6                                                                                                                                                                                                                                   Quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


                                                                                                                             O GLOBO
                                                                                                                                      OPINIÃO


                             Brasília cai na tentação protecionista
        O
                  s motivos parecem razoáveis. Co-                            bre modelos com menos de 65% de conteú-       o país de barreiras para forçar a vinda de fá-                               são” é que boa parte das importações é de
                  mo a indústria instalada no Brasil                          do fornecido pela área do Mercosul. De-       bricas, de tão tosco não chega a ser uma po-                                 componentes e insumos que fazem a indús-
                  — brasileira ou não — começa a                              pois, voltou-se contra o acordo comercial     lítica industrial. O Brasil, assim, se equipa-                               tria brasileira ser mais competitiva interna
                  perder mercado para produtos                                assinado com o México, para também fe-        ra ao protecionismo da Argentina, país que                                   e externamente. Ou seja, caso os devaneios
        importados, que se ergam barreiras às                                 char esta porta de entrada de                              se converteu em pária global,                                   protecionistas avancem, a indústria brasi-
        compras no exterior, em nome do salva-                                automóveis. E, agora, planeja                              intoxicado por overdose de he-                                  leira, já bastante integrada no mundo, pa-
        mento de empregos e renda no mercado in-                              partir contra as importações                               terodoxias kirchneristas.                                       decerá com a ruptura de linhas de supri-
        terno.                                                                de têxteis, com a arma do au-      Um ciclo difícil           Em recente artigo no GLOBO,                                  mento. O terremoto/tsunami no Japão e as
          Na realidade, trata-se de mais uma daque-                           mento do IPI. Os conhecidos                                o economista Rogério Wer-                                       inundações na Tailândia mostraram o que
        las conclusões erradas do “senso comum”.                              pendores protecionistas la-          do mercado            neck derrubou, com números,                                     isso significa: os desastres naturais afeta-
        Indiscutível que há uma conjuntura mundi-                             tentes no PT dão estridente si-                            a ideia de que o Brasil estaria                                 ram montadoras de veículos no mundo to-
        al complexa, em que desalinhamentos de                                nal de vida. Assim como a mundial é usado sob inundação de um tsunami                                                      do.
        taxas de câmbio — a brasileira, valorizada                            eclosão da crise mundial, a                                de importações: de 2000 a                                         Em vez de erguer barreiras vetadas pela
        — se somam à retração de mercados im-                                 partir de Wall Street, no final     para se fechar         2010, o peso das importações                                    OMC para conter importações, o melhor ca-
        portantes como o americano e europeu e                                de 2008, serviu de biombo pa-                              no consumo de bens industria-                                   minho é aplicar políticas de aumento do po-
        forçam a China e outras plataformas de ex-                            ra a abertura das comportas              o país            lizados aumentou de 11,6% do                                    der de competição dos produtos industria-
        portação orientais a ser bem mais competi-                            dos gastos em custeio, cujo                                PIB para 19%, dados da Funda-                                   lizados nacionais, sem depender do câm-
        tivas do que já eram. Porém, fechar o país,                           subproduto político foi a elei-                            ção de Estudos do Comércio                                      bio. Alguns dos pontos a atacar são conhe-
        por meio de barreiras alfandegárias, é a pi-                          ção de Dilma, agora, a supero-                             Exterior (Funcex) e Confedera-                                  cidos: impostos, infraestrutura, burocra-
        or decisão que um governo pode tomar. Ca-                             ferta de produtos industrializados asiáti-    ção Nacional da Indústria (CNI). Não confi-                                  cia, qualificação da mão de obra. O proteci-
        so do brasileiro. Nos veículos, Brasília au-                          cos serve de justificativa para a ressurrei-  gura qualquer desastre.                                                      onismo tarifário é o menos inteligente e efi-
        mentou em 30 pontos percentuais o IPI so-                             ção da ideia da reserva de mercado. Cercar       Outro aspecto fundamental nesta “inva-                                    caz dos meios.



           Correa massacra liberdade de expressão
        O
                   presidente do Equador, Rafael                              vo “primeiro” mandato, que vai até agosto      cas a donos de veículos e a jornalistas que                                 do de contratos com o governo, o que é ile-
                  Correa, atua para calar a impren-                           de 2013, com direito à reeleição. Se a conse-  ousam criticá-lo.                                                           gal. Os jornalistas afirmam no livro que Cor-
                  sa numa furiosa investida contra                            guir, ficará na presidência até 2017.            Foi assim no caso de três diretores e do                                  rea sabia dos contratos, e, por isso, foram
                  a liberdade de expressão que não                              Governos como os de Equa-                                editor de opinião do jornal “El                                 condenados cada um a pagar multas de US$
        deixa dúvidas sobre as aspirações ditatori-                           dor, Venezuela e Bolívia (e até                            Universo”, condenados a três                                    1 milhão. Correa negou que soubesse e or-
        ais de seu governo. O Equador luta para cri-                          o da Argentina, kirchnerista)                              anos de prisão e a uma multa                                    denou o cancelamento dos contratos.
        ar instituições democráticas depois de um                             não conseguem conviver com              Jornalistas        de US$ 40 milhões (superior ao                                    Na última segunda-feira, entrou em vigor
        passado recente de turbulência política.                              críticas porque se acham do-                               valor da própria empresa), por                                  o ironicamente denominado Código da De-
        Correa foi eleito em 2006 na esteira de três                          nos da verdade. Uma de suas            críticos são        supostamente caluniarem o                                       mocracia, uma lei que simplesmente proíbe
        golpes civis e militares. Mas, em vez de tra-                         características é o hiperpresi-                            presidente. O jornalista, Emílio                                os veículos de comunicação de divulgar en-
        balhar pela consolidação democrática, re-                             dencialismo: seus líderes for-         condenados          Palácio, acusou Correa de ter                                   trevistas e reportagens com candidatos du-
        solveu embarcar na demagogia chavista e                               talecem o Executivo, esvazi-                               ordenado os disparos de mili-                                   rante as campanhas eleitorais. Ou seja: a
        denominou seu governo de “Revolução Ci-                               am o Legislativo e manietam o        a pagar multas        tares contra um hospital onde                                   imprensa equatoriana está proibida de in-
        dadã”. Com isso, cada vez mais se parece                              Judiciário, para fazerem o que                             o presidente se refugiara du-                                   formar aos eleitores o que dizem, pensam e
        com os golpistas que o precederam.                                    bem entendem, posando co-             astronômicas         rante a tentativa de golpe de 30                                prometem os candidatos a representá-los
          Seu primeiro mandato deveria ter-se en-                             mo salvadores da pátria. No                                de setembro de 2010.                                            nas diversas assembleias legislativas e ins-
        cerrado em janeiro de 2011, mas uma nova                              Equador, Correa entrou em                                    Situação semelhante vivem                                     tâncias do Executivo.
        Constituição — como instrui a cartilha dos                            guerra com a imprensa e, co-                               os jornalistas Juan Carlos Cal-                                   É assustador como governantes latino-
        regimes bolivarianos recém-instalados —                               mo domina o Judiciário, adotou uma forma       derón e Christian Zurita Ron, autores do li-                                americanos do Século XXI teimam em adotar
        marcou eleição para abril de 2009. Correa                             perversa de estrangular os meios de comu-      vro “El Grande Hermano”, que detalha co-                                    práticas obscuras, ultrapassadas e já conde-
        ganhou em primeiro turno e iniciou um no-                             nicação. Juízes aplicam multas astronômi-      mo o irmão do presidente teria se beneficia-                                nadas, por inviáveis, ao lixo da História.




Mandem a conta para Lula
                                                                                                                                                                                                                                                                          Marcelo
     Carlos Alberto Sardenberg                          que explodira no final de 2006.
                                                          Foi quando as autoridades fi-


H
       á um interessante deba-                          nalmente admitiram que todo
       te sobre a privatização                          o sistema aéreo era, literal-
       dos aeroportos feita pe-                         mente, uma permanente ame-
       lo governo Dilma, mas                            aça de desastre: recursos mal
há também o entendimento de                             administrados; os aeroportos
que a mudança é positiva. E                             sem estrutura adequada; falta
desde já, se a coisa funcionar                          de pessoal especializado, co-
mais ou menos, fica assim: o                            mo os controladores de tráfe-
governo ganha dinheiro com                              go aéreo; radares com zonas
os aeroportos, ao vender as                             cegas; falhas nas comunica-
concessões (R$ 26 bilhões nu-                           ções via rádio.
ma tacada inicial!) e receber                             Feitas as contas, estava na
participação nos lucros e ain-                          cara que os recursos necessá-
da consegue turbinar os inves-                          rios para atacar todos esses
timentos nessa área crucial de                          problemas estavam muito aci-
infraestrutura. Ou seja, se ti-                         ma da capacidade do governo
vesse feito isso há mais tem-                           federal. Conclusão óbvia: era
po, o governo poderia ter utili-                        preciso trazer dinheiro, em-
zado em outros setores caren-                           presas e gente nova para o se-
tes, saúde, por exemplo, o di-                          tor. Vender concessões era a
nheiro que gastou em aero-                              óbvia saída.
portos e o que teria recebido                             Pelo menos três ministros
nas privatizações. E o público                          do governo Lula disseram a es-
estaria mais bem servido. Por                           te colunista que a privatização
que não se fez antes? Porque o                          era inevitável. A necessidade               aeroporto na região de Arau-              destinou uns R$ 5 bilhões à Infra-     cio de 2007, houve uma se-                      têm de ser aprovadas em as-
então presidente Lula não dei-                          venceria as resistências ideo-              cária. Aliás, o projeto continua          ero, para os 12 aeroportos da Co-      quência de greves de servido-                   sembleias com pelo menos
xou.                                                    lógicas. Modelos foram anali-               de pé, e voltou a ser lembrado            pa. Reparem como não fazia sen-        res públicos da educação, pre-                  dois terços da categoria (a gre-
  A conversa sobre privatiza-                           sados pelos técnicos da admi-               agora que o governo fez três              tido além da propaganda. Só pa-        vidência, meio ambiente e                       ve dos PMs da Bahia seria ile-
ção dos aeroportos não é no-                            nistração federal, alguns che-              concessões privadas de aero-              ra a privatização de Guarulhos, o      também da polícia. O impacto                    gal nos dois quesitos); e servi-
va, sobretudo no mundo pri-                             garam a ser anunciados.                     portos já existentes. Por que             governo exigiu da nova concessi-       foi tão negativo que até o presi-               dor em greve não recebe salá-
vado. No governo FHC, tratou-                             Por exemplo: em julho de                  não autorizar a construção de             onária compromisso de investi-         dente Lula reclamou. Lem-                       rio.
se disso no segundo mandato,                            2007, o então ministro da Defe-             um outro, inteiramente e des-             mentos de... R$ 5 bilhões. Para        bram-se? Disse que funcioná-                      Onde está o projeto? Sumiu.
quando o presidente já estava                           sa, Nelson Jobim, deu prazo de              de o início privado?                      Brasília, mais de R$ 8 bilhões.        rio público em greve parecia,                   Os sindicatos de funcionários
desgastado e privatizar era pi-                         90 dias para que a Agência Na-                Resumindo: a presidente Dil-              Resumo da ópera: Lula é res-         na verdade, estar em férias,                    não gostaram, Lula esqueceu.
or do que qualquer outra coi-                           cional de Aviação Civil, Anac,              ma e seu pessoal celebraram               ponsável por um atraso de cin-         pois não tinha desconto dos                       É sempre difícil saber como as
sa. Em suas duas campanhas                              e a Infraero apresentassem o                os leilões de Guarulhos, Vira-            co anos nessa privatização.            dias parados.                                   coisas teriam se passado se ou-
vitoriosas, Lula voltou a demo-                         projeto para o terceiro aero-               copos e Brasília. Disseram,                 GREVE DE POLICIAIS                     Encarregou o então ministro                   tras providências tivessem sido
nizar a privatização, com tal                           porto de São Paulo.                         corretamente, que se inicia                 Tem ainda uma outra conta            do Planejamento, Paulo Ber-                     tomadas. Mas o olhar em retros-
força que os próprios tucanos                             Ficou pelo caminho. A coisa               uma nova era, com mais inves-             para o ex-presidente, a falta de       nardo, de preparar um projeto                   pectiva mostra, sim, o que dei-
fugiram dela como diabo da                              simplesmente morreu, não se                 timentos e mais eficiência. Por           legislação regulando greves de         regulamentando o tema. O mi-                    xou de ser feito.
cruz. Mas no segundo governo                            falou mais nisso. Já havia en-              que não fizeram antes se todos            funcionários e de policiais, co-       nistro chegou a anunciar os
Lula, a partir de 2007, o tema                          tão um projeto preparado por                estavam no governo Lula?                  mo essa que assombra a Ba-             princípios da nova legislação.                  CARLOS ALBERTO SARDENBERG
voltou, quando a administra-                            um grupo de empresas priva-                   Porque Lula disse que tudo se           hia.                                   Por exemplo: servidor armado                    é jornalista.
ção lidava com o caos aéreo                             das para a construção desse                 resolveria com o PAC, no qual               Entre o final de 2006 e o iní-       não pode fazer greve; greves                    E-mail: sardenberg@cbn.com.br.

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          é publicado pela Infoglobo Comunicação e Participações S.A.      Venda de noticiário:                                                                          Rio de Janeiro e principais     RJ, MG e ES   2,50         4,00       platao@oglobo.com.br
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                        Helena Celestino e Paulo Motta;                    Pesquisa:                                                                                     sexta: das 6h30m às 19h –
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                                                                           Atendimento ao estudante:         e feriados: (21) 2534-5501       (71) 243-3944/243-3387                                     Rua Marquês de Pombal 75              defesadoconsumidor
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                                                                           (21) 2524-5610                    Loja: Rua Irineu Marinho 35,     fax: (71) 243-3587
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             Ciência: Ana Lucia Azevedo; Saúde: Marília Martins;                                             Cidade Nova                      São Paulo:                                                 o dobro do de capa atual
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              Arte: Leo Tavejnhansky; Opinião: Aluízio Maranhão                                              International sales:             (11) 3226-7888             corrente (preço de segunda a
                                                                           E D I T O R I A I S DA S                                                                                                                        O GLOBO É ASSOCIADO:
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Opinião 09 fev 1

  • 1.
    6 Quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 O GLOBO OPINIÃO Brasília cai na tentação protecionista O s motivos parecem razoáveis. Co- bre modelos com menos de 65% de conteú- o país de barreiras para forçar a vinda de fá- são” é que boa parte das importações é de mo a indústria instalada no Brasil do fornecido pela área do Mercosul. De- bricas, de tão tosco não chega a ser uma po- componentes e insumos que fazem a indús- — brasileira ou não — começa a pois, voltou-se contra o acordo comercial lítica industrial. O Brasil, assim, se equipa- tria brasileira ser mais competitiva interna perder mercado para produtos assinado com o México, para também fe- ra ao protecionismo da Argentina, país que e externamente. Ou seja, caso os devaneios importados, que se ergam barreiras às char esta porta de entrada de se converteu em pária global, protecionistas avancem, a indústria brasi- compras no exterior, em nome do salva- automóveis. E, agora, planeja intoxicado por overdose de he- leira, já bastante integrada no mundo, pa- mento de empregos e renda no mercado in- partir contra as importações terodoxias kirchneristas. decerá com a ruptura de linhas de supri- terno. de têxteis, com a arma do au- Um ciclo difícil Em recente artigo no GLOBO, mento. O terremoto/tsunami no Japão e as Na realidade, trata-se de mais uma daque- mento do IPI. Os conhecidos o economista Rogério Wer- inundações na Tailândia mostraram o que las conclusões erradas do “senso comum”. pendores protecionistas la- do mercado neck derrubou, com números, isso significa: os desastres naturais afeta- Indiscutível que há uma conjuntura mundi- tentes no PT dão estridente si- a ideia de que o Brasil estaria ram montadoras de veículos no mundo to- al complexa, em que desalinhamentos de nal de vida. Assim como a mundial é usado sob inundação de um tsunami do. taxas de câmbio — a brasileira, valorizada eclosão da crise mundial, a de importações: de 2000 a Em vez de erguer barreiras vetadas pela — se somam à retração de mercados im- partir de Wall Street, no final para se fechar 2010, o peso das importações OMC para conter importações, o melhor ca- portantes como o americano e europeu e de 2008, serviu de biombo pa- no consumo de bens industria- minho é aplicar políticas de aumento do po- forçam a China e outras plataformas de ex- ra a abertura das comportas o país lizados aumentou de 11,6% do der de competição dos produtos industria- portação orientais a ser bem mais competi- dos gastos em custeio, cujo PIB para 19%, dados da Funda- lizados nacionais, sem depender do câm- tivas do que já eram. Porém, fechar o país, subproduto político foi a elei- ção de Estudos do Comércio bio. Alguns dos pontos a atacar são conhe- por meio de barreiras alfandegárias, é a pi- ção de Dilma, agora, a supero- Exterior (Funcex) e Confedera- cidos: impostos, infraestrutura, burocra- or decisão que um governo pode tomar. Ca- ferta de produtos industrializados asiáti- ção Nacional da Indústria (CNI). Não confi- cia, qualificação da mão de obra. O proteci- so do brasileiro. Nos veículos, Brasília au- cos serve de justificativa para a ressurrei- gura qualquer desastre. onismo tarifário é o menos inteligente e efi- mentou em 30 pontos percentuais o IPI so- ção da ideia da reserva de mercado. Cercar Outro aspecto fundamental nesta “inva- caz dos meios. Correa massacra liberdade de expressão O presidente do Equador, Rafael vo “primeiro” mandato, que vai até agosto cas a donos de veículos e a jornalistas que do de contratos com o governo, o que é ile- Correa, atua para calar a impren- de 2013, com direito à reeleição. Se a conse- ousam criticá-lo. gal. Os jornalistas afirmam no livro que Cor- sa numa furiosa investida contra guir, ficará na presidência até 2017. Foi assim no caso de três diretores e do rea sabia dos contratos, e, por isso, foram a liberdade de expressão que não Governos como os de Equa- editor de opinião do jornal “El condenados cada um a pagar multas de US$ deixa dúvidas sobre as aspirações ditatori- dor, Venezuela e Bolívia (e até Universo”, condenados a três 1 milhão. Correa negou que soubesse e or- ais de seu governo. O Equador luta para cri- o da Argentina, kirchnerista) anos de prisão e a uma multa denou o cancelamento dos contratos. ar instituições democráticas depois de um não conseguem conviver com Jornalistas de US$ 40 milhões (superior ao Na última segunda-feira, entrou em vigor passado recente de turbulência política. críticas porque se acham do- valor da própria empresa), por o ironicamente denominado Código da De- Correa foi eleito em 2006 na esteira de três nos da verdade. Uma de suas críticos são supostamente caluniarem o mocracia, uma lei que simplesmente proíbe golpes civis e militares. Mas, em vez de tra- características é o hiperpresi- presidente. O jornalista, Emílio os veículos de comunicação de divulgar en- balhar pela consolidação democrática, re- dencialismo: seus líderes for- condenados Palácio, acusou Correa de ter trevistas e reportagens com candidatos du- solveu embarcar na demagogia chavista e talecem o Executivo, esvazi- ordenado os disparos de mili- rante as campanhas eleitorais. Ou seja: a denominou seu governo de “Revolução Ci- am o Legislativo e manietam o a pagar multas tares contra um hospital onde imprensa equatoriana está proibida de in- dadã”. Com isso, cada vez mais se parece Judiciário, para fazerem o que o presidente se refugiara du- formar aos eleitores o que dizem, pensam e com os golpistas que o precederam. bem entendem, posando co- astronômicas rante a tentativa de golpe de 30 prometem os candidatos a representá-los Seu primeiro mandato deveria ter-se en- mo salvadores da pátria. No de setembro de 2010. nas diversas assembleias legislativas e ins- cerrado em janeiro de 2011, mas uma nova Equador, Correa entrou em Situação semelhante vivem tâncias do Executivo. Constituição — como instrui a cartilha dos guerra com a imprensa e, co- os jornalistas Juan Carlos Cal- É assustador como governantes latino- regimes bolivarianos recém-instalados — mo domina o Judiciário, adotou uma forma derón e Christian Zurita Ron, autores do li- americanos do Século XXI teimam em adotar marcou eleição para abril de 2009. Correa perversa de estrangular os meios de comu- vro “El Grande Hermano”, que detalha co- práticas obscuras, ultrapassadas e já conde- ganhou em primeiro turno e iniciou um no- nicação. Juízes aplicam multas astronômi- mo o irmão do presidente teria se beneficia- nadas, por inviáveis, ao lixo da História. Mandem a conta para Lula Marcelo Carlos Alberto Sardenberg que explodira no final de 2006. Foi quando as autoridades fi- H á um interessante deba- nalmente admitiram que todo te sobre a privatização o sistema aéreo era, literal- dos aeroportos feita pe- mente, uma permanente ame- lo governo Dilma, mas aça de desastre: recursos mal há também o entendimento de administrados; os aeroportos que a mudança é positiva. E sem estrutura adequada; falta desde já, se a coisa funcionar de pessoal especializado, co- mais ou menos, fica assim: o mo os controladores de tráfe- governo ganha dinheiro com go aéreo; radares com zonas os aeroportos, ao vender as cegas; falhas nas comunica- concessões (R$ 26 bilhões nu- ções via rádio. ma tacada inicial!) e receber Feitas as contas, estava na participação nos lucros e ain- cara que os recursos necessá- da consegue turbinar os inves- rios para atacar todos esses timentos nessa área crucial de problemas estavam muito aci- infraestrutura. Ou seja, se ti- ma da capacidade do governo vesse feito isso há mais tem- federal. Conclusão óbvia: era po, o governo poderia ter utili- preciso trazer dinheiro, em- zado em outros setores caren- presas e gente nova para o se- tes, saúde, por exemplo, o di- tor. Vender concessões era a nheiro que gastou em aero- óbvia saída. portos e o que teria recebido Pelo menos três ministros nas privatizações. E o público do governo Lula disseram a es- estaria mais bem servido. Por te colunista que a privatização que não se fez antes? Porque o era inevitável. A necessidade aeroporto na região de Arau- destinou uns R$ 5 bilhões à Infra- cio de 2007, houve uma se- têm de ser aprovadas em as- então presidente Lula não dei- venceria as resistências ideo- cária. Aliás, o projeto continua ero, para os 12 aeroportos da Co- quência de greves de servido- sembleias com pelo menos xou. lógicas. Modelos foram anali- de pé, e voltou a ser lembrado pa. Reparem como não fazia sen- res públicos da educação, pre- dois terços da categoria (a gre- A conversa sobre privatiza- sados pelos técnicos da admi- agora que o governo fez três tido além da propaganda. Só pa- vidência, meio ambiente e ve dos PMs da Bahia seria ile- ção dos aeroportos não é no- nistração federal, alguns che- concessões privadas de aero- ra a privatização de Guarulhos, o também da polícia. O impacto gal nos dois quesitos); e servi- va, sobretudo no mundo pri- garam a ser anunciados. portos já existentes. Por que governo exigiu da nova concessi- foi tão negativo que até o presi- dor em greve não recebe salá- vado. No governo FHC, tratou- Por exemplo: em julho de não autorizar a construção de onária compromisso de investi- dente Lula reclamou. Lem- rio. se disso no segundo mandato, 2007, o então ministro da Defe- um outro, inteiramente e des- mentos de... R$ 5 bilhões. Para bram-se? Disse que funcioná- Onde está o projeto? Sumiu. quando o presidente já estava sa, Nelson Jobim, deu prazo de de o início privado? Brasília, mais de R$ 8 bilhões. rio público em greve parecia, Os sindicatos de funcionários desgastado e privatizar era pi- 90 dias para que a Agência Na- Resumindo: a presidente Dil- Resumo da ópera: Lula é res- na verdade, estar em férias, não gostaram, Lula esqueceu. or do que qualquer outra coi- cional de Aviação Civil, Anac, ma e seu pessoal celebraram ponsável por um atraso de cin- pois não tinha desconto dos É sempre difícil saber como as sa. Em suas duas campanhas e a Infraero apresentassem o os leilões de Guarulhos, Vira- co anos nessa privatização. dias parados. coisas teriam se passado se ou- vitoriosas, Lula voltou a demo- projeto para o terceiro aero- copos e Brasília. Disseram, GREVE DE POLICIAIS Encarregou o então ministro tras providências tivessem sido nizar a privatização, com tal porto de São Paulo. corretamente, que se inicia Tem ainda uma outra conta do Planejamento, Paulo Ber- tomadas. Mas o olhar em retros- força que os próprios tucanos Ficou pelo caminho. A coisa uma nova era, com mais inves- para o ex-presidente, a falta de nardo, de preparar um projeto pectiva mostra, sim, o que dei- fugiram dela como diabo da simplesmente morreu, não se timentos e mais eficiência. Por legislação regulando greves de regulamentando o tema. O mi- xou de ser feito. cruz. Mas no segundo governo falou mais nisso. Já havia en- que não fizeram antes se todos funcionários e de policiais, co- nistro chegou a anunciar os Lula, a partir de 2007, o tema tão um projeto preparado por estavam no governo Lula? mo essa que assombra a Ba- princípios da nova legislação. CARLOS ALBERTO SARDENBERG voltou, quando a administra- um grupo de empresas priva- Porque Lula disse que tudo se hia. Por exemplo: servidor armado é jornalista. ção lidava com o caos aéreo das para a construção desse resolveria com o PAC, no qual Entre o final de 2006 e o iní- não pode fazer greve; greves E-mail: sardenberg@cbn.com.br. N ORGA NIZA ÇÕES GLOB 0 FALE COM O GLOBO Presidente: Roberto Irineu Marinho Classifone: (21) 2534-4333 Para assinar: (21) 2534-4315 ou oglobo.com.br/assine Geral e Redação: (21) 2534-5000 Vice-Presidentes: João Roberto Marinho ● José Roberto Marinho AG Ê N C I A O G L O B O P U B L I C I DA D E SUCURSAIS A S S I N AT U R A V E N DA AV U L S A AT E N D I M E N T O OGLOBO DE NOTÍCIAS Noticiário: (21) 2534-4310 Belo Horizonte: Atendimento ao assinante ESTADOS DIAS ÚTEIS DOMINGOS AO L E I T O R é publicado pela Infoglobo Comunicação e Participações S.A. 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