui em Minas”, disse. “É uma surpresa que vocês ainda
não tenham criado uma marca que seja o reflexo do que é a cidade”, disse.
O caminho para isso, segundo Ana Carla Fonseca, é fazer com que a história
e a cultura locais se tornem a base de algo que possibilite “um olhar para o
futuro”. “É algo quase sinestésico. A gente pensa, por exemplo, em Passos ou
Varginha, e vem uma sensação que só elas têm. Isso caracteriza a alma e é algo
poderosíssimo para transformar a cidade em sua essência básica”, afirmou.
Nas páginas 30 a 33, você pode acompanhar exemplos de cidades
ou regiões que conseguiram extrair as suas essências e transformá-
la em marcas e, claro, em valor. Entre eles está o bairro de Barracas,
uma antiga área degradada de Buenos Aires, que foi recuperada para se
tornar um local de referência cultural. O segredo? Planejamento e uma
administração municipal capaz de apresentar propostas inovadoras.
Uma das consequências foi a volta da autoestima dos moradores daquela
região da capital argentina.
AGENDAMINASGERAIS2017 11
As cidades devem se preparar
para as novas formas do trabalho
Um estudo da revista britânica ‘The Economist’, publicado em janeiro de
2015, aposta que o trabalho do futuro será automatizado, criativo e disperso.
Essas alterações no modo como se vai trabalhar vão exigir das cidades uma
atenção maior a um bem que pode se tornar a matéria -prima do futuro: o
talento criativo. Ao mesmo tempo, deve haver sempre presente a percepção
de que qualquer lugar pode se tornar um ambiente de trabalho.
“Nunca se fez tanta reunião em cafeterias, praças e outros lugares,
que não nos escritórios. Como é que preparamos as cidades para essa
nova realidade? Vamos ter wi-fi gratuito, espaço na praça coberto para
que a luz não atrapalhe o laptop? Como fica a questão da segurança?
Como é que se pode transformar as cidades em locais mais propícios a
esse trabalho criativo?”, pergunta Ana.
A busca pela criação dessa ‘ambiência propícia’ à criação, onde as
pessoas se sintam mais à vontade para criar e para se relacionar com o
outro será, segundo a urbanista, um dos principais desafios para qualquer
cidade que queira se tornar uma cidade criativa. E, segundo Ana Carla, o
futuro a que se refere a Economist não está tão distante assim: chegará
em duas a três décadas.
Nunca se fez
tanta reunião
em cafeterias,
praças, fora
dos escritórios.
Como preparar
as cidades
para essa nova
realidade?
ANA CARLA FONSECA
ECONOMISTA E URBANISTA
12 AGENDAMINASGERAIS2017
CICLOVIA NA
AVENIDA HENRY
NESTLE, EM
RIBEIRÃO PRETO
Criatividade é
indispensável. E,
para que ela floresça,
é imprescindível
a existência de
administrações públicas
criativas
1994Foi quando nasceu o
conceito de economia
criativa, herdado do projeto
australiano ‘Creative Nation’
MATHEUSURENHA/ACIDADE
Não há receita pronta, mas o poder
público é ingrediente vital
Os seminários mineiros revelaram uma realidade
desconcertante: não há uma receita pronta para que uma cidade se
torne criativa. No entanto, há ações que são indispensáveis para que
isso aconteça.
Para o inglês Charles Landry - uma das referências mundiais
ao se falar do tema - uma cidade deve ser criativa por completo.
“Minha lógica tem sido que os outros setores ou grupos, como a
classe criativa, só podem florescer quando a administração pública é
imaginativa, onde há inovações sociais, onde a criatividade existe em
áreas como saúde, serviços sociais e mesmo política e governança”.
Assim, a criatividade é algo que deve se estender a toda a
sociedade. E, o vetor privilegiado para que isso aconteça chama-se
cultura. Como disse Ana Carla: “Economia criativa é uma fusão da
cultura com a economia do conhecimento, como se tentássemos
reconciliar essas duas partes do cérebro com os quais a gente sempre
trabalhou mas que, de alguma forma, foram vistas como separadas
ao longo dos dois últimos séculos, a estética e a funcionalidade. Ou a
gente junta as duas para resolver oportunidades que surgem ou não
saímos do lugar”.
AGENDAMINASGERAIS2017 13
Criatividade gera valor e é uma
arma eficaz na luta contra o R$ 1,99
Quer saber uma das mais importante características da
economia criativa? Ela se apresenta como uma alternativa
real à luta pelo produto de preço baixo, fruto da “globalização
galopante” e da concorrência acirrada, que tende a fazer com
que tudo fique mais parecido. “A alternativa a brigar em cima de
preço baixo é brigar em cima de algo que tenha valor agregado
e inovação. Como a gente vê isso? Por exemplo, as quinze
marcas mais valiosas do mundo têm muita ciência e tecnologia
embutida, como é o caso de Apple, GE, Microsoft, Cisco,
Google etc, ou trabalham com narrativas, formas diferentes de
apresentar uma mesma história, como a Disney ou a Coca-Cola”,
disse.
Como aplicar esses princípios aqui, às nossas cidades? O
primeiro passo é descobrir, por exemplo, como se trabalham
melhor as narrativas da cidade, quais são essas narrativas e que
histórias podem ser embutidas nos produtos e serviços daqui? A
resposta indicada pela urbanista foi: a própria história da cidade.
“Essa história tem de ser mais bem conhecida, não só para os
outros como também para os que estão aqui”.
A alternativa
a brigar em
cima de preço
baixo é brigar
em cima de
algo que
tenha valor
agregado e
inovação.
ANA CARLA FONSECA
ECONOMISTA
14 AGENDAMINASGERAIS2017
O DEBATE
MINAS
E AS SUAS MUITAS FACES
CRIATIVASA primeira edição do Agenda Minas revelou que a população
tem muito o que dizer e que, igualmente importante, existem
representantes políticos dispostos a ouvir. Um exemplo disso
ocorreu no seminário de Passos, em outubro, quando o debate
da plateia com os palestrantes acabou por se tornar uma grande
discussão de ideias, com projetos e propostas apresentados, entre
municípios vizinhos. Situações idênticas ocorreram, em maior ou
menor grau, emVarginha, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Itajubá.
A seguir, listamos algumas dessas situações.
AGENDAMINASGERAIS2017 15
FOTOSGIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
16 AGENDAMINASGERAIS2017
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
VARGINHA
Seminário enfatizou a
necessidade de todos os atores
trabalharem em conjunto
Varginha abriu a série de cinco seminários do Agenda Minas. Além
da palestrante convidada, Ana Carla Fonseca, fizeram parte da mesa de
debates o gerente regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas), Juliano Cornélio, o arquiteto e urbanista
Wesley Medeiros e o sociólogo Renato Clepf.
O ponto principal surgido das discussões foi a necessidade de se
fortalecer as ligações entre os diversos atores que trabalham com a
criatividade.
Juliano Cornélio, aliás, citou um ponto comum a todos os
seminários, inclusive os ocorridos no Estado de São Paulo: o papel
vital que as universidades têm para o aprofundamento de parcerias que
tragam mais desenvolvimento local (veja na próxima página).
O sociólogo Renato Clepf sustentou que os investimentos na
indústria criativa devem ultrapassar as fronteiras municipais e ter como
base a criação de polos regionais de desenvolvimento.
O arquiteto Wesley Medeiros destacou a necessidade de se pensar em
alternativas criativas para a periferia da cidade. Para isso, ele apontou
para a existência de vários “espaços de desejo” dessa população, áreas da
cidade sem infraestrutura, mas que são apropriadas por moradores como
espaços lúdicos.
18/8Foi a data de realização do
Agenda Minas emVarginha,
noTeatro Mestrinho. Entre as
autoridades presentes estiveram
o presidente da Câmara
Municipal, Zacarias Piva, o
vice-prefeitoVerdi Lúcio Melo
e representantes do governo
do Estsado e de diversos
municípios da região
CONVIDADOS
A mesa de debates da edição de
Varginha do Agenda Minas teve
como palestrantes convidados
Wesley Medeiros (esq.), Renato
Clepf (centro)
e Juliano Cornélio
AGENDAMINASGERAIS2017 17
JULIANO CORNÉLIO
UNIVERSIDADES
O gerente regional do Sebrae
defendeu um papel mais presente
das universidades na produção de
alternativas para o desenvolvimento
local. “As universidades não podem
ficar trancadas atrás dos seus muros.
É importante que elas abram esses
muros, que estejam mais próximas
das comunidades e dos próprios
empresários”, afirmou. Para ele, o
papel que o meio acadêmico pode
trazer para a construção de uma
cidade criativa está ligado, sobretudo,
à sua capacidade de produzir inovação.
WESLEY MEDEIROS
ESPAÇOS DE DESEJO
Um dos argumentos mais
surpreendentes do Agenda Varginha
veio do urbanista Wesley Medeiros.
Ele se referiu à capacidade de os
moradores da periferia, por falta de
opções de cultura e lazer, criarem os
próprios espaços lúdicos, inclusive
com uma infraestrutura básica que
lhes permita usufruir desses locais. A
sugestão vinda do urbanista foi uma
maior proximidade do poder público
em relação à população da periferia
e o estabelecimento de formas de
parcerias que permitam a criação e
melhorias de espaços de lazer, cultura
e esportes nesses locais.
RENATO CLEPF
PENSAR REGIONAL
O sociólogo Renato Clepf
defendeu a criação não apenas de
uma cidade criativa, mas de uma
região criativa. Segundo ele, não se
pode restringir a oferta de soluções
para dentro das divisas municipais,
mas em um contexto mais amplo.
“Ao se pensar o desenvolvimento de
uma economia criativa não podemos
levar em conta apenas a cidade. Esse
pensamento deve, necessariamente,
ter uma base regional”, afirmou. Além
disso, ele defendeu a necessidade de
uma política de economia criativa
permanente, independente de
mudanças partidárias.
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
2016No Agenda Araraquara do ano passado, um dos pontos levantados
pelo cientista político Milton Lahuerta foi a necessidade de se
trabalhar,“de forma mais produtiva”, a relação entre o poder público
local, empresariado e universidades que, juntos, produziriam o que
chamou de uma agenda para o futuro
As universidades não
podem ficar trancadas
atrás dos seus muros.
JULIANO CORNÉLIO
GERENTE REGIONAL DO SEBRAE
18 AGENDAMINASGERAIS2017
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
POÇOS DE CALDAS
Mudança do perfil passa pela
capacidade de estabelecer
parcerias com vizinhos
A maior cidade do sul de Minas sediou a segunda edição do Agenda
Minas. Na abertura do evento, o gerente Regional da EPTV, Paulo
Brasileiro, comentou que o papel da emissora é promover discussões
para integrar toda a região, criando oportunidades de desenvolvimento.
O representante do governo de Minas, Reginaldo Roberto da Silva,
destacou a importância da iniciativa para toda a região. Ainda no
momento de abertura, o prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Azevedo
(PSDB), reforçou que o Brasil precisa encontrar novos caminhos e
mudar a forma de administrar; que a cidade não pode ser uma ilha,
e deve buscar parceiros para soluções criativas. “Poços de Caldas vai
crescer quando as cidades ao lado crescerem, só assim a nossa região vai
mudar”, disse.
Um dos pontos interessantes do debate foi o compromisso, assumido
pelo prefeito, de acolher e pôr em prática propostas ligadas à economia
criativa que lhe sejam enviadas.
Além da apresentação da urbanista, economista e consultora das
Nações Unidas, Ana Carla Fonseca, participaram da mesa de debates
o jornalista Juliano Silva, integrante do Convention Bureau local, a
urbanista Adriana Almeida Mathes e a empresária e relações públicas
Gisele Ferreira.
22/9Foi quando o Espaço Cultural
da Urca recebeu o Agenda
Minas, edição Poços de Caldas
DEBATE
Participaram da mesa de
debates o jornalista Juliano
Silva (dir.), integrante
do Convention Bureau
local, a urbanista Adriana
Almeida Mathes (centro)
e a empresária e relações
públicas, Gisele Ferreira
AGENDAMINASGERAIS2017 19
JULIANO SILVA
ESTRATÉGIAS
COMUNS
O jornalista Jliano Silva
frisou a necessidade de poder
público, sociedade e empresariado
desenvolverem projetos comuns.
Segundo ele, a falta de coordenação
entre esses projetos gera
desperdícios que poderiam ser
evitados com o trabalho conjunto.
“É preciso ter ações com objetivos
comuns. Às vezes, nós, a prefeitura
e os empresários estamos fazendo
projetos idênticos, que acabam
sendo iniciativas isoladas, que
funcionariam muito melhor se
estivéssemos juntos”, afirmou.
GISELE FERREIRA
EDUCAÇÃO
Criadora da Feira do Livro e do
Festival Literário, Gisele Ferreira
defendeu a aplicação de projetos
na educação, como forma de
transformação de uma comunidade.
“É importante pensarmos na
importância da educação como um
elemento de mudança. As pessoas
precisam ler, refletir sobre ideias
para que possam compreender e
transformar, de forma positiva, o
local onde vivem. Tudo começa com
a educação e, especialmente, com a
leitura”, concluiu.
ADRIANE MATHES
PATRIMÔNIO
A arquiteta Adriane de Almeida
Mathes teve como ponto principal
da sua apresentação a defesa de
políticas públicas em questões do
patrimônio histórico. “O patrimônio
é a minha paixão, não porque
eu goste de coisa velha - como
é a imagem comum que se tem
dele - mas porque é nele que me
reconheço, que conheço a minha
história”, afirmou. “É importante
porque, o que se fala aqui é de um
povo que acaba se reconhecendo na
sua própria história”.
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
PERTENCIMENTOUma pesquisa do IPCCIC (Instituto Paulista de Cidades Criativas
e Identidades Culturais), realizada em 2016 por um grupo
multidisciplinar da entidade, mostrou que o ribeirão-pretano não tem
uma relação de pertencimento com a sua cidade. Parte da pesquisa foi
apresentada no Agenda Ribeirão 2016.
As pessoas precisam ler, refletir
sobre ideias para que possam
compreender e transformar o
local onde vivem.
GISELE FERREIRA
EMPRESÁRIA
20 AGENDAMINASGERAIS2017
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
POUSO ALEGRE
Em tempos de crise, o recurso à
criatividade pode ser uma arma
indispensável para o crescimento
A Câmara Municipal de Pouso Alegre foi o local escolhido
para abrigar o quarto seminário do Agenda Minas 2017. Com a
presença do secretário-executivo para a Região Sul dos Fóruns
Regionais, Ercílio Lorena e o vice-presidente da Assembleia
Legislativa do Estado, Dalmo Ribeiro Silva, além de diversos
representantes políticos da região, o evento em Pouso Alegre
teve como um dos pontos de discussão o uso da criatividade pelas
administrações locais. “Este encontro veio em um momento
muito importante, que é o de escassez de recursos e a palavra que
deve predominar agora é criatividade”, afirmou o prefeito Rafael
Simões. “Eu ando pela rua e todo mundo me para para apresentar
soluções, com a maior boa vontade do mundo, mas quando você
analisa chega à conclusão que não há recursos. Então, é nesse
momento em que a criatividade assume uma importância maior”,
concluiu o prefeito.
O presidente da Câmara, Adriano César Pereira Braga, ressaltou
o fato de o Agenda Minas estar sendo realizado na Casa de Leis,
que é um espaço por excelência, dedicado ao debate. “Nós devemos
ter sempre presente a comunidade, porque é em nome dela que
trabalhamos. Por isso, é importante que possamos manter sempre
canais abertos de participação popular”, disse.
24/11A quarta edição do
Agenda Minas foi
realizada na Câmara
Municipal de Pouso
Alegre
MESA
A jornalista Mariana Sayad,
o músicoWolf Borges e a
professora da Universidade
Federal do Sul de Minas, Lúcia
Helena Silva, formaram a mesa
de debates da edição de Pouso
Alegre do Agenda Minas
AGENDAMINASGERAIS2017 21
MARIANA SAYAD
UMA CIDADE COM
TRADIÇÃO CULTURAL
A jornalista Mariana Sayad,
co-fundadora do Observatório
Luneta, foi uma das integrantes
da mesa de debates. A jornalista
apontou a ligação da cidade com a
criatividade, tendo como ponto de
partida o conservatório de música
local, construído há cerca de 60
anos. Um dos pontos de destaque
da sua apresentação foi um fator
apontado como ausente nos
seminários das demais cidades: o
trabalho conjunto. “O mais bacana
dos nossos coletivos e associações
é que, muitas vezes, um dele faz
uma ação, mas envolve todos os
outros. Então, uma ação pequena
acaba ganhando uma dimensão
maior, por causa disso”, afirmou.
WOLF BORGES
CULTURA BEM MAIS
PRÓXIMA DO CIDADÃO
Quem também participou
da mesa de debates foi o músico
Wolf Borges. Citou projetos
desenvolvidos por ele que aliam
música com debates em espaços
públicos e bares da região, de
modo a que todos tenham acesso
a arte.
Um dos pontos destacados pelo
música foi mostrar a existência
de uma diferença grande entre
aqueles que fazem arte em cidades
do interior do estado e do país e
os demais artistas, que trabalham
em cidades maiores ou capitais.
Segundo ele, a arte em cidades
menores permite que o artista
possa estar mais próximo daqueles
que são os seus consumidores.
LÚCIA HELENA SILVA
POLÍTICAS VOLTADAS
PARA OS JOVENS
A professora do Instituto
Federal de Educação do Sul de
Minas Gerais, Lúcia Helena Silva,
lembrou de como o sul do Estado
tem atributos para se desenvolver
cada vez mais, graças ao número
de instituições de ensino que
abrangem todas as áreas do
conhecimento.
Para a professora, não é
possível admitir que tantos jovens
vão embora da região depois de
formados.
Um dos pontos destacados,
então, seria a criação de políticas
públicas que permitam fazer com
que a população jovem de uma
localidade se sentir estimulada a
permanecer nela.
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
22 AGENDAMINASGERAIS2017
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
PASSOS
Plateia sugere criar selo para
a produção de móveis rústicos
com madeira de demolição
A edição de Passos do Agenda Minas foi realizada no dia 20 de
outubro, no Teatro Rotary. O evento contou com grande participação
da plateia e, principalmente, ficou marcado pela troca de experiências
entre representantes de diversas administrações municipais da região.
Nas três horas de debates, a plateia permaneceu no teatro,
participando com sugestões e, em alguns casos, já costurando ideias
para serem postas em prática.
Uma das mais interessantes disse respeito a um dos ícones da
cidade, que é a produção de móveis rústicos a partir de madeiras
de demolições. A sugestão foi criar uma nova identidade para essa
característica local, a partir do seu histórico com esse tipo de móveis,
e fazer com que, a partir daí, pudesse ser criada uma marca e novas
formas de se agregar valor à experiência local na produção desses
utensílios.
Assim como os móveis, os famosos docinhos de leite embalados
em palha também foram lembrados, sobre a necessidade de se criar
uma identidade própria.
Por fim, outro ponto destacado no Agenda Minas foi a necessidade
de a cidade melhorar o seu aspecto visual.
PROPOSTAS
Os palestrantes convidados
em Passos foram a gerente
do Sebrae, Fabiana Rocha
e o gamificador de cidade,
Diego Gazola
20/10O beloTeatro Rotary foi
o local escolhido para
a realização do terceiro
seminário do Agenda
Minas, em Passos
AGENDAMINASGERAIS2017 23
2011Foi o ano de criação do
Participatory City, uma parceria
da BMW com o Museu
Guggenheim, que visava
conhecer as cem principais
tendências urbanas do futuro. O
projeto terminou em 2014
FABIANA RODRIGUES ROCHA
CAPACITAR LÍDERES
LOCAIS E REGIONAIS
A gerente de projetos do
Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas),
Fabiana Rodrigues, foi uma das
integrantes da mesa de debates, ao
lado de Diego Gazola e Ana Carla
Fonseca. Além de falar do trabalho
do Sebrae na região, ela levantou
uma questão interessante, ligada à
formação de lideranças locais. “Há
dois anos, começamos em Passos
um movimento, que chamamos
de Programa Líder, com duração
de dois anos, do qual participaram
35 lideranças de oito municípios,
pensando o desenvolvimento do
sudoeste de Minas”, afirmou.
Segundo ela, a partir da
capacitação foi criado um plano
de desenvolvimento com foco no
agronegócio, educação, turismo e
que também contemplava uma das
principais indústrias locais, que é a
de móveis rústicos.
DIEGO GAZOLA
TIRAR O MÁXIMO DAS
POTENCIALIDADES
O segundo integrante da mesa
de debates do Agenda Minas, Diego
Gazola, profissional que trabalha
com gamificação de cidades do sul
de Minas Gerais. A atividade usa
princípios de jogos para engajar
pessoas, resolver problemas e
melhorar o aprendizado em
determinadas áreas.
A sua apresentação foi baseada
na apresentação de diversos
projetos de que participou, tanto
no Estado como em outros
locais do País. Com base nesses
projetos, ele afirmou que Passos
tem um potencial enorme para o
desenvolvimento de projetos na
área de economia criativa. Entre as
ideias destacadas pelo gamificador
estão a criação de parklets
(pequenas áreas de lazer criadas
em vagas de estacionamento), a
exemplo do que já acontece em
Poços de Caldas e Alfenas.
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
Hoje, a
palavra
principal para
qualquer
município é
inovação
CARLOS RENATO REIS
PREFEITO DE PASSOS
24 AGENDAMINASGERAIS2017
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
ITAJUBÁ
Região tem potencialidades
enormes, mas é preciso gente
capacitada para as revelar
“No momento em que o País atravessa uma crise nunca antes
vista, é uma alegria poder receber um evento como este, realizado
pela EPTV, que destaca o uso da criatividade na gestão pública. Tenho
certeza que todos saíram daqui com a cabeça muito mais aberta em
relação ao que podemos fazer em tempo de dificuldades”. As palavras
do prefeito em exercício de Itajubá, Joel Carlos de Almeida, deram o
tom para o quinto e último seminário do Agenda Minas.
Um dos pontos que surgiram do debate no Teatro Municipal
Christiane Riêda é que o sul de Minas possui potencialidades
enormes que ainda podem ser exploradas por meio da economia
criativa. Esse, aliás, foi um dos destaques da intervenção feita
pela professora Lúcia Helena Silva, do Instituto Federal do Sul
de Minas, ao enfatizar a necessidade de se organizar projetos
conjuntos, que reúnam poder público, sociedade e o meio
empresarial (veja ao lado).
“Eu vejo uma região com muitas possibilidades, muitas
potencialidades, com um grau alto de formação de massa crítica,
então é preciso que a gente possa fazer algo em conjunto para
explorar essas potencialidades”, afirmou Lúcia Helena.
ACADEMIA
A mesa redonda em
Itajubá foi formada pela
professora do Instituto
Federal do Sul de Minas,
Lúcia Helena Silva, e a
ex-secretária de Cultura
de Itajubá e mestre em
Administração, Caroline
de Miranda Borges
8/12O último seminário
do Agenda Minas foi
realizado noTeatro
Municipal Christiane
Riêra, em Itajubá.
AGENDAMINASGERAIS2017 25
42%É o percentual de artistas do
sexo feminino, cadastradas em
um banco de dados municipal
sobre cultura, em Itajubá
LÚCIA HELENA SILVA
É PRECISO SABER
PENSAR DIFERENTE
Um dos pontos mais
importantes do debate da edição
de Itajubá do Agenda Minas foi
apontado pela professora do
Instituto Federal do Sul de Minas.
Segundo Lúcia Helena Silva, os
diversos setores da economia
criativa podem representar uma
“grande oportunidade” para que
o município e a região possam
ter ganhos significativos em
termos de qualidade de vida.
“Não podemos falar de economia
criativa sem falarmos dos
criadores e, para isso, precisamos
estimulá-los a ver onde estão as
oportunidades. Muitas vezes, por
estarmos envoltos no ambiente,
a gente não consegue perceber
as diferenças, então vamos
pensar diferente, porque algo
que é rotineiro para mim pode
significar algo singular e que pode
gerar renda e trabalho”, afirmou.
CAROLINE DE MIRANDA BORGES
É PRECISO SABER
OLHAR DIFERENTE
A mestre em Administração
e ex-secretária de Cultura de
Itajubá, Caroline de Miranda
Borges, também afirmou que,
muitas vezes, o fator que pode
alterar o perfil de uma cidade ou
região está na forma de perceber
as suas qualidades de maneira
diferente. “Em alguns momentos,
nós temos que quebrar tradições,
abrir a mente e receber o que é
diferente”, afirmou. Segundo ela,
a cultura é uma das ferramentas
mais importantes para que um
determinado local possa dar esse
salto à frente, principalmente pela
relação histórica que existe entre
o município de Itajubá e a cultura.
“Precisamos recuperar a nossa
história, descobrir os nossos valores
endógenos e, feito isso, encontrar
caminhos sobre como a cultura
pode contribuir para o crescimento
da economia local”, afimou.
GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
Em alguns
momentos,
temos que
quebrar
tradições,
abrir a mente
e receber
o que é
diferente.
CAROLINE BORGES
MESTRE EM ADMINISTRAÇÃO
26 AGENDAMINASGERAIS2017
AS IDEIAS
CRIATIVIDADE
AO ALCANCE DE
TODOS“Uma cidade criativa demanda infraestuturas que vão além do
hardware – edifícios, ruas ou saneamento. Uma infraestrutura
criativa é uma combinação de hard e soft, incluindo a
infraestrutura mental, o modo como a cidade lida com
oportunidades e problemas; as condições ambientais que ela cria
para gerar um ambiente e os dispositivos que fomenta para isso,
por meio de incentivos e estruturas regulatórias”.
(Charles Landry, pesquisaador inglês e criador do conceito de
cidades criativas, no final da década de 1980)
AGENDAMINASGERAIS2017 27
FOTOSDIVULGAÇÃO
28 AGENDAMINASGERAIS2017
Nãoadianta
sóinvestir
emeconomia
senão
ocorrerem
investimentos
emqualidade
devida.
ANA CARLA FONSECA
TECNOLOGIA E
INOVAÇÃO NÃO
SÃO SUFICIENTES
Uma cidade que se pretende criativa deve ter a capacidade
de atrair profissionais criativos. Mas, para isso, tem de investir
(muito) na qualidade de vida desses profissionais
A sua cidade quer ser criativa? Tecnologia e a capacidade
de gerar inovação são pontos importantes. No entanto, se não
forem feitos investimentos na qualidade de vida dos cidadãos,
a receita desanda.
Nas suas apresentações, a economista Ana Carla
Fonseca citou o estudo de uma agência norte-americana de
recrutamento de talentos, apontando o que esse profissional
prioriza na busca por um local de trabalho. O estudo mostrou
que itens como ‘qualidade de vida’ e ‘diversidade [cultural,
étnica etc.]’ têm tanto peso na escolha de um local de
trabalho como ‘perspectivas de carreira’. “Não adianta só
investir em economia se não ocorrerem investimentos em
qualidade de vida. Sem isso, o talento cai fora”, disse.
E, para Ana Carla, o meio mais eficiente de se aumentar
a qualidade de vida nas cidades é com a prática da cidadania
ativa. “Pode parecer utópico, mas se as pessoas não se
adonarem das cidades, elas acabam se tornando reféns de
quem está sentado na cadeira da gestão municipal, seja de que
partido for”, concluiu.
AGENDAMINASGERAIS2017 29
cidades
criativas
300 milé o número de pessoas atualmente
empregadas na Argentina em setores que
são considerados criativos
2,7%é o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil
relacionado com a contribuição dada pelos segmentos
criativos no País, em 2011
30 AGENDAMINASGERAIS2017
DIVULGAÇÃO
BUENOS AIRES
O bairro de Barracas, na região Oeste de Buenos Aires,
virou um caso de sucesso mundial, ao passar de uma
região depauperada para um local de referência cultural.
Afinal, o que foi feito ali?
O nome do bairro vem de um conjunto de barracões do
século 18 que, com o tempo, ficaram abandonados e
ajudaram a aumentar o processo de degradação da área.
Há alguns anos, no entanto, a administração portenha
tomou uma decisão paradoxal: utilizou essa região,
completamente sem vocações e abandonada e incentivou
a instalação de estúdios de design e a vinda de artistas de
diversas áreas. Com o passar do tempo, Barracas deixou
de ser uma das piores áreas de Buenos Aires para se
tornar uma referência municipal de criação e design. Na
realidade, tornou-se o principal cluster criativo da capital
argentina. O impacto da experiência em Barracas foi
tamanho que Buenos Aires foi incluída em uma seleta lista
de cidades criativas em design, elaborada pela Unesco.
MARIPÁ
O Brasil também tem diversas experiências bem-sucedidas ligada ao conceito de cidades criativas. Uma
delas está no interior do Paraná, em uma cidadezinha de seis mil habitantes chamada Maripá, conhecida
como Cidade das Orquídeas. Como se chegou a isso? Apesar de ter a economia fortemente ligada à
agricultura, os moradores de Maripá queriam que a cidade fosse conhecida de outra forma. E, o que a
pequena localidade tinha de diferente? Após muitas conversas, os moradores descobriram que todo mundo
adorava orquídeas. Achado o ponto comum, o próximo passo foi a construção de viveiros dessa planta
ornamental. Isso aconteceu há cerca de duas décadas. Hoje, a cidade organiza uma das maiores feiras
de orquídeas do Estado, reunindo mais de 25 mil pessoas nos seus três dias de duração. “O segredo
de Maripá - e de diversas cidades tidas como criativas - é a capacidade de se descobrir esse tipo de
especificidade, coisas que estão lá e que ainda não achamos olhos para ver”, concluiu Ana Carla Fonseca.
AGENDAMINASGERAIS2017 31
ARARAQUARA
Uma idéia apresentada no Agenda Araraquara, em 2016, foi a adoção, na
cidade, do guia GPS (Gestão Pública Sustentável), uma espécie de cartilha com
informações para prefeituras sobre planejamento, gestão e tomada de decisões
na administração pública. O GPS contém ainda indicadores e planos de metas
que estão ligados ao desenvolvimento sustentável.
NOVA YORK
O Participatory City foi um projeto conjunto da BMW com o Museu Guggenheim, que
existiu entre 2011 e 2014 em Nova York, Mumbai e Berlim. O objetivo era conhecer
as cem principais tendências urbanas do futuro. Na prática era um grande “think
tank”, instituto destinado a explorar novas idéias e desenvolver projetos “visionários”
para a vida nas cidades.
ZARAGOZA
La Colaboradora é um espaço de trabalho voluntário
compartilhado, em Zaragoza, que torna possível a colaboração
entre empreendedores e projetos empresariais. Todos
os serviços têm o mesmo valor e o tempo gasto por um
profissional em um projeto, que não o seu, é “depositado” em
um banco de horas. Com esse crédito, ele pode solicitar o
trabalho de outro voluntário, pelo mesmo número de horas.
SÃO PAULO
Tornar a cidade criativa requer grandes ações. Mas, o que caracteriza o espírito de uma cidade assim,
são as pequenas iniciativas. Uma proposta do projeto Sampa Criativa prevê uma parceria entre os
principais concessionários de serviços públicos da capital paulista e os praticantes de corridas de rua.
A ideia é torná-los uma espécie de fiscais de problemas comuns das cidades, como bueiros entupidos,
fugas de gás ou semáforos com problemas. A viabilização desse projeto se dá com a utilização
de celulares ou relógios com GPS, carregados pelos corredores durante a prática do esporte. Ao
passarem por algum local com problemas como os que foram citados, eles enviariam uma mensagem
para a concessionária correspondente, com informações sobre o problema e as coordenadas
com a localização. A proposta foi enviada pelo Sampa Criativa à Prefeitura de São Paulo, Câmara dos
Vereadores e Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.
32 AGENDAMINASGERAIS2017
NOVA YORKO número de terrenos baldios no bairro nova-iorquino do Brooklyn
foi o ponto de partida do projeto 596 Acres, elaborado para lhes
dar um fim social. O número, aliás, se refere à quantidade de
terra pública considerada disponível pela Prefeitura de Nova York
no bairro. O 596 Acres (2,4 milhões de metros quadrados) torna
públicos os dados sobre essas áreas e organiza comunidades
para que possam dar uma destinação social a esses terrenos ou,
até mesmo, comprá-los. A iniciativa hoje já é replicada em outras
cidades americanas, como Los Angeles.
PARISO projeto cria iniciativas para tornar a capital francesa mais criativa e
atraente. Entre elas estão um concurso para arquitetos desenvolverem
projetos inovadores em áreas conhecidas - definidas pela Prefeitura - e
a adoção de ferramentas digitais que permitem participação do cidadão
em certos níveis de decisões dos gestores municipais.
DIVULGAÇÃO
AGENDAMINASGERAIS2017 33
RIO DE JANEIRO
Na Rocinha, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, uma solução criada pela comunidade
está funcionando como Correios. A empresa Carteiro Amigo (foto), criada em 2000, entrega as
correspondências nas casas de moradores de uma maneira simples: os moradores se inscrevem
para o serviço com um valor mensal de R$16 por família e usam o endereço da empresa como seu
próprio. Quando suas correspondências chegam, um carteiro do Carteiro Amigo entregam-nas em
suas portas. Segundo informações da empresa, cerca de 30 mil casas usam o serviço.
ITÁLIADuas empresas italianas, aproveitaram a dificuldade
da maioria das pessoas em aceitar os grandes painéis
solares e criaram uma alternativa interessante: telhas
solares. Feitas em cerâmica, como as tradicionais,
mas cada uma tem quatro células fotovoltáicas
acopladas. Segundo um dos fabricantes, um telhado
completo ou parcialmente coberto com essas telhas
pode satisfazer as necessidades de energia de uma
família. O problema, por enquanto, é o custo dos
produtos, que proporcionalmente ainda é superior ao
de um painel solar no país.
SÃO CARLOS
O Instituto Direito à Cidade foi criado em
2013 dentro da UFSCar e é formado por 11
núcleos de pesquisa, que trabalham em seis
grandes áreas (social, econômica, política,
cultural, urbana e ambiental). Vinculado ao
Observatório Cidadania, Cultura e Cidade,
tem duas características importantes: a
multidisciplinaridade e a aproximação dos seus
trabalhos de agentes públicos. Existe um núcleo
independente em Araraquara.
EUAA iniciativa surgiu em 2009, nos Estados Unidos. É uma ONG formada por profissionais de diversas
áreas, sobretudo tecnologia, que desenvolvem aplicativos destinados a aproximar a gestão pública das
comunidades. O objetivo é sempre procurar manter parcerias com administrações públicas, sobretudo
as municipais, para torná-las mais transparentes, eficientes e abertas à participação da sociedade.
38º LUGAR
É a posição de São Paulo, em um
total de 40, no índice de cidades
com capacidade de atrair
empresas e talentos criativos
34 AGENDAMINASGERAIS2017
ENVOLVIMENTO As cinco edições do Agenda Minas
(Varginha, Poços de Caldas, Passos, Pouso Alegre e Itajubá)
foram marcadas pela participação ativa da plateia. Um dos
destaques foi a discussão de ideias entre representantes
dos poderes públicos locais, que evoluíram para o
agendamento de reuniões para discutir pautas comuns
entre municípios da mesma região
EU FUI... FOTOS GIOVANI RODRIGUES / ARTE RUPESTRE
AGENDAMINASGERAIS2017 35
COMPROMISSO
COM O
FUTURO
36 AGENDAMINASGERAIS2017
VARGINHA•PASSOS•POÇOSDECALDAS•POUSOALEGRE•ITAJUBÁ

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Revista Agenda Minas 2017 - Tema: Cidade Criativa. Cidadania Ativa

  • 3. AGENDAMINASGERAIS2017 3 EDITORIAL Uma agenda criativa para Minas Gerais Pela primeira vez, os mineiros receberam uma edição do Agenda Minas. O grupo de seminários que se propõe a discutir não apenas os problemas de uma determinada localidade, como, também as eventuais soluções, teve início há quatro anos no Estado de São Paulo e tem sido marcado pela excelência dos convidados e pela participação permanente da plateia. Este ano, na estreia do Agenda Minas, propusemos discutir o tema “Cidades Criativas”. O assunto é especialmente importante, porque representa uma alternativa real para que comunidades e regiões possam encontrar novas formas de desenvolvimento. Nas próximas páginas, damos exemplos práticos de diversas cidades e regiões, brasileiras ou não, que conseguiram, por meio da ecobonia criativa, criar caminhos que resultaram em um forte incremento das suas economias. Para falar sobre cidades criativas, convidamos a maior especialista brasileira sobre o assunto, a economista, urbanista e consultora das Nações Unidas, Ana Carla Fonseca. Ao longo das edições de Varginha, Poços de Caldas, Passos, Pouso Alegre e Itajubá, ela apresentou o tema, mostrou exemplos e sobretudo, fomentou discussões que reuniram representantes do poder público e sociedade. E foi desses debates que surgiu o espírito dos Agenda: ideias. Ideias concretas e que possam ser usadas para mudar uma comunidade. O Agenda Minas é uma realização da OA Eventos, uma empresa do Grupo EPTV. Conta ainda com a participação da Diretoria de Relações Institucionais do grupo na organização e parceria da Diretoria de Jornais e Mídias Digitais, quem atua no Interior do Estado de São Paulo com o jornal A Cidade (Ribeirão Preto) e os sites ACidade ON (Ribeirão, Araraquara, São Carlos e Campinas). O evento conta ainda com o apoio institucional da EPTV. EXPEDIENTE ORGANIZADORES Antonio Carlos Coutinho Nogueira José Bonifácio Coutinho Nogueira Filho André Coutinho Nogueira José Bonifácio Coutinho Nogueira Neto Paulo Brasileiro Josué Suzuki Rafael Gomes Pedro AurélioVaroni de Carvalho Vitória Jordão Fernanda Freitas Fernanda Caribé José Manuel Lourenço Edição: José Manuel Lourenço Textos: Magson Gomes Edição de fotos: Mariana Martins Tratamento de imagens: Mariana Martins Editor de arte: DanielTorrieri GRUPO EPTV PRODUÇÃO REVISTA AGENDA 2017
  • 5. AGENDAMINASGERAIS2017 5 Conforto e rapidez para você. Interligação aérea para Minas Gerais. Desenvolvimento econômico para todos. Com o Voe minas Gerais, VoCê tem aCesso a Voos de ida e Volta entre Belo Horizonte e 15 Cidades mineiras. Confira os desContos e Condições espeCiais: • Na compra de ida e volta, desconto fixo de r$ 100,00 no bilhete de retorno, independentemente do trecho escolhido. • desconto de 10% nas compras feitas com, pelo menos, 30 dias de antecedência. • desconto de 20% nas compras a partir de cinco passagens no mesmo voo. seja a turismo ou a neGóCios, Viaje na melHor CompanHia: a CompanHia dos mineiros. adquira sua passagem pelo site www.voeminasgerais.com.br ALMENARA | ARAÇUAÍ | ARAXÁ | BELO HORIZONTE | CARATINgA | DIAMANTINA | MANHUAÇU | PARACATU PASSOS | PATOS DE MINAS | POÇOS DE CALDAS | POUSO ALEgRE | TEÓFILO OTONI | UBÁ | VARgINHA | VIÇOSA
  • 7. AGENDAMINASGERAIS2017 7 O PROBLEMA CIDADES EM BUSCA DE SOLUÇÕES Entre agosto e dezembro deste ano, cinco cidades receberam a 1ª Edição do Agenda Minas. O objetivo do conjunto de seminários foi discutir novas formas de pensar soluções para problemas que, tradicionalmente, afetam os municípios.Todos os debates foram conduzidos pela urbanista, economista e consultora das Nações Unidas, Ana Carla Fonseca, com a palestra“Cidades Criativas, Cidadania Ativa”. E, ao final das apresentações, ficou claro que, em um mundo em que as formas tradicionais de trabalho estão sendo repensadas com uma velocidade cada vez maior, a criatividade é um bem precioso para que cidades e regiões possam encontrar novas formas de fortalecer as suas economias. É o que vamos discutir nas próximas páginas.
  • 8. 8 AGENDAMINASGERAIS2017 CRIATIVA Os cinco seminários do Agenda Minas tiveram como tema“Cidades Criativas, Cidadania Ativa”, com apresentações da economista, urbanista e consultora da ONU, Ana Carla Fonseca OndeO Agenda Minas foi realizado entre agosto e dezembro deste ano em Varginha, Poços de Caldas, Passos, Pouso Alegre e Itajubá Agenda 2017 reuniu pensadores de cinco cidades do sul de Minas Qual é a receita para que uma cidade se torne criativa e fortemente marcada pela inovação? Os caminhos são variados, mas dois ingredientes sempre se destacam: investimentos permanentes em cultura e inovação. Essa foi uma das conclusões que surgiram durante o Agenda Minas 2017, um conjunto de seminários que discutiu os problemas e buscou apontar soluções para o desenvolvimento das cidades. Realizados entre agosto e dezembro deste ano, o evento teve como palestrante a economista e urbanista Ana Carla Fonseca, uma das referências nacionais em cidades criativas. Ao lado dela, diversos profissionais de instituições de ensino e de negócios do sul de Minas, mostraram que a criatividade pode ser uma ferramenta importante para criar novas formas de desenvolvimento local. Em todos os debates, uma das conclusões a que chegaram os palestrantes convidados teve a ver com a importância da cultura. “A nossa história reflete uma ideia de desenvolvimento com forte viés econômico, que desconsiderou a cultura. Na nossa história, cultura sempre foi vista como perfumaria, como algo secundário. E não é”, disse Ana Carla.
  • 9. AGENDAMINASGERAIS2017 9 Primeiro passo deve ser a busca pela alma de uma cidade ou região A cultura foi destacada pelos participantes do Agenda Minas como um dos principais elementos para que uma cidade se transforme em criativa. E, um dos primeiros passos para que isso ocorra, segundo Ana Carla Fonseca, deve ser descobrir quais são as singularidades locais, aquelas características que definem um determinado lugar, de forma inequívoca, na mente de quem ali mora e de quem o visita. “Essa busca pela alma do lugar, aquilo que lhe é singular, é o que vai indicar qual a direção que pretende tomar rumo a uma cidade criativa”, disse. A cultura é essencial, também, para que um local se torne interessante para atrair a matéria-prima de uma cidade criativa, que são os talentos criativos. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos, há três anos mostrou que um dos pontos que os talentos criativos mais buscam em uma cidade, ao lado de uma infra-estutura que lhes permita obter bons salários, é a diversidade cultural. Assim, longe de ser perfumaria, qualquer projeto de desenvolvimento para o século 21 passa pela capacidade das comunidades e dos seus gestores de investirem em cultura. Na nossa história, cultura sempre foi vista como perfumaria, algo secundário, e não é. ANA CARLA FONSECA CONSULTORA DAS NAÇÕES UNIDAS GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
  • 10. 10 AGENDAMINASGERAIS2017 ESSÊNCIA Um dos grandes desafios de qualquer localidade no século 21 será descobrir a sua essência, a sua especificidade, para transformá-la em uma marca. Uma das maiores cidades do mundo fez isso I NYQuer ver um exemplo legal de uma marca identificando uma cidade? O slogan“I Love Nova York”, com o coraçãozinho no lugar da palavra ‘Love’. DIVULGAÇÃO A importância da marca para se agregar valor a uma comunidade Dentre os vários pontos abordados por Ana Carla Fonseca nas suas diversas apresentações, um deles chamou a atenção: a necessidade de se criar uma marca. “Fiquei surpresa com o manancial de informações que já estão sendo discutidos aqui em Minas”, disse. “É uma surpresa que vocês ainda não tenham criado uma marca que seja o reflexo do que é a cidade”, disse. O caminho para isso, segundo Ana Carla Fonseca, é fazer com que a história e a cultura locais se tornem a base de algo que possibilite “um olhar para o futuro”. “É algo quase sinestésico. A gente pensa, por exemplo, em Passos ou Varginha, e vem uma sensação que só elas têm. Isso caracteriza a alma e é algo poderosíssimo para transformar a cidade em sua essência básica”, afirmou. Nas páginas 30 a 33, você pode acompanhar exemplos de cidades ou regiões que conseguiram extrair as suas essências e transformá- la em marcas e, claro, em valor. Entre eles está o bairro de Barracas, uma antiga área degradada de Buenos Aires, que foi recuperada para se tornar um local de referência cultural. O segredo? Planejamento e uma administração municipal capaz de apresentar propostas inovadoras. Uma das consequências foi a volta da autoestima dos moradores daquela região da capital argentina.
  • 11. AGENDAMINASGERAIS2017 11 As cidades devem se preparar para as novas formas do trabalho Um estudo da revista britânica ‘The Economist’, publicado em janeiro de 2015, aposta que o trabalho do futuro será automatizado, criativo e disperso. Essas alterações no modo como se vai trabalhar vão exigir das cidades uma atenção maior a um bem que pode se tornar a matéria -prima do futuro: o talento criativo. Ao mesmo tempo, deve haver sempre presente a percepção de que qualquer lugar pode se tornar um ambiente de trabalho. “Nunca se fez tanta reunião em cafeterias, praças e outros lugares, que não nos escritórios. Como é que preparamos as cidades para essa nova realidade? Vamos ter wi-fi gratuito, espaço na praça coberto para que a luz não atrapalhe o laptop? Como fica a questão da segurança? Como é que se pode transformar as cidades em locais mais propícios a esse trabalho criativo?”, pergunta Ana. A busca pela criação dessa ‘ambiência propícia’ à criação, onde as pessoas se sintam mais à vontade para criar e para se relacionar com o outro será, segundo a urbanista, um dos principais desafios para qualquer cidade que queira se tornar uma cidade criativa. E, segundo Ana Carla, o futuro a que se refere a Economist não está tão distante assim: chegará em duas a três décadas. Nunca se fez tanta reunião em cafeterias, praças, fora dos escritórios. Como preparar as cidades para essa nova realidade? ANA CARLA FONSECA ECONOMISTA E URBANISTA
  • 12. 12 AGENDAMINASGERAIS2017 CICLOVIA NA AVENIDA HENRY NESTLE, EM RIBEIRÃO PRETO Criatividade é indispensável. E, para que ela floresça, é imprescindível a existência de administrações públicas criativas 1994Foi quando nasceu o conceito de economia criativa, herdado do projeto australiano ‘Creative Nation’ MATHEUSURENHA/ACIDADE Não há receita pronta, mas o poder público é ingrediente vital Os seminários mineiros revelaram uma realidade desconcertante: não há uma receita pronta para que uma cidade se torne criativa. No entanto, há ações que são indispensáveis para que isso aconteça. Para o inglês Charles Landry - uma das referências mundiais ao se falar do tema - uma cidade deve ser criativa por completo. “Minha lógica tem sido que os outros setores ou grupos, como a classe criativa, só podem florescer quando a administração pública é imaginativa, onde há inovações sociais, onde a criatividade existe em áreas como saúde, serviços sociais e mesmo política e governança”. Assim, a criatividade é algo que deve se estender a toda a sociedade. E, o vetor privilegiado para que isso aconteça chama-se cultura. Como disse Ana Carla: “Economia criativa é uma fusão da cultura com a economia do conhecimento, como se tentássemos reconciliar essas duas partes do cérebro com os quais a gente sempre trabalhou mas que, de alguma forma, foram vistas como separadas ao longo dos dois últimos séculos, a estética e a funcionalidade. Ou a gente junta as duas para resolver oportunidades que surgem ou não saímos do lugar”.
  • 13. AGENDAMINASGERAIS2017 13 Criatividade gera valor e é uma arma eficaz na luta contra o R$ 1,99 Quer saber uma das mais importante características da economia criativa? Ela se apresenta como uma alternativa real à luta pelo produto de preço baixo, fruto da “globalização galopante” e da concorrência acirrada, que tende a fazer com que tudo fique mais parecido. “A alternativa a brigar em cima de preço baixo é brigar em cima de algo que tenha valor agregado e inovação. Como a gente vê isso? Por exemplo, as quinze marcas mais valiosas do mundo têm muita ciência e tecnologia embutida, como é o caso de Apple, GE, Microsoft, Cisco, Google etc, ou trabalham com narrativas, formas diferentes de apresentar uma mesma história, como a Disney ou a Coca-Cola”, disse. Como aplicar esses princípios aqui, às nossas cidades? O primeiro passo é descobrir, por exemplo, como se trabalham melhor as narrativas da cidade, quais são essas narrativas e que histórias podem ser embutidas nos produtos e serviços daqui? A resposta indicada pela urbanista foi: a própria história da cidade. “Essa história tem de ser mais bem conhecida, não só para os outros como também para os que estão aqui”. A alternativa a brigar em cima de preço baixo é brigar em cima de algo que tenha valor agregado e inovação. ANA CARLA FONSECA ECONOMISTA
  • 14. 14 AGENDAMINASGERAIS2017 O DEBATE MINAS E AS SUAS MUITAS FACES CRIATIVASA primeira edição do Agenda Minas revelou que a população tem muito o que dizer e que, igualmente importante, existem representantes políticos dispostos a ouvir. Um exemplo disso ocorreu no seminário de Passos, em outubro, quando o debate da plateia com os palestrantes acabou por se tornar uma grande discussão de ideias, com projetos e propostas apresentados, entre municípios vizinhos. Situações idênticas ocorreram, em maior ou menor grau, emVarginha, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Itajubá. A seguir, listamos algumas dessas situações.
  • 16. 16 AGENDAMINASGERAIS2017 GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE VARGINHA Seminário enfatizou a necessidade de todos os atores trabalharem em conjunto Varginha abriu a série de cinco seminários do Agenda Minas. Além da palestrante convidada, Ana Carla Fonseca, fizeram parte da mesa de debates o gerente regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Juliano Cornélio, o arquiteto e urbanista Wesley Medeiros e o sociólogo Renato Clepf. O ponto principal surgido das discussões foi a necessidade de se fortalecer as ligações entre os diversos atores que trabalham com a criatividade. Juliano Cornélio, aliás, citou um ponto comum a todos os seminários, inclusive os ocorridos no Estado de São Paulo: o papel vital que as universidades têm para o aprofundamento de parcerias que tragam mais desenvolvimento local (veja na próxima página). O sociólogo Renato Clepf sustentou que os investimentos na indústria criativa devem ultrapassar as fronteiras municipais e ter como base a criação de polos regionais de desenvolvimento. O arquiteto Wesley Medeiros destacou a necessidade de se pensar em alternativas criativas para a periferia da cidade. Para isso, ele apontou para a existência de vários “espaços de desejo” dessa população, áreas da cidade sem infraestrutura, mas que são apropriadas por moradores como espaços lúdicos. 18/8Foi a data de realização do Agenda Minas emVarginha, noTeatro Mestrinho. Entre as autoridades presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal, Zacarias Piva, o vice-prefeitoVerdi Lúcio Melo e representantes do governo do Estsado e de diversos municípios da região CONVIDADOS A mesa de debates da edição de Varginha do Agenda Minas teve como palestrantes convidados Wesley Medeiros (esq.), Renato Clepf (centro) e Juliano Cornélio
  • 17. AGENDAMINASGERAIS2017 17 JULIANO CORNÉLIO UNIVERSIDADES O gerente regional do Sebrae defendeu um papel mais presente das universidades na produção de alternativas para o desenvolvimento local. “As universidades não podem ficar trancadas atrás dos seus muros. É importante que elas abram esses muros, que estejam mais próximas das comunidades e dos próprios empresários”, afirmou. Para ele, o papel que o meio acadêmico pode trazer para a construção de uma cidade criativa está ligado, sobretudo, à sua capacidade de produzir inovação. WESLEY MEDEIROS ESPAÇOS DE DESEJO Um dos argumentos mais surpreendentes do Agenda Varginha veio do urbanista Wesley Medeiros. Ele se referiu à capacidade de os moradores da periferia, por falta de opções de cultura e lazer, criarem os próprios espaços lúdicos, inclusive com uma infraestrutura básica que lhes permita usufruir desses locais. A sugestão vinda do urbanista foi uma maior proximidade do poder público em relação à população da periferia e o estabelecimento de formas de parcerias que permitam a criação e melhorias de espaços de lazer, cultura e esportes nesses locais. RENATO CLEPF PENSAR REGIONAL O sociólogo Renato Clepf defendeu a criação não apenas de uma cidade criativa, mas de uma região criativa. Segundo ele, não se pode restringir a oferta de soluções para dentro das divisas municipais, mas em um contexto mais amplo. “Ao se pensar o desenvolvimento de uma economia criativa não podemos levar em conta apenas a cidade. Esse pensamento deve, necessariamente, ter uma base regional”, afirmou. Além disso, ele defendeu a necessidade de uma política de economia criativa permanente, independente de mudanças partidárias. GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE 2016No Agenda Araraquara do ano passado, um dos pontos levantados pelo cientista político Milton Lahuerta foi a necessidade de se trabalhar,“de forma mais produtiva”, a relação entre o poder público local, empresariado e universidades que, juntos, produziriam o que chamou de uma agenda para o futuro As universidades não podem ficar trancadas atrás dos seus muros. JULIANO CORNÉLIO GERENTE REGIONAL DO SEBRAE
  • 18. 18 AGENDAMINASGERAIS2017 GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE POÇOS DE CALDAS Mudança do perfil passa pela capacidade de estabelecer parcerias com vizinhos A maior cidade do sul de Minas sediou a segunda edição do Agenda Minas. Na abertura do evento, o gerente Regional da EPTV, Paulo Brasileiro, comentou que o papel da emissora é promover discussões para integrar toda a região, criando oportunidades de desenvolvimento. O representante do governo de Minas, Reginaldo Roberto da Silva, destacou a importância da iniciativa para toda a região. Ainda no momento de abertura, o prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Azevedo (PSDB), reforçou que o Brasil precisa encontrar novos caminhos e mudar a forma de administrar; que a cidade não pode ser uma ilha, e deve buscar parceiros para soluções criativas. “Poços de Caldas vai crescer quando as cidades ao lado crescerem, só assim a nossa região vai mudar”, disse. Um dos pontos interessantes do debate foi o compromisso, assumido pelo prefeito, de acolher e pôr em prática propostas ligadas à economia criativa que lhe sejam enviadas. Além da apresentação da urbanista, economista e consultora das Nações Unidas, Ana Carla Fonseca, participaram da mesa de debates o jornalista Juliano Silva, integrante do Convention Bureau local, a urbanista Adriana Almeida Mathes e a empresária e relações públicas Gisele Ferreira. 22/9Foi quando o Espaço Cultural da Urca recebeu o Agenda Minas, edição Poços de Caldas DEBATE Participaram da mesa de debates o jornalista Juliano Silva (dir.), integrante do Convention Bureau local, a urbanista Adriana Almeida Mathes (centro) e a empresária e relações públicas, Gisele Ferreira
  • 19. AGENDAMINASGERAIS2017 19 JULIANO SILVA ESTRATÉGIAS COMUNS O jornalista Jliano Silva frisou a necessidade de poder público, sociedade e empresariado desenvolverem projetos comuns. Segundo ele, a falta de coordenação entre esses projetos gera desperdícios que poderiam ser evitados com o trabalho conjunto. “É preciso ter ações com objetivos comuns. Às vezes, nós, a prefeitura e os empresários estamos fazendo projetos idênticos, que acabam sendo iniciativas isoladas, que funcionariam muito melhor se estivéssemos juntos”, afirmou. GISELE FERREIRA EDUCAÇÃO Criadora da Feira do Livro e do Festival Literário, Gisele Ferreira defendeu a aplicação de projetos na educação, como forma de transformação de uma comunidade. “É importante pensarmos na importância da educação como um elemento de mudança. As pessoas precisam ler, refletir sobre ideias para que possam compreender e transformar, de forma positiva, o local onde vivem. Tudo começa com a educação e, especialmente, com a leitura”, concluiu. ADRIANE MATHES PATRIMÔNIO A arquiteta Adriane de Almeida Mathes teve como ponto principal da sua apresentação a defesa de políticas públicas em questões do patrimônio histórico. “O patrimônio é a minha paixão, não porque eu goste de coisa velha - como é a imagem comum que se tem dele - mas porque é nele que me reconheço, que conheço a minha história”, afirmou. “É importante porque, o que se fala aqui é de um povo que acaba se reconhecendo na sua própria história”. GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE PERTENCIMENTOUma pesquisa do IPCCIC (Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais), realizada em 2016 por um grupo multidisciplinar da entidade, mostrou que o ribeirão-pretano não tem uma relação de pertencimento com a sua cidade. Parte da pesquisa foi apresentada no Agenda Ribeirão 2016. As pessoas precisam ler, refletir sobre ideias para que possam compreender e transformar o local onde vivem. GISELE FERREIRA EMPRESÁRIA
  • 20. 20 AGENDAMINASGERAIS2017 GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE POUSO ALEGRE Em tempos de crise, o recurso à criatividade pode ser uma arma indispensável para o crescimento A Câmara Municipal de Pouso Alegre foi o local escolhido para abrigar o quarto seminário do Agenda Minas 2017. Com a presença do secretário-executivo para a Região Sul dos Fóruns Regionais, Ercílio Lorena e o vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Dalmo Ribeiro Silva, além de diversos representantes políticos da região, o evento em Pouso Alegre teve como um dos pontos de discussão o uso da criatividade pelas administrações locais. “Este encontro veio em um momento muito importante, que é o de escassez de recursos e a palavra que deve predominar agora é criatividade”, afirmou o prefeito Rafael Simões. “Eu ando pela rua e todo mundo me para para apresentar soluções, com a maior boa vontade do mundo, mas quando você analisa chega à conclusão que não há recursos. Então, é nesse momento em que a criatividade assume uma importância maior”, concluiu o prefeito. O presidente da Câmara, Adriano César Pereira Braga, ressaltou o fato de o Agenda Minas estar sendo realizado na Casa de Leis, que é um espaço por excelência, dedicado ao debate. “Nós devemos ter sempre presente a comunidade, porque é em nome dela que trabalhamos. Por isso, é importante que possamos manter sempre canais abertos de participação popular”, disse. 24/11A quarta edição do Agenda Minas foi realizada na Câmara Municipal de Pouso Alegre MESA A jornalista Mariana Sayad, o músicoWolf Borges e a professora da Universidade Federal do Sul de Minas, Lúcia Helena Silva, formaram a mesa de debates da edição de Pouso Alegre do Agenda Minas
  • 21. AGENDAMINASGERAIS2017 21 MARIANA SAYAD UMA CIDADE COM TRADIÇÃO CULTURAL A jornalista Mariana Sayad, co-fundadora do Observatório Luneta, foi uma das integrantes da mesa de debates. A jornalista apontou a ligação da cidade com a criatividade, tendo como ponto de partida o conservatório de música local, construído há cerca de 60 anos. Um dos pontos de destaque da sua apresentação foi um fator apontado como ausente nos seminários das demais cidades: o trabalho conjunto. “O mais bacana dos nossos coletivos e associações é que, muitas vezes, um dele faz uma ação, mas envolve todos os outros. Então, uma ação pequena acaba ganhando uma dimensão maior, por causa disso”, afirmou. WOLF BORGES CULTURA BEM MAIS PRÓXIMA DO CIDADÃO Quem também participou da mesa de debates foi o músico Wolf Borges. Citou projetos desenvolvidos por ele que aliam música com debates em espaços públicos e bares da região, de modo a que todos tenham acesso a arte. Um dos pontos destacados pelo música foi mostrar a existência de uma diferença grande entre aqueles que fazem arte em cidades do interior do estado e do país e os demais artistas, que trabalham em cidades maiores ou capitais. Segundo ele, a arte em cidades menores permite que o artista possa estar mais próximo daqueles que são os seus consumidores. LÚCIA HELENA SILVA POLÍTICAS VOLTADAS PARA OS JOVENS A professora do Instituto Federal de Educação do Sul de Minas Gerais, Lúcia Helena Silva, lembrou de como o sul do Estado tem atributos para se desenvolver cada vez mais, graças ao número de instituições de ensino que abrangem todas as áreas do conhecimento. Para a professora, não é possível admitir que tantos jovens vão embora da região depois de formados. Um dos pontos destacados, então, seria a criação de políticas públicas que permitam fazer com que a população jovem de uma localidade se sentir estimulada a permanecer nela. GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE
  • 22. 22 AGENDAMINASGERAIS2017 GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE PASSOS Plateia sugere criar selo para a produção de móveis rústicos com madeira de demolição A edição de Passos do Agenda Minas foi realizada no dia 20 de outubro, no Teatro Rotary. O evento contou com grande participação da plateia e, principalmente, ficou marcado pela troca de experiências entre representantes de diversas administrações municipais da região. Nas três horas de debates, a plateia permaneceu no teatro, participando com sugestões e, em alguns casos, já costurando ideias para serem postas em prática. Uma das mais interessantes disse respeito a um dos ícones da cidade, que é a produção de móveis rústicos a partir de madeiras de demolições. A sugestão foi criar uma nova identidade para essa característica local, a partir do seu histórico com esse tipo de móveis, e fazer com que, a partir daí, pudesse ser criada uma marca e novas formas de se agregar valor à experiência local na produção desses utensílios. Assim como os móveis, os famosos docinhos de leite embalados em palha também foram lembrados, sobre a necessidade de se criar uma identidade própria. Por fim, outro ponto destacado no Agenda Minas foi a necessidade de a cidade melhorar o seu aspecto visual. PROPOSTAS Os palestrantes convidados em Passos foram a gerente do Sebrae, Fabiana Rocha e o gamificador de cidade, Diego Gazola 20/10O beloTeatro Rotary foi o local escolhido para a realização do terceiro seminário do Agenda Minas, em Passos
  • 23. AGENDAMINASGERAIS2017 23 2011Foi o ano de criação do Participatory City, uma parceria da BMW com o Museu Guggenheim, que visava conhecer as cem principais tendências urbanas do futuro. O projeto terminou em 2014 FABIANA RODRIGUES ROCHA CAPACITAR LÍDERES LOCAIS E REGIONAIS A gerente de projetos do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Fabiana Rodrigues, foi uma das integrantes da mesa de debates, ao lado de Diego Gazola e Ana Carla Fonseca. Além de falar do trabalho do Sebrae na região, ela levantou uma questão interessante, ligada à formação de lideranças locais. “Há dois anos, começamos em Passos um movimento, que chamamos de Programa Líder, com duração de dois anos, do qual participaram 35 lideranças de oito municípios, pensando o desenvolvimento do sudoeste de Minas”, afirmou. Segundo ela, a partir da capacitação foi criado um plano de desenvolvimento com foco no agronegócio, educação, turismo e que também contemplava uma das principais indústrias locais, que é a de móveis rústicos. DIEGO GAZOLA TIRAR O MÁXIMO DAS POTENCIALIDADES O segundo integrante da mesa de debates do Agenda Minas, Diego Gazola, profissional que trabalha com gamificação de cidades do sul de Minas Gerais. A atividade usa princípios de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado em determinadas áreas. A sua apresentação foi baseada na apresentação de diversos projetos de que participou, tanto no Estado como em outros locais do País. Com base nesses projetos, ele afirmou que Passos tem um potencial enorme para o desenvolvimento de projetos na área de economia criativa. Entre as ideias destacadas pelo gamificador estão a criação de parklets (pequenas áreas de lazer criadas em vagas de estacionamento), a exemplo do que já acontece em Poços de Caldas e Alfenas. GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE Hoje, a palavra principal para qualquer município é inovação CARLOS RENATO REIS PREFEITO DE PASSOS
  • 24. 24 AGENDAMINASGERAIS2017 GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE ITAJUBÁ Região tem potencialidades enormes, mas é preciso gente capacitada para as revelar “No momento em que o País atravessa uma crise nunca antes vista, é uma alegria poder receber um evento como este, realizado pela EPTV, que destaca o uso da criatividade na gestão pública. Tenho certeza que todos saíram daqui com a cabeça muito mais aberta em relação ao que podemos fazer em tempo de dificuldades”. As palavras do prefeito em exercício de Itajubá, Joel Carlos de Almeida, deram o tom para o quinto e último seminário do Agenda Minas. Um dos pontos que surgiram do debate no Teatro Municipal Christiane Riêda é que o sul de Minas possui potencialidades enormes que ainda podem ser exploradas por meio da economia criativa. Esse, aliás, foi um dos destaques da intervenção feita pela professora Lúcia Helena Silva, do Instituto Federal do Sul de Minas, ao enfatizar a necessidade de se organizar projetos conjuntos, que reúnam poder público, sociedade e o meio empresarial (veja ao lado). “Eu vejo uma região com muitas possibilidades, muitas potencialidades, com um grau alto de formação de massa crítica, então é preciso que a gente possa fazer algo em conjunto para explorar essas potencialidades”, afirmou Lúcia Helena. ACADEMIA A mesa redonda em Itajubá foi formada pela professora do Instituto Federal do Sul de Minas, Lúcia Helena Silva, e a ex-secretária de Cultura de Itajubá e mestre em Administração, Caroline de Miranda Borges 8/12O último seminário do Agenda Minas foi realizado noTeatro Municipal Christiane Riêra, em Itajubá.
  • 25. AGENDAMINASGERAIS2017 25 42%É o percentual de artistas do sexo feminino, cadastradas em um banco de dados municipal sobre cultura, em Itajubá LÚCIA HELENA SILVA É PRECISO SABER PENSAR DIFERENTE Um dos pontos mais importantes do debate da edição de Itajubá do Agenda Minas foi apontado pela professora do Instituto Federal do Sul de Minas. Segundo Lúcia Helena Silva, os diversos setores da economia criativa podem representar uma “grande oportunidade” para que o município e a região possam ter ganhos significativos em termos de qualidade de vida. “Não podemos falar de economia criativa sem falarmos dos criadores e, para isso, precisamos estimulá-los a ver onde estão as oportunidades. Muitas vezes, por estarmos envoltos no ambiente, a gente não consegue perceber as diferenças, então vamos pensar diferente, porque algo que é rotineiro para mim pode significar algo singular e que pode gerar renda e trabalho”, afirmou. CAROLINE DE MIRANDA BORGES É PRECISO SABER OLHAR DIFERENTE A mestre em Administração e ex-secretária de Cultura de Itajubá, Caroline de Miranda Borges, também afirmou que, muitas vezes, o fator que pode alterar o perfil de uma cidade ou região está na forma de perceber as suas qualidades de maneira diferente. “Em alguns momentos, nós temos que quebrar tradições, abrir a mente e receber o que é diferente”, afirmou. Segundo ela, a cultura é uma das ferramentas mais importantes para que um determinado local possa dar esse salto à frente, principalmente pela relação histórica que existe entre o município de Itajubá e a cultura. “Precisamos recuperar a nossa história, descobrir os nossos valores endógenos e, feito isso, encontrar caminhos sobre como a cultura pode contribuir para o crescimento da economia local”, afimou. GIOVANIRODRIGUES/ARTERUPESTRE Em alguns momentos, temos que quebrar tradições, abrir a mente e receber o que é diferente. CAROLINE BORGES MESTRE EM ADMINISTRAÇÃO
  • 26. 26 AGENDAMINASGERAIS2017 AS IDEIAS CRIATIVIDADE AO ALCANCE DE TODOS“Uma cidade criativa demanda infraestuturas que vão além do hardware – edifícios, ruas ou saneamento. Uma infraestrutura criativa é uma combinação de hard e soft, incluindo a infraestrutura mental, o modo como a cidade lida com oportunidades e problemas; as condições ambientais que ela cria para gerar um ambiente e os dispositivos que fomenta para isso, por meio de incentivos e estruturas regulatórias”. (Charles Landry, pesquisaador inglês e criador do conceito de cidades criativas, no final da década de 1980)
  • 28. 28 AGENDAMINASGERAIS2017 Nãoadianta sóinvestir emeconomia senão ocorrerem investimentos emqualidade devida. ANA CARLA FONSECA TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NÃO SÃO SUFICIENTES Uma cidade que se pretende criativa deve ter a capacidade de atrair profissionais criativos. Mas, para isso, tem de investir (muito) na qualidade de vida desses profissionais A sua cidade quer ser criativa? Tecnologia e a capacidade de gerar inovação são pontos importantes. No entanto, se não forem feitos investimentos na qualidade de vida dos cidadãos, a receita desanda. Nas suas apresentações, a economista Ana Carla Fonseca citou o estudo de uma agência norte-americana de recrutamento de talentos, apontando o que esse profissional prioriza na busca por um local de trabalho. O estudo mostrou que itens como ‘qualidade de vida’ e ‘diversidade [cultural, étnica etc.]’ têm tanto peso na escolha de um local de trabalho como ‘perspectivas de carreira’. “Não adianta só investir em economia se não ocorrerem investimentos em qualidade de vida. Sem isso, o talento cai fora”, disse. E, para Ana Carla, o meio mais eficiente de se aumentar a qualidade de vida nas cidades é com a prática da cidadania ativa. “Pode parecer utópico, mas se as pessoas não se adonarem das cidades, elas acabam se tornando reféns de quem está sentado na cadeira da gestão municipal, seja de que partido for”, concluiu.
  • 29. AGENDAMINASGERAIS2017 29 cidades criativas 300 milé o número de pessoas atualmente empregadas na Argentina em setores que são considerados criativos 2,7%é o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil relacionado com a contribuição dada pelos segmentos criativos no País, em 2011
  • 30. 30 AGENDAMINASGERAIS2017 DIVULGAÇÃO BUENOS AIRES O bairro de Barracas, na região Oeste de Buenos Aires, virou um caso de sucesso mundial, ao passar de uma região depauperada para um local de referência cultural. Afinal, o que foi feito ali? O nome do bairro vem de um conjunto de barracões do século 18 que, com o tempo, ficaram abandonados e ajudaram a aumentar o processo de degradação da área. Há alguns anos, no entanto, a administração portenha tomou uma decisão paradoxal: utilizou essa região, completamente sem vocações e abandonada e incentivou a instalação de estúdios de design e a vinda de artistas de diversas áreas. Com o passar do tempo, Barracas deixou de ser uma das piores áreas de Buenos Aires para se tornar uma referência municipal de criação e design. Na realidade, tornou-se o principal cluster criativo da capital argentina. O impacto da experiência em Barracas foi tamanho que Buenos Aires foi incluída em uma seleta lista de cidades criativas em design, elaborada pela Unesco. MARIPÁ O Brasil também tem diversas experiências bem-sucedidas ligada ao conceito de cidades criativas. Uma delas está no interior do Paraná, em uma cidadezinha de seis mil habitantes chamada Maripá, conhecida como Cidade das Orquídeas. Como se chegou a isso? Apesar de ter a economia fortemente ligada à agricultura, os moradores de Maripá queriam que a cidade fosse conhecida de outra forma. E, o que a pequena localidade tinha de diferente? Após muitas conversas, os moradores descobriram que todo mundo adorava orquídeas. Achado o ponto comum, o próximo passo foi a construção de viveiros dessa planta ornamental. Isso aconteceu há cerca de duas décadas. Hoje, a cidade organiza uma das maiores feiras de orquídeas do Estado, reunindo mais de 25 mil pessoas nos seus três dias de duração. “O segredo de Maripá - e de diversas cidades tidas como criativas - é a capacidade de se descobrir esse tipo de especificidade, coisas que estão lá e que ainda não achamos olhos para ver”, concluiu Ana Carla Fonseca.
  • 31. AGENDAMINASGERAIS2017 31 ARARAQUARA Uma idéia apresentada no Agenda Araraquara, em 2016, foi a adoção, na cidade, do guia GPS (Gestão Pública Sustentável), uma espécie de cartilha com informações para prefeituras sobre planejamento, gestão e tomada de decisões na administração pública. O GPS contém ainda indicadores e planos de metas que estão ligados ao desenvolvimento sustentável. NOVA YORK O Participatory City foi um projeto conjunto da BMW com o Museu Guggenheim, que existiu entre 2011 e 2014 em Nova York, Mumbai e Berlim. O objetivo era conhecer as cem principais tendências urbanas do futuro. Na prática era um grande “think tank”, instituto destinado a explorar novas idéias e desenvolver projetos “visionários” para a vida nas cidades. ZARAGOZA La Colaboradora é um espaço de trabalho voluntário compartilhado, em Zaragoza, que torna possível a colaboração entre empreendedores e projetos empresariais. Todos os serviços têm o mesmo valor e o tempo gasto por um profissional em um projeto, que não o seu, é “depositado” em um banco de horas. Com esse crédito, ele pode solicitar o trabalho de outro voluntário, pelo mesmo número de horas. SÃO PAULO Tornar a cidade criativa requer grandes ações. Mas, o que caracteriza o espírito de uma cidade assim, são as pequenas iniciativas. Uma proposta do projeto Sampa Criativa prevê uma parceria entre os principais concessionários de serviços públicos da capital paulista e os praticantes de corridas de rua. A ideia é torná-los uma espécie de fiscais de problemas comuns das cidades, como bueiros entupidos, fugas de gás ou semáforos com problemas. A viabilização desse projeto se dá com a utilização de celulares ou relógios com GPS, carregados pelos corredores durante a prática do esporte. Ao passarem por algum local com problemas como os que foram citados, eles enviariam uma mensagem para a concessionária correspondente, com informações sobre o problema e as coordenadas com a localização. A proposta foi enviada pelo Sampa Criativa à Prefeitura de São Paulo, Câmara dos Vereadores e Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.
  • 32. 32 AGENDAMINASGERAIS2017 NOVA YORKO número de terrenos baldios no bairro nova-iorquino do Brooklyn foi o ponto de partida do projeto 596 Acres, elaborado para lhes dar um fim social. O número, aliás, se refere à quantidade de terra pública considerada disponível pela Prefeitura de Nova York no bairro. O 596 Acres (2,4 milhões de metros quadrados) torna públicos os dados sobre essas áreas e organiza comunidades para que possam dar uma destinação social a esses terrenos ou, até mesmo, comprá-los. A iniciativa hoje já é replicada em outras cidades americanas, como Los Angeles. PARISO projeto cria iniciativas para tornar a capital francesa mais criativa e atraente. Entre elas estão um concurso para arquitetos desenvolverem projetos inovadores em áreas conhecidas - definidas pela Prefeitura - e a adoção de ferramentas digitais que permitem participação do cidadão em certos níveis de decisões dos gestores municipais. DIVULGAÇÃO
  • 33. AGENDAMINASGERAIS2017 33 RIO DE JANEIRO Na Rocinha, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, uma solução criada pela comunidade está funcionando como Correios. A empresa Carteiro Amigo (foto), criada em 2000, entrega as correspondências nas casas de moradores de uma maneira simples: os moradores se inscrevem para o serviço com um valor mensal de R$16 por família e usam o endereço da empresa como seu próprio. Quando suas correspondências chegam, um carteiro do Carteiro Amigo entregam-nas em suas portas. Segundo informações da empresa, cerca de 30 mil casas usam o serviço. ITÁLIADuas empresas italianas, aproveitaram a dificuldade da maioria das pessoas em aceitar os grandes painéis solares e criaram uma alternativa interessante: telhas solares. Feitas em cerâmica, como as tradicionais, mas cada uma tem quatro células fotovoltáicas acopladas. Segundo um dos fabricantes, um telhado completo ou parcialmente coberto com essas telhas pode satisfazer as necessidades de energia de uma família. O problema, por enquanto, é o custo dos produtos, que proporcionalmente ainda é superior ao de um painel solar no país. SÃO CARLOS O Instituto Direito à Cidade foi criado em 2013 dentro da UFSCar e é formado por 11 núcleos de pesquisa, que trabalham em seis grandes áreas (social, econômica, política, cultural, urbana e ambiental). Vinculado ao Observatório Cidadania, Cultura e Cidade, tem duas características importantes: a multidisciplinaridade e a aproximação dos seus trabalhos de agentes públicos. Existe um núcleo independente em Araraquara. EUAA iniciativa surgiu em 2009, nos Estados Unidos. É uma ONG formada por profissionais de diversas áreas, sobretudo tecnologia, que desenvolvem aplicativos destinados a aproximar a gestão pública das comunidades. O objetivo é sempre procurar manter parcerias com administrações públicas, sobretudo as municipais, para torná-las mais transparentes, eficientes e abertas à participação da sociedade. 38º LUGAR É a posição de São Paulo, em um total de 40, no índice de cidades com capacidade de atrair empresas e talentos criativos
  • 34. 34 AGENDAMINASGERAIS2017 ENVOLVIMENTO As cinco edições do Agenda Minas (Varginha, Poços de Caldas, Passos, Pouso Alegre e Itajubá) foram marcadas pela participação ativa da plateia. Um dos destaques foi a discussão de ideias entre representantes dos poderes públicos locais, que evoluíram para o agendamento de reuniões para discutir pautas comuns entre municípios da mesma região EU FUI... FOTOS GIOVANI RODRIGUES / ARTE RUPESTRE