Praça Expedicionário Assunção, 168 – Bairro Centro
Nova Lima – MG – CEP: 34.000-000
Telefone: (31) 3541-2666
HHIIGGIIEENNEE
OOCCUUPPAACCIIOONNAALL
SENAI – ―Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial‖
Centro de Formação Profissional
―AFONSO GRECO‖
Presidente da FIEMG
Olavo Machado
Gestor do SENAI
Petrônio Machado Zica
Diretor Regional do SENAI e
Superintendente de Conhecimento e Tecnologia
Lúcio Sampaio
Gerente de Educação e Tecnologia
Edmar Fernando de Alcântara
Elaboração
Equipe do CFP MM – SENAI / SABARÁ
Unidade Operacional
CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL MICHEL MICHELS
SSuummáárriioo
APRESENTAÇÃO............................................................................................................04
INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL...................................................................05
RISCOS QUÍMICOS..........................................................................................................11
RISCOS FÍSICOS..............................................................................................................36
RISCOS BIOLÓGICOS.....................................................................................................81
RISCOS ERGONÔMICOS................................................................................................82
RISCOS DE ACIDENTES.................................................................................................90
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 90
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho
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Apresentação
―Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do
conhecimento. ―
Peter Drucker
O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os
perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção,
coleta, disseminação e uso da informação.
O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país,sabe disso , e
,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito
da competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo
produtivo, com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos
técnicos aprofundados, flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e
consciência da necessidade de educação continuada.‖
Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento , na sua área
tecnológica, amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se
faz necessária. Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia,
da conexão de suas escolas à rede mundial de informações – internet- é tão
importante quanto zelar pela produção de material didático.
Isto porque, nos embates diários,instrutores e alunos , nas diversas oficinas e
laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais
didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos.
O SENAI deseja , por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua
curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre
os diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada !
Gerência de Educação e Tecnologia
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho
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HIGIENE OCUPACIONAL
Introdução
O desenvolvimento tecnológico da humanidade, além de trazer enormes
benefícios e conforto para o homem do século XX, tem exposto o trabalhador a
diversos agentes potencialmente nocivos e que, sob certas condições poderão
provocar doenças ou desajustes no organismo das pessoas que desenvolvem
suas atividades normais em variados locais de trabalho.
A Higiene Ocupacional, estruturada como uma ciência prevencionista, vem sendo
aperfeiçoada dia a dia e tem como objetivo fundamental atuar no ambiente de
trabalho, a fim de detectar o tipo de agente prejudicial, quantificar sua intensidade
ou concentração e tomar as medidas de controle necessárias para resguardar a
saúde e o conforto dos trabalhadores durante toda sua vida de trabalho.
Dentre as definições conhecidas e mais amplamente difundidas, podemos
citar:
 A definição dada pela American Industrial Hygiene Association – AIHA,
segundo a qual a higiene ocupacional é ―ciência que trata da antecipação,
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos originados nos locais de
trabalho e que podem prejudicar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores,
tendo em vista também o possível impacto nas comunidades vizinhas e no
meio ambiente‖.
 De acordo com o conceito preconizado por Olishifski, a higiene ocupacional
é tida como ―aquela ciência e arte devotada à antecipação,
reconhecimento, avaliação e controle dos fatores de risco ou estresses
ambientais originados no, ou a partir, do local de trabalho, os quais podem
causar doenças, prejudicar a saúde e o bem-estar, ou causar significante
desconforto sobre os trabalhadores ou entre os cidadãos de uma
comunidade‖.
 A definição da American Conference Of Governmental Industrial Hygienists
– ACGIH: ―ciência e arte do reconhecimento, avaliação e controle de
fatores ou tensões ambientais originados do, ou no, local de trabalho e que
podem causar doenças, prejuízos para a saúde e bem-estar, desconforto e
ineficiência significativos entre os trabalhadores ou entre os cidadão da
comunidade.‖
O termo higiene ocupacional, que abrange a modalidade industrial, é considerado
o mais amplo pelos órgãos especializados, incluindo a Fundacentro, razão pela
qual sua utilização tem sido preferida. No entanto, a nosso ver, o termo higiene do
trabalho poderá ser igualmente aplicado, pois contempla – além do trabalho
subordinado (empregos) – os trabalhos autônomo, avulso, estatuário, etc.
A higiene ocupacional é a ciência que atua no campo da saúde ocupacional,
através da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos físicos,
químicos e biológicos originados nos locais de trabalho e passíveis de produzir
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho
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danos à saúde dos trabalhadores, observando-se também o impacto ao meio
ambiente. Os riscos físicos são: ruído, calor, vibração, radiação ionizante,
radiação não ionizante, frio. Os agentes químicos são: gases, vapores, poeira,
fumos, névoas, neblinas. Os agentes biológicos são: bactérias, fungos, vírus,
protozoários, e parasitas.
Classificação de riscos ambientais
Boa parte dos processos de produção pelos quais o homem modifica os materiais
extraídos da natureza, para transformá-los em produtos úteis, segundo as
necessidades tecnológicas atuais, são capazes de dispersar no ambiente dos
locais de trabalho substancias que, ao entrar em contato com o organismo dos
trabalhadores podem acarretar moléstias ou danos à sua saúde. Estes processos
poderão originar condições físicas de intensidade inadequada para o organismo
humano, sendo que ambos os riscos (Físicos e Químicos) são geralmente de
caráter acumulativo e chegam às vezes a produzir graves danos aos
trabalhadores.
O ser humano é composto por um organismo complexo e seu bem estar não esta
ligado somente às condições físicas ambientais e ou presença de agentes
agressivos, deve-se compreender a importância da influencia da organização do
trabalho sobre o trabalhador, sendo também um fator muitas vezes não facilmente
quantificável, mas de grande importância.
Para facilitar o estudo dos riscos ambientais podemos classificá-los em cinco
grupos:
Riscos Químicos
Riscos Físicos
Riscos Biológicos
E também:
Riscos ergonômicos e Riscos de acidentes ou mecânicos existentes nos locais de
trabalho e que possam vir a causar danos à saúde dos trabalhadores.
Por sua vez, cada um destes grupos subdivide-se quer em função das formas em
que se apresentam, ou devido às características físico-químicas dos agentes, de
acordo com as conseqüências fisiológicas que estes podem provocar, segundo
sua ação sobre o organismo, etc.
Riscos Químicos
As substâncias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de
trabalho classificam-se, segundo as suas características físico-químicas em:
Aerodispersóides
Gases e Vapores
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Ambos os grupos comportam-se de maneira diferente, tanto no que diz respeito
ao período de permanência no ar, quanto as possibilidade de ingresso no
organismo.
Por sua vez, os aerodispersóides podem ser sólidos ou líquidos, atendendo ao
seguinte esquema geral de classificação:
Os aerodispersóides sólidos e líquidos são classificados em relação ao tamanho
da partícula e à sua forma de origem.
São poeiras e névoas os aerodispersóides originados por ruptura mecânica de
sólidos e líquidos respectivamente, e fumos e neblinas aqueles formados por
condensação ou oxidação de vapores, provenientes, respectivamente, de
substâncias sólidas ou líquidas a temperatura e pressão normal (20º C e 1
atmosfera de pressão).
Riscos Físicos
Ordinariamente, os riscos físicos representam um intercâmbio brusco de energia
entre o organismo e o ambiente, em quantidade maior de que o organismo é
capaz de suportar, podendo acarretar uma doença profissional.
Entre os mais importantes podemos citar:
Temperaturas extremas:
Calor
Frio
Ruído
Vibrações
Pressões anormais
Radiações:
Ionizantes
Não ionizantes
RISCOS QUIMICOS
GASES E VAPORES AERODISPERSÓIDES
SÓLIDOS LÍQUIDOS
NÉVOAS
NEBLINAS
POEIRAS
FUMOS
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Riscos Biológicos
Neste grupo, estão classificados os riscos que representam os organismos vivos,
tais como:
Vírus
Bactérias
Fungos
Protozoários
Parasitas
Riscos Ergonômicos
São os fatores que podem afetar a integridade física ou mental do trabalhador
devido a sua interação com o seu ambiente de trabalho, podendo ocasionar
desconforto ou doença.
São considerados riscos ergonômicos:
Esforço físico intenso
Levantamento e transporte manual de peso
Exigência de postura inadequada
Controle rígido de produtividade
Imposição de ritmos excessivos
Trabalho em turno e noturno
Fornadas de trabalho prolongadas
Monotonia e repetitividade
Outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico
Riscos de Acidentes
São todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador ou afetam sua
integridade física. São considerados como riscos geradores de acidentes:
Arranjo físico inadequado
Máquinas e equipamentos sem proteção
Ferramentas inadequadas ou defeituosas
Iluminação inadequada
Eletricidade
Probabilidade de incêndio ou explosão
Animais peçonhentos
Armazenamento inadequado
Outras situações que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes
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Caracterização dos riscos
De tudo quanto se tem exposto, podemos concluir que a presença de poluentes e
agentes agressivos nos locais de trabalho representam um risco, mas isto não
quer dizer que todos os trabalhadores expostos venham a adquirir uma doença.
Para que isto aconteça devem concorrer vários fatores, que são:
Tempo de exposição
Quanto maior o tempo de exposição, maiores as possibilidades de se produzir
uma doença ocupacional.
Concentração ou Intensidade dos agentes ambientais (―Quantidade‖)
Quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes agressivos presentes
no ambiente de trabalho, tanto maior será a possibilidade de danos à saúde dos
trabalhadores expostos.
Características dos agentes ambientais (―Qualidade‖)
As características específicas de cada agente também contribuem para a
definição do seu potencial de agressividade.
O estudo do ambiente de trabalho visando a estabelecer qualquer relação entre
esse ambiente e possíveis danos à saúde dos trabalhadores que devem efetuar
seus serviços normais nesses locais, constitui o que chamamos, um levantamento
de condições ambientais de trabalho.
O levantamento pode se dividir em duas partes:
Estudo Qualitativo
Estudo Quantitativo
O estudo qualitativo das condições de trabalho visa coletar o maior numero de
informações e dados necessários, a fim de fixar as diretrizes a serem seguidas no
levantamento quantitativo.
O estudo quantitativo completará o reconhecimento preliminar dos ambientes de
trabalho, através de medições adequadas, que no final nos dirão quais as
possibilidades de os trabalhadores serem afetados pelos diferentes agentes
agressivos presentes nos locais de trabalho.
Levantamento qualitativo
Normas gerais de procedimento
Deve-se iniciar o reconhecimento qualitativo do ambiente de trabalho,
preferencialmente, fazendo um estudo minucioso de uma planta baixa atualizada
do assim como um fluxograma dos processos, a fim de estabelecer a forma
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correta de proceder o levantamento: saber o que fazer e como fazer, nos
diferentes locais de trabalho.
O estudo qualitativo deve dar informação detalhada de aspectos, tais como:
Número de trabalhadores;
Horários de trabalho;
Matérias-primas usadas, incluindo nome comercial e nome científico de
substâncias;
Maquinarias e processos;
Tipos de energia usada para a transformação de materiais;
Produtos semi-elaborados;
Produtos acabados;
Substâncias complementares usadas nos processos;
Existência ou não de equipamentos de controle, tais como: ventilação local,
estado em que se encontram, etc.;
Tipo de iluminação e estado das luminárias;
Presença de poeiras, fumos, névoas e ponto de origem da dispersão;
Uso de EPI por parte dos trabalhadores;
Estas informações devem ser acrescidas de comentários por escrito, que
permitam esclarecer a situação real do ambientes de trabalho.
O Técnico em segurança deve estar familiarizado com os processos industriais,
métodos de trabalho e demais atividades que são efetuadas normalmente no
local, ou estar assessorado por profissional que esteja, afim de obter dados
fidedignos e esclarecer as dúvidas que possam surgir durante o levantamento.
Para maior facilidade na coleta da informação podem ser utilizadas fichas
padronizadas que tenham condições de reunir as informações mais importantes e
necessárias.
Não existe um modelo único para fichas deste tipo, já que seu formato, tamanho,
bem como os parâmetros das mesmas podem variar em função do tipo de
empresa e dos objetivos e finalidades do levantamento. Portanto o técnico deve
elaborar seu próprio material auxiliar, tendo em vista que tais formulários sejam
simples e completos, para que representem um poderoso instrumento, que venha
facilitar o levantamento e nunca interferir negativamente em sua qualidade.
Levantamento quantitativo
Uma vez realizado o levantamento qualitativo, o profissional de segurança já
reúne as condições necessárias para traçar os rumos a serem seguidos no
levantamento quantitativo. Este, por sua vez, deve ser minucioso e completo para
que represente as condições reais em que se encontra o ambiente de trabalho.
Deve-se, portanto, verificar a intensidade ou concentração dos agentes físicos e
químicos existentes no local analisado. Desta forma são colhidos subsídios para
definir as medidas de controle necessárias.
Uma vez adotadas as medidas de controle que alterem as condições de
exposição inicialmente avaliadas, será necessário um novo levantamento
quantitativo para se verificar a eficácia das medidas implantadas.
Sempre que alterações substanciais sejam realizadas no ambiente de trabalho,
deverão ser realizadas novas quantificações, a fim de detectar possíveis
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alterações que exijam a adoção de novas medidas de controle ou a adequação
das já existentes.
Os critérios de avaliação e controle de cada agente serão estudados dentro dos
itens específicos.
Susceptibilidade Individual
A complexidade do organismo humano implica em que a resposta do organismo a
um determinado agente pode variar de individuo para individuo. Sendo, portanto,
a susceptibilidade individual um fator importante a ser considerado.
Todos estes fatores devem ser estudados, quando se apresenta um risco
potencial de doença do trabalho e, na medida que este seja claramente
estabelecido, poderemos planejar a implantação de medidas de controle que
levarão à eliminação ou minimização do risco em estudo.
O tempo real de exposição será determinado considerando-se a análise da tarefa
desenvolvida pelo trabalhador. Essa análise deve incluir estudos, tais como:
Tipo de serviço;
Movimentos do trabalhador ao efetuar o seu serviço;
Períodos de trabalho e descanso, considerando todas as variações desses
durante a jornada de trabalho.
A concentração dos poluentes químicos ou a intensidade dos agentes físicos
devem ser avaliados mediante amostragem nos locais de trabalho, de tal maneira
que essas amostragens sejam as mais representativas possíveis da exposição do
trabalhador a esses agentes agressivos. Este estudo deve considerar também as
características físico-químicas dos contaminantes e as características próprias
que distinguem o tipo de risco físico.
Junto a este estudo ambiental terá que ser feito o estudo médico do trabalhador
exposto, a fim de determinar possíveis alterações no seu organismo provocadas
pelos agentes agressivos ou que permitirão a instalação de danos mais
importantes, se a exposição continuar.
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1. Agentes Químicos
Considerações Iniciais
Agentes ou fatores químicos são as substancias químicas que estão presentes no
ambiente, geralmente em mistura ou com impurezas que podem causar algum
dano ou agravo a saúde quando entram em contato com um receptor. Neste
sentido amplo, o agente químico pode estar presente no alimento, no ar ambiente,
na água, no equipamento ou no instrumento manuseado. Há um sem – numero
de substancias químicas no universo, e vê, sendo introduzidas muitas outras a
cada ano. A ação do ser humano não se reduz à produção de novos compostos.
Ele é o maior responsável pela disseminação dos produtos no ambiente, por meio
da extração, do transporte ou do comércio.
Segundo a natureza, os agentes químicos classificam-se em aerossol (poeiras,
névoas, neblinas, fumos), gases e vapores, podendo penetrar no organismo por
via respiratória, dérmica, digestiva ou parenteral.
Gases e Vapores
Definições
Gases
Denominação dada as substancias que, em condições normais de temperatura e
pressão (25ºC e 760 mmHg), estão no estado gasoso. São fluidos amorfos que
podem mudar de estado físico unicamente por uma combinação de pressão e
temperatura. Exemplo: hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.
Vapores
Fase gasosa de uma substancia que, a 25ºC e 760 mmHg, se torna líquida ou
sólida. O vapor pode passar para o estado liquido ou sólido atuando-se sobre a
pressão ou sobre sua temperatura. Exemplos: vapores de água, vapores de
gasolina.
Classificação Fisiológica dos Gases e Vapores
Pelo ar inalam-se gases e vapores estranhos, muitos dos quais podem ser
perigosos à saúde. Entretanto, esses efeitos variam segundo a substancia. As
características físicas mais importantes para a determinação dos efeitos
biológicos de um gás ou vapor são sua concentração no ar e sua solubilidade no
sangue e tecidos, que determinará a sua absorção pelo organismo. Além disso,
sua toxicidade e as vias e formas de penetração também influem nos efeitos à
saúde.
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Os gases e vapores podem ser classificados, segundo a sua ação sobre o
organismo humano, em três grupos: irritantes, anestésicos, asfixiantes. Se a
substancia é enquadrada em um desses grupos, isso não implica que não possa
também possuir características dos grupos. Essa classificação baseia-se no efeito
mais importante, isto é, mais significativo sobre o organismo.
Gases e Vapores Irritantes
Existe uma grande variedade de gases e vapores classificados nesse grupo, os
quais diferem suas propriedades físico-químicas, mas tem uma característica
comum: produzem irritação nos tecidos com os quais entram em contato direto,
tais como a pele, a conjuntiva ocular e as vias respiratórias.
A intensidade da ação irritante depende da estrutura química da substancia, de
sua concentração no ar e do tempo de exposição. A solubilidade é um fator
importante a ser considerado, uma vez que determina o local de ação do tóxico
no trato respiratório:
 Irritantes altamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias
superiores, sendo que o nariz e a garganta são os que sofrem mais com a
sua ação: ácidos clorídrico e fluorídrico, amoníaco, nevoas alcalinas, etc.
 Irritantes relativamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias
superiores e pulmão: halogênios, ozônio, sulfatos de dietila e dimetila, etc.
 Irritantes pouco solúveis em água – atuam no pulmão: óxido de nitrogênio,
cloreto de arsênico, etc.
Assim, os gases mais perigosos são aqueles que possuem baixa solubilidade e
não tem odor.
Ao gases e vapores irritantes dividem-se em:
A) Irritantes primários
São aqueles cuja ação sobre o organismo é somente de irritação sobre o local
atingido, podendo subdividirem-se em:
1) Irritantes de ação sobre as vias respiratórias superiores
Pertencem a esse grupo:
- Ácidos fortes, tais como: ácido clorídrico ou muriático, ácido sulfúrico.
- Álcalis fortes, tais como: amônia e soda cáustica.
- Formaldeído.
2) Irritantes de ação sobre os brônquios
Pertencem a esse grupo:
- Anidrido sulfuroso e cloro.
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3) Irritantes sobre os pulmões
Pertencem a esse grupo:
- Ozona, gases nitrosos (principalmente NO2 e sua forma dímera N2O4).
Esses gases são produzidos no arco elétrico (solda elétrica), por combustão de
nitratos, no uso de explosivos e no uso industrial de ácido nítrico.
- Fosgênio.
- Gás incolor, originado da decomposição térmica de tetracloreto de carbono
e outros derivados halogenados.
4) Irritantes atípicos
Pertencem a esse grupo
- Acroleína ou aldeído acrílico (gás liberado pelos motores diesel), gases
lacrimogêneos.
B) Irritantes secundários
Essas substâncias, além de possuírem efeito irritante sobre o local de ação, tem
atuação generalizada sobre o organismo. Uma exposição aguda a esse tipo de
tóxico produzira edema pulmonar; pertence a esse grupo o gás sulfídrico (H2S).
Gases e Vapores Anestésicos
Uma propriedade comum entre eles é o efeito narcótico ou depressivo sobre o
sistema nervoso central, fundamentalmente o cérebro.
É importante ressaltar que essas substâncias são introduzidas em nosso
organismo pela via respiratória, alcançando o pulmão, onde são transferidas para
o sangue, que as distribuirá para o resto do corpo. Muitas delas também podem
penetrar através da pele intacta, alcançando a corrente sanguínea.
De acordo com sua ação sobre o organismo, os anestésicos podem ser divididos
em:
A) Anestésicos primários
Pertencem a esse grupo: hidrocarbonetos alifáticos (butano, propano, etano, etc.),
ésteres, aldeídos, cetonas.
B) Anestésicos de efeito sobre as vísceras (fígado e rins)
O fígado e os rins desempenham papel importante nos fenômenos de
desintoxicação, seja pela geração de enzimas adequadas, seja com a eliminação
por meio da úrica. Uma intoxicação superior a que o fígado é capaz de assumir
pode levar a deterioração desse órgão pela cirrose ou mesmo necrose. Da
mesma forma, os rins quando afetados podem apresentar necrose epitelial.
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Pertencem a esse grupo os hidrocarbonetos clorados, tais como: tetracloreto de
carbono, tetracloroetano, tricloroetileno, percloroetilino.
C) Anestésicos de ação sobre o sistema formador do sangue
As substancias classificadas nesse grupo atuam modificando a hemoglobina em
metahemoglobina, no caso da anilina, nitrito e toluidina. Mas a ação mais
profunda no sistema hematopoiético é causada pelo benzeno, que pode levar a
uma anemia irreversível. Os homólogos, tolueno e xileno, têm efeitos anestésicos
similares aos do benzeno, mas possuem efeitos tóxicos consideravelmente
menores. Pos essa razão são recomendados para substituir o benzeno,
diminuindo assim o risco a que estão expostos os trabalhadores.
D) Anestésicos de ação sobre o sistema nervoso
Nesse grupo encontram-se os álcoois (metílico e etílico), ésteres de ácidos
orgânicos, dissulfeto de carbono.
Em geral, os álcoois são altamente solúveis em água, fato que determina a sua
eliminação de forma lenta.
No caso do álcool etílico, alenta eliminação é contrastada com a rápida oxidação
dentro do ciclo de combustão dos açucares e raramente são inaladas quantidades
suficientes para produzir anestesia.
Gases e Vapores Asfixiantes
A principal característica de um tóxico é impedir de alguma forma que o oxigênio
atinja os tecidos, podendo os asfixiantes ser classificados em simples ou
químicos.
Os asfixiantes simples têm sua atuação fora do organismo, isto é, sua presença
na atmosfera provoca o deslocamento do oxigênio, reduzindo a concentração
desse gás no ambiente. Dentro dessa classe encontram-se o CO2, metano,
propano, nitrogênio e butano.
Por outro lado, os asfixiantes químicos impedem a entrada do oxigênio nos
tecidos. O asfixiante químico mais conhecido é o monóxido de carbono, que tem
uma afinidade química com a hemoglobina superior ao oxigênio, formando a
carboxihemoglobina e impedindo o transporte de oxigênio.
Além da classificação dos gases e vapores, segundo o seu efeito pela inalação, é
importante que seja feita uma pequena exposição a respeito dos agentes
químicos que tem a capacidade de penetrar a pele. Pertencem a esse grupo,
principalmente, os solventes orgânicos, que, devido a sua larga utilização
industrial, expõem inúmeros trabalhadores a seus efeitos, que incluem, dentre
outros, a dermatite de contato por irritação.
A ação de determinada substancia sobre a pele está diretamente relacionada com
a sua solubilidade na água e gordura e na sua pressão de vapor, isto é, a sua
habilidade em se dissolver na água ou em compostos orgânicos e em evaporar-
se.
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Experimentos mostraram que solventes orgânicos são potencialmente irritantes
químicos, induzindo ao aparecimento dermatite de contato por irritação quando
em contato com a pele não protegida adequadamente. A capacidade irritante dos
solventes adota a seguinte ordem: Aromático > Alifático > Clorados > Álcoois
> Ésteres > Cetonas, devido principalmente a suas lipossolubilidades.
O mecanismo de irritação dos solventes inicia-se pela interação destes com os
lipídios da camada córnea e com o filme lipídico que recobre a pele. Os lipídios
intracelulares da camada córnea são organizados em uma estrutura alternada de
estratos lipofílicos e hidrofílicos. Com a inserção de pequenas moléculas de
solvente nos estratos lipofílicos, há alteração da estrutura anteriormente
organizada, resultando no aumento da difusão da água e, conseqüentemente, na
desidratação da pele, causando nesta descamação e ressecamento.
A repetida exposição da pele aos solventes poderá resultar em eritema,
descamação e ressecamento, que poderão eventualmente evoluir para eczema.
Usualmente as mão estão protegidas, mas a alta volatilidade dos solventes
poderá permitir que a face e o pescoço, áreas descobertas, possam ser também
atingidos.
Diversos fatores influenciam na ação irritante dos solventes, principalmente o seu
ponto de ebulição. Observa-se que os solventes, cujos pontos de ebulição.
Observa-se que os solventes, cujos pontos de ebulição são mais baixos, são mais
irritantes que aqueles de pontos de ebulição mais altos, e solventes com
componentes aromáticos são mais irritantes que os alifáticos, por causa de suas
diferentes propriedades de extração lipídica e/ou taxa de penetração na pele.
Alguns poucos solventes, tais como estireno e álcoois, podem induzir à dermatite
de contato alérgica, que independe da concentração do agente.
Aerodispersóides
Definições
De forma ampla, o material particulado contaminado é todo aquele aerossol que
se encontra em suspensão no ar e que pode ser nocivo à saúde. De acordo com
sua formação, os particulados podem ser classificados como sólidos ou líquidos.
Como particulados líquidos temos as névoas e neblinas, e como particulados
sólidos, as poeiras (fibras) e os fumos.
Classificação quanto á formação
A) Poeira
São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de um sólido, seja pelo
simples manuseio (limpeza de bancadas), seja em conseqüência de uma
operação mecânica (trituração, moagem, peneiramento, polimento, dentre outras).
Exemplos:Poeira de sílica, asbesto e carvão.
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B) Fumos
São partículas sólidas resultantes da condensação de vapores ou reação química,
geralmente após volatilização de metais fundidos.
Exemplos: Fumos de Pb – ponteamento de arames; Fumos de Zn –
galvanoplastia
C) Névoas e Neblinas
Névoas e neblinas são partículas liquidas, produzidas por ruptura mecânica de
liquido ou por condensação de vapores de substancias que são líquidas à
temperatura ambiente.
Exemplo: Névoa de tinta – resultante de pintura à pistola
D) Fibras
São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de sólidos que se
diferenciam das poeiras porque têm forma alongada, com um comprimento de 3 a
5 vezes superior a seu diâmetro.
Exemplos:
Animal – lã, seda, pêlo de cabra e camelo
Vegetal – algodão, linho, cânhamo
Mineral – asbesto, vidro e cerâmica
Deve-se salientar que essa classificação é apenas para facilitara compreensão,
pois, do ponto de vista da Higiene, não é muito significativa a maneira como as
partículas são originadas para fins de avaliação e controle.
Classificação quanto ao efeito no organismo
A classificação quanto ao tipo de dano que a poeira pode produzir no nosso
organismo é a seguinte:
Pneumoconiótica: Aquela que pode provocar algum tipo de pneumoconiose. Ex.:
Silicose, asbestose, antracose, bissinose.
Tóxica: Pode causar enfermidade tanto por inalação quanto por ingestão. Ex.:
metais como chumbo, mercúrio, arsênico, cádmio, manganês, cromo, etc.
Alérgica: Aquela que pode causar algum tipo de processo alérgico. Ex.: poeira de
resina epóxi e algumas poeiras de madeira.
Inerte: Produz enfermidades leves e reversíveis, causando geralmente bronquite,
resfriados, etc.
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Tipos de particulados, Efeitos e Ocorrência no Ambiente de Trabalho
Sílica
A sílica é encontrada na natureza em abundancia, pois constitui a maior parte da
crosta terrestre. Sua formula química é constituída por um átomo de silício e dois
de oxigênio (SiO2).
Esses átomos, por sua vez, unem-se a outros formando diversas estruturas
cristalizadas, resultando em diferentes classes de sílicas cristalizadas. Desse
modo, a sílica cristalizada pode apresentar-se em forma de quartzo, cristobalita,
tridmita, amorfa. A nocividade das partículas de SiO2 é maior de acordo com a
sua forma. A cristobalita e a tridmita possuem um maior potencial fibrogênico do
que o quartzo. Já a sílica amorfa e a fundida são menos nocivas que as
cristalizadas.
De maneira geral, vários são sos fatores que influenciam na maior ou menor
intensidade fibrogênica de determinado tipo de particulado, dentre os quais
destacam-se:
 Concentração de poeira inalada;
 Sílica na poeira;
 Forma cristalizada das partículas;
 Tamanho das partículas;
 Duração da exposição.
O dano direto provocado pelo particulado é diretamente proporcional a
concentração de particulado inalado e duração de exposição.
A sílica é a substancia causadora da enfermidade (silicose) e, evidentemente,
quanto maior o percentual de sílica, maior será a nocividade da poeira.
Outro fator importante na ocorrência da silicose é o tamanho das partículas. As
partículas maiores são selecionadas pelo sistema respiratório, enquanto as
menores podem chegar aos alvéolos pulmonares.
Ocorrência
A exposição ocupacional a poeira contendo sílica ocorre em diversos ambientes
de trabalho e ramos de atividade, tais como: mineração de ouro, ferro, extração
de calcário, dentre outras. Nessas industrias, tanto na extração como no
beneficiamento, há presença de particulados que podem conter sílica. Outros
ramos de atividade em que há presença de poeira sílica: construção civil,
fundição, industrial de refratários, siderúrgicas.
Asbestos
Recentemente houve um aumento dos estudos sobre as fibras de asbesto.
De acordo com as últimas teorias sobre os mecanismos de dano dessas fibras, foi
indicado que a causa é o formato da partícula, dependendo do qual podem ser
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encontradas propriedades cancerígenas. As fibras se classificam em naturais ou
artificiais.
Os perigos para a saúde relacionados como os asbestos encontram-se, na
maioria das vezes, circunscritos ao aspecto da atividade profissional. A inalação
das fibras de asbesto por pessoas submetidas a exposição prolongada e a
concentrações relativamente elevadas pode provocar insuficiência respiratória,
causando, até, mesmo um câncer bronquial ou um mesotela.
Ocorrência
A exposição às fibras de asbestos ocorre principalmente nas industrias de
fabricação de telhas, chapas, caixas d’água e de amianto; na fabricação de
guarnições de freio e embreagem, lonas de freios; na confecção de roupas
protetoras apara bombeiros e pilotos de carro de corrida. Nas industrias de
papelão, o amianto é usado como isolante térmico.
Algodão
A exposição á poeira de algodão produz uma enfermidade denominada bissinose.
Os sintomas dessa doença são: dor no peito, tosse, dificuldade respiratória,
dispnéia. Alem disso, a exposição a esse agente pode produzir também
diminuição da força respiratória, bronquite, febre, alem de sintomas respiratórios
freqüentes. A bissinose também é produzida por outros tipos de fibra, como o
linho ou o cânhamo.
A causa principal dessa doença esta associada à quantidade de poeira inalada e
ao tempo de exposição. Há também, outras causas que influem, como a poluição
atmosférica, hábito do tabaco e as afecções respiratórias.
A bissinose é uma enfermidade difícil de detectar, pois não apresenta alterações
radiográficas ou patológicas especificas.
Ocorrência
A exposição ocupacional à poeira de algodão ocorre mais freqüentemente na
fabricação de tecidos. Nos setores de abertura, cardas e fiação a exposição é
maior do que na tecelagem, revisão e expedição. Em outros ramos de atividade
também pode ocorrer exposição, como, por exemplo, na industria de confecção.
Caulim
Segundo a ACGIH (American Conference of Governanmental Industrial
Hygienists), a inalação de quantidade excessiva de poeira de caulim pode causar
dano à pele e às mucosas, além de pneumoconiose. Desse modo, reduziu-se o
limite de exposição para 2 mg/m3
. o NIOSH (National Institute for Occupational
Safety and Health) não modificou o limite de tolerância para a poeira de caulim. Já
a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) pretende desenvolver no
futuro um estudo mais aprofundado da toxicologia do caulim. Atualmente, esse
órgão estabelece os limites de tolerância de 10 mg/m3
para poeira total e 5 mg/m3
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para poeira respirável. Esses limites estão baseados nos danos causados à pele
e mucosas. Deve-se salientar ainda que os limites de exposição estabelecidos
para o caulim são validos para poeira em suspensão que não contenha sílica livre
cristalizada e/ou asbestos.
Ocorrência
A ocorrência de poeira de caulim acontece principalmente na mineração de
caulim; tanto na extração quanto no beneficiamento.
Madeira
A poeira de madeira é definida como qualquer tipo de particulado em suspensão
proveniente do manuseio da madeira. A madeira dura é derivada de espécies de
árvores de folhas grossas, como, por exemplo, o carvalho e a faia. A exposição à
poeira de madeira pode produzir diversos efeitos na saúde do ser humano, tais
como dermatite, irritação, alergias respiratórias e câncer, segundo estudos
baseados em evidencias epidemiológicas (ACGIH/1998).
Ocorrência
A exposição á poeira de madeira é mais acentuada na fabricação de móveis. As
operações com serra circular, desengrosso, plaina, tupia e lixadeira são as fontes
mais significantes. Nas industrias de reflorestamento e fabricação de celulose e
na construção civil também pode ocorrer exposição a esse agente.
Grãos (trigo, cevada)
Os efeitos da inalação da poeira de grãos são conhecidos por vários séculos.
Ramazzini, em 1713, descreveu os riscos respiratórios associados à exposição de
cereais. Diversos estudos epidemiológicos feitos nas últimas décadas
demonstraram que a exposição à poeira de grãos pode causar: ―febre do grão‖,
chiado, dor no peito, tosse, bronquite, irritação nasal e nos olhos, além de
sintomas de doenças respiratórias crônicas. Com relação aos limites de
tolerância, estes são fixados pelos organismos internacionais, desde que a poeira
em suspensão não contenha sílica livre cristalizada e/ou asbestos.
Ocorrência
A exposição à poeira de grãos ocorre na agricultura, portos e em outros locais
onde há armazenamento desse produto.
Partículas não classificadas de outra maneira – PNOC
Segundo a ACGIH, esse tipo de particulado, apesar de não causar fibrose ou
efeitos sistêmicos, não é biologicamente inerte. Sendo assim, o termo
―Particulado Não Classificado de Outra Maneira‖ é usado para enfatizar que esses
particulados são potencialmente tóxicos e não podem ser considerados como não
prejudiciais a qualquer concentração. No entanto, os órgãos internacionais
(ACGIH, OSHA e NIOSH) estão realizando estudos e discussões a respeito dos
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efeitos específicos deste tipo de particulado. Deve-se salientar, entretanto, que a
classificação da poeira como PNOC é condicionada ao teor de sílica livre
cristalizada (<1%) e à ausência de asbestos. Como PNOC, podemos citar o
alumínio, carbonato de cálcio, celulose, carvão vegetal, cimento, cal dentre
outros.
Ocorrência
A presença desse tipo de particulado pode ocorrer em diversos ramos de
atividade, tais como: fábrica de cimento, cal, industria de papel, dentre outros.
Partículas metálicas
Os efeitos da exposição a fumos ou poeiras metálicas estão condicionados ao
tipo de substancia presente. Assim sendo, dependendo do processo e das
matérias-primas utilizadas, pode ocorrer a exposição a ferro, manganês, zinco,
chumbo, cromo, dentre outros. Essas substâncias podem produzir
pneumoconioses, doenças como saturnismo (chumbo) e manganismo, irritação,
dentre outras.
A exposição a fumos metálicos pode produzir a ―febre dos fundidores‖. Essa
doença resulta no aparecimento de tosse, dores nos músculos e nas juntas, febre
e resfriados. Todavia é passageira, e a recuperação ocorre de um a dois dias
após cessar a exposição.
Ocorrência
A exposição à poeira metálica pode ocorrer em: mineração, operações de
rebarbação de peças metálicas, fabricação de baterias, etc. a exposição a fumos
metálicos é mais freqüente nas operações de soldagem, fundições, aciarias,
dentre outras. Nas operações de pintura à pistola, a névoa de tinta formada pode
conter pigmentos metálicos, tais como: chumbo e cromo.
Negro de Fumo
A exposição à poeira de negro de fumo pode produzir efeitos sobre os pulmões. A
ACGIH não considera este agente sob suspeita de ser carcinogênico para o ser
humano, porém os dados existentes são insuficientes para se chegar a essa
conclusão.
Ocorrência
A exposição a esse agente ocorre com maior freqüência na fabricação de
borracha.
Parâmetros utilizados nas avaliações de particulados
A) Tamanho das partículas
O tamanho das partículas é de fundamental importância na avaliação de poeiras,
vez que, dele depende os efeitos na saúde, o tempo em que as partículas ficam
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em suspensão, entre outros. A ACGIH, há muitos anos, tem recomendado o limite
de tolerância por seleção de partículas (respiráveis) para sílica cristalizada, pois
há uma associação bem estabelecida entre a silicose e as concentrações de
poeira respirável. A intenção da American Conference of Governmental Industrial
Hygienists – ACGIH é de estabelecer todos os seus limites para fração respirável,
inalável e torácica.
Quanto ao tamanho das partículas, podem ser classificadas conforme o quadro a
seguir:
Tipo de Particulado Tamanho Aproximado (μm)
Inalável 0 a 100
Torácicas 0 a 25
Respirável 0 a 10
B) Partícula respirável
São as partículas que conseguem penetrar na região de troca de gases do
pulmão. Esse tipo de particulado é o de maior risco, pois pode alcançar os
alvéolos pulmonares.
C) Partícula inalável
São as partículas que ficam depositadas em qualquer lugar do trato respiratório. A
ACGIH recomenda o limite de tolerância de 10mg/m3
de partículas inaláveis.
D) Particulado torácico
São partículas que oferecem risco quando depositadas em qualquer lugar no
interior das vias aéreas dos pulmões e da região de troca de gases.
E) Particulado total
É todo o material em suspensão no ar, independente do tamanho das partículas.
A NR-15 estabelece o limite para sílica livre cristalizada e para particulados total e
respirável. A ACGIH recomenda o limite de tolerância de poeira total, para vários
tipos de poeira, embora haja uma tendência de fixar todos os limites para fração
respirável, inalável ou torácica.
Unidades de Medida
Os limites de tolerância para exposição à poeira, exceto asbestos, são expressos
em mg/m3
, isto é, a massa retirada do filtro dividida pelo volume amostrado.
Assim sendo, na avaliação quantitativa, temos de determinar esses parâmetros.
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1) Volume amostrado (m3
)
O volume amostrado é determinado pela seguinte fórmula:
Va = Q x Ta
Onde:
Va = Volume amostrado
Q = Vazão média durante a amostragem
Ta = Tempo de amostragem em minutos
Sendo a vazão da bomba em L/min e tempo de amostragem (Ta) em minutos, o
volume obtido na fórmula será expresso em litros. Para transformar esse volume
em m3
, divide-se o resultado obtido por 1000.
Assim, temos:
Va = (Q x Ta)/1000
2) Concentração
A concentração de poeira em mg/m3 é obtida pela seguinte fórmula:
C = m/Va
Onde:
C= Concentração de poeira
M = Massa de amostra em mg
Va = Volume amostrado em m3
, conforme explicado no item anterior.
3) PPM – Parte por milhão
Esta unidade é muito utilizada, sendo o ppm a concentração expressa em volume
/ volume, conforme demonstrado a seguir:
1 m
1 m
1 m
1 cm3
1 m3
de ar
1cm3
de ar contaminado
ppm = 1 cm3
/ 1 m3
= 1 cm3
/ 1000000 = 1 ppm
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4) Conversão das fórmulas (transformação de ppm para mg/m3)
ppm = (24,45) x mg/m3
) / PM e mg/m3
= (ppm x PM) / 24,45
1% = 10000 ppm
1 ppm = 0,0001%
Onde:
PM = peso molecular da substância
Ppm = parte por milhão
Exemplos:
1) Transformar 10 ppm de Benzeno (C6H6) em mg/m3
Dados:
Peso atômico – C = 12 g/mol
H = 1 g/mol
PM = 12 x 6 + 6 x 1 = 78 g
mg/m3
= (10 x 78) / 24,45 = 31,9 mg/m3
2) Transformar 130 mg/m3
de CO2 para ppm
Dados:
C = 12 g/mol
O = 16 g/mol
PM = 12 + 2 x 16 = 44 g
Ppm = (24,45 x 130) / 44 = 72,2 ppm
3) Transformar 39 ppm de CO em mg/m3
Dados:
Peso atômico – C = 12 g/mol
O = 16 g/mol
PM = 12 + 16 = 28
mg/m3
= (28 x 39) / 24,45 = 44,7 mg/m3
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Brief & Scala
A adoção dos limites de tolerância da ACGIH devem ser corrigidos através da
fórmula Brief & Scala, vez que a jornada de trabalho no Brasil é de 8 (oito) horas
diárias e 44 (quarenta e quatro) horas semanais, enquanto os limites da ACGIH
são para jornada de 8 (oito) horas por dia e 40 (quarenta) horas semanais.
O fator de redução do limite de tolerância Brief & Scala é o seguinte:
FR = (40 / h) x [(168 – h) /128]
Onde: FR = Fator de Redução
h = Jornada de trabalho em horas
Exemplo:
O fator de redução do limite da jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas
semanais para 44 (quarenta e quatro) horas semanais é:
FR = (40 / 44) x [(168 – 44) / 128] = 0,88
Assim sendo, o limite de tolerância, por exemplo, de 10 mg/m3
recomendado pela
ACGIH para poeira de cimento, deverá ser corrigido no Brasil com a seguinte
redução:
LTcorrigido = 0,88 x 10 mg/m3
= 8,8 mg/m3
Principais Instrumentos de Medição
Para amostragem de particulados (Poeira mineral, algodão, fumos, gases e
vapores), podem ser necessários os seguintes instrumentos:
 Bomba gravimétrica de poeira;
 Sistema filtrante (filtros, porta-filtro e suportes);
 Sistema separador de tamanho de partícula (ciclone);
 Elutriador vertical para poeira de algodão;
 Calibradores tipo bolha de sabão;
 Calibrador eletrônico;
 Tubos colorimétricos;
 Tubos de carvão ativado.
Os meios de coleta são:
 Filtros;
 Tubo de sílica gel;
 Tubo de carvão ativado;
 Impinger, entre outros.
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Bomba gravimétrica de poeira
Esse equipamento é responsável pela aspiração de
ar contaminado até o sistema de coleta. Atualmente,
existem no mercado diversas marcas e modelos de
bombas gravimétricas. Há modelos simples e
modelos com tecnologia mais avançada, que
possuem o sensor eletrônico de fluxo laminar,
garantindo uma vazão constante, através da
compensação da tensão da bateria, altitude,
temperatura e quantidade de amostra retida no filtro.
Elutriador vertical para poeira de algodão
O Elutriador vertical é utilizado para avaliar a concentração de poeira de algodão.
É constituído de uma bomba e um orifício crítico, que regula o fluxo de 7,4 l/min
na entrada do elutriador. Com essa vazão de aspiração, são separadas as
partículas menores que 15 μm, ou seja, somente as partículas deste tamanho irão
impactar no filtro.
Detector de gases / tubos reagentes ou colorimétricos
Os detectores de gases podem ser de pistão ou fole, e são utilizados com os
tubos reagentes ou colorimétricos. A medição com esse instrumento consiste na
aspiração de volume conhecido de ar que passa pelo tubo reagente. O poluente
contido no ar reage com substancia especifica do tubo e muda a cor, e a extensão
dessa mancha permite realizar a leitura direta da concentração na escala o tubo.
É importante ressaltar que os tubos são específicos para cada gás ou vapor.
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Medidor com sensor eletroquímico
Estes instrumentos realizam medição direta e imediata dos contaminantes
presentes, sendo constituídos de sensores, que, pelos diferentes princípios de
detecção (elétrico, térmico, eletromagnético, etc), determinam a concentração do
contaminante.
Dosímetro passivo
Os amostradores passivos constituem um procedimento para obter amostras
ambientais sem a necessidade de forçar a passagem de ar por bombas, utilizando
o fenômeno de difusão e adsorção, ou seja, podem fornecer leitura direta ou
indireta através de análises laboratoriais.
Limites de tolerância
A Portaria Mtb n. 3214/78, NR-15, estabelece critérios para a caracterização de
insalubridade e fixa limites de tolerância para alguns tipos de particulados. Outros
tipos, também prejudiciais à saúde, foram relacionados no Anexo XIII da referida
norma como avaliação qualitativa, ou seja, a possível insalubridade deverá ser
verificada através de inspeção no local. Além disso, vários particulados
importantes do ponto de vista ocupacional foram omitidos, tanto na fixação de
limite como na avaliação qualitativa.
Convém ressaltar que, os limites adotados pela NR-15, foram baseados naqueles
recomendados pela ACGIH. Os limites de tolerância atualmente fixados pelas
normas precipitadas são os seguintes:
Limites da legislação brasileira (Portaria MTb n. 3214/78)
1) Poeiras minerais contendo sílica livre cristalizada (quartzo) – Anexo XII,
NR-15
Poeira total
LT = 24 / (%SiO2 + 3) (mg/m3)
Poeira respirável
LT = 8 / (%SiO2 + 2) (mg/m3)
A norma define que ―Quartzo‖ deverá ser sempre entendido como sílica livre
cristalizada.
No caso de poeira respirável, a norma estabelece que ―tanto a concentração
como a porcentagem de quartzo para aplicação deste limite devem ser
determinadas a partir da porção que passa por um seletor com as características
do quadro contido no Anexo XII da NR-15‖.
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Os limites são válidos para 48 (quarenta e oito) horas semanais, sendo que as
jornadas excedentes a este valor deverão ser reduzidas pela autoridade
competente.
2) Fibras de asbestos
O anexo XII da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 2 (duas) fibras/cm3
para fibras respiráveis de asbestos crisotila. Fibras respiráveis são aquelas com
diâmetro inferior a 3 micrômetros, comprimento maior ou igual a 5 micrometros e
relação entre comprimento e diâmetro igual ou superior a 3:1.
3) Chumbo
O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 0,1 mg/m3 para
chumbo, independentemente da forma que ele encontra-se no ambiente (poeira
ou fumos metálicos).
4) Manganês:
 5,0 mg/m3: pra exposição à poeira de manganês e seus compostos,
nas operações de extração, moagem, transporte de minério, entre
outros.
 1,0 mg/m3: para exposição a fumos de manganês e seus
compostos, nas operações de fabricação de baterias de pilhas
secas, vidros especiais e cerâmicas, fabricação uso de eletrodos de
solda, tintas fertilizantes, entre outros.
5) Negro-de-fumo
O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 3,5 mg/m3 para negro-
de-fumo em uma jornada de até 48 (quarenta e oito) horas semanais.
Entende-se como ―Negro-de-fumo‖ as formas finamente divididas do carbono,
produzidas pela combustão incompleta da decomposição térmica do gás natural
ou do óleo de petróleo.
Entende-se por exposição ao ―Negro-de-fumo‖ a exposição permanente no
trabalho ao Negro-de-fumo em suspensão no ar, originado pelo manuseio do
mesmo.
6) Outros particulados
O Anexo XIII da NR-15 estabelece como insalubre, pelo método de inspeção no
local de trabalho, as atividades ou operações com arsênico, carvão mineral,
cromo, silicatos, bagaço de cana, cimento, cal entre outros.
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Limites de tolerância recomendados pela ACGIH
Conforme comentado anteriormente, a NR-15 não estabelece limites de tolerância
para vários tipos de agentes químicos, omitindo importantes substancias do ponto
de vista ocupacional, como por exemplo, algodão e madeira. De forma que
preencha essa lacuna, a NR-9 da Portaria n.3.214 dispões:
―Quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos
trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR-15, ou, na
ausência deste, os limites de exposição ocupacional recomendados pela ACGIH –
ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva, desde que
mais rigorosos, deverão ser adotadas medidas de controle‖.
Convém ressaltar, no entanto, que os limites da ACGIH deverão sofrer correção
em função da jornada de trabalho, conforme comentado anteriormente (Brif &
Scala). Assim, por exemplo, o ácido nítrico não possui limite estabelecido no
Anexo XI da NR-15, podendo-se utilizar o limite da ACGIH que é de 2,0 ppm,
multiplicado por 0,88 (fator de correção), obtendo-se, então, o valor de 1,76 ppm.
Medidas de Controle
As medidas de controle da exposição aos particulados são:
— medidas relativas ao ambiente;
— medidas relativas ao homem.
Medidas relativas ao ambiente
1) Substituição do produto tóxico ou nocivo
Este procedimento técnico nem sempre é possível, em se tratando do pouco
avanço tecnológico e científico em que se encontra o parque industrial brasileiro,
mas, quando possível, é a maneira mais segura de se eliminar ou minimizar o
risco da exposição.
Podemos exemplificar citando, por exemplo, a substituição do chumbo por óxidos
menos tóxicos, tais como óxido de titânio e zircônio. Na fabricação e manipulação
de camadas vitrificadas e tintas, podemos substituir o chumbo pêlos sais de zinco.
Outro exemplo importante é o da substituição da areia contendo sílica livre por
granalha de aço, nas operações de jateamento de peças, visto que se reduz
sensivelmente o risco de silicose (quando não se tratar de peças fundidas).
2) Mudanças ou alteração do processo ou operação
Consiste na alteração do processo produtivo, como, por exemplo:
— utilização de pintura por imersão ao invés de pintura utilizando pistola;
— mecanização e automatização de processos — ensacamento de pós.
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3) Encerramento ou enclausuramento da operação
Consiste no confinamento da operação, objetivando-se, assim, a impedir a
dispersão do contaminante para todo o ambiente de trabalho. O confinamento
pode ou não incluir o trabalhador. Quando houver processos produtivos que
gerem grandes quantidades de contaminantes, e o trabalhador estiver inserido no
enclausuramento, a ele deverá ser obrigatoriamente fornecido equipamento
adequado de proteção pessoal, independentemente de haver ou não sistema de
exaustão.
4) Segregação da operação ou processo
Consiste, basicamente, no isolamento da operação, limitando seu espaço físico
fora da área de produção. Normalmente se utiliza este controle quando não se
pode mudar o processo produtivo, e o agente agressivo atinge a outros
trabalhadores, contaminando-os, sem que estes participem da operação.
A adoção desse processo implica em diminuir o número de trabalhadores
expostos aos riscos, sem, contudo, deixar de levar-se em conta que os
trabalhadores expostos ao risco deverão necessariamente fazer uso de medidas
de proteção individual.
A segregação pode ser feita no ESPAÇO ou no TEMPO: segregação no espaço
consiste em isolar o processo a distância; enquanto segregação no tempo
significa executar uma tarefa fora do horário normal, reduzindo igualmente o
número de trabalhadores expostos.
Como exemplo temos: jateamento de areia fora da área produtiva (segregação no
espaço de serviços de manutenção); e reparo de alto risco realizado fora da
jornada de trabalho convencional (segregação no tempo).
5) Umidificação
É a medida mais antiga utilizada no controle da poeira. A eficiência da
umidificação de poeira depende de dois fatores: do umedecimento da poeira e de
sua adequada disposição depois de molhada.
Como aplicações clássicas desse método, podemos citar a utilização de água nas
operações de perfuração em minas e a aspersão de água sobre as mandíbulas
de britadores, etc.
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6) Ventilação geral diluidora
A ventilação geral diluidora consiste na insuflação e exaustão de ar em um
ambiente de trabalho, de forma que promovam a redução de concentrações de
poluentes nocivos. Tal redução ocorre, uma vez que, ao se introduzir grandes
volumes de ar puro em um ambiente contendo uma certa massa de determinado
poluente, haverá dispersão ou diluição desta massa, reduzindo-se, assim, a
concentração dos poluentes.
7) Ventilação local exaustora
A ventilação local exaustora consiste na captação dos poluentes de uma fonte
antes que estes se dispersem no ar do ambiente de trabalho e atinjam a zona de
respiração do trabalhador.
No que se refere ao controle da poluição do ar da comunidade, a ventilação local
exaustora também tem papel importante.
Tal tipo de ventilação possui várias vantagens em relação à geral diluidora, dentre
elas: captura e controle completo do contaminante: vazões requeridas mais
baixas; os contaminantes são recolhidos em um menor volume de ar capturado,
reduzindo-se também os custos.
8) Ordem e limpeza
A ordem e a limpeza constituem medidas eficazes no controle da exposição à
poeira, pois os restos de materiais acumulados em máquina, bancada ou piso
podem espalhar a poeira no ar.
Uma boa ordem e limpeza significam limpeza dos pisos, das máquinas e de
quaisquer superfícies horizontais; previsão de depósitos para materiais nocivos e
de métodos adequados a seu transporte e emprego; disposição das operações de
modo que limite o número de operários expostos ao risco, etc.
Os métodos de limpeza também podem gerar poeira. Assim sendo, deve-se evitar
o uso de vassoura, escova ou ar comprimido, pois estes processos provocam a
emanação de poeira e, muitas vezes, são responsáveis exclusivos pela exposição
do trabalhador a esse agente. Portanto, a limpeza por meio de umidificação ou
por aspiração são os métodos recomendados.
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Medidas relativas ao homem
1) Limitação do tempo de exposição
A redução dos períodos de trabalho é uma importante medida de controle,
quando todas as outras medidas possíveis forem impraticáveis ou insuficientes no
controle de um agente. Assim, a limitação da exposição ao risco, dentro de
critérios técnicos bem definidos, pode tornar-se a solução mais efetiva e
econômica.
2) Educação e treinamento
A conscientização do trabalhador quanto aos riscos inerentes às operações,
riscos ambientais e formas operacionais adequadas que garantam a efetividade
das medidas de controle adotadas, além do treinamento em procedimentos de
emergência e noções de primeiros socorros, deverão ter lugar sempre,
independentemente da utilização de outras medidas de controle, servindo-lhes
como importante complemento.
3) Equipamentos de proteção individual
Os equipamentos de proteção individual devem ser sempre considerados como
segunda linha de defesa, após criteriosas considerações sobre todas as possíveis
medidas de controle relativas ao ambiente que possam ser tomadas e aplicadas
prioritariamente.
Entretanto, há situações especiais nas quais as medidas de controle ambientais
são inaplicáveis parcial ou totalmente. Nestes casos, a única forma de proteger o
trabalhador será dotá-lo de equipamentos de proteção individual.
Nas operações em que as concentrações de poluentes são superiores ao limite
de tolerância, devem ser usados respiradores de filtro químico (gases e vapores)
e mecânico (fumos, poeira, etc.).
Nos locais onde há presença de gases e poeira, devem ser usados respiradores
de filtro combinado.
É importante esclarecer que os respiradores devem ser usados, obrigatoriamente,
durante todo o tempo de exposição. A não-utilização do protetor em curto espaço
de tempo diminui significativamente o seu fator de proteção. Outras informações a
respeito dos respiradores estão no Capítulo IX, item VI — Programa de Proteção
Respiratória — PPR.
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4) Controle médico
Os exames médicos pré-admissionais e periódicos devem ser feitos como forma
de controle da saúde geral dos trabalhadores, de detecção de fatores
predisponentes às doenças profissionais, assim como para avaliação da
efetividade dos métodos de controle empregados.
Glossário:
Concentração no ar - É a relação entre o contaminante e o volume do ar
amostrado no local de interesse; as unidades mais usuais são : mg/m3
ou μg/m3
(relação entre a massa da substância poluidora e o volume do ar amostrado). O
ppm também é usado ( relação entre o volume do contaminante detectado na
amostra e o volume do ar amostrado) ou seja, em ―partes por milhão‖.
Valor Teto (VT) - A substância que tenha valor teto não poderá, em momento
algum, formar concentração no ar acima do limite de tolerância , sem que
medidas de controle sejam tomadas de imediato.
Limite de Tolerância – É a maior concentração do agente químico, que um
individuo sadio poderá ficar exposto, sem efeitos adversos a sua saúde.
Nível de Ação – É o valor acima do qual devem ser iniciadas as ações
preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes
ambientais ultrapassem os limite de exposição. Estes níveis de ação estão
definidos na NR-09, do MTE.
Limite de Tolerância – Média Ponderada – Na tabela limite de tolerância não
tem a coluna valor teto assinalada, representa a concentração média existente
durante a jornada de trabalho, podendo-se ter valores acima do limite fixado,
desde que sejam compensados com valores abaixo deste, acarretando uma
média ponderada igual ou inferior ao limite de tolerância.
No entanto, estas oscilações para cima não podem ser indefinidas, devendo
respeitar um valor máximo que não pode ser ultrapassado.
Valor Máximo (VM) – É obtido através da equação VM = LT x FD, onde FD =
fator de desvio (tabelado), de acordo com o limite de tolerância (LT).
O valor máximo é calculado para as substâncias que não possuam valor teto.
O valor máximo de concentração não poderá ser excedido em momento algum
da jornada de trabalho; caso ocorra a situação será considerada de risco grave e
iminente.
Quadro nº 2 – Anexo 11 da Portaria 3214
L.T. (Limite de Tolerância em ppm ou
mg/m3
)
F.D. (Fator de Desvio)
0 a 1 3
1 a 10 2
10 a 100 1,5
100 a 1000 1,25
Acima de 1000 1,1
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30
O anexo 13, da NR 15, que estabelece os limites de tolerância para cada uma das
substâncias, de acordo com a gravidade dos efeitos que cada uma delas poderá
causar no organismo humano. Além disso, define, as condições de riscos grave e
iminente, sempre que os valores máximos sejam ultrapassados, permitindo a
Delegacia Regional do Trabalho interditar o local de trabalho.
Exercícios resolvidos
1)Ao se avaliar a concentração de amônia (LT=20 ppm) num local de trabalho,
verificou-se que o trabalhador fica exposto: 3 horas a 10 ppm e 5 horas a 25 ppm.
O limite de tolerância foi ultrapassado?
Resolução :
Concentração Média : valor da concentração x horas + .......
8 horas de trabalho
Concentração Média : 10x3 + 25x5 = 19,3
8
Amônia = 20 ppm (limite de tolerância)
Valor Máximo = LT x FD
= 20 x 1,5 = 30 ppm
A maior concentração obtida é de 25 ppm, inferior ao valor máximo.
Como nem o limite fixado e nem o valor máximo foram ultrapassados, pode-se
afirmar que o limite de tolerância foi respeitado.
2)Transformar 10 ppm de benzeno (C6 H6 ) em mg/m3
Dados: peso atômico C = 12 g/mol
H= 1 g/mol
PM= 12x6 + 6x1 = 78 g
mg/m3
= 10 x 78 = 31,9
24,45
Textos Complementares
PNEUMOCONIOSES
Aspectos Epidemiológicos
As Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais - DPAO, especialmente
aquelas relacionadas aos ambientes de trabalho, constituem ainda, entre nós, um
importante e grave problema de saúde pública.
Considerando o atual estágio de desenvolvimento científico e tecnológico do
Brasil, enquanto país industrializado são incipientes os conhecimentos e os
mecanismos de controle dessas enfermidades conseqüentes da degradação
HIGIENE OCUPACIONAL I - Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho
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ambiental, que, por sua vez, têm gerado impacto nas condições de saúde e
qualidade de vida da população.
Essas doenças, em sua maioria, de curso crônico, são irreversíveis. Além de
incapacitar os indivíduos ainda jovens, requer compensação previdenciária, faceta
importante de implicação social.
Conforme Portaria nº. 2.569, publicada no Diário Oficial União de 20.12.95, o
Ministério da Saúde, através da Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária
e da Coordenação de Saúde do Trabalhador constituiu o Comitê Assessor em
Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais, com o propósito de, juntamente
com outros segmentos, implementar ações para o equacionamento e, se possível,
a redução dessas doenças.
Diante da importância e da abrangência das doenças relacionadas ao processo
de trabalho, pretende-se abordar nesse manual de normas as Pneumoconioses,
tais como: a Silicose, a Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão e a
Pneumoconiose por Poeiras Mistas, em especial aquelas que causam maior
impacto social em nosso meio.
O termo pneumoconiose foi criado por Zenker, em 1866, para designar um grupo
de doenças que se originam de exposição a poeiras fibrosantes. Em 1971, este
termo foi redefinido como sendo "o acúmulo de poeiras nos pulmões e a reação
tecidual à sua presença" e define como poeira um aerosol composto de partículas
sólidas inanimadas.
As pneumoconioses a serem abordadas neste manual são algumas das mais
freqüentes encontradas no país: Silicose, Pneumoconiose dos Trabalhadores
de Carvão e Pneumoconiose por Poeiras Mistas.
Silicose
A silicose é uma doença pulmonar causada pela inalação de poeiras com sílica-
livre e sua conseqüente reação tecidual de caráter fibrogênica.
Embora conhecida desde a antigüidade, no Brasil, caracteriza-se como a principal
pneumoconiose e as estatísticas fiéis são escassas, assim como as estimativas
da população de risco. Contudo, a ocorrência de poeiras com sílica certamente
atinge alguns milhões de trabalhadores nas mais variadas atividades produtivas.
Agrava-se o quadro quando se considera que a silicose está intimamente
relacionada com a tuberculose, além de outras doenças como artrite reumatóide e
até mesmo neoplasia pulmonar.
No Brasil, em 1978, estimou-se a existência de aproximadamente 30.000
portadores de silicose. Em Minas Gerais, registrou-se a ocorrência de 7.416
casos de silicose na mineração de ouro. Na região Sudeste de São Paulo foram
identificados aproximadamente 1000 casos em trabalhadores das indústrias de
cerâmicas e metalúrgicas. No Ceará, entre 687 cavadores de poços examinados,
a ocorrência de silicose e provável silicose foi de 26,4% (180 casos). No Rio de
Janeiro, entre jateadores da indústria de construção naval, a ocorrência de
silicose foi de 23,6% (138 casos), em 586 trabalhadores radiografados. Na Bahia,
relatório preliminar de avaliação dos casos atendidos no Centro de Estudo de
Saúde do Trabalhador (CESAT), no período de 1988 a 1995, registrou a
existência de 98 casos, sendo encontrada associação de sílico-tuberculose em 37
casos (38%).
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Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão (PTC)
Esta enfermidade é causada pelo acúmulo de partículas de carvão nos pulmões,
com prevalência e incidência em diferentes regiões carboníferas do mundo. Os
dados estatísticos diferem muito devido a existência de vários tipos de carvão. O
tipo antracitoso, que possui elevado conteúdo de carbono, promove maior número
de partículas respiráveis, quando comparado ao tipo betuminoso que é o mais
comum nas minas da região Sul do Brasil.
Em 1836, a PTC foi descrita na Inglaterra por Thompson. No final do século
passado e início deste, aumentou o número de casos com a eclosão da primeira e
segunda Guerra Mundial. Tornou-se um problema epidêmico, principalmente no
país de Gales e Inglaterra, razão pela qual em 1945 criou-se uma unidade de
pesquisa para as pneumoconioses.
No Brasil, as PTC ocorrem com maior freqüência nos estados do Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul onde estão concentradas as maiores bacias
carboníferas do país. Somente na região de Santa Catarina existem mais de 3000
casos de PTC. A prevalência que era de 5 a 8%, com a mineração manual ou
semimecanizada, passou para 10% com a mecanização das minas. A partir de
1985, com adoção de medidas de prevenção como uso de água nas frentes de
serviços e melhor sistema de ventilação, a prevalência caiu para 5 a 6%.
A redução na incidência das PTC tem sido observada nos países desenvolvidos,
medidas de higiene, como por exemplo, a Inglaterra, quando os índices eram de
13,4% na década de 50, caíram para 5,2% em 1978, e atualmente estão entre 3 e
2,5%. Essa mesma redução vem ocorrendo na Alemanha, França e Estados
Unidos da América. Além disso, deve-se considerar que os mineiros desses
países trabalham, em média, 30 anos, enquanto que no Brasil o período
laborativo na mineração no subsolo é de 15 anos.
Pneumoconiose por Poeiras Mistas (PPM)
Define-se PPM como as pneumoconioses causadas pela inalação de poeiras
minerais com porcentagem de sílica livre cristalina abaixo de 7,5%, ou com
alterações anatomopatológicas características, tais como "lesões em cabeça de
medusa" ou "fibrose intersticial".
São consideradas como mais freqüentes:
 a antracosilicose em mineiros de carvão expostos a altos teores de Si02;
 a silicossiderose em fundidores de ferro;
 a doença de Shaver, nos trabalhadores de fabricação de abrasivos de
alumínio;
 a pneumoconiose pelo caulim e a talcose.
 Trabalhadores Expostos ao Risco: caracterizam-se como trabalhadores
expostos ao risco ocupacional de adoecimento por Silicose, PTC e PPM
todo indivíduo que trabalha em ambiente onde se respira essas poeiras.
Sílica livre: (sílica cristalina ou quartzo) composto unitário de SiO2 (dióxido
de silício) com um átomo de oxigênio nas pontas de um tetraedro. A sílica
livre cristalina é extremamente tóxica para o macrófago alveolar devido às
suas propriedades de superfície que levam à lise celular.
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Partículas de carvão: poeira proveniente do carvão mineral, desprendida durante
a mineração. Existem quatro tipos de carvão: legnito, sub-betuminoso,
betuminoso e antracitoso. Os dois últimos são os maiores responsáveis pelo
desenvolvimento da doença.
O risco de silicose existe quando há mais de 7,5% de sílica livre cristalina na
fração de poeira respirável ou quando, mesmo abaixo destes limites, o Limite de
Tolerância para sílica é ultrapassado. Abaixo de 7,5 %, as lesões
anatomopatológicas encontradas são mais características do restante da fração
respirável do que a própria sílica, constituindo-se quadro de
pneumoconiose por poeira mista.
Fração respirável é a fração de poeira resultante de uma determinada
atividade de trabalho que é veiculada pelo ar e tem o potencial de
penetração e de deposição no sistema respiratório humano.
Atividades de Risco de Silicose, PTC e PPM
 indústria extrativa: mineração subterrânea e de superfície
 beneficiamento de minerais: corte de pedras, britagem, moagem e
lapidação
 indústria de transformação: cerâmicas, fundições, vidros, abrasivos,
marmorarias, cortes e polimento de granito e cosméticos
 atividades mistas: protéticos, cavadores de poços, artistas plásticos,
jateadores de areia e borracheiros.
Os Fatores de Risco de Adoecimento podem ser classificados como:
 dependentes da exposição;
 concentração total de poeira respirável;
 dimensão das partículas;
 composição mineralógica da poeira respirável;
 tempo de exposição;
 dependentes da resposta orgânica individual;
 integridade do sistema de transporte mucociliar e das respostas
imunitárias;
 concomitância de outras doenças respiratórias;
 hiperreatividade brônquica;
 susceptibilidade individual
CCÁÁDDMMIIOO
Riscos e Efeitos Específicos Originados por Metais
A intoxicação aguda pelo cádmio pode ocasionar problemas pulmonares muito
graves. Na intoxicação crônica, além de pneumopatia, há alterações renais de
gravidade com proteinúria e anemia. O paciente apresenta também descoloração
do colo dos dentes e anosmia. Intoxicações crônicas causadas por longas
exposições a concentrações levemente superiores ao limite de tolerância
acumulam-se no córtex renal, altera a função tubular e reduz a reabsorção de
proteínas com o aparecimento de proteínas de baixo peso molecular com a beta-
2- microglobina. Com o agravamento da doença, haverá perda de aminoácidos,
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glicose e minerais pela urina. O aumento de excreção de fósforo e cálcio perturba
o metabolismo ósseo, favorecendo o aparecimento de calculose renal. Nos casos
mais graves ocorre osteomalácia.
É importante ressaltar que estas alterações renais são irreversíveis e tendem a
piorar, mesmo quando o trabalhador é afastado da exposição.
A exposição ao cádmio, em certas circunstâncias aumenta o risco de câncer de
próstata e do trato respiratório.
CROMO
Riscos e Efeitos Específicos Originados por Metais
Cromo tem importância nas operações de solda de aço inoxidável porque o
desprendimento de fumos nestes processos contém elevada proporção deste
elemento.
Existem registros de que a exposição ao cromo hexavalente (presente no aço
inoxidável) envolve risco de aumento da incidência de câncer de pulmão em
relação à população geral.
Os demais efeitos do cromo, como as dermatites, úlceras da pele e perfuração do
septo nasal, estão mais relacionadas com exposições a névoas ácidas das
operações de cromagem e não às operações de solda.
Riscos e Efeitos Originados por Agentes Químicos nos Processos de
Soldagem
Pneumopatias Relacionadas com a Solda
As doenças pulmonares ocupacionais crônicas são conseqüências do acúmulo de
fumos de solda nos pulmões. Este acúmulo pode ser visualizado através de
exame radiológico como áreas de densidade radiológica maior que as do pulmão
normal.
Alguns fumos ocasionam pneumopatias, como a pneumonia devida ao
manganês, a bronquite crônica ou pneumonia devida ao vanádio, a pneumonia
grave devida ao cádmio, etc.
Os fumos de solda não costumam ocasionar fibrose pulmonar como ocorre na
exposição à sílica cristalina, ao berílio, ao asbesto, ao talco e às diatomáceas.
Enfisema pulmonar crônico está ligado a exposições prolongadas ao ozônio,
óxidos de nitrogênio, cádmio e, eventualmente, outros agentes.
Óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre tem sido responsabilizados por bronquite
crônica.
Febre de Fumos Metálicos
É uma reação febril do organismo à exposição de certos fumos, principalmente de
zinco, mas também podendo ocorrer com outros fumos como de magnésio,
níquel, cádmio (na fase inicial), polímeros, cobre, etc.
Após o episódio da febre, o trabalhador adquire tolerância aos fumos, mas perde-
a rapidamente quando cessa a exposição. Por este motivo, a febre de fumos
costuma ocorrer com trabalhadores que não tiveram exposição prévia, ou quando
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retornam à exposição após alguns dias de afastamento, como por exemplo, após
as férias.
O diagnóstico de febre dos fumos metálicos é habitualmente confundido com
episódios gripais e, por isso, raramente identificado.
CCHHUUMMBBOO
Nas exposições usuais de solda de indústria, a exposição ao chumbo não é muito
freqüente, com exceção da indústria eletroeletrônica. Mas é oportuno não
esquecer que há chapas de aço revestidas de chumbo. Este metal também
participa da constituição de ligas como bronze e, eventualmente, latão.
A intoxicação crônica pelo chumbo é, provavelmente a patologia mais conhecida
e estudada.
O chumbo causa vasoconstrição periférica e alterações no sangue e na medula
óssea com graves perturbações na hematopoese, devido à ação do chumbo
sobre o sistema enzimático formador da hemoglobina.
Os principais sintomas são: redução da capacidade física, fadiga precoce,
alterações do sono, mialgias, especialmente na região gemelar, sensação de
desconforto abdominal, inapetência, emagrecimento, impotência sexual, etc.
No exame físico, é comum encontrar-se mucosas descoradas, palidez da pele,
orla azulada nas gengivas e dor à palpação abdominal.
Posteriormente, os sintomas digestivos pioram com o aparecimento de cólicas
intestinais de grande intensidade, que podem simular abdômen agudo cirúrgico,
notadamente.
Quando não controlada, a intoxicação evolui para alterações do sistema nervoso.
Quando afeta os nervos periféricos ocasiona paralisia muscular evidenciada
através do sinal da "queda de mão" e sendo a paralisia do nervo radial muito
característica desta situação. O mesmo pode ocorrer com a inervação dos
músculos palpebrais, impossibilitando a abertura completa dos olhos. Embora
rara, pode ocorrer uma encefalite causada pelo metal, com cefaléia, convulsões,
delírio e coma, chegando a evoluir para óbito. Resta ainda mencionar que em
intoxicações antigas é freqüente observar-se hipertensão arterial associada com
arteriosclerose e esclerose renal.
O controle médico é feito através de exames laboratoriais como a dosagem de
chumbo no sangue ou na urina e das alterações metabólicas no mecanismo
formador da hemoglobina, medida da condutividade nervosa etc.
O tratamento, em geral, permite a cura completa e sem seqüelas. Para isto basta,
na maioria dos casos, o simples afastamento da exposição ou do trabalho.
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Possíveis Riscos dos Produtos Químicos
Produto Uso Riscos para a Saúde
Principais Sintomas e
Conseqüências Prováveis a partir
da Contaminação
Antimônio
Empregado nas
ligas com chumbo,
fabricação de
baterias, graxeiras,
metais para
imprensa,
soldagens,
fabricação de tintas,
etc.
Encontra-se associado
com o chumbo e o
arsênico. Seus compostos
podem irritar olhos, pele e
mucosas das vias
respiratórias. Pós e fumos
podem provocar lesões nos
pulmões.
Sabor metálico. Dores de estômago
ou complicações intestinais.
Vômitos, diarreia, irritabilidade, fadiga,
vertigens e dores musculares.
Redução dos glóbulos brancos.
Lesões nos músculos cardíacos.
Chumbo
Usado em reforma
de
baterias na
construção, em
tintas, vernizes,
tubulações, metal
de imprensa,
munições,
fabricação de
automóveis, latas
pesticidas e
inseticidas.
Penetra no organismo
por inalação e ingestão.
Pode provocar lesões
nos rins e no fígado.
Alguns compostos podem
provocar câncer.
Demência, fadiga, cólicas intestinais,
cefaleia, visão dupla, alteração de
conduta, anemia, degeneração dos
rins e fígado e depressão do SNC -
Sistema Nervoso Central. Seus
compostos orgânicos podem
provocar lesões cerebrais, alterações
mentais, ansiedade, delírio e morte.
Mercúrio
Usado na fabricação
de termômetros,
barômetros, bombas
de vácuo contatos
elétricos e na
extração de ouro e
por dentistas.
0 mercúrio acumula-se nos
rins, fígado, baço e ossos,
0 envenenamento provoca
inchaço das glândulas
salivares e pode resultar
em queda dos dentes e
úlceras na boca e nas
gengivas.
Náuseas, Vômitos, diarréia, cefaléia,
dores abdominais, tremores,
convulsões, espasmos musculares e
alteração de conduta, nervosismo,
irritabilidade, ansiedade e depressão.
Zinco
Usado na fabricação
de baterias, pilhas,
ligas de latão,
bronze e
galvanização.
Os fumos provocam a febre
dos metalúrgicos (calafrio,
febre alta e secura na
boca). Seus compostos
prejudicam os olhos, a pele
e as mucosas.
Dermatite, irritações digestivas
provocando náuseas e vômitos.
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Produto Uso Riscos para a Saúde
Principais Sintomas e
Conseqüências Prováveis
a partir da Contaminação
Alumínio
Usado na construção,
indústrias aeronáutica e
automobilística, fabricação
de papel de alumínio.
Usado também, como
pigmento em algumas
pinturas e ligas como a de
alumínio.
Oferece risco sob a forma de pó,
na produção industrial de
raspantes e no uso de lixas e
rebolos.
0 pó pode provocar irritação nos
olhos, enfisema ou fibrose
pulmonar.
Acetileno
Gás básico no processo
de solda e corte de metais.
Transforma-se em narcótico
quando se mistura com o
oxigênio,provocando sonolência e
perda dos sentidos.
Vertigens, cefaleia, indisposição
estomacal e dificuldades
respiratórias.
Ácido Nítrico
Usado na dissolução e
tratamento de minérios
metálicos.
É tóxico para a pele, os olhos e a
mucosa das vias respiratórias.
Pode produzir edema pulmonar.
Irritação das mucosas (nariz,
garganta e olhos), opressão
toráxica, angústia, respiração
agitada, náuseas, vertigens,
salivação, sensação de fadiga
muscular e bronquite.
Ácido
Sulfúrico
Usado como dissolvente na
degradação de certos
minérios. Forma-se
espontaneamente no
tratamento do minério de
enxofre.
Provoca irritação do sistema
respiratório. Quando diluído pode
causar dermatite e lesões nos
pulmões. Seus vapores são
corrosivos para a pele e os olhos.
Tosse, pneumonia química e erosão
dentes, náusea, vômitos e dores
abdominais.
Cloro
Usado na extração de
alguns minérios na
eletrólise de alguns
metais. É liberado nos
gases de explosão e de
fusão.
Irrita os olhos, a pele e
as mucosas das vias
respiratórias.
Causa sensação de picadas, ardor
e congestão nos olhos e na pele e
hipertensão. Em altas doses pode
causar colapso respiratório.
Cádmio
Usado na galvanização
de outros metais para
evitar corrosão. Facilita o
processo de solda. É
usado em algumas
peças de motores,
baterias de cádmio, níquel,
foguetes, mísseis e aviões.
Os fumos podem causar
envenenamento.
Febre alta, queimação na garganta,
tosse, náuseas, opressão no peito,
vômito, dor de cabeça e cianose
(coloração azulada por deficiência
de oxigênio no sangue).
Metanol
0 metarnol (álcool
metílico) é um álcool
retirado da madeira e do
gás natural. Também é
chamado de carbinol ou
álcool de madeira. Usado
como combustível de
veículos.
Os efeitos no organismo ocorrem
pela contaminação através da
respiração, ingestão e contato
com
a pele. Se ingerido, pode
provocar cegueira e ser fatal.
Distúrbios visuais, vertigens, dor de
cabeça, perturbações digestivas,
irritaçâo nas mucosas do nariz.
0 contato com os olhos pode produz
irirritação, lacrimejamento, sensação
de queimação e cegueira. 0
contato com a pele pode causar
dermatose.
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2. AGENTES FÍSICOS
RUÍDO
Conceitos e parâmetros básicos
a) Som
O som é qualquer vibração ou conjunto de vibração ou ondas mecânicas que
podem ser ouvidas. Na higiene ocupacional, costuma-se denominar barulho como
todo o som indesejável; o barulho e o ruído são interpretações subjetivas e
desagradáveis de um som.
Para a vibração ser ouvida, é necessário que a freqüência do som situe-se entre
16 a 20.000 Hz, e a variação de pressão sonora provocada pela vibração atinja o
limiar de audibilidade (2 x IO-5
N/m2
).
b) Ruído
Do ponto de vista de Higiene do Trabalho:
"O ruído é o fenômeno físico vibratório com características indefinidas de
variações de pressão (no caso ar) em função da freqüência, isto é, para uma
dada freqüência podem existir, em forma aleatória através do tempo, variações de
diferentes pressões."
Essa é uma situação real e freqüente, daí se utilizar a expressão ruído, "mas que
não necessariamente significa sensação subjetiva do barulho". Ex.: choro da
criança.
c) Nível de pressão sonora — Decibel
O nível de pressão sonora determina a intensidade do som e representa a relação
do logaritmo entre a variação da pressão (P) provocada pela vibração e a pressão
que atinge o limiar de audibilidade. Por meio de pesquisas realizadas com
pessoas jovens, sem problemas auditivos, foi revelado que o limiar de
audibilidade é de 2 x 10-5
N/m2
ou 0,00002 N/m2
. Desse modo, convencionou-se
este valor como sendo O (zero) dB, ou seja, o nível de pressão de referência
utilizado pêlos fabricantes dos medidores de nível de pressão sonora. Quando a
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pressão sonora atinge o valor de 200 N/m2
, a pessoa exposta começa a sentir dor
no ouvido (limiar da dor), sendo este valor correspondente a 140 dB.
A determinação do nível de pressão sonora é feita através de uma relação
logarítmica, conforme a equação a seguir:
NPS = 10 log P2
/ P02
Onde: P é a raiz média quadrática (rms) das variações dos valores instantâneos
da pressão sonora.
P0 = Pressão de referência que corresponde ao limiar de audibilidade (2 x 10-5
N/m2
).
Se for aplicada à fórmula o valor de 2 x 10-3
N/m2
(constante) ela poderá também
ser expressa da seguinte maneira:
nps= 20 log p + 94
d) Freqüência do som
A freqüência do som corresponde ao número de vibrações na unidade de tempo.
Assim, uma vibração completa ou ciclo sobre seu tempo de duração, por
exemplo, de 0,01 segundo é igual a:
F = 1 ciclo ou vibração completa = 100 ciclos ou Hertz
0,01 segundo segundo
e) Nível de intensidade sonora e nível de potência sonora
Além do nível de pressão sonora, outros parâmetros como o nível de intensidade
e potência sonora são utilizados em acústica para especificar o ruído de
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equipamentos, cálculos de isolamento, e estimativa de ruído que uma fonte
produz a uma determinada distância.
O nível de intensidade sonora, também expresso em dB, é igual a NIS =10 log l /
In, onde l = a intensidade sonora em um ponto específico e a quantidade média
de energia sonora transmitida através de uma unidade de área perpendicular à
direção de propagação do som. O nível de intensidade sonora expresso em dB é
igual a:
IØ= Intensidade de referência igual a 10-12
Watt/m2
Já o nível de potência sonora, também expresso em dB, é igual a:
NWS= 10 log W / WØ
Onde:
W = Potência sonora da fonte em watts e representa a quantidade de energia
acústica produzida por uma fonte sonora por unidade de tempo.
WØ = Potência sonora de referência igual a 10-12
watts.
f) Nível de decibel compensado ou ponderado
O ouvido humano responde de forma diferente nas diversas freqüências, portanto,
ouvir um som em 3000 Hz a sensação é diferente de ouvi-lo a 500 Hz. Desse
modo, com base em estudos de nível de audibilidade, foram desenvolvidas as
curvas de decibéis compensados ou ponderações nas freqüências A, B, C e D, de
forma que simulem a resposta do ouvido. Estas curvas de compensação foram
padronizadas internacionalmente e introduzidas nos circuitos elétricos dos
medidores de nível de pressão sonora. A figura que se segue mostra as curvas de
compensação:
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Pelo gráfico, observa-se que um som de 100 dB emitido numa freqüência de 50
Hz, quando compensado pelas curvas, fornecerá as seguintes leituras no medidor
de nível de pressão sonora:
Curva ―A‖ – 70 dB
Curva ―B‖ – 82,0 dB
Curva ―C‖ – 99 dB
Curva ―D‖ – 86,0 dB
As normas internacionais e o Ministério do Trabalho adotaram a curva de
compensação ―A‖ para medições de níveis de ruído contínuo e intermitente,
devido à sua maior aproximação à resposta do ouvido humano.
O circuito "A" aproxima-se das curvas de igual audibilidade para baixos Níveis de
Pressão Sonora; o circuito "B" para médios Níveis de Pressão Sonora; e o circuito
"C" para Níveis de Pressão Sonora mais altos. Hoje, entretanto, somente o
circuito "A" é largamente usado, uma vez que os circuitos "B" e "C" não tiveram
boa correlação em testes subjetivos. Uma curva especializada, a compensação
"D", foi padronizada para medições em aeroporto.
g) Incremento de duplicação da dose
O incremento em decibéis é quando o acréscimo a um determinado nível implica
a duplicação da dose de exposição ou redução pela metade do tempo máximo de
exposição (NHO - 01 — Fundacentro). Exemplo: Na NR-15, Anexo l, o incremento
de duplicação é igual a 5 (cinco).
h) Dose equivalente de ruído ou efeitos combinados
Quando a exposição ao ruído é composta de dois ou mais períodos de exposição
de diferentes níveis, devem ser considerados seus efeitos combinados, ao invés
dos efeitos individuais (NR-15, Anexo l, item c). Este efeito combinado ou dose
equivalente é calculado através da soma das seguintes frações:
C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ... Cn / Tn
Onde:
Cn = Tempo total de exposição a um nível específico.
Tn = É a duração total permitida a esse nível, conforme limites estabelecidos no
Anexo l da NR-15.
O resultado obtido não pode exceder a 1 (um).
Os efeitos combinados podem ser obtidos com maior precisão utilizando-se o
audiodosímetro, o qual indica a dose em percentual, assim, o limite será excedido
quando esta for superior a 100%.
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A dose ou efeito combinado pode ser obtida também com o medidor de NPS.
Entretanto, neste caso, o procedimento é bem trabalhoso, pois é necessário
estimar ou cronometrar com exatidão os tempos de exposição a cada nível.
i) Nível equivalente de ruído
Com base na dose, obtém-se o nível equivalente de ruído. Este nível apresenta a
exposição ocupacional do ruído durante o tempo de medição e representa a
integração dos diversos níveis instantâneos de ruído ocorridos nesse período. A
NR-15 considera o incremento de duplicação igual a 5 (q = 5), isto é, a cada
incremento de 5 dB no nível equivalente, dobra a equivalência de energia e,
conseqüentemente, o risco de dano auditivo. Assim, a equação que representa o
critério adotado pela NR-15 é a seguinte:
Leq = 100 + 16,61 x log D/T
Onde:
D = Dose equivalente em fração decimal, ou seja, o valor obtido no
audiodosímetro deve ser dividido por 100.
T = Tempo de medição.
LEQ = Nível equivalente de ruído.
Ruído contínuo e intermitente
Segundo a NR-15 da Portaria n. 3.214 e a norma da Fundacentro, o ruído
contínuo ou intermitente é aquele não classificado como impacto. Do ponto de
vista técnico, ruído contínuo é aquele cujo NPS varia 3 dB durante um período
longo (mais de 15 minutos) de observação. Exemplo:
o ruído dentro de uma tecelagem. Já o ruído intermitente é aquele cujo NPS varia
de até 3 dB em períodos curtos (menor que 15 minutos e superior a 0,2
segundos). Entretanto, as normas não diferenciam o ruído contínuo ou
intermitente para fins de avaliação quantitativa desse agente.
l) Ruído de impacto ou impulsivo
A NR-15, Anexo II, da Portaria n. 3.214 define ruído de impacto como picos de
energia acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1
(um) segundo.
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Quando se utiliza a instrumentação específica pela norma ANSI S1.4, S1.25 ou
IEC 804, o ruído impulsivo ou de impacto é automaticamente incluído na medição.
A única exigência é que a faixa de medição seja de 80 a 140 dB(A), e que a faixa
de detecção de pulso seja de, no mínimo, 63 dB(A). Não deve ser permitida
nenhuma exposição para ouvidos desprotegidos a níveis de pico acima de 140
dB, medidos no circuito de compensação C. Se a instrumentação não permite a
medição de pico no circuito C, uma medição linear com o nível de pico abaixo de
140 dB pode ser usada para implicar que o nível de pico ponderado no circuito C
está abaixo de 140 dB.
m) Espectro sonoro
A faixa audível de freqüência situa-se entre 16 e 2000 Hz, sendo inúmeras as
possibilidades de distribuição da energia sonora na referida faixa. Daí a
necessidade de se avaliar as freqüências em certos tipos de avaliação de ruído. A
análise desta distribuição de nível de pressão sonora na faixa de freqüência é
muito importante para determinar a nocividade do ruído e os meios adequados de
controle.
Para realizar a análise de freqüência, a faixa audível pode ser dividida em bandas
de oitava, terça de oitava e meia oitava, faixa de percentagem, faixa de largura
constante, entre outras, sendo a banda de oitava a mais usada na higiene
ocupacional.
Efeitos do ruído sobre o organismo
O ruído contribui para distúrbios gastrointestinais, distúrbios relacionados com o
sistema nervoso (por exemplo: irritabilidade, nervosismo, vertigens, etc.). Um
ruído intenso e súbito acelera o pulso, eleva a pressão arterial, contrai os vasos
sanguíneos, contrai os músculos do estômago, dentre outras alterações.
Há pessoas que se adaptam ao ruído, e aparentemente este não interfere na sua
habilidade manual e mental. Outras há, porém, que são extremamente sensíveis
a este agente, sofrendo alterações diversas em local muito ruidoso. O que ocorre
normalmente com aqueles que são extremamente sensíveis é que, após uma
fase inicial de adaptação ao ruído, durante a qual vários sintomas se fazem sentir,
não sofrem mais alterações de ordem geral no organismo.
Quanto ao ruído na comunidade, é altamente indesejável, principalmente em
zonas residenciais, junto a escolas, clínicas, etc. Um dos aspectos é a sua
interferência com o sono, pois um repouso tranquilo é necessário para o bem-
estar físico e mental.
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Efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo
a) Ruptura do tímpano
Pode ocorrer a ruptura do tímpano por deslocamento de ar muito forte, como o
resultante de uma explosão, ou outros ruídos de impacto violento. A ruptura desta
membrana que separa o ouvido externo do ouvido médio é por causa da variação
brusca e relativamente acentuada de pressão. É geralmente reversível, pois o
tímpano, na maioria dos casos, cicatriza-se normalmente. A situação pode tornar-
se mais grave se houver complicações, como, por exemplo, infecção no ouvido
médio.
Quanto aos níveis que causam ruptura do tímpano, não existe um limite exalo,
pois a susceptibilidade individual é fator importante. Na maioria dos casos, níveis
de 120 dB causam uma sensação de extremo desconforto; a 130 dB há sensação
de prurido no ouvido com início de dor; e a 140 dB há distinta sensação de dor
nos ouvidos. Daí em diante pode ocorrer ruptura do tímpano, muito provável a
150 ou 160 dB. Têm havido casos raros de deslocamento dos ossículos do ouvido
médio como resultado de explosões violentas.
b) Perda de audição por trauma sonoro
A perda de audição, resultante de exposição a níveis elevados de ruído, ou seja,
por trauma sonoro, pode ser temporária ou permanente.
Quando a diminuição da capacidade auditiva ou hipoacusia for temporária, o
indivíduo gradualmente recupera sua audição. O mecanismo da surdez
temporária não é bem conhecido, é como uma fadiga auditiva. Um nível de ruído
que causa alterações na capacidade auditiva deve ser considerado como uma
possível ameaça de surdez profissional.
A surdez permanente por trauma sonoro ocorre pela destruição das células
sensoriais do órgão de corti, sendo, portanto, uma surdez de percepção.
Essa perda de audição, que é irreversível, pode atingir proporções tais que
incapacitem o indivíduo para a comunicação oral.
Pode ocorrer que um trauma violento, como o resultado de uma explosão, cause
destruição imediata das células ciliadas do órgão de corti o que, no entanto, é
extremamente raro. O mais frequente é um processo gradativo. As perdas de
audição por trauma sonoro caracterizam-se por iniciarem na faixa de frequência
entre 3000 cps e 6000 cps, mais frequentemente 4000 cps. O início de um
processo de surdez profissional pode ser constatado por meio de um exame
audiomé-trico; a perda de audição ao redor de 4000 cps aparece no audiogra-ma
com um formato característico, por isso sua denominação de "gota acústica".
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Como, em casos de surdez profissional, as perdas começam em frequência
acima daquelas indispensáveis para a voz humana, o indivíduo inicialmente não
percebe problema algum. Depois começa uma dificuldade de ouvir sons agudos.
Quando a perda começa a afetar as frequências indispensáveis para a
conversação é que o indivíduo passa a sentir dificuldades, que se tornam cada
vez mais sérias, até a surdez quase total, se não houver afastamento da ex-
posição. Poderá haver sintomas colaterais como zumbido nos ouvidos,
reprodução do ruído industrial após sua cessação, insónia e, raramente, dor.
Instrumentos de medição
a) Medidor de nível de pressão sonora
A NR-15, Anexo l, estabelece que os níveis de ruído contínuo ou intermitente
devem ser medidos em decibéis (dB), com o instrumento de nível de pressão
sonora operando no circuito de compensação "A" e no circuito de resposta lenta.
Já a ACGIH recomenda que o nível de pressão sonora deve ser determinado por
um medidor de nível de pressão sonora ou dosímetro que atenda, no mínimo, às
especificações para medidores de nível de som S1.4/1983, S2A ou para
dosímetros individuais de ruído, ambos da American national Standards Institute
(ANSI). O medidor do nível de pressão sonora determina o nível instantâneo de
ruído; e os intrumentos mais modernos possuem analisador de freqüência
integrado, conforme mostra a figura que se segue:
b) Analisador de freqüência
Este instrumento é útil para determinar-se as freqüências do ruído e,
conseqüentemente, verificar se o NPS concentra-se nas freqüências onde a
resposta subjetiva ao ruído é maior (2000 a 5000 Hz). Além disso, a análise de
freqüências onde a resposta subjetiva permite especificar os isolamentos
acústicos e calcular a atenuação dos protetores auriculares.
Medidor de nível de pressão
sonora integrado com
analisador de freqüência.
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c) Audiodosímetro (medidor integrado de uso pessoal)
Quando há exposição diária a diferentes níveis de ruído, devem ser considerados
os efeitos combinados, ao invés dos efeitos individuais de cada um deles.
A determinação da dose ou efeito combinado e o nível equivalente de ruído deve
ser feita, preferencialmente, por meio de medidores integrados de uso pessoal
(dosímetros de ruído). Este equipamentos deve ser configurado de acordo com as
exigências do critério estabelecido na NR-15, ou seja, jornada de trabalho 8 (oito)
horas dose 100% ou 1 para 85 dB(A) e incremento igual a 5.
d) Calibrador acústico
Os instrumentos de medição devem ser calibrados antes e depois da medição.
Parar tanto, utiliza-se uma fonte-padrão que emite som na freqüência de 1000Hz.
Esse instrumento, ao ser ajustado no microfone do medidor, apresenta o nível de
pressão sonora de 94 dB, 114 dB ou outro valor, de acordo com a marca do
calibrador. Se o valor apresentado for diferente do padrão, o medidor poderá ser
ajustado. A figura 3 lustra o calibrador acústico:
Audiodosímetro
Calibrador acústico
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Limite de tolerância
O item 15.1.5, NR-15, da Portaria n.3.214 define com o limite de tolerância a
concentração ou intensidade máxima oi mínima relacionada com a natureza e o
tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador
durante sua vida laboral. Já a American Conference of Governmental Industrial
Hygienists – ACGIH estabelece que o limite de tolerância visa a proteger a
maioria da população, de forma que a perda auditiva média produzida pelo ruído
nas freqüências de 500, 1000 e 3000 Hz, durante 40 (quarenta) anos de
exposição, não exceda a 2 dB. Assim, os valores dos limites de tolerância são
referenciais para um programa de conservação auditiva.
Conseqüentemente, o limite de tolerância representa as condições sob as quais
se acredita que a maioria dos trabalhadores expostos repetidamente não sofra
efeitos adversos à sua capacidade de ouvir e entender uma conversação normal
(ACGIH).
A NR-15 definiu como ruído contínuo ou intermitente aquele eu não seja de
impacto. Para o ruído contínuo ou intermitente, a NR-15, Anexo I, fixa para cada
nível de pressão sonora o tempo diário máximo permitido. Os limites de tolerância
e a metodologia de avaliação da NR-15 estão transcritos a seguir
Limite de tolerância para ruídos continuo ou intermitente
Nível de Ruído dB (A) Máxima Exposição Diária
Permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 min
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 40 minutos
98 1 hora e 15 minutos
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100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
1) Entende-se por ruído contínuo ou intermitente, para os fins de aplicação de
limites de tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto.
2) Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis
(dB) com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de
compensação "A" e circuito de resposta lenta (slow). As leituras devem ser feitas
próximas ao ouvido do trabalhador.
3) Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de
tolerância fixados no Quadro deste anexo.
4) Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário, será considerada
a máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais
elevado.
5) Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para
indivíduos que não estejam adequadamente protegidos.
6) Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de
exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos
combinados, de forma que, se a soma das seguintes frações.
C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ............ Cn / Tn
Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um
nível de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a
este nível, segundo o Quadro deste Anexo.
7) As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído,
contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada,
oferecerão risco grave e iminente.
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Anexo n. II Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto
1. Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia
acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um)
segundo.
2. Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com medidor de
nível de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para
impacto. As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite
de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre
os picos, o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo.
3. Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito
de resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida
(Fast) e circuito de compensação "C". Neste caso, o limite de tolerância será de
120 dB(C).
4. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção
adequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB (Linear), medidos no
circuito de resposta para impacto, ou superiores a 130 dB(C), medidos no circuito
de resposta rápida (Fast), oferecerão risco grave e iminente.
Adição e subtração de níveis de ruído
As operações em decibéis não são lineares. Assim sendo, 100 dB + 90 dB não é
igual a 190 dB, pois a escala do nível de pressão sonora é uma relação
logarítmica. Portanto, para adicionar ou subtrair níveis de pressão sonora, é
necessário calcular a razão média quadrática das pressões de cada nível e em
seguida efetuar a soma ou a subtração. Com estes dados, calcula-se o nível de
pressão sonora total ou resultante. Contudo, para evitar cálculos complexos,
foram criadas as curvas de adição e subtração em dB, conforme gráficos a seguir:
ADIÇÃO DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA
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SUBTRAÇÃO DE NIVEIS
RUÍDO DE FUNDO
Avaliação do ruído
A avaliação do ruído pode ser feita com os seguintes objetivos:
a) Avaliação ocupacional
Este tipo de avaliação visa constatar os possíveis riscos de dano auditivo e seu
controle. O efeito do ruído depende:
1) NPS e distribuição de NPS por frequências (espectro sonoro).
2) Duração da exposição.
3) Número de vezes que a exposição se repete por dia.
4) Suscetibilidade individual.
Portanto, nessa avaliação, o higienista deve conhecer esses parâmetros de
maneira que definia a magnitude do risco e, conseqüentemente, adote as
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medidas de controle. A NR-09, NR-15 e ACGIH são normas a serem seguidas
nessa avaliação.
b) Avaliação do ruído para caracterização da insalubridade
A perícia visando à possível caracterização da insalubridade tem como base legal
a NR-15, Anexos 1 e 2, sendo, na maioria das vezes, realizada em perícias
judiciais.
c) Avaliação para fins de aposentadoria especial
Esta avaliação é realizada para fins de comprovação perante o INSS da
exposição a níveis de ruído prejudiciais à saúde. O critério utilizado são as
normas da NR-15, ACGIH e da previdência social (Decreto n. 3.048/99).
d) Avaliação para fins de conforto
O critério utilizado nesta avaliação está regulamentado na NR-17 da Portaria
3.214/78 e normas da ABNT, em especial na NBR 10152, as quais serão mais
detalhadas no Capítulo Vil — Ergonomia.
e) Avaliação da perturbação do sossego público
Nesta avaliação, a regulamentação encontra-se em legislação municipal, estadual
ou federal, e normas técnicas pertinentes, em especial nas normas da NBR 10151
e NBR 10152 da ABNT, as quais sugerimos aos leitores a consulta.
Medidas de controle
As medidas de controle do ruído podem ser consideradas basicamente de três
maneiras distintas: na fonte, trajetória e no homem. As medidas na fonte e na
trajetória deverão ser prioritárias, quando viáveis tecnicamente.
Controle na fonte
Dentre as medidas de controle na fonte, podemos destacar:
— substituir o equipamento por outro mais silencioso;
— balancear e equilibrar partes móveis;
—lubrificar eficazmente rolamentos, mancais, etc.
— reduzir impactos na medida do possível;
—alterar o processo;
— programar as operações, de forma que permaneça o menor número de
máquinas funcionando simultaneamente;
— aplicar material de modo que atenue as vibrações;
— regular os motores;
— reapertar as estruturas;
— substituir engrenagens metálicas por outras de plásticos ou celeron.
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Controle no meio
Não sendo possível o controle na fonte, o segundo passo é a verificação de
possíveis medidas aplicadas no meio, as quais consistem em:
— evitar a propagação, por meio de isolamento;
— conseguir um máximo de perdas energéticas por absorção.
O isolamento acústico pode ser feito das seguintes formas:
1) Evitando que o som propague-se a partir da fonte:
2) Evitando que o som chegue ao receptor:
Isolar a fonte – Significa a construção de barreira que separe a causa do ruído do
meio que o rodeia, para evitar que este som se propague.
Isolar o receptor – Construção de barreiras que separem a causa e o meio do
individuo exposto ao ruído.
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Isolamento acústico das fontes ruidosas consiste na colocação de barreiras
isolantes e absorventes de som. Melhores resultados serão obtidos se as
barreiras forem revestidas internamente com material absorvente de som (cortiça,
lã de vidro, etc.); e a face externa com material isolante de som (paredes de
alvenaria), conforme desenho a seguir:
Outra medida de controle na trajetória é procurar alcançar o máximo de perdas
energéticas por absorção por meio de tratamento acústico das superfícies. Esta
medida é feita revestindo-se o local com material absorvente de som, no sentido
de se evitar reflexão deste.
Controle no homem
Não sendo possível o controle do ruído na fonte e na trajetória, deve-se, como
último recurso, adotar medidas de controle no trabalhador. Estas podem ser
adotadas como complemento às medidas anteriores, ou quando não forem
suficientes para corrigir o problema. Como medida de controle no homem, sugere-
se:
a) Limitação do tempo de exposição
Consiste em reduzir o tempo de exposição aos níveis de ruído superiores a 85
dB(A), tomando-se o cuidado para que o valor-limite para exposição a dois ou
mais níveis de ruído diferentes não seja ultrapassado.
b) Equipamentos de proteção individual — Protetores auriculares
São protetores colocados no ouvido do trabalhador, devendo ser utilizados
quando não for possível o controle para atenuação do ruído a níveis satisfatórios.
Deve-se ressaltar que a simples utilização do EPI não implica eliminação do risco
de o trabalhador vir a sofrer diminuição da capacidade auditiva. Os protetores
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auriculares, para serem eficazes, deverão ser usados de forma correta e
obedecer aos requisitos mínimos de qualidade representada pela capacidade de
atenuação, que deverá ser devidamente testada por órgão competente. O uso
constante do protetor é importante para garantir a eficácia da proteção.
Exemplificando: para um protetor que garanta uma atenuação igual a 20 dB(A),
quando usado constantemente (100% do tempo), atenuará somente 5 dB(A) se o
protetor for utilizado em 50% do tempo de exposição, conforme o quadro a seguir:
Os protetores auriculares devem ser capazes de reduzir a intensidade do ruído
abaixo do limite de tolerância, sendo assim, é necessário calcular sua atenuação
com base em seu fator de proteção. Os métodos normalizados para o cálculo são:
1) Método longo (análise de freqüência)
O método longo consiste na confrontação dos níveis de pressão sonora em dB(A)
encontrados no ambiente com os dados de atenuação do EPI fornecido pelo
fabricante, por bandas de frequência de 125 a 8.000 Hz, deduzidos os desvios-
padrão. A soma logarítmica dessas diferenças é a expressão do nível de pressão
sonora total a que o indivíduo estará submetido após a colocação do referido EPI.
2) Método simplificado valor único — NRR
2.1) Método corrigido (Norma ANSI S.12.6 — 1984)
Este método consiste em realizar medição do ruído na curva "C" e subtrair o NRR
(Noise Redution Rating) ou RC corrigido para uso real, isto é, o NRR fornecido
pelo laboratório deve ser corrigido para o uso real da seguinte forma:
• protetor concha — redução 25% do valor do NRR ou RC;
• protetor inserção moldável — redução 50% do valor do NRR ou RC;
• protetor de inserção pré-moldável — redução de 70% do NRR ou RC.
Portanto, o cálculo da atenuação será:
NPSc = NPSm em dB(A) - NRR.f
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Onde:
NPSc = Nível de Pressão Sonora com proteção.
NRR = Nível de Redução do Protetor.
f = Fator de correção igual a 0,75, 0,30 e 0,5, conforme a redução do NRR para
uso real.
Quando o NPS é medido em dB(A), a fórmula é a seguinte:
NPSc = NPS em dB(A)-(NRR.f-7)
Neste caso, há outra correção através da constante 7,0 devido à diferença média
entre os valores do NPS em dB(A) e dB(C) no espectro sonoro.
2.2) Método direto (sem correção) (ANS112.6 —1997 B)
Neste método, o cálculo da atenuação é o seguinte:
NPSc = NPS em dB(A) - NRR (sf) Onde:
NRR (sf) = Nível de Ruído (subject fit)
O NRR (sf) é a redução obtida em teste de laboratório feito com pessoas sem
treinamento, apenas laudo de instruções das embalagens. O NRR (sf) é calculado
a partir desses dados de atenuação, com algumas peculiaridades: o nível de
proteção estatístico é de 84% (contra 98% do método tradicional) e subtrai-se
diretamente do dB(A) com correção de 5 em vez de 7, já embutido no índice.
Portanto, não é necessário fazer nenhuma outra correção, com exceção do tempo
de uso real(4)
.
VIBRAÇÃO
Conceitos básicos/classificação
A exposição ocupacional à vibração não é tão estudada quanto os outros
agentes, todavia, sua ocorrência na indústria é bastante freqüente. Os efeitos
deste agente na saúde humana é considerável, sendo, portanto, a avaliação e
controle necessários.
A vibração é um movimento oscilatório de um corpo devido a forças
desequilibradas de componentes rotativos e movimentos alternados de uma
máquina ou equipamento. Se o corpo vibra, descreve um movimento oscilatório e
periódico, envolvendo deslocamento num certo tempo. Teremos, então,
envolvidas no movimento uma velocidade, aceleração e frequência (número de
ciclos completos/minuto).
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a) Unidades
Como a vibração é um movimento oscilatório, para sua quantificação pode-se
utilizar os parâmetros deslocamento, velocidade e aceleração. Para efeito de
higiene ocupacional, a avaliação da vibração será feita através de aceleração em
m/s2
ou em dB. Para aceleração de vibração, o decibel será obtido pela fórmula
abaixo:
dB = 20 log a / a0
Onde:
a = Aceleração avaliada (m/s2
).
a0 = Aceleração de referência (10-6
m/s2
).
b) Aceleração Equivalente
Quando a exposição à vibração é diferente em dois ou mais períodos da jornada,
deve ser considerada a aceleração equivalente, de acordo com a fórmula a
seguir:
A vibração equivalente será de:
Aeq = [(0,142
x 60) + (0,992
x 360) + (0,0 x 60) ½ ] / 480 = 0,85 m/s2
Aeq = 0,85 m/s2
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Se observarmos o gráfico do guia de efeitos à saúde, verificaremos que para 8
(oito) horas de exposição e aceleração equivalente a 0,85 m/s2
, estaremos na
região B, significando precaução em relação aos riscos potenciais à saúde.
c) Classificação das vibrações
1) Vibração ocupacional de corpo inteiro — São vibrações transmitidas ao corpo
como um todo, geralmente através da superfície de suporte, tais como pé, costas,
nádegas de um homem sentado ou na área de suporte de um homem reclinado.
2) Vibração ocupacional mão e braço ou localizada — São vibrações que atingem
certas partes do corpo, principalmente mãos, braços e outros. Como os sistemas
corpo inteiro e braços/mãos são mecanicamente diferentes, deverão ser
estudados separadamente.
3) Vibração para conforto— Determinada ocupação pode causar desconforto
intolerável em uma situação e ser agradável ou desejada em outras. Logo, os
valores de conforto dependem de vários fatores, alguns até subjetivos. Desse
modo, a ISO 2631 não estabelece limite para o conforto, limitando-se apenas em
indicar valores de acelerações onde as reações das pessoas são prováveis.
4) Vibração meio ambiente — São vibrações capazes de provocar desconforto e
perturbação do sossego público, como, por exemplo, prédios, veículos, entre
outros.
5) Vibração máquinas — São vibrações que podem indicar problemas de
manutenção em máquinas e equipamentos. Logo, são medidas pêlos técnicos de
manutenção preventiva e comparadas como valores das normas técnicas
pertinentes.
d) Aceleração ponderada
Dependendo dos efeitos da exposição, as medições de corpo inteiro, mão e braço
e conforto são ponderadas nas frequências conforme será explicado adiante.
Critério Legal
A legislação brasileira prevê, por intermédio da Norma Regulamentadora NR-15—
Anexo VIII, com redação dada pela Portaria n. 12, de 1983, que as atividades e
operações as quais exponham os trabalhadores sem proteção adequada às
vibrações localizadas ou de corpo inteiro serão caracterizadas como insalubres,
apuradas por perícia realizada no local de trabalho. A perícia, visando à
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comprovação ou não da exposição, deve tomar por base os limites de exposição
definidos pela Organização Internacional para a Normalização, em suas normas
ISO 2631 e ISO 5349 ou suas substitutas. Em relação ao laudo pericial, a
legislação determina que os seguintes itens devem constar obrigatoriamente:
a) o critério adotado;
b) o instrumental utilizado;
c) a metodologia de avaliação;
d) a descrição das condições de trabalho e do tempo de exposição às vibrações;
e) o resultado da avaliação quantitativa;
f) as medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade, quando
houver.
A insalubridade, quando constatada no caso das vibrações, está classificada
como de grau médio, assegurando ao trabalhador a percepção de adicional
incidente equivalente a 20% (vinte por cento) sobre o salário mínimo da região.
A norma ISO 2631 estabelece os critérios de avaliação de vibração de corpo
inteiro, enquanto a ISO/DIS 5349 para mão e braço.
Vibração de corpo inteiro
a) Direção da vibração
As vibrações retilíneas transmitidas ao ser humano devem ser medidas nas
direções correias de um sistema ortogonal de coordenadas que tenham sua
origem na posição do coração, conforme o esquema a seguir:
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59
A terminologia comumente usada em biodinâmica relaciona o sistema de
coordenadas ao esqueleto humano, numa posição anatômica normal. As
acelerações (movimento) no eixo pé (ou das nádegas) para a cabeça (ou
longitudinal) são designadas +- az; a aceleração no eixo antes e depois (ante-
posterior ou peito-costas) +- ax; e no eixo lateral (esquerda para direita) +- ay. As
vibrações angulares (ou rotacionais) sobre um centro de rotação são partes
importantes de um ambiente vibratório, tais como tratores, avião em turbulência,
os movimentos das marés podem ser mais perturbadores que as vibrações
retilíneas acima e abaixo entretanto, poucas informações sobre os efeitos das
vibrações angulares (ou rotacionais) estão disponíveis. Assim, sempre que
possível, as vibrações rotacionais que ocorrem em giro, arfagem e guinada
devem ser medidas e reportadas com a finalidade de aumentar nosso
conhecimentos sobre a resposta humana a estas excitações.
b) Efeitos sobre a saúde
A exposição à vibração de corpo inteiro pode causar danos físicos permanentes
ou distúrbios no sistema nervoso. A exposição diária à vibração de corpo inteiro
poderá resultar em danos na região espinhal, podendo também afetar o sistema
circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso central. Sintomas de
distúrbios freqüentemente aparecem durante ou logo após a exposição sob a
forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, estes sintomas
geralmente desaparecem após um período de descanso.
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Os efeitos observados em grupos expostos a condições severas de vibração
foram problemas na região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo,
desordens no sistema visual, problemas nos discos intervertebrais e degeneração
na coluna vertebral.
c) Aceleração "rms" ponderada
A vibração de corpo inteiro é avaliada na faixa de freqüência de 05 a 80 Hz,
sendo que a região de maior sensibilidade para o eixo Z é 04 a 08 Hz, enquanto
para os eixos X e Y de 01 a 02 Hz. A norma ISO 2631/1 de 1985 estabelece
limites de tolerância diferentes para os eixos Z e XY. A avaliação da vibração
prevista nesta norma é pelo método detalhado, ou seja, com análise das
freqüências de vibração. A norma ISO 2631/1 de 1997 estendeu a faixa de
frequência abaixo de 01 Hz, sendo a avaliação da aceleração "rms" ponderada
em freqüência e método preferido.
O total de aceleração "rms" ponderada para cada eixo pode ser calculado através
da equação específica, com os fatores de ponderação dados na tabela abaixo:
Fatores relativos de ponderação para faixa de freqüência de (adaptado da
ISO 2631)
Freqüência Hz
Fatores de ponderação para
Vibrações longitudinais Z –
(Figura 1)
Vibrações transversais X,Y
– (Figura 2)
1,0 0,5 1
1,25 0,56 1
1,6 0,63 1
2,0 0,71 1
2,5 0,8 0,8
3,15 0,9 0,63
4 1 0,5
5 1 0,4
6,3 1 0,315
8 1 0,25
10 0,8 0,2
12,5 0,63 0,16
16 0,5 0,125
20 0,4 0,1
4 a 8 Hz no caso de + - az ressonância de vibração.
1 a 2 Hz no caso de + - ay ou ax ressonância de vibração.
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d) Limite de tolerância
O limite de tolerância para vibração de corpo inteiro atualmente vigente é aquele
estabelecido pela 2ª edição da ISO 2631-1:1997, que cancela e substitui a ISO
2631-1:1995 e a ISO 2631-3:1995. o conceito de proficiência reduzida pela fadiga
foi excluído, permanecendo apenas os limites para efeitos sobre a saúde e
conforto.
1) Guia para efeitos à saúde – Anexo B – ISO 2631-1:1997
O guia para efeitos à saúde apresenta recomendações baseadas principalmente
em exposições na faixa de 4 (quatro) a 8 (oito) horas, para pessoas sentadas –
eixo z. a experiência na aplicação dessa parte da norma é limitada para os eixos x
e y (pessoas sentadas) e para todos os eixos nas posições em pé, deitada ou
inclinada.
A interpretação do gráfico do guia de efeitos à saúde pela vibração deve ser feita
do seguinte modo:
- A região A da curva significa que os efeitos à saúde não têm sido claramente
documentados e/ou observados objetivamente.
- A região B (área hachurada da curva) significa precauções em relação aos
riscos potenciais à saúde.
- A região C significa riscos prováveis à saúde.
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A comparação dos limites de tolerância utilizando-se a curva de 2ª potencia aw1 .
T1
½
= aw2 . T2
½
pode ser empregada quando o fator de crista for ≤ 9,0. para
certos tipos de vibração, especialmente aquelas contendo choques adicionais, o
método de 2ª potencia pode subestimar a necessidade de exposição. Poderá,
então, ser utilizado o método da 4ª potencia, pois é mais sensível a picos que o
anterior:
[(aw1 . T1
1/4
) = (aw2 . T2
1/4
)]
2) Vetor soma dos 3 eixos
A avaliação do efeito à saúde deve ser feita independentemente para cada eixo. A
análise da vibração deve ser feita considerando-se o maior componente da
aceleração ponderada em freqüência medida nos diversos eixos de assento.
Quando a vibração em dois ou mais eixos for comparável, o vetor resultante é
algumas vezes utilizado para estimar o risco a saúde. A ponderação em
freqüência deve ser aplicada em indivíduos sentados, com os fatores de
multiplicação K, conforme abaixo:
Eixo x - wd, k = 1,4
Eixo y - wd, k =: 1,4
Eixo z - wk, k = 1
A ponderação global de todas as acelerações "rms" vetor soma é a seguinte:
√Awf = 1,4 (Awdx)2
+ 1,4 (Awdx)2
+ (Awkz)2
O fator 1,4 multiplicando-se os valores totais de aceleração "rms" ponderada dos
eixos x e y representa a razão entre os valores de curvas transversais com a
longitudinal de igual resposta, para a maioria das faixas de resposta da
sensibilidade humana. A Comissão Européia recomenda que Awf a partir de 0,5
m/s2
para 8 (oito) horas exige nível de ação.
O valor ponderado single number é uma aproximação do critério de exposição. No
entanto, para a maioria dos casos práticos, a diferença entre o método ponderado
e o detalhado com a análise de um terço de oitava é pequena.
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e) Equipamento/local de medição
Os equipamentos de medição da vibração geralmente são compostos das
seguintes partes: um transdutor ou pickup, um dispositivo amplificador (elétrico,
mecânico ou ótico) e um indicador ou registrador de amplitude. O equipamento
fornecerá a magnitude de uma vibração, isto é, a aceleração deve ser expressa
por um valor médio de raiz quadrada (rms) em cada eixo x, y e z, valores de pico,
bem como a aceleração resultante nos três eixos.
A vibração deverá ser avaliada no seu ponto de entrada no corpo humano (ou
seja, na superfície do corpo) e não na estrutura (por exemplo, na estrutura de um
assento almofadado), o que pode transformar a vibração antes de atingir o corpo
humano. As medições da vibração devem ser executadas tão próximo quanto
possível do ponto ou área em que a vibração é transmitida ao corpo.
Se um homem está de pé num piso, sobre uma plataforma, sem qualquer matéria
amortecedora entre o corpo e a estrutura suporte, então o transdutor de medição
deverá ser preso a esta estrutura. Se houver um material amortecedor entre o
corpo e a estrutura vibratória, é permissível a colocação de um transdutor rígido
(por exemplo, uma folha de metal fina adequadamente perfilada) entre o sujeito e
a almofada. Se não for possível medir-se a vibração no ponto de entrada no ser
humano desta forma, então as características de transmissão do elemento
amortecedor devem ser determinadas e levadas em consideração no calculo real
da vibração transmitida ao corpo.
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f) Medidas de controle
- Assentos com suspensão a ar;
- cabines com suspensão;
- calibração adequada do pneu;
- utilização de bancos com descanso para os braços, apoio lombar e ajuste do
assento e do apoio das costas;
- implantação de programa de supervisão médica.
Vibração localizada
a) Direção da vibração
As direções da vibração devem ser reportadas às direções de um sistema de
coordenadas ortogonais, conforme sugerido abaixo:
A fim de evitar-se um conflito entre a terminologia proposta aqui e a usada em
biodinâmica para definir a exposição humana de corpo inteiro, é proposto que os
movimentos da mão para várias direções do sistema de coordenadas sejam
designados pelo subscrito h (hand). Assim, a aceleração da mão na direção ―z‖
deve ser designada por azh e similarmente para as direções x e y. A aceleração
de corpo inteiro no eixo longitudinal é designada somente por az.
b) Os efeitos sobre a saúde
Os principais efeitos por causa da exposição à vibração no sistema mão/braço
podem ser de ordem vascular, neurológica, osteoarticular e muscular. A evolução
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da doença nos seus diversos estágios, em função da exposição diária, ao longo
de meses, pode ser observada através da descrição realizada por Taylor e
Pelmear, conforme resumo a seguir:
— Formigamento ou adormecimento leve e intermitente, ou ambos, são
frequentemente ignorados pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em
outras atividades. São os primeiros sintomas dasíndrome.
— Mais tarde, o paciente pode experimentar ataques de branqueamento de
dedos, confinados primeiramente às pontas; entretanto, com a continuidade da
exposição, os ataques podem estender-se à base do dedo.
— O frio freqüente provoca os ataques, mas há outros fatores envolvidos com o
mecanismo de disparo, tais como a temperatura central do corpo, a taxa
metabólica, o tônus vascular (especialmente cedo, pela manhã) e o estado
emocional.
— Os ataques de branqueamento geralmente duram de 15 (quinze) a 60
(sessenta) minutos, mas nos casos avançados podem durar 1 (uma) ou 2 (duas)
horas. A recuperação inicia-se com um rubor, uma hiperemia reativa,
especialmente vista na palma da mão, avançando do pulso para os dedos.
— Nos casos avançados, devido aos repetidos ataques isquêmi-cos, o tato e a
sensibilidade à temperatura ficam comprometidos. Há perda de destreza e
incapacidade para a realização de trabalhos minuciosos.
— Prosseguindo a exposição, o número de ataques de branqueamento se reduz,
sendo substituído por uma aparência cianótica dos dedos.
— Finalmente, pequenas áreas de necrose da pele aparecem na ponta dos dedos
(acrocianose).
A severidade dos efeitos biológicos pode ser influenciada por:
— direção de vibração transmitida à mão;
— método de trabalho, habilidade e destreza do operador;
— fatores predisponentes de saúde do indivíduo (fumo, doenças que afetam a
circulação, utilização de certos medicamentos).
c) Aceleração ponderada
A medição da aceleração em bandas de terças de oitavas ou da aceleração
ponderada em freqüência equivalente em energia, transmitida às mãos na direção
dos três eixos ortogonais definidos pela norma, deverá ser feita nas freqüências
variando de 5 a 1500 Hz, a fim de cobrir as bandas de terças de oitava com
freqüências centrais de 8 a 1000 Hz.
Assim, a medição da aceleração deve ser avaliada num circuito que esteja em
conformidade com a tabela a seguir:
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Filtro de Freqüência para Medições de Vibração da Mão
Freq. (Hz) g. Nom. (dB) Freq. (Hz) g. Nom. (dB)
6,3 0 100 -16
8,0 0 125 -18
10,0 0 160 -20
12,5 0 200 -22
16 0 250 -24
20 -2 315 -26
25 -4 400 -28
31,5 -6 500 -30
40 -8 630 -32
50 -10 800 -34
63 -12 1000 -36
80 -14 1250 -38
d) Limite de tolerância
O limite de tolerância para vibração localizada refere-se a níveis de duração de
exposição a componentes de aceleração que representam condições sob as
quais se acredita que praticamente todos os trabalhadores podem ser
repetidamente expostos cotidianamente, sem que evoluam para além do estágio
1 do Sistema de Classificação de Encontro de Estocolmo para Dedos Brancos
induzidos por vibração, também conhecido como fenômeno de Raynaud de
origem ocupacional.
A ISO 5349 não fixa limite de tolerância expressamente para exposição
ocupacional à vibração, estabelecendo apenas gráfico de percentual de
trabalhadores expostos (10 a 50%) que poderão evoluir para o estágio 1 de
doença de branqueamento dos dedos, dependendo dos anos de exposição e de
aceleração ponderada (aeq), conforme gráfico abaixo:
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A ACGIH, com base neste gráfico, definiu os seus limites de tolerância
estabelecendo o tempo diário de exposição em função da aceleração ponderada
(aeq). Analisando esses limites, pressupõe-se que a ACGIH tomou como base o
tempo de 5 (cinco) anos em que 10% dos trabalhadores expostos evoluíram para
estágio 1, conforme critério gráfico sugerido pelo ISO 5349.
Outros países como a Dinamarca adotam o critério de que 10% (dez por cento)
dos trabalhadores expostos podem evoluir para o estágio 1 em 10 (dez)anos.
O MTE estabelece que nas perícias visando à caracterização de insalubridade por
vibração deve-se seguir as normas da ISO e suas substitutas sem, todavia, definir
ou orientar os intérpretes sobre qual critério a ser adotado. Por outro lado, a NR-9
estabelece que os resultados da avaliação quantitativa devem ser comparados
com os limites recomendados pela ACGIH, quando não houver limites definidos
na NR-15. Desse modo, considerando-se que os limites da ACGIH foram
baseados no gráfico recomendado pela ISO 5349, e que a NR-15 não definiu o
limite expressamente, a nosso ver, o limite da ACGIH é o que deverá ser adotado
para fins de caracterização da insalubridade e aposentadoria especial.
Do ponto de vista prevencionista, no entanto, deverão ser adotados limites mais
rigorosos, como, por exemplo, percentual de 10% (dez por cento) de
probabilidade de os trabalhadores expostos evoluírem para o estágio 1 da doença
em 10 (dez) anos.
O limite de tolerância da ACGIH, para a exposição ocupacional à vibração
localizada (mão e braço), da aceleração "rms" ponderada em função da
exposição diária obedece à tabela a seguir:
(a) O tempo total que a vibração entra na mão por dia, seja continuamente, seja
intermitentemente.
(b) Usualmente, um dos eixos é dominante sobre os demais. Se um ou mais dos eixos
de vibração exceder à exposição total diária, então o TLV. estará excedido.
(c) g = 9,81 m/s2
.
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e) Equipamentos de medição
O equipamento de medição da vibração geralmente consiste de um transdutor,
dispositivo amplificador e indicador de registrador de amplitude ou nível. As
medições nos 3 eixos devem ser feitas na superfície das mãos, nas áreas
claramente relatadas, onde a energia entra no corpo. Se a mão do indivíduo está
em contato direto com a superfície vibrante do punho do cabo, o transdutor deve
ser fixado na estrutura vibratória. Se a magnitude de vibração varia
significativamente entre diferentes partes do cabo, então o valor máximo de um
ponto que esteja em contato com a mão deve ser registrado. Se um elemento
elástico está sendo usado entre a mão e a estrutura vibratória (por exemplo,
punho almofadado), é permitido o uso de um suporte adequado entre a mão e a
superfície do material elástico.
A medição da vibração deve ser realizada de acordo com os procedimentos e
instrumentação especificados na norma ISO 5349. Esse instrumento deve ser
capaz de determinar a aceleração "rms" ponderada nos eixos x, y e z em m/s2
,
sendo a aceleração de maior magnitude a base da avaliação ocupacional. O
acelerômetro deverá ser posicionado no ponto onde a vibração entra na mão
(ponto de acoplamento).
A figura 5, a seguir, mostra o medidor de vibração acoplado a um acelerômetro
triaxial.
f) Medidas de Controle Mão e braço
— Usar ferramentas com características antivibratórias;
— utilizar luvas antivibração;
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— executar práticas adequadas de trabalho que permitam manter as mãos e o
corpo do trabalhador aquecidos, bem como minimizar o acoplamento mecânico
entre o trabalhador e a ferramenta vibratória;
— implantar programa de supervisão médica.
CALOR
1 — Conceitos básicos
Quando o trabalhador está exposto a uma ou várias fontes de calor, ocorrem as
seguintes trocas térmicas entre o ambiente e o organismo:
— Condução/Convecção — C.
— Radiação — R.
—Evaporação—E.
— Metabolismo — M.
a) Condução
É o processo de transferência de calor que ocorre quando dois corpos sólidos ou
fluido que não está em movimento, a diferentes temperaturas, são colocados em
contato. O calor do corpo de maior temperatura transfere-se para o de menor até
que haja um equilíbrio térmico, isto é, quando a temperatura dos corpos igualar-
se. Ex.: aquecimento de uma barra de ferro.
b) Convecção
É o processo de transferência de calor idêntico ao anterior, mas, neste caso, a
transferência de calor realiza-se através de fluido em movimento. Ex.:
aquecimento de um becker com água.
c) Radiação
Quando há transferência de calor sem suporte material algum, o processo é
denominado radiação. A energia radiante passa através do ar sem aquecê-lo
apreciavelmente e aquecerá a superfície atingida. A energia radiante passa
através do vácuo ou de outros meios a uma velocidade que depende do meio.
Ex.: radiação emitida por um forno elétrico.
d) Evaporação
É o processo de transformação de um líquido, a determinada temperatura, para a
fase gasosa, passando, portanto, para o meio ambiente. Não é necessário
diferença de temperatura para desenvolvimento do processo. O calor transferido
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desta forma é chamado calor latente, diferenciando-se assim do que se transmite
através de variação de temperatura, que é chamado calor sensível. No fenómeno
de evaporação, o líquido retira calor do sólido para passar a vapor, podendo-se,
portanto, afirmar que o sólido perderá calor para o meio ambiente por evapora-
ção. Ex.; suor emanado após uma atividade física (jogar futebol).
e) Metabolismo
É o calor gerado pelo metabolismo basal resultante da atividade física do
trabalhador. Quanto mais intensa for a atividade física, maior será o calor
produzido pelo metabolismo.
2 — Equilíbrio homeotérmico
Os mecanismos de termorregulação do organismo têm como finalidade manter a
temperatura interna do corpo constante, sendo evidente que haja um equilíbrio
entre a quantidade de calor gerado no corpo e sua transmissão para o meio
ambiente. A equação que descreve o estado de equilíbrio denomina-se balanço
térmico:
M±C±R-E=S Onde:
M = Calor produzido pelo metabolismo.
C = Calor ganho ou perdido por condução-convecção.
R = Calor ganho ou perdido por radiação.
E = Calor perdido por evaporação.
S = Calor acumulado no organismo (sobrecarga térmica).
O organismo encontrar-se-á em equilíbrio térmico quando S for igual a zero.
2.1 — Fatores que influem nas trocas térmicas entre o ambiente e o
organismo
A complexidade do estudo do calor reside no fato de haver diversos fatores
variáveis, que influenciam nas trocas térmicas entre o corpo humano e o meio
ambiente, definindo, dessa forma, a severidade da exposição ao calor.
Dentre os inúmeros fatores que influenciam nas trocas térmicas, cincos principais
devem ser considerados na quantificação da sobrecarga térmica:
— temperatura do ar;
— umidade relativa do ar;
—velocidade do ar;
—calor radiante;
—tipo de atividade;
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a) Temperatura do ar
Como foi observado anteriormente, é necessário que haja um gradiente de
temperatura para que possibilite os mecanismos de troca térmica:
condução, convecção e radiação. Desse modo, o sentido de transmisão de calor
dependerá de defasagem positiva ou negativa entre a temperatura do ar e a
temperatura da pele. Se a temperatura do ar for maior que a da pele, o organismo
ganhará calor por condução-convecção, e se a temperatura do ar for menor que a
da pele, o organismo perderá valor por condução-convecção. A quantidade de
calor ganha ou perdida é diretamente proporcional à defasagem entre as
temperaturas.
b) Umidade relativa do ar
Este parâmetro influi na troca térmica entre o organismo e o ambiente pelo
mecanismo de evaporação. Desse modo, a perda de calor no organismo por
evaporação dependerá de umidade relativa do ar, isto é, da quantidade de água
presente numa determinada quantidade de ar.
Sabe-se que o organismo humano perde em média 600 kcal/h pela evaporação
do suor, isto se a umidade relativa for 0%. Quanto maior a umidade relativa (maior
saturação de água no ar), menor será a perda de calor por evaporação.
c) Velocidade do ar
A velocidade do ar no ambiente pode alterar as trocas, tanto na condução e
convecção como na evaporação.
Quando há aumento de velocidade do ar no ambiente, haverá aceleração da troca
de camadas de ar mais próximas ao corpo, aumentando, desse modo, o fluxo de
calor entre este e o ar. Se há maior velocidade do ar, haverá substituição mais
rápida das camadas de ar mais saturadas com água e substituição por outras
menos saturadas, favorecendo, então, a evaporação.
É importante verificar o sentido de transmissão de calor, pois o aumento de
velocidade do ar poderá favorecer ou desfavorecer o ganho de calor pelo
organismo, dependendo se o gradiente de temperatura é positivo ou negativo.
Assim, se a temperatura do ar for menor que a do corpo, o aumento da
velocidade do ar favorecerá a perda de calor do corpo para o meio; caso
contrário, o corpo ganhará mais calor com o aumento da velocidade do ar.
No caso de evaporação, o aumento de velocidade do ar sempre a favorecerá.
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d) Calor radiante
Quando um indivíduo encontra-se em presença de fontes apreciáveis de calor
radiante, o organismo ganhará calor pelo mecanismo de radiação. Caso não haja
fontes de calor radiante ou se estas forem controladas, o organismo humano
poderá perder calor pelo mesmo mecanismo.
e) Tipo de atividade
Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, tanto maior
será o calor produzido pelo metabolismo, constituindo, portanto, parte do calor
total ganho pelo organismo.
3 — Efeitos do calor no organismo
Quando o calor cedido pelo organismo ao meio ambiente é inferior ao recebido
ou produzido pelo metabolismo total (metabolismo basal + metabolismo de
trabalho), o organismo tende a aumentar sua temperatura, e para evitar esta
hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo) são colocados em ação
alguns mecanismos de defesa, quais sejam:
— Vasodilatação periférica: Com o aumento do calor ambiental, o organismo
humano promove a vasodilatação periférica, no sentido de permitir maior troca de
calor entre o organismo e o ambiente.
— Ativação das glândulas sudoríparas: Há aumento do intercâmbio de calor por
mudança do suor do estado líquido para vapor.
Caso a vasodilatação periférica e a sudorese não sejam suficientes para manter a
temperatura do corpo em torno de 37°C, há consequências para o organismo que
podem manifestar-se das seguintes formas:
— Exaustão do calor: Com a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta ao
calor, há uma insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral,
resultando numa baixa pressão arterial.
— Desidratação: A desidratação provoca principalmente a redução do volume de
sangue, promovendo a exaustão do calor.
— Cãibras de calor: Na sudorese, há perda de água e sais minerais,
principalmente o NaCI (cloreto de sódio). Com a redução desta substância no
organismo, poderão ocorrer espasmos musculares e cãibras.
— Choque térmico: Ocorre quando a temperatura do núcleo do corpo atinge
determinado nível, que coloca em risco algum tecido vital que permanece em
contínuo funcionamento.
Limites de tolerância
Ver: Anexo III, NR-15, da Portaria n. 3.214
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Instrumentos de medição
1) Termômetro de globo (Tg):
O termômetro de mercúrio deve ser fixado no interior do orifício da rolha e ambos
inseridos no globo. A rolha deve ser fixada no globo com certa pressão, a fim de
não se soltar durante o uso. A posição relativa entre termômetro e rolha deve ser
tal que, após montado no globo, o bulbo do termômetro fique posicionado no
centro da esfera.
2) Termômetro de bulbo úmido natural (Tbn):
O termômetro de mercúrio deve ser montado na posição vertical revestido com
uma camisa de algodão branca deverá envolver totalmente o bulbo de mercúrio.
Na montagem, verificar que a distancia entre a extremidade do bulbo (revestido
pela camisa) e a lâmina d’água destilada contida no erlenmeyer deve ser de 25
mm ou de 2,5 cm. No momento da utilização do sistema, umedecer o pano
totalmente com água destilada e encher o erlenmeyer até a extremidade com
água destilada.
3) Termômetro de bulbo seco (Tbs):
Estes termômetros devem ser montados em um tripé, devendo ficar no mesmo
plano horizontal.
4) Medidor eletrônico de calor
Atualmente o uso de medidor de calor eletrônico vem substituindo os termômetros
convencionais. O principio de funcionamento é o mesmo, porém a precisão é
maior. Além disso, esses equipamentos fornecem os valores tbn, tg e tbs,
isoladamente, e o calculo do IBUTG. A figura abaixo ilustra um medidor eletrônico
de calor:
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74
Medidas de controle
O calor, como todo agente ambiental, deve ser controlado primeiramente na fonte
ou na trajetória, constituindo medidas aplicáveis ao ambiente. Não sendo possível
este tipo de controle, por razões de ordem técnica ou económica, devem ser
adotadas medidas aplicáveis ao trabalhador.
A finalidade das medidas de controle é, obviamente, procurar diminuir a
quantidade de calor que o organismo produz ou recebe e a possibilidade de
dissipá-lo.
Medidas relativas ao ambiente
É necessária uma avaliação precisa de todos os fatores que atuam na sobrecarga
térmica para que se possa minimizar a quantidade de calor que o organismo
produz ou recebe.
Assim, as medidas devem visar, de preferência, ao fator que mais contribui para a
sobrecarga térmica, conforme a equação do equilíbrio homeotérmico:
M±C±R=E
1) Metabolismo
Muitas vezes é difícil influir sobre o calor produzido pelo metabolismo. A
mecanização (automatização) da operação, a fim de minimizar o esforço físico do
trabalhador, acarreta a diminuição da sobrecarga térmica.
Em determinadas situações, a automatização completa das operações eliminará o
problema.
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2) Convecção
A redução da temperatura do ar diminui este fenômeno, e isso é conseguido por
meio de insuflação de ar fresco, com velocidade adequada e, em certos casos,
com exaustão de ar quente.
Se a insuflação de ar fresco é inviável, o aumento da velocidade do ar pode ser
obtido pela simples circulação do ar feita por ventiladores, com velocidades
apropriadas.
Deve ser salientada a importância da localização adequada dos ventiladores, a
fim de evitar que circule ar das zonas mais quentes para as zonas adjacentes
mais frias.
3) Radiação
A redução deste fator é de grande importância para a diminuição da sobrecarga
térmica. Para reduzir o calor radiante, a medida mais eficiente é a utilização de
barreiras que reflitam os raios infravermelhos. O alumínio polido é muito eficiente
para esta finalidade. Nos casos em que é necessária a visão através da barreira,
existem vidros especiais que refletem os raios infravermelhos, bem como filmes
especiais que podem ser aplicados sobre o vidro comum com a mesma
finalidade.
A manutenção contínua das barreiras é de suma importância, pois a ação de
produtos químicos agressivos faz com que elas percam a propriedade de
reflexão. Quando isso ocorre, elas passam a absorver a radiação incidente,
tornando-se fontes emissoras de calor radiante e, conseqüentemente, reduzindo
sua eficácia como medida de controle.
As barreiras devem ser localizadas entre o trabalhador e a fonte de calor, e nunca
posicionadas atrás dele, mesmo que visem à proteção de outros indivíduos.
Se o trabalhador permanecer entre a fonte de calor radiante e a barreira, a
sobrecarga térmica a que está exposto pode, em certos casos, sofrer aumentos
significativos.
4) Evaporação
Devem ser criadas condições que favoreçam a evaporação do suor e também
auxiliem na manutenção do equilíbrio térmico, aumentando a Emáx. (máxima
capacidade evaporativa da pele).
Existem limitações fisiológicas (no máximo 1 litro de suor/hora ao que
corresponde a uma perda por evaporação de 2400 BTU/h ou 605 kcal/h), além
das ambientais para a perda de calor por este processo.
As condições ambientais podem ser modificadas, favorecendo o fenômeno da
evaporação, por intermédio das seguintes medidas:
Redução da umidade relativa do ar— Nos casos de fontes localizadas de vapor
d'água, recomenda-se ventilação local exaustora.
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Aumento na movimentação do ar— O aumento da velocidade do ar favorece a
evaporação do suor, no entanto, esta medida deverá ser estudada
cuidadosamente quando a temperatura for superior a 35,0°C, uma vez que o
ganho de calor por convecção poderá contribuir para o aumento da sobrecarga
térmica.
O quadro, a seguir, relaciona algumas medidas que podem ser adotadas com os
correspondentes fatores alterados produzidos pelo metabolismo:
Medidas relativas ao homem
Na solução de um problema de higiene industrial, devem ser consideradas, em
primeiro lugar, as medidas relativas ao ambiente, sendo complementadas, às
vezes, pelas medidas relativas ao pessoal.
Em determinados casos, por razões de ordem técnica, as únicas medidas
aplicáveis são as relativas ao pessoal, que podem ser bastante eficazes.
Há uma série de medidas que podem ser aplicadas diretamente ao trabalhador,
com o objetivo de minimizar a sobrecarga térmica. Dentre elas, destacam-se:
1) Aclimatização
A aclimatização do calor constitui uma adaptação fisiológica do organismo a um
ambiente quente. Esta medida é de fundamental importância na prevenção dos
riscos decorrentes da exposição ao calor intenso. A aclimatização será total em,
aproximadamente, duas semanas. É importante mencionar que a perda de cloreto
de sódio pela sudorese será menor no indivíduo aclimatizado, ou seja, ocorre o
equilíbrio dos sais numerais nas células do corpo.
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2) Limitação do tempo de exposição
Esta medida consiste em adotar um período de descanso, visando a reduzir a
sobrecarga térmica a níveis compatíveis com o organismo humano.
Como se pode observar no índice analisado (IBUTG), a limitação do tempo de
exposição é medida de controle sempre presente. Quando os tempos de
exposição não forem compatíveis com as condições de trabalho observadas,
deve-se promover um reestudo dos procedimentos de trabalho, no sentido de
determinar um regime de trabalho-descanso que atenda aos limites
recomendados.
3) Exames médicos
Recomenda-se a realização de exames médicos pré-admissionais com a
finalidade de detectar possíveis problemas de saúde que possam ser agravados
com a exposição ao calor, tais como problemas cardiocirculatórios, deficiências
glandulares (principalmente glândulas sudoríparas), problemas de pele,
hipertensão, etc. Tais exames permitem selecionar um grupo adequado de
profissionais que reúna condições para executar tarefas sob o calor intenso.
Exames periódicos também devem ser realizados com a finalidade de promover
um contínuo acompanhamento dos trabalhadores expostos ao calor, a fim de
identificar-se estados patológicos em estágios iniciais.
4) Equipamentos de proteção individual
Existe no mercado uma grande variedade de Equipamentos de Proteção
Individual (EPI) para os mais diversos usos e finalidades. Deve-se, portanto, fazer
uma escolha adequada, objetivando-se ao maior grau de eficiência e conforto.
As vestimentas dos trabalhadores devem ser confeccionadas com tecido leve e
de cor clara. Para situações de exposições críticas, existem diversos tipos de
vestimentas para o corpo inteiro, sendo que algumas possuem sistema de
ventilação acoplado.
5) Educação e treinamento
São de fundamental importância a educação e o treinamento dos trabalhadores
expostos ao calor intenso. A orientação quanto à prática correta de suas tarefas
pode, por exemplo, evitar esforços físicos desnecessários ou longo tempo de
permanência próximos à fonte. Deve-se conscientizar o trabalhador sobre o risco
que representa a exposição ao calor intenso, educando-o quanto ao uso correio
dos equipamentos de proteção individual, alertando-o sobre a importância de
asseio pessoal e promovendo a utilização e manutenção correia das medidas de
proteção no ambiente.
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FRIO
Equilíbrio homeotérmico
Conforme demonstrado anteriormente no item calor, as trocas térmicas entre o
organismo e o ambiente dependem de:
—temperatura do ar;
— velocidade do ar;
— variação do calor radiante.
Esses fatores influenciam no equilíbrio homeotérmico do corpo, de acordo com a
seguinte equação:
M±C±R-E=S
Onde:
M = Calor produzido pelo metabolismo.
C = Calor ganho/perdido por condução/convecção.
R = Calor ganho/perdido por radiação.
E = Calor perdido por evaporação.
S = Calor no núcleo do organismo.
O desequilíbrio térmico (exposição ao frio), segundo a equação anterior,
apresentar-se-á quando o valor de S for inferior a zero, ou seja, o corpo estará
perdendo calor para o ambiente, podendo ocorrer a hipotermia.
O aspecto mais importante na hipotermia, e que poderá trazer a morte, é a queda
da temperatura profunda do corpo. Deve-se proteger os trabalhadores do
submetimento ao frio, de modo que a temperatura profunda do corpo não caia a
menos de 36°C.
Efeitos do frio no organismo
O vasoconstrição periférico é a primeira resposta do organismo para tentar
realizar uma regularização entre perda e ganho de calor, ou seja, o fluxo
sanguíneo é reduzido na mesma proporção que o abaixamento da temperatura.
Esse abaixamento acarretará, quando a temperatura corpórea chega a 35°C,
numa diminuição gradual de todas as atividades fisiológicas, tais como frequência
do pulso, pressão arterial e taxa metabólica. Em contrapartida, o corpo reage de
forma que o indivíduo começa a tremer compulsivamente para produzir calor
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(aumento da atividade muscular). Se isto não for suficiente para produzir o calor
necessário, o corpo continuará a perder calor e, por volta dos 29"C, o hipotálamo
perde sua capacidade termorreguladora, e as células cerebrais deprimem-se,
conseqüentemente o indivíduo pode entrar em sonolência e posterior coma, ou
seja, o indivíduo adquire o quadro de hipotermia.
Além da hipotermia, vários outros estados patológicos, conhecidos como lesões
do frio, podem afetar o trabalhador. Dentre eles, destacam-se:
— Enregalamento dos membros, que poderá levar à gangrena e amputação
destes.
— Pés de imersão: quando os trabalhadores permanecem com os pés
umedecidos ou imersos em água fria por longos períodos, produzindo
estagnação do sangue, paralisação dos pés e pernas.
— Ulcerações do frio: feridas, bolhas, rachaduras e necrose, que poderão
ocorrer devido à exposição ao frio intenso.
Além disso, o frio interfere na eficiência do trabalho e incidência de
acidentes, além de desencadear inúmeras doenças reumáticas e respiratórias.
Limites de tolerância
Pouco se conhece sobre a quantificação do frio, embora os mesmos fatores
ambientais analisados no estudo do calor influam na intensidade da exposição ao
frio.
Tem-se construído modelos engenhosos que procuram simular o processo
que envolve a perda de calor, realizando-se experiências no interior de câmaras
frias. No entanto, até o presente momento, todos os índices de stress por frio têm
limitações, mas em condições adequadas proporcionam informações úteis, como
veremos no item seguinte.
Embora a legislação brasileira não fixe limites de tolerância para exposição
ao frio, a ACGIH estabelece limites para exposição a este agente em função da
velocidade do ar, temperatura de bulbo seco, ob-tendo-se índice de temperatura
equivalente de resfriamento, valor este que determina o grau de risco da
exposição. Além disso, a ACGIH estabelece alternância trabalho/descanso, num
período de 4 (quatro) horas, em função de velocidade do ar, temperatura e tipo de
atividades.
Além dos limites estabelecidos pela ACGIH, poderá ser utilizado como
parâmetro o quadro abaixo, que leva em consideração a temperatura de bulbo
seco, zona climática onde atua o trabalhador e fornece a máxima exposição diária
permissível, de acordo com o estabelecido no art. 253 da CLT.
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2) Vestimentas de trabalho
É necessário que o isolamento do corpo pela vestimenta de trabalho seja
satisfatório e que a camada de ar compreendida entre a pele e a roupa elimine
parcialmente a transpiração para que haja uma troca regular de temperatura.
3) Regime de trabalho
Quando a exposição ao frio é intensa, o trabalhador deve ter em mente que será
necessário intercalar períodos de descanso em local termicamente superior ao
local frio, de forma que mantenha uma resposta termorreguladora satisfatória do
corpo humano.
4) Exames médicos
Na seleção de pessoal para execução de trabalhos em locais de frio intenso,
deve-se realizar exames médicos pré-admissionais para se conhecer o histórico
ocupacional do indivíduo e saber se este é portador de diabetes, epilepsia, se é
fumante, alcoólatra, se já sofreu lesões por exposição ao frio, se apresenta
problema no sistema circulatório, etc. Tais trabalhadores, em hipótese alguma,
deverão expor-se a trabalhos sob frio intenso.
Rotineiramente, deverão ser realizados exames médicos periódicos para controle
e verificação, com antecedência, de problemas da exposição ao frio.
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5) Educação e treinamento
Todo trabalhador que for executar atividades sob frio intenso deverá ser instruído
sobre os riscos nesta condição, bem como ser treinados quanto ao uso de
proteções adequadas (vestimentas, luvas, etc.) e rotinas de trabalho (tempo/local
de trabalho x tempo/local de descanso).
UMIDADE
A umidade está presente em ambientes que possuem áreas alagadiças, águas
represadas, águas correntes, etc. Perto ou no local das atividades. Antes da
terminação do perigo que um ambiente pode apresentar é preciso efetuar as
devidas medições para a comprovação do ambiente úmido.
As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcadas, com
umidades excessivas, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, são
situações insalubres e devem ter a atenção dos prevencionistas por meio de
verificações realizadas nesses locais para estudar a implantação de medida de
controle – NR 15 – anexo nº 9.
A exposição do trabalhador à umidade pode acarretar doenças do aparelho
respiratório, quedas, doenças de pele, doenças circulatórias, entre outras. A
temperatura do corpo pode baixar quando um indivíduo se encontra em condições
de umidade e provocar também a hipotermia e o amolecimento da pele.
Para o controle da exposição do trabalhador à umidade podem ser tomadas
medidas de proteção coletiva (como o estudo de modificações no processo do
trabalho, colocação de estrados de madeira, ralos para escoamento) e medidas
de proteção individual (como o fornecimento do EPI - luvas de borracha, botas de
borracha cano longo, avental).
RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES
Conceituação
O espectro eletromagnético é um conjunto de todas as formas de energia
radiante. Em sua forma mais simples, a radiação eletromagnética consiste em
ondas elétricas vibratórias que se transladam no espaço acompanhadas por um
campo magnético vibratório, com as características de um movimento
ondulatório. As características das radiações eletromagnéticas são a frequência,
comprimento de onda e energia.
A radiação eletromagnética pode atuar como partículas discretas de energia
(quantum), tendo o quantum um valor definido de energia e momento.
O espectro eletromagnético engloba desde a radiação ionizante de grande
energia, com frequências elevadas e comprimentos de onda menores, a
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radiações não ionizantes, com baixas frequências e comprimentos de onda
maiores.
A região não ionizante do espectro eletromagnético é aquela onde a energia das
partículas incidentes é insuficiente para desalojar elétrons dos tecidos do corpo
humano. À medida que diminui o nível de energia das partículas incidentes, cessa
a ionização.
No espectro eletromagnético, podemos distinguir diferentes regiões espectrais,
conforme esquema abaixo:
As radiações não ionizantes englobam: radiação ultravioleta, radiação visível e
infravermelha, laser, microondas e radiofreqüências. Podem incluir-se os ultra-
sons, já que os riscos produzidos por eles são similares aos da radiação não
ionizante, devido à sua natureza ondulatória e alta freqüência.
As radiações ionizantes englobam: raios x, raios y, partículasa, B, e nêutrons.
Normalmente a emissão de uma radiação ionizante estará acompanhada de
outras radiações.
Parte das radiações ionizantes está incluída no espectro eletro-magnético, tais
como os raios x e y, que não têm carga elétrica nem massa.
Outras radiações ionizantes têm natureza corpuscular, isto é, são partículas o.
com massa e carga definidas.
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Efeitos no organismo
a) Radiações ionizantes
Os efeitos das radiações ionizantes podem ser somáticos (não se transmitem
hereditariamente) ou genéticos (transmitem-se hereditaria-mente). A resposta dos
diferentes órgãos e tecidos à radiação é variável, tanto com o tempo de
aparecimento como na gravidade dos sintomas. Assim, poderão ocorrer
alterações no sistema hematopoiético (perda de leucócitos, diminuição do número
de plaquetas, anemia); no aparelho digestivo (inibição da proliferação celular,
diminuição ou supressão de secreções); na peie (inflamação, eritema e
descamação); no sistema reprodutor (redução da fertilidade ou esterilidade); nos
olhos; no sistema cardiovascular (pericardites); no sistema urinário (fibrose renal);
e no fígado (hepatite de radiação).
b) Radiações não ionizantes
1) Radiação ultravioleta
Quando incidente sobre o organismo, pode ser remetida, transmitida ou
absorvida e produzir reações fotoquímicas e efeito biológico do tipo térmico. O
grau de penetração da R-UV depende do comprimento de onda e do grau de
pigmentação da pele; com relação aos olhos, são absorvidas pela córnea e
cristalino. As radiações UV-B e C penetram unicamente na epiderme e as UV-A
podem atingir a derme, podendo produzir lesões em terminações nervosas. Os
efeitos das R-UV podem ser escurecimento da pele, eritemas, pigmentação
retardada, interferência no crescimento celular, perda de elasticidade da pele,
queratose actínica e até mesmo câncer de pele. A ação mais frequente das R-UV
sobre os olhos é a fotoqueratose.
2) Radiação visível
A radiação visível engloba a região do espectro entre 400 e 750 nm, podendo ser
remetida, transmitida ou absorvida pelo organismo, produzindo efeitos
fotoquímicos e térmicos. A exposição a altos níveis de brilho pode produzir perda
da acuidade visual, fadiga ocular e ofuscamento.
3) Radiação infravermelha
A radiação infravermelha engloba parte do espectro, desde a luz visível até as
microondas e. devido a seu baixo poder energético, produz unicamente efeitos
térmicos. As lesões pela exposição a esta radiação podem aparecer na pele e
olhos, causando queimaduras e aumento de pigmentação da pele, lesões e
opacidade na córnea.
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4) Microondas e radiofreqüências
Possuem poder energético muito baixo, mas uma capacidade de penetração
grande, produzindo no interior da matéria campos magnéticos com efeitos
térmicos. As microondas encontram-se na região do espectro eletromagnético
entre 1 e 1000 nm e as radiofreqüências entre 1 e 3 m, e seus efeitos no
organismo dependerão da capacidade de absorção da matéria e da intensidade
dos campos elétricos e magnéticos que se produzem no seu interior; em geral,
existe um aumento da temperatura corporal que dependerá de qual parte do
corpo foi exposta. De maneira geral, quanto maior a frequência, menor será o
perigo. As microondas superiores a 3000 MHz são facilmente absorvidas pela
pele e as de menor frequência podem penetrar na superfície externa da pele.
5) Laser
A palavra laser é um acrônimo de LightAmplification byStimulated Emission of
fíadiation. As emissões estimuladas produzem uma superposição de ondas,
resultando outra onda perfeita, muito estrita e de larga duração. Existem quatro
tipos de classes de lasers, segundo os possíveis perigos, sendo os de classe l
menos perigosos e os de classe IV mais perigosos. Os riscos em operações com
lasers dependem do tipo de laser e das características do entorno de trabalho.
Os riscos da radiação /aserestão limitados aos olhos, variando os efeitos
adversos produzidos em diferentes regiões espectrais; mesmo assim podem
atingir de maneira pequena a pele.
Ocorrências
a) Radiações ionizantes
As radiações ionizantes são largamente utilizadas na medicina para diagnósticos
médico e odontológico e tratamento de doenças; e em atividades industriais, para
medição de nível de silos, densidade de polpas, análises laboratoriais, radiografia
industrial, entre outros.
b) Radiações não ionizantes
1) Radiação ultravioleta
A principal fonte natural é o sol e as artificiais são as lâmpadas de vapor de
mercúrio, de hidrogénio e deutério, arcos de soldagem, lâmpadas
incandescentes, fluorescentes e mistas.
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2) Radiação visível
Podem ser de origem natural (sol) e artificial (lâmpadas e corpos incandescentes
e arcos de soldagem, tubos de néon, fluorescentes, entre outros).
3) Radiação infravermelha
A principal fonte natural é o sol e dentre as artificiais podemos citar os corpos
incandescentes e superfícies muito quentes, as chamas, as lâmpadas
incandescentes, fluorescentes ou descargas de alta intensidade.
4) Microondas e radiofreqüências
A radiação de microonda e radiofreqüência produz-se de forma natural,
principalmente pela eletricidade atmosférica, que é estática, embora de
intensidade muito baixa. As fontes de MO e RF artificiais podem estar presentes
nas estações de rádio e televisão, radares e sistemas de telecomunicação, além
de fornos de microondas e equipamentos utilizados em processos de soldagem,
fusão e esterilização.
5) Laser
Os equipamentos a laser são utilizados no tratamento de doenças e em cirurgias.
Limites de tolerância
a) Radiações ionizantes
O Anexo V da NR-15, Portaria n. 3.214, estabelece que nas atividades ou
operações em que os trabalhadores ficam expostos a radiacoes ionizantes, os
limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controle básicos para a
proteção do homem e do meio ambiente, contra possíveis efeitos indevidos
causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE 3.01,
de julho de 1988, aprovada, em caráter experimental, pela Resolução CNEN n.
12/88, ou daquela que venha a substituí-la.
b) Radiações não ionizantes
O Anexo Vil da NR-15, Portaria n. 3.214/78, não estabelece limites de tolerância
para esse tipo de radiação, caracterizando a insalubridade pela avaliação
qualitativa, conforme transcrição a seguir:
"1) Para os efeitos desta norma, são radiações não ionizantes as microondas,
ultravioletas e /aser.
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2) As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não
ionizantes, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres, em
decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho.
3) As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da
luz negra (ultravioleta na faixa 400-320 nanômetros) não serão consideradas
insalubres."
Já a NR-9, Portaria n. 3.214/78, diferentemente da NR-15, não restringe as
radiações que serão consideradas não ionizantes, ao contrário, amplia o conceito
incluindo nessa classificação o infra-som e o ultra-som.
Critério ACGIH
A ACGIH, cujos valores-limites são aceitos internacionalmente, estabelece limites
de tolerância para radiações ionizantes e não ioni-zantes em suas diferentes
formas, incluindo, ainda, o ultra-som. Faremos, a seguir, um breve comentário
sobre os limites propostos, devendo o leitor consultar a ACGIH para aprofundar-
se no assunto.
a) Radiações ionizantes
A ACGIH estabelece limites de tolerância para as radiações ionizantes
determinando doses efetivas e equivalentes anuais em função da parte do corpo
atingida, evitando sempre qualquer exposição desnecessária à radiação. As
radiações ionizantes incluem radiação corpuscular e radiação eletromagnética
com energia superior a 12,4 elétrons-volts (eV), correspondendo a um
comprimento de onda inferior a aproximadamente 100 nm.
b) Radiações não ionizantes
1) Radiação ultravioleta
Os limites estabelecidos pela ACGIH referem-se à radiação ultravioleta da região
espectral entre 180 e 400 nm; os valores para exposição ocular e da pele
aplicam-se à R-UV oriundas de arcos, descargas gasosas e em vapor, fontes
incandescentes e fluorescentes e radiação solar, porém não se aplicam a lasers.
Os limites de tolerância são fixados em função do comprimento de onda e
eficiência espectral, para exposição no período de 8 (oito) horas. Há, ainda, tabela
especificando o tempo máximo de exposição diária em função de irradiância
efetiva.
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2) Radiação visível e infravermelho próximo
Os limites de exposição referem-se a valores para radiação visível e
infravermelho próximo, com comprimentos de onda compreendidos entre 400 e
3000 nm, e representam condições sob as quais se acredita que a maioria dos
trabalhadores possa ser exposta sem efeitos adversos à saúde. Como parâmetro
para o limite de exposição ocular ocupa-cional próximo de banda larga, aplica-se
a exposição ocorrida em qualquer jornada de trabalho de 8 (oito) horas e requer o
conhecimento da radiância espectral e irradiância total da fonte, medidas na
posição dos olhos do trabalhador.
3) Microondas e radiofreqüências
Os limites de tolerância estabelecidos referem-se à radiação de radiofreqüéncia
(RF) e microonda nas faixas de frequência entre 30 qui-lohertz (kHz) e 300
gigahertz(GHz), e são dados em termos de raiz média quadrática (ms) da
intensidade de campos elétricos (E) e magnéticos (H) de densidade equivalente
de potência para ondas planas em espaço livre (S) e de correntes induzidas (l) no
corpo, as quais possam estar associadas com a exposição a tais campos como
função da frequência f, em megahertz (MHz). Os limites de tolerância estão
especificados em tabelas e gráficos em função dos parâmetros acima citados.
4) Laser
Os lasers têm um rótulo afixado pelo fabricante, o qual descreve a subclasse de
risco. Normalmente não é necessário determinar as ir-radiâncias do laser ou as
exposições radiantes para comparação com os limites de tolerância. Na prática,
os riscos para os olhos e pele podem ser controlados pela adoção de medidas de
controle apropriadas para cada classificação de laser. Os limites de tolerância são
apresentados na ACGIH em gráficos de limite para visão de irradiância, duração
da exposição e comprimento de onda.
5) Campos magnéticos estáticos
As exposições ocupacionais de rotina não devem exceder a 60 militesla (mT),
equivalente a 600 graus (G) corpo inteiro ou 600 mT (6000 G) para os membros,
sobre uma base diária, média ponderada no tempo. Os valores-teto são 2T para
corpo inteiro e 5T para os membros.
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6) Campos magnéticos de subfreqüência
Os limites de exposição referem-se a amplitudes de fluxo magnético (B) de
campos magnéticos de subfreqüência na faixa de frequência de 30 kHz e abaixo,
às quais se acredita que a maioria dos trabalhadores pode estar repetidamente
exposta sem efeitos adversos à saúde. É também estabelecido valor-teto de 0,2
mT para frequências na faixa entre 300 Hz e 30 kHz, para exposições localizadas
e de corpo inteiro. Para frequências abaixo de 300 Hz, o limite de tolerância para
extremidades do corpo pode ser aumentado por um fator de 10 (dez) para mãos e
5 (cinco) para braços e pernas. A 30 kHz o limite de tolerância é de 0,2 mT, o qual
corresponde a uma intensidade de campo magnético de 160 A/m.
7) Subfreqüéncia (30 kHz e abaixo) e campos eletrostáticos
Os limites de tolerância referem-se às magnitudes máximas de campo não
protegido no local de trabalho, compreendendo campos elétricos de sub-
radiofreqüência e campos eletrostáticos, que representam as condições em que a
maioria dos trabalhadores possa ser exposta repetidamente sem efeitos adversos
à saúde. As exposições ocupacionais não devem exceder a intensidade de
campo de 25 KV/m de OHZ(DC) a 100 Hz.
A ACGIH estabelece ainda limites de tolerância para o ultra-som, incluído na NR-
9 como sendo radiação não ionizante. Os limites foram estabelecidos de modo
que a maioria dos trabalhadores, se repetidamente exposta a essas condições,
não sofreria efeitos adversos em sua capacidade auditiva e compreensão de
conversação. Os limites de exposição para 8 (oito) horas são uma extensão dos
limites de exposição para o ruído, que consideram 8 (oito) horas para 85 dB(A).
Os valores-teto devem ser verificados através da utilização de um medidor de
nível de pressão sonora com resposta lenta e bandas de um terço de oitava.
Avaliação das radiações
A radiação ionizante pode ser avaliada no ambiente utilizando-se o contador
Geiger ou, individualmente, com os dosímetros de filmes de bolso. Já para
radiação não ionizante, os medidores são específicos para cada tipo de radiação
(microondas, laser e ultravioleta).
Medidas de controle
As medidas de controle das radiações, entre outras, são:
1) Radiação ionizante
— controle da distância entre o trabalhador e a fonte;
— blindagem;
— limitação de tempo de exposição;
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— impedir que fontes radioativas atinjam vias de absorção do organismo;
— sinalização;
— controle médico;
— uso de barreiras;
— limpeza adequada do ambiente de trabalho.
2) Microondas
— enclausuramento das fontes;
— uso de barreiras;
— sinalização;
— exames médicos.
3) Radiação ultravioleta
— uso de barreiras;
— equipamentos de proteção individual, tais como óculos com lentes
filtrantes, roupas apropriadas para proteção do braço, tórax, mão e outros;
— exames médicos.
4) Laser
— EPI: protetores para os olhos, luvas protetoras, roupas, escudo;
— sinalização;
— blindagem;
— treinamento.
PRESSÕES ANORMAIS
Pressões anormais são aquelas acima das existentes ao nível do mar, ou seja,
são pertinentes às atividades de construção submarina, processos de mergulho,
etc. Na construção de túneis e outros trabalhos executados sob o nível do mar
pode-se prever a infiltração de água. Isto se dá porque as adaptações não são
hermeticamente fechadas.
EXISTEM DOIS TIPOS DE PRESSÕES ANORMAIS, CAUSADAS PELA
VARIAÇÃO DA PRESSÃO ATMOSFÉRICA:
•PRESSÃO HIPERBÁRICA
•PRESSÃO HIPOBÁRICA.
•Hipobárica: quando o homem está sujeito a pressões menores que a pressão
atmosférica. Estas situações ocorrem a elevadas altitudes. (coceira na pele, dores
musculares, vômitos, hemorragias pelo ouvido e ruptura do tímpano)
•Hiperbárica: quando o homem fica sujeito a pressões maiores que a atmosférica.
(mergulho e uso de ar comprimido).
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MODELO DE CÂMARA HIPERBÁRICA, QUE PERMITE EQUILIBRAR A
ADEQUAÇÃO DO CORPO HUMANO À PRESSÃO
Há uma série de atividades em que os trabalhadores ficam sujeitos a pressões
ambientais acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão atmosférica
a que normalmente estamos expostos.
Baixas pressões: são as que se situam abaixo da pressão atmosférica normal e
ocorrem com trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil,
são raros os trabalhadores expostos a este risco.
Altas pressões: são as que se situam acima da pressão atmosférica normal.
Ocorrem em trabalhos realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de
perfuração, caixões pneumáticos e trabalhos executados por mergulhadores. Ex:
caixões pneumáticos, compartimentos estanques instalados nos fundos dos
mares, rios, e represas onde é injetado ar comprimido que expulsa a água do
interior do caixão, possibilitando o trabalho. São usados na construção de pontes
e barragens.
A exposição a pressões anormais, pode causar a ruptura do tímpano quando o
aumento de pressão for brusco e a liberação de nitrogênio nos tecidos e vasos
sangüíneos e morte.
Por ser uma atividade de alto risco, exige legislação específica (NR-15 – anexo nº
6) a ser obedecida.
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3. AGENTES BIOLÓGICOS
Agentes Biológicos são microrganismos que, em contato com o homem podem
provocar inúmeras doenças. São considerados como agentes biológicos os
bacilos, bactérias, fungos, protozoários, parasitas, vírus. Entram nesta
classificação também os escorpiões, bem como as aranhas, insetos e ofídios
peçonhentos. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais
agentes. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública
(coleta de lixo), laboratórios etc.
Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microorganismos
incluem se: TUBERCULOSE, BRUCELOSE, MALÁRIA, FEBRE AMARELA etc.
Para que estas doenças possam ser consideradas DOENÇAS PROFISSIONAIS é
necessário que haja exposição do funcionário a estes microorganismos.
Classificação dos agentes biológicos de acordo com a NR 32 – Anexo I:
- Grupo 1 - Os que apresentam baixa probabilidade de causar doenças ao
homem;
- Grupo 2 – Os que podem causar doenças ao homem e constituir perigo aos
trabalhadores, sendo diminuta a probabilidade de se propagar na coletividade e
para as quais existem, geralmente, meios eficazes de profilaxia ou tratamento;
- Grupo 3 – Os que podem causar doenças graves ao homem e constituir um
sério perigo aos trabalhadores, com risco de se propagarem na coletividade e
existindo, geralmente, profilaxia e tratamento eficaz;
- Grupo 4 – Os que causam doenças graves ao homem e que constituem um
sério perigo aos trabalhadores, com elevadas possibilidades de propagação na
coletividade e, para as quais, não existem geralmente meios eficazes de profilaxia
ou de tratamento.
A NR 15 – anexo nº 14 – Agentes Biológicos, relaciona as atividades que
envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação
qualitativa.
Medidas preventivas:
É necessário que sejam tomadas medidas preventivas para que as condições de
higiene e segurança nos diversos setores de trabalho sejam adequadas.
 controle médico permanente;
 uso do E. P. I. (Equipamento de Proteção Individual);
 higiene rigorosa nos locais de trabalho;
 hábitos de higiene pessoal; uso de roupas adequadas;
 vacinação;
 treinamento.
 Adotar procedimentos de biossegurança e recomendações
constantes na NR 32.
Para que uma substância seja nociva ao homem é necessário que ela entre em
contato com seu corpo. Existem diferentes vias de penetração no organismo
humano com relação à ação dos agentes biológicos: cutânea (através da pele),
digestiva (ingestão de alimentos) e respiratória (aspiração de ar contaminado).
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4. RISCOS ERGONÔMICOS
CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO
A NR-17 estabelece que as condições ambientais de trabalho devem estar
adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do
trabalho a ser executado. Nos locais onde são executadas atividades que exijam
solicitação intelectual e atenção constantes, tais como salas de controle,
laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, entre
outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto:
a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma
brasileira registrada no INMETRO;
b) índice de temperatura efetiva entre 20°C (vinte graus centígrados) e 23°C
(vinte e três graus centígrados);
c) velocidade do ar não superior a 0,75 m/s;
d) umidade relativa do ar não inferior a 40% (quarenta por cento).
A seguir, serão analisados cada agente ambiental mencionado pela norma.
Ruído
Segundo a NR-17, para as atividades que exijam solicitação intelectual e atenção
constantes, tais como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de
desenvolvimento ou análise de projetos, entre outros, porém não apresentam
equivalência com a NBR 10152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto
será de 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60
dB.
A NBR 10152 da ABNT, norma brasileira registrada no INMETRO, estabelece
níveis de ruído para conforto em ambientes diversos, conforme tabela que se
segue:
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Notas:
a) O valor inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto, enquanto
o valor superior significa o nível sonoro aceitável para a finalidade.
b) Níveis superiores aos estabelecidos nesta tabela são considerados
desconfortáveis sem, necessariamente, implicar em riscos de dano à
saúde.
Observa-se que os limites para conforto são estabelecidos por curvas de
compensação A e NC. A curva de compensação A representa os níveis de ruído
ponderado nas freqüências. A curva NC é especifica para o conforto e exige a
avaliação do nível de ruído nas freqüências em banda de oitava, conforme se
segue:
Com relação à metodologia de avaliação, a NR-17 determina que esta deve ser
feita nos postos de trabalho próximos à zona auditiva, e as demais variáveis na
altura do tórax do trabalhador, sendo o instrumento utilizado o mesmo medidor de
nível de pressão sonora, como mostrado n,o Capítulo III, item 1.3, figura 1, p. 178.
Convém ressaltar que os níveis estabelecidos pela NR-17visam ao conforto nos
ambientes de trabalho, contudo, a não-conformidade não gera adicional de
insalubridade, que se encontra regulamentado na NR-15.
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Entretanto, os níveis de ruído superiores aos previstos na NR-17 exigem medidas
de controle. Estas medidas em geral são adotadas no ambiente, tais como
isolamento; enclausuramento de salas, de forma que evite interferência do ruído
de fundo; substituição de equipamentos, como, por exemplo, uma impressora
matricial pela jato de tinta, entre outras.
Temperatura efetiva/umidade relativa/velocidade do ar
1) Temperatura efetiva
Este índice era adotado até 1978 para caracterização de insalubridade, tendo sido
substituído pelo índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo — IBUTG, que é
mais adequado para avaliação ocupacional do calor.
O índice de temperatura efetiva é apropriado para verificação do conforto térmico,
sendo sua medição realizada com os seguintes instrumentos:
a) Psicrômetro
Este instrumento consiste em 01 (nm) termômetro de bulbo úmido e outro de
bulbo seco, montados paralelamente em um suporte giratório, conforme mostra a
figura a seguir:
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c) Anemômetro
Este instrumento é utilizado para medição da velocidade do ar com a utilização de
um anemômetro ou termoanemômetro, conforme mostra a figura abaixo:
Com os dados de temperatura de bulbo úmido (tbn), temperatura de bulbo seco
(tbs) e velocidade do ar, obtém-se o índice de temperatura efetiva no ábaco que
se segue:
Exemplo: Numa avaliação de temperatura, foram obtidos os seguintes dados:
Tbu = 25ºC
Tbs = 30°C
V = 0,5 m/s
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Entretanto, com estes dados, conforme marcado no ábaco, o índice de
temperatura efetiva é igual a 26,5°C.
2) Velocidade e umidade do ar
A velocidade do ar é obtida diretamente com anemômetro ou termoanemômetro.
conforme mostrado anteriormente. De acordo com a NR-17, nos ambientes de
trabalho a velocidade do ar não poderá ser superior a 0,75 m/s.
Com relação à umidade do ar, pode ser obtida utilizando-se os mesmos
parâmetros do índice de temperatura efetiva. Com os valores das temperaturas
do bulbo úmido e bulbo seco, a umidade é obtida através da carta psicrométrica,
conforme figura que se segue:
Observa-se pela carta psicrométrica que, para temperatura de bulbo seco de
43,0ºC e temperatura de bulbo úmido de 23,9ºC, a umidade relativa do ar é igual
a 21,0%.
Iluminação
Avaliação dos níveis de iluminamento
1) Níveis mínimos de iluminação
O subitem 17.5.3.3 da NR-17 dispõe:
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Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho
são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira
registrada no INMETRO.
A NBR 5413 estabelece níveis mínimos de iluminação em lux para diversas
atividades, tais como:
BANCOS
— Atendimento ao público.........................................................500 lux
— Salas de datilografia .............................................................500 lux
— Sala de recepção.................................................................. 150 lux
BIBLIOTECAS
— Sala de leitura........................................................................500 lux
— Recinto das estantes ............................................................300 lux
FUNDIÇÕES
— Área de carregamento e enchimento ................................... 150 lux
— Moldagem grosseira ......................................................200 lux
— Limpeza e acabamento................................................. 200 lux
— Inspeção (material de precisão).................................. 1000 lux
USINAS DE AÇO
— Forjas ............................................................................200 lux
Portanto, os leitores devem consultar a referida norma, quando da avaliação de
iluminamento.
b) Aparelhos de medição/metodologia
O iluminamento é medido por aparelhos comparadores, por fotômetros portáteis
e, de modo mais prático, pêlos luxímetros que, embora não muito precisos, dão
resultados satisfatórios. Estes aparelhos recorrem em geral ao efeito fotoelétrico
característico de certos metais ou óxidos metálicos. Os tipos variam segundo o
material sensível empregado. A figura abaixo ilustra um luxímetro:
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A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser
feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de
luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em
função do ângulo de incidência (subitem 17.5.3.4).
O campo de trabalho é toda região do espaço onde, para qualquer superfície nela
situada, se exige condições de iluminamento apropriadas ao trabalho visual a ser
realizado.
Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4,
este será um plano horizontal a 0,75 m (setenta e cinco centímetros) do piso
(subitem 17.5.3.5).
Medidas corretivas
A iluminação adequada dos locais de trabalho é importante, pois proporciona
maior velocidade na observação dos detalhes, menor cansaço visual, menor
percentual de refugos, melhor conforto e eficiência na execução das tarefas.
Assim, para obter-se uma boa iluminação é necessário observar o seguinte:
1) Quantidade de luminárias
Deve ser instalado o número adequado de luminárias, a fim de atingir o nível de
iluminamento necessário. A quantidade de luminárias necessárias é determinada
através da elaboração de iluminação, levando-se em consideração todas as
variáveis do ambiente que influem nesta. É importante posicionar as luminárias de
acordo com o layout, de forma que se aproveite ao máximo o fluxo luminoso.
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2) Distribuição e localização das luminárias
As luminárias devem ser dispostas no ambiente de forma que proporcionem uma
iluminação homogénea, devendo ser adequada ao arranjo físico do local. As
luminárias devem, ainda, ser localizadas de forma que não criem sombras ou
contrastes nos locais onde se objetivar à iluminação.
3) Manutenção
Periodicamente, deve ser feita a limpeza das luminárias, para evitar acúmulo de
poeiras, aumentando desta forma o fluxo luminoso. A reforma das luminárias ou
substituição de lâmpadas queimadas ou com defeito são indispensáveis para
manutenção da boa iluminação.
4) Cores adequadas
As cores das superfícies existentes nos locais de trabalho, tais como tetos,
paredes, máquinas, mesas de trabalho, devem ser escolhidas de forma que
possuam uma refletância adequada.
Superfície Refletância Recomendada
Teto 80%
Paredes 60%
Mesas e bancadas 35%
Máquinas e equipamentos 25% a 30%
Pisos 15%
Definição de refletância:
Define-se refletância de uma superfície como sendo a percentagem de luz
refletida do total incidente sobre esta superfície. A seguir, quadro com refletância
de determinadas cores de tetos e paredes:
Refletância
Teto Branco – 75%
Parede Clara – 50%
Parede Branca – 50%
Parede Clara – 30%
Parede Escura – 10%
5) Variação brusca do nível de iluminamento
A diferença acentuada entre os níveis de iluminamento de dois locais de trabalho
adjacentes pode ocasionar riscos de acidentes.
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6) Idade do trabalhador
Com o aumento da idade, o trabalhador vai perdendo a acuidade visual e a
percepção de pequenos detalhes. Assim, quanto maior a idade do trabalhador
maior será o nível de iluminamento exigido em seu posto de trabalho.
7) Incidência direta de luz
As janelas, clarabóias ou cobertura iluminantes, horizontais ou dentes de serras,
deverão ser dispostas de maneira que o sol não venha incidir diretamente sobre o
local de trabalho, utilizando-se, quando necessário, recursos para evitar o
isolamento excessivo, tais como toldos, venezianas, cortinas, devendo-se, no
entanto, aproveitar ao máximo a iluminação natural.
8) Dimensionamento de um sistema de iluminação artificial
O dimensionamento de um sistema de iluminação artificial pode ser feito pelo
método por ponto ou método lumens. A seguir, vamos mostrar o
dimensionamento utilizando-se o método lumens.
a) Cálculo fluxo luminoso total — Ø
Onde:
S = Área do local em m2
E = Nível mínimo de iluminamento exigido para o local, conforme NBR5413.
H = coeficiente de utilização obtido através das tabelas. É função das dimensões
do local, tipo de luminária, cores das paredes e teto e altura do foco luminoso.
Esse valor deve ser obtido em tabelas dos fabricantes.
d = Fator de depreciação obtido em função do tipo de luminária, conforme tabelas
dos fabricantes.
b) Número de luminárias (N)
Onde:
Ø = Fluxo luminoso total.
FL = Fluxo luminoso da lâmpada obtido de acordo com o tipo de lâmpada e sua
potência (tabelas dos fabricantes).
c) Distribuição
Com o número de lâmpadas obtidas e o tipo de luminária escolhido, poderá ser
feita a distribuição no local, levando-se em conta a altura, forma, layout, entre
outros.
Qualidade do ar em ambientes climatizados
A ventilação é um meio de controle eficaz para o conforto térmico dos locais de
trabalho. A ventilação natural é sempre prioritária, no entanto, quando ela não for
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suficiente, é necessário a utilização da ventilacão artificial. A climatização do
ambiente é muito utilizada na obtenção do conforto, contudo, a qualidade do ar é
fundamental, pois sua contaminação por poeiras, névoas, fumos,
microorganismos, gases e vapores coloca em risco a saúde dos trabalhadores.
Assim, para garantir a qualidade, a Portaria n. 3.523/98 da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece a obrigatoriedade da implantação do
Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) nos ambientes climatizados
de uso coletivo. Já a Resolução n. 176 da ANVISA, atualizada pela Resolução n.
9, de 16.1.2003 estabelece orientação técnica e os padrões de qualidade nos
ambientes climatizados, conforme transcritos a seguir:
5. RISCOS DE ACIDENTES
São arranjo físico inadequados ou deficiente, máquinas e equipamentos,
ferramentas defeituosas, risco de explosão, transporte de materiais, edificações,
armazenamento inadequado, etc.
Essas deficiências podem abranger um ou mais dos seguintes aspectos:
 arranjo físico;
 edificações;
 sinalizações
 ligações elétricas;
 máquinas e equipamentos sem proteção,
 equipamento de proteção contra gahhhincêndio;
 ferramentas defeituosas ou inadequadas,
 EPI inadequado,
 armazenamento e transporte de materiais.
 Iumínação deficíente - fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho.
Riscos à saúde
 Arranjo físico: quando inadequado ou deficiente, pode causar acidentes e
provoca desgaste físico excessivo nos trabalhadores.
 Máquinas sem proteção: podem provocar acidentes graves.
 Instalações elétricas deficientes: trazem riscos de Curto circuito, choque
elétrico, incêndio, queimaduras, acidentes fatais.
 Matéria prima sem especificação e inadequada: acidentes, doenças
profissionais, queda da qualidade de produção.
 Ferramentas defeituosas ou inadequadas: acidentes, com repercussão
principalmente nos membros superiores.
 Falta de EPI ou EPI inadequado ao risco: acidentes, doenças profissionais.
 Transporte de materiais, peças, equipamentos sem as devidas precauções:
acidentes.
 Edificações com defeitos de construção: a exemplo de piso com desníveis,
escadas fora de ausência de saídas de emergência, mezaninos sem
proteção, passagens sem a atura necessária : quedas, acidentes.
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 Falta de sinalização das saídas de emergência, da localização de escadas
e caminhos de fuga, alarmes, de incêndios: ações desorganizadas nas
emergências, acidentes.
 Armazernamento e manipulação inadequada de inflamáveis e gases, curto
circuito, sobrecargas de redes elétricas: incêndios, explosões.
 Armazenamento e transporte de materiais: a obstrução de áreas traz fiscos
de acidentes, de quedas, de incêndio, de explosão etc.
 Equipamento de proteção contra incêndios: quando deficiente ou
insuficiente, traz efetivos riscos de incêndios.
 Sinalização deficiente: falta de uma política de prevenção de acidentes,
não identificação de equipamentos que oferecem fisco, não delimitação
de áreas, informações de segurança insuficientes etc.
comprometem a saúde ocupacional dos funcionários.
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103
Referências Bibliográficas
CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAL – TUFFI
MESSIAS SALIBA
INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL – FUNDACENTRO / TEM
Sabará 2007 / 2009.
JMOF

Higiene ocupacional i

  • 1.
    Praça Expedicionário Assunção,168 – Bairro Centro Nova Lima – MG – CEP: 34.000-000 Telefone: (31) 3541-2666 HHIIGGIIEENNEE OOCCUUPPAACCIIOONNAALL SENAI – ―Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial‖ Centro de Formação Profissional ―AFONSO GRECO‖
  • 2.
    Presidente da FIEMG OlavoMachado Gestor do SENAI Petrônio Machado Zica Diretor Regional do SENAI e Superintendente de Conhecimento e Tecnologia Lúcio Sampaio Gerente de Educação e Tecnologia Edmar Fernando de Alcântara Elaboração Equipe do CFP MM – SENAI / SABARÁ Unidade Operacional CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL MICHEL MICHELS
  • 3.
    SSuummáárriioo APRESENTAÇÃO............................................................................................................04 INTRODUÇÃO A HIGIENEOCUPACIONAL...................................................................05 RISCOS QUÍMICOS..........................................................................................................11 RISCOS FÍSICOS..............................................................................................................36 RISCOS BIOLÓGICOS.....................................................................................................81 RISCOS ERGONÔMICOS................................................................................................82 RISCOS DE ACIDENTES.................................................................................................90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 90
  • 4.
    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ Apresentação ―Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do conhecimento. ― Peter Drucker O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção, coleta, disseminação e uso da informação. O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país,sabe disso , e ,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito da competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo produtivo, com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos técnicos aprofundados, flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e consciência da necessidade de educação continuada.‖ Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento , na sua área tecnológica, amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se faz necessária. Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia, da conexão de suas escolas à rede mundial de informações – internet- é tão importante quanto zelar pela produção de material didático. Isto porque, nos embates diários,instrutores e alunos , nas diversas oficinas e laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos. O SENAI deseja , por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre os diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada ! Gerência de Educação e Tecnologia
  • 5.
    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 1 HIGIENE OCUPACIONAL Introdução O desenvolvimento tecnológico da humanidade, além de trazer enormes benefícios e conforto para o homem do século XX, tem exposto o trabalhador a diversos agentes potencialmente nocivos e que, sob certas condições poderão provocar doenças ou desajustes no organismo das pessoas que desenvolvem suas atividades normais em variados locais de trabalho. A Higiene Ocupacional, estruturada como uma ciência prevencionista, vem sendo aperfeiçoada dia a dia e tem como objetivo fundamental atuar no ambiente de trabalho, a fim de detectar o tipo de agente prejudicial, quantificar sua intensidade ou concentração e tomar as medidas de controle necessárias para resguardar a saúde e o conforto dos trabalhadores durante toda sua vida de trabalho. Dentre as definições conhecidas e mais amplamente difundidas, podemos citar:  A definição dada pela American Industrial Hygiene Association – AIHA, segundo a qual a higiene ocupacional é ―ciência que trata da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos originados nos locais de trabalho e que podem prejudicar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, tendo em vista também o possível impacto nas comunidades vizinhas e no meio ambiente‖.  De acordo com o conceito preconizado por Olishifski, a higiene ocupacional é tida como ―aquela ciência e arte devotada à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos fatores de risco ou estresses ambientais originados no, ou a partir, do local de trabalho, os quais podem causar doenças, prejudicar a saúde e o bem-estar, ou causar significante desconforto sobre os trabalhadores ou entre os cidadãos de uma comunidade‖.  A definição da American Conference Of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH: ―ciência e arte do reconhecimento, avaliação e controle de fatores ou tensões ambientais originados do, ou no, local de trabalho e que podem causar doenças, prejuízos para a saúde e bem-estar, desconforto e ineficiência significativos entre os trabalhadores ou entre os cidadão da comunidade.‖ O termo higiene ocupacional, que abrange a modalidade industrial, é considerado o mais amplo pelos órgãos especializados, incluindo a Fundacentro, razão pela qual sua utilização tem sido preferida. No entanto, a nosso ver, o termo higiene do trabalho poderá ser igualmente aplicado, pois contempla – além do trabalho subordinado (empregos) – os trabalhos autônomo, avulso, estatuário, etc. A higiene ocupacional é a ciência que atua no campo da saúde ocupacional, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos físicos, químicos e biológicos originados nos locais de trabalho e passíveis de produzir
  • 6.
    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 2 danos à saúde dos trabalhadores, observando-se também o impacto ao meio ambiente. Os riscos físicos são: ruído, calor, vibração, radiação ionizante, radiação não ionizante, frio. Os agentes químicos são: gases, vapores, poeira, fumos, névoas, neblinas. Os agentes biológicos são: bactérias, fungos, vírus, protozoários, e parasitas. Classificação de riscos ambientais Boa parte dos processos de produção pelos quais o homem modifica os materiais extraídos da natureza, para transformá-los em produtos úteis, segundo as necessidades tecnológicas atuais, são capazes de dispersar no ambiente dos locais de trabalho substancias que, ao entrar em contato com o organismo dos trabalhadores podem acarretar moléstias ou danos à sua saúde. Estes processos poderão originar condições físicas de intensidade inadequada para o organismo humano, sendo que ambos os riscos (Físicos e Químicos) são geralmente de caráter acumulativo e chegam às vezes a produzir graves danos aos trabalhadores. O ser humano é composto por um organismo complexo e seu bem estar não esta ligado somente às condições físicas ambientais e ou presença de agentes agressivos, deve-se compreender a importância da influencia da organização do trabalho sobre o trabalhador, sendo também um fator muitas vezes não facilmente quantificável, mas de grande importância. Para facilitar o estudo dos riscos ambientais podemos classificá-los em cinco grupos: Riscos Químicos Riscos Físicos Riscos Biológicos E também: Riscos ergonômicos e Riscos de acidentes ou mecânicos existentes nos locais de trabalho e que possam vir a causar danos à saúde dos trabalhadores. Por sua vez, cada um destes grupos subdivide-se quer em função das formas em que se apresentam, ou devido às características físico-químicas dos agentes, de acordo com as conseqüências fisiológicas que estes podem provocar, segundo sua ação sobre o organismo, etc. Riscos Químicos As substâncias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de trabalho classificam-se, segundo as suas características físico-químicas em: Aerodispersóides Gases e Vapores
  • 7.
    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 3 Ambos os grupos comportam-se de maneira diferente, tanto no que diz respeito ao período de permanência no ar, quanto as possibilidade de ingresso no organismo. Por sua vez, os aerodispersóides podem ser sólidos ou líquidos, atendendo ao seguinte esquema geral de classificação: Os aerodispersóides sólidos e líquidos são classificados em relação ao tamanho da partícula e à sua forma de origem. São poeiras e névoas os aerodispersóides originados por ruptura mecânica de sólidos e líquidos respectivamente, e fumos e neblinas aqueles formados por condensação ou oxidação de vapores, provenientes, respectivamente, de substâncias sólidas ou líquidas a temperatura e pressão normal (20º C e 1 atmosfera de pressão). Riscos Físicos Ordinariamente, os riscos físicos representam um intercâmbio brusco de energia entre o organismo e o ambiente, em quantidade maior de que o organismo é capaz de suportar, podendo acarretar uma doença profissional. Entre os mais importantes podemos citar: Temperaturas extremas: Calor Frio Ruído Vibrações Pressões anormais Radiações: Ionizantes Não ionizantes RISCOS QUIMICOS GASES E VAPORES AERODISPERSÓIDES SÓLIDOS LÍQUIDOS NÉVOAS NEBLINAS POEIRAS FUMOS
  • 8.
    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 4 Riscos Biológicos Neste grupo, estão classificados os riscos que representam os organismos vivos, tais como: Vírus Bactérias Fungos Protozoários Parasitas Riscos Ergonômicos São os fatores que podem afetar a integridade física ou mental do trabalhador devido a sua interação com o seu ambiente de trabalho, podendo ocasionar desconforto ou doença. São considerados riscos ergonômicos: Esforço físico intenso Levantamento e transporte manual de peso Exigência de postura inadequada Controle rígido de produtividade Imposição de ritmos excessivos Trabalho em turno e noturno Fornadas de trabalho prolongadas Monotonia e repetitividade Outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico Riscos de Acidentes São todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador ou afetam sua integridade física. São considerados como riscos geradores de acidentes: Arranjo físico inadequado Máquinas e equipamentos sem proteção Ferramentas inadequadas ou defeituosas Iluminação inadequada Eletricidade Probabilidade de incêndio ou explosão Animais peçonhentos Armazenamento inadequado Outras situações que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes
  • 9.
    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 5 Caracterização dos riscos De tudo quanto se tem exposto, podemos concluir que a presença de poluentes e agentes agressivos nos locais de trabalho representam um risco, mas isto não quer dizer que todos os trabalhadores expostos venham a adquirir uma doença. Para que isto aconteça devem concorrer vários fatores, que são: Tempo de exposição Quanto maior o tempo de exposição, maiores as possibilidades de se produzir uma doença ocupacional. Concentração ou Intensidade dos agentes ambientais (―Quantidade‖) Quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes agressivos presentes no ambiente de trabalho, tanto maior será a possibilidade de danos à saúde dos trabalhadores expostos. Características dos agentes ambientais (―Qualidade‖) As características específicas de cada agente também contribuem para a definição do seu potencial de agressividade. O estudo do ambiente de trabalho visando a estabelecer qualquer relação entre esse ambiente e possíveis danos à saúde dos trabalhadores que devem efetuar seus serviços normais nesses locais, constitui o que chamamos, um levantamento de condições ambientais de trabalho. O levantamento pode se dividir em duas partes: Estudo Qualitativo Estudo Quantitativo O estudo qualitativo das condições de trabalho visa coletar o maior numero de informações e dados necessários, a fim de fixar as diretrizes a serem seguidas no levantamento quantitativo. O estudo quantitativo completará o reconhecimento preliminar dos ambientes de trabalho, através de medições adequadas, que no final nos dirão quais as possibilidades de os trabalhadores serem afetados pelos diferentes agentes agressivos presentes nos locais de trabalho. Levantamento qualitativo Normas gerais de procedimento Deve-se iniciar o reconhecimento qualitativo do ambiente de trabalho, preferencialmente, fazendo um estudo minucioso de uma planta baixa atualizada do assim como um fluxograma dos processos, a fim de estabelecer a forma
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 6 correta de proceder o levantamento: saber o que fazer e como fazer, nos diferentes locais de trabalho. O estudo qualitativo deve dar informação detalhada de aspectos, tais como: Número de trabalhadores; Horários de trabalho; Matérias-primas usadas, incluindo nome comercial e nome científico de substâncias; Maquinarias e processos; Tipos de energia usada para a transformação de materiais; Produtos semi-elaborados; Produtos acabados; Substâncias complementares usadas nos processos; Existência ou não de equipamentos de controle, tais como: ventilação local, estado em que se encontram, etc.; Tipo de iluminação e estado das luminárias; Presença de poeiras, fumos, névoas e ponto de origem da dispersão; Uso de EPI por parte dos trabalhadores; Estas informações devem ser acrescidas de comentários por escrito, que permitam esclarecer a situação real do ambientes de trabalho. O Técnico em segurança deve estar familiarizado com os processos industriais, métodos de trabalho e demais atividades que são efetuadas normalmente no local, ou estar assessorado por profissional que esteja, afim de obter dados fidedignos e esclarecer as dúvidas que possam surgir durante o levantamento. Para maior facilidade na coleta da informação podem ser utilizadas fichas padronizadas que tenham condições de reunir as informações mais importantes e necessárias. Não existe um modelo único para fichas deste tipo, já que seu formato, tamanho, bem como os parâmetros das mesmas podem variar em função do tipo de empresa e dos objetivos e finalidades do levantamento. Portanto o técnico deve elaborar seu próprio material auxiliar, tendo em vista que tais formulários sejam simples e completos, para que representem um poderoso instrumento, que venha facilitar o levantamento e nunca interferir negativamente em sua qualidade. Levantamento quantitativo Uma vez realizado o levantamento qualitativo, o profissional de segurança já reúne as condições necessárias para traçar os rumos a serem seguidos no levantamento quantitativo. Este, por sua vez, deve ser minucioso e completo para que represente as condições reais em que se encontra o ambiente de trabalho. Deve-se, portanto, verificar a intensidade ou concentração dos agentes físicos e químicos existentes no local analisado. Desta forma são colhidos subsídios para definir as medidas de controle necessárias. Uma vez adotadas as medidas de controle que alterem as condições de exposição inicialmente avaliadas, será necessário um novo levantamento quantitativo para se verificar a eficácia das medidas implantadas. Sempre que alterações substanciais sejam realizadas no ambiente de trabalho, deverão ser realizadas novas quantificações, a fim de detectar possíveis
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 7 alterações que exijam a adoção de novas medidas de controle ou a adequação das já existentes. Os critérios de avaliação e controle de cada agente serão estudados dentro dos itens específicos. Susceptibilidade Individual A complexidade do organismo humano implica em que a resposta do organismo a um determinado agente pode variar de individuo para individuo. Sendo, portanto, a susceptibilidade individual um fator importante a ser considerado. Todos estes fatores devem ser estudados, quando se apresenta um risco potencial de doença do trabalho e, na medida que este seja claramente estabelecido, poderemos planejar a implantação de medidas de controle que levarão à eliminação ou minimização do risco em estudo. O tempo real de exposição será determinado considerando-se a análise da tarefa desenvolvida pelo trabalhador. Essa análise deve incluir estudos, tais como: Tipo de serviço; Movimentos do trabalhador ao efetuar o seu serviço; Períodos de trabalho e descanso, considerando todas as variações desses durante a jornada de trabalho. A concentração dos poluentes químicos ou a intensidade dos agentes físicos devem ser avaliados mediante amostragem nos locais de trabalho, de tal maneira que essas amostragens sejam as mais representativas possíveis da exposição do trabalhador a esses agentes agressivos. Este estudo deve considerar também as características físico-químicas dos contaminantes e as características próprias que distinguem o tipo de risco físico. Junto a este estudo ambiental terá que ser feito o estudo médico do trabalhador exposto, a fim de determinar possíveis alterações no seu organismo provocadas pelos agentes agressivos ou que permitirão a instalação de danos mais importantes, se a exposição continuar.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 8 1. Agentes Químicos Considerações Iniciais Agentes ou fatores químicos são as substancias químicas que estão presentes no ambiente, geralmente em mistura ou com impurezas que podem causar algum dano ou agravo a saúde quando entram em contato com um receptor. Neste sentido amplo, o agente químico pode estar presente no alimento, no ar ambiente, na água, no equipamento ou no instrumento manuseado. Há um sem – numero de substancias químicas no universo, e vê, sendo introduzidas muitas outras a cada ano. A ação do ser humano não se reduz à produção de novos compostos. Ele é o maior responsável pela disseminação dos produtos no ambiente, por meio da extração, do transporte ou do comércio. Segundo a natureza, os agentes químicos classificam-se em aerossol (poeiras, névoas, neblinas, fumos), gases e vapores, podendo penetrar no organismo por via respiratória, dérmica, digestiva ou parenteral. Gases e Vapores Definições Gases Denominação dada as substancias que, em condições normais de temperatura e pressão (25ºC e 760 mmHg), estão no estado gasoso. São fluidos amorfos que podem mudar de estado físico unicamente por uma combinação de pressão e temperatura. Exemplo: hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Vapores Fase gasosa de uma substancia que, a 25ºC e 760 mmHg, se torna líquida ou sólida. O vapor pode passar para o estado liquido ou sólido atuando-se sobre a pressão ou sobre sua temperatura. Exemplos: vapores de água, vapores de gasolina. Classificação Fisiológica dos Gases e Vapores Pelo ar inalam-se gases e vapores estranhos, muitos dos quais podem ser perigosos à saúde. Entretanto, esses efeitos variam segundo a substancia. As características físicas mais importantes para a determinação dos efeitos biológicos de um gás ou vapor são sua concentração no ar e sua solubilidade no sangue e tecidos, que determinará a sua absorção pelo organismo. Além disso, sua toxicidade e as vias e formas de penetração também influem nos efeitos à saúde.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 9 Os gases e vapores podem ser classificados, segundo a sua ação sobre o organismo humano, em três grupos: irritantes, anestésicos, asfixiantes. Se a substancia é enquadrada em um desses grupos, isso não implica que não possa também possuir características dos grupos. Essa classificação baseia-se no efeito mais importante, isto é, mais significativo sobre o organismo. Gases e Vapores Irritantes Existe uma grande variedade de gases e vapores classificados nesse grupo, os quais diferem suas propriedades físico-químicas, mas tem uma característica comum: produzem irritação nos tecidos com os quais entram em contato direto, tais como a pele, a conjuntiva ocular e as vias respiratórias. A intensidade da ação irritante depende da estrutura química da substancia, de sua concentração no ar e do tempo de exposição. A solubilidade é um fator importante a ser considerado, uma vez que determina o local de ação do tóxico no trato respiratório:  Irritantes altamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias superiores, sendo que o nariz e a garganta são os que sofrem mais com a sua ação: ácidos clorídrico e fluorídrico, amoníaco, nevoas alcalinas, etc.  Irritantes relativamente solúveis em água – atuam nas vias respiratórias superiores e pulmão: halogênios, ozônio, sulfatos de dietila e dimetila, etc.  Irritantes pouco solúveis em água – atuam no pulmão: óxido de nitrogênio, cloreto de arsênico, etc. Assim, os gases mais perigosos são aqueles que possuem baixa solubilidade e não tem odor. Ao gases e vapores irritantes dividem-se em: A) Irritantes primários São aqueles cuja ação sobre o organismo é somente de irritação sobre o local atingido, podendo subdividirem-se em: 1) Irritantes de ação sobre as vias respiratórias superiores Pertencem a esse grupo: - Ácidos fortes, tais como: ácido clorídrico ou muriático, ácido sulfúrico. - Álcalis fortes, tais como: amônia e soda cáustica. - Formaldeído. 2) Irritantes de ação sobre os brônquios Pertencem a esse grupo: - Anidrido sulfuroso e cloro.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 10 3) Irritantes sobre os pulmões Pertencem a esse grupo: - Ozona, gases nitrosos (principalmente NO2 e sua forma dímera N2O4). Esses gases são produzidos no arco elétrico (solda elétrica), por combustão de nitratos, no uso de explosivos e no uso industrial de ácido nítrico. - Fosgênio. - Gás incolor, originado da decomposição térmica de tetracloreto de carbono e outros derivados halogenados. 4) Irritantes atípicos Pertencem a esse grupo - Acroleína ou aldeído acrílico (gás liberado pelos motores diesel), gases lacrimogêneos. B) Irritantes secundários Essas substâncias, além de possuírem efeito irritante sobre o local de ação, tem atuação generalizada sobre o organismo. Uma exposição aguda a esse tipo de tóxico produzira edema pulmonar; pertence a esse grupo o gás sulfídrico (H2S). Gases e Vapores Anestésicos Uma propriedade comum entre eles é o efeito narcótico ou depressivo sobre o sistema nervoso central, fundamentalmente o cérebro. É importante ressaltar que essas substâncias são introduzidas em nosso organismo pela via respiratória, alcançando o pulmão, onde são transferidas para o sangue, que as distribuirá para o resto do corpo. Muitas delas também podem penetrar através da pele intacta, alcançando a corrente sanguínea. De acordo com sua ação sobre o organismo, os anestésicos podem ser divididos em: A) Anestésicos primários Pertencem a esse grupo: hidrocarbonetos alifáticos (butano, propano, etano, etc.), ésteres, aldeídos, cetonas. B) Anestésicos de efeito sobre as vísceras (fígado e rins) O fígado e os rins desempenham papel importante nos fenômenos de desintoxicação, seja pela geração de enzimas adequadas, seja com a eliminação por meio da úrica. Uma intoxicação superior a que o fígado é capaz de assumir pode levar a deterioração desse órgão pela cirrose ou mesmo necrose. Da mesma forma, os rins quando afetados podem apresentar necrose epitelial.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 11 Pertencem a esse grupo os hidrocarbonetos clorados, tais como: tetracloreto de carbono, tetracloroetano, tricloroetileno, percloroetilino. C) Anestésicos de ação sobre o sistema formador do sangue As substancias classificadas nesse grupo atuam modificando a hemoglobina em metahemoglobina, no caso da anilina, nitrito e toluidina. Mas a ação mais profunda no sistema hematopoiético é causada pelo benzeno, que pode levar a uma anemia irreversível. Os homólogos, tolueno e xileno, têm efeitos anestésicos similares aos do benzeno, mas possuem efeitos tóxicos consideravelmente menores. Pos essa razão são recomendados para substituir o benzeno, diminuindo assim o risco a que estão expostos os trabalhadores. D) Anestésicos de ação sobre o sistema nervoso Nesse grupo encontram-se os álcoois (metílico e etílico), ésteres de ácidos orgânicos, dissulfeto de carbono. Em geral, os álcoois são altamente solúveis em água, fato que determina a sua eliminação de forma lenta. No caso do álcool etílico, alenta eliminação é contrastada com a rápida oxidação dentro do ciclo de combustão dos açucares e raramente são inaladas quantidades suficientes para produzir anestesia. Gases e Vapores Asfixiantes A principal característica de um tóxico é impedir de alguma forma que o oxigênio atinja os tecidos, podendo os asfixiantes ser classificados em simples ou químicos. Os asfixiantes simples têm sua atuação fora do organismo, isto é, sua presença na atmosfera provoca o deslocamento do oxigênio, reduzindo a concentração desse gás no ambiente. Dentro dessa classe encontram-se o CO2, metano, propano, nitrogênio e butano. Por outro lado, os asfixiantes químicos impedem a entrada do oxigênio nos tecidos. O asfixiante químico mais conhecido é o monóxido de carbono, que tem uma afinidade química com a hemoglobina superior ao oxigênio, formando a carboxihemoglobina e impedindo o transporte de oxigênio. Além da classificação dos gases e vapores, segundo o seu efeito pela inalação, é importante que seja feita uma pequena exposição a respeito dos agentes químicos que tem a capacidade de penetrar a pele. Pertencem a esse grupo, principalmente, os solventes orgânicos, que, devido a sua larga utilização industrial, expõem inúmeros trabalhadores a seus efeitos, que incluem, dentre outros, a dermatite de contato por irritação. A ação de determinada substancia sobre a pele está diretamente relacionada com a sua solubilidade na água e gordura e na sua pressão de vapor, isto é, a sua habilidade em se dissolver na água ou em compostos orgânicos e em evaporar- se.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 12 Experimentos mostraram que solventes orgânicos são potencialmente irritantes químicos, induzindo ao aparecimento dermatite de contato por irritação quando em contato com a pele não protegida adequadamente. A capacidade irritante dos solventes adota a seguinte ordem: Aromático > Alifático > Clorados > Álcoois > Ésteres > Cetonas, devido principalmente a suas lipossolubilidades. O mecanismo de irritação dos solventes inicia-se pela interação destes com os lipídios da camada córnea e com o filme lipídico que recobre a pele. Os lipídios intracelulares da camada córnea são organizados em uma estrutura alternada de estratos lipofílicos e hidrofílicos. Com a inserção de pequenas moléculas de solvente nos estratos lipofílicos, há alteração da estrutura anteriormente organizada, resultando no aumento da difusão da água e, conseqüentemente, na desidratação da pele, causando nesta descamação e ressecamento. A repetida exposição da pele aos solventes poderá resultar em eritema, descamação e ressecamento, que poderão eventualmente evoluir para eczema. Usualmente as mão estão protegidas, mas a alta volatilidade dos solventes poderá permitir que a face e o pescoço, áreas descobertas, possam ser também atingidos. Diversos fatores influenciam na ação irritante dos solventes, principalmente o seu ponto de ebulição. Observa-se que os solventes, cujos pontos de ebulição. Observa-se que os solventes, cujos pontos de ebulição são mais baixos, são mais irritantes que aqueles de pontos de ebulição mais altos, e solventes com componentes aromáticos são mais irritantes que os alifáticos, por causa de suas diferentes propriedades de extração lipídica e/ou taxa de penetração na pele. Alguns poucos solventes, tais como estireno e álcoois, podem induzir à dermatite de contato alérgica, que independe da concentração do agente. Aerodispersóides Definições De forma ampla, o material particulado contaminado é todo aquele aerossol que se encontra em suspensão no ar e que pode ser nocivo à saúde. De acordo com sua formação, os particulados podem ser classificados como sólidos ou líquidos. Como particulados líquidos temos as névoas e neblinas, e como particulados sólidos, as poeiras (fibras) e os fumos. Classificação quanto á formação A) Poeira São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de um sólido, seja pelo simples manuseio (limpeza de bancadas), seja em conseqüência de uma operação mecânica (trituração, moagem, peneiramento, polimento, dentre outras). Exemplos:Poeira de sílica, asbesto e carvão.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 13 B) Fumos São partículas sólidas resultantes da condensação de vapores ou reação química, geralmente após volatilização de metais fundidos. Exemplos: Fumos de Pb – ponteamento de arames; Fumos de Zn – galvanoplastia C) Névoas e Neblinas Névoas e neblinas são partículas liquidas, produzidas por ruptura mecânica de liquido ou por condensação de vapores de substancias que são líquidas à temperatura ambiente. Exemplo: Névoa de tinta – resultante de pintura à pistola D) Fibras São partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica de sólidos que se diferenciam das poeiras porque têm forma alongada, com um comprimento de 3 a 5 vezes superior a seu diâmetro. Exemplos: Animal – lã, seda, pêlo de cabra e camelo Vegetal – algodão, linho, cânhamo Mineral – asbesto, vidro e cerâmica Deve-se salientar que essa classificação é apenas para facilitara compreensão, pois, do ponto de vista da Higiene, não é muito significativa a maneira como as partículas são originadas para fins de avaliação e controle. Classificação quanto ao efeito no organismo A classificação quanto ao tipo de dano que a poeira pode produzir no nosso organismo é a seguinte: Pneumoconiótica: Aquela que pode provocar algum tipo de pneumoconiose. Ex.: Silicose, asbestose, antracose, bissinose. Tóxica: Pode causar enfermidade tanto por inalação quanto por ingestão. Ex.: metais como chumbo, mercúrio, arsênico, cádmio, manganês, cromo, etc. Alérgica: Aquela que pode causar algum tipo de processo alérgico. Ex.: poeira de resina epóxi e algumas poeiras de madeira. Inerte: Produz enfermidades leves e reversíveis, causando geralmente bronquite, resfriados, etc.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 14 Tipos de particulados, Efeitos e Ocorrência no Ambiente de Trabalho Sílica A sílica é encontrada na natureza em abundancia, pois constitui a maior parte da crosta terrestre. Sua formula química é constituída por um átomo de silício e dois de oxigênio (SiO2). Esses átomos, por sua vez, unem-se a outros formando diversas estruturas cristalizadas, resultando em diferentes classes de sílicas cristalizadas. Desse modo, a sílica cristalizada pode apresentar-se em forma de quartzo, cristobalita, tridmita, amorfa. A nocividade das partículas de SiO2 é maior de acordo com a sua forma. A cristobalita e a tridmita possuem um maior potencial fibrogênico do que o quartzo. Já a sílica amorfa e a fundida são menos nocivas que as cristalizadas. De maneira geral, vários são sos fatores que influenciam na maior ou menor intensidade fibrogênica de determinado tipo de particulado, dentre os quais destacam-se:  Concentração de poeira inalada;  Sílica na poeira;  Forma cristalizada das partículas;  Tamanho das partículas;  Duração da exposição. O dano direto provocado pelo particulado é diretamente proporcional a concentração de particulado inalado e duração de exposição. A sílica é a substancia causadora da enfermidade (silicose) e, evidentemente, quanto maior o percentual de sílica, maior será a nocividade da poeira. Outro fator importante na ocorrência da silicose é o tamanho das partículas. As partículas maiores são selecionadas pelo sistema respiratório, enquanto as menores podem chegar aos alvéolos pulmonares. Ocorrência A exposição ocupacional a poeira contendo sílica ocorre em diversos ambientes de trabalho e ramos de atividade, tais como: mineração de ouro, ferro, extração de calcário, dentre outras. Nessas industrias, tanto na extração como no beneficiamento, há presença de particulados que podem conter sílica. Outros ramos de atividade em que há presença de poeira sílica: construção civil, fundição, industrial de refratários, siderúrgicas. Asbestos Recentemente houve um aumento dos estudos sobre as fibras de asbesto. De acordo com as últimas teorias sobre os mecanismos de dano dessas fibras, foi indicado que a causa é o formato da partícula, dependendo do qual podem ser
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 15 encontradas propriedades cancerígenas. As fibras se classificam em naturais ou artificiais. Os perigos para a saúde relacionados como os asbestos encontram-se, na maioria das vezes, circunscritos ao aspecto da atividade profissional. A inalação das fibras de asbesto por pessoas submetidas a exposição prolongada e a concentrações relativamente elevadas pode provocar insuficiência respiratória, causando, até, mesmo um câncer bronquial ou um mesotela. Ocorrência A exposição às fibras de asbestos ocorre principalmente nas industrias de fabricação de telhas, chapas, caixas d’água e de amianto; na fabricação de guarnições de freio e embreagem, lonas de freios; na confecção de roupas protetoras apara bombeiros e pilotos de carro de corrida. Nas industrias de papelão, o amianto é usado como isolante térmico. Algodão A exposição á poeira de algodão produz uma enfermidade denominada bissinose. Os sintomas dessa doença são: dor no peito, tosse, dificuldade respiratória, dispnéia. Alem disso, a exposição a esse agente pode produzir também diminuição da força respiratória, bronquite, febre, alem de sintomas respiratórios freqüentes. A bissinose também é produzida por outros tipos de fibra, como o linho ou o cânhamo. A causa principal dessa doença esta associada à quantidade de poeira inalada e ao tempo de exposição. Há também, outras causas que influem, como a poluição atmosférica, hábito do tabaco e as afecções respiratórias. A bissinose é uma enfermidade difícil de detectar, pois não apresenta alterações radiográficas ou patológicas especificas. Ocorrência A exposição ocupacional à poeira de algodão ocorre mais freqüentemente na fabricação de tecidos. Nos setores de abertura, cardas e fiação a exposição é maior do que na tecelagem, revisão e expedição. Em outros ramos de atividade também pode ocorrer exposição, como, por exemplo, na industria de confecção. Caulim Segundo a ACGIH (American Conference of Governanmental Industrial Hygienists), a inalação de quantidade excessiva de poeira de caulim pode causar dano à pele e às mucosas, além de pneumoconiose. Desse modo, reduziu-se o limite de exposição para 2 mg/m3 . o NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health) não modificou o limite de tolerância para a poeira de caulim. Já a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) pretende desenvolver no futuro um estudo mais aprofundado da toxicologia do caulim. Atualmente, esse órgão estabelece os limites de tolerância de 10 mg/m3 para poeira total e 5 mg/m3
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 16 para poeira respirável. Esses limites estão baseados nos danos causados à pele e mucosas. Deve-se salientar ainda que os limites de exposição estabelecidos para o caulim são validos para poeira em suspensão que não contenha sílica livre cristalizada e/ou asbestos. Ocorrência A ocorrência de poeira de caulim acontece principalmente na mineração de caulim; tanto na extração quanto no beneficiamento. Madeira A poeira de madeira é definida como qualquer tipo de particulado em suspensão proveniente do manuseio da madeira. A madeira dura é derivada de espécies de árvores de folhas grossas, como, por exemplo, o carvalho e a faia. A exposição à poeira de madeira pode produzir diversos efeitos na saúde do ser humano, tais como dermatite, irritação, alergias respiratórias e câncer, segundo estudos baseados em evidencias epidemiológicas (ACGIH/1998). Ocorrência A exposição á poeira de madeira é mais acentuada na fabricação de móveis. As operações com serra circular, desengrosso, plaina, tupia e lixadeira são as fontes mais significantes. Nas industrias de reflorestamento e fabricação de celulose e na construção civil também pode ocorrer exposição a esse agente. Grãos (trigo, cevada) Os efeitos da inalação da poeira de grãos são conhecidos por vários séculos. Ramazzini, em 1713, descreveu os riscos respiratórios associados à exposição de cereais. Diversos estudos epidemiológicos feitos nas últimas décadas demonstraram que a exposição à poeira de grãos pode causar: ―febre do grão‖, chiado, dor no peito, tosse, bronquite, irritação nasal e nos olhos, além de sintomas de doenças respiratórias crônicas. Com relação aos limites de tolerância, estes são fixados pelos organismos internacionais, desde que a poeira em suspensão não contenha sílica livre cristalizada e/ou asbestos. Ocorrência A exposição à poeira de grãos ocorre na agricultura, portos e em outros locais onde há armazenamento desse produto. Partículas não classificadas de outra maneira – PNOC Segundo a ACGIH, esse tipo de particulado, apesar de não causar fibrose ou efeitos sistêmicos, não é biologicamente inerte. Sendo assim, o termo ―Particulado Não Classificado de Outra Maneira‖ é usado para enfatizar que esses particulados são potencialmente tóxicos e não podem ser considerados como não prejudiciais a qualquer concentração. No entanto, os órgãos internacionais (ACGIH, OSHA e NIOSH) estão realizando estudos e discussões a respeito dos
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 17 efeitos específicos deste tipo de particulado. Deve-se salientar, entretanto, que a classificação da poeira como PNOC é condicionada ao teor de sílica livre cristalizada (<1%) e à ausência de asbestos. Como PNOC, podemos citar o alumínio, carbonato de cálcio, celulose, carvão vegetal, cimento, cal dentre outros. Ocorrência A presença desse tipo de particulado pode ocorrer em diversos ramos de atividade, tais como: fábrica de cimento, cal, industria de papel, dentre outros. Partículas metálicas Os efeitos da exposição a fumos ou poeiras metálicas estão condicionados ao tipo de substancia presente. Assim sendo, dependendo do processo e das matérias-primas utilizadas, pode ocorrer a exposição a ferro, manganês, zinco, chumbo, cromo, dentre outros. Essas substâncias podem produzir pneumoconioses, doenças como saturnismo (chumbo) e manganismo, irritação, dentre outras. A exposição a fumos metálicos pode produzir a ―febre dos fundidores‖. Essa doença resulta no aparecimento de tosse, dores nos músculos e nas juntas, febre e resfriados. Todavia é passageira, e a recuperação ocorre de um a dois dias após cessar a exposição. Ocorrência A exposição à poeira metálica pode ocorrer em: mineração, operações de rebarbação de peças metálicas, fabricação de baterias, etc. a exposição a fumos metálicos é mais freqüente nas operações de soldagem, fundições, aciarias, dentre outras. Nas operações de pintura à pistola, a névoa de tinta formada pode conter pigmentos metálicos, tais como: chumbo e cromo. Negro de Fumo A exposição à poeira de negro de fumo pode produzir efeitos sobre os pulmões. A ACGIH não considera este agente sob suspeita de ser carcinogênico para o ser humano, porém os dados existentes são insuficientes para se chegar a essa conclusão. Ocorrência A exposição a esse agente ocorre com maior freqüência na fabricação de borracha. Parâmetros utilizados nas avaliações de particulados A) Tamanho das partículas O tamanho das partículas é de fundamental importância na avaliação de poeiras, vez que, dele depende os efeitos na saúde, o tempo em que as partículas ficam
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 18 em suspensão, entre outros. A ACGIH, há muitos anos, tem recomendado o limite de tolerância por seleção de partículas (respiráveis) para sílica cristalizada, pois há uma associação bem estabelecida entre a silicose e as concentrações de poeira respirável. A intenção da American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH é de estabelecer todos os seus limites para fração respirável, inalável e torácica. Quanto ao tamanho das partículas, podem ser classificadas conforme o quadro a seguir: Tipo de Particulado Tamanho Aproximado (μm) Inalável 0 a 100 Torácicas 0 a 25 Respirável 0 a 10 B) Partícula respirável São as partículas que conseguem penetrar na região de troca de gases do pulmão. Esse tipo de particulado é o de maior risco, pois pode alcançar os alvéolos pulmonares. C) Partícula inalável São as partículas que ficam depositadas em qualquer lugar do trato respiratório. A ACGIH recomenda o limite de tolerância de 10mg/m3 de partículas inaláveis. D) Particulado torácico São partículas que oferecem risco quando depositadas em qualquer lugar no interior das vias aéreas dos pulmões e da região de troca de gases. E) Particulado total É todo o material em suspensão no ar, independente do tamanho das partículas. A NR-15 estabelece o limite para sílica livre cristalizada e para particulados total e respirável. A ACGIH recomenda o limite de tolerância de poeira total, para vários tipos de poeira, embora haja uma tendência de fixar todos os limites para fração respirável, inalável ou torácica. Unidades de Medida Os limites de tolerância para exposição à poeira, exceto asbestos, são expressos em mg/m3 , isto é, a massa retirada do filtro dividida pelo volume amostrado. Assim sendo, na avaliação quantitativa, temos de determinar esses parâmetros.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 19 1) Volume amostrado (m3 ) O volume amostrado é determinado pela seguinte fórmula: Va = Q x Ta Onde: Va = Volume amostrado Q = Vazão média durante a amostragem Ta = Tempo de amostragem em minutos Sendo a vazão da bomba em L/min e tempo de amostragem (Ta) em minutos, o volume obtido na fórmula será expresso em litros. Para transformar esse volume em m3 , divide-se o resultado obtido por 1000. Assim, temos: Va = (Q x Ta)/1000 2) Concentração A concentração de poeira em mg/m3 é obtida pela seguinte fórmula: C = m/Va Onde: C= Concentração de poeira M = Massa de amostra em mg Va = Volume amostrado em m3 , conforme explicado no item anterior. 3) PPM – Parte por milhão Esta unidade é muito utilizada, sendo o ppm a concentração expressa em volume / volume, conforme demonstrado a seguir: 1 m 1 m 1 m 1 cm3 1 m3 de ar 1cm3 de ar contaminado ppm = 1 cm3 / 1 m3 = 1 cm3 / 1000000 = 1 ppm
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 20 4) Conversão das fórmulas (transformação de ppm para mg/m3) ppm = (24,45) x mg/m3 ) / PM e mg/m3 = (ppm x PM) / 24,45 1% = 10000 ppm 1 ppm = 0,0001% Onde: PM = peso molecular da substância Ppm = parte por milhão Exemplos: 1) Transformar 10 ppm de Benzeno (C6H6) em mg/m3 Dados: Peso atômico – C = 12 g/mol H = 1 g/mol PM = 12 x 6 + 6 x 1 = 78 g mg/m3 = (10 x 78) / 24,45 = 31,9 mg/m3 2) Transformar 130 mg/m3 de CO2 para ppm Dados: C = 12 g/mol O = 16 g/mol PM = 12 + 2 x 16 = 44 g Ppm = (24,45 x 130) / 44 = 72,2 ppm 3) Transformar 39 ppm de CO em mg/m3 Dados: Peso atômico – C = 12 g/mol O = 16 g/mol PM = 12 + 16 = 28 mg/m3 = (28 x 39) / 24,45 = 44,7 mg/m3
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 21 Brief & Scala A adoção dos limites de tolerância da ACGIH devem ser corrigidos através da fórmula Brief & Scala, vez que a jornada de trabalho no Brasil é de 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) horas semanais, enquanto os limites da ACGIH são para jornada de 8 (oito) horas por dia e 40 (quarenta) horas semanais. O fator de redução do limite de tolerância Brief & Scala é o seguinte: FR = (40 / h) x [(168 – h) /128] Onde: FR = Fator de Redução h = Jornada de trabalho em horas Exemplo: O fator de redução do limite da jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas semanais para 44 (quarenta e quatro) horas semanais é: FR = (40 / 44) x [(168 – 44) / 128] = 0,88 Assim sendo, o limite de tolerância, por exemplo, de 10 mg/m3 recomendado pela ACGIH para poeira de cimento, deverá ser corrigido no Brasil com a seguinte redução: LTcorrigido = 0,88 x 10 mg/m3 = 8,8 mg/m3 Principais Instrumentos de Medição Para amostragem de particulados (Poeira mineral, algodão, fumos, gases e vapores), podem ser necessários os seguintes instrumentos:  Bomba gravimétrica de poeira;  Sistema filtrante (filtros, porta-filtro e suportes);  Sistema separador de tamanho de partícula (ciclone);  Elutriador vertical para poeira de algodão;  Calibradores tipo bolha de sabão;  Calibrador eletrônico;  Tubos colorimétricos;  Tubos de carvão ativado. Os meios de coleta são:  Filtros;  Tubo de sílica gel;  Tubo de carvão ativado;  Impinger, entre outros.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 22 Bomba gravimétrica de poeira Esse equipamento é responsável pela aspiração de ar contaminado até o sistema de coleta. Atualmente, existem no mercado diversas marcas e modelos de bombas gravimétricas. Há modelos simples e modelos com tecnologia mais avançada, que possuem o sensor eletrônico de fluxo laminar, garantindo uma vazão constante, através da compensação da tensão da bateria, altitude, temperatura e quantidade de amostra retida no filtro. Elutriador vertical para poeira de algodão O Elutriador vertical é utilizado para avaliar a concentração de poeira de algodão. É constituído de uma bomba e um orifício crítico, que regula o fluxo de 7,4 l/min na entrada do elutriador. Com essa vazão de aspiração, são separadas as partículas menores que 15 μm, ou seja, somente as partículas deste tamanho irão impactar no filtro. Detector de gases / tubos reagentes ou colorimétricos Os detectores de gases podem ser de pistão ou fole, e são utilizados com os tubos reagentes ou colorimétricos. A medição com esse instrumento consiste na aspiração de volume conhecido de ar que passa pelo tubo reagente. O poluente contido no ar reage com substancia especifica do tubo e muda a cor, e a extensão dessa mancha permite realizar a leitura direta da concentração na escala o tubo. É importante ressaltar que os tubos são específicos para cada gás ou vapor.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 23 Medidor com sensor eletroquímico Estes instrumentos realizam medição direta e imediata dos contaminantes presentes, sendo constituídos de sensores, que, pelos diferentes princípios de detecção (elétrico, térmico, eletromagnético, etc), determinam a concentração do contaminante. Dosímetro passivo Os amostradores passivos constituem um procedimento para obter amostras ambientais sem a necessidade de forçar a passagem de ar por bombas, utilizando o fenômeno de difusão e adsorção, ou seja, podem fornecer leitura direta ou indireta através de análises laboratoriais. Limites de tolerância A Portaria Mtb n. 3214/78, NR-15, estabelece critérios para a caracterização de insalubridade e fixa limites de tolerância para alguns tipos de particulados. Outros tipos, também prejudiciais à saúde, foram relacionados no Anexo XIII da referida norma como avaliação qualitativa, ou seja, a possível insalubridade deverá ser verificada através de inspeção no local. Além disso, vários particulados importantes do ponto de vista ocupacional foram omitidos, tanto na fixação de limite como na avaliação qualitativa. Convém ressaltar que, os limites adotados pela NR-15, foram baseados naqueles recomendados pela ACGIH. Os limites de tolerância atualmente fixados pelas normas precipitadas são os seguintes: Limites da legislação brasileira (Portaria MTb n. 3214/78) 1) Poeiras minerais contendo sílica livre cristalizada (quartzo) – Anexo XII, NR-15 Poeira total LT = 24 / (%SiO2 + 3) (mg/m3) Poeira respirável LT = 8 / (%SiO2 + 2) (mg/m3) A norma define que ―Quartzo‖ deverá ser sempre entendido como sílica livre cristalizada. No caso de poeira respirável, a norma estabelece que ―tanto a concentração como a porcentagem de quartzo para aplicação deste limite devem ser determinadas a partir da porção que passa por um seletor com as características do quadro contido no Anexo XII da NR-15‖.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 24 Os limites são válidos para 48 (quarenta e oito) horas semanais, sendo que as jornadas excedentes a este valor deverão ser reduzidas pela autoridade competente. 2) Fibras de asbestos O anexo XII da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 2 (duas) fibras/cm3 para fibras respiráveis de asbestos crisotila. Fibras respiráveis são aquelas com diâmetro inferior a 3 micrômetros, comprimento maior ou igual a 5 micrometros e relação entre comprimento e diâmetro igual ou superior a 3:1. 3) Chumbo O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 0,1 mg/m3 para chumbo, independentemente da forma que ele encontra-se no ambiente (poeira ou fumos metálicos). 4) Manganês:  5,0 mg/m3: pra exposição à poeira de manganês e seus compostos, nas operações de extração, moagem, transporte de minério, entre outros.  1,0 mg/m3: para exposição a fumos de manganês e seus compostos, nas operações de fabricação de baterias de pilhas secas, vidros especiais e cerâmicas, fabricação uso de eletrodos de solda, tintas fertilizantes, entre outros. 5) Negro-de-fumo O anexo XI da NR-15 estabelece o limite de tolerância de 3,5 mg/m3 para negro- de-fumo em uma jornada de até 48 (quarenta e oito) horas semanais. Entende-se como ―Negro-de-fumo‖ as formas finamente divididas do carbono, produzidas pela combustão incompleta da decomposição térmica do gás natural ou do óleo de petróleo. Entende-se por exposição ao ―Negro-de-fumo‖ a exposição permanente no trabalho ao Negro-de-fumo em suspensão no ar, originado pelo manuseio do mesmo. 6) Outros particulados O Anexo XIII da NR-15 estabelece como insalubre, pelo método de inspeção no local de trabalho, as atividades ou operações com arsênico, carvão mineral, cromo, silicatos, bagaço de cana, cimento, cal entre outros.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 25 Limites de tolerância recomendados pela ACGIH Conforme comentado anteriormente, a NR-15 não estabelece limites de tolerância para vários tipos de agentes químicos, omitindo importantes substancias do ponto de vista ocupacional, como por exemplo, algodão e madeira. De forma que preencha essa lacuna, a NR-9 da Portaria n.3.214 dispões: ―Quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR-15, ou, na ausência deste, os limites de exposição ocupacional recomendados pela ACGIH – ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva, desde que mais rigorosos, deverão ser adotadas medidas de controle‖. Convém ressaltar, no entanto, que os limites da ACGIH deverão sofrer correção em função da jornada de trabalho, conforme comentado anteriormente (Brif & Scala). Assim, por exemplo, o ácido nítrico não possui limite estabelecido no Anexo XI da NR-15, podendo-se utilizar o limite da ACGIH que é de 2,0 ppm, multiplicado por 0,88 (fator de correção), obtendo-se, então, o valor de 1,76 ppm. Medidas de Controle As medidas de controle da exposição aos particulados são: — medidas relativas ao ambiente; — medidas relativas ao homem. Medidas relativas ao ambiente 1) Substituição do produto tóxico ou nocivo Este procedimento técnico nem sempre é possível, em se tratando do pouco avanço tecnológico e científico em que se encontra o parque industrial brasileiro, mas, quando possível, é a maneira mais segura de se eliminar ou minimizar o risco da exposição. Podemos exemplificar citando, por exemplo, a substituição do chumbo por óxidos menos tóxicos, tais como óxido de titânio e zircônio. Na fabricação e manipulação de camadas vitrificadas e tintas, podemos substituir o chumbo pêlos sais de zinco. Outro exemplo importante é o da substituição da areia contendo sílica livre por granalha de aço, nas operações de jateamento de peças, visto que se reduz sensivelmente o risco de silicose (quando não se tratar de peças fundidas). 2) Mudanças ou alteração do processo ou operação Consiste na alteração do processo produtivo, como, por exemplo: — utilização de pintura por imersão ao invés de pintura utilizando pistola; — mecanização e automatização de processos — ensacamento de pós.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 26 3) Encerramento ou enclausuramento da operação Consiste no confinamento da operação, objetivando-se, assim, a impedir a dispersão do contaminante para todo o ambiente de trabalho. O confinamento pode ou não incluir o trabalhador. Quando houver processos produtivos que gerem grandes quantidades de contaminantes, e o trabalhador estiver inserido no enclausuramento, a ele deverá ser obrigatoriamente fornecido equipamento adequado de proteção pessoal, independentemente de haver ou não sistema de exaustão. 4) Segregação da operação ou processo Consiste, basicamente, no isolamento da operação, limitando seu espaço físico fora da área de produção. Normalmente se utiliza este controle quando não se pode mudar o processo produtivo, e o agente agressivo atinge a outros trabalhadores, contaminando-os, sem que estes participem da operação. A adoção desse processo implica em diminuir o número de trabalhadores expostos aos riscos, sem, contudo, deixar de levar-se em conta que os trabalhadores expostos ao risco deverão necessariamente fazer uso de medidas de proteção individual. A segregação pode ser feita no ESPAÇO ou no TEMPO: segregação no espaço consiste em isolar o processo a distância; enquanto segregação no tempo significa executar uma tarefa fora do horário normal, reduzindo igualmente o número de trabalhadores expostos. Como exemplo temos: jateamento de areia fora da área produtiva (segregação no espaço de serviços de manutenção); e reparo de alto risco realizado fora da jornada de trabalho convencional (segregação no tempo). 5) Umidificação É a medida mais antiga utilizada no controle da poeira. A eficiência da umidificação de poeira depende de dois fatores: do umedecimento da poeira e de sua adequada disposição depois de molhada. Como aplicações clássicas desse método, podemos citar a utilização de água nas operações de perfuração em minas e a aspersão de água sobre as mandíbulas de britadores, etc.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 27 6) Ventilação geral diluidora A ventilação geral diluidora consiste na insuflação e exaustão de ar em um ambiente de trabalho, de forma que promovam a redução de concentrações de poluentes nocivos. Tal redução ocorre, uma vez que, ao se introduzir grandes volumes de ar puro em um ambiente contendo uma certa massa de determinado poluente, haverá dispersão ou diluição desta massa, reduzindo-se, assim, a concentração dos poluentes. 7) Ventilação local exaustora A ventilação local exaustora consiste na captação dos poluentes de uma fonte antes que estes se dispersem no ar do ambiente de trabalho e atinjam a zona de respiração do trabalhador. No que se refere ao controle da poluição do ar da comunidade, a ventilação local exaustora também tem papel importante. Tal tipo de ventilação possui várias vantagens em relação à geral diluidora, dentre elas: captura e controle completo do contaminante: vazões requeridas mais baixas; os contaminantes são recolhidos em um menor volume de ar capturado, reduzindo-se também os custos. 8) Ordem e limpeza A ordem e a limpeza constituem medidas eficazes no controle da exposição à poeira, pois os restos de materiais acumulados em máquina, bancada ou piso podem espalhar a poeira no ar. Uma boa ordem e limpeza significam limpeza dos pisos, das máquinas e de quaisquer superfícies horizontais; previsão de depósitos para materiais nocivos e de métodos adequados a seu transporte e emprego; disposição das operações de modo que limite o número de operários expostos ao risco, etc. Os métodos de limpeza também podem gerar poeira. Assim sendo, deve-se evitar o uso de vassoura, escova ou ar comprimido, pois estes processos provocam a emanação de poeira e, muitas vezes, são responsáveis exclusivos pela exposição do trabalhador a esse agente. Portanto, a limpeza por meio de umidificação ou por aspiração são os métodos recomendados.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 28 Medidas relativas ao homem 1) Limitação do tempo de exposição A redução dos períodos de trabalho é uma importante medida de controle, quando todas as outras medidas possíveis forem impraticáveis ou insuficientes no controle de um agente. Assim, a limitação da exposição ao risco, dentro de critérios técnicos bem definidos, pode tornar-se a solução mais efetiva e econômica. 2) Educação e treinamento A conscientização do trabalhador quanto aos riscos inerentes às operações, riscos ambientais e formas operacionais adequadas que garantam a efetividade das medidas de controle adotadas, além do treinamento em procedimentos de emergência e noções de primeiros socorros, deverão ter lugar sempre, independentemente da utilização de outras medidas de controle, servindo-lhes como importante complemento. 3) Equipamentos de proteção individual Os equipamentos de proteção individual devem ser sempre considerados como segunda linha de defesa, após criteriosas considerações sobre todas as possíveis medidas de controle relativas ao ambiente que possam ser tomadas e aplicadas prioritariamente. Entretanto, há situações especiais nas quais as medidas de controle ambientais são inaplicáveis parcial ou totalmente. Nestes casos, a única forma de proteger o trabalhador será dotá-lo de equipamentos de proteção individual. Nas operações em que as concentrações de poluentes são superiores ao limite de tolerância, devem ser usados respiradores de filtro químico (gases e vapores) e mecânico (fumos, poeira, etc.). Nos locais onde há presença de gases e poeira, devem ser usados respiradores de filtro combinado. É importante esclarecer que os respiradores devem ser usados, obrigatoriamente, durante todo o tempo de exposição. A não-utilização do protetor em curto espaço de tempo diminui significativamente o seu fator de proteção. Outras informações a respeito dos respiradores estão no Capítulo IX, item VI — Programa de Proteção Respiratória — PPR.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 29 4) Controle médico Os exames médicos pré-admissionais e periódicos devem ser feitos como forma de controle da saúde geral dos trabalhadores, de detecção de fatores predisponentes às doenças profissionais, assim como para avaliação da efetividade dos métodos de controle empregados. Glossário: Concentração no ar - É a relação entre o contaminante e o volume do ar amostrado no local de interesse; as unidades mais usuais são : mg/m3 ou μg/m3 (relação entre a massa da substância poluidora e o volume do ar amostrado). O ppm também é usado ( relação entre o volume do contaminante detectado na amostra e o volume do ar amostrado) ou seja, em ―partes por milhão‖. Valor Teto (VT) - A substância que tenha valor teto não poderá, em momento algum, formar concentração no ar acima do limite de tolerância , sem que medidas de controle sejam tomadas de imediato. Limite de Tolerância – É a maior concentração do agente químico, que um individuo sadio poderá ficar exposto, sem efeitos adversos a sua saúde. Nível de Ação – É o valor acima do qual devem ser iniciadas as ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os limite de exposição. Estes níveis de ação estão definidos na NR-09, do MTE. Limite de Tolerância – Média Ponderada – Na tabela limite de tolerância não tem a coluna valor teto assinalada, representa a concentração média existente durante a jornada de trabalho, podendo-se ter valores acima do limite fixado, desde que sejam compensados com valores abaixo deste, acarretando uma média ponderada igual ou inferior ao limite de tolerância. No entanto, estas oscilações para cima não podem ser indefinidas, devendo respeitar um valor máximo que não pode ser ultrapassado. Valor Máximo (VM) – É obtido através da equação VM = LT x FD, onde FD = fator de desvio (tabelado), de acordo com o limite de tolerância (LT). O valor máximo é calculado para as substâncias que não possuam valor teto. O valor máximo de concentração não poderá ser excedido em momento algum da jornada de trabalho; caso ocorra a situação será considerada de risco grave e iminente. Quadro nº 2 – Anexo 11 da Portaria 3214 L.T. (Limite de Tolerância em ppm ou mg/m3 ) F.D. (Fator de Desvio) 0 a 1 3 1 a 10 2 10 a 100 1,5 100 a 1000 1,25 Acima de 1000 1,1
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 30 O anexo 13, da NR 15, que estabelece os limites de tolerância para cada uma das substâncias, de acordo com a gravidade dos efeitos que cada uma delas poderá causar no organismo humano. Além disso, define, as condições de riscos grave e iminente, sempre que os valores máximos sejam ultrapassados, permitindo a Delegacia Regional do Trabalho interditar o local de trabalho. Exercícios resolvidos 1)Ao se avaliar a concentração de amônia (LT=20 ppm) num local de trabalho, verificou-se que o trabalhador fica exposto: 3 horas a 10 ppm e 5 horas a 25 ppm. O limite de tolerância foi ultrapassado? Resolução : Concentração Média : valor da concentração x horas + ....... 8 horas de trabalho Concentração Média : 10x3 + 25x5 = 19,3 8 Amônia = 20 ppm (limite de tolerância) Valor Máximo = LT x FD = 20 x 1,5 = 30 ppm A maior concentração obtida é de 25 ppm, inferior ao valor máximo. Como nem o limite fixado e nem o valor máximo foram ultrapassados, pode-se afirmar que o limite de tolerância foi respeitado. 2)Transformar 10 ppm de benzeno (C6 H6 ) em mg/m3 Dados: peso atômico C = 12 g/mol H= 1 g/mol PM= 12x6 + 6x1 = 78 g mg/m3 = 10 x 78 = 31,9 24,45 Textos Complementares PNEUMOCONIOSES Aspectos Epidemiológicos As Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais - DPAO, especialmente aquelas relacionadas aos ambientes de trabalho, constituem ainda, entre nós, um importante e grave problema de saúde pública. Considerando o atual estágio de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, enquanto país industrializado são incipientes os conhecimentos e os mecanismos de controle dessas enfermidades conseqüentes da degradação
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 31 ambiental, que, por sua vez, têm gerado impacto nas condições de saúde e qualidade de vida da população. Essas doenças, em sua maioria, de curso crônico, são irreversíveis. Além de incapacitar os indivíduos ainda jovens, requer compensação previdenciária, faceta importante de implicação social. Conforme Portaria nº. 2.569, publicada no Diário Oficial União de 20.12.95, o Ministério da Saúde, através da Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária e da Coordenação de Saúde do Trabalhador constituiu o Comitê Assessor em Doenças Pulmonares Ambientais e Ocupacionais, com o propósito de, juntamente com outros segmentos, implementar ações para o equacionamento e, se possível, a redução dessas doenças. Diante da importância e da abrangência das doenças relacionadas ao processo de trabalho, pretende-se abordar nesse manual de normas as Pneumoconioses, tais como: a Silicose, a Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão e a Pneumoconiose por Poeiras Mistas, em especial aquelas que causam maior impacto social em nosso meio. O termo pneumoconiose foi criado por Zenker, em 1866, para designar um grupo de doenças que se originam de exposição a poeiras fibrosantes. Em 1971, este termo foi redefinido como sendo "o acúmulo de poeiras nos pulmões e a reação tecidual à sua presença" e define como poeira um aerosol composto de partículas sólidas inanimadas. As pneumoconioses a serem abordadas neste manual são algumas das mais freqüentes encontradas no país: Silicose, Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão e Pneumoconiose por Poeiras Mistas. Silicose A silicose é uma doença pulmonar causada pela inalação de poeiras com sílica- livre e sua conseqüente reação tecidual de caráter fibrogênica. Embora conhecida desde a antigüidade, no Brasil, caracteriza-se como a principal pneumoconiose e as estatísticas fiéis são escassas, assim como as estimativas da população de risco. Contudo, a ocorrência de poeiras com sílica certamente atinge alguns milhões de trabalhadores nas mais variadas atividades produtivas. Agrava-se o quadro quando se considera que a silicose está intimamente relacionada com a tuberculose, além de outras doenças como artrite reumatóide e até mesmo neoplasia pulmonar. No Brasil, em 1978, estimou-se a existência de aproximadamente 30.000 portadores de silicose. Em Minas Gerais, registrou-se a ocorrência de 7.416 casos de silicose na mineração de ouro. Na região Sudeste de São Paulo foram identificados aproximadamente 1000 casos em trabalhadores das indústrias de cerâmicas e metalúrgicas. No Ceará, entre 687 cavadores de poços examinados, a ocorrência de silicose e provável silicose foi de 26,4% (180 casos). No Rio de Janeiro, entre jateadores da indústria de construção naval, a ocorrência de silicose foi de 23,6% (138 casos), em 586 trabalhadores radiografados. Na Bahia, relatório preliminar de avaliação dos casos atendidos no Centro de Estudo de Saúde do Trabalhador (CESAT), no período de 1988 a 1995, registrou a existência de 98 casos, sendo encontrada associação de sílico-tuberculose em 37 casos (38%).
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 32 Pneumoconiose dos Trabalhadores de Carvão (PTC) Esta enfermidade é causada pelo acúmulo de partículas de carvão nos pulmões, com prevalência e incidência em diferentes regiões carboníferas do mundo. Os dados estatísticos diferem muito devido a existência de vários tipos de carvão. O tipo antracitoso, que possui elevado conteúdo de carbono, promove maior número de partículas respiráveis, quando comparado ao tipo betuminoso que é o mais comum nas minas da região Sul do Brasil. Em 1836, a PTC foi descrita na Inglaterra por Thompson. No final do século passado e início deste, aumentou o número de casos com a eclosão da primeira e segunda Guerra Mundial. Tornou-se um problema epidêmico, principalmente no país de Gales e Inglaterra, razão pela qual em 1945 criou-se uma unidade de pesquisa para as pneumoconioses. No Brasil, as PTC ocorrem com maior freqüência nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul onde estão concentradas as maiores bacias carboníferas do país. Somente na região de Santa Catarina existem mais de 3000 casos de PTC. A prevalência que era de 5 a 8%, com a mineração manual ou semimecanizada, passou para 10% com a mecanização das minas. A partir de 1985, com adoção de medidas de prevenção como uso de água nas frentes de serviços e melhor sistema de ventilação, a prevalência caiu para 5 a 6%. A redução na incidência das PTC tem sido observada nos países desenvolvidos, medidas de higiene, como por exemplo, a Inglaterra, quando os índices eram de 13,4% na década de 50, caíram para 5,2% em 1978, e atualmente estão entre 3 e 2,5%. Essa mesma redução vem ocorrendo na Alemanha, França e Estados Unidos da América. Além disso, deve-se considerar que os mineiros desses países trabalham, em média, 30 anos, enquanto que no Brasil o período laborativo na mineração no subsolo é de 15 anos. Pneumoconiose por Poeiras Mistas (PPM) Define-se PPM como as pneumoconioses causadas pela inalação de poeiras minerais com porcentagem de sílica livre cristalina abaixo de 7,5%, ou com alterações anatomopatológicas características, tais como "lesões em cabeça de medusa" ou "fibrose intersticial". São consideradas como mais freqüentes:  a antracosilicose em mineiros de carvão expostos a altos teores de Si02;  a silicossiderose em fundidores de ferro;  a doença de Shaver, nos trabalhadores de fabricação de abrasivos de alumínio;  a pneumoconiose pelo caulim e a talcose.  Trabalhadores Expostos ao Risco: caracterizam-se como trabalhadores expostos ao risco ocupacional de adoecimento por Silicose, PTC e PPM todo indivíduo que trabalha em ambiente onde se respira essas poeiras. Sílica livre: (sílica cristalina ou quartzo) composto unitário de SiO2 (dióxido de silício) com um átomo de oxigênio nas pontas de um tetraedro. A sílica livre cristalina é extremamente tóxica para o macrófago alveolar devido às suas propriedades de superfície que levam à lise celular.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 33 Partículas de carvão: poeira proveniente do carvão mineral, desprendida durante a mineração. Existem quatro tipos de carvão: legnito, sub-betuminoso, betuminoso e antracitoso. Os dois últimos são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento da doença. O risco de silicose existe quando há mais de 7,5% de sílica livre cristalina na fração de poeira respirável ou quando, mesmo abaixo destes limites, o Limite de Tolerância para sílica é ultrapassado. Abaixo de 7,5 %, as lesões anatomopatológicas encontradas são mais características do restante da fração respirável do que a própria sílica, constituindo-se quadro de pneumoconiose por poeira mista. Fração respirável é a fração de poeira resultante de uma determinada atividade de trabalho que é veiculada pelo ar e tem o potencial de penetração e de deposição no sistema respiratório humano. Atividades de Risco de Silicose, PTC e PPM  indústria extrativa: mineração subterrânea e de superfície  beneficiamento de minerais: corte de pedras, britagem, moagem e lapidação  indústria de transformação: cerâmicas, fundições, vidros, abrasivos, marmorarias, cortes e polimento de granito e cosméticos  atividades mistas: protéticos, cavadores de poços, artistas plásticos, jateadores de areia e borracheiros. Os Fatores de Risco de Adoecimento podem ser classificados como:  dependentes da exposição;  concentração total de poeira respirável;  dimensão das partículas;  composição mineralógica da poeira respirável;  tempo de exposição;  dependentes da resposta orgânica individual;  integridade do sistema de transporte mucociliar e das respostas imunitárias;  concomitância de outras doenças respiratórias;  hiperreatividade brônquica;  susceptibilidade individual CCÁÁDDMMIIOO Riscos e Efeitos Específicos Originados por Metais A intoxicação aguda pelo cádmio pode ocasionar problemas pulmonares muito graves. Na intoxicação crônica, além de pneumopatia, há alterações renais de gravidade com proteinúria e anemia. O paciente apresenta também descoloração do colo dos dentes e anosmia. Intoxicações crônicas causadas por longas exposições a concentrações levemente superiores ao limite de tolerância acumulam-se no córtex renal, altera a função tubular e reduz a reabsorção de proteínas com o aparecimento de proteínas de baixo peso molecular com a beta- 2- microglobina. Com o agravamento da doença, haverá perda de aminoácidos,
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 34 glicose e minerais pela urina. O aumento de excreção de fósforo e cálcio perturba o metabolismo ósseo, favorecendo o aparecimento de calculose renal. Nos casos mais graves ocorre osteomalácia. É importante ressaltar que estas alterações renais são irreversíveis e tendem a piorar, mesmo quando o trabalhador é afastado da exposição. A exposição ao cádmio, em certas circunstâncias aumenta o risco de câncer de próstata e do trato respiratório. CROMO Riscos e Efeitos Específicos Originados por Metais Cromo tem importância nas operações de solda de aço inoxidável porque o desprendimento de fumos nestes processos contém elevada proporção deste elemento. Existem registros de que a exposição ao cromo hexavalente (presente no aço inoxidável) envolve risco de aumento da incidência de câncer de pulmão em relação à população geral. Os demais efeitos do cromo, como as dermatites, úlceras da pele e perfuração do septo nasal, estão mais relacionadas com exposições a névoas ácidas das operações de cromagem e não às operações de solda. Riscos e Efeitos Originados por Agentes Químicos nos Processos de Soldagem Pneumopatias Relacionadas com a Solda As doenças pulmonares ocupacionais crônicas são conseqüências do acúmulo de fumos de solda nos pulmões. Este acúmulo pode ser visualizado através de exame radiológico como áreas de densidade radiológica maior que as do pulmão normal. Alguns fumos ocasionam pneumopatias, como a pneumonia devida ao manganês, a bronquite crônica ou pneumonia devida ao vanádio, a pneumonia grave devida ao cádmio, etc. Os fumos de solda não costumam ocasionar fibrose pulmonar como ocorre na exposição à sílica cristalina, ao berílio, ao asbesto, ao talco e às diatomáceas. Enfisema pulmonar crônico está ligado a exposições prolongadas ao ozônio, óxidos de nitrogênio, cádmio e, eventualmente, outros agentes. Óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre tem sido responsabilizados por bronquite crônica. Febre de Fumos Metálicos É uma reação febril do organismo à exposição de certos fumos, principalmente de zinco, mas também podendo ocorrer com outros fumos como de magnésio, níquel, cádmio (na fase inicial), polímeros, cobre, etc. Após o episódio da febre, o trabalhador adquire tolerância aos fumos, mas perde- a rapidamente quando cessa a exposição. Por este motivo, a febre de fumos costuma ocorrer com trabalhadores que não tiveram exposição prévia, ou quando
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 35 retornam à exposição após alguns dias de afastamento, como por exemplo, após as férias. O diagnóstico de febre dos fumos metálicos é habitualmente confundido com episódios gripais e, por isso, raramente identificado. CCHHUUMMBBOO Nas exposições usuais de solda de indústria, a exposição ao chumbo não é muito freqüente, com exceção da indústria eletroeletrônica. Mas é oportuno não esquecer que há chapas de aço revestidas de chumbo. Este metal também participa da constituição de ligas como bronze e, eventualmente, latão. A intoxicação crônica pelo chumbo é, provavelmente a patologia mais conhecida e estudada. O chumbo causa vasoconstrição periférica e alterações no sangue e na medula óssea com graves perturbações na hematopoese, devido à ação do chumbo sobre o sistema enzimático formador da hemoglobina. Os principais sintomas são: redução da capacidade física, fadiga precoce, alterações do sono, mialgias, especialmente na região gemelar, sensação de desconforto abdominal, inapetência, emagrecimento, impotência sexual, etc. No exame físico, é comum encontrar-se mucosas descoradas, palidez da pele, orla azulada nas gengivas e dor à palpação abdominal. Posteriormente, os sintomas digestivos pioram com o aparecimento de cólicas intestinais de grande intensidade, que podem simular abdômen agudo cirúrgico, notadamente. Quando não controlada, a intoxicação evolui para alterações do sistema nervoso. Quando afeta os nervos periféricos ocasiona paralisia muscular evidenciada através do sinal da "queda de mão" e sendo a paralisia do nervo radial muito característica desta situação. O mesmo pode ocorrer com a inervação dos músculos palpebrais, impossibilitando a abertura completa dos olhos. Embora rara, pode ocorrer uma encefalite causada pelo metal, com cefaléia, convulsões, delírio e coma, chegando a evoluir para óbito. Resta ainda mencionar que em intoxicações antigas é freqüente observar-se hipertensão arterial associada com arteriosclerose e esclerose renal. O controle médico é feito através de exames laboratoriais como a dosagem de chumbo no sangue ou na urina e das alterações metabólicas no mecanismo formador da hemoglobina, medida da condutividade nervosa etc. O tratamento, em geral, permite a cura completa e sem seqüelas. Para isto basta, na maioria dos casos, o simples afastamento da exposição ou do trabalho.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 36 Possíveis Riscos dos Produtos Químicos Produto Uso Riscos para a Saúde Principais Sintomas e Conseqüências Prováveis a partir da Contaminação Antimônio Empregado nas ligas com chumbo, fabricação de baterias, graxeiras, metais para imprensa, soldagens, fabricação de tintas, etc. Encontra-se associado com o chumbo e o arsênico. Seus compostos podem irritar olhos, pele e mucosas das vias respiratórias. Pós e fumos podem provocar lesões nos pulmões. Sabor metálico. Dores de estômago ou complicações intestinais. Vômitos, diarreia, irritabilidade, fadiga, vertigens e dores musculares. Redução dos glóbulos brancos. Lesões nos músculos cardíacos. Chumbo Usado em reforma de baterias na construção, em tintas, vernizes, tubulações, metal de imprensa, munições, fabricação de automóveis, latas pesticidas e inseticidas. Penetra no organismo por inalação e ingestão. Pode provocar lesões nos rins e no fígado. Alguns compostos podem provocar câncer. Demência, fadiga, cólicas intestinais, cefaleia, visão dupla, alteração de conduta, anemia, degeneração dos rins e fígado e depressão do SNC - Sistema Nervoso Central. Seus compostos orgânicos podem provocar lesões cerebrais, alterações mentais, ansiedade, delírio e morte. Mercúrio Usado na fabricação de termômetros, barômetros, bombas de vácuo contatos elétricos e na extração de ouro e por dentistas. 0 mercúrio acumula-se nos rins, fígado, baço e ossos, 0 envenenamento provoca inchaço das glândulas salivares e pode resultar em queda dos dentes e úlceras na boca e nas gengivas. Náuseas, Vômitos, diarréia, cefaléia, dores abdominais, tremores, convulsões, espasmos musculares e alteração de conduta, nervosismo, irritabilidade, ansiedade e depressão. Zinco Usado na fabricação de baterias, pilhas, ligas de latão, bronze e galvanização. Os fumos provocam a febre dos metalúrgicos (calafrio, febre alta e secura na boca). Seus compostos prejudicam os olhos, a pele e as mucosas. Dermatite, irritações digestivas provocando náuseas e vômitos.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 37 Produto Uso Riscos para a Saúde Principais Sintomas e Conseqüências Prováveis a partir da Contaminação Alumínio Usado na construção, indústrias aeronáutica e automobilística, fabricação de papel de alumínio. Usado também, como pigmento em algumas pinturas e ligas como a de alumínio. Oferece risco sob a forma de pó, na produção industrial de raspantes e no uso de lixas e rebolos. 0 pó pode provocar irritação nos olhos, enfisema ou fibrose pulmonar. Acetileno Gás básico no processo de solda e corte de metais. Transforma-se em narcótico quando se mistura com o oxigênio,provocando sonolência e perda dos sentidos. Vertigens, cefaleia, indisposição estomacal e dificuldades respiratórias. Ácido Nítrico Usado na dissolução e tratamento de minérios metálicos. É tóxico para a pele, os olhos e a mucosa das vias respiratórias. Pode produzir edema pulmonar. Irritação das mucosas (nariz, garganta e olhos), opressão toráxica, angústia, respiração agitada, náuseas, vertigens, salivação, sensação de fadiga muscular e bronquite. Ácido Sulfúrico Usado como dissolvente na degradação de certos minérios. Forma-se espontaneamente no tratamento do minério de enxofre. Provoca irritação do sistema respiratório. Quando diluído pode causar dermatite e lesões nos pulmões. Seus vapores são corrosivos para a pele e os olhos. Tosse, pneumonia química e erosão dentes, náusea, vômitos e dores abdominais. Cloro Usado na extração de alguns minérios na eletrólise de alguns metais. É liberado nos gases de explosão e de fusão. Irrita os olhos, a pele e as mucosas das vias respiratórias. Causa sensação de picadas, ardor e congestão nos olhos e na pele e hipertensão. Em altas doses pode causar colapso respiratório. Cádmio Usado na galvanização de outros metais para evitar corrosão. Facilita o processo de solda. É usado em algumas peças de motores, baterias de cádmio, níquel, foguetes, mísseis e aviões. Os fumos podem causar envenenamento. Febre alta, queimação na garganta, tosse, náuseas, opressão no peito, vômito, dor de cabeça e cianose (coloração azulada por deficiência de oxigênio no sangue). Metanol 0 metarnol (álcool metílico) é um álcool retirado da madeira e do gás natural. Também é chamado de carbinol ou álcool de madeira. Usado como combustível de veículos. Os efeitos no organismo ocorrem pela contaminação através da respiração, ingestão e contato com a pele. Se ingerido, pode provocar cegueira e ser fatal. Distúrbios visuais, vertigens, dor de cabeça, perturbações digestivas, irritaçâo nas mucosas do nariz. 0 contato com os olhos pode produz irirritação, lacrimejamento, sensação de queimação e cegueira. 0 contato com a pele pode causar dermatose.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 38 2. AGENTES FÍSICOS RUÍDO Conceitos e parâmetros básicos a) Som O som é qualquer vibração ou conjunto de vibração ou ondas mecânicas que podem ser ouvidas. Na higiene ocupacional, costuma-se denominar barulho como todo o som indesejável; o barulho e o ruído são interpretações subjetivas e desagradáveis de um som. Para a vibração ser ouvida, é necessário que a freqüência do som situe-se entre 16 a 20.000 Hz, e a variação de pressão sonora provocada pela vibração atinja o limiar de audibilidade (2 x IO-5 N/m2 ). b) Ruído Do ponto de vista de Higiene do Trabalho: "O ruído é o fenômeno físico vibratório com características indefinidas de variações de pressão (no caso ar) em função da freqüência, isto é, para uma dada freqüência podem existir, em forma aleatória através do tempo, variações de diferentes pressões." Essa é uma situação real e freqüente, daí se utilizar a expressão ruído, "mas que não necessariamente significa sensação subjetiva do barulho". Ex.: choro da criança. c) Nível de pressão sonora — Decibel O nível de pressão sonora determina a intensidade do som e representa a relação do logaritmo entre a variação da pressão (P) provocada pela vibração e a pressão que atinge o limiar de audibilidade. Por meio de pesquisas realizadas com pessoas jovens, sem problemas auditivos, foi revelado que o limiar de audibilidade é de 2 x 10-5 N/m2 ou 0,00002 N/m2 . Desse modo, convencionou-se este valor como sendo O (zero) dB, ou seja, o nível de pressão de referência utilizado pêlos fabricantes dos medidores de nível de pressão sonora. Quando a
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 39 pressão sonora atinge o valor de 200 N/m2 , a pessoa exposta começa a sentir dor no ouvido (limiar da dor), sendo este valor correspondente a 140 dB. A determinação do nível de pressão sonora é feita através de uma relação logarítmica, conforme a equação a seguir: NPS = 10 log P2 / P02 Onde: P é a raiz média quadrática (rms) das variações dos valores instantâneos da pressão sonora. P0 = Pressão de referência que corresponde ao limiar de audibilidade (2 x 10-5 N/m2 ). Se for aplicada à fórmula o valor de 2 x 10-3 N/m2 (constante) ela poderá também ser expressa da seguinte maneira: nps= 20 log p + 94 d) Freqüência do som A freqüência do som corresponde ao número de vibrações na unidade de tempo. Assim, uma vibração completa ou ciclo sobre seu tempo de duração, por exemplo, de 0,01 segundo é igual a: F = 1 ciclo ou vibração completa = 100 ciclos ou Hertz 0,01 segundo segundo e) Nível de intensidade sonora e nível de potência sonora Além do nível de pressão sonora, outros parâmetros como o nível de intensidade e potência sonora são utilizados em acústica para especificar o ruído de
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 40 equipamentos, cálculos de isolamento, e estimativa de ruído que uma fonte produz a uma determinada distância. O nível de intensidade sonora, também expresso em dB, é igual a NIS =10 log l / In, onde l = a intensidade sonora em um ponto específico e a quantidade média de energia sonora transmitida através de uma unidade de área perpendicular à direção de propagação do som. O nível de intensidade sonora expresso em dB é igual a: IØ= Intensidade de referência igual a 10-12 Watt/m2 Já o nível de potência sonora, também expresso em dB, é igual a: NWS= 10 log W / WØ Onde: W = Potência sonora da fonte em watts e representa a quantidade de energia acústica produzida por uma fonte sonora por unidade de tempo. WØ = Potência sonora de referência igual a 10-12 watts. f) Nível de decibel compensado ou ponderado O ouvido humano responde de forma diferente nas diversas freqüências, portanto, ouvir um som em 3000 Hz a sensação é diferente de ouvi-lo a 500 Hz. Desse modo, com base em estudos de nível de audibilidade, foram desenvolvidas as curvas de decibéis compensados ou ponderações nas freqüências A, B, C e D, de forma que simulem a resposta do ouvido. Estas curvas de compensação foram padronizadas internacionalmente e introduzidas nos circuitos elétricos dos medidores de nível de pressão sonora. A figura que se segue mostra as curvas de compensação:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 41 Pelo gráfico, observa-se que um som de 100 dB emitido numa freqüência de 50 Hz, quando compensado pelas curvas, fornecerá as seguintes leituras no medidor de nível de pressão sonora: Curva ―A‖ – 70 dB Curva ―B‖ – 82,0 dB Curva ―C‖ – 99 dB Curva ―D‖ – 86,0 dB As normas internacionais e o Ministério do Trabalho adotaram a curva de compensação ―A‖ para medições de níveis de ruído contínuo e intermitente, devido à sua maior aproximação à resposta do ouvido humano. O circuito "A" aproxima-se das curvas de igual audibilidade para baixos Níveis de Pressão Sonora; o circuito "B" para médios Níveis de Pressão Sonora; e o circuito "C" para Níveis de Pressão Sonora mais altos. Hoje, entretanto, somente o circuito "A" é largamente usado, uma vez que os circuitos "B" e "C" não tiveram boa correlação em testes subjetivos. Uma curva especializada, a compensação "D", foi padronizada para medições em aeroporto. g) Incremento de duplicação da dose O incremento em decibéis é quando o acréscimo a um determinado nível implica a duplicação da dose de exposição ou redução pela metade do tempo máximo de exposição (NHO - 01 — Fundacentro). Exemplo: Na NR-15, Anexo l, o incremento de duplicação é igual a 5 (cinco). h) Dose equivalente de ruído ou efeitos combinados Quando a exposição ao ruído é composta de dois ou mais períodos de exposição de diferentes níveis, devem ser considerados seus efeitos combinados, ao invés dos efeitos individuais (NR-15, Anexo l, item c). Este efeito combinado ou dose equivalente é calculado através da soma das seguintes frações: C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ... Cn / Tn Onde: Cn = Tempo total de exposição a um nível específico. Tn = É a duração total permitida a esse nível, conforme limites estabelecidos no Anexo l da NR-15. O resultado obtido não pode exceder a 1 (um). Os efeitos combinados podem ser obtidos com maior precisão utilizando-se o audiodosímetro, o qual indica a dose em percentual, assim, o limite será excedido quando esta for superior a 100%.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 42 A dose ou efeito combinado pode ser obtida também com o medidor de NPS. Entretanto, neste caso, o procedimento é bem trabalhoso, pois é necessário estimar ou cronometrar com exatidão os tempos de exposição a cada nível. i) Nível equivalente de ruído Com base na dose, obtém-se o nível equivalente de ruído. Este nível apresenta a exposição ocupacional do ruído durante o tempo de medição e representa a integração dos diversos níveis instantâneos de ruído ocorridos nesse período. A NR-15 considera o incremento de duplicação igual a 5 (q = 5), isto é, a cada incremento de 5 dB no nível equivalente, dobra a equivalência de energia e, conseqüentemente, o risco de dano auditivo. Assim, a equação que representa o critério adotado pela NR-15 é a seguinte: Leq = 100 + 16,61 x log D/T Onde: D = Dose equivalente em fração decimal, ou seja, o valor obtido no audiodosímetro deve ser dividido por 100. T = Tempo de medição. LEQ = Nível equivalente de ruído. Ruído contínuo e intermitente Segundo a NR-15 da Portaria n. 3.214 e a norma da Fundacentro, o ruído contínuo ou intermitente é aquele não classificado como impacto. Do ponto de vista técnico, ruído contínuo é aquele cujo NPS varia 3 dB durante um período longo (mais de 15 minutos) de observação. Exemplo: o ruído dentro de uma tecelagem. Já o ruído intermitente é aquele cujo NPS varia de até 3 dB em períodos curtos (menor que 15 minutos e superior a 0,2 segundos). Entretanto, as normas não diferenciam o ruído contínuo ou intermitente para fins de avaliação quantitativa desse agente. l) Ruído de impacto ou impulsivo A NR-15, Anexo II, da Portaria n. 3.214 define ruído de impacto como picos de energia acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 43 Quando se utiliza a instrumentação específica pela norma ANSI S1.4, S1.25 ou IEC 804, o ruído impulsivo ou de impacto é automaticamente incluído na medição. A única exigência é que a faixa de medição seja de 80 a 140 dB(A), e que a faixa de detecção de pulso seja de, no mínimo, 63 dB(A). Não deve ser permitida nenhuma exposição para ouvidos desprotegidos a níveis de pico acima de 140 dB, medidos no circuito de compensação C. Se a instrumentação não permite a medição de pico no circuito C, uma medição linear com o nível de pico abaixo de 140 dB pode ser usada para implicar que o nível de pico ponderado no circuito C está abaixo de 140 dB. m) Espectro sonoro A faixa audível de freqüência situa-se entre 16 e 2000 Hz, sendo inúmeras as possibilidades de distribuição da energia sonora na referida faixa. Daí a necessidade de se avaliar as freqüências em certos tipos de avaliação de ruído. A análise desta distribuição de nível de pressão sonora na faixa de freqüência é muito importante para determinar a nocividade do ruído e os meios adequados de controle. Para realizar a análise de freqüência, a faixa audível pode ser dividida em bandas de oitava, terça de oitava e meia oitava, faixa de percentagem, faixa de largura constante, entre outras, sendo a banda de oitava a mais usada na higiene ocupacional. Efeitos do ruído sobre o organismo O ruído contribui para distúrbios gastrointestinais, distúrbios relacionados com o sistema nervoso (por exemplo: irritabilidade, nervosismo, vertigens, etc.). Um ruído intenso e súbito acelera o pulso, eleva a pressão arterial, contrai os vasos sanguíneos, contrai os músculos do estômago, dentre outras alterações. Há pessoas que se adaptam ao ruído, e aparentemente este não interfere na sua habilidade manual e mental. Outras há, porém, que são extremamente sensíveis a este agente, sofrendo alterações diversas em local muito ruidoso. O que ocorre normalmente com aqueles que são extremamente sensíveis é que, após uma fase inicial de adaptação ao ruído, durante a qual vários sintomas se fazem sentir, não sofrem mais alterações de ordem geral no organismo. Quanto ao ruído na comunidade, é altamente indesejável, principalmente em zonas residenciais, junto a escolas, clínicas, etc. Um dos aspectos é a sua interferência com o sono, pois um repouso tranquilo é necessário para o bem- estar físico e mental.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 44 Efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo a) Ruptura do tímpano Pode ocorrer a ruptura do tímpano por deslocamento de ar muito forte, como o resultante de uma explosão, ou outros ruídos de impacto violento. A ruptura desta membrana que separa o ouvido externo do ouvido médio é por causa da variação brusca e relativamente acentuada de pressão. É geralmente reversível, pois o tímpano, na maioria dos casos, cicatriza-se normalmente. A situação pode tornar- se mais grave se houver complicações, como, por exemplo, infecção no ouvido médio. Quanto aos níveis que causam ruptura do tímpano, não existe um limite exalo, pois a susceptibilidade individual é fator importante. Na maioria dos casos, níveis de 120 dB causam uma sensação de extremo desconforto; a 130 dB há sensação de prurido no ouvido com início de dor; e a 140 dB há distinta sensação de dor nos ouvidos. Daí em diante pode ocorrer ruptura do tímpano, muito provável a 150 ou 160 dB. Têm havido casos raros de deslocamento dos ossículos do ouvido médio como resultado de explosões violentas. b) Perda de audição por trauma sonoro A perda de audição, resultante de exposição a níveis elevados de ruído, ou seja, por trauma sonoro, pode ser temporária ou permanente. Quando a diminuição da capacidade auditiva ou hipoacusia for temporária, o indivíduo gradualmente recupera sua audição. O mecanismo da surdez temporária não é bem conhecido, é como uma fadiga auditiva. Um nível de ruído que causa alterações na capacidade auditiva deve ser considerado como uma possível ameaça de surdez profissional. A surdez permanente por trauma sonoro ocorre pela destruição das células sensoriais do órgão de corti, sendo, portanto, uma surdez de percepção. Essa perda de audição, que é irreversível, pode atingir proporções tais que incapacitem o indivíduo para a comunicação oral. Pode ocorrer que um trauma violento, como o resultado de uma explosão, cause destruição imediata das células ciliadas do órgão de corti o que, no entanto, é extremamente raro. O mais frequente é um processo gradativo. As perdas de audição por trauma sonoro caracterizam-se por iniciarem na faixa de frequência entre 3000 cps e 6000 cps, mais frequentemente 4000 cps. O início de um processo de surdez profissional pode ser constatado por meio de um exame audiomé-trico; a perda de audição ao redor de 4000 cps aparece no audiogra-ma com um formato característico, por isso sua denominação de "gota acústica".
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 45 Como, em casos de surdez profissional, as perdas começam em frequência acima daquelas indispensáveis para a voz humana, o indivíduo inicialmente não percebe problema algum. Depois começa uma dificuldade de ouvir sons agudos. Quando a perda começa a afetar as frequências indispensáveis para a conversação é que o indivíduo passa a sentir dificuldades, que se tornam cada vez mais sérias, até a surdez quase total, se não houver afastamento da ex- posição. Poderá haver sintomas colaterais como zumbido nos ouvidos, reprodução do ruído industrial após sua cessação, insónia e, raramente, dor. Instrumentos de medição a) Medidor de nível de pressão sonora A NR-15, Anexo l, estabelece que os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB), com o instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e no circuito de resposta lenta. Já a ACGIH recomenda que o nível de pressão sonora deve ser determinado por um medidor de nível de pressão sonora ou dosímetro que atenda, no mínimo, às especificações para medidores de nível de som S1.4/1983, S2A ou para dosímetros individuais de ruído, ambos da American national Standards Institute (ANSI). O medidor do nível de pressão sonora determina o nível instantâneo de ruído; e os intrumentos mais modernos possuem analisador de freqüência integrado, conforme mostra a figura que se segue: b) Analisador de freqüência Este instrumento é útil para determinar-se as freqüências do ruído e, conseqüentemente, verificar se o NPS concentra-se nas freqüências onde a resposta subjetiva ao ruído é maior (2000 a 5000 Hz). Além disso, a análise de freqüências onde a resposta subjetiva permite especificar os isolamentos acústicos e calcular a atenuação dos protetores auriculares. Medidor de nível de pressão sonora integrado com analisador de freqüência.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 46 c) Audiodosímetro (medidor integrado de uso pessoal) Quando há exposição diária a diferentes níveis de ruído, devem ser considerados os efeitos combinados, ao invés dos efeitos individuais de cada um deles. A determinação da dose ou efeito combinado e o nível equivalente de ruído deve ser feita, preferencialmente, por meio de medidores integrados de uso pessoal (dosímetros de ruído). Este equipamentos deve ser configurado de acordo com as exigências do critério estabelecido na NR-15, ou seja, jornada de trabalho 8 (oito) horas dose 100% ou 1 para 85 dB(A) e incremento igual a 5. d) Calibrador acústico Os instrumentos de medição devem ser calibrados antes e depois da medição. Parar tanto, utiliza-se uma fonte-padrão que emite som na freqüência de 1000Hz. Esse instrumento, ao ser ajustado no microfone do medidor, apresenta o nível de pressão sonora de 94 dB, 114 dB ou outro valor, de acordo com a marca do calibrador. Se o valor apresentado for diferente do padrão, o medidor poderá ser ajustado. A figura 3 lustra o calibrador acústico: Audiodosímetro Calibrador acústico
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 47 Limite de tolerância O item 15.1.5, NR-15, da Portaria n.3.214 define com o limite de tolerância a concentração ou intensidade máxima oi mínima relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador durante sua vida laboral. Já a American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH estabelece que o limite de tolerância visa a proteger a maioria da população, de forma que a perda auditiva média produzida pelo ruído nas freqüências de 500, 1000 e 3000 Hz, durante 40 (quarenta) anos de exposição, não exceda a 2 dB. Assim, os valores dos limites de tolerância são referenciais para um programa de conservação auditiva. Conseqüentemente, o limite de tolerância representa as condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores expostos repetidamente não sofra efeitos adversos à sua capacidade de ouvir e entender uma conversação normal (ACGIH). A NR-15 definiu como ruído contínuo ou intermitente aquele eu não seja de impacto. Para o ruído contínuo ou intermitente, a NR-15, Anexo I, fixa para cada nível de pressão sonora o tempo diário máximo permitido. Os limites de tolerância e a metodologia de avaliação da NR-15 estão transcritos a seguir Limite de tolerância para ruídos continuo ou intermitente Nível de Ruído dB (A) Máxima Exposição Diária Permissível 85 8 horas 86 7 horas 87 6 horas 88 5 horas 89 4 horas e 30 min 90 4 horas 91 3 horas e 30 minutos 92 3 horas 93 2 horas e 40 minutos 94 2 horas e 15 minutos 95 2 horas 96 1 hora e 40 minutos 98 1 hora e 15 minutos
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 48 100 1 hora 102 45 minutos 104 35 minutos 105 30 minutos 106 25 minutos 108 20 minutos 110 15 minutos 112 10 minutos 114 8 minutos 115 7 minutos 1) Entende-se por ruído contínuo ou intermitente, para os fins de aplicação de limites de tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto. 2) Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e circuito de resposta lenta (slow). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. 3) Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância fixados no Quadro deste anexo. 4) Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário, será considerada a máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado. 5) Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos. 6) Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes frações. C1 / T1 + C2 / T2 + C3 / T3 ............ Cn / Tn Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível, segundo o Quadro deste Anexo. 7) As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 49 Anexo n. II Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto 1. Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo. 2. Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com medidor de nível de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para impacto. As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo. 3. Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito de resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida (Fast) e circuito de compensação "C". Neste caso, o limite de tolerância será de 120 dB(C). 4. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção adequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB (Linear), medidos no circuito de resposta para impacto, ou superiores a 130 dB(C), medidos no circuito de resposta rápida (Fast), oferecerão risco grave e iminente. Adição e subtração de níveis de ruído As operações em decibéis não são lineares. Assim sendo, 100 dB + 90 dB não é igual a 190 dB, pois a escala do nível de pressão sonora é uma relação logarítmica. Portanto, para adicionar ou subtrair níveis de pressão sonora, é necessário calcular a razão média quadrática das pressões de cada nível e em seguida efetuar a soma ou a subtração. Com estes dados, calcula-se o nível de pressão sonora total ou resultante. Contudo, para evitar cálculos complexos, foram criadas as curvas de adição e subtração em dB, conforme gráficos a seguir: ADIÇÃO DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 50 SUBTRAÇÃO DE NIVEIS RUÍDO DE FUNDO Avaliação do ruído A avaliação do ruído pode ser feita com os seguintes objetivos: a) Avaliação ocupacional Este tipo de avaliação visa constatar os possíveis riscos de dano auditivo e seu controle. O efeito do ruído depende: 1) NPS e distribuição de NPS por frequências (espectro sonoro). 2) Duração da exposição. 3) Número de vezes que a exposição se repete por dia. 4) Suscetibilidade individual. Portanto, nessa avaliação, o higienista deve conhecer esses parâmetros de maneira que definia a magnitude do risco e, conseqüentemente, adote as
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 51 medidas de controle. A NR-09, NR-15 e ACGIH são normas a serem seguidas nessa avaliação. b) Avaliação do ruído para caracterização da insalubridade A perícia visando à possível caracterização da insalubridade tem como base legal a NR-15, Anexos 1 e 2, sendo, na maioria das vezes, realizada em perícias judiciais. c) Avaliação para fins de aposentadoria especial Esta avaliação é realizada para fins de comprovação perante o INSS da exposição a níveis de ruído prejudiciais à saúde. O critério utilizado são as normas da NR-15, ACGIH e da previdência social (Decreto n. 3.048/99). d) Avaliação para fins de conforto O critério utilizado nesta avaliação está regulamentado na NR-17 da Portaria 3.214/78 e normas da ABNT, em especial na NBR 10152, as quais serão mais detalhadas no Capítulo Vil — Ergonomia. e) Avaliação da perturbação do sossego público Nesta avaliação, a regulamentação encontra-se em legislação municipal, estadual ou federal, e normas técnicas pertinentes, em especial nas normas da NBR 10151 e NBR 10152 da ABNT, as quais sugerimos aos leitores a consulta. Medidas de controle As medidas de controle do ruído podem ser consideradas basicamente de três maneiras distintas: na fonte, trajetória e no homem. As medidas na fonte e na trajetória deverão ser prioritárias, quando viáveis tecnicamente. Controle na fonte Dentre as medidas de controle na fonte, podemos destacar: — substituir o equipamento por outro mais silencioso; — balancear e equilibrar partes móveis; —lubrificar eficazmente rolamentos, mancais, etc. — reduzir impactos na medida do possível; —alterar o processo; — programar as operações, de forma que permaneça o menor número de máquinas funcionando simultaneamente; — aplicar material de modo que atenue as vibrações; — regular os motores; — reapertar as estruturas; — substituir engrenagens metálicas por outras de plásticos ou celeron.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 52 Controle no meio Não sendo possível o controle na fonte, o segundo passo é a verificação de possíveis medidas aplicadas no meio, as quais consistem em: — evitar a propagação, por meio de isolamento; — conseguir um máximo de perdas energéticas por absorção. O isolamento acústico pode ser feito das seguintes formas: 1) Evitando que o som propague-se a partir da fonte: 2) Evitando que o som chegue ao receptor: Isolar a fonte – Significa a construção de barreira que separe a causa do ruído do meio que o rodeia, para evitar que este som se propague. Isolar o receptor – Construção de barreiras que separem a causa e o meio do individuo exposto ao ruído.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 53 Isolamento acústico das fontes ruidosas consiste na colocação de barreiras isolantes e absorventes de som. Melhores resultados serão obtidos se as barreiras forem revestidas internamente com material absorvente de som (cortiça, lã de vidro, etc.); e a face externa com material isolante de som (paredes de alvenaria), conforme desenho a seguir: Outra medida de controle na trajetória é procurar alcançar o máximo de perdas energéticas por absorção por meio de tratamento acústico das superfícies. Esta medida é feita revestindo-se o local com material absorvente de som, no sentido de se evitar reflexão deste. Controle no homem Não sendo possível o controle do ruído na fonte e na trajetória, deve-se, como último recurso, adotar medidas de controle no trabalhador. Estas podem ser adotadas como complemento às medidas anteriores, ou quando não forem suficientes para corrigir o problema. Como medida de controle no homem, sugere- se: a) Limitação do tempo de exposição Consiste em reduzir o tempo de exposição aos níveis de ruído superiores a 85 dB(A), tomando-se o cuidado para que o valor-limite para exposição a dois ou mais níveis de ruído diferentes não seja ultrapassado. b) Equipamentos de proteção individual — Protetores auriculares São protetores colocados no ouvido do trabalhador, devendo ser utilizados quando não for possível o controle para atenuação do ruído a níveis satisfatórios. Deve-se ressaltar que a simples utilização do EPI não implica eliminação do risco de o trabalhador vir a sofrer diminuição da capacidade auditiva. Os protetores
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 54 auriculares, para serem eficazes, deverão ser usados de forma correta e obedecer aos requisitos mínimos de qualidade representada pela capacidade de atenuação, que deverá ser devidamente testada por órgão competente. O uso constante do protetor é importante para garantir a eficácia da proteção. Exemplificando: para um protetor que garanta uma atenuação igual a 20 dB(A), quando usado constantemente (100% do tempo), atenuará somente 5 dB(A) se o protetor for utilizado em 50% do tempo de exposição, conforme o quadro a seguir: Os protetores auriculares devem ser capazes de reduzir a intensidade do ruído abaixo do limite de tolerância, sendo assim, é necessário calcular sua atenuação com base em seu fator de proteção. Os métodos normalizados para o cálculo são: 1) Método longo (análise de freqüência) O método longo consiste na confrontação dos níveis de pressão sonora em dB(A) encontrados no ambiente com os dados de atenuação do EPI fornecido pelo fabricante, por bandas de frequência de 125 a 8.000 Hz, deduzidos os desvios- padrão. A soma logarítmica dessas diferenças é a expressão do nível de pressão sonora total a que o indivíduo estará submetido após a colocação do referido EPI. 2) Método simplificado valor único — NRR 2.1) Método corrigido (Norma ANSI S.12.6 — 1984) Este método consiste em realizar medição do ruído na curva "C" e subtrair o NRR (Noise Redution Rating) ou RC corrigido para uso real, isto é, o NRR fornecido pelo laboratório deve ser corrigido para o uso real da seguinte forma: • protetor concha — redução 25% do valor do NRR ou RC; • protetor inserção moldável — redução 50% do valor do NRR ou RC; • protetor de inserção pré-moldável — redução de 70% do NRR ou RC. Portanto, o cálculo da atenuação será: NPSc = NPSm em dB(A) - NRR.f
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 55 Onde: NPSc = Nível de Pressão Sonora com proteção. NRR = Nível de Redução do Protetor. f = Fator de correção igual a 0,75, 0,30 e 0,5, conforme a redução do NRR para uso real. Quando o NPS é medido em dB(A), a fórmula é a seguinte: NPSc = NPS em dB(A)-(NRR.f-7) Neste caso, há outra correção através da constante 7,0 devido à diferença média entre os valores do NPS em dB(A) e dB(C) no espectro sonoro. 2.2) Método direto (sem correção) (ANS112.6 —1997 B) Neste método, o cálculo da atenuação é o seguinte: NPSc = NPS em dB(A) - NRR (sf) Onde: NRR (sf) = Nível de Ruído (subject fit) O NRR (sf) é a redução obtida em teste de laboratório feito com pessoas sem treinamento, apenas laudo de instruções das embalagens. O NRR (sf) é calculado a partir desses dados de atenuação, com algumas peculiaridades: o nível de proteção estatístico é de 84% (contra 98% do método tradicional) e subtrai-se diretamente do dB(A) com correção de 5 em vez de 7, já embutido no índice. Portanto, não é necessário fazer nenhuma outra correção, com exceção do tempo de uso real(4) . VIBRAÇÃO Conceitos básicos/classificação A exposição ocupacional à vibração não é tão estudada quanto os outros agentes, todavia, sua ocorrência na indústria é bastante freqüente. Os efeitos deste agente na saúde humana é considerável, sendo, portanto, a avaliação e controle necessários. A vibração é um movimento oscilatório de um corpo devido a forças desequilibradas de componentes rotativos e movimentos alternados de uma máquina ou equipamento. Se o corpo vibra, descreve um movimento oscilatório e periódico, envolvendo deslocamento num certo tempo. Teremos, então, envolvidas no movimento uma velocidade, aceleração e frequência (número de ciclos completos/minuto).
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 56 a) Unidades Como a vibração é um movimento oscilatório, para sua quantificação pode-se utilizar os parâmetros deslocamento, velocidade e aceleração. Para efeito de higiene ocupacional, a avaliação da vibração será feita através de aceleração em m/s2 ou em dB. Para aceleração de vibração, o decibel será obtido pela fórmula abaixo: dB = 20 log a / a0 Onde: a = Aceleração avaliada (m/s2 ). a0 = Aceleração de referência (10-6 m/s2 ). b) Aceleração Equivalente Quando a exposição à vibração é diferente em dois ou mais períodos da jornada, deve ser considerada a aceleração equivalente, de acordo com a fórmula a seguir: A vibração equivalente será de: Aeq = [(0,142 x 60) + (0,992 x 360) + (0,0 x 60) ½ ] / 480 = 0,85 m/s2 Aeq = 0,85 m/s2
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 57 Se observarmos o gráfico do guia de efeitos à saúde, verificaremos que para 8 (oito) horas de exposição e aceleração equivalente a 0,85 m/s2 , estaremos na região B, significando precaução em relação aos riscos potenciais à saúde. c) Classificação das vibrações 1) Vibração ocupacional de corpo inteiro — São vibrações transmitidas ao corpo como um todo, geralmente através da superfície de suporte, tais como pé, costas, nádegas de um homem sentado ou na área de suporte de um homem reclinado. 2) Vibração ocupacional mão e braço ou localizada — São vibrações que atingem certas partes do corpo, principalmente mãos, braços e outros. Como os sistemas corpo inteiro e braços/mãos são mecanicamente diferentes, deverão ser estudados separadamente. 3) Vibração para conforto— Determinada ocupação pode causar desconforto intolerável em uma situação e ser agradável ou desejada em outras. Logo, os valores de conforto dependem de vários fatores, alguns até subjetivos. Desse modo, a ISO 2631 não estabelece limite para o conforto, limitando-se apenas em indicar valores de acelerações onde as reações das pessoas são prováveis. 4) Vibração meio ambiente — São vibrações capazes de provocar desconforto e perturbação do sossego público, como, por exemplo, prédios, veículos, entre outros. 5) Vibração máquinas — São vibrações que podem indicar problemas de manutenção em máquinas e equipamentos. Logo, são medidas pêlos técnicos de manutenção preventiva e comparadas como valores das normas técnicas pertinentes. d) Aceleração ponderada Dependendo dos efeitos da exposição, as medições de corpo inteiro, mão e braço e conforto são ponderadas nas frequências conforme será explicado adiante. Critério Legal A legislação brasileira prevê, por intermédio da Norma Regulamentadora NR-15— Anexo VIII, com redação dada pela Portaria n. 12, de 1983, que as atividades e operações as quais exponham os trabalhadores sem proteção adequada às vibrações localizadas ou de corpo inteiro serão caracterizadas como insalubres, apuradas por perícia realizada no local de trabalho. A perícia, visando à
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 58 comprovação ou não da exposição, deve tomar por base os limites de exposição definidos pela Organização Internacional para a Normalização, em suas normas ISO 2631 e ISO 5349 ou suas substitutas. Em relação ao laudo pericial, a legislação determina que os seguintes itens devem constar obrigatoriamente: a) o critério adotado; b) o instrumental utilizado; c) a metodologia de avaliação; d) a descrição das condições de trabalho e do tempo de exposição às vibrações; e) o resultado da avaliação quantitativa; f) as medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade, quando houver. A insalubridade, quando constatada no caso das vibrações, está classificada como de grau médio, assegurando ao trabalhador a percepção de adicional incidente equivalente a 20% (vinte por cento) sobre o salário mínimo da região. A norma ISO 2631 estabelece os critérios de avaliação de vibração de corpo inteiro, enquanto a ISO/DIS 5349 para mão e braço. Vibração de corpo inteiro a) Direção da vibração As vibrações retilíneas transmitidas ao ser humano devem ser medidas nas direções correias de um sistema ortogonal de coordenadas que tenham sua origem na posição do coração, conforme o esquema a seguir:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 59 A terminologia comumente usada em biodinâmica relaciona o sistema de coordenadas ao esqueleto humano, numa posição anatômica normal. As acelerações (movimento) no eixo pé (ou das nádegas) para a cabeça (ou longitudinal) são designadas +- az; a aceleração no eixo antes e depois (ante- posterior ou peito-costas) +- ax; e no eixo lateral (esquerda para direita) +- ay. As vibrações angulares (ou rotacionais) sobre um centro de rotação são partes importantes de um ambiente vibratório, tais como tratores, avião em turbulência, os movimentos das marés podem ser mais perturbadores que as vibrações retilíneas acima e abaixo entretanto, poucas informações sobre os efeitos das vibrações angulares (ou rotacionais) estão disponíveis. Assim, sempre que possível, as vibrações rotacionais que ocorrem em giro, arfagem e guinada devem ser medidas e reportadas com a finalidade de aumentar nosso conhecimentos sobre a resposta humana a estas excitações. b) Efeitos sobre a saúde A exposição à vibração de corpo inteiro pode causar danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema nervoso. A exposição diária à vibração de corpo inteiro poderá resultar em danos na região espinhal, podendo também afetar o sistema circulatório e/ou urológico, além do sistema nervoso central. Sintomas de distúrbios freqüentemente aparecem durante ou logo após a exposição sob a forma de fadiga, insônia, dor de cabeça e tremor. No entanto, estes sintomas geralmente desaparecem após um período de descanso.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 60 Os efeitos observados em grupos expostos a condições severas de vibração foram problemas na região dorsal e lombar, gastrointestinais, sistema reprodutivo, desordens no sistema visual, problemas nos discos intervertebrais e degeneração na coluna vertebral. c) Aceleração "rms" ponderada A vibração de corpo inteiro é avaliada na faixa de freqüência de 05 a 80 Hz, sendo que a região de maior sensibilidade para o eixo Z é 04 a 08 Hz, enquanto para os eixos X e Y de 01 a 02 Hz. A norma ISO 2631/1 de 1985 estabelece limites de tolerância diferentes para os eixos Z e XY. A avaliação da vibração prevista nesta norma é pelo método detalhado, ou seja, com análise das freqüências de vibração. A norma ISO 2631/1 de 1997 estendeu a faixa de frequência abaixo de 01 Hz, sendo a avaliação da aceleração "rms" ponderada em freqüência e método preferido. O total de aceleração "rms" ponderada para cada eixo pode ser calculado através da equação específica, com os fatores de ponderação dados na tabela abaixo: Fatores relativos de ponderação para faixa de freqüência de (adaptado da ISO 2631) Freqüência Hz Fatores de ponderação para Vibrações longitudinais Z – (Figura 1) Vibrações transversais X,Y – (Figura 2) 1,0 0,5 1 1,25 0,56 1 1,6 0,63 1 2,0 0,71 1 2,5 0,8 0,8 3,15 0,9 0,63 4 1 0,5 5 1 0,4 6,3 1 0,315 8 1 0,25 10 0,8 0,2 12,5 0,63 0,16 16 0,5 0,125 20 0,4 0,1 4 a 8 Hz no caso de + - az ressonância de vibração. 1 a 2 Hz no caso de + - ay ou ax ressonância de vibração.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 61 d) Limite de tolerância O limite de tolerância para vibração de corpo inteiro atualmente vigente é aquele estabelecido pela 2ª edição da ISO 2631-1:1997, que cancela e substitui a ISO 2631-1:1995 e a ISO 2631-3:1995. o conceito de proficiência reduzida pela fadiga foi excluído, permanecendo apenas os limites para efeitos sobre a saúde e conforto. 1) Guia para efeitos à saúde – Anexo B – ISO 2631-1:1997 O guia para efeitos à saúde apresenta recomendações baseadas principalmente em exposições na faixa de 4 (quatro) a 8 (oito) horas, para pessoas sentadas – eixo z. a experiência na aplicação dessa parte da norma é limitada para os eixos x e y (pessoas sentadas) e para todos os eixos nas posições em pé, deitada ou inclinada. A interpretação do gráfico do guia de efeitos à saúde pela vibração deve ser feita do seguinte modo: - A região A da curva significa que os efeitos à saúde não têm sido claramente documentados e/ou observados objetivamente. - A região B (área hachurada da curva) significa precauções em relação aos riscos potenciais à saúde. - A região C significa riscos prováveis à saúde.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 62 A comparação dos limites de tolerância utilizando-se a curva de 2ª potencia aw1 . T1 ½ = aw2 . T2 ½ pode ser empregada quando o fator de crista for ≤ 9,0. para certos tipos de vibração, especialmente aquelas contendo choques adicionais, o método de 2ª potencia pode subestimar a necessidade de exposição. Poderá, então, ser utilizado o método da 4ª potencia, pois é mais sensível a picos que o anterior: [(aw1 . T1 1/4 ) = (aw2 . T2 1/4 )] 2) Vetor soma dos 3 eixos A avaliação do efeito à saúde deve ser feita independentemente para cada eixo. A análise da vibração deve ser feita considerando-se o maior componente da aceleração ponderada em freqüência medida nos diversos eixos de assento. Quando a vibração em dois ou mais eixos for comparável, o vetor resultante é algumas vezes utilizado para estimar o risco a saúde. A ponderação em freqüência deve ser aplicada em indivíduos sentados, com os fatores de multiplicação K, conforme abaixo: Eixo x - wd, k = 1,4 Eixo y - wd, k =: 1,4 Eixo z - wk, k = 1 A ponderação global de todas as acelerações "rms" vetor soma é a seguinte: √Awf = 1,4 (Awdx)2 + 1,4 (Awdx)2 + (Awkz)2 O fator 1,4 multiplicando-se os valores totais de aceleração "rms" ponderada dos eixos x e y representa a razão entre os valores de curvas transversais com a longitudinal de igual resposta, para a maioria das faixas de resposta da sensibilidade humana. A Comissão Européia recomenda que Awf a partir de 0,5 m/s2 para 8 (oito) horas exige nível de ação. O valor ponderado single number é uma aproximação do critério de exposição. No entanto, para a maioria dos casos práticos, a diferença entre o método ponderado e o detalhado com a análise de um terço de oitava é pequena.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 63 e) Equipamento/local de medição Os equipamentos de medição da vibração geralmente são compostos das seguintes partes: um transdutor ou pickup, um dispositivo amplificador (elétrico, mecânico ou ótico) e um indicador ou registrador de amplitude. O equipamento fornecerá a magnitude de uma vibração, isto é, a aceleração deve ser expressa por um valor médio de raiz quadrada (rms) em cada eixo x, y e z, valores de pico, bem como a aceleração resultante nos três eixos. A vibração deverá ser avaliada no seu ponto de entrada no corpo humano (ou seja, na superfície do corpo) e não na estrutura (por exemplo, na estrutura de um assento almofadado), o que pode transformar a vibração antes de atingir o corpo humano. As medições da vibração devem ser executadas tão próximo quanto possível do ponto ou área em que a vibração é transmitida ao corpo. Se um homem está de pé num piso, sobre uma plataforma, sem qualquer matéria amortecedora entre o corpo e a estrutura suporte, então o transdutor de medição deverá ser preso a esta estrutura. Se houver um material amortecedor entre o corpo e a estrutura vibratória, é permissível a colocação de um transdutor rígido (por exemplo, uma folha de metal fina adequadamente perfilada) entre o sujeito e a almofada. Se não for possível medir-se a vibração no ponto de entrada no ser humano desta forma, então as características de transmissão do elemento amortecedor devem ser determinadas e levadas em consideração no calculo real da vibração transmitida ao corpo.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 64 f) Medidas de controle - Assentos com suspensão a ar; - cabines com suspensão; - calibração adequada do pneu; - utilização de bancos com descanso para os braços, apoio lombar e ajuste do assento e do apoio das costas; - implantação de programa de supervisão médica. Vibração localizada a) Direção da vibração As direções da vibração devem ser reportadas às direções de um sistema de coordenadas ortogonais, conforme sugerido abaixo: A fim de evitar-se um conflito entre a terminologia proposta aqui e a usada em biodinâmica para definir a exposição humana de corpo inteiro, é proposto que os movimentos da mão para várias direções do sistema de coordenadas sejam designados pelo subscrito h (hand). Assim, a aceleração da mão na direção ―z‖ deve ser designada por azh e similarmente para as direções x e y. A aceleração de corpo inteiro no eixo longitudinal é designada somente por az. b) Os efeitos sobre a saúde Os principais efeitos por causa da exposição à vibração no sistema mão/braço podem ser de ordem vascular, neurológica, osteoarticular e muscular. A evolução
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 65 da doença nos seus diversos estágios, em função da exposição diária, ao longo de meses, pode ser observada através da descrição realizada por Taylor e Pelmear, conforme resumo a seguir: — Formigamento ou adormecimento leve e intermitente, ou ambos, são frequentemente ignorados pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em outras atividades. São os primeiros sintomas dasíndrome. — Mais tarde, o paciente pode experimentar ataques de branqueamento de dedos, confinados primeiramente às pontas; entretanto, com a continuidade da exposição, os ataques podem estender-se à base do dedo. — O frio freqüente provoca os ataques, mas há outros fatores envolvidos com o mecanismo de disparo, tais como a temperatura central do corpo, a taxa metabólica, o tônus vascular (especialmente cedo, pela manhã) e o estado emocional. — Os ataques de branqueamento geralmente duram de 15 (quinze) a 60 (sessenta) minutos, mas nos casos avançados podem durar 1 (uma) ou 2 (duas) horas. A recuperação inicia-se com um rubor, uma hiperemia reativa, especialmente vista na palma da mão, avançando do pulso para os dedos. — Nos casos avançados, devido aos repetidos ataques isquêmi-cos, o tato e a sensibilidade à temperatura ficam comprometidos. Há perda de destreza e incapacidade para a realização de trabalhos minuciosos. — Prosseguindo a exposição, o número de ataques de branqueamento se reduz, sendo substituído por uma aparência cianótica dos dedos. — Finalmente, pequenas áreas de necrose da pele aparecem na ponta dos dedos (acrocianose). A severidade dos efeitos biológicos pode ser influenciada por: — direção de vibração transmitida à mão; — método de trabalho, habilidade e destreza do operador; — fatores predisponentes de saúde do indivíduo (fumo, doenças que afetam a circulação, utilização de certos medicamentos). c) Aceleração ponderada A medição da aceleração em bandas de terças de oitavas ou da aceleração ponderada em freqüência equivalente em energia, transmitida às mãos na direção dos três eixos ortogonais definidos pela norma, deverá ser feita nas freqüências variando de 5 a 1500 Hz, a fim de cobrir as bandas de terças de oitava com freqüências centrais de 8 a 1000 Hz. Assim, a medição da aceleração deve ser avaliada num circuito que esteja em conformidade com a tabela a seguir:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 66 Filtro de Freqüência para Medições de Vibração da Mão Freq. (Hz) g. Nom. (dB) Freq. (Hz) g. Nom. (dB) 6,3 0 100 -16 8,0 0 125 -18 10,0 0 160 -20 12,5 0 200 -22 16 0 250 -24 20 -2 315 -26 25 -4 400 -28 31,5 -6 500 -30 40 -8 630 -32 50 -10 800 -34 63 -12 1000 -36 80 -14 1250 -38 d) Limite de tolerância O limite de tolerância para vibração localizada refere-se a níveis de duração de exposição a componentes de aceleração que representam condições sob as quais se acredita que praticamente todos os trabalhadores podem ser repetidamente expostos cotidianamente, sem que evoluam para além do estágio 1 do Sistema de Classificação de Encontro de Estocolmo para Dedos Brancos induzidos por vibração, também conhecido como fenômeno de Raynaud de origem ocupacional. A ISO 5349 não fixa limite de tolerância expressamente para exposição ocupacional à vibração, estabelecendo apenas gráfico de percentual de trabalhadores expostos (10 a 50%) que poderão evoluir para o estágio 1 de doença de branqueamento dos dedos, dependendo dos anos de exposição e de aceleração ponderada (aeq), conforme gráfico abaixo:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 67 A ACGIH, com base neste gráfico, definiu os seus limites de tolerância estabelecendo o tempo diário de exposição em função da aceleração ponderada (aeq). Analisando esses limites, pressupõe-se que a ACGIH tomou como base o tempo de 5 (cinco) anos em que 10% dos trabalhadores expostos evoluíram para estágio 1, conforme critério gráfico sugerido pelo ISO 5349. Outros países como a Dinamarca adotam o critério de que 10% (dez por cento) dos trabalhadores expostos podem evoluir para o estágio 1 em 10 (dez)anos. O MTE estabelece que nas perícias visando à caracterização de insalubridade por vibração deve-se seguir as normas da ISO e suas substitutas sem, todavia, definir ou orientar os intérpretes sobre qual critério a ser adotado. Por outro lado, a NR-9 estabelece que os resultados da avaliação quantitativa devem ser comparados com os limites recomendados pela ACGIH, quando não houver limites definidos na NR-15. Desse modo, considerando-se que os limites da ACGIH foram baseados no gráfico recomendado pela ISO 5349, e que a NR-15 não definiu o limite expressamente, a nosso ver, o limite da ACGIH é o que deverá ser adotado para fins de caracterização da insalubridade e aposentadoria especial. Do ponto de vista prevencionista, no entanto, deverão ser adotados limites mais rigorosos, como, por exemplo, percentual de 10% (dez por cento) de probabilidade de os trabalhadores expostos evoluírem para o estágio 1 da doença em 10 (dez) anos. O limite de tolerância da ACGIH, para a exposição ocupacional à vibração localizada (mão e braço), da aceleração "rms" ponderada em função da exposição diária obedece à tabela a seguir: (a) O tempo total que a vibração entra na mão por dia, seja continuamente, seja intermitentemente. (b) Usualmente, um dos eixos é dominante sobre os demais. Se um ou mais dos eixos de vibração exceder à exposição total diária, então o TLV. estará excedido. (c) g = 9,81 m/s2 .
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 68 e) Equipamentos de medição O equipamento de medição da vibração geralmente consiste de um transdutor, dispositivo amplificador e indicador de registrador de amplitude ou nível. As medições nos 3 eixos devem ser feitas na superfície das mãos, nas áreas claramente relatadas, onde a energia entra no corpo. Se a mão do indivíduo está em contato direto com a superfície vibrante do punho do cabo, o transdutor deve ser fixado na estrutura vibratória. Se a magnitude de vibração varia significativamente entre diferentes partes do cabo, então o valor máximo de um ponto que esteja em contato com a mão deve ser registrado. Se um elemento elástico está sendo usado entre a mão e a estrutura vibratória (por exemplo, punho almofadado), é permitido o uso de um suporte adequado entre a mão e a superfície do material elástico. A medição da vibração deve ser realizada de acordo com os procedimentos e instrumentação especificados na norma ISO 5349. Esse instrumento deve ser capaz de determinar a aceleração "rms" ponderada nos eixos x, y e z em m/s2 , sendo a aceleração de maior magnitude a base da avaliação ocupacional. O acelerômetro deverá ser posicionado no ponto onde a vibração entra na mão (ponto de acoplamento). A figura 5, a seguir, mostra o medidor de vibração acoplado a um acelerômetro triaxial. f) Medidas de Controle Mão e braço — Usar ferramentas com características antivibratórias; — utilizar luvas antivibração;
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 69 — executar práticas adequadas de trabalho que permitam manter as mãos e o corpo do trabalhador aquecidos, bem como minimizar o acoplamento mecânico entre o trabalhador e a ferramenta vibratória; — implantar programa de supervisão médica. CALOR 1 — Conceitos básicos Quando o trabalhador está exposto a uma ou várias fontes de calor, ocorrem as seguintes trocas térmicas entre o ambiente e o organismo: — Condução/Convecção — C. — Radiação — R. —Evaporação—E. — Metabolismo — M. a) Condução É o processo de transferência de calor que ocorre quando dois corpos sólidos ou fluido que não está em movimento, a diferentes temperaturas, são colocados em contato. O calor do corpo de maior temperatura transfere-se para o de menor até que haja um equilíbrio térmico, isto é, quando a temperatura dos corpos igualar- se. Ex.: aquecimento de uma barra de ferro. b) Convecção É o processo de transferência de calor idêntico ao anterior, mas, neste caso, a transferência de calor realiza-se através de fluido em movimento. Ex.: aquecimento de um becker com água. c) Radiação Quando há transferência de calor sem suporte material algum, o processo é denominado radiação. A energia radiante passa através do ar sem aquecê-lo apreciavelmente e aquecerá a superfície atingida. A energia radiante passa através do vácuo ou de outros meios a uma velocidade que depende do meio. Ex.: radiação emitida por um forno elétrico. d) Evaporação É o processo de transformação de um líquido, a determinada temperatura, para a fase gasosa, passando, portanto, para o meio ambiente. Não é necessário diferença de temperatura para desenvolvimento do processo. O calor transferido
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 70 desta forma é chamado calor latente, diferenciando-se assim do que se transmite através de variação de temperatura, que é chamado calor sensível. No fenómeno de evaporação, o líquido retira calor do sólido para passar a vapor, podendo-se, portanto, afirmar que o sólido perderá calor para o meio ambiente por evapora- ção. Ex.; suor emanado após uma atividade física (jogar futebol). e) Metabolismo É o calor gerado pelo metabolismo basal resultante da atividade física do trabalhador. Quanto mais intensa for a atividade física, maior será o calor produzido pelo metabolismo. 2 — Equilíbrio homeotérmico Os mecanismos de termorregulação do organismo têm como finalidade manter a temperatura interna do corpo constante, sendo evidente que haja um equilíbrio entre a quantidade de calor gerado no corpo e sua transmissão para o meio ambiente. A equação que descreve o estado de equilíbrio denomina-se balanço térmico: M±C±R-E=S Onde: M = Calor produzido pelo metabolismo. C = Calor ganho ou perdido por condução-convecção. R = Calor ganho ou perdido por radiação. E = Calor perdido por evaporação. S = Calor acumulado no organismo (sobrecarga térmica). O organismo encontrar-se-á em equilíbrio térmico quando S for igual a zero. 2.1 — Fatores que influem nas trocas térmicas entre o ambiente e o organismo A complexidade do estudo do calor reside no fato de haver diversos fatores variáveis, que influenciam nas trocas térmicas entre o corpo humano e o meio ambiente, definindo, dessa forma, a severidade da exposição ao calor. Dentre os inúmeros fatores que influenciam nas trocas térmicas, cincos principais devem ser considerados na quantificação da sobrecarga térmica: — temperatura do ar; — umidade relativa do ar; —velocidade do ar; —calor radiante; —tipo de atividade;
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 71 a) Temperatura do ar Como foi observado anteriormente, é necessário que haja um gradiente de temperatura para que possibilite os mecanismos de troca térmica: condução, convecção e radiação. Desse modo, o sentido de transmisão de calor dependerá de defasagem positiva ou negativa entre a temperatura do ar e a temperatura da pele. Se a temperatura do ar for maior que a da pele, o organismo ganhará calor por condução-convecção, e se a temperatura do ar for menor que a da pele, o organismo perderá valor por condução-convecção. A quantidade de calor ganha ou perdida é diretamente proporcional à defasagem entre as temperaturas. b) Umidade relativa do ar Este parâmetro influi na troca térmica entre o organismo e o ambiente pelo mecanismo de evaporação. Desse modo, a perda de calor no organismo por evaporação dependerá de umidade relativa do ar, isto é, da quantidade de água presente numa determinada quantidade de ar. Sabe-se que o organismo humano perde em média 600 kcal/h pela evaporação do suor, isto se a umidade relativa for 0%. Quanto maior a umidade relativa (maior saturação de água no ar), menor será a perda de calor por evaporação. c) Velocidade do ar A velocidade do ar no ambiente pode alterar as trocas, tanto na condução e convecção como na evaporação. Quando há aumento de velocidade do ar no ambiente, haverá aceleração da troca de camadas de ar mais próximas ao corpo, aumentando, desse modo, o fluxo de calor entre este e o ar. Se há maior velocidade do ar, haverá substituição mais rápida das camadas de ar mais saturadas com água e substituição por outras menos saturadas, favorecendo, então, a evaporação. É importante verificar o sentido de transmissão de calor, pois o aumento de velocidade do ar poderá favorecer ou desfavorecer o ganho de calor pelo organismo, dependendo se o gradiente de temperatura é positivo ou negativo. Assim, se a temperatura do ar for menor que a do corpo, o aumento da velocidade do ar favorecerá a perda de calor do corpo para o meio; caso contrário, o corpo ganhará mais calor com o aumento da velocidade do ar. No caso de evaporação, o aumento de velocidade do ar sempre a favorecerá.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 72 d) Calor radiante Quando um indivíduo encontra-se em presença de fontes apreciáveis de calor radiante, o organismo ganhará calor pelo mecanismo de radiação. Caso não haja fontes de calor radiante ou se estas forem controladas, o organismo humano poderá perder calor pelo mesmo mecanismo. e) Tipo de atividade Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, tanto maior será o calor produzido pelo metabolismo, constituindo, portanto, parte do calor total ganho pelo organismo. 3 — Efeitos do calor no organismo Quando o calor cedido pelo organismo ao meio ambiente é inferior ao recebido ou produzido pelo metabolismo total (metabolismo basal + metabolismo de trabalho), o organismo tende a aumentar sua temperatura, e para evitar esta hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo) são colocados em ação alguns mecanismos de defesa, quais sejam: — Vasodilatação periférica: Com o aumento do calor ambiental, o organismo humano promove a vasodilatação periférica, no sentido de permitir maior troca de calor entre o organismo e o ambiente. — Ativação das glândulas sudoríparas: Há aumento do intercâmbio de calor por mudança do suor do estado líquido para vapor. Caso a vasodilatação periférica e a sudorese não sejam suficientes para manter a temperatura do corpo em torno de 37°C, há consequências para o organismo que podem manifestar-se das seguintes formas: — Exaustão do calor: Com a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta ao calor, há uma insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral, resultando numa baixa pressão arterial. — Desidratação: A desidratação provoca principalmente a redução do volume de sangue, promovendo a exaustão do calor. — Cãibras de calor: Na sudorese, há perda de água e sais minerais, principalmente o NaCI (cloreto de sódio). Com a redução desta substância no organismo, poderão ocorrer espasmos musculares e cãibras. — Choque térmico: Ocorre quando a temperatura do núcleo do corpo atinge determinado nível, que coloca em risco algum tecido vital que permanece em contínuo funcionamento. Limites de tolerância Ver: Anexo III, NR-15, da Portaria n. 3.214
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 73 Instrumentos de medição 1) Termômetro de globo (Tg): O termômetro de mercúrio deve ser fixado no interior do orifício da rolha e ambos inseridos no globo. A rolha deve ser fixada no globo com certa pressão, a fim de não se soltar durante o uso. A posição relativa entre termômetro e rolha deve ser tal que, após montado no globo, o bulbo do termômetro fique posicionado no centro da esfera. 2) Termômetro de bulbo úmido natural (Tbn): O termômetro de mercúrio deve ser montado na posição vertical revestido com uma camisa de algodão branca deverá envolver totalmente o bulbo de mercúrio. Na montagem, verificar que a distancia entre a extremidade do bulbo (revestido pela camisa) e a lâmina d’água destilada contida no erlenmeyer deve ser de 25 mm ou de 2,5 cm. No momento da utilização do sistema, umedecer o pano totalmente com água destilada e encher o erlenmeyer até a extremidade com água destilada. 3) Termômetro de bulbo seco (Tbs): Estes termômetros devem ser montados em um tripé, devendo ficar no mesmo plano horizontal. 4) Medidor eletrônico de calor Atualmente o uso de medidor de calor eletrônico vem substituindo os termômetros convencionais. O principio de funcionamento é o mesmo, porém a precisão é maior. Além disso, esses equipamentos fornecem os valores tbn, tg e tbs, isoladamente, e o calculo do IBUTG. A figura abaixo ilustra um medidor eletrônico de calor:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 74 Medidas de controle O calor, como todo agente ambiental, deve ser controlado primeiramente na fonte ou na trajetória, constituindo medidas aplicáveis ao ambiente. Não sendo possível este tipo de controle, por razões de ordem técnica ou económica, devem ser adotadas medidas aplicáveis ao trabalhador. A finalidade das medidas de controle é, obviamente, procurar diminuir a quantidade de calor que o organismo produz ou recebe e a possibilidade de dissipá-lo. Medidas relativas ao ambiente É necessária uma avaliação precisa de todos os fatores que atuam na sobrecarga térmica para que se possa minimizar a quantidade de calor que o organismo produz ou recebe. Assim, as medidas devem visar, de preferência, ao fator que mais contribui para a sobrecarga térmica, conforme a equação do equilíbrio homeotérmico: M±C±R=E 1) Metabolismo Muitas vezes é difícil influir sobre o calor produzido pelo metabolismo. A mecanização (automatização) da operação, a fim de minimizar o esforço físico do trabalhador, acarreta a diminuição da sobrecarga térmica. Em determinadas situações, a automatização completa das operações eliminará o problema.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 75 2) Convecção A redução da temperatura do ar diminui este fenômeno, e isso é conseguido por meio de insuflação de ar fresco, com velocidade adequada e, em certos casos, com exaustão de ar quente. Se a insuflação de ar fresco é inviável, o aumento da velocidade do ar pode ser obtido pela simples circulação do ar feita por ventiladores, com velocidades apropriadas. Deve ser salientada a importância da localização adequada dos ventiladores, a fim de evitar que circule ar das zonas mais quentes para as zonas adjacentes mais frias. 3) Radiação A redução deste fator é de grande importância para a diminuição da sobrecarga térmica. Para reduzir o calor radiante, a medida mais eficiente é a utilização de barreiras que reflitam os raios infravermelhos. O alumínio polido é muito eficiente para esta finalidade. Nos casos em que é necessária a visão através da barreira, existem vidros especiais que refletem os raios infravermelhos, bem como filmes especiais que podem ser aplicados sobre o vidro comum com a mesma finalidade. A manutenção contínua das barreiras é de suma importância, pois a ação de produtos químicos agressivos faz com que elas percam a propriedade de reflexão. Quando isso ocorre, elas passam a absorver a radiação incidente, tornando-se fontes emissoras de calor radiante e, conseqüentemente, reduzindo sua eficácia como medida de controle. As barreiras devem ser localizadas entre o trabalhador e a fonte de calor, e nunca posicionadas atrás dele, mesmo que visem à proteção de outros indivíduos. Se o trabalhador permanecer entre a fonte de calor radiante e a barreira, a sobrecarga térmica a que está exposto pode, em certos casos, sofrer aumentos significativos. 4) Evaporação Devem ser criadas condições que favoreçam a evaporação do suor e também auxiliem na manutenção do equilíbrio térmico, aumentando a Emáx. (máxima capacidade evaporativa da pele). Existem limitações fisiológicas (no máximo 1 litro de suor/hora ao que corresponde a uma perda por evaporação de 2400 BTU/h ou 605 kcal/h), além das ambientais para a perda de calor por este processo. As condições ambientais podem ser modificadas, favorecendo o fenômeno da evaporação, por intermédio das seguintes medidas: Redução da umidade relativa do ar— Nos casos de fontes localizadas de vapor d'água, recomenda-se ventilação local exaustora.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 76 Aumento na movimentação do ar— O aumento da velocidade do ar favorece a evaporação do suor, no entanto, esta medida deverá ser estudada cuidadosamente quando a temperatura for superior a 35,0°C, uma vez que o ganho de calor por convecção poderá contribuir para o aumento da sobrecarga térmica. O quadro, a seguir, relaciona algumas medidas que podem ser adotadas com os correspondentes fatores alterados produzidos pelo metabolismo: Medidas relativas ao homem Na solução de um problema de higiene industrial, devem ser consideradas, em primeiro lugar, as medidas relativas ao ambiente, sendo complementadas, às vezes, pelas medidas relativas ao pessoal. Em determinados casos, por razões de ordem técnica, as únicas medidas aplicáveis são as relativas ao pessoal, que podem ser bastante eficazes. Há uma série de medidas que podem ser aplicadas diretamente ao trabalhador, com o objetivo de minimizar a sobrecarga térmica. Dentre elas, destacam-se: 1) Aclimatização A aclimatização do calor constitui uma adaptação fisiológica do organismo a um ambiente quente. Esta medida é de fundamental importância na prevenção dos riscos decorrentes da exposição ao calor intenso. A aclimatização será total em, aproximadamente, duas semanas. É importante mencionar que a perda de cloreto de sódio pela sudorese será menor no indivíduo aclimatizado, ou seja, ocorre o equilíbrio dos sais numerais nas células do corpo.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 77 2) Limitação do tempo de exposição Esta medida consiste em adotar um período de descanso, visando a reduzir a sobrecarga térmica a níveis compatíveis com o organismo humano. Como se pode observar no índice analisado (IBUTG), a limitação do tempo de exposição é medida de controle sempre presente. Quando os tempos de exposição não forem compatíveis com as condições de trabalho observadas, deve-se promover um reestudo dos procedimentos de trabalho, no sentido de determinar um regime de trabalho-descanso que atenda aos limites recomendados. 3) Exames médicos Recomenda-se a realização de exames médicos pré-admissionais com a finalidade de detectar possíveis problemas de saúde que possam ser agravados com a exposição ao calor, tais como problemas cardiocirculatórios, deficiências glandulares (principalmente glândulas sudoríparas), problemas de pele, hipertensão, etc. Tais exames permitem selecionar um grupo adequado de profissionais que reúna condições para executar tarefas sob o calor intenso. Exames periódicos também devem ser realizados com a finalidade de promover um contínuo acompanhamento dos trabalhadores expostos ao calor, a fim de identificar-se estados patológicos em estágios iniciais. 4) Equipamentos de proteção individual Existe no mercado uma grande variedade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os mais diversos usos e finalidades. Deve-se, portanto, fazer uma escolha adequada, objetivando-se ao maior grau de eficiência e conforto. As vestimentas dos trabalhadores devem ser confeccionadas com tecido leve e de cor clara. Para situações de exposições críticas, existem diversos tipos de vestimentas para o corpo inteiro, sendo que algumas possuem sistema de ventilação acoplado. 5) Educação e treinamento São de fundamental importância a educação e o treinamento dos trabalhadores expostos ao calor intenso. A orientação quanto à prática correta de suas tarefas pode, por exemplo, evitar esforços físicos desnecessários ou longo tempo de permanência próximos à fonte. Deve-se conscientizar o trabalhador sobre o risco que representa a exposição ao calor intenso, educando-o quanto ao uso correio dos equipamentos de proteção individual, alertando-o sobre a importância de asseio pessoal e promovendo a utilização e manutenção correia das medidas de proteção no ambiente.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 78 FRIO Equilíbrio homeotérmico Conforme demonstrado anteriormente no item calor, as trocas térmicas entre o organismo e o ambiente dependem de: —temperatura do ar; — velocidade do ar; — variação do calor radiante. Esses fatores influenciam no equilíbrio homeotérmico do corpo, de acordo com a seguinte equação: M±C±R-E=S Onde: M = Calor produzido pelo metabolismo. C = Calor ganho/perdido por condução/convecção. R = Calor ganho/perdido por radiação. E = Calor perdido por evaporação. S = Calor no núcleo do organismo. O desequilíbrio térmico (exposição ao frio), segundo a equação anterior, apresentar-se-á quando o valor de S for inferior a zero, ou seja, o corpo estará perdendo calor para o ambiente, podendo ocorrer a hipotermia. O aspecto mais importante na hipotermia, e que poderá trazer a morte, é a queda da temperatura profunda do corpo. Deve-se proteger os trabalhadores do submetimento ao frio, de modo que a temperatura profunda do corpo não caia a menos de 36°C. Efeitos do frio no organismo O vasoconstrição periférico é a primeira resposta do organismo para tentar realizar uma regularização entre perda e ganho de calor, ou seja, o fluxo sanguíneo é reduzido na mesma proporção que o abaixamento da temperatura. Esse abaixamento acarretará, quando a temperatura corpórea chega a 35°C, numa diminuição gradual de todas as atividades fisiológicas, tais como frequência do pulso, pressão arterial e taxa metabólica. Em contrapartida, o corpo reage de forma que o indivíduo começa a tremer compulsivamente para produzir calor
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 79 (aumento da atividade muscular). Se isto não for suficiente para produzir o calor necessário, o corpo continuará a perder calor e, por volta dos 29"C, o hipotálamo perde sua capacidade termorreguladora, e as células cerebrais deprimem-se, conseqüentemente o indivíduo pode entrar em sonolência e posterior coma, ou seja, o indivíduo adquire o quadro de hipotermia. Além da hipotermia, vários outros estados patológicos, conhecidos como lesões do frio, podem afetar o trabalhador. Dentre eles, destacam-se: — Enregalamento dos membros, que poderá levar à gangrena e amputação destes. — Pés de imersão: quando os trabalhadores permanecem com os pés umedecidos ou imersos em água fria por longos períodos, produzindo estagnação do sangue, paralisação dos pés e pernas. — Ulcerações do frio: feridas, bolhas, rachaduras e necrose, que poderão ocorrer devido à exposição ao frio intenso. Além disso, o frio interfere na eficiência do trabalho e incidência de acidentes, além de desencadear inúmeras doenças reumáticas e respiratórias. Limites de tolerância Pouco se conhece sobre a quantificação do frio, embora os mesmos fatores ambientais analisados no estudo do calor influam na intensidade da exposição ao frio. Tem-se construído modelos engenhosos que procuram simular o processo que envolve a perda de calor, realizando-se experiências no interior de câmaras frias. No entanto, até o presente momento, todos os índices de stress por frio têm limitações, mas em condições adequadas proporcionam informações úteis, como veremos no item seguinte. Embora a legislação brasileira não fixe limites de tolerância para exposição ao frio, a ACGIH estabelece limites para exposição a este agente em função da velocidade do ar, temperatura de bulbo seco, ob-tendo-se índice de temperatura equivalente de resfriamento, valor este que determina o grau de risco da exposição. Além disso, a ACGIH estabelece alternância trabalho/descanso, num período de 4 (quatro) horas, em função de velocidade do ar, temperatura e tipo de atividades. Além dos limites estabelecidos pela ACGIH, poderá ser utilizado como parâmetro o quadro abaixo, que leva em consideração a temperatura de bulbo seco, zona climática onde atua o trabalhador e fornece a máxima exposição diária permissível, de acordo com o estabelecido no art. 253 da CLT.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 80 2) Vestimentas de trabalho É necessário que o isolamento do corpo pela vestimenta de trabalho seja satisfatório e que a camada de ar compreendida entre a pele e a roupa elimine parcialmente a transpiração para que haja uma troca regular de temperatura. 3) Regime de trabalho Quando a exposição ao frio é intensa, o trabalhador deve ter em mente que será necessário intercalar períodos de descanso em local termicamente superior ao local frio, de forma que mantenha uma resposta termorreguladora satisfatória do corpo humano. 4) Exames médicos Na seleção de pessoal para execução de trabalhos em locais de frio intenso, deve-se realizar exames médicos pré-admissionais para se conhecer o histórico ocupacional do indivíduo e saber se este é portador de diabetes, epilepsia, se é fumante, alcoólatra, se já sofreu lesões por exposição ao frio, se apresenta problema no sistema circulatório, etc. Tais trabalhadores, em hipótese alguma, deverão expor-se a trabalhos sob frio intenso. Rotineiramente, deverão ser realizados exames médicos periódicos para controle e verificação, com antecedência, de problemas da exposição ao frio.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 81 5) Educação e treinamento Todo trabalhador que for executar atividades sob frio intenso deverá ser instruído sobre os riscos nesta condição, bem como ser treinados quanto ao uso de proteções adequadas (vestimentas, luvas, etc.) e rotinas de trabalho (tempo/local de trabalho x tempo/local de descanso). UMIDADE A umidade está presente em ambientes que possuem áreas alagadiças, águas represadas, águas correntes, etc. Perto ou no local das atividades. Antes da terminação do perigo que um ambiente pode apresentar é preciso efetuar as devidas medições para a comprovação do ambiente úmido. As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcadas, com umidades excessivas, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, são situações insalubres e devem ter a atenção dos prevencionistas por meio de verificações realizadas nesses locais para estudar a implantação de medida de controle – NR 15 – anexo nº 9. A exposição do trabalhador à umidade pode acarretar doenças do aparelho respiratório, quedas, doenças de pele, doenças circulatórias, entre outras. A temperatura do corpo pode baixar quando um indivíduo se encontra em condições de umidade e provocar também a hipotermia e o amolecimento da pele. Para o controle da exposição do trabalhador à umidade podem ser tomadas medidas de proteção coletiva (como o estudo de modificações no processo do trabalho, colocação de estrados de madeira, ralos para escoamento) e medidas de proteção individual (como o fornecimento do EPI - luvas de borracha, botas de borracha cano longo, avental). RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES Conceituação O espectro eletromagnético é um conjunto de todas as formas de energia radiante. Em sua forma mais simples, a radiação eletromagnética consiste em ondas elétricas vibratórias que se transladam no espaço acompanhadas por um campo magnético vibratório, com as características de um movimento ondulatório. As características das radiações eletromagnéticas são a frequência, comprimento de onda e energia. A radiação eletromagnética pode atuar como partículas discretas de energia (quantum), tendo o quantum um valor definido de energia e momento. O espectro eletromagnético engloba desde a radiação ionizante de grande energia, com frequências elevadas e comprimentos de onda menores, a
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 82 radiações não ionizantes, com baixas frequências e comprimentos de onda maiores. A região não ionizante do espectro eletromagnético é aquela onde a energia das partículas incidentes é insuficiente para desalojar elétrons dos tecidos do corpo humano. À medida que diminui o nível de energia das partículas incidentes, cessa a ionização. No espectro eletromagnético, podemos distinguir diferentes regiões espectrais, conforme esquema abaixo: As radiações não ionizantes englobam: radiação ultravioleta, radiação visível e infravermelha, laser, microondas e radiofreqüências. Podem incluir-se os ultra- sons, já que os riscos produzidos por eles são similares aos da radiação não ionizante, devido à sua natureza ondulatória e alta freqüência. As radiações ionizantes englobam: raios x, raios y, partículasa, B, e nêutrons. Normalmente a emissão de uma radiação ionizante estará acompanhada de outras radiações. Parte das radiações ionizantes está incluída no espectro eletro-magnético, tais como os raios x e y, que não têm carga elétrica nem massa. Outras radiações ionizantes têm natureza corpuscular, isto é, são partículas o. com massa e carga definidas.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 83 Efeitos no organismo a) Radiações ionizantes Os efeitos das radiações ionizantes podem ser somáticos (não se transmitem hereditariamente) ou genéticos (transmitem-se hereditaria-mente). A resposta dos diferentes órgãos e tecidos à radiação é variável, tanto com o tempo de aparecimento como na gravidade dos sintomas. Assim, poderão ocorrer alterações no sistema hematopoiético (perda de leucócitos, diminuição do número de plaquetas, anemia); no aparelho digestivo (inibição da proliferação celular, diminuição ou supressão de secreções); na peie (inflamação, eritema e descamação); no sistema reprodutor (redução da fertilidade ou esterilidade); nos olhos; no sistema cardiovascular (pericardites); no sistema urinário (fibrose renal); e no fígado (hepatite de radiação). b) Radiações não ionizantes 1) Radiação ultravioleta Quando incidente sobre o organismo, pode ser remetida, transmitida ou absorvida e produzir reações fotoquímicas e efeito biológico do tipo térmico. O grau de penetração da R-UV depende do comprimento de onda e do grau de pigmentação da pele; com relação aos olhos, são absorvidas pela córnea e cristalino. As radiações UV-B e C penetram unicamente na epiderme e as UV-A podem atingir a derme, podendo produzir lesões em terminações nervosas. Os efeitos das R-UV podem ser escurecimento da pele, eritemas, pigmentação retardada, interferência no crescimento celular, perda de elasticidade da pele, queratose actínica e até mesmo câncer de pele. A ação mais frequente das R-UV sobre os olhos é a fotoqueratose. 2) Radiação visível A radiação visível engloba a região do espectro entre 400 e 750 nm, podendo ser remetida, transmitida ou absorvida pelo organismo, produzindo efeitos fotoquímicos e térmicos. A exposição a altos níveis de brilho pode produzir perda da acuidade visual, fadiga ocular e ofuscamento. 3) Radiação infravermelha A radiação infravermelha engloba parte do espectro, desde a luz visível até as microondas e. devido a seu baixo poder energético, produz unicamente efeitos térmicos. As lesões pela exposição a esta radiação podem aparecer na pele e olhos, causando queimaduras e aumento de pigmentação da pele, lesões e opacidade na córnea.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 84 4) Microondas e radiofreqüências Possuem poder energético muito baixo, mas uma capacidade de penetração grande, produzindo no interior da matéria campos magnéticos com efeitos térmicos. As microondas encontram-se na região do espectro eletromagnético entre 1 e 1000 nm e as radiofreqüências entre 1 e 3 m, e seus efeitos no organismo dependerão da capacidade de absorção da matéria e da intensidade dos campos elétricos e magnéticos que se produzem no seu interior; em geral, existe um aumento da temperatura corporal que dependerá de qual parte do corpo foi exposta. De maneira geral, quanto maior a frequência, menor será o perigo. As microondas superiores a 3000 MHz são facilmente absorvidas pela pele e as de menor frequência podem penetrar na superfície externa da pele. 5) Laser A palavra laser é um acrônimo de LightAmplification byStimulated Emission of fíadiation. As emissões estimuladas produzem uma superposição de ondas, resultando outra onda perfeita, muito estrita e de larga duração. Existem quatro tipos de classes de lasers, segundo os possíveis perigos, sendo os de classe l menos perigosos e os de classe IV mais perigosos. Os riscos em operações com lasers dependem do tipo de laser e das características do entorno de trabalho. Os riscos da radiação /aserestão limitados aos olhos, variando os efeitos adversos produzidos em diferentes regiões espectrais; mesmo assim podem atingir de maneira pequena a pele. Ocorrências a) Radiações ionizantes As radiações ionizantes são largamente utilizadas na medicina para diagnósticos médico e odontológico e tratamento de doenças; e em atividades industriais, para medição de nível de silos, densidade de polpas, análises laboratoriais, radiografia industrial, entre outros. b) Radiações não ionizantes 1) Radiação ultravioleta A principal fonte natural é o sol e as artificiais são as lâmpadas de vapor de mercúrio, de hidrogénio e deutério, arcos de soldagem, lâmpadas incandescentes, fluorescentes e mistas.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 85 2) Radiação visível Podem ser de origem natural (sol) e artificial (lâmpadas e corpos incandescentes e arcos de soldagem, tubos de néon, fluorescentes, entre outros). 3) Radiação infravermelha A principal fonte natural é o sol e dentre as artificiais podemos citar os corpos incandescentes e superfícies muito quentes, as chamas, as lâmpadas incandescentes, fluorescentes ou descargas de alta intensidade. 4) Microondas e radiofreqüências A radiação de microonda e radiofreqüência produz-se de forma natural, principalmente pela eletricidade atmosférica, que é estática, embora de intensidade muito baixa. As fontes de MO e RF artificiais podem estar presentes nas estações de rádio e televisão, radares e sistemas de telecomunicação, além de fornos de microondas e equipamentos utilizados em processos de soldagem, fusão e esterilização. 5) Laser Os equipamentos a laser são utilizados no tratamento de doenças e em cirurgias. Limites de tolerância a) Radiações ionizantes O Anexo V da NR-15, Portaria n. 3.214, estabelece que nas atividades ou operações em que os trabalhadores ficam expostos a radiacoes ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controle básicos para a proteção do homem e do meio ambiente, contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE 3.01, de julho de 1988, aprovada, em caráter experimental, pela Resolução CNEN n. 12/88, ou daquela que venha a substituí-la. b) Radiações não ionizantes O Anexo Vil da NR-15, Portaria n. 3.214/78, não estabelece limites de tolerância para esse tipo de radiação, caracterizando a insalubridade pela avaliação qualitativa, conforme transcrição a seguir: "1) Para os efeitos desta norma, são radiações não ionizantes as microondas, ultravioletas e /aser.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 86 2) As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres, em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. 3) As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa 400-320 nanômetros) não serão consideradas insalubres." Já a NR-9, Portaria n. 3.214/78, diferentemente da NR-15, não restringe as radiações que serão consideradas não ionizantes, ao contrário, amplia o conceito incluindo nessa classificação o infra-som e o ultra-som. Critério ACGIH A ACGIH, cujos valores-limites são aceitos internacionalmente, estabelece limites de tolerância para radiações ionizantes e não ioni-zantes em suas diferentes formas, incluindo, ainda, o ultra-som. Faremos, a seguir, um breve comentário sobre os limites propostos, devendo o leitor consultar a ACGIH para aprofundar- se no assunto. a) Radiações ionizantes A ACGIH estabelece limites de tolerância para as radiações ionizantes determinando doses efetivas e equivalentes anuais em função da parte do corpo atingida, evitando sempre qualquer exposição desnecessária à radiação. As radiações ionizantes incluem radiação corpuscular e radiação eletromagnética com energia superior a 12,4 elétrons-volts (eV), correspondendo a um comprimento de onda inferior a aproximadamente 100 nm. b) Radiações não ionizantes 1) Radiação ultravioleta Os limites estabelecidos pela ACGIH referem-se à radiação ultravioleta da região espectral entre 180 e 400 nm; os valores para exposição ocular e da pele aplicam-se à R-UV oriundas de arcos, descargas gasosas e em vapor, fontes incandescentes e fluorescentes e radiação solar, porém não se aplicam a lasers. Os limites de tolerância são fixados em função do comprimento de onda e eficiência espectral, para exposição no período de 8 (oito) horas. Há, ainda, tabela especificando o tempo máximo de exposição diária em função de irradiância efetiva.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 87 2) Radiação visível e infravermelho próximo Os limites de exposição referem-se a valores para radiação visível e infravermelho próximo, com comprimentos de onda compreendidos entre 400 e 3000 nm, e representam condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa ser exposta sem efeitos adversos à saúde. Como parâmetro para o limite de exposição ocular ocupa-cional próximo de banda larga, aplica-se a exposição ocorrida em qualquer jornada de trabalho de 8 (oito) horas e requer o conhecimento da radiância espectral e irradiância total da fonte, medidas na posição dos olhos do trabalhador. 3) Microondas e radiofreqüências Os limites de tolerância estabelecidos referem-se à radiação de radiofreqüéncia (RF) e microonda nas faixas de frequência entre 30 qui-lohertz (kHz) e 300 gigahertz(GHz), e são dados em termos de raiz média quadrática (ms) da intensidade de campos elétricos (E) e magnéticos (H) de densidade equivalente de potência para ondas planas em espaço livre (S) e de correntes induzidas (l) no corpo, as quais possam estar associadas com a exposição a tais campos como função da frequência f, em megahertz (MHz). Os limites de tolerância estão especificados em tabelas e gráficos em função dos parâmetros acima citados. 4) Laser Os lasers têm um rótulo afixado pelo fabricante, o qual descreve a subclasse de risco. Normalmente não é necessário determinar as ir-radiâncias do laser ou as exposições radiantes para comparação com os limites de tolerância. Na prática, os riscos para os olhos e pele podem ser controlados pela adoção de medidas de controle apropriadas para cada classificação de laser. Os limites de tolerância são apresentados na ACGIH em gráficos de limite para visão de irradiância, duração da exposição e comprimento de onda. 5) Campos magnéticos estáticos As exposições ocupacionais de rotina não devem exceder a 60 militesla (mT), equivalente a 600 graus (G) corpo inteiro ou 600 mT (6000 G) para os membros, sobre uma base diária, média ponderada no tempo. Os valores-teto são 2T para corpo inteiro e 5T para os membros.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 88 6) Campos magnéticos de subfreqüência Os limites de exposição referem-se a amplitudes de fluxo magnético (B) de campos magnéticos de subfreqüência na faixa de frequência de 30 kHz e abaixo, às quais se acredita que a maioria dos trabalhadores pode estar repetidamente exposta sem efeitos adversos à saúde. É também estabelecido valor-teto de 0,2 mT para frequências na faixa entre 300 Hz e 30 kHz, para exposições localizadas e de corpo inteiro. Para frequências abaixo de 300 Hz, o limite de tolerância para extremidades do corpo pode ser aumentado por um fator de 10 (dez) para mãos e 5 (cinco) para braços e pernas. A 30 kHz o limite de tolerância é de 0,2 mT, o qual corresponde a uma intensidade de campo magnético de 160 A/m. 7) Subfreqüéncia (30 kHz e abaixo) e campos eletrostáticos Os limites de tolerância referem-se às magnitudes máximas de campo não protegido no local de trabalho, compreendendo campos elétricos de sub- radiofreqüência e campos eletrostáticos, que representam as condições em que a maioria dos trabalhadores possa ser exposta repetidamente sem efeitos adversos à saúde. As exposições ocupacionais não devem exceder a intensidade de campo de 25 KV/m de OHZ(DC) a 100 Hz. A ACGIH estabelece ainda limites de tolerância para o ultra-som, incluído na NR- 9 como sendo radiação não ionizante. Os limites foram estabelecidos de modo que a maioria dos trabalhadores, se repetidamente exposta a essas condições, não sofreria efeitos adversos em sua capacidade auditiva e compreensão de conversação. Os limites de exposição para 8 (oito) horas são uma extensão dos limites de exposição para o ruído, que consideram 8 (oito) horas para 85 dB(A). Os valores-teto devem ser verificados através da utilização de um medidor de nível de pressão sonora com resposta lenta e bandas de um terço de oitava. Avaliação das radiações A radiação ionizante pode ser avaliada no ambiente utilizando-se o contador Geiger ou, individualmente, com os dosímetros de filmes de bolso. Já para radiação não ionizante, os medidores são específicos para cada tipo de radiação (microondas, laser e ultravioleta). Medidas de controle As medidas de controle das radiações, entre outras, são: 1) Radiação ionizante — controle da distância entre o trabalhador e a fonte; — blindagem; — limitação de tempo de exposição;
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 89 — impedir que fontes radioativas atinjam vias de absorção do organismo; — sinalização; — controle médico; — uso de barreiras; — limpeza adequada do ambiente de trabalho. 2) Microondas — enclausuramento das fontes; — uso de barreiras; — sinalização; — exames médicos. 3) Radiação ultravioleta — uso de barreiras; — equipamentos de proteção individual, tais como óculos com lentes filtrantes, roupas apropriadas para proteção do braço, tórax, mão e outros; — exames médicos. 4) Laser — EPI: protetores para os olhos, luvas protetoras, roupas, escudo; — sinalização; — blindagem; — treinamento. PRESSÕES ANORMAIS Pressões anormais são aquelas acima das existentes ao nível do mar, ou seja, são pertinentes às atividades de construção submarina, processos de mergulho, etc. Na construção de túneis e outros trabalhos executados sob o nível do mar pode-se prever a infiltração de água. Isto se dá porque as adaptações não são hermeticamente fechadas. EXISTEM DOIS TIPOS DE PRESSÕES ANORMAIS, CAUSADAS PELA VARIAÇÃO DA PRESSÃO ATMOSFÉRICA: •PRESSÃO HIPERBÁRICA •PRESSÃO HIPOBÁRICA. •Hipobárica: quando o homem está sujeito a pressões menores que a pressão atmosférica. Estas situações ocorrem a elevadas altitudes. (coceira na pele, dores musculares, vômitos, hemorragias pelo ouvido e ruptura do tímpano) •Hiperbárica: quando o homem fica sujeito a pressões maiores que a atmosférica. (mergulho e uso de ar comprimido).
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 90 MODELO DE CÂMARA HIPERBÁRICA, QUE PERMITE EQUILIBRAR A ADEQUAÇÃO DO CORPO HUMANO À PRESSÃO Há uma série de atividades em que os trabalhadores ficam sujeitos a pressões ambientais acima ou abaixo das pressões normais, isto é, da pressão atmosférica a que normalmente estamos expostos. Baixas pressões: são as que se situam abaixo da pressão atmosférica normal e ocorrem com trabalhadores que realizam tarefas em grandes altitudes. No Brasil, são raros os trabalhadores expostos a este risco. Altas pressões: são as que se situam acima da pressão atmosférica normal. Ocorrem em trabalhos realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração, caixões pneumáticos e trabalhos executados por mergulhadores. Ex: caixões pneumáticos, compartimentos estanques instalados nos fundos dos mares, rios, e represas onde é injetado ar comprimido que expulsa a água do interior do caixão, possibilitando o trabalho. São usados na construção de pontes e barragens. A exposição a pressões anormais, pode causar a ruptura do tímpano quando o aumento de pressão for brusco e a liberação de nitrogênio nos tecidos e vasos sangüíneos e morte. Por ser uma atividade de alto risco, exige legislação específica (NR-15 – anexo nº 6) a ser obedecida.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 91 3. AGENTES BIOLÓGICOS Agentes Biológicos são microrganismos que, em contato com o homem podem provocar inúmeras doenças. São considerados como agentes biológicos os bacilos, bactérias, fungos, protozoários, parasitas, vírus. Entram nesta classificação também os escorpiões, bem como as aranhas, insetos e ofídios peçonhentos. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais agentes. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios etc. Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microorganismos incluem se: TUBERCULOSE, BRUCELOSE, MALÁRIA, FEBRE AMARELA etc. Para que estas doenças possam ser consideradas DOENÇAS PROFISSIONAIS é necessário que haja exposição do funcionário a estes microorganismos. Classificação dos agentes biológicos de acordo com a NR 32 – Anexo I: - Grupo 1 - Os que apresentam baixa probabilidade de causar doenças ao homem; - Grupo 2 – Os que podem causar doenças ao homem e constituir perigo aos trabalhadores, sendo diminuta a probabilidade de se propagar na coletividade e para as quais existem, geralmente, meios eficazes de profilaxia ou tratamento; - Grupo 3 – Os que podem causar doenças graves ao homem e constituir um sério perigo aos trabalhadores, com risco de se propagarem na coletividade e existindo, geralmente, profilaxia e tratamento eficaz; - Grupo 4 – Os que causam doenças graves ao homem e que constituem um sério perigo aos trabalhadores, com elevadas possibilidades de propagação na coletividade e, para as quais, não existem geralmente meios eficazes de profilaxia ou de tratamento. A NR 15 – anexo nº 14 – Agentes Biológicos, relaciona as atividades que envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa. Medidas preventivas: É necessário que sejam tomadas medidas preventivas para que as condições de higiene e segurança nos diversos setores de trabalho sejam adequadas.  controle médico permanente;  uso do E. P. I. (Equipamento de Proteção Individual);  higiene rigorosa nos locais de trabalho;  hábitos de higiene pessoal; uso de roupas adequadas;  vacinação;  treinamento.  Adotar procedimentos de biossegurança e recomendações constantes na NR 32. Para que uma substância seja nociva ao homem é necessário que ela entre em contato com seu corpo. Existem diferentes vias de penetração no organismo humano com relação à ação dos agentes biológicos: cutânea (através da pele), digestiva (ingestão de alimentos) e respiratória (aspiração de ar contaminado).
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 92 4. RISCOS ERGONÔMICOS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO A NR-17 estabelece que as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. Nos locais onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, entre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no INMETRO; b) índice de temperatura efetiva entre 20°C (vinte graus centígrados) e 23°C (vinte e três graus centígrados); c) velocidade do ar não superior a 0,75 m/s; d) umidade relativa do ar não inferior a 40% (quarenta por cento). A seguir, serão analisados cada agente ambiental mencionado pela norma. Ruído Segundo a NR-17, para as atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, entre outros, porém não apresentam equivalência com a NBR 10152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 dB. A NBR 10152 da ABNT, norma brasileira registrada no INMETRO, estabelece níveis de ruído para conforto em ambientes diversos, conforme tabela que se segue:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 93 Notas: a) O valor inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto, enquanto o valor superior significa o nível sonoro aceitável para a finalidade. b) Níveis superiores aos estabelecidos nesta tabela são considerados desconfortáveis sem, necessariamente, implicar em riscos de dano à saúde. Observa-se que os limites para conforto são estabelecidos por curvas de compensação A e NC. A curva de compensação A representa os níveis de ruído ponderado nas freqüências. A curva NC é especifica para o conforto e exige a avaliação do nível de ruído nas freqüências em banda de oitava, conforme se segue: Com relação à metodologia de avaliação, a NR-17 determina que esta deve ser feita nos postos de trabalho próximos à zona auditiva, e as demais variáveis na altura do tórax do trabalhador, sendo o instrumento utilizado o mesmo medidor de nível de pressão sonora, como mostrado n,o Capítulo III, item 1.3, figura 1, p. 178. Convém ressaltar que os níveis estabelecidos pela NR-17visam ao conforto nos ambientes de trabalho, contudo, a não-conformidade não gera adicional de insalubridade, que se encontra regulamentado na NR-15.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 94 Entretanto, os níveis de ruído superiores aos previstos na NR-17 exigem medidas de controle. Estas medidas em geral são adotadas no ambiente, tais como isolamento; enclausuramento de salas, de forma que evite interferência do ruído de fundo; substituição de equipamentos, como, por exemplo, uma impressora matricial pela jato de tinta, entre outras. Temperatura efetiva/umidade relativa/velocidade do ar 1) Temperatura efetiva Este índice era adotado até 1978 para caracterização de insalubridade, tendo sido substituído pelo índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo — IBUTG, que é mais adequado para avaliação ocupacional do calor. O índice de temperatura efetiva é apropriado para verificação do conforto térmico, sendo sua medição realizada com os seguintes instrumentos: a) Psicrômetro Este instrumento consiste em 01 (nm) termômetro de bulbo úmido e outro de bulbo seco, montados paralelamente em um suporte giratório, conforme mostra a figura a seguir:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 95 c) Anemômetro Este instrumento é utilizado para medição da velocidade do ar com a utilização de um anemômetro ou termoanemômetro, conforme mostra a figura abaixo: Com os dados de temperatura de bulbo úmido (tbn), temperatura de bulbo seco (tbs) e velocidade do ar, obtém-se o índice de temperatura efetiva no ábaco que se segue: Exemplo: Numa avaliação de temperatura, foram obtidos os seguintes dados: Tbu = 25ºC Tbs = 30°C V = 0,5 m/s
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 96 Entretanto, com estes dados, conforme marcado no ábaco, o índice de temperatura efetiva é igual a 26,5°C. 2) Velocidade e umidade do ar A velocidade do ar é obtida diretamente com anemômetro ou termoanemômetro. conforme mostrado anteriormente. De acordo com a NR-17, nos ambientes de trabalho a velocidade do ar não poderá ser superior a 0,75 m/s. Com relação à umidade do ar, pode ser obtida utilizando-se os mesmos parâmetros do índice de temperatura efetiva. Com os valores das temperaturas do bulbo úmido e bulbo seco, a umidade é obtida através da carta psicrométrica, conforme figura que se segue: Observa-se pela carta psicrométrica que, para temperatura de bulbo seco de 43,0ºC e temperatura de bulbo úmido de 23,9ºC, a umidade relativa do ar é igual a 21,0%. Iluminação Avaliação dos níveis de iluminamento 1) Níveis mínimos de iluminação O subitem 17.5.3.3 da NR-17 dispõe:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 97 Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO. A NBR 5413 estabelece níveis mínimos de iluminação em lux para diversas atividades, tais como: BANCOS — Atendimento ao público.........................................................500 lux — Salas de datilografia .............................................................500 lux — Sala de recepção.................................................................. 150 lux BIBLIOTECAS — Sala de leitura........................................................................500 lux — Recinto das estantes ............................................................300 lux FUNDIÇÕES — Área de carregamento e enchimento ................................... 150 lux — Moldagem grosseira ......................................................200 lux — Limpeza e acabamento................................................. 200 lux — Inspeção (material de precisão).................................. 1000 lux USINAS DE AÇO — Forjas ............................................................................200 lux Portanto, os leitores devem consultar a referida norma, quando da avaliação de iluminamento. b) Aparelhos de medição/metodologia O iluminamento é medido por aparelhos comparadores, por fotômetros portáteis e, de modo mais prático, pêlos luxímetros que, embora não muito precisos, dão resultados satisfatórios. Estes aparelhos recorrem em geral ao efeito fotoelétrico característico de certos metais ou óxidos metálicos. Os tipos variam segundo o material sensível empregado. A figura abaixo ilustra um luxímetro:
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 98 A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência (subitem 17.5.3.4). O campo de trabalho é toda região do espaço onde, para qualquer superfície nela situada, se exige condições de iluminamento apropriadas ao trabalho visual a ser realizado. Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4, este será um plano horizontal a 0,75 m (setenta e cinco centímetros) do piso (subitem 17.5.3.5). Medidas corretivas A iluminação adequada dos locais de trabalho é importante, pois proporciona maior velocidade na observação dos detalhes, menor cansaço visual, menor percentual de refugos, melhor conforto e eficiência na execução das tarefas. Assim, para obter-se uma boa iluminação é necessário observar o seguinte: 1) Quantidade de luminárias Deve ser instalado o número adequado de luminárias, a fim de atingir o nível de iluminamento necessário. A quantidade de luminárias necessárias é determinada através da elaboração de iluminação, levando-se em consideração todas as variáveis do ambiente que influem nesta. É importante posicionar as luminárias de acordo com o layout, de forma que se aproveite ao máximo o fluxo luminoso.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 99 2) Distribuição e localização das luminárias As luminárias devem ser dispostas no ambiente de forma que proporcionem uma iluminação homogénea, devendo ser adequada ao arranjo físico do local. As luminárias devem, ainda, ser localizadas de forma que não criem sombras ou contrastes nos locais onde se objetivar à iluminação. 3) Manutenção Periodicamente, deve ser feita a limpeza das luminárias, para evitar acúmulo de poeiras, aumentando desta forma o fluxo luminoso. A reforma das luminárias ou substituição de lâmpadas queimadas ou com defeito são indispensáveis para manutenção da boa iluminação. 4) Cores adequadas As cores das superfícies existentes nos locais de trabalho, tais como tetos, paredes, máquinas, mesas de trabalho, devem ser escolhidas de forma que possuam uma refletância adequada. Superfície Refletância Recomendada Teto 80% Paredes 60% Mesas e bancadas 35% Máquinas e equipamentos 25% a 30% Pisos 15% Definição de refletância: Define-se refletância de uma superfície como sendo a percentagem de luz refletida do total incidente sobre esta superfície. A seguir, quadro com refletância de determinadas cores de tetos e paredes: Refletância Teto Branco – 75% Parede Clara – 50% Parede Branca – 50% Parede Clara – 30% Parede Escura – 10% 5) Variação brusca do nível de iluminamento A diferença acentuada entre os níveis de iluminamento de dois locais de trabalho adjacentes pode ocasionar riscos de acidentes.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 100 6) Idade do trabalhador Com o aumento da idade, o trabalhador vai perdendo a acuidade visual e a percepção de pequenos detalhes. Assim, quanto maior a idade do trabalhador maior será o nível de iluminamento exigido em seu posto de trabalho. 7) Incidência direta de luz As janelas, clarabóias ou cobertura iluminantes, horizontais ou dentes de serras, deverão ser dispostas de maneira que o sol não venha incidir diretamente sobre o local de trabalho, utilizando-se, quando necessário, recursos para evitar o isolamento excessivo, tais como toldos, venezianas, cortinas, devendo-se, no entanto, aproveitar ao máximo a iluminação natural. 8) Dimensionamento de um sistema de iluminação artificial O dimensionamento de um sistema de iluminação artificial pode ser feito pelo método por ponto ou método lumens. A seguir, vamos mostrar o dimensionamento utilizando-se o método lumens. a) Cálculo fluxo luminoso total — Ø Onde: S = Área do local em m2 E = Nível mínimo de iluminamento exigido para o local, conforme NBR5413. H = coeficiente de utilização obtido através das tabelas. É função das dimensões do local, tipo de luminária, cores das paredes e teto e altura do foco luminoso. Esse valor deve ser obtido em tabelas dos fabricantes. d = Fator de depreciação obtido em função do tipo de luminária, conforme tabelas dos fabricantes. b) Número de luminárias (N) Onde: Ø = Fluxo luminoso total. FL = Fluxo luminoso da lâmpada obtido de acordo com o tipo de lâmpada e sua potência (tabelas dos fabricantes). c) Distribuição Com o número de lâmpadas obtidas e o tipo de luminária escolhido, poderá ser feita a distribuição no local, levando-se em conta a altura, forma, layout, entre outros. Qualidade do ar em ambientes climatizados A ventilação é um meio de controle eficaz para o conforto térmico dos locais de trabalho. A ventilação natural é sempre prioritária, no entanto, quando ela não for
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 101 suficiente, é necessário a utilização da ventilacão artificial. A climatização do ambiente é muito utilizada na obtenção do conforto, contudo, a qualidade do ar é fundamental, pois sua contaminação por poeiras, névoas, fumos, microorganismos, gases e vapores coloca em risco a saúde dos trabalhadores. Assim, para garantir a qualidade, a Portaria n. 3.523/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece a obrigatoriedade da implantação do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) nos ambientes climatizados de uso coletivo. Já a Resolução n. 176 da ANVISA, atualizada pela Resolução n. 9, de 16.1.2003 estabelece orientação técnica e os padrões de qualidade nos ambientes climatizados, conforme transcritos a seguir: 5. RISCOS DE ACIDENTES São arranjo físico inadequados ou deficiente, máquinas e equipamentos, ferramentas defeituosas, risco de explosão, transporte de materiais, edificações, armazenamento inadequado, etc. Essas deficiências podem abranger um ou mais dos seguintes aspectos:  arranjo físico;  edificações;  sinalizações  ligações elétricas;  máquinas e equipamentos sem proteção,  equipamento de proteção contra gahhhincêndio;  ferramentas defeituosas ou inadequadas,  EPI inadequado,  armazenamento e transporte de materiais.  Iumínação deficíente - fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho. Riscos à saúde  Arranjo físico: quando inadequado ou deficiente, pode causar acidentes e provoca desgaste físico excessivo nos trabalhadores.  Máquinas sem proteção: podem provocar acidentes graves.  Instalações elétricas deficientes: trazem riscos de Curto circuito, choque elétrico, incêndio, queimaduras, acidentes fatais.  Matéria prima sem especificação e inadequada: acidentes, doenças profissionais, queda da qualidade de produção.  Ferramentas defeituosas ou inadequadas: acidentes, com repercussão principalmente nos membros superiores.  Falta de EPI ou EPI inadequado ao risco: acidentes, doenças profissionais.  Transporte de materiais, peças, equipamentos sem as devidas precauções: acidentes.  Edificações com defeitos de construção: a exemplo de piso com desníveis, escadas fora de ausência de saídas de emergência, mezaninos sem proteção, passagens sem a atura necessária : quedas, acidentes.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 102  Falta de sinalização das saídas de emergência, da localização de escadas e caminhos de fuga, alarmes, de incêndios: ações desorganizadas nas emergências, acidentes.  Armazernamento e manipulação inadequada de inflamáveis e gases, curto circuito, sobrecargas de redes elétricas: incêndios, explosões.  Armazenamento e transporte de materiais: a obstrução de áreas traz fiscos de acidentes, de quedas, de incêndio, de explosão etc.  Equipamento de proteção contra incêndios: quando deficiente ou insuficiente, traz efetivos riscos de incêndios.  Sinalização deficiente: falta de uma política de prevenção de acidentes, não identificação de equipamentos que oferecem fisco, não delimitação de áreas, informações de segurança insuficientes etc. comprometem a saúde ocupacional dos funcionários.
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    HIGIENE OCUPACIONAL I- Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho ____________________________________________________________ 103 Referências Bibliográficas CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAL – TUFFI MESSIAS SALIBA INTRODUÇÃO A HIGIENE OCUPACIONAL – FUNDACENTRO / TEM Sabará 2007 / 2009. JMOF