Estou fazendo uma grande obra,
de modo que não poderei descer.
Por que cessaria esta obra,
enquanto eu a deixasse
e fosse ter convosco?”
Neemias 6: 3
A propósito do dia do pastor, 2º domingo de junho,
gostaria de trazer a todos os pastores e pastores auxiliares da
IPRB, bem como a todos os demais obreiros da Igreja e
missionários, do Brasil e do exterior, uma reflexão a respeito
do caráter de amor e determinação de Neemias para com a
obra do Senhor.
Neemias foi um líder intrépido, que sacrificou a vida sossegada que levava no
palácio, onde era copeiro do rei na Pérsia, Artaxerxes, para servir a um povo aflito e
desencorajado, como governador da Judeia, Ne 1: 11 e 2.
Cem anos eram passados, depois que os judeus
regressaram do cativeiro (444 a.C.), e quase nada havia sido
feito entre eles, a não ser a reconstrução do templo. Foi um
período de estagnação e de grande aflição, pois os povos
inimigos ao redor não permitiam que o povo de Deus
prosperasse.
Não faltaram motivos para que esse servo de Deus viesse
a fracassar ou desanimar com o ministério que Deus lhe havia
confiado, ou seja, revitalizar a cidade de Jerusalém que estava
totalmente destruída, 2: 13 a 17. No entanto, mesmo diante
dos obstáculos foi capaz e muito perseverante em seu
objetivo, buscando forças no Senhor para começar e terminar
a tarefa de reconstrução da cidade.
Da mesma forma, o pastorado pode muito bem ser
comparado ao seu trabalho, pois o dia-a-dia de um pastor é
desafiador e muito desgastante. Assim como Neemias, o
pastor enfrenta todo tipo de oposição.
Coragem, determinação, comprometimento, motivação, amor
à obra de Deus e outras qualidades foram muito importantes
para o sucesso ministerial de Neemias.
COMPROMISSO COM DEUS
Neemias recebe a notícia de que os que restaram do cativeiro estavam em
grande miséria e desprezo, o muro de Jerusalém destruído e as portas queimadas a
fogo. Este fato lhe causou grande tristeza, o que levou Neemias
a buscar a vontade de Deus, por meio da oração e jejum, 1: 3
e 4.
Com isso, sentiu-se parte do povo e decidiu,
voluntariamente, com autorização do rei Atarxerxes, que se
comoveu com a sua tristeza, assumir o compromisso de
reconstruir a cidade: “... peço-te me envies a Judá, a cidade
dos sepulcros de meus pais, para que a eu a edifique”, 2: 5.
É muito edificante percebemos, nos capítulos que se
seguem, a disposição e dedicação desse homem de Deus.
Ninguém lhe pediu para tomar para si a responsabilidade de
reconstruir a cidade. Foi uma decisão que partiu dele. O
compromisso de fazer a obra de Deus foi uma das grandes
motivações de seu triunfo ministerial.
Aqui está uma lição muito relevante: o ministério ou pastorado bem-sucedido
será sempre marcado por um verdadeiro espírito de desprendimento em favor da obra
de Deus.
CORAGEM NA ADVERSIDADE
Neemias recebe carta do rei autorizando-o a conhecer “in loco” a situação de
calamidade do seu povo, 2: 7. Chegando a Jerusalém e permanecendo
na cidade por três dias, ele percebe, depois de andar pelas
ruas de Jerusalém, à noite, que tudo que tinha ouvido falar era
verdade.
A cidade estava totalmente assolada e era grande a
miséria, 2: 17. Restava-lhe apenas enfrentar o desafio de
revitalizar a cidade, ou seja, realizar o projeto de
reestruturação de Jerusalém dado por Deus: “... o que o meu
Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”, v. 12.
Sem dúvida, ele estava esperando somente em Deus.
Depois de fazer uma criteriosa inspeção dos danos causados
pelos samaritanos e calcular as despesas do projeto de
reconstrução, apela ao povo (judeus) e recebe apoio total para
reedificar o muro e deixar o jugo do inimigo: “... levantemo-
nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem”, 2:
17 e 18.
No entanto, não sabiam eles que a oposição seria grande
a partir desse momento. Não faltaram críticas e zombarias à
atitude desse servo de Deus: “Que é que fazeis?”, 2: 19.
Percebe-se, a partir do capítulo 3, que Neemias não se
intimidou nos momentos de adversidade: “Que fazem estes
fracos judeus”, 4: 2.
Ele rompeu com o medo e foi corajoso, ainda que o
inimigo ameaçasse frustrar seus objetivos, cap. 4. O povo de
Deus não se intimidou diante das afrontas. “Não os temais.
Lembrai-vos do Senhor, grande e terrível, e pelejai...”, 4: 14.
Coragem frente às críticas, às afrontas e insultos foi a receita
para o triunfo do povo de Deus. Também em nossos dias precisamos nos
valer dessa prerrogativa para vencer os desafios do ministério.
CONSOLIDAÇÃO DA MISSÃO
O desafio traz sempre a necessidade de sonhar ou de
acreditar que há uma saída diante das dificuldades. Quando
Neemias soube que os muros de Jerusalém estavam fendidos
e as portas queimadas, acreditou que a história do seu povo
poderia ser mudada com a sua participação. Foi aí que ele
decidiu reedificar tudo.
Reconstruir era o grande desafio. Apesar dos que se
opunham, nada impediu o avanço e conclusão da obra de
Deus. O capítulo 6 diz que os inimigos conspiram e intimidam
o povo de Deus e usam até de suborno para atemorizar
Neemias, v. 13. Mas ele era um líder determinado e estava
convicto de sua missão. É assim que precisamos ser, pois
estamos fazendo uma grande obra e não podemos parar ou
recuar.
Neemias começou e terminou o projeto de revitalização
da cidade. Tudo aconteceu em apenas cinquenta e dois dias.
Todos os inimigos temeram e abateram-se muito em seus
próprios olhos, porque reconheceram que a obra era de Deus e
não de Neemias (dos homens), 6: 15 e 16.
É muito importante começar e acabar o projeto (missão)
que Deus nos confiou. Não podemos deixar nossos sonhos
morrerem. Concluir o projeto ou plano que começamos a fazer
é fator determinante no pastorado. Por isso, siga em frente e
seja um Neemias nas mãos de Deus, um obreiro
comprometido com o reino, que rompa com o medo em meio
às dificuldades. Persevere na vontade de Deus.
Concluindo, gostaria de dizer que há muito para se
reconstruir em nossos dias, ou seja, o mundo (humanidade)
está com os muros fendidos e as portas destruídas. A
humanidade está em calamidade espiritual, moral e material.
Deus precisa contar com mulheres e homens destemidos e
determinados para refazer lares e revitalizar vidas.
Aprendamos com Neemias que em momento algum
retrocedeu. Bem disse Jesus: “Ninguém que lança mão do
arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”, Lc 9: 62.
Mediante essas considerações, desejo que Deus abençoe
ricamente o ministério de cada pastor e líder da IPRB, e que a
unção do Santo seja sobre todos.
Neemias Leva o Povo a Assumir um compromisso com
Deus.
By PC Amaral on segunda-feira, janeiro 02, 2012 | adoração, compromisso, estudo
biblico, Jerusalém, Neemias, Obediência, Reforma, religiosidade | No comments
Por causa de tudo isso, nós, o povo de Israel, estamos fazendo por escrito um acordo
solene. E as nossas autoridades, os nossos levitas e os nossos sacerdotes vão assiná-lo.
(Ne 9:38 – NTLH)
A primeira reforma promovida por
Neemias foi estrutural. A cidade passou por uma imensa reforma física, econômica e
social. Já a segunda reforma foi espiritual. [1] Esta foi a mais importante. Surgiu do
desejo de conhecer a palavra de Deus. O povo começou a estudar a Bíblia e orar, e os
resultados vieram: choro pelo pecado, confissão e vontade de acertar-se com Deus.
Então, Israel não quis ficar só nas palavras e nem na emoção do momento: decidiu fazer
uma aliança com o Senhor, assumindo e registrando compromissos.
Uma coisa é sermos impactados pela palavra e fazermos uma oração fervorosa de
confissão, como pode ser visto no capítulo 9 de Neemias, que foi explanado no estudo
anterior; outra, muito diferente, é sermos fiéis a Deus e nos mantermos assim, depois
que dizemos: “Amém”. [2] Israel levou a sério aquela oração e estava decido mesmo a
recomeçar. Os líderes e todo o povo fizeram um pacto solene de fidelidade. Essa atitude
é desafiadora para nós hoje, pois vivemos numa época em que muitas pessoas não
gostam de assumir compromissos. Neste estudo, que se baseia em Neemias 10,
refletiremos sobre os participantes e os compromissos desta aliança de fidelidade feita
com Deus.
1. Os participantes: O capítulo 9 termina assim: Em vista disso tudo, nós estamos
fazendo um acordo, por escrito (...) e assinamos este contrato (Ne 9:38 – NBV). Com
essa atitude, os companheiros de Neemias estavam dizendo: “Senhor, (...) que isso
signifique uma promessa selada (...). Assinaremos nossos nomes a fim de provar que
manteremos a promessa”. [3] Deste modo, o capítulo que estamos estudando começa
com uma lista dos nomes daqueles que selaram o documento (Ne 10:1-27). Sabe quem é
o primeiro da lista? Neemias é claro!
O líder deve sempre ser o exemplo, e Neemias era. Este homem não era do tipo que
dizia “faça o que eu mando, mas não o que faço”. É lamentável quando o pastor quer
que a igreja mude, mas ele mesmo não dá o exemplo. Também é igualmente triste pais
quererem que os seus filhos assumam um compromisso que eles próprios nunca
quiseram assumir. Semelhante é o caso de um líder da igreja local que exige de seus
liderados comprometimento, mas ele mesmo não é comprometido. Neemias não era
assim. Ele foi o primeiro a assinar e a assumir o compromisso.
Além dele, apareceram mais oitenta e quatro pessoas que puseram o seu selo na aliança
feita com Deus. Ali, estavam os nomes dos sacerdotes (10:2-8), dos levitas (10:9-13),
dos líderes e nobres (10:14-27). Estes assinaram em nome de todo o povo. Os cidadãos
comuns, mesmo não assinando o documento, concordaram e aderiram àquela aliança
(10:28). Até mesmo as mulheres e as crianças, que não podiam colocar um selo pessoal
num documento oficial, comprometeram-se também. Que cena magnífica: cada uma
daquelas pessoas que ouviram a leitura e a explanação da palavra estava, agora,
assumindo, com emoção e consciência, o compromisso de obedecer ao que lhe fora
ensinado. Essa postura dos judeus concorda com o ensino de Tiago, que disse: Sede
praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos (Tg 1:23-24).
O apóstolo explica a razão para isso: Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não
praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho;
porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era (Tg 1:23-24).
Quantas vezes ouvimos a palavra, nos comprometemos com ela, mas, logo a
esquecemos? É só lembrarmos as muitas promessas não cumpridas que já fizemos, a
cada início de ano.
Neemias e seus amigos não queriam que isso acontecesse. Não podiam esquecer o que
ouviram de Deus. Decidiram praticar e, para não esquecer, revolveram anotar num
documento cada atitude a ser tomada. Fizeram um juramento, que implicaria castigo ao
desobediente (Ne 10:29). Hoje, “jurar” não é a melhor forma de o cristão assumir
compromissos com Deus, pois os juramentos são, em linhas gerais, baseados no medo, e
o Pai celeste não deseja isso de nós: ele quer que a base de nosso relacionamento com
ele seja o amor. De fato, “não somos bem sucedidos em nossa vida cristã porque
fazemos promessas a Deus, mas sim porque cremos nas promessas dele e agimos em
função delas”. [4] Ainda que não seja necessário jurar a Deus, é dever do cristão ser
comprometido com a obediência à palavra em amor.
2. Os compromissos: Anotar, a fim de não esquecer o que devemos praticar ou
melhorar é um exercício precioso. Foi isso que Neemias e os demais judeus fizeram.
Diante da exposição da lei de Deus, eles perceberam claramente em que estavam
falhando e decidiram fazer um pacto de mudança.
Em primeiro lugar, assumiram um compromisso com a obediência à palavra. Eles
decidiram “andar na lei de Deus” e disseram: ... obedeceremos a tudo o que o Senhor,
nosso Deus, nos manda; e cumpriremos todas as suas leis e mandamentos (Ne 10:29b).
Eles elegeram a palavra de Deus como regra suprema e fizeram da obediência um
projeto de vida. Que bela decisão!
Em segundo lugar, assumiram um compromisso com a pureza do casamento. Jerusalém
estava cercada de gentios que queriam que o remanescente do povo de Deus fizesse
parte de seu meio social e econômico. A melhor maneira para isso acontecer era através
dos casamentos mistos. Para os judeus, as vantagens eram muitas e a tentação era
enorme. Porém, não era a vontade de Deus. Essas uniões mistas com estrangeiros
idólatras eram condenadas pela lei de Deus (cf. Êx 34:12-16). O motivo para a proibição
desses casamentos mistos não era racial, mas espiritual e religioso. [5]
Não era uma questão de preconceito, mas de santificação do povo. Nestes casamentos, o
cônjuge judeu corria um grande risco de perder a sua fé. De que forma um judeu casado
com uma esposa idólatra poderia obedecer fielmente às leis cerimoniais e às leis da
alimentação? Como iria educar os filhos? Em situações assim, o marido e a mulher
ficavam em constante conflito e o lado judeu quase sempre cedia. Vale lembrar que
casamentos mistos continuam, ainda hoje, sendo um grande problema para os filhos de
Deus (1Co 7:12,13,39a; 2Co 6:14-7:1). Os jovens cristãos devem prestar atenção nisso
para não sofrer no futuro.
Em terceiro lugar, assumiram um compromisso com a observância do sábado. Antes de
Neemias chegar, Jerusalém era uma “cidade fantasma”, uma “terra de ninguém”, mas,
após a sua reedificação, tornou-se uma “terra de oportunidades”. Devido à posição
geográfica estratégica da cidade e ao talento dos judeus para os negócios, muitos viam a
chance de prosperar e, de fato, alguns estavam prosperando. Outros, ali, ainda estavam
buscando “seu lugar ao sol” e trabalhavam por sobrevivência. Com isso, o dia do
Senhor estava sendo negligenciado. Se guardassem o sábado, teriam um dia a menos
para o comércio. Então, a ganância e a falta de confiança em Deus estavam levando-os a
pecar. Mas decidiram que era hora de mudar. Eles afirmaram que não comprariam
nada no dia de sábado (10:31a). Seriam fiéis em seus negócios; inclusive, prometeram
guardar os anos sabáticos (10:31b), isto é, de sete em sete anos, fariam a terra
descansar por doze meses. Foi uma grande prova de confiança e um lindo exemplo de
dependência de Deus.
Em quarto lugar, eles assumiram um compromisso com a manutenção da casa de Deus.
Em Neemias 10:32-39, é repetida nove vezes a expressão “a casa do Senhor”. A ênfase
é clara: eles decidiram dar a devida atenção à manutenção da obra. Por muito tempo, o
povo havia negligenciado o lugar da adoração, mas agora seria diferente. Eles
prometeram entregar as ofertas e os dízimos para o sustento dos levitas e dos sacerdotes
e para o cuidado do templo.
Você deve ter percebido que as questões levantadas no capítulo 10 de Neemias são
bastante atuais. Em nossos dias, vemos, ainda, cristãos sofrendo por causa de
casamentos mistos. Vemos, também, alguns com dificuldade na guarda do sábado,
tendo que escolher entre o sustento e a fé. Para outros, a questão é a fidelidade nos
dízimos e nas ofertas. Poucos gostam de rever seus conceitos, de reconhecer o erro e
recomeçar. Porém, a vida cristã é marcada por recomeços. Precisamos nos consertar
com Deus.
Aplicando a Palavra de Deus em nossa vida
Não seja superficial
Neemias percebeu que a reconstrução do muro era só uma parte de um longo percurso.
Deveria andar, agora, sua segunda milha. [6] Por mais grandiosa que fosse a reforma
feita na cidade, ainda era superficial. Perecia que tudo estava bem, mas não estava.
Havia iniquidade dentro da cidade. Outra reforma era necessária, uma reforma
espiritual, profunda e radical. Neemias não ficou satisfeito com a superficialidade do
“muro” e levou o povo a um grande reavivamento espiritual. E nós? Que compromisso
temos assumido com Deus? Como está nossa santidade? E nossa vida de oração?
Superficial? Meu irmão, não se contente só com o “muro”, não fique só na aparência.
Pegue a Bíblia e, com base nela, faça um exame completo de sua conduta e de seu
interior (Hb 4:12). Se for preciso, recomece; volte atrás e refaça o seu pacto com Deus.
Não fique somente nas palavras
É triste quando os compromissos assumidos com Deus ficam apenas nas palavras.
Afirmamos que vamos mudar, mas não mudamos; dizemos que vamos orar mais, e não
oramos. Garantimos que iremos controlar a língua e não controlamos. Neemias não
queria que isso acontecesse com Israel, e fez com que todos os líderes do povo
assinassem uma aliança, com princípios de condutas. Ele não ficou só nas palavras:
partiu para a ação. Se você deseja que suas promessas a Deus não sejam apenas
promessas, parta para a ação. Mude sua agenda e seus hábitos. Não espere para manhã.
E lembre-se: Coloque em prática a palavra de Deus, e não seja apenas ouvinte (Tg
1:22 – NBV).
Não vise somente ao seu interesse
O compromisso feito por Israel era admirável. Porém, significava abrir mão de muitas
coisas. O povo iria perder casamentos socialmente lucrativos; teria de fechar o comércio
aos sábados, perdendo “dias úteis”, e não iria mais sonegar os impostos para a
manutenção do culto. Mas quem disse que ser fiel é algo fácil? Ser fiel é escolher a
porta estreita; é andar na contramão do mundo; é remar contra a maré. Quem está
disposto? Há cristãos que assumem compromissos com Deus e fazem promessas e votos
para alcançar bênçãos e obter proveitos desse relacionamento. Mas quem está disposto
mesmo a abrir mão das “vantagens”? Quem é capaz de negar a si mesmo? Talvez não
agora, mas logo você verá que vale a pena, sim, servir a Deus (Mt 25:21; Ap 2:10).
Conclusão
Este episódio da história dos judeus nos desafia, hoje, a sermos cristãos comprometidos
com a palavra de Deus e a estarmos dispostos a recomeçar. Nossa tendência é
caminharmos para um afrouxamento de valores, por isso, acabamos por fazer
concessões e abrir mão de alguns princípios cristãos. Por isso, de tempo em tempo,
precisamos voltar à palavra e nos acertar com Deus. Que estejamos dispostos a
recomeçar e a assumir compromissos com Deus.
Neemias 1 - Uma lição de Compromisso com Deus e o Povo
Rev.Giovani Zainotte 1comment
1) Chorando pelos que sofrem
Quando não se encontra quem possa chorar pelos perdidos, nem o profeta, nem
o sacerdote, nem o pastor, mas somente um copeiro, somente pescadores, somente um
sapateiro. Sim, falta mais sensibilidade. O sofrimento dos outros está banalizado, não
nos comove. Neemias chorava por sua nação, pelo povo que sofria sem recursos e pela
Sião de Deus, a casa de Deus que estava destruída. Sim, ele queria a restauração do
tabernáculo e da cidade santa. O que nos falta? Falta-nos um verdadeiro avivamento que
traga quebrantamentoeintensocompromissomissionário.Falamosdeavivamento,mas
não o temos; temos sim animação, mas não avivamento. Com avivamento, teríamos um
mover de santidade e contrição.
Faltam mais profetas em nosso meio, com francas denúncias contra o pecado,
chamando ao arrependimento e a santificação, e dizendo: “Assim diz o Senhor!”
2) Festas e Estratégias
Sim, muita música, às vezes, muito barulho, luzes, danças e nenhuma lágrima de
arrependimento, nenhuma contrição.
Não aguento mais ouvir sobre estratégias. É igreja em célula, igreja com propósito,
doutrina da prosperidade, entronização da arca; é apóstolo, é patriarca, é rabino. Chega!
Quero só Jesus, quero o poder do Espírito Santo. Quero ver o fogo de Deus. Estratégias
são meios; o fim é Deus, sua glória, seu poder.
São muitos atalhos, poucos querem pagar o preço do jejum, das orações, do
quebrantamento.
3) Enxergando a necessidade
Ninguém chora sem um defunto, ninguém se enternece sem uma visão de
compaixão. “ Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por
ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos. (Lc
19.41-42).
Nós perdemos as lágrimas. Mulheres são violentadas, crianças assassinadas,
jovens morrem com as drogas, e nós seguimos sem chorar.
Jerusalém em ruínas fez Neemias chorar. O pecado e o juízo sobre o povo o
fez quebrantar-se.
O que nos quebrantará?
Osmilharese milharesde pessoas sem Cristo precisam nos fazerchorareclamar.
4) Quando o copeiro chorou
Os sacerdotes não choraram, arrumaram um acordo com os invasores.
Continuaram louvando a Deus, mas estava tudo desabando. O culto era uma real
alienação.
Apesar dos nossos louvores e cultos abençoados, o mundo está desmoronando a
nossa volta, e muitos de nós estamos ficando insensíveis. Cada vez nos tornamos mais
silenciosos. Transigimos com as leis de Deus. Recuso-me a isso.
5) Angústia ou preocupação?
Precisamos ser tomados de Angústia profunda, não preocupação que dá e passa,
masinquietanteangústia quese transformeem amorprofundo pelos perdidos, pelos que
sofrem todo o tipo de violência.
Para isso, não existe alívio, há sim a alegria da salvação aover Deus agir com seu
braço forte.
Não faço apologia da tristeza, mas de um sentimento de insatisfação com o mundo
onde vivemos, preservando a alegria, mas mantendo a angústia que é inimiga da
acomodação, da resignação e da displicência.
Dizendo como Paulo em 2 Coríntios 6.10: “entristecidos, mas sempre alegres,
pobres, mas enriquecendo a muitos, nada tendo, mas possuindo tudo.”
6) Onde está a Igreja do Senhor
Estou escandalizado de como se divide a Igreja do Senhor. Poucos atendem a
oração de Jesus:
“a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim
e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia
que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens
dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim,
a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça
que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”(Jo17.21-23).
Ou mesmo o clamor de Paulo:
“Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do
Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito,
como também fostes chamados numa só esperança da vossa
vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só
Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de
todos e está em todo” (Ef 4.3-6).
Temos preferido existir como facção, desprezando a Palavra do Senhor. A
arrogância no nosso meio chega a limites intoleráveis: igrejas do poder, igrejas dos
milagres, igrejas e células, igrejas da arca, igrejas do altar, e por aí vai. Desprezam os
critérios de juízo de Jesus.
“Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos
de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde
a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive
sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;estava nu, e
me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” ( Mt. 25.34-36).
Isso nos mostrou que não são os milagres que vão nos levar ao céu, mas o amor, a
graça, a misericórdia e a compaixão.
Todos têm uma solução¨revelada¨,tentamatrairpara oseu “modelo¨, e isto divide
o Corpo de Cristo: a Igreja. Muitos modelos são legítimos, mas não é isso que nos faz
discípulos/as, e sim a unção de Deus e o amor com que nos amamos uns aos outros. E
como discípulos/as maduros/as, frutificamos a medida de 100 por 1.
7) Entre a Igreja show e a Igreja Missionária
A esse respeito temos tropeçado na tendência do mundo moderno. Temos visto
maisshow eentretenimento.Ostemplos precisam de poltronas que nem teatro.O louvor
precisa de instrumentos mais modernos, a iluminação põe refletores sobre os músicos
ou sobre o pastor-animador, é imprescindível a coreografia, querem mais, e há até
fumaça eoutrosartifícios.Cuidado para nãocairmosnotipo de cultoque o profeta Isaias
denunciou: “Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só
pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim
abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das
congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene” (Is 1.12-
13).
Já sei que muitos já estão desconfortáveis, é exagero do bispo, mas eu sinto falta
da confissão de pecados, do anúncio do Juízo de Deus, da denúncia profética contra os
pecados, adultério, pornografia,sexofora do casamento,mentiras,fofoca.Precisamosde
pregadores que chamem o povo à santidade denunciando os pecados. Precisamos de um
culto que ofereça comodidade ao rebanho, mas que o leve a comparecer perante a face
de Deus. Que promova conversão e mudança de vida.
O povo anseia não por ouvir palavras de ordem repetidas várias vezes, como se
fossem mantras esotéricos, mas a Palavra do Deus Vivo. De pastores e pregadores que
peguem fogo no púlpito por meio dos quais flui a Palavra de Jesus. Amém e Amém!

Neemias

  • 1.
    Estou fazendo umagrande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” Neemias 6: 3 A propósito do dia do pastor, 2º domingo de junho, gostaria de trazer a todos os pastores e pastores auxiliares da IPRB, bem como a todos os demais obreiros da Igreja e missionários, do Brasil e do exterior, uma reflexão a respeito do caráter de amor e determinação de Neemias para com a obra do Senhor. Neemias foi um líder intrépido, que sacrificou a vida sossegada que levava no palácio, onde era copeiro do rei na Pérsia, Artaxerxes, para servir a um povo aflito e desencorajado, como governador da Judeia, Ne 1: 11 e 2. Cem anos eram passados, depois que os judeus regressaram do cativeiro (444 a.C.), e quase nada havia sido feito entre eles, a não ser a reconstrução do templo. Foi um período de estagnação e de grande aflição, pois os povos inimigos ao redor não permitiam que o povo de Deus prosperasse. Não faltaram motivos para que esse servo de Deus viesse a fracassar ou desanimar com o ministério que Deus lhe havia confiado, ou seja, revitalizar a cidade de Jerusalém que estava totalmente destruída, 2: 13 a 17. No entanto, mesmo diante dos obstáculos foi capaz e muito perseverante em seu objetivo, buscando forças no Senhor para começar e terminar a tarefa de reconstrução da cidade.
  • 2.
    Da mesma forma,o pastorado pode muito bem ser comparado ao seu trabalho, pois o dia-a-dia de um pastor é desafiador e muito desgastante. Assim como Neemias, o pastor enfrenta todo tipo de oposição. Coragem, determinação, comprometimento, motivação, amor à obra de Deus e outras qualidades foram muito importantes para o sucesso ministerial de Neemias. COMPROMISSO COM DEUS Neemias recebe a notícia de que os que restaram do cativeiro estavam em grande miséria e desprezo, o muro de Jerusalém destruído e as portas queimadas a fogo. Este fato lhe causou grande tristeza, o que levou Neemias a buscar a vontade de Deus, por meio da oração e jejum, 1: 3 e 4. Com isso, sentiu-se parte do povo e decidiu, voluntariamente, com autorização do rei Atarxerxes, que se comoveu com a sua tristeza, assumir o compromisso de reconstruir a cidade: “... peço-te me envies a Judá, a cidade dos sepulcros de meus pais, para que a eu a edifique”, 2: 5. É muito edificante percebemos, nos capítulos que se seguem, a disposição e dedicação desse homem de Deus. Ninguém lhe pediu para tomar para si a responsabilidade de reconstruir a cidade. Foi uma decisão que partiu dele. O compromisso de fazer a obra de Deus foi uma das grandes motivações de seu triunfo ministerial. Aqui está uma lição muito relevante: o ministério ou pastorado bem-sucedido será sempre marcado por um verdadeiro espírito de desprendimento em favor da obra de Deus. CORAGEM NA ADVERSIDADE
  • 3.
    Neemias recebe cartado rei autorizando-o a conhecer “in loco” a situação de calamidade do seu povo, 2: 7. Chegando a Jerusalém e permanecendo na cidade por três dias, ele percebe, depois de andar pelas ruas de Jerusalém, à noite, que tudo que tinha ouvido falar era verdade. A cidade estava totalmente assolada e era grande a miséria, 2: 17. Restava-lhe apenas enfrentar o desafio de revitalizar a cidade, ou seja, realizar o projeto de reestruturação de Jerusalém dado por Deus: “... o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”, v. 12. Sem dúvida, ele estava esperando somente em Deus. Depois de fazer uma criteriosa inspeção dos danos causados pelos samaritanos e calcular as despesas do projeto de reconstrução, apela ao povo (judeus) e recebe apoio total para reedificar o muro e deixar o jugo do inimigo: “... levantemo- nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem”, 2: 17 e 18. No entanto, não sabiam eles que a oposição seria grande a partir desse momento. Não faltaram críticas e zombarias à atitude desse servo de Deus: “Que é que fazeis?”, 2: 19. Percebe-se, a partir do capítulo 3, que Neemias não se intimidou nos momentos de adversidade: “Que fazem estes fracos judeus”, 4: 2. Ele rompeu com o medo e foi corajoso, ainda que o inimigo ameaçasse frustrar seus objetivos, cap. 4. O povo de Deus não se intimidou diante das afrontas. “Não os temais. Lembrai-vos do Senhor, grande e terrível, e pelejai...”, 4: 14. Coragem frente às críticas, às afrontas e insultos foi a receita para o triunfo do povo de Deus. Também em nossos dias precisamos nos valer dessa prerrogativa para vencer os desafios do ministério. CONSOLIDAÇÃO DA MISSÃO
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    O desafio trazsempre a necessidade de sonhar ou de acreditar que há uma saída diante das dificuldades. Quando Neemias soube que os muros de Jerusalém estavam fendidos e as portas queimadas, acreditou que a história do seu povo poderia ser mudada com a sua participação. Foi aí que ele decidiu reedificar tudo. Reconstruir era o grande desafio. Apesar dos que se opunham, nada impediu o avanço e conclusão da obra de Deus. O capítulo 6 diz que os inimigos conspiram e intimidam o povo de Deus e usam até de suborno para atemorizar Neemias, v. 13. Mas ele era um líder determinado e estava convicto de sua missão. É assim que precisamos ser, pois estamos fazendo uma grande obra e não podemos parar ou recuar. Neemias começou e terminou o projeto de revitalização da cidade. Tudo aconteceu em apenas cinquenta e dois dias. Todos os inimigos temeram e abateram-se muito em seus próprios olhos, porque reconheceram que a obra era de Deus e não de Neemias (dos homens), 6: 15 e 16. É muito importante começar e acabar o projeto (missão) que Deus nos confiou. Não podemos deixar nossos sonhos morrerem. Concluir o projeto ou plano que começamos a fazer é fator determinante no pastorado. Por isso, siga em frente e seja um Neemias nas mãos de Deus, um obreiro comprometido com o reino, que rompa com o medo em meio às dificuldades. Persevere na vontade de Deus. Concluindo, gostaria de dizer que há muito para se reconstruir em nossos dias, ou seja, o mundo (humanidade) está com os muros fendidos e as portas destruídas. A humanidade está em calamidade espiritual, moral e material. Deus precisa contar com mulheres e homens destemidos e determinados para refazer lares e revitalizar vidas.
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    Aprendamos com Neemiasque em momento algum retrocedeu. Bem disse Jesus: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”, Lc 9: 62. Mediante essas considerações, desejo que Deus abençoe ricamente o ministério de cada pastor e líder da IPRB, e que a unção do Santo seja sobre todos. Neemias Leva o Povo a Assumir um compromisso com Deus. By PC Amaral on segunda-feira, janeiro 02, 2012 | adoração, compromisso, estudo biblico, Jerusalém, Neemias, Obediência, Reforma, religiosidade | No comments Por causa de tudo isso, nós, o povo de Israel, estamos fazendo por escrito um acordo solene. E as nossas autoridades, os nossos levitas e os nossos sacerdotes vão assiná-lo. (Ne 9:38 – NTLH) A primeira reforma promovida por Neemias foi estrutural. A cidade passou por uma imensa reforma física, econômica e social. Já a segunda reforma foi espiritual. [1] Esta foi a mais importante. Surgiu do desejo de conhecer a palavra de Deus. O povo começou a estudar a Bíblia e orar, e os resultados vieram: choro pelo pecado, confissão e vontade de acertar-se com Deus. Então, Israel não quis ficar só nas palavras e nem na emoção do momento: decidiu fazer uma aliança com o Senhor, assumindo e registrando compromissos. Uma coisa é sermos impactados pela palavra e fazermos uma oração fervorosa de confissão, como pode ser visto no capítulo 9 de Neemias, que foi explanado no estudo anterior; outra, muito diferente, é sermos fiéis a Deus e nos mantermos assim, depois que dizemos: “Amém”. [2] Israel levou a sério aquela oração e estava decido mesmo a recomeçar. Os líderes e todo o povo fizeram um pacto solene de fidelidade. Essa atitude é desafiadora para nós hoje, pois vivemos numa época em que muitas pessoas não gostam de assumir compromissos. Neste estudo, que se baseia em Neemias 10, refletiremos sobre os participantes e os compromissos desta aliança de fidelidade feita com Deus. 1. Os participantes: O capítulo 9 termina assim: Em vista disso tudo, nós estamos
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    fazendo um acordo,por escrito (...) e assinamos este contrato (Ne 9:38 – NBV). Com essa atitude, os companheiros de Neemias estavam dizendo: “Senhor, (...) que isso signifique uma promessa selada (...). Assinaremos nossos nomes a fim de provar que manteremos a promessa”. [3] Deste modo, o capítulo que estamos estudando começa com uma lista dos nomes daqueles que selaram o documento (Ne 10:1-27). Sabe quem é o primeiro da lista? Neemias é claro! O líder deve sempre ser o exemplo, e Neemias era. Este homem não era do tipo que dizia “faça o que eu mando, mas não o que faço”. É lamentável quando o pastor quer que a igreja mude, mas ele mesmo não dá o exemplo. Também é igualmente triste pais quererem que os seus filhos assumam um compromisso que eles próprios nunca quiseram assumir. Semelhante é o caso de um líder da igreja local que exige de seus liderados comprometimento, mas ele mesmo não é comprometido. Neemias não era assim. Ele foi o primeiro a assinar e a assumir o compromisso. Além dele, apareceram mais oitenta e quatro pessoas que puseram o seu selo na aliança feita com Deus. Ali, estavam os nomes dos sacerdotes (10:2-8), dos levitas (10:9-13), dos líderes e nobres (10:14-27). Estes assinaram em nome de todo o povo. Os cidadãos comuns, mesmo não assinando o documento, concordaram e aderiram àquela aliança (10:28). Até mesmo as mulheres e as crianças, que não podiam colocar um selo pessoal num documento oficial, comprometeram-se também. Que cena magnífica: cada uma daquelas pessoas que ouviram a leitura e a explanação da palavra estava, agora, assumindo, com emoção e consciência, o compromisso de obedecer ao que lhe fora ensinado. Essa postura dos judeus concorda com o ensino de Tiago, que disse: Sede praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos (Tg 1:23-24). O apóstolo explica a razão para isso: Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era (Tg 1:23-24). Quantas vezes ouvimos a palavra, nos comprometemos com ela, mas, logo a esquecemos? É só lembrarmos as muitas promessas não cumpridas que já fizemos, a cada início de ano. Neemias e seus amigos não queriam que isso acontecesse. Não podiam esquecer o que ouviram de Deus. Decidiram praticar e, para não esquecer, revolveram anotar num documento cada atitude a ser tomada. Fizeram um juramento, que implicaria castigo ao desobediente (Ne 10:29). Hoje, “jurar” não é a melhor forma de o cristão assumir compromissos com Deus, pois os juramentos são, em linhas gerais, baseados no medo, e o Pai celeste não deseja isso de nós: ele quer que a base de nosso relacionamento com ele seja o amor. De fato, “não somos bem sucedidos em nossa vida cristã porque fazemos promessas a Deus, mas sim porque cremos nas promessas dele e agimos em função delas”. [4] Ainda que não seja necessário jurar a Deus, é dever do cristão ser comprometido com a obediência à palavra em amor. 2. Os compromissos: Anotar, a fim de não esquecer o que devemos praticar ou melhorar é um exercício precioso. Foi isso que Neemias e os demais judeus fizeram. Diante da exposição da lei de Deus, eles perceberam claramente em que estavam falhando e decidiram fazer um pacto de mudança. Em primeiro lugar, assumiram um compromisso com a obediência à palavra. Eles decidiram “andar na lei de Deus” e disseram: ... obedeceremos a tudo o que o Senhor,
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    nosso Deus, nosmanda; e cumpriremos todas as suas leis e mandamentos (Ne 10:29b). Eles elegeram a palavra de Deus como regra suprema e fizeram da obediência um projeto de vida. Que bela decisão! Em segundo lugar, assumiram um compromisso com a pureza do casamento. Jerusalém estava cercada de gentios que queriam que o remanescente do povo de Deus fizesse parte de seu meio social e econômico. A melhor maneira para isso acontecer era através dos casamentos mistos. Para os judeus, as vantagens eram muitas e a tentação era enorme. Porém, não era a vontade de Deus. Essas uniões mistas com estrangeiros idólatras eram condenadas pela lei de Deus (cf. Êx 34:12-16). O motivo para a proibição desses casamentos mistos não era racial, mas espiritual e religioso. [5] Não era uma questão de preconceito, mas de santificação do povo. Nestes casamentos, o cônjuge judeu corria um grande risco de perder a sua fé. De que forma um judeu casado com uma esposa idólatra poderia obedecer fielmente às leis cerimoniais e às leis da alimentação? Como iria educar os filhos? Em situações assim, o marido e a mulher ficavam em constante conflito e o lado judeu quase sempre cedia. Vale lembrar que casamentos mistos continuam, ainda hoje, sendo um grande problema para os filhos de Deus (1Co 7:12,13,39a; 2Co 6:14-7:1). Os jovens cristãos devem prestar atenção nisso para não sofrer no futuro. Em terceiro lugar, assumiram um compromisso com a observância do sábado. Antes de Neemias chegar, Jerusalém era uma “cidade fantasma”, uma “terra de ninguém”, mas, após a sua reedificação, tornou-se uma “terra de oportunidades”. Devido à posição geográfica estratégica da cidade e ao talento dos judeus para os negócios, muitos viam a chance de prosperar e, de fato, alguns estavam prosperando. Outros, ali, ainda estavam buscando “seu lugar ao sol” e trabalhavam por sobrevivência. Com isso, o dia do Senhor estava sendo negligenciado. Se guardassem o sábado, teriam um dia a menos para o comércio. Então, a ganância e a falta de confiança em Deus estavam levando-os a pecar. Mas decidiram que era hora de mudar. Eles afirmaram que não comprariam nada no dia de sábado (10:31a). Seriam fiéis em seus negócios; inclusive, prometeram guardar os anos sabáticos (10:31b), isto é, de sete em sete anos, fariam a terra descansar por doze meses. Foi uma grande prova de confiança e um lindo exemplo de dependência de Deus. Em quarto lugar, eles assumiram um compromisso com a manutenção da casa de Deus. Em Neemias 10:32-39, é repetida nove vezes a expressão “a casa do Senhor”. A ênfase é clara: eles decidiram dar a devida atenção à manutenção da obra. Por muito tempo, o povo havia negligenciado o lugar da adoração, mas agora seria diferente. Eles prometeram entregar as ofertas e os dízimos para o sustento dos levitas e dos sacerdotes e para o cuidado do templo. Você deve ter percebido que as questões levantadas no capítulo 10 de Neemias são bastante atuais. Em nossos dias, vemos, ainda, cristãos sofrendo por causa de casamentos mistos. Vemos, também, alguns com dificuldade na guarda do sábado, tendo que escolher entre o sustento e a fé. Para outros, a questão é a fidelidade nos dízimos e nas ofertas. Poucos gostam de rever seus conceitos, de reconhecer o erro e recomeçar. Porém, a vida cristã é marcada por recomeços. Precisamos nos consertar com Deus.
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    Aplicando a Palavrade Deus em nossa vida Não seja superficial Neemias percebeu que a reconstrução do muro era só uma parte de um longo percurso. Deveria andar, agora, sua segunda milha. [6] Por mais grandiosa que fosse a reforma feita na cidade, ainda era superficial. Perecia que tudo estava bem, mas não estava. Havia iniquidade dentro da cidade. Outra reforma era necessária, uma reforma espiritual, profunda e radical. Neemias não ficou satisfeito com a superficialidade do “muro” e levou o povo a um grande reavivamento espiritual. E nós? Que compromisso temos assumido com Deus? Como está nossa santidade? E nossa vida de oração? Superficial? Meu irmão, não se contente só com o “muro”, não fique só na aparência. Pegue a Bíblia e, com base nela, faça um exame completo de sua conduta e de seu interior (Hb 4:12). Se for preciso, recomece; volte atrás e refaça o seu pacto com Deus. Não fique somente nas palavras É triste quando os compromissos assumidos com Deus ficam apenas nas palavras. Afirmamos que vamos mudar, mas não mudamos; dizemos que vamos orar mais, e não oramos. Garantimos que iremos controlar a língua e não controlamos. Neemias não queria que isso acontecesse com Israel, e fez com que todos os líderes do povo assinassem uma aliança, com princípios de condutas. Ele não ficou só nas palavras: partiu para a ação. Se você deseja que suas promessas a Deus não sejam apenas promessas, parta para a ação. Mude sua agenda e seus hábitos. Não espere para manhã. E lembre-se: Coloque em prática a palavra de Deus, e não seja apenas ouvinte (Tg 1:22 – NBV). Não vise somente ao seu interesse O compromisso feito por Israel era admirável. Porém, significava abrir mão de muitas coisas. O povo iria perder casamentos socialmente lucrativos; teria de fechar o comércio aos sábados, perdendo “dias úteis”, e não iria mais sonegar os impostos para a manutenção do culto. Mas quem disse que ser fiel é algo fácil? Ser fiel é escolher a porta estreita; é andar na contramão do mundo; é remar contra a maré. Quem está disposto? Há cristãos que assumem compromissos com Deus e fazem promessas e votos para alcançar bênçãos e obter proveitos desse relacionamento. Mas quem está disposto mesmo a abrir mão das “vantagens”? Quem é capaz de negar a si mesmo? Talvez não agora, mas logo você verá que vale a pena, sim, servir a Deus (Mt 25:21; Ap 2:10). Conclusão Este episódio da história dos judeus nos desafia, hoje, a sermos cristãos comprometidos com a palavra de Deus e a estarmos dispostos a recomeçar. Nossa tendência é caminharmos para um afrouxamento de valores, por isso, acabamos por fazer concessões e abrir mão de alguns princípios cristãos. Por isso, de tempo em tempo, precisamos voltar à palavra e nos acertar com Deus. Que estejamos dispostos a recomeçar e a assumir compromissos com Deus.
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    Neemias 1 -Uma lição de Compromisso com Deus e o Povo Rev.Giovani Zainotte 1comment 1) Chorando pelos que sofrem Quando não se encontra quem possa chorar pelos perdidos, nem o profeta, nem o sacerdote, nem o pastor, mas somente um copeiro, somente pescadores, somente um sapateiro. Sim, falta mais sensibilidade. O sofrimento dos outros está banalizado, não nos comove. Neemias chorava por sua nação, pelo povo que sofria sem recursos e pela Sião de Deus, a casa de Deus que estava destruída. Sim, ele queria a restauração do tabernáculo e da cidade santa. O que nos falta? Falta-nos um verdadeiro avivamento que traga quebrantamentoeintensocompromissomissionário.Falamosdeavivamento,mas não o temos; temos sim animação, mas não avivamento. Com avivamento, teríamos um mover de santidade e contrição. Faltam mais profetas em nosso meio, com francas denúncias contra o pecado, chamando ao arrependimento e a santificação, e dizendo: “Assim diz o Senhor!” 2) Festas e Estratégias Sim, muita música, às vezes, muito barulho, luzes, danças e nenhuma lágrima de arrependimento, nenhuma contrição. Não aguento mais ouvir sobre estratégias. É igreja em célula, igreja com propósito, doutrina da prosperidade, entronização da arca; é apóstolo, é patriarca, é rabino. Chega! Quero só Jesus, quero o poder do Espírito Santo. Quero ver o fogo de Deus. Estratégias são meios; o fim é Deus, sua glória, seu poder. São muitos atalhos, poucos querem pagar o preço do jejum, das orações, do quebrantamento.
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    3) Enxergando anecessidade Ninguém chora sem um defunto, ninguém se enternece sem uma visão de compaixão. “ Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos. (Lc 19.41-42). Nós perdemos as lágrimas. Mulheres são violentadas, crianças assassinadas, jovens morrem com as drogas, e nós seguimos sem chorar. Jerusalém em ruínas fez Neemias chorar. O pecado e o juízo sobre o povo o fez quebrantar-se. O que nos quebrantará? Osmilharese milharesde pessoas sem Cristo precisam nos fazerchorareclamar. 4) Quando o copeiro chorou Os sacerdotes não choraram, arrumaram um acordo com os invasores. Continuaram louvando a Deus, mas estava tudo desabando. O culto era uma real alienação. Apesar dos nossos louvores e cultos abençoados, o mundo está desmoronando a nossa volta, e muitos de nós estamos ficando insensíveis. Cada vez nos tornamos mais silenciosos. Transigimos com as leis de Deus. Recuso-me a isso. 5) Angústia ou preocupação? Precisamos ser tomados de Angústia profunda, não preocupação que dá e passa, masinquietanteangústia quese transformeem amorprofundo pelos perdidos, pelos que sofrem todo o tipo de violência. Para isso, não existe alívio, há sim a alegria da salvação aover Deus agir com seu braço forte. Não faço apologia da tristeza, mas de um sentimento de insatisfação com o mundo onde vivemos, preservando a alegria, mas mantendo a angústia que é inimiga da acomodação, da resignação e da displicência. Dizendo como Paulo em 2 Coríntios 6.10: “entristecidos, mas sempre alegres, pobres, mas enriquecendo a muitos, nada tendo, mas possuindo tudo.” 6) Onde está a Igreja do Senhor Estou escandalizado de como se divide a Igreja do Senhor. Poucos atendem a oração de Jesus: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim
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    e eu emti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”(Jo17.21-23). Ou mesmo o clamor de Paulo: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todo” (Ef 4.3-6). Temos preferido existir como facção, desprezando a Palavra do Senhor. A arrogância no nosso meio chega a limites intoleráveis: igrejas do poder, igrejas dos milagres, igrejas e células, igrejas da arca, igrejas do altar, e por aí vai. Desprezam os critérios de juízo de Jesus. “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” ( Mt. 25.34-36). Isso nos mostrou que não são os milagres que vão nos levar ao céu, mas o amor, a graça, a misericórdia e a compaixão. Todos têm uma solução¨revelada¨,tentamatrairpara oseu “modelo¨, e isto divide o Corpo de Cristo: a Igreja. Muitos modelos são legítimos, mas não é isso que nos faz discípulos/as, e sim a unção de Deus e o amor com que nos amamos uns aos outros. E como discípulos/as maduros/as, frutificamos a medida de 100 por 1. 7) Entre a Igreja show e a Igreja Missionária A esse respeito temos tropeçado na tendência do mundo moderno. Temos visto maisshow eentretenimento.Ostemplos precisam de poltronas que nem teatro.O louvor precisa de instrumentos mais modernos, a iluminação põe refletores sobre os músicos
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    ou sobre opastor-animador, é imprescindível a coreografia, querem mais, e há até fumaça eoutrosartifícios.Cuidado para nãocairmosnotipo de cultoque o profeta Isaias denunciou: “Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene” (Is 1.12- 13). Já sei que muitos já estão desconfortáveis, é exagero do bispo, mas eu sinto falta da confissão de pecados, do anúncio do Juízo de Deus, da denúncia profética contra os pecados, adultério, pornografia,sexofora do casamento,mentiras,fofoca.Precisamosde pregadores que chamem o povo à santidade denunciando os pecados. Precisamos de um culto que ofereça comodidade ao rebanho, mas que o leve a comparecer perante a face de Deus. Que promova conversão e mudança de vida. O povo anseia não por ouvir palavras de ordem repetidas várias vezes, como se fossem mantras esotéricos, mas a Palavra do Deus Vivo. De pastores e pregadores que peguem fogo no púlpito por meio dos quais flui a Palavra de Jesus. Amém e Amém!