HISTÓRIA DA
SOCIOLOGIA
José kleber
PENSADORES HELÊNICOS
ORIGEM
Desde tempos muito remotos, essas relações vinham
sendo encaradas sob a forma de preceitos religiosos,
de legislações e mesmo de teorias de direito.
Pensadores helênicos, notadamente Platão (429-341
a.C.), A republica, e Aristóteles (384-322 a.C.), A
politica, foram os primeiros a tratar de tais problemas
de maneira sistemática e separada da religião, mas
não independente dos regimes políticos e
econômicos. Posteriormente, Santo Agostinho (354-
430), A cidade de Deus, apresentou ideias e análises
básicas para as modernas concepções jurídicas e ate
sociológicas.
IDADE MÉDIA
ORIGEM
Na Idade Media Europeia, as cogitações relativas aos
grupos sociais tornaram-se fortemente influenciadas pela
religião. 0 Cristianismo, então dominante, desde o inicio
traçara diretrizes e normas a que deveria obedecer o
comportamento dos homens em seu relacionamento.
Destas recomendações (ou mandamentos) estavam
ausentes as preocupações de critérios científicos. 0 mesmo
ocorreu com o Islamismo, apesar de ter estabelecido uma
legislação bastante minuciosa, por muitos ate hoje
adotada. 0 principal pensador oriental, Ibn Khaldun (1332-
1406), Prolegômenos, constituiu uma exceção, pois deu ao
social uma explicação causalista. No Século XIII, Santo
Tomas de Aquino (1226-1274), Summa theológica,
conquanto inteiramente decidido a não se afastar da
orientação crista, retomou os processos e as ideias de
Arist6teles, para manifestar-se sobre as relações inter-
humanas.
RENASCENÇA
ORIGEM
Durante a Renascença apareceram obras vigorosas em
que se propunham normas entrosadas de politica e
economia, delas destacando-se a de Campanella (1568-
1639), Cidade do sol, e, sobretudo, a conhecidíssima
Utopia, de Thomas Morus (1478-1535), romance politico e
social avançado para a sua época. A partir de então, com
o desenvolvimento do capitalismo comercial,
multiplicaram-se os tratados de economia em que eram
abordados vários aspectos dos problemas sociais. E a
própria evolução politica, que não podia deixar de se
acelerar, em virtude das constantes modificações
econômicas, favoreceu o aparecimento de livros, onde,
embora se cuidasse principalmente de relações de mando,
consideravam-se também outros aspectos do convívio
entre os homens: 0 príncipe, de Maquiavel (1469-1527), e
Leviatã, de Hobbes (1588-1679);
RENASCENÇA
ORIGEM
seus autores consideravam ser a vida da sociedade
baseada no uso da força. Esses livros tiveram e têm grande
influencia, assim como Ensaios sobre o entendimento
humano, de Locke (1632-1704), autor que deu contribuição
a Filosofia, Psicologia e Educação.
SÉCULO XVIII
ORIGEM
No Século XVIII apareceram obras de grande valor no
campo da politica, economia e sociologia. Montesquieu
(1689-1775), 0 espírito das leis, analisou o papel da lei e
dos poderes políticos na sociedade; Hume (1711-1776),
continuador do empirismo de Locke, escreveu Tratado
sobre a natureza humana; Adam Smith (1723-1790), A
riqueza das nações, relacionou suas análises econômicas
com o conjunto da sociedade. É preciso ainda salientar o
impacto das teorias do Contrato social, de Jean Jacques
Rousseau (1712-1778), de decisiva influência na
revolução democrática e consequentemente, na história
das instituições; sua primordial importância consiste na
apresentação de uma teoria para fundamentar a
legitimidade do poder politico.
SÉCULO XVIII
ORIGEM
Desse período em diante, sempre sob a inspiração de
problemas criados pela evolução econômica, multiplicaram-
se as chamadas "doutrinas socialistas", cujos autores,
tentando atenuar as injustiças imperantes na distribuição de
riquezas e na exploração dos trabalhadores, criticavam a
situação existente e pregavam novas e mais equitativas
relações entre os homens. Entre eles podemos destacar
Fourier (1772-1837), que estabeleceu uma correlação entre
os sentimentos e as estruturas sociais, criador dos Falansterios;
Saint Simon (1760-1825), verdadeiro fundador do socialismo,
autor da famosa frase "de cada urn de acordo com sua
capacidade, e a cada um de acordo com sua
necessidade"; Owen (1771-1858), Uma nova visão da
sociedade, fundador das primeiras sociedades cooperativas;
Proudhon (1809-1865), 0 que e a propriedade, criador do
sistema mutualista.
SÉCULO XVIII
ORIGEM
Os líderes socialistas, para fundamentar suas criticas e seus
projetos, procediam a analise da realidade social. A tônica
de suas diretrizes residia, entretanto, na intenção de mudar
as instituições e costumes vigentes e de criar, através de
radicais alterações da ordem politica, uma ordem social
mais equitativa.
SÉCULO XVIII
ORIGEM
Hegel (1770-1831) promove um movimento de intima
entrosamento entre princípios puramente filos6ficos e as
ciências sociais. A dialética de Hegel baseia-se no método
antitético, dando origem a explicação das mudanças
ocorridas no universo, mediante um processo em três
tempos: tese, antítese e síntese. Ainda nesse período de
transição, aparecem obras de economistas que marcaram
profundamente o pensamento econômico e social da
época: Ricardo (1772-1823), primeiro te6rico da economia
politica clássica, com a obra Princípios de economia politica,
e que formulou
SÉCULO XVIII
ORIGEM
a lei da renda diferencial; Mathus (1766-1834), Ensaios sobre
o principia de população, tornou-se famosa pela sua teoria
da população, onde afirma que a correlação entre os
recursos materiais e a excessiva fecundidade humana resulta
em graves problemas de antinomia demográfica
OS PIONEIROS
AUGUSTO COMTE
Em meados do século passado, surgiu o que se pode chamar de "reação
positivista" a que deu inicio o próprio criador da doutrina positivista: Augusto
Comte (1798-1857). Este pensador francês lutava para que, em todos os ramos
de estudos, se obedecesse a preocupação da máxima objetividade. Em sua
classificação das ciências, colocou a matemática na base e, no ápice, os
esforços de compreensão de tudo o que se referia ao homem, principalmente as
relações entre eles.
Nessa atitude, entretanto, assumia uma posição diferente da dos socialistas.
Defendia o ponto de vista de somente serem validas as analises das sociedades
quando feitas com verdadeiro espirito cientifico, com objetividade e com
ausência de metas preconcebidas, próprios das ciências em geral. Os estudos
das relações humanas, assim, deveriam constituir uma nova ciência, a que se
deu o nome de "Sociologia".
OS PIONEIROS
AUGUSTO COMTE
Esta não deveria limitar-se apenas a analise, mas propor normas de
comportamento, seguindo a orientação resumida na famosa formula positivista:
"saber para prever, a fim de prover".
É verdade que, nos seus escritos sobre a sociedade, Comte esteve bem Ionge de
seguir a risca as suas recomendações de "positividade". Mas teve enorme
repercussão, e ainda tem, a atitude que preconizou quanto ao estudo dos
fenômenos sociais, não influenciado pela emotividade, mas levado a efeito com
a isenção de animo, semelhante a adotada na Química ou na Física. Alias,
inicialmente, em vez do termo "Sociologia", denominara esta ciência de "Física
Social".
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    PENSADORES HELÊNICOS ORIGEM Desde temposmuito remotos, essas relações vinham sendo encaradas sob a forma de preceitos religiosos, de legislações e mesmo de teorias de direito. Pensadores helênicos, notadamente Platão (429-341 a.C.), A republica, e Aristóteles (384-322 a.C.), A politica, foram os primeiros a tratar de tais problemas de maneira sistemática e separada da religião, mas não independente dos regimes políticos e econômicos. Posteriormente, Santo Agostinho (354- 430), A cidade de Deus, apresentou ideias e análises básicas para as modernas concepções jurídicas e ate sociológicas.
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    IDADE MÉDIA ORIGEM Na IdadeMedia Europeia, as cogitações relativas aos grupos sociais tornaram-se fortemente influenciadas pela religião. 0 Cristianismo, então dominante, desde o inicio traçara diretrizes e normas a que deveria obedecer o comportamento dos homens em seu relacionamento. Destas recomendações (ou mandamentos) estavam ausentes as preocupações de critérios científicos. 0 mesmo ocorreu com o Islamismo, apesar de ter estabelecido uma legislação bastante minuciosa, por muitos ate hoje adotada. 0 principal pensador oriental, Ibn Khaldun (1332- 1406), Prolegômenos, constituiu uma exceção, pois deu ao social uma explicação causalista. No Século XIII, Santo Tomas de Aquino (1226-1274), Summa theológica, conquanto inteiramente decidido a não se afastar da orientação crista, retomou os processos e as ideias de Arist6teles, para manifestar-se sobre as relações inter- humanas.
  • 4.
    RENASCENÇA ORIGEM Durante a Renascençaapareceram obras vigorosas em que se propunham normas entrosadas de politica e economia, delas destacando-se a de Campanella (1568- 1639), Cidade do sol, e, sobretudo, a conhecidíssima Utopia, de Thomas Morus (1478-1535), romance politico e social avançado para a sua época. A partir de então, com o desenvolvimento do capitalismo comercial, multiplicaram-se os tratados de economia em que eram abordados vários aspectos dos problemas sociais. E a própria evolução politica, que não podia deixar de se acelerar, em virtude das constantes modificações econômicas, favoreceu o aparecimento de livros, onde, embora se cuidasse principalmente de relações de mando, consideravam-se também outros aspectos do convívio entre os homens: 0 príncipe, de Maquiavel (1469-1527), e Leviatã, de Hobbes (1588-1679);
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    RENASCENÇA ORIGEM seus autores consideravamser a vida da sociedade baseada no uso da força. Esses livros tiveram e têm grande influencia, assim como Ensaios sobre o entendimento humano, de Locke (1632-1704), autor que deu contribuição a Filosofia, Psicologia e Educação.
  • 6.
    SÉCULO XVIII ORIGEM No SéculoXVIII apareceram obras de grande valor no campo da politica, economia e sociologia. Montesquieu (1689-1775), 0 espírito das leis, analisou o papel da lei e dos poderes políticos na sociedade; Hume (1711-1776), continuador do empirismo de Locke, escreveu Tratado sobre a natureza humana; Adam Smith (1723-1790), A riqueza das nações, relacionou suas análises econômicas com o conjunto da sociedade. É preciso ainda salientar o impacto das teorias do Contrato social, de Jean Jacques Rousseau (1712-1778), de decisiva influência na revolução democrática e consequentemente, na história das instituições; sua primordial importância consiste na apresentação de uma teoria para fundamentar a legitimidade do poder politico.
  • 7.
    SÉCULO XVIII ORIGEM Desse períodoem diante, sempre sob a inspiração de problemas criados pela evolução econômica, multiplicaram- se as chamadas "doutrinas socialistas", cujos autores, tentando atenuar as injustiças imperantes na distribuição de riquezas e na exploração dos trabalhadores, criticavam a situação existente e pregavam novas e mais equitativas relações entre os homens. Entre eles podemos destacar Fourier (1772-1837), que estabeleceu uma correlação entre os sentimentos e as estruturas sociais, criador dos Falansterios; Saint Simon (1760-1825), verdadeiro fundador do socialismo, autor da famosa frase "de cada urn de acordo com sua capacidade, e a cada um de acordo com sua necessidade"; Owen (1771-1858), Uma nova visão da sociedade, fundador das primeiras sociedades cooperativas; Proudhon (1809-1865), 0 que e a propriedade, criador do sistema mutualista.
  • 8.
    SÉCULO XVIII ORIGEM Os líderessocialistas, para fundamentar suas criticas e seus projetos, procediam a analise da realidade social. A tônica de suas diretrizes residia, entretanto, na intenção de mudar as instituições e costumes vigentes e de criar, através de radicais alterações da ordem politica, uma ordem social mais equitativa.
  • 9.
    SÉCULO XVIII ORIGEM Hegel (1770-1831)promove um movimento de intima entrosamento entre princípios puramente filos6ficos e as ciências sociais. A dialética de Hegel baseia-se no método antitético, dando origem a explicação das mudanças ocorridas no universo, mediante um processo em três tempos: tese, antítese e síntese. Ainda nesse período de transição, aparecem obras de economistas que marcaram profundamente o pensamento econômico e social da época: Ricardo (1772-1823), primeiro te6rico da economia politica clássica, com a obra Princípios de economia politica, e que formulou
  • 10.
    SÉCULO XVIII ORIGEM a leida renda diferencial; Mathus (1766-1834), Ensaios sobre o principia de população, tornou-se famosa pela sua teoria da população, onde afirma que a correlação entre os recursos materiais e a excessiva fecundidade humana resulta em graves problemas de antinomia demográfica
  • 11.
    OS PIONEIROS AUGUSTO COMTE Emmeados do século passado, surgiu o que se pode chamar de "reação positivista" a que deu inicio o próprio criador da doutrina positivista: Augusto Comte (1798-1857). Este pensador francês lutava para que, em todos os ramos de estudos, se obedecesse a preocupação da máxima objetividade. Em sua classificação das ciências, colocou a matemática na base e, no ápice, os esforços de compreensão de tudo o que se referia ao homem, principalmente as relações entre eles. Nessa atitude, entretanto, assumia uma posição diferente da dos socialistas. Defendia o ponto de vista de somente serem validas as analises das sociedades quando feitas com verdadeiro espirito cientifico, com objetividade e com ausência de metas preconcebidas, próprios das ciências em geral. Os estudos das relações humanas, assim, deveriam constituir uma nova ciência, a que se deu o nome de "Sociologia".
  • 12.
    OS PIONEIROS AUGUSTO COMTE Estanão deveria limitar-se apenas a analise, mas propor normas de comportamento, seguindo a orientação resumida na famosa formula positivista: "saber para prever, a fim de prover". É verdade que, nos seus escritos sobre a sociedade, Comte esteve bem Ionge de seguir a risca as suas recomendações de "positividade". Mas teve enorme repercussão, e ainda tem, a atitude que preconizou quanto ao estudo dos fenômenos sociais, não influenciado pela emotividade, mas levado a efeito com a isenção de animo, semelhante a adotada na Química ou na Física. Alias, inicialmente, em vez do termo "Sociologia", denominara esta ciência de "Física Social".
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