MauriceGraham
Inteligência
Pastoral
Inteligência
Pastoral
Inteligência
Pastoral
Maurice Graham
Sumário
Prefácio
Introdução
PARTE 1 . O triângulo do Eu transformado
Capítulo 1 – O que há de tão especial nos pastores?
Capítulo 2 – Abraçando seu sistema emocional
Capítulo 3 – Compreendendo suas impressões
Capítulo 4 – Transformando suas crenças
Capítulo 5 – Assumindo seus comportamentos
Capítulo 6 – Unindo as pontas do triângulo
PARTE 2 . Aplicando a Inteligência Pastoral
no Ministério
Capítulo 7 – As cinco habilidades da Inteligência Pastoral
Capítulo 8 – Inteligência PastoralTM:
competências intrapessoais
Capítulo 9 – Inteligência PastoralTM:
competências interpessoais
Capítulo 10 – A jornada sagrada
Capítulo 11 – Quando o ministério e a vida real colidem
Agradecimentos
Prefácio
Eu tinha acabado de voltar de um período sabático de três meses.
Estava cansado depois de plantar e pastorear uma igreja no coração
de Washington, D.C., pelos últimos oito anos. Após esse tempo fora,
estava ansioso para voltar ao ministério da igreja local. Eu não
à minha liderança que eu sofreria quando retornasse. Nos meses
seguintes, eu teria de dedicar uma enorme energia emocional para
discernir o que era de minha responsabilidade e o que estavam
além do meu alcance.
Mesmo que as críticas não estivessem relacionadas ao meu
caráter, ainda assim me senti desmoralizado. Eu queria desistir.
As pressões de liderar uma organização em crescimento, que se
tornava cada vez mais complexa, estavam me levando além dos
meus limites.
Em meio a um dos meus dias mais difíceis ao voltar do período
sabático, lembro-me vividamente de Maurice Graham (meu pai)
me dizendo que meu chamado “não era para ser o CEO da Igreja
do Distrito”. Ele disse: “isso seria um rebaixamento”. Naquele
momento, ele me lembrou do meu chamado pastoral. O chamado
para servir e liderar por meio do exemplo. Lembrou-me de que
minha responsabilidade com nossa equipe era ser seu pastor
antes de seu amigo, supervisor ou diretor de RH. Suas palavras
me ajudaram a voltar aos trilhos e a ter a coragem de continuar
14
liderando e sendo obediente ao chamado que Deus colocou
em minha vida para plantar uma igreja próspera na capital dos
Estados Unidos.
Este livro que você tem em mãos é um cuidado com a alma
dos pastores cansados. Ele o ajuda a entender os bastidores dos
problemas que você pode estar enfrentando em sua liderança e
ministério. Com muita frequência, olhamos para os sintomas, mas
este livro o ajudará a abordar as causas fundamentais. Ele não
foi escrito apenas por um pastor, terapeuta e missionário. Foi
escrito por alguém que tem o compromisso de cuidar de pastores
e líderes de igrejas. Alguém que tem o propósito de fazer o que for
preciso para que você, como líder, deixe de apenas sobreviver no
ministério e passe a realmente prosperar.
Como líder, é inevitável que, às vezes, você sofra exaustão
emocional. Liderança é sempre uma questão de levar as pessoas
a novos lugares. A mudança que você inicia e lidera
inevitavelmente despertará emoções. Este livro trata de como
você lida com suas próprias emoções e com as emoções das
pessoas ao seu redor enquanto lidera.
Desde que entrei no ministério de tempo integral, há 20 anos,
Maurice Graham (pai) sempre foi a primeira pessoa para quem
sempre me lembra do meu chamado, me ajuda a processar
emocionalmente o que está acontecendo dentro de mim e me provê
a linguagem que me ajuda a me conectar melhor com as pessoas
que estou liderando.
Como você verá nos muitos estudos de caso deste livro, nossa
ausência de saúde emocional e nossas histórias não processadas
se tornam um obstáculo para nossa liderança. Como diz
Peter Scazerro: “É impossível ser espiritualmente maduro e
emocionalmente imaturo”.
Minha oração é que, ao ler este livro e processar as 15
competências da inteligência pastoral com suas equipes, você
chamado que Deus colocou em sua vida!
Que Deus lhe dê a graça de continuar processando sua
própria história à luz da maior e melhor história que já foi
contada!
Aaron Graham
Pastor titular
The District Church
Washington, D.C.
Introdução
Inteligência Pastoral! Na época em que comecei a usar esse termo,
meus colegas quase sempre sorriam e diziam: “Inteligência
pastoral? Isso não é um paradoxo?”
Eu sempre dava uma risadinha de cortesia, mas achava
interessante a facilidade com que as pessoas — especialmente
os próprios pastores — desprezavam os dons especiais, as
competências e o desenvolvimento espiritual exigidos dos
pastores. O que fazemos certamente não é fácil e está repleto de
contradições. Se você está no ministério há algum tempo, sabe que
nosso trabalho tem o potencial de ter os momentos mais altos e os
mais baixos. É uma alegria e um trabalho árduo. É uma vida vivida
em comunidade e talvez seja a ocupação mais solitária do mundo.
Praticamente desde o primeiro dia, percebemos que, se Deus não
estiver conosco em cada passo do caminho, estaremos em apuros.
Felizmente, Deus está ao nosso lado. E acredito, o que é
igualmente encorajador, que o Senhor equipou de forma exclusiva
os homens e as mulheres que chamou para o ministério com um
conjunto de ferramentas especiais para realizar o trabalho do
de nós que atenderam ao chamado para serem as mãos e os pés de
Jesus no mundo. É o que chamo de Inteligência Pastoral e, depois
de 50 anos no ministério de tempo integral — e depois de trabalhar
18
décadas —, acredito que a Inteligência Pastoral é a chave para
liberar seu potencial e para ajudá-lo a se tornar plenamente o
pregador que Deus o chamou para ser.
Como muitas das lições mais poderosas que aprendemos no
ministério, minha descoberta da Inteligência Pastoral veio de um
lugar de dor e frustração — minha e de outros. Há mais de 20
anos, eu fazia parte da equipe de uma grande igreja em Richmond,
Virgínia, que tinha em média cerca de mil pessoas nos cultos de
domingo. Embora minha agenda de trabalho fosse exigente e a
igreja precisasse constantemente de minha atenção, notei que os
ministros — muitos dos quais eu não conhecia — começaram a
aparecer sem avisar em meu escritório. Eles precisavam de apoio e
ajuda com o que estavam vivenciando. Tendo atuado no ministério
voltado para os pastores, eu havia desenvolvido uma reputação na
comunidade de ser uma pessoa útil para esses homens e mulheres
Cada uma dessas pessoas parecia sobrecarregada por alguma
crise e estava passando por um momento de estresse elevado.
Elas estavam sofrendo. Quanto mais isso acontecia, mais claro
que estivessem ligados a uma denominação organizada. Eles são
frequentemente chamados a ser “tudo para todas as pessoas” (1 Co
9.19-23), mas a quem os pastores podem recorrer em seus momentos
de necessidade? Uma lacuna no cenário ministerial foi revelada.
se uma prioridade para mim em meu próprio ministério. Achei
verão de 2000, senti Deus me chamando para me concentrar nesse
ministério em tempo integral. Deixei meu cargo de funcionário da
totalmente dedicada a servir os servos de Cristo que Deus chamou
para o ministério. Naquele momento, com 50 e poucos anos, eu
sabia que queria concentrar o restante de meus anos de ministério
ativo em ajudar a sustentar e apoiar os envolvidos no trabalho da
introdução
Inteligência Pastoral
19
igreja.
Imediatamente, líderes de igrejas de todas as áreas da região
compareceram em um número considerável. À medida que eu
trabalhava com um número cada vez maior de pastores, três
descobertas importantes vieram à tona. Primeiro, descobri que
não se pode separar o pastor do ministério. O ministério não é
do dia e deixam o trabalho para trás. Em vez disso, o chamado e a
identidade do pastor estão amplamente envolvidos no trabalho que
como pastores — desde reclamações sobre a ilustração do sermão
da semana passada até a dor de acompanhar uma família em
luto — são internalizadas de forma muito pessoal. Se o pastor não
isso se manifestará no ministério e prejudicará seu chamado e sua
identidade.
Em segundo lugar, reconheci que um ministério bem-sucedido
exige um nível de inteligência teológica. Nossa jornada é uma
jornada relacional, que se baseia e se fundamenta em nossa
caminhadacomoSenhor.Falareisobremuitosconceitosemocionais
e competências práticas neste livro, mas nada disso importa no
ministério se não tivermos primeiro um relacionamento sólido,
fundamental e ativo com Deus.
puder gerenciar suas próprias emoções e entender e responder
ministério será drasticamente reduzida.
20
Embora possa parecer óbvio, ninguém havia colocado em
palavras essa percepção sobre o que o pastor estava vivenciando
na igreja local. Essa descoberta me levou a fazer duas perguntas
que moldaram profundamente minha pesquisa inicial e minha
direção no trabalho com pastores:
s
a
i
r
p
ó
r
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n
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o
p
o
m
o
C
.
1
emoções?
2. Que inteligência ou habilidade especial um pastor precisa
para gerenciar as emoções de uma congregação?
Isso parecia uma necessidade tão óbvia que, francamente,
certeza de que os seminários deviam estar pesquisando esse
tipo de questionamento e oferecendo cursos sobre como fazê-lo.
Certamente, eu só devo ter perdido essas oportunidades durante a
minha própria formação... certo?
Errado.
Quanto mais eu examinava o currículo e as ofertas de cursos
de vários seminários importantes, mais eu percebia — para minha
grande surpresa — que ninguém estava formalmente equipando os
pastores para gerenciar suas próprias emoções e as da congregação.
O foco estava quase exclusivamente no aprendizado intelectual,
excluindo o aprendizado emocional. Certo de que ainda me
faltava algo óbvio, liguei para um conhecido, o Dr. Daniel Aleshire,
diretor executivo da Associação de Escolas Teológicas dos Estados
Unidos e Canadá (ATS), para perguntar se havia algum seminário
em particular que estivesse enfatizando academicamente o
que não havia.
introdução
Inteligência Pastoral
21
Comecei a procurar fora do mundo dos seminários para ver
quem estava ensinando e treinando pessoas em aprendizagem
emocional.OnomequesempreapareciaeraodoDr.DanielGoleman,
que havia popularizado a expressão inteligência emocional. Eu
me aprofundei em sua pesquisa, tentando entender melhor como
a inteligência emocional desempenhava um papel no ministério.
Embora grande parte do trabalho de inteligência emocional de
Goleman pudesse ser aplicado ao trabalho no reino, não era
totalmente compatível. Havia coisas exclusivas do ministério que
não tinham paralelo nas descobertas dele, o que tornava a solução
incompleta, na melhor das hipóteses. Com o tempo, percebi que
estávamos lidando com um tipo totalmente novo de inteligência
ou habilidade com a qual todos os pastores, há dois mil anos,
contavam, mas que ninguém ainda havia articulado. Eu estava
determinado não apenas a entender e articular essa inteligência
especial, mas também a desenvolvê-la como uma ferramenta
de treinamento em meu trabalho com pastores. Mas, para ser
mais claro, eu sabia desde o início que o que eu viria a chamar
de Inteligência Pastoral era mais do que apenas uma versão
reembalada da inteligência emocional; também contém inteligência
teológica ou uma base para um relacionamento com Deus.
Este livro representa muitas décadas de exploração sobre
Inteligência Pastoral. Os princípios e conceitos sobre os quais você
lerá são o resultado de milhares de sessões de mentoria, terapia
e treinamento que realizei com pastores, tanto individualmente
quanto em grupos. Essas informações são o resultado de
incontáveis horas de pesquisa e aplicação com milhares de pastores
e são apoiadas por uma ferramenta de avaliação detalhada que
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desenvolvi pessoalmente e que usei com 1.500 pastores. O material
deste livro não é anedótico; ele é orientado por pesquisas e testado
pelo tempo. Ele já ajudou mais de 3.000 pastores a desbloquear um
novo potencial em seus ministérios, e estou animado em poder
disponibilizá-lo para você agora.
Maurice para pastorear pastores?” Minha primeira e honesta
resposta é que foi isso que Deus me chamou para fazer. De um ponto
de vista mais prático, direi que tudo o que você lerá neste livro é
o resultado de mais de 50 anos de experiência em uma variedade
de ambientes ministeriais, desde a igreja local, passando por
missões internacionais, servindo a outros missionários, servindo
como o primeiro capelão em tempo integral do St. Jude Children’s
Research Hospital, até o trabalho com milhares de pessoas como
psicoterapeuta treinado e licenciado. Como aconteceu com Abraão
em Gênesis 12.1, o chamado inicial de Deus para minha vida foi o de
simplesmente ir. Eu não tinha ideia de onde essa jornada sagrada
me levaria, nem poderia prever todas as reviravoltas ao longo do
caminho.
Por cinco anos, minha esposa e eu servimos como missionários
internacionais na Libéria e no Kuwait, onde atuei como pastor
durante a eclosão da primeira Guerra do Golfo. Minha esposa e
Embaixada dos EUA no Kuwait antes de serem libertados. Eu
Pastoral Call as a Hostage in Kuwait [Orações do Deserto: Vivendo o
chamado pastoral como refém no Kuwait].
Foi durante esse período que compreendi melhor a frequência
com que os líderes religiosos são confrontados com emoções
intensas — as suas próprias e as de seus congregados — enquanto
introdução
Inteligência Pastoral
23
e o papel que elas desempenham no desenvolvimento espiritual e
pessoal de alguém mudou radicalmente durante esses anos. Essa
experiência não só me tornou extremamente consciente de minhas
próprias lutas, mas também me ajudou a entender como minhas
decisões, ao cumprir meu chamado, afetavam minha esposa e
líderes a um alto nível de estresse e sofrimento. Ele pode e terá um
efeito profundo em nosso desenvolvimento espiritual, e a família
do pastor será inevitavelmente chamada a compartilhar o trauma
que é inerentemente parte do ministério pastoral.
Essefortealicerceemocional—quediscutireidetalhadamenteao
longo deste livro — é algo que, com muita frequência, é subestimado
e menosprezado pelos pastores. No entanto, compreender o papel
que as emoções desempenham em nossa vida pessoal e ministerial
é absolutamente essencial para o desenvolvimento da Inteligência
Pastoral... e para a sobrevivência por qualquer período no
ministério ativo.
observe que cada capítulo contém um ou mais estudos de caso
ou histórias de minhas experiências pessoais no ministério e, o
mais importante, dos pastores com quem trabalhei ao longo dos
anos. As ilustrações que estou usando no livro são composições de
líderes com quem trabalhei. Mudei seus nomes, locais e, às vezes,
até mesmo seu gênero como forma de proteger sua identidade.
Espero que as histórias deles ajudem a dar vida aos princípios e
permitam que você veja como esse material se relaciona com você
e seu ministério de uma forma pessoal.
Eu o convido agora para uma maneira totalmente nova de
pensar sobre seu chamado e seu trabalho no reino. Sem dúvida,
24
essa jornada terá algumas reviravoltas surpreendentes, mas
acredito plenamente que entender, dominar e aplicar esse material
revigorará seu ministério e o ajudará a entender melhor a si
mesmo, sua congregação e sua caminhada com Deus. Bem-vindo à
Inteligência Pastoral!
introdução
Inteligência Pastoral
25
O
Triângulo do
Eu Transformado
Parte 1
O que há de tão
especial nos pastores?
“As pessoas questionam tudo o que faço. Não consigo fazer uma
única coisa sem que alguém me procure para me confrontar. ‘Por
que você está fazendo isso?’ ‘Por que não está fazendo aquilo?’
Nunca estive em um ambiente como este, em que as pessoas
o que faço”, disse o pastor Oscar. Ele estava cansado e frustrado.
entravam e saíam de seu escritório para julgar seu desempenho. Ele
estava na igreja — sua primeira igreja — há cinco anos e nunca se
sentiu à altura do trabalho que estava enfrentando. E, infelizmente,
seus membros estavam ansiosos demais para lembrá-lo de como o
consideravam inadequado.
Essas reações eram muito novas para Oscar. Para ele, o
ministério foi um surpreendente “segundo ato”. Formado
elite de Wall Street. Ele era conhecido por seu “Toque de Midas”
há anos. O sucesso parecia vir sem esforço. Seus colegas, clientes
surpresos quando Oscar anunciou que estava deixando seu
Capítulo 1
30
prestigioso cargo para embarcar em uma nova vida no ministério.
um papel importante na vida desse homem. Por que Deus não iria
motivado para o trabalho no reino?
No entanto, cinco anos depois de seu primeiro pastorado, Oscar
estava em meu escritório, pronto para desistir. “Não posso fazer
isso”, suspirou ele. “Quando Deus me chamou para o ministério, eu
não fazia ideia de como seria. Eu me sinto tão... inadequado”.
Fiquei com o coração apertado por Oscar. Seu ponto de ruptura
ocorreu durante um período particularmente difícil de seu
ministério. Uma família de sua igreja pediu que ele se sentasse
de um tipo de câncer agressivo e incurável. Não havia nada que
alguém pudesse fazer, a não ser esperar e orar por sabedoria,
graça, compreensão e cura. No entanto, apesar dos milagres, todos
sabiam para onde essa doença em particular estava indo.
Oscar se sentou com aqueles pais no quarto de hospital de seu
morrer... e vendo seus pais sofrerem lenta e dolorosamente por um
longo período. Ele permaneceu em um silêncio ensurdecedor, sem
saber o que dizer, apavorado com a possibilidade de que
coisa que dissesse pudesse acidentalmente agravar a dor da família.
Ele se sentiu como os servos do rei Davi no capítulo 12 de 2 Samuel,
desta vida.
“Não havia nada que eu pudesse dizer ou fazer”, explicou
ele. “Fiquei ali sentado em silêncio, sentindo-me totalmente
inadequado. Eu... Acho que não sou capaz de fazer isso, Maurice”.
Fiquei com o coração apertado por Oscar. Já passei por essa
situação muitas vezes. Lidar com a morte de uma criança nunca é
fácil, e o pastor nunca se sente à altura da tarefa.
Perguntei: “Oscar, você pode citar uma única pessoa na Bíblia
que Deus tenha chamado para o trabalho no reino e que fosse
o que há de tão especial nos pastores?
Inteligência Pastoral
31
pessoalmente capaz — pessoalmente — para executar o
trabalho para o qual foi chamada?”
“Não”, disse ele. “Acho que nem mesmo Jesus era adequado sem
o Pai.”
Eu respondi: “Está bem. Você consegue viver com isso, Oscar?
exclusivamente na dependência total do Pai?”
Essa é a pergunta-chave no ministério, não é mesmo? Será que
nós, como homens e mulheres chamados por Deus para trabalhar
no reino, podemos aceitar que não temos o que é necessário em
nossas habilidades humanas naturais? Oscar estava acostumado a
e talentos, seus anos em Wall Street o convenceram de que ele
problema. O ministério lhe mostrou o contrário.
Eu sei o que Oscar escolheu nessa situação, mas estou mais
interessado em saber o que você escolheria. consegue
exclusivamente na sua dependência total do Pai? Você pode aceitar
que seu sucesso no ministério depende de permitir que Deus realize
umatransformaçãoradicalemvocê,reconhecendoeutilizandoseus
dons naturais, suas habilidades relacionais, sua autoconsciência
e sua inteligência emocional, mas depois acrescentando a eles o
32
O SUPERPODER DO PASTOR
Então, do que se trata a Inteligência Pastoral?
A Inteligência Pastoralrefere-seàintegraçãodoaprendizado
emocional e da inteligência teológica no contexto do ministério,
o que permite que o pastor gerencie suas próprias emoções,
bem como as emoções dos outros. Sei que isso é muito complicado,
portanto, permita-me detalhar as três partes principais dessa
A primeira é a . Como mencionei na
ignorada na educação ministerial. Tradicionalmente, os seminários
ensinam aos pastores sobre a Bíblia, a teologia e a história da igreja
— todos tópicos imensamente importantes e uma base educacional
que todo pastor coloca em prática diariamente. Entretanto, essas
escolas — pelo menos até muito recentemente — deixaram de fora
o que talvez seja o campo de estudo importante: as .
Não existe ministério sem comunidade, e as são
formadas por
que já enfrentou no ministério. Os realmente grandes. Aqueles que
à igreja naquela semana. Agora, deixe-me lhe fazer uma pergunta:
Esses foram problemas , problemas , problemas
relacionados à ... ou foram problemas ?
um pastor entrar em meu escritório para discutir uma questão de
estudo bíblico. Em vez disso, os pastores com quem trabalho lidam
pela perda de um ente querido, problemas com o comitê da igreja
etc. Claro, já trabalhei com pastores que enfrentavam problemas
teológicospessoais,comoumacrisedefé,ecompastoresquelutavam
para conciliar a instrução bíblica com um determinado ponto da
piedade. No entanto, de modo geral, a maioria dos problemas que
o que há de tão especial nos pastores?
Inteligência Pastoral
33
levam os pastores ao meu escritório está relacionada a pessoas.
Esses líderes se envolveram em uma situação emocionalmente
profunda e perceberam que não foram treinados ou equipados para
lidar com ela. O que apresentarei neste livro ajudará a preencher
essa lacuna no treinamento ministerial deles (e no seu).
A segunda é a . Ela se refere à capacidade
do pastor de enxergar Deus agindo em si mesmo e nos outros,
mesmo quando ele se sente incapaz de exercer o ministério para
o qual foi chamado. A prática do ministério não se baseia na
competência, nos dons, nos talentos e na capacitação do pastor. O
ministério é conduzido pelo Espírito e está cheio do Espírito. Deus
está sempre trabalhando em nós, por meio de nós e das pessoas em
nossas congregações. E mesmo que muitas vezes ajamos de outra
maneira, o trabalho é de , não nosso. Embora o Senhor nos
tenha convidado para o passeio, é o Espírito Santo quem está no
banco do motorista.
Por isso, vale a pena repetir o que eu disse na Introdução:
falarei sobre muitos conceitos emocionais e competências práticas
neste livro, mas nada disso importa no ministério se não tivermos
um relacionamento sólido, fundamental e ativo com Deus. Um
advogado pode exercer a advocacia sem Deus. Um contador pode
fazer impostos sem envolver Deus. Mas um pastor não pode exercer
o ministério sem envolver Deus — a cada minuto de cada dia.
Para começar, quero abordar a terceira e última área da
Inteligência Pastoral, o conceito de
capacidade do pastor de gerenciar suas próprias emoções, bem
como as emoções dos outros. Por que isso é tão importante para
nós, pastores? Se o sistema emocional do líder e de sua congregação
chegar a um ponto caótico, há uma grande probabilidade de que
o pastor abandone seu chamado e deixe o ministério. Precisamos
aprender a gerenciar as emoções, tanto as nossas quanto as de
outras pessoas, de forma a aproveitar seu incrível poder para o
bem, em vez de permitir que elas saiam do controle e destruam
nossas igrejas, relacionamentos e ministérios.
34
No início de nossa jornada juntos, é importante chamar
a atenção para uma reclamação comum que recebo sobre a
expressão . Esse pode ser um ponto
de discórdia para algumas pessoas que acreditam, erroneamente,
que gerenciar emoções envolve manipulação emocional. Nada
poderia estar mais longe da verdade. Como você verá ao longo
deste livro, tenho grande consideração pelo sistema emocional
de cada um. Ele não deve ser ignorado, maltratado, difamado,
abusado ou manipulado. É algo que deve ser valorizado, honrado,
reconhecido e compreendido tanto quanto possível. Portanto, se
esse termo lhe parecer remotamente ofensivo ou problemático,
tenha certeza de que, no próximo capítulo, explicarei
completamente o que quero dizer com .
ATENDENDO AO CHAMADO
quero abordar outra pergunta que você pode estar fazendo: por
informações e estruturas deste livro? Sim! No entanto, acredito que
há algo único no trabalho do ministério. Para ser franco, como o
título deste capítulo sugere, há algo “especial” nos pastores.
repleta de alegrias e celebrações únicas, um chamado e uma
o que há de tão especial nos pastores?
Inteligência Pastoral
35
UM CONVITE PARA A OBRA SAGRADA DE DEUS
Praticamente todos os grupos religiosos usam o termo
para descrever o convite especial de Deus para trabalhar no
reino. Como líderes religiosos, entendemos intuitivamente que
nosso chamado é um mistério, uma experiência que transcende
uma designação e um raciocínio aceitável, um compromisso
que vem . Esse chamado sempre tem um
componente emocional que leva a correr
vários riscos. Oscar, por exemplo, arriscou-se a deixar uma
carreira da qual gostava e na qual se destacava, para assumir
uma função na qual ele imediatamente se sentiu inadequado
para desempenhar com sucesso. Assim como os colegas de Oscar
em Wall Street, as pessoas ao nosso redor podem questionar nossas
ações. Essa tomada de risco geralmente é vista como um ato de
fé (se não um grande salto de fé). A fé e a coragem necessárias
para dar esse passo são apenas uma das muitas emoções que
experimentamos como homens e mulheres chamados para a obra
sagrada de Deus, das quais dependemos, em última análise, nas
trincheiras cotidianas do ministério.
qual fomos chamados. Um médico, um advogado ou um arquiteto,
por exemplo, pode dizer que foi para a área que
escolheu, e ninguém questiona isso. Eles simplesmente se sentiram
educacional adequado e adquiriram as credenciais necessárias. Se
alguém a decisão, cabe inteiramente a esse indivíduo
defendê-la, e ninguém mais pode argumentar contra ele. É a vida,
a escolha e a carreira dessa pessoa. Fim da história.
O mesmo não acontece com os pastores. Embora Deus os
chame pessoalmente, a validação desse chamado requer o apoio
um processo de
, por uma congregação ou conselho denominacional.
36
é cercado por um grupo de pessoas que o avaliará, examinando
a precisão de seu entendimento teológico. Na maioria das
comunidades religiosas, pode levar anos até que o corpo credencie
ordenando-o para o ministério cristão.
Você poderia pensar que esse processo proativo e altamente
relacional garantiria o apoio contínuo da comunidade de fé ao
chamado vocacional do pastor. Infelizmente, muitas vezes não é
o que acontece. Em vez disso, em muitos grupos religiosos, uma
recebido as credenciais exigidas, o apoio necessário do grupo de
endosso se desintegra rapidamente. Suas palavras podem dizer:
“Estamos aqui para amá-lo e apoiá-lo no que for preciso”, mas suas
ações muitas vezes transmitem uma mensagem diferente: “Estamos
Poucas organizações, sejam igrejas ou grupos denominacionais,
estão preparadas para apoiar o pastor a longo prazo enquanto
ele enfrenta o caminho complexo e emocionalmente carregado
do ministério. Elas não conseguem reconhecer, nem comunicar
foi apenas o início de seu envolvimento. A vida do pastor é uma
jornada interminável de altos e baixos, cheia de reviravoltas e
terrenos perigosos. Essa jornada não pode ser percorrida apenas
pelo pastor; a comunidade deve
constante de graça e permitindo que os chamados se tornem tudo o
que Deus os chamou para serem.
Essa necessidade de apoio e validação contínuos, em contraste
com o surgimento inesperado de críticas e julgamentos, foi uma
de minhas primeiras descobertas ao servir como pastor recém-
ordenado em minha primeira igreja em Memphis, Tennessee.
Fui extremamente abençoado pelo pastor sênior da igreja, o Dr.
compreender na época.
o que há de tão especial nos pastores?
Inteligência Pastoral
37
membra da igreja bateu à porta, entrou e começou a difamar
minha reputação. Consigo sentir as emoções do ocorrido até hoje.
adotivo apenas por dinheiro e de não cuidarmos adequadamente
da criança. Foi tão doloroso ouvir alguém atacar meu coração
investigassem nossos cuidados com essa criança. Logo depois
enquanto eu chorava. Ele e eu sabíamos que essa acusação era
falsa, mas ainda assim me magoou profundamente. Os pastores
têm pouca ou nenhuma possibilidade de lidar com esse tipo de
ataque. Há muito pouco que podemos fazer quando um incidente
como esse acontece. Se falarmos sobre isso, manteremos a história
estimular a usar meus dons e habilidades para o Reino de Deus.
acreditem em nós, especialmente porque, como provavelmente
todos aprendemos por experiência própria, nem todos acreditam.
enfrenta, e aqueles de nós que foram chamados para esse
ministério sabem que enfrentarão constantemente coisas muito
maiores do que nós mesmos. Passamos por momentos emocionais
em que pensamos não conseguir continuar. O apoio que recebemos
de nossos colegas, da congregação local ou de nossa rede de fé
nesses momentos é essencial. É nosso segundo fôlego para nos
levantarmos e continuarmos a jornada de viver nosso chamado.
Qualquer pessoa que tenha sobrevivido a qualquer período no
ministério pode dar muitos testemunhos de alguém que apareceu
no momento certo e forneceu apoio emocional e espiritual, uma
empatia gentil e amável que literalmente nos ajudou a sobreviver.
Não conheço outra ocupação ou vocação em que o estresse
emocional, espiritual, físico e psicológico seja tão real quanto
38
no ministério. O que o pastor sente durante esses períodos
traumáticos afeta tudo o que ele está fazendo, seja pregando,
prestando assistência pastoral ou cuidando dos assuntos
à igreja podem esperar contar com sua rede de fé para obter
apoio, mas, na maioria dos grupos religiosos, o apoio aos líderes é
inadequado ou inexistente. Muitas vezes, a conexão desaparece e,
durante grande parte da vida do pastor ordenado, qualquer atenção
denominacional será limitada e provavelmente não terá grande
valor para a pessoa, a menos que ele se meta em problemas. Então,
os representantes associativos surgirão para revisar e documentar
cada pequena coisa que a pessoa já disse ou fez.
Devido ao isolamento, à resistência e às críticas diretas que os
pastores sofrem semanalmente (se não diariamente), o processo
de ordenação é inestimável para eles. Compreender o chamado,
um sistema de apoio são insubstituíveis. Muitos pastores dirão
prontamente que a jornada no ministério é complexa, exigente,
às vezes bastante solitária e requer enormes recursos internos
e externos durante toda a vida. Não sei dizer quantos pastores
compartilharam comigo a frequência com que revisitam o serviço
de ordenação em suas mentes para reinjetar esperança e incentivo
nos períodos mais estressantes. No entanto, digo às congregações,
desde cedo e com frequência, que esse nível de apoio não pode ser
uma experiência única. Embora o evento da ordenação seja um
ponto no tempo, o da ordenação deve ser contínuo. Nunca
deixaremos de precisar dele.
o que há de tão especial nos pastores?
Inteligência Pastoral
39
Entretanto...
entusiasmo em nossos ministérios. Entretanto, pouco tempo depois
do culto de ordenação, grande parte desse apoio... desaparece.
um vale árido de rejeição e críticas. Essa é uma das experiências
mais consistentes, embora ainda surpreendente, na carreira de um
novo pastor — e uma das razões pelas quais muitos pastores recém-
chamados deixam o ministério completamente nos primeiros cinco
maioria dos pastores, eles descobrem que o trabalho é solitário,
muita frequência, eles se veem sem a rede de apoio de que precisam
para sobreviver.
Um pastor vive em um ponto vulnerável, pois precisa falar
com pessoas de diversas origens e com uma grande mistura de
experiências e valores pessoais. Mesmo hoje, quando o mundo
parece fortemente dividido em linhas políticas, o pastor não pode
servir apenas à esquerda ou à direita. O chamado é para servir a
todas as pessoas. No entanto, muitas vezes ele será pressionado a
atenderadiferentesladosouapregarasuperioridadedeumpartido
de Jesus Cristo acima das ideologias políticas do momento.
Viver e trabalhar nessa tensão cria uma situação curiosa
para os pastores. Todos na congregação, ao que parece, têm uma
opinião sobre cada decisão tomada por nós. E, ao contrário do que
perfeitamente livres para compartilhar suas opiniões conosco. De
fato, muitas vezes elas se sentem no dever de nos dizer exatamente
o que pensam sobre cada decisão que tomamos. Ninguém discute
com seu médico, advogado ou contador sobre como eles fazem o
40
trabalho deles. Presumo que seja raro um dentista receber e-mails
de metade de sua lista de pacientes todas as semanas, descrevendo
cada passo em falso que ele, na opinião deles, deu recentemente. No
entanto, isso é comum para os pastores. Nossas caixas de entrada
de e-mail, mensagens de texto e correios de voz estão cheios de
reclamações, preocupações ou “sugestões amigáveis” sobre tudo
e qualquer coisa: o conteúdo do sermão, a temperatura do local,
nosso horário de atendimento e disponibilidade, a cor do carpete
no saguão ou a melhor receita de molho de espaguete para o jantar
de quarta-feira à noite. Por alguma razão, todos acham que
é justo e passível de debate. Ou, e esta é a situação mais triste que
alguns pastores enfrentam, recebem a apatia da congregação,
quando os membros estão muito desinteressados para se importar.
É claro que vale a pena observar que a congregação deve
sempre responsabilizar o pastor por quaisquer erros genuínos e
sobre questões de integridade pessoal. O que estou descrevendo
aqui não é responsabilização, mas a crítica, o questionamento e a
velha e simples picuinha. Isso vem da parte não redimida da vida
de um membro, que invariavelmente aparece na igreja. Por
, quero dizer simplesmente uma situação em que a pessoa
não está demonstrando o fruto espiritual do autocontrole ou não
está “andando no Espírito”, como discutido pelo apóstolo Paulo
no quinto capítulo de Gálatas. Todos esses encontros frustrantes
podem contribuir para que o pastor se sinta isolado e inadequado,
muitas vezes levando-o diretamente ao esgotamento. Muitos
pastores acabam desistindo de sua carreira ministerial, preferindo
a vida comparativamente simples de vendedores de seguros ou
carros.
Sempre acho desolador quando um homem ou uma mulher que
Deus chamou para o trabalho no reino sucumbe ao estresse da vida
pastoral e deixa o ministério. Isso é especialmente frustrante porque
estou convencido de que cada um desses encontros irritantes com
membros da igreja pode ser redimido para a glória de Deus e para o
bem das pessoas envolvidas com apenas um pouco de apoio e uma
mudança de perspectiva. Situações difíceis podem se transformar
o que há de tão especial nos pastores?
Inteligência Pastoral
41
em oportunidades para o pastor ter um encontro santo com
alguém, atendendo a uma necessidade real na vida da pessoa. O
que começa com uma reclamação pode resultar em uma mudança
dramática na vida da pessoa, se o pastor tiver o autoconhecimento
e as competências pastorais para utilizar o na
erradicação do na vida da pessoa.
Oproblemaéqueamaioriadospastoresnãorecebeutreinamento
para isso. Quando atacados injustamente, geralmente fazemos o
que qualquer outra pessoa faria: defendemo-nos. Erguemos nossas
defesas e argumentamos contra a acusação. Essa é a nossa resposta
emocional humana normal. O que espero fazer neste livro é oferecer
a você uma nova ferramenta para acalmar seu sistema emocional
quando suas próprias emoções se exaltarem e para investigar o
sistema emocional da pessoa que o “atacou”. Embora muitas vezes
mais férteis para o ministério. A maneira como reagimos nesses
momentos pode causar um impacto profundo na vida de alguém,
bem como na nossa própria vida. Uma coisa faz toda a diferença
nessas situações: reagiremos com base em nossas emoções falhas e
exaltadas ou reagiremos com Inteligência Pastoral? Oro para que,
ao terminar esta leitura, você saiba como e por que a inteligência
pastoral é o caminho a seguir.
CHAMADOS E EQUIPADOS PARA O SERVIÇO DO REINO
Minha pesquisa sobre inteligência pastoral e o material
subsequente apresentado neste livro são sustentados por mais
de 20 anos de estudo intenso e foco em uma única pergunta:
? Essa pesquisa é baseada no meu
trabalho com mais de 3.000 pastores ao longo de duas décadas. A
maior parte da pesquisa foi realizada em sessões individuais ou
em pequenos grupos com pastores por nove a doze meses. Nesse
período, realizamos várias avaliações pessoais e congregacionais;
analisamos os comportamentos, as interações e as atitudes dos
42
pastores e da congregação; e criamos e implementamos um plano
personalizado para o desenvolvimento pastoral e pessoal do pastor.
Também realizei avaliações de acompanhamento com mais de 500
desses homens e mulheres três a cinco anos depois de concluirmos
nosso trabalho juntos para saber até que ponto o treinamento de
Inteligência Pastoral os ajudou a servir melhor suas igrejas a longo
prazo.
Depois de todo esse trabalho e pesquisa, tenho mais certeza do
que nunca de que sempre existiu, e ainda existe hoje, algo como a
Inteligência Pastoral. Além disso, toda essa pesquisa — as milhares
de horas que passei trabalhando lado a lado com todos esses homens
Esse chamado os levará a uma jornada não apenas sagrada, mas
também incrivelmente confusa e complexa. A jornada sagrada
esticará sua fé e seu relacionamento com Deus — às vezes, até o
ponto de ruptura. No entanto, esse chamado não é aleatório nem
acidental. A quem Deus chama, ele também capacita. Acredito
que grande parte dessa capacitação vem por meio da Inteligência
Pastoral. Este livro ensinará a entender melhor a si mesmo e a sua
equipe, e a desvendar 15 competências-chave que demonstram o
poder da inteligência pastoral em ação.
A transformação do seu ministério começa no lugar mais óbvio: a
transformação de si mesmo. Nos próximos capítulos, exploraremos
como o seu sistema emocional interno afeta o seu ministério e os
seus relacionamentos em casa e na igreja. Também examinaremos
como suas experiências de vida, crenças fundamentais sobre si
mesmo e visão de mundo moldam tudo o que você faz.
Temos muito a explorar juntos, então comecemos!
o que há de tão especial nos pastores?
Dr. Maurice Graham é o fundador do Shepherd’s Staff Ministry, Inc., organização dedicada a
apoiar pastores e líderes de igrejas para que permaneçam firmes no ministério. Ele possui o
título de Doutor em Ministério pelo Palmer Seminary, com ênfase em Casamento e Família, e é
terapeuta licenciado em casamento e família. Já atuou como pastor, missionário e fundou o
programa de capelania do St. Jude Children’s Research Hospital.
O Dr. Graham é certificado no Emotional and Social
Competence Inventory (ESCI) por Daniel Goleman. Ele
desenvolveu a primeira ferramenta 360° para avaliação
ministerial, o Skills Assessment for Ministry-360 (SAM-360).
Maurice vive em Richmond, Virgínia (EUA), é casado há mais de
45 anos com sua esposa, Laurie, e juntos têm dois filhos e dois
netos.
“Inteligência Pastoral é um recurso criterioso, honesto e acessível que preenche uma lacuna
crítica que muitos de nós, na educação teológica formal, deixamos de abordar: como
integramos o aprendizado emocional e relacional à formação intelectual que acontece no
seminário, de modo que os líderes cristãos estejam equipados para enfrentar os desafios
emocionais que os aguardam no contexto do ministério?”
– David C. Wang, Th.M., Ph.D. Cátedra Cliff e Joyce Penner para a Formação de Líderes
Emocionalmente Saudáveis, Fuller Theological Seminary Editor, Journal of Psychology and Theology
“Maurice Graham identifica e oferece um plano de ação para superar um dos maiores
sabotadores do ministério pastoral: uma compreensão sólida das Escrituras aliada a uma
compreensão errônea das pessoas. Use as valiosas percepções deste livro para se
autodiagnosticar e ajudar aqueles que você lidera e orienta.”
– Larry Osborne, Igreja North Coast
“Em Inteligência Pastoral, Maurice aborda de forma belíssima como cuidar adequadamente
de líderes jovens e experientes, oferecendo um guia prático e constante para um cuidado
pastoral de qualidade.”
– Jay Pathak, diretor nacional da Vineyard, Estados Unidos
“O Dr. Graham e sua ferramenta, a Inteligência Pastoral, têm sido benéficos para mim ao longo
de duas décadas de liderança de duas grandes equipes de igrejas. Este livro reflete a
contribuição contínua de Graham para relacionamentos ministeriais complexos.”
– Travis Collins, Ph.D., pastor sênior da Primeira Igreja Batista em Huntsville, AL
“Este livro é um bálsamo para o coração do pastor e uma inspiração para o desenvolvimento
da inteligência pastoral, que pode trazer vida, sabedoria, resiliência e coragem tanto para o
pastor quanto para as pessoas.”
– Rev. Dr. Mark Labberton, presidente emérito da Fuller Theological Seminary
“Inteligência Pastoral é uma obra verdadeiramente inovadora, que todos os líderes de igrejas
que acreditam na Bíblia deveriam incluir em seus planos de desenvolvimento pessoal e de
liderança.”
– John D. Basie, Ph.D., diretor da Residência Impact 360

Inteligência Pastoral Digital (1 Capitulo).pdf

  • 1.
  • 2.
  • 3.
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    Sumário Prefácio Introdução PARTE 1 .O triângulo do Eu transformado Capítulo 1 – O que há de tão especial nos pastores? Capítulo 2 – Abraçando seu sistema emocional Capítulo 3 – Compreendendo suas impressões Capítulo 4 – Transformando suas crenças Capítulo 5 – Assumindo seus comportamentos Capítulo 6 – Unindo as pontas do triângulo PARTE 2 . Aplicando a Inteligência Pastoral no Ministério Capítulo 7 – As cinco habilidades da Inteligência Pastoral Capítulo 8 – Inteligência PastoralTM: competências intrapessoais Capítulo 9 – Inteligência PastoralTM: competências interpessoais Capítulo 10 – A jornada sagrada Capítulo 11 – Quando o ministério e a vida real colidem Agradecimentos
  • 6.
    Prefácio Eu tinha acabadode voltar de um período sabático de três meses. Estava cansado depois de plantar e pastorear uma igreja no coração de Washington, D.C., pelos últimos oito anos. Após esse tempo fora, estava ansioso para voltar ao ministério da igreja local. Eu não à minha liderança que eu sofreria quando retornasse. Nos meses seguintes, eu teria de dedicar uma enorme energia emocional para discernir o que era de minha responsabilidade e o que estavam além do meu alcance. Mesmo que as críticas não estivessem relacionadas ao meu caráter, ainda assim me senti desmoralizado. Eu queria desistir. As pressões de liderar uma organização em crescimento, que se tornava cada vez mais complexa, estavam me levando além dos meus limites. Em meio a um dos meus dias mais difíceis ao voltar do período sabático, lembro-me vividamente de Maurice Graham (meu pai) me dizendo que meu chamado “não era para ser o CEO da Igreja do Distrito”. Ele disse: “isso seria um rebaixamento”. Naquele momento, ele me lembrou do meu chamado pastoral. O chamado para servir e liderar por meio do exemplo. Lembrou-me de que minha responsabilidade com nossa equipe era ser seu pastor antes de seu amigo, supervisor ou diretor de RH. Suas palavras me ajudaram a voltar aos trilhos e a ter a coragem de continuar
  • 7.
    14 liderando e sendoobediente ao chamado que Deus colocou em minha vida para plantar uma igreja próspera na capital dos Estados Unidos. Este livro que você tem em mãos é um cuidado com a alma dos pastores cansados. Ele o ajuda a entender os bastidores dos problemas que você pode estar enfrentando em sua liderança e ministério. Com muita frequência, olhamos para os sintomas, mas este livro o ajudará a abordar as causas fundamentais. Ele não foi escrito apenas por um pastor, terapeuta e missionário. Foi escrito por alguém que tem o compromisso de cuidar de pastores e líderes de igrejas. Alguém que tem o propósito de fazer o que for preciso para que você, como líder, deixe de apenas sobreviver no ministério e passe a realmente prosperar. Como líder, é inevitável que, às vezes, você sofra exaustão emocional. Liderança é sempre uma questão de levar as pessoas a novos lugares. A mudança que você inicia e lidera inevitavelmente despertará emoções. Este livro trata de como você lida com suas próprias emoções e com as emoções das pessoas ao seu redor enquanto lidera. Desde que entrei no ministério de tempo integral, há 20 anos, Maurice Graham (pai) sempre foi a primeira pessoa para quem sempre me lembra do meu chamado, me ajuda a processar emocionalmente o que está acontecendo dentro de mim e me provê a linguagem que me ajuda a me conectar melhor com as pessoas que estou liderando. Como você verá nos muitos estudos de caso deste livro, nossa ausência de saúde emocional e nossas histórias não processadas se tornam um obstáculo para nossa liderança. Como diz Peter Scazerro: “É impossível ser espiritualmente maduro e emocionalmente imaturo”. Minha oração é que, ao ler este livro e processar as 15 competências da inteligência pastoral com suas equipes, você chamado que Deus colocou em sua vida!
  • 8.
    Que Deus lhedê a graça de continuar processando sua própria história à luz da maior e melhor história que já foi contada! Aaron Graham Pastor titular The District Church Washington, D.C.
  • 9.
    Introdução Inteligência Pastoral! Naépoca em que comecei a usar esse termo, meus colegas quase sempre sorriam e diziam: “Inteligência pastoral? Isso não é um paradoxo?” Eu sempre dava uma risadinha de cortesia, mas achava interessante a facilidade com que as pessoas — especialmente os próprios pastores — desprezavam os dons especiais, as competências e o desenvolvimento espiritual exigidos dos pastores. O que fazemos certamente não é fácil e está repleto de contradições. Se você está no ministério há algum tempo, sabe que nosso trabalho tem o potencial de ter os momentos mais altos e os mais baixos. É uma alegria e um trabalho árduo. É uma vida vivida em comunidade e talvez seja a ocupação mais solitária do mundo. Praticamente desde o primeiro dia, percebemos que, se Deus não estiver conosco em cada passo do caminho, estaremos em apuros. Felizmente, Deus está ao nosso lado. E acredito, o que é igualmente encorajador, que o Senhor equipou de forma exclusiva os homens e as mulheres que chamou para o ministério com um conjunto de ferramentas especiais para realizar o trabalho do de nós que atenderam ao chamado para serem as mãos e os pés de Jesus no mundo. É o que chamo de Inteligência Pastoral e, depois de 50 anos no ministério de tempo integral — e depois de trabalhar
  • 10.
    18 décadas —, acreditoque a Inteligência Pastoral é a chave para liberar seu potencial e para ajudá-lo a se tornar plenamente o pregador que Deus o chamou para ser. Como muitas das lições mais poderosas que aprendemos no ministério, minha descoberta da Inteligência Pastoral veio de um lugar de dor e frustração — minha e de outros. Há mais de 20 anos, eu fazia parte da equipe de uma grande igreja em Richmond, Virgínia, que tinha em média cerca de mil pessoas nos cultos de domingo. Embora minha agenda de trabalho fosse exigente e a igreja precisasse constantemente de minha atenção, notei que os ministros — muitos dos quais eu não conhecia — começaram a aparecer sem avisar em meu escritório. Eles precisavam de apoio e ajuda com o que estavam vivenciando. Tendo atuado no ministério voltado para os pastores, eu havia desenvolvido uma reputação na comunidade de ser uma pessoa útil para esses homens e mulheres Cada uma dessas pessoas parecia sobrecarregada por alguma crise e estava passando por um momento de estresse elevado. Elas estavam sofrendo. Quanto mais isso acontecia, mais claro que estivessem ligados a uma denominação organizada. Eles são frequentemente chamados a ser “tudo para todas as pessoas” (1 Co 9.19-23), mas a quem os pastores podem recorrer em seus momentos de necessidade? Uma lacuna no cenário ministerial foi revelada. se uma prioridade para mim em meu próprio ministério. Achei verão de 2000, senti Deus me chamando para me concentrar nesse ministério em tempo integral. Deixei meu cargo de funcionário da totalmente dedicada a servir os servos de Cristo que Deus chamou para o ministério. Naquele momento, com 50 e poucos anos, eu sabia que queria concentrar o restante de meus anos de ministério ativo em ajudar a sustentar e apoiar os envolvidos no trabalho da introdução
  • 11.
    Inteligência Pastoral 19 igreja. Imediatamente, líderesde igrejas de todas as áreas da região compareceram em um número considerável. À medida que eu trabalhava com um número cada vez maior de pastores, três descobertas importantes vieram à tona. Primeiro, descobri que não se pode separar o pastor do ministério. O ministério não é do dia e deixam o trabalho para trás. Em vez disso, o chamado e a identidade do pastor estão amplamente envolvidos no trabalho que como pastores — desde reclamações sobre a ilustração do sermão da semana passada até a dor de acompanhar uma família em luto — são internalizadas de forma muito pessoal. Se o pastor não isso se manifestará no ministério e prejudicará seu chamado e sua identidade. Em segundo lugar, reconheci que um ministério bem-sucedido exige um nível de inteligência teológica. Nossa jornada é uma jornada relacional, que se baseia e se fundamenta em nossa caminhadacomoSenhor.Falareisobremuitosconceitosemocionais e competências práticas neste livro, mas nada disso importa no ministério se não tivermos primeiro um relacionamento sólido, fundamental e ativo com Deus. puder gerenciar suas próprias emoções e entender e responder ministério será drasticamente reduzida.
  • 12.
    20 Embora possa pareceróbvio, ninguém havia colocado em palavras essa percepção sobre o que o pastor estava vivenciando na igreja local. Essa descoberta me levou a fazer duas perguntas que moldaram profundamente minha pesquisa inicial e minha direção no trabalho com pastores: s a i r p ó r p s a u s m e r a i c n e r e g a s e r o t s a p s o r a d u j a o s s o p o m o C . 1 emoções? 2. Que inteligência ou habilidade especial um pastor precisa para gerenciar as emoções de uma congregação? Isso parecia uma necessidade tão óbvia que, francamente, certeza de que os seminários deviam estar pesquisando esse tipo de questionamento e oferecendo cursos sobre como fazê-lo. Certamente, eu só devo ter perdido essas oportunidades durante a minha própria formação... certo? Errado. Quanto mais eu examinava o currículo e as ofertas de cursos de vários seminários importantes, mais eu percebia — para minha grande surpresa — que ninguém estava formalmente equipando os pastores para gerenciar suas próprias emoções e as da congregação. O foco estava quase exclusivamente no aprendizado intelectual, excluindo o aprendizado emocional. Certo de que ainda me faltava algo óbvio, liguei para um conhecido, o Dr. Daniel Aleshire, diretor executivo da Associação de Escolas Teológicas dos Estados Unidos e Canadá (ATS), para perguntar se havia algum seminário em particular que estivesse enfatizando academicamente o que não havia. introdução
  • 13.
    Inteligência Pastoral 21 Comecei aprocurar fora do mundo dos seminários para ver quem estava ensinando e treinando pessoas em aprendizagem emocional.OnomequesempreapareciaeraodoDr.DanielGoleman, que havia popularizado a expressão inteligência emocional. Eu me aprofundei em sua pesquisa, tentando entender melhor como a inteligência emocional desempenhava um papel no ministério. Embora grande parte do trabalho de inteligência emocional de Goleman pudesse ser aplicado ao trabalho no reino, não era totalmente compatível. Havia coisas exclusivas do ministério que não tinham paralelo nas descobertas dele, o que tornava a solução incompleta, na melhor das hipóteses. Com o tempo, percebi que estávamos lidando com um tipo totalmente novo de inteligência ou habilidade com a qual todos os pastores, há dois mil anos, contavam, mas que ninguém ainda havia articulado. Eu estava determinado não apenas a entender e articular essa inteligência especial, mas também a desenvolvê-la como uma ferramenta de treinamento em meu trabalho com pastores. Mas, para ser mais claro, eu sabia desde o início que o que eu viria a chamar de Inteligência Pastoral era mais do que apenas uma versão reembalada da inteligência emocional; também contém inteligência teológica ou uma base para um relacionamento com Deus. Este livro representa muitas décadas de exploração sobre Inteligência Pastoral. Os princípios e conceitos sobre os quais você lerá são o resultado de milhares de sessões de mentoria, terapia e treinamento que realizei com pastores, tanto individualmente quanto em grupos. Essas informações são o resultado de incontáveis horas de pesquisa e aplicação com milhares de pastores e são apoiadas por uma ferramenta de avaliação detalhada que
  • 14.
    22 desenvolvi pessoalmente eque usei com 1.500 pastores. O material deste livro não é anedótico; ele é orientado por pesquisas e testado pelo tempo. Ele já ajudou mais de 3.000 pastores a desbloquear um novo potencial em seus ministérios, e estou animado em poder disponibilizá-lo para você agora. Maurice para pastorear pastores?” Minha primeira e honesta resposta é que foi isso que Deus me chamou para fazer. De um ponto de vista mais prático, direi que tudo o que você lerá neste livro é o resultado de mais de 50 anos de experiência em uma variedade de ambientes ministeriais, desde a igreja local, passando por missões internacionais, servindo a outros missionários, servindo como o primeiro capelão em tempo integral do St. Jude Children’s Research Hospital, até o trabalho com milhares de pessoas como psicoterapeuta treinado e licenciado. Como aconteceu com Abraão em Gênesis 12.1, o chamado inicial de Deus para minha vida foi o de simplesmente ir. Eu não tinha ideia de onde essa jornada sagrada me levaria, nem poderia prever todas as reviravoltas ao longo do caminho. Por cinco anos, minha esposa e eu servimos como missionários internacionais na Libéria e no Kuwait, onde atuei como pastor durante a eclosão da primeira Guerra do Golfo. Minha esposa e Embaixada dos EUA no Kuwait antes de serem libertados. Eu Pastoral Call as a Hostage in Kuwait [Orações do Deserto: Vivendo o chamado pastoral como refém no Kuwait]. Foi durante esse período que compreendi melhor a frequência com que os líderes religiosos são confrontados com emoções intensas — as suas próprias e as de seus congregados — enquanto introdução
  • 15.
    Inteligência Pastoral 23 e opapel que elas desempenham no desenvolvimento espiritual e pessoal de alguém mudou radicalmente durante esses anos. Essa experiência não só me tornou extremamente consciente de minhas próprias lutas, mas também me ajudou a entender como minhas decisões, ao cumprir meu chamado, afetavam minha esposa e líderes a um alto nível de estresse e sofrimento. Ele pode e terá um efeito profundo em nosso desenvolvimento espiritual, e a família do pastor será inevitavelmente chamada a compartilhar o trauma que é inerentemente parte do ministério pastoral. Essefortealicerceemocional—quediscutireidetalhadamenteao longo deste livro — é algo que, com muita frequência, é subestimado e menosprezado pelos pastores. No entanto, compreender o papel que as emoções desempenham em nossa vida pessoal e ministerial é absolutamente essencial para o desenvolvimento da Inteligência Pastoral... e para a sobrevivência por qualquer período no ministério ativo. observe que cada capítulo contém um ou mais estudos de caso ou histórias de minhas experiências pessoais no ministério e, o mais importante, dos pastores com quem trabalhei ao longo dos anos. As ilustrações que estou usando no livro são composições de líderes com quem trabalhei. Mudei seus nomes, locais e, às vezes, até mesmo seu gênero como forma de proteger sua identidade. Espero que as histórias deles ajudem a dar vida aos princípios e permitam que você veja como esse material se relaciona com você e seu ministério de uma forma pessoal. Eu o convido agora para uma maneira totalmente nova de pensar sobre seu chamado e seu trabalho no reino. Sem dúvida,
  • 16.
    24 essa jornada teráalgumas reviravoltas surpreendentes, mas acredito plenamente que entender, dominar e aplicar esse material revigorará seu ministério e o ajudará a entender melhor a si mesmo, sua congregação e sua caminhada com Deus. Bem-vindo à Inteligência Pastoral! introdução
  • 17.
  • 18.
  • 19.
    O que háde tão especial nos pastores? “As pessoas questionam tudo o que faço. Não consigo fazer uma única coisa sem que alguém me procure para me confrontar. ‘Por que você está fazendo isso?’ ‘Por que não está fazendo aquilo?’ Nunca estive em um ambiente como este, em que as pessoas o que faço”, disse o pastor Oscar. Ele estava cansado e frustrado. entravam e saíam de seu escritório para julgar seu desempenho. Ele estava na igreja — sua primeira igreja — há cinco anos e nunca se sentiu à altura do trabalho que estava enfrentando. E, infelizmente, seus membros estavam ansiosos demais para lembrá-lo de como o consideravam inadequado. Essas reações eram muito novas para Oscar. Para ele, o ministério foi um surpreendente “segundo ato”. Formado elite de Wall Street. Ele era conhecido por seu “Toque de Midas” há anos. O sucesso parecia vir sem esforço. Seus colegas, clientes surpresos quando Oscar anunciou que estava deixando seu Capítulo 1
  • 20.
    30 prestigioso cargo paraembarcar em uma nova vida no ministério. um papel importante na vida desse homem. Por que Deus não iria motivado para o trabalho no reino? No entanto, cinco anos depois de seu primeiro pastorado, Oscar estava em meu escritório, pronto para desistir. “Não posso fazer isso”, suspirou ele. “Quando Deus me chamou para o ministério, eu não fazia ideia de como seria. Eu me sinto tão... inadequado”. Fiquei com o coração apertado por Oscar. Seu ponto de ruptura ocorreu durante um período particularmente difícil de seu ministério. Uma família de sua igreja pediu que ele se sentasse de um tipo de câncer agressivo e incurável. Não havia nada que alguém pudesse fazer, a não ser esperar e orar por sabedoria, graça, compreensão e cura. No entanto, apesar dos milagres, todos sabiam para onde essa doença em particular estava indo. Oscar se sentou com aqueles pais no quarto de hospital de seu morrer... e vendo seus pais sofrerem lenta e dolorosamente por um longo período. Ele permaneceu em um silêncio ensurdecedor, sem saber o que dizer, apavorado com a possibilidade de que coisa que dissesse pudesse acidentalmente agravar a dor da família. Ele se sentiu como os servos do rei Davi no capítulo 12 de 2 Samuel, desta vida. “Não havia nada que eu pudesse dizer ou fazer”, explicou ele. “Fiquei ali sentado em silêncio, sentindo-me totalmente inadequado. Eu... Acho que não sou capaz de fazer isso, Maurice”. Fiquei com o coração apertado por Oscar. Já passei por essa situação muitas vezes. Lidar com a morte de uma criança nunca é fácil, e o pastor nunca se sente à altura da tarefa. Perguntei: “Oscar, você pode citar uma única pessoa na Bíblia que Deus tenha chamado para o trabalho no reino e que fosse o que há de tão especial nos pastores?
  • 21.
    Inteligência Pastoral 31 pessoalmente capaz— pessoalmente — para executar o trabalho para o qual foi chamada?” “Não”, disse ele. “Acho que nem mesmo Jesus era adequado sem o Pai.” Eu respondi: “Está bem. Você consegue viver com isso, Oscar? exclusivamente na dependência total do Pai?” Essa é a pergunta-chave no ministério, não é mesmo? Será que nós, como homens e mulheres chamados por Deus para trabalhar no reino, podemos aceitar que não temos o que é necessário em nossas habilidades humanas naturais? Oscar estava acostumado a e talentos, seus anos em Wall Street o convenceram de que ele problema. O ministério lhe mostrou o contrário. Eu sei o que Oscar escolheu nessa situação, mas estou mais interessado em saber o que você escolheria. consegue exclusivamente na sua dependência total do Pai? Você pode aceitar que seu sucesso no ministério depende de permitir que Deus realize umatransformaçãoradicalemvocê,reconhecendoeutilizandoseus dons naturais, suas habilidades relacionais, sua autoconsciência e sua inteligência emocional, mas depois acrescentando a eles o
  • 22.
    32 O SUPERPODER DOPASTOR Então, do que se trata a Inteligência Pastoral? A Inteligência Pastoralrefere-seàintegraçãodoaprendizado emocional e da inteligência teológica no contexto do ministério, o que permite que o pastor gerencie suas próprias emoções, bem como as emoções dos outros. Sei que isso é muito complicado, portanto, permita-me detalhar as três partes principais dessa A primeira é a . Como mencionei na ignorada na educação ministerial. Tradicionalmente, os seminários ensinam aos pastores sobre a Bíblia, a teologia e a história da igreja — todos tópicos imensamente importantes e uma base educacional que todo pastor coloca em prática diariamente. Entretanto, essas escolas — pelo menos até muito recentemente — deixaram de fora o que talvez seja o campo de estudo importante: as . Não existe ministério sem comunidade, e as são formadas por que já enfrentou no ministério. Os realmente grandes. Aqueles que à igreja naquela semana. Agora, deixe-me lhe fazer uma pergunta: Esses foram problemas , problemas , problemas relacionados à ... ou foram problemas ? um pastor entrar em meu escritório para discutir uma questão de estudo bíblico. Em vez disso, os pastores com quem trabalho lidam pela perda de um ente querido, problemas com o comitê da igreja etc. Claro, já trabalhei com pastores que enfrentavam problemas teológicospessoais,comoumacrisedefé,ecompastoresquelutavam para conciliar a instrução bíblica com um determinado ponto da piedade. No entanto, de modo geral, a maioria dos problemas que o que há de tão especial nos pastores?
  • 23.
    Inteligência Pastoral 33 levam ospastores ao meu escritório está relacionada a pessoas. Esses líderes se envolveram em uma situação emocionalmente profunda e perceberam que não foram treinados ou equipados para lidar com ela. O que apresentarei neste livro ajudará a preencher essa lacuna no treinamento ministerial deles (e no seu). A segunda é a . Ela se refere à capacidade do pastor de enxergar Deus agindo em si mesmo e nos outros, mesmo quando ele se sente incapaz de exercer o ministério para o qual foi chamado. A prática do ministério não se baseia na competência, nos dons, nos talentos e na capacitação do pastor. O ministério é conduzido pelo Espírito e está cheio do Espírito. Deus está sempre trabalhando em nós, por meio de nós e das pessoas em nossas congregações. E mesmo que muitas vezes ajamos de outra maneira, o trabalho é de , não nosso. Embora o Senhor nos tenha convidado para o passeio, é o Espírito Santo quem está no banco do motorista. Por isso, vale a pena repetir o que eu disse na Introdução: falarei sobre muitos conceitos emocionais e competências práticas neste livro, mas nada disso importa no ministério se não tivermos um relacionamento sólido, fundamental e ativo com Deus. Um advogado pode exercer a advocacia sem Deus. Um contador pode fazer impostos sem envolver Deus. Mas um pastor não pode exercer o ministério sem envolver Deus — a cada minuto de cada dia. Para começar, quero abordar a terceira e última área da Inteligência Pastoral, o conceito de capacidade do pastor de gerenciar suas próprias emoções, bem como as emoções dos outros. Por que isso é tão importante para nós, pastores? Se o sistema emocional do líder e de sua congregação chegar a um ponto caótico, há uma grande probabilidade de que o pastor abandone seu chamado e deixe o ministério. Precisamos aprender a gerenciar as emoções, tanto as nossas quanto as de outras pessoas, de forma a aproveitar seu incrível poder para o bem, em vez de permitir que elas saiam do controle e destruam nossas igrejas, relacionamentos e ministérios.
  • 24.
    34 No início denossa jornada juntos, é importante chamar a atenção para uma reclamação comum que recebo sobre a expressão . Esse pode ser um ponto de discórdia para algumas pessoas que acreditam, erroneamente, que gerenciar emoções envolve manipulação emocional. Nada poderia estar mais longe da verdade. Como você verá ao longo deste livro, tenho grande consideração pelo sistema emocional de cada um. Ele não deve ser ignorado, maltratado, difamado, abusado ou manipulado. É algo que deve ser valorizado, honrado, reconhecido e compreendido tanto quanto possível. Portanto, se esse termo lhe parecer remotamente ofensivo ou problemático, tenha certeza de que, no próximo capítulo, explicarei completamente o que quero dizer com . ATENDENDO AO CHAMADO quero abordar outra pergunta que você pode estar fazendo: por informações e estruturas deste livro? Sim! No entanto, acredito que há algo único no trabalho do ministério. Para ser franco, como o título deste capítulo sugere, há algo “especial” nos pastores. repleta de alegrias e celebrações únicas, um chamado e uma o que há de tão especial nos pastores?
  • 25.
    Inteligência Pastoral 35 UM CONVITEPARA A OBRA SAGRADA DE DEUS Praticamente todos os grupos religiosos usam o termo para descrever o convite especial de Deus para trabalhar no reino. Como líderes religiosos, entendemos intuitivamente que nosso chamado é um mistério, uma experiência que transcende uma designação e um raciocínio aceitável, um compromisso que vem . Esse chamado sempre tem um componente emocional que leva a correr vários riscos. Oscar, por exemplo, arriscou-se a deixar uma carreira da qual gostava e na qual se destacava, para assumir uma função na qual ele imediatamente se sentiu inadequado para desempenhar com sucesso. Assim como os colegas de Oscar em Wall Street, as pessoas ao nosso redor podem questionar nossas ações. Essa tomada de risco geralmente é vista como um ato de fé (se não um grande salto de fé). A fé e a coragem necessárias para dar esse passo são apenas uma das muitas emoções que experimentamos como homens e mulheres chamados para a obra sagrada de Deus, das quais dependemos, em última análise, nas trincheiras cotidianas do ministério. qual fomos chamados. Um médico, um advogado ou um arquiteto, por exemplo, pode dizer que foi para a área que escolheu, e ninguém questiona isso. Eles simplesmente se sentiram educacional adequado e adquiriram as credenciais necessárias. Se alguém a decisão, cabe inteiramente a esse indivíduo defendê-la, e ninguém mais pode argumentar contra ele. É a vida, a escolha e a carreira dessa pessoa. Fim da história. O mesmo não acontece com os pastores. Embora Deus os chame pessoalmente, a validação desse chamado requer o apoio um processo de , por uma congregação ou conselho denominacional.
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    36 é cercado porum grupo de pessoas que o avaliará, examinando a precisão de seu entendimento teológico. Na maioria das comunidades religiosas, pode levar anos até que o corpo credencie ordenando-o para o ministério cristão. Você poderia pensar que esse processo proativo e altamente relacional garantiria o apoio contínuo da comunidade de fé ao chamado vocacional do pastor. Infelizmente, muitas vezes não é o que acontece. Em vez disso, em muitos grupos religiosos, uma recebido as credenciais exigidas, o apoio necessário do grupo de endosso se desintegra rapidamente. Suas palavras podem dizer: “Estamos aqui para amá-lo e apoiá-lo no que for preciso”, mas suas ações muitas vezes transmitem uma mensagem diferente: “Estamos Poucas organizações, sejam igrejas ou grupos denominacionais, estão preparadas para apoiar o pastor a longo prazo enquanto ele enfrenta o caminho complexo e emocionalmente carregado do ministério. Elas não conseguem reconhecer, nem comunicar foi apenas o início de seu envolvimento. A vida do pastor é uma jornada interminável de altos e baixos, cheia de reviravoltas e terrenos perigosos. Essa jornada não pode ser percorrida apenas pelo pastor; a comunidade deve constante de graça e permitindo que os chamados se tornem tudo o que Deus os chamou para serem. Essa necessidade de apoio e validação contínuos, em contraste com o surgimento inesperado de críticas e julgamentos, foi uma de minhas primeiras descobertas ao servir como pastor recém- ordenado em minha primeira igreja em Memphis, Tennessee. Fui extremamente abençoado pelo pastor sênior da igreja, o Dr. compreender na época. o que há de tão especial nos pastores?
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    Inteligência Pastoral 37 membra daigreja bateu à porta, entrou e começou a difamar minha reputação. Consigo sentir as emoções do ocorrido até hoje. adotivo apenas por dinheiro e de não cuidarmos adequadamente da criança. Foi tão doloroso ouvir alguém atacar meu coração investigassem nossos cuidados com essa criança. Logo depois enquanto eu chorava. Ele e eu sabíamos que essa acusação era falsa, mas ainda assim me magoou profundamente. Os pastores têm pouca ou nenhuma possibilidade de lidar com esse tipo de ataque. Há muito pouco que podemos fazer quando um incidente como esse acontece. Se falarmos sobre isso, manteremos a história estimular a usar meus dons e habilidades para o Reino de Deus. acreditem em nós, especialmente porque, como provavelmente todos aprendemos por experiência própria, nem todos acreditam. enfrenta, e aqueles de nós que foram chamados para esse ministério sabem que enfrentarão constantemente coisas muito maiores do que nós mesmos. Passamos por momentos emocionais em que pensamos não conseguir continuar. O apoio que recebemos de nossos colegas, da congregação local ou de nossa rede de fé nesses momentos é essencial. É nosso segundo fôlego para nos levantarmos e continuarmos a jornada de viver nosso chamado. Qualquer pessoa que tenha sobrevivido a qualquer período no ministério pode dar muitos testemunhos de alguém que apareceu no momento certo e forneceu apoio emocional e espiritual, uma empatia gentil e amável que literalmente nos ajudou a sobreviver. Não conheço outra ocupação ou vocação em que o estresse emocional, espiritual, físico e psicológico seja tão real quanto
  • 28.
    38 no ministério. Oque o pastor sente durante esses períodos traumáticos afeta tudo o que ele está fazendo, seja pregando, prestando assistência pastoral ou cuidando dos assuntos à igreja podem esperar contar com sua rede de fé para obter apoio, mas, na maioria dos grupos religiosos, o apoio aos líderes é inadequado ou inexistente. Muitas vezes, a conexão desaparece e, durante grande parte da vida do pastor ordenado, qualquer atenção denominacional será limitada e provavelmente não terá grande valor para a pessoa, a menos que ele se meta em problemas. Então, os representantes associativos surgirão para revisar e documentar cada pequena coisa que a pessoa já disse ou fez. Devido ao isolamento, à resistência e às críticas diretas que os pastores sofrem semanalmente (se não diariamente), o processo de ordenação é inestimável para eles. Compreender o chamado, um sistema de apoio são insubstituíveis. Muitos pastores dirão prontamente que a jornada no ministério é complexa, exigente, às vezes bastante solitária e requer enormes recursos internos e externos durante toda a vida. Não sei dizer quantos pastores compartilharam comigo a frequência com que revisitam o serviço de ordenação em suas mentes para reinjetar esperança e incentivo nos períodos mais estressantes. No entanto, digo às congregações, desde cedo e com frequência, que esse nível de apoio não pode ser uma experiência única. Embora o evento da ordenação seja um ponto no tempo, o da ordenação deve ser contínuo. Nunca deixaremos de precisar dele. o que há de tão especial nos pastores?
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    Inteligência Pastoral 39 Entretanto... entusiasmo emnossos ministérios. Entretanto, pouco tempo depois do culto de ordenação, grande parte desse apoio... desaparece. um vale árido de rejeição e críticas. Essa é uma das experiências mais consistentes, embora ainda surpreendente, na carreira de um novo pastor — e uma das razões pelas quais muitos pastores recém- chamados deixam o ministério completamente nos primeiros cinco maioria dos pastores, eles descobrem que o trabalho é solitário, muita frequência, eles se veem sem a rede de apoio de que precisam para sobreviver. Um pastor vive em um ponto vulnerável, pois precisa falar com pessoas de diversas origens e com uma grande mistura de experiências e valores pessoais. Mesmo hoje, quando o mundo parece fortemente dividido em linhas políticas, o pastor não pode servir apenas à esquerda ou à direita. O chamado é para servir a todas as pessoas. No entanto, muitas vezes ele será pressionado a atenderadiferentesladosouapregarasuperioridadedeumpartido de Jesus Cristo acima das ideologias políticas do momento. Viver e trabalhar nessa tensão cria uma situação curiosa para os pastores. Todos na congregação, ao que parece, têm uma opinião sobre cada decisão tomada por nós. E, ao contrário do que perfeitamente livres para compartilhar suas opiniões conosco. De fato, muitas vezes elas se sentem no dever de nos dizer exatamente o que pensam sobre cada decisão que tomamos. Ninguém discute com seu médico, advogado ou contador sobre como eles fazem o
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    40 trabalho deles. Presumoque seja raro um dentista receber e-mails de metade de sua lista de pacientes todas as semanas, descrevendo cada passo em falso que ele, na opinião deles, deu recentemente. No entanto, isso é comum para os pastores. Nossas caixas de entrada de e-mail, mensagens de texto e correios de voz estão cheios de reclamações, preocupações ou “sugestões amigáveis” sobre tudo e qualquer coisa: o conteúdo do sermão, a temperatura do local, nosso horário de atendimento e disponibilidade, a cor do carpete no saguão ou a melhor receita de molho de espaguete para o jantar de quarta-feira à noite. Por alguma razão, todos acham que é justo e passível de debate. Ou, e esta é a situação mais triste que alguns pastores enfrentam, recebem a apatia da congregação, quando os membros estão muito desinteressados para se importar. É claro que vale a pena observar que a congregação deve sempre responsabilizar o pastor por quaisquer erros genuínos e sobre questões de integridade pessoal. O que estou descrevendo aqui não é responsabilização, mas a crítica, o questionamento e a velha e simples picuinha. Isso vem da parte não redimida da vida de um membro, que invariavelmente aparece na igreja. Por , quero dizer simplesmente uma situação em que a pessoa não está demonstrando o fruto espiritual do autocontrole ou não está “andando no Espírito”, como discutido pelo apóstolo Paulo no quinto capítulo de Gálatas. Todos esses encontros frustrantes podem contribuir para que o pastor se sinta isolado e inadequado, muitas vezes levando-o diretamente ao esgotamento. Muitos pastores acabam desistindo de sua carreira ministerial, preferindo a vida comparativamente simples de vendedores de seguros ou carros. Sempre acho desolador quando um homem ou uma mulher que Deus chamou para o trabalho no reino sucumbe ao estresse da vida pastoral e deixa o ministério. Isso é especialmente frustrante porque estou convencido de que cada um desses encontros irritantes com membros da igreja pode ser redimido para a glória de Deus e para o bem das pessoas envolvidas com apenas um pouco de apoio e uma mudança de perspectiva. Situações difíceis podem se transformar o que há de tão especial nos pastores?
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    Inteligência Pastoral 41 em oportunidadespara o pastor ter um encontro santo com alguém, atendendo a uma necessidade real na vida da pessoa. O que começa com uma reclamação pode resultar em uma mudança dramática na vida da pessoa, se o pastor tiver o autoconhecimento e as competências pastorais para utilizar o na erradicação do na vida da pessoa. Oproblemaéqueamaioriadospastoresnãorecebeutreinamento para isso. Quando atacados injustamente, geralmente fazemos o que qualquer outra pessoa faria: defendemo-nos. Erguemos nossas defesas e argumentamos contra a acusação. Essa é a nossa resposta emocional humana normal. O que espero fazer neste livro é oferecer a você uma nova ferramenta para acalmar seu sistema emocional quando suas próprias emoções se exaltarem e para investigar o sistema emocional da pessoa que o “atacou”. Embora muitas vezes mais férteis para o ministério. A maneira como reagimos nesses momentos pode causar um impacto profundo na vida de alguém, bem como na nossa própria vida. Uma coisa faz toda a diferença nessas situações: reagiremos com base em nossas emoções falhas e exaltadas ou reagiremos com Inteligência Pastoral? Oro para que, ao terminar esta leitura, você saiba como e por que a inteligência pastoral é o caminho a seguir. CHAMADOS E EQUIPADOS PARA O SERVIÇO DO REINO Minha pesquisa sobre inteligência pastoral e o material subsequente apresentado neste livro são sustentados por mais de 20 anos de estudo intenso e foco em uma única pergunta: ? Essa pesquisa é baseada no meu trabalho com mais de 3.000 pastores ao longo de duas décadas. A maior parte da pesquisa foi realizada em sessões individuais ou em pequenos grupos com pastores por nove a doze meses. Nesse período, realizamos várias avaliações pessoais e congregacionais; analisamos os comportamentos, as interações e as atitudes dos
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    42 pastores e dacongregação; e criamos e implementamos um plano personalizado para o desenvolvimento pastoral e pessoal do pastor. Também realizei avaliações de acompanhamento com mais de 500 desses homens e mulheres três a cinco anos depois de concluirmos nosso trabalho juntos para saber até que ponto o treinamento de Inteligência Pastoral os ajudou a servir melhor suas igrejas a longo prazo. Depois de todo esse trabalho e pesquisa, tenho mais certeza do que nunca de que sempre existiu, e ainda existe hoje, algo como a Inteligência Pastoral. Além disso, toda essa pesquisa — as milhares de horas que passei trabalhando lado a lado com todos esses homens Esse chamado os levará a uma jornada não apenas sagrada, mas também incrivelmente confusa e complexa. A jornada sagrada esticará sua fé e seu relacionamento com Deus — às vezes, até o ponto de ruptura. No entanto, esse chamado não é aleatório nem acidental. A quem Deus chama, ele também capacita. Acredito que grande parte dessa capacitação vem por meio da Inteligência Pastoral. Este livro ensinará a entender melhor a si mesmo e a sua equipe, e a desvendar 15 competências-chave que demonstram o poder da inteligência pastoral em ação. A transformação do seu ministério começa no lugar mais óbvio: a transformação de si mesmo. Nos próximos capítulos, exploraremos como o seu sistema emocional interno afeta o seu ministério e os seus relacionamentos em casa e na igreja. Também examinaremos como suas experiências de vida, crenças fundamentais sobre si mesmo e visão de mundo moldam tudo o que você faz. Temos muito a explorar juntos, então comecemos! o que há de tão especial nos pastores?
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    Dr. Maurice Grahamé o fundador do Shepherd’s Staff Ministry, Inc., organização dedicada a apoiar pastores e líderes de igrejas para que permaneçam firmes no ministério. Ele possui o título de Doutor em Ministério pelo Palmer Seminary, com ênfase em Casamento e Família, e é terapeuta licenciado em casamento e família. Já atuou como pastor, missionário e fundou o programa de capelania do St. Jude Children’s Research Hospital. O Dr. Graham é certificado no Emotional and Social Competence Inventory (ESCI) por Daniel Goleman. Ele desenvolveu a primeira ferramenta 360° para avaliação ministerial, o Skills Assessment for Ministry-360 (SAM-360). Maurice vive em Richmond, Virgínia (EUA), é casado há mais de 45 anos com sua esposa, Laurie, e juntos têm dois filhos e dois netos. “Inteligência Pastoral é um recurso criterioso, honesto e acessível que preenche uma lacuna crítica que muitos de nós, na educação teológica formal, deixamos de abordar: como integramos o aprendizado emocional e relacional à formação intelectual que acontece no seminário, de modo que os líderes cristãos estejam equipados para enfrentar os desafios emocionais que os aguardam no contexto do ministério?” – David C. Wang, Th.M., Ph.D. Cátedra Cliff e Joyce Penner para a Formação de Líderes Emocionalmente Saudáveis, Fuller Theological Seminary Editor, Journal of Psychology and Theology “Maurice Graham identifica e oferece um plano de ação para superar um dos maiores sabotadores do ministério pastoral: uma compreensão sólida das Escrituras aliada a uma compreensão errônea das pessoas. Use as valiosas percepções deste livro para se autodiagnosticar e ajudar aqueles que você lidera e orienta.” – Larry Osborne, Igreja North Coast “Em Inteligência Pastoral, Maurice aborda de forma belíssima como cuidar adequadamente de líderes jovens e experientes, oferecendo um guia prático e constante para um cuidado pastoral de qualidade.” – Jay Pathak, diretor nacional da Vineyard, Estados Unidos “O Dr. Graham e sua ferramenta, a Inteligência Pastoral, têm sido benéficos para mim ao longo de duas décadas de liderança de duas grandes equipes de igrejas. Este livro reflete a contribuição contínua de Graham para relacionamentos ministeriais complexos.” – Travis Collins, Ph.D., pastor sênior da Primeira Igreja Batista em Huntsville, AL “Este livro é um bálsamo para o coração do pastor e uma inspiração para o desenvolvimento da inteligência pastoral, que pode trazer vida, sabedoria, resiliência e coragem tanto para o pastor quanto para as pessoas.” – Rev. Dr. Mark Labberton, presidente emérito da Fuller Theological Seminary “Inteligência Pastoral é uma obra verdadeiramente inovadora, que todos os líderes de igrejas que acreditam na Bíblia deveriam incluir em seus planos de desenvolvimento pessoal e de liderança.” – John D. Basie, Ph.D., diretor da Residência Impact 360