ANO II - EDIÇÃO 5 - Incluindo Viva Bicho Vale do Ribeira (SP) - Brasil - MARÇO DE 2015
1,00
REAL
Lei florestal de SP ignora emergência e
não reforça proteção a nascentes e rios
Consumo de água cai na região
MANANCIAIS EM RISCO
REFLEXO DA CRISE
pág. 9
pág. 6
OLHAR FEMININO - Bebê Theo fotografado por Liana Tami, especialista em trabalhos
newborn. Liana, Lê Murata, Bárbara Aquino, Paloma Lima, Telma Almeida, Andreia Davies e Marli
Nogueira conquistam espaço no mercado fotográfico da região, até poucos anos predominado
por homens. pág. 9
Saiba como o Rio Juquiá vai
abastecer a Grande SP
Proposta de transpor água da bacia do
Ribeira tem mais de 40 anos pág. 7
Alimento
para o corpo
e a alma
Cãezinhos para adoção, apadrinhamento,
novo site do GPA e muito mais... pág. 12 e 13
FRATERNIDADE
VIVA BICHO
Voluntários do Fraterno
Auxílio Cristão (FAC) de
Registro dedicam-se a
ações sociais como o Prato
Fraterno, que assegura café
da manhã e almoço para
pessoas em situação de rua,
e a Comunidade Terapêutica
Vale do Encontro, que
atende dependentes de
álcool e drogas. pág. 3
SueliCorrea
Casamentos em alta aquecem
mercado de eventos pág. 11
BOM NEGÓCIO
SocorroFigueiredo
liana tami
Água poupada por
moradores daria para
abastecer uma cidade do
porte de Miracatu
WagnerAssanuma
fotos:MárciaColla
Registro/SP, março de 20152
A vítima e seus algozes
ASSASSINATO EM REGISTRO
Carta ao leitor
A história permite à humanidade ter a compreensão do pre-
sente, a bússola que norteia o futuro e se apossar do conhecimento
que, ao se aprimorar ao longo das décadas e dos séculos, possibilita
as grandes descobertas da Ciência. A base da história são os docu-
mentos que permanecem além dos homens e dos milênios.
É por esse prisma que o jornal Viva Gente compreende a
importância do jornalismo, que é na verdade um documento de
época, relatando a história dos homens e dos acontecimentos.
A partir das características de cada região vai se compondo o
imenso painel que é a história da humanidade.
Ao mesmo tempo, o jornal é ferramenta indispensável para o
debate de grandes temas, como a escassez da água nas capitais e
em algumas grandes cidades da região Sudeste. Água que o Vale do
Ribeira tem em abundância.
É preciso aproveitar esse momento de tormenta dos moradores
das metrópoles para debater e buscar formas de aproveitamento
racional e equilibrado desses recursos que nos sobram, a fim de que
a região obtenha conquistas a partir das riquezas que possui.
Com essa compreensão da história e essa disposição em deba-
ter os grandes temas da região, ouvindo as opiniões divergentes que
enriquecem o debate, sem a pretensão de ser o dono da verdade,
mas com imensa vontade de contribuir para melhorar o presente
e orientar o futuro, o jornal Viva Gente é relançado após quatro
edições que circularam no ano de 2013.
Para a existência de um jornal independente e forte, no entanto,
são indispensáveis os anunciantes que, além de garantir visibili-
dade da sua empresa no momento presente, também deixam um
documento sobre publicidade, empreendedorismo e economia para
a história de seu tempo.
Para a construção de uma região forte, capaz de vencer as
adversidades, com disposição de discutir avanços e recuos, é fun-
damental a união de jornalismo e publicidade, de profissionais da
comunicação e empreendedores.
Expediente:
	Equipe de reportagem: 	 Sueli Correa - MTb 14.644
		 Mônica Nogueira Lima - MTb 13.562
		 Márcia Colla - MTb 24.434
	PUBLICIDADE: 	 Joice Ferreira
	 Contato: 	 publicidadejornalvivagente@gmail.com
		 redacaojornalvivagente@gmail.com
	PROJETO GRÁFICO / DIAGRAMAÇÃO: 	 Márcio Lima
	IMPRESSÃO: 	 Grafinorte - Apucarana/PR
	 TIRAGEM: 	 5.000 exemplares
	EDITORA: 	 Engenho das Letras
		 Rua João Augusto Aby Azar, 215
		 Jardim Caiçara I - Registro/SP
		 www.jornalvivagente.com
“Aqui dentro (da biblioteca) eu sou uma pessoa
diferente. Lá fora, sou só mais um catador de latinhas,
preto e pobre. Lá fora é assim que as pessoas me
vêem.” Marcos Guastt, que trabalha com reciclagem,
frequentador assíduo da biblioteca de Registro.
“O trabalho no circo era mais organizado que os
primeiros meses na Casa Legislativa.” Tiririca, deputado
federal reeleito por São Paulo com mais de um milhão de votos.
“Esse é o momento de virar a página da tristeza
e abrir a página da alegria. A presença da ACIAR
em Eldorado nos dá esperança.” Fernando Cláudio de
Freitas, vereador, durante encontro de empresários do município com
representantes da Associação Comercial de Registro (ACIAR).
“Calcula-se que, somadas, as campanhas eleitorais
do ano passado tenham custado R$ 5 bilhões de
reais. A cifra prova, de modo insofismável, que o país
enlouqueceu.” Jornalista Roberto Pompeu de Toledo, em
artigo na Revista Veja.
“É um formato que propicia sexo e conflito.” Jornalista
Pedro Bial, sobre o Big Brother Brasil.
Gabi Bertelli
Dos transviados aos
transtornados, cada juventu-
de foi e é um reflexo de seu
tempo. O que seria então a ju-
ventude dos nossos, tão fada-
dos ao fracasso, anos 10? Seja
você um zumbi tecnológico
ou um exilado social, estamos
rodeados de conflitos. Segun-
do o dicionário, trans.tor.no:
contrariedade, contratempo,
decepção, prejuízo. Se existe
uma queixa unânime entre a
juventude é exatamente a do
descontentamento com o país
em níveis alarmantes, fato
comprovado durante os pro-
testos de junho de 2013.
A enxurrada de informa-
ções nos fez adolescentes e
jovens adultos informados
em excesso, entretanto, não
JUVENTUDE TRANSTORNADA
Sobre as frustrações de
ser jovem nos anos 10
fomos preparados para o lixo
cultural. Da mesma forma que
se pode acessar conteúdo, é
possível produzi-lo, em larga
escala, incitando as maiores
revoluções de todos os tem-
pos da última semana – que
nunca sairão do sofá.
Enquanto opiniões con-
servadoríssimas ocupam as
bancadas religiosas do con-
gresso, parte da juventude
pede impeachments, retorno
à ditadura militar, ao passo
que outra parte luta pelos di-
reitos das minorias, das pes-
quisas com células tronco,
da legalização do aborto. Um
país cada vez mais polariza-
do, mais divergente, mais ten-
so, mais transtornado. Cres-
cemos e estamos crescendo
em tempos de cólera.
Por outro lado, nunca se fa-
lou tanto a respeito de política
e sociedade e, pela primeira
vez desde o início dos anos 90,
a juventude toma as rédeas em
debates e a política perde seu
rótulo de “proibido para meno-
res de 30”. Como bem citou um
deputado federal em uma en-
trevista televisiva referindo-se
a junho de 2013 – “mudaram
as estações, nada mudou, mas
eu sei que alguma coisa acon-
teceu”. Fica estabelecido en-
tão o suposto lema da geração
Y nessa frase certeira que, cer-
ta vez, vi pichada em um muro:
nuestros sueños no caben em
sus urnas.
Gabi é
professora e
estudante de
Letras
MÔNICA NOGUEIRA LIMA
A
o menos quatro tiros
de uma pistola 380 com
silenciador atingiram
o empresário Rodolfo Brites
Ribeiro Alves. "Dois na cabe-
ça e dois nas costas", afirmou
convicta uma moça que duas
horas depois observava o tra-
balho de policiais no local. Seis
cápsulas deflagradas foram
achadas, indicando o provável
número de disparos efetuados
pelo matador encapuzado que
nada falou. Apenas chegou por
trás, atirou e se foi. Dizem que
teria embarcado em um Hon-
da Fit, onde havia mais duas
pessoas. Dali até a BR era um
pulo. Rota de fuga perfeita.
Era tarde morna de quar-
ta-feira de cinzas, 18 de feve-
reiro. Rodolfo acabara de sair
de um dos restaurantes de sua
propriedade em Registro, o
Quiosque, e com um amigo ca-
minhava em direção ao carro,
estacionado a poucos metros,
na rua Santo Inácio. Foi a últi-
ma coisa que fez em vida.
Mais que o inusitado de
uma calculada execução à luz
do dia, no meio da rua, numa ci-
dade onde apenas seis homicí-
dios dolosos ocorreram durante
todo o ano passado, o assun-
to principal nas horas que se
seguiram foi o ato sórdido de
quem, não contente em filmar e
fotografar o homem agonizante
na calçada, imediata e farta-
mente divulgou filme e foto por
whatsapp e redes sociais.
Rodolfo, de 37 anos, veio
de João Monlevade, Minas,
para gerenciar os restaurantes
da Rede Graal na região. Seu
pai, Roberto Alves, é gerente
da Graal em João Monleva-
de e sócio da rede. Depois de
sair da Graal, Rodolfo vinha
expandindo rapidamente seus
negócios. Além do Quiosque
Chopp Brahma , havia compra-
do a Churrascaria Altaneira, a
loja Ápice e instalava em Re-
gistro a Localiza, franquia de
aluguel de veículos. Tinha par-
ticipação de 10% numa rede de
discotecas, estava montando
um restaurante em Santos e
estaria em negociação com
uma concessionária de Regis-
tro para transformá-la em loja
de carros importados. Os tiros
interromperam a trajetória.
Ainda não se sabe quem (e
por que) mandou matar o em-
presário. Mas é certo que, no
espaço de apenas uma hora,
Rodolfo foi três vezes vítima.
De quem o baleou, dos abutres
que devassaram sua agonia e
da absurda burocracia da Saú-
de em Registro, que faz com
que todos sejam levados pri-
meiro à UPA, mesmo em casos
de evidente necessidade de ci-
rurgia de emergência, em vez
de conduzir pacientes graves
direto para um hospital com
centro cirúrgico.
“O jornalista é
o historiador do
instante”
Albert Camus (1913 - 1960),
escritor, filósofo e jornalista
francês, em artigo do jornal
Combat, da Resistência
Francesa, em 1944.
“
Rodolfo Alves
Registro/SP, março de 2015 3
Comunidade terapêutica em
Registro combate álcool e drogas
AMOR AO PRÓXIMO
H
á cinco anos, o padre
Júlio César de Araú-
jo Brant viu um sítio
de 17 alqueires à venda na
estrada do Caiacanga, bairro
Taquaruçu, a 16 quilômetros
do centro urbano de Registro,
e achou que ali seria o lugar
ideal para tornar realidade o
sonho de construir uma co-
munidade terapêutica visan-
do auxiliar homens, principal-
mente em situação de rua, a
se livrarem do vício de álcool
e drogas. Com apoio do em-
presário Eliseu Ota e ajuda de
todos os setores da socieda-
de, incluindo pessoas de di-
ferentes religiões, em apenas
25 dias foram arrecadados R$
110 mil. O sítio foi adquirido e
os dez mil reais restantes fo-
ram utilizados para começar
a limpeza do terreno, onde
havia mato alto, nove poços
abandonados e uma casa pe-
quena e precária.
Em março, a Comunidade
Terapêutica Vale do Encontro
comemora o seu primeiro ano
de existência, com seis va-
gas. Está lotada e os próprios
moradores, além de manter
a casa limpa e bem cuidada,
também são responsáveis pe-
los serviços externos, onde há
os lagos, chiqueiro e outros
equipamentos que garantem
eficácia à laborterapia – uma
das atividades no caminho da
recuperação. Há, ainda, ações
de espiritualidade e atendi-
mento psicossocial. A casa
dispõe de regras rígidas para
garantir o sucesso do atendi-
mento. As saídas, para ir ao
médico ou ao dentista, são
sempre supervisionadas.
A Vale do Encontro, que
foi batizada com esse nome
justamente para ser lugar que
proporcione ao dependente
Padre Brant e um interno da Vale do Encontro, que comemora um
ano de existência em março
Sueli Correa
Sueli Correa
de álcool e drogas a possibi-
lidade do encontro consigo
mesmo, vive atualmente de
doações. E o tratamento, com
duração de um ano, é total-
mente gratuito.
Várias parcerias com or-
ganizações não governamen-
tais têm garantido benefícios
para a comunidade.
A construção do poço, por
exemplo, foi feita com recur-
sos vindos da Itália. Empre-
sas da região também têm
mantido parcerias importan-
tes para a continuidade do
trabalho, como a Cliniprev,
que faz assistência odontoló-
gica, e a Sabesp, para implan-
tação e manutenção da horta
comunitária.
A ampliação do atendi-
mento, para suprir um pou-
co mais a grande demanda,
está vinculada à liberação de
emenda estadual, no valor de
R$ 177 mil, do deputado Sa-
muel Moreira, para construção
de um alojamento com capaci-
dade para vinte pessoas, sala
de atendimento psicossocial,
banheiros e outras dependên-
cias. O projeto de engenharia
está pronto e o Fraterno Au-
xílio Cristão (FAC) terá que
assumir R$ 60 mil, que o pa-
dre Brant pretende conseguir
também com ajuda da comu-
nidade.
O objetivo é que a Vale do
Encontro seja totalmente sus-
tentável e, para isso, a ideia do
padre Brant, coordenador ge-
ral, é plantar pupunha, entre
outras atividades de geração
de renda. Atualmente, padre
Brant e o pessoal do FAC, en-
tidade mantenedora da Vale
do Encontro, buscam parceria
com uma entidade da Colôm-
bia para compra de tanques
redes para criação de tilápias.
Ao mesmo tempo em que
trabalha para ampliar a comu-
nidade terapêutica, outro pro-
jeto já toma forma na cabeça
e no coração do padre Brant:
manter uma república para
que os internos na Vale do En-
contro que não têm condições
de retornar à família possam
ter uma alternativa de mora-
dia quando receberem alta.
Assim, ele pretende fechar o
círculo de apoio para que es-
ses homens, longe do álcool e
das drogas, possam ter vida
digna.
Comida e fraternidade
Todos os dias, cinco volun-
tários se revezam para fazer
comida e alimentar cerca de
50 pessoas em situação de rua
com café da manhã e almoço,
de segunda a sexta-feira. Tra-
ta-se do Prato Fraterno, outra
ação do FAC, realizada próxi-
ma à Igreja Matriz de Registro.
Os alimentos são doados pela
comunidade e por empresas.
Entre os voluntários, a co-
ordenadora do projeto, Rosa
Alves de Lima e Silva, parti-
cipa todos os dias do trabalho,
que existe há cinco anos. Ela
conta que antes era feito um
sopão apenas uma vez por
semana, mas quando o padre
Brant chegou à Paróquia quis
que o projeto funcionasse to-
dos os dias. “Ele disse: as pes-
soas não têm fome só uma vez
por semana”, relembra Rosa.
Para as refeições são ne-
cessários diariamente seis
quilos de arroz, três de feijão e
de três a quatro quilos de car-
ne. Para conseguir esses ali-
mentos, o FAC recebe doações
de empresas, como a Panifi-
cadora Maré Verde, Padaria e
Confeitaria São Paulo, Fábri-
ca de Pães Tenri, Pastelaria
Oriente, Central de Carnes e
Supermercado Magnânimo
(que doa verduras).
Além das pessoas em situ-
ação de rua, volta e meia apa-
recem pessoas que têm casa
mas passam por problemas
financeiros. “A gente fica sem
jeito, vai negar um prato de co-
mida?!”, comenta Rosa.
A maioria dos beneficia-
dos é usuária de álcool e dro-
gas, quase sempre abandona-
dos pela família. Muitos estão
de passagem por Registro e,
segundo Rosa, “quando vol-
tam estão na mesma situação,
ou pior ainda”.
Quando a coordenado-
ra observa que a pessoa está
muito suja, ela fornece roupa
(o projeto aceita roupas usa-
das para homens e mulheres)
e orienta a tomar um banho
para depois comer. As ves-
timentas que usavam geral-
mente vão direto para o lixo.
Após alimentarem-se, as
pessoas atendidas pelo projeto
lavam o próprio prato e o copo.
As sobras são jogadas num re-
cipiente e podem ser levadas
para os cachorros (que não
podem entrar no refeitório). De-
pois disso, se ainda houver, os
restos são levados para os por-
cos da Vale do Encontro. Nada,
portanto, se perde.
Ao falar sobre o projeto,
Rosa se emociona. Com a voz
embargada, ela diz que as
pessoas em situação de rua
são ignoradas pela maioria. “É
difícil ver uma pessoa na rua
e saber que ela não tem um
prato de comida”, diz, antes
de continuar a tarefa rotineira,
que tem como missão: alimen-
tar quem tem fome.
FAC > O FAC é uma entida-
de sem fins lucrativos, criada
em 1958, e atua com ênfase na
questão social. Além dos pro-
jetos Prato Fraterno e Comuni-
dade Terapêutica Vale do En-
contro, apoia as pastorais, faz
encaminhamento de pessoas
e famílias à rede de serviços
municipais e visitas domicilia-
res, entre outras ações. Atual-
mente é presidida por Maria
Helena Soares.
Os projetos do FAC con-
tam com apoio de mantene-
dores, benfeitores e voluntá-
rios. O mantenedor ajuda com
valor fixo mensal; o benfeitor
faz contribuições materiais,
financeiras ou profissionais e
o voluntário doa um pouco do
seu tempo para trabalhar nos
projetos.
Contatos podem ser feitos
pelo telefone (13) 3821-4766 e
doações em dinheiro por de-
pósito bancário no Santander
– Banco 033 – Agência 0042 –
Conta Corrente 13002328-9.
Voluntários do Prato Fraterno com a coordenadora Rosa e a presidente do FAC, Maria Helena
Registro/SP, março de 20154
RAFAEL GUELTA, 1954 - 2015
“O amor é o mais importante, o que
fica. Porque o resto é só passagem.”
Sueli Correa
Q
uem viveu no Vale do Ribeira
nos anos 1980 e acompanhava
os acontecimentos da região
à época certamente conheceu o jor-
nal A Tribuna do Ribeira, do grupo A
Tribuna de Santos. E alguns tiveram o
privilégio de também conhecer o jor-
nalista Rafael Guelta, um ser humano
incrível, que ajudou a escrever uma
parte da história desta região.
Rafael, que chegou ao Vale como
repórter em Iguape, onde morou, tor-
nou-se editor de A Tribuna do Ribeira
numa época em que se fazia um jorna-
lismo militante, de defesa da justiça
social e das mudanças necessárias à
consolidação da democracia que, a du-
ras penas, estava renascendo no país.
ATR, como chamávamos o jornal,
defendia a posse da terra para quem
nela mora; levantou a bandeira contra
a violência doméstica, e reivindicava
que a região tivesse tratamento igual
às demais regiões paulistas. Alertou
para a necessidade de que o Vale do
Ribeira tivesse um deputado estadual
que fosse porta-voz dos anseios regio-
nais, lutou contra a homofobia quando
essa palavra ainda nem fazia parte do
dicionário politicamente correto.
Foi ATR quem consolidou o mo-
vimento pela duplicação da BR-116;
combateu a construção de usinas nu-
cleares na Juréia e, entre tantos outros
temas relevantes, debateu a necessi-
dade de ligação do Vale do Ribeira
com o Planalto Paulista por intermédio
da SP 139.
O Rafael conduziu seus jovens re-
pórteres a escreverem questões perti-
nentes, a estimularem denúncias de
corrupção e corruptos e lutarem bra-
vamente pelo desenvolvimento da re-
gião, com serviços públicos de quali-
dade, estradas boas e a transformação
do turismo em indústria que gerasse
emprego e renda. Alguns temas que
ainda hoje pautam o cotidiano do Vale.
Mas ele tinha outras urgências e
desejos que, em determinado momen-
to, o Vale não conseguiu mais suprir.
Então voltou para Santo André, depois
Campinas, São Paulo, grandes centros
onde realizou também grandes repor-
tagens, trabalhou em empresas de
grande porte e se tornou conhecido e
respeitado pelos colegas.
O amor que ele tinha pelo Vale, no
entanto, nunca morreu. Quando nos
encontrávamos nas redes sociais, ele
sempre queria saber das pessoas com
quem conviveu e sobre as novas lide-
ranças que surgiam.
Além de jornalista, com especiali-
zação em economia, Rafael foi poeta e
músico.
No segundo dia de 2015, quando
nos preparávamos para recomeçar, eis
que o Rafael findou. Uma finitude bre-
ve, porque seus textos continuarão pul-
sando vida no coração de quem os lê.
Além do título deste
texto, eis algumas frases
do Rafael, pinçadas de
conversas no Facebook::
““ORibeirafoibomparatodos.Aindahojeme
perguntosefizbememtersaído.Comcerteza
perdimuitascoisasboas.FoiemRegistroque me
torneiprofissionalnosentidodeenxergarmelhor
ojornalismo.Aífoiminhagrandeescola,meu
divisordeáguas.”
“AntesdeviveremRegistrofizumjornalemBarra
Bonita.Foiumaexperiêncialegal,masnãose
comparouaoVale.AhistóriadoValeémuitomais
rica,porsersofridaeaomesmotemporedentora.”
“Temosalgumadificuldadeemmanterrelações
compessoasdamesmaidadeporque,apesar
dofardoquecarregamos,temosresistênciaaos
ressentimentosqueavidavainosdeixando.
Mulheresdaminhaidade,nãotodas,mas
muitas,sãoressentidascomavida,eeugosto
maisdaspessoasquesimplesmentecurtem,se
surpreendemquandodeparamcomcoisasnovas.”
“Incrível,masaidadetraztranquilidadee
serenidade.Hoje,aomesmotempoemque
vejotudopassaresetransformarcommuita
velocidade,consigoenxergarosdetalhesem
câmaralenta,queéomelhorjeitodeabsorvê-los.”
Rafael, numa foto da década de 1980,
quando ainda trabalhava na região
Registro/SP, março de 2015 5
INTERNET DO BEM
Grupo do Facebook cria ONG
para transformar vidas
Dra. Evelise Yuri Sakô
Dr. José Roberto Mikio Sakô
Dra. Katia K. Momma Portioli
Dra. Maricy Ponsoni Marques Dias
Dr. Rodrigo Eduardo Kitagawa
Dr. Roldão Soares Neto
Dra. Tais Omine
FONE / FAX: (13) 3821-2611 / 3822-1349
Rua Wanderley Alves Tafner, 33
Vila Tupy - Registro/SP
CONSULTÓRIO
ODONTOLÓGICO
A
inda meninas, Vanessa
Leandro de Freitas e a
irmã Jacqueline iam à
casa de Marta, com o pai Ed-
son de Freitas, que sempre faz
ações do bem voluntariamente.
Dois anos atrás, Vanessa come-
çou a pensar numa ação mais
eficaz para garantir acessibi-
lidade para Marta de Pontes,
de 43 anos, que tem paralisia
cerebral, vive com a mãe idosa
e um irmão doente. O acesso à
casa precária, no bairro rural
Vila da Palha, onde mora, é fei-
to por um terreno acidentado. E
até mesmo no interior da casa
é difícil a locomoção da moça.
Vanessa, então, enviou um
filme para o programa do Lu-
ciano Huck, visando melhorar
a vida de Marta. Não obteve
resposta, mas persistiu. Pe-
diu ajuda pelo Facebook. A
jovem Taísa Lima repercutiu o
apelo e a professora Ana Pau-
la Takiute compartilhou. Nas-
cia, naquele momento, a Ação
Entre Amigos, grupo que em
apenas um mês se tornou em-
brião de uma organização não
governamental.
A primeira ação será uma
quermesse, no dia 7 de março,
na Igreja de São José Operário,
na Vila Ribeirópolis, em Regis-
tro. Mais de cem voluntários,
jovens na maioria, trabalharão
durante o evento. Os prêmios
foram obtidos por doação e os
recursos serão aplicados em
obras que garantam a Marta
acessibilidade em sua casa.
O grupo continuará atuan-
do para auxiliar pessoas que,
sozinhas, não conseguem lutar
por elas mesmas, assegurando
vida mais digna e autonomia.
A Ação Entre Amigos já pen-
sa inclusive em agregar outras
entidades, fortalecendo a atu-
ação.
Vanessa, que é bióloga e
pesquisadora do Instituto Sí-
rio Libanês, comemora o apoio
de Ana Paula, que colocou à
disposição do grupo seu co-
nhecimento sobre trabalho
social e organização de even-
tos comunitários. Ela mostrou
ao grupo como se organiza
uma quermesse, desde tare-
fas básicas, como quantidade
de alimentos, até a burocracia
que envolve esse tipo de ativi-
dade. Ana Paula observa que a
maioria das entidades tem di-
ficuldade de atrair jovens, que
é justamente o perfil da Ação
Entre Amigos.
“É importante a gente ter
alguém que nos ensine a fazer
para ter mais autonomia como
líder e ser multiplicador de
informação”, afirma Vanessa.
“É fundamental que o traba-
lho seja realizado com trans-
parência, pois credibilidade é
tudo”, completa Ana Paula. Os
integrantes da Ação são todos
voluntários e o projeto é apar-
tidário.
Quermesse, no
dia 7 de março,
arrecadará
recursos para obras
que permitam
a locomoção de
Marta em sua casa;
ela tem paralisia
cerebral
Facebook - Grupo Ação entre Amigos
Registro/SP, março de 20156
REFLEXO DA CRISE
Mesmo livres da escassez, moradores
do Vale poupam água
VALE DO RIBEIRA TEM ÁGUA DE MONTE, MAS A FALTA EM OUTROS
LUGARES LEVOU MUITA GENTE A MUDAR OS HÁBITOS DIÁRIOS
C
om três cães em casa,
Dalva Imamura man-
tém uma rigorosa roti-
na de higiene. Todas as ma-
nhãs lava e desinfeta toda a
área externa, onde ficam os
animais. Mas a mangueira,
que em 15 minutos gastava
280 litros de água, já deu lu-
gar ao balde: "Estou usando
a água da piscina que enche-
mos no réveillon". Mantida
com cloro, "por causa da den-
gue", a piscina de 6 mil litros
tornou-se um reservatório ex-
tra. Além da limpeza diária,
sua água é aproveitada tam-
bém no banheiro, onde vez por
outra substitui a descarga.
Embora more em Registro,
um oásis em meio à crise hí-
drica que assombra milhões
de pessoas no sudeste do
país, a família de Dalva deci-
diu adotar um novo compor-
tamento em relação à água.
Nada de mangueira, economia
no banheiro, aproveitamento
de água de chuva coletada em
baldes e torneira fechada na
cozinha. "Usamos duas bacias
para lavar a louça: uma para
ensaboar e outra para enxa-
guar", explica.
A crise não chegou e nem
chegará ao Vale do Ribeira.
"O Ribeira tem água de mon-
te", garante o diretor regional
do DAEE (Departamento de
Águas e Energia Elétrica), Ney
Ikeda. Mas o choque causado
pelo bombardeio de notícias
sobre a situação extremamen-
te crítica em São Paulo e outras
regiões fez com que muitos
moradores, assim como Dalva,
mudassem seus hábitos.
Levantamento da Sabesp
(Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo)
confirma que no último ano o
consumo de água caiu em toda
a região. De 13.100 litros por
residência, em janeiro de 2014,
o gasto médio mensal baixou
para 12.520, em janeiro de
2015. São 57,6 milhões de litros
poupados por mês, suficientes
para abastecer um município
do porte de Miracatu.
Cajati é uma das cidades
com maior redução de consu-
mo. Em média, cada residên-
SueliCorrea
Dalva aposentou a mangueira e usa a água da piscina que encheu
em dezembro
Akira
construiu
um sistema
de captação
de água
de chuva
para lavar o
quintal
cia deixou de gastar 1 mil li-
tros por mês, 7,3% menos do
volume consumido um ano
atrás. A água economizada
poderia atender mais de 1.600
pessoas. Registro não ficou
muito atrás. A poupança su-
priria com folga 500 casas -
um bairro do tamanho do Xan-
grilá.
"A crise está fazendo com
que pessoas se conscientizem
sobre o valor da água", obser-
va Ney Ikeda. "E esse é o seu
aspecto positivo."
ABENÇOADA CHUVA > Dez
anos atrás, quando muita gen-
te ainda nem se dava conta de
que um dia poderia enfrentar
a escassez, o topógrafo Akira
Hanawa, então funcionário da
Sabesp em Registro, construiu
em sua casa um sistema para
aproveitar a água da chuva na
lavagem do quintal. "Tínha-
mos nove cachorros e gastá-
vamos muita água para limpar
xixi e cocô todos os dias", lem-
bra.
O número de cães dimi-
nuiu um pouco. Hoje são cinco,
todos idosos. Mas a necessi-
dade de água continua a mes-
ma e o sistema é usado diaria-
mente. Ele é composto por um
reservatório subterrâneo de
concreto, com mais de 1.500
litros, e uma pequena bomba,
que impulsiona a água até o
encanamento ligado às tornei-
ras do quintal. A chuva que
desce pelas calhas da casa cai
em uma caixinha azulejada,
decanta, passa por uma tela e
é armazenada na cisterna.
Para usar, basta ligar a
bomba e conectar a manguei-
ra na torneira mais próxima.
Sem culpa.
Mônica Nogueira Lima
Registro/SP, março de 2015 7
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
Água do rio Juquiá para as torneiras
de sete cidades da Grande SP
Mais de 40 anos na mira do governo
OBRA COMEÇOU EM ABRIL DE 2014 E VAI ATÉ 2017. CAPTAÇÃO SERÁ NA REPRESA DO FRANÇA, QUE
BLOQUEIA O RIO HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO PARA GERAR ENERGIA PARA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO
O
rio Juquiá já não corre
livre há 57 anos. Suas
águas são barradas
em seis pontos, de Ibiúna a
Juquiá, onde formam represas
destinadas à geração de ener-
gia elétrica para a Companhia
Brasileira de Alumínio (CBA),
do grupo Votorantim. A mais
antiga, Cachoeira do França,
entrou em operação em 1958
e se localiza entre Ibiúna e Ju-
quitiba. É dela que, a partir de
2017, será retirada água para
suprir as torneiras de 1,5 mi-
lhão de moradores de sete ci-
dades da região oeste da Gran-
de São Paulo.
Essas pessoas serão aten-
didas pelo Sistema Produtor de
Água São Lourenço, em cons-
trução desde abril do ano pas-
sado. A obra é executada por
uma Parceria Público Privada
(PPP), que envolve um consór-
cio formado pelas construtoras
Camargo Corrêa e Andrade
Gutierrez e a Companhia de
Saneamento Básico do Estado
de São Paulo (Sabesp). O custo
- de R$ 2,2 bilhões - corre por
conta do consórcio.
"A obra não trará qualquer
prejuízo à população do Vale do
Ribeira e nem danos ambien-
tais", resumiu a Sabesp em nota
enviada no dia 5 de fevereiro ao
jornal Viva Gente, que questio-
nara a empresa quanto ao im-
pacto do São Lourenço sobre a
vazão da bacia do Ribeira, na
qual está inserido o rio Juquiá.
Segundo o Relatório de
Impacto Ambiental do proje-
N
ão é de hoje que se
pensa em levar água
da bacia do Ribeira
para abastecer a região metro-
politana de São Paulo. Plano
Diretor de Águas lançado há
mais de 40 anos já falava em
reversão do rio Juquiá. O pro-
jeto foi detalhado em 1980, no
governo de Paulo Maluf. Seria
uma obra faraônica, a vencer
700 metros de desnível, com-
posta de uma sequência de
barragens e túneis, que con-
duziriam a água até uma usi-
na gigante de bombeamento.
Na primeira etapa, a in-
tenção era desviar 69 mil li-
tros de água por segundo do
afluente do Ribeira, podendo
chegar a 98 mil na fase final.
Uma quantidade imensa, bem
mais do que toda a região
metropolitana consome hoje.
Maluf deixou o governo e seus
sucessores engavetaram o
projeto.
“Naquela época já havia a
previsão de que São Paulo pre-
to, disponível para consulta no
site da Sabesp, a diminuição
na vazão causada pelo novo
sistema afetará os reservató-
rios de Fumaça, Barra, Porto
Raso, Alecrim e Serraria (todos
da CBA), o trecho de planície
do rio Juquiá e a parte do rio
Ribeira de Iguape a jusante da
foz do Juquiá (trecho de Regis-
tro e Iguape).
Entretanto, a quantidade
de água a ser retirada equivale
a menos de 10% da vazão mé-
dia no baixo curso do rio Ju-
quiá, "onde a disponibilidade
hídrica é muito maior que as
demandas", prossegue o rela-
tório. "E a redução prevista não
afetará qualquer uso da água
cisaria transpor água para o
abastecimento e estudos mos-
traram que a bacia do Ribeira
tinha volume suficiente para
abastecer duas metrópoles de
hoje”, revela Ney Ikeda, dire-
tor regional do DAEE (Depar-
tamento de Águas e Energia
Elétrica) e secretário executi-
vo do Comitê da Bacia do Ri-
beira e Litoral Sul.
“O único projeto que não
saiu do papel e, sim, teria mu-
dado as coisas data de 1972”,
disse em julho passado ao jor-
nal espanhol El País o presi-
dente do Conselho Mundial da
Água, Benedito Braga, atual
secretário estadual de Sanea-
mento e Recursos Hídricos. “O
governo estudou a alternativa
de trazer água do baixo Ju-
quiá e transpor até São Paulo.
O projeto previa a possibilida-
de de trazer 83 metros cúbicos
por segundo, que é mais do
que o consumo atual de São
Paulo (70m³)”. Segundo Braga,
a execução levaria dez anos.
na região", assegura.
Quem mais tem a perder
com essa história é a CBA, que
há décadas usa todo o potencial
hidráulico do rio - entre a borda
do planalto e a planície do Ri-
beira - para gerar boa parte da
energia elétrica que consome.
A possibilidade de deriva-
ção de um volume de até 4.700
litros por segundo para abaste-
cimento da Região Metropolita-
na foi garantida em 1996, pelo
decreto federal que renovou a
concessão para a CBA. Essa
outorga vencerá em 2016 e já se
especula que o governo paulista
teminteresseempleitearumvo-
lume maior para a produção de
água no sistema São Lourenço.
Já o Sistema Produtor São
Lourenço, hoje em obras e
também focado no rio Juquiá,
é um espirro se comparado à
proposta anterior. Sua vazão
será de 4.700 litros por segun-
do, 5% do que se chegou a pre-
tender décadas atrás.
Em dezembro passado, a
grande imprensa noticiou que
o governo paulista teria soli-
citado ao DAEE a ampliação
do volume a ser captado para
6.400 litros por segundo. Ques-
tionada, a Sabesp não confir-
mou a informação. Nem negou.
OBRA EMERGENCIAL >
Por outro lado, a companhia
de saneamento já divulgou ofi-
cialmente que ainda em 2015
planeja executar obra emer-
gencial para transpor água do
alto Juquiá até a represa Gua-
rapiranga. O objetivo, segun-
do a Sabesp, é transferir mil
litros de água a cada segundo,
volume suficiente para aten-
der 300 mil pessoas.
OBRA > Mais de mil metros
de adutoras do Sistema São
Lourenço já foram assenta-
dos. Uma parte da tubulação
principal tem 2,10 metros de
diâmetro, metade de um túnel
de metrô. Além de adutoras,
serão instalados uma estação
de tratamento, estações eleva-
tórias (para bombeamento) e
reservatórios com capacidade
para armazenar 110 milhões
de litros.
O sistema terá extensão to-
talde83km.SegundoaSabesp,
é uma obra de grande porte e
complexa, que tem entre seus
pontos principais o bombea-
mento da água para superar o
desnível de 300 metros da Serra
O projeto prevê captar
água no trecho de Juquitiba, a
70 km da capital, e bombeá-la
por uma tubulação de 5,5 km
até a cabeceira do rio Santa
Rita, que deságua no rio Em-
bu-Guaçu, um dos formadores
de Paranapiacaba.
A tubulação que levará a
água até as residências inclui
ainda um túnel de 1.100 metros
pela serra e uma passagem por
baixo da rodovia Raposo Tava-
res, por meio de método não
destrutivo, sem que seja ne-
cessário interromper o tráfego
para a execução.
O projeto também prevê
ações sustentáveis. Os edifícios
da estação de tratamento de
água, em Vargem Grande Pau-
lista, terão ventilação e ilumina-
ção naturais, por energia solar,
além de reuso de água de chuva.
Embora apontado por estu-
do da Revista Exame e a KPMG
Auditores como o quarto prin-
cipal projeto de infraestrutura
entre os 15 mais importantes
para o Brasil na atualidade, o
Sistema São Lourenço parece
até modesto quando compara-
do à imensidão do volume de
água necessário para prover a
Região Metropolitana de São
Paulo, que é de 70 mil litros por
segundo.
Ele produzirá 4.700 litros de
água a cada segundo, suficien-
tes para garantir por 15 anos a
segurança no abastecimento
aos habitantes de Barueri, Ca-
rapicuíba, Cotia, Itapevi, Jan-
dira, Santana de Parnaíba e
Vargem Grande Paulista. Para
se ter uma ideia em termos de
grandezas, o Sistema Cantarei-
ra sozinho, mesmo em seu pior
momento, produz hoje 18.500
litros por segundo. A capacida-
de normal é de 33 mil.
da represa Guarapiranga. A
obra vai custar aproximada-
mente R$ 75 milhões, está em
fase de projeto e orçamento,
e a proposta é concluí-la até
o início do segundo semestre
deste ano.
Rio Juquiá em Juquitiba
mônica nogueira lima
NasederegionaldoDAEE,emRegistro,odiretorNeyIkedamostra
maquetedeantigoprojetofaraônicoparareversãodeáguadorioJuquiá
Registro/SP, março de 20158
CRIME AMBIENTAL. ATÉ QUANDO?
Falta de legislação ambiental provoca
mortandade de peixes no litoral sul
HÁ UMA BRECHA NA LEGISLAÇÃO RECONHECIDA ATÉ MESMO POR AUTORIDADES AMBIENTAIS. ESSA
LACUNA É RESPONSÁVEL PELA MORTE DE MILHARES DE ESPÉCIES MARINHAS, ENTRE ELAS TARTARUGAS
VERDES, AO LONGO DAS PRAIAS DE CANANÉIA, IGUAPE E ILHA COMPRIDA
M
ais de oito toneladas
de peixes aparece-
ram mortos ao longo
dos 74 km de orla da Ilha Com-
prida, em praias do Parque
Estadual da Ilha do Cardoso,
e na Barra do Ribeira, duran-
te o mês de janeiro, num dos
maiores crimes ambientais
cometidos contra a fauna ma-
rinha na região. Os responsá-
veis são as embarcações de
parelha que, sem respeitar os
limites da área de pesca e em
busca apenas dos camarões,
lançam redes finas em áreas
proibidas e descartam milha-
res de peixes, entre os quais
espada, vivoca, betara, roba-
lo, pescada, curvina e outros.
Interessadas apenas pe-
los camarões e limitadas a
pescar a pelo menos 1,5 milha
da costa, as embarcações uti-
lizam malhas finas, revolvem
o fundo do oceano e capturam
espécies em fase de desenvol-
vimento. No dia 13 de janeiro,
foram flagradas quatorze em-
barcações de parelha na orla
da Ilha Comprida em plena
atividade ilegal, a apenas 400
metros da costa, quase na ar-
rebentação das ondas.
Uma dessas embarcações
estava tão próxima que foi
possível identificar seu nome:
Tubarão K. Um dos pescado-
res a bordo chegou a provocar
o fotógrafo sinalizando que as
fotos não dariam em nada.
Em documento expedido
à população, a APA Marinha
Litoral Sul/ARIE do Guará re-
conhece que “atualmente não
há legislação específica que
proíba o descarte da fauna
acompanhante e os pescado-
res armazenam e embarcam
somente o camarão e outros
peixes de valor comercial”.
No comunicado, a diretoria da
APA pede às pessoas que de-
nunciem a presença das em-
barcações de arrasto na costa.
O técnico da Divisão de
Econegócios do município
de Ilha Comprida, Cristian
Negrão da Silva, lamentou
o crime ambiental “altamen-
te prejudicial” ao complexo
lagunar estuarino de Ilha
Comprida- Iguape- Cananéia,
considerado um dos maiores
viveiros de espécies marinhas
Milhares de peixes mortos cobriram a faixa de areia nos 74 km da
orla praia de Ilha Comprida, em janeiro
Flagrante de parelha bem próxima da costa
do mundo. Segundo Cristian,
o que ocorre prejudica de ma-
neira drástica a vida marinha
da região. “É muito triste você
ver milhares de peixes filho-
tes mortos ao longo de deze-
nas de quilômetros de praias.
São necessárias providências
urgentes”, afirmou.
Denúncias sobre a presen-
ça de embarcações de arras-
to podem ser feitas ao Pelotão
Marítimo de Cananéia, pelo
telefone (13) 3851-1250.
Registro/SP, março de 2015 9
CÓDIGO FLORESTAL PAULISTA
Retrocesso
ou mais do
mesmo?
APESAR DA CRISE DA ÁGUA, LEI QUE INSTITUI
PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL
EM SÃO PAULO NÃO TRAZ AVANÇO NA
PROTEÇÃO A NASCENTES, MANANCIAIS E RIOS
A
preocupação em con-
servar nascentes, ma-
nanciais e rios pas-
sou longe da lei que institui
o Programa de Regularização
Ambiental - e regulamenta o
código florestal em território
paulista -, sancionada em 14
de janeiro pelo governador
Geraldo Alckmin.
Poderia ser pior. Alckmin,
porém, atendeu em parte aos
apelos de entidades ambien-
talistas e vetou alguns ar-
tigos que reduziriam ainda
mais a proteção de áreas de
vegetação nativa definida no
código federal.
"Tenho para mim que não
visa a proteção ao meio am-
biente. É mera lei para regu-
lar aspectos burocráticos e
de cadastramento de interes-
se das empresas que atuam
no agronegócio. Não há uma
vírgula em termos de avanço
da mais que necessária tute-
la ambiental", opina o defen-
sor público Wagner Giron de
la Torre, registrense radicado
em Taubaté.
De autoria dos deputa-
dos estaduais Barros Mu-
nhoz (PSDB), Campos Ma-
chado (PTB), Estevam Galvão
(DEM), Itamar Borges (PMDB),
José Bittencourt (PSD) e Ro-
berto Morais (PPS), o projeto
219/2014, que originou a lei
15.684, chegou a ser conside-
rado uma "versão piorada" do
código florestal brasileiro edi-
tado em 2012.
"Esse código já se afigu-
rou um desastre em termos
climáticos", diz Wagner. "Não
só destroçou a norma anterior,
muito mais avançada, como
também autorizou o desma-
tamento em biomas sensíveis
em área relativa ao dobro do
que antes era permitido, le-
galizou plantios industriais
deletérios em topos de morro
e encostas e isentou grandes
senhores rurais das multas
pelas devastações consuma-
das antes de sua vigência. Um
desastre, cujos efeitos já esta-
mos sentindo de forma aguda
pela crise hídrica que assola a
região sudeste", prossegue.
Entre os artigos não ve-
tados por Alckmin na lei pau-
lista, e que fragilizam ainda
mais a proteção ao meio am-
biente, está o 27, que dispen-
sa proprietários de reserva
rural da obrigatoriedade de
recompor a mata nativa, esta-
belecida pelo código federal,
desde que tenham feito corte
de mata de acordo com as leis
anteriores.
A lei de São Paulo herdou
ainda um dos maiores pro-
blemas da norma federal: a
variação da faixa de proteção
em margens de rios e nascen-
tes de acordo com o tamanho
da propriedade. É a chamada
"regra escadinha". Para imóvel
rural menor, a faixa de prote-
ção também é menor, poden-
do chegar a ínfimos 5 metros.
"Não existe fundamento
científico", rebate o engenhei-
ro agrônomo Jozrael Henri-
ques Rezende, coordenador
do curso de meio ambiente
e recursos hídricos da Fatec
de Jaú. Para evitar a erosão e
atuar como barreira para que
os venenos agrícolas não atin-
jam a água, a faixa mínima de
mata protegida deveria ser de
30 metros, segundo o diretor
de políticas públicas da SOS
Mata Atlântica, Mário Monto-
vani.
OMISSÃO > "A omissão e a
ausência de vontade admi-
nistrativa para implementar
políticas ambientais sérias e
consistentes são de todos os
escalões políticos, da união,
estados e municípios, passan-
do pela alienação da socieda-
de e do setor industrial", aler-
ta o defensor público Wagner
de la Torre.
"A crise hídrica ao menos
tem o condão de chamar aos
olhos da população as seve-
ras consequências da forma
negligente com que todos tra-
tamos os ecossistemas. Quem
sabe faltando água, sentindo
a falta desse patrimônio am-
biental essencial na pele, a
sociedade repense a maneira
“Quemsabefaltandoágua,
sentindoafaltadessepatrimônio
ambientalessencialnapele,a
sociedaderepenseamaneiracomo
serelacionacomanatureza”-
WagnerdelaTorre,defensorpúblico.
“
Mataprotegidaem
margensderios
deveriateraomenos
30metrosparaevitar
erosãoebarrar
defensivosagrícolas,
mas,dependendo
dotamanhoda
propriedaderural,
leisfederaleestadual
permitemreduçãoaté
5metros
como se relaciona com a natu-
reza", prossegue.
"Precisamos que gover-
nantes, políticos e empresá-
rios assumam a emergência
ambiental e priorizem a cons-
trução de medidas de políti-
cas públicas sérias, como a
efetiva recuperação das áreas
de reserva legal nas proprie-
dades rurais, a recuperação
das áreas de mata ciliar, o
processo de despoluição mas-
siva dos rios, o reflorestamen-
to maciço e a recuperação
dos mananciais, entre outras,
além de investimento em edu-
cação ambiental, em todas as
séries do ensino fundamental
até o nível médio, para mino-
rarmos um pouco os estra-
gos que nosso modo de vida
consumista e artificial tem
produzido nos ecossistemas",
conclui.
Ausência de mata ciliar ameaça os corpos d’água
Sueli Correa
Arquivo pessoal
Registro/SP, março de 201510
EMPREENDORISMO CRIATIVO
Matéria-prima caiçara
vira fonte de renda
N
os finais de semana e
feriados é comum en-
contrar no centro de
Cananéia uma réplica de barco
branco, que tem dentro uma
pequena poltrona estofada e,
se é noite, devidamente ilumi-
nado para que o cliente veja
com clareza os peixes, cama-
rões e ovas defumados. Trata-
se de uma marca artesanal – a
Defumado Caiçara – criada há
dois anos por Jefferson Bileska
Maraschi. Ele aproveitou a
matéria-prima abundante em
Cananéia – peixes e camarões
– e agregou valor a um produto
altamente perecível. Assim, fi-
lés de robalo, tainha, pescada,
bagre, camarões e ovas de tai-
nha, entre outros peixes, trans-
formam-se em defumados.
Ele diz que criou a marca
para atender uma necessida-
de de mercado. Lembrou, en-
tão, que dez anos atrás havia
um produtor de defumados na
cidade. Procurou seus antigos
colaboradores que o ajudaram
a chegar a um padrão. Esse pe-
ríodo experimental ocupou o
primeiro ano da atividade, épo-
ca em que a produção era feita
em tambores de petróleo.
Depois de chegar ao ponto
de comercialização, Jefferson,
que mora há mais de vinte anos
em Cananéia, montou uma pe-
quena cozinha industrial, com
defumador e câmara fria, e ini-
ciou a produção. Ele revela que
a diferença entre seu produto e
o defumado tradicional é que
os filés que comercializa não
têm espinha. Também escolhe
a dedo o peixe que vai utilizar,
visando uma padronização dos
produtos já que, em média, um
peixe de um quilo se trans-
forma em 200 gramas após o
processo de defumação. Além
disso, o processo é diferenciado
para cada espécie e o processo
de defumação dura em média
trinta horas, mais outras doze
horas para transpiração. Só
então o produto é embalado e
pronto para ser comercializado.
Durante a semana, ele pro-
duz os defumados e, nos finais
de semana, os vende no centro
da cidade e na feira do produ-
tor. “O produto está sendo bem
aceito por todas as classes”,
assegura Jefferson, que atende
caiçaras e turistas, já vendeu
pelo facebook e enviou via cor-
reio encomendas para vários
estados brasileiros.
“Loja”
móvel em
forma de
barco tem
bicicleta
como
estrutura
Jefferson diz que faz ques-
tão de trabalhar com peixe
fresco e padronizado e valori-
zar o pescador, atividade que
ele também exerce. “O pesca-
dor normalmente é muito des-
valorizado”, opina.
Inicialmente, Jefferson ofe-
receu sua produção para os
restaurantes da cidade, mas
não houve interesse. Então,
montou a “loja” móvel para
vender seu peixe. Quando en-
cerra o expediente, guarda a
produção num compartimento
feito especialmente para o es-
toque, monta na bicicleta que é
a estrutura da réplica de barco
e volta para casa .
O sucesso do produto vem
do conjunto da criatividade da
produção, os defumados, e da
réplica de barco que, de ime-
diato, seduz o olhar.
Produzindo defumados de peixes e camarões, Jefferson agregou
valor a um produto altamente perecível
SueliCorrea
Sueli Correa
Registro/SP, março de 2015 11
Quem casa
quer... festa!
AMOR & NEGÓCIOS
CASAMENTOS MOVIMENTAM MAIS
DE R$ 5 MILHÕES AO ANO E SÃO
PRINCIPAL FONTE DE RENDA DE VÁRIOS
PROFISSIONAIS DE EVENTOS
O
s casamentos estão
em alta. O mercado
de cerimônias e festas
também. E ao mesmo tem-
po em que os profissionais
envolvidos se aprimoram e
oferecem serviços cada vez
melhores no Vale do Ribeira,
os negócios crescem e movi-
mentam mais de R$ 5 milhões
ao ano em Registro e cidades
próximas.
O número de casais que
disseram sim diante do juiz
de paz aumentou 33% em Re-
gistro nos últimos dez anos,
segundo dados do IBGE. Em
Cajati, 28%. Durante 2013, os
cartórios das duas cidades re-
alizaram 377 e 218 casamen-
tos, respectivamente. Calcu-
la-se que ao menos 10% des-
sas uniões foram comemora-
das com festas memoráveis, a
maioria às custas dos noivos.
"Hoje o mais comum é que
o próprio casal banque a fes-
ta, e não mais os pais da noi-
va, como era costume antes.
São noivos de 28, 30 anos de
idade, profissionais liberais
ou com bons empregos, que
têm estabilidade financeira e
até já compraram a casa em
que vão morar ou estão mo-
rando", revela Dani Tsunoda,
cerimonialista de Registro,
que organiza e assessora ca-
samentos na região há quase
seis anos.
Um casamento sem es-
tresse, com assessoria com-
pleta, banda, limousine para
a noiva e tudo o mais que se
tem direito pode custar até R$
120 mil em Registro. Segundo
Dani, porém, a maioria convi-
da 300 pessoas e gasta R$ 50
mil em média, fora as despe-
sas com vestido, terno, sapa-
tos, salão de beleza e noite
de núpcias. Não é pouco, mas
ainda sai mais em conta casar
no Vale do Ribeira que em ou-
tras regiões.
A jornalista Priscila Fran-
co e o analista de suporte
Bruno Dutra casaram-se em
outubro de 2014, em Presiden-
te Prudente. Cuidaram pesso-
almente de todos os detalhes,
pesquisaram preços incansa-
velmente, fizeram eles mes-
mos os convites, as lembran-
cinhas e outras "frescurinhas",
usaram muito a internet como
aliada, tiveram descontos es-
peciais de fornecedores que
são da mesma igreja deles e
conseguiram economizar bas-
tante. Mesmo assim, desem-
bolsaram R$ 40 mil em uma
cerimônia para 200 pessoas.
"O número de convidados
é o que mais pesa no preço.
É primeira pergunta que faço
aos casais que me procuram.
Depois pergunto quanto eles
têm para gastar e planejo
o evento com base no orça-
mento deles, deixando sem-
pre uma margem de 10% para
despesas extras", explica a
cerimonialista Dani.
É claro que ninguém tem
dinheiro pra jogar fora. Mas
se é pra fazer festa, que seja
boa. Por isso, na hora de es-
colher o que será servido aos
convidados, quase todos op-
tam pelo jantar completo. No
Estoril, em Registro, onde
acontece grande parte das
festas, o jantar sai a R$ 55,00
por pessoa, fora as bebidas.
"A grande vantagem é que o
salão está incluído no valor",
diz Dani. Se fosse para pagar
pelo espaço, seriam mais R$
2 ou R$ 3 mil.
Uma das dificuldades
apontadas por quem trabalha
em casamentos é justamente
o local da comemoração. As
alternativas são poucas, de-
pendendo da quantidade de
convidados. E é preciso muita
antecedência para conseguir
data no disputado Estoril, por
exemplo, que comporta um
grande número de pessoas e
é bem equipado.
Mas para quem está pen-
sando em investir num salão
para receber festas de vulto,
não basta contar com um es-
paço grande. "Precisa ter ba-
nheiros bem cuidados e em
número suficiente, cozinha
ampla e equipada, além de
ser um local bom, bonito e se-
guro", observa.
Uma nova boa opção, se-
gundo Dani, é o Espaço Gra-
mado, em Jacupiranga, no km
01 da estrada do Canha: "Eles
estão se equipando, têm um
bom bufê, uma cozinha mo-
derna e o lugar é bem bonito".
ATÉ SEIS NO MÊS > Alguns
prestadores de serviços da
região têm nos casamentos
uma de suas principais fonte
de renda. São cerimonialistas,
bufês, decoradores, doceiras,
boleiras, fotógrafos, videogra-
fistas, equipes de som e luz,
músicos, garçons, pessoal de
apoio, das lembrancinhas, do
bolo cenográfico, enfim, um
batalhão de 50 a 60 pessoas
por evento, trabalhando duro
e em sintonia para que o mo-
mento dos sonhos se concreti-
ze com perfeição.
Mesmo na entressafra
casamenteira, que vai de de-
zembro a março, tem gente
que não para. É o caso do DJ
Emerson Tamásia, especialis-
ta em som e iluminação para
festas de casamento, que nes-
te ano já está no ritmo dos en-
laces desde janeiro. Emerson
diz que na época de maior mo-
vimento, entre abril e novem-
bro, sua equipe chega a traba-
lhar em até seis casamentos
por mês, "às vezes dois em um
mesmo sábado".
O fotógrafo Wagner As-
sanuma, com 24 anos de ex-
periência no tema, também
é figura constante nos pre-
parativos, altares e festas da
região, principalmente em
Registro, Jacupiranga, Caja-
ti e Sete Barras. Dedica-se a
três casamentos por mês, em
média. Faz cerca de 1.500 fo-
tos em cada um, das quais
são selecionadas de 400 a 500
para o CD, que é entregue aos
noivos junto com um álbum
índice. Depois, se o casal qui-
ser, pode escolher as melho-
res para compor um belo livro.
"Foto de casamento não
pode dar erro, porque não
tem como repetir o momento.
Então requer muita prática. E
também é preciso se reciclar
todos os dias, ter sempre um
novo olhar", explica o fotó-
grafo, que agora trabalha em
conjunto com o videografis-
ta Victor Yagyu. O resultado
dessa união de foto e vídeo
não poderia ser melhor. "Ele
é jovem, tem uma nova visão,
uma nova linguagem, e isso
faz com que eu me renove
também", diz.
Dani Tsunoda, cerimonialista, já tem casamentos agendados até o
fim do ano
Wagner Assanuma, fotógrafo: “É preciso se reciclar todos os dias”
Wagner Assanuma
Mônica Nogueira Lima
Registro/SP, março de 201512
Procuramos padrinhos
e madrinhas...
Ser humano é ser amigo dos animais
SE VOCÊ AMA OS ANIMAIS, MAS NÃO PODE ADOTAR,
APADRINHAR É UMA ÓTIMA SAÍDA
O
Grupo de Proteção aos
Animais do Vale do
Ribeira (GPAVR) lan-
çou, em fevereiro, o sistema de
apadrinhamento dos animais,
em que os interessados podem
contribuir financeiramente
com o cãozinho/gatinho de sua
escolha e acompanhar seu dia
a dia no GPA até ser adotado.
O apadrinhamento foi implan-
tado com o objetivo de garan-
tir recursos fixos ao GPA para
cuidar dos cerca de cem ani-
mais que vivem em sua sede
do Xangrilá, em Registro.
Como o grupo não conta
com recursos públicos para
manutenção, o apadrinha-
mento é uma das alternativas
econômicas para viabilizar os
trabalhos. Os recursos serão
utilizados na compra de ração,
medicamentos, vacinação e
todas as medidas necessárias
para manter a saúde dos ani-
mais até a adoção. Valem tam-
bém visitas, carinho, mimos e
presentinhos, como casinhas,
coleiras e remédios contra pul-
gas e carrapatos e ossinhos.
Nas redes sociais, o animalzi-
nho vai aparecer com o nome
Dinho chegou um palito de tão
magro. Tem um ano
Tigresa é especial. Foi
atropelada e perdeu o
movimento das patas traseiras
Ninja marrom, a rainha do GPA.
É ela quem manda
Samantha vivia com um
andarilho na BR-116, quando
precisou parar para ter 9
samanthinhos, todos doados
do padrinho/madrinha.
O apadrinhamento con-
siste em pagamento mensal a
partir de R$ 40,00, que pode
ser feito por boleto bancário
ou carnê, enviados por e-mail
ao interessado. No site www.
gpavaledoribeira.com estão
disponíveis todas as informa-
ções para apadrinhar os ani-
mais e as fotos dos candidatos.
Novas Pittys e Freds virão, mas também somos muitos
Com sarna, feridas, tristes,
doentes e assustados, Pitty e
Fred chegaram ao GPA no fi-
nal de 2014. Graças ao apoio
de muitas pessoas, foram tra-
tados, ganharam remédios, ca-
rinho e estão se tornando cãe-
zinhos fortes e felizes, como
todos devem ser. Fred está
cada dia mais alegre. E pa-
rece incrível comemorar isso,
mas Pitty já está abanando o
rabinho quando vê as pesso-
as. Isso é tudo para quem ama
os animais! O GPA agradece a
todos que ajudaram a cuidar
da Pitty e do Fred. Novas cãe-
zinhos virão. São muitos. Mas
também são muitas as pesso-
as que amam os animais.
ANTES: Pitty quando chegou DEPOIS: Agora ela está mais
forte e feliz
ANTES: Fred veio doente e
assustado
DEPOIS: Agora está cada dia
mais alegre
Com apoio de todas as
ONGs protetoras de animais
da região, o Grupo de Proteção
aos Animais do Vale do Ribei-
ra (GPAVR) lança a campanha
regional "Castração Já" para
mobilizar a sociedade a cobrar
ações municipais em prol do
controle da superpopulação de
cães e gatos nas cidades.
O GPA defende o investi-
mento em campanhas maciças
de castração, já que uma ca-
chorrinha e seus descendentes
podem gerar – em 6 anos – 73
mil cãezinhos. E uma gata com
vida reprodutiva pode deixar
até 240 mil gatinhos.
De acordo com o grupo, a
solução para esse problema
parece difícil, mas não é. “Há
alternativas concretas. Há uni-
versidades e empresas de Me-
dicina Veterinária que realizam
castrações a preços subsidia-
dos. Há financiamentos dos ór-
gãos do governo estadual para
programas de castração nas ci-
dades. O problema é que faltam
projetos nesse sentido. Falta
uma pessoa na administração
realmente interessada em so-
lucionar o problema. É possível
resolvê-lo. O que não se pode
mais é fingir que a questão dos
animais abandonados e das
crias indesejadas é de outro
planeta. Não é. Está em cada
esquina de cada cidade”, des-
taca a diretoria do grupo.
Ainda de acordo com o
GPA, enquanto não houver in-
vestimento em políticas públi-
cas voltadas aos animais, as
ONGs e protetores enxugarão
gelo recolhendo cães e gatos em
situação de quase morte, atro-
pelados, vítimas de maus tratos,
mães com crias nas ruas. Para o
grupo, eles não são animais de
rua. “São o reflexo da omissão
de muitos anos de braços cruza-
dos e do silêncio do poder públi-
co, que tem a obrigação legal de
investir no setor”.
Acompanhe a situação
de sua cidade
Registro > Parceria com o
GPA garante a castração men-
sal de dez animais em situação
de rua recolhidos pela entidade
ou em situação de rua. Municí-
pio também realizou junto com
o GPA campanha de castração
com preço subsidiado que este-
rilizou 240 animais em 2014.
Ilha Comprida > Campanha
maciça de castração esterilizou
2.182 animais em 2014 gratui-
tamente para os animais per-
tencentes às pessoas inscritas
nos programas sociais e enca-
minhados por ONGs parceiras.
Foram realizadas também cas-
trações a preços subsidiados
para os que não se encaixam
nesta categoria. O município
mantém centro de controle de
zoonoses, atendimento a ani-
mais em situação de rua, chi-
pagem, expedição de carteira
de identificação animal e área
exclusiva para recolhimento de
cavalos.
Sete Barras > Em reunião
com o GPA e protetores da ci-
dade, o prefeito Miro Kabata
anunciou a intenção de estudar
uma proposta de trabalho de
controle da superpopulação de
cães e gatos de rua.
Jacupiranga > O prefeito
José Macedo esteve em reu-
nião com a diretoria do GPA e
recebeu projetos de controle
permanente para a realização
de campanhas de castração de
cães e gatos. O prefeito anun-
ciou empenho para implantá-
los ainda em 2015.
Cajati > Já foram realizadas
duas reuniões do GPA com equi-
pe técnica da Prefeitura, que
está com projetos de castração.
Iguape > O prefeito Toni Ri-
beiro esteve reunido com o GPA
e integrantes da Gaari e anun-
ciou empenho na realização de
campanhas de castração e na
doação de uma área para o Ga-
ari construir a sua sede.
Cananéia > Chegou a anun-
ciar uma campanha de castra-
ção, mas não aconteceu.
Pariquera-Açu > Reunião
com equipe técnica realizada
em 2014 sinalizou uma possível
campanha de castração e ações
em prol do controle da superpo-
pulação de cães e gatos.
Cobre das autoridades
campanhas de castração
em suas cidades.
Com fotos de todos os cãezinhos e gatinhos para adoção,
sistemas de contribuição por boleto bancário ou Pag Seguro,
visita virtual na sede, ofertas do bazar permanente e muitas
novidades, nasceu em fevereiro o novo site do Grupo de
Proteção aos Animais do Vale do Ribeira (GPAVR). O endereço
é www.gpavaledoribeira.com.
A webmaster voluntária Gisele Carva-
lho explica que o objetivo
é facilitar as adoções, os
apadrinhamentos e as
contribuições ao grupo,
que não conta com verbas
públicas para sua ma-
nutenção. Atualmente,
o GPA abriga cerca de
cem animais, muitos que
chegaram em situação
de extremo sofrimento
e precisam de ração e
cuidados especiais.
TRABALHO VOLUNTÁRIO > O GPA não tem plantão de aten-
dimento, nem viaturas, nem clínica e nem veterinários. Todo
o trabalho é voluntário e todos os tratamentos e medicamen-
tos são pagos pelos integrantes do grupo. Por esse motivo é
tão importante a contribuição da sociedade. Além do site, os
trabalhos do GPA podem ser acompanhados diariamente pelo
facebook gpavaledoribeira.
De segunda a sexta-feira, das 14 às 18 horas, o GPA man-
tém aberto ao público o bazar da pechincha permanente, que
funciona em sua sede, na rua Tanzânia , 95, na parte alta do
Jardim Xangrilá, em Registro. O telefone do GPA é 3821-8082,
atendimento de segunda a sexta, das 14 às 18 horas. O GPA
aceita doações de medicamentos, ração, móveis, roupas e
utensílios domésticos.
Campanha Castração Já: CÃES E GATOS EM SOFRIMENTO
NAS RUAS REFLETEM A OMISSÃO DO PODER PÚBLICO Novo site do GPA traz fotos
de todos os cãezinhos e
gatinhos para adoção
E CONTA COM SISTEMAS DE CONTRIBUIÇÃO
POR BOLETO BANCÁRIO OU PAG SEGURO
Registro/SP, março de 2015 13
Cachorrinha é alvo de
vingança contra tutor
CRIME BÁRBARO EM ELDORADO
CASOS COMO ESSE, QUE REVOLTOU MILHARES DE PESSOAS, SÃO MAIS COMUNS DO QUE
SE PENSA. NOS EUA, 70% DAS MULHERES AGREDIDAS RELATAM QUE SEUS AGRESSORES
AMEAÇARAM TAMBÉM SEUS ANIMAIS
O
crime bárbaro cometi-
do contra uma cachor-
rinha em Eldorado, no
dia 15 de fevereiro, revoltou
milhares de pessoas em toda
a região. A cadelinha foi quei-
mada viva num ato de vingan-
ça contra seu tutor, Eduardo
Pereira de Ramos, o Mineiro,
na casa em que vivia, na Vila
Incomager. Vizinhos tentaram
salvá-la, mas não deu tempo.
O autor da perversidade, Lu-
civaldo, o Vavau, foi preso em
flagrante.
O caso, de grande reper-
cussão, foi apenas mais um
entre tantos outros em que
animais domésticos são agre-
didos - e muitas vezes mortos
- por vingança. Muitos abusa-
dores domésticos ameaçam o
cão ou gato que convive com
a família por achar que essa
será uma maneira poderosa
de controlar e intimidar as
suas vítimas humanas. Ilus-
tra o tema o caso recente, no
Brasil, de uma mulher que fil-
mou secretamente o namora-
do maltratando os animais de
estimação.
De acordo com a Care2,
maior rede social de ativistas
pelo bem, metade de todas as
mulheres que são vítimas de
violência doméstica nos Es-
tados Unidos adiam escapar
da sua situação por medo do
que possa acontecer com seus
animais domésticos se elas
saírem de suas casas. Alguns
relatos dizem que mais de
70% das mulheres agredidas
contaram que seus agresso-
res prejudicaram, mataram ou
ameaçaram também os seus
animais.
Pesquisas indicam que
o abuso contra animais não
deve ser ignorado, mas enca-
rado como uma manifestação
de agressividade latente que
pode evoluir para um compor-
tamento violento contra hu-
manos.
“Muitas vezes, as vítimas
não fogem de uma situação
abusiva, se elas têm que dei-
xar um animal para trás, sem
proteção”, diz Vicki Deisner,
diretora legislativa da Socie-
dade Americana para a Pre-
venção da Crueldade contra
os Animais (ASPCA).
Atualmente, 27 estados
norte-americanos, mais o Dis-
trito de Columbia e Porto Rico,
permitem que um juiz inclua
os animais quando emite or-
dens de proteção doméstica.
“Muitas vezes, em situa-
ções de abuso, o animal do-
méstico pode ser um alvo. Se
o autor não pode acessar a ví-
tima, ele/ela transfere a raiva
Denuncie.
Ameaça
também é
crime
O seu silêncio é tudo o
que um criminoso precisa
para continuar maltratando
animais.
Não tolere e nem feche
os olhos para os maus tratos.
Fotografe, grave ou filme a
agressão, obtenha depoi-
mentos e provas e denuncie.
Cite a Lei Federal de
Crimes Ambientais 9.605, de
fevereiro de 1998 e o Código
de Proteção aos Animais do
Estado - 25/08/2005. A pena:
detenção de três meses a
um ano e multa. Telefone da
Polícia Ambiental no Vale do
Ribeira: (13) 3821-4733.
para um animal”, revela Sarah
Reynolds, diretora de assis-
tência às vítimas do Gabinete
do Condado de Erie, ao San-
dusky Register.
Fonte: Anda (Agência de Notícias
em Defesa dos Animais)
Nós vamos invadir a sua
casa. Vamos chegar quieti-
nhos, bonzinhos porque será
tudo novo. Em poucos minu-
tos, vamos nos soltar, fazer
pipi e cacas por todos os lu-
gares; vamos arrancar suas
plantinhas, roer seu sofá e
gritar muito de noite porque
não estamos acostumados a
dormir sozinhos. Vamos dar
um trabalhão!
Vamos crescer, precisar
de vacinas, de cuidados ve-
terinários, de banhos , vamos
Cãezinhos filhotes
e adolescentes
para adoção
PARA ADOTAR, LIGUE PARA O GPA: (13) 3821-8082,
DE SEGUNDA A SEXTA, DAS 14 ÀS 17 HORAS
envelhecer e amar você e sua
família, sempre. Entende?
Vamos dividir uma vida
inteira e isso é muito sério.
Para adotar , o telefone é
(13) 3821-8082, de segunda a
sexta, das 14 às 17 horas. Co-
nheça todos os animais para
adoção no site do Grupo de
Proteção aos Animais do Vale
do Ribeira (GPAVR): www.
gpavaledoribeira.com
Se você não tolera bagun-
ça, brincadeiras e quer tudo no
seu lugar, não tenha animais.
Margotinha, dois meses
As ONGs de proteção aos
animais exercitam diariamen-
te a arte da transformação.
Transformam roupas, calçados
e utensílios usados em ração,
medicamentos e recursos para
tratamento dos animais resgata-
dos em situação de sofrimento.
Por isso, a ajuda de todos para
as ONGs de suas cidades é tão
importante.
As ONGs aceitam móveis,
roupas, calçados e utensílios
A arte da transformação
GPA - Grupo de Proteção aos Animais do
Vale do Ribeira
Bazar permanente e sede: R. Tanzânia, 95, Xangrilá,
Registro-SP, tel. ( 13) 3821-8082
facebook.com/gpa.valedoribeira.com - site: www.
gpavaledoribeira.com
Conta poupança: Caixa Econômica Federal (CEF) -
Ag. 0903 - Conta 13 048-7
GAARI - Grupo de Apoio aos Animais de
Rua de Iguape
Tel. (13) 98215-1068 (Tim) ou 99645-8801 (Vivo)
facebook.com/gaari.voluntarios
E-mail: grupogaari@hotmail.com
Conta poupança: Bradesco - Ag. 2233-0 - Conta
0010312-8
Amicão Ilha Comprida
Bazar: Av. Copacabana, 79 - Boqueirão
facebook.com/amicãodailhacomprida
Tel. (13) 99615-5535
Conta corrente: Bradesco - Ag. 6986-8 - C/C: 505-3
ONG de Proteção Animal Clube do
Focinho - Miracatu
Contato: ongmiracatu@outlook.com
Resgate e Proteção Animal (RPA) de
Pariquera-Açu
facebook.com/pages/RPA-Resgate-e-Proteção-
Animal/134400333417241
Patinhas e Focinhos de Pedro de Toledo
facebook.com/patinhas.efocinhos.3
Cananeia Animal
E-mail: dzanelato@gmail.com
usados, livros, medicamentos,
ração e recursos. O apoio de to-
dos é o que move as ONGs. Saiba
como ajudar a ONG de sua cidade
ou forme uma nova instituição. A
proteção aos animais precisa da
organização da sociedade e muita
união. O Grupo de Proteção aos
Animais do Vale do Ribeira (GPA)
fornece orientações e modelos
de documentação e arrecadação
de recursos. Informe-se no site
www.gpavaledoribeira.com
Hiro, seis meses, tipo cocker
Lia, adolescente, super esperta
Natal, oito meses
Barbinha, três meses
Samanthinha, dois mesesGato Jorge, oito meses
Registro/SP, março de 201514
Venha
conhecer a
Av.Beira-Mar, 14.300 - Balneário Monte Carlo - Ilha Comprida- SP - Telefone: 13-3842-1797 - www.pousadapocagua.com.br
MÚSICA
Exilados em recesso
SAI A BANDA COVER, ENTRA A AUTORAL, COM MUITA VONTADE DE APRENDER, ESCREVER E FAZER ROCK'N ROLL
C
omeçou quase como
brincadeira, um jeito
saudável de espantar o
tédio. A brincadeira virou coi-
sa séria e, em pouco tempo, os
exilados Leo, Diego, Rogério
e Kelvin tornaram-se figuri-
nhas carimbadas no rock re-
gistrense. Trajetória rápida e
marcante. A banda Exilados
da República foi e é um grito.
Uma vontade que deu certo de
aprender e fazer rock'n roll.
Disciplina de ensaios, re-
pertório de peso, figurino bem
cuidado, carisma, animação e
a ousadia de levar o rock além,
organizando o primeiro festi-
val do gênero em Registro (o
Stone Age, em julho de 2014),
"invadindo" mascarados uma
casa tradicionalmente serta-
neja e até levando show (de
rock) a uma micareta. Os Exi-
lados fizeram história.
Mas, que pena, anuncia-
ram que vão entrar em recesso.
Leo Nogueira, o vocalista, está
deixando Registro. Segue para
Campinas em abril, não sem an-
tes cumprir a agenda de shows
já compromissados, que inclui
um tributo a Cazuza no Snooker
Rock Bar, no final de março, com
releituras da época do Barão Ver-
melho e da carreira solo daquele
garoto que ia mudar o mundo.
Ainda saindo das fraldas, a
banda nascida em novembro de
2013 estreou no palco do KKKK,
em Registro, no dia 1º de feve-
reiro de 2014. E não parou mais.
Com influências de Pearl
FernandoOkuhara
Jam, Metallica, Legião Urba-
na, Barão Vermelho, Aborto
Elétrico, Ramones, Nirvana e
outros, os Exilados misturam
o ritmo acelerado do punk
rock com a atitude do grunge
e uma pitada de heavy metal,
em seus riffs pesados e distor-
cidos na guitarra, nas releitu-
ras de sucessos que marcaram
a história do rock.
Como a distância dificulta-
rá apresentações cover em ba-
res e casas noturnas, o projeto
agora é partir para uma banda
autoral. Escrever suas próprias
canções, sem timidez em mos-
trar que ama rock 'n roll. Com-
por e compor. Um novo capítu-
lo na história dos Exilados.
A banda tem Diego Spino
na bateria, Kelvin Studenroth na
guitarra, Rogério Muranaka no
baixo e Leo Nogueira nos vocais.
O lugar ideal para quem procura combinar
ambiente agradável, conforto, bom
atendimento e preços convidativos.
E APROVEITE PARA CONHECER
TAMBÉM O RESTAURANTE
POÇÁGUA.
Registro/SP, março de 2015 15
FOTOGRAFIA
Mulheres
que escrevem
com a luz
F
otografar é escrever
com a luz. Essa defini-
ção cabe com perfeição
no trabalho que um grupo de
jovens fotógrafas começou a
desenvolver nos últimos seis
anos em várias cidades, com-
partilhando um mercado que,
até o início dos anos 2000,
era quase exclusivamente de
homens na região. Elas che-
garam à fotografia por dife-
rentes caminhos, mas com a
mesma paixão, que enobrece
qualquer ofício, e imprimiram
um novo olhar às pessoas e às
paisagens Vale do Ribeira.
“A fotografia para mim é
mais que um trabalho, é uma
forma de guardar o amor das
pessoas em imagens que fi-
carão registradas pra sempre.
Eu vivo de fotografia, eu vivo a
fotografia”, diz Liana Yamaka-
wa, que desde menina via seu
pai, Chico Yamakawa, revelar
negativos em preto em branco
num laboratório caseiro. “Mi-
nhas amigas comentam que,
nas excursões de escola, sem-
pre era eu a japonesinha com a
máquina fotográfica no pesco-
ço”, relembra.
“Gosto de fotografar o
amor: aniversário, reunião
de família, ensaio, casamen-
to. Nas fotografias de família
ganho energia, as crianças
me dão energia. O amor me
move”, revela Lê Murata, que
começou a fotografar no Ja-
pão, quando ganhou de seu
marido, Fábio Murata, seu pri-
meiro equipamento fotográfi-
co.
“Fotografia para mim é
eternizar momentos. A partir
do momento que você passa
a fotografar alguém, ou um
evento, ou uma viagem, en-
fim... você passa a fazer parte
daquele momento... e registrar
e eternizar momentos únicos”,
afirma a jornalista Bárbara de
Aquino que, desde o ano pas-
sado, mantém seu estúdio em
Cananéia.
“A beleza das cores me
inspira e alguns temas tam-
bém têm me inspirado bas-
tante, por isso também faço
fotografia como inclusão, co-
nhecendo pessoas que não
tiveram as mesmas oportuni-
dades que a gente e a histó-
ria por trás das coisas”, revela
Paloma Lima. Ela trabalhava
com produção num estúdio em
São Paulo. Quando o fotógrafo
saiu para montar seu próprio
estúdio, Paloma pediu para
que ele a ensinasse e, três me-
ses depois, deu os primeiros
passos na profissão.
“Sou apaixonada por foto-
grafia”, observa Telma Almei-
da, que começou a fotografar
há seis anos, pois antes ti-
nha dificuldade para adquirir
equipamentos fotográficos,
principalmente na época das
máquinas analógicas em que
o custo incluía filme e revela-
ção em papel. Ela começou
em Registro mas, atualmente,
trabalha também em Itape-
tininga. “Vou e volto sempre
que for preciso”, assegura.
Andreia Davies diz que a
paixão pela fotografia surgiu
quando criança. “É a forma de
eternizar o momento”, afirma
a fotógrafa, que ainda não se
considera profissional da área,
mas tem se tornado cada vez
mais indispensável nos even-
tos familiares e realiza vários
trabalhos em Jacupiranga.
Veterana entre as entre-
vistadas, Marli Nogueira teve
como motivação os filhos a
partir de 1987 e, nos eventos
escolares, ela sempre atendia
pedidos de outras mães. Viu
ali um nicho de mercado e se
profissionalizou. “A fotografia
é um meio de contar uma his-
tória através da imagem”, diz.
Todas afirmam participar
periodicamente de cursos e
workshops para se aperfeiço-
ar. Bárbara e Liana são jorna-
listas e, na faculdade, tiveram
aulas de fotojornalismo. “Já fiz
vários cursos, mas o divisor de
águas foi o curso de fotografia
newborn com a Danielle Ha-
milton, da Austrália. Depois
disso, passei a fazer cursos de
fotografia newborn com uma
das melhores do país, a Bel
Ferreira. A Bel me apadrinhou
e está me ajudando muito com
os recém nascidos. Em janei-
ro tive o prazer de fazer parte
da equipe dela em um proje-
to que ainda está no forno e
não foi divulgado. Foi muito
gratificante receber o convite
para trabalhar lado a lado com
quem muitos, inclusive eu,
consideram a melhor no país”,
comenta Liana, que está em
vias de inaugurar seu estúdio
em Registro.
Bárbara tem feito cursos à
distância. “Como a minha pai-
xão sempre será o fotojornalis-
mo, eu tenho como inspiração,
sempre, o francês Henri Car-
tier Bresson, pai do fotojor-
nalismo . "Hoje trabalho mais
com eventos (casamentos, ani-
versário, bodas, etc.). Ensaios
fotográficos infantis também
têm grande saída”, afirma.
Telma, por sua vez, é apai-
xonada por fotos esportivas
e já fez eventos na área mas,
como esse mercado ainda é
restrito na região, tem tra-
balhado principalmente em
casamentos e aniversários.
Embora trabalhe com even-
tos, como as demais profissio-
nais da área, Lê Murata está
se especializando em casa-
mentos e, nessa área, tem fei-
to workshops e se inspirado
no trabalho de Duo Borgatto
(uma dupla formada por Fábio
Borgatto e Júlia Seloti) e Vini-
cius Matos.
“Faço mais fotos de ges-
tantes, newborn (5 a 12 dias
de vida), bebês e crianças.
Tem vezes que me param na
rua para perguntar se eu sou
a Liana, a fotógrafa de be-
bês. Fico super feliz em saber
que, mesmo sem divulgação,
acabei criando uma identi-
dade profissional, que veio
somente com indicações de
clientes e fotos postadas no
facebook.
Sou apaixonada pelos be-
bês e cada vez mais é nesse
nicho que estou me especiali-
zando. Tenho duas filhas, en-
tão procuro receber as novas
vidinhas com o mesmo cari-
nho que eu gostaria que des-
sem para as minhas meninas”,
relata Liana.
Paloma, que tem chamado
atenção com os books, tam-
bém se dedica ao que chama
de fotografia autoral, em que
clica pessoas vinculadas a um
tema. Assim, ela já esteve no
Lar dos Velhinhos de Registro
e, mais recentemente, no Cen-
tro de Atenção Piscossocial
(CAPS). “Gosto de muitos fotó-
grafos”, diz ela. “Mas ultima-
mente gostei bastante de um
cara que vi em Buenos Aires,
Marcos Zimmermann. A ima-
gem fica na cabeça e quando
a gente fotografa, vira refe-
rência. Estou gostando disso
nele”, completa.
“Aqui no Vale tem duas
pessoas que admiro muito:
Patrícia Mendonça, que tem
estúdio em Cajati, e Lê Mura-
ta. Quando comprei a primeira
máquina profissional, fui ao
estúdio da Patrícia e ela me
deu muitas dicas, de coração,
sem cobrar nada. A Lê Murata
também dá muitas dicas”, diz
Andreia.
“Eu me inspiro para o
meu trabalho no Luiz Marcos
(de Cajati) - “sou apaixonada
pelas fotos dele!” - no Wag-
ner Assanuma e na Liana
Yamakawa”, afirma Telma.
Marli, por sua vez, garante
que, apesar da admiração por
vários fotógrafos, sempre teve
os filhos como inspiração para
seu trabalho.
A receita para ser um bom
fotógrafo e fazer fotos que
iluminam os olhos e alegram
o coração de quem as vê é
estudar muito. “É um eterno
aprendizado e sempre temos
coisas novas para absorver”,
resume Liana.Marli Nogueira
Liana Tami
Lê Murata
Bárbara de Aquino
Paloma Lima
Telma Almeida
Andreia Davies
Bebê
Pietro
em foto
newborn
de Liana
Tami
Casamento
pela lente
de Lê
Murata
Registro/SP, março de 201516

Jornal Viva Gente Edição 05

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    ANO II -EDIÇÃO 5 - Incluindo Viva Bicho Vale do Ribeira (SP) - Brasil - MARÇO DE 2015 1,00 REAL Lei florestal de SP ignora emergência e não reforça proteção a nascentes e rios Consumo de água cai na região MANANCIAIS EM RISCO REFLEXO DA CRISE pág. 9 pág. 6 OLHAR FEMININO - Bebê Theo fotografado por Liana Tami, especialista em trabalhos newborn. Liana, Lê Murata, Bárbara Aquino, Paloma Lima, Telma Almeida, Andreia Davies e Marli Nogueira conquistam espaço no mercado fotográfico da região, até poucos anos predominado por homens. pág. 9 Saiba como o Rio Juquiá vai abastecer a Grande SP Proposta de transpor água da bacia do Ribeira tem mais de 40 anos pág. 7 Alimento para o corpo e a alma Cãezinhos para adoção, apadrinhamento, novo site do GPA e muito mais... pág. 12 e 13 FRATERNIDADE VIVA BICHO Voluntários do Fraterno Auxílio Cristão (FAC) de Registro dedicam-se a ações sociais como o Prato Fraterno, que assegura café da manhã e almoço para pessoas em situação de rua, e a Comunidade Terapêutica Vale do Encontro, que atende dependentes de álcool e drogas. pág. 3 SueliCorrea Casamentos em alta aquecem mercado de eventos pág. 11 BOM NEGÓCIO SocorroFigueiredo liana tami Água poupada por moradores daria para abastecer uma cidade do porte de Miracatu WagnerAssanuma fotos:MárciaColla
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    Registro/SP, março de20152 A vítima e seus algozes ASSASSINATO EM REGISTRO Carta ao leitor A história permite à humanidade ter a compreensão do pre- sente, a bússola que norteia o futuro e se apossar do conhecimento que, ao se aprimorar ao longo das décadas e dos séculos, possibilita as grandes descobertas da Ciência. A base da história são os docu- mentos que permanecem além dos homens e dos milênios. É por esse prisma que o jornal Viva Gente compreende a importância do jornalismo, que é na verdade um documento de época, relatando a história dos homens e dos acontecimentos. A partir das características de cada região vai se compondo o imenso painel que é a história da humanidade. Ao mesmo tempo, o jornal é ferramenta indispensável para o debate de grandes temas, como a escassez da água nas capitais e em algumas grandes cidades da região Sudeste. Água que o Vale do Ribeira tem em abundância. É preciso aproveitar esse momento de tormenta dos moradores das metrópoles para debater e buscar formas de aproveitamento racional e equilibrado desses recursos que nos sobram, a fim de que a região obtenha conquistas a partir das riquezas que possui. Com essa compreensão da história e essa disposição em deba- ter os grandes temas da região, ouvindo as opiniões divergentes que enriquecem o debate, sem a pretensão de ser o dono da verdade, mas com imensa vontade de contribuir para melhorar o presente e orientar o futuro, o jornal Viva Gente é relançado após quatro edições que circularam no ano de 2013. Para a existência de um jornal independente e forte, no entanto, são indispensáveis os anunciantes que, além de garantir visibili- dade da sua empresa no momento presente, também deixam um documento sobre publicidade, empreendedorismo e economia para a história de seu tempo. Para a construção de uma região forte, capaz de vencer as adversidades, com disposição de discutir avanços e recuos, é fun- damental a união de jornalismo e publicidade, de profissionais da comunicação e empreendedores. Expediente: Equipe de reportagem: Sueli Correa - MTb 14.644 Mônica Nogueira Lima - MTb 13.562 Márcia Colla - MTb 24.434 PUBLICIDADE: Joice Ferreira Contato: publicidadejornalvivagente@gmail.com redacaojornalvivagente@gmail.com PROJETO GRÁFICO / DIAGRAMAÇÃO: Márcio Lima IMPRESSÃO: Grafinorte - Apucarana/PR TIRAGEM: 5.000 exemplares EDITORA: Engenho das Letras Rua João Augusto Aby Azar, 215 Jardim Caiçara I - Registro/SP www.jornalvivagente.com “Aqui dentro (da biblioteca) eu sou uma pessoa diferente. Lá fora, sou só mais um catador de latinhas, preto e pobre. Lá fora é assim que as pessoas me vêem.” Marcos Guastt, que trabalha com reciclagem, frequentador assíduo da biblioteca de Registro. “O trabalho no circo era mais organizado que os primeiros meses na Casa Legislativa.” Tiririca, deputado federal reeleito por São Paulo com mais de um milhão de votos. “Esse é o momento de virar a página da tristeza e abrir a página da alegria. A presença da ACIAR em Eldorado nos dá esperança.” Fernando Cláudio de Freitas, vereador, durante encontro de empresários do município com representantes da Associação Comercial de Registro (ACIAR). “Calcula-se que, somadas, as campanhas eleitorais do ano passado tenham custado R$ 5 bilhões de reais. A cifra prova, de modo insofismável, que o país enlouqueceu.” Jornalista Roberto Pompeu de Toledo, em artigo na Revista Veja. “É um formato que propicia sexo e conflito.” Jornalista Pedro Bial, sobre o Big Brother Brasil. Gabi Bertelli Dos transviados aos transtornados, cada juventu- de foi e é um reflexo de seu tempo. O que seria então a ju- ventude dos nossos, tão fada- dos ao fracasso, anos 10? Seja você um zumbi tecnológico ou um exilado social, estamos rodeados de conflitos. Segun- do o dicionário, trans.tor.no: contrariedade, contratempo, decepção, prejuízo. Se existe uma queixa unânime entre a juventude é exatamente a do descontentamento com o país em níveis alarmantes, fato comprovado durante os pro- testos de junho de 2013. A enxurrada de informa- ções nos fez adolescentes e jovens adultos informados em excesso, entretanto, não JUVENTUDE TRANSTORNADA Sobre as frustrações de ser jovem nos anos 10 fomos preparados para o lixo cultural. Da mesma forma que se pode acessar conteúdo, é possível produzi-lo, em larga escala, incitando as maiores revoluções de todos os tem- pos da última semana – que nunca sairão do sofá. Enquanto opiniões con- servadoríssimas ocupam as bancadas religiosas do con- gresso, parte da juventude pede impeachments, retorno à ditadura militar, ao passo que outra parte luta pelos di- reitos das minorias, das pes- quisas com células tronco, da legalização do aborto. Um país cada vez mais polariza- do, mais divergente, mais ten- so, mais transtornado. Cres- cemos e estamos crescendo em tempos de cólera. Por outro lado, nunca se fa- lou tanto a respeito de política e sociedade e, pela primeira vez desde o início dos anos 90, a juventude toma as rédeas em debates e a política perde seu rótulo de “proibido para meno- res de 30”. Como bem citou um deputado federal em uma en- trevista televisiva referindo-se a junho de 2013 – “mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa acon- teceu”. Fica estabelecido en- tão o suposto lema da geração Y nessa frase certeira que, cer- ta vez, vi pichada em um muro: nuestros sueños no caben em sus urnas. Gabi é professora e estudante de Letras MÔNICA NOGUEIRA LIMA A o menos quatro tiros de uma pistola 380 com silenciador atingiram o empresário Rodolfo Brites Ribeiro Alves. "Dois na cabe- ça e dois nas costas", afirmou convicta uma moça que duas horas depois observava o tra- balho de policiais no local. Seis cápsulas deflagradas foram achadas, indicando o provável número de disparos efetuados pelo matador encapuzado que nada falou. Apenas chegou por trás, atirou e se foi. Dizem que teria embarcado em um Hon- da Fit, onde havia mais duas pessoas. Dali até a BR era um pulo. Rota de fuga perfeita. Era tarde morna de quar- ta-feira de cinzas, 18 de feve- reiro. Rodolfo acabara de sair de um dos restaurantes de sua propriedade em Registro, o Quiosque, e com um amigo ca- minhava em direção ao carro, estacionado a poucos metros, na rua Santo Inácio. Foi a últi- ma coisa que fez em vida. Mais que o inusitado de uma calculada execução à luz do dia, no meio da rua, numa ci- dade onde apenas seis homicí- dios dolosos ocorreram durante todo o ano passado, o assun- to principal nas horas que se seguiram foi o ato sórdido de quem, não contente em filmar e fotografar o homem agonizante na calçada, imediata e farta- mente divulgou filme e foto por whatsapp e redes sociais. Rodolfo, de 37 anos, veio de João Monlevade, Minas, para gerenciar os restaurantes da Rede Graal na região. Seu pai, Roberto Alves, é gerente da Graal em João Monleva- de e sócio da rede. Depois de sair da Graal, Rodolfo vinha expandindo rapidamente seus negócios. Além do Quiosque Chopp Brahma , havia compra- do a Churrascaria Altaneira, a loja Ápice e instalava em Re- gistro a Localiza, franquia de aluguel de veículos. Tinha par- ticipação de 10% numa rede de discotecas, estava montando um restaurante em Santos e estaria em negociação com uma concessionária de Regis- tro para transformá-la em loja de carros importados. Os tiros interromperam a trajetória. Ainda não se sabe quem (e por que) mandou matar o em- presário. Mas é certo que, no espaço de apenas uma hora, Rodolfo foi três vezes vítima. De quem o baleou, dos abutres que devassaram sua agonia e da absurda burocracia da Saú- de em Registro, que faz com que todos sejam levados pri- meiro à UPA, mesmo em casos de evidente necessidade de ci- rurgia de emergência, em vez de conduzir pacientes graves direto para um hospital com centro cirúrgico. “O jornalista é o historiador do instante” Albert Camus (1913 - 1960), escritor, filósofo e jornalista francês, em artigo do jornal Combat, da Resistência Francesa, em 1944. “ Rodolfo Alves
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    Registro/SP, março de2015 3 Comunidade terapêutica em Registro combate álcool e drogas AMOR AO PRÓXIMO H á cinco anos, o padre Júlio César de Araú- jo Brant viu um sítio de 17 alqueires à venda na estrada do Caiacanga, bairro Taquaruçu, a 16 quilômetros do centro urbano de Registro, e achou que ali seria o lugar ideal para tornar realidade o sonho de construir uma co- munidade terapêutica visan- do auxiliar homens, principal- mente em situação de rua, a se livrarem do vício de álcool e drogas. Com apoio do em- presário Eliseu Ota e ajuda de todos os setores da socieda- de, incluindo pessoas de di- ferentes religiões, em apenas 25 dias foram arrecadados R$ 110 mil. O sítio foi adquirido e os dez mil reais restantes fo- ram utilizados para começar a limpeza do terreno, onde havia mato alto, nove poços abandonados e uma casa pe- quena e precária. Em março, a Comunidade Terapêutica Vale do Encontro comemora o seu primeiro ano de existência, com seis va- gas. Está lotada e os próprios moradores, além de manter a casa limpa e bem cuidada, também são responsáveis pe- los serviços externos, onde há os lagos, chiqueiro e outros equipamentos que garantem eficácia à laborterapia – uma das atividades no caminho da recuperação. Há, ainda, ações de espiritualidade e atendi- mento psicossocial. A casa dispõe de regras rígidas para garantir o sucesso do atendi- mento. As saídas, para ir ao médico ou ao dentista, são sempre supervisionadas. A Vale do Encontro, que foi batizada com esse nome justamente para ser lugar que proporcione ao dependente Padre Brant e um interno da Vale do Encontro, que comemora um ano de existência em março Sueli Correa Sueli Correa de álcool e drogas a possibi- lidade do encontro consigo mesmo, vive atualmente de doações. E o tratamento, com duração de um ano, é total- mente gratuito. Várias parcerias com or- ganizações não governamen- tais têm garantido benefícios para a comunidade. A construção do poço, por exemplo, foi feita com recur- sos vindos da Itália. Empre- sas da região também têm mantido parcerias importan- tes para a continuidade do trabalho, como a Cliniprev, que faz assistência odontoló- gica, e a Sabesp, para implan- tação e manutenção da horta comunitária. A ampliação do atendi- mento, para suprir um pou- co mais a grande demanda, está vinculada à liberação de emenda estadual, no valor de R$ 177 mil, do deputado Sa- muel Moreira, para construção de um alojamento com capaci- dade para vinte pessoas, sala de atendimento psicossocial, banheiros e outras dependên- cias. O projeto de engenharia está pronto e o Fraterno Au- xílio Cristão (FAC) terá que assumir R$ 60 mil, que o pa- dre Brant pretende conseguir também com ajuda da comu- nidade. O objetivo é que a Vale do Encontro seja totalmente sus- tentável e, para isso, a ideia do padre Brant, coordenador ge- ral, é plantar pupunha, entre outras atividades de geração de renda. Atualmente, padre Brant e o pessoal do FAC, en- tidade mantenedora da Vale do Encontro, buscam parceria com uma entidade da Colôm- bia para compra de tanques redes para criação de tilápias. Ao mesmo tempo em que trabalha para ampliar a comu- nidade terapêutica, outro pro- jeto já toma forma na cabeça e no coração do padre Brant: manter uma república para que os internos na Vale do En- contro que não têm condições de retornar à família possam ter uma alternativa de mora- dia quando receberem alta. Assim, ele pretende fechar o círculo de apoio para que es- ses homens, longe do álcool e das drogas, possam ter vida digna. Comida e fraternidade Todos os dias, cinco volun- tários se revezam para fazer comida e alimentar cerca de 50 pessoas em situação de rua com café da manhã e almoço, de segunda a sexta-feira. Tra- ta-se do Prato Fraterno, outra ação do FAC, realizada próxi- ma à Igreja Matriz de Registro. Os alimentos são doados pela comunidade e por empresas. Entre os voluntários, a co- ordenadora do projeto, Rosa Alves de Lima e Silva, parti- cipa todos os dias do trabalho, que existe há cinco anos. Ela conta que antes era feito um sopão apenas uma vez por semana, mas quando o padre Brant chegou à Paróquia quis que o projeto funcionasse to- dos os dias. “Ele disse: as pes- soas não têm fome só uma vez por semana”, relembra Rosa. Para as refeições são ne- cessários diariamente seis quilos de arroz, três de feijão e de três a quatro quilos de car- ne. Para conseguir esses ali- mentos, o FAC recebe doações de empresas, como a Panifi- cadora Maré Verde, Padaria e Confeitaria São Paulo, Fábri- ca de Pães Tenri, Pastelaria Oriente, Central de Carnes e Supermercado Magnânimo (que doa verduras). Além das pessoas em situ- ação de rua, volta e meia apa- recem pessoas que têm casa mas passam por problemas financeiros. “A gente fica sem jeito, vai negar um prato de co- mida?!”, comenta Rosa. A maioria dos beneficia- dos é usuária de álcool e dro- gas, quase sempre abandona- dos pela família. Muitos estão de passagem por Registro e, segundo Rosa, “quando vol- tam estão na mesma situação, ou pior ainda”. Quando a coordenado- ra observa que a pessoa está muito suja, ela fornece roupa (o projeto aceita roupas usa- das para homens e mulheres) e orienta a tomar um banho para depois comer. As ves- timentas que usavam geral- mente vão direto para o lixo. Após alimentarem-se, as pessoas atendidas pelo projeto lavam o próprio prato e o copo. As sobras são jogadas num re- cipiente e podem ser levadas para os cachorros (que não podem entrar no refeitório). De- pois disso, se ainda houver, os restos são levados para os por- cos da Vale do Encontro. Nada, portanto, se perde. Ao falar sobre o projeto, Rosa se emociona. Com a voz embargada, ela diz que as pessoas em situação de rua são ignoradas pela maioria. “É difícil ver uma pessoa na rua e saber que ela não tem um prato de comida”, diz, antes de continuar a tarefa rotineira, que tem como missão: alimen- tar quem tem fome. FAC > O FAC é uma entida- de sem fins lucrativos, criada em 1958, e atua com ênfase na questão social. Além dos pro- jetos Prato Fraterno e Comuni- dade Terapêutica Vale do En- contro, apoia as pastorais, faz encaminhamento de pessoas e famílias à rede de serviços municipais e visitas domicilia- res, entre outras ações. Atual- mente é presidida por Maria Helena Soares. Os projetos do FAC con- tam com apoio de mantene- dores, benfeitores e voluntá- rios. O mantenedor ajuda com valor fixo mensal; o benfeitor faz contribuições materiais, financeiras ou profissionais e o voluntário doa um pouco do seu tempo para trabalhar nos projetos. Contatos podem ser feitos pelo telefone (13) 3821-4766 e doações em dinheiro por de- pósito bancário no Santander – Banco 033 – Agência 0042 – Conta Corrente 13002328-9. Voluntários do Prato Fraterno com a coordenadora Rosa e a presidente do FAC, Maria Helena
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    Registro/SP, março de20154 RAFAEL GUELTA, 1954 - 2015 “O amor é o mais importante, o que fica. Porque o resto é só passagem.” Sueli Correa Q uem viveu no Vale do Ribeira nos anos 1980 e acompanhava os acontecimentos da região à época certamente conheceu o jor- nal A Tribuna do Ribeira, do grupo A Tribuna de Santos. E alguns tiveram o privilégio de também conhecer o jor- nalista Rafael Guelta, um ser humano incrível, que ajudou a escrever uma parte da história desta região. Rafael, que chegou ao Vale como repórter em Iguape, onde morou, tor- nou-se editor de A Tribuna do Ribeira numa época em que se fazia um jorna- lismo militante, de defesa da justiça social e das mudanças necessárias à consolidação da democracia que, a du- ras penas, estava renascendo no país. ATR, como chamávamos o jornal, defendia a posse da terra para quem nela mora; levantou a bandeira contra a violência doméstica, e reivindicava que a região tivesse tratamento igual às demais regiões paulistas. Alertou para a necessidade de que o Vale do Ribeira tivesse um deputado estadual que fosse porta-voz dos anseios regio- nais, lutou contra a homofobia quando essa palavra ainda nem fazia parte do dicionário politicamente correto. Foi ATR quem consolidou o mo- vimento pela duplicação da BR-116; combateu a construção de usinas nu- cleares na Juréia e, entre tantos outros temas relevantes, debateu a necessi- dade de ligação do Vale do Ribeira com o Planalto Paulista por intermédio da SP 139. O Rafael conduziu seus jovens re- pórteres a escreverem questões perti- nentes, a estimularem denúncias de corrupção e corruptos e lutarem bra- vamente pelo desenvolvimento da re- gião, com serviços públicos de quali- dade, estradas boas e a transformação do turismo em indústria que gerasse emprego e renda. Alguns temas que ainda hoje pautam o cotidiano do Vale. Mas ele tinha outras urgências e desejos que, em determinado momen- to, o Vale não conseguiu mais suprir. Então voltou para Santo André, depois Campinas, São Paulo, grandes centros onde realizou também grandes repor- tagens, trabalhou em empresas de grande porte e se tornou conhecido e respeitado pelos colegas. O amor que ele tinha pelo Vale, no entanto, nunca morreu. Quando nos encontrávamos nas redes sociais, ele sempre queria saber das pessoas com quem conviveu e sobre as novas lide- ranças que surgiam. Além de jornalista, com especiali- zação em economia, Rafael foi poeta e músico. No segundo dia de 2015, quando nos preparávamos para recomeçar, eis que o Rafael findou. Uma finitude bre- ve, porque seus textos continuarão pul- sando vida no coração de quem os lê. Além do título deste texto, eis algumas frases do Rafael, pinçadas de conversas no Facebook:: ““ORibeirafoibomparatodos.Aindahojeme perguntosefizbememtersaído.Comcerteza perdimuitascoisasboas.FoiemRegistroque me torneiprofissionalnosentidodeenxergarmelhor ojornalismo.Aífoiminhagrandeescola,meu divisordeáguas.” “AntesdeviveremRegistrofizumjornalemBarra Bonita.Foiumaexperiêncialegal,masnãose comparouaoVale.AhistóriadoValeémuitomais rica,porsersofridaeaomesmotemporedentora.” “Temosalgumadificuldadeemmanterrelações compessoasdamesmaidadeporque,apesar dofardoquecarregamos,temosresistênciaaos ressentimentosqueavidavainosdeixando. Mulheresdaminhaidade,nãotodas,mas muitas,sãoressentidascomavida,eeugosto maisdaspessoasquesimplesmentecurtem,se surpreendemquandodeparamcomcoisasnovas.” “Incrível,masaidadetraztranquilidadee serenidade.Hoje,aomesmotempoemque vejotudopassaresetransformarcommuita velocidade,consigoenxergarosdetalhesem câmaralenta,queéomelhorjeitodeabsorvê-los.” Rafael, numa foto da década de 1980, quando ainda trabalhava na região
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    Registro/SP, março de2015 5 INTERNET DO BEM Grupo do Facebook cria ONG para transformar vidas Dra. Evelise Yuri Sakô Dr. José Roberto Mikio Sakô Dra. Katia K. Momma Portioli Dra. Maricy Ponsoni Marques Dias Dr. Rodrigo Eduardo Kitagawa Dr. Roldão Soares Neto Dra. Tais Omine FONE / FAX: (13) 3821-2611 / 3822-1349 Rua Wanderley Alves Tafner, 33 Vila Tupy - Registro/SP CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO A inda meninas, Vanessa Leandro de Freitas e a irmã Jacqueline iam à casa de Marta, com o pai Ed- son de Freitas, que sempre faz ações do bem voluntariamente. Dois anos atrás, Vanessa come- çou a pensar numa ação mais eficaz para garantir acessibi- lidade para Marta de Pontes, de 43 anos, que tem paralisia cerebral, vive com a mãe idosa e um irmão doente. O acesso à casa precária, no bairro rural Vila da Palha, onde mora, é fei- to por um terreno acidentado. E até mesmo no interior da casa é difícil a locomoção da moça. Vanessa, então, enviou um filme para o programa do Lu- ciano Huck, visando melhorar a vida de Marta. Não obteve resposta, mas persistiu. Pe- diu ajuda pelo Facebook. A jovem Taísa Lima repercutiu o apelo e a professora Ana Pau- la Takiute compartilhou. Nas- cia, naquele momento, a Ação Entre Amigos, grupo que em apenas um mês se tornou em- brião de uma organização não governamental. A primeira ação será uma quermesse, no dia 7 de março, na Igreja de São José Operário, na Vila Ribeirópolis, em Regis- tro. Mais de cem voluntários, jovens na maioria, trabalharão durante o evento. Os prêmios foram obtidos por doação e os recursos serão aplicados em obras que garantam a Marta acessibilidade em sua casa. O grupo continuará atuan- do para auxiliar pessoas que, sozinhas, não conseguem lutar por elas mesmas, assegurando vida mais digna e autonomia. A Ação Entre Amigos já pen- sa inclusive em agregar outras entidades, fortalecendo a atu- ação. Vanessa, que é bióloga e pesquisadora do Instituto Sí- rio Libanês, comemora o apoio de Ana Paula, que colocou à disposição do grupo seu co- nhecimento sobre trabalho social e organização de even- tos comunitários. Ela mostrou ao grupo como se organiza uma quermesse, desde tare- fas básicas, como quantidade de alimentos, até a burocracia que envolve esse tipo de ativi- dade. Ana Paula observa que a maioria das entidades tem di- ficuldade de atrair jovens, que é justamente o perfil da Ação Entre Amigos. “É importante a gente ter alguém que nos ensine a fazer para ter mais autonomia como líder e ser multiplicador de informação”, afirma Vanessa. “É fundamental que o traba- lho seja realizado com trans- parência, pois credibilidade é tudo”, completa Ana Paula. Os integrantes da Ação são todos voluntários e o projeto é apar- tidário. Quermesse, no dia 7 de março, arrecadará recursos para obras que permitam a locomoção de Marta em sua casa; ela tem paralisia cerebral Facebook - Grupo Ação entre Amigos
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    Registro/SP, março de20156 REFLEXO DA CRISE Mesmo livres da escassez, moradores do Vale poupam água VALE DO RIBEIRA TEM ÁGUA DE MONTE, MAS A FALTA EM OUTROS LUGARES LEVOU MUITA GENTE A MUDAR OS HÁBITOS DIÁRIOS C om três cães em casa, Dalva Imamura man- tém uma rigorosa roti- na de higiene. Todas as ma- nhãs lava e desinfeta toda a área externa, onde ficam os animais. Mas a mangueira, que em 15 minutos gastava 280 litros de água, já deu lu- gar ao balde: "Estou usando a água da piscina que enche- mos no réveillon". Mantida com cloro, "por causa da den- gue", a piscina de 6 mil litros tornou-se um reservatório ex- tra. Além da limpeza diária, sua água é aproveitada tam- bém no banheiro, onde vez por outra substitui a descarga. Embora more em Registro, um oásis em meio à crise hí- drica que assombra milhões de pessoas no sudeste do país, a família de Dalva deci- diu adotar um novo compor- tamento em relação à água. Nada de mangueira, economia no banheiro, aproveitamento de água de chuva coletada em baldes e torneira fechada na cozinha. "Usamos duas bacias para lavar a louça: uma para ensaboar e outra para enxa- guar", explica. A crise não chegou e nem chegará ao Vale do Ribeira. "O Ribeira tem água de mon- te", garante o diretor regional do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), Ney Ikeda. Mas o choque causado pelo bombardeio de notícias sobre a situação extremamen- te crítica em São Paulo e outras regiões fez com que muitos moradores, assim como Dalva, mudassem seus hábitos. Levantamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) confirma que no último ano o consumo de água caiu em toda a região. De 13.100 litros por residência, em janeiro de 2014, o gasto médio mensal baixou para 12.520, em janeiro de 2015. São 57,6 milhões de litros poupados por mês, suficientes para abastecer um município do porte de Miracatu. Cajati é uma das cidades com maior redução de consu- mo. Em média, cada residên- SueliCorrea Dalva aposentou a mangueira e usa a água da piscina que encheu em dezembro Akira construiu um sistema de captação de água de chuva para lavar o quintal cia deixou de gastar 1 mil li- tros por mês, 7,3% menos do volume consumido um ano atrás. A água economizada poderia atender mais de 1.600 pessoas. Registro não ficou muito atrás. A poupança su- priria com folga 500 casas - um bairro do tamanho do Xan- grilá. "A crise está fazendo com que pessoas se conscientizem sobre o valor da água", obser- va Ney Ikeda. "E esse é o seu aspecto positivo." ABENÇOADA CHUVA > Dez anos atrás, quando muita gen- te ainda nem se dava conta de que um dia poderia enfrentar a escassez, o topógrafo Akira Hanawa, então funcionário da Sabesp em Registro, construiu em sua casa um sistema para aproveitar a água da chuva na lavagem do quintal. "Tínha- mos nove cachorros e gastá- vamos muita água para limpar xixi e cocô todos os dias", lem- bra. O número de cães dimi- nuiu um pouco. Hoje são cinco, todos idosos. Mas a necessi- dade de água continua a mes- ma e o sistema é usado diaria- mente. Ele é composto por um reservatório subterrâneo de concreto, com mais de 1.500 litros, e uma pequena bomba, que impulsiona a água até o encanamento ligado às tornei- ras do quintal. A chuva que desce pelas calhas da casa cai em uma caixinha azulejada, decanta, passa por uma tela e é armazenada na cisterna. Para usar, basta ligar a bomba e conectar a manguei- ra na torneira mais próxima. Sem culpa. Mônica Nogueira Lima
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    Registro/SP, março de2015 7 SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO Água do rio Juquiá para as torneiras de sete cidades da Grande SP Mais de 40 anos na mira do governo OBRA COMEÇOU EM ABRIL DE 2014 E VAI ATÉ 2017. CAPTAÇÃO SERÁ NA REPRESA DO FRANÇA, QUE BLOQUEIA O RIO HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO PARA GERAR ENERGIA PARA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO O rio Juquiá já não corre livre há 57 anos. Suas águas são barradas em seis pontos, de Ibiúna a Juquiá, onde formam represas destinadas à geração de ener- gia elétrica para a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim. A mais antiga, Cachoeira do França, entrou em operação em 1958 e se localiza entre Ibiúna e Ju- quitiba. É dela que, a partir de 2017, será retirada água para suprir as torneiras de 1,5 mi- lhão de moradores de sete ci- dades da região oeste da Gran- de São Paulo. Essas pessoas serão aten- didas pelo Sistema Produtor de Água São Lourenço, em cons- trução desde abril do ano pas- sado. A obra é executada por uma Parceria Público Privada (PPP), que envolve um consór- cio formado pelas construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O custo - de R$ 2,2 bilhões - corre por conta do consórcio. "A obra não trará qualquer prejuízo à população do Vale do Ribeira e nem danos ambien- tais", resumiu a Sabesp em nota enviada no dia 5 de fevereiro ao jornal Viva Gente, que questio- nara a empresa quanto ao im- pacto do São Lourenço sobre a vazão da bacia do Ribeira, na qual está inserido o rio Juquiá. Segundo o Relatório de Impacto Ambiental do proje- N ão é de hoje que se pensa em levar água da bacia do Ribeira para abastecer a região metro- politana de São Paulo. Plano Diretor de Águas lançado há mais de 40 anos já falava em reversão do rio Juquiá. O pro- jeto foi detalhado em 1980, no governo de Paulo Maluf. Seria uma obra faraônica, a vencer 700 metros de desnível, com- posta de uma sequência de barragens e túneis, que con- duziriam a água até uma usi- na gigante de bombeamento. Na primeira etapa, a in- tenção era desviar 69 mil li- tros de água por segundo do afluente do Ribeira, podendo chegar a 98 mil na fase final. Uma quantidade imensa, bem mais do que toda a região metropolitana consome hoje. Maluf deixou o governo e seus sucessores engavetaram o projeto. “Naquela época já havia a previsão de que São Paulo pre- to, disponível para consulta no site da Sabesp, a diminuição na vazão causada pelo novo sistema afetará os reservató- rios de Fumaça, Barra, Porto Raso, Alecrim e Serraria (todos da CBA), o trecho de planície do rio Juquiá e a parte do rio Ribeira de Iguape a jusante da foz do Juquiá (trecho de Regis- tro e Iguape). Entretanto, a quantidade de água a ser retirada equivale a menos de 10% da vazão mé- dia no baixo curso do rio Ju- quiá, "onde a disponibilidade hídrica é muito maior que as demandas", prossegue o rela- tório. "E a redução prevista não afetará qualquer uso da água cisaria transpor água para o abastecimento e estudos mos- traram que a bacia do Ribeira tinha volume suficiente para abastecer duas metrópoles de hoje”, revela Ney Ikeda, dire- tor regional do DAEE (Depar- tamento de Águas e Energia Elétrica) e secretário executi- vo do Comitê da Bacia do Ri- beira e Litoral Sul. “O único projeto que não saiu do papel e, sim, teria mu- dado as coisas data de 1972”, disse em julho passado ao jor- nal espanhol El País o presi- dente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, atual secretário estadual de Sanea- mento e Recursos Hídricos. “O governo estudou a alternativa de trazer água do baixo Ju- quiá e transpor até São Paulo. O projeto previa a possibilida- de de trazer 83 metros cúbicos por segundo, que é mais do que o consumo atual de São Paulo (70m³)”. Segundo Braga, a execução levaria dez anos. na região", assegura. Quem mais tem a perder com essa história é a CBA, que há décadas usa todo o potencial hidráulico do rio - entre a borda do planalto e a planície do Ri- beira - para gerar boa parte da energia elétrica que consome. A possibilidade de deriva- ção de um volume de até 4.700 litros por segundo para abaste- cimento da Região Metropolita- na foi garantida em 1996, pelo decreto federal que renovou a concessão para a CBA. Essa outorga vencerá em 2016 e já se especula que o governo paulista teminteresseempleitearumvo- lume maior para a produção de água no sistema São Lourenço. Já o Sistema Produtor São Lourenço, hoje em obras e também focado no rio Juquiá, é um espirro se comparado à proposta anterior. Sua vazão será de 4.700 litros por segun- do, 5% do que se chegou a pre- tender décadas atrás. Em dezembro passado, a grande imprensa noticiou que o governo paulista teria soli- citado ao DAEE a ampliação do volume a ser captado para 6.400 litros por segundo. Ques- tionada, a Sabesp não confir- mou a informação. Nem negou. OBRA EMERGENCIAL > Por outro lado, a companhia de saneamento já divulgou ofi- cialmente que ainda em 2015 planeja executar obra emer- gencial para transpor água do alto Juquiá até a represa Gua- rapiranga. O objetivo, segun- do a Sabesp, é transferir mil litros de água a cada segundo, volume suficiente para aten- der 300 mil pessoas. OBRA > Mais de mil metros de adutoras do Sistema São Lourenço já foram assenta- dos. Uma parte da tubulação principal tem 2,10 metros de diâmetro, metade de um túnel de metrô. Além de adutoras, serão instalados uma estação de tratamento, estações eleva- tórias (para bombeamento) e reservatórios com capacidade para armazenar 110 milhões de litros. O sistema terá extensão to- talde83km.SegundoaSabesp, é uma obra de grande porte e complexa, que tem entre seus pontos principais o bombea- mento da água para superar o desnível de 300 metros da Serra O projeto prevê captar água no trecho de Juquitiba, a 70 km da capital, e bombeá-la por uma tubulação de 5,5 km até a cabeceira do rio Santa Rita, que deságua no rio Em- bu-Guaçu, um dos formadores de Paranapiacaba. A tubulação que levará a água até as residências inclui ainda um túnel de 1.100 metros pela serra e uma passagem por baixo da rodovia Raposo Tava- res, por meio de método não destrutivo, sem que seja ne- cessário interromper o tráfego para a execução. O projeto também prevê ações sustentáveis. Os edifícios da estação de tratamento de água, em Vargem Grande Pau- lista, terão ventilação e ilumina- ção naturais, por energia solar, além de reuso de água de chuva. Embora apontado por estu- do da Revista Exame e a KPMG Auditores como o quarto prin- cipal projeto de infraestrutura entre os 15 mais importantes para o Brasil na atualidade, o Sistema São Lourenço parece até modesto quando compara- do à imensidão do volume de água necessário para prover a Região Metropolitana de São Paulo, que é de 70 mil litros por segundo. Ele produzirá 4.700 litros de água a cada segundo, suficien- tes para garantir por 15 anos a segurança no abastecimento aos habitantes de Barueri, Ca- rapicuíba, Cotia, Itapevi, Jan- dira, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista. Para se ter uma ideia em termos de grandezas, o Sistema Cantarei- ra sozinho, mesmo em seu pior momento, produz hoje 18.500 litros por segundo. A capacida- de normal é de 33 mil. da represa Guarapiranga. A obra vai custar aproximada- mente R$ 75 milhões, está em fase de projeto e orçamento, e a proposta é concluí-la até o início do segundo semestre deste ano. Rio Juquiá em Juquitiba mônica nogueira lima NasederegionaldoDAEE,emRegistro,odiretorNeyIkedamostra maquetedeantigoprojetofaraônicoparareversãodeáguadorioJuquiá
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    Registro/SP, março de20158 CRIME AMBIENTAL. ATÉ QUANDO? Falta de legislação ambiental provoca mortandade de peixes no litoral sul HÁ UMA BRECHA NA LEGISLAÇÃO RECONHECIDA ATÉ MESMO POR AUTORIDADES AMBIENTAIS. ESSA LACUNA É RESPONSÁVEL PELA MORTE DE MILHARES DE ESPÉCIES MARINHAS, ENTRE ELAS TARTARUGAS VERDES, AO LONGO DAS PRAIAS DE CANANÉIA, IGUAPE E ILHA COMPRIDA M ais de oito toneladas de peixes aparece- ram mortos ao longo dos 74 km de orla da Ilha Com- prida, em praias do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, e na Barra do Ribeira, duran- te o mês de janeiro, num dos maiores crimes ambientais cometidos contra a fauna ma- rinha na região. Os responsá- veis são as embarcações de parelha que, sem respeitar os limites da área de pesca e em busca apenas dos camarões, lançam redes finas em áreas proibidas e descartam milha- res de peixes, entre os quais espada, vivoca, betara, roba- lo, pescada, curvina e outros. Interessadas apenas pe- los camarões e limitadas a pescar a pelo menos 1,5 milha da costa, as embarcações uti- lizam malhas finas, revolvem o fundo do oceano e capturam espécies em fase de desenvol- vimento. No dia 13 de janeiro, foram flagradas quatorze em- barcações de parelha na orla da Ilha Comprida em plena atividade ilegal, a apenas 400 metros da costa, quase na ar- rebentação das ondas. Uma dessas embarcações estava tão próxima que foi possível identificar seu nome: Tubarão K. Um dos pescado- res a bordo chegou a provocar o fotógrafo sinalizando que as fotos não dariam em nada. Em documento expedido à população, a APA Marinha Litoral Sul/ARIE do Guará re- conhece que “atualmente não há legislação específica que proíba o descarte da fauna acompanhante e os pescado- res armazenam e embarcam somente o camarão e outros peixes de valor comercial”. No comunicado, a diretoria da APA pede às pessoas que de- nunciem a presença das em- barcações de arrasto na costa. O técnico da Divisão de Econegócios do município de Ilha Comprida, Cristian Negrão da Silva, lamentou o crime ambiental “altamen- te prejudicial” ao complexo lagunar estuarino de Ilha Comprida- Iguape- Cananéia, considerado um dos maiores viveiros de espécies marinhas Milhares de peixes mortos cobriram a faixa de areia nos 74 km da orla praia de Ilha Comprida, em janeiro Flagrante de parelha bem próxima da costa do mundo. Segundo Cristian, o que ocorre prejudica de ma- neira drástica a vida marinha da região. “É muito triste você ver milhares de peixes filho- tes mortos ao longo de deze- nas de quilômetros de praias. São necessárias providências urgentes”, afirmou. Denúncias sobre a presen- ça de embarcações de arras- to podem ser feitas ao Pelotão Marítimo de Cananéia, pelo telefone (13) 3851-1250.
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    Registro/SP, março de2015 9 CÓDIGO FLORESTAL PAULISTA Retrocesso ou mais do mesmo? APESAR DA CRISE DA ÁGUA, LEI QUE INSTITUI PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL EM SÃO PAULO NÃO TRAZ AVANÇO NA PROTEÇÃO A NASCENTES, MANANCIAIS E RIOS A preocupação em con- servar nascentes, ma- nanciais e rios pas- sou longe da lei que institui o Programa de Regularização Ambiental - e regulamenta o código florestal em território paulista -, sancionada em 14 de janeiro pelo governador Geraldo Alckmin. Poderia ser pior. Alckmin, porém, atendeu em parte aos apelos de entidades ambien- talistas e vetou alguns ar- tigos que reduziriam ainda mais a proteção de áreas de vegetação nativa definida no código federal. "Tenho para mim que não visa a proteção ao meio am- biente. É mera lei para regu- lar aspectos burocráticos e de cadastramento de interes- se das empresas que atuam no agronegócio. Não há uma vírgula em termos de avanço da mais que necessária tute- la ambiental", opina o defen- sor público Wagner Giron de la Torre, registrense radicado em Taubaté. De autoria dos deputa- dos estaduais Barros Mu- nhoz (PSDB), Campos Ma- chado (PTB), Estevam Galvão (DEM), Itamar Borges (PMDB), José Bittencourt (PSD) e Ro- berto Morais (PPS), o projeto 219/2014, que originou a lei 15.684, chegou a ser conside- rado uma "versão piorada" do código florestal brasileiro edi- tado em 2012. "Esse código já se afigu- rou um desastre em termos climáticos", diz Wagner. "Não só destroçou a norma anterior, muito mais avançada, como também autorizou o desma- tamento em biomas sensíveis em área relativa ao dobro do que antes era permitido, le- galizou plantios industriais deletérios em topos de morro e encostas e isentou grandes senhores rurais das multas pelas devastações consuma- das antes de sua vigência. Um desastre, cujos efeitos já esta- mos sentindo de forma aguda pela crise hídrica que assola a região sudeste", prossegue. Entre os artigos não ve- tados por Alckmin na lei pau- lista, e que fragilizam ainda mais a proteção ao meio am- biente, está o 27, que dispen- sa proprietários de reserva rural da obrigatoriedade de recompor a mata nativa, esta- belecida pelo código federal, desde que tenham feito corte de mata de acordo com as leis anteriores. A lei de São Paulo herdou ainda um dos maiores pro- blemas da norma federal: a variação da faixa de proteção em margens de rios e nascen- tes de acordo com o tamanho da propriedade. É a chamada "regra escadinha". Para imóvel rural menor, a faixa de prote- ção também é menor, poden- do chegar a ínfimos 5 metros. "Não existe fundamento científico", rebate o engenhei- ro agrônomo Jozrael Henri- ques Rezende, coordenador do curso de meio ambiente e recursos hídricos da Fatec de Jaú. Para evitar a erosão e atuar como barreira para que os venenos agrícolas não atin- jam a água, a faixa mínima de mata protegida deveria ser de 30 metros, segundo o diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Mário Monto- vani. OMISSÃO > "A omissão e a ausência de vontade admi- nistrativa para implementar políticas ambientais sérias e consistentes são de todos os escalões políticos, da união, estados e municípios, passan- do pela alienação da socieda- de e do setor industrial", aler- ta o defensor público Wagner de la Torre. "A crise hídrica ao menos tem o condão de chamar aos olhos da população as seve- ras consequências da forma negligente com que todos tra- tamos os ecossistemas. Quem sabe faltando água, sentindo a falta desse patrimônio am- biental essencial na pele, a sociedade repense a maneira “Quemsabefaltandoágua, sentindoafaltadessepatrimônio ambientalessencialnapele,a sociedaderepenseamaneiracomo serelacionacomanatureza”- WagnerdelaTorre,defensorpúblico. “ Mataprotegidaem margensderios deveriateraomenos 30metrosparaevitar erosãoebarrar defensivosagrícolas, mas,dependendo dotamanhoda propriedaderural, leisfederaleestadual permitemreduçãoaté 5metros como se relaciona com a natu- reza", prossegue. "Precisamos que gover- nantes, políticos e empresá- rios assumam a emergência ambiental e priorizem a cons- trução de medidas de políti- cas públicas sérias, como a efetiva recuperação das áreas de reserva legal nas proprie- dades rurais, a recuperação das áreas de mata ciliar, o processo de despoluição mas- siva dos rios, o reflorestamen- to maciço e a recuperação dos mananciais, entre outras, além de investimento em edu- cação ambiental, em todas as séries do ensino fundamental até o nível médio, para mino- rarmos um pouco os estra- gos que nosso modo de vida consumista e artificial tem produzido nos ecossistemas", conclui. Ausência de mata ciliar ameaça os corpos d’água Sueli Correa Arquivo pessoal
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    Registro/SP, março de201510 EMPREENDORISMO CRIATIVO Matéria-prima caiçara vira fonte de renda N os finais de semana e feriados é comum en- contrar no centro de Cananéia uma réplica de barco branco, que tem dentro uma pequena poltrona estofada e, se é noite, devidamente ilumi- nado para que o cliente veja com clareza os peixes, cama- rões e ovas defumados. Trata- se de uma marca artesanal – a Defumado Caiçara – criada há dois anos por Jefferson Bileska Maraschi. Ele aproveitou a matéria-prima abundante em Cananéia – peixes e camarões – e agregou valor a um produto altamente perecível. Assim, fi- lés de robalo, tainha, pescada, bagre, camarões e ovas de tai- nha, entre outros peixes, trans- formam-se em defumados. Ele diz que criou a marca para atender uma necessida- de de mercado. Lembrou, en- tão, que dez anos atrás havia um produtor de defumados na cidade. Procurou seus antigos colaboradores que o ajudaram a chegar a um padrão. Esse pe- ríodo experimental ocupou o primeiro ano da atividade, épo- ca em que a produção era feita em tambores de petróleo. Depois de chegar ao ponto de comercialização, Jefferson, que mora há mais de vinte anos em Cananéia, montou uma pe- quena cozinha industrial, com defumador e câmara fria, e ini- ciou a produção. Ele revela que a diferença entre seu produto e o defumado tradicional é que os filés que comercializa não têm espinha. Também escolhe a dedo o peixe que vai utilizar, visando uma padronização dos produtos já que, em média, um peixe de um quilo se trans- forma em 200 gramas após o processo de defumação. Além disso, o processo é diferenciado para cada espécie e o processo de defumação dura em média trinta horas, mais outras doze horas para transpiração. Só então o produto é embalado e pronto para ser comercializado. Durante a semana, ele pro- duz os defumados e, nos finais de semana, os vende no centro da cidade e na feira do produ- tor. “O produto está sendo bem aceito por todas as classes”, assegura Jefferson, que atende caiçaras e turistas, já vendeu pelo facebook e enviou via cor- reio encomendas para vários estados brasileiros. “Loja” móvel em forma de barco tem bicicleta como estrutura Jefferson diz que faz ques- tão de trabalhar com peixe fresco e padronizado e valori- zar o pescador, atividade que ele também exerce. “O pesca- dor normalmente é muito des- valorizado”, opina. Inicialmente, Jefferson ofe- receu sua produção para os restaurantes da cidade, mas não houve interesse. Então, montou a “loja” móvel para vender seu peixe. Quando en- cerra o expediente, guarda a produção num compartimento feito especialmente para o es- toque, monta na bicicleta que é a estrutura da réplica de barco e volta para casa . O sucesso do produto vem do conjunto da criatividade da produção, os defumados, e da réplica de barco que, de ime- diato, seduz o olhar. Produzindo defumados de peixes e camarões, Jefferson agregou valor a um produto altamente perecível SueliCorrea Sueli Correa
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    Registro/SP, março de2015 11 Quem casa quer... festa! AMOR & NEGÓCIOS CASAMENTOS MOVIMENTAM MAIS DE R$ 5 MILHÕES AO ANO E SÃO PRINCIPAL FONTE DE RENDA DE VÁRIOS PROFISSIONAIS DE EVENTOS O s casamentos estão em alta. O mercado de cerimônias e festas também. E ao mesmo tem- po em que os profissionais envolvidos se aprimoram e oferecem serviços cada vez melhores no Vale do Ribeira, os negócios crescem e movi- mentam mais de R$ 5 milhões ao ano em Registro e cidades próximas. O número de casais que disseram sim diante do juiz de paz aumentou 33% em Re- gistro nos últimos dez anos, segundo dados do IBGE. Em Cajati, 28%. Durante 2013, os cartórios das duas cidades re- alizaram 377 e 218 casamen- tos, respectivamente. Calcu- la-se que ao menos 10% des- sas uniões foram comemora- das com festas memoráveis, a maioria às custas dos noivos. "Hoje o mais comum é que o próprio casal banque a fes- ta, e não mais os pais da noi- va, como era costume antes. São noivos de 28, 30 anos de idade, profissionais liberais ou com bons empregos, que têm estabilidade financeira e até já compraram a casa em que vão morar ou estão mo- rando", revela Dani Tsunoda, cerimonialista de Registro, que organiza e assessora ca- samentos na região há quase seis anos. Um casamento sem es- tresse, com assessoria com- pleta, banda, limousine para a noiva e tudo o mais que se tem direito pode custar até R$ 120 mil em Registro. Segundo Dani, porém, a maioria convi- da 300 pessoas e gasta R$ 50 mil em média, fora as despe- sas com vestido, terno, sapa- tos, salão de beleza e noite de núpcias. Não é pouco, mas ainda sai mais em conta casar no Vale do Ribeira que em ou- tras regiões. A jornalista Priscila Fran- co e o analista de suporte Bruno Dutra casaram-se em outubro de 2014, em Presiden- te Prudente. Cuidaram pesso- almente de todos os detalhes, pesquisaram preços incansa- velmente, fizeram eles mes- mos os convites, as lembran- cinhas e outras "frescurinhas", usaram muito a internet como aliada, tiveram descontos es- peciais de fornecedores que são da mesma igreja deles e conseguiram economizar bas- tante. Mesmo assim, desem- bolsaram R$ 40 mil em uma cerimônia para 200 pessoas. "O número de convidados é o que mais pesa no preço. É primeira pergunta que faço aos casais que me procuram. Depois pergunto quanto eles têm para gastar e planejo o evento com base no orça- mento deles, deixando sem- pre uma margem de 10% para despesas extras", explica a cerimonialista Dani. É claro que ninguém tem dinheiro pra jogar fora. Mas se é pra fazer festa, que seja boa. Por isso, na hora de es- colher o que será servido aos convidados, quase todos op- tam pelo jantar completo. No Estoril, em Registro, onde acontece grande parte das festas, o jantar sai a R$ 55,00 por pessoa, fora as bebidas. "A grande vantagem é que o salão está incluído no valor", diz Dani. Se fosse para pagar pelo espaço, seriam mais R$ 2 ou R$ 3 mil. Uma das dificuldades apontadas por quem trabalha em casamentos é justamente o local da comemoração. As alternativas são poucas, de- pendendo da quantidade de convidados. E é preciso muita antecedência para conseguir data no disputado Estoril, por exemplo, que comporta um grande número de pessoas e é bem equipado. Mas para quem está pen- sando em investir num salão para receber festas de vulto, não basta contar com um es- paço grande. "Precisa ter ba- nheiros bem cuidados e em número suficiente, cozinha ampla e equipada, além de ser um local bom, bonito e se- guro", observa. Uma nova boa opção, se- gundo Dani, é o Espaço Gra- mado, em Jacupiranga, no km 01 da estrada do Canha: "Eles estão se equipando, têm um bom bufê, uma cozinha mo- derna e o lugar é bem bonito". ATÉ SEIS NO MÊS > Alguns prestadores de serviços da região têm nos casamentos uma de suas principais fonte de renda. São cerimonialistas, bufês, decoradores, doceiras, boleiras, fotógrafos, videogra- fistas, equipes de som e luz, músicos, garçons, pessoal de apoio, das lembrancinhas, do bolo cenográfico, enfim, um batalhão de 50 a 60 pessoas por evento, trabalhando duro e em sintonia para que o mo- mento dos sonhos se concreti- ze com perfeição. Mesmo na entressafra casamenteira, que vai de de- zembro a março, tem gente que não para. É o caso do DJ Emerson Tamásia, especialis- ta em som e iluminação para festas de casamento, que nes- te ano já está no ritmo dos en- laces desde janeiro. Emerson diz que na época de maior mo- vimento, entre abril e novem- bro, sua equipe chega a traba- lhar em até seis casamentos por mês, "às vezes dois em um mesmo sábado". O fotógrafo Wagner As- sanuma, com 24 anos de ex- periência no tema, também é figura constante nos pre- parativos, altares e festas da região, principalmente em Registro, Jacupiranga, Caja- ti e Sete Barras. Dedica-se a três casamentos por mês, em média. Faz cerca de 1.500 fo- tos em cada um, das quais são selecionadas de 400 a 500 para o CD, que é entregue aos noivos junto com um álbum índice. Depois, se o casal qui- ser, pode escolher as melho- res para compor um belo livro. "Foto de casamento não pode dar erro, porque não tem como repetir o momento. Então requer muita prática. E também é preciso se reciclar todos os dias, ter sempre um novo olhar", explica o fotó- grafo, que agora trabalha em conjunto com o videografis- ta Victor Yagyu. O resultado dessa união de foto e vídeo não poderia ser melhor. "Ele é jovem, tem uma nova visão, uma nova linguagem, e isso faz com que eu me renove também", diz. Dani Tsunoda, cerimonialista, já tem casamentos agendados até o fim do ano Wagner Assanuma, fotógrafo: “É preciso se reciclar todos os dias” Wagner Assanuma Mônica Nogueira Lima
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    Registro/SP, março de201512 Procuramos padrinhos e madrinhas... Ser humano é ser amigo dos animais SE VOCÊ AMA OS ANIMAIS, MAS NÃO PODE ADOTAR, APADRINHAR É UMA ÓTIMA SAÍDA O Grupo de Proteção aos Animais do Vale do Ribeira (GPAVR) lan- çou, em fevereiro, o sistema de apadrinhamento dos animais, em que os interessados podem contribuir financeiramente com o cãozinho/gatinho de sua escolha e acompanhar seu dia a dia no GPA até ser adotado. O apadrinhamento foi implan- tado com o objetivo de garan- tir recursos fixos ao GPA para cuidar dos cerca de cem ani- mais que vivem em sua sede do Xangrilá, em Registro. Como o grupo não conta com recursos públicos para manutenção, o apadrinha- mento é uma das alternativas econômicas para viabilizar os trabalhos. Os recursos serão utilizados na compra de ração, medicamentos, vacinação e todas as medidas necessárias para manter a saúde dos ani- mais até a adoção. Valem tam- bém visitas, carinho, mimos e presentinhos, como casinhas, coleiras e remédios contra pul- gas e carrapatos e ossinhos. Nas redes sociais, o animalzi- nho vai aparecer com o nome Dinho chegou um palito de tão magro. Tem um ano Tigresa é especial. Foi atropelada e perdeu o movimento das patas traseiras Ninja marrom, a rainha do GPA. É ela quem manda Samantha vivia com um andarilho na BR-116, quando precisou parar para ter 9 samanthinhos, todos doados do padrinho/madrinha. O apadrinhamento con- siste em pagamento mensal a partir de R$ 40,00, que pode ser feito por boleto bancário ou carnê, enviados por e-mail ao interessado. No site www. gpavaledoribeira.com estão disponíveis todas as informa- ções para apadrinhar os ani- mais e as fotos dos candidatos. Novas Pittys e Freds virão, mas também somos muitos Com sarna, feridas, tristes, doentes e assustados, Pitty e Fred chegaram ao GPA no fi- nal de 2014. Graças ao apoio de muitas pessoas, foram tra- tados, ganharam remédios, ca- rinho e estão se tornando cãe- zinhos fortes e felizes, como todos devem ser. Fred está cada dia mais alegre. E pa- rece incrível comemorar isso, mas Pitty já está abanando o rabinho quando vê as pesso- as. Isso é tudo para quem ama os animais! O GPA agradece a todos que ajudaram a cuidar da Pitty e do Fred. Novas cãe- zinhos virão. São muitos. Mas também são muitas as pesso- as que amam os animais. ANTES: Pitty quando chegou DEPOIS: Agora ela está mais forte e feliz ANTES: Fred veio doente e assustado DEPOIS: Agora está cada dia mais alegre Com apoio de todas as ONGs protetoras de animais da região, o Grupo de Proteção aos Animais do Vale do Ribei- ra (GPAVR) lança a campanha regional "Castração Já" para mobilizar a sociedade a cobrar ações municipais em prol do controle da superpopulação de cães e gatos nas cidades. O GPA defende o investi- mento em campanhas maciças de castração, já que uma ca- chorrinha e seus descendentes podem gerar – em 6 anos – 73 mil cãezinhos. E uma gata com vida reprodutiva pode deixar até 240 mil gatinhos. De acordo com o grupo, a solução para esse problema parece difícil, mas não é. “Há alternativas concretas. Há uni- versidades e empresas de Me- dicina Veterinária que realizam castrações a preços subsidia- dos. Há financiamentos dos ór- gãos do governo estadual para programas de castração nas ci- dades. O problema é que faltam projetos nesse sentido. Falta uma pessoa na administração realmente interessada em so- lucionar o problema. É possível resolvê-lo. O que não se pode mais é fingir que a questão dos animais abandonados e das crias indesejadas é de outro planeta. Não é. Está em cada esquina de cada cidade”, des- taca a diretoria do grupo. Ainda de acordo com o GPA, enquanto não houver in- vestimento em políticas públi- cas voltadas aos animais, as ONGs e protetores enxugarão gelo recolhendo cães e gatos em situação de quase morte, atro- pelados, vítimas de maus tratos, mães com crias nas ruas. Para o grupo, eles não são animais de rua. “São o reflexo da omissão de muitos anos de braços cruza- dos e do silêncio do poder públi- co, que tem a obrigação legal de investir no setor”. Acompanhe a situação de sua cidade Registro > Parceria com o GPA garante a castração men- sal de dez animais em situação de rua recolhidos pela entidade ou em situação de rua. Municí- pio também realizou junto com o GPA campanha de castração com preço subsidiado que este- rilizou 240 animais em 2014. Ilha Comprida > Campanha maciça de castração esterilizou 2.182 animais em 2014 gratui- tamente para os animais per- tencentes às pessoas inscritas nos programas sociais e enca- minhados por ONGs parceiras. Foram realizadas também cas- trações a preços subsidiados para os que não se encaixam nesta categoria. O município mantém centro de controle de zoonoses, atendimento a ani- mais em situação de rua, chi- pagem, expedição de carteira de identificação animal e área exclusiva para recolhimento de cavalos. Sete Barras > Em reunião com o GPA e protetores da ci- dade, o prefeito Miro Kabata anunciou a intenção de estudar uma proposta de trabalho de controle da superpopulação de cães e gatos de rua. Jacupiranga > O prefeito José Macedo esteve em reu- nião com a diretoria do GPA e recebeu projetos de controle permanente para a realização de campanhas de castração de cães e gatos. O prefeito anun- ciou empenho para implantá- los ainda em 2015. Cajati > Já foram realizadas duas reuniões do GPA com equi- pe técnica da Prefeitura, que está com projetos de castração. Iguape > O prefeito Toni Ri- beiro esteve reunido com o GPA e integrantes da Gaari e anun- ciou empenho na realização de campanhas de castração e na doação de uma área para o Ga- ari construir a sua sede. Cananéia > Chegou a anun- ciar uma campanha de castra- ção, mas não aconteceu. Pariquera-Açu > Reunião com equipe técnica realizada em 2014 sinalizou uma possível campanha de castração e ações em prol do controle da superpo- pulação de cães e gatos. Cobre das autoridades campanhas de castração em suas cidades. Com fotos de todos os cãezinhos e gatinhos para adoção, sistemas de contribuição por boleto bancário ou Pag Seguro, visita virtual na sede, ofertas do bazar permanente e muitas novidades, nasceu em fevereiro o novo site do Grupo de Proteção aos Animais do Vale do Ribeira (GPAVR). O endereço é www.gpavaledoribeira.com. A webmaster voluntária Gisele Carva- lho explica que o objetivo é facilitar as adoções, os apadrinhamentos e as contribuições ao grupo, que não conta com verbas públicas para sua ma- nutenção. Atualmente, o GPA abriga cerca de cem animais, muitos que chegaram em situação de extremo sofrimento e precisam de ração e cuidados especiais. TRABALHO VOLUNTÁRIO > O GPA não tem plantão de aten- dimento, nem viaturas, nem clínica e nem veterinários. Todo o trabalho é voluntário e todos os tratamentos e medicamen- tos são pagos pelos integrantes do grupo. Por esse motivo é tão importante a contribuição da sociedade. Além do site, os trabalhos do GPA podem ser acompanhados diariamente pelo facebook gpavaledoribeira. De segunda a sexta-feira, das 14 às 18 horas, o GPA man- tém aberto ao público o bazar da pechincha permanente, que funciona em sua sede, na rua Tanzânia , 95, na parte alta do Jardim Xangrilá, em Registro. O telefone do GPA é 3821-8082, atendimento de segunda a sexta, das 14 às 18 horas. O GPA aceita doações de medicamentos, ração, móveis, roupas e utensílios domésticos. Campanha Castração Já: CÃES E GATOS EM SOFRIMENTO NAS RUAS REFLETEM A OMISSÃO DO PODER PÚBLICO Novo site do GPA traz fotos de todos os cãezinhos e gatinhos para adoção E CONTA COM SISTEMAS DE CONTRIBUIÇÃO POR BOLETO BANCÁRIO OU PAG SEGURO
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    Registro/SP, março de2015 13 Cachorrinha é alvo de vingança contra tutor CRIME BÁRBARO EM ELDORADO CASOS COMO ESSE, QUE REVOLTOU MILHARES DE PESSOAS, SÃO MAIS COMUNS DO QUE SE PENSA. NOS EUA, 70% DAS MULHERES AGREDIDAS RELATAM QUE SEUS AGRESSORES AMEAÇARAM TAMBÉM SEUS ANIMAIS O crime bárbaro cometi- do contra uma cachor- rinha em Eldorado, no dia 15 de fevereiro, revoltou milhares de pessoas em toda a região. A cadelinha foi quei- mada viva num ato de vingan- ça contra seu tutor, Eduardo Pereira de Ramos, o Mineiro, na casa em que vivia, na Vila Incomager. Vizinhos tentaram salvá-la, mas não deu tempo. O autor da perversidade, Lu- civaldo, o Vavau, foi preso em flagrante. O caso, de grande reper- cussão, foi apenas mais um entre tantos outros em que animais domésticos são agre- didos - e muitas vezes mortos - por vingança. Muitos abusa- dores domésticos ameaçam o cão ou gato que convive com a família por achar que essa será uma maneira poderosa de controlar e intimidar as suas vítimas humanas. Ilus- tra o tema o caso recente, no Brasil, de uma mulher que fil- mou secretamente o namora- do maltratando os animais de estimação. De acordo com a Care2, maior rede social de ativistas pelo bem, metade de todas as mulheres que são vítimas de violência doméstica nos Es- tados Unidos adiam escapar da sua situação por medo do que possa acontecer com seus animais domésticos se elas saírem de suas casas. Alguns relatos dizem que mais de 70% das mulheres agredidas contaram que seus agresso- res prejudicaram, mataram ou ameaçaram também os seus animais. Pesquisas indicam que o abuso contra animais não deve ser ignorado, mas enca- rado como uma manifestação de agressividade latente que pode evoluir para um compor- tamento violento contra hu- manos. “Muitas vezes, as vítimas não fogem de uma situação abusiva, se elas têm que dei- xar um animal para trás, sem proteção”, diz Vicki Deisner, diretora legislativa da Socie- dade Americana para a Pre- venção da Crueldade contra os Animais (ASPCA). Atualmente, 27 estados norte-americanos, mais o Dis- trito de Columbia e Porto Rico, permitem que um juiz inclua os animais quando emite or- dens de proteção doméstica. “Muitas vezes, em situa- ções de abuso, o animal do- méstico pode ser um alvo. Se o autor não pode acessar a ví- tima, ele/ela transfere a raiva Denuncie. Ameaça também é crime O seu silêncio é tudo o que um criminoso precisa para continuar maltratando animais. Não tolere e nem feche os olhos para os maus tratos. Fotografe, grave ou filme a agressão, obtenha depoi- mentos e provas e denuncie. Cite a Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605, de fevereiro de 1998 e o Código de Proteção aos Animais do Estado - 25/08/2005. A pena: detenção de três meses a um ano e multa. Telefone da Polícia Ambiental no Vale do Ribeira: (13) 3821-4733. para um animal”, revela Sarah Reynolds, diretora de assis- tência às vítimas do Gabinete do Condado de Erie, ao San- dusky Register. Fonte: Anda (Agência de Notícias em Defesa dos Animais) Nós vamos invadir a sua casa. Vamos chegar quieti- nhos, bonzinhos porque será tudo novo. Em poucos minu- tos, vamos nos soltar, fazer pipi e cacas por todos os lu- gares; vamos arrancar suas plantinhas, roer seu sofá e gritar muito de noite porque não estamos acostumados a dormir sozinhos. Vamos dar um trabalhão! Vamos crescer, precisar de vacinas, de cuidados ve- terinários, de banhos , vamos Cãezinhos filhotes e adolescentes para adoção PARA ADOTAR, LIGUE PARA O GPA: (13) 3821-8082, DE SEGUNDA A SEXTA, DAS 14 ÀS 17 HORAS envelhecer e amar você e sua família, sempre. Entende? Vamos dividir uma vida inteira e isso é muito sério. Para adotar , o telefone é (13) 3821-8082, de segunda a sexta, das 14 às 17 horas. Co- nheça todos os animais para adoção no site do Grupo de Proteção aos Animais do Vale do Ribeira (GPAVR): www. gpavaledoribeira.com Se você não tolera bagun- ça, brincadeiras e quer tudo no seu lugar, não tenha animais. Margotinha, dois meses As ONGs de proteção aos animais exercitam diariamen- te a arte da transformação. Transformam roupas, calçados e utensílios usados em ração, medicamentos e recursos para tratamento dos animais resgata- dos em situação de sofrimento. Por isso, a ajuda de todos para as ONGs de suas cidades é tão importante. As ONGs aceitam móveis, roupas, calçados e utensílios A arte da transformação GPA - Grupo de Proteção aos Animais do Vale do Ribeira Bazar permanente e sede: R. Tanzânia, 95, Xangrilá, Registro-SP, tel. ( 13) 3821-8082 facebook.com/gpa.valedoribeira.com - site: www. gpavaledoribeira.com Conta poupança: Caixa Econômica Federal (CEF) - Ag. 0903 - Conta 13 048-7 GAARI - Grupo de Apoio aos Animais de Rua de Iguape Tel. (13) 98215-1068 (Tim) ou 99645-8801 (Vivo) facebook.com/gaari.voluntarios E-mail: grupogaari@hotmail.com Conta poupança: Bradesco - Ag. 2233-0 - Conta 0010312-8 Amicão Ilha Comprida Bazar: Av. Copacabana, 79 - Boqueirão facebook.com/amicãodailhacomprida Tel. (13) 99615-5535 Conta corrente: Bradesco - Ag. 6986-8 - C/C: 505-3 ONG de Proteção Animal Clube do Focinho - Miracatu Contato: ongmiracatu@outlook.com Resgate e Proteção Animal (RPA) de Pariquera-Açu facebook.com/pages/RPA-Resgate-e-Proteção- Animal/134400333417241 Patinhas e Focinhos de Pedro de Toledo facebook.com/patinhas.efocinhos.3 Cananeia Animal E-mail: dzanelato@gmail.com usados, livros, medicamentos, ração e recursos. O apoio de to- dos é o que move as ONGs. Saiba como ajudar a ONG de sua cidade ou forme uma nova instituição. A proteção aos animais precisa da organização da sociedade e muita união. O Grupo de Proteção aos Animais do Vale do Ribeira (GPA) fornece orientações e modelos de documentação e arrecadação de recursos. Informe-se no site www.gpavaledoribeira.com Hiro, seis meses, tipo cocker Lia, adolescente, super esperta Natal, oito meses Barbinha, três meses Samanthinha, dois mesesGato Jorge, oito meses
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    Registro/SP, março de201514 Venha conhecer a Av.Beira-Mar, 14.300 - Balneário Monte Carlo - Ilha Comprida- SP - Telefone: 13-3842-1797 - www.pousadapocagua.com.br MÚSICA Exilados em recesso SAI A BANDA COVER, ENTRA A AUTORAL, COM MUITA VONTADE DE APRENDER, ESCREVER E FAZER ROCK'N ROLL C omeçou quase como brincadeira, um jeito saudável de espantar o tédio. A brincadeira virou coi- sa séria e, em pouco tempo, os exilados Leo, Diego, Rogério e Kelvin tornaram-se figuri- nhas carimbadas no rock re- gistrense. Trajetória rápida e marcante. A banda Exilados da República foi e é um grito. Uma vontade que deu certo de aprender e fazer rock'n roll. Disciplina de ensaios, re- pertório de peso, figurino bem cuidado, carisma, animação e a ousadia de levar o rock além, organizando o primeiro festi- val do gênero em Registro (o Stone Age, em julho de 2014), "invadindo" mascarados uma casa tradicionalmente serta- neja e até levando show (de rock) a uma micareta. Os Exi- lados fizeram história. Mas, que pena, anuncia- ram que vão entrar em recesso. Leo Nogueira, o vocalista, está deixando Registro. Segue para Campinas em abril, não sem an- tes cumprir a agenda de shows já compromissados, que inclui um tributo a Cazuza no Snooker Rock Bar, no final de março, com releituras da época do Barão Ver- melho e da carreira solo daquele garoto que ia mudar o mundo. Ainda saindo das fraldas, a banda nascida em novembro de 2013 estreou no palco do KKKK, em Registro, no dia 1º de feve- reiro de 2014. E não parou mais. Com influências de Pearl FernandoOkuhara Jam, Metallica, Legião Urba- na, Barão Vermelho, Aborto Elétrico, Ramones, Nirvana e outros, os Exilados misturam o ritmo acelerado do punk rock com a atitude do grunge e uma pitada de heavy metal, em seus riffs pesados e distor- cidos na guitarra, nas releitu- ras de sucessos que marcaram a história do rock. Como a distância dificulta- rá apresentações cover em ba- res e casas noturnas, o projeto agora é partir para uma banda autoral. Escrever suas próprias canções, sem timidez em mos- trar que ama rock 'n roll. Com- por e compor. Um novo capítu- lo na história dos Exilados. A banda tem Diego Spino na bateria, Kelvin Studenroth na guitarra, Rogério Muranaka no baixo e Leo Nogueira nos vocais. O lugar ideal para quem procura combinar ambiente agradável, conforto, bom atendimento e preços convidativos. E APROVEITE PARA CONHECER TAMBÉM O RESTAURANTE POÇÁGUA.
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    Registro/SP, março de2015 15 FOTOGRAFIA Mulheres que escrevem com a luz F otografar é escrever com a luz. Essa defini- ção cabe com perfeição no trabalho que um grupo de jovens fotógrafas começou a desenvolver nos últimos seis anos em várias cidades, com- partilhando um mercado que, até o início dos anos 2000, era quase exclusivamente de homens na região. Elas che- garam à fotografia por dife- rentes caminhos, mas com a mesma paixão, que enobrece qualquer ofício, e imprimiram um novo olhar às pessoas e às paisagens Vale do Ribeira. “A fotografia para mim é mais que um trabalho, é uma forma de guardar o amor das pessoas em imagens que fi- carão registradas pra sempre. Eu vivo de fotografia, eu vivo a fotografia”, diz Liana Yamaka- wa, que desde menina via seu pai, Chico Yamakawa, revelar negativos em preto em branco num laboratório caseiro. “Mi- nhas amigas comentam que, nas excursões de escola, sem- pre era eu a japonesinha com a máquina fotográfica no pesco- ço”, relembra. “Gosto de fotografar o amor: aniversário, reunião de família, ensaio, casamen- to. Nas fotografias de família ganho energia, as crianças me dão energia. O amor me move”, revela Lê Murata, que começou a fotografar no Ja- pão, quando ganhou de seu marido, Fábio Murata, seu pri- meiro equipamento fotográfi- co. “Fotografia para mim é eternizar momentos. A partir do momento que você passa a fotografar alguém, ou um evento, ou uma viagem, en- fim... você passa a fazer parte daquele momento... e registrar e eternizar momentos únicos”, afirma a jornalista Bárbara de Aquino que, desde o ano pas- sado, mantém seu estúdio em Cananéia. “A beleza das cores me inspira e alguns temas tam- bém têm me inspirado bas- tante, por isso também faço fotografia como inclusão, co- nhecendo pessoas que não tiveram as mesmas oportuni- dades que a gente e a histó- ria por trás das coisas”, revela Paloma Lima. Ela trabalhava com produção num estúdio em São Paulo. Quando o fotógrafo saiu para montar seu próprio estúdio, Paloma pediu para que ele a ensinasse e, três me- ses depois, deu os primeiros passos na profissão. “Sou apaixonada por foto- grafia”, observa Telma Almei- da, que começou a fotografar há seis anos, pois antes ti- nha dificuldade para adquirir equipamentos fotográficos, principalmente na época das máquinas analógicas em que o custo incluía filme e revela- ção em papel. Ela começou em Registro mas, atualmente, trabalha também em Itape- tininga. “Vou e volto sempre que for preciso”, assegura. Andreia Davies diz que a paixão pela fotografia surgiu quando criança. “É a forma de eternizar o momento”, afirma a fotógrafa, que ainda não se considera profissional da área, mas tem se tornado cada vez mais indispensável nos even- tos familiares e realiza vários trabalhos em Jacupiranga. Veterana entre as entre- vistadas, Marli Nogueira teve como motivação os filhos a partir de 1987 e, nos eventos escolares, ela sempre atendia pedidos de outras mães. Viu ali um nicho de mercado e se profissionalizou. “A fotografia é um meio de contar uma his- tória através da imagem”, diz. Todas afirmam participar periodicamente de cursos e workshops para se aperfeiço- ar. Bárbara e Liana são jorna- listas e, na faculdade, tiveram aulas de fotojornalismo. “Já fiz vários cursos, mas o divisor de águas foi o curso de fotografia newborn com a Danielle Ha- milton, da Austrália. Depois disso, passei a fazer cursos de fotografia newborn com uma das melhores do país, a Bel Ferreira. A Bel me apadrinhou e está me ajudando muito com os recém nascidos. Em janei- ro tive o prazer de fazer parte da equipe dela em um proje- to que ainda está no forno e não foi divulgado. Foi muito gratificante receber o convite para trabalhar lado a lado com quem muitos, inclusive eu, consideram a melhor no país”, comenta Liana, que está em vias de inaugurar seu estúdio em Registro. Bárbara tem feito cursos à distância. “Como a minha pai- xão sempre será o fotojornalis- mo, eu tenho como inspiração, sempre, o francês Henri Car- tier Bresson, pai do fotojor- nalismo . "Hoje trabalho mais com eventos (casamentos, ani- versário, bodas, etc.). Ensaios fotográficos infantis também têm grande saída”, afirma. Telma, por sua vez, é apai- xonada por fotos esportivas e já fez eventos na área mas, como esse mercado ainda é restrito na região, tem tra- balhado principalmente em casamentos e aniversários. Embora trabalhe com even- tos, como as demais profissio- nais da área, Lê Murata está se especializando em casa- mentos e, nessa área, tem fei- to workshops e se inspirado no trabalho de Duo Borgatto (uma dupla formada por Fábio Borgatto e Júlia Seloti) e Vini- cius Matos. “Faço mais fotos de ges- tantes, newborn (5 a 12 dias de vida), bebês e crianças. Tem vezes que me param na rua para perguntar se eu sou a Liana, a fotógrafa de be- bês. Fico super feliz em saber que, mesmo sem divulgação, acabei criando uma identi- dade profissional, que veio somente com indicações de clientes e fotos postadas no facebook. Sou apaixonada pelos be- bês e cada vez mais é nesse nicho que estou me especiali- zando. Tenho duas filhas, en- tão procuro receber as novas vidinhas com o mesmo cari- nho que eu gostaria que des- sem para as minhas meninas”, relata Liana. Paloma, que tem chamado atenção com os books, tam- bém se dedica ao que chama de fotografia autoral, em que clica pessoas vinculadas a um tema. Assim, ela já esteve no Lar dos Velhinhos de Registro e, mais recentemente, no Cen- tro de Atenção Piscossocial (CAPS). “Gosto de muitos fotó- grafos”, diz ela. “Mas ultima- mente gostei bastante de um cara que vi em Buenos Aires, Marcos Zimmermann. A ima- gem fica na cabeça e quando a gente fotografa, vira refe- rência. Estou gostando disso nele”, completa. “Aqui no Vale tem duas pessoas que admiro muito: Patrícia Mendonça, que tem estúdio em Cajati, e Lê Mura- ta. Quando comprei a primeira máquina profissional, fui ao estúdio da Patrícia e ela me deu muitas dicas, de coração, sem cobrar nada. A Lê Murata também dá muitas dicas”, diz Andreia. “Eu me inspiro para o meu trabalho no Luiz Marcos (de Cajati) - “sou apaixonada pelas fotos dele!” - no Wag- ner Assanuma e na Liana Yamakawa”, afirma Telma. Marli, por sua vez, garante que, apesar da admiração por vários fotógrafos, sempre teve os filhos como inspiração para seu trabalho. A receita para ser um bom fotógrafo e fazer fotos que iluminam os olhos e alegram o coração de quem as vê é estudar muito. “É um eterno aprendizado e sempre temos coisas novas para absorver”, resume Liana.Marli Nogueira Liana Tami Lê Murata Bárbara de Aquino Paloma Lima Telma Almeida Andreia Davies Bebê Pietro em foto newborn de Liana Tami Casamento pela lente de Lê Murata
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