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UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO - UNINOVE
CURSO DE PSICOLOGIA
PROJETO INTEGRADOR - PROFISSÃO E CARREIRA EM PSICOLOGIA
Amanda Rossi de Almeida Pereira
Arleide Ribeiro Ramos
Durvalina Tercina da Mata Fontes
Jackeline Fernandes
Turma 28
PSICOLOGIA DO ESPORTE
São Paulo
2023
Amanda Rossi de Almeida Pereira - 923201467
Arleide Ribeiro Ramos - 923201304
Durvalina Tercina da Mata Fontes - 923200700
Jackeline Fernandes - 923202832
Turma - 28
PSICOLOGIA DO ESPORTE
Trabalho apresentado para obtenção de
nota na disciplina de Projeto Integrador
- Profissão e Carreira em Psicologia,
sob a orientação da Profa. Dra. Maria
Elizabet Lautert de Souza
São Paulo
2023
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 4
2. DESENVOLVIMENTO - PSICOLOGIA DO ESPORTE 6
3. ENTREVISTA 8
4. DISCUSSÃO 17
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 19
6. INTERVENÇÃO NA COMUNIDADE 20
REFERÊNCIAS 21
ANEXOS 22
1. INTRODUÇÃO
Este relatório de pesquisa aborda o Projeto Integrador - Profissão e Carreira em Psicologia,
inserido na disciplina de Extensão da Unidade Curricular de Extensão (UCE). Este projeto
educacional visa aprimorar a capacidade de pesquisa dos estudantes. Seus objetivos englobam
a exploração das múltiplas facetas da profissão de psicólogo, a análise da trajetória profissional
nesse campo e a compreensão das demandas contemporâneas do mercado de trabalho. Além
disso, busca integrar os alunos ao curso de Psicologia, cultivando habilidades de trabalho em
equipe e fornecendo uma base sólida para sua formação acadêmica.
Uma das metas do projeto de extensão é difundir os resultados dessa pesquisa junto à
comunidade, com o intuito de destacar o valor e a diversidade de oportunidades na área da
Psicologia, abordando as necessidades individuais e coletivas.
O grupo participante é composto por indivíduos que escolheram a psicologia como seu campo
de estudo e atuação por uma variedade de motivos, incluindo: identificação com a área como
um interesse em certa medida vocacional; transição de carreira; autonomia; interesse na área da
Psicologia do esporte; e claro, não podemos deixar de citar nossa paixão pela complexidade da
mente humana.
Neste estudo foi feito um recorte sobre a área da Psicologia do Esporte, este presente trabalho
tem por finalidade expor como surgiu essa área e a relevância de sua abordagem dentro da
Psicologia. É importante que saibamos que se trata de uma área recentemente reconhecida, há
muito que se explorar e aprimorar conhecimentos, porém, seu nível de abrangência tem se
tornado cada vez mais notável.
Seus objetivos não se baseiam apenas em avaliações comportamentais, podemos observar que
a psicologia do esporte se dedica às complexas interações entre mente e corpo no contexto
esportivo. Ela examina fatores psicológicos como: motivação, confiança, ansiedade, foco e
resistência; e como esses efeitos podem afetar o desempenho atlético e o bem-estar emocional
dos atletas. Além disso, a psicologia do esporte lida com questões como a dinâmica de equipe,
treinamento mental, e a gestão de estresse em situações de competição.
A pesquisa e a prática da psicologia do esporte são aplicadas a uma variedade de contextos
esportivos, desde esportes de alto rendimento até atividades recreativas e de condicionamento
físico. Ela desempenha um papel crucial no desenvolvimento de estratégias para melhorar o
desempenho esportivo e maximizar o potencial dos atletas, ao mesmo tempo em que promove
saúde mental e bem-estar.
A psicologia do esporte fomenta a motivação intrínseca, o autocontrole, o gerenciamento do
estresse e outros fatores psicológicos que podem ser aplicados tanto no campo esportivo quanto
na vida cotidiana. Em suma, a psicologia do esporte trata o sujeito de forma integral, e
desempenha importante contribuição na compreensão, aprimoramento do desenvolvimento e
desempenho humano, bem como na promoção da saúde e bem-estar no mundo do esporte.
2. DESENVOLVIMENTO - PSICOLOGIA DO ESPORTE
Considerada recente, a Psicologia do esporte surgiu no final do século XIX, início do século
XX, surgindo seus primeiros estudos e laboratórios em países como: Japão, Estados Unidos,
Antiga União Soviética e Alemanha.
Seu crescimento se deu após ser estabelecida a primeira Sociedade Internacional de Psicologia
do Esporte (International Society for Sport Psychology - ISSP) na década de 1965. Sua
expansão alcançou a América Latina pouco tempo depois, e em 1979 fundou-se a Sociedade
Brasileira de Psicologia do Esporte, da Atividade Física e da Recreação (SOBRAPE).
Na área de Psicologia do esporte existem tantas teorias, definições e interpretações
quantos são os psicólogos do esporte no mundo. Muitos desses profissionais entendem
a psicologia como uma subárea da psicologia aplicada (psicologia no esporte), e outros
a entendem como uma disciplina das ciências do esporte. Nos últimos anos, a psicologia
do esporte pôde se emancipar da sua “ciência-mãe”, a psicologia. Atualmente, ela é
uma disciplina científica independente, com suas próprias teorias, seus métodos e
programas de treinamento. (SAMULSKI; 2009, p 2)
A psicologia do esporte e do exercício tem por objetivo de estudo científico analisar pessoas e
seus comportamentos dentro do contexto esportivo e do exercício físico e aplicação desses
conhecimentos. Essencialmente os psicólogos esportivos precisam entender e ajudar pessoas de
diversas faixas etárias e classes sociais, como atletas da elite, crianças atletas, jovens, portadores
de deficiências físicas e mentais, pessoas da terceira idade, e até mesmo pessoas que praticam
atividade física em seu tempo livre, a fim de desenvolver satisfação pessoal, boa performance
e rendimento, e desenvolvimento da personalidade por meio da participação.
Suas áreas de atuação são múltiplas, Samulski (1992) ressalta a importância de uma formação
abrangente, identificando pelo menos quatro áreas de aplicação da Psicologia do Esporte:
Esporte de rendimento, focado em otimizar o desempenho dentro de uma estrutura formal e
institucionalizada. Esporte Escolar, cujo objetivo é a formação baseada em princípios
socioeducativos, preparando os praticantes para a cidadania e o lazer. Esporte recreativo,
voltado para o bem-estar de todas as pessoas. Esporte de reabilitação, direcionado para a
prevenção e intervenção em indivíduos com lesões resultantes da prática esportiva ou não.
Vejamos mais detalhadamente a seguir:
Esporte de rendimento, focado em otimizar o desempenho dentro de uma estrutura formal e
institucionalizada. Nesse contexto, o psicólogo trabalha para analisar e modificar os fatores
psicológicos que influenciam no desempenho do atleta ou do grupo esportivo. Isso pode ocorrer
em clubes, academias esportivas ou por meio de atendimento individual no consultório.
Esporte Escolar, cujo objetivo é a formação baseada em princípios socioeducativos, preparando
os praticantes para a cidadania e o lazer. Aqui, o psicólogo procura compreender e analisar os
processos de ensino, educação e socialização no esporte, impactando no desenvolvimento de
crianças, jovens ou adultos praticantes. Sua atuação pode ocorrer em Ongs, escolas, colégios e
faculdades.
Esporte recreativo, voltado para o bem-estar de todas as pessoas. É uma prática voluntária com
conexões com a educação contínua e a saúde. Nesse cenário, o psicólogo analisa o
comportamento recreativo em diversas faixas etárias, classes sociais e contextos profissionais,
considerando diferentes motivações, interesses e atitudes. Ele pode atuar em atendimentos
individuais, escolas, colégios, faculdades, ONGs, condomínios e academias esportivas.
Esporte de reabilitação, direcionado para a prevenção e intervenção em indivíduos com lesões
resultantes da prática esportiva ou não, bem como em pessoas com deficiências físicas e
mentais. Podendo atuar, por exemplo, em Centros de reabilitação do Esporte.
3. ENTREVISTA
Nossa entrevista foi realizada pela integrante do grupo Jackeline Fernandes, às 14h30 via
telefone. A entrevistada e a entrevistadora estavam em suas salas sem acompanhantes. A
gravação ocorreu pelo aplicativo de gravador do iPhone.
JACKELINE - Então tá bom. Oi Psicóloga, boa tarde. Meu nome é Jackeline. A gente vai estar
iniciando a nossa entrevista. Eu iniciei a gravação. Estou numa sala sozinha agora para fazer a
entrevista contigo. Ótimo.
PSICÓLOGA - Sou psicóloga. Não sei se preciso falar, mas tenho 26 anos. Estou ciente dessa
participação, autorizo a gravação. Estou no escritório sozinha também.
JACKELINE - Ah, então tá bom.
JACKELINE - Podemos iniciar então?
PSICÓLOGA - Claro.
JACKELINE - Então tá, eu queria saber, se você pode contar-nos um pouco da sua experiência
como psicóloga, né? E por que você escolheu essa área de atuação? E quais eram as suas
expectativas?
PSICÓLOGA - Bom, inicialmente, quando eu entrei na psicologia. Não sabia da existência
da psicologia do esporte. Foi em uma aula de história da psicologia, se não me engano, que o
professor propôs algumas áreas também da atuação. E aí foi a primeira vez que tive um contato
com o que seria psicologia do esporte. Eu atuei de atleta, fui formada em ballet clássico, que
é de sapateado, dancei por 13 anos e parei de dançar antes de entrar na faculdade. E quando
eu tive essa aula sobre psicologia do esporte, eu vi o quanto teria sido importante na minha
carreira se eu tivesse o auxílio de um profissional para me ajudar na parte de psicologia, até
porque depois de muito tempo refletindo sobre, eu acredito que sim, eu teria parado de dançar
por uma questão de overtraining, que seria a questão do burnout. Eu tive muitas lesões, estava
muito desmotivada e isso levou a minha decisão de não continuar dançando. E quando eu
entrei na faculdade e tive o contato com essa área, me brilhou muito aos olhos. Eu falei assim,
poxa, quem sabe eu possa ajudar outros atletas, outros profissionais a não passarem por
situações pelas quais eu passei que talvez eles tenham até mais qualidade de vida então, me
chamou muita atenção, a psicologia integral são quatro anos e o estágio, a gente já começa
aquele estágio no segundo ano. E ali no estágio básico, no segundo ano, eu já procurei por
alguma equipe. No primeiro semestre, eu não consegui. Até porque a gente não sabia muito
bem como chegar numa equipe e pedir a possibilidade de um estágio. Aí no segundo semestre
eu consegui. uma equipe de voleibol da cidade aqui em Forte de Overil, que era o Rio de
Janeiro, era sub-15, eu e minha dupla de estágio, e a gente ficou até o final da faculdade com
essa equipe. E a gente não tinha nada na faculdade quanto a esse tema, então era mais como a
gente propunha alguma reflexão para os professores, o nosso professor de estágio também
passou a estudar com a gente esse tema e foi muito gratificante. E as expectativas eram que
quando eu me formasse conseguiria continuar atuando com a equipe que eu tinha sido pro
estágio, mas isso não aconteceu e acabou revirando aí a situação e eu iniciei a minha carreira
em outra equipe, de outra forma, mas eram expectativas boas.
JACKELINE- Ah, legal. E há quanto tempo? Então, você já estava atuando direto na
psicologia do esporte, né? E há quanto tempo você está formada e atuando na área?
PSICÓLOGA - Eu me formei em psicologia na graduação em 2018. Em 2019, assim que
eu saí do TRP, eu já iniciei em uma equipe, mas sem a titulação de psicóloga do esporte, eu
era só psicóloga. E já entrei numa pós-graduação em 2019, conclui ela em 2020. Foram dois
anos de pós-graduação. Então, atuando na área esportiva, eu atuo desde 2019 como
profissional, mas como especialista desde 2020. Então, agora em 2023 é meu quinto ano de
formada e o meu quarto ano como.
JACKELINE - Ah, entendi. E como que se deu a sua inserção no mercado de trabalho?
PSICÓLOGA - O meu TCC, o meu trabalho de graduação, na hora de conclusão do curso eu
fiz voltada para a temática de psicologia do esporte, eu queria estudar a parte do autoconceito
no processo de reabilitação dos atletas e um dos meus participantes da minha amostra era um
para-atleta, um atleta com deficiência da equipe aqui da cidade e ele havia comentado com o
técnico dele que ele tinha participado como participante de uma pesquisa, de um trabalho, e que
eu estava me formando. E aí o técnico entrou em contato comigo e assim que consegui o meu
CRP, ele já queria que eu ingressasse na equipe para poder estar atuando com os para-atletas
da cidade. E durante esse primeiro ano de formada, eu fui um trabalho voluntária nessa equipe,
porque a equipe já tinha a verba anual destinada e não tinha verba para outros profissionais, né?
Então, em 2019, eu atuei como voluntária nessa equipe. E em 2020, eles me contrataram
efetivamente e estou nessa equipe até hoje. Estou atuando com a equipe.
JACKELINE - Ah, legal. E quais foram as barreiras para o seu ingresso? Além da verba que
você já falou, né?
PSICÓLOGA - De início, eu acho que eu ainda me deparo muito com essa questão do certo
preconceito ainda sobre o tratamento com o psicólogo, né? Muitas vezes o não conhecimento
da importância, tanto por parte da comissão quanto por parte dos atletas, então eu ainda continuo
fazendo muitas palestras educativas para as equipes e mostrando a importância, né? Do
profissional, então ainda uma das barreiras é a questão de tempo que o público pode passar do
profissional e muitas vezes a questão de verbas. Muitas vezes as equipes não enxergam como
uma prioridade ou acreditam que seria um gasto, não um investimento, mas nesses cinco anos
a minha equipe, isso vem mudando, não foi mais nenhum que eu percebia, ainda era visto
como muito caro, muitas vezes necessário, e desde então eu venho plantando essa sementinha
pra ver se muda um pouquinho essa perspectiva e daí das últimas Olimpíadas, né? A gente viu
muitos atletas falando sobre essa questão da saúde mental. Então, vamos dizer que o tabu está
sendo quebrado ainda, né? Mas as olimpíadas ajudaram pra caramba, e deu visibilidade.
JACKELINE - E aí, você pode me contar sobre o seu trabalho, a sua rotina?
PSICÓLOGA - Minha rotina atualmente, eu sou integrante de comissão da consulta técnica de
duas equipes aqui da cidade. Então, eu continuo atuando com os para-atletas e também atuo
com a outra equipe de tênis de mesa aqui da cidade com atletas de alto rendimento. Atualmente,
como que a gente faz? Os para-atletas, eu compareço no local de treino da equipe uma vez por
semana, no período da manhã com eles, observo o treino, faço os atendimentos pontuais, faço
as anotações, acolhimentos, eu fico durante esse período como os atletas no próprio ambiente
de treino deles, academia, atletismo, então eu fico no campo, eu fico ali próximo a eles. Os
atletas do tênis de mesa, nesse ano eu vou quinzenalmente nos treinos, faço uma atividade com
eles, faço a perspectiva para a técnica de como tá sendo, o acompanhamento dos atletas, e os
atletas passam quinzenalmente comigo clínica. Então, nessa equipe eu faço atendimento clínico
e faço acompanhamento lá no local. Além disso, eu atendo em uma clínica particular, tanto
demandas esportivas quanto demandas gerais, públicos que não são atletas. Tenho duas
auxiliares que trabalham comigo, psicólogas também que estou se especializando agora no
esporte, e cada uma atua comigo e uma das equipes. Então, no tênis de mesa, a minha auxiliar,
a M, ela vai semanalmente, faz observação, plantão psicológico, aplica algumas atividades. E a
B, ela faz atendimentos online para atletas no período da tarde, que é um período do qual eu
não tenho a possibilidade de atender, e ela fica como um plantão para esses atletas. Então, minha
rotina, basicamente, é fazer os atendimentos clínicos, acompanhar as equipes. Quando tem
competições, algumas competições, eu acabo indo junto com a equipe. Tenho uma rotina de
estudo, tenho uma rotina de reuniões com as minhas auxiliares. Eu acho que, basicamente, é
isso, além dos meus cuidados pessoais.
JACKELINE - É o que a gente precisa, né?
PSICÓLOGA - Com Certeza.
JACKELINE - Tá certo. E quais os desafios e limitações que você encontra para executar o
seu trabalho?
PSICÓLOGA - Eu acho que poderíamos relacionar com a questão das barreiras. Mesmo
estando dentro de algumas equipes, que as equipes que eu atuo, elas acreditam muito no foco
da parte psicológica, por isso que eles investem muito nesse quesito. Mas alguns atletas ainda
apresentam um pouco de resistência. Então, talvez uma dificuldade seria exatamente quebrar
ainda essa questão da visão de que passar pelo psicólogo seria coisa de loucura ou seria motivo
de tiração de sarro, porque ele está precisando de ajuda, porque tem uma certa associação de
tipo, se ele está precisando de ajuda é porque ele é fraco. Então, é muito pouco, mas ainda assim
tem um pouco disso, graças a Deus, aqui que eu trabalho é um pouco mais tranquilo tudo isso.
Então, consigo mostrar, eles são empenhados, são dedicados, participam de tudo que eu
proponho, me marcam nas coisas que eu preciso, nas que eu me proponho para eles, para gente
estar fazendo. Então, mas são coisas que a gente acaba se deparando. Quando eu vou fazer a
apresentação para uma outra equipe, há uma possibilidade de fechar um contato com outra
equipe, mas eu tenho alguns questionamentos quanto a valores, porque a gente sabe que o nosso
trabalho como psicólogos não é só o momento em que a gente está ali. Então, o tempo fora, a
gente corre de testes, a gente planeja. Então, eu sempre tenho que valorizar muito esse tempo
que a gente acaba se dedicando e apresente tudo isso pra gente. Mas algumas acreditam que
acaba sendo caro e não propõe uma contraproposta. Então, acredito que eles não aceitam a
dificuldade das equipes de negociar com a gente. Não vê a possibilidade de negociar. Não é
comum os profissionais apresentarem contrapropostas. Então, é um pouco da bibliografia que
eu vejo atualmente.
JACKELINE- E qual é a sua opinião quanto à relação do psicólogo e os recursos tecnológicos
atuais?
PSICÓLOGA- Eu gosto muito. Eu acho que a parte da tecnologia. Ajuda muito na atuação do
psicólogo com os atletas, porque A gente tem muitos recursos que a gente pode usar, por
exemplo, jogos, que podem ajudar a auxiliar a trabalhar habilidades específicas, a questão de
realidade virtual pode ajudar bastante, algumas técnicas também, o atendimento online, porque
atualmente a gente sabe que as coisas do esporte ainda estão em crescimento, né? Profissionais
realmente muito capacitados. Então, tem atletas de outras regiões que querem investir, mas a
cidade não tem esse recurso e com a possibilidade da tecnologia, a gente consegue fazer esse
atendimento online, né? Até mesmo para atletas no exterior. Então, isso me ajudou muito na
época que os meus atletas foram para... Eu tive três atletas que foram para Tóquio e... Essa parte
da tecnológica me ajudava muito, porque eu conseguia fazer atendimento com eles de forma
online, conseguia acompanhar, conseguia propor algumas atividades para eles fazerem,
conseguia acompanhar a adaptação deles. Então, isso ajudou pra caramba, ajudou muito. Então,
a parte tecnológica eu acho muito legal. A gente tem questões como neurofeedback, que são
questões que envolvem parte de tecnologia, Estou atendendo alguns cursos envolvendo a parte
do uso mesmo da realidade virtual. Até mesmo a junção de algum aplicativo para trabalhar as
habilidades. Então, eu acho super válido. Acho que pode contribuir muito. E atleta nova, de
coisas tecnológicas e tal. Às vezes é muito no meu caminho também.
JACKELINE - Ah, legal. E como você percebe o papel do compromisso social da psicologia?
Tipo, por exemplo, o posicionamento do psicólogo diante das diversidades, tragédias, minorias?
PSICÓLOGA - Eu acho que a gente tem um papel muito importante em relação ao caso de
Miska, porque querendo ou não, o esporte, eu atuo na parte de alto rendimento, A gente vê
muitas situações que acabam trazendo um certo de desconforto para os atletas, que são desafios
mesmo do alto rendimento, porque a gente sabe que conforme o atleta vai construindo a carreira
e subindo de categorias, ele vai afunilando as possibilidades. Então, a gente se depara com as
mesmas faltas de estruturas e projetos sociais para possibilitar o desenvolvimento dessas
crianças, colocar o esporte como algo relevante no desenvolvimento. Então, acredito que na
parte psicológica seria importante ter psicólogos nesses projetos dessas iniciações esportivas
para demonstrar mesmo e sustentar para secretarias de esporte ou para quem queira investir
nesses projetos e valorizar a questão do desenvolvimento global daquela criança e que se um
dia ela pudesse contribuir e continuar a construir a carreira no esporte profissional, ela fez ali
todo um embasamento. E assim, eu atualmente, que nessa lei eu trabalho, com uma equipe de
pessoas com de ciência. Então, é um projeto riquíssimo e que muitas pessoas não sabem do
conhecimento, às vezes, que dá possibilidade de cada pessoa ter esse recurso, né, do esporte.
Então, um dos nossos grandes desafios na equipe é divulgar, né, sempre o projeto.
Então, quando a gente se depara com uma pessoa com alguma deficiência. Muitas vezes os
técnicos acabam abordando a pessoa e perguntam se a pessoa conhece o projeto, se ela tem
vontade de conhecer. E muitas pessoas não enxergam a possibilidade de fazer algo porque eles
são deficientes. Então... É uma questão que a psicologia pode contribuir muito. No Tênis de
mesa, a gente tem o projeto de iniciação, que acaba sendo exatamente isso. As crianças podem
ir, elas não pagam. Tem uma idade estabelecida. O máximo é que as crianças não pagam. Elas
podem ir quando elas quiserem na semana, participar dos treinos. Então, tem essa questão de
proporcionar um acesso. E a psicologia ajuda muito em conscientizar-se da importância dessa
aderência.
JACKELINE - É, seria até a minha próxima pergunta, quais seriam as contribuições para a
sociedade que o seu trabalho tem oferecido? Acho que é bem foco do que você falou.
PSICÓLOGA - Sim, acho que a gente poderia envolver essa questão da abertura mesmo que
as duas equipes têm com seus projetos de tornar o esporte um ambiente acessível para qualquer
pessoa, porque ainda tem muitas coisas dentro do tênis de mesa, a visão de que é um esporte
caro, que é um esporte gerente, o tênis de mesa, o tênis de quadra, enfim, mas a questão do tênis
de mesa, né? Ainda assim, tem muito essa questão da visão de ser um esporte caro. Então
proporcionar um projeto social, que as crianças e adultos, enfim, possam participar. É uma
abertura muito boa. E a questão dos paratletas é exatamente essa. Proporcionar ali o acesso para
pessoa, e que eu já ouvi também, alguns atletas, se sentirem com função, com alguma função
novamente. dá muito orgulho de poder fazer parte, de saber ver a pessoa tendo significada do
novo na vida dela. Sair de um estado depressivo, por ter adquirido alguma deficiência e se sentir
incapaz, um lixo, vamos assim dizer, eu já ouvi isso de alguns atletas, e vendo que ela tem
capacidade de segurar a caminha, de seguir a vida dela, de ser alguém novamente, uma nova
pessoa, mas conseguir ter esse jeito significado, vamos assim dizer, é muito bom.
JACKELINE- Ah, legal. Você já pensou em desistir da sua carreira?
PSICÓLOGA- Não. No início, acontece que eu não tinha muita paixão pela clínica. Eu tinha
aquela sensação meio particular, meio... Não sei se eu quero seguir na clínica. Mas, atualmente
eu gosto muito da clínica, resolvi meu relacionamento com a clínica. Mas eu também não abro
mão das minhas equipes. Eu falo, é uma adrenalina diferente. Então, participar de um jogo, de
uma competição, ali, no meio da muvuca com os meus atletas, é completamente diferente da
adrenalina que eu tenho na clínica. Mas na clínica eu consigo ter uma imersão muito grande
com aqueles atletas. Então, assim, são... cenários diferentes e hoje em dia não tem um que tem
maior importância ou não pra mim, os dois são extremamente importantes e me realizam em
ambas.
JACKELINE- E o que te estimula a continuar?
PSICÓLOGA- O que me estimula a continuar? Ver os meus atletas conquistando as medalhas,
conseguindo ter um autoconhecimento maior, ver os meus atletas superando os próprios
desafios, não só esportivos, mas às vezes desafios pessoais. Poder ver que eu faço a diferença
e contribuo na vida dessas pessoas que confiam em mim. Então... Às vezes dá aquela vontade
de sentir assim, nossa, será que eu tô fazendo a diferença? Será que eu preciso fazer mais? Será
que o que eu tô fazendo tá sendo correto? Que às vezes a gente para, né, pra refletir. E a gente
tem alguns desafios nossos, da parte profissional. E aí, às vezes, eu me pego um feedback, não
aguento. Eu vejo que ele agradece por alguma coisa. Às vezes... Aconteceu na última
competição que eu acompanhei que tem mesmo uma criança de 11 anos. Eu acho que tinha 11
anos e eu ajudei em um jogo e no final da competição, essa atleta que chegou e falou assim:
obrigado Tia, se não fosse por você eu não tinha conseguido encontrar o segundo lugar hoje,
porque eu estava muito nervosa. E poder ver isso acontecer de uma forma que eles verbalizam
diretamente ou ver aquilo, então, eu acho que isso é uma gratidão muito grande, então é o que
me mantém, assim, lá na equipe. É superar os desafios do dia a dia. Falar, não, é esse caminho
aqui, tá certo, continua.
JACKELINE- Ah, legal. E você teria algo para nos dizer como estudante de psicologia?
PSICÓLOGA- Sim, com certeza. Estude muito, faça tudo que você puder. Em relação à
psicologia, eu lembro que eu falava isso para as minhas auxiliares quando elas estavam
aprendendo na faculdade. Eu falava assim, dentro da faculdade, você tá vivendo
encantamento pra ficar na faculdade. Então, se você tem palestra pra ir e dar pra você ir,
você vai. Se tem como você participar de algum grupo de estudo, vai e participa. É o
momento de você conhecer o máximo de coisa que você puder, de vivências, de
experiências. Porque depois que você sair, você vai ter suporte, né? Pelo menos uma base
pra você saber alguns possíveis caminhos para você seguir. Então, vivenciar o máximo de
coisas que você puder, se é algo que você gosta, a psicologia do esporte, e não for um tema
tão debatido na sua faculdade, leve você questionamentos quanto a isso, ou se a professora
está falando sobre escola, empresa, e você levanta a mão e fala assim, tá, mas vim numa
situação que o atleta tá assim, porque senão a gente vai continuar com os tratamentos
indiretos na faculdade. De escolas, empresa, clínica, muitas vezes, e a gente não pensar,
não capacitar os alunos para pensarem diferente. Então, eu lembro que na minha faculdade
a gente tinha que fazer a faculdade em clínica, era obrigatório, e a gente tinha que escolher
em um determinado momento entre a faculdade em educação ou organizacional. Na época
eu escolhi a faculdade em educação. E eu lembro que no meu grupo eu tinha umas 20 e
poucas pessoas, Todo mundo fazia em escola, e eu e minha colega, minha adulta, a gente
fazia em esporte. E chegou alguns questionamentos, tipo, ah, mas vocês vão ter que ir pra
escola, vocês têm que ter experiência em escola. E a gente falou assim, olha, com todo
respeito, a gente acredita que sim, talvez se a gente tivesse a oportunidade, a gente iria pra
uma escola, mas a gente ouve dos outros 18 colegas relatos sobre escolas. E esses 18 colegas
têm relatos de duas pessoas sobre esporte. E se um dia elas tiverem alguma demanda
esportiva, a gente vai conseguir se virar, porque a gente tem a escuta enquanto a psicologia
é educacional. Mas será que essas pessoas teriam possibilidade de lidar com alguma
demanda esportiva se não tivesse a gente ali pra falar sobre psicologia do esporte? Então...
Hoje em dia já é um pouco mais flexível na faculdade, porque eu tenho alguns estagiários já
me procurando. Então, se mantenha firme, né? Explore muito. Se quiser ir em congresso,
em palestras, vá lá pra gente. Explore muito e acho que seria bem isso. Se coloque em
situações que você possa adquirir muito conhecimento.
JACKELINE- Ah, legal, tá, hein? Eu agradeço muito, viu, a oportunidade de te entrevistar.
Eu vou parar a gravação que agora já tá encerrando e a gente continua.
PROJETO INTEGRADOR PSICOLOGIA DO ESPORTE.docx
4. DISCUSSÃO
Como já dito anteriormente, segundo Samulski (2009) a Psicologia do Esporte é considerada
uma ciência recente. Observamos no relato da Psicóloga, que o conhecimento da Psicologia
do Esporte, apenas chegou a ela na Universidade em uma aula de História da Psicologia.
Muitos desafios ainda enfrentam os profissionais psicólogos nessa área, como: Ausência de
recurso, para implantação e manutenção de programas; dificuldade em despertar interesse
de pesquisadores, prejudicando na difusão desse conhecimento e sua relevância; falta de
conscientização dos atletas, quanto a sua importância e eficácia.
Em entrevista em seu canal Katia Rubio (2015) debate sobre os recursos na área do esporte,
e comenta com veemência a precariedade no âmbito esportivo. Assim conseguimos entender
a situação da Psicóloga em aceitar um emprego primeiramente sem remuneração, devido as
verbas serem destinadas a outros meios.
Podemos notar também que a Psicóloga entrevistada ressalta a importância do PE, relatando
sua própria experiência na adolescência e expressou a convicção de que, se tivesse recebido
o apoio de um psicólogo desde o início de sua jornada, talvez não tivesse tomado a difícil
decisão de interromper sua paixão pelo Ballet. O motivo por trás desse ponto crucial em sua
trajetória foi o “overtraining”, um fenômeno que pode ser equiparado ao esgotamento
emocional (Burnout).
Em seu livro Samulski (2009) argumenta de forma persuasiva que, embora o treinamento
físico seja indiscutivelmente essencial para elevar a performance atlética, o overtraining
emerge como um fator de risco, capaz de minar o desempenho esportivo. Essa constatação
destaca a importância de equilibrar o vigoroso treinamento físico com uma atenção
cuidadosa à saúde mental e emocional dos atletas, e a necessidade de intervenção de um
psicólogo do esporte para mediar um tratamento.
Falando sobre a relevância do papel do PE, podemos equiparar a contribuição ao suporte de
para-atletas que a Psicóloga entrevistada exerce, e a ênfase que Samulski exibe em seu livro,
denotando a importância do acompanhamento psicológico neste específico grupo de atletas,
conforme veremos a seguir:
Conhecendo-se a importância do processo de reabilitação, que leva em conta a
atividade física como meio favorecedor e eficaz de reinserção, socialização,
melhoria da qualidade de vida, lazer e superação de limites da pessoa com
deficiência, muitas instituições desenvolvem trabalhos focando a atividade física e
o esporte de alto rendimento. No Brasil, o desporto paraolímpico é uma das mais
bem sucedidas propostas voltadas para essa população, no sentido de desenvolver
as pessoas nos seus diferentes aspectos da vida, por meio da participação nos mais
diversos esportes adaptados. As ações das instituições de pessoas com deficiências
(PCD) e do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) são primordiais para que isso seja
uma realidade nos dias atuais. Nessa perspectiva, a psicologia do esporte (PE) inicia
sua efetiva atuação voltada às pessoas com deficiência (PCD), fundamentada em
diferentes aspectos do conhecimento científico. A aplicação da psicologia do
esporte tem se tornado bastante relevante para os profissionais da área esportiva,
bem como, de maneira específica, para os atletas. (SAMULSKI; 2009, p 15)
Ainda argumentando sobre o impacto do papel do Psicólogo no contexto esportivo,
observamos que Samulski (2009) diz sobre a importância do feedback. A Psicóloga também
relata que hoje seus atletas conseguem expressar seus sentimentos através dos jogos,
reconhecendo a importância de seu trabalho para conquista de vitórias.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer do trabalho, conseguimos entender como surgiu a área da psicologia do esporte,
mesmo sendo uma área recentemente conhecida, já conta com quatro áreas de aplicação da
psicologia do esporte: esporte de rendimento, esporte escolar, esporte recreativo e esporte de
reabilitação.
Para obter uma imersão ao trabalho do psicólogo do esporte, uma das integrantes do grupo
realizou uma entrevista com uma profissional dessa área. Foi possível identificar o quanto essa
área foi pouco explorada no mundo académico, pois a psicóloga entrevistada demorou para
saber que existia uma área da psicologia destinada ao esporte.
Com a experiência da psicóloga entrevistada, atuando como psicóloga do esporte ficou evidente
que para o sucesso dos atletas e até mesmo de aluno de recreação esportiva é indispensável à
atuação do psicólogo do esporte.
6. INTERVENÇÃO NA COMUNIDADE
REFERÊNCIAS
SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte: Conceitos e Novas Perspectivas. São Paulo: Manole,
2009. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520442494/
RUBIO, Katia. Segredos do Esporte - As questões políticas e econômicas do esporte - parte
1. Youtube, 4 de Agosto de 2015. Disponível em: (82) Segredos do Esporte - As questões
políticas e econômicas do esporte - Parte 1 - YouTube
ANEXOS
https://drive.google.com/file/d/1MFGBQvUpVns7IS-wYvllnF0-qkMFI0qY/view?usp=sharing

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  • 1. UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO - UNINOVE CURSO DE PSICOLOGIA PROJETO INTEGRADOR - PROFISSÃO E CARREIRA EM PSICOLOGIA Amanda Rossi de Almeida Pereira Arleide Ribeiro Ramos Durvalina Tercina da Mata Fontes Jackeline Fernandes Turma 28 PSICOLOGIA DO ESPORTE São Paulo 2023
  • 2. Amanda Rossi de Almeida Pereira - 923201467 Arleide Ribeiro Ramos - 923201304 Durvalina Tercina da Mata Fontes - 923200700 Jackeline Fernandes - 923202832 Turma - 28 PSICOLOGIA DO ESPORTE Trabalho apresentado para obtenção de nota na disciplina de Projeto Integrador - Profissão e Carreira em Psicologia, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Elizabet Lautert de Souza São Paulo 2023
  • 3. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 4 2. DESENVOLVIMENTO - PSICOLOGIA DO ESPORTE 6 3. ENTREVISTA 8 4. DISCUSSÃO 17 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 19 6. INTERVENÇÃO NA COMUNIDADE 20 REFERÊNCIAS 21 ANEXOS 22
  • 4. 1. INTRODUÇÃO Este relatório de pesquisa aborda o Projeto Integrador - Profissão e Carreira em Psicologia, inserido na disciplina de Extensão da Unidade Curricular de Extensão (UCE). Este projeto educacional visa aprimorar a capacidade de pesquisa dos estudantes. Seus objetivos englobam a exploração das múltiplas facetas da profissão de psicólogo, a análise da trajetória profissional nesse campo e a compreensão das demandas contemporâneas do mercado de trabalho. Além disso, busca integrar os alunos ao curso de Psicologia, cultivando habilidades de trabalho em equipe e fornecendo uma base sólida para sua formação acadêmica. Uma das metas do projeto de extensão é difundir os resultados dessa pesquisa junto à comunidade, com o intuito de destacar o valor e a diversidade de oportunidades na área da Psicologia, abordando as necessidades individuais e coletivas. O grupo participante é composto por indivíduos que escolheram a psicologia como seu campo de estudo e atuação por uma variedade de motivos, incluindo: identificação com a área como um interesse em certa medida vocacional; transição de carreira; autonomia; interesse na área da Psicologia do esporte; e claro, não podemos deixar de citar nossa paixão pela complexidade da mente humana. Neste estudo foi feito um recorte sobre a área da Psicologia do Esporte, este presente trabalho tem por finalidade expor como surgiu essa área e a relevância de sua abordagem dentro da Psicologia. É importante que saibamos que se trata de uma área recentemente reconhecida, há muito que se explorar e aprimorar conhecimentos, porém, seu nível de abrangência tem se tornado cada vez mais notável. Seus objetivos não se baseiam apenas em avaliações comportamentais, podemos observar que a psicologia do esporte se dedica às complexas interações entre mente e corpo no contexto esportivo. Ela examina fatores psicológicos como: motivação, confiança, ansiedade, foco e resistência; e como esses efeitos podem afetar o desempenho atlético e o bem-estar emocional dos atletas. Além disso, a psicologia do esporte lida com questões como a dinâmica de equipe, treinamento mental, e a gestão de estresse em situações de competição. A pesquisa e a prática da psicologia do esporte são aplicadas a uma variedade de contextos esportivos, desde esportes de alto rendimento até atividades recreativas e de condicionamento físico. Ela desempenha um papel crucial no desenvolvimento de estratégias para melhorar o
  • 5. desempenho esportivo e maximizar o potencial dos atletas, ao mesmo tempo em que promove saúde mental e bem-estar. A psicologia do esporte fomenta a motivação intrínseca, o autocontrole, o gerenciamento do estresse e outros fatores psicológicos que podem ser aplicados tanto no campo esportivo quanto na vida cotidiana. Em suma, a psicologia do esporte trata o sujeito de forma integral, e desempenha importante contribuição na compreensão, aprimoramento do desenvolvimento e desempenho humano, bem como na promoção da saúde e bem-estar no mundo do esporte.
  • 6. 2. DESENVOLVIMENTO - PSICOLOGIA DO ESPORTE Considerada recente, a Psicologia do esporte surgiu no final do século XIX, início do século XX, surgindo seus primeiros estudos e laboratórios em países como: Japão, Estados Unidos, Antiga União Soviética e Alemanha. Seu crescimento se deu após ser estabelecida a primeira Sociedade Internacional de Psicologia do Esporte (International Society for Sport Psychology - ISSP) na década de 1965. Sua expansão alcançou a América Latina pouco tempo depois, e em 1979 fundou-se a Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte, da Atividade Física e da Recreação (SOBRAPE). Na área de Psicologia do esporte existem tantas teorias, definições e interpretações quantos são os psicólogos do esporte no mundo. Muitos desses profissionais entendem a psicologia como uma subárea da psicologia aplicada (psicologia no esporte), e outros a entendem como uma disciplina das ciências do esporte. Nos últimos anos, a psicologia do esporte pôde se emancipar da sua “ciência-mãe”, a psicologia. Atualmente, ela é uma disciplina científica independente, com suas próprias teorias, seus métodos e programas de treinamento. (SAMULSKI; 2009, p 2) A psicologia do esporte e do exercício tem por objetivo de estudo científico analisar pessoas e seus comportamentos dentro do contexto esportivo e do exercício físico e aplicação desses conhecimentos. Essencialmente os psicólogos esportivos precisam entender e ajudar pessoas de diversas faixas etárias e classes sociais, como atletas da elite, crianças atletas, jovens, portadores de deficiências físicas e mentais, pessoas da terceira idade, e até mesmo pessoas que praticam atividade física em seu tempo livre, a fim de desenvolver satisfação pessoal, boa performance e rendimento, e desenvolvimento da personalidade por meio da participação. Suas áreas de atuação são múltiplas, Samulski (1992) ressalta a importância de uma formação abrangente, identificando pelo menos quatro áreas de aplicação da Psicologia do Esporte: Esporte de rendimento, focado em otimizar o desempenho dentro de uma estrutura formal e institucionalizada. Esporte Escolar, cujo objetivo é a formação baseada em princípios socioeducativos, preparando os praticantes para a cidadania e o lazer. Esporte recreativo, voltado para o bem-estar de todas as pessoas. Esporte de reabilitação, direcionado para a prevenção e intervenção em indivíduos com lesões resultantes da prática esportiva ou não. Vejamos mais detalhadamente a seguir:
  • 7. Esporte de rendimento, focado em otimizar o desempenho dentro de uma estrutura formal e institucionalizada. Nesse contexto, o psicólogo trabalha para analisar e modificar os fatores psicológicos que influenciam no desempenho do atleta ou do grupo esportivo. Isso pode ocorrer em clubes, academias esportivas ou por meio de atendimento individual no consultório. Esporte Escolar, cujo objetivo é a formação baseada em princípios socioeducativos, preparando os praticantes para a cidadania e o lazer. Aqui, o psicólogo procura compreender e analisar os processos de ensino, educação e socialização no esporte, impactando no desenvolvimento de crianças, jovens ou adultos praticantes. Sua atuação pode ocorrer em Ongs, escolas, colégios e faculdades. Esporte recreativo, voltado para o bem-estar de todas as pessoas. É uma prática voluntária com conexões com a educação contínua e a saúde. Nesse cenário, o psicólogo analisa o comportamento recreativo em diversas faixas etárias, classes sociais e contextos profissionais, considerando diferentes motivações, interesses e atitudes. Ele pode atuar em atendimentos individuais, escolas, colégios, faculdades, ONGs, condomínios e academias esportivas. Esporte de reabilitação, direcionado para a prevenção e intervenção em indivíduos com lesões resultantes da prática esportiva ou não, bem como em pessoas com deficiências físicas e mentais. Podendo atuar, por exemplo, em Centros de reabilitação do Esporte.
  • 8. 3. ENTREVISTA Nossa entrevista foi realizada pela integrante do grupo Jackeline Fernandes, às 14h30 via telefone. A entrevistada e a entrevistadora estavam em suas salas sem acompanhantes. A gravação ocorreu pelo aplicativo de gravador do iPhone. JACKELINE - Então tá bom. Oi Psicóloga, boa tarde. Meu nome é Jackeline. A gente vai estar iniciando a nossa entrevista. Eu iniciei a gravação. Estou numa sala sozinha agora para fazer a entrevista contigo. Ótimo. PSICÓLOGA - Sou psicóloga. Não sei se preciso falar, mas tenho 26 anos. Estou ciente dessa participação, autorizo a gravação. Estou no escritório sozinha também. JACKELINE - Ah, então tá bom. JACKELINE - Podemos iniciar então? PSICÓLOGA - Claro. JACKELINE - Então tá, eu queria saber, se você pode contar-nos um pouco da sua experiência como psicóloga, né? E por que você escolheu essa área de atuação? E quais eram as suas expectativas? PSICÓLOGA - Bom, inicialmente, quando eu entrei na psicologia. Não sabia da existência da psicologia do esporte. Foi em uma aula de história da psicologia, se não me engano, que o professor propôs algumas áreas também da atuação. E aí foi a primeira vez que tive um contato com o que seria psicologia do esporte. Eu atuei de atleta, fui formada em ballet clássico, que é de sapateado, dancei por 13 anos e parei de dançar antes de entrar na faculdade. E quando eu tive essa aula sobre psicologia do esporte, eu vi o quanto teria sido importante na minha carreira se eu tivesse o auxílio de um profissional para me ajudar na parte de psicologia, até porque depois de muito tempo refletindo sobre, eu acredito que sim, eu teria parado de dançar por uma questão de overtraining, que seria a questão do burnout. Eu tive muitas lesões, estava muito desmotivada e isso levou a minha decisão de não continuar dançando. E quando eu entrei na faculdade e tive o contato com essa área, me brilhou muito aos olhos. Eu falei assim, poxa, quem sabe eu possa ajudar outros atletas, outros profissionais a não passarem por situações pelas quais eu passei que talvez eles tenham até mais qualidade de vida então, me
  • 9. chamou muita atenção, a psicologia integral são quatro anos e o estágio, a gente já começa aquele estágio no segundo ano. E ali no estágio básico, no segundo ano, eu já procurei por alguma equipe. No primeiro semestre, eu não consegui. Até porque a gente não sabia muito bem como chegar numa equipe e pedir a possibilidade de um estágio. Aí no segundo semestre eu consegui. uma equipe de voleibol da cidade aqui em Forte de Overil, que era o Rio de Janeiro, era sub-15, eu e minha dupla de estágio, e a gente ficou até o final da faculdade com essa equipe. E a gente não tinha nada na faculdade quanto a esse tema, então era mais como a gente propunha alguma reflexão para os professores, o nosso professor de estágio também passou a estudar com a gente esse tema e foi muito gratificante. E as expectativas eram que quando eu me formasse conseguiria continuar atuando com a equipe que eu tinha sido pro estágio, mas isso não aconteceu e acabou revirando aí a situação e eu iniciei a minha carreira em outra equipe, de outra forma, mas eram expectativas boas. JACKELINE- Ah, legal. E há quanto tempo? Então, você já estava atuando direto na psicologia do esporte, né? E há quanto tempo você está formada e atuando na área? PSICÓLOGA - Eu me formei em psicologia na graduação em 2018. Em 2019, assim que eu saí do TRP, eu já iniciei em uma equipe, mas sem a titulação de psicóloga do esporte, eu era só psicóloga. E já entrei numa pós-graduação em 2019, conclui ela em 2020. Foram dois anos de pós-graduação. Então, atuando na área esportiva, eu atuo desde 2019 como profissional, mas como especialista desde 2020. Então, agora em 2023 é meu quinto ano de formada e o meu quarto ano como. JACKELINE - Ah, entendi. E como que se deu a sua inserção no mercado de trabalho? PSICÓLOGA - O meu TCC, o meu trabalho de graduação, na hora de conclusão do curso eu fiz voltada para a temática de psicologia do esporte, eu queria estudar a parte do autoconceito no processo de reabilitação dos atletas e um dos meus participantes da minha amostra era um para-atleta, um atleta com deficiência da equipe aqui da cidade e ele havia comentado com o técnico dele que ele tinha participado como participante de uma pesquisa, de um trabalho, e que eu estava me formando. E aí o técnico entrou em contato comigo e assim que consegui o meu CRP, ele já queria que eu ingressasse na equipe para poder estar atuando com os para-atletas
  • 10. da cidade. E durante esse primeiro ano de formada, eu fui um trabalho voluntária nessa equipe, porque a equipe já tinha a verba anual destinada e não tinha verba para outros profissionais, né? Então, em 2019, eu atuei como voluntária nessa equipe. E em 2020, eles me contrataram efetivamente e estou nessa equipe até hoje. Estou atuando com a equipe. JACKELINE - Ah, legal. E quais foram as barreiras para o seu ingresso? Além da verba que você já falou, né? PSICÓLOGA - De início, eu acho que eu ainda me deparo muito com essa questão do certo preconceito ainda sobre o tratamento com o psicólogo, né? Muitas vezes o não conhecimento da importância, tanto por parte da comissão quanto por parte dos atletas, então eu ainda continuo fazendo muitas palestras educativas para as equipes e mostrando a importância, né? Do profissional, então ainda uma das barreiras é a questão de tempo que o público pode passar do profissional e muitas vezes a questão de verbas. Muitas vezes as equipes não enxergam como uma prioridade ou acreditam que seria um gasto, não um investimento, mas nesses cinco anos a minha equipe, isso vem mudando, não foi mais nenhum que eu percebia, ainda era visto como muito caro, muitas vezes necessário, e desde então eu venho plantando essa sementinha pra ver se muda um pouquinho essa perspectiva e daí das últimas Olimpíadas, né? A gente viu muitos atletas falando sobre essa questão da saúde mental. Então, vamos dizer que o tabu está sendo quebrado ainda, né? Mas as olimpíadas ajudaram pra caramba, e deu visibilidade. JACKELINE - E aí, você pode me contar sobre o seu trabalho, a sua rotina? PSICÓLOGA - Minha rotina atualmente, eu sou integrante de comissão da consulta técnica de duas equipes aqui da cidade. Então, eu continuo atuando com os para-atletas e também atuo com a outra equipe de tênis de mesa aqui da cidade com atletas de alto rendimento. Atualmente, como que a gente faz? Os para-atletas, eu compareço no local de treino da equipe uma vez por semana, no período da manhã com eles, observo o treino, faço os atendimentos pontuais, faço as anotações, acolhimentos, eu fico durante esse período como os atletas no próprio ambiente de treino deles, academia, atletismo, então eu fico no campo, eu fico ali próximo a eles. Os atletas do tênis de mesa, nesse ano eu vou quinzenalmente nos treinos, faço uma atividade com eles, faço a perspectiva para a técnica de como tá sendo, o acompanhamento dos atletas, e os atletas passam quinzenalmente comigo clínica. Então, nessa equipe eu faço atendimento clínico e faço acompanhamento lá no local. Além disso, eu atendo em uma clínica particular, tanto demandas esportivas quanto demandas gerais, públicos que não são atletas. Tenho duas
  • 11. auxiliares que trabalham comigo, psicólogas também que estou se especializando agora no esporte, e cada uma atua comigo e uma das equipes. Então, no tênis de mesa, a minha auxiliar, a M, ela vai semanalmente, faz observação, plantão psicológico, aplica algumas atividades. E a B, ela faz atendimentos online para atletas no período da tarde, que é um período do qual eu não tenho a possibilidade de atender, e ela fica como um plantão para esses atletas. Então, minha rotina, basicamente, é fazer os atendimentos clínicos, acompanhar as equipes. Quando tem competições, algumas competições, eu acabo indo junto com a equipe. Tenho uma rotina de estudo, tenho uma rotina de reuniões com as minhas auxiliares. Eu acho que, basicamente, é isso, além dos meus cuidados pessoais. JACKELINE - É o que a gente precisa, né? PSICÓLOGA - Com Certeza. JACKELINE - Tá certo. E quais os desafios e limitações que você encontra para executar o seu trabalho? PSICÓLOGA - Eu acho que poderíamos relacionar com a questão das barreiras. Mesmo estando dentro de algumas equipes, que as equipes que eu atuo, elas acreditam muito no foco da parte psicológica, por isso que eles investem muito nesse quesito. Mas alguns atletas ainda apresentam um pouco de resistência. Então, talvez uma dificuldade seria exatamente quebrar ainda essa questão da visão de que passar pelo psicólogo seria coisa de loucura ou seria motivo de tiração de sarro, porque ele está precisando de ajuda, porque tem uma certa associação de tipo, se ele está precisando de ajuda é porque ele é fraco. Então, é muito pouco, mas ainda assim tem um pouco disso, graças a Deus, aqui que eu trabalho é um pouco mais tranquilo tudo isso. Então, consigo mostrar, eles são empenhados, são dedicados, participam de tudo que eu proponho, me marcam nas coisas que eu preciso, nas que eu me proponho para eles, para gente estar fazendo. Então, mas são coisas que a gente acaba se deparando. Quando eu vou fazer a apresentação para uma outra equipe, há uma possibilidade de fechar um contato com outra equipe, mas eu tenho alguns questionamentos quanto a valores, porque a gente sabe que o nosso trabalho como psicólogos não é só o momento em que a gente está ali. Então, o tempo fora, a gente corre de testes, a gente planeja. Então, eu sempre tenho que valorizar muito esse tempo que a gente acaba se dedicando e apresente tudo isso pra gente. Mas algumas acreditam que acaba sendo caro e não propõe uma contraproposta. Então, acredito que eles não aceitam a dificuldade das equipes de negociar com a gente. Não vê a possibilidade de negociar. Não é
  • 12. comum os profissionais apresentarem contrapropostas. Então, é um pouco da bibliografia que eu vejo atualmente. JACKELINE- E qual é a sua opinião quanto à relação do psicólogo e os recursos tecnológicos atuais? PSICÓLOGA- Eu gosto muito. Eu acho que a parte da tecnologia. Ajuda muito na atuação do psicólogo com os atletas, porque A gente tem muitos recursos que a gente pode usar, por exemplo, jogos, que podem ajudar a auxiliar a trabalhar habilidades específicas, a questão de realidade virtual pode ajudar bastante, algumas técnicas também, o atendimento online, porque atualmente a gente sabe que as coisas do esporte ainda estão em crescimento, né? Profissionais realmente muito capacitados. Então, tem atletas de outras regiões que querem investir, mas a cidade não tem esse recurso e com a possibilidade da tecnologia, a gente consegue fazer esse atendimento online, né? Até mesmo para atletas no exterior. Então, isso me ajudou muito na época que os meus atletas foram para... Eu tive três atletas que foram para Tóquio e... Essa parte da tecnológica me ajudava muito, porque eu conseguia fazer atendimento com eles de forma online, conseguia acompanhar, conseguia propor algumas atividades para eles fazerem, conseguia acompanhar a adaptação deles. Então, isso ajudou pra caramba, ajudou muito. Então, a parte tecnológica eu acho muito legal. A gente tem questões como neurofeedback, que são questões que envolvem parte de tecnologia, Estou atendendo alguns cursos envolvendo a parte do uso mesmo da realidade virtual. Até mesmo a junção de algum aplicativo para trabalhar as habilidades. Então, eu acho super válido. Acho que pode contribuir muito. E atleta nova, de coisas tecnológicas e tal. Às vezes é muito no meu caminho também. JACKELINE - Ah, legal. E como você percebe o papel do compromisso social da psicologia? Tipo, por exemplo, o posicionamento do psicólogo diante das diversidades, tragédias, minorias? PSICÓLOGA - Eu acho que a gente tem um papel muito importante em relação ao caso de Miska, porque querendo ou não, o esporte, eu atuo na parte de alto rendimento, A gente vê muitas situações que acabam trazendo um certo de desconforto para os atletas, que são desafios mesmo do alto rendimento, porque a gente sabe que conforme o atleta vai construindo a carreira e subindo de categorias, ele vai afunilando as possibilidades. Então, a gente se depara com as mesmas faltas de estruturas e projetos sociais para possibilitar o desenvolvimento dessas crianças, colocar o esporte como algo relevante no desenvolvimento. Então, acredito que na parte psicológica seria importante ter psicólogos nesses projetos dessas iniciações esportivas
  • 13. para demonstrar mesmo e sustentar para secretarias de esporte ou para quem queira investir nesses projetos e valorizar a questão do desenvolvimento global daquela criança e que se um dia ela pudesse contribuir e continuar a construir a carreira no esporte profissional, ela fez ali todo um embasamento. E assim, eu atualmente, que nessa lei eu trabalho, com uma equipe de pessoas com de ciência. Então, é um projeto riquíssimo e que muitas pessoas não sabem do conhecimento, às vezes, que dá possibilidade de cada pessoa ter esse recurso, né, do esporte. Então, um dos nossos grandes desafios na equipe é divulgar, né, sempre o projeto. Então, quando a gente se depara com uma pessoa com alguma deficiência. Muitas vezes os técnicos acabam abordando a pessoa e perguntam se a pessoa conhece o projeto, se ela tem vontade de conhecer. E muitas pessoas não enxergam a possibilidade de fazer algo porque eles são deficientes. Então... É uma questão que a psicologia pode contribuir muito. No Tênis de mesa, a gente tem o projeto de iniciação, que acaba sendo exatamente isso. As crianças podem ir, elas não pagam. Tem uma idade estabelecida. O máximo é que as crianças não pagam. Elas podem ir quando elas quiserem na semana, participar dos treinos. Então, tem essa questão de proporcionar um acesso. E a psicologia ajuda muito em conscientizar-se da importância dessa aderência. JACKELINE - É, seria até a minha próxima pergunta, quais seriam as contribuições para a sociedade que o seu trabalho tem oferecido? Acho que é bem foco do que você falou. PSICÓLOGA - Sim, acho que a gente poderia envolver essa questão da abertura mesmo que as duas equipes têm com seus projetos de tornar o esporte um ambiente acessível para qualquer pessoa, porque ainda tem muitas coisas dentro do tênis de mesa, a visão de que é um esporte caro, que é um esporte gerente, o tênis de mesa, o tênis de quadra, enfim, mas a questão do tênis de mesa, né? Ainda assim, tem muito essa questão da visão de ser um esporte caro. Então proporcionar um projeto social, que as crianças e adultos, enfim, possam participar. É uma abertura muito boa. E a questão dos paratletas é exatamente essa. Proporcionar ali o acesso para pessoa, e que eu já ouvi também, alguns atletas, se sentirem com função, com alguma função novamente. dá muito orgulho de poder fazer parte, de saber ver a pessoa tendo significada do novo na vida dela. Sair de um estado depressivo, por ter adquirido alguma deficiência e se sentir incapaz, um lixo, vamos assim dizer, eu já ouvi isso de alguns atletas, e vendo que ela tem capacidade de segurar a caminha, de seguir a vida dela, de ser alguém novamente, uma nova
  • 14. pessoa, mas conseguir ter esse jeito significado, vamos assim dizer, é muito bom. JACKELINE- Ah, legal. Você já pensou em desistir da sua carreira? PSICÓLOGA- Não. No início, acontece que eu não tinha muita paixão pela clínica. Eu tinha aquela sensação meio particular, meio... Não sei se eu quero seguir na clínica. Mas, atualmente eu gosto muito da clínica, resolvi meu relacionamento com a clínica. Mas eu também não abro mão das minhas equipes. Eu falo, é uma adrenalina diferente. Então, participar de um jogo, de uma competição, ali, no meio da muvuca com os meus atletas, é completamente diferente da adrenalina que eu tenho na clínica. Mas na clínica eu consigo ter uma imersão muito grande com aqueles atletas. Então, assim, são... cenários diferentes e hoje em dia não tem um que tem maior importância ou não pra mim, os dois são extremamente importantes e me realizam em ambas. JACKELINE- E o que te estimula a continuar? PSICÓLOGA- O que me estimula a continuar? Ver os meus atletas conquistando as medalhas, conseguindo ter um autoconhecimento maior, ver os meus atletas superando os próprios desafios, não só esportivos, mas às vezes desafios pessoais. Poder ver que eu faço a diferença e contribuo na vida dessas pessoas que confiam em mim. Então... Às vezes dá aquela vontade de sentir assim, nossa, será que eu tô fazendo a diferença? Será que eu preciso fazer mais? Será que o que eu tô fazendo tá sendo correto? Que às vezes a gente para, né, pra refletir. E a gente tem alguns desafios nossos, da parte profissional. E aí, às vezes, eu me pego um feedback, não aguento. Eu vejo que ele agradece por alguma coisa. Às vezes... Aconteceu na última competição que eu acompanhei que tem mesmo uma criança de 11 anos. Eu acho que tinha 11 anos e eu ajudei em um jogo e no final da competição, essa atleta que chegou e falou assim: obrigado Tia, se não fosse por você eu não tinha conseguido encontrar o segundo lugar hoje, porque eu estava muito nervosa. E poder ver isso acontecer de uma forma que eles verbalizam diretamente ou ver aquilo, então, eu acho que isso é uma gratidão muito grande, então é o que me mantém, assim, lá na equipe. É superar os desafios do dia a dia. Falar, não, é esse caminho aqui, tá certo, continua. JACKELINE- Ah, legal. E você teria algo para nos dizer como estudante de psicologia?
  • 15. PSICÓLOGA- Sim, com certeza. Estude muito, faça tudo que você puder. Em relação à psicologia, eu lembro que eu falava isso para as minhas auxiliares quando elas estavam aprendendo na faculdade. Eu falava assim, dentro da faculdade, você tá vivendo encantamento pra ficar na faculdade. Então, se você tem palestra pra ir e dar pra você ir, você vai. Se tem como você participar de algum grupo de estudo, vai e participa. É o momento de você conhecer o máximo de coisa que você puder, de vivências, de experiências. Porque depois que você sair, você vai ter suporte, né? Pelo menos uma base pra você saber alguns possíveis caminhos para você seguir. Então, vivenciar o máximo de coisas que você puder, se é algo que você gosta, a psicologia do esporte, e não for um tema tão debatido na sua faculdade, leve você questionamentos quanto a isso, ou se a professora está falando sobre escola, empresa, e você levanta a mão e fala assim, tá, mas vim numa situação que o atleta tá assim, porque senão a gente vai continuar com os tratamentos indiretos na faculdade. De escolas, empresa, clínica, muitas vezes, e a gente não pensar, não capacitar os alunos para pensarem diferente. Então, eu lembro que na minha faculdade a gente tinha que fazer a faculdade em clínica, era obrigatório, e a gente tinha que escolher em um determinado momento entre a faculdade em educação ou organizacional. Na época eu escolhi a faculdade em educação. E eu lembro que no meu grupo eu tinha umas 20 e poucas pessoas, Todo mundo fazia em escola, e eu e minha colega, minha adulta, a gente fazia em esporte. E chegou alguns questionamentos, tipo, ah, mas vocês vão ter que ir pra escola, vocês têm que ter experiência em escola. E a gente falou assim, olha, com todo respeito, a gente acredita que sim, talvez se a gente tivesse a oportunidade, a gente iria pra uma escola, mas a gente ouve dos outros 18 colegas relatos sobre escolas. E esses 18 colegas têm relatos de duas pessoas sobre esporte. E se um dia elas tiverem alguma demanda esportiva, a gente vai conseguir se virar, porque a gente tem a escuta enquanto a psicologia é educacional. Mas será que essas pessoas teriam possibilidade de lidar com alguma demanda esportiva se não tivesse a gente ali pra falar sobre psicologia do esporte? Então... Hoje em dia já é um pouco mais flexível na faculdade, porque eu tenho alguns estagiários já me procurando. Então, se mantenha firme, né? Explore muito. Se quiser ir em congresso, em palestras, vá lá pra gente. Explore muito e acho que seria bem isso. Se coloque em situações que você possa adquirir muito conhecimento. JACKELINE- Ah, legal, tá, hein? Eu agradeço muito, viu, a oportunidade de te entrevistar. Eu vou parar a gravação que agora já tá encerrando e a gente continua.
  • 17. 4. DISCUSSÃO Como já dito anteriormente, segundo Samulski (2009) a Psicologia do Esporte é considerada uma ciência recente. Observamos no relato da Psicóloga, que o conhecimento da Psicologia do Esporte, apenas chegou a ela na Universidade em uma aula de História da Psicologia. Muitos desafios ainda enfrentam os profissionais psicólogos nessa área, como: Ausência de recurso, para implantação e manutenção de programas; dificuldade em despertar interesse de pesquisadores, prejudicando na difusão desse conhecimento e sua relevância; falta de conscientização dos atletas, quanto a sua importância e eficácia. Em entrevista em seu canal Katia Rubio (2015) debate sobre os recursos na área do esporte, e comenta com veemência a precariedade no âmbito esportivo. Assim conseguimos entender a situação da Psicóloga em aceitar um emprego primeiramente sem remuneração, devido as verbas serem destinadas a outros meios. Podemos notar também que a Psicóloga entrevistada ressalta a importância do PE, relatando sua própria experiência na adolescência e expressou a convicção de que, se tivesse recebido o apoio de um psicólogo desde o início de sua jornada, talvez não tivesse tomado a difícil decisão de interromper sua paixão pelo Ballet. O motivo por trás desse ponto crucial em sua trajetória foi o “overtraining”, um fenômeno que pode ser equiparado ao esgotamento emocional (Burnout). Em seu livro Samulski (2009) argumenta de forma persuasiva que, embora o treinamento físico seja indiscutivelmente essencial para elevar a performance atlética, o overtraining emerge como um fator de risco, capaz de minar o desempenho esportivo. Essa constatação destaca a importância de equilibrar o vigoroso treinamento físico com uma atenção cuidadosa à saúde mental e emocional dos atletas, e a necessidade de intervenção de um psicólogo do esporte para mediar um tratamento. Falando sobre a relevância do papel do PE, podemos equiparar a contribuição ao suporte de para-atletas que a Psicóloga entrevistada exerce, e a ênfase que Samulski exibe em seu livro, denotando a importância do acompanhamento psicológico neste específico grupo de atletas, conforme veremos a seguir: Conhecendo-se a importância do processo de reabilitação, que leva em conta a atividade física como meio favorecedor e eficaz de reinserção, socialização,
  • 18. melhoria da qualidade de vida, lazer e superação de limites da pessoa com deficiência, muitas instituições desenvolvem trabalhos focando a atividade física e o esporte de alto rendimento. No Brasil, o desporto paraolímpico é uma das mais bem sucedidas propostas voltadas para essa população, no sentido de desenvolver as pessoas nos seus diferentes aspectos da vida, por meio da participação nos mais diversos esportes adaptados. As ações das instituições de pessoas com deficiências (PCD) e do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) são primordiais para que isso seja uma realidade nos dias atuais. Nessa perspectiva, a psicologia do esporte (PE) inicia sua efetiva atuação voltada às pessoas com deficiência (PCD), fundamentada em diferentes aspectos do conhecimento científico. A aplicação da psicologia do esporte tem se tornado bastante relevante para os profissionais da área esportiva, bem como, de maneira específica, para os atletas. (SAMULSKI; 2009, p 15) Ainda argumentando sobre o impacto do papel do Psicólogo no contexto esportivo, observamos que Samulski (2009) diz sobre a importância do feedback. A Psicóloga também relata que hoje seus atletas conseguem expressar seus sentimentos através dos jogos, reconhecendo a importância de seu trabalho para conquista de vitórias.
  • 19. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer do trabalho, conseguimos entender como surgiu a área da psicologia do esporte, mesmo sendo uma área recentemente conhecida, já conta com quatro áreas de aplicação da psicologia do esporte: esporte de rendimento, esporte escolar, esporte recreativo e esporte de reabilitação. Para obter uma imersão ao trabalho do psicólogo do esporte, uma das integrantes do grupo realizou uma entrevista com uma profissional dessa área. Foi possível identificar o quanto essa área foi pouco explorada no mundo académico, pois a psicóloga entrevistada demorou para saber que existia uma área da psicologia destinada ao esporte. Com a experiência da psicóloga entrevistada, atuando como psicóloga do esporte ficou evidente que para o sucesso dos atletas e até mesmo de aluno de recreação esportiva é indispensável à atuação do psicólogo do esporte.
  • 20. 6. INTERVENÇÃO NA COMUNIDADE
  • 21. REFERÊNCIAS SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte: Conceitos e Novas Perspectivas. São Paulo: Manole, 2009. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520442494/ RUBIO, Katia. Segredos do Esporte - As questões políticas e econômicas do esporte - parte 1. Youtube, 4 de Agosto de 2015. Disponível em: (82) Segredos do Esporte - As questões políticas e econômicas do esporte - Parte 1 - YouTube