SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 1
Baixar para ler offline
Folha da Manhã
   SEXTA-FEIRA 02 DE ABRIL DE 2010
                                                                                                                                                                                         POETA




FolhaLetras
                                                                                                                                                                          OBRA FALA
                                                                                                                                                                         DE BUSCA E
                                                                                                                                                                         DA VONTADE
                                                                                                                                                                        DE POTÊNCIA




Mistério lusitano
Depois de ser estudada de forma redundante e
redutora, obra de Florbela Espanca é redescoberta
RENATA BOMFIM *                                 com as formas do mundo, o que confere a•
                                                sua poesia uma sedução própria da alte-




F
            lorbela Espanca (1894- 1930) é      ridade. Vivemos numa época desencanta-
            considerada a voz feminina          da, onde impera a sensação de queda do                                                                                              REPRODUÇÃO

            mais importante da lírica por-      paraíso e de perda da unidade mítica, co-
            tuguesa do século XX. A poeta       mo afirmou o pensador Mangabeira Un-
            nasceu em Vila Viçosa, região       ger: “a única forma de nos salvarmos é
            do Alentejo, terra de mulheres      através da vulnerabilidade”, ou seja, per-
            poetas, de Mariana Alcoforado       mitindo que nossas relações sejamos ilu-
com suas cartas de amor e de mulheres           minadas por emoções que se relacionem
célebres que fundaram conventos, como           com desejo e risco, para que nossa visão
Margarida Cheirinha ou Maria das Cha-           seja ampliada e nos lancemos para uma
gas. Vozes femininas e suas muitas histó-       instância outra, maior, e para além de
rias, que de alguma forma, ecoaram a            nós mesmos.
partir do auditório interior dessa poeta           A obra de Florbela Espanca é um convite
que está sendo redescoberta na contem-          à experimentação das emoções, é desejo,
poraneidade.                                    é risco, somos confrontados com uma po-
  A trajetória de vida de Florbela Espanca      ética que desafia os lugares instituídos e
foi marcada pelo desejo de emancipação,         a distribuição desses lugares, e esse desa-
pela vivência intensa das emoções, da           fio se dá através da errância do eu poético
sensualidade e do erotismo, que iam na          que busca por conhecer a si mesmo: “Sei
contramão do ideário feminino de sua            lá! Sei lá! Sei lá bem!/Quem sou? Um fogo-
época. A escritora portuguesa Ana de Cas-       fátuo, uma miragem.../ Sou um reflexo...
tro Osório relatou que Florbela Espanca         Um canto de paisagem/ Ou apenas cená-
não abriu para si “nenhum horizonte             rio!/ Um vaivém” (Espanca, 1996), e traz
profissional” a não ser o de “literata”, e      em si o germe do encontro com o ou-
este atributo era “o mais desagradável          tro:”Procurei-O no seio de toda gente./
que podia ser dito de uma senhora que           Procurei-O em horas silenciosas!/ [...] E
era vista com um livro na mão”. A extem-        nunca O encontrei!... Prince Charmant”
poraneidade de Florbela fez com que a           (Espanca, 1996).
igreja portuguesa a classificasse como             A errância do eu florbeliano é a expres-
uma pessoa “moralmente perniciosa” e            são de uma relação outra com o mundo,
um “péssimo exemplo”, o que fez com             que se funda não na certeza e nem na
que a leitura de seus livros passasse a ser,    rigidez, mas na consciência da imper-
também, “moralmente” desaconselhável.           manência das coisas, dos seres e das rela-
  Florbela Espanca publicou dois livros de      ções. Talvez, seja destino do espírito hu-
sonetos em vida, o “Livro de Mágoas”            mano estar eternamente em caminho,
(1919) e o “Livro de Sóror Saudade” (1923).     tanto que a imagem do viajante e do
Ambos receberam um frio acolhimento             nômade é um arcano que engendra a
por parte da crítica. Após o suicídio da po-    nostalgia de um outro lugar: “Mostrem-
eta, ritualisticamente realizado no dia         me esse País onde eu nasci!/ Mostrem-
em que completava trinta e seis anos de         me o Reino de onde sou Infanta!/ [...]
idade, seus livros póstumos, “Charneca          Quero voltar! Não sei por onde vim...”
em Flor” (1930) e “Reliquiae” (1931), se        (Espanca, 1996). A errância corres-
esgotaram, demandando novas edições,            ponde, também, à quebra do en-
que vieram acrescidas de cartas e prefácios     clausuramento, um passo em dire-
acalorados. É certo que a morte consagrou       ção do outro, do encontro, ela res-
a tragédia florbeliana, assim como consa-       taura a mobilidade e possibilita
grou as de Inês de Castro, de Julieta, de       superar as polaridades.
Isolda, de Sylvia Plath, de Grace Kelly, de        O desejo ardente de Flor-bela
Diana Spencer e de tantas outras mulhe-         Espanca de fazer dialogarem as-
res que, repentinamente, desapareceram          pectos variados da feminilidade
deixando uma aura de mistério no ar.            por meio de sua poesia gerou
  Pode-se observar que Florbela Espanca         um coro estranho e dissonan-
carregou o estigma de ser mulher numa           te para a sua época e a teatra-
sociedade patriarcal e falocêntrica, mes-       lidade de seus versos fez com
mo assim, através de sua poesia, imagi-         que a imagem da mulher
nou um mundo em diálogo com outras              se fundisse à imagem de
subjetividades e formas, trabalhando po-        poeta, gerando leituras
eticamente variados aspectos do universo        reducionistas e fazendo
feminino. Ela cantou o amor, a dor, a desi-     com que, durante mui-
lusão por buscar e não encontrar o ama-         tos anos, a sua obra fosse
do, a tristeza e o destino que arrasta os se-   menos estudada do que o seu
res independente de sua vontade. A sede de      comportamento social e emocional. As-
infinito da poeta e a sua ousadia em dialo-     sim, a imagem de Florbela foi se delinean-
gar com diferentes formas, consti-tuiram-       do e terminou por mitificá-la. Os estudio-
se num contra-poder e numa hybris femi-         sos da obra da poeta também contribuí-
nina, ou seja, o desejo de conquistar luga-     ram bastante para a formação dessa ima-
res cada vez mais altos, de adentrar espa-      gem mítica, ao focarem em suas leituras
ços masculinos, como a tradição poética:        prováveis e, muitas vezes, inventados as-

SER POETA
                                                pectos curiosos, anedotários e tétricos so-
                                                bre sua vida e sobre sua morte, como o de
                                                                                              AGENDA LITERÁRIA
                                                Florbela ter sido ninfomaníaca ou o de
Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior          ela ter sido praticante de incesto, infor-
Do que os homens! Morder como quem beija!       mações que ajudaram a montar um per-            * Três livros publicados pela Compa-           * David Grossman acaba de receber mais
É ser mendigo e dar como quem seja              fil de mulher extemporânea, capaz de          nhia das Letras ganham adaptação cine-         um prêmio, desta vez pelo conjunto da
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!            incomodar a estamental sociedade cató-        matográfica. O primeiro deles, “Ilha do        obra. Grossman, um dos principais autores
                                                lica portuguesa. Não é circunstancial que     Medo” (2010), de Martin Scorsese, estreou      israelenses da atualidade, autor de “Al-
É ter de mil desejos o explendor                ela tenha se tornado uma importante           no dia 12 de março. O filme é baseado no       guém para correr comigo” (2005) e “A mu-
E não saber sequer que se deseja!               referência para o movimento feminista.        romance “Ilha do Medo” (originalmente          lher foge” (2009), entre outros, publicados
É ter cá dentro um astro que flameja,              A poeta, que escolheu para si o mundo      publicado como “Paciente 67)”, de Dennis       pela Companhia das Letras, foi agraciado
É ter garras e asas de condor!                  da multiplicidade e da resistência ao do      Lehane. A segunda produção, "Os homens         pela prestigiada Acum (Sociedade de com-
                                                emparedamento do ser e que escolheu a         que não amavam as mulheres" (2009), do         positores, autores e editores de Israel). Em
É ter fome, é ter sede de infinito!             morte, lugar comum por excelência, é          diretor Niels Arden Oplev, é o primeiro        seus 30 anos de trabalho, David Grossman
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...       bem mais que apenas a “poetisa da dor e       longa-metragem do sucesso editorial Tri-       tem criado uma voz literária familiar, e
É condensar o mundo num só grito!               da saudade”, é uma persona dramatis que       logia “Millennium”, do sueco Stieg Lars-       igualmente corajosa e perspicaz. “É uma
                                                ainda não teve todas as máscaras revela-      son. O lançamento está previsto para o         voz israelense, e ainda assim, universal",
É amar-te, assim, perdidamente...               das. Os seus contos, por exemplo, apenas      dia 24 de abril. O terceiro filme é “Quincas   escreveram os juízes. Segundo publicação
É seres alma e sangue e vida em mim             à pouco tempo começaram a ser estuda-         Berro d'Água” (2010), de Sérgio Machado        do jornal Folha de São Paulo, “a obra do es-
E dizê-lo cantando a toda gente!                dos e novos documentos e cartas têm           (“Cidade Baixa”, 2005), com Paulo José e       critor é mundialmente conhecida pelo tom
                                                vindo à público, revelando outras facetas     Marieta Severo no elenco. Outros roman-        pacifista e esquerdista. O intelectual defen-
  Florbela Espanca possui uma obra pre-         dessa mulher instigante. Florbela Espan-      ces de Jorge Amado já inspiraram filmes e      de que a literatura pode ser uma poderosa
nhe de encantamento e que tem desperta-         ca está sendo redescoberta.                   minisséries, mas esta é primeira adapta-       arma para resgatar a dimensão humana do
do cada dia mais o interesse de leitores e                                                    ção para o cinema do romance “A morte e        conflito. Ele assina a autoria de mais de
pesquisadores. O eu florbeliano tem a ca-                                                     a morte de Quincas Berro D'água”. (A.N.)       vinte livros”. (A.N.)
                                                * POETA E MESTRE EM LETRAS PELA
pacidade de se metamorfosear e jogar            UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados (19)

Miguel Torga
Miguel TorgaMiguel Torga
Miguel Torga
 
Claro enigma
Claro enigmaClaro enigma
Claro enigma
 
Jorge de sena
Jorge de senaJorge de sena
Jorge de sena
 
10 livros para se ler
10 livros para se ler10 livros para se ler
10 livros para se ler
 
Carlos drummond de andrade
Carlos drummond de andradeCarlos drummond de andrade
Carlos drummond de andrade
 
Augusto dos Anjos
Augusto dos AnjosAugusto dos Anjos
Augusto dos Anjos
 
Álvares de Azevedo
Álvares de AzevedoÁlvares de Azevedo
Álvares de Azevedo
 
Miguel Torga
Miguel TorgaMiguel Torga
Miguel Torga
 
Miguel torga - eliana e joana
Miguel torga - eliana e joanaMiguel torga - eliana e joana
Miguel torga - eliana e joana
 
Romantismo 2a geracao
Romantismo 2a geracaoRomantismo 2a geracao
Romantismo 2a geracao
 
Augusto dos Anjos
Augusto dos AnjosAugusto dos Anjos
Augusto dos Anjos
 
Augusto dos Anjos 2.0
Augusto dos Anjos 2.0Augusto dos Anjos 2.0
Augusto dos Anjos 2.0
 
Vida e obra de miguel torga
Vida e obra de miguel torga Vida e obra de miguel torga
Vida e obra de miguel torga
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
 
Miguel Torga
Miguel TorgaMiguel Torga
Miguel Torga
 
Augusto dos anjos
Augusto dos anjos Augusto dos anjos
Augusto dos anjos
 
Ultrarromantismo
UltrarromantismoUltrarromantismo
Ultrarromantismo
 
Augusto dos anjos - PRÉ MODERNISMO
Augusto dos anjos - PRÉ MODERNISMOAugusto dos anjos - PRÉ MODERNISMO
Augusto dos anjos - PRÉ MODERNISMO
 
Fernando pessoa
Fernando pessoaFernando pessoa
Fernando pessoa
 

Destaque

Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino SchneiderPoemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino SchneiderRenata Bomfim
 
La magia de la poesía»
La magia de la poesía»La magia de la poesía»
La magia de la poesía»ticaortiz
 
Aitendo ufes brasil 2012
Aitendo ufes brasil 2012Aitendo ufes brasil 2012
Aitendo ufes brasil 2012Renata Bomfim
 
Plan de unidad 2010
Plan de unidad 2010Plan de unidad 2010
Plan de unidad 2010ticaortiz
 
Poemas al mar alumnos 5º a
Poemas al mar  alumnos 5º aPoemas al mar  alumnos 5º a
Poemas al mar alumnos 5º aampatoba
 
TEDx Manchester: AI & The Future of Work
TEDx Manchester: AI & The Future of WorkTEDx Manchester: AI & The Future of Work
TEDx Manchester: AI & The Future of WorkVolker Hirsch
 
How to Become a Thought Leader in Your Niche
How to Become a Thought Leader in Your NicheHow to Become a Thought Leader in Your Niche
How to Become a Thought Leader in Your NicheLeslie Samuel
 

Destaque (8)

Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino SchneiderPoemas de Maria do Carmo Marino Schneider
Poemas de Maria do Carmo Marino Schneider
 
La magia de la poesía»
La magia de la poesía»La magia de la poesía»
La magia de la poesía»
 
Aitendo ufes brasil 2012
Aitendo ufes brasil 2012Aitendo ufes brasil 2012
Aitendo ufes brasil 2012
 
Plan de unidad 2010
Plan de unidad 2010Plan de unidad 2010
Plan de unidad 2010
 
Poemas al mar alumnos 5º a
Poemas al mar  alumnos 5º aPoemas al mar  alumnos 5º a
Poemas al mar alumnos 5º a
 
TEDx Manchester: AI & The Future of Work
TEDx Manchester: AI & The Future of WorkTEDx Manchester: AI & The Future of Work
TEDx Manchester: AI & The Future of Work
 
Build Features, Not Apps
Build Features, Not AppsBuild Features, Not Apps
Build Features, Not Apps
 
How to Become a Thought Leader in Your Niche
How to Become a Thought Leader in Your NicheHow to Become a Thought Leader in Your Niche
How to Become a Thought Leader in Your Niche
 

Semelhante a Pdf reportagem sobre florbela espanca folha sp

Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1BiiancaAlvees
 
Noite na Taverna
Noite na TavernaNoite na Taverna
Noite na TavernaKauan_ts
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1BiiancaAlvees
 
Revista Literatura e Música-Especial livro Black Wings
Revista Literatura e Música-Especial livro Black WingsRevista Literatura e Música-Especial livro Black Wings
Revista Literatura e Música-Especial livro Black WingsRaquel Alves
 
Carlos drummond de andrade próprio
Carlos drummond de andrade   próprioCarlos drummond de andrade   próprio
Carlos drummond de andrade próprioWilliam Ferraz
 
Carlos drummond de andrade próprio
Carlos drummond de andrade   próprioCarlos drummond de andrade   próprio
Carlos drummond de andrade próprioWilliam Ferraz
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptsolsioli
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptMnicaOliveira567571
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptaldair55
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptWandersonBarros16
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptEdilmaBrando1
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptx
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptxslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptx
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptxGANHADODINHEIRO
 
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de AndradeCarlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de AndradeAdriana Masson
 
Romantismo 2014
Romantismo 2014Romantismo 2014
Romantismo 2014CrisBiagio
 
2014 cometas do bispo
2014   cometas do bispo2014   cometas do bispo
2014 cometas do bispoLelioGomes
 

Semelhante a Pdf reportagem sobre florbela espanca folha sp (20)

Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
 
Noite na Taverna
Noite na TavernaNoite na Taverna
Noite na Taverna
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
 
Revista Literatura e Música-Especial livro Black Wings
Revista Literatura e Música-Especial livro Black WingsRevista Literatura e Música-Especial livro Black Wings
Revista Literatura e Música-Especial livro Black Wings
 
Simbolismo
SimbolismoSimbolismo
Simbolismo
 
Carlos drummond de andrade próprio
Carlos drummond de andrade   próprioCarlos drummond de andrade   próprio
Carlos drummond de andrade próprio
 
Carlos drummond de andrade próprio
Carlos drummond de andrade   próprioCarlos drummond de andrade   próprio
Carlos drummond de andrade próprio
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
 
O mito florbela espanca
O mito florbela espancaO mito florbela espanca
O mito florbela espanca
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.ppt
 
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptx
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptxslides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptx
slides-aula-Romantismo-no-Brasil-poesia.pptx
 
Fernando Pessoa
Fernando PessoaFernando Pessoa
Fernando Pessoa
 
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de AndradeCarlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
 
Romantismo
Romantismo Romantismo
Romantismo
 
Romantismo 2014
Romantismo 2014Romantismo 2014
Romantismo 2014
 
José Craveirinha
José CraveirinhaJosé Craveirinha
José Craveirinha
 
2014 cometas do bispo
2014   cometas do bispo2014   cometas do bispo
2014 cometas do bispo
 

Mais de Renata Bomfim

Marly de Oliveira: A Suave Pantera
Marly de Oliveira: A Suave PanteraMarly de Oliveira: A Suave Pantera
Marly de Oliveira: A Suave PanteraRenata Bomfim
 
20 anos do PPGL da UFES
20 anos do PPGL da UFES20 anos do PPGL da UFES
20 anos do PPGL da UFESRenata Bomfim
 
AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...
AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...
AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...Renata Bomfim
 
Arcano dezenove renata bomfim
Arcano dezenove  renata bomfimArcano dezenove  renata bomfim
Arcano dezenove renata bomfimRenata Bomfim
 
Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014
Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014
Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014Renata Bomfim
 
Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)
Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)
Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)Renata Bomfim
 
Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014
Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014
Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014Renata Bomfim
 
Entre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de Castro
Entre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de CastroEntre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de Castro
Entre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de CastroRenata Bomfim
 
Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…
Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…
Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…Renata Bomfim
 
A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...
A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...
A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...Renata Bomfim
 
Canção do mar (poemas de Madu)
Canção do mar (poemas de Madu)Canção do mar (poemas de Madu)
Canção do mar (poemas de Madu)Renata Bomfim
 
Programa zenzinho apresentação 2011
Programa zenzinho apresentação 2011Programa zenzinho apresentação 2011
Programa zenzinho apresentação 2011Renata Bomfim
 

Mais de Renata Bomfim (17)

Marly de Oliveira: A Suave Pantera
Marly de Oliveira: A Suave PanteraMarly de Oliveira: A Suave Pantera
Marly de Oliveira: A Suave Pantera
 
20 anos do PPGL da UFES
20 anos do PPGL da UFES20 anos do PPGL da UFES
20 anos do PPGL da UFES
 
Defesa da tese
Defesa da teseDefesa da tese
Defesa da tese
 
AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...
AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...
AS OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO INSTRUMENTOS LÚDICOS DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA...
 
O beijo de sangue
O beijo de sangue O beijo de sangue
O beijo de sangue
 
Arcano dezenove renata bomfim
Arcano dezenove  renata bomfimArcano dezenove  renata bomfim
Arcano dezenove renata bomfim
 
Mina renata bomfim
Mina renata bomfimMina renata bomfim
Mina renata bomfim
 
Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014
Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014
Invitación a presentación de antología de poesía nicaragüense 2014
 
Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)
Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)
Poemas de Renata Bomfim (Tradução: Pedro Sevylla da Juana)
 
Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014
Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014
Programa delx festival con las lecturas, al 2 de enero 2014
 
Entre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de Castro
Entre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de CastroEntre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de Castro
Entre flores e claustros as poéticas de Florbela Espanca e Rosalía de Castro
 
Convite haquira
Convite haquiraConvite haquira
Convite haquira
 
Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…
Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…
Revista do instituto de estudos ibéricos e iberoamericanos da universidade…
 
A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...
A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...
A reescrita da história colonial nicaraguense em o estreito duvidoso de ernes...
 
Canção do mar (poemas de Madu)
Canção do mar (poemas de Madu)Canção do mar (poemas de Madu)
Canção do mar (poemas de Madu)
 
Canção do mar
Canção do marCanção do mar
Canção do mar
 
Programa zenzinho apresentação 2011
Programa zenzinho apresentação 2011Programa zenzinho apresentação 2011
Programa zenzinho apresentação 2011
 

Pdf reportagem sobre florbela espanca folha sp

  • 1. Folha da Manhã SEXTA-FEIRA 02 DE ABRIL DE 2010 POETA FolhaLetras OBRA FALA DE BUSCA E DA VONTADE DE POTÊNCIA Mistério lusitano Depois de ser estudada de forma redundante e redutora, obra de Florbela Espanca é redescoberta RENATA BOMFIM * com as formas do mundo, o que confere a• sua poesia uma sedução própria da alte- F lorbela Espanca (1894- 1930) é ridade. Vivemos numa época desencanta- considerada a voz feminina da, onde impera a sensação de queda do REPRODUÇÃO mais importante da lírica por- paraíso e de perda da unidade mítica, co- tuguesa do século XX. A poeta mo afirmou o pensador Mangabeira Un- nasceu em Vila Viçosa, região ger: “a única forma de nos salvarmos é do Alentejo, terra de mulheres através da vulnerabilidade”, ou seja, per- poetas, de Mariana Alcoforado mitindo que nossas relações sejamos ilu- com suas cartas de amor e de mulheres minadas por emoções que se relacionem célebres que fundaram conventos, como com desejo e risco, para que nossa visão Margarida Cheirinha ou Maria das Cha- seja ampliada e nos lancemos para uma gas. Vozes femininas e suas muitas histó- instância outra, maior, e para além de rias, que de alguma forma, ecoaram a nós mesmos. partir do auditório interior dessa poeta A obra de Florbela Espanca é um convite que está sendo redescoberta na contem- à experimentação das emoções, é desejo, poraneidade. é risco, somos confrontados com uma po- A trajetória de vida de Florbela Espanca ética que desafia os lugares instituídos e foi marcada pelo desejo de emancipação, a distribuição desses lugares, e esse desa- pela vivência intensa das emoções, da fio se dá através da errância do eu poético sensualidade e do erotismo, que iam na que busca por conhecer a si mesmo: “Sei contramão do ideário feminino de sua lá! Sei lá! Sei lá bem!/Quem sou? Um fogo- época. A escritora portuguesa Ana de Cas- fátuo, uma miragem.../ Sou um reflexo... tro Osório relatou que Florbela Espanca Um canto de paisagem/ Ou apenas cená- não abriu para si “nenhum horizonte rio!/ Um vaivém” (Espanca, 1996), e traz profissional” a não ser o de “literata”, e em si o germe do encontro com o ou- este atributo era “o mais desagradável tro:”Procurei-O no seio de toda gente./ que podia ser dito de uma senhora que Procurei-O em horas silenciosas!/ [...] E era vista com um livro na mão”. A extem- nunca O encontrei!... Prince Charmant” poraneidade de Florbela fez com que a (Espanca, 1996). igreja portuguesa a classificasse como A errância do eu florbeliano é a expres- uma pessoa “moralmente perniciosa” e são de uma relação outra com o mundo, um “péssimo exemplo”, o que fez com que se funda não na certeza e nem na que a leitura de seus livros passasse a ser, rigidez, mas na consciência da imper- também, “moralmente” desaconselhável. manência das coisas, dos seres e das rela- Florbela Espanca publicou dois livros de ções. Talvez, seja destino do espírito hu- sonetos em vida, o “Livro de Mágoas” mano estar eternamente em caminho, (1919) e o “Livro de Sóror Saudade” (1923). tanto que a imagem do viajante e do Ambos receberam um frio acolhimento nômade é um arcano que engendra a por parte da crítica. Após o suicídio da po- nostalgia de um outro lugar: “Mostrem- eta, ritualisticamente realizado no dia me esse País onde eu nasci!/ Mostrem- em que completava trinta e seis anos de me o Reino de onde sou Infanta!/ [...] idade, seus livros póstumos, “Charneca Quero voltar! Não sei por onde vim...” em Flor” (1930) e “Reliquiae” (1931), se (Espanca, 1996). A errância corres- esgotaram, demandando novas edições, ponde, também, à quebra do en- que vieram acrescidas de cartas e prefácios clausuramento, um passo em dire- acalorados. É certo que a morte consagrou ção do outro, do encontro, ela res- a tragédia florbeliana, assim como consa- taura a mobilidade e possibilita grou as de Inês de Castro, de Julieta, de superar as polaridades. Isolda, de Sylvia Plath, de Grace Kelly, de O desejo ardente de Flor-bela Diana Spencer e de tantas outras mulhe- Espanca de fazer dialogarem as- res que, repentinamente, desapareceram pectos variados da feminilidade deixando uma aura de mistério no ar. por meio de sua poesia gerou Pode-se observar que Florbela Espanca um coro estranho e dissonan- carregou o estigma de ser mulher numa te para a sua época e a teatra- sociedade patriarcal e falocêntrica, mes- lidade de seus versos fez com mo assim, através de sua poesia, imagi- que a imagem da mulher nou um mundo em diálogo com outras se fundisse à imagem de subjetividades e formas, trabalhando po- poeta, gerando leituras eticamente variados aspectos do universo reducionistas e fazendo feminino. Ela cantou o amor, a dor, a desi- com que, durante mui- lusão por buscar e não encontrar o ama- tos anos, a sua obra fosse do, a tristeza e o destino que arrasta os se- menos estudada do que o seu res independente de sua vontade. A sede de comportamento social e emocional. As- infinito da poeta e a sua ousadia em dialo- sim, a imagem de Florbela foi se delinean- gar com diferentes formas, consti-tuiram- do e terminou por mitificá-la. Os estudio- se num contra-poder e numa hybris femi- sos da obra da poeta também contribuí- nina, ou seja, o desejo de conquistar luga- ram bastante para a formação dessa ima- res cada vez mais altos, de adentrar espa- gem mítica, ao focarem em suas leituras ços masculinos, como a tradição poética: prováveis e, muitas vezes, inventados as- SER POETA pectos curiosos, anedotários e tétricos so- bre sua vida e sobre sua morte, como o de AGENDA LITERÁRIA Florbela ter sido ninfomaníaca ou o de Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior ela ter sido praticante de incesto, infor- Do que os homens! Morder como quem beija! mações que ajudaram a montar um per- * Três livros publicados pela Compa- * David Grossman acaba de receber mais É ser mendigo e dar como quem seja fil de mulher extemporânea, capaz de nhia das Letras ganham adaptação cine- um prêmio, desta vez pelo conjunto da Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! incomodar a estamental sociedade cató- matográfica. O primeiro deles, “Ilha do obra. Grossman, um dos principais autores lica portuguesa. Não é circunstancial que Medo” (2010), de Martin Scorsese, estreou israelenses da atualidade, autor de “Al- É ter de mil desejos o explendor ela tenha se tornado uma importante no dia 12 de março. O filme é baseado no guém para correr comigo” (2005) e “A mu- E não saber sequer que se deseja! referência para o movimento feminista. romance “Ilha do Medo” (originalmente lher foge” (2009), entre outros, publicados É ter cá dentro um astro que flameja, A poeta, que escolheu para si o mundo publicado como “Paciente 67)”, de Dennis pela Companhia das Letras, foi agraciado É ter garras e asas de condor! da multiplicidade e da resistência ao do Lehane. A segunda produção, "Os homens pela prestigiada Acum (Sociedade de com- emparedamento do ser e que escolheu a que não amavam as mulheres" (2009), do positores, autores e editores de Israel). Em É ter fome, é ter sede de infinito! morte, lugar comum por excelência, é diretor Niels Arden Oplev, é o primeiro seus 30 anos de trabalho, David Grossman Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... bem mais que apenas a “poetisa da dor e longa-metragem do sucesso editorial Tri- tem criado uma voz literária familiar, e É condensar o mundo num só grito! da saudade”, é uma persona dramatis que logia “Millennium”, do sueco Stieg Lars- igualmente corajosa e perspicaz. “É uma ainda não teve todas as máscaras revela- son. O lançamento está previsto para o voz israelense, e ainda assim, universal", É amar-te, assim, perdidamente... das. Os seus contos, por exemplo, apenas dia 24 de abril. O terceiro filme é “Quincas escreveram os juízes. Segundo publicação É seres alma e sangue e vida em mim à pouco tempo começaram a ser estuda- Berro d'Água” (2010), de Sérgio Machado do jornal Folha de São Paulo, “a obra do es- E dizê-lo cantando a toda gente! dos e novos documentos e cartas têm (“Cidade Baixa”, 2005), com Paulo José e critor é mundialmente conhecida pelo tom vindo à público, revelando outras facetas Marieta Severo no elenco. Outros roman- pacifista e esquerdista. O intelectual defen- Florbela Espanca possui uma obra pre- dessa mulher instigante. Florbela Espan- ces de Jorge Amado já inspiraram filmes e de que a literatura pode ser uma poderosa nhe de encantamento e que tem desperta- ca está sendo redescoberta. minisséries, mas esta é primeira adapta- arma para resgatar a dimensão humana do do cada dia mais o interesse de leitores e ção para o cinema do romance “A morte e conflito. Ele assina a autoria de mais de pesquisadores. O eu florbeliano tem a ca- a morte de Quincas Berro D'água”. (A.N.) vinte livros”. (A.N.) * POETA E MESTRE EM LETRAS PELA pacidade de se metamorfosear e jogar UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO