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 PROFISSÃO: BÊNÇÃO OU EMPECILHO?
 Eunicea Cândido

"Meu bem, estou muito cansada, tive um dia cheio de trabalho, acho que não irei ao culto
hoje."

Quantas esposas de pastor deparam com esta realidade: dividir seu tempo entre família, igreja
e profissão?

Afinal, a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão, ou deve dedicar-se
integralmente ao ministério do marido?

Recentemente tive uma experiência bastante interessante, a qual gostaria de partilhar com
você:

No início do ano, além da escola em que já trabalho, fui convidada para lecionar em outro
estabelecimento. O convite era tentador, pois resultaria em aumento significativo no nosso
orçamento; entretanto, minha jornada de trabalho também sofreria um aumento considerável.
Depois de muita oração e conversa com a família, resolvi aceitar a proposta, tendo em vista
que o contrato seria temporário.

Durante este período, contudo, comecei a desenvolver algumas atitudes:
- Negligência: Creio que todo cristão tem o dever de ser competente naquilo que faz, por isso
exigi de mim mesma muito mais dedicação. O trabalho começou a consumir-me de tal forma
que passei a negligenciar outras áreas de minha vida: minha família ficou em segundo plano;
não tinha mais tempo para minhas filhas, que ficavam sob os cuidados da empregada; meu
marido ficou para escanteio, pois mal o via durante o dia e, quando tínhamos momentos livres,
estava sempre cansada.

Na igreja, nem se fala: os trabalhos da semana foram esquecidos; visitas, reuniões extras, nem
pensar... Minhas atividades se resumiam em lecionar na escola dominical.

- Esfriamento espiritual: Minha comunhão com Deus começou a tornar-se seca e restrita. Eu
estava consciente de tudo isso, lutava para conseguir desvencilhar-me destas coisas, mas era
como se eu estivesse amarrada a elas.

Graças a Deus, este período passou e pude voltar à minha jornada normal de trabalho.
Voltemos à pergunta inicial: a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão?

Vejamos algumas considerações:
1- Ela tem um chamado especial. Todos nós recebemos de Deus dons especiais,
independentemente de posição, cargo ou parentesco. Estes dons precisam ser colocados em
prática de forma fiel e dedicada. A esposa de pastor, assim como todo cristão, tem a
responsabilidade de exercê-los de maneira eficiente. Uma observação, porém, faz-se
necessária: a igreja deve conscientizar-se de que a esposa de pastor não é uma 'supermulher',
e por isso não pode ser cobrada como tal.

2- Ela tem o direito de se realizar. Deus nos fez pessoas individuais, com personalidades e
pensamentos diferentes. Há mulheres que se sentem realizadas como mães e esposas, fazem
disso sua opção de vida; outras, porém, querem algo mais. Há, então, a necessidade do
respeito aos dois pensamentos. O que conta aqui é a realização. Uma mulher frustrada
dificilmente será bênção na vida do marido. Abro aqui um parêntese para reflexão: Como
estariam algumas viúvas de pastores se não tivessem uma profissão?

3- Ela tem o dever de priorizar sua família. Um bom termômetro para nossos abusos em uma
ou outra área é o impacto que estas atividades exercem sobre nossa família. Em tempo algum
as atividades da igreja ou as profissionais devem sobrepujar as de mãe e esposa. O grande
problema dos pastores e de suas esposas é não criar uma lista de prioridades e ser fiel a ela.
Devemos estar atentos às conseqüências dos nossos exageros.
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4- Equilíbrio: palavra-chave. Ser esposa, mãe, membro de igreja e ainda profissional é uma
missão árdua, mas não impossível. Nosso desafio é buscar em Deus a sabedoria para
harmonizarmos todas estas áreas, sem sermos negligentes com uma ou outra.

Eunicea de Oliveira Souto Cândido, professora, esposa do Pr. Tércio Candido, mãe de
Débora e Sarah



 O CANSAÇO MINISTERIAL DA FAMÍLIA PASTORAL?
 Por Valter Moura

 Um dos obstáculos mais complicados a ser encarado pela família pastoral está relacionado
com o cansaço ministerial. Pastores e pastoras, suas esposas, seus esposos e filhos tem se
deparado com este fato, que ao meu ver, é inevitável dentro do círculo ministerial. Em alguns
casos, este cansaço parece fatal, causando a desmotivação e o desligamento do próprio pastor
do seu ministério, enquanto que em outras situações, permanece o pastor no ministério, sem,
no entanto, a sua família.

Ao longo dos meus quinze anos de ministério já dividi com a minha família estes momentos. O
problema não estava em mim, ou em minha esposa ou nos meus filhos. Quantas foram as
vezes em que carregamos a culpa diante daqueles momentos, pensando que estávamos
sendo vítimas de "fraqueza espiritual". Contudo, no decorrer destes anos tenho percebido que
centenas de colegas de ministério compartilham comigo do mesmo fato. Recordo-me do dia em
que tive a oportunidade de visitar um colega cujo trabalho estava marcado pelos sinais de um
ministério de êxito. Sua igreja estava cheia, havia ministérios muito bem organizados e
liderados por uma equipe bastante competente. A igreja mantinha um notável ministério de
engajamento social na cidade e, apesar de tudo, o meu colega confidenciou, "Eu e minha
esposa estamos cansados de tudo isso." Perguntas inevitáveis me vieram à mente e eu e
minha esposa temos ainda tentado respondê-las. Perguntas que você e sua família estão
certamente fazendo. No que consiste este cansaço ministerial? Quais os fatores causadores
deste esgotamento ministerial na família pastoral? Quais são as possíveis conseqüências e
como lutar contra elas?

Ao meu ver, poderíamos definir cansaço ministerial como sendo um esgotamento, um estado
de fadiga e desmotivação para com uma causa para a qual você entregou a sua vida, seus
talentos e seu tempo. A expressão chave nesta definição é desmotivação para com uma causa.
A verdade mais óbvia em relação à desmotivação é que ela acontece em circunstâncias em
que os resultados finais não justificam o empenho da dedicação. Ouvi de um pastor amigo que
vivia um situação de cansaço ministerial, pastoreando uma igreja média, a seguinte palavra:
"Valter, não estou cansado de Deus e nem da vocação, mas da igreja." Cada vez mais ouço
dizer do cansaço dos heróis da igreja evangélica brasileira. Culpá-los? Dizer que estão
fraquejando? Não, eu não creio que esta seja uma avaliação justa. Eles e suas famílias estão
simplesmente cansados e, talvez, cansados do que viram e do que sofreram em função das
cargas desnecessárias que lhes impuseram.

O quadro até aqui exposto, nos conduz a adentrar na área dos fatores causadores deste
esgotamento ministerial que apesar de possuirem fatores internos ligado à própria família do
pastor, também tem a ver com os fatores externos causados pelo ambiente de trabalho.

Portanto, as causas deste cansaço ministerial são:
1. O confronto com os poderes de uma estrutura arcaica. É crescente o número de pastores
que pertencem à uma geração de leitura bíblico- teológica contemporânea mas que ministram
em igrejas calcificadas e desbotadas pela desatualização. É inevitável o choque, a tensão e
consequentemente o cansaço. Pessoalmente, creio que mudanças podem acontecer em
estruturas assim, mas o preço para o líder é alto e precisamos estar conscientes de que o
desgaste da família pastoral é algo muito provável. Somente na física é que forças opostas se
atraem. Na vivência teológica, os atritos decorrentes do gerenciamento de forças (visão de
mundo, mentalidade, concepção de vida) opostas é altamente desgastante e cansativo. A
consciência deste fato ajuda a discernir e interpretar as nossas reações e nortear as nossas
opções de futuro ministerial.
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2. A pressão que as pessoas colocam sobre a família pastoral em termos de jogar sobre ela
uma responsabilidade do tipo "dois pesos e duas medidas". O que queremos dizer com isto é
que, em vários níveis as pessoas da igreja estabelecem regras para a família pastoral que não
estabelecem para si mesmas. É muito provável que alguém julgará com critérios diferentes a
ausência do filho do pastor que resolveu ir à uma outra atividade ao invés de estar presente na
reunião dos jovens no sábado à noite. O mesmo não aconteceria com qualquer outro jovem da
igreja. Nestes anos de ministério, temos observado as pessoas com as posturas mais
contraditórias possíveis. Lembro-me de um dia em que eu e minha família não pudemos estar
presente no aniversário de uma determinada pessoa que era membro da igreja. A
comemoração deste aniversário entrou em choque com uma programação já marcada
antecipadamente. Alguém muito próximo a este aniversariante fez severas críticas a mim e à
minha família, dizendo que fomos omissos como líderes da igreja. Dois meses depois, este
aniversariante seria responsável por liderar uma determinada programação na igreja. No dia,
eu e a minha família estávamos presentes e a pessoa que havia feito o comentário, cobrando
de nós uma postura em relação àquela pessoa que dizia ser seu grande amigo, desta vez não
estava presente para prestigiá-lo, considerando que seria a primeira experiência de seu
"amigo" à frente de um trabalho na igreja. Razão: foi passear. Eu e minha esposa comentamos
um com o outro o fato e, humanamente falando, pela primeira vez percebemos como isto era
desumano.

Eu não tenho dúvidas que alguém possa afirmar que isto seja uma tremenda tolice. Caro leitor,
eu queria dizer a você que uma gigantesca somatória de exemplos simples como este
perfazem um grande total na vida da família pastoral. Meu filho mais velho, 11 anos, perguntou
há poucos dias para mim por que é que as pessoas exigiam de nós algo que eles não exigiam
de si mesmos. Ele demonstrou cansaço deste sistema de "fazer religião". Como a minha
família, outras famílias de pastor e pastoras tem dado respostas diferentes a este tipo de
estímulo. Uns, inclusive respondem mais radicalmente (filhos envolvidos com drogas,
revoltados com crentes, desinteressados da igreja, etc). Sabe, é muito simples dizer que o
pastor ou pastora não souberam administrar a sua casa. Esta idéia é, no mínimo, uma tentativa
de não assumir a responsabilidade de que a igreja, em alguns casos, é o agente de tensão na
família pastoral. Particularmente, não espero dos meus filhos nada além de um comportamento
cristão e humano; não os oriento para corresponderem às expectativas das demandas culturais
da igreja evangélica, mas para que correspondam ao princípio de estarem convertidos para o
Senhor e o compromisso do testemunho cristão. Finalmente, não os sobrecarrego com a minha
agenda pastoral.

Uma outra causa refere-se à idéia presente de que pastor não pode ter amigos. Infelizmente,
tenho de admitir que há pastores que assim também pensam. Ouvi de uma pessoa que falava
em seu estudo sobre as características da igreja evangélica brasileira, que há lideranças de
igrejas que fazem questão de mudar os seus pastores freqüentemente na tentativa de impedir
que estes criem laços de amizades dentro das comunidades que pastoreiam. Ironicamente, é
também intrigante notar que aqueles que no seio da comunidade se levantam para fazerem
suas observações sobre as "preferências" do pastor nas amizades pessoais, são exatamente
as mesmas pessoas que desejariam estar próximas para manipular esta amizade em algum
tipo de benefício pessoal. É algo meio semelhante ao poder de influência que o Paulo César
Farias tinha no governo Collor. Guardando as devidas proporções, observamos que este tipo
de influência não está reservada apenas ao meio político.

Quando olhamos para a vida de Jesus, o pastor por excelência, observamos que um dos fatos
marcantes de seu ministério foram os relacionamentos que Ele construiu sobre o amor e a
afetividade. Aliás, a própria doutrina da Trindade caracteriza esta dimensão de relacionamento,
testemunhando que as três pessoas, Deu-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito se interagem sob a
dimensão da amizade. Jesus chamou aos seus discípulos de amigos. Preferiu esta palavra ao
invés da palavra servos por considerar que amigo se tornou palavra-símbolo, sacramento, do
novo relacionamento a partir da história da redenção. Como sacramento, a palavra amigo
evoca saudades, vontade de rever novamente, compromisso de cuidar. Idéias e sentimentos
que a palavra servo jamais evocaria. Não há dúvidas que este modelo precisa ser considerado
por pastores, líderes e membros de igrejas. No caso dos pastores, a atitude mais coerente a
ser tomada seria considerar de foro íntimo as suas opções no que diz respeito às amizades.
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Acima de tudo, trata-se de uma questão de privacidade manter os amigos que tem e escolher
os que quer. Além disso, é salutar e humano que estes relacionamentos amigos prezem por
uma pauta de assuntos e programas para além daqueles próprios da igreja, o que funciona
como um exercício de prevenção para este cansaço ministerial. Tenha sua roda de amigos
como companheiros do peito, reservando à amizade o prazer de estar numa mesa ou saindo
juntos apenas para desfrutar do prazer de estar junto com alguém com quem se simpatiza.
Esta tem sido uma prática que tem contribuído para a saúde da alma da nossa própria família.

É óbvio que estas causas acabam por refletir de alguma maneira na vida da família pastoral e o
sentimento de solidão é uma das conseqüências. É irônico afirmar que a família que possui o
privilégio de se relacionar com o maior número possível de pessoas dentro de uma específica
comunidade de fé, também possa viver a realidade de se sentir só. Não diríamos que trata-se
apenas de um sentimento de solidão, mas a verdade é que a família do pastor vive também a
realidade de estar só. Parte desta realidade decorre da dificuldade que o pastor e sua família
tem em compartilhar com as pessoas suas própria pressões.

Do fator solidão se depreende a questão da confiança. Para falar mais claramente, o fato é que
há uma crise tremenda de confiança por parte da família pastoral. Mais do que céticos, o
pastor, a pastora e sua família acabam por iniciar um processo de isolamento, "santo
sarcasmo" e "imaculada ironia" no que diz respeito à confiança nas pessoas. São tantos os
golpes, decepções e desencontros que é praticamente impossível não se iniciar um mecanismo
de "feedback"(reação, retorno) positivo, ou seja, confiança quebrada alimenta o sistema
gerando desconfiança velada. A pergunta que fica é: quem no meio eclesiástico há de cuidar
da família pastoral? Não são muitas as opções para quem necessita total segurança em sua
confidência. Nesta questão, não se trata apenas do pastor ou da pastora, mas também de sua
esposa, seu esposo e filhos. Você já imaginou o desastre que seria se um deles resolvesse
abrir a alma escolhendo a pessoa errada?

Deixaríamos uma lacuna neste artigo se não considerássemos, por fim, algumas idéias
para lutar contra este cansaço ministerial.

1. É de fundamental importância ter a consciência de que as demandas das pessoas e do seu
ambiente de trabalho nada tem a ver com a vocação pastoral. Isso é "mania" de um sistema
eclesial doentio e desvirtuado. Particularmente, já não dou mais atenção ao chavão de alguns
"conselheiros", "é meu irmão isso faz parte da vocação".

2. É preciso constatar a necessidade de uma eclesiologia que trate das responsabilidades da
igreja para com os seus líderes. O que se constata é que na relação família pastoral e igreja as
responsabilidades tem sido abordadas apenas numa via de mão única. Fala-se muito da
responsabilidade do líder para com a igreja e quase nada da responsabilidade da igreja para
com o pastor e sua família e a sobrevivência da vocação. Não estamos desconsiderando aqui a
crise de integridade pastoral; no entanto, é tempo de alertar que há um outro aspecto da
questão, ou seja, o fato de que a família pastoral também precisa ser honrada e cuidada. Sem
dúvida alguma, felizes são aqueles pastores, pastoras e respectivas famílias que são muito
bem cuidados por algumas igrejas. Mas triste e aflito são os pastores, as pastoras com um
coração cheio da graça de Deus e que apesar disso não são honrados pelo "povo de Deus."

Por fim, há duas atitudes que o pastor e sua família podem tomar.
1. Crie a sua própria privacidade. Cada família deve procurar estabelecer isto de acordo com a
sua própria realidade. Evite que a agenda da igreja interfira na liberdade de escolha de sua
família.

2. Se você e sua família está em crise, admita a necessidade de um acompanhamento.
Procure alguém de confiança com quem você pudesse ser confidente. Ou quem sabe, você
pode encontrar um ministério, como a MAPEL, que tem como um dos seus propósitos o de
encorajar a família pastoral.
O Pr. Valter Moura é pastor presbiteriano há 15 anos. Ligado à Presbyterian Church in America, trabalha num
projeto de plantação de igreja em Danbury, CT, Estados Unidos. É casado com Leides e tem três filhos, Filipe,
Bruno e Guilherme).
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 DUETO DEVOCIONAL
 Por Bob e Charlotte Mize

  Uma das áreas mais deficientes de um casal que, de alguma maneira, está envolvido no
ministério, seja em uma igreja local ou em um campo missionário, pode ser aquela em que ele
precisava ser mais eficiente: leitura bíblica, oração e louvor no ambiente doméstico. O pastor,
pastora, missionário, missionaria ou líder são aqueles que estão quase todo tempo pregando e
falando sobre devoção a Deus. Fala-se, ensina-se, estimula-se a leitura da Bíblia e oração,
mas, as vezes, dentro do próprio lar, estas são realidades bem ausentes. Assim, a começar
pelo casal, toda família pastoral se iguala a tantas outras que somente conhecem o que é
devocionalidade quando vão a igreja.

Quando o culto acaba, a bíblia se fecha e somente será aberta no próximo dia de culto
comunitário. Ao canto e pronunciamento do ultimo amém, os lábios se fecham e somente vão
se abrir em oração na próxima reunião da igreja. Nós mesmos vivemos esta realidade em
nosso ministério, sofrendo com a nossa própria indisciplina na devocionalidade. Mas, pela
graça de Deus, descobrimos o caminho de uma vida devocional a duas vozes, um dueto
harmônico em busca da presença de Deus.

Devocional a duas vozes: o caminho da mudança

Desde que nos casamos, ha 34 anos, queríamos ler a Biblia e orar regularmente juntos. No
entanto, durante 15 anos, por mais que tentássemos, não conseguíamos nos firmar neste
habito. Mas nossa vida mudou a partir de um verão em que Charlotte deu aulas numa
universidade evangélica. Uma das ementas de sua matéria era "Como unir a família através da
Escola Dominical". Enquanto ela ensinava, se deu conta da ironia do fato de que os cinco
membros de nossa família estavam em quatro estados diferentes dos Estados Unidos.

Bob, que na época trabalhava numa igreja grande, estava freqüentando um congresso fora do
estado; nosso filho mais velho estava numa viagem missionaria; e os dois filhos mais novos
estavam acampados. Nossa família estava dividida por estarmos envolvidos em diferentes
ministérios. Concluímos então que, como pais, passar tempo com o Senhor era uma
necessidade absoluta. Dar inicio a esta pratica foi semelhante a de um pássaro tentando
chocar. Eventualmente obtivemos sucesso exercendo esse habito, ao que demos o nome de
nossa "devocional a duas vozes."

Desde que o estabelecemos como parte de nossas vidas, temos sido recompensados
maravilhosamente.

As fascinantes conseqüências
Se você, em meio a rotina de trabalho pastoral intensa na qual esta envolvido(a), criar um oásis
de devoção com seu cônjuge, imediatamente vera brotar em sua vida fascinantes
conseqüências:

1. Haverá tempo para se ficar junto, mesmo quando não se pensa ter tempo.
Uma agenda cheia normalmente acompanha a vida pastoral e missionaria, e isso separa os
casais. Decidimos certa vez registrar os compromissos de Bob durante algumas semanas, e
descobri que ele passava uma media de 85 horas semanais em trabalhos do seu ministério.
Em uma igreja a que servimos, (Charlotte dava aulas 6 vezes por semana, para cinco grupos
etários diferentes. Sem uma hora devocional diária, não era possível nem ao menos nos
vermos em certos dias, a não ser para nos cumprimentarmos ligeiramente. O nosso momento
devocional nos força a estarmos juntos e compartilharmos diariamente de pelo menos 15 ou 20
minutos.

2. Haverá uma oportunidade para Deus falar.
Muitas impressões mundanas e pecaminosas bombardeiam as nossas mentes diariamente.
Sem uma hora específica e um lugar reservado para podermos escutar a Deus, poderemos
deixar de ouvi-lo. Por isso, a nossa hora devocional é uma abertura durante o dia para Ele nos
orientar e dirigir em nosso casamento e ministério.
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3. Haverá real possibilidade de provar intimidade num nível mais profundo.
Intimidade conjugal é muito mais que relacionamento sexual, significa se colocar diante de
Deus como uma só carne, e não apenas como indivíduos, crescendo assim juntos em nossa
caminhada com Ele. O nosso momento devocional em dueto nos fornece uma oportunidade
para conseguirmos fazer isso. Esta intimidade também nos ajuda no sentido de nos proteger
contra tentações, e mesmo de sermos infiéis a Deus, e um ao outro.

4. Haverá um exemplo inapagável para nossos filhos. Nossos três filhos aprenderam a
respeito da importância de um momento devocional regular, onde se pode compartilhar. Agora
eles também praticam seus momentos devocionais em harmonia a duas vozes.
Seis passos para que o momento devocional dê resultado:

Sabemos que este costume, de separar uma hora devocional tranqüila, e difícil de se começar
ou de se manter, e é fácil de se deixar de faze-lo por qualquer razão. Entretanto, tal
investimento produz grandes dividendos. As seguintes sugestões podem ajuda-los a dar inicio
e a manter a disciplina de um momento devocional:

1. Façam um pacto, um com o outro, e com Deus. Uma coisa tão importante como esta não
pode ser tratada levianamente. Nós mesmos fizemos uma cerimonia na qual admitimos a
nossa necessidade de ter um momento devocional juntos. Afirmamos a nossa decisão e
verbalmente prometemos um ao outro diante de Deus que iríamos considerar esta dimensão
devocional como uma "prioridade sagrada."

2. Mantenham o horário. Para garantir a regularidade, nossa opção foi a de escolher um horário
matinal bem cedo. Geralmente começamos o devocional entre 5:30 e 6:00 horas. Deste modo
podemos ter um bom inicio de dia, que certamente será cheio de atividades. Obviamente, este
nosso devocional, nas primeiras horas do dia, ajudaram tremendamente a nossos filhos, que
participavam conosco quando estavam em casa. Se tivermos alguma reunião fora de casa, na
hora do café da manha, então nos reunimos mais tarde, durante o dia. Mesmo quando estamos
separados, combinamos uma maneira de nos reunirmos. Certa vez Bob teve quc ficar longe de
casa durante 5 dias por semana, por sete meses. Neste período, líamos a porção diária da
Bíblia separadamente. Depois conversávamos brevemente e orávamos ao telefone.

3. Estabeleçam um lugar. Um lugar específico pode se transformar num local especial. O nosso
"altar" é a cama, onde nos encostamos na intimidade dos nossos travesseiros. É um lugar
confortável , com boa luz para a leitura e xícaras de café ao lado.

4. Combinem a respeito de conteúdo e abordagem. Leitura bíblica e oração devem ser os
ingredientes principais, mas é necessário responder a diversas perguntas ao iniciar esta
atividade: o que vai ser lido, e quanto? Se a leitura vai ser em voz alta, e quem vai faze-la? Se
usaremos um guia devocional, como será escolhido?

Diversas vezes lemos a Bíblia inteira durante o ano. Cada um de nós o faz silenciosamente, e a
seguir discutimos como aplicar o que aprendemos em nossas vidas. Depois oramos. Durante o
nosso tempo de oração, compartilhamos pedidos, tanto para nós mesmos, como para outros.
Usamos uma lista de oração para verificar como Deus as responde. Nós dois oramos em voz
alta.

Algumas famílias acham que o homem deve dirigir a oração, enquanto a esposa permanece
em silencio. Mas nós acreditamos que o marido deve ouvir sua esposa orar, para conhecer
melhor o intimo dela. Como pastor, sinto que tenho uma necessidade especial: de que minha
esposa ore por mim, porque ela é o meu maior apoio.

5. Sejam flexíveis. Certa ocasião, em um dezembro qualquer, enquanto fazíamos nosso
planejamento devocional para o ano seguinte, sentimos a necessidade de ler mais lentamente,
em vez de correr para terminar a leitura da Bíblia no fim do ano. Passamos os doze meses
seguintes lendo o livro dos Salmos e os Evangelhos. Talvez lendo menos, mas debatendo
mais.
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Procuramos sempre maneiras novas para sair da rotina. As vezes, usamos versões diferentes,
ou suplementamos as nossas leituras bíblicas com materiais devocionais escritos por santos do
passado ou do presente.

6. Sejam honestos. É preciso muito esforço e coragem para confessar uns aos outros as
nossas fraquezas, pecados e lutas intimas. E é mais difícil ainda pedir perdão a Deus na
presença um do outro. Não é fácil admitir que lutamos para entender certas passagens, ou
admitir como elas nos atingem pessoalmente. Mas tal honestidade nos aproxima mais ainda
um do outro e de Deus.

O casamento de pastores parece que está em grande crise. Certa vez Bob começou a
enumerar os pastores do seu relacionamento que estavam enfrentando sérios problemas
conjugais. Ele desistiu de contar depois que enumerou 28! Temos certeza de que a nossa
devocional a duas vozes nos tem ajudado a evitar inúmeros problemas. Este costume tem sido
a pedra fundamental do nosso casamento e trabalho, e nos assegura de que ministramos um
ao outro, e não somente à congregação que pastoreamos.

Bob e Charlotte Mize vivem em Colorado Springs, onde Bob é pastor associado na Sunnyside Christian Church.
Eles tem três filhos adultos e quatro netos.




 COMO VIVER ABUNDANTEMENTE QUANDO OS RECURSOS SÃO POUCOS
 Por Craig Brian Larson
  Por mais que tenha tentado ignorar o dinheiro, vejo que ele influencia todas as coisas.
Quando tenho o suficiente, minha vida parece um dia fresco de outono, cheio de sol. Quando
tenho falta, sinto-me como se estivesse sendo atingido violentamente por uma frente fria vinda
da baía do Hudson, no Canadá.

Minhas finanças pessoais têm sido difíceis e, às vezes, têm até me desesperado durante a
maior parte dos meus 22 anos de ministério. Durante o meu primeiro ano como pastor de uma
igreja em Chicago, minha renda anual era de aproximadamente US$14,000.00. Durante os oito
anos seguintes, a igreja aumentou gradativamente o meu salário. Quando saí de lá, estava por
volta de US$25,000.00. Durante todo esse tempo minha esposa não trabalhava.

Nossas posses refletiam a nossa situação. Em Chicago, dirigíamos um Chevy Malibu 1974,
todo enferrujado. A borracha que veda as portas havia se deteriorado e, quando chovia, grande
volume de água se acumulava no piso traseiro do carro. Eu tive de encher de jornais o lugar do
pneu estepe, no porta-malas, por ele estar todo comido pela ferrugem, para assim evitar a
entrada de sujeira e água.

Morávamos num apartamento de dois quartos no segundo andar. Quando o vento do sul
soprava, a fumaça química de uma fábrica da redondeza era quase insuportável. As janelas do
prédio antigo trepidavam soltas com as brisas do inverno, e as correntes de ar eram terríveis.
Tornei-me um perito em apanhar ratos (para isca deve-se usar pasta de amendoim, e não
queijo), acrescentando às minhas múltiplas tarefas pastorais, a de um armador de ratoeiras.
Sentia-me completamente amarrado pela nossa penúria. Nunca pudemos ter poupança e nada
podíamos fazer para dar conta dos pagamentos trimestrais do imposto de renda.

Quando nos mudamos para Arlington Heights, um subúrbio a oeste de Chicago, recebia mais
ou menos o mesmo salário anterior, mas agora vivíamos em uma região de custo de vida mais
elevado. Certa vez, depois da nossa reunião de negócios na igreja - na qual as despesas,
inclusive o meu salário, foram apresentadas -, um membro da igreja me disse: "Eu não sabia
que era possível viver nesta região da cidade com menos de US$30,000.00 anuais. Como é
que você consegue?" Não muito bem.

Nada fez o ministério mais difícil para mim do que a pressão financeira. Nada contribuiu tanto
para que eu sentisse que não mais podia continuar. Lembro-me que diversas vezes me
desesperei e, apesar do meu amor pelo ministério pastoral, estava pronto a fazer qualquer
outro tipo de trabalho por algum tempo, somente para poder pagar minhas contas e ficar livre
da pressão. Uma vez, contra minhas próprias convicções, até a idéia de comprar um bilhete de
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loteria me passou pela cabeça.

Mas, como consigo verificar, minhas dificuldades financeiras não foram primariamente
decorrentes de um salário 'magro'. Em vez disso, eu mesmo sou o culpado pelos meus
'invernos' financeiros. Eles vêm de duas fontes: minhas fraquezas e minhas convicções
pessoais.

Um fanático contra o controle
Fizemos algumas coisas certas com o nosso dinheiro. Temos contribuído bastante e, de modo
geral, temos evitado dívidas.

Aprendi essas duas virtudes na igreja em que cresci. Meu pastor dava de forma altruísta, e ele
nos ensinava a dar do mesmo modo. Mas a igreja também construiu um novo prédio que foi
muito além do orçamento e, por mais de uma década, a dívida resultante era um furo galáctico
que consumia tempo, atenção, energia, os pastores, dinheiro - praticamente tudo. Essa
experiência definiu a minha atitude com relação à dívida. Mesmo em horas de sérias
necessidades, minha família e eu, normalmente, passamos sem esses gastos, ao invés de
colocá-los num cartão de crédito; e isto tem sido a nossa salvação.

Minha fraqueza, no entanto, é a falha de não fazer um orçamento prévio. Por diversas vezes
tentei fazer um plano de orçamento, mas sempre acabava se reduzindo em apenas anotar as
despesas. Por 22 anos seguimos o método de orçamento de dinheiro vivo, isto é: compramos
somente o que é necessário, e quando acaba o dinheiro, deixamos de comprar.

Esse método tem uma grande falha. Ele não nos prepara para as grandes despesas, sejam
emergências ou não. Conseqüentemente, temos um guarda-roupa pobre, nenhuma poupança,
nenhuma propriedade, um carro de 13 anos e um monte de aparelhos domésticos velhos
(consertei a nossa máquina de lavar pratos portátil, que compramos após um ano de casados,
tantas vezes que parece que ela foi atirada do topo de uma montanha para baixo).
Emergências têm sido exatamente isso.

Por muito tempo, justifiquei-me dizendo que não tinha um orçamento, porque realmente não
tínhamos fundos para fazer qualquer escolha. Cada gasto era uma necessidade, não apenas
uma vontade. Mas ao aumentar um pouquinho a nossa renda através dos anos, nem assim
conseguíamos desenvolver um orçamento. A causa deveria estar em outro lugar.

A verdadeira razão estava em meu desinteresse por organizar e controlar pessoas ou coisas. O
fato de eu ter de administrar, impede-me de fazer aquilo que eu gosto. Sou uma pessoa que
gosta de idéias e de palavras. Sou mais um pensador do que uma pessoa que realiza algo.
Constantemente analiso as coisas, questiono, leio, explico ou tento entender. Portanto, gosto
de organizar idéias, mas não coisas, como dinheiro ou meus arquivos. Além disso, gosto de
buscar a presença do Senhor, na disciplina espiritual. Tenho de me esforçar para concluir o
meu tempo de leitura bíblica e oração. Aos poucos tenho aprendido a administrar e organizar,
motivado pela necessidade e pelo desejo de ser um mordomo fiel, mas geralmente faço o
mínimo possível.

Dois mitos financeiros
Quando eu era adolescente, tinha de caminhar quase um quilômetro para a escola. Durante o
inverno isso fazia com que as minhas mãos ficassem rachadas e sangrassem. Minha mãe
implorava para que eu usasse uma loção especial para proteger as mãos, mas, apesar da dor,
eu não fazia caso do seu pedido e não cuidava das mãos. Afinal, dentro de poucos meses viria
a primavera e as mãos sarariam.

Durante os meus primeiros cinco anos no ministério agi da mesma maneira infantil com relação
às minhas finanças pessoais. Eu simplesmente ignorava as dores financeiras e o sangramento
e mantinha os meus olhos no ministério. Dois mitos me encorajavam a agir assim:

1) Não dá para viver com a renda que temos. Talvez este tenha sido o mito mais destrutivo,
porque ele me convencia a não ter mais a esperança de gradualmente poder me fortalecer
financeiramente através de princípios econômicos sadios. Em vez disso, colocava toda a minha
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esperança no fato de que Deus, miraculosamente, iria mudar as circunstâncias da noite para o
dia. Naturalmente, Deus pode fazer isso, mas normalmente Ele tem uma outra agenda. Ele
quer me moldar por meio da luta, para que eu possa desenvolver virtudes como autocontrole,
sabedoria, planejamento.

2) Pastores são mal pagos. Isto, naturalmente, depende da 'régua' com que estou medindo.
Posso usar um padrão humano e dizer que pastores deveriam ganhar o que as pessoas da
classe média ganham, mas onde é que encontraria apoio bíblico para isso? Além do mais,
pesquisas recentes mostram que há uma tendência de se pagar melhor aos pastores. O mito
de que todos os pastores são mal pagos só me fazia ter pena de mim mesmo, e ficar, de vez
em quando, amargurado com a igreja, e talvez até com o Senhor. Em vez de me esforçar para
viver de maneira decente com o salário que tínhamos, talvez eu quisesse sofrer para que os
pudesse ferir. O martírio pode ser uma grande vingança.

Finalmente concluí que, mesmo que minha boa administração pessoal financeira me afastasse
das coisas que eu considerava mais espirituais, Deus provavelmente queria que eu as fizesse.
Apesar de termos dado o nosso dízimo fielmente, Ele não nos mandou um 'dilúvio' de dinheiro
para acabar com os nossos problemas. Tivemos de aprender como administrar as coisas. Deus
pode prover de maneiras extraordinárias, às vezes, mas geralmente, Ele quer que eu use a
minha sabedoria e meu trabalho árduo.

Essa lição foi reforçada pelo que li em Gênesis 39 a respeito de José, a quem Deus abençoou
de modo especial: ele era um administrador muito eficiente. Deus abençoou tudo que José
tocava, direta ou indiretamente. Como Jesus ensinou, quem é fiel no pouco será fiel no muito.
Parece que Deus faz objeção de se querer encher de água um balde furado.

Eu li algo que diz que devemos nos concentrar em nossos pontos fortes. Se colocamos muita
ênfase em nossas fraquezas, assim parece a lógica, os nossos pontos fortes simplesmente se
definham. Isto me consola, mas talvez tenha ido longe demais. Isto corre o risco de me levar
finalmente ao ponto de me recusar de crescer no Senhor. Mesmo que eu desfralde uma grande
vela ao vento, se a estrutura do barco tiver um furo, o barco irá a pique. Se eu não tenho
pessoas ao meu redor a quem possa delegar as coisas que não sei fazer bem, eu preciso ter
um mínimo de competência em minhas fraquezas para aproveitar ao máximo os meus pontos
fortes.

Portanto, a maneira como administro o meu dinheiro é espiritual. Administração de dinheiro
pode nos conduzir ao crescimento espiritual. Deus quer que nos envolvamos.

Guiado por convicções
Juntamente com as minhas fraquezas, diversas convicções-chaves têm dirigido os meus
hábitos financeiros. Algumas delas mantive simplisticamente; tive de defasá-las porque me
faziam racionalizar minhas fraquezas. Outras eram boas, mas não podia prever suas
repercussões no mundo real.

Minha esposa não deveria trabalhar fora do lar. Nancy gerou nossos quatro filhos num período
de 13 anos, e nós queríamos que ela cuidasse deles. A princípio, esta era a nossa convicção,
baseada nas Escrituras; mas isto, depois, tornou-se simplesmente a nossa preferência. Em
uma economia estruturada para famílias com dupla renda, nossa escolha, obviamente, nos deu
menor margem para tal padrão.

Gostaria de dizer que Deus recompensará os pais quando a mãe estiver em casa e que a
família vai ter o suficiente como se ela trabalhasse fora, mas esta não tem sido a nossa
experiência. Quando o nosso caçula entrou na escola anos atrás, Nancy começou a trabalhar
parte do tempo, e isso nos ajudou de modo significativo. Com certeza, nossos filhos foram
favorecidos por esta decisão de Nancy ficar em casa e eu me alegro por sua atitude. O que eu
deveria saber, entretanto, é a mensagem repetida nas Escrituras de que freqüentemente as
convicções nos acarretam sacrifícios.

O dinheiro nunca deveria determinar onde exercer o meu ministério. Eu desejo responder ao
chamado de Deus, não importa o tamanho da igreja e o salário. Ministério não é como uma
10

escada em cuja carreira os cheques aumentam progressivamente. Esta perspectiva,
entretanto, pode ter me impedido de comunicar aos líderes da minha igreja, responsáveis pelas
decisões salariais, as minhas verdadeiras necessidades. Com o passar dos anos aprendi, o
que espero, a buscar um equilíbrio entre fé e realidade. Eu preciso estar disposto a ter fé,
quando necessário, mas também preciso comunicar minhas necessidades e, a seguir, em
oração, deixar a decisão com o Senhor e na mãos dos responsáveis.

Quando eu discutia com os líderes de uma igreja sobre a possibilidade de aceitar um convite
para pastorear, por exemplo, sentia fortemente que Deus havia me dirigido para aquele lugar.
Apesar disso, eu estava decidido a deixar claro para os líderes as minhas necessidades, não
apenas para sobreviver, mas para viver de modo que a minha família sofresse apenas as
pressões financeiras normais. Para mim, o montante total do salário podia parecer exorbitante,
mas sentia que era exatamente isso o que deveria fazer. Como resultado, meu pedido salarial
excedia em cerca de 50% ao que os líderes planejavam pagar, mas, sem piscar, aceitavam
minhas exigências, e sem discutir. Se eu tivesse pedido menos, teria recebido menos e agora
estaria vivendo com todas as desagradáveis conseqüências...
Se eu buscar o reino de Deus e a Sua justiça, não terei de me preocupar com dinheiro. Isto,
naturalmente, não é exatamente o que Jesus disse. Ele nunca sugere que eu seja um
recebedor passivo no processo da provisão de Deus. Pelo contrário, as Escrituras mostram que
Deus normalmente me usa nesse processo, e isto significa que eu deva levar muito a sério a
questão de dinheiro.

Algumas vezes esta questão me envolveu em decisões que pareciam auto-ajuda. Em nossa
primeira igreja em Chicago, depois de uma oferta muito baixa, eventualmente eu tinha de optar
entre a igreja pagar o meu salário ou pagar as contas de luz, gás e telefone. Eu tinha ouvido
outros pastores comentarem que é melhor pagar as contas da igreja primeiro. Depois de tentar
isto, finalmente verifiquei que em nada ajudou à igreja. O que consegui com esta atitude, foi
afligir a mim e a minha família com essas pressões financeiras, o que nos levou, com o passar
do tempo, a precisar procurar outro campo. A igreja tem de se responsabilizar em pagar ao seu
obreiro o seu salário devido. Então, depois desta experiência, fiz exatamente isto, e as contas
da igreja, de uma maneira ou outra, eram também sempre pagas. Enquanto fazia-me de alvo
para os problemas da igreja, eu mesmo interceptava e não recebia as promessas de Deus.

Dinheiro é um material perigoso. Muitas vezes o Novo Testamento nos adverte sobre os
perigos do amor ao dinheiro. Por esta razão, além de pagar minhas contas, nunca tive o desejo
de ajuntar dinheiro.

Mesmo assim, no fundo do meu coração, creio que outros motivos contribuíram para isso.
Jamais comprei uma casa e, no momento, alugo uma casa de três dormitórios, apesar de tê-la
podido comprar, se realmente o quiséssemos. A verdade é que eu me sinto mais espiritual
quando estou relativamente 'pobre', mas isto é uma distorção em minha espiritualidade. Não
estarei eu tentando impressionar a Deus ou ganhar o seu favor passando necessidade?

Em meu ministério eu preciso estar disposto a sofrer por Cristo. Nem sempre aprecio isto.
Contudo, de modo geral, tenho suportado as dificuldades estoicamente, e tenho me sentido
honrado ao passar necessidades pelo amor a Cristo. Mas isto me deixou cego com relação ao
que as dificuldades fizeram para a minha família. Eu achava que eles deveriam estar tão felizes
quanto eu, ao sofrer por Cristo. Mas nós estávamos em uma situação que eu havia escolhido, e
não eles. Para a pessoa que escolhe é muito mais fácil do que para aqueles que são forçados
a aceitar uma situação.

Tive de dar muitas "cabeçadas" para que aprendesse isso. Certa ocasião, meu filho
adolescente e eu começamos a discutir calorosamente, algo bastante incomum para nós, e
então no calor da discussão ele me disse: "Que tipo de homem é você, que nem pode prover
uma vida financeira para sua família?"

Isto me alertou bastante. Embora o resto do mundo julgue um homem pela quantia de dinheiro
que ele pode produzir, em minha simplicidade, nunca me ocorreu que alguém em minha
própria família também fizesse esse juízo.
11

Apesar de tudo, dinheiro não era realmente o problema, porque a escassez por si mesma não
causa amargura. Eu simplesmente não me esforcei para tornar as coisas divertidas como
poderia ter feito, para compensar pelas dificuldades. Eu poderia ter levado a família para
passear no parque e poderia ter passado mais tempo com ela do que passei. Mas eu me
focalizava na igreja, amava o meu trabalho e estava contente. Divertimento nunca foi uma das
minhas prioridades. Além disso, creio que sou culpado de ter falado freqüentemente a respeito
da nossa pobreza, usando isso para dizer que não tinha dinheiro e, assim, poder dizer não para
alguma coisa que os filhos quisessem.

Coragem para alcançar a terra prometida
Cometi muitos erros, dos quais ainda terei de enfrentar as conseqüências por algum tempo.
Mas apesar disso, Deus tem mostrado a Sua graça em nossas finanças. Ele tem usado
finanças como um lastro espiritual em minha vida, um grande peso que me estabilizou,
forçando-me a tratar com as distorções sobre este assunto, segundo o meu modo de pensar.
Deus supriu as nossas necessidades sem falhar e nos abençoou com saúde excelente. Em
nosso estado financeiro vulnerável, Ele nos protegeu de grandes crises financeiras que
poderiam nos ter lançado em um buraco de onde jamais poderíamos sair.
Meus filhos mais velhos, agora na universidade, são muito trabalhadores e independentes. Por
ter passado por necessidades, aprendi a orar com mais eficiência e minha fé aumentou ao ver
Deus provendo. Agora tenho empatia por outros que estejam passando por necessidades.

Finalmente, minha esposa e eu estamos conseguindo estabelecer um orçamento. Começamos
anotando os gastos em seis áreas críticas de controle, como as compras do supermercado, em
um papel de contabilidade pregado junto ao talão de cheques. Quando já estamos habituados
a anotar, planejamos separar quantias mensais para cada categoria dos gastos e, assim,
podemos permanecer dentro dos seus limites. Eu sei que isto funciona!

Uma estrela que me tem guiado nestes tempos todos é a experiência de Abraão e Isaque. Em
Gênesis 12, lemos que Deus apareceu a Abraão e ordenou-lhe que fosse para a terra de
Canaã, dando a ele promessas extravagantes. Abraão obedeceu, suportou a dificuldade de
andar centenas de milhas e, quando chegou ao lugar que lhe fora ordenado ir - a terra da
promessa, o fim do arco-íris -, ele encontrou algo inesperado: fome.

Isto foi duro, não só para Abraão, mas para centenas de pessoas que viviam com ele. Imagine
as crianças do seu acampamento chorando de fome e sede. Imagine o que ele teve de
enfrentar ao ouvir as dúvidas de Sara, Ló e outros que estavam com ele. A fome era tão severa
que Abraão achou que deveria ir mais para o sul, para poder sobreviver no Egito.
Isaque também encontrou fome na Terra Prometida, de acordo com Gênesis 26. Como seu pai,
Isaque pensava em ir para o Egito, mas Deus lhe apareceu e disse: "Não vá ao Egito; viva na
terra que eu te mandar viver. Fique nesta terra por um tempo, e eu estarei contigo e te
abençoarei". Com fé e em obediência, Isaque ficou onde estava. Eventualmente Deus o
abençoou por essa razão, dando a ele uma colheita abundante da semente que plantou.
Eu recebi esta lição como uma promessa e um paradigma para minha vida. Por algum tempo a
terra prometida pode ser um lugar hostil. Mas, mais cedo ou mais tarde, se eu perseverar,
Deus sempre irá cumprir os Seus propósitos para mim e produzir uma colheita abundante,
conforme Ele quiser.

O lugar para onde Deus me chama não é fácil de alcançar, principalmente nos estágios iniciais.
Leva tempo (centenas de anos para Abraão e seus descendentes). É preciso coragem e fé
(muitas vezes eu queria uma situação em que não precisasse ter fé!). É preciso ter disposição
para enfrentar fome e viver em tendas como um nômade. Mas eu creio que a glória que
eventualmente será revelada nesta vida ainda, e não se pode medir o muito mais na futura,
fará com que esta dificuldade pareça insignificante. A Terra Prometida pode, às vezes, ser
hostil, mas é o meu lar espiritual.

Craig Brian Larson é pastor da Assembléia de Deus "Lake Shore", em Chicago, Illinois, EUA. Trad. Rev. João W.
Faustini
12

 POSICIONE-SE CONTRA A MEDIOCRIDADE
 Dennis e Barbara Rainey

Os adolescentes de hoje são fortemente induzidos a tornarem-se complacentes e sobre eles
estão as pressões para se ajustarem ao tipo de comportamento da maioria dos seus
companheiros de idade. O problema é que o comportamento da maioria dos adoslescente
exibem um estilo de vida moral decadente e com reflexos numa frava vida acedemica e
vocacional. São inúmeros os professores que podem contar histórias e mais histórias de
adolescentes inteligentes que jamais se esforçaram para serem bons alunos. Muitos técnicos
podem falar sobre atletas que têm potencial para serem excelentes no seu campo de atividade
se simplesmente se dedicassem mais ao treino. Um numero muito grande de patrões
constantemente despedem adolescentes porque estes não exibem uma ética saudável no
trabalho.

Se é válido fazer, então vamos fazer certo. Quando Cristo nos pede para andar uma segunda
milha, Ele nos orienta que devemos fazer um esforço extra em tudo. Precisamos ser bons em
todas as coisas porque somos representantes de Cristo e nossos filhos precisam ter essa
visão. Uma visão de serem embaixadores do Reino.
Como pais podem incutir nos filhos o desejo de serem bons no que fazem:

· Tome a decisão de ser modelo e ensine o compromisso de ser o melhor naquilo que
você vier a fazer.
Olhe para sua própria vida : Você está satisfeito com o que você é, você explora o seu
potencial, seu filho lhe vê como uma pessoa que está crescendo, trabalhadora e esforçada?

· Entenda que Deus lhe deu a responsabilidade de desenvolver o potencial de seus filhos
de uma maneira plena.
Incentive-os a serem os melhores. Anime- os quando estiverem desencorajados. Ajude-os com
os trabalhos escolares e projetos de aula. Insista para que os trabalhos de escola seja feitos da
melhor maneira possível
O que causa a mediocridade nas crianças

· Uma baixa expectativa.
Seja qual for a tarefa, estabeleça metas que façam com que seu filho se esforce (sem quebrá-
lo) e insista na qualidade. Certifique-se de que eles cumprem prazos sem baixar o padrão.
Ensine o princípio de aprender a ser fiel nas coisas pequenas para que assim possas ser
confiáveis nas coisas maiores. (Mt. 25:14-30)

· Pressão do grupo.
A atitude que vale entre os adolescentes é : "ser parte do grupo não é suficiente". Conheça os
amigos dos seus filhos e encoraje-os constantemente a terem amizades com crianças que
dêem valor aos estudos e à escola.

· Prêmios e motivações inadequadas.
Se seu filho fez um bom trabalho, seja generoso ao premiá-lo. Recompense tudo que
demonstra que ele está indo em direção oposta à mediocridade. Louve suas conquistas e
esforços em todas as áreas de sua vida, não apenas nas notas e atividades esportivas. Exija
cooperação com a limpeza da casa, na administração da mesada, e na forma de se vestir e
falar.

· Apoio inadequado de pessoas chaves.
Você é a pessoa chave para fazer com que seu filho se eleve acima do nível da mediocridade.
Seja o fã número um do seu filho. Solicite ajuda de outras pessoas que porventura façam parte
da vida dele como um professor, um treinador de esporte ou o líder da mocidade da igreja.

Dennis e Barbara Rainey são autores dos livros: The New Building Your Mate's Self-Esteem e Moments Together
for Couples. Dennis é formado pelo Dallas Theological Seminary, co- fundador do ministério Family Life
Ministry. Ele é autor de Staying Close, The Tribute and the Promise e One Home at a Time. É também editor-
chefe de HomeBuilders Couples Series, que tem vendido perto de 1 milhão de cópias. Ele é apresentador do
programa de rádio FamilyLife Today. Bárbara é formada pela University of Arkansas, e trabalha na Campus
Crusade for Chirst a 26 anos. Eles têm seis filhos e moram em Little Rock, Arkansas. Artigo extraído do livro
Parenting Today's Adolescent by Dennis and Barbara Rainey
13



 ENSINE VALORES AOS SEUS FILHOS
 Bobbie Reed

Seus filhos são expostos a diferentes valores. Eles aprendem um enorme código de valores
através da televisão, amigos, escola, e de você. Por isso que o ensino intencional é tão
importante. Você pode premeditadamente concentrar em valores que deseja que seus filhos
venham a aprender.

Um valor é uma crença que, depois de cuidadosa consideração, é selecionada dentre várias
escolhas e é colocada em prática repetida e consistentemente por um período de tempo.
Algumas vezes os valores são identificados por uma simples palavra, como honestidade, ou
descritas por uma característica de personalidade, como fidedigna. Mas o valor básico é
determinado como uma crença:

Os valores nos ajudam a avaliar e a escolher entre as alternativas, e nos ajudam a decidir
como nos comportarmos de uma maneira consistente. Sem uma clara escala de valores,
nossas vidas e nosso comportamento tendem a ser inconsistentes e confusos.

Como compartilhar seu sistema de valores com seus filhos:

 Identifique seus próprios valores.
Antes que você possa ensinar os seus filhos, é absolutamente imprescindível ter clareza sobre
o que você quer que eles aprendam. Faça uma lista das qualidades que você planeja ensinar
os seus filhos. Isto inclui pedir a Deus que lhe dirija e o assista na seleção dos valores corretos.
Uma maneira de descobri-los é perguntando a você mesmo, “quais são os valores que estou
buscando ou como eu gostaria de ser lembrado pelos meus amigos?”.

Diga a seus filhos quais são os seus valores.
Aprenda a colocar clara e concisamente o que você crê e como esses valores influenciam as
decisões na sua vida.

Explique os seus valores.
Dizer para seus filhos serem gentis, amáveis, educados, ou pacientes não lhes dão
informações suficientes sobre o que você espera deles. Ao invés, descreva para seus filhos os
comportamentos que demonstram estas qualidades. Deixe-os sabe que quando eles se
comportam dessa maneira, você fica feliz com a escolha deles.

Seja modelo daquilo que você quer que os seus filhos falem e façam.
Seus filhos observam muitas pessoas (professores, amigos, personagens públicas,
personagens da televisão, vizinhos) que podem ser exemplos que tragam conflitos de valores
no que diz respeito a objetivos, estilo de vida, discurso, moral, trabalho, diversão, vida, e morte.
Verifique qual é o modelo que eles desejam imitar. O seu comportamento consistente fará uma
profunda diferença e fará verdadeiras maravilhas.

· Ensine valores fundamentado em histórias bíblicas.
Primeiro, eles aprenderão mais sobre valores, e segundo, aumentará o conhecimento e
compreensão deles através da Palavra de Deus.

· Aplique os valores nas experiências do dia a dia.
· Mostre aos seus filhos como as escolham revelam os valores.
Exemplo: Uma pessoa que faz algo bom para um estranho demonstra que bondade é um de
seus valores. Encontre formas didáticas de ensinar através de livros, televisão, ou pelo próprio
dia a dia.

· Premie seus filhos quando eles dão um bom testemunho lá fora.
Torne-se um mestre em reconhecer e premiar seus filhos quando eles fizerem o que você os
têm ensinado. Reforço positivo modela de forma eficaz as escolhas das crianças.

· Celebrem como família.
14

Quando seus filhos fizerem algo que prove o quanto eles têm aplicado os valores aprendidos
na família, faça disso um marco. Não lhe dê apenas um prêmio, mas celebre com o mesmo
entusiasmo que você celebraria se ele tivesse ganho o campeonato de futebol da escola.

Dr. Bobbie Reed recebeu seu mestrado em Administração Pública na California State University em 1978. Ela
também é PHD e doutora em ministério. Ela tem dado palestras em conferências para solteiros por todo país.
Seus livros: Single Adult Ministry for Today, How to Enjoy a Healthy Family, Even in Stressful Times, Life After
Divorce, Merging Families e Making the Most of Single Life. Artigo extraído do livro 501 Practical Ways to Teach
Your Children Values by Bobbie Reed.




 COMO AMAR O SEU ADOLESCENTE
 Ross Campbell, M.D.
Criar os seus filhos no anos de adolescência pode ser um desafio e geralmente uma aventura
perigosa. O fundamento segura para um sólido relacionamento com seus adolescentes é o
amor incondicional. Só quando este fundamento é construído você pode ficar seguro sobre a
educação que foi dada. De outra forma educar torna-se algo confuso e bastante frustrante.
Esse amor atua como uma luz que guia, para saber aonde você está com seu filho.

Amor incondicional, para o seu adolescente significa:
• Não importa o que eles pareçam;
• Não importa quaisquer que sejam suas qualidades, responsabilidades e deficiências;
• Não importa como ele age.

Os pais precisam se lembrar de que:
• Adolescentes são crianças;
• Adolescentes geralmente irão agir como adolescentes;
• Muito do comportamento do adolescente é desagradável.

Se você amar o seu adolescente só quando ele lhe agradar (amor condicional) e comunicar o
seu amor apenas nestes momentos, ele/ela não se sentirá genuinamente amado(a). Isso fará
com que ele/ela se sinta inseguro, com sua auto-imagem prejudicada, e de fato o
impossibilitará de desenvolver um comportamento mais maduro.

Se você ama o seu adolescente incondicionalmente, ele/ela se sentirá bem com ele/ela mesmo
(a). Será capaz de controlar sua ansiedade, e por sua vez seu comportamento ao tornar-se um
adulto.

Adolescentes estão sempre perguntando "Você me ama?" Esta pergunta é primariamente feita
através do comportamento, e através de palavras. Sua resposta a esta pergunta é importante.
Se sua resposta for não, seu filho não irá ser e nem irá fazer o seu melhor. Poucos pais
respondem sim porque não sabem como. Adultos falam com palavras, enquanto adolescentes,
como criancinhas pequenas, se expressam através do comportamento e não através das
palavras que são ditas. Você precisa amá-los através do que você faz e não através do que
você diz.

Adolescentes normalmente respondem ao amor, mas eles não tomam a iniciativa. Se for dado
a eles amor, eles correspondem. Se nada lhes é dado, eles também não dão nenhum retorno.

Adolescentes estão sempre voltando atrás. Não importa o quanto eles digam que não gostam
dos pais, eles precisam do seu apoio emocional para ir adiante. Eles precisam
desesperadamente de encher o tanque emocional para obterem a segurança e a autoconfiança
necessária para lidar com a pressão do grupo e outras demandas da sociedade adolescente.
Sem essa confiança, os adolescentes tendem a sucumbir à pressão do grupo dominador de
influência e a seguir experimentam dificuldades para manter os valores éticos saudáveis.

Seu adolescente vai lhe testar. Geralmente isto se dará através do comportamento impróprio
na busca por independência. Não reaja no momento de raiva. Isto não significa aprovar o mau
comportamento. Você precisa expressar os seus sentimentos honestamente, mas de maneira
15

apropriada, sem ira, gritarias, linguagem torpe, atacando a criança verbalmente, ou ficando fora
de si.

1 Ross Campbell, M.D., é professor adjunto de Pediatria e Psiquiatria na University of
Tenessee College of Medicine. Um de seus livros inclui How to Really Love Your Child. Dr.
Campbell e sua esposa, Pat têm quatro filhos adultos. Artigo extraído do livro How to Really
Love Your Teenager by Ross Campbell.



               Família do pastor, ou família de pastores?

 Ariovaldo Ramos

"Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É
necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher,
temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho,
não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe
bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois, se
alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?" I
Timóteo 3:1-5

Até onde posso ver, esse texto apresenta a família como um referendo para quem
almeja o episcopado (supervisão, função de quem é pastor.) Paulo orienta seu
discípulo sobre as bases para a unção do ancião. Em primeiro lugar, deixa claro que
não há nenhum problema em alguém querer a função de bispo (supervisor do
rebanho de Deus). Fiel também é a palavra: se alguém aspira o episcopado,
excelente obra almeja, (v.1) Em segundo lugar, apresenta os pré requisitos que
tornam uma pessoa possível de ser ordenada pastor. E, nestes, encontramos uma
referencia de como cuidar de nossa casa, (v.4).

Uma pessoa, entre outras qualidades, para ser considerada como postulante ao
pastorado, tem de governar bem a sua casa. Seus filhos tem de ser disciplinados e
respeitosos. É essa realidade familiar que atesta se o candidato é ou não um líder.
É algo a ser observado antes da ordenação, (vs.4-5). Essa, penso, é a relação entre
a família do ministro e o seu ministério. A família respalda o seu ministério, porém,
não necessariamente, ministra com ele.

Na história recente da igreja, entretanto, tem sido cobrado que a família do pastor
ministre com ele: os filhos tem que ser lideres exemplares, a esposa, além de
organista, tem de estar liderando as senhoras e o serviço social. Mais que a família
o pastor, tem de ser uma família de pastores.

Curiosamente esse é um fardo que, em geral, só é colocado sobre a família do
pastor. Os demais oficiais da Igreja ficam isentos: a família do presbítero não tem
de exercer presbiterato, a do diácono não tem de exercer o diaconato. Porém, a
família pastoral, pôr meio de, na maioria das vezes, meias palavras, se espera um
exercício de pastorado: - "mas você não é o filho do pastor?"

Essa sobrecarga injusta acaba por gerar, no pastor e na sua família, um estresse
insuportável. O ministério, ao invés de fonte de benção, converte-se em fonte de
neuroses e sofrimento. E fica pior se o pastor adota essa mesma postura,
tornando-se assim, o algoz da própria família.

Para o bem da Igreja, do pastor e de sua família, seria bom se a comunidade
compreendesse que a família do pastor não é co-pastora e tem de ser pastoreada
como qualquer outra. A família concede ou não ao cristão autoridade para postular
16

o ministério. No demais, a família do ministro é apenas mais uma família da
comunidade, que merece ser tratada como qualquer outra, isto é, bem tratada.

Ariovaldo Ramos Missionário da Sepal e pastor da Igreja Reformada Plena de São
Paulo.

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  • 1. 1 PROFISSÃO: BÊNÇÃO OU EMPECILHO? Eunicea Cândido "Meu bem, estou muito cansada, tive um dia cheio de trabalho, acho que não irei ao culto hoje." Quantas esposas de pastor deparam com esta realidade: dividir seu tempo entre família, igreja e profissão? Afinal, a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão, ou deve dedicar-se integralmente ao ministério do marido? Recentemente tive uma experiência bastante interessante, a qual gostaria de partilhar com você: No início do ano, além da escola em que já trabalho, fui convidada para lecionar em outro estabelecimento. O convite era tentador, pois resultaria em aumento significativo no nosso orçamento; entretanto, minha jornada de trabalho também sofreria um aumento considerável. Depois de muita oração e conversa com a família, resolvi aceitar a proposta, tendo em vista que o contrato seria temporário. Durante este período, contudo, comecei a desenvolver algumas atitudes: - Negligência: Creio que todo cristão tem o dever de ser competente naquilo que faz, por isso exigi de mim mesma muito mais dedicação. O trabalho começou a consumir-me de tal forma que passei a negligenciar outras áreas de minha vida: minha família ficou em segundo plano; não tinha mais tempo para minhas filhas, que ficavam sob os cuidados da empregada; meu marido ficou para escanteio, pois mal o via durante o dia e, quando tínhamos momentos livres, estava sempre cansada. Na igreja, nem se fala: os trabalhos da semana foram esquecidos; visitas, reuniões extras, nem pensar... Minhas atividades se resumiam em lecionar na escola dominical. - Esfriamento espiritual: Minha comunhão com Deus começou a tornar-se seca e restrita. Eu estava consciente de tudo isso, lutava para conseguir desvencilhar-me destas coisas, mas era como se eu estivesse amarrada a elas. Graças a Deus, este período passou e pude voltar à minha jornada normal de trabalho. Voltemos à pergunta inicial: a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão? Vejamos algumas considerações: 1- Ela tem um chamado especial. Todos nós recebemos de Deus dons especiais, independentemente de posição, cargo ou parentesco. Estes dons precisam ser colocados em prática de forma fiel e dedicada. A esposa de pastor, assim como todo cristão, tem a responsabilidade de exercê-los de maneira eficiente. Uma observação, porém, faz-se necessária: a igreja deve conscientizar-se de que a esposa de pastor não é uma 'supermulher', e por isso não pode ser cobrada como tal. 2- Ela tem o direito de se realizar. Deus nos fez pessoas individuais, com personalidades e pensamentos diferentes. Há mulheres que se sentem realizadas como mães e esposas, fazem disso sua opção de vida; outras, porém, querem algo mais. Há, então, a necessidade do respeito aos dois pensamentos. O que conta aqui é a realização. Uma mulher frustrada dificilmente será bênção na vida do marido. Abro aqui um parêntese para reflexão: Como estariam algumas viúvas de pastores se não tivessem uma profissão? 3- Ela tem o dever de priorizar sua família. Um bom termômetro para nossos abusos em uma ou outra área é o impacto que estas atividades exercem sobre nossa família. Em tempo algum as atividades da igreja ou as profissionais devem sobrepujar as de mãe e esposa. O grande problema dos pastores e de suas esposas é não criar uma lista de prioridades e ser fiel a ela. Devemos estar atentos às conseqüências dos nossos exageros.
  • 2. 2 4- Equilíbrio: palavra-chave. Ser esposa, mãe, membro de igreja e ainda profissional é uma missão árdua, mas não impossível. Nosso desafio é buscar em Deus a sabedoria para harmonizarmos todas estas áreas, sem sermos negligentes com uma ou outra. Eunicea de Oliveira Souto Cândido, professora, esposa do Pr. Tércio Candido, mãe de Débora e Sarah O CANSAÇO MINISTERIAL DA FAMÍLIA PASTORAL? Por Valter Moura Um dos obstáculos mais complicados a ser encarado pela família pastoral está relacionado com o cansaço ministerial. Pastores e pastoras, suas esposas, seus esposos e filhos tem se deparado com este fato, que ao meu ver, é inevitável dentro do círculo ministerial. Em alguns casos, este cansaço parece fatal, causando a desmotivação e o desligamento do próprio pastor do seu ministério, enquanto que em outras situações, permanece o pastor no ministério, sem, no entanto, a sua família. Ao longo dos meus quinze anos de ministério já dividi com a minha família estes momentos. O problema não estava em mim, ou em minha esposa ou nos meus filhos. Quantas foram as vezes em que carregamos a culpa diante daqueles momentos, pensando que estávamos sendo vítimas de "fraqueza espiritual". Contudo, no decorrer destes anos tenho percebido que centenas de colegas de ministério compartilham comigo do mesmo fato. Recordo-me do dia em que tive a oportunidade de visitar um colega cujo trabalho estava marcado pelos sinais de um ministério de êxito. Sua igreja estava cheia, havia ministérios muito bem organizados e liderados por uma equipe bastante competente. A igreja mantinha um notável ministério de engajamento social na cidade e, apesar de tudo, o meu colega confidenciou, "Eu e minha esposa estamos cansados de tudo isso." Perguntas inevitáveis me vieram à mente e eu e minha esposa temos ainda tentado respondê-las. Perguntas que você e sua família estão certamente fazendo. No que consiste este cansaço ministerial? Quais os fatores causadores deste esgotamento ministerial na família pastoral? Quais são as possíveis conseqüências e como lutar contra elas? Ao meu ver, poderíamos definir cansaço ministerial como sendo um esgotamento, um estado de fadiga e desmotivação para com uma causa para a qual você entregou a sua vida, seus talentos e seu tempo. A expressão chave nesta definição é desmotivação para com uma causa. A verdade mais óbvia em relação à desmotivação é que ela acontece em circunstâncias em que os resultados finais não justificam o empenho da dedicação. Ouvi de um pastor amigo que vivia um situação de cansaço ministerial, pastoreando uma igreja média, a seguinte palavra: "Valter, não estou cansado de Deus e nem da vocação, mas da igreja." Cada vez mais ouço dizer do cansaço dos heróis da igreja evangélica brasileira. Culpá-los? Dizer que estão fraquejando? Não, eu não creio que esta seja uma avaliação justa. Eles e suas famílias estão simplesmente cansados e, talvez, cansados do que viram e do que sofreram em função das cargas desnecessárias que lhes impuseram. O quadro até aqui exposto, nos conduz a adentrar na área dos fatores causadores deste esgotamento ministerial que apesar de possuirem fatores internos ligado à própria família do pastor, também tem a ver com os fatores externos causados pelo ambiente de trabalho. Portanto, as causas deste cansaço ministerial são: 1. O confronto com os poderes de uma estrutura arcaica. É crescente o número de pastores que pertencem à uma geração de leitura bíblico- teológica contemporânea mas que ministram em igrejas calcificadas e desbotadas pela desatualização. É inevitável o choque, a tensão e consequentemente o cansaço. Pessoalmente, creio que mudanças podem acontecer em estruturas assim, mas o preço para o líder é alto e precisamos estar conscientes de que o desgaste da família pastoral é algo muito provável. Somente na física é que forças opostas se atraem. Na vivência teológica, os atritos decorrentes do gerenciamento de forças (visão de mundo, mentalidade, concepção de vida) opostas é altamente desgastante e cansativo. A consciência deste fato ajuda a discernir e interpretar as nossas reações e nortear as nossas opções de futuro ministerial.
  • 3. 3 2. A pressão que as pessoas colocam sobre a família pastoral em termos de jogar sobre ela uma responsabilidade do tipo "dois pesos e duas medidas". O que queremos dizer com isto é que, em vários níveis as pessoas da igreja estabelecem regras para a família pastoral que não estabelecem para si mesmas. É muito provável que alguém julgará com critérios diferentes a ausência do filho do pastor que resolveu ir à uma outra atividade ao invés de estar presente na reunião dos jovens no sábado à noite. O mesmo não aconteceria com qualquer outro jovem da igreja. Nestes anos de ministério, temos observado as pessoas com as posturas mais contraditórias possíveis. Lembro-me de um dia em que eu e minha família não pudemos estar presente no aniversário de uma determinada pessoa que era membro da igreja. A comemoração deste aniversário entrou em choque com uma programação já marcada antecipadamente. Alguém muito próximo a este aniversariante fez severas críticas a mim e à minha família, dizendo que fomos omissos como líderes da igreja. Dois meses depois, este aniversariante seria responsável por liderar uma determinada programação na igreja. No dia, eu e a minha família estávamos presentes e a pessoa que havia feito o comentário, cobrando de nós uma postura em relação àquela pessoa que dizia ser seu grande amigo, desta vez não estava presente para prestigiá-lo, considerando que seria a primeira experiência de seu "amigo" à frente de um trabalho na igreja. Razão: foi passear. Eu e minha esposa comentamos um com o outro o fato e, humanamente falando, pela primeira vez percebemos como isto era desumano. Eu não tenho dúvidas que alguém possa afirmar que isto seja uma tremenda tolice. Caro leitor, eu queria dizer a você que uma gigantesca somatória de exemplos simples como este perfazem um grande total na vida da família pastoral. Meu filho mais velho, 11 anos, perguntou há poucos dias para mim por que é que as pessoas exigiam de nós algo que eles não exigiam de si mesmos. Ele demonstrou cansaço deste sistema de "fazer religião". Como a minha família, outras famílias de pastor e pastoras tem dado respostas diferentes a este tipo de estímulo. Uns, inclusive respondem mais radicalmente (filhos envolvidos com drogas, revoltados com crentes, desinteressados da igreja, etc). Sabe, é muito simples dizer que o pastor ou pastora não souberam administrar a sua casa. Esta idéia é, no mínimo, uma tentativa de não assumir a responsabilidade de que a igreja, em alguns casos, é o agente de tensão na família pastoral. Particularmente, não espero dos meus filhos nada além de um comportamento cristão e humano; não os oriento para corresponderem às expectativas das demandas culturais da igreja evangélica, mas para que correspondam ao princípio de estarem convertidos para o Senhor e o compromisso do testemunho cristão. Finalmente, não os sobrecarrego com a minha agenda pastoral. Uma outra causa refere-se à idéia presente de que pastor não pode ter amigos. Infelizmente, tenho de admitir que há pastores que assim também pensam. Ouvi de uma pessoa que falava em seu estudo sobre as características da igreja evangélica brasileira, que há lideranças de igrejas que fazem questão de mudar os seus pastores freqüentemente na tentativa de impedir que estes criem laços de amizades dentro das comunidades que pastoreiam. Ironicamente, é também intrigante notar que aqueles que no seio da comunidade se levantam para fazerem suas observações sobre as "preferências" do pastor nas amizades pessoais, são exatamente as mesmas pessoas que desejariam estar próximas para manipular esta amizade em algum tipo de benefício pessoal. É algo meio semelhante ao poder de influência que o Paulo César Farias tinha no governo Collor. Guardando as devidas proporções, observamos que este tipo de influência não está reservada apenas ao meio político. Quando olhamos para a vida de Jesus, o pastor por excelência, observamos que um dos fatos marcantes de seu ministério foram os relacionamentos que Ele construiu sobre o amor e a afetividade. Aliás, a própria doutrina da Trindade caracteriza esta dimensão de relacionamento, testemunhando que as três pessoas, Deu-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito se interagem sob a dimensão da amizade. Jesus chamou aos seus discípulos de amigos. Preferiu esta palavra ao invés da palavra servos por considerar que amigo se tornou palavra-símbolo, sacramento, do novo relacionamento a partir da história da redenção. Como sacramento, a palavra amigo evoca saudades, vontade de rever novamente, compromisso de cuidar. Idéias e sentimentos que a palavra servo jamais evocaria. Não há dúvidas que este modelo precisa ser considerado por pastores, líderes e membros de igrejas. No caso dos pastores, a atitude mais coerente a ser tomada seria considerar de foro íntimo as suas opções no que diz respeito às amizades.
  • 4. 4 Acima de tudo, trata-se de uma questão de privacidade manter os amigos que tem e escolher os que quer. Além disso, é salutar e humano que estes relacionamentos amigos prezem por uma pauta de assuntos e programas para além daqueles próprios da igreja, o que funciona como um exercício de prevenção para este cansaço ministerial. Tenha sua roda de amigos como companheiros do peito, reservando à amizade o prazer de estar numa mesa ou saindo juntos apenas para desfrutar do prazer de estar junto com alguém com quem se simpatiza. Esta tem sido uma prática que tem contribuído para a saúde da alma da nossa própria família. É óbvio que estas causas acabam por refletir de alguma maneira na vida da família pastoral e o sentimento de solidão é uma das conseqüências. É irônico afirmar que a família que possui o privilégio de se relacionar com o maior número possível de pessoas dentro de uma específica comunidade de fé, também possa viver a realidade de se sentir só. Não diríamos que trata-se apenas de um sentimento de solidão, mas a verdade é que a família do pastor vive também a realidade de estar só. Parte desta realidade decorre da dificuldade que o pastor e sua família tem em compartilhar com as pessoas suas própria pressões. Do fator solidão se depreende a questão da confiança. Para falar mais claramente, o fato é que há uma crise tremenda de confiança por parte da família pastoral. Mais do que céticos, o pastor, a pastora e sua família acabam por iniciar um processo de isolamento, "santo sarcasmo" e "imaculada ironia" no que diz respeito à confiança nas pessoas. São tantos os golpes, decepções e desencontros que é praticamente impossível não se iniciar um mecanismo de "feedback"(reação, retorno) positivo, ou seja, confiança quebrada alimenta o sistema gerando desconfiança velada. A pergunta que fica é: quem no meio eclesiástico há de cuidar da família pastoral? Não são muitas as opções para quem necessita total segurança em sua confidência. Nesta questão, não se trata apenas do pastor ou da pastora, mas também de sua esposa, seu esposo e filhos. Você já imaginou o desastre que seria se um deles resolvesse abrir a alma escolhendo a pessoa errada? Deixaríamos uma lacuna neste artigo se não considerássemos, por fim, algumas idéias para lutar contra este cansaço ministerial. 1. É de fundamental importância ter a consciência de que as demandas das pessoas e do seu ambiente de trabalho nada tem a ver com a vocação pastoral. Isso é "mania" de um sistema eclesial doentio e desvirtuado. Particularmente, já não dou mais atenção ao chavão de alguns "conselheiros", "é meu irmão isso faz parte da vocação". 2. É preciso constatar a necessidade de uma eclesiologia que trate das responsabilidades da igreja para com os seus líderes. O que se constata é que na relação família pastoral e igreja as responsabilidades tem sido abordadas apenas numa via de mão única. Fala-se muito da responsabilidade do líder para com a igreja e quase nada da responsabilidade da igreja para com o pastor e sua família e a sobrevivência da vocação. Não estamos desconsiderando aqui a crise de integridade pastoral; no entanto, é tempo de alertar que há um outro aspecto da questão, ou seja, o fato de que a família pastoral também precisa ser honrada e cuidada. Sem dúvida alguma, felizes são aqueles pastores, pastoras e respectivas famílias que são muito bem cuidados por algumas igrejas. Mas triste e aflito são os pastores, as pastoras com um coração cheio da graça de Deus e que apesar disso não são honrados pelo "povo de Deus." Por fim, há duas atitudes que o pastor e sua família podem tomar. 1. Crie a sua própria privacidade. Cada família deve procurar estabelecer isto de acordo com a sua própria realidade. Evite que a agenda da igreja interfira na liberdade de escolha de sua família. 2. Se você e sua família está em crise, admita a necessidade de um acompanhamento. Procure alguém de confiança com quem você pudesse ser confidente. Ou quem sabe, você pode encontrar um ministério, como a MAPEL, que tem como um dos seus propósitos o de encorajar a família pastoral. O Pr. Valter Moura é pastor presbiteriano há 15 anos. Ligado à Presbyterian Church in America, trabalha num projeto de plantação de igreja em Danbury, CT, Estados Unidos. É casado com Leides e tem três filhos, Filipe, Bruno e Guilherme).
  • 5. 5 DUETO DEVOCIONAL Por Bob e Charlotte Mize Uma das áreas mais deficientes de um casal que, de alguma maneira, está envolvido no ministério, seja em uma igreja local ou em um campo missionário, pode ser aquela em que ele precisava ser mais eficiente: leitura bíblica, oração e louvor no ambiente doméstico. O pastor, pastora, missionário, missionaria ou líder são aqueles que estão quase todo tempo pregando e falando sobre devoção a Deus. Fala-se, ensina-se, estimula-se a leitura da Bíblia e oração, mas, as vezes, dentro do próprio lar, estas são realidades bem ausentes. Assim, a começar pelo casal, toda família pastoral se iguala a tantas outras que somente conhecem o que é devocionalidade quando vão a igreja. Quando o culto acaba, a bíblia se fecha e somente será aberta no próximo dia de culto comunitário. Ao canto e pronunciamento do ultimo amém, os lábios se fecham e somente vão se abrir em oração na próxima reunião da igreja. Nós mesmos vivemos esta realidade em nosso ministério, sofrendo com a nossa própria indisciplina na devocionalidade. Mas, pela graça de Deus, descobrimos o caminho de uma vida devocional a duas vozes, um dueto harmônico em busca da presença de Deus. Devocional a duas vozes: o caminho da mudança Desde que nos casamos, ha 34 anos, queríamos ler a Biblia e orar regularmente juntos. No entanto, durante 15 anos, por mais que tentássemos, não conseguíamos nos firmar neste habito. Mas nossa vida mudou a partir de um verão em que Charlotte deu aulas numa universidade evangélica. Uma das ementas de sua matéria era "Como unir a família através da Escola Dominical". Enquanto ela ensinava, se deu conta da ironia do fato de que os cinco membros de nossa família estavam em quatro estados diferentes dos Estados Unidos. Bob, que na época trabalhava numa igreja grande, estava freqüentando um congresso fora do estado; nosso filho mais velho estava numa viagem missionaria; e os dois filhos mais novos estavam acampados. Nossa família estava dividida por estarmos envolvidos em diferentes ministérios. Concluímos então que, como pais, passar tempo com o Senhor era uma necessidade absoluta. Dar inicio a esta pratica foi semelhante a de um pássaro tentando chocar. Eventualmente obtivemos sucesso exercendo esse habito, ao que demos o nome de nossa "devocional a duas vozes." Desde que o estabelecemos como parte de nossas vidas, temos sido recompensados maravilhosamente. As fascinantes conseqüências Se você, em meio a rotina de trabalho pastoral intensa na qual esta envolvido(a), criar um oásis de devoção com seu cônjuge, imediatamente vera brotar em sua vida fascinantes conseqüências: 1. Haverá tempo para se ficar junto, mesmo quando não se pensa ter tempo. Uma agenda cheia normalmente acompanha a vida pastoral e missionaria, e isso separa os casais. Decidimos certa vez registrar os compromissos de Bob durante algumas semanas, e descobri que ele passava uma media de 85 horas semanais em trabalhos do seu ministério. Em uma igreja a que servimos, (Charlotte dava aulas 6 vezes por semana, para cinco grupos etários diferentes. Sem uma hora devocional diária, não era possível nem ao menos nos vermos em certos dias, a não ser para nos cumprimentarmos ligeiramente. O nosso momento devocional nos força a estarmos juntos e compartilharmos diariamente de pelo menos 15 ou 20 minutos. 2. Haverá uma oportunidade para Deus falar. Muitas impressões mundanas e pecaminosas bombardeiam as nossas mentes diariamente. Sem uma hora específica e um lugar reservado para podermos escutar a Deus, poderemos deixar de ouvi-lo. Por isso, a nossa hora devocional é uma abertura durante o dia para Ele nos orientar e dirigir em nosso casamento e ministério.
  • 6. 6 3. Haverá real possibilidade de provar intimidade num nível mais profundo. Intimidade conjugal é muito mais que relacionamento sexual, significa se colocar diante de Deus como uma só carne, e não apenas como indivíduos, crescendo assim juntos em nossa caminhada com Ele. O nosso momento devocional em dueto nos fornece uma oportunidade para conseguirmos fazer isso. Esta intimidade também nos ajuda no sentido de nos proteger contra tentações, e mesmo de sermos infiéis a Deus, e um ao outro. 4. Haverá um exemplo inapagável para nossos filhos. Nossos três filhos aprenderam a respeito da importância de um momento devocional regular, onde se pode compartilhar. Agora eles também praticam seus momentos devocionais em harmonia a duas vozes. Seis passos para que o momento devocional dê resultado: Sabemos que este costume, de separar uma hora devocional tranqüila, e difícil de se começar ou de se manter, e é fácil de se deixar de faze-lo por qualquer razão. Entretanto, tal investimento produz grandes dividendos. As seguintes sugestões podem ajuda-los a dar inicio e a manter a disciplina de um momento devocional: 1. Façam um pacto, um com o outro, e com Deus. Uma coisa tão importante como esta não pode ser tratada levianamente. Nós mesmos fizemos uma cerimonia na qual admitimos a nossa necessidade de ter um momento devocional juntos. Afirmamos a nossa decisão e verbalmente prometemos um ao outro diante de Deus que iríamos considerar esta dimensão devocional como uma "prioridade sagrada." 2. Mantenham o horário. Para garantir a regularidade, nossa opção foi a de escolher um horário matinal bem cedo. Geralmente começamos o devocional entre 5:30 e 6:00 horas. Deste modo podemos ter um bom inicio de dia, que certamente será cheio de atividades. Obviamente, este nosso devocional, nas primeiras horas do dia, ajudaram tremendamente a nossos filhos, que participavam conosco quando estavam em casa. Se tivermos alguma reunião fora de casa, na hora do café da manha, então nos reunimos mais tarde, durante o dia. Mesmo quando estamos separados, combinamos uma maneira de nos reunirmos. Certa vez Bob teve quc ficar longe de casa durante 5 dias por semana, por sete meses. Neste período, líamos a porção diária da Bíblia separadamente. Depois conversávamos brevemente e orávamos ao telefone. 3. Estabeleçam um lugar. Um lugar específico pode se transformar num local especial. O nosso "altar" é a cama, onde nos encostamos na intimidade dos nossos travesseiros. É um lugar confortável , com boa luz para a leitura e xícaras de café ao lado. 4. Combinem a respeito de conteúdo e abordagem. Leitura bíblica e oração devem ser os ingredientes principais, mas é necessário responder a diversas perguntas ao iniciar esta atividade: o que vai ser lido, e quanto? Se a leitura vai ser em voz alta, e quem vai faze-la? Se usaremos um guia devocional, como será escolhido? Diversas vezes lemos a Bíblia inteira durante o ano. Cada um de nós o faz silenciosamente, e a seguir discutimos como aplicar o que aprendemos em nossas vidas. Depois oramos. Durante o nosso tempo de oração, compartilhamos pedidos, tanto para nós mesmos, como para outros. Usamos uma lista de oração para verificar como Deus as responde. Nós dois oramos em voz alta. Algumas famílias acham que o homem deve dirigir a oração, enquanto a esposa permanece em silencio. Mas nós acreditamos que o marido deve ouvir sua esposa orar, para conhecer melhor o intimo dela. Como pastor, sinto que tenho uma necessidade especial: de que minha esposa ore por mim, porque ela é o meu maior apoio. 5. Sejam flexíveis. Certa ocasião, em um dezembro qualquer, enquanto fazíamos nosso planejamento devocional para o ano seguinte, sentimos a necessidade de ler mais lentamente, em vez de correr para terminar a leitura da Bíblia no fim do ano. Passamos os doze meses seguintes lendo o livro dos Salmos e os Evangelhos. Talvez lendo menos, mas debatendo mais.
  • 7. 7 Procuramos sempre maneiras novas para sair da rotina. As vezes, usamos versões diferentes, ou suplementamos as nossas leituras bíblicas com materiais devocionais escritos por santos do passado ou do presente. 6. Sejam honestos. É preciso muito esforço e coragem para confessar uns aos outros as nossas fraquezas, pecados e lutas intimas. E é mais difícil ainda pedir perdão a Deus na presença um do outro. Não é fácil admitir que lutamos para entender certas passagens, ou admitir como elas nos atingem pessoalmente. Mas tal honestidade nos aproxima mais ainda um do outro e de Deus. O casamento de pastores parece que está em grande crise. Certa vez Bob começou a enumerar os pastores do seu relacionamento que estavam enfrentando sérios problemas conjugais. Ele desistiu de contar depois que enumerou 28! Temos certeza de que a nossa devocional a duas vozes nos tem ajudado a evitar inúmeros problemas. Este costume tem sido a pedra fundamental do nosso casamento e trabalho, e nos assegura de que ministramos um ao outro, e não somente à congregação que pastoreamos. Bob e Charlotte Mize vivem em Colorado Springs, onde Bob é pastor associado na Sunnyside Christian Church. Eles tem três filhos adultos e quatro netos. COMO VIVER ABUNDANTEMENTE QUANDO OS RECURSOS SÃO POUCOS Por Craig Brian Larson Por mais que tenha tentado ignorar o dinheiro, vejo que ele influencia todas as coisas. Quando tenho o suficiente, minha vida parece um dia fresco de outono, cheio de sol. Quando tenho falta, sinto-me como se estivesse sendo atingido violentamente por uma frente fria vinda da baía do Hudson, no Canadá. Minhas finanças pessoais têm sido difíceis e, às vezes, têm até me desesperado durante a maior parte dos meus 22 anos de ministério. Durante o meu primeiro ano como pastor de uma igreja em Chicago, minha renda anual era de aproximadamente US$14,000.00. Durante os oito anos seguintes, a igreja aumentou gradativamente o meu salário. Quando saí de lá, estava por volta de US$25,000.00. Durante todo esse tempo minha esposa não trabalhava. Nossas posses refletiam a nossa situação. Em Chicago, dirigíamos um Chevy Malibu 1974, todo enferrujado. A borracha que veda as portas havia se deteriorado e, quando chovia, grande volume de água se acumulava no piso traseiro do carro. Eu tive de encher de jornais o lugar do pneu estepe, no porta-malas, por ele estar todo comido pela ferrugem, para assim evitar a entrada de sujeira e água. Morávamos num apartamento de dois quartos no segundo andar. Quando o vento do sul soprava, a fumaça química de uma fábrica da redondeza era quase insuportável. As janelas do prédio antigo trepidavam soltas com as brisas do inverno, e as correntes de ar eram terríveis. Tornei-me um perito em apanhar ratos (para isca deve-se usar pasta de amendoim, e não queijo), acrescentando às minhas múltiplas tarefas pastorais, a de um armador de ratoeiras. Sentia-me completamente amarrado pela nossa penúria. Nunca pudemos ter poupança e nada podíamos fazer para dar conta dos pagamentos trimestrais do imposto de renda. Quando nos mudamos para Arlington Heights, um subúrbio a oeste de Chicago, recebia mais ou menos o mesmo salário anterior, mas agora vivíamos em uma região de custo de vida mais elevado. Certa vez, depois da nossa reunião de negócios na igreja - na qual as despesas, inclusive o meu salário, foram apresentadas -, um membro da igreja me disse: "Eu não sabia que era possível viver nesta região da cidade com menos de US$30,000.00 anuais. Como é que você consegue?" Não muito bem. Nada fez o ministério mais difícil para mim do que a pressão financeira. Nada contribuiu tanto para que eu sentisse que não mais podia continuar. Lembro-me que diversas vezes me desesperei e, apesar do meu amor pelo ministério pastoral, estava pronto a fazer qualquer outro tipo de trabalho por algum tempo, somente para poder pagar minhas contas e ficar livre da pressão. Uma vez, contra minhas próprias convicções, até a idéia de comprar um bilhete de
  • 8. 8 loteria me passou pela cabeça. Mas, como consigo verificar, minhas dificuldades financeiras não foram primariamente decorrentes de um salário 'magro'. Em vez disso, eu mesmo sou o culpado pelos meus 'invernos' financeiros. Eles vêm de duas fontes: minhas fraquezas e minhas convicções pessoais. Um fanático contra o controle Fizemos algumas coisas certas com o nosso dinheiro. Temos contribuído bastante e, de modo geral, temos evitado dívidas. Aprendi essas duas virtudes na igreja em que cresci. Meu pastor dava de forma altruísta, e ele nos ensinava a dar do mesmo modo. Mas a igreja também construiu um novo prédio que foi muito além do orçamento e, por mais de uma década, a dívida resultante era um furo galáctico que consumia tempo, atenção, energia, os pastores, dinheiro - praticamente tudo. Essa experiência definiu a minha atitude com relação à dívida. Mesmo em horas de sérias necessidades, minha família e eu, normalmente, passamos sem esses gastos, ao invés de colocá-los num cartão de crédito; e isto tem sido a nossa salvação. Minha fraqueza, no entanto, é a falha de não fazer um orçamento prévio. Por diversas vezes tentei fazer um plano de orçamento, mas sempre acabava se reduzindo em apenas anotar as despesas. Por 22 anos seguimos o método de orçamento de dinheiro vivo, isto é: compramos somente o que é necessário, e quando acaba o dinheiro, deixamos de comprar. Esse método tem uma grande falha. Ele não nos prepara para as grandes despesas, sejam emergências ou não. Conseqüentemente, temos um guarda-roupa pobre, nenhuma poupança, nenhuma propriedade, um carro de 13 anos e um monte de aparelhos domésticos velhos (consertei a nossa máquina de lavar pratos portátil, que compramos após um ano de casados, tantas vezes que parece que ela foi atirada do topo de uma montanha para baixo). Emergências têm sido exatamente isso. Por muito tempo, justifiquei-me dizendo que não tinha um orçamento, porque realmente não tínhamos fundos para fazer qualquer escolha. Cada gasto era uma necessidade, não apenas uma vontade. Mas ao aumentar um pouquinho a nossa renda através dos anos, nem assim conseguíamos desenvolver um orçamento. A causa deveria estar em outro lugar. A verdadeira razão estava em meu desinteresse por organizar e controlar pessoas ou coisas. O fato de eu ter de administrar, impede-me de fazer aquilo que eu gosto. Sou uma pessoa que gosta de idéias e de palavras. Sou mais um pensador do que uma pessoa que realiza algo. Constantemente analiso as coisas, questiono, leio, explico ou tento entender. Portanto, gosto de organizar idéias, mas não coisas, como dinheiro ou meus arquivos. Além disso, gosto de buscar a presença do Senhor, na disciplina espiritual. Tenho de me esforçar para concluir o meu tempo de leitura bíblica e oração. Aos poucos tenho aprendido a administrar e organizar, motivado pela necessidade e pelo desejo de ser um mordomo fiel, mas geralmente faço o mínimo possível. Dois mitos financeiros Quando eu era adolescente, tinha de caminhar quase um quilômetro para a escola. Durante o inverno isso fazia com que as minhas mãos ficassem rachadas e sangrassem. Minha mãe implorava para que eu usasse uma loção especial para proteger as mãos, mas, apesar da dor, eu não fazia caso do seu pedido e não cuidava das mãos. Afinal, dentro de poucos meses viria a primavera e as mãos sarariam. Durante os meus primeiros cinco anos no ministério agi da mesma maneira infantil com relação às minhas finanças pessoais. Eu simplesmente ignorava as dores financeiras e o sangramento e mantinha os meus olhos no ministério. Dois mitos me encorajavam a agir assim: 1) Não dá para viver com a renda que temos. Talvez este tenha sido o mito mais destrutivo, porque ele me convencia a não ter mais a esperança de gradualmente poder me fortalecer financeiramente através de princípios econômicos sadios. Em vez disso, colocava toda a minha
  • 9. 9 esperança no fato de que Deus, miraculosamente, iria mudar as circunstâncias da noite para o dia. Naturalmente, Deus pode fazer isso, mas normalmente Ele tem uma outra agenda. Ele quer me moldar por meio da luta, para que eu possa desenvolver virtudes como autocontrole, sabedoria, planejamento. 2) Pastores são mal pagos. Isto, naturalmente, depende da 'régua' com que estou medindo. Posso usar um padrão humano e dizer que pastores deveriam ganhar o que as pessoas da classe média ganham, mas onde é que encontraria apoio bíblico para isso? Além do mais, pesquisas recentes mostram que há uma tendência de se pagar melhor aos pastores. O mito de que todos os pastores são mal pagos só me fazia ter pena de mim mesmo, e ficar, de vez em quando, amargurado com a igreja, e talvez até com o Senhor. Em vez de me esforçar para viver de maneira decente com o salário que tínhamos, talvez eu quisesse sofrer para que os pudesse ferir. O martírio pode ser uma grande vingança. Finalmente concluí que, mesmo que minha boa administração pessoal financeira me afastasse das coisas que eu considerava mais espirituais, Deus provavelmente queria que eu as fizesse. Apesar de termos dado o nosso dízimo fielmente, Ele não nos mandou um 'dilúvio' de dinheiro para acabar com os nossos problemas. Tivemos de aprender como administrar as coisas. Deus pode prover de maneiras extraordinárias, às vezes, mas geralmente, Ele quer que eu use a minha sabedoria e meu trabalho árduo. Essa lição foi reforçada pelo que li em Gênesis 39 a respeito de José, a quem Deus abençoou de modo especial: ele era um administrador muito eficiente. Deus abençoou tudo que José tocava, direta ou indiretamente. Como Jesus ensinou, quem é fiel no pouco será fiel no muito. Parece que Deus faz objeção de se querer encher de água um balde furado. Eu li algo que diz que devemos nos concentrar em nossos pontos fortes. Se colocamos muita ênfase em nossas fraquezas, assim parece a lógica, os nossos pontos fortes simplesmente se definham. Isto me consola, mas talvez tenha ido longe demais. Isto corre o risco de me levar finalmente ao ponto de me recusar de crescer no Senhor. Mesmo que eu desfralde uma grande vela ao vento, se a estrutura do barco tiver um furo, o barco irá a pique. Se eu não tenho pessoas ao meu redor a quem possa delegar as coisas que não sei fazer bem, eu preciso ter um mínimo de competência em minhas fraquezas para aproveitar ao máximo os meus pontos fortes. Portanto, a maneira como administro o meu dinheiro é espiritual. Administração de dinheiro pode nos conduzir ao crescimento espiritual. Deus quer que nos envolvamos. Guiado por convicções Juntamente com as minhas fraquezas, diversas convicções-chaves têm dirigido os meus hábitos financeiros. Algumas delas mantive simplisticamente; tive de defasá-las porque me faziam racionalizar minhas fraquezas. Outras eram boas, mas não podia prever suas repercussões no mundo real. Minha esposa não deveria trabalhar fora do lar. Nancy gerou nossos quatro filhos num período de 13 anos, e nós queríamos que ela cuidasse deles. A princípio, esta era a nossa convicção, baseada nas Escrituras; mas isto, depois, tornou-se simplesmente a nossa preferência. Em uma economia estruturada para famílias com dupla renda, nossa escolha, obviamente, nos deu menor margem para tal padrão. Gostaria de dizer que Deus recompensará os pais quando a mãe estiver em casa e que a família vai ter o suficiente como se ela trabalhasse fora, mas esta não tem sido a nossa experiência. Quando o nosso caçula entrou na escola anos atrás, Nancy começou a trabalhar parte do tempo, e isso nos ajudou de modo significativo. Com certeza, nossos filhos foram favorecidos por esta decisão de Nancy ficar em casa e eu me alegro por sua atitude. O que eu deveria saber, entretanto, é a mensagem repetida nas Escrituras de que freqüentemente as convicções nos acarretam sacrifícios. O dinheiro nunca deveria determinar onde exercer o meu ministério. Eu desejo responder ao chamado de Deus, não importa o tamanho da igreja e o salário. Ministério não é como uma
  • 10. 10 escada em cuja carreira os cheques aumentam progressivamente. Esta perspectiva, entretanto, pode ter me impedido de comunicar aos líderes da minha igreja, responsáveis pelas decisões salariais, as minhas verdadeiras necessidades. Com o passar dos anos aprendi, o que espero, a buscar um equilíbrio entre fé e realidade. Eu preciso estar disposto a ter fé, quando necessário, mas também preciso comunicar minhas necessidades e, a seguir, em oração, deixar a decisão com o Senhor e na mãos dos responsáveis. Quando eu discutia com os líderes de uma igreja sobre a possibilidade de aceitar um convite para pastorear, por exemplo, sentia fortemente que Deus havia me dirigido para aquele lugar. Apesar disso, eu estava decidido a deixar claro para os líderes as minhas necessidades, não apenas para sobreviver, mas para viver de modo que a minha família sofresse apenas as pressões financeiras normais. Para mim, o montante total do salário podia parecer exorbitante, mas sentia que era exatamente isso o que deveria fazer. Como resultado, meu pedido salarial excedia em cerca de 50% ao que os líderes planejavam pagar, mas, sem piscar, aceitavam minhas exigências, e sem discutir. Se eu tivesse pedido menos, teria recebido menos e agora estaria vivendo com todas as desagradáveis conseqüências... Se eu buscar o reino de Deus e a Sua justiça, não terei de me preocupar com dinheiro. Isto, naturalmente, não é exatamente o que Jesus disse. Ele nunca sugere que eu seja um recebedor passivo no processo da provisão de Deus. Pelo contrário, as Escrituras mostram que Deus normalmente me usa nesse processo, e isto significa que eu deva levar muito a sério a questão de dinheiro. Algumas vezes esta questão me envolveu em decisões que pareciam auto-ajuda. Em nossa primeira igreja em Chicago, depois de uma oferta muito baixa, eventualmente eu tinha de optar entre a igreja pagar o meu salário ou pagar as contas de luz, gás e telefone. Eu tinha ouvido outros pastores comentarem que é melhor pagar as contas da igreja primeiro. Depois de tentar isto, finalmente verifiquei que em nada ajudou à igreja. O que consegui com esta atitude, foi afligir a mim e a minha família com essas pressões financeiras, o que nos levou, com o passar do tempo, a precisar procurar outro campo. A igreja tem de se responsabilizar em pagar ao seu obreiro o seu salário devido. Então, depois desta experiência, fiz exatamente isto, e as contas da igreja, de uma maneira ou outra, eram também sempre pagas. Enquanto fazia-me de alvo para os problemas da igreja, eu mesmo interceptava e não recebia as promessas de Deus. Dinheiro é um material perigoso. Muitas vezes o Novo Testamento nos adverte sobre os perigos do amor ao dinheiro. Por esta razão, além de pagar minhas contas, nunca tive o desejo de ajuntar dinheiro. Mesmo assim, no fundo do meu coração, creio que outros motivos contribuíram para isso. Jamais comprei uma casa e, no momento, alugo uma casa de três dormitórios, apesar de tê-la podido comprar, se realmente o quiséssemos. A verdade é que eu me sinto mais espiritual quando estou relativamente 'pobre', mas isto é uma distorção em minha espiritualidade. Não estarei eu tentando impressionar a Deus ou ganhar o seu favor passando necessidade? Em meu ministério eu preciso estar disposto a sofrer por Cristo. Nem sempre aprecio isto. Contudo, de modo geral, tenho suportado as dificuldades estoicamente, e tenho me sentido honrado ao passar necessidades pelo amor a Cristo. Mas isto me deixou cego com relação ao que as dificuldades fizeram para a minha família. Eu achava que eles deveriam estar tão felizes quanto eu, ao sofrer por Cristo. Mas nós estávamos em uma situação que eu havia escolhido, e não eles. Para a pessoa que escolhe é muito mais fácil do que para aqueles que são forçados a aceitar uma situação. Tive de dar muitas "cabeçadas" para que aprendesse isso. Certa ocasião, meu filho adolescente e eu começamos a discutir calorosamente, algo bastante incomum para nós, e então no calor da discussão ele me disse: "Que tipo de homem é você, que nem pode prover uma vida financeira para sua família?" Isto me alertou bastante. Embora o resto do mundo julgue um homem pela quantia de dinheiro que ele pode produzir, em minha simplicidade, nunca me ocorreu que alguém em minha própria família também fizesse esse juízo.
  • 11. 11 Apesar de tudo, dinheiro não era realmente o problema, porque a escassez por si mesma não causa amargura. Eu simplesmente não me esforcei para tornar as coisas divertidas como poderia ter feito, para compensar pelas dificuldades. Eu poderia ter levado a família para passear no parque e poderia ter passado mais tempo com ela do que passei. Mas eu me focalizava na igreja, amava o meu trabalho e estava contente. Divertimento nunca foi uma das minhas prioridades. Além disso, creio que sou culpado de ter falado freqüentemente a respeito da nossa pobreza, usando isso para dizer que não tinha dinheiro e, assim, poder dizer não para alguma coisa que os filhos quisessem. Coragem para alcançar a terra prometida Cometi muitos erros, dos quais ainda terei de enfrentar as conseqüências por algum tempo. Mas apesar disso, Deus tem mostrado a Sua graça em nossas finanças. Ele tem usado finanças como um lastro espiritual em minha vida, um grande peso que me estabilizou, forçando-me a tratar com as distorções sobre este assunto, segundo o meu modo de pensar. Deus supriu as nossas necessidades sem falhar e nos abençoou com saúde excelente. Em nosso estado financeiro vulnerável, Ele nos protegeu de grandes crises financeiras que poderiam nos ter lançado em um buraco de onde jamais poderíamos sair. Meus filhos mais velhos, agora na universidade, são muito trabalhadores e independentes. Por ter passado por necessidades, aprendi a orar com mais eficiência e minha fé aumentou ao ver Deus provendo. Agora tenho empatia por outros que estejam passando por necessidades. Finalmente, minha esposa e eu estamos conseguindo estabelecer um orçamento. Começamos anotando os gastos em seis áreas críticas de controle, como as compras do supermercado, em um papel de contabilidade pregado junto ao talão de cheques. Quando já estamos habituados a anotar, planejamos separar quantias mensais para cada categoria dos gastos e, assim, podemos permanecer dentro dos seus limites. Eu sei que isto funciona! Uma estrela que me tem guiado nestes tempos todos é a experiência de Abraão e Isaque. Em Gênesis 12, lemos que Deus apareceu a Abraão e ordenou-lhe que fosse para a terra de Canaã, dando a ele promessas extravagantes. Abraão obedeceu, suportou a dificuldade de andar centenas de milhas e, quando chegou ao lugar que lhe fora ordenado ir - a terra da promessa, o fim do arco-íris -, ele encontrou algo inesperado: fome. Isto foi duro, não só para Abraão, mas para centenas de pessoas que viviam com ele. Imagine as crianças do seu acampamento chorando de fome e sede. Imagine o que ele teve de enfrentar ao ouvir as dúvidas de Sara, Ló e outros que estavam com ele. A fome era tão severa que Abraão achou que deveria ir mais para o sul, para poder sobreviver no Egito. Isaque também encontrou fome na Terra Prometida, de acordo com Gênesis 26. Como seu pai, Isaque pensava em ir para o Egito, mas Deus lhe apareceu e disse: "Não vá ao Egito; viva na terra que eu te mandar viver. Fique nesta terra por um tempo, e eu estarei contigo e te abençoarei". Com fé e em obediência, Isaque ficou onde estava. Eventualmente Deus o abençoou por essa razão, dando a ele uma colheita abundante da semente que plantou. Eu recebi esta lição como uma promessa e um paradigma para minha vida. Por algum tempo a terra prometida pode ser um lugar hostil. Mas, mais cedo ou mais tarde, se eu perseverar, Deus sempre irá cumprir os Seus propósitos para mim e produzir uma colheita abundante, conforme Ele quiser. O lugar para onde Deus me chama não é fácil de alcançar, principalmente nos estágios iniciais. Leva tempo (centenas de anos para Abraão e seus descendentes). É preciso coragem e fé (muitas vezes eu queria uma situação em que não precisasse ter fé!). É preciso ter disposição para enfrentar fome e viver em tendas como um nômade. Mas eu creio que a glória que eventualmente será revelada nesta vida ainda, e não se pode medir o muito mais na futura, fará com que esta dificuldade pareça insignificante. A Terra Prometida pode, às vezes, ser hostil, mas é o meu lar espiritual. Craig Brian Larson é pastor da Assembléia de Deus "Lake Shore", em Chicago, Illinois, EUA. Trad. Rev. João W. Faustini
  • 12. 12 POSICIONE-SE CONTRA A MEDIOCRIDADE Dennis e Barbara Rainey Os adolescentes de hoje são fortemente induzidos a tornarem-se complacentes e sobre eles estão as pressões para se ajustarem ao tipo de comportamento da maioria dos seus companheiros de idade. O problema é que o comportamento da maioria dos adoslescente exibem um estilo de vida moral decadente e com reflexos numa frava vida acedemica e vocacional. São inúmeros os professores que podem contar histórias e mais histórias de adolescentes inteligentes que jamais se esforçaram para serem bons alunos. Muitos técnicos podem falar sobre atletas que têm potencial para serem excelentes no seu campo de atividade se simplesmente se dedicassem mais ao treino. Um numero muito grande de patrões constantemente despedem adolescentes porque estes não exibem uma ética saudável no trabalho. Se é válido fazer, então vamos fazer certo. Quando Cristo nos pede para andar uma segunda milha, Ele nos orienta que devemos fazer um esforço extra em tudo. Precisamos ser bons em todas as coisas porque somos representantes de Cristo e nossos filhos precisam ter essa visão. Uma visão de serem embaixadores do Reino. Como pais podem incutir nos filhos o desejo de serem bons no que fazem: · Tome a decisão de ser modelo e ensine o compromisso de ser o melhor naquilo que você vier a fazer. Olhe para sua própria vida : Você está satisfeito com o que você é, você explora o seu potencial, seu filho lhe vê como uma pessoa que está crescendo, trabalhadora e esforçada? · Entenda que Deus lhe deu a responsabilidade de desenvolver o potencial de seus filhos de uma maneira plena. Incentive-os a serem os melhores. Anime- os quando estiverem desencorajados. Ajude-os com os trabalhos escolares e projetos de aula. Insista para que os trabalhos de escola seja feitos da melhor maneira possível O que causa a mediocridade nas crianças · Uma baixa expectativa. Seja qual for a tarefa, estabeleça metas que façam com que seu filho se esforce (sem quebrá- lo) e insista na qualidade. Certifique-se de que eles cumprem prazos sem baixar o padrão. Ensine o princípio de aprender a ser fiel nas coisas pequenas para que assim possas ser confiáveis nas coisas maiores. (Mt. 25:14-30) · Pressão do grupo. A atitude que vale entre os adolescentes é : "ser parte do grupo não é suficiente". Conheça os amigos dos seus filhos e encoraje-os constantemente a terem amizades com crianças que dêem valor aos estudos e à escola. · Prêmios e motivações inadequadas. Se seu filho fez um bom trabalho, seja generoso ao premiá-lo. Recompense tudo que demonstra que ele está indo em direção oposta à mediocridade. Louve suas conquistas e esforços em todas as áreas de sua vida, não apenas nas notas e atividades esportivas. Exija cooperação com a limpeza da casa, na administração da mesada, e na forma de se vestir e falar. · Apoio inadequado de pessoas chaves. Você é a pessoa chave para fazer com que seu filho se eleve acima do nível da mediocridade. Seja o fã número um do seu filho. Solicite ajuda de outras pessoas que porventura façam parte da vida dele como um professor, um treinador de esporte ou o líder da mocidade da igreja. Dennis e Barbara Rainey são autores dos livros: The New Building Your Mate's Self-Esteem e Moments Together for Couples. Dennis é formado pelo Dallas Theological Seminary, co- fundador do ministério Family Life Ministry. Ele é autor de Staying Close, The Tribute and the Promise e One Home at a Time. É também editor- chefe de HomeBuilders Couples Series, que tem vendido perto de 1 milhão de cópias. Ele é apresentador do programa de rádio FamilyLife Today. Bárbara é formada pela University of Arkansas, e trabalha na Campus Crusade for Chirst a 26 anos. Eles têm seis filhos e moram em Little Rock, Arkansas. Artigo extraído do livro Parenting Today's Adolescent by Dennis and Barbara Rainey
  • 13. 13 ENSINE VALORES AOS SEUS FILHOS Bobbie Reed Seus filhos são expostos a diferentes valores. Eles aprendem um enorme código de valores através da televisão, amigos, escola, e de você. Por isso que o ensino intencional é tão importante. Você pode premeditadamente concentrar em valores que deseja que seus filhos venham a aprender. Um valor é uma crença que, depois de cuidadosa consideração, é selecionada dentre várias escolhas e é colocada em prática repetida e consistentemente por um período de tempo. Algumas vezes os valores são identificados por uma simples palavra, como honestidade, ou descritas por uma característica de personalidade, como fidedigna. Mas o valor básico é determinado como uma crença: Os valores nos ajudam a avaliar e a escolher entre as alternativas, e nos ajudam a decidir como nos comportarmos de uma maneira consistente. Sem uma clara escala de valores, nossas vidas e nosso comportamento tendem a ser inconsistentes e confusos. Como compartilhar seu sistema de valores com seus filhos: Identifique seus próprios valores. Antes que você possa ensinar os seus filhos, é absolutamente imprescindível ter clareza sobre o que você quer que eles aprendam. Faça uma lista das qualidades que você planeja ensinar os seus filhos. Isto inclui pedir a Deus que lhe dirija e o assista na seleção dos valores corretos. Uma maneira de descobri-los é perguntando a você mesmo, “quais são os valores que estou buscando ou como eu gostaria de ser lembrado pelos meus amigos?”. Diga a seus filhos quais são os seus valores. Aprenda a colocar clara e concisamente o que você crê e como esses valores influenciam as decisões na sua vida. Explique os seus valores. Dizer para seus filhos serem gentis, amáveis, educados, ou pacientes não lhes dão informações suficientes sobre o que você espera deles. Ao invés, descreva para seus filhos os comportamentos que demonstram estas qualidades. Deixe-os sabe que quando eles se comportam dessa maneira, você fica feliz com a escolha deles. Seja modelo daquilo que você quer que os seus filhos falem e façam. Seus filhos observam muitas pessoas (professores, amigos, personagens públicas, personagens da televisão, vizinhos) que podem ser exemplos que tragam conflitos de valores no que diz respeito a objetivos, estilo de vida, discurso, moral, trabalho, diversão, vida, e morte. Verifique qual é o modelo que eles desejam imitar. O seu comportamento consistente fará uma profunda diferença e fará verdadeiras maravilhas. · Ensine valores fundamentado em histórias bíblicas. Primeiro, eles aprenderão mais sobre valores, e segundo, aumentará o conhecimento e compreensão deles através da Palavra de Deus. · Aplique os valores nas experiências do dia a dia. · Mostre aos seus filhos como as escolham revelam os valores. Exemplo: Uma pessoa que faz algo bom para um estranho demonstra que bondade é um de seus valores. Encontre formas didáticas de ensinar através de livros, televisão, ou pelo próprio dia a dia. · Premie seus filhos quando eles dão um bom testemunho lá fora. Torne-se um mestre em reconhecer e premiar seus filhos quando eles fizerem o que você os têm ensinado. Reforço positivo modela de forma eficaz as escolhas das crianças. · Celebrem como família.
  • 14. 14 Quando seus filhos fizerem algo que prove o quanto eles têm aplicado os valores aprendidos na família, faça disso um marco. Não lhe dê apenas um prêmio, mas celebre com o mesmo entusiasmo que você celebraria se ele tivesse ganho o campeonato de futebol da escola. Dr. Bobbie Reed recebeu seu mestrado em Administração Pública na California State University em 1978. Ela também é PHD e doutora em ministério. Ela tem dado palestras em conferências para solteiros por todo país. Seus livros: Single Adult Ministry for Today, How to Enjoy a Healthy Family, Even in Stressful Times, Life After Divorce, Merging Families e Making the Most of Single Life. Artigo extraído do livro 501 Practical Ways to Teach Your Children Values by Bobbie Reed. COMO AMAR O SEU ADOLESCENTE Ross Campbell, M.D. Criar os seus filhos no anos de adolescência pode ser um desafio e geralmente uma aventura perigosa. O fundamento segura para um sólido relacionamento com seus adolescentes é o amor incondicional. Só quando este fundamento é construído você pode ficar seguro sobre a educação que foi dada. De outra forma educar torna-se algo confuso e bastante frustrante. Esse amor atua como uma luz que guia, para saber aonde você está com seu filho. Amor incondicional, para o seu adolescente significa: • Não importa o que eles pareçam; • Não importa quaisquer que sejam suas qualidades, responsabilidades e deficiências; • Não importa como ele age. Os pais precisam se lembrar de que: • Adolescentes são crianças; • Adolescentes geralmente irão agir como adolescentes; • Muito do comportamento do adolescente é desagradável. Se você amar o seu adolescente só quando ele lhe agradar (amor condicional) e comunicar o seu amor apenas nestes momentos, ele/ela não se sentirá genuinamente amado(a). Isso fará com que ele/ela se sinta inseguro, com sua auto-imagem prejudicada, e de fato o impossibilitará de desenvolver um comportamento mais maduro. Se você ama o seu adolescente incondicionalmente, ele/ela se sentirá bem com ele/ela mesmo (a). Será capaz de controlar sua ansiedade, e por sua vez seu comportamento ao tornar-se um adulto. Adolescentes estão sempre perguntando "Você me ama?" Esta pergunta é primariamente feita através do comportamento, e através de palavras. Sua resposta a esta pergunta é importante. Se sua resposta for não, seu filho não irá ser e nem irá fazer o seu melhor. Poucos pais respondem sim porque não sabem como. Adultos falam com palavras, enquanto adolescentes, como criancinhas pequenas, se expressam através do comportamento e não através das palavras que são ditas. Você precisa amá-los através do que você faz e não através do que você diz. Adolescentes normalmente respondem ao amor, mas eles não tomam a iniciativa. Se for dado a eles amor, eles correspondem. Se nada lhes é dado, eles também não dão nenhum retorno. Adolescentes estão sempre voltando atrás. Não importa o quanto eles digam que não gostam dos pais, eles precisam do seu apoio emocional para ir adiante. Eles precisam desesperadamente de encher o tanque emocional para obterem a segurança e a autoconfiança necessária para lidar com a pressão do grupo e outras demandas da sociedade adolescente. Sem essa confiança, os adolescentes tendem a sucumbir à pressão do grupo dominador de influência e a seguir experimentam dificuldades para manter os valores éticos saudáveis. Seu adolescente vai lhe testar. Geralmente isto se dará através do comportamento impróprio na busca por independência. Não reaja no momento de raiva. Isto não significa aprovar o mau comportamento. Você precisa expressar os seus sentimentos honestamente, mas de maneira
  • 15. 15 apropriada, sem ira, gritarias, linguagem torpe, atacando a criança verbalmente, ou ficando fora de si. 1 Ross Campbell, M.D., é professor adjunto de Pediatria e Psiquiatria na University of Tenessee College of Medicine. Um de seus livros inclui How to Really Love Your Child. Dr. Campbell e sua esposa, Pat têm quatro filhos adultos. Artigo extraído do livro How to Really Love Your Teenager by Ross Campbell. Família do pastor, ou família de pastores? Ariovaldo Ramos "Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?" I Timóteo 3:1-5 Até onde posso ver, esse texto apresenta a família como um referendo para quem almeja o episcopado (supervisão, função de quem é pastor.) Paulo orienta seu discípulo sobre as bases para a unção do ancião. Em primeiro lugar, deixa claro que não há nenhum problema em alguém querer a função de bispo (supervisor do rebanho de Deus). Fiel também é a palavra: se alguém aspira o episcopado, excelente obra almeja, (v.1) Em segundo lugar, apresenta os pré requisitos que tornam uma pessoa possível de ser ordenada pastor. E, nestes, encontramos uma referencia de como cuidar de nossa casa, (v.4). Uma pessoa, entre outras qualidades, para ser considerada como postulante ao pastorado, tem de governar bem a sua casa. Seus filhos tem de ser disciplinados e respeitosos. É essa realidade familiar que atesta se o candidato é ou não um líder. É algo a ser observado antes da ordenação, (vs.4-5). Essa, penso, é a relação entre a família do ministro e o seu ministério. A família respalda o seu ministério, porém, não necessariamente, ministra com ele. Na história recente da igreja, entretanto, tem sido cobrado que a família do pastor ministre com ele: os filhos tem que ser lideres exemplares, a esposa, além de organista, tem de estar liderando as senhoras e o serviço social. Mais que a família o pastor, tem de ser uma família de pastores. Curiosamente esse é um fardo que, em geral, só é colocado sobre a família do pastor. Os demais oficiais da Igreja ficam isentos: a família do presbítero não tem de exercer presbiterato, a do diácono não tem de exercer o diaconato. Porém, a família pastoral, pôr meio de, na maioria das vezes, meias palavras, se espera um exercício de pastorado: - "mas você não é o filho do pastor?" Essa sobrecarga injusta acaba por gerar, no pastor e na sua família, um estresse insuportável. O ministério, ao invés de fonte de benção, converte-se em fonte de neuroses e sofrimento. E fica pior se o pastor adota essa mesma postura, tornando-se assim, o algoz da própria família. Para o bem da Igreja, do pastor e de sua família, seria bom se a comunidade compreendesse que a família do pastor não é co-pastora e tem de ser pastoreada como qualquer outra. A família concede ou não ao cristão autoridade para postular
  • 16. 16 o ministério. No demais, a família do ministro é apenas mais uma família da comunidade, que merece ser tratada como qualquer outra, isto é, bem tratada. Ariovaldo Ramos Missionário da Sepal e pastor da Igreja Reformada Plena de São Paulo.