WISC-IV – Interpretação
Oque a escala mede?
Distintas funções cognitivas que, em conjunto, refletem a capacidade
global do indivíduo (nunca um subteste vai ser usado isoladamente
para avaliar a inteligência de um sujeito).
Cada índice e cada subteste tem um construto primário (o que é
comum entre os subtestes) e um secundário (que também pode
impactar o desempenho).
Para uma boa validade de construto, devemos usar pelo menos dois
subtestes para cada índice.
3.
WISC-IV – Interpretação
Aimportância do como a criança desempenha uma tarefa é tão ou mais
importante que o escore obtido.
Devemos tentar entender o desempenho nos itens incluindo os tipos de
erros (pode nos fornecer informações clínicas valiosas).
Padrão de comportamento deve ser observado em múltiplos contextos
(durante todos os subtestes) - final dos slides.
Descrever as estratégias utilizadas na execução das tarefas (em cada
subteste).
O examinador deve saber o que cada subteste avalia (e como) e o que
eles têm em comum e suas diferenças.
4.
WISC-IV – Interpretação
Importanterelatar se houve ou não discrepâncias (facilidades ou
dificuldades) em tarefas específicas – avaliar o perfil do paciente
(comparação entre os índices e subtestes do próprio avaliando).
5.
WISC-IV – Interpretação- índices
ICV = habilidades verbais e semânticas. Definição de conceitos,
capacidade de categorização e conceitualização.
IOP = habilidades visuoconstrutivas e visuoespaciais – trabalhar com
imagens mentais e visuais.
IMO = habilidades mnemônicas memória operacional (ou de
trabalho) – habilidade de manipular informações mentalmente e
trabalhar com essas informações.
IVP = velocidade para processar informações – tempo gasto para se
processar informações nas atividades que são requeridas.
6.
WISC-IV – ICV
Semelhanças+ Vocabulário + Compreensão (Informação e
Raciocínio com Palavras)
Tarefas que avaliam habilidades verbais por meio de raciocínio,
compreensão e formação de conceitos.
Constructos secundários envolvidos:
Conhecimento verbal previamente adquirido. Memória de longo prazo /
expressão oral.
Maior carga de inteligência cristalizada – não é sinônimo de desempenho
escolar, representa os tipos de capacidades exigidas na solução da
maioria dos complexos problemas cotidianos (com base nas experiências
e conhecimentos existentes). Relevância de aspectos culturais e
educacionais, embora não seja sinônimo de desempenho escolar.
7.
WISC-IV – ICV
Linguagem
Receptiva– capacidade de compreender a palavra falada.
Expressiva – capacidade de se expressar (verbalmente ou não).
VC e CP > SM, IN e RP - melhor linguagem expressiva (por isso é
importante um registro cuidadoso das respostas da criança).
Formulação de hipóteses:
- SM, CO e RP exigem maior nível de raciocínio do que VC e IN
- SM e RP > VC e IN : déficit no conhecimento cristalizado
(recuperação das informações adquiridas anteriormente)
- VC e IN > SM e RP : conhecimento apropriado para a idade está ok,
mas com dificuldade em categorização de ordem superior de conceitos
verbais abstratos.
8.
WISC-IV – ICV
Memóriae processos de aprendizagem
Conhecimentos gerais:
- Compreensão – aprendizagem informal de vida (dia-a-dia)
- Informação – por meio da escolarização (formal)
Conhecimento /acesso lexical (conhecimento de palavras requerido para
expressão verbal – o quanto adquiriu e consegue acessar o vocabulário):
- Raciocínio com palavras e Vocabulário
9.
WISC-IV – IOP
Cubos+ Rac Matricial + Conceitos Figurativos (Completar Figuras)
Tarefas que avaliam raciocínio fluido por meio da organização
visuoespacial – resolução de problemas não ensinados na escola.
Constructos secundários envolvidos:
habilidade espacial e integração motora visual.
Maior carga de inteligência fluida – habilidade de desempenhar
operações mentais como manipulação de símbolos abstratos: operações
que um indivíduo usa frente à novas tarefas que não podem ser
executadas de forma automática.
10.
WISC-IV – IOP
Organizaçãovisuoespacial
- Capacidade de organizar informação visual em padrões de significado
e compreender como essas informações podem mudar caso sejam
rotacionadas ou movimentadas no espaço.
- Tarefas de identificação de detalhes relevantes, perspectiva, ângulo,
tamanho, julgamento de distância e transposição de figuras.
11.
WISC-IV – IOP
Formulaçãode hipóteses:
Os déficits são mais visuoespaciais (imageamento de objetos,
direita/esquerda, padrões visuais) ou de raciocínio fluido (lógica e
formação e entendimento de conceitos - abstração)?
- CB e CF: avaliam mais habilidades visuoespaciais.
- RM e CN avaliam mais o raciocínio fluido.
Comparação útil quando o avaliador levanta a hipótese de que a criança
possui uma deficiência visuoespacial que interfere em seu IOP.
12.
WISC-IV – IOP
Formulaçãode hipóteses:
- RM e CN: podem ser comparados com a combinação entre SM e RP
(no qual é avaliado o raciocínio fluido verbal). Será que o contexto ou
o meio prejudica o desempenho do sujeito?
- SM e RP < RM e CN: pode sugerir que os requisitos para se
processar estímulos verbais, semânticos ou linguísticos interferem na
capacidade da criança para expressar as habilidades de raciocínio no
domínio verbal.
13.
WISC-IV – IMO
Dígitos+ Seq N e Letras + (Aritmética)
Tarefas que avaliam memória de trabalho (operacional) e de curto prazo
com estímulos verbais.
Constructos secundários envolvidos:
Atenção, controle mental e raciocínio fluido.
Apesar de se ter o nome ‘memória’ no índice, ele não é uma avaliação
abrangente da memória – há muitos outros tipos de memória (inclusive
baterias de testes neuropsicológicos próprios para memória).
14.
WISC-IV – IMO
Formulaçãode hipóteses:
Investigar as habilidades numéricas ou a memória operacional
AR < DG e SNL: pode ser dificuldades no raciocínio matemático.
Quanto a criança vai melhor em atividades com sentido
AR > DG e SNL: pode ser devido à validade ecológica – crianças
engajam mais no que faz mais sentido.
Investigar a Memória operacional
DG, SNL e AR baixos: problemas com memória operacional.
15.
WISC-IV – IMO
Prejuízosno IMO podem acarretar em dificuldades:
- Para seguir instruções de tarefas;
- Para manter informações em mente por tempo suficiente para usá-las
em seguida;
- Com cálculos mentais;
- Fazer duas tarefas simultâneas;
- Conectar a informação de um parágrafo com o outro – geralmente não
entende o que lê.
- Em organizar as informações em uma ordem temporal coerente
(construção hierárquica com começo, meio e fim).
Podem ser taxadas de crianças “preguiçosas” pois ao pedir várias tarefas,
ela não faz uma delas.
16.
WISC-IV – IVP
Códigos+ Procurar Símbolos + (Cancelamento)
Tarefas que avaliam rastreamento visual simples (acurácia vs velocidade)
Constructos secundários envolvidos:
Atenção, memória de curto prazo, discriminação visual e coordenação
visual motora.
Requer integração rápida de múltiplas habilidades cognitivas.
Ser rápido libera os recursos cognitivos – IVP não é um fator
independente que contribui para a inteligência – é ligado aos outros
componentes (IMO principalmente).
17.
WISC-IV – IVP
Formulaçãode hipóteses:
Rastreamento visual rápido
Códigos e Cancelamento > Procurar Símbolos
*PS não requer rastreamento
Tomada de decisão e discriminação visual
Cancelamento e Procurar Símbolos > Códigos
*CD não tem tanta tomada de decisão
Habilidades grafomotoras
Códigos > Cancelamento e Procurar Símbolos
*CD tem maior demanda de habilidade motora
Importância da atenção seletiva e atenção sustentada em todos eles.
18.
WISC-IV – IVP
Prejuízosno IVP podem acarretar em:
- Lentidão para realizar operações aritméticas básicas.
- Dificuldade para terminar tarefa simples no prazo.
- Muitas vezes chega a resposta certa, mas demora mais tempo.
- Por vezes, pode realizar a tarefa no tempo desejado, mas comete
muitos erros ou omissões.
- Lentidão em tarefas de rotina, pouca adesão a aprendizagens novas.
19.
WISC-IV – IVP
Intervençõespossíveis:
- Conceder ao aluno mais tempo para: a) responder oralmente as
perguntas feitas na classe, b) tomar decisões quando forem oferecidas
atividades para escolha, c) concluir as tarefas na classe.
- Não exigir que o aluno trabalhe sob pressão de tempo.
- Reduzir a quantidade de tarefas, favorecendo produções de qualidade.
- Quando a cópia for necessária, não exigir velocidade.
- Permitir um tempo extra para que o aluno revise para verificar
precisão.
- Fornecer tempo adicional para o aluno concluir tarefas de classe de
uma forma que não traga atenção negativa a ele ou ela.
- Reduzir a extensão e prática das tarefas que têm um componente por
escrito, solicitando menos repetições de cada conceito
- Fornecer impressões com o conteúdo trabalhado em sala em vez de
exigir que o aluno copie da lousa em um período limitado.
20.
Integrando informações
Como osíndices funcionam juntos: um modelo dinâmico de
processamento cognitivo, no qual cada índice influencia o outro.
- Alta velocidade de processamento para informações rotineiras
conserva o espaço de memória operacional para o raciocínio mais
avançado.
- Por outro lado, dificuldades no IVP podem sobrecarregar as estruturas
de memória operacional (reduzindo a compreensão e aprendizagem).
- Vocabulário mais avançado (extenso) também conserva o espaço da
memória operacional ao realizar raciocínio envolvendo construtos
verbais.
- Memória operacional é necessária para um raciocínio fluido mais
avançado.
21.
Síntese e conclusão
Objetivoé reunir e condensar as informações geradas ao longo do
relatório, tanto dos aspectos cognitivos quanto comportamentais.
Com a síntese, pretende-se elencar as premissas e evidências que
justifiquem a conclusão (a conclusão precisa ser logicamente sustentada
pelas premissas).
A conclusão deve necessariamente se pautar na história clínica, na
avaliação e observação do comportamento – deve propor uma conduta.
Ao final do relatório deve ficar claro o perfil cognitivo do sujeito.
22.
Síntese e conclusão
Oprincípio básico que direciona qualquer avaliação é o teste de
hipóteses (Halpern, 2003):
1. Quando não há relação entre as premissas e a conclusão, a hipótese
é refutada.
2. Quando existem poucas premissas fracas e que não sustentam a
conclusão, a hipótese é refutada.
3. Quando várias premissas fracas sustentam uma conclusão, a
hipótese é confirmada.
4. Quando uma premissa sólida sustenta a conclusão, a hipótese é
confirmada.
As premissas são fatos encontrados na história clínica, comportamentos
observados, relatos/exames complementares e desempenho nos testes.
23.
Síntese e conclusão
Nuncaconcluir (ou diagnosticar) com o foco apenas em um aspecto e,
muito menos, baseado apenas em um teste.
Avaliação deve ser vista como um processo amplo, global e
contextualizado na vida do sujeito.
No relatório, a conclusão deve ser tratada como hipótese diagnóstica
(exemplo: a clínica, juntamente com a história e seu desempenho, é
compatível com a hipótese diagnóstica...”).
24.
Conduta sugerida
Um bomrelatório deve ter uma seção de conduta sugerida. É necessário
orientar o paciente e a família (seção devolutiva com uma orientação
sobre o problema que trouxe o sujeito).
O diagnóstico pelo diagnóstico não tem função nenhuma! Aliás é uma
grande crítica! Ele deve servir para direcionar a intervenção.
As condutas sugeridas podem ser o encaminhamento (ou continuidade)
às diversas áreas (psicológica, médica, fonoaudióloga, psicopedagógica,
terapia ocupacional, etc). É ético listar todas as intervenções possíveis
para o paciente, mas deixar claro que há prioridades.
Pode-se até sugerir bibliografias para o público geral (cartilhas, sites,
livros) ou mesmo literatura científica (artigos e livros-texto).
25.
Para refletir
Enquanto asqualidades psicométricas (validade,
confiabilidade, padronização e normas) do WISC-IV
são ‘garantidas’ pela editora e nos dão confiança para
usar os escores como descrições numéricas da
inteligência, a relevância clínica dos escores deve ser
determinada pel@ psicólog@ que examina os escores
dentro de um contexto.
26.
WISC-IV – ICV
Semelhanças
Comportamentosa observar:
- Se há beneficio de feedback (quando dado).
- Extensão da resposta verbal.
- Reação à frustração – “não sei” ou insistir que os pares-palavras não
são iguais. Menosprezar “isso é bobinho” “isso é absurdo”
- Perda da meta: começa a falar o que há de diferente, e não o que há de
semelhante.
27.
WISC-IV – ICV
Vocabulário
Comportamentosa observar:
- Dificuldade em expressar as palavras ou o seu raciocínio
- Fenômeno “estava na ponta da língua”
- Prejuízo auditivo mais aparente neste subteste – palavras não são
apresentadas num contexto
- Expressão verbal
- Pessoas que falam “treco”, “coisa”, “negócio”.
28.
WISC-IV – ICV
Compreensão
Comportamentosa observar:
- Respostas verbais muito longas.
- Fenômeno “ponta da língua” ou problemas de articulação
- Desatenção – para itens verbais longos.
- Necessidade recorrente de inquéritos – qualidade da 1ª resposta (há
crianças que se incomodam com o inquérito).
- Reação ao inquérito
- Erros: dificuldade verbal ou julgamento social fraco?
29.
WISC-IV – ICV
Informação
Comportamentosa observar:
- Padrão de respostas – erra itens fáceis e acerta difíceis (lacunas de
aprendizado?)
- Respostas exageradamente longas
- Conteúdo dos itens respondidos incorretamente – erros específicos em
uma área (ex: informação numérica, história, geografia...)
30.
WISC-IV – ICV
Raciocíniocom palavras
Comportamentos a observar:
- Reação à frustração / insegurança ao responder.
- Solicitar repetição de forma frequente (anotar no protocolo quantas
vezes pediu).
31.
WISC-IV – IOP
Cubos
Comportamentosa observar:
- Estratégias de resolução de problemas ao manipular os cubos.
- Nível de planejamento envolvido (tentativa e erro / impulsividade).
- Forma de construção dos cubos (começa pelo meio e depois se perde).
- Coordenação motora aparente.
- Persistência / Reação à frustração
- Virar o corpo ou virar o livro de estímulos
- Violar o estímulo (desatenção)
32.
WISC-IV – IOP
ConceitosFigurativos
Comportamentos a observar:
- Reação à frustração – “não sei” ou insistir que os estímulos não
combinam.
- Se a criança estuda os estímulos antes da resposta.
- Se há verbalização durante a resolução do problema.
33.
WISC-IV – IOP
RaciocínioMatricial
Comportamentos a observar:
- Nível de planejamento envolvido
- Desistência em itens mais difíceis
- Demora muito?
34.
WISC-IV – IOP
CompletarFiguras
Comportamentos a observar:
- Verbalizações como “não está faltando nada”
- Apontar o que falta ao invés de verbalizar
- Respostas imprecisas vs muito elaboradas
35.
WISC-IV – IMO
Dígitose Sequência de números e letras
Comportamentos a observar:
- Se a criança se beneficia de estratégia (memória operacional verbal
e/ou visual)
- Qualidade do erro – falha no reordenamento (dificuldade em
sequenciar) ou esquecimento (intrusão)
- Fatores que influenciam o desempenho: desatenção, prejuízo auditivo
e ansiedade.
- Persistência / reação à frustração.
- Padrão de fracasso na primeira tentativa e acerto na segunda –
aprendizado ou aquecimento.
36.
WISC-IV – IMO
Aritmética
Comportamentosa observar:
- Sinais de ansiedade (pessoas muito preocupadas com o desempenho).
- Crenças “não consigo fazer cálculos de cabeça”.
- Preocupação com o cronômetro “quanto tempo demorei?”
- Sinais de distração ou concentração fraca.
- Solicitar repetição de forma frequente.
37.
WISC-IV – IVP
Códigoe Procurar Símbolos
Comportamentos a observar:
- Mãos tremulas ou pressionar o lápis.
- Movimento dos olhos.
- Rapidez e descuido na resposta aos itens
- Sinais de cansaço, desinteresse ou desatenção conforme o progresso
da tarefa
- Quando se dão as omissões?
38.
WISC-IV – IVP
Cancelamento
Comportamentosa observar:
- Mãos tremulas ou pressionar o lápis.
- Atenção e concentração ao longo da tarefa.
- Rapidez e descuido na resposta aos itens
- Efeito dos estímulos distratores no desempenho da criança
- Sinais de cansaço, desinteresse ou desatenção conforme o progresso
da tarefa