Émile Durkheim
(1858-1917)
Um dostrês autores clássicos da Sociologia
Responsável especialmente por consolidá-la
como disciplina acadêmica e criar um método e
procedimentos de pesquisa rigorosos
(se aproxima mais de Weber, nesse sentido, uma
vez que Marx não tem a preocupação com a
sociologia institucionalizada)
É o primeiro professor universitário da disciplina, o
segundo texto é sua lição de abertura
2.
Delimita e investigatemas para lhe dar o
tratamento sociológico
Temas que serão tratados nas próximas aulas
A filosofia positiva representa uma forte
influência no método que propõe para a
sociologia
A coleta de dados deve evitar as pré-noções
vulgares e afetivas
3.
O contexto históricodurkheimiano
Vive no período conhecido como Terceira República
Francesa (1870-1940), marcado pela instabilidade política
e por guerras civis
Marcos históricos: a Revolução Francesa e a Revolução
Industrial e a influência teórica de Saint-Simone e Comte,
com quem dialoga durante o texto
Julgava a sociedade européia de seu tempo pouco
integrada e contraditória, instituições como família e
religião passando pelo enfraquecimento
O autor julga que é necessário descobrir novas fontes
de solidariedade e consenso para manter a coesão da
sociedade em que vive (textinho)
Encarava o surgimento da ciência social como uma
expressão racional das sociedades modernas
4.
3 - Regrasrelativas à distinção
entre normal e patológico
Da observação proposta a partir das regras do
método sociológico, pode confundir duas ordens de
fatos sociais (aqui o dualismo):
Os que são o que devem ser: normais
Os que deveriam ser de outro modo: patológicos
Solução do problema dualístico de duas formas de
pensamento:
A ciência puramente explicativa, que tende a se
tornar inútil;
O método ideológico, que domina a realidade com
conceitos, que não faz ciência por não ser objetivo;
5.
A sociologia queele propõe teria dado um propósito
prático sem deixar de ser uma ciência explicativa e
objetiva.
Busca um critério objetivo para estabelecer a saúde e
a doença nas diversas ordens
O autor demonstra como a definição deste critério é
complexa, especialmente quando se trata de
fenômenos sociais
A determinação pode ser contextual, e o pesquisador
deve evitar essas qualificações subjetivas
6.
3
Faz uma aproximaçãoaos fenômenos
biológicos (durante praticamente todo o capítulo):
Duas espécies
Formas que são gerais em toda a extensão da
espécie, ainda que não se igualem, estão numa
escala muito próxima
E formas excepcionais, verificadas na minoria,
que muitas vezes não são permanentes na vida
do indivíduo
São normais:
Os fatos que apresentam as formas mais gerais,
que são o tipo médio
Assim como o fisiologista, o sociólogo estuda a
organização média
7.
São patológicos osoutros, os desvios da taxa média.
O normal e o patológico não podem ser definidos de
modo absoluto. São definidos a partir de uma espécie
social dada.
Evitar a definição de uma instituição em si mesma e
por si mesma.
Mesmo em uma espécie, o fato não pode ser dito
normal se não for observada as fases evolutivas pelas
quais pode passar.
O normal não é o mesmo para as sociedades
complexas ou para as primitivas.
8.
O grau denormalidade de um determinado
fenômeno é explicado pelo fato de estar ligado
às condições de existência da espécie
considerada.
Pode ser um efeito mecanicamente necessário
Um meio de adaptação as condições de existência
O autor julga que a verificação dessa conexão é
especialmente importante para uma espécie
social que ainda não cumpriu sua evolução
integral
9.
Sobre o crime
Emsociologia, a complexidade e a mobilidade dos
fenômenos requer precaução para determinar o que
é normal e o que é patológico
Criminologistas julgam incontestável o caráter
patológico do crime.
O autor aponta para sua normalidade: a existência
do crime em todas as sociedades – das mais
simples as mais complexas.
Permanece no tempo e no espaço, homens
transgredindo e a repressão penal agindo.
Não existe outro fenônemo tão normal, dada sua
existência em todas as formas de vida coletiva.
10.
Na pág. 68:”Ele é um fenômeno inevitável
ainda que lastimável, devido à incorrigível
maldado dos homens; é afirmar que ele é um
fator da saúde pública, uma parte integrante de
toda sociedade sadia.”
Necessidade do crime:
Condição fundamental da vida social
Solidário da evolução da moral e do direito
Criminoso como ”agente regulador da vida social”
11.
5 – Regrasrelativas à explicação
dos fatos sociais
Restrição ao detalhamento da utilidade de um
fenômeno como sua explicação. Os usos
podem caracterizá-lo, mas não o criam.
Erro comum dos sociólogos.
Um fato pode existir mesmo que não haja utilidade,
por exemplo – por jamais ter sido ajustado a alguma
finalidade importante ou porque o uso perdeu sua
força e ele permaneceu ali pela força do hábito. O
órgão independe de sua função – inclusive pode
mudar de função e permanecer ali.
É preciso que forças capazes de produzir os
fenômenos sejam dados. (usos + causas)
12.
É necessário buscara causa e a função de um
fenômeno: de modo separado.
Ordenação do estudo
Primeiro: a CAUSA
Depois: a FUNÇÃO
É natural fazer deste modo. Uma vez resolvido
o primeiro passo, seguir para o segundo.
Existe um laço de reciprocidade entre causa e
função – o efeito não existe sem a causa, mas a
causa também precisa desse efeito.
Pág. 98:
13.
”A reação socialque constitui a pena é devida a
intensidade dos sentimentos coletivos que o crime
ofende; mas, por outro lado, ela tem por função útil
manter esses sentimentos no mesmo grau de
intensidade, pois estes não tardariam a se debilitar
se as ofensas que sofrem não fossem castigadas”.
O Método
Crítica ao método de Comte, humanista, tendendo a
psicologia e o método de Spencer, individualista.
É na natureza da sociedade que se deve buscar a
explicação do social.
A sociedade supera o indivíduo, no tempo e no
espaço, dotada de coerção, sinal distintivo dos
fenômenos sociais.
14.
A associação dasconsciências individuais é a
causa da vida social.
A combinação dos indivíduos é o processo que
a explica.
A regra: ”A causa determinante de um fato social
deve ser buscada entre os fatos sociais
antecedentes, e não entre os estados da
consciência individual.” (p.112)
Regra complementar: ”A função de um fato social
deve sempre ser buscada na relação que ele
mantem com algum fato social”. idem
15.
Pensando na variedadedas associações, o
autor faz uma ressalva a regra pensando na
especificidade:
”A origem primeira de todo processo social de
alguma importância deve ser buscada na
constituição do meio social interno”.
O meio social é um elemento necessário para a
análise da mudança das sociedades.
Composto por elementos materiais, como o
direito, monumentos artísticos, obras literárias;
e, como elemento mais ativo, o meio humano,
como o tipo de solidariedade que se identifica
no grupo.
16.
A causa dosfenômenos sociais é interna à
sociedade.
As concepções da sociedade e da vida coletiva:
Duas teorias contrárias: de que o homem é
refratário a vida comum e tem de ser forçado
(Hobbes); ou que a vida social é espontânea para o
indivíduo e a sociedade é natural (Spencer).
Teoria de Durkheim sobre a sociedade:
A associação se baseia na coerção - ”ela simplesmente se deve
ao fato de o homem estar em presença de uma força que o
domina e diante da qual se curva; mas essa força é natural”
(p.124)
17.
Para que oindíviduo se submeta, não há
artifícios, ele só precisa reconhecer sua
dependência e inferioridade.
A vida social não está na natureza do indivíduo,
mas na do ser coletivo.
Assim, constrói uma sociologia que identifica na
disciplina o fundamento da vida social,
fundando-o na razão e na verdade (a partir do
método que foi mostrado no resto do seminário)
18.
Conclusão
Resumo das característicasdo método
1) Independe de filosofias
Vinda dessa fonte, se apoiou nelas.
Mas deve se esforçar para ser sociologia, apenas.
Não deve optar por nenhuma vertente.
A filosofia tem interesse na construção de uma
sociologia apartada, assim como a psicologia: irá
fornecer materiais originais para essas ciências já
consolidadas.
Por exemplo: a ideia de associação.
19.
O método requera mesma independência.
Não pode ser das correntes comunista ou
individualista, por exemplo, que querem
reformar o mundo, e não exprimi-lo.
Libertar-se dos partidos, que criam obstáculos para
a ciência.
2) O método é OBJETIVO
Tratar os fatos sociais como coisas, porque isso é o
que são.
Afastar as pré-noções, tratar os fatos
objetivamente, requerer deles próprios a sua
classificação (normal ou patológico).
20.
3) Método éexclusivamente SOCIOLÓGICO
Estabelece-se um campo para uma disciplina
legítima.
É possível estudar os fatos sociais mantendo esses
caracteres específicos, sem perder sua
especificidade.
Ainda que, de início, a ciência tenha que se apoiar
no conhecimento de outras ciências consolidadas
(como no próprio discurso de Durkheim que
compara o sociológico e o biológico), a sociologia só
se constituirá como ciência com a independência de
personalidade.
21.
”Ela só terárazão de ser se tiver por objeto uma
ordem de fatos que as outras ciências não
estudam” - ”chegou para a sociologia o momento
de renunciar aos sucessos mundanos, por assim
dizer, e assumir o caráter que convém a toda
ciência. Ela ganhará assim em dignidade e em
autoridade o que perderá em popularidade”. (p.150-
151)