INTRODUÇÃO
PAC: infecção agudado parênquima pulmonar
adquirida fora do hospital ou de outros
ambientes de cuidados de saúde.
-> É uma das causas mais comuns de hospitalização
em crianças de países de elevada renda.
-> Principal causa de morte em crianças em países de
baixa e média renda.
3.
INTRODUÇÃO
PACC: define-se comoa PAC associada a
complicações locais (derrame parapneumônico,
empiema pleural, pneumonia necrosante ou
abscesso pulmonar) e/ou sistêmicas (bacteremia,
infecção metastática, falência de múltiplos
órgãos, síndrome da angústia respiratória aguda,
coagulação intravascular disseminada).
DERRAME PLEURAL
PARAPNEUMÔNICO
É umtipo específico de derrame
pleural associado a pneumonia ou
infecção pulmonar próxima (como
abscesso pulmonar ou
bronquiectasia infectada).
Sinais e sintomas: febre, dor
torácica, tosse produtiva,
dispneia e mal estar geral.
6.
EMPIEMA
É o acúmulode pus na cavidade
pleural, que ocorre com a
progressão do DPP.
DPP e EP são considerados
diferentes estágios do mesmo
processo fisiopatológico.
7.
PNEUMONIA
NECROSANTE
Principais patógenos: Pneumococo,
Staphylococcusaureus, Streptococcus
pypgenes.
Quadro clínico: febre, tosse, dor torácica,
taquipneia, maciez à percussão,
diminuição dos sons respiratórios e/ou
respiração brônquica.
Redução do fluxo sanguíneo dos vasos
trombosados -> Diminuição das
concentrações de antibióticos -> Infecção
persistente e destruição do tecido
pulmonar.
8.
ABSCESSO
PULMONAR
Insidioso
Características que sugerem
AP:persistência da febre,
toxemia, hipoxemia
persistente sem resposta ao
tratamento, tosse seca,.
Diagnóstico diferencial:
Tuberculose, nocardiose,
infecções fúngicas, melioidose,
paragonimíase e abscesso
amebiano, tumores, sarcoidose
e infarto pulmonar.
Fonte: Medway, 2025
ANTIBIOTICOTERAPIA
PACC + DP=> Penicilina cristalina ou Ampicilina
Na suspeita ou confirmação de infecção por M. pneumoniae ou C. pneumoniae
=> associar com Macrolídeo.
PACC grave => Ceftriaxona ou Cefotaxima.
S. aureus MRSA => Ceftriaxona + Vancomicina
PACC muito grave, com choque, necessidade de ventilação assistida e UTI
=> Vancomicina + Ceftriaxona ou Cefotaxima) + Azitromicina.
PNM necrosante => Vancomicina + Cefotaxima ou Ceftriaxona ou Cefepima.
11.
TRATAMENTO
CIRÚRGICO
Adjuvante ao tratamentocom antimicrobianos.
Reservada para crianças com piora ao tratamento inicial, a depender
da presença de empiema pleural e da extensão da necrose pulmonar.
Falha no tratamento: Insuficiência respiratória, persistência da febre,
piora do quadro geral após 72h e elevação dos marcadores
inflamatórios.
Tipos: Toracocentese, drenagem torácica com uso de fibrinolíticos ,
drenagem pleural simples, videotoracoscopia assistida ou
decorticação por tocacotomia.
12.
RELATO DE CASO
Identificação:
Nome:L.A.B.C.
Idade: 12 anos e 8 meses
Sexo: Feminino
Peso: 38 kg
Altura: 1,55 m
Cor: Parda
Naturalidade: Manaus-AM
Procedência: Manaus-AM
Responsável: Mãe, J.A.B.C., 38 anos
13.
RELATO DE CASO
Queixaprincipal: “Febre alta ”
HDA: Criança previamente hígida iniciou há 1 mês quadro de febre alta (38-
39°C), associada a tosse seca. Mãe refere que fez uso de antialérgico e
antitérmico, mas sem melhora. Após 5 dias evoluiu para tosse produtiva com
expectoração amarelada. Mãe refere que deu remédio caseiro e chá de alho,
mel e limão. Após 3 dias, apresentou cansaço aos médios esforços e dor
torácica à esquerda. No 15° dia do início dos sintomas, foi atendida no HPCZL,
onde foi iniciado amoxicilina 875 mg + clavulanato 125 mg VO 12/12h para
pneumonia comunitária, mas manteve febre e dispneia progressiva. Há 7 dias
passou a apresentar hiporexia intensa e dificuldade para falar longas frases
devido à falta de ar. Hoje procurou emergência por piora do quadro, sendo
identificada taquipneia, hipoxemia leve (SatO2 92%) e derrame pleural à
esquerda na radiografia de tórax, sendo internada para tratamento
hospitalar.
14.
RELATO DE CASO
HistóriaPatológica Pregressa (HPP):
Nega doenças crônicas.
Nega alergias medicamentosas.
Nega internações ou cirurgias prévias.
Infecções respiratórias esporádicas na infância, sem
hospitalizações.
História Epidemiológica:
Viagens recentes: Foi para Manacapuru-AM há 1 mês
para visitar familiares.
Contato com pessoas doentes: Relata que uma amiga
de escola teve um quadro gripal no mês passado.
15.
RELATO DE CASO
HistóriaSocial:
Moradia: Casa de alvenaria, com saneamento básico
adequado.
Mãe fuma esporadicamente, mas não dentro de casa.
Animais domésticos: Tem um cachorro (vacinado).
História Familiar:
Mãe: 38 anos, tabagista ocasional, sem comorbidades.
Pai: 40 anos, hipertenso e diabético.
Irmão: 10 anos, saudável.
Avô paterno com DPOC.
16.
RELATO DE CASO
HistóriaGestacional e Neonatal:
Gestação: Sem intercorrências.
Parto: Cesárea eletiva, 39 semanas.
Peso ao nascer: 3.200 g.
Apgar: 9/10.
Amamentação: Exclusiva até 5 meses, com introdução
alimentar aos 6 meses.
História Vacinal:
Desatualizado, mãe anti-vacina.
17.
RELATO DE CASO
HistóriaAlimentar:
Alimentação com arroz, feijão, macarrão, proteínas e
industrializados.
Consome refrigerante.
Alguns legumes e frutas, mas não gosta de verduras.
Relata consumo de fast food.
Frequenta escola, almoça em casa e faz lanches na cantina.
Desenvolvimento e Puberdade:
Desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade.
Menarca aos 11 anos.
18.
RELATO DE CASO
ExameFísico na Admissão:
Somatoscopia: Prostrada,
responsiva, Sudoreica, Acianótica,
anictérica, taquipneica, desconforto
respiratório, febril, hipocorada 1+/4+,
hidratada.
Cabeça e Pescoço: Sem
linfonodomegalias cervicais
palpáveis. Sem sinais de turgência
jugular.
Oroscopia: Mucosa oral hidratada.
Faringe hiperemiada, sem exsudatos.
Amígdalas normotróficas.
Otoscopia: Membranas timpânicas
íntegras, triangulo luminoso
visualizado, sem hiperemia ou
abaulamento bilateralmente.
Pulmonar: MV diminuido em base
pulmonar esquerda. Estertores
crepitantes e roncos bilat.
Submacicez à percussão em base
esquerda. Tiragem intercostal leve.
FR36 irpm.
19.
RELATO DE CASO
Cardíaca:BNF, RCR, EM 2T, S/S.
FC110 BPM.
Abdominal: plano, flácido, RHA+,
indolor à palpação. Sem VSMG
e/ou massas.
Genital: Genitália feminina
adequada para idade, sem
secreções ou lesões aparentes.
M2P2.
Extremidades: Sem edemas ou
cianose. TEC < 2s. Pulsos
periféricos presentes e
simétricos. Panturrilhas livres
sem empastamento.
Sinais vitais:
FC: 110 bpm
FR: 36 irpm
PA: 105/65 mmHg
Temperatura: 38,9°C
SatO2: 92% em ar ambiente
20.
RELATO DE CASO
Examesadmissão:
Hemoglobina: 11,2 g/dl / Hematócrito: 36%
Leucócitos: 22.500/mm³ (Neutrófilos: 92%, Bastões: 6%)
Plaquetas: 460.000/mm³
PCR: 175 mg/L
K: 3,7 / NA: 138.
Radiografia de tórax: Consolidação em lobo inferior esquerdo
com derrame pleural moderado.
Ultrassonografia de tórax: Derrame pleural à esquerda (150 mL)
Hemocultura: Aguardando resultado
RELATO DE CASO
Prescrição:
DietaBranda para a idade.
Hidratação 8/8h:
(40%) Soro Glicosado 5%: 248 ML
(3meq) Cloreto de Sódio 10%: 4,4 ML
(2meq) Cloreto de Potássio 10%: 3,8ML
VT: 256,2ML / VZ: 32,0 ml/h.
Ceftriaxona 1,9 g EV 12/12h
100 mg/kg/dia.
Clindamicina 500 mg EV 8/8H
40 mg/kg/dia.
Dipirona 1,2mg EV 6/6h se febre ou
dor.
Programação:
Internação na enfermaria com monitorização.
Oxigenoterapia sob cateter nasal 2 L/min.
Observar sinais de desconforto respiratório.
Radiografia de tórax de controle em 48h.
Oxigenoterapia cateter nasal de O2
2L/min, se SatO2 < 94% em AA.
Sinais vitais 6/6h.
Cuidados Gerais da Enfermagem -
Contínuo.
Fisioterapia respiratória 2X ao dia
(manhã e tarde).
23.
RELATO DE CASO
Após48h de internação, paciente mantém febre (38,5°C) e hipoxemia leve.
Realizada drenagem torácica, com saída de 250 mL de líquido pleural
purulento, sem odor fétido.
Análise do líquido pleural:
Aspecto: Purulento
Proteínas: 4,0 g/dL
LDH: 1.800 U/L
Glicose: 25 mg/dL
pH: 7,0
Gram: Cocos Gram-positivos
Cultura: Aguardando resultado
→ Diagnóstico de empiema pleural.
24.
RELATO DE CASO
CondutaPós-Drenagem:
Manutenção do dreno torácico com monitorização do débito.
Troca de antibiótico: Suspensa ceftriaxona. Iniciado cefepime
150 mg/kg/dia EV (3x/dia).
Mantida clindamicina.
Coleta de novos exames (hemograma, PCR, gasometria).
Fisioterapia intensificada.
Radiografia de tórax em 48h.
25.
RELATO DE CASO
Resultadosdas culturas (3º dia de internação):
Hemocultura:
• Positiva para Streptococcus pneumoniae
• Sensível a penicilina, ceftriaxona, cefepime e vancomicina
Cultura do líquido pleural:
• Positiva para Streptococcus pneumoniae.
• Sensível a ceftriaxona, cefepime, penicilina G e clindamicina
• Sem crescimento de anaeróbios ou Staphylococcus aureus.
26.
RELATO DE CASO
Pacienteevoluindo em 7 dias com melhora clínica, comunicativa,
responsiva, eupneica em ar ambiente, sem dessaturações, mantendo
tosse esporadicamente, afebril, aceitando dieta ofertada, funções
fisiológicas preservadas. Sem outras queixas e/ou intercorrências.
Resumo da conduta atualizada:
• Suspender cefepime
• Manter ceftriaxona EV (1,9 g 12/12h)
• Reavaliar necessidade de clindamicina (suspender se paciente está
afebril, sem sinais de coinfecção)
• Manter drenagem torácica enquanto houver débito ou persistência
de coleção ao USG/TC.
27.
REFERÊNCIA
SOCIEDADE BRASILEIRA DEPEDIATRIA. Pneumonias adquiridas na
comunidade complicadas: atualização 2024. Documento
Científico dos Departamentos de Pneumologia e Infectologia
(gestão 2022-2024), n. 151, 29 abr. 2024.