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O MARTÍRIO NOS
TEMPOS ATUAIS –
Ave-Cristo – 70 anos
i
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
SUMÁRIO
1. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Histórica............................................ 1
2. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Espírita.............................................. 7
2.1 Estevão – O 1º Mártir do Cristianismo .......................................................8
2.2 Os Mártires no I/II Século do Cristianismo ..............................................13
2.3 Os Mártires de Lyon..................................................................................17
2.4 Os Mártires Cristãos – Síntese Cronológica .............................................24
3. Os Mártires do Espiritismo........................................................................25
4. O Martírio nos Tempos Atuais..................................................................28
4.1 Martírio nos tempos atuais – Síntese ........................................................28
4.2 Martírio nos tempos atuais – Mensagens..................................................33
4.2.1 Mensagem aos Novos Cristãos...........................................................................33
4.2.1 A Fé ....................................................................................................................35
4.2.2 Asas da Libertação..............................................................................................36
4.2.3 Antes e Agora.....................................................................................................37
4.2.4 A Crucificação....................................................................................................38
4.2.5 A Coroa do Martírio ...........................................................................................41
4.2.6 Cruzes e Algemas...............................................................................................43
4.2.7 Ante o segundo Século .......................................................................................44
4.2.8 A Cruz de Ouro e a Cruz de Palha......................................................................46
4.2.9 Necessário...........................................................................................................48
5. Ave-Cristo – 70 anos de publicação/2023 ................................................. 49
5.1 Romances Espíritas – Conceituação .........................................................49
5.2 Romances Espíritas – Top 20....................................................................63
5.3 Ave-Cristo – 1953/2023 – 70 anos ...........................................................75
5.3.1 Sinopse ...............................................................................................................75
5.3.2 Histórico da Publicação......................................................................................77
5.3.3 Personagens Principais – ontem x hoje ..............................................................87
5.3.3.1 Tabela Síntese.....................................................................................................87
5.3.3.2 Blandina..............................................................................................................88
5.3.3.3 Quinto Varro.......................................................................................................90
5.3.3.4 Apio Corvino......................................................................................................91
ii
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
5.3.3.5 Taciano ...............................................................................................................95
5.3.3.6 Lívia....................................................................................................................97
5.3.3.7 Basílio.................................................................................................................98
5.3.3.8 Rufus...................................................................................................................99
5.3.3.9 Silvano..............................................................................................................101
5.4 Ave-Cristo – Cronologia histórica x Romance.......................................102
5.5 Série de Romances Históricos de Emmanuel .........................................105
6. Referências.................................................................................................109
1
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
1. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Histórica
Perseguição aos Cristãos ou Cristofobia é o nome dado aos maus tratos físicos ou
psicológicos, incluindo agressões e assassínios exercidos por não-cristãos sobre cristãos,
motivados os primeiros pela diferente identidade e manifestação religiosas e étnicas dos
segundos.
Estas perseguições foram levadas a cabo na Antiguidade não somente pelos Judeus, de
cuja religião o Cristianismo era visto como uma ramificação, mas também pelos imperadores
do Império Romano, que controlava grande parte das terras onde o Cristianismo primitivo se
distribuía, e onde era considerado uma seita.
Tal perseguição pelos imperadores teve fim com a legalização da religião cristã
por Constantino I, no início do século IV.
O Novo Testamento informa que os cristãos primitivos sofreram perseguição nas mãos
das lideranças judaicas de seu tempo, começando pelo próprio Jesus Cristo.
Os primeiros cristãos nasceram e se desenvolveram sob o Judaísmo, na medida em que
o Cristianismo começa como uma seita do judaísmo.
As primeiras perseguições judaicas aos cristãos devem ser entendidas, então, como um
conflito sectário – judeus perseguindo judeus por causa da heterodoxia. Várias outras seitas
judaicas da época, no entanto, como os essênios, foram tão heterodoxas quanto a seita cristã.
De acordo com os textos do Novo Testamento, a perseguição aos seguidores de Jesus
continuou após a sua morte. O primeiro mártir do cristianismo foi Estêvão.
O primeiro caso documentado de perseguição aos cristãos pelo Império
Romano direciona-se a Nero. Em 64, houve o grande incêndio de Roma, destruindo grandes
partes da cidade e devastando economicamente a população romana. Nero, cuja sanidade já há
muito tempo havia sido posta em questão, era o suspeito de ter intencionalmente ateado fogo.
As formas de execução utilizadas pelos romanos incluíam crucificação e lançamento de
cristãos para serem devorados por leões e outras feras selvagens.
Em meados do século II, não era difícil encontrar grupos tentando apedrejar os cristãos,
incentivados, muitas vezes, por religiões rivais. A perseguição em Lyon foi precedida por uma turba
violenta que pilhava e apedrejava casas cristãs.
As perseguições estatais seguintes foram inconstantes até o século III.
A primeira perseguição que envolveu todo o território imperial aconteceu sob o governo de
Maximino Trácio, apesar do fato de que apenas o clero tenha sido visado.
2
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Foi somente sob Décio, em meados do segundo século, que a perseguição generalizada –
tanto ao clero quanto aos leigos –tomou lugar em toda a extensão do Império.
O clímax da perseguição se deu sob o governo de Diocleciano e Galério, no final do século
II e início do século IV. Esta é considerada a maior de todas as perseguições. Iniciando com uma
série de quatro editos proibindo certas práticas cristãs e uma ordem de prisão do clero, a perseguição
se intensificou até que se ordenasse a todos os cristãos do império que sacrificassem aos deuses
imperiais, sob a pena de execução, caso se recusassem.
No início do quarto século, em 310, o imperador Geta mandou perseguir os cristãos, torturá-
los e puni-los com morte.
A perseguição continuou até que Constantino I chegasse ao poder e, em 313, legalizasse a
religião cristã por meio do Édito de Milão, iniciando-se a Paz na Igreja.
Entretanto, foi somente com Teodósio I, no final do século quarto, que o cristianismo se
tornaria a religião oficial do Império.
Wikipédia – Perseguições aos Cristãos -
https://pt.wikipedia.org/wiki/Persegui%C3%A7%C3%A3o_aos_crist%C3%A3os
3
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
(...)
As primeiras perseguições aos cristãos partiram de autoridades judias na Palestina.
O primeiro mártir registrado nas Escrituras foi o diácono Estevão (At 6 — 7), apedrejado
por uma multidão, possivelmente em 36 d.C.
O próximo foi Tiago — filho de Zebedeu e um dos doze apóstolos — morto por Herodes
Agripa I em 44 (At 12). De acordo com Josefo e Eusébio, Tiago, o irmão de Jesus e líder da
igreja de Jerusalém foi apedrejado como resultado da instigação do sumo sacerdote em 62, logo
depois da morte do governador Festo.
A expulsão dos judeus de Roma ordenada por Cláudio e registrada por Suetônio pode
ter sido resultado de um tumulto causado por cristãos judeus que estavam pregando sobre Cristo
nas sinagogas. Nero queria fazer dos cristãos os bodes expiatórios do incêndio na capital em 64
d.C.
Suetônio declarou laconicamente: “O castigo foi infligido sobre os cristãos, uma classe
de homens dados a superstições maldosas”. A descrição vívida feita por Tácito da brutalidade
de Nero vem há séculos mexendo com a imaginação:
Consequentemente, para livrar-se da delação, Nero colocou a culpa e infligiu as mais
terríveis torturas sobre uma classe odiada por suas abominações, chamada pelo populacho de
cristãos.
Christus, do qual o nome é originado, sofreu a pena capital durante o reinado de Pôncio
Pilatos... Além de sua morte, houve zombarias de todo o tipo. Cobertos por peles de animais,
eles foram rasgados por cães e pereceram, ou pregados a cruzes, ou condenados pelo fogo e
queimados, para servir de iluminação noturna quando a luz do dia havia expirado. Nero
ofereceu seus jardins para o espetáculo.
Uma fonte cristã mais recente (Sulpício Severo) relata: “Naquele tempo, Paulo e Pedro
foram condenados a morte, sendo o primeiro decapitado com a espada enquanto Pedro sofreu
a crucificação”.
Eusébio indica que, por volta do ano de 95, Domiciano baniu muitos cristãos de Roma,
inclusive sua sobrinha Flávia Domitila. Clemêncio, marido de Domitila e primo do imperador,
foi executado por “ateísmo”, que na época significava a conversão ao Judaísmo. Só alguns
séculos depois é que surgiu a idéia de que Clemêncio era cristão.
Outra evidência indireta de perseguição sob o governo desse imperador foi a expulsão
de João de Patmos (Ap 1.9) e alguns comentários em I Clemente.
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
A carta do governador romano Plínio para Trajano (cerca de 112 d.C.) contém uma
referência explícita à perseguição. Ele pediu conselho ao imperador sobre se deveria tomar
medidas contra aqueles que eram acusados de serem cristãos, tendo em vista que ele próprio
não estava certo se “o simples nome de cristão” era uma ofensa punível.
Em todos os casos, ele acreditava que a “teimosia e obstinação inabalável” desse povo
deveriam ser punidas. Ele também relatou que havia usado de tortura para interrogar “duas
escravas, que eles chamam de diaconisas”, para saber mais sobre as práticas cristãs.
Por algum motivo desconhecido, Inácio, bispo de Antioquia, foi para Roma durante o
reinado de Trajano e lá sofreu o martírio. Seu amigo próximo, Policarpo, mais tarde também
foi martirizado em Esmirna depois de recusar-se a negar a Cristo com estas memoráveis
palavras: “Oitenta e seis anos eu O servi e Ele não me fez mal algum. Como posso, então,
blasfemar contra meu Rei que me salvou?”
A base legal para a perseguição dos cristãos ainda é assunto de debate entre os
estudiosos. Em várias ocasiões eles foram acusados de “traição”, “crimes”, “atos vergonhosos”
e “obstinação”.
O preconceito e a falta de compreensão alimentavam vários rumores populares. Os
cristãos que se recusavam a tomar parte nas cerimônias e atividades pagãs eram suspeitos de
serem desleais e anti-sociais.
Por tratarem uns aos outros como “irmãos” e “irmãs” e encontrarem-se em segredo,
eram acusados de imoralidade.
Referências feitas na Ceia do Senhor sobre comer o corpo e beber do sangue de Cristo
davam origem a suspeitas de canibalismo.
Justino Mártir foi morto durante o governo do imperador estóico Marco Aurélio,
enquanto o heroísmo dos mártires em Viena e Lião no sudeste da Gália (França) em 177 d.C. é
um dos grandes episódios da história do Cristianismo.
Eusébio descreve como quarenta e oito cristãos foram mortos nos anfiteatros, incluindo
a escrava Blandina que foi chifrada por um touro, diante de multidões pagãs sedentas de sangue.
Marco Aurélio desdenhosamente chamou esses mártires de tolos obstinados.
Seu filho Cômodo era um imperador farrista que se divertia com jogos de gladiadores e
deixou os cristãos em paz. Porém, uma dúzia deles foi executada pelo governador da Sília no
norte da África em 180 d.C. e muitos cristãos foram mortos na província da Ásia.
Leônidas, pai do conhecido estudioso Orígenes, foi morto em Alexandria em 202. O
filho desejava muito juntar-se ao pai, mas sua mãe frustrou a tentativa ao esconder suas roupas.
Mais tarde, em 206, oito dos alunos de Orígenes foram mortos.
5
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Em 211 um soldado cristão foi executado ao recusar-se a usar uma coroa de louros por
estar associada ao paganismo. Tertuliano, que elogiou o exemplo desse mártir militar,
desencorajou os cristãos a servirem no exército já que isso poderia levá-los a ter que aceitar
práticas pagãs.
A primeira tentativa sistemática de eliminar o Cristianismo por todo o império ocorreu
em 250 sob o governo de Décio, um dos efêmeros “Imperadores de Quartel”. Ele exigiu que
todos fizessem oferendas em honra a ele próprio e proferissem juramentos pela fortuna dele
como demonstração de sua lealdade.
As pessoas tinham que obter um libelo, um documento que atestava que haviam feito
um sacrifício. Aqueles que se recusassem a participar desse ritual civil e religioso encaravam
duras consequências.
Vários bispos foram executados, inclusive Fabiano de Roma, Alexandre de Jerusalém e
Bábilos de Antioquia. Outro foram encarcerados, como Dionísio de Alexandria; Orígenes
morreu depois de ser submetido a tortura em 251. Durante essa época, literalmente centenas de
pessoas foram martirizadas por causa de sua fé.
Alguns anos mais tarde, Valeriano redigiu uma série de éditos voltados para os líderes
da Igreja. Esses éditos exilavam bispos, proibiam todos os encontros de cristãos e legalizavam
a demissão de servos cristãos da casa imperial, sendo estes banidos para trabalhar em
propriedades imperiais. Um dos resultados foi a execução dos bispos Cipriano e Sisto II de
Roma.
A perseguição final ocorreu sob o governo de Diocleciano, o último grande imperador
pagão antes de Constantino. Diocleciano e seu assistente Galério ofenderam-se com cristãos
que fizeram o sinal da cruz justamente quando sacerdotes pagãos procuravam prever o futuro
ao olhar as entranhas de animais sacrificados. Assim, ele lançou quatro éditos, cada um mais
severo que o anterior.
De acordo com Eusébio, “uma carta imperial foi promulgada por toda a parte, ordenando
a destruição das igrejas e a queima das Escrituras”.
Aqueles que distribuíam as Escrituras ou outros objetos sagrados eram conhecidos
como traditores (traidores). Líderes da Igreja foram presos e pressionados a fazer sacrifícios
para o imperador.
Somente na cidade de Nicomédia, duzentos e sessenta e oito cristãos foram executados.
Um segundo édito ordenava a prisão do alto clero enquanto um terceiro édito lhes oferecia a
anistia caso eles fizessem sacrifícios. O quarto ordenava todos os cristãos a fazerem sacrifícios
ou enfrentar a pena de morte ou trabalho forçado.
6
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
A perseguição cessou quando Diocleciano se aposentou em 305. Galério admitiu que
essa política havia fracassado e lançou um édito de tolerância em 311, enquanto sofria de uma
terrível doença que certos membros da Igreja da época interpretaram como sendo castigo
divino.
Dois anos mais tarde, Constantino deu fim a era de perseguição com um decreto: “Nosso
propósito é dar tanto aos cristãos como a todos os outros a autoridade de seguir qualquer tipo
de adoração que cada um deseje”.
Robert G. Clouse – Perseguição Romana e Mártires Cristãos - Dois Reinos
7
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
2. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Espírita
O alicerce da obra imorredoura do Cristo formou-se à base de renúncia, sacrifício e
abnegação.
Três séculos de Cristianismo Nascente testemunharam o martírio de discípulos
corajosos, que se imolaram no altar da fé para que a luz do Evangelho se estendesse ao mundo,
inaugurando nova era de fraternidade e amor.
Inspirados no exemplo do próprio Mestre, eles conheceram as feras, o suplício, a
perseguição, o confisco, a brutalidade em todos os seus matizes, gravando para sempre, no
coração dos homens, a lição da resignação, do amor e do perdão.
Na seara de Jesus, os trabalhadores da primeira hora foram mártires.
Estêvão, o grande mártir da Era Apostólica, inaugurou o “tempo dos sacrifícios”. Seu
testemunho de fé e de bravura, diante da mais alta corte judicial da nação hebraica, mudaria os
rumos do movimento cristão e deixaria marcas indeléveis no coração do seu próprio algoz, um
homem intrépido e sincero, que se tornaria o responsável pela universalização do Cristianismo
– Paulo de Tarso.
O apedrejamento de Estêvão se deu no verão do ano 35 d.C.
Haroldo Dutra - História da Era Apostólica – O primeiro Mártir – Revista
Reformador Ano 127 • Nº 2. 158 • Janeiro 2009
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
2.1 Estevão – O 1º Mártir do Cristianismo
Ave, Cristo! Os que vão viver para sempre te glorificam e saúdam!…
Emmanuel – Ave Cristo – 2º Parte - Cap. 7
Estêvão era um judeu helenista, nascido na cidade de Corinto, província de Acaia,
dominada pelos romanos.
A cidade, reedificada por Júlio César, era a mais bela joia da velha Acaia, servindo de
capital à formosa província.
Não se podia encontrar, na sua intimidade, o espírito helênico em sua pureza antiga,
mesmo porque, depois de um século de lamentável abandono […], restaurando-a, o grande
imperador transformara Corinto em colônia importante de romanos, para onde ocorrera grande
número de libertos ansiosos de trabalho remunerador, ou proprietários de promissoras fortunas.
A estes, associara-se vasta corrente de israelitas e considerável percentagem de filhos
de outras raças que ali se aglomeravam, transformando a cidade em núcleo de convergência de
todos os aventureiros do Oriente e do Ocidente.
Descendente da tribo de Issacar, Estêvão se revelou, desde jovem, destacado estudioso
das escrituras, apreciando, em especial, os ensinamentos de Isaías que anunciavam a promessa
da vinda do Messias.
No ano de 34 d. C., os habitantes de Corinto sofreram dolorosa perseguição do
Procônsul romano, Licínio Minúcio, que, “[…] cercado de grande número de agentes políticos
e militares e estabelecendo o terror entre todas as classes, com seus processos infamantes. […]
Numerosas famílias de origem judaica foram escolhidas como vítimas preferenciais da nefanda
extorsão.”
A família de Estêvão se resumia ao pai Jochedeb e a irmã Abigail — que futuramente
seria noiva de Paulo de Tarso —, uma vez que a sua mãe era falecida. Essa família foi
diretamente atingida pela perseguição do preposto de César, sendo que o idoso Jochedeb foi
covardemente assassinado, Estêvão foi feito prisioneiro e atirado ao trabalho forçado nas
galeras (galés) romanas.
Abigail fugiu para Jerusalém sob a proteção de uma família judia, Zacarias e Ruth,
também vítima de perseguição, que teve os filhos mortos. Esse casal adotou a jovem irmã de
Jeziel como uma filha querida.
Jeziel, enfrentou com coragem e grande fortaleza moral as provações que a vida lhe
reservara.
9
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Nas galés romanas o valoroso seguidor do Cristo foi submetido às mais ásperas
privações, mas, estoicamente, tudo suportou, jamais perdendo a fé em Deus.
Voltando de Cefalônia, a galera recebeu um passageiro ilustre. Era o jovem romano
Sérgio Paulo, que se dirigia para a cidade de Citium, em comissão de natureza política.
[…] Dada a importância do seu nome e o caráter oficial da missão a ele cometida, o
comandante Sérvio Carbo lhe reservou as melhores acomodações. Sérgio Paulo, entretanto,
[…] adoeceu com febre alta, abrindo-se-lhe o corpo em chagas purulentas. […] O médico a
bordo não conseguiu explicar a enfermidade e os amigos do enfermo começaram a retrair-se
com indisfarçável escrúpulo.
Ao fim de três dias, o jovem romano achava-se quase abandonado. O comandante,
preocupado por sua vez, com a própria situação e receoso por si mesmo, chamou Lisipo [feitor
da galera], pedindo-lhe que indicasse um escravo dos mais educados e maneirosos, capaz de
incumbir-se de toda assistência ao passageiro ilustre.
O feitor designou Jeziel, incontinenti, e, na mesma tarde, o moço hebreu penetrou o
camarote do enfermo, com o mesmo espírito de serenidade que costumava testemunhar nas
situações díspares e arriscadas.
Estêvão cuidou do romano com extremada dedicação, conquistando-lhe a simpatia.
Entre ambos estabeleceu-se laços de amizade sincera, de sorte que usando do prestígio político
que possuía, Sérgio Paulo obteve a libertação do seu dedicado enfermeiro, fazendo-o aportar
em Jerusalém.
Estêvão chegou em Jerusalém extremamente enfermo, pois contraíra a estranha doença
que atingira o seu libertador.
Um desconhecido, denominado Inineu de Cretona, encaminhou a Efraim, um cristão,
conhecido como seguidor do “Caminho” (designação primitiva do Cristianismo) que, por sua
vez, o conduziu à “Casa do Caminho”, moradia do apóstolo Pedro, transformada em local de
atendimento a todos os necessitados.
Na Casa do Caminho, Estêvão recebeu o amparo que necessitava, encontrando no
apóstolo Pedro um verdadeiro amigo, que lhe prestou esclarecimentos a respeito de Jesus e da
sua iluminada mensagem de amor.
O valoroso Simão Pedro, após tomar conhecimento do drama vivido por Jeziel, desde a
perseguição ocorrida em Corinto até a liberdade alcançada por intercessão de Sérgio Paulo,
recomenda-lhe manter-se em anonimato, afirmando:
10
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
[…] Jerusalém regurgita de romanos e não seria justo comprometer o generoso amigo
que te restituiu à liberdade.
[…] — Serás meu filho, doravante — exclamou Simão num transporte de júbilo. […]
— Para que não te esqueças da Acaia, onde o Senhor se dignou de buscar-te para o seu
ministério divino, eu te batizarei no credo novo com o nome grego de Estêvão.
A partir desse momento, Estêvão absorveu-se no estudo dos ensinos do Cristo,
participando da difusão da mensagem da Boa Nova na modesta moradia da Casa do Caminho,
cujos serviços de alimentação, enfermagem e de semeadura da palavra divina cresciam
celeremente.
Com a ampliação dos serviços prestados à comunidade, surgiu, então, a necessidade de
dividir as tarefas, evitando que um servidor ficasse mais sobrecarregado que outro.
Na primeira reunião da igreja humilde, Simão Pedro pediu, então, nomeassem sete
auxiliares para o serviço de enfermarias e refeitórios, resolução que foi aprovada com geral
aprazimento. Entre os sete irmãos escolhidos, Estêvão foi designado com a simpatia de todos.
Começou para o jovem de Corinto uma vida nova. Aquelas mesmas virtudes espirituais
que iluminavam a sua personalidade e que tanto haviam contribuído para a cura do patrício, que
o restituíra à liberdade, difundiam entre os doentes e indigentes de Jerusalém os mais santos
consolos.
[…] Simão Pedro não cabia em si de contente, em face das vitórias do filho espiritual.
Os necessitados tinham a impressão de haver recebido um novo arauto de Deus para o alívio de
suas dores.
Em pouco tempo, Estêvão tornou-se famoso em Jerusalém, pelos seus feitos quase
miraculosos. Considerado o escolhido do Cristo, sua ação resoluta e sincera arregimentara, em
poucos meses, as mais vastas conquistas para o Evangelho do amor e do perdão.
Após a crucificação de Jesus numerosos judeus se converteram ao Cristianismo. Os
sacerdotes e membros do Sinédrio, entretanto, temiam que a propagação dos preceitos cristãos
provocasse desestabilização no Judaísmo.
Sendo assim, iniciou-se um movimento de perseguição aos cristãos, a princípio
realizado portas a dentro das sinagogas, posteriormente em público, nas ruas e no interior das
residências, durante as festividades corriqueiramente, ou nas atividades diárias.
Vieram então alguns da sinagoga chamada dos Libertos, dos Cirineus e Alexandrinos,
dos da Cilícia e da Ásia, e puseram-se a discutir com Estêvão. Mas não podiam resistir à
sabedoria e ao Espírito que o levavam a falar. Pelo que subornaram homens que atestassem:
“ouvimo-lo pronunciar palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus.”
11
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, chegando de improviso,
arrebataram-no e levaram-no à presença do Sinédrio.
Lá apresentaram falsas testemunhas que depuseram: “Esse homem não cessa de falar
contra o Lugar Santo e contra a Lei. Ouvimo-lo dizer que Jesus Nazareno destruiria este Lugar
e modificaria as tradições que Moisés nos legou”. Ora, todos os membros do Sinédrio estavam
com os olhos fixos nele, e viram-lhe o rosto semelhante ao de um anjo.
Essa farsa montada contra Estêvão, foi apoiada por Saulo de Tarso. O apóstolo dos
gentios aparece no cenário da história cristã como o principal elemento do julgamento,
condenação e morte, por apedrejamento, de Estêvão, considerado o primeiro mártir do
Cristianismo.
Esses fatos aconteceram no ano 35 de nossa era.
O jovem Saulo apresentava toda a vivacidade de um homem solteiro, bordejando os
seus trinta anos. Na fisionomia cheia de virilidade e máscula beleza, os traços israelitas
fixavam-se particularmente nos olhos profundos e percucientes, próprios dos temperamentos
apaixonados e indomáveis, ricos de agudeza e resolução.
Trajando a túnica do patriciato, falava de preferência o grego, a que se afeiçoara na
cidade natal, ao convívio dos mestres bem-amados, trabalhados pelas escolas de Atenas e
Alexandria.
Chegando a Jerusalém, vindo de Damasco, Saulo se encontra com o amigo Sadoc que
lhe fornece informações a respeito de Estêvão e o efeito que este provocava nas pessoas.
Cheio de zelo religioso, interpreta equivocadamente as preleções de Estêvão,
considerando-o blasfemador.
Influenciando o Espírito de Saulo, acrescenta:
— Não me conformo em ver os nossos princípios aviltados e proponho-me a cooperar
contigo […], para estabelecermos a imprescindível repressão a tais atividades.
Com as tuas prerrogativas de futuro rabino, em destaque no Templo, poderás encabeçar
uma ação decisiva contra esses mistificadores e falsos taumaturgos.
Tempos depois, num sábado, Saulo e Sadoc se dirigem até a humilde igreja de Jerusalém
para ouvirem a pregação de Estêvão. Os apóstolos Tiago Maior, Pedro e João surpreenderam-
se com a presença “[…] do jovem doutor da Lei, que se popularizara na cidade pela sua oratória
veemente e pelo acurado conhecimento das Escrituras.”
A despeito de ter ficado impressionado com a pregação de Estêvão, Saulo interpela o
expositor, por meio de ríspida conversa, na tentativa de desacreditá-lo perante a assembleia.
12
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Estêvão, porém, manteve-se sereno, respondendo com gentileza e firmeza os apartes do
doutor da Lei.
Desse momento em diante destacam-se, nas sinagogas, os debates religiosos entre
Saulo, o orgulhoso fariseu, e Estêvão, o humilde e iluminado cristão.
Gamaliel, o generoso e brilhante rabino, orientador de Saulo, sempre presente aos
debates, contribuía com palavras ponderadas, buscando acalmar os ânimos.
Inconformado com as serenas proposições de Estêvão, Saulo perturbou-se, e, deixando
levar-se pelo orgulho, denunciou Estêvão ao Sinédrio, onde montou um ardiloso esquema de
condenação com apoio de amigos.
Durante o julgamento, a defesa de Estêvão no Sinédrio foi brilhante, revelando a
grandeza do seu Espírito.
Teve oportunidade também de demonstrar o domínio que possuía das Escrituras,
discursando com serenidade e segurança. (Atos dos Apóstolos, 7:11-54)
Foi, entretanto, implacavelmente julgado e condenado à morte por apedrejamento,
homicídio aprovado por Saulo.
(Atos dos apóstolos, 7:55-60) Mesmo sendo acusado de blasfemador, caluniador e
feiticeiro (19) Estêvão manteve-se firme até o final, quando entregou sua alma a Deus.
Nessa hora suprema, recordava os mínimos laços de fé que o prendiam a uma vida mais
alta. Lembrou de todas as orações prediletas da infância. Fazia o possível por fixar na retina o
quadro da morte do pai supliciado e incompreendido. Intimamente, repetia o Salmo 23 de
David, qual fazia junto da irmã, nas situações que pareciam insuperáveis. “O Senhor é meu
pastor. Nada me faltará…”
As expressões dos Escritos Sagrados, como as promessas do Cristo no Evangelho,
estavam-lhe no âmago do coração.
O corpo quebrantava-se no tormento, mas o Espírito estava tranquilo e esperançoso.
Antes de emitir o último suspiro, Estêvão perdoa Saulo e os demais perseguidores,
adentrando vitorioso no mundo espiritual. Para o futuro apóstolo dos Gentios, entretanto,
iniciava-se a sua “via crucis”, marcada por uma dor extrema: acabara de perseguir, condenar e
aprovar a matança do irmão de Abigail, o seu amor adorado.
Compreendeu, assim, que os seus sonhos conjugais e familiares estavam
definitivamente comprometidos.
Emmanuel – Paulo e Estevão – 1º Parte – Cap. 2/3/4/5/6/8
FEB - Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita - Livro I – Cristianismo e Espiritismo
- Módulo II – O Cristianismo.
13
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
2.2 Os Mártires no I/II Século do Cristianismo
Realmente, foram muitas as torturas e os suplícios sofridos por esses primeiros cristãos
(também chamados cristãos primitivos), cujos testemunhos dolorosos foram registrados nos
anais da História.
Mas foram ainda maiores os testemunhos heroicos desses mártires ante toda espécie de
arbitrariedades, ora dos governos ditatoriais, ora do próprio povo não cristão, suportando dores
indescritíveis com muita dignidade e dando o exemplo cristão diante de injúrias, maus tratos,
rapinas, acusações infundadas, assaltos, insultos, golpes, arrestos arbitrários, tormentos,
execuções sumárias, calúnias, chicotadas, humilhações, lapidações, decapitações, etc.
Também foram jogados às feras e expostos – ante milhares de pessoas – em anfiteatros,
tribunais e arenas, ou acorrentados a cadeiras de ferro, onde seus corpos, ao calcinar-se,
lançavam um forte cheiro de carne queimada.
Foram crucificados, encarcerados, degolados, queimados vivos, torturados em
calabouços infectos, tendo as mãos e os pés presos e o corpo esticado, morrendo muitos por
asfixia dentro das prisões, onde também passaram sede e fome, sem maldizer aos seus verdugos,
inclusive perdoando-os no instante da morte, a fim de viverem o verdadeiro Cristianismo e
poder gritar livremente: Somos cristãos!
Apesar de todos esses testemunhos dolorosos, demonstravam seu imenso valor, sua
grande devoção e coragem ao continuar lutando, orando e resistindo, sem renegar a fé em Jesus:
“Os seguidores de Jesus, nas Gálias, não obstante todos os reveses da imensa luta,
persistiram na fé, valorosos e invictos. Como os druidas, seus heroicos antepassados,
procuraram as florestas para os seus cânticos de louvor a Deus.
Depois do trabalho de cada dia, marchavam à noite, rumo ao campo amigo e silencioso,
em cujas catedrais de arvoredo, sob o firmamento estrelado, oravam e comentavam as divinas
revelações, como se respirassem, por antecipação, as alegrias do Reino Celeste”.
Emmanuel – Ave Cristo – 1º Parte – Cap. 6
14
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
(...)
O Autor espiritual continua registrando em Ave, Cristo! Novas e cruéis perseguições
aos cristãos primitivos, no ano 217, isto é, 40 anos depois dos terríveis assassinatos em massa
de 177. Descreve o contexto político, histórico e social da referida época:
“Ao tempo de Bassiano-Caracala, a quem servira de berço, Lião alcançara imenso
esplendor.
O novo césar, por várias vezes, dispensara-lhe graças especiais.
A corte aí se reunia, frequentemente, em jogos e comemorações.
Contudo, apesar da proteção que o imperador concedia ao torrão pátrio, a cidade
guardava, ainda em 217, dolorosas e vivas reminiscências da matança de 202, determinada
por Séptimo Severo.
Anos depois do triunfo sobre o General Décio Clódio Séptimo Albino, o eleito das
legiões da Bretanha, morto em 197, instigado por seus conselheiros, o vencedor de Pescênio
Níger promulgou um edito de perseguição.
Autoridades inescrupulosas, depois de senhorearem o patrimônio de todos os cidadãos
contrários à política dominante, realizaram tremenda carnificina de cristãos, dentro da cidade
de Lião e nas localidades vizinhas.
Milhares de seguidores do Cristo haviam sido flagelados e conduzidos à morte.
Por vários dias perdurou a perseguição, com assassínios em massa.
Postes de martírio, espetáculos de feras, cruzes, machados, fogueiras, lapidações,
chicotes e punhais, sem nos reportarmos às cenas de selvageria para com mulheres e crianças
indefesas, foram postos em prática por tropas inconscientes.
Durante a matança, Ireneu, o grande bispo e orientador da coletividade evangélica da
cidade, foi torturado, com todos os requintes da violência perversa, até ao último suspiro.
Nascido na Ásia Menor, fora aprendiz de Policarpo, o abnegado e mui venerado
sacerdote de Esmirna, que, por sua vez, havia recebido a fé por intermédio do apóstolo João,
o evangelista.
Ireneu dedicara-se a minuciosas observações da Escritura. Manejando o grego e o
latim com grande mestria, escreveu expressivos trabalhos, refutando os adversários da Boa
Nova, preservando as tradições apostólicas e orientando os diversos serviços da edificação
cristã”.
Emmanuel – Ave Cristo – 1º Parte – Cap. 3
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Ao psicografar o livro Ave, Cristo!, de Emmanuel, obra histórica que rememora uma
fase do terceiro século, Chico Xavier declara que recebera muitas graças, dentre as quais as de
maravilhosas visões.
Emmanuel colocava-lhe diante dos olhos os quadros mais emocionantes da perseguição
aos cristãos e pedia que os olhasse com atenção. E via, então, em quadros aumentados, as
figuras marcantes dos mártires, perseguidos por amor ao emissário celeste.
Guardou, entre outras, a visão extraordinária de Inácio de Antioquia, chegando a Roma,
acorrentado e, à entrada da Cidade Eterna, parar e sorrir...
Os guardas, que o acompanham, surpreendem-se e o advertem:
— Por que sorri, quando daqui a instantes será martirizado com outros rebeldes?
E, ele, calmo e feliz, responde-lhes:
— Estou sorrindo pelo que vejo e me conforta, pois chego à conclusão de que Deus é
mesmo bom. Se permitiu que os pagãos levantassem, na Terra, essa maravilha, que é Roma,
que não reservará Ele aos seus veros servidores!...
E, empurrado pelos guardas, partiu, sereno e grande na fé, a caminho do suplício e onde
deveria ganhar as asas da sua libertação e o prêmio de seu testemunho de amor a Jesus!
Ramiro Gama - Lindos casos de Chico Xavier – Cap. 160
Nota:
Inácio de Antioquia foi contemporâneo de Jesus Cristo.
Discípulo do apóstolo João, também conheceu Paulo de Tarso e sucedeu Simão Pedro
na comunidade cristã de Antioquia.
Inácio foi encontrado por João Evangelista cerca de quatro anos depois da morte de
Jesus. O menino tinha então seus oito anos e, vendo-o, o Apóstolo lembrou-se dele no colo de
Jesus. Resolveu adotá-lo e levá-lo para sua casa, em Éfeso, onde havia se estabelecido com
Maria, a mãe de Jesus.
Ali, Ignácio cresceu sob a ternura de Maria, enquanto João lhe cultivava o caráter nos
ensinos cristãos.
Já adulto, propagador entusiasta da Boa Nova, Inácio de Antioquia foi preso.
Tornou-se célebre por sua peregrinação forçada, em cadeias, de Antioquia a
Roma. Como Paulo de Tarso, ele foi recebendo a visita de cristãos de outras igrejas em todo
o seu percurso.
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Nas paradas, escrevia às comunidades que o tinham recebido ou que lhe enviavam
representantes. São sete as cartas conhecidas, todas de grande valor para o conhecimento da
história dos primeiros cristãos.
Federação Espírita do Paraná
O Mestre ao vê-lo chegar, e fitá-lo à distância
Pronunciou a bela frase para a imortalidade
“Deixai vir a mim a infância”
Para o bem da humanidade
Federação Espírita do Rio Grande do Sul
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
2.3 Os Mártires de Lyon
Lyon é denominada a Cidade dos mártires. Abundaram ali aqueles que deram a vida por
amor à Verdade.
No ano 177, as perseguições desencadeadas atingiram os cristãos de Lyon e Viena,
cidade da França, próxima à primeira. Toda classe de recursos foi utilizada contra os seguidores
de Jesus.
Sua presença passou a não ser tolerada em parte alguma, nem nos banhos, nem no Foro,
nem no Mercado. Contra eles se levantaram acusações de que cometiam infanticídios, que se
banqueteavam com carne humana, enfim, que praticavam incestos e toda sorte de crimes.
As calúnias, espalhadas entre o povo, incitaram-no contra os perseguidos. Cada dia,
novas prisões eram feitas. Submetidos a insultos e humilhações, tudo suportavam com
admirável resistência.
Conduzidos ao Foro pelo tribuno e soldados, eram interrogados perante o povo, que os
apupava, proferindo impropérios.
Vétio Epágato, abnegado senhor que assistia ao interrogatório, não pôde presenciar
tamanha iniquidade e, cheio de piedade, pediu para sair em defesa dos acusados,
comprometendo-se a provar que não mereciam a pecha de criminosos que lhes era imputada.
Homem de vida austera, desde muito jovem tendo abraçado a Boa Nova, teve recusada
sua oferta pelo preposto do Imperador. Tendo-lhe sido perguntado se era cristão e tendo-o
afirmado, foi agregado ao número dos demais prisioneiros.
Com ironia, o apontavam, dizendo: Vejam aí o advogado dos cristãos. Firme na fé,
sofreu toda sorte de tormentos.
Santo, diácono de Viena, teve contra si incitada a fúria do povo. Experimentou em seu
corpo todos os tormentos que a maldade humana pode engendrar. Quando seus verdugos
esperavam fazê-lo confessar algum crime, permaneceu na mesma posição.
A todas as indagações, respondia em latim: Sou cristão. Não disse seu nome, sua cidade,
seu país, se era escravo ou livre, sua raça. Aplicaram-lhe sobre as partes mais sensíveis do
corpo, lâminas de bronze ardentes. Ele permaneceu irredutível, como que banhado e fortificado
pelas águas de fonte superior.
O corpo em uma chaga só, contraído e retorcido, parecia nem mais conservar a forma
humana. Deixaram os verdugos que alguns dias se passassem e depois o tornaram a interrogar.
Acreditavam que, se reiterassem os tormentos sobre as chagas sangrentas e inchadas,
alcançariam seu intento, porque o simples tocar de mãos sobre elas produzia dor insuportável.
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Se morresse por causa dos tormentos, imaginaram as autoridades que sua morte tão
horrível poderia intimidar a outros.
Não alcançaram êxito em nenhuma das opções. O segundo tormento pareceu mais
fortalecer a Santo.
Como todas as torturas eram superadas pela constância em Cristo, os prisioneiros foram
encerrados em calabouços incômodos, escuros, com os pés presos e o corpo esticado. Muitos
pereceram por asfixia. Outros tantos, pelos ferimentos profundos recebidos.
Santo, junto a outros, foi levado, finalmente ao suplício entre as feras. Nada parecia
aplacar a sanha sanguinária dos que assistiam ao cruel espetáculo. Ao contrário, a perseverança
dos mártires lhes aumentou a fúria.
Assim, os que não morreram com as mordidas e patadas das feras, foram amarrados a
postes ardentes, desprendendo insuportável odor por todo o anfiteatro.
A Santo não conseguiram arrancar nenhuma outra frase que não a constante: Sou
cristão. Por fim, os que ainda não haviam sucumbido com tantos suplícios, foram degolados.
Blandina, uma escrava de corpo débil, foi atada em um poste, exposta às feras.
Aprisionada em forma de cruz, ela orava, fortalecendo os demais e, como as feras não a
atacassem, foi retirada do madeiro e novamente encarcerada.
No último dia dos espetáculos, trouxeram-na para a arena, junto a um jovem de quinze
anos, de nome Pontico. Antes os haviam feito assistir aos suplícios de outros, visando arrefecer-
lhes o ânimo.
O denodo com que suportaram os tormentos, atraiu a ira do povo contra eles. Todos se
deram conta de que era Blandina que insuflava ânimo ao jovem. Finalmente, após vexações e
suplícios, ele morreu.
Ela foi arrastada pelas feras; foi pendurada em um poste ardente; foi envolta em uma
rede e exposta a um touro bravo, que a lançou repetidas vezes pelos ares. Os soldados se
mostravam confusos pela resistência daquela mulher, de corpo tão frágil. Ceifaram-lhe a vida
degolando-a.
Os corpos dos que haviam morrido no cárcere foram jogados aos cães e guardados dia
e noite para que não pudessem ser recolhidos e sepultados. Os que haviam perecido pelas feras,
tiveram seus pedaços também jogados aos cães. Todos ficaram insepultos por seis dias, sob
escolta militar.
Eram cabeças truncadas, corpos mutilados, membros carbonizados. Havia quem
passasse e os chutasse, rangesse os dentes ou risse, insultando Aquele por quem
aqueles miseráveis haviam dado a vida.
19
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Passados os seis dias, foram queimados e reduzidos a cinzas aqueles restos, arrojadas
posteriormente ao Ródano, para que nada deles sobrasse. Acreditavam assim estar destruindo a
semente da Boa Nova. Mal sabiam eles que os cristãos, inflamados de amor, continuariam a se
oferecer em holocausto nas arenas do mundo.
01.XAVIER, Francisco Cândido. Corações em luta. In:___. Ave, Cristo! Pelo espírito
Emmanuel. 3. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1966. cap. II.
02. http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2013/06/santa-blandina-e-
companheiros-martires.html
03.http://www.mercaba.org/SANTORAL/Vida/06/06-02_martires_de_lion.htm
23.02.2016
Federação Espírita do Paraná - Os mártires de Lyon
(...)
Não é sem a mais suave emoção que venho entreter-me convosco, caros espíritas do
grupo lionês.
Num meio como o vosso, onde todas as camadas se confundem, onde todas as condições
sociais se dão as mãos, sinto-me cheio de ternura e de simpatia, e feliz por vos poder anunciar
que nós todos, que somos os iniciadores do Espiritismo na França, assistiremos com muito viva
alegria os vossos ágapes fraternos, aos quais fomos convidados por João e Irineu, vossos
eminentes guias espirituais.
Ah! Esses ágapes despertam em meu coração a lembrança daqueles em que todos nos
reuníamos, há mil e oitocentos anos, quando combatíamos os costumes dissolutos
do paganismo romano, e quando já comentávamos os ensinos e as parábolas do Filho do
Homem, morto para a propagação da ideia santa, sobre o madeiro da infâmia.
Meus amigos, se o Altíssimo, por efeito de sua infinita misericórdia, permitisse que a
lembrança do passado pudesse brilhar um instante em vossa memória entorpecida, recordar-
vos-íeis dessa época, ilustrada pelos santos mártires da plêiade
lionesa: Sanctus, Alexandre, Attale, Episode, a doce e corajosa Blandine, Irineu o bispo audaz,
de cujo cortejo muitos de vós então participáveis, aplaudindo seu heroísmo e cantando louvores
ao Senhor.
Também vos lembraríeis de que vários dos que me ouvem regaram com seu sangue a
terra lionesa, esta terra fecunda que Eucher e Gregório de Tours chamaram de pátria dos
mártires.
20
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Não vo-los nomearei, mas podeis considerar os que, em vossos grupos, desempenham
uma missão, um apostolado, como tendo sido mártires da propagação da ideia igualitária,
ensinada do alto do Gólgota pelo nosso Cristo bem-amado!
Hoje, caros discípulos, aquele que foi sagrado por São Paulo vem dizer-vos que vossa
missão é sempre a mesma, porque o paganismo romano, sempre de pé, sempre vivaz, ainda
enlaça o mundo, como a hera enlaça o carvalho.
Deveis, pois, espalhar entre os vossos irmãos infelizes, escravos de suas paixões ou das
paixões alheias, a santa e consoladora doutrina que meus amigos e eu viemos revelar-vos por
nossos médiuns de todos os países.
Não obstante, constatamos que os tempos progrediram; que os costumes já não são os
mesmos e que a Humanidade cresceu, porque hoje, se fôsseis vítimas de perseguição, esta não
emanaria mais de um poder tirânico e invejoso, como ao tempo da Igreja primitiva, mas de
interesses coligados contra a ideia e contra vós, os apóstolos da ideia.1
Erasto – Revista Espírita – Outubro/1861
Nota:
O Espírito Erasto refere-se aos mártires cristãos de Lyon, cidade fundada pelos romanos
em 43 a. C. e que, naquele tempo, chamava-se Lugdunum, capital da Gália Lugdunense (à
época, colônia romana, hoje território da França), situada na confluência de dois rios: o Ródano
e o Saône.
Sob o império de Marco Aurélio (161-180) e de outros imperadores romanos, anteriores
e posteriores, os cristãos foram martirizados, principalmente no ano 177 da Era Cristã, quando
foram flagelados e cruelmente perseguidos em Lyon, Vienne e arredores (Viena ou Vienne é
uma cidade da França, próxima de Lyon; preferimos particularmente a grafia original Vienne,
para não confundir com Viena, capital da Áustria, embora ambos os nomes estejam corretos).
Enrique Eliseo Baldovino – Revista Mundo Espírita/FEP - Os valorosos e quase esquecidos
mártires de Lyon – Parte I - Agosto/2016
(...)
Com referência aos mártires lioneses, e a vários outros – alguns dos quais estão inscritos
na hagiografia cristã –, podemos citar os que seguem, nomes que destacamos com letra negrita,
reforçando igualmente àqueles que já foram mencionados, colocando (entre parêntesis) outras
alcunhas nacionais ou estrangeiras pelas quais são conhecidos (ou seus nomes originais latinos).
21
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
(...)
Damos, juntamente com alguns dados biográficos e históricos, a relação dos 50 mártires
de Lyon e de Vienne, por ordem alfabética, a fim de serem melhor localizados (apesar dos
mártires serem mais, estes são os mais citados, aos quais deveremos somar os referidos acima
pelo Espírito Emmanuel):
1) Albina (Albine), mártir decapitada em Lyon;
2) Alcibíades ( Alcibíade), mártir decapitado;
3) Alexandre(Alexander), médico da Frígia, crucificado em Lyon;
4) Alomnia, mártir da plêiade lionesa;
5) Antônia ( Antonie), martirizada na prisão;
6) Apolonius (Apolônio, Apollon ou Apolonio), martirizado na prisão;
7) Arisceus (Arisceo, Aréscio ou Aristeu), martirizado na prisão;
8) Átalo (Attalo, Attale ou Atalo), originário de Pérgamo, martirizado na arena;
9) Ausônia (Ausone, Auzonia ou Ausona), martirizada na prisão;
10) Bíblida(Biblis ou Biblides) que, por medo das torturas, primeiramente renegou sua
condição de cristã, mas depois, caindo em si, recompôs-se e aceitou de novo a sua fé, sendo
decapitada;
11) Blandina (ou Blandine), a frágil escrava que, apesar da fraqueza do seu corpo,
dilacerado e aberto em feridas, resistiu de forma valorosa às torturas realizadas pelos soldados
e verdugos que a golpeavam, os quais ficaram extenuados pela resistência prolongada e pela
sua coragem, virtudes com as quais ela enfrentou o martírio até a sua morte na arena;
12) Cominus (Comino ou Comminus), decapitado;
13) Cornelius (ou Cornélio), martirizado na prisão;
14) Domna, martirizada na prisão;
15) Elpa (Elpis, Helpes ou Helpis), decapitada;
16) Emília (ou Émilie), martirizada na prisão;
17) Epipódio (Épipode, Episode ou Epípodo), decapitado;
18) Filumino (Filomeno, Philuminus ou Filumnio), decapitado;
19) Germiniano (Geminianus, Geminien ou Geminiano), martirizado na prisão;
20) Germino (Gémino, Geminus ou Gemino), decapitado;
21) Grata, mártir da falange lionesa; 22) Irineu (Irénée ou Ireneo), o valente bispo lionês
(Ásia Menor, c. 130 – Lyon, 202), torturado e martirizado de modo cruel no ano 202, durante
uma nova matança de cristãos em Lyon e arredores, agora sob o imperador Séptimo Severo
(193-211).
22
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
22) Irineu foi aprendiz do abnegado cristão Policarpo (Esmirna, c. 69 – Idem, 155),
sacerdote que, ao seu turno, fora discípulo do Apóstolo João Evangelista, que parece ser o Guia
espiritual João, referido pelo Espírito Erasto na Revista Espírita de outubro de 1861;
23) Jâmnica (Iamnica ou Jamnique), martirizada na prisão;
24) Josino (ou Iosinus);
25) Júlia (Julie ou Iulia), martirizada na prisão;
26) Júlio (ou Iulius), decapitado;
27) Justa(Iusta ou Juste), martirizada na prisão;
28) Macário (Macaire ou Macarius), decapitado;
29) Materna (ou Materne), decapitada;
30) Maturus (ou Maturo), o recém convertido, martirizado na arena;
31) Octuber(Octobre ou Octubre), decapitado;
32) Pompéia (Pompée ou Pompeya), decapitada;
33) Pôntico (ou Ponticus), jovem de 15 anos, martirizado na arena;
34) Pontimiana (Potamia ou Postumiana), decapitada;
35) Potino(Photin, Fotino ou Photino), considerado o primeiro bispo de Lyon,
cruelmente ultrajado e golpeado na rua, no ano 177, morrendo algumas horas depois,
martirizado na prisão, aos 90 anos – nasceu antes do ano 87 e foi um dos primeiros membros
daquela comunidade –, enfrentando o martírio com grande valor, apesar da sua fraqueza
corporal; Irineu sucedeu-o, primeiramente como presbítero e depois como bispo de Lyon, de
189 até sua morte em 202;
36) Primus (ou Primo), decapitado;
37) Quárcia (Quartia, Quarta ou Cuarra), decapitada;
38) Ródana (Rhodana ou Rodana), decapitada;
39) Rogácia (ou Rogata), decapitada;
40) Séptimo, mártir da falange de Lyon;
41) Sanctus (Santos ou Santo), diácono de Vienne, martirizado na arena;
42) Sílvio (ou Silvius), decapitado;
43) Titus (Tite ou Tito), martirizado na prisão;
44) Trófima (Trophime ou Trophima), martirizada na prisão;
45) Úlvio (Ulpius ou Ulpio), decapitado;
46) Vétio Epágato (ou Vécio Epágato), advogado dos cristãos perseguidos;
47) Vidal (Vitalis ou Vital), decapitado;
48) Zacarias, o presbítero;
23
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
49) Zórico(Zoticus, Zotique ou Zótico), martirizado na prisão;
50) Zósimo (ou Zosime), martirizado na prisão.
Enrique Eliseo Baldovino – Revista Mundo Espírita/FEP - Os valorosos e quase esquecidos
mártires de Lyon – Parte III - Agosto/2016
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
2.4 Os Mártires Cristãos – Síntese Cronológica
DATA LOCAL PERSONAGEM PRINCIPAL LIVRO
35dC Judeia Estevão Paulo e Estevão
44 dC Judeia Tiago
64 dC Roma Lívia,
Pedro/Paulo
Joana de Cusa
Há 2000 anos!
Paulo e Estevão
Boa Nova
112 dC Roma Inácio de Antioquia
Policarpo de Esmirna
177 dC Lyon Blandina Revista Mundo Espírita
250 dC Lyon Rufos (Eurípedes Barsanulfo)
Silvano (Joaquim Alves)
Quinto Varro (Bezerra de Meneses)
Basílio (Emmanuel)
Ave-Cristo
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
3. Os Mártires do Espiritismo
Pedistes milagres. Hoje pedis mártires. Já existem os mártires do Espiritismo. Entrai nas
casas e os vereis.
Pedis perseguidos. Abri o coração desses fervorosos adeptos da ideia nova que lutam
contra os preconceitos, com o mundo, e frequentemente até com a família! Como seus corações
sangram e se dilatam, quando seus braços se estendem para abraçar um pai, uma mãe, um irmão
ou uma esposa e não recebem a paga do carinho e dos transportes, mas sarcasmos, desdém e
desprezo.
Os mártires do Espiritismo são os que a cada passo escutam estas palavras
insultuosas: louco, insensato, visionário!... e durante muito tempo terão que suportar essas
afrontas da incredulidade e outros sofrimentos ainda mais amargos.
Entretanto, a sua recompensa será bela, porque se o Cristo mandou preparar um lugar
soberbo aos mártires do Cristianismo, o que prepara aos mártires do Espiritismo será ainda mais
brilhante. Os mártires da infância do Cristianismo marchavam para o suplício, corajosos e
resignados, porque não contavam sofrer senão dias, horas ou o segundo do martírio, aspirando
a morte como única barreira para viver a vida celeste.
Os mártires do Espiritismo não devem nem mesmo aspirar a morte. Devem sofrer tanto
tempo quanto praza a Deus deixá-los na Terra e não ousam julgar-se dignos dos puros gozos
celestes logo que deixem a vida. Oram e esperam, murmurando baixinho palavras de paz, de
amor e de perdão aos que os torturam, esperando novas encarnações nas quais poderão resgatar
passadas faltas.
O Espiritismo elevar-se-á como um templo soberbo. A princípio os degraus serão
difíceis de subir. Mas, transpostos os primeiros degraus, bons Espíritos ajudarão a vencer os
outros até o lugar simples e reto que conduz a Deus.
Ide, ide, filhos, pregar o Espiritismo!
Pedem mártires. Vós sois os primeiros que o Senhor marcou, pois sois apontados a dedo
e sois tratados como loucos e insensatos, por causa da verdade! Eu vos digo, entretanto, que em
breve chegará a hora da luz e então não mais haverá perseguidores nem perseguidos. Sereis
todos irmãos e o mesmo banquete reunirá opressores e oprimidos!
Santo Agostinho – Revista Espírita – Abril/1862
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
O progresso do tempo substituiu as torturas físicas pelo martírio da concepção e do
nascimento cerebral das ideias que, filhas do passado, serão as mães do futuro. Quando o Cristo
veio destruir o costume bárbaro dos sacrifícios; quando veio proclamar a igualdade e a
fraternidade entre o saiote proletário e a toga patrícia, os altares, ainda vermelhos, fumegavam
o sangue das vítimas imoladas; os escravos tremiam ante os caprichos do senhor e os povos,
ignorando sua grandeza, esqueciam a justiça de Deus.
Nesse estado de rebaixamento moral, as palavras do Cristo teriam sido impotentes e
desprezadas pela multidão, se não tivessem sido gritadas pelas suas chagas e tornadas sensíveis
pela carne palpitante dos mártires. Para ser cumprida, a misteriosa lei das semelhanças, exigia
que o sangue derramado pela ideia resgatasse o sangue derramado pela brutalidade.
Hoje os homens pacíficos ignoram as torturas físicas. Só o seu ser intelectual sofre,
porque se debate, comprimido pelas tradições do passado, enquanto aspira novos horizontes.
Quem poderá pintar as angústias da geração presente, suas dúvidas pungentes, suas
incertezas, seus ardores impotentes e sua extrema lassitude?
Inquietos pressentimentos de mundos superiores, dores ignoradas pela antiguidade
material, que só sofria quando não gozava; dores que são a tortura moderna e que transformarão
em mártires aqueles que, inspirados pela revelação espírita, crerão e não serão acreditados;
falarão e serão censurados; marcharão e serão repelidos.
Não percais a coragem. Vossos próprios inimigos vos preparam uma recompensa tanto
mais bela quanto mais espinhos houverem eles semeado em vosso caminho.
Lázaro – Revista Espírita – Abril/1862
Como bem dizeis, em todos os tempos as crenças tiveram mártires. Porém, é preciso
dizer que muitas vezes o fanatismo estava de ambos os lados e então, quase sempre o sangue
corria. Hoje, graças aos moderadores das paixões, aos filósofos, ou antes, a essa filosofia que
começou com os escritores do século dezoito, o fanatismo apagou o seu facho e embainhou a
espada. Em nossa época quase se não imagina a cimitarra de Maomé; a forca e a roda da Idade
Média; as fogueiras e as torturas de toda espécie, do mesmo modo que se não imaginam os
magos e as feiticeiras.
Outros tempos, outros costumes, diz um sábio provérbio. O vocábulo costumes é aqui
muito elástico, como vedes e, conforme a sua etimologia latina, significa hábitos, maneira de
viver. Ora, em nosso século, nossa maneira de ser não é de cobrir-se com cilício, de ir às
catacumbas nem de dissimular suas preces aos procônsules e aos magistrados da cidade de
Paris.
27
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
O Espiritismo, pois, não verá erguer-se o machado e as fogueiras devorarem os seus
adeptos. A gente se bate a golpes de ideias, a golpes de livros, a golpes de comentários, a golpes
de ecletismo e a golpes de teologia, mas a São Bartolomeu não se repetirá.
Certamente poderá haver algumas vítimas nas nações atrasadas, mas nos centros
civilizados só a ideia será combatida e ridicularizada.
Assim, pois, não mais os machados, o feixe de varas, o óleo fervente, mas ficai atentos
com o espírito voltairiano mal compreendido. Ele é o carrasco. É preciso preveni-lo, mas não
desafiá-lo. Ele ri, em vez de ameaçar; lança o ridículo em vez da blasfêmia e seus suplícios são
as torturas do espírito que sucumbe ao abraço do sarcasmo moderno.
Mas, sem desagradar aos pequenos Voltaires de nossa época, a juventude compreenderá
facilmente estas três palavras mágicas: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.
Quanto aos sectários, estes são mais temíveis porque são sempre os mesmos, malgrado
o tempo, malgrado tudo.
Eles por vezes podem fazer o mal, mas são coxos, mascarados, velhos e rabugentos.
Ora, vós que passais pela fonte de Juventa e cuja alma reverdece e remoça, não os temais,
porque o seu fanatismo os perderá.
Lamennais – Revista Espírita – Setembro/1862
28
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4. O Martírio nos Tempos Atuais
4.1 Martírio nos tempos atuais – Síntese
Antigamente, dolorosa renunciação era exigida aos companheiros do Mestre Nazareno,
de fora para dentro; agora, contudo, é a luta renovadora do santuário íntimo para o mundo
externo.
Não é o circo do martírio que se abre na praça pública, nem a fogueira dos autos-de-fé,
organizada junto de povos livres e robustos em nome das confissões religiosas.
A atualidade reclama corações consagrados ao Senhor na esfera de si mesmos.
A fraternidade constituir-se-á abençoado clima de trabalho e realização, dentro do
Espiritismo Evangélico, ou permaneceremos na mesma expectação inoperante do princípio,
quando o material divino da revelação e da Verdade não encontrava acesso em nossos espíritos
irredimidos.
Bezerra de Menezes - Através do Tempo – Cap. 7 – Mensagem aos Novos Cristãos
Sobram palavras e escasseiam exemplos.
Muitos discípulos do Evangelho almejam pelo martírio, em praça pública, antes por
vaidade e exibicionismo do que por amor ao Crucificado sem culpa.
A dedicação sem alarde e a abnegação sem aplauso da multidão fazem-se
expressões positivas do lidimo martirológio dos tempos novos, testemunhados pelas almas
que seguirão à Terra edificadas pelo exemplo dos que se dão ao Cristo, no Gólgota dos
silêncios eloquentes.
Vitor Hugo – Calvário da Libertação – Cap. 7 – A Fé
Antes, era preciso lutar por Jesus nos circos e nos cárceres, afrontando a renunciação e
a morte.
Agora, é indispensável combater pelo Cristo, em nós mesmos, vencendo o egoísmo e
a ignorância.
Antes, o mundo perseguia o discípulo do Cristianismo, impondo-lhe sofrimento e
sangue.
Agora, o mundo espera que o aprendiz da luz se disponha a auxiliá-lo e redimi-lo.
Antes, os seguidores da Boa Nova enfrentavam suplícios e feras para se afirmarem com
o Senhor.
Agora, pelejam na própria carne para alcançar a Perfeição.
Pedro de Alcântara – Tempo e Amor – Cap. 16 – Antes e Agora
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
As duas primeiras linhas do comportamento – prece/meditação, renuncia/esquecimento -
podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para céus, na luta íntima, sem
testemunhas, muitas vezes orando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que
se fixasse a trave em que te apóias e amparas.
As duas atitudes outras – trabalho/serviço, perseverança/companhia - são a linha
horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.
Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria,
distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.
Joanna de Ângelis – Otimismo – Cap. 16 – Asas da Libertação
Viver-se no mundo, afirmando Deus, sem pertencer ao mundo
(...) A filosofia de negar o mundo para afirmar Deus já foi superada, por ser uma filosofia
de fuga. A verdadeira filosofia é a do Evangelho de Jesus, a do Cristo.
Não será negando o mundo para afirmar Deus, nem afirmando Deus para negar-
se o mundo. Viver-se no mundo, afirmando Deus, sem pertencer ao mundo.
Parecer que é igual a todos, no entanto, ser diferente de todos. Estar no meio, mas não
se misturar. Descer, mas não se confundir.
Permanecer no alto e atender à baixada, sem ficar longe, nem se afogar no lodaçal. Esse
é o desafio.
Jesus desceu das estrelas, conversou com uma mulher equivocada, mas não se maculou.
Dialogou com ladrões em aparente igualdade, porque estava no madeiro de crucificação. Quem
os visse, à distância, tomá-los-ia como três bandidos. No entanto, o do meio, era o Rei Solar.
Jesus estava com eles, porém, era diferente deles.
Divaldo Franco – O Desafio
De igual maneira, todos aqueles que O desejam servir e foram convocados para a
disseminação do Seu Evangelho, ainda hoje, não se poderão furtar aos nobres testemunhos
de amor, em forma do sacrifício das paixões inferiores, da superação das tendências
perversas e insanas, das lutas íntimas, de modo a suportar os enfrentamentos que agora se
apresentam de maneira diversa, não, porém, menos severos.
Amélia Rodrigues – A Mensagem do Amor Imortal – Cap. 23 – Sublimes
Testemunhos
30
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Hoje, como ontem, o testemunho à fé que esposamos constitui-nos a coroa de
identificação com o Cristo Jesus.
Certamente, não mais defrontaremos as arenas para o holocausto público, nem o cárcere
de vergonha para a demonstração de nossa convicção religiosa; em verdade, não passaremos
pela humilhação da desonra, nem seremos constrangidos ao exílio, separados da família e da
pátria como outrora.
(...)
Para que haja a Cristificação do discípulo, ser-lhe-á inevitável a crucificação, que agora
não se dará nas traves visíveis do madeiro da infâmia, porém,
no roteiro ignorado da renúncia;
na imolação do ego dominador; mediante o sentimento de solidariedade que supera
as aflições e do devotamento à causa do bem, acima de quaisquer conveniências.
(...)
A Doutrina Espírita, restaurando a pureza do Evangelho, faz renascer a honra do
martírio.
Antes, a chalaça e a zombaria, o sarcasmo e o mergulho na dor, assinalavam o ideal
espiritista, martirizando o coração dos servos renovados, a fim de compreenderem que a
necessidade do testemunho seria o seu sinal de identificação com o Glorioso Companheiro da
sepultura vazia.
E, hoje, meus filhos, quando o mundo nos observa, nos acompanha e nos abre as portas
da facilidade, mediante honrarias e glorificações, fugazes que se aproximam do nosso trabalho,
não nos deixemos fascinas pelos ouropéis, pelas frivolidades, mantendo a nossa fidelidade ao
conteúdo austero da mensagem do Senhor, de que Allan Kardec se fez vexilário e excelente
Codificador, até agora insuperado.
Certamente, não vos exigirão demonstrações públicas de fé através dos monumentais
testemunhos que comovem multidões, mas, a vida vos imporá renúncias renteando com as
tentações. Ser-vos-á solicitada a manutenção dos ideais, muitas vezes, diante da incompreensão
e do opróbrio, traduzindo o vosso sentimento de amor ao Rabi inesquecível.
(...)
Os vossos testemunhos serão mais severos do que os daqueles pioneiros de outrora.
Eles davam a vida num momento. Vós outros tendes que doa-la, por momentos
sucessivos, nos quais vos desgastareis, lentamente, qual o combustível que, atendendo à
lâmpada que derrama claridade, também se consome.
Consumi-vos, iluminando as consciências com a mensagem espírita.
31
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
(...)
Não vos preocupeis por chorardes hoje, porque sorrireis mais tarde.
Crede, em nossas palavras, nenhum devaneio masoquista, nenhuma tinta de ordem
sadista. Sucede que, todo aquele que elegeu Jesus, já não tem para quem ir e somente com Ele
à frente marchando, logra a plenitude da felicidade.
Perseverai, portanto!
Exoramos ao Mestre Divino que nos abençoe e que nos dê a sua paz, de que tanto
necessitamos. São estes os votos do servidor humílimo e paternal de sempre
Bezerra de Meneses – Revista Reformador – 1988 – Fevereiro – A Crucificação
Reverenciemos, sim, o nome dos que se esqueceram, a benefício da Sociedade; contudo,
não nos será lícito esquecer que EXISTE UM HEROÍSMO OBSCURO, TÃO
AUTÊNTICO E TÃO BELO quanto aquele que assinala os protagonistas das grandes
façanhas, perante a morte —
O HEROÍSMO OCULTO dos que sabem viver, dia por dia, no círculo estreito das
próprias obrigações, a despeito dos empecilhos e das provações que os supliciam na estrada
comum.
(...) existem multidões no Mundo Espiritual que aplaudem os testemunhos da
compreensão e sacrifício dos que sabem viver, no auxílio ao próximo, apagando-se, a pouco
e pouco, em penhor do levantamento de alguém ou da melhoria de alguns na arena terrestre.
Emmanuel – Alma e Coração – Cap. 17 – Heroísmo Oculto
Ainda hoje as perseguições aos paladinos do bem e aos servidores do Cristo não
cessaram.
Repontam com mil faces, estrugem de maneiras múltiplas, convocando os verdadeiros
trabalhadores do bem ao poste do martírio e ao circo do ridículo, ferindo-os fundo na alma e
anatematizando-os incessantemente, como se forças conjugadas conspirassem contra a Vida
Estuante...
Não nos iludamos!
Mudaram os tempos, modificaram-se os métodos da insana campanha contra o Cristo,
ora disfarçados e sutis, conspirando contra os que se entregam — discípulos estóicos do Herói
da Cruz — com devoção ao programa de redenção humana.
32
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
À semelhança daqueles seguidores intimoratos que conviveram com Jesus e Lhe deram
a vida, prossigamos irmanados na colocação de balizas pelas fronteiras do Reino divino entre
os homens da atualidade.
Amélia Rodrigues – Luz do Mundo – Cap. 23 – Balizas de Luz
A CRUZ DE FERRO SÃO AS OFENSAS PÚBLICAS — conseguimos carregá-la,
porquanto recebemos muita solidariedade…
Mas a CRUZ DE PALHA é pouca gente que sabe carregar…
É O TAPA EM FORMA DE PALAVRAS,
É A AGRESSÃO PELO OLHAR,
É AQUELA FRASE SOLTA QUE VEM DIRETA…
Às vezes, falamos de determinado traço infeliz da comunidade humana, junto da
pessoa que traz um pedacinho e ofendemos a pessoa barbaramente…. É A CRUZ DE
PALHA!
Devemos ter paciência para suportar sem falar com ninguém, para não aborrecer
ninguém, para que a faísca do nosso desapontamento não incendeie….
Francisco Cândido Xavier – O Evangelho de Chico Xavier – Item 288
A ARENA DA ATUALIDADE É MUITO MAIOR DO QUE O GRANDE CIRCO,
pois que se estende pela Terra inteira.
As feras devoradoras já não são conduzidas das selvas, mas se encontram nas paisagens
agrestes da alma de cada um de nós, ferindo-nos, levando-nos ao desfalecimento.
Assim, penso que o nosso holocausto em nome da fé inicia-se na luta incessante contra
as tendências infelizes, as paixões asselvajadas que ainda permanecem em nosso íntimo.
Manoel Philomeno de Miranda – Entre os dois Mundos – Cap. 2
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2 Martírio nos tempos atuais – Mensagens
4.2.1 Mensagem aos Novos Cristãos
Outrora, os mártires sofreram nos circos para doar ao mundo a glória da Revelação.
Através de fogueiras e sacrifícios, traçaram um roteiro de luz para o mundo paganizado;
em seguida, quando as trevas da Idade Média consagravam a autocracia do poder, os cristãos
livres experimentaram a perseguição, a morte e o anátema para restaurarem a senda luminosa,
conferindo à Terra as bênçãos da Verdade.
Hoje, porém, meus amigos, os seguidores do Mestre Divino, irmanados em torno da
cruz redentora, foram chamados à doação da Fraternidade às criaturas.
Amparados pela evolução dos códigos, que se tocaram das claridades sublimes da Boa-
Nova, através dos séculos, desfrutam de liberdade relativa para concretizarem a divina missão
de que foram cometidos.
Antigamente, dolorosa renunciação era exigida aos companheiros do Mestre Nazareno,
de fora para dentro;
Agora, contudo, é a luta renovadora do santuário íntimo para o mundo externo.
Não é o circo do martírio que se abre na praça pública, nem a fogueira dos autos-de-fé,
instaladas dentro de povos livres e robustos em nome das confissões religiosas.
A autoridade reclama corações consagrados ao Senhor na esfera de si mesmos.
A fraternidade constituir-se-á abençoado clima do trabalho e realização, dentro do
Espiritismo evangélico, ou permaneceremos na mesma expectação inoperante do princípio
quando o material divino da Revelação e da Verdade não encontrava acesso em nossos Espíritos
irredimidos.
Formemos não somente grupos de indagação intelectual ou de crítica nem sempre
reconstrutiva, mas, sobretudo, ergamos um templo interior à bondade, porque sem espírito de
amor todas as nossas obras falham na base, ameaçadas pela vaga incessante que caracteriza o
campo falível das formas transitórias.
Amemo-nos uns aos outros, segundo a palavra do Mestre que nos reúne, sem
desarmonia, sem discussões ruinosas, sem desinteligências destrutivas, sem perda de tempo nos
comentários vagos e inoportunos, amparando-nos, reciprocamente, pelo trabalho, pela
tolerância salvadora, pela fé viva e imperecível.
34
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Se nos encontramos realmente empenhados no Espiritismo que melhora e regenera, que
esclarece e redime, que salva e ilumina, sob a égide de Jesus, recordemos as palavras do Código
Divino, para vivê-las na acústica de nossa alma, seguindo o Senhor em sua exemplificação de
sacrifício, de solidariedade e de amor: — “Eu sou o caminho, a verdade ea vida. Ninguém irá
até o Pai, senão por mim. ”
Bezerra de Meneses - Através do Tempo - Cap. 7 - Mensagem aos Novos Cristãos
(Psicografada em 14/5/1949 no Centro Espírita Amor e Caridade, na cidade de Belo
Horizonte, M. G.)
35
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.1 A Fé
Sobram palavras e escasseiam exemplos.
Muitos discípulos do Evangelho almejam pelo martírio, em praça pública, antes por
vaidade e exibicionismo do que por amor ao Crucificado sem culpa.
A dedicação sem alarde e a abnegação sem aplauso da multidão fazem-se
expressões positivas do lídimo martirológio dos tempos novos, testemunhados pelas almas
que seguirão a Terra edificadas pelo exemplo dos que se dão ao Cristo, no Gólgota dos
silêncios eloquentes.
As dores enrijam as fibras da alma e fortalecem as disposições do sentimento.
A grande meta a atingir: amar mesmo não amado, impõe-te exaustão e
esquecimento de ti mesma.
Quanto mais rude a tormenta mais rápida cessam as forças do seu desgoverno.
A carga de aflições que conduzes não significa abandono a que estejas relegada, e
sim recordação de que não és esquecida.
A fé não libera a alma dos resgates que lhe cumpre atender, como esperam e
supõem alguns crentes apressados.
Ela é a fonte de energia e o dínamo de força, o penso que balsamiza a ferida e o
conforto que ampara a coragem, não um mecanismo de evasão das responsabilidades ou
documento para chantagear o equilíbrio da justiça.
Assim, prossegue! O Senhor conhece o teu drama, as nossas necessidades.
A tua é a Sua família amada e tudo Ele fará para que o êxito seja logrado, não do ponto
de vista imediato e terreno, mas médiato e divino.
Vitor Hugo – Calvário da Libertação – 4º Parte – Cap. 7
36
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.2 Asas da Libertação
1. Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos
mecanismos da existência, ORA E MEDITA.
. A Prece levar-te-á ao norte seguro e,
. A Meditação fixar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te
2. Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais,
RENUNCIA E ESQUECE TODO O MAL.
. A Renúncia ensinar-te-á libertação das coisas e das conjunturas afligentes e,
. O Esquecimento de qualquer mal ser-te-á o píloti para a libertação plena.
3. Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, TRABALHA E
SERVE AO PRÓXIMO.
. O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis e,
. O serviço da caridade ao próximo proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal
com doação de felicidade aos outros.
4. Se queres a consciência tranquila no teu processo busca e de redenção,
PERSEVERA E ACOMPANHA OS QUE SOFREM, NÃO OS DEIXANDO A
SÓS.
. A Perseverança no bem dar-te-á generosidade natural e,
. A Companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio das técnicas de amor que aprenderás
a utilizar para êxito no ministério.
As duas primeiras linhas do comportamento – prece/meditação, renuncia/esquecimento -
podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para céus, na luta íntima, sem
testemunhas, muitas vezes orando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que
se fixasse a trave em que te apóias e amparas.
As duas atitudes outras – trabalho/serviço, perseverança/companhia - são a linha
horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.
Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria,
distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.
Joanna de Ângelis – Otimismo – Cap. 16
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Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.3 Antes e Agora
Antes, era preciso lutar por Jesus nos circos e nos cárceres, afrontando a renunciação e
a morte.
Agora, é indispensável combater pelo Cristo, em nós mesmos, vencendo o egoísmo e
a ignorância.
Antes era necessário crer.
Agora é imprescindível edificar.
Antes, o mundo perseguia o discípulo do Cristianismo, impondo-lhe sofrimento e
sangue.
Agora, o mundo espera que o aprendiz da luz se disponha a auxiliá-lo e redimi-lo.
Antes, os seguidores da Boa Nova enfrentavam suplícios e feras para se afirmarem com
o Senhor.
Agora, pelejam na própria carne para alcançar a Perfeição.
Antes, o Benfeitor Inesquecível recomendava: Ide e Pregai!
Agora, o Celeste Emissário, por milhares de vozes que descem da Altura, proclama
solene: Ide e exemplificai!
Antes, o programa.
Agora, a realização.
Filhos do Evangelho, não temamos!
O Mestre Ressuscitado vem de novo às assembléias dos continuadores de Sua obra
de redenção humana, reiterando-nos a promessa de que permanecerá conosco até o fim dos
séculos!...
Caminhemos servindo, armando o coração de humildade.
Antes, o amor infinito a sustentar-nos!
Agora, o infinito amor a soerguer-nos!
Cristo avança!
Cristo Reina!
Ave, Cristo.
Pedro de Alcântara – Tempo e Amor – Cap. 16
38
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.4 A Crucificação
Meus filhos!
Que Jesus nos abençoe!
Hoje, como ontem, o testemunho à fé que esposamos constitui-nos a coroa de
identificação com o Cristo Jesus. Certamente, não mais defrontaremos as arenas para o
holocausto público, nem o cárcere de vergonha para a demonstração de nossa convicção
religiosa; em verdade, não passaremos pela humilhação da desonra, nem seremos constrangidos
ao exílio, separados da família e da pátria como outrora.
Não obstante haverem mudado as aparências, as estruturas permanecem as mesmas,
assoladas pela vérmina da incompreensão, gerando dificuldade e contaminação.
O verdadeiro discípulo do Evangelho traz, ínsita no coração, a cruz do Cristo.
Cristão sem cruz pode ser considerado alma que se dissociou do corpo, ou corpo que
perdeu a alma.
Para que haja a cristificação do discípulo, ser-lhe-á inevitável a crucificação, que agora
não se dará nas traves visíveis do madeiro da infâmia, porém, no roteiro ignorado da renúncia;
na imolação do ego dominador; mediante o sentimento de solidariedade que supera as aflições
e do devotamento à causa do bem, acima de quaisquer conveniências.
Os cristãos primitivos, quando foram vítimas do Edito de Milão, em 13 de junho de 313,
firmado por Constantino, tornando do Estado a mensagem do Cristo como religião,
compreenderam que, naquele aparente momento de glória, tinha início o ocaso da fé.
Porquanto, o ideal libertador do Evangelho exigia o adubo do sacrifício, e, no instante
em que o martírio cedia lugar à homenagem momentânea da honra efêmera da Terra, a palavra
se descoloria e o exemplo se alterava, culminando, tal decadência, em 1870, com a
infalibilidade papal.
A mensagem do Cristo, amortalhada pelo dogmatismo, cedia lugar às injunções
lamentáveis da arbitrária dominação transitória dos homens, vinculando as exigências do
Espírito, pela renúncia, às futilidades do corpo na opulência...
A Doutrina Espírita, restaurando a pureza do Evangelho, faz renascer a honra do
martírio.
Antes, a chalaça e a zombaria, o sarcasmo e o mergulho na dor, assinalavam o ideal
espiritista, martirizando o coração dos servos renovados, a fim de compreenderem que a
necessidade do testemunho seria o seu sinal de identificação com o Glorioso Companheiro da
sepultura vazia.
39
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
E, hoje, meus filhos, quando o mundo nos observa, nos acompanha e nos abre as portas
da facilidade, mediante honrarias e glorificações, fugazes que se aproximam do nosso trabalho,
não nos deixemos fascinas pelos ouropéis, pelas frivolidades, mantendo a nossa fidelidade ao
conteúdo austero da mensagem do Senhor, de que Allan Kardec se fez vexilário e excelente
Codificador, até agora insuperado.
Certamente, não vos exigirão demonstrações públicas de fé através dos monumentais
testemunhos que comovem multidões, mas, a vida vos imporá renúncias renteando com as
tentações. Ser-vos-á solicitada a manutenção dos ideais, muitas vezes, diante da incompreensão
e do opróbrio, traduzindo o vosso sentimento de amor ao Rabi inesquecível.
Perseverai, zelando pela fraternidade; pontificai na união, para que a Unificação de
propósitos e de identidade espiritual permaneça sem qualquer alteração.
Compreendei que a mensagem cristã é desafio que testa a resistência moral e as fibras
do caráter daqueles que se lhe vinculam em santificada e espontânea escravidão.
Tornastes-vos escravos do Cristo por opção pessoal.
Tendes entregado o coração a Ele mediante o sentimento superior, de abnegação e
devotamento.
Não receeis, seja qual for a circunstância!
Fazei que brilhe a vossa luz em forma estelar, deixando pegadas como setas luminosas
apontando roteiro seguro para os que vêm atrás.
Apontais hoje, em vossas elucubrações, os pioneiros que vos antecederam como
exemplos inesquecíveis. A posteridade terá em vós outros, da mesma forma, os exemplos,
assinalando esta era de transição, quando se apagam as luzes do século e se encerra este ciclo.
Fostes convocados, honoravelmente, para testemunhar Jesus.
Espiritismo e Cristianismo são termos de mesma equação da vida.
Nunca vos aparteis de Jesus, seja qual for o tributo de vós exigido.
Jesus, meus filhos, é o nosso caminho de acesso ao Pai; é o modelo incorruptível, em
Quem encontramos o alimento e a resistência para a vitória na luta.
Os vossos testemunhos serão mais severos do que os daqueles pioneiros de outrora.
Eles davam a vida num momento. Vós outros tendes que doa-la, por momentos
sucessivos, nos quais vos desgastareis, lentamente, qual o combustível que, atendendo à
lâmpada que derrama claridade, também se consome.
Consumi-vos, iluminando as consciências com a mensagem espírita.
40
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Ouvimos, muitas vezes, as vossas rogativas e movimentamo-nos, afetuosamente, ao
vosso lado, irmanados no ideal, compreendendo as vossas dificuldades, porque somos egressos
do corpo e também as experimentamos aí.
Noutros ensejos, transladamo-vos para a nossa esfera, a fim de refundir-vos o ânimo,
estimular-vos a coragem e a perseverança diante das dificuldades domésticas, sociais, no campo
da fraternidade, que se vos tornam quase insuportáveis, para vos afirmamos: Estamos juntos;
ide adiante, mantendo o ela de identificação, uns com os outros, Entidades e instituições, sob a
Presidência de Ismael, o Anjo tutelar do Brasil, a quem o Mestre delegou a tarefa de preservar
o seu Evangelho sob as luzes abençoadas do Cruzeiro do Sul...
Espíritas, não vos prometemos as alegrias que o mundo oferece. Não vos acenamos com
as honrarias que passam. Repetiremos, parafraseando Jesus: Na vivência da Doutrina Espírita
tereis aflições, porque não se pode negligenciar com a verdade, conivir com o crime. Passareis
incompreendidos, em razão da vossa fidelidade à mensagem libertadora e isso será o vosso
martírio.
Não vos preocupeis por chorardes hoje, porque sorrireis mais tarde.
Crede, em nossas palavras, nenhum devaneio masoquista, nenhuma tinta de ordem
sadista. Sucede que, todo aquele que elegeu Jesus, já não tem para quem ir e somente com Ele
à frente marchando, logra a plenitude da felicidade.
Perseverai, portanto!
Exoramos ao Mestre Divino que nos abençoe e que nos dê a sua paz, de que tanto
necessitamos. São estes os votos do servidor humílimo e paternal de sempre.
Bezerra de Meneses – Revista Reformador – 1988 – Fevereiro – A Crucificação
(Palavras psicofonicamente recebidas por Divaldo Pereira Franco na FEB, em Brasília,
na Reunião Ordinária dos CFN, em 07.11.1987, às 12 horas – publicado em “Reformador” de
Fevereiro de 1988)
41
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.5 A Coroa do Martírio
Todo empreendimento exige a contribuição do esforço daquele que se lhe dedica à ação.
Nas realizações idealistas, cujo objetivo é o progresso moral e intelectual do indivíduo
e, em consequência, da solidariedade, aquele que exerce a liderança deve arcar com a
responsabilidade e experimentar as dificuldades de sua realização.
Em todas as épocas, ei-los chamando a atenção pelos sacrifícios com que se empenham,
pelas dificuldades que defrontam, pagando alto preço em renúncia e abnegação.
(...)
Quase todos os missionários que os céus enviaram à Terra para este fim padeceram a
crueza e a rude infâmia.
(...)
Para imprimir as suas sublimes mensagens no planeta terrestre, as ciências, as filosofias
da beleza, as artes de padrão elevado, as realizações nobres em favor da paz e dos direitos
humanos sofreram combates intérminos com o extermínio dos seus precursores.
(...)
Cristóvão Colombo foi dissuadido e ridicularizado por acreditar na existência de terras
além do Atlântico.
Não desanimou nem cedeu às perseguições gratuitas de que foi vítima e descobriu a
América.
Galileu foi retido no lar pela Inquisição, por afirmar que a Terra não era o centro do
Universo, abrindo a janela para compreender-se o Cosmo.
Semmelweis foi expulso de Viena por sugerir aos médicos que lavassem as mãos.
Continuou no exílio e tornou-se o pai da assepsia, desencarnando com infecção por ferimento
na mão.
Pasteur foi expulso da Sorbonne, porque não era médico, e vem salvando centenas de
milhares de vidas graças ao soro antirrábico que descobriu.
A relação é imensa.
Na música, Schumann tentou o suicídio por ser malsinado e deixou os exercícios que
glorificam a arte pianística.
O quadro “O girassol”, de Van Gogh, foi trocado por um prato de comida, e o dono do
restaurante deixou-o de lado; hoje, no entanto, encontra-se num cofre forte e vale dezenas de
milhões de dólares, enquanto o seu autor estorcegou-se na miséria...
(...)
42
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Na fé religiosa, o período do martirológio dizimou centenas de milhares de seguidores
de Jesus, assassinados sob os mais variados processos; e ainda hoje, em muitos países, vários
deles são perseguidos e sucumbem sob martírios inomináveis.
A intolerância dos que têm fé espiritual mata cruelmente.
É natural que na divulgação da Doutrina dos Espíritos também haja a perseguição
inclemente por parte daqueles que a desconhecem, e mesmo de alguns que dela têm
conhecimento e se supõem donos da verdade. Somente eles entenderiam as sublimes lições
contidas na Codificação, embora sejam inúteis, quais adornos majestosos e sem qualquer
utilidade.
Não lhes dês a importância que se atribuem.
Estão buscando visibilidade que somente conseguem por meio da agressão, por faltar-
lhes conquistas enobrecedoras que os tornem respeitáveis.
Allan Kardec sofreu difamação e calúnias bem urdidas, maldades e reproches, abandono
e solidão por parte de inúmeros companheiros que faziam parte da Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas, por ele fundada e dirigida.
Não desistiu nem desanimou e, graças ao seu martírio, o Espiritismo ilumina e salva
milhões de vidas.
Agora é a tua vez.
Não recuses o testemunho nem lamentes a coroa do martírio.
Cristão sem sofrimento é apenas candidato.
Tem coragem e segue adiante.
Ama e compreende.
Persevera e desculpa.
São cegos pelo orgulho e estão envenenados pelo despeito, pela inveja e inferioridade
de que são portadores.
Não te detenhas.
Foi na cruz que o Mestre confirmou a grandeza do Evangelho e, coroado de espinhos,
ascendeu ao Pai por meio do martírio.
Teus crucificadores ficarão surpresos ante a tua coragem e paciência, assim provando a
autenticidade das tuas palavras, ante a coroa que colocam, zombeteiros e frívolos, sobre a tua
cabeça.
Joanna de Angelis – Revista Reformador – 2020 - Fevereiro
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite
de 21 de outubro de 2019, Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.
43
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.6 Cruzes e Algemas
Observa o longo caminho em que transitas no mundo e notarás que todas as criaturas
jornadeiam na Terra entre cruzes e algemas.
Cruzes talhadas pela misericórdia de Deus.
Algemas forjadas pelos próprios homens.
Cruzes que elevam.
Algemas que aniquilam.
Cruzes que bendizem.
Algemas que amaldiçoam.
Cruzes que iluminam.
Algemas que ensombram.
Não desprezes o madeiro das obrigações em que a Sabedoria do Senhor te situa, porque
todas as almas que sobem o monte da evolução, transportam consigo as cruzes redentoras do
trabalho e da disciplina.
Onde se destaquem progresso e sublimação aí enxameiam cruzes diversas.
Possuímo-las por toda parte, em todos os feitios e em todos os tons de luta.
Aqui, constituem o esposo difícil, a companheira desesperada e o filho ingrato e
incompreensivo.
Acolá, descobrimo-las na solidão e na enfermidade, na penúria e no sofrimento, na dor
e no sacrifício, tanto quanto mais além, reconhecemo-las na popularidade e na inteligência, no
fausto e no ouro, na responsabilidade e no poder.
Procura aceitar com valor e serenidade os preciosos deveres que o Senhor te confia,
porque das cruzes abandonadas nascem as trevas da rebeldia e do orgulho, que perturbam o
coração e ensanguentam os filhos rebelados da Terra.
Quantos lhes abominam os braços santificantes, sacudindo-lhes o jugo, não raro,
descem à sombra e à viciação, à loucura e à delinquência, em que padecem, às vezes, por séculos
dolorosos, nos grilhões do remorso e do crime, do desequilíbrio e do desencanto que inventaram
para si mesmos.
Abraça na cruz que te honra o caminho a bênção da própria vida e agradece-lhe o suor
do trabalho e as lágrimas da renúncia que te faça verter, porquanto se apenas a Cruz do Cristo
- o Anjo sem culpa - foi capaz de instilar-nos a luz da ressurreição, somente a cruz de nossas
dores no resgate de nossos erros, será capaz de impelir-nos à posse da Vida Eterna.
Emmanuel - Taça de luz - Cap. 32 - Cruzes e algemas
44
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.7 Ante o segundo Século
O primeiro século do Cristianismo conheceu suplícios inolvidáveis quais foram:
− A crueldade de Tibério…
− A demência de Calígula…
− A insânia de Nero…
− A perseguição indiscriminada…
− A matança nos circos…
− A ferocidade de algozes enrijecidos e insensatos…
− A condenação sem processo…
− A escravidão absoluta…
− A humilhação sistemática…
− A injúria e o martírio…
Ainda assim, milhões de criaturas encontraram o justo caminho da consagração pessoal
ao Senhor, suportando heroicamente a flagelação e o insulto, o menosprezo e a morte, para
formarem, com o próprio exemplo, as bases do mundo em que a evolução do direito e da ordem,
do progresso e da solidariedade preside a civilização do Ocidente, que, apesar do estigma da
devassidão e da guerra, ainda é a esperança para a vitória da luz.
O primeiro século do Espiritismo que restaura os valores da Boa Nova é bafejado por
excelsas conquistas quais sejam:
− Os louros da independência religiosa…
− A justiça das nações mais cultas do globo…
− O aprimoramento industrial…
− A crescente extensão da fraternidade…
− O banimento do cativeiro…
− O respeito às liberdades públicas e privadas…
− A inviolabilidade do lar…
− A dignificação do trabalho…
− O avanço luminoso da inteligência, que tateia a estratosfera
− E desce às profundezas do mundo atômico…
45
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
É por esse motivo que nós, os espíritas de agora, cristãos igualmente redivivos, com
mais amplos fatores de segurança, somos convocados à redenção da Terra, competindo-nos,
porém, para isso, não mais o ânimo firme no contato com feras e cruzes, escárnio e fogueira,
mas, sim a coragem varonil de vencermos a treva cristalizada conosco, em forma de
indiferença e ociosidade, orgulho e rebeldia, instalando, através do serviço e da educação, o
entendimento e o amor em nós mesmos, a fim de que o reinado do Cristo fulgure entre nós para
sempre.
Emmanuel - Construção do amor - Capítulo 13 - ante o segundo século
46
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.8 A Cruz de Ouro e a Cruz de Palha
Alguns membros da Juventude Espírita do Distrito Federal e de Belo Horizonte
visitavam o Chico.
Antes de começar a Sessão do Luiz Gonzaga, palestravam animadamente sobre assunto
de Doutrina e a tarefa destinada aos moços espíritas.
Uma jovem inteligente, desejando orientação e estímulo, colocou o Chico a par das
dificuldades encontradas para vencerem o pessimismo de uns, a quietude e a incompreensão de
muitos.
Poucos queriam trabalho sacrificial, testemunhador do Roteiro evangélico, que estava a
exigir dos jovens uma vida limpa, correta, vestida de abnegação e renúncia.
Desejavam colher sem semear.
O Chico ouviu e considerou:
— O trabalho das Juventudes, com Jesus, tem que ser mesmo diferente.
Sua missão será muito difícil e por isso gloriosa. E recebe de Emmanuel esta elucidação
envolvida na roupagem pobre de nosso pensamento:
— Há a cruz de ouro e a cruz de palha, simbolizando nossas Tarefas.
A de ouro, a mais procurada, pertence aos que querem brilhar, ver seus nomes nos
jornais, citados, apontados, elogiados, como beneméritos.
Querem simpatia e bom conceito.
Se tomam parte em alguma Instituição, desejam, nela, os lugares de mando e de
evidência. Querem cargos e não encargos.
A de palha, a menos procurada, no entanto, pertence aos que trabalham como as
abelhas, escondidamente e em silêncio.
Lutam e caminham, com humildade, na certeza de que por muito que façam, mais
poderiam fazer.
Não se ensoberbecem dos triunfos, antes se estimulam e se defendem com oração e
vigilância, sentindo a responsabilidade que assumiram como chamados, por Jesus, à Tarefa
Diferente.
Entendem a serventia das mãos e dos pés, dos olhos e da mente, do coração, enfim,
colocando amor e humildade em seus atos, nos serviços que realizam.
47
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
Por carregarem a cruz de palha, toleram o vômito de um, o insulto de mais outro, a
incompreensão de muitos, testemunhando a caridade desconhecida, oferecendo, com o
sofrimento e a renúncia, com o silêncio e o bom exemplo, remédios salvadores aos
companheiros que os adversam, os ferem e desconhecem a vitória da “segunda milha”.
Os jovens presentes estavam satisfeitos.
De seus olhos, órgãos musicais da alma, saíam notas gratulatórias exornando o ambiente
feliz que viviam.
De mais não precisavam.
Entenderam o Trabalho que lhes cabia realizar nas Terras do Brasil, o Coração do
Mundo e a Pátria do Evangelho.
Ramiro Gama – Lindos Casos de Chico Xavier – Cap. 43
48
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
4.2.9 Necessário
A fim de que você divulgue o Espiritismo, não se fazem necessários:
− Profetismo metafórico, carregado de símbolos complicados, com ameaças
para o futuro;
− Mediunidades fulgurantes a se expressarem em penas vigorosas e palavras
eloquentes, zurzindo látego contra as concepções religiosas do passado;
− Trabalhadores exigentes quais verdugos das fraquezas alheias, sempre
prontos a vergastar o próximo;
− Críticos sibilinos, apoiados à retórica e ao sofisma, como apontadores de
chagas abertas em putrefação iniciante;
− Examinadores livres das consciências alheias, esgrimindo opiniões em
encarniçadas batalhas literárias;
− Orientadores inflexíveis, portando vigorosas construções do pensamento
universal dos tempos e dos povos...
*
O de que necessita o Espiritismo hoje, como o Cristianismo de ontem difundiu,
é do serviço anônimo do herói desconhecido, capaz de guardar-se no silêncio da renúncia
após o bem que faça.
Profetas e médiuns, palradores e escreventes, fiscais e orientadores,
examinadores e críticos eficientes, a Humanidade sempre os teve, sem que, contudo, a dor
tivesse recebido o devido amparo e a aflição fosse honrada com assistência fraternal.
*
A Doutrina Espírita, na atualidade, desbravando o continente da alma, está
necessitando de trabalhadores em burilamento íntimo que se capacitem ao serviço, nos
campos da caridade eficiente para a real operação da felicidade humana.
Em razão disso, faz-se indispensável você servir para glorificar-se, ajudar para
sublimar-se e sofrer para libertar-se.
Não faltarão os que preferem comandar, fiscalizar, exigir, seguindo, porém, a sós...
Seja você aquele que faz o necessário serviço do bem em todo lugar.
Marco Prisco – Momentos de Decisão – Cap. 34
49
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
5. Ave-Cristo – 70 anos de publicação/2023
5.1 Romances Espíritas – Conceituação
O romance espírita é uma forma literária dos ensinamentos da Doutrina Espírita.
Ao realizar a leitura de obras ditadas por autores espirituais elevados, temos a
oportunidade de vislumbrar emocionantes histórias da jornada evolutiva de inúmeros seres
desencarnados.
Além disso, ao ter contato com os livros de romance espírita, também somos capazes
de estar mais conectados com os princípios do Espiritismo, por meio de uma linguagem
acessível.
As histórias contadas nos romances espíritas envolvem drama, conflitos e emoções,
fazendo com que o leitor se reconheça em muitas situações da narrativa.
De modo geral, os romances espíritas são fatos verídicos com ideias relacionadas ao
Espiritismo.
Logo, a doutrina espírita serve de pano de fundo para a questão abordada no livro
espírita.
Dessa forma, as narrativas vão abordar temas como a influência dos Espíritos, o
conhecimento da lei divina, a mediunidade e vidas passadas.
O que é romance espírita?
O romance espírita é forma literária que conta uma história com ideias espíritas,
abordando temas diversos que incluem desafios e superações.
Eles falam de histórias recheadas de emoção e conflitos, como é a vida de todos nós.
Como explica a médium e escritora espírita Sandra Carneiro, “Nos vemos ao longo da
narrativa, em muitas situações. E de repente, sem esperar, em meio ao prazer da leitura, nos
deparamos com a resposta para muitos de nossos questionamentos.
Encontramos alternativas diferentes para problemas que estamos enfrentando e os
livros, então, se tornam mais do que uma distração, ou uma fonte de informações. Eles se
transformam em verdadeiros companheiros de jornada”.
Normalmente, os romances espíritas são histórias verdadeiras e as ideias ao tema
abordado, ou apenas complementares.
É assim que essas histórias vão abordar temas como mediunidade, vidas passadas,
conhecimento da lei divina, influência dos espíritos etc.
50
Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos
O mais importante é que estejam de acordo com os princípios do espiritismo que estão
apresentados e desenvolvidos nas obras de Allan Kardec. Se não estiverem, não serão espíritas,
mas espiritualistas.
Eliana Haddad – Correio Fraterno - 1 de agosto de 2019
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  • 1. O MARTÍRIO NOS TEMPOS ATUAIS – Ave-Cristo – 70 anos
  • 2. i Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos SUMÁRIO 1. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Histórica............................................ 1 2. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Espírita.............................................. 7 2.1 Estevão – O 1º Mártir do Cristianismo .......................................................8 2.2 Os Mártires no I/II Século do Cristianismo ..............................................13 2.3 Os Mártires de Lyon..................................................................................17 2.4 Os Mártires Cristãos – Síntese Cronológica .............................................24 3. Os Mártires do Espiritismo........................................................................25 4. O Martírio nos Tempos Atuais..................................................................28 4.1 Martírio nos tempos atuais – Síntese ........................................................28 4.2 Martírio nos tempos atuais – Mensagens..................................................33 4.2.1 Mensagem aos Novos Cristãos...........................................................................33 4.2.1 A Fé ....................................................................................................................35 4.2.2 Asas da Libertação..............................................................................................36 4.2.3 Antes e Agora.....................................................................................................37 4.2.4 A Crucificação....................................................................................................38 4.2.5 A Coroa do Martírio ...........................................................................................41 4.2.6 Cruzes e Algemas...............................................................................................43 4.2.7 Ante o segundo Século .......................................................................................44 4.2.8 A Cruz de Ouro e a Cruz de Palha......................................................................46 4.2.9 Necessário...........................................................................................................48 5. Ave-Cristo – 70 anos de publicação/2023 ................................................. 49 5.1 Romances Espíritas – Conceituação .........................................................49 5.2 Romances Espíritas – Top 20....................................................................63 5.3 Ave-Cristo – 1953/2023 – 70 anos ...........................................................75 5.3.1 Sinopse ...............................................................................................................75 5.3.2 Histórico da Publicação......................................................................................77 5.3.3 Personagens Principais – ontem x hoje ..............................................................87 5.3.3.1 Tabela Síntese.....................................................................................................87 5.3.3.2 Blandina..............................................................................................................88 5.3.3.3 Quinto Varro.......................................................................................................90 5.3.3.4 Apio Corvino......................................................................................................91
  • 3. ii Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 5.3.3.5 Taciano ...............................................................................................................95 5.3.3.6 Lívia....................................................................................................................97 5.3.3.7 Basílio.................................................................................................................98 5.3.3.8 Rufus...................................................................................................................99 5.3.3.9 Silvano..............................................................................................................101 5.4 Ave-Cristo – Cronologia histórica x Romance.......................................102 5.5 Série de Romances Históricos de Emmanuel .........................................105 6. Referências.................................................................................................109
  • 4. 1 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 1. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Histórica Perseguição aos Cristãos ou Cristofobia é o nome dado aos maus tratos físicos ou psicológicos, incluindo agressões e assassínios exercidos por não-cristãos sobre cristãos, motivados os primeiros pela diferente identidade e manifestação religiosas e étnicas dos segundos. Estas perseguições foram levadas a cabo na Antiguidade não somente pelos Judeus, de cuja religião o Cristianismo era visto como uma ramificação, mas também pelos imperadores do Império Romano, que controlava grande parte das terras onde o Cristianismo primitivo se distribuía, e onde era considerado uma seita. Tal perseguição pelos imperadores teve fim com a legalização da religião cristã por Constantino I, no início do século IV. O Novo Testamento informa que os cristãos primitivos sofreram perseguição nas mãos das lideranças judaicas de seu tempo, começando pelo próprio Jesus Cristo. Os primeiros cristãos nasceram e se desenvolveram sob o Judaísmo, na medida em que o Cristianismo começa como uma seita do judaísmo. As primeiras perseguições judaicas aos cristãos devem ser entendidas, então, como um conflito sectário – judeus perseguindo judeus por causa da heterodoxia. Várias outras seitas judaicas da época, no entanto, como os essênios, foram tão heterodoxas quanto a seita cristã. De acordo com os textos do Novo Testamento, a perseguição aos seguidores de Jesus continuou após a sua morte. O primeiro mártir do cristianismo foi Estêvão. O primeiro caso documentado de perseguição aos cristãos pelo Império Romano direciona-se a Nero. Em 64, houve o grande incêndio de Roma, destruindo grandes partes da cidade e devastando economicamente a população romana. Nero, cuja sanidade já há muito tempo havia sido posta em questão, era o suspeito de ter intencionalmente ateado fogo. As formas de execução utilizadas pelos romanos incluíam crucificação e lançamento de cristãos para serem devorados por leões e outras feras selvagens. Em meados do século II, não era difícil encontrar grupos tentando apedrejar os cristãos, incentivados, muitas vezes, por religiões rivais. A perseguição em Lyon foi precedida por uma turba violenta que pilhava e apedrejava casas cristãs. As perseguições estatais seguintes foram inconstantes até o século III. A primeira perseguição que envolveu todo o território imperial aconteceu sob o governo de Maximino Trácio, apesar do fato de que apenas o clero tenha sido visado.
  • 5. 2 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Foi somente sob Décio, em meados do segundo século, que a perseguição generalizada – tanto ao clero quanto aos leigos –tomou lugar em toda a extensão do Império. O clímax da perseguição se deu sob o governo de Diocleciano e Galério, no final do século II e início do século IV. Esta é considerada a maior de todas as perseguições. Iniciando com uma série de quatro editos proibindo certas práticas cristãs e uma ordem de prisão do clero, a perseguição se intensificou até que se ordenasse a todos os cristãos do império que sacrificassem aos deuses imperiais, sob a pena de execução, caso se recusassem. No início do quarto século, em 310, o imperador Geta mandou perseguir os cristãos, torturá- los e puni-los com morte. A perseguição continuou até que Constantino I chegasse ao poder e, em 313, legalizasse a religião cristã por meio do Édito de Milão, iniciando-se a Paz na Igreja. Entretanto, foi somente com Teodósio I, no final do século quarto, que o cristianismo se tornaria a religião oficial do Império. Wikipédia – Perseguições aos Cristãos - https://pt.wikipedia.org/wiki/Persegui%C3%A7%C3%A3o_aos_crist%C3%A3os
  • 6. 3 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos (...) As primeiras perseguições aos cristãos partiram de autoridades judias na Palestina. O primeiro mártir registrado nas Escrituras foi o diácono Estevão (At 6 — 7), apedrejado por uma multidão, possivelmente em 36 d.C. O próximo foi Tiago — filho de Zebedeu e um dos doze apóstolos — morto por Herodes Agripa I em 44 (At 12). De acordo com Josefo e Eusébio, Tiago, o irmão de Jesus e líder da igreja de Jerusalém foi apedrejado como resultado da instigação do sumo sacerdote em 62, logo depois da morte do governador Festo. A expulsão dos judeus de Roma ordenada por Cláudio e registrada por Suetônio pode ter sido resultado de um tumulto causado por cristãos judeus que estavam pregando sobre Cristo nas sinagogas. Nero queria fazer dos cristãos os bodes expiatórios do incêndio na capital em 64 d.C. Suetônio declarou laconicamente: “O castigo foi infligido sobre os cristãos, uma classe de homens dados a superstições maldosas”. A descrição vívida feita por Tácito da brutalidade de Nero vem há séculos mexendo com a imaginação: Consequentemente, para livrar-se da delação, Nero colocou a culpa e infligiu as mais terríveis torturas sobre uma classe odiada por suas abominações, chamada pelo populacho de cristãos. Christus, do qual o nome é originado, sofreu a pena capital durante o reinado de Pôncio Pilatos... Além de sua morte, houve zombarias de todo o tipo. Cobertos por peles de animais, eles foram rasgados por cães e pereceram, ou pregados a cruzes, ou condenados pelo fogo e queimados, para servir de iluminação noturna quando a luz do dia havia expirado. Nero ofereceu seus jardins para o espetáculo. Uma fonte cristã mais recente (Sulpício Severo) relata: “Naquele tempo, Paulo e Pedro foram condenados a morte, sendo o primeiro decapitado com a espada enquanto Pedro sofreu a crucificação”. Eusébio indica que, por volta do ano de 95, Domiciano baniu muitos cristãos de Roma, inclusive sua sobrinha Flávia Domitila. Clemêncio, marido de Domitila e primo do imperador, foi executado por “ateísmo”, que na época significava a conversão ao Judaísmo. Só alguns séculos depois é que surgiu a idéia de que Clemêncio era cristão. Outra evidência indireta de perseguição sob o governo desse imperador foi a expulsão de João de Patmos (Ap 1.9) e alguns comentários em I Clemente.
  • 7. 4 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos A carta do governador romano Plínio para Trajano (cerca de 112 d.C.) contém uma referência explícita à perseguição. Ele pediu conselho ao imperador sobre se deveria tomar medidas contra aqueles que eram acusados de serem cristãos, tendo em vista que ele próprio não estava certo se “o simples nome de cristão” era uma ofensa punível. Em todos os casos, ele acreditava que a “teimosia e obstinação inabalável” desse povo deveriam ser punidas. Ele também relatou que havia usado de tortura para interrogar “duas escravas, que eles chamam de diaconisas”, para saber mais sobre as práticas cristãs. Por algum motivo desconhecido, Inácio, bispo de Antioquia, foi para Roma durante o reinado de Trajano e lá sofreu o martírio. Seu amigo próximo, Policarpo, mais tarde também foi martirizado em Esmirna depois de recusar-se a negar a Cristo com estas memoráveis palavras: “Oitenta e seis anos eu O servi e Ele não me fez mal algum. Como posso, então, blasfemar contra meu Rei que me salvou?” A base legal para a perseguição dos cristãos ainda é assunto de debate entre os estudiosos. Em várias ocasiões eles foram acusados de “traição”, “crimes”, “atos vergonhosos” e “obstinação”. O preconceito e a falta de compreensão alimentavam vários rumores populares. Os cristãos que se recusavam a tomar parte nas cerimônias e atividades pagãs eram suspeitos de serem desleais e anti-sociais. Por tratarem uns aos outros como “irmãos” e “irmãs” e encontrarem-se em segredo, eram acusados de imoralidade. Referências feitas na Ceia do Senhor sobre comer o corpo e beber do sangue de Cristo davam origem a suspeitas de canibalismo. Justino Mártir foi morto durante o governo do imperador estóico Marco Aurélio, enquanto o heroísmo dos mártires em Viena e Lião no sudeste da Gália (França) em 177 d.C. é um dos grandes episódios da história do Cristianismo. Eusébio descreve como quarenta e oito cristãos foram mortos nos anfiteatros, incluindo a escrava Blandina que foi chifrada por um touro, diante de multidões pagãs sedentas de sangue. Marco Aurélio desdenhosamente chamou esses mártires de tolos obstinados. Seu filho Cômodo era um imperador farrista que se divertia com jogos de gladiadores e deixou os cristãos em paz. Porém, uma dúzia deles foi executada pelo governador da Sília no norte da África em 180 d.C. e muitos cristãos foram mortos na província da Ásia. Leônidas, pai do conhecido estudioso Orígenes, foi morto em Alexandria em 202. O filho desejava muito juntar-se ao pai, mas sua mãe frustrou a tentativa ao esconder suas roupas. Mais tarde, em 206, oito dos alunos de Orígenes foram mortos.
  • 8. 5 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Em 211 um soldado cristão foi executado ao recusar-se a usar uma coroa de louros por estar associada ao paganismo. Tertuliano, que elogiou o exemplo desse mártir militar, desencorajou os cristãos a servirem no exército já que isso poderia levá-los a ter que aceitar práticas pagãs. A primeira tentativa sistemática de eliminar o Cristianismo por todo o império ocorreu em 250 sob o governo de Décio, um dos efêmeros “Imperadores de Quartel”. Ele exigiu que todos fizessem oferendas em honra a ele próprio e proferissem juramentos pela fortuna dele como demonstração de sua lealdade. As pessoas tinham que obter um libelo, um documento que atestava que haviam feito um sacrifício. Aqueles que se recusassem a participar desse ritual civil e religioso encaravam duras consequências. Vários bispos foram executados, inclusive Fabiano de Roma, Alexandre de Jerusalém e Bábilos de Antioquia. Outro foram encarcerados, como Dionísio de Alexandria; Orígenes morreu depois de ser submetido a tortura em 251. Durante essa época, literalmente centenas de pessoas foram martirizadas por causa de sua fé. Alguns anos mais tarde, Valeriano redigiu uma série de éditos voltados para os líderes da Igreja. Esses éditos exilavam bispos, proibiam todos os encontros de cristãos e legalizavam a demissão de servos cristãos da casa imperial, sendo estes banidos para trabalhar em propriedades imperiais. Um dos resultados foi a execução dos bispos Cipriano e Sisto II de Roma. A perseguição final ocorreu sob o governo de Diocleciano, o último grande imperador pagão antes de Constantino. Diocleciano e seu assistente Galério ofenderam-se com cristãos que fizeram o sinal da cruz justamente quando sacerdotes pagãos procuravam prever o futuro ao olhar as entranhas de animais sacrificados. Assim, ele lançou quatro éditos, cada um mais severo que o anterior. De acordo com Eusébio, “uma carta imperial foi promulgada por toda a parte, ordenando a destruição das igrejas e a queima das Escrituras”. Aqueles que distribuíam as Escrituras ou outros objetos sagrados eram conhecidos como traditores (traidores). Líderes da Igreja foram presos e pressionados a fazer sacrifícios para o imperador. Somente na cidade de Nicomédia, duzentos e sessenta e oito cristãos foram executados. Um segundo édito ordenava a prisão do alto clero enquanto um terceiro édito lhes oferecia a anistia caso eles fizessem sacrifícios. O quarto ordenava todos os cristãos a fazerem sacrifícios ou enfrentar a pena de morte ou trabalho forçado.
  • 9. 6 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos A perseguição cessou quando Diocleciano se aposentou em 305. Galério admitiu que essa política havia fracassado e lançou um édito de tolerância em 311, enquanto sofria de uma terrível doença que certos membros da Igreja da época interpretaram como sendo castigo divino. Dois anos mais tarde, Constantino deu fim a era de perseguição com um decreto: “Nosso propósito é dar tanto aos cristãos como a todos os outros a autoridade de seguir qualquer tipo de adoração que cada um deseje”. Robert G. Clouse – Perseguição Romana e Mártires Cristãos - Dois Reinos
  • 10. 7 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 2. Os Mártires Cristãos – Perspectiva Espírita O alicerce da obra imorredoura do Cristo formou-se à base de renúncia, sacrifício e abnegação. Três séculos de Cristianismo Nascente testemunharam o martírio de discípulos corajosos, que se imolaram no altar da fé para que a luz do Evangelho se estendesse ao mundo, inaugurando nova era de fraternidade e amor. Inspirados no exemplo do próprio Mestre, eles conheceram as feras, o suplício, a perseguição, o confisco, a brutalidade em todos os seus matizes, gravando para sempre, no coração dos homens, a lição da resignação, do amor e do perdão. Na seara de Jesus, os trabalhadores da primeira hora foram mártires. Estêvão, o grande mártir da Era Apostólica, inaugurou o “tempo dos sacrifícios”. Seu testemunho de fé e de bravura, diante da mais alta corte judicial da nação hebraica, mudaria os rumos do movimento cristão e deixaria marcas indeléveis no coração do seu próprio algoz, um homem intrépido e sincero, que se tornaria o responsável pela universalização do Cristianismo – Paulo de Tarso. O apedrejamento de Estêvão se deu no verão do ano 35 d.C. Haroldo Dutra - História da Era Apostólica – O primeiro Mártir – Revista Reformador Ano 127 • Nº 2. 158 • Janeiro 2009
  • 11. 8 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 2.1 Estevão – O 1º Mártir do Cristianismo Ave, Cristo! Os que vão viver para sempre te glorificam e saúdam!… Emmanuel – Ave Cristo – 2º Parte - Cap. 7 Estêvão era um judeu helenista, nascido na cidade de Corinto, província de Acaia, dominada pelos romanos. A cidade, reedificada por Júlio César, era a mais bela joia da velha Acaia, servindo de capital à formosa província. Não se podia encontrar, na sua intimidade, o espírito helênico em sua pureza antiga, mesmo porque, depois de um século de lamentável abandono […], restaurando-a, o grande imperador transformara Corinto em colônia importante de romanos, para onde ocorrera grande número de libertos ansiosos de trabalho remunerador, ou proprietários de promissoras fortunas. A estes, associara-se vasta corrente de israelitas e considerável percentagem de filhos de outras raças que ali se aglomeravam, transformando a cidade em núcleo de convergência de todos os aventureiros do Oriente e do Ocidente. Descendente da tribo de Issacar, Estêvão se revelou, desde jovem, destacado estudioso das escrituras, apreciando, em especial, os ensinamentos de Isaías que anunciavam a promessa da vinda do Messias. No ano de 34 d. C., os habitantes de Corinto sofreram dolorosa perseguição do Procônsul romano, Licínio Minúcio, que, “[…] cercado de grande número de agentes políticos e militares e estabelecendo o terror entre todas as classes, com seus processos infamantes. […] Numerosas famílias de origem judaica foram escolhidas como vítimas preferenciais da nefanda extorsão.” A família de Estêvão se resumia ao pai Jochedeb e a irmã Abigail — que futuramente seria noiva de Paulo de Tarso —, uma vez que a sua mãe era falecida. Essa família foi diretamente atingida pela perseguição do preposto de César, sendo que o idoso Jochedeb foi covardemente assassinado, Estêvão foi feito prisioneiro e atirado ao trabalho forçado nas galeras (galés) romanas. Abigail fugiu para Jerusalém sob a proteção de uma família judia, Zacarias e Ruth, também vítima de perseguição, que teve os filhos mortos. Esse casal adotou a jovem irmã de Jeziel como uma filha querida. Jeziel, enfrentou com coragem e grande fortaleza moral as provações que a vida lhe reservara.
  • 12. 9 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Nas galés romanas o valoroso seguidor do Cristo foi submetido às mais ásperas privações, mas, estoicamente, tudo suportou, jamais perdendo a fé em Deus. Voltando de Cefalônia, a galera recebeu um passageiro ilustre. Era o jovem romano Sérgio Paulo, que se dirigia para a cidade de Citium, em comissão de natureza política. […] Dada a importância do seu nome e o caráter oficial da missão a ele cometida, o comandante Sérvio Carbo lhe reservou as melhores acomodações. Sérgio Paulo, entretanto, […] adoeceu com febre alta, abrindo-se-lhe o corpo em chagas purulentas. […] O médico a bordo não conseguiu explicar a enfermidade e os amigos do enfermo começaram a retrair-se com indisfarçável escrúpulo. Ao fim de três dias, o jovem romano achava-se quase abandonado. O comandante, preocupado por sua vez, com a própria situação e receoso por si mesmo, chamou Lisipo [feitor da galera], pedindo-lhe que indicasse um escravo dos mais educados e maneirosos, capaz de incumbir-se de toda assistência ao passageiro ilustre. O feitor designou Jeziel, incontinenti, e, na mesma tarde, o moço hebreu penetrou o camarote do enfermo, com o mesmo espírito de serenidade que costumava testemunhar nas situações díspares e arriscadas. Estêvão cuidou do romano com extremada dedicação, conquistando-lhe a simpatia. Entre ambos estabeleceu-se laços de amizade sincera, de sorte que usando do prestígio político que possuía, Sérgio Paulo obteve a libertação do seu dedicado enfermeiro, fazendo-o aportar em Jerusalém. Estêvão chegou em Jerusalém extremamente enfermo, pois contraíra a estranha doença que atingira o seu libertador. Um desconhecido, denominado Inineu de Cretona, encaminhou a Efraim, um cristão, conhecido como seguidor do “Caminho” (designação primitiva do Cristianismo) que, por sua vez, o conduziu à “Casa do Caminho”, moradia do apóstolo Pedro, transformada em local de atendimento a todos os necessitados. Na Casa do Caminho, Estêvão recebeu o amparo que necessitava, encontrando no apóstolo Pedro um verdadeiro amigo, que lhe prestou esclarecimentos a respeito de Jesus e da sua iluminada mensagem de amor. O valoroso Simão Pedro, após tomar conhecimento do drama vivido por Jeziel, desde a perseguição ocorrida em Corinto até a liberdade alcançada por intercessão de Sérgio Paulo, recomenda-lhe manter-se em anonimato, afirmando:
  • 13. 10 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos […] Jerusalém regurgita de romanos e não seria justo comprometer o generoso amigo que te restituiu à liberdade. […] — Serás meu filho, doravante — exclamou Simão num transporte de júbilo. […] — Para que não te esqueças da Acaia, onde o Senhor se dignou de buscar-te para o seu ministério divino, eu te batizarei no credo novo com o nome grego de Estêvão. A partir desse momento, Estêvão absorveu-se no estudo dos ensinos do Cristo, participando da difusão da mensagem da Boa Nova na modesta moradia da Casa do Caminho, cujos serviços de alimentação, enfermagem e de semeadura da palavra divina cresciam celeremente. Com a ampliação dos serviços prestados à comunidade, surgiu, então, a necessidade de dividir as tarefas, evitando que um servidor ficasse mais sobrecarregado que outro. Na primeira reunião da igreja humilde, Simão Pedro pediu, então, nomeassem sete auxiliares para o serviço de enfermarias e refeitórios, resolução que foi aprovada com geral aprazimento. Entre os sete irmãos escolhidos, Estêvão foi designado com a simpatia de todos. Começou para o jovem de Corinto uma vida nova. Aquelas mesmas virtudes espirituais que iluminavam a sua personalidade e que tanto haviam contribuído para a cura do patrício, que o restituíra à liberdade, difundiam entre os doentes e indigentes de Jerusalém os mais santos consolos. […] Simão Pedro não cabia em si de contente, em face das vitórias do filho espiritual. Os necessitados tinham a impressão de haver recebido um novo arauto de Deus para o alívio de suas dores. Em pouco tempo, Estêvão tornou-se famoso em Jerusalém, pelos seus feitos quase miraculosos. Considerado o escolhido do Cristo, sua ação resoluta e sincera arregimentara, em poucos meses, as mais vastas conquistas para o Evangelho do amor e do perdão. Após a crucificação de Jesus numerosos judeus se converteram ao Cristianismo. Os sacerdotes e membros do Sinédrio, entretanto, temiam que a propagação dos preceitos cristãos provocasse desestabilização no Judaísmo. Sendo assim, iniciou-se um movimento de perseguição aos cristãos, a princípio realizado portas a dentro das sinagogas, posteriormente em público, nas ruas e no interior das residências, durante as festividades corriqueiramente, ou nas atividades diárias. Vieram então alguns da sinagoga chamada dos Libertos, dos Cirineus e Alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e puseram-se a discutir com Estêvão. Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que o levavam a falar. Pelo que subornaram homens que atestassem: “ouvimo-lo pronunciar palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus.”
  • 14. 11 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, chegando de improviso, arrebataram-no e levaram-no à presença do Sinédrio. Lá apresentaram falsas testemunhas que depuseram: “Esse homem não cessa de falar contra o Lugar Santo e contra a Lei. Ouvimo-lo dizer que Jesus Nazareno destruiria este Lugar e modificaria as tradições que Moisés nos legou”. Ora, todos os membros do Sinédrio estavam com os olhos fixos nele, e viram-lhe o rosto semelhante ao de um anjo. Essa farsa montada contra Estêvão, foi apoiada por Saulo de Tarso. O apóstolo dos gentios aparece no cenário da história cristã como o principal elemento do julgamento, condenação e morte, por apedrejamento, de Estêvão, considerado o primeiro mártir do Cristianismo. Esses fatos aconteceram no ano 35 de nossa era. O jovem Saulo apresentava toda a vivacidade de um homem solteiro, bordejando os seus trinta anos. Na fisionomia cheia de virilidade e máscula beleza, os traços israelitas fixavam-se particularmente nos olhos profundos e percucientes, próprios dos temperamentos apaixonados e indomáveis, ricos de agudeza e resolução. Trajando a túnica do patriciato, falava de preferência o grego, a que se afeiçoara na cidade natal, ao convívio dos mestres bem-amados, trabalhados pelas escolas de Atenas e Alexandria. Chegando a Jerusalém, vindo de Damasco, Saulo se encontra com o amigo Sadoc que lhe fornece informações a respeito de Estêvão e o efeito que este provocava nas pessoas. Cheio de zelo religioso, interpreta equivocadamente as preleções de Estêvão, considerando-o blasfemador. Influenciando o Espírito de Saulo, acrescenta: — Não me conformo em ver os nossos princípios aviltados e proponho-me a cooperar contigo […], para estabelecermos a imprescindível repressão a tais atividades. Com as tuas prerrogativas de futuro rabino, em destaque no Templo, poderás encabeçar uma ação decisiva contra esses mistificadores e falsos taumaturgos. Tempos depois, num sábado, Saulo e Sadoc se dirigem até a humilde igreja de Jerusalém para ouvirem a pregação de Estêvão. Os apóstolos Tiago Maior, Pedro e João surpreenderam- se com a presença “[…] do jovem doutor da Lei, que se popularizara na cidade pela sua oratória veemente e pelo acurado conhecimento das Escrituras.” A despeito de ter ficado impressionado com a pregação de Estêvão, Saulo interpela o expositor, por meio de ríspida conversa, na tentativa de desacreditá-lo perante a assembleia.
  • 15. 12 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Estêvão, porém, manteve-se sereno, respondendo com gentileza e firmeza os apartes do doutor da Lei. Desse momento em diante destacam-se, nas sinagogas, os debates religiosos entre Saulo, o orgulhoso fariseu, e Estêvão, o humilde e iluminado cristão. Gamaliel, o generoso e brilhante rabino, orientador de Saulo, sempre presente aos debates, contribuía com palavras ponderadas, buscando acalmar os ânimos. Inconformado com as serenas proposições de Estêvão, Saulo perturbou-se, e, deixando levar-se pelo orgulho, denunciou Estêvão ao Sinédrio, onde montou um ardiloso esquema de condenação com apoio de amigos. Durante o julgamento, a defesa de Estêvão no Sinédrio foi brilhante, revelando a grandeza do seu Espírito. Teve oportunidade também de demonstrar o domínio que possuía das Escrituras, discursando com serenidade e segurança. (Atos dos Apóstolos, 7:11-54) Foi, entretanto, implacavelmente julgado e condenado à morte por apedrejamento, homicídio aprovado por Saulo. (Atos dos apóstolos, 7:55-60) Mesmo sendo acusado de blasfemador, caluniador e feiticeiro (19) Estêvão manteve-se firme até o final, quando entregou sua alma a Deus. Nessa hora suprema, recordava os mínimos laços de fé que o prendiam a uma vida mais alta. Lembrou de todas as orações prediletas da infância. Fazia o possível por fixar na retina o quadro da morte do pai supliciado e incompreendido. Intimamente, repetia o Salmo 23 de David, qual fazia junto da irmã, nas situações que pareciam insuperáveis. “O Senhor é meu pastor. Nada me faltará…” As expressões dos Escritos Sagrados, como as promessas do Cristo no Evangelho, estavam-lhe no âmago do coração. O corpo quebrantava-se no tormento, mas o Espírito estava tranquilo e esperançoso. Antes de emitir o último suspiro, Estêvão perdoa Saulo e os demais perseguidores, adentrando vitorioso no mundo espiritual. Para o futuro apóstolo dos Gentios, entretanto, iniciava-se a sua “via crucis”, marcada por uma dor extrema: acabara de perseguir, condenar e aprovar a matança do irmão de Abigail, o seu amor adorado. Compreendeu, assim, que os seus sonhos conjugais e familiares estavam definitivamente comprometidos. Emmanuel – Paulo e Estevão – 1º Parte – Cap. 2/3/4/5/6/8 FEB - Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita - Livro I – Cristianismo e Espiritismo - Módulo II – O Cristianismo.
  • 16. 13 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 2.2 Os Mártires no I/II Século do Cristianismo Realmente, foram muitas as torturas e os suplícios sofridos por esses primeiros cristãos (também chamados cristãos primitivos), cujos testemunhos dolorosos foram registrados nos anais da História. Mas foram ainda maiores os testemunhos heroicos desses mártires ante toda espécie de arbitrariedades, ora dos governos ditatoriais, ora do próprio povo não cristão, suportando dores indescritíveis com muita dignidade e dando o exemplo cristão diante de injúrias, maus tratos, rapinas, acusações infundadas, assaltos, insultos, golpes, arrestos arbitrários, tormentos, execuções sumárias, calúnias, chicotadas, humilhações, lapidações, decapitações, etc. Também foram jogados às feras e expostos – ante milhares de pessoas – em anfiteatros, tribunais e arenas, ou acorrentados a cadeiras de ferro, onde seus corpos, ao calcinar-se, lançavam um forte cheiro de carne queimada. Foram crucificados, encarcerados, degolados, queimados vivos, torturados em calabouços infectos, tendo as mãos e os pés presos e o corpo esticado, morrendo muitos por asfixia dentro das prisões, onde também passaram sede e fome, sem maldizer aos seus verdugos, inclusive perdoando-os no instante da morte, a fim de viverem o verdadeiro Cristianismo e poder gritar livremente: Somos cristãos! Apesar de todos esses testemunhos dolorosos, demonstravam seu imenso valor, sua grande devoção e coragem ao continuar lutando, orando e resistindo, sem renegar a fé em Jesus: “Os seguidores de Jesus, nas Gálias, não obstante todos os reveses da imensa luta, persistiram na fé, valorosos e invictos. Como os druidas, seus heroicos antepassados, procuraram as florestas para os seus cânticos de louvor a Deus. Depois do trabalho de cada dia, marchavam à noite, rumo ao campo amigo e silencioso, em cujas catedrais de arvoredo, sob o firmamento estrelado, oravam e comentavam as divinas revelações, como se respirassem, por antecipação, as alegrias do Reino Celeste”. Emmanuel – Ave Cristo – 1º Parte – Cap. 6
  • 17. 14 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos (...) O Autor espiritual continua registrando em Ave, Cristo! Novas e cruéis perseguições aos cristãos primitivos, no ano 217, isto é, 40 anos depois dos terríveis assassinatos em massa de 177. Descreve o contexto político, histórico e social da referida época: “Ao tempo de Bassiano-Caracala, a quem servira de berço, Lião alcançara imenso esplendor. O novo césar, por várias vezes, dispensara-lhe graças especiais. A corte aí se reunia, frequentemente, em jogos e comemorações. Contudo, apesar da proteção que o imperador concedia ao torrão pátrio, a cidade guardava, ainda em 217, dolorosas e vivas reminiscências da matança de 202, determinada por Séptimo Severo. Anos depois do triunfo sobre o General Décio Clódio Séptimo Albino, o eleito das legiões da Bretanha, morto em 197, instigado por seus conselheiros, o vencedor de Pescênio Níger promulgou um edito de perseguição. Autoridades inescrupulosas, depois de senhorearem o patrimônio de todos os cidadãos contrários à política dominante, realizaram tremenda carnificina de cristãos, dentro da cidade de Lião e nas localidades vizinhas. Milhares de seguidores do Cristo haviam sido flagelados e conduzidos à morte. Por vários dias perdurou a perseguição, com assassínios em massa. Postes de martírio, espetáculos de feras, cruzes, machados, fogueiras, lapidações, chicotes e punhais, sem nos reportarmos às cenas de selvageria para com mulheres e crianças indefesas, foram postos em prática por tropas inconscientes. Durante a matança, Ireneu, o grande bispo e orientador da coletividade evangélica da cidade, foi torturado, com todos os requintes da violência perversa, até ao último suspiro. Nascido na Ásia Menor, fora aprendiz de Policarpo, o abnegado e mui venerado sacerdote de Esmirna, que, por sua vez, havia recebido a fé por intermédio do apóstolo João, o evangelista. Ireneu dedicara-se a minuciosas observações da Escritura. Manejando o grego e o latim com grande mestria, escreveu expressivos trabalhos, refutando os adversários da Boa Nova, preservando as tradições apostólicas e orientando os diversos serviços da edificação cristã”. Emmanuel – Ave Cristo – 1º Parte – Cap. 3
  • 18. 15 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Ao psicografar o livro Ave, Cristo!, de Emmanuel, obra histórica que rememora uma fase do terceiro século, Chico Xavier declara que recebera muitas graças, dentre as quais as de maravilhosas visões. Emmanuel colocava-lhe diante dos olhos os quadros mais emocionantes da perseguição aos cristãos e pedia que os olhasse com atenção. E via, então, em quadros aumentados, as figuras marcantes dos mártires, perseguidos por amor ao emissário celeste. Guardou, entre outras, a visão extraordinária de Inácio de Antioquia, chegando a Roma, acorrentado e, à entrada da Cidade Eterna, parar e sorrir... Os guardas, que o acompanham, surpreendem-se e o advertem: — Por que sorri, quando daqui a instantes será martirizado com outros rebeldes? E, ele, calmo e feliz, responde-lhes: — Estou sorrindo pelo que vejo e me conforta, pois chego à conclusão de que Deus é mesmo bom. Se permitiu que os pagãos levantassem, na Terra, essa maravilha, que é Roma, que não reservará Ele aos seus veros servidores!... E, empurrado pelos guardas, partiu, sereno e grande na fé, a caminho do suplício e onde deveria ganhar as asas da sua libertação e o prêmio de seu testemunho de amor a Jesus! Ramiro Gama - Lindos casos de Chico Xavier – Cap. 160 Nota: Inácio de Antioquia foi contemporâneo de Jesus Cristo. Discípulo do apóstolo João, também conheceu Paulo de Tarso e sucedeu Simão Pedro na comunidade cristã de Antioquia. Inácio foi encontrado por João Evangelista cerca de quatro anos depois da morte de Jesus. O menino tinha então seus oito anos e, vendo-o, o Apóstolo lembrou-se dele no colo de Jesus. Resolveu adotá-lo e levá-lo para sua casa, em Éfeso, onde havia se estabelecido com Maria, a mãe de Jesus. Ali, Ignácio cresceu sob a ternura de Maria, enquanto João lhe cultivava o caráter nos ensinos cristãos. Já adulto, propagador entusiasta da Boa Nova, Inácio de Antioquia foi preso. Tornou-se célebre por sua peregrinação forçada, em cadeias, de Antioquia a Roma. Como Paulo de Tarso, ele foi recebendo a visita de cristãos de outras igrejas em todo o seu percurso.
  • 19. 16 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Nas paradas, escrevia às comunidades que o tinham recebido ou que lhe enviavam representantes. São sete as cartas conhecidas, todas de grande valor para o conhecimento da história dos primeiros cristãos. Federação Espírita do Paraná O Mestre ao vê-lo chegar, e fitá-lo à distância Pronunciou a bela frase para a imortalidade “Deixai vir a mim a infância” Para o bem da humanidade Federação Espírita do Rio Grande do Sul
  • 20. 17 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 2.3 Os Mártires de Lyon Lyon é denominada a Cidade dos mártires. Abundaram ali aqueles que deram a vida por amor à Verdade. No ano 177, as perseguições desencadeadas atingiram os cristãos de Lyon e Viena, cidade da França, próxima à primeira. Toda classe de recursos foi utilizada contra os seguidores de Jesus. Sua presença passou a não ser tolerada em parte alguma, nem nos banhos, nem no Foro, nem no Mercado. Contra eles se levantaram acusações de que cometiam infanticídios, que se banqueteavam com carne humana, enfim, que praticavam incestos e toda sorte de crimes. As calúnias, espalhadas entre o povo, incitaram-no contra os perseguidos. Cada dia, novas prisões eram feitas. Submetidos a insultos e humilhações, tudo suportavam com admirável resistência. Conduzidos ao Foro pelo tribuno e soldados, eram interrogados perante o povo, que os apupava, proferindo impropérios. Vétio Epágato, abnegado senhor que assistia ao interrogatório, não pôde presenciar tamanha iniquidade e, cheio de piedade, pediu para sair em defesa dos acusados, comprometendo-se a provar que não mereciam a pecha de criminosos que lhes era imputada. Homem de vida austera, desde muito jovem tendo abraçado a Boa Nova, teve recusada sua oferta pelo preposto do Imperador. Tendo-lhe sido perguntado se era cristão e tendo-o afirmado, foi agregado ao número dos demais prisioneiros. Com ironia, o apontavam, dizendo: Vejam aí o advogado dos cristãos. Firme na fé, sofreu toda sorte de tormentos. Santo, diácono de Viena, teve contra si incitada a fúria do povo. Experimentou em seu corpo todos os tormentos que a maldade humana pode engendrar. Quando seus verdugos esperavam fazê-lo confessar algum crime, permaneceu na mesma posição. A todas as indagações, respondia em latim: Sou cristão. Não disse seu nome, sua cidade, seu país, se era escravo ou livre, sua raça. Aplicaram-lhe sobre as partes mais sensíveis do corpo, lâminas de bronze ardentes. Ele permaneceu irredutível, como que banhado e fortificado pelas águas de fonte superior. O corpo em uma chaga só, contraído e retorcido, parecia nem mais conservar a forma humana. Deixaram os verdugos que alguns dias se passassem e depois o tornaram a interrogar. Acreditavam que, se reiterassem os tormentos sobre as chagas sangrentas e inchadas, alcançariam seu intento, porque o simples tocar de mãos sobre elas produzia dor insuportável.
  • 21. 18 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Se morresse por causa dos tormentos, imaginaram as autoridades que sua morte tão horrível poderia intimidar a outros. Não alcançaram êxito em nenhuma das opções. O segundo tormento pareceu mais fortalecer a Santo. Como todas as torturas eram superadas pela constância em Cristo, os prisioneiros foram encerrados em calabouços incômodos, escuros, com os pés presos e o corpo esticado. Muitos pereceram por asfixia. Outros tantos, pelos ferimentos profundos recebidos. Santo, junto a outros, foi levado, finalmente ao suplício entre as feras. Nada parecia aplacar a sanha sanguinária dos que assistiam ao cruel espetáculo. Ao contrário, a perseverança dos mártires lhes aumentou a fúria. Assim, os que não morreram com as mordidas e patadas das feras, foram amarrados a postes ardentes, desprendendo insuportável odor por todo o anfiteatro. A Santo não conseguiram arrancar nenhuma outra frase que não a constante: Sou cristão. Por fim, os que ainda não haviam sucumbido com tantos suplícios, foram degolados. Blandina, uma escrava de corpo débil, foi atada em um poste, exposta às feras. Aprisionada em forma de cruz, ela orava, fortalecendo os demais e, como as feras não a atacassem, foi retirada do madeiro e novamente encarcerada. No último dia dos espetáculos, trouxeram-na para a arena, junto a um jovem de quinze anos, de nome Pontico. Antes os haviam feito assistir aos suplícios de outros, visando arrefecer- lhes o ânimo. O denodo com que suportaram os tormentos, atraiu a ira do povo contra eles. Todos se deram conta de que era Blandina que insuflava ânimo ao jovem. Finalmente, após vexações e suplícios, ele morreu. Ela foi arrastada pelas feras; foi pendurada em um poste ardente; foi envolta em uma rede e exposta a um touro bravo, que a lançou repetidas vezes pelos ares. Os soldados se mostravam confusos pela resistência daquela mulher, de corpo tão frágil. Ceifaram-lhe a vida degolando-a. Os corpos dos que haviam morrido no cárcere foram jogados aos cães e guardados dia e noite para que não pudessem ser recolhidos e sepultados. Os que haviam perecido pelas feras, tiveram seus pedaços também jogados aos cães. Todos ficaram insepultos por seis dias, sob escolta militar. Eram cabeças truncadas, corpos mutilados, membros carbonizados. Havia quem passasse e os chutasse, rangesse os dentes ou risse, insultando Aquele por quem aqueles miseráveis haviam dado a vida.
  • 22. 19 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Passados os seis dias, foram queimados e reduzidos a cinzas aqueles restos, arrojadas posteriormente ao Ródano, para que nada deles sobrasse. Acreditavam assim estar destruindo a semente da Boa Nova. Mal sabiam eles que os cristãos, inflamados de amor, continuariam a se oferecer em holocausto nas arenas do mundo. 01.XAVIER, Francisco Cândido. Corações em luta. In:___. Ave, Cristo! Pelo espírito Emmanuel. 3. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1966. cap. II. 02. http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2013/06/santa-blandina-e- companheiros-martires.html 03.http://www.mercaba.org/SANTORAL/Vida/06/06-02_martires_de_lion.htm 23.02.2016 Federação Espírita do Paraná - Os mártires de Lyon (...) Não é sem a mais suave emoção que venho entreter-me convosco, caros espíritas do grupo lionês. Num meio como o vosso, onde todas as camadas se confundem, onde todas as condições sociais se dão as mãos, sinto-me cheio de ternura e de simpatia, e feliz por vos poder anunciar que nós todos, que somos os iniciadores do Espiritismo na França, assistiremos com muito viva alegria os vossos ágapes fraternos, aos quais fomos convidados por João e Irineu, vossos eminentes guias espirituais. Ah! Esses ágapes despertam em meu coração a lembrança daqueles em que todos nos reuníamos, há mil e oitocentos anos, quando combatíamos os costumes dissolutos do paganismo romano, e quando já comentávamos os ensinos e as parábolas do Filho do Homem, morto para a propagação da ideia santa, sobre o madeiro da infâmia. Meus amigos, se o Altíssimo, por efeito de sua infinita misericórdia, permitisse que a lembrança do passado pudesse brilhar um instante em vossa memória entorpecida, recordar- vos-íeis dessa época, ilustrada pelos santos mártires da plêiade lionesa: Sanctus, Alexandre, Attale, Episode, a doce e corajosa Blandine, Irineu o bispo audaz, de cujo cortejo muitos de vós então participáveis, aplaudindo seu heroísmo e cantando louvores ao Senhor. Também vos lembraríeis de que vários dos que me ouvem regaram com seu sangue a terra lionesa, esta terra fecunda que Eucher e Gregório de Tours chamaram de pátria dos mártires.
  • 23. 20 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Não vo-los nomearei, mas podeis considerar os que, em vossos grupos, desempenham uma missão, um apostolado, como tendo sido mártires da propagação da ideia igualitária, ensinada do alto do Gólgota pelo nosso Cristo bem-amado! Hoje, caros discípulos, aquele que foi sagrado por São Paulo vem dizer-vos que vossa missão é sempre a mesma, porque o paganismo romano, sempre de pé, sempre vivaz, ainda enlaça o mundo, como a hera enlaça o carvalho. Deveis, pois, espalhar entre os vossos irmãos infelizes, escravos de suas paixões ou das paixões alheias, a santa e consoladora doutrina que meus amigos e eu viemos revelar-vos por nossos médiuns de todos os países. Não obstante, constatamos que os tempos progrediram; que os costumes já não são os mesmos e que a Humanidade cresceu, porque hoje, se fôsseis vítimas de perseguição, esta não emanaria mais de um poder tirânico e invejoso, como ao tempo da Igreja primitiva, mas de interesses coligados contra a ideia e contra vós, os apóstolos da ideia.1 Erasto – Revista Espírita – Outubro/1861 Nota: O Espírito Erasto refere-se aos mártires cristãos de Lyon, cidade fundada pelos romanos em 43 a. C. e que, naquele tempo, chamava-se Lugdunum, capital da Gália Lugdunense (à época, colônia romana, hoje território da França), situada na confluência de dois rios: o Ródano e o Saône. Sob o império de Marco Aurélio (161-180) e de outros imperadores romanos, anteriores e posteriores, os cristãos foram martirizados, principalmente no ano 177 da Era Cristã, quando foram flagelados e cruelmente perseguidos em Lyon, Vienne e arredores (Viena ou Vienne é uma cidade da França, próxima de Lyon; preferimos particularmente a grafia original Vienne, para não confundir com Viena, capital da Áustria, embora ambos os nomes estejam corretos). Enrique Eliseo Baldovino – Revista Mundo Espírita/FEP - Os valorosos e quase esquecidos mártires de Lyon – Parte I - Agosto/2016 (...) Com referência aos mártires lioneses, e a vários outros – alguns dos quais estão inscritos na hagiografia cristã –, podemos citar os que seguem, nomes que destacamos com letra negrita, reforçando igualmente àqueles que já foram mencionados, colocando (entre parêntesis) outras alcunhas nacionais ou estrangeiras pelas quais são conhecidos (ou seus nomes originais latinos).
  • 24. 21 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos (...) Damos, juntamente com alguns dados biográficos e históricos, a relação dos 50 mártires de Lyon e de Vienne, por ordem alfabética, a fim de serem melhor localizados (apesar dos mártires serem mais, estes são os mais citados, aos quais deveremos somar os referidos acima pelo Espírito Emmanuel): 1) Albina (Albine), mártir decapitada em Lyon; 2) Alcibíades ( Alcibíade), mártir decapitado; 3) Alexandre(Alexander), médico da Frígia, crucificado em Lyon; 4) Alomnia, mártir da plêiade lionesa; 5) Antônia ( Antonie), martirizada na prisão; 6) Apolonius (Apolônio, Apollon ou Apolonio), martirizado na prisão; 7) Arisceus (Arisceo, Aréscio ou Aristeu), martirizado na prisão; 8) Átalo (Attalo, Attale ou Atalo), originário de Pérgamo, martirizado na arena; 9) Ausônia (Ausone, Auzonia ou Ausona), martirizada na prisão; 10) Bíblida(Biblis ou Biblides) que, por medo das torturas, primeiramente renegou sua condição de cristã, mas depois, caindo em si, recompôs-se e aceitou de novo a sua fé, sendo decapitada; 11) Blandina (ou Blandine), a frágil escrava que, apesar da fraqueza do seu corpo, dilacerado e aberto em feridas, resistiu de forma valorosa às torturas realizadas pelos soldados e verdugos que a golpeavam, os quais ficaram extenuados pela resistência prolongada e pela sua coragem, virtudes com as quais ela enfrentou o martírio até a sua morte na arena; 12) Cominus (Comino ou Comminus), decapitado; 13) Cornelius (ou Cornélio), martirizado na prisão; 14) Domna, martirizada na prisão; 15) Elpa (Elpis, Helpes ou Helpis), decapitada; 16) Emília (ou Émilie), martirizada na prisão; 17) Epipódio (Épipode, Episode ou Epípodo), decapitado; 18) Filumino (Filomeno, Philuminus ou Filumnio), decapitado; 19) Germiniano (Geminianus, Geminien ou Geminiano), martirizado na prisão; 20) Germino (Gémino, Geminus ou Gemino), decapitado; 21) Grata, mártir da falange lionesa; 22) Irineu (Irénée ou Ireneo), o valente bispo lionês (Ásia Menor, c. 130 – Lyon, 202), torturado e martirizado de modo cruel no ano 202, durante uma nova matança de cristãos em Lyon e arredores, agora sob o imperador Séptimo Severo (193-211).
  • 25. 22 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 22) Irineu foi aprendiz do abnegado cristão Policarpo (Esmirna, c. 69 – Idem, 155), sacerdote que, ao seu turno, fora discípulo do Apóstolo João Evangelista, que parece ser o Guia espiritual João, referido pelo Espírito Erasto na Revista Espírita de outubro de 1861; 23) Jâmnica (Iamnica ou Jamnique), martirizada na prisão; 24) Josino (ou Iosinus); 25) Júlia (Julie ou Iulia), martirizada na prisão; 26) Júlio (ou Iulius), decapitado; 27) Justa(Iusta ou Juste), martirizada na prisão; 28) Macário (Macaire ou Macarius), decapitado; 29) Materna (ou Materne), decapitada; 30) Maturus (ou Maturo), o recém convertido, martirizado na arena; 31) Octuber(Octobre ou Octubre), decapitado; 32) Pompéia (Pompée ou Pompeya), decapitada; 33) Pôntico (ou Ponticus), jovem de 15 anos, martirizado na arena; 34) Pontimiana (Potamia ou Postumiana), decapitada; 35) Potino(Photin, Fotino ou Photino), considerado o primeiro bispo de Lyon, cruelmente ultrajado e golpeado na rua, no ano 177, morrendo algumas horas depois, martirizado na prisão, aos 90 anos – nasceu antes do ano 87 e foi um dos primeiros membros daquela comunidade –, enfrentando o martírio com grande valor, apesar da sua fraqueza corporal; Irineu sucedeu-o, primeiramente como presbítero e depois como bispo de Lyon, de 189 até sua morte em 202; 36) Primus (ou Primo), decapitado; 37) Quárcia (Quartia, Quarta ou Cuarra), decapitada; 38) Ródana (Rhodana ou Rodana), decapitada; 39) Rogácia (ou Rogata), decapitada; 40) Séptimo, mártir da falange de Lyon; 41) Sanctus (Santos ou Santo), diácono de Vienne, martirizado na arena; 42) Sílvio (ou Silvius), decapitado; 43) Titus (Tite ou Tito), martirizado na prisão; 44) Trófima (Trophime ou Trophima), martirizada na prisão; 45) Úlvio (Ulpius ou Ulpio), decapitado; 46) Vétio Epágato (ou Vécio Epágato), advogado dos cristãos perseguidos; 47) Vidal (Vitalis ou Vital), decapitado; 48) Zacarias, o presbítero;
  • 26. 23 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 49) Zórico(Zoticus, Zotique ou Zótico), martirizado na prisão; 50) Zósimo (ou Zosime), martirizado na prisão. Enrique Eliseo Baldovino – Revista Mundo Espírita/FEP - Os valorosos e quase esquecidos mártires de Lyon – Parte III - Agosto/2016
  • 27. 24 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 2.4 Os Mártires Cristãos – Síntese Cronológica DATA LOCAL PERSONAGEM PRINCIPAL LIVRO 35dC Judeia Estevão Paulo e Estevão 44 dC Judeia Tiago 64 dC Roma Lívia, Pedro/Paulo Joana de Cusa Há 2000 anos! Paulo e Estevão Boa Nova 112 dC Roma Inácio de Antioquia Policarpo de Esmirna 177 dC Lyon Blandina Revista Mundo Espírita 250 dC Lyon Rufos (Eurípedes Barsanulfo) Silvano (Joaquim Alves) Quinto Varro (Bezerra de Meneses) Basílio (Emmanuel) Ave-Cristo
  • 28. 25 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 3. Os Mártires do Espiritismo Pedistes milagres. Hoje pedis mártires. Já existem os mártires do Espiritismo. Entrai nas casas e os vereis. Pedis perseguidos. Abri o coração desses fervorosos adeptos da ideia nova que lutam contra os preconceitos, com o mundo, e frequentemente até com a família! Como seus corações sangram e se dilatam, quando seus braços se estendem para abraçar um pai, uma mãe, um irmão ou uma esposa e não recebem a paga do carinho e dos transportes, mas sarcasmos, desdém e desprezo. Os mártires do Espiritismo são os que a cada passo escutam estas palavras insultuosas: louco, insensato, visionário!... e durante muito tempo terão que suportar essas afrontas da incredulidade e outros sofrimentos ainda mais amargos. Entretanto, a sua recompensa será bela, porque se o Cristo mandou preparar um lugar soberbo aos mártires do Cristianismo, o que prepara aos mártires do Espiritismo será ainda mais brilhante. Os mártires da infância do Cristianismo marchavam para o suplício, corajosos e resignados, porque não contavam sofrer senão dias, horas ou o segundo do martírio, aspirando a morte como única barreira para viver a vida celeste. Os mártires do Espiritismo não devem nem mesmo aspirar a morte. Devem sofrer tanto tempo quanto praza a Deus deixá-los na Terra e não ousam julgar-se dignos dos puros gozos celestes logo que deixem a vida. Oram e esperam, murmurando baixinho palavras de paz, de amor e de perdão aos que os torturam, esperando novas encarnações nas quais poderão resgatar passadas faltas. O Espiritismo elevar-se-á como um templo soberbo. A princípio os degraus serão difíceis de subir. Mas, transpostos os primeiros degraus, bons Espíritos ajudarão a vencer os outros até o lugar simples e reto que conduz a Deus. Ide, ide, filhos, pregar o Espiritismo! Pedem mártires. Vós sois os primeiros que o Senhor marcou, pois sois apontados a dedo e sois tratados como loucos e insensatos, por causa da verdade! Eu vos digo, entretanto, que em breve chegará a hora da luz e então não mais haverá perseguidores nem perseguidos. Sereis todos irmãos e o mesmo banquete reunirá opressores e oprimidos! Santo Agostinho – Revista Espírita – Abril/1862
  • 29. 26 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos O progresso do tempo substituiu as torturas físicas pelo martírio da concepção e do nascimento cerebral das ideias que, filhas do passado, serão as mães do futuro. Quando o Cristo veio destruir o costume bárbaro dos sacrifícios; quando veio proclamar a igualdade e a fraternidade entre o saiote proletário e a toga patrícia, os altares, ainda vermelhos, fumegavam o sangue das vítimas imoladas; os escravos tremiam ante os caprichos do senhor e os povos, ignorando sua grandeza, esqueciam a justiça de Deus. Nesse estado de rebaixamento moral, as palavras do Cristo teriam sido impotentes e desprezadas pela multidão, se não tivessem sido gritadas pelas suas chagas e tornadas sensíveis pela carne palpitante dos mártires. Para ser cumprida, a misteriosa lei das semelhanças, exigia que o sangue derramado pela ideia resgatasse o sangue derramado pela brutalidade. Hoje os homens pacíficos ignoram as torturas físicas. Só o seu ser intelectual sofre, porque se debate, comprimido pelas tradições do passado, enquanto aspira novos horizontes. Quem poderá pintar as angústias da geração presente, suas dúvidas pungentes, suas incertezas, seus ardores impotentes e sua extrema lassitude? Inquietos pressentimentos de mundos superiores, dores ignoradas pela antiguidade material, que só sofria quando não gozava; dores que são a tortura moderna e que transformarão em mártires aqueles que, inspirados pela revelação espírita, crerão e não serão acreditados; falarão e serão censurados; marcharão e serão repelidos. Não percais a coragem. Vossos próprios inimigos vos preparam uma recompensa tanto mais bela quanto mais espinhos houverem eles semeado em vosso caminho. Lázaro – Revista Espírita – Abril/1862 Como bem dizeis, em todos os tempos as crenças tiveram mártires. Porém, é preciso dizer que muitas vezes o fanatismo estava de ambos os lados e então, quase sempre o sangue corria. Hoje, graças aos moderadores das paixões, aos filósofos, ou antes, a essa filosofia que começou com os escritores do século dezoito, o fanatismo apagou o seu facho e embainhou a espada. Em nossa época quase se não imagina a cimitarra de Maomé; a forca e a roda da Idade Média; as fogueiras e as torturas de toda espécie, do mesmo modo que se não imaginam os magos e as feiticeiras. Outros tempos, outros costumes, diz um sábio provérbio. O vocábulo costumes é aqui muito elástico, como vedes e, conforme a sua etimologia latina, significa hábitos, maneira de viver. Ora, em nosso século, nossa maneira de ser não é de cobrir-se com cilício, de ir às catacumbas nem de dissimular suas preces aos procônsules e aos magistrados da cidade de Paris.
  • 30. 27 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos O Espiritismo, pois, não verá erguer-se o machado e as fogueiras devorarem os seus adeptos. A gente se bate a golpes de ideias, a golpes de livros, a golpes de comentários, a golpes de ecletismo e a golpes de teologia, mas a São Bartolomeu não se repetirá. Certamente poderá haver algumas vítimas nas nações atrasadas, mas nos centros civilizados só a ideia será combatida e ridicularizada. Assim, pois, não mais os machados, o feixe de varas, o óleo fervente, mas ficai atentos com o espírito voltairiano mal compreendido. Ele é o carrasco. É preciso preveni-lo, mas não desafiá-lo. Ele ri, em vez de ameaçar; lança o ridículo em vez da blasfêmia e seus suplícios são as torturas do espírito que sucumbe ao abraço do sarcasmo moderno. Mas, sem desagradar aos pequenos Voltaires de nossa época, a juventude compreenderá facilmente estas três palavras mágicas: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Quanto aos sectários, estes são mais temíveis porque são sempre os mesmos, malgrado o tempo, malgrado tudo. Eles por vezes podem fazer o mal, mas são coxos, mascarados, velhos e rabugentos. Ora, vós que passais pela fonte de Juventa e cuja alma reverdece e remoça, não os temais, porque o seu fanatismo os perderá. Lamennais – Revista Espírita – Setembro/1862
  • 31. 28 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4. O Martírio nos Tempos Atuais 4.1 Martírio nos tempos atuais – Síntese Antigamente, dolorosa renunciação era exigida aos companheiros do Mestre Nazareno, de fora para dentro; agora, contudo, é a luta renovadora do santuário íntimo para o mundo externo. Não é o circo do martírio que se abre na praça pública, nem a fogueira dos autos-de-fé, organizada junto de povos livres e robustos em nome das confissões religiosas. A atualidade reclama corações consagrados ao Senhor na esfera de si mesmos. A fraternidade constituir-se-á abençoado clima de trabalho e realização, dentro do Espiritismo Evangélico, ou permaneceremos na mesma expectação inoperante do princípio, quando o material divino da revelação e da Verdade não encontrava acesso em nossos espíritos irredimidos. Bezerra de Menezes - Através do Tempo – Cap. 7 – Mensagem aos Novos Cristãos Sobram palavras e escasseiam exemplos. Muitos discípulos do Evangelho almejam pelo martírio, em praça pública, antes por vaidade e exibicionismo do que por amor ao Crucificado sem culpa. A dedicação sem alarde e a abnegação sem aplauso da multidão fazem-se expressões positivas do lidimo martirológio dos tempos novos, testemunhados pelas almas que seguirão à Terra edificadas pelo exemplo dos que se dão ao Cristo, no Gólgota dos silêncios eloquentes. Vitor Hugo – Calvário da Libertação – Cap. 7 – A Fé Antes, era preciso lutar por Jesus nos circos e nos cárceres, afrontando a renunciação e a morte. Agora, é indispensável combater pelo Cristo, em nós mesmos, vencendo o egoísmo e a ignorância. Antes, o mundo perseguia o discípulo do Cristianismo, impondo-lhe sofrimento e sangue. Agora, o mundo espera que o aprendiz da luz se disponha a auxiliá-lo e redimi-lo. Antes, os seguidores da Boa Nova enfrentavam suplícios e feras para se afirmarem com o Senhor. Agora, pelejam na própria carne para alcançar a Perfeição. Pedro de Alcântara – Tempo e Amor – Cap. 16 – Antes e Agora
  • 32. 29 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos As duas primeiras linhas do comportamento – prece/meditação, renuncia/esquecimento - podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para céus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes orando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que te apóias e amparas. As duas atitudes outras – trabalho/serviço, perseverança/companhia - são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho. Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor. Joanna de Ângelis – Otimismo – Cap. 16 – Asas da Libertação Viver-se no mundo, afirmando Deus, sem pertencer ao mundo (...) A filosofia de negar o mundo para afirmar Deus já foi superada, por ser uma filosofia de fuga. A verdadeira filosofia é a do Evangelho de Jesus, a do Cristo. Não será negando o mundo para afirmar Deus, nem afirmando Deus para negar- se o mundo. Viver-se no mundo, afirmando Deus, sem pertencer ao mundo. Parecer que é igual a todos, no entanto, ser diferente de todos. Estar no meio, mas não se misturar. Descer, mas não se confundir. Permanecer no alto e atender à baixada, sem ficar longe, nem se afogar no lodaçal. Esse é o desafio. Jesus desceu das estrelas, conversou com uma mulher equivocada, mas não se maculou. Dialogou com ladrões em aparente igualdade, porque estava no madeiro de crucificação. Quem os visse, à distância, tomá-los-ia como três bandidos. No entanto, o do meio, era o Rei Solar. Jesus estava com eles, porém, era diferente deles. Divaldo Franco – O Desafio De igual maneira, todos aqueles que O desejam servir e foram convocados para a disseminação do Seu Evangelho, ainda hoje, não se poderão furtar aos nobres testemunhos de amor, em forma do sacrifício das paixões inferiores, da superação das tendências perversas e insanas, das lutas íntimas, de modo a suportar os enfrentamentos que agora se apresentam de maneira diversa, não, porém, menos severos. Amélia Rodrigues – A Mensagem do Amor Imortal – Cap. 23 – Sublimes Testemunhos
  • 33. 30 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Hoje, como ontem, o testemunho à fé que esposamos constitui-nos a coroa de identificação com o Cristo Jesus. Certamente, não mais defrontaremos as arenas para o holocausto público, nem o cárcere de vergonha para a demonstração de nossa convicção religiosa; em verdade, não passaremos pela humilhação da desonra, nem seremos constrangidos ao exílio, separados da família e da pátria como outrora. (...) Para que haja a Cristificação do discípulo, ser-lhe-á inevitável a crucificação, que agora não se dará nas traves visíveis do madeiro da infâmia, porém, no roteiro ignorado da renúncia; na imolação do ego dominador; mediante o sentimento de solidariedade que supera as aflições e do devotamento à causa do bem, acima de quaisquer conveniências. (...) A Doutrina Espírita, restaurando a pureza do Evangelho, faz renascer a honra do martírio. Antes, a chalaça e a zombaria, o sarcasmo e o mergulho na dor, assinalavam o ideal espiritista, martirizando o coração dos servos renovados, a fim de compreenderem que a necessidade do testemunho seria o seu sinal de identificação com o Glorioso Companheiro da sepultura vazia. E, hoje, meus filhos, quando o mundo nos observa, nos acompanha e nos abre as portas da facilidade, mediante honrarias e glorificações, fugazes que se aproximam do nosso trabalho, não nos deixemos fascinas pelos ouropéis, pelas frivolidades, mantendo a nossa fidelidade ao conteúdo austero da mensagem do Senhor, de que Allan Kardec se fez vexilário e excelente Codificador, até agora insuperado. Certamente, não vos exigirão demonstrações públicas de fé através dos monumentais testemunhos que comovem multidões, mas, a vida vos imporá renúncias renteando com as tentações. Ser-vos-á solicitada a manutenção dos ideais, muitas vezes, diante da incompreensão e do opróbrio, traduzindo o vosso sentimento de amor ao Rabi inesquecível. (...) Os vossos testemunhos serão mais severos do que os daqueles pioneiros de outrora. Eles davam a vida num momento. Vós outros tendes que doa-la, por momentos sucessivos, nos quais vos desgastareis, lentamente, qual o combustível que, atendendo à lâmpada que derrama claridade, também se consome. Consumi-vos, iluminando as consciências com a mensagem espírita.
  • 34. 31 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos (...) Não vos preocupeis por chorardes hoje, porque sorrireis mais tarde. Crede, em nossas palavras, nenhum devaneio masoquista, nenhuma tinta de ordem sadista. Sucede que, todo aquele que elegeu Jesus, já não tem para quem ir e somente com Ele à frente marchando, logra a plenitude da felicidade. Perseverai, portanto! Exoramos ao Mestre Divino que nos abençoe e que nos dê a sua paz, de que tanto necessitamos. São estes os votos do servidor humílimo e paternal de sempre Bezerra de Meneses – Revista Reformador – 1988 – Fevereiro – A Crucificação Reverenciemos, sim, o nome dos que se esqueceram, a benefício da Sociedade; contudo, não nos será lícito esquecer que EXISTE UM HEROÍSMO OBSCURO, TÃO AUTÊNTICO E TÃO BELO quanto aquele que assinala os protagonistas das grandes façanhas, perante a morte — O HEROÍSMO OCULTO dos que sabem viver, dia por dia, no círculo estreito das próprias obrigações, a despeito dos empecilhos e das provações que os supliciam na estrada comum. (...) existem multidões no Mundo Espiritual que aplaudem os testemunhos da compreensão e sacrifício dos que sabem viver, no auxílio ao próximo, apagando-se, a pouco e pouco, em penhor do levantamento de alguém ou da melhoria de alguns na arena terrestre. Emmanuel – Alma e Coração – Cap. 17 – Heroísmo Oculto Ainda hoje as perseguições aos paladinos do bem e aos servidores do Cristo não cessaram. Repontam com mil faces, estrugem de maneiras múltiplas, convocando os verdadeiros trabalhadores do bem ao poste do martírio e ao circo do ridículo, ferindo-os fundo na alma e anatematizando-os incessantemente, como se forças conjugadas conspirassem contra a Vida Estuante... Não nos iludamos! Mudaram os tempos, modificaram-se os métodos da insana campanha contra o Cristo, ora disfarçados e sutis, conspirando contra os que se entregam — discípulos estóicos do Herói da Cruz — com devoção ao programa de redenção humana.
  • 35. 32 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos À semelhança daqueles seguidores intimoratos que conviveram com Jesus e Lhe deram a vida, prossigamos irmanados na colocação de balizas pelas fronteiras do Reino divino entre os homens da atualidade. Amélia Rodrigues – Luz do Mundo – Cap. 23 – Balizas de Luz A CRUZ DE FERRO SÃO AS OFENSAS PÚBLICAS — conseguimos carregá-la, porquanto recebemos muita solidariedade… Mas a CRUZ DE PALHA é pouca gente que sabe carregar… É O TAPA EM FORMA DE PALAVRAS, É A AGRESSÃO PELO OLHAR, É AQUELA FRASE SOLTA QUE VEM DIRETA… Às vezes, falamos de determinado traço infeliz da comunidade humana, junto da pessoa que traz um pedacinho e ofendemos a pessoa barbaramente…. É A CRUZ DE PALHA! Devemos ter paciência para suportar sem falar com ninguém, para não aborrecer ninguém, para que a faísca do nosso desapontamento não incendeie…. Francisco Cândido Xavier – O Evangelho de Chico Xavier – Item 288 A ARENA DA ATUALIDADE É MUITO MAIOR DO QUE O GRANDE CIRCO, pois que se estende pela Terra inteira. As feras devoradoras já não são conduzidas das selvas, mas se encontram nas paisagens agrestes da alma de cada um de nós, ferindo-nos, levando-nos ao desfalecimento. Assim, penso que o nosso holocausto em nome da fé inicia-se na luta incessante contra as tendências infelizes, as paixões asselvajadas que ainda permanecem em nosso íntimo. Manoel Philomeno de Miranda – Entre os dois Mundos – Cap. 2
  • 36. 33 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2 Martírio nos tempos atuais – Mensagens 4.2.1 Mensagem aos Novos Cristãos Outrora, os mártires sofreram nos circos para doar ao mundo a glória da Revelação. Através de fogueiras e sacrifícios, traçaram um roteiro de luz para o mundo paganizado; em seguida, quando as trevas da Idade Média consagravam a autocracia do poder, os cristãos livres experimentaram a perseguição, a morte e o anátema para restaurarem a senda luminosa, conferindo à Terra as bênçãos da Verdade. Hoje, porém, meus amigos, os seguidores do Mestre Divino, irmanados em torno da cruz redentora, foram chamados à doação da Fraternidade às criaturas. Amparados pela evolução dos códigos, que se tocaram das claridades sublimes da Boa- Nova, através dos séculos, desfrutam de liberdade relativa para concretizarem a divina missão de que foram cometidos. Antigamente, dolorosa renunciação era exigida aos companheiros do Mestre Nazareno, de fora para dentro; Agora, contudo, é a luta renovadora do santuário íntimo para o mundo externo. Não é o circo do martírio que se abre na praça pública, nem a fogueira dos autos-de-fé, instaladas dentro de povos livres e robustos em nome das confissões religiosas. A autoridade reclama corações consagrados ao Senhor na esfera de si mesmos. A fraternidade constituir-se-á abençoado clima do trabalho e realização, dentro do Espiritismo evangélico, ou permaneceremos na mesma expectação inoperante do princípio quando o material divino da Revelação e da Verdade não encontrava acesso em nossos Espíritos irredimidos. Formemos não somente grupos de indagação intelectual ou de crítica nem sempre reconstrutiva, mas, sobretudo, ergamos um templo interior à bondade, porque sem espírito de amor todas as nossas obras falham na base, ameaçadas pela vaga incessante que caracteriza o campo falível das formas transitórias. Amemo-nos uns aos outros, segundo a palavra do Mestre que nos reúne, sem desarmonia, sem discussões ruinosas, sem desinteligências destrutivas, sem perda de tempo nos comentários vagos e inoportunos, amparando-nos, reciprocamente, pelo trabalho, pela tolerância salvadora, pela fé viva e imperecível.
  • 37. 34 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Se nos encontramos realmente empenhados no Espiritismo que melhora e regenera, que esclarece e redime, que salva e ilumina, sob a égide de Jesus, recordemos as palavras do Código Divino, para vivê-las na acústica de nossa alma, seguindo o Senhor em sua exemplificação de sacrifício, de solidariedade e de amor: — “Eu sou o caminho, a verdade ea vida. Ninguém irá até o Pai, senão por mim. ” Bezerra de Meneses - Através do Tempo - Cap. 7 - Mensagem aos Novos Cristãos (Psicografada em 14/5/1949 no Centro Espírita Amor e Caridade, na cidade de Belo Horizonte, M. G.)
  • 38. 35 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.1 A Fé Sobram palavras e escasseiam exemplos. Muitos discípulos do Evangelho almejam pelo martírio, em praça pública, antes por vaidade e exibicionismo do que por amor ao Crucificado sem culpa. A dedicação sem alarde e a abnegação sem aplauso da multidão fazem-se expressões positivas do lídimo martirológio dos tempos novos, testemunhados pelas almas que seguirão a Terra edificadas pelo exemplo dos que se dão ao Cristo, no Gólgota dos silêncios eloquentes. As dores enrijam as fibras da alma e fortalecem as disposições do sentimento. A grande meta a atingir: amar mesmo não amado, impõe-te exaustão e esquecimento de ti mesma. Quanto mais rude a tormenta mais rápida cessam as forças do seu desgoverno. A carga de aflições que conduzes não significa abandono a que estejas relegada, e sim recordação de que não és esquecida. A fé não libera a alma dos resgates que lhe cumpre atender, como esperam e supõem alguns crentes apressados. Ela é a fonte de energia e o dínamo de força, o penso que balsamiza a ferida e o conforto que ampara a coragem, não um mecanismo de evasão das responsabilidades ou documento para chantagear o equilíbrio da justiça. Assim, prossegue! O Senhor conhece o teu drama, as nossas necessidades. A tua é a Sua família amada e tudo Ele fará para que o êxito seja logrado, não do ponto de vista imediato e terreno, mas médiato e divino. Vitor Hugo – Calvário da Libertação – 4º Parte – Cap. 7
  • 39. 36 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.2 Asas da Libertação 1. Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos mecanismos da existência, ORA E MEDITA. . A Prece levar-te-á ao norte seguro e, . A Meditação fixar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te 2. Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais, RENUNCIA E ESQUECE TODO O MAL. . A Renúncia ensinar-te-á libertação das coisas e das conjunturas afligentes e, . O Esquecimento de qualquer mal ser-te-á o píloti para a libertação plena. 3. Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, TRABALHA E SERVE AO PRÓXIMO. . O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis e, . O serviço da caridade ao próximo proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal com doação de felicidade aos outros. 4. Se queres a consciência tranquila no teu processo busca e de redenção, PERSEVERA E ACOMPANHA OS QUE SOFREM, NÃO OS DEIXANDO A SÓS. . A Perseverança no bem dar-te-á generosidade natural e, . A Companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio das técnicas de amor que aprenderás a utilizar para êxito no ministério. As duas primeiras linhas do comportamento – prece/meditação, renuncia/esquecimento - podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para céus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes orando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que te apóias e amparas. As duas atitudes outras – trabalho/serviço, perseverança/companhia - são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho. Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor. Joanna de Ângelis – Otimismo – Cap. 16
  • 40. 37 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.3 Antes e Agora Antes, era preciso lutar por Jesus nos circos e nos cárceres, afrontando a renunciação e a morte. Agora, é indispensável combater pelo Cristo, em nós mesmos, vencendo o egoísmo e a ignorância. Antes era necessário crer. Agora é imprescindível edificar. Antes, o mundo perseguia o discípulo do Cristianismo, impondo-lhe sofrimento e sangue. Agora, o mundo espera que o aprendiz da luz se disponha a auxiliá-lo e redimi-lo. Antes, os seguidores da Boa Nova enfrentavam suplícios e feras para se afirmarem com o Senhor. Agora, pelejam na própria carne para alcançar a Perfeição. Antes, o Benfeitor Inesquecível recomendava: Ide e Pregai! Agora, o Celeste Emissário, por milhares de vozes que descem da Altura, proclama solene: Ide e exemplificai! Antes, o programa. Agora, a realização. Filhos do Evangelho, não temamos! O Mestre Ressuscitado vem de novo às assembléias dos continuadores de Sua obra de redenção humana, reiterando-nos a promessa de que permanecerá conosco até o fim dos séculos!... Caminhemos servindo, armando o coração de humildade. Antes, o amor infinito a sustentar-nos! Agora, o infinito amor a soerguer-nos! Cristo avança! Cristo Reina! Ave, Cristo. Pedro de Alcântara – Tempo e Amor – Cap. 16
  • 41. 38 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.4 A Crucificação Meus filhos! Que Jesus nos abençoe! Hoje, como ontem, o testemunho à fé que esposamos constitui-nos a coroa de identificação com o Cristo Jesus. Certamente, não mais defrontaremos as arenas para o holocausto público, nem o cárcere de vergonha para a demonstração de nossa convicção religiosa; em verdade, não passaremos pela humilhação da desonra, nem seremos constrangidos ao exílio, separados da família e da pátria como outrora. Não obstante haverem mudado as aparências, as estruturas permanecem as mesmas, assoladas pela vérmina da incompreensão, gerando dificuldade e contaminação. O verdadeiro discípulo do Evangelho traz, ínsita no coração, a cruz do Cristo. Cristão sem cruz pode ser considerado alma que se dissociou do corpo, ou corpo que perdeu a alma. Para que haja a cristificação do discípulo, ser-lhe-á inevitável a crucificação, que agora não se dará nas traves visíveis do madeiro da infâmia, porém, no roteiro ignorado da renúncia; na imolação do ego dominador; mediante o sentimento de solidariedade que supera as aflições e do devotamento à causa do bem, acima de quaisquer conveniências. Os cristãos primitivos, quando foram vítimas do Edito de Milão, em 13 de junho de 313, firmado por Constantino, tornando do Estado a mensagem do Cristo como religião, compreenderam que, naquele aparente momento de glória, tinha início o ocaso da fé. Porquanto, o ideal libertador do Evangelho exigia o adubo do sacrifício, e, no instante em que o martírio cedia lugar à homenagem momentânea da honra efêmera da Terra, a palavra se descoloria e o exemplo se alterava, culminando, tal decadência, em 1870, com a infalibilidade papal. A mensagem do Cristo, amortalhada pelo dogmatismo, cedia lugar às injunções lamentáveis da arbitrária dominação transitória dos homens, vinculando as exigências do Espírito, pela renúncia, às futilidades do corpo na opulência... A Doutrina Espírita, restaurando a pureza do Evangelho, faz renascer a honra do martírio. Antes, a chalaça e a zombaria, o sarcasmo e o mergulho na dor, assinalavam o ideal espiritista, martirizando o coração dos servos renovados, a fim de compreenderem que a necessidade do testemunho seria o seu sinal de identificação com o Glorioso Companheiro da sepultura vazia.
  • 42. 39 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos E, hoje, meus filhos, quando o mundo nos observa, nos acompanha e nos abre as portas da facilidade, mediante honrarias e glorificações, fugazes que se aproximam do nosso trabalho, não nos deixemos fascinas pelos ouropéis, pelas frivolidades, mantendo a nossa fidelidade ao conteúdo austero da mensagem do Senhor, de que Allan Kardec se fez vexilário e excelente Codificador, até agora insuperado. Certamente, não vos exigirão demonstrações públicas de fé através dos monumentais testemunhos que comovem multidões, mas, a vida vos imporá renúncias renteando com as tentações. Ser-vos-á solicitada a manutenção dos ideais, muitas vezes, diante da incompreensão e do opróbrio, traduzindo o vosso sentimento de amor ao Rabi inesquecível. Perseverai, zelando pela fraternidade; pontificai na união, para que a Unificação de propósitos e de identidade espiritual permaneça sem qualquer alteração. Compreendei que a mensagem cristã é desafio que testa a resistência moral e as fibras do caráter daqueles que se lhe vinculam em santificada e espontânea escravidão. Tornastes-vos escravos do Cristo por opção pessoal. Tendes entregado o coração a Ele mediante o sentimento superior, de abnegação e devotamento. Não receeis, seja qual for a circunstância! Fazei que brilhe a vossa luz em forma estelar, deixando pegadas como setas luminosas apontando roteiro seguro para os que vêm atrás. Apontais hoje, em vossas elucubrações, os pioneiros que vos antecederam como exemplos inesquecíveis. A posteridade terá em vós outros, da mesma forma, os exemplos, assinalando esta era de transição, quando se apagam as luzes do século e se encerra este ciclo. Fostes convocados, honoravelmente, para testemunhar Jesus. Espiritismo e Cristianismo são termos de mesma equação da vida. Nunca vos aparteis de Jesus, seja qual for o tributo de vós exigido. Jesus, meus filhos, é o nosso caminho de acesso ao Pai; é o modelo incorruptível, em Quem encontramos o alimento e a resistência para a vitória na luta. Os vossos testemunhos serão mais severos do que os daqueles pioneiros de outrora. Eles davam a vida num momento. Vós outros tendes que doa-la, por momentos sucessivos, nos quais vos desgastareis, lentamente, qual o combustível que, atendendo à lâmpada que derrama claridade, também se consome. Consumi-vos, iluminando as consciências com a mensagem espírita.
  • 43. 40 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Ouvimos, muitas vezes, as vossas rogativas e movimentamo-nos, afetuosamente, ao vosso lado, irmanados no ideal, compreendendo as vossas dificuldades, porque somos egressos do corpo e também as experimentamos aí. Noutros ensejos, transladamo-vos para a nossa esfera, a fim de refundir-vos o ânimo, estimular-vos a coragem e a perseverança diante das dificuldades domésticas, sociais, no campo da fraternidade, que se vos tornam quase insuportáveis, para vos afirmamos: Estamos juntos; ide adiante, mantendo o ela de identificação, uns com os outros, Entidades e instituições, sob a Presidência de Ismael, o Anjo tutelar do Brasil, a quem o Mestre delegou a tarefa de preservar o seu Evangelho sob as luzes abençoadas do Cruzeiro do Sul... Espíritas, não vos prometemos as alegrias que o mundo oferece. Não vos acenamos com as honrarias que passam. Repetiremos, parafraseando Jesus: Na vivência da Doutrina Espírita tereis aflições, porque não se pode negligenciar com a verdade, conivir com o crime. Passareis incompreendidos, em razão da vossa fidelidade à mensagem libertadora e isso será o vosso martírio. Não vos preocupeis por chorardes hoje, porque sorrireis mais tarde. Crede, em nossas palavras, nenhum devaneio masoquista, nenhuma tinta de ordem sadista. Sucede que, todo aquele que elegeu Jesus, já não tem para quem ir e somente com Ele à frente marchando, logra a plenitude da felicidade. Perseverai, portanto! Exoramos ao Mestre Divino que nos abençoe e que nos dê a sua paz, de que tanto necessitamos. São estes os votos do servidor humílimo e paternal de sempre. Bezerra de Meneses – Revista Reformador – 1988 – Fevereiro – A Crucificação (Palavras psicofonicamente recebidas por Divaldo Pereira Franco na FEB, em Brasília, na Reunião Ordinária dos CFN, em 07.11.1987, às 12 horas – publicado em “Reformador” de Fevereiro de 1988)
  • 44. 41 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.5 A Coroa do Martírio Todo empreendimento exige a contribuição do esforço daquele que se lhe dedica à ação. Nas realizações idealistas, cujo objetivo é o progresso moral e intelectual do indivíduo e, em consequência, da solidariedade, aquele que exerce a liderança deve arcar com a responsabilidade e experimentar as dificuldades de sua realização. Em todas as épocas, ei-los chamando a atenção pelos sacrifícios com que se empenham, pelas dificuldades que defrontam, pagando alto preço em renúncia e abnegação. (...) Quase todos os missionários que os céus enviaram à Terra para este fim padeceram a crueza e a rude infâmia. (...) Para imprimir as suas sublimes mensagens no planeta terrestre, as ciências, as filosofias da beleza, as artes de padrão elevado, as realizações nobres em favor da paz e dos direitos humanos sofreram combates intérminos com o extermínio dos seus precursores. (...) Cristóvão Colombo foi dissuadido e ridicularizado por acreditar na existência de terras além do Atlântico. Não desanimou nem cedeu às perseguições gratuitas de que foi vítima e descobriu a América. Galileu foi retido no lar pela Inquisição, por afirmar que a Terra não era o centro do Universo, abrindo a janela para compreender-se o Cosmo. Semmelweis foi expulso de Viena por sugerir aos médicos que lavassem as mãos. Continuou no exílio e tornou-se o pai da assepsia, desencarnando com infecção por ferimento na mão. Pasteur foi expulso da Sorbonne, porque não era médico, e vem salvando centenas de milhares de vidas graças ao soro antirrábico que descobriu. A relação é imensa. Na música, Schumann tentou o suicídio por ser malsinado e deixou os exercícios que glorificam a arte pianística. O quadro “O girassol”, de Van Gogh, foi trocado por um prato de comida, e o dono do restaurante deixou-o de lado; hoje, no entanto, encontra-se num cofre forte e vale dezenas de milhões de dólares, enquanto o seu autor estorcegou-se na miséria... (...)
  • 45. 42 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Na fé religiosa, o período do martirológio dizimou centenas de milhares de seguidores de Jesus, assassinados sob os mais variados processos; e ainda hoje, em muitos países, vários deles são perseguidos e sucumbem sob martírios inomináveis. A intolerância dos que têm fé espiritual mata cruelmente. É natural que na divulgação da Doutrina dos Espíritos também haja a perseguição inclemente por parte daqueles que a desconhecem, e mesmo de alguns que dela têm conhecimento e se supõem donos da verdade. Somente eles entenderiam as sublimes lições contidas na Codificação, embora sejam inúteis, quais adornos majestosos e sem qualquer utilidade. Não lhes dês a importância que se atribuem. Estão buscando visibilidade que somente conseguem por meio da agressão, por faltar- lhes conquistas enobrecedoras que os tornem respeitáveis. Allan Kardec sofreu difamação e calúnias bem urdidas, maldades e reproches, abandono e solidão por parte de inúmeros companheiros que faziam parte da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, por ele fundada e dirigida. Não desistiu nem desanimou e, graças ao seu martírio, o Espiritismo ilumina e salva milhões de vidas. Agora é a tua vez. Não recuses o testemunho nem lamentes a coroa do martírio. Cristão sem sofrimento é apenas candidato. Tem coragem e segue adiante. Ama e compreende. Persevera e desculpa. São cegos pelo orgulho e estão envenenados pelo despeito, pela inveja e inferioridade de que são portadores. Não te detenhas. Foi na cruz que o Mestre confirmou a grandeza do Evangelho e, coroado de espinhos, ascendeu ao Pai por meio do martírio. Teus crucificadores ficarão surpresos ante a tua coragem e paciência, assim provando a autenticidade das tuas palavras, ante a coroa que colocam, zombeteiros e frívolos, sobre a tua cabeça. Joanna de Angelis – Revista Reformador – 2020 - Fevereiro Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 21 de outubro de 2019, Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.
  • 46. 43 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.6 Cruzes e Algemas Observa o longo caminho em que transitas no mundo e notarás que todas as criaturas jornadeiam na Terra entre cruzes e algemas. Cruzes talhadas pela misericórdia de Deus. Algemas forjadas pelos próprios homens. Cruzes que elevam. Algemas que aniquilam. Cruzes que bendizem. Algemas que amaldiçoam. Cruzes que iluminam. Algemas que ensombram. Não desprezes o madeiro das obrigações em que a Sabedoria do Senhor te situa, porque todas as almas que sobem o monte da evolução, transportam consigo as cruzes redentoras do trabalho e da disciplina. Onde se destaquem progresso e sublimação aí enxameiam cruzes diversas. Possuímo-las por toda parte, em todos os feitios e em todos os tons de luta. Aqui, constituem o esposo difícil, a companheira desesperada e o filho ingrato e incompreensivo. Acolá, descobrimo-las na solidão e na enfermidade, na penúria e no sofrimento, na dor e no sacrifício, tanto quanto mais além, reconhecemo-las na popularidade e na inteligência, no fausto e no ouro, na responsabilidade e no poder. Procura aceitar com valor e serenidade os preciosos deveres que o Senhor te confia, porque das cruzes abandonadas nascem as trevas da rebeldia e do orgulho, que perturbam o coração e ensanguentam os filhos rebelados da Terra. Quantos lhes abominam os braços santificantes, sacudindo-lhes o jugo, não raro, descem à sombra e à viciação, à loucura e à delinquência, em que padecem, às vezes, por séculos dolorosos, nos grilhões do remorso e do crime, do desequilíbrio e do desencanto que inventaram para si mesmos. Abraça na cruz que te honra o caminho a bênção da própria vida e agradece-lhe o suor do trabalho e as lágrimas da renúncia que te faça verter, porquanto se apenas a Cruz do Cristo - o Anjo sem culpa - foi capaz de instilar-nos a luz da ressurreição, somente a cruz de nossas dores no resgate de nossos erros, será capaz de impelir-nos à posse da Vida Eterna. Emmanuel - Taça de luz - Cap. 32 - Cruzes e algemas
  • 47. 44 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.7 Ante o segundo Século O primeiro século do Cristianismo conheceu suplícios inolvidáveis quais foram: − A crueldade de Tibério… − A demência de Calígula… − A insânia de Nero… − A perseguição indiscriminada… − A matança nos circos… − A ferocidade de algozes enrijecidos e insensatos… − A condenação sem processo… − A escravidão absoluta… − A humilhação sistemática… − A injúria e o martírio… Ainda assim, milhões de criaturas encontraram o justo caminho da consagração pessoal ao Senhor, suportando heroicamente a flagelação e o insulto, o menosprezo e a morte, para formarem, com o próprio exemplo, as bases do mundo em que a evolução do direito e da ordem, do progresso e da solidariedade preside a civilização do Ocidente, que, apesar do estigma da devassidão e da guerra, ainda é a esperança para a vitória da luz. O primeiro século do Espiritismo que restaura os valores da Boa Nova é bafejado por excelsas conquistas quais sejam: − Os louros da independência religiosa… − A justiça das nações mais cultas do globo… − O aprimoramento industrial… − A crescente extensão da fraternidade… − O banimento do cativeiro… − O respeito às liberdades públicas e privadas… − A inviolabilidade do lar… − A dignificação do trabalho… − O avanço luminoso da inteligência, que tateia a estratosfera − E desce às profundezas do mundo atômico…
  • 48. 45 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos É por esse motivo que nós, os espíritas de agora, cristãos igualmente redivivos, com mais amplos fatores de segurança, somos convocados à redenção da Terra, competindo-nos, porém, para isso, não mais o ânimo firme no contato com feras e cruzes, escárnio e fogueira, mas, sim a coragem varonil de vencermos a treva cristalizada conosco, em forma de indiferença e ociosidade, orgulho e rebeldia, instalando, através do serviço e da educação, o entendimento e o amor em nós mesmos, a fim de que o reinado do Cristo fulgure entre nós para sempre. Emmanuel - Construção do amor - Capítulo 13 - ante o segundo século
  • 49. 46 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.8 A Cruz de Ouro e a Cruz de Palha Alguns membros da Juventude Espírita do Distrito Federal e de Belo Horizonte visitavam o Chico. Antes de começar a Sessão do Luiz Gonzaga, palestravam animadamente sobre assunto de Doutrina e a tarefa destinada aos moços espíritas. Uma jovem inteligente, desejando orientação e estímulo, colocou o Chico a par das dificuldades encontradas para vencerem o pessimismo de uns, a quietude e a incompreensão de muitos. Poucos queriam trabalho sacrificial, testemunhador do Roteiro evangélico, que estava a exigir dos jovens uma vida limpa, correta, vestida de abnegação e renúncia. Desejavam colher sem semear. O Chico ouviu e considerou: — O trabalho das Juventudes, com Jesus, tem que ser mesmo diferente. Sua missão será muito difícil e por isso gloriosa. E recebe de Emmanuel esta elucidação envolvida na roupagem pobre de nosso pensamento: — Há a cruz de ouro e a cruz de palha, simbolizando nossas Tarefas. A de ouro, a mais procurada, pertence aos que querem brilhar, ver seus nomes nos jornais, citados, apontados, elogiados, como beneméritos. Querem simpatia e bom conceito. Se tomam parte em alguma Instituição, desejam, nela, os lugares de mando e de evidência. Querem cargos e não encargos. A de palha, a menos procurada, no entanto, pertence aos que trabalham como as abelhas, escondidamente e em silêncio. Lutam e caminham, com humildade, na certeza de que por muito que façam, mais poderiam fazer. Não se ensoberbecem dos triunfos, antes se estimulam e se defendem com oração e vigilância, sentindo a responsabilidade que assumiram como chamados, por Jesus, à Tarefa Diferente. Entendem a serventia das mãos e dos pés, dos olhos e da mente, do coração, enfim, colocando amor e humildade em seus atos, nos serviços que realizam.
  • 50. 47 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos Por carregarem a cruz de palha, toleram o vômito de um, o insulto de mais outro, a incompreensão de muitos, testemunhando a caridade desconhecida, oferecendo, com o sofrimento e a renúncia, com o silêncio e o bom exemplo, remédios salvadores aos companheiros que os adversam, os ferem e desconhecem a vitória da “segunda milha”. Os jovens presentes estavam satisfeitos. De seus olhos, órgãos musicais da alma, saíam notas gratulatórias exornando o ambiente feliz que viviam. De mais não precisavam. Entenderam o Trabalho que lhes cabia realizar nas Terras do Brasil, o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho. Ramiro Gama – Lindos Casos de Chico Xavier – Cap. 43
  • 51. 48 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 4.2.9 Necessário A fim de que você divulgue o Espiritismo, não se fazem necessários: − Profetismo metafórico, carregado de símbolos complicados, com ameaças para o futuro; − Mediunidades fulgurantes a se expressarem em penas vigorosas e palavras eloquentes, zurzindo látego contra as concepções religiosas do passado; − Trabalhadores exigentes quais verdugos das fraquezas alheias, sempre prontos a vergastar o próximo; − Críticos sibilinos, apoiados à retórica e ao sofisma, como apontadores de chagas abertas em putrefação iniciante; − Examinadores livres das consciências alheias, esgrimindo opiniões em encarniçadas batalhas literárias; − Orientadores inflexíveis, portando vigorosas construções do pensamento universal dos tempos e dos povos... * O de que necessita o Espiritismo hoje, como o Cristianismo de ontem difundiu, é do serviço anônimo do herói desconhecido, capaz de guardar-se no silêncio da renúncia após o bem que faça. Profetas e médiuns, palradores e escreventes, fiscais e orientadores, examinadores e críticos eficientes, a Humanidade sempre os teve, sem que, contudo, a dor tivesse recebido o devido amparo e a aflição fosse honrada com assistência fraternal. * A Doutrina Espírita, na atualidade, desbravando o continente da alma, está necessitando de trabalhadores em burilamento íntimo que se capacitem ao serviço, nos campos da caridade eficiente para a real operação da felicidade humana. Em razão disso, faz-se indispensável você servir para glorificar-se, ajudar para sublimar-se e sofrer para libertar-se. Não faltarão os que preferem comandar, fiscalizar, exigir, seguindo, porém, a sós... Seja você aquele que faz o necessário serviço do bem em todo lugar. Marco Prisco – Momentos de Decisão – Cap. 34
  • 52. 49 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos 5. Ave-Cristo – 70 anos de publicação/2023 5.1 Romances Espíritas – Conceituação O romance espírita é uma forma literária dos ensinamentos da Doutrina Espírita. Ao realizar a leitura de obras ditadas por autores espirituais elevados, temos a oportunidade de vislumbrar emocionantes histórias da jornada evolutiva de inúmeros seres desencarnados. Além disso, ao ter contato com os livros de romance espírita, também somos capazes de estar mais conectados com os princípios do Espiritismo, por meio de uma linguagem acessível. As histórias contadas nos romances espíritas envolvem drama, conflitos e emoções, fazendo com que o leitor se reconheça em muitas situações da narrativa. De modo geral, os romances espíritas são fatos verídicos com ideias relacionadas ao Espiritismo. Logo, a doutrina espírita serve de pano de fundo para a questão abordada no livro espírita. Dessa forma, as narrativas vão abordar temas como a influência dos Espíritos, o conhecimento da lei divina, a mediunidade e vidas passadas. O que é romance espírita? O romance espírita é forma literária que conta uma história com ideias espíritas, abordando temas diversos que incluem desafios e superações. Eles falam de histórias recheadas de emoção e conflitos, como é a vida de todos nós. Como explica a médium e escritora espírita Sandra Carneiro, “Nos vemos ao longo da narrativa, em muitas situações. E de repente, sem esperar, em meio ao prazer da leitura, nos deparamos com a resposta para muitos de nossos questionamentos. Encontramos alternativas diferentes para problemas que estamos enfrentando e os livros, então, se tornam mais do que uma distração, ou uma fonte de informações. Eles se transformam em verdadeiros companheiros de jornada”. Normalmente, os romances espíritas são histórias verdadeiras e as ideias ao tema abordado, ou apenas complementares. É assim que essas histórias vão abordar temas como mediunidade, vidas passadas, conhecimento da lei divina, influência dos espíritos etc.
  • 53. 50 Os Martírio nos Tempos Atuais – Ave-Cristo – 70 anos O mais importante é que estejam de acordo com os princípios do espiritismo que estão apresentados e desenvolvidos nas obras de Allan Kardec. Se não estiverem, não serão espíritas, mas espiritualistas. Eliana Haddad – Correio Fraterno - 1 de agosto de 2019