Conflitos religiosos Século XX

A violência, contudo, não vem apenas do lado da religião. Nos últimos 100 anos, as
principais religiões foram mais perseguidas do que em qualquer outro período histórico.
E, na maioria dos casos, trata-se não de religião perseguindo religião, mas de ideologia
perseguindo religião.

Isso abrange desde as investidas da revolução socialista de 1924 no México contra o
poder, as terras e, por fim, o clero e os edifícios da Igreja Católica até as agressões aos
bahaístas no Irã, a partir da década de 1970, passando pela repressão a todas as religiões
na URSS, pelo extermínio dos judeus no nazismo e pela agressão maciça a toda
religiosidade na China da Revolução Cultural.
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Infelizmente, as zonas de tensão se mantêm: na medida em que as religiões se
recuperam da perseguição, alguns reiniciam suas próprias perseguições. Entretanto, o
tempo e a vivência dos últimos 100 anos, mais o impacto dos movimentos ecumênicos e
multiconfessionais, começaram a mudar muitos grupos religiosos, e, nesses casos, as
velhas divisões e inimizades foram se desvanecendo.

Divisões históricas, várias delas com séculos de existência, criadas por diferenças na
crença e na prática religiosa, estão na origem de muitas das tensões e conflitos atuais.

No Iraque, a cisão entre sunitas e xiitas, remontando à segunda metade do século 7,
nutre a guerra civil que tanto afeta o país desde a queda de Saddam Hussein (2003). A
tensa linha divisória entre o islã e a cristandade na Europa oriental e no Cáucaso é
ilustrada pela controversa candidatura turca à União Européia. E a cisão entre católicos,
luteranos e russo-ortodoxos ainda repercute na Europa e na Rússia.

Algumas linhas divisórias, como o litoral suaíli (África oriental), se tornaram mais
regiões de diferença cultural que fontes de tensão. Já outros choques, muito antigos,
como entre cristãos, hindus e muçulmanos na Indonésia, ressurgiram onde, poucos anos
atrás, essas comunidades viviam lado a lado.

Conflitos religiosos Século XXI

O ataque às Torres de Nova Iorque no dia 11 de Setembro de 2001, seguido das
reacções que levaram à guerra no Afeganistão, criou rapidamente um clima, onde se
passou a identificar uma determinada religião com o terrorismo - o islamismo.

O antigo "Império do Mal", expressão utilizada pelo presidente norte-americano Ronald
Reagan para caracterizar a URSS, foi substituído pela expressão "Eixo do Mal", dita por
George W. Bush, quando equiparou vários países islâmicos: Iraque, Irão, Síria, Líbia, e
também um país comunista, a Coreia do Norte.

Na convocação internacional para a luta contra o terrorismo, o presidente Bush falou de
uma"cruzada" do ocidente cristão ameaçado pelo activismo muçulmano.

Muitas pessoas têm recorrido à teoria de Huntington de que os conflitos do século XXI
serão conflitos entre civilizações. Esta teoria foi logo simplificada para "guerra de
religiões".
Referencia Bibliográfica

http://latinoamericana.org/2003/textos/portugues/Beozzo.htm

Conflitos religiosos século xx

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    Conflitos religiosos SéculoXX A violência, contudo, não vem apenas do lado da religião. Nos últimos 100 anos, as principais religiões foram mais perseguidas do que em qualquer outro período histórico. E, na maioria dos casos, trata-se não de religião perseguindo religião, mas de ideologia perseguindo religião. Isso abrange desde as investidas da revolução socialista de 1924 no México contra o poder, as terras e, por fim, o clero e os edifícios da Igreja Católica até as agressões aos bahaístas no Irã, a partir da década de 1970, passando pela repressão a todas as religiões na URSS, pelo extermínio dos judeus no nazismo e pela agressão maciça a toda religiosidade na China da Revolução Cultural. | Infelizmente, as zonas de tensão se mantêm: na medida em que as religiões se recuperam da perseguição, alguns reiniciam suas próprias perseguições. Entretanto, o tempo e a vivência dos últimos 100 anos, mais o impacto dos movimentos ecumênicos e multiconfessionais, começaram a mudar muitos grupos religiosos, e, nesses casos, as velhas divisões e inimizades foram se desvanecendo. Divisões históricas, várias delas com séculos de existência, criadas por diferenças na crença e na prática religiosa, estão na origem de muitas das tensões e conflitos atuais. No Iraque, a cisão entre sunitas e xiitas, remontando à segunda metade do século 7, nutre a guerra civil que tanto afeta o país desde a queda de Saddam Hussein (2003). A tensa linha divisória entre o islã e a cristandade na Europa oriental e no Cáucaso é ilustrada pela controversa candidatura turca à União Européia. E a cisão entre católicos, luteranos e russo-ortodoxos ainda repercute na Europa e na Rússia. Algumas linhas divisórias, como o litoral suaíli (África oriental), se tornaram mais regiões de diferença cultural que fontes de tensão. Já outros choques, muito antigos, como entre cristãos, hindus e muçulmanos na Indonésia, ressurgiram onde, poucos anos atrás, essas comunidades viviam lado a lado. Conflitos religiosos Século XXI O ataque às Torres de Nova Iorque no dia 11 de Setembro de 2001, seguido das reacções que levaram à guerra no Afeganistão, criou rapidamente um clima, onde se passou a identificar uma determinada religião com o terrorismo - o islamismo. O antigo "Império do Mal", expressão utilizada pelo presidente norte-americano Ronald Reagan para caracterizar a URSS, foi substituído pela expressão "Eixo do Mal", dita por George W. Bush, quando equiparou vários países islâmicos: Iraque, Irão, Síria, Líbia, e também um país comunista, a Coreia do Norte. Na convocação internacional para a luta contra o terrorismo, o presidente Bush falou de uma"cruzada" do ocidente cristão ameaçado pelo activismo muçulmano. Muitas pessoas têm recorrido à teoria de Huntington de que os conflitos do século XXI serão conflitos entre civilizações. Esta teoria foi logo simplificada para "guerra de religiões".
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