"
"Algumas pessoas pensamque nunca é possível fazermos qualquer coisa diferente daquilo que, de facto,
fazemos. Reconhecem que aquilo que fazemos depende das nossas escolhas, decisões e desejos (...) Mas
afirmam que, em cada caso, as circunstâncias que existem antes de agirmos determinam as
nossas ações e tornam-nas inevitáveis. O total das experiências, desejos e conhecimentos de uma
pessoa, a sua constituição hereditária, as circunstâncias sociais e a natureza da escolha (...) combinam-se
todos para fazerem com que uma ação particular seja inevitável."
Thomas Nagel
Que Quer Dizer Tudo Isto?
5.
ARGUMENTO A FAVORDO DETERMINISMO
Argumento da Ciência
Premissa Central
Os seres humanos e as suas ações são parte da natureza, estando sujeitos às mesmas leis
causais invariáveis que regem o universo.
Causalidade
Cada evento é precedido por
causas que o tornam inevitável
Fatores
Genes, ambiente e causas
anteriores que não controlamos
Conclusão
As escolhas são determinadas,
não livres
Manual p. 130
6.
CRÍTICA
Objeção ao Argumentoda
Ciência
No universo subatómico da física e mecânica quântica, as leis funcionam
de forma indeterminada e probabilística.
O estudo das partículas mais pequenas da matéria mostrou que existem
eventos com causa indeterminada. Estes acontecimentos quânticos não se
seguem necessariamente uns aos outros como efeitos de causa.
7.
ARGUMENTO A FAVORDO DETERMINISMO
Argumento da Ilusão
Tese Principal
A sensação de agirmos livremente não passa de uma ilusão criada pelos nossos cérebros.
Se a mente pode criar aparências ou experiências, então também pode produzir uma
experiência de si mesma que nos leve a pensar que causa as suas próprias ações — quando
na verdade tudo está determinado.
Manual p. 132
CRÍTICA
Objeção ao Argumentoda
Ilusão
O livre-arbítrio não é uma ilusão porque temos controlo real das nossas
ações.
A nossa capacidade de controlar as nossas ações, de resistir a impulsos e
de escolher livremente, prova que não somos meros seres autómatos. É
esse controlo que define o livre-arbítrio.
Nestes casos, nãoestamos a agir livremente, porque fomos forçados a
fazer aquilo que não queríamos fazer.
Alguns exemplos de ações que não são livres:
(Coerção ou compulsão interna)
Entregamos a carteira porque um
assaltante nos aponta uma arma à
cabeça.
Vamos a uma visita de estudo porque
os nossos pais nos disseram que
tínhamos de ir.
12.
Estes, pelo contrário,são casos em que agimos livremente:
• Contribuímos com dinheiro para uma organização de beneficência porque
decidimos que essa organização merece o nosso apoio.
• Alistamo-nos no exército porque a perspetiva de ser soldado nos atrai.
Pensamos que essa seria uma boa carreira.
13.
ARGUMENTO COMPATIBILISTA
Argumento de
Frankfurt
Cenário
Umagente decide fazer A, mas existe um
mecanismo oculto que interviria caso
decidisse o contrário.
Resultado
O mecanismo não intervém porque o
agente já decide fazer A por conta própria.
Conclusão: O agente é responsável, apesar de não ter alternativas disponíveis — se tentasse
escolher B, seria impedido.
15.
CRÍTICA
Objeção aos Casosde
Frankfurt
Se o agente dá um sinal de que vai escolher B, esse próprio sinal já é uma ação ou um início
de escolha.
Portanto, existe um pequeno momento — uma "centelha" — em que o agente poderia ter
agido de outra forma (mesmo que fosse apenas começar a decidir diferente).
Se há uma centelha de possibilidades alternativas, o exemplo de Frankfurt falha em mostrar
que as possibilidades alternativas são totalmente desnecessárias para a responsabilidade.
16.
ARGUMENTO COMPATIBILISTA
Argumento dasRazões e
Orientação
Tese Principal
Este argumento foca-se na capacidade de agir por motivos racionais e de responder por
esses motivos, mesmo que a ação tenha causas prévias.
Liberdade
Ser capaz de agir por razões e responder por
elas
Orientação
Conseguimos orientar o nosso
comportamento mesmo se o determinismo
for verdadeiro
17.
CRÍTICA AO COMPATIBILISMO
Objeçãodo Determinismo
Envergonhado
Falso Controlo
Controlar uma decisão
que não foi criada
exclusivamente por nós
não é um verdadeiro
controlo.
Inconsistência
Defende a causalidade do
determinismo, mas não
assume a rejeição do
livre-arbítrio.
Fuga ao
Problema
Alteram a definição de
livre-arbítrio para conter
apenas o princípio do
controlo.