Secretaria de Estado do
                   Meio Ambiente


                           &

                Universidade de Sheffield




SUSCETIBILIDADE A PROCESSOS GEODINÂMICOS E
     VULNERABILIDADE DE AQÜÍFEROS À
  CONTAMINAÇÃO: APLICAÇÃO A TERRENOS DA
    REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS

               Relatório Técnico




             São Paulo, abril de 2003
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
                 Geraldo Alckmin


        Secretaria de Estado do Meio Ambiente
                    José Goldemberg


                  Instituto Geológico
             Sonia Aparecida Abissi Nogueira




          UNIVERSIDADE DE SHEFFIELD




                   Relatório Técnico



SUSCETIBILIDADE A PROCESSOS GEODINÂMICOS E
     VULNERABILIDADE DE AQÜÍFEROS À
  CONTAMINAÇÃO: APLICAÇÃO A TERRENOS DA
    REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS




                       São Paulo
                     abril de 2003
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                        aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                                              EQUIPE TÉCNICA
                                                              EQUIPE TÉCNICA


                                                                 Coordenação Geral
Cláudio José Ferreira & Paulo César Fernandes da Silva (Instituto Geológico)


                                        Coordenação do Relatório Técnico
                                       Amélia João Fernandes (Instituto Geológico)


                                                                                 Execução
                                       Amélia João Fernandes (Instituto Geológico)
                                         Cláudio José Ferreira (Instituto Geológico)
                          John C. Cripps (Universidade de Sheffield, Reino Unido)
                                         Lídia Keiko Tominaga (Instituto Geológico)
                                               Mara Akie Iritani (Instituto Geológico)
                                               Maria José Brollo (Instituto Geológico)
                           Paulo César Fernandes da Silva (Instituto Geológico)
                                              Ricardo Vedovello (Instituto Geológico)


                                 i

                       INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                  aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                                 SUMÁRIO
                                                 SUMÁRIO




1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 1
   1.1. Justificativas e Histórico .............................................................................. 1
   1.2. Objetivos e Área de Estudo .......................................................................... 1
2. METODOLOGIA ................................................................................................ 3
   2.1. Abordagem metodológica ............................................................................. 3
   2.2. Etapas metodológicas .................................................................................. 4
       2.2.1. Compartimentação fisiográfica do terreno ............................................... 4
           a) Seleção do produto de sensoriamento remoto .......................................... 4
           b) Delimitação de compartimentos fisiográficos ............................................ 5
           c) Avaliação de homogeneidade e de similaridade ......................................... 5
           d) Trabalhos de campo ............................................................................... 6
           e) Finalização do mapa de Unidades Básicas de Compartimentação ................ 6
       2.2.2. Caracterização geoambiental .................................................................. 6
           a) Identificação dos fatores de análise ......................................................... 6
           b) Obtenção de dados e definição das classes dos fatores de análise .............. 6
           c) Sistematização das informações sobre as UBCs ......................................... 7
       2.2.3. Avaliação geoambiental ......................................................................... 7
           a) Definição das classes da carta final .......................................................... 7
           b) Definição das regras de classificação das UBCs ......................................... 7
           c) Avaliação das UBCs e cartografia final ...................................................... 7
3. APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NAS ÁREAS PILOTO (REGIÃO METROPO-
LITANA DE CAMPINAS) ....................................................................................... 9
   3.1. Compartimentação fisiográfica do terreno ...................................................... 9
       a) Seleção do produto de sensoriamento remoto .............................................. 9
       b) Compartimentação da área de estudo .......................................................... 10
       c) Avaliação de homogeneidade e de similaridade ............................................. 12
       d) Trabalhos de campo ................................................................................... 12
       e) Finalização do mapa de Unidades Básicas de Compartimentação .................... 13
   3.2. Caracterização geoambiental ......................................................................... 18
       a) Identificação dos fatores de análise ............................................................. 18

                                                           ii

                                                 INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                        aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



        b) Obtenção de dados e definição das classes dos fatores de análise .................. 21
        c) Sistematização das informações sobre as UBCs ............................................. 28
    3.3. Cartografia temática final .............................................................................. 29
        a) Definição das classes da carta final .............................................................. 29
        b) Definição das regras de classificação das UBCs ............................................. 29
        c) Avaliação das UBCs e cartografia final .......................................................... 36
4. DISCUSSÃO ..................................................................................................... 46
5. CONCLUSÕES ................................................................................................... 49
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 51




ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1. Mapa de localização das áreas de estudo ............................................................... 2
Figura 2. Ilustração a partir de imagem TM-Landsat (bandas 3, 4, 5) e compartimentos
fisiográficos delimitados para as Áreas T3 e T4, considerando as relações texturais associadas
a elementos de drenagem .................................................................................................... 11
Figura 3. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T3 ............................................... 15
Figura 4. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T4 ............................................... 16
Figura 5. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T3 .......................................... 23
Figura 6. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T4 .......................................... 24
Figura 5. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T3 ............................ 40
Figura 6. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T4 ............................ 41
Figura 7. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T3 ................ 43
Figura 8. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T4 ................ 44


ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1. Exemplo de características texturais nas imagens utilizadas para a diferenciação de
UBCs na Região Metropolitana de Campinas ........................................................................... 13
Tabela 2A. Codificação das UBCs nas áreas piloto T3 e T4 correspondente às 3 primeiras letras
do código de identificação ..................................................................................................... 17
Tabela 2B. Exemplos de códigos atribuídos às UBCs .............................................................. 17
Tabela 3. Variação de vulnerabilidade para diversos grupos litológicos de rochas cristalinas
(Fernandes & Hirata 2003) ................................................................................................... 19
Tabela 4. Evolução tectônica cenozóica para a região de Campinas, segundo Fernandes (1997)
e Fernandes & Amaral (2002) ............................................................................................... 25
Tabela 5. Atribuição de notas aos parâmetros utilizados para a derivação de classes de
Fraturamento ....................................................................................................................... 26


                                                                    iii

                                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                       aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



Tabela 6A. Tabela de descrição completa da área T3 ............................................................ 30
Tabela 6B. Tabela de descrição completa da área T4 ............................................................. 32
Tabela 7A. Tabela síntese da área T3 ................................................................................... 34
Tabela 7B. Tabela síntese da área T4 .................................................................................. 35
Tabela 8A. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a
vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos .......................................................................... 37
Tabela 8B. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a
suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais .............................................................. 38
Tabela 9. Possíveis combinações das notas A, M e B, relativas aos quatro fatores de análise, e
as classes finais de avaliação ................................................................................................. 39
Tabela 10. Vulnerabilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a vulnerabilidade
resultante da somatória da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa) ..... 39
Tabela 11. Suscetibilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a suscetibilidade
resultante da somatória da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa) ..... 42


ÍNDICE DE FOTOS
Fotos de campo. (1) a (5) ................................................................................................ 14




                                                                  iv

                                                       INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                                                              1.. INTRODUÇÃO
                                                                              1 INTRODUÇÃO




1..1.. JUSTIFICATIVAS E
1 1 JUSTIFICATIVAS E                                    O Instituto Geológico, da Secretaria do
                                                        Meio Ambiente do Estado de São Paulo,
HISTÓRICO
HISTÓRICO                                               tem desenvolvido projetos de zoneamento
                                                        geoambiental, desde 1993, onde terrenos
Ao longo das últimas décadas, as ativida-               têm sido avaliados quanto a potencialida-
des de engenharia e planejamento têm                    des e fragilidades. Nos últimos anos o Ins-
incorporado de forma crescente os con-                  tituto tem adotado a abordagem fisiográfica
ceitos de qualidade ambiental e de desen-               para avaliações que identificam áreas com
volvimento sustentável, na medida em que                variada adequabilidade para determinados
procuram prevenir situações adversas ou                 tipos de uso e atividades, tais como dispo-
minimizar os possíveis impactos da ação                 sição de resíduos sólidos e áreas de ex-
antrópica (Cendrero 1990; Bell 1993;                    pansão urbana.
Bennett & Doyle 1998).

O zoneamento geoambiental, que consiste
em dividir o terreno em zonas com certa
homogeneidade em relação aos elementos
                                                       1..2.. OBJETIVOS E ÁREA DE
                                                       1 2 OBJETIVOS E ÁREA DE
componentes do meio físico, pode ser útil              ESTUDO
                                                       ESTUDO
para diferentes propósitos como aqueles
aplicados ao planejamento e aos projetos                Com a finalidade de consolidar e aprimorar
de engenharia, uma vez que tais zonas                   a estratégia metodológica para a avaliação
homogêneas apresentam respostas espe-                   de terrenos, o Instituto Geológico tem bus-
cíficas às solicitações da atividade huma-              cado a integração entre diferentes áreas
na.                                                     do conhecimento, tais como Geologia,
                                                        Geotecnia e Hidrogeologia. Tal esforço
Dentre as metodologias existentes para o                institucional inclui a especialização do
zoneamento geoambiental, a abordagem                    quadro técnico através de contato com
fisiográfica baseia-se no princípio de que a            setores atuantes na gestão ambiental, e
interação dos elementos geoambientais                   intercâmbio técnico com instituições e or-
(geologia, geomorfologia, topografia, ve-               ganismos similares nacionais e internacio-
getação e clima) reflete-se no aspecto fisi-            nais. Como resultado deste esforço, o Ins-
onômico do terreno. Esta suposição per-                 tituto Geológico, em cooperação com a
mite afirmar que zonas com características              Universidade de Sheffield, e contando com
homogêneas refletem terrenos constituídos               apoio financeiro do Fundo de Projetos Am-
por elementos geoambientais semelhan-                   bientais do Ministério das Relações Exteri-
tes. Através deste raciocínio, diversos au-             ores do Reino Unido (The Foreign Com-
tores (Bell et al. 1987; Mitchell 1991; Bell            monwealth Office), promoveu um programa
1993; Vedovello 2000) sugerem que tal                   de visitas técnicas visando a identificação
abordagem oferece meios racionais de                    de interesses mútuos e a criação de um
correlacionar áreas conhecidas com                      arcabouço institucional para o desenvolvi-
aquelas desconhecidas e então, estimar,                 mento de futuros projetos com cooperação
com razoável precisão, as condições do                  internacional. Tal programa também incluiu
terreno.                                                o desenvolvimento do presente projeto,
                                                        cujos objetivos foram:


                                                   1

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                             aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



  ▪ Implementar a metodologia de com-                      considerada uma das áreas críticas do
  partimentação fisiográfica, proposta por                 Estado de São Paulo em termos de plane-
  Vedovello (1993, 2000), para a avalia-                   jamento territorial e gestão ambiental.
  ção de terrenos em contextos geológi-
  cos e geomorfológicos diversificados.                    Dentro da RMC, foram selecionadas duas
                                                           áreas, T3 e T4 (Figura 1), envolvendo
  ▪ Incorporar técnicas inferenciais para                  materiais geológicos e contextos geomor-
  identificar e mapear descontinuidades                    fológicos distintos. A Área T3 está situada
  tectônicas potencialmente ocorrentes no                  a apenas poucos quilômetros a nordeste
  terreno, utilizando modelo tectônico re-                 da cidade de Campinas, cobrindo aproxi-
  gional previamente proposto.                             madamente 80 km2. Esta área é constituí-
                                                           da por rochas pré-cambrianas gnáissico-
  ▪ Estimar a suscetibilidade a proces-                    graníticas, que sustentam uma topografia
  sos geodinâmicos superficiais e vulne-                   acidentada, na maioria representada por
  rabilidade à contaminação da água                        morros e morrotes com significativa decli-
  subterrânea, considerando, inclusive, os                 vidade. A Área T4 está localizada nas pro-
  efeitos das descontinuidades tectônicas.                 ximidades do Parque Industrial de Paulínia,
                                                           a cerca de 15 km a noroeste da cidade de
O presente projeto foi desenvolvido na                     Campinas, e abrange aproximadamente
Região Metropolitana de Campinas (RMC)                     192 km2. Esta é constituída por rochas
onde avaliações prévias do terreno têm                     fanerozóicas sedimentares e ígneas que
sido conduzidas pelo Instituto Geológico                   sustentam relevos suaves de colinas, além
desde 1993. Esta região encontra-se em                     de planícies aluviais relativamente exten-
pleno desenvolvimento econômico e é                        sas.




         BRASIL




                                                                                            T4
                                                                                            T4
                                 SÃO
                                PAULO
                                                                              REGIÃO
                                                                          METROPOLITANA              T3
                                                                                                     T3
                                                                           DE CAMPINAS




 Figura 1. Mapa de localização das áreas de estudo



                                                      2

                                            INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                           aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



                                                                            2.. METODOLOGIA
                                                                            2 METODOLOGIA




                                                         utilização deste tipo de abordagem na ava-
2..1.. ABORDAGEM
2 1 ABORDAGEM                                            liação de terrenos permite a elaboração de
METODOLÓGICA
METODOLÓGICA                                             um produto cartográfico único, onde os
                                                         elementos ambientais (acima citados) são
A utilização de informações sobre o meio                 representados e individualizados em uni-
físico é essencial para fundamentar a for-               dades que refletem limites fisiográficos
mulação e a implementação de políticas                   (não apenas limites funcionais demarcando
públicas, ações de planejamento, ativida-                variações de um determinado parâmetro
des e instrumentos de gestão ambiental.                  ou propriedade), o que facilita ações de
Tais informações apresentam grande im-                   planejamento territorial.
portância na avaliação de terrenos, uma
vez que os elementos fisiográficos (solo,                Na abordagem paramétrica, cada parâ-
rocha, relevo, vegetação) que compõem o                  metro ou informação temática é processa-
terreno interagem de forma variável, de-                 da individualmente para posterior integra-
terminando diferentes condições de com-                  ção. Dessa forma, são elaborados produ-
portamento frente às ações antrópicas.                   tos cartográficos referentes a cada parâ-
                                                         metro ou tema, os quais podem ser anali-
Analisando a literatura técnica internacio-              sados individualmente ou em combinações
nal sobre os métodos de avaliação de ter-                específicas, dependendo do tipo de aplica-
renos, Vedovello (2000) identifica duas                  ção e objetivo do estudo e, por vezes com
abordagens operacionais básicas para a                   atribuições de pesos. O procedimento para
espacialização de dados e informações                    elaboração de mapa de síntese final pode
sobre os terrenos: fisiográfica e paramé-                envolver diferentes estratégias que vão
trica.                                                   desde a simples superposição de informa-
                                                         ções (soma cartográfica) até mecanismos
 A abordagem fisiográfica, também de-                    de pontuação com base no conhecimento
nominada abordagem de paisagem, ele-                     intuitivo ou modelos estatísticos.
mentos componentes do terreno são iden-
tificados e analisados de forma integrada.               Autores como Mitchell (1991), Bennett &
Os componentes fisionômicos do terreno,                  Doyle (1997) e Vedovello (2000) conside-
são analisados principalmente através de                 ram que a prática de ambos os procedi-
fotointerpretação, com o intuito de identifi-            mentos, e suas respectivas características
car unidades de terreno com característi-                cartográficas, têm apontado para uma
cas distintivas. Estas unidades refletem                 vantagem da abordagem fisiográfica ou de
associações específicas de elementos am-                 paisagem sobre a paramétrica, em termos
bientais (geologia, relevo, solo, vegetação              de custos, de tempo de execução, e de
e clima), cuja expressão reflete padrões                 aplicabilidade.
morfo-ambientais recorrentes e distinguí-
veis tanto em imagens (de satélite e foto-               Exemplos de estudos que se beneficiam
grafias aéreas) quanto no próprio terreno.               da abordagem fisiográfica incluem: IG-
As unidades identificadas desta maneira                  SMA (1996 e 1999), Fernandes da Silva et
são então caracterizadas quanto às pro-                  al. (1997), Brollo et al. (2000 e 2002), Sou-
priedades e características geológico-                   za (2000), Brollo (2001), Fernandes da
geotécnicas e avaliadas em termos de                     Silva (2003, incluído neste CD-ROM). A
diagnósticos e prognósticos ambientais. A                estes trabalhos somam-se outros estudos

                                                    3

                                          INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



referentes a diferentes aspectos do meio                do terreno, tais como permeabilidade,
físico da Região Metropolitana de Campi-                erodibilidade e escavabilidade.
nas: IG-SMA (1993, 1995 e 2002), Yoshi-
naga-Pereira (1996) e Fernandes (1997).                 Na etapa de Avaliação Geoambiental
                                                        ocorre a análise e classificação das UBCs
                                                        segundo os objetivos da avaliação e com
                                                        base nas propriedades e características do
2..2.. ETAPAS
2 2 ETAPAS                                              terreno.
METODOLÓGICAS
METODOLÓGICAS                                           Nos sub-itens a seguir são descritos, con-
                                                        forme Vedovello (2000), os procedimentos
Em linhas gerais, a avaliação de terrenos               necessários para cada etapa metodológi-
segundo a abordagem fisiográfica inclui                 ca.
três etapas principais: (1) a compartimen-
tação do território em unidades fisiográfi-
cas; (2) a caracterização destas unidades
de compartimentação em termos de pro-                  2..2..1.. Compartiimentação fii-
priedades e características do terreno que             2 2 1 Compart mentação f -
interferem, condicionam ou são afetadas                siiográfiica do terreno
                                                       s ográf ca do terreno
pelas atividades humanas; e (3) a avalia-
ção destas unidades em termos de fragili-                 a) selleção do produto de sensorii-
                                                          a) se eção do produto de sensor -
dades (suscetibilidade a processos super-                                    amento remoto
                                                                             amento remoto
ficiais e vulnerabilidade de aqüíferos, por
exemplo), potencialidades geoambientais                 Para a seleção do produto de sensoria-
(cartas de aptidão), bem como de riscos e               mento remoto são levados em considera-
impactos geoambientais associados.                      ção:

Na etapa de Compartimentação Fisiográ-                      a) as características das imagens;
fica do Terreno efetua-se a delimitação de
zonas texturais homogêneas e distintas (de                  b) as características das áreas de estu-
áreas adjacentes) em imagens de satélite                    do (tipos de rocha e solo, tipo de relevo
ou fotografias aéreas. Em termos genéri-                    a serem potencialmente encontrados);
cos, as características texturais associam-
se a elementos de drenagem e de relevo.                     c) a escala dos produtos finais a serem
Estas zonas são denominadas de Unida-                       elaborados.
des Básicas de Compartimentação
(UBCs), e supõe-se que reflitam associa-                Além disso, devem ser analisadas outras
ções específicas de rochas, estruturas                  especificidades sobre as imagens, tais
tectônicas, materiais inconsolidados e tipos            como ângulo de elevação solar, cobertura
de relevo. Esta etapa independe do objeti-              de nuvens, azimute etc., que possam favo-
vo final da cartografia, que será considera-            recer e/ou dificultar a interpretação das
do somente na segunda e terceira fases.                 cenas. A seleção do melhor produto para a
                                                        análise, portanto, depende dos objetivos
Na etapa de Caracterização Geoambien-                   do estudo, da fisiografia da área e dos
tal são identificadas e sistematizadas as               elementos de análise e critérios que serão
características relevantes e necessárias                utilizados pelo intérprete.
para as avaliações a serem realizadas na
terceira etapa. Esta caracterização pode                A abordagem fisiográfica pode ser aplicada
ser feita com base em: (1) características              em diversas escalas e produtos de senso-
do terreno, tais como perfil e espessura                res remotos, tais como imagens de satélite
do material inconsolidado, rochas, estrutu-             ou de radar e fotografias aéreas. Em de-
ras geológicas, tipo de relevo e profundi-              corrência da escala do produto, os ele-
dade do nível d’água; e (2) propriedades                mentos texturais analisados também po-


                                                   4

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



dem variar. Assim, o elemento textural                  ção predominante ou ocorrência de múlti-
pode corresponder a feições naturais de                 plas direções devem determinar o caráter
drenagem e de relevo, ou simplesmente a                 isotrópico do arranjo textural.
feições tonais originadas por contraste de
sombreamento na imagem ou pelas pro-                    A assimetria dos elementos texturais diz
priedades dos próprios materiais imagea-                respeito à diferenças no arranjo espacial
dos.                                                    dos elementos texturais em relação a um
                                                        eixo ou qualquer feição que delimite duas
Para escalas regionais e semi-regionais                 porções aparentemente distintas na ima-
considera-se que os produtos do sensor                  gem em termos de atributos espaciais, e
TM-Landsat oferecem condições mais pro-                 que podem ser aferidos, por exemplo, pelo
pícias para a compartimentação fisiográfi-              comprimento de feições lineares ou pelas
ca, devido ao conjunto de características               relações direcionais e angu lares entre as
temporais, espectrais, espaciais e sinópti-             feições.
cas. Além disso, apresentam um grande
acervo de imagens disponível e com facili-              O procedimento de análise e delimitação
dade de aquisição em relação aos outros                 de compartimentos fisiográficos pressupõe
produtos (como imagens de radar, ima-                   uma correlação entre a textura da imagem
gens SPOT, fotografias aéreas, etc.).                   e as características geológicas e geomor-
                                                        fológicas do terreno, representados em
b) Delliimiitação de compartiimentos
b) De m tação de compart mentos                         diferentes níveis hierárquicos de compar-
                        fiisiiográfiicos
                        f s ográf cos                   timentação geralmente associados a por-
                                                        ções, unidades ou domínios da paisagem
O procedimento de compartimentação de                   com extensão de área progressivamente
uma área, através da análise de produtos                decrescente. Tal correlação é determinada
de sensoriamento remoto, consiste em                    pela escala do produto fotográfico analisa-
identificar na imagem divisões fisiográficas            do, de tal maneira que os níveis hierárqui-
em diferentes níveis hierárquicos de clas-              cos superiores, ou unidades maiores, são
sificação, relacionados às condições mor-               identificados pela análise da organização
fo-ambientais e morfogenéticas da região                espacial dos elementos texturais (formas e
estudada.                                               estruturas), como indicado nos parágrafos
                                                        anteriores. As unidades relativas ao nível
A identificação dos diversos compartimen-               hierárquico mais básico, para a escala do
tos fisiográficos é feita com base na análi-            produto utilizado, correspondem às Unida-
se de elementos texturais nas imagens,                  des Básicas de Compartimentação
geralmente associados a feições de relevo               (UBCs), cuja identificação é feita pela aná-
e de drenagem. Assim, identifica-se qual                lise do elemento também básico da ima-
elemento textural e quais organizações                  gem fotográfica, ou seja, o próprio ele-
deste (forma, estrutura, etc.) definem os               mento textural associado à drenagem ou
diversos níveis hierárquicos e suas res-                ao relevo. As UBCs podem ser caracteri-
pectivas unidades, traçando-se os limites               zadas e avaliadas para os mais diversos
com base na análise da homogeneidade,                   fins, mantendo, entretanto, seu significado
da anisotropia e da assimetria dos ele-                 e sua unicidade cartográfica. Constituem,
mentos analisados.                                      portanto, a base para armazenamento e
                                                        análise das informações, e conseqüente-
A anisotropia de elementos texturais asso-              mente, para definição de unidades geoam-
ciados ao relevo ou à drenagem refere-se                bientais.
à distribuição espacial desses elementos,
especialmente em termos direcionais. A                     c) avalliiação de homogeneiidade e
                                                           c) ava ação de homogene dade e
existência de uma ou mais direções prefe-                                      de siimiillariidade
                                                                               de s m ar dade
renciais determina um caráter anisotrópico
do arranjo espacial dos elementos textu-                Uma vez estabelecida a compartimentação
rais, enquanto a inexistência de uma dire-              preliminar da área estudada, a homoge-

                                                   5

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



neidade e a similaridade das unidades de                contexto fisiográfico e os respectivos níveis
compartimentação (zonas texturais delimi-               hierárquicos de compartimentação, ou
tadas na imagem) devem ser verificadas.                 mesmo, relações taxonômicas.

A verificação de homogeneidade é feita
com base na análise dos elementos textu-
rais utilizados na interpretação e extraídos                  2..2..2.. Caracteriização geo-
                                                              2 2 2 Caracter zação geo-
visual e manualmente da imagem para um                                             ambiientall
overlay. São consideradas homogêneas as                                             amb enta
áreas em que as características texturais
internamente à unidade apresentam-se                    Conforme destacado acima, as UBCs
persistentes em toda a sua extensão. A                  constituem a base para a avaliação do
ocorrência de heterogeneidades internas                 terreno. A etapa de caracterização geoam-
às unidades de compartimentação devem                   biental abrange os procedimentos descri-
determinar a sua subdivisão.                            tos a seguir.

A verificação da similaridade consiste em
                                                              a) Identiifiicação dos fatores de
                                                              a) Ident f cação dos fatores de
comparar as propriedades da forma e as                                                  análliise
                                                                                        aná se
estruturas dos elementos texturais entre os
compartimentos delineados em cada nível                 Uma vez delimitadas, as UBCs devem ser
hierárquico. Assim áreas que apresentam                 caracterizadas de acordo com os objetivos
propriedades texturais e/ou estruturais si-             do estudo e o tipo de produto de avaliação
milares, em um mesmo nível hierárquico,                 geoambiental a ser obtido. Assim, o primei-
devem ser classificadas sob a mesma de-                 ro passo consiste em identificar quais fato-
nominação.                                              res do meio físico (tipos de relevo, rochas,
                                                        estruturas tectônicas e solos, por exemplo)
               d) traballhos de campo
               d) traba hos de campo                    são determinantes de condições do terreno
                                                        necessárias à avaliação geoambiental e
Trabalhos de campo devem ser realizados                 cartografia final.
para a verificação das unidades de com-
partimentação obtidas pela análise de ima-                b) Obtenção de dados e defiiniição
                                                          b) Obtenção de dados e def n ção
gens. Tal verificação objetiva a confirma-                das cllasses dos fatores de análliise
                                                          das c asses dos fatores de aná se
ção e/ou o ajuste de limites foto-
interpretados, bem como a confirmação de                Os dados relativos aos fatores utilizados
características geoambientais e morfo-                  na classificação das diversas UBCs são
tectono-genéticas atribuídas aos diversos               obtidos através de correlação das proprie-
níveis de compartimentação das unidades.                dades texturais e tonais das imagens com
                                                        propriedades e características geoambi-
  e) fiinalliização do Mapa de Uniida-
  e) f na zação do Mapa de Un da-                       entais dos terrenos, trabalhos de campo, e
 des Básiicas de Compartiimentação
 des Bás cas de Compart mentação                        levantamento de dados prévios. A opção
                                                        por uma ou várias formas de aquisição de
Após a verificação de campo, o mapa de                  dados deve levar também em conta os
Unidades Básicas de Compartimentação                    recursos operacionais e financeiros dispo-
(UBCs) deve ser finalizado, através da                  níveis e o tempo necessário para a sua
transposição dos limites das UBCs do                    execução.
overlay para uma base topográfica compa-
tível. Esta transposição pode levar a algu-             As classes dos fatores são definidas de
mas adequações do traçado dos limites                   acordo com os tipos de avaliações a serem
com relação às curvas topográficas. O                   realizadas na terceira etapa de avaliação
mapa de UBCs apresenta todas as unida-                  geoambiental. Desta forma, os vários tipos
des identificadas e diferenciadas por uma               de rocha e solos que ocorrem em uma
sigla ou código, que geralmente reflete o               região podem ser agrupados ou divididos
                                                        em função do seu comportamento com

                                                   6

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



relação a, por exemplo, suscetibilidade a               b) defiiniição das regras de cllassiifii-
                                                        b) def n ção das regras de c ass f -
processos erosivos. Tratamento similar                                       cação das UBCs
                                                                             cação das UBCs
deve ser dado aos outros fatores de análi-
se.                                                    A definição dos critérios de avaliação ou
                                                       classificação consiste em estabelecer uma
c) Siistematiização das iinformações
c) S stemat zação das nformações                       relação entre os fatores analisados e seus
                      sobre as UBCs
                      sobre as UBCs                    respectivos valores ou categorias (classes
                                                       dos fatores) e as classes que irão compor
Os dados e informações, relativos aos fato-            a carta final. Esta relação deve refletir o
res de análise, obtidos na etapa anterior              tipo de influência que cada fator geoambi-
devem ser sistematizados e organizados                 ental exerce em um dado terreno para a
em um formato adequado para as análises                aplicação considerada, e é expressa por
subseqüentes. Assim, o seu conteúdo                    uma regra de classificação.
deve ser padronizado segundo classes
pré-determinadas (item “b” desta mesma                 Existem vários tipos de regras de classifi-
etapa), considerando-se sua utilização                 cação, podendo ser citadas:
para a avaliação geoambiental das UBCs.
Tais dados e informações devem ser ar-                     (1) tabelas de classificação ou matrizes
mazenados em tabelas ou bancos de da-                      de interação que procuram correlacionar
dos que as relacionem às respectivas                       os diferentes fatores analisados com as
UBCs. Este procedimento visa facilitar cor-                classes representadas no produto car-
relações e, consequentemente, a classifi-                  tográfico final;
cação final das unidades na etapa de ava-
liação geoambiental.                                       (2) estruturas de árvore lógica, onde
                                                           cada fator é analisado de forma a ex-
                                                           cluir hipóteses ou resultados que com-
                                                           petem entre si para selecionar um ca-
2..2..3.. Avalliiação geoambiientall
2 2 3 Ava ação geoamb enta                                 minho de decisão;

   a) defiiniição das cllasses da carta                    (3) atribuição de pesos e somatório de
   a) def n ção das c asses da carta
                                                           valores para as diferentes classes dos
                                   fiinall
                                   f na                    fatores de análise;
As classes que irão compor a carta final                   (4) acumulação de evidências a favor ou
devem refletir de forma simples e objetiva                 contra um determinado fator, em geral,
os diferentes limiares que determinam                      expressa em termos numéricos.
condições de maior ou menor fragilidade
e/ou potencialidade das UBCs para a aná-               A opção pelo tipo de regra de classificação
lise pretendida.                                       das UBCs deve ser feita a partir de uma
                                                       análise cuidadosa da relação entre os fato-
Em determinados casos, limites ou inter-               res e sua influência para a avaliação con-
valos de classes são definidos por meio de             siderada.
tratamento estatístico, com o intuito de
reduzir o grau de subjetividade para a de-                c) cllassiifiicação das UBCs e carto-
                                                          c) c ass f cação das UBCs e carto-
terminação das classes da carta final.
                                                                                    grafiia fiinall
                                                                                    graf a f na
Nestes casos, as classes e mesmo os fato-
res selecionados para a análise das unida-
                                                       A cartografia final consiste em classificar
des devem ser de natureza quantitativa, ou
                                                       cada UBC através da aplicação da regra
mensuráveis em alguma escala numérica
                                                       de classificação definida anteriormente. A
absoluta ou relativa (não-nominal).
                                                       classificação das UBCS pode ser feita di-
                                                       retamente pelo executor da cartografia ou
                                                       por meio de procedimentos informatizados.
                                                       No caso do uso de procedimentos informa-

                                                  7

                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                       aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



tizados, é necessário que os dados este-             forma que um determinado sistema espe-
jam sistematizados e armazenados em                  cialista possa aplicar a regra de classifica-
bancos de dados associados às UBCs, de               ção.




                                                8

                                      INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




   3.. APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NAS ÁREAS-PILOTO
   3 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NAS ÁREAS-PILOTO
              (REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS)
              (REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS)




                                                        descontinuidades tectônicas, com especial
A metodologia descrita no Item 2 foi apli-
                                                        ênfase nas descontinuidades de natureza
cada a duas áreas piloto denominadas T3
                                                        rúptil de idade cenozóica. Estas últimas
e T4 (Figura 1), as quais foram avaliadas
                                                        tem forte influência tanto na vulnerabilida-
quanto a suscetibilidade a processos
                                                        de de aqüíferos, destacando-se os de bai-
geodinâmicos superficiais e vulnerabili-
                                                        xa permeabilidade primária, como na gera-
dade de aqüíferos à contaminação. Es-
                                                        ção de rupturas às quais podem estar inti-
tas áreas inserem-se na Região Metropo-
                                                        mamente associados processos geodinâ-
litana de Campinas (RMC), constituída por
                                                        micos, tais como erosão e escorregamen-
rochas pré-cambrianas, a leste, e rochas
                                                        tos.
da Bacia do Paraná, a oeste, inseridas nos
domínios geomorfológicos do Planalto
Atlântico e da Depressão Periférica, res-
pectivamente.
                                                       3..1.. COMPARTIMENTAÇÃO
                                                       3 1 COMPARTIMENTAÇÃO
A região já foi alvo de vários estudos,                FISIOGRÁFICA DO TERRENO
                                                       FISIOGRÁFICA DO TERRENO
muitos deles realizados pelo Instituto Ge-
ológico, os quais produziram um significati-            Como mencionado anteriormente, a com-
vo volume de dados e informações em                     partimentação fisiográfica das áreas piloto
formato digital, tais como: mapas geológi-              T3 e T4 foi derivada de IG-SMA (1999) e
cos, mapas de lineamentos, mapas geo-                   os procedimentos utilizados são descritos
morfológicos, cadastros de poços tubula-                a seguir.
res, e cadastros de afloramentos (IG-SMA
1993, 1995, 1999 e 2002; Fernandes 1997;                  a) selleção do produto de sensorii-
                                                          a) se eção do produto de sensor -
Brollo 2001; Fernandes da Silva 2003). As                                    amento remoto
                                                                             amento remoto
informações geradas por estes estudos,
junto com informações colhidas em traba-                Os produtos utilizados neste estudo foram
lhos de campo, realizados no presente                   imagens de satélite TM-Landsat, em es-
projeto, foram utilizadas para caracterizar             cala 1:100.000, no formato papel e com as
as UBCs quanto aos fatores considerados                 seguintes órbitas/pontos e quadrantes:
relevantes, descritos no Item 3.2. A com-               219/076 A; 219/076 C; 220/076 D. As ce-
partimentação fisiográfica utilizada no pre-            nas utilizadas foram obtidas em duas pas-
sente projeto para as Áreas T3 e T4, cuja               sagens      diferentes,   27/07/1994    e
metodologia é descrita abaixo no item 3.1,              20/08/1997, respectivamente com ângulo
foi derivada do projeto “Metodologia para               de elevação solar de 31o e de 38o , e azi-
Seleção de Áreas para Tratamento e Dis-                 mute de 048o e de 051o .
posição Final de Resíduos Sólidos” (IG-
SMA 1999).                                              A compartimentação fisiográfica da área de
                                                        estudo foi obtida a partir da interpretação
Destaca-se que, no presente estudo, pro-                das cenas na banda 4 e na composição
curou-se avançar metodologicamente, nas                 colorida 3B/4R/5G. A banda 4 foi mais fa-
etapas de caracterização e avaliação de                 vorável à interpretação na região onde
terrenos, ao ser incorporada a análise de               ocorrem rochas do embasamento cristali-

                                                   9

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



no, enquanto a composição colorida favo-                flete o caráter de transição entre os subs-
receu a interpretação no domínio da Bacia               tratos rochosos do embasamento cristalino
Sedimentar do Paraná. As áreas piloto                   e da bacia sedimentar. A Área T4, por sua
utilizadas no presente estudo (T3 e T4)                 vez, está contida inteiramente no domínio
estão ilustradas na Figura 2.                           da bacia sedimentar.
                                                        A relação entre as características texturais
Especificamente para as Áreas T3 e T4 foi
                                                        na imagem e as unidades litológicas das
efetuada extração de linhas de drenagem
                                                        Áreas T3 e T4 são as seguintes:
e de relevo (cristas e quebras positivas e
negativas) foi efetuada em imagem digital                   ▪ Granitos e gnaisses graníticos
através de interpretação visual em tela de                  são caracterizadas pela ocorrência de
computador, utilizando o software Erdas                     alinhamentos de relevo e drenagem que
Imagine. Para tal, foi utilizado um recorte                 refletem lineamentos estruturais de di-
(1856 X 2625 pixels) da imagem Landsat                      reção NW e N-S. Esta estruturação da
TM5 (cena completa, órbita 219/076, pas-                    textura na imagem é mais evidente
sagem de 20.08.97, correção geométrica                      nestes litotipos do que nos demais que
através de convolução cúbica) com com-                      ocorrem na área. Apresentam formas de
posição colorida 3G/4B/5R. Esta imagem                      drenagem de alta densidade (em geral
foi geo-retificada com a utilização de 75                   > 3 km/km2), caracterizadas por aniso-
pontos de controle identificados em cartas                  tropia bidirecional, evidenciada em pa-
topográficas IBGE/Brasil, na escala                         drões angulares oblíquos e retangula-
1:50.000 (em papel). A precisão média                       res.
obtida foi de 32-37 metros (aproximada-
                                                            ▪ Gnaisses bandados, gnaisses xis-
mente 1 pixel).
                                                            tosos e granada-biotita-plagioclásio
                                                            gnaisses apresentam formas de drena-
  b) compartiimentação da área de
  b) compart mentação da área de                            gem do tipo subdendrítico, paralelo,
                           estudo
                           estudo                           subparalelo a angulado em alguns ca-
                                                            sos, de densidade média a alta, tendên-
A identificação de compartimentos fisiográ-                 cia predominantemente anisotrópica bi
ficos, realizada em IG-SMA (1999), foi feita                ou tridirecional (com uma das direções
com base na identificação de diferenças                     quase sempre associada à foliação).
texturais nas imagens, expressas pela dis-
tribuição e organização espacial de ele-                    ▪ Rochas miloníticas das zonas de
mentos texturais referentes à drenagem e                    cisalhamento são caracterizadas pelo
ao relevo nas imagens (tropia e assimetria                  alinhamento de cristas (quebras positi-
de formas e estruturas). A Figura 2 ilustra                 vas) e de drenagens (quebras negati-
algumas relações entre as formas texturais                  vas) segundo a orientação NNE, com
de drenagem e os compartimentos fisio-                      variações para N-S e NNW. Este grupo
gráficos delimitados para as Áreas T3 e                     de rochas apresenta um alto grau de
T4.                                                         estruturação com formas de drenagem
                                                            em padrão geométrico ou angular (treli-
Foram identificados dois grandes domínios                   ça, retangular, paralela) de alta densi-
fisiográficos, que correspondem, de forma                   dade, caracterizadas por anisotropia
geral, à Bacia Sedimentar do Paraná (B)                     predominantemente unidirecional.
e ao Embasamento Cristalino (C). A dis-
tinção destes dois domínios na imagem foi                   ▪ Associações litológicas predomi-
feita com base na assimetria das formas                     nantemente arenosas no domínio da
de drenagem, que são predominantemente                      Bacia Sedimentar do Paraná estão as-
geométricas (angulares) para o domínio C,                   sociadas a formas de drenagem predo-
e do tipo dendrítico-arborescente para o                    minantemente dendríticas, localmente
domínio B. Na Área T3, o limite entre estes                 radiais ou angulares, de baixa a média
dois domínios fisiográficos pode ser obser-                 densidade, tropias variáveis uni-, bi-, e
vado, sendo de natureza difusa, o que re-                   tri-direcionais a isotrópicas.


                                                   10

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                             aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                    Área T3                                                       Área T4
a                                                           b




c                                                           d




 e                                                           f




Figura 2. Ilustração a partir de imagem TM-Landsat (bandas 3, 4, 5) e compartimentos fisiográficos delimita-
dos para as Áreas T3 e T4, considerando as relações texturais associadas a elementos de drenagem. (a) e
(b) ilustram a rede de drenagem; (c) e (d) sobreposição da compartimentação fisiográfica sobre a rede de
drenagem; (e) e (f) compartimentos fisiográficos delimitados sobre as imagens de satélite



                                                      11

                                            INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



                                                            (unidirecionais, bidirecionais e isotrópi-
  ▪ Diabásios apresentam na imagem
                                                            cas) e de grau de estruturação (médio a
  de satélite alinhamento associado a
                                                            baixo), dependendo das unidades litoló-
  quebras positivas de relevo com ampli-
                                                            gicas ocorrentes.
  tude maior que as rochas sedimentares.
  Observou-se que nos locais onde a pe-
                                                            ▪ no domínio do embasamento cris-
  dogênese atuou com maior intensidade
                                                            talino, os relevos mais representativos
  sobre estas rochas, ocorrem formas de
                                                            incluem morrotes e morros, por vezes
  drenagem isotrópicas e de média densi-
                                                            em associações específicas. A diferen-
  dade.
                                                            ciação entre estes tipos de relevo foi
                                                            dada principalmente pela freqüência
  ▪ Associações litológicas predomi-
                                                            relativa de elementos texturais de relevo
  nantemente pelíticas (lamitos, argili-
                                                            (quebras positivas e negativas). Desta
  tos), incluindo siltitos, ritmitos e ocor-
                                                            forma, as referidas freqüências apre-
  rências de arenitos finos a muito finos,
                                                            sentam o seguinte comportamento: de
  situam-se em setores mais entalhados
                                                            média a alta nos morrotes e alta nos
  ou porções mais baixas do relevo, e a
                                                            morros. As densidades de drenagem
  densidade de drenagem é quase sem-
                                                            associadas são: média para os morrotes
  pre média a alta, com formas sub-
                                                            e alta para os morros.
  dendrítica a angular, anisotropias bi- ou
  tri-direcionais, com tendência isotrópica
                                                        A diferenciação entre as UBCs foi feita de
  em conteúdos mais arenosos.
                                                        acordo com a análise das propriedades da
                                                        forma dos elementos texturais (densidade,
  ▪ Aluviões são identificados por rup-
                                                        grau de estruturação, e ordem de estrutu-
  turas de declive suaves, que ocorrem
                                                        ração) (Tabela 1), às quais se relacionam
  principalmente na transição de colinas
                                                        associações específicas de: tipos rocho-
  amplas para o canal de drenagem.
                                                        sos; estruturas geológicas (fraturas, folia-
  Muitas vezes verifica-se mais de uma
                                                        ção); morfometria do relevo (declividade e
  ruptura de declive, em que a intermediá-
                                                        amplitude); perfis de alteração de solos; e
  ria relaciona-se a rampas coluvionares.
                                                        espessura de material inconsolidado.
Os tipos e as formas de relevo apresentam
                                                           c) avalliiação de homogeneiidade e
                                                           c) ava ação de homogene dade e
as seguintes relações com a textura na
imagem:                                                                        de siimiillariidade
                                                                               de s m ar dade

  ▪ no domínio da bacia sedimentar,                     Os procedimentos utilizados para a verifi-
  os principais sistemas de relevo identifi-            cação de homogeneidade e similaridade
  cados foram colinas amplas a médias e                 correspondem àqueles descritos no Item
  colinas pequenas. Em setores onde                     2.2.1.
  ocorrem colinas amplas a médias, os
  topos e as encostas convexas caracteri-                                    d) traballhos de campo
                                                                             d) traba hos de campo
  zam-se pela relativa ausência de drena-
  gem, sendo diferenciados a partir de                  Trabalhos de campo foram efetuadas nas
  rupturas de declive (elemento textural                Áreas T3 e T4, em compartimentos fisio-
  de relevo). As encostas côncavas e va-                gráficos previamente selecionados, com os
  les, além de sua identificação pelas                  seguintes objetivos:
  rupturas de declive, apresentam densi-
  dade de drenagem baixa e tropia pre-                      a) verificar a ocorrência de estruturas
  domi-nantemente unidirecional, perpen-                    tectônicas e efetuar avaliação geológi-
  dicular ao canal principal. Já os setores                 co-estrutural expedita enfocando a aná-
  de colinas pequenas apresentam média                      lise de esforços potencialmente gerado-
  densidade de drenagem e formas arbo-                      res de tais estruturas;
  rescentes. Ocorrem variações de tropia


                                                   12

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                              aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



Tabela 1. Exemplo de características texturais nas imagens utilizadas para a diferenciação de UBCs na Região
Metropolitana de Campinas.

                           PROPRIEDADES DAS FORMAS DOS ELEMENTOS TEXTURAIS
          UBC
                   Tipo de elemento                                           Grau de          Ordem de
                                    Densidade                Arranjo
                        textural                                            estruturação      estruturação

         BBP 8         Drenagem             Alta            Dendrítico           Alto                2

         COR 2         Drenagem             Alta            Dendrítico          Médio                1

         CSE 1         Drenagem          Muito alta         Retângular        Muito alto             2




   b) verificar no terreno as feições fisio-                    e) fiinalliização do Mapa de Uniida-
                                                                e) f na zação do Mapa de Un da-
   gráficas que determinaram a delimita-                       des Básiicas de Compartiimentação
                                                               des Bás cas de Compart mentação
   ção dos compartimentos na imagem,
   confirmando ou corrigindo limites foto-                   O Mapa de Compartimentação Fisiográfica
   interpretativos das UBCs;                                 das Áreas T3 e T4 (Figuras 3 e 4) contém
                                                             as Unidades Básicas de Compartimenta-
   c) aquisição de informações adicionais,                   ção (UBCs), identificadas segundo um có-
   especialmente sobre as características                    digo composto por três letras e um alga-
   geoambientais das unidades.                               rismo. Como pode ser observado na Ta-
                                                             bela 1, e mais especificamente nas Tabe-
A escolha de compartimentos a serem es-                      las 2A e 2B, a primeira letra representa o
tudados em detalhe considerou a extensão                     primeiro nível hierárquico da comparti-
em termos de área e a contigüidade dos                       mentação, correspondente ao domínio
compartimentos para fins de análise geo-                     fisiográfico regional; a segunda letra cor-
lógico-estrutural. Os trabalhos de campo                     responde à litologia predominante; e a ter-
incluíram o registro fotográfico das UBCs e                  ceira letra refere-se ao tipo de relevo pre-
respectivas feições de interesse fisiográfico                dominante.
e geotécnico verificadas em campo, como
ilustrado nas Fotos 1 a 5. As informações                    Nesta etapa, os limites resultantes da in-
obtidas foram agregadas às informações                       terpretação visual da imagem e transpos-
pré-existentes de projetos elaborados pelo                   tos para um overlay, foram compilados
Instituto Geológico na região (IG-SMA                        sobre um mapa topográfico base. Em al-
1993, 1995, 1999 e 2002).                                    guns casos, foi necessário ajustar os limi-
                                                             tes das UBCs às curvas de nível do mapa
                                                             topográfico.




                                                       13

                                             INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                              aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




         CRR2/ CRR3                              CSR3


                                                                            BAC1

                               CSA1



(A)




 (B)




 (C)




                                                                        s



                                                                        r


  (D)                                                        (E)

Fotos de campo. (1) Área T3. Vista geral a partir do Oeste mostrando o contraste entre os relevos de
colinas amplas e morrotes (compartimentos CSA1 e BAC1) e de morros a Noroeste e Leste da Área T3
(compartimentos CRR2, CRR3, e CSR3 ao fundo). (2) Área T3. Vertente leste do compartimento CRR2 com
cristas de relevo alinhadas e perfil de encosta retilíneo. (3) Área T3. Vertente oeste do compartimento CRR3
com arranjo angulado de interflúvios e perfil de encosta retilíneo. (4) Área T4. Processos erosivos no
compartimento BCP2 (martelo como escala). (5) Área T4. Perfil de solo no compartimento BGA1. Solo
superficial (s) e solo residual imaturo (r) preservando fraturas sub-verticais ENE.
                                                       14

                                             INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                          292.000 m                                                                         302.000 m
            7.478.000 m                                                                                              7.478.000 m

                                        CSA1
                                        CSA1                                CRR5
                                                                            CRR5
                                                                                              CRR2
                                                                                              CRR2

                                                                                                    CRR3
                                                                                                    CRR3
                                                                    CLR3
                                                                    CLR3
                                                       BAC1
                                                       BAC1




                             CSA2
                             CSA2                                                     COC3
                                                                                      COC3    ATI
                                                                                              BAI
                                                                     CLT1
                                                                     CLT1                     A

                                                           CLC1
                                                           CLC1                                      CSR3
                                                                                                     CSR3
                                      RIB
                                      EIR
                                      AO
                                                                                        RIO

                                            CNC1
                                            CNC1

                                              DAS   CNC2
                                                    CNC2                                                         80
                                                      ANHUMAS
            7.470.000 m                                                                                          0      7.470.000 m
                          292.000 m                                                                         302.000 m


                                                                                               Escala
                                                                                  1           0         1      2 Km




                            Convenções temáticas                         Convenções cartográficas

                                      Unidade Básica de                               Curva de nível
                             BAC1
                             BAC1
                                      Compartimentação (UBC)                          Drenagem
                                        Área não analisada
                                        Áreanão analisada
                                        Área não analisada                            Represas e lagoas
                                                                                      Ferrovia
                                        Área com uso
                                                                                      Rodovia
                                        urbano ou industrial



Figura 3. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T3




                                                                    15

                                                            INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                                           aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




               276.000 m                                                                                                                                              292.000 m
7.498.000 m                                                                                                                                                                                 7.498.000 m




                                                                                                                           600
                                                 60
                                                      0
                                                                                                          600
                                                                                                                                         BGA1(92)
                                                                                                                                         BGA1(92)
                                                                            BCP1
                                                                            BCP1
              600




                                                                                         BBP7
                                                                                         BBP7
                                                                                                                    600




                           BBP2
                           BBP2                    ING
                                                      UI                                           BCP2
                                                                                                   BCP2
                                               APIT
                                 RIBEIRAO
                                            PIR
                                                      BDA2
                                                      BDA2
                                                                                        BAP2
                                                                                        BAP2

                                                                                                            BAP1
                                                                                                            BAP1
                                                                        BDA1
                                                                        BDA1
                                                          BFA1
                                                          BFA1




                                                                                                                                                                 IA
                                                                                                                                                               CA
                                                                                                                                                             DU
                                                                                                                                                           AN
                                                                                               BAA1
                                                                                               BAA1




                                                                                                                                                          M
                                                                                                                                                        CA
                                                                            60
                                                                            0




                                                                                                                                                        O
                                                                                                                                                    RI
                           BBM3
                           BBM3                                                                                                                         RIO

                                                                                                                                                                      JA
                                                                                                                                                                           G
                                                                                                                                                                               U
                                                                                                                                                                                   AR
                                                                                                                                                                                        I




                                                                            600                                 BGA1(53)
                                                                                                                BGA1(53)



                                                                                                                                 0
                                                                                                                            60
                                                                                                    600
                            0
                            60




                                                                   60
                                                                        0
                                                                                                                                                  600
7.486.000 m                                                                                                                                                                                 7.486.000 m
              276.000 m                                                                                                                                           292.000 m


                                                                                                                                                Escala
                                                                                                                                     1      0                 1                    2 Km




                    Convenções temáticas                                    Convenções cartográficas

                                 Unidade Básica de                                     Curva de nível
                     BAA1
                     BAA1
                                 Compartimentação (UBC)                                Drenagem

                                 Área não analisada
                                 Área não analisada                                    Represas e lagoas
                                                                                        Ferrovia
                                 Área com uso
                                                                                        Rodovia
                                 urbano ou industrial



 Figura 4. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T4




                                                                                          16

                                                                                  INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



Tabela 2A. Codificação das UBCs nas áreas piloto T3 e T4 correspondente às 3 primeiras letras do código de
identificação. As letras L, N, O, R, e S referem-se a rochas granítico-gnáissicas Pré-Cambrianas; as letras A, B,
e C, a rochas sedimentares Paleozóicas; a letra D, a diabásios de idade Mesozóica; e as letras F e G, a rochas
sedimentares Terciárias.
   Domínio fisiográfico                                                                           Tipo de relevo
                                                Rocha predominante
        regional                                                                                  predominante
                                                     (2a letra)
        (1a letra)                                                                                   (3a letra)
                               A – Arenito médio a grosso, estratificados ou maciços
                               B – Intercalação de lamitos com seixos, ritmito e
                               arenito muito fino
                                                                                             A – Colinas amplas
                               C – Arenito fino laminado, por vezes maciço
B – Bacia Sedimentar                                                                         M – Colinas médias
                               D – Diabásio maciço de granulação fina
                                                                                             P – Colinas pequenas
                               F – Lamito e lamito arenoso maciço
                               G – Intercalação de siltito laminado, argilito e arenito
                               fino laminado
                               L – Granada–Sillimanita-Biotita Gnaisse xistosos com
                               intercalçações de gnaisses graníticos
                               N - Hornblenda-Biotita orto-gnaisse bandados onde
                                                                                             C – Colinas e morrotes
C – Embasamento Cristalino     se intercalam granitóides desde básicos a ácidos
                                                                                             R – Morros
Pré-cambriano                  O - Granada–Biotita-Plagioclásio Gnaisse bandado a
                                                                                             T – Morrotes
                               laminado e tendendo a xistoso.
                               R – Biotita Gnaisse Granítico
                               S – (Hornblenda)-Biotita Granito porfirítico



Tabela 2B. Exemplos de códigos atribuídos às UBCs.

   UBC                                          Significado dos códigos

          B (Bacia Sedimentar)

          A (Arenito: médio a grosso, predominantemente maciço, quartzoso, localmente feldspático )
  BAA1
          A (Colinas amplas, topos aplainados a convexos, declividade suave)

          1 (solo areno-argiloso variando para areno-siltoso em profundidade, espessura entre 1 e 5m, ver-
          tentes convexas, predominam arranjos uni-direcionais das linhas de drenagem e de relevo )

          C (Embasamento Cristalino)

          L (Granada–Sillimanita-Biotita Gnaisse Laminado)
  CLT1
          T (morrotes, topos estreitos e agudos, cristas alinhadas, declividade média)

          1 (solos arenosos a areno-siltosos, espessura maior que 4 m, vertentes côncavas, arranjos bi- e
          tridirecionais das linhas de drenagem e de relevo)




                                                         17

                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                           aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



                                                             trutura da rocha e das descontinuidades
3..2.. CARACTERIZAÇÃO
3 2 CARACTERIZAÇÃO                                           de natureza tectônica;
GEOAMBIENTAL
GEOAMBIENTAL
                                                             ▪ Solo (perfil de alteração) caracteri-
    a) Identiifiicação dos fatores de
    a) Ident f cação dos fatores de                          zado quanto às classes texturais, coe-
                              análliise
                              aná se                         são, compacidade, estrutura e espessu-
                                                             ra;
Tendo em vista o objetivo final do projeto,
ou seja, a avaliação de suscetibilidade a                    ▪ Tipo de relevo, neste caso, adotou-
processos geodinâmicos superficiais e da                     se a declividade por se tratar de um dos
                                                             fatores mais importantes da morfologia
vulnerabilidade de aqüíferos à contamina-
                                                             e passível de quantificação.
ção, os seguintes fatores foram considera-
dos relevantes para a análise a ser efetua-
                                                         A potencial influência de cada um dos fato-
da: litologia, descontinuidades de natureza
                                                         res analisados para as avaliações realiza-
tectônica, espessura e tipo de solo, declivi-
                                                         das é considerada nos parágrafos seguin-
dade e profundidade do nível d’água.
                                                         tes.
No caso da avaliação da vulnerabilidade
de aqüíferos, o método empregado consi-                  - LITOLOGIA
dera que a vulnerabilidade é função das
                                                         Com relação à vulnerabilidade de aqüífe-
seguintes características da zona não-
                                                         ros a propriedade mais importante das
saturada:
                                                         rochas corresponde à permeabilidade pri-
                                                         mária, a qual é bastante variável para se-
   ▪ capacidade de atenuação dos con-
                                                         dimentos e rochas sedimentares. Para as
   taminantes, a qual depende da profun-
                                                         rochas cristalinas, a permeabilidade primá-
   didade do nível d’água e da natureza
                                                         ria não é significativa, no entanto é im-
   composicional e textural da zona não-
                                                         portante considerar os seus produtos de
   saturada;
                                                         alteração, como descrito em Fernandes &
   ▪ acessibilidade hidráulica à zona sa-                Hirata (2003). Os granitos, por exemplo,
   turada, que depende da permeabilidade                 geram materiais de alteração de textura
   primária (granular) e secundária (dada                arenosa e friáveis. Por outro lado, gnaisses
   por fraturas) da zona não-saturada;                   de composição básica a intermediária ou
                                                         gnaisses xistosos, geram materiais mais
   ▪ capacidade de infiltração das águas                 argilosos e portanto de menor permeabili-
   pluviais, que considera a relação entre a             dade e maior capacidade de atenuação,
   declividade do terreno e da permeabili-               por adsorção dos contaminantes. Adicio-
   dade da camada superficial da zona-                   nalmente, as heterogeneidades dos gnais-
   não saturada.                                         ses (intercalação de tipos litológicos dis-
                                                         tintos, bandamento composicional, folia-
O método utilizado no presente estudo                    ção) favorecem o processo de dispersão
assemelha-se ao proposto por Foster &                    dos contaminantes.
Hirata (1988), o qual se alicerça na análise
das duas primeiras características mencio-               Assim áreas constituídas por gnaisses são
nadas acima.                                             consideradas menos vulneráveis que as
                                                         áreas constituídas por granitos. Fernandes
Já a avaliação da suscetibilidade a proces-              & Hirata (2003), como ilustrado na Tabela
sos de movimentos de massa e de escoa-                   3, sintetizam a variação da vulnerabilidade
mento superficial é baseada na interação                 para os vários tipos de rochas cristalinas
dos seguintes fatores:                                   quando se considera duas situações: uma
                                                         onde o manto de intemperismo é espesso,
   ▪ Substrato geológico caracterizado                   e outra onde ele é inexpressivo ou ausen-
   quanto ao tipo litológico, textura e es-              te. No caso do manto ser inexpressivo, o

                                                    18

                                          INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



Tabela 3. Variação de vulnerabilidade para diversos grupos litológicos de rochas cristalinas (Fernandes & Hirata
2003).

Grupos litológicos de                                                           Manto de intemperismo inexpressivo
                        Manto de intemperismo expressivo
rochas cristalinas                                                              e/ou rocha aflorante

                        Meta-calcários e meta-dolomitos                         Meta-calcários e meta-dolomitos

                        Rochas vulcânicas recentes                              Rochas vulcânicas recentes

                                                                                Rochas metassedimentares (baixo
                        Rochas graníticas e vulcânicas ácidas
                                                                                grau metamórfico)

Aumento da vulnerabi-                                                           Rochas metamórficas de alto a
                      Rochas alcalinas
lidade                                                                          médio grau

                        Gnaisses xistosos e gnaisses com predomínio de
                                                                       Rochas ígneas foliadas
                        plagioclásio (tonalitos, granodioritos)

                        Metapelitos (filitos e xistos), rochas básicas e
                        ultrabásicas ígneas ou metamórficas (basalto,           Rochas ígneas maciças
                        diabásio, gabro, anfibolito, etc.)



                                                              que apresentam estas características são
fator que condiciona a vulnerabilidade
                                                              mais propícias ao desenvolvimento de
conferida pelas diferentes litologias são as
                                                              processos de movimentos de massa (gra-
descontinuidades inerentes à origem ou
                                                              vitacionais), tais como, queda de blo-cos,
formação da rocha (foliação, bandamento
                                                              desplacamentos       e    escorregamentos
e freqüência de contatos litológicos).
                                                              translacionais.
Quando o manto é espesso, por outro lado,
o fator condicionante são os produtos de
                                                              As rochas graníticas são mais resistentes
alteração da rocha. Assim rochas ígneas
                                                              quando inalteradas. Porém, sua composi-
maciças, tais como granitos e diabásios
                                                              ção quartzo-feldspática e textura grosseira
não foliados, seriam as menos vulneráveis
                                                              propiciam produtos de alteração arenosos
quando não alteradas, por não possuírem,
                                                              e friáveis, tornando-os mais suscetíveis
teoricamente, um número significativo de
                                                              aos processos de erosão superficial.
descontinuidades. No entanto, os produtos
de intemperismo de granitos seriam relati-                    As rochas sedimentares com maior por-
vamente mais vulneráveis, por apresenta-                      centagem de areia na sua composição
rem textura arenosa.                                          são, em geral, mais frágeis frente aos pro-
                                                              cessos erosivos por escoamento superfi-
As diferentes litologias também influenciam
                                                              cial.
a suscetibilidade a processos geodinâmi-
cos em função da sua composição, da
                                                              - DESCONTINUIDADES DE NATUREZA
textura e principalmente das estruturas
                                                              TECTÔNICA
inerentes à formação da rocha, tais como
foliação, bandamento, xistosidade. Estas
                                                              As descontinuidades de natureza tectônica
estruturas constituem planos de fraqueza
                                                              têm importância fundamental para a vulne-
que tornam as rochas menos resistentes
                                                              rabilidade de aqüíferos e para a suscetibili-
às forças de cisalhamento, especialmente
                                                              dade a processos geodinâmicos superfici-
quando estão intemperizadas. As rochas
                                                              ais pois constituem caminhos de chegada

                                                         19

                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



de contaminantes à zona não saturada,                   hidráulica adicional associada a uma ativi-
bem como planos de ruptura preferenciais,               dade antrópica.
no caso de escorregamentos.
                                                        Nas fraturas de maior abertura, devido às
Dentre os vários tipos de descontinuida-                baixas forças de capilaridade, a gravidade
des, as fraturas, em oposição à foliação                vai atuar com maior intensidade e a água
metamórfica ou milonítica, são especial-                vai se mover mais rapidamente, podendo
mente importantes pois a elas se associa                chegar à zona saturada (Wang & Narasi-
uma circulação de água mais intensa, es-                mhan 1993). No entanto, a sua importância
pecialmente durante episódios de chuva.                 para a circulação se dá durante episódios
Por este motivo as fraturas foram alvo de               chuvosos ou quando há intensas cargas
uma análise mais detalhada neste projeto.               hidráulicas adicionais por parte da ativida-
Por outro lado, a foliação metamórfica ou               de antrópica, pois elas tendem a ser dre-
milonítica são intrínsecas à formação dos               nadas rapidamente. Nas fraturas de menor
tipos rochosos, sendo analisadas sempre                 abertura, devido às forças capilares, o flu-
em conjunto com a litologia, no que diz                 xo será mais lento, e a água tenderá a se
respeito tanto à permeabilidade como à                  infiltrar na matriz antes de atingir grandes
facilidade ao cisalhamento conferidas à                 profundidades. Este processo pode atrasar
rocha.                                                  ou impedir a chegada de contaminantes à
                                                        zona saturada.
Com relação à vulnerabilidade de aqüífe-
ros, como sintetizado em Fernandes &                    A densidade e a conectividade de fraturas
Hirata (2003), as fraturas tendem a se                  também devem ser levadas em considera-
manter secas em condições não satura-                   ção na análise do fluxo de contaminantes
das. Em tais situações, as fraturas que                 na zona não-saturada, pois, apesar destes
separam os blocos de meio poroso podem                  fatores serem a princípio menos significati-
atuar como barreiras à passagem de água                 vos que a abertura das fraturas, eles tam-
e de contaminantes, reduzindo a condutivi-              bém exercem importante controle na cir-
dade hidráulica da zona não-saturada.                   culação da água subterrânea em meios
Portanto, na zona não-saturada, as fratu-               fraturados. Desta forma, com relação às
ras facilitarão o acesso de contaminantes               descontinuidades rúpteis (fraturas), as ca-
ao aqüífero, aumentando a sua vulnerabili-              racterísticas analisadas foram: densidade,
dade, somente quando, em um episódio de                 conectividade e abertura.
recarga significativa, a taxa de infiltração
através da matriz do solo for menor que a               As fraturas de um maciço rochoso também
taxa de recarga na superfície (Beven &                  condicionam os processos geodinâmicos
Germann 1982, apud Domenico & Schwarz                   de movimentos gravitacionais dos tipos
1990). Neste caso, o fluxo será numerica-               queda de blocos e desplacamento. Além
mente maior que a condutividade hidráuli-               disso as fraturas, ao propiciarem a circula-
ca saturada da matriz, quando expressas                 ção de água, aceleram o intemperismo que
na mesma unidade (Rubin & Steinhardt                    possibilita o destacamento de blocos e
1963). Ou seja, primeiro haverá a satura-               matacões. Os materiais quando intemperi-
ção da matriz da rocha para, posterior-                 zados são de fácil instabilização em gradi-
mente, haver fluxo pelas fraturas. Quando               entes elevados.
as fraturas estiverem completamente satu-
radas, a permeabilidade de cada uma de-                 Em rochas mais alteradas, as fraturas
las poderá ser da ordem de oito vezes                   constituem planos de fraqueza que facili-
maior que a da matriz. Portanto, em condi-              tam a percolação de água e que, em áreas
ções de saturação quase total, as fraturas              de declividade alta, favorecem a ocorrência
controlarão o fluxo (Wang & Narasimhan                  de escorregamentos.
1993). É importante lembrar que os episó-
dios de recarga significativa podem ser
causados tanto por chuva como por carga

                                                   20

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                           aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



- ESPESSURA E TIPO DE SOLO                               ção e textura da zona não-saturada.

O solo é o primeiro elemento do meio físico                b) Obtenção de dados e defiiniição
                                                           b) Obtenção de dados e def n ção
a sofrer a influência das intervenções an-                 das cllasses dos fatores de análliise
                                                           das c asses dos fatores de aná se
trópicas. Assim, é importante conhecer a
constituição e espessura do perfil de solo,              Os fatores levantados, as respectivas for-
o que possibilita determinar sua fragilidade,            mas de aquisição e as classes para análise
em termos, por exemplo, de suscetibilidade               são descritos a seguir:
a processos geodinâmicos. Embora o perfil
de solo possa variar em profundidade, é                  - LITOLOGIA
possível prever suas propriedades (como
permeabilidade e erodibilidade) analisando               As Áreas T3 e T4 são bastante distintas
os diferentes horizontes geotécnicos (Solo               em termos de constituição litológica. A
Superficial, Solo Residual, Saprolito), suas             Área T3 está inserida no domínio de ro-
espessuras e transições. No que diz res-                 chas cristalinas pré-cambrianas, enquanto
peito à vulnerabilidade de aqüíferos, o solo             a Área T4 situa-se no domínio da Bacia do
funciona como a primeira barreira natural à              Paraná. Nesta ocorrem rochas de idade
penetração de contaminantes, cuja capaci-                permo-carbonífera do Grupo Itararé, dia-
dade de atenuação é dada pela sua com-                   básios cretácicos, e rochas e sedimentos
posição (textural e mineralógica) e espes-               plio-miocênicos (Terciário), que correspon-
sura.                                                    dem à Formação Rio Claro. As informa-
                                                         ções e dados geológicos para estas áreas
- DECLIVIDADE                                            foram extraídos de mapas geológicos pré-
                                                         existentes (Fernandes 1997, IG-SMA 1993,
A declividade, como um fator que expressa                1999 e 2002) e complementados por novos
o tipo de relevo, tem grande influência na               dados de campo obtidos no presente pro-
ocorrência de processos erosivos e de                    jeto.
movimentos de massa e, juntamente com
os demais fatores (litoestruturais e de so-              As litologias da Área T3 foram reunidas
los) indicam o grau de suscetibilidade a                 nos seguintes grupos (ou classes) litológi-
estes processos.                                         cos:

Da mesma forma, para a avaliação da vul-                     ▪    Gr: granitos maciços ou foliados
nerabilidade, a declividade é importante
para estabelecer a relação entre escoa-                      ▪    Gngr: gnaisses graníticos
mento superficial e infiltração de contami-
nantes.                                                      ▪ B: gnaisses bandados (constituídos
                                                             principalmente de orto-gnaisses básicos
- PROFUNDIDADE DO NÍVEL D’ÁGUA                               a intermediários com hornblenda e bio-
                                                             tita)
A profundidade do nível d’água, no que diz
respeito à vulnerabilidade de aqüíferos, é                   ▪ X: gnaisses xistosos (ou peralumi-
de grande importância pois afeta direta-                     nosos) e milonitos
mente tanto a acessibilidade hidráulica
como a atenuação de contaminantes. Em                        ▪ Bx:       plagioclásio-granada-biotita
função do tempo necessário para percorrer                    gnaisses (rocha que apresenta proprie-
a zona não-saturada, o qual é diretamente                    dades dos grupos litológicos, ou seja B-
dependente da espessura da mesma, o                          bandamento composicional e X-xisto-
contaminante (por exemplo, micro-organis-                    sidade)
mos e outros contaminantes não persis-
tentes) pode ser em grande parte atenuado                Este agrupamento foi feito em função dos
devido a processos de degradação ou de                   materiais de alteração (saprolito e solo
adsorção, os quais dependem da composi-                  residual) gerados pelas litologias acima

                                                    21

                                          INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                           aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



descritas, e também da presença e tipos                  (1997), adequado aos limites das áreas-
de descontinuidades inerentes às rochas,                 piloto como apresentado nas Figuras 5 e
tais como foliação metamórfica e milonítica              6. Para a elaboração deste mapa, a autora
e contatos litológicos. A alteração, se mais             registrou, em papel, na escala 1:100.000,
ou menos argilosa, é especialmente im-                   todos os pequenos traços retilínios obser-
portante para a vulnerabilidade de aqüífe-               vados sobre imagem TM LANDSAT (ban-
ros, como explicado no item 3.2.a. Assim                 das 4 e 5 separadamente). Esta análise de
os grupos litológicos B, X e Bx, devem ge-               lineamentos apoiou-se em: (1) dados de
rar materiais de alteração mais argilosos,               medidas estruturais efetuadas em campo e
os quais vão propiciar menor acessibilida-               disponíveis em Fernandes & Ferreira
de hidráulica e maior capacidade de ate-                 (1995), Fernandes (1997), e Fernandes-
nuação dos contaminantes. Os grupos Gr                   da-Silva (2003); (2) conhecimento prévio
e Gngr (granitos e gnaisses graníticos)                  da evolução tectônica cenozóica da área
geram produtos de textura mais arenosa e                 de estudo obtido em Fernandes (1997) e
com comportamento mais vulnerável. No                    Fernandes & Amaral (2002), como sinteti-
que diz respeito à suscetibilidade a pro-                zado na Tabela 4.
cessos geodinâmicos, a presença de des-
continuidades mais pronunciadas e em                     A análise do fraturamento, conforme Fer-
maior quantidade, como por exemplo para                  nandes & Hirata (2003), partiu dos se-
os gnaisses xistosos, vai induzir uma maior              guintes pressupostos:
suscetibilidade a escorregamentos. A ocor-
rência de granitos, por outro lado, propicia-                ▪ A variação da densidade e conecti-
rá o envolvimento de matacões nos pro-                       vidade de fraturas é passível de ser
cessos de movimentos de massa.                               mapeada através da análise de linea-
                                                             mentos, pois estes fatores devem guar-
Na Área T4 os grupos litológicos corres-                     dar relação direta com a densidade e
pondem às unidades litológicas presentes                     intersecção de lineamentos, respecti-
nos mapas geológicos e recebem os se-                        vamente. Isto é válido para a área de
guintes códigos:                                             estudo pois nela a grande maioria das
                                                             fraturas apresenta mergulhos elevados,
   ▪ IAm: arenitos médios do Grupo Ita-                      o que propicia que se mostrem em su-
   raré                                                      perfície como traços retilíneos.

   ▪   IAf: arenitos finos do Grupo Itararé                  ▪ A tectônica cenozóica controla a
                                                             abertura atual das fraturas e a análise
   ▪ IDR: lamitos com seixos e ritmitos                      de lineamentos à luz dos conhecimen-
   do Grupo Itararé                                          tos da evolução da tectônica cenozóica
                                                             possibilita estimar a direção e freqüên-
   ▪   D: diabásio                                           cia das fraturas de maior abertura atra-
                                                             vés da identificação de domínios tectô-
   ▪ FRC: Formação Rio Claro (interca-                       nicos, como proposto por Fernandes
   lação de arenitos médios a grossos, sil-                  (1997) e Fernandes & Rudolph (2001).
   titos, argilitos e lamitos maciços)                       Dentro de cada domínio tectônico, nos
                                                             quais é identificado o predomínio de um
- DESCONTINUIDADES DE NATUREZA                               único evento tectônico cenozóico, é
TECTÔNICA                                                    possível inferir quais direções de fratu-
                                                             ras são de cisalhamento, e quais são
A definição das classes de fraturamento,                     extensionais, ou de maior abertura.
às quais estão vinculados dados sobre
densidade, conectividade e abertura das                  Para a identificação dos domínios tectôni-
fraturas, baseou-se na análise de linea-                 cos dentro de cada compartimento das
mentos e para isto foi utilizado mapa de                 áreas T3 e T4, foram elaboradas rosáceas
lineamentos elaborado por Fernandes                      (Programa Rosácea, cedido por Naoiko

                                                    22

                                          INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                             aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                   296.000m                                  300.000m




                                                            CRR5
                                                                            CRR2

                   CSA1                                                                 CRR3
                                                                                                          7.476.000m



                                                   CLR3
                                                           CLT1
                               BAC1
                                                                         COC3



        CSA2
                                                  CLT1
                                   CLC1                                                   CSR3
                                                                                                           7.472.000m



                        CNC1

                            CNC2



  Domínios Tectônicos

          E3-NW                                    CRR3        Unidade Básica de Compartimentação (UBC)

          E4-NS


          E2-EW, E1-NE                                         Lineamento

          iindefinido



Figura 5. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T3.




                                                      23

                                              INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                     280.000m                 284.000m                  288.000m




                                                                                   BGA1(92)
                                  BCA1
                                                                                                          7.496.000m

                                                BBP7

             BDA2
   BBP2                                                  BCP2
                                            BAA2

                                                                BAP1
                                 BDA1                                                                     7.492.000m



                                BFA1                 BAA1


      BBM3


                                                                                                          7.488.000m


                                                                 BGA1(53)



 Domínio Tectônico

        E3-NW, E4-NS                       BAA2           Unidade Básica de Compartimentação (UBC)

        E4-NS

                                                          Lineamento
        indefinido



Figura 6. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T4.




                                                          24

                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



Tabela 4. Evolução tectônica cenozóica para a região de Campinas, segundo Fernandes (1997) e Fernandes &
Amaral (2002).
                       Direção de fraturas de cisalhamento e               Fraturas de               Fraturas
Idade                                                                                                                    Evento
                           extensionais (vista em planta)                 cisalhamento             extensionais
                                σ1
                                                                           N20-30W e
                                                                                                      N10-30E            E5 NNE
                                σ3                                          N50-60E
                           σ1
Quaternário




                                σ3
                                                                           N30-50W e
                                                                                                         NS               E NS
                                                                            N30-50E
                  σ1
                                σ3
                                                                        WNW e NNW-NS                  N30-60W            E3-NW



                         σ3
     Neógeno




                                                                           N45-65W e
                                                                                                         EW              E2-EW
                                   σ1                                       N45-65E


                              σ1
     K Paleóge-




                                                                            EW-ENE e
                                                                                                         NE              E1 NE
         no




                                                                             NNE-NS
                          σ3

                                                                       dade de lineamentos, densidade de inter-
Nagata do Instituto de Pesquisas Tecnoló-
                                                                       secção de lineamentos, e ao evento tectô-
gicas-IPT). Além dos trends principais de
                                                                       nico predominante em cada compartimen-
lineamentos, estas também fornecem o
                                                                       to. A atribuição de notas a cada um destes
número e o comprimento total de linea-
                                                                       parâmetros, baseou-se nas seguintes pre-
mentos. O número de intersecções de li-
                                                                       missas:
neamentos foi obtido pela contagem ma-
nual dentro de cada compartimento.
                                                                           ▪ Maiores densidades de lineamentos
                                                                           e de intersecções de lineamentos cor-
A análise visual dos trends de lineamentos
                                                                           respondem diretamente a maior densi-
presentes nas rosáceas permitiu identificar
                                                                           dade de fraturas e maior grau de conec-
áreas de predomínio de direções de es-
                                                                           tividade de fraturas, respectivamente.
truturas típicas de eventos tectônicos es-
pecíficos (Tabela 4) ou seja, domínios
                                                                           ▪ Áreas onde predomina o evento E3-
tectono-estruturais. A partir desta identifi-
                                                                           NW (Tabela 4) apresentam maior quan-
cação podem ser deduzidas as áreas de
                                                                           tidade de fraturas abertas pois trata-se
maior probabilidade de ocorrência (e fre-
                                                                           de evento caracterizado por esforços
qüência) de fraturas abertas.
                                                                           tectônicos trans-extensionais, e que
                                                                           afetou a área de estudo com maior in-
As classes de fraturamento resultaram da
                                                                           tensidade (em termos de regularidade e
atribuição de notas aos valores de densi-
                                                                           pervasividade das estruturas). Segundo

                                                                  25

                                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



   Fernandes & Rudolph (2001) e Fernan-                       - ESPESSURA E TIPO DE SOLO
   des & Amaral (2002) este evento tectô-
   nico teria gerado maior quantidade de                      Para o levantamento dos fatores espessu-
   fraturas extensionais e também de                          ra e tipo de solo, foi considerada a aborda-
   abertura maior. Assume-se, então, os                       gem de materiais inconsolidados utilizada
   aqüíferos ocorrentes em áreas afetadas                     em Brollo et al. (1994) e IG-SMA (1995 e
   pelo evento tectônico E3-NW sejam                          1999), a qual considera a identificação e
   mais vulneráveis à contaminação                            descrição dos perfis de alteração de mate-
                                                              riais associados a unidades do terreno.
Assim foram atribuidas notas “A” ou “B”,                      Assim, foi identificado em campo o perfil de
aos parâmetros mencionados acima, como                        alteração típico para cada uma das UBCs.
discriminado na Tabela 5 a seguir.
                                                              Para a descrição de campo foi utilizada
Desta forma, as notas “A” e “B”, significam                   uma ficha padrão, onde foram registradas
vulnerabilidade mais ou menos elevada,                        as seguintes informações: textura, espes-
respectivamente, quando se leva em con-                       sura, consistência, compacidade, estrutura
sideração o fraturamento. Estas notas es-                     e composição mineralógica de cada nível
tão discriminadas no campo 11 da tabela                       de alteração considerado (solo superficial,
de descrição completa (Tabelas 6A e B), a                     solo residual e saprolito). A partir desta
qual é apresentada no item 3.2.c. As clas-                    ficha é possível resgatar, de forma padro-
ses de fraturamento, denominadas como 1,                      nizada, os dados utilizados para a avalia-
2 e 3, são derivadas das notas atribuídas                     ção das UBCs. A descrição dos perfis típi-
da seguinte forma:                                            cos de solo, para cada afloramento visita-
                                                              do, foi armazenada em banco de dados
   ▪     Classe 1: 3 notas B                                  digital e associada ao mapa de comparti-
                                                              mentação fisiográfica, dentro de um Siste-
   ▪     Classe 2: 1 nota A                                   ma Gerenciador de Informações elaborado
                                                              com o auxílio do software MapInfo
   ▪     Classe 3: três ou duas notas A
                                                              Foram identificados 13 tipos de perfis de
                                                              solos, predominando os arenosos para a
                                                              Área T3 e os areno-argilosos e, subordina-
                                                              damente, os argilo-arenosos para a Área
                                                              T4. As classes de solos são listadas a se-
                                                              guir.



Tabela 5. Atribuição de notas aos parâmetros utilizados para a derivação de classes de fraturamento.

                     Densidade de           Densidade de intersecções
 Parâmetro                                                                       Evento tectônico predominante
                 lineamentos (km/km2)        de lineamentos (km/km2)
  Valor do
                 > 3,90*       < 3,90*        > 2,99**         < 2,99**         E3-NW         E4-NS         indefinido
 parâmetro
       Nota         A             B              A                 B               A             B               B

                            * Média dos valores de densidade de fraturamento, considerando conjuntamente as áreas T3
                                                                        e T4, os quais variam entre 1,26 e 7,97 km/km²

                             ** Média dos valores de densidade de intersecções de lineamentos, considerando as áreas
                                                        T3 e T4, os quais variam de 0,06 a 10,97 intersecções por km²



                                                         26

                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



                                                       los de Ross (1996), que propõe a utilização
  ▪   Arenoso
                                                       de intervalos de classe consagrados nos
  ▪   Areno-siltoso                                    estudos de capacidade de uso e aptidão
                                                       agrícola, combinados a valores críticos da
  ▪ Areno-argiloso, passando a areno-                  geotecnia, os quais são indicativos de mai-
  siltoso em profundidade                              or atuação dos processos erosivos e de
                                                       movimentos de massa. Foi realizada a
  ▪   Arenoso a areno-siltoso                          leitura direta da carta topográfica com o
                                                       uso de ábaco confeccionado para a escala
  ▪ Argilo-arenoso, passando a areno-                  1:50.000. Esta técnica consiste em efetuar
  siltoso em profundidade                              medidas dos espaçamentos entre as cur-
                                                       vas de nível da área de cada UBC e verifi-
  ▪ Arenoso, passando a argiloso em                    car o intervalo de declividade correspon-
  profundidade                                         dente.

  ▪   Areno-argiloso                                   Desta forma, definiu-se as seguintes clas-
                                                       ses de declividade:
  ▪ Areno-argiloso, passando a argiloso
  em profundidade                                          ▪    Baixa – menor que 5o

  ▪   Areno-siltoso a areno-argiloso                       ▪    Média – entre 5 e 10o

  ▪ Argiloso, passando a arenoso em                        ▪    Alta – entre 10 e 15o
  profundidade
                                                           ▪    Muito alta – maior que 15o
  ▪ Argilo-arenoso, passando a areno-
  argiloso em profundidade                             Em algumas UBCs foi identificada a ocor-
                                                       rência de mais de uma classe de declivi-
  ▪   Argiloso                                         dade. No entanto, para efeito das avalia-
                                                       ções geoambientais realizadas considerou-
  ▪   Argilo-arenoso                                   se somente a predominante.

Foram definidas três classes de espessura              - PROFUNDIDADE DO NÍVEL D’ÁGUA
de solos: menor que 2 m; entre 2 e 5 m; e
maior que 5 m. A exemplo de IG-SMA                     O mapa de curvas de isoprofundidade de
(1995), a definição destas classes levou               nível d’água para a Área T3 foi recortado
em conta a potencial influência da espes-              de mapa elaborado para toda a RMC, em
sura de solos sobre diferentes formas de               IG-SMA (2002). O mapa de profundidade
intervenção antrópica na área estudada                 de nível d’água para a área T4 foi elabora-
(agricultura, ocupação urbana do solo,                 do especificamente no presente projeto.
obras de engenharia, etc.). A probabilidade            Em ambos os casos foi utilizado cadastro
da intervenção instabilizar terrenos ou in-            de poços da RMC alimentado ao longo de
duzir processos de contaminação também                 projetos do Instituto Geológico (IG-SMA
está implícita na definição destas classes.            1993, 1995 e 2002).

- DECLIVIDADE                                          O procedimento geral de elaboração do
                                                       mapa de profundidade de nível d’água
As classes de declividade foram estabele-              consiste na plotagem dos dados de pro-
cidas considerando os intervalos sugeridos             fundidade de nível estático dos poços tu-
por De Biasi (1992), os quais atendem aos              bulares em cartas topográficas na escala
mais variados tipos de uso e ocupação do               1:50.000. A partir daí, são traçadas as cur-
espaço, tanto urbano como agrícola. Estes              vas de isoprofundidade as quais acompa-
intervalos estão de acordo com os interva-             nham, de maneira geral, as curvas topo-

                                                  27

                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



gráficas.                                              zando o software MapInfo. As linhas das
                                                       tabelas estão vinculadas aos objetos gráfi-
Para a Área T3, no entanto, foi observada,             cos, no caso polígonos, que representam
em IG-SMA (2002), grande variação local                as UBCs.
de profundidades de nível d’água em situ-
ações topográficas semelhantes. Este                   As tabelas de “descrição completa” (Ta-
comportamento é devido a: (1) exploração               belas 6A e 6B) contêm os seguintes cam-
de níveis piezométricos distintos (material            pos (colunas):
de alteração e fraturas a várias profundi-
dades) por um mesmo poço; e (2) hetero-                1. UBC: Código da UBC.
geneidade da condutividade hidráulica do
aqüífero e da zona não-saturada, que in-               2. ÁREA: Área ocupada pela UBC em
duz diferentes recargas e fluxos da água               Km².
infiltrada (Fernandes & Hirata 2003). Com
o objetivo de superar esta dificuldade no              3. DESCRIÇÃO LITO: Descrição litológica
traçado das curvas, foram estabelecidas                resumida, baseada nos mapas geológicos
em IG-SMA (2002), através de tratamento                existentes e na descrição de afloramentos.
estatístico simples, as tendências do com-
portamento da profundidade do nível                    4. GRUPO LITO: Agrupamento dos tipos
d’água com relação às situações topográfi-             litológicos que ocorrem em cada área de
cas de topo, encosta e vale. Este procedi-             acordo com as avaliações realizadas. Este
mento permitiu o traçado das curvas de 5               agrupamento é derivado do campo 3 (ver
m, 10 m e 20 m com grau de confiança de                explicação no item 3.2.b)
cerca de 80%.
                                                       5. COMP LIN (km): Comprimento total
Para a Área T4, cujo comportamento é                   dos lineamentos, considerando o linea-
relativamente menos complexo, por ser                  mento inteiro somente quando completa-
constituída predominantemente de rochas                mente contido na UBC, ou parte dele,
sedimentares, o traçado foi mais simples,              quando contido também nas UBCs adja-
apesar de também serem observadas vari-                centes.
ações de nível estático, por vezes acentu-
adas, para poços próximos e em uma                     6. DENS LIN (km/km²): Comprimento total
mesma situação topográfica. Supõe-se que               dos lineamentos dividido pela área de cada
estas variações também sejam devidas à                 UBC.
exploração de diferentes níveis piezométri-
cos por um único poço.                                 7. INT LIN: Número de intersecções de
                                                       lineamentos computados visual e manual-
Ao final, foram utilizadas somente duas                mente.
classes de profundidade do nível d’água:
menor que 10m e maior que 10 m. Isto                   8. DENS INT LIN: Número de intersec-
porque, para a escala do presente trabalho             ções de lineamentos dividido pela área de
(1:50.000) e considerando o volume de                  cada UBC.
dados disponíveis, este procedimento ga-
rante um grau de confiança relativamente               9. EVENTO TECTÔNICO: Evento tectôni-
elevado para os mapas resultantes.                     co predominante em cada UBC deduzido a
                                                       partir dos trends de lineamentos predomi-
c) Siistematiização das iinformações                   nantes das rosáceas.
c) S stemat zação das nformações
                      sobre as UBCs
                      sobre as UBCs                    10. DADOS DE FALHAS: Eventos tectôni-
                                                       cos predominantes deduzidos a partir de
Com os dados relativos a cada UBC, foram               medidas estruturais obtidas em aflora-
elaboradas duas tabelas, denominadas                   mentos (levantamento de campo). Obser-
“descrição completa” e “síntese”, para cada            va-se, de um modo geral, que estes dados
uma das áreas estudadas (T3 e T4), utili-

                                                  28

                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



corroboram o que foi deduzido a partir das              nível com uso de ábaco.
rosáceas.
                                                        20. CLASSE DECLIV: Classe de declivida-
11. NOTAS FRAT: Notas (A- alta e B- bai-                de correspondente aos intervalos numéri-
xa) atribuídas aos parâmetros de densida-               cos da declividade derivado do campo 19
de de lineamentos e de número de inter-                 (ver item 3.2.b).
secções de lineamentos, e evento tectôni-
co predominante, de acordo com a vulne-                 As tabelas-síntese (Tabelas 7A e 7B)
rabilidade e suscetibilidade induzidas por              compõem-se de alguns campos das tabe-
cada um deles. Isto foi descrito em detalhe             las de descrição completa (disponíveis em
no item 3.2.b.                                          MAPINFO), os quais foram utilizados para
                                                        a classificação das UBCs, quanto à vulne-
12. CLASSE FRAT: Classes de fratura-                    rabilidade de aqüíferos e à suscetibilidade
mento (1, 2 e 3) resultantes da atribuição              de ocorrência de processos geodinâmicos
de notas (vide acima) e de acordo com a                 superficiais. Estes campos são: nome da
potencial vulnerabilidade e suscetibilidade             UBC, grupo litológico, classe de fratura-
induzidas pelos diferentes graus de fratu-              mento, tipo de solo, espessura de solo,
ramento (por elas). Resultou da integração              nível d’água e classe de declividade. Além
dos campos 6, 8 e 9 (ver item 3.2.b).                   destes, foram acrescentados dois campos
                                                        de classificação quanto à vulnerabilidade e
13. TIPO DE RELEVO: Tipo de relevo pre-                 quanto à suscetibilidade.
dominante.

14. DENS DRENAGEM (km/km²): Densi-
dade de drenagem (comprimento total de                  3..3.. CARTOGRAFIA TEMÁTICA
                                                        3 3 CARTOGRAFIA TEMÁTICA
linhas de drenagem dividido pela área da
UBC.
                                                        FINAL
                                                        FINAL

15. DENS RELEVO (km/km²): Densidade                         a) defiiniição das cllasses da carta
                                                            a) def n ção das c asses da carta
de linhas de relevo (cristas, quebras de                                                    fiinall
                                                                                            f na
relevo positivas e negativas) - comprimento
total de linhas de relevo dividido pela área            Foram adotadas 4 classes tanto de vulne-
da UBC).                                                rabilidade de aqüíferos como de suscetibi-
                                                        lidade a processos geodinâmicos denomi-
16. TIPO DE SOLO: Tipo de solo predomi-                 nadas muito alta, alta, média e baixa.
nante, considerando o perfil geotécnico de
alteração.                                               b) defiiniição das regras de cllassiifii-
                                                         b) def n ção das regras de c ass f -
                                                                                         cação
                                                                                          cação
17. ESPES SOLO: Espessura de solo pre-
dominante, considerando o perfil geotécni-              As regras de classificação utilizadas no
co de alteração.                                        presente trabalho foram qualitativas e utili-
                                                        zando-se tabelas de classificação que pro-
18. NA: Profundidade do nível d’água. As                curam relacionar os fatores analisados
curvas de isoprofundidade do nível d’água               com os possíveis efeitos ou influência dos
foram traçadas com base na profundidade                 mesmos sobre os fenômenos considera-
do nível estático dos poços tubulares e em              dos. Os seguintes fatores foram utilizados
curvas topográficas de mapa base em                     para a classificação das UBCs: grupo lito-
1:50.000.                                               lógico, classe de fraturamento, tipo de solo
                                                        e classe de declividade.
19. DECLIVIDADE: Intervalo de declivida-
de obtido através de leitura das curvas de




                                                   29

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Tabela 6A. Tabela de descrição completa da área T3

       AREA                                                                        COMP_ DENS_LIN                        EVENTO
UBC                         DESCRIÇÃO LITOLÓGICA                         G. LITO                    INT_LINDENS_INT_LIN                      DADOS DE FALHAS (afloramentos)
       (KM2)                                                                       LIN(km) (km/km²)                     TECTÔNICO

                                                                                                                                     E4-NS (1*), E1-NE (1*), E2-EW (2*), falhas normais
               arenitos do Subgrupo Itararé (Ar), granito Jaguariúna
BAC1   8,11                                                          ArGrX          19,4     2,39    9       1,11        E4-NS       com direção em tornode NS e mergulhos entre 70 e
               (Gr), milonitos (X) (e hbl-biot-gnaisses bandados)
                                                                                                                                     80°
               granada-sill-biot gnaisse laminado (X), hbl-biot
CLC1   1,46                                                                X        7,5      5,14    10      6,85        E4-NS       falha normal ~N65W/74NE (1*)
               gnaisse (B), milonito (X)
               granada-sill-biot gnaisse (X) , gnaisse granítico (Gr),
CLR3   3,34                                                               XGr        21      6,29    18      5,39        E3-NW       sem dados
               milonito (X)
               gnaisse granítico (Gr), granada-sill-biot gnaisse (X),
CLT1   5,46                                                           GrXBxB        25,1     4,60    20      3,66        E3-NW       E2-EW (1*), falha normal N56E/70NW (1*)
               biotita-plagioclásio gnaisse Bx, hbl-biot gnaisse (B)
               hbl-biot gnaisse bandado (B), granada-sill-biot gnais-
CNC1   4,53                                                                BX       23,3     5,14    22      4,86        E4-NS       falha normal ~N43E/70NW (1*)
               se (X), milonito (X)
               granada-sill-biot gnaisse laminado (X), milonito (X),                                                                 E3-NW (1*), E2-EW (1*), mais falhas normais
CNC2   3,98                                                                X        15,7     3,94    12      3,02        E3-NW
               hbl-biot gnaisse bandado (B)                                                                                          N60E/81NW (1*) e N20W-79SW (1*)
               granada-biot-plag gnaisse (Bx), hbl-biot gnaisse
COC3   6,81                                                               BxB       29,7     4,36    24      3,52        E3-NW       E3-NW (2*)
               bandado (B)
CRR2   3,60 gnaisse granítico (Gr), hbl-biot gnaisse (B)                  GrB       25,3     7,03    25      6,94     E2-EW, E1-NE sem dados
               bitotita-plagiocl gnaisse (Bx), hbl-biot gnaisse (B),                                                                 E3-NW(1*), E1-NE (2*) e falha normal N85W/71SW
CRR3   2,37                                                               BxGr      18,9     7,97    26      10,97       E3-NW
               gnaisse granítico (Gr), milonito (X)                                                                                  (1*)
CRR5   1,49 hbl-biot gnaisse granítico (B), milonito (X)                  GrX       8,7      5,84    6       4,03       indefinido   E1-NE(1*), falha normal N64W/69NE (1*)
               granito porfirítico Jaguariúna (Gr), hbl-biot gnaisse
CSA1   3,13                                                                Gr        11      3,51    14      4,47     E2-EW, E1-NE E3-NW (1*), E4-NS/E5-NNE (1*)
               bandado (B)
CSA2   2,38 granito porfirítico Jaguariúna (Gr), milonito (X)              Gr       10,4     4,37    8       3,36     E2-EW, E1-NE EVENTO E1-NE (1) falha normal ~N50E/54NW (1*)
               granito porfirítico Morungaba (Gr), milonito (X), ortog-
CSR3   7,54                                                             GrXB        47,1     6,25    43      5,70        E3-NW       E2-EW (2*), E3-NW(2*), compressão NE a E-NE (3*)
               naisses Amparo (B)
Tabela 6A. Tabela de descrição completa da área T3 (continuação)

                                                                                                                                                    DECLIVIDADE     CLASSE
UBC NOTAS_FRATCLASSE_FRAT TIPO_DE_RELEVO DENS_DREN DENS_REL                              TIPO_DE_SOLO                      ESPES_SOLO     N_A
                                                                                                                                                      (graus)     DECLIVIDADE
BAC1      BBB            1       colinas médias/amplas   1,545     0,893   arenoso                                          sem info.   <10, >10       5 a 10        média
CLC1      AAB            3       colinas e morrotes      2,268     1,546   sem informação                                   sem info.   >10 ~ <10      5 a 10        média
CLR3      AAA            3       colinas e morrotes      4,141     1,072   sem informação                                   sem info.   <10, >10      10 a 15         alta
CLT1      AAA            3       colinas e morrotes      2,365     0,719   arenoso a areno-siltoso                            4,0 m     <10, >10       5 a 10        média
CNC1      AAB            3       colinas e morrotes      3,139     0,636   argiloso a arenoso em profundidade                > 1,0 m    >10 ~ <10      5 a 10        média
CNC2      AAA            3       colinas e morrotes      1,082     0,922   arenoso a areno-siltoso                           > 4,0 m    <10, >10       5 a 10        média
COC3      AAA            3       colinas e morrotes      2,266     0,806   arenoso                                            3,5 m     >10, <10       5 a 15      média/alta
CRR2      AAB            3       morros paralelos        4,722     1,525   sem informação                                   sem info.   >10 ~ <10       >15        muito alta
                                                                           arenoso passando a argiloso em profundida-
CRR3      AAA            3       morros paralelos        3,652     0,714                                                     > 3,5 m    >10 ~ <10       >15        muito alta
                                                                           de
                                                                           areno-argiloso, passando a argilo-arenoso e a
CRR5      AAB            3       morros e morrotes        3.15     1,094                                                     5 a 10 m   >10, <10      10 a 15         alta
                                                                           areno-siltoso; presença de matacões
CSA1      BAB            2       colinas médias/amplas   1,682     0,895   arenoso                                           > 6,5 m    <10, >10        <5           baixa
CSA2      AAB            3       colinas e morrotes                        arenoso                                           > 6,5 m    >10 ~ <10      5 a 10        média
CSR3      AAA            3       morros e morrotes        3.31     0.898   presença de matacões                              1a5m       <10, >10      10 a 15         alta
Tabela 6B. Tabela de descrição completa da área T4

                                                                                     GRUPO         COMP_LIN DENS_LIN            DENS_INT_LIN    EVENTO
  UBC     AREA                       DESCRIÇÃO LITOLÓGICA                                                             INT_LIN                                 NOTAS_FRATCLASSE_FRAT
                                                                                      LITO           (km)    (km/km²)             (No/km²)     TECTÔNICO
  BAA1     7,02 arenitos médios a grossos e arenitos muito finos (IAM, IAF)          IAM, IAF        13,44      1,91   8,00         1,14         indefinido      BBB         1
  BAP1     7,88 arenitos médios a grossos (IAM), diabásio (D)                         IAM, D         27,37      3,47   14,00        1,78       E3-NW, E4-NS      BBA         2
  BAP2     3,64 arenitos muito finos (IAF) e arenitos médios a grossos (IAM)         IAF, IAM        11,79      3,24   7,00         1,92         indefinido      BBB         1
                   ritmitos e lamitos com seixos (IDR), lamitos arenosos e siltitos
 BBM3      10,72                                                                    ID, FRC, D       21,97      2,05   7,00         0,65          E4-NS          BBB         1
                   (FRC)
                   Ritmitos, lamitos com seixos (IDR), arenitos muito finos (IAF), e
  BBP2     4,98                                                                      IDR, IAF, D     24,89      5,00   12,00        2,41       E3-NW, E4-NS      ABA         3
                   trechos de aluvião
                   ritmito e lamitos com seixos (IDR), arenito muito fino (IAF),
  BBP7     7,64                                                                     IDR, IAF D       33,34      4,37   27,00        3,54          E4-NS          AAB         3
                   diabásio e trechos de aluvião
                   arenitos muito finos (IAF), arenitos médios a grossos (IAM),
  BCP1     3,13                                                                         IAF          9,08       2,90   5,00         1,60         indefinido      BBB         1
                   diabásio (D) e trechos de aluvião
  BCP2     1,24 arenitos (FRC), diabásio (D), arenito médio a grosso (IAM)            FRC, D         5,04       4,05   2,00         1,61         indefinido      ABB         2
  BDA1     4,62 Diabásio (D), arenito muito fino (IAF)                                D, IAF         6,34       1,37   3,00         0,65       E4-NS=E3-NW       BBB         1
  BDA2     3,57 diabásio (D), arenito muito fino (IAF) e trechos de aluvião           D, IAF,        11,39      3,19   6,00         1,68       E3-NW, E4-NS      BBA         2
  BFA1     7,77 lamitos arenosos (FRC), arenitos muito finos (IAF)                   FRC, IAF        13,17      1,70   7,00         0,90          E4-NS          BBB         1
BGA1(53) 16,12 siltitos e arenitos finos (FRC), arenitos médios (IAM ?)                FRC           20,27      1,26   1,00         0,06         indefinido      BBB         1
BGA1(92) 16,85 siltitos arenosos (FRC), arenitos muito finos (IAF)                   FRC, IAF        30,34      1,80   7,00         0,42         indefinido      BBB         1
Tabela 6B. Tabela de descrição completa da área T4 (continuação)

                                                                                                                                                 DECLIVIDADE     CLASSE
  UBC       TIPO_DE_RELEVO         DENS_DREN DENS_REL                         TIPO_DE_SOLO                            ESPES_SOLO       N_A
                                                                                                                                                   (graus)     DECLIVIDADE
 BAA1 colinas amplas                 0,244      0,789   areno-argiloso variando para areno-siltoso em profundidade       1a5m        >10, <10      < 5 a 10    baixa a média
                                                        arenoso a areno-siltoso passando a silto-arenoso em profun-
 BAP1    colinas pequenas            1,870      0,655                                                                     >2m        >10, <10      < 5 a 10    baixa a média
                                                        didade
 BAP2    colinas pequenas            1,759      0,920   argilo-arenoso                                                   1a5m       >10 ~ <10       5 a 10        média
 BBM3 colinas amplas                 0,733      0,307   areno-argiloso; estrutura em blocos; medianamente compacto        >2m        <10, >10        <5           baixa
                                                        areno-siltoso passando a areno-argiloso em profundidade;
 BBP2    colinas pequenas                                                                                                1a5m        <10, >10       5 a 10        média
                                                        compacidade média a baixa
 BBP7    colinas pequenas            2,946      0,430   areno-argiloso a areno-siltoso                                    >2m       <10 ~ >10      < 5 a 10    baixa a média
                                                        argilo-arenoso passando a areno-siltoso em profundidade;
 BCP1    colinas pequenas            0,847      3,798                                                                    > 1,8 m    <10 ~ >10       5 a 10        média
                                                        estrutura em blocos
 BCP2    colinas amplas e médias     0,867      2,795   arenoso a areno-siltoso; estrutura maciþa                        5 a 10 m      >10           <5            baixa
 BDA1 colinas amplas                 0,318      0,437   argilo-arenoso a argiloso                                     sem informação <10, >10        <5            baixa
 BDA2 colinas pequenas/amplas        1,772      0,379   argilo-arenoso                                                sem informação <10, >10        <5            baixa
 BFA1    colinas amplas              0,218      0,630   areno-argiloso; fofo a pouco compacto; granular                   >2m        > 10, <10       <5           baixa
                                                        areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em
BGA1(53) colinas amplas              0,225      0,508                                                                     >2m        >10, <10        <5            baixa
                                                        profundidade
                                                        areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em
BGA1(92) colinas amplas e médias     0,776      0,647                                                                     >2m        >10, <10        <5            baixa
                                                        profundidade
Tabela 7A. Tabela síntese da área T3.

        UBC G. LITO REVISADOCLAS_FRAT                                          TIPO_DE_SOLO                                                ESPES_SOLO       N_A      CLAS_DECLIV
       BAC1        ArGrX            1   arenoso                                                                                            sem informação <10, >10      média
       CLC1          X              3   sem informação                                                                                     sem informação>10 ~ <10      média
       CLR3         XGr             3   sem informação                                                                                     sem informação <10, >10        alta
        CLT1      GrXBxB            3   arenoso a areno-siltoso                                                                                4,0 m      <10, >10      média
       CNC1          BX             3   argiloso a arenoso em profundidade                                                                    > 1,0 m    >10 ~ <10      média
       CNC2          X              3   arenoso a areno-siltoso                                                                               > 4,0 m     <10, >10      média
       COC3         BxB             3   arenoso                                                                                                3,5 m      >10, <10    média/alta
       CRR2         GrB             3   sem informação                                                                                     sem informação>10 ~ <10     muito alta
       CRR3         BxGr            3   arenoso passando a argiloso em profundidade                                                           > 3,5 m    >10 ~ <10     muito alta
       CRR5         GrX             3   areno-argiloso (SS), passando a argilo-arenoso (SR) e a areno-siltoso (SP); presença de matacões      5 a 10 m    >10, <10        alta
       CSA1          Gr             2   arenoso                                                                                               > 6,5 m     <10, >10       baixa
       CSA2          Gr             3   arenoso                                                                                               > 6,5 m    >10 ~ <10      média
       CSR3         GrXB            3   presença de matacões                                                                                  1a5m        <10, >10        alta
Tabela 7B. Tabela síntese da área T4.

    UBC      GRUPO LITOLÓGICOCLASSE_FRAT                                     TIPO_DE_SOLO                                       ESPES_SOLO       N_A      DECLIVIDADE
    BAA1         IAM, IAF        1         areno-argiloso variando para areno-siltoso em profundidade                              1a5m        >10, <10 baixa a média
    BAP1          IAM, D         2         arenoso a areno-siltoso passando a silto-arenoso em profundidade                         >2m        >10, <10 baixa a média
    BAP2         IAF, IAM        1         argilo-arenoso                                                                          1a5m       >10 ~ <10      média
    BBM3          ID, FRC        1         areno-argiloso; estrutura em blocos; medianamente compacto                               >2m        <10, >10      baixa
    BBP2        IDR, IAF (?)     3         areno-siltoso passando a areno-argiloso em profundidade; compacidade média a baixa      1a5m        <10, >10      média
    BBP7        IDR, IAF, D      3         areno-argiloso a areno-siltoso                                                           >2m       <10 ~ >10 baixa a média
    BCP1            IAF          1         argilo-arenoso passando a areno-siltoso em profundidade; estrutura em blocos            > 1,8 m    <10 ~ >10      média
    BCP2          FRC, D         2         arenoso a areno-siltoso; estrutura maciþa                                               5 a 10 m      >10         baixa
    BDA1         D, IAF(?)       1         argilo-arenoso a argiloso                                                            sem informação <10, >10      baixa
    BDA2          D, IAF         2         argilo-arenoso                                                                       sem informação <10, >10      baixa
    BFA1         FRC, IAF?       1         areno-argiloso; fofo a pouco compacto; granular                                          >2m       > 10, <10      baixa
  BGA1(53)         FRC           1         areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em profundidade                 >2m        >10, <10      baixa
  BGA1(92)       FRC, IAF        1         areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em profundidade                 >2m        >10, <10      baixa
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



                                                           racterização de cada UBC. Dessa for-
A definição de regras para classificação
                                                           ma, considera-se neces-sário um ama-
final das unidades passou por duas etapas.
                                                           durecimento e refinamento da metodo-
Numa primeira etapa, os fatores foram
                                                           logia para permitir a utilização deste
agrupados em 3 classes denominadas de
                                                           fator.
alta (A), média (M) e baixa (B), de acordo
com o grau estimado de vulnerabilidade de                c) Avalliiação das UBCs e cartogra-
                                                         c) Ava ação das UBCs e cartogra-
aqüíferos à contaminação e de suscetibili-                                           fiia fiinall
                                                                                     f a f na
dade a processos geodinâmicos superfici-
ais, como apresentado nas Tabelas 8A e                 Para a avaliação final das UBCs foi aplica-
8B. Uma vez que a todos os fatores anali-              da a regra de classificação ilustrada na
sados foi atribuído um mesmo peso (ou                  Tabela 9. A avaliação foi qualitativa e con-
seja, um mesmo grau de influência), numa               siderou que cada um dos fatores apresen-
segunda etapa, as classes finais de avalia-            tava o mesmo grau de importância (pesos
ção resultaram da quantidade de notas A,               iguais). Dentro de cada área foram avalia-
M ou B atribuídos a cada uma das UBCs.                 das 13 Unidades Básicas de Comparti-
As combinações possíveis são ilustradas                mentação (UBCs), com relação a vulnera-
na Tabela 9.                                           bilidade à contaminação de aqüíferos e
                                                       suscetibilidade a processos geodinâmicos
Inicialmente, todos os fatores selecionados            superficiais.
para as análises pretendidas seriam utili-
zados na avaliação final das UBCs. No                  A Tabela 10 apresenta as vulnerabilidades
entanto, os fatores espessura de solos e               parciais induzidas pelos fatores analisados
profundidade do nível d’água não foram                 (ver Tabela 8A) e a vulnerabilidade resul-
utilizados pelos motivos listados abaixo:              tante da somatória da influência de todos
                                                       os fatores, para as Áreas T3 e T4, respec-
  ▪ Os dados de espessura de solos                     tivamente. As Figuras 7 e 8 mostram os
  não foram suficientes para atribuir a                mapas de vulnerabilidade para T3 e T4.
  cada uma das UBCs intervalos típicos
  de espessura, correspondentes às clas-               A Tabela 11 apresenta as suscetibilidades
  ses de espessura de solos previamente                parciais induzidas pelos fatores analisados
  definidas (Item 3.2.b). Com exceção de               (ver Tabela 8B) e a suscetibilidade resul-
  um único caso, todos os compartimen-                 tante da somatória da influência de todos
  tos apresentaram significativa variabili-            os fatores, para as Áreas T3 e T4, respec-
  dade (dentro de um intervalo de 1 a                  tivamente. As Figuras 9 e 10 mostram os
  10m) (Tabelas 7A e B). Tal fato, aponta              mapas de suscetibilidade para T3 e T4.
  para a necessidade de investigações                  A Área T3 é constituída predominante-
  mais específicas acerca da derivação                 mente de gnaisses e granitos pré-
  deste fator como será detalhado mais                 cambrianos, (apenas uma unidade contém
  adiante.                                             arenitos). Os granitos são considerados
  ▪ Os mapas de profundidade do nível                  como mais vulneráveis à contaminação e
  de água mostraram que todos os com-                  também mais suscetíveis a processos de-
  partimentos, com exceção de BCP2 na                  vido a seus materiais de alteração serem
  Área T4, apresentam áreas considerá-                 arenosos. Os gnaisses são considerados
  veis de ambas as classes utilizadas no               menos vulneráveis por apresentarem alte-
  mapa (maior que 10 m e menor que                     rações mais argilosas, no entanto, a folia-
  10m). Considera-se que esta incompati-               ção e outros planos de descontinuidades
  bilidade, ou seja, dos limites das UBCs              (intercalação de bandas centimétricas a
  não expressarem regiões homogêneas                   métricas de composição distinta) levou à
  de profundidade de nível d’água, pode-               definição de 3 classes distintas para estas
  ria ser solucionada com a adoção de                  rochas, correspondentes aos gnaisses
  intervalos, ao invés de isolinhas, de                bandados, gnaisses xistosos e granada-
  profundidade de nível d’água para a ca-              biotita-plagioclásio gnaisses.


                                                  36

                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




Tabela 8A. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a vulnerabilidade à
contaminação de aqüíferos.


                                                                       Tendência ou indicação de vulnerabilidade
                                                            ALTA                                MÉDIA                                BAIXA
                                                                                                                            - B (gnaisses ban-
                                                                             - Gr (Granitos)                                dados)
                                                                         - Gr /B, X, Bx* (Granitos/gnaisses ban-            - X (gnaisses xisto-
                                                  - IAm/Gr/X* (Arenitos dados, gnaisses xistosos, plagioclásio-             sos)
                                                  médios do Grupo Itara- granada-biotita gnaisses)                          - Bx (plagioclásio-
                                   Litologia      ré, Granitos e Xistos) - B, X, Bx/Gngr* (gnaisses bandados,               granada-biotita
                                                  - IAm (arenitos médios gnaisses xistosos, plagioclásio-granada-           gnaisses)
                                                  do Grupo Itararé)      biotita gnaisses/gnaisses graníticos)
                                                                                                                            - IDR (Diamictitos e
 Atributos das UBCs para T3 e T4




                                                                         - FRC (Formação Rio Claro)                         ritmitos do Grupo
                                                                                                                            Itararé)
                                                                             - IAF (arenitos finos do Grupo Itararé)
                                                                                                                            - D (Diabásios)
                                   Fraturamento 3                            2                                              1
                                                  - Arenoso                  - Areno-argiloso
                                                  - Areno-siltoso            - Areno-siltoso a areno-argiloso
                                                  - Areno-argiloso pas-      - Arenoso passando a argiloso
                                                  sando a areno-siltoso                                                     - Argiloso
                                   Tipo de solo                              - Areno-argiloso passando a argiloso
                                                  - Arenoso a areno-                                                        - Argilo-arenoso
                                                  siltoso                    - Argilo-arenoso passando a areno-
                                                                             argiloso
                                                  - Argilo-arenoso pas-
                                                  sando a areno-siltoso      - Argiloso passando a arenoso

                                                                             - Baixa a média
                                                                                                                            - Alta
                                   Declividade    - Baixa                    - Média
                                                                                                                            - Muito alta
                                                                             - Média a alta
 * As litologias que vem após a barra são subordinadas, em termos de área de ocorrência com relação as que vem antes. A
                                                             “virgula” indica que ocorre um ou mais dos litotipos indicados.




                                                                                   37

                                                                          INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                                               aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




Tabela 8B. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a suscetibilidade a pro-
cessos geodinâmicos superficiais.

                                                                          Tendência ou Indicação de Suscetibilidade
                                                                         ALTA                                  MÉDIA                    BAIXA
                                                  - IAm/Gr/X* (Arenitos médios do Grupo
                                                  Itararé, Granitos e Xistos)
                                                  - IAm (arenitos médios do Grupo Itararé)
                                                                                                       - IAF (arenitos finos
                                                  - FRC (Formação Rio Claro)
                                                                                                       do Grupo Itararé)
                                                  - X (gnaisses xistosos)                                                        - IDR (Diamictitos e
                                                                                                       - B (gnaisses ban-        ritmitos do Grupo
                                   Litologia      - Gr (Granitos)                                      dados)                    Itararé)
                                                  - Gr /B, X, Bx* (Granitos/gnaisses banda-            - Bx (plagioclásio-       - D (Diabásios)
                                                  dos, gnaisses xistosos, plagioclásio-                granada-biotita
 Atributos das UBCs para T3 e T4




                                                  granada-biotita gnaisses)                            gnaisses)
                                                  - B, X, Bx/Gngr* (gnaisses bandados,
                                                  gnaisses xistosos, plagioclásio-granada-
                                                  biotita gnaisses/gnaisses graniticos)
                                   Fraturamento 3                                                      2                         1
                                                                                                       - Areno-argiloso
                                                                                                                                 - Argiloso
                                                  - Arenoso                                            - Arenoso passando
                                                                                                                                 - Argilo-arenoso
                                                  - Areno-siltoso                                      a argiloso
                                                                                                                                 - Argilo-arenoso
                                   Tipo de solo   - Areno-argiloso passando a areno-siltoso            - Argilo-arenoso
                                                                                                                                 passando a areno-
                                                                                                       passando a areno-
                                                  - Arenoso a areno-siltoso                                                      argiloso
                                                                                                       siltoso
                                                  - Areno-siltoso a areno-argiloso                                               - Areno-argiloso
                                                                                                       - Argiloso passando
                                                                                                                                 passando a argiloso
                                                                                                       a arenoso
                                                  - Alta
                                                                                                                                 - Baixa
                                   Declividade    - Muito alta                                         - Média
                                                                                                                                 - Baixa a média
                                                  - Média a alta
 * As litologias que vem após a barra são subordinadas, em termos de área de ocorrência com relação as que vem antes. A
                                                             “virgula” indica que ocorre um ou mais dos litotipos indicados.




                                                                                        38

                                                                              INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



Tabela 9. Possíveis combinações das notas A, M e B, relativas aos quatro fatores de análise, e as classes finais
de avaliação

                Combinações possíveis de “As”, “Ms” e “Bs” Classes finais de avaliação
                AAAA                                                             Muito alta
                AAAM, AAAB, AAMM                                                    Alta
                AAMB, AABB, AMMM, AMMB, MMMM                                       Média
                AMBB, ABBB, MMMB, MMBB, MBBB, BBBB                                 Baixa




Tabela 10. Vulnerabilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a vulnerabilidade resultante da soma-
tória da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa).

                                 Vulnerabilidade induzida pelos fatores analisados                     Classe
   Área
                  UBC                                                                               resultante de
   piloto                      Litologia     Fraturamento Tipo de Solo Declividade                 Vulnerabilidade
                 CSA1              M                M                 A                A                 Alta
                 CLC1              B                A                 B*               M                Baixa
                 CSA2              M                A                 A                M                 Alta
                 CNC2              B                A                 A                M                Média
                 CRR3              M                M                 M                M                Média
                 CNC1              B                A                 M                M                Média
     T3          BAC1              A                B                 A                M                Média
                 CRR2              M                A                 M*               B                Média
                 CRR5              M                A                 M                B                Média
                 COC3              B                A                 A                M                Média
                 CSR3              M                A                 M*               B                Média
                 CLR3              M                A                 M*               B                Média
                 CLT1              M                A                 A                M                 Alta
                 BDA 1             B                B                 B                A                Baixa
                 BDA 2             B                M                 B                A                Baixa
                 BAA 1             A                B                 A                M                Média
                 BBP 2             B                A                 M                M                Média
                 BAP 2             A                B                 B                M                Baixa
                 BAP 1             A                M                 A                M                 Alta
     T4          BBM 3             A                B                 M                A                Média
                 BCP 1             M                B                 A                M                Média
                 BGA 1             M                B                 A                A                Média
                 BBP 7             M                A                 A                M                 Alta
                 BCP 2             M                M                 A                A                 Alta
                 BFA 1             M                B                 M                A                Média
                 BGA 1             M                B                 A                A                Média
                                  * Tipo de solo deduzido a partir do tipo de rocha predominante na UBC




                                                         39

                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                       292.000 m                                                                                       302.000 m
         7.478.000 m                                                                                                            7.478.000 m
                                         CSA1
                                         CSA1                                  CRR5
                                                                               CRR5
                                                                                                 CRR2
                                                                                                 CRR2

                                                                                                            CRR3
                                                                                                            CRR3
                                                                         CLR3
                                                                         CLR3
                                                           BAC1
                                                           BAC1
                                                                                CLT1
                                                                                CLT1




                           CSA2
                           CSA2                                                          COC3
                                                                                         COC3




                                                                                                   AIA
                                                             CLC1
                                                             CLC1




                                                                                                 ATIB
                                                                                                                     CSR3
                                                                                                                     CSR3
                                   RI
                                     BE
                                       IR
                                         AO




                                              CNC1

                                                                                             O
                                              CNC1

                                                                                           RI
                                                   DA
                                                     S
                                                         CNC2
                                                         CNC2
                                                           ANH
                                                             UMA
                                                                S
         7.470.000 m                                                                                                               7.470.000 m




                                                                                                                            800
                       292.000 m                                                                                       302.000 m



                                                                                                        Escala
                                                                                     1             0             1        2 Km




                           Convenções temáticas                         Convenções cartográficas
                                                                                Curva de nível
                                              Área não analisada
                                                                                Drenagem

                                          Área com uso                          Represas e lagoas
                                          urbano ou industrial
                                                                                Ferrovia
                                                                                Rodovia


                           Classes de Vulnerabilidade
                                         Alta


                                        Média

                                        Baixa


Figura 7. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T3.




                                                                         40

                                                                 INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                                               aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




               276.000 m                                                                                                                                                     292.000 m
7.498.000 m                                                                                                                                                                              7.498.000 m
                                                                                                                                         600


                                                    600                                                          600
                                                                                                                                          BGA1(92)
                                                                                                                                          BGA1(92)

                                                                                BCP1
                                                                                BCP1

              600

                                                                                                  BBP7
                                                                                                  BBP7
                                                                                                  BBP7
                                                                                                  BBP7
                                                                                                                                   600




                           BBP2
                           BBP2                 BDA2
                                                BDA2                                                     BCP2
                                                                                                         BCP2
                           BBP2
                           BBP2                PIRAPITINGUI

                                    RIBEIRAO
                                                                                             BAP2
                                                                                             BAP2

                                                                                                                       BAP1
                                                                                                                       BAP1
                                                                                                                       BAP1
                                                                                                                       BAP1
                                                                            BDA1
                                                                            BDA1
                                                                            BDA1
                                                                            BDA1
                                                                                                                                                                         C
                                                                                                                                                                         A
                                                          BFA1
                                                          BFA1                                                                                                           M
                                                                                                                                                                         A
                                                                                                                                                                         N
                                                                                                                                                                         D
                                                                                                                                                                         U
                                                                                600                     BAA1
                                                                                                        BAA1
                                                                                                        BAA1
                                                                                                        BAA1                                                             C
                                                                                                                                                                   RI
                                                                                                                                                                   O




                           BBM3
                           BBM3                                                                                                                                    RIO


                                                                                                                                                                             JAGUARI




                                                                                                                                               600

                                                                                600
                                                                                                                              BGA1(53)
                                                                                                                              BGA1(53)
                                                                                                                              BGA1(53)
                                                                                                                              BGA1(53)

                                                                                                           600
                              600



                                                                      600                                                                                    600
7.486.000 m                                                                                                                                                                              7.486.000 m
              276.000 m                                                                                                                                                      292.000 m


                                                                                                                                                         Escala
                                                                                                                                                     1   0               1        2 Km




                           Convenções temáticas                             Convenções cartográficas
                                                                                       Curva de nível
                                         Área não analisada
                                                                                       Drenagem

                                         Área com uso                                  Represas e lagoas
                                         urbano ou industrial
                                                                                       Ferrovia
                                                                                       Rodovia

                           Classes de Vulnerabilidade
                                         Alta


                                         Média

                                        Baixa




     Figura 8. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T4.




                                                                                                  41

                                                                                      INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




Tabela 11. Suscetibilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a suscetibilidade resultante da somató-
ria da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa).

                                  Suscetibilidade induzida pelos fatores analisados                     Classe
   Área
                  UBC                                                                                resultante de
   piloto                      Litologia     Fraturamento Tipo de Solo            Declividade       Suscetibilidade
                 CSA1              A                M                A                  B                 Alta
                 CLC1              A                A                M*                 M                 Alta
                 CSA2              A                A                A                  M                 Alta
                 CNC2              A                A                A                  M                 Alta
                 CRR3              A                M                M                  A                 Alta
                 CNC1              M                A                M                  M                Média
     T3          BAC1              A                B                A                  M                 Alta
                 CRR2              A                A                M*                 B                 Alta
                 CRR5              A                A                M                  A                 Alta
                 COC3              M                A                A                  A                 Alta
                 CSR3              A                A                A*                 A              Muito alta
                 CLR3              A                A                A*                 A              Muito alta
                 CLT1              A                A                A                  M                 Alta
                 BDA 1             B                B                B                  B                Baixa
                 BDA 2             B                M                B                  B                Baixa
                 BAA 1             A                B                A                  B                Média
                 BBP 2             B                A                A                  M                 Alta
                 BAA 2             A                B                B                  M                Média
                 BAP 1             A                M                A                  B                Média
     T4          BBM 3             B                B                M                  B                Baixa
                 BCA 1             M                B                M                  M                Média
                 BGA 1             A                B                M                  B                Média
                 BBP 7             B                A                A                  B                Média
                 BCP 2             A                M                A                  B                Média
                 BFA 1             A                B                M                  B                Média
                 BGA 1             A                B                A                  B                Média
                                  * Tipo de solo deduzido a partir do tipo de rocha predominante na UBC




                                                         42

                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                              aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                        292.000 m                                                                                   302.000 m
          7.478.000 m                                                                                                        7.478.000 m
                                          CSA1                                 CRR5
                                                                                            CRR2
                                                                                                          CRR3
                                                                       CLR3
                                                           BAC1




                            CSA2                                                         COC3
                                                                      CLT1                                      CSR3




                                                                                                  AIA
                                                               CLC1




                                                                                                ATIB
                                    RI
                                      BE
                                        IR
                                          AO




                                                                                            O
                                               CNC1

                                                                                          RI
                                                  DA
                                                    S   CNC2
                                                         ANHU
                                                             MAS
          7.470.000 m                                                                                                           7.470.000 m




                                                                                                                         800
                        292.000 m                                                                                   302.000 m



                                                                                                       Escala
                                                                                     1            0             1      2 Km




                        Convenções temáticas                            Convenções cartográficas
                                                                                Curva de nível
                                      Área não analisada
                                                                                Drenagem

                                      Área com uso                              Represas e lagoas
                                      urbano ou industrial
                                                                                 Ferrovia
                                                                                 Rodovia


                        Classes de Suscetibilidade
                                    Muito Alta


                                    Alta


                                    Média




Figura 9. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T3.




                                                                       43

                                                               INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                                                      aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




          276.000 m                                                                                                                                       292.000 m
7.498.000 m                                                                                                                                                                            7.498.000 m




                                                                                                                       600
                                            60
                                              0
                                                                                                      600
                                                                                                                              BGA1(92)

                                                                          BCP1

                                                                                      BBP7
         600




                                                                                                                 600




                  BBP2                 BDA2
                                       PIR
                                          APIT
                                              ING
                                                 UI
                                                                                             BCP2
                            RIBEIRAO

                                                                                 BAP2

                                                                                                     BAP1
                                                            BDA1
                                            BFA1




                                                                                                                                                          IA
                                                                                                                                                      CA
                                                                                                                                                     DU
                                                                                                                                                 AN
                                                                                                                                                M
                                                                                            BAA1




                                                                                                                                               CA
                                                                    60
                                                                      0




                                                                                                                                             O
                                                                                                                                           RI
                  BBM3                                                                                                                         RIO

                                                                                                                                                               JA
                                                                                                                                                                    G
                                                                                                                                                                        U
                                                                                                                                                                            AR
                                                                                                                                                                                 I




                                                                                                            BGA1(53)
                                                                    600




                                                                                                                          0
                                                                                                                        60
                                                                                               600
                        0
                      60




                                                           60

7.486.000 m                                                                                                                                                                             7.486.000 m
                                                             0
                                                                                                                                         600




          276.000 m                                                                                                                                       292.000 m


                                                                                                                                    Escala
                                                                                                                              1     0                1                               2 Km




                 Convenções temáticas                            Convenções cartográficas

                                                                           Curva de nível
                                  Área não analisada
                                                                           Drenagem

                                 Área com uso                              Represas e lagoas
                                 urbano ou industrial
                                                                           Ferrovia
                                                                           Rodovia

                 Classes de Suscetibilidade

                                Alta

                               Média

                               Baixa




Figura 10. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T4.




                                                                                       44

                                                                           INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                            aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



A Área T4 contém 5 classes litológicas que                Área T4, contendo 11 UBCs com grau má-
são: (1) lamitos com seixos e ritmitos; (2)               ximo 3, enquanto T4 contém 7 UBCs com
arenitos finos; (3) arenitos médios a gros-               grau mais baixo 1, e apenas 3 com grau de
sos; (4) diabásios; e (5) intercalações de                fraturamento 2.
siltito laminado, argilito e arenito fino lami-
nado referentes à Formação Rio Claro. As                  Os solos foram caracterizados somente em
três primeiras classes pertencem ao Grupo                 relação ao perfil textural. Os dados para
Itararé.                                                  caracterização da espessura foram consi-
                                                          derados insuficientes ou inconclusivos. A
Nos casos das UBC constituídas de por-                    quantidade de argila e sua variação ao
ções consideráveis de dois ou mais tipos                  longo do perfil de solo é considerada como
litológicos, que redundassem em vulnera-                  de fundamental importância para a atenua-
bilidades de aqüíferos ou suscetibilidade a               ção de contaminantes, assim como para o
processos geodinâmicos significativamente                 controle de processos erosivos..
distintas, considerou-se o tipo litológico
que potencialmente induziria maior perigo                 Foram determinadas 4 classes de declivi-
ao ambiente. Cabe ressaltar que a adoção                  dade, cujos intervalos constituem limites
desse critério de decisão, por si só, conduz              críticos para aplicações geotécnicas, sen-
a um maior número de unidades classifica-                 do que na Área T3 predominam as classes
das como de vulnerabilidade e suscetibili-                muito alta, alta e média, enquanto na Área
dade mais elevadas.                                       T4, predominam a classe baixa, e subordi-
                                                          nadamente, a classe média. Considera-se
A análise de lineamentos combinada à                      que classes de declividade mais alta propi-
utilização de um modelo tectônico regional,               ciem maior grau de suscetibilidade a pro-
permitiu a inferência de áreas com maior                  cessos geodinâmicos. No entanto, a maior
densidade e conectividade de fraturas,                    declividade pode atenuar o efeito do fratu-
assumindo que estas devam ser proporci-                   ramento (particularmente em rochas crista-
onais à densidade e ao número de inter-                   linas e menos alteradas), ao reduzir o po-
secções de lineamentos, respectivamente.                  tencial de infiltração de contaminantes por
Áreas com maior probabilidade de ocor-                    recarga natural, o que consequentemente
rência de fraturas abertas foram também                   pode reduzir o grau de vulnerabilidade.
identificadas. Tais áreas correspondem a
domínios tectônicos com predomínio do                     Por fim, a análise do fator profundidade de
evento E3-NW de natureza trans-                           nível d’água resultou no mapeamento da
extensional. A soma dos atributos densi-                  curva de isoprofundidade de10m, obtendo-
dade e intersecção de lineamentos e                       se assim duas classes para este fator.
evento tectônico predominante levou à                     Apesar de sua importância para a vulnera-
definição de 3 classes com graus cres-                    bilidade de aqüíferos, este fator não logrou
centes de fraturamento (1, 2 e 3 do menor                 ser utilizado nas avaliações uma vez que,
para o maior, como apresentado nas Ta-                    virtualmente, todas as UBCs continham
belas 8A e 8B). Em termos relativos, a                    porções significativas de ambas as clas-
Área T3 apresenta-se mais fraturada que a                 ses.




                                                     45

                                           INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                                                                  4.. DISCUSSÃO
                                                                                  4 DISCUSSÃO




                                                            topografia suave, que dificulta a utiliza-
Neste item são discutidos os resultados
                                                            ção de “padrões” de sombreamento
obtidos e as necessidades de estudos
                                                            como elemento textural.
complementares de forma a tornar mais
operacional a metodologia utilizada. São
                                                        - CARACTERIZAÇÃO
também incluídas breves discussões sobre
a incorporação da análise de fraturas nas
                                                        As dificuldades encontradas para a carac-
avaliações realizadas e tendo em vista os
                                                        terização geoambiental dos compartimen-
contextos geológicos e geomorfológicos
                                                        tos, dizem respeito à profundidade do nível
distintos. Considera-se que a identificação
                                                        d’água e, subordinadamente, à espessura
de limitações, discutidas a seguir, é de
                                                        de solos e, em alguns casos, ao tipo de
fundamental importância para a idealiza-
                                                        solo.
ção de futuros projetos e aprimoramento
do método de compartimentação fisiográfi-               Quanto à profundidade do nível d’água
ca.                                                     existem duas questões a serem resolvidas.
                                                        A primeira, e que é anterior à caracteriza-
- COMPARTIMENTAÇÃO                                      ção das UBCs, refere-se ao tipo de infor-
                                                        mação necessária para um traçado de
As UBCs utilizadas no presente estudo
                                                        maior precisão das curvas de isoprofundi-
foram derivadas de IG-SMA (1999), como
                                                        dade dos aqüíferos mais superficiais.
mencionado no item 3.1. Observou-se que,
                                                        Neste trabalho foram utilizados dados de
em alguns casos, os tipos de rochas atri-
                                                        cadastro de poços tubulares, enquanto que
buídos aos compartimentos não corres-
                                                        para o mapeamento da profundidade dos
pondiam às rochas observadas em campo,
                                                        aqüíferos mais superficiais seriam neces-
ou apresentavam significativa variação
                                                        sários dados de poços de pequena profun-
composicional, que notadamente não po-
                                                        didade, tipo cacimba, considerados como
deriam refletir comportamentos geotécni-
                                                        mais adequados para a identificação de
cos ou hidrogeológicos homogêneos. Tal
                                                        profundidade dos aqüíferos mais superfici-
fato pode ser devido a:
                                                        ais.
  ▪ Diferença de escalas de trabalho. As
                                                        A segunda questão diz respeito ao fato de
  UBCs utilizadas provieram do projeto
                                                        que os dados disponíveis mostram que a
  “Metodologia para Seleção de Áreas
                                                        maior parte das UBCs contém áreas con-
  para Tratamento e Disposição Final de
                                                        sideráveis das duas classes de profundi-
  Resíduos Sólidos” (IG-SMA 1999),
                                                        dade de nível d’água. Dada a importância
  como mencionado no item 3.1, tendo
                                                        deste fator para a avaliação de vulnerabili-
  sido delimitadas em imagens 1:100.000.
                                                        dade de aqüíferos, faz-se necessário veri-
  Os mapas e dados utilizados neste
                                                        ficar se é possível definir uma forma alter-
  projeto são compatíveis com a escala
                                                        nativa para a aquisição de dados referen-
  1:50.000.
                                                        tes ao fator “profundidade de nível d´água”
                                                        mais compatível com a abordagem fisio-
  ▪    As dificuldades para a delimitação
                                                        gráfica, que permita a utilização deste fator
  de   compartimentos fisiográficos na regi-
                                                        na caracterização geoambiental das UBCs.
  ão   ocidental da RMC, onde está inseri-
  da   Área T4, devem-se principalmente à
                                                        As dificuldades encontradas para a carac-

                                                   46

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                          aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



terização dos solos, quanto à espessura e               Estas questões mostram a importância de
ao perfil textural, são decorrentes do insu-            se conhecer a influência relativa de cada
ficiente conhecimento acerca dos proces-                fator e possivelmente considerar a atribui-
sos que controlam a evolução da paisagem                ção de pesos diferenciados a cada um
e a formação de solos, e a forma pela qual              deles.
tais processos expressam-se através dos
elementos texturais de imagem. Desta                    A avaliação de terrenos envolvendo a es-
forma, trabalhos futuros visando o aprimo-              timativa de vulnerabilidade de aqüíferos à
ramento da etapa de caracterização das                  contaminação deve enfocar os fatores que
UBCs devem investigar, por exemplo, as                  potencialmente controlam os processos de
relações entre as estruturas tectônicas de              atenuação, de acessibilidade hidráulica e
natureza rúptil e a evolução e distribuição             de recarga. No presente trabalho, tais pro-
dos perfis de solo, buscando correlações                cessos foram inferidos de forma integrada
com os elementos texturais de imagem (de                e qualitativa a partir de características do
drenagem e de relevo, a princípio).                     terreno (fatores), tais como litologia, tipo de
                                                        solo, declividade e grau de fraturamento.
Como aspecto positivo, destaca-se que a                 Considera-se que os fatores analisados
compartimentação fisiográfica apresenta                 procuram refletir propriedades do terreno
grande potencial de uso para variadas                   que, de alguma forma, induzem ou contro-
aplicações, com economia de recursos                    lam os referidos processos de atenuação,
materiais e financeiros e de tempo para                 acessibilidade hidráulica e recarga de
execução de avaliações do terreno, permi-               aqüíferos. Tais propriedades incluem:
tindo inclusive melhor visualização das
unidades por usuários. No entanto, investi-                 a) permeabilidade da zona não satura-
gações adicionais e revisão dos procedi-                    da;
mentos de execução, como sugeridos aci-
ma, tornam-se necessários com o objetivo                    b) conteúdo de argila e de matéria or-
de equacionar as limitações descritas e                     gânica na zona não-saturada;
tornar o método mais operacional e ade-
quado a diferentes cenários e escalas de                    c) taxa de infiltração.
estudo.
                                                        Portanto, com o intuito de aumentar a pre-
- AVALIAÇÃO                                             cisão da avaliação de vulnerabilidade, é
                                                        importante que investigações futuras pos-
No que diz respeito à etapa de avaliação                sam definir de forma mais confiável a cor-
geoambiental, alguns aspectos metodoló-                 relação existente entre as propriedades do
gicos merecem ser investigados em maior                 terreno que controlam os processos acima
detalhe em estudos futuros. Tais aspectos               mencionados e as características do terre-
são discutidos a seguir.                                no a partir das quais as propriedades fo-
                                                        ram inferidas. Alternativamente, podem ser
Não são conhecidas as influências relati-               definidos mecanismos de aquisição direta
vas de cada fator utilizado na avaliação.               das informações sobre as propriedades,
Neste sentido, algumas questões podem                   inclusive de forma quantitativa.
ser levantadas e servir de exemplo:
                                                        - INCORPORAÇÃO DA ANÁLISE DE FRATURAS
  1) Que influência efetiva a classe de                 NA AVALIAÇÃO DE TERRENOS
  fraturamento 3 exerce em termos de
  permeabilidade do meio?                               A superposição do mapa de lineamentos,
                                                        elaborada anteriormente por Fernandes
  2) A influência da declividade baixa (<               (1997) e de forma independente da com-
  5%) tem a mesma importância que a                     partimentação realizada em IG-SMA
  presença de um solo arenoso para a re-                (1999), mostrou que estas unidades
  carga do aqüífero?                                    (UBCs) são relativamente homogêneas em

                                                   47

                                         INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



termos de densidade e regularidade dire-               visual, correlacionando os principais trends
cional de lineamentos. Por exemplo, foi                direcionais de lineamentos observados em
possível definir domínios tectônicos para              rosáceas com estruturas medidas no cam-
12 das 13 unidades da Área T3, o que su-               po, a exemplo de Fernandes (1997) e Fer-
gere que a compartimentação apresenta                  nandes & Amaral (2002), produziram re-
boa correlação com a delimitação domínios              sultados bastante similares às análises de
tectono-estruturais homogêneos. Pode-se                caráter estatístico, apresentadas em Fer-
deduzir que tal correlação, entre domínios             nandes da Silva (2003), o que sugere uma
tectônicos e compartimentos fisiográficos,             razoável consistência quanto à caracteri-
é devida ao fato da tectônica cenozóica                zação do fator “fraturas” e sua utilização
exercer influência sobre a estruturação dos            para efeitos de avaliação da suscetibilida-
elementos de drenagem e de relevo.                     de a processos geodinâmicos e vulnerabi-
                                                       lidade dos aqüíferos.
Ainda é importante ressaltar que a análise




                                                  48

                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                           aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                                                               5.. CONCLUSÕES
                                                                               5 CONCLUSÕES




                                                         sidade e conectividade de fraturas, partin-
Não obstante a algumas limitações encon-
                                                         do-se do pressuposto que são proporcio-
tradas nos estágios de compartimentação
                                                         nais a uma maior densidade e número de
e caracterização das unidades, e discuti-
                                                         intersecções de lineamentos, respectiva-
das anteriormente, a implementação da
                                                         mente. Também foram identificadas áreas
metodologia de compartimentação fisio-
                                                         de maior probabilidade de ocorrência de
gráfica em contextos geológicos e geo-
                                                         fraturas com maior abertura, as quais cor-
morfológicos distintos, como as duas áre-
                                                         respondem a domínios tectônicos com
as-piloto estudadas no presente projeto,
                                                         predomínio do evento E3-NW de natureza
demonstraram sua aplicabilidade para ava-
                                                         trans-extensional.
liações de terreno voltadas à estimativa de
suscetibilidade a processos geodinâmicos
                                                         Com relação à suscetibilidade a processos
superficiais e à vulnerabilidade da água
                                                         geodinâmicos superficiais, verificou-se que
subterrânea à contaminação.
                                                         na Área T3, a relativa predominância de
                                                         gradientes de declividade mais altos com-
Considera-se que uma das principais con-
                                                         binados à maior densidade de fraturas está
tribuições do presente trabalho, diz res-
                                                         possivelmente associada a um maior nú-
peito à incorporação da análise de fratura-
                                                         mero de compartimentos fisiográficos
mento no processo de avaliação geotécni-
                                                         apresentando alta suscetibilidade a pro-
ca e hidrogeológica dos compartimentos
                                                         cessos geodinâmicos, quando comparados
fisiográficos.
                                                         à Área T4. Aparentemente, os tipos textu-
Sugere-se no presente trabalho, que as                   rais de solos observados na Área T3 tam-
UBCs correspondem a domínios tectônicos                  bém influenciam na classificação de diver-
homogêneos, e que tal correlação pode ser                sos compartimentos como sendo de maior
de grande utilidade para avaliações geo-                 suscetibilidade.
técnicas e hidrogeológicas do terreno.
                                                         As limitações encontradas com relação à
As descontinuidades de natureza tectônica                heterogeneidade interna das UBCs, em
rúptil, não relacionadas à formação das                  termos de tipos litológicos e profundidade
rochas, correspondem às fraturas. Tais                   do nível d’água, e as dificuldades para ca-
fraturas quando geradas por esforços ex-                 racterização de solos, principalmente
tensionais tendem a gerar espaços vazios                 quanto a espessura, devem ser considera-
(fraturas abertas), que se constituem em                 dos como temas prioritários na realização
caminhos preferenciais dos contaminantes                 de novos trabalhos visando avanços meto-
em rochas de baixa permeabilidade primá-                 dológicos. Tais temas podem incluir al-
ria. No caso das áreas piloto estudadas,                 guns procedimentos operacionais específi-
estas rochas corresponderam aos granitos,                cos, a serem adotados nas etapas de ca-
gnaisses, diabásios e rochas sedimentares                racterização e de avaliação geotécnico-
de textura fina (lamitos com seixos e ritmi-             hidrogeológica dos compartimentos, como
tos do Grupo Itararé e argilitos e siltitos da           listados a seguir:
Formação Rio Claro). A análise de linea-
                                                             ▪ Traçado de curvas de isoprofundi-
mentos, junto com o modelo de evolução
                                                             dade de nível d’água com base em po-
tectônica cenozóica da região de Campi-
                                                             ços-cacimba, de menor profundidade, e
nas, permitiu inferir áreas com maior den-

                                                    49

                                          INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                         aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



mais adequados para se identificar a                       de igual peso ou importância no pre-
profundidade dos aqüíferos mais super-                     sente trabalho). Cabe assinalar, por
ficiais.                                                   exemplo, que áreas com maior quanti-
                                                           dade de lineamentos corresponderam,
▪ Investigar em maior detalhe a cor-                       em geral, às áreas com maior declivida-
relação existente entre as propriedades                    de. Este resultado enfatiza a necessida-
do terreno que controlam os processos                      de de conhecimento acerca da influên-
de atenuação de contaminantes, aces-                       cia relativa e diferenciada de cada fator
sibilidade hidráulica, e recarga de aqüí-                  a ser considerado nas avaliações.
feros, com as características do terreno
(por ex. litologia, tipo de solo, declivida-               ▪ Aprimoramento do procedimento de
de, e grau de fraturamento) capazes de                     caracterização de solos, buscando me-
permitir a inferência de tais proprieda-                   lhor compreender as relações entre as
des a partir de imagens de satélites ou                    estruturas tectônicas, em especial as de
de informações pré-existentes.                             natureza rúptil (fraturas) e a evolução da
                                                           paisagem, no que diz respeito à distri-
▪ Investigação e possível utilização de                    buição espacial e evolução dos perfis de
pesos diferenciados para cada um dos                       solo.
fatores de análise (considerados como




                                                  50

                                        INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                             aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas




                                        6.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
                                        6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




                                                               Environment. SAIEG, Pretoria. CD-ROM, p.
Bell FG. 1993. Engineering Geology. Blackwell,
                                                               906-914
   Oxford. 269p
                                                           Cendrero A. 1990. Developments and tenden-
Bell FG, Cripps JC, Culshaw MG, O’Hara M.
                                                             cies in Environmental Geology in Europe. In:
   1987. Aspects of geology in planning. In:                             st
                                                             Actes of 1 Andean Conference on Envi-
   Culshaw MG, Bell FG, Cripps JC, O’Hara M.
                                                             ronmental      Geology,  Medellin.    AGID
   (eds). Planning and Engineering Geology.
                                                             REPORT 13, p. 65 – 88.
   Geological Society Engineering Geology
   Special Publication No. 4, pp. 1-38.
                                                           De Biasi 1992. A Carta clinográfica: os métodos
                                                             de representação e sua confecção. Revista
Bennett MR & Doyle P. 1997. Environmental
                                                             do Depto de Geografia, FFLCH-USP, 6:45-
  Geology. John Wilet and Sons Ltd, Chices-
                                                             60.
  ter. 501p.
                                                           Domenico PA & Schwartz FW. 1990. Physical
Bennett MR & Doyle P. (eds). 1998. Issues in
                                                             and chemical hydrogeology. John Wiley &
  Environmental Geology: a British Perspec-
                                                             Sons, New York, 824 pp.
  tive. Geological Society, London.
                                                           Fernandes AJ. 1997. Tectônica Cenozóica na
Brollo MJ. 2001. Metodologia automatizada
                                                              Porção Média da Bacia do Rio Piracicaba e
   para seleção de áreas para disposição de
                                                              sua aplicação à hidrogeologia. São Paulo
   resíduos sólidos. Aplicação na Região Me-
                                                              (SP);. [Tese de Doutoramento - Instituto de
   tropolitana de Campinas (SP). São Paulo.
                                                              Geociências da USP].
   [Tese de Doutoramento – Departamento de
   Saúde Ambiental – Faculdade de Saúde
                                                           Fernandes AJ & Amaral G. 2002. Cenozoic
   Pública da USP].
                                                              tectonic events at the border of the Parana
                                                              Basin, São Paulo, Brazil. Journal of South
Brollo MJ, Mendes EAA, Vedovello R, Santoro,
                                                              American Earth Sciences,14(8):911-931.
   J. 1994. Mapa de materiais inconsolidados
   como subsídio ao planejamento do meio fí-
                                                           Fernandes AJ & Hirata RCA 2003. Vulnerability
   sico. In: Congresso Brasileiro de Geologia,
                                                              of fractured aquifers: a case study of the ap-
   38, Balneário Camboriú. SBG, Boletim de
                                                              plication of Cenozoic tectonics (Sao Paulo,
   Resumos Expandidos, V.1, p.51-52.
                                                              Brazil)". Artigo submetido ao Journal of
                                                              Hydrology.
Brollo MJ, Vedovello R, Gutjahr MR, Hassuda
   S, Iritani MA, Fernandes da Silva PC, Holl
                                                           Fernandes AJ & Rudolph D. 2001. The influ-
   MC 2000. Criteria for selection of areas for
                                                              ence of Cenozoic Tectonics on the ground-
   waste disposal in regional scale (1:100,000).
                                                              water-production capacity of fractured
   Application area: Metropolitan Region of
                                                              zones: a case study in Sao Paulo, Brazil.
   Campinas, Sao Paulo State, Brazil. In: Pro-
                                                              Hydrogeology Journal, 9:151-167.
   ceedings of the 8th Congress of the Intl. As-
   soc. Engineering Geology and Environment.
                                                           Fernandes da Silva PC. 2003. The Use of
   AA Balkema, Rotterdam, 6: 4281-4286.
                                                              Structural Geology in Regionalisation
                                                              Schemes for Engineering Purposes. Shef-
Brollo MJ, Ferreira LMR, Pompéia SL. 2002.
                                                              field, United Kingdom [Tese de Doutora-
   Evaluation of the environmental pollution
                                                              mento submetida à University of Sheffield].
   risk in a regiuonal planning context. In: Pro-
   ceedings of 9th International Congress of
   the Intl. Assoc. Engineering Geology and                Fernandes da Silva PC, Maffra CQT, Tominaga


                                                      51

                                            INSTITUTO GEOLÓGICO
Suscetibilidade a processos geodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação:
                                                              aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas



   LK, Vedovello R. 1997. Mapping units on                      tica na análise e interpretação de fotografias
   São Sebastião Geohazards Prevention                          aéreas em geologia. Notícia Geomorfológi-
   Chart, Northshore of São Paulo State, Bra-                   ca; 6(32): 71-104.
   zil. In: Proceedings of 30th International
   Geological Congress Utrecht, Netherlands,                Souza CRG [coord.]. 2002. Sistema Integrador
   VSP Scientific Publisher. V.24. p. 266-281.                de Informações Geoambientais para o litoral
                                                              do Estado de São Paulo, aplicado ao geren-
Foster S & Hirata RCA. 1988. Groundwater                      ciamento costeiro – SIIGAL: fase II. 2º Re-
   pollution risk assessment: a methodology                   latório Científico (FAPESP-1998/14277-2).
   based on available data. CEPIS/PAHO                        São Paulo (SP): Instituto Geológico; 204p.
   Technical Report. Lima, Peru. 83p.
                                                            Vedovello R, Brollo MJ, Holl MC, Maffra CQT.
IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1993.                    1999. Sistemas Gerenciadores de Informa-
   Subsídios do Meio Físico-Geológico ao Pla-                 ções Geoambientais como um produto da
   nejamento do Município de Campinas (SP).                   cartografia geotécnica. Exemplo voltado à
   Relatório Técnico. São Paulo (SP): Instituto               disposição de resíduos. In: Anais do 9º
   Geológico; 3 vols.                                         Congresso Brasileiro de Geologia de Enge-
                                                              nharia. Águas de São Pedro, ABGE –
IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1995.                    UNESP – USP.CD-ROM.
   Subsídios para o planejamento regional e
   urbano do meio físico na porção média da                 Vedovello R. 2000. Zoneamentos Geotécnicos
   Bacia do Rio Piracicaba, SP. Relatório Téc-                Aplicados à Gestão Ambiental a partir de
   nico. São Paulo (SP): Instituto Geológico; 4               Unidades Básicas de Compartimentação –
   vols.                                                      UBCs. Rio Claro (SP), 154p. [Tese de Dou-
                                                              toramento – Instituto de Geociências e Ci-
IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1996.                    ências Exatas da UNESP]..
   Carta de riscos a movimentos de massa e
   inundações do município de São Sebastião,                Vedovello R. 1993. Zoneamento Geotécnico
   SP. Relatório Técnico. São Paulo (SP): Ins-                por Sensoriamento Remoto para Estudos de
   tituto Geológico; 77p., 14 anexos.                         Planejamento do Meio Físico - aplicação em
                                                              expansão urbana. São José dos Campos
IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1999.                    (SP), 88p.[Dissertação de Mestrado - Insti-
   Metodologia para Seleção de Áreas para                     tuto Nacional de Pesquisas Espaciais
   Tratamento e Disposição Final de Resíduos                  (INPE)].
   Sólidos. Relatório Técnico. São Paulo (SP):
   Instituto Geológico; 98p.                                Veneziani P & Anjos CE. 1982. Metodologia de
                                                              interpretação de dados de sensoriamento
IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 2002.                    remoto e aplicações em geologia. São José
   Mapeamento da Vulnerabilidade Natural dos                  dos Campos, SP. (INPE – 2227 – MD041)
   Aqüíferos Fraturados Pré-cambrianos da
   Região Metropolitana de Campinas. São                    Wang JSY & Narasimhan TN. 1993. Unsatu-
   Paulo (SP): Instituto Geológico; 81p.                      rated Flow in Fractured Porous Media. In:
                                                              Bear J, Tsang C-F, de Marsily G (Eds.).
Mitchell C.W. 1991. Terrain Evaluation. Long-                 Flow and contaminant transport in fractured
   man, Essex. 2nd Ed. 497p.                                  rock. San Diego Academic Press. p.325-
                                                              395.
Riedel OS, Rodrigues JE, Mattos JT, Maga-
   lhães FS. 1995. A influência das estruturas              Yoshinaga-Pereira S. 1996. Proposta de Re-
   geológicas em instabilidades de taludes em                 presentação Cartográfica na Avaliação Hi-
   saprolitos – uma abordagem regional. São                   drogeológica para Estudo de Planejamento
   Paulo, SP. Solos e Rochas, 18 (3):139-147.                 e Meio Ambiente, exemplo da Região Me-
                                                              tropolitana de Campinas - SP. São Paulo
Rubin J & Steinhardt R. 1963. Soil water rela-                (SP) [Tese de Doutoramento - Instituto de
  tions during rain infiltration. In: Theory: Soil            Geociências da USP].
  Sci. Amer. Proc. vol. 27, p. 246-251.

Soares PC & Fiori AP. 1976. Lógica e sistemá-


                                                       52

                                             INSTITUTO GEOLÓGICO

Avaliação da suscetibilidade de terrenos a perigos de instabilidade e poluição na Região Metropolitana de Campinas”

  • 1.
    Secretaria de Estadodo Meio Ambiente & Universidade de Sheffield SUSCETIBILIDADE A PROCESSOS GEODINÂMICOS E VULNERABILIDADE DE AQÜÍFEROS À CONTAMINAÇÃO: APLICAÇÃO A TERRENOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS Relatório Técnico São Paulo, abril de 2003
  • 2.
    GOVERNO DO ESTADODE SÃO PAULO Geraldo Alckmin Secretaria de Estado do Meio Ambiente José Goldemberg Instituto Geológico Sonia Aparecida Abissi Nogueira UNIVERSIDADE DE SHEFFIELD Relatório Técnico SUSCETIBILIDADE A PROCESSOS GEODINÂMICOS E VULNERABILIDADE DE AQÜÍFEROS À CONTAMINAÇÃO: APLICAÇÃO A TERRENOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS São Paulo abril de 2003
  • 3.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas EQUIPE TÉCNICA EQUIPE TÉCNICA Coordenação Geral Cláudio José Ferreira & Paulo César Fernandes da Silva (Instituto Geológico) Coordenação do Relatório Técnico Amélia João Fernandes (Instituto Geológico) Execução Amélia João Fernandes (Instituto Geológico) Cláudio José Ferreira (Instituto Geológico) John C. Cripps (Universidade de Sheffield, Reino Unido) Lídia Keiko Tominaga (Instituto Geológico) Mara Akie Iritani (Instituto Geológico) Maria José Brollo (Instituto Geológico) Paulo César Fernandes da Silva (Instituto Geológico) Ricardo Vedovello (Instituto Geológico) i INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 4.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas SUMÁRIO SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 1 1.1. Justificativas e Histórico .............................................................................. 1 1.2. Objetivos e Área de Estudo .......................................................................... 1 2. METODOLOGIA ................................................................................................ 3 2.1. Abordagem metodológica ............................................................................. 3 2.2. Etapas metodológicas .................................................................................. 4 2.2.1. Compartimentação fisiográfica do terreno ............................................... 4 a) Seleção do produto de sensoriamento remoto .......................................... 4 b) Delimitação de compartimentos fisiográficos ............................................ 5 c) Avaliação de homogeneidade e de similaridade ......................................... 5 d) Trabalhos de campo ............................................................................... 6 e) Finalização do mapa de Unidades Básicas de Compartimentação ................ 6 2.2.2. Caracterização geoambiental .................................................................. 6 a) Identificação dos fatores de análise ......................................................... 6 b) Obtenção de dados e definição das classes dos fatores de análise .............. 6 c) Sistematização das informações sobre as UBCs ......................................... 7 2.2.3. Avaliação geoambiental ......................................................................... 7 a) Definição das classes da carta final .......................................................... 7 b) Definição das regras de classificação das UBCs ......................................... 7 c) Avaliação das UBCs e cartografia final ...................................................... 7 3. APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NAS ÁREAS PILOTO (REGIÃO METROPO- LITANA DE CAMPINAS) ....................................................................................... 9 3.1. Compartimentação fisiográfica do terreno ...................................................... 9 a) Seleção do produto de sensoriamento remoto .............................................. 9 b) Compartimentação da área de estudo .......................................................... 10 c) Avaliação de homogeneidade e de similaridade ............................................. 12 d) Trabalhos de campo ................................................................................... 12 e) Finalização do mapa de Unidades Básicas de Compartimentação .................... 13 3.2. Caracterização geoambiental ......................................................................... 18 a) Identificação dos fatores de análise ............................................................. 18 ii INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 5.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas b) Obtenção de dados e definição das classes dos fatores de análise .................. 21 c) Sistematização das informações sobre as UBCs ............................................. 28 3.3. Cartografia temática final .............................................................................. 29 a) Definição das classes da carta final .............................................................. 29 b) Definição das regras de classificação das UBCs ............................................. 29 c) Avaliação das UBCs e cartografia final .......................................................... 36 4. DISCUSSÃO ..................................................................................................... 46 5. CONCLUSÕES ................................................................................................... 49 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 51 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. Mapa de localização das áreas de estudo ............................................................... 2 Figura 2. Ilustração a partir de imagem TM-Landsat (bandas 3, 4, 5) e compartimentos fisiográficos delimitados para as Áreas T3 e T4, considerando as relações texturais associadas a elementos de drenagem .................................................................................................... 11 Figura 3. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T3 ............................................... 15 Figura 4. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T4 ............................................... 16 Figura 5. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T3 .......................................... 23 Figura 6. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T4 .......................................... 24 Figura 5. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T3 ............................ 40 Figura 6. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T4 ............................ 41 Figura 7. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T3 ................ 43 Figura 8. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T4 ................ 44 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1. Exemplo de características texturais nas imagens utilizadas para a diferenciação de UBCs na Região Metropolitana de Campinas ........................................................................... 13 Tabela 2A. Codificação das UBCs nas áreas piloto T3 e T4 correspondente às 3 primeiras letras do código de identificação ..................................................................................................... 17 Tabela 2B. Exemplos de códigos atribuídos às UBCs .............................................................. 17 Tabela 3. Variação de vulnerabilidade para diversos grupos litológicos de rochas cristalinas (Fernandes & Hirata 2003) ................................................................................................... 19 Tabela 4. Evolução tectônica cenozóica para a região de Campinas, segundo Fernandes (1997) e Fernandes & Amaral (2002) ............................................................................................... 25 Tabela 5. Atribuição de notas aos parâmetros utilizados para a derivação de classes de Fraturamento ....................................................................................................................... 26 iii INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 6.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 6A. Tabela de descrição completa da área T3 ............................................................ 30 Tabela 6B. Tabela de descrição completa da área T4 ............................................................. 32 Tabela 7A. Tabela síntese da área T3 ................................................................................... 34 Tabela 7B. Tabela síntese da área T4 .................................................................................. 35 Tabela 8A. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos .......................................................................... 37 Tabela 8B. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais .............................................................. 38 Tabela 9. Possíveis combinações das notas A, M e B, relativas aos quatro fatores de análise, e as classes finais de avaliação ................................................................................................. 39 Tabela 10. Vulnerabilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a vulnerabilidade resultante da somatória da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa) ..... 39 Tabela 11. Suscetibilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a suscetibilidade resultante da somatória da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa) ..... 42 ÍNDICE DE FOTOS Fotos de campo. (1) a (5) ................................................................................................ 14 iv INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 7.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 1.. INTRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO 1..1.. JUSTIFICATIVAS E 1 1 JUSTIFICATIVAS E O Instituto Geológico, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, HISTÓRICO HISTÓRICO tem desenvolvido projetos de zoneamento geoambiental, desde 1993, onde terrenos Ao longo das últimas décadas, as ativida- têm sido avaliados quanto a potencialida- des de engenharia e planejamento têm des e fragilidades. Nos últimos anos o Ins- incorporado de forma crescente os con- tituto tem adotado a abordagem fisiográfica ceitos de qualidade ambiental e de desen- para avaliações que identificam áreas com volvimento sustentável, na medida em que variada adequabilidade para determinados procuram prevenir situações adversas ou tipos de uso e atividades, tais como dispo- minimizar os possíveis impactos da ação sição de resíduos sólidos e áreas de ex- antrópica (Cendrero 1990; Bell 1993; pansão urbana. Bennett & Doyle 1998). O zoneamento geoambiental, que consiste em dividir o terreno em zonas com certa homogeneidade em relação aos elementos 1..2.. OBJETIVOS E ÁREA DE 1 2 OBJETIVOS E ÁREA DE componentes do meio físico, pode ser útil ESTUDO ESTUDO para diferentes propósitos como aqueles aplicados ao planejamento e aos projetos Com a finalidade de consolidar e aprimorar de engenharia, uma vez que tais zonas a estratégia metodológica para a avaliação homogêneas apresentam respostas espe- de terrenos, o Instituto Geológico tem bus- cíficas às solicitações da atividade huma- cado a integração entre diferentes áreas na. do conhecimento, tais como Geologia, Geotecnia e Hidrogeologia. Tal esforço Dentre as metodologias existentes para o institucional inclui a especialização do zoneamento geoambiental, a abordagem quadro técnico através de contato com fisiográfica baseia-se no princípio de que a setores atuantes na gestão ambiental, e interação dos elementos geoambientais intercâmbio técnico com instituições e or- (geologia, geomorfologia, topografia, ve- ganismos similares nacionais e internacio- getação e clima) reflete-se no aspecto fisi- nais. Como resultado deste esforço, o Ins- onômico do terreno. Esta suposição per- tituto Geológico, em cooperação com a mite afirmar que zonas com características Universidade de Sheffield, e contando com homogêneas refletem terrenos constituídos apoio financeiro do Fundo de Projetos Am- por elementos geoambientais semelhan- bientais do Ministério das Relações Exteri- tes. Através deste raciocínio, diversos au- ores do Reino Unido (The Foreign Com- tores (Bell et al. 1987; Mitchell 1991; Bell monwealth Office), promoveu um programa 1993; Vedovello 2000) sugerem que tal de visitas técnicas visando a identificação abordagem oferece meios racionais de de interesses mútuos e a criação de um correlacionar áreas conhecidas com arcabouço institucional para o desenvolvi- aquelas desconhecidas e então, estimar, mento de futuros projetos com cooperação com razoável precisão, as condições do internacional. Tal programa também incluiu terreno. o desenvolvimento do presente projeto, cujos objetivos foram: 1 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 8.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas ▪ Implementar a metodologia de com- considerada uma das áreas críticas do partimentação fisiográfica, proposta por Estado de São Paulo em termos de plane- Vedovello (1993, 2000), para a avalia- jamento territorial e gestão ambiental. ção de terrenos em contextos geológi- cos e geomorfológicos diversificados. Dentro da RMC, foram selecionadas duas áreas, T3 e T4 (Figura 1), envolvendo ▪ Incorporar técnicas inferenciais para materiais geológicos e contextos geomor- identificar e mapear descontinuidades fológicos distintos. A Área T3 está situada tectônicas potencialmente ocorrentes no a apenas poucos quilômetros a nordeste terreno, utilizando modelo tectônico re- da cidade de Campinas, cobrindo aproxi- gional previamente proposto. madamente 80 km2. Esta área é constituí- da por rochas pré-cambrianas gnáissico- ▪ Estimar a suscetibilidade a proces- graníticas, que sustentam uma topografia sos geodinâmicos superficiais e vulne- acidentada, na maioria representada por rabilidade à contaminação da água morros e morrotes com significativa decli- subterrânea, considerando, inclusive, os vidade. A Área T4 está localizada nas pro- efeitos das descontinuidades tectônicas. ximidades do Parque Industrial de Paulínia, a cerca de 15 km a noroeste da cidade de O presente projeto foi desenvolvido na Campinas, e abrange aproximadamente Região Metropolitana de Campinas (RMC) 192 km2. Esta é constituída por rochas onde avaliações prévias do terreno têm fanerozóicas sedimentares e ígneas que sido conduzidas pelo Instituto Geológico sustentam relevos suaves de colinas, além desde 1993. Esta região encontra-se em de planícies aluviais relativamente exten- pleno desenvolvimento econômico e é sas. BRASIL T4 T4 SÃO PAULO REGIÃO METROPOLITANA T3 T3 DE CAMPINAS Figura 1. Mapa de localização das áreas de estudo 2 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 9.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 2.. METODOLOGIA 2 METODOLOGIA utilização deste tipo de abordagem na ava- 2..1.. ABORDAGEM 2 1 ABORDAGEM liação de terrenos permite a elaboração de METODOLÓGICA METODOLÓGICA um produto cartográfico único, onde os elementos ambientais (acima citados) são A utilização de informações sobre o meio representados e individualizados em uni- físico é essencial para fundamentar a for- dades que refletem limites fisiográficos mulação e a implementação de políticas (não apenas limites funcionais demarcando públicas, ações de planejamento, ativida- variações de um determinado parâmetro des e instrumentos de gestão ambiental. ou propriedade), o que facilita ações de Tais informações apresentam grande im- planejamento territorial. portância na avaliação de terrenos, uma vez que os elementos fisiográficos (solo, Na abordagem paramétrica, cada parâ- rocha, relevo, vegetação) que compõem o metro ou informação temática é processa- terreno interagem de forma variável, de- da individualmente para posterior integra- terminando diferentes condições de com- ção. Dessa forma, são elaborados produ- portamento frente às ações antrópicas. tos cartográficos referentes a cada parâ- metro ou tema, os quais podem ser anali- Analisando a literatura técnica internacio- sados individualmente ou em combinações nal sobre os métodos de avaliação de ter- específicas, dependendo do tipo de aplica- renos, Vedovello (2000) identifica duas ção e objetivo do estudo e, por vezes com abordagens operacionais básicas para a atribuições de pesos. O procedimento para espacialização de dados e informações elaboração de mapa de síntese final pode sobre os terrenos: fisiográfica e paramé- envolver diferentes estratégias que vão trica. desde a simples superposição de informa- ções (soma cartográfica) até mecanismos A abordagem fisiográfica, também de- de pontuação com base no conhecimento nominada abordagem de paisagem, ele- intuitivo ou modelos estatísticos. mentos componentes do terreno são iden- tificados e analisados de forma integrada. Autores como Mitchell (1991), Bennett & Os componentes fisionômicos do terreno, Doyle (1997) e Vedovello (2000) conside- são analisados principalmente através de ram que a prática de ambos os procedi- fotointerpretação, com o intuito de identifi- mentos, e suas respectivas características car unidades de terreno com característi- cartográficas, têm apontado para uma cas distintivas. Estas unidades refletem vantagem da abordagem fisiográfica ou de associações específicas de elementos am- paisagem sobre a paramétrica, em termos bientais (geologia, relevo, solo, vegetação de custos, de tempo de execução, e de e clima), cuja expressão reflete padrões aplicabilidade. morfo-ambientais recorrentes e distinguí- veis tanto em imagens (de satélite e foto- Exemplos de estudos que se beneficiam grafias aéreas) quanto no próprio terreno. da abordagem fisiográfica incluem: IG- As unidades identificadas desta maneira SMA (1996 e 1999), Fernandes da Silva et são então caracterizadas quanto às pro- al. (1997), Brollo et al. (2000 e 2002), Sou- priedades e características geológico- za (2000), Brollo (2001), Fernandes da geotécnicas e avaliadas em termos de Silva (2003, incluído neste CD-ROM). A diagnósticos e prognósticos ambientais. A estes trabalhos somam-se outros estudos 3 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 10.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas referentes a diferentes aspectos do meio do terreno, tais como permeabilidade, físico da Região Metropolitana de Campi- erodibilidade e escavabilidade. nas: IG-SMA (1993, 1995 e 2002), Yoshi- naga-Pereira (1996) e Fernandes (1997). Na etapa de Avaliação Geoambiental ocorre a análise e classificação das UBCs segundo os objetivos da avaliação e com base nas propriedades e características do 2..2.. ETAPAS 2 2 ETAPAS terreno. METODOLÓGICAS METODOLÓGICAS Nos sub-itens a seguir são descritos, con- forme Vedovello (2000), os procedimentos Em linhas gerais, a avaliação de terrenos necessários para cada etapa metodológi- segundo a abordagem fisiográfica inclui ca. três etapas principais: (1) a compartimen- tação do território em unidades fisiográfi- cas; (2) a caracterização destas unidades de compartimentação em termos de pro- 2..2..1.. Compartiimentação fii- priedades e características do terreno que 2 2 1 Compart mentação f - interferem, condicionam ou são afetadas siiográfiica do terreno s ográf ca do terreno pelas atividades humanas; e (3) a avalia- ção destas unidades em termos de fragili- a) selleção do produto de sensorii- a) se eção do produto de sensor - dades (suscetibilidade a processos super- amento remoto amento remoto ficiais e vulnerabilidade de aqüíferos, por exemplo), potencialidades geoambientais Para a seleção do produto de sensoria- (cartas de aptidão), bem como de riscos e mento remoto são levados em considera- impactos geoambientais associados. ção: Na etapa de Compartimentação Fisiográ- a) as características das imagens; fica do Terreno efetua-se a delimitação de zonas texturais homogêneas e distintas (de b) as características das áreas de estu- áreas adjacentes) em imagens de satélite do (tipos de rocha e solo, tipo de relevo ou fotografias aéreas. Em termos genéri- a serem potencialmente encontrados); cos, as características texturais associam- se a elementos de drenagem e de relevo. c) a escala dos produtos finais a serem Estas zonas são denominadas de Unida- elaborados. des Básicas de Compartimentação (UBCs), e supõe-se que reflitam associa- Além disso, devem ser analisadas outras ções específicas de rochas, estruturas especificidades sobre as imagens, tais tectônicas, materiais inconsolidados e tipos como ângulo de elevação solar, cobertura de relevo. Esta etapa independe do objeti- de nuvens, azimute etc., que possam favo- vo final da cartografia, que será considera- recer e/ou dificultar a interpretação das do somente na segunda e terceira fases. cenas. A seleção do melhor produto para a análise, portanto, depende dos objetivos Na etapa de Caracterização Geoambien- do estudo, da fisiografia da área e dos tal são identificadas e sistematizadas as elementos de análise e critérios que serão características relevantes e necessárias utilizados pelo intérprete. para as avaliações a serem realizadas na terceira etapa. Esta caracterização pode A abordagem fisiográfica pode ser aplicada ser feita com base em: (1) características em diversas escalas e produtos de senso- do terreno, tais como perfil e espessura res remotos, tais como imagens de satélite do material inconsolidado, rochas, estrutu- ou de radar e fotografias aéreas. Em de- ras geológicas, tipo de relevo e profundi- corrência da escala do produto, os ele- dade do nível d’água; e (2) propriedades mentos texturais analisados também po- 4 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 11.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas dem variar. Assim, o elemento textural ção predominante ou ocorrência de múlti- pode corresponder a feições naturais de plas direções devem determinar o caráter drenagem e de relevo, ou simplesmente a isotrópico do arranjo textural. feições tonais originadas por contraste de sombreamento na imagem ou pelas pro- A assimetria dos elementos texturais diz priedades dos próprios materiais imagea- respeito à diferenças no arranjo espacial dos. dos elementos texturais em relação a um eixo ou qualquer feição que delimite duas Para escalas regionais e semi-regionais porções aparentemente distintas na ima- considera-se que os produtos do sensor gem em termos de atributos espaciais, e TM-Landsat oferecem condições mais pro- que podem ser aferidos, por exemplo, pelo pícias para a compartimentação fisiográfi- comprimento de feições lineares ou pelas ca, devido ao conjunto de características relações direcionais e angu lares entre as temporais, espectrais, espaciais e sinópti- feições. cas. Além disso, apresentam um grande acervo de imagens disponível e com facili- O procedimento de análise e delimitação dade de aquisição em relação aos outros de compartimentos fisiográficos pressupõe produtos (como imagens de radar, ima- uma correlação entre a textura da imagem gens SPOT, fotografias aéreas, etc.). e as características geológicas e geomor- fológicas do terreno, representados em b) Delliimiitação de compartiimentos b) De m tação de compart mentos diferentes níveis hierárquicos de compar- fiisiiográfiicos f s ográf cos timentação geralmente associados a por- ções, unidades ou domínios da paisagem O procedimento de compartimentação de com extensão de área progressivamente uma área, através da análise de produtos decrescente. Tal correlação é determinada de sensoriamento remoto, consiste em pela escala do produto fotográfico analisa- identificar na imagem divisões fisiográficas do, de tal maneira que os níveis hierárqui- em diferentes níveis hierárquicos de clas- cos superiores, ou unidades maiores, são sificação, relacionados às condições mor- identificados pela análise da organização fo-ambientais e morfogenéticas da região espacial dos elementos texturais (formas e estudada. estruturas), como indicado nos parágrafos anteriores. As unidades relativas ao nível A identificação dos diversos compartimen- hierárquico mais básico, para a escala do tos fisiográficos é feita com base na análi- produto utilizado, correspondem às Unida- se de elementos texturais nas imagens, des Básicas de Compartimentação geralmente associados a feições de relevo (UBCs), cuja identificação é feita pela aná- e de drenagem. Assim, identifica-se qual lise do elemento também básico da ima- elemento textural e quais organizações gem fotográfica, ou seja, o próprio ele- deste (forma, estrutura, etc.) definem os mento textural associado à drenagem ou diversos níveis hierárquicos e suas res- ao relevo. As UBCs podem ser caracteri- pectivas unidades, traçando-se os limites zadas e avaliadas para os mais diversos com base na análise da homogeneidade, fins, mantendo, entretanto, seu significado da anisotropia e da assimetria dos ele- e sua unicidade cartográfica. Constituem, mentos analisados. portanto, a base para armazenamento e análise das informações, e conseqüente- A anisotropia de elementos texturais asso- mente, para definição de unidades geoam- ciados ao relevo ou à drenagem refere-se bientais. à distribuição espacial desses elementos, especialmente em termos direcionais. A c) avalliiação de homogeneiidade e c) ava ação de homogene dade e existência de uma ou mais direções prefe- de siimiillariidade de s m ar dade renciais determina um caráter anisotrópico do arranjo espacial dos elementos textu- Uma vez estabelecida a compartimentação rais, enquanto a inexistência de uma dire- preliminar da área estudada, a homoge- 5 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 12.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas neidade e a similaridade das unidades de contexto fisiográfico e os respectivos níveis compartimentação (zonas texturais delimi- hierárquicos de compartimentação, ou tadas na imagem) devem ser verificadas. mesmo, relações taxonômicas. A verificação de homogeneidade é feita com base na análise dos elementos textu- rais utilizados na interpretação e extraídos 2..2..2.. Caracteriização geo- 2 2 2 Caracter zação geo- visual e manualmente da imagem para um ambiientall overlay. São consideradas homogêneas as amb enta áreas em que as características texturais internamente à unidade apresentam-se Conforme destacado acima, as UBCs persistentes em toda a sua extensão. A constituem a base para a avaliação do ocorrência de heterogeneidades internas terreno. A etapa de caracterização geoam- às unidades de compartimentação devem biental abrange os procedimentos descri- determinar a sua subdivisão. tos a seguir. A verificação da similaridade consiste em a) Identiifiicação dos fatores de a) Ident f cação dos fatores de comparar as propriedades da forma e as análliise aná se estruturas dos elementos texturais entre os compartimentos delineados em cada nível Uma vez delimitadas, as UBCs devem ser hierárquico. Assim áreas que apresentam caracterizadas de acordo com os objetivos propriedades texturais e/ou estruturais si- do estudo e o tipo de produto de avaliação milares, em um mesmo nível hierárquico, geoambiental a ser obtido. Assim, o primei- devem ser classificadas sob a mesma de- ro passo consiste em identificar quais fato- nominação. res do meio físico (tipos de relevo, rochas, estruturas tectônicas e solos, por exemplo) d) traballhos de campo d) traba hos de campo são determinantes de condições do terreno necessárias à avaliação geoambiental e Trabalhos de campo devem ser realizados cartografia final. para a verificação das unidades de com- partimentação obtidas pela análise de ima- b) Obtenção de dados e defiiniição b) Obtenção de dados e def n ção gens. Tal verificação objetiva a confirma- das cllasses dos fatores de análliise das c asses dos fatores de aná se ção e/ou o ajuste de limites foto- interpretados, bem como a confirmação de Os dados relativos aos fatores utilizados características geoambientais e morfo- na classificação das diversas UBCs são tectono-genéticas atribuídas aos diversos obtidos através de correlação das proprie- níveis de compartimentação das unidades. dades texturais e tonais das imagens com propriedades e características geoambi- e) fiinalliização do Mapa de Uniida- e) f na zação do Mapa de Un da- entais dos terrenos, trabalhos de campo, e des Básiicas de Compartiimentação des Bás cas de Compart mentação levantamento de dados prévios. A opção por uma ou várias formas de aquisição de Após a verificação de campo, o mapa de dados deve levar também em conta os Unidades Básicas de Compartimentação recursos operacionais e financeiros dispo- (UBCs) deve ser finalizado, através da níveis e o tempo necessário para a sua transposição dos limites das UBCs do execução. overlay para uma base topográfica compa- tível. Esta transposição pode levar a algu- As classes dos fatores são definidas de mas adequações do traçado dos limites acordo com os tipos de avaliações a serem com relação às curvas topográficas. O realizadas na terceira etapa de avaliação mapa de UBCs apresenta todas as unida- geoambiental. Desta forma, os vários tipos des identificadas e diferenciadas por uma de rocha e solos que ocorrem em uma sigla ou código, que geralmente reflete o região podem ser agrupados ou divididos em função do seu comportamento com 6 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 13.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas relação a, por exemplo, suscetibilidade a b) defiiniição das regras de cllassiifii- b) def n ção das regras de c ass f - processos erosivos. Tratamento similar cação das UBCs cação das UBCs deve ser dado aos outros fatores de análi- se. A definição dos critérios de avaliação ou classificação consiste em estabelecer uma c) Siistematiização das iinformações c) S stemat zação das nformações relação entre os fatores analisados e seus sobre as UBCs sobre as UBCs respectivos valores ou categorias (classes dos fatores) e as classes que irão compor Os dados e informações, relativos aos fato- a carta final. Esta relação deve refletir o res de análise, obtidos na etapa anterior tipo de influência que cada fator geoambi- devem ser sistematizados e organizados ental exerce em um dado terreno para a em um formato adequado para as análises aplicação considerada, e é expressa por subseqüentes. Assim, o seu conteúdo uma regra de classificação. deve ser padronizado segundo classes pré-determinadas (item “b” desta mesma Existem vários tipos de regras de classifi- etapa), considerando-se sua utilização cação, podendo ser citadas: para a avaliação geoambiental das UBCs. Tais dados e informações devem ser ar- (1) tabelas de classificação ou matrizes mazenados em tabelas ou bancos de da- de interação que procuram correlacionar dos que as relacionem às respectivas os diferentes fatores analisados com as UBCs. Este procedimento visa facilitar cor- classes representadas no produto car- relações e, consequentemente, a classifi- tográfico final; cação final das unidades na etapa de ava- liação geoambiental. (2) estruturas de árvore lógica, onde cada fator é analisado de forma a ex- cluir hipóteses ou resultados que com- petem entre si para selecionar um ca- 2..2..3.. Avalliiação geoambiientall 2 2 3 Ava ação geoamb enta minho de decisão; a) defiiniição das cllasses da carta (3) atribuição de pesos e somatório de a) def n ção das c asses da carta valores para as diferentes classes dos fiinall f na fatores de análise; As classes que irão compor a carta final (4) acumulação de evidências a favor ou devem refletir de forma simples e objetiva contra um determinado fator, em geral, os diferentes limiares que determinam expressa em termos numéricos. condições de maior ou menor fragilidade e/ou potencialidade das UBCs para a aná- A opção pelo tipo de regra de classificação lise pretendida. das UBCs deve ser feita a partir de uma análise cuidadosa da relação entre os fato- Em determinados casos, limites ou inter- res e sua influência para a avaliação con- valos de classes são definidos por meio de siderada. tratamento estatístico, com o intuito de reduzir o grau de subjetividade para a de- c) cllassiifiicação das UBCs e carto- c) c ass f cação das UBCs e carto- terminação das classes da carta final. grafiia fiinall graf a f na Nestes casos, as classes e mesmo os fato- res selecionados para a análise das unida- A cartografia final consiste em classificar des devem ser de natureza quantitativa, ou cada UBC através da aplicação da regra mensuráveis em alguma escala numérica de classificação definida anteriormente. A absoluta ou relativa (não-nominal). classificação das UBCS pode ser feita di- retamente pelo executor da cartografia ou por meio de procedimentos informatizados. No caso do uso de procedimentos informa- 7 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 14.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas tizados, é necessário que os dados este- forma que um determinado sistema espe- jam sistematizados e armazenados em cialista possa aplicar a regra de classifica- bancos de dados associados às UBCs, de ção. 8 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 15.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 3.. APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NAS ÁREAS-PILOTO 3 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NAS ÁREAS-PILOTO (REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS) (REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS) descontinuidades tectônicas, com especial A metodologia descrita no Item 2 foi apli- ênfase nas descontinuidades de natureza cada a duas áreas piloto denominadas T3 rúptil de idade cenozóica. Estas últimas e T4 (Figura 1), as quais foram avaliadas tem forte influência tanto na vulnerabilida- quanto a suscetibilidade a processos de de aqüíferos, destacando-se os de bai- geodinâmicos superficiais e vulnerabili- xa permeabilidade primária, como na gera- dade de aqüíferos à contaminação. Es- ção de rupturas às quais podem estar inti- tas áreas inserem-se na Região Metropo- mamente associados processos geodinâ- litana de Campinas (RMC), constituída por micos, tais como erosão e escorregamen- rochas pré-cambrianas, a leste, e rochas tos. da Bacia do Paraná, a oeste, inseridas nos domínios geomorfológicos do Planalto Atlântico e da Depressão Periférica, res- pectivamente. 3..1.. COMPARTIMENTAÇÃO 3 1 COMPARTIMENTAÇÃO A região já foi alvo de vários estudos, FISIOGRÁFICA DO TERRENO FISIOGRÁFICA DO TERRENO muitos deles realizados pelo Instituto Ge- ológico, os quais produziram um significati- Como mencionado anteriormente, a com- vo volume de dados e informações em partimentação fisiográfica das áreas piloto formato digital, tais como: mapas geológi- T3 e T4 foi derivada de IG-SMA (1999) e cos, mapas de lineamentos, mapas geo- os procedimentos utilizados são descritos morfológicos, cadastros de poços tubula- a seguir. res, e cadastros de afloramentos (IG-SMA 1993, 1995, 1999 e 2002; Fernandes 1997; a) selleção do produto de sensorii- a) se eção do produto de sensor - Brollo 2001; Fernandes da Silva 2003). As amento remoto amento remoto informações geradas por estes estudos, junto com informações colhidas em traba- Os produtos utilizados neste estudo foram lhos de campo, realizados no presente imagens de satélite TM-Landsat, em es- projeto, foram utilizadas para caracterizar cala 1:100.000, no formato papel e com as as UBCs quanto aos fatores considerados seguintes órbitas/pontos e quadrantes: relevantes, descritos no Item 3.2. A com- 219/076 A; 219/076 C; 220/076 D. As ce- partimentação fisiográfica utilizada no pre- nas utilizadas foram obtidas em duas pas- sente projeto para as Áreas T3 e T4, cuja sagens diferentes, 27/07/1994 e metodologia é descrita abaixo no item 3.1, 20/08/1997, respectivamente com ângulo foi derivada do projeto “Metodologia para de elevação solar de 31o e de 38o , e azi- Seleção de Áreas para Tratamento e Dis- mute de 048o e de 051o . posição Final de Resíduos Sólidos” (IG- SMA 1999). A compartimentação fisiográfica da área de estudo foi obtida a partir da interpretação Destaca-se que, no presente estudo, pro- das cenas na banda 4 e na composição curou-se avançar metodologicamente, nas colorida 3B/4R/5G. A banda 4 foi mais fa- etapas de caracterização e avaliação de vorável à interpretação na região onde terrenos, ao ser incorporada a análise de ocorrem rochas do embasamento cristali- 9 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 16.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas no, enquanto a composição colorida favo- flete o caráter de transição entre os subs- receu a interpretação no domínio da Bacia tratos rochosos do embasamento cristalino Sedimentar do Paraná. As áreas piloto e da bacia sedimentar. A Área T4, por sua utilizadas no presente estudo (T3 e T4) vez, está contida inteiramente no domínio estão ilustradas na Figura 2. da bacia sedimentar. A relação entre as características texturais Especificamente para as Áreas T3 e T4 foi na imagem e as unidades litológicas das efetuada extração de linhas de drenagem Áreas T3 e T4 são as seguintes: e de relevo (cristas e quebras positivas e negativas) foi efetuada em imagem digital ▪ Granitos e gnaisses graníticos através de interpretação visual em tela de são caracterizadas pela ocorrência de computador, utilizando o software Erdas alinhamentos de relevo e drenagem que Imagine. Para tal, foi utilizado um recorte refletem lineamentos estruturais de di- (1856 X 2625 pixels) da imagem Landsat reção NW e N-S. Esta estruturação da TM5 (cena completa, órbita 219/076, pas- textura na imagem é mais evidente sagem de 20.08.97, correção geométrica nestes litotipos do que nos demais que através de convolução cúbica) com com- ocorrem na área. Apresentam formas de posição colorida 3G/4B/5R. Esta imagem drenagem de alta densidade (em geral foi geo-retificada com a utilização de 75 > 3 km/km2), caracterizadas por aniso- pontos de controle identificados em cartas tropia bidirecional, evidenciada em pa- topográficas IBGE/Brasil, na escala drões angulares oblíquos e retangula- 1:50.000 (em papel). A precisão média res. obtida foi de 32-37 metros (aproximada- ▪ Gnaisses bandados, gnaisses xis- mente 1 pixel). tosos e granada-biotita-plagioclásio gnaisses apresentam formas de drena- b) compartiimentação da área de b) compart mentação da área de gem do tipo subdendrítico, paralelo, estudo estudo subparalelo a angulado em alguns ca- sos, de densidade média a alta, tendên- A identificação de compartimentos fisiográ- cia predominantemente anisotrópica bi ficos, realizada em IG-SMA (1999), foi feita ou tridirecional (com uma das direções com base na identificação de diferenças quase sempre associada à foliação). texturais nas imagens, expressas pela dis- tribuição e organização espacial de ele- ▪ Rochas miloníticas das zonas de mentos texturais referentes à drenagem e cisalhamento são caracterizadas pelo ao relevo nas imagens (tropia e assimetria alinhamento de cristas (quebras positi- de formas e estruturas). A Figura 2 ilustra vas) e de drenagens (quebras negati- algumas relações entre as formas texturais vas) segundo a orientação NNE, com de drenagem e os compartimentos fisio- variações para N-S e NNW. Este grupo gráficos delimitados para as Áreas T3 e de rochas apresenta um alto grau de T4. estruturação com formas de drenagem em padrão geométrico ou angular (treli- Foram identificados dois grandes domínios ça, retangular, paralela) de alta densi- fisiográficos, que correspondem, de forma dade, caracterizadas por anisotropia geral, à Bacia Sedimentar do Paraná (B) predominantemente unidirecional. e ao Embasamento Cristalino (C). A dis- tinção destes dois domínios na imagem foi ▪ Associações litológicas predomi- feita com base na assimetria das formas nantemente arenosas no domínio da de drenagem, que são predominantemente Bacia Sedimentar do Paraná estão as- geométricas (angulares) para o domínio C, sociadas a formas de drenagem predo- e do tipo dendrítico-arborescente para o minantemente dendríticas, localmente domínio B. Na Área T3, o limite entre estes radiais ou angulares, de baixa a média dois domínios fisiográficos pode ser obser- densidade, tropias variáveis uni-, bi-, e vado, sendo de natureza difusa, o que re- tri-direcionais a isotrópicas. 10 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 17.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Área T3 Área T4 a b c d e f Figura 2. Ilustração a partir de imagem TM-Landsat (bandas 3, 4, 5) e compartimentos fisiográficos delimita- dos para as Áreas T3 e T4, considerando as relações texturais associadas a elementos de drenagem. (a) e (b) ilustram a rede de drenagem; (c) e (d) sobreposição da compartimentação fisiográfica sobre a rede de drenagem; (e) e (f) compartimentos fisiográficos delimitados sobre as imagens de satélite 11 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 18.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas (unidirecionais, bidirecionais e isotrópi- ▪ Diabásios apresentam na imagem cas) e de grau de estruturação (médio a de satélite alinhamento associado a baixo), dependendo das unidades litoló- quebras positivas de relevo com ampli- gicas ocorrentes. tude maior que as rochas sedimentares. Observou-se que nos locais onde a pe- ▪ no domínio do embasamento cris- dogênese atuou com maior intensidade talino, os relevos mais representativos sobre estas rochas, ocorrem formas de incluem morrotes e morros, por vezes drenagem isotrópicas e de média densi- em associações específicas. A diferen- dade. ciação entre estes tipos de relevo foi dada principalmente pela freqüência ▪ Associações litológicas predomi- relativa de elementos texturais de relevo nantemente pelíticas (lamitos, argili- (quebras positivas e negativas). Desta tos), incluindo siltitos, ritmitos e ocor- forma, as referidas freqüências apre- rências de arenitos finos a muito finos, sentam o seguinte comportamento: de situam-se em setores mais entalhados média a alta nos morrotes e alta nos ou porções mais baixas do relevo, e a morros. As densidades de drenagem densidade de drenagem é quase sem- associadas são: média para os morrotes pre média a alta, com formas sub- e alta para os morros. dendrítica a angular, anisotropias bi- ou tri-direcionais, com tendência isotrópica A diferenciação entre as UBCs foi feita de em conteúdos mais arenosos. acordo com a análise das propriedades da forma dos elementos texturais (densidade, ▪ Aluviões são identificados por rup- grau de estruturação, e ordem de estrutu- turas de declive suaves, que ocorrem ração) (Tabela 1), às quais se relacionam principalmente na transição de colinas associações específicas de: tipos rocho- amplas para o canal de drenagem. sos; estruturas geológicas (fraturas, folia- Muitas vezes verifica-se mais de uma ção); morfometria do relevo (declividade e ruptura de declive, em que a intermediá- amplitude); perfis de alteração de solos; e ria relaciona-se a rampas coluvionares. espessura de material inconsolidado. Os tipos e as formas de relevo apresentam c) avalliiação de homogeneiidade e c) ava ação de homogene dade e as seguintes relações com a textura na imagem: de siimiillariidade de s m ar dade ▪ no domínio da bacia sedimentar, Os procedimentos utilizados para a verifi- os principais sistemas de relevo identifi- cação de homogeneidade e similaridade cados foram colinas amplas a médias e correspondem àqueles descritos no Item colinas pequenas. Em setores onde 2.2.1. ocorrem colinas amplas a médias, os topos e as encostas convexas caracteri- d) traballhos de campo d) traba hos de campo zam-se pela relativa ausência de drena- gem, sendo diferenciados a partir de Trabalhos de campo foram efetuadas nas rupturas de declive (elemento textural Áreas T3 e T4, em compartimentos fisio- de relevo). As encostas côncavas e va- gráficos previamente selecionados, com os les, além de sua identificação pelas seguintes objetivos: rupturas de declive, apresentam densi- dade de drenagem baixa e tropia pre- a) verificar a ocorrência de estruturas domi-nantemente unidirecional, perpen- tectônicas e efetuar avaliação geológi- dicular ao canal principal. Já os setores co-estrutural expedita enfocando a aná- de colinas pequenas apresentam média lise de esforços potencialmente gerado- densidade de drenagem e formas arbo- res de tais estruturas; rescentes. Ocorrem variações de tropia 12 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 19.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 1. Exemplo de características texturais nas imagens utilizadas para a diferenciação de UBCs na Região Metropolitana de Campinas. PROPRIEDADES DAS FORMAS DOS ELEMENTOS TEXTURAIS UBC Tipo de elemento Grau de Ordem de Densidade Arranjo textural estruturação estruturação BBP 8 Drenagem Alta Dendrítico Alto 2 COR 2 Drenagem Alta Dendrítico Médio 1 CSE 1 Drenagem Muito alta Retângular Muito alto 2 b) verificar no terreno as feições fisio- e) fiinalliização do Mapa de Uniida- e) f na zação do Mapa de Un da- gráficas que determinaram a delimita- des Básiicas de Compartiimentação des Bás cas de Compart mentação ção dos compartimentos na imagem, confirmando ou corrigindo limites foto- O Mapa de Compartimentação Fisiográfica interpretativos das UBCs; das Áreas T3 e T4 (Figuras 3 e 4) contém as Unidades Básicas de Compartimenta- c) aquisição de informações adicionais, ção (UBCs), identificadas segundo um có- especialmente sobre as características digo composto por três letras e um alga- geoambientais das unidades. rismo. Como pode ser observado na Ta- bela 1, e mais especificamente nas Tabe- A escolha de compartimentos a serem es- las 2A e 2B, a primeira letra representa o tudados em detalhe considerou a extensão primeiro nível hierárquico da comparti- em termos de área e a contigüidade dos mentação, correspondente ao domínio compartimentos para fins de análise geo- fisiográfico regional; a segunda letra cor- lógico-estrutural. Os trabalhos de campo responde à litologia predominante; e a ter- incluíram o registro fotográfico das UBCs e ceira letra refere-se ao tipo de relevo pre- respectivas feições de interesse fisiográfico dominante. e geotécnico verificadas em campo, como ilustrado nas Fotos 1 a 5. As informações Nesta etapa, os limites resultantes da in- obtidas foram agregadas às informações terpretação visual da imagem e transpos- pré-existentes de projetos elaborados pelo tos para um overlay, foram compilados Instituto Geológico na região (IG-SMA sobre um mapa topográfico base. Em al- 1993, 1995, 1999 e 2002). guns casos, foi necessário ajustar os limi- tes das UBCs às curvas de nível do mapa topográfico. 13 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 20.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas CRR2/ CRR3 CSR3 BAC1 CSA1 (A) (B) (C) s r (D) (E) Fotos de campo. (1) Área T3. Vista geral a partir do Oeste mostrando o contraste entre os relevos de colinas amplas e morrotes (compartimentos CSA1 e BAC1) e de morros a Noroeste e Leste da Área T3 (compartimentos CRR2, CRR3, e CSR3 ao fundo). (2) Área T3. Vertente leste do compartimento CRR2 com cristas de relevo alinhadas e perfil de encosta retilíneo. (3) Área T3. Vertente oeste do compartimento CRR3 com arranjo angulado de interflúvios e perfil de encosta retilíneo. (4) Área T4. Processos erosivos no compartimento BCP2 (martelo como escala). (5) Área T4. Perfil de solo no compartimento BGA1. Solo superficial (s) e solo residual imaturo (r) preservando fraturas sub-verticais ENE. 14 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 21.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 292.000 m 302.000 m 7.478.000 m 7.478.000 m CSA1 CSA1 CRR5 CRR5 CRR2 CRR2 CRR3 CRR3 CLR3 CLR3 BAC1 BAC1 CSA2 CSA2 COC3 COC3 ATI BAI CLT1 CLT1 A CLC1 CLC1 CSR3 CSR3 RIB EIR AO RIO CNC1 CNC1 DAS CNC2 CNC2 80 ANHUMAS 7.470.000 m 0 7.470.000 m 292.000 m 302.000 m Escala 1 0 1 2 Km Convenções temáticas Convenções cartográficas Unidade Básica de Curva de nível BAC1 BAC1 Compartimentação (UBC) Drenagem Área não analisada Áreanão analisada Área não analisada Represas e lagoas Ferrovia Área com uso Rodovia urbano ou industrial Figura 3. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T3 15 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 22.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 276.000 m 292.000 m 7.498.000 m 7.498.000 m 600 60 0 600 BGA1(92) BGA1(92) BCP1 BCP1 600 BBP7 BBP7 600 BBP2 BBP2 ING UI BCP2 BCP2 APIT RIBEIRAO PIR BDA2 BDA2 BAP2 BAP2 BAP1 BAP1 BDA1 BDA1 BFA1 BFA1 IA CA DU AN BAA1 BAA1 M CA 60 0 O RI BBM3 BBM3 RIO JA G U AR I 600 BGA1(53) BGA1(53) 0 60 600 0 60 60 0 600 7.486.000 m 7.486.000 m 276.000 m 292.000 m Escala 1 0 1 2 Km Convenções temáticas Convenções cartográficas Unidade Básica de Curva de nível BAA1 BAA1 Compartimentação (UBC) Drenagem Área não analisada Área não analisada Represas e lagoas Ferrovia Área com uso Rodovia urbano ou industrial Figura 4. Mapa de Compartimentação Fisiográfica da Área T4 16 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 23.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 2A. Codificação das UBCs nas áreas piloto T3 e T4 correspondente às 3 primeiras letras do código de identificação. As letras L, N, O, R, e S referem-se a rochas granítico-gnáissicas Pré-Cambrianas; as letras A, B, e C, a rochas sedimentares Paleozóicas; a letra D, a diabásios de idade Mesozóica; e as letras F e G, a rochas sedimentares Terciárias. Domínio fisiográfico Tipo de relevo Rocha predominante regional predominante (2a letra) (1a letra) (3a letra) A – Arenito médio a grosso, estratificados ou maciços B – Intercalação de lamitos com seixos, ritmito e arenito muito fino A – Colinas amplas C – Arenito fino laminado, por vezes maciço B – Bacia Sedimentar M – Colinas médias D – Diabásio maciço de granulação fina P – Colinas pequenas F – Lamito e lamito arenoso maciço G – Intercalação de siltito laminado, argilito e arenito fino laminado L – Granada–Sillimanita-Biotita Gnaisse xistosos com intercalçações de gnaisses graníticos N - Hornblenda-Biotita orto-gnaisse bandados onde C – Colinas e morrotes C – Embasamento Cristalino se intercalam granitóides desde básicos a ácidos R – Morros Pré-cambriano O - Granada–Biotita-Plagioclásio Gnaisse bandado a T – Morrotes laminado e tendendo a xistoso. R – Biotita Gnaisse Granítico S – (Hornblenda)-Biotita Granito porfirítico Tabela 2B. Exemplos de códigos atribuídos às UBCs. UBC Significado dos códigos B (Bacia Sedimentar) A (Arenito: médio a grosso, predominantemente maciço, quartzoso, localmente feldspático ) BAA1 A (Colinas amplas, topos aplainados a convexos, declividade suave) 1 (solo areno-argiloso variando para areno-siltoso em profundidade, espessura entre 1 e 5m, ver- tentes convexas, predominam arranjos uni-direcionais das linhas de drenagem e de relevo ) C (Embasamento Cristalino) L (Granada–Sillimanita-Biotita Gnaisse Laminado) CLT1 T (morrotes, topos estreitos e agudos, cristas alinhadas, declividade média) 1 (solos arenosos a areno-siltosos, espessura maior que 4 m, vertentes côncavas, arranjos bi- e tridirecionais das linhas de drenagem e de relevo) 17 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 24.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas trutura da rocha e das descontinuidades 3..2.. CARACTERIZAÇÃO 3 2 CARACTERIZAÇÃO de natureza tectônica; GEOAMBIENTAL GEOAMBIENTAL ▪ Solo (perfil de alteração) caracteri- a) Identiifiicação dos fatores de a) Ident f cação dos fatores de zado quanto às classes texturais, coe- análliise aná se são, compacidade, estrutura e espessu- ra; Tendo em vista o objetivo final do projeto, ou seja, a avaliação de suscetibilidade a ▪ Tipo de relevo, neste caso, adotou- processos geodinâmicos superficiais e da se a declividade por se tratar de um dos fatores mais importantes da morfologia vulnerabilidade de aqüíferos à contamina- e passível de quantificação. ção, os seguintes fatores foram considera- dos relevantes para a análise a ser efetua- A potencial influência de cada um dos fato- da: litologia, descontinuidades de natureza res analisados para as avaliações realiza- tectônica, espessura e tipo de solo, declivi- das é considerada nos parágrafos seguin- dade e profundidade do nível d’água. tes. No caso da avaliação da vulnerabilidade de aqüíferos, o método empregado consi- - LITOLOGIA dera que a vulnerabilidade é função das Com relação à vulnerabilidade de aqüífe- seguintes características da zona não- ros a propriedade mais importante das saturada: rochas corresponde à permeabilidade pri- mária, a qual é bastante variável para se- ▪ capacidade de atenuação dos con- dimentos e rochas sedimentares. Para as taminantes, a qual depende da profun- rochas cristalinas, a permeabilidade primá- didade do nível d’água e da natureza ria não é significativa, no entanto é im- composicional e textural da zona não- portante considerar os seus produtos de saturada; alteração, como descrito em Fernandes & ▪ acessibilidade hidráulica à zona sa- Hirata (2003). Os granitos, por exemplo, turada, que depende da permeabilidade geram materiais de alteração de textura primária (granular) e secundária (dada arenosa e friáveis. Por outro lado, gnaisses por fraturas) da zona não-saturada; de composição básica a intermediária ou gnaisses xistosos, geram materiais mais ▪ capacidade de infiltração das águas argilosos e portanto de menor permeabili- pluviais, que considera a relação entre a dade e maior capacidade de atenuação, declividade do terreno e da permeabili- por adsorção dos contaminantes. Adicio- dade da camada superficial da zona- nalmente, as heterogeneidades dos gnais- não saturada. ses (intercalação de tipos litológicos dis- tintos, bandamento composicional, folia- O método utilizado no presente estudo ção) favorecem o processo de dispersão assemelha-se ao proposto por Foster & dos contaminantes. Hirata (1988), o qual se alicerça na análise das duas primeiras características mencio- Assim áreas constituídas por gnaisses são nadas acima. consideradas menos vulneráveis que as áreas constituídas por granitos. Fernandes Já a avaliação da suscetibilidade a proces- & Hirata (2003), como ilustrado na Tabela sos de movimentos de massa e de escoa- 3, sintetizam a variação da vulnerabilidade mento superficial é baseada na interação para os vários tipos de rochas cristalinas dos seguintes fatores: quando se considera duas situações: uma onde o manto de intemperismo é espesso, ▪ Substrato geológico caracterizado e outra onde ele é inexpressivo ou ausen- quanto ao tipo litológico, textura e es- te. No caso do manto ser inexpressivo, o 18 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 25.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 3. Variação de vulnerabilidade para diversos grupos litológicos de rochas cristalinas (Fernandes & Hirata 2003). Grupos litológicos de Manto de intemperismo inexpressivo Manto de intemperismo expressivo rochas cristalinas e/ou rocha aflorante Meta-calcários e meta-dolomitos Meta-calcários e meta-dolomitos Rochas vulcânicas recentes Rochas vulcânicas recentes Rochas metassedimentares (baixo Rochas graníticas e vulcânicas ácidas grau metamórfico) Aumento da vulnerabi- Rochas metamórficas de alto a Rochas alcalinas lidade médio grau Gnaisses xistosos e gnaisses com predomínio de Rochas ígneas foliadas plagioclásio (tonalitos, granodioritos) Metapelitos (filitos e xistos), rochas básicas e ultrabásicas ígneas ou metamórficas (basalto, Rochas ígneas maciças diabásio, gabro, anfibolito, etc.) que apresentam estas características são fator que condiciona a vulnerabilidade mais propícias ao desenvolvimento de conferida pelas diferentes litologias são as processos de movimentos de massa (gra- descontinuidades inerentes à origem ou vitacionais), tais como, queda de blo-cos, formação da rocha (foliação, bandamento desplacamentos e escorregamentos e freqüência de contatos litológicos). translacionais. Quando o manto é espesso, por outro lado, o fator condicionante são os produtos de As rochas graníticas são mais resistentes alteração da rocha. Assim rochas ígneas quando inalteradas. Porém, sua composi- maciças, tais como granitos e diabásios ção quartzo-feldspática e textura grosseira não foliados, seriam as menos vulneráveis propiciam produtos de alteração arenosos quando não alteradas, por não possuírem, e friáveis, tornando-os mais suscetíveis teoricamente, um número significativo de aos processos de erosão superficial. descontinuidades. No entanto, os produtos de intemperismo de granitos seriam relati- As rochas sedimentares com maior por- vamente mais vulneráveis, por apresenta- centagem de areia na sua composição rem textura arenosa. são, em geral, mais frágeis frente aos pro- cessos erosivos por escoamento superfi- As diferentes litologias também influenciam cial. a suscetibilidade a processos geodinâmi- cos em função da sua composição, da - DESCONTINUIDADES DE NATUREZA textura e principalmente das estruturas TECTÔNICA inerentes à formação da rocha, tais como foliação, bandamento, xistosidade. Estas As descontinuidades de natureza tectônica estruturas constituem planos de fraqueza têm importância fundamental para a vulne- que tornam as rochas menos resistentes rabilidade de aqüíferos e para a suscetibili- às forças de cisalhamento, especialmente dade a processos geodinâmicos superfici- quando estão intemperizadas. As rochas ais pois constituem caminhos de chegada 19 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 26.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas de contaminantes à zona não saturada, hidráulica adicional associada a uma ativi- bem como planos de ruptura preferenciais, dade antrópica. no caso de escorregamentos. Nas fraturas de maior abertura, devido às Dentre os vários tipos de descontinuida- baixas forças de capilaridade, a gravidade des, as fraturas, em oposição à foliação vai atuar com maior intensidade e a água metamórfica ou milonítica, são especial- vai se mover mais rapidamente, podendo mente importantes pois a elas se associa chegar à zona saturada (Wang & Narasi- uma circulação de água mais intensa, es- mhan 1993). No entanto, a sua importância pecialmente durante episódios de chuva. para a circulação se dá durante episódios Por este motivo as fraturas foram alvo de chuvosos ou quando há intensas cargas uma análise mais detalhada neste projeto. hidráulicas adicionais por parte da ativida- Por outro lado, a foliação metamórfica ou de antrópica, pois elas tendem a ser dre- milonítica são intrínsecas à formação dos nadas rapidamente. Nas fraturas de menor tipos rochosos, sendo analisadas sempre abertura, devido às forças capilares, o flu- em conjunto com a litologia, no que diz xo será mais lento, e a água tenderá a se respeito tanto à permeabilidade como à infiltrar na matriz antes de atingir grandes facilidade ao cisalhamento conferidas à profundidades. Este processo pode atrasar rocha. ou impedir a chegada de contaminantes à zona saturada. Com relação à vulnerabilidade de aqüífe- ros, como sintetizado em Fernandes & A densidade e a conectividade de fraturas Hirata (2003), as fraturas tendem a se também devem ser levadas em considera- manter secas em condições não satura- ção na análise do fluxo de contaminantes das. Em tais situações, as fraturas que na zona não-saturada, pois, apesar destes separam os blocos de meio poroso podem fatores serem a princípio menos significati- atuar como barreiras à passagem de água vos que a abertura das fraturas, eles tam- e de contaminantes, reduzindo a condutivi- bém exercem importante controle na cir- dade hidráulica da zona não-saturada. culação da água subterrânea em meios Portanto, na zona não-saturada, as fratu- fraturados. Desta forma, com relação às ras facilitarão o acesso de contaminantes descontinuidades rúpteis (fraturas), as ca- ao aqüífero, aumentando a sua vulnerabili- racterísticas analisadas foram: densidade, dade, somente quando, em um episódio de conectividade e abertura. recarga significativa, a taxa de infiltração através da matriz do solo for menor que a As fraturas de um maciço rochoso também taxa de recarga na superfície (Beven & condicionam os processos geodinâmicos Germann 1982, apud Domenico & Schwarz de movimentos gravitacionais dos tipos 1990). Neste caso, o fluxo será numerica- queda de blocos e desplacamento. Além mente maior que a condutividade hidráuli- disso as fraturas, ao propiciarem a circula- ca saturada da matriz, quando expressas ção de água, aceleram o intemperismo que na mesma unidade (Rubin & Steinhardt possibilita o destacamento de blocos e 1963). Ou seja, primeiro haverá a satura- matacões. Os materiais quando intemperi- ção da matriz da rocha para, posterior- zados são de fácil instabilização em gradi- mente, haver fluxo pelas fraturas. Quando entes elevados. as fraturas estiverem completamente satu- radas, a permeabilidade de cada uma de- Em rochas mais alteradas, as fraturas las poderá ser da ordem de oito vezes constituem planos de fraqueza que facili- maior que a da matriz. Portanto, em condi- tam a percolação de água e que, em áreas ções de saturação quase total, as fraturas de declividade alta, favorecem a ocorrência controlarão o fluxo (Wang & Narasimhan de escorregamentos. 1993). É importante lembrar que os episó- dios de recarga significativa podem ser causados tanto por chuva como por carga 20 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 27.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas - ESPESSURA E TIPO DE SOLO ção e textura da zona não-saturada. O solo é o primeiro elemento do meio físico b) Obtenção de dados e defiiniição b) Obtenção de dados e def n ção a sofrer a influência das intervenções an- das cllasses dos fatores de análliise das c asses dos fatores de aná se trópicas. Assim, é importante conhecer a constituição e espessura do perfil de solo, Os fatores levantados, as respectivas for- o que possibilita determinar sua fragilidade, mas de aquisição e as classes para análise em termos, por exemplo, de suscetibilidade são descritos a seguir: a processos geodinâmicos. Embora o perfil de solo possa variar em profundidade, é - LITOLOGIA possível prever suas propriedades (como permeabilidade e erodibilidade) analisando As Áreas T3 e T4 são bastante distintas os diferentes horizontes geotécnicos (Solo em termos de constituição litológica. A Superficial, Solo Residual, Saprolito), suas Área T3 está inserida no domínio de ro- espessuras e transições. No que diz res- chas cristalinas pré-cambrianas, enquanto peito à vulnerabilidade de aqüíferos, o solo a Área T4 situa-se no domínio da Bacia do funciona como a primeira barreira natural à Paraná. Nesta ocorrem rochas de idade penetração de contaminantes, cuja capaci- permo-carbonífera do Grupo Itararé, dia- dade de atenuação é dada pela sua com- básios cretácicos, e rochas e sedimentos posição (textural e mineralógica) e espes- plio-miocênicos (Terciário), que correspon- sura. dem à Formação Rio Claro. As informa- ções e dados geológicos para estas áreas - DECLIVIDADE foram extraídos de mapas geológicos pré- existentes (Fernandes 1997, IG-SMA 1993, A declividade, como um fator que expressa 1999 e 2002) e complementados por novos o tipo de relevo, tem grande influência na dados de campo obtidos no presente pro- ocorrência de processos erosivos e de jeto. movimentos de massa e, juntamente com os demais fatores (litoestruturais e de so- As litologias da Área T3 foram reunidas los) indicam o grau de suscetibilidade a nos seguintes grupos (ou classes) litológi- estes processos. cos: Da mesma forma, para a avaliação da vul- ▪ Gr: granitos maciços ou foliados nerabilidade, a declividade é importante para estabelecer a relação entre escoa- ▪ Gngr: gnaisses graníticos mento superficial e infiltração de contami- nantes. ▪ B: gnaisses bandados (constituídos principalmente de orto-gnaisses básicos - PROFUNDIDADE DO NÍVEL D’ÁGUA a intermediários com hornblenda e bio- tita) A profundidade do nível d’água, no que diz respeito à vulnerabilidade de aqüíferos, é ▪ X: gnaisses xistosos (ou peralumi- de grande importância pois afeta direta- nosos) e milonitos mente tanto a acessibilidade hidráulica como a atenuação de contaminantes. Em ▪ Bx: plagioclásio-granada-biotita função do tempo necessário para percorrer gnaisses (rocha que apresenta proprie- a zona não-saturada, o qual é diretamente dades dos grupos litológicos, ou seja B- dependente da espessura da mesma, o bandamento composicional e X-xisto- contaminante (por exemplo, micro-organis- sidade) mos e outros contaminantes não persis- tentes) pode ser em grande parte atenuado Este agrupamento foi feito em função dos devido a processos de degradação ou de materiais de alteração (saprolito e solo adsorção, os quais dependem da composi- residual) gerados pelas litologias acima 21 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 28.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas descritas, e também da presença e tipos (1997), adequado aos limites das áreas- de descontinuidades inerentes às rochas, piloto como apresentado nas Figuras 5 e tais como foliação metamórfica e milonítica 6. Para a elaboração deste mapa, a autora e contatos litológicos. A alteração, se mais registrou, em papel, na escala 1:100.000, ou menos argilosa, é especialmente im- todos os pequenos traços retilínios obser- portante para a vulnerabilidade de aqüífe- vados sobre imagem TM LANDSAT (ban- ros, como explicado no item 3.2.a. Assim das 4 e 5 separadamente). Esta análise de os grupos litológicos B, X e Bx, devem ge- lineamentos apoiou-se em: (1) dados de rar materiais de alteração mais argilosos, medidas estruturais efetuadas em campo e os quais vão propiciar menor acessibilida- disponíveis em Fernandes & Ferreira de hidráulica e maior capacidade de ate- (1995), Fernandes (1997), e Fernandes- nuação dos contaminantes. Os grupos Gr da-Silva (2003); (2) conhecimento prévio e Gngr (granitos e gnaisses graníticos) da evolução tectônica cenozóica da área geram produtos de textura mais arenosa e de estudo obtido em Fernandes (1997) e com comportamento mais vulnerável. No Fernandes & Amaral (2002), como sinteti- que diz respeito à suscetibilidade a pro- zado na Tabela 4. cessos geodinâmicos, a presença de des- continuidades mais pronunciadas e em A análise do fraturamento, conforme Fer- maior quantidade, como por exemplo para nandes & Hirata (2003), partiu dos se- os gnaisses xistosos, vai induzir uma maior guintes pressupostos: suscetibilidade a escorregamentos. A ocor- rência de granitos, por outro lado, propicia- ▪ A variação da densidade e conecti- rá o envolvimento de matacões nos pro- vidade de fraturas é passível de ser cessos de movimentos de massa. mapeada através da análise de linea- mentos, pois estes fatores devem guar- Na Área T4 os grupos litológicos corres- dar relação direta com a densidade e pondem às unidades litológicas presentes intersecção de lineamentos, respecti- nos mapas geológicos e recebem os se- vamente. Isto é válido para a área de guintes códigos: estudo pois nela a grande maioria das fraturas apresenta mergulhos elevados, ▪ IAm: arenitos médios do Grupo Ita- o que propicia que se mostrem em su- raré perfície como traços retilíneos. ▪ IAf: arenitos finos do Grupo Itararé ▪ A tectônica cenozóica controla a abertura atual das fraturas e a análise ▪ IDR: lamitos com seixos e ritmitos de lineamentos à luz dos conhecimen- do Grupo Itararé tos da evolução da tectônica cenozóica possibilita estimar a direção e freqüên- ▪ D: diabásio cia das fraturas de maior abertura atra- vés da identificação de domínios tectô- ▪ FRC: Formação Rio Claro (interca- nicos, como proposto por Fernandes lação de arenitos médios a grossos, sil- (1997) e Fernandes & Rudolph (2001). titos, argilitos e lamitos maciços) Dentro de cada domínio tectônico, nos quais é identificado o predomínio de um - DESCONTINUIDADES DE NATUREZA único evento tectônico cenozóico, é TECTÔNICA possível inferir quais direções de fratu- ras são de cisalhamento, e quais são A definição das classes de fraturamento, extensionais, ou de maior abertura. às quais estão vinculados dados sobre densidade, conectividade e abertura das Para a identificação dos domínios tectôni- fraturas, baseou-se na análise de linea- cos dentro de cada compartimento das mentos e para isto foi utilizado mapa de áreas T3 e T4, foram elaboradas rosáceas lineamentos elaborado por Fernandes (Programa Rosácea, cedido por Naoiko 22 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 29.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 296.000m 300.000m CRR5 CRR2 CSA1 CRR3 7.476.000m CLR3 CLT1 BAC1 COC3 CSA2 CLT1 CLC1 CSR3 7.472.000m CNC1 CNC2 Domínios Tectônicos E3-NW CRR3 Unidade Básica de Compartimentação (UBC) E4-NS E2-EW, E1-NE Lineamento iindefinido Figura 5. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T3. 23 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 30.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 280.000m 284.000m 288.000m BGA1(92) BCA1 7.496.000m BBP7 BDA2 BBP2 BCP2 BAA2 BAP1 BDA1 7.492.000m BFA1 BAA1 BBM3 7.488.000m BGA1(53) Domínio Tectônico E3-NW, E4-NS BAA2 Unidade Básica de Compartimentação (UBC) E4-NS Lineamento indefinido Figura 6. Mapa de lineamentos e domínios tectônicos da Área T4. 24 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 31.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 4. Evolução tectônica cenozóica para a região de Campinas, segundo Fernandes (1997) e Fernandes & Amaral (2002). Direção de fraturas de cisalhamento e Fraturas de Fraturas Idade Evento extensionais (vista em planta) cisalhamento extensionais σ1 N20-30W e N10-30E E5 NNE σ3 N50-60E σ1 Quaternário σ3 N30-50W e NS E NS N30-50E σ1 σ3 WNW e NNW-NS N30-60W E3-NW σ3 Neógeno N45-65W e EW E2-EW σ1 N45-65E σ1 K Paleóge- EW-ENE e NE E1 NE no NNE-NS σ3 dade de lineamentos, densidade de inter- Nagata do Instituto de Pesquisas Tecnoló- secção de lineamentos, e ao evento tectô- gicas-IPT). Além dos trends principais de nico predominante em cada compartimen- lineamentos, estas também fornecem o to. A atribuição de notas a cada um destes número e o comprimento total de linea- parâmetros, baseou-se nas seguintes pre- mentos. O número de intersecções de li- missas: neamentos foi obtido pela contagem ma- nual dentro de cada compartimento. ▪ Maiores densidades de lineamentos e de intersecções de lineamentos cor- A análise visual dos trends de lineamentos respondem diretamente a maior densi- presentes nas rosáceas permitiu identificar dade de fraturas e maior grau de conec- áreas de predomínio de direções de es- tividade de fraturas, respectivamente. truturas típicas de eventos tectônicos es- pecíficos (Tabela 4) ou seja, domínios ▪ Áreas onde predomina o evento E3- tectono-estruturais. A partir desta identifi- NW (Tabela 4) apresentam maior quan- cação podem ser deduzidas as áreas de tidade de fraturas abertas pois trata-se maior probabilidade de ocorrência (e fre- de evento caracterizado por esforços qüência) de fraturas abertas. tectônicos trans-extensionais, e que afetou a área de estudo com maior in- As classes de fraturamento resultaram da tensidade (em termos de regularidade e atribuição de notas aos valores de densi- pervasividade das estruturas). Segundo 25 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 32.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Fernandes & Rudolph (2001) e Fernan- - ESPESSURA E TIPO DE SOLO des & Amaral (2002) este evento tectô- nico teria gerado maior quantidade de Para o levantamento dos fatores espessu- fraturas extensionais e também de ra e tipo de solo, foi considerada a aborda- abertura maior. Assume-se, então, os gem de materiais inconsolidados utilizada aqüíferos ocorrentes em áreas afetadas em Brollo et al. (1994) e IG-SMA (1995 e pelo evento tectônico E3-NW sejam 1999), a qual considera a identificação e mais vulneráveis à contaminação descrição dos perfis de alteração de mate- riais associados a unidades do terreno. Assim foram atribuidas notas “A” ou “B”, Assim, foi identificado em campo o perfil de aos parâmetros mencionados acima, como alteração típico para cada uma das UBCs. discriminado na Tabela 5 a seguir. Para a descrição de campo foi utilizada Desta forma, as notas “A” e “B”, significam uma ficha padrão, onde foram registradas vulnerabilidade mais ou menos elevada, as seguintes informações: textura, espes- respectivamente, quando se leva em con- sura, consistência, compacidade, estrutura sideração o fraturamento. Estas notas es- e composição mineralógica de cada nível tão discriminadas no campo 11 da tabela de alteração considerado (solo superficial, de descrição completa (Tabelas 6A e B), a solo residual e saprolito). A partir desta qual é apresentada no item 3.2.c. As clas- ficha é possível resgatar, de forma padro- ses de fraturamento, denominadas como 1, nizada, os dados utilizados para a avalia- 2 e 3, são derivadas das notas atribuídas ção das UBCs. A descrição dos perfis típi- da seguinte forma: cos de solo, para cada afloramento visita- do, foi armazenada em banco de dados ▪ Classe 1: 3 notas B digital e associada ao mapa de comparti- mentação fisiográfica, dentro de um Siste- ▪ Classe 2: 1 nota A ma Gerenciador de Informações elaborado com o auxílio do software MapInfo ▪ Classe 3: três ou duas notas A Foram identificados 13 tipos de perfis de solos, predominando os arenosos para a Área T3 e os areno-argilosos e, subordina- damente, os argilo-arenosos para a Área T4. As classes de solos são listadas a se- guir. Tabela 5. Atribuição de notas aos parâmetros utilizados para a derivação de classes de fraturamento. Densidade de Densidade de intersecções Parâmetro Evento tectônico predominante lineamentos (km/km2) de lineamentos (km/km2) Valor do > 3,90* < 3,90* > 2,99** < 2,99** E3-NW E4-NS indefinido parâmetro Nota A B A B A B B * Média dos valores de densidade de fraturamento, considerando conjuntamente as áreas T3 e T4, os quais variam entre 1,26 e 7,97 km/km² ** Média dos valores de densidade de intersecções de lineamentos, considerando as áreas T3 e T4, os quais variam de 0,06 a 10,97 intersecções por km² 26 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 33.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas los de Ross (1996), que propõe a utilização ▪ Arenoso de intervalos de classe consagrados nos ▪ Areno-siltoso estudos de capacidade de uso e aptidão agrícola, combinados a valores críticos da ▪ Areno-argiloso, passando a areno- geotecnia, os quais são indicativos de mai- siltoso em profundidade or atuação dos processos erosivos e de movimentos de massa. Foi realizada a ▪ Arenoso a areno-siltoso leitura direta da carta topográfica com o uso de ábaco confeccionado para a escala ▪ Argilo-arenoso, passando a areno- 1:50.000. Esta técnica consiste em efetuar siltoso em profundidade medidas dos espaçamentos entre as cur- vas de nível da área de cada UBC e verifi- ▪ Arenoso, passando a argiloso em car o intervalo de declividade correspon- profundidade dente. ▪ Areno-argiloso Desta forma, definiu-se as seguintes clas- ses de declividade: ▪ Areno-argiloso, passando a argiloso em profundidade ▪ Baixa – menor que 5o ▪ Areno-siltoso a areno-argiloso ▪ Média – entre 5 e 10o ▪ Argiloso, passando a arenoso em ▪ Alta – entre 10 e 15o profundidade ▪ Muito alta – maior que 15o ▪ Argilo-arenoso, passando a areno- argiloso em profundidade Em algumas UBCs foi identificada a ocor- rência de mais de uma classe de declivi- ▪ Argiloso dade. No entanto, para efeito das avalia- ções geoambientais realizadas considerou- ▪ Argilo-arenoso se somente a predominante. Foram definidas três classes de espessura - PROFUNDIDADE DO NÍVEL D’ÁGUA de solos: menor que 2 m; entre 2 e 5 m; e maior que 5 m. A exemplo de IG-SMA O mapa de curvas de isoprofundidade de (1995), a definição destas classes levou nível d’água para a Área T3 foi recortado em conta a potencial influência da espes- de mapa elaborado para toda a RMC, em sura de solos sobre diferentes formas de IG-SMA (2002). O mapa de profundidade intervenção antrópica na área estudada de nível d’água para a área T4 foi elabora- (agricultura, ocupação urbana do solo, do especificamente no presente projeto. obras de engenharia, etc.). A probabilidade Em ambos os casos foi utilizado cadastro da intervenção instabilizar terrenos ou in- de poços da RMC alimentado ao longo de duzir processos de contaminação também projetos do Instituto Geológico (IG-SMA está implícita na definição destas classes. 1993, 1995 e 2002). - DECLIVIDADE O procedimento geral de elaboração do mapa de profundidade de nível d’água As classes de declividade foram estabele- consiste na plotagem dos dados de pro- cidas considerando os intervalos sugeridos fundidade de nível estático dos poços tu- por De Biasi (1992), os quais atendem aos bulares em cartas topográficas na escala mais variados tipos de uso e ocupação do 1:50.000. A partir daí, são traçadas as cur- espaço, tanto urbano como agrícola. Estes vas de isoprofundidade as quais acompa- intervalos estão de acordo com os interva- nham, de maneira geral, as curvas topo- 27 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 34.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas gráficas. zando o software MapInfo. As linhas das tabelas estão vinculadas aos objetos gráfi- Para a Área T3, no entanto, foi observada, cos, no caso polígonos, que representam em IG-SMA (2002), grande variação local as UBCs. de profundidades de nível d’água em situ- ações topográficas semelhantes. Este As tabelas de “descrição completa” (Ta- comportamento é devido a: (1) exploração belas 6A e 6B) contêm os seguintes cam- de níveis piezométricos distintos (material pos (colunas): de alteração e fraturas a várias profundi- dades) por um mesmo poço; e (2) hetero- 1. UBC: Código da UBC. geneidade da condutividade hidráulica do aqüífero e da zona não-saturada, que in- 2. ÁREA: Área ocupada pela UBC em duz diferentes recargas e fluxos da água Km². infiltrada (Fernandes & Hirata 2003). Com o objetivo de superar esta dificuldade no 3. DESCRIÇÃO LITO: Descrição litológica traçado das curvas, foram estabelecidas resumida, baseada nos mapas geológicos em IG-SMA (2002), através de tratamento existentes e na descrição de afloramentos. estatístico simples, as tendências do com- portamento da profundidade do nível 4. GRUPO LITO: Agrupamento dos tipos d’água com relação às situações topográfi- litológicos que ocorrem em cada área de cas de topo, encosta e vale. Este procedi- acordo com as avaliações realizadas. Este mento permitiu o traçado das curvas de 5 agrupamento é derivado do campo 3 (ver m, 10 m e 20 m com grau de confiança de explicação no item 3.2.b) cerca de 80%. 5. COMP LIN (km): Comprimento total Para a Área T4, cujo comportamento é dos lineamentos, considerando o linea- relativamente menos complexo, por ser mento inteiro somente quando completa- constituída predominantemente de rochas mente contido na UBC, ou parte dele, sedimentares, o traçado foi mais simples, quando contido também nas UBCs adja- apesar de também serem observadas vari- centes. ações de nível estático, por vezes acentu- adas, para poços próximos e em uma 6. DENS LIN (km/km²): Comprimento total mesma situação topográfica. Supõe-se que dos lineamentos dividido pela área de cada estas variações também sejam devidas à UBC. exploração de diferentes níveis piezométri- cos por um único poço. 7. INT LIN: Número de intersecções de lineamentos computados visual e manual- Ao final, foram utilizadas somente duas mente. classes de profundidade do nível d’água: menor que 10m e maior que 10 m. Isto 8. DENS INT LIN: Número de intersec- porque, para a escala do presente trabalho ções de lineamentos dividido pela área de (1:50.000) e considerando o volume de cada UBC. dados disponíveis, este procedimento ga- rante um grau de confiança relativamente 9. EVENTO TECTÔNICO: Evento tectôni- elevado para os mapas resultantes. co predominante em cada UBC deduzido a partir dos trends de lineamentos predomi- c) Siistematiização das iinformações nantes das rosáceas. c) S stemat zação das nformações sobre as UBCs sobre as UBCs 10. DADOS DE FALHAS: Eventos tectôni- cos predominantes deduzidos a partir de Com os dados relativos a cada UBC, foram medidas estruturais obtidas em aflora- elaboradas duas tabelas, denominadas mentos (levantamento de campo). Obser- “descrição completa” e “síntese”, para cada va-se, de um modo geral, que estes dados uma das áreas estudadas (T3 e T4), utili- 28 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 35.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas corroboram o que foi deduzido a partir das nível com uso de ábaco. rosáceas. 20. CLASSE DECLIV: Classe de declivida- 11. NOTAS FRAT: Notas (A- alta e B- bai- de correspondente aos intervalos numéri- xa) atribuídas aos parâmetros de densida- cos da declividade derivado do campo 19 de de lineamentos e de número de inter- (ver item 3.2.b). secções de lineamentos, e evento tectôni- co predominante, de acordo com a vulne- As tabelas-síntese (Tabelas 7A e 7B) rabilidade e suscetibilidade induzidas por compõem-se de alguns campos das tabe- cada um deles. Isto foi descrito em detalhe las de descrição completa (disponíveis em no item 3.2.b. MAPINFO), os quais foram utilizados para a classificação das UBCs, quanto à vulne- 12. CLASSE FRAT: Classes de fratura- rabilidade de aqüíferos e à suscetibilidade mento (1, 2 e 3) resultantes da atribuição de ocorrência de processos geodinâmicos de notas (vide acima) e de acordo com a superficiais. Estes campos são: nome da potencial vulnerabilidade e suscetibilidade UBC, grupo litológico, classe de fratura- induzidas pelos diferentes graus de fratu- mento, tipo de solo, espessura de solo, ramento (por elas). Resultou da integração nível d’água e classe de declividade. Além dos campos 6, 8 e 9 (ver item 3.2.b). destes, foram acrescentados dois campos de classificação quanto à vulnerabilidade e 13. TIPO DE RELEVO: Tipo de relevo pre- quanto à suscetibilidade. dominante. 14. DENS DRENAGEM (km/km²): Densi- dade de drenagem (comprimento total de 3..3.. CARTOGRAFIA TEMÁTICA 3 3 CARTOGRAFIA TEMÁTICA linhas de drenagem dividido pela área da UBC. FINAL FINAL 15. DENS RELEVO (km/km²): Densidade a) defiiniição das cllasses da carta a) def n ção das c asses da carta de linhas de relevo (cristas, quebras de fiinall f na relevo positivas e negativas) - comprimento total de linhas de relevo dividido pela área Foram adotadas 4 classes tanto de vulne- da UBC). rabilidade de aqüíferos como de suscetibi- lidade a processos geodinâmicos denomi- 16. TIPO DE SOLO: Tipo de solo predomi- nadas muito alta, alta, média e baixa. nante, considerando o perfil geotécnico de alteração. b) defiiniição das regras de cllassiifii- b) def n ção das regras de c ass f - cação cação 17. ESPES SOLO: Espessura de solo pre- dominante, considerando o perfil geotécni- As regras de classificação utilizadas no co de alteração. presente trabalho foram qualitativas e utili- zando-se tabelas de classificação que pro- 18. NA: Profundidade do nível d’água. As curam relacionar os fatores analisados curvas de isoprofundidade do nível d’água com os possíveis efeitos ou influência dos foram traçadas com base na profundidade mesmos sobre os fenômenos considera- do nível estático dos poços tubulares e em dos. Os seguintes fatores foram utilizados curvas topográficas de mapa base em para a classificação das UBCs: grupo lito- 1:50.000. lógico, classe de fraturamento, tipo de solo e classe de declividade. 19. DECLIVIDADE: Intervalo de declivida- de obtido através de leitura das curvas de 29 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 36.
    Tabela 6A. Tabelade descrição completa da área T3 AREA COMP_ DENS_LIN EVENTO UBC DESCRIÇÃO LITOLÓGICA G. LITO INT_LINDENS_INT_LIN DADOS DE FALHAS (afloramentos) (KM2) LIN(km) (km/km²) TECTÔNICO E4-NS (1*), E1-NE (1*), E2-EW (2*), falhas normais arenitos do Subgrupo Itararé (Ar), granito Jaguariúna BAC1 8,11 ArGrX 19,4 2,39 9 1,11 E4-NS com direção em tornode NS e mergulhos entre 70 e (Gr), milonitos (X) (e hbl-biot-gnaisses bandados) 80° granada-sill-biot gnaisse laminado (X), hbl-biot CLC1 1,46 X 7,5 5,14 10 6,85 E4-NS falha normal ~N65W/74NE (1*) gnaisse (B), milonito (X) granada-sill-biot gnaisse (X) , gnaisse granítico (Gr), CLR3 3,34 XGr 21 6,29 18 5,39 E3-NW sem dados milonito (X) gnaisse granítico (Gr), granada-sill-biot gnaisse (X), CLT1 5,46 GrXBxB 25,1 4,60 20 3,66 E3-NW E2-EW (1*), falha normal N56E/70NW (1*) biotita-plagioclásio gnaisse Bx, hbl-biot gnaisse (B) hbl-biot gnaisse bandado (B), granada-sill-biot gnais- CNC1 4,53 BX 23,3 5,14 22 4,86 E4-NS falha normal ~N43E/70NW (1*) se (X), milonito (X) granada-sill-biot gnaisse laminado (X), milonito (X), E3-NW (1*), E2-EW (1*), mais falhas normais CNC2 3,98 X 15,7 3,94 12 3,02 E3-NW hbl-biot gnaisse bandado (B) N60E/81NW (1*) e N20W-79SW (1*) granada-biot-plag gnaisse (Bx), hbl-biot gnaisse COC3 6,81 BxB 29,7 4,36 24 3,52 E3-NW E3-NW (2*) bandado (B) CRR2 3,60 gnaisse granítico (Gr), hbl-biot gnaisse (B) GrB 25,3 7,03 25 6,94 E2-EW, E1-NE sem dados bitotita-plagiocl gnaisse (Bx), hbl-biot gnaisse (B), E3-NW(1*), E1-NE (2*) e falha normal N85W/71SW CRR3 2,37 BxGr 18,9 7,97 26 10,97 E3-NW gnaisse granítico (Gr), milonito (X) (1*) CRR5 1,49 hbl-biot gnaisse granítico (B), milonito (X) GrX 8,7 5,84 6 4,03 indefinido E1-NE(1*), falha normal N64W/69NE (1*) granito porfirítico Jaguariúna (Gr), hbl-biot gnaisse CSA1 3,13 Gr 11 3,51 14 4,47 E2-EW, E1-NE E3-NW (1*), E4-NS/E5-NNE (1*) bandado (B) CSA2 2,38 granito porfirítico Jaguariúna (Gr), milonito (X) Gr 10,4 4,37 8 3,36 E2-EW, E1-NE EVENTO E1-NE (1) falha normal ~N50E/54NW (1*) granito porfirítico Morungaba (Gr), milonito (X), ortog- CSR3 7,54 GrXB 47,1 6,25 43 5,70 E3-NW E2-EW (2*), E3-NW(2*), compressão NE a E-NE (3*) naisses Amparo (B)
  • 37.
    Tabela 6A. Tabelade descrição completa da área T3 (continuação) DECLIVIDADE CLASSE UBC NOTAS_FRATCLASSE_FRAT TIPO_DE_RELEVO DENS_DREN DENS_REL TIPO_DE_SOLO ESPES_SOLO N_A (graus) DECLIVIDADE BAC1 BBB 1 colinas médias/amplas 1,545 0,893 arenoso sem info. <10, >10 5 a 10 média CLC1 AAB 3 colinas e morrotes 2,268 1,546 sem informação sem info. >10 ~ <10 5 a 10 média CLR3 AAA 3 colinas e morrotes 4,141 1,072 sem informação sem info. <10, >10 10 a 15 alta CLT1 AAA 3 colinas e morrotes 2,365 0,719 arenoso a areno-siltoso 4,0 m <10, >10 5 a 10 média CNC1 AAB 3 colinas e morrotes 3,139 0,636 argiloso a arenoso em profundidade > 1,0 m >10 ~ <10 5 a 10 média CNC2 AAA 3 colinas e morrotes 1,082 0,922 arenoso a areno-siltoso > 4,0 m <10, >10 5 a 10 média COC3 AAA 3 colinas e morrotes 2,266 0,806 arenoso 3,5 m >10, <10 5 a 15 média/alta CRR2 AAB 3 morros paralelos 4,722 1,525 sem informação sem info. >10 ~ <10 >15 muito alta arenoso passando a argiloso em profundida- CRR3 AAA 3 morros paralelos 3,652 0,714 > 3,5 m >10 ~ <10 >15 muito alta de areno-argiloso, passando a argilo-arenoso e a CRR5 AAB 3 morros e morrotes 3.15 1,094 5 a 10 m >10, <10 10 a 15 alta areno-siltoso; presença de matacões CSA1 BAB 2 colinas médias/amplas 1,682 0,895 arenoso > 6,5 m <10, >10 <5 baixa CSA2 AAB 3 colinas e morrotes arenoso > 6,5 m >10 ~ <10 5 a 10 média CSR3 AAA 3 morros e morrotes 3.31 0.898 presença de matacões 1a5m <10, >10 10 a 15 alta
  • 38.
    Tabela 6B. Tabelade descrição completa da área T4 GRUPO COMP_LIN DENS_LIN DENS_INT_LIN EVENTO UBC AREA DESCRIÇÃO LITOLÓGICA INT_LIN NOTAS_FRATCLASSE_FRAT LITO (km) (km/km²) (No/km²) TECTÔNICO BAA1 7,02 arenitos médios a grossos e arenitos muito finos (IAM, IAF) IAM, IAF 13,44 1,91 8,00 1,14 indefinido BBB 1 BAP1 7,88 arenitos médios a grossos (IAM), diabásio (D) IAM, D 27,37 3,47 14,00 1,78 E3-NW, E4-NS BBA 2 BAP2 3,64 arenitos muito finos (IAF) e arenitos médios a grossos (IAM) IAF, IAM 11,79 3,24 7,00 1,92 indefinido BBB 1 ritmitos e lamitos com seixos (IDR), lamitos arenosos e siltitos BBM3 10,72 ID, FRC, D 21,97 2,05 7,00 0,65 E4-NS BBB 1 (FRC) Ritmitos, lamitos com seixos (IDR), arenitos muito finos (IAF), e BBP2 4,98 IDR, IAF, D 24,89 5,00 12,00 2,41 E3-NW, E4-NS ABA 3 trechos de aluvião ritmito e lamitos com seixos (IDR), arenito muito fino (IAF), BBP7 7,64 IDR, IAF D 33,34 4,37 27,00 3,54 E4-NS AAB 3 diabásio e trechos de aluvião arenitos muito finos (IAF), arenitos médios a grossos (IAM), BCP1 3,13 IAF 9,08 2,90 5,00 1,60 indefinido BBB 1 diabásio (D) e trechos de aluvião BCP2 1,24 arenitos (FRC), diabásio (D), arenito médio a grosso (IAM) FRC, D 5,04 4,05 2,00 1,61 indefinido ABB 2 BDA1 4,62 Diabásio (D), arenito muito fino (IAF) D, IAF 6,34 1,37 3,00 0,65 E4-NS=E3-NW BBB 1 BDA2 3,57 diabásio (D), arenito muito fino (IAF) e trechos de aluvião D, IAF, 11,39 3,19 6,00 1,68 E3-NW, E4-NS BBA 2 BFA1 7,77 lamitos arenosos (FRC), arenitos muito finos (IAF) FRC, IAF 13,17 1,70 7,00 0,90 E4-NS BBB 1 BGA1(53) 16,12 siltitos e arenitos finos (FRC), arenitos médios (IAM ?) FRC 20,27 1,26 1,00 0,06 indefinido BBB 1 BGA1(92) 16,85 siltitos arenosos (FRC), arenitos muito finos (IAF) FRC, IAF 30,34 1,80 7,00 0,42 indefinido BBB 1
  • 39.
    Tabela 6B. Tabelade descrição completa da área T4 (continuação) DECLIVIDADE CLASSE UBC TIPO_DE_RELEVO DENS_DREN DENS_REL TIPO_DE_SOLO ESPES_SOLO N_A (graus) DECLIVIDADE BAA1 colinas amplas 0,244 0,789 areno-argiloso variando para areno-siltoso em profundidade 1a5m >10, <10 < 5 a 10 baixa a média arenoso a areno-siltoso passando a silto-arenoso em profun- BAP1 colinas pequenas 1,870 0,655 >2m >10, <10 < 5 a 10 baixa a média didade BAP2 colinas pequenas 1,759 0,920 argilo-arenoso 1a5m >10 ~ <10 5 a 10 média BBM3 colinas amplas 0,733 0,307 areno-argiloso; estrutura em blocos; medianamente compacto >2m <10, >10 <5 baixa areno-siltoso passando a areno-argiloso em profundidade; BBP2 colinas pequenas 1a5m <10, >10 5 a 10 média compacidade média a baixa BBP7 colinas pequenas 2,946 0,430 areno-argiloso a areno-siltoso >2m <10 ~ >10 < 5 a 10 baixa a média argilo-arenoso passando a areno-siltoso em profundidade; BCP1 colinas pequenas 0,847 3,798 > 1,8 m <10 ~ >10 5 a 10 média estrutura em blocos BCP2 colinas amplas e médias 0,867 2,795 arenoso a areno-siltoso; estrutura maciþa 5 a 10 m >10 <5 baixa BDA1 colinas amplas 0,318 0,437 argilo-arenoso a argiloso sem informação <10, >10 <5 baixa BDA2 colinas pequenas/amplas 1,772 0,379 argilo-arenoso sem informação <10, >10 <5 baixa BFA1 colinas amplas 0,218 0,630 areno-argiloso; fofo a pouco compacto; granular >2m > 10, <10 <5 baixa areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em BGA1(53) colinas amplas 0,225 0,508 >2m >10, <10 <5 baixa profundidade areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em BGA1(92) colinas amplas e médias 0,776 0,647 >2m >10, <10 <5 baixa profundidade
  • 40.
    Tabela 7A. Tabelasíntese da área T3. UBC G. LITO REVISADOCLAS_FRAT TIPO_DE_SOLO ESPES_SOLO N_A CLAS_DECLIV BAC1 ArGrX 1 arenoso sem informação <10, >10 média CLC1 X 3 sem informação sem informação>10 ~ <10 média CLR3 XGr 3 sem informação sem informação <10, >10 alta CLT1 GrXBxB 3 arenoso a areno-siltoso 4,0 m <10, >10 média CNC1 BX 3 argiloso a arenoso em profundidade > 1,0 m >10 ~ <10 média CNC2 X 3 arenoso a areno-siltoso > 4,0 m <10, >10 média COC3 BxB 3 arenoso 3,5 m >10, <10 média/alta CRR2 GrB 3 sem informação sem informação>10 ~ <10 muito alta CRR3 BxGr 3 arenoso passando a argiloso em profundidade > 3,5 m >10 ~ <10 muito alta CRR5 GrX 3 areno-argiloso (SS), passando a argilo-arenoso (SR) e a areno-siltoso (SP); presença de matacões 5 a 10 m >10, <10 alta CSA1 Gr 2 arenoso > 6,5 m <10, >10 baixa CSA2 Gr 3 arenoso > 6,5 m >10 ~ <10 média CSR3 GrXB 3 presença de matacões 1a5m <10, >10 alta
  • 41.
    Tabela 7B. Tabelasíntese da área T4. UBC GRUPO LITOLÓGICOCLASSE_FRAT TIPO_DE_SOLO ESPES_SOLO N_A DECLIVIDADE BAA1 IAM, IAF 1 areno-argiloso variando para areno-siltoso em profundidade 1a5m >10, <10 baixa a média BAP1 IAM, D 2 arenoso a areno-siltoso passando a silto-arenoso em profundidade >2m >10, <10 baixa a média BAP2 IAF, IAM 1 argilo-arenoso 1a5m >10 ~ <10 média BBM3 ID, FRC 1 areno-argiloso; estrutura em blocos; medianamente compacto >2m <10, >10 baixa BBP2 IDR, IAF (?) 3 areno-siltoso passando a areno-argiloso em profundidade; compacidade média a baixa 1a5m <10, >10 média BBP7 IDR, IAF, D 3 areno-argiloso a areno-siltoso >2m <10 ~ >10 baixa a média BCP1 IAF 1 argilo-arenoso passando a areno-siltoso em profundidade; estrutura em blocos > 1,8 m <10 ~ >10 média BCP2 FRC, D 2 arenoso a areno-siltoso; estrutura maciþa 5 a 10 m >10 baixa BDA1 D, IAF(?) 1 argilo-arenoso a argiloso sem informação <10, >10 baixa BDA2 D, IAF 2 argilo-arenoso sem informação <10, >10 baixa BFA1 FRC, IAF? 1 areno-argiloso; fofo a pouco compacto; granular >2m > 10, <10 baixa BGA1(53) FRC 1 areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em profundidade >2m >10, <10 baixa BGA1(92) FRC, IAF 1 areno-argiloso passando a areno-siltoso e argilo-arenoso em profundidade >2m >10, <10 baixa
  • 42.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas racterização de cada UBC. Dessa for- A definição de regras para classificação ma, considera-se neces-sário um ama- final das unidades passou por duas etapas. durecimento e refinamento da metodo- Numa primeira etapa, os fatores foram logia para permitir a utilização deste agrupados em 3 classes denominadas de fator. alta (A), média (M) e baixa (B), de acordo com o grau estimado de vulnerabilidade de c) Avalliiação das UBCs e cartogra- c) Ava ação das UBCs e cartogra- aqüíferos à contaminação e de suscetibili- fiia fiinall f a f na dade a processos geodinâmicos superfici- ais, como apresentado nas Tabelas 8A e Para a avaliação final das UBCs foi aplica- 8B. Uma vez que a todos os fatores anali- da a regra de classificação ilustrada na sados foi atribuído um mesmo peso (ou Tabela 9. A avaliação foi qualitativa e con- seja, um mesmo grau de influência), numa siderou que cada um dos fatores apresen- segunda etapa, as classes finais de avalia- tava o mesmo grau de importância (pesos ção resultaram da quantidade de notas A, iguais). Dentro de cada área foram avalia- M ou B atribuídos a cada uma das UBCs. das 13 Unidades Básicas de Comparti- As combinações possíveis são ilustradas mentação (UBCs), com relação a vulnera- na Tabela 9. bilidade à contaminação de aqüíferos e suscetibilidade a processos geodinâmicos Inicialmente, todos os fatores selecionados superficiais. para as análises pretendidas seriam utili- zados na avaliação final das UBCs. No A Tabela 10 apresenta as vulnerabilidades entanto, os fatores espessura de solos e parciais induzidas pelos fatores analisados profundidade do nível d’água não foram (ver Tabela 8A) e a vulnerabilidade resul- utilizados pelos motivos listados abaixo: tante da somatória da influência de todos os fatores, para as Áreas T3 e T4, respec- ▪ Os dados de espessura de solos tivamente. As Figuras 7 e 8 mostram os não foram suficientes para atribuir a mapas de vulnerabilidade para T3 e T4. cada uma das UBCs intervalos típicos de espessura, correspondentes às clas- A Tabela 11 apresenta as suscetibilidades ses de espessura de solos previamente parciais induzidas pelos fatores analisados definidas (Item 3.2.b). Com exceção de (ver Tabela 8B) e a suscetibilidade resul- um único caso, todos os compartimen- tante da somatória da influência de todos tos apresentaram significativa variabili- os fatores, para as Áreas T3 e T4, respec- dade (dentro de um intervalo de 1 a tivamente. As Figuras 9 e 10 mostram os 10m) (Tabelas 7A e B). Tal fato, aponta mapas de suscetibilidade para T3 e T4. para a necessidade de investigações A Área T3 é constituída predominante- mais específicas acerca da derivação mente de gnaisses e granitos pré- deste fator como será detalhado mais cambrianos, (apenas uma unidade contém adiante. arenitos). Os granitos são considerados ▪ Os mapas de profundidade do nível como mais vulneráveis à contaminação e de água mostraram que todos os com- também mais suscetíveis a processos de- partimentos, com exceção de BCP2 na vido a seus materiais de alteração serem Área T4, apresentam áreas considerá- arenosos. Os gnaisses são considerados veis de ambas as classes utilizadas no menos vulneráveis por apresentarem alte- mapa (maior que 10 m e menor que rações mais argilosas, no entanto, a folia- 10m). Considera-se que esta incompati- ção e outros planos de descontinuidades bilidade, ou seja, dos limites das UBCs (intercalação de bandas centimétricas a não expressarem regiões homogêneas métricas de composição distinta) levou à de profundidade de nível d’água, pode- definição de 3 classes distintas para estas ria ser solucionada com a adoção de rochas, correspondentes aos gnaisses intervalos, ao invés de isolinhas, de bandados, gnaisses xistosos e granada- profundidade de nível d’água para a ca- biotita-plagioclásio gnaisses. 36 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 43.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 8A. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos. Tendência ou indicação de vulnerabilidade ALTA MÉDIA BAIXA - B (gnaisses ban- - Gr (Granitos) dados) - Gr /B, X, Bx* (Granitos/gnaisses ban- - X (gnaisses xisto- - IAm/Gr/X* (Arenitos dados, gnaisses xistosos, plagioclásio- sos) médios do Grupo Itara- granada-biotita gnaisses) - Bx (plagioclásio- Litologia ré, Granitos e Xistos) - B, X, Bx/Gngr* (gnaisses bandados, granada-biotita - IAm (arenitos médios gnaisses xistosos, plagioclásio-granada- gnaisses) do Grupo Itararé) biotita gnaisses/gnaisses graníticos) - IDR (Diamictitos e Atributos das UBCs para T3 e T4 - FRC (Formação Rio Claro) ritmitos do Grupo Itararé) - IAF (arenitos finos do Grupo Itararé) - D (Diabásios) Fraturamento 3 2 1 - Arenoso - Areno-argiloso - Areno-siltoso - Areno-siltoso a areno-argiloso - Areno-argiloso pas- - Arenoso passando a argiloso sando a areno-siltoso - Argiloso Tipo de solo - Areno-argiloso passando a argiloso - Arenoso a areno- - Argilo-arenoso siltoso - Argilo-arenoso passando a areno- argiloso - Argilo-arenoso pas- sando a areno-siltoso - Argiloso passando a arenoso - Baixa a média - Alta Declividade - Baixa - Média - Muito alta - Média a alta * As litologias que vem após a barra são subordinadas, em termos de área de ocorrência com relação as que vem antes. A “virgula” indica que ocorre um ou mais dos litotipos indicados. 37 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 44.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 8B. Reclassificação das classes dos atributos de acordo com a sua relação com a suscetibilidade a pro- cessos geodinâmicos superficiais. Tendência ou Indicação de Suscetibilidade ALTA MÉDIA BAIXA - IAm/Gr/X* (Arenitos médios do Grupo Itararé, Granitos e Xistos) - IAm (arenitos médios do Grupo Itararé) - IAF (arenitos finos - FRC (Formação Rio Claro) do Grupo Itararé) - X (gnaisses xistosos) - IDR (Diamictitos e - B (gnaisses ban- ritmitos do Grupo Litologia - Gr (Granitos) dados) Itararé) - Gr /B, X, Bx* (Granitos/gnaisses banda- - Bx (plagioclásio- - D (Diabásios) dos, gnaisses xistosos, plagioclásio- granada-biotita Atributos das UBCs para T3 e T4 granada-biotita gnaisses) gnaisses) - B, X, Bx/Gngr* (gnaisses bandados, gnaisses xistosos, plagioclásio-granada- biotita gnaisses/gnaisses graniticos) Fraturamento 3 2 1 - Areno-argiloso - Argiloso - Arenoso - Arenoso passando - Argilo-arenoso - Areno-siltoso a argiloso - Argilo-arenoso Tipo de solo - Areno-argiloso passando a areno-siltoso - Argilo-arenoso passando a areno- passando a areno- - Arenoso a areno-siltoso argiloso siltoso - Areno-siltoso a areno-argiloso - Areno-argiloso - Argiloso passando passando a argiloso a arenoso - Alta - Baixa Declividade - Muito alta - Média - Baixa a média - Média a alta * As litologias que vem após a barra são subordinadas, em termos de área de ocorrência com relação as que vem antes. A “virgula” indica que ocorre um ou mais dos litotipos indicados. 38 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 45.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 9. Possíveis combinações das notas A, M e B, relativas aos quatro fatores de análise, e as classes finais de avaliação Combinações possíveis de “As”, “Ms” e “Bs” Classes finais de avaliação AAAA Muito alta AAAM, AAAB, AAMM Alta AAMB, AABB, AMMM, AMMB, MMMM Média AMBB, ABBB, MMMB, MMBB, MBBB, BBBB Baixa Tabela 10. Vulnerabilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a vulnerabilidade resultante da soma- tória da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa). Vulnerabilidade induzida pelos fatores analisados Classe Área UBC resultante de piloto Litologia Fraturamento Tipo de Solo Declividade Vulnerabilidade CSA1 M M A A Alta CLC1 B A B* M Baixa CSA2 M A A M Alta CNC2 B A A M Média CRR3 M M M M Média CNC1 B A M M Média T3 BAC1 A B A M Média CRR2 M A M* B Média CRR5 M A M B Média COC3 B A A M Média CSR3 M A M* B Média CLR3 M A M* B Média CLT1 M A A M Alta BDA 1 B B B A Baixa BDA 2 B M B A Baixa BAA 1 A B A M Média BBP 2 B A M M Média BAP 2 A B B M Baixa BAP 1 A M A M Alta T4 BBM 3 A B M A Média BCP 1 M B A M Média BGA 1 M B A A Média BBP 7 M A A M Alta BCP 2 M M A A Alta BFA 1 M B M A Média BGA 1 M B A A Média * Tipo de solo deduzido a partir do tipo de rocha predominante na UBC 39 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 46.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 292.000 m 302.000 m 7.478.000 m 7.478.000 m CSA1 CSA1 CRR5 CRR5 CRR2 CRR2 CRR3 CRR3 CLR3 CLR3 BAC1 BAC1 CLT1 CLT1 CSA2 CSA2 COC3 COC3 AIA CLC1 CLC1 ATIB CSR3 CSR3 RI BE IR AO CNC1 O CNC1 RI DA S CNC2 CNC2 ANH UMA S 7.470.000 m 7.470.000 m 800 292.000 m 302.000 m Escala 1 0 1 2 Km Convenções temáticas Convenções cartográficas Curva de nível Área não analisada Drenagem Área com uso Represas e lagoas urbano ou industrial Ferrovia Rodovia Classes de Vulnerabilidade Alta Média Baixa Figura 7. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T3. 40 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 47.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 276.000 m 292.000 m 7.498.000 m 7.498.000 m 600 600 600 BGA1(92) BGA1(92) BCP1 BCP1 600 BBP7 BBP7 BBP7 BBP7 600 BBP2 BBP2 BDA2 BDA2 BCP2 BCP2 BBP2 BBP2 PIRAPITINGUI RIBEIRAO BAP2 BAP2 BAP1 BAP1 BAP1 BAP1 BDA1 BDA1 BDA1 BDA1 C A BFA1 BFA1 M A N D U 600 BAA1 BAA1 BAA1 BAA1 C RI O BBM3 BBM3 RIO JAGUARI 600 600 BGA1(53) BGA1(53) BGA1(53) BGA1(53) 600 600 600 600 7.486.000 m 7.486.000 m 276.000 m 292.000 m Escala 1 0 1 2 Km Convenções temáticas Convenções cartográficas Curva de nível Área não analisada Drenagem Área com uso Represas e lagoas urbano ou industrial Ferrovia Rodovia Classes de Vulnerabilidade Alta Média Baixa Figura 8. Mapa de vulnerabilidade à contaminação de aqüíferos da área T4. 41 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 48.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas Tabela 11. Suscetibilidades parciais induzidas pelos fatores analisados e a suscetibilidade resultante da somató- ria da influência de todos os fatores (A = alta, M = média e B = baixa). Suscetibilidade induzida pelos fatores analisados Classe Área UBC resultante de piloto Litologia Fraturamento Tipo de Solo Declividade Suscetibilidade CSA1 A M A B Alta CLC1 A A M* M Alta CSA2 A A A M Alta CNC2 A A A M Alta CRR3 A M M A Alta CNC1 M A M M Média T3 BAC1 A B A M Alta CRR2 A A M* B Alta CRR5 A A M A Alta COC3 M A A A Alta CSR3 A A A* A Muito alta CLR3 A A A* A Muito alta CLT1 A A A M Alta BDA 1 B B B B Baixa BDA 2 B M B B Baixa BAA 1 A B A B Média BBP 2 B A A M Alta BAA 2 A B B M Média BAP 1 A M A B Média T4 BBM 3 B B M B Baixa BCA 1 M B M M Média BGA 1 A B M B Média BBP 7 B A A B Média BCP 2 A M A B Média BFA 1 A B M B Média BGA 1 A B A B Média * Tipo de solo deduzido a partir do tipo de rocha predominante na UBC 42 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 49.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 292.000 m 302.000 m 7.478.000 m 7.478.000 m CSA1 CRR5 CRR2 CRR3 CLR3 BAC1 CSA2 COC3 CLT1 CSR3 AIA CLC1 ATIB RI BE IR AO O CNC1 RI DA S CNC2 ANHU MAS 7.470.000 m 7.470.000 m 800 292.000 m 302.000 m Escala 1 0 1 2 Km Convenções temáticas Convenções cartográficas Curva de nível Área não analisada Drenagem Área com uso Represas e lagoas urbano ou industrial Ferrovia Rodovia Classes de Suscetibilidade Muito Alta Alta Média Figura 9. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T3. 43 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 50.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 276.000 m 292.000 m 7.498.000 m 7.498.000 m 600 60 0 600 BGA1(92) BCP1 BBP7 600 600 BBP2 BDA2 PIR APIT ING UI BCP2 RIBEIRAO BAP2 BAP1 BDA1 BFA1 IA CA DU AN M BAA1 CA 60 0 O RI BBM3 RIO JA G U AR I BGA1(53) 600 0 60 600 0 60 60 7.486.000 m 7.486.000 m 0 600 276.000 m 292.000 m Escala 1 0 1 2 Km Convenções temáticas Convenções cartográficas Curva de nível Área não analisada Drenagem Área com uso Represas e lagoas urbano ou industrial Ferrovia Rodovia Classes de Suscetibilidade Alta Média Baixa Figura 10. Mapa de suscetibilidade a processos geodinâmicos superficiais da área T4. 44 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 51.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas A Área T4 contém 5 classes litológicas que Área T4, contendo 11 UBCs com grau má- são: (1) lamitos com seixos e ritmitos; (2) ximo 3, enquanto T4 contém 7 UBCs com arenitos finos; (3) arenitos médios a gros- grau mais baixo 1, e apenas 3 com grau de sos; (4) diabásios; e (5) intercalações de fraturamento 2. siltito laminado, argilito e arenito fino lami- nado referentes à Formação Rio Claro. As Os solos foram caracterizados somente em três primeiras classes pertencem ao Grupo relação ao perfil textural. Os dados para Itararé. caracterização da espessura foram consi- derados insuficientes ou inconclusivos. A Nos casos das UBC constituídas de por- quantidade de argila e sua variação ao ções consideráveis de dois ou mais tipos longo do perfil de solo é considerada como litológicos, que redundassem em vulnera- de fundamental importância para a atenua- bilidades de aqüíferos ou suscetibilidade a ção de contaminantes, assim como para o processos geodinâmicos significativamente controle de processos erosivos.. distintas, considerou-se o tipo litológico que potencialmente induziria maior perigo Foram determinadas 4 classes de declivi- ao ambiente. Cabe ressaltar que a adoção dade, cujos intervalos constituem limites desse critério de decisão, por si só, conduz críticos para aplicações geotécnicas, sen- a um maior número de unidades classifica- do que na Área T3 predominam as classes das como de vulnerabilidade e suscetibili- muito alta, alta e média, enquanto na Área dade mais elevadas. T4, predominam a classe baixa, e subordi- nadamente, a classe média. Considera-se A análise de lineamentos combinada à que classes de declividade mais alta propi- utilização de um modelo tectônico regional, ciem maior grau de suscetibilidade a pro- permitiu a inferência de áreas com maior cessos geodinâmicos. No entanto, a maior densidade e conectividade de fraturas, declividade pode atenuar o efeito do fratu- assumindo que estas devam ser proporci- ramento (particularmente em rochas crista- onais à densidade e ao número de inter- linas e menos alteradas), ao reduzir o po- secções de lineamentos, respectivamente. tencial de infiltração de contaminantes por Áreas com maior probabilidade de ocor- recarga natural, o que consequentemente rência de fraturas abertas foram também pode reduzir o grau de vulnerabilidade. identificadas. Tais áreas correspondem a domínios tectônicos com predomínio do Por fim, a análise do fator profundidade de evento E3-NW de natureza trans- nível d’água resultou no mapeamento da extensional. A soma dos atributos densi- curva de isoprofundidade de10m, obtendo- dade e intersecção de lineamentos e se assim duas classes para este fator. evento tectônico predominante levou à Apesar de sua importância para a vulnera- definição de 3 classes com graus cres- bilidade de aqüíferos, este fator não logrou centes de fraturamento (1, 2 e 3 do menor ser utilizado nas avaliações uma vez que, para o maior, como apresentado nas Ta- virtualmente, todas as UBCs continham belas 8A e 8B). Em termos relativos, a porções significativas de ambas as clas- Área T3 apresenta-se mais fraturada que a ses. 45 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 52.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 4.. DISCUSSÃO 4 DISCUSSÃO topografia suave, que dificulta a utiliza- Neste item são discutidos os resultados ção de “padrões” de sombreamento obtidos e as necessidades de estudos como elemento textural. complementares de forma a tornar mais operacional a metodologia utilizada. São - CARACTERIZAÇÃO também incluídas breves discussões sobre a incorporação da análise de fraturas nas As dificuldades encontradas para a carac- avaliações realizadas e tendo em vista os terização geoambiental dos compartimen- contextos geológicos e geomorfológicos tos, dizem respeito à profundidade do nível distintos. Considera-se que a identificação d’água e, subordinadamente, à espessura de limitações, discutidas a seguir, é de de solos e, em alguns casos, ao tipo de fundamental importância para a idealiza- solo. ção de futuros projetos e aprimoramento do método de compartimentação fisiográfi- Quanto à profundidade do nível d’água ca. existem duas questões a serem resolvidas. A primeira, e que é anterior à caracteriza- - COMPARTIMENTAÇÃO ção das UBCs, refere-se ao tipo de infor- mação necessária para um traçado de As UBCs utilizadas no presente estudo maior precisão das curvas de isoprofundi- foram derivadas de IG-SMA (1999), como dade dos aqüíferos mais superficiais. mencionado no item 3.1. Observou-se que, Neste trabalho foram utilizados dados de em alguns casos, os tipos de rochas atri- cadastro de poços tubulares, enquanto que buídos aos compartimentos não corres- para o mapeamento da profundidade dos pondiam às rochas observadas em campo, aqüíferos mais superficiais seriam neces- ou apresentavam significativa variação sários dados de poços de pequena profun- composicional, que notadamente não po- didade, tipo cacimba, considerados como deriam refletir comportamentos geotécni- mais adequados para a identificação de cos ou hidrogeológicos homogêneos. Tal profundidade dos aqüíferos mais superfici- fato pode ser devido a: ais. ▪ Diferença de escalas de trabalho. As A segunda questão diz respeito ao fato de UBCs utilizadas provieram do projeto que os dados disponíveis mostram que a “Metodologia para Seleção de Áreas maior parte das UBCs contém áreas con- para Tratamento e Disposição Final de sideráveis das duas classes de profundi- Resíduos Sólidos” (IG-SMA 1999), dade de nível d’água. Dada a importância como mencionado no item 3.1, tendo deste fator para a avaliação de vulnerabili- sido delimitadas em imagens 1:100.000. dade de aqüíferos, faz-se necessário veri- Os mapas e dados utilizados neste ficar se é possível definir uma forma alter- projeto são compatíveis com a escala nativa para a aquisição de dados referen- 1:50.000. tes ao fator “profundidade de nível d´água” mais compatível com a abordagem fisio- ▪ As dificuldades para a delimitação gráfica, que permita a utilização deste fator de compartimentos fisiográficos na regi- na caracterização geoambiental das UBCs. ão ocidental da RMC, onde está inseri- da Área T4, devem-se principalmente à As dificuldades encontradas para a carac- 46 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 53.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas terização dos solos, quanto à espessura e Estas questões mostram a importância de ao perfil textural, são decorrentes do insu- se conhecer a influência relativa de cada ficiente conhecimento acerca dos proces- fator e possivelmente considerar a atribui- sos que controlam a evolução da paisagem ção de pesos diferenciados a cada um e a formação de solos, e a forma pela qual deles. tais processos expressam-se através dos elementos texturais de imagem. Desta A avaliação de terrenos envolvendo a es- forma, trabalhos futuros visando o aprimo- timativa de vulnerabilidade de aqüíferos à ramento da etapa de caracterização das contaminação deve enfocar os fatores que UBCs devem investigar, por exemplo, as potencialmente controlam os processos de relações entre as estruturas tectônicas de atenuação, de acessibilidade hidráulica e natureza rúptil e a evolução e distribuição de recarga. No presente trabalho, tais pro- dos perfis de solo, buscando correlações cessos foram inferidos de forma integrada com os elementos texturais de imagem (de e qualitativa a partir de características do drenagem e de relevo, a princípio). terreno (fatores), tais como litologia, tipo de solo, declividade e grau de fraturamento. Como aspecto positivo, destaca-se que a Considera-se que os fatores analisados compartimentação fisiográfica apresenta procuram refletir propriedades do terreno grande potencial de uso para variadas que, de alguma forma, induzem ou contro- aplicações, com economia de recursos lam os referidos processos de atenuação, materiais e financeiros e de tempo para acessibilidade hidráulica e recarga de execução de avaliações do terreno, permi- aqüíferos. Tais propriedades incluem: tindo inclusive melhor visualização das unidades por usuários. No entanto, investi- a) permeabilidade da zona não satura- gações adicionais e revisão dos procedi- da; mentos de execução, como sugeridos aci- ma, tornam-se necessários com o objetivo b) conteúdo de argila e de matéria or- de equacionar as limitações descritas e gânica na zona não-saturada; tornar o método mais operacional e ade- quado a diferentes cenários e escalas de c) taxa de infiltração. estudo. Portanto, com o intuito de aumentar a pre- - AVALIAÇÃO cisão da avaliação de vulnerabilidade, é importante que investigações futuras pos- No que diz respeito à etapa de avaliação sam definir de forma mais confiável a cor- geoambiental, alguns aspectos metodoló- relação existente entre as propriedades do gicos merecem ser investigados em maior terreno que controlam os processos acima detalhe em estudos futuros. Tais aspectos mencionados e as características do terre- são discutidos a seguir. no a partir das quais as propriedades fo- ram inferidas. Alternativamente, podem ser Não são conhecidas as influências relati- definidos mecanismos de aquisição direta vas de cada fator utilizado na avaliação. das informações sobre as propriedades, Neste sentido, algumas questões podem inclusive de forma quantitativa. ser levantadas e servir de exemplo: - INCORPORAÇÃO DA ANÁLISE DE FRATURAS 1) Que influência efetiva a classe de NA AVALIAÇÃO DE TERRENOS fraturamento 3 exerce em termos de permeabilidade do meio? A superposição do mapa de lineamentos, elaborada anteriormente por Fernandes 2) A influência da declividade baixa (< (1997) e de forma independente da com- 5%) tem a mesma importância que a partimentação realizada em IG-SMA presença de um solo arenoso para a re- (1999), mostrou que estas unidades carga do aqüífero? (UBCs) são relativamente homogêneas em 47 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 54.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas termos de densidade e regularidade dire- visual, correlacionando os principais trends cional de lineamentos. Por exemplo, foi direcionais de lineamentos observados em possível definir domínios tectônicos para rosáceas com estruturas medidas no cam- 12 das 13 unidades da Área T3, o que su- po, a exemplo de Fernandes (1997) e Fer- gere que a compartimentação apresenta nandes & Amaral (2002), produziram re- boa correlação com a delimitação domínios sultados bastante similares às análises de tectono-estruturais homogêneos. Pode-se caráter estatístico, apresentadas em Fer- deduzir que tal correlação, entre domínios nandes da Silva (2003), o que sugere uma tectônicos e compartimentos fisiográficos, razoável consistência quanto à caracteri- é devida ao fato da tectônica cenozóica zação do fator “fraturas” e sua utilização exercer influência sobre a estruturação dos para efeitos de avaliação da suscetibilida- elementos de drenagem e de relevo. de a processos geodinâmicos e vulnerabi- lidade dos aqüíferos. Ainda é importante ressaltar que a análise 48 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 55.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 5.. CONCLUSÕES 5 CONCLUSÕES sidade e conectividade de fraturas, partin- Não obstante a algumas limitações encon- do-se do pressuposto que são proporcio- tradas nos estágios de compartimentação nais a uma maior densidade e número de e caracterização das unidades, e discuti- intersecções de lineamentos, respectiva- das anteriormente, a implementação da mente. Também foram identificadas áreas metodologia de compartimentação fisio- de maior probabilidade de ocorrência de gráfica em contextos geológicos e geo- fraturas com maior abertura, as quais cor- morfológicos distintos, como as duas áre- respondem a domínios tectônicos com as-piloto estudadas no presente projeto, predomínio do evento E3-NW de natureza demonstraram sua aplicabilidade para ava- trans-extensional. liações de terreno voltadas à estimativa de suscetibilidade a processos geodinâmicos Com relação à suscetibilidade a processos superficiais e à vulnerabilidade da água geodinâmicos superficiais, verificou-se que subterrânea à contaminação. na Área T3, a relativa predominância de gradientes de declividade mais altos com- Considera-se que uma das principais con- binados à maior densidade de fraturas está tribuições do presente trabalho, diz res- possivelmente associada a um maior nú- peito à incorporação da análise de fratura- mero de compartimentos fisiográficos mento no processo de avaliação geotécni- apresentando alta suscetibilidade a pro- ca e hidrogeológica dos compartimentos cessos geodinâmicos, quando comparados fisiográficos. à Área T4. Aparentemente, os tipos textu- Sugere-se no presente trabalho, que as rais de solos observados na Área T3 tam- UBCs correspondem a domínios tectônicos bém influenciam na classificação de diver- homogêneos, e que tal correlação pode ser sos compartimentos como sendo de maior de grande utilidade para avaliações geo- suscetibilidade. técnicas e hidrogeológicas do terreno. As limitações encontradas com relação à As descontinuidades de natureza tectônica heterogeneidade interna das UBCs, em rúptil, não relacionadas à formação das termos de tipos litológicos e profundidade rochas, correspondem às fraturas. Tais do nível d’água, e as dificuldades para ca- fraturas quando geradas por esforços ex- racterização de solos, principalmente tensionais tendem a gerar espaços vazios quanto a espessura, devem ser considera- (fraturas abertas), que se constituem em dos como temas prioritários na realização caminhos preferenciais dos contaminantes de novos trabalhos visando avanços meto- em rochas de baixa permeabilidade primá- dológicos. Tais temas podem incluir al- ria. No caso das áreas piloto estudadas, guns procedimentos operacionais específi- estas rochas corresponderam aos granitos, cos, a serem adotados nas etapas de ca- gnaisses, diabásios e rochas sedimentares racterização e de avaliação geotécnico- de textura fina (lamitos com seixos e ritmi- hidrogeológica dos compartimentos, como tos do Grupo Itararé e argilitos e siltitos da listados a seguir: Formação Rio Claro). A análise de linea- ▪ Traçado de curvas de isoprofundi- mentos, junto com o modelo de evolução dade de nível d’água com base em po- tectônica cenozóica da região de Campi- ços-cacimba, de menor profundidade, e nas, permitiu inferir áreas com maior den- 49 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 56.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas mais adequados para se identificar a de igual peso ou importância no pre- profundidade dos aqüíferos mais super- sente trabalho). Cabe assinalar, por ficiais. exemplo, que áreas com maior quanti- dade de lineamentos corresponderam, ▪ Investigar em maior detalhe a cor- em geral, às áreas com maior declivida- relação existente entre as propriedades de. Este resultado enfatiza a necessida- do terreno que controlam os processos de de conhecimento acerca da influên- de atenuação de contaminantes, aces- cia relativa e diferenciada de cada fator sibilidade hidráulica, e recarga de aqüí- a ser considerado nas avaliações. feros, com as características do terreno (por ex. litologia, tipo de solo, declivida- ▪ Aprimoramento do procedimento de de, e grau de fraturamento) capazes de caracterização de solos, buscando me- permitir a inferência de tais proprieda- lhor compreender as relações entre as des a partir de imagens de satélites ou estruturas tectônicas, em especial as de de informações pré-existentes. natureza rúptil (fraturas) e a evolução da paisagem, no que diz respeito à distri- ▪ Investigação e possível utilização de buição espacial e evolução dos perfis de pesos diferenciados para cada um dos solo. fatores de análise (considerados como 50 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 57.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas 6.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Environment. SAIEG, Pretoria. CD-ROM, p. Bell FG. 1993. Engineering Geology. Blackwell, 906-914 Oxford. 269p Cendrero A. 1990. Developments and tenden- Bell FG, Cripps JC, Culshaw MG, O’Hara M. cies in Environmental Geology in Europe. In: 1987. Aspects of geology in planning. In: st Actes of 1 Andean Conference on Envi- Culshaw MG, Bell FG, Cripps JC, O’Hara M. ronmental Geology, Medellin. AGID (eds). Planning and Engineering Geology. REPORT 13, p. 65 – 88. Geological Society Engineering Geology Special Publication No. 4, pp. 1-38. De Biasi 1992. A Carta clinográfica: os métodos de representação e sua confecção. Revista Bennett MR & Doyle P. 1997. Environmental do Depto de Geografia, FFLCH-USP, 6:45- Geology. John Wilet and Sons Ltd, Chices- 60. ter. 501p. Domenico PA & Schwartz FW. 1990. Physical Bennett MR & Doyle P. (eds). 1998. Issues in and chemical hydrogeology. John Wiley & Environmental Geology: a British Perspec- Sons, New York, 824 pp. tive. Geological Society, London. Fernandes AJ. 1997. Tectônica Cenozóica na Brollo MJ. 2001. Metodologia automatizada Porção Média da Bacia do Rio Piracicaba e para seleção de áreas para disposição de sua aplicação à hidrogeologia. São Paulo resíduos sólidos. Aplicação na Região Me- (SP);. [Tese de Doutoramento - Instituto de tropolitana de Campinas (SP). São Paulo. Geociências da USP]. [Tese de Doutoramento – Departamento de Saúde Ambiental – Faculdade de Saúde Fernandes AJ & Amaral G. 2002. Cenozoic Pública da USP]. tectonic events at the border of the Parana Basin, São Paulo, Brazil. Journal of South Brollo MJ, Mendes EAA, Vedovello R, Santoro, American Earth Sciences,14(8):911-931. J. 1994. Mapa de materiais inconsolidados como subsídio ao planejamento do meio fí- Fernandes AJ & Hirata RCA 2003. Vulnerability sico. In: Congresso Brasileiro de Geologia, of fractured aquifers: a case study of the ap- 38, Balneário Camboriú. SBG, Boletim de plication of Cenozoic tectonics (Sao Paulo, Resumos Expandidos, V.1, p.51-52. Brazil)". Artigo submetido ao Journal of Hydrology. Brollo MJ, Vedovello R, Gutjahr MR, Hassuda S, Iritani MA, Fernandes da Silva PC, Holl Fernandes AJ & Rudolph D. 2001. The influ- MC 2000. Criteria for selection of areas for ence of Cenozoic Tectonics on the ground- waste disposal in regional scale (1:100,000). water-production capacity of fractured Application area: Metropolitan Region of zones: a case study in Sao Paulo, Brazil. Campinas, Sao Paulo State, Brazil. In: Pro- Hydrogeology Journal, 9:151-167. ceedings of the 8th Congress of the Intl. As- soc. Engineering Geology and Environment. Fernandes da Silva PC. 2003. The Use of AA Balkema, Rotterdam, 6: 4281-4286. Structural Geology in Regionalisation Schemes for Engineering Purposes. Shef- Brollo MJ, Ferreira LMR, Pompéia SL. 2002. field, United Kingdom [Tese de Doutora- Evaluation of the environmental pollution mento submetida à University of Sheffield]. risk in a regiuonal planning context. In: Pro- ceedings of 9th International Congress of the Intl. Assoc. Engineering Geology and Fernandes da Silva PC, Maffra CQT, Tominaga 51 INSTITUTO GEOLÓGICO
  • 58.
    Suscetibilidade a processosgeodinâmicos e vulnerabilidade de aqüíferos à contaminação: aplicação a terrenos da Região Metropolitana de Campinas LK, Vedovello R. 1997. Mapping units on tica na análise e interpretação de fotografias São Sebastião Geohazards Prevention aéreas em geologia. Notícia Geomorfológi- Chart, Northshore of São Paulo State, Bra- ca; 6(32): 71-104. zil. In: Proceedings of 30th International Geological Congress Utrecht, Netherlands, Souza CRG [coord.]. 2002. Sistema Integrador VSP Scientific Publisher. V.24. p. 266-281. de Informações Geoambientais para o litoral do Estado de São Paulo, aplicado ao geren- Foster S & Hirata RCA. 1988. Groundwater ciamento costeiro – SIIGAL: fase II. 2º Re- pollution risk assessment: a methodology latório Científico (FAPESP-1998/14277-2). based on available data. CEPIS/PAHO São Paulo (SP): Instituto Geológico; 204p. Technical Report. Lima, Peru. 83p. Vedovello R, Brollo MJ, Holl MC, Maffra CQT. IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1993. 1999. Sistemas Gerenciadores de Informa- Subsídios do Meio Físico-Geológico ao Pla- ções Geoambientais como um produto da nejamento do Município de Campinas (SP). cartografia geotécnica. Exemplo voltado à Relatório Técnico. São Paulo (SP): Instituto disposição de resíduos. In: Anais do 9º Geológico; 3 vols. Congresso Brasileiro de Geologia de Enge- nharia. Águas de São Pedro, ABGE – IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1995. UNESP – USP.CD-ROM. Subsídios para o planejamento regional e urbano do meio físico na porção média da Vedovello R. 2000. Zoneamentos Geotécnicos Bacia do Rio Piracicaba, SP. Relatório Téc- Aplicados à Gestão Ambiental a partir de nico. São Paulo (SP): Instituto Geológico; 4 Unidades Básicas de Compartimentação – vols. UBCs. Rio Claro (SP), 154p. [Tese de Dou- toramento – Instituto de Geociências e Ci- IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1996. ências Exatas da UNESP].. Carta de riscos a movimentos de massa e inundações do município de São Sebastião, Vedovello R. 1993. Zoneamento Geotécnico SP. Relatório Técnico. São Paulo (SP): Ins- por Sensoriamento Remoto para Estudos de tituto Geológico; 77p., 14 anexos. Planejamento do Meio Físico - aplicação em expansão urbana. São José dos Campos IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 1999. (SP), 88p.[Dissertação de Mestrado - Insti- Metodologia para Seleção de Áreas para tuto Nacional de Pesquisas Espaciais Tratamento e Disposição Final de Resíduos (INPE)]. Sólidos. Relatório Técnico. São Paulo (SP): Instituto Geológico; 98p. Veneziani P & Anjos CE. 1982. Metodologia de interpretação de dados de sensoriamento IG-SMA Instituto Geológico – SMA/SP. 2002. remoto e aplicações em geologia. São José Mapeamento da Vulnerabilidade Natural dos dos Campos, SP. (INPE – 2227 – MD041) Aqüíferos Fraturados Pré-cambrianos da Região Metropolitana de Campinas. São Wang JSY & Narasimhan TN. 1993. Unsatu- Paulo (SP): Instituto Geológico; 81p. rated Flow in Fractured Porous Media. In: Bear J, Tsang C-F, de Marsily G (Eds.). Mitchell C.W. 1991. Terrain Evaluation. Long- Flow and contaminant transport in fractured man, Essex. 2nd Ed. 497p. rock. San Diego Academic Press. p.325- 395. Riedel OS, Rodrigues JE, Mattos JT, Maga- lhães FS. 1995. A influência das estruturas Yoshinaga-Pereira S. 1996. Proposta de Re- geológicas em instabilidades de taludes em presentação Cartográfica na Avaliação Hi- saprolitos – uma abordagem regional. São drogeológica para Estudo de Planejamento Paulo, SP. Solos e Rochas, 18 (3):139-147. e Meio Ambiente, exemplo da Região Me- tropolitana de Campinas - SP. São Paulo Rubin J & Steinhardt R. 1963. Soil water rela- (SP) [Tese de Doutoramento - Instituto de tions during rain infiltration. In: Theory: Soil Geociências da USP]. Sci. Amer. Proc. vol. 27, p. 246-251. Soares PC & Fiori AP. 1976. Lógica e sistemá- 52 INSTITUTO GEOLÓGICO