O manejo do solo envolve diversas técnicas que visam preparar adequadamente o terreno para o plantio e garantir boas condições para o desenvolvimento das plantas. A gradagem é uma dessas práticas e tem como função fragmentar e nivelar a superfície do solo. Ela pode ser pesada, quando se busca quebrar grandes torrões após a aração, embora possa causar a formação do chamado “pé-de-grade”, uma camada compactada; ou leve, quando tem a finalidade de refinar o solo e preparar o leito para as sementes.
A aração é o revolvimento mais profundo do solo, realizado por diferentes implementos. O arado de aiveca inverte a leiva e é indicado para solos leves e controle de ervas daninhas; o arado de disco é mais eficiente em solos argilosos, pedregosos ou com resíduos; o subsolador atua em maiores profundidades, reduzindo camadas compactadas; e o escarificador age em camadas mais superficiais, auxiliando na descompactação. Entre os principais benefícios da aração estão a melhoria da infiltração de água, da aeração, do desenvolvimento radicular e a redução da compactação do solo.
Existem diferentes sistemas de plantio, sendo os principais o convencional e o direto. O sistema convencional envolve a sequência de aração, gradagem, calagem, fertilização e semeadura. Apesar de tradicional, promove maior degradação do solo e gera custos mais altos com maquinário. Já o plantio direto é baseado no não revolvimento do solo, mantendo uma cobertura vegetal (palhada). Seus pilares são o mínimo revolvimento, a cobertura permanente e a rotação de culturas. Entre suas vantagens estão a redução da erosão, o aumento da matéria orgânica, a economia de combustível e o estímulo à atividade biológica do solo. Suas desvantagens incluem a dificuldade no controle de plantas daninhas, a germinação mais complexa e a necessidade de maior conhecimento técnico. Ainda assim, o plantio direto é considerado mais vantajoso a longo prazo, pois reduz custos, protege o solo e melhora a produtividade.
O uso de matéria orgânica e cobertura vegetal também é essencial. A palhada protege o solo contra a erosão, mantém a umidade, enriquece os nutrientes e estimula a atividade biológica. Já as plantas de cobertura aumentam a fertilidade, melhoram a estrutura do solo, controlam plantas invasoras e reciclam nutrientes.
Na correção do solo, duas práticas se destacam: a calagem e a gessagem. A calagem corrige a acidez, eleva o pH, fornece cálcio e magnésio e aumenta a capacidade de troca catiônica (CTC), devendo ser aplicada cerca de três meses antes do plantio. A gessagem, por sua vez, fornece cálcio e enxofre em profundidade sem alterar o pH, reduz a toxidez do alumínio, melhora o enraizamento e pode ser realizada mais próxima do plantio.