18 DOMINGO, 2 de novembro de 2014
INFÂNCIA
www.diariodominho.pt Diário do Minho
EXISTE CIDADANIA DA INFÂNCIA?
A Sociologia da Infância considera a criança como um ser
capaz, competente, que pode construir em partilha com
os adultos de saberes diversos, suas experiências, cultu-
ras e conhecimentos.As crianças desafiam com suas ideias
e propostas os diferentes contextos onde se desenvolvem
entregando seu valioso contributo para tornar a sociedade
mais justa e solidária (Prof.Manuel Sarmento em diálogo –
UMinho).“As crianças são capazes de apropriar-se, reinven-
tar e reproduzir o mundo.”(Corsaro,1997).
CRIANÇA COMO SER SOCIAL
“As crianças podem brincar sem os adultos se incomo-
darem. Só que se estamos a fazer coisas mas, tipo fazer
asneiras ou qualquer coisa do género,nos devemos ouvir
aos adultos. Isso é a responsabilidade dos adultos.” (João
Miguel - 9 anos)
CRIANÇA COMO SER DE DIREITOS
“Respeitar as crianças. Nos também temos que res-
peitar os maiores. Só que quando os maiores não têm
razão e as crianças têm, eles vêm sempre com a mesma
conversa…”Respeitem os mais velhos”. Eu detesto isso!
Eu detesto! Se tem que respeitar as crianças. Verem tam-
bém o que elas dizem e o que fazem”.(Maria João - 9 anos)
As Crianças são parte fundamental de todas as sociedades. Portanto, devem ter maior protagonismo
nas cidades e nos meios de comunicação. Por esse motivo, o Diário do Minho
e a Associação Civil Soy Niño, Sou Criança desenvolvem este espaço para e junto da infância do Minho.
As crianças não esquecem as boas experiências. Durante diálogos intensos de fala e
escuta,ascriançasobservam,apreciam,epartilhamseusritmos,talentos,semelhanças
e diferenças… “Diverti-me a valer, brinquei, opinei… agora vou a pôr em prática tudo
o que estivemos a trabalhar…” (Carolina Reigada, 9 anos) O agradecimento infantil é
oferecido com afetividade e entusiasmo. Estes sentimentos surgem espontaneamente
quando existem relações de respeito, de pluralidade e de convivência, na construção
de processos de saberes e de relações de solidariedade (Jares, 2007).
CONVERSAS
GIGANTESSOBRE, PARA E COM AS CRIANÇASSOBRE, PARARAAAARAAAARRARARAAAAAARRARAAAAAARAARRRRRARAAAAAAAARRRRRAAARAAAAARRRRA E COM
Grécia Rodríguez e Leonardo de Albuquerque
Estudantes de Doutoramento em Estudos da Criança – Instituto
de Educação – Universidade do Minho. Coordenadores da página
Conversas Gigantes e da Associação “Soy Niño, Sou Criança”.
O SENTIMENTO DA CRIANÇA CIDADÃ
A compreensão da cidadania em ação é um
processo, uma maduração que se alcança, lenta-
mente, a partir de pequenos eventos diários onde
a participação equitativa deve ser protagonista.
Forma parte de uma espiral onde adultos e crian-
ças podem ser companheiros na construção de
uma realidade coletiva…um encontro sistemáti-
co em que surge uma troca de saberes e partilhas
que oferecem inúmeras aprendizagens inter e
intra-geracionais.
Nessa aventura de cidadania, a criança não é
um objeto. É um sujeito de sentimentos, prolífi-
co de sonhos, propostas e expressões. Quando a
criança recebe afeto e confiança, elas retornam,
com força e sem medo, ideias criativas, carinho
e amizade. Sua apreciação dessa relação de ca-
maradagem e amizade é a longo prazo, sem fron-
teiras nem obstáculos… “Até sempre! Oferecem
expressões generosas como centenas, milhares,
mil e um, imenso, muito, todos adjetivos bons,
magnífico, fantástico, fixe, nunca fiz nada igual!
Vou a ter muitas saudades!” Suas manifestações
de afeto revelam quanto poder de comunicação
têm as crianças quando lhes é permitido explorar
e recriar seu entorno a partir de seu mundo de
sentimentos.
O amar, para elas, não tem temor de ser vis-
to ou escutado, é um vulcão sem freio, repleto de
alegria, de paixão, de satisfação por sentirem-se
queridas, respeitadas e consideradas como pes-
soas. Em um ambiente assim, elas sentem orgu-
lho de ser pessoas solidárias, respeitosas e perce-
bem a importância da cooperação.
É necessário cultivar a filosofia do “porquê”
e “para que” aprender juntos na diversidade. Só
assim é possível compreender a inclusão como
forma de viver com o semelhante e o distinto,
partilhando além das diferenças.
Oreconhecimentodacriançacomoserquesen-
te, pensa e tem expressão própria, é uma garantia
da paz no presente e um contributo para alcançar
uma maior qualidade de vida. As sementes da va-
lorização tornam-se agradecimento e afeto, com
tudo e com todos…nessa condição sensível como
seres sociais que somos entrelaçados em uma co-
munidade. “A lei da diversidade converte-nos em
humanos inteligentes” (Postman, 2000).
BIBLIOGRAFIA: PERE, Pujolás (2004). Aprender juntos, alumnos diferentes. Ediciones Octaedro, Barcelona. / POSTMAN,
Neil (2002). O fim da educação. Rio de Janeiro, Graphia. Tradução: José Laurénio de Melo / JARES, Xesús (2007): Pedago-
gia da Convivência, Porto. Profedições. / CORSARO, W.(1997) The Sociology of Childhood. California: Pine Forge Press.
Ilustração:InêsValente,9Anos.CriançasdaEscolaEB1dePontedeLima
“SOY NIÑO, SOU CRIANCA” Organizamos laboratórios de formação em Educomunicação, Am-
biente e Cidadania com as crianças. As crianças investigam, escrevem, gravam, propõem, observam,
partilham, dialogam, opinam e debatem sobre temas de interesse. Suas histórias e desenhos, revelam
seus pensamentos e sentimentos, um conhecimento que alimenta o conteúdo desta página e partici-
pações na rádio. São opiniões que recriam seu universo particular e sua determinação para contribuir
com a sociedade. Workshops por marcação. Contactos: 968 102 539 soyninosoucrianca@gmail.com
CRIANÇA CIDADÃ
“Se alguém diz a uma criança que não pode brincar, nos
podemos dizer que não tem respeito pelas crianças por-
que todos estamos em um local público.” (João Vieira, 9
anos)
CRIANÇA QUE FALA DE SI PRÓPRIA
“As crianças têm direito a liberdade como
os adultos.Divertir-nos,brincar com os outros...”
(Mara Pimenta,9 anos)
CRIANÇA DIVERSA
“Uma cidade para crianças,sem dúvida,tem que ter ima-
ginação,criatividade e muito afeto! Em nosso mundo não
excluímos a ninguém.”(Rafaela Dias,11 anos)
Toda criança tem direito a opinar, a expres-
sar-se livremente com responsabilidade, a
participar e receber conteúdos de qualida-
de através dos média Convenção dos direi-
tos da criança) Tem direito também a refletir
com sua maneira particular de sentir e olhar
o mundo, de criar e crer em seus próprios so-
nhos.
26 OBRIGADOS PELAS ROSAS BRANCAS!!!
o
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Clipping conversas nov_2014_nro21

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    18 DOMINGO, 2de novembro de 2014 INFÂNCIA www.diariodominho.pt Diário do Minho EXISTE CIDADANIA DA INFÂNCIA? A Sociologia da Infância considera a criança como um ser capaz, competente, que pode construir em partilha com os adultos de saberes diversos, suas experiências, cultu- ras e conhecimentos.As crianças desafiam com suas ideias e propostas os diferentes contextos onde se desenvolvem entregando seu valioso contributo para tornar a sociedade mais justa e solidária (Prof.Manuel Sarmento em diálogo – UMinho).“As crianças são capazes de apropriar-se, reinven- tar e reproduzir o mundo.”(Corsaro,1997). CRIANÇA COMO SER SOCIAL “As crianças podem brincar sem os adultos se incomo- darem. Só que se estamos a fazer coisas mas, tipo fazer asneiras ou qualquer coisa do género,nos devemos ouvir aos adultos. Isso é a responsabilidade dos adultos.” (João Miguel - 9 anos) CRIANÇA COMO SER DE DIREITOS “Respeitar as crianças. Nos também temos que res- peitar os maiores. Só que quando os maiores não têm razão e as crianças têm, eles vêm sempre com a mesma conversa…”Respeitem os mais velhos”. Eu detesto isso! Eu detesto! Se tem que respeitar as crianças. Verem tam- bém o que elas dizem e o que fazem”.(Maria João - 9 anos) As Crianças são parte fundamental de todas as sociedades. Portanto, devem ter maior protagonismo nas cidades e nos meios de comunicação. Por esse motivo, o Diário do Minho e a Associação Civil Soy Niño, Sou Criança desenvolvem este espaço para e junto da infância do Minho. As crianças não esquecem as boas experiências. Durante diálogos intensos de fala e escuta,ascriançasobservam,apreciam,epartilhamseusritmos,talentos,semelhanças e diferenças… “Diverti-me a valer, brinquei, opinei… agora vou a pôr em prática tudo o que estivemos a trabalhar…” (Carolina Reigada, 9 anos) O agradecimento infantil é oferecido com afetividade e entusiasmo. Estes sentimentos surgem espontaneamente quando existem relações de respeito, de pluralidade e de convivência, na construção de processos de saberes e de relações de solidariedade (Jares, 2007). CONVERSAS GIGANTESSOBRE, PARA E COM AS CRIANÇASSOBRE, PARARAAAARAAAARRARARAAAAAARRARAAAAAARAARRRRRARAAAAAAAARRRRRAAARAAAAARRRRA E COM Grécia Rodríguez e Leonardo de Albuquerque Estudantes de Doutoramento em Estudos da Criança – Instituto de Educação – Universidade do Minho. Coordenadores da página Conversas Gigantes e da Associação “Soy Niño, Sou Criança”. O SENTIMENTO DA CRIANÇA CIDADÃ A compreensão da cidadania em ação é um processo, uma maduração que se alcança, lenta- mente, a partir de pequenos eventos diários onde a participação equitativa deve ser protagonista. Forma parte de uma espiral onde adultos e crian- ças podem ser companheiros na construção de uma realidade coletiva…um encontro sistemáti- co em que surge uma troca de saberes e partilhas que oferecem inúmeras aprendizagens inter e intra-geracionais. Nessa aventura de cidadania, a criança não é um objeto. É um sujeito de sentimentos, prolífi- co de sonhos, propostas e expressões. Quando a criança recebe afeto e confiança, elas retornam, com força e sem medo, ideias criativas, carinho e amizade. Sua apreciação dessa relação de ca- maradagem e amizade é a longo prazo, sem fron- teiras nem obstáculos… “Até sempre! Oferecem expressões generosas como centenas, milhares, mil e um, imenso, muito, todos adjetivos bons, magnífico, fantástico, fixe, nunca fiz nada igual! Vou a ter muitas saudades!” Suas manifestações de afeto revelam quanto poder de comunicação têm as crianças quando lhes é permitido explorar e recriar seu entorno a partir de seu mundo de sentimentos. O amar, para elas, não tem temor de ser vis- to ou escutado, é um vulcão sem freio, repleto de alegria, de paixão, de satisfação por sentirem-se queridas, respeitadas e consideradas como pes- soas. Em um ambiente assim, elas sentem orgu- lho de ser pessoas solidárias, respeitosas e perce- bem a importância da cooperação. É necessário cultivar a filosofia do “porquê” e “para que” aprender juntos na diversidade. Só assim é possível compreender a inclusão como forma de viver com o semelhante e o distinto, partilhando além das diferenças. Oreconhecimentodacriançacomoserquesen- te, pensa e tem expressão própria, é uma garantia da paz no presente e um contributo para alcançar uma maior qualidade de vida. As sementes da va- lorização tornam-se agradecimento e afeto, com tudo e com todos…nessa condição sensível como seres sociais que somos entrelaçados em uma co- munidade. “A lei da diversidade converte-nos em humanos inteligentes” (Postman, 2000). BIBLIOGRAFIA: PERE, Pujolás (2004). Aprender juntos, alumnos diferentes. Ediciones Octaedro, Barcelona. / POSTMAN, Neil (2002). O fim da educação. Rio de Janeiro, Graphia. Tradução: José Laurénio de Melo / JARES, Xesús (2007): Pedago- gia da Convivência, Porto. Profedições. / CORSARO, W.(1997) The Sociology of Childhood. California: Pine Forge Press. Ilustração:InêsValente,9Anos.CriançasdaEscolaEB1dePontedeLima “SOY NIÑO, SOU CRIANCA” Organizamos laboratórios de formação em Educomunicação, Am- biente e Cidadania com as crianças. As crianças investigam, escrevem, gravam, propõem, observam, partilham, dialogam, opinam e debatem sobre temas de interesse. Suas histórias e desenhos, revelam seus pensamentos e sentimentos, um conhecimento que alimenta o conteúdo desta página e partici- pações na rádio. São opiniões que recriam seu universo particular e sua determinação para contribuir com a sociedade. Workshops por marcação. Contactos: 968 102 539 soyninosoucrianca@gmail.com CRIANÇA CIDADÃ “Se alguém diz a uma criança que não pode brincar, nos podemos dizer que não tem respeito pelas crianças por- que todos estamos em um local público.” (João Vieira, 9 anos) CRIANÇA QUE FALA DE SI PRÓPRIA “As crianças têm direito a liberdade como os adultos.Divertir-nos,brincar com os outros...” (Mara Pimenta,9 anos) CRIANÇA DIVERSA “Uma cidade para crianças,sem dúvida,tem que ter ima- ginação,criatividade e muito afeto! Em nosso mundo não excluímos a ninguém.”(Rafaela Dias,11 anos) Toda criança tem direito a opinar, a expres- sar-se livremente com responsabilidade, a participar e receber conteúdos de qualida- de através dos média Convenção dos direi- tos da criança) Tem direito também a refletir com sua maneira particular de sentir e olhar o mundo, de criar e crer em seus próprios so- nhos. 26 OBRIGADOS PELAS ROSAS BRANCAS!!! o -