História da Língua Inglesa
O Anglo-Saxão, ou Velho Inglês, chegou à Grã-Bretanha nos séculosV e VI, quando povos de origem
germânica (saxões, anglos e jutos) invadiramsucessivamente e conquistaram as partes ao leste e sul da
ilha. Ahistória da Língua Inglesa é, de acordo com a maioria dos livros, divididaem três períodos distintos,
chamados:• OldEnglish (Velho Inglês ou Anglo-Saxão) — séculos V ao XII;
• MiddleEnglish (Médio Inglês) — séculos XII ao XV;
• ModernEnglish (Inglês Moderno) — século XV aos dias de hoje.
Os vestígios mais primitivos da origem do idioma inglês remontam
para o período de migração de algumas tribos germânicas no século V,embora não existam registros de que
a língua falada nessa época tenhasobrevivido muito após o século XI. O Inglês é uma língua
basicamenteanglo-saxônica, mas apresenta também vocábulos de origem celta. Nota-se,ainda, a grande
influência do Latim trazido pelos romanos, que perduroumesmo após a partida dos conquistadores. Mas os
povos que fundamentarama Língua Inglesa foram os anglos e os saxões.Seguiram-se influências
dinamarquesas decorrentes das invasões, edepois destes dos franco-normandos, que introduziram o
franconormando.Nesse tempo, o Latim, o OldNorse (língua falada pelos invasoresviquings) e especialmente
o Anglo-Normando francês da classe dominantedepois da conquista normanda em 1066 começaram a
exercer umsubstancial impacto no léxico e o bom desenvolvimento do sistema deinflexões típicas do Inglês
antigo começou a mudar. A seguir, há umexemplo de prosa em Inglês arcaico que ilustra muitas das
significativasmudanças que transformaram o inglês. Este trecho, do século X, foiretirado do Aelfric’s
―Homilyon St. Gregory theGreat‖ e fala sobre afamosa história de como o papa conseguiu enviar
missionários paraconverter os anglo-saxões ao cristianismo após ver alguns rapazes anglo-saxõesserem
vendidos como escravos em Roma:

                                        Eft he axode, huæreeodenamawære e hi of comon. Him wæs
                                      geandwyrd, æt hi Angle genemnodewæron. acwæ he, “Rihtlice
                                   hisind Angle gehatene, for an e hi englawlitehabba , and swilcum
                                                    gedafenaæt hi on heofonumenglageferanbeon”.

Poucas dessas palavras podem ser reconhecidas como o seu equivalentemoderno — he, of, him, for, and,
on— e a semelhança de algumasoutras que podem lembrar substantivos usados atualmente — nama
paraname(nome), comonpara come (vir), wærepara were, wæsparawas —, mas apenas aqueles que
estudaram e se aprofundaram na gramáticae no vocabulário do Inglês antigo estão aptos a ler a passagem
com entendimento. Comparado ao Inglês moderno, é uma língua quaseirreconhecível, tanto na pronúncia
quanto no vocabulário e na gramática. O sentido desse trecho é o seguinte:Mais uma vez, ele (St. Gregory)
perguntou qual seria o nome do povo doqual eles vieram. Foi respondido a ele que eles eram chamados de
anglos.Então ele disse: ―Com certeza, eles são chamados de anglos devido àbeleza de anjos e talvez eles
devam ter a companhia de anjos do paraíso‖.Algumas dessas palavras do original sobreviveram com
alguma alteração,incluindo axode– asked(perguntou), hu– how(como), rihtlice –rightly(com certeza), engla –
angels(com anjos, inglês), habba – have(ter), heofonum – heaven(paraíso) e beon – be(ser). Outras, no
entanto,desapareceram do nosso vocabulário sem deixar registro, incluindomuitas palavras que eram
significativamente comuns naquela época:eft– again(novamente), eode– people, nation(pessoas, povo,
nação),cwæ– said, spoke(disseram, falaram), gehatene– called, named(chamado,denominado), wlite–
appearance, beauty(aparência, beleza) egeferan– companions(companhia).O reconhecimento de algumas
palavras é naturalmente solucionadopela presença de dois caracteres especiais, chamado ―thorn‖, e
,chamado ―edh‖, os quais serviram no Inglês arcaico para representar ossons hoje escritos com o ―th”.No
plano gramatical, as diferenças também são substanciais. Em OldEnglish, os substantivos declinam e têm
gênero (masculino, feminino eneutro), e os verbos são conjugados. Outros pontos que merecem
comentáriofoi o fato de que o sistema de pronomes ainda não incluía aterceira pessoa do plural com o ―th‖:
hiaparece onde nós usamos othey(eles, elas). Muitos aspectos da ordem das palavras na frase também
vão aparecer e mostrar-se estranhos para os dias atuais. Sujeito everbo são invertidos depois de um
advérbio — a cwæhe/thensaidhe(então, ele disse) —, um fenômeno conhecido no Inglês moderno, mas
restrito a alguns advérbios como never(nunca) e requerendo a presençade um auxiliar de verbo como do ou
have. Nas orações subordinadas, overbo principal deve ser o último e então um objeto ou uma
preposiçãopode preceder este verbo de uma forma não muito natural: e hiofcomon— de onde eles vieram,
for an e hienglawlitehabba— porquea beleza de anjos eles têm.Talvez a diferença mais distinta entre o
Velho Inglês e o Moderno Inglêspresente nas sentenças de Aelfric seja o número de inflexões, das
quaistemos apenas reminiscências. Substantivos, adjetivos e até o artigodefinido são flexionados de acordo
com o seu gênero, número e grau.O período do Médio Inglês estende-se do século XII ao XV. A
influênciado Francês e do Latim sobre a formação de palavras continuou por todoesse período, a perda de
algumas inflexões e a redução de outras (geralmentepor um final átono -e) aceleraram-se e muitas
mudanças aconteceramdentro da gramática e fonologia da língua. A típica prosa nãoparece mais tão
estranha como a passagem de Aelfric, porém ainda nãopode ser tomada como linguagem contemporânea.
Um pequeno textofoi tirado de um trabalho datado do final do século XIV, chamadoMandeville’sTravels
(Viagens de Mandeville). É uma ficção com roupagemde literatura de viagem e foi originalmente escrita em
Francês, maistarde sendo traduzida para o Latim e o Inglês. Nesta passagem,Mandeville descreve a terra
de Bactria como aparentemente um lugarnão convidativo e habitado por ―fullyuele (evil) folkandfullcruell‖:
In at lond ben trees at berenwolle, as ogh it were of scheep;
                                         whereof men maken clothes, and all ing at may ben made of wolle.
                                         In at contree ben many ipotaynes, at dwellensomtyme in the water,
                                           andsomtyme on the lond: and ei ben halh man and half hors, as I
                                               haueseyd before; and eieten men, whanei may take hem. And
                                            ere ben sithes more an is the water of the see. In at countré ben
                                          manygriffounes, more plantee an in ony other countree. Sum men
                                               seyn at ei ben of at schapp. But o griffoun hath the body more
                                         gret and strongere an an hundred egles, suche as we hanamonges
                                           vs. For o griffoun ere wilberefleynge to his nest a gret hors, 3if he
                                         mayfynde him at the poynt, or two oxen 3oked togidere, as eigon at
                                                                                                    theplowgh.

A ortografia é bem peculiar se levarmos em conta o padrão modernoe até inconsistente dentro dessas
poucas frases. Além disso, no textooriginal há, em adição às palavras, o caractere 3, chamado de ―yogh‖,
que pode equivaler a vários sons, mas aqui nesse texto está próximo do―Y‖. Podemos notar que há palavras
em que a grafia do ―u‖ é escritacom ―v‖ e vice-versa, nos padrões atuais (haue = have), e os efeitos
dadominação francesa no vocabulário inglês nas palavras plantee, contree,entre outras.O período do Inglês
Moderno se estende do final do século XV e iníciodo século XVI até os dias atuais. A primeira parte desse
período sofreugradual perda de declinações, pela neutralização, e perda de vogaisatônicas em final de
palavra e pelo início da revolução na fonologia.Praticamente todos os sons vogais, inclusive ditongos,
sofreram alteraçõese algumas consoantes deixaram de ser pronunciadas. O sistema de sonsvogais da
Língua Inglesa antes do século XV era bastante semelhanteao das demais línguas da Europa Ocidental,
inclusive ao do Português dehoje. Portanto, a atual falta de correlação entre ortografia e pronúncia doInglês
Moderno que se observa principalmente nas vogais é, em grandeparte, consequência dessa mudança
ocorrida nos séculos XV e XVI.Esse período também foi importante pela padronização e unificaçãoda
língua, possibilitada pelos impressos que surgiam pela época e influênciado Latim e, em menor escala, do
Grego na formação de algumaspalavras.

História da língua inglesa

  • 1.
    História da LínguaInglesa O Anglo-Saxão, ou Velho Inglês, chegou à Grã-Bretanha nos séculosV e VI, quando povos de origem germânica (saxões, anglos e jutos) invadiramsucessivamente e conquistaram as partes ao leste e sul da ilha. Ahistória da Língua Inglesa é, de acordo com a maioria dos livros, divididaem três períodos distintos, chamados:• OldEnglish (Velho Inglês ou Anglo-Saxão) — séculos V ao XII; • MiddleEnglish (Médio Inglês) — séculos XII ao XV; • ModernEnglish (Inglês Moderno) — século XV aos dias de hoje. Os vestígios mais primitivos da origem do idioma inglês remontam para o período de migração de algumas tribos germânicas no século V,embora não existam registros de que a língua falada nessa época tenhasobrevivido muito após o século XI. O Inglês é uma língua basicamenteanglo-saxônica, mas apresenta também vocábulos de origem celta. Nota-se,ainda, a grande influência do Latim trazido pelos romanos, que perduroumesmo após a partida dos conquistadores. Mas os povos que fundamentarama Língua Inglesa foram os anglos e os saxões.Seguiram-se influências dinamarquesas decorrentes das invasões, edepois destes dos franco-normandos, que introduziram o franconormando.Nesse tempo, o Latim, o OldNorse (língua falada pelos invasoresviquings) e especialmente o Anglo-Normando francês da classe dominantedepois da conquista normanda em 1066 começaram a exercer umsubstancial impacto no léxico e o bom desenvolvimento do sistema deinflexões típicas do Inglês antigo começou a mudar. A seguir, há umexemplo de prosa em Inglês arcaico que ilustra muitas das significativasmudanças que transformaram o inglês. Este trecho, do século X, foiretirado do Aelfric’s ―Homilyon St. Gregory theGreat‖ e fala sobre afamosa história de como o papa conseguiu enviar missionários paraconverter os anglo-saxões ao cristianismo após ver alguns rapazes anglo-saxõesserem vendidos como escravos em Roma: Eft he axode, huæreeodenamawære e hi of comon. Him wæs geandwyrd, æt hi Angle genemnodewæron. acwæ he, “Rihtlice hisind Angle gehatene, for an e hi englawlitehabba , and swilcum gedafenaæt hi on heofonumenglageferanbeon”. Poucas dessas palavras podem ser reconhecidas como o seu equivalentemoderno — he, of, him, for, and, on— e a semelhança de algumasoutras que podem lembrar substantivos usados atualmente — nama paraname(nome), comonpara come (vir), wærepara were, wæsparawas —, mas apenas aqueles que estudaram e se aprofundaram na gramáticae no vocabulário do Inglês antigo estão aptos a ler a passagem com entendimento. Comparado ao Inglês moderno, é uma língua quaseirreconhecível, tanto na pronúncia quanto no vocabulário e na gramática. O sentido desse trecho é o seguinte:Mais uma vez, ele (St. Gregory) perguntou qual seria o nome do povo doqual eles vieram. Foi respondido a ele que eles eram chamados de anglos.Então ele disse: ―Com certeza, eles são chamados de anglos devido àbeleza de anjos e talvez eles devam ter a companhia de anjos do paraíso‖.Algumas dessas palavras do original sobreviveram com alguma alteração,incluindo axode– asked(perguntou), hu– how(como), rihtlice –rightly(com certeza), engla – angels(com anjos, inglês), habba – have(ter), heofonum – heaven(paraíso) e beon – be(ser). Outras, no entanto,desapareceram do nosso vocabulário sem deixar registro, incluindomuitas palavras que eram significativamente comuns naquela época:eft– again(novamente), eode– people, nation(pessoas, povo, nação),cwæ– said, spoke(disseram, falaram), gehatene– called, named(chamado,denominado), wlite– appearance, beauty(aparência, beleza) egeferan– companions(companhia).O reconhecimento de algumas palavras é naturalmente solucionadopela presença de dois caracteres especiais, chamado ―thorn‖, e ,chamado ―edh‖, os quais serviram no Inglês arcaico para representar ossons hoje escritos com o ―th”.No plano gramatical, as diferenças também são substanciais. Em OldEnglish, os substantivos declinam e têm gênero (masculino, feminino eneutro), e os verbos são conjugados. Outros pontos que merecem comentáriofoi o fato de que o sistema de pronomes ainda não incluía aterceira pessoa do plural com o ―th‖: hiaparece onde nós usamos othey(eles, elas). Muitos aspectos da ordem das palavras na frase também vão aparecer e mostrar-se estranhos para os dias atuais. Sujeito everbo são invertidos depois de um advérbio — a cwæhe/thensaidhe(então, ele disse) —, um fenômeno conhecido no Inglês moderno, mas restrito a alguns advérbios como never(nunca) e requerendo a presençade um auxiliar de verbo como do ou have. Nas orações subordinadas, overbo principal deve ser o último e então um objeto ou uma preposiçãopode preceder este verbo de uma forma não muito natural: e hiofcomon— de onde eles vieram, for an e hienglawlitehabba— porquea beleza de anjos eles têm.Talvez a diferença mais distinta entre o Velho Inglês e o Moderno Inglêspresente nas sentenças de Aelfric seja o número de inflexões, das quaistemos apenas reminiscências. Substantivos, adjetivos e até o artigodefinido são flexionados de acordo com o seu gênero, número e grau.O período do Médio Inglês estende-se do século XII ao XV. A influênciado Francês e do Latim sobre a formação de palavras continuou por todoesse período, a perda de algumas inflexões e a redução de outras (geralmentepor um final átono -e) aceleraram-se e muitas mudanças aconteceramdentro da gramática e fonologia da língua. A típica prosa nãoparece mais tão estranha como a passagem de Aelfric, porém ainda nãopode ser tomada como linguagem contemporânea. Um pequeno textofoi tirado de um trabalho datado do final do século XIV, chamadoMandeville’sTravels (Viagens de Mandeville). É uma ficção com roupagemde literatura de viagem e foi originalmente escrita em Francês, maistarde sendo traduzida para o Latim e o Inglês. Nesta passagem,Mandeville descreve a terra de Bactria como aparentemente um lugarnão convidativo e habitado por ―fullyuele (evil) folkandfullcruell‖:
  • 2.
    In at londben trees at berenwolle, as ogh it were of scheep; whereof men maken clothes, and all ing at may ben made of wolle. In at contree ben many ipotaynes, at dwellensomtyme in the water, andsomtyme on the lond: and ei ben halh man and half hors, as I haueseyd before; and eieten men, whanei may take hem. And ere ben sithes more an is the water of the see. In at countré ben manygriffounes, more plantee an in ony other countree. Sum men seyn at ei ben of at schapp. But o griffoun hath the body more gret and strongere an an hundred egles, suche as we hanamonges vs. For o griffoun ere wilberefleynge to his nest a gret hors, 3if he mayfynde him at the poynt, or two oxen 3oked togidere, as eigon at theplowgh. A ortografia é bem peculiar se levarmos em conta o padrão modernoe até inconsistente dentro dessas poucas frases. Além disso, no textooriginal há, em adição às palavras, o caractere 3, chamado de ―yogh‖, que pode equivaler a vários sons, mas aqui nesse texto está próximo do―Y‖. Podemos notar que há palavras em que a grafia do ―u‖ é escritacom ―v‖ e vice-versa, nos padrões atuais (haue = have), e os efeitos dadominação francesa no vocabulário inglês nas palavras plantee, contree,entre outras.O período do Inglês Moderno se estende do final do século XV e iníciodo século XVI até os dias atuais. A primeira parte desse período sofreugradual perda de declinações, pela neutralização, e perda de vogaisatônicas em final de palavra e pelo início da revolução na fonologia.Praticamente todos os sons vogais, inclusive ditongos, sofreram alteraçõese algumas consoantes deixaram de ser pronunciadas. O sistema de sonsvogais da Língua Inglesa antes do século XV era bastante semelhanteao das demais línguas da Europa Ocidental, inclusive ao do Português dehoje. Portanto, a atual falta de correlação entre ortografia e pronúncia doInglês Moderno que se observa principalmente nas vogais é, em grandeparte, consequência dessa mudança ocorrida nos séculos XV e XVI.Esse período também foi importante pela padronização e unificaçãoda língua, possibilitada pelos impressos que surgiam pela época e influênciado Latim e, em menor escala, do Grego na formação de algumaspalavras.