0
1
AS CARACTERÍSTICAS
ULTRARROMÂNTICASEXISTENTES
NO POEMA THE RAVEN (O Corvo) DE
EDGAR ALLAN POE E NA
MÚSICA/VIDEOCLIPERAVENHEART
(Coração de Corvo) DA BANDA
XANDRIA
Raquel Alves
2
2022. Raquel Alves
Todos os direitos reservados.
Produção e Diagramação:Raquel Alves
Capa: Imagem do site Pixabay
Ilustrações:Public Domain Vectors e Png
Revisão:Raquel Alves
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem
autorização prévia do autor. Todos os direitos estão devidamente
registrados
3
Este livro é fruto de um TRABALHO (TCC) submetido
ao Curso de Licenciatura em Letras da Universidade
Regional do Cariri– URCA, no ano de 2011, como
requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciada
em Letras, sob orientação do Prof. Michael Macedo
Marques, que decidi transformá-loem e-book, agora
no ano de 2022. Portanto, dedico este trabalho aos
meus pais, Cícera e Rocha1: sem eles seria impossível
trilhar este caminhocomo escritora.
1 In memoriam +07/10/2021.
4
AGRADECIMENTOS:
● Primeiramente, agradeço a Deus, que é a luz de
minha vida.
● Aos meus irmãos Rafaelle e Raphael, a minha AVÓ
SEVERINA2, tia Fátima e tio Demontiez que sempre
me incentivaram a lutar por meus objetivos, sem
temer os inúmeros desafios e obstáculos que
surgiriam.
● A todos os meus amigos, que durante esses anos,
vivenciaram comigo os bons e os maus momentos.
● Aos meus professores do Curso de Letras, que
compartilharam comigo o conhecimento e
experiências, especialmente ao meu orientador, Prof.
Michel Macedo Marques e as professoras que
estiveram presentes em minha banca examinadora:
Sandra Espínola dos Anjos Almeida (professora da
disciplina de Estudos Monográficos) e Dussiane Silva
dos Santos (professora de literatura americana).
2 In memoriam +09/07/2020.
5
● E por fim, agradeço duas influências necessárias
para a realização desta pesquisa: ao escritor
americano Edgar Allan Poe e a banda de metal gótico
e sinfônico Xandria.
6
"O homem não se entrega aos anjos, nem se rende
inteiramente à morte, senão pela fraqueza de sua
débil vontade."
(EDGAR ALLAN POE)
7
RESUMO
Edgar Allan Poe deixou marcas intrínsecas na
Literatura Americana, influenciando inúmeros
autores, tornando-se também um ícone na Literatura
Gótica devido aos elementos presentes em suas
narrativas. A sua influência está presente também no
âmbito da música, na qual, bandas de diferentes
estilos buscam na fonte criativa de seus poemas,
contos e narrativas, traços inspiratórios para suas
composições musicais, imortalizando ainda mais o
nome desse célebre escritor e divulgando o universo
literário por ele deixado: as atmosferas medonhas, os
personagens lunáticos, apaixonados e amaldiçoados, o
aspecto sobrenatural reinante em suas histórias. Um
exemplo recente é que, em dezembro de 2008, 21
cantores e 50 músicos hispânicos, lançaram um cd
tributo a Poe, do estilo Ópera Metal, ou seja, narra
através de atos e músicas a trajetória de vida e contos
do escritor. Em 2010, baseado no conto Ligeia, o filme
“Imortal” vem acrescer a influência de Edgar também
no contexto cinematográfico, além de que o canal ABC
8
autorizou a produção de um episódio piloto de um
possível seriado que retratará Poe como um detetive
da cidade de Boston no século XIX, que utiliza
métodos não convencionais em suas investigações.
Ressalta-se nesse trabalho, o poema The Raven
associado à música/videoclipe Ravenheart da banda
Xandria, onde compara-se o conteúdo, as
características ultrarromânticas, como também
aspectos da tradução intersemiótica, que revelam a
ligação entre ambos (o poema e o clipe musical),
discutindo também a simbologia do animal Corvo.
PALAVRAS-CHAVE: Edgar Allan Poe; Literatura
Americana; The Raven; O Corvo; Ravenheart; banda
Xandria.
9
LISTA DE
ILUSTRAÇÕES
Figura 01– Edgar Allan Poe
<http://mestredasresenhas.files.wordpress.com/2010
/11/edgar-allan-poe_foto2.jpg>.................................18
Figura 02– Virgínia Eliza Clemm, esposa de Poe
<http://rpmedia.ask.com/ts?u=/wikipedia/commons
/thumb/2/25/VirginiaPoe.jpg/120px-
VirginiaPoe.jpg>.........................................................21
Figura 03– Túmulo de Poe
<http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web
/media/planPosMor_Poe.jpg>..................................22
Figura 04– O corvo
<http://2.bp.blogspot.com/_PQLUEqiT8hU/R1L7K
mmL8eI/AAAAAAAAAYU/XH0TO0I5dBQ/s1600-
R/raven14_obeisance.jpg>........................................37
Figura 05– Odin e os corvos
10
<http://web.hotsitepanini.com.br/vertigo/files/2011/
03/odin_e_corvos_pensamento_vertigo_06_pg74.jp
g> ...............................................................................49
Figura 06– Xandria
<http://img.karaokelyrics.net/img/artists/12396/xan
dria-55500.jpg>..........................................................58
Figura 07– Capa do álbum Ravenheart
<http://3.bp.blogspot.com/_llEa5tpCmY/S9CBBC9D
oI/AAAAAAAAEKg/ifHlorBhFk/s1600/Xandria+-
+Ravenheart+(2004).jpg>.........................................60
Figura 08– Clipe Ravenheart parte 01
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
....................................................................................67
Figura 09– Clipe Ravenheart parte 02
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
....................................................................................68
Figura 10– Clipe Ravenheart parte 03
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
.....................................................................................69
Figura 11– Clipe Ravenheart parte 04
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
.....................................................................................70
Figura 12– Clipe Ravenheart parte 05
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
.....................................................................................71
11
Figura 13– Clipe Ravenheart parte 06
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
.....................................................................................72
Figura 14– Clipe Ravenheart parte 07
<http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>.
.....................................................................................73
12
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ........................................................14
2 EDGAR ALLAN POE................................................17
2.1 O Romantismo na Literatura Americana............ 23
3 A RELAÇÃO ENTRE A LITERATURA E A
MÚSICA......................................................................27
3.1 A influência de Poe na Música..............................31
4 O CORVO.................................................................34
4.1 Tradução do poema “The Raven” por Fernando
Pessoa.........................................................................36
4.2 Interpretação do poema e discutindo sobre as
características Ultrarromânticas................................41
5 A SIMBOLOGIA DO ANIMAL “CORVO”...............48
5.1 O Corvo e as histórias da Mitologia
Nórdica.......................................................................50
6 A BANDA XANDRIA...............................................56
13
6.1 Tradução e interpretação da Música “Ravenheart”
(Coração de Corvo).....................................................60
7 TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA............................64
7.1 Interpretação do Videoclipe “Ravenheart”...........66
7.2 As características ultrarromânticas existentes na
música/videoclipe.......................................................75
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................77
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................79
ANEXOS.....................................................................84
SOBRE A AUTORA...................................................107
14
1
INTRODUÇÃO
15
O presente trabalho trata-se de um estudo
sobre as características ultrarromânticas existentesno
poema The Raven (O Corvo), do escritor americano
Edgar Allan Poe, e na música/videoclipe Ravenheart
(Coração de Corvo), da banda alemã Xandria, como
também fazer uma comparação entre ambos. Espera-
se que com essa comparação, fiquem claras as
semelhanças nesses dois mundos (Literatura e
Música) que trabalham paralelamente a fim de
transmitir a arte ou cultura (entende-se por cultura, o
complexo dos padrões de comportamento, das
crenças, das instituições, das manifestações artísticas,
intelectuais, transmitidas coletivamente e típicas de
uma sociedade) de um povo. Este estudo é formado
por sete capítulos.
No capítulo 2, o foco é a explanação sobre a
vida de um dos maiores ícones da Literatura
Americana – Edgar Allan Poe –, com o auxílio do livro
“Edgar Allan Poe- Ficção completa, poesias e ensaios”
de Mendes e Amado (1997), além de tratar da
Corrente Romântica nos EUA, tomando como
referencial o livro “Basic Guide to American
Literature” de Camargo (1986), entre outros.
No capítulo 3, discutimos a influência da
literatura na música, ou seja, a relação entre ambas,
bem como a presença de Poe nas músicas de Heavy
Metal e seus subgêneros, com base no livro
“Literatura e Música” dos autores Oliveira, Rennó,
Freire, Amorim e Rocha (2003) e do livro “Ouvinte
16
Consciente- Arte Musical, Comunicação e Expressão”
de Côrrea (1975).
No capítulo 4, analisamos a tradução do poema
“O Corvo” por Fernando Pessoa, seguido da
interpretação e características ultrarromânticas
encontradas no poema, utilizando os livros “Edgar
Allan Poe- Ficção completa, poesias e ensaios” de
Mendes e Amado (1997) e o livro “Letras e Contexto-
Língua, Literatura e Redação” de Jordão e Oliveira
(2005), acrescido
de outros textos.
No capítulo 5, investigamos a simbologia do
corvo, através de algumas histórias da Mitologia
Nórdica, tomando como base o livro “As melhores
histórias da mitologia nórdica- O anel dos
Nibelungos” de Franchini e Seganfredo (2009).
No capítulo 6, apresentamos a biografia da
banda Xandria, a definição de seu estilo musical, a
tradução e a interpretação da música “Ravenheart”.
Essas informações são oriundas do site oficial da
banda “www.xandria.de” e de outras fontes da
internet a serem mencionadas nas referências ou no
próprio capítulo.
E, finalmente, no capítulo 7, temos a
comparação do poema com o videoclipe, com base em
todos os conceitos discutidos sobre tradução
intersemiótica.
17
2
EDGAR ALLAN
POE
18
Figura 01– Edgar Allan Poe
Uma das figuras mais importantes e
enigmáticas da Literatura Americana e,
especificamente do Movimento Romântico, é Edgar
Allan Poe. Apesar de sua vida conturbada, problemas
financeiros, vícios, amores, Edgar soube manipular as
palavras e delas obter grandes obras de arte. Vale
acrescentar que Poe foi um dos primeiros homens da
América a compreender as possibilidades do
jornalismo moderno (trabalhou como editor,
assistente de revistas e publicou um grande número
de artigos, estórias, resenhas críticas), contribuindo
em diversos jornais da época e deixando profundas e
eternas marcas que transformariam o cenário
literário. Segundo Baudelaire (MENDES, 1997, p.22-
24):
19
[...] Como poeta, Edgar Allan Poe é
um homem à parte. Representa
quase sozinho o movimento
romântico do outro lado do Oceano.
É o primeiro americano que,
propriamente falando, fez do seu
estilo uma ferramenta. Sua poesia,
profunda e gemente, é, não
obstante, trabalhada, pura, correta
e brilhante, como uma joia de
cristal [...] Os personagens de Poe,
ou melhor, o personagem Poe, o
homem de faculdades super
agudas, o homem de nervos
relaxados, o homem cuja vontade
ardente e paciente lança um desafio
às dificuldades, aquele cujo olhar
está ajustado, com a rigidez duma
espada, sobre objetos que crescem,
à medida que ele os contempla - é o
próprio Poe. - E suas mulheres,
todas luminosas e doentes,
morrendo de doenças estranhas e
falando com uma voz que parece
música [...] por suas aspirações
estranhas, por seu saber, por sua
melancolia incurável, participam
fortemente da natureza de seu
criador [...].
Edgar Allan Poe foi escritor, poeta, romancista,
crítico literário e editor de jornais e revistas, um
jovem aventureiro, um romântico orgulhoso e
idealista, um boêmio quevivia no luxo, entregando-se
à bebida, aos jogos e às mulheres. Escreveu poemas,
20
novelas, contos policiais e de terror. Nasceu em
Boston, Massachussets, EUA, no dia 19 de janeiro de
1809: filho de David Poe e da atriz inglesa Elisabeth
Arnold. Órfão aos dois anos, foi adotado com os seus
dois irmãos por um rico casal de comerciantes, John
Allan e Frances Keeling Allan. Estudou grego, latim,
francês, espanhol e italiano na Universidade de
Charlottesville, em Londres, mas abandonou os
estudos por causa do jogo.
Em 27 de maio de 1825, alistou-se no Exército
Americano utilizando um nome falso: Edgar A. Perry e
deu baixa em 15 de abril de 1829, mesmo ano que
publicara o livro Tamerlão e Outros Poemas. Dedica-
se à Literatura, numa vida nômade, partindo para NY,
o maior centro literárioamericano da época. Torna-se
redator e editor do Literary Southern Messenger, em
1833, mas é demitido por abuso de bebida. Publica
seu primeiro conto Uma aventura sem paralelo de um
certo Hans Pfaal.
No dia 22 de setembro de 1835, Poe casa-se
secretamentecom sua prima de 13 anos, Virgínia Eliza
Clemm. Trabalha como editor no Burton’s
Gentleman's Magazine (1838). Escreve A queda da
casa Usher e Contos do Grotesco e Arabesco. Em
1840, passa a editar o Graham’s Magazine, publicando
e inaugurando na Literatura Americana, um gênero
conhecido como romance policial, através da obra
intitulada de “Os Crimes da Rua Morgue”. Publica
também outro romance policial: O Escaravelho de
Ouro (1841).
21
Figura 02– Virgínia Eliza Clemm, esposa de Poe
Em 1845, no jornal Evening Mirror, Poe
publica o célebre poema O Corvo. Depois, lança um
ensaio chamando The Philosophy of Composition, que
relata todo processo de construção do poema acima
mencionado.
No dia 30 de janeiro de 1847, Edgar sofre com a
morte de sua esposa, vitimada pela tuberculose. Em
1848, escreve A balela do balão3.
Desiludido com a vida, Poe se entrega ao vício
do alcoolismo. Numa manhã de outubro de 1849, após
uma bebedeira, ele é encontrado por um amigo em
estado de profundo desespero. Levado para um
hospital, permaneceu delirando e chamando
3 Verificar o Anexo 1, que consta a lista de obras completas de
Edgar Allan Poe.
22
repetidamente por um misterioso “Reynolds”. Depois,
movendo devagar a cabeça, disse: "Senhor ajudai
minha pobre alma". Morreu na manhã de 7 de
outubro de 1849, aos 40 anos.
Não se sabe ao certo o que de fato causou a
morte de uma das mentes mais brilhantes do cenário
da Literatura Americana.
Figura 03–Túmulo de Poe
23
2.1 O Romantismo na
Literatura
Americana
“Só eu, só eu amei o amor de meus enganos”.
(Edgar Allan Poe)
Sabe-se que Edgar Allan Poe pertenceu ao
Romantismo Americano, que surgiu no século XIX e
influenciou a cultura americana. O Romantismo
apareceu como uma reação ao Iluminismo, que
dominava a cultura europeia e americana no século
XVIII. O indivíduo romântico se torna uma pessoa
sem razão, que segue a emoção, se entregando aos
mais profundos sentimentos humanos. Há uma
valorização da liberdade pessoal, o individualismo e o
amor à natureza.
No livro “Basic Guide to American Literature”,
de Camargo (1986), a literatura romântica americana
é definida como uma arte verbal. Durante esse
período, os românticos eram a “força dominante”. O
movimento pode ser dividido em quatro períodos
distintos:
1º➔EARLY ROMANTICISM (Romantismo
Precoce). Os escritores de destaque são: William
Cullen Bryant (1794-1878), James Fenimore Cooper
24
(1789-1851), Herman Melville (1819-1891) e Edgar
Allan Poe (1809-1849).
2º➔TRANSCENDENTALISM
(Transcendentalismo), que enfatiza os aspectos
naturais do homem, como intuição e fé. Os principais
escritores são: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) e
Henry David Thoreau (1817-1862).
3º➔THE NEW ENGLAND TRADITION (A
nova tradição da Inglaterra), onde podemos destacar:
Henry Wadsworth Longfellow(1807-1882), Nathaniel
Hawthorne (1804-1864) e James Russell Lowell
(1819-1891).
4º➔THE IDEAL OF DEMOCRACY (O ideal de
democracia), cujo escritor foi Walt Whitman (1819-
1892).
Em se tratando do incrível escritor Edgar Allan
Poe e das características de suas obras, Baudelaire
(MENDES, 1997, p.21–24), afirma que:
[...] Os ecos desesperados da
melancolia, que atravessam as
obras de Poe, têm um acento
penetrante [...] Nenhum homem
jamais contou com maior magia as
exceções da vida humana e
natureza; os ardores de curiosidade
da convalescença; o morrer das
estações sobrecarregadas de
esplendores enervantes; os climas
25
quentes, úmidos e brumosos [...]
em que os olhos se enchem de
lágrimas, que não vêm do coração;
a alucinação deixando [...] para em
breve se tornar convencida e
razoadora como um livro; o
absurdo se instalando na
inteligência e governando-a com
uma lógica espantosa; a histeria
usurpando o lugar da vontade, a
contradição estabelecida entre os
nervos e o espírito, e o homem
descontrolado, a ponto de exprimir
a dor por meio do riso. [...] A
volúpia sobrenatural, que o homem
pode experimentar em ver correr
seu próprio sangue, os movimentos
bruscos e inúteis [...]. A dor é um
alívio para a dor, a ação repousa do
repouso. [...] suas poesias [...] estão
fartamente saturadas de amor. [...]
Poe [...] desenha árvores e nuvens
que se assemelham a sonhos de
nuvens e de árvores, ou antes, que
se assemelham a seus estranhos
personagens, agitadas, como eles,
por um calafrio sobrenatural e
galvânico [...].
Sabe-se que Poe criou um novo símbolo
romântico que evocou nos EUA, pela 1ª vez, algo
familiar e comum na Literatura Inglesa, Francesa e
Alemã. Vale salientar que suas obras são lembradas
pelo incrível e impressionante talento narrativo, que
26
gira em torno da natureza humana, dando ênfase às
alucinações, as mentes inquietas e febris, personagens
neuróticas, obsessivas e fascinadas pela morte,
vocacionadas para o crime, dominadas por maldições
hereditárias, que oscilam entre a lucidez e a loucura
(estados mórbidos da mente, subconsciente). Os
cenários são sombrios, repletos de elementos de
morte e fatalidade (o fatalismo e mergulho no lado
desconhecido da alma humana, revelando uma
vivência pessoal que fez de Poe, um dos principais
escritores da Literatura Universal).
27
3
A RELAÇÃO
ENTRE A
LITERATURA
E A MÚSICA
28
“A literatura não existe no vácuo. Os escritores, como tais, têm
uma função social definida, exatamente proporcional à sua
competência como escritores. Essa é a sua principal utilidade”.
(Ezra Pound, ABC da Literatura)
“A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a
razão não compreende”.
(Arthur Schopenhauer)
A Literatura é arte de expressar através de
palavras, um pensamento, sentimento, estado de
espírito, por meio da poesia e da prosa. Já a Música
consiste na arte de combinar sons harmônicos e
melódicos. É notável que o significado de ambas é
amplo (assim como suas diferenças e semelhanças). O
que proponho é um estudo comparativo, uma
demonstração da intrínseca relação entre esses dois
universos, em uma relação de mutualismo, na qual,
um necessita do outro, numa espécie de parceria.
Segundo Ernani e Nicola (TERRA, 2004,
p.233-234), as manifestações artísticas são múltiplas:
pintura, escultura, dança, música, fotografia,
literatura. O principal elemento de distinção é a
matéria-prima com que trabalha cada artista e sua
maneira de se expressar. Em outras palavras, a
linguagem de cada manifestação artística é de cada
artista, em particular.
A arte literária trabalha com uma matéria-
prima específica: a palavra. Só se produz um texto
literário quando a intenção do escritor vai além da
29
mera informação ou de uma proposta de reflexão
sobre a condição humana. Sua intenção deve estar
voltada também para a própria elaboração da
mensagem, selecionando e combinando as palavras de
uma forma muito especial.
O escritor é um artista, criador de fantasias,
mas não deixa de ser também um homem que tem
necessidades relativas à sobrevivência e, o que é mais
importante, uma função social. Podemos dizer que a
literatura é uma manifestação artística e a linguagem
é o material da literatura, isto é, o artista literário
trabalha predominantemente com a palavra. Percebe-
se uma ideologia em todas as obras literárias, ou seja,
uma postura do artista diante da realidade e das
aspirações humanas.
Em se tratando do tema Música, de acordo com
Corrêa (1975, p.89), entre os primitivos, a música
exercia um caráter mágico, sobrenatural. Durante a
Antiguidade até a Idade Média, a música foi
predominantemente religiosa (sacra ou litúrgica). Na
Idade Moderna, passou a ser profana (fora da igreja).
Solange (Oliveira et al, 2003, p.13–14, 25–26)
define a Música como a expressão imediata da
vontade, expressão direta e exclusiva da emoção. O
florescimento do romantismo e do simbolismo
destaca momentos cruciais para o entrelaçamento de
literatura e música, evidente no interesse dos
românticos pelas relações entre as artes em geral. A
data aproximada de 1800 assinala o auge do clima em
que críticos e artistas afirmam, simultaneamente, a
30
supremacia da criação estética na hierarquia das
realizações humanas. Não se restringindoa motivos e
temas, o impacto da música sobre a literatura é mais
profundo e abrangente que o das artes plásticas.
Sobre o entrelaçamento desses dois campos
discutidos, Camargo (Oliveira et al, 2003, p.07–11)
afirma que:
[...] as interações entre literatura e
música fazem parte de
manifestações culturais formadas
por um conjunto complexo de artes
[...] Literatura e música abrem
assim uma janela sob um vasta
paisagem, sua leitura certamente
amplia o seu horizonte de
expectativas em relação ao texto
literário, ao mesmo tempo que
amplia nosso conceito de literatura,
ao mostrar interações do literário
com outros sistemas culturais. Sua
releitura e a consequente
familiaridade com os vários
conceitos aqui expostos modificam
o nosso modo de ler e ouvir [...].
O território comum entre música e literatura
parece, assim, inesgotável. Poderíamos considerar
ainda entre várias estratégias partilhadas pelas duas
artes, processos como o da reescrita e colagem. Tal
como na literatura, a música recorre frequentemente a
31
citações, alusões intertextuais a outras composições.
Outra forma de associação entre as duas artes, é
aquela em que a literatura constitui o suporte para a
composição musical.
3.1 A influência de
Poe na Música
A Literatura é a arte de referência para bandas
de um gênero do Rock, conhecido como Heavy Metal
e seus subgêneros (Gothic, Symphonic, Power,
Death...), que demonstram em suas composições, uma
intertextualidade4 muito nítida em relação ao
movimento literário do Romantismo.
A influência de Poe na arte da música tem sido
considerável e de longa data. Porém, essa influência
não se resume somente à sua obra: a imagem e a vida
do escritor também inspiraram muitos músicos e
compositores. Da metade do século XIX até os dias de
hoje, a mistura peculiar do sobrenatural e do
simbológico de Poe tem fascinado compositores, que
experimentaram a narrativa literária e textos poéticos,
como base para suas estruturas musicais.
4 “Santana (1985) chama de intertextualidade de semelhança [...]
que incorpora o intertexto [...] e reafirmam os seus conteúdos
proposicionais e ainda orientam o leitor para concluir de forma
semelhante àquela do texto–fonte, propondo uma adesão ao que
é dito no texto original [...]” (apud BENTES, 2003, p. 270– 71).
32
Segue-se abaixo, um pequeno quadro em que
alguns exemplos dessa intertextualidade são
mostrados, ampliando ainda mais a ideia de que
muitas bandas utilizam-se da influência das obras de
Poe, como fonte ou forma de inspiração para suas
composições musicais:
OBRAS DE EDGAR
ALLAN POE
BANDA/MÚSICA
The Raven OMNIA– Alive
TRISTANIA– My lost
Lenore
GRAVE DIGGER– músicas
do
álbum “ The grave digger
(2001)”
FIVE IRON FRENZY–
That’s how the
story ends
Alone ARCTURUS– Alone
William Wilson THE SMITHEREENS–
William Wilson
Evening Star SCARLET’S WELL–
Evening Star
The Masque of the Red
Death
THRICE– The red death
TOURNIQUET– Vanishing
Lessons
Ligeia BELLADONNA–
Metaphysical Attraction
Fall of the House of
Usher
GRAVE DIGGER– músicas
do álbum “The grave digger
(2001)”
FINCH– The casket of
Roderick Usher
Murders in the Rue IRON MAIDEN– Murders
33
Morgue in the Rue
Morgue, cd “Killers” (1981)
The pit and the
pendulum
NIGHTWISH– The poet
and the pendulum
Berenice FINCH– Reduced to teeth
The city of the sea CREATURE FEATURE–
Buried alive
Eldorado SOPOR AETERNUS– The
sleeper
34
4 O CORVO
35
Um dos poemas mais intrigantes da história da
Literatura Americana é, sem sombra de dúvida, O
Corvo. Essa obra imortalizou o nome de Poe no
cenário da Literatura Universal. O ambiente, os
personagens e o próprio enredo são fascinantes e, ao
mesmo tempo perturbadores, eternizando o refrão
“Nevermore” na mente e nos corações daqueles que o
admiram. Poe e o jovem personagem do poema
compartilham a mesma personalidade do amor
romântico e o objetivo de ser feliz ao lado de uma
mulher.
Num dado momento de sua vida, a saúde de
sua amada Virgínia piorava e no começo do verão de
1844, Poe mudou-se para uma fazenda. Numa
encantadora solidão rural, gozou de um breve período
de paz. Durante este intervalo, escreveu “O Corvo”.
Em janeiro de 1845, o poema foi publicado no Evening
Mirror. A reputação de Poe tomou imediatamente o
aspecto de fama, que nunca veio a perder. Segundo
Baudelaire (MENDES, 1997, p.22):
[...] Edgar Allan Poe amava os
ritmos complicados, e, por mais
complicados que fossem, neles
encerrava uma harmonia profunda.
[...] "O Corvo" logrou vasto êxito.
[...] é uma pura obra de arte. O tom
é grave e quase sobrenatural, como
os pensamentos da insônia; os
versos caem um a um, como
lágrimas monótonas [...].
36
4.1 Tradução do
poema “The Raven”
por Fernando Pessoa
A respeito das inúmeras traduções do referido
poema, destacam-se a de Fernando Pessoa e Machado
de Assis, duas figuras ilustres da literatura. Será
analisada nesse trabalho, a tradução feita por
Fernando Pessoa. Para Rennó (OLIVEIRA et al, 2003,
p. 29–30), no livro Literatura e Música:
[...] Pessoa mantêm a mesma
métrica definida no original, não
apenas restitui os significados mais
essenciais dos versos em inglês
(uma língua muito mais sintética
que a nossa), como, ainda por cima,
o faz reproduzindo em português a
mesmíssima música que o poema
apresenta em seu idioma de
partida. É simplesmente notável
[...].
Desfrutemos deste maravilhoso poema, que nos
mergulha e envolve em seu tenebroso sentimento de
amor, raiva, redenção, loucura.
O Corvo5
5 Verificar poema original no Anexo 2.
37
Poema de Edgar Allan Poe
Tradução de Fernando Pessoa
Figura 04– O corvo
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer(em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
38
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo pormeus umbrais,
Que mal ouvi..."E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos vero que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
39
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve serconcedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
40
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, poranjos concedeu-te
O esquecimento;valeu-te.Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta- ou demónio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta- ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade!Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste!Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
41
4.2 Interpretação do
poema e discutindo
sobre as
características
ultrarromânticas
Era uma meia-noite de dezembro. Tentando
fazer o tempo passar mais depressa, um jovem busca,
na leitura de livros, esquecer a tristeza que assolava
sua alma, devido à dor da perda de sua amada, “hoje
entre as hostes celestiais”. Quase adormecido, levado
pelo cansaço do dia, ouviu alguém bater a porta.
O frio daquela noite fazia seu corpo estremecer.
O rapaz acreditava que alguém queria abrigar-se do
frio. Ao abrir a porta, ele percebe que não há ninguém
lá fora e ele vislumbra a escuridão da noite, que parece
corresponder àquele olhar curiosoe admirado, que fez
temê-la por um instante. De seus lábios saiu “um
nome cheio de aís (Lenore)”.
Novamente, ouve alguém batendo agora na
janela. Ao abrir a vidraça, eis que um corvo imponente
pousa no busto da Deusa Pallas (Atena). O jovem
pergunta o nome desse corvo, vindo de “lá das trevas
infernais (Night’s Plutonian shore)”. E o corvo disse
42
“Nunca mais”, resposta que será repetida em todas as
estrofes do poema.
O homem fica espantado ao ouvir a ave falar.
Achando que tudo aquilo era um sonho, ele murmura
baixinho que “amanhã também te vais”, mas o corvo
responde “Nunca mais”. Agora sentado, o rapaz
admira a beleza daquela “ave agoureira”.
De repente, o jovem fica bastante irado e diz ao
corvo que não consegue esquecer o nome daquela
mulher que tanto amou, pergunta se não existe cura
para essa dor que só trouxe o luto de uma vida
acabada e consumida por essas lembranças de sua
amada: porém, a única resposta obtida do corvo é
“Nunca mais”. Completamente transtornado, ele
pergunta ao corvo quem o enviou, se foi alguém do
céu, do inferno ou se foi apenas a tempestade que o
levou a bater na porta e na vidraça de sua casa, e
questiona se no Éden de outra vida encontraria sua
amada.
Mostrando-se conformado com sua sina e com
a solidão que destruiu seu mundo, ele ecoou um grito
de “Parte! Torna às trevas infernais” e diz que o corvo
não deixe nenhum vestígio de sua vinda. O corvo, com
seu ar fingido e graciosa tenebrosidade, responde-lhe:
“Nunca mais”. E o jovem termina consciente que
carregará aquela dor eternamente, assim como o
corvo permaneceu no busto de Atena, com o seu olhar
medonho e, além disso, ele também está consciente
que “Nunca mais” será livre para amar e viver.
43
Em suma, o poema “O Corvo” reflete um amor
que foi “levado” pela morte e o sofrimento causado
pela perda desse ente amado: Lenore. Um jovem
estudante, adormecido pela dor, caminha em direção
à loucura, torturando-se com as lembranças de um
amor que lutou incessantemente contra as garras da
morte, mas não obteve vitória.
Na tentativa de obter respostas para seus
questionamentos que lhe devoravam a alma como
fogo, a única resposta do “mensageiro” é: Nunca mais
(Nevermore). No desenrolar do poema, uma onda
avassaladora de diferentes sentimentos dominam o
jovem, levando-o ainda mais a cair no poço da
loucura. Ele tem a convicção de que uma parte de sua
vida (ou até a vida inteira), também foi enterrada com
os restos mortais de sua amada. No final das contas, o
amor e a morte aprisionaram a vida deste homem: o
primeiro, manifestado na figura de Lenore; e o
segundo na figura da morte, que o impediu de viver ao
lado de sua amada.
Percebe-se nas obras de Poe um forte cunho
ultrarromântico (oriundo de experiências pessoais e
outros fatores, que nos remota aos poetas românticos
e suas vidas boemias e tristes). O desânimo, as
paixões, os ambientes apavorantes, a morbidez física e
espiritual do homem, um mundo em que o devaneio
ultrapassa o limite da razão, a solidão constante, o
contato com a natureza turbulenta e sombria, a
admiração pela noite, os fantasmas do passado que
perturbam a vida do indivíduo, a dor e o luto, o
profundo sentimentalismo, o fascínio pela morte, o
44
sobrenatural, todas essas características fazem parte
dos contos, poemas e romances (terror e policial) de
Edgar Allan Poe. É possível observar no poema, as
seguintes características ultrarromânticas:
Sentimentalismo: Supervalorização das emoções
pessoais;
Subjetivismo: Tendência a reduzir tudo ao sujeito; o
mundo interior é o que conta, neste caso, a vida
deflorada pela ausência do ser amado;
Individualismo: O sentimento individual é a
referência de sobrevivência. A busca desse valor
pessoal se intensifica a cada dia, ou seja, perde-se a
consciência do todo, do coletivo, do social;
A idealização do amor e da mulher: O amor é o
tema nuclear do Romantismo. Em torno dele está o
eu-lírico e seus personagens. A perda do ser amado
corresponde à perda do sentido da própria vida;
Estados de espírito: A perda do ser amado gera
vários sentimentos, que expressam a “desarmonia ou
o desequilíbrio” do “eu com o mundo”.
Melancolia: forma grave de depressão, tristeza,
pesar = sofrimento = angústia = grande ansiedade ou
aflição, agonia = desespero;
Tédio: aborrecimento, desgosto;
Frustração: iludir, enganar, falhar;
45
Negativismo/ Pessimismo: tendência de encarar
tudo pelo lado negativo;
Consciência da Solidão: O indivíduo tem
consciência ou noção de que está sozinho,
abandonado, desemparado.
Atitudes Escapistas: A fuga da realidade conduz as
evasões românticas. Seguem-se constantes e múltiplas
fugas da realidade, por exemplo:
*Fuga do Tempo: O passado exerce grande fascínio no
escritor romântico que, ao tentar voltar no tempo e se
recordar desse passado distante, de uma certa
maneira, minimiza a falta do ente querido.
*Fuga no sonho e na imaginação: O homem pode
recorrer ao sonho e a imaginação para reviver
lembranças que outrora lhe fizeram sentir vivo,
“concretizando” os seus desejosmais íntimos.
*Fuga na loucura: Em geral, a loucura faz o homem
romântico voltar-se para uma realidade subjetiva,
pessoal. O personagem pode enlouquecer de tristeza
por não viver ao lado do seu único e verdadeiro amor.
Há também “outras formas provisórias de loucura”
como o delírio febril, a embriaguez ou um estado de
semiconsciência em quelaços existentes entre o ser e
a vida real enfraquecem.
A atmosfera do poema: O ambiente da história não
poderia ser outro: totalmente tenebroso e triste, que
faz o leitor mergulhar em toda a sua negatividade,
46
expressa no lamento e na dor constante pela ausência
da pessoa amada, na solidão que afugenta a vida e os
bons sonhos de felicidade.
A natureza como expressão do eu: Como o
romantismo está centrado nas emoções e no estado da
alma do artista, um elemento revelador desses estados
é a natureza, que refleteo interior do “eu” que escreve.
Assim, se o “eu” está deprimido, tudo ao seu redor é
hostil, tempestades se aproximam, a escuridão
prevalece sobre a luz.
A simbologia do animal “Corvo6”: O corvo surge
como uma representação do medo, que está
intimamente ligado ao amor perdido ou a tentativa de
recriá-lo, refletindo assim o desespero do jovem
amante. O narrador é atormentado por um corvo,
animal associado aos sentimentos negativos, à morte,
anunciador de mau agouro, portador do azar e
descrito na Mitologia Nórdica como o “Mensageiro do
Além”. No poema, o corvo é enviado do deus
Plutão/Hades, que governa o Mundo Inferior ou o
Mundo dos Mortos, local onde as almas choram um
pesar e lamento eterno, urram enlouquecidas pela
dor, atormentadas pelos seus erros passados... Poe
atribui a este animal o dom da fala, mas a única
resposta para todas as indagações do jovem amante é
“Nunca mais”, impossibilitando-o de esclarecer suas
dúvidas.
6 No capítulo 05, será explanado com mais detalhes, o aspecto
mitológico do animal “Corvo”.
47
A postura espiritualista: o gosto pelo
sobrenatural, o misticismo(estado espiritualde união
com o divino e o sobrenatural).
A figura da morte: A morte é um elemento enfático
no poema, sendo este ser, diretamente ligado à
desgraça que assola a vida do jovem amante, já que ela
ceifara a vida de seu único e verdadeiro amor: Lenore.
Podemos levar em consideração que a figura da morte
está nitidamente explicita na simbologia que o corvo
carrega (na sua plumagem negra, em seus hábitos
necrófagos), não existindo animal perfeito para esse
papel e acrescentando ao poema o ar trágico, visto que
sua resposta deixava o rapaz mais desesperado e
inconformado com sua vida, mais dividido entre a
realidade e a loucura.
48
5
A
SIMBOLOGIA
DO ANIMAL
“CORVO”
49
Figura 05– Odin e os corvos
Na mitologia nórdica, os dois animais mais
íntimos do deus Odin/Wotan era o lobo e o corvo, que
simbolizavam a criação e a destruição
respectivamente. A “Ave Negra da Morte” era
associada também à guerra, à magia, ao além. Hugin e
Munin, “Pensamento e Memória” eram os dois corvos
que voavam todos os mundos e contavam a Odin
todas as notícias ocorridas no universo. Como fora
dito na introdução deste trabalho, este capítulo é
dedicado a apresentar algumas narrativas da
Mitologia Nórdica e, assim, entender o porquê do
animal “corvo” carregar um aspecto simbológico
ligado ao sobrenatural, macabro e supersticioso.
50
5.1 O Corvo e as
histórias da
Mitologia Nórdica
A CRIAÇÃO
O surgimento do mundo e dos nove reinos,
(dentre eles, o de maior destaque: ASGARD, e
consequentemente dos deuses, gigantes e humanos)
foi gerado a partir de uma criatura primitiva, chamada
Ymir, que gerou Burie Bergelmir, cujo primeiro filho
foi Bor, pai dos deuses Wotan/Odin (vida e alento), Ve
(inteligência e sentimentos) e Vili (visão e audição).
Unidos a Bor, eles matam Ymir e de sua carne geram
os anões e elfos. Dos troncos caídos de uma árvore,
Odin e seus irmãos criaram o homem (chamado Ask
ou Freixo) e a mulher (Embla ou Olmo), gerando
posteriormente Asgard, a morada dos deuses. Odin
recebia de seus dois corvos, Hugin
(pensamento) e Munin (memória) as
informações trazidas das mais remotas
regiões do Universo.
SIGMUND E A ESPADA ENTERRADA
Signy era a bela filha de Volsung, rei dos Unos.
Ela tinha um irmão gêmeo chamado Sigmund. Signy
51
casou-se com Siggeir, rei dos godos. Na festa, os
convidados perceberam algo estranho: um velho
sinistro que avançava em direção aos convidados, que
sacou e enterrou no tronco de uma árvore do salão da
festa, uma espada, chamada de Notung. O velho disse
que só um perfeito herói podia se apossar dela.
Sigmund conseguiu tirar a espada e Siggeir
arma uma cilada, três meses depois do casamento,
para Volsungs, seus nove filhos e seus soldados.
Sigmund e seus irmãos foram presos.
A cada noite, um dos irmãos de Sigmund era
devorado por uma loba. Signy pede a uma serva que
passe mel no rosto de seu adorado irmão Sigmund e
quando a loba foi devorá-lo, começou a lambê-lo e a
roer a corda que o prendia, já que a mesma estava
encharcada de mel. Dentro da boca de Sigmund havia
mais mel e este, aproveitando que a loba introduzira
sua língua a procura de mais mel, dilacera a língua da
loba, que foge.
Sigmund retorna a sua terra natal. Depois de
um tempo, Signy, secretamente manda seus filhos
para treinar com Sigmund, que acaba matando-os.
Por amar tanto o irmão, Signy não fica magoada e
pensa em gerar um filho de sangue puro, valendo-se
de seu irmão e utilizando a magia. Ela transformou-se
em uma linda mulher, teve relações com Sigmund,
que ficou encantado com ela e gerou um filho,
chamado de Sinfiotli. Pai e filho podiam se
transformar em lobo e juntos se aventuravam.
52
Um dia o furor entre ambos chegou a tal ponto,
que Sigmund o mata. Arrependido, no entanto,
clamou tanto aos céus que o ressuscitasse, que
um corvo passou voando acima de sua cabeça
e deixou cair do bico uma folha mágica.
Sigmund esfregou-a no peito de Sinfiotli, que
readquiriu a vida instantaneamente. Sigger,
marido de Signy, descobre que Sigmund matara seus
filhos e armou uma cilada, enterrando pai e filho
vivos. Novamente, Signy ajuda seu irmão, dando-lhe a
espada Notung, que a utiliza para cavar e fugir
daquele lugar.
À noite, Sigmund mata os homens do rei com o
auxílio de sua espada, enquanto Sinfiotli incendeia o
castelo. Ao tentar salvar sua irmã das chamas, ela
acaba confessando o seu pecado, ou seja, o fruto do
seu incesto. Sigmund vai embora e Signy fica no
castelo em chamas. Passaram-se anos e Sigmund
estava numa guerra, quando viu o velho daquele dia,
que, na verdade, era o próprio Odin, que vinha cobrar
o preço da espada, munindo de sua Gungnir, sua
lança. Antes de morrer, Sigmund descobre por Odin
que sua esposa, Hiordi estava grávida e lhe entrega os
restos de sua espada Notung. Elf, rei da Dinamarca
leva Hiordi, que carregava consigo Sigurd, o herói que
seria ainda maior que o próprio pai.
BRUNHILDE, A VALQÍRIA:
Wotan (Odin) havia entregue aos gigantes um
poderoso anel mágico, em pagamento pela construção
53
do Valhalla– seu novo palácio–, porém Odin queria
recuperar o anel de volta, e para isso, une-se a Erda,
deusa da terra, gerando nove Valquírias. Odin temia
que o malvado gigante, Fafner, pretendesse destruir
Asgard. Wotan está agora solitário, tendo
apenas a companhia de seus corvos– Hugin e
Munin– que estão assentados cada qual sobre
um de seus ombros. Estas duas aves têm uma
única tarefa: cobrir com o seu voo o mundo
inteiro e trazer ao deus, no final do dia, tudo
quanto viram e ouviram.
As Valquírias levavam as almas dos guerreiros
para treiná-los e prepara-los para lutar contra os
gigantes. Dentre esses guerreiros, estava o predileto
de Odin: Sigmund. Mas, para que Sigmund ganhasse
na luta contra os gigantes, era preciso que Brunhilde,
uma das Valquírias, corra ao campo de duelo para
ajudar a dar vitória a Sigmund. Ficka, deusa do
matrimônio e esposa de Odin, deseja a morte de
Sigmund, já que ele manteve uma relação de incesto
com Sieglinde (filha de Wotan e irmã de Sigmund, que
teve um romance com o próprio irmão, do qual surgiu
Siegfried, o maior herói da saga germânica do Anel).
Odin, no final, cede aos caprichos da esposa, ou seja,
Sigmund morre nas mãos de Hunding, esposo de
Sieglinde. Brunhilde não concorda com a atitude do
pai e a única coisa que pode fazer, foi salvar Sieglinde
da fúria do marido e de Odin.
A MORTE DE SIEGFRIED
54
Siegfried estava numa caçada com os seus
companheiros: Gunther, marido de Brunhilde e
Hagen, filho de Alberich (anão da raça dos
Nibelungos, que roubou o ouro do Reno das Ninfas e
forjou o anel de poder, que desperta a cobiça de
deuses e humanos). Três amáveis donzelas
apareceram e predisseram a morte de Siegfried.
Gunther fica trêmulo, pois a própria natureza já sabia
de sua traição. Siegfried conta, em meio à fogueira,
suas glórias, como no dia que matou o seu pai adotivo
com a afiada espada Notung e de como conquistou
Brunhilde. Gunther fica desconsolado ao descobrir
que Siegfried havia rido relações com sua esposa.
Dois corvos surgem voando e ficam
fazendo círculos sob a cabeça de Siegfried.
Todas as cabeças voltam-se para as duas aves
negras, que crocitam nervosamente, até que,
por fim, abandonaram o local, em meio à
mata. Aproveitando-se o descuido do herói, Hagen
toma a sua lança e a enterra nas costas de Siegfried,
que agoniza chamando por Brunhilde.
O FIM DE TUDO:
Enquanto Brunhilde dormia, Gutrune, irmã de
Gunther e esposa de Siegfried, acordara inquieta. De
repente, sua atenção é despertada pela trompa de
Hagen, que trazem o cortejo fúnebre. Gunther diz a
irmã que seu esposo foi morto por um javali.
Brunhilde observa o corpo de seu amado. Não
aguentando mais sustentar a mentira, Gunther acusa
55
Hagen da morte de Siegfried, que acaba confessando
tudo. Ambos estão de olho no anel maldito que está na
mão de Siegfried. Hagen acaba matando Gunther.
Gutrune reconhece que Brunhilde amava Siegfried e
que ele só havia se casado com ela, por causa da
porção do esquecimento.
Brunhilde prepara o funeral do amado e
profere palavras zangadas para o pai, Odin. Ela
chama os dois corvos e diz: “Hugin e Munin
vão agora até o Valhalla e convoque Loki, para
que faça arder a morada dos deuses com suas
chamas!” Enquanto isso, Hagen vê uma ninfa com o
anel do poder de Siegfried e ao tentar resgatá-lo, mas
as ninfas o afogam e, finalmente, levam o Ouro de
Reno (o anel) ao seu lugar de origem.
No Valhalla, Wotan está reunido com os outros
deuses que se preparam para uma morte definitiva.
Wotan está sentado em seu trono, onde seus
dois corvos pousam em seu ombro em
silêncio: suas asas negras, finalmente,
repousam e eles nada mais têm a dizer,
limitando-se a observar a decadência final
com os seus pequenos e brilhantes olhos.
Os deuses enlutados e reunidosem assembleias
lamentam o fim de tudo. Então Loki, deus do fogo,
ascende a pira e queima tudo. Esse acontecimento
ficou conhecido como “Crepúsculo dos Deuses” ou
“Ragnarok”, época apocalíptica no qual os deuses
deixaram de existir, após uma conflagração universal.
56
6
A BANDA
XANDRIA
57
“A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu
último segredo”.
(Oscar Wilde)
Xandria é uma banda da Alemanhã fundada em
Bielefeld em 1994, por Marco Heubaum e inspirada
em trabalhos de bandas como Paradise Lost e Tiamat.
As músicas combinam elementos do Symphonic
Metal7, Doom Metal8 e Gothic Metal9, o que dificulta
definir exatamentea que gênero musical pertence. Em
2000, lançaram um projeto (demo) com cinco
músicas e na internet conquistaram inúmeros fãs. Em
2004, com o lançamento do álbum e vídeo
7 Symphonic Metal é uma vertente do Heavy Metal que possui
elementos sinfônicos (elementos que são similares aos da
sinfonia clássica), utilizam vocais líricos e sons que reproduzem
os de uma orquestra, ou seja, mesclam música clássica aos riffs
de Metal. Seu maior representante e emancipador foi a banda
THERION.
8 Doom Metal é um gênero musical que se ramificou do Heavy
Metal. Surgiu no início da década de 80 e as músicas desse estilo
são envolvidas em uma atmosfera de escuridão e melancolia,
abordando temas como experiências amorosas, depressão,
angústia, medo, desespero e suicídio.
9 Gothic Metal (goth metal ou metal gótico) é um gênero do
Heavy Metal que surgiu na década de 1990 na Europa (com a
banda PARADISE LOST) e nos EUA (com a banda TYPE O
NEGATIVE/CHRISTIAN DEATH) e evoluiu do estilo Doom
Metal. As músicas caracterizam-se por seu clima melancólico e
sombrio, como temas que variam desde religião, sexualidade,
morte, romance, histórias mitológicas, horror, condição humana
(traumas pessoais, solidão), etc. Utilizam elementos da música
erudita como coros, orquestras e vocais líricos.
58
“Ravenheart”, tornou a banda conhecida
mundialmente e o vídeo é considerado um clássico do
cenário underground.
Figura 06– Xandria
A banda Xandria é formada por Marco
Heubaum, PhilipRestemeier, Nils Middelhauve, Gerit
Lamm e Lisa Middelhauve (vocalista até 2008). Em
sua carreira gravaram 5 cds (Kill the Sun– 2003;
Ravenheart– 2004; Índia– 2005; Salomé the seventh
veil– 2007; Now & Forever–Best of Xandria– 2008), 1
single (Eversleeping– 2004), 3 cds promos (Kill the
sun– 2003; Ravenheart– 2004; In love with the
darkness– 2005) e 2 demos (Xandria– 1997; Kill the
sun– 2000)10.
O auge do Xandria foi em 2004, quando
lançaram o seu segundo álbum, Ravenheart, que ficou
10 Dados referentes até o ano de 2011, período em que foi escrito
o TCC, que agora, no ano de 2022, está sendo publicado no
formato de e-book.
59
por sete semanas em 36º lugar nas paradas alemãs.
Nesse trabalho, a banda agregou elementos
eletrônicos de maneira bem suave, mas não perdeu a
personalidade e a característica de mesclar a melodia
ao peso do Heavy Metal, perfeitos para quem gosta de
fusão Metal Gótico.
O clipe “Ravenheart” inseriu a banda alemã de
vez no cenário do metal gótico europeu. O videoclipe
desfrutou de grande popularidade com os
telespectadores, pelas imagens, a atmosfera sombria,
triste e mágica. Sobre esse álbum, vale ressaltar uma
entrevista da vocalista Lisa Schaphaus a John Wolff
do site SONIC CATHEDRAL, em 2004, traduzida e
adaptada por SPECTRUM e disponível no endereço
http://www.spectrumgothic.com.br/musica/entrevist
as/xandria01.htm. A vocalista Lisa, confessa sua
inspiração em Edgar Allan Poe na composição de suas
músicas:
“(Repórter) O que lhe dá
inspiração quando escreve as letras
das músicas?
(Lisa) Tudo que está acontecendo
no mundo ao meu redor: amor,
disputas, tristeza, dúvidas, ódio...
São estas coisas pequenas que
fazem a vida tãogrande.
(Repórter) O título Ravenheart é
uma referência a Allan Poe e sua
obra O Corvo. Você é uma
admiradora deste escritor e suas
obras influenciaram a composição
do cd?
60
(Lisa) Sim, eu sou uma grande
admiradora de Allan Poe. Eu amo a
atmosfera de seus poemas e contos
que serviram de inspiração para
toda a atmosfera do nosso álbum”.
6.1 Tradução e
interpretação da
Música “Ravenheart”
(Coração de Corvo)11
11 Tradução retirada do site LETRAS TERRA, disponível em:
http://letras.terra.com.br/xandria/132565/traducao.html.
Verificar letra original no Anexo 3.
61
Figura 07– Capa do álbum Ravenheart
Venha para mim, coração de corvo
Mensageiro do mal.
Sombra dos sonhos esquecidos
Você vem para levar novamente
Minha esperança sobre suas asas negras.
Venha sobre...
Venha para mim, coração de corvo
Mensageiro do mal.
Venha para mim
Quais as novidades?
Aqui ainda estou abandonada
Do amor e do ódio os cantores falam.
Mas eu sinto mais, mais que ambos, mais do que céu e
inferno.
Eu me submeto ao destino
Agora que realmente aprendi minha parte
Uma vez o amando, agora odiando o amor.
Eu tenho cometido erros meu coração de corvo.
Venha sobre...
Venha para mim, coração de corvo
Mensageiro do mal.
Venha para mim
Quais as novidades?
Aqui ainda estou, abandonada
Eu terei de volta quem eu estimo?
E assim falou o corvo: Nunca mais.
62
Percebe-se, pela tradução da música, que uma
jovem está bastante inconformada e sofre pela perda
de seu amor. Completamente transtornada pela dor,
ela insistentemente chama “O coração de corvo,
mensageiro do mal”, para o qual pergunta sobre as
novidades (uma antítese, já que ela diz que o corvo é o
mensageiro do mal, de coisas ruins e logo após
pergunta-lhe sobre as boas notícias oriundas do
mundo inferior) e lamenta o seu estado de solitude.
Todos os sonhos e esperanças de uma vida feliz
ao lado de seu amado foram arrancados e levados nas
asas negras do Corvo, que praticamente roubou seu
motivo de continuar vivendo. A jovem está “duelando”
contra seus sentimentos, que pairam em seus
pensamentos e dominam sua mente: amor e ódio (ela
odeia o amor, visto que ele lhe trouxe sofrimento que
se prolonga dia a dia, desde a perda de seu querido
amor; ela associa o amor à dor que devora o seu ser); a
relação entre o céu e inferno (ela sente os dois e ainda
mais que eles, o que nos leva entender a tristeza
dominante em sua alma, que refletena dúvida entre o
divino e o profano, entre o bem e o mal); e agora
deixando nas mãos do destino a sua vida, já que a
mesma encontra-se perdida, desorientada sobre o que
fazer em tal situação que vive.
Consciente de que está aprendendo algo ou
mesmo está descobrindo qual é o seu papel “nessa
história”, a narradora reconhece que também errou,
como humana que é, estando sujeita a cometer erros
que talvez aumentem ainda maisa sua dor.
63
Ela continua chamando o “coração de corvo”
repetidamente, dizendo que está só nessa melancólica
vida, ela se sente deslocada, sem valor, como se todo
mundo tivesse a um amor, um motivo para continuar
vivendo e ela fosse o único ser na face da terra que
sobrou dessas escolhas, estando, pois, solitária em
virtude da privação de ter o seu amor ao seu lado.
Ousadamente, a mulher pergunta àquele
sinistro mensageiro se terá de volta aquele que tanto
amou, o que supõe-se que este esteja morto, mas o
corvo lhe responde “Nunca mais!”, anulando qualquer
resto de esperança que ainda luta em seu coração.
E, por último, talvez comouma forma de negar
a resposta que ouviu anteriormente, a jovem chama
novamente o coração de corvo, perguntando-lhe quais
são as boas novas e continua dizendo que está
sozinha.
64
7 TRADUÇÃO
INTERSEMIÓTICA
65
A tradução intersemiótica é definida como
tradução de um determinado sistema de signos para
outro sistema semiótico: tem sua expressão entre os
mais variados sistemas. O parâmetro apropriado para
se avaliar uma tradução intersemiótica seria o
transporte de significado do sistema fonte para a nova
representação, ou seja, examinar o interpretante de
cada signo. Os textos se baseiam em palavras e
imagens, o que ilustra a simultaneidade, já apontada,
dos elementos verbal e visual, embora um deles
sempre predomine. O enfoque principal será apontar
os signos que evidenciem a relação intersemiótica
entre o visual e o verbal.
Segundo Plaza (SANTOS, 2004, p.03), a
tradução intersemiótica é “a transposição de uma peça
literária, geralmente um poema [...] para um outro
código diferente (visual, sonoro) [...] mantendo as
ideias, as estruturas e modo de funcionamento da
peça original”. Solange (Oliveira et al, 2003, p.12)
expõe um pensamento da filósofa Susanne Langer a
respeito da tradução inter–semiótica e das leituras
geradas por ela: “[...] cada arte projeta uma visão
particular da experiência, uma ‘aparição primária’,
que pode se manifestar secundariamente em outro
sistema, possibilitando os paralelos entre eles”. A
aproximação da música e da literatura seria mais
justificada partindo desse princípio.
Para Camargo (OLIVEIRA et al, 2003, p.09)
existem “três tipos de tradução identificados por
Jakobson: tradução dentro da mesma língua, de uma
língua para outra e da linguagem verbal para a não-
66
verbal e vice-versa”. O aspecto icônico do signo
funciona como um interpretante capaz de gerar na
mente de quem o interpreta, sensações semelhantes
àquelas provocadas pelo original.
Transporta-se de um sistema semiótico para
outro, o significado do signo produzido por meio
dessa tradução. Segundo Jeha (2004, p. 127).
Todo processo de tradução, como
um ato de significação, segue este
padrão: um indivíduo experimenta
um signo (um texto) que está por
ou refere-se a um fenômeno do
universo ficcional e que cria um
sentido (interpretante) em sua
mente. Esse sentido é um signo
equivalente ao primeiro signo e se
transforma em um outro signo,
talvez um outro texto ou um filme
[...] os tradutores têm que conhecer
o contexto em que o primeiro signo
foi produzido para tentarem
alcançar o mesmo significado por
meio de um signodiferente em seus
contextos [...]
7.1 Interpretação do
Videoclipe
“Ravenheart”
67
Com base na tradução intersemiótica, está
análise consiste em discutir os aspectos visuais que
revelarão as interpretações associadas à letra da
música e a imagem do vídeo, como também os
elementos que constituem essa “história”, que serão
de suma importância para a compreensão do
videoclipe.
Figura 08– Clipe Ravenheart parte 01
Venha para mim, Coração de Corvo,Mensageiro do Mal
(00:00/ 00:43)
Inicia-se o clipe da música Ravenheart, com um
voo rasante de um corvo; em contrapartida, temos
uma mulher pálida e triste (vestida com roupas de
cores escuras, que revelam o estado íntimo em que se
encontra), que está em um barco envolvida em uma
névoa tenebrosa, onde pairam nuvens escuras, uma
paisagem de árvores e folhas secas. O corvo que sai
das ruínas de uma torre, pousa no barco da mulher,
68
que passa a encará-la e, logo em seguida, canta. O seu
canto é um aviso de algo ruim que se aproxima.
Figura 09– Clipe Ravenheart parte 02
Sombra dos sonhos esquecidos/ Você vem para levar
novamente/ Minha esperança sobre suas asas negras
(00:44/ 01:02)
Muitos corvos estão sobrevoando aquela torre.
Um novo personagem surge paralelamente a essa
história: o misteriosocavaleiro negro. Enquanto isso,
69
o corvo que estava no barco da mulher, voa para
longe, mas deixa uma prova de sua “visita”: uma pena
negra. A protagonista fica pensativa a respeito do que
acontecera, quem de fato era aquele corvo, o que ele
queria dizer-lhe.
Figura 10– Clipe Ravenheart parte 03
Venha sobre.../ Venha para mim, coração de corvo/
Mensageiro do mal./ Venha para mim/ Quais as
novidades?/Aqui ainda estou abandonada (01:03/ 01:22)
Ao mesmo tempo que está curiosa, ela também
está confusa. Ela sai do barco e como se estivesse
seduzida ou hipnotizada por aquela ave agourenta,
decide se aventurar na floresta em busca de localizar o
“esconderijo” daquele animal. O cavaleiro negro
reaparece e aparentemente procura algo ou alguém.
70
Figura 11– Clipe Ravenheart parte 04
Do amor e do ódio os cantores falam./ Mas eu sinto mais,
mais que ambos, mais do que céu e inferno./ Eu me
submeto ao destino/ Agora que realmente aprendi minha
parte/Uma vez o amando, agora odiandoo amor./ Eu
tenho cometido erros meu coração de corvo. (01:23/
02:00)
Em outro lugar, vários monges enfileirados
sobem uma escadaria, enquanto o cavaleiro negro
entra dentro da floresta para continuar a sua busca. A
mulher se assusta ao ver o cavaleiro negro e bastante
temerosa, se esconde. Quando ele vai embora, ela
sente que está perto de encontrar o esconderijo do
corvo.
71
Figura 12– Clipe Ravenheart parte 05
Venha sobre.../ Venha para mim, coração de corvo/
Mensageiro do mal./ Venha para mim/ Quais as
novidades?/ Aqui ainda estou, abandonada (02:01/
02:20)
Ela corre desconfiada e com medo de que
aquele cavaleiro estivesse perseguindo-a e avista nos
galhos de árvores secas, alguns corvos que parecem
observá-la e guiar os seus passos até aquele a quem
ela tanto procura.
72
Figura 13– Clipe Ravenheart parte 06
Eu terei de volta quem eu estimo?/ E assim falou o corvo:
Nunca mais. (02:21/ 02:58)
Ao passar por uma ponte, a mulher vislumbra a
torre, de onde os corvos voam de um lado para outro,
como que estivessem avisando que um grande perigo
se aproxima. O cavaleiro negro percorre o mesmo
caminho feito pela mulher na floresta, acompanhado
pelo corvo que estava no barco dela, que parece guiá-
lo para que ele chegue a tempo de salvá-la de uma
grande ameaça que se aproxima.
73
12
Figura 14– Clipe Ravenheart parte 07
Venha sobre.../ Venha para mim, coração de corvo/
Mensageiro do mal./ Venha para mim/ Quais as
novidades?/Aqui ainda estou abandonada (02:59/ 03:42)
A noite transpira medo e escuridão. Vários
monges com suas tochas acessas, decidem queimar
viva, a mulher sinistra que se comunica com os
corvos, que atraiu para si a desgraça de ser a
anunciadora ou até a porta-voz de más notícias. A
prova desse “crime” está em suas mãos: a pena negra,
que cai no chão, onde as chamas fazem um círculo ao
redor da mulher. O enigmáticocavaleiro negro, torna-
se o “salvador”, ao chegar no exato momento em que
as chamas avançaram para consumi-la e erguendo a
sua espada, espanta os monges que, amedrontados,
fogem daquele lugar.
12 As imagens utilizadas nesse trabalho têm como intuito
exemplificar a aplicabilidade da tradução intersermiótica, ou
seja, apenas caráter ilustrativo. Sendo assim, essas imagens
possuem seus direitos autorais que foram protegidos nesse
trabalho, sempre citando a banda ao qual este videoclipe está
vinculado (Xandria) e o estúdio que produziu essa narrativa
audiovisual (AVA Studios, 2004).
74
Para deixar aquele ar de sobrenatural e
intrigante, o cavaleiro negro é a imagem da mesma
mulher que iria ser queimada viva. Sobre esse final
fantástico, Marco Herbaum, guitarrista e fundador da
banda Xandria, em matéria no site oficial da banda, e
disponível no endereço
http://www.xandria.de/index.php?data=multimedia_
content&content=vid-ravenheart, diz:
“O misterioso cavaleiro negro, que
perseguiu Lisa com os monges
negros, através de todoo vídeo, no
final sai como o seu salvador e
finalmente acaba como um outro
“eu” de Lisa. Assim, o espectador
pode especular se há magia nesta
história mística, ou se tudo isso é
uma metáfora para o
reconhecimento de seu próprio
poder nos momentos de ameaça ou
perigo. Decida-se por conta
própria!”
As imagens criam um significado que se
fundem e se traduzem. Através dessa ligação,
percebem-se os elementos que estão presentes, ao
mesmo tempo no poema e no vídeo, que servem de
constatação dos aspectos que fazem referência um ao
outro, que são comprovados por meio de imagens que
exprimem essa semelhança. Como exemplo, podemos
citar o ambiente que reflete o íntimo daqueles
personagens: frio, tenebroso, onde a escuridão ofusca
um rastro de esperança para aquelas pobres almas
amarguradas, solitárias e tristes. O único consolopara
75
eles é a lembrança de seus entes amados, ou seja, o
enredo de ambos (música e vídeo), enfocam o
sofrimento de jovens amantes românticos, que
recebem a visita inusitada do “mensageiro das trevas
infernais ou do mal”, a quem é feita a pergunta sobre o
ente perdido pelas garras da morte e cuja resposta
perpetua o eterno estado de espírito de solidão: Nunca
mais.
7.2 As características
ultrarromânticas
existentes na
música/videoclipe
É evidente que o ouvinte ou telespectador é
transportado para um nostálgico passado medieval (o
que reafirma o seu ideal ultrarromântico), com ruínas
de castelos, monges e cavaleiro, a moça perseguida,
um ambiente medonho que propicia o clima poético
necessário para a música, a natureza sombria (árvores
secas, névoa, nuvens escuras, clima frio), deformação
da realidade acentuada pelo sobrenatural, o
misticismo manifestado no final do clipe com a
revelação da identidade do cavaleiro negro.
Vale ressaltar que a vocalista da banda veste-se
semelhante ao corvo em uma parte do videoclipe: uma
76
roupa negra, com uma plumagem maisnegra ainda. O
corvo, que é também um dos personagens principais
da “narrativa”, carrega em si toda uma simbologia
sobrenatural, já explanada no capítulo anterior.
Portanto, seu canto é um sinal de algo sinistro, ou
seja, ele novamente reaparece como “porta-voz do
além”, desta vez alertando a protagonista de um
perigo que se aproxima, gerando o fascínio da mesma,
que não parece medir esforços para encontrá-lo, ao
mesmo tempo, que tenta fugir dessas ameaças: o
cavaleiro negro e os monges.
A personagem canta sobre o seu amor perdido
e sua esperança de um dia estar junto dele. A memória
sentimental é um fator fundamental para sustentar as
características ultrarromânticas, além do ambiente
melancólico, que transmite o estado de espírito da
mulher. A natureza reflete todos os sentimentos
reinantes em sua mente, encaixando-se perfeitamente
com o cenário fantástico e bizarro que fizeram desse
vídeo um grande marco na carreira da banda alemã
Xandria. As características ultrarromânticas
coincidem com as apresentadas e já discutidas no
poema “O Corvo”, acrescentando apenas mais uma:
Retorno ao passado medieval.
77
8.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
78
Mesmo depois de 162 anos de sua morte, Edgar
Allan Poe e suas obras continuam influenciando o
meio musical, desde a literatura até o cinema. Por
meio desse estudo, descobrimos a importância de Poe
no contexto literário americano, como também
mergulhamos no incrível e sobrenatural mundo do
poema “The Raven” e fomos transportados para o
coração de um jovem melindroso, para um mundo
ultrarromânticoregado de tristeza, dor e solidão, e no
final, vislumbramos o majestosomensageiro, o Corvo,
exercendo grande importância na narrativa e sendo
um elemento decisivo para o desfecho dessa história.
Por meio da música e videoclipe “Ravenheart”,
notamos o reflexo dessa mesma história sendo
recontada. Exploramos as histórias da mitologia
nórdica e nela comprovamos o caráter mágico,
sombrio e sobrenatural do animal Corvo, através de
narrativas surpreendentes que servem de base para a
constatação de que não existe outro animal que
substituísse o incrível mensageiroe agoureiro Corvo.
Através da biografia da banda alemã Xandria,
discutimos a respeito dos subgêneros do Heavy Metal
que muito se assemelham aos ideais ultrarromânticos.
E por fim, estudamos a relação intersemiótica do
videoclipe e do poema, além da tradução dos sistemas
de signos que de uma certa forma, ligam-se
diretamente ou fazem referência ao poema: que este
estudo sirva de alicerce para futuras investigações
sobre esse tema envolvente que é a Literatura e a
Música.
79
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BENTES, Ana Cristina. IN: MUSSALIN, Fernanda e
Bentes, A. C. Introdução à Linguística: domínios e
fronteiras. São Paulo, Cortez, 2003.
CAMARGO, Marisis Aranha. Basic Guide to
American Literature. São Paulo, Editora Pioneira–
Manuais de Estudo, 1986.
CORRÊA, Sérgio Ricardo S. Ouvinte Consciente–
Arte Musical, comunicação e expressão. Editora do
Brasil S/A. São Paulo, 1975.
DINIZ, Thaís Flores Nogueira. Tradução Inter–
semiótica: do texto para a tela. Disponível em:
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/a
rticle/download/5390/4934
Entrevista de Lisa Schaphaus a John Wolff do
site Sonic Cathedral. Disponível em:
http://www.soniccathedral.com. Acessado em
30/07/2011.
Entrevista de Lisa Schaphaus, traduzida e
adaptada por Spectrum. Disponível em:
80
http://www.spectrumgothic.com.br/musica/entrevist
as/xandria01.htm. Acessado em 30/07/2011.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini
Dicionário Escolar. Editora: Nova Fronteira. São
Paulo, 2004, p. 212.
FOUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo:
Cultrix, s/d.
FRANCHINI, A. S. e SEGANFREDO, Carmen. As
melhores histórias da mitologia nórdica.
Editora Artes e Ofícios, 2ª edição, 2009.
JEHA, Júlio. Veja o livro e leia o filme. Todas as
letras. Nº 06, p. 123-129, 2004. Disponível em:
http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/tl/arti
cle/view/989/717
JORDÃO, Rose e Clenir Bellezi de Oliveira. Letras e
Contexto: Língua, Literatura e Redação. São Paulo:
Editora Escola Educacional, 2005.
Lista de obras de Edgar Allan Poe. Disponível
em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_obras_de_Ed
gar_Allan_Poe. Acessado em 30/07/2011.
MENDES, Oscar (Org). Edgar Allan Poe– Ficção
Completa, Poesias e Ensaios. Rio de janeiro: Editora
Nova Aguilar, 1997.
81
OLIVEIRA, Solange Ribeiro de et.al. Literatura e
Música. São Paulo, Editora SENAC e Instituto Itaú
Cultural, 2003.
O ultra romantismo por Spectrum. Disponível
em:
http://www.spectrumgothic.com.br/Literatura/ultrar
omantismo.htm. Acessado em 30/07/2011.
Poema The Raven de Edgar Allan Poe. Disponível
em:
http://www.helderdarocha.com.br/literatura/poe/rav
en1.html. Acessado em 30/07/2011.
SANTOS, Ismael Paulo. Trabalho de hipertexto e
hipermídia, 2004. Disponível em:
http://www.ehu.es/netart/alum0506/Ines_Albuquer
que/ARTE%20E%20INTERATIVIDADE.htm
TERRA, Ernani e José de Nicola. Gramática,
Literatura e Produção de Textos. São Paulo:
Editora Scipione, 2ª edição, 2004.
82
LINKS
CONSULTADOS
Biografia de Edgar Allan Poe por Spectrum.
Disponível em:
http://www.spectrumgothic.com.br/Literatura/autor
es/Allan.htm. Acessado em 30/07/2011.
Frases de Edgar Allan Poe. Disponível em:
http://www.sitequente.com/frasesde/edgarallanpoe.h
tml. Acessado em 30/07/2011.
Frases sobre música. Disponível em:
http://www.sitequente.com/frases/musica.html.
Acessado em 30/07/2011.
http://otroth.org/?p=174. Acessado em 2010.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doom_metal. Acessado
em 30/07/2011.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gothic_metal. Acessado
em 30/07/2011.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Metal_sinf%C3%B4nico
. Acessado em 30/07/2011.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sentimentalismo.
Acessado em 30/07/2011.
83
http://pt.wikipédia.org/wiki/Xandria. Acessado em
30/07/2011.
http://www.poebrasil.com.br. Acessado em 2010.
http://www.tvcinemaemusica.wordpress.com
http://www.xandria.de/bio
http://www.xandria.de/index.php?data=multimedia_
content&content=vid-ravenheart
Frases de Oscar Wilde. Site Pensador Info.
Disponível em:
http://pensador.uol.com.br/frase/MTMzMzc/.
Acessado em 30/07/2011.
Tradução da música Ravenheart por Drika.
Disponível em:
http://letras.terra.com.br/xandria/132565/traducao.
html. Acessado em 30/07/2011.
Tradução do poema The Raven de Edgar Allan
Poe por Fernando Pessoa. Disponível em:
http://www.insite.com.br/art/pessoa/coligidas/trad/
921.php. Acessado em 30/07/2011.
Vídeo: Xandria Ravenheart. Disponível em:
http://www.youtube.com/watch?v=8-
QCDSV1ikI&feature=fvsr. Acessado em 30/07/2011.
84
ANEXOS
Anexo 1:Lista de obras de Edgar Allan Poe
POESIAS –Título-Data de publicação-Primeira publicação
"Poetry"
1824 Nunca publicado em vida de Poe
"O, Tempora! O, Mores!"
1825 Nunca publicado em vida de Poe
"Tamerlane"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"Song"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"Imitation"
July 1827 Tamerlane and Other Poems
"A Dream"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"The Lake"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"Spirits of the Dead"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"Evening Star"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"Dreams"
85
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"Stanzas"
Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems
"The Happiest Day"
15 de Setembro de 1827 The North American
"To Margaret"
cerca de 1827 Nunca publicado em vida de Poe
"Alone"
1829 Nunca publicado em vida de Poe
"To Isaac Lea"
cerca de 1829 Nunca publicado em vida de Poe
"To The River ——"
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"To ——"
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"To ——"
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"Romance"
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"Fairy-Land"
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"To Science"
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"Al Aaraaf"
86
1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems
"An Acrostic"
1829 Nunca publicado em vida de Poe
"Elizabeth"
1829 Nunca publicado em vida de Poe
"To Helen"
1831 Poems by Edgar A. Poe
"A Paean"
1831 Poems by Edgar A. Poe
"The Sleeper"
1831 Poems by Edgar A. Poe
"The City in the Sea"
1831 Poems by Edgar A. Poe
"The Valley of Unrest"
1831 Poems by Edgar A. Poe
"Israfel"
1831 Poems by Edgar A. Poe
"Enigma"
2 de Fevereiro de 1833 Baltimore Saturday Visiter
"Fanny"
18 de Maio de 1833 Baltimore Saturday Visiter
"The Coliseum"
26 de Outubro de 1833 Baltimore Saturday Visiter
"Serenade"
87
20 de Abril de 1833 Baltimore Saturday Visiter
"To One in Paradise"
Janeiro de 1834 Godey's Lady's Book
"Hymn"
Abril de 1835 Southern Literary Messenger
"To Elizabeth"
Setembro de 1835 Southern Literary Messenger
"May Queen Ode"
cerca de 1836 Nunca publicado em vida de Poe
"Spiritual Song"
1836 Nunca publicado em vida de Poe
"Latin Hymn"
Março de 1836 Southern Literary Messenger
"Bridal Ballad"
Janeiro de 1837 Southern Literary Messenger
"To Zante"
Janeiro de 1837 Southern Literary Messenger
"The Haunted Palace"
Abril de 1839 American Museum
"Silence–A Sonnet"
4 de Janeiro de 1840 Saturday Courier
"Lines on Joe Locke"
28 de Fevereiro de 1843 Saturday Museum
"The Conqueror Worm"
88
Janeiro de 1843 Graham's Magazine
"Lenore"
Feveiro de 1843 The Pioneer
"A Campaign Song"
1844 Nunca publicado em vida de Poe
"Dream-Land"
Junho de 1844 Graham's Magazine
"Impromptu. To Kate Carol"
26 de Abril de 1845 Broadway Journal
"To F——"
Abril de 1845 Broadway Journal
"Eulalie"
Julho de 1845American Review: A Whig Journal
"Epigram for Wall Street"
23 de Janeiro de 1845Evening Mirror
"The Raven"
29 de Janeiro de 1845 Evening Mirror
"The Divine Right of Kings"
Outubro de 1845 Graham's Magazine
"A Valentine"
21 de Fevereiro de 1846 Evening Mirror
"Beloved Physician"
1847 Nunca publicado em vida de Poe
"Deep in Earth"
89
1847 Nunca publicado em vida de Poe
"To M. L. S—— (1847)"
13 de Março de 1847 The Home Journal
"Ulalume"
Dezembro de 1847 American Whig Review
"Lines on Ale"
1848 Nunca publicado em vida de Poe
"To Marie Louise"
Março de 1848 Columbian Magazine
"An Enigma"
Março de 1848 Union Magazine of Literature and
Art
"To Helen"
Novembro de 1848 Sartain's Union Magazine
"A Dream Within A Dream"
31 de Março de 1849 The Flag of Our Union
"Eldorado"
21 de Abril de 1849 Flag of Our Union
"For Annie"
28 de Abril de 1849 Flag of Our Union
"To My Mother"
7 de Julho de 1849 Flag of Our Union
"Annabel Lee"
9 de Outubro de 1849New York Daily Tribune
90
"The Bells"
Novembro de 1849 Sartain's Union Magazine
CONTOS
Título-Data de Publicação-Primeira publicação
"Metzengerstein"
14 de Janeiro de 1832Philadelphia Saturday Courier
Horror / Satira
"The Duc De L'Omelette"
3 de Março de 1832 Philadelphia Saturday Courier
Humor
"A Tale of Jerusalem"
9 de Junho de 1832 Philadelphia Saturday Courier
Humor
"Loss of Breath"
10 de Novembro de 1832 Philadelphia Saturday
Courier Humor
"Bon-Bon"
1 de Dezembro de 1832 Philadelphia Saturday
Courier Humor
"MS. Found in a Bottle"
19 de Outubro de 1833 Baltimore Saturday Visiter
Aventura
"The Assignation"
Janeiro de 1834 Godey's Lady's Book Horror
"Berenice"
Março de 1835 Southern Literary Messenger
Horror
91
"Morella"
Abril de 1835 Southern Literary MessengerHorror
"Lionizing"
Maio de 1835 Southern Literary MessengerSatira
"The Unparalleled Adventure of One Hans Pfaall"
Junho de 1835 Southern Literary Messenger
Aventura
"King Pest"
Setembro de 1835 Southern Literary MessengerHorror
/ Humor
"Shadow - A Parable"
Setembro de 1835 Southern Literary MessengerHorror
"Four Beasts in One - The Homo-Cameleopard"
Março de 1836 Southern Literary MessengerHumor
"Mystification"
Junho de 1837American Monthly MagazineHumor
"Silence - A Fable"
1838 Baltimore Book Humor
"Ligeia"
Setembro de 1838 Baltimore American Museum
Horror
"How to Write A Blackwood Article"
Novembro de 1838 Baltimore American Museum
Parodia
"A Predicament"
92
Novembro de 1838 Baltimore American Museum
Parodia
"The Devil in the Belfry"
18 de Maio de 1839 Saturday Chronicle and Mirror of the
Times Humor / Satira
"The Man That Was Used Up"
Agosto de 1839 Burton's Gentleman's Magazine
Satira
"The Fall of the House of Usher"
Setembro de 1839 Burton's Gentleman's Magazine
Horror
"William Wilson"
Outubro de 1839 The Gift: A Christmas and New
Year's Present for 1840 Horror
"The Conversation of Eiros and Charmion"
Dezembro de 1839 Burton's Gentleman's Magazine
ficção cientifíca
"Why the Little Frenchman Wears His Hand in a Sling"
1840 Tales of the Grotesque and Arabesque
Humor
"The Business Man"
Fevereiro de 1840 Burton's Gentleman's Magazine
Humor
"The Man of the Crowd"
Dezembro de 1840 Graham's Magazine Horror
"The Murders in the Rue Morgue"
Abril de 1841 Graham's Magazine
93
romance policial
"A Descent into the Maelström"
Abril de 1841 Graham's Magazine Aventura
"The Island of the Fay"
Junho de 1841Graham's Magazine Fantasia
"The Colloquy of Monos and Una"
Agosto de 1841 Graham's Magazine ficção cientifica
"Never Bet the Devil Your Head"
Setembro de 1841 Graham's Magazine Satira
"Eleonora"
outono de 1841 The Gift for 1842 Romance
"Three Sundays in a Week"
27 de Novembro de 1841 Saturday Evening Post
Humor
"The Oval Portrait"
Abril de 1842 Graham's Magazine Horror
"The Masque of the Red Death"
Maio de 1842 Graham's Magazine Horror
"The Landscape Garden"
Outubro de 1842 Snowden's Ladies' Companion
esboço
"The Mystery of Marie Rogêt"
Novembro de 1842, Dezembro de 1842, Fevereiro de 1843
(serializado)[50]
Snowden's Ladies' Companion ficção policial
94
"The Pit and the Pendulum"
1842–1843 The Gift: A Christmas and New Year's
Present Horror
"The Tell-Tale Heart"
Janeiro de 1843 The Pioneer Horror
"The Gold-Bug"
Junho de 1843 Dollar Newspaper Aventura
"The Black Cat"
19 de Agosto de 1843 United States Saturday Post Horror
"Diddling"
Outubro de 1843 Philadelphia Saturday Courier
Parodia
"The Spectacles"
27 de Março de 1844 Dollar Newspaper Humor
"A Tale of the Ragged Mountains"
Abril de 1844 Godey's Lady's Book ficção cientifica,
Aventura
"The Premature Burial"
31 de Julho de 1844 Dollar Newspaper Horror
"Mesmeric Revelation"
Agosto de 1844 Columbian Magazineficção cientifica
"The Oblong Box"
Setembro de 1844 Godey's Lady's Book Horror
"The Angel of the Odd"
Outubro de 1844 Columbian MagazineHumor
95
"Thou Art the Man"
Novembro de 1844 Godey's Lady's Book ficção policial /
Satira
"The Literary Life of Thingum Bob, Esq."
Dezembro de 1844 Southern Literary MessengerHumor
"The Purloined Letter"
1844–1845 The Gift: A Christmas and New Year's
Present ficção policial
"The Thousand-and-Second Tale of Scheherazade"
Feveriro de 1845 Godey's Lady's Book Humor
"Some Words with a Mummy"
Abril de 1845 American Review: A Whig Journal Satira
"The Power of Words"
Junho de 1845 Democratic Review ficção cientifica
"The Imp of the Perverse"
Julho de 1845Graham's Magazine Horror
"The System of Doctor Tarr and Professor Fether"
Novembro de 1845 Graham's Magazine Humor
"The Facts in the Case of M. Valdemar"
Dezembro de 1845 The American ReviewHorror / ficção
cientifica / Hoax
"The Sphinx"
Janeiro de 1846 Arthur's Ladies Magazine Satira
"The Cask of Amontillado"
Novembro de 1846 Godey's Lady's Book Horror
96
"The Domain of Arnheim"
Março de 1847 Columbian Lady's and Gentleman's
Magazine esboço
"Mellonta Tauta"
Fevereiro de 1849 Flag of Our Union ficção cientifica
/ Hoax
"Hop-Frog"
17 de Março de 1849 Flag of Our Union Horror
"Von Kempelen and His Discovery"
14 de Abril de 1849 Flag of Our Union Hoax
"X-ing a Paragrab"
12 de Maio de 1849 Flag of Our Union Humor
"Landor's Cottage"
9 de Junho de 1849 Flag of Our Union esboço
ENSAIOS
"Maelzel's Chess Player" (Abril de 1836 – Southern
Literary Messenger)
"The Philosophy of Furniture" (Maio de 1840 – Burton's
Gentleman's Magazine)
"A Few Words on Secret Writing" (Julho de 1841 –
Graham's Magazine)
"Morning on the Wissahiccon" (1844 – The Opal)
"The Philosophy of Composition" (Abril de 1846 –
Graham's Magazine)
97
"Eureka: A Prose Poem" (Março de 1848 – Wiley &
Putnam)
"The Rationale of Verse" (Outubro de 1848 – Southern
Literary Messenger)
"The Poetic Principle" (Dezembro de 1848 – Southern
Literary Messenger)
NOVELAS
The Narrative of Arthur Gordon Pym (As duas primeiras
parcelas, janeiro / fevereiro de 1837 - Southern Literary
Messenger, emitidas como a novela ao termino de julho de
1838)
The Journal of Julius Rodman (Primeiras seis parcelas,
janeiro-junho de 1840 -Burton's Gentleman's Magazine) –
Incompleto
98
Anexo 2: Poema Original “The Raven” de
Edgar Allan Poe
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and
weary,
Over many a quaint and curious volume of forgottenlore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a
tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber
door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber
door-
Only this, and nothing more."
Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the
floor.
Eagerly I wished the morrow;- vainly I had sought to
borrow
From my books surcease of sorrow- sorrow for the lost
Lenore-
For the rare and radiant maiden whom the angels name
Lenore-
Nameless here for evermore.
And the silken sad uncertain rustling of eachpurple curtain
Thrilled me- filled me with fantastic terrors never felt
before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood
repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door-
Some late visitor entreating entrance at my chamber door;-
This it is, and nothing more."
99
Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came
rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber
door,
That I scarce was sure I heard you"- here I opened wide the
door;-
Darkness there, and nothing more.
Deep into that darkness peering, long I stood there
wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to
dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no
token,
And the only word there spoken was the whispered word,
"Lenore!"
This I whispered, and an echo murmured back the word,
"Lenore!"-
Merely this, and nothing more.
Back into the chamber turning, all my soul within me
burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder thanbefore.
"Surely," said I, "surely that is something at my window
lattice:
Let me see, then,what thereat is, and this mystery explore-
Let my heart be still a moment and this mystery explore;-
'Tis the wind and nothing more."
Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and
flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or
stayed he;
100
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber
door-
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door-
Perched, and sat, and nothing more.
Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art
sure no craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the
Nightly shore-
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian
shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so
plainly,
Though its answer little meaning- little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber
door-
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber
door,
With such name as "Nevermore."
But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did
outpour.
Nothing further then he uttered- not a feather then he
fluttered-
Till I scarcely more than muttered, "other friends have
flown before-
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown
before."
Then the bird said, "Nevermore."
101
Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and
store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful
Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden
bore-
Till the dirges of his Hope that melancholy burdenbore
Of 'Never- nevermore'."
But the Raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and
bust and door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore-
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird
of yore
Meant in croaking "Nevermore."
This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's
core;
This and more I sat divining, with my head at ease
reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated
o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating
o'er,
She shall press, ah, nevermore!
Then methought the air grew denser, perfumed from an
unseencenser
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted
floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee- by these angels
he hath sent thee
102
Respite- respite and nepenthe, from thy memories of
Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost
Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Prophet!" said I, "thing of evil!- prophet still, if bird or
devil!-
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee
here ashore,
Desolate yet all undaunted,on this desert land enchanted-
On this home by horror haunted- tell me truly, I implore-
Is there- is there balm in Gilead?- tell me- tell me, I
implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Prophet!" said I, "thing of evil- prophet still, if bird or
devil!
By that Heaventhat bends above us- by that God we both
adore-
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant
Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name
Lenore-
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name
Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked,
upstarting-
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian
shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath
spoken!
Leave my loneliness unbroken!- quit the bust above my
door!
103
Take thy beak from out my heart, and take thy form from
off my door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is
dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow
on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the
floor
Shall be lifted- nevermore!
104
Anexo 03: Letra original da música
Ravenheart
Come to me, Ravenheart
Messenger of evil
You shadow of forgotten dreams
You come to take away
My hope on your black wings
So come on
Come to me, Ravenheart
Messenger of evil
Come to me. What´s the news?
Here I´m still left lonely
Of love & hate the singers tell
But I feel more,more of both,
More than heaven& hell.
I take a bow to destiny
Now I have really learnt my part
Once loving him, now hating love
I´ve made mistakes, my Ravenheart
So come on
Come to me, Ravenheart
Messenger of evil
Come to me. What´s the news?
Here I´m still left lonely
Will I get back who I adore?
Thus spoke the raven: nevermore.
Ohhhhh, Ohhhhh, Ohhhh
Ohhhhh, Ohhhhh, Ohhhh
105
Come on
Come to me, Ravenheart
Messenger of evil
Come to me. What's the news?
Here I'm still left lonely
(2x)
106
Anexo 04: Música e Videoclipe
https://www.youtube.com/watch?v=azEYUncK1C8
https://www.youtube.com/watch?v=kkjunJnObho
&list=OLAK5uy_nK3dkSqunNiiuXRZ-fC5-G8-L-
R9zhB_g
107
SOBRE A
AUTORA
Raquel Alves é uma Escritora Cearense, formada em
Letras, Jornalismo e com mestrado em Ciências das
Religiões.
Tem poesias publicadas em antologias de editoras
conhecidas e de forma independente semeia seus
romances sobrenaturais, histórias fantásticas e
poesias ultrarromânticas.
Prêmios e Participações em Antologias:
• Certificado de Participação II Prêmio Licinho
Campos de Poesia de Amor 2013
• III Prêmio Literário Cidade da Poesia
(Antologia Poética) 2013- Nome da Poesia:
Noite dos Corvos
• Caderno Literário Pragmatha (poesias)
contribuição com poesias durante quase dois
anos
• 101 Vira-latas (Antologia poética) 2014- Nome
da Poesia: Você e eu
108
• Prêmio Literário Galinha Pulando 2014
(Antologia poética)-Nome da Poesia: A Saída
dessa miséria
• Participação da X Bienal Internacional do Livro
de Pernambuco (2015) (lançamento do livro O
Reino Mágico de Mystic)
• Certificado de Participação VI Concurso de
Poesias Prof. Roberto Tonellotti(2016)- Nome
da poesia: O choro de Lázaro
• 11º Concurso on-line "Sueli Bittencourt" de
poesias- Tema Paz (2016)- Nome da Poesia:
Borboleta
• 5ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura
2016 (Antologia póetica)- Nome da Poesia: O
romantismo precoce do poeta das penas negras
• 1ª Coletânea de Poemas- projeto Apparere-
2017 Poema: Por favor, não morra!
• 6ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura
2017 (Antologia poética)- Nome da Poesia: A
não existência
• Participação do I Prêmio Miau de Literatura:
Editora Costelas Felinas (2017)- Nome do livro
de Poesias: Desaparecendo
109
• Participação na 1ª Coletânea de Poesias de
Amor- ProjetoApparere- 2018 Poesia: Adeus
• 9º lugar no concurso da Revista Inversos (4ª
edição) em homenagem ao Dia Internacional
da Criança Africana – 2018 Poesia: Minha
criança
• Participação da 2ª Mostra de Poemas para a
beata Maria de Araújo. Poesia: Sangue
Salvador- 2019
• 8ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura
2019 (Antologia poética)- Nome da Poesia:
Medusa- 2019
• Participação do e-book "2020-2021's Edition of
the Nature International Literary Contest"
110

AS CARACTERÍSTICAS ULTRARROMÂNTICASEXISTENTES NO POEMA THE RAVEN (O Corvo) DE EDGAR ALLAN POE E NA MÚSICA/VIDEOCLIPE RAVENHEART (Coração de Corvo) DA BANDA XANDRIA

  • 1.
  • 2.
    1 AS CARACTERÍSTICAS ULTRARROMÂNTICASEXISTENTES NO POEMATHE RAVEN (O Corvo) DE EDGAR ALLAN POE E NA MÚSICA/VIDEOCLIPERAVENHEART (Coração de Corvo) DA BANDA XANDRIA Raquel Alves
  • 3.
    2 2022. Raquel Alves Todosos direitos reservados. Produção e Diagramação:Raquel Alves Capa: Imagem do site Pixabay Ilustrações:Public Domain Vectors e Png Revisão:Raquel Alves Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização prévia do autor. Todos os direitos estão devidamente registrados
  • 4.
    3 Este livro éfruto de um TRABALHO (TCC) submetido ao Curso de Licenciatura em Letras da Universidade Regional do Cariri– URCA, no ano de 2011, como requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciada em Letras, sob orientação do Prof. Michael Macedo Marques, que decidi transformá-loem e-book, agora no ano de 2022. Portanto, dedico este trabalho aos meus pais, Cícera e Rocha1: sem eles seria impossível trilhar este caminhocomo escritora. 1 In memoriam +07/10/2021.
  • 5.
    4 AGRADECIMENTOS: ● Primeiramente, agradeçoa Deus, que é a luz de minha vida. ● Aos meus irmãos Rafaelle e Raphael, a minha AVÓ SEVERINA2, tia Fátima e tio Demontiez que sempre me incentivaram a lutar por meus objetivos, sem temer os inúmeros desafios e obstáculos que surgiriam. ● A todos os meus amigos, que durante esses anos, vivenciaram comigo os bons e os maus momentos. ● Aos meus professores do Curso de Letras, que compartilharam comigo o conhecimento e experiências, especialmente ao meu orientador, Prof. Michel Macedo Marques e as professoras que estiveram presentes em minha banca examinadora: Sandra Espínola dos Anjos Almeida (professora da disciplina de Estudos Monográficos) e Dussiane Silva dos Santos (professora de literatura americana). 2 In memoriam +09/07/2020.
  • 6.
    5 ● E porfim, agradeço duas influências necessárias para a realização desta pesquisa: ao escritor americano Edgar Allan Poe e a banda de metal gótico e sinfônico Xandria.
  • 7.
    6 "O homem nãose entrega aos anjos, nem se rende inteiramente à morte, senão pela fraqueza de sua débil vontade." (EDGAR ALLAN POE)
  • 8.
    7 RESUMO Edgar Allan Poedeixou marcas intrínsecas na Literatura Americana, influenciando inúmeros autores, tornando-se também um ícone na Literatura Gótica devido aos elementos presentes em suas narrativas. A sua influência está presente também no âmbito da música, na qual, bandas de diferentes estilos buscam na fonte criativa de seus poemas, contos e narrativas, traços inspiratórios para suas composições musicais, imortalizando ainda mais o nome desse célebre escritor e divulgando o universo literário por ele deixado: as atmosferas medonhas, os personagens lunáticos, apaixonados e amaldiçoados, o aspecto sobrenatural reinante em suas histórias. Um exemplo recente é que, em dezembro de 2008, 21 cantores e 50 músicos hispânicos, lançaram um cd tributo a Poe, do estilo Ópera Metal, ou seja, narra através de atos e músicas a trajetória de vida e contos do escritor. Em 2010, baseado no conto Ligeia, o filme “Imortal” vem acrescer a influência de Edgar também no contexto cinematográfico, além de que o canal ABC
  • 9.
    8 autorizou a produçãode um episódio piloto de um possível seriado que retratará Poe como um detetive da cidade de Boston no século XIX, que utiliza métodos não convencionais em suas investigações. Ressalta-se nesse trabalho, o poema The Raven associado à música/videoclipe Ravenheart da banda Xandria, onde compara-se o conteúdo, as características ultrarromânticas, como também aspectos da tradução intersemiótica, que revelam a ligação entre ambos (o poema e o clipe musical), discutindo também a simbologia do animal Corvo. PALAVRAS-CHAVE: Edgar Allan Poe; Literatura Americana; The Raven; O Corvo; Ravenheart; banda Xandria.
  • 10.
    9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01–Edgar Allan Poe <http://mestredasresenhas.files.wordpress.com/2010 /11/edgar-allan-poe_foto2.jpg>.................................18 Figura 02– Virgínia Eliza Clemm, esposa de Poe <http://rpmedia.ask.com/ts?u=/wikipedia/commons /thumb/2/25/VirginiaPoe.jpg/120px- VirginiaPoe.jpg>.........................................................21 Figura 03– Túmulo de Poe <http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web /media/planPosMor_Poe.jpg>..................................22 Figura 04– O corvo <http://2.bp.blogspot.com/_PQLUEqiT8hU/R1L7K mmL8eI/AAAAAAAAAYU/XH0TO0I5dBQ/s1600- R/raven14_obeisance.jpg>........................................37 Figura 05– Odin e os corvos
  • 11.
    10 <http://web.hotsitepanini.com.br/vertigo/files/2011/ 03/odin_e_corvos_pensamento_vertigo_06_pg74.jp g> ...............................................................................49 Figura 06–Xandria <http://img.karaokelyrics.net/img/artists/12396/xan dria-55500.jpg>..........................................................58 Figura 07– Capa do álbum Ravenheart <http://3.bp.blogspot.com/_llEa5tpCmY/S9CBBC9D oI/AAAAAAAAEKg/ifHlorBhFk/s1600/Xandria+- +Ravenheart+(2004).jpg>.........................................60 Figura 08– Clipe Ravenheart parte 01 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. ....................................................................................67 Figura 09– Clipe Ravenheart parte 02 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. ....................................................................................68 Figura 10– Clipe Ravenheart parte 03 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. .....................................................................................69 Figura 11– Clipe Ravenheart parte 04 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. .....................................................................................70 Figura 12– Clipe Ravenheart parte 05 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. .....................................................................................71
  • 12.
    11 Figura 13– ClipeRavenheart parte 06 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. .....................................................................................72 Figura 14– Clipe Ravenheart parte 07 <http://www.youtube.com/watch?v=6AoA6_99wiY>. .....................................................................................73
  • 13.
    12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................14 2EDGAR ALLAN POE................................................17 2.1 O Romantismo na Literatura Americana............ 23 3 A RELAÇÃO ENTRE A LITERATURA E A MÚSICA......................................................................27 3.1 A influência de Poe na Música..............................31 4 O CORVO.................................................................34 4.1 Tradução do poema “The Raven” por Fernando Pessoa.........................................................................36 4.2 Interpretação do poema e discutindo sobre as características Ultrarromânticas................................41 5 A SIMBOLOGIA DO ANIMAL “CORVO”...............48 5.1 O Corvo e as histórias da Mitologia Nórdica.......................................................................50 6 A BANDA XANDRIA...............................................56
  • 14.
    13 6.1 Tradução einterpretação da Música “Ravenheart” (Coração de Corvo).....................................................60 7 TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA............................64 7.1 Interpretação do Videoclipe “Ravenheart”...........66 7.2 As características ultrarromânticas existentes na música/videoclipe.......................................................75 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................77 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................79 ANEXOS.....................................................................84 SOBRE A AUTORA...................................................107
  • 15.
  • 16.
    15 O presente trabalhotrata-se de um estudo sobre as características ultrarromânticas existentesno poema The Raven (O Corvo), do escritor americano Edgar Allan Poe, e na música/videoclipe Ravenheart (Coração de Corvo), da banda alemã Xandria, como também fazer uma comparação entre ambos. Espera- se que com essa comparação, fiquem claras as semelhanças nesses dois mundos (Literatura e Música) que trabalham paralelamente a fim de transmitir a arte ou cultura (entende-se por cultura, o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, transmitidas coletivamente e típicas de uma sociedade) de um povo. Este estudo é formado por sete capítulos. No capítulo 2, o foco é a explanação sobre a vida de um dos maiores ícones da Literatura Americana – Edgar Allan Poe –, com o auxílio do livro “Edgar Allan Poe- Ficção completa, poesias e ensaios” de Mendes e Amado (1997), além de tratar da Corrente Romântica nos EUA, tomando como referencial o livro “Basic Guide to American Literature” de Camargo (1986), entre outros. No capítulo 3, discutimos a influência da literatura na música, ou seja, a relação entre ambas, bem como a presença de Poe nas músicas de Heavy Metal e seus subgêneros, com base no livro “Literatura e Música” dos autores Oliveira, Rennó, Freire, Amorim e Rocha (2003) e do livro “Ouvinte
  • 17.
    16 Consciente- Arte Musical,Comunicação e Expressão” de Côrrea (1975). No capítulo 4, analisamos a tradução do poema “O Corvo” por Fernando Pessoa, seguido da interpretação e características ultrarromânticas encontradas no poema, utilizando os livros “Edgar Allan Poe- Ficção completa, poesias e ensaios” de Mendes e Amado (1997) e o livro “Letras e Contexto- Língua, Literatura e Redação” de Jordão e Oliveira (2005), acrescido de outros textos. No capítulo 5, investigamos a simbologia do corvo, através de algumas histórias da Mitologia Nórdica, tomando como base o livro “As melhores histórias da mitologia nórdica- O anel dos Nibelungos” de Franchini e Seganfredo (2009). No capítulo 6, apresentamos a biografia da banda Xandria, a definição de seu estilo musical, a tradução e a interpretação da música “Ravenheart”. Essas informações são oriundas do site oficial da banda “www.xandria.de” e de outras fontes da internet a serem mencionadas nas referências ou no próprio capítulo. E, finalmente, no capítulo 7, temos a comparação do poema com o videoclipe, com base em todos os conceitos discutidos sobre tradução intersemiótica.
  • 18.
  • 19.
    18 Figura 01– EdgarAllan Poe Uma das figuras mais importantes e enigmáticas da Literatura Americana e, especificamente do Movimento Romântico, é Edgar Allan Poe. Apesar de sua vida conturbada, problemas financeiros, vícios, amores, Edgar soube manipular as palavras e delas obter grandes obras de arte. Vale acrescentar que Poe foi um dos primeiros homens da América a compreender as possibilidades do jornalismo moderno (trabalhou como editor, assistente de revistas e publicou um grande número de artigos, estórias, resenhas críticas), contribuindo em diversos jornais da época e deixando profundas e eternas marcas que transformariam o cenário literário. Segundo Baudelaire (MENDES, 1997, p.22- 24):
  • 20.
    19 [...] Como poeta,Edgar Allan Poe é um homem à parte. Representa quase sozinho o movimento romântico do outro lado do Oceano. É o primeiro americano que, propriamente falando, fez do seu estilo uma ferramenta. Sua poesia, profunda e gemente, é, não obstante, trabalhada, pura, correta e brilhante, como uma joia de cristal [...] Os personagens de Poe, ou melhor, o personagem Poe, o homem de faculdades super agudas, o homem de nervos relaxados, o homem cuja vontade ardente e paciente lança um desafio às dificuldades, aquele cujo olhar está ajustado, com a rigidez duma espada, sobre objetos que crescem, à medida que ele os contempla - é o próprio Poe. - E suas mulheres, todas luminosas e doentes, morrendo de doenças estranhas e falando com uma voz que parece música [...] por suas aspirações estranhas, por seu saber, por sua melancolia incurável, participam fortemente da natureza de seu criador [...]. Edgar Allan Poe foi escritor, poeta, romancista, crítico literário e editor de jornais e revistas, um jovem aventureiro, um romântico orgulhoso e idealista, um boêmio quevivia no luxo, entregando-se à bebida, aos jogos e às mulheres. Escreveu poemas,
  • 21.
    20 novelas, contos policiaise de terror. Nasceu em Boston, Massachussets, EUA, no dia 19 de janeiro de 1809: filho de David Poe e da atriz inglesa Elisabeth Arnold. Órfão aos dois anos, foi adotado com os seus dois irmãos por um rico casal de comerciantes, John Allan e Frances Keeling Allan. Estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano na Universidade de Charlottesville, em Londres, mas abandonou os estudos por causa do jogo. Em 27 de maio de 1825, alistou-se no Exército Americano utilizando um nome falso: Edgar A. Perry e deu baixa em 15 de abril de 1829, mesmo ano que publicara o livro Tamerlão e Outros Poemas. Dedica- se à Literatura, numa vida nômade, partindo para NY, o maior centro literárioamericano da época. Torna-se redator e editor do Literary Southern Messenger, em 1833, mas é demitido por abuso de bebida. Publica seu primeiro conto Uma aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal. No dia 22 de setembro de 1835, Poe casa-se secretamentecom sua prima de 13 anos, Virgínia Eliza Clemm. Trabalha como editor no Burton’s Gentleman's Magazine (1838). Escreve A queda da casa Usher e Contos do Grotesco e Arabesco. Em 1840, passa a editar o Graham’s Magazine, publicando e inaugurando na Literatura Americana, um gênero conhecido como romance policial, através da obra intitulada de “Os Crimes da Rua Morgue”. Publica também outro romance policial: O Escaravelho de Ouro (1841).
  • 22.
    21 Figura 02– VirgíniaEliza Clemm, esposa de Poe Em 1845, no jornal Evening Mirror, Poe publica o célebre poema O Corvo. Depois, lança um ensaio chamando The Philosophy of Composition, que relata todo processo de construção do poema acima mencionado. No dia 30 de janeiro de 1847, Edgar sofre com a morte de sua esposa, vitimada pela tuberculose. Em 1848, escreve A balela do balão3. Desiludido com a vida, Poe se entrega ao vício do alcoolismo. Numa manhã de outubro de 1849, após uma bebedeira, ele é encontrado por um amigo em estado de profundo desespero. Levado para um hospital, permaneceu delirando e chamando 3 Verificar o Anexo 1, que consta a lista de obras completas de Edgar Allan Poe.
  • 23.
    22 repetidamente por ummisterioso “Reynolds”. Depois, movendo devagar a cabeça, disse: "Senhor ajudai minha pobre alma". Morreu na manhã de 7 de outubro de 1849, aos 40 anos. Não se sabe ao certo o que de fato causou a morte de uma das mentes mais brilhantes do cenário da Literatura Americana. Figura 03–Túmulo de Poe
  • 24.
    23 2.1 O Romantismona Literatura Americana “Só eu, só eu amei o amor de meus enganos”. (Edgar Allan Poe) Sabe-se que Edgar Allan Poe pertenceu ao Romantismo Americano, que surgiu no século XIX e influenciou a cultura americana. O Romantismo apareceu como uma reação ao Iluminismo, que dominava a cultura europeia e americana no século XVIII. O indivíduo romântico se torna uma pessoa sem razão, que segue a emoção, se entregando aos mais profundos sentimentos humanos. Há uma valorização da liberdade pessoal, o individualismo e o amor à natureza. No livro “Basic Guide to American Literature”, de Camargo (1986), a literatura romântica americana é definida como uma arte verbal. Durante esse período, os românticos eram a “força dominante”. O movimento pode ser dividido em quatro períodos distintos: 1º➔EARLY ROMANTICISM (Romantismo Precoce). Os escritores de destaque são: William Cullen Bryant (1794-1878), James Fenimore Cooper
  • 25.
    24 (1789-1851), Herman Melville(1819-1891) e Edgar Allan Poe (1809-1849). 2º➔TRANSCENDENTALISM (Transcendentalismo), que enfatiza os aspectos naturais do homem, como intuição e fé. Os principais escritores são: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) e Henry David Thoreau (1817-1862). 3º➔THE NEW ENGLAND TRADITION (A nova tradição da Inglaterra), onde podemos destacar: Henry Wadsworth Longfellow(1807-1882), Nathaniel Hawthorne (1804-1864) e James Russell Lowell (1819-1891). 4º➔THE IDEAL OF DEMOCRACY (O ideal de democracia), cujo escritor foi Walt Whitman (1819- 1892). Em se tratando do incrível escritor Edgar Allan Poe e das características de suas obras, Baudelaire (MENDES, 1997, p.21–24), afirma que: [...] Os ecos desesperados da melancolia, que atravessam as obras de Poe, têm um acento penetrante [...] Nenhum homem jamais contou com maior magia as exceções da vida humana e natureza; os ardores de curiosidade da convalescença; o morrer das estações sobrecarregadas de esplendores enervantes; os climas
  • 26.
    25 quentes, úmidos ebrumosos [...] em que os olhos se enchem de lágrimas, que não vêm do coração; a alucinação deixando [...] para em breve se tornar convencida e razoadora como um livro; o absurdo se instalando na inteligência e governando-a com uma lógica espantosa; a histeria usurpando o lugar da vontade, a contradição estabelecida entre os nervos e o espírito, e o homem descontrolado, a ponto de exprimir a dor por meio do riso. [...] A volúpia sobrenatural, que o homem pode experimentar em ver correr seu próprio sangue, os movimentos bruscos e inúteis [...]. A dor é um alívio para a dor, a ação repousa do repouso. [...] suas poesias [...] estão fartamente saturadas de amor. [...] Poe [...] desenha árvores e nuvens que se assemelham a sonhos de nuvens e de árvores, ou antes, que se assemelham a seus estranhos personagens, agitadas, como eles, por um calafrio sobrenatural e galvânico [...]. Sabe-se que Poe criou um novo símbolo romântico que evocou nos EUA, pela 1ª vez, algo familiar e comum na Literatura Inglesa, Francesa e Alemã. Vale salientar que suas obras são lembradas pelo incrível e impressionante talento narrativo, que
  • 27.
    26 gira em tornoda natureza humana, dando ênfase às alucinações, as mentes inquietas e febris, personagens neuróticas, obsessivas e fascinadas pela morte, vocacionadas para o crime, dominadas por maldições hereditárias, que oscilam entre a lucidez e a loucura (estados mórbidos da mente, subconsciente). Os cenários são sombrios, repletos de elementos de morte e fatalidade (o fatalismo e mergulho no lado desconhecido da alma humana, revelando uma vivência pessoal que fez de Poe, um dos principais escritores da Literatura Universal).
  • 28.
  • 29.
    28 “A literatura nãoexiste no vácuo. Os escritores, como tais, têm uma função social definida, exatamente proporcional à sua competência como escritores. Essa é a sua principal utilidade”. (Ezra Pound, ABC da Literatura) “A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende”. (Arthur Schopenhauer) A Literatura é arte de expressar através de palavras, um pensamento, sentimento, estado de espírito, por meio da poesia e da prosa. Já a Música consiste na arte de combinar sons harmônicos e melódicos. É notável que o significado de ambas é amplo (assim como suas diferenças e semelhanças). O que proponho é um estudo comparativo, uma demonstração da intrínseca relação entre esses dois universos, em uma relação de mutualismo, na qual, um necessita do outro, numa espécie de parceria. Segundo Ernani e Nicola (TERRA, 2004, p.233-234), as manifestações artísticas são múltiplas: pintura, escultura, dança, música, fotografia, literatura. O principal elemento de distinção é a matéria-prima com que trabalha cada artista e sua maneira de se expressar. Em outras palavras, a linguagem de cada manifestação artística é de cada artista, em particular. A arte literária trabalha com uma matéria- prima específica: a palavra. Só se produz um texto literário quando a intenção do escritor vai além da
  • 30.
    29 mera informação oude uma proposta de reflexão sobre a condição humana. Sua intenção deve estar voltada também para a própria elaboração da mensagem, selecionando e combinando as palavras de uma forma muito especial. O escritor é um artista, criador de fantasias, mas não deixa de ser também um homem que tem necessidades relativas à sobrevivência e, o que é mais importante, uma função social. Podemos dizer que a literatura é uma manifestação artística e a linguagem é o material da literatura, isto é, o artista literário trabalha predominantemente com a palavra. Percebe- se uma ideologia em todas as obras literárias, ou seja, uma postura do artista diante da realidade e das aspirações humanas. Em se tratando do tema Música, de acordo com Corrêa (1975, p.89), entre os primitivos, a música exercia um caráter mágico, sobrenatural. Durante a Antiguidade até a Idade Média, a música foi predominantemente religiosa (sacra ou litúrgica). Na Idade Moderna, passou a ser profana (fora da igreja). Solange (Oliveira et al, 2003, p.13–14, 25–26) define a Música como a expressão imediata da vontade, expressão direta e exclusiva da emoção. O florescimento do romantismo e do simbolismo destaca momentos cruciais para o entrelaçamento de literatura e música, evidente no interesse dos românticos pelas relações entre as artes em geral. A data aproximada de 1800 assinala o auge do clima em que críticos e artistas afirmam, simultaneamente, a
  • 31.
    30 supremacia da criaçãoestética na hierarquia das realizações humanas. Não se restringindoa motivos e temas, o impacto da música sobre a literatura é mais profundo e abrangente que o das artes plásticas. Sobre o entrelaçamento desses dois campos discutidos, Camargo (Oliveira et al, 2003, p.07–11) afirma que: [...] as interações entre literatura e música fazem parte de manifestações culturais formadas por um conjunto complexo de artes [...] Literatura e música abrem assim uma janela sob um vasta paisagem, sua leitura certamente amplia o seu horizonte de expectativas em relação ao texto literário, ao mesmo tempo que amplia nosso conceito de literatura, ao mostrar interações do literário com outros sistemas culturais. Sua releitura e a consequente familiaridade com os vários conceitos aqui expostos modificam o nosso modo de ler e ouvir [...]. O território comum entre música e literatura parece, assim, inesgotável. Poderíamos considerar ainda entre várias estratégias partilhadas pelas duas artes, processos como o da reescrita e colagem. Tal como na literatura, a música recorre frequentemente a
  • 32.
    31 citações, alusões intertextuaisa outras composições. Outra forma de associação entre as duas artes, é aquela em que a literatura constitui o suporte para a composição musical. 3.1 A influência de Poe na Música A Literatura é a arte de referência para bandas de um gênero do Rock, conhecido como Heavy Metal e seus subgêneros (Gothic, Symphonic, Power, Death...), que demonstram em suas composições, uma intertextualidade4 muito nítida em relação ao movimento literário do Romantismo. A influência de Poe na arte da música tem sido considerável e de longa data. Porém, essa influência não se resume somente à sua obra: a imagem e a vida do escritor também inspiraram muitos músicos e compositores. Da metade do século XIX até os dias de hoje, a mistura peculiar do sobrenatural e do simbológico de Poe tem fascinado compositores, que experimentaram a narrativa literária e textos poéticos, como base para suas estruturas musicais. 4 “Santana (1985) chama de intertextualidade de semelhança [...] que incorpora o intertexto [...] e reafirmam os seus conteúdos proposicionais e ainda orientam o leitor para concluir de forma semelhante àquela do texto–fonte, propondo uma adesão ao que é dito no texto original [...]” (apud BENTES, 2003, p. 270– 71).
  • 33.
    32 Segue-se abaixo, umpequeno quadro em que alguns exemplos dessa intertextualidade são mostrados, ampliando ainda mais a ideia de que muitas bandas utilizam-se da influência das obras de Poe, como fonte ou forma de inspiração para suas composições musicais: OBRAS DE EDGAR ALLAN POE BANDA/MÚSICA The Raven OMNIA– Alive TRISTANIA– My lost Lenore GRAVE DIGGER– músicas do álbum “ The grave digger (2001)” FIVE IRON FRENZY– That’s how the story ends Alone ARCTURUS– Alone William Wilson THE SMITHEREENS– William Wilson Evening Star SCARLET’S WELL– Evening Star The Masque of the Red Death THRICE– The red death TOURNIQUET– Vanishing Lessons Ligeia BELLADONNA– Metaphysical Attraction Fall of the House of Usher GRAVE DIGGER– músicas do álbum “The grave digger (2001)” FINCH– The casket of Roderick Usher Murders in the Rue IRON MAIDEN– Murders
  • 34.
    33 Morgue in theRue Morgue, cd “Killers” (1981) The pit and the pendulum NIGHTWISH– The poet and the pendulum Berenice FINCH– Reduced to teeth The city of the sea CREATURE FEATURE– Buried alive Eldorado SOPOR AETERNUS– The sleeper
  • 35.
  • 36.
    35 Um dos poemasmais intrigantes da história da Literatura Americana é, sem sombra de dúvida, O Corvo. Essa obra imortalizou o nome de Poe no cenário da Literatura Universal. O ambiente, os personagens e o próprio enredo são fascinantes e, ao mesmo tempo perturbadores, eternizando o refrão “Nevermore” na mente e nos corações daqueles que o admiram. Poe e o jovem personagem do poema compartilham a mesma personalidade do amor romântico e o objetivo de ser feliz ao lado de uma mulher. Num dado momento de sua vida, a saúde de sua amada Virgínia piorava e no começo do verão de 1844, Poe mudou-se para uma fazenda. Numa encantadora solidão rural, gozou de um breve período de paz. Durante este intervalo, escreveu “O Corvo”. Em janeiro de 1845, o poema foi publicado no Evening Mirror. A reputação de Poe tomou imediatamente o aspecto de fama, que nunca veio a perder. Segundo Baudelaire (MENDES, 1997, p.22): [...] Edgar Allan Poe amava os ritmos complicados, e, por mais complicados que fossem, neles encerrava uma harmonia profunda. [...] "O Corvo" logrou vasto êxito. [...] é uma pura obra de arte. O tom é grave e quase sobrenatural, como os pensamentos da insônia; os versos caem um a um, como lágrimas monótonas [...].
  • 37.
    36 4.1 Tradução do poema“The Raven” por Fernando Pessoa A respeito das inúmeras traduções do referido poema, destacam-se a de Fernando Pessoa e Machado de Assis, duas figuras ilustres da literatura. Será analisada nesse trabalho, a tradução feita por Fernando Pessoa. Para Rennó (OLIVEIRA et al, 2003, p. 29–30), no livro Literatura e Música: [...] Pessoa mantêm a mesma métrica definida no original, não apenas restitui os significados mais essenciais dos versos em inglês (uma língua muito mais sintética que a nossa), como, ainda por cima, o faz reproduzindo em português a mesmíssima música que o poema apresenta em seu idioma de partida. É simplesmente notável [...]. Desfrutemos deste maravilhoso poema, que nos mergulha e envolve em seu tenebroso sentimento de amor, raiva, redenção, loucura. O Corvo5 5 Verificar poema original no Anexo 2.
  • 38.
    37 Poema de EdgarAllan Poe Tradução de Fernando Pessoa Figura 04– O corvo Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais. "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais. É só isto, e nada mais." Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer(em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais - Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
  • 39.
    38 Mas sem nomeaqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo, "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isto, e nada mais". E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo pormeus umbrais, Que mal ouvi..."E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais - Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. Isso só e nada mais. Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela. Vamos vero que está nela, e o que são estes sinais." Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. "É o vento, e nada mais." Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais, Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais.
  • 40.
    39 "Tens o aspectotosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais." Disse o corvo, "Nunca mais". Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve serconcedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome "Nunca mais". Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais". Disse o corvo, "Nunca mais". A alma súbito movida por frase tão bem cabida, "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais, Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais Era este "Nunca mais". Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele "Nunca mais". Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais!
  • 41.
    40 Fez-se então oar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, poranjos concedeu-te O esquecimento;valeu-te.Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!" Disse o corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta- ou demónio ou ave preta! Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais, A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo, A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais! Disse o corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta- ou demónio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais. Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!" Disse o corvo, "Nunca mais". "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte! Torna à noite e à tempestade!Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste!Tira-te de meus umbrais! Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!" Disse o corvo, "Nunca mais". E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha cor de um demónio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais, E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais, Libertar-se-á... nunca mais!
  • 42.
    41 4.2 Interpretação do poemae discutindo sobre as características ultrarromânticas Era uma meia-noite de dezembro. Tentando fazer o tempo passar mais depressa, um jovem busca, na leitura de livros, esquecer a tristeza que assolava sua alma, devido à dor da perda de sua amada, “hoje entre as hostes celestiais”. Quase adormecido, levado pelo cansaço do dia, ouviu alguém bater a porta. O frio daquela noite fazia seu corpo estremecer. O rapaz acreditava que alguém queria abrigar-se do frio. Ao abrir a porta, ele percebe que não há ninguém lá fora e ele vislumbra a escuridão da noite, que parece corresponder àquele olhar curiosoe admirado, que fez temê-la por um instante. De seus lábios saiu “um nome cheio de aís (Lenore)”. Novamente, ouve alguém batendo agora na janela. Ao abrir a vidraça, eis que um corvo imponente pousa no busto da Deusa Pallas (Atena). O jovem pergunta o nome desse corvo, vindo de “lá das trevas infernais (Night’s Plutonian shore)”. E o corvo disse
  • 43.
    42 “Nunca mais”, respostaque será repetida em todas as estrofes do poema. O homem fica espantado ao ouvir a ave falar. Achando que tudo aquilo era um sonho, ele murmura baixinho que “amanhã também te vais”, mas o corvo responde “Nunca mais”. Agora sentado, o rapaz admira a beleza daquela “ave agoureira”. De repente, o jovem fica bastante irado e diz ao corvo que não consegue esquecer o nome daquela mulher que tanto amou, pergunta se não existe cura para essa dor que só trouxe o luto de uma vida acabada e consumida por essas lembranças de sua amada: porém, a única resposta obtida do corvo é “Nunca mais”. Completamente transtornado, ele pergunta ao corvo quem o enviou, se foi alguém do céu, do inferno ou se foi apenas a tempestade que o levou a bater na porta e na vidraça de sua casa, e questiona se no Éden de outra vida encontraria sua amada. Mostrando-se conformado com sua sina e com a solidão que destruiu seu mundo, ele ecoou um grito de “Parte! Torna às trevas infernais” e diz que o corvo não deixe nenhum vestígio de sua vinda. O corvo, com seu ar fingido e graciosa tenebrosidade, responde-lhe: “Nunca mais”. E o jovem termina consciente que carregará aquela dor eternamente, assim como o corvo permaneceu no busto de Atena, com o seu olhar medonho e, além disso, ele também está consciente que “Nunca mais” será livre para amar e viver.
  • 44.
    43 Em suma, opoema “O Corvo” reflete um amor que foi “levado” pela morte e o sofrimento causado pela perda desse ente amado: Lenore. Um jovem estudante, adormecido pela dor, caminha em direção à loucura, torturando-se com as lembranças de um amor que lutou incessantemente contra as garras da morte, mas não obteve vitória. Na tentativa de obter respostas para seus questionamentos que lhe devoravam a alma como fogo, a única resposta do “mensageiro” é: Nunca mais (Nevermore). No desenrolar do poema, uma onda avassaladora de diferentes sentimentos dominam o jovem, levando-o ainda mais a cair no poço da loucura. Ele tem a convicção de que uma parte de sua vida (ou até a vida inteira), também foi enterrada com os restos mortais de sua amada. No final das contas, o amor e a morte aprisionaram a vida deste homem: o primeiro, manifestado na figura de Lenore; e o segundo na figura da morte, que o impediu de viver ao lado de sua amada. Percebe-se nas obras de Poe um forte cunho ultrarromântico (oriundo de experiências pessoais e outros fatores, que nos remota aos poetas românticos e suas vidas boemias e tristes). O desânimo, as paixões, os ambientes apavorantes, a morbidez física e espiritual do homem, um mundo em que o devaneio ultrapassa o limite da razão, a solidão constante, o contato com a natureza turbulenta e sombria, a admiração pela noite, os fantasmas do passado que perturbam a vida do indivíduo, a dor e o luto, o profundo sentimentalismo, o fascínio pela morte, o
  • 45.
    44 sobrenatural, todas essascaracterísticas fazem parte dos contos, poemas e romances (terror e policial) de Edgar Allan Poe. É possível observar no poema, as seguintes características ultrarromânticas: Sentimentalismo: Supervalorização das emoções pessoais; Subjetivismo: Tendência a reduzir tudo ao sujeito; o mundo interior é o que conta, neste caso, a vida deflorada pela ausência do ser amado; Individualismo: O sentimento individual é a referência de sobrevivência. A busca desse valor pessoal se intensifica a cada dia, ou seja, perde-se a consciência do todo, do coletivo, do social; A idealização do amor e da mulher: O amor é o tema nuclear do Romantismo. Em torno dele está o eu-lírico e seus personagens. A perda do ser amado corresponde à perda do sentido da própria vida; Estados de espírito: A perda do ser amado gera vários sentimentos, que expressam a “desarmonia ou o desequilíbrio” do “eu com o mundo”. Melancolia: forma grave de depressão, tristeza, pesar = sofrimento = angústia = grande ansiedade ou aflição, agonia = desespero; Tédio: aborrecimento, desgosto; Frustração: iludir, enganar, falhar;
  • 46.
    45 Negativismo/ Pessimismo: tendênciade encarar tudo pelo lado negativo; Consciência da Solidão: O indivíduo tem consciência ou noção de que está sozinho, abandonado, desemparado. Atitudes Escapistas: A fuga da realidade conduz as evasões românticas. Seguem-se constantes e múltiplas fugas da realidade, por exemplo: *Fuga do Tempo: O passado exerce grande fascínio no escritor romântico que, ao tentar voltar no tempo e se recordar desse passado distante, de uma certa maneira, minimiza a falta do ente querido. *Fuga no sonho e na imaginação: O homem pode recorrer ao sonho e a imaginação para reviver lembranças que outrora lhe fizeram sentir vivo, “concretizando” os seus desejosmais íntimos. *Fuga na loucura: Em geral, a loucura faz o homem romântico voltar-se para uma realidade subjetiva, pessoal. O personagem pode enlouquecer de tristeza por não viver ao lado do seu único e verdadeiro amor. Há também “outras formas provisórias de loucura” como o delírio febril, a embriaguez ou um estado de semiconsciência em quelaços existentes entre o ser e a vida real enfraquecem. A atmosfera do poema: O ambiente da história não poderia ser outro: totalmente tenebroso e triste, que faz o leitor mergulhar em toda a sua negatividade,
  • 47.
    46 expressa no lamentoe na dor constante pela ausência da pessoa amada, na solidão que afugenta a vida e os bons sonhos de felicidade. A natureza como expressão do eu: Como o romantismo está centrado nas emoções e no estado da alma do artista, um elemento revelador desses estados é a natureza, que refleteo interior do “eu” que escreve. Assim, se o “eu” está deprimido, tudo ao seu redor é hostil, tempestades se aproximam, a escuridão prevalece sobre a luz. A simbologia do animal “Corvo6”: O corvo surge como uma representação do medo, que está intimamente ligado ao amor perdido ou a tentativa de recriá-lo, refletindo assim o desespero do jovem amante. O narrador é atormentado por um corvo, animal associado aos sentimentos negativos, à morte, anunciador de mau agouro, portador do azar e descrito na Mitologia Nórdica como o “Mensageiro do Além”. No poema, o corvo é enviado do deus Plutão/Hades, que governa o Mundo Inferior ou o Mundo dos Mortos, local onde as almas choram um pesar e lamento eterno, urram enlouquecidas pela dor, atormentadas pelos seus erros passados... Poe atribui a este animal o dom da fala, mas a única resposta para todas as indagações do jovem amante é “Nunca mais”, impossibilitando-o de esclarecer suas dúvidas. 6 No capítulo 05, será explanado com mais detalhes, o aspecto mitológico do animal “Corvo”.
  • 48.
    47 A postura espiritualista:o gosto pelo sobrenatural, o misticismo(estado espiritualde união com o divino e o sobrenatural). A figura da morte: A morte é um elemento enfático no poema, sendo este ser, diretamente ligado à desgraça que assola a vida do jovem amante, já que ela ceifara a vida de seu único e verdadeiro amor: Lenore. Podemos levar em consideração que a figura da morte está nitidamente explicita na simbologia que o corvo carrega (na sua plumagem negra, em seus hábitos necrófagos), não existindo animal perfeito para esse papel e acrescentando ao poema o ar trágico, visto que sua resposta deixava o rapaz mais desesperado e inconformado com sua vida, mais dividido entre a realidade e a loucura.
  • 49.
  • 50.
    49 Figura 05– Odine os corvos Na mitologia nórdica, os dois animais mais íntimos do deus Odin/Wotan era o lobo e o corvo, que simbolizavam a criação e a destruição respectivamente. A “Ave Negra da Morte” era associada também à guerra, à magia, ao além. Hugin e Munin, “Pensamento e Memória” eram os dois corvos que voavam todos os mundos e contavam a Odin todas as notícias ocorridas no universo. Como fora dito na introdução deste trabalho, este capítulo é dedicado a apresentar algumas narrativas da Mitologia Nórdica e, assim, entender o porquê do animal “corvo” carregar um aspecto simbológico ligado ao sobrenatural, macabro e supersticioso.
  • 51.
    50 5.1 O Corvoe as histórias da Mitologia Nórdica A CRIAÇÃO O surgimento do mundo e dos nove reinos, (dentre eles, o de maior destaque: ASGARD, e consequentemente dos deuses, gigantes e humanos) foi gerado a partir de uma criatura primitiva, chamada Ymir, que gerou Burie Bergelmir, cujo primeiro filho foi Bor, pai dos deuses Wotan/Odin (vida e alento), Ve (inteligência e sentimentos) e Vili (visão e audição). Unidos a Bor, eles matam Ymir e de sua carne geram os anões e elfos. Dos troncos caídos de uma árvore, Odin e seus irmãos criaram o homem (chamado Ask ou Freixo) e a mulher (Embla ou Olmo), gerando posteriormente Asgard, a morada dos deuses. Odin recebia de seus dois corvos, Hugin (pensamento) e Munin (memória) as informações trazidas das mais remotas regiões do Universo. SIGMUND E A ESPADA ENTERRADA Signy era a bela filha de Volsung, rei dos Unos. Ela tinha um irmão gêmeo chamado Sigmund. Signy
  • 52.
    51 casou-se com Siggeir,rei dos godos. Na festa, os convidados perceberam algo estranho: um velho sinistro que avançava em direção aos convidados, que sacou e enterrou no tronco de uma árvore do salão da festa, uma espada, chamada de Notung. O velho disse que só um perfeito herói podia se apossar dela. Sigmund conseguiu tirar a espada e Siggeir arma uma cilada, três meses depois do casamento, para Volsungs, seus nove filhos e seus soldados. Sigmund e seus irmãos foram presos. A cada noite, um dos irmãos de Sigmund era devorado por uma loba. Signy pede a uma serva que passe mel no rosto de seu adorado irmão Sigmund e quando a loba foi devorá-lo, começou a lambê-lo e a roer a corda que o prendia, já que a mesma estava encharcada de mel. Dentro da boca de Sigmund havia mais mel e este, aproveitando que a loba introduzira sua língua a procura de mais mel, dilacera a língua da loba, que foge. Sigmund retorna a sua terra natal. Depois de um tempo, Signy, secretamente manda seus filhos para treinar com Sigmund, que acaba matando-os. Por amar tanto o irmão, Signy não fica magoada e pensa em gerar um filho de sangue puro, valendo-se de seu irmão e utilizando a magia. Ela transformou-se em uma linda mulher, teve relações com Sigmund, que ficou encantado com ela e gerou um filho, chamado de Sinfiotli. Pai e filho podiam se transformar em lobo e juntos se aventuravam.
  • 53.
    52 Um dia ofuror entre ambos chegou a tal ponto, que Sigmund o mata. Arrependido, no entanto, clamou tanto aos céus que o ressuscitasse, que um corvo passou voando acima de sua cabeça e deixou cair do bico uma folha mágica. Sigmund esfregou-a no peito de Sinfiotli, que readquiriu a vida instantaneamente. Sigger, marido de Signy, descobre que Sigmund matara seus filhos e armou uma cilada, enterrando pai e filho vivos. Novamente, Signy ajuda seu irmão, dando-lhe a espada Notung, que a utiliza para cavar e fugir daquele lugar. À noite, Sigmund mata os homens do rei com o auxílio de sua espada, enquanto Sinfiotli incendeia o castelo. Ao tentar salvar sua irmã das chamas, ela acaba confessando o seu pecado, ou seja, o fruto do seu incesto. Sigmund vai embora e Signy fica no castelo em chamas. Passaram-se anos e Sigmund estava numa guerra, quando viu o velho daquele dia, que, na verdade, era o próprio Odin, que vinha cobrar o preço da espada, munindo de sua Gungnir, sua lança. Antes de morrer, Sigmund descobre por Odin que sua esposa, Hiordi estava grávida e lhe entrega os restos de sua espada Notung. Elf, rei da Dinamarca leva Hiordi, que carregava consigo Sigurd, o herói que seria ainda maior que o próprio pai. BRUNHILDE, A VALQÍRIA: Wotan (Odin) havia entregue aos gigantes um poderoso anel mágico, em pagamento pela construção
  • 54.
    53 do Valhalla– seunovo palácio–, porém Odin queria recuperar o anel de volta, e para isso, une-se a Erda, deusa da terra, gerando nove Valquírias. Odin temia que o malvado gigante, Fafner, pretendesse destruir Asgard. Wotan está agora solitário, tendo apenas a companhia de seus corvos– Hugin e Munin– que estão assentados cada qual sobre um de seus ombros. Estas duas aves têm uma única tarefa: cobrir com o seu voo o mundo inteiro e trazer ao deus, no final do dia, tudo quanto viram e ouviram. As Valquírias levavam as almas dos guerreiros para treiná-los e prepara-los para lutar contra os gigantes. Dentre esses guerreiros, estava o predileto de Odin: Sigmund. Mas, para que Sigmund ganhasse na luta contra os gigantes, era preciso que Brunhilde, uma das Valquírias, corra ao campo de duelo para ajudar a dar vitória a Sigmund. Ficka, deusa do matrimônio e esposa de Odin, deseja a morte de Sigmund, já que ele manteve uma relação de incesto com Sieglinde (filha de Wotan e irmã de Sigmund, que teve um romance com o próprio irmão, do qual surgiu Siegfried, o maior herói da saga germânica do Anel). Odin, no final, cede aos caprichos da esposa, ou seja, Sigmund morre nas mãos de Hunding, esposo de Sieglinde. Brunhilde não concorda com a atitude do pai e a única coisa que pode fazer, foi salvar Sieglinde da fúria do marido e de Odin. A MORTE DE SIEGFRIED
  • 55.
    54 Siegfried estava numacaçada com os seus companheiros: Gunther, marido de Brunhilde e Hagen, filho de Alberich (anão da raça dos Nibelungos, que roubou o ouro do Reno das Ninfas e forjou o anel de poder, que desperta a cobiça de deuses e humanos). Três amáveis donzelas apareceram e predisseram a morte de Siegfried. Gunther fica trêmulo, pois a própria natureza já sabia de sua traição. Siegfried conta, em meio à fogueira, suas glórias, como no dia que matou o seu pai adotivo com a afiada espada Notung e de como conquistou Brunhilde. Gunther fica desconsolado ao descobrir que Siegfried havia rido relações com sua esposa. Dois corvos surgem voando e ficam fazendo círculos sob a cabeça de Siegfried. Todas as cabeças voltam-se para as duas aves negras, que crocitam nervosamente, até que, por fim, abandonaram o local, em meio à mata. Aproveitando-se o descuido do herói, Hagen toma a sua lança e a enterra nas costas de Siegfried, que agoniza chamando por Brunhilde. O FIM DE TUDO: Enquanto Brunhilde dormia, Gutrune, irmã de Gunther e esposa de Siegfried, acordara inquieta. De repente, sua atenção é despertada pela trompa de Hagen, que trazem o cortejo fúnebre. Gunther diz a irmã que seu esposo foi morto por um javali. Brunhilde observa o corpo de seu amado. Não aguentando mais sustentar a mentira, Gunther acusa
  • 56.
    55 Hagen da mortede Siegfried, que acaba confessando tudo. Ambos estão de olho no anel maldito que está na mão de Siegfried. Hagen acaba matando Gunther. Gutrune reconhece que Brunhilde amava Siegfried e que ele só havia se casado com ela, por causa da porção do esquecimento. Brunhilde prepara o funeral do amado e profere palavras zangadas para o pai, Odin. Ela chama os dois corvos e diz: “Hugin e Munin vão agora até o Valhalla e convoque Loki, para que faça arder a morada dos deuses com suas chamas!” Enquanto isso, Hagen vê uma ninfa com o anel do poder de Siegfried e ao tentar resgatá-lo, mas as ninfas o afogam e, finalmente, levam o Ouro de Reno (o anel) ao seu lugar de origem. No Valhalla, Wotan está reunido com os outros deuses que se preparam para uma morte definitiva. Wotan está sentado em seu trono, onde seus dois corvos pousam em seu ombro em silêncio: suas asas negras, finalmente, repousam e eles nada mais têm a dizer, limitando-se a observar a decadência final com os seus pequenos e brilhantes olhos. Os deuses enlutados e reunidosem assembleias lamentam o fim de tudo. Então Loki, deus do fogo, ascende a pira e queima tudo. Esse acontecimento ficou conhecido como “Crepúsculo dos Deuses” ou “Ragnarok”, época apocalíptica no qual os deuses deixaram de existir, após uma conflagração universal.
  • 57.
  • 58.
    57 “A música éo tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo”. (Oscar Wilde) Xandria é uma banda da Alemanhã fundada em Bielefeld em 1994, por Marco Heubaum e inspirada em trabalhos de bandas como Paradise Lost e Tiamat. As músicas combinam elementos do Symphonic Metal7, Doom Metal8 e Gothic Metal9, o que dificulta definir exatamentea que gênero musical pertence. Em 2000, lançaram um projeto (demo) com cinco músicas e na internet conquistaram inúmeros fãs. Em 2004, com o lançamento do álbum e vídeo 7 Symphonic Metal é uma vertente do Heavy Metal que possui elementos sinfônicos (elementos que são similares aos da sinfonia clássica), utilizam vocais líricos e sons que reproduzem os de uma orquestra, ou seja, mesclam música clássica aos riffs de Metal. Seu maior representante e emancipador foi a banda THERION. 8 Doom Metal é um gênero musical que se ramificou do Heavy Metal. Surgiu no início da década de 80 e as músicas desse estilo são envolvidas em uma atmosfera de escuridão e melancolia, abordando temas como experiências amorosas, depressão, angústia, medo, desespero e suicídio. 9 Gothic Metal (goth metal ou metal gótico) é um gênero do Heavy Metal que surgiu na década de 1990 na Europa (com a banda PARADISE LOST) e nos EUA (com a banda TYPE O NEGATIVE/CHRISTIAN DEATH) e evoluiu do estilo Doom Metal. As músicas caracterizam-se por seu clima melancólico e sombrio, como temas que variam desde religião, sexualidade, morte, romance, histórias mitológicas, horror, condição humana (traumas pessoais, solidão), etc. Utilizam elementos da música erudita como coros, orquestras e vocais líricos.
  • 59.
    58 “Ravenheart”, tornou abanda conhecida mundialmente e o vídeo é considerado um clássico do cenário underground. Figura 06– Xandria A banda Xandria é formada por Marco Heubaum, PhilipRestemeier, Nils Middelhauve, Gerit Lamm e Lisa Middelhauve (vocalista até 2008). Em sua carreira gravaram 5 cds (Kill the Sun– 2003; Ravenheart– 2004; Índia– 2005; Salomé the seventh veil– 2007; Now & Forever–Best of Xandria– 2008), 1 single (Eversleeping– 2004), 3 cds promos (Kill the sun– 2003; Ravenheart– 2004; In love with the darkness– 2005) e 2 demos (Xandria– 1997; Kill the sun– 2000)10. O auge do Xandria foi em 2004, quando lançaram o seu segundo álbum, Ravenheart, que ficou 10 Dados referentes até o ano de 2011, período em que foi escrito o TCC, que agora, no ano de 2022, está sendo publicado no formato de e-book.
  • 60.
    59 por sete semanasem 36º lugar nas paradas alemãs. Nesse trabalho, a banda agregou elementos eletrônicos de maneira bem suave, mas não perdeu a personalidade e a característica de mesclar a melodia ao peso do Heavy Metal, perfeitos para quem gosta de fusão Metal Gótico. O clipe “Ravenheart” inseriu a banda alemã de vez no cenário do metal gótico europeu. O videoclipe desfrutou de grande popularidade com os telespectadores, pelas imagens, a atmosfera sombria, triste e mágica. Sobre esse álbum, vale ressaltar uma entrevista da vocalista Lisa Schaphaus a John Wolff do site SONIC CATHEDRAL, em 2004, traduzida e adaptada por SPECTRUM e disponível no endereço http://www.spectrumgothic.com.br/musica/entrevist as/xandria01.htm. A vocalista Lisa, confessa sua inspiração em Edgar Allan Poe na composição de suas músicas: “(Repórter) O que lhe dá inspiração quando escreve as letras das músicas? (Lisa) Tudo que está acontecendo no mundo ao meu redor: amor, disputas, tristeza, dúvidas, ódio... São estas coisas pequenas que fazem a vida tãogrande. (Repórter) O título Ravenheart é uma referência a Allan Poe e sua obra O Corvo. Você é uma admiradora deste escritor e suas obras influenciaram a composição do cd?
  • 61.
    60 (Lisa) Sim, eusou uma grande admiradora de Allan Poe. Eu amo a atmosfera de seus poemas e contos que serviram de inspiração para toda a atmosfera do nosso álbum”. 6.1 Tradução e interpretação da Música “Ravenheart” (Coração de Corvo)11 11 Tradução retirada do site LETRAS TERRA, disponível em: http://letras.terra.com.br/xandria/132565/traducao.html. Verificar letra original no Anexo 3.
  • 62.
    61 Figura 07– Capado álbum Ravenheart Venha para mim, coração de corvo Mensageiro do mal. Sombra dos sonhos esquecidos Você vem para levar novamente Minha esperança sobre suas asas negras. Venha sobre... Venha para mim, coração de corvo Mensageiro do mal. Venha para mim Quais as novidades? Aqui ainda estou abandonada Do amor e do ódio os cantores falam. Mas eu sinto mais, mais que ambos, mais do que céu e inferno. Eu me submeto ao destino Agora que realmente aprendi minha parte Uma vez o amando, agora odiando o amor. Eu tenho cometido erros meu coração de corvo. Venha sobre... Venha para mim, coração de corvo Mensageiro do mal. Venha para mim Quais as novidades? Aqui ainda estou, abandonada Eu terei de volta quem eu estimo? E assim falou o corvo: Nunca mais.
  • 63.
    62 Percebe-se, pela traduçãoda música, que uma jovem está bastante inconformada e sofre pela perda de seu amor. Completamente transtornada pela dor, ela insistentemente chama “O coração de corvo, mensageiro do mal”, para o qual pergunta sobre as novidades (uma antítese, já que ela diz que o corvo é o mensageiro do mal, de coisas ruins e logo após pergunta-lhe sobre as boas notícias oriundas do mundo inferior) e lamenta o seu estado de solitude. Todos os sonhos e esperanças de uma vida feliz ao lado de seu amado foram arrancados e levados nas asas negras do Corvo, que praticamente roubou seu motivo de continuar vivendo. A jovem está “duelando” contra seus sentimentos, que pairam em seus pensamentos e dominam sua mente: amor e ódio (ela odeia o amor, visto que ele lhe trouxe sofrimento que se prolonga dia a dia, desde a perda de seu querido amor; ela associa o amor à dor que devora o seu ser); a relação entre o céu e inferno (ela sente os dois e ainda mais que eles, o que nos leva entender a tristeza dominante em sua alma, que refletena dúvida entre o divino e o profano, entre o bem e o mal); e agora deixando nas mãos do destino a sua vida, já que a mesma encontra-se perdida, desorientada sobre o que fazer em tal situação que vive. Consciente de que está aprendendo algo ou mesmo está descobrindo qual é o seu papel “nessa história”, a narradora reconhece que também errou, como humana que é, estando sujeita a cometer erros que talvez aumentem ainda maisa sua dor.
  • 64.
    63 Ela continua chamandoo “coração de corvo” repetidamente, dizendo que está só nessa melancólica vida, ela se sente deslocada, sem valor, como se todo mundo tivesse a um amor, um motivo para continuar vivendo e ela fosse o único ser na face da terra que sobrou dessas escolhas, estando, pois, solitária em virtude da privação de ter o seu amor ao seu lado. Ousadamente, a mulher pergunta àquele sinistro mensageiro se terá de volta aquele que tanto amou, o que supõe-se que este esteja morto, mas o corvo lhe responde “Nunca mais!”, anulando qualquer resto de esperança que ainda luta em seu coração. E, por último, talvez comouma forma de negar a resposta que ouviu anteriormente, a jovem chama novamente o coração de corvo, perguntando-lhe quais são as boas novas e continua dizendo que está sozinha.
  • 65.
  • 66.
    65 A tradução intersemióticaé definida como tradução de um determinado sistema de signos para outro sistema semiótico: tem sua expressão entre os mais variados sistemas. O parâmetro apropriado para se avaliar uma tradução intersemiótica seria o transporte de significado do sistema fonte para a nova representação, ou seja, examinar o interpretante de cada signo. Os textos se baseiam em palavras e imagens, o que ilustra a simultaneidade, já apontada, dos elementos verbal e visual, embora um deles sempre predomine. O enfoque principal será apontar os signos que evidenciem a relação intersemiótica entre o visual e o verbal. Segundo Plaza (SANTOS, 2004, p.03), a tradução intersemiótica é “a transposição de uma peça literária, geralmente um poema [...] para um outro código diferente (visual, sonoro) [...] mantendo as ideias, as estruturas e modo de funcionamento da peça original”. Solange (Oliveira et al, 2003, p.12) expõe um pensamento da filósofa Susanne Langer a respeito da tradução inter–semiótica e das leituras geradas por ela: “[...] cada arte projeta uma visão particular da experiência, uma ‘aparição primária’, que pode se manifestar secundariamente em outro sistema, possibilitando os paralelos entre eles”. A aproximação da música e da literatura seria mais justificada partindo desse princípio. Para Camargo (OLIVEIRA et al, 2003, p.09) existem “três tipos de tradução identificados por Jakobson: tradução dentro da mesma língua, de uma língua para outra e da linguagem verbal para a não-
  • 67.
    66 verbal e vice-versa”.O aspecto icônico do signo funciona como um interpretante capaz de gerar na mente de quem o interpreta, sensações semelhantes àquelas provocadas pelo original. Transporta-se de um sistema semiótico para outro, o significado do signo produzido por meio dessa tradução. Segundo Jeha (2004, p. 127). Todo processo de tradução, como um ato de significação, segue este padrão: um indivíduo experimenta um signo (um texto) que está por ou refere-se a um fenômeno do universo ficcional e que cria um sentido (interpretante) em sua mente. Esse sentido é um signo equivalente ao primeiro signo e se transforma em um outro signo, talvez um outro texto ou um filme [...] os tradutores têm que conhecer o contexto em que o primeiro signo foi produzido para tentarem alcançar o mesmo significado por meio de um signodiferente em seus contextos [...] 7.1 Interpretação do Videoclipe “Ravenheart”
  • 68.
    67 Com base natradução intersemiótica, está análise consiste em discutir os aspectos visuais que revelarão as interpretações associadas à letra da música e a imagem do vídeo, como também os elementos que constituem essa “história”, que serão de suma importância para a compreensão do videoclipe. Figura 08– Clipe Ravenheart parte 01 Venha para mim, Coração de Corvo,Mensageiro do Mal (00:00/ 00:43) Inicia-se o clipe da música Ravenheart, com um voo rasante de um corvo; em contrapartida, temos uma mulher pálida e triste (vestida com roupas de cores escuras, que revelam o estado íntimo em que se encontra), que está em um barco envolvida em uma névoa tenebrosa, onde pairam nuvens escuras, uma paisagem de árvores e folhas secas. O corvo que sai das ruínas de uma torre, pousa no barco da mulher,
  • 69.
    68 que passa aencará-la e, logo em seguida, canta. O seu canto é um aviso de algo ruim que se aproxima. Figura 09– Clipe Ravenheart parte 02 Sombra dos sonhos esquecidos/ Você vem para levar novamente/ Minha esperança sobre suas asas negras (00:44/ 01:02) Muitos corvos estão sobrevoando aquela torre. Um novo personagem surge paralelamente a essa história: o misteriosocavaleiro negro. Enquanto isso,
  • 70.
    69 o corvo queestava no barco da mulher, voa para longe, mas deixa uma prova de sua “visita”: uma pena negra. A protagonista fica pensativa a respeito do que acontecera, quem de fato era aquele corvo, o que ele queria dizer-lhe. Figura 10– Clipe Ravenheart parte 03 Venha sobre.../ Venha para mim, coração de corvo/ Mensageiro do mal./ Venha para mim/ Quais as novidades?/Aqui ainda estou abandonada (01:03/ 01:22) Ao mesmo tempo que está curiosa, ela também está confusa. Ela sai do barco e como se estivesse seduzida ou hipnotizada por aquela ave agourenta, decide se aventurar na floresta em busca de localizar o “esconderijo” daquele animal. O cavaleiro negro reaparece e aparentemente procura algo ou alguém.
  • 71.
    70 Figura 11– ClipeRavenheart parte 04 Do amor e do ódio os cantores falam./ Mas eu sinto mais, mais que ambos, mais do que céu e inferno./ Eu me submeto ao destino/ Agora que realmente aprendi minha parte/Uma vez o amando, agora odiandoo amor./ Eu tenho cometido erros meu coração de corvo. (01:23/ 02:00) Em outro lugar, vários monges enfileirados sobem uma escadaria, enquanto o cavaleiro negro entra dentro da floresta para continuar a sua busca. A mulher se assusta ao ver o cavaleiro negro e bastante temerosa, se esconde. Quando ele vai embora, ela sente que está perto de encontrar o esconderijo do corvo.
  • 72.
    71 Figura 12– ClipeRavenheart parte 05 Venha sobre.../ Venha para mim, coração de corvo/ Mensageiro do mal./ Venha para mim/ Quais as novidades?/ Aqui ainda estou, abandonada (02:01/ 02:20) Ela corre desconfiada e com medo de que aquele cavaleiro estivesse perseguindo-a e avista nos galhos de árvores secas, alguns corvos que parecem observá-la e guiar os seus passos até aquele a quem ela tanto procura.
  • 73.
    72 Figura 13– ClipeRavenheart parte 06 Eu terei de volta quem eu estimo?/ E assim falou o corvo: Nunca mais. (02:21/ 02:58) Ao passar por uma ponte, a mulher vislumbra a torre, de onde os corvos voam de um lado para outro, como que estivessem avisando que um grande perigo se aproxima. O cavaleiro negro percorre o mesmo caminho feito pela mulher na floresta, acompanhado pelo corvo que estava no barco dela, que parece guiá- lo para que ele chegue a tempo de salvá-la de uma grande ameaça que se aproxima.
  • 74.
    73 12 Figura 14– ClipeRavenheart parte 07 Venha sobre.../ Venha para mim, coração de corvo/ Mensageiro do mal./ Venha para mim/ Quais as novidades?/Aqui ainda estou abandonada (02:59/ 03:42) A noite transpira medo e escuridão. Vários monges com suas tochas acessas, decidem queimar viva, a mulher sinistra que se comunica com os corvos, que atraiu para si a desgraça de ser a anunciadora ou até a porta-voz de más notícias. A prova desse “crime” está em suas mãos: a pena negra, que cai no chão, onde as chamas fazem um círculo ao redor da mulher. O enigmáticocavaleiro negro, torna- se o “salvador”, ao chegar no exato momento em que as chamas avançaram para consumi-la e erguendo a sua espada, espanta os monges que, amedrontados, fogem daquele lugar. 12 As imagens utilizadas nesse trabalho têm como intuito exemplificar a aplicabilidade da tradução intersermiótica, ou seja, apenas caráter ilustrativo. Sendo assim, essas imagens possuem seus direitos autorais que foram protegidos nesse trabalho, sempre citando a banda ao qual este videoclipe está vinculado (Xandria) e o estúdio que produziu essa narrativa audiovisual (AVA Studios, 2004).
  • 75.
    74 Para deixar aquelear de sobrenatural e intrigante, o cavaleiro negro é a imagem da mesma mulher que iria ser queimada viva. Sobre esse final fantástico, Marco Herbaum, guitarrista e fundador da banda Xandria, em matéria no site oficial da banda, e disponível no endereço http://www.xandria.de/index.php?data=multimedia_ content&content=vid-ravenheart, diz: “O misterioso cavaleiro negro, que perseguiu Lisa com os monges negros, através de todoo vídeo, no final sai como o seu salvador e finalmente acaba como um outro “eu” de Lisa. Assim, o espectador pode especular se há magia nesta história mística, ou se tudo isso é uma metáfora para o reconhecimento de seu próprio poder nos momentos de ameaça ou perigo. Decida-se por conta própria!” As imagens criam um significado que se fundem e se traduzem. Através dessa ligação, percebem-se os elementos que estão presentes, ao mesmo tempo no poema e no vídeo, que servem de constatação dos aspectos que fazem referência um ao outro, que são comprovados por meio de imagens que exprimem essa semelhança. Como exemplo, podemos citar o ambiente que reflete o íntimo daqueles personagens: frio, tenebroso, onde a escuridão ofusca um rastro de esperança para aquelas pobres almas amarguradas, solitárias e tristes. O único consolopara
  • 76.
    75 eles é alembrança de seus entes amados, ou seja, o enredo de ambos (música e vídeo), enfocam o sofrimento de jovens amantes românticos, que recebem a visita inusitada do “mensageiro das trevas infernais ou do mal”, a quem é feita a pergunta sobre o ente perdido pelas garras da morte e cuja resposta perpetua o eterno estado de espírito de solidão: Nunca mais. 7.2 As características ultrarromânticas existentes na música/videoclipe É evidente que o ouvinte ou telespectador é transportado para um nostálgico passado medieval (o que reafirma o seu ideal ultrarromântico), com ruínas de castelos, monges e cavaleiro, a moça perseguida, um ambiente medonho que propicia o clima poético necessário para a música, a natureza sombria (árvores secas, névoa, nuvens escuras, clima frio), deformação da realidade acentuada pelo sobrenatural, o misticismo manifestado no final do clipe com a revelação da identidade do cavaleiro negro. Vale ressaltar que a vocalista da banda veste-se semelhante ao corvo em uma parte do videoclipe: uma
  • 77.
    76 roupa negra, comuma plumagem maisnegra ainda. O corvo, que é também um dos personagens principais da “narrativa”, carrega em si toda uma simbologia sobrenatural, já explanada no capítulo anterior. Portanto, seu canto é um sinal de algo sinistro, ou seja, ele novamente reaparece como “porta-voz do além”, desta vez alertando a protagonista de um perigo que se aproxima, gerando o fascínio da mesma, que não parece medir esforços para encontrá-lo, ao mesmo tempo, que tenta fugir dessas ameaças: o cavaleiro negro e os monges. A personagem canta sobre o seu amor perdido e sua esperança de um dia estar junto dele. A memória sentimental é um fator fundamental para sustentar as características ultrarromânticas, além do ambiente melancólico, que transmite o estado de espírito da mulher. A natureza reflete todos os sentimentos reinantes em sua mente, encaixando-se perfeitamente com o cenário fantástico e bizarro que fizeram desse vídeo um grande marco na carreira da banda alemã Xandria. As características ultrarromânticas coincidem com as apresentadas e já discutidas no poema “O Corvo”, acrescentando apenas mais uma: Retorno ao passado medieval.
  • 78.
  • 79.
    78 Mesmo depois de162 anos de sua morte, Edgar Allan Poe e suas obras continuam influenciando o meio musical, desde a literatura até o cinema. Por meio desse estudo, descobrimos a importância de Poe no contexto literário americano, como também mergulhamos no incrível e sobrenatural mundo do poema “The Raven” e fomos transportados para o coração de um jovem melindroso, para um mundo ultrarromânticoregado de tristeza, dor e solidão, e no final, vislumbramos o majestosomensageiro, o Corvo, exercendo grande importância na narrativa e sendo um elemento decisivo para o desfecho dessa história. Por meio da música e videoclipe “Ravenheart”, notamos o reflexo dessa mesma história sendo recontada. Exploramos as histórias da mitologia nórdica e nela comprovamos o caráter mágico, sombrio e sobrenatural do animal Corvo, através de narrativas surpreendentes que servem de base para a constatação de que não existe outro animal que substituísse o incrível mensageiroe agoureiro Corvo. Através da biografia da banda alemã Xandria, discutimos a respeito dos subgêneros do Heavy Metal que muito se assemelham aos ideais ultrarromânticos. E por fim, estudamos a relação intersemiótica do videoclipe e do poema, além da tradução dos sistemas de signos que de uma certa forma, ligam-se diretamente ou fazem referência ao poema: que este estudo sirva de alicerce para futuras investigações sobre esse tema envolvente que é a Literatura e a Música.
  • 80.
    79 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENTES, Ana Cristina.IN: MUSSALIN, Fernanda e Bentes, A. C. Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. São Paulo, Cortez, 2003. CAMARGO, Marisis Aranha. Basic Guide to American Literature. São Paulo, Editora Pioneira– Manuais de Estudo, 1986. CORRÊA, Sérgio Ricardo S. Ouvinte Consciente– Arte Musical, comunicação e expressão. Editora do Brasil S/A. São Paulo, 1975. DINIZ, Thaís Flores Nogueira. Tradução Inter– semiótica: do texto para a tela. Disponível em: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/a rticle/download/5390/4934 Entrevista de Lisa Schaphaus a John Wolff do site Sonic Cathedral. Disponível em: http://www.soniccathedral.com. Acessado em 30/07/2011. Entrevista de Lisa Schaphaus, traduzida e adaptada por Spectrum. Disponível em:
  • 81.
    80 http://www.spectrumgothic.com.br/musica/entrevist as/xandria01.htm. Acessado em30/07/2011. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Dicionário Escolar. Editora: Nova Fronteira. São Paulo, 2004, p. 212. FOUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo: Cultrix, s/d. FRANCHINI, A. S. e SEGANFREDO, Carmen. As melhores histórias da mitologia nórdica. Editora Artes e Ofícios, 2ª edição, 2009. JEHA, Júlio. Veja o livro e leia o filme. Todas as letras. Nº 06, p. 123-129, 2004. Disponível em: http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/tl/arti cle/view/989/717 JORDÃO, Rose e Clenir Bellezi de Oliveira. Letras e Contexto: Língua, Literatura e Redação. São Paulo: Editora Escola Educacional, 2005. Lista de obras de Edgar Allan Poe. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_obras_de_Ed gar_Allan_Poe. Acessado em 30/07/2011. MENDES, Oscar (Org). Edgar Allan Poe– Ficção Completa, Poesias e Ensaios. Rio de janeiro: Editora Nova Aguilar, 1997.
  • 82.
    81 OLIVEIRA, Solange Ribeirode et.al. Literatura e Música. São Paulo, Editora SENAC e Instituto Itaú Cultural, 2003. O ultra romantismo por Spectrum. Disponível em: http://www.spectrumgothic.com.br/Literatura/ultrar omantismo.htm. Acessado em 30/07/2011. Poema The Raven de Edgar Allan Poe. Disponível em: http://www.helderdarocha.com.br/literatura/poe/rav en1.html. Acessado em 30/07/2011. SANTOS, Ismael Paulo. Trabalho de hipertexto e hipermídia, 2004. Disponível em: http://www.ehu.es/netart/alum0506/Ines_Albuquer que/ARTE%20E%20INTERATIVIDADE.htm TERRA, Ernani e José de Nicola. Gramática, Literatura e Produção de Textos. São Paulo: Editora Scipione, 2ª edição, 2004.
  • 83.
    82 LINKS CONSULTADOS Biografia de EdgarAllan Poe por Spectrum. Disponível em: http://www.spectrumgothic.com.br/Literatura/autor es/Allan.htm. Acessado em 30/07/2011. Frases de Edgar Allan Poe. Disponível em: http://www.sitequente.com/frasesde/edgarallanpoe.h tml. Acessado em 30/07/2011. Frases sobre música. Disponível em: http://www.sitequente.com/frases/musica.html. Acessado em 30/07/2011. http://otroth.org/?p=174. Acessado em 2010. http://pt.wikipedia.org/wiki/Doom_metal. Acessado em 30/07/2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/Gothic_metal. Acessado em 30/07/2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/Metal_sinf%C3%B4nico . Acessado em 30/07/2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sentimentalismo. Acessado em 30/07/2011.
  • 84.
    83 http://pt.wikipédia.org/wiki/Xandria. Acessado em 30/07/2011. http://www.poebrasil.com.br.Acessado em 2010. http://www.tvcinemaemusica.wordpress.com http://www.xandria.de/bio http://www.xandria.de/index.php?data=multimedia_ content&content=vid-ravenheart Frases de Oscar Wilde. Site Pensador Info. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MTMzMzc/. Acessado em 30/07/2011. Tradução da música Ravenheart por Drika. Disponível em: http://letras.terra.com.br/xandria/132565/traducao. html. Acessado em 30/07/2011. Tradução do poema The Raven de Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa. Disponível em: http://www.insite.com.br/art/pessoa/coligidas/trad/ 921.php. Acessado em 30/07/2011. Vídeo: Xandria Ravenheart. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=8- QCDSV1ikI&feature=fvsr. Acessado em 30/07/2011.
  • 85.
    84 ANEXOS Anexo 1:Lista deobras de Edgar Allan Poe POESIAS –Título-Data de publicação-Primeira publicação "Poetry" 1824 Nunca publicado em vida de Poe "O, Tempora! O, Mores!" 1825 Nunca publicado em vida de Poe "Tamerlane" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "Song" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "Imitation" July 1827 Tamerlane and Other Poems "A Dream" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "The Lake" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "Spirits of the Dead" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "Evening Star" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "Dreams"
  • 86.
    85 Julho de 1827Tamerlane and Other Poems "Stanzas" Julho de 1827 Tamerlane and Other Poems "The Happiest Day" 15 de Setembro de 1827 The North American "To Margaret" cerca de 1827 Nunca publicado em vida de Poe "Alone" 1829 Nunca publicado em vida de Poe "To Isaac Lea" cerca de 1829 Nunca publicado em vida de Poe "To The River ——" 1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems "To ——" 1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems "To ——" 1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems "Romance" 1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems "Fairy-Land" 1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems "To Science" 1829 Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems "Al Aaraaf"
  • 87.
    86 1829 Al Aaraaf,Tamerlane, and Minor Poems "An Acrostic" 1829 Nunca publicado em vida de Poe "Elizabeth" 1829 Nunca publicado em vida de Poe "To Helen" 1831 Poems by Edgar A. Poe "A Paean" 1831 Poems by Edgar A. Poe "The Sleeper" 1831 Poems by Edgar A. Poe "The City in the Sea" 1831 Poems by Edgar A. Poe "The Valley of Unrest" 1831 Poems by Edgar A. Poe "Israfel" 1831 Poems by Edgar A. Poe "Enigma" 2 de Fevereiro de 1833 Baltimore Saturday Visiter "Fanny" 18 de Maio de 1833 Baltimore Saturday Visiter "The Coliseum" 26 de Outubro de 1833 Baltimore Saturday Visiter "Serenade"
  • 88.
    87 20 de Abrilde 1833 Baltimore Saturday Visiter "To One in Paradise" Janeiro de 1834 Godey's Lady's Book "Hymn" Abril de 1835 Southern Literary Messenger "To Elizabeth" Setembro de 1835 Southern Literary Messenger "May Queen Ode" cerca de 1836 Nunca publicado em vida de Poe "Spiritual Song" 1836 Nunca publicado em vida de Poe "Latin Hymn" Março de 1836 Southern Literary Messenger "Bridal Ballad" Janeiro de 1837 Southern Literary Messenger "To Zante" Janeiro de 1837 Southern Literary Messenger "The Haunted Palace" Abril de 1839 American Museum "Silence–A Sonnet" 4 de Janeiro de 1840 Saturday Courier "Lines on Joe Locke" 28 de Fevereiro de 1843 Saturday Museum "The Conqueror Worm"
  • 89.
    88 Janeiro de 1843Graham's Magazine "Lenore" Feveiro de 1843 The Pioneer "A Campaign Song" 1844 Nunca publicado em vida de Poe "Dream-Land" Junho de 1844 Graham's Magazine "Impromptu. To Kate Carol" 26 de Abril de 1845 Broadway Journal "To F——" Abril de 1845 Broadway Journal "Eulalie" Julho de 1845American Review: A Whig Journal "Epigram for Wall Street" 23 de Janeiro de 1845Evening Mirror "The Raven" 29 de Janeiro de 1845 Evening Mirror "The Divine Right of Kings" Outubro de 1845 Graham's Magazine "A Valentine" 21 de Fevereiro de 1846 Evening Mirror "Beloved Physician" 1847 Nunca publicado em vida de Poe "Deep in Earth"
  • 90.
    89 1847 Nunca publicadoem vida de Poe "To M. L. S—— (1847)" 13 de Março de 1847 The Home Journal "Ulalume" Dezembro de 1847 American Whig Review "Lines on Ale" 1848 Nunca publicado em vida de Poe "To Marie Louise" Março de 1848 Columbian Magazine "An Enigma" Março de 1848 Union Magazine of Literature and Art "To Helen" Novembro de 1848 Sartain's Union Magazine "A Dream Within A Dream" 31 de Março de 1849 The Flag of Our Union "Eldorado" 21 de Abril de 1849 Flag of Our Union "For Annie" 28 de Abril de 1849 Flag of Our Union "To My Mother" 7 de Julho de 1849 Flag of Our Union "Annabel Lee" 9 de Outubro de 1849New York Daily Tribune
  • 91.
    90 "The Bells" Novembro de1849 Sartain's Union Magazine CONTOS Título-Data de Publicação-Primeira publicação "Metzengerstein" 14 de Janeiro de 1832Philadelphia Saturday Courier Horror / Satira "The Duc De L'Omelette" 3 de Março de 1832 Philadelphia Saturday Courier Humor "A Tale of Jerusalem" 9 de Junho de 1832 Philadelphia Saturday Courier Humor "Loss of Breath" 10 de Novembro de 1832 Philadelphia Saturday Courier Humor "Bon-Bon" 1 de Dezembro de 1832 Philadelphia Saturday Courier Humor "MS. Found in a Bottle" 19 de Outubro de 1833 Baltimore Saturday Visiter Aventura "The Assignation" Janeiro de 1834 Godey's Lady's Book Horror "Berenice" Março de 1835 Southern Literary Messenger Horror
  • 92.
    91 "Morella" Abril de 1835Southern Literary MessengerHorror "Lionizing" Maio de 1835 Southern Literary MessengerSatira "The Unparalleled Adventure of One Hans Pfaall" Junho de 1835 Southern Literary Messenger Aventura "King Pest" Setembro de 1835 Southern Literary MessengerHorror / Humor "Shadow - A Parable" Setembro de 1835 Southern Literary MessengerHorror "Four Beasts in One - The Homo-Cameleopard" Março de 1836 Southern Literary MessengerHumor "Mystification" Junho de 1837American Monthly MagazineHumor "Silence - A Fable" 1838 Baltimore Book Humor "Ligeia" Setembro de 1838 Baltimore American Museum Horror "How to Write A Blackwood Article" Novembro de 1838 Baltimore American Museum Parodia "A Predicament"
  • 93.
    92 Novembro de 1838Baltimore American Museum Parodia "The Devil in the Belfry" 18 de Maio de 1839 Saturday Chronicle and Mirror of the Times Humor / Satira "The Man That Was Used Up" Agosto de 1839 Burton's Gentleman's Magazine Satira "The Fall of the House of Usher" Setembro de 1839 Burton's Gentleman's Magazine Horror "William Wilson" Outubro de 1839 The Gift: A Christmas and New Year's Present for 1840 Horror "The Conversation of Eiros and Charmion" Dezembro de 1839 Burton's Gentleman's Magazine ficção cientifíca "Why the Little Frenchman Wears His Hand in a Sling" 1840 Tales of the Grotesque and Arabesque Humor "The Business Man" Fevereiro de 1840 Burton's Gentleman's Magazine Humor "The Man of the Crowd" Dezembro de 1840 Graham's Magazine Horror "The Murders in the Rue Morgue" Abril de 1841 Graham's Magazine
  • 94.
    93 romance policial "A Descentinto the Maelström" Abril de 1841 Graham's Magazine Aventura "The Island of the Fay" Junho de 1841Graham's Magazine Fantasia "The Colloquy of Monos and Una" Agosto de 1841 Graham's Magazine ficção cientifica "Never Bet the Devil Your Head" Setembro de 1841 Graham's Magazine Satira "Eleonora" outono de 1841 The Gift for 1842 Romance "Three Sundays in a Week" 27 de Novembro de 1841 Saturday Evening Post Humor "The Oval Portrait" Abril de 1842 Graham's Magazine Horror "The Masque of the Red Death" Maio de 1842 Graham's Magazine Horror "The Landscape Garden" Outubro de 1842 Snowden's Ladies' Companion esboço "The Mystery of Marie Rogêt" Novembro de 1842, Dezembro de 1842, Fevereiro de 1843 (serializado)[50] Snowden's Ladies' Companion ficção policial
  • 95.
    94 "The Pit andthe Pendulum" 1842–1843 The Gift: A Christmas and New Year's Present Horror "The Tell-Tale Heart" Janeiro de 1843 The Pioneer Horror "The Gold-Bug" Junho de 1843 Dollar Newspaper Aventura "The Black Cat" 19 de Agosto de 1843 United States Saturday Post Horror "Diddling" Outubro de 1843 Philadelphia Saturday Courier Parodia "The Spectacles" 27 de Março de 1844 Dollar Newspaper Humor "A Tale of the Ragged Mountains" Abril de 1844 Godey's Lady's Book ficção cientifica, Aventura "The Premature Burial" 31 de Julho de 1844 Dollar Newspaper Horror "Mesmeric Revelation" Agosto de 1844 Columbian Magazineficção cientifica "The Oblong Box" Setembro de 1844 Godey's Lady's Book Horror "The Angel of the Odd" Outubro de 1844 Columbian MagazineHumor
  • 96.
    95 "Thou Art theMan" Novembro de 1844 Godey's Lady's Book ficção policial / Satira "The Literary Life of Thingum Bob, Esq." Dezembro de 1844 Southern Literary MessengerHumor "The Purloined Letter" 1844–1845 The Gift: A Christmas and New Year's Present ficção policial "The Thousand-and-Second Tale of Scheherazade" Feveriro de 1845 Godey's Lady's Book Humor "Some Words with a Mummy" Abril de 1845 American Review: A Whig Journal Satira "The Power of Words" Junho de 1845 Democratic Review ficção cientifica "The Imp of the Perverse" Julho de 1845Graham's Magazine Horror "The System of Doctor Tarr and Professor Fether" Novembro de 1845 Graham's Magazine Humor "The Facts in the Case of M. Valdemar" Dezembro de 1845 The American ReviewHorror / ficção cientifica / Hoax "The Sphinx" Janeiro de 1846 Arthur's Ladies Magazine Satira "The Cask of Amontillado" Novembro de 1846 Godey's Lady's Book Horror
  • 97.
    96 "The Domain ofArnheim" Março de 1847 Columbian Lady's and Gentleman's Magazine esboço "Mellonta Tauta" Fevereiro de 1849 Flag of Our Union ficção cientifica / Hoax "Hop-Frog" 17 de Março de 1849 Flag of Our Union Horror "Von Kempelen and His Discovery" 14 de Abril de 1849 Flag of Our Union Hoax "X-ing a Paragrab" 12 de Maio de 1849 Flag of Our Union Humor "Landor's Cottage" 9 de Junho de 1849 Flag of Our Union esboço ENSAIOS "Maelzel's Chess Player" (Abril de 1836 – Southern Literary Messenger) "The Philosophy of Furniture" (Maio de 1840 – Burton's Gentleman's Magazine) "A Few Words on Secret Writing" (Julho de 1841 – Graham's Magazine) "Morning on the Wissahiccon" (1844 – The Opal) "The Philosophy of Composition" (Abril de 1846 – Graham's Magazine)
  • 98.
    97 "Eureka: A ProsePoem" (Março de 1848 – Wiley & Putnam) "The Rationale of Verse" (Outubro de 1848 – Southern Literary Messenger) "The Poetic Principle" (Dezembro de 1848 – Southern Literary Messenger) NOVELAS The Narrative of Arthur Gordon Pym (As duas primeiras parcelas, janeiro / fevereiro de 1837 - Southern Literary Messenger, emitidas como a novela ao termino de julho de 1838) The Journal of Julius Rodman (Primeiras seis parcelas, janeiro-junho de 1840 -Burton's Gentleman's Magazine) – Incompleto
  • 99.
    98 Anexo 2: PoemaOriginal “The Raven” de Edgar Allan Poe Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary, Over many a quaint and curious volume of forgottenlore, While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping, As of some one gently rapping, rapping at my chamber door. "'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door- Only this, and nothing more." Ah, distinctly I remember it was in the bleak December, And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor. Eagerly I wished the morrow;- vainly I had sought to borrow From my books surcease of sorrow- sorrow for the lost Lenore- For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore- Nameless here for evermore. And the silken sad uncertain rustling of eachpurple curtain Thrilled me- filled me with fantastic terrors never felt before; So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating, "'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door- Some late visitor entreating entrance at my chamber door;- This it is, and nothing more."
  • 100.
    99 Presently my soulgrew stronger; hesitating then no longer, "Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore; But the fact is I was napping, and so gently you came rapping, And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door, That I scarce was sure I heard you"- here I opened wide the door;- Darkness there, and nothing more. Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing, Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before; But the silence was unbroken, and the stillness gave no token, And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore!" This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!"- Merely this, and nothing more. Back into the chamber turning, all my soul within me burning, Soon again I heard a tapping somewhat louder thanbefore. "Surely," said I, "surely that is something at my window lattice: Let me see, then,what thereat is, and this mystery explore- Let my heart be still a moment and this mystery explore;- 'Tis the wind and nothing more." Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter, In there stepped a stately raven of the saintly days of yore; Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
  • 101.
    100 But, with mienof lord or lady, perched above my chamber door- Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door- Perched, and sat, and nothing more. Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling, By the grave and stern decorum of the countenance it wore. "Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no craven, Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore- Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!" Quoth the Raven, "Nevermore." Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly, Though its answer little meaning- little relevancy bore; For we cannot help agreeing that no living human being Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door- Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door, With such name as "Nevermore." But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only That one word, as if his soul in that one word he did outpour. Nothing further then he uttered- not a feather then he fluttered- Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown before- On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before." Then the bird said, "Nevermore."
  • 102.
    101 Startled at thestillness broken by reply so aptly spoken, "Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store, Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster Followed fast and followed faster till his songs one burden bore- Till the dirges of his Hope that melancholy burdenbore Of 'Never- nevermore'." But the Raven still beguiling all my fancy into smiling, Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door; Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore- What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore Meant in croaking "Nevermore." This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core; This and more I sat divining, with my head at ease reclining On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er, But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er, She shall press, ah, nevermore! Then methought the air grew denser, perfumed from an unseencenser Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor. "Wretch," I cried, "thy God hath lent thee- by these angels he hath sent thee
  • 103.
    102 Respite- respite andnepenthe, from thy memories of Lenore! Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!" Quoth the Raven, "Nevermore." "Prophet!" said I, "thing of evil!- prophet still, if bird or devil!- Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore, Desolate yet all undaunted,on this desert land enchanted- On this home by horror haunted- tell me truly, I implore- Is there- is there balm in Gilead?- tell me- tell me, I implore!" Quoth the Raven, "Nevermore." "Prophet!" said I, "thing of evil- prophet still, if bird or devil! By that Heaventhat bends above us- by that God we both adore- Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn, It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore- Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore." Quoth the Raven, "Nevermore." "Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked, upstarting- "Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore! Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken! Leave my loneliness unbroken!- quit the bust above my door!
  • 104.
    103 Take thy beakfrom out my heart, and take thy form from off my door!" Quoth the Raven, "Nevermore." And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting On the pallid bust of Pallas just above my chamber door; And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming, And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor; And my soul from out that shadow that lies floating on the floor Shall be lifted- nevermore!
  • 105.
    104 Anexo 03: Letraoriginal da música Ravenheart Come to me, Ravenheart Messenger of evil You shadow of forgotten dreams You come to take away My hope on your black wings So come on Come to me, Ravenheart Messenger of evil Come to me. What´s the news? Here I´m still left lonely Of love & hate the singers tell But I feel more,more of both, More than heaven& hell. I take a bow to destiny Now I have really learnt my part Once loving him, now hating love I´ve made mistakes, my Ravenheart So come on Come to me, Ravenheart Messenger of evil Come to me. What´s the news? Here I´m still left lonely Will I get back who I adore? Thus spoke the raven: nevermore. Ohhhhh, Ohhhhh, Ohhhh Ohhhhh, Ohhhhh, Ohhhh
  • 106.
    105 Come on Come tome, Ravenheart Messenger of evil Come to me. What's the news? Here I'm still left lonely (2x)
  • 107.
    106 Anexo 04: Músicae Videoclipe https://www.youtube.com/watch?v=azEYUncK1C8 https://www.youtube.com/watch?v=kkjunJnObho &list=OLAK5uy_nK3dkSqunNiiuXRZ-fC5-G8-L- R9zhB_g
  • 108.
    107 SOBRE A AUTORA Raquel Alvesé uma Escritora Cearense, formada em Letras, Jornalismo e com mestrado em Ciências das Religiões. Tem poesias publicadas em antologias de editoras conhecidas e de forma independente semeia seus romances sobrenaturais, histórias fantásticas e poesias ultrarromânticas. Prêmios e Participações em Antologias: • Certificado de Participação II Prêmio Licinho Campos de Poesia de Amor 2013 • III Prêmio Literário Cidade da Poesia (Antologia Poética) 2013- Nome da Poesia: Noite dos Corvos • Caderno Literário Pragmatha (poesias) contribuição com poesias durante quase dois anos • 101 Vira-latas (Antologia poética) 2014- Nome da Poesia: Você e eu
  • 109.
    108 • Prêmio LiterárioGalinha Pulando 2014 (Antologia poética)-Nome da Poesia: A Saída dessa miséria • Participação da X Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (2015) (lançamento do livro O Reino Mágico de Mystic) • Certificado de Participação VI Concurso de Poesias Prof. Roberto Tonellotti(2016)- Nome da poesia: O choro de Lázaro • 11º Concurso on-line "Sueli Bittencourt" de poesias- Tema Paz (2016)- Nome da Poesia: Borboleta • 5ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura 2016 (Antologia póetica)- Nome da Poesia: O romantismo precoce do poeta das penas negras • 1ª Coletânea de Poemas- projeto Apparere- 2017 Poema: Por favor, não morra! • 6ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura 2017 (Antologia poética)- Nome da Poesia: A não existência • Participação do I Prêmio Miau de Literatura: Editora Costelas Felinas (2017)- Nome do livro de Poesias: Desaparecendo
  • 110.
    109 • Participação na1ª Coletânea de Poesias de Amor- ProjetoApparere- 2018 Poesia: Adeus • 9º lugar no concurso da Revista Inversos (4ª edição) em homenagem ao Dia Internacional da Criança Africana – 2018 Poesia: Minha criança • Participação da 2ª Mostra de Poemas para a beata Maria de Araújo. Poesia: Sangue Salvador- 2019 • 8ª mostra BNB de Poesia- Abril para leitura 2019 (Antologia poética)- Nome da Poesia: Medusa- 2019 • Participação do e-book "2020-2021's Edition of the Nature International Literary Contest"
  • 111.