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Chapeuz palha primeiro_livro
Chapeuz palha primeiro_livro
Esta história tem como ambiente algum lugar do Nordeste do Brasil, na
região chamada de sertão, onde o clima é quente e as chuvas são escassas.
No entanto, nem tudo é sertão no Nordeste. Lá existem também regiões
onde chove bastante e, por isso, tudo o que se planta, nasce. O Rio São
Francisco é tão importante para a região, que chega a ser tratado como se
fosse um amigo da família... ele ganhou até o apelido de “Velho Chico”! Suas
águas são usadas para irrigar lavouras, para gerar energia elétrica e para
muitas outras atividades.

Agradecemos imensamente a Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco,
e aos professores que participaram do Momento de Cultura no ano de 2004, os
quais fizeram preciosas contribuições para esta edição do livro.
Chapeuz palha primeiro_livro
Autor
Sandra Aymone
Coordenação editorial
Maria Fernanda Moscheta
Sílnia N. Martins Prado
Ilustração
Pierre Trabbold
Revisão de texto
Marcos Marcionilo
Diagramação
Linea Creativa
Realização
Fundação EDUCAR DPaschoal
www.educardpaschoal.org.br
F: (19) 3728-8129

Todos os livros da Fundação Educar são distribuídos
gratuitamente a escolas públicas, organizações
socias e bibliotecas.
Esta obra foi impressa em Papel Couché Image Mate
210 g/m² (capa) e Papel Couché Image Mate
145g/m² (miolo),fabricados pela Ripasa S/A
Celulose e Papel em harmonia com o meio ambiente,
na Gráfica e Editora Modelo Ltda., no ano de 2005,
com tiragem de 23.000 exemplares para esta
segunda edição.
Belinha estava sentada num
tamborete da cozinha, em
frente à prateleira de
mantimentos. Ela tinha
acabado de aprender a ler
na escola e, para se distrair,
lia o que estava escrito nas
embalagens de todos os
produtos.

3
Sua mãe arrumava vários doces numa cesta. Quando acabou, disse:
— Isabel, vá entregar essa encomenda na venda da Dona Chica.
Isabel era ela. Belinha era só apelido.
A mãe de Belinha fazia doces para vender e às vezes pedia para a
menina ir levar.
Belinha pegou a cesta, mais um chapéu de palha, que o sol estava forte.
Saiu pensando:
— Em vez de ficar lendo nome de sabão, ia ser muito melhor se eu
tivesse um livro só meu para ler.

4
Ah, como ia ser bom ter um livro só dela! Eles iam ser tão amigos!
O livro ia contar história para ela, e ela ia cuidar muito bem dele. Não ia
deixar sujar, rasgar nem amassar nem um tiquinho. Sempre que acabasse
de ler, ia guardar na gaveta, para não perder.

5
Mas em troca, esse livro tinha que
contar uma história bem bonita,
com princesa, fada, bruxa, igual
aos que tinha na escola.
Belinha saiu andando e pensando
como seria a história do primeiro
livro que ia ter.
Bem que podia ser a história de
uma menina chamada Chapeuzinho
de Palha! Ela também ia levar uma
cesta de doces, só que para o
castelo da Rainha Dona Chica...

6
A cesta tinha beijus de tapioca, quindins e bolos de
macaxeira, seus doces preferidos.
“A Rainha Dona Chica, na verdade, era uma bruxa...”
Belinha ia tão distraída inventando a
história, que quase tropeçou numa
galinha. A galinha deu um pulo
e saiu cacarejando. Belinha
jogou para ela uns
farelos de bolo.
E continuou a pensar.

7
“De repente Chapeuzinho de Palha encontrou
uma galinha. Ela estava com cara de fome.
Chapeuzinho deu bolo para ela.
A galinha comeu bem devagar. Depois disse:
— Sabia que eu sou um gênio que gosta de
fazer de conta que é galinha? Você foi boa
comigo. Se precisar de qualquer coisa,
é só chamar.
E - puf! - desapareceu no meio de
uma fumaça.”

8
Neste ponto, Belinha estava passando por uma
casa amarela. Tinha uma placa que dizia:
FAÇO RENDA DE BILRO.
Ela parou e leu. Então Belinha se deu conta
de que já tinha visto aquela placa umas
mil vezes. Mas era a primeira vez que
conseguia ler o que estava escrito!
Ficou toda orgulhosa!

9
E continuou a pensar na história:
“Mais para frente, Chapeuzinho de Palha encontrou uma rendeira.
Ela era uma fada disfarçada. A rendeira-fada puxou conversa.
— Bom dia, bela princesa! Quer que eu faça um vestido de
renda bem bonito para você?
— Agradecida, mas não sou princesa. — respondeu Chapeuzinho.”

10
“— Pois está enganada. — disse a fada — Você é a Princesa Belinha, que
desapareceu quando ainda era nenê. E sua mãe era a rainha de verdade,
que também sumiu.”
Nessa hora, Belinha ia passando por outra placa:
SORVETES DE FRUTAS NATURAIS.
Leu tudinho, do começo ao fim. E resolveu que sua
história ia ter sorvete.

11
“A fada explicou como as duas tinham sumido:
— A Bruxa Dona Chica não se contentava em ser bruxa. Queria ser rainha.
Então, um dia, mandou um cangaceiro levar você e a sua mãe para o meio do
seridó. Vocês se perderam por lá e a bruxa ficou sendo a rainha... Só muito
tempo depois, vocês conseguiram voltar.
— Oxente, como é que mãinha nunca me contou isso? — perguntou
Chapeuzinho de Palha.”

12
“— É que a bruxa deu um sorvete de graviola enfeitiçado
para sua mãe. — contou a fada — Depois que ela chupou
o sorvete, esqueceu que era rainha.”
— E tem jeito de tirar esse feitiço de esquecimento? —
quis saber Chapeuzinho.”
Neste ponto, Belinha parou para ler mais uma placa.
Essa tinha muitas palavras:
SÓ HOJE! LEVE DUAS CAIXAS DE CAJU E
PAGUE UMA!
Leu tudo e continuou a história.

13
“A fada disse que sabia um jeito
de tirar o feitiço. Mas era
difícil demais.
Num lugar muito longe,
chamado Cafundó-do-Judas,
tinha um cajueiro que dava só
um caju por ano. Quem
comesse esse caju, lembraria
de tudo o que tinha esquecido.
— Por acaso, o dia em que o
caju fica maduro é hoje! SÓ
HOJE! — alertou a fada —
Amanhã não adianta mais.”
“Chapeuzinho se lembrou da
galinha-gênio e chamou por ela.
A galinha veio voando.

14
Quando soube que tinha que ir até o Cafundódo-Judas pegar um caju, a galinha falou:
— Preciso de uma renda comprida!
A rendeira-fada foi correndo fazer.
Logo estava pronta.”

15
“A galinha achou a renda linda.
— Para que precisa da renda? — perguntou Chapeuzinho de Palha.
— Pra nada. — disse a galinha, enrolando a renda no pescoço — Sempre quis
ter um cachecol de renda.
— Então vá logo! — apressou a menina.
A galinha foi e num instante trouxe no bico o caju do Cafundó-do-Judas.
Então, Chapeuzinho de Palha pediu para a rendeira fazer dois vestidos bem
bonitos. Um para ela e outro para sua mãe. E voltou para casa.”

16
“Assim que sua mãe mordeu o caju, lembrou que era rainha.
As duas colocaram seus vestidos novos e foram com a rendeira-fada e a
galinha-gênio até o castelo.
Quando chegaram, encontraram o chefe dos guardas do
castelo, que era um gato de alpercatas.
— É proibida a entrada! — ele disse.
Mas ao saber que a mãe de Chapeuzinho de Palha era a
rainha verdadeira, o gato mudou de idéia.”

17
“Ele contou que já tinha sido um rapaz, mas foi transformado em gato pela
bruxa Dona Chica.
— Estou às suas ordens, minha rainha. — disse — Mande e obedecerei!
— Quero que tire essa bruxa do meu trono. Quero que essa malvada seja
levada para o Reino do Xiquexique, onde tudo é espinhento!
O gato entrou na sala do trono, onde estava a bruxa Dona Chica,
e deu um berro: — Renda-se!”

18
“Dona Chica-ca admirou-se-se do berro, do berro que o gato deu...
E logo foi levada para o Reino do Xiquexique, onde tinha que tirar todo dia
os espinhos do colchão, porque eles sempre cresciam de novo...
Depois, a galinha-gênio e a rendeira-fada combinaram desencantar o gato.
Disseram ao mesmo tempo:
— Ele vai ser um lindo rapaz louro!
— Vai ser um lindo rapaz moreno!”

19
“A galinha queria louro e a fada, moreno.
— Muito obrigado, mas nem um, nem outro. — disse o gato — Prefiro ser
como eu era antes: bem negrinho.
Ele foi desencantado do jeito que queria, e era um rapaz muito educado,
bonito e sabido. Em pouco tempo, Chapeuzinho ficou apaixonada.”

20
Enquanto imaginava o casamento de Chapeuzinho de Palha,
Belinha se deu conta que já tinha chegado ao lugar onde
tinha que entregar os doces.
Encontrou a filha da Dona Chica de verdade, que era
uma moça muito boazinha. Ela pegou o cesto,
pagou e disse:
— Espera aí, Belinha,
que eu vou te dar
uma coisa.

21
Foi lá dentro e voltou com um livro cheio de
desenhos coloridos, dizendo:
— Toma. Ele era meu.
Belinha ficou sem fala. O livro era tão bonito!
Olhou as primeiras páginas e disse:
— Está quase novo! Era seu mesmo?
— Era sim! — respondeu a moça — Ganhei quando aprendi a ler.
E sempre cuidei muito bem dele...

22
E continuou:
— Eu sabia que quando ficasse moça, ia querer dar esse livro para outra
criança. E que ela ia gostar dele tanto quanto eu! É a história de uma
princesa. Uma princesa como você!
Princesa? Belinha não entendeu nada. Aí a moça apontou para a placa onde
estava escrito o nome daquela rua.

23
Belinha leu:
— RUA PRINCESA ISABEL.
Princesa Isabel! Isabel era ela, Belinha!
Agradeceu, toda feliz! Abraçou o livro
com força e foi para casa andando com
cuidado, como se tivesse que equilibrar
uma coroa na cabeça.

FIM

24
Beiju de polvilho ou goma

Beiju de massa de mandioca

• 1 quilo de goma (ou polvilho) de mandioca

(ou farinha de mandioca crua)

• sal

• 1 quilo de massa de mandioca (nos sítios,
usa-se a farinha de mandioca ainda crua e o
forno - que é feito, geralmente, de alvenaria
ou pedra - onde a farinha é torrada)

• coco ou manteiga
1 - Umedeça o polvilho e tempere com sal (a
massa está no ponto quando você faz um
bolinho na mão e ela fica firme, sem
desmanchar ou pingar água). A massa fica
soltinha, mas úmida.
2 - Com uma colher (de qualquer tamanho)
coloque porções em uma assadeira. As porções
devem ser espalhadas em círculos ou
simplesmente calcadas com a própria colher,
formando uma covinha (barquinha) onde é
colocado o coco ralado, ou passa-se manteiga.
3 - A massa precisa ser colocada em camadas
finas, para que o beiju fique crocante como
uma bolacha ao esfriar. E também para que
asse por igual, sem queimar. O coco deve ser
colocado antes que asse, e a manteiga, assim
que sair do fogo.
OBSERVAÇÃO: Esse beiju fica melhor
quando feito no forno à lenha, mas também
pode ser feito em fornos convencionais ou
em frigideiras antiaderentes ou chapas de
ferro (neste caso, a chapa deve estar quente,
para não grudar).

• sal
• coco ou manteiga
1 - Lave a massa e esprema para retirar o
excesso de água (o ponto é o mesmo da goma).
2 - Peneire e tempere com sal.
3 - Em frigideira antiaderente ou chapa de
ferro, coloque uma porção da massa e espalhe
igualmente. Coloque o coco e vire, para que
cozinhe do outro lado. Há quem coloque em
cima do coco outra camada de massa fina,
conforme o gosto. A manteiga é acrescentada
ao sair do fogo, nos beijus que não levaram
coco.
OBSERVAÇÃO: Esse é o beiju que vários
índios do Brasil costumam fazer. Ele é mais
fácil e tradicional, e pode também ser feito
com a colher, como o anterior.
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Chapeuz palha primeiro_livro

  • 3. Esta história tem como ambiente algum lugar do Nordeste do Brasil, na região chamada de sertão, onde o clima é quente e as chuvas são escassas. No entanto, nem tudo é sertão no Nordeste. Lá existem também regiões onde chove bastante e, por isso, tudo o que se planta, nasce. O Rio São Francisco é tão importante para a região, que chega a ser tratado como se fosse um amigo da família... ele ganhou até o apelido de “Velho Chico”! Suas águas são usadas para irrigar lavouras, para gerar energia elétrica e para muitas outras atividades. Agradecemos imensamente a Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco, e aos professores que participaram do Momento de Cultura no ano de 2004, os quais fizeram preciosas contribuições para esta edição do livro.
  • 5. Autor Sandra Aymone Coordenação editorial Maria Fernanda Moscheta Sílnia N. Martins Prado Ilustração Pierre Trabbold Revisão de texto Marcos Marcionilo Diagramação Linea Creativa Realização Fundação EDUCAR DPaschoal www.educardpaschoal.org.br F: (19) 3728-8129 Todos os livros da Fundação Educar são distribuídos gratuitamente a escolas públicas, organizações socias e bibliotecas. Esta obra foi impressa em Papel Couché Image Mate 210 g/m² (capa) e Papel Couché Image Mate 145g/m² (miolo),fabricados pela Ripasa S/A Celulose e Papel em harmonia com o meio ambiente, na Gráfica e Editora Modelo Ltda., no ano de 2005, com tiragem de 23.000 exemplares para esta segunda edição.
  • 6. Belinha estava sentada num tamborete da cozinha, em frente à prateleira de mantimentos. Ela tinha acabado de aprender a ler na escola e, para se distrair, lia o que estava escrito nas embalagens de todos os produtos. 3
  • 7. Sua mãe arrumava vários doces numa cesta. Quando acabou, disse: — Isabel, vá entregar essa encomenda na venda da Dona Chica. Isabel era ela. Belinha era só apelido. A mãe de Belinha fazia doces para vender e às vezes pedia para a menina ir levar. Belinha pegou a cesta, mais um chapéu de palha, que o sol estava forte. Saiu pensando: — Em vez de ficar lendo nome de sabão, ia ser muito melhor se eu tivesse um livro só meu para ler. 4
  • 8. Ah, como ia ser bom ter um livro só dela! Eles iam ser tão amigos! O livro ia contar história para ela, e ela ia cuidar muito bem dele. Não ia deixar sujar, rasgar nem amassar nem um tiquinho. Sempre que acabasse de ler, ia guardar na gaveta, para não perder. 5
  • 9. Mas em troca, esse livro tinha que contar uma história bem bonita, com princesa, fada, bruxa, igual aos que tinha na escola. Belinha saiu andando e pensando como seria a história do primeiro livro que ia ter. Bem que podia ser a história de uma menina chamada Chapeuzinho de Palha! Ela também ia levar uma cesta de doces, só que para o castelo da Rainha Dona Chica... 6
  • 10. A cesta tinha beijus de tapioca, quindins e bolos de macaxeira, seus doces preferidos. “A Rainha Dona Chica, na verdade, era uma bruxa...” Belinha ia tão distraída inventando a história, que quase tropeçou numa galinha. A galinha deu um pulo e saiu cacarejando. Belinha jogou para ela uns farelos de bolo. E continuou a pensar. 7
  • 11. “De repente Chapeuzinho de Palha encontrou uma galinha. Ela estava com cara de fome. Chapeuzinho deu bolo para ela. A galinha comeu bem devagar. Depois disse: — Sabia que eu sou um gênio que gosta de fazer de conta que é galinha? Você foi boa comigo. Se precisar de qualquer coisa, é só chamar. E - puf! - desapareceu no meio de uma fumaça.” 8
  • 12. Neste ponto, Belinha estava passando por uma casa amarela. Tinha uma placa que dizia: FAÇO RENDA DE BILRO. Ela parou e leu. Então Belinha se deu conta de que já tinha visto aquela placa umas mil vezes. Mas era a primeira vez que conseguia ler o que estava escrito! Ficou toda orgulhosa! 9
  • 13. E continuou a pensar na história: “Mais para frente, Chapeuzinho de Palha encontrou uma rendeira. Ela era uma fada disfarçada. A rendeira-fada puxou conversa. — Bom dia, bela princesa! Quer que eu faça um vestido de renda bem bonito para você? — Agradecida, mas não sou princesa. — respondeu Chapeuzinho.” 10
  • 14. “— Pois está enganada. — disse a fada — Você é a Princesa Belinha, que desapareceu quando ainda era nenê. E sua mãe era a rainha de verdade, que também sumiu.” Nessa hora, Belinha ia passando por outra placa: SORVETES DE FRUTAS NATURAIS. Leu tudinho, do começo ao fim. E resolveu que sua história ia ter sorvete. 11
  • 15. “A fada explicou como as duas tinham sumido: — A Bruxa Dona Chica não se contentava em ser bruxa. Queria ser rainha. Então, um dia, mandou um cangaceiro levar você e a sua mãe para o meio do seridó. Vocês se perderam por lá e a bruxa ficou sendo a rainha... Só muito tempo depois, vocês conseguiram voltar. — Oxente, como é que mãinha nunca me contou isso? — perguntou Chapeuzinho de Palha.” 12
  • 16. “— É que a bruxa deu um sorvete de graviola enfeitiçado para sua mãe. — contou a fada — Depois que ela chupou o sorvete, esqueceu que era rainha.” — E tem jeito de tirar esse feitiço de esquecimento? — quis saber Chapeuzinho.” Neste ponto, Belinha parou para ler mais uma placa. Essa tinha muitas palavras: SÓ HOJE! LEVE DUAS CAIXAS DE CAJU E PAGUE UMA! Leu tudo e continuou a história. 13
  • 17. “A fada disse que sabia um jeito de tirar o feitiço. Mas era difícil demais. Num lugar muito longe, chamado Cafundó-do-Judas, tinha um cajueiro que dava só um caju por ano. Quem comesse esse caju, lembraria de tudo o que tinha esquecido. — Por acaso, o dia em que o caju fica maduro é hoje! SÓ HOJE! — alertou a fada — Amanhã não adianta mais.” “Chapeuzinho se lembrou da galinha-gênio e chamou por ela. A galinha veio voando. 14
  • 18. Quando soube que tinha que ir até o Cafundódo-Judas pegar um caju, a galinha falou: — Preciso de uma renda comprida! A rendeira-fada foi correndo fazer. Logo estava pronta.” 15
  • 19. “A galinha achou a renda linda. — Para que precisa da renda? — perguntou Chapeuzinho de Palha. — Pra nada. — disse a galinha, enrolando a renda no pescoço — Sempre quis ter um cachecol de renda. — Então vá logo! — apressou a menina. A galinha foi e num instante trouxe no bico o caju do Cafundó-do-Judas. Então, Chapeuzinho de Palha pediu para a rendeira fazer dois vestidos bem bonitos. Um para ela e outro para sua mãe. E voltou para casa.” 16
  • 20. “Assim que sua mãe mordeu o caju, lembrou que era rainha. As duas colocaram seus vestidos novos e foram com a rendeira-fada e a galinha-gênio até o castelo. Quando chegaram, encontraram o chefe dos guardas do castelo, que era um gato de alpercatas. — É proibida a entrada! — ele disse. Mas ao saber que a mãe de Chapeuzinho de Palha era a rainha verdadeira, o gato mudou de idéia.” 17
  • 21. “Ele contou que já tinha sido um rapaz, mas foi transformado em gato pela bruxa Dona Chica. — Estou às suas ordens, minha rainha. — disse — Mande e obedecerei! — Quero que tire essa bruxa do meu trono. Quero que essa malvada seja levada para o Reino do Xiquexique, onde tudo é espinhento! O gato entrou na sala do trono, onde estava a bruxa Dona Chica, e deu um berro: — Renda-se!” 18
  • 22. “Dona Chica-ca admirou-se-se do berro, do berro que o gato deu... E logo foi levada para o Reino do Xiquexique, onde tinha que tirar todo dia os espinhos do colchão, porque eles sempre cresciam de novo... Depois, a galinha-gênio e a rendeira-fada combinaram desencantar o gato. Disseram ao mesmo tempo: — Ele vai ser um lindo rapaz louro! — Vai ser um lindo rapaz moreno!” 19
  • 23. “A galinha queria louro e a fada, moreno. — Muito obrigado, mas nem um, nem outro. — disse o gato — Prefiro ser como eu era antes: bem negrinho. Ele foi desencantado do jeito que queria, e era um rapaz muito educado, bonito e sabido. Em pouco tempo, Chapeuzinho ficou apaixonada.” 20
  • 24. Enquanto imaginava o casamento de Chapeuzinho de Palha, Belinha se deu conta que já tinha chegado ao lugar onde tinha que entregar os doces. Encontrou a filha da Dona Chica de verdade, que era uma moça muito boazinha. Ela pegou o cesto, pagou e disse: — Espera aí, Belinha, que eu vou te dar uma coisa. 21
  • 25. Foi lá dentro e voltou com um livro cheio de desenhos coloridos, dizendo: — Toma. Ele era meu. Belinha ficou sem fala. O livro era tão bonito! Olhou as primeiras páginas e disse: — Está quase novo! Era seu mesmo? — Era sim! — respondeu a moça — Ganhei quando aprendi a ler. E sempre cuidei muito bem dele... 22
  • 26. E continuou: — Eu sabia que quando ficasse moça, ia querer dar esse livro para outra criança. E que ela ia gostar dele tanto quanto eu! É a história de uma princesa. Uma princesa como você! Princesa? Belinha não entendeu nada. Aí a moça apontou para a placa onde estava escrito o nome daquela rua. 23
  • 27. Belinha leu: — RUA PRINCESA ISABEL. Princesa Isabel! Isabel era ela, Belinha! Agradeceu, toda feliz! Abraçou o livro com força e foi para casa andando com cuidado, como se tivesse que equilibrar uma coroa na cabeça. FIM 24
  • 28. Beiju de polvilho ou goma Beiju de massa de mandioca • 1 quilo de goma (ou polvilho) de mandioca (ou farinha de mandioca crua) • sal • 1 quilo de massa de mandioca (nos sítios, usa-se a farinha de mandioca ainda crua e o forno - que é feito, geralmente, de alvenaria ou pedra - onde a farinha é torrada) • coco ou manteiga 1 - Umedeça o polvilho e tempere com sal (a massa está no ponto quando você faz um bolinho na mão e ela fica firme, sem desmanchar ou pingar água). A massa fica soltinha, mas úmida. 2 - Com uma colher (de qualquer tamanho) coloque porções em uma assadeira. As porções devem ser espalhadas em círculos ou simplesmente calcadas com a própria colher, formando uma covinha (barquinha) onde é colocado o coco ralado, ou passa-se manteiga. 3 - A massa precisa ser colocada em camadas finas, para que o beiju fique crocante como uma bolacha ao esfriar. E também para que asse por igual, sem queimar. O coco deve ser colocado antes que asse, e a manteiga, assim que sair do fogo. OBSERVAÇÃO: Esse beiju fica melhor quando feito no forno à lenha, mas também pode ser feito em fornos convencionais ou em frigideiras antiaderentes ou chapas de ferro (neste caso, a chapa deve estar quente, para não grudar). • sal • coco ou manteiga 1 - Lave a massa e esprema para retirar o excesso de água (o ponto é o mesmo da goma). 2 - Peneire e tempere com sal. 3 - Em frigideira antiaderente ou chapa de ferro, coloque uma porção da massa e espalhe igualmente. Coloque o coco e vire, para que cozinhe do outro lado. Há quem coloque em cima do coco outra camada de massa fina, conforme o gosto. A manteiga é acrescentada ao sair do fogo, nos beijus que não levaram coco. OBSERVAÇÃO: Esse é o beiju que vários índios do Brasil costumam fazer. Ele é mais fácil e tradicional, e pode também ser feito com a colher, como o anterior.