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1
DIÁRIO DE
KASSANDRA
A MARCA DA
BRUXA
(CONTO)
2
2021. Raquel Alves
Todos os direitos reservados.
Produção e Diagramação: Raquel Alves
Capa: Imagem do site Pixabay
Ilustrações: Public Domain Vectors e Png
Revisão: Raquel Alves
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra
sem autorização prévia do autor. Todos os
direitos estão devidamente registrados.
3
Apresentação do conto
Quatro amigos decidem se aventurar por
entre as belezas de uma floresta sombria. Seria
apenas uma travessura, típica do Halloween.
Contudo, eventos macabros poderão por
fim aos desejos particulares e coletivos de
Rebeka, Tom, Marrie e Paul.
4
Sumário
Capítulo 1: Preparativos..................................06
Capítulo 2: Brincando com minha luxúria.......11
Capítulo 3: O espelho......................................16
Capítulo 4: A história da bruxa- parte 1..........21
Capítulo 5: Mapa............................................29
Capítulo 6: Perdidos........................................34
Capítulo 7: A história da bruxa- parte 2..........38
Capítulo 8: Sacrifício.......................................44
5
Capítulo 9- Noite de Halloween- parte 1..........50
Capítulo 10- Noite de Halloween- parte 2........58
Sobre a autora................................................66
6
Capítulo 1: Preparativos
Ainda me lembro, como se fosse hoje, o
dia fatídico que começou a minha maldição.
Estava junto com mais três amigos, desbravando
um pedaço de uma tentadora e convidativa
Floresta. Porém, entre as trilhas desconhecidas
que surgiam a nossa frente, mais excitados com
aquela experiência ficávamos, sem saber o
trágico destino que nos esperava.
Paul, o mais velho e insano do grupo, era o
nosso guia. Engraçado isso... O nosso guia mais
bêbado do que nunca, tropeçava em sua própria
sombra, de tão chapado que estava. Marrie, sua
namorada, fumava que nem uma caipora
7
neurótica. E eu? Bem, eu era daquelas pessoas
do contra, sabe? Mas, mal eles sabiam que desta
vez eu estava certa.
"Vocês são um bando de doidos varridos. A
floresta da Black Moon é mal assombrada. Já
ouvi histórias sinistras sobre ela."
"Ah, lá vem a senhora certinha! Sabe o que
você realmente é, Rebeka? Uma Patricinha de
m**** que pensa que sabe de tudo, que se sente
superior a todos nós. Parece que eu não deixei
minha mãe em casa".
"Essa foi boa Marrie", confirmou Paul. Eu
nunca recebi uma ofensa desse tipo de minha
amiga, mas achei que fosse o efeito do álcool e
cigarros, que haviam falado por ela. Por isso,
fingi que não escutei tal comentário.
"Vamos acabar com essa briga boba, ok?
Não há ninguém obrigando você estar aqui. Mas
quem ficar até o fim vai ganhar um surpreendente
presente", fala esta de Tom, olhando diretamente
para a profundidade dos meus olhos. P*** m****!
Aquilo me arrasou por dentro.
8
Durante anos, fui super ligada nele. E ele,
como aquele típico homem cafajeste e safado, me
esnobava. Depois de um tempo, eu desisti dele.
Por mais que meu coração doesse, eu abri mão
de lutar por ele, para o meu próprio bem. Eu
aceitei ir nessa aventura e saber qual era esse
presente, essa recompensa por minha coragem.
Afinal de contas, eu deveria colocar em minha
cabeça, que era uma floresta inofensiva.
Particularmente, nunca gostei desses lances que
as pessoas normais inventam para justificar
coisas que não conhecem. Sei lá... Eu não
acreditei, naquele momento, nas baboseiras que
o povo da cidade falava. No final de toda a
discussão, a maioria venceu.
"Pensando bem, eu estou com medo" disse
Marrie, raciocinando mais do que a gente,
apesar da bebida. Contudo, Paul prometeu que
se casaria com ela, caso aceitasse o desafio de
desbravar a floresta. "Não brinque comigo... se
casar uma m**** comigo!", complementou minha
amiga.
"Deixa a m**** e me escuta. Sei que você
quer essa cerimônia, apesar de não achar que o
seu significado realmente importe. Mas, se você
realmente quer isso, então venha comigo. Afinal,
9
você vai dividir comigo suas alegrias, tristezas,
bebedeiras, loucuras. Todos estão ouvindo o que
estou prometendo. É a mais pura verdade!"
"Sim, todos nós ouvimos!", disse eu. "Agora
vamos logo!"
Dois dias antes de embarcarmos nesta
loucura, fomos a loja do Bill e compramos
bebidas, comidas nada saudáveis, kit de
sobrevivência simples (com cordas, lanternas,
remédios, espanta mosquito) e um mapa. O dono
da loja ficou espantado ao saber da trilha que
iríamos fazer.
"Vocês são doidos. Por dinheiro nenhum do
mundo, eu iria lá. Dizem que a pessoa fica louca
com as coisas que acontecem lá."
"E é por falta de todo dinheiro no mundo
que você vai morrer nessa miséria!", assim Paul
encerrou esta conversa. Eu dei um beliscão nele,
lançando meu olhar de desprezo para o meu
10
amigo e um olhar de desculpas para o dono da
loja.
Marcamos para a manhã do sábado,
estarmos todos na rodovia 62, no lado do Oeste
da cidade.
Lembro-me que era um dia ensolarado.
Acordei pulando da cama. O despertador não
tocara, mas eu já estava acostumada a acordar
cedo. Tom já havia me ligado duas vezes, porém
deixei o meu celular no silencioso. Arrumei
rapidamente minha bolsa, colocando celular e
dinheiro, uma câmera para registrar esta
aventura, alguns documentos e o kit de
sobrevivência do Bill.
Tomei um rápido banho: nem consegui
fazer um penteado bacana para o meu cabelo.
Decidi que era melhor deixar um coque, que só
favoreceu a magreza do meu rosto. Era assim
que eu gostaria de me apresentar para Tom?
11
Capítulo 2- Brincando
com minha luxúria
Na minha cabeça, eu apostava todas as
fichas que uma possível transa me aguardava no
final deste desafio de desbravar uma floresta
sombria. Eu, no entanto, me sentia parecendo
com uma múmia egípcia. Em todos os sentidos:
fisicamente, sexualmente, espiritualmente... Foi
nessa hora que passei uma mensagem de texto
para o celular de Tom, pedindo que me
aguardasse por mais vinte minutos. Esse tempo
seria utilizado para decidir, que o melhor era
deixar meu cabelo solto e molhado; que eu
12
deveria vestir um sutiã que valorizasse um
pouco mais a falta de seios fartos; e que a
calcinha ideal seria a que pudesse marcar mais
a calça jeans que eu escolhera. Meu corpo
parecia vibrar com a ideia maluca de que eu
estaria pronta para a minha primeira transa. É
claro que nunca, em meus piores sonhos,
imaginaria que aquela floresta seria o local
escolhido.
Não percebi que nessas poucas escolhas, o
tempo passou rápido. Desci as escadas de
maneira tão apressada, que quase cai. Foi
quando me lembrei que deveria retornar ao
quarto e colocar um pouco mais de vida no meu
rosto, bem como, um batom um pouco mais
avermelhado e chamativo. Contudo, assim que
me olhei no espelho, vi uma serpente negra ao
meu redor. Fiquei em estado de transe, sentindo
certa nostalgia, ao mesmo tempo que um
sentimento sufocante e excitante tomava de
conta de meu corpo, à medida que a serpente
subia e parecia querer entrar em minha
calcinha.
Eu enxerguei no espelho uma mulher em
um vilarejo, toda vestida de preto, mas o que
realmente chamava a atenção (além daqueles
13
seios fartos que saltavam para fora de seu
vestido) era o fato de que essa mulher era
extremamente parecida comigo. Mas, havia algo
que era bastante diferente de mim: ela parecia
desfilar pela rua tão confiante, tão bela, tão livre
e destemida, que eu tive um resquício de inveja
dela.... ou seria de uma parte de mim oculta
neste espelho?
A serpente negra estava bem à minha
frente. Não saberia dizer se estava no ponto de
me dar um bote ou de me beijar. A essa hora,
não havia o que raciocinar. Se era delírio ou
realidade, não saberia explicar. Mas, o medo me
fez gritar e tentar arremessar a serpente para o
mais distante possível de meu corpo. E com isso,
bati no espelho e ele se desfez em pedaços. Ao
erguer minha cabeça, fui surpreendida por
aquela mesma mulher do espelho,
aparentemente materializada em minha frente.
Ela não ousou fazer nenhuma pergunta, a não
ser tocar meus lábios. Me perdi com a
eletricidade e a profundidade do seu toque, que
parecia violar minha alma. Foi quando Tom
entrou abruptamente no meu quarto. Não é
preciso dizer o susto que eu tive. Provavelmente
da bebedeira de ontem, eu com certeza deixei a
porta da frente da casa mal fechada.
14
"Vamos! Continue. Você estava prestes a
me beijar", disse Tom.
"Como você apareceu aqui?", eu falei
notadamente constrangida e sem sinal algum da
presença de meus pervertidos fantasmas.
"Acho que fiquei assustado. Liguei
inúmeras vezes e o tempo passou mais do que
você disse na mensagem. Achei por bem vir aqui
e encontrei a porta da frente destrancada. Pensei
que algo de ruim estava acontecendo com você.
Mas, com essa cara de excitada, acho que
cheguei na hora final de sua masturbação. Mas
não sei como, você quebrou esse espelho e tem
um corte no pulso que deve ser tratado".
Eu gemi quando Tom tocou meu pulso,
pois percebi que agora o corte e um vidro enfiado
em meu pulso. Como se não bastasse, uma
pequena poça de sangue se formara e com
certeza teria que trocar a calça jeans sexy por
qualquer outra roupa sem graça do meu guarda-
roupa.
Após retirar o vidro e fazer o devido
curativo, tomei um anti-inflamatório e, enfim,
me certifiquei do ótimo trabalho de Tom. Acho
que ele nasceu com algum dom para a medicina.
15
Estava perfeito. Recebendo como negativa a
necessidade de ir a um hospital, pois confiava
em seu excelente trabalho, resolvemos ir a nossa
aventura na floresta.
"Pensei que você tinha desistido dessa
viagem.... Você sabe.... Com aquelas histórias
malucas que as pessoas contam, até eu mesmo
tive medo. Que esse seja mais um de nossos
segredos. Somos o quarteto fantástico, não é?
Não podemos deixar Paul e Marrie irem sozinhos",
disse Tom.
16
Capítulo 3: Espelho
Quando Tom e eu chegamos, Paul já
tinha bebido uma grade de cerveja. Não era
preciso muito para fazer Paul ficar maluco. Ele
em sua sã consciência já era um bêbado que só
dizia asneira. Por mais que fôssemos tão
diferentes, eu aprendi a olhar meus amigos
como uma extensão de uma família alternativa.
Tinha que amá-los e suportá-los. Tudo bem que,
de vez em quando, eu e Marrie vivíamos nos
estranhando, devido o seu ar de esnobe, mas
jamais desejamos o mal uma para a outra...
Bem... de minha parte, eu posso confirmar, mas
17
da parte dela apenas suspeito que seja
recíproco.
Tom foi logo assumindo seu posto na
direção, em razão do estado atual de embriaguez
de seu amigo. Não poderíamos morrer antes de
chegar ao nosso destino, vitimados por um
motorista bebo às cegas que mal sabia urinar
sem molhar as calças.
Passado um dado tempo, avistamos a
floresta de nossa aventura. Ignorei o arrepio que
tive. Talvez ele fosse oriundo pelo fato de estar
perto de Tom e dele ter aproveitado um momento
em que Marrie e Paul estavam distraídos, para
acariciar minhas pernas. Nesse momento, senti
uma pontada de dor no meu pulso, justamente
onde há poucas horas havia um fragmento do
vidro do espelho do meu quarto. Droga! Aquele
espelho era uma relíquia de família... Era
sagrado... Nossa família tinha uma tradição de
presentear a menina da próxima geração que
completasse quinze anos... Foi o que minha avó
fez, minha mãe e, agora, nas minhas mãos,
mesmo que houvesse uma rara oportunidade de
ter uma filha (ainda faltava o homem que me
quisesse), agora, ela teria que se contentar com
um espelho remendado..
18
Certas ocasiões, olhar para aquele espelho
era algo pavoroso. Tinha a sensação de ser
observada. Por mais racionalidade possível,
precisava apenas de um minuto de fraqueza
para que essa sensação de um olhar ou força
invisível me causasse a sensação de ser violada.
Enquanto os outros comiam alguma
besteira, pensei em dar uma volta pelos
arredores, tentar tragar um tipo diferente de ar
dessa atmosfera nova. Era um local de certo ar
mágico também. Havia um lado lindo da
natureza, que eu adorava ver se manifestar.
Contudo, essa mesma natureza que me
convidava a admirá-la, também parecia
traiçoeira. Tive um susto ao notar que parecia
que havia outros aventureiros na floresta. Digo
isso, porque não percebi a aproximação de uma
garota.
"Ei, tudo bem? Se você resolveu desbravar
a floresta sozinha, tome cuidado! Em companhia
já é perigoso, imagine sozinha... Onde estão seus
amigos?", falei para essa garota que parecia
estar sozinha, me observando por entre as
árvores.
19
"Bem... Na verdade, sou maluca mil vezes
do que você... Estou nessa aventura sozinha.
Sinto-me em casa, sabe? Qual é o seu nome?"
"Rebeka Williams, e você?"
"Kassadra Kustkry, prazer em conhecer
você, jovem!"
"Não quer se juntar a mim e mais três
loucos amigos?"
Eu estava com uma sensação ruim ao ver
essa garota tão desprotegida... Tudo bem que ela
parecia confiante em ter essa aventura sozinha,
mas não hesitei de convidá-la a se juntar ao meu
grupo.
"Relaxa, Beka, está tudo bem... Siga essa
trilha... quem sabe a gente não se esbarra, não é?
Dizem que tem uma casa mal assombrada que
pertenceu a uma bruxa muito antiga, que teria
residido nessa cidade ainda quando aqui só era
um simples vilarejo. Estou levando uns
equipamentos para verificar a existência de
fantasmas. Sou pesquisadora paranormal."
"Bem sinistro se fosse verdade. Mas
acredito que é uma casa normal. As pessoas
inventam coisas para atrair turistas."
20
"Ok... boa sorte, Beka".
"Boa sorte, Kassandra. Ache evidências de
muitos fantasmas por mim!"
21
Capítulo 4: A história da
bruxa- parte 1
01.Vencedora
Era mais uma forma espontânea de me torturar?
Um truque do mestre cármico para me castigar?
Eu não sei o erro cometido ou o trato firmado
Eu serei vencedora
Serei sua vencedora
22
Eu irei mergulhar na lama e perder minha
respiração
Quando pensar que eu desisti, eu ressurgirei
Entregarei meu coração inúmeras vezes,
Mas eu serei vencedora
Serei sua vencedora
Eu prometo odiar você a cada dia
Eu prometo fazer o seu amor desaparecer
Eu prometo parar de lamentar meus erros
Eu prometo torna-me sua puta vencedora
Eu prometo trazer mais prazer para o meu "eu"
Eu prometo escutar em vez de enlouquecer
Eu prometo tornar-me sua puta vencedora
Era mais uma reencarnação dizendo "adeus"
Um truque de um beijo sedutor que despertou
este "eu"
23
Não sei quantas vidas devo pagar por amar
Eu serei vencedora
Serei sua vencedora
Eu irei cobrar juros por todas as lágrimas
derramadas
Quando pensar que eu morri, eu estarei gozando
e sorrindo
Entregarei meu mundo destruído para ser
reconstruído,
Mas eu serei vencedora
Sua única vencedora
Eu prometo odiar você a cada dia
Eu prometo fazer o seu amor desaparecer
Eu prometo parar de lamentar meus erros
Eu prometo torna-me sua puta vencedora
Eu prometo trazer mais prazer para o meu "eu"
Eu prometo escutar em vez de enlouquecer
Eu prometo tornar-me sua puta vencedora
24
Haverá pedras no caminho, tropeços e sangue
Minha cota de pedido às estrelas esgotou
Meu sopro ou sussurro orgásmico sobrevive
Haverá energia fluindo em meu corpo
Minha voz será um eco em sua mente
Meu sopro ou sussurro orgásmico sobrevive
Eu prometo tornar-me sua puta vencedora
02. Biografia
A história da mulher sombria da floresta
Foi o começo do fogo eterno de dor
Não lembra que fui um dia uma garotinha,
25
Sem grandes ambições na vida?
Um homem sem escrúpulos me espreita a noite
Enquanto banhava-me nas águas turvas de
mentiras
Meu corpo era um magistral tormento a
conquistar
Seria fácil enganar um coração que sangra?
Ofereça-me promessas vãs
Eu amo ser envolvida por este sentimento
místico, poderoso e sublime
Use-me como nunca
Machuque-me como nunca
Ofereça-me promessas vãs
Eu amo ser humilhada por este sentimento,
quero estar sozinha, grávida e esquecida
Use-me, oh vida!
Machuque-me, oh vida!
26
Constantemente ferida nesse calabouço frio
Eu preciso sobreviver por mais um respirar
Invoque a serpente negra e salve-se!
A tentação pode ser uma chave preciosa para
escapar
O que vale mais?
Um corpo ou uma alma quebrada?
03.Meu novo "eu"
Foda-me até eu morrer
Eu preciso nascer, oh serpente!
Foda-me até eu desaparecer
Eu preciso viver, oh serpente!
Eu devo agradecer a dor?
27
Onde deixo a criança bastarda?
Meus medos, meus medos,
Sob a lua negra, eu durmo
Este é o meu novo "eu"
Entrego o corpo, alma, meu tudo
Para provar que o absurdo
É o mais fundo e poderoso truque
Vença o mundo!
Minha semente na floresta vai germinar
Meu delírio infantil por vingança
Retorno à cidade com título de nobreza
E com a serpente enroscada em meu corpo, o
talismã da sorte...
28
Provavelmente a tal Kassandra havia
deixado cair este caderno de poesias, que conta
a história da provável assombração maligna que
faz desta floresta, um ponto turístico local,
embora nunca tenha me interessado saber da
história deste passado ou dos personagens
envolvidos. Mesmo sem compreender muito do
que li, acreditei que havia uma magia capaz de
seduzir e ativar na mente de qualquer um, a
necessidade de se aventurar por dentro desta
floresta sombria, em busca de respostas,
espíritos ou mais enigmas. Contudo, eu havia
começado a ler os versos iniciais de um passado
de sangue e dor, que traria consequências
inimagináveis para todos ao meu redor.
"Gente! Por que não seguimos essa trilha?",
eu disse, apontando o caminho escolhido pela
investigadora paranormal. Eu estava começando
a suspeitar que eu desejava ter mais umas
conversas com essa Kassandra. Estava disposta
a ter minha crença abalada.
"Tenho certeza de que grandes aventuras
estão nos aguardando", finalizei meu discurso.
29
Capítulo 5- Mapa
"Você está diferente", disse Tom, ao
mesmo tempo que tocava em meus cabelos. Isso
me causou arrepios incontroláveis.
"Você deve ter bebido um pouquinho. Eu
sou a mesma".
"Deve ser esse cabelo solto, Beka".
A maioria das meninas que passaram na
vida de Tom morriam de inveja de mim, porque,
por mais que eu não dividisse a cama com ele,
nós dividíamos outras coisas, que julgo mais
importantes do que simplesmente transar.
30
Nos conhecemos ainda quando éramos
crianças inocentes. Ele me protegia dos meninos
que queriam zoar comigo, até que ele cresceu e
começou a zoar de mim também. Nossa relação
mudou nesse período. Éramos mais amigos
somente na hora da prova, quando ele estava em
apuros e queria uma pesca. Voltamos a ter uma
relação de amizade ainda maior, quando meu
pai morreu. Ele era quase que um pai para Tom
também, e foi nesse exato momento em diante,
que nossa irmandade criou laços maiores. Não
vendo como mulher e sim como uma irmã mais
nova, todo qualquer sentimento sexual entre nós
ficou adormecido... Por enquanto... Afinal, quais
atributos de uma verdadeira mulher eu tinha?
Sempre me questionava quando as ex-
namoradas de Tom insistiam em querer comprar
briga comigo. Eu era tão patética, ao ponto de
aceitar os deboches e ofensas de todo mundo e
concordar que esses comentários eram verdades
absolutas sobre mim.
Deixei esses pensamentos do passado e
foquei em nosso presente: voltamos para o local
de antes, ao qual preferi ter me ausentado um
pouco mais. Marrie e Paul estavam “dando uns
amassos” e pareceram não se importar com a
nossa interrupção. Tom me ofereceu um drink e
31
eu engoli tudo de uma vez, tentando apagar essa
cena.
"Desta vez quando voltarmos, temos que
nos certificar se Paul e Marrie terminaram de
transar", disse Tom aos risos.
Já estava escurecendo quando decidimos
encarar a trilha que eu escolhi para seguirmos
em nossa aventura. Cada um de nós tinha uma
dose de álcool considerável no organismo, mas
acho que também conseguimos, do nosso jeito,
raciocinar. Quer dizer, menos Paul... Bêbado ou
não, ele era apenas um rostinho bonito.
"Me dê esse mapa que eu vou guiar vocês
ao inferno!", falou Paul, tropeçando em seguida.
Soltamos uma risada, enquanto Marrie o
levantava. Tom foi ajudá-la e eu peguei o mapa
me atentando a buscar alguma informação extra
sobre a trilha que eu escolhera, para estarmos
precavidos.
32
Tendo a certeza de nosso caminho, o óbvio
era começar a andar agora, antes que realmente
as sombras da noite alimentassem qualquer
medo infantil que, porventura ainda residisse em
mim.
Paul puxou o mapa de minhas mãos
abruptamente, eu fiquei enfurecida. Eu dei um
empurrão nele e ele reagiu da forma mais
covarde possível: me deu um soco. Tom não
aguentou ver aquilo e partiu para cima de Paul,
desferido um meteoro de socos no amigo. Eu e
Marrie apenas gritávamos para que os dois
parassem já a briga! Tom atendeu ao meu
pedido, verificando como estava o meu rosto e
Marrie, consequentemente, foi em socorro de seu
amado.
"Eu estou bem, não foi nada. A gente está
nessa porra de aventura louca, então vamos
logo!", falei, tentando esconder a dor do soco na
minha cara. Para mim, o importante era acabar
com aquele sentimento ruim que ficou após a
briga dos meus dois amigos e que nos
atentássemos para continuar o que nos
propomos a fazer no dia de hoje.
33
Pode ter sido uma rápida recuperação,
mas de minha parte, eu via minha atitude como
uma injeção de ânimo.
"Me desculpe, Beka", falou Paul. O abracei
e dei por fim qualquer clima de animosidade no
ar.
34
Capítulo 6: Perdidos
Por poucos instantes, estivemos em paz.
Apenas caminhávamos atentando para uma
beleza desconhecida que emergia em nossa
frente. Era essa a beleza que as pessoas
temiam? Uma beleza mortal que nos seduz e
rondava o cenário macabro de futuras mortes e
mistérios. Eu ri disso. E me lembrei de toda
aquela história maluca sobre bruxas. Recordei
da encantadora Kassadra Kustkry. Interrompi
meus pensamentos, assim que ouvi o grito de
Marrie.
35
"Vocês viram isso?". Negamos qualquer que
tenha sido a insinuação de algum evento
sobrenatural. "Eu os vi! Eram figuras horrendas
nuas!", disse Marrie pondo as mãos nos olhos.
"Que excitante", disse Paul, ouvindo
apenas a parte „nuas‟.
"Não brinque como os mortos", falei.
"Agora você acredita em mortos e espíritos
da floresta?", insistiu Paul.
"Não me faça perder a paciência...",
respondi.
"Quando você fica com raiva, parece tão
sexy. Eu seria capaz de matar só para ver você
fazer essa carinha de novo", finalizou Paul. Tom
deu um empurrão no amigo, sentindo ciúmes
pela forma safada anunciada pelo clima da fala
de Paul.
"Deixa de briga, gente! E você, Marrie, não
alimente suas crenças medonhas!" Assim que
disse isso, todos se apavoraram. Até mesmo eu.
Eu vi um homem e uma mulher. Rostos
desfigurados, pele em chamas e uma fedentina
horrível se alastrou no local. Ao meu ver, essas
entidades estavam desorientadas. "O mapa! Me
36
dê o mapa e fiquem juntos!". Abracei Marrie que
chorava sem parar. O interessante é que
ninguém questionou, apenas seguiram minhas
ordens. Realmente estes espectros eram
assustadores, que não haveria palavras
descritivas que eu pudesse usar para delimitar
os traços característicos destes seres. Havia algo
que me fazia achar que os espectros me temiam.
De alguma forma, eles demonstravam aversão
ainda maior ao meu ver. Interpretei como um
bom sinal diante de todo esse cenário de
insanidade.
"Vão embora enquanto há tempo. Quando
ela os seduzirem, já será tarde demais..." Disse a
entidade feminina. Nesse exato momento ela
caiu e se debatia em dor. O homem a abraçou,
tentando reconfortar a sua agonia, de alguma
forma. Ambos choravam lágrimas de sangue.
Fechei os olhos tentando mandar embora esse
sentimento de medo, que havia se apossado de
meu corpo. Uma espécie de “déjà vu” passou
como filme: uma mulher de costas segurando
uma adaga. Uma serpente na cama de um casal
morto, pronto para devorar suas almas.
Como um passe de mágica, os fantasmas
nos deixaram em paz. Nossas respirações
37
ecoavam em cada extremidade da floresta. Uma
tontura tomou de conta de mim e senti que
estava prestes a desmaiar. Tom me segurou
antes que eu me chocasse com o chão. Vomitei
em seguida.
"O que raios foi aquilo?", disse Paul.
"Ninguém acreditou em mim até que viram
com seus próprios olhos o que julgaram ser uma
mentira minha. Eu disse que isso era uma
burrada desde o começo! E agora? Se a gente se
perder aqui para sempre? Quem irá nos resgatar?
Ninguém sabe que estamos aqui", falou Marrie.
"A não ser Bill", respondi. Peguei o mapa
de Paul, que agora era quem vomitava. Tive
medo ao perceber que o mapa havia se
modificado. Não era o mesmo que nos havíamos
comprado na loja de Bill. Estava confuso,
apagado, borrado. "Me dê a p**** do verdadeiro
mapa!" Não compreendi. Realmente estávamos
perdidos.
"Eu vou voltar", falou Marrie, nervosa
demais.
"É loucura, Marrie. Lamento dizer, mas
estamos encrencados!"
38
Capítulo 7- A história da
bruxa (parte 2)
01. Pecado
Deixe-me acariciar sua face, antes de morrer
Tombamos diariamente, como homens e
mulheres necessitados
Descobristes nossa fraqueza, pactuamos com
teu fim
Serva das trevas, loucura em mim
39
O pecado reencarnado, a mentira refeita na
magia
Sociedade corrupta de seus valores
Nada mais são que falidas almas
Como convidada em minha festa, minha ruína
em ti!
Guardei o diário de Kassandra. Não havia
nada que me fizesse aliviar o medo crescente. Eu
sabia que cedo ou mais tarde, a noite reinaria. O
mais provável e (insano) era passar a noite lá, e
logo pela manhã, refazer em nossas mentes mais
tranquilizadas, algum sinal ou indício que nos
orientasse ao rumo certo a seguir.
Comecei a ponderar sobre o grande erro
que eu estava cometendo. Logo eu, a suposta
inteligente da turma, me deixei guiar por um
instinto absurdo de travessura e uma transa
com Tom.
"Você está bem?"
40
"Pareço bem, Tom? Não gostaria de admitir
que Marrie estava certa sobre isso. Somos
loucos", respondi.
"Calma, Beka. Talvez o que vimos seja
resultado de algum medo coletivo".
"Não me venha com essa estupidez. Até eu,
que não acreditava nessas coisas, devo assumir
que há um mal aqui: silencioso e fingindo. O que
vimos foi bastante real, Tom. E se estamos na
trilha verdadeira da bruxa? Daquela que as
pessoas da cidade não ousam falar o nome
dela?"
"Meu amor, estamos perdidos na floresta,
assustados como crianças e isso nos faz, em
certa hora, ver e ouvir coisas que não existem. Se
tudo isso fosse verdade, que nem nos filmes,
agora mesmo no cair da noite, estaríamos todos
em terror constantemente. Espero que o dia logo
chegue e que possamos dar por fim esta
aventura", disse Tom, antes de bocejar. Paul e eu
trocamos olhares, enquanto acendíamos uma
fogueira. Tentei desconversar o máximo que
pude, para que Marrie não ficasse tão arrasada.
41
Não conseguimos dormir. Qualquer
movimento, até no simples balançar de folhas,
fazia com que arrepios percorressem nossos
corpos. Mesmo com a proposta de Tom de vigiar
o nosso sono, nem isso mesmo adiantou.
Lembro-me de quando meu pai morreu.
Naquela noite eu não consegui dormir. Algo na
escuridão da noite, me causava medo e
intensificava minha dor. E Tom, naquele
momento, apareceu gentilmente e me confortou.
Prometeu que nada de mal aconteceria comigo,
porque estaria ali, hoje e sempre, para me
proteger. E foi exatamente isso que ele repetiu
em meu ouvido.
Mas, eu estava irada demais para
raciocinar direito... Irada por tamanha estupidez
que cometera. Eu me sentia responsável por
tudo isso. De uma maneira, acho que se eu
tivesse me posicionado contrário, Marrie, Paul e
Tom futuramente iriam desistir dessa loucura e
procurar se aventurar em outra coisa. Mas, lá
estávamos, por mais que as pessoas tivessem
42
nos dito que não! Queríamos provar para nós
mesmos e para os outros, que éramos
invencíveis e deuses de nosso próprio destino.
Olhei para a mina bolsa e eu vi a câmera que
serviria para filmar os nossos grandes feitos.
Pensei na época, em algumas frases do tipo
"Fantasmas não existem!", "Olha eu aqui
morrendo de medo". Foi perdida nesses
pensamentos que acabei adormecendo sem
perceber.
Embalada pelo conjunto de poesias do
diário de Kassandra, a investigadora paranormal
com quem eu tinha me esbarrado, sonhei que
estava em um castelo. Em meu quarto, o espelho
que eu havia quebrado, a relíquia de minha
família, estava lá intacto! Eu olhava fixamente
para aquele objeto, ao mesmo tempo que
segurava uma adaga encharcada de sangue. O
mais bizarro era que eu não tinha medo daquilo.
Parecia ser algo corriqueiro ver o sangue. Tão
vermelho, tão vivo... Foi ai que eu vi um homem
e uma mulher, que pareciam ser da realeza. O
olhar de medo estavam estampados em suas
faces. Aparentemente, o nobre fora obrigado, por
uma força muito maior do que ele, a matar sua
companheira.
43
"Me perdoe! Por favor, eu prometo..."
"Promessas não farão voltar no tempo, caro
príncipe... O mal já está feito. Você não vê?"
"Ela não tinha nada a ver com isso!"
"Mas é claro que sim, meu querido! Ela
dividia alegremente o leito com você, noite por
noite, obedientemente, mesmo sabendo que eu
estava em uma cela imunda de uma prisão
morrendo. Eu era mãe. Mãe de um pecado. E o
que ela fez? Nada! Ninguém fez nada por mim,
até que a serpente negra me resgatou desta
miséria, da qual você foi meu mestre. Eu não sou
pior ou melhor do que você agora. O que me resta
é esperar que sua alma, assim como a minha,
não encontre paz. E isso, eu vou garantir que
aconteça!"
44
Capítulo 8: Sacrifício
Abri numa parte interessante do diário
da paranormal Kassandra: especificamente a
que falava da noite de hoje, caso ainda
estivéssemos na floresta, o que eu desejei
ardentemente que não foi possível estar aqui.
Para a nossa sorte, na noite anterior nada
aconteceu. Esse era o segundo dia que
estávamos aqui e, segundo o diário, poderia ser
o pior.
Não que o histórico tradicional dessa
festividade tivesse alguma ligação com o mal.
Mas, aqueles direcionados ao mal, nessa Noite
das Bruxas, ganhavam ainda mais força em
45
seus rituais: a linha tênue do mundo dos
espíritos, demônios, bruxas e do mundo dos
vivos ficava ainda mais fraca, onde cada um
podia transitar livremente, e se isso acontecesse
em uma floresta com intensos relatos
sobrenaturais durante quase todo tempo do ano,
imagina nesse dia.
Me perguntei se Kassandra estaria viva ou
se havia experimentado alguma manifestação
assombrosa durante o dia de ontem. Não
podíamos contar com o mapa. Que mapa?
Estávamos, agora, apostando em nossas
intuições para mostrar o caminho que
seguíssemos e sair o quanto antes deste lugar.
Resolvi aproveitar um riacho a vista, e pedi
um tempo aos rapazes para lavar o meu rosto e
sorver um pouco de água. Nossos suprimentos
estavam acabando e desperdiçar água seria uma
loucura. Enquanto Paul e Tom reabasteciam
suas garrafas, eu e Marrie lavávamos o rosto.
"Beka, eu não quero ficar aqui nem mais
um segundo. Foi um milagre não sermos
atormentados mais. Não aguento respirar esse ar
sufocante", disse Marrie. Contudo, senti uma
tontura indesejável. Marrie notou que meu corpo
46
pendeu para um lado. Ela me segurou para
evitar minha eminente queda.
"Você está bem?", perguntou minha amiga.
De repente, Kassandra apareceu. "P***
m****! Que susto! Quem é você?"
"Você e sua amiga decidiram de uma vez
por todas seguir o caminho da casa da bruxa?".
Ao respirar profundo, fui recuperando os
sentidos. Entreguei o diário da paranormal, que
agradeceu-me com um sorriso.
"Ainda bem que você está bem. Pensei que
algo de ruim tinha acontecido com você.", eu falei.
"Vocês se conhecem?", Marrie perguntou
intrigada.
"Acho que sim. Nos cruzamos ontem....".
Não pude terminar o restante da frase...
Desmaiei.
Quando recobrei a consciência, me
arrepiei com a cena que vi. Kassandra estava
47
segurando uma adaga e havia marcado o meu
peito com um pentagrama. Marrie estava
desmaiada e, ao redor dela, uma cobra deslizava
em direção a aspirante de agente paranormal.
"O que aconteceu?", disse confusa.
"O primeiro sacrifício para o despertar de
minha amada mestra. Simples assim. Não leu
nada do diário?", falou Kassandra.
Marrie estava morta assim que me
aproximei dela. Gritei alto o suficiente para que
despertasse a atenção dos meus amigos.
"Maldita, o que fez?", disse. Havia também
cravado no peito de Marrie, outro símbolo que
não consegui identificar. "Onde está você?
Assassina!" Mas, Kassandra havia desaparecido.
Paul ficou paralisado quando viu a cena.
"Mas que merda é essa!", falou Tom. Eu
estava em prantos. A única coisa que falei foi a
verdade. "A garota que dizia ser agente
paranormal, que estava na floresta, atacou a
Marrie assim que passei mal. A tal de
Kassandra". Percebi que, por entre as minhas
roupas, estava um objeto que suspeitei ser a
adaga que Kassandra usara para marcar meu
48
corpo e matar a minha amiga. Não contei nada
disso, haja vista a reação de Paul:
"Sua doida maluca, confesse o que raios
aconteceu aqui!". Com certeza aquela vadia
assassina havia me deixado com um artefato
ritualístico incriminatório e eu não deixaria com
que ela fizesse com que meus amigos ficassem
contra mim. Ela havia roubado a vida de minha
amiga e, de alguma forma, eu iria me vingar. Se
ela é uma lunática por causa da história da
bruxa, o problema é dela. Mas envolver pessoas
inocentes foi o bastante para que eu me
enchesse de ira.
"Juro, Paul, que foi a Kassandra que matou
Marrie. Olhe no pescoço dela: tem uma picada de
cobra. Ela manipulava uma cobra, que a seguiu
pelas sombras. Juro por tudo de sagrado que
você possa imaginar."
Tom percebeu que, de fato, Marrie morreu
da picada de cobra. O corte de faca foi só de
raspão. Eu aproveitei e mostrei que eu havia
sido marcada também.
"Um símbolo de bruxaria?", indagou Tom.
49
Ao ver o amigo em prantos, Tom se
aproximou de Paul:
"Eu lamento por tudo Paul, mas você tem
que ser forte! Por Marrie! Devemos sair daqui e
dar a ela um enterro digno, porque, pelo menos, é
uma dívida que temos com ela."
50
Capítulo 9- Noite de
Halloween- parte 1
Essa com certeza era uma árdua tarefa
para Paul: levar o corpo morto da mulher com
quem jurou amor e travessuras loucas. Pensei
no que nós diríamos ao pai de nossa amiga, a
Marrie. Todos, indiretamente, somos
responsáveis por sua morte porque aceitamos
essa aventura nessa trevosa floresta. Contudo,
Tom queria ter fé de que ninguém mais morreria
e que iríamos sair vivo desta floresta antes da
noite de halloween.
51
Em meu interior, eu queria entender
aquela sensação de familiaridade com aqueles
símbolos marcados em minha amiga e em mim.
Mas, percebi que esses insistentes pensamentos
poderiam ser algum tipo de desvio principal de
foco, que era agora, sair dessa floresta.
"Eu estou me lembrando do caminho...
bem... de parte dele...", disse Paul.
"Como podemos confiar em você, se na
maior parte do tempo você estava bêbado?", eu
falei. Paul largou o corpo de Marrie, e
abruptamente veio em minha direção.
"Parem com isso vocês dois! Estamos todos
com medos e chocados. Isso é fato. Vamos tentar
ser racionaispela primeira vez na vida, ok? Caso
contrário, receio dizer que vamos morrer todos
aqui". Tom disse essas palavras, demonstrando
raiva em seus olhos... raiva essa direcionada a
mim.
"Me desculpe, Paul...", eu praticamente
cuspi tais palavras. Não havia nenhum
sentimento de desculpa em minha voz. O que
realmente estava acontecendo comigo? Eu
estava ficando louca? Isso é mais uma das
coisas macabras dessa floresta? Fazer com que
52
vivêssemos brigando, mudando nossa
identidade, fazendo o mal que há em nós brotar
de uma vez por todas?
Seguimos o caminho apontado por Paul.
Tom também estava se recordando de alguns
detalhes. Até eu! Lá no fundo de minha mente,
parecia haver algo familiar.
De repente, Paul tropeçou. E que maldito
tropeço foi aquele. O corpo de Marrie rolou
abaixo, por entre a mata, que se perdeu diante
das nossas vistas. Eu gritei de terror.
Paul ficou com o pé preso em uma
armadilha para animais, possivelmente feita
para algum animal bem feroz. Ele urrava de dor
e isso me partia o coração. Tom foi em seu
socorro, tentar forçar aquela armadilha a abrir e
liberar o pé de meu amigo, que com certeza
estaria dilacerado. Foi nesse momento que
Kassandra apareceu. Desta vez, gritei e apontei
para aquela que matara minha amiga:
"É ela, Tom!"
"Ela quem, Beka? Onde?" A aparição havia
sumido, mas foi bem real pra mim. Tom fez sinal
53
para que eu ajudasse Paul. Tínhamos que sair
daquele local logo.
"Me ajude aqui, Beka. Vou forçar essa
armadilha aqui e você me ajuda também, ok?"
"Certo, amigo". Ver Paul se contorcer de
dor estava me matando. E eu tinha certeza de
que ele teria que ser carregado por Tom. Eu
ainda iria descer mata abaixo para buscar o
corpo de Marrie. Jamais deixaria minha amiga
apodrecer naquele inferno.
Novamente, Kassandra apareceu bem
nítida para mim. Acho que para todo mundo. Ela
se materializou na frente de Tom. Paul havia se
silenciado desde a primeira vez que eu avisei tê-
la visto. Mas algo forte fez Paul avisar a Tom que
ele seria a próxima vítima.
"Cuidado, Tom! Atrás de você!"
Nesse momento, eu senti uma pedra
atingir minha cabeça e desmaiei. Assim que
acordei, vi Paul do meu lado, ainda preso na
armadilha. Já era de noite, mas vi algo brilhar
no chão da floresta: um tapete de sangue, ainda
fresco. Provavelmente Paul morreu de
hemorragia. Estava frio e sem pulso. Pobre
54
amigo... Notei que havia uma marca em seu
peito também. O mesmo símbolo feito em mim
pela adaga de Kassandra.
Eu andei pelos arredores da floresta
desesperada. Não havia nenhum sinal de Tom.
Não reconheci o lugar que estávamos. De algum
modo, fomos movidos ao outro lugar. Se
estávamos perto de encontrar o beco com uma
saída desta floresta, acho que agora não podia
contar com esse acontecimento.
Após caminhar por mais algum tempo,
avistei uma casa. As luzes estavam acessas e me
perguntei se haveria alguém que pudesse nos
ajudar. Minha mente nem pensou numa razão
para ter alguém de sã consciência vivendo nessa
floresta maldita. Minha cabeça não parava de
doer. Eu já havia feito tanto esforço, que se eu
tivesse que desmaiar, teria sido há muito tempo
atrás.
Abri a porta devagar. Velas iluminavam
também o local. Aparentemente, não havia
ninguém lá. Procurei por um telefone ou um
rádio. E o achei... Tentei algumas frequências
conhecidas, até que, para minha sorte, uma
delas deu certo.
55
"Por favor, me ajudem. Meu nome é Rebeka.
Isso não é nenhuma brincadeira de halloween.
Eu estou muito ferida e com medo. Meus amigos
estão mortos. Estamos na floresta maldita da
bruxa. Não sei exatamente em que ponto, mas há
uma casa aqui. Farei fogo para vocês verem, de
alguma forma. Por tudo que mais amam, me
salvem", disse em lágrimas.
"Pare de brincadeira, mocinha. O halloween
começou e já recebemos mais de vinte ligações de
resgate dessa floresta. Todo ano é assim. E não
vamos nos arriscar a troco de nada e ainda por
cima, sermos amaldiçoados. Não haverá doce que
compense essa travessura de passar trote!",
disse alguém do outro lado da linha.
"Por favor, acredite em mim. Anote os
nomes. O senhor verá que esses jovens, há dois
dias, se encontram desaparecidos: Paul Wonl,
Marrie Hernandes, Tommy Caugtylly e
Rebeka...". O rádio voou como se uma sombra
tivesse a força de arremessá-lo a não sei quantos
metros de distância. Um vento extremamente
forte fez abrir todas as portas e janelas daquela
casa. Mesmo assim as velas insistiam em
permanecer acessas.
56
Me deparei com um espelho. Não um
espelho qualquer. Era o mesmo que estava em
minha casa. Kassandra apareceu e se ajoelhou
diante de mim.
"Minha senhora, quanto tempo se passou
desde a sua morte. Eu sabia que iria retornar
para mim, mais cedo ou mais tarde. Lembro-me
da nossa última promessa, antes da temível noite
dos caça as bruxas por essas terras. Nossas
irmãs foram mortas, queimadas no fogo eterno.
Como não é possível lembrar do sobrenome
Caugtylly? Eles foram que a perseguiram!"
"Todas as minhas gerações serão
amaldiçoadas e vingarão meu sangue, não é
Thomas Caugtylly? Você venceu o jogo hoje, mas
amanhã será um novo enigma para nós!", eu
falei, em seguida, especialmente sentindo que
Tom me espreitava. "Não foi Kassandra que me
atingiu com uma pedra na cabeça.Foi você!", falei
apontando para as sombras.
Como eu poderia esquecer a minha
história? Uma poderosa bruxa, cujo nome se
espalhava para os quatro cantos do mundo, no
período em que as sombras da noite detinham
um poder absoluto na mente de homens
temerosos e sem escrúpulos... Homens esses,
57
que suas mentes moldavam criaturas que
reinavam entre a realidade e a fantasia das
pessoas. Um grupo seleto de humanos dotados
de sensibilidade mística se aperfeiçoou também
para expulsar do mundo, seres como eu. E
juntamente com grupos religiosos locais,
começaram a aniquilar toda a magia oculta do
mundo. E um desses homens, com certeza, foi
aquele que eu mais amei e que, com certeza,
estava prestes a me trair.
58
Capítulo 10: Noite de
Halloween- parte 2
A fogueira também condenou muitos
inocentes, mas em grande número, culpados
pagaram pelo mal que fizeram em vida, diga-se
de passagem. Há uma magia única que se
desdobrou em várias. Em cada caminho que
escolher, o usuário atrai para si as
consequências e fardos, de muitas vezes, mexer
com o obscuro. Deve estar ciente de que tudo
tem um limite e um preço ao decidir ultrapassar
as barreiras. Com certeza quem pagou também
foi a bruxa Samantha Romansky. Quando a
59
serpente que lhe dera o poder mágico fora
aprisionada pelo místico caçador de bruxas,
Thompson Caugtylly: com isso, os poderes de
Samatha Romansky desapareceram.
Contudo, notando esse perigo, sua
subordinada, que para mim estava claro que
fora Kassandra Kustkry, prendeu o espírito da
bruxa em um espelho. Ao longo da história,
minha família provavelmente mudou o
sobrenome ou, de fato, não soube que era a
geração maldita a carregar o mal.
Thompson queimou o corpo, mas o
espírito da bruxa e boa parte de seus poderes
estavam a salvo. Kassandra fugira e nunca
encontrara a filha que sua mestra havia lhe
falado. Com a morte de Kassandra, anos depois
do período de caça às bruxas, o espelho
encontrou a família que adotara a filha de
Samantha, ou seja, sua legítima dona. E logo, a
sua geração retornou ao lar de sua matriarca.
De geração a geração foi passado, até que
chegou em minhas mãos. Agora, creio que a
força completa de Samantha foi restaurada com
os sacrifícios de meus amigos, que deviam ter
em seu passado, uma ligação com a morte dessa
bruxa.
60
"Excelente raciocínio, garota! Você libertou a
minha amada Samantha ao quebrar o espelho de
seu quarto antes de vir ao seu verdadeiro lar.
Quem você pensa que matou os seus amigos?
Eu? Um fantasma? Uma simples aparição sem
corpo? Ou foi você, que carrega no sangue a
assinatura, a marca da bruxa?", disse Kassandra
para mim.
Eu me neguei a acreditar. Mas, um
flashback de tudo veio à tona: a primeira morte,
a de Marrie, eu ordenei a uma cobra que se
enroscasse em seu corpo, enquanto recitava
algo, até então, indecifrável pra mim e a marcava
com a lâmina de minha adaga... sabemos
depois, que a cobra a picou e ela morreu... Paul
foi a segunda vítima: eu havia preparado as
armadilhas por boa parte do local em que
estávamos, dias atrás. Na verdade, quem
morresse nessa armadilha seria lucro pra mim.
Eu encantei aquela armadilha para fazer a
pessoa sangrar até a morte. E Tom? Enquanto
ele tentava libertar o amigo, eu o distraí com
essa história de vulto da Kassandra e acertei sua
cabeça com uma pedra. Retornei ao meu lar com
a certeza de que minha ira reinaria nessa
cidade, assim que tivesse por completo o meu
poder.
61
Eu lutei para não deixar Samantha se
apossar de meu corpo. Debati e contorcendo-me
no chão de dor, com raiva por tudo de ruim que
ela fizera com meus amigos, especialmente, ao
homem que eu amava: Tom.
Fomos interrompidas com a porta que
abriu-se abruptamente. Tom estava
ensanguentado, mas vivo. Uma parte de mim
ficou alegre por vê-lo. Essa era a hora de salvar
meu amigo sincero e amor verdadeiro. Usei parte
da força de Samantha para afastar o vulto de
Kassandra. Por mais que Kassandra tivesse
forças, Tom também vinha de uma linhagem de
místicos. Havia uma tatuagem em seu peito com
um símbolo de proteção, que pode ter evitado
sua morte.
"Vou mandar essa bruxa pro lugar de onde
ela nunca deveria ter saído: o inferno!", falou
Tom.
Kassandra havia voltado e jogava objetos
em direção ao Tom, impedindo-o de entrar no
recinto. Notei que até mesmo Samantha estava
inquieta, haja vista eu ter ainda domínio de meu
corpo. De certa forma, ela fora apaixonada por
Thompson, e Tom o lembrava bastante. Mas ela
não podia morrer duas vezes. Não agora tão
62
perto de ter Tom para si. Então esse era o plano?
Deixara Tom vivo para envenená-lo com o mal, e
de alguma forma corrompê-lo? E posteriormente,
"serem felizes para sempre"? Não!
"Me perdoe, Tom!", disse.
"Não faça isso, minha senhora, lute!", falou
Kassandra que não podia se dividir em duas e
me impedir do que eu estava prestes a fazer:
comecei a recitar uma oração de exorcismo que
aprendi na catequese, na época de criança... Eu
não sabia se essa oração iria funcionar comigo, o
próprio tabernáculo do mal. Mas não custava
nada tentar... Enfiei a adaga em meu peito até
ter a certeza de que ela havia perfurado o
bastante. Lembrei-me da transa que nunca
aconteceu, mas foi a que eu mais sonhei. De
Tom me abraçando, me beijando, me
envolvendo. Nada disso... Não fui merecedora de
prêmio algum...
A morte chegou para mim como uma
salvação. Se Kassandra tivesse alguma força, ela
mataria Tom. Com certeza. Se ela estivesse
ligada a mim, que possuo o espírito de sua
mestra, então ela morreu comigo. Eu devia
pagar esse preço por matar os meus amigos.
63
Silêncio...
Uma mão quente tocou-me. E eu
despertei. Era possível sentir o hálito de hortelã
de Tom. É claro que era de alguma pastilha,
creme dental ou enxaguante bucal para
disfarçar o cheiro de cigarro. Estávamos no meu
quarto.
"Desculpe. Tive que arrombar a porta do
quarto. Liguei inúmeras vezes e nada de você me
atender. Toquei a campainha e decidir invadir a
sua casa. Tive medo de que algo de ruim tivesse
acontecido. E pelo visto você dormiu demais hoje,
né?"
Olhei para o espelho. Ainda estava intacto
no meu quarto.
"O que aconteceu? Onde estão Paul e
Marrie? A gente estava na casa dela, da bruxa,
na floresta, todos mortos!"
"Na verdade, você nem leu a mensagem de
hoje que passei para seu celular: a gente tinha
64
agendado para hoje, mas você dormiu no ponto.
Vendo agora, entendo o motivo do atraso. Você
deve ter desmaiado. Paul quebrou a perna hoje
de manhã e Marrie foi ficar com ele no hospital.
No final, eu conversei com eles e resolvemos
deixar pra lá essas maluquicesde ir a floresta na
noite do halloween, por isso fique tranquila, ok?"
Na verdade eu estava confusa com tudo.
Então, fora um pesadelo? Suspirei aliviada e não
fiquei em paz até que eu joguei no lixo o espelho
antigo, mesmo Tom achando que eu estava
ficando louca. Quem iria ficar louca seria minha
mãe, mas não queria nada que me fizesse
lembrar desta angústia que vivi.
Fui me certificar no hospital que meus
amigos estavam bem. Eu os abracei como se a
gente não tivesse se visto há muito tempo atrás.
"Calma, Beka. Seu odioso amigo apenas
quebrou a perna. Só isso...", disse Paul.
"Não diga isso nem de brincadeira, seu
tonto! E você, Marrie... Já disse que te amo,
patricinha?".
65
"Eu também, Beka. Mas não te quero pra
sexo a três. Caí fora!"
"Eu acho que Marrie esconde uma fantasia
secreta com Beka", disse Tom. Por mais que eu
ficasse vermelha, nós rimos muito.
"Ora, ora. Esse quarto está super lotado,
vocês não acham isso?", falou tal médica.
"Ei, Beka e Tom. Eu gostaria de apresentar
a minha prima que chegou na cidade e vai
trabalhar neste hospital a partir de hoje", mas
Paul foi interrompido em sua fala.
"Calma, primo. Eu tenho boca e posso falar:
olá Rebeka. Me chamo Kassandra Milloswki. Que
cicatriz interessante essa do seu pulso!"
Fim?
66
Sobre a autora
Raquel Alves é uma escritora cearense,
formada em Letras, Jornalismo e com mestrado
em Ciências das Religiões.
Tem poesias publicadas em antologias de
editoras conhecidas e de forma independente
semeia seus romances sobrenaturais, histórias
fantásticas e poesias ultrarromânticas.
Prêmios e Participações em Antologias:
Certificado de Participação II Prêmio Licinho
Campos de Poesia de Amor 2013
III Prêmio Literário Cidade da Poesia (Antologia
Poética) 2013- Nome da Poesia: Noite dos Corvos
Caderno Literário Pragmatha (poesias)
contribuição com poesias durante quase dois
anos
101 Vira-latas (Antologia poética) 2014- Nome da
Poesia: Você e eu
67
Prêmio Literário Galinha Pulando 2014
(Antologia poética)-Nome da Poesia: A Saída
dessa miséria
Participação da X Bienal Internacional do Livro
de Pernambuco (2015) (lançamento do livro O
Reino Mágico de Mystic)
Certificado de Participação VI Concurso de
Poesias Prof. Roberto Tonellotti (2016)- Nome da
poesia: O choro de Lázaro
11º Concurso on-line "Sueli Bittencourt" de
poesias- Tema Paz (2016)- Nome da Poesia:
Borboleta
5ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura
2016 (Antologia póetica)- Nome da Poesia: O
romantismo precoce do poeta das penas negras
1ª Coletânea de Poemas- projeto Apparere- 2017
Poema: Por favor, não morra!
6ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura
2017 (Antologia poética)- Nome da Poesia: A não
existência
Participação do I Prêmio Miau de Literatura:
Editora Costelas Felinas (2017)- Nome do livro
de Poesias: Desaparecendo
68
Participação na 1ª Coletânea de Poesias de
Amor- Projeto Apparere- 2018 Poesia: Adeus
9º lugar no concurso da Revista Inversos (4ª
edição) em homenagem ao Dia Internacional da
Criança Africana – 2018 Poesia: Minha criança
Participação da 2ª Mostra de Poemas para a
beata Maria de Araújo. Poesia: Sangue Salvador-
2019
8ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura
2019 (Antologia poética)- Nome da Poesia:
Medusa- 2019

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Diário de Kassandra: a marca da bruxa

  • 1. 0
  • 3. 2 2021. Raquel Alves Todos os direitos reservados. Produção e Diagramação: Raquel Alves Capa: Imagem do site Pixabay Ilustrações: Public Domain Vectors e Png Revisão: Raquel Alves Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização prévia do autor. Todos os direitos estão devidamente registrados.
  • 4. 3 Apresentação do conto Quatro amigos decidem se aventurar por entre as belezas de uma floresta sombria. Seria apenas uma travessura, típica do Halloween. Contudo, eventos macabros poderão por fim aos desejos particulares e coletivos de Rebeka, Tom, Marrie e Paul.
  • 5. 4 Sumário Capítulo 1: Preparativos..................................06 Capítulo 2: Brincando com minha luxúria.......11 Capítulo 3: O espelho......................................16 Capítulo 4: A história da bruxa- parte 1..........21 Capítulo 5: Mapa............................................29 Capítulo 6: Perdidos........................................34 Capítulo 7: A história da bruxa- parte 2..........38 Capítulo 8: Sacrifício.......................................44
  • 6. 5 Capítulo 9- Noite de Halloween- parte 1..........50 Capítulo 10- Noite de Halloween- parte 2........58 Sobre a autora................................................66
  • 7. 6 Capítulo 1: Preparativos Ainda me lembro, como se fosse hoje, o dia fatídico que começou a minha maldição. Estava junto com mais três amigos, desbravando um pedaço de uma tentadora e convidativa Floresta. Porém, entre as trilhas desconhecidas que surgiam a nossa frente, mais excitados com aquela experiência ficávamos, sem saber o trágico destino que nos esperava. Paul, o mais velho e insano do grupo, era o nosso guia. Engraçado isso... O nosso guia mais bêbado do que nunca, tropeçava em sua própria sombra, de tão chapado que estava. Marrie, sua namorada, fumava que nem uma caipora
  • 8. 7 neurótica. E eu? Bem, eu era daquelas pessoas do contra, sabe? Mas, mal eles sabiam que desta vez eu estava certa. "Vocês são um bando de doidos varridos. A floresta da Black Moon é mal assombrada. Já ouvi histórias sinistras sobre ela." "Ah, lá vem a senhora certinha! Sabe o que você realmente é, Rebeka? Uma Patricinha de m**** que pensa que sabe de tudo, que se sente superior a todos nós. Parece que eu não deixei minha mãe em casa". "Essa foi boa Marrie", confirmou Paul. Eu nunca recebi uma ofensa desse tipo de minha amiga, mas achei que fosse o efeito do álcool e cigarros, que haviam falado por ela. Por isso, fingi que não escutei tal comentário. "Vamos acabar com essa briga boba, ok? Não há ninguém obrigando você estar aqui. Mas quem ficar até o fim vai ganhar um surpreendente presente", fala esta de Tom, olhando diretamente para a profundidade dos meus olhos. P*** m****! Aquilo me arrasou por dentro.
  • 9. 8 Durante anos, fui super ligada nele. E ele, como aquele típico homem cafajeste e safado, me esnobava. Depois de um tempo, eu desisti dele. Por mais que meu coração doesse, eu abri mão de lutar por ele, para o meu próprio bem. Eu aceitei ir nessa aventura e saber qual era esse presente, essa recompensa por minha coragem. Afinal de contas, eu deveria colocar em minha cabeça, que era uma floresta inofensiva. Particularmente, nunca gostei desses lances que as pessoas normais inventam para justificar coisas que não conhecem. Sei lá... Eu não acreditei, naquele momento, nas baboseiras que o povo da cidade falava. No final de toda a discussão, a maioria venceu. "Pensando bem, eu estou com medo" disse Marrie, raciocinando mais do que a gente, apesar da bebida. Contudo, Paul prometeu que se casaria com ela, caso aceitasse o desafio de desbravar a floresta. "Não brinque comigo... se casar uma m**** comigo!", complementou minha amiga. "Deixa a m**** e me escuta. Sei que você quer essa cerimônia, apesar de não achar que o seu significado realmente importe. Mas, se você realmente quer isso, então venha comigo. Afinal,
  • 10. 9 você vai dividir comigo suas alegrias, tristezas, bebedeiras, loucuras. Todos estão ouvindo o que estou prometendo. É a mais pura verdade!" "Sim, todos nós ouvimos!", disse eu. "Agora vamos logo!" Dois dias antes de embarcarmos nesta loucura, fomos a loja do Bill e compramos bebidas, comidas nada saudáveis, kit de sobrevivência simples (com cordas, lanternas, remédios, espanta mosquito) e um mapa. O dono da loja ficou espantado ao saber da trilha que iríamos fazer. "Vocês são doidos. Por dinheiro nenhum do mundo, eu iria lá. Dizem que a pessoa fica louca com as coisas que acontecem lá." "E é por falta de todo dinheiro no mundo que você vai morrer nessa miséria!", assim Paul encerrou esta conversa. Eu dei um beliscão nele, lançando meu olhar de desprezo para o meu
  • 11. 10 amigo e um olhar de desculpas para o dono da loja. Marcamos para a manhã do sábado, estarmos todos na rodovia 62, no lado do Oeste da cidade. Lembro-me que era um dia ensolarado. Acordei pulando da cama. O despertador não tocara, mas eu já estava acostumada a acordar cedo. Tom já havia me ligado duas vezes, porém deixei o meu celular no silencioso. Arrumei rapidamente minha bolsa, colocando celular e dinheiro, uma câmera para registrar esta aventura, alguns documentos e o kit de sobrevivência do Bill. Tomei um rápido banho: nem consegui fazer um penteado bacana para o meu cabelo. Decidi que era melhor deixar um coque, que só favoreceu a magreza do meu rosto. Era assim que eu gostaria de me apresentar para Tom?
  • 12. 11 Capítulo 2- Brincando com minha luxúria Na minha cabeça, eu apostava todas as fichas que uma possível transa me aguardava no final deste desafio de desbravar uma floresta sombria. Eu, no entanto, me sentia parecendo com uma múmia egípcia. Em todos os sentidos: fisicamente, sexualmente, espiritualmente... Foi nessa hora que passei uma mensagem de texto para o celular de Tom, pedindo que me aguardasse por mais vinte minutos. Esse tempo seria utilizado para decidir, que o melhor era deixar meu cabelo solto e molhado; que eu
  • 13. 12 deveria vestir um sutiã que valorizasse um pouco mais a falta de seios fartos; e que a calcinha ideal seria a que pudesse marcar mais a calça jeans que eu escolhera. Meu corpo parecia vibrar com a ideia maluca de que eu estaria pronta para a minha primeira transa. É claro que nunca, em meus piores sonhos, imaginaria que aquela floresta seria o local escolhido. Não percebi que nessas poucas escolhas, o tempo passou rápido. Desci as escadas de maneira tão apressada, que quase cai. Foi quando me lembrei que deveria retornar ao quarto e colocar um pouco mais de vida no meu rosto, bem como, um batom um pouco mais avermelhado e chamativo. Contudo, assim que me olhei no espelho, vi uma serpente negra ao meu redor. Fiquei em estado de transe, sentindo certa nostalgia, ao mesmo tempo que um sentimento sufocante e excitante tomava de conta de meu corpo, à medida que a serpente subia e parecia querer entrar em minha calcinha. Eu enxerguei no espelho uma mulher em um vilarejo, toda vestida de preto, mas o que realmente chamava a atenção (além daqueles
  • 14. 13 seios fartos que saltavam para fora de seu vestido) era o fato de que essa mulher era extremamente parecida comigo. Mas, havia algo que era bastante diferente de mim: ela parecia desfilar pela rua tão confiante, tão bela, tão livre e destemida, que eu tive um resquício de inveja dela.... ou seria de uma parte de mim oculta neste espelho? A serpente negra estava bem à minha frente. Não saberia dizer se estava no ponto de me dar um bote ou de me beijar. A essa hora, não havia o que raciocinar. Se era delírio ou realidade, não saberia explicar. Mas, o medo me fez gritar e tentar arremessar a serpente para o mais distante possível de meu corpo. E com isso, bati no espelho e ele se desfez em pedaços. Ao erguer minha cabeça, fui surpreendida por aquela mesma mulher do espelho, aparentemente materializada em minha frente. Ela não ousou fazer nenhuma pergunta, a não ser tocar meus lábios. Me perdi com a eletricidade e a profundidade do seu toque, que parecia violar minha alma. Foi quando Tom entrou abruptamente no meu quarto. Não é preciso dizer o susto que eu tive. Provavelmente da bebedeira de ontem, eu com certeza deixei a porta da frente da casa mal fechada.
  • 15. 14 "Vamos! Continue. Você estava prestes a me beijar", disse Tom. "Como você apareceu aqui?", eu falei notadamente constrangida e sem sinal algum da presença de meus pervertidos fantasmas. "Acho que fiquei assustado. Liguei inúmeras vezes e o tempo passou mais do que você disse na mensagem. Achei por bem vir aqui e encontrei a porta da frente destrancada. Pensei que algo de ruim estava acontecendo com você. Mas, com essa cara de excitada, acho que cheguei na hora final de sua masturbação. Mas não sei como, você quebrou esse espelho e tem um corte no pulso que deve ser tratado". Eu gemi quando Tom tocou meu pulso, pois percebi que agora o corte e um vidro enfiado em meu pulso. Como se não bastasse, uma pequena poça de sangue se formara e com certeza teria que trocar a calça jeans sexy por qualquer outra roupa sem graça do meu guarda- roupa. Após retirar o vidro e fazer o devido curativo, tomei um anti-inflamatório e, enfim, me certifiquei do ótimo trabalho de Tom. Acho que ele nasceu com algum dom para a medicina.
  • 16. 15 Estava perfeito. Recebendo como negativa a necessidade de ir a um hospital, pois confiava em seu excelente trabalho, resolvemos ir a nossa aventura na floresta. "Pensei que você tinha desistido dessa viagem.... Você sabe.... Com aquelas histórias malucas que as pessoas contam, até eu mesmo tive medo. Que esse seja mais um de nossos segredos. Somos o quarteto fantástico, não é? Não podemos deixar Paul e Marrie irem sozinhos", disse Tom.
  • 17. 16 Capítulo 3: Espelho Quando Tom e eu chegamos, Paul já tinha bebido uma grade de cerveja. Não era preciso muito para fazer Paul ficar maluco. Ele em sua sã consciência já era um bêbado que só dizia asneira. Por mais que fôssemos tão diferentes, eu aprendi a olhar meus amigos como uma extensão de uma família alternativa. Tinha que amá-los e suportá-los. Tudo bem que, de vez em quando, eu e Marrie vivíamos nos estranhando, devido o seu ar de esnobe, mas jamais desejamos o mal uma para a outra... Bem... de minha parte, eu posso confirmar, mas
  • 18. 17 da parte dela apenas suspeito que seja recíproco. Tom foi logo assumindo seu posto na direção, em razão do estado atual de embriaguez de seu amigo. Não poderíamos morrer antes de chegar ao nosso destino, vitimados por um motorista bebo às cegas que mal sabia urinar sem molhar as calças. Passado um dado tempo, avistamos a floresta de nossa aventura. Ignorei o arrepio que tive. Talvez ele fosse oriundo pelo fato de estar perto de Tom e dele ter aproveitado um momento em que Marrie e Paul estavam distraídos, para acariciar minhas pernas. Nesse momento, senti uma pontada de dor no meu pulso, justamente onde há poucas horas havia um fragmento do vidro do espelho do meu quarto. Droga! Aquele espelho era uma relíquia de família... Era sagrado... Nossa família tinha uma tradição de presentear a menina da próxima geração que completasse quinze anos... Foi o que minha avó fez, minha mãe e, agora, nas minhas mãos, mesmo que houvesse uma rara oportunidade de ter uma filha (ainda faltava o homem que me quisesse), agora, ela teria que se contentar com um espelho remendado..
  • 19. 18 Certas ocasiões, olhar para aquele espelho era algo pavoroso. Tinha a sensação de ser observada. Por mais racionalidade possível, precisava apenas de um minuto de fraqueza para que essa sensação de um olhar ou força invisível me causasse a sensação de ser violada. Enquanto os outros comiam alguma besteira, pensei em dar uma volta pelos arredores, tentar tragar um tipo diferente de ar dessa atmosfera nova. Era um local de certo ar mágico também. Havia um lado lindo da natureza, que eu adorava ver se manifestar. Contudo, essa mesma natureza que me convidava a admirá-la, também parecia traiçoeira. Tive um susto ao notar que parecia que havia outros aventureiros na floresta. Digo isso, porque não percebi a aproximação de uma garota. "Ei, tudo bem? Se você resolveu desbravar a floresta sozinha, tome cuidado! Em companhia já é perigoso, imagine sozinha... Onde estão seus amigos?", falei para essa garota que parecia estar sozinha, me observando por entre as árvores.
  • 20. 19 "Bem... Na verdade, sou maluca mil vezes do que você... Estou nessa aventura sozinha. Sinto-me em casa, sabe? Qual é o seu nome?" "Rebeka Williams, e você?" "Kassadra Kustkry, prazer em conhecer você, jovem!" "Não quer se juntar a mim e mais três loucos amigos?" Eu estava com uma sensação ruim ao ver essa garota tão desprotegida... Tudo bem que ela parecia confiante em ter essa aventura sozinha, mas não hesitei de convidá-la a se juntar ao meu grupo. "Relaxa, Beka, está tudo bem... Siga essa trilha... quem sabe a gente não se esbarra, não é? Dizem que tem uma casa mal assombrada que pertenceu a uma bruxa muito antiga, que teria residido nessa cidade ainda quando aqui só era um simples vilarejo. Estou levando uns equipamentos para verificar a existência de fantasmas. Sou pesquisadora paranormal." "Bem sinistro se fosse verdade. Mas acredito que é uma casa normal. As pessoas inventam coisas para atrair turistas."
  • 21. 20 "Ok... boa sorte, Beka". "Boa sorte, Kassandra. Ache evidências de muitos fantasmas por mim!"
  • 22. 21 Capítulo 4: A história da bruxa- parte 1 01.Vencedora Era mais uma forma espontânea de me torturar? Um truque do mestre cármico para me castigar? Eu não sei o erro cometido ou o trato firmado Eu serei vencedora Serei sua vencedora
  • 23. 22 Eu irei mergulhar na lama e perder minha respiração Quando pensar que eu desisti, eu ressurgirei Entregarei meu coração inúmeras vezes, Mas eu serei vencedora Serei sua vencedora Eu prometo odiar você a cada dia Eu prometo fazer o seu amor desaparecer Eu prometo parar de lamentar meus erros Eu prometo torna-me sua puta vencedora Eu prometo trazer mais prazer para o meu "eu" Eu prometo escutar em vez de enlouquecer Eu prometo tornar-me sua puta vencedora Era mais uma reencarnação dizendo "adeus" Um truque de um beijo sedutor que despertou este "eu"
  • 24. 23 Não sei quantas vidas devo pagar por amar Eu serei vencedora Serei sua vencedora Eu irei cobrar juros por todas as lágrimas derramadas Quando pensar que eu morri, eu estarei gozando e sorrindo Entregarei meu mundo destruído para ser reconstruído, Mas eu serei vencedora Sua única vencedora Eu prometo odiar você a cada dia Eu prometo fazer o seu amor desaparecer Eu prometo parar de lamentar meus erros Eu prometo torna-me sua puta vencedora Eu prometo trazer mais prazer para o meu "eu" Eu prometo escutar em vez de enlouquecer Eu prometo tornar-me sua puta vencedora
  • 25. 24 Haverá pedras no caminho, tropeços e sangue Minha cota de pedido às estrelas esgotou Meu sopro ou sussurro orgásmico sobrevive Haverá energia fluindo em meu corpo Minha voz será um eco em sua mente Meu sopro ou sussurro orgásmico sobrevive Eu prometo tornar-me sua puta vencedora 02. Biografia A história da mulher sombria da floresta Foi o começo do fogo eterno de dor Não lembra que fui um dia uma garotinha,
  • 26. 25 Sem grandes ambições na vida? Um homem sem escrúpulos me espreita a noite Enquanto banhava-me nas águas turvas de mentiras Meu corpo era um magistral tormento a conquistar Seria fácil enganar um coração que sangra? Ofereça-me promessas vãs Eu amo ser envolvida por este sentimento místico, poderoso e sublime Use-me como nunca Machuque-me como nunca Ofereça-me promessas vãs Eu amo ser humilhada por este sentimento, quero estar sozinha, grávida e esquecida Use-me, oh vida! Machuque-me, oh vida!
  • 27. 26 Constantemente ferida nesse calabouço frio Eu preciso sobreviver por mais um respirar Invoque a serpente negra e salve-se! A tentação pode ser uma chave preciosa para escapar O que vale mais? Um corpo ou uma alma quebrada? 03.Meu novo "eu" Foda-me até eu morrer Eu preciso nascer, oh serpente! Foda-me até eu desaparecer Eu preciso viver, oh serpente! Eu devo agradecer a dor?
  • 28. 27 Onde deixo a criança bastarda? Meus medos, meus medos, Sob a lua negra, eu durmo Este é o meu novo "eu" Entrego o corpo, alma, meu tudo Para provar que o absurdo É o mais fundo e poderoso truque Vença o mundo! Minha semente na floresta vai germinar Meu delírio infantil por vingança Retorno à cidade com título de nobreza E com a serpente enroscada em meu corpo, o talismã da sorte...
  • 29. 28 Provavelmente a tal Kassandra havia deixado cair este caderno de poesias, que conta a história da provável assombração maligna que faz desta floresta, um ponto turístico local, embora nunca tenha me interessado saber da história deste passado ou dos personagens envolvidos. Mesmo sem compreender muito do que li, acreditei que havia uma magia capaz de seduzir e ativar na mente de qualquer um, a necessidade de se aventurar por dentro desta floresta sombria, em busca de respostas, espíritos ou mais enigmas. Contudo, eu havia começado a ler os versos iniciais de um passado de sangue e dor, que traria consequências inimagináveis para todos ao meu redor. "Gente! Por que não seguimos essa trilha?", eu disse, apontando o caminho escolhido pela investigadora paranormal. Eu estava começando a suspeitar que eu desejava ter mais umas conversas com essa Kassandra. Estava disposta a ter minha crença abalada. "Tenho certeza de que grandes aventuras estão nos aguardando", finalizei meu discurso.
  • 30. 29 Capítulo 5- Mapa "Você está diferente", disse Tom, ao mesmo tempo que tocava em meus cabelos. Isso me causou arrepios incontroláveis. "Você deve ter bebido um pouquinho. Eu sou a mesma". "Deve ser esse cabelo solto, Beka". A maioria das meninas que passaram na vida de Tom morriam de inveja de mim, porque, por mais que eu não dividisse a cama com ele, nós dividíamos outras coisas, que julgo mais importantes do que simplesmente transar.
  • 31. 30 Nos conhecemos ainda quando éramos crianças inocentes. Ele me protegia dos meninos que queriam zoar comigo, até que ele cresceu e começou a zoar de mim também. Nossa relação mudou nesse período. Éramos mais amigos somente na hora da prova, quando ele estava em apuros e queria uma pesca. Voltamos a ter uma relação de amizade ainda maior, quando meu pai morreu. Ele era quase que um pai para Tom também, e foi nesse exato momento em diante, que nossa irmandade criou laços maiores. Não vendo como mulher e sim como uma irmã mais nova, todo qualquer sentimento sexual entre nós ficou adormecido... Por enquanto... Afinal, quais atributos de uma verdadeira mulher eu tinha? Sempre me questionava quando as ex- namoradas de Tom insistiam em querer comprar briga comigo. Eu era tão patética, ao ponto de aceitar os deboches e ofensas de todo mundo e concordar que esses comentários eram verdades absolutas sobre mim. Deixei esses pensamentos do passado e foquei em nosso presente: voltamos para o local de antes, ao qual preferi ter me ausentado um pouco mais. Marrie e Paul estavam “dando uns amassos” e pareceram não se importar com a nossa interrupção. Tom me ofereceu um drink e
  • 32. 31 eu engoli tudo de uma vez, tentando apagar essa cena. "Desta vez quando voltarmos, temos que nos certificar se Paul e Marrie terminaram de transar", disse Tom aos risos. Já estava escurecendo quando decidimos encarar a trilha que eu escolhi para seguirmos em nossa aventura. Cada um de nós tinha uma dose de álcool considerável no organismo, mas acho que também conseguimos, do nosso jeito, raciocinar. Quer dizer, menos Paul... Bêbado ou não, ele era apenas um rostinho bonito. "Me dê esse mapa que eu vou guiar vocês ao inferno!", falou Paul, tropeçando em seguida. Soltamos uma risada, enquanto Marrie o levantava. Tom foi ajudá-la e eu peguei o mapa me atentando a buscar alguma informação extra sobre a trilha que eu escolhera, para estarmos precavidos.
  • 33. 32 Tendo a certeza de nosso caminho, o óbvio era começar a andar agora, antes que realmente as sombras da noite alimentassem qualquer medo infantil que, porventura ainda residisse em mim. Paul puxou o mapa de minhas mãos abruptamente, eu fiquei enfurecida. Eu dei um empurrão nele e ele reagiu da forma mais covarde possível: me deu um soco. Tom não aguentou ver aquilo e partiu para cima de Paul, desferido um meteoro de socos no amigo. Eu e Marrie apenas gritávamos para que os dois parassem já a briga! Tom atendeu ao meu pedido, verificando como estava o meu rosto e Marrie, consequentemente, foi em socorro de seu amado. "Eu estou bem, não foi nada. A gente está nessa porra de aventura louca, então vamos logo!", falei, tentando esconder a dor do soco na minha cara. Para mim, o importante era acabar com aquele sentimento ruim que ficou após a briga dos meus dois amigos e que nos atentássemos para continuar o que nos propomos a fazer no dia de hoje.
  • 34. 33 Pode ter sido uma rápida recuperação, mas de minha parte, eu via minha atitude como uma injeção de ânimo. "Me desculpe, Beka", falou Paul. O abracei e dei por fim qualquer clima de animosidade no ar.
  • 35. 34 Capítulo 6: Perdidos Por poucos instantes, estivemos em paz. Apenas caminhávamos atentando para uma beleza desconhecida que emergia em nossa frente. Era essa a beleza que as pessoas temiam? Uma beleza mortal que nos seduz e rondava o cenário macabro de futuras mortes e mistérios. Eu ri disso. E me lembrei de toda aquela história maluca sobre bruxas. Recordei da encantadora Kassadra Kustkry. Interrompi meus pensamentos, assim que ouvi o grito de Marrie.
  • 36. 35 "Vocês viram isso?". Negamos qualquer que tenha sido a insinuação de algum evento sobrenatural. "Eu os vi! Eram figuras horrendas nuas!", disse Marrie pondo as mãos nos olhos. "Que excitante", disse Paul, ouvindo apenas a parte „nuas‟. "Não brinque como os mortos", falei. "Agora você acredita em mortos e espíritos da floresta?", insistiu Paul. "Não me faça perder a paciência...", respondi. "Quando você fica com raiva, parece tão sexy. Eu seria capaz de matar só para ver você fazer essa carinha de novo", finalizou Paul. Tom deu um empurrão no amigo, sentindo ciúmes pela forma safada anunciada pelo clima da fala de Paul. "Deixa de briga, gente! E você, Marrie, não alimente suas crenças medonhas!" Assim que disse isso, todos se apavoraram. Até mesmo eu. Eu vi um homem e uma mulher. Rostos desfigurados, pele em chamas e uma fedentina horrível se alastrou no local. Ao meu ver, essas entidades estavam desorientadas. "O mapa! Me
  • 37. 36 dê o mapa e fiquem juntos!". Abracei Marrie que chorava sem parar. O interessante é que ninguém questionou, apenas seguiram minhas ordens. Realmente estes espectros eram assustadores, que não haveria palavras descritivas que eu pudesse usar para delimitar os traços característicos destes seres. Havia algo que me fazia achar que os espectros me temiam. De alguma forma, eles demonstravam aversão ainda maior ao meu ver. Interpretei como um bom sinal diante de todo esse cenário de insanidade. "Vão embora enquanto há tempo. Quando ela os seduzirem, já será tarde demais..." Disse a entidade feminina. Nesse exato momento ela caiu e se debatia em dor. O homem a abraçou, tentando reconfortar a sua agonia, de alguma forma. Ambos choravam lágrimas de sangue. Fechei os olhos tentando mandar embora esse sentimento de medo, que havia se apossado de meu corpo. Uma espécie de “déjà vu” passou como filme: uma mulher de costas segurando uma adaga. Uma serpente na cama de um casal morto, pronto para devorar suas almas. Como um passe de mágica, os fantasmas nos deixaram em paz. Nossas respirações
  • 38. 37 ecoavam em cada extremidade da floresta. Uma tontura tomou de conta de mim e senti que estava prestes a desmaiar. Tom me segurou antes que eu me chocasse com o chão. Vomitei em seguida. "O que raios foi aquilo?", disse Paul. "Ninguém acreditou em mim até que viram com seus próprios olhos o que julgaram ser uma mentira minha. Eu disse que isso era uma burrada desde o começo! E agora? Se a gente se perder aqui para sempre? Quem irá nos resgatar? Ninguém sabe que estamos aqui", falou Marrie. "A não ser Bill", respondi. Peguei o mapa de Paul, que agora era quem vomitava. Tive medo ao perceber que o mapa havia se modificado. Não era o mesmo que nos havíamos comprado na loja de Bill. Estava confuso, apagado, borrado. "Me dê a p**** do verdadeiro mapa!" Não compreendi. Realmente estávamos perdidos. "Eu vou voltar", falou Marrie, nervosa demais. "É loucura, Marrie. Lamento dizer, mas estamos encrencados!"
  • 39. 38 Capítulo 7- A história da bruxa (parte 2) 01. Pecado Deixe-me acariciar sua face, antes de morrer Tombamos diariamente, como homens e mulheres necessitados Descobristes nossa fraqueza, pactuamos com teu fim Serva das trevas, loucura em mim
  • 40. 39 O pecado reencarnado, a mentira refeita na magia Sociedade corrupta de seus valores Nada mais são que falidas almas Como convidada em minha festa, minha ruína em ti! Guardei o diário de Kassandra. Não havia nada que me fizesse aliviar o medo crescente. Eu sabia que cedo ou mais tarde, a noite reinaria. O mais provável e (insano) era passar a noite lá, e logo pela manhã, refazer em nossas mentes mais tranquilizadas, algum sinal ou indício que nos orientasse ao rumo certo a seguir. Comecei a ponderar sobre o grande erro que eu estava cometendo. Logo eu, a suposta inteligente da turma, me deixei guiar por um instinto absurdo de travessura e uma transa com Tom. "Você está bem?"
  • 41. 40 "Pareço bem, Tom? Não gostaria de admitir que Marrie estava certa sobre isso. Somos loucos", respondi. "Calma, Beka. Talvez o que vimos seja resultado de algum medo coletivo". "Não me venha com essa estupidez. Até eu, que não acreditava nessas coisas, devo assumir que há um mal aqui: silencioso e fingindo. O que vimos foi bastante real, Tom. E se estamos na trilha verdadeira da bruxa? Daquela que as pessoas da cidade não ousam falar o nome dela?" "Meu amor, estamos perdidos na floresta, assustados como crianças e isso nos faz, em certa hora, ver e ouvir coisas que não existem. Se tudo isso fosse verdade, que nem nos filmes, agora mesmo no cair da noite, estaríamos todos em terror constantemente. Espero que o dia logo chegue e que possamos dar por fim esta aventura", disse Tom, antes de bocejar. Paul e eu trocamos olhares, enquanto acendíamos uma fogueira. Tentei desconversar o máximo que pude, para que Marrie não ficasse tão arrasada.
  • 42. 41 Não conseguimos dormir. Qualquer movimento, até no simples balançar de folhas, fazia com que arrepios percorressem nossos corpos. Mesmo com a proposta de Tom de vigiar o nosso sono, nem isso mesmo adiantou. Lembro-me de quando meu pai morreu. Naquela noite eu não consegui dormir. Algo na escuridão da noite, me causava medo e intensificava minha dor. E Tom, naquele momento, apareceu gentilmente e me confortou. Prometeu que nada de mal aconteceria comigo, porque estaria ali, hoje e sempre, para me proteger. E foi exatamente isso que ele repetiu em meu ouvido. Mas, eu estava irada demais para raciocinar direito... Irada por tamanha estupidez que cometera. Eu me sentia responsável por tudo isso. De uma maneira, acho que se eu tivesse me posicionado contrário, Marrie, Paul e Tom futuramente iriam desistir dessa loucura e procurar se aventurar em outra coisa. Mas, lá estávamos, por mais que as pessoas tivessem
  • 43. 42 nos dito que não! Queríamos provar para nós mesmos e para os outros, que éramos invencíveis e deuses de nosso próprio destino. Olhei para a mina bolsa e eu vi a câmera que serviria para filmar os nossos grandes feitos. Pensei na época, em algumas frases do tipo "Fantasmas não existem!", "Olha eu aqui morrendo de medo". Foi perdida nesses pensamentos que acabei adormecendo sem perceber. Embalada pelo conjunto de poesias do diário de Kassandra, a investigadora paranormal com quem eu tinha me esbarrado, sonhei que estava em um castelo. Em meu quarto, o espelho que eu havia quebrado, a relíquia de minha família, estava lá intacto! Eu olhava fixamente para aquele objeto, ao mesmo tempo que segurava uma adaga encharcada de sangue. O mais bizarro era que eu não tinha medo daquilo. Parecia ser algo corriqueiro ver o sangue. Tão vermelho, tão vivo... Foi ai que eu vi um homem e uma mulher, que pareciam ser da realeza. O olhar de medo estavam estampados em suas faces. Aparentemente, o nobre fora obrigado, por uma força muito maior do que ele, a matar sua companheira.
  • 44. 43 "Me perdoe! Por favor, eu prometo..." "Promessas não farão voltar no tempo, caro príncipe... O mal já está feito. Você não vê?" "Ela não tinha nada a ver com isso!" "Mas é claro que sim, meu querido! Ela dividia alegremente o leito com você, noite por noite, obedientemente, mesmo sabendo que eu estava em uma cela imunda de uma prisão morrendo. Eu era mãe. Mãe de um pecado. E o que ela fez? Nada! Ninguém fez nada por mim, até que a serpente negra me resgatou desta miséria, da qual você foi meu mestre. Eu não sou pior ou melhor do que você agora. O que me resta é esperar que sua alma, assim como a minha, não encontre paz. E isso, eu vou garantir que aconteça!"
  • 45. 44 Capítulo 8: Sacrifício Abri numa parte interessante do diário da paranormal Kassandra: especificamente a que falava da noite de hoje, caso ainda estivéssemos na floresta, o que eu desejei ardentemente que não foi possível estar aqui. Para a nossa sorte, na noite anterior nada aconteceu. Esse era o segundo dia que estávamos aqui e, segundo o diário, poderia ser o pior. Não que o histórico tradicional dessa festividade tivesse alguma ligação com o mal. Mas, aqueles direcionados ao mal, nessa Noite das Bruxas, ganhavam ainda mais força em
  • 46. 45 seus rituais: a linha tênue do mundo dos espíritos, demônios, bruxas e do mundo dos vivos ficava ainda mais fraca, onde cada um podia transitar livremente, e se isso acontecesse em uma floresta com intensos relatos sobrenaturais durante quase todo tempo do ano, imagina nesse dia. Me perguntei se Kassandra estaria viva ou se havia experimentado alguma manifestação assombrosa durante o dia de ontem. Não podíamos contar com o mapa. Que mapa? Estávamos, agora, apostando em nossas intuições para mostrar o caminho que seguíssemos e sair o quanto antes deste lugar. Resolvi aproveitar um riacho a vista, e pedi um tempo aos rapazes para lavar o meu rosto e sorver um pouco de água. Nossos suprimentos estavam acabando e desperdiçar água seria uma loucura. Enquanto Paul e Tom reabasteciam suas garrafas, eu e Marrie lavávamos o rosto. "Beka, eu não quero ficar aqui nem mais um segundo. Foi um milagre não sermos atormentados mais. Não aguento respirar esse ar sufocante", disse Marrie. Contudo, senti uma tontura indesejável. Marrie notou que meu corpo
  • 47. 46 pendeu para um lado. Ela me segurou para evitar minha eminente queda. "Você está bem?", perguntou minha amiga. De repente, Kassandra apareceu. "P*** m****! Que susto! Quem é você?" "Você e sua amiga decidiram de uma vez por todas seguir o caminho da casa da bruxa?". Ao respirar profundo, fui recuperando os sentidos. Entreguei o diário da paranormal, que agradeceu-me com um sorriso. "Ainda bem que você está bem. Pensei que algo de ruim tinha acontecido com você.", eu falei. "Vocês se conhecem?", Marrie perguntou intrigada. "Acho que sim. Nos cruzamos ontem....". Não pude terminar o restante da frase... Desmaiei. Quando recobrei a consciência, me arrepiei com a cena que vi. Kassandra estava
  • 48. 47 segurando uma adaga e havia marcado o meu peito com um pentagrama. Marrie estava desmaiada e, ao redor dela, uma cobra deslizava em direção a aspirante de agente paranormal. "O que aconteceu?", disse confusa. "O primeiro sacrifício para o despertar de minha amada mestra. Simples assim. Não leu nada do diário?", falou Kassandra. Marrie estava morta assim que me aproximei dela. Gritei alto o suficiente para que despertasse a atenção dos meus amigos. "Maldita, o que fez?", disse. Havia também cravado no peito de Marrie, outro símbolo que não consegui identificar. "Onde está você? Assassina!" Mas, Kassandra havia desaparecido. Paul ficou paralisado quando viu a cena. "Mas que merda é essa!", falou Tom. Eu estava em prantos. A única coisa que falei foi a verdade. "A garota que dizia ser agente paranormal, que estava na floresta, atacou a Marrie assim que passei mal. A tal de Kassandra". Percebi que, por entre as minhas roupas, estava um objeto que suspeitei ser a adaga que Kassandra usara para marcar meu
  • 49. 48 corpo e matar a minha amiga. Não contei nada disso, haja vista a reação de Paul: "Sua doida maluca, confesse o que raios aconteceu aqui!". Com certeza aquela vadia assassina havia me deixado com um artefato ritualístico incriminatório e eu não deixaria com que ela fizesse com que meus amigos ficassem contra mim. Ela havia roubado a vida de minha amiga e, de alguma forma, eu iria me vingar. Se ela é uma lunática por causa da história da bruxa, o problema é dela. Mas envolver pessoas inocentes foi o bastante para que eu me enchesse de ira. "Juro, Paul, que foi a Kassandra que matou Marrie. Olhe no pescoço dela: tem uma picada de cobra. Ela manipulava uma cobra, que a seguiu pelas sombras. Juro por tudo de sagrado que você possa imaginar." Tom percebeu que, de fato, Marrie morreu da picada de cobra. O corte de faca foi só de raspão. Eu aproveitei e mostrei que eu havia sido marcada também. "Um símbolo de bruxaria?", indagou Tom.
  • 50. 49 Ao ver o amigo em prantos, Tom se aproximou de Paul: "Eu lamento por tudo Paul, mas você tem que ser forte! Por Marrie! Devemos sair daqui e dar a ela um enterro digno, porque, pelo menos, é uma dívida que temos com ela."
  • 51. 50 Capítulo 9- Noite de Halloween- parte 1 Essa com certeza era uma árdua tarefa para Paul: levar o corpo morto da mulher com quem jurou amor e travessuras loucas. Pensei no que nós diríamos ao pai de nossa amiga, a Marrie. Todos, indiretamente, somos responsáveis por sua morte porque aceitamos essa aventura nessa trevosa floresta. Contudo, Tom queria ter fé de que ninguém mais morreria e que iríamos sair vivo desta floresta antes da noite de halloween.
  • 52. 51 Em meu interior, eu queria entender aquela sensação de familiaridade com aqueles símbolos marcados em minha amiga e em mim. Mas, percebi que esses insistentes pensamentos poderiam ser algum tipo de desvio principal de foco, que era agora, sair dessa floresta. "Eu estou me lembrando do caminho... bem... de parte dele...", disse Paul. "Como podemos confiar em você, se na maior parte do tempo você estava bêbado?", eu falei. Paul largou o corpo de Marrie, e abruptamente veio em minha direção. "Parem com isso vocês dois! Estamos todos com medos e chocados. Isso é fato. Vamos tentar ser racionaispela primeira vez na vida, ok? Caso contrário, receio dizer que vamos morrer todos aqui". Tom disse essas palavras, demonstrando raiva em seus olhos... raiva essa direcionada a mim. "Me desculpe, Paul...", eu praticamente cuspi tais palavras. Não havia nenhum sentimento de desculpa em minha voz. O que realmente estava acontecendo comigo? Eu estava ficando louca? Isso é mais uma das coisas macabras dessa floresta? Fazer com que
  • 53. 52 vivêssemos brigando, mudando nossa identidade, fazendo o mal que há em nós brotar de uma vez por todas? Seguimos o caminho apontado por Paul. Tom também estava se recordando de alguns detalhes. Até eu! Lá no fundo de minha mente, parecia haver algo familiar. De repente, Paul tropeçou. E que maldito tropeço foi aquele. O corpo de Marrie rolou abaixo, por entre a mata, que se perdeu diante das nossas vistas. Eu gritei de terror. Paul ficou com o pé preso em uma armadilha para animais, possivelmente feita para algum animal bem feroz. Ele urrava de dor e isso me partia o coração. Tom foi em seu socorro, tentar forçar aquela armadilha a abrir e liberar o pé de meu amigo, que com certeza estaria dilacerado. Foi nesse momento que Kassandra apareceu. Desta vez, gritei e apontei para aquela que matara minha amiga: "É ela, Tom!" "Ela quem, Beka? Onde?" A aparição havia sumido, mas foi bem real pra mim. Tom fez sinal
  • 54. 53 para que eu ajudasse Paul. Tínhamos que sair daquele local logo. "Me ajude aqui, Beka. Vou forçar essa armadilha aqui e você me ajuda também, ok?" "Certo, amigo". Ver Paul se contorcer de dor estava me matando. E eu tinha certeza de que ele teria que ser carregado por Tom. Eu ainda iria descer mata abaixo para buscar o corpo de Marrie. Jamais deixaria minha amiga apodrecer naquele inferno. Novamente, Kassandra apareceu bem nítida para mim. Acho que para todo mundo. Ela se materializou na frente de Tom. Paul havia se silenciado desde a primeira vez que eu avisei tê- la visto. Mas algo forte fez Paul avisar a Tom que ele seria a próxima vítima. "Cuidado, Tom! Atrás de você!" Nesse momento, eu senti uma pedra atingir minha cabeça e desmaiei. Assim que acordei, vi Paul do meu lado, ainda preso na armadilha. Já era de noite, mas vi algo brilhar no chão da floresta: um tapete de sangue, ainda fresco. Provavelmente Paul morreu de hemorragia. Estava frio e sem pulso. Pobre
  • 55. 54 amigo... Notei que havia uma marca em seu peito também. O mesmo símbolo feito em mim pela adaga de Kassandra. Eu andei pelos arredores da floresta desesperada. Não havia nenhum sinal de Tom. Não reconheci o lugar que estávamos. De algum modo, fomos movidos ao outro lugar. Se estávamos perto de encontrar o beco com uma saída desta floresta, acho que agora não podia contar com esse acontecimento. Após caminhar por mais algum tempo, avistei uma casa. As luzes estavam acessas e me perguntei se haveria alguém que pudesse nos ajudar. Minha mente nem pensou numa razão para ter alguém de sã consciência vivendo nessa floresta maldita. Minha cabeça não parava de doer. Eu já havia feito tanto esforço, que se eu tivesse que desmaiar, teria sido há muito tempo atrás. Abri a porta devagar. Velas iluminavam também o local. Aparentemente, não havia ninguém lá. Procurei por um telefone ou um rádio. E o achei... Tentei algumas frequências conhecidas, até que, para minha sorte, uma delas deu certo.
  • 56. 55 "Por favor, me ajudem. Meu nome é Rebeka. Isso não é nenhuma brincadeira de halloween. Eu estou muito ferida e com medo. Meus amigos estão mortos. Estamos na floresta maldita da bruxa. Não sei exatamente em que ponto, mas há uma casa aqui. Farei fogo para vocês verem, de alguma forma. Por tudo que mais amam, me salvem", disse em lágrimas. "Pare de brincadeira, mocinha. O halloween começou e já recebemos mais de vinte ligações de resgate dessa floresta. Todo ano é assim. E não vamos nos arriscar a troco de nada e ainda por cima, sermos amaldiçoados. Não haverá doce que compense essa travessura de passar trote!", disse alguém do outro lado da linha. "Por favor, acredite em mim. Anote os nomes. O senhor verá que esses jovens, há dois dias, se encontram desaparecidos: Paul Wonl, Marrie Hernandes, Tommy Caugtylly e Rebeka...". O rádio voou como se uma sombra tivesse a força de arremessá-lo a não sei quantos metros de distância. Um vento extremamente forte fez abrir todas as portas e janelas daquela casa. Mesmo assim as velas insistiam em permanecer acessas.
  • 57. 56 Me deparei com um espelho. Não um espelho qualquer. Era o mesmo que estava em minha casa. Kassandra apareceu e se ajoelhou diante de mim. "Minha senhora, quanto tempo se passou desde a sua morte. Eu sabia que iria retornar para mim, mais cedo ou mais tarde. Lembro-me da nossa última promessa, antes da temível noite dos caça as bruxas por essas terras. Nossas irmãs foram mortas, queimadas no fogo eterno. Como não é possível lembrar do sobrenome Caugtylly? Eles foram que a perseguiram!" "Todas as minhas gerações serão amaldiçoadas e vingarão meu sangue, não é Thomas Caugtylly? Você venceu o jogo hoje, mas amanhã será um novo enigma para nós!", eu falei, em seguida, especialmente sentindo que Tom me espreitava. "Não foi Kassandra que me atingiu com uma pedra na cabeça.Foi você!", falei apontando para as sombras. Como eu poderia esquecer a minha história? Uma poderosa bruxa, cujo nome se espalhava para os quatro cantos do mundo, no período em que as sombras da noite detinham um poder absoluto na mente de homens temerosos e sem escrúpulos... Homens esses,
  • 58. 57 que suas mentes moldavam criaturas que reinavam entre a realidade e a fantasia das pessoas. Um grupo seleto de humanos dotados de sensibilidade mística se aperfeiçoou também para expulsar do mundo, seres como eu. E juntamente com grupos religiosos locais, começaram a aniquilar toda a magia oculta do mundo. E um desses homens, com certeza, foi aquele que eu mais amei e que, com certeza, estava prestes a me trair.
  • 59. 58 Capítulo 10: Noite de Halloween- parte 2 A fogueira também condenou muitos inocentes, mas em grande número, culpados pagaram pelo mal que fizeram em vida, diga-se de passagem. Há uma magia única que se desdobrou em várias. Em cada caminho que escolher, o usuário atrai para si as consequências e fardos, de muitas vezes, mexer com o obscuro. Deve estar ciente de que tudo tem um limite e um preço ao decidir ultrapassar as barreiras. Com certeza quem pagou também foi a bruxa Samantha Romansky. Quando a
  • 60. 59 serpente que lhe dera o poder mágico fora aprisionada pelo místico caçador de bruxas, Thompson Caugtylly: com isso, os poderes de Samatha Romansky desapareceram. Contudo, notando esse perigo, sua subordinada, que para mim estava claro que fora Kassandra Kustkry, prendeu o espírito da bruxa em um espelho. Ao longo da história, minha família provavelmente mudou o sobrenome ou, de fato, não soube que era a geração maldita a carregar o mal. Thompson queimou o corpo, mas o espírito da bruxa e boa parte de seus poderes estavam a salvo. Kassandra fugira e nunca encontrara a filha que sua mestra havia lhe falado. Com a morte de Kassandra, anos depois do período de caça às bruxas, o espelho encontrou a família que adotara a filha de Samantha, ou seja, sua legítima dona. E logo, a sua geração retornou ao lar de sua matriarca. De geração a geração foi passado, até que chegou em minhas mãos. Agora, creio que a força completa de Samantha foi restaurada com os sacrifícios de meus amigos, que deviam ter em seu passado, uma ligação com a morte dessa bruxa.
  • 61. 60 "Excelente raciocínio, garota! Você libertou a minha amada Samantha ao quebrar o espelho de seu quarto antes de vir ao seu verdadeiro lar. Quem você pensa que matou os seus amigos? Eu? Um fantasma? Uma simples aparição sem corpo? Ou foi você, que carrega no sangue a assinatura, a marca da bruxa?", disse Kassandra para mim. Eu me neguei a acreditar. Mas, um flashback de tudo veio à tona: a primeira morte, a de Marrie, eu ordenei a uma cobra que se enroscasse em seu corpo, enquanto recitava algo, até então, indecifrável pra mim e a marcava com a lâmina de minha adaga... sabemos depois, que a cobra a picou e ela morreu... Paul foi a segunda vítima: eu havia preparado as armadilhas por boa parte do local em que estávamos, dias atrás. Na verdade, quem morresse nessa armadilha seria lucro pra mim. Eu encantei aquela armadilha para fazer a pessoa sangrar até a morte. E Tom? Enquanto ele tentava libertar o amigo, eu o distraí com essa história de vulto da Kassandra e acertei sua cabeça com uma pedra. Retornei ao meu lar com a certeza de que minha ira reinaria nessa cidade, assim que tivesse por completo o meu poder.
  • 62. 61 Eu lutei para não deixar Samantha se apossar de meu corpo. Debati e contorcendo-me no chão de dor, com raiva por tudo de ruim que ela fizera com meus amigos, especialmente, ao homem que eu amava: Tom. Fomos interrompidas com a porta que abriu-se abruptamente. Tom estava ensanguentado, mas vivo. Uma parte de mim ficou alegre por vê-lo. Essa era a hora de salvar meu amigo sincero e amor verdadeiro. Usei parte da força de Samantha para afastar o vulto de Kassandra. Por mais que Kassandra tivesse forças, Tom também vinha de uma linhagem de místicos. Havia uma tatuagem em seu peito com um símbolo de proteção, que pode ter evitado sua morte. "Vou mandar essa bruxa pro lugar de onde ela nunca deveria ter saído: o inferno!", falou Tom. Kassandra havia voltado e jogava objetos em direção ao Tom, impedindo-o de entrar no recinto. Notei que até mesmo Samantha estava inquieta, haja vista eu ter ainda domínio de meu corpo. De certa forma, ela fora apaixonada por Thompson, e Tom o lembrava bastante. Mas ela não podia morrer duas vezes. Não agora tão
  • 63. 62 perto de ter Tom para si. Então esse era o plano? Deixara Tom vivo para envenená-lo com o mal, e de alguma forma corrompê-lo? E posteriormente, "serem felizes para sempre"? Não! "Me perdoe, Tom!", disse. "Não faça isso, minha senhora, lute!", falou Kassandra que não podia se dividir em duas e me impedir do que eu estava prestes a fazer: comecei a recitar uma oração de exorcismo que aprendi na catequese, na época de criança... Eu não sabia se essa oração iria funcionar comigo, o próprio tabernáculo do mal. Mas não custava nada tentar... Enfiei a adaga em meu peito até ter a certeza de que ela havia perfurado o bastante. Lembrei-me da transa que nunca aconteceu, mas foi a que eu mais sonhei. De Tom me abraçando, me beijando, me envolvendo. Nada disso... Não fui merecedora de prêmio algum... A morte chegou para mim como uma salvação. Se Kassandra tivesse alguma força, ela mataria Tom. Com certeza. Se ela estivesse ligada a mim, que possuo o espírito de sua mestra, então ela morreu comigo. Eu devia pagar esse preço por matar os meus amigos.
  • 64. 63 Silêncio... Uma mão quente tocou-me. E eu despertei. Era possível sentir o hálito de hortelã de Tom. É claro que era de alguma pastilha, creme dental ou enxaguante bucal para disfarçar o cheiro de cigarro. Estávamos no meu quarto. "Desculpe. Tive que arrombar a porta do quarto. Liguei inúmeras vezes e nada de você me atender. Toquei a campainha e decidir invadir a sua casa. Tive medo de que algo de ruim tivesse acontecido. E pelo visto você dormiu demais hoje, né?" Olhei para o espelho. Ainda estava intacto no meu quarto. "O que aconteceu? Onde estão Paul e Marrie? A gente estava na casa dela, da bruxa, na floresta, todos mortos!" "Na verdade, você nem leu a mensagem de hoje que passei para seu celular: a gente tinha
  • 65. 64 agendado para hoje, mas você dormiu no ponto. Vendo agora, entendo o motivo do atraso. Você deve ter desmaiado. Paul quebrou a perna hoje de manhã e Marrie foi ficar com ele no hospital. No final, eu conversei com eles e resolvemos deixar pra lá essas maluquicesde ir a floresta na noite do halloween, por isso fique tranquila, ok?" Na verdade eu estava confusa com tudo. Então, fora um pesadelo? Suspirei aliviada e não fiquei em paz até que eu joguei no lixo o espelho antigo, mesmo Tom achando que eu estava ficando louca. Quem iria ficar louca seria minha mãe, mas não queria nada que me fizesse lembrar desta angústia que vivi. Fui me certificar no hospital que meus amigos estavam bem. Eu os abracei como se a gente não tivesse se visto há muito tempo atrás. "Calma, Beka. Seu odioso amigo apenas quebrou a perna. Só isso...", disse Paul. "Não diga isso nem de brincadeira, seu tonto! E você, Marrie... Já disse que te amo, patricinha?".
  • 66. 65 "Eu também, Beka. Mas não te quero pra sexo a três. Caí fora!" "Eu acho que Marrie esconde uma fantasia secreta com Beka", disse Tom. Por mais que eu ficasse vermelha, nós rimos muito. "Ora, ora. Esse quarto está super lotado, vocês não acham isso?", falou tal médica. "Ei, Beka e Tom. Eu gostaria de apresentar a minha prima que chegou na cidade e vai trabalhar neste hospital a partir de hoje", mas Paul foi interrompido em sua fala. "Calma, primo. Eu tenho boca e posso falar: olá Rebeka. Me chamo Kassandra Milloswki. Que cicatriz interessante essa do seu pulso!" Fim?
  • 67. 66 Sobre a autora Raquel Alves é uma escritora cearense, formada em Letras, Jornalismo e com mestrado em Ciências das Religiões. Tem poesias publicadas em antologias de editoras conhecidas e de forma independente semeia seus romances sobrenaturais, histórias fantásticas e poesias ultrarromânticas. Prêmios e Participações em Antologias: Certificado de Participação II Prêmio Licinho Campos de Poesia de Amor 2013 III Prêmio Literário Cidade da Poesia (Antologia Poética) 2013- Nome da Poesia: Noite dos Corvos Caderno Literário Pragmatha (poesias) contribuição com poesias durante quase dois anos 101 Vira-latas (Antologia poética) 2014- Nome da Poesia: Você e eu
  • 68. 67 Prêmio Literário Galinha Pulando 2014 (Antologia poética)-Nome da Poesia: A Saída dessa miséria Participação da X Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (2015) (lançamento do livro O Reino Mágico de Mystic) Certificado de Participação VI Concurso de Poesias Prof. Roberto Tonellotti (2016)- Nome da poesia: O choro de Lázaro 11º Concurso on-line "Sueli Bittencourt" de poesias- Tema Paz (2016)- Nome da Poesia: Borboleta 5ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura 2016 (Antologia póetica)- Nome da Poesia: O romantismo precoce do poeta das penas negras 1ª Coletânea de Poemas- projeto Apparere- 2017 Poema: Por favor, não morra! 6ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura 2017 (Antologia poética)- Nome da Poesia: A não existência Participação do I Prêmio Miau de Literatura: Editora Costelas Felinas (2017)- Nome do livro de Poesias: Desaparecendo
  • 69. 68 Participação na 1ª Coletânea de Poesias de Amor- Projeto Apparere- 2018 Poesia: Adeus 9º lugar no concurso da Revista Inversos (4ª edição) em homenagem ao Dia Internacional da Criança Africana – 2018 Poesia: Minha criança Participação da 2ª Mostra de Poemas para a beata Maria de Araújo. Poesia: Sangue Salvador- 2019 8ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura 2019 (Antologia poética)- Nome da Poesia: Medusa- 2019