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Livraria da Vila - Fradique
R. Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena
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Estacionamento conveniado no nº 983 da
Rua Fradique Coutinho
O traço peculiar da leitura que Haquira
Osakabe propõe de Fernando Pessoa consiste
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ra encarou de modo especi
mente orgânico os conjunt
poético e teórico pessoan
como componentes de u
grande gesto interventor,
uma missão transformado
Ciente, entretanto, do cará
fragmentário e, não rarame
te, contraditório desse ime
so corpo de textos, lançou-
ao desafio de acompanh
seu trajeto. Aqui, esse pe
curso é sobejamente ilust
do com passagens por vezes
pouco conhecidas do autor,
que se estendem do ceticis-
mo corrosivo à via salvífica. À
distância das soluções facilita-
doras e dos apagamentos re-
dutores, o crítico confere uma
abordagem pautada em rigor
descritivo e apurado senso de
análise para os impasses ine-
rentes a esse corpus eivado de
contradições.
Cristalizada durante décadas
de docência e pesquisa, esta
leitura crítica de Fernando Pes-
soa ocupa, paralelamente às
gerações de professores e pes-
quisadores formados pelo pro-
fessor Haquira Osakabe, lugar
central em seu valioso legado.
Caio Gagliardi
HAquiRA
OSAkAbE
Fernando Pessoa
HAquiRA
OSAkAbE
Fernando
Pessoa
resPosta
à
decadência
haquira_completas2.indd 1
H
OSA
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
Este livro renova uma tradição crítica
pessoana que se foi tornando rara. É aquela
que abarca a obra inteira de Pessoa, todas
as suas implicações históricas, todos os seus
autores fictícios e experiências fragmentá-
rias, para tentar desenhar-lhes uma unidade.
Foi esse o desejo de João Gaspar Simões,
de Eduardo Lourenço, de Agostinho da Silva,
de Jacinto do Prado Coelho ou de Teresa
Rita Lopes. E foi rareando porque a própria
complexidade da obra de Pessoa, de que
nos últimos anos têm sido conhecidas novas
facetas, obriga a seguir só por uma certa via,
tentando analisar uma certa temática, esco-
lhendo um heterônimo ou um problema.
Mas não foi essa a ambi-
ção de Haquira Osakabe,
que aqui toma em conside-
ração a obra inteira em todos
os seus meandros e direções,
com uma força interpretativa
que nela desvenda correntes
que a transportam e lhe dão
alcance. usa, para isso, de uma
prosa sintética, quase epigra-
mática, que dispensa excursos
demonstrativos ou discus-
sões sobre contextos culturais
e históricos, indo direto aos
poemas para os tratar como
atores de um grande teatro
em que se movem com a pre-
cisão de um bailado. E a his-
tória que os vemos contar é
a história profunda da imagi-
nação de Pessoa, um mundo
de ficção que contém em si
todas as grandes preocupa-
ções científicas, morais e reli-
giosas do homem moderno,
mas sem a mais leve sombra
de banalidade. um mundo que
é, ao mesmo tempo, exemplar
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cidência é um grande gesto
poético, além de crítico.
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cada um dos poemas impor-
tantes, que são lidos em si
mesmos, na sua textura pró-
pria. Constituem, por um lado,
passagens escolhidas por se
enquadrarem na linha geral
de revelação que Haquira
Osakabe propõe, mas são
também, por outro lado, tex-
tos capitais, que têm atraído
inumeráveis comentários e se
situam no coração da escrita
poética de Pessoa. O resul-
tado é perfeito, porque o fato
de servirem para ilustrar a
tese crítica que o autor desen-
volve se liga com a sua quali-
dade intrínseca de poemas, e o
modo como a análise deles é
prosseguida, do ponto de vista
de alguém com o saber de
Haquira Osakabe, ilumina-os
de um modo original (casos
de “Chuva oblíqua”, “Ela canta,
pobre ceifeira”, “O guardador
de rebanhos”, “O encoberto”).
Este livro vem na sequência
de um anterior, Fernando Pes-
soa: resposta à decadência, que
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ves de leitura que aqui nos são
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cidade e clareza. A interpretação
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poesia tem muitas rotas e des-
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total. Há poucas assim.
Fernando Cabral Martins
Haquira
osakabe
HAquiRA
OSAkAbE
HAquiRA
OSAkAbE
haquira_completas2.indd 2 09/05/2013 11:45:32
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Às 19:30h José Miguel Wisnik fará uma apresentação dos livros

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À luz dos escritos atrib dos a António Mora, um co tinuador filosófico de Alber Caeiro, Haquira compreende fenômeno heteronímico com uma resposta ao declínio civilização europeia, ao des lento angustiante que se ref tiu em obras fundament como as de Schopenhau Nietzsche, Huysmans, Wilde Mallarmé. A poesia de Caei nomeadamente O guardad de rebanhos, que se apresen como uma epifania redento no conjunto dessa obra, ser então, uma primeira refutaç da inteligência objetiva à do trina cristã, e o ocultismo um segunda tentativa de recon trução de uma sensibilida aturdida. Esse pano de fundo finiss cular, marcado pelo enfast mento do espírito e pela fadi moral, confere uma dimens demiúrgica à obra de Pesso por ser motivação para um poética que buscava conceb uma nova humanidade. Haq ra encarou de modo especi mente orgânico os conjunt poético e teórico pessoan como componentes de u grande gesto interventor, uma missão transformado Ciente, entretanto, do cará fragmentário e, não rarame te, contraditório desse ime so corpo de textos, lançou- ao desafio de acompanh seu trajeto. Aqui, esse pe curso é sobejamente ilust do com passagens por vezes pouco conhecidas do autor, que se estendem do ceticis- mo corrosivo à via salvífica. À distância das soluções facilita- doras e dos apagamentos re- dutores, o crítico confere uma abordagem pautada em rigor descritivo e apurado senso de análise para os impasses ine- rentes a esse corpus eivado de contradições. Cristalizada durante décadas de docência e pesquisa, esta leitura crítica de Fernando Pes- soa ocupa, paralelamente às gerações de professores e pes- quisadores formados pelo pro- fessor Haquira Osakabe, lugar central em seu valioso legado. Caio Gagliardi HAquiRA OSAkAbE Fernando Pessoa HAquiRA OSAkAbE Fernando Pessoa resPosta à decadência haquira_completas2.indd 1 H OSA Fernando Pessoa Fernando Pessoa Este livro renova uma tradição crítica pessoana que se foi tornando rara. É aquela que abarca a obra inteira de Pessoa, todas as suas implicações históricas, todos os seus autores fictícios e experiências fragmentá- rias, para tentar desenhar-lhes uma unidade. Foi esse o desejo de João Gaspar Simões, de Eduardo Lourenço, de Agostinho da Silva, de Jacinto do Prado Coelho ou de Teresa Rita Lopes. E foi rareando porque a própria complexidade da obra de Pessoa, de que nos últimos anos têm sido conhecidas novas facetas, obriga a seguir só por uma certa via, tentando analisar uma certa temática, esco- lhendo um heterônimo ou um problema. Mas não foi essa a ambi- ção de Haquira Osakabe, que aqui toma em conside- ração a obra inteira em todos os seus meandros e direções, com uma força interpretativa que nela desvenda correntes que a transportam e lhe dão alcance. usa, para isso, de uma prosa sintética, quase epigra- mática, que dispensa excursos demonstrativos ou discus- sões sobre contextos culturais e históricos, indo direto aos poemas para os tratar como atores de um grande teatro em que se movem com a pre- cisão de um bailado. E a his- tória que os vemos contar é a história profunda da imagi- nação de Pessoa, um mundo de ficção que contém em si todas as grandes preocupa- ções científicas, morais e reli- giosas do homem moderno, mas sem a mais leve sombra de banalidade. um mundo que é, ao mesmo tempo, exemplar e ímpar: e mostrar essa coin- cidência é um grande gesto poético, além de crítico. O mais, são as análises de cada um dos poemas impor- tantes, que são lidos em si mesmos, na sua textura pró- pria. 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