Arboviroses
Arbovírus
Definição da OMS: “vírus mantidos na natureza através da
transmissão biológica entre hospedeiros vertebrados suscetíveis
por artrópodes hematófagos, ou por transmissão transovariana e
possivelmente venérea em artrópodes”
Arthropod-Born Virus
Arbovírus
Classificação
Envelopados
Desnudos
Arbovírus
Ciclo de Transmissão
Animais domésticos
Ciclo epidêmico
urbano
Ciclo enzoótico Ciclo epizoótico
rural
Arbovírus
Vetores
Aedes aegypti Aedes albopictus Culex sp.
Ixodes scapularis
Culicoides paraensis
Arbovírus
Síndrome Clínica
• Infecção inaparente
• Doença febril / Febre exantemática
– inespecífica
• Encefalite – EEE, WEE, encefalite
de St. Louis, encefalite japonesa
• Febre hemorrágica – febre amarela,
dengue
Arbovírus
Diagnóstico
• Sorologia – comumente utilizada
• Cultura – camundongos ou
linhagens celulares (e.g. células de
mosquito) - raramente utilizada
• Testes de detecção direta – detecção
de antígenos ou ácidos nucleicos
Arbovírus
Distribuição Mundial
Dengue Febre amarela
Nilo ocidental Chikungunya
Encefalite japonesa Encefalite equina venezuelana
Arbovírus
Distribuição Mundial
Mapa global da predição de distribuição do Aedes aegypti
Kramer et al. The global distribution of the arbovirus vectors Aedes aegypti and Ae. Albopictus. eLife 2015.
Arbovírus
Prevenção
• Vigilância – doença e população de
vetores
• Controle de vetores
• Proteção pessoal – telas de proteção,
repelentes
• Vacinação – febre amarela, encefalite
japonesa, encefalite russa do carrapato
Arbovírus no Brasil
Arbovírus circulantes no território brasileiro
Vírus Família Vetor Incidência
Dengue Flaviviridae Aedes sp. +++
Chikungunya Togaviridae Aedes sp. ++
Zika Flaviviridae Aedes sp. +
Febre amarela Flaviviridae
Aedes sp.
Haemagogus
+ (regional)
Mayaro Togaviridae Haemagogus raro
Nilo ocidental Flaviviridae Culex sp. raro
Oropouche Bunyaviridae Culicoides paraensis raro
Dengue
Principal arbovirose no mundo (>2 milhões de casos/ano)
RNA fita simples (+)
Família – Flaviviridae
Gênero – Flavivirus
4 sorotipos conhecidos (DEN1-4)
Transmitido por mosquitos Aedes
Dengue
Estrutura
Dengue
Ciclo de Transmissão
Vasilaskis et al. Fever from the forest. Nat Rev Microbiol. 9(7): 532-541, 2012.
Dengue
Distribuição Mundial
Guzman e Harris. Dengue. The Lancet. 385: 453-465, 2015.
Endêmica em mais de 100 países
Dengue
Incidência no Brasil
Secretaria de vigilância em saúde, informe 30, agosto de 2019
Até 28/07/19 = >1 milhões
de casos prováveis
Aumento de >600% no
número de casos prováveis
(2018 – 2019)
Dengue
Dengue clássica (doença febril aguda)
• Febre alta
• Linfoadenopatia
• Mialgia e artralgia
• Cefaleia e dor retro-orbitária
• Exantema
• Prostração
• Anorexia, náuseas
Dengue
Febre hemorrágica da dengue
• Hemorragias na pele
• Petéquias, púrpuras
• Sangramento gengival e nasal
• Sangramento gastrointestinal
• Hematúria
• Pode levar ao choque
• Mortalidade de 5-10%
Pessoas previamente infectadas
com um sorotipo diferente
Dengue
Diagnóstico
Dias de doença
Picada do
mosquito
Detecção viral:
PCR
Antígeno NS1
Detecção de
anticorpos:
ELISA
Risco de
hemorragia e
choque
Dengue
Não há terapia antiviral específica
Ingestão de líquidos e analgésicos
Prevenção se dá pela erradicação do
mosquito
Vacina (Butantan) em última etapa de
testes
Tratamento e Prevenção
Chikungunya
Identificada pela primeira vez em 1952 (Tanzania)
“Aquele que se dobra”
RNA fita simples (+)
Família – Togaviridae
Gênero – Alphavirus
3 genótipos (Asiático, África ocidental
e Leste/Central/Sul da África)
Transmitido por mosquitos Aedes
Chikungunya
Ciclo de Transmissão
Ciclo selvagem ocorre na África
Chikungunya
Distribuição Mundial
Estimado em 3 milhões de casos por ano
Chikungunya
Incidência no Brasil
Até 28/07/19 = >90 mil
casos prováveis (34,6% a
mais que em 2018)
Sudeste (RJ) e Nordeste
(RN) com o maior número
Secretaria de vigilância em saúde, informe 30, agosto de 2019
A doença é dividida em:
• Fase aguda (~1 semana)
• Artralgia intensa, geralmente simétrica
• Febre aguda alta
• Mialgia e poliartrite
• Cefaleia e náuseas
• Exantema
• Fase crônica (meses a anos)
• Persistência de alguns sintomas
• Artralgia incapacitante
• 5-10% evoluem com artralgia crônica
Chikungunya
Diagnóstico
Chikungunya
Tanabe et al. Cellular and Molecular Immune Response to Chikungunya Virus Infection. Front. Cell Infect. Microbiol. 2018.
Não há terapia antiviral específica
Ingestão de líquidos e analgésicos
Prevenção se dá pela erradicação do
mosquito
Vacina em testes com seres humanos
Tratamento e Prevenção
Chikungunya
Zika
Vírus descoberto na Floresta de Zika (Uganda, 1947)
RNA fita simples (+)
Família – Flaviviridae
Gênero – Flavivirus
Transmitido por mosquitos Aedes
Zika
Ciclo de Transmissão
Zika
Nigéria (1952) – primeiro caso em humanos
Yap (2007) – primeiro surto
Zika
Distribuição Mundial
Zika
Incidência no Brasil
Até 28/07/19 = >9 mil casos
prováveis (45% a mais que
em 2018)
Sudeste (RJ e MG) e
Nordeste com o maior
número de casos
Secretaria de vigilância em saúde, informe 30, agosto de 2019
Maioria dos casos é assintomático
Sintomas semelhantes ao Dengue (moderado)
• Febre
• Conjuntivite
• Artralgia e mialgia
• Exantema
Zika
Zika
Síndrome de Guillain-Barré
Fraqueza muscular causada por
dano ao sistema nervoso pelo
sistema imune
Aumento de número de casos em
regiões com a presença do vírus
Relação ainda não bem definida
Zika
Complicações
Microcefalia
Principal problema causado
pela infecção intrauterina
Vírus pode ultrapassar a
barreira placentária
Problemas intelectuais,
convulsões, problemas de
visão e audição
Zika
Complicações
Diagnóstico
Zika
Xavier et al. Clinical and laboratory diagnosis of Zika fever: an update. J. Bras. Patol. Med. Lab. 53(4), 2017.
Não há terapia antiviral específica
Ingestão de líquidos e analgésicos
Prevenção se dá pela erradicação do
mosquito
Vacina em testes
Tratamento e Prevenção
Zika
Febre Amarela
Primeira doença humana identificada como
causada por agente filtrável e transmitida por
mosquito
RNA fita simples (+)
Família – Flaviviridae
Gênero – Flavivirus
Transmitido por mosquitos
Aedes, Haemogogus e Sabethes
Febre Amarela
Ciclo de Transmissão
Febre Amarela
Distribuição Mundial
Gershman e Staples. Yellow Fever. In: Netter’s Infectious Diseases, 2012.
Estimado 200.000 casos/ano – 30.000 mortes
90% na África
Febre Amarela
Reemergência no Brasil
Secretaria de vigilância em saúde, Ministério da Saúde
Febre Amarela
Incidência no Brasil
Até 06/19 = 82 casos
humanos e 48 casos em
primatas não-humanos
confirmados
14 óbitos (humanos)
Secretaria de vigilância em saúde, informe 18, julho de 2019
Os sintomas inicialmente são:
• Início súbito de febre
• Calafrios
• Cefaleia intensa
• Dor no corpo e prostração
• Náuseas e vômitos
Cerca de 15% pode apresentar a uma forma mais grave :
• Febre alta
• Icterícia
• Hemorragia (TGI)
• Choque e insuficiência de múltiplos órgãos
Febre Amarela
Não há terapia antiviral específica
Ingestão de líquidos e analgésicos
Prevenção se dá pela erradicação do
mosquito
Vacina oferecida pelo SUS (uma dose)
Tratamento e Prevenção
Febre Amarela

Doenças virais transmitidas por artrópodes

  • 1.
  • 2.
    Arbovírus Definição da OMS:“vírus mantidos na natureza através da transmissão biológica entre hospedeiros vertebrados suscetíveis por artrópodes hematófagos, ou por transmissão transovariana e possivelmente venérea em artrópodes” Arthropod-Born Virus
  • 3.
  • 4.
    Arbovírus Ciclo de Transmissão Animaisdomésticos Ciclo epidêmico urbano Ciclo enzoótico Ciclo epizoótico rural
  • 5.
    Arbovírus Vetores Aedes aegypti Aedesalbopictus Culex sp. Ixodes scapularis Culicoides paraensis
  • 6.
    Arbovírus Síndrome Clínica • Infecçãoinaparente • Doença febril / Febre exantemática – inespecífica • Encefalite – EEE, WEE, encefalite de St. Louis, encefalite japonesa • Febre hemorrágica – febre amarela, dengue
  • 7.
    Arbovírus Diagnóstico • Sorologia –comumente utilizada • Cultura – camundongos ou linhagens celulares (e.g. células de mosquito) - raramente utilizada • Testes de detecção direta – detecção de antígenos ou ácidos nucleicos
  • 8.
    Arbovírus Distribuição Mundial Dengue Febreamarela Nilo ocidental Chikungunya Encefalite japonesa Encefalite equina venezuelana
  • 9.
    Arbovírus Distribuição Mundial Mapa globalda predição de distribuição do Aedes aegypti Kramer et al. The global distribution of the arbovirus vectors Aedes aegypti and Ae. Albopictus. eLife 2015.
  • 10.
    Arbovírus Prevenção • Vigilância –doença e população de vetores • Controle de vetores • Proteção pessoal – telas de proteção, repelentes • Vacinação – febre amarela, encefalite japonesa, encefalite russa do carrapato
  • 11.
    Arbovírus no Brasil Arbovíruscirculantes no território brasileiro Vírus Família Vetor Incidência Dengue Flaviviridae Aedes sp. +++ Chikungunya Togaviridae Aedes sp. ++ Zika Flaviviridae Aedes sp. + Febre amarela Flaviviridae Aedes sp. Haemagogus + (regional) Mayaro Togaviridae Haemagogus raro Nilo ocidental Flaviviridae Culex sp. raro Oropouche Bunyaviridae Culicoides paraensis raro
  • 12.
    Dengue Principal arbovirose nomundo (>2 milhões de casos/ano) RNA fita simples (+) Família – Flaviviridae Gênero – Flavivirus 4 sorotipos conhecidos (DEN1-4) Transmitido por mosquitos Aedes
  • 13.
  • 14.
    Dengue Ciclo de Transmissão Vasilaskiset al. Fever from the forest. Nat Rev Microbiol. 9(7): 532-541, 2012.
  • 15.
    Dengue Distribuição Mundial Guzman eHarris. Dengue. The Lancet. 385: 453-465, 2015. Endêmica em mais de 100 países
  • 16.
    Dengue Incidência no Brasil Secretariade vigilância em saúde, informe 30, agosto de 2019 Até 28/07/19 = >1 milhões de casos prováveis Aumento de >600% no número de casos prováveis (2018 – 2019)
  • 17.
    Dengue Dengue clássica (doençafebril aguda) • Febre alta • Linfoadenopatia • Mialgia e artralgia • Cefaleia e dor retro-orbitária • Exantema • Prostração • Anorexia, náuseas
  • 18.
    Dengue Febre hemorrágica dadengue • Hemorragias na pele • Petéquias, púrpuras • Sangramento gengival e nasal • Sangramento gastrointestinal • Hematúria • Pode levar ao choque • Mortalidade de 5-10% Pessoas previamente infectadas com um sorotipo diferente
  • 19.
    Dengue Diagnóstico Dias de doença Picadado mosquito Detecção viral: PCR Antígeno NS1 Detecção de anticorpos: ELISA Risco de hemorragia e choque
  • 20.
    Dengue Não há terapiaantiviral específica Ingestão de líquidos e analgésicos Prevenção se dá pela erradicação do mosquito Vacina (Butantan) em última etapa de testes Tratamento e Prevenção
  • 21.
    Chikungunya Identificada pela primeiravez em 1952 (Tanzania) “Aquele que se dobra” RNA fita simples (+) Família – Togaviridae Gênero – Alphavirus 3 genótipos (Asiático, África ocidental e Leste/Central/Sul da África) Transmitido por mosquitos Aedes
  • 22.
    Chikungunya Ciclo de Transmissão Cicloselvagem ocorre na África
  • 23.
  • 24.
    Chikungunya Incidência no Brasil Até28/07/19 = >90 mil casos prováveis (34,6% a mais que em 2018) Sudeste (RJ) e Nordeste (RN) com o maior número Secretaria de vigilância em saúde, informe 30, agosto de 2019
  • 25.
    A doença édividida em: • Fase aguda (~1 semana) • Artralgia intensa, geralmente simétrica • Febre aguda alta • Mialgia e poliartrite • Cefaleia e náuseas • Exantema • Fase crônica (meses a anos) • Persistência de alguns sintomas • Artralgia incapacitante • 5-10% evoluem com artralgia crônica Chikungunya
  • 26.
    Diagnóstico Chikungunya Tanabe et al.Cellular and Molecular Immune Response to Chikungunya Virus Infection. Front. Cell Infect. Microbiol. 2018.
  • 27.
    Não há terapiaantiviral específica Ingestão de líquidos e analgésicos Prevenção se dá pela erradicação do mosquito Vacina em testes com seres humanos Tratamento e Prevenção Chikungunya
  • 28.
    Zika Vírus descoberto naFloresta de Zika (Uganda, 1947) RNA fita simples (+) Família – Flaviviridae Gênero – Flavivirus Transmitido por mosquitos Aedes
  • 29.
  • 30.
    Zika Nigéria (1952) –primeiro caso em humanos Yap (2007) – primeiro surto
  • 31.
  • 32.
    Zika Incidência no Brasil Até28/07/19 = >9 mil casos prováveis (45% a mais que em 2018) Sudeste (RJ e MG) e Nordeste com o maior número de casos Secretaria de vigilância em saúde, informe 30, agosto de 2019
  • 33.
    Maioria dos casosé assintomático Sintomas semelhantes ao Dengue (moderado) • Febre • Conjuntivite • Artralgia e mialgia • Exantema Zika
  • 34.
  • 35.
    Síndrome de Guillain-Barré Fraquezamuscular causada por dano ao sistema nervoso pelo sistema imune Aumento de número de casos em regiões com a presença do vírus Relação ainda não bem definida Zika Complicações
  • 36.
    Microcefalia Principal problema causado pelainfecção intrauterina Vírus pode ultrapassar a barreira placentária Problemas intelectuais, convulsões, problemas de visão e audição Zika Complicações
  • 37.
    Diagnóstico Zika Xavier et al.Clinical and laboratory diagnosis of Zika fever: an update. J. Bras. Patol. Med. Lab. 53(4), 2017.
  • 38.
    Não há terapiaantiviral específica Ingestão de líquidos e analgésicos Prevenção se dá pela erradicação do mosquito Vacina em testes Tratamento e Prevenção Zika
  • 39.
    Febre Amarela Primeira doençahumana identificada como causada por agente filtrável e transmitida por mosquito RNA fita simples (+) Família – Flaviviridae Gênero – Flavivirus Transmitido por mosquitos Aedes, Haemogogus e Sabethes
  • 40.
  • 41.
    Febre Amarela Distribuição Mundial Gershmane Staples. Yellow Fever. In: Netter’s Infectious Diseases, 2012. Estimado 200.000 casos/ano – 30.000 mortes 90% na África
  • 42.
    Febre Amarela Reemergência noBrasil Secretaria de vigilância em saúde, Ministério da Saúde
  • 43.
    Febre Amarela Incidência noBrasil Até 06/19 = 82 casos humanos e 48 casos em primatas não-humanos confirmados 14 óbitos (humanos) Secretaria de vigilância em saúde, informe 18, julho de 2019
  • 44.
    Os sintomas inicialmentesão: • Início súbito de febre • Calafrios • Cefaleia intensa • Dor no corpo e prostração • Náuseas e vômitos Cerca de 15% pode apresentar a uma forma mais grave : • Febre alta • Icterícia • Hemorragia (TGI) • Choque e insuficiência de múltiplos órgãos Febre Amarela
  • 45.
    Não há terapiaantiviral específica Ingestão de líquidos e analgésicos Prevenção se dá pela erradicação do mosquito Vacina oferecida pelo SUS (uma dose) Tratamento e Prevenção Febre Amarela

Notas do Editor

  • #4 Cerca de mais de 500 espécies de arbovírus (150 relacionadas a humanos), a maioria sendo zoonótica.