2º ano – E. E. NOSSA SENHORA DA PIEDADE
DESCARTES
Professor: José Kleber Fernandes Calixto
FILOSOFIA
Surrealismo
“Surrealismo, substantivo.
Automatismo puramente físico
através do qual se pretende
expressar, verbalmente, por
escrito ou de outra forma, a
verdadeira função do
pensamento. Pensamento
ditado na ausência de qualquer
controle manifestado pela razão,
e fora de quaisquer
preocupações estéticas e
morais.”
(André Breton, Primeiro Manifesto do
Surrealismo, 1924.)
Sobre a Imagem
1. O que estou vendo?
Num cenário aparentemente normal, uma
chuva de homens de chapéu-coco.
2. Quem fez esta imagem? Quando?
René Magritte (pintor surrealista), em 1953.
3. Qual o meio utilizado para criá-la?
A pintura.
4. Que tipo de impressões ou sentimentos ela
desperta?
Causa estranhamento, sonho, pesadelo, ideia de
não realidade, etc.
5. Qual a importância de conhecer esta
imagem?
Uma possibilidade é dizer que o estranhamento
nos faz repensar a realidade dita “normal”.
Algumas perguntas...
Qual é a fonte de nossos conhecimentos?
É possível confiar em quem nos engana
uma vez?
Como
podemos ter
certeza de que
estamos
acordados e
que tudo o que
vivemos não é
um sonho?
O RACIONALISMO
O Racionalismo é uma corrente que defende que a
origem do conhecimento é a razão.
Os racionalistas acreditam que só a razão pode levar
a um conhecimento rigoroso.
Os racionalistas desvalorizam os sentidos e a
experiência devido à sua falta de rigor.
Os racionalistas possuem uma visão otimista da razão
porque acreditam que ela possibilita o conhecimento
humano.
O RACIONALISMO
RENÉ DESCARTES
Sendo um racionalista convicto, Descartes
procurou combater os céticos e reabilitar a razão.
Os céticos duvidavam ou negavam mesmo que a
razão pudesse conduzir ao conhecimento.
Descartes vai procurar demonstrar que a razão é a
origem do conhecimento humano.
DESCARTES (1596-1650)
Quem é o sujeito?
Passamos agora por
mais uma virada na
história, a chegada
da filosofia moderna.
É com o francês René
Descartes (1596 –
1650) que veremos
como isso começa. Fonte: FRATESCHI, Yara.
“Revolução Científica,
Mecanicismo e Método do
Conhecimento”. In: Curso de
Filosofia Política. São Paulo:
Atlas, 2010
Um velho conhecido.
Descartes é (ou será) seu
conhecido pelas suas
importantes conquistas no
campo da matemática.
De onde você acha que
vem o plano cartesiano?
O filósofo também
contribuiu com a
Física (na Ótica) e
com a Astronomia
É preciso método para conhecer.
Descartes, contudo, é também aquele quem define o método
de investigação das ciências modernas, ou seja, como elas
procedem para conhecer a natureza.
Como podemos ser capazes de separar os conhecimentos
seguros, corretos e verdadeiros daqueles falsos e enganosos?
Bastaria aceitar que o conhecimento vem de
Deus e que temos de aceitá-lo apenas pela fé,
como diziam alguns filósofos medievais?
DESCARTES E O
MÉTODO
Para mostrar que a razão pode atingir um conhecimento
verdadeiro, Descartes vai criar um método.
Este método tem como objetivo a obtenção de uma
verdade indiscutível.
De entre as regras do método, pode destacar-se a regra da
evidência.
Esta regra diz-nos para não aceitarmos como verdadeiro
tudo que possa deixar dúvidas.
A dúvida é, portanto, um elemento muito importante do
método.
DESCARTES E O MÉTODO
Com ele uma nova e importante forma de se perguntar
sobre o conhecimento surge:
Como é possível o conhecimento da verdade pelo
homem?
O problema central não é mais saber definir o que as coisas são
(pergunta pelo OBJETO), mas antes como nós podemos conhecê-las
(pergunta pelo SUJEITO).
A busca pela certeza.
SUJEITO OBJETO
Como as coisas são conhecidas?
Como conhecemos as coisas?
Sozinho no seu quarto...
Sem mais o que fazer, Descartes inaugura a Filosofia do Sujeito.
... Não encontrando nenhuma conversação que me divertisse e
não tendo, além disso, por felicidade, preocupações ou paixões
que me perturbassem, ficava todo o dia fechado sozinho num
cômodo aquecido por uma estufa onde dispunha de todo o
tempo para me entreter com meus pensamentos
Veremos como no Discurso do método para bem conduzir a
razão e procurar a verdade nas ciências (1637) Descartes se
ocupa disso.
Entrando no Discurso
- Note que este método de Descartes terá na matemática um modelo, pois
esta é capaz de encontrar certezas fixas e imutáveis.
- Descartes é influenciado pelo desenvolvimento científico do renascimento e
do surgimento de uma concepção mecanicista do mundo e do homem.
De acordo com o método para conhecer é preciso:
1. Clareza e distinção (não tomar como verdadeiro o que eu não puder
provar como tal).
2. Análise (dividir um problema em quantas parte for possível).
3. Ordem (conduzir os pensamentos a partir do que há de mais fácil até o
mais complexo).
4. Enumeração (enumerar de modo completo para não perder nada do
que se quer conhecer).
Discurso do método para bem conduzir a razão e procurar a
verdade nas ciências (1637)
- Objetivo: encontrar um caminho seguro para que possamos
alcançar o conhecimento da verdade e assim fazer ciência.
- Ponto de partida: muitos de nossos conhecimentos parecem
seguros, mas são enganosos  os sentidos, fonte de nossos
conhecimentos nos enganam. Como confiar neles?
- Decisão: todo conhecimento que for duvidoso, direi que é
falso.  a dúvida é a arma de Descartes
A DÚVIDA
Recusando tudo que possa suscitar incerteza,
a dúvida afirma-se como um modo de evitar
o erro.
A dúvida é um instrumento da razão na busca
da verdade.
A dúvida procura impedir a razão de
considerar verdadeiros conhecimentos que
não merecem esse nome.
A DÚVIDA
A implosão do edifício do saber.
Será que algo do edifício do
conhecimento ficará em pé
após a dinamite desta
dúvida radical?
Descartes em seu caminho percebe que:
Os sentidos são duvidosos
A matemática é duvidosa
Podemos duvidar se estamos acordados ou dormindo.
CARACTERÍSTICAS
DA DÚVIDA
A dúvida é:
» Metódica (faz parte de um método que procura o conhecimento verdadeiro);
» Provisória (é temporária, isto é, pretende-se ultrapassá-la e chegar à verdade);
» Hiperbólica (exagerada propositadamente, para que nada lhe escape);
» Universal (aplica-se a todo o conhecimento em geral);
» Radical (incide sobre os fundamentos, as bases de todo o conhecimento);
» Uma suspensão do juízo (ao duvidar evitam-se os erros e os enganos);
» Catártica (purifica e liberta a mente de falsos conhecimentos);
» Um exercício voluntário e autónomo (não é imposta, é uma iniciativa pessoal);
» Uma prova rigorosa (nada será aceito como verdadeiro sem ser posto em
dúvida);
» Um exame rigoroso (que afasta tudo que possa ser minimamente duvidoso).
CARACTERÍSTICAS DA DÚVIDA
NÍVEIS DE
APLICAÇÃO DA
DÚVIDA
Descartes vai aplicar a dúvida a tudo que possa causar incerteza,
nomeadamente:
» as informações dos sentidos;
» as nossas opiniões, crenças e juízos precipitados;
» as realidades físicas e corpóreas e, de uma maneira geral, tudo que julgamos real;
» os conhecimentos matemáticos;
» também Deus é submetido à prova rigorosa da dúvida, uma vez que Descartes
coloca a hipótese de Deus poder ser enganador ou um génio do mal.
A dúvida hiperbólica e radical e a possibilidade de Deus ser enganador
parecem levar a um beco sem saída. Quer dizer, torna-se quase impossível
acreditar que a razão humana pode alcançar conhecimentos verdadeiros. No
entanto, há uma saída.
NÍVEIS DE APLICAÇÃO DA DÚVIDA
O COGITO (PENSO,
LOGO, EXISTO)
A dúvida irá conduzir a razão a uma primeira verdade incontestável.
Mesmo que se duvide ao máximo, não se pode duvidar da existência daquele
que duvida.
A dúvida é um ato do pensamento e não pode acontecer sem um autor.
Chegamos então à primeira verdade: “penso, logo, existo” (cogito ergo sum).
Toda mente humana sabe de forma clara e distinta que, para duvidar, tem
que existir.
A verdade, para Descartes, deve obedecer aos critérios da clareza e
distinção.
A verdade “eu penso, logo, existo” é uma evidência. Trata-se de um
conhecimento claro e distinto que irá servir de modelo para todas as verdades
que a razão possa alcançar.
Este tipo de conhecimento deve-se exclusivamente ao exercício da razão e
não dos sentidos.
O COGITO (PENSO, LOGO, EXISTO)
RESUMINDO:
Para duvidar é preciso pensar.
Mas não podemos duvidar da nossa dúvida? Ou duvidar que estamos
pensando?
Ora, se fizermos isso ainda estaremos duvidando.
• Assim, Descartes encontra uma certeza indestrutível: o pensar.
• Com isso é possível dizer eu penso, logo existo, certeza a partir da qual é possível
reerguer o edifício do conhecimento.
• O conhecimento começa então pela razão  Racionalismo
Pensamento
Dúvida
Dúvida
Descartes mostrou que a razão, só por si, é capaz de
produzir conhecimentos verdadeiros, pois ela
alcançou uma verdade inquestionável.
Mas apesar da razão ter chegado ao conhecimento
verdadeiro, ainda não está excluída a hipótese do
Deus enganador.
Descartes considera fundamental demonstrar a
existência de Deus, um Deus que traga segurança e
seja garantia das verdades.
O COGITO (PENSO, LOGO, EXISTO)
Teoria sobre ideia
em Descartes
1. Ideias Inatas
 São aquelas que nascem com a razão humana.
 Independem da experiência sensível.
 Exemplos: noção de Deus, infinito, perfeição,
existência, pensamento.
 Garantem verdades universais e necessárias.
 Fundamentam o racionalismo cartesiano.
As Ideias em Descartes
 Vêm da experiência e do contato com o mundo
externo.
 Chegam até nós pelos sentidos.
 Exemplos: calor, frio, som, cores, sabores.
 Podem enganar, pois os sentidos não são
absolutamente confiáveis.
 Exigem análise crítica pela razão.
2. Ideias Adventícias
3. Ideias Factícias
 São construídas pela imaginação.
 Resultam da combinação de elementos de outras ideias.
 Exemplos: sereias (mulher + peixe), unicórnio (cavalo + chifre).
 Não correspondem a realidades existentes.
 Mostram a criatividade da mente, mas não produzem
conhecimento seguro.
CONTEÚDOS
COMPLEMENTARES
A EXISTÊNCIA DE
DEUS
Descartes considera que termos a percepção que existimos não
basta para a fundamentação do conhecimento.
Para Descartes, é essencial descobrir a causa de o nosso pensamento
funcionar como funciona e explicar a causa da existência do sujeito
pensante.
Descartes parte das ideias que estão presentes no sujeito para provar
a existência de Deus.
Lembrando: As ideias que qualquer indivíduo possui são de três tipos:
adventícias, factícias e inatas. Uma das ideias inatas que todos nós
temos na mente é a ideia de perfeição. É esta ideia que Descartes vai
usar como ponto de partida para as provas da existência de Deus.
A EXISTÊNCIA DE DEUS
PROVAS DA
EXISTÊNCIA DE DEUS
Descartes apresenta três provas:
1ª prova: sendo Deus perfeito, tem que existir. Não é
possível conceber Deus como perfeição e não existente.
2ª prova: a causa da ideia de perfeito não pode ser o ser
pensante porque este é imperfeito. A ideia de perfeição só
pode ter sido criada por algo perfeito, Deus.
3ª prova: o ser pensante não pode ter sido o criador de si
próprio, pois se tivesse sido ter-se-ia criado perfeito. Só a
perfeição divina pode ter sido a criadora do ser imperfeito
e finito que é o homem e de toda a realidade.
PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
A IMPORTÂNCIA DE DEUS
NO SISTEMA CARTESIANO
E A QUESTÃO DOS ERROS
DO SER HUMANO
Deus, sendo perfeito, não pode ser enganador. Enquanto
perfeição, Deus é garantia da verdade das nossas ideias claras e
distintas (por exemplo: 2+2=4 ou ”penso, logo, existo”).
Se Deus é perfeito e criador do homem e da realidade, então é
também o criador das verdades incontestáveis e o fundamento da
certeza.
Segundo Descartes, é Deus que garante a adequação entre o
pensamento evidente (verdadeiro) e a realidade, conferindo assim
validade ao conhecimento.
Deus é a perfeição, ou seja, é o bem, a virtude, a eternidade, logo,
não poderá ser o autor do mal nem responsável pelos nossos erros.
A IMPORTÂNCIA DE DEUS NO SISTEMA CARTESIANO E A
QUESTÃO DOS ERROS DO SER HUMANO
Se Deus não existisse e não fosse perfeito, não teríamos a garantia da verdade
dos conhecimentos produzidos pela razão, nem teríamos a garantia de que
um pensamento claro e distinto corresponde a uma evidência, isto é, a uma
verdade incontestável. Se Deus não é enganador, então as nossas evidências
racionais são absolutamente verdadeiras.
Se Deus não existisse, para Descartes, seria “o caos” e nunca poderíamos ter a
garantia do funcionamento coerente da nossa razão nem ter noção de como
se tornou possível a nossa existência.
Os erros do ser humano resultam de um uso descontrolado da vontade,
quando esta se sobrepõe à razão.
Erramos quando usamos mal a nossa liberdade e quando aceitamos como
evidentes afirmações que o não são, logo, Deus não é responsável pelos
nossos erros mas é garantia das verdades alcançadas pela razão humana.
A IMPORTÂNCIA DE DEUS NO SISTEMA CARTESIANO E A
QUESTÃO DOS ERROS DO SER HUMANO
Dualismo Cartesiano
FIM...

DESCARTES.pptx.....................................................................................

  • 1.
    2º ano –E. E. NOSSA SENHORA DA PIEDADE DESCARTES Professor: José Kleber Fernandes Calixto FILOSOFIA
  • 3.
    Surrealismo “Surrealismo, substantivo. Automatismo puramentefísico através do qual se pretende expressar, verbalmente, por escrito ou de outra forma, a verdadeira função do pensamento. Pensamento ditado na ausência de qualquer controle manifestado pela razão, e fora de quaisquer preocupações estéticas e morais.” (André Breton, Primeiro Manifesto do Surrealismo, 1924.) Sobre a Imagem 1. O que estou vendo? Num cenário aparentemente normal, uma chuva de homens de chapéu-coco. 2. Quem fez esta imagem? Quando? René Magritte (pintor surrealista), em 1953. 3. Qual o meio utilizado para criá-la? A pintura. 4. Que tipo de impressões ou sentimentos ela desperta? Causa estranhamento, sonho, pesadelo, ideia de não realidade, etc. 5. Qual a importância de conhecer esta imagem? Uma possibilidade é dizer que o estranhamento nos faz repensar a realidade dita “normal”.
  • 4.
    Algumas perguntas... Qual éa fonte de nossos conhecimentos? É possível confiar em quem nos engana uma vez? Como podemos ter certeza de que estamos acordados e que tudo o que vivemos não é um sonho?
  • 5.
  • 6.
    O Racionalismo éuma corrente que defende que a origem do conhecimento é a razão. Os racionalistas acreditam que só a razão pode levar a um conhecimento rigoroso. Os racionalistas desvalorizam os sentidos e a experiência devido à sua falta de rigor. Os racionalistas possuem uma visão otimista da razão porque acreditam que ela possibilita o conhecimento humano. O RACIONALISMO
  • 7.
  • 8.
    Sendo um racionalistaconvicto, Descartes procurou combater os céticos e reabilitar a razão. Os céticos duvidavam ou negavam mesmo que a razão pudesse conduzir ao conhecimento. Descartes vai procurar demonstrar que a razão é a origem do conhecimento humano. DESCARTES (1596-1650)
  • 10.
    Quem é osujeito? Passamos agora por mais uma virada na história, a chegada da filosofia moderna. É com o francês René Descartes (1596 – 1650) que veremos como isso começa. Fonte: FRATESCHI, Yara. “Revolução Científica, Mecanicismo e Método do Conhecimento”. In: Curso de Filosofia Política. São Paulo: Atlas, 2010
  • 11.
    Um velho conhecido. Descartesé (ou será) seu conhecido pelas suas importantes conquistas no campo da matemática. De onde você acha que vem o plano cartesiano? O filósofo também contribuiu com a Física (na Ótica) e com a Astronomia
  • 12.
    É preciso métodopara conhecer. Descartes, contudo, é também aquele quem define o método de investigação das ciências modernas, ou seja, como elas procedem para conhecer a natureza. Como podemos ser capazes de separar os conhecimentos seguros, corretos e verdadeiros daqueles falsos e enganosos? Bastaria aceitar que o conhecimento vem de Deus e que temos de aceitá-lo apenas pela fé, como diziam alguns filósofos medievais?
  • 13.
  • 14.
    Para mostrar quea razão pode atingir um conhecimento verdadeiro, Descartes vai criar um método. Este método tem como objetivo a obtenção de uma verdade indiscutível. De entre as regras do método, pode destacar-se a regra da evidência. Esta regra diz-nos para não aceitarmos como verdadeiro tudo que possa deixar dúvidas. A dúvida é, portanto, um elemento muito importante do método. DESCARTES E O MÉTODO
  • 15.
    Com ele umanova e importante forma de se perguntar sobre o conhecimento surge: Como é possível o conhecimento da verdade pelo homem? O problema central não é mais saber definir o que as coisas são (pergunta pelo OBJETO), mas antes como nós podemos conhecê-las (pergunta pelo SUJEITO). A busca pela certeza. SUJEITO OBJETO Como as coisas são conhecidas? Como conhecemos as coisas?
  • 16.
    Sozinho no seuquarto... Sem mais o que fazer, Descartes inaugura a Filosofia do Sujeito. ... Não encontrando nenhuma conversação que me divertisse e não tendo, além disso, por felicidade, preocupações ou paixões que me perturbassem, ficava todo o dia fechado sozinho num cômodo aquecido por uma estufa onde dispunha de todo o tempo para me entreter com meus pensamentos Veremos como no Discurso do método para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências (1637) Descartes se ocupa disso.
  • 17.
    Entrando no Discurso -Note que este método de Descartes terá na matemática um modelo, pois esta é capaz de encontrar certezas fixas e imutáveis. - Descartes é influenciado pelo desenvolvimento científico do renascimento e do surgimento de uma concepção mecanicista do mundo e do homem. De acordo com o método para conhecer é preciso: 1. Clareza e distinção (não tomar como verdadeiro o que eu não puder provar como tal). 2. Análise (dividir um problema em quantas parte for possível). 3. Ordem (conduzir os pensamentos a partir do que há de mais fácil até o mais complexo). 4. Enumeração (enumerar de modo completo para não perder nada do que se quer conhecer).
  • 18.
    Discurso do métodopara bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências (1637) - Objetivo: encontrar um caminho seguro para que possamos alcançar o conhecimento da verdade e assim fazer ciência. - Ponto de partida: muitos de nossos conhecimentos parecem seguros, mas são enganosos  os sentidos, fonte de nossos conhecimentos nos enganam. Como confiar neles? - Decisão: todo conhecimento que for duvidoso, direi que é falso.  a dúvida é a arma de Descartes
  • 19.
  • 20.
    Recusando tudo quepossa suscitar incerteza, a dúvida afirma-se como um modo de evitar o erro. A dúvida é um instrumento da razão na busca da verdade. A dúvida procura impedir a razão de considerar verdadeiros conhecimentos que não merecem esse nome. A DÚVIDA
  • 21.
    A implosão doedifício do saber. Será que algo do edifício do conhecimento ficará em pé após a dinamite desta dúvida radical? Descartes em seu caminho percebe que: Os sentidos são duvidosos A matemática é duvidosa Podemos duvidar se estamos acordados ou dormindo.
  • 22.
  • 23.
    A dúvida é: »Metódica (faz parte de um método que procura o conhecimento verdadeiro); » Provisória (é temporária, isto é, pretende-se ultrapassá-la e chegar à verdade); » Hiperbólica (exagerada propositadamente, para que nada lhe escape); » Universal (aplica-se a todo o conhecimento em geral); » Radical (incide sobre os fundamentos, as bases de todo o conhecimento); » Uma suspensão do juízo (ao duvidar evitam-se os erros e os enganos); » Catártica (purifica e liberta a mente de falsos conhecimentos); » Um exercício voluntário e autónomo (não é imposta, é uma iniciativa pessoal); » Uma prova rigorosa (nada será aceito como verdadeiro sem ser posto em dúvida); » Um exame rigoroso (que afasta tudo que possa ser minimamente duvidoso). CARACTERÍSTICAS DA DÚVIDA
  • 24.
  • 25.
    Descartes vai aplicara dúvida a tudo que possa causar incerteza, nomeadamente: » as informações dos sentidos; » as nossas opiniões, crenças e juízos precipitados; » as realidades físicas e corpóreas e, de uma maneira geral, tudo que julgamos real; » os conhecimentos matemáticos; » também Deus é submetido à prova rigorosa da dúvida, uma vez que Descartes coloca a hipótese de Deus poder ser enganador ou um génio do mal. A dúvida hiperbólica e radical e a possibilidade de Deus ser enganador parecem levar a um beco sem saída. Quer dizer, torna-se quase impossível acreditar que a razão humana pode alcançar conhecimentos verdadeiros. No entanto, há uma saída. NÍVEIS DE APLICAÇÃO DA DÚVIDA
  • 26.
  • 27.
    A dúvida iráconduzir a razão a uma primeira verdade incontestável. Mesmo que se duvide ao máximo, não se pode duvidar da existência daquele que duvida. A dúvida é um ato do pensamento e não pode acontecer sem um autor. Chegamos então à primeira verdade: “penso, logo, existo” (cogito ergo sum). Toda mente humana sabe de forma clara e distinta que, para duvidar, tem que existir. A verdade, para Descartes, deve obedecer aos critérios da clareza e distinção. A verdade “eu penso, logo, existo” é uma evidência. Trata-se de um conhecimento claro e distinto que irá servir de modelo para todas as verdades que a razão possa alcançar. Este tipo de conhecimento deve-se exclusivamente ao exercício da razão e não dos sentidos. O COGITO (PENSO, LOGO, EXISTO)
  • 28.
    RESUMINDO: Para duvidar épreciso pensar. Mas não podemos duvidar da nossa dúvida? Ou duvidar que estamos pensando? Ora, se fizermos isso ainda estaremos duvidando. • Assim, Descartes encontra uma certeza indestrutível: o pensar. • Com isso é possível dizer eu penso, logo existo, certeza a partir da qual é possível reerguer o edifício do conhecimento. • O conhecimento começa então pela razão  Racionalismo Pensamento Dúvida Dúvida
  • 29.
    Descartes mostrou quea razão, só por si, é capaz de produzir conhecimentos verdadeiros, pois ela alcançou uma verdade inquestionável. Mas apesar da razão ter chegado ao conhecimento verdadeiro, ainda não está excluída a hipótese do Deus enganador. Descartes considera fundamental demonstrar a existência de Deus, um Deus que traga segurança e seja garantia das verdades. O COGITO (PENSO, LOGO, EXISTO)
  • 30.
  • 31.
    1. Ideias Inatas São aquelas que nascem com a razão humana.  Independem da experiência sensível.  Exemplos: noção de Deus, infinito, perfeição, existência, pensamento.  Garantem verdades universais e necessárias.  Fundamentam o racionalismo cartesiano. As Ideias em Descartes
  • 32.
     Vêm daexperiência e do contato com o mundo externo.  Chegam até nós pelos sentidos.  Exemplos: calor, frio, som, cores, sabores.  Podem enganar, pois os sentidos não são absolutamente confiáveis.  Exigem análise crítica pela razão. 2. Ideias Adventícias
  • 33.
    3. Ideias Factícias São construídas pela imaginação.  Resultam da combinação de elementos de outras ideias.  Exemplos: sereias (mulher + peixe), unicórnio (cavalo + chifre).  Não correspondem a realidades existentes.  Mostram a criatividade da mente, mas não produzem conhecimento seguro.
  • 34.
  • 35.
  • 36.
    Descartes considera quetermos a percepção que existimos não basta para a fundamentação do conhecimento. Para Descartes, é essencial descobrir a causa de o nosso pensamento funcionar como funciona e explicar a causa da existência do sujeito pensante. Descartes parte das ideias que estão presentes no sujeito para provar a existência de Deus. Lembrando: As ideias que qualquer indivíduo possui são de três tipos: adventícias, factícias e inatas. Uma das ideias inatas que todos nós temos na mente é a ideia de perfeição. É esta ideia que Descartes vai usar como ponto de partida para as provas da existência de Deus. A EXISTÊNCIA DE DEUS
  • 37.
  • 38.
    Descartes apresenta trêsprovas: 1ª prova: sendo Deus perfeito, tem que existir. Não é possível conceber Deus como perfeição e não existente. 2ª prova: a causa da ideia de perfeito não pode ser o ser pensante porque este é imperfeito. A ideia de perfeição só pode ter sido criada por algo perfeito, Deus. 3ª prova: o ser pensante não pode ter sido o criador de si próprio, pois se tivesse sido ter-se-ia criado perfeito. Só a perfeição divina pode ter sido a criadora do ser imperfeito e finito que é o homem e de toda a realidade. PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
  • 39.
    A IMPORTÂNCIA DEDEUS NO SISTEMA CARTESIANO E A QUESTÃO DOS ERROS DO SER HUMANO
  • 40.
    Deus, sendo perfeito,não pode ser enganador. Enquanto perfeição, Deus é garantia da verdade das nossas ideias claras e distintas (por exemplo: 2+2=4 ou ”penso, logo, existo”). Se Deus é perfeito e criador do homem e da realidade, então é também o criador das verdades incontestáveis e o fundamento da certeza. Segundo Descartes, é Deus que garante a adequação entre o pensamento evidente (verdadeiro) e a realidade, conferindo assim validade ao conhecimento. Deus é a perfeição, ou seja, é o bem, a virtude, a eternidade, logo, não poderá ser o autor do mal nem responsável pelos nossos erros. A IMPORTÂNCIA DE DEUS NO SISTEMA CARTESIANO E A QUESTÃO DOS ERROS DO SER HUMANO
  • 41.
    Se Deus nãoexistisse e não fosse perfeito, não teríamos a garantia da verdade dos conhecimentos produzidos pela razão, nem teríamos a garantia de que um pensamento claro e distinto corresponde a uma evidência, isto é, a uma verdade incontestável. Se Deus não é enganador, então as nossas evidências racionais são absolutamente verdadeiras. Se Deus não existisse, para Descartes, seria “o caos” e nunca poderíamos ter a garantia do funcionamento coerente da nossa razão nem ter noção de como se tornou possível a nossa existência. Os erros do ser humano resultam de um uso descontrolado da vontade, quando esta se sobrepõe à razão. Erramos quando usamos mal a nossa liberdade e quando aceitamos como evidentes afirmações que o não são, logo, Deus não é responsável pelos nossos erros mas é garantia das verdades alcançadas pela razão humana. A IMPORTÂNCIA DE DEUS NO SISTEMA CARTESIANO E A QUESTÃO DOS ERROS DO SER HUMANO
  • 42.
  • 47.

Notas do Editor

  • #4 Esquema do texto – da dúvida ao cogito (imagem do edifício do saber) Deus como certeza