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REDESCOBRINDO A
LÍNGUA
PORTUGUESA
MATERIAL ELABORADO POR: ANGÉLICA MORICONI
JUNHO DE 2014
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INTRODUÇÃO...........................................................................................................5
1 O ESTUDO DO TEXTO.............................................................................................6
1.1. TEXTO E TEXTUALIDADE ........................................................................................ 7
1.2 TEXTO E NÃO TEXTO ............................................................................................... 8
1.3. A TEXTUALIDADE : COESÃO E COERÊNCIA........................................................... 10
1.3.1 A COERÊNCIA DO TEXTO ................................................................................ 11
1.3.2 A COESÃO DO TEXTO...................................................................................... 12
1.4 EXPLORE SEUS CONHECIMENTOS......................................................................... 18
1.5 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 22
2. FONOLOGIA........................................................................................................ 25
2.1 LÍNGUA E FALA...................................................................................................... 25
2.2 LETRAS E FONEMAS .............................................................................................. 26
2.3 VOGAL E SEMIVOGAL............................................................................................ 26
2.4 ENCONTROS VOCÁLICOS ...................................................................................... 27
2.5 ENCONTROS CONSONANTAIS............................................................................... 27
2.6 SÍLABAS ................................................................................................................. 28
2.7 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 29
2.8 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 30
3 ORTOGRAFIA....................................................................................................... 31
3.1 - AS PALAVRAS E SUAS SÍLABAS TÔNICAS............................................................. 31
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4
3.2 ACENTUAÇÃO GRÁFICA ........................................................................................ 31
3.3 EMPREGO DE CERTAS LETRAS .............................................................................. 34
3.4 EMPREGO DAS PALAVRAS “MAU” E “MAL” ......................................................... 35
3.5 USO DE “POR QUE”, “PORQUE”, “PORQUÊ” E “POR QUÊ” .................................. 36
3.6 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 36
3.7 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 38
4 AS CLASSES DE PALAVRAS.................................................................................... 40
4.1 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 50
4.2 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 51
5 CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA............................................................................... 52
5.1 CONCORDÂNCIA NOMINAL .................................................................................. 52
5.2 CONCORDÂNCIA VERBAL...................................................................................... 53
5.3 REGÊNCIA NOMINAL............................................................................................. 56
5.4 REGÊNCIA VERBAL ................................................................................................ 57
5.5 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 60
5.6 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 61
6. CRASE, PONTUAÇÃO E VÍCIOS DE LINGUAGEM................................................... 62
6.1 C R A S E ................................................................................................................ 62
6.2 SINAIS DE PONTUAÇÃO ........................................................................................ 65
6.3 ALGUNS VÍCIOS DE LINGUAGEM .......................................................................... 67
6.4 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 70
6.5 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 71
BIBLIOGRAFIA: ....................................................................................................... 72
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I NTRODUÇÃO
Caro aluno,
―O processo educativo precisa de utopia. Precisa apresentar
uma possibilidade de futuro. Precisa embutir o ‗tu serás, tu
criarás, nós criaremos‘.
Nós não temos um projeto social viável para apresentar aos
nossos alunos e filhos, mas precisamos abrir uma janela na
história, prepará-los para que façam seu próprio projeto.
(Emilia Ferreiro, 1996)
Esperamos, com este material, oferecer essa possibilidade acenada por Emilia
Ferreiro: que cada um seja capaz de abrir uma janela na história e, com isso, construir
seu projeto pessoal.
Este material é bastante abrangente e espero que possa auxiliá-lo (a), inclusive
em pesquisas posteriores. Daí a opção por contemplar um número bastante
significativo de fatos da norma culta da língua portuguesa. Abrimos a apostila
com o capítulo que se refere ao estudo do texto. Neste capítulo, você estudará os
principais fatores de textualidade, contanto com o aparato teórico dos mais
representativos pesquisadores da gramática textual no Brasil.
No segundo capítulo, o estudo diz respeito à fonologia, ou seja, estudaremos os
elementos mínimos distintivos da língua na perspectiva do sistema da língua
portuguesa.
A ortografia, tema abordado no capítulo terceiro, tratará da escrita de alguns
vocábulos, em especial; bem como da acentuação gráfica.
No quarto capítulo, você estudará as classes de palavras, compreenderá as
principais características atinentes a cada uma delas.
Concordância e regência serão assuntos do capítulo quinto, em que
estudaremos, tanto a concordância e regência de nomes quanto de verbos.
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Finalmente, no último capítulo, trataremos da crase, da pontuação e dos
principais vícios de linguagem.
Com isso, espero fornecer a você um material bastante rico e abrangente
acerca dos principais fatos da “última flor do Lácio, inculta e bela”!
Um ótimo estudo!
O ESTUDO DO TEXTO
Caro aluno, saiba que em nossa atuação no mundo, constantemente nos
pronunciamos a respeito dos fatos que presenciamos ou vivemos, produzindo algum
efeito sobre as pessoas com as quais nos relacionamos. Estas, por sua vez, também se
manifestam através de seus textos e produzem sobre nós alguma reação. Essa relação
nos possibilita um aprendizado constante: a fala do outro está presente na minha fala.
Algumas vezes concordamos com o discurso alheio e o assumimos como nosso, outras,
discordamos dele e entramos em conflito.
Todas essas ações se concretizam na e pela linguagem: os discursos se
concretizam em textos que se interpenetram o tempo todo.
1
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A língua é, já nos ensinava Saussure em fins do século XIX, coletiva, social.
Assim, uma vez que a língua é coletiva, social e nos utilizamos de textos o tempo todo,
você estudará agora o texto e os fatores de textualidade. Vamos lá?
TEXTO E TEXTUALIDADE
Caro aluno, texto é uma manifestação linguística produzida por alguém, em
alguma situação concreta (contexto), com determinada intenção.
A definição apresentada faz com que pensemos o texto com um objeto de
interação. Assim passamos a ter textos e não textos, conforme os interlocutores, o
contexto e as intenções.
Fávero e Koch (1983) ensinam que o texto pode ser tomado em duas acepções:
Texto em sentido amplo, designando toda e qualquer manifestação da
capacidade textual do ser humano (uma música, um filme, uma escultura, um poema
etc.). e, em se tratando de linguagem verbal, temos o discurso, atividade comunicativa
de um sujeito, numa situação de comunicação dada, englobando o conjunto de
enunciados produzidos pelo locutor e interlocutor, (no caso dos diálogos) e o evento
de sua enunciação.
Assim, um texto é uma ―totalidade em funcionamento‖1em que o valor de
cada elemento não depende apenas de sua natureza , mas do lugar em que se insere e
de suas relações com o conjunto( intratextual e extra verbal).
Parece ficar claro que um texto não é um amontoado de frases, mas algo
maior. Para se chegar ao sentido do texto há que se observar diversos fatores como:
quem o produziu, para quem o fez, em que situação, com qual intenção e de que
forma?
Somente diante da apreciação de todos esses aspectos é que se pode afirmar
que se pode constituir o sentido textual. Expliquemo-nos, utilizando um exemplo de
1.1
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Fiorin (2006) em que demonstra brilhantemente os aspectos relacionados à
construção de sentidos do texto.
Em 1988, no debate promovido pela rede Globo de televisão, por ocasião do
segundo turno das eleições presidenciais, quando Collor mencionou uma possível
negociata na Prefeitura de São Paulo, dirigida pelo PT (o famoso caso Lubeca), Lula
rebateu, proferindo o seguinte enunciado: ―Eu sabia que você era collorido por fora e
caiado por dentro!‖
Para que seja possível construir o sentido do texto de Lula não basta somente
conhecer o significado de cada uma das expressões que compõem o enunciado, é
preciso mais. É preciso saber que o candidato Ronaldo Caiado, representante da elite
latifundiária brasileira, foi o primeiro a denunciar o caso Lubeca. Sendo claramente um
representante de direita, opunha-se a Lula, representante da esquerda. Ao afirmar que
Fernando Collor era collorido por fora e caiado por dentro, Lula fez um brilhante
trocadilho (utilizando os substantivos próprios Collor e Caiado e os relacionando aos
adjetivos collorido e caiado), aproximando semanticamente Caiado (representante da
direita mais ultrapassada e conservadora) a Collor (que então surgia como o caçador
de marajás, ocupando a posição político-ideológica de centro- esquerda).
Desta forma, para se chegar ao sentido do texto cumpre conhecer o contexto
situacional, e ainda, as relações dialógicas entre os vários discursos políticos da época
em que o enunciado foi proferido.
TEXTO E NÃO TEXTO
Quando temos um amontoado de palavras para as quais não conseguimos dar
um sentido, entender seus significados, falamos que estamos diante de um não texto.
O Mundo É bom, Sebastião
Composição: Nando Reis
1.2
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Por que o Sol saiu
Por que seu dente caiu
Por que essa flor se abriu
Por que iremos viajar no verão
Por que aqui o mundo não será cão
Quando o Goodzila atacar
Quando essa febre baixar
Quando o mamute voltar Descongelado a caminhar na Sibéria
Quando invento, o mundo é feito de ideias
O mundo é bom, Sebastião
O mundo é bom, Sebastião
O mundo é bom, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião
Como escrever certo o seu nome
Como comer se der fome
Como sonhar pra quem dorme
E deixa o cansaço acalmar lá em casa
Como soltar o mundo inteiro com asas
Tiranossauro Rex tião
Dentro dos seus olhos virão
Monstros imaginários ou não
Por sorte somos todos os infernais
E agora eu vivo em paz
O mundo é bom, Sebastião
O mundo é bom, Sebastião
O mundo é bom, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião
O mundo é bom, o mundo é bom
O mundo é bom, o mundo é bom
A princípio poderíamos receber essas sequências como algo sem sentido, um
amontoado de frases desconexas, soltas, carentes de conexões e entrelaçamentos
semânticos, capazes de dar sentido a um texto. O texto apresentado seria para nós,
um não texto. Entretanto, quando começamos a ampliar o universo de análise,
observando o contexto, nosso entendimento começa a modificar-se: Os enunciados
fazem parte de uma música - ―O mundo é bom Sebastião‖ - composta por Nando Reis
para seu filho, Sebastião, criança mal-humorada, cuja mãe, brincando, sempre lhe
dizia: o mundo é ―bom, Sebastião!
Já na primeira estrofe, o autor dá uma série de explicações para que seu filho
compreenda porque o mundo é tão bom (o sol saiu, seu dente caiu, a flor se abriu...),
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incentivando-o a não se chatear por qualquer motivo como uma criança mimada.
Nando Reis fala ainda da importância do sonho, da imaginação, da criatividade, das
ideias sempre acompanhado pelo refrão: ‗o mundo é bão Sebastião‘.
Vejamos outro exemplo:
A sequência acima será considerada linguística somente para os falantes de
italiano. Caso não se conheça a língua italiana será impossível estabelecer o sentido do
texto, uma vez que não haverá interação entre o texto e o seu receptor. Pode-se falar,
portanto, que para estes a sequência acima não será um texto.
Portanto, para a construção do sentido de um texto devemos considerar os
interlocutores, o contexto, a intenção comunicativa, o código utilizado, as conexões
intratextuais – ou seja- entre as diversas partes do texto, a seleção lexical , a escolha
do nível linguístico etc.
A TEXTUALIDADE : COESÃO E
COERÊNCIA
Ero stato catturato dalla Milizia Fascista il 13 dicembre 1943. Avevo
ventiquattro anni, poço senno, nessuna esperienza, e uma decisa
propensione, favorita dal regime di segregazione a cui da quattro anni lê
leggi razziali mi avevano ridotto, a vivere in um mio mondo scarsamente
reale, popolato da civili fantasmi cartesiani, da sincere amicizie maschili e
da amicizie femminili esangui. Coltivavo um moderato e astratto senso di
ribellione.( Primo Levi, Se questo è um uomo: 1993)
1.3
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11
A textualidade é o fator responsável pela conversão de uma sentença
linguística qualquer em texto. É a ―totalidade em funcionamento‖ já citada
anteriormente. Em outras palavras, a textualidade faz de um texto um conjunto
unitário – um todo - coeso e coerente para quem o produz e/ou recebe.
Coesão e coerência textuais são propriedades fundamentais de um texto.
Comecemos pela coerência textual.
A COERÊNCIA DO TEXTO
A coerência ―é o que faz com que um texto faça sentido para os usuários,
devendo ser vista, pois, como um princípio de interpretabilidade. (Koch &
Travaglia,1989:11). Assim, a coerência é estabelecida na interação, na situação
comunicativa em que se inscrevem os usuários da língua. Nessa visão interacionista,
tanto o receptor do texto atua para compreendê-lo, calculando-lhe o sentido, como
também o produtor esforça-se para que o seu texto seja bem recebido e interpretado
pelo interlocutor.
Além dos fatores acima apontados, a coerência também depende da
continuidade de sentidos perceptível no texto. As várias partes do texto devem estar
em ―sintonia, ou seja, não poderá haver falhas, contradições, uma frase que destoe
das anteriores etc.
Exemplifiquemos o que estamos querendo dizer sobre a coerência. Tomemos
como exemplo o encadeamento das frases a seguir:
Estava chovendo demais. Sujeito e predicado são termos essenciais da oração.
Um texto que expusesse as duas frases acima seria, a princípio, incoerente, pois
não há nenhuma relação entre as duas ideias que o compõem. Dessa forma, podemos
afirmar que a coerência é semântica e pragmática. Semântica porque as partes do
1.3.1
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12
texto devem estabelecer uma relação de sentido. Pragmática porque o sentido
depende não somente dos arranjos sintáticos e lógicos, mas também dos vários
elementos envolvidos na interação (intenção comunicativa dos interlocutores, formas
de influência do falante, relações interpessoais etc.).
Alguns autores apontam outros elementos responsáveis pela coerência de um
texto: conhecimentos linguísticos, conhecimentos partilhados, conhecimento de
mundo, conhecimento das superestruturas textuais, inferências, situacionalidade,
aceitabilidade, informatividade, focalização, intertextualidade etc.
A COESÃO DO TEXTO
A coesão é ―revelada através das marcas linguísticas, índices formais na
estrutura da sequência linguística superficial do texto, sendo, portanto, de caráter
linear, já que se manifesta na organização sequencial do texto.(Koch & Travaglia,
1989:13)
Chamamos coesão textual a ligação, a relação, a conexão entre as palavras,
expressões, frases, ou parágrafos do texto. Ela é manifestada por elementos
linguísticos que marcam o vínculo entre os componentes textuais.
Vejamos um exemplo de coesão textual:
Paulo e José são ótimos advogados. Eles se formaram na São Francisco.
O termo em negrito estabelece a referenciação entre os nomes citados
anteriormente (Paulo/José). O pronome ele retoma os substantivos Paulo e José.
Todos os termos que servem para retomar outros são chamados anafóricos. Esse
recurso é muito importante na produção de um texto uma vez que evita repetições
excessivas responsáveis por textos carregados, pesados e pouco coesos.
1.3.2
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13
É muito comum, em textos infantis, falhas na utilização de recursos de coesão,
justamente porque as crianças destas fases iniciais ainda não adquiriram as habilidades
e as competências necessárias para a produção de textos coesos e coerentes.
As produções infantis apresentam falhas no uso de elementos de ligação entre
as várias partes do texto. Confira o exemplo que segue:
Além da anáfora, outro recurso coesivo é a catáfora. A catáfora antecipa,
anuncia um termo que será explicitado adiante. Analisemos a frase abaixo:
Meu pai disse isto: vá deitar cedo.
A palavra isto, em negrito, antecipa o que o pai irá dizer (vá deitar cedo). É,
portanto, um elemento catafórico.
Você verá agora os principais tipos de coesão:
A COESÃO REFERENCIAL
Certos elementos linguísticos têm a função de estabelecer referência, ―não
são interpretados semanticamente por seu sentido próprio, mas fazem referência a
alguma coisa necessária a sua interpretação‖.(Fávero, 2002:18).
A referência é uma abstração. O leitor/alocutário relaciona um determinado signo a
um objeto e esse fenômeno é cultural.
Vejamos um exemplo, retirado de Fávero, 2002:
Comemora-se este ano o sesquicentenário de Machado de Assis. As comemorações
devem ser discretas para que dignas de nosso maior escritor. Seria ofensa à memória
do Mestre qualquer comemoração que destoasse da sobriedade e do recato que ele
imprimiu a sua vida, já que o bruxo de Cosme Velho continua vivo entre nós.
A minha casa é grande. A minha casa tem um jardim. A minha casa é
amarela. Eu gosto muito da minha casa. Meus pais também gostam da
minha casa. Minha casa é muito confortável.
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14
No exemplo, percebemos vários elementos que fazem referência a Machado de
Assis. Todos esses elementos destacados em vermelho são, pois, elementos
referenciais. Se tomados isoladamente, esses elementos nada significam,
recomendando que se busquem no texto informações capazes de preencher seus
significados.
Pensemos no pronome anafórico ele. No texto, para que possamos saber quem
é ele (...do recato que ele imprimiu...), precisamos recuperar a informação
apresentada anteriormente (Machado de Assis). Então, estabelecemos o elo: Ele =
Machado de Assis.
Pode-se obter a coesão referencial através da substituição e da reiteração.
Coesão referencial por substituição
Quando ocorre a retomada de um termo, dá-se o que chamamos de anáfora.
Ex.: Tenho duas irmãs. Elas são mais novas que eu.
O pronome elas refere-se ao termo já citado anteriormente duas irmãs. Trata-se de
anáfora.
Quando ocorre que o pronome preceda um termo que virá adiante explicitado, dá-se o
que chamamos de catáfora.
Ex.: Isto que vou lhe contar é segredo: meu pai ganhou na loto.
O pronome isto faz alusão a algo que ainda será exposto: o fato de o pai ter ganhado
na loto. Trata-se de catáfora.
Eis mais alguns exemplos :
Comprei um caderno novo. Ele é universitário.(Ele = pronome)
Ana faz caminha todas as manhãs. Eu também faço o mesmo.(Faço = verbo)
A Europa é belíssima na primavera. Lá há flores de cores deslumbrantes.
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(Lá = advérbio)
Carlos e Marcela são ótimos alunos. Ambos conseguiram a nota máxima na
prova. (Ambos = numeral)
Coesão referencial por reiteração
A origem etimológica da palavra reiteração é latina . Reiterare significa repetir.
Assim, a reiteração consiste na repetição de elementos textuais que têm a mesma
referência.
A reiteração pode ocorrer através de uso de um mesmo item lexical, através do
uso de formas sinônimas, através do uso de hipônimos e hiperônimos, através de
expressões nominais definidas e também de nomes genéricos. Estudemos cada uma
das formas citadas.
♦Repetição de um mesmo item lexical
A casa estava deserta. Não havia nada na casa que lembrasse a vida cotidiana
rica e apressada de tempos passados. A mobília antiga e rústica, as pessoas
mastigando furiosas as mágoas do dia, os empregados tão solícitos e submissos. Toda
a casa parecia um rio sem água, um corpo sem vida.
No texto acima, a repetição do item lexical casa exerce a função de assinalar
que a informação é conhecida (é algo já sabido, é uma informação dada) e mantida.
Para tal usa-se o recurso da reiteração.
♦ Sinônimos
Cientes da dificuldade de conceituar a sinonímia, adotamos a definição de
Câmara (1978:222):
―Propriedade de dois ou mais termos poderem ser empregados um pelo outro, em
diversos e variados contextos, sem prejuízo do que se pretende comunicar”.
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São sinônimas, pois, palavras com o mesmo significado e diferentes
significantes. Contudo, em teoria semântica moderna, duas unidades somente serão
sinônimas se tiverem o mesmo sentido estrutural, definido por meio de uma análise
rigorosa. Sobre esse assunto Ullmann afirma: ―só se podem considerar como
sinônimas as palavras que se podem substituir em qualquer contexto sem a mais leve
mudança ou no sentido cognitivo ou no afetivo . (Lyons, 1979: 476).
Tal condição proposta por Ullmann nos parece bastante rara. Dois vocábulos
podem ser comutáveis em alguns contextos, mas não em todos os contextos possíveis.
Vejamos:
A casa foi estimada em 100 milhões.
A casa foi avaliada em 100 milhões.
Mas, estimar uma pessoa não pode comutar com o vocábulo avaliar.
Podemos acrescentar ainda a possibilidade de comutação em níveis de língua
diferentes. Assim, chato, cacete, tedioso e enfadonho podem traduzir uma certa
semelhança, porém, implicam variantes linguísticas que lhes atribuem nuances
distintas.
Bem, ainda que saibamos da complexidade da questão da sinonímia, o que
importa aqui é considerarmos a identidade referencial, já esta não é uma questão
puramente lexical, mas textual.
Temos a frase:
A criança não parava de chorar. O menino queria o doce e o brinquedo do irmão.
Os termos em destaque são reiterados através da sinonímia.
♦ Hiperônimos e hipônimos
A Hiponímia é um fenômeno semântico que ocorre quando o significado de um
determinado elemento inclui o de outro elemento. Está intrinsecamente ligado à
questão do significado das unidades lexicais. Gato mantém com animal uma relação
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17
semântica, o sentido de gato está incluído no sentido de animal. Desta forma dizemos
que gato é hipônimo em relação a animal.
♦ Expressões nominais definidas
No exemplo visto anteriormente, ―Machado de Assis‖, ―nosso maior escritor,
―o bruxo de Cosme Velho‖, ―Mestre‖ substituem-se no texto, pois têm um
referencial comum: o escritor Machado de Assis. Sempre que há retomada do mesmo
referente, através de formas diversas, ou melhor, através de expressões nominais
diversas, estamos diante de um recurso coesivo reiterativo.
♦ Nomes genéricos
Nomes muito abrangentes, que possuem uma grande extensão porque são
muito gerais como ―gente‖, ―coisa‖, ―negócio‖, funcionam como elementos de
referência anafórica. Vejamos um exemplo:
Estudo, diálogos com pessoas próximas, relacionamento afetivo, um tempo
para nós mesmos... Algumas vezes, deixamos de lado muita coisa importante na vida.
O termo genérico coisa refere-se aos termos já citados antes (estudo, diálogos,
relacionamento afetivo, tempo) funcionando como elemento anafórico.
Os conectivos
Os conectivos também contribuem para a coesão do texto. Esses elementos
são responsáveis pela ligação semântica entre partes do texto. Conectam orações,
parágrafos, enfim são peças-chave para a boa organização textual.
Atenção
Conectivo é o que conecta, o que liga as partes do texto.
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18
Você observe o exemplo que segue e perceba que quando um conectivo não
está apropriadamente empregado acaba por comprometer a coerência do texto:
Não fui ao cinema, ou estava doente.
Neste caso, o conectivo apropriado seria pois ou seus similares ( porque, uma
vez que ...) já que a ideia expressa a causa, o motivo pelo qual o enunciador não foi ao
cinema.
Finalmente, concluímos lembrando que o texto deve possuir o que chamamos
de textualidade, que é o que faz com que um agrupamento de expressões linguísticas
ou mesmo uma única lexia sejam considerados textos, isto é, uma unidade de sentido
coesa e coerente.
1.4 EXPLORE SEUS CONHECIMENTOS
Leia o texto abaixo e complete as lacunas com elementos coesivos que estabeleça
sentido. Utilize as palavras (desordenadas) do quadro para melhor orientação:
que por enquanto também embora mas também
de modo desde a pela então porém
por esse instrumento mas mais tarde
1.4
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19
COP-17 chega a acordo histórico, mas adia proteção ao clima
CLAUDIO ANGELO
ENVIADO ESPECIAL A DURBAN
O combate internacional à mudança climática teve hoje seu maior avanço político
___________ criação do Protocolo de Kyoto, no fim dos anos 1990. A COP-17, a
conferência do clima de Durban, África do Sul, terminou na madrugada deste domingo
lançando a base para um futuro acordo contra as emissões de gases-estufa, que
envolve metas para Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta,
mas só após 2020.
_________ foi aprovada uma controversa extensão do acordo de Kyoto, que envolve
apenas a União Europeia e mais um punhado de países e _________ não tem nem
intervalo de tempo definido para vigorar.
E foi lançado o chamado Fundo Verde do Clima, que tem a promessa de US$ 100
bilhões anuais a partir de 2020 para combater as emissões e promover ações de
adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento.
________ não façam rigorosamente nada para combater o aquecimento global hoje,
exceto manter os compromissos fracos que os países já haviam adotado na
conferência de Copenhague, em 2009, e que deixam o mundo no rumo de um
aquecimento de 2,5°C a 4°C neste século, as decisões adotadas em Durban têm caráter
histórico.
A principal delas, um texto de uma página e meia batizado de Plataforma de Durban,
estabelece um calendário para criar "um protocolo, outro instrumento legal ou um
resultado acordado com força legal" em 2015, que possa entrar em vigor até 2020.
____________, todos os países do mundo terão de se comprometer a metas
obrigatórias de redução de emissões.
Trata-se de uma revolução política no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Nas
palavras do negociador-chefe americano, Todd Stern, a Plataforma de Durban
"desbasta a barreira que existia entre países desenvolvidos e países em
desenvolvimento" e que causou a divisão do planeta entre ricos e pobres (os
chamados Anexo 1 e não-Anexo 1) em Kyoto. Foi essa divisão que impediu que o
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20
Senado americano ratificasse o acordo assinado no Japão e que causou, ________, o
impasse com a China que fez fracassar a conferência de Copenhague.
O acordo foi negociado por meses entre os países emergentes, a União Europeia e os
EUA, e costurado durante vários dias em reuniões secretas no hotel Hilton, em Durban.
Na madrugada de domingo, ___________, ele ameaçou ruir.
A Índia exigiu que fosse acrescentada no texto uma opção de ação mais frouxa,
_______ a que ela não precisasse se comprometer com metas. Foi criticada por
europeus e pelas nações-ilhas, que não só pediam um instrumento com força de lei,
___________ exigiam sua ratificação em 2018, não 2020.
A presidente da COP, a chanceler sul-africana Maite Mashabane, suspendeu a sessão e
pediu que a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, e a ministra do
Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, fizessem "uma rodinha" para encontrar uma
solução para o conflito.
O ato de criatividade retórica que salvou Durban veio do embaixador brasileiro Luiz
Alberto Figueiredo, que mais cedo havia brigado com os europeus por ter defendido,
alinhado com os emergentes e com os EUA, a inclusão da expressão mais fraca
"resultado legal". Figueiredo propôs trocar "resultado legal" por "resultado acordado
com força legal", uma mudança aparentemente boba, ________ que salvou a
negociação.
"Temos de nos orgulhar muito, este é um momento histórico", disse Figueiredo a
jornalistas após o fim da COP mais longa da história, com o sol já raiando em Durban.
"Esta plataforma tem uma chance real de se tornar uma conquista ainda maior que o
Mandato de Berlim", disse Hedegaard, em referência ao processo legal presidido em
1995 _________ ministra do Ambiente alemã, Angela Merkel, e que deu origem a
Kyoto.
"Os países sairão daqui dizendo que foi um grande sucesso, especialmente os Estados
Unidos. Mas para o clima não foi", afirmou Samantha Smith, da ONG WWF.
(http://www1.folha.uol.com.br/ambiente 11/12/2011 - 08h20)
2. Utilize o conectivo adequado para completar o texto que segue, de modo que a
coesão e a coerência do texto sejam observadas.
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21
A garota não aceitou o emprego, _______________ o salário fosse tentador.
3. O texto que segue apresenta elementos de coesão?
A pesca
Affonso Romano de Sant'Anna
O anil
o anzol
o azul
o silêncio
o tempo
o peixe
a agulha
vertical
mergulha
a água
a linha
a espuma
o tempo
o peixe
o silêncio
a garganta
a âncora
o peixe
a boca
o arranco
o rasgão
aberta a água
aberta a chaga
aberto o anzol
aqulíneo
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22
ágil-claro
estabanado
o peixe
a areia
o sol.
4. Pode-se dizer que o texto do exercício anterior é coerente? Explique.
1.5 RESPOSTAS COMENTADAS
Caro(a) aluno(a), espero que você tenha completado o texto conforme segue:
COP-17 chega a acordo histórico, mas adia proteção ao clima
CLAUDIO ANGELO
ENVIADO ESPECIAL A DURBAN
O combate internacional à mudança climática teve hoje seu maior avanço político
desde a criação do Protocolo de Kyoto, no fim dos anos 1990. A COP-17, a conferência
do clima de Durban, África do Sul, terminou na madrugada deste domingo lançando a
base para um futuro acordo contra as emissões de gases-estufa, que envolve metas
para Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta --mas só após
2020.
Também foi aprovada uma controversa extensão do acordo de Kyoto, que envolve
apenas a União Europeia e mais um punhado de países e que por enquanto não tem
nem intervalo de tempo definido para vigorar.
E foi lançado o chamado Fundo Verde do Clima, que tem a promessa de US$ 100
bilhões anuais a partir de 2020 para combater as emissões e promover ações de
adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento.
Embora não façam rigorosamente nada para combater o aquecimento global hoje --
exceto manter os compromissos fracos que os países já haviam adotado na
conferência de Copenhague, em 2009, e que deixam o mundo no rumo de um
aquecimento de 2,5°C a 4°C neste século--, as decisões adotadas em Durban têm
caráter histórico.
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A principal delas, um texto de uma página e meia batizado de Plataforma de Durban,
estabelece um calendário para criar "um protocolo, outro instrumento legal ou um
resultado acordado com força legal" em 2015, que possa entrar em vigor até 2020. Por
esse instrumento, todos os países do mundo terão de se comprometer a metas
obrigatórias de redução de emissões.
Trata-se de uma revolução política no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Nas
palavras do negociador-chefe americano, Todd Stern, a Plataforma de Durban
"desbasta a barreira que existia entre países desenvolvidos e países em
desenvolvimento" e que causou a divisão do planeta entre ricos e pobres (os
chamados Anexo 1 e não-Anexo 1) em Kyoto. Foi essa divisão que impediu que o
Senado americano ratificasse o acordo assinado no Japão e que causou, mais tarde, o
impasse com a China que fez fracassar a conferência de Copenhague.
O acordo foi negociado por meses entre os países emergentes, a União Europeia e os
EUA, e costurado durante vários dias em reuniões secretas no hotel Hilton, em Durban.
Na madrugada de domingo, porém, ele ameaçou ruir.
A Índia exigiu que fosse acrescentada no texto uma opção de ação mais frouxa, de
modo a que ela não precisasse se comprometer com metas. Foi criticada por europeus
e pelas nações-ilhas, que não só pediam um instrumento com força de lei, mas
também exigiam sua ratificação em 2018, não 2020.
A presidente da COP, a chanceler sul-africana Maite Mashabane, suspendeu a sessão e
pediu que a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, e a ministra do
Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, fizessem "uma rodinha" para encontrar uma
solução para o conflito.
O ato de criatividade retórica que salvou Durban veio do embaixador brasileiro Luiz
Alberto Figueiredo, que mais cedo havia brigado com os europeus por ter defendido,
alinhado com os emergentes e com os EUA, a inclusão da expressão mais fraca
"resultado legal". Figueiredo propôs trocar "resultado legal" por "resultado acordado
com força legal", uma mudança aparentemente boba, mas que salvou a negociação.
"Temos de nos orgulhar muito, este é um momento histórico", disse Figueiredo a
jornalistas após o fim da COP mais longa da história, com o sol já raiando em Durban.
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"Esta plataforma tem uma chance real de se tornar uma conquista ainda maior que o
Mandato de Berlim", disse Hedegaard, em referência ao processo legal presidido em
1995 pela então ministra do Ambiente alemã, Angela Merkel, e que deu origem a
Kyoto.
"Os países sairão daqui dizendo que foi um grande sucesso, especialmente os Estados
Unidos. Mas para o clima não foi", afirmou Samantha Smith, da ONG WWF.
2. Caro(a) aluno(a) , os conectivos que mais apropriadamente completam o trecho são
os que seguem:
A garota não aceitou o emprego, EMBORA OU AINDA QUE OU MESMO QUE o salário
fosse tentador.
3. Caro (a) aluno (a), o texto A Pesca, de Affonso Romano de Sant’Anna, não
apresenta nenhum elemento coesivo: não há repetição de palavras; não há retomada
de termos já citados; não há emprego de sinonímias ou hiperonímias etc.
4. Pode-se dizer que o texto do exercício anterior é coerente? Explique.
Embora não haja elementos coesivos, o texto é coerente. Isso se dá levando em
conta o contexto global: título do poema e sequenciação de vocábulos no poema que
constroem a narrativa: tudo o que ocorre para uma pesca- desde os preparativos até a
efetiva realização da mesma.
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25
FONOLOGIA
Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudaremos como os fonemas da língua se
organizam no sistema. Preparado(a)?
LÍNGUA E FALA
Língua é um sistema pertencente à coletividade de falantes. Já nos ensinava
Saussure que ela é abstrata e equivale a um contrato social. Nenhum falante sozinho
pode criá-la, transformá-la. Justamente por isso ela é um contrato social.
Fala é o uso da língua no momento da execução individual. Cada pessoa tem
uma capacidade de expressar-se de acordo com os conhecimentos adquiridos durante
sua vida.
A fala é característica de determinados grupos sociais, e sofre alterações de
acordo com a idade do falante, a região em que vive, o seu grau de instrução e outras
2.1
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26
variantes mais. Esse fenômeno explica, por exemplo a variação lexical entre mandioca
e macaxeira.
LETRAS E FONEMAS
Fonema “é a menor unidade sonora formadora de uma palavra”.
Exemplos:
1- Na palavra “sexo” existem 5 fonemas, veja: (s / e / k / s / o)
2- Na palavra “esquema” existem 6 fonemas, veja: (e / s / k / e / m / a)
Letra “é o símbolo que representa graficamente (visualmente) o fonema; é percebido
pela visão.” - Idem
Exemplos:
1- Na palavra “sexo” existem 4 letras, veja: (s / e / x / o)
2- Na palavra “esquema” existem 7 letras, veja: (e / s / q / u / e / m / a)
VOGAL E SEMIVOGAL
Vogal: veja as características desse tipo de fonema:
- é sempre a base sonora da sílaba;
- não existe sílaba sem vogal;
2.2
2.3
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27
- nunca há mais de uma vogal em uma sílaba.
Exemplos:
o-pi-ni-ão te-sou-ro a-cei-tou ca-dei-ra
Semivogais: são os fonemas /i/ e /u/ quando aparecem ligados a uma vogal,
formando sílaba com ela.
Exemplos:
o-pi-ni-ão te-sou-ro a-cei-tou ca-dei-ra
ENCONTROS VOCÁLICOS
Caro(a) aluno(a), denominam-se encontros vocálicos os sons vocálicos (vogais e
semivogais) pronunciados na mesma sílaba.
Os encontros vocálicos podem ser classificados como: ditongo, tritongo e
hiato. Vejamos as características de cada um deles:
Ditongo: Diz-se que há ditongo quando há o encontro de dois sons vocálicos
pronunciados na mesma sílaba. Ex: a-guar-dar va-leu fai-xa
no-tí-cia
Tritongo: Diz-se que há tritongo quando há o encontro de três sons vocálicos
pronunciados na mesma sílaba. Ex: i-guais sa-guão a-ve-ri-guei
Hiato: Diz-se que há hiato quando há dois sons vocálicos seguidos, mas pronunciados
em sílabas diferentes.
Ex: cons-tru-ir su-a-do sa-ú-de ru-im
ENCONTROS CONSONANTAIS
Têm-se encontros consonantais quando duas consoantes aparecem juntas na
mesma sílaba e são ambas pronunciadas.
Ex: blo-co a-brir ci-clo-ne plu-ral a-gri-cul-tu-ra
2.4
2.5
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28
DÍGRAFOS
Quando há o encontro de dois grafemas (duas letras) que representam um
único fonema (único som).
Ex: capricho amarrar fosse descer
Alguns dígrafos que devem ser separados na divisão silábica. São eles:
ss - a-mas-sa-do
rr - cor-rei-o
sc - pis-ci-na
Outros dígrafos não podem ter suas letras separadas. Vejamos:
lh - jo-a-lhei-ro
nh - quei-ji-nho
ch - em-chen-te
SÍLABAS
Na Língua Portuguesa, existem palavras de uma sílaba (mês, tem) até palavras
de muitas sílabas.
Segundo a quantidade de sílabas das palavras, elas são classificadas como:
Quantidade de sílabas Classificação Exemplos
1 Monossílaba fé – vê – pai – Deus – tio - vez
2 Dissílaba noi-te; can-tam; lá-bios; vin-te
3 Trissílaba can-ta-vam; per-di-dos; en-con-tros
4 ou mais Polissílaba ir-res-pon-sá-vel; con-fi-dên-cia
2.6
_____________________________________________________________________________
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2.7 EXPLORE SEU CONHECIMENTO
1. Separe as sílabas das palavras que seguem e classifique-as quanto ao número.
ÁGUA
HERÓI
ENXAGUOU
EMPREENDIMENTO
2. Classifique a palavra átomo quanto ao número de sílabas.
3. Picareta é uma palavra _________________porque tem ____ sílabas.
4. Separe as sílabas da palavra DEZ e diga se é monossílaba, dissílaba, trissílaba ou
polissílaba.
2.8 RESPOSTAS COMENTADAS
1. Caro (a) aluno (a), após estudar este capítulo, espero eu você tenha
classificado as palavras conforme segue:
ÁGUA = Á-GUA ( DISSÍLABA)
HERÓI = HE-RÓI (DISSÍLABA)
ENXAGUOU= EM-XA-GUOU ( TRISSÍLABA)
EMPREENDIMENTO= EM-PRE-EN-DI-MEN-TO (POLISSÍLABA)
2. Átomo é uma palavra TRISSÍLABA: á- to- mo.
3. Picareta é uma palavra POLISSÍLABA porque tem QUATRO sílabas.
4. DEZ: é uma palavra monossílaba.
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ORTOGRAFIA
Caro(a) aluno(a), neste capítulo você vai estudar a ortografia da Língua
Portuguesa. Vamos ao trabalho?
AS PALAVRAS E SUAS SÍLABAS
TÔNICAS
Sílabas tônicas são as que, em uma palavra, são pronunciadas com mais
intensidade, com mais “força” que as demais. Nem sempre as sílabas tônicas são
acentuadas graficamente.
Exemplos:
an-ti-pá-ti-co ve-lo-ci-da-de in-va-são grá-fi-ca vo-vó
De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras classificam-se da seguinte forma:
Classificação Posição da sílaba tônica Exemplos
Oxítona Última Guaraná, Pacaembu, quintal
Paroxítona Penúltima Madeira, repórter, digno
Proparoxítona Antepenúltima Simpático, próximo, lâmina
3.1
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31
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
a) Palavras Monossílabas
As palavras de uma só sílaba dividem-se em átonas e tônicas. Para facilitar sua
compreensão, pense dessa forma: as monossílabas tônicas podem ser usadas como
resposta a alguma pergunta.
Exemplos:
- Você viajará? – sim
- Ele vai jantar? – vai
- Como é a professora? – má
- Veio acompanhada ou só? – só
As monossílabas átonas, ao contrário das tônicas, não podem ser usadas como
resposta. Imagine se haveria alguma pergunta que você pudesse responder com: se,
te, tu, lhe, me, etc.
3.2
Atenção
Sílaba tônica é a sílaba cuja pronúncia é mais forte e não aquela que é acentuada!
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32
Vamos, agora, conhecer quais palavras monossílabas devem ser acentuadas
graficamente. Lembre-se de que somente as monossílabas tônicas podem ser
acentuadas graficamente.
Você verá, portanto, quais delas devem receber o acento gráfico e quais não o
recebem:
REGRA: Devem ser acentuadas todas as palavras monossílabas tônicas que terminam
em: “a”, “e”, “o”, “éi”, “ói” e “éu” – seguidos ou não de “s”.
Exemplos: pá, lá, má, vó, vô, ré, só, réis, mói, céu.
b) Palavras Oxítonas (quem têm a última sílaba tônica)
REGRA: Devem ser acentuadas todas as palavras oxítonas terminadas em: “a”, “e”,
“o”, “éi”, “ói”, “éu”, “ém” e “éns” – seguidos ou não de “s”.
Exemplos: vatapá, café, vovó, vovô, anéis, corrói, lençóis, troféu, chapéus, também,
amém, parabéns, reféns.
ATENÇÃO: O sinal nasalazador “~” (til) não é considerado acento gráfico.
Portanto, não poderemos considerar que “coração, feijão, consideração”, etc.
sejam palavras acentuadas graficamente.
c) Palavras Proparoxítonas (que têm a antepenúltima sílaba tônica)
REGRA: Todas as palavras proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente. Fácil,
não é?
Exemplos: oxítona, paroxítona, proparoxítona, crisântemo, ridículo, ícone, lâmpada,
código, tímido, êxito, protótipo, místico, cândida, mímica, rústico, diálogo, fenômeno,
etc.
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d) Palavras Paroxítonas
Relembrando: As palavras paroxítonas recebem o acento tônico na penúltima sílaba,
porém, somente as que terminam com determinadas letras, devem ser acentuadas
graficamente.
Observe as palavras abaixo:
repórter, águas, falência, bônus, tórax, júri, tênis, pólen, lavável, ímã, órfãs, sótão,
órgãos.
Veja que, com exceção do “o”, as palavras paroxítonas terminadas com as letras
grafadas devem ser acentuadas graficamente.
Acrescente somente mais três terminações e a regra ficará completa. Veja:
bíceps, álbum e álbuns.
REGRA GERAL: Devem receber o acento gráfico as palavras paroxítonas terminadas
em:
um, uns, ps, r, l, x, n
e também as paroxítonas terminadas em:
ditongo, i, ã, ao (seguidos ou não de “s”)
e) Hiato
As vogais tônicas (i e u), localizadas à direita do hiato, devem também receber o
acento gráfico.
Veja os exemplos: ra-í-zes; sa-í-ram; sa-ú-de; sa-ú-va, A-nhan-ga-ba-ú.
DICA
Utilize a palavra mnemônica ROUXINOLÃO para fixar as regras das palavras
paroxítonas que devem receber o acento gráfico. Veja como utilizá-la de forma
bem prática:
R O U X I N O L Ã O
ditongos
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OBS: Não devem receber o acento gráfico, o “i” e “u” quando antecederem “nh”.
Ex: ra-i-nha; sa-i-nha;
Você verá agora a grafia de algumas palavras que podem causar dúvidas:
EMPREGO DE CERTAS LETRAS
ALGUNS EMPREGOS DE “S” E DE “Z”
a) Escrevem-se com ES/ESA os sufixos que indicam nacionalidade, origem ou
procedência. Ex: francês, francesa – chinês, chinesa – camponês, camponesa.
b) Escrevem-se com ISA os sufixos que entram na formação do gênero feminino.
Ex: profeta, profetisa – sacerdote, sacerdotisa – poeta, poetisa.
c) Escrevem-se com EZ/EZA os sufixos que se unem a adjetivos para formar
substantivos abstratos. Ex: rápida, rapidez – belo, beleza – límpido, limpidez.
d) Escrevem-se com ISAR os verbos formados a partir de palavras que já têm “s”
na última sílaba. Ex: dose, dosar – piso, pisar – manso, amansar.
e) Escrevem-se com IZAR os verbos formados de palavras que não têm “s” na
última sílaba. Ex: canal, canalizar – terror, aterrorizar – padrão, padronizar.
f) Depois de ditongo, emprega-se sempre “S”. Ex: coisa, maisena, pausa, lousa,
causa, aplauso, ousado, faisão.
g) Nas formas dos verbos QUERER e POR (e nos derivados deles), usa-se sempre
“S”. Ex: quis, quiseram, quiser – pus, puserem, pusemos, depuser, repuserem.
3.3
Saiba Mais
Ortografia é a escrita correta das palavras. Todos os falantes de uma língua têm
obrigação de falar bem seu idioma.
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ALGUNS EMPREGOS DE “J” E DE “G”
a) São escritas com J as palavras formadas a partir de outras que terminam com
a sílaba “já”. Ex: loja, lojista – laranja, laranjeira – cereja, cerejeira - franja,
franjinha – granja, granjeiro.
b) Escrevem-se com G as palavras terminadas em: ágio, égio, ígio, ógio, úgio,
agem, igem e ugem. Exceções: pajem e lambujem. Ex: contágio, sacrilégio,
litígio, relógio, refúgio, barragem, origem, penugem.
ALGUNS EMPREGOS DE “X” E DE “CH”
a) Depois de ditongo, emprega-se X. (Exceções: recauchutar, recauchutagem) Ex:
ameixa, rouxinol, paixão, desleixado.
b) Depois da sílaba inicial “em”, emprega-se X. (Exceções: palavras formadas de
outras grafadas com “ch”, como: encher (de cheio) e encharcar (de charco).
Ex: enxugar, enxame, enxoval, enxurrada, enxaqueca, enxotar, enxofre,
enxerto, enxerido.
EMPREGO DAS PALAVRAS “MAU” E
“MAL”
MAU é o contrário de BOM. MAL é o contrário de BEM.
Quanto tiver dúvida, tente substituir a palavra para dar sentido à frase; observe as
frases:
- O aluno foi MAU/MAL na prova. Se substituirmos MAU por BOM, a frase fica
estranha, não é mesmo? Mas se a troca for MAL por BEM, então dará sentido: “O
aluno foi BEM na prova; então eu deveria escrever MAL.
- Nas telenovelas sempre há um homem MAU/MAL. Se usarmos a regrinha do
“contrário”, veremos que não faz sentido dizer: “Nas telenovelas sempre há um
homem BEM.” Portanto, esse MAU (contrário de BOM) deve ser escrito com U.
3.4
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USO DE “POR QUE”, “PORQUE”,
“PORQUÊ” E “POR QUÊ”
a) POR QUE – Essa forma deve ser empregada quando no sentido de “razão ou
motivo” ou com o significado de “pelo qual”.
Ex: Por que você faltou ontem? (razão)
Vou explicar-lhe por que não voltei lá. (razão)
São humilhantes as situações por que ele tem passado. (pelas quais)
b) POR QUÊ – Essa forma só é usada no final de frases.
Ex: Você faltou ontem por quê?
Eles nos enganaram, mas jamais saberemos por quê.
c) PORQUE – Emprega-se em frases afirmativas e em respostas; geralmente
como forma equivalente a “pois” ou “como”.
Ex: Faltei à aula porque precisei viajar às pressas. (pois)
Porque jogava mal, os colegas o obrigavam a jogar no gol. (como)
d) PORQUÊ – Essa forma é empregada com o significado aproximado de
“razão/motivo”. É sempre precedida de artigo ou pronome.
Ex: Ninguém sabia o porquê da demissão do professor.
Não houve um porquê específico para ele abandonar o projeto.
Eles nos traíram, mas jamais saberemos o porquê.
Desconfiado, ele nos interrogou com muitos porquês.
EXPLORE SEU CONHECIMENTO
Observe a sequência de palavras acentuadas graficamente:
Negócios – política – fácil – país – só
3.5
3.6
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37
1. Indique a opção em que as palavras foram acentuadas, respectivamente, pelo
mesmo motivo que as da sequência proposta.
a) Artística – influência – está – anzóis – pé
b) Influência – café – artística – saída – mão
c) Influência – artística – automóvel – saída – pó
d) Influência – artística – saúde – pé – automóvel
e) Gláucia – mecânico – ágil – pão - dó
2. Marque a opção em que as palavras obedecem à mesma regra de acentuação
gráfica.
a) própria – média – pílula – época
b) média – História – cárie – trajetória
c) aéreo – possível – país – biquíni
d) pílula – História – símbolo – trajetória
e) amálgama – descartável – ignorância – cântaro
3. Complete utilizando porque/por que/porquê/ por quê:
____________você não compareceu à palestra de seu curso?
4.Utilize mau/mal:
Ele é um ______professor, porque está sempre de ________humor e por isso trata
muito ________seus alunos.
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3.7 RESPOSTAS COMENTADAS
Caro(a) aluno(a), depois de estudar as regras de acentuação gráfica, espero que
suas respostas sejam as que seguem:
1.
c) Influência – artística – automóvel – saída – pó
Influência e negócios são paroxítonas terminadas em ditongo;
Artística e política são proparoxítonas;
Automóvel e fácil são paroxítonas terminadas em L;
Saída e país são acentuadas pois são hiatos;
Pó e só são monossílabos tónicos terminados em “o”.
2.
b) média – História – cárie – trajetória
A regra de acentuação a que pertencem todos os vocábulos é a seguinte:
Acentuam-se os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo.
3. POR QUE você não compareceu à palestra de seu curso?
Sempre se usa porque no início de perguntas.
4.Ele é um MAU professor, porque está sempre de MAU humor e por isso trata muito
MAL seus alunos.
Mau é adjetivo, antônimo de bom. Mal é advérbio, antônimo de bem.
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AS CLASSES DE PALAVRAS
Caro(a) aluno(a), você estudará neste capítulo as classes de palavras.
Preparado(a)?
As palavras da língua são agrupadas em dez classes: substantivo, artigo,
adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
a) SUBSTANTIVO
É a classe de palavras que diz respeito aos nomes.
Artigo
Adjetivo
Numeral
Pronome
Observando o gráfico, você pode compreender que essas quatro classes de palavras
(artigo, adjetivo, numeral e pronome) devem sempre concordar com o Substantivo.
Vejamos:
O menino caiu.
artigo substantivo verbo
Aquelas garotas boas estudaram.
SUBSTANTIVO
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pronome substantivo adjetivo verbo
Duas alunas estudiosas elaboraram os trabalhos.
numeral substantivo adjetivo verbo artigo substantivo.
Você percebeu como as quatro classes citadas devem concordar com o substantivo
(masculino, feminino, singular ou plural)?
A importância do Substantivo deve-se ao fato de que ele “dá nome às coisas,
pessoas, sentimentos, lugares”, ou seja, nomeia tudo o que existe ou que
imaginamos existir.
Ex: casa, carro, prédio, cachorro, Antonio, São Paulo, fada, bruxa, batata, etc.
Os substantivos podem ser subdivididos em:
I- Comum – quando indicado todos os seres da uma mesma espécie
(cidade).
II- Próprio – quando indica um só ser de uma mesma espécie (São Paulo).
Estes devem sempre ser escritos com letra maiúscula inicial.
III- Simples – quando formado por uma só palavra (batata).
IV- Composto - quando formado por duas ou mais palavras (batata-doce).
V- Primitivo – quando dá origem a outras palavras (ferro).
VI- Derivado – quando se origina de outra palavra (ferreiro).
VII- Concreto – quando indica um ser de existência independente, real ou
não (livro, ar, fada).
VIII- Abstrato – quando indica um ser de existência dependente, concebido
pela nossa consciência (amor, ódio, ciúme).
IX- Coletivo - quando um substantivo, no singular, indica uma porção de
seres da mesma espécie (discoteca, colmeia, arquipélago).
Os substantivos podem ser flexionados em:
- Gênero (masculino e feminino) = aluno, aluna
- Número (singular e plural) = alunos, alunas
- Grau (normal, diminutivo, aumentativo) = nariz, narizinho, narigão
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b) ARTIGO – é a palavra que vem antes do Substantivo para individualizá-lo ou
para generalizá-lo.
Ex: o livro a caneta um livro uma caneta
Observe que quando digo “Pegue um caderno”, refiro-me a qualquer caderno,
não especificando qual eu desejo. (artigo indefinido – são eles: UM, UMA, UNS,
UMAS)
Mas se eu disser “Pegue o caderno”, certamente você já saberá a qual deles me
refiro. (artigo definido – são eles: O, A, OS, AS)
c) ADJETIVO – é a palavra que acompanha ou modifica o Substantivo, para
indicar sua qualidade, estado, condição.
Ex: homem bom mulher grande
substantivo adjetivo substantivo adjetivo
Os Adjetivos podem ser flexionados em:
- Gênero (masculino e feminino) = cidade pequena – barco antigo
- Número (singular e plural) = cidade pequena – sonhos impossíveis
- Grau (comparativo) = A árvore era mais alta que a casa.
A noite foi tão quente quanto o dia.
Seu irmão é menos estudioso que você.
- Grau (superlativo) = Este exercício é facílimo.
Fiz o exercício mais fácil de todos.
Fiz o exercício menos fácil de todos.
d) NUMERAL – é a palavra que dá ideia de número (um, dois, três, mil, etc.) ou
de ordem numérica (primeiro, segundo, terceiro, milésimo, etc.). O numeral
também pode indicar multiplicação (dobro, triplo, quádruplo) ou fração
(meio, metade, terça parte, dois quinze avos).
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42
e) PRONOME – é a palavra que substitui ou acompanha um substantivo,
indicando a pessoa gramatical.
Ex: ELA chegou, mas não A vi.
NOSSO carro é AQUELE calhambeque.
OS PRONOMES PODEM SER:
1) Pessoais – Estes, subdividem-se em: retos e oblíquos e de tratamento.
Pronomes retos
(função de sujeito)
Pronomes oblíquos
(função de
complemento)
Pronomes de tratamento
eu me, mim, comigo
tu te, ti, contigo
ele/ela se, lhe, o, a, si, consigo você, senhor, Vossa
Excência, Vossa Majestade,
etc.
nós nos, conosco
vós vos, convosco
eles/elas se, lhes, os, as, si,
consigo
vocês, senhores, Vossas
Excelências, Vossas
Majestades, etc.
2) Possessivos – são os que dão ideia de posse, referindo-se a uma pessoa
gramatical.
Pronomes retos Pronomes possessivos
1ª. pessoa – EU meu, minha, meus, minhas
2ª. pessoa – TU teu, tua, teus, tuas
2ª. pessoa - ELE seu, sua, seus, suas
1ª. pessoa - NÓS nosso, nossa
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2ª. pessoa - VÓS vosso, vossa
3ª. pessoa - ELES seus, suas
3) Demonstrativos – são os pronomes que indicam a posição de um ser em
relação à pessoa gramatical.
Os principais pronomes demonstrativos são:
ESTE, ESTA, ISTO, ESSE, ESSA, ISSO, AQUELE, AQUELA, AQUILO.
Quanto ao seu uso, é importante sabermos que:
- ESTE, ESTES, ESTA, ESTAS, ISTO –
No espaço: indicam o que está próximo de quem fala/escreve.
No contexto: referem-se a algo que será dito/escrito.
No tempo: indicam tempo atual, presente (em relação ao momento da
fala).
EX: Esta aliança que está em meu dedo, é a recordação de um pacto.
Meu grande objetivo sempre foi este: ajudar as pessoas.
Esta aula de hoje é muito útil.
- ESSE, ESSES, ESSA, ESSAS, ISSO –
No espaço: indicam o que está próximo de quem ouve/lê.
No contexto: referem-se a algo que já foi dito/escrito.
No tempo: Marcam um tempo anterior próximo ou posterior próximo.
EX: Posso dar uma olhada nesse livro que está com você?
“É mentira!” – Foi só isso que ele disse antes de sair.
A meteorologia prevê que esse fim de semana terá tempo bom.
- AQUELE, AQUELES, AQUELA, AQUELAS, AQUILO –
No espaço: indicam o que está longe de quem fala/escreve e de quem
ouve/lê.
No contexto: indicam um elemento referido anteriormente a outro.
No tempo: indicam tempo distante, bem anterior ou posterior ao
momento da fala/escrita.
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EX: Aqui do avião, aquele rio lá embaixo parece uma cicatriz na
selva.
Marcos e Carla são irmãos. Aquele é músico; esta é médica.
Naquela época de meus avós, aqui só havia fazendas de café.
4) Relativos - são aqueles que retomam um substantivo (ou um pronome)
anterior a eles, substituindo-o no início da oração seguinte.
São eles: O/A QUAL, OS/AS QUAIS, QUE, CUJO, CUJOS, CUJA, CUJAS, QUEM,
QUANTO, QUANTOS, QUANTA, QUANTAS, ONDE, AONDE.
Ex: O jogo, que decidirá o campeonato, será no domingo.
Conheço a cidade a qual (que) você visitou ontem.
Serão atendidas as pessoas cujos nomes constem na lista.
Visitarei a cidade onde nasci.
5) Indefinidos – são aqueles que se referem de modo vago, indeterminado, à
3ª. pessoa gramatical.
Os mais comuns são: ALGUM (UNS), ALGUMA(S), ALGUÉM, NENHUM(UNS),
NENHUMA(S), TODO(S), TODA(S), MUITO(S), MUITA(S), POUCO(S),
POUCA(S), CERTO(S) CERTA(S), QUALQUER, QUAISQUER
EX: Algum amigo telefonará para você.
Certos indivíduos destroem as praças.
As lojas todas estarão fechadas amanhã.
Muitos serão chamados, porém poucos serão escolhidos.
6) Interrogativos – são pronomes empregados em frases interrogativas.
São eles: QUE, QUEM, QUAL, QUAIS, QUANTO(S), QUANTA(S).
EX: Quantos trabalhadores construíram este prédio?
Qual era o nome do cozinheiro?
Quem vencerá a Copa do Mundo?
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f) VERBO – é a palavra que podemos conjugar. O verbo, por si só, exprime um
fato (em geral, ação, estado ou fenômeno) e localiza-se no tempo.
Existem, na Língua Portuguesa, aproximadamente onze mil verbos, que são
divididos em três subgrupos, chamados de conjugações. Assim:
- 1ª. conjugação – todos os verbos terminados em AR (amar, cantar, dançar).
2ª. conjugação – todos os verbos terminados em ER (viver, ser, beber, vencer).
3ª. conjugação – todos os verbos terminados em IR (sentir, rir, vir, decidir).
MODOS VERBAIS – São três:
- Indicativo: exprime atitudes de certeza (ele virá)
- Subjuntivo: exprime atitudes de hipótese (se ele vier)
- Imperativo: exprime atitudes de ordem, pedido, conselho (venha)
TEMPOS VERBAIS:
- Presente (eu trabalho)
MODO perfeito (eu trabalhei)
INDICATIVO - Pretérito imperfeito (eu trabalhava)
mais-que-perfeito (eu trabalhara)
- Futuro do presente (eu trabalharei)
do pretérito (eu trabalharia)
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46
MODO - Presente (que eu trabalhe)
SUBJUNTIVO - Pretérito imperfeito (se eu trabalhasse)
- Futuro (quando eu trabalhar)
FORMAS - Infinitivo: terminação –R (andar, viver, sorrir)
NOMINAIS - Gerúndio: terminação –NDO (andando, vivendo,
sorrindo)
- Particípio: terminação –ADO/-IDO (andado, vivido)
VERBOS REGULARES: um verbo é regular quando ele, ao ser conjugado, não
sofre nenhuma alteração no radical.
EX: o verbo ANDAR, em qualquer tempo, modo e pessoa, o radical AND não
sofrerá alteração: eu ando, se eles andassem, nós andaríamos, quando tu
andares, etc. Outros exemplos de verbos regulares são: FALAR, VIVER,
DEPENDER, DIVIDIR, PARTIR.
VERBOS IRREGULARES: é aquele que, ao ser conjugado, sofre alterações,
geralmente no radical. Vejamos alguns exemplos:
DIZER – eu digo, se eu disser, eu direi.
FAZER – eu faço, se eles fizessem, nós faremos.
CABER – eu caibo, que eles coubessem, que eles caibam.
PEDIR – eu peço, que nós peçamos, que eles peçam.
VERBOS DEFECTIVOS: são os que apresentam falhas, defeitos, em sua
conjugação. Algumas formas soariam estranham se as utilizássemos.
EX: Ao conjugar os verbos COLORIR, ABOLIR, FALIR E CHOVER na primeira
pessoa do singular do presente do indicativo, teríamos: “eu coloro”, “ eu
abulo”, “eu falo” e “eu chovo”.
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VERBOS ABUNDANTES: são aqueles que apresentam duas formas de mesmo
valor.
EX: MATAR = matado / morto
PRENDER = prendido / preso
O particípio regular apresenta as terminações –ado e –ido. Portanto, matado e
prendido são particípios regulares e morto e preso são irregulares.
Observe alguns verbos no quadro abaixo:
Verbo abundante Particípio regular
(terminação –ado / -ido)
Particípio irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Eleger Elegido Eleito
Entregar Entregado Entregue
Enxugar Enxugado Enxuto
Expulsar Expulsado Expulso
Extinguir Extinguido Extinto
Imprimir Imprimido Impresso
Limpar Limpado Limpo
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Para que não haja dúvidas quanto ao uso desses verbos, você deverá observar
o seguinte:
- Particípio regular → usa-se com os verbos TER e HAVER.
EX: A fome tem matado milhares de crianças em todo o mundo.
O povo havia elegido o presidente.
- Particípio irregular → usa-se com os verbos SER e ESTAR.
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EX: O presidente foi eleito com o apoio dos banqueiros.
O cãozinho ainda não estava morto quando o tiramos da rua.
ATENÇÃO: A expressão “Eu tinha chego”, NÃO EXISTE!
g) ADVÉRBIOS / LOCUÇÕES ADVERBIAIS– são palavras invariáveis que se
relacionam com o verbo para indicar as circunstâncias (de tempo, de lugar, de
modo etc.) em que ocorrem as ações verbais.
Veja no quadro abaixo, alguns advérbios/locuções adverbiais e suas classificações:
Classificação Principais Exemplo
Afirmação Sim, certamente,
realmente, sem dúvida
Nós vimos, sim, o filme.
Dúvida Talvez, acaso Talvez viajemos juntos.
Intensidade Pouco, bastante, muito,
tão, demais
Ela trabalha muito.
Lugar Aqui, lá, perto, longe, por
dentro, embaixo
O hotel fica perto.
Modo Mal, devagar, assim, às
pressas, rapidamente
O frio ia chegando devagar.
Negação Não, de modo algum Eles não querem nos apoiar.
Tempo Agora, sempre, nunca,
brevemente, à noite, de vez
em quando
Você nunca viaja à noite?
Atenção
DIFERENÇA ENTRE O ADJETIVO E O ADVÉRBIO:
O adjetivo modifica o substantivo, enquanto que o advérbio modifica o verbo.
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EXPLORE SEU CONHECIMENTO
1. A que classe de palavras pertencem os vocábulos destacados nas frases que
seguem?
As meninas estão brincando.
Todos os jogadores eram excelentes.
Haveria outra forma de acreditar nele?
Os políticos brasileiros não têm muita credibilidade.
2. Alguns verbos que têm duplo particípio são chamados de verbos abundantes. Nas
orações abaixo, assinale a que tem o emprego incorreto do particípio:
a) O partido já tinha aceito a renúncia do candidato.
b) Ambos tinham aceitado o chamado.
c) As fogueiras estavam acesas.
d) A empresa tinha suspendido o pagamento.
e) O banheiro já fora enxuto.
3. A que classe de palavras pertence o termo grifado na seguinte oração:
Aquele belo menino sabia escolher as palavras justas!
4,A que classe de palavras pertence o vocábulo grifado na oração que segue:
Eles não saberiam escolher um presente que contentasse aquele professor casmurro.
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50
4.2 RESPOSTAS COMENTADAS
Caro(a) aluno(a), depois que você estudou as classes de palavras, espero que
você tenha classificado os vocábulos desatacados conforme abaixo:
1. A que classe de palavras pertencem os vocábulos destacados nas frases que
seguem?
As meninas estão brincando. (Artigo definido)
Todos os jogadores eram excelentes. (Adjetivo)
Haveria outra forma de acreditar nele? (Verbo)
Os políticos brasileiros não têm muita credibilidade. (Substantivo)
2.
a) O partido já tinha aceito a renúncia do candidato.
O particípio correto é aceitado!
3. Aquele belo menino sabia escolher as palavras justas!
Belo é adjetivo: caracteriza o substantivo menino.
4.Eles não saberiam escolher um presente que contentasse aquele professor
casmurro.
Eles é pronome pessoal do caso reto.
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CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA
Caro (a) aluno (a), você agora verá os principais casos de concordância e
regência de verbos e nomes. Espero que você aproveite este capítulo!
CONCORDÂNCIA NOMINAL
REGRA GERAL: As palavras variáveis (artigo, adjetivo, numeral e pronome) que se
referem ao substantivo devem concordar com ele em gênero (masculino/feminino) e
número (singular/plural).
Ex: Todas as organizações humanitárias criticaram os dois países.
pron art subst. adj verbo art num subst
CASOS ESPECÍFICOS DE CONCORDÂNCIA NOMINAL
1) ANEXO, INCLUSO E OBRIGADO
Concordam com a palavra a que se referem.
Ex: Ele enviará anexos ao contrato os recibos.
5.1
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52
As taxas inclusas na mensalidade eram ilegais.
A garotinha disse timidamente: obrigada.
2) MESMO E BASTANTE
Essas palavras ora exercem papel de advérbio, ora de pronome. Como
advérbio, são invariáveis; como pronomes, concordam com a palavra a que se
referem. A palavra bastante irá para o plural (bastantes) quando puder ser
trocada por muitos.
Ex: As pessoas deveriam se interessar mesmo (advérbio = realmente) pela
situação do país.
As crianças mesmas (pronome) contaram o que aconteceu na festa.
Por causa do calor, os ciclistas se desgastaram bastante. (advérbio = muito)
Na biblioteca da escola, há bastantes (pronome = muitos) livros sobre
ecologia.
3) CARO, BARATO, SÓ E MEIO
Caro, barato e só são invariáveis quando funcionam como advérbio e variáveis
quando funcionam como adjetivo.
Ex: Os turistas pagam caro (advérbio) para se hospedar neste hotel.
Elas só usam jóias baratas (adjetivo de jóias), embora sejam ricas.
São muito caras (adjetivo de internações) as internações em hospitais
particulares.
Muitas pessoas se sentem sós (adjetivo de pessoas), mesmo no meio da
multidão.
Meio – quando numeral (metade), concorda com a palavra a que se refere;
quando advérbio (um pouco), é invariável.
Ex: Ao meio (numeral)-dia e meia (numeral), as crianças já estão meio advérbio
cansadas.
Atenção!
Ela anda meio preocupada!!!
Nunca diga : Ela anda meia preocupada!!!
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53
4) É BOM, É PROIBIDO, É NECESSÁRIO + SUBSTANTIVO
Se o substantivo está acompanhado de artigo ou pronome, o adjetivo concorda
com o substantivo.
Ex: É proibida a entrada de estranhos.
Se o substantivo apresenta-se sem palavra determinante, o adjetivo fica
invariável.
Ex: É proibido entrada de estranhos.
Para aturá-lo, é necessário paciência.
Todos sabem que laranja é bom para a saúde.
CONCORDÂNCIA VERBAL
a) Com sujeito simples – Como o sujeito sempre manda no verbo, se o sujeito
estiver no plural, o verbo o acompanhará, não importando a colocação do
verbo na frase. Veja:
O menino apareceu na festa. / Os meninos apareceram na festa.
A alta dos preços dos alimentos irrita o povo.
5.2
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54
ATENÇÃO:
I- Qualquer nome acompanhado de artigo no plural exige o verbo no
plural. Ex: OS Andes FICAM na América do Sul.
OS Estados Unidos SÃO uma superpotência.
II- Se o artigo estiver no singular, ou se não houver artigo, o verbo ficará no
singular.
Ex: O Amazonas É um grande rio.
CAMPINAS É uma grande cidade.
III- Quando um pronome no singular estiver seguido das expressões DE NÓS,
DE VÓS, DE VOCÊS, DELES, ou de qualquer outra no plural, o verbo
ficará no singular.
Ex: NENHUM de nós VOTARÁ mais em gente corrupta.
ALGUM de vocês GOSTA de políticos demagogos?
IV- Se, porém, o pronome estiver no plural, o verbo concordará com a
expressão que vier depois do pronome.
Ex ALGUNS de nós ainda VOTAREMOS em gente corrupta?
QUAIS de vós ainda VOTAREIS em gente corrupta?
V- O pronome QUEM exige o verbo na 3ª. pessoa do singular.
Ex: Hoje sou EU QUEM paga a conta.
Hoje somos NÓS QUEM paga a conta.
VI- Porém, se no lugar do pronome QUEM, aparecer QUE, a concordância se
fará com o pronome reto anterior.
Ex: Hoje sou eu QUE pago a conta.
Hoje somos nós QUE pagamos a conta.
Hoje são eles QUE pagam a conta.
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55
VII- O verbo FAZER, quando dá ideia de tempo, não varia.
Ex: FAZ dois anos que não viajo.
Ontem FEZ trinta dias que assisti a esse filme.
VIII- O verbo HAVER, quando significa existir, acontecer, realizar-se ou fazer
(em orações temporais), não varia.
Ex: HAVIA muitas pessoas na fila. (existiam)
HAVERÁ eleições este ano. (realizar-se-ão)
HÁ tempos não viajo de trem. (faz)
IX- Os verbos DAR, SOAR E BATER variam normalmente.
Ex: Já DERAM onze horas?
ESTÃO DANDO seis horas só agora.
Já SOARAM oito horas?
b) Com sujeito composto - REGRA GERAL: Todo sujeito composto exige o verbo no
plural.
Ex: Ela e o namorado CAÍRAM do cavalo.
ALGUNS CASOS ESPECIAIS
I- Sujeito formado por infinitivos exige o verbo no singular.
Ex: Apanhar e chorar FAZ bem de vez em quando.
II- Se, porém, os infinitivos forem antônimos, ou se vierem com o artigo O,
o verbo irá para o plural.
Ex: Rir e chorar SÃO próprios do homem.
O comer e o beber demais FAZEM mal à saúde
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REGÊNCIA NOMINAL
É o modo como o nome se relaciona com o termo que lhe serve de complemento.
Observe a frase abaixo e veja que nela falta algo:
“ Meu filho tem medo de escuro”.
Você percebe que há algo errado? Pois é, falta a preposição “de”, porque a
palavra “medo” exige a preposição, pois, quem tem medo, tem medo DE algo ou de
alguém. Não dizemos ter medo algo ou alguém, não é verdade?
É exatamente essa ocorrência que denominamos regência nominal, pois
determinados “nomes” exigem certas palavrinhas (preposições) para ligá-los a outras.
Relação de nomes e as preposições que eles exigem:
Adepto DE Favorável A Relativo A
Alheio A Feliz DE, POR, EM, COM Residente EM
Ansioso POR, PARA Impróprio PARA Rigoroso COM, EM
Apto A, PARA Imune A, DE Simpatia A, POR
Aversão A, POR Inofensivo A, PARA União COM, ENTRE
Benéfico A, PARA Junto A, DE Vazio DE
5.3
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57
Ciente DE Livre DE Cheio DE
Composto POR, DE Paralelo A Vizinho A, DE
Contente COM, POR, DE Próximo A, DE Vulnerável A
Desprezo A, POR Referente A Inferior A
Invasão DE Ódio A Liderança SOBRE
Atenção A Consulta A
REGÊNCIA VERBAL
Assim como os nomes têm formas adequadas para relacionarem-se com seus
complementos, os verbos também têm.
Entretanto, no caso dos verbos, alguns deles podem ter mais de um significado,
segundo o seu tipo de complemento. É disso que trataremos agora.
Veja os significados do verbo assistir:
- Ele assistiu ao jogo. (viu.)
- O médico assistiu o paciente. (auxiliar, dar assistência)
Observe a regência de alguns verbos:
5.4
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58
VERBO SIGNIFICADO PREP EXEMPLOS
agradar Fazer carinho, acariciar
Ser agradável,
satisfazer
-
A
A mãe agrada o filho.
O jogo não agradou a todos.
aspirar Cheirar, inspirar
Desejar, almejar
-
A
Aspirei o perfume da rosa.
Aspirei ao cargo de chefia.
assistir Presenciar, ver
Dar assistência, ajudar
A
-
Assistiu ao filme.
Assistia o doente com carinho.
implicar Demonstrar antipatia
Acarretar, provocar
COM
-
Meu pai implica com meu namorado.
Isto implica problemas.
importar Fazer vir de outro país
Acarretar, exigir
-
-
Importou um computador.
Isto importa grandes gastos.
importar-se Dar importância, ter
consideração
COM Ana não se importa com você.
informar
(avisar)
Alguma coisa
A alguém
-
A
Informou o resultado da prova.
Informou aos funcionários.
obedecer /
desobedecer
Sujeitar-se, cumprir
Não cumprir
A
A
Ele obedece ao regulamento.
O motorista desobedece ao sinal.
pagar Alguma coisa
A alguém
-
A
Antônio pagou a dívida.
Antônio pagou ao médico.
perdoar Alguma coisa
A alguém
-
A
Maria perdoou a ofensa.
Maria perdoou ao irmão.
pisar Caminhar sobre - Não pise a grama.
preferir Achar melhor, gostar
mais de
A Prefiro teatro a televisão.
A norma culta não admite preferir
mais...do que...
proceder Ter fundamento
Vir de algum lugar
Dar início
-
DE
A
Sua reclamação não procede.
O trem procede de São Paulo.
O mesário procedeu à votação.
querer Desejar, cobiçar - Eu quero a bala.
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Amar, estimar A Quero bem a meus alunos.
visar Pretender, aspirar
Assinar, rubricar
Dirigir a pontaria,
mirar
A
-
-
Eles visam ao lucro.
Elas visaram o cheque.
O treinador visou o alvo.
5.5 EXPLORE SEU CONHECIMENTO
1. Marque o item que completa convenientemente as lacunas:
Evitemos as ______________ palavras.
Acolheu-me com palavras _________________ estranhas.
Não temos razões ___________________ para impugnar sua candidatura.
Estavam _________________ felizes.
Há _____________ indecisões do que parece.
a) Meio – meias – bastante – bastante – menos
b) Meias – meio – bastante – bastante – menos
c) Meias – meio – bastantes – bastante – menos
d) Meio – meias – bastantes – bastante – menos
e) Meias – meias – bastantes – bastantes – menos
2. A frase em que a concordância nominal está correta é:
a) A vasta plantação e a casa grande caiados há pouco tempo era o melhor sinal
de prosperidade da família.
b) Eles, com ar entristecidos, dirigiram-se ao salão onde se encontravam as
vítimas do acidente.
c) Não lhe pareciam útil aquelas palavras esquisitas que ele cultivava na sua
pacata e linda chácara do interior.
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d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o braço direitos, mas
estava totalmente lúcido.
e) Esses livros e caderno não são meus, mas poderão ser importante para a
pesquisa que estou fazendo.
3. Complete com a palavra entre parênteses, observando a correta regência:
Todos os documentos estavam ________ ao processo. (anexo/anexos)
4.Complete, observando a correta regência do verbo ver:
Os brasileiros assistem ___novelas da globo que geralmente reforçam estereótipos
acerca de preconceitos dos mais variados tipos.(as/às)
5.6 RESPOSTAS COMENTADAS
Caro(a) aluno(a), depois de ter estudado as regras de concordância e regência,
espero que você tenha escolhido as alternativas abaixo. Confira e veja se acertou!
1. c) Meias – meio – bastantes – bastante – menos
2. d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o braço direitos,
mas estava totalmente lúcido.
3. Todos os documentos estavam ANEXOS ao processo. (anexo/anexos)
Anexos concorda com a palavra documentos.
4. Os brasileiros assistem ÀS novelas da globo que geralmente reforçam estereótipos acerca de pre
variados tipos.(as/às).
O verbo assistir é transitivo indireto quando significa ver, por isso exige a prepo-
sição a.
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CRASE, PONTUAÇÃO E VÍCIOS DE
LINGUAGEM
Caro (a) aluno (a), você estudará neste capítulo o uso da crase, da pontuação
correta além do uso de algumas expressões da norma culta. Então, mão à obra!
C R A S E
Denomina-se crase a fusão da preposição ‘a’ com o artigo definido feminino ‘a’.
Na língua escrita, a crase é indicada pelo acento grave: à(s).
1º CASO) PREPOSIÇÃO ‘A’ + ARTIGO ‘A’(S)
Depende de duas condições:
a) O termo regente deve exigir a preposição ‘a’;
b) O termo regido precisa ser uma palavra feminina que admita o artigo ‘a’(s).
Ex: Esta rua é paralela a a avenida. = Esta rua é paralela à avenida.
MÉTODO PRÁTICO
Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente e observe o que ocorre.
a) Se, antes da masculina, aparecer ao(s) = coloque o sinal de crase antes da
feminina.
b) Se, antes da masculina, aparecer apenas a(s) ou o(s) = não coloque o sinal de
crase.
6.1
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62
Ex: Eles retornarão à fazenda hoje. = Eles retornarão ao clube hoje.
Ele fez críticas a algumas amigas. = Ele fez críticas a alguns amigos.
O sonho de meu amigo é conhecer a Espanha. = O sonho de meu amigo é conhecer o
Japão.
CASOS EM QUE NUNCA OCORRE CRASE
Antes de palavra masculina Ex: Ela jamais passeia a cavalo.
Este carro é movido a álcool.
Antes de verbo. Poderia ajudar a fazer?
A menina começou a chorar.
Antes de pronomes em geral. O menino desobedeceu a lei.
Ele se dedica a alguma atividade?
Antes de nome de cidade. Você não vai a Manaus?
A viagem a Santos será breve.
Antes da palavra casa sem especificativo. Com a chuva, voltei a casa.
Com a chuva, voltei à casa de Roberto.
Antes da palavra terra com sentido
oposto ao de ‘água/mar’.
Os náufragos chegaram a terra.
Os náufragos chegaram à terra natal.
No ‘a’ singular antes de palavra no plural. Ele se dirigiu a pessoas estranhas.
Nunca vai sozinho a festas.
Entre palavras repetidas. Percorreu o país de ponta a ponta.
Ficou frente a frente com o rival.
CASOS EM QUE SEMPRE OCORRE CRASE
Locuções em que a crase é obrigatória.
Locuções adverbiais femininas
De tempo: às vezes, ele vem aqui às sextas-feiras à noite.
De lugar: Os grevistas foram à prefeitura e depois à praça central.
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De modo: Consertamos o carro às pressas e saímos às escondidas.
Locuções prepositivas – Forma geral: (à + palavra feminina + de)
As mais usadas são: À esquerda de à moda de à mercê de
À direita de à espera de à custa de à frente de à
procura de à semelhança de
OBS: A locução prepositiva “à moda de” pode ocorrer parcialmente subentendida;
mesmo assim continua exigindo crase. Ex: No jogo de ontem, o jovem atacante fez um
gol à Pelé. (à moda de Pelé)
Locuções conjuntivas
Existem apenas duas locuções desse tipo: “à medida que” e “à proporção que”.
Ex: Os pássaros silenciam, à medida que a noite chega.
À proporção que o tempo passava, a tensão crescia.
CASOS EM QUE A CRASE É OPCIONAL
1) Antes de pronomes possessivos femininos
Com os pronomes possessivos (minha, tua, nossa, etc.), o artigo é opcional.
Ex: A minha irmã chegará no domingo. OU Minha irmã chegará no domingo.
Portanto, a crase também é opcional.
Ex: Ele não se referiu a minha irmã. OU Ele não se referiu à minha irmã.
2) Antes de nomes de mulheres
Ex: Raquel esteve aqui ontem. OU A Raquel esteve aqui ontem.
Portanto, o mesmo acontece com a crase.
Ex: Faremos uma visita a Raquel. OU Faremos uma visita à Raquel.
3) Depois da palavra ‘até’
Essa palavra, quando inicia expressões indicativas de lugar, pode ocorrer
seguida pela preposição ‘a’ (até a algum lugar) ou sozinha (até algum lugar).
Ex: As crianças foram até à praça. OU As crianças foram até a praça.
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2º CASO) PREPOSIÇÃO ‘A’ + PRONOME DEMONSTRATIVO ‘A’(S)
A palavra ‘a’(s) é pronome demonstrativo quando aparece depois de que ou de e pode
ser trocada por aquela(s). Para verificar se ocorre crase com esse demonstrativo, pode-
se utilizar este recurso prático:
Troca-se o substantivo feminino anterior ao ‘a(s)’ por um substantivo masculino
equivalente e observa-se o seguinte:
- Se, antes do que (ou de), aparecer ‘ao(s)’ = ocorre crase no ‘a(s)’ da feminina.
- Se, antes do que (ou de), aparecer apenas ‘o(s)’ = não ocorre crase no ‘a(s)’ da
feminina.
Exemplos:
Esta estrada é paralela à que corta a região. = Este caminho é paralelo ao que corta a
região.
Suas opiniões são idênticas às de meu irmão. = Seus sonhos são idênticos aos de meu
irmão.
Comprarei esta blusa, não a que vi na outra loja. = Comprarei este tênis, não o que vi
na outra loja.
3º CASO) PREPOSIÇÃO ‘A’ + AQUELE(S) / AQUELA(S) / AQUILO
Para ocorrer crase com esses demonstrativos, basta que o termo regente exija a
preposição ‘a’, uma vez que eles já apresentam o ‘a’ na sílaba inicial.
Ex: a + aquele(s) = àquele(s)
a + aquela(s) = àquela(s)
a + aquilo = àquilo
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65
Método prático
Substitua:
Aquele(s) por este(s)
Aquela(s) por esta(s)
Aquilo por isto
Se, antes do este(s), esta(s), isto, sobrar um a, coloque o sinal de crase no aquele(s),
aquela(s), aquilo.
Exemplos:
Você se refere àquele professor? = Você se refere a este professor?
Muitos cristãos visitam aquela cidade. = Muitos cristãos visitam esta cidade.
SINAIS DE PONTUAÇÃO
a) Vírgula
Indica uma pequena pausa. Serve para tornar a frase mais melódica, dando
clareza ao sentido.
Veja algumas regras para o uso correto da vírgula:
I- Para separar palavras da mesma classe:
Ex: A chácara tem pomar, horta, curral e pastagens.
II- Para separar vocativos (chamamento):
Ex: Claudete, prepare o jantar com muitas verduras.
Prepare o jantar, Claudete¸ com muitas verduras.
Prepare o jantar com muitas verduras, Claudete.
III- Para separar palavras ou expressões explicativas:
Ex: Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, é uma referência no turismo.
Ele não pode fazer, ou melhor, não quis fazer.
IV- Para separar vários tipos de orações:
Ex: O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera
ninguém.
Ele queria falar, mas não conseguia.
6.2
_____________________________________________________________________________
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66
Não sofra, que será pior.
Ou você estuda, ou você namora.
Eduardo não só me abraçou, mas também me beijou.
Todas as pessoas, quando são jovens, geralmente têm boa
saúde.
b) O ponto final
Usado para indicar o final de uma oração declarativa. É a maior pausa da voz
depois de um grupo de palavras.
Ex: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao final dá em
caminhos de morte”. – Prov. 14:12
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for
velho, não se desviará dele”. – Prov. 22:6
c) Ponto-e-vírgula
Como o próprio nome diz, é um sinal intermediário entre o ponto final e a
vírgula. Pode ser considerado, às vezes como um ponto reduzido, às vezes
como uma vírgula prolongada.
Ex: “O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-
se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos”. – Ecl. 1:6
d) Dois pontos
Os dois pontos servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da
voz na melodia de uma frase não concluída. (Cunha e Cintra)
Ex: Como ela não definiu nada, eu perguntei:
- Quando você chegará?
e) Ponto de interrogação
É o sinal usado no final de uma interrogação.
Ex: - Você virá amanhã?
f) Ponto de exclamação
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67
Este sinal é usado pelo autor para denotar exclamação, podendo variar a sua
interpretação pelo leitor. Geralmente usa-se depois de interjeições, depois de
imperativos ou repete-se o ponto de exclamação para marcar um reforço na
duração, na intensidade ou na altura da voz. (Cunha e Cintra)
Ex: - Não quero mais vê-lo. Adeus!
- Ah! Que pena!
g) Reticências
Indicam ruptura na frase. ( A ruptura pode ser provocada por hesitação,
surpresa, dúvida ou timidez de quem fala, etc.)
Ex: - Analise a situação... – avisou o chefe.
ALGUNS VÍCIOS DE LINGUAGEM
São justamente considerados vícios alguns empregos que contrariam o bom
uso do idioma:
- ECO – a repetição de um mesmo som, como se fosse uma sequência de rimas
(quando este não é o objetivo).
Ex: A cria sofria todo dia de alergia.
- COLISÃO – a repetição de consoantes ou de sílabas iguais ou parecidas.
Ex: O doido deu o dado ao doutor. (D)
- PARAQUENA – a repetição do mesmo som no final de uma palavra e início da
seguinte.
Ex: Não ficaria, caso pudesse seguir.
- CACOFONIA – é a junção de palavras que formam outra de sentido ridículo ou
obsceno (se surgirem outras palavras NÃO ridículas ou obscenas, não há cacofonia).
Ex: A vez passada comemos aqui. (a vespa assada)
6.3
_____________________________________________________________________________
____
68
A boca dela estava com o batom manchado. (cadela)
A alma minha vive por você. (maminha)
Preciso ir-me já, porque está tarde. (mijá)
REDUNDÂNCIA – repetição de uma mesma ideia
Ex: subir lá em cima – descer pra baixo – sair pra fora – novidade inédita –
hemorragia de sangue – pomar de frutas – hepatite do fígado – adiar pra depois
AMBIGUIDADE – é o que causa duplo sentido, numa frase má construída.
Ex: Machucaram o cachorro do meu tio. (Machucaram o cachorro que é do meu
tio)
O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz. (as palavras de
quem? Do advogado ou do réu?)
6.4 EXPLORE SEU CONHECIMENTO
1. Qual alternativa completa corretamente a oração abaixo?
Chegou-se _____ conclusão de que a escola também é importante devido _____
merenda escolar que é distribuída gratuitamente _____ todas as crianças.
a) à - à - à
b) a - à - a
c) a - à - à
d) à - à - a
e) à - a – a
2. Não fora a intenção do autor, no texto abaixo, teríamos um caso de qual vício de
linguagem?
_____________________________________________________________________________
____
69
“Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes,
portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos”.
a) Cacofonia
b) Paraquena
c) Colisão
d) Eco
e) Redundância
3. Complete, observando o uso do padrão culto da língua em relação à crase:
Ele preferia cinema ____ teatro.(a/à)
4.Na frase que segue há um vício de linguagem. Elimine-o.
Os alunos subiam para cima apressadamente e atropelavam-se mutuamente.
6.5 RESPOSTAS COMENTADAS
Caro(a) aluno(a), após ter estudado o capítulo, espero que suas respostas sejam
as que seguem. Confira!
1. Qual alternativa completa corretamente a oração abaixo?
Chegou-se à conclusão de que a escola também é importante devido à merenda
escolar que é distribuída gratuitamente a todas as crianças.
2. Trata-se do vício de linguagem denominado Colisão que consiste na repetição de
fonemas consonantais (P).
3. Ele preferia cinema A teatro.(a/à)
_____________________________________________________________________________
____
70
Não se usa crase diante de palavra masculina ( o teatro).
4.Os alunos subiam para cima apressadamente e atropelavam-se mutuamente.
Subir para cima é um vício de linguagem. Deve-se retira a expressão para cima.
BIBLIOGRAFIA:
ABREU, Antonio S. Curso de Redação. São Paulo: Editora Ática, 2001.
FARACO, Carlos E. e MOURA, Francisco M. de. Gramática. São Paulo: Ed FÁVERO, L.L.&
KOCH, I.G.V. Linguística textual: introdução. São Paulo: Cortez, 1983.itora Ática, 1998.
KOCH, I.G.V. Coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989.
__________. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1996.
__________. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.
KOCH & TRAVAGLIA, L.C. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1989.
PEREIRA, Gil C. A palavra: expressão e criatividade. São Paulo: Editora Moderna, 1997.
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. São Paulo: FTD, 2007.
Site: Português.com
SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi. São Paulo: Editora
Nova Geração, 2008.
CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. Nova gramática do Português contemporâneo. Rio
de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.

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  • 3. _____________________________________________________________________________ ____ 3 INTRODUÇÃO...........................................................................................................5 1 O ESTUDO DO TEXTO.............................................................................................6 1.1. TEXTO E TEXTUALIDADE ........................................................................................ 7 1.2 TEXTO E NÃO TEXTO ............................................................................................... 8 1.3. A TEXTUALIDADE : COESÃO E COERÊNCIA........................................................... 10 1.3.1 A COERÊNCIA DO TEXTO ................................................................................ 11 1.3.2 A COESÃO DO TEXTO...................................................................................... 12 1.4 EXPLORE SEUS CONHECIMENTOS......................................................................... 18 1.5 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 22 2. FONOLOGIA........................................................................................................ 25 2.1 LÍNGUA E FALA...................................................................................................... 25 2.2 LETRAS E FONEMAS .............................................................................................. 26 2.3 VOGAL E SEMIVOGAL............................................................................................ 26 2.4 ENCONTROS VOCÁLICOS ...................................................................................... 27 2.5 ENCONTROS CONSONANTAIS............................................................................... 27 2.6 SÍLABAS ................................................................................................................. 28 2.7 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 29 2.8 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 30 3 ORTOGRAFIA....................................................................................................... 31 3.1 - AS PALAVRAS E SUAS SÍLABAS TÔNICAS............................................................. 31
  • 4. _____________________________________________________________________________ ____ 4 3.2 ACENTUAÇÃO GRÁFICA ........................................................................................ 31 3.3 EMPREGO DE CERTAS LETRAS .............................................................................. 34 3.4 EMPREGO DAS PALAVRAS “MAU” E “MAL” ......................................................... 35 3.5 USO DE “POR QUE”, “PORQUE”, “PORQUÊ” E “POR QUÊ” .................................. 36 3.6 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 36 3.7 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 38 4 AS CLASSES DE PALAVRAS.................................................................................... 40 4.1 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 50 4.2 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 51 5 CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA............................................................................... 52 5.1 CONCORDÂNCIA NOMINAL .................................................................................. 52 5.2 CONCORDÂNCIA VERBAL...................................................................................... 53 5.3 REGÊNCIA NOMINAL............................................................................................. 56 5.4 REGÊNCIA VERBAL ................................................................................................ 57 5.5 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 60 5.6 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 61 6. CRASE, PONTUAÇÃO E VÍCIOS DE LINGUAGEM................................................... 62 6.1 C R A S E ................................................................................................................ 62 6.2 SINAIS DE PONTUAÇÃO ........................................................................................ 65 6.3 ALGUNS VÍCIOS DE LINGUAGEM .......................................................................... 67 6.4 EXPLORE SEU CONHECIMENTO ............................................................................ 70 6.5 RESPOSTAS COMENTADAS ................................................................................... 71 BIBLIOGRAFIA: ....................................................................................................... 72
  • 5. _____________________________________________________________________________ ____ 5 I NTRODUÇÃO Caro aluno, ―O processo educativo precisa de utopia. Precisa apresentar uma possibilidade de futuro. Precisa embutir o ‗tu serás, tu criarás, nós criaremos‘. Nós não temos um projeto social viável para apresentar aos nossos alunos e filhos, mas precisamos abrir uma janela na história, prepará-los para que façam seu próprio projeto. (Emilia Ferreiro, 1996) Esperamos, com este material, oferecer essa possibilidade acenada por Emilia Ferreiro: que cada um seja capaz de abrir uma janela na história e, com isso, construir seu projeto pessoal. Este material é bastante abrangente e espero que possa auxiliá-lo (a), inclusive em pesquisas posteriores. Daí a opção por contemplar um número bastante significativo de fatos da norma culta da língua portuguesa. Abrimos a apostila com o capítulo que se refere ao estudo do texto. Neste capítulo, você estudará os principais fatores de textualidade, contanto com o aparato teórico dos mais representativos pesquisadores da gramática textual no Brasil. No segundo capítulo, o estudo diz respeito à fonologia, ou seja, estudaremos os elementos mínimos distintivos da língua na perspectiva do sistema da língua portuguesa. A ortografia, tema abordado no capítulo terceiro, tratará da escrita de alguns vocábulos, em especial; bem como da acentuação gráfica. No quarto capítulo, você estudará as classes de palavras, compreenderá as principais características atinentes a cada uma delas. Concordância e regência serão assuntos do capítulo quinto, em que estudaremos, tanto a concordância e regência de nomes quanto de verbos.
  • 6. _____________________________________________________________________________ ____ 6 Finalmente, no último capítulo, trataremos da crase, da pontuação e dos principais vícios de linguagem. Com isso, espero fornecer a você um material bastante rico e abrangente acerca dos principais fatos da “última flor do Lácio, inculta e bela”! Um ótimo estudo! O ESTUDO DO TEXTO Caro aluno, saiba que em nossa atuação no mundo, constantemente nos pronunciamos a respeito dos fatos que presenciamos ou vivemos, produzindo algum efeito sobre as pessoas com as quais nos relacionamos. Estas, por sua vez, também se manifestam através de seus textos e produzem sobre nós alguma reação. Essa relação nos possibilita um aprendizado constante: a fala do outro está presente na minha fala. Algumas vezes concordamos com o discurso alheio e o assumimos como nosso, outras, discordamos dele e entramos em conflito. Todas essas ações se concretizam na e pela linguagem: os discursos se concretizam em textos que se interpenetram o tempo todo. 1
  • 7. _____________________________________________________________________________ ____ 7 A língua é, já nos ensinava Saussure em fins do século XIX, coletiva, social. Assim, uma vez que a língua é coletiva, social e nos utilizamos de textos o tempo todo, você estudará agora o texto e os fatores de textualidade. Vamos lá? TEXTO E TEXTUALIDADE Caro aluno, texto é uma manifestação linguística produzida por alguém, em alguma situação concreta (contexto), com determinada intenção. A definição apresentada faz com que pensemos o texto com um objeto de interação. Assim passamos a ter textos e não textos, conforme os interlocutores, o contexto e as intenções. Fávero e Koch (1983) ensinam que o texto pode ser tomado em duas acepções: Texto em sentido amplo, designando toda e qualquer manifestação da capacidade textual do ser humano (uma música, um filme, uma escultura, um poema etc.). e, em se tratando de linguagem verbal, temos o discurso, atividade comunicativa de um sujeito, numa situação de comunicação dada, englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo locutor e interlocutor, (no caso dos diálogos) e o evento de sua enunciação. Assim, um texto é uma ―totalidade em funcionamento‖1em que o valor de cada elemento não depende apenas de sua natureza , mas do lugar em que se insere e de suas relações com o conjunto( intratextual e extra verbal). Parece ficar claro que um texto não é um amontoado de frases, mas algo maior. Para se chegar ao sentido do texto há que se observar diversos fatores como: quem o produziu, para quem o fez, em que situação, com qual intenção e de que forma? Somente diante da apreciação de todos esses aspectos é que se pode afirmar que se pode constituir o sentido textual. Expliquemo-nos, utilizando um exemplo de 1.1
  • 8. _____________________________________________________________________________ ____ 8 Fiorin (2006) em que demonstra brilhantemente os aspectos relacionados à construção de sentidos do texto. Em 1988, no debate promovido pela rede Globo de televisão, por ocasião do segundo turno das eleições presidenciais, quando Collor mencionou uma possível negociata na Prefeitura de São Paulo, dirigida pelo PT (o famoso caso Lubeca), Lula rebateu, proferindo o seguinte enunciado: ―Eu sabia que você era collorido por fora e caiado por dentro!‖ Para que seja possível construir o sentido do texto de Lula não basta somente conhecer o significado de cada uma das expressões que compõem o enunciado, é preciso mais. É preciso saber que o candidato Ronaldo Caiado, representante da elite latifundiária brasileira, foi o primeiro a denunciar o caso Lubeca. Sendo claramente um representante de direita, opunha-se a Lula, representante da esquerda. Ao afirmar que Fernando Collor era collorido por fora e caiado por dentro, Lula fez um brilhante trocadilho (utilizando os substantivos próprios Collor e Caiado e os relacionando aos adjetivos collorido e caiado), aproximando semanticamente Caiado (representante da direita mais ultrapassada e conservadora) a Collor (que então surgia como o caçador de marajás, ocupando a posição político-ideológica de centro- esquerda). Desta forma, para se chegar ao sentido do texto cumpre conhecer o contexto situacional, e ainda, as relações dialógicas entre os vários discursos políticos da época em que o enunciado foi proferido. TEXTO E NÃO TEXTO Quando temos um amontoado de palavras para as quais não conseguimos dar um sentido, entender seus significados, falamos que estamos diante de um não texto. O Mundo É bom, Sebastião Composição: Nando Reis 1.2
  • 9. _____________________________________________________________________________ ____ 9 Por que o Sol saiu Por que seu dente caiu Por que essa flor se abriu Por que iremos viajar no verão Por que aqui o mundo não será cão Quando o Goodzila atacar Quando essa febre baixar Quando o mamute voltar Descongelado a caminhar na Sibéria Quando invento, o mundo é feito de ideias O mundo é bom, Sebastião O mundo é bom, Sebastião O mundo é bom, Sebastião O mundo é teu, Sebastião Como escrever certo o seu nome Como comer se der fome Como sonhar pra quem dorme E deixa o cansaço acalmar lá em casa Como soltar o mundo inteiro com asas Tiranossauro Rex tião Dentro dos seus olhos virão Monstros imaginários ou não Por sorte somos todos os infernais E agora eu vivo em paz O mundo é bom, Sebastião O mundo é bom, Sebastião O mundo é bom, Sebastião O mundo é teu, Sebastião O mundo é bom, o mundo é bom O mundo é bom, o mundo é bom A princípio poderíamos receber essas sequências como algo sem sentido, um amontoado de frases desconexas, soltas, carentes de conexões e entrelaçamentos semânticos, capazes de dar sentido a um texto. O texto apresentado seria para nós, um não texto. Entretanto, quando começamos a ampliar o universo de análise, observando o contexto, nosso entendimento começa a modificar-se: Os enunciados fazem parte de uma música - ―O mundo é bom Sebastião‖ - composta por Nando Reis para seu filho, Sebastião, criança mal-humorada, cuja mãe, brincando, sempre lhe dizia: o mundo é ―bom, Sebastião! Já na primeira estrofe, o autor dá uma série de explicações para que seu filho compreenda porque o mundo é tão bom (o sol saiu, seu dente caiu, a flor se abriu...),
  • 10. _____________________________________________________________________________ ____ 10 incentivando-o a não se chatear por qualquer motivo como uma criança mimada. Nando Reis fala ainda da importância do sonho, da imaginação, da criatividade, das ideias sempre acompanhado pelo refrão: ‗o mundo é bão Sebastião‘. Vejamos outro exemplo: A sequência acima será considerada linguística somente para os falantes de italiano. Caso não se conheça a língua italiana será impossível estabelecer o sentido do texto, uma vez que não haverá interação entre o texto e o seu receptor. Pode-se falar, portanto, que para estes a sequência acima não será um texto. Portanto, para a construção do sentido de um texto devemos considerar os interlocutores, o contexto, a intenção comunicativa, o código utilizado, as conexões intratextuais – ou seja- entre as diversas partes do texto, a seleção lexical , a escolha do nível linguístico etc. A TEXTUALIDADE : COESÃO E COERÊNCIA Ero stato catturato dalla Milizia Fascista il 13 dicembre 1943. Avevo ventiquattro anni, poço senno, nessuna esperienza, e uma decisa propensione, favorita dal regime di segregazione a cui da quattro anni lê leggi razziali mi avevano ridotto, a vivere in um mio mondo scarsamente reale, popolato da civili fantasmi cartesiani, da sincere amicizie maschili e da amicizie femminili esangui. Coltivavo um moderato e astratto senso di ribellione.( Primo Levi, Se questo è um uomo: 1993) 1.3
  • 11. _____________________________________________________________________________ ____ 11 A textualidade é o fator responsável pela conversão de uma sentença linguística qualquer em texto. É a ―totalidade em funcionamento‖ já citada anteriormente. Em outras palavras, a textualidade faz de um texto um conjunto unitário – um todo - coeso e coerente para quem o produz e/ou recebe. Coesão e coerência textuais são propriedades fundamentais de um texto. Comecemos pela coerência textual. A COERÊNCIA DO TEXTO A coerência ―é o que faz com que um texto faça sentido para os usuários, devendo ser vista, pois, como um princípio de interpretabilidade. (Koch & Travaglia,1989:11). Assim, a coerência é estabelecida na interação, na situação comunicativa em que se inscrevem os usuários da língua. Nessa visão interacionista, tanto o receptor do texto atua para compreendê-lo, calculando-lhe o sentido, como também o produtor esforça-se para que o seu texto seja bem recebido e interpretado pelo interlocutor. Além dos fatores acima apontados, a coerência também depende da continuidade de sentidos perceptível no texto. As várias partes do texto devem estar em ―sintonia, ou seja, não poderá haver falhas, contradições, uma frase que destoe das anteriores etc. Exemplifiquemos o que estamos querendo dizer sobre a coerência. Tomemos como exemplo o encadeamento das frases a seguir: Estava chovendo demais. Sujeito e predicado são termos essenciais da oração. Um texto que expusesse as duas frases acima seria, a princípio, incoerente, pois não há nenhuma relação entre as duas ideias que o compõem. Dessa forma, podemos afirmar que a coerência é semântica e pragmática. Semântica porque as partes do 1.3.1
  • 12. _____________________________________________________________________________ ____ 12 texto devem estabelecer uma relação de sentido. Pragmática porque o sentido depende não somente dos arranjos sintáticos e lógicos, mas também dos vários elementos envolvidos na interação (intenção comunicativa dos interlocutores, formas de influência do falante, relações interpessoais etc.). Alguns autores apontam outros elementos responsáveis pela coerência de um texto: conhecimentos linguísticos, conhecimentos partilhados, conhecimento de mundo, conhecimento das superestruturas textuais, inferências, situacionalidade, aceitabilidade, informatividade, focalização, intertextualidade etc. A COESÃO DO TEXTO A coesão é ―revelada através das marcas linguísticas, índices formais na estrutura da sequência linguística superficial do texto, sendo, portanto, de caráter linear, já que se manifesta na organização sequencial do texto.(Koch & Travaglia, 1989:13) Chamamos coesão textual a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões, frases, ou parágrafos do texto. Ela é manifestada por elementos linguísticos que marcam o vínculo entre os componentes textuais. Vejamos um exemplo de coesão textual: Paulo e José são ótimos advogados. Eles se formaram na São Francisco. O termo em negrito estabelece a referenciação entre os nomes citados anteriormente (Paulo/José). O pronome ele retoma os substantivos Paulo e José. Todos os termos que servem para retomar outros são chamados anafóricos. Esse recurso é muito importante na produção de um texto uma vez que evita repetições excessivas responsáveis por textos carregados, pesados e pouco coesos. 1.3.2
  • 13. _____________________________________________________________________________ ____ 13 É muito comum, em textos infantis, falhas na utilização de recursos de coesão, justamente porque as crianças destas fases iniciais ainda não adquiriram as habilidades e as competências necessárias para a produção de textos coesos e coerentes. As produções infantis apresentam falhas no uso de elementos de ligação entre as várias partes do texto. Confira o exemplo que segue: Além da anáfora, outro recurso coesivo é a catáfora. A catáfora antecipa, anuncia um termo que será explicitado adiante. Analisemos a frase abaixo: Meu pai disse isto: vá deitar cedo. A palavra isto, em negrito, antecipa o que o pai irá dizer (vá deitar cedo). É, portanto, um elemento catafórico. Você verá agora os principais tipos de coesão: A COESÃO REFERENCIAL Certos elementos linguísticos têm a função de estabelecer referência, ―não são interpretados semanticamente por seu sentido próprio, mas fazem referência a alguma coisa necessária a sua interpretação‖.(Fávero, 2002:18). A referência é uma abstração. O leitor/alocutário relaciona um determinado signo a um objeto e esse fenômeno é cultural. Vejamos um exemplo, retirado de Fávero, 2002: Comemora-se este ano o sesquicentenário de Machado de Assis. As comemorações devem ser discretas para que dignas de nosso maior escritor. Seria ofensa à memória do Mestre qualquer comemoração que destoasse da sobriedade e do recato que ele imprimiu a sua vida, já que o bruxo de Cosme Velho continua vivo entre nós. A minha casa é grande. A minha casa tem um jardim. A minha casa é amarela. Eu gosto muito da minha casa. Meus pais também gostam da minha casa. Minha casa é muito confortável.
  • 14. _____________________________________________________________________________ ____ 14 No exemplo, percebemos vários elementos que fazem referência a Machado de Assis. Todos esses elementos destacados em vermelho são, pois, elementos referenciais. Se tomados isoladamente, esses elementos nada significam, recomendando que se busquem no texto informações capazes de preencher seus significados. Pensemos no pronome anafórico ele. No texto, para que possamos saber quem é ele (...do recato que ele imprimiu...), precisamos recuperar a informação apresentada anteriormente (Machado de Assis). Então, estabelecemos o elo: Ele = Machado de Assis. Pode-se obter a coesão referencial através da substituição e da reiteração. Coesão referencial por substituição Quando ocorre a retomada de um termo, dá-se o que chamamos de anáfora. Ex.: Tenho duas irmãs. Elas são mais novas que eu. O pronome elas refere-se ao termo já citado anteriormente duas irmãs. Trata-se de anáfora. Quando ocorre que o pronome preceda um termo que virá adiante explicitado, dá-se o que chamamos de catáfora. Ex.: Isto que vou lhe contar é segredo: meu pai ganhou na loto. O pronome isto faz alusão a algo que ainda será exposto: o fato de o pai ter ganhado na loto. Trata-se de catáfora. Eis mais alguns exemplos : Comprei um caderno novo. Ele é universitário.(Ele = pronome) Ana faz caminha todas as manhãs. Eu também faço o mesmo.(Faço = verbo) A Europa é belíssima na primavera. Lá há flores de cores deslumbrantes.
  • 15. _____________________________________________________________________________ ____ 15 (Lá = advérbio) Carlos e Marcela são ótimos alunos. Ambos conseguiram a nota máxima na prova. (Ambos = numeral) Coesão referencial por reiteração A origem etimológica da palavra reiteração é latina . Reiterare significa repetir. Assim, a reiteração consiste na repetição de elementos textuais que têm a mesma referência. A reiteração pode ocorrer através de uso de um mesmo item lexical, através do uso de formas sinônimas, através do uso de hipônimos e hiperônimos, através de expressões nominais definidas e também de nomes genéricos. Estudemos cada uma das formas citadas. ♦Repetição de um mesmo item lexical A casa estava deserta. Não havia nada na casa que lembrasse a vida cotidiana rica e apressada de tempos passados. A mobília antiga e rústica, as pessoas mastigando furiosas as mágoas do dia, os empregados tão solícitos e submissos. Toda a casa parecia um rio sem água, um corpo sem vida. No texto acima, a repetição do item lexical casa exerce a função de assinalar que a informação é conhecida (é algo já sabido, é uma informação dada) e mantida. Para tal usa-se o recurso da reiteração. ♦ Sinônimos Cientes da dificuldade de conceituar a sinonímia, adotamos a definição de Câmara (1978:222): ―Propriedade de dois ou mais termos poderem ser empregados um pelo outro, em diversos e variados contextos, sem prejuízo do que se pretende comunicar”.
  • 16. _____________________________________________________________________________ ____ 16 São sinônimas, pois, palavras com o mesmo significado e diferentes significantes. Contudo, em teoria semântica moderna, duas unidades somente serão sinônimas se tiverem o mesmo sentido estrutural, definido por meio de uma análise rigorosa. Sobre esse assunto Ullmann afirma: ―só se podem considerar como sinônimas as palavras que se podem substituir em qualquer contexto sem a mais leve mudança ou no sentido cognitivo ou no afetivo . (Lyons, 1979: 476). Tal condição proposta por Ullmann nos parece bastante rara. Dois vocábulos podem ser comutáveis em alguns contextos, mas não em todos os contextos possíveis. Vejamos: A casa foi estimada em 100 milhões. A casa foi avaliada em 100 milhões. Mas, estimar uma pessoa não pode comutar com o vocábulo avaliar. Podemos acrescentar ainda a possibilidade de comutação em níveis de língua diferentes. Assim, chato, cacete, tedioso e enfadonho podem traduzir uma certa semelhança, porém, implicam variantes linguísticas que lhes atribuem nuances distintas. Bem, ainda que saibamos da complexidade da questão da sinonímia, o que importa aqui é considerarmos a identidade referencial, já esta não é uma questão puramente lexical, mas textual. Temos a frase: A criança não parava de chorar. O menino queria o doce e o brinquedo do irmão. Os termos em destaque são reiterados através da sinonímia. ♦ Hiperônimos e hipônimos A Hiponímia é um fenômeno semântico que ocorre quando o significado de um determinado elemento inclui o de outro elemento. Está intrinsecamente ligado à questão do significado das unidades lexicais. Gato mantém com animal uma relação
  • 17. _____________________________________________________________________________ ____ 17 semântica, o sentido de gato está incluído no sentido de animal. Desta forma dizemos que gato é hipônimo em relação a animal. ♦ Expressões nominais definidas No exemplo visto anteriormente, ―Machado de Assis‖, ―nosso maior escritor, ―o bruxo de Cosme Velho‖, ―Mestre‖ substituem-se no texto, pois têm um referencial comum: o escritor Machado de Assis. Sempre que há retomada do mesmo referente, através de formas diversas, ou melhor, através de expressões nominais diversas, estamos diante de um recurso coesivo reiterativo. ♦ Nomes genéricos Nomes muito abrangentes, que possuem uma grande extensão porque são muito gerais como ―gente‖, ―coisa‖, ―negócio‖, funcionam como elementos de referência anafórica. Vejamos um exemplo: Estudo, diálogos com pessoas próximas, relacionamento afetivo, um tempo para nós mesmos... Algumas vezes, deixamos de lado muita coisa importante na vida. O termo genérico coisa refere-se aos termos já citados antes (estudo, diálogos, relacionamento afetivo, tempo) funcionando como elemento anafórico. Os conectivos Os conectivos também contribuem para a coesão do texto. Esses elementos são responsáveis pela ligação semântica entre partes do texto. Conectam orações, parágrafos, enfim são peças-chave para a boa organização textual. Atenção Conectivo é o que conecta, o que liga as partes do texto.
  • 18. _____________________________________________________________________________ ____ 18 Você observe o exemplo que segue e perceba que quando um conectivo não está apropriadamente empregado acaba por comprometer a coerência do texto: Não fui ao cinema, ou estava doente. Neste caso, o conectivo apropriado seria pois ou seus similares ( porque, uma vez que ...) já que a ideia expressa a causa, o motivo pelo qual o enunciador não foi ao cinema. Finalmente, concluímos lembrando que o texto deve possuir o que chamamos de textualidade, que é o que faz com que um agrupamento de expressões linguísticas ou mesmo uma única lexia sejam considerados textos, isto é, uma unidade de sentido coesa e coerente. 1.4 EXPLORE SEUS CONHECIMENTOS Leia o texto abaixo e complete as lacunas com elementos coesivos que estabeleça sentido. Utilize as palavras (desordenadas) do quadro para melhor orientação: que por enquanto também embora mas também de modo desde a pela então porém por esse instrumento mas mais tarde 1.4
  • 19. _____________________________________________________________________________ ____ 19 COP-17 chega a acordo histórico, mas adia proteção ao clima CLAUDIO ANGELO ENVIADO ESPECIAL A DURBAN O combate internacional à mudança climática teve hoje seu maior avanço político ___________ criação do Protocolo de Kyoto, no fim dos anos 1990. A COP-17, a conferência do clima de Durban, África do Sul, terminou na madrugada deste domingo lançando a base para um futuro acordo contra as emissões de gases-estufa, que envolve metas para Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta, mas só após 2020. _________ foi aprovada uma controversa extensão do acordo de Kyoto, que envolve apenas a União Europeia e mais um punhado de países e _________ não tem nem intervalo de tempo definido para vigorar. E foi lançado o chamado Fundo Verde do Clima, que tem a promessa de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para combater as emissões e promover ações de adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento. ________ não façam rigorosamente nada para combater o aquecimento global hoje, exceto manter os compromissos fracos que os países já haviam adotado na conferência de Copenhague, em 2009, e que deixam o mundo no rumo de um aquecimento de 2,5°C a 4°C neste século, as decisões adotadas em Durban têm caráter histórico. A principal delas, um texto de uma página e meia batizado de Plataforma de Durban, estabelece um calendário para criar "um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal" em 2015, que possa entrar em vigor até 2020. ____________, todos os países do mundo terão de se comprometer a metas obrigatórias de redução de emissões. Trata-se de uma revolução política no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Nas palavras do negociador-chefe americano, Todd Stern, a Plataforma de Durban "desbasta a barreira que existia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento" e que causou a divisão do planeta entre ricos e pobres (os chamados Anexo 1 e não-Anexo 1) em Kyoto. Foi essa divisão que impediu que o
  • 20. _____________________________________________________________________________ ____ 20 Senado americano ratificasse o acordo assinado no Japão e que causou, ________, o impasse com a China que fez fracassar a conferência de Copenhague. O acordo foi negociado por meses entre os países emergentes, a União Europeia e os EUA, e costurado durante vários dias em reuniões secretas no hotel Hilton, em Durban. Na madrugada de domingo, ___________, ele ameaçou ruir. A Índia exigiu que fosse acrescentada no texto uma opção de ação mais frouxa, _______ a que ela não precisasse se comprometer com metas. Foi criticada por europeus e pelas nações-ilhas, que não só pediam um instrumento com força de lei, ___________ exigiam sua ratificação em 2018, não 2020. A presidente da COP, a chanceler sul-africana Maite Mashabane, suspendeu a sessão e pediu que a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, e a ministra do Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, fizessem "uma rodinha" para encontrar uma solução para o conflito. O ato de criatividade retórica que salvou Durban veio do embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, que mais cedo havia brigado com os europeus por ter defendido, alinhado com os emergentes e com os EUA, a inclusão da expressão mais fraca "resultado legal". Figueiredo propôs trocar "resultado legal" por "resultado acordado com força legal", uma mudança aparentemente boba, ________ que salvou a negociação. "Temos de nos orgulhar muito, este é um momento histórico", disse Figueiredo a jornalistas após o fim da COP mais longa da história, com o sol já raiando em Durban. "Esta plataforma tem uma chance real de se tornar uma conquista ainda maior que o Mandato de Berlim", disse Hedegaard, em referência ao processo legal presidido em 1995 _________ ministra do Ambiente alemã, Angela Merkel, e que deu origem a Kyoto. "Os países sairão daqui dizendo que foi um grande sucesso, especialmente os Estados Unidos. Mas para o clima não foi", afirmou Samantha Smith, da ONG WWF. (http://www1.folha.uol.com.br/ambiente 11/12/2011 - 08h20) 2. Utilize o conectivo adequado para completar o texto que segue, de modo que a coesão e a coerência do texto sejam observadas.
  • 21. _____________________________________________________________________________ ____ 21 A garota não aceitou o emprego, _______________ o salário fosse tentador. 3. O texto que segue apresenta elementos de coesão? A pesca Affonso Romano de Sant'Anna O anil o anzol o azul o silêncio o tempo o peixe a agulha vertical mergulha a água a linha a espuma o tempo o peixe o silêncio a garganta a âncora o peixe a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga aberto o anzol aqulíneo
  • 22. _____________________________________________________________________________ ____ 22 ágil-claro estabanado o peixe a areia o sol. 4. Pode-se dizer que o texto do exercício anterior é coerente? Explique. 1.5 RESPOSTAS COMENTADAS Caro(a) aluno(a), espero que você tenha completado o texto conforme segue: COP-17 chega a acordo histórico, mas adia proteção ao clima CLAUDIO ANGELO ENVIADO ESPECIAL A DURBAN O combate internacional à mudança climática teve hoje seu maior avanço político desde a criação do Protocolo de Kyoto, no fim dos anos 1990. A COP-17, a conferência do clima de Durban, África do Sul, terminou na madrugada deste domingo lançando a base para um futuro acordo contra as emissões de gases-estufa, que envolve metas para Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta --mas só após 2020. Também foi aprovada uma controversa extensão do acordo de Kyoto, que envolve apenas a União Europeia e mais um punhado de países e que por enquanto não tem nem intervalo de tempo definido para vigorar. E foi lançado o chamado Fundo Verde do Clima, que tem a promessa de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para combater as emissões e promover ações de adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento. Embora não façam rigorosamente nada para combater o aquecimento global hoje -- exceto manter os compromissos fracos que os países já haviam adotado na conferência de Copenhague, em 2009, e que deixam o mundo no rumo de um aquecimento de 2,5°C a 4°C neste século--, as decisões adotadas em Durban têm caráter histórico.
  • 23. _____________________________________________________________________________ ____ 23 A principal delas, um texto de uma página e meia batizado de Plataforma de Durban, estabelece um calendário para criar "um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal" em 2015, que possa entrar em vigor até 2020. Por esse instrumento, todos os países do mundo terão de se comprometer a metas obrigatórias de redução de emissões. Trata-se de uma revolução política no âmbito da Convenção do Clima da ONU. Nas palavras do negociador-chefe americano, Todd Stern, a Plataforma de Durban "desbasta a barreira que existia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento" e que causou a divisão do planeta entre ricos e pobres (os chamados Anexo 1 e não-Anexo 1) em Kyoto. Foi essa divisão que impediu que o Senado americano ratificasse o acordo assinado no Japão e que causou, mais tarde, o impasse com a China que fez fracassar a conferência de Copenhague. O acordo foi negociado por meses entre os países emergentes, a União Europeia e os EUA, e costurado durante vários dias em reuniões secretas no hotel Hilton, em Durban. Na madrugada de domingo, porém, ele ameaçou ruir. A Índia exigiu que fosse acrescentada no texto uma opção de ação mais frouxa, de modo a que ela não precisasse se comprometer com metas. Foi criticada por europeus e pelas nações-ilhas, que não só pediam um instrumento com força de lei, mas também exigiam sua ratificação em 2018, não 2020. A presidente da COP, a chanceler sul-africana Maite Mashabane, suspendeu a sessão e pediu que a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, e a ministra do Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, fizessem "uma rodinha" para encontrar uma solução para o conflito. O ato de criatividade retórica que salvou Durban veio do embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, que mais cedo havia brigado com os europeus por ter defendido, alinhado com os emergentes e com os EUA, a inclusão da expressão mais fraca "resultado legal". Figueiredo propôs trocar "resultado legal" por "resultado acordado com força legal", uma mudança aparentemente boba, mas que salvou a negociação. "Temos de nos orgulhar muito, este é um momento histórico", disse Figueiredo a jornalistas após o fim da COP mais longa da história, com o sol já raiando em Durban.
  • 24. _____________________________________________________________________________ ____ 24 "Esta plataforma tem uma chance real de se tornar uma conquista ainda maior que o Mandato de Berlim", disse Hedegaard, em referência ao processo legal presidido em 1995 pela então ministra do Ambiente alemã, Angela Merkel, e que deu origem a Kyoto. "Os países sairão daqui dizendo que foi um grande sucesso, especialmente os Estados Unidos. Mas para o clima não foi", afirmou Samantha Smith, da ONG WWF. 2. Caro(a) aluno(a) , os conectivos que mais apropriadamente completam o trecho são os que seguem: A garota não aceitou o emprego, EMBORA OU AINDA QUE OU MESMO QUE o salário fosse tentador. 3. Caro (a) aluno (a), o texto A Pesca, de Affonso Romano de Sant’Anna, não apresenta nenhum elemento coesivo: não há repetição de palavras; não há retomada de termos já citados; não há emprego de sinonímias ou hiperonímias etc. 4. Pode-se dizer que o texto do exercício anterior é coerente? Explique. Embora não haja elementos coesivos, o texto é coerente. Isso se dá levando em conta o contexto global: título do poema e sequenciação de vocábulos no poema que constroem a narrativa: tudo o que ocorre para uma pesca- desde os preparativos até a efetiva realização da mesma.
  • 25. _____________________________________________________________________________ ____ 25 FONOLOGIA Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudaremos como os fonemas da língua se organizam no sistema. Preparado(a)? LÍNGUA E FALA Língua é um sistema pertencente à coletividade de falantes. Já nos ensinava Saussure que ela é abstrata e equivale a um contrato social. Nenhum falante sozinho pode criá-la, transformá-la. Justamente por isso ela é um contrato social. Fala é o uso da língua no momento da execução individual. Cada pessoa tem uma capacidade de expressar-se de acordo com os conhecimentos adquiridos durante sua vida. A fala é característica de determinados grupos sociais, e sofre alterações de acordo com a idade do falante, a região em que vive, o seu grau de instrução e outras 2.1
  • 26. _____________________________________________________________________________ ____ 26 variantes mais. Esse fenômeno explica, por exemplo a variação lexical entre mandioca e macaxeira. LETRAS E FONEMAS Fonema “é a menor unidade sonora formadora de uma palavra”. Exemplos: 1- Na palavra “sexo” existem 5 fonemas, veja: (s / e / k / s / o) 2- Na palavra “esquema” existem 6 fonemas, veja: (e / s / k / e / m / a) Letra “é o símbolo que representa graficamente (visualmente) o fonema; é percebido pela visão.” - Idem Exemplos: 1- Na palavra “sexo” existem 4 letras, veja: (s / e / x / o) 2- Na palavra “esquema” existem 7 letras, veja: (e / s / q / u / e / m / a) VOGAL E SEMIVOGAL Vogal: veja as características desse tipo de fonema: - é sempre a base sonora da sílaba; - não existe sílaba sem vogal; 2.2 2.3
  • 27. _____________________________________________________________________________ ____ 27 - nunca há mais de uma vogal em uma sílaba. Exemplos: o-pi-ni-ão te-sou-ro a-cei-tou ca-dei-ra Semivogais: são os fonemas /i/ e /u/ quando aparecem ligados a uma vogal, formando sílaba com ela. Exemplos: o-pi-ni-ão te-sou-ro a-cei-tou ca-dei-ra ENCONTROS VOCÁLICOS Caro(a) aluno(a), denominam-se encontros vocálicos os sons vocálicos (vogais e semivogais) pronunciados na mesma sílaba. Os encontros vocálicos podem ser classificados como: ditongo, tritongo e hiato. Vejamos as características de cada um deles: Ditongo: Diz-se que há ditongo quando há o encontro de dois sons vocálicos pronunciados na mesma sílaba. Ex: a-guar-dar va-leu fai-xa no-tí-cia Tritongo: Diz-se que há tritongo quando há o encontro de três sons vocálicos pronunciados na mesma sílaba. Ex: i-guais sa-guão a-ve-ri-guei Hiato: Diz-se que há hiato quando há dois sons vocálicos seguidos, mas pronunciados em sílabas diferentes. Ex: cons-tru-ir su-a-do sa-ú-de ru-im ENCONTROS CONSONANTAIS Têm-se encontros consonantais quando duas consoantes aparecem juntas na mesma sílaba e são ambas pronunciadas. Ex: blo-co a-brir ci-clo-ne plu-ral a-gri-cul-tu-ra 2.4 2.5
  • 28. _____________________________________________________________________________ ____ 28 DÍGRAFOS Quando há o encontro de dois grafemas (duas letras) que representam um único fonema (único som). Ex: capricho amarrar fosse descer Alguns dígrafos que devem ser separados na divisão silábica. São eles: ss - a-mas-sa-do rr - cor-rei-o sc - pis-ci-na Outros dígrafos não podem ter suas letras separadas. Vejamos: lh - jo-a-lhei-ro nh - quei-ji-nho ch - em-chen-te SÍLABAS Na Língua Portuguesa, existem palavras de uma sílaba (mês, tem) até palavras de muitas sílabas. Segundo a quantidade de sílabas das palavras, elas são classificadas como: Quantidade de sílabas Classificação Exemplos 1 Monossílaba fé – vê – pai – Deus – tio - vez 2 Dissílaba noi-te; can-tam; lá-bios; vin-te 3 Trissílaba can-ta-vam; per-di-dos; en-con-tros 4 ou mais Polissílaba ir-res-pon-sá-vel; con-fi-dên-cia 2.6
  • 29. _____________________________________________________________________________ ____ 29 2.7 EXPLORE SEU CONHECIMENTO 1. Separe as sílabas das palavras que seguem e classifique-as quanto ao número. ÁGUA HERÓI ENXAGUOU EMPREENDIMENTO 2. Classifique a palavra átomo quanto ao número de sílabas. 3. Picareta é uma palavra _________________porque tem ____ sílabas. 4. Separe as sílabas da palavra DEZ e diga se é monossílaba, dissílaba, trissílaba ou polissílaba. 2.8 RESPOSTAS COMENTADAS 1. Caro (a) aluno (a), após estudar este capítulo, espero eu você tenha classificado as palavras conforme segue: ÁGUA = Á-GUA ( DISSÍLABA) HERÓI = HE-RÓI (DISSÍLABA) ENXAGUOU= EM-XA-GUOU ( TRISSÍLABA) EMPREENDIMENTO= EM-PRE-EN-DI-MEN-TO (POLISSÍLABA) 2. Átomo é uma palavra TRISSÍLABA: á- to- mo. 3. Picareta é uma palavra POLISSÍLABA porque tem QUATRO sílabas. 4. DEZ: é uma palavra monossílaba.
  • 30. _____________________________________________________________________________ ____ 30 ORTOGRAFIA Caro(a) aluno(a), neste capítulo você vai estudar a ortografia da Língua Portuguesa. Vamos ao trabalho? AS PALAVRAS E SUAS SÍLABAS TÔNICAS Sílabas tônicas são as que, em uma palavra, são pronunciadas com mais intensidade, com mais “força” que as demais. Nem sempre as sílabas tônicas são acentuadas graficamente. Exemplos: an-ti-pá-ti-co ve-lo-ci-da-de in-va-são grá-fi-ca vo-vó De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras classificam-se da seguinte forma: Classificação Posição da sílaba tônica Exemplos Oxítona Última Guaraná, Pacaembu, quintal Paroxítona Penúltima Madeira, repórter, digno Proparoxítona Antepenúltima Simpático, próximo, lâmina 3.1
  • 31. _____________________________________________________________________________ ____ 31 ACENTUAÇÃO GRÁFICA a) Palavras Monossílabas As palavras de uma só sílaba dividem-se em átonas e tônicas. Para facilitar sua compreensão, pense dessa forma: as monossílabas tônicas podem ser usadas como resposta a alguma pergunta. Exemplos: - Você viajará? – sim - Ele vai jantar? – vai - Como é a professora? – má - Veio acompanhada ou só? – só As monossílabas átonas, ao contrário das tônicas, não podem ser usadas como resposta. Imagine se haveria alguma pergunta que você pudesse responder com: se, te, tu, lhe, me, etc. 3.2 Atenção Sílaba tônica é a sílaba cuja pronúncia é mais forte e não aquela que é acentuada!
  • 32. _____________________________________________________________________________ ____ 32 Vamos, agora, conhecer quais palavras monossílabas devem ser acentuadas graficamente. Lembre-se de que somente as monossílabas tônicas podem ser acentuadas graficamente. Você verá, portanto, quais delas devem receber o acento gráfico e quais não o recebem: REGRA: Devem ser acentuadas todas as palavras monossílabas tônicas que terminam em: “a”, “e”, “o”, “éi”, “ói” e “éu” – seguidos ou não de “s”. Exemplos: pá, lá, má, vó, vô, ré, só, réis, mói, céu. b) Palavras Oxítonas (quem têm a última sílaba tônica) REGRA: Devem ser acentuadas todas as palavras oxítonas terminadas em: “a”, “e”, “o”, “éi”, “ói”, “éu”, “ém” e “éns” – seguidos ou não de “s”. Exemplos: vatapá, café, vovó, vovô, anéis, corrói, lençóis, troféu, chapéus, também, amém, parabéns, reféns. ATENÇÃO: O sinal nasalazador “~” (til) não é considerado acento gráfico. Portanto, não poderemos considerar que “coração, feijão, consideração”, etc. sejam palavras acentuadas graficamente. c) Palavras Proparoxítonas (que têm a antepenúltima sílaba tônica) REGRA: Todas as palavras proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente. Fácil, não é? Exemplos: oxítona, paroxítona, proparoxítona, crisântemo, ridículo, ícone, lâmpada, código, tímido, êxito, protótipo, místico, cândida, mímica, rústico, diálogo, fenômeno, etc.
  • 33. _____________________________________________________________________________ ____ 33 d) Palavras Paroxítonas Relembrando: As palavras paroxítonas recebem o acento tônico na penúltima sílaba, porém, somente as que terminam com determinadas letras, devem ser acentuadas graficamente. Observe as palavras abaixo: repórter, águas, falência, bônus, tórax, júri, tênis, pólen, lavável, ímã, órfãs, sótão, órgãos. Veja que, com exceção do “o”, as palavras paroxítonas terminadas com as letras grafadas devem ser acentuadas graficamente. Acrescente somente mais três terminações e a regra ficará completa. Veja: bíceps, álbum e álbuns. REGRA GERAL: Devem receber o acento gráfico as palavras paroxítonas terminadas em: um, uns, ps, r, l, x, n e também as paroxítonas terminadas em: ditongo, i, ã, ao (seguidos ou não de “s”) e) Hiato As vogais tônicas (i e u), localizadas à direita do hiato, devem também receber o acento gráfico. Veja os exemplos: ra-í-zes; sa-í-ram; sa-ú-de; sa-ú-va, A-nhan-ga-ba-ú. DICA Utilize a palavra mnemônica ROUXINOLÃO para fixar as regras das palavras paroxítonas que devem receber o acento gráfico. Veja como utilizá-la de forma bem prática: R O U X I N O L Ã O ditongos
  • 34. _____________________________________________________________________________ ____ 34 OBS: Não devem receber o acento gráfico, o “i” e “u” quando antecederem “nh”. Ex: ra-i-nha; sa-i-nha; Você verá agora a grafia de algumas palavras que podem causar dúvidas: EMPREGO DE CERTAS LETRAS ALGUNS EMPREGOS DE “S” E DE “Z” a) Escrevem-se com ES/ESA os sufixos que indicam nacionalidade, origem ou procedência. Ex: francês, francesa – chinês, chinesa – camponês, camponesa. b) Escrevem-se com ISA os sufixos que entram na formação do gênero feminino. Ex: profeta, profetisa – sacerdote, sacerdotisa – poeta, poetisa. c) Escrevem-se com EZ/EZA os sufixos que se unem a adjetivos para formar substantivos abstratos. Ex: rápida, rapidez – belo, beleza – límpido, limpidez. d) Escrevem-se com ISAR os verbos formados a partir de palavras que já têm “s” na última sílaba. Ex: dose, dosar – piso, pisar – manso, amansar. e) Escrevem-se com IZAR os verbos formados de palavras que não têm “s” na última sílaba. Ex: canal, canalizar – terror, aterrorizar – padrão, padronizar. f) Depois de ditongo, emprega-se sempre “S”. Ex: coisa, maisena, pausa, lousa, causa, aplauso, ousado, faisão. g) Nas formas dos verbos QUERER e POR (e nos derivados deles), usa-se sempre “S”. Ex: quis, quiseram, quiser – pus, puserem, pusemos, depuser, repuserem. 3.3 Saiba Mais Ortografia é a escrita correta das palavras. Todos os falantes de uma língua têm obrigação de falar bem seu idioma.
  • 35. _____________________________________________________________________________ ____ 35 ALGUNS EMPREGOS DE “J” E DE “G” a) São escritas com J as palavras formadas a partir de outras que terminam com a sílaba “já”. Ex: loja, lojista – laranja, laranjeira – cereja, cerejeira - franja, franjinha – granja, granjeiro. b) Escrevem-se com G as palavras terminadas em: ágio, égio, ígio, ógio, úgio, agem, igem e ugem. Exceções: pajem e lambujem. Ex: contágio, sacrilégio, litígio, relógio, refúgio, barragem, origem, penugem. ALGUNS EMPREGOS DE “X” E DE “CH” a) Depois de ditongo, emprega-se X. (Exceções: recauchutar, recauchutagem) Ex: ameixa, rouxinol, paixão, desleixado. b) Depois da sílaba inicial “em”, emprega-se X. (Exceções: palavras formadas de outras grafadas com “ch”, como: encher (de cheio) e encharcar (de charco). Ex: enxugar, enxame, enxoval, enxurrada, enxaqueca, enxotar, enxofre, enxerto, enxerido. EMPREGO DAS PALAVRAS “MAU” E “MAL” MAU é o contrário de BOM. MAL é o contrário de BEM. Quanto tiver dúvida, tente substituir a palavra para dar sentido à frase; observe as frases: - O aluno foi MAU/MAL na prova. Se substituirmos MAU por BOM, a frase fica estranha, não é mesmo? Mas se a troca for MAL por BEM, então dará sentido: “O aluno foi BEM na prova; então eu deveria escrever MAL. - Nas telenovelas sempre há um homem MAU/MAL. Se usarmos a regrinha do “contrário”, veremos que não faz sentido dizer: “Nas telenovelas sempre há um homem BEM.” Portanto, esse MAU (contrário de BOM) deve ser escrito com U. 3.4
  • 36. _____________________________________________________________________________ ____ 36 USO DE “POR QUE”, “PORQUE”, “PORQUÊ” E “POR QUÊ” a) POR QUE – Essa forma deve ser empregada quando no sentido de “razão ou motivo” ou com o significado de “pelo qual”. Ex: Por que você faltou ontem? (razão) Vou explicar-lhe por que não voltei lá. (razão) São humilhantes as situações por que ele tem passado. (pelas quais) b) POR QUÊ – Essa forma só é usada no final de frases. Ex: Você faltou ontem por quê? Eles nos enganaram, mas jamais saberemos por quê. c) PORQUE – Emprega-se em frases afirmativas e em respostas; geralmente como forma equivalente a “pois” ou “como”. Ex: Faltei à aula porque precisei viajar às pressas. (pois) Porque jogava mal, os colegas o obrigavam a jogar no gol. (como) d) PORQUÊ – Essa forma é empregada com o significado aproximado de “razão/motivo”. É sempre precedida de artigo ou pronome. Ex: Ninguém sabia o porquê da demissão do professor. Não houve um porquê específico para ele abandonar o projeto. Eles nos traíram, mas jamais saberemos o porquê. Desconfiado, ele nos interrogou com muitos porquês. EXPLORE SEU CONHECIMENTO Observe a sequência de palavras acentuadas graficamente: Negócios – política – fácil – país – só 3.5 3.6
  • 37. _____________________________________________________________________________ ____ 37 1. Indique a opção em que as palavras foram acentuadas, respectivamente, pelo mesmo motivo que as da sequência proposta. a) Artística – influência – está – anzóis – pé b) Influência – café – artística – saída – mão c) Influência – artística – automóvel – saída – pó d) Influência – artística – saúde – pé – automóvel e) Gláucia – mecânico – ágil – pão - dó 2. Marque a opção em que as palavras obedecem à mesma regra de acentuação gráfica. a) própria – média – pílula – época b) média – História – cárie – trajetória c) aéreo – possível – país – biquíni d) pílula – História – símbolo – trajetória e) amálgama – descartável – ignorância – cântaro 3. Complete utilizando porque/por que/porquê/ por quê: ____________você não compareceu à palestra de seu curso? 4.Utilize mau/mal: Ele é um ______professor, porque está sempre de ________humor e por isso trata muito ________seus alunos.
  • 38. _____________________________________________________________________________ ____ 38 3.7 RESPOSTAS COMENTADAS Caro(a) aluno(a), depois de estudar as regras de acentuação gráfica, espero que suas respostas sejam as que seguem: 1. c) Influência – artística – automóvel – saída – pó Influência e negócios são paroxítonas terminadas em ditongo; Artística e política são proparoxítonas; Automóvel e fácil são paroxítonas terminadas em L; Saída e país são acentuadas pois são hiatos; Pó e só são monossílabos tónicos terminados em “o”. 2. b) média – História – cárie – trajetória A regra de acentuação a que pertencem todos os vocábulos é a seguinte: Acentuam-se os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo. 3. POR QUE você não compareceu à palestra de seu curso? Sempre se usa porque no início de perguntas. 4.Ele é um MAU professor, porque está sempre de MAU humor e por isso trata muito MAL seus alunos. Mau é adjetivo, antônimo de bom. Mal é advérbio, antônimo de bem.
  • 39. _____________________________________________________________________________ ____ 39 AS CLASSES DE PALAVRAS Caro(a) aluno(a), você estudará neste capítulo as classes de palavras. Preparado(a)? As palavras da língua são agrupadas em dez classes: substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição. a) SUBSTANTIVO É a classe de palavras que diz respeito aos nomes. Artigo Adjetivo Numeral Pronome Observando o gráfico, você pode compreender que essas quatro classes de palavras (artigo, adjetivo, numeral e pronome) devem sempre concordar com o Substantivo. Vejamos: O menino caiu. artigo substantivo verbo Aquelas garotas boas estudaram. SUBSTANTIVO
  • 40. _____________________________________________________________________________ ____ 40 pronome substantivo adjetivo verbo Duas alunas estudiosas elaboraram os trabalhos. numeral substantivo adjetivo verbo artigo substantivo. Você percebeu como as quatro classes citadas devem concordar com o substantivo (masculino, feminino, singular ou plural)? A importância do Substantivo deve-se ao fato de que ele “dá nome às coisas, pessoas, sentimentos, lugares”, ou seja, nomeia tudo o que existe ou que imaginamos existir. Ex: casa, carro, prédio, cachorro, Antonio, São Paulo, fada, bruxa, batata, etc. Os substantivos podem ser subdivididos em: I- Comum – quando indicado todos os seres da uma mesma espécie (cidade). II- Próprio – quando indica um só ser de uma mesma espécie (São Paulo). Estes devem sempre ser escritos com letra maiúscula inicial. III- Simples – quando formado por uma só palavra (batata). IV- Composto - quando formado por duas ou mais palavras (batata-doce). V- Primitivo – quando dá origem a outras palavras (ferro). VI- Derivado – quando se origina de outra palavra (ferreiro). VII- Concreto – quando indica um ser de existência independente, real ou não (livro, ar, fada). VIII- Abstrato – quando indica um ser de existência dependente, concebido pela nossa consciência (amor, ódio, ciúme). IX- Coletivo - quando um substantivo, no singular, indica uma porção de seres da mesma espécie (discoteca, colmeia, arquipélago). Os substantivos podem ser flexionados em: - Gênero (masculino e feminino) = aluno, aluna - Número (singular e plural) = alunos, alunas - Grau (normal, diminutivo, aumentativo) = nariz, narizinho, narigão
  • 41. _____________________________________________________________________________ ____ 41 b) ARTIGO – é a palavra que vem antes do Substantivo para individualizá-lo ou para generalizá-lo. Ex: o livro a caneta um livro uma caneta Observe que quando digo “Pegue um caderno”, refiro-me a qualquer caderno, não especificando qual eu desejo. (artigo indefinido – são eles: UM, UMA, UNS, UMAS) Mas se eu disser “Pegue o caderno”, certamente você já saberá a qual deles me refiro. (artigo definido – são eles: O, A, OS, AS) c) ADJETIVO – é a palavra que acompanha ou modifica o Substantivo, para indicar sua qualidade, estado, condição. Ex: homem bom mulher grande substantivo adjetivo substantivo adjetivo Os Adjetivos podem ser flexionados em: - Gênero (masculino e feminino) = cidade pequena – barco antigo - Número (singular e plural) = cidade pequena – sonhos impossíveis - Grau (comparativo) = A árvore era mais alta que a casa. A noite foi tão quente quanto o dia. Seu irmão é menos estudioso que você. - Grau (superlativo) = Este exercício é facílimo. Fiz o exercício mais fácil de todos. Fiz o exercício menos fácil de todos. d) NUMERAL – é a palavra que dá ideia de número (um, dois, três, mil, etc.) ou de ordem numérica (primeiro, segundo, terceiro, milésimo, etc.). O numeral também pode indicar multiplicação (dobro, triplo, quádruplo) ou fração (meio, metade, terça parte, dois quinze avos).
  • 42. _____________________________________________________________________________ ____ 42 e) PRONOME – é a palavra que substitui ou acompanha um substantivo, indicando a pessoa gramatical. Ex: ELA chegou, mas não A vi. NOSSO carro é AQUELE calhambeque. OS PRONOMES PODEM SER: 1) Pessoais – Estes, subdividem-se em: retos e oblíquos e de tratamento. Pronomes retos (função de sujeito) Pronomes oblíquos (função de complemento) Pronomes de tratamento eu me, mim, comigo tu te, ti, contigo ele/ela se, lhe, o, a, si, consigo você, senhor, Vossa Excência, Vossa Majestade, etc. nós nos, conosco vós vos, convosco eles/elas se, lhes, os, as, si, consigo vocês, senhores, Vossas Excelências, Vossas Majestades, etc. 2) Possessivos – são os que dão ideia de posse, referindo-se a uma pessoa gramatical. Pronomes retos Pronomes possessivos 1ª. pessoa – EU meu, minha, meus, minhas 2ª. pessoa – TU teu, tua, teus, tuas 2ª. pessoa - ELE seu, sua, seus, suas 1ª. pessoa - NÓS nosso, nossa
  • 43. _____________________________________________________________________________ ____ 43 2ª. pessoa - VÓS vosso, vossa 3ª. pessoa - ELES seus, suas 3) Demonstrativos – são os pronomes que indicam a posição de um ser em relação à pessoa gramatical. Os principais pronomes demonstrativos são: ESTE, ESTA, ISTO, ESSE, ESSA, ISSO, AQUELE, AQUELA, AQUILO. Quanto ao seu uso, é importante sabermos que: - ESTE, ESTES, ESTA, ESTAS, ISTO – No espaço: indicam o que está próximo de quem fala/escreve. No contexto: referem-se a algo que será dito/escrito. No tempo: indicam tempo atual, presente (em relação ao momento da fala). EX: Esta aliança que está em meu dedo, é a recordação de um pacto. Meu grande objetivo sempre foi este: ajudar as pessoas. Esta aula de hoje é muito útil. - ESSE, ESSES, ESSA, ESSAS, ISSO – No espaço: indicam o que está próximo de quem ouve/lê. No contexto: referem-se a algo que já foi dito/escrito. No tempo: Marcam um tempo anterior próximo ou posterior próximo. EX: Posso dar uma olhada nesse livro que está com você? “É mentira!” – Foi só isso que ele disse antes de sair. A meteorologia prevê que esse fim de semana terá tempo bom. - AQUELE, AQUELES, AQUELA, AQUELAS, AQUILO – No espaço: indicam o que está longe de quem fala/escreve e de quem ouve/lê. No contexto: indicam um elemento referido anteriormente a outro. No tempo: indicam tempo distante, bem anterior ou posterior ao momento da fala/escrita.
  • 44. _____________________________________________________________________________ ____ 44 EX: Aqui do avião, aquele rio lá embaixo parece uma cicatriz na selva. Marcos e Carla são irmãos. Aquele é músico; esta é médica. Naquela época de meus avós, aqui só havia fazendas de café. 4) Relativos - são aqueles que retomam um substantivo (ou um pronome) anterior a eles, substituindo-o no início da oração seguinte. São eles: O/A QUAL, OS/AS QUAIS, QUE, CUJO, CUJOS, CUJA, CUJAS, QUEM, QUANTO, QUANTOS, QUANTA, QUANTAS, ONDE, AONDE. Ex: O jogo, que decidirá o campeonato, será no domingo. Conheço a cidade a qual (que) você visitou ontem. Serão atendidas as pessoas cujos nomes constem na lista. Visitarei a cidade onde nasci. 5) Indefinidos – são aqueles que se referem de modo vago, indeterminado, à 3ª. pessoa gramatical. Os mais comuns são: ALGUM (UNS), ALGUMA(S), ALGUÉM, NENHUM(UNS), NENHUMA(S), TODO(S), TODA(S), MUITO(S), MUITA(S), POUCO(S), POUCA(S), CERTO(S) CERTA(S), QUALQUER, QUAISQUER EX: Algum amigo telefonará para você. Certos indivíduos destroem as praças. As lojas todas estarão fechadas amanhã. Muitos serão chamados, porém poucos serão escolhidos. 6) Interrogativos – são pronomes empregados em frases interrogativas. São eles: QUE, QUEM, QUAL, QUAIS, QUANTO(S), QUANTA(S). EX: Quantos trabalhadores construíram este prédio? Qual era o nome do cozinheiro? Quem vencerá a Copa do Mundo?
  • 45. _____________________________________________________________________________ ____ 45 f) VERBO – é a palavra que podemos conjugar. O verbo, por si só, exprime um fato (em geral, ação, estado ou fenômeno) e localiza-se no tempo. Existem, na Língua Portuguesa, aproximadamente onze mil verbos, que são divididos em três subgrupos, chamados de conjugações. Assim: - 1ª. conjugação – todos os verbos terminados em AR (amar, cantar, dançar). 2ª. conjugação – todos os verbos terminados em ER (viver, ser, beber, vencer). 3ª. conjugação – todos os verbos terminados em IR (sentir, rir, vir, decidir). MODOS VERBAIS – São três: - Indicativo: exprime atitudes de certeza (ele virá) - Subjuntivo: exprime atitudes de hipótese (se ele vier) - Imperativo: exprime atitudes de ordem, pedido, conselho (venha) TEMPOS VERBAIS: - Presente (eu trabalho) MODO perfeito (eu trabalhei) INDICATIVO - Pretérito imperfeito (eu trabalhava) mais-que-perfeito (eu trabalhara) - Futuro do presente (eu trabalharei) do pretérito (eu trabalharia)
  • 46. _____________________________________________________________________________ ____ 46 MODO - Presente (que eu trabalhe) SUBJUNTIVO - Pretérito imperfeito (se eu trabalhasse) - Futuro (quando eu trabalhar) FORMAS - Infinitivo: terminação –R (andar, viver, sorrir) NOMINAIS - Gerúndio: terminação –NDO (andando, vivendo, sorrindo) - Particípio: terminação –ADO/-IDO (andado, vivido) VERBOS REGULARES: um verbo é regular quando ele, ao ser conjugado, não sofre nenhuma alteração no radical. EX: o verbo ANDAR, em qualquer tempo, modo e pessoa, o radical AND não sofrerá alteração: eu ando, se eles andassem, nós andaríamos, quando tu andares, etc. Outros exemplos de verbos regulares são: FALAR, VIVER, DEPENDER, DIVIDIR, PARTIR. VERBOS IRREGULARES: é aquele que, ao ser conjugado, sofre alterações, geralmente no radical. Vejamos alguns exemplos: DIZER – eu digo, se eu disser, eu direi. FAZER – eu faço, se eles fizessem, nós faremos. CABER – eu caibo, que eles coubessem, que eles caibam. PEDIR – eu peço, que nós peçamos, que eles peçam. VERBOS DEFECTIVOS: são os que apresentam falhas, defeitos, em sua conjugação. Algumas formas soariam estranham se as utilizássemos. EX: Ao conjugar os verbos COLORIR, ABOLIR, FALIR E CHOVER na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, teríamos: “eu coloro”, “ eu abulo”, “eu falo” e “eu chovo”.
  • 47. _____________________________________________________________________________ ____ 47 VERBOS ABUNDANTES: são aqueles que apresentam duas formas de mesmo valor. EX: MATAR = matado / morto PRENDER = prendido / preso O particípio regular apresenta as terminações –ado e –ido. Portanto, matado e prendido são particípios regulares e morto e preso são irregulares. Observe alguns verbos no quadro abaixo: Verbo abundante Particípio regular (terminação –ado / -ido) Particípio irregular Aceitar Aceitado Aceito Acender Acendido Aceso Eleger Elegido Eleito Entregar Entregado Entregue Enxugar Enxugado Enxuto Expulsar Expulsado Expulso Extinguir Extinguido Extinto Imprimir Imprimido Impresso Limpar Limpado Limpo Morrer Morrido Morto Murchar Murchado Murcho Soltar Soltado Solto Suspender Suspendido Suspenso Para que não haja dúvidas quanto ao uso desses verbos, você deverá observar o seguinte: - Particípio regular → usa-se com os verbos TER e HAVER. EX: A fome tem matado milhares de crianças em todo o mundo. O povo havia elegido o presidente. - Particípio irregular → usa-se com os verbos SER e ESTAR.
  • 48. _____________________________________________________________________________ ____ 48 EX: O presidente foi eleito com o apoio dos banqueiros. O cãozinho ainda não estava morto quando o tiramos da rua. ATENÇÃO: A expressão “Eu tinha chego”, NÃO EXISTE! g) ADVÉRBIOS / LOCUÇÕES ADVERBIAIS– são palavras invariáveis que se relacionam com o verbo para indicar as circunstâncias (de tempo, de lugar, de modo etc.) em que ocorrem as ações verbais. Veja no quadro abaixo, alguns advérbios/locuções adverbiais e suas classificações: Classificação Principais Exemplo Afirmação Sim, certamente, realmente, sem dúvida Nós vimos, sim, o filme. Dúvida Talvez, acaso Talvez viajemos juntos. Intensidade Pouco, bastante, muito, tão, demais Ela trabalha muito. Lugar Aqui, lá, perto, longe, por dentro, embaixo O hotel fica perto. Modo Mal, devagar, assim, às pressas, rapidamente O frio ia chegando devagar. Negação Não, de modo algum Eles não querem nos apoiar. Tempo Agora, sempre, nunca, brevemente, à noite, de vez em quando Você nunca viaja à noite? Atenção DIFERENÇA ENTRE O ADJETIVO E O ADVÉRBIO: O adjetivo modifica o substantivo, enquanto que o advérbio modifica o verbo.
  • 49. _____________________________________________________________________________ ____ 49 EXPLORE SEU CONHECIMENTO 1. A que classe de palavras pertencem os vocábulos destacados nas frases que seguem? As meninas estão brincando. Todos os jogadores eram excelentes. Haveria outra forma de acreditar nele? Os políticos brasileiros não têm muita credibilidade. 2. Alguns verbos que têm duplo particípio são chamados de verbos abundantes. Nas orações abaixo, assinale a que tem o emprego incorreto do particípio: a) O partido já tinha aceito a renúncia do candidato. b) Ambos tinham aceitado o chamado. c) As fogueiras estavam acesas. d) A empresa tinha suspendido o pagamento. e) O banheiro já fora enxuto. 3. A que classe de palavras pertence o termo grifado na seguinte oração: Aquele belo menino sabia escolher as palavras justas! 4,A que classe de palavras pertence o vocábulo grifado na oração que segue: Eles não saberiam escolher um presente que contentasse aquele professor casmurro.
  • 50. _____________________________________________________________________________ ____ 50 4.2 RESPOSTAS COMENTADAS Caro(a) aluno(a), depois que você estudou as classes de palavras, espero que você tenha classificado os vocábulos desatacados conforme abaixo: 1. A que classe de palavras pertencem os vocábulos destacados nas frases que seguem? As meninas estão brincando. (Artigo definido) Todos os jogadores eram excelentes. (Adjetivo) Haveria outra forma de acreditar nele? (Verbo) Os políticos brasileiros não têm muita credibilidade. (Substantivo) 2. a) O partido já tinha aceito a renúncia do candidato. O particípio correto é aceitado! 3. Aquele belo menino sabia escolher as palavras justas! Belo é adjetivo: caracteriza o substantivo menino. 4.Eles não saberiam escolher um presente que contentasse aquele professor casmurro. Eles é pronome pessoal do caso reto.
  • 51. _____________________________________________________________________________ ____ 51 CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA Caro (a) aluno (a), você agora verá os principais casos de concordância e regência de verbos e nomes. Espero que você aproveite este capítulo! CONCORDÂNCIA NOMINAL REGRA GERAL: As palavras variáveis (artigo, adjetivo, numeral e pronome) que se referem ao substantivo devem concordar com ele em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Ex: Todas as organizações humanitárias criticaram os dois países. pron art subst. adj verbo art num subst CASOS ESPECÍFICOS DE CONCORDÂNCIA NOMINAL 1) ANEXO, INCLUSO E OBRIGADO Concordam com a palavra a que se referem. Ex: Ele enviará anexos ao contrato os recibos. 5.1
  • 52. _____________________________________________________________________________ ____ 52 As taxas inclusas na mensalidade eram ilegais. A garotinha disse timidamente: obrigada. 2) MESMO E BASTANTE Essas palavras ora exercem papel de advérbio, ora de pronome. Como advérbio, são invariáveis; como pronomes, concordam com a palavra a que se referem. A palavra bastante irá para o plural (bastantes) quando puder ser trocada por muitos. Ex: As pessoas deveriam se interessar mesmo (advérbio = realmente) pela situação do país. As crianças mesmas (pronome) contaram o que aconteceu na festa. Por causa do calor, os ciclistas se desgastaram bastante. (advérbio = muito) Na biblioteca da escola, há bastantes (pronome = muitos) livros sobre ecologia. 3) CARO, BARATO, SÓ E MEIO Caro, barato e só são invariáveis quando funcionam como advérbio e variáveis quando funcionam como adjetivo. Ex: Os turistas pagam caro (advérbio) para se hospedar neste hotel. Elas só usam jóias baratas (adjetivo de jóias), embora sejam ricas. São muito caras (adjetivo de internações) as internações em hospitais particulares. Muitas pessoas se sentem sós (adjetivo de pessoas), mesmo no meio da multidão. Meio – quando numeral (metade), concorda com a palavra a que se refere; quando advérbio (um pouco), é invariável. Ex: Ao meio (numeral)-dia e meia (numeral), as crianças já estão meio advérbio cansadas. Atenção! Ela anda meio preocupada!!! Nunca diga : Ela anda meia preocupada!!!
  • 53. _____________________________________________________________________________ ____ 53 4) É BOM, É PROIBIDO, É NECESSÁRIO + SUBSTANTIVO Se o substantivo está acompanhado de artigo ou pronome, o adjetivo concorda com o substantivo. Ex: É proibida a entrada de estranhos. Se o substantivo apresenta-se sem palavra determinante, o adjetivo fica invariável. Ex: É proibido entrada de estranhos. Para aturá-lo, é necessário paciência. Todos sabem que laranja é bom para a saúde. CONCORDÂNCIA VERBAL a) Com sujeito simples – Como o sujeito sempre manda no verbo, se o sujeito estiver no plural, o verbo o acompanhará, não importando a colocação do verbo na frase. Veja: O menino apareceu na festa. / Os meninos apareceram na festa. A alta dos preços dos alimentos irrita o povo. 5.2
  • 54. _____________________________________________________________________________ ____ 54 ATENÇÃO: I- Qualquer nome acompanhado de artigo no plural exige o verbo no plural. Ex: OS Andes FICAM na América do Sul. OS Estados Unidos SÃO uma superpotência. II- Se o artigo estiver no singular, ou se não houver artigo, o verbo ficará no singular. Ex: O Amazonas É um grande rio. CAMPINAS É uma grande cidade. III- Quando um pronome no singular estiver seguido das expressões DE NÓS, DE VÓS, DE VOCÊS, DELES, ou de qualquer outra no plural, o verbo ficará no singular. Ex: NENHUM de nós VOTARÁ mais em gente corrupta. ALGUM de vocês GOSTA de políticos demagogos? IV- Se, porém, o pronome estiver no plural, o verbo concordará com a expressão que vier depois do pronome. Ex ALGUNS de nós ainda VOTAREMOS em gente corrupta? QUAIS de vós ainda VOTAREIS em gente corrupta? V- O pronome QUEM exige o verbo na 3ª. pessoa do singular. Ex: Hoje sou EU QUEM paga a conta. Hoje somos NÓS QUEM paga a conta. VI- Porém, se no lugar do pronome QUEM, aparecer QUE, a concordância se fará com o pronome reto anterior. Ex: Hoje sou eu QUE pago a conta. Hoje somos nós QUE pagamos a conta. Hoje são eles QUE pagam a conta.
  • 55. _____________________________________________________________________________ ____ 55 VII- O verbo FAZER, quando dá ideia de tempo, não varia. Ex: FAZ dois anos que não viajo. Ontem FEZ trinta dias que assisti a esse filme. VIII- O verbo HAVER, quando significa existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais), não varia. Ex: HAVIA muitas pessoas na fila. (existiam) HAVERÁ eleições este ano. (realizar-se-ão) HÁ tempos não viajo de trem. (faz) IX- Os verbos DAR, SOAR E BATER variam normalmente. Ex: Já DERAM onze horas? ESTÃO DANDO seis horas só agora. Já SOARAM oito horas? b) Com sujeito composto - REGRA GERAL: Todo sujeito composto exige o verbo no plural. Ex: Ela e o namorado CAÍRAM do cavalo. ALGUNS CASOS ESPECIAIS I- Sujeito formado por infinitivos exige o verbo no singular. Ex: Apanhar e chorar FAZ bem de vez em quando. II- Se, porém, os infinitivos forem antônimos, ou se vierem com o artigo O, o verbo irá para o plural. Ex: Rir e chorar SÃO próprios do homem. O comer e o beber demais FAZEM mal à saúde
  • 56. _____________________________________________________________________________ ____ 56 REGÊNCIA NOMINAL É o modo como o nome se relaciona com o termo que lhe serve de complemento. Observe a frase abaixo e veja que nela falta algo: “ Meu filho tem medo de escuro”. Você percebe que há algo errado? Pois é, falta a preposição “de”, porque a palavra “medo” exige a preposição, pois, quem tem medo, tem medo DE algo ou de alguém. Não dizemos ter medo algo ou alguém, não é verdade? É exatamente essa ocorrência que denominamos regência nominal, pois determinados “nomes” exigem certas palavrinhas (preposições) para ligá-los a outras. Relação de nomes e as preposições que eles exigem: Adepto DE Favorável A Relativo A Alheio A Feliz DE, POR, EM, COM Residente EM Ansioso POR, PARA Impróprio PARA Rigoroso COM, EM Apto A, PARA Imune A, DE Simpatia A, POR Aversão A, POR Inofensivo A, PARA União COM, ENTRE Benéfico A, PARA Junto A, DE Vazio DE 5.3
  • 57. _____________________________________________________________________________ ____ 57 Ciente DE Livre DE Cheio DE Composto POR, DE Paralelo A Vizinho A, DE Contente COM, POR, DE Próximo A, DE Vulnerável A Desprezo A, POR Referente A Inferior A Invasão DE Ódio A Liderança SOBRE Atenção A Consulta A REGÊNCIA VERBAL Assim como os nomes têm formas adequadas para relacionarem-se com seus complementos, os verbos também têm. Entretanto, no caso dos verbos, alguns deles podem ter mais de um significado, segundo o seu tipo de complemento. É disso que trataremos agora. Veja os significados do verbo assistir: - Ele assistiu ao jogo. (viu.) - O médico assistiu o paciente. (auxiliar, dar assistência) Observe a regência de alguns verbos: 5.4
  • 58. _____________________________________________________________________________ ____ 58 VERBO SIGNIFICADO PREP EXEMPLOS agradar Fazer carinho, acariciar Ser agradável, satisfazer - A A mãe agrada o filho. O jogo não agradou a todos. aspirar Cheirar, inspirar Desejar, almejar - A Aspirei o perfume da rosa. Aspirei ao cargo de chefia. assistir Presenciar, ver Dar assistência, ajudar A - Assistiu ao filme. Assistia o doente com carinho. implicar Demonstrar antipatia Acarretar, provocar COM - Meu pai implica com meu namorado. Isto implica problemas. importar Fazer vir de outro país Acarretar, exigir - - Importou um computador. Isto importa grandes gastos. importar-se Dar importância, ter consideração COM Ana não se importa com você. informar (avisar) Alguma coisa A alguém - A Informou o resultado da prova. Informou aos funcionários. obedecer / desobedecer Sujeitar-se, cumprir Não cumprir A A Ele obedece ao regulamento. O motorista desobedece ao sinal. pagar Alguma coisa A alguém - A Antônio pagou a dívida. Antônio pagou ao médico. perdoar Alguma coisa A alguém - A Maria perdoou a ofensa. Maria perdoou ao irmão. pisar Caminhar sobre - Não pise a grama. preferir Achar melhor, gostar mais de A Prefiro teatro a televisão. A norma culta não admite preferir mais...do que... proceder Ter fundamento Vir de algum lugar Dar início - DE A Sua reclamação não procede. O trem procede de São Paulo. O mesário procedeu à votação. querer Desejar, cobiçar - Eu quero a bala.
  • 59. _____________________________________________________________________________ ____ 59 Amar, estimar A Quero bem a meus alunos. visar Pretender, aspirar Assinar, rubricar Dirigir a pontaria, mirar A - - Eles visam ao lucro. Elas visaram o cheque. O treinador visou o alvo. 5.5 EXPLORE SEU CONHECIMENTO 1. Marque o item que completa convenientemente as lacunas: Evitemos as ______________ palavras. Acolheu-me com palavras _________________ estranhas. Não temos razões ___________________ para impugnar sua candidatura. Estavam _________________ felizes. Há _____________ indecisões do que parece. a) Meio – meias – bastante – bastante – menos b) Meias – meio – bastante – bastante – menos c) Meias – meio – bastantes – bastante – menos d) Meio – meias – bastantes – bastante – menos e) Meias – meias – bastantes – bastantes – menos 2. A frase em que a concordância nominal está correta é: a) A vasta plantação e a casa grande caiados há pouco tempo era o melhor sinal de prosperidade da família. b) Eles, com ar entristecidos, dirigiram-se ao salão onde se encontravam as vítimas do acidente. c) Não lhe pareciam útil aquelas palavras esquisitas que ele cultivava na sua pacata e linda chácara do interior.
  • 60. _____________________________________________________________________________ ____ 60 d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o braço direitos, mas estava totalmente lúcido. e) Esses livros e caderno não são meus, mas poderão ser importante para a pesquisa que estou fazendo. 3. Complete com a palavra entre parênteses, observando a correta regência: Todos os documentos estavam ________ ao processo. (anexo/anexos) 4.Complete, observando a correta regência do verbo ver: Os brasileiros assistem ___novelas da globo que geralmente reforçam estereótipos acerca de preconceitos dos mais variados tipos.(as/às) 5.6 RESPOSTAS COMENTADAS Caro(a) aluno(a), depois de ter estudado as regras de concordância e regência, espero que você tenha escolhido as alternativas abaixo. Confira e veja se acertou! 1. c) Meias – meio – bastantes – bastante – menos 2. d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o braço direitos, mas estava totalmente lúcido. 3. Todos os documentos estavam ANEXOS ao processo. (anexo/anexos) Anexos concorda com a palavra documentos. 4. Os brasileiros assistem ÀS novelas da globo que geralmente reforçam estereótipos acerca de pre variados tipos.(as/às). O verbo assistir é transitivo indireto quando significa ver, por isso exige a prepo- sição a.
  • 61. _____________________________________________________________________________ ____ 61 CRASE, PONTUAÇÃO E VÍCIOS DE LINGUAGEM Caro (a) aluno (a), você estudará neste capítulo o uso da crase, da pontuação correta além do uso de algumas expressões da norma culta. Então, mão à obra! C R A S E Denomina-se crase a fusão da preposição ‘a’ com o artigo definido feminino ‘a’. Na língua escrita, a crase é indicada pelo acento grave: à(s). 1º CASO) PREPOSIÇÃO ‘A’ + ARTIGO ‘A’(S) Depende de duas condições: a) O termo regente deve exigir a preposição ‘a’; b) O termo regido precisa ser uma palavra feminina que admita o artigo ‘a’(s). Ex: Esta rua é paralela a a avenida. = Esta rua é paralela à avenida. MÉTODO PRÁTICO Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente e observe o que ocorre. a) Se, antes da masculina, aparecer ao(s) = coloque o sinal de crase antes da feminina. b) Se, antes da masculina, aparecer apenas a(s) ou o(s) = não coloque o sinal de crase. 6.1
  • 62. _____________________________________________________________________________ ____ 62 Ex: Eles retornarão à fazenda hoje. = Eles retornarão ao clube hoje. Ele fez críticas a algumas amigas. = Ele fez críticas a alguns amigos. O sonho de meu amigo é conhecer a Espanha. = O sonho de meu amigo é conhecer o Japão. CASOS EM QUE NUNCA OCORRE CRASE Antes de palavra masculina Ex: Ela jamais passeia a cavalo. Este carro é movido a álcool. Antes de verbo. Poderia ajudar a fazer? A menina começou a chorar. Antes de pronomes em geral. O menino desobedeceu a lei. Ele se dedica a alguma atividade? Antes de nome de cidade. Você não vai a Manaus? A viagem a Santos será breve. Antes da palavra casa sem especificativo. Com a chuva, voltei a casa. Com a chuva, voltei à casa de Roberto. Antes da palavra terra com sentido oposto ao de ‘água/mar’. Os náufragos chegaram a terra. Os náufragos chegaram à terra natal. No ‘a’ singular antes de palavra no plural. Ele se dirigiu a pessoas estranhas. Nunca vai sozinho a festas. Entre palavras repetidas. Percorreu o país de ponta a ponta. Ficou frente a frente com o rival. CASOS EM QUE SEMPRE OCORRE CRASE Locuções em que a crase é obrigatória. Locuções adverbiais femininas De tempo: às vezes, ele vem aqui às sextas-feiras à noite. De lugar: Os grevistas foram à prefeitura e depois à praça central.
  • 63. _____________________________________________________________________________ ____ 63 De modo: Consertamos o carro às pressas e saímos às escondidas. Locuções prepositivas – Forma geral: (à + palavra feminina + de) As mais usadas são: À esquerda de à moda de à mercê de À direita de à espera de à custa de à frente de à procura de à semelhança de OBS: A locução prepositiva “à moda de” pode ocorrer parcialmente subentendida; mesmo assim continua exigindo crase. Ex: No jogo de ontem, o jovem atacante fez um gol à Pelé. (à moda de Pelé) Locuções conjuntivas Existem apenas duas locuções desse tipo: “à medida que” e “à proporção que”. Ex: Os pássaros silenciam, à medida que a noite chega. À proporção que o tempo passava, a tensão crescia. CASOS EM QUE A CRASE É OPCIONAL 1) Antes de pronomes possessivos femininos Com os pronomes possessivos (minha, tua, nossa, etc.), o artigo é opcional. Ex: A minha irmã chegará no domingo. OU Minha irmã chegará no domingo. Portanto, a crase também é opcional. Ex: Ele não se referiu a minha irmã. OU Ele não se referiu à minha irmã. 2) Antes de nomes de mulheres Ex: Raquel esteve aqui ontem. OU A Raquel esteve aqui ontem. Portanto, o mesmo acontece com a crase. Ex: Faremos uma visita a Raquel. OU Faremos uma visita à Raquel. 3) Depois da palavra ‘até’ Essa palavra, quando inicia expressões indicativas de lugar, pode ocorrer seguida pela preposição ‘a’ (até a algum lugar) ou sozinha (até algum lugar). Ex: As crianças foram até à praça. OU As crianças foram até a praça.
  • 64. _____________________________________________________________________________ ____ 64 2º CASO) PREPOSIÇÃO ‘A’ + PRONOME DEMONSTRATIVO ‘A’(S) A palavra ‘a’(s) é pronome demonstrativo quando aparece depois de que ou de e pode ser trocada por aquela(s). Para verificar se ocorre crase com esse demonstrativo, pode- se utilizar este recurso prático: Troca-se o substantivo feminino anterior ao ‘a(s)’ por um substantivo masculino equivalente e observa-se o seguinte: - Se, antes do que (ou de), aparecer ‘ao(s)’ = ocorre crase no ‘a(s)’ da feminina. - Se, antes do que (ou de), aparecer apenas ‘o(s)’ = não ocorre crase no ‘a(s)’ da feminina. Exemplos: Esta estrada é paralela à que corta a região. = Este caminho é paralelo ao que corta a região. Suas opiniões são idênticas às de meu irmão. = Seus sonhos são idênticos aos de meu irmão. Comprarei esta blusa, não a que vi na outra loja. = Comprarei este tênis, não o que vi na outra loja. 3º CASO) PREPOSIÇÃO ‘A’ + AQUELE(S) / AQUELA(S) / AQUILO Para ocorrer crase com esses demonstrativos, basta que o termo regente exija a preposição ‘a’, uma vez que eles já apresentam o ‘a’ na sílaba inicial. Ex: a + aquele(s) = àquele(s) a + aquela(s) = àquela(s) a + aquilo = àquilo
  • 65. _____________________________________________________________________________ ____ 65 Método prático Substitua: Aquele(s) por este(s) Aquela(s) por esta(s) Aquilo por isto Se, antes do este(s), esta(s), isto, sobrar um a, coloque o sinal de crase no aquele(s), aquela(s), aquilo. Exemplos: Você se refere àquele professor? = Você se refere a este professor? Muitos cristãos visitam aquela cidade. = Muitos cristãos visitam esta cidade. SINAIS DE PONTUAÇÃO a) Vírgula Indica uma pequena pausa. Serve para tornar a frase mais melódica, dando clareza ao sentido. Veja algumas regras para o uso correto da vírgula: I- Para separar palavras da mesma classe: Ex: A chácara tem pomar, horta, curral e pastagens. II- Para separar vocativos (chamamento): Ex: Claudete, prepare o jantar com muitas verduras. Prepare o jantar, Claudete¸ com muitas verduras. Prepare o jantar com muitas verduras, Claudete. III- Para separar palavras ou expressões explicativas: Ex: Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, é uma referência no turismo. Ele não pode fazer, ou melhor, não quis fazer. IV- Para separar vários tipos de orações: Ex: O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém. Ele queria falar, mas não conseguia. 6.2
  • 66. _____________________________________________________________________________ ____ 66 Não sofra, que será pior. Ou você estuda, ou você namora. Eduardo não só me abraçou, mas também me beijou. Todas as pessoas, quando são jovens, geralmente têm boa saúde. b) O ponto final Usado para indicar o final de uma oração declarativa. É a maior pausa da voz depois de um grupo de palavras. Ex: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao final dá em caminhos de morte”. – Prov. 14:12 “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. – Prov. 22:6 c) Ponto-e-vírgula Como o próprio nome diz, é um sinal intermediário entre o ponto final e a vírgula. Pode ser considerado, às vezes como um ponto reduzido, às vezes como uma vírgula prolongada. Ex: “O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve- se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos”. – Ecl. 1:6 d) Dois pontos Os dois pontos servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. (Cunha e Cintra) Ex: Como ela não definiu nada, eu perguntei: - Quando você chegará? e) Ponto de interrogação É o sinal usado no final de uma interrogação. Ex: - Você virá amanhã? f) Ponto de exclamação
  • 67. _____________________________________________________________________________ ____ 67 Este sinal é usado pelo autor para denotar exclamação, podendo variar a sua interpretação pelo leitor. Geralmente usa-se depois de interjeições, depois de imperativos ou repete-se o ponto de exclamação para marcar um reforço na duração, na intensidade ou na altura da voz. (Cunha e Cintra) Ex: - Não quero mais vê-lo. Adeus! - Ah! Que pena! g) Reticências Indicam ruptura na frase. ( A ruptura pode ser provocada por hesitação, surpresa, dúvida ou timidez de quem fala, etc.) Ex: - Analise a situação... – avisou o chefe. ALGUNS VÍCIOS DE LINGUAGEM São justamente considerados vícios alguns empregos que contrariam o bom uso do idioma: - ECO – a repetição de um mesmo som, como se fosse uma sequência de rimas (quando este não é o objetivo). Ex: A cria sofria todo dia de alergia. - COLISÃO – a repetição de consoantes ou de sílabas iguais ou parecidas. Ex: O doido deu o dado ao doutor. (D) - PARAQUENA – a repetição do mesmo som no final de uma palavra e início da seguinte. Ex: Não ficaria, caso pudesse seguir. - CACOFONIA – é a junção de palavras que formam outra de sentido ridículo ou obsceno (se surgirem outras palavras NÃO ridículas ou obscenas, não há cacofonia). Ex: A vez passada comemos aqui. (a vespa assada) 6.3
  • 68. _____________________________________________________________________________ ____ 68 A boca dela estava com o batom manchado. (cadela) A alma minha vive por você. (maminha) Preciso ir-me já, porque está tarde. (mijá) REDUNDÂNCIA – repetição de uma mesma ideia Ex: subir lá em cima – descer pra baixo – sair pra fora – novidade inédita – hemorragia de sangue – pomar de frutas – hepatite do fígado – adiar pra depois AMBIGUIDADE – é o que causa duplo sentido, numa frase má construída. Ex: Machucaram o cachorro do meu tio. (Machucaram o cachorro que é do meu tio) O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz. (as palavras de quem? Do advogado ou do réu?) 6.4 EXPLORE SEU CONHECIMENTO 1. Qual alternativa completa corretamente a oração abaixo? Chegou-se _____ conclusão de que a escola também é importante devido _____ merenda escolar que é distribuída gratuitamente _____ todas as crianças. a) à - à - à b) a - à - a c) a - à - à d) à - à - a e) à - a – a 2. Não fora a intenção do autor, no texto abaixo, teríamos um caso de qual vício de linguagem?
  • 69. _____________________________________________________________________________ ____ 69 “Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos”. a) Cacofonia b) Paraquena c) Colisão d) Eco e) Redundância 3. Complete, observando o uso do padrão culto da língua em relação à crase: Ele preferia cinema ____ teatro.(a/à) 4.Na frase que segue há um vício de linguagem. Elimine-o. Os alunos subiam para cima apressadamente e atropelavam-se mutuamente. 6.5 RESPOSTAS COMENTADAS Caro(a) aluno(a), após ter estudado o capítulo, espero que suas respostas sejam as que seguem. Confira! 1. Qual alternativa completa corretamente a oração abaixo? Chegou-se à conclusão de que a escola também é importante devido à merenda escolar que é distribuída gratuitamente a todas as crianças. 2. Trata-se do vício de linguagem denominado Colisão que consiste na repetição de fonemas consonantais (P). 3. Ele preferia cinema A teatro.(a/à)
  • 70. _____________________________________________________________________________ ____ 70 Não se usa crase diante de palavra masculina ( o teatro). 4.Os alunos subiam para cima apressadamente e atropelavam-se mutuamente. Subir para cima é um vício de linguagem. Deve-se retira a expressão para cima. BIBLIOGRAFIA: ABREU, Antonio S. Curso de Redação. São Paulo: Editora Ática, 2001. FARACO, Carlos E. e MOURA, Francisco M. de. Gramática. São Paulo: Ed FÁVERO, L.L.& KOCH, I.G.V. Linguística textual: introdução. São Paulo: Cortez, 1983.itora Ática, 1998. KOCH, I.G.V. Coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989. __________. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1996. __________. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. KOCH & TRAVAGLIA, L.C. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1989. PEREIRA, Gil C. A palavra: expressão e criatividade. São Paulo: Editora Moderna, 1997. FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. São Paulo: FTD, 2007. Site: Português.com SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi. São Paulo: Editora Nova Geração, 2008. CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. Nova gramática do Português contemporâneo. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.