Isabel Santos
INTELIGÊNCIA
ESTRATÉGICA
Guia Básico para Organizações,
Comunidades e Territórios
I TE IG CI EST T GIC
TÍTULO:
Inteligência Estratégica.
Guia Básico para Organizações, Comunidades e Territórios
AUTOR:
Isabel Santos
© Todos os Direitos Reservados
ISBN:
978-989-20-5763-7
EDIÇÃO:
Lisboa
Abril de 2015
DESIGN E CAPA:
Patrícia R. Santos – www.psdesign.org
6
I TE IG CI EST T GIC
Sobre o Autor
Isabel Santos tem experiência e formação
em Inteligência Estratégica e Prospectiva.
7
I TE IG CI EST T GIC
Dedicado aos meus irmãos.
9
I TE IG CI EST T GIC
Agradecimentos
Aos meus pais
11
I TE IG CI EST T GIC
The secret of Happiness is Freedom
The secret of Freedom is Courage1
1 Baseado na Oração Fúnebre de Péricles aos atenienses, conforme registada na “História da Guerra do Peloponeso”
de Tucídides. Ver fonte de informação nas Referência Bibliográficas.
13
I TE IG CI EST T GIC
ÍNDICE
LISTA DE FIGURAS 19
PREFÁCIO 23
PERGUNTAS E RESPOSTAS RÁPIDAS 25
INTRODUÇÃO 29
ESTRUTURA E CAPÍTULOS 31
1. INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA: VISÃO GERAL 37
DEFINIÇÕES E ORIGENS 37
INFLUÊNCIAS E SINERGIAS 44
Gestão do Conhecimento (GC) e IE 46
IE/CI e Estratégia 49
Guerra e IE 53
IE e Prospectiva 56
O CICLO DE IE/CI: UM CICLO ENTRE MUITOS 58
Dados, Informação eIntelligence 60
A INVESTIGAÇÃO EM IE 62
Organizar e Planear 66
Contingências da Investigação 68
Investigador de IE: que perfil? 70
CONCLUSÃO 71
2. O QUE VIGILAR 72
O CONTEXTO COMO FONTE DE SINAIS 72
O QUE VIGILAR: NECESSIDADES CRÍTICAS DE INTELLIGENCE 79
Factores Críticos de Sucesso (FCS) 81
Key Intelligence Topics (KITs) 86
Cinco Forças da Indústria 88
Outras Abordagens 91
O SISTEMA DE ALERTA ANTECIPADO 92
CONCLUSÃO 97
15
I TE IG CI EST T GIC
3. FONTES E INFORMAÇÃO 98
FONTES E INFORMAÇÃO: VISÃO GERAL 98
Selecção de Fontes 100
Recolha de Informação 102
Documentos públicos não Publicados 107
Observação em IE 109
Validade da Informação 113
‘ELICITATION’ 117
A WORLD WIDE WEB COMO FONTE DE INFORMAÇÃO 123
Análise Sentimental e Social Media 130
Credibilidade da Informação 133
CONCLUSÃO 137
4. ANÁLISE 138
ORGANIZAR A INFORMAÇÃO 138
‘BIAS’ E ENVIESAMENTOS 141
Criatividade, Imaginação 150
A ANÁLISE 152
TÉCNICAS E MÉTODOS DE ANÁLISE 156
1 – ANÁLISE DA CADEIA DE VALOR DE PORTER 158
2 – ANÁLISE DA CADEIA GLOBAL DE VALOR DE KAPLINSKY 160
3 – ANÁLISE DAS CINCO FORÇAS DA INDÚSTRIA DE PORTER 162
4 – ANÁLISE DE HIPÓTESES CONCORRENTES (AHC) 164
5 – ANÁLISE DE STAKEHOLDERS 166
6 – ANÁLISE DO CICLO DE VIDA DA INDÚSTRIA/ PRODUTO 168
7 – ANÁLISE DOS QUATRO CANTOS DE PORTER 170
8 – ANÁLISE PESTA. 172
9 – ANÁLISE TOWS. FORÇAS, FRAQUEZAS, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS 174
10 – BALANCE SCORECARD (BS) 176
11 – ESTRATÉGIAS GENÉRICAS DE PORTER 178
12 – JOGOS DE GUERRA – “WAR GAMES” 180
13 – MAPA DE UTILIDADE DO COMPRADOR 182
14 – MATRIZ ARTHUR D. LITTLE 184
15 – MATRIZ DE ANSOFF 186
16 – MATRIZ BOSTON CONSULTING GROUP (BCG) 188
17 – MATRIZ DE CENÁRIOS 190
18 – MAPAS CONCEPTUAIS E MENTAIS 193
16
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19 – ‘ROADMAPS’ ESTRATÉGICOS 195
20 – TEORIA DO U 198
CONCLUSÃO 200
5. COMUNICAR INTELLIGENCE 201
O DECISOR: CLIENTE DE INTELLIGENCE 201
Produtos de Intelligence 204
Comunicar Intelligence 209
CONCLUSÃO 211
6. TECNOLOGIAS DE IE 212
SISTEMAS DE COMPETITIVE INTELLIGENCE 212
Tecnologias de IE 221
Big Data e as Tecnologias Analytics 224
Outras Tecnologias 229
› A abordagem DOMEX 229
› TIACRITIS 231
› Jogos para a actividade de Inteligência 231
CONCLUSÃO 233
7. SEGURANÇA E CONTRA-INTELIGÊNCIA 234
ESPIONAGEM E SEGURANÇA EM IE 234
CONTRA-INTELIGÊNCIA 240
Experiências na protecção de activos contra a Espionagem Económica 244
OS DESAFIOS DA TECNOLOGIA 246
The Internet of Things 247
Sistemas Biométricos 250
A Tecnologia Wearable 253
CONCLUSÃO 255
8. ABORDAGENS DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 256
ISO 31000: UMA NORMA DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA? 256
Definições, Princípios e Componentes 257
Perfis, Responsabilidades e Funções 263
Aproximações à Inteligência Estratégica 264
INTELIGÊNCIA ECONÓMICA: A ABORDAGEM FRANCESA DA IE 267
A Inteligência Económica na França de hoje 277
17
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Conceitos de Inteligência Económica 281
Segurança Económica na Inteligência Económica 282
A Influência na Inteligência Económica 286
As PMEs e a Inteligência Económica 290
O Ensino da Inteligência Económica 291
Novos caminhos da Inteligência Económica. Um modelo a seguir? 293
CONCLUSÃO 298
9. INOVAÇÃO, TERRITÓRIO E INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 299
INOVAÇÃO E SISTEMAS DE INOVAÇÃO 299
Sistemas de Inovação 302
O Modelo Triple Helix 304
Clusters Industriais 307
O papel da Informação na Inovação 309
A INTELIGÊNCIA TERRITORIAL 312
Uma ferramenta de Desenvolvimento Territorial 314
CEBATE: IE NA INOVAÇÃO TERRITORIAL 318
CONCLUSÃO 323
10. APLICAÇÕES DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 325
VIGILAR A CONCORRÊNCIA 325
RECOMENDAÇÕES E OUTRAS APLICAÇÕES DE IE 330
CONCLUSÃO 333
11. CONCLUSÃO 334
IE NUM MUNDO QUE NÃO COMPREENDEMOS 334
REFERÊNCIAS 338
18
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LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1. Designações para IE/CI. Alguns exemplos 39
FIGURA 2. Definições da IE/CI. Alguns exemplos 41
FIGURA 3. Pontos de Sinergia entre GCe IE 48
FIGURA 4. Contributos da IE para as várias abordagens da Estratégia 51
FIGURA 5. O Ciclo de Intelligence 59
FIGURA 6. Posição Epistemológica e Metodológica nos paradigmas de investigação em Ciências Sociais 61
FIGURA 7. Uma visão empírica do Ciclo de IE e as suas actividades ) 64
FIGURA 8. Dois modos de abordar a Identificação das Necessidades deIntelligence 65
FIGURA 9. Sinais de Mercado segundo Michael Porter 76
FIGURA 10. Diferenças entre a informação corrente e um Sinal de Alerta Precoce. 77
FIGURA 11. Identificação de Necessidades de ‘Intelligence’ a partir dos FCS. 83
FIGURA 12. Acções e Decisões Estratégicas. Alguns exemplos 87
FIGURA 13. Tópicos para Alertas Antecipados. Alguns exemplos 87
FIGURA 14. Protagonistas-chave no Mercado. Alguns exemplos 87
FIGURA 15. Modelo das Cinco Forças 89
FIGURA 16. Identificação de Necessidades deIntelligence a partir das 5 forças da Indústria 90
FIGURA 17. Cinco (5) Questões Básicas. 91
FIGURA 18. Componentes básicos de um Sistema de Inteligência Estratégico (SIE) ou... 94
FIGURA 19. Tipos de fontes em IE (com base na literatura) 99
FIGURA 20. Três exemplos de motores para Pesquisa Federada na web 127
FIGURA 21. Avaliar fontes de informação na web. Questões básicas para web sites. 133
FIGURA 22. Abordagem genérica à Análise 152
FIGURA 23. Cadeia de Valor de Porter 158
FIGURA 24. Variáveis de Análise na Cadeia Global de Kaplinsky 161
FIGURA 25. As Cinco Forças da Indústria de Porter 162
FIGURA 26. Grelha para Análise de Hipóteses Concorrentes 164
FIGURA 27. Grelha para uma Análise de Stakeholders 166
FIGURA 28. Matriz de Análise do Ciclo de Vida da Indústria/Produto) 169
FIGURA 29. Análise dos Quatro Cantos de Porter. 170
FIGURA 30. Grelha de análise PESTA. Exemplo da variável política. Unidade de análise: empresa 172
FIGURA 31. Análise TOWS 175
19
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FIGURA 32. Quadro para Análise Balance Scorecard 176
FIGURA 33. Estratégias Genéricas Competitivas de Porter 178
FIGURA 34. Componentes-chave numa Análise War Game 181
FIGURA 35. Mapa de Utilidade do Comprador 182
FIGURA 36. Matriz Arthur D. Little 185
FIGURA 37. Matriz de Ansoff 187
FIGURA 38. Matriz Boston Consulting Group 188
FIGURA 39. Matriz de Cenários 190
FIGURA 40. Início de um Mapa Conceptual sobre Fontes de IE 193
FIGURA 41. Início de um Mapa Mental sobre Fontes de IE 194
FIGURA 42. Arquitectura simplificada de um ‘Roadmap’ Estratégico 197
FIGURA 43. Espiral da Teoria do U 199
FIGURA 44. Os 10 papéis do(a) líder/gestor(a) segundo Henry Mintzberg 202
FIGURA 45. Componentes genéricas de um Protocolo de Produtos de IE 208
FIGURA 46. Requisitos de um sistema tecnológico de CI em cada fase do Ciclo de Inteligência 217
FIGURA 47. Uma selecção de Ferramentas e Tecnologias aplicáveis em IE/CI. Exemplos 222
FIGURA 48. Linhas de investigação emergentes nos segmentos Analytics 227
FIGURA 49. Tipos de informação alvo de Espionagem Económica 238
FIGURA 50. O Ciclo de Contra – Inteligência 241
FIGURA 51. A Internet das Coisas. Exemplos de aplicações 248
FIGURA 52. Tecnologias Biométricas com linhas de investigação em curso 251
FIGURA 53. O Ciclo de Gestão de Risco conforme a norma ISO 31000: 2009 258
FIGURA 54. ISO 31000:2009 e IE. Comparação de componentes estruturais 265
FIGURA 55. Cinco níveis da Inteligência Económica em França 268
FIGURA 56. As propostas do Relatório Carayon. Exemplos em duas áreas. 275
FIGURA 57. Actores e actividades na Inteligência Económica em França. O caso dos Ministérios 279
FIGURA 58. As 5 macro temáticas pedagógicas do Ensino da Inteligência Económica 292
FIGURA 59. Dez tipos de Inovação segundo a consultora Doblin 300
FIGURA 60. Componentes do Sistema Nacional de Inovação Português 305
FIGURA 61. Modelo de Inovação Triple Hélix 306
FIGURA 62. Dimensões a considerar na análise e vigilância de um concorrente 329
PERGUNTAS & RESPOSTAS RÁPIDAS
1 – O que é a Inteligência Estratégica?
A Inteligência Estratégica (IE) é o processo sistemático e contínuo de recolher
e analisar informação sobre o contexto externo duma organização, comunida-
de ou território, com o objectivo de identificar indicadores de mudança (ris-
cos, tendências e oportunidades) com impacto estratégico. O fim último da IE
é apoiar a decisão e a acção no médio e longo prazo.
2 – Ok. Duma maneira simples: o que é a Inteligência Estratégica?
A IE é um processo que permite antecipar eventos com impacto a médio
e longo prazo na vida das pessoas, organizações, comunidades ou territórios, isto
é, eventos que podem alterar profundamente a sua evolução numa qualquer
direcção ou sentido.
3 – Que processo é esse exactamente?
É a recolha e analise contínua de informação sobre ambiente externo onde as
organizações, comunidades e territórios desenvolvem as suas actividades.
4 – O que é o Ambiente Externo?
O ambiente externo é o contexto onde qualquer organização, comunidade ou
território se situa, prossegue os seus fins e desenvolve a sua actividade ou o seu
negócio.
5 – Dê um exemplo.
O ambiente envolvente externo de uma pequena organização: o Restaurante
Marisqueira M45. O seu ambiente externo é a rua, o bairro e a freguesia onde )
se situa. Tudo o que acontece nesse espaço físico num dado horizonte temporal,
25
e os actores individuais e colectivos que nele se movimentam, assim como as
suas acções e interacções, têm impacto maior ou menor na actividade do M45.
Mas não só. Se o proprietário do Restaurante M45 quiser acautelar o futuro do
seu negócio, ou seja, perspectiva-lo estrategicamente, terá que olhar para além
dessas fronteiras, e dar atenção ao que acontece na cidade, no país e até no
continente onde esta localizado o seu restaurante, no médio e no longo prazo
e aos actores individuais e colectivos que se movimentam nesse amplo contexto.
8 – Dar atenção a isso tudo é muita coisa. Muita informação.
Pois. Por isso é que ele não dá atenção a ‘tudo’. Ele só dá atenção a ‘tudo’ o que
tem impacto no seu negócio.
9 – Dê um exemplo.
Por exemplo, se o seu produto de venda principal é o marisco, designadamente,
uma determinada espécie de marisco, ele deverá, em princípio, preocupar-se
com as questões-chave desse produto na perspectiva do seu negócio: quem pro-
duz, onde e como produz, quem vende, onde e como vende, quem distribui,
onde e como distribui e por aí adiante. Esse acompanhamento pode permi-
tir-lhe antecipar, por exemplo, quando pode haver um problema (uma rotura
estrutural no fornecimento da espécie de marisco que comercializa na ementa
do seu restaurante) ou uma oportunidade (descobrir que há uma nova técnica
para cozinhar aquela espécie específica de marisco que potencia benefícios para
a saúde dos consumidores, facto que pode usar para diferenciar o seu negócio
e atrair clientes). Ao mesmo tempo, ele não terá que se preocupar com um pro-
duto ou serviço que não vende. Outro negócio terá essa preocupação.
10- Quando se diz ‘dar atenção’ quer se significar efectuar IE…
Sim. Efectuar a recolha e análise de informação de modo sistemático. Fazer
vigilância sobre o que é relevante para uma actividade ou negócio.
11 – E por quanto tempo tem que ser efectuada essa vigilância?
Enquanto existir a organização. Portanto, em todo o ciclo de vida do negócio
ou da actividade.
26
12 – Há algum método concreto para desenvolver a Inteligência Estratégica?
Sim. Há um processo que é, ao mesmo tempo, um método: é o Ciclo de Inte-
ligência.
13 – O Ciclo de Inteligência?
Significa, de maneira simples, o processo contínuo e sistemático (Ciclo) que
permite produzir Inteligência. A ‘inteligência’ é a informação transformada,
depois de recolhida e analisada, que tem essa capacidade de antever no presen-
te, o perfil e movimento de forças que moldarão o futuro da sociedade como
um todo, ou de uma dimensão específica da sociedade
14 – Resumidamente como funciona esse Ciclo de Inteligência?
Primeiro: definem-se os tópicos que merecem ser alvo de vigilância; Segun-
do: recolhe-se a informação necessária sobre esses tópicos; Terceiro: analisa-se
a informação que foi recolhida; Quarto e finalmente: comunica-se a quem de-
cide o que a análise da informação revelou. Isto é, comunica-se a ‘intelligence’
(inteligência) que foi produzida.
15 – O que é que a ‘intelligence’ pode revelar de tão importante a quem
decide?
Pode revelar riscos ou ameaças que ainda não se manifestaram mas que estão
emergentes, isto é, prestes a acontecer. E também pode revelar oportunidades
latentes e não explícitas que podem ser aproveitadas por quem tiver conheci-
mento delas em primeiro lugar ou antes dos outros.
16 – Adoptar essa ferramenta exige custos ou investimentos elevados?
Não. A Inteligência Estratégica tanto pode ser desenvolvida com recursos com-
plexos e de elevado investimento, como com instrumentos muito simples e cus-
tos que, em alguns casos, podem chegar a ser quase nulos.
27
17 – E que instrumentos são esses?
Os instrumentos básicos são três: Conhecimento em IE, pessoas que dominem
esse conhecimento, e algumas ferramentas operacionais que incluem fontes de
informação e tecnologias, desde a mais simples como a Internet até software de
análise de informação mais sofisticado.
18- E que entidades podem efectuar Inteligência Estratégica?
Todo o tipo de organizações públicas ou privadas, com fins lucrativos e não
lucrativos, de grande ou pequena dimensão, todo o tipo de comunidades, todo
o tipo de regiões ou territórios, podem e devem desenvolver este processo como
instrumento para enfrentar a complexidade.
19- Numa escala de 1 a 5, qual diria que é o grau de necessidade em adoptar
esta ferramenta?
O grau máximo: 5. No tempo em que vivemos de acelerada Mudança e eleva-
dos níveis de Complexidade, as organizações e instituições precisam de ferra-
mentas como esta para garantir não só a sua sobrevivência mas também a sua
sustentabilidade.
28
INTRODUÇÃO
Este livro é sobre uma prática e uma disciplina que permite a qualquer actor,
individual ou colectivo, usar a informação como um instrumento construtor de
capacidades, o tipo de capacidades, que permite, a esses actores, perspectivar
o médio e o longo prazo com maior sustentabilidade, podendo torna-los assim
mais aptos a lidar com os desafios da Complexidade e da Mudança.
Essa prática e disciplina é a Inteligência Estratégica.
A primeira tese académica produzida em Portugal sobre esta área surgiu em
19972
e o primeiro livro publicado em Portugal surgiu em 20023
.
O surgimento destes primeiros trabalhos representarão, provavelmente, os pri-
meiros contactos da realidade portuguesa com esta disciplina, embora de forma
muito tímida, dado que, após o seu aparecimento o que parece ter-se seguido
é um longo período de estagnação (se assim o podemos designar) onde apenas
os primeiros interessados e mais alguns que, pontualmente, entretanto emergi-
ram, se dedicaram, de alguma forma, ao estudo ou à prática deste domínio de
actividade.
O presente livro deriva dessa constatação e é o resultado da perspectiva da au-
tora (das suas leituras, aprendizagens, interesses, e algumas noções do seu po-
sicionamento e experiência) sobre esta prática e disciplina até recentemente 4
tão pouco merecedora de atenção, e foi elaborado com a intenção de contribuir,
2 “Economic Intelligence in University Industry Interactions”. Ana Paula Amorim Marques. Tese de Mestrado. Universidade do
Minho.
3 “Competitive Intelligence. Conceitos, Práticas e Benefícios”. Miguel Duarte Ferreira e João Pedro Taborda. Editora Pergaminho.
Cascais, 2002.
4 Começamos a ver alguma recuperação desta temática talvez desde cinco ou seis anos a esta parte. Refiro a esse propósito e como
indicadores dessa alteração, o surgimento em 2008 da Comunidade Portuguesa deCompetitive Intelligence (CPCI), a inserção da
disciplina de Competitive Intelligence em algum ou outro curso de pós-graduação universitário e, mais recentemente (Dezembro de
2014), o arranque da representação portuguesa daStrategic and Competitive Intelligence Professional Association, sob a designação de
SCIP Portugal.
29
por um lado, para a divulgação desta área junto de um público mais indiferen-
ciado, mas também, para funcionar como um manual básico introdutório, di-
reccionado aqueles que desejam iniciar-se neste ramo profissional e disciplinar.
Porque se trata de uma entre várias perspectivas possíveis na abordagem da Inte-
ligência Estratégica, a autora gostaria que este livro funcionasse também como
um convite, ou (se se quiser) uma sugestão a outros profissionais e estudiosos
para que desenvolvam também as suas reflexões sobre o assunto, e as partilhem,
permitindo assim fortalecer este domínio de actividade com dois valores que
a autora considera cada vez mais importantes no tempo em que vivemos:
a pluridisciplinaridade e a transdisciplinaridade.
A Inteligência Estratégica (ou Inteligência Competitiva como também é co-
nhecida) é correntemente mencionada como um instrumento para fomentar
a Competição no mercado, integrando essa ideia o respectivo agitar de posições
e atitudes que tal condição envolve: vigilar, defender, atacar, contra-atacar, pro-
teger, etc. Essa condição é possível de ser fomentada nesta disciplina, graças
(pensa a autora) não só ao óbvio domínio e predomínio do paradigma de livre
transacção de bens e serviços que hoje permeia a maioria das economias a esca-
la global, mas também, devido às capacidades da própria ferramenta (a IE) que
demonstra como a informação é um poderoso recurso estratégico e pode servir
bem o funcionamento desse paradigma se usada enquanto tal.
Mas esse é apenas um ponto de vista possível no modo de aplicar esta ferra-
menta.
Para a autora, a perspectiva é outra: a Inteligência Estratégica é, essencialmente,
um instrumento para fomentar a Inovação numa abordagem sistémica, isto é,
onde os actores envolvidos cooperam e, com a ajuda da informação (aqui, na
mesma condição, um recurso estratégico) conseguem criar coisas novas que
contribuem para o bem-estar social. Se daí resulta que esses actores (individual
ou colectivamente) acabam por fortalecem as suas condições de Competitivi-
dade, ainda melhor.
O resultado ‘estrela’ da sua aplicação, não é, contudo, a competitividade, mas
a capacidade de fomentar a Inovação por via de um trabalho concertado de
cooperação, assente numa dinâmica sistémica, que torna mais sustentável o que
é concebido, criado e materializado, o que nesta lógica é possível pelo facto de,
30
o que nasce de novo, ter os seus fundamentos assentes numa reflexão criativa
e prospectiva das forças várias que moldam a evolução das sociedades. Essa re-
flexão criativa e prospectiva é o resultado tangível que a Inteligência Estratégica
proporciona: é a ‘intelligence’.
ESTRUTURA E CAPÍTULOS
Este livro organiza-se através de um conjunto de capítulos, do seguinte modo:
• O Capítulo 1 apresenta uma visão geral da IE enquanto prática e discipli-
na, as suas diferentes definições e designações, as suas origens históricas,
as influências que recebe de outras áreas de Conhecimento, o modelo
que a corporiza (denominado Ciclo de Inteligência), e algumas questões
que se colocam na prática concreta de investigação em IE.
• O Capítulo 2 apresenta aquela que é, simultaneamente, a primeira ac-
tividade do processo de IE e a primeira fase do Ciclo de Inteligência:
a Identificação das Necessidades Críticas de ‘Intelligence’, que, por sua
vez, dá o nome ao sub-capítulo com a expressão “O que Vigilar”. Aqui
é explicado que o processo de IE – que se traduz na recolha e análise
sistemática de informação – não efectua essa recolha e análise de forma
indiferenciada: precisa de definir áreas de interesse com relevância estra-
tégica que serão o foco de atenção dessas actividades. A definição dessas
áreas é feita através de aplicação de uma espécie de filtros – que desig-
namos ‘grelhas’ – que isoladamente ou combinadas, permitem distinguir
tais focos de relevância, isto é, permitem identificar as Necessidades de
‘Intelligence’. O instrumento operacional que permite efectuar posterior-
mente essa monitorização é o Sistema de Alerta Antecipado (com a aju-
da de vários recursos: pessoas, Conhecimento e tecnologia) e um concei-
to com importância particular: o conceito de Sinais. Ambos tópicos são
também tratados neste capítulo.
• O Capítulo 3 desenvolve-se em torno da matéria-prima da IE: a infor-
mação. A informação e as fontes de onde tem origem são qualificadas
como primárias, secundárias, internas e externas, e esta tipologia obriga
o investigador a seguir procedimentos concretos no modo de descobrir,
aceder e tratar essa informação. Essas actividades não estão isentas de de-
safios que podem questionar a validade e credibilidade desta que é a ma-
31
téria-prima de IE, e o investigador tem de encontrar procedimentos de
trabalho que lhe permitam atenuar os riscos que esses desafios colocam.
• O Capítulo 4 trata da 3ª fase do Ciclo de Inteligência: a Análise da infor-
mação. A Análise é o momento em que a informação em bruto é sujeita
ao crivo do pensamento crítico, analítico e criativo do investigador para
produzir a ‘intelligence’. O capítulo aborda todos os momentos que en-
volvem esta actividade: desde a fase em que a informação é organizada
para ser trabalhada na Análise, passando pelo questionamento crítico dos
filtros cognitivos que podem deturpar o trabalho de reflexão (os ‘Bias’ ou
Enviesamentos), até a Análise propriamente dita, em que, com a ajuda
de ferramentas criativas e de análise estratégica, a informação é transfor-
mada numa base de Conhecimento prospectivo a partir da qual é possí-
vel apoiar a decisão dos líderes: isto é, é transformada em ‘intelligence’.
Um roteiro breve de 20 Técnicas de IE é apresentado em modo de fichas
operacionais, para ajudar o investigador a iniciar-se no desenvolvimento
desta exigente tarefa.
• O Capítulo 5 aborda a Comunicação de Inteligência, o momento em
que os líderes tomam conhecimento dos resultados da investigação de IE
(isto é, tomam conhecimento da ‘intelligence’) através do esforço comu-
nicacional desenvolvido pelo investigador ou equipa de investigadores.
Falamos de ‘esforço’ porque é disso que se trata. Comunicar ‘intelligen-
ce’ exige do investigador o uso de recursos tangíveis (meios, formatos
e canais para veicular a sua mensagem) e intangíveis (motivação, estilos
comunicacionais, aspectos culturais, outras variáveis) que permitem ini-
ciar a consolidação do fecho do trabalho de investigação. Iniciar, porque,
tal trabalho, só está verdadeiramente terminado quando o investigador
obtém, da parte do decisor que escuta/recebe a sua mensagem, alguma
informação de retorno da ‘intelligence’ que lhe foi comunicada, isto é,
obtém o feedback, da liderança cuja tomada de decisão pretende apoiar.
• O Capítulo 6 trata do tópico ‘Tecnologias de IE’. Há mais de 20 anos
que parece existir uma espécie de ‘busca do Santo Graal’ neste domínio:
a tentativa de desenvolver ou simplesmente encontrar um sistema tec-
nológico capaz de automatizar por inteiro todo o Ciclo de ‘Intelligence’.
Os factos revelam, no entanto, que até agora tal não tem sido inteira-
mente possível. Mas talvez isso esteja prestes a mudar, a medida que os
desenvolvimentos tecnológicos em áreas como a Inteligência Artificial
venham sendo incorporados em produtos e serviços passíveis de entrar
32
no mercado a preços cada vez mais competitivos. Esses novos produtos )
baseados neste tipo de competências tecnológicas tornarão, muito pro-
vavelmente, o processo de Análise uma tarefa cada vez menos humana,
ou seja, cada vez mais automatizada em muitos, ou mesmo em todos
os seus aspectos.
• O Capítulo 7 aborda as questões de Segurança da Informação, desig-
nadamente, os desafios da Espionagem Económica em muitas das suas
vertentes. A Espionagem Económica é o roubo de riqueza em forma de
informação e, estando hoje a informação – das pessoas e organizações –
cada vez mais digitalizada, esse património pessoal e organizacional en-
contra-se cada vez mais vulnerável. Novamente a tecnologia coloca aqui
algumas oportunidades, mas, como assinalamos nesse capítulo, muitos
mais riscos. A Contra- Inteligência pode ser um modo de contornar al-
guns destes riscos e desafios e dela também falamos neste capítulo.
• O Capítulo 8 desenvolve-se em torno do que designamos de ‘Aborda-
gens de IE’. Destacamos uma primeira abordagem: a Inteligência Eco-
nómica (o ‘modo francês’ de desenvolver a Inteligência Competitiva ou
Inteligência Estratégica) e sobre ela desenvolvemos uma reflexão com
algum detalhe, mencionando aspectos históricos, as especificidades que
a distinguem, o modo como diversos perfis de actores se congregam para
a sua concretização e alguns desenvolvimentos recentes a seu propósito.
O segundo tópico neste capítulo é dedicado à uma segunda abordagem
que descobrimos ter muito significativas semelhanças com o processo de
Inteligência Estratégica (daí termos decidido inclui-la nesta classificação
de ‘Abordagens de IE’ ) mas que se apresenta sob uma designação bem
diferente: a Norma ISO 3100 de Gestão de Risco.
• O Capítulo 9 é dedicado a temática: Inovação, Território e Inteligência.
Na verdade são três temáticas, mas é a sua interligação que ocupa aqui
a nossa reflexão. É uma reflexão feita na tentativa de ilustrar as muito rele-
vantes sinergias que podem ser potenciadas da combinação dessas áreas.
A ideia que atravessa esta reflexão e sumariza este capítulo é simples:
a Inteligência Estratégica é um estratégico instrumento para fomentar
a Inovação e o Desenvolvimento, quer na dimensão empresarial/organi-
zacional, quer na dimensão do Território.
• O Capítulo 10 lança um brevíssimo olhar sobre aplicações de Inteligên-
cia Estratégica. Começa com a Vigilância da Concorrência uma apli-
cação que autora não pode deixar de incluir por ser uma abordagem
33
amplamente conhecida nesta área, em particular, quando classificada
como Inteligência Competitiva (Competitive Intelligence). Contudo,
a autora considera esta, apenas uma, das muitas e variadas aplicações
que a IE é capaz de potenciar, sendo algumas dessas outras aplicações
sugeridas muito brevemente no resto deste capítulo.
• O capítulo dedicado à Conclusão fecha o percurso desenvolvido ao lon-
go do presente livro, destacando a ideia da Inteligência Estratégica como
uma ferramenta que contribui, por um lado, para o desenvolvimento de
uma reflexão mais integrada da realidade (o que Edgar Morin designa
como a exigência de um ‘Pensamento Complexo’) e, por outro, como
uma disciplina que pode assumir-se também enquanto instrumento pas-
sível de apoio ao desenvolvimento sustentando de organizações, institui-
ções, comunidades, permitindo-lhes enfrentarem com mais resiliência
os desafios da Complexidade, uma ideia que apresentamos baseando-nos
no conceito de ‘Antifragilidade’ desenvolvido por Nassim Taleb, um dos
autores que, em anos mais recentes, também se tem dedicado a pensar as
questões da Complexidade.
Para os profissionais experimentados em Inteligência Competitiva ou Estratégica,
este livro será certamente uma revisão, (esperamos não muito maçadora) de ideias
e conceitos, pontuada com alguns desenvolvimentos recentes que poderão consi-
derar interessantes.
Para os outros (não experimentados, não conhecedores e público em geral poten-
cialmente interessado) este livro será certamente uma apresentação introdutória
útil e (esperamos também) ainda válida num horizonte de médio prazo, que lhes
permitirá iniciar-se no desenvolvimento desta actividade.
Uma coisa é certa: a autora procurou que todos os leitores retirassem algum benefí-
cio do tempo dedicado a leitura deste livro.
Esperamos tê-lo conseguido.
Lisboa, Abril 2015.
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Livro inteligencia estratégica e Competitive Intelligence

  • 2.
    Isabel Santos INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA Guia Básicopara Organizações, Comunidades e Territórios
  • 3.
    I TE IGCI EST T GIC TÍTULO: Inteligência Estratégica. Guia Básico para Organizações, Comunidades e Territórios AUTOR: Isabel Santos © Todos os Direitos Reservados ISBN: 978-989-20-5763-7 EDIÇÃO: Lisboa Abril de 2015 DESIGN E CAPA: Patrícia R. Santos – www.psdesign.org 6
  • 4.
    I TE IGCI EST T GIC Sobre o Autor Isabel Santos tem experiência e formação em Inteligência Estratégica e Prospectiva. 7
  • 5.
    I TE IGCI EST T GIC Dedicado aos meus irmãos. 9
  • 6.
    I TE IGCI EST T GIC Agradecimentos Aos meus pais 11
  • 7.
    I TE IGCI EST T GIC The secret of Happiness is Freedom The secret of Freedom is Courage1 1 Baseado na Oração Fúnebre de Péricles aos atenienses, conforme registada na “História da Guerra do Peloponeso” de Tucídides. Ver fonte de informação nas Referência Bibliográficas. 13
  • 8.
    I TE IGCI EST T GIC ÍNDICE LISTA DE FIGURAS 19 PREFÁCIO 23 PERGUNTAS E RESPOSTAS RÁPIDAS 25 INTRODUÇÃO 29 ESTRUTURA E CAPÍTULOS 31 1. INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA: VISÃO GERAL 37 DEFINIÇÕES E ORIGENS 37 INFLUÊNCIAS E SINERGIAS 44 Gestão do Conhecimento (GC) e IE 46 IE/CI e Estratégia 49 Guerra e IE 53 IE e Prospectiva 56 O CICLO DE IE/CI: UM CICLO ENTRE MUITOS 58 Dados, Informação eIntelligence 60 A INVESTIGAÇÃO EM IE 62 Organizar e Planear 66 Contingências da Investigação 68 Investigador de IE: que perfil? 70 CONCLUSÃO 71 2. O QUE VIGILAR 72 O CONTEXTO COMO FONTE DE SINAIS 72 O QUE VIGILAR: NECESSIDADES CRÍTICAS DE INTELLIGENCE 79 Factores Críticos de Sucesso (FCS) 81 Key Intelligence Topics (KITs) 86 Cinco Forças da Indústria 88 Outras Abordagens 91 O SISTEMA DE ALERTA ANTECIPADO 92 CONCLUSÃO 97 15
  • 9.
    I TE IGCI EST T GIC 3. FONTES E INFORMAÇÃO 98 FONTES E INFORMAÇÃO: VISÃO GERAL 98 Selecção de Fontes 100 Recolha de Informação 102 Documentos públicos não Publicados 107 Observação em IE 109 Validade da Informação 113 ‘ELICITATION’ 117 A WORLD WIDE WEB COMO FONTE DE INFORMAÇÃO 123 Análise Sentimental e Social Media 130 Credibilidade da Informação 133 CONCLUSÃO 137 4. ANÁLISE 138 ORGANIZAR A INFORMAÇÃO 138 ‘BIAS’ E ENVIESAMENTOS 141 Criatividade, Imaginação 150 A ANÁLISE 152 TÉCNICAS E MÉTODOS DE ANÁLISE 156 1 – ANÁLISE DA CADEIA DE VALOR DE PORTER 158 2 – ANÁLISE DA CADEIA GLOBAL DE VALOR DE KAPLINSKY 160 3 – ANÁLISE DAS CINCO FORÇAS DA INDÚSTRIA DE PORTER 162 4 – ANÁLISE DE HIPÓTESES CONCORRENTES (AHC) 164 5 – ANÁLISE DE STAKEHOLDERS 166 6 – ANÁLISE DO CICLO DE VIDA DA INDÚSTRIA/ PRODUTO 168 7 – ANÁLISE DOS QUATRO CANTOS DE PORTER 170 8 – ANÁLISE PESTA. 172 9 – ANÁLISE TOWS. FORÇAS, FRAQUEZAS, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS 174 10 – BALANCE SCORECARD (BS) 176 11 – ESTRATÉGIAS GENÉRICAS DE PORTER 178 12 – JOGOS DE GUERRA – “WAR GAMES” 180 13 – MAPA DE UTILIDADE DO COMPRADOR 182 14 – MATRIZ ARTHUR D. LITTLE 184 15 – MATRIZ DE ANSOFF 186 16 – MATRIZ BOSTON CONSULTING GROUP (BCG) 188 17 – MATRIZ DE CENÁRIOS 190 18 – MAPAS CONCEPTUAIS E MENTAIS 193 16
  • 10.
    I TE IGCI EST T GIC 19 – ‘ROADMAPS’ ESTRATÉGICOS 195 20 – TEORIA DO U 198 CONCLUSÃO 200 5. COMUNICAR INTELLIGENCE 201 O DECISOR: CLIENTE DE INTELLIGENCE 201 Produtos de Intelligence 204 Comunicar Intelligence 209 CONCLUSÃO 211 6. TECNOLOGIAS DE IE 212 SISTEMAS DE COMPETITIVE INTELLIGENCE 212 Tecnologias de IE 221 Big Data e as Tecnologias Analytics 224 Outras Tecnologias 229 › A abordagem DOMEX 229 › TIACRITIS 231 › Jogos para a actividade de Inteligência 231 CONCLUSÃO 233 7. SEGURANÇA E CONTRA-INTELIGÊNCIA 234 ESPIONAGEM E SEGURANÇA EM IE 234 CONTRA-INTELIGÊNCIA 240 Experiências na protecção de activos contra a Espionagem Económica 244 OS DESAFIOS DA TECNOLOGIA 246 The Internet of Things 247 Sistemas Biométricos 250 A Tecnologia Wearable 253 CONCLUSÃO 255 8. ABORDAGENS DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 256 ISO 31000: UMA NORMA DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA? 256 Definições, Princípios e Componentes 257 Perfis, Responsabilidades e Funções 263 Aproximações à Inteligência Estratégica 264 INTELIGÊNCIA ECONÓMICA: A ABORDAGEM FRANCESA DA IE 267 A Inteligência Económica na França de hoje 277 17
  • 11.
    I TE IGCI EST T GIC Conceitos de Inteligência Económica 281 Segurança Económica na Inteligência Económica 282 A Influência na Inteligência Económica 286 As PMEs e a Inteligência Económica 290 O Ensino da Inteligência Económica 291 Novos caminhos da Inteligência Económica. Um modelo a seguir? 293 CONCLUSÃO 298 9. INOVAÇÃO, TERRITÓRIO E INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 299 INOVAÇÃO E SISTEMAS DE INOVAÇÃO 299 Sistemas de Inovação 302 O Modelo Triple Helix 304 Clusters Industriais 307 O papel da Informação na Inovação 309 A INTELIGÊNCIA TERRITORIAL 312 Uma ferramenta de Desenvolvimento Territorial 314 CEBATE: IE NA INOVAÇÃO TERRITORIAL 318 CONCLUSÃO 323 10. APLICAÇÕES DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 325 VIGILAR A CONCORRÊNCIA 325 RECOMENDAÇÕES E OUTRAS APLICAÇÕES DE IE 330 CONCLUSÃO 333 11. CONCLUSÃO 334 IE NUM MUNDO QUE NÃO COMPREENDEMOS 334 REFERÊNCIAS 338 18
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    I TE IGCI EST T GIC LISTA DE FIGURAS FIGURA 1. Designações para IE/CI. Alguns exemplos 39 FIGURA 2. Definições da IE/CI. Alguns exemplos 41 FIGURA 3. Pontos de Sinergia entre GCe IE 48 FIGURA 4. Contributos da IE para as várias abordagens da Estratégia 51 FIGURA 5. O Ciclo de Intelligence 59 FIGURA 6. Posição Epistemológica e Metodológica nos paradigmas de investigação em Ciências Sociais 61 FIGURA 7. Uma visão empírica do Ciclo de IE e as suas actividades ) 64 FIGURA 8. Dois modos de abordar a Identificação das Necessidades deIntelligence 65 FIGURA 9. Sinais de Mercado segundo Michael Porter 76 FIGURA 10. Diferenças entre a informação corrente e um Sinal de Alerta Precoce. 77 FIGURA 11. Identificação de Necessidades de ‘Intelligence’ a partir dos FCS. 83 FIGURA 12. Acções e Decisões Estratégicas. Alguns exemplos 87 FIGURA 13. Tópicos para Alertas Antecipados. Alguns exemplos 87 FIGURA 14. Protagonistas-chave no Mercado. Alguns exemplos 87 FIGURA 15. Modelo das Cinco Forças 89 FIGURA 16. Identificação de Necessidades deIntelligence a partir das 5 forças da Indústria 90 FIGURA 17. Cinco (5) Questões Básicas. 91 FIGURA 18. Componentes básicos de um Sistema de Inteligência Estratégico (SIE) ou... 94 FIGURA 19. Tipos de fontes em IE (com base na literatura) 99 FIGURA 20. Três exemplos de motores para Pesquisa Federada na web 127 FIGURA 21. Avaliar fontes de informação na web. Questões básicas para web sites. 133 FIGURA 22. Abordagem genérica à Análise 152 FIGURA 23. Cadeia de Valor de Porter 158 FIGURA 24. Variáveis de Análise na Cadeia Global de Kaplinsky 161 FIGURA 25. As Cinco Forças da Indústria de Porter 162 FIGURA 26. Grelha para Análise de Hipóteses Concorrentes 164 FIGURA 27. Grelha para uma Análise de Stakeholders 166 FIGURA 28. Matriz de Análise do Ciclo de Vida da Indústria/Produto) 169 FIGURA 29. Análise dos Quatro Cantos de Porter. 170 FIGURA 30. Grelha de análise PESTA. Exemplo da variável política. Unidade de análise: empresa 172 FIGURA 31. Análise TOWS 175 19
  • 13.
    I TE IGCI EST T GIC FIGURA 32. Quadro para Análise Balance Scorecard 176 FIGURA 33. Estratégias Genéricas Competitivas de Porter 178 FIGURA 34. Componentes-chave numa Análise War Game 181 FIGURA 35. Mapa de Utilidade do Comprador 182 FIGURA 36. Matriz Arthur D. Little 185 FIGURA 37. Matriz de Ansoff 187 FIGURA 38. Matriz Boston Consulting Group 188 FIGURA 39. Matriz de Cenários 190 FIGURA 40. Início de um Mapa Conceptual sobre Fontes de IE 193 FIGURA 41. Início de um Mapa Mental sobre Fontes de IE 194 FIGURA 42. Arquitectura simplificada de um ‘Roadmap’ Estratégico 197 FIGURA 43. Espiral da Teoria do U 199 FIGURA 44. Os 10 papéis do(a) líder/gestor(a) segundo Henry Mintzberg 202 FIGURA 45. Componentes genéricas de um Protocolo de Produtos de IE 208 FIGURA 46. Requisitos de um sistema tecnológico de CI em cada fase do Ciclo de Inteligência 217 FIGURA 47. Uma selecção de Ferramentas e Tecnologias aplicáveis em IE/CI. Exemplos 222 FIGURA 48. Linhas de investigação emergentes nos segmentos Analytics 227 FIGURA 49. Tipos de informação alvo de Espionagem Económica 238 FIGURA 50. O Ciclo de Contra – Inteligência 241 FIGURA 51. A Internet das Coisas. Exemplos de aplicações 248 FIGURA 52. Tecnologias Biométricas com linhas de investigação em curso 251 FIGURA 53. O Ciclo de Gestão de Risco conforme a norma ISO 31000: 2009 258 FIGURA 54. ISO 31000:2009 e IE. Comparação de componentes estruturais 265 FIGURA 55. Cinco níveis da Inteligência Económica em França 268 FIGURA 56. As propostas do Relatório Carayon. Exemplos em duas áreas. 275 FIGURA 57. Actores e actividades na Inteligência Económica em França. O caso dos Ministérios 279 FIGURA 58. As 5 macro temáticas pedagógicas do Ensino da Inteligência Económica 292 FIGURA 59. Dez tipos de Inovação segundo a consultora Doblin 300 FIGURA 60. Componentes do Sistema Nacional de Inovação Português 305 FIGURA 61. Modelo de Inovação Triple Hélix 306 FIGURA 62. Dimensões a considerar na análise e vigilância de um concorrente 329
  • 14.
  • 15.
    1 – Oque é a Inteligência Estratégica? A Inteligência Estratégica (IE) é o processo sistemático e contínuo de recolher e analisar informação sobre o contexto externo duma organização, comunida- de ou território, com o objectivo de identificar indicadores de mudança (ris- cos, tendências e oportunidades) com impacto estratégico. O fim último da IE é apoiar a decisão e a acção no médio e longo prazo. 2 – Ok. Duma maneira simples: o que é a Inteligência Estratégica? A IE é um processo que permite antecipar eventos com impacto a médio e longo prazo na vida das pessoas, organizações, comunidades ou territórios, isto é, eventos que podem alterar profundamente a sua evolução numa qualquer direcção ou sentido. 3 – Que processo é esse exactamente? É a recolha e analise contínua de informação sobre ambiente externo onde as organizações, comunidades e territórios desenvolvem as suas actividades. 4 – O que é o Ambiente Externo? O ambiente externo é o contexto onde qualquer organização, comunidade ou território se situa, prossegue os seus fins e desenvolve a sua actividade ou o seu negócio. 5 – Dê um exemplo. O ambiente envolvente externo de uma pequena organização: o Restaurante Marisqueira M45. O seu ambiente externo é a rua, o bairro e a freguesia onde ) se situa. Tudo o que acontece nesse espaço físico num dado horizonte temporal, 25
  • 16.
    e os actoresindividuais e colectivos que nele se movimentam, assim como as suas acções e interacções, têm impacto maior ou menor na actividade do M45. Mas não só. Se o proprietário do Restaurante M45 quiser acautelar o futuro do seu negócio, ou seja, perspectiva-lo estrategicamente, terá que olhar para além dessas fronteiras, e dar atenção ao que acontece na cidade, no país e até no continente onde esta localizado o seu restaurante, no médio e no longo prazo e aos actores individuais e colectivos que se movimentam nesse amplo contexto. 8 – Dar atenção a isso tudo é muita coisa. Muita informação. Pois. Por isso é que ele não dá atenção a ‘tudo’. Ele só dá atenção a ‘tudo’ o que tem impacto no seu negócio. 9 – Dê um exemplo. Por exemplo, se o seu produto de venda principal é o marisco, designadamente, uma determinada espécie de marisco, ele deverá, em princípio, preocupar-se com as questões-chave desse produto na perspectiva do seu negócio: quem pro- duz, onde e como produz, quem vende, onde e como vende, quem distribui, onde e como distribui e por aí adiante. Esse acompanhamento pode permi- tir-lhe antecipar, por exemplo, quando pode haver um problema (uma rotura estrutural no fornecimento da espécie de marisco que comercializa na ementa do seu restaurante) ou uma oportunidade (descobrir que há uma nova técnica para cozinhar aquela espécie específica de marisco que potencia benefícios para a saúde dos consumidores, facto que pode usar para diferenciar o seu negócio e atrair clientes). Ao mesmo tempo, ele não terá que se preocupar com um pro- duto ou serviço que não vende. Outro negócio terá essa preocupação. 10- Quando se diz ‘dar atenção’ quer se significar efectuar IE… Sim. Efectuar a recolha e análise de informação de modo sistemático. Fazer vigilância sobre o que é relevante para uma actividade ou negócio. 11 – E por quanto tempo tem que ser efectuada essa vigilância? Enquanto existir a organização. Portanto, em todo o ciclo de vida do negócio ou da actividade. 26
  • 17.
    12 – Háalgum método concreto para desenvolver a Inteligência Estratégica? Sim. Há um processo que é, ao mesmo tempo, um método: é o Ciclo de Inte- ligência. 13 – O Ciclo de Inteligência? Significa, de maneira simples, o processo contínuo e sistemático (Ciclo) que permite produzir Inteligência. A ‘inteligência’ é a informação transformada, depois de recolhida e analisada, que tem essa capacidade de antever no presen- te, o perfil e movimento de forças que moldarão o futuro da sociedade como um todo, ou de uma dimensão específica da sociedade 14 – Resumidamente como funciona esse Ciclo de Inteligência? Primeiro: definem-se os tópicos que merecem ser alvo de vigilância; Segun- do: recolhe-se a informação necessária sobre esses tópicos; Terceiro: analisa-se a informação que foi recolhida; Quarto e finalmente: comunica-se a quem de- cide o que a análise da informação revelou. Isto é, comunica-se a ‘intelligence’ (inteligência) que foi produzida. 15 – O que é que a ‘intelligence’ pode revelar de tão importante a quem decide? Pode revelar riscos ou ameaças que ainda não se manifestaram mas que estão emergentes, isto é, prestes a acontecer. E também pode revelar oportunidades latentes e não explícitas que podem ser aproveitadas por quem tiver conheci- mento delas em primeiro lugar ou antes dos outros. 16 – Adoptar essa ferramenta exige custos ou investimentos elevados? Não. A Inteligência Estratégica tanto pode ser desenvolvida com recursos com- plexos e de elevado investimento, como com instrumentos muito simples e cus- tos que, em alguns casos, podem chegar a ser quase nulos. 27
  • 18.
    17 – Eque instrumentos são esses? Os instrumentos básicos são três: Conhecimento em IE, pessoas que dominem esse conhecimento, e algumas ferramentas operacionais que incluem fontes de informação e tecnologias, desde a mais simples como a Internet até software de análise de informação mais sofisticado. 18- E que entidades podem efectuar Inteligência Estratégica? Todo o tipo de organizações públicas ou privadas, com fins lucrativos e não lucrativos, de grande ou pequena dimensão, todo o tipo de comunidades, todo o tipo de regiões ou territórios, podem e devem desenvolver este processo como instrumento para enfrentar a complexidade. 19- Numa escala de 1 a 5, qual diria que é o grau de necessidade em adoptar esta ferramenta? O grau máximo: 5. No tempo em que vivemos de acelerada Mudança e eleva- dos níveis de Complexidade, as organizações e instituições precisam de ferra- mentas como esta para garantir não só a sua sobrevivência mas também a sua sustentabilidade. 28
  • 19.
    INTRODUÇÃO Este livro ésobre uma prática e uma disciplina que permite a qualquer actor, individual ou colectivo, usar a informação como um instrumento construtor de capacidades, o tipo de capacidades, que permite, a esses actores, perspectivar o médio e o longo prazo com maior sustentabilidade, podendo torna-los assim mais aptos a lidar com os desafios da Complexidade e da Mudança. Essa prática e disciplina é a Inteligência Estratégica. A primeira tese académica produzida em Portugal sobre esta área surgiu em 19972 e o primeiro livro publicado em Portugal surgiu em 20023 . O surgimento destes primeiros trabalhos representarão, provavelmente, os pri- meiros contactos da realidade portuguesa com esta disciplina, embora de forma muito tímida, dado que, após o seu aparecimento o que parece ter-se seguido é um longo período de estagnação (se assim o podemos designar) onde apenas os primeiros interessados e mais alguns que, pontualmente, entretanto emergi- ram, se dedicaram, de alguma forma, ao estudo ou à prática deste domínio de actividade. O presente livro deriva dessa constatação e é o resultado da perspectiva da au- tora (das suas leituras, aprendizagens, interesses, e algumas noções do seu po- sicionamento e experiência) sobre esta prática e disciplina até recentemente 4 tão pouco merecedora de atenção, e foi elaborado com a intenção de contribuir, 2 “Economic Intelligence in University Industry Interactions”. Ana Paula Amorim Marques. Tese de Mestrado. Universidade do Minho. 3 “Competitive Intelligence. Conceitos, Práticas e Benefícios”. Miguel Duarte Ferreira e João Pedro Taborda. Editora Pergaminho. Cascais, 2002. 4 Começamos a ver alguma recuperação desta temática talvez desde cinco ou seis anos a esta parte. Refiro a esse propósito e como indicadores dessa alteração, o surgimento em 2008 da Comunidade Portuguesa deCompetitive Intelligence (CPCI), a inserção da disciplina de Competitive Intelligence em algum ou outro curso de pós-graduação universitário e, mais recentemente (Dezembro de 2014), o arranque da representação portuguesa daStrategic and Competitive Intelligence Professional Association, sob a designação de SCIP Portugal. 29
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    por um lado,para a divulgação desta área junto de um público mais indiferen- ciado, mas também, para funcionar como um manual básico introdutório, di- reccionado aqueles que desejam iniciar-se neste ramo profissional e disciplinar. Porque se trata de uma entre várias perspectivas possíveis na abordagem da Inte- ligência Estratégica, a autora gostaria que este livro funcionasse também como um convite, ou (se se quiser) uma sugestão a outros profissionais e estudiosos para que desenvolvam também as suas reflexões sobre o assunto, e as partilhem, permitindo assim fortalecer este domínio de actividade com dois valores que a autora considera cada vez mais importantes no tempo em que vivemos: a pluridisciplinaridade e a transdisciplinaridade. A Inteligência Estratégica (ou Inteligência Competitiva como também é co- nhecida) é correntemente mencionada como um instrumento para fomentar a Competição no mercado, integrando essa ideia o respectivo agitar de posições e atitudes que tal condição envolve: vigilar, defender, atacar, contra-atacar, pro- teger, etc. Essa condição é possível de ser fomentada nesta disciplina, graças (pensa a autora) não só ao óbvio domínio e predomínio do paradigma de livre transacção de bens e serviços que hoje permeia a maioria das economias a esca- la global, mas também, devido às capacidades da própria ferramenta (a IE) que demonstra como a informação é um poderoso recurso estratégico e pode servir bem o funcionamento desse paradigma se usada enquanto tal. Mas esse é apenas um ponto de vista possível no modo de aplicar esta ferra- menta. Para a autora, a perspectiva é outra: a Inteligência Estratégica é, essencialmente, um instrumento para fomentar a Inovação numa abordagem sistémica, isto é, onde os actores envolvidos cooperam e, com a ajuda da informação (aqui, na mesma condição, um recurso estratégico) conseguem criar coisas novas que contribuem para o bem-estar social. Se daí resulta que esses actores (individual ou colectivamente) acabam por fortalecem as suas condições de Competitivi- dade, ainda melhor. O resultado ‘estrela’ da sua aplicação, não é, contudo, a competitividade, mas a capacidade de fomentar a Inovação por via de um trabalho concertado de cooperação, assente numa dinâmica sistémica, que torna mais sustentável o que é concebido, criado e materializado, o que nesta lógica é possível pelo facto de, 30
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    o que nascede novo, ter os seus fundamentos assentes numa reflexão criativa e prospectiva das forças várias que moldam a evolução das sociedades. Essa re- flexão criativa e prospectiva é o resultado tangível que a Inteligência Estratégica proporciona: é a ‘intelligence’. ESTRUTURA E CAPÍTULOS Este livro organiza-se através de um conjunto de capítulos, do seguinte modo: • O Capítulo 1 apresenta uma visão geral da IE enquanto prática e discipli- na, as suas diferentes definições e designações, as suas origens históricas, as influências que recebe de outras áreas de Conhecimento, o modelo que a corporiza (denominado Ciclo de Inteligência), e algumas questões que se colocam na prática concreta de investigação em IE. • O Capítulo 2 apresenta aquela que é, simultaneamente, a primeira ac- tividade do processo de IE e a primeira fase do Ciclo de Inteligência: a Identificação das Necessidades Críticas de ‘Intelligence’, que, por sua vez, dá o nome ao sub-capítulo com a expressão “O que Vigilar”. Aqui é explicado que o processo de IE – que se traduz na recolha e análise sistemática de informação – não efectua essa recolha e análise de forma indiferenciada: precisa de definir áreas de interesse com relevância estra- tégica que serão o foco de atenção dessas actividades. A definição dessas áreas é feita através de aplicação de uma espécie de filtros – que desig- namos ‘grelhas’ – que isoladamente ou combinadas, permitem distinguir tais focos de relevância, isto é, permitem identificar as Necessidades de ‘Intelligence’. O instrumento operacional que permite efectuar posterior- mente essa monitorização é o Sistema de Alerta Antecipado (com a aju- da de vários recursos: pessoas, Conhecimento e tecnologia) e um concei- to com importância particular: o conceito de Sinais. Ambos tópicos são também tratados neste capítulo. • O Capítulo 3 desenvolve-se em torno da matéria-prima da IE: a infor- mação. A informação e as fontes de onde tem origem são qualificadas como primárias, secundárias, internas e externas, e esta tipologia obriga o investigador a seguir procedimentos concretos no modo de descobrir, aceder e tratar essa informação. Essas actividades não estão isentas de de- safios que podem questionar a validade e credibilidade desta que é a ma- 31
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    téria-prima de IE,e o investigador tem de encontrar procedimentos de trabalho que lhe permitam atenuar os riscos que esses desafios colocam. • O Capítulo 4 trata da 3ª fase do Ciclo de Inteligência: a Análise da infor- mação. A Análise é o momento em que a informação em bruto é sujeita ao crivo do pensamento crítico, analítico e criativo do investigador para produzir a ‘intelligence’. O capítulo aborda todos os momentos que en- volvem esta actividade: desde a fase em que a informação é organizada para ser trabalhada na Análise, passando pelo questionamento crítico dos filtros cognitivos que podem deturpar o trabalho de reflexão (os ‘Bias’ ou Enviesamentos), até a Análise propriamente dita, em que, com a ajuda de ferramentas criativas e de análise estratégica, a informação é transfor- mada numa base de Conhecimento prospectivo a partir da qual é possí- vel apoiar a decisão dos líderes: isto é, é transformada em ‘intelligence’. Um roteiro breve de 20 Técnicas de IE é apresentado em modo de fichas operacionais, para ajudar o investigador a iniciar-se no desenvolvimento desta exigente tarefa. • O Capítulo 5 aborda a Comunicação de Inteligência, o momento em que os líderes tomam conhecimento dos resultados da investigação de IE (isto é, tomam conhecimento da ‘intelligence’) através do esforço comu- nicacional desenvolvido pelo investigador ou equipa de investigadores. Falamos de ‘esforço’ porque é disso que se trata. Comunicar ‘intelligen- ce’ exige do investigador o uso de recursos tangíveis (meios, formatos e canais para veicular a sua mensagem) e intangíveis (motivação, estilos comunicacionais, aspectos culturais, outras variáveis) que permitem ini- ciar a consolidação do fecho do trabalho de investigação. Iniciar, porque, tal trabalho, só está verdadeiramente terminado quando o investigador obtém, da parte do decisor que escuta/recebe a sua mensagem, alguma informação de retorno da ‘intelligence’ que lhe foi comunicada, isto é, obtém o feedback, da liderança cuja tomada de decisão pretende apoiar. • O Capítulo 6 trata do tópico ‘Tecnologias de IE’. Há mais de 20 anos que parece existir uma espécie de ‘busca do Santo Graal’ neste domínio: a tentativa de desenvolver ou simplesmente encontrar um sistema tec- nológico capaz de automatizar por inteiro todo o Ciclo de ‘Intelligence’. Os factos revelam, no entanto, que até agora tal não tem sido inteira- mente possível. Mas talvez isso esteja prestes a mudar, a medida que os desenvolvimentos tecnológicos em áreas como a Inteligência Artificial venham sendo incorporados em produtos e serviços passíveis de entrar 32
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    no mercado apreços cada vez mais competitivos. Esses novos produtos ) baseados neste tipo de competências tecnológicas tornarão, muito pro- vavelmente, o processo de Análise uma tarefa cada vez menos humana, ou seja, cada vez mais automatizada em muitos, ou mesmo em todos os seus aspectos. • O Capítulo 7 aborda as questões de Segurança da Informação, desig- nadamente, os desafios da Espionagem Económica em muitas das suas vertentes. A Espionagem Económica é o roubo de riqueza em forma de informação e, estando hoje a informação – das pessoas e organizações – cada vez mais digitalizada, esse património pessoal e organizacional en- contra-se cada vez mais vulnerável. Novamente a tecnologia coloca aqui algumas oportunidades, mas, como assinalamos nesse capítulo, muitos mais riscos. A Contra- Inteligência pode ser um modo de contornar al- guns destes riscos e desafios e dela também falamos neste capítulo. • O Capítulo 8 desenvolve-se em torno do que designamos de ‘Aborda- gens de IE’. Destacamos uma primeira abordagem: a Inteligência Eco- nómica (o ‘modo francês’ de desenvolver a Inteligência Competitiva ou Inteligência Estratégica) e sobre ela desenvolvemos uma reflexão com algum detalhe, mencionando aspectos históricos, as especificidades que a distinguem, o modo como diversos perfis de actores se congregam para a sua concretização e alguns desenvolvimentos recentes a seu propósito. O segundo tópico neste capítulo é dedicado à uma segunda abordagem que descobrimos ter muito significativas semelhanças com o processo de Inteligência Estratégica (daí termos decidido inclui-la nesta classificação de ‘Abordagens de IE’ ) mas que se apresenta sob uma designação bem diferente: a Norma ISO 3100 de Gestão de Risco. • O Capítulo 9 é dedicado a temática: Inovação, Território e Inteligência. Na verdade são três temáticas, mas é a sua interligação que ocupa aqui a nossa reflexão. É uma reflexão feita na tentativa de ilustrar as muito rele- vantes sinergias que podem ser potenciadas da combinação dessas áreas. A ideia que atravessa esta reflexão e sumariza este capítulo é simples: a Inteligência Estratégica é um estratégico instrumento para fomentar a Inovação e o Desenvolvimento, quer na dimensão empresarial/organi- zacional, quer na dimensão do Território. • O Capítulo 10 lança um brevíssimo olhar sobre aplicações de Inteligên- cia Estratégica. Começa com a Vigilância da Concorrência uma apli- cação que autora não pode deixar de incluir por ser uma abordagem 33
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    amplamente conhecida nestaárea, em particular, quando classificada como Inteligência Competitiva (Competitive Intelligence). Contudo, a autora considera esta, apenas uma, das muitas e variadas aplicações que a IE é capaz de potenciar, sendo algumas dessas outras aplicações sugeridas muito brevemente no resto deste capítulo. • O capítulo dedicado à Conclusão fecha o percurso desenvolvido ao lon- go do presente livro, destacando a ideia da Inteligência Estratégica como uma ferramenta que contribui, por um lado, para o desenvolvimento de uma reflexão mais integrada da realidade (o que Edgar Morin designa como a exigência de um ‘Pensamento Complexo’) e, por outro, como uma disciplina que pode assumir-se também enquanto instrumento pas- sível de apoio ao desenvolvimento sustentando de organizações, institui- ções, comunidades, permitindo-lhes enfrentarem com mais resiliência os desafios da Complexidade, uma ideia que apresentamos baseando-nos no conceito de ‘Antifragilidade’ desenvolvido por Nassim Taleb, um dos autores que, em anos mais recentes, também se tem dedicado a pensar as questões da Complexidade. Para os profissionais experimentados em Inteligência Competitiva ou Estratégica, este livro será certamente uma revisão, (esperamos não muito maçadora) de ideias e conceitos, pontuada com alguns desenvolvimentos recentes que poderão consi- derar interessantes. Para os outros (não experimentados, não conhecedores e público em geral poten- cialmente interessado) este livro será certamente uma apresentação introdutória útil e (esperamos também) ainda válida num horizonte de médio prazo, que lhes permitirá iniciar-se no desenvolvimento desta actividade. Uma coisa é certa: a autora procurou que todos os leitores retirassem algum benefí- cio do tempo dedicado a leitura deste livro. Esperamos tê-lo conseguido. Lisboa, Abril 2015. 34