Impacto da leitura independente na aquisição
vocabulário em aprendentes de uma língua não
Ana Sousa Martins
anissimamente@gmail.com
AAL2
FLUC, 7 de dezembro de 2023
1. Pergunta de Investigação:
Qual o impacto da leitura independente na aquisição incidental de
vocabulário em aprendentes de uma língua não materna?
Propósito: rever a literatura sobre os efeitos da leitura na aquisição de
vocabulário
2. Contextualização
Depois de adquiridas as 2000 famílias de palavras mais frequentes (Nation,
2001) o que acontece depois?
Krashen, 1989, 2004, 2013: através da leitura.
Alternativa? Instrução direta e intencional (humana ou CALL):
ex. flash-cards (palavra-alvo + definição + frase).
Cf. Anki, Quizlet ou Memrise
Viável? Eficaz?
Conhecimento lexical: ▪ incremental
▪ implicado no conhecimento do mundo
Leitura/compreensão de mensagens escritas
=> aquisição incidental de vocabulário (Krashen, 1989)
Incidental: ocorre como “efeito secundário”/”by-product” de uma atividade
principal.
Assunção de base: o vocabulário em LNM pode ser desenvolvido através
de exposição natural a input, tal como na LM.
=> Leitura independente:
-- Leitura extensiva (leitura integral de obras, adaptadas ou não)
-- Leitura de fragmentos de obras
-- Leitura de periódicos, etc.
(em contexto de educação formal ou não/sob orientação de instrutor ou não)
≠ leitura de frases ou segmentos textuais/textos breves em sala de aula
para cumprimento de tarefas pedagógicas.
3. Objetivos
3.1. Apresentar uma revisão de estudos/experimentos que:
3.1.1. investiguem sobre volume de ganhos aquisicionais
aquando da leitura;
3.1.2. avaliem o papel do contexto no processo aquisicional;
3.1.3. calculem o número de exposições/frequência intratextual de
uma palavra necessária para que a aquisição ocorra.
3.2. Ponderar os ganhos de investimento na leitura independente por
oposição à realização de atividades cujo fim é a aprendizagem direta e
exclusiva de vocabulário.
3.1.1. Qual o volume de ganhos aquisicionais?
Baixas taxas de aquisição de vocabulário obtidas através da leitura
(Hulstijn, Hollander & Greidanus, 1996; Coady, 1996; Waring & Takaki, M.,
2003).
=> É necessário um elevado número de leituras que possam ocorrer ganhos
substanciais (Waring & Takaki, 2003).
Erlandsson & Wallgren (2017), p. 25
Senoo et al, 2014:
▪ incide sobre aprendentes de japonês LNM;
▪ mais recente;
▪ averigua não apenas o número de palavras retidas, mas o grau de
consolidação.
(A testagem implementa 4 graus/estádios de conhecimento de uma palavra)
Confirma-se que o resultado imediato em ganhos aquisicionais é
moderado/baixo, mas há ganhos consideráveis na consolidação do
conhecimento vocabular.
Valores sobre-estimados?
Krashen (1989): revê 144 estudos, mas apenas 3 versam sobre
Dificuldade em apurar conclusões perentórias:
A testagem sobre a aquisição incidental de vocabulário por meio da
variáveis difíceis de controlar. Exemplos:
 a qualidade do contexto fornecido (Nation & Coady, 1988)
 a dimensão do vocabulário anteriormente adquirido (Huckin &
 conhecimento prévio do tópico (Ariew & Ercetin, 2004).
Razões apontadas a favor da leitura na aprendizagem de
vocabulário:
(i) o contexto como acesso a um espectro amplo dos diferentes
palavra/lema
(ii) a frequência intratextual dos itens vocabulares.
3.1.2. Qual o peso/valor do contexto para a aquisição de
vocabulário aquando da leitura?
Um contexto redundante e rico não prediz automaticamente o
aquisição de vocabulário (Nation & Coady, 1988)
3.1.3. Qual o número de exposições necessárias para que a
retenção de uma palavra ocorra?
 1 exposição:
 probabilidade de retenção de 10 a 15% (Nagy, Herman
 probabilidade de 5% (Herman et al., 1987)
3.2. Leitura e aquisição incidental vs. aprendizagem direta e exclusiva
de vocabulário (palavras-alvo)
A aprendizagem de vocabulário requer atenção (“noticing”) quer quanto à
forma quer quando ao signficado da palavra.
=> propósito
=> desempenho de tarefas incidentes sobre as palavras-alvo
(Ellis, 1995; Robinson, 1995).
4. Conclusão
Efeito da leitura independente na aquisição incidental de vocabulário?
[+] Krashen (1989): a leitura reproduz a situação natural natural de aquisição
e é o único processo eficaz.
[+/-] Há impacto, mas modesto (Erlandsson & Wallgren, 2017).
[-] A aprendizagem intencional tem sempre de ter lugar (=> desvalorização
da leitura independente per se) (Ellis, 1995; Robinson, 1995).
Referências
• Ariew, R. and Ercetin, G. (2004). Exploring the potential of hypermedia annotations for second language reading.
Computer Assisted Language Learning, 17, 237-259.
• Coady, J. (1993). Research on ESL/EFL vocabulary acquisition: Putting it in context. In T. Huckin, M. Haynes, & J.
Coady (eds.), Second language reading and vocabulary learning. Norwood, NJ: Ablex Publishing, 3-23.
• Coady, J. (1997). L2 vocabulary acquisition through extensive reading. In J. Coady & T. Huckin (eds.). Second
language vocabulary acquisition, Cambridge, England: Cambridge University Press, 225-237.
• Ellis, N. (1995). Consciousness in second language acquisition: A review of field studies and laboratory
experiments. Language Awareness, 4, 123-146.
• Erlandsson, T., &Wallgren, S. G. (2017). Incidental vocabulary acquisition through reading: A literature review
examining vocabulary acquisition, reading comprehension and their connection. Tese de licenciatura, Linkoping
University. http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:1118558/FULLTEXT01.pdf
• Herman, P., Anderson, R., Pearson, P., & Nagy, W. (1987). Incidental acquisition of word meaning from
expositions with varied text features. Reading Research Quarterly, 22, 263-284.
• Huckin, T., & Coady, J. (1999). Incidental vocabulary acquisition in a second language: A review. Studies in
Second Language Acquisition, 21, 181-193.
• Hulstijn, J. H., Hollander, M. & Greidanus, T. (1996). Incidental vocabulary learning by advanced foreign language
students: The influence of marginal glosses, dictionary use, and reoccurrence of unknown words. The Modern
Language Journal, 80: 327-339.
Referências
• Krashen, S. (1989). We acquire vocabulary and spelling by reading: Additional evidence for the input hypothesis.
The modern language journal, 73(4), 440-464.
• Krashen, S. (2004). The power of reading. Portsmouth: Heinemann and Westport: Libraries Unlimited.
• Krashen, S. (2013). Reading and Vocabulary Acquisition: supporting evidence and some objections, Iranian
Journal of Language Teaching Research, 1(1), 27-43.
• Nagy, W., Herman, P., & Anderson, R. (1985). Learning words from context. Reading Research Quarterly, 20,
233-253.
• Nation, I. S. P. (2001). Learning Vocabulary in Another Language. Cambridge University Press.
• Robinson, P. (1995). Attention, memory, and the “noticing” hypothesis. Language learning, 45(2), 283-331.
• Senoo, Y., & Yonemoto, K. (2014). Vocabulary learning through extensive reading: A case study. Canadian
Journal of Applied Linguistics, 17(2), 1-22.
• Waring, R., & Takaki, M. (2003). At what rate do learners learn and retain new vocabulary from reading a graded
reader?, Reading in a Foreign Language, 15, 130-163.

apresentação-oral-Ana-Sousa-Martins-7-12-2023.ppt

  • 1.
    Impacto da leituraindependente na aquisição vocabulário em aprendentes de uma língua não Ana Sousa Martins anissimamente@gmail.com AAL2 FLUC, 7 de dezembro de 2023
  • 2.
    1. Pergunta deInvestigação: Qual o impacto da leitura independente na aquisição incidental de vocabulário em aprendentes de uma língua não materna? Propósito: rever a literatura sobre os efeitos da leitura na aquisição de vocabulário
  • 3.
    2. Contextualização Depois deadquiridas as 2000 famílias de palavras mais frequentes (Nation, 2001) o que acontece depois? Krashen, 1989, 2004, 2013: através da leitura. Alternativa? Instrução direta e intencional (humana ou CALL): ex. flash-cards (palavra-alvo + definição + frase). Cf. Anki, Quizlet ou Memrise Viável? Eficaz? Conhecimento lexical: ▪ incremental ▪ implicado no conhecimento do mundo
  • 4.
    Leitura/compreensão de mensagensescritas => aquisição incidental de vocabulário (Krashen, 1989) Incidental: ocorre como “efeito secundário”/”by-product” de uma atividade principal. Assunção de base: o vocabulário em LNM pode ser desenvolvido através de exposição natural a input, tal como na LM. => Leitura independente: -- Leitura extensiva (leitura integral de obras, adaptadas ou não) -- Leitura de fragmentos de obras -- Leitura de periódicos, etc. (em contexto de educação formal ou não/sob orientação de instrutor ou não) ≠ leitura de frases ou segmentos textuais/textos breves em sala de aula para cumprimento de tarefas pedagógicas.
  • 5.
    3. Objetivos 3.1. Apresentaruma revisão de estudos/experimentos que: 3.1.1. investiguem sobre volume de ganhos aquisicionais aquando da leitura; 3.1.2. avaliem o papel do contexto no processo aquisicional; 3.1.3. calculem o número de exposições/frequência intratextual de uma palavra necessária para que a aquisição ocorra. 3.2. Ponderar os ganhos de investimento na leitura independente por oposição à realização de atividades cujo fim é a aprendizagem direta e exclusiva de vocabulário.
  • 6.
    3.1.1. Qual ovolume de ganhos aquisicionais? Baixas taxas de aquisição de vocabulário obtidas através da leitura (Hulstijn, Hollander & Greidanus, 1996; Coady, 1996; Waring & Takaki, M., 2003). => É necessário um elevado número de leituras que possam ocorrer ganhos substanciais (Waring & Takaki, 2003).
  • 7.
    Erlandsson & Wallgren(2017), p. 25
  • 8.
    Senoo et al,2014: ▪ incide sobre aprendentes de japonês LNM; ▪ mais recente; ▪ averigua não apenas o número de palavras retidas, mas o grau de consolidação. (A testagem implementa 4 graus/estádios de conhecimento de uma palavra) Confirma-se que o resultado imediato em ganhos aquisicionais é moderado/baixo, mas há ganhos consideráveis na consolidação do conhecimento vocabular.
  • 9.
    Valores sobre-estimados? Krashen (1989):revê 144 estudos, mas apenas 3 versam sobre Dificuldade em apurar conclusões perentórias: A testagem sobre a aquisição incidental de vocabulário por meio da variáveis difíceis de controlar. Exemplos:  a qualidade do contexto fornecido (Nation & Coady, 1988)  a dimensão do vocabulário anteriormente adquirido (Huckin &  conhecimento prévio do tópico (Ariew & Ercetin, 2004).
  • 10.
    Razões apontadas afavor da leitura na aprendizagem de vocabulário: (i) o contexto como acesso a um espectro amplo dos diferentes palavra/lema (ii) a frequência intratextual dos itens vocabulares.
  • 11.
    3.1.2. Qual opeso/valor do contexto para a aquisição de vocabulário aquando da leitura? Um contexto redundante e rico não prediz automaticamente o aquisição de vocabulário (Nation & Coady, 1988) 3.1.3. Qual o número de exposições necessárias para que a retenção de uma palavra ocorra?  1 exposição:  probabilidade de retenção de 10 a 15% (Nagy, Herman  probabilidade de 5% (Herman et al., 1987)
  • 12.
    3.2. Leitura eaquisição incidental vs. aprendizagem direta e exclusiva de vocabulário (palavras-alvo) A aprendizagem de vocabulário requer atenção (“noticing”) quer quanto à forma quer quando ao signficado da palavra. => propósito => desempenho de tarefas incidentes sobre as palavras-alvo (Ellis, 1995; Robinson, 1995).
  • 13.
    4. Conclusão Efeito daleitura independente na aquisição incidental de vocabulário? [+] Krashen (1989): a leitura reproduz a situação natural natural de aquisição e é o único processo eficaz. [+/-] Há impacto, mas modesto (Erlandsson & Wallgren, 2017). [-] A aprendizagem intencional tem sempre de ter lugar (=> desvalorização da leitura independente per se) (Ellis, 1995; Robinson, 1995).
  • 14.
    Referências • Ariew, R.and Ercetin, G. (2004). Exploring the potential of hypermedia annotations for second language reading. Computer Assisted Language Learning, 17, 237-259. • Coady, J. (1993). Research on ESL/EFL vocabulary acquisition: Putting it in context. In T. Huckin, M. Haynes, & J. Coady (eds.), Second language reading and vocabulary learning. Norwood, NJ: Ablex Publishing, 3-23. • Coady, J. (1997). L2 vocabulary acquisition through extensive reading. In J. Coady & T. Huckin (eds.). Second language vocabulary acquisition, Cambridge, England: Cambridge University Press, 225-237. • Ellis, N. (1995). Consciousness in second language acquisition: A review of field studies and laboratory experiments. Language Awareness, 4, 123-146. • Erlandsson, T., &Wallgren, S. G. (2017). Incidental vocabulary acquisition through reading: A literature review examining vocabulary acquisition, reading comprehension and their connection. Tese de licenciatura, Linkoping University. http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:1118558/FULLTEXT01.pdf • Herman, P., Anderson, R., Pearson, P., & Nagy, W. (1987). Incidental acquisition of word meaning from expositions with varied text features. Reading Research Quarterly, 22, 263-284. • Huckin, T., & Coady, J. (1999). Incidental vocabulary acquisition in a second language: A review. Studies in Second Language Acquisition, 21, 181-193. • Hulstijn, J. H., Hollander, M. & Greidanus, T. (1996). Incidental vocabulary learning by advanced foreign language students: The influence of marginal glosses, dictionary use, and reoccurrence of unknown words. The Modern Language Journal, 80: 327-339.
  • 15.
    Referências • Krashen, S.(1989). We acquire vocabulary and spelling by reading: Additional evidence for the input hypothesis. The modern language journal, 73(4), 440-464. • Krashen, S. (2004). The power of reading. Portsmouth: Heinemann and Westport: Libraries Unlimited. • Krashen, S. (2013). Reading and Vocabulary Acquisition: supporting evidence and some objections, Iranian Journal of Language Teaching Research, 1(1), 27-43. • Nagy, W., Herman, P., & Anderson, R. (1985). Learning words from context. Reading Research Quarterly, 20, 233-253. • Nation, I. S. P. (2001). Learning Vocabulary in Another Language. Cambridge University Press. • Robinson, P. (1995). Attention, memory, and the “noticing” hypothesis. Language learning, 45(2), 283-331. • Senoo, Y., & Yonemoto, K. (2014). Vocabulary learning through extensive reading: A case study. Canadian Journal of Applied Linguistics, 17(2), 1-22. • Waring, R., & Takaki, M. (2003). At what rate do learners learn and retain new vocabulary from reading a graded reader?, Reading in a Foreign Language, 15, 130-163.