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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ECONOMIA CIRCULAR: UMA BREVE REVISÃO DE
LITERATURA
Conference Paper · January 2022
DOI: 10.29327/III_SUSTENTARE_VI_WIPIS.438263
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Universidade Nove de Julho
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VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade
16 a 18 de novembro de 2021
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ECONOMIA CIRCULAR: UMA BREVE REVISÃO
DE LITERATURA
André Castilho Navarro, PUC-Campinas, andre.navarro@rcrambiental.com.br
Siliane Vanessa Sartori, PUC-Campinas, silisartori@yahoo.com.br
Diego de Melo Conti, PUC-Campinas, diegoconti@uol.com.br
Luciano Ferreira da Silva, Uninove, lf_silvabr@yahoo.com.br
Resumo
A Revolução Industrial deixou um legado de produtividade, que aliado ao crescimento popula-
cional resultou em estímulo ao consumismo. A humanidade conviveu séculos com uma forma-
tação mental do modelo econômico linear, com pouca restrição sobre aspectos relacionados à
finitude dos recursos naturais. De outro modo, a Economia Circular é uma teoria que busca
repensar a maneira sobre como os produtos são planejados e operados, uma reconstrução de
conceitos onde busca-se maximizar o fluxo dos materiais em operação. Sendo assim, o mercado
de trabalho buscará cada vez mais por profissionais que sejam capacitados com tais habilidades,
ao mesmo tempo que se espera um comportamento mais sustentável pelo consumidor. Nesse
sentido, o objetivo desse estudo foi investigar na produção cientifica a potencialização da Eco-
nomia Circular através da Educação Ambiental. Os procedimentos metodológicos adotados es-
tão alinhados com uma revisão sistemática da literatura. Como resultado, o estudo demostrou
uma crescente produção de obras relacionadas, além disso evidenciou que a necessária mudança
de mindset depende de novos saberes, e para que se acelere tal transição a Educação Ambiental
é aplicável tanto no modelo formal, quanto no informal. Os artigos selecionados demonstram
correlações entre educação e redução de consumo e resíduos, porém observa-se a necessidade
por se aprofundar novos estudos correlacionando Educação Ambiental à projetos mais robustos
de Economia Circular e seus resultados.
Palavras-chave: Educação ambiental, Sustentabilidade, Economia circular.
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1. Introdução
A humanidade vive tempos desafiadores, pandemias, eventos climáticos extremos cada
vez mais frequentes, esgotamento dos recursos naturais nos seus mais diversos ramos. A popu-
lação vem crescendo com uma lógica econômica linear, que estimula o consumo, perfazendo
um ciclo vicioso e perverso que coloca diversos limitadores para geração de riqueza e qualidade
de vida, para geração atual e principalmente para as próximas gerações.
Como bem referido por Portilho (2005):
A abundância dos bens de consumo continuamente produzidos pelo sis-
tema industrial é considerada, frequentemente, um símbolo da perfor-
mance bem-sucedida das economias capitalistas modernas. No entanto,
está abundância passou a receber uma conotação negativa sendo objeto
de críticas que consideram o consumismo um dos principais problemas
das sociedades industriais modernas (PORTILHO, 2005, p. 67).
Dessa forma, é preciso buscar um ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento social, o
crescimento econômico e a utilização dos recursos naturais, objetivando o desenvolvimento
econômico harmonizando a igualdade social, a erradicação da pobreza, melhorando a qualidade
de vida e o bem-estar de todos os indivíduos, procurando assim, reduzir os danos ambientais e
a escassez ecológica, o que visa promover um desenvolvimento sustentável nos aspectos ambi-
ental e social.
Com isso, a partir da década de 1970 surgiu o relatório do Clube de Roma “Os limites do
crescimento”. Meadows, et al. (1972), que documentou os riscos enfrentados pela humanidade,
revelando os desafios para sustentabilidade global e correlacionando a economia mundial ao
meio ambiente por meio de uma abordagem computacional que resultou numa sugestão de que
não haveria recursos capazes de acompanhar o crescimento contínuo da economia global, o que
possivelmente resultaria num colapso no século XXI, mas que esse fato poderia ser evitado com
alterações políticas e comportamentais.
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Em 1972, em Estolcomo, a organização das Nações Unidas (ONU) organizou um evento
para tratar as questões ambientais de maneira global, que resultou num documento que ficou
conhecido como “Declaração de Estocolmo”, onde foram definidos princípios envolvendo as
questões ambientais internacionais, incluindo gestão de recursos naturais, prevenção da polui-
ção, entre outros. Em 1987, o Relatório Brundtland, conhecido pela denominação “Nosso Fu-
turo Comum”, estabelece o desenvolvimento sustentável como “aquele que atende as necessi-
dades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas
próprias necessidades” (CMMAD, 1991, p. 46).
Conforme informa a Organização das Nações Unidas (ONU, 2019), 87 das maiores empresas
mundiais detentoras de 2,3 trilhões de dólares em valor de mercado, mais de 4,2 milhões de
funcionários, comprometeram-se a cumprir metas climáticas em suas operações, compreen-
dendo assim a sustentabilidade como forma de se obter a perenidade dos negócios. Ainda neste
contexto de mudanças globais e sustentabilidade, a evolução nas taxas de urbanização fez com
que a população mundial passasse, em sessenta anos, de pouco mais de 3 bilhões de pessoas
para 7.7 bilhões (ONU, 2019). Essa multiplicação da população é proporcional ao consumo de
recursos naturais e acréscimo da geração de resíduos, o que afeta o cotidiano da civilização por
diversas formas (DOVI et al., 2009). Além desta realidade exposta, em 2019 o mundo lidou
com a terrível pandemia de Covid-19, que limitou a circulação e produção industrial de forma
marcante para humanidade.
Em 22 de agosto de 2020 alcançou-se o denominado “dia da sobrecarga da Terra” WWF
(2020), data em que a demanda da humanidade por recursos naturais ultrapassou a capacidade
de regeneração do planeta naquele ano, ou seja, nesse ritmo fica claro o desequilíbrio entre
geração e demanda por recursos naturais, com a humanidade utilizando o “cheque especial” do
planeta.
Portanto, em um contexto de mudança de modelo mental, as organizações começam a
adotar a pauta da sustentabilidade com a percepção de que investimentos ambientais não com-
prometem a lucratividade e a competitividade, pelo contrário, remetem a práticas de gestão que
visam eliminar os desperdícios (GOMES, 2009). A economia linear desenvolvida de forma
preponderante pela civilização desde a revolução industrial levou a humanidade a vivenciar a
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atual crise nos sistemas ambientais e na disponibilidade de recursos naturais, trazendo à tona a
necessidade de mudança (DOWBOR, 2017). De outra forma, a economia circular propicia re-
sultados satisfatórios para a economia, para sociedade e principalmente ao meio ambiente, para
tanto preconiza-se a existência de adequadas políticas públicas, assim como eficazes ferramen-
tas para gestão de recursos (GENG et al., 2009).
A economia circular é um conceito nascido na década de 1970, que pressupõe a ruptura
do modelo econômico linear (extrair, transformar e descartar), atualmente aplicado pela grande
maioria das empresas, para a implantação de um modelo no qual todos os tipos de materiais são
elaborados para circular de forma eficiente e serem recolocados na produção, sem perda da
qualidade. A economia circular é uma ferramenta econômica regenerativa, restaurativa e que
tem como objetivo preservar e melhorar o capital natural (PASCHOALIN FILHO; FRASSON;
CONTI, 2019). Ou seja, a economia circular, visa à recolocação de materiais de forma eficiente
na produção sem perder a qualidade.
Além disso, Leitão (2015) diz que a Economia Circular é um modelo que permite repen-
sar as práticas económicas da sociedade atual e que se inspira no funcionamento da própria
natureza. Com isso, a Economia Circular visa estabelecer oportunidades de criação de ciclos
múltiplos de uso, reduzindo assim a dependência em recursos e concomitantemente elimina o
desperdício.
Embora muito se tenha avançado na mudança de modelos de produção e consumo linea-
res, é evidente a necessidade de um novo paradigma para o desenvolvimento. Assim, podemos
dizer que o conceito de sustentabilidade estratégica está relacionado com uma mentalidade, ati-
tude ou estratégia que é ecologicamente correta, economicamente viável e socialmente justa.
Portanto, alinhado com os princípios da economia circular, que prevê um modelo econômico
fechado, onde se destaca o reaproveitamento de materiais e resíduos (Ellen MacArthur Founda-
tion, 2017).
Ademais, a economia circular aponta para a possibilidade de criação de produtos de ciclos
múltiplos de uso, dessa forma, reduz a dependência em recursos ao passo que elimina o
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desperdício. A partir da economia circular os produtos e serviços circulam de modo eficiente e
sustentável sem perder a sua qualidade.
Um marco importante para o Brasil aconteceu em 2010, com a Política Nacional de Re-
síduos Sólidos, instituída pela Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que contempla a proble-
mática dos diversos tipos de resíduos gerados pela população, diretrizes e planos para se realizar
a Logística Reversa, que se caracteriza pela coleta e encaminhamento a reciclagem ou outra
destinação ambientalmente adequada, de produtos e/ou seus resíduos após o consumo. Destaca
responsabilidade compartilhada entre os diversos atores da cadeia produtiva, incluindo o con-
sumidor final, dessa forma, a responsabilidade compartilhada abrange não somente fabricantes,
importadores, distribuidores e comerciante, como também os consumidores e os titulares dos
serviços públicos de limpeza urbana. Ademais, com a entrada em vigor da Lei nº 12.305/10,
objetivou-se a redução da produção de resíduos sólidos iniciando por hábitos de consumo sus-
tentável, como também com o aumento da reciclagem, do reaproveitamento dos resíduos sóli-
dos, bem como da destinação ambientalmente apropriada dos rejeitos.
Não obstante a sociedade de consumo encontrar-se mais preocupada com o meio ambi-
ente, ainda se faz necessário rever os conceitos sobre desperdício, reutilização, reciclagem e
redução de resíduos sólidos, considerando que cotidianamente uma enxurrada de resíduos é
produzida e na grande maioria das vezes é descartado de forma inapropriada no meio ambiente,
o que compromete a qualidade de vida das pessoas, sua saúde e os recursos naturais.
Isto posto, mostra-se essencial estabelecer uma educação ambiental voltada a se desen-
volver uma consciência coletiva sobre a importância de se preservar os recursos naturais, de se
alterar o mindset dos administradores e engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento de pro-
dutos no sentido de se obter a maior durabilidade possível, de se manter os recursos ativos no
fluxo, essencial uma educação que ensine a coleta seletiva do lixo e seus impactos, pois de outra
forma nenhum sistema de logística reversa poderá atender aos objetivos que se propõe.
Destaca-se a importância da Educação Ambiental na perspectiva de uma educação cidadã
que integre as pessoas e o meio em que estão introduzidas, desenvolvendo a responsabilidade
social. Jacobi (2003) diz que a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar
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e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais ca-
minhos de dinamização da sociedade e de concretização de uma proposta de sociabilidade ba-
seada na educação para a participação.
Nesta perspectiva, Ardoin, Bowers e Gaillard (2020) dizem que a educação ambiental
eficaz representa mais do que uma transferência unidirecional de informações, ela desenvolve
e aprimora atitudes, valores e conhecimentos ambientais, bem como desenvolve habilidades
que preparam indivíduos e comunidades para empreender ações ambientais positivas de forma
colaborativa.
Busca-se na Educação Ambiental o desenvolvimento de uma consciência crítica de toda
a sociedade, de mudanças de hábitos e valores que possibilite uma maior integração e harmonia
dos indivíduos com o meio ambiente, uma vez que a natureza não é fonte inesgotável de recur-
sos e suas reservas são finitas. Assim, somente por meio da educação ambiental será possível
construir uma sociedade não descartável, conscientizando todos os atores sociais de que a pre-
servação ambiental é algo urgente e que depende da participação de todos os indivíduos. Por-
tanto, a relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez
mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais
que se tornam mais complexos e se intensificam os riscos ambientais (JACOBI, 2003, p. 196).
O artigo 1º da Lei Federal 9.795/1999 define a Educação Ambiental como “[...] os pro-
cessos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimen-
tos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem
de uso comum do povo, essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.
Deste modo, a Educação Ambiental surge como um instrumento para a sustentabilidade
em diversas dimensões seja técnica, para habilitar profissionais com competências voltadas a
desenhar produtos e serviços mais eficientes do ponto de vista ambiental ou para o desenvolvi-
mento tecnológico capaz de reutilizar materiais em fim de vida num novo ciclo produtivo, ou
ainda de forma mais holística criando um propósito no indivíduo, desde sua educação infantil,
de base.
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Por conseguinte, Gadotti (2008) diz que educar para a sustentabilidade implica mudar o
sistema, implica o respeito à vida, o cuidado diário com o planeta e cuidado com toda a comu-
nidade da vida, da qual a vida humana é um capítulo. Assim, a preservação do meio ambiente
necessita de uma consciência ecológica e o desenvolvimento da consciência depende da edu-
cação.
Os objetivos do desenvolvimento sustentável exigem uma mudança nos valores que ori-
entam o comportamento dos diversos atores, desde políticos, empresários, administradores e
consumidores. A sensibilização da sociedade, a incorporação do saber ambiental emergente no
sistema educacional e a formação de recursos humanos de alto nível foram considerados como
processos fundamentais para orientar e instrumentar as políticas ambientais (LEFF, 2015, p.
222).
Assim, verifica-se que a Educação Ambiental é um importante instrumento a serviço da
sustentabilidade, pois a partir dela é possível educar, sensibilizar e conscientizar os indivíduos
para que vivam uma vida baseada nos pilares da sustentabilidade. A partir de uma educação
voltada para o desenvolvimento sustentável será possível atingir os objetivos que estão previs-
tos na Agenda 2030. Dessa forma, a Educação Ambiental mostra-se uma valiosa estratégia de
transformação social e cultural que permite modificar valores e compartilhar a responsabilidade
diante dos recursos naturais finitos. Assim sendo, a aceleração da transição entre os modelos
econômicos, do linear ao circular, passa invariavelmente pelos processos de Educação Ambi-
ental, tanto formais, quanto informais, que em conjunto se constituem num poderoso, senão
imprescindível, instrumento para se possibilitar e/ou potencializar as iniciativas pelo Brasil e
pelo Mundo. Portanto, adota-se como objetivo investigar na produção cientifica a potencializa-
ção da Economia Circular através da Educação Ambiental.
Para tanto, o artigo está organizado a partir da introdução, seguindo para a metodologia
da pesquisa; posteriormente os resultados e discussões; seguidos pelas conclusões e recomen-
dações. Por último são listadas as referências utilizadas no estudo.
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3. Metodologia
O estudo foi realizado por meio de uma revisão sistemática da literatura estruturada para
analisar as inter-relações entre Economia Circular e Educação Ambiental. Trata-se de uma pes-
quisa exploratória e descritiva e com abordagem qualitativa, onde a sequência de etapas do
estudo pode ser observada na Figura 1.
Foram utilizadas as informações extraídas da base de dados Scopus, aplicando-se a string
de busca ["Circular Economy" and "Environmental Education"]. Ressalta-se que foram consi-
derados apenas artigos científicos de periódicos revisados por pares no período de 2016 a 2020,
o que resultou em 57 estudos. Todos os títulos, resumos e fontes de pesquisa foram lidos e
analisados durante este resultado primário e, a partir do resultado obtido, foram aplicados os
critérios de inclusão (IC) e exclusão (CE), considerando os seguintes critérios relevantes para
a pesquisa:
Critérios de inclusão:
• IC1: Título claramente relacionado à educação ambiental ou economia circular;
• IC2: Conteúdo relacionado a educação ambiental e economia circular;
• IC3: Conteúdo relacionado às estratégias de educação ambiental, formação de
professores, ações educativas;
• IC4: Artigos em inglês.
Critérios de exclusão para estudos:
• EC1: Não relacionado à educação ambiental;
• EC2: Relacionados estritamente a economia circular.
Após a leitura e aplicando os critérios de Inclusão e Exclusão, restaram 21 artigos, os
quais foram analisados mais profundamente. A escolha dessas ferramentas de pesquisa deve-se
ao fato de considerar critérios de tradição, credibilidade e visibilidade.
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Figura 1. Etapas utilizadas no estudo
Fonte: Elaboração própria, 2021.
*
Base: SCOPUS
Período: 2016 à 2020
String “Circular Economy”
AND
“Environmental Education”
Periódico revisado
por pares ?
Título 
EA* ou EC*
Conteúdo 
EA* e EC*
Estratégias de
EC*, formação
professores e/ou
ações educativas?
Não utilizar no presente
estudo.
Artigo em inglês
?
Relacionado
estritamente
EC* ou não
relacionado EA* ?
?
Artigo selecionado para o
presente estudo.
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Portanto, reforçamos que operacionalmente o estudo investiga a Educação Ambiental e
Economia Circular como ferramentas para se atingir a sustentabilidade. Assim, somente foram
selecionados artigos que abrangiam tal temática, o que resultou em um total de 21 artigos.
4. Resultados
Considerando a produção cientifica que relaciona Economia Circular com a Educação
Ambiental, a Figura 2 demonstra claramente a evolução das publicações relevantes nos últimos
2 (dois) anos do estudo, o que remete a uma tendência positiva.
Figura 2. Evolução anual das publicações
Fonte: Elaboração própria.
2 2
5
12
0
2
4
6
8
10
12
14
2017 2018 2019 2020
Nº Publicações Por Ano
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Reforçamos que devido a representatividade constatada, optou-se pela base SCOPUS e
publicações em inglês para sequência do estudo. Desta forma, foram selecionados os 21 artigos
mais representativos em coerência com a metodologia de inclusão e exclusão supracitada, as-
sim, selecionou-se os artigos publicados entre 2016 e 2021 (Tabela 1).
0 1 2 3
Thu Thao Phan Hoang
A. Virsta
Sakari Tolppanen
Julian Kirchherr
Joan Manuel F.Mendoza
Helen Kopnina
Winnie Wing Mui So
Ben Tirone Nunes
Şiir Kılkış
Leo Cleverdon
Anxela Bugallo-Rodríguez
Natalia Solano-Pinto
Rospita Odorlina P. Situmorang
Tomasz Rokicki
Ligia Isabel Estrada-Vidal
George Halkos
Jakob Zwiers
Jorge Rodríguez-Chueca
Hiroshi Ito
Nº Publicações Por 1º Autor
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Tabela 1. Artigos selecionados
Artigo Ano Revista
Measuring the impact of solid waste management workshop activities in elementary schools: a six-
month case study in Da Nang city, Vietnam
2020 Applied Environmental Education and Communication
Gaps on waste management education in schools and universities from Bucharest 2020 Journal of Environmental Protection and Ecology
Relevance of life-cycle assessment in context-based science education: A case study in lower
secondary school
2019 Sustainability (Switzerland)
Towards an Education for the Circular Economy (ECE): Five Teaching Principles and a Case Study 2019 Resources, Conservation and Recycling
Building a business case for implementation of a circular economy in higher education institutions 2019 Journal of Cleaner Production
Green-washing or best case practices? Using circular economy and Cradle to Cradle case studies in
business education
2019 Journal of Cleaner Production
Environmental education in primary schools: A case study with plastic resources and recycling 2019 Education 3-13
University contributions to the circular economy: Professing the hidden curriculum 2018 Sustainability (Switzerland)
Circular economy and cradle to cradle in educational practice 2018 Journal of Integrative Environmental Sciences
Integrated circular economy and education model to address aspects of an energy-water-food nexus
in a dairy facility and local contexts
2017 Journal of Cleaner Production
The engagement of students in higher education institutions with the concepts of sustainability: A
case study of the University of Northampton, in England
2017 Resources
Circular economy, sustainability and teacher training in a higher education institution 2020 Journal of Sustainability in Higher Education
Is knowledge of circular economy, pro-environmental behavior, satisfaction with life, and beliefs a
predictor of connectedness to nature in rural children and adolescents? A pilot study
2020 Sustainability (Switzerland)
The difference of knowledge and behavior of college students on plastic waste problems 2020 Sustainability (Switzerland)
The importance of higher education in the EU countries in achieving the objectives of the circular
economy in the energy sector
2020 Energies
The differences across future teachers regarding attitudes on social responsibility for sustainable
development
2020 International Journal of Environmental Research and Public Health
The relationship between MSW and education: WKC evidence from 25 OECD countries 2020 Waste Management
Circular literacy. A knowledge-based approach to the circular economy 2020 Culture and Organization
‘Nothing Goes to Waste’: A professional learning programme for early childhood centres 2020 Australasian Journal of Early Childhood
Understanding sustainability and the circular economy through flipped classroom and challenge-
based learning: an innovative experience in engineering education in Spain
2020 Environmental Education Research
Place-based environmental education to promote eco-initiatives: the case of Yokohama, Japan 2020
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Por fim, foi elaborada uma nuvem de palavras-chave, que tiveram pelo menos duas
ocorrências, por meio do site Infogram com o objetivo de revelar os termos mais utilizados nos
artigos científicos considerados neste estudo (Figura 4).
Figura 4. Nuvem de palavras
Fonte: dados da pesquisa, 2021.
A nuvem de palavras revela que o termo Economia Circular foi à expressão mais utilizada
nos artigos e que por esta razão aparece em destaque na Figura 4.
5. Considerações finais
O estudo permitiu concluir que existe um grande potencial a ser explorado com relação
à educação ambiental para impulsionar e acelerar a transição para uma economia mais circular,
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dessa forma, se faz necessário uma aplicação prática daquilo que a Política Nacional de Resí-
duos Sólidos descreve como responsabilidade compartilhada. Neste sentido, os governos deve-
riam incluir disciplinas mais especificas de Economia Circular nas grades curriculares formais,
do ensino fundamental aos cursos de graduação, ao mesmo tempo a educação informal deve ser
impulsionada pela mídia, pelas corporações privadas e pelo terceiro setor, com um maior al-
cance e maior participação dos cidadãos, com conseguinte desenvolvimento de um novo olhar
crítico, um novo pensar e um novo modus operandi.
O estudo demonstrou uma crescente produção de obras relacionadas às temáticas estuda-
das, além disso evidenciou que a necessária mudança de mindet depende de novos saberes, e
para que se acelere tal transição a Educação Ambiental é aplicável tanto no modelo formal,
quanto no informal. Os artigos selecionados demonstram correlações entre educação e redução
de consumo e resíduos, porém observa-se a necessidade por se aprofundar novos estudos qua-
litativos e quantitativos correlacionando diretamente Educação Ambiental com resultados tem-
porais de projetos mais robustos de Economia Circular, que não se limitem na redução de resí-
duos, mas também na criação de novos serviços e cadeias de valor.
Por fim, embora exista o estudo da Educação Ambiental aliada a Economia Circular, re-
comenda-se a criação de estratégias que envolvam todos os atores sociais por meio de uma
responsabilidade compartilhada para fortalecer tal temática como forma de promoção de uma
consciência ambiental mais participativa centrada no exercício da cidadania que ofereçam um
processo permanente de aprendizagem onde a Educação Ambiental é o instrumento pelo qual
irá se promover as ações da Economia Circular e, consequentemente, o desenvolvimento sus-
tentável.
6. Referências
ARDOIN, Nicole M.; BOWERS, Alison W.; GAILLARD Estelle. Environmental education
outcomes for conservation: A systematic review. Biological Conservation, V. 241, January
2020.
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Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 29 set. 2021.
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2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 28 out. 2021.
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MEADOWS, Donella H., et al. The Limits to growth. Universe Books. New York. 1972.
ONU. Organização das Nações Unidas. Saiba o que foi prometido durante a histórica Cúpula
de Ação Climática da ONU. 2019. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/84235-saiba-o-
que-foi-prometido-durante-historica-cupula-de-acao-climatica-da-onu>. Acesso em: 04 mai.
2021.
PASCHOALIN FILHO, João Alexandre; FRASSON, Sueli Aparecida; CONTI, Diego de
Melo. Economia Circular Estudo de Casos Múltiplos em Usinas de Reciclagem no Manejo de
Resíduos da Construção Civil. Revista Desenvolvimento em Questão, 2019.
PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. São Paulo: Cortez,
2005.
WWF – World Wildlife Fund. O Dia da Sobrecarga da Terra, 2020. Disponível em:
https://www.wwf.org.br/overshootday/. Acesso em: 5 mai. 2021.
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  • 1. See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/357896306 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ECONOMIA CIRCULAR: UMA BREVE REVISÃO DE LITERATURA Conference Paper · January 2022 DOI: 10.29327/III_SUSTENTARE_VI_WIPIS.438263 CITATIONS 0 READS 10 4 authors, including: Andre Navarro PUC Campinas 6 PUBLICATIONS 4 CITATIONS SEE PROFILE Siliane Vanessa Sartori 6 PUBLICATIONS 1 CITATION SEE PROFILE Luciano Ferreira da Silva Universidade Nove de Julho 162 PUBLICATIONS 359 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Luciano Ferreira da Silva on 29 January 2024. The user has requested enhancement of the downloaded file.
  • 2. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ECONOMIA CIRCULAR: UMA BREVE REVISÃO DE LITERATURA André Castilho Navarro, PUC-Campinas, andre.navarro@rcrambiental.com.br Siliane Vanessa Sartori, PUC-Campinas, silisartori@yahoo.com.br Diego de Melo Conti, PUC-Campinas, diegoconti@uol.com.br Luciano Ferreira da Silva, Uninove, lf_silvabr@yahoo.com.br Resumo A Revolução Industrial deixou um legado de produtividade, que aliado ao crescimento popula- cional resultou em estímulo ao consumismo. A humanidade conviveu séculos com uma forma- tação mental do modelo econômico linear, com pouca restrição sobre aspectos relacionados à finitude dos recursos naturais. De outro modo, a Economia Circular é uma teoria que busca repensar a maneira sobre como os produtos são planejados e operados, uma reconstrução de conceitos onde busca-se maximizar o fluxo dos materiais em operação. Sendo assim, o mercado de trabalho buscará cada vez mais por profissionais que sejam capacitados com tais habilidades, ao mesmo tempo que se espera um comportamento mais sustentável pelo consumidor. Nesse sentido, o objetivo desse estudo foi investigar na produção cientifica a potencialização da Eco- nomia Circular através da Educação Ambiental. Os procedimentos metodológicos adotados es- tão alinhados com uma revisão sistemática da literatura. Como resultado, o estudo demostrou uma crescente produção de obras relacionadas, além disso evidenciou que a necessária mudança de mindset depende de novos saberes, e para que se acelere tal transição a Educação Ambiental é aplicável tanto no modelo formal, quanto no informal. Os artigos selecionados demonstram correlações entre educação e redução de consumo e resíduos, porém observa-se a necessidade por se aprofundar novos estudos correlacionando Educação Ambiental à projetos mais robustos de Economia Circular e seus resultados. Palavras-chave: Educação ambiental, Sustentabilidade, Economia circular.
  • 3. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 2 1. Introdução A humanidade vive tempos desafiadores, pandemias, eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, esgotamento dos recursos naturais nos seus mais diversos ramos. A popu- lação vem crescendo com uma lógica econômica linear, que estimula o consumo, perfazendo um ciclo vicioso e perverso que coloca diversos limitadores para geração de riqueza e qualidade de vida, para geração atual e principalmente para as próximas gerações. Como bem referido por Portilho (2005): A abundância dos bens de consumo continuamente produzidos pelo sis- tema industrial é considerada, frequentemente, um símbolo da perfor- mance bem-sucedida das economias capitalistas modernas. No entanto, está abundância passou a receber uma conotação negativa sendo objeto de críticas que consideram o consumismo um dos principais problemas das sociedades industriais modernas (PORTILHO, 2005, p. 67). Dessa forma, é preciso buscar um ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento social, o crescimento econômico e a utilização dos recursos naturais, objetivando o desenvolvimento econômico harmonizando a igualdade social, a erradicação da pobreza, melhorando a qualidade de vida e o bem-estar de todos os indivíduos, procurando assim, reduzir os danos ambientais e a escassez ecológica, o que visa promover um desenvolvimento sustentável nos aspectos ambi- ental e social. Com isso, a partir da década de 1970 surgiu o relatório do Clube de Roma “Os limites do crescimento”. Meadows, et al. (1972), que documentou os riscos enfrentados pela humanidade, revelando os desafios para sustentabilidade global e correlacionando a economia mundial ao meio ambiente por meio de uma abordagem computacional que resultou numa sugestão de que não haveria recursos capazes de acompanhar o crescimento contínuo da economia global, o que possivelmente resultaria num colapso no século XXI, mas que esse fato poderia ser evitado com alterações políticas e comportamentais.
  • 4. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 3 Em 1972, em Estolcomo, a organização das Nações Unidas (ONU) organizou um evento para tratar as questões ambientais de maneira global, que resultou num documento que ficou conhecido como “Declaração de Estocolmo”, onde foram definidos princípios envolvendo as questões ambientais internacionais, incluindo gestão de recursos naturais, prevenção da polui- ção, entre outros. Em 1987, o Relatório Brundtland, conhecido pela denominação “Nosso Fu- turo Comum”, estabelece o desenvolvimento sustentável como “aquele que atende as necessi- dades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades” (CMMAD, 1991, p. 46). Conforme informa a Organização das Nações Unidas (ONU, 2019), 87 das maiores empresas mundiais detentoras de 2,3 trilhões de dólares em valor de mercado, mais de 4,2 milhões de funcionários, comprometeram-se a cumprir metas climáticas em suas operações, compreen- dendo assim a sustentabilidade como forma de se obter a perenidade dos negócios. Ainda neste contexto de mudanças globais e sustentabilidade, a evolução nas taxas de urbanização fez com que a população mundial passasse, em sessenta anos, de pouco mais de 3 bilhões de pessoas para 7.7 bilhões (ONU, 2019). Essa multiplicação da população é proporcional ao consumo de recursos naturais e acréscimo da geração de resíduos, o que afeta o cotidiano da civilização por diversas formas (DOVI et al., 2009). Além desta realidade exposta, em 2019 o mundo lidou com a terrível pandemia de Covid-19, que limitou a circulação e produção industrial de forma marcante para humanidade. Em 22 de agosto de 2020 alcançou-se o denominado “dia da sobrecarga da Terra” WWF (2020), data em que a demanda da humanidade por recursos naturais ultrapassou a capacidade de regeneração do planeta naquele ano, ou seja, nesse ritmo fica claro o desequilíbrio entre geração e demanda por recursos naturais, com a humanidade utilizando o “cheque especial” do planeta. Portanto, em um contexto de mudança de modelo mental, as organizações começam a adotar a pauta da sustentabilidade com a percepção de que investimentos ambientais não com- prometem a lucratividade e a competitividade, pelo contrário, remetem a práticas de gestão que visam eliminar os desperdícios (GOMES, 2009). A economia linear desenvolvida de forma preponderante pela civilização desde a revolução industrial levou a humanidade a vivenciar a
  • 5. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 4 atual crise nos sistemas ambientais e na disponibilidade de recursos naturais, trazendo à tona a necessidade de mudança (DOWBOR, 2017). De outra forma, a economia circular propicia re- sultados satisfatórios para a economia, para sociedade e principalmente ao meio ambiente, para tanto preconiza-se a existência de adequadas políticas públicas, assim como eficazes ferramen- tas para gestão de recursos (GENG et al., 2009). A economia circular é um conceito nascido na década de 1970, que pressupõe a ruptura do modelo econômico linear (extrair, transformar e descartar), atualmente aplicado pela grande maioria das empresas, para a implantação de um modelo no qual todos os tipos de materiais são elaborados para circular de forma eficiente e serem recolocados na produção, sem perda da qualidade. A economia circular é uma ferramenta econômica regenerativa, restaurativa e que tem como objetivo preservar e melhorar o capital natural (PASCHOALIN FILHO; FRASSON; CONTI, 2019). Ou seja, a economia circular, visa à recolocação de materiais de forma eficiente na produção sem perder a qualidade. Além disso, Leitão (2015) diz que a Economia Circular é um modelo que permite repen- sar as práticas económicas da sociedade atual e que se inspira no funcionamento da própria natureza. Com isso, a Economia Circular visa estabelecer oportunidades de criação de ciclos múltiplos de uso, reduzindo assim a dependência em recursos e concomitantemente elimina o desperdício. Embora muito se tenha avançado na mudança de modelos de produção e consumo linea- res, é evidente a necessidade de um novo paradigma para o desenvolvimento. Assim, podemos dizer que o conceito de sustentabilidade estratégica está relacionado com uma mentalidade, ati- tude ou estratégia que é ecologicamente correta, economicamente viável e socialmente justa. Portanto, alinhado com os princípios da economia circular, que prevê um modelo econômico fechado, onde se destaca o reaproveitamento de materiais e resíduos (Ellen MacArthur Founda- tion, 2017). Ademais, a economia circular aponta para a possibilidade de criação de produtos de ciclos múltiplos de uso, dessa forma, reduz a dependência em recursos ao passo que elimina o
  • 6. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 5 desperdício. A partir da economia circular os produtos e serviços circulam de modo eficiente e sustentável sem perder a sua qualidade. Um marco importante para o Brasil aconteceu em 2010, com a Política Nacional de Re- síduos Sólidos, instituída pela Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que contempla a proble- mática dos diversos tipos de resíduos gerados pela população, diretrizes e planos para se realizar a Logística Reversa, que se caracteriza pela coleta e encaminhamento a reciclagem ou outra destinação ambientalmente adequada, de produtos e/ou seus resíduos após o consumo. Destaca responsabilidade compartilhada entre os diversos atores da cadeia produtiva, incluindo o con- sumidor final, dessa forma, a responsabilidade compartilhada abrange não somente fabricantes, importadores, distribuidores e comerciante, como também os consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza urbana. Ademais, com a entrada em vigor da Lei nº 12.305/10, objetivou-se a redução da produção de resíduos sólidos iniciando por hábitos de consumo sus- tentável, como também com o aumento da reciclagem, do reaproveitamento dos resíduos sóli- dos, bem como da destinação ambientalmente apropriada dos rejeitos. Não obstante a sociedade de consumo encontrar-se mais preocupada com o meio ambi- ente, ainda se faz necessário rever os conceitos sobre desperdício, reutilização, reciclagem e redução de resíduos sólidos, considerando que cotidianamente uma enxurrada de resíduos é produzida e na grande maioria das vezes é descartado de forma inapropriada no meio ambiente, o que compromete a qualidade de vida das pessoas, sua saúde e os recursos naturais. Isto posto, mostra-se essencial estabelecer uma educação ambiental voltada a se desen- volver uma consciência coletiva sobre a importância de se preservar os recursos naturais, de se alterar o mindset dos administradores e engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento de pro- dutos no sentido de se obter a maior durabilidade possível, de se manter os recursos ativos no fluxo, essencial uma educação que ensine a coleta seletiva do lixo e seus impactos, pois de outra forma nenhum sistema de logística reversa poderá atender aos objetivos que se propõe. Destaca-se a importância da Educação Ambiental na perspectiva de uma educação cidadã que integre as pessoas e o meio em que estão introduzidas, desenvolvendo a responsabilidade social. Jacobi (2003) diz que a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar
  • 7. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 6 e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais ca- minhos de dinamização da sociedade e de concretização de uma proposta de sociabilidade ba- seada na educação para a participação. Nesta perspectiva, Ardoin, Bowers e Gaillard (2020) dizem que a educação ambiental eficaz representa mais do que uma transferência unidirecional de informações, ela desenvolve e aprimora atitudes, valores e conhecimentos ambientais, bem como desenvolve habilidades que preparam indivíduos e comunidades para empreender ações ambientais positivas de forma colaborativa. Busca-se na Educação Ambiental o desenvolvimento de uma consciência crítica de toda a sociedade, de mudanças de hábitos e valores que possibilite uma maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente, uma vez que a natureza não é fonte inesgotável de recur- sos e suas reservas são finitas. Assim, somente por meio da educação ambiental será possível construir uma sociedade não descartável, conscientizando todos os atores sociais de que a pre- servação ambiental é algo urgente e que depende da participação de todos os indivíduos. Por- tanto, a relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se tornam mais complexos e se intensificam os riscos ambientais (JACOBI, 2003, p. 196). O artigo 1º da Lei Federal 9.795/1999 define a Educação Ambiental como “[...] os pro- cessos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimen- tos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”. Deste modo, a Educação Ambiental surge como um instrumento para a sustentabilidade em diversas dimensões seja técnica, para habilitar profissionais com competências voltadas a desenhar produtos e serviços mais eficientes do ponto de vista ambiental ou para o desenvolvi- mento tecnológico capaz de reutilizar materiais em fim de vida num novo ciclo produtivo, ou ainda de forma mais holística criando um propósito no indivíduo, desde sua educação infantil, de base.
  • 8. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 7 Por conseguinte, Gadotti (2008) diz que educar para a sustentabilidade implica mudar o sistema, implica o respeito à vida, o cuidado diário com o planeta e cuidado com toda a comu- nidade da vida, da qual a vida humana é um capítulo. Assim, a preservação do meio ambiente necessita de uma consciência ecológica e o desenvolvimento da consciência depende da edu- cação. Os objetivos do desenvolvimento sustentável exigem uma mudança nos valores que ori- entam o comportamento dos diversos atores, desde políticos, empresários, administradores e consumidores. A sensibilização da sociedade, a incorporação do saber ambiental emergente no sistema educacional e a formação de recursos humanos de alto nível foram considerados como processos fundamentais para orientar e instrumentar as políticas ambientais (LEFF, 2015, p. 222). Assim, verifica-se que a Educação Ambiental é um importante instrumento a serviço da sustentabilidade, pois a partir dela é possível educar, sensibilizar e conscientizar os indivíduos para que vivam uma vida baseada nos pilares da sustentabilidade. A partir de uma educação voltada para o desenvolvimento sustentável será possível atingir os objetivos que estão previs- tos na Agenda 2030. Dessa forma, a Educação Ambiental mostra-se uma valiosa estratégia de transformação social e cultural que permite modificar valores e compartilhar a responsabilidade diante dos recursos naturais finitos. Assim sendo, a aceleração da transição entre os modelos econômicos, do linear ao circular, passa invariavelmente pelos processos de Educação Ambi- ental, tanto formais, quanto informais, que em conjunto se constituem num poderoso, senão imprescindível, instrumento para se possibilitar e/ou potencializar as iniciativas pelo Brasil e pelo Mundo. Portanto, adota-se como objetivo investigar na produção cientifica a potencializa- ção da Economia Circular através da Educação Ambiental. Para tanto, o artigo está organizado a partir da introdução, seguindo para a metodologia da pesquisa; posteriormente os resultados e discussões; seguidos pelas conclusões e recomen- dações. Por último são listadas as referências utilizadas no estudo.
  • 9. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 8 3. Metodologia O estudo foi realizado por meio de uma revisão sistemática da literatura estruturada para analisar as inter-relações entre Economia Circular e Educação Ambiental. Trata-se de uma pes- quisa exploratória e descritiva e com abordagem qualitativa, onde a sequência de etapas do estudo pode ser observada na Figura 1. Foram utilizadas as informações extraídas da base de dados Scopus, aplicando-se a string de busca ["Circular Economy" and "Environmental Education"]. Ressalta-se que foram consi- derados apenas artigos científicos de periódicos revisados por pares no período de 2016 a 2020, o que resultou em 57 estudos. Todos os títulos, resumos e fontes de pesquisa foram lidos e analisados durante este resultado primário e, a partir do resultado obtido, foram aplicados os critérios de inclusão (IC) e exclusão (CE), considerando os seguintes critérios relevantes para a pesquisa: Critérios de inclusão: • IC1: Título claramente relacionado à educação ambiental ou economia circular; • IC2: Conteúdo relacionado a educação ambiental e economia circular; • IC3: Conteúdo relacionado às estratégias de educação ambiental, formação de professores, ações educativas; • IC4: Artigos em inglês. Critérios de exclusão para estudos: • EC1: Não relacionado à educação ambiental; • EC2: Relacionados estritamente a economia circular. Após a leitura e aplicando os critérios de Inclusão e Exclusão, restaram 21 artigos, os quais foram analisados mais profundamente. A escolha dessas ferramentas de pesquisa deve-se ao fato de considerar critérios de tradição, credibilidade e visibilidade.
  • 10. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 9 Figura 1. Etapas utilizadas no estudo Fonte: Elaboração própria, 2021. * Base: SCOPUS Período: 2016 à 2020 String “Circular Economy” AND “Environmental Education” Periódico revisado por pares ? Título  EA* ou EC* Conteúdo  EA* e EC* Estratégias de EC*, formação professores e/ou ações educativas? Não utilizar no presente estudo. Artigo em inglês ? Relacionado estritamente EC* ou não relacionado EA* ? ? Artigo selecionado para o presente estudo.
  • 11. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 10 Portanto, reforçamos que operacionalmente o estudo investiga a Educação Ambiental e Economia Circular como ferramentas para se atingir a sustentabilidade. Assim, somente foram selecionados artigos que abrangiam tal temática, o que resultou em um total de 21 artigos. 4. Resultados Considerando a produção cientifica que relaciona Economia Circular com a Educação Ambiental, a Figura 2 demonstra claramente a evolução das publicações relevantes nos últimos 2 (dois) anos do estudo, o que remete a uma tendência positiva. Figura 2. Evolução anual das publicações Fonte: Elaboração própria. 2 2 5 12 0 2 4 6 8 10 12 14 2017 2018 2019 2020 Nº Publicações Por Ano
  • 12. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 11 Reforçamos que devido a representatividade constatada, optou-se pela base SCOPUS e publicações em inglês para sequência do estudo. Desta forma, foram selecionados os 21 artigos mais representativos em coerência com a metodologia de inclusão e exclusão supracitada, as- sim, selecionou-se os artigos publicados entre 2016 e 2021 (Tabela 1). 0 1 2 3 Thu Thao Phan Hoang A. Virsta Sakari Tolppanen Julian Kirchherr Joan Manuel F.Mendoza Helen Kopnina Winnie Wing Mui So Ben Tirone Nunes Şiir Kılkış Leo Cleverdon Anxela Bugallo-Rodríguez Natalia Solano-Pinto Rospita Odorlina P. Situmorang Tomasz Rokicki Ligia Isabel Estrada-Vidal George Halkos Jakob Zwiers Jorge Rodríguez-Chueca Hiroshi Ito Nº Publicações Por 1º Autor
  • 13. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 12 Tabela 1. Artigos selecionados Artigo Ano Revista Measuring the impact of solid waste management workshop activities in elementary schools: a six- month case study in Da Nang city, Vietnam 2020 Applied Environmental Education and Communication Gaps on waste management education in schools and universities from Bucharest 2020 Journal of Environmental Protection and Ecology Relevance of life-cycle assessment in context-based science education: A case study in lower secondary school 2019 Sustainability (Switzerland) Towards an Education for the Circular Economy (ECE): Five Teaching Principles and a Case Study 2019 Resources, Conservation and Recycling Building a business case for implementation of a circular economy in higher education institutions 2019 Journal of Cleaner Production Green-washing or best case practices? Using circular economy and Cradle to Cradle case studies in business education 2019 Journal of Cleaner Production Environmental education in primary schools: A case study with plastic resources and recycling 2019 Education 3-13 University contributions to the circular economy: Professing the hidden curriculum 2018 Sustainability (Switzerland) Circular economy and cradle to cradle in educational practice 2018 Journal of Integrative Environmental Sciences Integrated circular economy and education model to address aspects of an energy-water-food nexus in a dairy facility and local contexts 2017 Journal of Cleaner Production The engagement of students in higher education institutions with the concepts of sustainability: A case study of the University of Northampton, in England 2017 Resources Circular economy, sustainability and teacher training in a higher education institution 2020 Journal of Sustainability in Higher Education Is knowledge of circular economy, pro-environmental behavior, satisfaction with life, and beliefs a predictor of connectedness to nature in rural children and adolescents? A pilot study 2020 Sustainability (Switzerland) The difference of knowledge and behavior of college students on plastic waste problems 2020 Sustainability (Switzerland) The importance of higher education in the EU countries in achieving the objectives of the circular economy in the energy sector 2020 Energies The differences across future teachers regarding attitudes on social responsibility for sustainable development 2020 International Journal of Environmental Research and Public Health The relationship between MSW and education: WKC evidence from 25 OECD countries 2020 Waste Management Circular literacy. A knowledge-based approach to the circular economy 2020 Culture and Organization ‘Nothing Goes to Waste’: A professional learning programme for early childhood centres 2020 Australasian Journal of Early Childhood Understanding sustainability and the circular economy through flipped classroom and challenge- based learning: an innovative experience in engineering education in Spain 2020 Environmental Education Research Place-based environmental education to promote eco-initiatives: the case of Yokohama, Japan 2020
  • 14. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 13 Por fim, foi elaborada uma nuvem de palavras-chave, que tiveram pelo menos duas ocorrências, por meio do site Infogram com o objetivo de revelar os termos mais utilizados nos artigos científicos considerados neste estudo (Figura 4). Figura 4. Nuvem de palavras Fonte: dados da pesquisa, 2021. A nuvem de palavras revela que o termo Economia Circular foi à expressão mais utilizada nos artigos e que por esta razão aparece em destaque na Figura 4. 5. Considerações finais O estudo permitiu concluir que existe um grande potencial a ser explorado com relação à educação ambiental para impulsionar e acelerar a transição para uma economia mais circular,
  • 15. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 14 dessa forma, se faz necessário uma aplicação prática daquilo que a Política Nacional de Resí- duos Sólidos descreve como responsabilidade compartilhada. Neste sentido, os governos deve- riam incluir disciplinas mais especificas de Economia Circular nas grades curriculares formais, do ensino fundamental aos cursos de graduação, ao mesmo tempo a educação informal deve ser impulsionada pela mídia, pelas corporações privadas e pelo terceiro setor, com um maior al- cance e maior participação dos cidadãos, com conseguinte desenvolvimento de um novo olhar crítico, um novo pensar e um novo modus operandi. O estudo demonstrou uma crescente produção de obras relacionadas às temáticas estuda- das, além disso evidenciou que a necessária mudança de mindet depende de novos saberes, e para que se acelere tal transição a Educação Ambiental é aplicável tanto no modelo formal, quanto no informal. Os artigos selecionados demonstram correlações entre educação e redução de consumo e resíduos, porém observa-se a necessidade por se aprofundar novos estudos qua- litativos e quantitativos correlacionando diretamente Educação Ambiental com resultados tem- porais de projetos mais robustos de Economia Circular, que não se limitem na redução de resí- duos, mas também na criação de novos serviços e cadeias de valor. Por fim, embora exista o estudo da Educação Ambiental aliada a Economia Circular, re- comenda-se a criação de estratégias que envolvam todos os atores sociais por meio de uma responsabilidade compartilhada para fortalecer tal temática como forma de promoção de uma consciência ambiental mais participativa centrada no exercício da cidadania que ofereçam um processo permanente de aprendizagem onde a Educação Ambiental é o instrumento pelo qual irá se promover as ações da Economia Circular e, consequentemente, o desenvolvimento sus- tentável. 6. Referências ARDOIN, Nicole M.; BOWERS, Alison W.; GAILLARD Estelle. Environmental education outcomes for conservation: A systematic review. Biological Conservation, V. 241, January 2020.
  • 16. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 15 BRASIL. Lei nº 9795, de 27 de abril de 1999. Política Nacional de Educação Ambiental. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 29 set. 2021. BRASIL. Lei nº 12305, de 02 de agosto de 2010. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Bra- silia, DF, 02 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 28 out. 2021. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso Fu- turo Comum. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991. DOWBOR, Ladislau. A era do capital improdutivo. São Paulo: Autonomia Literária, 2017. DOVI, V. G., Friedler, F., Hulsingh, D., Klemes Jiri, Cleaner energy for sustainable future, Journal of Cleaner Production 17(10), 2009. ELLEN MACARTHUR FOUNDATION. Uma economia circular no Brasil: uma abordagem exploratória inicial, 2017. Disponível em: http://www.elenmacarthurfoundation.org/. Acesso em: 16 jan. 2020. GADOTTI, Moacir. EDUCAR PARA A SUSTENTABILIDADE. Inclusão Social. Brasília, v.3, n. 1, p. 75-78, out. 2007/mar. 2008. GENG, Y., ZHU Q., DOBERSTEIN, B., Fujita, T. Implementing China´s circular economy concepta t the regional level: A review of progress in Dalian, China. Waste Management 29 (2009) 996 – 1002. International Journal of Integrated Waste Manegement, Science and Technology. GOMES, S. C. J. As Práticas de Sustentabilidade Estratégica nas Empresas Portuguesas - Es- tudo de Caso: Corticeira Amorim. 2009. 102 p. Dissertação (Mestrado em Marketing) – Uni- versidade do Porto, Porto, 2009. INFOGRAM. Disponível em: <www.infogram.com>. Acesso em: 13 out. 2021. JACOBI, Pedro. EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p. 189-205, 2003. LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexibilidade, poder. 11ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.
  • 17. III Sustentare – Seminários de Sustentabilidade da PUC-Campinas VI WIPIS – Workshop Internacional de Pesquisa em Indicadores de Sustentabilidade 16 a 18 de novembro de 2021 16 LEITÃO, A. Economia circular: uma nova filosofia de gestão para o século XXI. Portuguese Journal of Finance Management and Accounting, v 1, n.2, 2015. Disponível em: https://reposi- torio.ucp.pt/handle/10400.14/21110. Acesso em: 28 de out. de 2021. MEADOWS, Donella H., et al. The Limits to growth. Universe Books. New York. 1972. ONU. Organização das Nações Unidas. Saiba o que foi prometido durante a histórica Cúpula de Ação Climática da ONU. 2019. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/84235-saiba-o- que-foi-prometido-durante-historica-cupula-de-acao-climatica-da-onu>. Acesso em: 04 mai. 2021. PASCHOALIN FILHO, João Alexandre; FRASSON, Sueli Aparecida; CONTI, Diego de Melo. Economia Circular Estudo de Casos Múltiplos em Usinas de Reciclagem no Manejo de Resíduos da Construção Civil. Revista Desenvolvimento em Questão, 2019. PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. São Paulo: Cortez, 2005. WWF – World Wildlife Fund. O Dia da Sobrecarga da Terra, 2020. Disponível em: https://www.wwf.org.br/overshootday/. Acesso em: 5 mai. 2021. View publication stats