Especial H5
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O ESTADO DE S. PAULO                                                                                                                                                                      SEGUNDA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO DE 2012




Fóruns Estadão BRASIL COMPETITIVO
                                                                                                                                                                                                                                          FOTOS HÉLVIO ROMERO/AE




Gargalos
começam
na porta das
indústrias
Infraestrutura deficiente anula a
competitividade dos produtos brasileiros

Carlos Dias                                             tura. A Tailândia, que mais tem
ESPECIAL PARA O ESTADO                                  investido neste setor no mundo,
                                                        aplica 15% do que produz inter-
Entre os empresários brasilei-                          namente.                             Painel. Paulo Godoy, Leandro Modé, Luciano Coutinho e Gesner de Oliveira participaram de painel no fórum Brasil Competitivo
ros é comum dizer que o pro-                               Para o dirigente, seria preciso
duto brasileiro é competitivo                           umesforçoconcentradoemqua-                                                          do Brasil e dos Estados Unidos      mos é um esforço correto do go-         cando em 48.º.
da porta para dentro da fábri-                          tro pontos para melhorar o qua-      RANKING                                        para o porto de Hamburgo, na        verno para corrigir estes proble-          Alguns dos destaques negati-
ca, mas a falta de infraestrutu-                        dro brasileiro: maior desonera-                                                     Alemanha. A participação do         mas com o PAC, mas em uma ve-           vos foram a “qualidade da in-
ra elimina esta vantagem. Re-                           ção para os investimentos, efi-      ÍNDICE DE COMPETITIVIDADE GLOBAL               transporte no custo total da soja   locidade ainda aquém da neces-          fraestrutura detransportes”, em
cente levantamento da Asso-                             ciência na gestão do Estado, li-     País                Posição        Pontuação   embarcada (rodoviário, maríti-      sária,” acrescenta.                     que o Brasil ficou no 79º lugar, a
ciação Brasileira para o Desen-                         nhas de financiamento mais           Suíça                 1            5,72        mo e fluvial) é de 31% no porto       Luciano Coutinho, presiden-           “qualidade da educação” (116.º
volvimento da Infraestrutura                            acessíveis para projetos e am-       Cingapura             2            5,67        de Paranaguá, mas cai para 20%      te do BNDES, lembra que neste           lugar)eo“volumede taxaçãoco-
(Abdib), com base em estudo                             pliar o programa de concessões.      Finlândia             3            5,55        via Minneapolis, nos Estados        anoosinvestimentoseminfraes-            molimitadoraotrabalhoeinves-
do Fórum Econômico Mun-                                    O economista Gesner de Oli-       Suécia                4            5,53        Unidos.                             trutura devem chegar a R$ 194           timentos” (144.º lugar).
dial, mostra que o Brasil apre-                         veira, presidente da GO Associa-     Holanda               5            5,50                                            bilhões, um crescimento real de            Nasentrevistasfeitascomexe-
senta problemas crônicos                                dos, lembra que entre os Brics       Alemanha              6            5,48        Interferência. O diretor de In-     6% em relação a 2011.                   cutivos brasileiros, a “oferta ina-
                                                                                             Estados Unidos        7            5,47
quando o tema é competitivi-                            (Brasil, Rússia, Índia e China) a                                                   fraestruturadaCNI,JosédeFrei-         “O governo da presidente Dil-         dequada de infraestrutura” fi-
                                                                                             Reino Unido           8            5,45
dade relacionado à gestão pú-                           qualidade da infraestrutura bra-                                                    tas Mascarenhas, revela que em      ma tem trabalhado para os fun-          cou em segundo lugar entre os
                                                                                             Hong Kong             9            5,41
blica.                                                  sileira está abaixo dos demais                                                      2008 a entidade enumerou dez        damentos para um ciclo de cres-         fatores mais problemáticos para
                                                                                             Japão                10            5,40
   De 144 países pesquisados, o                         emergentes.                                                                         itens que à época interferiam na    cimento de longo prazo, o que é         se fazer negócios no Brasil, com
                                                                                             Brasil               48            4,40
País ocupa a lanterna em relação                           “Um levantamento do Global                                                       competitividade dos produtos        imprescindível”, diz Coutinho.          17,5% das respostas.
ao“pesoda regulação para os ne-                         Competitiveness Report revela                                                       brasileiros.                          Neste ano, o Brasil ficou pela           Em primeiro lugar, ficaram as
gócios” e “extensão e efeito de                         que o Brasil está atrás da China e   mos superiores a Índia”, afirma.                  Entre os dez, destaque para os   primeira vez entre os 50 países         “regulações tributárias”, com
tributação”.Paulo Godoy, presi-                         da Índia, mas à frente da Rússia       Um estudo comparativo feito                  custos de portos e aeroportos,      mais competitivos no Relatório          18,7%,e,emterceiro, a“carga tri-
dente da Abdib, lembra que em                           no ranking de competitividade.       pela Confederação Nacional da                  frete internacional, transporte     Global de Competitividade do            butária”, com 17,2%, seguida da
2011oBrasilinvestiuoequivalen-                          Quanto à infraestrutura, perde-      Indústria(CNI)citacomoexem-                    interno e de manuseio em arma-      Fórum Econômico Mundial. O              “burocracia governamental ine-
te a 4,18% do PIB em infraestru-                        mospara a Rússia, China mas so-      ploo custode exportação de soja                zéns nos portos. “O que assisti-    País subiu cinco colocações, fi-        ficiente”, com 11,1%.


                                                                                                                                                                                                     HÉLVIO ROMERO/AE
                                                                                                                                                                                                                        mos lembrar que quando se fala
‘O PAC é só o início da                                                                                                                                                                                                 em infraestrutura são necessá-
                                                                                                                                                                                                                        rias políticas públicas, isto é, não
                                                                                                                                                                                                                        há uma solução do ponto de vis-
modernização’, diz Mascarenhas                                                                                                                                                                                          taprivadosemquehajaumadeci-
                                                                                                                                                                                                                        são de estado. Na prática, o que
                                                                                                                                                                                                                        se observa é uma abertura muito
                                                        afirma, serão os efeitos colate-     ratêmsidomuitofrágeisnosúlti-                                                                                              grande ao reconhecer a necessi-
Presidente de comitê                                    rais, o que pode significar contas   mos anos todos. Esta é, aliás, a                                                                                           dade de se convocar os empresá-
do CNI está                                             mais salgadas.                       maior motivação para lançar o                                                                                              rios, até porque, se for o contrá-
                                                          Na opinião de Mascarenhas,         PAC2.Percebe-seumadificulda-                                                                                               rio, os problemas se agravarão”,
preocupado com                                          um dos motivos para os gargalos      de muito grande de o governo                                                                                               diz o dirigente.
a velocidade de                                         no setor de infraestrutura é a in-   conseguir, por meio de suas es-                                                                                               O segundo ponto é a criação
implantação dos projetos                                capacidadede o governo realizar      truturas, ir adiante com as obras                                                                                          da Empresa de Planejamento e
                                                        os investimentos necessários.        que ele mesmo planeja, um pro-                                                                                             Logística (EPL), elogiada por
“O governo federal merece elo-                          “Um país como o Brasil, de di-       blema central de gestão.”                                                                                                  ele. “Refiro-me a um planeja-
giosempromoverainfraestrutu-                            mensões continentais, precisa          Ele aponta falta de bons proje-                                                                                          mento de qualidade, uma faceta
ra, mas é preciso levar em conta                        de uma imensidão de investi-         tos, de boa fiscalização e de mão                                                                                          de inteligência do processo que
que o Programa de Aceleração                            mentos para ser competitivo”,        de obra com a qualificação ade-                                                                                            permiteavanços, com interlocu-
do Crescimento (PAC) é só o co-                         afirma Mascarenhas. “E o fato é      quada. “Na infraestrutura física                                                                                           tores do setor privado”, explica.
meço, porque existe uma série                           que os recursos eminfraestrutu-      há uma deficiência muito gran-                                                                                                Porfim,eleobservaqueovolu-
de problemas que estão por vir”.                                                             de de investimentos na questão                                                                                             medas obras aindaé“insuficien-
O diagnóstico é de José de Frei-                                                             do transporte de carga, caso dos                                                                                           te para qualificar o Brasil como
tas Mascarenhas, presidente do                          ● Desafio                            portos,cujagestãoeinvestimen-                                                                                              um país desenvolvido no seu sis-
Comitê de Infraestrutura da                                                                  tos oneram os custos e os fretes.                                                                                          tema de transporte”.
Confederação Nacional da In-                            JOSÉ DE FREITAS                      Nas ferrovias e rodovias a situa-              Escassez. Mascarenhas não considera o plano suficiente                         “É pouco para qualificarmos
dústria (CNI).                                          MASCARENHAS                          ção é semelhante: má conserva-                                                                                             o Brasil como um país industria-
  Em entrevista ao Estado, ele                          PRESIDENTE DO COMITÊ DE              ção, gargalos entre os modos di-               investimentos em ferrovias e ro-    ções a respeito do plano. “O pri-       lizado”, argumenta o presiden-
revela estar preocupado com a                           INFRAESTRUTURA DA CNI                ferentes de transportes”, diz o                dovias, dos quais R$ 79,5 bilhões   meiro é que este gesto do gover-        te do comitê da CNI. “Mas o que
velocidade exigida para imple-                          “Um país como o Brasil precisa       dirigente.                                     previstosparaumperíododecin-        no significa finalmente uma             importa neste instante é que o
mentação dos projetos, mas oti-                         de uma imensidão de                                                                 co anos e R$ 53,5 bilhões para um   preocupação sobreo assunto,al-          governo deu a abertura, e agora
mista de que o setor privado da-                        investimentos.”                      Pacote. O governo anunciou                     período de até 25 anos.             go que os empresários vêm ob-           o que será feito é reunir forças.”
rá conta do recado. O problema,                                                              um pacote de R$ 133 bilhões de                   Mascarenhas fez três observa-     servando há muito tempo. Va-            / C.D.


                                ARTIGO


                      Infraestrutura brasileira: desafios e oportunidades
                      Investimentos em                          educação, saneamento, habitação, meio              países como China, Índia e Coreia do          com base nas projeções de demanda e se           Umadas soluçõesadotadasno Bra-
                                                                ambiente, etc. Já as econômicas influen-           Sul (que respectivamente investem no          estabeleçam metas de acompanhamen-            sil para garantir investimentos tem
                      infraestrutura econômica                  ciamdiretamenteodesenvolvimentodo                  total,incluindoinfraestruturaeconômi-         to. Nesse quesito, o Brasil vem fazendo a     sido a concessão à iniciativa privada,
                      devem antecipar-se à                      País e incluem setores como transpor-              ca, 48%, 37% e 28% do seu PIB) sugere         liçãodecasa, cominiciativas comoo Pla-        como a dos aeroportos de Guarulhos,
                      demanda de forma a atender                tes, energia e telecomunicações.                   uma relação entre crescimento da eco-         no Nacional de Logística de Transpor-         CampinaseBrasília,eorecenteanún-
                                                                   Na categoria não econômica, há um               nomia e investimentos em transportes,         tes, Plano Nacional de Logística Portuá-      cio do pacote de concessões de rodo-
                      o País no longo prazo                     passivo histórico no atendimento das               energia e telecomunicações. O foco dos        ria e o recém-lançado Plano Nacional de       vias e ferrovias. De fato, os avanços
                      ●
                      ✽                                         necessidades básicas da população, co-
                                                                moainfraestruturadesaneamentobási-
                                                                                                                   chineses em modernizar os portos foi
                                                                                                                   fundamental para o aumento de seu co-
                                                                                                                                                                 Logística Integrada, que apontam os in-
                                                                                                                                                                 vestimentos necessários em transpor-
                                                                                                                                                                                                               obtidosemconcessõesnopassadofo-
                                                                                                                                                                                                               ram consideráveis em diversos seto-
                      LUIZ VIEIRA CARLOS                        co. Dados do IBGE indicam que, em                  mércio exterior, enquanto os investi-         tes. Já o Plano Nacional de Energia e o       res. Entretanto, o sucesso desse mo-
                      EDUARDO GONDIM                            2008, apenas 55% dos municípios ti-                mentos em aeroportos geraram o au-            Plano Decenal de Expansão de Energia          delo requer uma organização institu-
                                                                nham serviço de esgotamento sanitário              mento do fluxo de pessoas e cargas.           apontam necessidades do setor elétrico.       cional, com mecanismos de regula-
                                                                por rede coletora.                                   Os investimentos em infraestrutura          Entretanto,umadasprincipaisdificulda-         ção e fiscalização.



                      A
                                 pesar de esforços para esta-      Jánas infraestruturas econômicas,os             econômicadevemantecipar-seàdeman-             des tem sido concretizar propostas em            O desenvolvimento de infraestru-
                                 belecer um modelo econô-       investimentos precisam ser feitos para             da. Mas isso não significa que a constru-     ações nos prazos previstos.                   tura nos países é um dos motores do
                                 mico brasileiro de sucesso,    melhorar e expandir capacidades insta-             ção de infraestrutura deva ser utilizada         A falta de investimentos em níveis         crescimento econômico. No caso do
                                 não há desenvolvimento         ladas. Parte do problema decorre da fal-           indiscriminadamente como indutora do          adequados e no tempo correto pode le-         Brasil, a demora em realizar novos
                      que se mantenha sem um sistema de         ta de conservação e modernização, que              desenvolvimento. Os investimentos fei-        var a diferentes consequências. Para al-      investimentos pode limitar o desen-
                      infraestruturabemplanejado,implan-        acabaram por sucatear muitas infraes-              tos pela Grécia para os Jogos Olímpicos       gunstiposde infraestrutura,gera colap-        volvimento sustentável. Cabe ao
                      tado e em constante conservação. No       truturas que precisam ser, em vários ca-           de Atenas não resultaram numa onda de         sose interrupções,comooracionamen-            País se organizar para desenvolver as
                      Brasil,hágrandesdesafioseoportuni-        sos, totalmente repensadas. Tal cená-              desenvolvimento duradouro, pois não           to de energia, no começo da década de         suas infraestruturas para que mais
                      dades para o desenvolvimento da in-       rio representa desafios muito grandes              focaram em atender demandas futuras.          2000.Jáemoutrostipos, afaltadeinves-          umciclodecrescimentopossateriní-
                      fraestrutura, mas a questão mais im-      para o País, mas oportunidades igual-              Com importantes eventos como a Copa           timento, apesar de não provocar inter-        cio,queseja duradouroetragabenefí-
                      portante e que definirá os resultados     mente magníficas.                                  e a Olimpíada, o Brasil deve assegurar        rupções, leva à deterioração dos servi-       cios para a sociedade.
                      é: o País está preparado?                    Os investimentos em infraestrutura              que os investimentos atendam não só os        ços e ao aumento de custos. A falta de
                         Asinfraestruturaspodemserdividi-       econômica viabilizam ciclos sustentá-              eventos, mas o País no longo prazo.           investimentos nas rodovias e ferrovias        ✽
                      dasemdois grupos:não econômicas e         veis de desenvolvimento, traduzindo-                 Para que as infraestruturas sejam de-       provoca aumentos de frete, utilização         LUIZ VIEIRA E CARLOS EDUARDO GONDIM
                      econômicas.Asnãoeconômicascom-            se em crescimento do Produto Interno               senvolvidas deforma lógica, é importan-       derotasmenoseficientesemaiormanu-             SÃO, RESPECTIVAMENTE, VICE-PRESIDEN-
                      põem toda a rede social, que inclui       Bruto (PIB). A análise de indicadores de           te que os investimentos sejam feitos          tenção da frota.                              TE E DIRETOR DA BOOZ & COMPANY

H5

  • 1.
    Especial H5 %HermesFileInfo:H-5:20120917: O ESTADODE S. PAULO SEGUNDA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO DE 2012 Fóruns Estadão BRASIL COMPETITIVO FOTOS HÉLVIO ROMERO/AE Gargalos começam na porta das indústrias Infraestrutura deficiente anula a competitividade dos produtos brasileiros Carlos Dias tura. A Tailândia, que mais tem ESPECIAL PARA O ESTADO investido neste setor no mundo, aplica 15% do que produz inter- Entre os empresários brasilei- namente. Painel. Paulo Godoy, Leandro Modé, Luciano Coutinho e Gesner de Oliveira participaram de painel no fórum Brasil Competitivo ros é comum dizer que o pro- Para o dirigente, seria preciso duto brasileiro é competitivo umesforçoconcentradoemqua- do Brasil e dos Estados Unidos mos é um esforço correto do go- cando em 48.º. da porta para dentro da fábri- tro pontos para melhorar o qua- RANKING para o porto de Hamburgo, na verno para corrigir estes proble- Alguns dos destaques negati- ca, mas a falta de infraestrutu- dro brasileiro: maior desonera- Alemanha. A participação do mas com o PAC, mas em uma ve- vos foram a “qualidade da in- ra elimina esta vantagem. Re- ção para os investimentos, efi- ÍNDICE DE COMPETITIVIDADE GLOBAL transporte no custo total da soja locidade ainda aquém da neces- fraestrutura detransportes”, em cente levantamento da Asso- ciência na gestão do Estado, li- País Posição Pontuação embarcada (rodoviário, maríti- sária,” acrescenta. que o Brasil ficou no 79º lugar, a ciação Brasileira para o Desen- nhas de financiamento mais Suíça 1 5,72 mo e fluvial) é de 31% no porto Luciano Coutinho, presiden- “qualidade da educação” (116.º volvimento da Infraestrutura acessíveis para projetos e am- Cingapura 2 5,67 de Paranaguá, mas cai para 20% te do BNDES, lembra que neste lugar)eo“volumede taxaçãoco- (Abdib), com base em estudo pliar o programa de concessões. Finlândia 3 5,55 via Minneapolis, nos Estados anoosinvestimentoseminfraes- molimitadoraotrabalhoeinves- do Fórum Econômico Mun- O economista Gesner de Oli- Suécia 4 5,53 Unidos. trutura devem chegar a R$ 194 timentos” (144.º lugar). dial, mostra que o Brasil apre- veira, presidente da GO Associa- Holanda 5 5,50 bilhões, um crescimento real de Nasentrevistasfeitascomexe- senta problemas crônicos dos, lembra que entre os Brics Alemanha 6 5,48 Interferência. O diretor de In- 6% em relação a 2011. cutivos brasileiros, a “oferta ina- Estados Unidos 7 5,47 quando o tema é competitivi- (Brasil, Rússia, Índia e China) a fraestruturadaCNI,JosédeFrei- “O governo da presidente Dil- dequada de infraestrutura” fi- Reino Unido 8 5,45 dade relacionado à gestão pú- qualidade da infraestrutura bra- tas Mascarenhas, revela que em ma tem trabalhado para os fun- cou em segundo lugar entre os Hong Kong 9 5,41 blica. sileira está abaixo dos demais 2008 a entidade enumerou dez damentos para um ciclo de cres- fatores mais problemáticos para Japão 10 5,40 De 144 países pesquisados, o emergentes. itens que à época interferiam na cimento de longo prazo, o que é se fazer negócios no Brasil, com Brasil 48 4,40 País ocupa a lanterna em relação “Um levantamento do Global competitividade dos produtos imprescindível”, diz Coutinho. 17,5% das respostas. ao“pesoda regulação para os ne- Competitiveness Report revela brasileiros. Neste ano, o Brasil ficou pela Em primeiro lugar, ficaram as gócios” e “extensão e efeito de que o Brasil está atrás da China e mos superiores a Índia”, afirma. Entre os dez, destaque para os primeira vez entre os 50 países “regulações tributárias”, com tributação”.Paulo Godoy, presi- da Índia, mas à frente da Rússia Um estudo comparativo feito custos de portos e aeroportos, mais competitivos no Relatório 18,7%,e,emterceiro, a“carga tri- dente da Abdib, lembra que em no ranking de competitividade. pela Confederação Nacional da frete internacional, transporte Global de Competitividade do butária”, com 17,2%, seguida da 2011oBrasilinvestiuoequivalen- Quanto à infraestrutura, perde- Indústria(CNI)citacomoexem- interno e de manuseio em arma- Fórum Econômico Mundial. O “burocracia governamental ine- te a 4,18% do PIB em infraestru- mospara a Rússia, China mas so- ploo custode exportação de soja zéns nos portos. “O que assisti- País subiu cinco colocações, fi- ficiente”, com 11,1%. HÉLVIO ROMERO/AE mos lembrar que quando se fala ‘O PAC é só o início da em infraestrutura são necessá- rias políticas públicas, isto é, não há uma solução do ponto de vis- modernização’, diz Mascarenhas taprivadosemquehajaumadeci- são de estado. Na prática, o que se observa é uma abertura muito afirma, serão os efeitos colate- ratêmsidomuitofrágeisnosúlti- grande ao reconhecer a necessi- Presidente de comitê rais, o que pode significar contas mos anos todos. Esta é, aliás, a dade de se convocar os empresá- do CNI está mais salgadas. maior motivação para lançar o rios, até porque, se for o contrá- Na opinião de Mascarenhas, PAC2.Percebe-seumadificulda- rio, os problemas se agravarão”, preocupado com um dos motivos para os gargalos de muito grande de o governo diz o dirigente. a velocidade de no setor de infraestrutura é a in- conseguir, por meio de suas es- O segundo ponto é a criação implantação dos projetos capacidadede o governo realizar truturas, ir adiante com as obras da Empresa de Planejamento e os investimentos necessários. que ele mesmo planeja, um pro- Logística (EPL), elogiada por “O governo federal merece elo- “Um país como o Brasil, de di- blema central de gestão.” ele. “Refiro-me a um planeja- giosempromoverainfraestrutu- mensões continentais, precisa Ele aponta falta de bons proje- mento de qualidade, uma faceta ra, mas é preciso levar em conta de uma imensidão de investi- tos, de boa fiscalização e de mão de inteligência do processo que que o Programa de Aceleração mentos para ser competitivo”, de obra com a qualificação ade- permiteavanços, com interlocu- do Crescimento (PAC) é só o co- afirma Mascarenhas. “E o fato é quada. “Na infraestrutura física tores do setor privado”, explica. meço, porque existe uma série que os recursos eminfraestrutu- há uma deficiência muito gran- Porfim,eleobservaqueovolu- de problemas que estão por vir”. de de investimentos na questão medas obras aindaé“insuficien- O diagnóstico é de José de Frei- do transporte de carga, caso dos te para qualificar o Brasil como tas Mascarenhas, presidente do ● Desafio portos,cujagestãoeinvestimen- um país desenvolvido no seu sis- Comitê de Infraestrutura da tos oneram os custos e os fretes. tema de transporte”. Confederação Nacional da In- JOSÉ DE FREITAS Nas ferrovias e rodovias a situa- Escassez. Mascarenhas não considera o plano suficiente “É pouco para qualificarmos dústria (CNI). MASCARENHAS ção é semelhante: má conserva- o Brasil como um país industria- Em entrevista ao Estado, ele PRESIDENTE DO COMITÊ DE ção, gargalos entre os modos di- investimentos em ferrovias e ro- ções a respeito do plano. “O pri- lizado”, argumenta o presiden- revela estar preocupado com a INFRAESTRUTURA DA CNI ferentes de transportes”, diz o dovias, dos quais R$ 79,5 bilhões meiro é que este gesto do gover- te do comitê da CNI. “Mas o que velocidade exigida para imple- “Um país como o Brasil precisa dirigente. previstosparaumperíododecin- no significa finalmente uma importa neste instante é que o mentação dos projetos, mas oti- de uma imensidão de co anos e R$ 53,5 bilhões para um preocupação sobreo assunto,al- governo deu a abertura, e agora mista de que o setor privado da- investimentos.” Pacote. O governo anunciou período de até 25 anos. go que os empresários vêm ob- o que será feito é reunir forças.” rá conta do recado. O problema, um pacote de R$ 133 bilhões de Mascarenhas fez três observa- servando há muito tempo. Va- / C.D. ARTIGO Infraestrutura brasileira: desafios e oportunidades Investimentos em educação, saneamento, habitação, meio países como China, Índia e Coreia do com base nas projeções de demanda e se Umadas soluçõesadotadasno Bra- ambiente, etc. Já as econômicas influen- Sul (que respectivamente investem no estabeleçam metas de acompanhamen- sil para garantir investimentos tem infraestrutura econômica ciamdiretamenteodesenvolvimentodo total,incluindoinfraestruturaeconômi- to. Nesse quesito, o Brasil vem fazendo a sido a concessão à iniciativa privada, devem antecipar-se à País e incluem setores como transpor- ca, 48%, 37% e 28% do seu PIB) sugere liçãodecasa, cominiciativas comoo Pla- como a dos aeroportos de Guarulhos, demanda de forma a atender tes, energia e telecomunicações. uma relação entre crescimento da eco- no Nacional de Logística de Transpor- CampinaseBrasília,eorecenteanún- Na categoria não econômica, há um nomia e investimentos em transportes, tes, Plano Nacional de Logística Portuá- cio do pacote de concessões de rodo- o País no longo prazo passivo histórico no atendimento das energia e telecomunicações. O foco dos ria e o recém-lançado Plano Nacional de vias e ferrovias. De fato, os avanços ● ✽ necessidades básicas da população, co- moainfraestruturadesaneamentobási- chineses em modernizar os portos foi fundamental para o aumento de seu co- Logística Integrada, que apontam os in- vestimentos necessários em transpor- obtidosemconcessõesnopassadofo- ram consideráveis em diversos seto- LUIZ VIEIRA CARLOS co. Dados do IBGE indicam que, em mércio exterior, enquanto os investi- tes. Já o Plano Nacional de Energia e o res. Entretanto, o sucesso desse mo- EDUARDO GONDIM 2008, apenas 55% dos municípios ti- mentos em aeroportos geraram o au- Plano Decenal de Expansão de Energia delo requer uma organização institu- nham serviço de esgotamento sanitário mento do fluxo de pessoas e cargas. apontam necessidades do setor elétrico. cional, com mecanismos de regula- por rede coletora. Os investimentos em infraestrutura Entretanto,umadasprincipaisdificulda- ção e fiscalização. A pesar de esforços para esta- Jánas infraestruturas econômicas,os econômicadevemantecipar-seàdeman- des tem sido concretizar propostas em O desenvolvimento de infraestru- belecer um modelo econô- investimentos precisam ser feitos para da. Mas isso não significa que a constru- ações nos prazos previstos. tura nos países é um dos motores do mico brasileiro de sucesso, melhorar e expandir capacidades insta- ção de infraestrutura deva ser utilizada A falta de investimentos em níveis crescimento econômico. No caso do não há desenvolvimento ladas. Parte do problema decorre da fal- indiscriminadamente como indutora do adequados e no tempo correto pode le- Brasil, a demora em realizar novos que se mantenha sem um sistema de ta de conservação e modernização, que desenvolvimento. Os investimentos fei- var a diferentes consequências. Para al- investimentos pode limitar o desen- infraestruturabemplanejado,implan- acabaram por sucatear muitas infraes- tos pela Grécia para os Jogos Olímpicos gunstiposde infraestrutura,gera colap- volvimento sustentável. Cabe ao tado e em constante conservação. No truturas que precisam ser, em vários ca- de Atenas não resultaram numa onda de sose interrupções,comooracionamen- País se organizar para desenvolver as Brasil,hágrandesdesafioseoportuni- sos, totalmente repensadas. Tal cená- desenvolvimento duradouro, pois não to de energia, no começo da década de suas infraestruturas para que mais dades para o desenvolvimento da in- rio representa desafios muito grandes focaram em atender demandas futuras. 2000.Jáemoutrostipos, afaltadeinves- umciclodecrescimentopossateriní- fraestrutura, mas a questão mais im- para o País, mas oportunidades igual- Com importantes eventos como a Copa timento, apesar de não provocar inter- cio,queseja duradouroetragabenefí- portante e que definirá os resultados mente magníficas. e a Olimpíada, o Brasil deve assegurar rupções, leva à deterioração dos servi- cios para a sociedade. é: o País está preparado? Os investimentos em infraestrutura que os investimentos atendam não só os ços e ao aumento de custos. A falta de Asinfraestruturaspodemserdividi- econômica viabilizam ciclos sustentá- eventos, mas o País no longo prazo. investimentos nas rodovias e ferrovias ✽ dasemdois grupos:não econômicas e veis de desenvolvimento, traduzindo- Para que as infraestruturas sejam de- provoca aumentos de frete, utilização LUIZ VIEIRA E CARLOS EDUARDO GONDIM econômicas.Asnãoeconômicascom- se em crescimento do Produto Interno senvolvidas deforma lógica, é importan- derotasmenoseficientesemaiormanu- SÃO, RESPECTIVAMENTE, VICE-PRESIDEN- põem toda a rede social, que inclui Bruto (PIB). A análise de indicadores de te que os investimentos sejam feitos tenção da frota. TE E DIRETOR DA BOOZ & COMPANY