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“As verdades que eu vi por meus olhos”: instanciações do verbo
VER na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto
Ana Sousa Martins
anamartins@fcsh.unl.pt
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WGT Workshop em homenagem a Teresa Brocardo
27 de junho 2024
NOVA FCSH
Lisboa
Ver = crer “fraco” (achar, julgar, pensar, reconhecer…)
«(…) porque vejo que, não contente de me pôr na minha Pátria logo no começo da minha
mocidade, em tal estado que nela vivi sempre em misérias e em pobreza, e não sem alguns
sobressaltos e perigos da vida, me quis também levar às partes da Índia, onde em lugar do
remédio que eu ia buscar a elas me foram crescendo com a idade os trabalhos e os perigos.
Mas por outro lado, quando vejo que do meio de todos esses perigos e trabalhos me quis
Deus tirar sempre a salvo e pôr-me em segurança, acho que não tenho tanta razão de me
queixar de todos os males passados (…) (cap.1)
Argumento SN
(i) “(…) Porém, como eu vi por meus olhos ambos esses
sucessos, ainda que encobrisse a grandeza do primeiro,
quis declarar a miséria do segundo,(…)” (cap. 198)
(ii) E digo isso porque assim o posso afirmar com verdade,
pois ambos esses sucessos vi com meus olhos, e em ambos
me achei presente com assaz de perigo meu.” (cap. 200)
USO NÃO EVIDENCIAL
(iii) (…) chegando eu já depois da meia-noite ao primeiro
terreiro das casas, vi nele muita gente armada com
terçados e cofos e lanças,(…)” (cap. 19)
(iv) E no reino de Pegu, onde eu já estive algumas vezes, vi
outro pagode semelhante a esse, a que os naturais da terra
nomeiam por Ginocoginana, (…)” (cap . 96)
(v) “atravessei muita parte da Ásia, como nesta minha
peregrinação se pode bem ver, em algumas partes vi
grandíssima abundância de diversíssimos mantimentos
que não há nesta nossa Europa, (…) (cap. 99)
(vi) “(…) neste império da China, na ilha do Japão, na
Cochinchina, no Camboja e em Sião, do qual nestas terras
eu vi muitas casas;(…) (cap. 92)
(vii) “Este muro vi eu algumas vezes e o medi, que tem por
todo em geral seis braças de alto e quarenta palmos de
SN argumento de oração infinitiva
(viii) “(…) do qual não ousarei afirmar o que os seus
nesses seus prantos diziam, porque o não vi, e por
isso não direi o que era, mas, por algumas coisas que
no meu tempo se passaram, não duvidarei de ser
assim, das quais contarei aqui três ou quatro
somente, das muitas [coisas] que lhe vi fazer (…)”
(cap. 183)
(ix) “E outras muitas maravilhas fez Nosso Senhor
por esse bem-aventurado padre, de que eu vi
algumas (X), e outras ouvi, de que agora não faço
menção porque adiante espero tratar de algumas
delas.” (cap. 207)
Expressão nominal anafórica
(x) “Mas por outra parte não porei também muita culpa a quem me não der muito crédito ou duvidar do que
eu digo, porque realmente afirmo que eu mesmo, que vi tudo por meus olhos, fico muitas vezes confuso
quando imagino nas grandezas desta cidade de Pequim,(…)” (cap. 114)
(xi) “Dessa breve informação que tenho dado desses léquios, se pode entender, e assim o cuido eu pelo que
vi, que com quaisquer dois mil homens se tomaria e senhorearia essa ilha (…)” (cap. 143)
(xii) “E porque me parece que será processo infinito contar por extenso como esse negócio se passou, não di-
rei mais dele senão que a porta foi aberta, a cidade entrada, e a gente dela toda metida à espada (…) e
outras muitas maneiras de crueldades tanto acima das imaginações e dos pensamentos dos homens, que
realmente afirmo que eu mesmo, quando em alguma hora me passa pelo pensamento como se passou isso
que eu vi por meus olhos, fico de todo fora de mim.” (cap. 155)
(xiii) “(...) porque se fosse a tratar particularmente de tudo o que vi e passei, tanto nesse império como nos
mais reinos em que me achei, nessa minha triste e trabalhosa peregrinação, haveria mister de outro volume
muito maior que este (...).” (cap. 165)
(xiv) “ E em verdade afirmo que quando me ponho a cuidar no que vi por meus olhos, das
grandes honras que El-Rei do Bungo, sendo gentio, fez no Japão a esse padre, só por lhe di-
zerem que dava notícia da lei de Deus, como atrás fica dito,(…)” (cap. 215)
Referências:
Alù, G., & Hill, S. P. (2018). The travelling eye: reading the visual in travel narratives. Studies in Travel Writing, 22(1), 1–
15. https://doi.org/10.1080/13645145.2018.1470073
Boye, K. (2010). Evidence for what? Evidentiality and scope. STUF-Language typology and universals, 63(4), 290-307.
Carvalho, C. (1999). Acerca da autobiografia na Peregrinação. O discurso literário da ‘Peregrinação’. Lisboa: Cosmos,
27-59.
De Haan, F. (2005). Encoding speaker perspective: Evidentials. Linguistic diversity and language theories, 72, 379-417.
Izquierdo, M. L. (2015). Direct/indirect experience verbs in Castilian travel narratives (XV-XVI
centuries). eHumanista/IVITRA, 8, 471-487.
Sousa Martins, A. (2010). A Textualização da Viagem. Relato vs. Narração. Uma abordagem enunciativa. Porto,
Portugal: U. Porto Editorial.
Sousa Martins, A. "Evidencialidade no discurso dos media". Evidencialidade no discurso dos media 5 (2010): 235-245.
Vendrame-Ferrari, V. (2012). Verbos de percepção em construções evidenciais de acordo com o modelo da gramática
discursivo-funcional. Revista Linguíʃtica, 8(1).

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“As verdades que eu vi por meus olhos”: instanciações do verbo VER na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto

  • 1. “As verdades que eu vi por meus olhos”: instanciações do verbo VER na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto Ana Sousa Martins anamartins@fcsh.unl.pt CLUNL WGT Workshop em homenagem a Teresa Brocardo 27 de junho 2024 NOVA FCSH Lisboa
  • 2. Ver = crer “fraco” (achar, julgar, pensar, reconhecer…) «(…) porque vejo que, não contente de me pôr na minha Pátria logo no começo da minha mocidade, em tal estado que nela vivi sempre em misérias e em pobreza, e não sem alguns sobressaltos e perigos da vida, me quis também levar às partes da Índia, onde em lugar do remédio que eu ia buscar a elas me foram crescendo com a idade os trabalhos e os perigos. Mas por outro lado, quando vejo que do meio de todos esses perigos e trabalhos me quis Deus tirar sempre a salvo e pôr-me em segurança, acho que não tenho tanta razão de me queixar de todos os males passados (…) (cap.1)
  • 3. Argumento SN (i) “(…) Porém, como eu vi por meus olhos ambos esses sucessos, ainda que encobrisse a grandeza do primeiro, quis declarar a miséria do segundo,(…)” (cap. 198) (ii) E digo isso porque assim o posso afirmar com verdade, pois ambos esses sucessos vi com meus olhos, e em ambos me achei presente com assaz de perigo meu.” (cap. 200) USO NÃO EVIDENCIAL (iii) (…) chegando eu já depois da meia-noite ao primeiro terreiro das casas, vi nele muita gente armada com terçados e cofos e lanças,(…)” (cap. 19) (iv) E no reino de Pegu, onde eu já estive algumas vezes, vi outro pagode semelhante a esse, a que os naturais da terra nomeiam por Ginocoginana, (…)” (cap . 96) (v) “atravessei muita parte da Ásia, como nesta minha peregrinação se pode bem ver, em algumas partes vi grandíssima abundância de diversíssimos mantimentos que não há nesta nossa Europa, (…) (cap. 99) (vi) “(…) neste império da China, na ilha do Japão, na Cochinchina, no Camboja e em Sião, do qual nestas terras eu vi muitas casas;(…) (cap. 92) (vii) “Este muro vi eu algumas vezes e o medi, que tem por todo em geral seis braças de alto e quarenta palmos de
  • 4. SN argumento de oração infinitiva (viii) “(…) do qual não ousarei afirmar o que os seus nesses seus prantos diziam, porque o não vi, e por isso não direi o que era, mas, por algumas coisas que no meu tempo se passaram, não duvidarei de ser assim, das quais contarei aqui três ou quatro somente, das muitas [coisas] que lhe vi fazer (…)” (cap. 183) (ix) “E outras muitas maravilhas fez Nosso Senhor por esse bem-aventurado padre, de que eu vi algumas (X), e outras ouvi, de que agora não faço menção porque adiante espero tratar de algumas delas.” (cap. 207)
  • 5. Expressão nominal anafórica (x) “Mas por outra parte não porei também muita culpa a quem me não der muito crédito ou duvidar do que eu digo, porque realmente afirmo que eu mesmo, que vi tudo por meus olhos, fico muitas vezes confuso quando imagino nas grandezas desta cidade de Pequim,(…)” (cap. 114) (xi) “Dessa breve informação que tenho dado desses léquios, se pode entender, e assim o cuido eu pelo que vi, que com quaisquer dois mil homens se tomaria e senhorearia essa ilha (…)” (cap. 143) (xii) “E porque me parece que será processo infinito contar por extenso como esse negócio se passou, não di- rei mais dele senão que a porta foi aberta, a cidade entrada, e a gente dela toda metida à espada (…) e outras muitas maneiras de crueldades tanto acima das imaginações e dos pensamentos dos homens, que realmente afirmo que eu mesmo, quando em alguma hora me passa pelo pensamento como se passou isso que eu vi por meus olhos, fico de todo fora de mim.” (cap. 155) (xiii) “(...) porque se fosse a tratar particularmente de tudo o que vi e passei, tanto nesse império como nos mais reinos em que me achei, nessa minha triste e trabalhosa peregrinação, haveria mister de outro volume muito maior que este (...).” (cap. 165) (xiv) “ E em verdade afirmo que quando me ponho a cuidar no que vi por meus olhos, das grandes honras que El-Rei do Bungo, sendo gentio, fez no Japão a esse padre, só por lhe di- zerem que dava notícia da lei de Deus, como atrás fica dito,(…)” (cap. 215)
  • 6. Referências: Alù, G., & Hill, S. P. (2018). The travelling eye: reading the visual in travel narratives. Studies in Travel Writing, 22(1), 1– 15. https://doi.org/10.1080/13645145.2018.1470073 Boye, K. (2010). Evidence for what? Evidentiality and scope. STUF-Language typology and universals, 63(4), 290-307. Carvalho, C. (1999). Acerca da autobiografia na Peregrinação. O discurso literário da ‘Peregrinação’. Lisboa: Cosmos, 27-59. De Haan, F. (2005). Encoding speaker perspective: Evidentials. Linguistic diversity and language theories, 72, 379-417. Izquierdo, M. L. (2015). Direct/indirect experience verbs in Castilian travel narratives (XV-XVI centuries). eHumanista/IVITRA, 8, 471-487. Sousa Martins, A. (2010). A Textualização da Viagem. Relato vs. Narração. Uma abordagem enunciativa. Porto, Portugal: U. Porto Editorial. Sousa Martins, A. "Evidencialidade no discurso dos media". Evidencialidade no discurso dos media 5 (2010): 235-245. Vendrame-Ferrari, V. (2012). Verbos de percepção em construções evidenciais de acordo com o modelo da gramática discursivo-funcional. Revista Linguíʃtica, 8(1).