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ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL FREI NIVALDO LIEBEL – ASSEFRENI

     FACULDADES DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – FACISA

            PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA

                    PROJETO DE PESQUISA




 A IMPORTÂNCIA DO CRESCER BRINCANDO - SOB A ÓTICA DE
  UM EDUCADOR - BRINQUEDISTA – NO DESENVOLVIMENTO
INTEGRAL DA CRIANÇA, DURANTE A SUA EDUCAÇÃO INFANTIL




                   GLADIS XAVIER MAIA

                         TRIUNFO

                            2003
SUMÁRIO




1 - Introdução                             03

1.1 Tema                                   03

1.2 Problema da Pesquisa                   04

1.3 Objetivos                              04

1.3.1 Objetivo Geral                       04

1.3.2 Objetivos Específicos                04

1.4 Justificativa                          05



2 - Revisão Bibliográfica                  07



3 – Metodologia                            13

3.1 Delimitação do Estudo                  13

3.2Técnicas de Coleta de Dados             13

3.3 População e Amostragem                 13

3.4 Organização e Análise dos Dados        13



4 – Cronograma                             14



5 – Orçamento                              15



6. Referências Bibliográficas              16




                                  - 22-
3

1. INTRODUÇÃO

      As crianças, de maneira geral, agem e falam e/ou brincam de acordo

com suas possibilidades maturativas, emocionais, cognitivas e de socialização,

e é pela sua ação (ativa ou passiva) que elas exprimem suas possibilida-

des , descobrindo-se a si mesmas e revelando-se aos outros.

      Através do brincar a criança se exprime, conta algo de si própria, se

auto-educa, consegue descobrir e aprender inúmeras coisas, se diverte – ou

não – comunica-se com outras crianças e com o ambiente que a cerca.

      No mundo da criança não existe um limite claro, definido, entre a brinca-

deira e a vida de todo o dia. Todas as suas energias são subconscientemente

devotadas à sua ocupação de separar, compreender e tornar a reunir esses dois

mundos igualmente importantes, enquanto ela desenvolve gradualmente o senti-

do social.

      O brinquedo e o jogo são o trabalho da criança. Todas as possibilidades de

desenvolvimento estão abertas à criança, se nós tivermos a compreensão certa

para e o brinquedo infantil.

      E é dessa compreensão, deste olhar especializado sobre o brinquedo, que

queremos desenvolver e nos deter neste trabalho.




1.1    TEMA


      A Importância do Crescer Brincando – sob a ótica de um educador-

Brinquedista - no Desenvolvimento Integral da Criança, durante a sua Educa-

ção Infantil


                                   - 33-
4

1.2 PROBLEMA DA PESQUISA

Por que os profissionais que atuam na Educação Infantil não são necessaria-

mente educadores especializados, tais como os psicanalistas infantis, os medi-

cos e dentistas pediatras, os escritores de Literatura Infantil ... ?



1.3. OBJETIVOS

1.3.1. OBJETIVO GERAL: demonstrar que o brincar é o trabalho da criança

–   condição sine qua non para o seu desenvolvimento integral, durante a educa-

ção infantil – e como tal precisa ser visto, estudado, compreendido e empreendi-

do com os profissionais que atuam nesta área, que precisariam ser, além de edu-

cadores, especialistas em brinquedo, com conhecimentos de ordem psicológica,

sociológica, pedagógica, artística, enfim, matérias que lhe dêem uma visão de

mundo clara e crítica sobre a criança, jogo, brinquedo, brinquedoteca , homem,

sociedade e que – ao mesmo tempo - seja uma pessoa com sensibilidade,

entusiasmo, dinamismo, que gosta de criança e do que faz, que ri, que

chora e que brinca.



1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


1.3.2 Sintetizar as principais teorias de desenvolvimento da criança, e reunir os

referenciais teóricos , através de uma revisão bibliográfica, que dêem     emba-

samento histórico-psico-biológico-pedagógico-social ao uso do brinquedo duran-

te a educação infantil.

1.3.3 Demonstrar o quão importante é a formação adequada dos profissionais

para atuarem na educação infantil.


                                      - 44-
5

   1.3.4 Registrar, com o auxílio de uma câmera de vídeo, as entrevistas e obser-

   vações que serão realizadas em escolas particulares de educação infantil, de

   Porto Alegre.


 1.3.5       Analisar a amostragem obtida em dois formatos: por escrito e em lin-

 guagem de vídeo, através de uma edição.



 1.4     JUSTIFICATIVA

         Considerando-se que a partir da Revolução Industrial as mudanças econô-

  micas e políticas na sociedade fizeram com que a mulher assumisse o trabalho

 fora do lar e desde então, paulatinamente, a educação das crianças é comparti-

 lhada com as creches, jardins de infância e pré-escolas, que formam o que hoje

 em dia convencionou-se chamar Educação Infantil;

         Considerando-se que a Educação Infantil em creches e pré-escolas pás-

sou a ser, ao menos do ponto de vista legal, um dever do Estado e um direito da

criança, pelo artigo 208, inciso IV da Constituição Brasileira;

         Considerando-se que a nova LDB, promulgada em dezembro de 1996,

estabelece, de forma incisiva, o vínculo entre o atendimento às crianças de zero a

seis anos e determina também que a instituição da Educação Infantil deverá ter

um plano pedagógico elaborado pela escola com a participação dos educadores;

          Considerando-se que uma escola de Educação Infantil qualificada deve

constituir-se num lugar para a emoção, para o desenvolvimento da sensibilidade e

das habilidades sociais, propiciando situações que contribuam para o desenvolvi-

vimento das capacidades infantis, para que a criança torne-se cada vez mais

independente e autônoma;


                                         - 55-
6

         Considerando-se que as atividades lúdicas deveriam, na nossa concep-

ção, embasada em vários teóricos, ser eleitas na pauta diária desta instituição de

Educação Infantil, por constituírem-se em atividades de grande complexidade;

por desencadearem a imaginação criadora; enriquecerem a identidade da criança,

através da experimentação de outra forma de ser e de pensar; por ampliarem

suas concepções sobre as coisas e as     pessoas; por auxiliarem na elaboração de

hipóteses para a resolução de seus problemas e na criação e recriação das situa-

ções que ajudam a satisfazer alguma necessidade presente em seu interior, bem

como na resolução de situações conflitantes, que a criança vivencia no seu dia,

numa vivência reestruturante , que supera o sofrimento de alguma dor psíquica ou

mesmo física é que decidimo-nos por realizar este projeto cujo assunto aqui

enaltecido vem no bojo de seu tema.




   .


                                       - 66-
7

   2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

               O ludo simboliza para a criança o manejo de suas forças na luta de

adaptação e conquista do mundo. Foi Freud o primeiro estudioso a descobrir a

função da atividade lúdica infantil, quando interpretou a brincadeira de seu neto de

18 meses, que brincava com um carretel amarrado num barbante. Ele o lançava por

cima do berço, cercado por uma cortina, que o fazia desaparecer de sua visão. Dian-

te de sua ausência, a criança exclamava “fort” (fora). Puxando o barbante e tirando o

carretel para dentro do berço , saudava seu aparecimento com um alegre “da”

(aqui) . O menino fazia o carretel desaparecer e aparecer de seu campo visual repe-

tidas vezes. Freud percebeu que o neto brincava de ir embora e voltar, era a ma-

neira que ele encontrara de controlar a angústia da ausência da mãe, simbolizada

no carretel. Além de estar se divertindo,a criança estava dominando uma situação

que, de outra forma era impossível. Assim, para Freud (1976), as crianças repetem

nas suas brincadeiras tudo que a vida lhes causou profunda impressão e, brincando

se tornam senhoras da situação. Brincam para fazer alguma coisa que na realidade

fizeram com elas, porque através do brinquedo têm a possibilidade de realizar o de –

sejo dominante( para sua faixa etária). Por exemplo, o desejo de ser grande e de

fazer o que os adultos fazem... Segundo Freud , é na situação do brinquedo que a

criança procura relacionar o real, experimentando-o , a seu modo, procurando cons-

truir e recriar essa realidade. ]

           O brinquedo é então um meio de comunicação, é a ponte que permite

ligar o mundo externo e o interno, a realidade e a fantasia. Pode-se pois dizer que

Freud estabeleceu as marcas referenciais da técnica do jogo, demonstrando que o

brincar não é só um passatempo para viver situações prazerosas, mas também uma
.


                                       - 77-
8

maneira de elaboração circunstâncias terapêuticas.

         Uma das fundadoras da psicanálise infantil, Melaine Klein, colocou o brin-

quedo num lugar de destaque na luta contra a angústia mobilizada pelas pulsões se-

xuais. Segundo Klein (1980) , ao brincar a criança domina realidades dolorosas e

controla medos instintivos, projetando-os ao exterior, nos brinquedos. Mecanismo

viável porque, desde a tenra idade, a criança tem a capacidade de simbolizar. Para

a autora, o brincar é a linguagem típica da criança; a linguagem lúdica da criança

é por ela equiparada à associação livre e aos sonhos dos adultos, trabalhados na

psicanálise.

         A conceituada psicanalista Argentina Aberastury (1982) foi pioneira ao

evidenciar o valor da entrevista lúdica para fins diagnósticos.

         AberasturY (1992) relata que o brinquedo possui muitas características

dos objetos reais, mas por seu tamanho diminuto e pelo fato da criança exercer

domínio sobre ele – pois o adulto outorga-lhe as qualidades de algo próprio e per-

rmitido – transforma-se no instrumento para domínio de situações penosas, difí-

ceis, traumáticas, que se engendram na relação com os objetos reais. Nesta o-

bra, Aberastury demonstra como a criança normal brinca, à medida que se de-

senvolve.

Em torno de 4 meses inicia-se a atividade lúdica fundada na vida mental da

criança, quando os objetos funcionam como símbolos.

Entre 4 e 6 meses tornando-se capaz de sentar, modifica –se sua relação com

os objetos que a rodeiam. Cada objeto , próximo ou distante, adquire vida e a

estimula a novas experiências. Brincar de esconder é sua primeira atividade lúdica

e com ela a criança elabora a angústia do desprendimento.
.


                                        - 88-
9

Aos 4 meses brinca com seu corpo e com objetos.

Entre 4 e 6 meses, adquire diversos modos de elaborar a angústia da perda. Atra-

vés de seus brinquedos intui, sente e elabora que as pessoas e os objetos podem

aparecer e desaparecer, expressando isto em seu mundo lúdico. Paradoxalmente a

esta elaboração, exige com urgência incontrolável, a presença de seus verdadeiros

objetos: os pais. Na segunda metade do primeiro ano, surge novo interesse em seu

brincar: descobre que algo oco pode conter objetos, que algo penetrante pode entrar

em objetos ocos. Uma vez realizados esses jogos – com seu corpo e com o das pés-

soas que a cercam, passa a brincar com as coisas inanimadas: o buraco do banhei-

ro, a fechadura, etc.

Entre 8 e 12 meses, as diferenças anatômicas dos sexos se manifestam nos brin-

quedos. A menina prefere colocar objetos num lugar oco e seus brinquedos repe-

tirão esta experiência. O menino, ao contrário, escolhe objetos como os quais possa

penetrar. Ambos começam a engatinhar e seus campos de ação se ampliam.Come-

ça uma consciente e paciente exploração dos objetos. Ao fim do primeiro ano, o

pôr-se de pé e o caminhar lhe permitem afastar-se voluntariamente dos objetos e

reencontrá-los.

Entre 8 e 18 meses, a criança usa uma tampa e uma colher para percutir como

tambor e isso lhe serve às suas necessidades de descarga     motriz, além do que,

sendo inquebráveis, facilitam esta descarga, pois percebendo a realidade de que os

objetos não se destroem, diminui na criança o temor de suas tendências destrutivas

e, por conseguinte, sua culpa. Ao final do primeiro ano, o globo, e depois a bola ,

constituirão o centro de seu interesses. Começam as brincadeiras e jogos com bo-

necas e animais, que corporificam os filhos imaginários e que são bem – ou mal -
.


                                      - 99-
10

alimentados, tratados ...

Aproximadamente em torno dos dois anos, começam a interessar-lhe os recepi-

Entes para derramar substancias de um lugar para outro. Em paralelo, surge o

controle dos esfíncteres.


Por volta dos três anos, descobre que pode recuar e reter a imagem através do

desenho. O corpo é seu primeiro interesse, A casa, que simboliza o corpo, será o

objeto central de suas paisagens. Neste período, os carros e as locomotivas são a

paixão do menino , compartilhada pelas meninas. Ambos sentem-se impelidos à

exploração genital e à sublimação através dos brinquedos. Ao brincar, representam

suas fantasias de vida amorosa dos pais e de si próprios, o nascimento do filho;

as atividades masturbatórias começam a ter lugar neste momento. Começam a

valorizar gavetas, armários. A destruição e a desordem lhes produz angústia, surge

o interesse pela limpeza e pela ordem.

A simbologia de vida genital é muito rica, entre 3 e 5 anos. O brinquedo amplia-se e

complica-se. A intensidade de brincar e a riqueza da fantasia permitem a avaliação

da harmonia mental. Os objetos reais e fantásticos passam a aparecer nos seus de-

senhos. A imagem é fugidia e o desenho retém e a imobiliza. Essa capacidade de

recriar objetos em imagens imóveis é uma nova forma de lutar contra a angústia da

perda. As imagens entram também por outro caminho no mundo dos seus brinque-

dos: aparece com o livro e nas múltiplas vezes que nos pedem para que repitamos

suas pequenas histórias, e mostremos seus desenhos novamente.

Os desejos genitais adquirem pujança entre os 3 e os 5 anos , e se expressam em

vários tipos de atividades. As brincadeiras sexuais entre crianças são a norma. Não

são negativas, e contribuem para o seu bom desenvolvimento. Brincam de mamãe


                                         - 10 -
                                            10
11

   e papai, de médico e enfermeira, de namorados, de casados e, com esses brinque-

   dos, satisfazem suas necessidades de tocar, de se mostrar, de serem vistas e de se

       verem.

   Aos 5 anos, o menino brinca de mistério, conquista, ação ( súper-homem) e a me-

   nina de boneca, casinha, finge relações sociais e entra na aprendizagem das carac-

   terísticas femininas, através das quais procura se identificar com sua mãe. A entrada

   no colégio modifica profundamente o mundo do brinquedo e as letras e os números

       convertem-se em brinquedos para as crianças.O amor pelo conhecimento é a conti-

   nuação da curiosidade que sentiram pelo mundo circundante até 5, 6 anos de

   idade.


   .
                Como refere Bettelhein (1989, p. 168) outro reconhecido psicanalista infantil

                           “ brincar é muito importante porque simula o desenvo-
                   lvimento intelectual da criança, também ensina, sem que ela
                    perceba , os hábitos necessários a esse crescimento. As brin-
                    cadeiras e jogos que vão surgindo gradativamente na vida das
                    crianças – desde as mais simples, funcionais, até as de regras,
                    mais elaboradas – possibilitam à criança a conquista de sua
                    identidade. As crianças, através dos jogos e brincadeiras de-
                    senvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argu-
                    mentar, de como chegar a um consenso”.

                   E mais adiante:

                       “ ... aprender isso tudo é infinitamente mais relevante para o
                    desenvolvimento da criança do que qualquer capacidade que
                    possa ser desenvolvida no jogo em si.” (Bettelheim, 1989, p. 248)

                   O psicanalista ressalta ainda que os brinquedos e brincadeiras com as

quais as crianças brincam não costumam ser determinados de forma consciente pela

mesma. Embora possamos vê-la entretida numa determinada brincadeira, os motivos

que a levaram a brincar com determinado brinquedo ou brincadeira são da ordem
.


                                              - 11 -
                                                 11
12

inconsciente . São seus processos mentais que a impulsionam, a fazê-lo, baseados

em processos internos, problemas, expectativas, desejos e ansiedades, que a asse-

diam . Dessa forma, mesmo sem ter consciência, a criança estará representando sim-

bolicamente suas dificuldades e conseguirá dominá-las mediante a brincadeira. Sendo

assim, por mais incompreensível que uma brincadeira possa parecer aos olhos do

    adulto, é necessário que a criança possa desenvolvê-las, sem interrupções ou críticas.

                  Bettelhein (1989, p.200) , afirma que é de importância crucial para o

desenvolvimento da criança “ a liberdade de transformar um acontecimento do qual foi

sujeito passivo, em outro em que ela é o provocador e o controlador ativo”. Segundo o

autor, a criança adquire domínio de um fato ou situação, através da brincadeira, e da

fantasia. Provocando nos bonecos os processos que sofreu como sujeito passivo, a

criança começa a entender que não precisa ser ela sempre a vítima desamparada, mas

pode também fazer aos outros o que lhe foi feito. Assim, pela brincadeira, o sofrimento

torna-se um domínio e os acontecimentos traumáticos podem ser melhor dominados.

Quanto mais intensa for a impressão que o fato provoque na criança, maior será o nú-

mero de vezes que ela repetirá, em sua brincadeira o tema, pois , de uma forma pro-

gressiva, ela se familiariza com o evento que vivenciou, enfrenta as emoções que este

acontecimento desencadeou, adquirindo tolerância, posteriormente domínio, por inter-

    imédio do controle ativo do mesmo. É baseado nestas características do brinquedo sim-

bólico, que se desenvolve a técnica psicanalítica conhecida como ludoterapia, onde o

terapeuta interpreta o brincar da criança.




.


                                             - 12 -
                                                12
13


3. METODOLOGIA


                O método a ser utilizado neste projeto será a dialética, já que o recorte da

realidade a ser tratado na investigação planejada é o do campo da Educação infantil,

que encontra-se, a olhos vistos, em pleno processo de transformação pedagógica, vi-

visando sua adaptação à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB.

              Também porque o trabalho envolverá a interpretação qualitativa dos dados a

serem coletados nos campos sócio-psico-político-econômico           filosófico, além de, evi-

dentemente, o pedagógico, nos quais a instituição escola de Educação Infantil se

insere.



3.1 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO

Escolas particulares de Educação Infantil de Porto Alegre, RS.


3.2 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS

3.2.1 Entrevistas semi-estruturadas, gravadas em vídeo, das quais a mais representa-

tativa será escolhida pra constituir-se numa história de vida daquela escola de Edução

Infantil.

3.2.2 Observações gravadas em vídeo.



3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRAGEM

            Crianças e profissionais , nos diversos níveis de Educação Infantil, interagindo ,

Em plena atividade, assim como diretores e outros profissionais da equipe diretiva e

técnica das escolas escolhidas para representar o universo - de preferência que tenham

linhas pedagógicas diversas - a serem entrevistados e observados.


                                              - 13 -
                                                 13
14

4. CRONOGRAMA

•   Revisão Bibliográfica

    De dezembro/03 a março/04 , até para aproveitar o conteúdo a ser desenvolvido na

    cadeira LUDICIDADE NO CONTEXTO EDUCATIVO , com a professora Vitória Bor-

    tolini, que deverá ocorrer no período de fevereiro a março de 2004.

•   Coleta de Dados (Filmagem )

    De abril a junho de 2004, quando as novas turmas escolares já estão mais

    integradas , mais formadas enquanto grupo e já estivermos mais familiarizadas

    com a temática.

•   Redação

    Durante os meses de outubro e novembro de 2004. Aqui nos referimos a uma

    “costura “ final do texto, porque inclusive já temos bastante material redigido, por

    ocasião da formulação deste projeto, enquanto realizamos a revisão bibliográfica.

•   Edição ( do material filmado)

    Dezembro de 2004. como trata-se de um fechamento e o discurso precisa estar bem

    coeso, este é o último trabalho a ser realizado.




    .


                                            - 14 -
                                               14
15

5. ORÇAMENTO


           Como não tenho o número de escolas a serem filmadas e as suas localizações,

    bem como um cronograma definido do tempo que vou levar para realizar as filmagens,

    não posso precisar o quanto vou investir neste trabalho, mas os gastos incluem: passa-

gens, hospedagem, fitas cassete, horas - câmera e horas -edição de vídeo, entre

outras despesas.




.


                                             - 15 -
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16


6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


FREUD, S. Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade. In Edição Standard brasileira
das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 2 ª ed. Rio de Janeiro: Imago,
1987, v. VII , p. 118 – 126.

_________ Análise de uma fobia em um menino de cinco anos. In Edição Standard
brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 2 ª ed. Rio de
Janeiro: Imago, 1987, v. X, p. 13 –154.

_________ Além do princípio do prazer. In Edição Standard brasileira das obras
psicológicas completas de Sigmund Freud, 2 . ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987,
v. XVIII , p. 13 – 85.

KLEIN, M. A técnica psicanalítica do brinquedo: sua história e significado. In M.Klein,
P.Heimann, P& R.E. Money-Kyrle. Novas tendências na psicanálise. Rio de Janeiro:
Guanabara, 1980, p.25 – 48.

ABERASTURY, A. Psicanálise da criança: teoria e técnica. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1982.

______________ A criança e seus jogos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

BETTELHEIN, B. Uma vida para seu filho. Pais bons o bastante. 18. ed. Rio de
Janeiro: Campus, 1989, cap.14-15.




                                           - 16 -
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Projeto de pesquisa brinquedista

  • 1. ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL FREI NIVALDO LIEBEL – ASSEFRENI FACULDADES DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – FACISA PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA PROJETO DE PESQUISA A IMPORTÂNCIA DO CRESCER BRINCANDO - SOB A ÓTICA DE UM EDUCADOR - BRINQUEDISTA – NO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA, DURANTE A SUA EDUCAÇÃO INFANTIL GLADIS XAVIER MAIA TRIUNFO 2003
  • 2. SUMÁRIO 1 - Introdução 03 1.1 Tema 03 1.2 Problema da Pesquisa 04 1.3 Objetivos 04 1.3.1 Objetivo Geral 04 1.3.2 Objetivos Específicos 04 1.4 Justificativa 05 2 - Revisão Bibliográfica 07 3 – Metodologia 13 3.1 Delimitação do Estudo 13 3.2Técnicas de Coleta de Dados 13 3.3 População e Amostragem 13 3.4 Organização e Análise dos Dados 13 4 – Cronograma 14 5 – Orçamento 15 6. Referências Bibliográficas 16 - 22-
  • 3. 3 1. INTRODUÇÃO As crianças, de maneira geral, agem e falam e/ou brincam de acordo com suas possibilidades maturativas, emocionais, cognitivas e de socialização, e é pela sua ação (ativa ou passiva) que elas exprimem suas possibilida- des , descobrindo-se a si mesmas e revelando-se aos outros. Através do brincar a criança se exprime, conta algo de si própria, se auto-educa, consegue descobrir e aprender inúmeras coisas, se diverte – ou não – comunica-se com outras crianças e com o ambiente que a cerca. No mundo da criança não existe um limite claro, definido, entre a brinca- deira e a vida de todo o dia. Todas as suas energias são subconscientemente devotadas à sua ocupação de separar, compreender e tornar a reunir esses dois mundos igualmente importantes, enquanto ela desenvolve gradualmente o senti- do social. O brinquedo e o jogo são o trabalho da criança. Todas as possibilidades de desenvolvimento estão abertas à criança, se nós tivermos a compreensão certa para e o brinquedo infantil. E é dessa compreensão, deste olhar especializado sobre o brinquedo, que queremos desenvolver e nos deter neste trabalho. 1.1 TEMA A Importância do Crescer Brincando – sob a ótica de um educador- Brinquedista - no Desenvolvimento Integral da Criança, durante a sua Educa- ção Infantil - 33-
  • 4. 4 1.2 PROBLEMA DA PESQUISA Por que os profissionais que atuam na Educação Infantil não são necessaria- mente educadores especializados, tais como os psicanalistas infantis, os medi- cos e dentistas pediatras, os escritores de Literatura Infantil ... ? 1.3. OBJETIVOS 1.3.1. OBJETIVO GERAL: demonstrar que o brincar é o trabalho da criança – condição sine qua non para o seu desenvolvimento integral, durante a educa- ção infantil – e como tal precisa ser visto, estudado, compreendido e empreendi- do com os profissionais que atuam nesta área, que precisariam ser, além de edu- cadores, especialistas em brinquedo, com conhecimentos de ordem psicológica, sociológica, pedagógica, artística, enfim, matérias que lhe dêem uma visão de mundo clara e crítica sobre a criança, jogo, brinquedo, brinquedoteca , homem, sociedade e que – ao mesmo tempo - seja uma pessoa com sensibilidade, entusiasmo, dinamismo, que gosta de criança e do que faz, que ri, que chora e que brinca. 1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1.3.2 Sintetizar as principais teorias de desenvolvimento da criança, e reunir os referenciais teóricos , através de uma revisão bibliográfica, que dêem emba- samento histórico-psico-biológico-pedagógico-social ao uso do brinquedo duran- te a educação infantil. 1.3.3 Demonstrar o quão importante é a formação adequada dos profissionais para atuarem na educação infantil. - 44-
  • 5. 5 1.3.4 Registrar, com o auxílio de uma câmera de vídeo, as entrevistas e obser- vações que serão realizadas em escolas particulares de educação infantil, de Porto Alegre. 1.3.5 Analisar a amostragem obtida em dois formatos: por escrito e em lin- guagem de vídeo, através de uma edição. 1.4 JUSTIFICATIVA Considerando-se que a partir da Revolução Industrial as mudanças econô- micas e políticas na sociedade fizeram com que a mulher assumisse o trabalho fora do lar e desde então, paulatinamente, a educação das crianças é comparti- lhada com as creches, jardins de infância e pré-escolas, que formam o que hoje em dia convencionou-se chamar Educação Infantil; Considerando-se que a Educação Infantil em creches e pré-escolas pás- sou a ser, ao menos do ponto de vista legal, um dever do Estado e um direito da criança, pelo artigo 208, inciso IV da Constituição Brasileira; Considerando-se que a nova LDB, promulgada em dezembro de 1996, estabelece, de forma incisiva, o vínculo entre o atendimento às crianças de zero a seis anos e determina também que a instituição da Educação Infantil deverá ter um plano pedagógico elaborado pela escola com a participação dos educadores; Considerando-se que uma escola de Educação Infantil qualificada deve constituir-se num lugar para a emoção, para o desenvolvimento da sensibilidade e das habilidades sociais, propiciando situações que contribuam para o desenvolvi- vimento das capacidades infantis, para que a criança torne-se cada vez mais independente e autônoma; - 55-
  • 6. 6 Considerando-se que as atividades lúdicas deveriam, na nossa concep- ção, embasada em vários teóricos, ser eleitas na pauta diária desta instituição de Educação Infantil, por constituírem-se em atividades de grande complexidade; por desencadearem a imaginação criadora; enriquecerem a identidade da criança, através da experimentação de outra forma de ser e de pensar; por ampliarem suas concepções sobre as coisas e as pessoas; por auxiliarem na elaboração de hipóteses para a resolução de seus problemas e na criação e recriação das situa- ções que ajudam a satisfazer alguma necessidade presente em seu interior, bem como na resolução de situações conflitantes, que a criança vivencia no seu dia, numa vivência reestruturante , que supera o sofrimento de alguma dor psíquica ou mesmo física é que decidimo-nos por realizar este projeto cujo assunto aqui enaltecido vem no bojo de seu tema. . - 66-
  • 7. 7 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O ludo simboliza para a criança o manejo de suas forças na luta de adaptação e conquista do mundo. Foi Freud o primeiro estudioso a descobrir a função da atividade lúdica infantil, quando interpretou a brincadeira de seu neto de 18 meses, que brincava com um carretel amarrado num barbante. Ele o lançava por cima do berço, cercado por uma cortina, que o fazia desaparecer de sua visão. Dian- te de sua ausência, a criança exclamava “fort” (fora). Puxando o barbante e tirando o carretel para dentro do berço , saudava seu aparecimento com um alegre “da” (aqui) . O menino fazia o carretel desaparecer e aparecer de seu campo visual repe- tidas vezes. Freud percebeu que o neto brincava de ir embora e voltar, era a ma- neira que ele encontrara de controlar a angústia da ausência da mãe, simbolizada no carretel. Além de estar se divertindo,a criança estava dominando uma situação que, de outra forma era impossível. Assim, para Freud (1976), as crianças repetem nas suas brincadeiras tudo que a vida lhes causou profunda impressão e, brincando se tornam senhoras da situação. Brincam para fazer alguma coisa que na realidade fizeram com elas, porque através do brinquedo têm a possibilidade de realizar o de – sejo dominante( para sua faixa etária). Por exemplo, o desejo de ser grande e de fazer o que os adultos fazem... Segundo Freud , é na situação do brinquedo que a criança procura relacionar o real, experimentando-o , a seu modo, procurando cons- truir e recriar essa realidade. ] O brinquedo é então um meio de comunicação, é a ponte que permite ligar o mundo externo e o interno, a realidade e a fantasia. Pode-se pois dizer que Freud estabeleceu as marcas referenciais da técnica do jogo, demonstrando que o brincar não é só um passatempo para viver situações prazerosas, mas também uma . - 77-
  • 8. 8 maneira de elaboração circunstâncias terapêuticas. Uma das fundadoras da psicanálise infantil, Melaine Klein, colocou o brin- quedo num lugar de destaque na luta contra a angústia mobilizada pelas pulsões se- xuais. Segundo Klein (1980) , ao brincar a criança domina realidades dolorosas e controla medos instintivos, projetando-os ao exterior, nos brinquedos. Mecanismo viável porque, desde a tenra idade, a criança tem a capacidade de simbolizar. Para a autora, o brincar é a linguagem típica da criança; a linguagem lúdica da criança é por ela equiparada à associação livre e aos sonhos dos adultos, trabalhados na psicanálise. A conceituada psicanalista Argentina Aberastury (1982) foi pioneira ao evidenciar o valor da entrevista lúdica para fins diagnósticos. AberasturY (1992) relata que o brinquedo possui muitas características dos objetos reais, mas por seu tamanho diminuto e pelo fato da criança exercer domínio sobre ele – pois o adulto outorga-lhe as qualidades de algo próprio e per- rmitido – transforma-se no instrumento para domínio de situações penosas, difí- ceis, traumáticas, que se engendram na relação com os objetos reais. Nesta o- bra, Aberastury demonstra como a criança normal brinca, à medida que se de- senvolve. Em torno de 4 meses inicia-se a atividade lúdica fundada na vida mental da criança, quando os objetos funcionam como símbolos. Entre 4 e 6 meses tornando-se capaz de sentar, modifica –se sua relação com os objetos que a rodeiam. Cada objeto , próximo ou distante, adquire vida e a estimula a novas experiências. Brincar de esconder é sua primeira atividade lúdica e com ela a criança elabora a angústia do desprendimento. . - 88-
  • 9. 9 Aos 4 meses brinca com seu corpo e com objetos. Entre 4 e 6 meses, adquire diversos modos de elaborar a angústia da perda. Atra- vés de seus brinquedos intui, sente e elabora que as pessoas e os objetos podem aparecer e desaparecer, expressando isto em seu mundo lúdico. Paradoxalmente a esta elaboração, exige com urgência incontrolável, a presença de seus verdadeiros objetos: os pais. Na segunda metade do primeiro ano, surge novo interesse em seu brincar: descobre que algo oco pode conter objetos, que algo penetrante pode entrar em objetos ocos. Uma vez realizados esses jogos – com seu corpo e com o das pés- soas que a cercam, passa a brincar com as coisas inanimadas: o buraco do banhei- ro, a fechadura, etc. Entre 8 e 12 meses, as diferenças anatômicas dos sexos se manifestam nos brin- quedos. A menina prefere colocar objetos num lugar oco e seus brinquedos repe- tirão esta experiência. O menino, ao contrário, escolhe objetos como os quais possa penetrar. Ambos começam a engatinhar e seus campos de ação se ampliam.Come- ça uma consciente e paciente exploração dos objetos. Ao fim do primeiro ano, o pôr-se de pé e o caminhar lhe permitem afastar-se voluntariamente dos objetos e reencontrá-los. Entre 8 e 18 meses, a criança usa uma tampa e uma colher para percutir como tambor e isso lhe serve às suas necessidades de descarga motriz, além do que, sendo inquebráveis, facilitam esta descarga, pois percebendo a realidade de que os objetos não se destroem, diminui na criança o temor de suas tendências destrutivas e, por conseguinte, sua culpa. Ao final do primeiro ano, o globo, e depois a bola , constituirão o centro de seu interesses. Começam as brincadeiras e jogos com bo- necas e animais, que corporificam os filhos imaginários e que são bem – ou mal - . - 99-
  • 10. 10 alimentados, tratados ... Aproximadamente em torno dos dois anos, começam a interessar-lhe os recepi- Entes para derramar substancias de um lugar para outro. Em paralelo, surge o controle dos esfíncteres. Por volta dos três anos, descobre que pode recuar e reter a imagem através do desenho. O corpo é seu primeiro interesse, A casa, que simboliza o corpo, será o objeto central de suas paisagens. Neste período, os carros e as locomotivas são a paixão do menino , compartilhada pelas meninas. Ambos sentem-se impelidos à exploração genital e à sublimação através dos brinquedos. Ao brincar, representam suas fantasias de vida amorosa dos pais e de si próprios, o nascimento do filho; as atividades masturbatórias começam a ter lugar neste momento. Começam a valorizar gavetas, armários. A destruição e a desordem lhes produz angústia, surge o interesse pela limpeza e pela ordem. A simbologia de vida genital é muito rica, entre 3 e 5 anos. O brinquedo amplia-se e complica-se. A intensidade de brincar e a riqueza da fantasia permitem a avaliação da harmonia mental. Os objetos reais e fantásticos passam a aparecer nos seus de- senhos. A imagem é fugidia e o desenho retém e a imobiliza. Essa capacidade de recriar objetos em imagens imóveis é uma nova forma de lutar contra a angústia da perda. As imagens entram também por outro caminho no mundo dos seus brinque- dos: aparece com o livro e nas múltiplas vezes que nos pedem para que repitamos suas pequenas histórias, e mostremos seus desenhos novamente. Os desejos genitais adquirem pujança entre os 3 e os 5 anos , e se expressam em vários tipos de atividades. As brincadeiras sexuais entre crianças são a norma. Não são negativas, e contribuem para o seu bom desenvolvimento. Brincam de mamãe - 10 - 10
  • 11. 11 e papai, de médico e enfermeira, de namorados, de casados e, com esses brinque- dos, satisfazem suas necessidades de tocar, de se mostrar, de serem vistas e de se verem. Aos 5 anos, o menino brinca de mistério, conquista, ação ( súper-homem) e a me- nina de boneca, casinha, finge relações sociais e entra na aprendizagem das carac- terísticas femininas, através das quais procura se identificar com sua mãe. A entrada no colégio modifica profundamente o mundo do brinquedo e as letras e os números convertem-se em brinquedos para as crianças.O amor pelo conhecimento é a conti- nuação da curiosidade que sentiram pelo mundo circundante até 5, 6 anos de idade. . Como refere Bettelhein (1989, p. 168) outro reconhecido psicanalista infantil “ brincar é muito importante porque simula o desenvo- lvimento intelectual da criança, também ensina, sem que ela perceba , os hábitos necessários a esse crescimento. As brin- cadeiras e jogos que vão surgindo gradativamente na vida das crianças – desde as mais simples, funcionais, até as de regras, mais elaboradas – possibilitam à criança a conquista de sua identidade. As crianças, através dos jogos e brincadeiras de- senvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argu- mentar, de como chegar a um consenso”. E mais adiante: “ ... aprender isso tudo é infinitamente mais relevante para o desenvolvimento da criança do que qualquer capacidade que possa ser desenvolvida no jogo em si.” (Bettelheim, 1989, p. 248) O psicanalista ressalta ainda que os brinquedos e brincadeiras com as quais as crianças brincam não costumam ser determinados de forma consciente pela mesma. Embora possamos vê-la entretida numa determinada brincadeira, os motivos que a levaram a brincar com determinado brinquedo ou brincadeira são da ordem . - 11 - 11
  • 12. 12 inconsciente . São seus processos mentais que a impulsionam, a fazê-lo, baseados em processos internos, problemas, expectativas, desejos e ansiedades, que a asse- diam . Dessa forma, mesmo sem ter consciência, a criança estará representando sim- bolicamente suas dificuldades e conseguirá dominá-las mediante a brincadeira. Sendo assim, por mais incompreensível que uma brincadeira possa parecer aos olhos do adulto, é necessário que a criança possa desenvolvê-las, sem interrupções ou críticas. Bettelhein (1989, p.200) , afirma que é de importância crucial para o desenvolvimento da criança “ a liberdade de transformar um acontecimento do qual foi sujeito passivo, em outro em que ela é o provocador e o controlador ativo”. Segundo o autor, a criança adquire domínio de um fato ou situação, através da brincadeira, e da fantasia. Provocando nos bonecos os processos que sofreu como sujeito passivo, a criança começa a entender que não precisa ser ela sempre a vítima desamparada, mas pode também fazer aos outros o que lhe foi feito. Assim, pela brincadeira, o sofrimento torna-se um domínio e os acontecimentos traumáticos podem ser melhor dominados. Quanto mais intensa for a impressão que o fato provoque na criança, maior será o nú- mero de vezes que ela repetirá, em sua brincadeira o tema, pois , de uma forma pro- gressiva, ela se familiariza com o evento que vivenciou, enfrenta as emoções que este acontecimento desencadeou, adquirindo tolerância, posteriormente domínio, por inter- imédio do controle ativo do mesmo. É baseado nestas características do brinquedo sim- bólico, que se desenvolve a técnica psicanalítica conhecida como ludoterapia, onde o terapeuta interpreta o brincar da criança. . - 12 - 12
  • 13. 13 3. METODOLOGIA O método a ser utilizado neste projeto será a dialética, já que o recorte da realidade a ser tratado na investigação planejada é o do campo da Educação infantil, que encontra-se, a olhos vistos, em pleno processo de transformação pedagógica, vi- visando sua adaptação à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB. Também porque o trabalho envolverá a interpretação qualitativa dos dados a serem coletados nos campos sócio-psico-político-econômico filosófico, além de, evi- dentemente, o pedagógico, nos quais a instituição escola de Educação Infantil se insere. 3.1 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO Escolas particulares de Educação Infantil de Porto Alegre, RS. 3.2 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS 3.2.1 Entrevistas semi-estruturadas, gravadas em vídeo, das quais a mais representa- tativa será escolhida pra constituir-se numa história de vida daquela escola de Edução Infantil. 3.2.2 Observações gravadas em vídeo. 3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRAGEM Crianças e profissionais , nos diversos níveis de Educação Infantil, interagindo , Em plena atividade, assim como diretores e outros profissionais da equipe diretiva e técnica das escolas escolhidas para representar o universo - de preferência que tenham linhas pedagógicas diversas - a serem entrevistados e observados. - 13 - 13
  • 14. 14 4. CRONOGRAMA • Revisão Bibliográfica De dezembro/03 a março/04 , até para aproveitar o conteúdo a ser desenvolvido na cadeira LUDICIDADE NO CONTEXTO EDUCATIVO , com a professora Vitória Bor- tolini, que deverá ocorrer no período de fevereiro a março de 2004. • Coleta de Dados (Filmagem ) De abril a junho de 2004, quando as novas turmas escolares já estão mais integradas , mais formadas enquanto grupo e já estivermos mais familiarizadas com a temática. • Redação Durante os meses de outubro e novembro de 2004. Aqui nos referimos a uma “costura “ final do texto, porque inclusive já temos bastante material redigido, por ocasião da formulação deste projeto, enquanto realizamos a revisão bibliográfica. • Edição ( do material filmado) Dezembro de 2004. como trata-se de um fechamento e o discurso precisa estar bem coeso, este é o último trabalho a ser realizado. . - 14 - 14
  • 15. 15 5. ORÇAMENTO Como não tenho o número de escolas a serem filmadas e as suas localizações, bem como um cronograma definido do tempo que vou levar para realizar as filmagens, não posso precisar o quanto vou investir neste trabalho, mas os gastos incluem: passa- gens, hospedagem, fitas cassete, horas - câmera e horas -edição de vídeo, entre outras despesas. . - 15 - 15
  • 16. 16 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FREUD, S. Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade. In Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 2 ª ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987, v. VII , p. 118 – 126. _________ Análise de uma fobia em um menino de cinco anos. In Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 2 ª ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987, v. X, p. 13 –154. _________ Além do princípio do prazer. In Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 2 . ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987, v. XVIII , p. 13 – 85. KLEIN, M. A técnica psicanalítica do brinquedo: sua história e significado. In M.Klein, P.Heimann, P& R.E. Money-Kyrle. Novas tendências na psicanálise. Rio de Janeiro: Guanabara, 1980, p.25 – 48. ABERASTURY, A. Psicanálise da criança: teoria e técnica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982. ______________ A criança e seus jogos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. BETTELHEIN, B. Uma vida para seu filho. Pais bons o bastante. 18. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989, cap.14-15. - 16 - 16